Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980. Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinasse estética, funcionalidade e acessibilidade, esses princípios o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Suas peças estão em residências e ambientes corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade. Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
Biografia Fernando Jaeger | Arremate Arte
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Sua carreira completa mais de quatro décadas e é marcada pela fusão entre o design industrial e a marcenaria artesanal. Criado em um ambiente de recursos limitados, Jaeger desenvolveu desde cedo uma sensibilidade para o aproveitamento máximo dos materiais disponíveis, uma característica que se tornaria central em sua abordagem ao design. Ele se mudou para o Rio de Janeiro na juventude com o objetivo inicial de estudar medicina, mas rapidamente mudou seu foco para o Desenho Industrial ao descobrir sua verdadeira paixão. Formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, uma decisão que redefiniu sua trajetória e o levou a se tornar um dos nomes mais importantes do design de mobiliário no Brasil.
Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinassem estética, funcionalidade e acessibilidade. Essa filosofia o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Ao longo dos anos, Jaeger trabalhou com pequenos fabricantes em várias regiões do Brasil, desde Rondônia até o Rio Grande do Sul, formando parcerias duradouras que lhe permitiram expandir sua produção e manter um padrão elevado de qualidade artesanal em suas peças.
Um dos marcos em sua carreira foi a inauguração de seu primeiro showroom em 1994, em São Paulo, um espaço que não apenas comercializava suas criações, mas também oferecia aos clientes uma nova experiência em design de mobiliário. Ao longo dos anos, Jaeger expandiu sua presença com outros showrooms, sempre focando na criação de produtos que refletem a essência do design brasileiro. Sua marca se tornou sinônimo de inovação e tradição, com móveis que são atemporais e que se destacam por sua durabilidade e apelo visual. A influência de Jaeger no design de interiores brasileiro é profunda, e suas peças são frequentemente vistas em ambientes residenciais e corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade.
Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Ele sempre manteve uma postura curiosa e experimental, explorando novos materiais e técnicas que pudessem ser incorporados em suas criações. Essa abordagem multidisciplinar permitiu que sua marca se mantivesse relevante e em constante evolução, respondendo às mudanças nas tendências de design e às demandas do mercado. Sua capacidade de inovar e, ao mesmo tempo, preservar uma identidade artística coesa é uma das razões pelas quais ele é amplamente respeitado na indústria do design.
Fernando Jaeger continua criando próximo à equipe de design e fornecedores para garantir que suas peças mantenham a qualidade e o estilo que se tornaram sua marca registrada. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
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Fernando Jaeger | Wikipédia
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, 1956) é um designer e empresário brasileiro.
Formação acadêmica
De família alemã, Fernando Jaeger é natural de Santa Cruz do Sul, cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiropara prestar vestibular para o curso de Medicina. Porém, mudou completamente de área e formou-se no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1980.
Estilo e consolidação
Entre as características do trabalho de Fernando está a busca por uma acessibilidade financeira dos móveis assinados por ele, pensamento herdado de sua formação na UFRJ. Seu trabalho é destacado pelo uso de madeira e marcenaria fina. Seus destaques estão na confecção de mesas e cadeiras. Como freelancer assinou trabalhos para marcas como a Tok&Stok. Tornou-se empresário, para poder produzir suas próprias peças. Possui lojas em São Paulo, no bairro da Pompeia e em Moema - dois bairros nobres da capital paulistana - e no Rio de Janeiro, no Jardim Botânico.
É considerado um dos principais nomes atualmente do design brasileiro e seu trabalho possui uma forte capilaridade na imprensa brasileira e nos círculos de discussão do design. Adjunto de todo esse reconhecimento, assinou algumas peças que integravam a mobília de alguns dos cenários da novela Insensato Coração, exibida pela Rede Globo em horário nobre e que foi protagonizado por Paolla Oliveira, Gabriel Braga Nunes e Eriberto Leão.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
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Uma proposta atemporal | Site Oficial Fernando Jaeger
Fernando Jaeger inaugurou seu primeiro showroom em 1994 para atender a uma necessidade e uma vocação: ter um espaço próprio para comercializar seus produtos de forma exclusiva e oferecer às pessoas uma nova experiência em design de mobiliário. Uma experiência orientada pela produção nacional, pela valorização das matérias-primas e que fosse acessível ao público, tanto pela forma e função quanto pelo custo-benefício.
Mais de 30 anos depois, a essência de seu trabalho continua a mesma, expressa não apenas em traços, desenhos e projetos, mas também no jeito de produzi-los e executá-los. Por isso é difícil datar seus produtos no tempo ou prendê-los a tendências de época. Há móveis clássicos, que estão em produção há muitos anos, e novas peças que estão sempre saindo do papel. Um pouco de tudo. E muito do que ele foi e é até hoje. De sua permanente busca pelo contraponto entre o antigo e o contemporâneo para tornar seu trabalho atemporal.
O Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades – e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
A Empresa
Ao longo dos anos, o primeiro showroom mudou de endereço e outros quatro foram abertos. O negócio cresceu e se profissionalizou. A criação ganhou um estúdio próprio e novos designers. De lá, saem projetos que alimentam uma linha que se renova a cada ano e hoje conta com mais de 250 produtos.
Fernando continua à frente da criação, buscando novos usos e possibilidades para seus projetos, trabalhando sempre próximo da equipe, dos fornecedores e, principalmente, da família. Um núcleo que compartilha ideias, experiências e responsabilidades. Que o apoia no dia a dia do negócio e conta com a ajuda de mais de 80 funcionários nas áreas administrativas, operacionais e de criação da empresa.
Além das peças de mobiliário para casas e ambientes corporativos, essa equipe desenvolve também uma variedade de acessórios que vão de tapetes com desenhos exclusivos a tábuas de madeira para a cozinha. Há almofadas, cabideiros e luminárias. Cestos e sacolas são feitos e pensados para reaproveitar sobras de materiais. Criam-se novas cores de tintas, tecidos e acabamentos. Cuida-se, enfim, de cada detalhe.
Ou, como traduziu um cliente em pura metáfora: “o Fernando tem a chave da nossa casa”. A nossa está sempre aberta. É só entrar e se aconchegar.
Fonte: Site Oficial. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Conheça o olhar mágico do designer de móveis Fernando Jaeger | Forbes
Fernando Jaeger carrega a sustentabilidade no olhar, desde sempre. Prestes a celebrar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro no segundo semestre, o designer gaúcho de 64 anos cria parte de seus mobiliários no simples observar de sobras de uma fábrica de móveis. Restos de madeira cortados, tiras de tecido amontoadas na estante, peças esquecidas em cantos improváveis que se transformam em bancos, pufes e outros produtos entre mais de 250 comercializados em suas cinco lojas (São Paulo e Rio de Janeiro) – claro que só alguns itens nascem dessa observação despretensiosa na visita aos fornecedores. O que todos seus sofás, poltronas, mesas, cadeiras, tapetes e aparadores não sabem é que eles estiveram perto de não existir. Fernando estava no Rio de Janeiro decidido a cursar medicina, era inclusive essa a expectativa da família em Santa Cruz do Sul (150 km a oeste de Porto Alegre) – para ser motivo de orgulho, eram duas opções: ser médico ou gerente do Banco do Brasil. Foi então que ele soube que existia um curso de design industrial – e não titubeou ao preencher o formulário do vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com a bagagem de quem passou a vida em escola pública, Fernando conseguiu uma das 30 vagas disponíveis. O homem que viria a se transformar em um dos designers de móveis mais consagrados do país foi uma decepção para a família, que nem sabia o que era aquele negócio que ele iria estudar por cinco anos. Hoje, ele vive em São Paulo, ao lado da arquiteta Yáskara – e, se a marca FJ tivesse três letras, certamente a terceira seria Y, graças à efetiva participação dessa paulista de Penápolis na escalada de sucesso de Fernando Jaeger. Além de sócia e parceira de vida, ela faz a direção de criação das estampas, desenha os tapetes, escolhe tecidos, cores e acabamentos das peças projetadas pelo marido, além da ambientação e decoração das lojas. O casal, que se conheceu durante os estudos no Rio de Janeiro, mora com o filho caçula Theo, artista plástico de 24 anos. Os filhos mais velhos (Felipe, de 36 anos, e Marina, de 32) não moram na mesma casa na Vila Pompeia, onde estão desde 1996, mas trabalham na empresa familiar. O lar também conta com a presença dos cães Akira (da raça shiba inu) e Max (spitz alemão). A seguir, trechos da entrevista virtual com Fernando, que, se tivesse sido feita em dias normais, aconteceria no quintal de 700 metros quadrados, onde ele adora cozinhar e cuidar do jardim, com árvores, plantas, horta de temperos – uma floresta, nas palavras do dono.
Fernando Jaeger: Desde pequeno, sempre desenhei muito. Bastava um lápis e um papel para me fazer voar… Era uma forma de expressão – e de sonho. O fato é que eu já fazia design de produto, pois desenhava moto, mandava para revista especializada para conseguir estágio, mas não tinha a menor ideia do que era design. Também era louco por avião, queria ser piloto, mas não consegui passar no exame. As pessoas falavam que eu deveria fazer arquitetura, mas não queria desenhar casa e prédio… Então, como gostava de ciência, botânica, zoologia, e medicina era uma carreira respeitada, cheguei ao Rio de Janeiro com isso em mente. Daí, descobri o curso de desenho industrial – mudei na hora.
F: Como foi o começo da vida em Santa Cruz do Sul?
FJ: Meu pai era eletricista autônomo e, ainda jovem, teve um AVC, ficou impossibilitado de trabalhar. Minha mãe faleceu quando eu ainda era bebê, tinha 1 ano e meio. Fui criado pela minha madrasta. Passamos perrengue. Só não passamos fome porque era casa própria, tinha galinheiro, horta, pomar. Mas andei de sapato furado, e só tinha um casaco. Ganhava roupas usadas. Foi uma infância típica de cidade do interior: muita brincadeira na rua, banho de rio, fogueira de São João, subir em árvores para apanhar frutas e soltar pandorgas (como se chamam as pipas no Rio Grande do Sul). É uma cidade fundada por imigrantes alemães, como grande parte da minha família. Há racionalidade do uso, não desperdiçar, ser empreendedor. No Sul, as pessoas têm coragem, são destemidas. Em outras partes do Brasil, sinto o freio de mão mais puxado.
F: Até que idade ficou na cidade? Por que saiu?
FJ: Até os 18 anos, quando concluí o Científico, o equivalente ao ensino médio atual. Em cidade do interior, não tem muita oportunidade. Lá, era produção de tabaco. Com 16, consegui uma vaga para trabalhar como auxiliar de escritório numa loja de ferragens, mas até para isso você precisa de alguém conhecido para indicar. Quando surgiu a oportunidade de morar com meu irmão que estava no Rio de Janeiro, catei minhas coisas e fui embora. Fiquei no Rio de 1975 a 1983.
F: Foi na faculdade que decidiu seguir como designer de móveis?
FJ: A faculdade me deu uma visão mais social do design. Projetar equipamento urbano para população. Tanto que me identifiquei muito com Lina Bo Bardi [1914-1992], quando mudei para São Paulo, e o primeiro lugar que eu e minha mulher visitamos foi o Sesc Pompeia. Como Lina é genial, uma arquiteta para o público em geral, do mais pobre ao mais rico, sem ser elitista. Essa noção foi importante na faculdade. Sobre ser designer de móveis, não tinha essa expectativa durante o curso. Mas, logo que me formei, uma semana depois, surgiu um anúncio no JB [Jornal do Brasil] de uma empresa de móveis procurando um designer. Fui lá e, por incrível que pareça, consegui a vaga.
F: Qual foi o primeiro emprego na área?
FJ: Consegui emprego na Phenix, uma indústria que estava em formação no subúrbio do Rio de Janeiro, o dono da empresa tinha uma loja de colchões, herdada do pai. Vivíamos numa ditadura, os móveis eram clássicos, coloniais… Mas a coisa estava começando a aliviar, então, apareceram novas lojas, entre elas a Tok Stok, com móveis coloridos e de madeira clara. Foi um sopro de novidades. O dono da empresa onde consegui o emprego teve uma visão bacana, queria ter a linha dele. Eu era absolutamente inexperiente, ele perguntou para mim se entendia de móveis, disse que não, mas que iria pesquisar… Mais para frente perguntei por que me contratou e ele disse que tinha gostado muito da minha sinceridade. Não sou místico, mas a providência se move quando você tem uma vontade, um objetivo.
F: Qual foi a primeira peça que você fez?
FJ: Foi toda uma linha de móveis tubulares coloridos, com madeira clara, que era a tendência. A linha foi lançada com a grife Pierre Cardin. Essa experiência, de trabalhar dentro de uma indústria, cuidando de todos os processos, norteou minha carreira de designer, com foco na produção industrial seriada. Fiquei dois anos e oito meses nessa empresa.
F: Foi daí que veio para São Paulo?
FJ: Sim. Saí da Phenix e vim para São Paulo trabalhar na Freudenberg, uma empresa alemã que abastecia indústrias moveleiras com matérias-primas provenientes de reflorestamento. Madeira de pinus, sustentável, mas, na época, nem se falava em sustentabilidade. Graças a ela, conheci todos os grandes centros moveleiros do Brasil. A Serra Gaúcha; São Bento do Sul, em Santa Catarina; Mirassol e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo… Pude constatar que, apesar de muitas indústrias serem enormes e bem equipadas, elas não tinham nenhuma cultura do design. Produziam cópias de desenho pobre, repetitivo e de mau gosto. Por outro lado, estava surgindo um varejo focado em design contemporâneo, ávido por novos produtos e fornecedores. Daí tive a ideia de, em vez de vender projetos para as indústrias – que não os valorizavam –, fazer um trabalho mais complexo, compreendendo o projeto, a implantação em fábricas e a colocação no mercado, fechando todo o ciclo. Pedi demissão depois de um ano, meu pai e meu sogro falaram que eu era louco, mas o ambiente estava estranho… A empresa foi vendida após dois meses. Saí na hora certa. Eu desenvolvi o meu design por cerca de 15 anos. A Cama Patente e o Sofá Chesterfield foram as primeiras peças e depois vieram várias outras, totalizando 65 modelos em linha. Meu primeiro “mini” show room foi numa casa geminada na rua Cotoxó, no ano de 1994.
F: Como funciona seu processo criativo?
FJ: Tem vezes que estou folhando uma revista, vejo uma coisa e penso em outra. Faço croquis, mas não uso cadernos, que isso me trava. Pego papel reciclado já usado, uso o verso, desenho a lápis. É meu lado ger-mânico. Algumas ficam ali, numa pasta, maturando. Outras já rolam de cara. Há também as peças que crio dependendo da demanda das lojas – de repente, o briefing mercadológico é que precisamos pensar em um sofá novo. Estamos atentos ao que é mais tendência, mas não ligo para modismo. Ou a gente [Fernando e Yáskara] pega o carro, coisa que adoramos, vamos até o Sul, parando, entrando nas fábricas, vendo sobras de madeira que vão ser queimadas. Já bolei peças nas fábricas.
