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Maria Lynch

Maria Lynch (1981, Rio de Janeiro, Brasil) é uma artista visual brasileira. Conhecida por suas pinturas, esculturas e instalações imersivas, Lynch é formada em Belas Artes pela Chelsea College of Art and Design, em Londres. Em suas obras, transita entre o abstrato e o lúdico, explorando memória, corpo e cor em sua obra. Participou de exposições em instituições como o New Museum (Nova York), Paço Imperial (Rio de Janeiro) e Barbican Centre (Londres). Suas obras integram coleções como a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ). Atualmente, vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro.

Maria Lynch | Arremate Arte

Maria Lynch nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, e desde cedo demonstrou interesse pelas artes visuais, construindo uma trajetória marcada pela experimentação e pelo diálogo entre diferentes linguagens. Sua formação acadêmica inclui um mestrado e uma pós-graduação na renomada Chelsea College of Art and Design, em Londres, onde aprofundou sua pesquisa sobre pintura, performance e instalação.

A produção artística de Lynch é marcada pelo uso de cores vibrantes, formas abstratas e elementos do imaginário lúdico, criando uma atmosfera que remete ao onírico e ao subconsciente. Suas obras transitam entre diferentes suportes, explorando a interseção entre o corpo, a memória e o espaço. A artista se apropria de referências da infância, da psicanálise e da cultura popular para construir narrativas visuais que evocam tanto o desejo quanto a fantasia, desafiando os limites da representação.

Maria Lynch ganhou notoriedade no cenário artístico brasileiro e internacional com exposições individuais e coletivas em importantes instituições. Entre seus projetos de maior destaque está “Ocupação Macia”, apresentada no Paço Imperial do Rio de Janeiro em 2012 e posteriormente no New Museum, em Nova York, em 2015. Nessa mostra, a artista explorou o conceito de imersão sensorial por meio de instalações têxteis e esculturas infláveis, criando um ambiente de interação com o espectador.

Além das exposições, Maria Lynch teve suas obras incorporadas a coleções de prestígio, como a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM-RJ e o Comitê Olímpico de Belas Artes em Londres. Em 2014, foi comissionada para criar uma obra para a Fundação Getúlio Vargas no novo edifício projetado por Oscar Niemeyer, consolidando sua relevância no circuito institucional.

Seu trabalho também se expandiu para outras mídias, resultando na publicação do livro "Desenhos", lançado pela editora Cosac Naify no mesmo ano. A artista participou de residências artísticas em diferentes partes do mundo, incluindo a Residency Unlimited, em Nova York, o que contribuiu para o amadurecimento de sua abordagem conceitual e estética.

Atualmente, Maria Lynch vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro, desenvolvendo obras que desafiam as percepções tradicionais da arte e convidam o público a uma experiência sensorial única. Seu universo visual continua a se expandir, promovendo um diálogo constante entre a emoção, o corpo e a memória, reafirmando sua posição como uma das artistas mais inventivas e instigantes da cena contemporânea.

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Maria Lynch | Site Oficial

Maria Lynch nasceu em 1981 no Rio de Janeiro, Brasil, atualmente vive e trabalha entre NY e Rio de Janeiro. Em 2008, obteve um mestrado e um diploma de pós-graduação no Chelsea College of Art and Design em Londres.

Suas principais exposições incluem ‘The Jerwood Drawing Prize’, uma exposição itinerante exibida em Londres e na Inglaterra em 2008, ‘Nova Arte Nova’, no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo com curadoria de Paulo Venâncio. Em 2010 foi contemplada com o Prêmio Funarte Marcantônio Vilaça. Em 2011 foi convidada para a 6ª Bienal de Curitiba, Vento Sul com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, Maria apresentou a instalação ‘Ocupação Macia’ no Museu Paço Imperial, Rio de Janeiro, e a performance ‘Incorporáveis’ no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro. A artista foi convidada para participar da ‘London Olympics Games Exhibit’ no Barbican Centre. Em 2013, Maria fez a exposição individual ‘Acontecimento Encarnado’ na Galeria Anita Schwartz no Rio de Janeiro, venceu a seleção para um concurso de arte pública na Fundação Getúlio Vargas, RJ, Brasil e a mostra ‘Bordalianos do Brasil’ na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

Após concluir a Residency Unlimited, NY, EUA em 2014, ela foi premiada com o NY Embasy Prize e Award em NY por uma exposição individual na Storefront For Art And Architecture, NY, EUA, que fez parte do Ideas City Festival - New Museum, NY.

No ano de 2016, Maria fez uma exposição individual, Spaces and Spetacles, na Wilding Cran Gallery em Los Angeles. Em 2017, ela abriu uma exposição individual intitulada Máquina Devir no Oi Futuro Rio de Janeiro e foi selecionada para o programa Pacif Standart Time, com uma exposição em Los Angeles. Em 2018, Maria participou de algumas exposições, como TRIO Bienal e Mulheres na Coleção do Museu de Arte do Rio - MAR.

Fonte: Biografia Maria Lynch. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Maria Lynch | Prêmio PIPA

É formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu sua pós-graduação e mestrado no ano de 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, uma exposição itinerante exibida em Londres e em toda a Inglaterra em 2008, “Nova Arte Nova”, no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo, com curadoria de Paulo Venâncio. Em 2010, ela foi contemplada com o Prêmio Marcantônio Vilaça Funarte. Em 2011 foi convidada para a 6ª Bienal de Curitiba, Vento Sul, com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, Maria apresentou a instalação “Ocupação Macia” no Museu do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e a performance “Incorporáveis” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A artista foi convidada para participar da “London Olympics Games Exhibit” no Barbican Centre. Em 2013, Maria fez a exposição individual ‘Acontecimento Encarnado’ na galeria Anita Schwartz, no Rio de Janeiro, foi selecionada para o concurso público de arte na Fundação Getúlio Vargas, RJ, e show ‘Bordalianos do Brasil’ na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. Depois de completar a Residência Unlimited, NY, EUA em 2014, foi premiada com o NY Embasy Prize e Award em NY por sua exposição individual na Storefront For Art And Architecture, NY, EUA, que fazia parte do Ideas City Festival – New Museum NY. No ano de 2016, Maria fez a exposição individual, Spaces and Spetacles, na Wilding Cran Gallery, em Los Angeles. Em 2017, a exposição individual intitulada Máquina Devir no Oi Futuro do Rio de Janeiro e foi selecionada para o programa Pacif Standart Time, com uma exposição em Los Angeles. Em 2018, Maria participou de algumas exposições, como a TRIO Bienal e a Coleção de Mulheres do Museu de Arte do Rio – MAR.

Formação

2008

– Mestrado em Belas Artes, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

2007

– Pós-Graduação em Belas Artes, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

2006

– Graduação em Desenho Industrial, Univercidade, Rio de Janeiro, RJ

Exposições individuais

2016

– “Sensorial Fictions”, Blau Projects, São Paulo, SP

2015

– “O Grande Campo”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

– “Ocupação Macia”, Storefront For Art and Architecture at Ideas City Festiva, New Museum, Nova Iorque, EUA

– “Aforismas”, Rizomas e Selvageria, Anita Schwartz, Rio de Janeiro, RJ

– “Fugidia e Experiência Enganosa”, Kubik Gallery, Porto, Portugal

– “Spare Fragmented Jungle”, Blueshift Project, Miami, EUA

2014

– “Time is Never Past Nor Present”, curated by Sarah Crown, Spazio 522, Nova Iorque, EUA

– “Becomings – Bathroom Project”, Rooster Gallery, Nova Iorque, EUA

– “Roda Viva”, Roberto Alban, Salvador, BA

2013

– “Acontecimento Encarnado”, curadoria de Ligia Canongia, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro, RJ

– “Ocupação Macia”, Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG

2012

– “Orgão sem Corpo”, Galeria Marília Razuk, São Paulo, SP

– “Ocupação Macia”, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ

– “Incorporáveis (performance)”, Museum of Modern Art, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “W4”, Galeria HAP, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Devirneando”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ

2006

– “Retalhos”, Galeria Candido Mendes Ipanema, Rio de Janeiro, RJ

2005

– “Immanência”, Galeria Tarsila do Amaral, Rio de Janeiro, RJ

Exposições coletivas

2014

– “Immediate Female”, Judith Charles Gallery, Nova Iorque, EUA

– “Cake, Dolls, Gift Bags and Other things”, Radiator Gallery, Nova Iorque, EUA

– “The Playground Of The Fantastical”, Galerie Protégé, Nova Iorque, EUA

– “This Exhibition Has Every Thing To Go Wrong”, Abrons Center, Nova Iorque, EUA

2013

– “Bordalianos do Brasil”, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

– “Aproximações Contemporâneas”, Roberto Alban Galeria, Salvador, BA

– “Videoarte 2013”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

2012

– “Algum de Nós”, Galeria Marília Razuk, São Paulo, SP

– “Somatório Singular”, curadoria de Cristina Burlamaqui, Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG

2011

– “Bienal Vento Sul”, curadoria de Alfons Hug, 6º Bienal de Curitiba, Curitiba, PR

– “Incorporáveis”, SP Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP

– “Zona Oculta”, SESC and Centro Cultural Justiça Eleitoral, Rio de Janeiro, RJ

– “Black Tie”, Galeria BNDES, Rio de Janeiro, RJ

– “Esculturas Flutuantes”, Tocayo, Galpão da Arte e Cidadania, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “] entre [“, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Corespaçoforma performance”, SESC, Píer Mauá, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Estranho Cotidiano”, Galeria Movimento, Rio de Janeiro, RJ

– “Corespaçoforma performance”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

2008

– “Nova Arte Nova”, curadoria de Paulo Venâncio Filho, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “59 Seconds”, Video Festival, Landmark Bergen, Noruega; Kunsthall Gallery, Nurtingen, Alemanha; ARTPROJX, Londres, RU

– “SPACE”, Londres, UK; University of Texas Austin, Texas, EUA

– “Condensation”, Decima Gallery, Londres, RU

– “Crouch End Open Studios”, The Town Hall, Londres, RU

– “Exposição Coletiva”, Galeria Virgílio, São Paulo, SP

– “Abre Alas 2008”, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Post-Graduate Final Show”, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

– “Inauguração Galeria do Conveto”, Galeria do Convento, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ

