Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky (Florianópolis, SC, 1908 - Rio de Janeiro, RJ, 1982), conhecido como Gilberto Trompowsky, foi um pintor brasileiro.
Biografia
Transferiu-se muito cedo para o Rio de Janeiro, freqüentando a Escola Nacional de Belas Artes e também o curso de desenho e pintura de Portinari na antiga Universidade do Distrito Federal. Em 1937 decorou o pavilhão brasileiro da Exposição Internacional de Paris, trabalho que resultou premiado. Encarregou-se também por vários anos da decoração dos bailes carnavalescos promovidos pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou como cronista social na imprensa carioca. Participou das duas únicas edições do Salão da Primavera, no Liceu de Artes e Ofícios, em 1923 e 1924; do Salão Nacional de Artistas Plásticos, 1934, 1935 (medalha de bronze), 1940 e 1941; do Salão Nacional de Arte Moderna, 1954; e do Salão de Arte da Associação de Artistas Brasileiros, 1971. (Teodoro Braga, Artistas pintores no Brasil, 1942)
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Elegância nos trópicos: as crônicas sociais de Gilberto Trompowsky nas revistas ilustradas nos anos de 1931 a 1957
A expressão “crônicas floridas”, ponto de partida dessa pesquisa permitiu compreender um dos papéis “encenados” por Gilberto Trompowsky ao longo da sua trajetória artística, qual seja, de cronista social. Percorrer a sua trajetória nas revistas ilustradas descreveu as relações que Trompowsky estabeleceu com cada um dos grupos editorias em que atuou. Na Bazar, Trompowsky foi um dos idealizadores do projeto da revista, período em que se vinculou a outros artistas e cronistas sociais da época. Nesse espaço, se aproximou desse gênero jornalístico que retomaria mais tarde em outras revistas. Na Ilustração Brasileira, Trompowsky assumia o pseudônimo de G. de A e colaborava mensalmente com textos e ilustrações com a seção “Mundanismo” (1937- 1941). Nesse periódico percebemos as relações que as crônicas sociais estabeleceram com as questões políticas do seu tempo, o Estado Novo. A partir da figura de Darcy Vargas observam-se as mudanças nas representações da então primeira dama com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939. Trompowsky na revista O Cruzeiro, colaborou com três seções distintas, “Esporte e Elegância”, “Mundanismo” e o “Nome da Semana”, onde a inserção do artista se configurou mais na produção das crônicas sociais e menos nas ilustrações recorrentes na Ilustração Brasileira.
Identificamos no decorrer da pesquisa que em cada uma das revistas Trompowsky privilegiou um determinado seguimento da elite carioca. Na Bazar, protagonizou uma elite letrada, ganhando visibilidade nas publicações: as comemorações e eventos promovidos por pintores, artistas e escritores. Com a sua inserção na Ilustração Brasileira a elite política passa ganhar visibilidade nas crônicas sociais do artista, tornando-se recorrentes os nomes do então presidente do Brasil, Getúlio Vargas e sua esposa Darcy Vargas. Em O Cruzeiro, Trompowsky privilegiou uma elite econômica. Nomes tradicionais como Saavedra, Teffé, Lage, Guinle ligados a setores da indústria, bancos e empresas foram recorrentes nas crônicas socias. Verificamos também que, à medida em que as fotografias foram ganhado mais espaço em relação as ilustrações nas revistas, Trompowsky foi mudando a sua forma de atuação. Isso foi mais evidente em O Cruzeiro, na qual as ilustrações do artista foram inexpressivas, pois, das três seções que o autor colaborou, apenas “Mundanismo” continha ilustrações; as demais “Esporte e Elegância”, “O Nome da Semana” usavam o recurso fotográfico.
