O Relógio de Bolso “Fico” (1922, Bélgica) fabricado pela Chronos, utilizando o movimento suíço da marca Prima e montagem atribuída ao relojoeiro belga Adriano Huybers. Foi criado especialmente para o Centenário da Independência do Brasil, uma peça histórica de alta relojoaria. Produzido em edição limitada, o relógio traz referências diretas à independência brasileira, com inscrições e relevo representando o Grito do Ipiranga, o brasão da República e datas políticas importantes na história do Brasil. A palavra “Fico”, gravada no botão de corda, faz referência à célebre declaração de Dom Pedro I.
Relógio de Bolso “Fico” | Arremate Arte
Criado em 1922 para celebrar o Centenário da Independência do Brasil, o relógio de bolso conhecido como “Fico” tornou-se uma das peças mais emblemáticas da cultura material brasileira. Seu nome remete à famosa frase atribuída a Dom Pedro I — “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” — pronunciada em 9 de janeiro de 1822, um dos momentos mais decisivos do processo de emancipação do país.
Produzido com mecanismos suíços de alta precisão da marca Prima, o relógio é atribuído ao relojoeiro belga Adriano Huybers, embora ainda haja incertezas quanto ao seu local exato de montagem — Suíça ou Bélgica. Estima-se que tenham sido fabricados entre 5.000 e 10.000 exemplares, em tiragem limitada, o que torna o objeto altamente raro e valorizado no mercado de antiguidades e colecionismo.
A estética do relógio é marcada por forte simbolismo nacional. Sua tampa traseira exibe em alto-relevo uma representação do Grito do Ipiranga, acompanhada da inscrição “Independência ou Morte”, enquanto a frente traz o brasão da República. Nas laterais, aparecem datas fundamentais da história brasileira: 1825 (reconhecimento da independência), 1888 (Abolição da Escravatura), 1889 (Proclamação da República) e 1891 (primeira Constituição republicana). No botão de corda, a palavra “Fico” está gravada de forma discreta, porém emblemática.
Muito além de seu valor funcional ou estético, o relógio “Fico” representa um elo entre a história política do Brasil e a cultura da memória. É frequentemente incluído em acervos de museus, coleções privadas e exposições dedicadas à história da Independência ou da relojoaria clássica.
Símbolo do tempo, da decisão e da soberania, o “Fico” permanece como um marco da identidade nacional e da arte relojoeira do início do século XX, evocando com elegância o passado que ainda pulsa no presente.
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Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil | Mega Curioso
Talvez você não sabia, mas São Paulo abriga um museu bastante peculiar que é o maior da América Latina no assunto: o Museu do Relógio. Localizado no bairro da Vila Leopoldina, a instituição conta com um acervo de mais de 600 peças vindas de todas as partes do mundo e foi fundado em 1950 pelo prof. Dimas de Melo Pimenta.
No ano do bicentenário da independência brasileira, o museu apresenta a seus visitantes um relógio muito especial, de nada menos que 100 anos atrás, em homenagem ao Centenário da Independência. Comercializado pelo relojoeiro belga Adriano Huybers em 1922, a peça é destaque da 49ª Retrospectiva do Museu do Relógio, tradicional evento que acontece anualmente no feriado de 15 de novembro.
O relógio
Com um mecanismo de origem suíça da marca Prima, o relógio em homenagem ao Centenário da Independência tem um mostrador único, produzido em material metálico banhado em prata. A peça conta com o brasão de armas da República Brasileira em alto relevo, tem a marcação de horas em algarismos romanos e a indicação de segundos em escala própria. Outro aspecto que chama atenção é a inscrição “Fico”, localizada na base de fixação da coroa do relógio, que remete ao episódio de 9 de janeiro de 1822, data em que D. Pedro I recusou-se a obedecer às ordens de retorno a Portugal.
Além de conhecer a peça em destaque no evento, o público pode conferir outros relógios de diferentes estilos, épocas e partes do mundo. Com mais de 70 anos de história, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta é fruto do sonho e dedicação de seu fundador, que dá nome ao espaço, e é o único do gênero na América Latina. O local é administrado pela DIMEP, a mais antiga fabricante de relógios de ponto do país, com 85 anos. A retrospectiva anual do Museu do Relógio é a única data no ano em que o museu abre em um final de semana, tornando a vista uma oportunidade única para aqueles que não conseguem ir nos demais dias. O evento acontece de 12 a 15 de novembro e tem entrada gratuita.
Fonte: Mega Curioso, “Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil", escrito por Rafael Farinaccio, publicado em 11 de novembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
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Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos | Correio do Estado
Forjado em aço e ouro e com as insígnias da República Federativa do Brasil, um relógio de bolso destinado ao Brasil, em 1922, durante a comemoração do centenário da Independência, pertence à família do advogado Josélio Silveira de Barros há quase 100 anos.
Ao Correio do Estado, Barros explicou que o artefato histórico foi um presente de Getúlio Vargas a seu pai, Vicente de Barros Leite, que nasceu no Rio Grande do Sul e posteriormente mudou-se para o interior do Estado, ainda no antigo Mato Grosso.
Amigo de longa data do político, Vargas presenteou Vicente com a relíquia depois de assumir a Presidência do Brasil, em 1930.
A história do relógio centenário é complexa e divergente.
Alguns locais relatam que o item foi confeccionado pelo artesão europeu A. Huijbers. Teoria que se comprova com a presença da assinatura do artista na parte traseira do relógio.
Entretanto, não há vestígios a respeito do artesão, tampouco histórico da relação do mesmo com a peça.