– “Group Exhibition”, Salon Gallery, Londres, RU

2006

– “Arquivo Geral”, curadoria de Paulo Venâncio Filho, Centro Helio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ

– “Conexão Contemporânea”, FUNARTE, Rio de Janeiro, RJ

2005

– “Acessos Possíveis”, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

– “Evento Pirata”, Grupo Py, intervençao balsa de Niterói, RJ

– “Conexão Contemporânea”, FUNARTE, Rio de Janeiro, RJ

Salões e prêmios

2016

– Residência no ESXLA Residency Program LA, USA

2015

– Premiada com uma exibição individual no, Storefront for Art and Architecture pela Embaixada Brasileira, Nova Iorque, EUA

2013

– Residência na Residencie Unlimited, Nova Iorque, EUA

– Selecionada para uma comissão de Arte Pública, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, RJ

2012

– Artista convidada pelo comitê de organização da London 2012, Creative Cities, Barbican, Londres, RU

– Residência Bordalo Pinheiro, Lisboa, Portugal

– Comissão de frente da escola de Samba da Pimpolhos Grande Rio, Sapucai, Rio de Janeiro, RJ

2010

– Prêmio Marcantonio Vilaça, Funarte, Brasil

2009

– 63º Salão Paranaense, Museu de Arte Moderna, Curitiba, PR [Artista convidada]

2008

– Jerwood Drawing Prize, Jerwood Space, Londres, RU

2007

– 13º Salão da Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil

2006

– “Novíssimos”, Galeria IBEU Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil

– Salão de Arte de Ribeirão Preto, MARP, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

2004

– Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, PA, Brasil

Coleções públicas

– Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, Brasília, DF

– Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, Rio de Janeiro, RJ

– Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ

– Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói, RJ

– Committee for Olympic Fine Arts 2012, Londres, RU

– BGA collection (Investment Fund), Brasil

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Entrevista com Maria Lynch – transcrição | Prêmio PIPA

Eu ia fazendo tudo como se fosse artista, mas eu não conseguia me ver como artista, então desde pequena eu tinha aula de arte na escola, quando eu estudava na Escola Parque, e tinha um professor que eu amava, que se chamava Rubinho e que me dava aula em casa, e que aí foi quando esses outros elementos vieram, fazer bichos de papal macher, eu adorava. E sempre fui uma péssima aluna, então talvez isso já indicasse a minha veia artística (risos).

nasceu no Rio de Janeiro, onde vive atualmente

Meu trabalho tem toda uma história, acho que se pode falar da trajetória do trabalho que começou na fotografia, há muito tempo atrás, e eu estava interessada nas composições do lugar abstrato, da fotografia de lugares do mundo. Entre o abstrato e o figurativo, uma coisa que tava sempre num lugar estranho.

Daí eu fui investigando esse lugar, que me interessava, de trazer essas composições pra pintura, e aí entra outras questões da matéria e da tinta. Depois eu fui morar em Londres, fui fazer mestrado e comecei a investigar um lugar tridimensional pra essas formas, me interessava trazê-las pro mundo, até porque elas tinham essa característica lúdica, meio fantástica. Já virava uma pintura instalativa junto com todos esses outros elementos.

também trabalha com performance e esculturas de tecido

Eu falo da figura, entra nessa narrativa falando desse lugar, que tem sempre uma estranheza, continuo com essa brincadeira do amorfo, essas figuras normalmente tem, também, esse elemento estranho.

tem obras no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói

Olha tenho uma boa relação com o mercado. O mercado tem uma coisa que eu acho que você não tem que ver isso como um reflexo do seu trabalho, mas é muito bom poder viver do seu trabalho, então eu não vejo problema nenhum nisso. E acho que esse reconhecimento também é via mercado, acho que uma coisa leva a outra, por exemplo, eu tenho uma galeria, cuido disso.

planos: esculturas sobre rodas

Tenho um projeto que está em desenvolvimento, de uma coisa meio robótica, só que é caro, não posso fazer. Aí eu fiz uns carrinhos bate-volta que carregam as esculturas. Ás vezes, a pintura tem umas coisas que são mais de pintura, e de repente eu to mais na produção de um projeto, ou estou com a minha costureira, lavando coisas novas que eu to fazendo pras esculturas… É assim, é lindo e caótico ao mesmo tempo.

Fonte: Premio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Aparências que não enganam | Site Maria Lynch

Se traçássemos uma esfera de referências para a obra de Maria Lynch, no espírito das colagens livres e anacrônicas de Aby Warburg, poderíamos navegar pela história clássica, moderna e contemporânea, seguindo diferentes associações, imediatas e plausíveis. Assim, da Vênus de Botticelli ao fauvismo de Gauguin; da simplicidade de Rousseau às cores fortes e sensuais de Matisse; das construções absurdas de Arcimboldo aos signos lúdicos de Miró, ou mesmo, mais recentemente, das figuras exuberantes e híbridas de Janaína Tschäpe à imaginação infantil de Donald Baechler, poderíamos compor uma vasta gama de insinuações históricas a serem reinterpretadas nas pinturas, esculturas, fotografias e vídeos de Lynch.

O objetivo de revisitar essa lista desconexa é revigorar a memória sempre presente do passado que sempre informa e é reinstaurada no mundo contemporâneo, como reconhecido por pessoas pós-modernas. E, afinal, do corpo expandido das referências que mencionamos subtrai-se um repertório comum que toca, simultaneamente, todas elas: cromatismo intenso, contornos claros, imaginação primitiva ou inconsciente, formas simples e louvor à natureza. Estamos falando, portanto, de uma família, de afinidades que cercam a produção de Maria Lynch e que criam em sua obra um elo no fio da história.

A artista, no entanto, impõe particularidades individuais que a personificam e a diferenciam de seus pares do passado. A começar pela intensidade cromática abusiva, com contrastes muito chocantes, em superfícies e formas que, no entanto, se combinam sem qualquer conflito. Uma figura de cabelos roxos pode sair de uma vestimenta completamente azul e redonda, imersa em um fundo laranja plano, e permeada por plantas em vários tons de verde e vermelho. Assim, a pintura de Lynch é, antes de tudo, potência cromática.

Sua iconografia, por outro lado, foca em certos elementos recorrentes, como o corpo feminino, paisagens, formas orgânicas e objetos urbanos cotidianos. Diz-se que as figuras da artista, num processo resultante do pós-modernismo, incluem, além dos elementos naturais, a cidade, o computador, a publicidade, os estereótipos e a indústria. No território de Maria Lynch, tudo parece ser uma fabulosa agregação de realidade e ficção, em narrativas não lineares, cujos acontecimentos não passam de vislumbres de situações e personagens impossíveis. Tudo é curvo, redondo e tátil: um mundo onde não se encontra nenhuma linha reta, onde as coisas se entrelaçam, se fundem, se engolem ou se expulsam umas das outras.

Nas pinturas atuais de Lynch, uma figura feminina insiste em “aparecer” por sua ausência, como um fantasma ou uma figura branca vagando acima ou abaixo dos campos de cor, à parte das pinceladas ao seu redor. Inacabada e incorpórea, a figura, no entanto, é capaz de vencer o cromatismo explosivo que a cerca, impondo-se aos olhos do espectador como um catalisador absoluto. A única imagem “apagada” do quadro torna-se quase soberana, como se sugerisse o paradoxo de uma personagem ao mesmo tempo protagonista e secundária, ou alguém que lutava para se destacar em meio a uma atmosfera dominadora. Em obras maiores, a maioria das quais apresenta um fundo preto, o corpo feminino vazio parece ainda mais imaterial ou incongruente, dada a presença contígua de muitas outras formas densas circulantes contrastando com a escuridão do fundo.

Também presentes na exposição, as esculturas de Maria Lynch revelam semelhanças com suas pinturas; em trabalhos anteriores, ela já havia criado caroços e volumes saindo da superfície plana, em trabalhos que classifica como “pinturas espaciais relacionadas à arquitetura”. A textura da tinta, que se tornava cada vez mais densa, e as próprias formas coloridas, que se combinavam em diferentes planos e profundidades na tela, anunciavam um salto para o mundo real. Lynch parecia prever a demanda desses eventos por uma expansão física maior, como se os personagens e manchas de cor pedissem contato direto com o mundo.

Em 2009, ela começou a criar esculturas usando pedaços de tecido acolchoado e espuma costurados uns sobre os outros em aglomerados delirantes, como se introduzisse uma espécie de surrealismo tropicalista. Expostos no chão, nas paredes ou por meio de performance, esses seres assumem, por um lado, a narrativa ingênua de contos de fadas ou filmes de animação, mas, por outro, uma atmosfera terrível de seres vivos, feras ou monstros ameaçadores e desconhecidos. A cor, no entanto, continua central em suas construções, mantendo a artista sempre focada no universo da pintura, como aconteceu antes com as esculturas de Miró, Calder, Dubuffet e Oiticica, que mantiveram o espírito lúdico e onírico da cor no volume e no espaço.

A obra-prima desse tipo de articulação foi criada em 2012, quando Maria Lynch fez uma grande instalação no Paço Imperial, Rio de Janeiro, ocupando pisos, paredes e teto com tecidos acolchoados, num emaranhado intrincado e caótico de objetos e cores, onde o espectador era lançado em uma experiência sensorial surpreendente. Uma mistura de brincadeira infantil e experiência sexual, com toques de ingenuidade, medo e pornografia, a instalação lembrava tanto o Carnaval quanto filmes de terror.

O imaginário de Maria Lynch se encaixa de forma muito coerente em diversas mídias e, nesta exposição, ela também apresenta uma videoperformance em que se movimenta desordenadamente pegando e vestindo pedaços de tecidos acolchoados, vestindo-os como próteses, até se tornar mais uma personagem em seu próprio país das maravilhas. O vídeo se passa na casa onde a artista nasceu e passou a infância, evocando traços de memória afetiva, que interessa e permeia todas as suas obras.

Com uma poética beirando o gênero fantástico e fazendo parte de um universo povoado por entidades inusitadas e amorfas, Lynch subverte sistemas estabelecidos de lógica e o discurso da racionalidade, ao mesmo tempo em que camufla a acidez crítica de sua obra com elogios festivos à cor e uma máscara lúdica de “brinquedos”. Toda a obra parece, afinal, assemelhar-se às mulheres brancas vazias da pintura, aquelas que simultaneamente expõem e ocultam afirmações, que dizem o não dito.

