Hélio Fonseca Basto (Salvador, Bahia, 18 de novembro de 1931 — Salvador, Bahia, 17 de março de 1991), mais conhecido como Hélio Basto ou apenas Basto, foi um pintor e gravurista brasileiro. Iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Na década de 1950, sua obra foi marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação. Ao retornar para Bahia, Hélio continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas.
Helio Basto | Arremate Arte
Hélio Fonseca Basto (1931-1991) foi um importante pintor e gravurista brasileiro, natural de Salvador, Bahia. Ele iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Sua obra na década de 1950, marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação.
Ao retornar à Bahia, Hélio Basto continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Jorge Amado, em "Baía de Todos os Santos", elogiou a poesia quase irreal do mundo criado por Basto em suas obras.
Ao longo de sua carreira, Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas. Apesar de sua vida simples e afastada do circuito artístico nos últimos anos, sua contribuição para o modernismo baiano e sua influência no cenário artístico nacional são inegáveis, sendo considerado um artista de relevância tanto no contexto regional quanto internacional.
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Helio Basto | Dicionário de Belas Artes da UFBA
Hélio Basto nasceu em 18 de novembro de 1931, na cidade do Salvador, Bahia, onde também faleceu a 17 de março de 1991. Em Salvador, frequentou o Curso Livre da Escola de Belas Artes da Bahia por um curto espaço de tempo. (PINHO, 1993, p. 62) Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à pintura a óleo, e ao desenho, assim como fez gravuras.
Vivenciou o clima da primeira fase do modernismo baiano nos anos 1950, mas, entre 1956 e 1959, residiu em São Paulo. Aí estudou com os artistas plásticos Walter Lévy e Berto Udler, assim como seguiu Curso de História da Arte, organizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nessa época, seu trabalho esteve imbuído de uma atmosfera misteriosa e de irrealidade, a que o crítico de arte Reynivaldo Brito chama de “surrealista-existencialista”, de atmosfera silenciosa e sofrida. (BRITO, 1984).
O colecionador e crítico de arte Théon Spanudis, interessado pela tendência ao Surrealismo em trabalhos de artistas brasileiros, publicou um artigo em 1964, na revista Habitat, que trata de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Walter Lévy e Hélio Basto, o que relacionava esses artistas era a relação imaginativa com as formas. São dessa fase dois quadros do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da autoria de Hélio Basto, sendo que pertenceram a esse crítico, intitulados Ruínas e Busto. Para Sapanudis, o surrealismo de Hélio Basto remete ao passado, com alusões a edifícios da época colonial – memórias do que viu em sua cidade natal.
Além de ter pintado casarios e naturezas-mortas, dedicou-se a retratar pessoas famosas da elite soteropolitana, assim como artistas, a exemplo de Jorge Amado e Yêdamaria. Contudo, ele foi estilizando as formas de modo a se encontrar com a figuração geométrica em anjos, orixás, entre outros temas. Nesse processo, elimina o claro-escuro. A sinuosidade das formas, movimento e ritmo, e colorido nítido são as características dos trabalhos seus nessa linha. (BRITO, 1984)
Viveu de forma simples, morando e trabalhando no mesmo local. Atravessou problemas de saúde, tendo contado com a solidariedade de amigos.
A importância da sua obra nas artes baianas foi objeto de pesquisa de Vânia Carvalho, historiadora da arte e professora da Escola de Balas Artes da UFBA. Ela o considera um artista independente. (CARVALHO apud BRITO,1984). Segundo ela, Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente. Seu trabalho foi estudado por Suzane Tavares Rubim de Pinho, que trata dos reflexos do Surrealismo na obra de artistas baianos.
A pesquisa sobre Hélio Basto precisa ser aprofundada, incluindo a identificação de trabalhos seus em acervos e exposições das quais participou, assim como premiações. Basto possui obras em acervos importantes, destacando-se o do MAC (SP), doados por Theon Spanudis, e o Acervo Artístico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, cuja publicação eletrônica de 08 de julho de 2005 cita mostras individuais e coletivas nas quais tomou parte.
“Desenho Jovem”, Museu de Arte Contemporânea (1981); Museu de Arte de São Paulo (1982); Original’s Galeria de Arte; Espaço Cultural Spazzio Pirandello; Fundação Banco de Boston (1983); Grupo Westinghouse do Brasil S/A, SP (1985); Ânima Galeria de Arte; Associação Comercial de São Paulo; Câmara Municipal de São Paulo (1989); V Salão de Aquarela e Artes Plásticas, Núcleo de Arte e Cultura Nova Era; Projeto Art’s Musik e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Teatro Cacilda Becker; Assembléia Legislativa de São Paulo (1990); Rotary Club Higienópolis; Projeto Art’s Musik, Crowne Plaza; Projeto Art’s Musik, Secretaria Municipal de Cultura de Santo André; Sociarte, Clube Atlético Monte Líbano (1991 e 1995); Espaço Cultural Cavaco’s (1992); Projeto Music Center, União Cultural Brasil Estados Unidos (1992 e 1993); Portal Galeria de Arte; Finarte Galeria (1993); Centro Empresarial de São Paulo; Museu Telesp (1995 e 1996); Vellosa, Escritório de Arte; Novotel Morumbi; Avon Cosméticos (1995); Clube Círculo Militar de São Paulo (1996); Associação dos Funcionários da Cosesp; Ipê Clube (1997 e 2000); Espaço Cultural, Singulis Vitae (1997); “Espaço Imagem” (1998); ACM (1999); Espaço Cultural Infraero (2001) Sofitel, Accor Hotels (2003).”
Mostras Individuais
1961 –Texas, EUA – Individual, no Modern Art Museum of Fourth Worth.
Participações em Salões, Bienais e coletivas:
1956 – Salvador, BA – Coletiva Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.
1958 – Salvador, BA – Coletiva, no Forte de Monte Serrat (juntamente com Adam Firnekaes e Ligia Sampaio).
1969 – Rio de Janeiro, RJ – Coletiva, na Galeria Irlandini.
