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Oscar Araripe

Oscar Araripe Ferreira (Rio de Janeiro, RJ, 19 de julho de 1941), mais conhecido como Oscar Araripe, é um escritor e pintor brasileiro. Paisagista, marinista, realista e subjetivo, Oscar Araripe possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome, sediada em Tiradentes, MG, onde também possui galeria pessoal. Em sua obra, destacam-se Pilares, de 1200 imagens; seus bico-de-pena sobre Tiradentes, Ouro Preto, Bahia e Ceará; seus eróticos; e seus Jarros de Flores. Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais.

Biografia - Itaú Cultural

Na década de 1960, estuda na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro; frequenta seminários na Harvard University, Estados Unidos, com bolsa da Interamerican University Foundation; e faz curso na Universidade Pró Deo, Itália. Após longa carreira como escritor, tradutor, crítico de teatro, editorialista cultural, colunista e redator, começa a pintar como autodidata usando papel vegetal e tela sintética (vela náutica). Em 1975, participa do evento Poemação, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1994, abre ateliê e galeria pessoal em Tiradentes, Minas Gerais. Expõe no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1992; no Museu Regional de São João del Rei, Minas Gerais, 1995; entre outros. Em 2002 abre nova galeria pessoal na Cidade Histórica, em Porto Seguro, Bahia, onde passa também a residir.

Fonte: OSCAR Araripe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 31 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Curriculo

Com residência, estúdio, galeria e Fundação em Tiradentes, Minas Gerais, Oscar Araripe nasceu na Tijuca, Rio de Janeiro, em julho de 1941. A mãe cearense e o pai gaúcho logo foram morar no bairro proletário do Encantado, onde o pai, médico, e a mãe, professora, exerciam suas profissões.

Desta época o autor lembra os ecos rudes da guerra - a difteria, o carro a gasogênio, o começo da miséria que há muito se abatia sobre os povos do mundo. Logo, porém, descobre as alegrias de uma meninice solta e suburbana, ao lado de belas fruteiras e morros e campos de futebol. Ali, naqueles quintais, aprende os ventos pelas pipas, o gosto da fortuna aliado à audácia, a sociabilidade independente, a grande beleza do pequeno. E do grande. A inexistência de ambos. O universo na bola de gude. Lê Júlio Verne, o Robin Hood, o Robinson Crusoé, Os Três Mosqueteiros, os heróis dos quadrinhos americanos. “Os mais belos quadros eu vi nos “comics” e nas figurinhas da bala Ruth”. “Aprendi minhas pinceladas fazendo e soltando pipa”. “Minha imaginação nasceu com o Carnaval do Rio de Janeiro, com os balões de São João dos subúrbios cariocas”. – iria mais tarde dizer.

Depois, subitamente, os pais mudam-se para Ipanema e Oscar Araripe pula das pedras do Arpoador, frequenta a Praia do Diabo e toma chope no Jangadeiros. É a Ipanema de antes da Garota: os anos 60, e a política que parece tomar conta de tudo, parecendo poder salvar a própria vida. O autor entra para a Faculdade Nacional de Direito. Sobrevém o golpe de 64. Faz parte do CACO-Livre. É cassado. Viaja aos Estados Unidos, como bolsista da Interamerican University Foundation, em 66 e 68. Freqüenta seminários em Harvard, e vivencia seu convulsionado campus. A América mesma está convulsionada: a guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis. Araripe interessa-se pelo Teatro. Escreve ensaio sobre o teatro americano contemporâneo, enfocando Tennessee Willians. Ganha viagem à França. Volta ao Brasil. Traduz Peter Brooks, O Teatro e seu Espaço, para a Editora Vozes. Adapta e encena, em Ouro Preto, com Maria Fernanda e Othon Bastos, O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Escreve O Enviado da Transilvânia, sátira para teatro em três atos. É punido pela Censura Federal em episódio que origina a Greve do Teatro. Interessa-se pela pessoa humana. Milita na AP e escreve o ensaio Breve Estudo Introdutório aos Personalismos, que lhe vale bolsa de estudos em jornalismo na Universidade Pró Deo, de Roma, Itália.

Aí escreve para publicações brasileiras. Viaja pela Europa. Organiza, com outros, passeata em Roma contra o AI 5. Encena Quando le canzione non parlano d’ amore, com Chico Buarque, Sérgio Endrigo e Sergio Bardotti. Volta ao Brasil, 1969. É crítico teatral, editorialista cultural, colunista, redator e repórter do Correio da Manhã, Última Hora e Jornal do Brasil. Edita, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação. É membro fundador da Sociedade Internacional de Educação Através da Arte (INSEA). Viaja a convite à Polônia, à Alemanha, à China. Publica China: O Pragmatismo Possível, pela Editora Artenova, alcançando grande sucesso. 1975 - É citado na Bibliografia do Novo Dicionário Aurélio. Deixa o jornalismo. Faz literatura. É verbete na Enciclopédia de Literatura de Afrânio Coutinho. Participa de Poemação, com Roberto Moricone, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Publica Maria na Terra de Meus Olhos, pela Editora Rocco, com prefácio de Antônio Houaiss e textos de Eduardo Portella e José Paulo Moreira da Fonseca.

1976 - Oscar Araripe passa a morar por 13 anos em Mirantão, Minas Gerais, Brasil.

1982 - Publica Marta, Júpiter e Eu, pela Editora Marco Zero, com prefácio de Márcio Souza. Dele diz Marcelo Rubens Paiva, em Veja, em agosto de 1983: "Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres".

1984 - Escreve Eu Promeu, o que Amazoneu, alentada prosa, finalmente com 450 páginas, e com a qual encerra sua trilogia literária. Como calígrafo e desenhista faz 12 "transcrições visionadas" de um imaginário poético do Brasil, a que chama Pilares. Nesta época conclui os Pilares Oui Xiang-Xing Oui, O Uaupés, o Areião, o Docodema, Um Dia de Noite na Caça ,o Ererê, o Sabuji, O Piauí da Paraíba, Um Dia de Noite na Caça, o Brasil é o Pau do Brasil, O Brasil Nunca Mais o Brasil e O Sol que Outrora Brilhou, totalizando mais de 1500 imagens.

