Gerson Alves de Souza (Recife, PE, 19 de junho de 1926 – Rio de Janeiro, RJ, 2008), mais conhecido como Gerson Alves, foi um pintor, desenhista, gravador e entalhador brasileiro, tendo sido um dos mais importantes e expressivos representantes da arte naif no Brasil. Retratou principalmente figuras ímpares, urbanas, e os segmentos menos favorecidos da nossa sociedade. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol motivaram sua obra. Mesmo consagrado e com várias exposições no Brasil e no exterior, continuou exercendo a função de carteiro nos Correios e Telégrafos até se aposentar.
Biografia
Em 1946, aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e procurou Augusto Rodrigues, um dos fundadores da Escolinha de Arte do Brasil. Foi quando passou a levar a sério o trabalho de artista plástico, onde também aprendeu técnicas de gravura em metal e em madeira. Gerson era casado com outra importante artista naif brasileira Elza de Oliveira Sousa, também já falecida.
O artista contava que o gosto pela pintura vinha desde a infância no Recife. Em suas obras, nota-se figuras ímpares, urbanas e os segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol sempre foram motivo de inspiração para Gerson de Souza.
Críticas:
“O assunto religioso dominou grande parte de sua pintura. Por certo as reminiscências do menino, que no interior conviveu com as cômodas repletas de imagens em barro e madeira, com características muito pessoais, os santos de Gerson mostraram sempre certa dramaticidade que foge a habitual doçura da imagem Luso-Brasileira, sendo mais encontrada nas culturas de origem espanhola” — Ruth Laus
“Na pintura de Gerson, independentemente da variedade de situações, cabe à figura humana o predomínio absoluto. Encarando-nos sempre de frente, na postura hierática e densa que logo as relaciona com indícios de comportamento arcaico, o que se modifica na presença constante dessas figuras é o grau de tensão com que seus olhos enormes e fixos nos observam, em espanto, acusação ou súplica. Tal como em Antônio Maia, outro pintor ligado por origem e opção ao Nordeste, o sobrenatural se transfere para as telas, desenhos, gravuras e talhas de Gerson na forma de uma resultante de diálogo entre o ser humano e o seu inexplicado destino, que as manifestações da religiosidade popular possibilitam, registram e intensificam. Os vinte anos vividos na terra pernambucana natal, antes de deslocar-se para o Rio e trabalhar como carteiro, terão certamente estruturado sua propensão para redimensionar, sob impulso intuitivo, os mitos e a iconografia religiosa espraiada por toda aquela região, até, mais abaixo, o Leste Setentrional.
Mesmo quando não referindo diretamente as marcas do sobrenatural, as figuras mantêm ali nível de fundamento popular, dramatizadas nas suas festas, ritos, carnavais e circos.
E, apesar das festas implícitas, essa não é uma pintura que pretenda o registro do júbilo, mas o de uma tristeza atavicamente relacionada às dúvidas do estar no mundo; daí as funções das cores sombrias e pesadas que a povoam, bem como do olhar inquisitivo de seus personagens” —Roberto Pontual, crítico de arte.
"Surpreende no artista o impressionismo de suas figuras urbanas, perplexas e satíricas, que provocam o espectador com olhos profundamente inquisidores, todavia fincadas no solo nordestino de onde provêm. Personagens de folguedos tradicionais, como Chegança ou Cavalhada, tanto podem ser integrantes de tradicional manifestação popular quanto falsos ditadores, bufões que ainda pululam pelo terceiro mundo. Gerson parece se divertir quando as pinta, mas a sua mensagem é a de um artista pasmado diante de seres como prostitutas, marinheiros e astronautas, todos tão puros ao seu olhar quanto os santos e beatos que povoam a religiosidade do povo, também temas frequentes na sua obra" — Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte e curador.
“Gerson é um pintor ingênuo, dos melhores, em verdade, do país. Sua pintura, em grande parte consagrando temas místicos, da religiosidade popular nordestina, exprime-se através de rigoroso desenho, com boa estruturação formal e realçada por sensível colorido” — José Roberto Teixeira Leite, crítico de arte, publicado em Dicionário Crítico da Pintura no Brasil.
