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GTO

Geraldo Telles de Oliveira (Itapecerica, MG, 1913 – Divinópolis, MG, 1990), ou GTO, como preferia ser conhecido, foi um escultor, tendo tornado-se um dos mais importantes artistas populares brasileiros, ao criar esculturas com figuras humanas que se amontoam de maneira esquemática e repetida, em geral formando rodas vivas e mandalas.

Biografia

Vem de uma família pobre. Ele exerce ocupações de trabalhador rural, fundidor e vigia noturno antes de dedicar-se à escultura. Realiza a primeira individual em 1967, na Galeria Guignard, em Belo Horizonte. A partir de então, participa de importantes coletivas no Brasil e no exterior, como Biennale Formes Humaines, Musée Rodin, Paris, em 1974; 13ª Bienal Internacional de São Paulo - Sala Especial, em 1975; e Bienal de Veneza, Itália, em 1980. O artista aborda temas regionais como as festas religiosas e as danças do interior de Minas Gerais. Sua obra é tema de livro de Lélia Coelho Frota, Mitopoética de 9 Artistas Brasileiros, de 1978, e de filmes como A Árvore dos Sonhos, de Carlos Augusto Calil, produzido para a 42ª Bienal de Veneza. Em 1995, é realizada a retrospectiva Cinco Anos sem Novos Sonhos de GTO, em Belo Horizonte. Sua produção tem sido exposta em coletivas como Arte Popular: Mostra do Redescobrimento, em 2000, e Pop Brasil: Arte Popular e o Popular na Arte, em 2002.

Comentário crítico

GTO, como prefere ser conhecido o escultor Geraldo Teles de Oliveira, é originário de uma família pobre. Trabalhando como guarda noturno, o artista tem visões, nas quais as esculturas que deveria realizar lhes são mostradas. Como nota o crítico Roberto Pontual, sem nunca ter feito qualquer trabalho de escultura, o artista começa, em torno de 1965, a desbastar grandes peças de madeira.

Emprega constantemente o cedro-vermelho, a maçaranduba-amarela e o vinhático. Em suas obras, parte da figura humana, utilizada de forma esquemática e repetida, em estruturas geométricas, como o retângulo e o círculo. Usando freqüentemente o formão e o canivete, escava a madeira com energia e precisão. Cria efeitos surpreendentes, explorando os cheios e vazios e o ritmo conferido pela sucessão de figuras em suas obras.

Os personagens possuem, muitas vezes, traços e indumentárias populares e também lembram ex-votos. São utilizados para preencher todo o interior de peças como as rodas mágicas ou mandalas, que o artista denomina Rodas-Vivas. Ainda segundo Pontual, em seus blocos escultóricos, GTO associa o registro de fontes populares com a emergência de arquétipos do inconsciente coletivo.

Em suas esculturas, o artista aborda temas variados, como as festas religiosas e as danças do interior de Minas Gerais. GTO é o precursor de um estilo e uma prática da escultura em madeira que passam a ser realizados por toda uma série de artistas que atuam na região de Divinópolis, em Minas Gerais. Como nota ainda Pontual, sua produção final passa por inevitáveis simplificações, sofrendo uma atenuação da complexidade de seu registro simbólico.

Críticas

"Toda a atitude e o trabalho de GTO revelam típico envolvimento mágico com a realidade, exemplificando, de modo muito exato, a mecânica do comportamento arcaico. Sem nunca ter realizado anteriormente qualquer peça de escultura, começou, por volta de 1965, a desbastar grandes blocos de madeira para com eles concretizar uma necessidade incoercível de expressão. Desde algum tempo antes vinha experimentando visões noturnas que o atormentavam, especialmente enquanto trabalhava como vigia de um hospital em Divinópolis; a essas visões somaram-se sonhos diurnos, até que, durante um deles, se viu a si próprio esculpindo, o que tomou como ordem sobrenatural impelindo-o a buscar imediatamente a madeira e alguns instrumentos toscos e a dar início à tarefa de intermediário-artista.