Nas revistas em que atuou, Trompowsky também se destacou como notícia, configurando-se como parte do grupo que apresentava em suas crônicas. As informações sobre as exposições realizadas por ele, os projetos decorativos para os bailes carnavalescos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, os croquis elaborados para festas a fantasia, a sua participação nos eventos festivos das elites cariocas, foram veiculadas com frequência. Trompowsky circulou por diferentes espaços frequentados pela elite carioca, como o Teatro Municipal, Jockey Club, o Palace Hotel, o que o tornou conhecido e aceito nesse grupo, constituindo-o assim em um artista que soube representar o gosto burguês dessas elites cariocas.
Considerando o tempo de atuação de Trompowsky nas revistas (1931-1957), a regularidade das seções assinadas por ele e a circulação desses periódicos acreditamos que a sua inserção na imprensa contribuiu também para o seu protagonismo na construção de modelos de comportamento, de definição de padrões de gosto para as elites brasileiras da época. A pesquisa possibilitou identificar a articulação entre as imagens veiculadas com os discursos produzidos por Trompowsky, no sentido de dar visibilidade a homens e mulheres da elite carioca.
No decorrer da pesquisa, identificamos que Trompowsky estabeleceu redes de sociabilidade por onde passou, circulando entre artistas, intelectuais, empresários e políticos. Um nome recorrente nas suas seções foi o de Jacira Bastos Dodsworth, esposa de Henrique Dodsworth, prefeito do Rio de Janeiro no período de 1935 a 1947. Houve ocasiões em que foi registrada pela imprensa a presença de Dodsworth nas exposições do artista, sinalizando assim as relações de aproximações de Trompowsky com o poder político. Observamos ainda que Trompowsky se insere nesse projeto de modernização do país com seu elogio ao estilo de vida urbano, requintado para poucos.
Assim, por meio das crônicas de Trompowsky foi possível discutir as representações sobre a mulher, a cultura e a vida social no Rio de Janeiro. Nos seus textos e ilustrações, as mulheres, por exemplo, ganhavam a centralidade, apresentadas sempre bem vestidas, educadas e de muito bom gosto; elas eram apresentadas a partir dos nomes e sobrenomes de seus esposos, uma características das crônicas sociais do período, o que conferia a essas mulheres um papel estrátegico.
Ao final desse trabalho, acreditamos que outras possibilidades de pesquisa se abrem a partir do corpus documental que tivemos acesso, tanto sobre a sua atuação de cronista social nas revistas ilustradas quanto pelas demais atividades artísticas em que ele atuou. Um dos caminhos seria compreender o pintor Trompowsky e sua produção de quadros e painéis, a participação em exposições e a sua relação com outros artistas do seu tempo. O Trompowsky figurinista, cenógrafo e decorador também se apresenta enquanto uma perspectiva de estudo. Sua produção nessa área artística teve início no final da década de 1920, quando produziu suas primeiras decorações para bailes em clubes recreativos cariocas até ganhar espaço nas decorações dos bailes carnavalescos no Teatro Municipal. Enfim, essa é apenas uma versão entre outras tantas possíveis sobre a atuação artística de Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky, o G. de A
Fonte: Repositório UFU, por Roberta Paula Gomes Silva, Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia, 2018.
Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky (Florianópolis, SC, 1908 - Rio de Janeiro, RJ, 1982), conhecido como Gilberto Trompowsky, foi um pintor brasileiro.