Exposições Individuais
1964 - Xico-Art Galeria
1965/1967 - Galeria Goeldi
1969 - Galeria Cavilha (juntamente com sua mulher, a pintora Elza de Oliveira Souza)
1972 - Galeria Chica da Silva
1996 - Museu Internacional de Arte Naif, “50 ANOS DE PINTURA”
25.01.2007 - Gerson: um lírio entre envelopes
Exposições Coletivas
21.09.1959 - 5ª Bienal Internacional de São Paulo
1964 - Pintores Brasileiros, Londres
16.04.1964 - O Nu na Arte Contemporânea
1965 - Itinerante Arte Brasileira Atual, Europa
02.1965 - Carnaval Carioca
1966 - Primitivos Atuais da América, Madrid
1966 - Doze Pintores Primitivos Brasileiros, Moscou, Varsóvia e Praga
15.05.1966 - 15º Salão Nacional de Arte Moderna
10.06.1966 - Auto-Retratos
28.12.1966 - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1967 - Lirismo Brasileiro, Lisboa
1967 - 3º O Rosto e a Obra
1968 - 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 - Gerson de Souza e Elsa O. S., Rio de Janeiro
04.1970 - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
15.05.1970 - 19º Salão Nacional de Arte Moderna
30.11.1972 - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
30.07.1973 - 22º Salão Nacional de Arte Moderna
24.06.1975 - Festa de Cores (1975 : São Paulo, SP)
1980 - Pintores Populares y 3 Grabadores de Brasil
1980 - Gente da Terra
10.08.1983 - 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas
06.05.1994 - 2ª Bienal Brasileira de Arte Naif
22.11.1994 - Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
24.06.1999 - Gênios Ingênuos 70/80
08.04.2002 - Santa Ingenuidade
22.11.2002 - 6ª Bienal Naifs do Brasil
14.06.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
07.08.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
Exposições Póstumas
29.05.2014 - Arte Naif, a Bola da Vez (2014 : Rio de Janeiro, RJ)
06.08.2014 - Outro Museu - as doações recentes ao acervo do MACRS
11.05.2019 - ARTE NAÏF – Nenhum museu a menos
04.09.2021 - A memória é uma invenção
Fontes
GERSON de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em Itaú Cultural. Acesso em: 10 de janeiro de 2022. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
Arte Popular Brasil, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Arte Naif Rio, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Gerson Alves de Souza (Recife, PE, 19 de junho de 1926 – Rio de Janeiro, RJ, 2008), mais conhecido como Gerson Alves, foi um pintor, desenhista, gravador e entalhador brasileiro, tendo sido um dos mais importantes e expressivos representantes da arte naif no Brasil. Retratou principalmente figuras ímpares, urbanas, e os segmentos menos favorecidos da nossa sociedade. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol motivaram sua obra. Mesmo consagrado e com várias exposições no Brasil e no exterior, continuou exercendo a função de carteiro nos Correios e Telégrafos até se aposentar.
Biografia
Em 1946, aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e procurou Augusto Rodrigues, um dos fundadores da Escolinha de Arte do Brasil. Foi quando passou a levar a sério o trabalho de artista plástico, onde também aprendeu técnicas de gravura em metal e em madeira. Gerson era casado com outra importante artista naif brasileira Elza de Oliveira Sousa, também já falecida.
O artista contava que o gosto pela pintura vinha desde a infância no Recife. Em suas obras, nota-se figuras ímpares, urbanas e os segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol sempre foram motivo de inspiração para Gerson de Souza.
Críticas:
“O assunto religioso dominou grande parte de sua pintura. Por certo as reminiscências do menino, que no interior conviveu com as cômodas repletas de imagens em barro e madeira, com características muito pessoais, os santos de Gerson mostraram sempre certa dramaticidade que foge a habitual doçura da imagem Luso-Brasileira, sendo mais encontrada nas culturas de origem espanhola” — Ruth Laus
“Na pintura de Gerson, independentemente da variedade de situações, cabe à figura humana o predomínio absoluto. Encarando-nos sempre de frente, na postura hierática e densa que logo as relaciona com indícios de comportamento arcaico, o que se modifica na presença constante dessas figuras é o grau de tensão com que seus olhos enormes e fixos nos observam, em espanto, acusação ou súplica. Tal como em Antônio Maia, outro pintor ligado por origem e opção ao Nordeste, o sobrenatural se transfere para as telas, desenhos, gravuras e talhas de Gerson na forma de uma resultante de diálogo entre o ser humano e o seu inexplicado destino, que as manifestações da religiosidade popular possibilitam, registram e intensificam. Os vinte anos vividos na terra pernambucana natal, antes de deslocar-se para o Rio e trabalhar como carteiro, terão certamente estruturado sua propensão para redimensionar, sob impulso intuitivo, os mitos e a iconografia religiosa espraiada por toda aquela região, até, mais abaixo, o Leste Setentrional.