F: Quais são suas principais referências no design?
FJ: Bauhaus [escola alemã de arte vanguardista] é a mais antiga, da década de 1920. Depois, tem os nórdicos dos anos 1940 e 1950, Finn Juhl [dinamarquês, 1912-1989], Hans Wegner [dinamarquês, 1914-2007] e o casal [norte-americano] Charles Eames [1907-1978] e Ray [Kaiser Eames, 1912-1988, criadores de peças icônicas como a Eames Lounge Chair] – costumo dizer que eu e Yáskara somos uma reedição brasileira dos dois. Eu me identifico muito com os nórdicos, pois eles têm a síntese do design, são muito depurados – não gosto de pôr um douradinho aqui, um couro ali, só pra valorizar o que é ruim na essência. O bom design é aquele bem depurado. Entre os brasileiros, Sérgio Rodrigues [carioca, 1927-2014], que era muito gente boa, não era estrela e que conheço da época da Phenix, pois ele fez o estande dos móveis Pierre Cardin para o lançamento no Anhembi.
F: Na caminhada de 40 anos de trabalho, quais são seus produtos mais emblemáticos?
FJ: Produtos de bom design atravessam o tempo. Um exemplo é a Cadeira e a Poltrona de Spaghetti, que têm a idade da minha filha, desenhei em 1989, elas estão em linha desde então, e sempre vendeu muito bem. Outro destaque é a Poltrona Zé: sofisticada e de difícil execução. Mas nunca desenhei uma peça e depois saí atrás de alguém para produzir. Sempre faço uma coisa sabendo quem vai fazer. Conheço os maquinários, sei o que é possível. Meu design é muito racional, já é direcionado desde o início. A criação da Mesa Saturno também está ligada a um fornecedor que conheci há mais dez anos e tinha uma máquina com comando eletrônico para cortar as elipses em diversos tamanhos. Temos também exemplos de móveis criados para a nossa casa e que entraram na linha de produção, como a Poltrona Astor. Outros exemplos de peças que nasceram de sobras de madeira de laminação são a Mesa Paralelo e o Sofá Gávea. Com a cadeira Ox, de assento de couro de vaca e madeira de eucalipto – ainda inédita na produção de móveis seriados –, ganhei o prêmio Movesp Ibama, em 1992, como melhor produto com madeiras alternativas.
F: Quais são seus outros interesses além do trabalho?
FJ: Tenho academia no quintal, malho, faço jardinagem, que é um exercício bom, vou mexer nas plantas, faço um monte de coisa e parece que não fiz nada! [risos] Gosto de cozinhar, fazer pizza e churrasco no quintal de casa, beber um bom vinho. Yáskara também gosta de cozinhar. Adoramos viajar, dentro e fora do Brasil. Há dois anos compramos uma das casas mais antigas na parte alta do condomínio Outeiro das Brisas, na Bahia [praia vizinha à do Espelho]. Já fomos muito para a Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres [Alagoas]. Na América do Sul, acho que nunca tirei tanta foto como no Deserto de Atacama [norte do Chile] – ficamos no hotel explora. Na Europa, gostamos muito da Itália, já fomos várias vezes. Na África, fazer safári em jipes abertos é demais – estivemos na África do Sul. Agora, queremos ir à Patagônia, visitar Torres del Paine [extremo sul do Chile]. Quando for possível voltar a viver como se deve.
Fonte: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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"Fernando Jaeger — Quatro décadas de design" | Revista Use
Será lançado em São Paulo no próximo dia 16/11 o livro “Fernando Jaeger — quatro décadas de design”. Editada pela Monolito, a obra contempla quatro décadas da obra do designer brasileiro de móveis Fernando Jaeger, com histórias que envolvem sua trajetória, mas que também ultrapassam a figura do criador e apresentam a participação dos profissionais que dividem a direção da empresa e a execução dos projetos.
Da infância no interior do Rio Grande do Sul, passando pela graduação em Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nos anos 1980 até a abertura das suas lojas, o livro destaca a pesquisa e a proximidade com a indústria que marcam o trabalho do designer, um raro exemplo de conciliação entre design acessível e autoral.
O livro é dividido em quatro artigos. Maria Cecília Loschiavo dos Santos, importante pesquisadora do setor, escreve sobre a trajetória de Jaeger, que acompanha até mesmo como consumidora. Marili Brandão, que, como curadora, expôs peças de Jaeger há mais de 20 anos, detalha a relação delas com a sustentabilidade e o envolvimento de Yáskara Idemori Jaeger, companheira e sócia de Fernando Jaeger e diretora criativa da marca, desde a estruturação do negócio até seu olhar e a aproximação com o artesanato. O português Frederico Duarte relembra a participação do autor brasileiro numa exposição em Lisboa, da qual foi curador. Por fim, o editor desta publicação, Fernando Serapião, traçou um perfil profissional do designer.
Os textos estão envolvidos por um ensaio visual com fotos de Felipe Jaeger e design gráfico de Zé Renato Maia; este último, o diretor de arte que acompanha, há mais de uma década, Fernando Jaeger.
Sobre o Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades — e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
Hoje, de norte a sul do país, mais de 15 indústrias atuam diretamente com o designer. Fernando possui cinco lojas: quatro em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. As lojas estão divididas em duas linhas: Fernando Jaeger Atelier e FJ — Pronto pra levar! Na primeira, Fernando Jaeger Atelier, é onde o cliente pode participar da concepção da sua peça — escolhendo os acabamentos, as medidas e os tecidos. Já a segunda, FJ — pronto pra levar, é uma linha mais jovem e, como o próprio nome já diz, reúne peças prontas para levar para casa, literalmente! São, portanto, duas potências que possuem em conjunto um acervo de quase 300 produtos (entre móveis e acessórios). Há modelos clássicos, que há anos continuam em produção, e novos surgindo a cada dia. Fernando Jaeger traça sempre um contraponto entre o antigo e o contemporâneo, tornando assim sua assinatura atemporal.
FJ – Pronto pra Levar!
Fernando Jaeger criou uma linha diversa e exclusiva de mobiliário para pronta entrega, desenvolvida especialmente para as lojas da marca FJ | Pronto para levar. Uma coleção inspirada no dia a dia das pessoas e nas várias possibilidades de combinação entre cores, texturas e diferentes materiais. São peças de dimensões menores, que se encaixam nas novas formas de morar, com um espírito mais jovem e descolado.
Fernando Jaeger Atelier
A coleção Fernando Jaeger Atelier valoriza a madeira e o trabalho de marcenaria fina, atenta aos detalhes e presente no todo. Uma proposta que revela o interesse pela arte dos mestres marceneiros e traz o olhar autoral do designer para a produção em série, conferindo expressão e identidade ao móvel. Nas lojas Atelier, Fernando explora o conhecimento que acumulou ao longo de 39 anos pesquisando as diferentes aplicações da madeira. Uma busca que o levou ao interior de diversas regiões do país e deu origem a um modelo de produção 100% nacional. O resultado é uma linha variada de móveis feitos sob encomenda, que podem ser customizados pelo cliente a partir da escolha da madeira e do tecido que será utilizado. Uma proposta que atravessa o tempo e não se prende a tendências e estilos. Que abre espaço para as suas preferências e deixa a sua casa com o seu jeito de ser.
Fonte: Revista Use. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Quem é Fernando Jaeger, designer que une popular e luxuoso em móveis duráveis | Folha de São Paulo
Designer conhecido por seus móveis que unem o desenho industrial com o artesanato, Fernando acaba de completar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro sobre sua trajetória. "Fernando Jaeger: Quatro Décadas de Design" recupera, em mais de 350 páginas, quatro textos críticos e dezenas de fotos de produtos, o histórico desse gaúcho que caiu no gosto das classes médias paulistana e carioca pelo cuidado no desenho das peças e preço relativamente acessível.
Junto a nomes como Jaqueline Terpins, Carlos Motta e os irmãos Campana, Jaeger ajudou a dar a cara do móvel contemporâneo brasileiro, ao pôr nas casas de seus clientes móveis produzidos em série mas com clara preocupação estética.
São mesas, cadeiras, camas, bancos e aparadores de desenho limpo, com pouco ou nenhum ornamento, valorizando assim os materiais de que são feitos, e almofadas e tapetes que resgatam o trabalho feito à mão por tecelões de comunidades no interior do Brasil.
Com peças a meio caminho entre o popular e o luxuoso, sua clientela está interessada em design, mas não necessariamente disposta a gastar dezenas de milhares de reais numa poltrona de Sergio Rodrigues ou num carrinho de chá de Jorge Zalszupin, para lembrar dois nomes do mobiliário moderno que influenciaram Jaeger — as cadeiras de sua marca variam de R$ 650 a R$ 3.540, por exemplo.
A preocupação em ser acessível vem de sua formação superior, quando cursou desenho industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no final dos anos 1970. "A gente tinha uma visão mais social, os professores estimulavam muito para a gente desenhar equipamentos públicos urbanos", ele conta, em entrevista por vídeo.
Junto com outros três colegas, Jaeger ganhou um concurso universitário para o desenho de torres de observação de salva-vidas a serem instaladas nas areias da orla carioca, mas o projeto nunca saiu do papel. Nessa mesma época, ele se aventurou pelo design gráfico, ao criar o logotipo da Fundação Universitária José Bonifácio, filiada à UFRJ, usado pela instituição até hoje.
A guinada para o setor moveleiro veio no início dos anos 1980, quando, recém formado, foi contratado pela empresa Phenix para desenhar uma linha de móveis tubulares. Era uma época em que o design de mobiliário no Brasil "tinha zero importância" e o mercado de trabalho era quase inexistente, diz Yáskara Jaeger, sua companheira de vida e de trabalho.
Durante a ditadura, acrescenta ela, o país era muito fechado e se tinha pouco contato com as tendências de design do exterior. "Eram anos difíceis, de repressão, não tinha incentivo. Nem se falava em design."
Com o fim dos anos de chumbo e a abertura comercial, surgiram lojas de design contemporâneo, mudando o panorama da decoração por aqui —até então, predominavam móveis de estilo colonial ou "poltronas Luís 15, Luís 14, móveis da época do Império", diz Jaeger. Segundo ele, o comércio ascendente foi beneficiado por uma indústria moveleira que dispunha de maquinário adequado à produção seriada. Jaeger credita à Phenix seu aprendizado da parte industrial do design, e à Tok&Stok o conhecimento de como funciona a venda para o consumidor.
Como freelancer, desenhou durante anos dezenas de produtos de forma anônima para a empresa, antes de lançar sua marca própria. A cama Patente, projetada por ele com base na cama em que dormia quando era criança, está em linha na varejista até hoje.
Nos anos 1990, passou a investir em showrooms próprios, em São Paulo, para comercializar sua produção. A clientela aumentou a partir de uma reportagem que o apresentava como destaque da nova geração de designers paulistas.
Anos mais tarde, desenhou uma peça que deu a ele mais projeção e virou um dos clássicos de sua marca — o banco Bienal, com pernas curvadas de aço pintado de preto e assento revestido de tecido em diversas tonalidades, feito sob encomenda para o bar dos 50 anos da Bienal de São Paulo.
Uma das assinaturas do designer é o uso de diversos tipos de madeira, que emprega tanto em sua linha comercial quanto na feita sob medida. Como afirma Marili Brandão no livro, o material é sustentável, familiar ao consumidor e durável. A cadeira Ox, de 1991, foi o primeiro móvel brasileiro de eucalipto a ser produzido em série, o que rendeu a Jaeger um prêmio pelo uso de madeira alternativa.
"A gente se recusa a fazer o descartável, a obsolescência programada, projetar um móvel para durar pouco", afirma Jaeger, acrescentando que sua marca não dispõe de uma marcenaria própria, como muitos outros designers.
Outra peculiaridade de seu trabalho é o uso das cores, como se pode ver em suas lojas em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambientadas por Yáskara como se fossem uma casa. Numa simulação de sala de estar, por exemplo, um sofá em tom de telha com a cara do conforto combina com um tapete de sisal cinza escuro.
Jaeger não gosta de dizer que "vende móveis", mas sim "sensações, estilo de vida, um jeito de morar mais casual".
Fonte: Folha de São Paulo. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Designer Fernando Jaeger comemora 20 anos de Rio | O Globo
Do primeiro apê pequenininho de um jovem à casa de família cheia de espaço, quase sempre há um detalhe em comum: uma peça assinada por Fernando Jaeger. Ele, de fato, conseguiu democratizar o design. O gaúcho de 63 anos, que nasceu em Santa Cruz do Sul, veio para o Rio fazer faculdade (estudou Desenho Industrial na UFRJ) e escolheu São Paulo para morar, ficou famoso por juntar beleza, funcionalidade e sustentabilidade a preços acessíveis. Resultado: um boom de vendas, que quase não sente crises (em 2018, foram vendidas 40 mil peças) e que conquista novos clientes, dos mais variados perfis, a cada lançamento. “Não adianta criar algo lindo e colocar o preço lá em cima. Faço design democrático, essa é a minha filosofia”, conta ele. Avesso ao móvel de vitrine, Fernando gosta de ver os seus sendo usados, fazendo parte de histórias. São cerca de 25 peças novas por ano, um catálogo que soma 280 produtos em linha a preços que vão de R$ 229 (cadeira Mini Spaghetti da Pronto para Levar) a R$ 37.310 (sofá Biggy, estofado em veludo, do Atelier).
A primeira loja que Jaeger abriu foi em São Paulo, mas três anos depois já fincava o pé no Rio, cidade que batiza várias de suas peças. Este ano, ele comemora duas décadas de endereço carioca e segue entusiasmado em levar o espírito e as formas da cidade para seu trabalho. Há série inspirada em Copacabana e na Gávea, por exemplo. “A poltrona Zé também é a cara do Rio. Ela tem um visual leve e descontraído bem carioca”, diz ele.
Nos 20 anos em que a marca está por aqui, a maior parte deles foi em um casarão no Jardim Botânico, agora reduto tanto das coleções sob encomenda quanto da prêt-à-porter. Foi ali que ele lançou sua primeira experiência usando mármores, que acaba de virar uma coleção de bancos, aparadores e mesas. “O Brasil tem a maior quantidade de rochas ornamentais do mundo. Só que exporta grande parte delas”, diz Jaeger, frisando: “Temos que valorizar o que é daqui. Minha produção é totalmente nacional.”
Fonte: O Globo. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980. Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinasse estética, funcionalidade e acessibilidade, esses princípios o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Suas peças estão em residências e ambientes corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade. Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
Biografia Fernando Jaeger | Arremate Arte
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Sua carreira completa mais de quatro décadas e é marcada pela fusão entre o design industrial e a marcenaria artesanal. Criado em um ambiente de recursos limitados, Jaeger desenvolveu desde cedo uma sensibilidade para o aproveitamento máximo dos materiais disponíveis, uma característica que se tornaria central em sua abordagem ao design. Ele se mudou para o Rio de Janeiro na juventude com o objetivo inicial de estudar medicina, mas rapidamente mudou seu foco para o Desenho Industrial ao descobrir sua verdadeira paixão. Formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, uma decisão que redefiniu sua trajetória e o levou a se tornar um dos nomes mais importantes do design de mobiliário no Brasil.
Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinassem estética, funcionalidade e acessibilidade. Essa filosofia o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Ao longo dos anos, Jaeger trabalhou com pequenos fabricantes em várias regiões do Brasil, desde Rondônia até o Rio Grande do Sul, formando parcerias duradouras que lhe permitiram expandir sua produção e manter um padrão elevado de qualidade artesanal em suas peças.
Um dos marcos em sua carreira foi a inauguração de seu primeiro showroom em 1994, em São Paulo, um espaço que não apenas comercializava suas criações, mas também oferecia aos clientes uma nova experiência em design de mobiliário. Ao longo dos anos, Jaeger expandiu sua presença com outros showrooms, sempre focando na criação de produtos que refletem a essência do design brasileiro. Sua marca se tornou sinônimo de inovação e tradição, com móveis que são atemporais e que se destacam por sua durabilidade e apelo visual. A influência de Jaeger no design de interiores brasileiro é profunda, e suas peças são frequentemente vistas em ambientes residenciais e corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade.
Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Ele sempre manteve uma postura curiosa e experimental, explorando novos materiais e técnicas que pudessem ser incorporados em suas criações. Essa abordagem multidisciplinar permitiu que sua marca se mantivesse relevante e em constante evolução, respondendo às mudanças nas tendências de design e às demandas do mercado. Sua capacidade de inovar e, ao mesmo tempo, preservar uma identidade artística coesa é uma das razões pelas quais ele é amplamente respeitado na indústria do design.
Fernando Jaeger continua criando próximo à equipe de design e fornecedores para garantir que suas peças mantenham a qualidade e o estilo que se tornaram sua marca registrada. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
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Fernando Jaeger | Wikipédia
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, 1956) é um designer e empresário brasileiro.
Formação acadêmica
De família alemã, Fernando Jaeger é natural de Santa Cruz do Sul, cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiropara prestar vestibular para o curso de Medicina. Porém, mudou completamente de área e formou-se no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1980.
Estilo e consolidação
Entre as características do trabalho de Fernando está a busca por uma acessibilidade financeira dos móveis assinados por ele, pensamento herdado de sua formação na UFRJ. Seu trabalho é destacado pelo uso de madeira e marcenaria fina. Seus destaques estão na confecção de mesas e cadeiras. Como freelancer assinou trabalhos para marcas como a Tok&Stok. Tornou-se empresário, para poder produzir suas próprias peças. Possui lojas em São Paulo, no bairro da Pompeia e em Moema - dois bairros nobres da capital paulistana - e no Rio de Janeiro, no Jardim Botânico.
É considerado um dos principais nomes atualmente do design brasileiro e seu trabalho possui uma forte capilaridade na imprensa brasileira e nos círculos de discussão do design. Adjunto de todo esse reconhecimento, assinou algumas peças que integravam a mobília de alguns dos cenários da novela Insensato Coração, exibida pela Rede Globo em horário nobre e que foi protagonizado por Paolla Oliveira, Gabriel Braga Nunes e Eriberto Leão.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
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Uma proposta atemporal | Site Oficial Fernando Jaeger
Fernando Jaeger inaugurou seu primeiro showroom em 1994 para atender a uma necessidade e uma vocação: ter um espaço próprio para comercializar seus produtos de forma exclusiva e oferecer às pessoas uma nova experiência em design de mobiliário. Uma experiência orientada pela produção nacional, pela valorização das matérias-primas e que fosse acessível ao público, tanto pela forma e função quanto pelo custo-benefício.
Mais de 30 anos depois, a essência de seu trabalho continua a mesma, expressa não apenas em traços, desenhos e projetos, mas também no jeito de produzi-los e executá-los. Por isso é difícil datar seus produtos no tempo ou prendê-los a tendências de época. Há móveis clássicos, que estão em produção há muitos anos, e novas peças que estão sempre saindo do papel. Um pouco de tudo. E muito do que ele foi e é até hoje. De sua permanente busca pelo contraponto entre o antigo e o contemporâneo para tornar seu trabalho atemporal.
O Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades – e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
A Empresa
Ao longo dos anos, o primeiro showroom mudou de endereço e outros quatro foram abertos. O negócio cresceu e se profissionalizou. A criação ganhou um estúdio próprio e novos designers. De lá, saem projetos que alimentam uma linha que se renova a cada ano e hoje conta com mais de 250 produtos.
Fernando continua à frente da criação, buscando novos usos e possibilidades para seus projetos, trabalhando sempre próximo da equipe, dos fornecedores e, principalmente, da família. Um núcleo que compartilha ideias, experiências e responsabilidades. Que o apoia no dia a dia do negócio e conta com a ajuda de mais de 80 funcionários nas áreas administrativas, operacionais e de criação da empresa.
Além das peças de mobiliário para casas e ambientes corporativos, essa equipe desenvolve também uma variedade de acessórios que vão de tapetes com desenhos exclusivos a tábuas de madeira para a cozinha. Há almofadas, cabideiros e luminárias. Cestos e sacolas são feitos e pensados para reaproveitar sobras de materiais. Criam-se novas cores de tintas, tecidos e acabamentos. Cuida-se, enfim, de cada detalhe.
Ou, como traduziu um cliente em pura metáfora: “o Fernando tem a chave da nossa casa”. A nossa está sempre aberta. É só entrar e se aconchegar.
Fonte: Site Oficial. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Conheça o olhar mágico do designer de móveis Fernando Jaeger | Forbes
Fernando Jaeger carrega a sustentabilidade no olhar, desde sempre. Prestes a celebrar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro no segundo semestre, o designer gaúcho de 64 anos cria parte de seus mobiliários no simples observar de sobras de uma fábrica de móveis. Restos de madeira cortados, tiras de tecido amontoadas na estante, peças esquecidas em cantos improváveis que se transformam em bancos, pufes e outros produtos entre mais de 250 comercializados em suas cinco lojas (São Paulo e Rio de Janeiro) – claro que só alguns itens nascem dessa observação despretensiosa na visita aos fornecedores. O que todos seus sofás, poltronas, mesas, cadeiras, tapetes e aparadores não sabem é que eles estiveram perto de não existir. Fernando estava no Rio de Janeiro decidido a cursar medicina, era inclusive essa a expectativa da família em Santa Cruz do Sul (150 km a oeste de Porto Alegre) – para ser motivo de orgulho, eram duas opções: ser médico ou gerente do Banco do Brasil. Foi então que ele soube que existia um curso de design industrial – e não titubeou ao preencher o formulário do vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com a bagagem de quem passou a vida em escola pública, Fernando conseguiu uma das 30 vagas disponíveis. O homem que viria a se transformar em um dos designers de móveis mais consagrados do país foi uma decepção para a família, que nem sabia o que era aquele negócio que ele iria estudar por cinco anos. Hoje, ele vive em São Paulo, ao lado da arquiteta Yáskara – e, se a marca FJ tivesse três letras, certamente a terceira seria Y, graças à efetiva participação dessa paulista de Penápolis na escalada de sucesso de Fernando Jaeger. Além de sócia e parceira de vida, ela faz a direção de criação das estampas, desenha os tapetes, escolhe tecidos, cores e acabamentos das peças projetadas pelo marido, além da ambientação e decoração das lojas. O casal, que se conheceu durante os estudos no Rio de Janeiro, mora com o filho caçula Theo, artista plástico de 24 anos. Os filhos mais velhos (Felipe, de 36 anos, e Marina, de 32) não moram na mesma casa na Vila Pompeia, onde estão desde 1996, mas trabalham na empresa familiar. O lar também conta com a presença dos cães Akira (da raça shiba inu) e Max (spitz alemão). A seguir, trechos da entrevista virtual com Fernando, que, se tivesse sido feita em dias normais, aconteceria no quintal de 700 metros quadrados, onde ele adora cozinhar e cuidar do jardim, com árvores, plantas, horta de temperos – uma floresta, nas palavras do dono.
Fernando Jaeger: Desde pequeno, sempre desenhei muito. Bastava um lápis e um papel para me fazer voar… Era uma forma de expressão – e de sonho. O fato é que eu já fazia design de produto, pois desenhava moto, mandava para revista especializada para conseguir estágio, mas não tinha a menor ideia do que era design. Também era louco por avião, queria ser piloto, mas não consegui passar no exame. As pessoas falavam que eu deveria fazer arquitetura, mas não queria desenhar casa e prédio… Então, como gostava de ciência, botânica, zoologia, e medicina era uma carreira respeitada, cheguei ao Rio de Janeiro com isso em mente. Daí, descobri o curso de desenho industrial – mudei na hora.
F: Como foi o começo da vida em Santa Cruz do Sul?
FJ: Meu pai era eletricista autônomo e, ainda jovem, teve um AVC, ficou impossibilitado de trabalhar. Minha mãe faleceu quando eu ainda era bebê, tinha 1 ano e meio. Fui criado pela minha madrasta. Passamos perrengue. Só não passamos fome porque era casa própria, tinha galinheiro, horta, pomar. Mas andei de sapato furado, e só tinha um casaco. Ganhava roupas usadas. Foi uma infância típica de cidade do interior: muita brincadeira na rua, banho de rio, fogueira de São João, subir em árvores para apanhar frutas e soltar pandorgas (como se chamam as pipas no Rio Grande do Sul). É uma cidade fundada por imigrantes alemães, como grande parte da minha família. Há racionalidade do uso, não desperdiçar, ser empreendedor. No Sul, as pessoas têm coragem, são destemidas. Em outras partes do Brasil, sinto o freio de mão mais puxado.
F: Até que idade ficou na cidade? Por que saiu?
FJ: Até os 18 anos, quando concluí o Científico, o equivalente ao ensino médio atual. Em cidade do interior, não tem muita oportunidade. Lá, era produção de tabaco. Com 16, consegui uma vaga para trabalhar como auxiliar de escritório numa loja de ferragens, mas até para isso você precisa de alguém conhecido para indicar. Quando surgiu a oportunidade de morar com meu irmão que estava no Rio de Janeiro, catei minhas coisas e fui embora. Fiquei no Rio de 1975 a 1983.
F: Foi na faculdade que decidiu seguir como designer de móveis?
FJ: A faculdade me deu uma visão mais social do design. Projetar equipamento urbano para população. Tanto que me identifiquei muito com Lina Bo Bardi [1914-1992], quando mudei para São Paulo, e o primeiro lugar que eu e minha mulher visitamos foi o Sesc Pompeia. Como Lina é genial, uma arquiteta para o público em geral, do mais pobre ao mais rico, sem ser elitista. Essa noção foi importante na faculdade. Sobre ser designer de móveis, não tinha essa expectativa durante o curso. Mas, logo que me formei, uma semana depois, surgiu um anúncio no JB [Jornal do Brasil] de uma empresa de móveis procurando um designer. Fui lá e, por incrível que pareça, consegui a vaga.
F: Qual foi o primeiro emprego na área?
FJ: Consegui emprego na Phenix, uma indústria que estava em formação no subúrbio do Rio de Janeiro, o dono da empresa tinha uma loja de colchões, herdada do pai. Vivíamos numa ditadura, os móveis eram clássicos, coloniais… Mas a coisa estava começando a aliviar, então, apareceram novas lojas, entre elas a Tok Stok, com móveis coloridos e de madeira clara. Foi um sopro de novidades. O dono da empresa onde consegui o emprego teve uma visão bacana, queria ter a linha dele. Eu era absolutamente inexperiente, ele perguntou para mim se entendia de móveis, disse que não, mas que iria pesquisar… Mais para frente perguntei por que me contratou e ele disse que tinha gostado muito da minha sinceridade. Não sou místico, mas a providência se move quando você tem uma vontade, um objetivo.
F: Qual foi a primeira peça que você fez?
FJ: Foi toda uma linha de móveis tubulares coloridos, com madeira clara, que era a tendência. A linha foi lançada com a grife Pierre Cardin. Essa experiência, de trabalhar dentro de uma indústria, cuidando de todos os processos, norteou minha carreira de designer, com foco na produção industrial seriada. Fiquei dois anos e oito meses nessa empresa.
F: Foi daí que veio para São Paulo?
FJ: Sim. Saí da Phenix e vim para São Paulo trabalhar na Freudenberg, uma empresa alemã que abastecia indústrias moveleiras com matérias-primas provenientes de reflorestamento. Madeira de pinus, sustentável, mas, na época, nem se falava em sustentabilidade. Graças a ela, conheci todos os grandes centros moveleiros do Brasil. A Serra Gaúcha; São Bento do Sul, em Santa Catarina; Mirassol e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo… Pude constatar que, apesar de muitas indústrias serem enormes e bem equipadas, elas não tinham nenhuma cultura do design. Produziam cópias de desenho pobre, repetitivo e de mau gosto. Por outro lado, estava surgindo um varejo focado em design contemporâneo, ávido por novos produtos e fornecedores. Daí tive a ideia de, em vez de vender projetos para as indústrias – que não os valorizavam –, fazer um trabalho mais complexo, compreendendo o projeto, a implantação em fábricas e a colocação no mercado, fechando todo o ciclo. Pedi demissão depois de um ano, meu pai e meu sogro falaram que eu era louco, mas o ambiente estava estranho… A empresa foi vendida após dois meses. Saí na hora certa. Eu desenvolvi o meu design por cerca de 15 anos. A Cama Patente e o Sofá Chesterfield foram as primeiras peças e depois vieram várias outras, totalizando 65 modelos em linha. Meu primeiro “mini” show room foi numa casa geminada na rua Cotoxó, no ano de 1994.
F: Como funciona seu processo criativo?
FJ: Tem vezes que estou folhando uma revista, vejo uma coisa e penso em outra. Faço croquis, mas não uso cadernos, que isso me trava. Pego papel reciclado já usado, uso o verso, desenho a lápis. É meu lado ger-mânico. Algumas ficam ali, numa pasta, maturando. Outras já rolam de cara. Há também as peças que crio dependendo da demanda das lojas – de repente, o briefing mercadológico é que precisamos pensar em um sofá novo. Estamos atentos ao que é mais tendência, mas não ligo para modismo. Ou a gente [Fernando e Yáskara] pega o carro, coisa que adoramos, vamos até o Sul, parando, entrando nas fábricas, vendo sobras de madeira que vão ser queimadas. Já bolei peças nas fábricas.
F: Quais são suas principais referências no design?
FJ: Bauhaus [escola alemã de arte vanguardista] é a mais antiga, da década de 1920. Depois, tem os nórdicos dos anos 1940 e 1950, Finn Juhl [dinamarquês, 1912-1989], Hans Wegner [dinamarquês, 1914-2007] e o casal [norte-americano] Charles Eames [1907-1978] e Ray [Kaiser Eames, 1912-1988, criadores de peças icônicas como a Eames Lounge Chair] – costumo dizer que eu e Yáskara somos uma reedição brasileira dos dois. Eu me identifico muito com os nórdicos, pois eles têm a síntese do design, são muito depurados – não gosto de pôr um douradinho aqui, um couro ali, só pra valorizar o que é ruim na essência. O bom design é aquele bem depurado. Entre os brasileiros, Sérgio Rodrigues [carioca, 1927-2014], que era muito gente boa, não era estrela e que conheço da época da Phenix, pois ele fez o estande dos móveis Pierre Cardin para o lançamento no Anhembi.