Biografia
Transferiu-se muito cedo para o Rio de Janeiro, freqüentando a Escola Nacional de Belas Artes e também o curso de desenho e pintura de Portinari na antiga Universidade do Distrito Federal. Em 1937 decorou o pavilhão brasileiro da Exposição Internacional de Paris, trabalho que resultou premiado. Encarregou-se também por vários anos da decoração dos bailes carnavalescos promovidos pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou como cronista social na imprensa carioca. Participou das duas únicas edições do Salão da Primavera, no Liceu de Artes e Ofícios, em 1923 e 1924; do Salão Nacional de Artistas Plásticos, 1934, 1935 (medalha de bronze), 1940 e 1941; do Salão Nacional de Arte Moderna, 1954; e do Salão de Arte da Associação de Artistas Brasileiros, 1971. (Teodoro Braga, Artistas pintores no Brasil, 1942)
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Elegância nos trópicos: as crônicas sociais de Gilberto Trompowsky nas revistas ilustradas nos anos de 1931 a 1957
A expressão “crônicas floridas”, ponto de partida dessa pesquisa permitiu compreender um dos papéis “encenados” por Gilberto Trompowsky ao longo da sua trajetória artística, qual seja, de cronista social. Percorrer a sua trajetória nas revistas ilustradas descreveu as relações que Trompowsky estabeleceu com cada um dos grupos editorias em que atuou. Na Bazar, Trompowsky foi um dos idealizadores do projeto da revista, período em que se vinculou a outros artistas e cronistas sociais da época. Nesse espaço, se aproximou desse gênero jornalístico que retomaria mais tarde em outras revistas. Na Ilustração Brasileira, Trompowsky assumia o pseudônimo de G. de A e colaborava mensalmente com textos e ilustrações com a seção “Mundanismo” (1937- 1941). Nesse periódico percebemos as relações que as crônicas sociais estabeleceram com as questões políticas do seu tempo, o Estado Novo. A partir da figura de Darcy Vargas observam-se as mudanças nas representações da então primeira dama com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939. Trompowsky na revista O Cruzeiro, colaborou com três seções distintas, “Esporte e Elegância”, “Mundanismo” e o “Nome da Semana”, onde a inserção do artista se configurou mais na produção das crônicas sociais e menos nas ilustrações recorrentes na Ilustração Brasileira.
Identificamos no decorrer da pesquisa que em cada uma das revistas Trompowsky privilegiou um determinado seguimento da elite carioca. Na Bazar, protagonizou uma elite letrada, ganhando visibilidade nas publicações: as comemorações e eventos promovidos por pintores, artistas e escritores. Com a sua inserção na Ilustração Brasileira a elite política passa ganhar visibilidade nas crônicas sociais do artista, tornando-se recorrentes os nomes do então presidente do Brasil, Getúlio Vargas e sua esposa Darcy Vargas. Em O Cruzeiro, Trompowsky privilegiou uma elite econômica. Nomes tradicionais como Saavedra, Teffé, Lage, Guinle ligados a setores da indústria, bancos e empresas foram recorrentes nas crônicas socias. Verificamos também que, à medida em que as fotografias foram ganhado mais espaço em relação as ilustrações nas revistas, Trompowsky foi mudando a sua forma de atuação. Isso foi mais evidente em O Cruzeiro, na qual as ilustrações do artista foram inexpressivas, pois, das três seções que o autor colaborou, apenas “Mundanismo” continha ilustrações; as demais “Esporte e Elegância”, “O Nome da Semana” usavam o recurso fotográfico.
Nas revistas em que atuou, Trompowsky também se destacou como notícia, configurando-se como parte do grupo que apresentava em suas crônicas. As informações sobre as exposições realizadas por ele, os projetos decorativos para os bailes carnavalescos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, os croquis elaborados para festas a fantasia, a sua participação nos eventos festivos das elites cariocas, foram veiculadas com frequência. Trompowsky circulou por diferentes espaços frequentados pela elite carioca, como o Teatro Municipal, Jockey Club, o Palace Hotel, o que o tornou conhecido e aceito nesse grupo, constituindo-o assim em um artista que soube representar o gosto burguês dessas elites cariocas.
Considerando o tempo de atuação de Trompowsky nas revistas (1931-1957), a regularidade das seções assinadas por ele e a circulação desses periódicos acreditamos que a sua inserção na imprensa contribuiu também para o seu protagonismo na construção de modelos de comportamento, de definição de padrões de gosto para as elites brasileiras da época. A pesquisa possibilitou identificar a articulação entre as imagens veiculadas com os discursos produzidos por Trompowsky, no sentido de dar visibilidade a homens e mulheres da elite carioca.
