Emmanuel da Cunha Nassar (Capanema, 3 de janeiro de 1949), mais conhecido como Emmanuel Nassar, é um arquiteto, desenhista, pintor, professor e publicitário brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará e entre as décadas de 80 e 90 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Nassar conduz sua produção a partir de um diálogo entre o popular, o construtivismo e o geométrico, produzindo obras inusitadas, aliando imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. O artista participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e a Bienal de Veneza de 1993. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Biografia – Itaú Cultural
Emmanuel da Cunha Nassar realiza instalações e relevos pintados. Em 1969, após uma viagem à Europa, o artista decide estudar arquitetura, formando-se pela Universidade Federal do Pará - UFPA, em 1974. Trabalha inicialmente com acrílica sobre tela e, mais tarde, estuda técnicas como o relevo sobre madeira. A partir de 1980, tornou-se professor de educação artística na UFPA. Em 1981, criou a obra tridimensional Recepcôr. A partir desse trabalho, passa a realizar pinturas em que representa pequenos mecanismos, contendo eixos, manivelas e placas de cor, incorporando também objetos comuns, como garrafas. Em alguns quadros evoca a cultura popular local, como nas cores vibrantes e formas geométricas das casas e de barracas de feira. Em 1985, em uma nova pesquisa, realiza trabalhos em que apresenta uma releitura dos desenhos e pinturas presentes em bares e banheiros públicos. Em outros trabalhos, alia imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. Em 1998, realiza a instalação Bandeiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará, na qual se apropria de 143 bandeiras de municípios paraenses, que são distribuídas pelas paredes dos museus. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Análise
Formado em arquitetura e com experiência no campo da publicidade, Emmanuel Nassar, do início da década de 1980 em diante, conduz sua produção a partir do diálogo entre duas tradições visuais: aquela popular, onde cores vibrantes em formas geométricas são trabalhadas como ornamentos para residências, barracos, vitrines etc., e a tradição construtiva e geométrica, que marcou e ainda marca parte significativa da produção artística erudita brasileira.
Se, no início de sua carreira, o artista brinca ainda de descrever ou representar esse limite entre o popular e o erudito, a partir de 1988, seu trabalho torna-se mais objetivo. Nassar deixa de pintar somente sobre tela e incorpora outros materiais, como latão, pedaços de madeira, duratex, garrafas, martelos, bocais de lâmpada e luz néon. Em Gambiarra (1988), o trabalho fica entre a pintura e o objeto. Em 1989, apresentou, na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, a instalação Fachada. Nela, recria um circo mambembe do interior. Dentro do circo, mostra alguns trabalhos mais próximos do objeto.
Em 1998, o artista monta a instalação Bandeiras no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará. Apropria-se de 143 bandeiras de municípios paraenses que são distribuídas nas paredes dos museus. O trabalho envolve a participação da população do estado, que envia as bandeiras para o artista. Em 2000, ao realizar fotografias de formas coloridas encontradas no cotidiano popular das cidades paraenses, o artista acaba "revelando" a fonte primeira de suas pinturas anteriores: um olhar fundamentalmente fotográfico, questão que traz mais desafios para sua poética.
Críticas
"(...) Trabalhando em acrílica sobre tela, e mais recentemente explorando outros suportes, como o relevo em madeira, a pintura de Nassar se singulariza diante das modas contemporâneas por inspirar-se na temática do suburbano, a partir da incorporação de elementos simbólicos ou figurativos observados ou criados a partir de cartazes de comunicação visual executados artesanalmente e expostos em Belém do Pará. (...) Composição descentralizada inspirada no geometrismo de origem popular, esta tela do MAC (Sonoros Brasil) é circundada por margem à maneira de moldura de cor viva contendo os seis losangos executados a mão livre e que saltam, do ponto de vista perceptivo, ante o olhar do observador, que vaga de um elemento a outro sobre o fundo vibrante" — Aracy Amaral (AMARAL, Aracy (Org. ). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Prefácio Ana Mae Barbosa; texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p. , il. color).
"Do seu mundo, o artista recorta, salienta detalhes, reinventa dramas. Suas fontes são duas: o popular e o suburbano (...) O que mais chamava a atenção no espectador (...) era o olhar sem culpa e sem preconceito do artista. Quando denunciava a miséria (...) transformava sua denúncia numa experiência plástica, passando a léguas do panfletário e do anedótico. Seu olhar era participante, sem ser pedinte. Reivindicador, sem ser cobrativo (...). Aos poucos, sempre com olhar crítico, o artista foi incorporando ao seu trabalho imagens tão díspares quanto ilustrações de anúncios, rótulos de produtos e até decorações de carroceria de caminhão. Tudo isso em grandes campos de cor onde elementos retirados do imaginário popular encontravam seu espaço plástico como partes de uma composição quase abstrata. O amadurecimento deu a Nassar um dado que até então lhe faltava: o humor. Em pinturas (...) elementos figurativos (...) recebem um tratamento falsamente primitivo que permite ao artista ironizar a própria técnica. Objetos banais passam a adquirir, dentro desse bem-humorado jogo formal, um valor icônico. Jogando com a escala, o artista consegue transpor para a tela a mesma sensação de insignificância que atinge o ser humano que depara com Grande Rio. Nós ocupamos uma minúscula parte do espaço físico, como as figuras ocupam apenas uma pequena parcela do espaço pictórico (...). Com a maturidade que lhe permite aproveitar o folclórico e o regional sem cair nas suas malhas, Nassar traça o seu caminho" – João Cândido Galvão (GALVÃO, João Cândido. Popular e suburbano. Guia das Artes,São Paulo, v. 3, n. 13, p. 61-62, 1989).
"(...) Nassar não é um artista que simplesmente se apropria de um universo de cores e formas populares para, ingenuamente, enaltecer a 'pureza' e a 'criatividade' do bravo povo do Norte. Atento à suposta banalização e esgotamento das linguagens plásticas eruditas, Nassar percebeu que esses elementos populares apontados acima guardavam semelhanças no mínimo desestabilizadoras dos conceitos que regeram (e ainda regem) uma das maiores tradições da arte deste século no Brasil e no exterior: o construtivismo, que no país se bifurcou nas vertentes concreta e neoconcreta. (...) o artista na verdade acaba zerando as duas linguagens, fazendo com que sua obra sobreviva como um poderoso e colorido curto-circuito nas engrenagens que ligam - e desagregam - essas duas tradições. Poderíamos rapidamente comparar uma pintura de Nassar com uma de Hércules Barsotti, um dos principais pintores brasileiros surgidos com o neocretismo. Na produção de Barsotti são as cores rigorosamente trabalhadas que preenchem o campo plástico, criando formas que tendem a levar o espectador a conceitos de lirismo, ordem e pureza. Nas pinturas de Nassar, a verdade das cores constituindo o campo da pintura é problematizada pela proposital insegurança do traçado e/ou pela inclusão não esperada de elementos decididamente alheios à 'ordem' construtiva: imagens toscas de membros humanos decepados, representações ilusionistas de pregos e outros instrumentos. . . Mesmo as iniciais do nome do artista ('E' e 'N') absolutamente não querem atestar a bidimensionalidade do plano (tão cara à tradição erudita construtiva), não. Elas, incorporadas à pintura, tendem a preenchê-la de um sentido simbólico, autobiográfico mesmo, praticamente inexistente na arte construtiva de origem erudita. O que Nassar pretende com sua pintura? O mesmo que seus colegas de geração, desestabilizar o consagrado, trazer lirismo e humor a uma tradição; negar a noção de arte como linguagem capaz de oferecer ao espectador uma mensagem previsível e apriorística da realidade que o cerca" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Sobre Brasil, de Emmanuel Nassar. In: SALÃO ARTE PARÁ, 1997, Belém. Fronteiras. Apresentação Lucidéa Maiorana. Belém: Fundação Romulo Maiorana: Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado, 1997. p. 48).
"Emmanuel Nassar pertence à linhagem dos artistas que se detêm sobre o mundo e dele recolhem a substância da sua expressão. E o que mais lhe interessa são as imagens e coisas tidas como demasiado simples: as pinturas toscas e os artefatos e a arquitetura pertencentes ao extrato mais pobre de sua Belém natal.
É fato que ainda insistimos em julgar as imagens e objetos existentes sob a ótica de um olhar culto, como se tudo fosse concebido no patamar da alta cultura. A questão não se agüenta de tão anacrônica, o que não impede de continuar vigorando em alguns rincões do nosso país. Com efeito, mira-se com desdém tudo aquilo que se fabrica fora do padrão culto, por acreditar-se que a assim chamada expressão popular nada mais é que um rebaixamento, uma reprodução canhestra quando não degradada de uma ordem superior. (...)
Nassar sempre chamou atenção pela delicadeza e interesse com que se volta ao que há de banal e humilde no mundo. Sob seus olhos, a margem da vida social que no caso de Belém são as margens de cada um dos filamentos da teia líquida dos rios, é o palco onde são encenadas lições líricas da engenhosidade humana, da sua inesgotável capacidade de simbolizar e de improvisar diante da carência de meios. Nassar é o poeta do precário, do cambaio, da gambiarra, da solução imaginativa e do desenho esconso, que surpreende pelo vigor com que aos nossos olhos atualiza nosso desejo atávico de expressão diante da infinita riqueza do mundo. E ele realiza sua obra sem escamotear sua origem de classe, sua condição de pessoa edulcorada, com formação superior. Seu projeto poético vem se afirmando na construção de um amálgama entre o seu repertório e aquele que a experiência junto à expressão popular lhe oferece como um sumo vivo" — Agnaldo Farias (FARIAS, Agnaldo. O sonho de Nassar. In: NASSAR, Emmanuel. Bandeiras. Apresentação Paulo Chaves Fernandes; texto Agnaldo Farias, Benedito Nunes. São Paulo: MAM, 1998).
Exposições Individuais
1979 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma
1986 - Belém PA - Individual, na Galeria Elf
1987 - Brasília DF - Emmanuel Nassar: pinturas, no Espaço Capital Arte Contemporânea
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Arte Liberal
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Rômulo Maiorana
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1989 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1989 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin: Emmanuel Nassar, na Galeria Nalepa
1991 - Campo Grande MS - Individual, na Itaugaleria
1992 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1992 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1994 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Thomas Cohn
1995 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1995 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1996 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1996 - Frieburg (Alemanha) - Individual, na Galeria Ruta Correa
1996 - Niterói RJ - Emmanuel Nassar, na Galeria de Arte UFF
1997 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1997 - Köln (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1999 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2000 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Laura Marsiaj Arte Contemporânea
2003 - Brasília DF - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Boa Romaria Faz Quem em Sua Casa Fica em Paz, na Galeria André Millan
2004 - Recife PE - Individual, no MAMAM
2004 - São Paulo SP - A Poesia da Gambiarra, no Instituto Tomie Ohtake
Exposições Coletivas
1980 - Curitiba PR - 37º Salão Paranaense - Prêmio Petrobrás Distribuidora, na Fundação Teatro Guaíra
1980 - Rio de Janeiro RJ - 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Mnba
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1980 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, na Fundação Bienal
1981 - Curitiba PR - 38º Salão Paranaense, na Fundação Teatro Guaíra
1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - Pintura e Desenho no Pará, na Galeria Projecta
1982 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - 3º Salão Brasileiro de Arte, na Fundação Mokiti Okada - prêmio aquisição
1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Rio de Janeiro RJ (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Mnba
1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp
1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas - artista convidado
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - prêmio viagem ao país
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage
1985 - São Paulo SP - O Popular como Matriz, no MAC/USP - artista convidado
1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil , no CCSP
1986 - Fortaleza CE - Imagine: o planeta saúda o cometa, na Arte Galeria
1986 - Nova Délhi (Índia) - 6ª Trienal da Índia
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal - Prêmio Clock
1987 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1987 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Pinacoteca do Estado
1988 - Leverkusen (Alemanha) - Brasil Já, no Museum Morsbroich
1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A.
1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse
1989 - Amsterdã (Holanda) - U-ABC, no Stedelijk Museum
1989 - Hannover (Alemanha) - Brasil Já, no Sprengel Museum
1989 - Havana (Cuba) - 3ª Bienal de Havana
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF
1990 - Lisboa (Portugal) - U-ABC, na Fundação Calouste Gulbenkian
1991 - Campo Grande MS - BR/80. Pintura Brasil Década 80, na Itaugaleria
1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, no Liljevalchs Konsthall
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura
1992 - Kassel (Alemanha) - Projekt Stoffwechsel
1992 - Rio de Janeiro RJ - 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini, no Paço Imperial
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Veneza (Itália) - 45ª Bienal de Veneza
1994 - Juiz de Fora MG - América, na UFJF
1994 - Salvador BA - 1º Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, no MAM/BA
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1995 - Brasília DF - Coleções de Brasília, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
1995 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria Sesc Paulista
1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói
1996 - Potsdam (Alemanha) - Contrapartida: 12 artistas brasileiros e alemães, no Kunstspeicher Potsdam
1996 - São Paulo SP - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/SP
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1997 - Belém PA - Arte Pará: fronteira, no Museu de Arte do Belém
1997 - Goiânia GO - Brasilidade: coletânea de artistas brasileiros, na Galeria de Arte Marina Potrich
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Rio de Janeiro RJ - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Belo Horizonte MG - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Emmanuel Nassar, Leda Catunda, Marcos Benjamim, na Kolams Galeria de Arte
1998 - Campinas SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal de Cuenca
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói
1998 - Penápolis SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, na Itaugaleria
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1998 - São Paulo SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1999 - Belém PA - Olhares Revisitados, no Museu de Arte Sacra
1999 - Lisboa (Portugal) - América Latina das Vanguardas ao Fim do Milênio, no Culturgest
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2000 - Belo Horizonte MG - Ars Brasilis, na Galeria de Arte do Minas Tênis Clube
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Belo Horizonte MG - O Brasil na Visualidade Popular, no MAP
2000 - Belo Horizonte MG - Presente de Reis, na Kolams Galeria de Arte
2000 - Berlim (Alemanha) - Brasilien in Barsikow, na Galerie Barsikow
2000 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
2000 - Recife PE - 44º Salão Pernambucano de Artes Plásticas, no Observatório Cultural Malakoff
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminham, no Museu Histórico Nacional
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasilidades, no Centro Cultural Light
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Artes Visuais, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Cá entre Nós, no Paço das Artes
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, na Galeria da Residência
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
2001 - Porto Alegre RS - Coleção Liba e Rubem Knijnik: arte brasileira contemporânea, no MARGS
2001 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som de Antônio Carlos Jobim, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Brasília DF - Fragmentos a Seu Ímã, no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Niterói RJ - Acervo em Papel, no MAC/Niterói
2002 - Niterói RJ - Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini, no MAC/Niterói
2002 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som do Rock Pop Brasil, no Paço Imperial
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Campo, no Centro Cultural da Justiça Federal
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake
2002 - São Paulo SP - Paralela
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - Bandeiras do Brasil, no Museu da República
2003 - São Paulo SP - Meus Amigos, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2003 - São Paulo SP - Um Difícil Momento de Equilíbrio, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2004 - Rio de Janeiro RJ - Tudo é Brasil, no Paço Imperial
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Tudo é Brasil, no Itaú Cultural
Fonte: EMMANUEL Nassar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de outubro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Emmanuel Nassar | Wikipédia
Emmanuel Nassar (Capanema, 1949) é um artista plástico brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará. Durante a década de 1980 e 1990 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e Bienal de Veneza de 1993.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar | Art Pará 2021
A obra de Emmanuel Nassar coloca-se essencialmente por meio da pintura e do amálgama de distintos suportes, que incluem tela, madeira, vidro e chapas metálicas, entre outros. O artista apropria-se de signos e técnicas que vão desde o universo popular até diversas correntes da arte contemporânea, com alguma informação do concretismo, referência que se mostra através de uma busca pelas formas e um cientificismo entre essas e seu conteúdo, e sobretudo a arte pop, fio condutor de sua imaginação artística. Nassar evoca noções de um primitivismo e uma precariedade industrial que remontam suas raízes fincadas no Norte do Brasil, que ele ao mesmo tempo lamenta e enaltece de forma mordaz. Para a escritora e curadora Ligia Canongia, sua obra é uma resposta brasileira aos princípios firmados pelo pop, pensada com inteligência e ajustada aos limites de nosso repertório.
Formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1975. Realizou diversas exposições individuais, entre as quais: a retrospectiva EN: 81-18, Estação Pinacoteca, São Paulo, SP (2018); Galeria Millan, São Paulo, SP (2016, 2013, 2010, 2008, 2005 e 2003); Museu Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ (2013); Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ (2012): Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP (2009); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP; a retrospectiva A Poesia da Gambiarra, com curadoria de Denise Mattar, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, e Brasília, DF (2003); e Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (1998).
Entre as dezenas de mostras coletivas de que participou, destacam-se: Potência e Adversidade, Pavilhão Branco e Pavilhão Preto, Campo Grande, Lisboa, Portugal (2017); Aquilo que Nos Une, Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ (2016); 140 Caracteres, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (2014); O Abrigo e o Terreno, Museu de Arte do Rio, RJ (2013); Ensaios de Geopoética, 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2011); VI Bienal Internacional de Estandartes, Tijuana, México (2010); Fotografia Brasileira Contemporânea, Neuer Berliner Kunstverein, Berlim, Alemanha (2006); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Fundação Bienal de São Paulo, SP (2000); 6ª Bienal de Cuenca, Equador (1998); Bienal de São Paulo, SP (1998 e 1989); a representação brasileira na Bienal de Veneza, Itália (1993); U-ABC, Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda; e a 3ª Bienal de Havana, Cuba (1989); entre outras.
Suas obras integram importantes coleções públicas, como a Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA, e Caracas, Venezuela; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; e University Essex Museum, Inglaterra.