Fonte: Site Maria Lynch, "Aparências que não enganam", texto de Ligia Canongia. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Com pintura, Maria Lynch cria narrativas fantásticas | O Globo

A casa cinza de porta vermelha, em uma escondida rua no Horto, desperta curiosidade de quem passa. Nesse cenário, ao som de jazz, Maria Lynch está descalça, com um avental preto repleto de pinceladas, deixando claro o que faz ininterruptamente no ateliê: pintar livremente. Parte da produção está em “Infinitos, pinturas recentes”, mostra que celebra os 20 anos de carreira, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia. “É uma oportunidade de olhar para o passado como uma totalidade, uma instância, tudo precisa ser percorrido, os dissabores e as conquistas”, diz a artista, de 43 anos.

A exposição reúne um recorte de sua produção recente, uma seleção de obras produzidas de 2021 até os dias de hoje. “Representa o momento no qual o trabalho da Maria ganha em maturidade e estrutura. A articulação poética em torno da cor e da forma se apresenta fortemente construída, expressiva e sensível”, destaca o curador, Evandro Salles.

No Brasil, o trabalho de Maria integra os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MAM-Rio, do MAR e do MAC Niterói; além de colorir casas cariocas, como a da colecionadora Cristina Burlamaqui, que lhe acompanha desde o início de sua trajetória. “Maria mantém um corpo a corpo com a pintura, com lirismo e uma alegria sensual”, define Cristina.

A linguagem e a sensibilidade da artista também encantaram a influenciadora digital Silvia Bráz, que dedicou lugar de destaque em seu novo lar no Rio para uma de suas telas: “Queria um trabalho que se conectasse com o estilo carioca. Na hora que vi, disse: ‘É esse o quadro que quero’. Sou eu ali. Tem o meu olhar para a vida: colorido, alegre, vibrante! Quando postei nas minhas redes, todo mundo queria saber de quem era aquela pintura. Uma obra que rouba a cena.”

Fonte: Jornal O Globo. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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A intensidade cromática de Maria Lynch | Centro Cultural Justiça Federal

A essência de Maria Lynch, artista visual de arte contemporânea, está nas paredes das galerias do 1º andar do Centro Cultural Justiça Federal. As telas, cheias de personalidade e cores, se reúnem para montar a exposição Infinitos - Pinturas recentes de Maria Lynch, que fica no CCJF até o dia 16 de fevereiro de 2025. Abaixo, uma conversa com a artista sobre carreira, processo criativo e as obras da mostra.

CCJF: Como foi o processo criativo de produção das 20 obras selecionadas para a exposição Infinitos - Pinturas Recentes de Maria Lynch? Todas elas são pinturas em telas, de diferentes tamanhos e formatos? Haverão obras inéditas?

Maria Lynch: Exato, todas elas são pinturas, de diferentes formatos. Quase metade das obras da exposição Infinitos, que está no Centro Cultural Justiça Federal desde o dia 9 de novembro de 2024, são totalmente inéditas. Na nova série chamada “Fragmentos”, comecei desconstruindo mais esses campos de cor e imagem.

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Sobre o tema, um complemento. De acordo com texto de divulgação sobre o trabalho recente, enviado pela artista para a equipe de Comunicação do CCJF, Lynch “cria cenas e lugares improváveis, imagens fragmentadas que remetem a situações impossíveis. Com uma intensidade cromática em que o fantástico abre espaço para acessos do inconsciente. Através da fissura do absurdo, um mundo onde tudo é tátil e curvo. ‘Fragmentos’ permite a evocação desses espaços, tanto da memória como da percepção de mundo. São estados impermanentes, onde é possível desconstruir os códigos e o pré-estabelecido.

A obra se constrói a partir da intercessão com o outro, a permissão de deixar essa obra atuar nos campos sutis. Tanto no corpo como no imaginário, as formas vão surgindo através da remota percepção de si e de suas fantasias ali projetadas”.

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CCJF: Ao completar 20 anos de carreira nas artes visuais, certamente é natural pensar em como foi seu processo de construção como artista. Qual a maior lição aprendida nessas duas décadas?

ML: Sim, é um grande percurso, entre estudar, fazer pós e mestrado em Londres, residências artísticas várias, uma que inclusive me fez passar 4 anos em Nova York.

Poderia fazer uma metáfora sobre o que aprendi nesses últimos 20 anos de vida, porque temos uma oportunidade de olhar para o passado e ver tudo como uma totalidade, uma instância — tudo precisa ser percorrido, os dissabores e as conquistas, essas últimas nos alegram mas não podemos esquecer quando estamos vivendo os momentos desafiadores pois aquilo vai te levar para algo mais potente.

A construção do processo artístico é pensando junto a existência, ela se faz em cada instante, no decidir fazer, são acontecimentos encarnados que eu brinco.

CCJF: O que o público pode esperar da mostra Infinitos? Sabemos que arte é subjetiva, pessoal e interpretativa, de acordo com a experiência e olhar de cada um. Porém, é possível citar uma identidade única na qual o público poderá perceber no conjunto das obras?

ML: Sim, acredito muito na função da arte como um lugar de transformação; um encontro que impacta e adentra o outro de forma sutil e sensível. No caso do meu trabalho, a ideia é fazer com que a pessoa pelo menos sinta que ela está para além do ser da civilização, que nos afasta do que somos...argamassas de sensações e devires talvez defina um pouco mais essa nossa experiência de vida. Enquanto isso, ficamos tentando caber em algo que nos determina, mas não somos seres determinados, onde habita o mistério e desconstrução de si.

CCJF: No texto do curador Evandro Salles, por exemplo, ele interpreta suas obras como uma "arquitetura orgânica", na qual cada cor/coisa existe para completar a outra, até as ausências fazem sentido. Ele intitula essa ideia como "estrutura do mundo". Segundo Salles, “as coisas se interpenetram, são indissociáveis, se diluem umas nas outras. Se articulam nas suas falas, nas suas vozes. Tudo fala. Tudo é linguagem." Você compartilha dessa visão?

ML: Exatamente, Evandro fala sobre isso através de metáforas, eu que já perdi um pouco o pudor e já estou me refiro a essa essência de forma mais objetiva, tentando usar a linguagem.

Fonte: Centro Cultural Justiça Federal. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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A palco dobra, rizomas e selvageria | Entrevista

LD: O título desta exposição – The Fold Stage, Rhizomes, and Savagery – é muito eloquente. O palco está presente como um limite entre a realidade e a ficção; o rizoma evoca uma espécie de resistência ao esquema hierárquico na construção do conhecimento. Tentando ir passo a passo, a selvageria está presente no encontro desavisado entre uma estética quase kitsch, um apelo a um universo infantil e o registro da feminilidade e do erotismo. Conte-nos um pouco sobre como o título traduz ou acrescenta significado ao que podemos ver na exposição.

ML: As referências a Deleuze, como o rizoma e a dobra, são ideias que giram em torno do tipo de contágio que me interessa. Meu trabalho atravessa tudo isso; uma coisa evocando outra da multiplicidade, singularidade e sinestesia. Em todos os títulos das minhas exposições, desde a individual para a qual você escreveu um texto (Retalhos, Galeria Cândido Mendes, 2006), faço referência a Deleuze, porque acho que ele é o filósofo que mais ressoa com o meu modo de pensar, influenciado pela ideia do pensamento de fora. O registro emocional é central. Carnaval, festa, excesso, abundância, prazer; tudo isso contamina meu trabalho. A alegria é a força primária. Crio uma lógica de espanto por meio de uma celebração de cores inebriantes. Uma ficção se instala e me permite romper com as condições de ideias preestabelecidas. Trata-se de conduzir o imaginário, o palco, a cena, a ilusão, a dobra no tempo, que é essa lacuna no espaço-tempo que o cinema e o teatro estabelecem. Aqui, o que quero aludir é à ideia de duração da obra do filósofo Henri Bergson.

LD: A experiência de imersão proposta para esta exposição é acompanhada pelas pinturas, que em tese demandam um tempo mais amplo para sua contemplação. Como você vê a concordância do tempo de ação provocado pela instalação, que exige algum tipo de interação com o espectador, e a demanda mais lenta e atenta das pinturas? O uso de pipoca cobrindo o chão do espaço expositivo indica não apenas uma relação entre suas obras e questões da infância, mas também uma alusão ao mundo do cinema, não é? A ideia é que os espectadores absorvam seu trabalho como se estivessem percorrendo um espaço fictício?

ML: Eu intencionalmente coloco a pipoca e as pinturas em contato uma com a outra. Isso se desenvolve em um registro ridículo que me agrada. É uma combinação estranha, e coloca em questão a postura de quem está vivenciando a obra. Imagino as pessoas deitadas na pipoca em vez de comê-la, rindo, olhando para as pinturas como cenas congeladas, e talvez até se vendo nelas. Essa amplitude da pintura é algo que me interessa. É sobre desencadear pensamentos através dos sentidos. Acho que pensamos com o nosso corpo. Acredito que para pensar funcionar você tem que ter encontros e tem que ser um pouco abalado. É sobre pensar como potência.

LD: BarbieMe consiste em cinco bonecas em tamanho real – da mesma altura que você – com um corpo de Barbie, mas “seu” rosto. São figuras que novamente trazem à mente a infância, mas também a feminilidade, o movimento, a dança. Conte-nos sobre esse trabalho, que você idealizou no último minuto para esta exposição.

ML: Sim, são Barbies “reais”, por assim dizer. Eu me personifico. Eu, a artista, me transformo no trabalho. Ele contém uma série de referências e críticas: eu, uma artista plástica, a boneca. Barbie personifica as mulheres idealizadas, uma questão que venho abordando há algum tempo em referência a esses fantasmas, essa conspiração por um ideal, mas ao mesmo tempo há a artista, que aproveita seu próprio potencial e se coloca no lugar da Barbie, invertendo os papéis. É a arte como um meio para apontar para onde a arte em si está indo. É uma crítica e uma declaração ao mesmo tempo.

LD: Maria, seu trabalho passou por diferentes fases nos últimos dez anos. De pinturas gestuais, que transitavam entre abstração e figuração, você passou para uma produção pictórica em que as figuras se tornaram muito mais claras e as cores ainda mais estridentes. Mais recentemente, seu trabalho começou a ocupar mais espaço, com esculturas e instalações de natureza imersiva. Conte-nos um pouco sobre como essa série de transições surgiu e qual fio condutor une as pinturas e as coisas que você expressa em outras línguas.