No decorrer da pesquisa, identificamos que Trompowsky estabeleceu redes de sociabilidade por onde passou, circulando entre artistas, intelectuais, empresários e políticos. Um nome recorrente nas suas seções foi o de Jacira Bastos Dodsworth, esposa de Henrique Dodsworth, prefeito do Rio de Janeiro no período de 1935 a 1947. Houve ocasiões em que foi registrada pela imprensa a presença de Dodsworth nas exposições do artista, sinalizando assim as relações de aproximações de Trompowsky com o poder político. Observamos ainda que Trompowsky se insere nesse projeto de modernização do país com seu elogio ao estilo de vida urbano, requintado para poucos.
Assim, por meio das crônicas de Trompowsky foi possível discutir as representações sobre a mulher, a cultura e a vida social no Rio de Janeiro. Nos seus textos e ilustrações, as mulheres, por exemplo, ganhavam a centralidade, apresentadas sempre bem vestidas, educadas e de muito bom gosto; elas eram apresentadas a partir dos nomes e sobrenomes de seus esposos, uma características das crônicas sociais do período, o que conferia a essas mulheres um papel estrátegico.
Ao final desse trabalho, acreditamos que outras possibilidades de pesquisa se abrem a partir do corpus documental que tivemos acesso, tanto sobre a sua atuação de cronista social nas revistas ilustradas quanto pelas demais atividades artísticas em que ele atuou. Um dos caminhos seria compreender o pintor Trompowsky e sua produção de quadros e painéis, a participação em exposições e a sua relação com outros artistas do seu tempo. O Trompowsky figurinista, cenógrafo e decorador também se apresenta enquanto uma perspectiva de estudo. Sua produção nessa área artística teve início no final da década de 1920, quando produziu suas primeiras decorações para bailes em clubes recreativos cariocas até ganhar espaço nas decorações dos bailes carnavalescos no Teatro Municipal. Enfim, essa é apenas uma versão entre outras tantas possíveis sobre a atuação artística de Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky, o G. de A
Fonte: Repositório UFU, por Roberta Paula Gomes Silva, Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia, 2018.
Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky (Florianópolis, SC, 1908 - Rio de Janeiro, RJ, 1982), conhecido como Gilberto Trompowsky, foi um pintor brasileiro.
Biografia
Transferiu-se muito cedo para o Rio de Janeiro, freqüentando a Escola Nacional de Belas Artes e também o curso de desenho e pintura de Portinari na antiga Universidade do Distrito Federal. Em 1937 decorou o pavilhão brasileiro da Exposição Internacional de Paris, trabalho que resultou premiado. Encarregou-se também por vários anos da decoração dos bailes carnavalescos promovidos pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou como cronista social na imprensa carioca. Participou das duas únicas edições do Salão da Primavera, no Liceu de Artes e Ofícios, em 1923 e 1924; do Salão Nacional de Artistas Plásticos, 1934, 1935 (medalha de bronze), 1940 e 1941; do Salão Nacional de Arte Moderna, 1954; e do Salão de Arte da Associação de Artistas Brasileiros, 1971. (Teodoro Braga, Artistas pintores no Brasil, 1942)
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Elegância nos trópicos: as crônicas sociais de Gilberto Trompowsky nas revistas ilustradas nos anos de 1931 a 1957
A expressão “crônicas floridas”, ponto de partida dessa pesquisa permitiu compreender um dos papéis “encenados” por Gilberto Trompowsky ao longo da sua trajetória artística, qual seja, de cronista social. Percorrer a sua trajetória nas revistas ilustradas descreveu as relações que Trompowsky estabeleceu com cada um dos grupos editorias em que atuou. Na Bazar, Trompowsky foi um dos idealizadores do projeto da revista, período em que se vinculou a outros artistas e cronistas sociais da época. Nesse espaço, se aproximou desse gênero jornalístico que retomaria mais tarde em outras revistas. Na Ilustração Brasileira, Trompowsky assumia o pseudônimo de G. de A e colaborava mensalmente com textos e ilustrações com a seção “Mundanismo” (1937- 1941). Nesse periódico percebemos as relações que as crônicas sociais estabeleceram com as questões políticas do seu tempo, o Estado Novo. A partir da figura de Darcy Vargas observam-se as mudanças nas representações da então primeira dama com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939. Trompowsky na revista O Cruzeiro, colaborou com três seções distintas, “Esporte e Elegância”, “Mundanismo” e o “Nome da Semana”, onde a inserção do artista se configurou mais na produção das crônicas sociais e menos nas ilustrações recorrentes na Ilustração Brasileira.