Fonte: Emmanuel Nassar, Art Pará 2021. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Pará entra para a rota nacional das artes visuais | Exame
São Paulo - Emmanuel Nassar fincou os pés na terra para dela se sobressair. Natural de Capanema, cidadezinha do interior do Pará, o artista de 62 anos ganhou fama por trabalhar – em suas pinturas, instalações e objetos – os matizes cromáticos fortes, o improviso do cotidiano, a visualidade cabocla.
Um emaranhado de referências da cultura popular amazônica. Isso não o circunscreveu a um estilo tão somente regional, tampouco o deixou isolado em tendências artísticas demarcadas.
Entender-se com o seu território acabou sendo fundamental para que, mesmo distante geograficamente dos grandes centros, ele participasse de bienais, como as de São Paulo, em 1989 e 1998, e de Veneza, em 1993.
No início dos anos 1980, ele era “o” artista do Pará e não um dos 500 diluídos no complexo circuito das artes de São Paulo, por exemplo. “Tive uma formação muito forte em Belém e nunca achei determinante me deslocar.
Sem heroísmo, posso até ter me beneficiado com isso. Mas fiquei remoendo essa questão de identidade por uns dez anos”, revela. Emmanuel Nassar tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da arte contemporânea nacional, e outros conterrâneos o seguiram.
Essa visibilidade foi impulsionada pela consolidação, nas últimas três décadas, de redes de articulação artística, que incluem desde a criação de salões e mostras até a elaboração de políticas públicas – ações que favoreceram o trânsito de curadores, críticos e artistas de outros eixos, que passaram a acompanhar de perto a produção local.
Paulo Herkenhoff, que foi curador-geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, atua sistematicamente em projetos voltados a mapear e difundir a arte paraense e também é curador do Salão Arte Pará, que neste ano completou 30 edições.
Ele reconhece que há na região uma concentração significativa de bons artistas e arrisca uma explicação: o surgimento em 1984 do FotoAtiva, um espaço de discussão da fotografia; assim como a criação, em 1999, do Instituto de Artes do Pará (IAP) e a inauguração, em 2002, do Museu Casa das Onze Janelas, todos em Belém, além das universidades como provocadores desse cenário.
“São instituições engajadas com a arte, mas sobretudo com a consciência de estarem inscritas em um território cultural denso, com potencial de construção de linguagens”, afirma Herkenhoff.
“Os artistas passaram a ter um ambiente onde são estimulados a pensar no universal para criar no local, tornando universalizado o processo artístico a partir da originalidade da cultura paraense-amazônica”, diz João de Jesus Paes Loureiro, idealizador e criador do IAP.
As obras da exposição Impressões de Lugar (2004), de Alexandre Sequeira, ilustram bem esse contexto. Em toalhas de mesa, lençóis, redes e outros objetos o artista estampou os donos das peças numa pesquisa de fotografia, gravura e instalação.
O trabalho participou da Bienal Internacional de Liège, na Bélgica, em 2006; da Bienal de Havana, em Cuba, em 2009; e do FestFotoPoa, em Porto Alegre, em 2010, além de outros eventos no Canadá e na França. As esculturas de Armando Sobral também refletem essa linha criativa, que busca o universal no regional.
Em seus mais recentes projetos, ele se alia aos mestres escultores e ceramistas da cultura popular para produzir grandes objetos tridimensionais. “Ficam evidentes as referências locais, sejam elas relacionadas à história da cidade, à paisagem ou às práticas tradicionais”, diz Sobral.
Na série Barroco, Traço Infinito (2009), ele compôs formas e volumes baseados em matrizes históricas e na visualidade de igrejas barrocas de Belém; em Jardins Sagrados (2010), continuou a pesquisa com uma das esculturas da série anterior para pensar a obra dentro do ambiente do museu, e em Labirinto Ver-o-Peso (2011), uniu as esculturas de urnas funerárias indígenas às xilogravuras de mantas de pirarucu, comuns no mercado belenense. As obras foram expostas na Galeria Fayga Ostrower, em Brasília, em julho passado.
Motivado por uma situação social local, outro artista plástico, Armando Queiroz, produziu a performance em vídeo Midas (2009), onde com uma das mãos começa a inserir insetos na própria boca.
O trabalho foi baseado na exploração mineral da Serra dos Carajás, mas não se limita à Amazônia exaurida de seus recursos naturais. A obra remete à cratera que sobrou no lugar e, sobretudo, às pessoas. Com ela, Armando Queiroz foi vencedor do Prêmio Marcantonio Vilaça 2009, da Funarte.
Múltiplas singularidades
Uma novíssima geração de artistas tem dado continuidade a essa boa fase. Marcone Moreira faz parte dela. O jovem de 29 anos apresenta sua cidade, Marabá, no interior do Pará, a quase 500 quilômetros da capital, por meio de pinturas, objetos e instalações nada convencionais.
“Pode-se falar a partir de um lugar sem ser regionalista e fala-se de várias maneiras porque a Amazônia é diversificada”, acredita a crítica de arte Marisa Mokarzel, diretora do Museu Casa das Onze Janelas.
Focado mais em detalhes da caótica cidade e menos em estereótipos generalizantes, Moreira já participou de programas com o renomado curador Agnaldo Farias, em 2002; do Panorama da Arte Brasileira, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2003, além de ter exibido obras no Rio de Janeiro, em Recife e na Espanha.
Outra surpresa é o projeto Simbiosys, de Roberta Carvalho, 30 anos, iniciado em 2007, no qual rostos são projetados em copas de árvores. “A minha motivação é a natureza olhar para a gente. Agora, entro numa fase em que uso as populações da floresta. É uma forma de ocupar a paisagem com gente da Amazônia. Fazer a Amazônia olhar para o mundo”, explica.
Em 2012 ela apresentará suas árvores-homens na exposição BR2014 Terra Prometida, em Barcelona, sob curadoria do fotógrafo e produtor cultural Iatã Cannabrava, de São Paulo.
Ao dependurar galinhas pelo corpo e sair pelo centro da cidade, na ação performática Gallus Sapiens (2007), Victor de La Rocque questiona o valor da existência.
“Ele transforma em metáfora a rotina do homem comum, que leva a vida em estado de alienação”, observa Orlando Maneschy, que foi curador do Salão Arte Pará 2008, ano em que Victor conquistou o grande prêmio do certame.
“Os artistas estão focados em suas questões e não em modismos”, reconhece Paulo Herkenhoff. Como bem fez Emmanuel Nassar, a nova geração também não tira os pés, nem a alma, do solo paraense.
Fonte: Exame, "Pará entra para a rota nacional das artes visuais", publicado por Dominik Giusti, em 22 de dezembro de 2011. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca” | Select
Diversos fatores somam-se para um norteamento de leituras sobre o trabalho de Nassar. Desde marcos intrinsecamente artísticos, como a satirização de um cânone geométrico e cromático purista já aplaudido, até a exaustiva manipulação do traço erudito que se transveste como ingênuo. A plena atenção aos movimentos artísticos contemporâneos enrobustece o artista que maquina suas narrativas, à sombra de uma periferia da modernidade que cobre a Amazônia – mas que, no caso de Nassar, não o assola, mas o protege. Esse distanciamento faz com que o artista observe com olhos atentos as movimentações alheias, os complexos e tecnológicos aparatos utilizados, interpretando seus funcionamentos de uma perspectiva própria.
Como se aprende a partir das máscaras indígenas do Xingu e das técnicas ilusionistas do barroco italiano: enganar é trabalho muito difícil. A cena é posta, a narrativa é construída, e cada obra, independentemente da plataforma, é um fragmento memorial e imagético que se tem ao se encantar com o espetáculo. Desde o início, porém, Nassar já anuncia e alerta o espectador que está à entrada do seu mundo fantasioso e ilusório: não há o engano tacanho e desavisado. As questões éticas aí estão resolvidas: as mãos lavadas, a língua dita e os olhos prontos.
E é da mesma forma que Nassar compreende o mercado de arte na contemporaneidade. Inserido no sistema, o artista não mais se detém nas querelas críticas da incompreensão artística pelo mercado, num luto do incompreendido rendido às dinâmicas capitalistas, mas pula no barco, entendendo que seu conceito artístico é lido – e também vendido e consumido – como uma marca. Os alinhamentos com uma arte pop são não somente inevitáveis, mas intencionais, e as questões mercadológicas não apenas orbitam o trabalho de Nassar, como estruturam seu conceito.
O artista sabe que o mercado de arte ultrapassa as dinâmicas de subsistência, da visceralidade e da fisiologia humanas, e habita o campo do presentear: com o fragmento imagético, presenteia-se a si mesmo ou ao outro. Talvez essa clareza de intenções e a negação de uma demagogia sobre o capital façam com que, nesse caso muito específico, se desnudem os balangandãs entrópicos mercadológicos e a venda da obra de arte retorne a seu cerne principal de troca. Para Nassar, o ato da venda é um momento mágico que conecta dois sonhadores: o que sonha em ter uma lembrança dessa narrativa consigo, e o que almeja pulverizar seu conceito no universo. Ficcional e fabuloso na mesma ordem de grandeza do ato de dar valor material a algo tão arbitrário e volátil. A obtenção desse fetiche sana, ao menos temporariamente, o desejo de possuí-lo.
Para Roland Barthes, “todo objeto tocado pelo corpo do amado se torna parte daquele corpo, e o sujeito avidamente se une a ele”. Dessa forma, os objetos produzidos e pintados por Nassar, como as serras, os pregos, as empenas e os arames, intuitivamente tão duros e distantes do toque afável do afeto, são fetichizados por terem sido submetidos ao seu toque. São, portanto, parte de si: lembranças de um toque.
Nassar detém um interesse especial pelos funcionamentos simples, pela genialidade humana condensada em dinâmicas precisas, como o toque e a troca. Tal fascínio é amplamente expresso nas obras do artista, que cria empenas, trancas, alavancas, roldanas, sistemas instáveis e estáveis à luz de uma estética regionalista e de uma lógica da gambiarra. Nassar se debruça sobre o engenho humano: tanto no aspecto maquínico, quanto no intelectual. Essas dinâmicas são apenas ferramentas para fenômenos mais complexos, como, no caso do toque, a instituição da obra de arte como parte de um conceito, que transfere valores à matéria quando é tocada pelo artista; no caso da troca, o mercado contemporâneo de arte, o ato da venda e os aparelhos propagandísticos utilizados para que ela aconteça.
A nova série de objetos produzidos por Nassar, feitos a partir de bancas de venda de tapioca, interessa pelas mesmas dinâmicas. Quanto ao toque, flertam com princípios do ready-made, apresentando o objeto cotidiano reconhecível como elemento principal da obra, mas alterado a partir de precisas operações do artista. Importante, portanto, que essas bancas não tenham sido feitas para a aplicação artística, mas para o uso cotidiano. Aí, então, entra a dinâmica da troca: Nassar as adquire de vendedores locais de tapioca na Praça da República, no centro de Belém, com preço definido pelo próprio tapioqueiro. Em um dos casos, temeroso de não reencontrar o vendedor que lhehavia prometido vender a banca assim que terminasse a venda das tapiocas, Nassar comprou-as todas e, com a ajuda do tapioqueiro, as distribuiu para quem estava na praça. Há tempos a Praça da República não via algo mesmo republicano.
Os vínculos com a arte pop contemporânea e os princípios do ready-made seguem no título da obra: TrapiocaBox. Nassar se aproxima de Brillo Box (Soap Pads) (1964), de Andy Warhol, em uma identificação do consumo local, particular da Amazônia. Regionaliza o objeto, saindo da escala industrial dos sabões em pó estadunidenses a que Warhol se remete, partindo para um consumo artesanal de tapiocas, produzidas de forma caseira e ancestral, em que nem as embalagens nem os produtos seguem um padrão estandardizado. Além disso, referir-se à palavra “trap”, em inglês, “armadilha” em português, que alude ao mecanismo de prender e de fechar, também se conecta a outras obras do artista, como Trap Trap (2006) e Trapescale (2014). Os dispositivos de engano, de armadilha e de ilusão, recorrentes na obra de Nassar, se repetem e se direcionam, de um modo crítico – de certa forma satírica e bem-humorada –, à historiografia de arte contemporânea.
As bancas de tapioca, caixas de madeira pintadas de branco, com “tapioca” escrito nas laterais de forma anunciativa, são originalmente postos num cavalete dobrável do mesmo material, com o mesmo acabamento. Os dois elementos principais têm sua materialidade centrada em suas dinâmicas: os cavaletes são dobráveis, elementos que abrem e fecham para o fácil transporte; enquanto a banca que armazena as tapiocas a serem vendidas tem uma tampa afixada com dobradiças metálicas, que abre e fecha facilmente. Essa tampa, com moldura de madeira, tem uma grande tela de arame, que permite que os clientes vejam o produto que desejam – ou passem a desejá-lo justamente ao vê-lo – e o protege de moscas indesejadas no clima tropical. Puro engenho.
Nassar desnuda as bancas de tapioca de suas telas metálicas e, numa delas, aplica a silhueta do território brasileiro no centro, recortada em chapa metálica branca. As leituras podem ser as mais diversas: desde a sugestão de uma tapioca com o formato do Brasil, quanto uma metonímia de que o país é feito do alimento mais brasileiro de todos, a mandioca, matéria-prima da tapioca. Engenhosamente, o artista utiliza o mecanismo das dobradiças da peça como um dos protagonistas do trabalho, havendo a possibilidade de a tampa ser aberta, configurando um díptico.
O tabuleiro torna-se uma espécie de cartografia, quando, além da representação do território, o artista pinta suas iniciais, “EN”, uma oposta àoutra. Essa banca de tapioca não desnorteia o espectador, ao apresentar incongruências do leste e do norte como elementos aqui colineares, mas o norteia, no sentido de o imbuir da cultura e da visualidade do norte do Brasil. Puro engenho, pura troca: como vender tapioca.
Fonte: Select Art, "Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca”", publicado por Mateus Nunes em 3 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar |
Entre tintas e pincéis, um ambiente criativo e muitas obras nas paredes, Emmanuel Nassar está de volta, diferente, porém igual. Os novos ventos que sopram do rio Guamá e entram pelo seu apartamento/estúdio, no bairro do Marco, em Belém, mostram que a criatividade do artista encontrou pouso certo para vivenciar uma fase de muita produção.
Nem Tudo Acaba em Telas e Tintas
Nesses últimos 3 anos, o artista plástico Emmanuel Nassar, tem vivido uma intensa experiência, que o levou a ver o mundo com “outros olhos”. É que no final de 2018, em uma de suas vindas a Belém, o artista descobriu uma perda degenerativa acentuada na retina nos dois olhos. O que ele não imaginava é que esta perda de visão seria irreversível. “Fiquei desesperado”. relata o artista.
início do tratamento teve ainda novas surpresas. Na segunda aplicação das injeções intraoculares, ele teve uma inflamação muito grande que o deixou sem enxergar durante 4 dias. “Naquele momento eu entrei em desespero porque achei que ficaria cego, rapidamente. Entrei em depressão e cheguei a perder 10 kg” em 2019, revela Emmanuel Nassar que permaneceu nesse ano em São Paulo.
“A pandemia me salvou”
Emmanuel Nassar fala do segundo semestre de 2020, como um renascimento em todos os sentidos, “Estava parado em São Paulo, sem energia criativa, estagnado, não conseguia produzir e hoje tenho certeza que tomei a decisão certa ao voltar a Belém”, conclui Nassar. “Nada mudou na minha forma de trabalhar, ao contrário, eu estou produzindo muito. Parece que as pessoas, durante a pandemia, consumiram mais arte.” surpreende o artista. Em 2021 ele completou 1 ano morando aqui em Belém. “Estou feliz e mais próximo do meu público. Transformei minha sala em espaço para troca de ideias e também tenho feito lives do meu processo criativo.
Um “case” de sucesso
Primeiro nasceu o engenheiro, depois o arquiteto e finalmente o redator publicitário que criou o artista Emmanuel Nassar, hoje também referenciado como um “autêntico artista brasileiro” ou também, como o “Mestre da Gambiarra''.
Foi o jovem publicitário aos 19 anos que criou o conceito do artista e suas famosas iniciais E e N que assinam suas obras desde 1985. Da primeira exposição coletiva na Galeria Angelus do Theatro da Paz, a contemporaneidade das obras de Emmanuel Nassar encontrou público, voz e representatividade. Atualmente, a sua grife se tornou tão desejada que alcançou as paredes dos mais importantes museus brasileiros e das residências de vários colecionadores. “Eu tenho consciência de que o meu conceito é altamente desejável em um determinado mercado de arte no Brasil. Eu tenho consciência de que me tornei uma marca”, pontua Nassar.
Saiba onde encontrar as obras de Emmanuel Nassar:
BELÉM
MABE (Acervo da Prefeitura)
MAP (Sistema de Museus do Estado do Pará)
Brasil
Pinacoteca de São Paulo
MAM SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo
MAM RJ- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
MAR - Museu de Arte do Rio
MAMM - Museu de Arte Murilo Mendes de Juiz de Fora MG
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
MAC - USP
Obs: Boa parte do acervo de Emmanuel Nassar está espalhada pelo mundo nas mãos de colecionadores de arte.