Outra discrepância é em relação ao número de exemplares feitos e a origem.
Em alguns sites de leilões, a descrição da peça indica que os relógios foram feitos na Bélgica ou na Suíça.
Já em relação à quantidade destinada ao Brasil há divergência, de 100 relógios comemorativos à 10 mil peças, sendo 5 mil de ouro.
Ligação Antiga
Josélio Silveira de Barros explicou que o pai conheceu o antigo presidente ainda na infância, durante o colégio, e foram amigos próximos por longos anos.
Na vida adulta, Vicente e Getúlio se interessavam por política, trabalhavam juntos e trocavam correspondências com regularidade.
O advogado aposentado não soube dizer com certeza em que ano Vargas presenteou o pai com o relógio. A relíquia ficou com o progenitor da família Barros até outubro de 1953, quando faleceu.
Herança
Após a morte, Josélio e mais os seis irmãos resolveram sortear os bens do pai. Na ocasião, o relógio ficou com o filho mais novo, Adyr Silveira de Barros.
“Papai usava o relógio e tínhamos muita admiração, então, quando faleceu, ficava em um cofre em casa. Aí resolvemos fazer um sorteio. A gente admirava muito o pai, ele era um gaúcho muito legal”, comentou Barros.
No sorteio, Josélio herdou um revólver calibre 32. Entre os bens também estavam uma espada, outro revólver e um cavalo de raça. “Eu ganhei um revólver na caixa, novinho. Naquele tempo, usava muita arma. Ele tinha um outro, com cabo de madrepérola, lindo, que saiu para outro irmão”, acrescentou.
Dos sete filhos de Vicente de Barros Leite, apenas Josélio e uma das irmãs, de 93 anos, estão vivos.
O caçula faleceu em 2017, e a herança do relógio da Independência foi passada para a filha. “A minha sobrinha me emprestou para mostrar, e eu prometi que não deixaria ninguém pegar”, pontuou.
Para Josélio, ter o relógio na família significa a existência de mais uma memória viva do pai.
Quando perguntado se venderia a joia, caso fosse de posse do mesmo, Josélio afirmou que não há quantia que compre o simbolismo da peça.
“Eu não vendo de jeito nenhum. Eu sempre falava pro meu irmão me dar o relógio, porque queria ele, mas acabou que fiquei com outra coisa. Ele significa uma herança do meu pai, que recebeu uma joia histórica e que representa um marco na história do Brasil”, salientou.
O advogado evidenciou que o exemplar foi fabricado em aço negro, mas que o irmão mais novo, ingenuamente, mandou polir o relógio, “descaracterizou um pouco”, adicionou.
O relógio
O exemplar não está funcionando, entretanto, Josélio assegurou que o problema é fácil de ser resolvido, e que, até pouco tempo, a peça funcionava perfeitamente.
Acoplado à corrente que suspende a peça consta uma moeda de 20 cruzeiros, com o mapa do Brasil em alto-relevo.
De acordo com o filho de Vicente de Barros Leite, uma das características que torna o relógio especial, além da lembrança do pai, são os detalhes.
No corpo, na parte traseira está o busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Na parte da frente, existe a estampa do emblema da República.
No botão de corda, a palavra “fico”, em referência ao dia, da famosa frase dita por Dom Pedro: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico”, em 9 de janeiro de 1822.
Na parte lateral da joia, as datas comemorativas: 1825, primeira Constituição do Brasil (aqui considera-se um erro do artista A. Huijbers); 1888, data da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil; 1889, Proclamação da República Brasileira; e 1891, promulgação da primeira Constituição republicana do Brasil.
Por último, e não menos importante, na parte posterior da caixa do relógio, que possui duas tampas, a tampa externa traz em alto-relevo a imagem de D. Pedro I na cena do Grito do Ipiranga, com a inscrição “independência ou morte”.
“Meu interesse no mundo nunca foi dinheiro. Eu acho que tudo que é arte tem de ser mostrada. Eu detesto biblioteca. Toda a vida os milhões de livros que eu tive eu doei. Eu acho que ele tem de circular”, finalizou Josélio.
Conforme apurado, o relógio de comemoração do centenário da Independência foi feito no governo do 11° presidente da República Brasileira, Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa. Ele esteve à frente do País de 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922.
200 Anos
Este ano, em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil, não serão entregues relógios de bolso, mas comercializadas moedas.
O Banco Central (BC) lançou em julho duas moedas comemorativas alusivas a 7 de Setembro, dia da Proclamação da Independência. Uma delas é de prata e a outra é de cuproníquel (liga de cobre e de níquel).
As moedas foram produzidas pela Casa da Moeda, sendo destinadas a colecionadores.
Conforme o site autorizado pela venda exclusiva dos itens, Clube da Medalha, a moeda de prata custa R$ 420,00 e a de cuproníquel, R$ 34.
Independência
O processo histórico de separação entre Brasil e Portugal aconteceu em 7 de setembro de 1822.
Após proclamação, feita por Dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, com os dizeres: “Independência ou morte”. As palavras ficaram conhecidas como grito da independência.
O episódio é considerado um dos mais importantes da história do País, por colocar fim ao domínio econômico e político de Portugal sob o Brasil.