Mostras individuais e participações póstumas em Salões, Bienais e coletivas:
2017 – Salvador, BA – Coletiva, Elas, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
Fonte: Dicionário de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
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Hélio Basto está doente e afastado das galerias | Reynivaldo Brito
A Bahia é uma terra pródiga em gerar excelentes artistas de teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas. Porém, a capacidade que possui para criá-los não funciona para mantê-los em seu solo e dar-lhes o verdadeiro reconhecimento. É o caso do artista plástico Hélio Basto, um dos indiciadores da corrente modernista na década de 50, movimento que revolucionou as artes plásticas baianas, até então ainda presas ao academicismo provinciano.
Afastado das galerias de arte desde 77, Hélio Basto dedica-se atualmente a realizar trabalhos para clientes, depois de passar por um período difícil, em que esteve doente. O pintor vive hoje num apartamento alugado de um único vão em São Pedro, no centro da cidade, cercado de tintas, pincéis, telas e muitos discos. Nas paredes úmidas devido à infiltração de água, apenas três de seus quadros. Poucos móveis compõem o ambiente.
O artista revelou, no entanto, que sua situação atual não é circunstância, e sim opção: “dá para sobreviver, não tenho ambição de dinheiro. O apartamento é alugado propositalmente. Já tive um próprio, mas não gostei da idéia e me desfiz. Os pintores preferem ostentar status, e eu sempre gostei de morar em oficinas, de viver autenticamente como um artista”. A não ser quando não está trabalhando, o que faz até altas horas, raramente sai de casa. Disse se sentir recompensado, sobrevivendo a 25 anos da profissão, embora não se considere realizado, “porque um homem nunca se realiza”.
Fase surrealista
Hélio Basto nasceu em Salvador em 1934. Começou a dar os primeiros traços aos 16 anos. Frequentou a Escola de Belas Artes da UFBa., a qual não chegou a concluir por não achar o ensino satisfatório. Em 56, participou da mostra Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré, que renovou totalmente a pintura acadêmica baiana. Era o auge do movimento cultural na Bahia, sob o incentivo constante de Edgard Santos. Apesar do movimento já ter acontecido em São Paulo na Semana de 22, os baianos não aceitaram a pintura moderna, a ponto de rasgar quadros na exposição. Como não era uma pessoa polêmica, Hélio preferiu se isolar, seguindo para o Sul, onde seria aceito.
Na capital paulista fez cursos no Museu de Arte Moderna com os professores Walter Levy e Berko Udler, desenvolvendo uma fase surrealista-existencialista entre 56/60. Nesta época, seus quadros retratavam a atmosfera de sofrimento silencioso e a devastação da morte, com uma significação densa e profunda. A revista Habitat, sobre pintura e arquitetura, escreveu: “a série de quadros surrealistas que ele realizou achamos importantíssima e significativa, mesmo para a História da América Latina e Católica”. Desta fase possui dois quadros no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que pertenceram ao crítico de arte Theon Spanudis. São eles: Ruínas (55) e Busto (57).
Fase retratista
Seguiu-se de 60 a 63 a sua fase retratista, sobre a qual discorreu Jorge Amado no livro Baía de Todo os Santos: “seu mundo é poético, quase irreal, mundo de criança desabrochada em espanto diante da vida. No silêncio translúcido, Hélio Basto traz uma flor na mão, sobrevoa um velho quarteirão da cidade”.
Nesse período, realizou uma mostra individual no Museu de Arte Moderna do Texas, nos Estados Unidos, em 61, e Grandes da Bahia, em 69, no Rio. De passagem pela Bahia, o famoso Arthur Hailler, autor da série de livros e filmes Aeroporto adquiriu dês de seus trabalhos. Fez um retrato de manequim Veruska, que possui 25 quadros de sua estória em sua casa de Roma.
Realizou ao todo 28 exposições, a última na Galeria Credicard, em 77. Interrompeu a fase de retratista evoluindo para uma pintura interessada pela forma, cor e ritmo.
Atualmente sua atividade está centrada em enormes painéis para empresas particulares como o Bamerindus, que tem trabalhos seus no acervo da sede do Paraná. O pintor revelou que não possui prêmios porque, por temperamento, “nunca fui de buscar, concorrer em salões de arte. Meu prêmio é a evolução da minha pintura e a continuidade dela”.
Artista independente
A importância da presença de Hélio Basto nas artes baianas está sendo resgatada pela professora de História da Arte da UFBa,. Vânia Carvalho, que prepara um livro sobre vida e obra do pintor. No seu entender, “trata-se de um artista independente. Não está ligado a grupo ou tendência, mostrando uma coerência incrível. Sentimos sua evolução dentro da linha de continuidade. Ele sempre se manteve da arte com dignidade, sem fazer concessões”. Informou que Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente, tendo iniciado o modernismo juntamente com Carlos Bastos, Mário Cravo, José Pedreira e o pessoal que frequentava a boate Anjo Azul, na Rua do Cabeça.
Segundo Vânia Carvalho, o trabalho do artista hoje mostra um grau de maturidade onde se caracteriza uma tendência construtiva com certo geometrismo, inclusive com relação a espaço e forma. Tudo harmonicamente equilibrado com o colorido das linhas.
Como homem, ela acredita que o pintor “se sente meio desambientado da Bahia de hoje, angustiado com a imagem de sua terra que não é a mesma de tempos passados. Como se a Bahia tivesse perdendo a sua alma."
Como artista sensível, ele se preocupa e ao mesmo tempo é vítima da nossa realidade desumana. “Nessa desumanidade, a Bahia não reconhece seus verdadeiros valores”.
Para a artista plástica Yedamaria, uma de suas grandes alegrias é ter um retrato seu pintado por Hélio, há 20 anos, “uma pessoa que estimo e admiro por seu trabalho coeso”.
Afirmou que depois do modernismo, nada mais aconteceu em termos de respeito aos artistas que foram surgindo. Na sua opinião, “isso dificulta o aparecimento de novos valores. As pessoas saem da cidade para fazer respeitar o seu trabalho” (Colaboração de Eduardo Jasmim Tawil.)
Fonte: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Hélio Fonseca Basto (Salvador, Bahia, 18 de novembro de 1931 — Salvador, Bahia, 17 de março de 1991), mais conhecido como Hélio Basto ou apenas Basto, foi um pintor e gravurista brasileiro. Iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Na década de 1950, sua obra foi marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação. Ao retornar para Bahia, Hélio continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas.