Fonte: Portal Liv, "Emmanuel Nassar", publicado em 22 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Crédito fotográfico: Instagram do artista, @emmanuelnassar, publicado em 27 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Emmanuel da Cunha Nassar (Capanema, 3 de janeiro de 1949), mais conhecido como Emmanuel Nassar, é um arquiteto, desenhista, pintor, professor e publicitário brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará e entre as décadas de 80 e 90 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Nassar conduz sua produção a partir de um diálogo entre o popular, o construtivismo e o geométrico, produzindo obras inusitadas, aliando imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. O artista participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e a Bienal de Veneza de 1993. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Biografia – Itaú Cultural
Emmanuel da Cunha Nassar realiza instalações e relevos pintados. Em 1969, após uma viagem à Europa, o artista decide estudar arquitetura, formando-se pela Universidade Federal do Pará - UFPA, em 1974. Trabalha inicialmente com acrílica sobre tela e, mais tarde, estuda técnicas como o relevo sobre madeira. A partir de 1980, tornou-se professor de educação artística na UFPA. Em 1981, criou a obra tridimensional Recepcôr. A partir desse trabalho, passa a realizar pinturas em que representa pequenos mecanismos, contendo eixos, manivelas e placas de cor, incorporando também objetos comuns, como garrafas. Em alguns quadros evoca a cultura popular local, como nas cores vibrantes e formas geométricas das casas e de barracas de feira. Em 1985, em uma nova pesquisa, realiza trabalhos em que apresenta uma releitura dos desenhos e pinturas presentes em bares e banheiros públicos. Em outros trabalhos, alia imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. Em 1998, realiza a instalação Bandeiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará, na qual se apropria de 143 bandeiras de municípios paraenses, que são distribuídas pelas paredes dos museus. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Análise
Formado em arquitetura e com experiência no campo da publicidade, Emmanuel Nassar, do início da década de 1980 em diante, conduz sua produção a partir do diálogo entre duas tradições visuais: aquela popular, onde cores vibrantes em formas geométricas são trabalhadas como ornamentos para residências, barracos, vitrines etc., e a tradição construtiva e geométrica, que marcou e ainda marca parte significativa da produção artística erudita brasileira.
Se, no início de sua carreira, o artista brinca ainda de descrever ou representar esse limite entre o popular e o erudito, a partir de 1988, seu trabalho torna-se mais objetivo. Nassar deixa de pintar somente sobre tela e incorpora outros materiais, como latão, pedaços de madeira, duratex, garrafas, martelos, bocais de lâmpada e luz néon. Em Gambiarra (1988), o trabalho fica entre a pintura e o objeto. Em 1989, apresentou, na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, a instalação Fachada. Nela, recria um circo mambembe do interior. Dentro do circo, mostra alguns trabalhos mais próximos do objeto.
Em 1998, o artista monta a instalação Bandeiras no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará. Apropria-se de 143 bandeiras de municípios paraenses que são distribuídas nas paredes dos museus. O trabalho envolve a participação da população do estado, que envia as bandeiras para o artista. Em 2000, ao realizar fotografias de formas coloridas encontradas no cotidiano popular das cidades paraenses, o artista acaba "revelando" a fonte primeira de suas pinturas anteriores: um olhar fundamentalmente fotográfico, questão que traz mais desafios para sua poética.
Críticas
"(...) Trabalhando em acrílica sobre tela, e mais recentemente explorando outros suportes, como o relevo em madeira, a pintura de Nassar se singulariza diante das modas contemporâneas por inspirar-se na temática do suburbano, a partir da incorporação de elementos simbólicos ou figurativos observados ou criados a partir de cartazes de comunicação visual executados artesanalmente e expostos em Belém do Pará. (...) Composição descentralizada inspirada no geometrismo de origem popular, esta tela do MAC (Sonoros Brasil) é circundada por margem à maneira de moldura de cor viva contendo os seis losangos executados a mão livre e que saltam, do ponto de vista perceptivo, ante o olhar do observador, que vaga de um elemento a outro sobre o fundo vibrante" — Aracy Amaral (AMARAL, Aracy (Org. ). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Prefácio Ana Mae Barbosa; texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p. , il. color).
"Do seu mundo, o artista recorta, salienta detalhes, reinventa dramas. Suas fontes são duas: o popular e o suburbano (...) O que mais chamava a atenção no espectador (...) era o olhar sem culpa e sem preconceito do artista. Quando denunciava a miséria (...) transformava sua denúncia numa experiência plástica, passando a léguas do panfletário e do anedótico. Seu olhar era participante, sem ser pedinte. Reivindicador, sem ser cobrativo (...). Aos poucos, sempre com olhar crítico, o artista foi incorporando ao seu trabalho imagens tão díspares quanto ilustrações de anúncios, rótulos de produtos e até decorações de carroceria de caminhão. Tudo isso em grandes campos de cor onde elementos retirados do imaginário popular encontravam seu espaço plástico como partes de uma composição quase abstrata. O amadurecimento deu a Nassar um dado que até então lhe faltava: o humor. Em pinturas (...) elementos figurativos (...) recebem um tratamento falsamente primitivo que permite ao artista ironizar a própria técnica. Objetos banais passam a adquirir, dentro desse bem-humorado jogo formal, um valor icônico. Jogando com a escala, o artista consegue transpor para a tela a mesma sensação de insignificância que atinge o ser humano que depara com Grande Rio. Nós ocupamos uma minúscula parte do espaço físico, como as figuras ocupam apenas uma pequena parcela do espaço pictórico (...). Com a maturidade que lhe permite aproveitar o folclórico e o regional sem cair nas suas malhas, Nassar traça o seu caminho" – João Cândido Galvão (GALVÃO, João Cândido. Popular e suburbano. Guia das Artes,São Paulo, v. 3, n. 13, p. 61-62, 1989).
"(...) Nassar não é um artista que simplesmente se apropria de um universo de cores e formas populares para, ingenuamente, enaltecer a 'pureza' e a 'criatividade' do bravo povo do Norte. Atento à suposta banalização e esgotamento das linguagens plásticas eruditas, Nassar percebeu que esses elementos populares apontados acima guardavam semelhanças no mínimo desestabilizadoras dos conceitos que regeram (e ainda regem) uma das maiores tradições da arte deste século no Brasil e no exterior: o construtivismo, que no país se bifurcou nas vertentes concreta e neoconcreta. (...) o artista na verdade acaba zerando as duas linguagens, fazendo com que sua obra sobreviva como um poderoso e colorido curto-circuito nas engrenagens que ligam - e desagregam - essas duas tradições. Poderíamos rapidamente comparar uma pintura de Nassar com uma de Hércules Barsotti, um dos principais pintores brasileiros surgidos com o neocretismo. Na produção de Barsotti são as cores rigorosamente trabalhadas que preenchem o campo plástico, criando formas que tendem a levar o espectador a conceitos de lirismo, ordem e pureza. Nas pinturas de Nassar, a verdade das cores constituindo o campo da pintura é problematizada pela proposital insegurança do traçado e/ou pela inclusão não esperada de elementos decididamente alheios à 'ordem' construtiva: imagens toscas de membros humanos decepados, representações ilusionistas de pregos e outros instrumentos. . . Mesmo as iniciais do nome do artista ('E' e 'N') absolutamente não querem atestar a bidimensionalidade do plano (tão cara à tradição erudita construtiva), não. Elas, incorporadas à pintura, tendem a preenchê-la de um sentido simbólico, autobiográfico mesmo, praticamente inexistente na arte construtiva de origem erudita. O que Nassar pretende com sua pintura? O mesmo que seus colegas de geração, desestabilizar o consagrado, trazer lirismo e humor a uma tradição; negar a noção de arte como linguagem capaz de oferecer ao espectador uma mensagem previsível e apriorística da realidade que o cerca" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Sobre Brasil, de Emmanuel Nassar. In: SALÃO ARTE PARÁ, 1997, Belém. Fronteiras. Apresentação Lucidéa Maiorana. Belém: Fundação Romulo Maiorana: Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado, 1997. p. 48).
"Emmanuel Nassar pertence à linhagem dos artistas que se detêm sobre o mundo e dele recolhem a substância da sua expressão. E o que mais lhe interessa são as imagens e coisas tidas como demasiado simples: as pinturas toscas e os artefatos e a arquitetura pertencentes ao extrato mais pobre de sua Belém natal.
É fato que ainda insistimos em julgar as imagens e objetos existentes sob a ótica de um olhar culto, como se tudo fosse concebido no patamar da alta cultura. A questão não se agüenta de tão anacrônica, o que não impede de continuar vigorando em alguns rincões do nosso país. Com efeito, mira-se com desdém tudo aquilo que se fabrica fora do padrão culto, por acreditar-se que a assim chamada expressão popular nada mais é que um rebaixamento, uma reprodução canhestra quando não degradada de uma ordem superior. (...)
Nassar sempre chamou atenção pela delicadeza e interesse com que se volta ao que há de banal e humilde no mundo. Sob seus olhos, a margem da vida social que no caso de Belém são as margens de cada um dos filamentos da teia líquida dos rios, é o palco onde são encenadas lições líricas da engenhosidade humana, da sua inesgotável capacidade de simbolizar e de improvisar diante da carência de meios. Nassar é o poeta do precário, do cambaio, da gambiarra, da solução imaginativa e do desenho esconso, que surpreende pelo vigor com que aos nossos olhos atualiza nosso desejo atávico de expressão diante da infinita riqueza do mundo. E ele realiza sua obra sem escamotear sua origem de classe, sua condição de pessoa edulcorada, com formação superior. Seu projeto poético vem se afirmando na construção de um amálgama entre o seu repertório e aquele que a experiência junto à expressão popular lhe oferece como um sumo vivo" — Agnaldo Farias (FARIAS, Agnaldo. O sonho de Nassar. In: NASSAR, Emmanuel. Bandeiras. Apresentação Paulo Chaves Fernandes; texto Agnaldo Farias, Benedito Nunes. São Paulo: MAM, 1998).
Exposições Individuais
1979 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma
1986 - Belém PA - Individual, na Galeria Elf
1987 - Brasília DF - Emmanuel Nassar: pinturas, no Espaço Capital Arte Contemporânea
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Arte Liberal
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Rômulo Maiorana
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1989 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1989 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin: Emmanuel Nassar, na Galeria Nalepa
1991 - Campo Grande MS - Individual, na Itaugaleria
1992 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1992 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1994 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Thomas Cohn
1995 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1995 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1996 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1996 - Frieburg (Alemanha) - Individual, na Galeria Ruta Correa
1996 - Niterói RJ - Emmanuel Nassar, na Galeria de Arte UFF
1997 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1997 - Köln (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1999 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2000 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Laura Marsiaj Arte Contemporânea
2003 - Brasília DF - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Boa Romaria Faz Quem em Sua Casa Fica em Paz, na Galeria André Millan
2004 - Recife PE - Individual, no MAMAM
2004 - São Paulo SP - A Poesia da Gambiarra, no Instituto Tomie Ohtake
Exposições Coletivas
1980 - Curitiba PR - 37º Salão Paranaense - Prêmio Petrobrás Distribuidora, na Fundação Teatro Guaíra
1980 - Rio de Janeiro RJ - 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Mnba
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1980 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, na Fundação Bienal
1981 - Curitiba PR - 38º Salão Paranaense, na Fundação Teatro Guaíra
1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - Pintura e Desenho no Pará, na Galeria Projecta
1982 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - 3º Salão Brasileiro de Arte, na Fundação Mokiti Okada - prêmio aquisição
1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Rio de Janeiro RJ (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Mnba
1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp
1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas - artista convidado
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - prêmio viagem ao país
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage
1985 - São Paulo SP - O Popular como Matriz, no MAC/USP - artista convidado
1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil , no CCSP
1986 - Fortaleza CE - Imagine: o planeta saúda o cometa, na Arte Galeria
1986 - Nova Délhi (Índia) - 6ª Trienal da Índia
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal - Prêmio Clock
1987 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1987 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Pinacoteca do Estado
1988 - Leverkusen (Alemanha) - Brasil Já, no Museum Morsbroich
1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A.
1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse
1989 - Amsterdã (Holanda) - U-ABC, no Stedelijk Museum
1989 - Hannover (Alemanha) - Brasil Já, no Sprengel Museum
1989 - Havana (Cuba) - 3ª Bienal de Havana
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF
1990 - Lisboa (Portugal) - U-ABC, na Fundação Calouste Gulbenkian
1991 - Campo Grande MS - BR/80. Pintura Brasil Década 80, na Itaugaleria
1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, no Liljevalchs Konsthall
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura
1992 - Kassel (Alemanha) - Projekt Stoffwechsel
1992 - Rio de Janeiro RJ - 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini, no Paço Imperial
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Veneza (Itália) - 45ª Bienal de Veneza
1994 - Juiz de Fora MG - América, na UFJF
1994 - Salvador BA - 1º Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, no MAM/BA
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1995 - Brasília DF - Coleções de Brasília, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
1995 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria Sesc Paulista
1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói
1996 - Potsdam (Alemanha) - Contrapartida: 12 artistas brasileiros e alemães, no Kunstspeicher Potsdam
1996 - São Paulo SP - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/SP
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1997 - Belém PA - Arte Pará: fronteira, no Museu de Arte do Belém
1997 - Goiânia GO - Brasilidade: coletânea de artistas brasileiros, na Galeria de Arte Marina Potrich
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Rio de Janeiro RJ - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Belo Horizonte MG - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Emmanuel Nassar, Leda Catunda, Marcos Benjamim, na Kolams Galeria de Arte
1998 - Campinas SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal de Cuenca
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói
1998 - Penápolis SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, na Itaugaleria
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1998 - São Paulo SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1999 - Belém PA - Olhares Revisitados, no Museu de Arte Sacra
1999 - Lisboa (Portugal) - América Latina das Vanguardas ao Fim do Milênio, no Culturgest
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2000 - Belo Horizonte MG - Ars Brasilis, na Galeria de Arte do Minas Tênis Clube
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Belo Horizonte MG - O Brasil na Visualidade Popular, no MAP
2000 - Belo Horizonte MG - Presente de Reis, na Kolams Galeria de Arte
2000 - Berlim (Alemanha) - Brasilien in Barsikow, na Galerie Barsikow
2000 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
2000 - Recife PE - 44º Salão Pernambucano de Artes Plásticas, no Observatório Cultural Malakoff
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminham, no Museu Histórico Nacional
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasilidades, no Centro Cultural Light
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Artes Visuais, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Cá entre Nós, no Paço das Artes
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, na Galeria da Residência
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
2001 - Porto Alegre RS - Coleção Liba e Rubem Knijnik: arte brasileira contemporânea, no MARGS
2001 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som de Antônio Carlos Jobim, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Brasília DF - Fragmentos a Seu Ímã, no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Niterói RJ - Acervo em Papel, no MAC/Niterói
2002 - Niterói RJ - Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini, no MAC/Niterói
2002 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som do Rock Pop Brasil, no Paço Imperial
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Campo, no Centro Cultural da Justiça Federal
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake
2002 - São Paulo SP - Paralela
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - Bandeiras do Brasil, no Museu da República
2003 - São Paulo SP - Meus Amigos, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2003 - São Paulo SP - Um Difícil Momento de Equilíbrio, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2004 - Rio de Janeiro RJ - Tudo é Brasil, no Paço Imperial
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Tudo é Brasil, no Itaú Cultural
Fonte: EMMANUEL Nassar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de outubro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Emmanuel Nassar | Wikipédia
Emmanuel Nassar (Capanema, 1949) é um artista plástico brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará. Durante a década de 1980 e 1990 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e Bienal de Veneza de 1993.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar | Art Pará 2021
A obra de Emmanuel Nassar coloca-se essencialmente por meio da pintura e do amálgama de distintos suportes, que incluem tela, madeira, vidro e chapas metálicas, entre outros. O artista apropria-se de signos e técnicas que vão desde o universo popular até diversas correntes da arte contemporânea, com alguma informação do concretismo, referência que se mostra através de uma busca pelas formas e um cientificismo entre essas e seu conteúdo, e sobretudo a arte pop, fio condutor de sua imaginação artística. Nassar evoca noções de um primitivismo e uma precariedade industrial que remontam suas raízes fincadas no Norte do Brasil, que ele ao mesmo tempo lamenta e enaltece de forma mordaz. Para a escritora e curadora Ligia Canongia, sua obra é uma resposta brasileira aos princípios firmados pelo pop, pensada com inteligência e ajustada aos limites de nosso repertório.
Formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1975. Realizou diversas exposições individuais, entre as quais: a retrospectiva EN: 81-18, Estação Pinacoteca, São Paulo, SP (2018); Galeria Millan, São Paulo, SP (2016, 2013, 2010, 2008, 2005 e 2003); Museu Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ (2013); Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ (2012): Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP (2009); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP; a retrospectiva A Poesia da Gambiarra, com curadoria de Denise Mattar, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, e Brasília, DF (2003); e Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (1998).
Entre as dezenas de mostras coletivas de que participou, destacam-se: Potência e Adversidade, Pavilhão Branco e Pavilhão Preto, Campo Grande, Lisboa, Portugal (2017); Aquilo que Nos Une, Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ (2016); 140 Caracteres, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (2014); O Abrigo e o Terreno, Museu de Arte do Rio, RJ (2013); Ensaios de Geopoética, 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2011); VI Bienal Internacional de Estandartes, Tijuana, México (2010); Fotografia Brasileira Contemporânea, Neuer Berliner Kunstverein, Berlim, Alemanha (2006); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Fundação Bienal de São Paulo, SP (2000); 6ª Bienal de Cuenca, Equador (1998); Bienal de São Paulo, SP (1998 e 1989); a representação brasileira na Bienal de Veneza, Itália (1993); U-ABC, Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda; e a 3ª Bienal de Havana, Cuba (1989); entre outras.
Suas obras integram importantes coleções públicas, como a Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA, e Caracas, Venezuela; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; e University Essex Museum, Inglaterra.
Fonte: Emmanuel Nassar, Art Pará 2021. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Pará entra para a rota nacional das artes visuais | Exame
São Paulo - Emmanuel Nassar fincou os pés na terra para dela se sobressair. Natural de Capanema, cidadezinha do interior do Pará, o artista de 62 anos ganhou fama por trabalhar – em suas pinturas, instalações e objetos – os matizes cromáticos fortes, o improviso do cotidiano, a visualidade cabocla.
