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Bordalo Pinheiro

Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro (Portugal, Lisboa, 20 de Junho de 1867 - Portugal, Lisboa, 8 de Setembro de 1920), mais conhecido como Bordallo Pinheiro, foi um ilustrador, ceramista, caricaturista português. Foi pioneiro da ilustração infantil em Portugal, com a criação do herói que deu nome à revista O Gafanhoto. Artista multifacetado e criador de uma vasta obra gráfica, Manuel foi presidente do Grupo de Humoristas Portugueses e professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio e na Escola Industrial Fonseca Benevides. Herdou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, após a morte de seu pai, o ilustre Rafael Bordalo Pinheiro, gerindo a fábrica. Após 3 anos, fundou uma nova fábrica, tornando-se característica de sua produção, a aliança entre o naturalismo da cerâmica das Caldas da Rainha e as tendências da corrente Arte Nova.

Biografia Wikipédia

Filho de Rafael Bordalo Pinheiro e de Elvira Ferreira de Almeida. Iniciou a sua atividade de ilustrador numa publicação de seu pai, O António Maria (1879-1885;1891-1898) . Para além desta, também trabalhou nas revistas Pontos nos ii (1885-1891), A Paródia (1900-1907), que dirigiu após a morte do pai. Colaborou também nas revistas Serões (1901-1911), Ilustração Portugueza (1903-1923), Atlântida (1915-1920), Miau! (1916) e O Gafanhoto, entre muitas outras.

Foi presidente do Grupo de Humoristas Portugueses e professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio e na Escola Industrial Fonseca Benevides.

Herdou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, após a morte paterna, em 1905, e sucedeu-lhe na gestão da fábrica. Em 1908 fundou uma nova fábrica, inicialmente denominada de "São Rafael" e mais tarde denominada Fábrica Bordalo Pinheiro. É característica da sua produção a aliança entre naturalismo da cerâmica das Caldas da Rainha e as tendências da corrente Arte Nova.

Foi retratado em 1884 num óleo sobre madeira da autoria de seu tio, Columbano Bordalo Pinheiro.

Executou também vários painéis de azulejo pintado, onde fez uso da sua experiência de desenhador, aplicados em edifícios da capital e das Caldas da Rainha, como o Museu Militar e o Palacete Mendonça, em Lisboa.

A 6 de dezembro de 1920, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Em 1921 foi proferida uma conferência em homenagem a Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, seu pai Rafael Bordalo Pinheiro e seu avô Manuel Maria Bordalo Pinheiro, que resultou na obra "Os três Bordalos".

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro | Museu Bordalo Pinheiro

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) foi desenhador, humorista, ilustrador e ceramista. Autor de vasta obra gráfica, fez banda desenhada e destacou-se como pioneiro da ilustração infantil em Portugal. Inovou na cerâmica, conciliando a tradição naturalista das Caldas da Rainha e a Arte Nova.

Nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1867, cidade onde viria a falecer a 8 de setembro de 1920.

Filho do célebre artista Rafael Bordalo Pinheiro e seu principal seguidor publicou pela primeira vez no jornal paterno O António Maria, em 1884, colaborando desde aí ativamente e com enorme dedicação nos jornais fundados pelo seu pai, como também nos Pontos nos ii e n’A Parodia, que veio a dirigir até 1907.

Participou em várias publicações periódicas, realizando BD‘s cómicas para diversas revistas ilustradas, ao lado de artistas das artes e letras do período.

Ilustrou obras literárias, livros técnicos e revistas, salientando-se as colaborações na Illustração Portugueza e na Atlântida, entre 1913 e 1920, período pouco conhecido da sua produção gráfica.

Na sua obra, tem destaque a ilustração infantil, com a criação do herói que deu nome à revista Gafanhoto, publicada entre 1903 e 1910, e o livro O Sr. Wilson e os seus sete presentes, publicado postumamente (1921).

Após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, em 1905, deu continuidade à produção cerâmica nas Caldas da Rainha, realizando várias exposições onde apresentou modelos do seu pai, mas também diversas criações da sua autoria, pelas quais recebeu largos elogios na imprensa da época.

Manuel Gustavo viveu sob a égide de um legado familiar forte e reconhecido que marcou o seu empenho na continuidade e na defesa da obra “bordaliana”. Conseguiu inovar nos seus trabalhos gráficos e cerâmicos, encontrando um equilíbrio entre a herança paterna e a modernidade do início do século XX, aproximando-se de uma nova linguagem que dava resposta à jovem geração de leitores e de diferentes públicos da Fábrica de Faianças.

Defendeu como nenhum outro a arte de Rafael Bordalo Pinheiro e teve como grande ambição internacionalizar a indústria cerâmica das Caldas da Rainha, como nos escreve em 1909:

Jurei a mim mesmo lutar até à última para continuar e sustentar esta indústria tão pitoresca, tão portugueza e apesar de tantos sacrifícios anima-me sempre a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América e poder trabalhar enfim, com socego e desassombro.

É esta a esperança que me faz viver. — Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro [“3ª Exposição” Faianças Artísticas das Caldas da Rainha, 1909].

Fonte: Museu Bordalo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Bordallianos do Brasil

A marca Bordallo Pinheiro é herdeira do extraordinário património da Fábrica de Faianças Artísticas, fundada por Rafael Bordallo Pinheiro em 1884, onde concebeu centenas de modelos de criatividade ímpar, que ali continuam a ser reproduzidos, reunindo diariamente saberes centenários, aplicados com a mestria dos artesãos.

Bordallo Pinheiro, personalidade emblemática do panorama político e cultural do século XIX foi um artista de invulgar talento e versatilidade: desenhador, aguarelista, ilustrador, caricaturista político e ceramista. Honrando o espírito do fundador, tem sido uma prioridade da empresa a aposta em projetos criativos com artistas plásticos e designers contemporâneos. As obras dos criadores que integram o projeto Bordallianos do Brasil estarão sempre associadas à história da sua concepção, ao sentido que mobilizou cada artista a efetuar uma residência artística na Fábrica Bordallo Pinheiro, ao encontro com a obra do Mestre, ao discurso interno do próprio artista e ao diálogo com os materiais cerâmicos.

Do sincronismo de ideias e profunda admiração pela obra de Rafael Bordallo Pinheiro nasceram estas obras. Com as suas matrizes naturalistas como suporte, vinte artistas brasileiros trabalham questões conceptuais e formais da contemporaneidade, com uma poética própria. Em 1875, Bordallo parte para o Brasil onde dirige e ilustra jornais humorísticos, durante cerca de 4 anos, realizando, em 1899, exposições de faiança no Rio de Janeiro e em São Paulo, presenteando então a Presidência da República Brasileira com a sua maior obra cerâmica, a majestosa Jarra Beethoven. Bordallianos do Brasil tem assim raízes que vêm do passado, numa visão futura de expansão da marca Bordallo

Pinheiro. O projeto nasce ainda na continuidade da iniciativa 7 Bordallianos, que assinalou a comemoração dos 125 anos da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde artistas plásticos portugueses reinterpretaram a obra de Bordallo. Desenvolver o projeto no “Ano de Portugal no Brasil e Brasil em Portugal” surgiu como o cenário perfeito para o aproximar das duas culturas que têm tanto em comum, dando seguimento ao desejo e fascínio de Rafael Bordallo Pinheiro pelo Brasil.

Fonte: Bordallianos do Brasil. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920)

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro foi desenhador, humorista, ilustrador e ceramista. Autor de uma vasta obra gráfica, fez banda desenhada e destacou-se como pioneiro da ilustração infantil em Portugal. Inovou na cerâmica, conciliando a tradição naturalista das Caldas da Rainha e a Arte Nova.

Nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1867, cidade onde viria a falecer a 8 de setembro de 1920.

Filho do célebre artista Rafael Bordalo Pinheiro e seu principal seguidor, publicou pela primeira vez no jornal paterno 'O António Maria', em 1884, colaborando desde aí nos jornais fundados pelo seu pai, entre muitos outros.

Viveu sob a égide de um legado familiar forte e reconhecido que marcou o seu empenho na continuidade e na defesa da obra “bordaliana”.

Fonte: Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #1: abrindo caminho (1867-1870). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #2: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 2: histórias desenhadas (1880s-1890s)

Década de 1880

Os primeiros anos da década de 1880, crivados pela morte do avô Manuel Maria, foram marcantes no percurso artístico de Manuel Gustavo.

Manuel Gustavo serviu de modelo ao tio Columbano, em diferentes registos que documentam a sua juventude.

Entre outras telas pintadas por seu tio, destaca-se esta representação de Manuel Gustavo a tocar piano, em atenta interpretação musical.

Os álbuns (ou sketches books) eram uma prática recorrente na aprendizagem de um jovem desenhador, sobretudo destinados a registar vistas do natural, ao ar livre.

O álbum datado de 1883 contém os mais antigos desenhos que conhecemos de Manuel Gustavo, apresentando diversos estudos de figura, a carvão.

Desde 1884, ano da sua estreia n’ O Antonio Maria com o desenho “Inda é noite…” (01.05.1884), Manuel Gustavo foi presença assídua nos jornais de humor de Rafael Bordalo Pinheiro, afirmando-se como desenhador no jornal Pontos nos ii a partir de 1887, com a publicação de páginas inteiras dedicadas ao cartoon político.