1988 - Expõe na Galeria Olívia Kann, em Ipanema, Paisagens e O Pilar do Areião, apresentado por Jean Boghici.

"Coloquei sobre a mesa aqueles duzentos e tantos desenhos, feitos com uma incrível mistura de materiais - acrílica, pastel, tinta industrial, bico de pena, markers - sobre um inusitado papel vegetal. Fui passando um a um como páginas de um livro. Esta aproximação que faço com o texto não é absurda, afinal Oscar Araripe, autor e animador teatral, personagem de 64 e 68, autor de um livro de sucesso sobre a China e desde 1975 romancista, desenha e pinta um pouco como escreve, de um jorro só. E, devo confessar, foi uma viagem delirante como se, careta como sou, tivesse feito minha primeira viagem" - diz Frederico Moraes.

“Independente, recolhido, Oscar Araripe vem contribuindo para a renovação da pintura, tanto por seu traço e colorido original, espontâneo e inusitado, como pelo uso da tela sintética (vela náutica) e de estruturas tubulares como moldura e suporte, que lhe permitem expor continuamente ao ar livre e diretamente ao grande público “- diz Fernando Lemos.

São muito apreciados também seus bicos-de-pena e pinturas sobre papel vegetal e film laser.

Inaugurando novos espaços para a pintura, expôs em 91, em Brasília, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional e em 92, no Arpoador, no Rio, O Pilar do Uaupés, sob os auspícios da Rio Arte.

Seus painéis sobre Tiradentes, mostrados em abril de 1992, simultaneamente, no Museu da República, no Rio e no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, durante os festejos do Bicentenário, foram depois expostos no Museu Mineiro, em Belo Horizonte e no Fórum de Tiradentes.

Ainda em 92, expôs Pipas, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, e em junho, no Jardim Botânico, Extinção Nunca Mais, mostra incluída na UN-Eco/92 e vista por público estimado de 2 milhões de pessoas.

Em julho de 93, reinaugurando o Festival de Inverno de Ouro Preto, expôs Pipas da Liberdade, na Praça Tiradentes e, em dezembro, Natividade, na Igrejinha de Oscar Niemeyer em Brasília, onde podem ser vistas belas pinturas do grande pintor mineiro, Alberto da Veiga Guignard.

Ainda em 92 pinta Ouro Preto, expondo 16 telas na Fundação de Arte de Ouro Preto e na Villa Riso, no Rio.

"Ninguém pintou Ouro Preto mais bonito do que ele, tão radiante - e olha que não é fácil achar o brilho por baixo do peso da História" - diz Gustavo Praça, em Capinando o Rio.

Suas paisagens, flora, bichos e eróticos, e também suas transcrições visionadas vem merecendo a atenção de consagrados nomes da crítica, do jornalismo e da cultura, tais como Frederico Moraes, Jean Boghici, Alberto Beuttênmuller, Walmir Ayala, Augusto Marzagão, Luis Galdino, Milton Ribeiro, Marcio Cotrim, Fernando Lemos, Mario Margutti, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, João Bosco de Castro Teixeira, Rubens Araújo, Hélio Carneiro, Gustavo Praça, José Geraldo Heleno, Wilson Lima, Oyama Alencar, Palhares Jr., Cherlânyo Barros de Castro, Odail Gomes, Manuel Garcia Noriega e Vicente Botin. Sua obra literária foi analisada por Antônio Houaiss, Aurélio Buarque de Holanda, Eduardo Portela, José Paulo Moreira da Fonseca, Wladimir Palmeira, Miguel Paiva, Ricardo A. Setti e Márcio Souza.

Em 93 participa da exposição Seis Visões de Ouro Preto, na Galeria Spix & Martius, com Inimá de Paula, Carlos Scliar, Ivan Marquetti, Carlos Bracher e Fani Bracher.

"Suas posições, seu modo de vida, sua obra compõe um todo harmônico, a concorrer por certo para esse inusual e feliz transbordamento verdadeiramente fantástico, extraordinário, que sua pintura revela" - diz Wilson Lima.

Em março de 1993 abre Galeria pessoal em Tiradentes - MG, onde passa a residir. Em abril, durante o 7º aniversário da Funrei, expõe Tiradentes, o Animoso Alferes, em São João Del Rei. Em julho, abrindo o 7º. Inverno Cultural expõe Pipas de São João, em vários pontos da cidade.

Em março de 1995 realiza pintura interativa com as crianças de Tiradentes, durante a Jornada Cultural da UFMG, expondo O Dia e a Noite, ao ar livre, no Largo das Forras.

Em julho inaugura a mostra Tiradentes, a Animosa Cidade, no antigo Fórum, expondo 15 telas sobre a adorável grande cidadezinha.

Em dezembro do mesmo ano pinta São João Del-Rei, expondo 14 telas no Museu Regional.

Em 99 volta-se para o mar e pinta A Ilha Comprida, no litoral paulista, e San Simeon, na Costa Central da Califórnia, USA.

Em 2000 expõe A Dança do Tamanduá-Bandeira, ganha o World Art Award of Excellence, da ArtSpace2000, é convidado como expositor no World Art on Paper 2000 Festival, em Kranj, Eslovênia; tem seu site incluído nos 100 Top Art Sites e ganha dezenas de prêmios internacionais de arte. Em julho e agosto de 2001 expõe no Museu de Porto Seguro, Marinhas, do sul da Bahia. Em novembro é convidado pela TriAmericas.com para expor Cavalo da América no Lincoln Center, em Nova York e Entidades da América, na Paul Robeson University, in New Jersey, USA.

Em 2002 abre estúdio na Cidade Histórica, em Porto Seguro, Bahia, onde vive por quatro anos –, época em que o vídeo Oscar Araripe, de César Tolentino e Marinho Antunes, vence a V Mostra de Cinema de Tiradentes, MG, recebendo, posteriormente, vários outros prêmios cinematográficos. Em 2003 é convidado para a IV Bienal de Firenze, Itália e realiza exposições em Toulouse, França e Madrid, Espanha. A partir de então participa anualmente de várias exposições na Espanha,na França e na Grécia.