Fonte: Correio do Estado, “Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos”, escrito por Natalia Olliver, publicado em 7 de setembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
Crédito fotográfico: Galeria Alphaville, leilão 223, "Leilão Coleção Pepita Perrotta (1935/2024), e outros.", lote 564. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
O Relógio de Bolso “Fico” (1922, Bélgica) fabricado pela Chronos, utilizando o movimento suíço da marca Prima e montagem atribuída ao relojoeiro belga Adriano Huybers. Foi criado especialmente para o Centenário da Independência do Brasil, uma peça histórica de alta relojoaria. Produzido em edição limitada, o relógio traz referências diretas à independência brasileira, com inscrições e relevo representando o Grito do Ipiranga, o brasão da República e datas políticas importantes na história do Brasil. A palavra “Fico”, gravada no botão de corda, faz referência à célebre declaração de Dom Pedro I.
Relógio de Bolso “Fico” | Arremate Arte
Criado em 1922 para celebrar o Centenário da Independência do Brasil, o relógio de bolso conhecido como “Fico” tornou-se uma das peças mais emblemáticas da cultura material brasileira. Seu nome remete à famosa frase atribuída a Dom Pedro I — “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” — pronunciada em 9 de janeiro de 1822, um dos momentos mais decisivos do processo de emancipação do país.
Produzido com mecanismos suíços de alta precisão da marca Prima, o relógio é atribuído ao relojoeiro belga Adriano Huybers, embora ainda haja incertezas quanto ao seu local exato de montagem — Suíça ou Bélgica. Estima-se que tenham sido fabricados entre 5.000 e 10.000 exemplares, em tiragem limitada, o que torna o objeto altamente raro e valorizado no mercado de antiguidades e colecionismo.
A estética do relógio é marcada por forte simbolismo nacional. Sua tampa traseira exibe em alto-relevo uma representação do Grito do Ipiranga, acompanhada da inscrição “Independência ou Morte”, enquanto a frente traz o brasão da República. Nas laterais, aparecem datas fundamentais da história brasileira: 1825 (reconhecimento da independência), 1888 (Abolição da Escravatura), 1889 (Proclamação da República) e 1891 (primeira Constituição republicana). No botão de corda, a palavra “Fico” está gravada de forma discreta, porém emblemática.
Muito além de seu valor funcional ou estético, o relógio “Fico” representa um elo entre a história política do Brasil e a cultura da memória. É frequentemente incluído em acervos de museus, coleções privadas e exposições dedicadas à história da Independência ou da relojoaria clássica.
Símbolo do tempo, da decisão e da soberania, o “Fico” permanece como um marco da identidade nacional e da arte relojoeira do início do século XX, evocando com elegância o passado que ainda pulsa no presente.
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Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil | Mega Curioso
Talvez você não sabia, mas São Paulo abriga um museu bastante peculiar que é o maior da América Latina no assunto: o Museu do Relógio. Localizado no bairro da Vila Leopoldina, a instituição conta com um acervo de mais de 600 peças vindas de todas as partes do mundo e foi fundado em 1950 pelo prof. Dimas de Melo Pimenta.
No ano do bicentenário da independência brasileira, o museu apresenta a seus visitantes um relógio muito especial, de nada menos que 100 anos atrás, em homenagem ao Centenário da Independência. Comercializado pelo relojoeiro belga Adriano Huybers em 1922, a peça é destaque da 49ª Retrospectiva do Museu do Relógio, tradicional evento que acontece anualmente no feriado de 15 de novembro.
O relógio
Com um mecanismo de origem suíça da marca Prima, o relógio em homenagem ao Centenário da Independência tem um mostrador único, produzido em material metálico banhado em prata. A peça conta com o brasão de armas da República Brasileira em alto relevo, tem a marcação de horas em algarismos romanos e a indicação de segundos em escala própria. Outro aspecto que chama atenção é a inscrição “Fico”, localizada na base de fixação da coroa do relógio, que remete ao episódio de 9 de janeiro de 1822, data em que D. Pedro I recusou-se a obedecer às ordens de retorno a Portugal.
Além de conhecer a peça em destaque no evento, o público pode conferir outros relógios de diferentes estilos, épocas e partes do mundo. Com mais de 70 anos de história, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta é fruto do sonho e dedicação de seu fundador, que dá nome ao espaço, e é o único do gênero na América Latina. O local é administrado pela DIMEP, a mais antiga fabricante de relógios de ponto do país, com 85 anos. A retrospectiva anual do Museu do Relógio é a única data no ano em que o museu abre em um final de semana, tornando a vista uma oportunidade única para aqueles que não conseguem ir nos demais dias. O evento acontece de 12 a 15 de novembro e tem entrada gratuita.
Fonte: Mega Curioso, “Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil", escrito por Rafael Farinaccio, publicado em 11 de novembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
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Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos | Correio do Estado
Forjado em aço e ouro e com as insígnias da República Federativa do Brasil, um relógio de bolso destinado ao Brasil, em 1922, durante a comemoração do centenário da Independência, pertence à família do advogado Josélio Silveira de Barros há quase 100 anos.
Ao Correio do Estado, Barros explicou que o artefato histórico foi um presente de Getúlio Vargas a seu pai, Vicente de Barros Leite, que nasceu no Rio Grande do Sul e posteriormente mudou-se para o interior do Estado, ainda no antigo Mato Grosso.
Amigo de longa data do político, Vargas presenteou Vicente com a relíquia depois de assumir a Presidência do Brasil, em 1930.
A história do relógio centenário é complexa e divergente.
Alguns locais relatam que o item foi confeccionado pelo artesão europeu A. Huijbers. Teoria que se comprova com a presença da assinatura do artista na parte traseira do relógio.
Entretanto, não há vestígios a respeito do artesão, tampouco histórico da relação do mesmo com a peça.