Um emaranhado de referências da cultura popular amazônica. Isso não o circunscreveu a um estilo tão somente regional, tampouco o deixou isolado em tendências artísticas demarcadas.
Entender-se com o seu território acabou sendo fundamental para que, mesmo distante geograficamente dos grandes centros, ele participasse de bienais, como as de São Paulo, em 1989 e 1998, e de Veneza, em 1993.
No início dos anos 1980, ele era “o” artista do Pará e não um dos 500 diluídos no complexo circuito das artes de São Paulo, por exemplo. “Tive uma formação muito forte em Belém e nunca achei determinante me deslocar.
Sem heroísmo, posso até ter me beneficiado com isso. Mas fiquei remoendo essa questão de identidade por uns dez anos”, revela. Emmanuel Nassar tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da arte contemporânea nacional, e outros conterrâneos o seguiram.
Essa visibilidade foi impulsionada pela consolidação, nas últimas três décadas, de redes de articulação artística, que incluem desde a criação de salões e mostras até a elaboração de políticas públicas – ações que favoreceram o trânsito de curadores, críticos e artistas de outros eixos, que passaram a acompanhar de perto a produção local.
Paulo Herkenhoff, que foi curador-geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, atua sistematicamente em projetos voltados a mapear e difundir a arte paraense e também é curador do Salão Arte Pará, que neste ano completou 30 edições.
Ele reconhece que há na região uma concentração significativa de bons artistas e arrisca uma explicação: o surgimento em 1984 do FotoAtiva, um espaço de discussão da fotografia; assim como a criação, em 1999, do Instituto de Artes do Pará (IAP) e a inauguração, em 2002, do Museu Casa das Onze Janelas, todos em Belém, além das universidades como provocadores desse cenário.
“São instituições engajadas com a arte, mas sobretudo com a consciência de estarem inscritas em um território cultural denso, com potencial de construção de linguagens”, afirma Herkenhoff.
“Os artistas passaram a ter um ambiente onde são estimulados a pensar no universal para criar no local, tornando universalizado o processo artístico a partir da originalidade da cultura paraense-amazônica”, diz João de Jesus Paes Loureiro, idealizador e criador do IAP.
As obras da exposição Impressões de Lugar (2004), de Alexandre Sequeira, ilustram bem esse contexto. Em toalhas de mesa, lençóis, redes e outros objetos o artista estampou os donos das peças numa pesquisa de fotografia, gravura e instalação.
O trabalho participou da Bienal Internacional de Liège, na Bélgica, em 2006; da Bienal de Havana, em Cuba, em 2009; e do FestFotoPoa, em Porto Alegre, em 2010, além de outros eventos no Canadá e na França. As esculturas de Armando Sobral também refletem essa linha criativa, que busca o universal no regional.
Em seus mais recentes projetos, ele se alia aos mestres escultores e ceramistas da cultura popular para produzir grandes objetos tridimensionais. “Ficam evidentes as referências locais, sejam elas relacionadas à história da cidade, à paisagem ou às práticas tradicionais”, diz Sobral.
Na série Barroco, Traço Infinito (2009), ele compôs formas e volumes baseados em matrizes históricas e na visualidade de igrejas barrocas de Belém; em Jardins Sagrados (2010), continuou a pesquisa com uma das esculturas da série anterior para pensar a obra dentro do ambiente do museu, e em Labirinto Ver-o-Peso (2011), uniu as esculturas de urnas funerárias indígenas às xilogravuras de mantas de pirarucu, comuns no mercado belenense. As obras foram expostas na Galeria Fayga Ostrower, em Brasília, em julho passado.
Motivado por uma situação social local, outro artista plástico, Armando Queiroz, produziu a performance em vídeo Midas (2009), onde com uma das mãos começa a inserir insetos na própria boca.
O trabalho foi baseado na exploração mineral da Serra dos Carajás, mas não se limita à Amazônia exaurida de seus recursos naturais. A obra remete à cratera que sobrou no lugar e, sobretudo, às pessoas. Com ela, Armando Queiroz foi vencedor do Prêmio Marcantonio Vilaça 2009, da Funarte.
Múltiplas singularidades
Uma novíssima geração de artistas tem dado continuidade a essa boa fase. Marcone Moreira faz parte dela. O jovem de 29 anos apresenta sua cidade, Marabá, no interior do Pará, a quase 500 quilômetros da capital, por meio de pinturas, objetos e instalações nada convencionais.
“Pode-se falar a partir de um lugar sem ser regionalista e fala-se de várias maneiras porque a Amazônia é diversificada”, acredita a crítica de arte Marisa Mokarzel, diretora do Museu Casa das Onze Janelas.
Focado mais em detalhes da caótica cidade e menos em estereótipos generalizantes, Moreira já participou de programas com o renomado curador Agnaldo Farias, em 2002; do Panorama da Arte Brasileira, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2003, além de ter exibido obras no Rio de Janeiro, em Recife e na Espanha.
Outra surpresa é o projeto Simbiosys, de Roberta Carvalho, 30 anos, iniciado em 2007, no qual rostos são projetados em copas de árvores. “A minha motivação é a natureza olhar para a gente. Agora, entro numa fase em que uso as populações da floresta. É uma forma de ocupar a paisagem com gente da Amazônia. Fazer a Amazônia olhar para o mundo”, explica.
Em 2012 ela apresentará suas árvores-homens na exposição BR2014 Terra Prometida, em Barcelona, sob curadoria do fotógrafo e produtor cultural Iatã Cannabrava, de São Paulo.
Ao dependurar galinhas pelo corpo e sair pelo centro da cidade, na ação performática Gallus Sapiens (2007), Victor de La Rocque questiona o valor da existência.
“Ele transforma em metáfora a rotina do homem comum, que leva a vida em estado de alienação”, observa Orlando Maneschy, que foi curador do Salão Arte Pará 2008, ano em que Victor conquistou o grande prêmio do certame.
“Os artistas estão focados em suas questões e não em modismos”, reconhece Paulo Herkenhoff. Como bem fez Emmanuel Nassar, a nova geração também não tira os pés, nem a alma, do solo paraense.
Fonte: Exame, "Pará entra para a rota nacional das artes visuais", publicado por Dominik Giusti, em 22 de dezembro de 2011. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca” | Select
Diversos fatores somam-se para um norteamento de leituras sobre o trabalho de Nassar. Desde marcos intrinsecamente artísticos, como a satirização de um cânone geométrico e cromático purista já aplaudido, até a exaustiva manipulação do traço erudito que se transveste como ingênuo. A plena atenção aos movimentos artísticos contemporâneos enrobustece o artista que maquina suas narrativas, à sombra de uma periferia da modernidade que cobre a Amazônia – mas que, no caso de Nassar, não o assola, mas o protege. Esse distanciamento faz com que o artista observe com olhos atentos as movimentações alheias, os complexos e tecnológicos aparatos utilizados, interpretando seus funcionamentos de uma perspectiva própria.
Como se aprende a partir das máscaras indígenas do Xingu e das técnicas ilusionistas do barroco italiano: enganar é trabalho muito difícil. A cena é posta, a narrativa é construída, e cada obra, independentemente da plataforma, é um fragmento memorial e imagético que se tem ao se encantar com o espetáculo. Desde o início, porém, Nassar já anuncia e alerta o espectador que está à entrada do seu mundo fantasioso e ilusório: não há o engano tacanho e desavisado. As questões éticas aí estão resolvidas: as mãos lavadas, a língua dita e os olhos prontos.
E é da mesma forma que Nassar compreende o mercado de arte na contemporaneidade. Inserido no sistema, o artista não mais se detém nas querelas críticas da incompreensão artística pelo mercado, num luto do incompreendido rendido às dinâmicas capitalistas, mas pula no barco, entendendo que seu conceito artístico é lido – e também vendido e consumido – como uma marca. Os alinhamentos com uma arte pop são não somente inevitáveis, mas intencionais, e as questões mercadológicas não apenas orbitam o trabalho de Nassar, como estruturam seu conceito.
O artista sabe que o mercado de arte ultrapassa as dinâmicas de subsistência, da visceralidade e da fisiologia humanas, e habita o campo do presentear: com o fragmento imagético, presenteia-se a si mesmo ou ao outro. Talvez essa clareza de intenções e a negação de uma demagogia sobre o capital façam com que, nesse caso muito específico, se desnudem os balangandãs entrópicos mercadológicos e a venda da obra de arte retorne a seu cerne principal de troca. Para Nassar, o ato da venda é um momento mágico que conecta dois sonhadores: o que sonha em ter uma lembrança dessa narrativa consigo, e o que almeja pulverizar seu conceito no universo. Ficcional e fabuloso na mesma ordem de grandeza do ato de dar valor material a algo tão arbitrário e volátil. A obtenção desse fetiche sana, ao menos temporariamente, o desejo de possuí-lo.
Para Roland Barthes, “todo objeto tocado pelo corpo do amado se torna parte daquele corpo, e o sujeito avidamente se une a ele”. Dessa forma, os objetos produzidos e pintados por Nassar, como as serras, os pregos, as empenas e os arames, intuitivamente tão duros e distantes do toque afável do afeto, são fetichizados por terem sido submetidos ao seu toque. São, portanto, parte de si: lembranças de um toque.
Nassar detém um interesse especial pelos funcionamentos simples, pela genialidade humana condensada em dinâmicas precisas, como o toque e a troca. Tal fascínio é amplamente expresso nas obras do artista, que cria empenas, trancas, alavancas, roldanas, sistemas instáveis e estáveis à luz de uma estética regionalista e de uma lógica da gambiarra. Nassar se debruça sobre o engenho humano: tanto no aspecto maquínico, quanto no intelectual. Essas dinâmicas são apenas ferramentas para fenômenos mais complexos, como, no caso do toque, a instituição da obra de arte como parte de um conceito, que transfere valores à matéria quando é tocada pelo artista; no caso da troca, o mercado contemporâneo de arte, o ato da venda e os aparelhos propagandísticos utilizados para que ela aconteça.
A nova série de objetos produzidos por Nassar, feitos a partir de bancas de venda de tapioca, interessa pelas mesmas dinâmicas. Quanto ao toque, flertam com princípios do ready-made, apresentando o objeto cotidiano reconhecível como elemento principal da obra, mas alterado a partir de precisas operações do artista. Importante, portanto, que essas bancas não tenham sido feitas para a aplicação artística, mas para o uso cotidiano. Aí, então, entra a dinâmica da troca: Nassar as adquire de vendedores locais de tapioca na Praça da República, no centro de Belém, com preço definido pelo próprio tapioqueiro. Em um dos casos, temeroso de não reencontrar o vendedor que lhehavia prometido vender a banca assim que terminasse a venda das tapiocas, Nassar comprou-as todas e, com a ajuda do tapioqueiro, as distribuiu para quem estava na praça. Há tempos a Praça da República não via algo mesmo republicano.
Os vínculos com a arte pop contemporânea e os princípios do ready-made seguem no título da obra: TrapiocaBox. Nassar se aproxima de Brillo Box (Soap Pads) (1964), de Andy Warhol, em uma identificação do consumo local, particular da Amazônia. Regionaliza o objeto, saindo da escala industrial dos sabões em pó estadunidenses a que Warhol se remete, partindo para um consumo artesanal de tapiocas, produzidas de forma caseira e ancestral, em que nem as embalagens nem os produtos seguem um padrão estandardizado. Além disso, referir-se à palavra “trap”, em inglês, “armadilha” em português, que alude ao mecanismo de prender e de fechar, também se conecta a outras obras do artista, como Trap Trap (2006) e Trapescale (2014). Os dispositivos de engano, de armadilha e de ilusão, recorrentes na obra de Nassar, se repetem e se direcionam, de um modo crítico – de certa forma satírica e bem-humorada –, à historiografia de arte contemporânea.
As bancas de tapioca, caixas de madeira pintadas de branco, com “tapioca” escrito nas laterais de forma anunciativa, são originalmente postos num cavalete dobrável do mesmo material, com o mesmo acabamento. Os dois elementos principais têm sua materialidade centrada em suas dinâmicas: os cavaletes são dobráveis, elementos que abrem e fecham para o fácil transporte; enquanto a banca que armazena as tapiocas a serem vendidas tem uma tampa afixada com dobradiças metálicas, que abre e fecha facilmente. Essa tampa, com moldura de madeira, tem uma grande tela de arame, que permite que os clientes vejam o produto que desejam – ou passem a desejá-lo justamente ao vê-lo – e o protege de moscas indesejadas no clima tropical. Puro engenho.
Nassar desnuda as bancas de tapioca de suas telas metálicas e, numa delas, aplica a silhueta do território brasileiro no centro, recortada em chapa metálica branca. As leituras podem ser as mais diversas: desde a sugestão de uma tapioca com o formato do Brasil, quanto uma metonímia de que o país é feito do alimento mais brasileiro de todos, a mandioca, matéria-prima da tapioca. Engenhosamente, o artista utiliza o mecanismo das dobradiças da peça como um dos protagonistas do trabalho, havendo a possibilidade de a tampa ser aberta, configurando um díptico.
O tabuleiro torna-se uma espécie de cartografia, quando, além da representação do território, o artista pinta suas iniciais, “EN”, uma oposta àoutra. Essa banca de tapioca não desnorteia o espectador, ao apresentar incongruências do leste e do norte como elementos aqui colineares, mas o norteia, no sentido de o imbuir da cultura e da visualidade do norte do Brasil. Puro engenho, pura troca: como vender tapioca.
Fonte: Select Art, "Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca”", publicado por Mateus Nunes em 3 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar |
Entre tintas e pincéis, um ambiente criativo e muitas obras nas paredes, Emmanuel Nassar está de volta, diferente, porém igual. Os novos ventos que sopram do rio Guamá e entram pelo seu apartamento/estúdio, no bairro do Marco, em Belém, mostram que a criatividade do artista encontrou pouso certo para vivenciar uma fase de muita produção.
Nem Tudo Acaba em Telas e Tintas
Nesses últimos 3 anos, o artista plástico Emmanuel Nassar, tem vivido uma intensa experiência, que o levou a ver o mundo com “outros olhos”. É que no final de 2018, em uma de suas vindas a Belém, o artista descobriu uma perda degenerativa acentuada na retina nos dois olhos. O que ele não imaginava é que esta perda de visão seria irreversível. “Fiquei desesperado”. relata o artista.
início do tratamento teve ainda novas surpresas. Na segunda aplicação das injeções intraoculares, ele teve uma inflamação muito grande que o deixou sem enxergar durante 4 dias. “Naquele momento eu entrei em desespero porque achei que ficaria cego, rapidamente. Entrei em depressão e cheguei a perder 10 kg” em 2019, revela Emmanuel Nassar que permaneceu nesse ano em São Paulo.
“A pandemia me salvou”
Emmanuel Nassar fala do segundo semestre de 2020, como um renascimento em todos os sentidos, “Estava parado em São Paulo, sem energia criativa, estagnado, não conseguia produzir e hoje tenho certeza que tomei a decisão certa ao voltar a Belém”, conclui Nassar. “Nada mudou na minha forma de trabalhar, ao contrário, eu estou produzindo muito. Parece que as pessoas, durante a pandemia, consumiram mais arte.” surpreende o artista. Em 2021 ele completou 1 ano morando aqui em Belém. “Estou feliz e mais próximo do meu público. Transformei minha sala em espaço para troca de ideias e também tenho feito lives do meu processo criativo.
Um “case” de sucesso
Primeiro nasceu o engenheiro, depois o arquiteto e finalmente o redator publicitário que criou o artista Emmanuel Nassar, hoje também referenciado como um “autêntico artista brasileiro” ou também, como o “Mestre da Gambiarra''.
Foi o jovem publicitário aos 19 anos que criou o conceito do artista e suas famosas iniciais E e N que assinam suas obras desde 1985. Da primeira exposição coletiva na Galeria Angelus do Theatro da Paz, a contemporaneidade das obras de Emmanuel Nassar encontrou público, voz e representatividade. Atualmente, a sua grife se tornou tão desejada que alcançou as paredes dos mais importantes museus brasileiros e das residências de vários colecionadores. “Eu tenho consciência de que o meu conceito é altamente desejável em um determinado mercado de arte no Brasil. Eu tenho consciência de que me tornei uma marca”, pontua Nassar.
Saiba onde encontrar as obras de Emmanuel Nassar:
BELÉM
MABE (Acervo da Prefeitura)
MAP (Sistema de Museus do Estado do Pará)
Brasil
Pinacoteca de São Paulo
MAM SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo
MAM RJ- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
MAR - Museu de Arte do Rio
MAMM - Museu de Arte Murilo Mendes de Juiz de Fora MG
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
MAC - USP
Obs: Boa parte do acervo de Emmanuel Nassar está espalhada pelo mundo nas mãos de colecionadores de arte.