A constante mais evidenciada de suas peças - nas quais curiosamente encontramos similitude com escultura negra africana, sobretudo dos bamilekés, da República dos Camarões - é o elemento onírico, envolvendo o acúmulo de figuras sobre figuras ou o movimento sincopado dos brinquedos móveis a manivela".

Roberto Pontual (Pontual, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. p. 179.)

"É freqüente a presença da corrente, ligando os homens uns aos outros, ou aos blocos centrais da madeira. Na porta de sua casa, na Rua Rubim, em Divinópolis, vemos o seu retrato em vulto redondo, de meio corpo, esculpido e pintado. Ele se representou de longos cabelos, que aliás usa, e barba, figurando o tipo messiânico oriental de Cristo. Em torno do pescoço, vê-se uma corda, atada com um nó. Essa figura será talvez uma réplica do também mártir Tiradentes, que ele fez para o prefeito de São João del Rei. Mas é inequivocamente o auto-retrato de GTO, e sua identificação à casa, colocando-o na entrada da mesma, que vem corroborar essa intenção. Curiosamente, Cirlot e Loffler-Delachaux atribuem à corda, e por extensão à corrente, o conteúdo simbólico geral de ligar e conectar (...)"

Lélia Coelho Frota (Frota, Lélia Coelho. Homem: templo no centro de si mesmo, na roda-viva de G. T. O. In: ---. Mitopoética de 9 artistas brasileiros: vida, verdade e obra. p. 97.)

"GTO confere a seu trabalho essa perspectiva singular, que é, ao mesmo tempo, a fé no ofício e na própria capacidade de criar formas ´belas´ que refletem o espanto ante o mundo em que vive. Nas suas esculturas ele aborda temas variados: as danças, as festas religiosas e toda a sabanda da vida do interior de Minas, além de alegorias sobre acontecimentos e vultos de que ouviu falar e sobre um grande mito: a máquina. É o próprio escultor quem afirma que suas peças são ´o retrato das coisas com que sonhei´. Ele sonha com os demônios e as feras, a guerra, o apocalipse, a morte; não sabe explicar seus pesadelos senão com imagens que esculpe. Uma das qualidades essenciais de sua escultura é a sinceridade. Na sua simplicidade e ingenuidade, pode colocar-se como um dos eleitos, um dos que se deixaram possuir pelo fogo sagrado; intérprete da ´vontade de Deus´, ele transpõe para os planos terrenos a Sua vontade, fazendo dela sua mais alta inspiração".

Márcio Sampaio (Sampaio, Márcio. In: Salão Global de Inverno, 6. Catálogo n. p.)

Exposições Individuais

1967 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace

1987 - Rio de Janeiro RJ - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico

1987 - Divinópolis MG - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico

Exposições Coletivas

1968 - Belo Horizonte MG - A Arte Ingênua

1969 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Arte Contemporânea

1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1970 - Belo Horizonte MG - 2º Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição

1970 - Belo Horizonte MG - O Processo Evolutivo da Arte em Minas, no Palácio das Artes

1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1973 - Bruxelas (Bélgica) - Brasil Export 73

1974 - Paris (França) - Bienale Formes Humaines, no Museu Rodin

1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Iemanjá

1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Montparnasse

1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1977 - Belo Horizonte MG - 5º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes

1977 - Brasília DF - 5º Salão Global de Inverno

1977 - Lagos (Nigéria) - 2º Festival Mundial e Africano de Arte e Cultura Negra

1977 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Global de Inverno, no MNBA

1977 - São Paulo SP - 5º Salão Global de Inverno, no Masp

1978 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Plásticas do Conselho Estadual de Cultura, no Palácio das Artes

1978 - Veneza (Itália) - 42ª Bienal de Veneza

1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais

1979 - São Paulo SP - Bienal Latino-Americana Mitos e Magia

1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes

1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP

1981 - São Paulo SP - 16º Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP

1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp

1984 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes

1985 - São Paulo SP - Art Brut, no hall do Cine Metrópole Gaumont

1986 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Madeira, no Museu do Folclore