Outra discrepância é em relação ao número de exemplares feitos e a origem.
Em alguns sites de leilões, a descrição da peça indica que os relógios foram feitos na Bélgica ou na Suíça.
Já em relação à quantidade destinada ao Brasil há divergência, de 100 relógios comemorativos à 10 mil peças, sendo 5 mil de ouro.
Ligação Antiga
Josélio Silveira de Barros explicou que o pai conheceu o antigo presidente ainda na infância, durante o colégio, e foram amigos próximos por longos anos.
Na vida adulta, Vicente e Getúlio se interessavam por política, trabalhavam juntos e trocavam correspondências com regularidade.
O advogado aposentado não soube dizer com certeza em que ano Vargas presenteou o pai com o relógio. A relíquia ficou com o progenitor da família Barros até outubro de 1953, quando faleceu.
Herança
Após a morte, Josélio e mais os seis irmãos resolveram sortear os bens do pai. Na ocasião, o relógio ficou com o filho mais novo, Adyr Silveira de Barros.
“Papai usava o relógio e tínhamos muita admiração, então, quando faleceu, ficava em um cofre em casa. Aí resolvemos fazer um sorteio. A gente admirava muito o pai, ele era um gaúcho muito legal”, comentou Barros.
No sorteio, Josélio herdou um revólver calibre 32. Entre os bens também estavam uma espada, outro revólver e um cavalo de raça. “Eu ganhei um revólver na caixa, novinho. Naquele tempo, usava muita arma. Ele tinha um outro, com cabo de madrepérola, lindo, que saiu para outro irmão”, acrescentou.
Dos sete filhos de Vicente de Barros Leite, apenas Josélio e uma das irmãs, de 93 anos, estão vivos.
O caçula faleceu em 2017, e a herança do relógio da Independência foi passada para a filha. “A minha sobrinha me emprestou para mostrar, e eu prometi que não deixaria ninguém pegar”, pontuou.
Para Josélio, ter o relógio na família significa a existência de mais uma memória viva do pai.
Quando perguntado se venderia a joia, caso fosse de posse do mesmo, Josélio afirmou que não há quantia que compre o simbolismo da peça.
“Eu não vendo de jeito nenhum. Eu sempre falava pro meu irmão me dar o relógio, porque queria ele, mas acabou que fiquei com outra coisa. Ele significa uma herança do meu pai, que recebeu uma joia histórica e que representa um marco na história do Brasil”, salientou.
O advogado evidenciou que o exemplar foi fabricado em aço negro, mas que o irmão mais novo, ingenuamente, mandou polir o relógio, “descaracterizou um pouco”, adicionou.
O relógio
O exemplar não está funcionando, entretanto, Josélio assegurou que o problema é fácil de ser resolvido, e que, até pouco tempo, a peça funcionava perfeitamente.
Acoplado à corrente que suspende a peça consta uma moeda de 20 cruzeiros, com o mapa do Brasil em alto-relevo.
De acordo com o filho de Vicente de Barros Leite, uma das características que torna o relógio especial, além da lembrança do pai, são os detalhes.
No corpo, na parte traseira está o busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Na parte da frente, existe a estampa do emblema da República.
No botão de corda, a palavra “fico”, em referência ao dia, da famosa frase dita por Dom Pedro: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico”, em 9 de janeiro de 1822.
Na parte lateral da joia, as datas comemorativas: 1825, primeira Constituição do Brasil (aqui considera-se um erro do artista A. Huijbers); 1888, data da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil; 1889, Proclamação da República Brasileira; e 1891, promulgação da primeira Constituição republicana do Brasil.
Por último, e não menos importante, na parte posterior da caixa do relógio, que possui duas tampas, a tampa externa traz em alto-relevo a imagem de D. Pedro I na cena do Grito do Ipiranga, com a inscrição “independência ou morte”.
“Meu interesse no mundo nunca foi dinheiro. Eu acho que tudo que é arte tem de ser mostrada. Eu detesto biblioteca. Toda a vida os milhões de livros que eu tive eu doei. Eu acho que ele tem de circular”, finalizou Josélio.
Conforme apurado, o relógio de comemoração do centenário da Independência foi feito no governo do 11° presidente da República Brasileira, Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa. Ele esteve à frente do País de 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922.
200 Anos
Este ano, em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil, não serão entregues relógios de bolso, mas comercializadas moedas.
O Banco Central (BC) lançou em julho duas moedas comemorativas alusivas a 7 de Setembro, dia da Proclamação da Independência. Uma delas é de prata e a outra é de cuproníquel (liga de cobre e de níquel).
As moedas foram produzidas pela Casa da Moeda, sendo destinadas a colecionadores.
Conforme o site autorizado pela venda exclusiva dos itens, Clube da Medalha, a moeda de prata custa R$ 420,00 e a de cuproníquel, R$ 34.
Independência
O processo histórico de separação entre Brasil e Portugal aconteceu em 7 de setembro de 1822.
Após proclamação, feita por Dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, com os dizeres: “Independência ou morte”. As palavras ficaram conhecidas como grito da independência.
O episódio é considerado um dos mais importantes da história do País, por colocar fim ao domínio econômico e político de Portugal sob o Brasil.