Em 2004, retrata a heroína cearense Bárbara de Alencar, sua hexavó e Tristão de Alencar Araripe, seu filho, herói da Confederação do Equador. Pinta ainda O Dragão do Mar, líder popular abolicionista do Ceará. Neste ano expõe Flores para los Vivos na Galeria Jade, de Juiz de Fora, Minas Gerais e realiza as exposições Ceará, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, e na Universidade do Cariri, no Crato. Em novembro do mesmo ano expõe Bárbara e Iracema, duas mulheres do Ceará, na Associação Cearense de Imprensa. Nesta ocasião escreve para o Diário do Nordeste, de Fortaleza e apresenta programas culturais na TV-Verdes Mares.

Em março de 2005 expõe An American Springtime na Solange Rabello Art Gallery, em Miami. Em julho participa do Festival do Caribe, em Santiago de Cuba, expondo Repetróglifos Caribenhos, ao ar-livre, no Parque Céspedes, atingindo público estimado em 60 mil pessoas. Em 2006 repinta Tiradentes e expõe Tiradentes Revisitada, no Solar dos Ramalhos, nos Quatro Cantos, quase em frente a seu estúdio -, ocasião em que junto com sua esposa Cidinha de Alencar Araripe, e amigos, após adquirirem a casa ao lado, criam a Fundação Oscar Araripe, www.oafundacao.org.br , objetivando cuidar da obra do artista, e do desenvolvimento da pintura, da literatura, do jornalismo, da história, da política e do meio-ambiente, áreas afins com a vida e a obra do artista.

"Araripe, sua pintura, para mim é poesia. Tem a beleza das cores, a pureza e a alegria das crianças e o talento do artista. Assim criam os verdadeiros mestres" - diz Milton Ribeiro.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas"- diz Hélio Carneiro, em Manchete.

“Aedo, poeta, cantador, narrador e cantor, Araripe é um escritor de rara beleza e originalidade” - Antonio Houaiss, in prefácio de Maria na Terra de meus Olhos, Ed. Rocco, RJ, 1974.

A 20 de abril de 2007 expõe mini-retrospectiva na Galeria do Grêmio Literário Tristão de Ataíde, em Ouro Preto, e a 21 seu Tiradentes Repintado é mostrado na Câmara de Mariana, durante o III Encontro da Associação Universitária Internacional -AUI. Em agosto expõe nas ilhas gregas de Ionnina, Syros e Corfu, com a Rede Mundial de Artistas pelo Encantamento do Mundo. Ainda em 2007 pinta O Dragão Azul, com 6.00mX3.00m, e o mostra na Semana da China, na Universidade de Campinas, São Paulo. Em 2008 expõe na Fundação Charles-Leopold Mayer, em Paris. Ainda em 2008 expõe Só Flores, na Galeria Tratos Culturais do Instituto Francisca de Souza Peixoto, em Cataguases, MG e na Bienal de Chapingo, México, onde também expõe Flores para o Rei Poeta Nezahualcoyotl, no Auditório Álvaro Carrilho. Em 2009 é eleito para a Academia de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de São Joâo De-Rei. Institui com outros a Fundação Memorial a Tiradentes da Fazenda do Pombal. Em 2010 é convidado pela Galerie François Mansart para expor Flores, em Paris e pela Academia Brasileira de Letras para expor Flores. na Galeria Manuel Bandeira, com curadoria e apresentação de Alexei Bueno. Sobre suas telas de Flores disse o decano da crítica de pintura brasileira, José Roberto Teixeira Leite:

“Nesses tempos em que a arte passou a ser mensagens cifradas para snobs e iniciados, é preciso muita coragem, além de ter sido dificílimo, pintar e escrever coisas tão simples – e tão belas. Parabéns pelas pinturas e pelos textos, umas e outros plenos de poesia”.

Em 2011, crescentemente interessado pelo tema dos jarros de flores, expõe Flores Viçosas, na Pinacoteca da Universidade de Viçosa, com apresentação e curadoria de Sandra Galhardo.

Em 2011 publica o artbook Oscar Araripe: capa dura, 030x030cm, bilingue, 348 páginas, cerca de quatrocentas imagens, textos do autor e fragmentos críticos de renomados críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros. O livro tem lançamentos em Belo Horizonte (Livraria Mineiriana), no Rio (em três lojas da Livraria da Travessa), em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência e em Tiradentes, na Fundação Oscar Araripe.

Ainda em 2011 é entrevistado por George Vidor e Guto Abranches no programa da Globo News Conta Corrente Casual, sobre o tema A Pintura na Economia Globalizada, com audiência aferida de cerca de cerca de 60 milhões de pessoas.

Em maio de 2012 lança seu artbook em noite de autógrafos na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo e também na Livraria Cultura, em Brasília.

Em julho de 2012 ganha Medalha de Ouro com sua tela As Flores abraçam o Mundo na Olympic Fine Arts 2012-London, exposta no Barbican Center, em Londres, Reino Unido.

Em 2013 expõe Tiradentes, o Animoso Alferes no Museu Antônio Perdigão, em Lafaiete, Mg e realiza a exposição Flore, na Teodora Galerie d'Art Contemporain, em Paris.

Em 2014 ganha a Medalha de Ouro da Arts, Science et Lettres, da França e o Conjunto de Medalhas Pedro Ernesto, maior honraria da cidade do Rio.

Em 2015 ganha o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais, a Medalha Tiradentes, maior condecoração do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã e inaugura exposição permanente na Galerie des Glaces, em Nantes, França. Tem ainda o seu painel-mural Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Rio) entronizado nas escadarias da Faculdade Nacional de Direito, em lembrança do Dia Nacional da Liberdade, 12 de novembro, batismo e nascimento de Tiradentes.

Em 2016 tem seu mandato de Diretor do CACO - Centro Acadêmico Cândido de Oliveira - devolvido em sessão solene no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito, no Rio e expõe na Aomei Fine Arts Exhibition, no Museu Histórico Nacional, no Rio, exposição oficial dos Jogos OLímpicos Rio-2016, ganhando o Prêmio de Aquisição com a obra Flores para Guilin.