ML: Essa ramificação da necessidade de criar uma espécie de abrigo imaginário, um universo próprio, para afirmar minhas dúvidas e as entidades que me dão um grau de prazer. Meu trabalho gradualmente assumiu essa rota de "desdobramento" e múltipla. Primeiro, descobri que podia criar esse campo na pintura, depois esse espaço penetrou na esfera física. Fiquei mais interessado no alcance dos sentidos, como o corpo é afetado, o que estimula ideias. Nesta exposição, estou explorando ambos: pintura instalacional e elementos imersivos que criam esse território de experiência.

LD: Em suas primeiras pinturas, a paleta de cores costumava ser mais sóbria, com tons suaves. Em seu trabalho mais recente, você está claramente escolhendo cores mais brilhantes e vibrantes que chamam a atenção com força. Como você vê essa transição cromática em suas telas? Você não acha que há uma dimensão hiperextrovertida que pode até causar uma sensação de estranheza ou aversão por parte do observador? Exatamente quais efeitos você está procurando quando vai a um extremo cromático?

ML: Essa ambiguidade e aversão são duas das principais reações que busco. As cores contêm o poder do contraste e da estranheza; elas geralmente não combinam bem, mas não perdem sua vibração. Em grande parte, isso vem da maneira como fui influenciado pelo meu uso de tecido para fazer as esculturas.

LD: Memória, retorno à infância, a dimensão lúdica, a perversão do racionalismo em um palco amplo que flerta com o surrealismo são todos elementos que permeiam seu trabalho como um todo, e esta exposição em particular. Conte-nos sobre sua obsessão por assuntos como infância e memória.

ML: Para responder à sua pergunta, tenho que me referir a Deleuze, cujo trabalho marcou minha vida e minha carreira. Eu realmente me identifico com a ideia de nomadologia, uma espécie de "transvaloração". Desde pequeno, sempre duvidei dos edifícios da racionalidade e da lei, da cultura, do estado, e isso significa que minha resposta emocional se tornou meu guia. Esse fio condutor tem uma forte conexão com a liberdade da infância, um tempo que precede o tempo em que nos tornamos seres disciplinados. Acho que isso está no meu trabalho. Não há identidade, mas há devir. Sempre tento manter esse tipo de ambiguidade e evitar respostas claras.

LD: Alguém escreveu uma vez que seu trabalho poderia ser associado às cores de Matisse, ao registro fauve de Gauguin e, para mencionar um nome mais próximo, às figuras híbridas de Janaina Tschape. Quais são as influências mais importantes em seu processo criativo?

ML: Todos os nomes que você menciona têm uma liberdade que me interessa, seja em suas cores, na fantasia ou em sua abordagem lúdica. Cada artista cria seu caldeirão de assuntos e associações. Normalmente, me identifico com trabalhos que realmente têm mais a ver com uma ficção radical e que combinam uma diversidade de tópicos, como os de Pierre Huyghe, Matthew Barney, Alejandro Jodorowsky (cineasta), Brian Eno e Coco Rosie (músicos).

LD: Hoje, a arte contemporânea está passando por um período em que está fortemente associada ao contexto social e político mais amplo. Como você vê seu trabalho nesse contexto, em que o que você faz se afasta tanto de quaisquer referências à "realidade"? Sabemos que a arte pode ser política sem necessariamente aludir a um "tópico" político. Mas, de qualquer forma, acho que é algo que vale a pena refletir.

ML: A maneira como entendo a política — e o que realmente me interessa — é que a política pode fazer você pensar sobre como se governar. A cultura em que vivemos hoje é um projeto falido. Em vez de produzir guerreiros, ela produziu seres domesticados e obedientes, o que não me interessa nem um pouco. Política é algo bem diferente para mim. É sobre acumular força. É a criação de um novo modo de vida errante e nômade, ou como você quiser chamá-lo. Aqui estou criando meus próprios aforismos audiovisuais e nutrindo meus prazeres, pensando em como não ser pego por uma consciência culpada (neurose), que é produzida lá fora. Para Nietzsche, a destruição é uma pré-condição para a criação.

Fonte: Maria Lynch. Texto de Luisa Duarte, curadora independente e crítica de arte. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Uma profecia da cor por Maria Lynch | Prêmio PIPA

É assim que o curador, Marc Pottier descreve a mostra da artista carioca Maria Lynch. Ela trabalha com cores puras, jogando sobre as justaposições de áreas coloridas cores quentes e frias, criando um contraste que resulta em composições marcantes. A artista leva o espectador para o ritmo de ressonâncias que querem modificar seus estados psíquicos.

A exposição contém 20 obras de Lynch feitas de 2018 e 2019 – pintura acrílica sobre tela -, de estética colorida, rica em contraste e de composições marcantes, elementos usuais na produção da artista. Em “Talismã”, o visitante se torna protagonista de uma realidade enquadrada. Questionada sobre sua principal inspiração para esta individual, Maria Lynch comenta: “São várias áreas de interesse e convergência. A pintura por si, por exemplo, o ato de pintar, o ato de criar um mundo imaginário, onde eu coloco uma elaboração simbólica desses signos que nos afetam. Ou seja, são afetos em forma de pintura. São pluralidades que me transformam, são máquinas-desejantes [em referência a Deleuze e Guattari], atualidades das possíveis corporeidades”.

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Conheça um pouco da carioca Maria Lynch uma das artistas mais potentes da sua geração | Ze Ronaldo

Maria Lynch é carioca. Cresceu no Rio de Janeiro e vivia tranquila como qualquer garota da sua geração. tinha guardada dentro de sim uma força artística pronta para eclodir. Quando deparou-se com o mundo da arte o que estava em ebulição começou a sair e daí não parou mais. Hoje é uma das artistas mais potentes de sua geração.

Conversamos um com ela que nos contou como explodiu essa avalanche de talento.

1) Você lembra o que despertou em você à vontade de fazer arte?

Eu fui estudar francês quando tinha 18 anos em Paris, e como tinha as tardes livres depois das aulas, ia para o Louvre, afinal teria seis meses para conhecer o museu todo. Quando vi os estudantes de arte desenhando, comprei o material e me juntei a eles, assim passei seis meses de todas as tardes.

Um dia uma amiga que foi me visitar, falou para irmos ver a exposição retrospectiva do Surrealismo que estava ocorrendo no Centro George Pompidou, por sorte ela conhecia muito de história da arte e ia me explicando, essa exposição foi uma ruptura para eu perceber que minha cabeça andava no lugar certo, um certo mundo inventado de fábulas e absurdos, onde a fantasia e um olhar estranho a realidade que eu precisava de alguma maneira contar e afirmar. E foi assim que eu comecei a contar um pouco sobre o meu olhar.

2) Quando você começou a pesquisar o formato do seu trabalho?

Eu comecei desenhando, depois fui estudar fotografia. Quando comecei a pintar, algo me dizia que só iria poder configurar essas histórias em grandes escalas, as primeiras telas já tinham 160 x 180cm, daí foram só crescendo, a maior que fiz foi um painel gigante de cinco metros de altura para Fundação Getúlio Vargas.

3) Você retorna as suas pesquisas ou você as esgota?

Normalmente sempre volto a alguns pontos, mesmo depois de esgotá-las.

4) O que é mais importante para você a cor ou a forma?

Eu diria que os dois têm a mesma proporção de importância, pois uma depende da outra para surgirem. Não existe uma hierarquia, pois realmente na minha pintura uma não conseguiria surgir sem a outra.

5) Como é o seu processo criativo?

Quanto mais ausente eu estiver de pensamentos, quando não estou buscando nada, é que surgem as maiores ideias de trabalho. Existe um estímulo de pensamentos que são constituintes do processo, mas não são eles que geram insights. Meu processo é bem anárquico hoje, já atravessei diversas formas diferentes de crença e experimentações de processo criativo, até curso de processo criativo. Trabalhar exaustivamente, ler tudo, estudar tudo, ver tudo, fotografia, viajar com caderno e desenhar tudo que me interessava. Mas foi estudando filosofia ( filósofos chamados da diferença) num período que deve ter durado dez anos, onde muitas ideias de trabalho surgiram, foi onde mais me debrucei conceitualmente.

Hoje me alimento muito da prática zen, estar no presente como matéria fundamental, esvaziando a cabeça de pensamentos o máximo possível. Assim eu me sinto mais plena, integrada, e como a obra é essa extensão do que somos, esse hoje é meu processo criativo.

6) O abstrato tem muito espaço nas suas obras quais são suas referências neste momento?

acho que acabei respondendo à pergunta acima.

7) Como foi a experiência no Chelsea College of Art?

Nossa já faz tempo, eu era bem nova, foi fascinante morar em Londres aos 26 anos, uma experiência intensa e dolorida ao mesmo tempo. A faculdade era incrível, muita troca com gente do mundo inteiro, palestras fascinantes foi muito enriquecedor.

8) O que você tem feito nesse tempo de pandemia?

Eu fiz uma série de pinturas para uma exposição na Galeria Karla Ozório. A ideia para o projeto, surgiu de um isolamento radical, onde fui parar numa fazenda no meio do mato e por lá fiquei dois meses Um dia numa mistura entre surto e transe, passei um dia inteiro catando galhos, virou uma obsessão e uma espécie de mantra. Acho que juntei uns mil galhos, depois fiquei desenhando eles, depois até que resolvi queimar tudo na fogueira.

Quando voltei pro atelier, viraram pinturas.

10) Quais são seus próximos passos?

Neste momento, tenho alguns convites para diferentes projetos, vamos ver o que acontecerá no mundo no próximo ano.

Fonte: Ze Ronaldo, publicado em 10 de fevereiro de 2021. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

Crédito fotográfico: Times Brasília. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

Maria Lynch (1981, Rio de Janeiro, Brasil) é uma artista visual brasileira. Conhecida por suas pinturas, esculturas e instalações imersivas, Lynch é formada em Belas Artes pela Chelsea College of Art and Design, em Londres. Em suas obras, transita entre o abstrato e o lúdico, explorando memória, corpo e cor em sua obra. Participou de exposições em instituições como o New Museum (Nova York), Paço Imperial (Rio de Janeiro) e Barbican Centre (Londres). Suas obras integram coleções como a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ). Atualmente, vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro.