Fonte: Correio do Estado, “Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos”, escrito por Natalia Olliver, publicado em 7 de setembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
Crédito fotográfico: Galeria Alphaville, leilão 223, "Leilão Coleção Pepita Perrotta (1935/2024), e outros.", lote 564. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
O Relógio de Bolso “Fico” (1922, Bélgica) fabricado pela Chronos, utilizando o movimento suíço da marca Prima e montagem atribuída ao relojoeiro belga Adriano Huybers. Foi criado especialmente para o Centenário da Independência do Brasil, uma peça histórica de alta relojoaria. Produzido em edição limitada, o relógio traz referências diretas à independência brasileira, com inscrições e relevo representando o Grito do Ipiranga, o brasão da República e datas políticas importantes na história do Brasil. A palavra “Fico”, gravada no botão de corda, faz referência à célebre declaração de Dom Pedro I.
Relógio de Bolso “Fico” | Arremate Arte
Criado em 1922 para celebrar o Centenário da Independência do Brasil, o relógio de bolso conhecido como “Fico” tornou-se uma das peças mais emblemáticas da cultura material brasileira. Seu nome remete à famosa frase atribuída a Dom Pedro I — “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” — pronunciada em 9 de janeiro de 1822, um dos momentos mais decisivos do processo de emancipação do país.
Produzido com mecanismos suíços de alta precisão da marca Prima, o relógio é atribuído ao relojoeiro belga Adriano Huybers, embora ainda haja incertezas quanto ao seu local exato de montagem — Suíça ou Bélgica. Estima-se que tenham sido fabricados entre 5.000 e 10.000 exemplares, em tiragem limitada, o que torna o objeto altamente raro e valorizado no mercado de antiguidades e colecionismo.
A estética do relógio é marcada por forte simbolismo nacional. Sua tampa traseira exibe em alto-relevo uma representação do Grito do Ipiranga, acompanhada da inscrição “Independência ou Morte”, enquanto a frente traz o brasão da República. Nas laterais, aparecem datas fundamentais da história brasileira: 1825 (reconhecimento da independência), 1888 (Abolição da Escravatura), 1889 (Proclamação da República) e 1891 (primeira Constituição republicana). No botão de corda, a palavra “Fico” está gravada de forma discreta, porém emblemática.
Muito além de seu valor funcional ou estético, o relógio “Fico” representa um elo entre a história política do Brasil e a cultura da memória. É frequentemente incluído em acervos de museus, coleções privadas e exposições dedicadas à história da Independência ou da relojoaria clássica.
Símbolo do tempo, da decisão e da soberania, o “Fico” permanece como um marco da identidade nacional e da arte relojoeira do início do século XX, evocando com elegância o passado que ainda pulsa no presente.
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Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil | Mega Curioso
Talvez você não sabia, mas São Paulo abriga um museu bastante peculiar que é o maior da América Latina no assunto: o Museu do Relógio. Localizado no bairro da Vila Leopoldina, a instituição conta com um acervo de mais de 600 peças vindas de todas as partes do mundo e foi fundado em 1950 pelo prof. Dimas de Melo Pimenta.
No ano do bicentenário da independência brasileira, o museu apresenta a seus visitantes um relógio muito especial, de nada menos que 100 anos atrás, em homenagem ao Centenário da Independência. Comercializado pelo relojoeiro belga Adriano Huybers em 1922, a peça é destaque da 49ª Retrospectiva do Museu do Relógio, tradicional evento que acontece anualmente no feriado de 15 de novembro.
O relógio
Com um mecanismo de origem suíça da marca Prima, o relógio em homenagem ao Centenário da Independência tem um mostrador único, produzido em material metálico banhado em prata. A peça conta com o brasão de armas da República Brasileira em alto relevo, tem a marcação de horas em algarismos romanos e a indicação de segundos em escala própria. Outro aspecto que chama atenção é a inscrição “Fico”, localizada na base de fixação da coroa do relógio, que remete ao episódio de 9 de janeiro de 1822, data em que D. Pedro I recusou-se a obedecer às ordens de retorno a Portugal.
Além de conhecer a peça em destaque no evento, o público pode conferir outros relógios de diferentes estilos, épocas e partes do mundo. Com mais de 70 anos de história, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta é fruto do sonho e dedicação de seu fundador, que dá nome ao espaço, e é o único do gênero na América Latina. O local é administrado pela DIMEP, a mais antiga fabricante de relógios de ponto do país, com 85 anos. A retrospectiva anual do Museu do Relógio é a única data no ano em que o museu abre em um final de semana, tornando a vista uma oportunidade única para aqueles que não conseguem ir nos demais dias. O evento acontece de 12 a 15 de novembro e tem entrada gratuita.
Fonte: Mega Curioso, “Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil", escrito por Rafael Farinaccio, publicado em 11 de novembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
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Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos | Correio do Estado
Forjado em aço e ouro e com as insígnias da República Federativa do Brasil, um relógio de bolso destinado ao Brasil, em 1922, durante a comemoração do centenário da Independência, pertence à família do advogado Josélio Silveira de Barros há quase 100 anos.
Ao Correio do Estado, Barros explicou que o artefato histórico foi um presente de Getúlio Vargas a seu pai, Vicente de Barros Leite, que nasceu no Rio Grande do Sul e posteriormente mudou-se para o interior do Estado, ainda no antigo Mato Grosso.
Amigo de longa data do político, Vargas presenteou Vicente com a relíquia depois de assumir a Presidência do Brasil, em 1930.
A história do relógio centenário é complexa e divergente.
Alguns locais relatam que o item foi confeccionado pelo artesão europeu A. Huijbers. Teoria que se comprova com a presença da assinatura do artista na parte traseira do relógio.
Entretanto, não há vestígios a respeito do artesão, tampouco histórico da relação do mesmo com a peça.
Outra discrepância é em relação ao número de exemplares feitos e a origem.