Em 2017 ganha a Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva, da CAA-Vanguarda da Ordem dos Advogados de Minas Gerais.

Seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão Ouro Preto, é entronizado no hall principal do Palácio da Justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A Memória do Judiciário Mineiro - MEJUD - publica o catálogo Oscar Araripe, alusivo à entronização.

Ainda em 2017 expõe O Brasil Nunca Mais o Brasil na Fachada Digital da Universidade Federal de Minas Gerais, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e o cinesta Marinho Antunes realiza o documentário Os Tiradentes de Oscar Araripe, o estreando na 3ª Festa Nacional da Liberdade, na Faculdade Nacional de Direito e em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência.

Vida, Literatura e Afins

Com galeria, estúdio e Fundação em Tiradentes, MG, Oscar Araripe nasceu na Tijuca, Rio de Janeiro, em julho de 1941. A mãe cearense e o pai gaúcho logo foram morar no bairro proletário do Encantado, onde o pai, médico, e a mãe, professora, exerciam suas profissões.

Desta época o autor lembra os ecos rudes da guerra - a difteria, o carro a gasogênio, o começo da miséria que há muito se abatia sobre os povos do mundo. Rebelde, sonhador, tem péssimo desempenho escolar, sobrevindo-lhe doença quase fatal. Depois, mais saudável, descobre as alegrias de uma meninice solta e suburbana, ao lado de belas fruteiras e morros e campos de futebol. Ali, naqueles quintais, aprende os ventos pelas pipas, o gosto da fortuna aliado à audácia, a sociabilidade independente, a grande beleza do pequeno. E do grande. O universo na bola de gude. Lê Júlio Verne, o Robin Hood, o Robinson Crusoé, os três Mosqueteiros, os heróis dos quadrinhos americanos. "Os mais belos quadros eu vi nos "quadrinhos", "Muitos de meus gestos aprendi e exercitei fazendo e soltando pipa" - iria mais tarde declarar.

Depois, subitamente, os pais mudam-se para Ipanema e Oscar Araripe pula das pedras do Arpoador, freqüenta a Praia do Diabo e toma chope no Jangadeiros. É a Ipanema de antes da Garota: os anos 60, e a política toma conta de tudo, parecendo poder salvar a própria vida. O autor entra para a Faculdade Nacional de Direito. Sobrevém o golpe de 64.

Faz parte do CACO-Livre. É cassado. Viaja aos Estados Unidos, como bolsista da Interamerican University Foundation, em 66 e 68. Freqüenta semináriosa, Harvard Square e o convulsionado Campus da Universidade de Harvard. A América está convulsionada: a guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis. Araripe interessa-se pelo teatro. Escreve ensaio sobre o teatro Americano contemporâneo. Ganha viagem à França. Volta ao Brasil. Traduz Peter Brooks, "O teatro e seu Espaço", para a Vozes. Adapta e encena, em Ouro Preto, com Maria Fernanda e Othon Bastos, O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Escreve "O Enviado da Transilvânia", sátira para teatro em três atos, felizmente perdida num trajeto de táxi, em Roma. É punido pela Censura Federal em episódio que origina a Greve do Teatro. Interessa-se pela pessoa humana. Milita na AP e escreve o ensaio "Breve Estudo Introdutório aos Personalismos", que lhe vale bolsa de estudos na Universidade Pró Deo, de Roma.

Aí escreve para publicações brasileiras. Viaja pela Europa. Organiza, com outros, passeata em Roma contra o AI 5. Volta ao Brasil, 1969. É crítico teatral, editorialista cultural, colunista, redator e repórter do Correio da Manhã, Última Hora e Jornal do Brasil. Edita, com Augusto Rodrigues, o jomal Arte e Educação. É membro fundador da Sociedade Internacional de Educação Através da Arte (INSEA). Viaja a convite à Polônia, à Alemanha, à China. Publica "China: O Pragmatismo Possível" pela Artenova, alcançando grande sucesso.

1975 - É citado na Bibliografia do Novo Dicionário Aurélio. Deixa o jornalismo. Faz literatura. Participa de Poemação, com Roberto Moricone, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Publica "Maria na terra de meus olhos", pela Rocco, com prefácio de Antônio Houaiss e Eduardo Portella. É verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho.

1976 - Oscar Araripe passa a morar por 13 anos em Mirantão, MG.

1982 - Publica "Marta, Júpiter e Eu" pela Marco Zero, com prefácio de Márcio Souza. Dele diz Marcelo Rubens Paiva, em Veja, em agosto de 1983: "Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres".

1984 - Escreve "Eu Promeu", alentada prosa, finalmente com 400 páginas, e com a qual encerra sua trilogia literária. Como calígrafo e desenhista faz 12 "transcrições visionadas" de inscrições rupestres do Brasil, a que chama Pilares. Conclui o pilar Oui Xiang-Xing

1988 - Expõe na Galeria Olívia Kann, em Ipanema, paisagens e O Pilar do Areião.

"Coloquei sobre a mesa aqueles duzentos e tantos desenhos, feitos com uma incrível mistura de materiais - acrílico, pastel, tinta industrial, bico de pena, markers - sobre um inusitado papel vegetal. Fui passando um a um como páginas de um livro. Esta aproximação que faço com o texto não é absurda, afinal Oscar Araripe,autor e animador teatral, personagem de 64 e 68, autor de um livro de sucesso sobre a China e desde 1975 romancista, desenha e pinta um pouco como escreve, de um jorro só. E, devo confessar, foi uma viagem delirante como se, careta como sou, tivesse feito minha primeira viagem" - diz Frederico Moraes.

"Oscar Araripe...um clarão aberto na jungle da pintura" - diz Jean Boghici.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas"- diz Hélio Carneiro, em Manchete.

Ninguém pintou Ouro Preto mais bonito do que ele, tão radiante - e olha que não é fácil achar o brilho por baixo do peso da História" - diz Gustavo Praça em Capinando o Rio.