Identificamos no decorrer da pesquisa que em cada uma das revistas Trompowsky privilegiou um determinado seguimento da elite carioca. Na Bazar, protagonizou uma elite letrada, ganhando visibilidade nas publicações: as comemorações e eventos promovidos por pintores, artistas e escritores. Com a sua inserção na Ilustração Brasileira a elite política passa ganhar visibilidade nas crônicas sociais do artista, tornando-se recorrentes os nomes do então presidente do Brasil, Getúlio Vargas e sua esposa Darcy Vargas. Em O Cruzeiro, Trompowsky privilegiou uma elite econômica. Nomes tradicionais como Saavedra, Teffé, Lage, Guinle ligados a setores da indústria, bancos e empresas foram recorrentes nas crônicas socias. Verificamos também que, à medida em que as fotografias foram ganhado mais espaço em relação as ilustrações nas revistas, Trompowsky foi mudando a sua forma de atuação. Isso foi mais evidente em O Cruzeiro, na qual as ilustrações do artista foram inexpressivas, pois, das três seções que o autor colaborou, apenas “Mundanismo” continha ilustrações; as demais “Esporte e Elegância”, “O Nome da Semana” usavam o recurso fotográfico.
Nas revistas em que atuou, Trompowsky também se destacou como notícia, configurando-se como parte do grupo que apresentava em suas crônicas. As informações sobre as exposições realizadas por ele, os projetos decorativos para os bailes carnavalescos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, os croquis elaborados para festas a fantasia, a sua participação nos eventos festivos das elites cariocas, foram veiculadas com frequência. Trompowsky circulou por diferentes espaços frequentados pela elite carioca, como o Teatro Municipal, Jockey Club, o Palace Hotel, o que o tornou conhecido e aceito nesse grupo, constituindo-o assim em um artista que soube representar o gosto burguês dessas elites cariocas.
Considerando o tempo de atuação de Trompowsky nas revistas (1931-1957), a regularidade das seções assinadas por ele e a circulação desses periódicos acreditamos que a sua inserção na imprensa contribuiu também para o seu protagonismo na construção de modelos de comportamento, de definição de padrões de gosto para as elites brasileiras da época. A pesquisa possibilitou identificar a articulação entre as imagens veiculadas com os discursos produzidos por Trompowsky, no sentido de dar visibilidade a homens e mulheres da elite carioca.
No decorrer da pesquisa, identificamos que Trompowsky estabeleceu redes de sociabilidade por onde passou, circulando entre artistas, intelectuais, empresários e políticos. Um nome recorrente nas suas seções foi o de Jacira Bastos Dodsworth, esposa de Henrique Dodsworth, prefeito do Rio de Janeiro no período de 1935 a 1947. Houve ocasiões em que foi registrada pela imprensa a presença de Dodsworth nas exposições do artista, sinalizando assim as relações de aproximações de Trompowsky com o poder político. Observamos ainda que Trompowsky se insere nesse projeto de modernização do país com seu elogio ao estilo de vida urbano, requintado para poucos.
Assim, por meio das crônicas de Trompowsky foi possível discutir as representações sobre a mulher, a cultura e a vida social no Rio de Janeiro. Nos seus textos e ilustrações, as mulheres, por exemplo, ganhavam a centralidade, apresentadas sempre bem vestidas, educadas e de muito bom gosto; elas eram apresentadas a partir dos nomes e sobrenomes de seus esposos, uma características das crônicas sociais do período, o que conferia a essas mulheres um papel estrátegico.