Em alguns sites de leilões, a descrição da peça indica que os relógios foram feitos na Bélgica ou na Suíça.
Já em relação à quantidade destinada ao Brasil há divergência, de 100 relógios comemorativos à 10 mil peças, sendo 5 mil de ouro.
Ligação Antiga
Josélio Silveira de Barros explicou que o pai conheceu o antigo presidente ainda na infância, durante o colégio, e foram amigos próximos por longos anos.
Na vida adulta, Vicente e Getúlio se interessavam por política, trabalhavam juntos e trocavam correspondências com regularidade.
O advogado aposentado não soube dizer com certeza em que ano Vargas presenteou o pai com o relógio. A relíquia ficou com o progenitor da família Barros até outubro de 1953, quando faleceu.
Herança
Após a morte, Josélio e mais os seis irmãos resolveram sortear os bens do pai. Na ocasião, o relógio ficou com o filho mais novo, Adyr Silveira de Barros.
“Papai usava o relógio e tínhamos muita admiração, então, quando faleceu, ficava em um cofre em casa. Aí resolvemos fazer um sorteio. A gente admirava muito o pai, ele era um gaúcho muito legal”, comentou Barros.
No sorteio, Josélio herdou um revólver calibre 32. Entre os bens também estavam uma espada, outro revólver e um cavalo de raça. “Eu ganhei um revólver na caixa, novinho. Naquele tempo, usava muita arma. Ele tinha um outro, com cabo de madrepérola, lindo, que saiu para outro irmão”, acrescentou.
Dos sete filhos de Vicente de Barros Leite, apenas Josélio e uma das irmãs, de 93 anos, estão vivos.
O caçula faleceu em 2017, e a herança do relógio da Independência foi passada para a filha. “A minha sobrinha me emprestou para mostrar, e eu prometi que não deixaria ninguém pegar”, pontuou.
Para Josélio, ter o relógio na família significa a existência de mais uma memória viva do pai.
Quando perguntado se venderia a joia, caso fosse de posse do mesmo, Josélio afirmou que não há quantia que compre o simbolismo da peça.
“Eu não vendo de jeito nenhum. Eu sempre falava pro meu irmão me dar o relógio, porque queria ele, mas acabou que fiquei com outra coisa. Ele significa uma herança do meu pai, que recebeu uma joia histórica e que representa um marco na história do Brasil”, salientou.
O advogado evidenciou que o exemplar foi fabricado em aço negro, mas que o irmão mais novo, ingenuamente, mandou polir o relógio, “descaracterizou um pouco”, adicionou.
O relógio
O exemplar não está funcionando, entretanto, Josélio assegurou que o problema é fácil de ser resolvido, e que, até pouco tempo, a peça funcionava perfeitamente.
Acoplado à corrente que suspende a peça consta uma moeda de 20 cruzeiros, com o mapa do Brasil em alto-relevo.
De acordo com o filho de Vicente de Barros Leite, uma das características que torna o relógio especial, além da lembrança do pai, são os detalhes.
No corpo, na parte traseira está o busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Na parte da frente, existe a estampa do emblema da República.
No botão de corda, a palavra “fico”, em referência ao dia, da famosa frase dita por Dom Pedro: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico”, em 9 de janeiro de 1822.
Na parte lateral da joia, as datas comemorativas: 1825, primeira Constituição do Brasil (aqui considera-se um erro do artista A. Huijbers); 1888, data da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil; 1889, Proclamação da República Brasileira; e 1891, promulgação da primeira Constituição republicana do Brasil.
Por último, e não menos importante, na parte posterior da caixa do relógio, que possui duas tampas, a tampa externa traz em alto-relevo a imagem de D. Pedro I na cena do Grito do Ipiranga, com a inscrição “independência ou morte”.
“Meu interesse no mundo nunca foi dinheiro. Eu acho que tudo que é arte tem de ser mostrada. Eu detesto biblioteca. Toda a vida os milhões de livros que eu tive eu doei. Eu acho que ele tem de circular”, finalizou Josélio.
Conforme apurado, o relógio de comemoração do centenário da Independência foi feito no governo do 11° presidente da República Brasileira, Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa. Ele esteve à frente do País de 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922.
200 Anos
Este ano, em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil, não serão entregues relógios de bolso, mas comercializadas moedas.
O Banco Central (BC) lançou em julho duas moedas comemorativas alusivas a 7 de Setembro, dia da Proclamação da Independência. Uma delas é de prata e a outra é de cuproníquel (liga de cobre e de níquel).
As moedas foram produzidas pela Casa da Moeda, sendo destinadas a colecionadores.
Conforme o site autorizado pela venda exclusiva dos itens, Clube da Medalha, a moeda de prata custa R$ 420,00 e a de cuproníquel, R$ 34.
Independência
O processo histórico de separação entre Brasil e Portugal aconteceu em 7 de setembro de 1822.
Após proclamação, feita por Dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, com os dizeres: “Independência ou morte”. As palavras ficaram conhecidas como grito da independência.
O episódio é considerado um dos mais importantes da história do País, por colocar fim ao domínio econômico e político de Portugal sob o Brasil.