Suas paisagens, flora, bichos e eróticos, e também suas transcrições visionada da arte rupestre brasileira vem merecendo a atenção de consagrados nomes da crítica, do jornalismo e da cultura, tais como Frederico Moraes, Jean Boghici, Alberto Beuttênmuller, Walmir Ayala, Augusto Marzagão, Luis Galdino, Milton Ribeiro, Marcio Cotrim, Fernando Lemos, Mario Margutti, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, João Bosco de Castro Teixeira, Rubens Araújo, Hélio Carneiro, Gustavo Praça, José Geraldo Heleno, Wilson Lima, Oyama Alencar Palhares Jr. e Robert Ballantynes

"Suas posições, seu modo de vida, sua obra compõe um todo harmônico, a concorrer por certo para esse inusual e feliz transbordamento verdadeiramente fantástico, extraordinário, que sua pintura revela" - diz Wilson Lima.

Em março de 1994 abre Galeria Pessoal em Tiradentes - MG, onde passa a residir. Em abril, durante o 7o. aniversário da Funrei, expõe ao ar livre Tiradentes, o animoso Alferes, em São João del Rei.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas" - diz Hélio Carneiro, em Manchete.

"Araripe, sua pintura, para mim é poesia. Tem a beleza das cores, a pureza e a alegria das crianças e o talento do artista. Assim criam os verdadeiros mestres" - diz Milton Ribeiro.

O Pintor

Eu recebo a pintura como uma dádiva, uma alegria. Após quase 30 anos escrevendo à mão e a lápis, com a obra literária já acabada, e quase sem fôlego, eu comecei a pintar. Assim: num belo dia, cheio de vigor, eu comecei a pintar. Eu nunca tinha pensado em pintar, em ser pintor. Então, fiz mil auto-retratos; seiscentas e cinqüenta "transcrições visionadas" de inscrições rupestres do Brasil, dezenas de eróticos, flores, pássaros, peixes, bichos e mais bichos... e encontrei a paisagem. Bem, eu já vivia na paisagem. Há mais de dez anos; perto do arraial de Mirantão, em Minas Gerais, em vida solidária com as plantas, os bichos, os minerais - e sonhava com a grande anarquia interna que apontaria ao homem o belo horizonte camponês.

Acho facílimo pintar - pinto rápido e sem errar, às primeiras horas da manhã: os morros que correm; as plantas que mexem; a ida das águas, a substância que passa. Amo a linha, a sabedoria da mão, a exatidão do traço, o discernimento, a definição. Eu amo as coisas claras, e separo as cores das tintas - e quero a paisagem sem o homem, a paisagem do outro homem, o momento em que a arte e a natureza sejam um só - a caligrafia igual à pintura; a pintura igual à natura: a cura, a pintura, a natura. Eu quero a solidão da pintura; o seu silêncio (ainda maior que o da paisagem), o meu silêncio - e acho pintar como calar - um momento de ouro; e só.

Minha Vida de Pintor - I de LXXXIX

Jamais imaginei que seria o maior pintor da minha rua, fato que somente se deu no começo da minha maturidade, aos 40 anos, mais ou menos, quando vivia como um príncipe paupérrimo no alto da Serra do Mirantão, em Minas Gerais, Brasil. 40 anos? 40 mil anos?

Desde cedo, muito cedo, decidi sem muita consciência ser pintor. Talvez. Nos anos 40, 50, era rara a imagem impressa ou filmada e de modo que quando foi lançada com enorme sucesso a bala Ruth (uma bala ruim com uma linda figurinha embrulhada, que colávamos num álbum e concorríamos a prêmios cobiçados) eu me deslumbrei para sempre com a página dos Quadros Clássicos, a mais bela e a mais difícil de ser preenchida. E assim um dia, um belo dia, desembrulhei uma balinha e lá estava a minha figurinha difícil, As Três Graças, de Raphael, três mulheres nuínhas, duas de frente e uma de costas, inacreditável, massudíssimas, e que me definiu de vez o que viria a ser tantos anos depois. E assim se passaram 40 anos (ou milênios) de minha vida de pintor.

Uma obsessão de um pintor aos 65 anos:… as cores não existem, o que existe é a arte e a arte faz a vida e a vida as cores. Sem vida não é cor, é tinta. Cores, tintas. Umas não existem, outras não valem nada.

Mas, o que é ser um pintor? Ou melhor, quem sou eu, Oscar Araripe, artista do Brasil e no mundo, reconhecido o suficiente, profissional da pintura, vivendo bem, hoje, nestes finalmentes ainda vivos anos que me restam. E digo bem porque posso comer e alimentar e educar, e bem porque sou verbete na Bibliografia do Grande Dicionário Aurélio, ou seja, figuro entre alguns dos notáveis formadores da língua portuguesa… inclusão, certamente, mais por amizade que por mérito, uma gentileza do enciclopédico dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, que me honrou com tal data, numa época em que os artistas independentes e as pessoas de bem e de boa obra estavam silenciadas ou afastadas da imprensa oligárquica e inversora de valores, à qual, aliás, eu pertenci por boa década. Imaginem os senhores: um pintor citado no maior dicionário da língua portuguesa... o que em verdade desmentia a frase de Salvador Dali, ao dizer que todo pintor era burro; ou seja, eu o pintor que cansado do verbo achatou as palavras agora podia derreter os relógios sem sentido ou de sentido duvidoso e fazer crer que os burros mais seriam os escritores, se o fossem, haja vista a grande escritura que podia ser a Pintura, escritura muda e silenciosa e que nasce do achatamento das palavras.

Mas, voltemos à pessoa, este alvo da arte. E a propósito: como anda o personalismo, o sistema de idéias do universo da pessoa? Onde anda a AP, a Ação Popular (e não apenas popular) e que tinha e tem tão boas e belas idéias? Pergunto: Como um pintor em plena ditadura dos militares brasileiros e norte-americanos não deveria participar da Ação Popular? Sim, ali, na AP, eu me confirmei outra vez pintor (e também ainda sem muito o saber), pois não consegui ser da ação direta e nem da luta armada, já que aquilo de ter que matar era insustentável e eu não tinha sequer treinamento militar -, medo, eu tinha medo, e também à época já me sentia melhor na ala não-confissional do grupo, já que já duvidava de Deus. Blasfemo pintor desligado.