As estadias prolongadas de Rafael Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha, onde começou a trabalhar na recém-inaugurada Fábrica de Faianças, deram espaço a Manuel Gustavo para se dedicar a este jornal, cabendo-lhe a responsabilidade de desenhar diversos cadernos inteiros da publicação. Também Rafael Bordalo Pinheiro desenhou muitas páginas do jornal nas Caldas da Rainha, tendo Manuel Gustavo de as transpor depois para litografia.

No ano de 1889, em que Rafael está em Paris como responsável pela decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal, Manuel Gustavo desenha em exclusivo doze cadernos para os Pontos nos ii.

Em 1884, Manuel Gustavo publicou pela primeira vez no jornal O Antonio Maria.

Rafael anunciava assim o novo colaborador:

'Apresentamos ao público em geral, e aos leitores do 'O Antonio Maria' em particular o nosso morgado, como lá se diz, o herdeiro presuntivo da nossa glória e dos nossos bonecos, a carne da nossa carne e o lápis do nosso lápis (…)'

E assim foi. Manuel Gustavo abriu caminho com historietas cómicas nos jornais, numa colaboração inicial algo esporádica.

Os temas mundanos, como a ida às praias, foram assuntos que privilegiou.

No ano de 1884, Rafael fundou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

Ocasionalmente, Manuel Gustavo acompanhava o pai nas idas às Caldas, confraternizando com a juventude e a sociedade caldense, que depois veio a caricaturar.

Encontros familiares foram registados em fotografia. É o caso deste piquenique, ao que parece na Foz do Arelho.

Do lado esquerdo, identifica-se Manuel Gustavo (2), junto ao seu tio Columbano (3), a sua tia Maria Augusta (5). Do lado direito, Rafael, seu pai (5), junto a Elvira, sua mãe (6)."

A partir de 1885, Manuel Gustavo teve uma participação cada vez mais ativa no jornal Pontos nos ii.

Herdou do seu pai o gosto em se autorrepresentar como personagem dos seus desenhos, que nos deixam um testemunho divertido da sua personalidade.

É o caso da “Gestação de um desenho”, feito num dia de calor...

... em que a miragem de uma cerveja leva a melhor.

Outro exemplo é o de uma “História verídica”, em Coimbra, que merece atenção pelo recurso à máquina fotográfica na novíssima “detetiva”.

O ano de 1889 trouxe a ausência paterna e o consequente avolumar de trabalho.

Rafael partiu para Paris para planear e executar a decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal, que Manuel Gustavo também visitou.

Número especial dedicado à Exposição Universal de Paris publicado nos Pontos nos ii em 1889.

Os principais colaboradores dos Pontos nos ii: Manuel Gustavo, Pan Tarântula (Alfredo Morais Pinto), que escreveu muitos do textos desta publicação, e Rafael.

Ao fundo, a recém-inaugurada Torre Eiffel.

O jovem artista teve a oportunidade de desenhar cadernos para o jornal Pontos nos ii, exclusivamente da sua autoria.

Rafael, de Paris, dava-lhe alento:

'Meu querido Manuel, (…)

' (...) Podes estar certo que estás desenhando a par do que se faz melhor em França para isso te tenho mandado todos os jornais que aqui se publicam com maior voga – para assim tu adquirires a confiança em ti de que tanto necessitas. (…)'

Década de 1890

Os temas explorados na obra gráfica do artista mostram um novo gosto que privilegia o desporto, registando o “Lawn-tennis nas Caldas da Rainha”, o “Match de Football” e dando especial atenção à Esgrima e à Velocipedia em registos verídicos ou adaptações à crítica política.

As crónicas da sociedade destacam também a representação de personalidades que se reuniam nas touradas e nos clubes de Cascais ou Estoril, eventos que muitas vezes frequentava.

Apesar da forte componente política dos seus desenhos, em concordância com o panorama do desenho de humor oitocentista, onde é figura de relevo Rafael Bordalo Pinheiro, a representação de novos temas ligados ao comentário social e à ideia de progresso ganham força na sua obra.

A partir da segunda série d’'O Antonio Maria', em 1891, e n’ 'A Parodia' encontramos notícias sobre o novo ritmo da cidade de Lisboa, com notícias sobre os “candeeiros de Lisboa a gaz”, a “novidade elétrica” nos transportes públicos da capital ou o novo conceito de velocidade, aterradora, com o aparecimento dos novos veículos automóveis.

Questões sociais têm também lugar com comentários sobre a emancipação da mulher ou a carestia de vida, denunciando a pobreza e a fome de parte da população.

Em junho de 1890, Eugénio de Castro, seu amigo, descrevia a personalidade sensível do artista:

'(…) O seu maior defeito é ver o (…)'

'(…) mundo através dos óculos azuis da desilusão, em vez de o olhar, sarcasticamente, através do monóculo da troça. Porque a verdade é esta, meu amigo, a nossa decadência dá vontade de rir (…)'

Em 1892, Manuel Gustavo colaborou com o pai na Exposição Colombiana, em Madrid, e recebeu o título de Cavaleiro da Real Ordem de Isabel a Católica.

Na década de 1890, diversos desenhos remetem para o gosto de Manuel Gustavo pelo desporto, como o futebol, a velocipedia e, também, o ténis, que praticou durante largos anos.

Através do desenho, Manuel Gustavo registou ainda presenças assíduas em eventos de convívio com a burguesia abastada de Cascais, no Sporting Club ou no Club do Monte Estoril.

Manuel Gustavo iniciou a sua carreira como Professor de Desenho na Escola Rodrigues Sampaio, em 1896.

Esgrimista amador sob os ensinamentos do Mestre António Martins, Manuel Gustavo participou em matinés de esgrima no Real Ginásio Club Português, em 1886, e nos Torneios do Salão da Trindade, em 1898 e 1899.

Manuel Gustavo compôs bandas desenhadas para as últimas páginas de diferentes revistas ilustradas nacionais, entre 1897 e 1915.

Desportista convicto, muitos dos seus desenhos mostram o seu gosto especial pela velocipedia e o ténis.

Fonte: Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #2: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 2: histórias desenhadas (1880s-1890s). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 3: um ceramista que começa (1900s)

Década de 1900

Em 1900, Rafael Bordalo Pinheiro funda o jornal 'A Parodia' num período já de grande cansaço, dando espaço a Manuel Gustavo para aí explorar muitas das inovações no campo das artes gráficas que se vinham experimentando pela Europa. Manuel Gustavo apresentou n’ 'A Parodia' alguns dos seus melhores trabalhos gráficos com a utilização da cor e de frisos com motivos repetitivos, muitas vezes florais e animais que, posteriormente, aplicou na cerâmica com interessantes resultados decorativos. A influência da Arte Nova reconhece-se nos padrões vegetalistas escolhidos como fundo e no desenho das molduras que enquadram as ilustrações.

Em 1900, a colaboração n' A Parodia foi uma oportunidade para Manuel Gustavo se afirmar definitivamente no meio da imprensa humorística.

O ano de 1900 é um período de ouro em que Manuel Gustavo acompanhou o pai a Paris, a propósito da Exposição Universal em 1900, numa viagem largamente comentada nas páginas d' A Parodia.

Adaptação de desenho do jornal humorístico alemão Yugend, que se publicou em Munique entre 1896 e 1940.

A imprensa humorística germânica é claramente a mais importante referência e fonte de inspiração do artista.

Foi n’A Parodia que o autor apresentou algumas das melhores expressões gráficas, através do recurso aos frisos repetitivos e do uso generalizado da cor.

A influência do estilo Arte Nova, com o qual contactou em Paris, veio influenciar a sua obra a partir de 1900, como se observa nas molduras de linhas ondulantes que enquadram diferentes desenhos do período.

Em 1903, Manuel Gustavo participou na 2ª exposição da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, ao lado de Francisco Valença.

Em Junho de 1903, por ocasião da homenagem a Rafael Bordalo no Teatro D. Maria II, Manuel Gustavo desenhou “A sua peor obra” para integrar o álbum oferecido ao pai nesta celebração, evocando a sua profunda admiração.

De Rafael, olhando o seu filho, sabemos que

'o que mais o divertiu foi ver o Manuel Gustavo rir. (…) A educação severa do avô, e a admiração de Manuel Gustavo pelo génio do pai faziam com que não ousasse ostentar a sua graça diante de Bordallo, que tinha muita pena em não gozar o espirito do filho. Tomaz Bordalo (…) foi dar com êle, justamente nessa noite de Carnaval, escondido atraz de uma coluna do hall do Teatro D. Maria. - «Que estás aí a fazer?» / - «Estou a vêr o Manuel a rir com uns amigos!...».'

Manuel Gustavo assegurou a publicação da Parodia Comedia Portugueza juntamente com Jorge Cid, Manuel Monterroso e Celso Herminio, cujos laços de amizade extravasavam o âmbito do trabalho no jornal.

Manuel Gustavo e o autor do desenho, Jorge Cid.