1987 - Belo Horizonte MG - 1º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas

1988 - Belo Horizonte MG - 2º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas

1990 - Rio de Janeiro RJ - Exposição patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce

Exposições Póstumas

1993 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA

1995 - Belo Horizonte MG - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, no Centro de Cultura de Belo Horizonte

1995 - Belo Horizonte MG - Cinco Anos sem Novos Sonhos de GTO, na Galeria Paulo Campos Guimarães

2001 - Nova York (Estados Unidos) - Brazil: body and soul, no Solomon R. Guggenheim Museum

2001 - São Paulo SP - Expressão Popular, no Centro Cultural Light

2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB

2004 - São Paulo SP - Forma, Cor e Expressão: uma coleção de arte brasileira, na Estação São Paulo

2004 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 anos de arte moderna, no MNBA

Fonte: GTO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10014/gto>. Acesso em: 27 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Museu GTO (Geraldo Teles de Oliveira) – Divinópolis-MG

O Museu homenageia um dos maiores artistas brasileiros, Geraldo Teles de Oliveira. Está localizado na cidade de Divinópolis, no Centro Oeste de Minas Gerais e recebe este nome por abrigar obras de um grande artista brasileiro, Geraldo Teles de Oliveira.

História de Geraldo Teles de Oliveira

Geraldo Teles de Oliveira nasceu em Itapecerica/MG, passou a infância e a juventude em Divinópolis e morou também no Rio de Janeiro, onde trabalhou como funileiro, moldador e fundidor. Quando retornou à Divinópolis, já com 38 anos de idade, trabalhou como vigia noturno em um hospital da cidade, onde foi internado para tratamento de saúde.

O primeiro trabalho de Geraldo Teles de Oliveira surgiu em 1965 já com 52 anos de idade, realizando um grande sonho de transformar madeira em arte. A pedido de um padre, G.T.O. esculpiu uma imagem para a Igreja Senhor Bom Jesus, perto de sua casa, onde mais tarde seu trabalho foi comercializado por galerias de arte.

Desde o início, suas obras ganham projeção nacional e G.T.O. consagra-se como um dos grandes artistas visionários do país, conseguindo unanimidade da crítica –fato raro na arte popular.

O Museu GTO

O Museu GTO funciona em uma grande casa, onde o artista viveu e criou sua família, até falecer em 1990. Fundado em 1981, o espaço conta com um pequeno acervo de obras de G.T.O., além de abrigar objetos pessoais e algumas ferramentas de trabalho.

Em 2007 foi criado o Instituto GTO, com a finalidade de profissionalizar o processo de manutenção do museu, aprimorando as exposições. Já no ano de 2009, O Museu GTO recebeu uma revitalização, recebendo pintura, iluminação, restauração de portões, janelas, e portas, cerca elétrica e reforços em itens de segurança.

A ideia da criação do museu surgiu pelo fato de Divinópolis receber vários turistas interessados em conhecer Geraldo Teles de Oliveira e algumas de suas obras.

Geraldo Fernandes de Oliveira e Alex Teles, netos de G.T.O. são os responsáveis pelo museu, que também abriga o ateliê de Mário Teles, Geraldo Fernandes e Milton Marcolino. Eles desenvolvem o trabalho passado de geração em geração, dando sequencia ao legado deixado por Geraldo Teles de Oliveira.

A Arte de Geraldo Teles de Oliveira

Mestre da linguagem universal, G.T.O. recorre à figura humana, esquemática e repetida, aliada ao círculo e ao retângulo, para construir à imagem de si mesmo o grande edifício metafísico que é a sua escultura.

A pluralidade de suas figuras termina por construir imagens de grande equilíbrio e unidade formal. Nas “Rodas Vivas” de G.T.O. o centro é comumente sugerido, mas quase nunca configurado, como nas mandalas orientais.