Deus, ao lado do café e de outras drogas, foi o que mais difícil deixei de crer e de deixar. Deixar Deus, o café… jamais os pude deixar. Deixei de crer, não de deixar. Fui vegetariano absolutista e esclarecido por 30 anos, e só não consegui deixar o café, e a superstição. Hoje, recentemente, por fim, confesso, pude deixar Deus. Ficou o café. Nem mesmo na Justiça divina já acredito… e confesso que aos 60 anos ainda costumava, com freqüência, diante das vicissitudes da vida e dos simples desejos, invocar o que tudo era e podia -, o meu Deus, o rei invencível do meu partido - e que a gota d’água foi o reencontro com o pensamento, ou melhor, com o movimento dos neo-evolucionistas, e em particular com os textos de Richard Dawkins (que, de passagem, intenciono completar, pois digo eu: a arte é o gene e o meme, é Darwin & Dawkins, nada a antecede, exceto tudo, o seu primeiro nome ) que, aliás, conheci pessoalmente a bordo do navio Warrior Rainbow, do Greenpeace, então atracado na Marina do Flamengo, no Rio, durante a Conferência das Nações Unidas - ECO-92, quando expus ao ar-livre, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, grandes pinturas intituladas Extinção Nunca Mais, uma lembrança e uma homenagem ao movimento Tortura Nunca Mais - exposição vista por público estimado de dois milhões de pessoas. Um prodígio. Mas, nem por isso parou a extinção. E nem a tortura.

Esclareço: Richard Dawkins, naquela época, ainda não era o grande pensador bright (o mais iluminado pensamento desde os anos 60, e que logo pessoalizei, intentando ver a arte evolucionista, e encontrá-la racionalmente, antes de tudo, no princípio do cosmos, e mesmo antes. Muito bem. ...ou já era e não sabíamos mas... muito especialmente, Dawkins se parecia com um homem de Vênus. A cara muita limpa, muito pacífica, parecia uma águia, a águia que viria a ser e eu não sabia. Um guerreiro maravilhoso! Do Arco Íris! - pensei... o vendo ali em pé junto a outros greenpicistas que também nos recebiam com as boas vindas; e tal era o encanto do celeste navio ancorado, iluminadíssimo, que a Baía de Guanabara ainda lateja no meu olhar, tal a elevação, o magnetismo daquele homem interplanetário, muito simpático e tranquilo e que segurava em suas mãos muito leves e finas um copo de suco de laranja. Um homem de Vênus tomando suco de laranja. Mas, droga. Anti-religião é religião. Eu estava, devia estar sozinho. Se as cores não valiam nada, de que valeriam minhas palavras? Se não sabiam que depois do moderno, enfim, viria a Pessoa? A pessoa. Ninguém a amou mais que eu.

Mas a paz, dulcíssima pessoa, não era verde, ainda que seu sangue o fosse -, como muito mais tarde vim a saber.

Idéias. Idéias são pinturas e pinturas são cores caladas que gritam silêncios que todos ouvem. Eis aí o verdadeiro dinheiro: a Pintura. Um dia, em Londres, vivendo uma vida de jornalista iniciante, num jantar com um conhecido de nome David, aleijado, banqueiro, judeu, pai de bebê, um homem muito vibrante e que mesmo vitimado pela poliomielite dirigia seu Bentley, especialmente adaptado, lá pelas tantas, perguntei de chofre: "David, um homem rico, rico mesmo, quando foge, o que leva?" E ele de pronto respondeu, gesticulando: "Uma bolsinha com uns diamantes e umas telas de pintura enroladas."

Grande verdade: o verdadeiro dinheiro é a pintura. Deus houvesse e teria sido muito bom comigo e muito mais que mereci em me fazer pintor, pois o que mais seria? Um jardineiro, um poeta? Sim e sou. Mas, jamais pensei em ser pintor. Como o ser? e depois, quem ensinava, como aprender aquilo? ...bem, só tive uma aula de pintura, e foi quando vi aquela "figurinha difícil" da Ascenção de Tintoretto. Todas as outras vieram das pipas e dos balões de São João e das bolas-de-gude da minha infância no Encantado, um bairro proletário do Rio de Janeiro, onde menino via universos hublelianos em coloridos olhinhos de vidro, que podia arremessar e quebrar, com grande talento e força. Como Marx, Tintoretto me foi um alumbramento. Enfim, eu era um Garoto de Ipanema. Já podia incendiar o ar com os meus balões e destruir os universos inabaláveis... Manoel Bandeira, meu poeta preferido, disse que seu primeiro alumbramento foi ter visto uma mulher nuínha. Pois bem, Manoel, eu vi três, já aos cinco anos, massudas e coloridas na telinha de papel de Raphael, e que eu segurava na ponta de meu dedo indicador, ali viva, e que anos depois vim a ver pessoalmente no Museu do Vaticano, se não me engano, quando morava em Roma, davanti ao Pantheon. Ou melhor: al fianco. No belo Palazzo Crescenzi, del Cinquecento.

Roma. Nunca a vi mais bela. Londres - eu voava de Caravelle de Roma a Londres para ver uma menina interna num colégio religioso. Digo Londres, mas era em Surrey, onde chegava num trem às duas e voltava às quatro, quase pontualmente. Uma hora e meia de beijos na pracinha, vendo, vivendo os cisnes pescoçudos a nadar no gozoso leite das frondosas choronas de verde veronese. Quanto gozo gozado! Roma. Eu amava aquelas pedras, aquela mulher que nela se insinuava (eu fantasiava) e que surgia em cada rosto que cruzava e queria, naquelas ruelas barrocas, oitocentescas, medievais, imperiais, etruscas -, e aquela Via Apia, que num fascínio me levava à Veneto. Via e não via e de tudo esquecia. Tudo era mesmo muito esquecido naqueles tempos de Giuseppe Ungaretti e Herbert Marcuse. E Unamuno. Miguel de Unamuno. Havia a Piazza Navona bem ao lado, a minha trattoria, do Massimo e Mimo, na Piazza del Pasquino, atrás al fianco da Embaixada do Brasil -, a minha bicicleta que por um ano me passeou vagabundo pelas ruas apinhadas da Contestação. João XXIII. Não gosto de papas, prefiro os banqueiros e os príncipes (os que compram minhas pinturas). Mas gostava muito de João XXIII, ainda que meu amor, mesmo, fosse Melina.