Em 1904, Manuel Gustavo auxiliou Rafael Bordalo Pinheiro a promover a participação da Fábrica de Faianças numa exposição em S. Luís, nos Estados Unidos da América, o que lhes valeu uma medalha de Ouro.

Na Parodia Comedia Portugueza, os assuntos internacionais tiveram grande relevo.

O contexto nacional estava marcado pela questão colonial e pela dívida externa nacional, que colocavam Portugal numa posição de grande vulnerabilidade perante as potências europeias, principalmente face à Grã-Bretanha, situação largamente comentada na imprensa da época.

Manuel Gustavo foi grande companheiro do pai, cada dia mais afetado pela doença que o levou à morte a 23 de Janeiro de 1905.

A morte paterna foi para Manuel Gustavo um duro golpe.

Em carta sentida aos leitores da Parodia, Manuel Gustavo afirmava:

'a nossa função não é «continuar», o que seria responsabilidade demasiada, mas «começar» o que já é responsabilidade bastante grande.'

Assumiu a direção da Parodia e pôs em prática novas estratégias de venda, com a introdução da cor e de novas técnicas de impressão.

Ainda em dezembro de 1905, Manuel Gustavo recebeu a medalha da Legião de Honra Francesa por ter integrado a comitiva de Imprensa do Rei D. Carlos em Paris.

Manuel Gustavo herdou a Fábrica de Faianças e inaugurou em Maio de 1906 a sua 1ª exposição de Cerâmica, no Ateliê da Rua António Maria Cardoso:

'A Presente exposição é o resultado dos meus esforços de ceramista que começa (…) o meu pensamento foi não deixar morrer como Rafael Bordalo Pinheiro a faiança artística das Caldas da Rainha.'

O eco na imprensa foi encorajador:

'Foi um Sucesso. Pela primeira vez em Lisboa deixou de ser o homem do sport, o atirador de sala de armas, o remador das regatas de Cascais – para ser, exclusivamente, o Artista.'

A Parodia continuou a publicar-se até 1907, com comentários de João Chagas e com muitas ausências de Manuel Gustavo, dedicado às exposições de cerâmica.

No período compreendido entre 1907 e 1908 surgiu o maior desafio a Manuel Gustavo devido ao auto de penhora da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, então hipotecada, e a sua aquisição por parte de Godinho Leal.

Realizou três exposições de cerâmica:

A primeira, uma homenagem ao pai, no salão de festas da Ilustração Portuguesa, que teve destaque com a visita do Rei D. Carlos.

Noutras duas exposições que realizou no seu Ateliê e na Sociedade de Belas Artes do Porto, Manuel Gustavo apresentou as “terracotas policromas”, elogiadas por José Queirós como “Nova expressão de Arte na cerâmica portuguesa”.

A par com a obra gráfica, Manuel Gustavo fundou nas Caldas da Rainha, em 1908, a Fábrica Bordallo Pinheiro, sucessora da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que havia sido comprada em hasta pública por Manuel Godinho Leal depois da morte de Rafael Bordalo Pinheiro.

Após longa batalha judicial, através da qual conseguiu reaver os moldes originais das peças de seu pai, Manuel Gustavo deu continuidade à obra cerâmica de Rafael, como terá sido a sua última vontade.

Foram anos de enorme dificuldade financeira em que contou com o apoio de muitos dos antigos funcionários da Fábrica de Faianças e com o aplauso da imprensa e de estudiosos de arte, como José de Figueiredo e José Queirós que, desde logo, não hesitaram em vir em sua defesa.

Afirmou-se como um notável ceramista, com vasta obra, eclética e moderna, assimilando a matriz da cerâmica caldense e produzindo peças de linhas mais depuradas, de influência Arte Nova.

Apresentadas pela primeira vez em 1907, as “terracotas polícromas” são a grande novidade na exposição lisboeta de 1909, ganhando a atenção dos críticos. Frisos repetitivos e medalhões figurados, de desenho estilizado, plasmam um gosto pessoal de Manuel Gustavo e o seu treino no risco gráfico.

A 5 de novembro de 1908, Manuel Gustavo inaugurou a nova Fábrica Bordalo Pinheiro.

Acompanhá-lo-ão operários da antiga fábrica, assegurando a qualidade e a produção com que participaram na Exposição realizada no Rio de Janeiro, onde a Fábrica é reconhecida com a medalha de ouro.

As Caldas da Rainha eram fonte de trabalho, mas também de divertimento.

No verão de 1908, Manuel Gustavo deixou-se fotografar junto dos seus amigos e de um moderno automóvel.

Em 1909, no catálogo da sua 3ª exposição, Manuel Gustavo escreveu:

'Fui desalojado do edifício da Fabrica fundada por meu pai. Tive de sustentar uma questão nos tribunais, que felizmente me fizeram justiça, para reaver o mobiliário e todas as fôrmas (…) Consegui através de incalculável dificuldade construir em meses uma pequena Fábrica. (…) Anima-me a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América, e poder trabalhar enfim, com sossego e desassombro. É essa a esperança que me faz viver.'

Prato de um conjunto de oito, é exemplo da boa aplicação do desenho gráfico à arte cerâmica, tirando partido da plasticidade do material.

Fonte: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro #3: um ceramista que começa (1900s). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro #4: humor no quotidiano (1910-1920)

Década de 1910

A aproximação ao movimento Moderno em Portugal deu-se a partir de 1911 e, em 1912, com o 1º Salão dos Humoristas Portugueses, cuja Sociedade Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro presidiu, como figura conciliadora entre o “velho” e o “novo” desenho humorístico português. O artista participou nas duas primeiras exposições do Grupo de Humoristas (1912 e 1913) ao lado de nomes da nova geração como Cristiano Cruz (1892-1951), Almada Negreiros (1893-1970), Stuart Carvalhais (1887-1961), bem como de outros artistas, ditos «tradicionalistas», como Francisco Valença (1882-1962) e Alfredo Cândido (1879-1960). Estes últimos, herdeiros do desenho de humor de Rafael Bordalo Pinheiro, favoreciam a caricatura de índole política, ao contrário dos «novos», cuja linha estilizada dava destaque ao comentário social e impessoal. Entre 1913 e 1916, salienta-se a sua colaboração na revista de grande tiragem 'Ilustração Portugueza'. Os novos temas acompanham as circunstâncias políticas e sociais do início do século, como a luta sufragista, a recém-implantada república, o comentário à Grande Guerra que tem destaque evidente e, claro, as novas modas femininas ou o crescimento urbano de Lisboa.

Em 1916, colaborou com empenho na fundação do Museu Bordalo Pinheiro junto do colecionador Artur Ernesto Cruz Magalhães (1864-1928), dedicado admirador da obra de Rafael Bordalo Pinheiro. Terá sido a última grande homenagem a seu pai.

Doou dezenas de peças da sua coleção pessoal ao Museu, incluindo gravuras, pinturas e desenhos originais de Rafael Bordalo Pinheiro, bem como correspondência e fotografias, muitas delas identificadas no verso com o seu carimbo “MGUST”.

No âmbito do Congresso de Turismo de 1911, Manuel Gustavo fez representar a Fábrica com uma exposição no Ateneu Comercial de Lisboa e conseguiu uma venda considerável de faianças à Câmara Municipal de Lisboa para decoração do Jardim da Estrela.

Apesar da intensa dedicação à cerâmica a que as circunstâncias obrigaram, Manuel Gustavo manteve o seu trabalho gráfico junto de uma nova geração de humoristas que se vinha afirmando no país.

Foi lançada n’A Satira a ideia de uma sociedade de humoristas:

'Assim se pensou e assim se fez. Os rebeldes e indomáveis humoristas, boémios e vagabundos, despreocupados do dia seguinte, acabam de prender mais curtos os seus instintos de vida airada, e resolveram dar-se as mãos. A caricatura não serve só para desmandibular as multidões num riso animal. Tem uma grave responsabilidade perante a história, qual seja a da conceção dos costumes.'

A presidência da Sociedade dos Humoristas coube a Manuel Gustavo, herdeiro da dita caricatura “bordaliana”, conciliando o “velho” e o “novo” desenho humorista português.

Na margem superior, "um trecho da exposição" e, em baixo, à esquerda, o desenho “Elegância e Economia ou as calças do Papá”, que Manuel Gustavo expôs no salão de 1912 e que hoje se encontra desaparecido.

Ao centro, fotografia dos artistas onde se destacam Jorge Barradas, Francisco Valença, Menezes Ferreira, Manuel Gustavo, Almada Negreiros e Cristiano Cruz.

Manuel Gustavo participou nos dois primeiros Salões dos Humoristas realizados em Lisboa, em 1912 e 1913, ao lado de Alonso, Stuart e dos “novos” Emmerico Nunes, Barradas e Cristiano Cruz.

No período entre 1913 e 1916, Manuel Gustavo realizou inúmeros desenhos a tinta-da-china que viriam a ser publicados na revista Ilustração Portugueza, de grande aceitação, sobretudo nos centros urbanos.

Modas e temas do quotidiano ou notícias da Grande Guerra acompanhavam crónicas de Júlio Dantas e Mário de Almeida, dando a notícia da semana ou o comentário social do momento, em primeira página.