A visita ao Museu GTO é gratuita e a visitação se dá mediante agendamento com os responsáveis pelo Museu. Há uma página no Facebook sobre o Museu GTO. Os telefones para agendamento de visitas e maiores informações estão no final do post.

O Museu GTO possui apenas duas salas para visitação, uma com as grande obras de G.T.O. e outra que abriga o ateliê de Mário Teles, que dá sequencia ao seu trabalho. Há ainda um grande painel com uma linha do tempo, contando a vida de G.T.O.Eu confesso que esperava bem mais do museu e acredito que Geraldo Teles de Oliveira merece bem mais do que há no Museu atualmente.

Vale destacar o trabalho e empenho dos netos de G.T.O., que estão sempre buscando soluções para a melhoria do Museu. Segundo informou Alex Teles, um dos responsáveis pelo espaço, foram prometidas várias melhorias além de recursos para o espaço, mas quase nada foi cumprido.

Alex está empenhado em melhorar a estrutura do museu e já está nos planos a criação de oficinas em um espaço grande que fica nos fundos do Museu: “Estamos empenhados em melhorar o Museu, porém a falta de apoio faz com que busquemos, por conta própria, recursos que coloquem o Museu GTO como uma grande atração turística além de valorizar o grande trabalho de Geraldo Teles de Oliveira”.

Fonte: https://blogmeudestino.com/museu-gto-geraldo-teles-de-oliveira-divinopolis-mg/, por André Morato, atualizado em 20 de julho de 2015, consultado pela última vez em 27 de março de 2020.

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Crédito fotográfico: http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/indice-biografico/lista-de-biografias/biografia/2017/06/26/g.t.o.-(geraldo-teles-de-oliveira)

Geraldo Telles de Oliveira (Itapecerica, MG, 1913 – Divinópolis, MG, 1990), ou GTO, como preferia ser conhecido, foi um escultor, tendo tornado-se um dos mais importantes artistas populares brasileiros, ao criar esculturas com figuras humanas que se amontoam de maneira esquemática e repetida, em geral formando rodas vivas e mandalas.

GTO

Geraldo Telles de Oliveira (Itapecerica, MG, 1913 – Divinópolis, MG, 1990), ou GTO, como preferia ser conhecido, foi um escultor, tendo tornado-se um dos mais importantes artistas populares brasileiros, ao criar esculturas com figuras humanas que se amontoam de maneira esquemática e repetida, em geral formando rodas vivas e mandalas.

Biografia

Vem de uma família pobre. Ele exerce ocupações de trabalhador rural, fundidor e vigia noturno antes de dedicar-se à escultura. Realiza a primeira individual em 1967, na Galeria Guignard, em Belo Horizonte. A partir de então, participa de importantes coletivas no Brasil e no exterior, como Biennale Formes Humaines, Musée Rodin, Paris, em 1974; 13ª Bienal Internacional de São Paulo - Sala Especial, em 1975; e Bienal de Veneza, Itália, em 1980. O artista aborda temas regionais como as festas religiosas e as danças do interior de Minas Gerais. Sua obra é tema de livro de Lélia Coelho Frota, Mitopoética de 9 Artistas Brasileiros, de 1978, e de filmes como A Árvore dos Sonhos, de Carlos Augusto Calil, produzido para a 42ª Bienal de Veneza. Em 1995, é realizada a retrospectiva Cinco Anos sem Novos Sonhos de GTO, em Belo Horizonte. Sua produção tem sido exposta em coletivas como Arte Popular: Mostra do Redescobrimento, em 2000, e Pop Brasil: Arte Popular e o Popular na Arte, em 2002.

Comentário crítico

GTO, como prefere ser conhecido o escultor Geraldo Teles de Oliveira, é originário de uma família pobre. Trabalhando como guarda noturno, o artista tem visões, nas quais as esculturas que deveria realizar lhes são mostradas. Como nota o crítico Roberto Pontual, sem nunca ter feito qualquer trabalho de escultura, o artista começa, em torno de 1965, a desbastar grandes peças de madeira.