Exposições Individuais

1988 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens, na Galeria Olívia Kann.

1989 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens, no Espaço Cultural Nas Rocas.

1990 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Areião, no Rio Design Center, durante a 1ª Exposição do Livro de Arte.

1990 - São Paulo SP - Paisagens das Itatiaias, na Galeria Blue Life.

1990 - São Paulo SP - Paisagens, na Galeria Paulistano.

1990 - Penápolis SP - O Pilar do Areião / Pintura e Desenho, na Galeria Itaú.

1990 - Brasília DF - Paisagens / Pintura e Desenho, na Galeria Itaú.

1991 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está o Erótico, no Espaço Cultural Resumo da Ópera.

1991 - Brasília DF - O Pilar do Uaupés, no mezanino da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

1991 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Uaupés, exposição permanente ao ar-livre, no Arpoador / Evento da RioArte.

1991 - Rio de Janeiro RJ - O Tarot de Oscar Araripe, na Galeria Bookmakers.

1991 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens e Biombos, na Idea Galeria de Arte.

1991 - Ouro Preto MG - Paisagens de Ouro Preto, na Galeria da Casa de Cultura Cláudio Manoel da Costa.

1992 - Ouro Preto MG - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu da Inconfidência.

1992 - Ouro Preto MG - Pipas da Liberdade, exposição permanente ao ar-livre na Praça Tiradentes / Abertura do Festival de Inverno de Ouro Preto.

1992 - Belo Horizonte - Pipas da Liberdade, no Parque das Mangabeiras.

1992 - Belo Horizonte MG - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu Mineiro.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu da República.

1992 - Brasília DF - Natividade, exposição permanente ao ar-livre, na Igrejinha de Brasília.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Pipas, no Centro Cultural Banco do Brasil.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Extinção Nunca Mais, exposição permanente ao ar-livre, no Jardim Botânico, durante a Conferência Mundial das Nações Unidas - RioEco-92.

1993 - Rio de Janeiro RJ - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria Villa Riso.

1993 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Docodema, na Galeria Beira do Cais.

1993 - Ouro Preto MG - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria de Arte da Faculdade de Ouro Preto.

1993 - Belo Horizonte MG - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria da Telemig.

1993 - Ouro Preto MG - Ouro Preto de Novo, na Galeria Spix & Martius.

1994 - São João del Rei MG - Pipas de São João, exposição permanente ao ar livre em quatro diferentes locais da cidade, integrante do evento 7º Inverno Cultural.

1995 - São João del Rei MG - Imagens de El´Rey, no Museu Regional de São João del Rei.

1995 - Tiradentes MG - Tiradentes, a Animosa Cidade, no antigo Fórum

1995 - Tiradentes MG - O Dia e a Noite, exposição permanente ao ar-livre,no Largo das Forras/ Semana da Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais.

1999 - São João del Rei MG - Paisagens Mineiras, no Espaço Cultural Del Rey.

1999 - Ilha Comprida SP - Ilha Comprida, no Centro Cultural da Ilha Comprida.

1999 - Visconde de Mauá RJ - Mauá com Arte, no atelier do artista, em Mirantão.

1999 - Tiradentes MG - 250 Anos do Chafariz de São José, no Sobrado Ramalho.

1999 - Tiradentes MG - Janelas com Arte, na Rua Direita.

2000 - Porto Seguro BA - Casinhas e Marinhas, no Museu de Porto Seguro.

2000 - San Simeon USA - Saint Simeon and so on, no Castoro Arts Center.

2001 - Nova York USA - Horse, na Cork Gallery.

2001 - New Jersey USA - America’s Entities, na Paul Robeson School.

2003 - Firenze (Itália) - Natividade, na Bienal de Firenze.

2003 - Trancoso BA - Marinhas, na Galeria Canto Verde.

2004 - Juiz de Fora MG - Flores... flores para los vivos, na Galeria Jade / Rosa Girardi.

2004 - Crato CE - Ceará, na Universidade do Cariri - Urca.

2004 - Fortaleza CE - Ceará, no Centro Cultural Oboé.

2004 - Crato CE - Retrato e Fazenda de Bárbara de Alencar, na Expocrato 2004.

2004 - Huntingdom Valley, PA. USA - Ceará - na Toro Gallery.

2005 - Miami, FL (USA) - Uma Primavera na América / An American Springtime, na Solange Rabello Art Gallery.

2005 - Santiago de Cuba, Cuba - Repetroglifos Caribeños - no Parque Céspedes, durante o XXV Festival do Caribe.

2005 - Santiago de Cuba, Cuba - Casitas Cubanas, na Galeria Oriente.

2006 - Tiradentes, MG - Tiradentes Revisitada, no Solar dos Ramalhos.

2007 - Ouro Preto, MG - na Galeria do Grêmio Literário Tristão de Ataíde/ GLTA.

2007 - Mariana, MG - Tiradentes, o Animoso Alferes - na Câmara de Mariana.

2007 - Campinas, SP - O Dragão Azul - Semana da China / Universidade de Campinas.

2008 - Galeria Traços Culturais - Só Flores - Cataguases, MG.

2008 - Centro Cultural de Texcoco - Só Flores - México.

2008 - Universidade de Chapingo - Mural Homenagem ao Rei Poeta Nezahualcoyotl - Texcoco, México

2009 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Flores Recentes - Tiradentes, MG.

2010 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Flores Novíssimas - Tiradentes, MG.

2010 - Galeria Manuel Bandeira / Academia Brasileira de Letras - Flores - Rio, RJ.

2011 - Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa - Flores Viçosas - Viçosa, MG

2013 - Teodora Galerie d'Art Contemporain - Flore - Paris, França.