Nestes estudos, o artista deixava notas ao gravador, dando informação sobre o tamanho da ilustração, o título, etc..

O artista desempenhou um cargo público, entre 1913 e 1917, como membro da vereação de Lisboa pelo Partido Republicano Português (Democrático).

Em 28 fevereiro de 1914, Manuel Gustavo casou com Angelica Barreto da Cruz, da qual se conhecem raros retratos.

Manuel Gustavo continuou a desenvolver trabalhos de ilustração para revistas de renome.

A partir de 1914, continuou a sua carreira de Professor na Escola de Cerâmica de Lisboa.

Em 1914 e 1915, inaugura exposições em Braga, Viana do Castelo e Guimarães.

Alguns registos fotográficos ilustram momentos de lazer em piqueniques elegantes nas Caldas da Rainha, em banquetes de homenagem e em torneios de ténis em que o artista participou.

Momento de lazer que terminou com a habitual fotografia de grupo.

Reconhecemos, ao centro, Manuel Gustavo. Muitas outras personalidades estão identificadas na legenda que corre a margem inferior da página.

Manuel Gustavo acompanhou a criação do Museu Bordalo Pinheiro, uma iniciativa do colecionador Artur Cruz de Magalhães.

Meses antes de morrer, em tom de desabafo, escreveu a Artur Cruz de Magalhães:

'Todo o meu empenho agora é continuar cá no meu cantinho, com a minha gente, com os meus velhos operários, ali, naquele pedacito de San Rafael, ao pé daquelas lindas arvores seculares (..) enfim naquela fabrica Bordalo Pinheiro que é obra minha e só minha e à qual quero como quem quer uma filha. V. que tem alma de artista compreende este amor não é verdade?'

Em 1918, o artista fez uma viagem a França e contactou com os principais centros de produção de cerâmica.

Manuel Gustavo recebeu pelas mãos do ministro da Instrução Pública o Grau de Oficial da Ordem de S. Tiago da Espada.

Continuidade e Modernidade

Manuel Gustavo foi um artista completo e multifacetado que fez uso de uma importante herança paterna à qual dedicou toda a sua vida. Conseguiu inovar nos seus trabalhos gráficos e cerâmicos, encontrando um equilíbrio entre o legado de Rafael Bordalo Pinheiro e a modernidade do início do século XX, aproximando-se de uma nova linguagem que dava resposta à jovem geração de leitores e de diferentes públicos da sua Fábrica.

Defendeu como nenhum outro a herança artística de Rafael Bordalo Pinheiro e teve como grande ambição internacionalizar a indústria cerâmica das Caldas da Rainha, como nos escreve em 1909:

"Jurei a mim mesmo luctar até à última para continuar e sustentar esta indústria tão pitoresca, tão portugueza e apesar de tantos sacrifícios anima-me sempre a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América e poder trabalhar enfim, com socego e desassombro. É esta a esperança que me faz viver". (Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Faianças Artísticas das Caldas da Rainha 3ª Exposição [3ª Exposição Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha], 1909)

Fonte: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 4: humor no quotidiano (1910-1920). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Quem foi Raphael Bordallo Pinheiro? | Museu Bordallo Pinheiro

Raphael Bordallo Pinheiro é uma das personalidades mais influentes da cultura portuguesa oitocentista, com uma produção notável sobretudo nas áreas do desenho humorístico, da caricatura e da criação em cerâmica. A sua obra representa uma realidade inquietante e sempre actual e um documento fundamental para o estudo político, social, cultural e ideológico de uma época.

Raphael Bordallo Pinheiro ficará para sempre intimamente associado à caricatura e à cerâmica artística, apresentando peças de qualidade e importância nunca antes vistas e que, na opinião de conceituados artistas modernos, são obra de um génio.

Desde cedo se interessou por arte, chegando a frequentar a escola de Belas Artes. Como era um grande frequentador de teatro, foi assim que começou a publicar seus jornais humorísticos, obtendo grande sucesso com alguns deles. Os jornais tornam-se documentos preciosos pela sua qualidade artística bem como pela sua interpretação dos acontecimentos políticos e sociais da época, sendo os jornais "Antonio Maria", "Pontos nos ii" e "A Paródia" alguns dos exemplos.

Em 1884 Bordallo iniciou a sua produção cerâmica na Fábrica de Faianças das Caldas, revelando peças de grande qualidade técnica, artística e criativa, desenvolvendo azulejos, painéis, vasos, centros de mesa, bustos de jarras, lavatórios, jarros, pratos, frascos de perfume, vasos e animais gigantescos, etc.

Tornou-se famoso também pelas suas imagens populares, como Zé Povinho (imagem que representa os pobres e oprimidos representados de várias formas), Maria da Paciência (Paciente Maria), Ama das Caldas (babá das Caldas), o polícia, o padre tomando rapé, o sacristão com o incensário na mão e muitos outros. Bordallo Pinheiro realizou exposições no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde apresentou a majestosa Jarra Beethoven (jarra de Beethoven).

Seu notável trabalho com cerâmica foi premiado com medalha de ouro em exposições internacionais (Madrid, Antuérpia, Paris e em St. Louis, Estados Unidos).

História da Fábrica Bordallo Pinheiro

A Fábrica de Faianças das Caldas foi fundada em 30 de junho de 1884. Raphael Bordallo Pinheiro foi responsável pela parte técnica e artística e seu irmão Feliciano Bordallo Pinheiro foi responsável pela parte organizacional da fábrica.

Raphael também seguiu o projeto arquitetônico único das instalações que incluíam uma área para uma escola de cerâmica, onde eram ministrados diversos cursos relacionados. A fábrica e o armazém de vendas foram rodeados por um parque arborizado, duas nascentes, dois barreiros e foram decorados com peças de cerâmica do próprio Raphael Bordallo Pinheiro.

Na fábrica de Raphael Bordallo Pinheiro foram criados centenas de modelos cerâmicos de criatividade ímpar, baseados nas tradições locais, nomeadamente na olaria das Caldas, adotando a fauna e a flora como inspiração decorativa. A sua produção cerâmica tornou-se conhecida, sobretudo pela sua qualidade artística, tanto a nível nacional como internacional.

Bordallo modelou, também, personagens do quotidiano português com notável audácia e sentido crítico, e nos seus azulejos criou padrões com influências diversas tão vastas como o Renascimento, o Naturalismo, a Art Nouveau e o legado espanhol e árabe.

Raphael Bordallo Pinheiro com a ajuda dos seus operários produziu peças arrojadas, quer pelas dimensões, quer pela delicadeza dos detalhes. O "Jarra Beethoven", que ultrapassa os 2,60m de altura, é símbolo da exuberância e do talento do artista, e está exposto no Museu das Belas Artes do Rio de Janeiro.

Os vinte e um anos de produção de Raphael Bordallo Pinheiro (1884-1905) ficaram eternizados na história da cerâmica caldense. Isto foi conseguido não só pela exuberância e criatividade das suas peças cerâmicas, mas também pelo elevado nível técnico alcançado, principalmente ao nível da modelação e vitrificação.

A missão de vida de Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro foi proteger a memória do seu pai, Raphael Bordallo Pinheiro. Continuar o trabalho de seu pai manteve esta tradição cerâmica viva.

Após a morte de Manuel Gustavo em 1920, um grupo de ilustres caldenses, juntamente com os trabalhadores, deu continuidade aos trabalhos da empresa. Após a grave crise de 2008, a empresa foi adquirida pelo Grupo Visabeira o que lhe garante uma continuidade produtiva e histórica.

Valores da marca

uma abordagem moderna e empreendedora, a Bordallo Pinheiro desempenha um papel fundamental na revitalização da cerâmica portuguesa e do património artístico da sua fábrica, a Fábrica de Faianças Artísticas, Raphael Bordallo Pinheiro, tanto no panorama nacional como internacional.

A Bordallo Pinheiro mantém-se fiel à tradição através da utilização de técnicas de fabrico ancestrais e dos motivos naturalistas que estão na origem do grande projeto da marca. Ao mesmo tempo, confere às suas linhas uma dimensão contemporânea, graças à excelência da sua produção e à sua contínua reinvenção, tanto a nível estético como técnico.

As peças utilitárias e decorativas da marca continuam a alimentar o imaginário coletivo e a levar mais longe o prestígio da cultura e indústria portuguesas.

Fonte: Bordallo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

Crédito fotográfico: Museu Bordallo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro (Portugal, Lisboa, 20 de Junho de 1867 - Portugal, Lisboa, 8 de Setembro de 1920), mais conhecido como Bordallo Pinheiro, foi um ilustrador, ceramista, caricaturista português. Foi pioneiro da ilustração infantil em Portugal, com a criação do herói que deu nome à revista O Gafanhoto. Artista multifacetado e criador de uma vasta obra gráfica, Manuel foi presidente do Grupo de Humoristas Portugueses e professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio e na Escola Industrial Fonseca Benevides. Herdou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, após a morte de seu pai, o ilustre Rafael Bordalo Pinheiro, gerindo a fábrica. Após 3 anos, fundou uma nova fábrica, tornando-se característica de sua produção, a aliança entre o naturalismo da cerâmica das Caldas da Rainha e as tendências da corrente Arte Nova.