Emprega constantemente o cedro-vermelho, a maçaranduba-amarela e o vinhático. Em suas obras, parte da figura humana, utilizada de forma esquemática e repetida, em estruturas geométricas, como o retângulo e o círculo. Usando freqüentemente o formão e o canivete, escava a madeira com energia e precisão. Cria efeitos surpreendentes, explorando os cheios e vazios e o ritmo conferido pela sucessão de figuras em suas obras.

Os personagens possuem, muitas vezes, traços e indumentárias populares e também lembram ex-votos. São utilizados para preencher todo o interior de peças como as rodas mágicas ou mandalas, que o artista denomina Rodas-Vivas. Ainda segundo Pontual, em seus blocos escultóricos, GTO associa o registro de fontes populares com a emergência de arquétipos do inconsciente coletivo.

Em suas esculturas, o artista aborda temas variados, como as festas religiosas e as danças do interior de Minas Gerais. GTO é o precursor de um estilo e uma prática da escultura em madeira que passam a ser realizados por toda uma série de artistas que atuam na região de Divinópolis, em Minas Gerais. Como nota ainda Pontual, sua produção final passa por inevitáveis simplificações, sofrendo uma atenuação da complexidade de seu registro simbólico.

Críticas

"Toda a atitude e o trabalho de GTO revelam típico envolvimento mágico com a realidade, exemplificando, de modo muito exato, a mecânica do comportamento arcaico. Sem nunca ter realizado anteriormente qualquer peça de escultura, começou, por volta de 1965, a desbastar grandes blocos de madeira para com eles concretizar uma necessidade incoercível de expressão. Desde algum tempo antes vinha experimentando visões noturnas que o atormentavam, especialmente enquanto trabalhava como vigia de um hospital em Divinópolis; a essas visões somaram-se sonhos diurnos, até que, durante um deles, se viu a si próprio esculpindo, o que tomou como ordem sobrenatural impelindo-o a buscar imediatamente a madeira e alguns instrumentos toscos e a dar início à tarefa de intermediário-artista.

A constante mais evidenciada de suas peças - nas quais curiosamente encontramos similitude com escultura negra africana, sobretudo dos bamilekés, da República dos Camarões - é o elemento onírico, envolvendo o acúmulo de figuras sobre figuras ou o movimento sincopado dos brinquedos móveis a manivela".

Roberto Pontual (Pontual, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. p. 179.)

"É freqüente a presença da corrente, ligando os homens uns aos outros, ou aos blocos centrais da madeira. Na porta de sua casa, na Rua Rubim, em Divinópolis, vemos o seu retrato em vulto redondo, de meio corpo, esculpido e pintado. Ele se representou de longos cabelos, que aliás usa, e barba, figurando o tipo messiânico oriental de Cristo. Em torno do pescoço, vê-se uma corda, atada com um nó. Essa figura será talvez uma réplica do também mártir Tiradentes, que ele fez para o prefeito de São João del Rei. Mas é inequivocamente o auto-retrato de GTO, e sua identificação à casa, colocando-o na entrada da mesma, que vem corroborar essa intenção. Curiosamente, Cirlot e Loffler-Delachaux atribuem à corda, e por extensão à corrente, o conteúdo simbólico geral de ligar e conectar (...)"

Lélia Coelho Frota (Frota, Lélia Coelho. Homem: templo no centro de si mesmo, na roda-viva de G. T. O. In: ---. Mitopoética de 9 artistas brasileiros: vida, verdade e obra. p. 97.)