Fonte: Portal Liv, "Emmanuel Nassar", publicado em 22 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Crédito fotográfico: Instagram do artista, @emmanuelnassar, publicado em 27 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel da Cunha Nassar (Capanema, 3 de janeiro de 1949), mais conhecido como Emmanuel Nassar, é um arquiteto, desenhista, pintor, professor e publicitário brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará e entre as décadas de 80 e 90 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Nassar conduz sua produção a partir de um diálogo entre o popular, o construtivismo e o geométrico, produzindo obras inusitadas, aliando imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. O artista participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e a Bienal de Veneza de 1993. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Biografia – Itaú Cultural
Emmanuel da Cunha Nassar realiza instalações e relevos pintados. Em 1969, após uma viagem à Europa, o artista decide estudar arquitetura, formando-se pela Universidade Federal do Pará - UFPA, em 1974. Trabalha inicialmente com acrílica sobre tela e, mais tarde, estuda técnicas como o relevo sobre madeira. A partir de 1980, tornou-se professor de educação artística na UFPA. Em 1981, criou a obra tridimensional Recepcôr. A partir desse trabalho, passa a realizar pinturas em que representa pequenos mecanismos, contendo eixos, manivelas e placas de cor, incorporando também objetos comuns, como garrafas. Em alguns quadros evoca a cultura popular local, como nas cores vibrantes e formas geométricas das casas e de barracas de feira. Em 1985, em uma nova pesquisa, realiza trabalhos em que apresenta uma releitura dos desenhos e pinturas presentes em bares e banheiros públicos. Em outros trabalhos, alia imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. Em 1998, realiza a instalação Bandeiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará, na qual se apropria de 143 bandeiras de municípios paraenses, que são distribuídas pelas paredes dos museus. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Análise
Formado em arquitetura e com experiência no campo da publicidade, Emmanuel Nassar, do início da década de 1980 em diante, conduz sua produção a partir do diálogo entre duas tradições visuais: aquela popular, onde cores vibrantes em formas geométricas são trabalhadas como ornamentos para residências, barracos, vitrines etc., e a tradição construtiva e geométrica, que marcou e ainda marca parte significativa da produção artística erudita brasileira.
Se, no início de sua carreira, o artista brinca ainda de descrever ou representar esse limite entre o popular e o erudito, a partir de 1988, seu trabalho torna-se mais objetivo. Nassar deixa de pintar somente sobre tela e incorpora outros materiais, como latão, pedaços de madeira, duratex, garrafas, martelos, bocais de lâmpada e luz néon. Em Gambiarra (1988), o trabalho fica entre a pintura e o objeto. Em 1989, apresentou, na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, a instalação Fachada. Nela, recria um circo mambembe do interior. Dentro do circo, mostra alguns trabalhos mais próximos do objeto.
Em 1998, o artista monta a instalação Bandeiras no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará. Apropria-se de 143 bandeiras de municípios paraenses que são distribuídas nas paredes dos museus. O trabalho envolve a participação da população do estado, que envia as bandeiras para o artista. Em 2000, ao realizar fotografias de formas coloridas encontradas no cotidiano popular das cidades paraenses, o artista acaba "revelando" a fonte primeira de suas pinturas anteriores: um olhar fundamentalmente fotográfico, questão que traz mais desafios para sua poética.
Críticas
"(...) Trabalhando em acrílica sobre tela, e mais recentemente explorando outros suportes, como o relevo em madeira, a pintura de Nassar se singulariza diante das modas contemporâneas por inspirar-se na temática do suburbano, a partir da incorporação de elementos simbólicos ou figurativos observados ou criados a partir de cartazes de comunicação visual executados artesanalmente e expostos em Belém do Pará. (...) Composição descentralizada inspirada no geometrismo de origem popular, esta tela do MAC (Sonoros Brasil) é circundada por margem à maneira de moldura de cor viva contendo os seis losangos executados a mão livre e que saltam, do ponto de vista perceptivo, ante o olhar do observador, que vaga de um elemento a outro sobre o fundo vibrante" — Aracy Amaral (AMARAL, Aracy (Org. ). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Prefácio Ana Mae Barbosa; texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p. , il. color).
"Do seu mundo, o artista recorta, salienta detalhes, reinventa dramas. Suas fontes são duas: o popular e o suburbano (...) O que mais chamava a atenção no espectador (...) era o olhar sem culpa e sem preconceito do artista. Quando denunciava a miséria (...) transformava sua denúncia numa experiência plástica, passando a léguas do panfletário e do anedótico. Seu olhar era participante, sem ser pedinte. Reivindicador, sem ser cobrativo (...). Aos poucos, sempre com olhar crítico, o artista foi incorporando ao seu trabalho imagens tão díspares quanto ilustrações de anúncios, rótulos de produtos e até decorações de carroceria de caminhão. Tudo isso em grandes campos de cor onde elementos retirados do imaginário popular encontravam seu espaço plástico como partes de uma composição quase abstrata. O amadurecimento deu a Nassar um dado que até então lhe faltava: o humor. Em pinturas (...) elementos figurativos (...) recebem um tratamento falsamente primitivo que permite ao artista ironizar a própria técnica. Objetos banais passam a adquirir, dentro desse bem-humorado jogo formal, um valor icônico. Jogando com a escala, o artista consegue transpor para a tela a mesma sensação de insignificância que atinge o ser humano que depara com Grande Rio. Nós ocupamos uma minúscula parte do espaço físico, como as figuras ocupam apenas uma pequena parcela do espaço pictórico (...). Com a maturidade que lhe permite aproveitar o folclórico e o regional sem cair nas suas malhas, Nassar traça o seu caminho" – João Cândido Galvão (GALVÃO, João Cândido. Popular e suburbano. Guia das Artes,São Paulo, v. 3, n. 13, p. 61-62, 1989).
"(...) Nassar não é um artista que simplesmente se apropria de um universo de cores e formas populares para, ingenuamente, enaltecer a 'pureza' e a 'criatividade' do bravo povo do Norte. Atento à suposta banalização e esgotamento das linguagens plásticas eruditas, Nassar percebeu que esses elementos populares apontados acima guardavam semelhanças no mínimo desestabilizadoras dos conceitos que regeram (e ainda regem) uma das maiores tradições da arte deste século no Brasil e no exterior: o construtivismo, que no país se bifurcou nas vertentes concreta e neoconcreta. (...) o artista na verdade acaba zerando as duas linguagens, fazendo com que sua obra sobreviva como um poderoso e colorido curto-circuito nas engrenagens que ligam - e desagregam - essas duas tradições. Poderíamos rapidamente comparar uma pintura de Nassar com uma de Hércules Barsotti, um dos principais pintores brasileiros surgidos com o neocretismo. Na produção de Barsotti são as cores rigorosamente trabalhadas que preenchem o campo plástico, criando formas que tendem a levar o espectador a conceitos de lirismo, ordem e pureza. Nas pinturas de Nassar, a verdade das cores constituindo o campo da pintura é problematizada pela proposital insegurança do traçado e/ou pela inclusão não esperada de elementos decididamente alheios à 'ordem' construtiva: imagens toscas de membros humanos decepados, representações ilusionistas de pregos e outros instrumentos. . . Mesmo as iniciais do nome do artista ('E' e 'N') absolutamente não querem atestar a bidimensionalidade do plano (tão cara à tradição erudita construtiva), não. Elas, incorporadas à pintura, tendem a preenchê-la de um sentido simbólico, autobiográfico mesmo, praticamente inexistente na arte construtiva de origem erudita. O que Nassar pretende com sua pintura? O mesmo que seus colegas de geração, desestabilizar o consagrado, trazer lirismo e humor a uma tradição; negar a noção de arte como linguagem capaz de oferecer ao espectador uma mensagem previsível e apriorística da realidade que o cerca" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Sobre Brasil, de Emmanuel Nassar. In: SALÃO ARTE PARÁ, 1997, Belém. Fronteiras. Apresentação Lucidéa Maiorana. Belém: Fundação Romulo Maiorana: Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado, 1997. p. 48).
"Emmanuel Nassar pertence à linhagem dos artistas que se detêm sobre o mundo e dele recolhem a substância da sua expressão. E o que mais lhe interessa são as imagens e coisas tidas como demasiado simples: as pinturas toscas e os artefatos e a arquitetura pertencentes ao extrato mais pobre de sua Belém natal.
É fato que ainda insistimos em julgar as imagens e objetos existentes sob a ótica de um olhar culto, como se tudo fosse concebido no patamar da alta cultura. A questão não se agüenta de tão anacrônica, o que não impede de continuar vigorando em alguns rincões do nosso país. Com efeito, mira-se com desdém tudo aquilo que se fabrica fora do padrão culto, por acreditar-se que a assim chamada expressão popular nada mais é que um rebaixamento, uma reprodução canhestra quando não degradada de uma ordem superior. (...)
Nassar sempre chamou atenção pela delicadeza e interesse com que se volta ao que há de banal e humilde no mundo. Sob seus olhos, a margem da vida social que no caso de Belém são as margens de cada um dos filamentos da teia líquida dos rios, é o palco onde são encenadas lições líricas da engenhosidade humana, da sua inesgotável capacidade de simbolizar e de improvisar diante da carência de meios. Nassar é o poeta do precário, do cambaio, da gambiarra, da solução imaginativa e do desenho esconso, que surpreende pelo vigor com que aos nossos olhos atualiza nosso desejo atávico de expressão diante da infinita riqueza do mundo. E ele realiza sua obra sem escamotear sua origem de classe, sua condição de pessoa edulcorada, com formação superior. Seu projeto poético vem se afirmando na construção de um amálgama entre o seu repertório e aquele que a experiência junto à expressão popular lhe oferece como um sumo vivo" — Agnaldo Farias (FARIAS, Agnaldo. O sonho de Nassar. In: NASSAR, Emmanuel. Bandeiras. Apresentação Paulo Chaves Fernandes; texto Agnaldo Farias, Benedito Nunes. São Paulo: MAM, 1998).
Exposições Individuais
1979 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma
1986 - Belém PA - Individual, na Galeria Elf
1987 - Brasília DF - Emmanuel Nassar: pinturas, no Espaço Capital Arte Contemporânea
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Arte Liberal
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Rômulo Maiorana
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1989 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1989 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin: Emmanuel Nassar, na Galeria Nalepa
1991 - Campo Grande MS - Individual, na Itaugaleria
1992 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1992 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1994 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Thomas Cohn
1995 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1995 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1996 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1996 - Frieburg (Alemanha) - Individual, na Galeria Ruta Correa
1996 - Niterói RJ - Emmanuel Nassar, na Galeria de Arte UFF
1997 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1997 - Köln (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1999 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2000 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Laura Marsiaj Arte Contemporânea
2003 - Brasília DF - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Boa Romaria Faz Quem em Sua Casa Fica em Paz, na Galeria André Millan
2004 - Recife PE - Individual, no MAMAM
2004 - São Paulo SP - A Poesia da Gambiarra, no Instituto Tomie Ohtake
Exposições Coletivas
1980 - Curitiba PR - 37º Salão Paranaense - Prêmio Petrobrás Distribuidora, na Fundação Teatro Guaíra
1980 - Rio de Janeiro RJ - 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Mnba
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1980 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, na Fundação Bienal
1981 - Curitiba PR - 38º Salão Paranaense, na Fundação Teatro Guaíra
1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - Pintura e Desenho no Pará, na Galeria Projecta
1982 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - 3º Salão Brasileiro de Arte, na Fundação Mokiti Okada - prêmio aquisição
1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Rio de Janeiro RJ (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Mnba
1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp
1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas - artista convidado
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - prêmio viagem ao país
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage
1985 - São Paulo SP - O Popular como Matriz, no MAC/USP - artista convidado
1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil , no CCSP
1986 - Fortaleza CE - Imagine: o planeta saúda o cometa, na Arte Galeria
1986 - Nova Délhi (Índia) - 6ª Trienal da Índia
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal - Prêmio Clock
1987 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1987 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Pinacoteca do Estado
1988 - Leverkusen (Alemanha) - Brasil Já, no Museum Morsbroich
1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A.
1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse
1989 - Amsterdã (Holanda) - U-ABC, no Stedelijk Museum
1989 - Hannover (Alemanha) - Brasil Já, no Sprengel Museum
1989 - Havana (Cuba) - 3ª Bienal de Havana
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF
1990 - Lisboa (Portugal) - U-ABC, na Fundação Calouste Gulbenkian
1991 - Campo Grande MS - BR/80. Pintura Brasil Década 80, na Itaugaleria
1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, no Liljevalchs Konsthall
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura
1992 - Kassel (Alemanha) - Projekt Stoffwechsel
1992 - Rio de Janeiro RJ - 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini, no Paço Imperial
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Veneza (Itália) - 45ª Bienal de Veneza
1994 - Juiz de Fora MG - América, na UFJF
1994 - Salvador BA - 1º Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, no MAM/BA
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1995 - Brasília DF - Coleções de Brasília, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
1995 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria Sesc Paulista
1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói
1996 - Potsdam (Alemanha) - Contrapartida: 12 artistas brasileiros e alemães, no Kunstspeicher Potsdam
1996 - São Paulo SP - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/SP
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1997 - Belém PA - Arte Pará: fronteira, no Museu de Arte do Belém
1997 - Goiânia GO - Brasilidade: coletânea de artistas brasileiros, na Galeria de Arte Marina Potrich
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Rio de Janeiro RJ - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Belo Horizonte MG - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Emmanuel Nassar, Leda Catunda, Marcos Benjamim, na Kolams Galeria de Arte
1998 - Campinas SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal de Cuenca
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói
1998 - Penápolis SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, na Itaugaleria
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1998 - São Paulo SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1999 - Belém PA - Olhares Revisitados, no Museu de Arte Sacra
1999 - Lisboa (Portugal) - América Latina das Vanguardas ao Fim do Milênio, no Culturgest
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2000 - Belo Horizonte MG - Ars Brasilis, na Galeria de Arte do Minas Tênis Clube
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Belo Horizonte MG - O Brasil na Visualidade Popular, no MAP
2000 - Belo Horizonte MG - Presente de Reis, na Kolams Galeria de Arte
2000 - Berlim (Alemanha) - Brasilien in Barsikow, na Galerie Barsikow
2000 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
2000 - Recife PE - 44º Salão Pernambucano de Artes Plásticas, no Observatório Cultural Malakoff
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminham, no Museu Histórico Nacional
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasilidades, no Centro Cultural Light
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Artes Visuais, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Cá entre Nós, no Paço das Artes
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, na Galeria da Residência
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
2001 - Porto Alegre RS - Coleção Liba e Rubem Knijnik: arte brasileira contemporânea, no MARGS
2001 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som de Antônio Carlos Jobim, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Brasília DF - Fragmentos a Seu Ímã, no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Niterói RJ - Acervo em Papel, no MAC/Niterói
2002 - Niterói RJ - Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini, no MAC/Niterói
2002 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som do Rock Pop Brasil, no Paço Imperial
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Campo, no Centro Cultural da Justiça Federal
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake
2002 - São Paulo SP - Paralela
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - Bandeiras do Brasil, no Museu da República
2003 - São Paulo SP - Meus Amigos, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2003 - São Paulo SP - Um Difícil Momento de Equilíbrio, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2004 - Rio de Janeiro RJ - Tudo é Brasil, no Paço Imperial
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Tudo é Brasil, no Itaú Cultural
Fonte: EMMANUEL Nassar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de outubro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Emmanuel Nassar | Wikipédia
Emmanuel Nassar (Capanema, 1949) é um artista plástico brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará. Durante a década de 1980 e 1990 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e Bienal de Veneza de 1993.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar | Art Pará 2021
A obra de Emmanuel Nassar coloca-se essencialmente por meio da pintura e do amálgama de distintos suportes, que incluem tela, madeira, vidro e chapas metálicas, entre outros. O artista apropria-se de signos e técnicas que vão desde o universo popular até diversas correntes da arte contemporânea, com alguma informação do concretismo, referência que se mostra através de uma busca pelas formas e um cientificismo entre essas e seu conteúdo, e sobretudo a arte pop, fio condutor de sua imaginação artística. Nassar evoca noções de um primitivismo e uma precariedade industrial que remontam suas raízes fincadas no Norte do Brasil, que ele ao mesmo tempo lamenta e enaltece de forma mordaz. Para a escritora e curadora Ligia Canongia, sua obra é uma resposta brasileira aos princípios firmados pelo pop, pensada com inteligência e ajustada aos limites de nosso repertório.
Formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1975. Realizou diversas exposições individuais, entre as quais: a retrospectiva EN: 81-18, Estação Pinacoteca, São Paulo, SP (2018); Galeria Millan, São Paulo, SP (2016, 2013, 2010, 2008, 2005 e 2003); Museu Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ (2013); Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ (2012): Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP (2009); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP; a retrospectiva A Poesia da Gambiarra, com curadoria de Denise Mattar, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, e Brasília, DF (2003); e Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (1998).
Entre as dezenas de mostras coletivas de que participou, destacam-se: Potência e Adversidade, Pavilhão Branco e Pavilhão Preto, Campo Grande, Lisboa, Portugal (2017); Aquilo que Nos Une, Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ (2016); 140 Caracteres, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (2014); O Abrigo e o Terreno, Museu de Arte do Rio, RJ (2013); Ensaios de Geopoética, 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2011); VI Bienal Internacional de Estandartes, Tijuana, México (2010); Fotografia Brasileira Contemporânea, Neuer Berliner Kunstverein, Berlim, Alemanha (2006); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Fundação Bienal de São Paulo, SP (2000); 6ª Bienal de Cuenca, Equador (1998); Bienal de São Paulo, SP (1998 e 1989); a representação brasileira na Bienal de Veneza, Itália (1993); U-ABC, Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda; e a 3ª Bienal de Havana, Cuba (1989); entre outras.
Suas obras integram importantes coleções públicas, como a Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA, e Caracas, Venezuela; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; e University Essex Museum, Inglaterra.
Fonte: Emmanuel Nassar, Art Pará 2021. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Pará entra para a rota nacional das artes visuais | Exame
São Paulo - Emmanuel Nassar fincou os pés na terra para dela se sobressair. Natural de Capanema, cidadezinha do interior do Pará, o artista de 62 anos ganhou fama por trabalhar – em suas pinturas, instalações e objetos – os matizes cromáticos fortes, o improviso do cotidiano, a visualidade cabocla.
Um emaranhado de referências da cultura popular amazônica. Isso não o circunscreveu a um estilo tão somente regional, tampouco o deixou isolado em tendências artísticas demarcadas.