Bordalo Pinheiro

Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro (Portugal, Lisboa, 20 de Junho de 1867 - Portugal, Lisboa, 8 de Setembro de 1920), mais conhecido como Bordallo Pinheiro, foi um ilustrador, ceramista, caricaturista português. Foi pioneiro da ilustração infantil em Portugal, com a criação do herói que deu nome à revista O Gafanhoto. Artista multifacetado e criador de uma vasta obra gráfica, Manuel foi presidente do Grupo de Humoristas Portugueses e professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio e na Escola Industrial Fonseca Benevides. Herdou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, após a morte de seu pai, o ilustre Rafael Bordalo Pinheiro, gerindo a fábrica. Após 3 anos, fundou uma nova fábrica, tornando-se característica de sua produção, a aliança entre o naturalismo da cerâmica das Caldas da Rainha e as tendências da corrente Arte Nova.

Videos

Exposição: Histórias Desenhadas | 2020

Sobre Manuel Gustavo Bordalo | 2018

Exposição: Através do traço | 2013

Jornal "A Paródia": O Cara de Fome | 2020

A Paródia | 2020

História da Banda Desenhada | 2010

Museu Bordalo Pinheiro | 2018

Rafael Bordalo Pinheiro: um homem do seu tempo | 2021

Receita do Chef Nuno Bergonse para Rafael Bordalo | 2021

Museu dedicado à vida e obra de Rafael Bordalo | 2021

De Faianças das Caldas à Bordallo Pinheiro | 2021

Biografia Wikipédia

Filho de Rafael Bordalo Pinheiro e de Elvira Ferreira de Almeida. Iniciou a sua atividade de ilustrador numa publicação de seu pai, O António Maria (1879-1885;1891-1898) . Para além desta, também trabalhou nas revistas Pontos nos ii (1885-1891), A Paródia (1900-1907), que dirigiu após a morte do pai. Colaborou também nas revistas Serões (1901-1911), Ilustração Portugueza (1903-1923), Atlântida (1915-1920), Miau! (1916) e O Gafanhoto, entre muitas outras.

Foi presidente do Grupo de Humoristas Portugueses e professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio e na Escola Industrial Fonseca Benevides.

Herdou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, após a morte paterna, em 1905, e sucedeu-lhe na gestão da fábrica. Em 1908 fundou uma nova fábrica, inicialmente denominada de "São Rafael" e mais tarde denominada Fábrica Bordalo Pinheiro. É característica da sua produção a aliança entre naturalismo da cerâmica das Caldas da Rainha e as tendências da corrente Arte Nova.

Foi retratado em 1884 num óleo sobre madeira da autoria de seu tio, Columbano Bordalo Pinheiro.

Executou também vários painéis de azulejo pintado, onde fez uso da sua experiência de desenhador, aplicados em edifícios da capital e das Caldas da Rainha, como o Museu Militar e o Palacete Mendonça, em Lisboa.

A 6 de dezembro de 1920, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Em 1921 foi proferida uma conferência em homenagem a Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, seu pai Rafael Bordalo Pinheiro e seu avô Manuel Maria Bordalo Pinheiro, que resultou na obra "Os três Bordalos".

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro | Museu Bordalo Pinheiro

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) foi desenhador, humorista, ilustrador e ceramista. Autor de vasta obra gráfica, fez banda desenhada e destacou-se como pioneiro da ilustração infantil em Portugal. Inovou na cerâmica, conciliando a tradição naturalista das Caldas da Rainha e a Arte Nova.

Nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1867, cidade onde viria a falecer a 8 de setembro de 1920.

Filho do célebre artista Rafael Bordalo Pinheiro e seu principal seguidor publicou pela primeira vez no jornal paterno O António Maria, em 1884, colaborando desde aí ativamente e com enorme dedicação nos jornais fundados pelo seu pai, como também nos Pontos nos ii e n’A Parodia, que veio a dirigir até 1907.

Participou em várias publicações periódicas, realizando BD‘s cómicas para diversas revistas ilustradas, ao lado de artistas das artes e letras do período.

Ilustrou obras literárias, livros técnicos e revistas, salientando-se as colaborações na Illustração Portugueza e na Atlântida, entre 1913 e 1920, período pouco conhecido da sua produção gráfica.

Na sua obra, tem destaque a ilustração infantil, com a criação do herói que deu nome à revista Gafanhoto, publicada entre 1903 e 1910, e o livro O Sr. Wilson e os seus sete presentes, publicado postumamente (1921).

Após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, em 1905, deu continuidade à produção cerâmica nas Caldas da Rainha, realizando várias exposições onde apresentou modelos do seu pai, mas também diversas criações da sua autoria, pelas quais recebeu largos elogios na imprensa da época.

Manuel Gustavo viveu sob a égide de um legado familiar forte e reconhecido que marcou o seu empenho na continuidade e na defesa da obra “bordaliana”. Conseguiu inovar nos seus trabalhos gráficos e cerâmicos, encontrando um equilíbrio entre a herança paterna e a modernidade do início do século XX, aproximando-se de uma nova linguagem que dava resposta à jovem geração de leitores e de diferentes públicos da Fábrica de Faianças.

Defendeu como nenhum outro a arte de Rafael Bordalo Pinheiro e teve como grande ambição internacionalizar a indústria cerâmica das Caldas da Rainha, como nos escreve em 1909:

Jurei a mim mesmo lutar até à última para continuar e sustentar esta indústria tão pitoresca, tão portugueza e apesar de tantos sacrifícios anima-me sempre a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América e poder trabalhar enfim, com socego e desassombro.

É esta a esperança que me faz viver. — Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro [“3ª Exposição” Faianças Artísticas das Caldas da Rainha, 1909].

Fonte: Museu Bordalo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Bordallianos do Brasil

A marca Bordallo Pinheiro é herdeira do extraordinário património da Fábrica de Faianças Artísticas, fundada por Rafael Bordallo Pinheiro em 1884, onde concebeu centenas de modelos de criatividade ímpar, que ali continuam a ser reproduzidos, reunindo diariamente saberes centenários, aplicados com a mestria dos artesãos.

Bordallo Pinheiro, personalidade emblemática do panorama político e cultural do século XIX foi um artista de invulgar talento e versatilidade: desenhador, aguarelista, ilustrador, caricaturista político e ceramista. Honrando o espírito do fundador, tem sido uma prioridade da empresa a aposta em projetos criativos com artistas plásticos e designers contemporâneos. As obras dos criadores que integram o projeto Bordallianos do Brasil estarão sempre associadas à história da sua concepção, ao sentido que mobilizou cada artista a efetuar uma residência artística na Fábrica Bordallo Pinheiro, ao encontro com a obra do Mestre, ao discurso interno do próprio artista e ao diálogo com os materiais cerâmicos.

Do sincronismo de ideias e profunda admiração pela obra de Rafael Bordallo Pinheiro nasceram estas obras. Com as suas matrizes naturalistas como suporte, vinte artistas brasileiros trabalham questões conceptuais e formais da contemporaneidade, com uma poética própria. Em 1875, Bordallo parte para o Brasil onde dirige e ilustra jornais humorísticos, durante cerca de 4 anos, realizando, em 1899, exposições de faiança no Rio de Janeiro e em São Paulo, presenteando então a Presidência da República Brasileira com a sua maior obra cerâmica, a majestosa Jarra Beethoven. Bordallianos do Brasil tem assim raízes que vêm do passado, numa visão futura de expansão da marca Bordallo

Pinheiro. O projeto nasce ainda na continuidade da iniciativa 7 Bordallianos, que assinalou a comemoração dos 125 anos da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde artistas plásticos portugueses reinterpretaram a obra de Bordallo. Desenvolver o projeto no “Ano de Portugal no Brasil e Brasil em Portugal” surgiu como o cenário perfeito para o aproximar das duas culturas que têm tanto em comum, dando seguimento ao desejo e fascínio de Rafael Bordallo Pinheiro pelo Brasil.

Fonte: Bordallianos do Brasil. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920)

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro foi desenhador, humorista, ilustrador e ceramista. Autor de uma vasta obra gráfica, fez banda desenhada e destacou-se como pioneiro da ilustração infantil em Portugal. Inovou na cerâmica, conciliando a tradição naturalista das Caldas da Rainha e a Arte Nova.

Nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1867, cidade onde viria a falecer a 8 de setembro de 1920.

Filho do célebre artista Rafael Bordalo Pinheiro e seu principal seguidor, publicou pela primeira vez no jornal paterno 'O António Maria', em 1884, colaborando desde aí nos jornais fundados pelo seu pai, entre muitos outros.

Viveu sob a égide de um legado familiar forte e reconhecido que marcou o seu empenho na continuidade e na defesa da obra “bordaliana”.

Fonte: Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #1: abrindo caminho (1867-1870). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #2: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 2: histórias desenhadas (1880s-1890s)

Década de 1880

Os primeiros anos da década de 1880, crivados pela morte do avô Manuel Maria, foram marcantes no percurso artístico de Manuel Gustavo.

Manuel Gustavo serviu de modelo ao tio Columbano, em diferentes registos que documentam a sua juventude.