F: Na caminhada de 40 anos de trabalho, quais são seus produtos mais emblemáticos?
FJ: Produtos de bom design atravessam o tempo. Um exemplo é a Cadeira e a Poltrona de Spaghetti, que têm a idade da minha filha, desenhei em 1989, elas estão em linha desde então, e sempre vendeu muito bem. Outro destaque é a Poltrona Zé: sofisticada e de difícil execução. Mas nunca desenhei uma peça e depois saí atrás de alguém para produzir. Sempre faço uma coisa sabendo quem vai fazer. Conheço os maquinários, sei o que é possível. Meu design é muito racional, já é direcionado desde o início. A criação da Mesa Saturno também está ligada a um fornecedor que conheci há mais dez anos e tinha uma máquina com comando eletrônico para cortar as elipses em diversos tamanhos. Temos também exemplos de móveis criados para a nossa casa e que entraram na linha de produção, como a Poltrona Astor. Outros exemplos de peças que nasceram de sobras de madeira de laminação são a Mesa Paralelo e o Sofá Gávea. Com a cadeira Ox, de assento de couro de vaca e madeira de eucalipto – ainda inédita na produção de móveis seriados –, ganhei o prêmio Movesp Ibama, em 1992, como melhor produto com madeiras alternativas.
F: Quais são seus outros interesses além do trabalho?
FJ: Tenho academia no quintal, malho, faço jardinagem, que é um exercício bom, vou mexer nas plantas, faço um monte de coisa e parece que não fiz nada! [risos] Gosto de cozinhar, fazer pizza e churrasco no quintal de casa, beber um bom vinho. Yáskara também gosta de cozinhar. Adoramos viajar, dentro e fora do Brasil. Há dois anos compramos uma das casas mais antigas na parte alta do condomínio Outeiro das Brisas, na Bahia [praia vizinha à do Espelho]. Já fomos muito para a Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres [Alagoas]. Na América do Sul, acho que nunca tirei tanta foto como no Deserto de Atacama [norte do Chile] – ficamos no hotel explora. Na Europa, gostamos muito da Itália, já fomos várias vezes. Na África, fazer safári em jipes abertos é demais – estivemos na África do Sul. Agora, queremos ir à Patagônia, visitar Torres del Paine [extremo sul do Chile]. Quando for possível voltar a viver como se deve.
Fonte: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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"Fernando Jaeger — Quatro décadas de design" | Revista Use
Será lançado em São Paulo no próximo dia 16/11 o livro “Fernando Jaeger — quatro décadas de design”. Editada pela Monolito, a obra contempla quatro décadas da obra do designer brasileiro de móveis Fernando Jaeger, com histórias que envolvem sua trajetória, mas que também ultrapassam a figura do criador e apresentam a participação dos profissionais que dividem a direção da empresa e a execução dos projetos.
Da infância no interior do Rio Grande do Sul, passando pela graduação em Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nos anos 1980 até a abertura das suas lojas, o livro destaca a pesquisa e a proximidade com a indústria que marcam o trabalho do designer, um raro exemplo de conciliação entre design acessível e autoral.
O livro é dividido em quatro artigos. Maria Cecília Loschiavo dos Santos, importante pesquisadora do setor, escreve sobre a trajetória de Jaeger, que acompanha até mesmo como consumidora. Marili Brandão, que, como curadora, expôs peças de Jaeger há mais de 20 anos, detalha a relação delas com a sustentabilidade e o envolvimento de Yáskara Idemori Jaeger, companheira e sócia de Fernando Jaeger e diretora criativa da marca, desde a estruturação do negócio até seu olhar e a aproximação com o artesanato. O português Frederico Duarte relembra a participação do autor brasileiro numa exposição em Lisboa, da qual foi curador. Por fim, o editor desta publicação, Fernando Serapião, traçou um perfil profissional do designer.
Os textos estão envolvidos por um ensaio visual com fotos de Felipe Jaeger e design gráfico de Zé Renato Maia; este último, o diretor de arte que acompanha, há mais de uma década, Fernando Jaeger.
Sobre o Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades — e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
Hoje, de norte a sul do país, mais de 15 indústrias atuam diretamente com o designer. Fernando possui cinco lojas: quatro em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. As lojas estão divididas em duas linhas: Fernando Jaeger Atelier e FJ — Pronto pra levar! Na primeira, Fernando Jaeger Atelier, é onde o cliente pode participar da concepção da sua peça — escolhendo os acabamentos, as medidas e os tecidos. Já a segunda, FJ — pronto pra levar, é uma linha mais jovem e, como o próprio nome já diz, reúne peças prontas para levar para casa, literalmente! São, portanto, duas potências que possuem em conjunto um acervo de quase 300 produtos (entre móveis e acessórios). Há modelos clássicos, que há anos continuam em produção, e novos surgindo a cada dia. Fernando Jaeger traça sempre um contraponto entre o antigo e o contemporâneo, tornando assim sua assinatura atemporal.
FJ – Pronto pra Levar!
Fernando Jaeger criou uma linha diversa e exclusiva de mobiliário para pronta entrega, desenvolvida especialmente para as lojas da marca FJ | Pronto para levar. Uma coleção inspirada no dia a dia das pessoas e nas várias possibilidades de combinação entre cores, texturas e diferentes materiais. São peças de dimensões menores, que se encaixam nas novas formas de morar, com um espírito mais jovem e descolado.
Fernando Jaeger Atelier
A coleção Fernando Jaeger Atelier valoriza a madeira e o trabalho de marcenaria fina, atenta aos detalhes e presente no todo. Uma proposta que revela o interesse pela arte dos mestres marceneiros e traz o olhar autoral do designer para a produção em série, conferindo expressão e identidade ao móvel. Nas lojas Atelier, Fernando explora o conhecimento que acumulou ao longo de 39 anos pesquisando as diferentes aplicações da madeira. Uma busca que o levou ao interior de diversas regiões do país e deu origem a um modelo de produção 100% nacional. O resultado é uma linha variada de móveis feitos sob encomenda, que podem ser customizados pelo cliente a partir da escolha da madeira e do tecido que será utilizado. Uma proposta que atravessa o tempo e não se prende a tendências e estilos. Que abre espaço para as suas preferências e deixa a sua casa com o seu jeito de ser.
Fonte: Revista Use. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Quem é Fernando Jaeger, designer que une popular e luxuoso em móveis duráveis | Folha de São Paulo
Designer conhecido por seus móveis que unem o desenho industrial com o artesanato, Fernando acaba de completar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro sobre sua trajetória. "Fernando Jaeger: Quatro Décadas de Design" recupera, em mais de 350 páginas, quatro textos críticos e dezenas de fotos de produtos, o histórico desse gaúcho que caiu no gosto das classes médias paulistana e carioca pelo cuidado no desenho das peças e preço relativamente acessível.
Junto a nomes como Jaqueline Terpins, Carlos Motta e os irmãos Campana, Jaeger ajudou a dar a cara do móvel contemporâneo brasileiro, ao pôr nas casas de seus clientes móveis produzidos em série mas com clara preocupação estética.
São mesas, cadeiras, camas, bancos e aparadores de desenho limpo, com pouco ou nenhum ornamento, valorizando assim os materiais de que são feitos, e almofadas e tapetes que resgatam o trabalho feito à mão por tecelões de comunidades no interior do Brasil.
Com peças a meio caminho entre o popular e o luxuoso, sua clientela está interessada em design, mas não necessariamente disposta a gastar dezenas de milhares de reais numa poltrona de Sergio Rodrigues ou num carrinho de chá de Jorge Zalszupin, para lembrar dois nomes do mobiliário moderno que influenciaram Jaeger — as cadeiras de sua marca variam de R$ 650 a R$ 3.540, por exemplo.
A preocupação em ser acessível vem de sua formação superior, quando cursou desenho industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no final dos anos 1970. "A gente tinha uma visão mais social, os professores estimulavam muito para a gente desenhar equipamentos públicos urbanos", ele conta, em entrevista por vídeo.
Junto com outros três colegas, Jaeger ganhou um concurso universitário para o desenho de torres de observação de salva-vidas a serem instaladas nas areias da orla carioca, mas o projeto nunca saiu do papel. Nessa mesma época, ele se aventurou pelo design gráfico, ao criar o logotipo da Fundação Universitária José Bonifácio, filiada à UFRJ, usado pela instituição até hoje.
A guinada para o setor moveleiro veio no início dos anos 1980, quando, recém formado, foi contratado pela empresa Phenix para desenhar uma linha de móveis tubulares. Era uma época em que o design de mobiliário no Brasil "tinha zero importância" e o mercado de trabalho era quase inexistente, diz Yáskara Jaeger, sua companheira de vida e de trabalho.
Durante a ditadura, acrescenta ela, o país era muito fechado e se tinha pouco contato com as tendências de design do exterior. "Eram anos difíceis, de repressão, não tinha incentivo. Nem se falava em design."
Com o fim dos anos de chumbo e a abertura comercial, surgiram lojas de design contemporâneo, mudando o panorama da decoração por aqui —até então, predominavam móveis de estilo colonial ou "poltronas Luís 15, Luís 14, móveis da época do Império", diz Jaeger. Segundo ele, o comércio ascendente foi beneficiado por uma indústria moveleira que dispunha de maquinário adequado à produção seriada. Jaeger credita à Phenix seu aprendizado da parte industrial do design, e à Tok&Stok o conhecimento de como funciona a venda para o consumidor.
Como freelancer, desenhou durante anos dezenas de produtos de forma anônima para a empresa, antes de lançar sua marca própria. A cama Patente, projetada por ele com base na cama em que dormia quando era criança, está em linha na varejista até hoje.
Nos anos 1990, passou a investir em showrooms próprios, em São Paulo, para comercializar sua produção. A clientela aumentou a partir de uma reportagem que o apresentava como destaque da nova geração de designers paulistas.
Anos mais tarde, desenhou uma peça que deu a ele mais projeção e virou um dos clássicos de sua marca — o banco Bienal, com pernas curvadas de aço pintado de preto e assento revestido de tecido em diversas tonalidades, feito sob encomenda para o bar dos 50 anos da Bienal de São Paulo.
Uma das assinaturas do designer é o uso de diversos tipos de madeira, que emprega tanto em sua linha comercial quanto na feita sob medida. Como afirma Marili Brandão no livro, o material é sustentável, familiar ao consumidor e durável. A cadeira Ox, de 1991, foi o primeiro móvel brasileiro de eucalipto a ser produzido em série, o que rendeu a Jaeger um prêmio pelo uso de madeira alternativa.
"A gente se recusa a fazer o descartável, a obsolescência programada, projetar um móvel para durar pouco", afirma Jaeger, acrescentando que sua marca não dispõe de uma marcenaria própria, como muitos outros designers.
Outra peculiaridade de seu trabalho é o uso das cores, como se pode ver em suas lojas em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambientadas por Yáskara como se fossem uma casa. Numa simulação de sala de estar, por exemplo, um sofá em tom de telha com a cara do conforto combina com um tapete de sisal cinza escuro.
Jaeger não gosta de dizer que "vende móveis", mas sim "sensações, estilo de vida, um jeito de morar mais casual".
Fonte: Folha de São Paulo. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Designer Fernando Jaeger comemora 20 anos de Rio | O Globo
Do primeiro apê pequenininho de um jovem à casa de família cheia de espaço, quase sempre há um detalhe em comum: uma peça assinada por Fernando Jaeger. Ele, de fato, conseguiu democratizar o design. O gaúcho de 63 anos, que nasceu em Santa Cruz do Sul, veio para o Rio fazer faculdade (estudou Desenho Industrial na UFRJ) e escolheu São Paulo para morar, ficou famoso por juntar beleza, funcionalidade e sustentabilidade a preços acessíveis. Resultado: um boom de vendas, que quase não sente crises (em 2018, foram vendidas 40 mil peças) e que conquista novos clientes, dos mais variados perfis, a cada lançamento. “Não adianta criar algo lindo e colocar o preço lá em cima. Faço design democrático, essa é a minha filosofia”, conta ele. Avesso ao móvel de vitrine, Fernando gosta de ver os seus sendo usados, fazendo parte de histórias. São cerca de 25 peças novas por ano, um catálogo que soma 280 produtos em linha a preços que vão de R$ 229 (cadeira Mini Spaghetti da Pronto para Levar) a R$ 37.310 (sofá Biggy, estofado em veludo, do Atelier).
A primeira loja que Jaeger abriu foi em São Paulo, mas três anos depois já fincava o pé no Rio, cidade que batiza várias de suas peças. Este ano, ele comemora duas décadas de endereço carioca e segue entusiasmado em levar o espírito e as formas da cidade para seu trabalho. Há série inspirada em Copacabana e na Gávea, por exemplo. “A poltrona Zé também é a cara do Rio. Ela tem um visual leve e descontraído bem carioca”, diz ele.
Nos 20 anos em que a marca está por aqui, a maior parte deles foi em um casarão no Jardim Botânico, agora reduto tanto das coleções sob encomenda quanto da prêt-à-porter. Foi ali que ele lançou sua primeira experiência usando mármores, que acaba de virar uma coleção de bancos, aparadores e mesas. “O Brasil tem a maior quantidade de rochas ornamentais do mundo. Só que exporta grande parte delas”, diz Jaeger, frisando: “Temos que valorizar o que é daqui. Minha produção é totalmente nacional.”
Fonte: O Globo. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980. Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinasse estética, funcionalidade e acessibilidade, esses princípios o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Suas peças estão em residências e ambientes corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade. Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
Biografia Fernando Jaeger | Arremate Arte
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Sua carreira completa mais de quatro décadas e é marcada pela fusão entre o design industrial e a marcenaria artesanal. Criado em um ambiente de recursos limitados, Jaeger desenvolveu desde cedo uma sensibilidade para o aproveitamento máximo dos materiais disponíveis, uma característica que se tornaria central em sua abordagem ao design. Ele se mudou para o Rio de Janeiro na juventude com o objetivo inicial de estudar medicina, mas rapidamente mudou seu foco para o Desenho Industrial ao descobrir sua verdadeira paixão. Formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, uma decisão que redefiniu sua trajetória e o levou a se tornar um dos nomes mais importantes do design de mobiliário no Brasil.
Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinassem estética, funcionalidade e acessibilidade. Essa filosofia o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Ao longo dos anos, Jaeger trabalhou com pequenos fabricantes em várias regiões do Brasil, desde Rondônia até o Rio Grande do Sul, formando parcerias duradouras que lhe permitiram expandir sua produção e manter um padrão elevado de qualidade artesanal em suas peças.