Entender-se com o seu território acabou sendo fundamental para que, mesmo distante geograficamente dos grandes centros, ele participasse de bienais, como as de São Paulo, em 1989 e 1998, e de Veneza, em 1993.
No início dos anos 1980, ele era “o” artista do Pará e não um dos 500 diluídos no complexo circuito das artes de São Paulo, por exemplo. “Tive uma formação muito forte em Belém e nunca achei determinante me deslocar.
Sem heroísmo, posso até ter me beneficiado com isso. Mas fiquei remoendo essa questão de identidade por uns dez anos”, revela. Emmanuel Nassar tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da arte contemporânea nacional, e outros conterrâneos o seguiram.
Essa visibilidade foi impulsionada pela consolidação, nas últimas três décadas, de redes de articulação artística, que incluem desde a criação de salões e mostras até a elaboração de políticas públicas – ações que favoreceram o trânsito de curadores, críticos e artistas de outros eixos, que passaram a acompanhar de perto a produção local.
Paulo Herkenhoff, que foi curador-geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, atua sistematicamente em projetos voltados a mapear e difundir a arte paraense e também é curador do Salão Arte Pará, que neste ano completou 30 edições.
Ele reconhece que há na região uma concentração significativa de bons artistas e arrisca uma explicação: o surgimento em 1984 do FotoAtiva, um espaço de discussão da fotografia; assim como a criação, em 1999, do Instituto de Artes do Pará (IAP) e a inauguração, em 2002, do Museu Casa das Onze Janelas, todos em Belém, além das universidades como provocadores desse cenário.
“São instituições engajadas com a arte, mas sobretudo com a consciência de estarem inscritas em um território cultural denso, com potencial de construção de linguagens”, afirma Herkenhoff.
“Os artistas passaram a ter um ambiente onde são estimulados a pensar no universal para criar no local, tornando universalizado o processo artístico a partir da originalidade da cultura paraense-amazônica”, diz João de Jesus Paes Loureiro, idealizador e criador do IAP.
As obras da exposição Impressões de Lugar (2004), de Alexandre Sequeira, ilustram bem esse contexto. Em toalhas de mesa, lençóis, redes e outros objetos o artista estampou os donos das peças numa pesquisa de fotografia, gravura e instalação.
O trabalho participou da Bienal Internacional de Liège, na Bélgica, em 2006; da Bienal de Havana, em Cuba, em 2009; e do FestFotoPoa, em Porto Alegre, em 2010, além de outros eventos no Canadá e na França. As esculturas de Armando Sobral também refletem essa linha criativa, que busca o universal no regional.
Em seus mais recentes projetos, ele se alia aos mestres escultores e ceramistas da cultura popular para produzir grandes objetos tridimensionais. “Ficam evidentes as referências locais, sejam elas relacionadas à história da cidade, à paisagem ou às práticas tradicionais”, diz Sobral.
Na série Barroco, Traço Infinito (2009), ele compôs formas e volumes baseados em matrizes históricas e na visualidade de igrejas barrocas de Belém; em Jardins Sagrados (2010), continuou a pesquisa com uma das esculturas da série anterior para pensar a obra dentro do ambiente do museu, e em Labirinto Ver-o-Peso (2011), uniu as esculturas de urnas funerárias indígenas às xilogravuras de mantas de pirarucu, comuns no mercado belenense. As obras foram expostas na Galeria Fayga Ostrower, em Brasília, em julho passado.
Motivado por uma situação social local, outro artista plástico, Armando Queiroz, produziu a performance em vídeo Midas (2009), onde com uma das mãos começa a inserir insetos na própria boca.
O trabalho foi baseado na exploração mineral da Serra dos Carajás, mas não se limita à Amazônia exaurida de seus recursos naturais. A obra remete à cratera que sobrou no lugar e, sobretudo, às pessoas. Com ela, Armando Queiroz foi vencedor do Prêmio Marcantonio Vilaça 2009, da Funarte.
Múltiplas singularidades
Uma novíssima geração de artistas tem dado continuidade a essa boa fase. Marcone Moreira faz parte dela. O jovem de 29 anos apresenta sua cidade, Marabá, no interior do Pará, a quase 500 quilômetros da capital, por meio de pinturas, objetos e instalações nada convencionais.
“Pode-se falar a partir de um lugar sem ser regionalista e fala-se de várias maneiras porque a Amazônia é diversificada”, acredita a crítica de arte Marisa Mokarzel, diretora do Museu Casa das Onze Janelas.
Focado mais em detalhes da caótica cidade e menos em estereótipos generalizantes, Moreira já participou de programas com o renomado curador Agnaldo Farias, em 2002; do Panorama da Arte Brasileira, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2003, além de ter exibido obras no Rio de Janeiro, em Recife e na Espanha.
Outra surpresa é o projeto Simbiosys, de Roberta Carvalho, 30 anos, iniciado em 2007, no qual rostos são projetados em copas de árvores. “A minha motivação é a natureza olhar para a gente. Agora, entro numa fase em que uso as populações da floresta. É uma forma de ocupar a paisagem com gente da Amazônia. Fazer a Amazônia olhar para o mundo”, explica.
Em 2012 ela apresentará suas árvores-homens na exposição BR2014 Terra Prometida, em Barcelona, sob curadoria do fotógrafo e produtor cultural Iatã Cannabrava, de São Paulo.
Ao dependurar galinhas pelo corpo e sair pelo centro da cidade, na ação performática Gallus Sapiens (2007), Victor de La Rocque questiona o valor da existência.
“Ele transforma em metáfora a rotina do homem comum, que leva a vida em estado de alienação”, observa Orlando Maneschy, que foi curador do Salão Arte Pará 2008, ano em que Victor conquistou o grande prêmio do certame.
“Os artistas estão focados em suas questões e não em modismos”, reconhece Paulo Herkenhoff. Como bem fez Emmanuel Nassar, a nova geração também não tira os pés, nem a alma, do solo paraense.
Fonte: Exame, "Pará entra para a rota nacional das artes visuais", publicado por Dominik Giusti, em 22 de dezembro de 2011. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca” | Select
Diversos fatores somam-se para um norteamento de leituras sobre o trabalho de Nassar. Desde marcos intrinsecamente artísticos, como a satirização de um cânone geométrico e cromático purista já aplaudido, até a exaustiva manipulação do traço erudito que se transveste como ingênuo. A plena atenção aos movimentos artísticos contemporâneos enrobustece o artista que maquina suas narrativas, à sombra de uma periferia da modernidade que cobre a Amazônia – mas que, no caso de Nassar, não o assola, mas o protege. Esse distanciamento faz com que o artista observe com olhos atentos as movimentações alheias, os complexos e tecnológicos aparatos utilizados, interpretando seus funcionamentos de uma perspectiva própria.
Como se aprende a partir das máscaras indígenas do Xingu e das técnicas ilusionistas do barroco italiano: enganar é trabalho muito difícil. A cena é posta, a narrativa é construída, e cada obra, independentemente da plataforma, é um fragmento memorial e imagético que se tem ao se encantar com o espetáculo. Desde o início, porém, Nassar já anuncia e alerta o espectador que está à entrada do seu mundo fantasioso e ilusório: não há o engano tacanho e desavisado. As questões éticas aí estão resolvidas: as mãos lavadas, a língua dita e os olhos prontos.
E é da mesma forma que Nassar compreende o mercado de arte na contemporaneidade. Inserido no sistema, o artista não mais se detém nas querelas críticas da incompreensão artística pelo mercado, num luto do incompreendido rendido às dinâmicas capitalistas, mas pula no barco, entendendo que seu conceito artístico é lido – e também vendido e consumido – como uma marca. Os alinhamentos com uma arte pop são não somente inevitáveis, mas intencionais, e as questões mercadológicas não apenas orbitam o trabalho de Nassar, como estruturam seu conceito.
O artista sabe que o mercado de arte ultrapassa as dinâmicas de subsistência, da visceralidade e da fisiologia humanas, e habita o campo do presentear: com o fragmento imagético, presenteia-se a si mesmo ou ao outro. Talvez essa clareza de intenções e a negação de uma demagogia sobre o capital façam com que, nesse caso muito específico, se desnudem os balangandãs entrópicos mercadológicos e a venda da obra de arte retorne a seu cerne principal de troca. Para Nassar, o ato da venda é um momento mágico que conecta dois sonhadores: o que sonha em ter uma lembrança dessa narrativa consigo, e o que almeja pulverizar seu conceito no universo. Ficcional e fabuloso na mesma ordem de grandeza do ato de dar valor material a algo tão arbitrário e volátil. A obtenção desse fetiche sana, ao menos temporariamente, o desejo de possuí-lo.
Para Roland Barthes, “todo objeto tocado pelo corpo do amado se torna parte daquele corpo, e o sujeito avidamente se une a ele”. Dessa forma, os objetos produzidos e pintados por Nassar, como as serras, os pregos, as empenas e os arames, intuitivamente tão duros e distantes do toque afável do afeto, são fetichizados por terem sido submetidos ao seu toque. São, portanto, parte de si: lembranças de um toque.
Nassar detém um interesse especial pelos funcionamentos simples, pela genialidade humana condensada em dinâmicas precisas, como o toque e a troca. Tal fascínio é amplamente expresso nas obras do artista, que cria empenas, trancas, alavancas, roldanas, sistemas instáveis e estáveis à luz de uma estética regionalista e de uma lógica da gambiarra. Nassar se debruça sobre o engenho humano: tanto no aspecto maquínico, quanto no intelectual. Essas dinâmicas são apenas ferramentas para fenômenos mais complexos, como, no caso do toque, a instituição da obra de arte como parte de um conceito, que transfere valores à matéria quando é tocada pelo artista; no caso da troca, o mercado contemporâneo de arte, o ato da venda e os aparelhos propagandísticos utilizados para que ela aconteça.
A nova série de objetos produzidos por Nassar, feitos a partir de bancas de venda de tapioca, interessa pelas mesmas dinâmicas. Quanto ao toque, flertam com princípios do ready-made, apresentando o objeto cotidiano reconhecível como elemento principal da obra, mas alterado a partir de precisas operações do artista. Importante, portanto, que essas bancas não tenham sido feitas para a aplicação artística, mas para o uso cotidiano. Aí, então, entra a dinâmica da troca: Nassar as adquire de vendedores locais de tapioca na Praça da República, no centro de Belém, com preço definido pelo próprio tapioqueiro. Em um dos casos, temeroso de não reencontrar o vendedor que lhehavia prometido vender a banca assim que terminasse a venda das tapiocas, Nassar comprou-as todas e, com a ajuda do tapioqueiro, as distribuiu para quem estava na praça. Há tempos a Praça da República não via algo mesmo republicano.
Os vínculos com a arte pop contemporânea e os princípios do ready-made seguem no título da obra: TrapiocaBox. Nassar se aproxima de Brillo Box (Soap Pads) (1964), de Andy Warhol, em uma identificação do consumo local, particular da Amazônia. Regionaliza o objeto, saindo da escala industrial dos sabões em pó estadunidenses a que Warhol se remete, partindo para um consumo artesanal de tapiocas, produzidas de forma caseira e ancestral, em que nem as embalagens nem os produtos seguem um padrão estandardizado. Além disso, referir-se à palavra “trap”, em inglês, “armadilha” em português, que alude ao mecanismo de prender e de fechar, também se conecta a outras obras do artista, como Trap Trap (2006) e Trapescale (2014). Os dispositivos de engano, de armadilha e de ilusão, recorrentes na obra de Nassar, se repetem e se direcionam, de um modo crítico – de certa forma satírica e bem-humorada –, à historiografia de arte contemporânea.
As bancas de tapioca, caixas de madeira pintadas de branco, com “tapioca” escrito nas laterais de forma anunciativa, são originalmente postos num cavalete dobrável do mesmo material, com o mesmo acabamento. Os dois elementos principais têm sua materialidade centrada em suas dinâmicas: os cavaletes são dobráveis, elementos que abrem e fecham para o fácil transporte; enquanto a banca que armazena as tapiocas a serem vendidas tem uma tampa afixada com dobradiças metálicas, que abre e fecha facilmente. Essa tampa, com moldura de madeira, tem uma grande tela de arame, que permite que os clientes vejam o produto que desejam – ou passem a desejá-lo justamente ao vê-lo – e o protege de moscas indesejadas no clima tropical. Puro engenho.
Nassar desnuda as bancas de tapioca de suas telas metálicas e, numa delas, aplica a silhueta do território brasileiro no centro, recortada em chapa metálica branca. As leituras podem ser as mais diversas: desde a sugestão de uma tapioca com o formato do Brasil, quanto uma metonímia de que o país é feito do alimento mais brasileiro de todos, a mandioca, matéria-prima da tapioca. Engenhosamente, o artista utiliza o mecanismo das dobradiças da peça como um dos protagonistas do trabalho, havendo a possibilidade de a tampa ser aberta, configurando um díptico.
O tabuleiro torna-se uma espécie de cartografia, quando, além da representação do território, o artista pinta suas iniciais, “EN”, uma oposta àoutra. Essa banca de tapioca não desnorteia o espectador, ao apresentar incongruências do leste e do norte como elementos aqui colineares, mas o norteia, no sentido de o imbuir da cultura e da visualidade do norte do Brasil. Puro engenho, pura troca: como vender tapioca.
Fonte: Select Art, "Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca”", publicado por Mateus Nunes em 3 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar |
Entre tintas e pincéis, um ambiente criativo e muitas obras nas paredes, Emmanuel Nassar está de volta, diferente, porém igual. Os novos ventos que sopram do rio Guamá e entram pelo seu apartamento/estúdio, no bairro do Marco, em Belém, mostram que a criatividade do artista encontrou pouso certo para vivenciar uma fase de muita produção.
Nem Tudo Acaba em Telas e Tintas
Nesses últimos 3 anos, o artista plástico Emmanuel Nassar, tem vivido uma intensa experiência, que o levou a ver o mundo com “outros olhos”. É que no final de 2018, em uma de suas vindas a Belém, o artista descobriu uma perda degenerativa acentuada na retina nos dois olhos. O que ele não imaginava é que esta perda de visão seria irreversível. “Fiquei desesperado”. relata o artista.
início do tratamento teve ainda novas surpresas. Na segunda aplicação das injeções intraoculares, ele teve uma inflamação muito grande que o deixou sem enxergar durante 4 dias. “Naquele momento eu entrei em desespero porque achei que ficaria cego, rapidamente. Entrei em depressão e cheguei a perder 10 kg” em 2019, revela Emmanuel Nassar que permaneceu nesse ano em São Paulo.
“A pandemia me salvou”
Emmanuel Nassar fala do segundo semestre de 2020, como um renascimento em todos os sentidos, “Estava parado em São Paulo, sem energia criativa, estagnado, não conseguia produzir e hoje tenho certeza que tomei a decisão certa ao voltar a Belém”, conclui Nassar. “Nada mudou na minha forma de trabalhar, ao contrário, eu estou produzindo muito. Parece que as pessoas, durante a pandemia, consumiram mais arte.” surpreende o artista. Em 2021 ele completou 1 ano morando aqui em Belém. “Estou feliz e mais próximo do meu público. Transformei minha sala em espaço para troca de ideias e também tenho feito lives do meu processo criativo.
Um “case” de sucesso
Primeiro nasceu o engenheiro, depois o arquiteto e finalmente o redator publicitário que criou o artista Emmanuel Nassar, hoje também referenciado como um “autêntico artista brasileiro” ou também, como o “Mestre da Gambiarra''.
Foi o jovem publicitário aos 19 anos que criou o conceito do artista e suas famosas iniciais E e N que assinam suas obras desde 1985. Da primeira exposição coletiva na Galeria Angelus do Theatro da Paz, a contemporaneidade das obras de Emmanuel Nassar encontrou público, voz e representatividade. Atualmente, a sua grife se tornou tão desejada que alcançou as paredes dos mais importantes museus brasileiros e das residências de vários colecionadores. “Eu tenho consciência de que o meu conceito é altamente desejável em um determinado mercado de arte no Brasil. Eu tenho consciência de que me tornei uma marca”, pontua Nassar.
Saiba onde encontrar as obras de Emmanuel Nassar:
BELÉM
MABE (Acervo da Prefeitura)
MAP (Sistema de Museus do Estado do Pará)
Brasil
Pinacoteca de São Paulo
MAM SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo
MAM RJ- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
MAR - Museu de Arte do Rio
MAMM - Museu de Arte Murilo Mendes de Juiz de Fora MG
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
MAC - USP
Obs: Boa parte do acervo de Emmanuel Nassar está espalhada pelo mundo nas mãos de colecionadores de arte.
Fonte: Portal Liv, "Emmanuel Nassar", publicado em 22 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Crédito fotográfico: Instagram do artista, @emmanuelnassar, publicado em 27 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Emmanuel da Cunha Nassar (Capanema, 3 de janeiro de 1949), mais conhecido como Emmanuel Nassar, é um arquiteto, desenhista, pintor, professor e publicitário brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará e entre as décadas de 80 e 90 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Nassar conduz sua produção a partir de um diálogo entre o popular, o construtivismo e o geométrico, produzindo obras inusitadas, aliando imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. O artista participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e a Bienal de Veneza de 1993. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Biografia – Itaú Cultural
Emmanuel da Cunha Nassar realiza instalações e relevos pintados. Em 1969, após uma viagem à Europa, o artista decide estudar arquitetura, formando-se pela Universidade Federal do Pará - UFPA, em 1974. Trabalha inicialmente com acrílica sobre tela e, mais tarde, estuda técnicas como o relevo sobre madeira. A partir de 1980, tornou-se professor de educação artística na UFPA. Em 1981, criou a obra tridimensional Recepcôr. A partir desse trabalho, passa a realizar pinturas em que representa pequenos mecanismos, contendo eixos, manivelas e placas de cor, incorporando também objetos comuns, como garrafas. Em alguns quadros evoca a cultura popular local, como nas cores vibrantes e formas geométricas das casas e de barracas de feira. Em 1985, em uma nova pesquisa, realiza trabalhos em que apresenta uma releitura dos desenhos e pinturas presentes em bares e banheiros públicos. Em outros trabalhos, alia imagens do universo do consumo a outras, recorrentes nos subúrbios da sua cidade natal. Em 1998, realiza a instalação Bandeiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará, na qual se apropria de 143 bandeiras de municípios paraenses, que são distribuídas pelas paredes dos museus. Em 1999, com a obra Incêndio, recebe o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca, no Equador.