"GTO confere a seu trabalho essa perspectiva singular, que é, ao mesmo tempo, a fé no ofício e na própria capacidade de criar formas ´belas´ que refletem o espanto ante o mundo em que vive. Nas suas esculturas ele aborda temas variados: as danças, as festas religiosas e toda a sabanda da vida do interior de Minas, além de alegorias sobre acontecimentos e vultos de que ouviu falar e sobre um grande mito: a máquina. É o próprio escultor quem afirma que suas peças são ´o retrato das coisas com que sonhei´. Ele sonha com os demônios e as feras, a guerra, o apocalipse, a morte; não sabe explicar seus pesadelos senão com imagens que esculpe. Uma das qualidades essenciais de sua escultura é a sinceridade. Na sua simplicidade e ingenuidade, pode colocar-se como um dos eleitos, um dos que se deixaram possuir pelo fogo sagrado; intérprete da ´vontade de Deus´, ele transpõe para os planos terrenos a Sua vontade, fazendo dela sua mais alta inspiração".

Márcio Sampaio (Sampaio, Márcio. In: Salão Global de Inverno, 6. Catálogo n. p.)

Exposições Individuais

1967 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace

1987 - Rio de Janeiro RJ - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico

1987 - Divinópolis MG - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico

Exposições Coletivas

1968 - Belo Horizonte MG - A Arte Ingênua

1969 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Arte Contemporânea

1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1970 - Belo Horizonte MG - 2º Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição

1970 - Belo Horizonte MG - O Processo Evolutivo da Arte em Minas, no Palácio das Artes

1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1973 - Bruxelas (Bélgica) - Brasil Export 73

1974 - Paris (França) - Bienale Formes Humaines, no Museu Rodin

1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Iemanjá

1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Montparnasse

1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1977 - Belo Horizonte MG - 5º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes

1977 - Brasília DF - 5º Salão Global de Inverno

1977 - Lagos (Nigéria) - 2º Festival Mundial e Africano de Arte e Cultura Negra

1977 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Global de Inverno, no MNBA

1977 - São Paulo SP - 5º Salão Global de Inverno, no Masp

1978 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Plásticas do Conselho Estadual de Cultura, no Palácio das Artes

1978 - Veneza (Itália) - 42ª Bienal de Veneza

1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais

1979 - São Paulo SP - Bienal Latino-Americana Mitos e Magia

1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes

1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP

1981 - São Paulo SP - 16º Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP

1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp

1984 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes

1985 - São Paulo SP - Art Brut, no hall do Cine Metrópole Gaumont

1986 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Madeira, no Museu do Folclore

1987 - Belo Horizonte MG - 1º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas

1988 - Belo Horizonte MG - 2º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas

1990 - Rio de Janeiro RJ - Exposição patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce

Exposições Póstumas

1993 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA

1995 - Belo Horizonte MG - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, no Centro de Cultura de Belo Horizonte

1995 - Belo Horizonte MG - Cinco Anos sem Novos Sonhos de GTO, na Galeria Paulo Campos Guimarães

2001 - Nova York (Estados Unidos) - Brazil: body and soul, no Solomon R. Guggenheim Museum

2001 - São Paulo SP - Expressão Popular, no Centro Cultural Light

2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB

2004 - São Paulo SP - Forma, Cor e Expressão: uma coleção de arte brasileira, na Estação São Paulo

2004 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 anos de arte moderna, no MNBA

Fonte: GTO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10014/gto>. Acesso em: 27 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Museu GTO (Geraldo Teles de Oliveira) – Divinópolis-MG

O Museu homenageia um dos maiores artistas brasileiros, Geraldo Teles de Oliveira. Está localizado na cidade de Divinópolis, no Centro Oeste de Minas Gerais e recebe este nome por abrigar obras de um grande artista brasileiro, Geraldo Teles de Oliveira.

História de Geraldo Teles de Oliveira

Geraldo Teles de Oliveira nasceu em Itapecerica/MG, passou a infância e a juventude em Divinópolis e morou também no Rio de Janeiro, onde trabalhou como funileiro, moldador e fundidor. Quando retornou à Divinópolis, já com 38 anos de idade, trabalhou como vigia noturno em um hospital da cidade, onde foi internado para tratamento de saúde.