Um dos marcos em sua carreira foi a inauguração de seu primeiro showroom em 1994, em São Paulo, um espaço que não apenas comercializava suas criações, mas também oferecia aos clientes uma nova experiência em design de mobiliário. Ao longo dos anos, Jaeger expandiu sua presença com outros showrooms, sempre focando na criação de produtos que refletem a essência do design brasileiro. Sua marca se tornou sinônimo de inovação e tradição, com móveis que são atemporais e que se destacam por sua durabilidade e apelo visual. A influência de Jaeger no design de interiores brasileiro é profunda, e suas peças são frequentemente vistas em ambientes residenciais e corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade.
Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Ele sempre manteve uma postura curiosa e experimental, explorando novos materiais e técnicas que pudessem ser incorporados em suas criações. Essa abordagem multidisciplinar permitiu que sua marca se mantivesse relevante e em constante evolução, respondendo às mudanças nas tendências de design e às demandas do mercado. Sua capacidade de inovar e, ao mesmo tempo, preservar uma identidade artística coesa é uma das razões pelas quais ele é amplamente respeitado na indústria do design.
Fernando Jaeger continua criando próximo à equipe de design e fornecedores para garantir que suas peças mantenham a qualidade e o estilo que se tornaram sua marca registrada. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
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Fernando Jaeger | Wikipédia
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, 1956) é um designer e empresário brasileiro.
Formação acadêmica
De família alemã, Fernando Jaeger é natural de Santa Cruz do Sul, cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiropara prestar vestibular para o curso de Medicina. Porém, mudou completamente de área e formou-se no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1980.
Estilo e consolidação
Entre as características do trabalho de Fernando está a busca por uma acessibilidade financeira dos móveis assinados por ele, pensamento herdado de sua formação na UFRJ. Seu trabalho é destacado pelo uso de madeira e marcenaria fina. Seus destaques estão na confecção de mesas e cadeiras. Como freelancer assinou trabalhos para marcas como a Tok&Stok. Tornou-se empresário, para poder produzir suas próprias peças. Possui lojas em São Paulo, no bairro da Pompeia e em Moema - dois bairros nobres da capital paulistana - e no Rio de Janeiro, no Jardim Botânico.
É considerado um dos principais nomes atualmente do design brasileiro e seu trabalho possui uma forte capilaridade na imprensa brasileira e nos círculos de discussão do design. Adjunto de todo esse reconhecimento, assinou algumas peças que integravam a mobília de alguns dos cenários da novela Insensato Coração, exibida pela Rede Globo em horário nobre e que foi protagonizado por Paolla Oliveira, Gabriel Braga Nunes e Eriberto Leão.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
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Uma proposta atemporal | Site Oficial Fernando Jaeger
Fernando Jaeger inaugurou seu primeiro showroom em 1994 para atender a uma necessidade e uma vocação: ter um espaço próprio para comercializar seus produtos de forma exclusiva e oferecer às pessoas uma nova experiência em design de mobiliário. Uma experiência orientada pela produção nacional, pela valorização das matérias-primas e que fosse acessível ao público, tanto pela forma e função quanto pelo custo-benefício.
Mais de 30 anos depois, a essência de seu trabalho continua a mesma, expressa não apenas em traços, desenhos e projetos, mas também no jeito de produzi-los e executá-los. Por isso é difícil datar seus produtos no tempo ou prendê-los a tendências de época. Há móveis clássicos, que estão em produção há muitos anos, e novas peças que estão sempre saindo do papel. Um pouco de tudo. E muito do que ele foi e é até hoje. De sua permanente busca pelo contraponto entre o antigo e o contemporâneo para tornar seu trabalho atemporal.
O Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades – e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
A Empresa
Ao longo dos anos, o primeiro showroom mudou de endereço e outros quatro foram abertos. O negócio cresceu e se profissionalizou. A criação ganhou um estúdio próprio e novos designers. De lá, saem projetos que alimentam uma linha que se renova a cada ano e hoje conta com mais de 250 produtos.
Fernando continua à frente da criação, buscando novos usos e possibilidades para seus projetos, trabalhando sempre próximo da equipe, dos fornecedores e, principalmente, da família. Um núcleo que compartilha ideias, experiências e responsabilidades. Que o apoia no dia a dia do negócio e conta com a ajuda de mais de 80 funcionários nas áreas administrativas, operacionais e de criação da empresa.
Além das peças de mobiliário para casas e ambientes corporativos, essa equipe desenvolve também uma variedade de acessórios que vão de tapetes com desenhos exclusivos a tábuas de madeira para a cozinha. Há almofadas, cabideiros e luminárias. Cestos e sacolas são feitos e pensados para reaproveitar sobras de materiais. Criam-se novas cores de tintas, tecidos e acabamentos. Cuida-se, enfim, de cada detalhe.
Ou, como traduziu um cliente em pura metáfora: “o Fernando tem a chave da nossa casa”. A nossa está sempre aberta. É só entrar e se aconchegar.
Fonte: Site Oficial. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Conheça o olhar mágico do designer de móveis Fernando Jaeger | Forbes
Fernando Jaeger carrega a sustentabilidade no olhar, desde sempre. Prestes a celebrar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro no segundo semestre, o designer gaúcho de 64 anos cria parte de seus mobiliários no simples observar de sobras de uma fábrica de móveis. Restos de madeira cortados, tiras de tecido amontoadas na estante, peças esquecidas em cantos improváveis que se transformam em bancos, pufes e outros produtos entre mais de 250 comercializados em suas cinco lojas (São Paulo e Rio de Janeiro) – claro que só alguns itens nascem dessa observação despretensiosa na visita aos fornecedores. O que todos seus sofás, poltronas, mesas, cadeiras, tapetes e aparadores não sabem é que eles estiveram perto de não existir. Fernando estava no Rio de Janeiro decidido a cursar medicina, era inclusive essa a expectativa da família em Santa Cruz do Sul (150 km a oeste de Porto Alegre) – para ser motivo de orgulho, eram duas opções: ser médico ou gerente do Banco do Brasil. Foi então que ele soube que existia um curso de design industrial – e não titubeou ao preencher o formulário do vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com a bagagem de quem passou a vida em escola pública, Fernando conseguiu uma das 30 vagas disponíveis. O homem que viria a se transformar em um dos designers de móveis mais consagrados do país foi uma decepção para a família, que nem sabia o que era aquele negócio que ele iria estudar por cinco anos. Hoje, ele vive em São Paulo, ao lado da arquiteta Yáskara – e, se a marca FJ tivesse três letras, certamente a terceira seria Y, graças à efetiva participação dessa paulista de Penápolis na escalada de sucesso de Fernando Jaeger. Além de sócia e parceira de vida, ela faz a direção de criação das estampas, desenha os tapetes, escolhe tecidos, cores e acabamentos das peças projetadas pelo marido, além da ambientação e decoração das lojas. O casal, que se conheceu durante os estudos no Rio de Janeiro, mora com o filho caçula Theo, artista plástico de 24 anos. Os filhos mais velhos (Felipe, de 36 anos, e Marina, de 32) não moram na mesma casa na Vila Pompeia, onde estão desde 1996, mas trabalham na empresa familiar. O lar também conta com a presença dos cães Akira (da raça shiba inu) e Max (spitz alemão). A seguir, trechos da entrevista virtual com Fernando, que, se tivesse sido feita em dias normais, aconteceria no quintal de 700 metros quadrados, onde ele adora cozinhar e cuidar do jardim, com árvores, plantas, horta de temperos – uma floresta, nas palavras do dono.
Fernando Jaeger: Desde pequeno, sempre desenhei muito. Bastava um lápis e um papel para me fazer voar… Era uma forma de expressão – e de sonho. O fato é que eu já fazia design de produto, pois desenhava moto, mandava para revista especializada para conseguir estágio, mas não tinha a menor ideia do que era design. Também era louco por avião, queria ser piloto, mas não consegui passar no exame. As pessoas falavam que eu deveria fazer arquitetura, mas não queria desenhar casa e prédio… Então, como gostava de ciência, botânica, zoologia, e medicina era uma carreira respeitada, cheguei ao Rio de Janeiro com isso em mente. Daí, descobri o curso de desenho industrial – mudei na hora.
F: Como foi o começo da vida em Santa Cruz do Sul?
FJ: Meu pai era eletricista autônomo e, ainda jovem, teve um AVC, ficou impossibilitado de trabalhar. Minha mãe faleceu quando eu ainda era bebê, tinha 1 ano e meio. Fui criado pela minha madrasta. Passamos perrengue. Só não passamos fome porque era casa própria, tinha galinheiro, horta, pomar. Mas andei de sapato furado, e só tinha um casaco. Ganhava roupas usadas. Foi uma infância típica de cidade do interior: muita brincadeira na rua, banho de rio, fogueira de São João, subir em árvores para apanhar frutas e soltar pandorgas (como se chamam as pipas no Rio Grande do Sul). É uma cidade fundada por imigrantes alemães, como grande parte da minha família. Há racionalidade do uso, não desperdiçar, ser empreendedor. No Sul, as pessoas têm coragem, são destemidas. Em outras partes do Brasil, sinto o freio de mão mais puxado.
F: Até que idade ficou na cidade? Por que saiu?
FJ: Até os 18 anos, quando concluí o Científico, o equivalente ao ensino médio atual. Em cidade do interior, não tem muita oportunidade. Lá, era produção de tabaco. Com 16, consegui uma vaga para trabalhar como auxiliar de escritório numa loja de ferragens, mas até para isso você precisa de alguém conhecido para indicar. Quando surgiu a oportunidade de morar com meu irmão que estava no Rio de Janeiro, catei minhas coisas e fui embora. Fiquei no Rio de 1975 a 1983.
F: Foi na faculdade que decidiu seguir como designer de móveis?
FJ: A faculdade me deu uma visão mais social do design. Projetar equipamento urbano para população. Tanto que me identifiquei muito com Lina Bo Bardi [1914-1992], quando mudei para São Paulo, e o primeiro lugar que eu e minha mulher visitamos foi o Sesc Pompeia. Como Lina é genial, uma arquiteta para o público em geral, do mais pobre ao mais rico, sem ser elitista. Essa noção foi importante na faculdade. Sobre ser designer de móveis, não tinha essa expectativa durante o curso. Mas, logo que me formei, uma semana depois, surgiu um anúncio no JB [Jornal do Brasil] de uma empresa de móveis procurando um designer. Fui lá e, por incrível que pareça, consegui a vaga.
F: Qual foi o primeiro emprego na área?
FJ: Consegui emprego na Phenix, uma indústria que estava em formação no subúrbio do Rio de Janeiro, o dono da empresa tinha uma loja de colchões, herdada do pai. Vivíamos numa ditadura, os móveis eram clássicos, coloniais… Mas a coisa estava começando a aliviar, então, apareceram novas lojas, entre elas a Tok Stok, com móveis coloridos e de madeira clara. Foi um sopro de novidades. O dono da empresa onde consegui o emprego teve uma visão bacana, queria ter a linha dele. Eu era absolutamente inexperiente, ele perguntou para mim se entendia de móveis, disse que não, mas que iria pesquisar… Mais para frente perguntei por que me contratou e ele disse que tinha gostado muito da minha sinceridade. Não sou místico, mas a providência se move quando você tem uma vontade, um objetivo.
F: Qual foi a primeira peça que você fez?
FJ: Foi toda uma linha de móveis tubulares coloridos, com madeira clara, que era a tendência. A linha foi lançada com a grife Pierre Cardin. Essa experiência, de trabalhar dentro de uma indústria, cuidando de todos os processos, norteou minha carreira de designer, com foco na produção industrial seriada. Fiquei dois anos e oito meses nessa empresa.
F: Foi daí que veio para São Paulo?
FJ: Sim. Saí da Phenix e vim para São Paulo trabalhar na Freudenberg, uma empresa alemã que abastecia indústrias moveleiras com matérias-primas provenientes de reflorestamento. Madeira de pinus, sustentável, mas, na época, nem se falava em sustentabilidade. Graças a ela, conheci todos os grandes centros moveleiros do Brasil. A Serra Gaúcha; São Bento do Sul, em Santa Catarina; Mirassol e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo… Pude constatar que, apesar de muitas indústrias serem enormes e bem equipadas, elas não tinham nenhuma cultura do design. Produziam cópias de desenho pobre, repetitivo e de mau gosto. Por outro lado, estava surgindo um varejo focado em design contemporâneo, ávido por novos produtos e fornecedores. Daí tive a ideia de, em vez de vender projetos para as indústrias – que não os valorizavam –, fazer um trabalho mais complexo, compreendendo o projeto, a implantação em fábricas e a colocação no mercado, fechando todo o ciclo. Pedi demissão depois de um ano, meu pai e meu sogro falaram que eu era louco, mas o ambiente estava estranho… A empresa foi vendida após dois meses. Saí na hora certa. Eu desenvolvi o meu design por cerca de 15 anos. A Cama Patente e o Sofá Chesterfield foram as primeiras peças e depois vieram várias outras, totalizando 65 modelos em linha. Meu primeiro “mini” show room foi numa casa geminada na rua Cotoxó, no ano de 1994.
F: Como funciona seu processo criativo?
FJ: Tem vezes que estou folhando uma revista, vejo uma coisa e penso em outra. Faço croquis, mas não uso cadernos, que isso me trava. Pego papel reciclado já usado, uso o verso, desenho a lápis. É meu lado ger-mânico. Algumas ficam ali, numa pasta, maturando. Outras já rolam de cara. Há também as peças que crio dependendo da demanda das lojas – de repente, o briefing mercadológico é que precisamos pensar em um sofá novo. Estamos atentos ao que é mais tendência, mas não ligo para modismo. Ou a gente [Fernando e Yáskara] pega o carro, coisa que adoramos, vamos até o Sul, parando, entrando nas fábricas, vendo sobras de madeira que vão ser queimadas. Já bolei peças nas fábricas.
F: Quais são suas principais referências no design?
FJ: Bauhaus [escola alemã de arte vanguardista] é a mais antiga, da década de 1920. Depois, tem os nórdicos dos anos 1940 e 1950, Finn Juhl [dinamarquês, 1912-1989], Hans Wegner [dinamarquês, 1914-2007] e o casal [norte-americano] Charles Eames [1907-1978] e Ray [Kaiser Eames, 1912-1988, criadores de peças icônicas como a Eames Lounge Chair] – costumo dizer que eu e Yáskara somos uma reedição brasileira dos dois. Eu me identifico muito com os nórdicos, pois eles têm a síntese do design, são muito depurados – não gosto de pôr um douradinho aqui, um couro ali, só pra valorizar o que é ruim na essência. O bom design é aquele bem depurado. Entre os brasileiros, Sérgio Rodrigues [carioca, 1927-2014], que era muito gente boa, não era estrela e que conheço da época da Phenix, pois ele fez o estande dos móveis Pierre Cardin para o lançamento no Anhembi.
F: Na caminhada de 40 anos de trabalho, quais são seus produtos mais emblemáticos?