Análise
Formado em arquitetura e com experiência no campo da publicidade, Emmanuel Nassar, do início da década de 1980 em diante, conduz sua produção a partir do diálogo entre duas tradições visuais: aquela popular, onde cores vibrantes em formas geométricas são trabalhadas como ornamentos para residências, barracos, vitrines etc., e a tradição construtiva e geométrica, que marcou e ainda marca parte significativa da produção artística erudita brasileira.
Se, no início de sua carreira, o artista brinca ainda de descrever ou representar esse limite entre o popular e o erudito, a partir de 1988, seu trabalho torna-se mais objetivo. Nassar deixa de pintar somente sobre tela e incorpora outros materiais, como latão, pedaços de madeira, duratex, garrafas, martelos, bocais de lâmpada e luz néon. Em Gambiarra (1988), o trabalho fica entre a pintura e o objeto. Em 1989, apresentou, na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, a instalação Fachada. Nela, recria um circo mambembe do interior. Dentro do circo, mostra alguns trabalhos mais próximos do objeto.
Em 1998, o artista monta a instalação Bandeiras no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e no Museu Estadual do Pará. Apropria-se de 143 bandeiras de municípios paraenses que são distribuídas nas paredes dos museus. O trabalho envolve a participação da população do estado, que envia as bandeiras para o artista. Em 2000, ao realizar fotografias de formas coloridas encontradas no cotidiano popular das cidades paraenses, o artista acaba "revelando" a fonte primeira de suas pinturas anteriores: um olhar fundamentalmente fotográfico, questão que traz mais desafios para sua poética.
Críticas
"(...) Trabalhando em acrílica sobre tela, e mais recentemente explorando outros suportes, como o relevo em madeira, a pintura de Nassar se singulariza diante das modas contemporâneas por inspirar-se na temática do suburbano, a partir da incorporação de elementos simbólicos ou figurativos observados ou criados a partir de cartazes de comunicação visual executados artesanalmente e expostos em Belém do Pará. (...) Composição descentralizada inspirada no geometrismo de origem popular, esta tela do MAC (Sonoros Brasil) é circundada por margem à maneira de moldura de cor viva contendo os seis losangos executados a mão livre e que saltam, do ponto de vista perceptivo, ante o olhar do observador, que vaga de um elemento a outro sobre o fundo vibrante" — Aracy Amaral (AMARAL, Aracy (Org. ). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Prefácio Ana Mae Barbosa; texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p. , il. color).
"Do seu mundo, o artista recorta, salienta detalhes, reinventa dramas. Suas fontes são duas: o popular e o suburbano (...) O que mais chamava a atenção no espectador (...) era o olhar sem culpa e sem preconceito do artista. Quando denunciava a miséria (...) transformava sua denúncia numa experiência plástica, passando a léguas do panfletário e do anedótico. Seu olhar era participante, sem ser pedinte. Reivindicador, sem ser cobrativo (...). Aos poucos, sempre com olhar crítico, o artista foi incorporando ao seu trabalho imagens tão díspares quanto ilustrações de anúncios, rótulos de produtos e até decorações de carroceria de caminhão. Tudo isso em grandes campos de cor onde elementos retirados do imaginário popular encontravam seu espaço plástico como partes de uma composição quase abstrata. O amadurecimento deu a Nassar um dado que até então lhe faltava: o humor. Em pinturas (...) elementos figurativos (...) recebem um tratamento falsamente primitivo que permite ao artista ironizar a própria técnica. Objetos banais passam a adquirir, dentro desse bem-humorado jogo formal, um valor icônico. Jogando com a escala, o artista consegue transpor para a tela a mesma sensação de insignificância que atinge o ser humano que depara com Grande Rio. Nós ocupamos uma minúscula parte do espaço físico, como as figuras ocupam apenas uma pequena parcela do espaço pictórico (...). Com a maturidade que lhe permite aproveitar o folclórico e o regional sem cair nas suas malhas, Nassar traça o seu caminho" – João Cândido Galvão (GALVÃO, João Cândido. Popular e suburbano. Guia das Artes,São Paulo, v. 3, n. 13, p. 61-62, 1989).
"(...) Nassar não é um artista que simplesmente se apropria de um universo de cores e formas populares para, ingenuamente, enaltecer a 'pureza' e a 'criatividade' do bravo povo do Norte. Atento à suposta banalização e esgotamento das linguagens plásticas eruditas, Nassar percebeu que esses elementos populares apontados acima guardavam semelhanças no mínimo desestabilizadoras dos conceitos que regeram (e ainda regem) uma das maiores tradições da arte deste século no Brasil e no exterior: o construtivismo, que no país se bifurcou nas vertentes concreta e neoconcreta. (...) o artista na verdade acaba zerando as duas linguagens, fazendo com que sua obra sobreviva como um poderoso e colorido curto-circuito nas engrenagens que ligam - e desagregam - essas duas tradições. Poderíamos rapidamente comparar uma pintura de Nassar com uma de Hércules Barsotti, um dos principais pintores brasileiros surgidos com o neocretismo. Na produção de Barsotti são as cores rigorosamente trabalhadas que preenchem o campo plástico, criando formas que tendem a levar o espectador a conceitos de lirismo, ordem e pureza. Nas pinturas de Nassar, a verdade das cores constituindo o campo da pintura é problematizada pela proposital insegurança do traçado e/ou pela inclusão não esperada de elementos decididamente alheios à 'ordem' construtiva: imagens toscas de membros humanos decepados, representações ilusionistas de pregos e outros instrumentos. . . Mesmo as iniciais do nome do artista ('E' e 'N') absolutamente não querem atestar a bidimensionalidade do plano (tão cara à tradição erudita construtiva), não. Elas, incorporadas à pintura, tendem a preenchê-la de um sentido simbólico, autobiográfico mesmo, praticamente inexistente na arte construtiva de origem erudita. O que Nassar pretende com sua pintura? O mesmo que seus colegas de geração, desestabilizar o consagrado, trazer lirismo e humor a uma tradição; negar a noção de arte como linguagem capaz de oferecer ao espectador uma mensagem previsível e apriorística da realidade que o cerca" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Sobre Brasil, de Emmanuel Nassar. In: SALÃO ARTE PARÁ, 1997, Belém. Fronteiras. Apresentação Lucidéa Maiorana. Belém: Fundação Romulo Maiorana: Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado, 1997. p. 48).
"Emmanuel Nassar pertence à linhagem dos artistas que se detêm sobre o mundo e dele recolhem a substância da sua expressão. E o que mais lhe interessa são as imagens e coisas tidas como demasiado simples: as pinturas toscas e os artefatos e a arquitetura pertencentes ao extrato mais pobre de sua Belém natal.
É fato que ainda insistimos em julgar as imagens e objetos existentes sob a ótica de um olhar culto, como se tudo fosse concebido no patamar da alta cultura. A questão não se agüenta de tão anacrônica, o que não impede de continuar vigorando em alguns rincões do nosso país. Com efeito, mira-se com desdém tudo aquilo que se fabrica fora do padrão culto, por acreditar-se que a assim chamada expressão popular nada mais é que um rebaixamento, uma reprodução canhestra quando não degradada de uma ordem superior. (...)
Nassar sempre chamou atenção pela delicadeza e interesse com que se volta ao que há de banal e humilde no mundo. Sob seus olhos, a margem da vida social que no caso de Belém são as margens de cada um dos filamentos da teia líquida dos rios, é o palco onde são encenadas lições líricas da engenhosidade humana, da sua inesgotável capacidade de simbolizar e de improvisar diante da carência de meios. Nassar é o poeta do precário, do cambaio, da gambiarra, da solução imaginativa e do desenho esconso, que surpreende pelo vigor com que aos nossos olhos atualiza nosso desejo atávico de expressão diante da infinita riqueza do mundo. E ele realiza sua obra sem escamotear sua origem de classe, sua condição de pessoa edulcorada, com formação superior. Seu projeto poético vem se afirmando na construção de um amálgama entre o seu repertório e aquele que a experiência junto à expressão popular lhe oferece como um sumo vivo" — Agnaldo Farias (FARIAS, Agnaldo. O sonho de Nassar. In: NASSAR, Emmanuel. Bandeiras. Apresentação Paulo Chaves Fernandes; texto Agnaldo Farias, Benedito Nunes. São Paulo: MAM, 1998).
Exposições Individuais
1979 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma
1986 - Belém PA - Individual, na Galeria Elf
1987 - Brasília DF - Emmanuel Nassar: pinturas, no Espaço Capital Arte Contemporânea
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Arte Liberal
1988 - Belém PA - Individual, na Galeria Rômulo Maiorana
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1989 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1989 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin: Emmanuel Nassar, na Galeria Nalepa
1991 - Campo Grande MS - Individual, na Itaugaleria
1992 - Amsterdã (Holanda) - Individual, na Pulitzer Art Gallery
1992 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1994 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Thomas Cohn
1995 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1995 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1996 - Belém PA - Individual, na Galeria Theodoro Braga
1996 - Frieburg (Alemanha) - Individual, na Galeria Ruta Correa
1996 - Niterói RJ - Emmanuel Nassar, na Galeria de Arte UFF
1997 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1997 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1997 - Köln (Alemanha) - Individual, na Galerie Thomas Zander
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Bandeiras, no MAM/SP
1998 - Belém PA - Bandeiras, no Museu do Estado do Pará
1999 - Barsikow (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Barsikow
1999 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2000 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Laura Marsiaj Arte Contemporânea
2003 - Brasília DF - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - A Poesia da Gambiarra, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Boa Romaria Faz Quem em Sua Casa Fica em Paz, na Galeria André Millan
2004 - Recife PE - Individual, no MAMAM
2004 - São Paulo SP - A Poesia da Gambiarra, no Instituto Tomie Ohtake
Exposições Coletivas
1980 - Curitiba PR - 37º Salão Paranaense - Prêmio Petrobrás Distribuidora, na Fundação Teatro Guaíra
1980 - Rio de Janeiro RJ - 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Mnba
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1980 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, na Fundação Bienal
1981 - Curitiba PR - 38º Salão Paranaense, na Fundação Teatro Guaíra
1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - Pintura e Desenho no Pará, na Galeria Projecta
1982 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - 3º Salão Brasileiro de Arte, na Fundação Mokiti Okada - prêmio aquisição
1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Rio de Janeiro RJ (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Mnba
1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp
1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas - artista convidado
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - prêmio viagem ao país
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage
1985 - São Paulo SP - O Popular como Matriz, no MAC/USP - artista convidado
1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil , no CCSP
1986 - Fortaleza CE - Imagine: o planeta saúda o cometa, na Arte Galeria
1986 - Nova Délhi (Índia) - 6ª Trienal da Índia
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal - Prêmio Clock
1987 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1987 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Pinacoteca do Estado
1988 - Leverkusen (Alemanha) - Brasil Já, no Museum Morsbroich
1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A.
1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse
1989 - Amsterdã (Holanda) - U-ABC, no Stedelijk Museum
1989 - Hannover (Alemanha) - Brasil Já, no Sprengel Museum
1989 - Havana (Cuba) - 3ª Bienal de Havana
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF
1990 - Lisboa (Portugal) - U-ABC, na Fundação Calouste Gulbenkian
1991 - Campo Grande MS - BR/80. Pintura Brasil Década 80, na Itaugaleria
1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, no Liljevalchs Konsthall
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura
1992 - Kassel (Alemanha) - Projekt Stoffwechsel
1992 - Rio de Janeiro RJ - 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini, no Paço Imperial
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Veneza (Itália) - 45ª Bienal de Veneza
1994 - Juiz de Fora MG - América, na UFJF
1994 - Salvador BA - 1º Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, no MAM/BA
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1995 - Brasília DF - Coleções de Brasília, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
1995 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria Sesc Paulista
1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói
1996 - Potsdam (Alemanha) - Contrapartida: 12 artistas brasileiros e alemães, no Kunstspeicher Potsdam
1996 - São Paulo SP - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/SP
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Belém PA - 16º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
1997 - Belém PA - Arte Pará: fronteira, no Museu de Arte do Belém
1997 - Goiânia GO - Brasilidade: coletânea de artistas brasileiros, na Galeria de Arte Marina Potrich
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Rio de Janeiro RJ - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Belo Horizonte MG - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Emmanuel Nassar, Leda Catunda, Marcos Benjamim, na Kolams Galeria de Arte
1998 - Campinas SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no Itaú Cultural
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal de Cuenca
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói
1998 - Penápolis SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, na Itaugaleria
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996
1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1998 - São Paulo SP - A Paisagem Urbana Contemporânea, no MAM/SP
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Fronteiras, no Itaú Cultural
1999 - Belém PA - Olhares Revisitados, no Museu de Arte Sacra
1999 - Lisboa (Portugal) - América Latina das Vanguardas ao Fim do Milênio, no Culturgest
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2000 - Belo Horizonte MG - Ars Brasilis, na Galeria de Arte do Minas Tênis Clube
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Belo Horizonte MG - O Brasil na Visualidade Popular, no MAP
2000 - Belo Horizonte MG - Presente de Reis, na Kolams Galeria de Arte
2000 - Berlim (Alemanha) - Brasilien in Barsikow, na Galerie Barsikow
2000 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira. São ou Não São Gravuras, no Itaú Cultural
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
2000 - Recife PE - 44º Salão Pernambucano de Artes Plásticas, no Observatório Cultural Malakoff
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminham, no Museu Histórico Nacional
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasilidades, no Centro Cultural Light
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Artes Visuais, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Cá entre Nós, no Paço das Artes
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, na Galeria da Residência
2001 - Belém PA - 20º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
2001 - Porto Alegre RS - Coleção Liba e Rubem Knijnik: arte brasileira contemporânea, no MARGS
2001 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som de Antônio Carlos Jobim, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Brasília DF - Fragmentos a Seu Ímã, no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Niterói RJ - Acervo em Papel, no MAC/Niterói
2002 - Niterói RJ - Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini, no MAC/Niterói
2002 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som do Rock Pop Brasil, no Paço Imperial
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Campo, no Centro Cultural da Justiça Federal
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake
2002 - São Paulo SP - Paralela
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2003 - Rio de Janeiro RJ - Bandeiras do Brasil, no Museu da República
2003 - São Paulo SP - Meus Amigos, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2003 - São Paulo SP - Um Difícil Momento de Equilíbrio, no Espaço MAM/Villa-Lobos
2004 - Rio de Janeiro RJ - Tudo é Brasil, no Paço Imperial
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Tudo é Brasil, no Itaú Cultural
Fonte: EMMANUEL Nassar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de outubro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Emmanuel Nassar | Wikipédia
Emmanuel Nassar (Capanema, 1949) é um artista plástico brasileiro. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Pará. Durante a década de 1980 e 1990 foi professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Participou de importantes exposições como a XX Bienal de São Paulo em 1989, XXIV Bienal de São Paulo em 1998, e Bienal de Veneza de 1993.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar | Art Pará 2021
A obra de Emmanuel Nassar coloca-se essencialmente por meio da pintura e do amálgama de distintos suportes, que incluem tela, madeira, vidro e chapas metálicas, entre outros. O artista apropria-se de signos e técnicas que vão desde o universo popular até diversas correntes da arte contemporânea, com alguma informação do concretismo, referência que se mostra através de uma busca pelas formas e um cientificismo entre essas e seu conteúdo, e sobretudo a arte pop, fio condutor de sua imaginação artística. Nassar evoca noções de um primitivismo e uma precariedade industrial que remontam suas raízes fincadas no Norte do Brasil, que ele ao mesmo tempo lamenta e enaltece de forma mordaz. Para a escritora e curadora Ligia Canongia, sua obra é uma resposta brasileira aos princípios firmados pelo pop, pensada com inteligência e ajustada aos limites de nosso repertório.
Formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1975. Realizou diversas exposições individuais, entre as quais: a retrospectiva EN: 81-18, Estação Pinacoteca, São Paulo, SP (2018); Galeria Millan, São Paulo, SP (2016, 2013, 2010, 2008, 2005 e 2003); Museu Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ (2013); Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ (2012): Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP (2009); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP; a retrospectiva A Poesia da Gambiarra, com curadoria de Denise Mattar, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, e Brasília, DF (2003); e Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (1998).
Entre as dezenas de mostras coletivas de que participou, destacam-se: Potência e Adversidade, Pavilhão Branco e Pavilhão Preto, Campo Grande, Lisboa, Portugal (2017); Aquilo que Nos Une, Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ (2016); 140 Caracteres, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (2014); O Abrigo e o Terreno, Museu de Arte do Rio, RJ (2013); Ensaios de Geopoética, 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2011); VI Bienal Internacional de Estandartes, Tijuana, México (2010); Fotografia Brasileira Contemporânea, Neuer Berliner Kunstverein, Berlim, Alemanha (2006); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Fundação Bienal de São Paulo, SP (2000); 6ª Bienal de Cuenca, Equador (1998); Bienal de São Paulo, SP (1998 e 1989); a representação brasileira na Bienal de Veneza, Itália (1993); U-ABC, Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda; e a 3ª Bienal de Havana, Cuba (1989); entre outras.