Ao final desse trabalho, acreditamos que outras possibilidades de pesquisa se abrem a partir do corpus documental que tivemos acesso, tanto sobre a sua atuação de cronista social nas revistas ilustradas quanto pelas demais atividades artísticas em que ele atuou. Um dos caminhos seria compreender o pintor Trompowsky e sua produção de quadros e painéis, a participação em exposições e a sua relação com outros artistas do seu tempo. O Trompowsky figurinista, cenógrafo e decorador também se apresenta enquanto uma perspectiva de estudo. Sua produção nessa área artística teve início no final da década de 1920, quando produziu suas primeiras decorações para bailes em clubes recreativos cariocas até ganhar espaço nas decorações dos bailes carnavalescos no Teatro Municipal. Enfim, essa é apenas uma versão entre outras tantas possíveis sobre a atuação artística de Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky, o G. de A
Fonte: Repositório UFU, por Roberta Paula Gomes Silva, Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia, 2018.
Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky (Florianópolis, SC, 1908 - Rio de Janeiro, RJ, 1982), conhecido como Gilberto Trompowsky, foi um pintor brasileiro.
Biografia
Transferiu-se muito cedo para o Rio de Janeiro, freqüentando a Escola Nacional de Belas Artes e também o curso de desenho e pintura de Portinari na antiga Universidade do Distrito Federal. Em 1937 decorou o pavilhão brasileiro da Exposição Internacional de Paris, trabalho que resultou premiado. Encarregou-se também por vários anos da decoração dos bailes carnavalescos promovidos pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou como cronista social na imprensa carioca. Participou das duas únicas edições do Salão da Primavera, no Liceu de Artes e Ofícios, em 1923 e 1924; do Salão Nacional de Artistas Plásticos, 1934, 1935 (medalha de bronze), 1940 e 1941; do Salão Nacional de Arte Moderna, 1954; e do Salão de Arte da Associação de Artistas Brasileiros, 1971. (Teodoro Braga, Artistas pintores no Brasil, 1942)
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Elegância nos trópicos: as crônicas sociais de Gilberto Trompowsky nas revistas ilustradas nos anos de 1931 a 1957
A expressão “crônicas floridas”, ponto de partida dessa pesquisa permitiu compreender um dos papéis “encenados” por Gilberto Trompowsky ao longo da sua trajetória artística, qual seja, de cronista social. Percorrer a sua trajetória nas revistas ilustradas descreveu as relações que Trompowsky estabeleceu com cada um dos grupos editorias em que atuou. Na Bazar, Trompowsky foi um dos idealizadores do projeto da revista, período em que se vinculou a outros artistas e cronistas sociais da época. Nesse espaço, se aproximou desse gênero jornalístico que retomaria mais tarde em outras revistas. Na Ilustração Brasileira, Trompowsky assumia o pseudônimo de G. de A e colaborava mensalmente com textos e ilustrações com a seção “Mundanismo” (1937- 1941). Nesse periódico percebemos as relações que as crônicas sociais estabeleceram com as questões políticas do seu tempo, o Estado Novo. A partir da figura de Darcy Vargas observam-se as mudanças nas representações da então primeira dama com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939. Trompowsky na revista O Cruzeiro, colaborou com três seções distintas, “Esporte e Elegância”, “Mundanismo” e o “Nome da Semana”, onde a inserção do artista se configurou mais na produção das crônicas sociais e menos nas ilustrações recorrentes na Ilustração Brasileira.