FJ: Produtos de bom design atravessam o tempo. Um exemplo é a Cadeira e a Poltrona de Spaghetti, que têm a idade da minha filha, desenhei em 1989, elas estão em linha desde então, e sempre vendeu muito bem. Outro destaque é a Poltrona Zé: sofisticada e de difícil execução. Mas nunca desenhei uma peça e depois saí atrás de alguém para produzir. Sempre faço uma coisa sabendo quem vai fazer. Conheço os maquinários, sei o que é possível. Meu design é muito racional, já é direcionado desde o início. A criação da Mesa Saturno também está ligada a um fornecedor que conheci há mais dez anos e tinha uma máquina com comando eletrônico para cortar as elipses em diversos tamanhos. Temos também exemplos de móveis criados para a nossa casa e que entraram na linha de produção, como a Poltrona Astor. Outros exemplos de peças que nasceram de sobras de madeira de laminação são a Mesa Paralelo e o Sofá Gávea. Com a cadeira Ox, de assento de couro de vaca e madeira de eucalipto – ainda inédita na produção de móveis seriados –, ganhei o prêmio Movesp Ibama, em 1992, como melhor produto com madeiras alternativas.
F: Quais são seus outros interesses além do trabalho?
FJ: Tenho academia no quintal, malho, faço jardinagem, que é um exercício bom, vou mexer nas plantas, faço um monte de coisa e parece que não fiz nada! [risos] Gosto de cozinhar, fazer pizza e churrasco no quintal de casa, beber um bom vinho. Yáskara também gosta de cozinhar. Adoramos viajar, dentro e fora do Brasil. Há dois anos compramos uma das casas mais antigas na parte alta do condomínio Outeiro das Brisas, na Bahia [praia vizinha à do Espelho]. Já fomos muito para a Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres [Alagoas]. Na América do Sul, acho que nunca tirei tanta foto como no Deserto de Atacama [norte do Chile] – ficamos no hotel explora. Na Europa, gostamos muito da Itália, já fomos várias vezes. Na África, fazer safári em jipes abertos é demais – estivemos na África do Sul. Agora, queremos ir à Patagônia, visitar Torres del Paine [extremo sul do Chile]. Quando for possível voltar a viver como se deve.
Fonte: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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"Fernando Jaeger — Quatro décadas de design" | Revista Use
Será lançado em São Paulo no próximo dia 16/11 o livro “Fernando Jaeger — quatro décadas de design”. Editada pela Monolito, a obra contempla quatro décadas da obra do designer brasileiro de móveis Fernando Jaeger, com histórias que envolvem sua trajetória, mas que também ultrapassam a figura do criador e apresentam a participação dos profissionais que dividem a direção da empresa e a execução dos projetos.
Da infância no interior do Rio Grande do Sul, passando pela graduação em Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nos anos 1980 até a abertura das suas lojas, o livro destaca a pesquisa e a proximidade com a indústria que marcam o trabalho do designer, um raro exemplo de conciliação entre design acessível e autoral.
O livro é dividido em quatro artigos. Maria Cecília Loschiavo dos Santos, importante pesquisadora do setor, escreve sobre a trajetória de Jaeger, que acompanha até mesmo como consumidora. Marili Brandão, que, como curadora, expôs peças de Jaeger há mais de 20 anos, detalha a relação delas com a sustentabilidade e o envolvimento de Yáskara Idemori Jaeger, companheira e sócia de Fernando Jaeger e diretora criativa da marca, desde a estruturação do negócio até seu olhar e a aproximação com o artesanato. O português Frederico Duarte relembra a participação do autor brasileiro numa exposição em Lisboa, da qual foi curador. Por fim, o editor desta publicação, Fernando Serapião, traçou um perfil profissional do designer.
Os textos estão envolvidos por um ensaio visual com fotos de Felipe Jaeger e design gráfico de Zé Renato Maia; este último, o diretor de arte que acompanha, há mais de uma década, Fernando Jaeger.
Sobre o Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades — e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
Hoje, de norte a sul do país, mais de 15 indústrias atuam diretamente com o designer. Fernando possui cinco lojas: quatro em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. As lojas estão divididas em duas linhas: Fernando Jaeger Atelier e FJ — Pronto pra levar! Na primeira, Fernando Jaeger Atelier, é onde o cliente pode participar da concepção da sua peça — escolhendo os acabamentos, as medidas e os tecidos. Já a segunda, FJ — pronto pra levar, é uma linha mais jovem e, como o próprio nome já diz, reúne peças prontas para levar para casa, literalmente! São, portanto, duas potências que possuem em conjunto um acervo de quase 300 produtos (entre móveis e acessórios). Há modelos clássicos, que há anos continuam em produção, e novos surgindo a cada dia. Fernando Jaeger traça sempre um contraponto entre o antigo e o contemporâneo, tornando assim sua assinatura atemporal.
FJ – Pronto pra Levar!
Fernando Jaeger criou uma linha diversa e exclusiva de mobiliário para pronta entrega, desenvolvida especialmente para as lojas da marca FJ | Pronto para levar. Uma coleção inspirada no dia a dia das pessoas e nas várias possibilidades de combinação entre cores, texturas e diferentes materiais. São peças de dimensões menores, que se encaixam nas novas formas de morar, com um espírito mais jovem e descolado.
Fernando Jaeger Atelier
A coleção Fernando Jaeger Atelier valoriza a madeira e o trabalho de marcenaria fina, atenta aos detalhes e presente no todo. Uma proposta que revela o interesse pela arte dos mestres marceneiros e traz o olhar autoral do designer para a produção em série, conferindo expressão e identidade ao móvel. Nas lojas Atelier, Fernando explora o conhecimento que acumulou ao longo de 39 anos pesquisando as diferentes aplicações da madeira. Uma busca que o levou ao interior de diversas regiões do país e deu origem a um modelo de produção 100% nacional. O resultado é uma linha variada de móveis feitos sob encomenda, que podem ser customizados pelo cliente a partir da escolha da madeira e do tecido que será utilizado. Uma proposta que atravessa o tempo e não se prende a tendências e estilos. Que abre espaço para as suas preferências e deixa a sua casa com o seu jeito de ser.
Fonte: Revista Use. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Quem é Fernando Jaeger, designer que une popular e luxuoso em móveis duráveis | Folha de São Paulo
Designer conhecido por seus móveis que unem o desenho industrial com o artesanato, Fernando acaba de completar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro sobre sua trajetória. "Fernando Jaeger: Quatro Décadas de Design" recupera, em mais de 350 páginas, quatro textos críticos e dezenas de fotos de produtos, o histórico desse gaúcho que caiu no gosto das classes médias paulistana e carioca pelo cuidado no desenho das peças e preço relativamente acessível.
Junto a nomes como Jaqueline Terpins, Carlos Motta e os irmãos Campana, Jaeger ajudou a dar a cara do móvel contemporâneo brasileiro, ao pôr nas casas de seus clientes móveis produzidos em série mas com clara preocupação estética.
São mesas, cadeiras, camas, bancos e aparadores de desenho limpo, com pouco ou nenhum ornamento, valorizando assim os materiais de que são feitos, e almofadas e tapetes que resgatam o trabalho feito à mão por tecelões de comunidades no interior do Brasil.
Com peças a meio caminho entre o popular e o luxuoso, sua clientela está interessada em design, mas não necessariamente disposta a gastar dezenas de milhares de reais numa poltrona de Sergio Rodrigues ou num carrinho de chá de Jorge Zalszupin, para lembrar dois nomes do mobiliário moderno que influenciaram Jaeger — as cadeiras de sua marca variam de R$ 650 a R$ 3.540, por exemplo.
A preocupação em ser acessível vem de sua formação superior, quando cursou desenho industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no final dos anos 1970. "A gente tinha uma visão mais social, os professores estimulavam muito para a gente desenhar equipamentos públicos urbanos", ele conta, em entrevista por vídeo.
Junto com outros três colegas, Jaeger ganhou um concurso universitário para o desenho de torres de observação de salva-vidas a serem instaladas nas areias da orla carioca, mas o projeto nunca saiu do papel. Nessa mesma época, ele se aventurou pelo design gráfico, ao criar o logotipo da Fundação Universitária José Bonifácio, filiada à UFRJ, usado pela instituição até hoje.
A guinada para o setor moveleiro veio no início dos anos 1980, quando, recém formado, foi contratado pela empresa Phenix para desenhar uma linha de móveis tubulares. Era uma época em que o design de mobiliário no Brasil "tinha zero importância" e o mercado de trabalho era quase inexistente, diz Yáskara Jaeger, sua companheira de vida e de trabalho.
Durante a ditadura, acrescenta ela, o país era muito fechado e se tinha pouco contato com as tendências de design do exterior. "Eram anos difíceis, de repressão, não tinha incentivo. Nem se falava em design."
Com o fim dos anos de chumbo e a abertura comercial, surgiram lojas de design contemporâneo, mudando o panorama da decoração por aqui —até então, predominavam móveis de estilo colonial ou "poltronas Luís 15, Luís 14, móveis da época do Império", diz Jaeger. Segundo ele, o comércio ascendente foi beneficiado por uma indústria moveleira que dispunha de maquinário adequado à produção seriada. Jaeger credita à Phenix seu aprendizado da parte industrial do design, e à Tok&Stok o conhecimento de como funciona a venda para o consumidor.
Como freelancer, desenhou durante anos dezenas de produtos de forma anônima para a empresa, antes de lançar sua marca própria. A cama Patente, projetada por ele com base na cama em que dormia quando era criança, está em linha na varejista até hoje.
Nos anos 1990, passou a investir em showrooms próprios, em São Paulo, para comercializar sua produção. A clientela aumentou a partir de uma reportagem que o apresentava como destaque da nova geração de designers paulistas.
Anos mais tarde, desenhou uma peça que deu a ele mais projeção e virou um dos clássicos de sua marca — o banco Bienal, com pernas curvadas de aço pintado de preto e assento revestido de tecido em diversas tonalidades, feito sob encomenda para o bar dos 50 anos da Bienal de São Paulo.
Uma das assinaturas do designer é o uso de diversos tipos de madeira, que emprega tanto em sua linha comercial quanto na feita sob medida. Como afirma Marili Brandão no livro, o material é sustentável, familiar ao consumidor e durável. A cadeira Ox, de 1991, foi o primeiro móvel brasileiro de eucalipto a ser produzido em série, o que rendeu a Jaeger um prêmio pelo uso de madeira alternativa.
"A gente se recusa a fazer o descartável, a obsolescência programada, projetar um móvel para durar pouco", afirma Jaeger, acrescentando que sua marca não dispõe de uma marcenaria própria, como muitos outros designers.
Outra peculiaridade de seu trabalho é o uso das cores, como se pode ver em suas lojas em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambientadas por Yáskara como se fossem uma casa. Numa simulação de sala de estar, por exemplo, um sofá em tom de telha com a cara do conforto combina com um tapete de sisal cinza escuro.
Jaeger não gosta de dizer que "vende móveis", mas sim "sensações, estilo de vida, um jeito de morar mais casual".
Fonte: Folha de São Paulo. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Designer Fernando Jaeger comemora 20 anos de Rio | O Globo
Do primeiro apê pequenininho de um jovem à casa de família cheia de espaço, quase sempre há um detalhe em comum: uma peça assinada por Fernando Jaeger. Ele, de fato, conseguiu democratizar o design. O gaúcho de 63 anos, que nasceu em Santa Cruz do Sul, veio para o Rio fazer faculdade (estudou Desenho Industrial na UFRJ) e escolheu São Paulo para morar, ficou famoso por juntar beleza, funcionalidade e sustentabilidade a preços acessíveis. Resultado: um boom de vendas, que quase não sente crises (em 2018, foram vendidas 40 mil peças) e que conquista novos clientes, dos mais variados perfis, a cada lançamento. “Não adianta criar algo lindo e colocar o preço lá em cima. Faço design democrático, essa é a minha filosofia”, conta ele. Avesso ao móvel de vitrine, Fernando gosta de ver os seus sendo usados, fazendo parte de histórias. São cerca de 25 peças novas por ano, um catálogo que soma 280 produtos em linha a preços que vão de R$ 229 (cadeira Mini Spaghetti da Pronto para Levar) a R$ 37.310 (sofá Biggy, estofado em veludo, do Atelier).
A primeira loja que Jaeger abriu foi em São Paulo, mas três anos depois já fincava o pé no Rio, cidade que batiza várias de suas peças. Este ano, ele comemora duas décadas de endereço carioca e segue entusiasmado em levar o espírito e as formas da cidade para seu trabalho. Há série inspirada em Copacabana e na Gávea, por exemplo. “A poltrona Zé também é a cara do Rio. Ela tem um visual leve e descontraído bem carioca”, diz ele.
Nos 20 anos em que a marca está por aqui, a maior parte deles foi em um casarão no Jardim Botânico, agora reduto tanto das coleções sob encomenda quanto da prêt-à-porter. Foi ali que ele lançou sua primeira experiência usando mármores, que acaba de virar uma coleção de bancos, aparadores e mesas. “O Brasil tem a maior quantidade de rochas ornamentais do mundo. Só que exporta grande parte delas”, diz Jaeger, frisando: “Temos que valorizar o que é daqui. Minha produção é totalmente nacional.”
Fonte: O Globo. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980. Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinasse estética, funcionalidade e acessibilidade, esses princípios o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Suas peças estão em residências e ambientes corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade. Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
Biografia Fernando Jaeger | Arremate Arte
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1956) é um designer de móveis brasileiro. Sua carreira completa mais de quatro décadas e é marcada pela fusão entre o design industrial e a marcenaria artesanal. Criado em um ambiente de recursos limitados, Jaeger desenvolveu desde cedo uma sensibilidade para o aproveitamento máximo dos materiais disponíveis, uma característica que se tornaria central em sua abordagem ao design. Ele se mudou para o Rio de Janeiro na juventude com o objetivo inicial de estudar medicina, mas rapidamente mudou seu foco para o Desenho Industrial ao descobrir sua verdadeira paixão. Formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, uma decisão que redefiniu sua trajetória e o levou a se tornar um dos nomes mais importantes do design de mobiliário no Brasil.
Desde o início de sua carreira, Jaeger buscou criar móveis que combinassem estética, funcionalidade e acessibilidade. Essa filosofia o levou a explorar a marcenaria fina e o uso de materiais nacionais, especialmente a madeira, criando peças que são ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis. Sua visão democratizadora do design se consolidou com a fundação de sua própria marca, onde ele pôde implementar sua ideia de produzir móveis de qualidade que fossem acessíveis a uma ampla gama de consumidores. Ao longo dos anos, Jaeger trabalhou com pequenos fabricantes em várias regiões do Brasil, desde Rondônia até o Rio Grande do Sul, formando parcerias duradouras que lhe permitiram expandir sua produção e manter um padrão elevado de qualidade artesanal em suas peças.