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Maria Lynch

Maria Lynch (1981, Rio de Janeiro, Brasil) é uma artista visual brasileira. Conhecida por suas pinturas, esculturas e instalações imersivas, Lynch é formada em Belas Artes pela Chelsea College of Art and Design, em Londres. Em suas obras, transita entre o abstrato e o lúdico, explorando memória, corpo e cor em sua obra. Participou de exposições em instituições como o New Museum (Nova York), Paço Imperial (Rio de Janeiro) e Barbican Centre (Londres). Suas obras integram coleções como a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ). Atualmente, vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro.

Videos

Maria Lynch para Prêmio PIPA | 2010

Expo: Acontecimentos Encarnado | 2016

Maria Lynch fala sobre sua produção na quarentena | 2020

Nomad Creative Projects e Maria Lynch | 2017

Maria Lynch: Máquina Devir | 2017

Homenagem à Javier Marías | 2022

A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria | 2016

Um teto todo nosso | Lynch, Obersteiner e Gottschalk | 2021

Maria Lynch | Arremate Arte

Maria Lynch nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, e desde cedo demonstrou interesse pelas artes visuais, construindo uma trajetória marcada pela experimentação e pelo diálogo entre diferentes linguagens. Sua formação acadêmica inclui um mestrado e uma pós-graduação na renomada Chelsea College of Art and Design, em Londres, onde aprofundou sua pesquisa sobre pintura, performance e instalação.

A produção artística de Lynch é marcada pelo uso de cores vibrantes, formas abstratas e elementos do imaginário lúdico, criando uma atmosfera que remete ao onírico e ao subconsciente. Suas obras transitam entre diferentes suportes, explorando a interseção entre o corpo, a memória e o espaço. A artista se apropria de referências da infância, da psicanálise e da cultura popular para construir narrativas visuais que evocam tanto o desejo quanto a fantasia, desafiando os limites da representação.

Maria Lynch ganhou notoriedade no cenário artístico brasileiro e internacional com exposições individuais e coletivas em importantes instituições. Entre seus projetos de maior destaque está “Ocupação Macia”, apresentada no Paço Imperial do Rio de Janeiro em 2012 e posteriormente no New Museum, em Nova York, em 2015. Nessa mostra, a artista explorou o conceito de imersão sensorial por meio de instalações têxteis e esculturas infláveis, criando um ambiente de interação com o espectador.

Além das exposições, Maria Lynch teve suas obras incorporadas a coleções de prestígio, como a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM-RJ e o Comitê Olímpico de Belas Artes em Londres. Em 2014, foi comissionada para criar uma obra para a Fundação Getúlio Vargas no novo edifício projetado por Oscar Niemeyer, consolidando sua relevância no circuito institucional.

Seu trabalho também se expandiu para outras mídias, resultando na publicação do livro "Desenhos", lançado pela editora Cosac Naify no mesmo ano. A artista participou de residências artísticas em diferentes partes do mundo, incluindo a Residency Unlimited, em Nova York, o que contribuiu para o amadurecimento de sua abordagem conceitual e estética.

Atualmente, Maria Lynch vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro, desenvolvendo obras que desafiam as percepções tradicionais da arte e convidam o público a uma experiência sensorial única. Seu universo visual continua a se expandir, promovendo um diálogo constante entre a emoção, o corpo e a memória, reafirmando sua posição como uma das artistas mais inventivas e instigantes da cena contemporânea.

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Maria Lynch | Site Oficial

Maria Lynch nasceu em 1981 no Rio de Janeiro, Brasil, atualmente vive e trabalha entre NY e Rio de Janeiro. Em 2008, obteve um mestrado e um diploma de pós-graduação no Chelsea College of Art and Design em Londres.

Suas principais exposições incluem ‘The Jerwood Drawing Prize’, uma exposição itinerante exibida em Londres e na Inglaterra em 2008, ‘Nova Arte Nova’, no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo com curadoria de Paulo Venâncio. Em 2010 foi contemplada com o Prêmio Funarte Marcantônio Vilaça. Em 2011 foi convidada para a 6ª Bienal de Curitiba, Vento Sul com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, Maria apresentou a instalação ‘Ocupação Macia’ no Museu Paço Imperial, Rio de Janeiro, e a performance ‘Incorporáveis’ no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro. A artista foi convidada para participar da ‘London Olympics Games Exhibit’ no Barbican Centre. Em 2013, Maria fez a exposição individual ‘Acontecimento Encarnado’ na Galeria Anita Schwartz no Rio de Janeiro, venceu a seleção para um concurso de arte pública na Fundação Getúlio Vargas, RJ, Brasil e a mostra ‘Bordalianos do Brasil’ na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

Após concluir a Residency Unlimited, NY, EUA em 2014, ela foi premiada com o NY Embasy Prize e Award em NY por uma exposição individual na Storefront For Art And Architecture, NY, EUA, que fez parte do Ideas City Festival - New Museum, NY.

No ano de 2016, Maria fez uma exposição individual, Spaces and Spetacles, na Wilding Cran Gallery em Los Angeles. Em 2017, ela abriu uma exposição individual intitulada Máquina Devir no Oi Futuro Rio de Janeiro e foi selecionada para o programa Pacif Standart Time, com uma exposição em Los Angeles. Em 2018, Maria participou de algumas exposições, como TRIO Bienal e Mulheres na Coleção do Museu de Arte do Rio - MAR.

Fonte: Biografia Maria Lynch. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Maria Lynch | Prêmio PIPA

É formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu sua pós-graduação e mestrado no ano de 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, uma exposição itinerante exibida em Londres e em toda a Inglaterra em 2008, “Nova Arte Nova”, no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo, com curadoria de Paulo Venâncio. Em 2010, ela foi contemplada com o Prêmio Marcantônio Vilaça Funarte. Em 2011 foi convidada para a 6ª Bienal de Curitiba, Vento Sul, com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, Maria apresentou a instalação “Ocupação Macia” no Museu do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e a performance “Incorporáveis” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A artista foi convidada para participar da “London Olympics Games Exhibit” no Barbican Centre. Em 2013, Maria fez a exposição individual ‘Acontecimento Encarnado’ na galeria Anita Schwartz, no Rio de Janeiro, foi selecionada para o concurso público de arte na Fundação Getúlio Vargas, RJ, e show ‘Bordalianos do Brasil’ na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. Depois de completar a Residência Unlimited, NY, EUA em 2014, foi premiada com o NY Embasy Prize e Award em NY por sua exposição individual na Storefront For Art And Architecture, NY, EUA, que fazia parte do Ideas City Festival – New Museum NY. No ano de 2016, Maria fez a exposição individual, Spaces and Spetacles, na Wilding Cran Gallery, em Los Angeles. Em 2017, a exposição individual intitulada Máquina Devir no Oi Futuro do Rio de Janeiro e foi selecionada para o programa Pacif Standart Time, com uma exposição em Los Angeles. Em 2018, Maria participou de algumas exposições, como a TRIO Bienal e a Coleção de Mulheres do Museu de Arte do Rio – MAR.

Formação

2008

– Mestrado em Belas Artes, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

2007

– Pós-Graduação em Belas Artes, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

2006

– Graduação em Desenho Industrial, Univercidade, Rio de Janeiro, RJ

Exposições individuais

2016

– “Sensorial Fictions”, Blau Projects, São Paulo, SP

2015

– “O Grande Campo”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

– “Ocupação Macia”, Storefront For Art and Architecture at Ideas City Festiva, New Museum, Nova Iorque, EUA

– “Aforismas”, Rizomas e Selvageria, Anita Schwartz, Rio de Janeiro, RJ

– “Fugidia e Experiência Enganosa”, Kubik Gallery, Porto, Portugal

– “Spare Fragmented Jungle”, Blueshift Project, Miami, EUA

2014

– “Time is Never Past Nor Present”, curated by Sarah Crown, Spazio 522, Nova Iorque, EUA

– “Becomings – Bathroom Project”, Rooster Gallery, Nova Iorque, EUA

– “Roda Viva”, Roberto Alban, Salvador, BA

2013

– “Acontecimento Encarnado”, curadoria de Ligia Canongia, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro, RJ

– “Ocupação Macia”, Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG

2012

– “Orgão sem Corpo”, Galeria Marília Razuk, São Paulo, SP

– “Ocupação Macia”, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ

– “Incorporáveis (performance)”, Museum of Modern Art, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “W4”, Galeria HAP, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Devirneando”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ

2006

– “Retalhos”, Galeria Candido Mendes Ipanema, Rio de Janeiro, RJ

2005

– “Immanência”, Galeria Tarsila do Amaral, Rio de Janeiro, RJ

Exposições coletivas

2014

– “Immediate Female”, Judith Charles Gallery, Nova Iorque, EUA

– “Cake, Dolls, Gift Bags and Other things”, Radiator Gallery, Nova Iorque, EUA

– “The Playground Of The Fantastical”, Galerie Protégé, Nova Iorque, EUA

– “This Exhibition Has Every Thing To Go Wrong”, Abrons Center, Nova Iorque, EUA

2013

– “Bordalianos do Brasil”, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

– “Aproximações Contemporâneas”, Roberto Alban Galeria, Salvador, BA

– “Videoarte 2013”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

2012

– “Algum de Nós”, Galeria Marília Razuk, São Paulo, SP

– “Somatório Singular”, curadoria de Cristina Burlamaqui, Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG

2011

– “Bienal Vento Sul”, curadoria de Alfons Hug, 6º Bienal de Curitiba, Curitiba, PR

– “Incorporáveis”, SP Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP

– “Zona Oculta”, SESC and Centro Cultural Justiça Eleitoral, Rio de Janeiro, RJ

– “Black Tie”, Galeria BNDES, Rio de Janeiro, RJ

– “Esculturas Flutuantes”, Tocayo, Galpão da Arte e Cidadania, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “] entre [“, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Corespaçoforma performance”, SESC, Píer Mauá, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Estranho Cotidiano”, Galeria Movimento, Rio de Janeiro, RJ

– “Corespaçoforma performance”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

2008

– “Nova Arte Nova”, curadoria de Paulo Venâncio Filho, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “59 Seconds”, Video Festival, Landmark Bergen, Noruega; Kunsthall Gallery, Nurtingen, Alemanha; ARTPROJX, Londres, RU