Entre outras telas pintadas por seu tio, destaca-se esta representação de Manuel Gustavo a tocar piano, em atenta interpretação musical.

Os álbuns (ou sketches books) eram uma prática recorrente na aprendizagem de um jovem desenhador, sobretudo destinados a registar vistas do natural, ao ar livre.

O álbum datado de 1883 contém os mais antigos desenhos que conhecemos de Manuel Gustavo, apresentando diversos estudos de figura, a carvão.

Desde 1884, ano da sua estreia n’ O Antonio Maria com o desenho “Inda é noite…” (01.05.1884), Manuel Gustavo foi presença assídua nos jornais de humor de Rafael Bordalo Pinheiro, afirmando-se como desenhador no jornal Pontos nos ii a partir de 1887, com a publicação de páginas inteiras dedicadas ao cartoon político.

As estadias prolongadas de Rafael Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha, onde começou a trabalhar na recém-inaugurada Fábrica de Faianças, deram espaço a Manuel Gustavo para se dedicar a este jornal, cabendo-lhe a responsabilidade de desenhar diversos cadernos inteiros da publicação. Também Rafael Bordalo Pinheiro desenhou muitas páginas do jornal nas Caldas da Rainha, tendo Manuel Gustavo de as transpor depois para litografia.

No ano de 1889, em que Rafael está em Paris como responsável pela decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal, Manuel Gustavo desenha em exclusivo doze cadernos para os Pontos nos ii.

Em 1884, Manuel Gustavo publicou pela primeira vez no jornal O Antonio Maria.

Rafael anunciava assim o novo colaborador:

'Apresentamos ao público em geral, e aos leitores do 'O Antonio Maria' em particular o nosso morgado, como lá se diz, o herdeiro presuntivo da nossa glória e dos nossos bonecos, a carne da nossa carne e o lápis do nosso lápis (…)'

E assim foi. Manuel Gustavo abriu caminho com historietas cómicas nos jornais, numa colaboração inicial algo esporádica.

Os temas mundanos, como a ida às praias, foram assuntos que privilegiou.

No ano de 1884, Rafael fundou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

Ocasionalmente, Manuel Gustavo acompanhava o pai nas idas às Caldas, confraternizando com a juventude e a sociedade caldense, que depois veio a caricaturar.

Encontros familiares foram registados em fotografia. É o caso deste piquenique, ao que parece na Foz do Arelho.

Do lado esquerdo, identifica-se Manuel Gustavo (2), junto ao seu tio Columbano (3), a sua tia Maria Augusta (5). Do lado direito, Rafael, seu pai (5), junto a Elvira, sua mãe (6)."

A partir de 1885, Manuel Gustavo teve uma participação cada vez mais ativa no jornal Pontos nos ii.

Herdou do seu pai o gosto em se autorrepresentar como personagem dos seus desenhos, que nos deixam um testemunho divertido da sua personalidade.

É o caso da “Gestação de um desenho”, feito num dia de calor...

... em que a miragem de uma cerveja leva a melhor.

Outro exemplo é o de uma “História verídica”, em Coimbra, que merece atenção pelo recurso à máquina fotográfica na novíssima “detetiva”.

O ano de 1889 trouxe a ausência paterna e o consequente avolumar de trabalho.

Rafael partiu para Paris para planear e executar a decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal, que Manuel Gustavo também visitou.

Número especial dedicado à Exposição Universal de Paris publicado nos Pontos nos ii em 1889.

Os principais colaboradores dos Pontos nos ii: Manuel Gustavo, Pan Tarântula (Alfredo Morais Pinto), que escreveu muitos do textos desta publicação, e Rafael.

Ao fundo, a recém-inaugurada Torre Eiffel.

O jovem artista teve a oportunidade de desenhar cadernos para o jornal Pontos nos ii, exclusivamente da sua autoria.

Rafael, de Paris, dava-lhe alento:

'Meu querido Manuel, (…)

' (...) Podes estar certo que estás desenhando a par do que se faz melhor em França para isso te tenho mandado todos os jornais que aqui se publicam com maior voga – para assim tu adquirires a confiança em ti de que tanto necessitas. (…)'

Década de 1890

Os temas explorados na obra gráfica do artista mostram um novo gosto que privilegia o desporto, registando o “Lawn-tennis nas Caldas da Rainha”, o “Match de Football” e dando especial atenção à Esgrima e à Velocipedia em registos verídicos ou adaptações à crítica política.

As crónicas da sociedade destacam também a representação de personalidades que se reuniam nas touradas e nos clubes de Cascais ou Estoril, eventos que muitas vezes frequentava.

Apesar da forte componente política dos seus desenhos, em concordância com o panorama do desenho de humor oitocentista, onde é figura de relevo Rafael Bordalo Pinheiro, a representação de novos temas ligados ao comentário social e à ideia de progresso ganham força na sua obra.

A partir da segunda série d’'O Antonio Maria', em 1891, e n’ 'A Parodia' encontramos notícias sobre o novo ritmo da cidade de Lisboa, com notícias sobre os “candeeiros de Lisboa a gaz”, a “novidade elétrica” nos transportes públicos da capital ou o novo conceito de velocidade, aterradora, com o aparecimento dos novos veículos automóveis.

Questões sociais têm também lugar com comentários sobre a emancipação da mulher ou a carestia de vida, denunciando a pobreza e a fome de parte da população.

Em junho de 1890, Eugénio de Castro, seu amigo, descrevia a personalidade sensível do artista:

'(…) O seu maior defeito é ver o (…)'

'(…) mundo através dos óculos azuis da desilusão, em vez de o olhar, sarcasticamente, através do monóculo da troça. Porque a verdade é esta, meu amigo, a nossa decadência dá vontade de rir (…)'

Em 1892, Manuel Gustavo colaborou com o pai na Exposição Colombiana, em Madrid, e recebeu o título de Cavaleiro da Real Ordem de Isabel a Católica.

Na década de 1890, diversos desenhos remetem para o gosto de Manuel Gustavo pelo desporto, como o futebol, a velocipedia e, também, o ténis, que praticou durante largos anos.

Através do desenho, Manuel Gustavo registou ainda presenças assíduas em eventos de convívio com a burguesia abastada de Cascais, no Sporting Club ou no Club do Monte Estoril.

Manuel Gustavo iniciou a sua carreira como Professor de Desenho na Escola Rodrigues Sampaio, em 1896.

Esgrimista amador sob os ensinamentos do Mestre António Martins, Manuel Gustavo participou em matinés de esgrima no Real Ginásio Club Português, em 1886, e nos Torneios do Salão da Trindade, em 1898 e 1899.

Manuel Gustavo compôs bandas desenhadas para as últimas páginas de diferentes revistas ilustradas nacionais, entre 1897 e 1915.

Desportista convicto, muitos dos seus desenhos mostram o seu gosto especial pela velocipedia e o ténis.

Fonte: Arts and Culture - Manuel Gustavo Pinheiro #2: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 2: histórias desenhadas (1880s-1890s). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 3: um ceramista que começa (1900s)

Década de 1900

Em 1900, Rafael Bordalo Pinheiro funda o jornal 'A Parodia' num período já de grande cansaço, dando espaço a Manuel Gustavo para aí explorar muitas das inovações no campo das artes gráficas que se vinham experimentando pela Europa. Manuel Gustavo apresentou n’ 'A Parodia' alguns dos seus melhores trabalhos gráficos com a utilização da cor e de frisos com motivos repetitivos, muitas vezes florais e animais que, posteriormente, aplicou na cerâmica com interessantes resultados decorativos. A influência da Arte Nova reconhece-se nos padrões vegetalistas escolhidos como fundo e no desenho das molduras que enquadram as ilustrações.

Em 1900, a colaboração n' A Parodia foi uma oportunidade para Manuel Gustavo se afirmar definitivamente no meio da imprensa humorística.

O ano de 1900 é um período de ouro em que Manuel Gustavo acompanhou o pai a Paris, a propósito da Exposição Universal em 1900, numa viagem largamente comentada nas páginas d' A Parodia.

Adaptação de desenho do jornal humorístico alemão Yugend, que se publicou em Munique entre 1896 e 1940.

A imprensa humorística germânica é claramente a mais importante referência e fonte de inspiração do artista.

Foi n’A Parodia que o autor apresentou algumas das melhores expressões gráficas, através do recurso aos frisos repetitivos e do uso generalizado da cor.

A influência do estilo Arte Nova, com o qual contactou em Paris, veio influenciar a sua obra a partir de 1900, como se observa nas molduras de linhas ondulantes que enquadram diferentes desenhos do período.

Em 1903, Manuel Gustavo participou na 2ª exposição da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, ao lado de Francisco Valença.

Em Junho de 1903, por ocasião da homenagem a Rafael Bordalo no Teatro D. Maria II, Manuel Gustavo desenhou “A sua peor obra” para integrar o álbum oferecido ao pai nesta celebração, evocando a sua profunda admiração.