Suas obras integram importantes coleções públicas, como a Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA, e Caracas, Venezuela; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; e University Essex Museum, Inglaterra.
Fonte: Emmanuel Nassar, Art Pará 2021. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Pará entra para a rota nacional das artes visuais | Exame
São Paulo - Emmanuel Nassar fincou os pés na terra para dela se sobressair. Natural de Capanema, cidadezinha do interior do Pará, o artista de 62 anos ganhou fama por trabalhar – em suas pinturas, instalações e objetos – os matizes cromáticos fortes, o improviso do cotidiano, a visualidade cabocla.
Um emaranhado de referências da cultura popular amazônica. Isso não o circunscreveu a um estilo tão somente regional, tampouco o deixou isolado em tendências artísticas demarcadas.
Entender-se com o seu território acabou sendo fundamental para que, mesmo distante geograficamente dos grandes centros, ele participasse de bienais, como as de São Paulo, em 1989 e 1998, e de Veneza, em 1993.
No início dos anos 1980, ele era “o” artista do Pará e não um dos 500 diluídos no complexo circuito das artes de São Paulo, por exemplo. “Tive uma formação muito forte em Belém e nunca achei determinante me deslocar.
Sem heroísmo, posso até ter me beneficiado com isso. Mas fiquei remoendo essa questão de identidade por uns dez anos”, revela. Emmanuel Nassar tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da arte contemporânea nacional, e outros conterrâneos o seguiram.
Essa visibilidade foi impulsionada pela consolidação, nas últimas três décadas, de redes de articulação artística, que incluem desde a criação de salões e mostras até a elaboração de políticas públicas – ações que favoreceram o trânsito de curadores, críticos e artistas de outros eixos, que passaram a acompanhar de perto a produção local.
Paulo Herkenhoff, que foi curador-geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, atua sistematicamente em projetos voltados a mapear e difundir a arte paraense e também é curador do Salão Arte Pará, que neste ano completou 30 edições.
Ele reconhece que há na região uma concentração significativa de bons artistas e arrisca uma explicação: o surgimento em 1984 do FotoAtiva, um espaço de discussão da fotografia; assim como a criação, em 1999, do Instituto de Artes do Pará (IAP) e a inauguração, em 2002, do Museu Casa das Onze Janelas, todos em Belém, além das universidades como provocadores desse cenário.
“São instituições engajadas com a arte, mas sobretudo com a consciência de estarem inscritas em um território cultural denso, com potencial de construção de linguagens”, afirma Herkenhoff.
“Os artistas passaram a ter um ambiente onde são estimulados a pensar no universal para criar no local, tornando universalizado o processo artístico a partir da originalidade da cultura paraense-amazônica”, diz João de Jesus Paes Loureiro, idealizador e criador do IAP.
As obras da exposição Impressões de Lugar (2004), de Alexandre Sequeira, ilustram bem esse contexto. Em toalhas de mesa, lençóis, redes e outros objetos o artista estampou os donos das peças numa pesquisa de fotografia, gravura e instalação.
O trabalho participou da Bienal Internacional de Liège, na Bélgica, em 2006; da Bienal de Havana, em Cuba, em 2009; e do FestFotoPoa, em Porto Alegre, em 2010, além de outros eventos no Canadá e na França. As esculturas de Armando Sobral também refletem essa linha criativa, que busca o universal no regional.
Em seus mais recentes projetos, ele se alia aos mestres escultores e ceramistas da cultura popular para produzir grandes objetos tridimensionais. “Ficam evidentes as referências locais, sejam elas relacionadas à história da cidade, à paisagem ou às práticas tradicionais”, diz Sobral.
Na série Barroco, Traço Infinito (2009), ele compôs formas e volumes baseados em matrizes históricas e na visualidade de igrejas barrocas de Belém; em Jardins Sagrados (2010), continuou a pesquisa com uma das esculturas da série anterior para pensar a obra dentro do ambiente do museu, e em Labirinto Ver-o-Peso (2011), uniu as esculturas de urnas funerárias indígenas às xilogravuras de mantas de pirarucu, comuns no mercado belenense. As obras foram expostas na Galeria Fayga Ostrower, em Brasília, em julho passado.
Motivado por uma situação social local, outro artista plástico, Armando Queiroz, produziu a performance em vídeo Midas (2009), onde com uma das mãos começa a inserir insetos na própria boca.
O trabalho foi baseado na exploração mineral da Serra dos Carajás, mas não se limita à Amazônia exaurida de seus recursos naturais. A obra remete à cratera que sobrou no lugar e, sobretudo, às pessoas. Com ela, Armando Queiroz foi vencedor do Prêmio Marcantonio Vilaça 2009, da Funarte.
Múltiplas singularidades
Uma novíssima geração de artistas tem dado continuidade a essa boa fase. Marcone Moreira faz parte dela. O jovem de 29 anos apresenta sua cidade, Marabá, no interior do Pará, a quase 500 quilômetros da capital, por meio de pinturas, objetos e instalações nada convencionais.
“Pode-se falar a partir de um lugar sem ser regionalista e fala-se de várias maneiras porque a Amazônia é diversificada”, acredita a crítica de arte Marisa Mokarzel, diretora do Museu Casa das Onze Janelas.
Focado mais em detalhes da caótica cidade e menos em estereótipos generalizantes, Moreira já participou de programas com o renomado curador Agnaldo Farias, em 2002; do Panorama da Arte Brasileira, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2003, além de ter exibido obras no Rio de Janeiro, em Recife e na Espanha.
Outra surpresa é o projeto Simbiosys, de Roberta Carvalho, 30 anos, iniciado em 2007, no qual rostos são projetados em copas de árvores. “A minha motivação é a natureza olhar para a gente. Agora, entro numa fase em que uso as populações da floresta. É uma forma de ocupar a paisagem com gente da Amazônia. Fazer a Amazônia olhar para o mundo”, explica.
Em 2012 ela apresentará suas árvores-homens na exposição BR2014 Terra Prometida, em Barcelona, sob curadoria do fotógrafo e produtor cultural Iatã Cannabrava, de São Paulo.
Ao dependurar galinhas pelo corpo e sair pelo centro da cidade, na ação performática Gallus Sapiens (2007), Victor de La Rocque questiona o valor da existência.
“Ele transforma em metáfora a rotina do homem comum, que leva a vida em estado de alienação”, observa Orlando Maneschy, que foi curador do Salão Arte Pará 2008, ano em que Victor conquistou o grande prêmio do certame.
“Os artistas estão focados em suas questões e não em modismos”, reconhece Paulo Herkenhoff. Como bem fez Emmanuel Nassar, a nova geração também não tira os pés, nem a alma, do solo paraense.
Fonte: Exame, "Pará entra para a rota nacional das artes visuais", publicado por Dominik Giusti, em 22 de dezembro de 2011. Consultado pela última vez em 5 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca” | Select
Diversos fatores somam-se para um norteamento de leituras sobre o trabalho de Nassar. Desde marcos intrinsecamente artísticos, como a satirização de um cânone geométrico e cromático purista já aplaudido, até a exaustiva manipulação do traço erudito que se transveste como ingênuo. A plena atenção aos movimentos artísticos contemporâneos enrobustece o artista que maquina suas narrativas, à sombra de uma periferia da modernidade que cobre a Amazônia – mas que, no caso de Nassar, não o assola, mas o protege. Esse distanciamento faz com que o artista observe com olhos atentos as movimentações alheias, os complexos e tecnológicos aparatos utilizados, interpretando seus funcionamentos de uma perspectiva própria.
Como se aprende a partir das máscaras indígenas do Xingu e das técnicas ilusionistas do barroco italiano: enganar é trabalho muito difícil. A cena é posta, a narrativa é construída, e cada obra, independentemente da plataforma, é um fragmento memorial e imagético que se tem ao se encantar com o espetáculo. Desde o início, porém, Nassar já anuncia e alerta o espectador que está à entrada do seu mundo fantasioso e ilusório: não há o engano tacanho e desavisado. As questões éticas aí estão resolvidas: as mãos lavadas, a língua dita e os olhos prontos.
E é da mesma forma que Nassar compreende o mercado de arte na contemporaneidade. Inserido no sistema, o artista não mais se detém nas querelas críticas da incompreensão artística pelo mercado, num luto do incompreendido rendido às dinâmicas capitalistas, mas pula no barco, entendendo que seu conceito artístico é lido – e também vendido e consumido – como uma marca. Os alinhamentos com uma arte pop são não somente inevitáveis, mas intencionais, e as questões mercadológicas não apenas orbitam o trabalho de Nassar, como estruturam seu conceito.
O artista sabe que o mercado de arte ultrapassa as dinâmicas de subsistência, da visceralidade e da fisiologia humanas, e habita o campo do presentear: com o fragmento imagético, presenteia-se a si mesmo ou ao outro. Talvez essa clareza de intenções e a negação de uma demagogia sobre o capital façam com que, nesse caso muito específico, se desnudem os balangandãs entrópicos mercadológicos e a venda da obra de arte retorne a seu cerne principal de troca. Para Nassar, o ato da venda é um momento mágico que conecta dois sonhadores: o que sonha em ter uma lembrança dessa narrativa consigo, e o que almeja pulverizar seu conceito no universo. Ficcional e fabuloso na mesma ordem de grandeza do ato de dar valor material a algo tão arbitrário e volátil. A obtenção desse fetiche sana, ao menos temporariamente, o desejo de possuí-lo.
Para Roland Barthes, “todo objeto tocado pelo corpo do amado se torna parte daquele corpo, e o sujeito avidamente se une a ele”. Dessa forma, os objetos produzidos e pintados por Nassar, como as serras, os pregos, as empenas e os arames, intuitivamente tão duros e distantes do toque afável do afeto, são fetichizados por terem sido submetidos ao seu toque. São, portanto, parte de si: lembranças de um toque.
Nassar detém um interesse especial pelos funcionamentos simples, pela genialidade humana condensada em dinâmicas precisas, como o toque e a troca. Tal fascínio é amplamente expresso nas obras do artista, que cria empenas, trancas, alavancas, roldanas, sistemas instáveis e estáveis à luz de uma estética regionalista e de uma lógica da gambiarra. Nassar se debruça sobre o engenho humano: tanto no aspecto maquínico, quanto no intelectual. Essas dinâmicas são apenas ferramentas para fenômenos mais complexos, como, no caso do toque, a instituição da obra de arte como parte de um conceito, que transfere valores à matéria quando é tocada pelo artista; no caso da troca, o mercado contemporâneo de arte, o ato da venda e os aparelhos propagandísticos utilizados para que ela aconteça.
A nova série de objetos produzidos por Nassar, feitos a partir de bancas de venda de tapioca, interessa pelas mesmas dinâmicas. Quanto ao toque, flertam com princípios do ready-made, apresentando o objeto cotidiano reconhecível como elemento principal da obra, mas alterado a partir de precisas operações do artista. Importante, portanto, que essas bancas não tenham sido feitas para a aplicação artística, mas para o uso cotidiano. Aí, então, entra a dinâmica da troca: Nassar as adquire de vendedores locais de tapioca na Praça da República, no centro de Belém, com preço definido pelo próprio tapioqueiro. Em um dos casos, temeroso de não reencontrar o vendedor que lhehavia prometido vender a banca assim que terminasse a venda das tapiocas, Nassar comprou-as todas e, com a ajuda do tapioqueiro, as distribuiu para quem estava na praça. Há tempos a Praça da República não via algo mesmo republicano.
Os vínculos com a arte pop contemporânea e os princípios do ready-made seguem no título da obra: TrapiocaBox. Nassar se aproxima de Brillo Box (Soap Pads) (1964), de Andy Warhol, em uma identificação do consumo local, particular da Amazônia. Regionaliza o objeto, saindo da escala industrial dos sabões em pó estadunidenses a que Warhol se remete, partindo para um consumo artesanal de tapiocas, produzidas de forma caseira e ancestral, em que nem as embalagens nem os produtos seguem um padrão estandardizado. Além disso, referir-se à palavra “trap”, em inglês, “armadilha” em português, que alude ao mecanismo de prender e de fechar, também se conecta a outras obras do artista, como Trap Trap (2006) e Trapescale (2014). Os dispositivos de engano, de armadilha e de ilusão, recorrentes na obra de Nassar, se repetem e se direcionam, de um modo crítico – de certa forma satírica e bem-humorada –, à historiografia de arte contemporânea.
As bancas de tapioca, caixas de madeira pintadas de branco, com “tapioca” escrito nas laterais de forma anunciativa, são originalmente postos num cavalete dobrável do mesmo material, com o mesmo acabamento. Os dois elementos principais têm sua materialidade centrada em suas dinâmicas: os cavaletes são dobráveis, elementos que abrem e fecham para o fácil transporte; enquanto a banca que armazena as tapiocas a serem vendidas tem uma tampa afixada com dobradiças metálicas, que abre e fecha facilmente. Essa tampa, com moldura de madeira, tem uma grande tela de arame, que permite que os clientes vejam o produto que desejam – ou passem a desejá-lo justamente ao vê-lo – e o protege de moscas indesejadas no clima tropical. Puro engenho.
Nassar desnuda as bancas de tapioca de suas telas metálicas e, numa delas, aplica a silhueta do território brasileiro no centro, recortada em chapa metálica branca. As leituras podem ser as mais diversas: desde a sugestão de uma tapioca com o formato do Brasil, quanto uma metonímia de que o país é feito do alimento mais brasileiro de todos, a mandioca, matéria-prima da tapioca. Engenhosamente, o artista utiliza o mecanismo das dobradiças da peça como um dos protagonistas do trabalho, havendo a possibilidade de a tampa ser aberta, configurando um díptico.
O tabuleiro torna-se uma espécie de cartografia, quando, além da representação do território, o artista pinta suas iniciais, “EN”, uma oposta àoutra. Essa banca de tapioca não desnorteia o espectador, ao apresentar incongruências do leste e do norte como elementos aqui colineares, mas o norteia, no sentido de o imbuir da cultura e da visualidade do norte do Brasil. Puro engenho, pura troca: como vender tapioca.
Fonte: Select Art, "Emmanuel Nassar, ou “Como vender tapioca”", publicado por Mateus Nunes em 3 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
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Emmanuel Nassar |
Entre tintas e pincéis, um ambiente criativo e muitas obras nas paredes, Emmanuel Nassar está de volta, diferente, porém igual. Os novos ventos que sopram do rio Guamá e entram pelo seu apartamento/estúdio, no bairro do Marco, em Belém, mostram que a criatividade do artista encontrou pouso certo para vivenciar uma fase de muita produção.
Nem Tudo Acaba em Telas e Tintas
Nesses últimos 3 anos, o artista plástico Emmanuel Nassar, tem vivido uma intensa experiência, que o levou a ver o mundo com “outros olhos”. É que no final de 2018, em uma de suas vindas a Belém, o artista descobriu uma perda degenerativa acentuada na retina nos dois olhos. O que ele não imaginava é que esta perda de visão seria irreversível. “Fiquei desesperado”. relata o artista.
início do tratamento teve ainda novas surpresas. Na segunda aplicação das injeções intraoculares, ele teve uma inflamação muito grande que o deixou sem enxergar durante 4 dias. “Naquele momento eu entrei em desespero porque achei que ficaria cego, rapidamente. Entrei em depressão e cheguei a perder 10 kg” em 2019, revela Emmanuel Nassar que permaneceu nesse ano em São Paulo.
“A pandemia me salvou”
Emmanuel Nassar fala do segundo semestre de 2020, como um renascimento em todos os sentidos, “Estava parado em São Paulo, sem energia criativa, estagnado, não conseguia produzir e hoje tenho certeza que tomei a decisão certa ao voltar a Belém”, conclui Nassar. “Nada mudou na minha forma de trabalhar, ao contrário, eu estou produzindo muito. Parece que as pessoas, durante a pandemia, consumiram mais arte.” surpreende o artista. Em 2021 ele completou 1 ano morando aqui em Belém. “Estou feliz e mais próximo do meu público. Transformei minha sala em espaço para troca de ideias e também tenho feito lives do meu processo criativo.
Um “case” de sucesso
Primeiro nasceu o engenheiro, depois o arquiteto e finalmente o redator publicitário que criou o artista Emmanuel Nassar, hoje também referenciado como um “autêntico artista brasileiro” ou também, como o “Mestre da Gambiarra''.
Foi o jovem publicitário aos 19 anos que criou o conceito do artista e suas famosas iniciais E e N que assinam suas obras desde 1985. Da primeira exposição coletiva na Galeria Angelus do Theatro da Paz, a contemporaneidade das obras de Emmanuel Nassar encontrou público, voz e representatividade. Atualmente, a sua grife se tornou tão desejada que alcançou as paredes dos mais importantes museus brasileiros e das residências de vários colecionadores. “Eu tenho consciência de que o meu conceito é altamente desejável em um determinado mercado de arte no Brasil. Eu tenho consciência de que me tornei uma marca”, pontua Nassar.
Saiba onde encontrar as obras de Emmanuel Nassar:
BELÉM
MABE (Acervo da Prefeitura)
MAP (Sistema de Museus do Estado do Pará)
Brasil
Pinacoteca de São Paulo
MAM SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo
MAM RJ- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
MAR - Museu de Arte do Rio
MAMM - Museu de Arte Murilo Mendes de Juiz de Fora MG
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
MAC - USP
Obs: Boa parte do acervo de Emmanuel Nassar está espalhada pelo mundo nas mãos de colecionadores de arte.
Fonte: Portal Liv, "Emmanuel Nassar", publicado em 22 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.
Crédito fotográfico: Instagram do artista, @emmanuelnassar, publicado em 27 de dezembro de 2021. Consultado pela última vez em 6 de outubro de 2022.