– “SPACE”, Londres, UK; University of Texas Austin, Texas, EUA

– “Condensation”, Decima Gallery, Londres, RU

– “Crouch End Open Studios”, The Town Hall, Londres, RU

– “Exposição Coletiva”, Galeria Virgílio, São Paulo, SP

– “Abre Alas 2008”, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Post-Graduate Final Show”, Chelsea College of Art & Design, Londres, RU

– “Inauguração Galeria do Conveto”, Galeria do Convento, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ

– “Group Exhibition”, Salon Gallery, Londres, RU

2006

– “Arquivo Geral”, curadoria de Paulo Venâncio Filho, Centro Helio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ

– “Conexão Contemporânea”, FUNARTE, Rio de Janeiro, RJ

2005

– “Acessos Possíveis”, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

– “Evento Pirata”, Grupo Py, intervençao balsa de Niterói, RJ

– “Conexão Contemporânea”, FUNARTE, Rio de Janeiro, RJ

Salões e prêmios

2016

– Residência no ESXLA Residency Program LA, USA

2015

– Premiada com uma exibição individual no, Storefront for Art and Architecture pela Embaixada Brasileira, Nova Iorque, EUA

2013

– Residência na Residencie Unlimited, Nova Iorque, EUA

– Selecionada para uma comissão de Arte Pública, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, RJ

2012

– Artista convidada pelo comitê de organização da London 2012, Creative Cities, Barbican, Londres, RU

– Residência Bordalo Pinheiro, Lisboa, Portugal

– Comissão de frente da escola de Samba da Pimpolhos Grande Rio, Sapucai, Rio de Janeiro, RJ

2010

– Prêmio Marcantonio Vilaça, Funarte, Brasil

2009

– 63º Salão Paranaense, Museu de Arte Moderna, Curitiba, PR [Artista convidada]

2008

– Jerwood Drawing Prize, Jerwood Space, Londres, RU

2007

– 13º Salão da Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil

2006

– “Novíssimos”, Galeria IBEU Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil

– Salão de Arte de Ribeirão Preto, MARP, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

2004

– Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, PA, Brasil

Coleções públicas

– Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, Brasília, DF

– Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, Rio de Janeiro, RJ

– Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ

– Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói, RJ

– Committee for Olympic Fine Arts 2012, Londres, RU

– BGA collection (Investment Fund), Brasil

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Entrevista com Maria Lynch – transcrição | Prêmio PIPA

Eu ia fazendo tudo como se fosse artista, mas eu não conseguia me ver como artista, então desde pequena eu tinha aula de arte na escola, quando eu estudava na Escola Parque, e tinha um professor que eu amava, que se chamava Rubinho e que me dava aula em casa, e que aí foi quando esses outros elementos vieram, fazer bichos de papal macher, eu adorava. E sempre fui uma péssima aluna, então talvez isso já indicasse a minha veia artística (risos).

nasceu no Rio de Janeiro, onde vive atualmente

Meu trabalho tem toda uma história, acho que se pode falar da trajetória do trabalho que começou na fotografia, há muito tempo atrás, e eu estava interessada nas composições do lugar abstrato, da fotografia de lugares do mundo. Entre o abstrato e o figurativo, uma coisa que tava sempre num lugar estranho.

Daí eu fui investigando esse lugar, que me interessava, de trazer essas composições pra pintura, e aí entra outras questões da matéria e da tinta. Depois eu fui morar em Londres, fui fazer mestrado e comecei a investigar um lugar tridimensional pra essas formas, me interessava trazê-las pro mundo, até porque elas tinham essa característica lúdica, meio fantástica. Já virava uma pintura instalativa junto com todos esses outros elementos.

também trabalha com performance e esculturas de tecido

Eu falo da figura, entra nessa narrativa falando desse lugar, que tem sempre uma estranheza, continuo com essa brincadeira do amorfo, essas figuras normalmente tem, também, esse elemento estranho.

tem obras no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói

Olha tenho uma boa relação com o mercado. O mercado tem uma coisa que eu acho que você não tem que ver isso como um reflexo do seu trabalho, mas é muito bom poder viver do seu trabalho, então eu não vejo problema nenhum nisso. E acho que esse reconhecimento também é via mercado, acho que uma coisa leva a outra, por exemplo, eu tenho uma galeria, cuido disso.

planos: esculturas sobre rodas

Tenho um projeto que está em desenvolvimento, de uma coisa meio robótica, só que é caro, não posso fazer. Aí eu fiz uns carrinhos bate-volta que carregam as esculturas. Ás vezes, a pintura tem umas coisas que são mais de pintura, e de repente eu to mais na produção de um projeto, ou estou com a minha costureira, lavando coisas novas que eu to fazendo pras esculturas… É assim, é lindo e caótico ao mesmo tempo.

Fonte: Premio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Aparências que não enganam | Site Maria Lynch

Se traçássemos uma esfera de referências para a obra de Maria Lynch, no espírito das colagens livres e anacrônicas de Aby Warburg, poderíamos navegar pela história clássica, moderna e contemporânea, seguindo diferentes associações, imediatas e plausíveis. Assim, da Vênus de Botticelli ao fauvismo de Gauguin; da simplicidade de Rousseau às cores fortes e sensuais de Matisse; das construções absurdas de Arcimboldo aos signos lúdicos de Miró, ou mesmo, mais recentemente, das figuras exuberantes e híbridas de Janaína Tschäpe à imaginação infantil de Donald Baechler, poderíamos compor uma vasta gama de insinuações históricas a serem reinterpretadas nas pinturas, esculturas, fotografias e vídeos de Lynch.

O objetivo de revisitar essa lista desconexa é revigorar a memória sempre presente do passado que sempre informa e é reinstaurada no mundo contemporâneo, como reconhecido por pessoas pós-modernas. E, afinal, do corpo expandido das referências que mencionamos subtrai-se um repertório comum que toca, simultaneamente, todas elas: cromatismo intenso, contornos claros, imaginação primitiva ou inconsciente, formas simples e louvor à natureza. Estamos falando, portanto, de uma família, de afinidades que cercam a produção de Maria Lynch e que criam em sua obra um elo no fio da história.

A artista, no entanto, impõe particularidades individuais que a personificam e a diferenciam de seus pares do passado. A começar pela intensidade cromática abusiva, com contrastes muito chocantes, em superfícies e formas que, no entanto, se combinam sem qualquer conflito. Uma figura de cabelos roxos pode sair de uma vestimenta completamente azul e redonda, imersa em um fundo laranja plano, e permeada por plantas em vários tons de verde e vermelho. Assim, a pintura de Lynch é, antes de tudo, potência cromática.

Sua iconografia, por outro lado, foca em certos elementos recorrentes, como o corpo feminino, paisagens, formas orgânicas e objetos urbanos cotidianos. Diz-se que as figuras da artista, num processo resultante do pós-modernismo, incluem, além dos elementos naturais, a cidade, o computador, a publicidade, os estereótipos e a indústria. No território de Maria Lynch, tudo parece ser uma fabulosa agregação de realidade e ficção, em narrativas não lineares, cujos acontecimentos não passam de vislumbres de situações e personagens impossíveis. Tudo é curvo, redondo e tátil: um mundo onde não se encontra nenhuma linha reta, onde as coisas se entrelaçam, se fundem, se engolem ou se expulsam umas das outras.

Nas pinturas atuais de Lynch, uma figura feminina insiste em “aparecer” por sua ausência, como um fantasma ou uma figura branca vagando acima ou abaixo dos campos de cor, à parte das pinceladas ao seu redor. Inacabada e incorpórea, a figura, no entanto, é capaz de vencer o cromatismo explosivo que a cerca, impondo-se aos olhos do espectador como um catalisador absoluto. A única imagem “apagada” do quadro torna-se quase soberana, como se sugerisse o paradoxo de uma personagem ao mesmo tempo protagonista e secundária, ou alguém que lutava para se destacar em meio a uma atmosfera dominadora. Em obras maiores, a maioria das quais apresenta um fundo preto, o corpo feminino vazio parece ainda mais imaterial ou incongruente, dada a presença contígua de muitas outras formas densas circulantes contrastando com a escuridão do fundo.

Também presentes na exposição, as esculturas de Maria Lynch revelam semelhanças com suas pinturas; em trabalhos anteriores, ela já havia criado caroços e volumes saindo da superfície plana, em trabalhos que classifica como “pinturas espaciais relacionadas à arquitetura”. A textura da tinta, que se tornava cada vez mais densa, e as próprias formas coloridas, que se combinavam em diferentes planos e profundidades na tela, anunciavam um salto para o mundo real. Lynch parecia prever a demanda desses eventos por uma expansão física maior, como se os personagens e manchas de cor pedissem contato direto com o mundo.

Em 2009, ela começou a criar esculturas usando pedaços de tecido acolchoado e espuma costurados uns sobre os outros em aglomerados delirantes, como se introduzisse uma espécie de surrealismo tropicalista. Expostos no chão, nas paredes ou por meio de performance, esses seres assumem, por um lado, a narrativa ingênua de contos de fadas ou filmes de animação, mas, por outro, uma atmosfera terrível de seres vivos, feras ou monstros ameaçadores e desconhecidos. A cor, no entanto, continua central em suas construções, mantendo a artista sempre focada no universo da pintura, como aconteceu antes com as esculturas de Miró, Calder, Dubuffet e Oiticica, que mantiveram o espírito lúdico e onírico da cor no volume e no espaço.

A obra-prima desse tipo de articulação foi criada em 2012, quando Maria Lynch fez uma grande instalação no Paço Imperial, Rio de Janeiro, ocupando pisos, paredes e teto com tecidos acolchoados, num emaranhado intrincado e caótico de objetos e cores, onde o espectador era lançado em uma experiência sensorial surpreendente. Uma mistura de brincadeira infantil e experiência sexual, com toques de ingenuidade, medo e pornografia, a instalação lembrava tanto o Carnaval quanto filmes de terror.

O imaginário de Maria Lynch se encaixa de forma muito coerente em diversas mídias e, nesta exposição, ela também apresenta uma videoperformance em que se movimenta desordenadamente pegando e vestindo pedaços de tecidos acolchoados, vestindo-os como próteses, até se tornar mais uma personagem em seu próprio país das maravilhas. O vídeo se passa na casa onde a artista nasceu e passou a infância, evocando traços de memória afetiva, que interessa e permeia todas as suas obras.