Helio Basto | Arremate Arte
Hélio Fonseca Basto (1931-1991) foi um importante pintor e gravurista brasileiro, natural de Salvador, Bahia. Ele iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Sua obra na década de 1950, marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação.
Ao retornar à Bahia, Hélio Basto continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Jorge Amado, em "Baía de Todos os Santos", elogiou a poesia quase irreal do mundo criado por Basto em suas obras.
Ao longo de sua carreira, Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas. Apesar de sua vida simples e afastada do circuito artístico nos últimos anos, sua contribuição para o modernismo baiano e sua influência no cenário artístico nacional são inegáveis, sendo considerado um artista de relevância tanto no contexto regional quanto internacional.
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Helio Basto | Dicionário de Belas Artes da UFBA
Hélio Basto nasceu em 18 de novembro de 1931, na cidade do Salvador, Bahia, onde também faleceu a 17 de março de 1991. Em Salvador, frequentou o Curso Livre da Escola de Belas Artes da Bahia por um curto espaço de tempo. (PINHO, 1993, p. 62) Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à pintura a óleo, e ao desenho, assim como fez gravuras.
Vivenciou o clima da primeira fase do modernismo baiano nos anos 1950, mas, entre 1956 e 1959, residiu em São Paulo. Aí estudou com os artistas plásticos Walter Lévy e Berto Udler, assim como seguiu Curso de História da Arte, organizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nessa época, seu trabalho esteve imbuído de uma atmosfera misteriosa e de irrealidade, a que o crítico de arte Reynivaldo Brito chama de “surrealista-existencialista”, de atmosfera silenciosa e sofrida. (BRITO, 1984).
O colecionador e crítico de arte Théon Spanudis, interessado pela tendência ao Surrealismo em trabalhos de artistas brasileiros, publicou um artigo em 1964, na revista Habitat, que trata de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Walter Lévy e Hélio Basto, o que relacionava esses artistas era a relação imaginativa com as formas. São dessa fase dois quadros do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da autoria de Hélio Basto, sendo que pertenceram a esse crítico, intitulados Ruínas e Busto. Para Sapanudis, o surrealismo de Hélio Basto remete ao passado, com alusões a edifícios da época colonial – memórias do que viu em sua cidade natal.
Além de ter pintado casarios e naturezas-mortas, dedicou-se a retratar pessoas famosas da elite soteropolitana, assim como artistas, a exemplo de Jorge Amado e Yêdamaria. Contudo, ele foi estilizando as formas de modo a se encontrar com a figuração geométrica em anjos, orixás, entre outros temas. Nesse processo, elimina o claro-escuro. A sinuosidade das formas, movimento e ritmo, e colorido nítido são as características dos trabalhos seus nessa linha. (BRITO, 1984)
Viveu de forma simples, morando e trabalhando no mesmo local. Atravessou problemas de saúde, tendo contado com a solidariedade de amigos.
A importância da sua obra nas artes baianas foi objeto de pesquisa de Vânia Carvalho, historiadora da arte e professora da Escola de Balas Artes da UFBA. Ela o considera um artista independente. (CARVALHO apud BRITO,1984). Segundo ela, Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente. Seu trabalho foi estudado por Suzane Tavares Rubim de Pinho, que trata dos reflexos do Surrealismo na obra de artistas baianos.
A pesquisa sobre Hélio Basto precisa ser aprofundada, incluindo a identificação de trabalhos seus em acervos e exposições das quais participou, assim como premiações. Basto possui obras em acervos importantes, destacando-se o do MAC (SP), doados por Theon Spanudis, e o Acervo Artístico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, cuja publicação eletrônica de 08 de julho de 2005 cita mostras individuais e coletivas nas quais tomou parte.
“Desenho Jovem”, Museu de Arte Contemporânea (1981); Museu de Arte de São Paulo (1982); Original’s Galeria de Arte; Espaço Cultural Spazzio Pirandello; Fundação Banco de Boston (1983); Grupo Westinghouse do Brasil S/A, SP (1985); Ânima Galeria de Arte; Associação Comercial de São Paulo; Câmara Municipal de São Paulo (1989); V Salão de Aquarela e Artes Plásticas, Núcleo de Arte e Cultura Nova Era; Projeto Art’s Musik e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Teatro Cacilda Becker; Assembléia Legislativa de São Paulo (1990); Rotary Club Higienópolis; Projeto Art’s Musik, Crowne Plaza; Projeto Art’s Musik, Secretaria Municipal de Cultura de Santo André; Sociarte, Clube Atlético Monte Líbano (1991 e 1995); Espaço Cultural Cavaco’s (1992); Projeto Music Center, União Cultural Brasil Estados Unidos (1992 e 1993); Portal Galeria de Arte; Finarte Galeria (1993); Centro Empresarial de São Paulo; Museu Telesp (1995 e 1996); Vellosa, Escritório de Arte; Novotel Morumbi; Avon Cosméticos (1995); Clube Círculo Militar de São Paulo (1996); Associação dos Funcionários da Cosesp; Ipê Clube (1997 e 2000); Espaço Cultural, Singulis Vitae (1997); “Espaço Imagem” (1998); ACM (1999); Espaço Cultural Infraero (2001) Sofitel, Accor Hotels (2003).”
Mostras Individuais
1961 –Texas, EUA – Individual, no Modern Art Museum of Fourth Worth.
Participações em Salões, Bienais e coletivas:
1956 – Salvador, BA – Coletiva Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.
1958 – Salvador, BA – Coletiva, no Forte de Monte Serrat (juntamente com Adam Firnekaes e Ligia Sampaio).
1969 – Rio de Janeiro, RJ – Coletiva, na Galeria Irlandini.
Mostras individuais e participações póstumas em Salões, Bienais e coletivas:
2017 – Salvador, BA – Coletiva, Elas, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
Fonte: Dicionário de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
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Hélio Basto está doente e afastado das galerias | Reynivaldo Brito
A Bahia é uma terra pródiga em gerar excelentes artistas de teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas. Porém, a capacidade que possui para criá-los não funciona para mantê-los em seu solo e dar-lhes o verdadeiro reconhecimento. É o caso do artista plástico Hélio Basto, um dos indiciadores da corrente modernista na década de 50, movimento que revolucionou as artes plásticas baianas, até então ainda presas ao academicismo provinciano.