Mesmo quando não referindo diretamente as marcas do sobrenatural, as figuras mantêm ali nível de fundamento popular, dramatizadas nas suas festas, ritos, carnavais e circos.
E, apesar das festas implícitas, essa não é uma pintura que pretenda o registro do júbilo, mas o de uma tristeza atavicamente relacionada às dúvidas do estar no mundo; daí as funções das cores sombrias e pesadas que a povoam, bem como do olhar inquisitivo de seus personagens” —Roberto Pontual, crítico de arte.
"Surpreende no artista o impressionismo de suas figuras urbanas, perplexas e satíricas, que provocam o espectador com olhos profundamente inquisidores, todavia fincadas no solo nordestino de onde provêm. Personagens de folguedos tradicionais, como Chegança ou Cavalhada, tanto podem ser integrantes de tradicional manifestação popular quanto falsos ditadores, bufões que ainda pululam pelo terceiro mundo. Gerson parece se divertir quando as pinta, mas a sua mensagem é a de um artista pasmado diante de seres como prostitutas, marinheiros e astronautas, todos tão puros ao seu olhar quanto os santos e beatos que povoam a religiosidade do povo, também temas frequentes na sua obra" — Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte e curador.
“Gerson é um pintor ingênuo, dos melhores, em verdade, do país. Sua pintura, em grande parte consagrando temas místicos, da religiosidade popular nordestina, exprime-se através de rigoroso desenho, com boa estruturação formal e realçada por sensível colorido” — José Roberto Teixeira Leite, crítico de arte, publicado em Dicionário Crítico da Pintura no Brasil.
Exposições Individuais
1964 - Xico-Art Galeria
1965/1967 - Galeria Goeldi
1969 - Galeria Cavilha (juntamente com sua mulher, a pintora Elza de Oliveira Souza)
1972 - Galeria Chica da Silva
1996 - Museu Internacional de Arte Naif, “50 ANOS DE PINTURA”
25.01.2007 - Gerson: um lírio entre envelopes
Exposições Coletivas
21.09.1959 - 5ª Bienal Internacional de São Paulo
1964 - Pintores Brasileiros, Londres
16.04.1964 - O Nu na Arte Contemporânea
1965 - Itinerante Arte Brasileira Atual, Europa
02.1965 - Carnaval Carioca
1966 - Primitivos Atuais da América, Madrid
1966 - Doze Pintores Primitivos Brasileiros, Moscou, Varsóvia e Praga
15.05.1966 - 15º Salão Nacional de Arte Moderna
10.06.1966 - Auto-Retratos
28.12.1966 - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1967 - Lirismo Brasileiro, Lisboa
1967 - 3º O Rosto e a Obra
1968 - 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 - Gerson de Souza e Elsa O. S., Rio de Janeiro
04.1970 - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
15.05.1970 - 19º Salão Nacional de Arte Moderna
30.11.1972 - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
30.07.1973 - 22º Salão Nacional de Arte Moderna
24.06.1975 - Festa de Cores (1975 : São Paulo, SP)
1980 - Pintores Populares y 3 Grabadores de Brasil
1980 - Gente da Terra
10.08.1983 - 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas
06.05.1994 - 2ª Bienal Brasileira de Arte Naif
22.11.1994 - Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
24.06.1999 - Gênios Ingênuos 70/80
08.04.2002 - Santa Ingenuidade
22.11.2002 - 6ª Bienal Naifs do Brasil
14.06.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
07.08.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
Exposições Póstumas
29.05.2014 - Arte Naif, a Bola da Vez (2014 : Rio de Janeiro, RJ)
06.08.2014 - Outro Museu - as doações recentes ao acervo do MACRS
11.05.2019 - ARTE NAÏF – Nenhum museu a menos
04.09.2021 - A memória é uma invenção
Fontes
GERSON de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em Itaú Cultural. Acesso em: 10 de janeiro de 2022. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
Arte Popular Brasil, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Arte Naif Rio, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
1 artista relacionado
Gerson Alves de Souza (Recife, PE, 19 de junho de 1926 – Rio de Janeiro, RJ, 2008), mais conhecido como Gerson Alves, foi um pintor, desenhista, gravador e entalhador brasileiro, tendo sido um dos mais importantes e expressivos representantes da arte naif no Brasil. Retratou principalmente figuras ímpares, urbanas, e os segmentos menos favorecidos da nossa sociedade. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol motivaram sua obra. Mesmo consagrado e com várias exposições no Brasil e no exterior, continuou exercendo a função de carteiro nos Correios e Telégrafos até se aposentar.