De Rafael, olhando o seu filho, sabemos que

'o que mais o divertiu foi ver o Manuel Gustavo rir. (…) A educação severa do avô, e a admiração de Manuel Gustavo pelo génio do pai faziam com que não ousasse ostentar a sua graça diante de Bordallo, que tinha muita pena em não gozar o espirito do filho. Tomaz Bordalo (…) foi dar com êle, justamente nessa noite de Carnaval, escondido atraz de uma coluna do hall do Teatro D. Maria. - «Que estás aí a fazer?» / - «Estou a vêr o Manuel a rir com uns amigos!...».'

Manuel Gustavo assegurou a publicação da Parodia Comedia Portugueza juntamente com Jorge Cid, Manuel Monterroso e Celso Herminio, cujos laços de amizade extravasavam o âmbito do trabalho no jornal.

Manuel Gustavo e o autor do desenho, Jorge Cid.

Em 1904, Manuel Gustavo auxiliou Rafael Bordalo Pinheiro a promover a participação da Fábrica de Faianças numa exposição em S. Luís, nos Estados Unidos da América, o que lhes valeu uma medalha de Ouro.

Na Parodia Comedia Portugueza, os assuntos internacionais tiveram grande relevo.

O contexto nacional estava marcado pela questão colonial e pela dívida externa nacional, que colocavam Portugal numa posição de grande vulnerabilidade perante as potências europeias, principalmente face à Grã-Bretanha, situação largamente comentada na imprensa da época.

Manuel Gustavo foi grande companheiro do pai, cada dia mais afetado pela doença que o levou à morte a 23 de Janeiro de 1905.

A morte paterna foi para Manuel Gustavo um duro golpe.

Em carta sentida aos leitores da Parodia, Manuel Gustavo afirmava:

'a nossa função não é «continuar», o que seria responsabilidade demasiada, mas «começar» o que já é responsabilidade bastante grande.'

Assumiu a direção da Parodia e pôs em prática novas estratégias de venda, com a introdução da cor e de novas técnicas de impressão.

Ainda em dezembro de 1905, Manuel Gustavo recebeu a medalha da Legião de Honra Francesa por ter integrado a comitiva de Imprensa do Rei D. Carlos em Paris.

Manuel Gustavo herdou a Fábrica de Faianças e inaugurou em Maio de 1906 a sua 1ª exposição de Cerâmica, no Ateliê da Rua António Maria Cardoso:

'A Presente exposição é o resultado dos meus esforços de ceramista que começa (…) o meu pensamento foi não deixar morrer como Rafael Bordalo Pinheiro a faiança artística das Caldas da Rainha.'

O eco na imprensa foi encorajador:

'Foi um Sucesso. Pela primeira vez em Lisboa deixou de ser o homem do sport, o atirador de sala de armas, o remador das regatas de Cascais – para ser, exclusivamente, o Artista.'

A Parodia continuou a publicar-se até 1907, com comentários de João Chagas e com muitas ausências de Manuel Gustavo, dedicado às exposições de cerâmica.

No período compreendido entre 1907 e 1908 surgiu o maior desafio a Manuel Gustavo devido ao auto de penhora da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, então hipotecada, e a sua aquisição por parte de Godinho Leal.

Realizou três exposições de cerâmica:

A primeira, uma homenagem ao pai, no salão de festas da Ilustração Portuguesa, que teve destaque com a visita do Rei D. Carlos.

Noutras duas exposições que realizou no seu Ateliê e na Sociedade de Belas Artes do Porto, Manuel Gustavo apresentou as “terracotas policromas”, elogiadas por José Queirós como “Nova expressão de Arte na cerâmica portuguesa”.

A par com a obra gráfica, Manuel Gustavo fundou nas Caldas da Rainha, em 1908, a Fábrica Bordallo Pinheiro, sucessora da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que havia sido comprada em hasta pública por Manuel Godinho Leal depois da morte de Rafael Bordalo Pinheiro.

Após longa batalha judicial, através da qual conseguiu reaver os moldes originais das peças de seu pai, Manuel Gustavo deu continuidade à obra cerâmica de Rafael, como terá sido a sua última vontade.

Foram anos de enorme dificuldade financeira em que contou com o apoio de muitos dos antigos funcionários da Fábrica de Faianças e com o aplauso da imprensa e de estudiosos de arte, como José de Figueiredo e José Queirós que, desde logo, não hesitaram em vir em sua defesa.

Afirmou-se como um notável ceramista, com vasta obra, eclética e moderna, assimilando a matriz da cerâmica caldense e produzindo peças de linhas mais depuradas, de influência Arte Nova.

Apresentadas pela primeira vez em 1907, as “terracotas polícromas” são a grande novidade na exposição lisboeta de 1909, ganhando a atenção dos críticos. Frisos repetitivos e medalhões figurados, de desenho estilizado, plasmam um gosto pessoal de Manuel Gustavo e o seu treino no risco gráfico.

A 5 de novembro de 1908, Manuel Gustavo inaugurou a nova Fábrica Bordalo Pinheiro.

Acompanhá-lo-ão operários da antiga fábrica, assegurando a qualidade e a produção com que participaram na Exposição realizada no Rio de Janeiro, onde a Fábrica é reconhecida com a medalha de ouro.

As Caldas da Rainha eram fonte de trabalho, mas também de divertimento.

No verão de 1908, Manuel Gustavo deixou-se fotografar junto dos seus amigos e de um moderno automóvel.

Em 1909, no catálogo da sua 3ª exposição, Manuel Gustavo escreveu:

'Fui desalojado do edifício da Fabrica fundada por meu pai. Tive de sustentar uma questão nos tribunais, que felizmente me fizeram justiça, para reaver o mobiliário e todas as fôrmas (…) Consegui através de incalculável dificuldade construir em meses uma pequena Fábrica. (…) Anima-me a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América, e poder trabalhar enfim, com sossego e desassombro. É essa a esperança que me faz viver.'

Prato de um conjunto de oito, é exemplo da boa aplicação do desenho gráfico à arte cerâmica, tirando partido da plasticidade do material.

Fonte: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro #3: um ceramista que começa (1900s). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro #4: humor no quotidiano (1910-1920)

Década de 1910

A aproximação ao movimento Moderno em Portugal deu-se a partir de 1911 e, em 1912, com o 1º Salão dos Humoristas Portugueses, cuja Sociedade Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro presidiu, como figura conciliadora entre o “velho” e o “novo” desenho humorístico português. O artista participou nas duas primeiras exposições do Grupo de Humoristas (1912 e 1913) ao lado de nomes da nova geração como Cristiano Cruz (1892-1951), Almada Negreiros (1893-1970), Stuart Carvalhais (1887-1961), bem como de outros artistas, ditos «tradicionalistas», como Francisco Valença (1882-1962) e Alfredo Cândido (1879-1960). Estes últimos, herdeiros do desenho de humor de Rafael Bordalo Pinheiro, favoreciam a caricatura de índole política, ao contrário dos «novos», cuja linha estilizada dava destaque ao comentário social e impessoal. Entre 1913 e 1916, salienta-se a sua colaboração na revista de grande tiragem 'Ilustração Portugueza'. Os novos temas acompanham as circunstâncias políticas e sociais do início do século, como a luta sufragista, a recém-implantada república, o comentário à Grande Guerra que tem destaque evidente e, claro, as novas modas femininas ou o crescimento urbano de Lisboa.

Em 1916, colaborou com empenho na fundação do Museu Bordalo Pinheiro junto do colecionador Artur Ernesto Cruz Magalhães (1864-1928), dedicado admirador da obra de Rafael Bordalo Pinheiro. Terá sido a última grande homenagem a seu pai.

Doou dezenas de peças da sua coleção pessoal ao Museu, incluindo gravuras, pinturas e desenhos originais de Rafael Bordalo Pinheiro, bem como correspondência e fotografias, muitas delas identificadas no verso com o seu carimbo “MGUST”.

No âmbito do Congresso de Turismo de 1911, Manuel Gustavo fez representar a Fábrica com uma exposição no Ateneu Comercial de Lisboa e conseguiu uma venda considerável de faianças à Câmara Municipal de Lisboa para decoração do Jardim da Estrela.

Apesar da intensa dedicação à cerâmica a que as circunstâncias obrigaram, Manuel Gustavo manteve o seu trabalho gráfico junto de uma nova geração de humoristas que se vinha afirmando no país.

Foi lançada n’A Satira a ideia de uma sociedade de humoristas:

'Assim se pensou e assim se fez. Os rebeldes e indomáveis humoristas, boémios e vagabundos, despreocupados do dia seguinte, acabam de prender mais curtos os seus instintos de vida airada, e resolveram dar-se as mãos. A caricatura não serve só para desmandibular as multidões num riso animal. Tem uma grave responsabilidade perante a história, qual seja a da conceção dos costumes.'

A presidência da Sociedade dos Humoristas coube a Manuel Gustavo, herdeiro da dita caricatura “bordaliana”, conciliando o “velho” e o “novo” desenho humorista português.

Na margem superior, "um trecho da exposição" e, em baixo, à esquerda, o desenho “Elegância e Economia ou as calças do Papá”, que Manuel Gustavo expôs no salão de 1912 e que hoje se encontra desaparecido.

Ao centro, fotografia dos artistas onde se destacam Jorge Barradas, Francisco Valença, Menezes Ferreira, Manuel Gustavo, Almada Negreiros e Cristiano Cruz.