Afastado das galerias de arte desde 77, Hélio Basto dedica-se atualmente a realizar trabalhos para clientes, depois de passar por um período difícil, em que esteve doente. O pintor vive hoje num apartamento alugado de um único vão em São Pedro, no centro da cidade, cercado de tintas, pincéis, telas e muitos discos. Nas paredes úmidas devido à infiltração de água, apenas três de seus quadros. Poucos móveis compõem o ambiente.
O artista revelou, no entanto, que sua situação atual não é circunstância, e sim opção: “dá para sobreviver, não tenho ambição de dinheiro. O apartamento é alugado propositalmente. Já tive um próprio, mas não gostei da idéia e me desfiz. Os pintores preferem ostentar status, e eu sempre gostei de morar em oficinas, de viver autenticamente como um artista”. A não ser quando não está trabalhando, o que faz até altas horas, raramente sai de casa. Disse se sentir recompensado, sobrevivendo a 25 anos da profissão, embora não se considere realizado, “porque um homem nunca se realiza”.
Fase surrealista
Hélio Basto nasceu em Salvador em 1934. Começou a dar os primeiros traços aos 16 anos. Frequentou a Escola de Belas Artes da UFBa., a qual não chegou a concluir por não achar o ensino satisfatório. Em 56, participou da mostra Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré, que renovou totalmente a pintura acadêmica baiana. Era o auge do movimento cultural na Bahia, sob o incentivo constante de Edgard Santos. Apesar do movimento já ter acontecido em São Paulo na Semana de 22, os baianos não aceitaram a pintura moderna, a ponto de rasgar quadros na exposição. Como não era uma pessoa polêmica, Hélio preferiu se isolar, seguindo para o Sul, onde seria aceito.
Na capital paulista fez cursos no Museu de Arte Moderna com os professores Walter Levy e Berko Udler, desenvolvendo uma fase surrealista-existencialista entre 56/60. Nesta época, seus quadros retratavam a atmosfera de sofrimento silencioso e a devastação da morte, com uma significação densa e profunda. A revista Habitat, sobre pintura e arquitetura, escreveu: “a série de quadros surrealistas que ele realizou achamos importantíssima e significativa, mesmo para a História da América Latina e Católica”. Desta fase possui dois quadros no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que pertenceram ao crítico de arte Theon Spanudis. São eles: Ruínas (55) e Busto (57).
Fase retratista
Seguiu-se de 60 a 63 a sua fase retratista, sobre a qual discorreu Jorge Amado no livro Baía de Todo os Santos: “seu mundo é poético, quase irreal, mundo de criança desabrochada em espanto diante da vida. No silêncio translúcido, Hélio Basto traz uma flor na mão, sobrevoa um velho quarteirão da cidade”.
Nesse período, realizou uma mostra individual no Museu de Arte Moderna do Texas, nos Estados Unidos, em 61, e Grandes da Bahia, em 69, no Rio. De passagem pela Bahia, o famoso Arthur Hailler, autor da série de livros e filmes Aeroporto adquiriu dês de seus trabalhos. Fez um retrato de manequim Veruska, que possui 25 quadros de sua estória em sua casa de Roma.
Realizou ao todo 28 exposições, a última na Galeria Credicard, em 77. Interrompeu a fase de retratista evoluindo para uma pintura interessada pela forma, cor e ritmo.
Atualmente sua atividade está centrada em enormes painéis para empresas particulares como o Bamerindus, que tem trabalhos seus no acervo da sede do Paraná. O pintor revelou que não possui prêmios porque, por temperamento, “nunca fui de buscar, concorrer em salões de arte. Meu prêmio é a evolução da minha pintura e a continuidade dela”.
Artista independente
A importância da presença de Hélio Basto nas artes baianas está sendo resgatada pela professora de História da Arte da UFBa,. Vânia Carvalho, que prepara um livro sobre vida e obra do pintor. No seu entender, “trata-se de um artista independente. Não está ligado a grupo ou tendência, mostrando uma coerência incrível. Sentimos sua evolução dentro da linha de continuidade. Ele sempre se manteve da arte com dignidade, sem fazer concessões”. Informou que Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente, tendo iniciado o modernismo juntamente com Carlos Bastos, Mário Cravo, José Pedreira e o pessoal que frequentava a boate Anjo Azul, na Rua do Cabeça.
Segundo Vânia Carvalho, o trabalho do artista hoje mostra um grau de maturidade onde se caracteriza uma tendência construtiva com certo geometrismo, inclusive com relação a espaço e forma. Tudo harmonicamente equilibrado com o colorido das linhas.
Como homem, ela acredita que o pintor “se sente meio desambientado da Bahia de hoje, angustiado com a imagem de sua terra que não é a mesma de tempos passados. Como se a Bahia tivesse perdendo a sua alma."
Como artista sensível, ele se preocupa e ao mesmo tempo é vítima da nossa realidade desumana. “Nessa desumanidade, a Bahia não reconhece seus verdadeiros valores”.
Para a artista plástica Yedamaria, uma de suas grandes alegrias é ter um retrato seu pintado por Hélio, há 20 anos, “uma pessoa que estimo e admiro por seu trabalho coeso”.
Afirmou que depois do modernismo, nada mais aconteceu em termos de respeito aos artistas que foram surgindo. Na sua opinião, “isso dificulta o aparecimento de novos valores. As pessoas saem da cidade para fazer respeitar o seu trabalho” (Colaboração de Eduardo Jasmim Tawil.)
Fonte: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Hélio Fonseca Basto (Salvador, Bahia, 18 de novembro de 1931 — Salvador, Bahia, 17 de março de 1991), mais conhecido como Hélio Basto ou apenas Basto, foi um pintor e gravurista brasileiro. Iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Na década de 1950, sua obra foi marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação. Ao retornar para Bahia, Hélio continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas.