Identificamos no decorrer da pesquisa que em cada uma das revistas Trompowsky privilegiou um determinado seguimento da elite carioca. Na Bazar, protagonizou uma elite letrada, ganhando visibilidade nas publicações: as comemorações e eventos promovidos por pintores, artistas e escritores. Com a sua inserção na Ilustração Brasileira a elite política passa ganhar visibilidade nas crônicas sociais do artista, tornando-se recorrentes os nomes do então presidente do Brasil, Getúlio Vargas e sua esposa Darcy Vargas. Em O Cruzeiro, Trompowsky privilegiou uma elite econômica. Nomes tradicionais como Saavedra, Teffé, Lage, Guinle ligados a setores da indústria, bancos e empresas foram recorrentes nas crônicas socias. Verificamos também que, à medida em que as fotografias foram ganhado mais espaço em relação as ilustrações nas revistas, Trompowsky foi mudando a sua forma de atuação. Isso foi mais evidente em O Cruzeiro, na qual as ilustrações do artista foram inexpressivas, pois, das três seções que o autor colaborou, apenas “Mundanismo” continha ilustrações; as demais “Esporte e Elegância”, “O Nome da Semana” usavam o recurso fotográfico.
Nas revistas em que atuou, Trompowsky também se destacou como notícia, configurando-se como parte do grupo que apresentava em suas crônicas. As informações sobre as exposições realizadas por ele, os projetos decorativos para os bailes carnavalescos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, os croquis elaborados para festas a fantasia, a sua participação nos eventos festivos das elites cariocas, foram veiculadas com frequência. Trompowsky circulou por diferentes espaços frequentados pela elite carioca, como o Teatro Municipal, Jockey Club, o Palace Hotel, o que o tornou conhecido e aceito nesse grupo, constituindo-o assim em um artista que soube representar o gosto burguês dessas elites cariocas.
Considerando o tempo de atuação de Trompowsky nas revistas (1931-1957), a regularidade das seções assinadas por ele e a circulação desses periódicos acreditamos que a sua inserção na imprensa contribuiu também para o seu protagonismo na construção de modelos de comportamento, de definição de padrões de gosto para as elites brasileiras da época. A pesquisa possibilitou identificar a articulação entre as imagens veiculadas com os discursos produzidos por Trompowsky, no sentido de dar visibilidade a homens e mulheres da elite carioca.
No decorrer da pesquisa, identificamos que Trompowsky estabeleceu redes de sociabilidade por onde passou, circulando entre artistas, intelectuais, empresários e políticos. Um nome recorrente nas suas seções foi o de Jacira Bastos Dodsworth, esposa de Henrique Dodsworth, prefeito do Rio de Janeiro no período de 1935 a 1947. Houve ocasiões em que foi registrada pela imprensa a presença de Dodsworth nas exposições do artista, sinalizando assim as relações de aproximações de Trompowsky com o poder político. Observamos ainda que Trompowsky se insere nesse projeto de modernização do país com seu elogio ao estilo de vida urbano, requintado para poucos.
Assim, por meio das crônicas de Trompowsky foi possível discutir as representações sobre a mulher, a cultura e a vida social no Rio de Janeiro. Nos seus textos e ilustrações, as mulheres, por exemplo, ganhavam a centralidade, apresentadas sempre bem vestidas, educadas e de muito bom gosto; elas eram apresentadas a partir dos nomes e sobrenomes de seus esposos, uma características das crônicas sociais do período, o que conferia a essas mulheres um papel estrátegico.
Ao final desse trabalho, acreditamos que outras possibilidades de pesquisa se abrem a partir do corpus documental que tivemos acesso, tanto sobre a sua atuação de cronista social nas revistas ilustradas quanto pelas demais atividades artísticas em que ele atuou. Um dos caminhos seria compreender o pintor Trompowsky e sua produção de quadros e painéis, a participação em exposições e a sua relação com outros artistas do seu tempo. O Trompowsky figurinista, cenógrafo e decorador também se apresenta enquanto uma perspectiva de estudo. Sua produção nessa área artística teve início no final da década de 1920, quando produziu suas primeiras decorações para bailes em clubes recreativos cariocas até ganhar espaço nas decorações dos bailes carnavalescos no Teatro Municipal. Enfim, essa é apenas uma versão entre outras tantas possíveis sobre a atuação artística de Gilberto Cavalcanti e Livramento Trompowsky, o G. de A
Fonte: Repositório UFU, por Roberta Paula Gomes Silva, Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia, 2018.