Um dos marcos em sua carreira foi a inauguração de seu primeiro showroom em 1994, em São Paulo, um espaço que não apenas comercializava suas criações, mas também oferecia aos clientes uma nova experiência em design de mobiliário. Ao longo dos anos, Jaeger expandiu sua presença com outros showrooms, sempre focando na criação de produtos que refletem a essência do design brasileiro. Sua marca se tornou sinônimo de inovação e tradição, com móveis que são atemporais e que se destacam por sua durabilidade e apelo visual. A influência de Jaeger no design de interiores brasileiro é profunda, e suas peças são frequentemente vistas em ambientes residenciais e corporativos que buscam combinar estilo e funcionalidade.
Além de seu trabalho com móveis, Fernando Jaeger também se destacou por seu envolvimento em outros aspectos do design, como o desenvolvimento de tecidos, estampas e acessórios decorativos. Ele sempre manteve uma postura curiosa e experimental, explorando novos materiais e técnicas que pudessem ser incorporados em suas criações. Essa abordagem multidisciplinar permitiu que sua marca se mantivesse relevante e em constante evolução, respondendo às mudanças nas tendências de design e às demandas do mercado. Sua capacidade de inovar e, ao mesmo tempo, preservar uma identidade artística coesa é uma das razões pelas quais ele é amplamente respeitado na indústria do design.
Fernando Jaeger continua criando próximo à equipe de design e fornecedores para garantir que suas peças mantenham a qualidade e o estilo que se tornaram sua marca registrada. Sua contribuição para o design brasileiro vai além da produção de móveis; ele ajudou a moldar a maneira como o design é percebido e valorizado no Brasil, tornando-o acessível e relevante para diversas gerações de consumidores e profissionais.
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Fernando Jaeger | Wikipédia
Fernando Jaeger (Santa Cruz do Sul, 1956) é um designer e empresário brasileiro.
Formação acadêmica
De família alemã, Fernando Jaeger é natural de Santa Cruz do Sul, cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiropara prestar vestibular para o curso de Medicina. Porém, mudou completamente de área e formou-se no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1980.
Estilo e consolidação
Entre as características do trabalho de Fernando está a busca por uma acessibilidade financeira dos móveis assinados por ele, pensamento herdado de sua formação na UFRJ. Seu trabalho é destacado pelo uso de madeira e marcenaria fina. Seus destaques estão na confecção de mesas e cadeiras. Como freelancer assinou trabalhos para marcas como a Tok&Stok. Tornou-se empresário, para poder produzir suas próprias peças. Possui lojas em São Paulo, no bairro da Pompeia e em Moema - dois bairros nobres da capital paulistana - e no Rio de Janeiro, no Jardim Botânico.
É considerado um dos principais nomes atualmente do design brasileiro e seu trabalho possui uma forte capilaridade na imprensa brasileira e nos círculos de discussão do design. Adjunto de todo esse reconhecimento, assinou algumas peças que integravam a mobília de alguns dos cenários da novela Insensato Coração, exibida pela Rede Globo em horário nobre e que foi protagonizado por Paolla Oliveira, Gabriel Braga Nunes e Eriberto Leão.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
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Uma proposta atemporal | Site Oficial Fernando Jaeger
Fernando Jaeger inaugurou seu primeiro showroom em 1994 para atender a uma necessidade e uma vocação: ter um espaço próprio para comercializar seus produtos de forma exclusiva e oferecer às pessoas uma nova experiência em design de mobiliário. Uma experiência orientada pela produção nacional, pela valorização das matérias-primas e que fosse acessível ao público, tanto pela forma e função quanto pelo custo-benefício.
Mais de 30 anos depois, a essência de seu trabalho continua a mesma, expressa não apenas em traços, desenhos e projetos, mas também no jeito de produzi-los e executá-los. Por isso é difícil datar seus produtos no tempo ou prendê-los a tendências de época. Há móveis clássicos, que estão em produção há muitos anos, e novas peças que estão sempre saindo do papel. Um pouco de tudo. E muito do que ele foi e é até hoje. De sua permanente busca pelo contraponto entre o antigo e o contemporâneo para tornar seu trabalho atemporal.
O Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades – e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
A Empresa
Ao longo dos anos, o primeiro showroom mudou de endereço e outros quatro foram abertos. O negócio cresceu e se profissionalizou. A criação ganhou um estúdio próprio e novos designers. De lá, saem projetos que alimentam uma linha que se renova a cada ano e hoje conta com mais de 250 produtos.
Fernando continua à frente da criação, buscando novos usos e possibilidades para seus projetos, trabalhando sempre próximo da equipe, dos fornecedores e, principalmente, da família. Um núcleo que compartilha ideias, experiências e responsabilidades. Que o apoia no dia a dia do negócio e conta com a ajuda de mais de 80 funcionários nas áreas administrativas, operacionais e de criação da empresa.
Além das peças de mobiliário para casas e ambientes corporativos, essa equipe desenvolve também uma variedade de acessórios que vão de tapetes com desenhos exclusivos a tábuas de madeira para a cozinha. Há almofadas, cabideiros e luminárias. Cestos e sacolas são feitos e pensados para reaproveitar sobras de materiais. Criam-se novas cores de tintas, tecidos e acabamentos. Cuida-se, enfim, de cada detalhe.
Ou, como traduziu um cliente em pura metáfora: “o Fernando tem a chave da nossa casa”. A nossa está sempre aberta. É só entrar e se aconchegar.
Fonte: Site Oficial. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Conheça o olhar mágico do designer de móveis Fernando Jaeger | Forbes
Fernando Jaeger carrega a sustentabilidade no olhar, desde sempre. Prestes a celebrar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro no segundo semestre, o designer gaúcho de 64 anos cria parte de seus mobiliários no simples observar de sobras de uma fábrica de móveis. Restos de madeira cortados, tiras de tecido amontoadas na estante, peças esquecidas em cantos improváveis que se transformam em bancos, pufes e outros produtos entre mais de 250 comercializados em suas cinco lojas (São Paulo e Rio de Janeiro) – claro que só alguns itens nascem dessa observação despretensiosa na visita aos fornecedores. O que todos seus sofás, poltronas, mesas, cadeiras, tapetes e aparadores não sabem é que eles estiveram perto de não existir. Fernando estava no Rio de Janeiro decidido a cursar medicina, era inclusive essa a expectativa da família em Santa Cruz do Sul (150 km a oeste de Porto Alegre) – para ser motivo de orgulho, eram duas opções: ser médico ou gerente do Banco do Brasil. Foi então que ele soube que existia um curso de design industrial – e não titubeou ao preencher o formulário do vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com a bagagem de quem passou a vida em escola pública, Fernando conseguiu uma das 30 vagas disponíveis. O homem que viria a se transformar em um dos designers de móveis mais consagrados do país foi uma decepção para a família, que nem sabia o que era aquele negócio que ele iria estudar por cinco anos. Hoje, ele vive em São Paulo, ao lado da arquiteta Yáskara – e, se a marca FJ tivesse três letras, certamente a terceira seria Y, graças à efetiva participação dessa paulista de Penápolis na escalada de sucesso de Fernando Jaeger. Além de sócia e parceira de vida, ela faz a direção de criação das estampas, desenha os tapetes, escolhe tecidos, cores e acabamentos das peças projetadas pelo marido, além da ambientação e decoração das lojas. O casal, que se conheceu durante os estudos no Rio de Janeiro, mora com o filho caçula Theo, artista plástico de 24 anos. Os filhos mais velhos (Felipe, de 36 anos, e Marina, de 32) não moram na mesma casa na Vila Pompeia, onde estão desde 1996, mas trabalham na empresa familiar. O lar também conta com a presença dos cães Akira (da raça shiba inu) e Max (spitz alemão). A seguir, trechos da entrevista virtual com Fernando, que, se tivesse sido feita em dias normais, aconteceria no quintal de 700 metros quadrados, onde ele adora cozinhar e cuidar do jardim, com árvores, plantas, horta de temperos – uma floresta, nas palavras do dono.
Fernando Jaeger: Desde pequeno, sempre desenhei muito. Bastava um lápis e um papel para me fazer voar… Era uma forma de expressão – e de sonho. O fato é que eu já fazia design de produto, pois desenhava moto, mandava para revista especializada para conseguir estágio, mas não tinha a menor ideia do que era design. Também era louco por avião, queria ser piloto, mas não consegui passar no exame. As pessoas falavam que eu deveria fazer arquitetura, mas não queria desenhar casa e prédio… Então, como gostava de ciência, botânica, zoologia, e medicina era uma carreira respeitada, cheguei ao Rio de Janeiro com isso em mente. Daí, descobri o curso de desenho industrial – mudei na hora.
F: Como foi o começo da vida em Santa Cruz do Sul?
FJ: Meu pai era eletricista autônomo e, ainda jovem, teve um AVC, ficou impossibilitado de trabalhar. Minha mãe faleceu quando eu ainda era bebê, tinha 1 ano e meio. Fui criado pela minha madrasta. Passamos perrengue. Só não passamos fome porque era casa própria, tinha galinheiro, horta, pomar. Mas andei de sapato furado, e só tinha um casaco. Ganhava roupas usadas. Foi uma infância típica de cidade do interior: muita brincadeira na rua, banho de rio, fogueira de São João, subir em árvores para apanhar frutas e soltar pandorgas (como se chamam as pipas no Rio Grande do Sul). É uma cidade fundada por imigrantes alemães, como grande parte da minha família. Há racionalidade do uso, não desperdiçar, ser empreendedor. No Sul, as pessoas têm coragem, são destemidas. Em outras partes do Brasil, sinto o freio de mão mais puxado.
F: Até que idade ficou na cidade? Por que saiu?
FJ: Até os 18 anos, quando concluí o Científico, o equivalente ao ensino médio atual. Em cidade do interior, não tem muita oportunidade. Lá, era produção de tabaco. Com 16, consegui uma vaga para trabalhar como auxiliar de escritório numa loja de ferragens, mas até para isso você precisa de alguém conhecido para indicar. Quando surgiu a oportunidade de morar com meu irmão que estava no Rio de Janeiro, catei minhas coisas e fui embora. Fiquei no Rio de 1975 a 1983.
F: Foi na faculdade que decidiu seguir como designer de móveis?
FJ: A faculdade me deu uma visão mais social do design. Projetar equipamento urbano para população. Tanto que me identifiquei muito com Lina Bo Bardi [1914-1992], quando mudei para São Paulo, e o primeiro lugar que eu e minha mulher visitamos foi o Sesc Pompeia. Como Lina é genial, uma arquiteta para o público em geral, do mais pobre ao mais rico, sem ser elitista. Essa noção foi importante na faculdade. Sobre ser designer de móveis, não tinha essa expectativa durante o curso. Mas, logo que me formei, uma semana depois, surgiu um anúncio no JB [Jornal do Brasil] de uma empresa de móveis procurando um designer. Fui lá e, por incrível que pareça, consegui a vaga.
F: Qual foi o primeiro emprego na área?
FJ: Consegui emprego na Phenix, uma indústria que estava em formação no subúrbio do Rio de Janeiro, o dono da empresa tinha uma loja de colchões, herdada do pai. Vivíamos numa ditadura, os móveis eram clássicos, coloniais… Mas a coisa estava começando a aliviar, então, apareceram novas lojas, entre elas a Tok Stok, com móveis coloridos e de madeira clara. Foi um sopro de novidades. O dono da empresa onde consegui o emprego teve uma visão bacana, queria ter a linha dele. Eu era absolutamente inexperiente, ele perguntou para mim se entendia de móveis, disse que não, mas que iria pesquisar… Mais para frente perguntei por que me contratou e ele disse que tinha gostado muito da minha sinceridade. Não sou místico, mas a providência se move quando você tem uma vontade, um objetivo.
F: Qual foi a primeira peça que você fez?
FJ: Foi toda uma linha de móveis tubulares coloridos, com madeira clara, que era a tendência. A linha foi lançada com a grife Pierre Cardin. Essa experiência, de trabalhar dentro de uma indústria, cuidando de todos os processos, norteou minha carreira de designer, com foco na produção industrial seriada. Fiquei dois anos e oito meses nessa empresa.
F: Foi daí que veio para São Paulo?
FJ: Sim. Saí da Phenix e vim para São Paulo trabalhar na Freudenberg, uma empresa alemã que abastecia indústrias moveleiras com matérias-primas provenientes de reflorestamento. Madeira de pinus, sustentável, mas, na época, nem se falava em sustentabilidade. Graças a ela, conheci todos os grandes centros moveleiros do Brasil. A Serra Gaúcha; São Bento do Sul, em Santa Catarina; Mirassol e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo… Pude constatar que, apesar de muitas indústrias serem enormes e bem equipadas, elas não tinham nenhuma cultura do design. Produziam cópias de desenho pobre, repetitivo e de mau gosto. Por outro lado, estava surgindo um varejo focado em design contemporâneo, ávido por novos produtos e fornecedores. Daí tive a ideia de, em vez de vender projetos para as indústrias – que não os valorizavam –, fazer um trabalho mais complexo, compreendendo o projeto, a implantação em fábricas e a colocação no mercado, fechando todo o ciclo. Pedi demissão depois de um ano, meu pai e meu sogro falaram que eu era louco, mas o ambiente estava estranho… A empresa foi vendida após dois meses. Saí na hora certa. Eu desenvolvi o meu design por cerca de 15 anos. A Cama Patente e o Sofá Chesterfield foram as primeiras peças e depois vieram várias outras, totalizando 65 modelos em linha. Meu primeiro “mini” show room foi numa casa geminada na rua Cotoxó, no ano de 1994.
F: Como funciona seu processo criativo?
FJ: Tem vezes que estou folhando uma revista, vejo uma coisa e penso em outra. Faço croquis, mas não uso cadernos, que isso me trava. Pego papel reciclado já usado, uso o verso, desenho a lápis. É meu lado ger-mânico. Algumas ficam ali, numa pasta, maturando. Outras já rolam de cara. Há também as peças que crio dependendo da demanda das lojas – de repente, o briefing mercadológico é que precisamos pensar em um sofá novo. Estamos atentos ao que é mais tendência, mas não ligo para modismo. Ou a gente [Fernando e Yáskara] pega o carro, coisa que adoramos, vamos até o Sul, parando, entrando nas fábricas, vendo sobras de madeira que vão ser queimadas. Já bolei peças nas fábricas.
F: Quais são suas principais referências no design?
FJ: Bauhaus [escola alemã de arte vanguardista] é a mais antiga, da década de 1920. Depois, tem os nórdicos dos anos 1940 e 1950, Finn Juhl [dinamarquês, 1912-1989], Hans Wegner [dinamarquês, 1914-2007] e o casal [norte-americano] Charles Eames [1907-1978] e Ray [Kaiser Eames, 1912-1988, criadores de peças icônicas como a Eames Lounge Chair] – costumo dizer que eu e Yáskara somos uma reedição brasileira dos dois. Eu me identifico muito com os nórdicos, pois eles têm a síntese do design, são muito depurados – não gosto de pôr um douradinho aqui, um couro ali, só pra valorizar o que é ruim na essência. O bom design é aquele bem depurado. Entre os brasileiros, Sérgio Rodrigues [carioca, 1927-2014], que era muito gente boa, não era estrela e que conheço da época da Phenix, pois ele fez o estande dos móveis Pierre Cardin para o lançamento no Anhembi.