Helio Basto | Arremate Arte
Hélio Fonseca Basto (1931-1991) foi um importante pintor e gravurista brasileiro, natural de Salvador, Bahia. Ele iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Sua obra na década de 1950, marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação.
Ao retornar à Bahia, Hélio Basto continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Jorge Amado, em "Baía de Todos os Santos", elogiou a poesia quase irreal do mundo criado por Basto em suas obras.
Ao longo de sua carreira, Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas. Apesar de sua vida simples e afastada do circuito artístico nos últimos anos, sua contribuição para o modernismo baiano e sua influência no cenário artístico nacional são inegáveis, sendo considerado um artista de relevância tanto no contexto regional quanto internacional.
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Helio Basto | Dicionário de Belas Artes da UFBA
Hélio Basto nasceu em 18 de novembro de 1931, na cidade do Salvador, Bahia, onde também faleceu a 17 de março de 1991. Em Salvador, frequentou o Curso Livre da Escola de Belas Artes da Bahia por um curto espaço de tempo. (PINHO, 1993, p. 62) Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à pintura a óleo, e ao desenho, assim como fez gravuras.
Vivenciou o clima da primeira fase do modernismo baiano nos anos 1950, mas, entre 1956 e 1959, residiu em São Paulo. Aí estudou com os artistas plásticos Walter Lévy e Berto Udler, assim como seguiu Curso de História da Arte, organizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nessa época, seu trabalho esteve imbuído de uma atmosfera misteriosa e de irrealidade, a que o crítico de arte Reynivaldo Brito chama de “surrealista-existencialista”, de atmosfera silenciosa e sofrida. (BRITO, 1984).
O colecionador e crítico de arte Théon Spanudis, interessado pela tendência ao Surrealismo em trabalhos de artistas brasileiros, publicou um artigo em 1964, na revista Habitat, que trata de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Walter Lévy e Hélio Basto, o que relacionava esses artistas era a relação imaginativa com as formas. São dessa fase dois quadros do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da autoria de Hélio Basto, sendo que pertenceram a esse crítico, intitulados Ruínas e Busto. Para Sapanudis, o surrealismo de Hélio Basto remete ao passado, com alusões a edifícios da época colonial – memórias do que viu em sua cidade natal.
Além de ter pintado casarios e naturezas-mortas, dedicou-se a retratar pessoas famosas da elite soteropolitana, assim como artistas, a exemplo de Jorge Amado e Yêdamaria. Contudo, ele foi estilizando as formas de modo a se encontrar com a figuração geométrica em anjos, orixás, entre outros temas. Nesse processo, elimina o claro-escuro. A sinuosidade das formas, movimento e ritmo, e colorido nítido são as características dos trabalhos seus nessa linha. (BRITO, 1984)
Viveu de forma simples, morando e trabalhando no mesmo local. Atravessou problemas de saúde, tendo contado com a solidariedade de amigos.
A importância da sua obra nas artes baianas foi objeto de pesquisa de Vânia Carvalho, historiadora da arte e professora da Escola de Balas Artes da UFBA. Ela o considera um artista independente. (CARVALHO apud BRITO,1984). Segundo ela, Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente. Seu trabalho foi estudado por Suzane Tavares Rubim de Pinho, que trata dos reflexos do Surrealismo na obra de artistas baianos.
A pesquisa sobre Hélio Basto precisa ser aprofundada, incluindo a identificação de trabalhos seus em acervos e exposições das quais participou, assim como premiações. Basto possui obras em acervos importantes, destacando-se o do MAC (SP), doados por Theon Spanudis, e o Acervo Artístico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, cuja publicação eletrônica de 08 de julho de 2005 cita mostras individuais e coletivas nas quais tomou parte.
“Desenho Jovem”, Museu de Arte Contemporânea (1981); Museu de Arte de São Paulo (1982); Original’s Galeria de Arte; Espaço Cultural Spazzio Pirandello; Fundação Banco de Boston (1983); Grupo Westinghouse do Brasil S/A, SP (1985); Ânima Galeria de Arte; Associação Comercial de São Paulo; Câmara Municipal de São Paulo (1989); V Salão de Aquarela e Artes Plásticas, Núcleo de Arte e Cultura Nova Era; Projeto Art’s Musik e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Teatro Cacilda Becker; Assembléia Legislativa de São Paulo (1990); Rotary Club Higienópolis; Projeto Art’s Musik, Crowne Plaza; Projeto Art’s Musik, Secretaria Municipal de Cultura de Santo André; Sociarte, Clube Atlético Monte Líbano (1991 e 1995); Espaço Cultural Cavaco’s (1992); Projeto Music Center, União Cultural Brasil Estados Unidos (1992 e 1993); Portal Galeria de Arte; Finarte Galeria (1993); Centro Empresarial de São Paulo; Museu Telesp (1995 e 1996); Vellosa, Escritório de Arte; Novotel Morumbi; Avon Cosméticos (1995); Clube Círculo Militar de São Paulo (1996); Associação dos Funcionários da Cosesp; Ipê Clube (1997 e 2000); Espaço Cultural, Singulis Vitae (1997); “Espaço Imagem” (1998); ACM (1999); Espaço Cultural Infraero (2001) Sofitel, Accor Hotels (2003).”
Mostras Individuais
1961 –Texas, EUA – Individual, no Modern Art Museum of Fourth Worth.
Participações em Salões, Bienais e coletivas:
1956 – Salvador, BA – Coletiva Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.
1958 – Salvador, BA – Coletiva, no Forte de Monte Serrat (juntamente com Adam Firnekaes e Ligia Sampaio).
1969 – Rio de Janeiro, RJ – Coletiva, na Galeria Irlandini.
Mostras individuais e participações póstumas em Salões, Bienais e coletivas:
2017 – Salvador, BA – Coletiva, Elas, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
Fonte: Dicionário de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
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Hélio Basto está doente e afastado das galerias | Reynivaldo Brito
A Bahia é uma terra pródiga em gerar excelentes artistas de teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas. Porém, a capacidade que possui para criá-los não funciona para mantê-los em seu solo e dar-lhes o verdadeiro reconhecimento. É o caso do artista plástico Hélio Basto, um dos indiciadores da corrente modernista na década de 50, movimento que revolucionou as artes plásticas baianas, até então ainda presas ao academicismo provinciano.