Biografia
Em 1946, aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e procurou Augusto Rodrigues, um dos fundadores da Escolinha de Arte do Brasil. Foi quando passou a levar a sério o trabalho de artista plástico, onde também aprendeu técnicas de gravura em metal e em madeira. Gerson era casado com outra importante artista naif brasileira Elza de Oliveira Sousa, também já falecida.
O artista contava que o gosto pela pintura vinha desde a infância no Recife. Em suas obras, nota-se figuras ímpares, urbanas e os segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol sempre foram motivo de inspiração para Gerson de Souza.
Críticas:
“O assunto religioso dominou grande parte de sua pintura. Por certo as reminiscências do menino, que no interior conviveu com as cômodas repletas de imagens em barro e madeira, com características muito pessoais, os santos de Gerson mostraram sempre certa dramaticidade que foge a habitual doçura da imagem Luso-Brasileira, sendo mais encontrada nas culturas de origem espanhola” — Ruth Laus
“Na pintura de Gerson, independentemente da variedade de situações, cabe à figura humana o predomínio absoluto. Encarando-nos sempre de frente, na postura hierática e densa que logo as relaciona com indícios de comportamento arcaico, o que se modifica na presença constante dessas figuras é o grau de tensão com que seus olhos enormes e fixos nos observam, em espanto, acusação ou súplica. Tal como em Antônio Maia, outro pintor ligado por origem e opção ao Nordeste, o sobrenatural se transfere para as telas, desenhos, gravuras e talhas de Gerson na forma de uma resultante de diálogo entre o ser humano e o seu inexplicado destino, que as manifestações da religiosidade popular possibilitam, registram e intensificam. Os vinte anos vividos na terra pernambucana natal, antes de deslocar-se para o Rio e trabalhar como carteiro, terão certamente estruturado sua propensão para redimensionar, sob impulso intuitivo, os mitos e a iconografia religiosa espraiada por toda aquela região, até, mais abaixo, o Leste Setentrional.
Mesmo quando não referindo diretamente as marcas do sobrenatural, as figuras mantêm ali nível de fundamento popular, dramatizadas nas suas festas, ritos, carnavais e circos.
E, apesar das festas implícitas, essa não é uma pintura que pretenda o registro do júbilo, mas o de uma tristeza atavicamente relacionada às dúvidas do estar no mundo; daí as funções das cores sombrias e pesadas que a povoam, bem como do olhar inquisitivo de seus personagens” —Roberto Pontual, crítico de arte.
"Surpreende no artista o impressionismo de suas figuras urbanas, perplexas e satíricas, que provocam o espectador com olhos profundamente inquisidores, todavia fincadas no solo nordestino de onde provêm. Personagens de folguedos tradicionais, como Chegança ou Cavalhada, tanto podem ser integrantes de tradicional manifestação popular quanto falsos ditadores, bufões que ainda pululam pelo terceiro mundo. Gerson parece se divertir quando as pinta, mas a sua mensagem é a de um artista pasmado diante de seres como prostitutas, marinheiros e astronautas, todos tão puros ao seu olhar quanto os santos e beatos que povoam a religiosidade do povo, também temas frequentes na sua obra" — Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte e curador.
“Gerson é um pintor ingênuo, dos melhores, em verdade, do país. Sua pintura, em grande parte consagrando temas místicos, da religiosidade popular nordestina, exprime-se através de rigoroso desenho, com boa estruturação formal e realçada por sensível colorido” — José Roberto Teixeira Leite, crítico de arte, publicado em Dicionário Crítico da Pintura no Brasil.