Manuel Gustavo participou nos dois primeiros Salões dos Humoristas realizados em Lisboa, em 1912 e 1913, ao lado de Alonso, Stuart e dos “novos” Emmerico Nunes, Barradas e Cristiano Cruz.

No período entre 1913 e 1916, Manuel Gustavo realizou inúmeros desenhos a tinta-da-china que viriam a ser publicados na revista Ilustração Portugueza, de grande aceitação, sobretudo nos centros urbanos.

Modas e temas do quotidiano ou notícias da Grande Guerra acompanhavam crónicas de Júlio Dantas e Mário de Almeida, dando a notícia da semana ou o comentário social do momento, em primeira página.

Nestes estudos, o artista deixava notas ao gravador, dando informação sobre o tamanho da ilustração, o título, etc..

O artista desempenhou um cargo público, entre 1913 e 1917, como membro da vereação de Lisboa pelo Partido Republicano Português (Democrático).

Em 28 fevereiro de 1914, Manuel Gustavo casou com Angelica Barreto da Cruz, da qual se conhecem raros retratos.

Manuel Gustavo continuou a desenvolver trabalhos de ilustração para revistas de renome.

A partir de 1914, continuou a sua carreira de Professor na Escola de Cerâmica de Lisboa.

Em 1914 e 1915, inaugura exposições em Braga, Viana do Castelo e Guimarães.

Alguns registos fotográficos ilustram momentos de lazer em piqueniques elegantes nas Caldas da Rainha, em banquetes de homenagem e em torneios de ténis em que o artista participou.

Momento de lazer que terminou com a habitual fotografia de grupo.

Reconhecemos, ao centro, Manuel Gustavo. Muitas outras personalidades estão identificadas na legenda que corre a margem inferior da página.

Manuel Gustavo acompanhou a criação do Museu Bordalo Pinheiro, uma iniciativa do colecionador Artur Cruz de Magalhães.

Meses antes de morrer, em tom de desabafo, escreveu a Artur Cruz de Magalhães:

'Todo o meu empenho agora é continuar cá no meu cantinho, com a minha gente, com os meus velhos operários, ali, naquele pedacito de San Rafael, ao pé daquelas lindas arvores seculares (..) enfim naquela fabrica Bordalo Pinheiro que é obra minha e só minha e à qual quero como quem quer uma filha. V. que tem alma de artista compreende este amor não é verdade?'

Em 1918, o artista fez uma viagem a França e contactou com os principais centros de produção de cerâmica.

Manuel Gustavo recebeu pelas mãos do ministro da Instrução Pública o Grau de Oficial da Ordem de S. Tiago da Espada.

Continuidade e Modernidade

Manuel Gustavo foi um artista completo e multifacetado que fez uso de uma importante herança paterna à qual dedicou toda a sua vida. Conseguiu inovar nos seus trabalhos gráficos e cerâmicos, encontrando um equilíbrio entre o legado de Rafael Bordalo Pinheiro e a modernidade do início do século XX, aproximando-se de uma nova linguagem que dava resposta à jovem geração de leitores e de diferentes públicos da sua Fábrica.

Defendeu como nenhum outro a herança artística de Rafael Bordalo Pinheiro e teve como grande ambição internacionalizar a indústria cerâmica das Caldas da Rainha, como nos escreve em 1909:

"Jurei a mim mesmo luctar até à última para continuar e sustentar esta indústria tão pitoresca, tão portugueza e apesar de tantos sacrifícios anima-me sempre a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América e poder trabalhar enfim, com socego e desassombro. É esta a esperança que me faz viver". (Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Faianças Artísticas das Caldas da Rainha 3ª Exposição [3ª Exposição Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha], 1909)

Fonte: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro # 4: humor no quotidiano (1910-1920). Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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Quem foi Raphael Bordallo Pinheiro? | Museu Bordallo Pinheiro

Raphael Bordallo Pinheiro é uma das personalidades mais influentes da cultura portuguesa oitocentista, com uma produção notável sobretudo nas áreas do desenho humorístico, da caricatura e da criação em cerâmica. A sua obra representa uma realidade inquietante e sempre actual e um documento fundamental para o estudo político, social, cultural e ideológico de uma época.

Raphael Bordallo Pinheiro ficará para sempre intimamente associado à caricatura e à cerâmica artística, apresentando peças de qualidade e importância nunca antes vistas e que, na opinião de conceituados artistas modernos, são obra de um génio.

Desde cedo se interessou por arte, chegando a frequentar a escola de Belas Artes. Como era um grande frequentador de teatro, foi assim que começou a publicar seus jornais humorísticos, obtendo grande sucesso com alguns deles. Os jornais tornam-se documentos preciosos pela sua qualidade artística bem como pela sua interpretação dos acontecimentos políticos e sociais da época, sendo os jornais "Antonio Maria", "Pontos nos ii" e "A Paródia" alguns dos exemplos.

Em 1884 Bordallo iniciou a sua produção cerâmica na Fábrica de Faianças das Caldas, revelando peças de grande qualidade técnica, artística e criativa, desenvolvendo azulejos, painéis, vasos, centros de mesa, bustos de jarras, lavatórios, jarros, pratos, frascos de perfume, vasos e animais gigantescos, etc.

Tornou-se famoso também pelas suas imagens populares, como Zé Povinho (imagem que representa os pobres e oprimidos representados de várias formas), Maria da Paciência (Paciente Maria), Ama das Caldas (babá das Caldas), o polícia, o padre tomando rapé, o sacristão com o incensário na mão e muitos outros. Bordallo Pinheiro realizou exposições no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde apresentou a majestosa Jarra Beethoven (jarra de Beethoven).

Seu notável trabalho com cerâmica foi premiado com medalha de ouro em exposições internacionais (Madrid, Antuérpia, Paris e em St. Louis, Estados Unidos).

História da Fábrica Bordallo Pinheiro

A Fábrica de Faianças das Caldas foi fundada em 30 de junho de 1884. Raphael Bordallo Pinheiro foi responsável pela parte técnica e artística e seu irmão Feliciano Bordallo Pinheiro foi responsável pela parte organizacional da fábrica.

Raphael também seguiu o projeto arquitetônico único das instalações que incluíam uma área para uma escola de cerâmica, onde eram ministrados diversos cursos relacionados. A fábrica e o armazém de vendas foram rodeados por um parque arborizado, duas nascentes, dois barreiros e foram decorados com peças de cerâmica do próprio Raphael Bordallo Pinheiro.

Na fábrica de Raphael Bordallo Pinheiro foram criados centenas de modelos cerâmicos de criatividade ímpar, baseados nas tradições locais, nomeadamente na olaria das Caldas, adotando a fauna e a flora como inspiração decorativa. A sua produção cerâmica tornou-se conhecida, sobretudo pela sua qualidade artística, tanto a nível nacional como internacional.

Bordallo modelou, também, personagens do quotidiano português com notável audácia e sentido crítico, e nos seus azulejos criou padrões com influências diversas tão vastas como o Renascimento, o Naturalismo, a Art Nouveau e o legado espanhol e árabe.

Raphael Bordallo Pinheiro com a ajuda dos seus operários produziu peças arrojadas, quer pelas dimensões, quer pela delicadeza dos detalhes. O "Jarra Beethoven", que ultrapassa os 2,60m de altura, é símbolo da exuberância e do talento do artista, e está exposto no Museu das Belas Artes do Rio de Janeiro.

Os vinte e um anos de produção de Raphael Bordallo Pinheiro (1884-1905) ficaram eternizados na história da cerâmica caldense. Isto foi conseguido não só pela exuberância e criatividade das suas peças cerâmicas, mas também pelo elevado nível técnico alcançado, principalmente ao nível da modelação e vitrificação.

A missão de vida de Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro foi proteger a memória do seu pai, Raphael Bordallo Pinheiro. Continuar o trabalho de seu pai manteve esta tradição cerâmica viva.

Após a morte de Manuel Gustavo em 1920, um grupo de ilustres caldenses, juntamente com os trabalhadores, deu continuidade aos trabalhos da empresa. Após a grave crise de 2008, a empresa foi adquirida pelo Grupo Visabeira o que lhe garante uma continuidade produtiva e histórica.

Valores da marca

uma abordagem moderna e empreendedora, a Bordallo Pinheiro desempenha um papel fundamental na revitalização da cerâmica portuguesa e do património artístico da sua fábrica, a Fábrica de Faianças Artísticas, Raphael Bordallo Pinheiro, tanto no panorama nacional como internacional.

A Bordallo Pinheiro mantém-se fiel à tradição através da utilização de técnicas de fabrico ancestrais e dos motivos naturalistas que estão na origem do grande projeto da marca. Ao mesmo tempo, confere às suas linhas uma dimensão contemporânea, graças à excelência da sua produção e à sua contínua reinvenção, tanto a nível estético como técnico.

As peças utilitárias e decorativas da marca continuam a alimentar o imaginário coletivo e a levar mais longe o prestígio da cultura e indústria portuguesas.

Fonte: Bordallo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

Crédito fotográfico: Museu Bordallo Pinheiro. Consultado pela última vez em 2 de fevereiro de 2023.

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