Afastado das galerias de arte desde 77, Hélio Basto dedica-se atualmente a realizar trabalhos para clientes, depois de passar por um período difícil, em que esteve doente. O pintor vive hoje num apartamento alugado de um único vão em São Pedro, no centro da cidade, cercado de tintas, pincéis, telas e muitos discos. Nas paredes úmidas devido à infiltração de água, apenas três de seus quadros. Poucos móveis compõem o ambiente.
O artista revelou, no entanto, que sua situação atual não é circunstância, e sim opção: “dá para sobreviver, não tenho ambição de dinheiro. O apartamento é alugado propositalmente. Já tive um próprio, mas não gostei da idéia e me desfiz. Os pintores preferem ostentar status, e eu sempre gostei de morar em oficinas, de viver autenticamente como um artista”. A não ser quando não está trabalhando, o que faz até altas horas, raramente sai de casa. Disse se sentir recompensado, sobrevivendo a 25 anos da profissão, embora não se considere realizado, “porque um homem nunca se realiza”.
Fase surrealista
Hélio Basto nasceu em Salvador em 1934. Começou a dar os primeiros traços aos 16 anos. Frequentou a Escola de Belas Artes da UFBa., a qual não chegou a concluir por não achar o ensino satisfatório. Em 56, participou da mostra Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré, que renovou totalmente a pintura acadêmica baiana. Era o auge do movimento cultural na Bahia, sob o incentivo constante de Edgard Santos. Apesar do movimento já ter acontecido em São Paulo na Semana de 22, os baianos não aceitaram a pintura moderna, a ponto de rasgar quadros na exposição. Como não era uma pessoa polêmica, Hélio preferiu se isolar, seguindo para o Sul, onde seria aceito.
Na capital paulista fez cursos no Museu de Arte Moderna com os professores Walter Levy e Berko Udler, desenvolvendo uma fase surrealista-existencialista entre 56/60. Nesta época, seus quadros retratavam a atmosfera de sofrimento silencioso e a devastação da morte, com uma significação densa e profunda. A revista Habitat, sobre pintura e arquitetura, escreveu: “a série de quadros surrealistas que ele realizou achamos importantíssima e significativa, mesmo para a História da América Latina e Católica”. Desta fase possui dois quadros no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que pertenceram ao crítico de arte Theon Spanudis. São eles: Ruínas (55) e Busto (57).
Fase retratista
Seguiu-se de 60 a 63 a sua fase retratista, sobre a qual discorreu Jorge Amado no livro Baía de Todo os Santos: “seu mundo é poético, quase irreal, mundo de criança desabrochada em espanto diante da vida. No silêncio translúcido, Hélio Basto traz uma flor na mão, sobrevoa um velho quarteirão da cidade”.
Nesse período, realizou uma mostra individual no Museu de Arte Moderna do Texas, nos Estados Unidos, em 61, e Grandes da Bahia, em 69, no Rio. De passagem pela Bahia, o famoso Arthur Hailler, autor da série de livros e filmes Aeroporto adquiriu dês de seus trabalhos. Fez um retrato de manequim Veruska, que possui 25 quadros de sua estória em sua casa de Roma.
Realizou ao todo 28 exposições, a última na Galeria Credicard, em 77. Interrompeu a fase de retratista evoluindo para uma pintura interessada pela forma, cor e ritmo.
Atualmente sua atividade está centrada em enormes painéis para empresas particulares como o Bamerindus, que tem trabalhos seus no acervo da sede do Paraná. O pintor revelou que não possui prêmios porque, por temperamento, “nunca fui de buscar, concorrer em salões de arte. Meu prêmio é a evolução da minha pintura e a continuidade dela”.
Artista independente
A importância da presença de Hélio Basto nas artes baianas está sendo resgatada pela professora de História da Arte da UFBa,. Vânia Carvalho, que prepara um livro sobre vida e obra do pintor. No seu entender, “trata-se de um artista independente. Não está ligado a grupo ou tendência, mostrando uma coerência incrível. Sentimos sua evolução dentro da linha de continuidade. Ele sempre se manteve da arte com dignidade, sem fazer concessões”. Informou que Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente, tendo iniciado o modernismo juntamente com Carlos Bastos, Mário Cravo, José Pedreira e o pessoal que frequentava a boate Anjo Azul, na Rua do Cabeça.
Segundo Vânia Carvalho, o trabalho do artista hoje mostra um grau de maturidade onde se caracteriza uma tendência construtiva com certo geometrismo, inclusive com relação a espaço e forma. Tudo harmonicamente equilibrado com o colorido das linhas.
Como homem, ela acredita que o pintor “se sente meio desambientado da Bahia de hoje, angustiado com a imagem de sua terra que não é a mesma de tempos passados. Como se a Bahia tivesse perdendo a sua alma."
Como artista sensível, ele se preocupa e ao mesmo tempo é vítima da nossa realidade desumana. “Nessa desumanidade, a Bahia não reconhece seus verdadeiros valores”.
Para a artista plástica Yedamaria, uma de suas grandes alegrias é ter um retrato seu pintado por Hélio, há 20 anos, “uma pessoa que estimo e admiro por seu trabalho coeso”.
Afirmou que depois do modernismo, nada mais aconteceu em termos de respeito aos artistas que foram surgindo. Na sua opinião, “isso dificulta o aparecimento de novos valores. As pessoas saem da cidade para fazer respeitar o seu trabalho” (Colaboração de Eduardo Jasmim Tawil.)
Fonte: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Hélio Fonseca Basto (Salvador, Bahia, 18 de novembro de 1931 — Salvador, Bahia, 17 de março de 1991), mais conhecido como Hélio Basto ou apenas Basto, foi um pintor e gravurista brasileiro. Iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Na década de 1950, sua obra foi marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação. Ao retornar para Bahia, Hélio continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas.
Helio Basto | Arremate Arte
Hélio Fonseca Basto (1931-1991) foi um importante pintor e gravurista brasileiro, natural de Salvador, Bahia. Ele iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da Bahia e, posteriormente, aprofundou seus estudos em São Paulo, onde se aproximou do surrealismo e do realismo mágico. Sua obra na década de 1950, marcada por uma atmosfera surrealista-existencialista, retrata uma densa significação, explorando temas como sofrimento silencioso e devastação.