Exposições Individuais
1964 - Xico-Art Galeria
1965/1967 - Galeria Goeldi
1969 - Galeria Cavilha (juntamente com sua mulher, a pintora Elza de Oliveira Souza)
1972 - Galeria Chica da Silva
1996 - Museu Internacional de Arte Naif, “50 ANOS DE PINTURA”
25.01.2007 - Gerson: um lírio entre envelopes
Exposições Coletivas
21.09.1959 - 5ª Bienal Internacional de São Paulo
1964 - Pintores Brasileiros, Londres
16.04.1964 - O Nu na Arte Contemporânea
1965 - Itinerante Arte Brasileira Atual, Europa
02.1965 - Carnaval Carioca
1966 - Primitivos Atuais da América, Madrid
1966 - Doze Pintores Primitivos Brasileiros, Moscou, Varsóvia e Praga
15.05.1966 - 15º Salão Nacional de Arte Moderna
10.06.1966 - Auto-Retratos
28.12.1966 - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1967 - Lirismo Brasileiro, Lisboa
1967 - 3º O Rosto e a Obra
1968 - 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 - Gerson de Souza e Elsa O. S., Rio de Janeiro
04.1970 - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
15.05.1970 - 19º Salão Nacional de Arte Moderna
30.11.1972 - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
30.07.1973 - 22º Salão Nacional de Arte Moderna
24.06.1975 - Festa de Cores (1975 : São Paulo, SP)
1980 - Pintores Populares y 3 Grabadores de Brasil
1980 - Gente da Terra
10.08.1983 - 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas
06.05.1994 - 2ª Bienal Brasileira de Arte Naif
22.11.1994 - Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
24.06.1999 - Gênios Ingênuos 70/80
08.04.2002 - Santa Ingenuidade
22.11.2002 - 6ª Bienal Naifs do Brasil
14.06.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
07.08.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
Exposições Póstumas
29.05.2014 - Arte Naif, a Bola da Vez (2014 : Rio de Janeiro, RJ)
06.08.2014 - Outro Museu - as doações recentes ao acervo do MACRS
11.05.2019 - ARTE NAÏF – Nenhum museu a menos
04.09.2021 - A memória é uma invenção
Fontes
GERSON de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em Itaú Cultural. Acesso em: 10 de janeiro de 2022. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
Arte Popular Brasil, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Arte Naif Rio, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Gerson Alves de Souza (Recife, PE, 19 de junho de 1926 – Rio de Janeiro, RJ, 2008), mais conhecido como Gerson Alves, foi um pintor, desenhista, gravador e entalhador brasileiro, tendo sido um dos mais importantes e expressivos representantes da arte naif no Brasil. Retratou principalmente figuras ímpares, urbanas, e os segmentos menos favorecidos da nossa sociedade. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol motivaram sua obra. Mesmo consagrado e com várias exposições no Brasil e no exterior, continuou exercendo a função de carteiro nos Correios e Telégrafos até se aposentar.
Biografia
Em 1946, aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e procurou Augusto Rodrigues, um dos fundadores da Escolinha de Arte do Brasil. Foi quando passou a levar a sério o trabalho de artista plástico, onde também aprendeu técnicas de gravura em metal e em madeira. Gerson era casado com outra importante artista naif brasileira Elza de Oliveira Sousa, também já falecida.
O artista contava que o gosto pela pintura vinha desde a infância no Recife. Em suas obras, nota-se figuras ímpares, urbanas e os segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira. Marinheiros, prostitutas, cangaceiros, santos, personagens do folclore e do futebol sempre foram motivo de inspiração para Gerson de Souza.
Críticas:
“O assunto religioso dominou grande parte de sua pintura. Por certo as reminiscências do menino, que no interior conviveu com as cômodas repletas de imagens em barro e madeira, com características muito pessoais, os santos de Gerson mostraram sempre certa dramaticidade que foge a habitual doçura da imagem Luso-Brasileira, sendo mais encontrada nas culturas de origem espanhola” — Ruth Laus
“Na pintura de Gerson, independentemente da variedade de situações, cabe à figura humana o predomínio absoluto. Encarando-nos sempre de frente, na postura hierática e densa que logo as relaciona com indícios de comportamento arcaico, o que se modifica na presença constante dessas figuras é o grau de tensão com que seus olhos enormes e fixos nos observam, em espanto, acusação ou súplica. Tal como em Antônio Maia, outro pintor ligado por origem e opção ao Nordeste, o sobrenatural se transfere para as telas, desenhos, gravuras e talhas de Gerson na forma de uma resultante de diálogo entre o ser humano e o seu inexplicado destino, que as manifestações da religiosidade popular possibilitam, registram e intensificam. Os vinte anos vividos na terra pernambucana natal, antes de deslocar-se para o Rio e trabalhar como carteiro, terão certamente estruturado sua propensão para redimensionar, sob impulso intuitivo, os mitos e a iconografia religiosa espraiada por toda aquela região, até, mais abaixo, o Leste Setentrional.