Com uma poética beirando o gênero fantástico e fazendo parte de um universo povoado por entidades inusitadas e amorfas, Lynch subverte sistemas estabelecidos de lógica e o discurso da racionalidade, ao mesmo tempo em que camufla a acidez crítica de sua obra com elogios festivos à cor e uma máscara lúdica de “brinquedos”. Toda a obra parece, afinal, assemelhar-se às mulheres brancas vazias da pintura, aquelas que simultaneamente expõem e ocultam afirmações, que dizem o não dito.

Fonte: Site Maria Lynch, "Aparências que não enganam", texto de Ligia Canongia. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Com pintura, Maria Lynch cria narrativas fantásticas | O Globo

A casa cinza de porta vermelha, em uma escondida rua no Horto, desperta curiosidade de quem passa. Nesse cenário, ao som de jazz, Maria Lynch está descalça, com um avental preto repleto de pinceladas, deixando claro o que faz ininterruptamente no ateliê: pintar livremente. Parte da produção está em “Infinitos, pinturas recentes”, mostra que celebra os 20 anos de carreira, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia. “É uma oportunidade de olhar para o passado como uma totalidade, uma instância, tudo precisa ser percorrido, os dissabores e as conquistas”, diz a artista, de 43 anos.

A exposição reúne um recorte de sua produção recente, uma seleção de obras produzidas de 2021 até os dias de hoje. “Representa o momento no qual o trabalho da Maria ganha em maturidade e estrutura. A articulação poética em torno da cor e da forma se apresenta fortemente construída, expressiva e sensível”, destaca o curador, Evandro Salles.

No Brasil, o trabalho de Maria integra os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MAM-Rio, do MAR e do MAC Niterói; além de colorir casas cariocas, como a da colecionadora Cristina Burlamaqui, que lhe acompanha desde o início de sua trajetória. “Maria mantém um corpo a corpo com a pintura, com lirismo e uma alegria sensual”, define Cristina.

A linguagem e a sensibilidade da artista também encantaram a influenciadora digital Silvia Bráz, que dedicou lugar de destaque em seu novo lar no Rio para uma de suas telas: “Queria um trabalho que se conectasse com o estilo carioca. Na hora que vi, disse: ‘É esse o quadro que quero’. Sou eu ali. Tem o meu olhar para a vida: colorido, alegre, vibrante! Quando postei nas minhas redes, todo mundo queria saber de quem era aquela pintura. Uma obra que rouba a cena.”

Fonte: Jornal O Globo. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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A intensidade cromática de Maria Lynch | Centro Cultural Justiça Federal

A essência de Maria Lynch, artista visual de arte contemporânea, está nas paredes das galerias do 1º andar do Centro Cultural Justiça Federal. As telas, cheias de personalidade e cores, se reúnem para montar a exposição Infinitos - Pinturas recentes de Maria Lynch, que fica no CCJF até o dia 16 de fevereiro de 2025. Abaixo, uma conversa com a artista sobre carreira, processo criativo e as obras da mostra.

CCJF: Como foi o processo criativo de produção das 20 obras selecionadas para a exposição Infinitos - Pinturas Recentes de Maria Lynch? Todas elas são pinturas em telas, de diferentes tamanhos e formatos? Haverão obras inéditas?

Maria Lynch: Exato, todas elas são pinturas, de diferentes formatos. Quase metade das obras da exposição Infinitos, que está no Centro Cultural Justiça Federal desde o dia 9 de novembro de 2024, são totalmente inéditas. Na nova série chamada “Fragmentos”, comecei desconstruindo mais esses campos de cor e imagem.

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Sobre o tema, um complemento. De acordo com texto de divulgação sobre o trabalho recente, enviado pela artista para a equipe de Comunicação do CCJF, Lynch “cria cenas e lugares improváveis, imagens fragmentadas que remetem a situações impossíveis. Com uma intensidade cromática em que o fantástico abre espaço para acessos do inconsciente. Através da fissura do absurdo, um mundo onde tudo é tátil e curvo. ‘Fragmentos’ permite a evocação desses espaços, tanto da memória como da percepção de mundo. São estados impermanentes, onde é possível desconstruir os códigos e o pré-estabelecido.

A obra se constrói a partir da intercessão com o outro, a permissão de deixar essa obra atuar nos campos sutis. Tanto no corpo como no imaginário, as formas vão surgindo através da remota percepção de si e de suas fantasias ali projetadas”.

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CCJF: Ao completar 20 anos de carreira nas artes visuais, certamente é natural pensar em como foi seu processo de construção como artista. Qual a maior lição aprendida nessas duas décadas?

ML: Sim, é um grande percurso, entre estudar, fazer pós e mestrado em Londres, residências artísticas várias, uma que inclusive me fez passar 4 anos em Nova York.

Poderia fazer uma metáfora sobre o que aprendi nesses últimos 20 anos de vida, porque temos uma oportunidade de olhar para o passado e ver tudo como uma totalidade, uma instância — tudo precisa ser percorrido, os dissabores e as conquistas, essas últimas nos alegram mas não podemos esquecer quando estamos vivendo os momentos desafiadores pois aquilo vai te levar para algo mais potente.

A construção do processo artístico é pensando junto a existência, ela se faz em cada instante, no decidir fazer, são acontecimentos encarnados que eu brinco.

CCJF: O que o público pode esperar da mostra Infinitos? Sabemos que arte é subjetiva, pessoal e interpretativa, de acordo com a experiência e olhar de cada um. Porém, é possível citar uma identidade única na qual o público poderá perceber no conjunto das obras?

ML: Sim, acredito muito na função da arte como um lugar de transformação; um encontro que impacta e adentra o outro de forma sutil e sensível. No caso do meu trabalho, a ideia é fazer com que a pessoa pelo menos sinta que ela está para além do ser da civilização, que nos afasta do que somos...argamassas de sensações e devires talvez defina um pouco mais essa nossa experiência de vida. Enquanto isso, ficamos tentando caber em algo que nos determina, mas não somos seres determinados, onde habita o mistério e desconstrução de si.

CCJF: No texto do curador Evandro Salles, por exemplo, ele interpreta suas obras como uma "arquitetura orgânica", na qual cada cor/coisa existe para completar a outra, até as ausências fazem sentido. Ele intitula essa ideia como "estrutura do mundo". Segundo Salles, “as coisas se interpenetram, são indissociáveis, se diluem umas nas outras. Se articulam nas suas falas, nas suas vozes. Tudo fala. Tudo é linguagem." Você compartilha dessa visão?

ML: Exatamente, Evandro fala sobre isso através de metáforas, eu que já perdi um pouco o pudor e já estou me refiro a essa essência de forma mais objetiva, tentando usar a linguagem.

Fonte: Centro Cultural Justiça Federal. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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A palco dobra, rizomas e selvageria | Entrevista

LD: O título desta exposição – The Fold Stage, Rhizomes, and Savagery – é muito eloquente. O palco está presente como um limite entre a realidade e a ficção; o rizoma evoca uma espécie de resistência ao esquema hierárquico na construção do conhecimento. Tentando ir passo a passo, a selvageria está presente no encontro desavisado entre uma estética quase kitsch, um apelo a um universo infantil e o registro da feminilidade e do erotismo. Conte-nos um pouco sobre como o título traduz ou acrescenta significado ao que podemos ver na exposição.

ML: As referências a Deleuze, como o rizoma e a dobra, são ideias que giram em torno do tipo de contágio que me interessa. Meu trabalho atravessa tudo isso; uma coisa evocando outra da multiplicidade, singularidade e sinestesia. Em todos os títulos das minhas exposições, desde a individual para a qual você escreveu um texto (Retalhos, Galeria Cândido Mendes, 2006), faço referência a Deleuze, porque acho que ele é o filósofo que mais ressoa com o meu modo de pensar, influenciado pela ideia do pensamento de fora. O registro emocional é central. Carnaval, festa, excesso, abundância, prazer; tudo isso contamina meu trabalho. A alegria é a força primária. Crio uma lógica de espanto por meio de uma celebração de cores inebriantes. Uma ficção se instala e me permite romper com as condições de ideias preestabelecidas. Trata-se de conduzir o imaginário, o palco, a cena, a ilusão, a dobra no tempo, que é essa lacuna no espaço-tempo que o cinema e o teatro estabelecem. Aqui, o que quero aludir é à ideia de duração da obra do filósofo Henri Bergson.

LD: A experiência de imersão proposta para esta exposição é acompanhada pelas pinturas, que em tese demandam um tempo mais amplo para sua contemplação. Como você vê a concordância do tempo de ação provocado pela instalação, que exige algum tipo de interação com o espectador, e a demanda mais lenta e atenta das pinturas? O uso de pipoca cobrindo o chão do espaço expositivo indica não apenas uma relação entre suas obras e questões da infância, mas também uma alusão ao mundo do cinema, não é? A ideia é que os espectadores absorvam seu trabalho como se estivessem percorrendo um espaço fictício?

ML: Eu intencionalmente coloco a pipoca e as pinturas em contato uma com a outra. Isso se desenvolve em um registro ridículo que me agrada. É uma combinação estranha, e coloca em questão a postura de quem está vivenciando a obra. Imagino as pessoas deitadas na pipoca em vez de comê-la, rindo, olhando para as pinturas como cenas congeladas, e talvez até se vendo nelas. Essa amplitude da pintura é algo que me interessa. É sobre desencadear pensamentos através dos sentidos. Acho que pensamos com o nosso corpo. Acredito que para pensar funcionar você tem que ter encontros e tem que ser um pouco abalado. É sobre pensar como potência.

LD: BarbieMe consiste em cinco bonecas em tamanho real – da mesma altura que você – com um corpo de Barbie, mas “seu” rosto. São figuras que novamente trazem à mente a infância, mas também a feminilidade, o movimento, a dança. Conte-nos sobre esse trabalho, que você idealizou no último minuto para esta exposição.

ML: Sim, são Barbies “reais”, por assim dizer. Eu me personifico. Eu, a artista, me transformo no trabalho. Ele contém uma série de referências e críticas: eu, uma artista plástica, a boneca. Barbie personifica as mulheres idealizadas, uma questão que venho abordando há algum tempo em referência a esses fantasmas, essa conspiração por um ideal, mas ao mesmo tempo há a artista, que aproveita seu próprio potencial e se coloca no lugar da Barbie, invertendo os papéis. É a arte como um meio para apontar para onde a arte em si está indo. É uma crítica e uma declaração ao mesmo tempo.