Ao retornar à Bahia, Hélio Basto continuou a desenvolver sua linguagem artística, transitando para pinturas figurativas e retratos de figuras notáveis da elite soteropolitana, além de explorar uma estética que combinava sinuosidade de formas com ritmos e cores vibrantes. Sua evolução o levou a um interesse por construções geométricas e abstrações figurativas, caracterizadas pelo equilíbrio entre forma e cor. Jorge Amado, em "Baía de Todos os Santos", elogiou a poesia quase irreal do mundo criado por Basto em suas obras.
Ao longo de sua carreira, Basto participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e no Modern Art Museum of Forth Worth, Texas. Apesar de sua vida simples e afastada do circuito artístico nos últimos anos, sua contribuição para o modernismo baiano e sua influência no cenário artístico nacional são inegáveis, sendo considerado um artista de relevância tanto no contexto regional quanto internacional.
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Helio Basto | Dicionário de Belas Artes da UFBA
Hélio Basto nasceu em 18 de novembro de 1931, na cidade do Salvador, Bahia, onde também faleceu a 17 de março de 1991. Em Salvador, frequentou o Curso Livre da Escola de Belas Artes da Bahia por um curto espaço de tempo. (PINHO, 1993, p. 62) Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à pintura a óleo, e ao desenho, assim como fez gravuras.
Vivenciou o clima da primeira fase do modernismo baiano nos anos 1950, mas, entre 1956 e 1959, residiu em São Paulo. Aí estudou com os artistas plásticos Walter Lévy e Berto Udler, assim como seguiu Curso de História da Arte, organizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nessa época, seu trabalho esteve imbuído de uma atmosfera misteriosa e de irrealidade, a que o crítico de arte Reynivaldo Brito chama de “surrealista-existencialista”, de atmosfera silenciosa e sofrida. (BRITO, 1984).
O colecionador e crítico de arte Théon Spanudis, interessado pela tendência ao Surrealismo em trabalhos de artistas brasileiros, publicou um artigo em 1964, na revista Habitat, que trata de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Walter Lévy e Hélio Basto, o que relacionava esses artistas era a relação imaginativa com as formas. São dessa fase dois quadros do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da autoria de Hélio Basto, sendo que pertenceram a esse crítico, intitulados Ruínas e Busto. Para Sapanudis, o surrealismo de Hélio Basto remete ao passado, com alusões a edifícios da época colonial – memórias do que viu em sua cidade natal.
Além de ter pintado casarios e naturezas-mortas, dedicou-se a retratar pessoas famosas da elite soteropolitana, assim como artistas, a exemplo de Jorge Amado e Yêdamaria. Contudo, ele foi estilizando as formas de modo a se encontrar com a figuração geométrica em anjos, orixás, entre outros temas. Nesse processo, elimina o claro-escuro. A sinuosidade das formas, movimento e ritmo, e colorido nítido são as características dos trabalhos seus nessa linha. (BRITO, 1984)
Viveu de forma simples, morando e trabalhando no mesmo local. Atravessou problemas de saúde, tendo contado com a solidariedade de amigos.
A importância da sua obra nas artes baianas foi objeto de pesquisa de Vânia Carvalho, historiadora da arte e professora da Escola de Balas Artes da UFBA. Ela o considera um artista independente. (CARVALHO apud BRITO,1984). Segundo ela, Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente. Seu trabalho foi estudado por Suzane Tavares Rubim de Pinho, que trata dos reflexos do Surrealismo na obra de artistas baianos.
A pesquisa sobre Hélio Basto precisa ser aprofundada, incluindo a identificação de trabalhos seus em acervos e exposições das quais participou, assim como premiações. Basto possui obras em acervos importantes, destacando-se o do MAC (SP), doados por Theon Spanudis, e o Acervo Artístico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, cuja publicação eletrônica de 08 de julho de 2005 cita mostras individuais e coletivas nas quais tomou parte.
“Desenho Jovem”, Museu de Arte Contemporânea (1981); Museu de Arte de São Paulo (1982); Original’s Galeria de Arte; Espaço Cultural Spazzio Pirandello; Fundação Banco de Boston (1983); Grupo Westinghouse do Brasil S/A, SP (1985); Ânima Galeria de Arte; Associação Comercial de São Paulo; Câmara Municipal de São Paulo (1989); V Salão de Aquarela e Artes Plásticas, Núcleo de Arte e Cultura Nova Era; Projeto Art’s Musik e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Teatro Cacilda Becker; Assembléia Legislativa de São Paulo (1990); Rotary Club Higienópolis; Projeto Art’s Musik, Crowne Plaza; Projeto Art’s Musik, Secretaria Municipal de Cultura de Santo André; Sociarte, Clube Atlético Monte Líbano (1991 e 1995); Espaço Cultural Cavaco’s (1992); Projeto Music Center, União Cultural Brasil Estados Unidos (1992 e 1993); Portal Galeria de Arte; Finarte Galeria (1993); Centro Empresarial de São Paulo; Museu Telesp (1995 e 1996); Vellosa, Escritório de Arte; Novotel Morumbi; Avon Cosméticos (1995); Clube Círculo Militar de São Paulo (1996); Associação dos Funcionários da Cosesp; Ipê Clube (1997 e 2000); Espaço Cultural, Singulis Vitae (1997); “Espaço Imagem” (1998); ACM (1999); Espaço Cultural Infraero (2001) Sofitel, Accor Hotels (2003).”
Mostras Individuais
1961 –Texas, EUA – Individual, no Modern Art Museum of Fourth Worth.
Participações em Salões, Bienais e coletivas:
1956 – Salvador, BA – Coletiva Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.
1958 – Salvador, BA – Coletiva, no Forte de Monte Serrat (juntamente com Adam Firnekaes e Ligia Sampaio).
1969 – Rio de Janeiro, RJ – Coletiva, na Galeria Irlandini.