Mesmo quando não referindo diretamente as marcas do sobrenatural, as figuras mantêm ali nível de fundamento popular, dramatizadas nas suas festas, ritos, carnavais e circos.
E, apesar das festas implícitas, essa não é uma pintura que pretenda o registro do júbilo, mas o de uma tristeza atavicamente relacionada às dúvidas do estar no mundo; daí as funções das cores sombrias e pesadas que a povoam, bem como do olhar inquisitivo de seus personagens” —Roberto Pontual, crítico de arte.
"Surpreende no artista o impressionismo de suas figuras urbanas, perplexas e satíricas, que provocam o espectador com olhos profundamente inquisidores, todavia fincadas no solo nordestino de onde provêm. Personagens de folguedos tradicionais, como Chegança ou Cavalhada, tanto podem ser integrantes de tradicional manifestação popular quanto falsos ditadores, bufões que ainda pululam pelo terceiro mundo. Gerson parece se divertir quando as pinta, mas a sua mensagem é a de um artista pasmado diante de seres como prostitutas, marinheiros e astronautas, todos tão puros ao seu olhar quanto os santos e beatos que povoam a religiosidade do povo, também temas frequentes na sua obra" — Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte e curador.
“Gerson é um pintor ingênuo, dos melhores, em verdade, do país. Sua pintura, em grande parte consagrando temas místicos, da religiosidade popular nordestina, exprime-se através de rigoroso desenho, com boa estruturação formal e realçada por sensível colorido” — José Roberto Teixeira Leite, crítico de arte, publicado em Dicionário Crítico da Pintura no Brasil.
Exposições Individuais
1964 - Xico-Art Galeria
1965/1967 - Galeria Goeldi
1969 - Galeria Cavilha (juntamente com sua mulher, a pintora Elza de Oliveira Souza)
1972 - Galeria Chica da Silva
1996 - Museu Internacional de Arte Naif, “50 ANOS DE PINTURA”
25.01.2007 - Gerson: um lírio entre envelopes
Exposições Coletivas
21.09.1959 - 5ª Bienal Internacional de São Paulo
1964 - Pintores Brasileiros, Londres
16.04.1964 - O Nu na Arte Contemporânea
1965 - Itinerante Arte Brasileira Atual, Europa
02.1965 - Carnaval Carioca
1966 - Primitivos Atuais da América, Madrid
1966 - Doze Pintores Primitivos Brasileiros, Moscou, Varsóvia e Praga
15.05.1966 - 15º Salão Nacional de Arte Moderna
10.06.1966 - Auto-Retratos
28.12.1966 - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1967 - Lirismo Brasileiro, Lisboa
1967 - 3º O Rosto e a Obra
1968 - 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 - Gerson de Souza e Elsa O. S., Rio de Janeiro
04.1970 - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
15.05.1970 - 19º Salão Nacional de Arte Moderna
30.11.1972 - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
30.07.1973 - 22º Salão Nacional de Arte Moderna
24.06.1975 - Festa de Cores (1975 : São Paulo, SP)
1980 - Pintores Populares y 3 Grabadores de Brasil
1980 - Gente da Terra
10.08.1983 - 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas
06.05.1994 - 2ª Bienal Brasileira de Arte Naif
22.11.1994 - Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
24.06.1999 - Gênios Ingênuos 70/80
08.04.2002 - Santa Ingenuidade
22.11.2002 - 6ª Bienal Naifs do Brasil
14.06.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
07.08.2005 - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti
Exposições Póstumas
29.05.2014 - Arte Naif, a Bola da Vez (2014 : Rio de Janeiro, RJ)
06.08.2014 - Outro Museu - as doações recentes ao acervo do MACRS
11.05.2019 - ARTE NAÏF – Nenhum museu a menos
04.09.2021 - A memória é uma invenção
Fontes
GERSON de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em Itaú Cultural. Acesso em: 10 de janeiro de 2022. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
Arte Popular Brasil, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.
Arte Naif Rio, consultado pela última vez em 10 de janeiro de 2022.