F: Na caminhada de 40 anos de trabalho, quais são seus produtos mais emblemáticos?
FJ: Produtos de bom design atravessam o tempo. Um exemplo é a Cadeira e a Poltrona de Spaghetti, que têm a idade da minha filha, desenhei em 1989, elas estão em linha desde então, e sempre vendeu muito bem. Outro destaque é a Poltrona Zé: sofisticada e de difícil execução. Mas nunca desenhei uma peça e depois saí atrás de alguém para produzir. Sempre faço uma coisa sabendo quem vai fazer. Conheço os maquinários, sei o que é possível. Meu design é muito racional, já é direcionado desde o início. A criação da Mesa Saturno também está ligada a um fornecedor que conheci há mais dez anos e tinha uma máquina com comando eletrônico para cortar as elipses em diversos tamanhos. Temos também exemplos de móveis criados para a nossa casa e que entraram na linha de produção, como a Poltrona Astor. Outros exemplos de peças que nasceram de sobras de madeira de laminação são a Mesa Paralelo e o Sofá Gávea. Com a cadeira Ox, de assento de couro de vaca e madeira de eucalipto – ainda inédita na produção de móveis seriados –, ganhei o prêmio Movesp Ibama, em 1992, como melhor produto com madeiras alternativas.
F: Quais são seus outros interesses além do trabalho?
FJ: Tenho academia no quintal, malho, faço jardinagem, que é um exercício bom, vou mexer nas plantas, faço um monte de coisa e parece que não fiz nada! [risos] Gosto de cozinhar, fazer pizza e churrasco no quintal de casa, beber um bom vinho. Yáskara também gosta de cozinhar. Adoramos viajar, dentro e fora do Brasil. Há dois anos compramos uma das casas mais antigas na parte alta do condomínio Outeiro das Brisas, na Bahia [praia vizinha à do Espelho]. Já fomos muito para a Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres [Alagoas]. Na América do Sul, acho que nunca tirei tanta foto como no Deserto de Atacama [norte do Chile] – ficamos no hotel explora. Na Europa, gostamos muito da Itália, já fomos várias vezes. Na África, fazer safári em jipes abertos é demais – estivemos na África do Sul. Agora, queremos ir à Patagônia, visitar Torres del Paine [extremo sul do Chile]. Quando for possível voltar a viver como se deve.
Fonte: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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"Fernando Jaeger — Quatro décadas de design" | Revista Use
Será lançado em São Paulo no próximo dia 16/11 o livro “Fernando Jaeger — quatro décadas de design”. Editada pela Monolito, a obra contempla quatro décadas da obra do designer brasileiro de móveis Fernando Jaeger, com histórias que envolvem sua trajetória, mas que também ultrapassam a figura do criador e apresentam a participação dos profissionais que dividem a direção da empresa e a execução dos projetos.
Da infância no interior do Rio Grande do Sul, passando pela graduação em Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nos anos 1980 até a abertura das suas lojas, o livro destaca a pesquisa e a proximidade com a indústria que marcam o trabalho do designer, um raro exemplo de conciliação entre design acessível e autoral.
O livro é dividido em quatro artigos. Maria Cecília Loschiavo dos Santos, importante pesquisadora do setor, escreve sobre a trajetória de Jaeger, que acompanha até mesmo como consumidora. Marili Brandão, que, como curadora, expôs peças de Jaeger há mais de 20 anos, detalha a relação delas com a sustentabilidade e o envolvimento de Yáskara Idemori Jaeger, companheira e sócia de Fernando Jaeger e diretora criativa da marca, desde a estruturação do negócio até seu olhar e a aproximação com o artesanato. O português Frederico Duarte relembra a participação do autor brasileiro numa exposição em Lisboa, da qual foi curador. Por fim, o editor desta publicação, Fernando Serapião, traçou um perfil profissional do designer.
Os textos estão envolvidos por um ensaio visual com fotos de Felipe Jaeger e design gráfico de Zé Renato Maia; este último, o diretor de arte que acompanha, há mais de uma década, Fernando Jaeger.
Sobre o Designer
Fernando formou-se em desenho industrial pela UFRJ em 1980. Desde os primeiros trabalhos, sempre se interessou pelo uso da madeira e pela arte das pessoas que passam horas depurando os detalhes de uma peça. Um conhecimento que desenvolveu durante as muitas visitas a pequenos fabricantes de móveis no interior do Brasil, em busca de fornecedores que pudessem executar seus projetos e produzi-los em escala.
Ele encontrou muitos pelo caminho. De Rondônia ao Rio Grande do Sul, hoje 15 indústrias trabalham com o designer, algumas delas desde o início, há mais de 30 anos. E ele foi mais longe.
O interesse e a curiosidade por novas técnicas e materiais o levaram a descobrir outras possibilidades que o design oferece. Fernando também gosta da plasticidade e da leveza do metal. Adora cores e tintas a pó. Utiliza couro em suas peças há muitos anos. Desenvolve tecidos, cria novas estampas e afina tonalidades — e aqui há um pendor especial.
Antes de tudo, porém, Fernando é um curioso. Antes de qualquer projeto, um pesquisador contumaz. Mais recentemente, não por acaso, ele descobriu o mármore e a diversidade que esse material oferece. Experimentou a palha e a corda náutica. Transformou tudo em matéria-prima e produto.
O resultado dessa combinação é um desenho autoral, pensado no dia a dia das pessoas e nas mãos e máquinas que trabalharão diferentes materiais. Um produto que, não raro, carrega uma característica artesanal expressiva até mesmo nos processos mais industriais.
Hoje, de norte a sul do país, mais de 15 indústrias atuam diretamente com o designer. Fernando possui cinco lojas: quatro em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. As lojas estão divididas em duas linhas: Fernando Jaeger Atelier e FJ — Pronto pra levar! Na primeira, Fernando Jaeger Atelier, é onde o cliente pode participar da concepção da sua peça — escolhendo os acabamentos, as medidas e os tecidos. Já a segunda, FJ — pronto pra levar, é uma linha mais jovem e, como o próprio nome já diz, reúne peças prontas para levar para casa, literalmente! São, portanto, duas potências que possuem em conjunto um acervo de quase 300 produtos (entre móveis e acessórios). Há modelos clássicos, que há anos continuam em produção, e novos surgindo a cada dia. Fernando Jaeger traça sempre um contraponto entre o antigo e o contemporâneo, tornando assim sua assinatura atemporal.
FJ – Pronto pra Levar!
Fernando Jaeger criou uma linha diversa e exclusiva de mobiliário para pronta entrega, desenvolvida especialmente para as lojas da marca FJ | Pronto para levar. Uma coleção inspirada no dia a dia das pessoas e nas várias possibilidades de combinação entre cores, texturas e diferentes materiais. São peças de dimensões menores, que se encaixam nas novas formas de morar, com um espírito mais jovem e descolado.
Fernando Jaeger Atelier
A coleção Fernando Jaeger Atelier valoriza a madeira e o trabalho de marcenaria fina, atenta aos detalhes e presente no todo. Uma proposta que revela o interesse pela arte dos mestres marceneiros e traz o olhar autoral do designer para a produção em série, conferindo expressão e identidade ao móvel. Nas lojas Atelier, Fernando explora o conhecimento que acumulou ao longo de 39 anos pesquisando as diferentes aplicações da madeira. Uma busca que o levou ao interior de diversas regiões do país e deu origem a um modelo de produção 100% nacional. O resultado é uma linha variada de móveis feitos sob encomenda, que podem ser customizados pelo cliente a partir da escolha da madeira e do tecido que será utilizado. Uma proposta que atravessa o tempo e não se prende a tendências e estilos. Que abre espaço para as suas preferências e deixa a sua casa com o seu jeito de ser.
Fonte: Revista Use. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Quem é Fernando Jaeger, designer que une popular e luxuoso em móveis duráveis | Folha de São Paulo
Designer conhecido por seus móveis que unem o desenho industrial com o artesanato, Fernando acaba de completar 40 anos de carreira com o lançamento de um livro sobre sua trajetória. "Fernando Jaeger: Quatro Décadas de Design" recupera, em mais de 350 páginas, quatro textos críticos e dezenas de fotos de produtos, o histórico desse gaúcho que caiu no gosto das classes médias paulistana e carioca pelo cuidado no desenho das peças e preço relativamente acessível.
Junto a nomes como Jaqueline Terpins, Carlos Motta e os irmãos Campana, Jaeger ajudou a dar a cara do móvel contemporâneo brasileiro, ao pôr nas casas de seus clientes móveis produzidos em série mas com clara preocupação estética.
São mesas, cadeiras, camas, bancos e aparadores de desenho limpo, com pouco ou nenhum ornamento, valorizando assim os materiais de que são feitos, e almofadas e tapetes que resgatam o trabalho feito à mão por tecelões de comunidades no interior do Brasil.
Com peças a meio caminho entre o popular e o luxuoso, sua clientela está interessada em design, mas não necessariamente disposta a gastar dezenas de milhares de reais numa poltrona de Sergio Rodrigues ou num carrinho de chá de Jorge Zalszupin, para lembrar dois nomes do mobiliário moderno que influenciaram Jaeger — as cadeiras de sua marca variam de R$ 650 a R$ 3.540, por exemplo.
A preocupação em ser acessível vem de sua formação superior, quando cursou desenho industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no final dos anos 1970. "A gente tinha uma visão mais social, os professores estimulavam muito para a gente desenhar equipamentos públicos urbanos", ele conta, em entrevista por vídeo.
Junto com outros três colegas, Jaeger ganhou um concurso universitário para o desenho de torres de observação de salva-vidas a serem instaladas nas areias da orla carioca, mas o projeto nunca saiu do papel. Nessa mesma época, ele se aventurou pelo design gráfico, ao criar o logotipo da Fundação Universitária José Bonifácio, filiada à UFRJ, usado pela instituição até hoje.
A guinada para o setor moveleiro veio no início dos anos 1980, quando, recém formado, foi contratado pela empresa Phenix para desenhar uma linha de móveis tubulares. Era uma época em que o design de mobiliário no Brasil "tinha zero importância" e o mercado de trabalho era quase inexistente, diz Yáskara Jaeger, sua companheira de vida e de trabalho.
Durante a ditadura, acrescenta ela, o país era muito fechado e se tinha pouco contato com as tendências de design do exterior. "Eram anos difíceis, de repressão, não tinha incentivo. Nem se falava em design."
Com o fim dos anos de chumbo e a abertura comercial, surgiram lojas de design contemporâneo, mudando o panorama da decoração por aqui —até então, predominavam móveis de estilo colonial ou "poltronas Luís 15, Luís 14, móveis da época do Império", diz Jaeger. Segundo ele, o comércio ascendente foi beneficiado por uma indústria moveleira que dispunha de maquinário adequado à produção seriada. Jaeger credita à Phenix seu aprendizado da parte industrial do design, e à Tok&Stok o conhecimento de como funciona a venda para o consumidor.
Como freelancer, desenhou durante anos dezenas de produtos de forma anônima para a empresa, antes de lançar sua marca própria. A cama Patente, projetada por ele com base na cama em que dormia quando era criança, está em linha na varejista até hoje.
Nos anos 1990, passou a investir em showrooms próprios, em São Paulo, para comercializar sua produção. A clientela aumentou a partir de uma reportagem que o apresentava como destaque da nova geração de designers paulistas.
Anos mais tarde, desenhou uma peça que deu a ele mais projeção e virou um dos clássicos de sua marca — o banco Bienal, com pernas curvadas de aço pintado de preto e assento revestido de tecido em diversas tonalidades, feito sob encomenda para o bar dos 50 anos da Bienal de São Paulo.
Uma das assinaturas do designer é o uso de diversos tipos de madeira, que emprega tanto em sua linha comercial quanto na feita sob medida. Como afirma Marili Brandão no livro, o material é sustentável, familiar ao consumidor e durável. A cadeira Ox, de 1991, foi o primeiro móvel brasileiro de eucalipto a ser produzido em série, o que rendeu a Jaeger um prêmio pelo uso de madeira alternativa.
"A gente se recusa a fazer o descartável, a obsolescência programada, projetar um móvel para durar pouco", afirma Jaeger, acrescentando que sua marca não dispõe de uma marcenaria própria, como muitos outros designers.
Outra peculiaridade de seu trabalho é o uso das cores, como se pode ver em suas lojas em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambientadas por Yáskara como se fossem uma casa. Numa simulação de sala de estar, por exemplo, um sofá em tom de telha com a cara do conforto combina com um tapete de sisal cinza escuro.
Jaeger não gosta de dizer que "vende móveis", mas sim "sensações, estilo de vida, um jeito de morar mais casual".
Fonte: Folha de São Paulo. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.
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Designer Fernando Jaeger comemora 20 anos de Rio | O Globo
Do primeiro apê pequenininho de um jovem à casa de família cheia de espaço, quase sempre há um detalhe em comum: uma peça assinada por Fernando Jaeger. Ele, de fato, conseguiu democratizar o design. O gaúcho de 63 anos, que nasceu em Santa Cruz do Sul, veio para o Rio fazer faculdade (estudou Desenho Industrial na UFRJ) e escolheu São Paulo para morar, ficou famoso por juntar beleza, funcionalidade e sustentabilidade a preços acessíveis. Resultado: um boom de vendas, que quase não sente crises (em 2018, foram vendidas 40 mil peças) e que conquista novos clientes, dos mais variados perfis, a cada lançamento. “Não adianta criar algo lindo e colocar o preço lá em cima. Faço design democrático, essa é a minha filosofia”, conta ele. Avesso ao móvel de vitrine, Fernando gosta de ver os seus sendo usados, fazendo parte de histórias. São cerca de 25 peças novas por ano, um catálogo que soma 280 produtos em linha a preços que vão de R$ 229 (cadeira Mini Spaghetti da Pronto para Levar) a R$ 37.310 (sofá Biggy, estofado em veludo, do Atelier).
A primeira loja que Jaeger abriu foi em São Paulo, mas três anos depois já fincava o pé no Rio, cidade que batiza várias de suas peças. Este ano, ele comemora duas décadas de endereço carioca e segue entusiasmado em levar o espírito e as formas da cidade para seu trabalho. Há série inspirada em Copacabana e na Gávea, por exemplo. “A poltrona Zé também é a cara do Rio. Ela tem um visual leve e descontraído bem carioca”, diz ele.
Nos 20 anos em que a marca está por aqui, a maior parte deles foi em um casarão no Jardim Botânico, agora reduto tanto das coleções sob encomenda quanto da prêt-à-porter. Foi ali que ele lançou sua primeira experiência usando mármores, que acaba de virar uma coleção de bancos, aparadores e mesas. “O Brasil tem a maior quantidade de rochas ornamentais do mundo. Só que exporta grande parte delas”, diz Jaeger, frisando: “Temos que valorizar o que é daqui. Minha produção é totalmente nacional.”
Fonte: O Globo. Consultado pela última vez em 7 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Forbes. Consultado pela última vez em 6 de agosto de 2024.