Mostras individuais e participações póstumas em Salões, Bienais e coletivas:
2017 – Salvador, BA – Coletiva, Elas, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
Fonte: Dicionário de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
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Hélio Basto está doente e afastado das galerias | Reynivaldo Brito
A Bahia é uma terra pródiga em gerar excelentes artistas de teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas. Porém, a capacidade que possui para criá-los não funciona para mantê-los em seu solo e dar-lhes o verdadeiro reconhecimento. É o caso do artista plástico Hélio Basto, um dos indiciadores da corrente modernista na década de 50, movimento que revolucionou as artes plásticas baianas, até então ainda presas ao academicismo provinciano.
Afastado das galerias de arte desde 77, Hélio Basto dedica-se atualmente a realizar trabalhos para clientes, depois de passar por um período difícil, em que esteve doente. O pintor vive hoje num apartamento alugado de um único vão em São Pedro, no centro da cidade, cercado de tintas, pincéis, telas e muitos discos. Nas paredes úmidas devido à infiltração de água, apenas três de seus quadros. Poucos móveis compõem o ambiente.
O artista revelou, no entanto, que sua situação atual não é circunstância, e sim opção: “dá para sobreviver, não tenho ambição de dinheiro. O apartamento é alugado propositalmente. Já tive um próprio, mas não gostei da idéia e me desfiz. Os pintores preferem ostentar status, e eu sempre gostei de morar em oficinas, de viver autenticamente como um artista”. A não ser quando não está trabalhando, o que faz até altas horas, raramente sai de casa. Disse se sentir recompensado, sobrevivendo a 25 anos da profissão, embora não se considere realizado, “porque um homem nunca se realiza”.
Fase surrealista
Hélio Basto nasceu em Salvador em 1934. Começou a dar os primeiros traços aos 16 anos. Frequentou a Escola de Belas Artes da UFBa., a qual não chegou a concluir por não achar o ensino satisfatório. Em 56, participou da mostra Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré, que renovou totalmente a pintura acadêmica baiana. Era o auge do movimento cultural na Bahia, sob o incentivo constante de Edgard Santos. Apesar do movimento já ter acontecido em São Paulo na Semana de 22, os baianos não aceitaram a pintura moderna, a ponto de rasgar quadros na exposição. Como não era uma pessoa polêmica, Hélio preferiu se isolar, seguindo para o Sul, onde seria aceito.
Na capital paulista fez cursos no Museu de Arte Moderna com os professores Walter Levy e Berko Udler, desenvolvendo uma fase surrealista-existencialista entre 56/60. Nesta época, seus quadros retratavam a atmosfera de sofrimento silencioso e a devastação da morte, com uma significação densa e profunda. A revista Habitat, sobre pintura e arquitetura, escreveu: “a série de quadros surrealistas que ele realizou achamos importantíssima e significativa, mesmo para a História da América Latina e Católica”. Desta fase possui dois quadros no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que pertenceram ao crítico de arte Theon Spanudis. São eles: Ruínas (55) e Busto (57).
Fase retratista
Seguiu-se de 60 a 63 a sua fase retratista, sobre a qual discorreu Jorge Amado no livro Baía de Todo os Santos: “seu mundo é poético, quase irreal, mundo de criança desabrochada em espanto diante da vida. No silêncio translúcido, Hélio Basto traz uma flor na mão, sobrevoa um velho quarteirão da cidade”.
Nesse período, realizou uma mostra individual no Museu de Arte Moderna do Texas, nos Estados Unidos, em 61, e Grandes da Bahia, em 69, no Rio. De passagem pela Bahia, o famoso Arthur Hailler, autor da série de livros e filmes Aeroporto adquiriu dês de seus trabalhos. Fez um retrato de manequim Veruska, que possui 25 quadros de sua estória em sua casa de Roma.
Realizou ao todo 28 exposições, a última na Galeria Credicard, em 77. Interrompeu a fase de retratista evoluindo para uma pintura interessada pela forma, cor e ritmo.
Atualmente sua atividade está centrada em enormes painéis para empresas particulares como o Bamerindus, que tem trabalhos seus no acervo da sede do Paraná. O pintor revelou que não possui prêmios porque, por temperamento, “nunca fui de buscar, concorrer em salões de arte. Meu prêmio é a evolução da minha pintura e a continuidade dela”.
Artista independente
A importância da presença de Hélio Basto nas artes baianas está sendo resgatada pela professora de História da Arte da UFBa,. Vânia Carvalho, que prepara um livro sobre vida e obra do pintor. No seu entender, “trata-se de um artista independente. Não está ligado a grupo ou tendência, mostrando uma coerência incrível. Sentimos sua evolução dentro da linha de continuidade. Ele sempre se manteve da arte com dignidade, sem fazer concessões”. Informou que Hélio é um nome conhecido nacional e internacionalmente, tendo iniciado o modernismo juntamente com Carlos Bastos, Mário Cravo, José Pedreira e o pessoal que frequentava a boate Anjo Azul, na Rua do Cabeça.
Segundo Vânia Carvalho, o trabalho do artista hoje mostra um grau de maturidade onde se caracteriza uma tendência construtiva com certo geometrismo, inclusive com relação a espaço e forma. Tudo harmonicamente equilibrado com o colorido das linhas.
Como homem, ela acredita que o pintor “se sente meio desambientado da Bahia de hoje, angustiado com a imagem de sua terra que não é a mesma de tempos passados. Como se a Bahia tivesse perdendo a sua alma."
Como artista sensível, ele se preocupa e ao mesmo tempo é vítima da nossa realidade desumana. “Nessa desumanidade, a Bahia não reconhece seus verdadeiros valores”.
Para a artista plástica Yedamaria, uma de suas grandes alegrias é ter um retrato seu pintado por Hélio, há 20 anos, “uma pessoa que estimo e admiro por seu trabalho coeso”.
Afirmou que depois do modernismo, nada mais aconteceu em termos de respeito aos artistas que foram surgindo. Na sua opinião, “isso dificulta o aparecimento de novos valores. As pessoas saem da cidade para fazer respeitar o seu trabalho” (Colaboração de Eduardo Jasmim Tawil.)
Fonte: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.
Crédito fotográfico: Reynivaldo Brito Artes Visuais. Consultado pela última vez em 21 de agosto de 2024.