Fonte: Correio do Estado, “Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos”, escrito por Natalia Olliver, publicado em 7 de setembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
Crédito fotográfico: Galeria Alphaville, leilão 223, "Leilão Coleção Pepita Perrotta (1935/2024), e outros.", lote 564. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
O Relógio de Bolso “Fico” (1922, Bélgica) fabricado pela Chronos, utilizando o movimento suíço da marca Prima e montagem atribuída ao relojoeiro belga Adriano Huybers. Foi criado especialmente para o Centenário da Independência do Brasil, uma peça histórica de alta relojoaria. Produzido em edição limitada, o relógio traz referências diretas à independência brasileira, com inscrições e relevo representando o Grito do Ipiranga, o brasão da República e datas políticas importantes na história do Brasil. A palavra “Fico”, gravada no botão de corda, faz referência à célebre declaração de Dom Pedro I.
Relógio de Bolso “Fico” | Arremate Arte
Criado em 1922 para celebrar o Centenário da Independência do Brasil, o relógio de bolso conhecido como “Fico” tornou-se uma das peças mais emblemáticas da cultura material brasileira. Seu nome remete à famosa frase atribuída a Dom Pedro I — “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” — pronunciada em 9 de janeiro de 1822, um dos momentos mais decisivos do processo de emancipação do país.
Produzido com mecanismos suíços de alta precisão da marca Prima, o relógio é atribuído ao relojoeiro belga Adriano Huybers, embora ainda haja incertezas quanto ao seu local exato de montagem — Suíça ou Bélgica. Estima-se que tenham sido fabricados entre 5.000 e 10.000 exemplares, em tiragem limitada, o que torna o objeto altamente raro e valorizado no mercado de antiguidades e colecionismo.
A estética do relógio é marcada por forte simbolismo nacional. Sua tampa traseira exibe em alto-relevo uma representação do Grito do Ipiranga, acompanhada da inscrição “Independência ou Morte”, enquanto a frente traz o brasão da República. Nas laterais, aparecem datas fundamentais da história brasileira: 1825 (reconhecimento da independência), 1888 (Abolição da Escravatura), 1889 (Proclamação da República) e 1891 (primeira Constituição republicana). No botão de corda, a palavra “Fico” está gravada de forma discreta, porém emblemática.
Muito além de seu valor funcional ou estético, o relógio “Fico” representa um elo entre a história política do Brasil e a cultura da memória. É frequentemente incluído em acervos de museus, coleções privadas e exposições dedicadas à história da Independência ou da relojoaria clássica.
Símbolo do tempo, da decisão e da soberania, o “Fico” permanece como um marco da identidade nacional e da arte relojoeira do início do século XX, evocando com elegância o passado que ainda pulsa no presente.
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Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil | Mega Curioso
Talvez você não sabia, mas São Paulo abriga um museu bastante peculiar que é o maior da América Latina no assunto: o Museu do Relógio. Localizado no bairro da Vila Leopoldina, a instituição conta com um acervo de mais de 600 peças vindas de todas as partes do mundo e foi fundado em 1950 pelo prof. Dimas de Melo Pimenta.
No ano do bicentenário da independência brasileira, o museu apresenta a seus visitantes um relógio muito especial, de nada menos que 100 anos atrás, em homenagem ao Centenário da Independência. Comercializado pelo relojoeiro belga Adriano Huybers em 1922, a peça é destaque da 49ª Retrospectiva do Museu do Relógio, tradicional evento que acontece anualmente no feriado de 15 de novembro.
O relógio
Com um mecanismo de origem suíça da marca Prima, o relógio em homenagem ao Centenário da Independência tem um mostrador único, produzido em material metálico banhado em prata. A peça conta com o brasão de armas da República Brasileira em alto relevo, tem a marcação de horas em algarismos romanos e a indicação de segundos em escala própria. Outro aspecto que chama atenção é a inscrição “Fico”, localizada na base de fixação da coroa do relógio, que remete ao episódio de 9 de janeiro de 1822, data em que D. Pedro I recusou-se a obedecer às ordens de retorno a Portugal.
Além de conhecer a peça em destaque no evento, o público pode conferir outros relógios de diferentes estilos, épocas e partes do mundo. Com mais de 70 anos de história, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta é fruto do sonho e dedicação de seu fundador, que dá nome ao espaço, e é o único do gênero na América Latina. O local é administrado pela DIMEP, a mais antiga fabricante de relógios de ponto do país, com 85 anos. A retrospectiva anual do Museu do Relógio é a única data no ano em que o museu abre em um final de semana, tornando a vista uma oportunidade única para aqueles que não conseguem ir nos demais dias. O evento acontece de 12 a 15 de novembro e tem entrada gratuita.
Fonte: Mega Curioso, “Museu do Relógio exibe peça rara em homenagem à Independência do Brasil", escrito por Rafael Farinaccio, publicado em 11 de novembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
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Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos | Correio do Estado
Forjado em aço e ouro e com as insígnias da República Federativa do Brasil, um relógio de bolso destinado ao Brasil, em 1922, durante a comemoração do centenário da Independência, pertence à família do advogado Josélio Silveira de Barros há quase 100 anos.
Ao Correio do Estado, Barros explicou que o artefato histórico foi um presente de Getúlio Vargas a seu pai, Vicente de Barros Leite, que nasceu no Rio Grande do Sul e posteriormente mudou-se para o interior do Estado, ainda no antigo Mato Grosso.
Amigo de longa data do político, Vargas presenteou Vicente com a relíquia depois de assumir a Presidência do Brasil, em 1930.
A história do relógio centenário é complexa e divergente.
Alguns locais relatam que o item foi confeccionado pelo artesão europeu A. Huijbers. Teoria que se comprova com a presença da assinatura do artista na parte traseira do relógio.
Entretanto, não há vestígios a respeito do artesão, tampouco histórico da relação do mesmo com a peça.