O primeiro trabalho de Geraldo Teles de Oliveira surgiu em 1965 já com 52 anos de idade, realizando um grande sonho de transformar madeira em arte. A pedido de um padre, G.T.O. esculpiu uma imagem para a Igreja Senhor Bom Jesus, perto de sua casa, onde mais tarde seu trabalho foi comercializado por galerias de arte.

Desde o início, suas obras ganham projeção nacional e G.T.O. consagra-se como um dos grandes artistas visionários do país, conseguindo unanimidade da crítica –fato raro na arte popular.

O Museu GTO

O Museu GTO funciona em uma grande casa, onde o artista viveu e criou sua família, até falecer em 1990. Fundado em 1981, o espaço conta com um pequeno acervo de obras de G.T.O., além de abrigar objetos pessoais e algumas ferramentas de trabalho.

Em 2007 foi criado o Instituto GTO, com a finalidade de profissionalizar o processo de manutenção do museu, aprimorando as exposições. Já no ano de 2009, O Museu GTO recebeu uma revitalização, recebendo pintura, iluminação, restauração de portões, janelas, e portas, cerca elétrica e reforços em itens de segurança.

A ideia da criação do museu surgiu pelo fato de Divinópolis receber vários turistas interessados em conhecer Geraldo Teles de Oliveira e algumas de suas obras.

Geraldo Fernandes de Oliveira e Alex Teles, netos de G.T.O. são os responsáveis pelo museu, que também abriga o ateliê de Mário Teles, Geraldo Fernandes e Milton Marcolino. Eles desenvolvem o trabalho passado de geração em geração, dando sequencia ao legado deixado por Geraldo Teles de Oliveira.

A Arte de Geraldo Teles de Oliveira

Mestre da linguagem universal, G.T.O. recorre à figura humana, esquemática e repetida, aliada ao círculo e ao retângulo, para construir à imagem de si mesmo o grande edifício metafísico que é a sua escultura.

A pluralidade de suas figuras termina por construir imagens de grande equilíbrio e unidade formal. Nas “Rodas Vivas” de G.T.O. o centro é comumente sugerido, mas quase nunca configurado, como nas mandalas orientais.

A visita ao Museu GTO é gratuita e a visitação se dá mediante agendamento com os responsáveis pelo Museu. Há uma página no Facebook sobre o Museu GTO. Os telefones para agendamento de visitas e maiores informações estão no final do post.

O Museu GTO possui apenas duas salas para visitação, uma com as grande obras de G.T.O. e outra que abriga o ateliê de Mário Teles, que dá sequencia ao seu trabalho. Há ainda um grande painel com uma linha do tempo, contando a vida de G.T.O.Eu confesso que esperava bem mais do museu e acredito que Geraldo Teles de Oliveira merece bem mais do que há no Museu atualmente.

Vale destacar o trabalho e empenho dos netos de G.T.O., que estão sempre buscando soluções para a melhoria do Museu. Segundo informou Alex Teles, um dos responsáveis pelo espaço, foram prometidas várias melhorias além de recursos para o espaço, mas quase nada foi cumprido.

Alex está empenhado em melhorar a estrutura do museu e já está nos planos a criação de oficinas em um espaço grande que fica nos fundos do Museu: “Estamos empenhados em melhorar o Museu, porém a falta de apoio faz com que busquemos, por conta própria, recursos que coloquem o Museu GTO como uma grande atração turística além de valorizar o grande trabalho de Geraldo Teles de Oliveira”.

Fonte: https://blogmeudestino.com/museu-gto-geraldo-teles-de-oliveira-divinopolis-mg/, por André Morato, atualizado em 20 de julho de 2015, consultado pela última vez em 27 de março de 2020.

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Crédito fotográfico: http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/indice-biografico/lista-de-biografias/biografia/2017/06/26/g.t.o.-(geraldo-teles-de-oliveira)

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