LD: Maria, seu trabalho passou por diferentes fases nos últimos dez anos. De pinturas gestuais, que transitavam entre abstração e figuração, você passou para uma produção pictórica em que as figuras se tornaram muito mais claras e as cores ainda mais estridentes. Mais recentemente, seu trabalho começou a ocupar mais espaço, com esculturas e instalações de natureza imersiva. Conte-nos um pouco sobre como essa série de transições surgiu e qual fio condutor une as pinturas e as coisas que você expressa em outras línguas.

ML: Essa ramificação da necessidade de criar uma espécie de abrigo imaginário, um universo próprio, para afirmar minhas dúvidas e as entidades que me dão um grau de prazer. Meu trabalho gradualmente assumiu essa rota de "desdobramento" e múltipla. Primeiro, descobri que podia criar esse campo na pintura, depois esse espaço penetrou na esfera física. Fiquei mais interessado no alcance dos sentidos, como o corpo é afetado, o que estimula ideias. Nesta exposição, estou explorando ambos: pintura instalacional e elementos imersivos que criam esse território de experiência.

LD: Em suas primeiras pinturas, a paleta de cores costumava ser mais sóbria, com tons suaves. Em seu trabalho mais recente, você está claramente escolhendo cores mais brilhantes e vibrantes que chamam a atenção com força. Como você vê essa transição cromática em suas telas? Você não acha que há uma dimensão hiperextrovertida que pode até causar uma sensação de estranheza ou aversão por parte do observador? Exatamente quais efeitos você está procurando quando vai a um extremo cromático?

ML: Essa ambiguidade e aversão são duas das principais reações que busco. As cores contêm o poder do contraste e da estranheza; elas geralmente não combinam bem, mas não perdem sua vibração. Em grande parte, isso vem da maneira como fui influenciado pelo meu uso de tecido para fazer as esculturas.

LD: Memória, retorno à infância, a dimensão lúdica, a perversão do racionalismo em um palco amplo que flerta com o surrealismo são todos elementos que permeiam seu trabalho como um todo, e esta exposição em particular. Conte-nos sobre sua obsessão por assuntos como infância e memória.

ML: Para responder à sua pergunta, tenho que me referir a Deleuze, cujo trabalho marcou minha vida e minha carreira. Eu realmente me identifico com a ideia de nomadologia, uma espécie de "transvaloração". Desde pequeno, sempre duvidei dos edifícios da racionalidade e da lei, da cultura, do estado, e isso significa que minha resposta emocional se tornou meu guia. Esse fio condutor tem uma forte conexão com a liberdade da infância, um tempo que precede o tempo em que nos tornamos seres disciplinados. Acho que isso está no meu trabalho. Não há identidade, mas há devir. Sempre tento manter esse tipo de ambiguidade e evitar respostas claras.

LD: Alguém escreveu uma vez que seu trabalho poderia ser associado às cores de Matisse, ao registro fauve de Gauguin e, para mencionar um nome mais próximo, às figuras híbridas de Janaina Tschape. Quais são as influências mais importantes em seu processo criativo?

ML: Todos os nomes que você menciona têm uma liberdade que me interessa, seja em suas cores, na fantasia ou em sua abordagem lúdica. Cada artista cria seu caldeirão de assuntos e associações. Normalmente, me identifico com trabalhos que realmente têm mais a ver com uma ficção radical e que combinam uma diversidade de tópicos, como os de Pierre Huyghe, Matthew Barney, Alejandro Jodorowsky (cineasta), Brian Eno e Coco Rosie (músicos).

LD: Hoje, a arte contemporânea está passando por um período em que está fortemente associada ao contexto social e político mais amplo. Como você vê seu trabalho nesse contexto, em que o que você faz se afasta tanto de quaisquer referências à "realidade"? Sabemos que a arte pode ser política sem necessariamente aludir a um "tópico" político. Mas, de qualquer forma, acho que é algo que vale a pena refletir.

ML: A maneira como entendo a política — e o que realmente me interessa — é que a política pode fazer você pensar sobre como se governar. A cultura em que vivemos hoje é um projeto falido. Em vez de produzir guerreiros, ela produziu seres domesticados e obedientes, o que não me interessa nem um pouco. Política é algo bem diferente para mim. É sobre acumular força. É a criação de um novo modo de vida errante e nômade, ou como você quiser chamá-lo. Aqui estou criando meus próprios aforismos audiovisuais e nutrindo meus prazeres, pensando em como não ser pego por uma consciência culpada (neurose), que é produzida lá fora. Para Nietzsche, a destruição é uma pré-condição para a criação.

Fonte: Maria Lynch. Texto de Luisa Duarte, curadora independente e crítica de arte. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Uma profecia da cor por Maria Lynch | Prêmio PIPA

É assim que o curador, Marc Pottier descreve a mostra da artista carioca Maria Lynch. Ela trabalha com cores puras, jogando sobre as justaposições de áreas coloridas cores quentes e frias, criando um contraste que resulta em composições marcantes. A artista leva o espectador para o ritmo de ressonâncias que querem modificar seus estados psíquicos.

A exposição contém 20 obras de Lynch feitas de 2018 e 2019 – pintura acrílica sobre tela -, de estética colorida, rica em contraste e de composições marcantes, elementos usuais na produção da artista. Em “Talismã”, o visitante se torna protagonista de uma realidade enquadrada. Questionada sobre sua principal inspiração para esta individual, Maria Lynch comenta: “São várias áreas de interesse e convergência. A pintura por si, por exemplo, o ato de pintar, o ato de criar um mundo imaginário, onde eu coloco uma elaboração simbólica desses signos que nos afetam. Ou seja, são afetos em forma de pintura. São pluralidades que me transformam, são máquinas-desejantes [em referência a Deleuze e Guattari], atualidades das possíveis corporeidades”.

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

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Conheça um pouco da carioca Maria Lynch uma das artistas mais potentes da sua geração | Ze Ronaldo

Maria Lynch é carioca. Cresceu no Rio de Janeiro e vivia tranquila como qualquer garota da sua geração. tinha guardada dentro de sim uma força artística pronta para eclodir. Quando deparou-se com o mundo da arte o que estava em ebulição começou a sair e daí não parou mais. Hoje é uma das artistas mais potentes de sua geração.

Conversamos um com ela que nos contou como explodiu essa avalanche de talento.

1) Você lembra o que despertou em você à vontade de fazer arte?

Eu fui estudar francês quando tinha 18 anos em Paris, e como tinha as tardes livres depois das aulas, ia para o Louvre, afinal teria seis meses para conhecer o museu todo. Quando vi os estudantes de arte desenhando, comprei o material e me juntei a eles, assim passei seis meses de todas as tardes.

Um dia uma amiga que foi me visitar, falou para irmos ver a exposição retrospectiva do Surrealismo que estava ocorrendo no Centro George Pompidou, por sorte ela conhecia muito de história da arte e ia me explicando, essa exposição foi uma ruptura para eu perceber que minha cabeça andava no lugar certo, um certo mundo inventado de fábulas e absurdos, onde a fantasia e um olhar estranho a realidade que eu precisava de alguma maneira contar e afirmar. E foi assim que eu comecei a contar um pouco sobre o meu olhar.

2) Quando você começou a pesquisar o formato do seu trabalho?

Eu comecei desenhando, depois fui estudar fotografia. Quando comecei a pintar, algo me dizia que só iria poder configurar essas histórias em grandes escalas, as primeiras telas já tinham 160 x 180cm, daí foram só crescendo, a maior que fiz foi um painel gigante de cinco metros de altura para Fundação Getúlio Vargas.

3) Você retorna as suas pesquisas ou você as esgota?

Normalmente sempre volto a alguns pontos, mesmo depois de esgotá-las.

4) O que é mais importante para você a cor ou a forma?

Eu diria que os dois têm a mesma proporção de importância, pois uma depende da outra para surgirem. Não existe uma hierarquia, pois realmente na minha pintura uma não conseguiria surgir sem a outra.

5) Como é o seu processo criativo?

Quanto mais ausente eu estiver de pensamentos, quando não estou buscando nada, é que surgem as maiores ideias de trabalho. Existe um estímulo de pensamentos que são constituintes do processo, mas não são eles que geram insights. Meu processo é bem anárquico hoje, já atravessei diversas formas diferentes de crença e experimentações de processo criativo, até curso de processo criativo. Trabalhar exaustivamente, ler tudo, estudar tudo, ver tudo, fotografia, viajar com caderno e desenhar tudo que me interessava. Mas foi estudando filosofia ( filósofos chamados da diferença) num período que deve ter durado dez anos, onde muitas ideias de trabalho surgiram, foi onde mais me debrucei conceitualmente.

Hoje me alimento muito da prática zen, estar no presente como matéria fundamental, esvaziando a cabeça de pensamentos o máximo possível. Assim eu me sinto mais plena, integrada, e como a obra é essa extensão do que somos, esse hoje é meu processo criativo.

6) O abstrato tem muito espaço nas suas obras quais são suas referências neste momento?

acho que acabei respondendo à pergunta acima.

7) Como foi a experiência no Chelsea College of Art?

Nossa já faz tempo, eu era bem nova, foi fascinante morar em Londres aos 26 anos, uma experiência intensa e dolorida ao mesmo tempo. A faculdade era incrível, muita troca com gente do mundo inteiro, palestras fascinantes foi muito enriquecedor.

8) O que você tem feito nesse tempo de pandemia?

Eu fiz uma série de pinturas para uma exposição na Galeria Karla Ozório. A ideia para o projeto, surgiu de um isolamento radical, onde fui parar numa fazenda no meio do mato e por lá fiquei dois meses Um dia numa mistura entre surto e transe, passei um dia inteiro catando galhos, virou uma obsessão e uma espécie de mantra. Acho que juntei uns mil galhos, depois fiquei desenhando eles, depois até que resolvi queimar tudo na fogueira.

Quando voltei pro atelier, viraram pinturas.

10) Quais são seus próximos passos?

Neste momento, tenho alguns convites para diferentes projetos, vamos ver o que acontecerá no mundo no próximo ano.

Fonte: Ze Ronaldo, publicado em 10 de fevereiro de 2021. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

Crédito fotográfico: Times Brasília. Consultado pela última vez em 13 de fevereiro de 2025.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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