Outra discrepância é em relação ao número de exemplares feitos e a origem.
Em alguns sites de leilões, a descrição da peça indica que os relógios foram feitos na Bélgica ou na Suíça.
Já em relação à quantidade destinada ao Brasil há divergência, de 100 relógios comemorativos à 10 mil peças, sendo 5 mil de ouro.
Ligação Antiga
Josélio Silveira de Barros explicou que o pai conheceu o antigo presidente ainda na infância, durante o colégio, e foram amigos próximos por longos anos.
Na vida adulta, Vicente e Getúlio se interessavam por política, trabalhavam juntos e trocavam correspondências com regularidade.
O advogado aposentado não soube dizer com certeza em que ano Vargas presenteou o pai com o relógio. A relíquia ficou com o progenitor da família Barros até outubro de 1953, quando faleceu.
Herança
Após a morte, Josélio e mais os seis irmãos resolveram sortear os bens do pai. Na ocasião, o relógio ficou com o filho mais novo, Adyr Silveira de Barros.
“Papai usava o relógio e tínhamos muita admiração, então, quando faleceu, ficava em um cofre em casa. Aí resolvemos fazer um sorteio. A gente admirava muito o pai, ele era um gaúcho muito legal”, comentou Barros.
No sorteio, Josélio herdou um revólver calibre 32. Entre os bens também estavam uma espada, outro revólver e um cavalo de raça. “Eu ganhei um revólver na caixa, novinho. Naquele tempo, usava muita arma. Ele tinha um outro, com cabo de madrepérola, lindo, que saiu para outro irmão”, acrescentou.
Dos sete filhos de Vicente de Barros Leite, apenas Josélio e uma das irmãs, de 93 anos, estão vivos.
O caçula faleceu em 2017, e a herança do relógio da Independência foi passada para a filha. “A minha sobrinha me emprestou para mostrar, e eu prometi que não deixaria ninguém pegar”, pontuou.
Para Josélio, ter o relógio na família significa a existência de mais uma memória viva do pai.
Quando perguntado se venderia a joia, caso fosse de posse do mesmo, Josélio afirmou que não há quantia que compre o simbolismo da peça.
“Eu não vendo de jeito nenhum. Eu sempre falava pro meu irmão me dar o relógio, porque queria ele, mas acabou que fiquei com outra coisa. Ele significa uma herança do meu pai, que recebeu uma joia histórica e que representa um marco na história do Brasil”, salientou.
O advogado evidenciou que o exemplar foi fabricado em aço negro, mas que o irmão mais novo, ingenuamente, mandou polir o relógio, “descaracterizou um pouco”, adicionou.
O relógio
O exemplar não está funcionando, entretanto, Josélio assegurou que o problema é fácil de ser resolvido, e que, até pouco tempo, a peça funcionava perfeitamente.
Acoplado à corrente que suspende a peça consta uma moeda de 20 cruzeiros, com o mapa do Brasil em alto-relevo.
De acordo com o filho de Vicente de Barros Leite, uma das características que torna o relógio especial, além da lembrança do pai, são os detalhes.
No corpo, na parte traseira está o busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Na parte da frente, existe a estampa do emblema da República.
No botão de corda, a palavra “fico”, em referência ao dia, da famosa frase dita por Dom Pedro: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico”, em 9 de janeiro de 1822.
Na parte lateral da joia, as datas comemorativas: 1825, primeira Constituição do Brasil (aqui considera-se um erro do artista A. Huijbers); 1888, data da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil; 1889, Proclamação da República Brasileira; e 1891, promulgação da primeira Constituição republicana do Brasil.
Por último, e não menos importante, na parte posterior da caixa do relógio, que possui duas tampas, a tampa externa traz em alto-relevo a imagem de D. Pedro I na cena do Grito do Ipiranga, com a inscrição “independência ou morte”.
“Meu interesse no mundo nunca foi dinheiro. Eu acho que tudo que é arte tem de ser mostrada. Eu detesto biblioteca. Toda a vida os milhões de livros que eu tive eu doei. Eu acho que ele tem de circular”, finalizou Josélio.
Conforme apurado, o relógio de comemoração do centenário da Independência foi feito no governo do 11° presidente da República Brasileira, Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa. Ele esteve à frente do País de 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922.
200 Anos
Este ano, em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil, não serão entregues relógios de bolso, mas comercializadas moedas.
O Banco Central (BC) lançou em julho duas moedas comemorativas alusivas a 7 de Setembro, dia da Proclamação da Independência. Uma delas é de prata e a outra é de cuproníquel (liga de cobre e de níquel).
As moedas foram produzidas pela Casa da Moeda, sendo destinadas a colecionadores.
Conforme o site autorizado pela venda exclusiva dos itens, Clube da Medalha, a moeda de prata custa R$ 420,00 e a de cuproníquel, R$ 34.
Independência
O processo histórico de separação entre Brasil e Portugal aconteceu em 7 de setembro de 1822.
Após proclamação, feita por Dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, com os dizeres: “Independência ou morte”. As palavras ficaram conhecidas como grito da independência.
O episódio é considerado um dos mais importantes da história do País, por colocar fim ao domínio econômico e político de Portugal sob o Brasil.
Fonte: Correio do Estado, “Parte da história da Independência está na família de morador de MS há 100 anos”, escrito por Natalia Olliver, publicado em 7 de setembro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.
Crédito fotográfico: Galeria Alphaville, leilão 223, "Leilão Coleção Pepita Perrotta (1935/2024), e outros.", lote 564. Consultado pela última vez em 24 de abril de 2025.