2013 - Museu Antônio Perdigão - Tiradentes, o Animoso Alferes - Conselheiro Lafaiete, MG

2014 - Galerie des Glaces - Fleurs - Nantes, França / março de 2014.

2015 - Faculdade Nacional de Direito da UFRJ - Escadaria - Entronização do painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão-Rio, RJ

2017 - Tribunal de Justiça de Minas Gerais / Hall principal - Entronização do painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão-Ouro Preto - BH, MG.

2017 - Espaço de Conhecimento da UFMG - Praça da Liberdade - O Brasil Nunca Mais o Brasil - BH, MG.

2018 - Galerie des Glaces - Fleurs - Nantes, França / dezembro de 2018.

2019 - Harvard Science Center - Flowers for Harvard - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Massachusetts Institute of Technology ( MIT ) - The Poet's Government or The 22 faces of Happiness - Cambridge, USA.

2019 - Art Studio da Leverett House - Flowers for Harvard - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Harvard Club - Flowers for Harvard - Boston, USA.

2019 - Conversatório da Leverett House - The Poet's Government or The 22 faces of Happiness - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Oscar Araripe Collection - Ponteio Lar Shopping, BH - Galeria pessoal do artista com exposição por 4 meses.

Exposições Coletivas

1973 - Rio de Janeiro RJ - Poemação, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1990 - Resende RJ - Paisagens e Bichos das Itatiaias, no Museu de Arte Moderna.

1991 - Visconde de Mauá RJ - Paisagens das Itatiaias, na Galeria da Associação Cultural de Mauá.

1993 - Ouro Preto MG - Seis Visões de Ouro Preto / com Inimá, Carlos Bracher, Ivan Marquetti, Carlos Scliar e Fani Bracher.

2000 - Kranj (Eslovênia) - A Dança do Tamanduá Bandeira, no World Art on Paper Festival 2003 - Toulouse ( France ) - Solidarity, no Centre Souppetard.

2003 - Madrid (Espanha) - Solidarity, na Feria del Artista Independiente 2003.

2003 - Barcelona (Espanha) - Art and Life, na Casa Amatller, Institut D`Art Hispànic.

2003 - Barcelona (Espanha) - Solidarity, no Espai Wonee.

2003 - Valencia (Espanha) - Solidarity, na Sala Anagma.

2004 - Toulouse (France) - Art and Life, Maison des Allés.

2004 - Mataró (Espanha) - Art and Life, Hospital de Mataró.

2004 - Madrid (Espanha) - Fnac Plaza Norte y Callao y Fnac de Marbella.

2004 - Barcelona (Espanha)- Art and Life, LuGar y Simo (Madrid).

2004 - Fortaleza CE - Dois Araripes, na Associação de Imprensa Cearense.

2005 - Granada, Espanha - Asociación Cultural Valentín Ruiz Aznar.

2007 - Ioannina, Syros e Corfu - Grécia. Rede Mundial de Artistas pelo Encantamento do Mundo.

2008 - Paris, França - Fundação Charles-Leopold Mayer.

2008 - Bienal de Chapingo - Flores para o Rei Poeta Nezahualcoyotl , México.

2008 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Rede Mundial de Artistas pelo Embelezamento do Mundo - Tiradentes, MG.

2009 - Centro Cultural Visconde de Mauá - O Papel da Vila - Visconde de Mauá, RJ.

2009 - Museu de Arte Moderna - O Papel da Vila - Resende, RJ.

2012- Barbican Center, Londres, Reino Unido - Olympic Fine Arts London2012 - Medalha de Ouro com a tela As Flores abraçam o Mundo. Prêmio de Aquisição.

2016 - Olympic Fine Arts - Rio 2016 - Prêmio de Aquisição.

2016 - Bienal das Artes de Brasilia / Sesc DF - Flores com Borboletas / Prêmio de Aquisição.

2016 - Aomei Fine Arts Exhibition - Museu Histórico Nacional / Rio / RJ - Prêmio de Aquisição.

2017 - Galerie des Glaces - Nantes, França / Fleurs.

2017 - Espaço de Conhecimento da UFMG - Praça da Liberdade / Belo Horizonte / Fachada Digital - Exposição # ArteLiBerdade.

2018 - Embaixada do Brasil em Atenas, Grécia - Exposição # ArteLiberdade.

2018 - Bienal das Artes de Brasília 2018 - O Brasil Nunca mais o Brasil / Shopping Pátio Brasil / Brasília, DF / Artista Homenageado.

2018 - Galeria Tambo, Pequin, China - As Flores Abraçam o Mundo / Retrospectiva Guoyankeji em homenagem aos 10 anos da agência Ogilvy & Mather.

2019 - Exposição A Primavera das Primaveras - comemorativa dos 15 anos do CC Visconde de Mauá - Mauá, RJ.

Literatura

  • MARIA NA TERRA DE MEUS OLHOS

*Editora Rocco, R.J. 1975. Prefácio de Antônio Houaiss, 146 páginas. Capa atual do autor.

  • MARTA, JÚPITER E EU

*Editora Marco Zero, R.J. 1986. Prefácio de Márcio Souza, 166 páginas. Capa atual do autor.

  • EU PROMEU

*460 páginas. Capa do autor.

  • ENSAÍSTICA

* China Hoje/O Pragmatismo Possível. Editora ArteNova, R.J., 1974, 152 páginas, capa de Roberto Moriconi.

* Breve Estudo Introdutório aos Personalismos. Universidade Pro-Deo, Roma, Itália, 1968.

Teatro

* A Tragédia de Vila Rica no tempo de Joaquim José. Adaptação do Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meirelles. Teatro de Ouro Preto, 6º Festival de inverno da UFMG 1966.

* O Enviado de Transilvânia - Sátira em 3 atos. 1970

Tradução

* O Teatro e seu Espaço, de Peter Brook . Tradução. Editora Vozes, R.J. 1969

Artigos

Críticos e noticiosos sobre teatro e cultura

  • Correio Manhã - 1969 a 1971

  • Jornal do Brasil e Cadernos de Jornalismo do JB - 1971 a 1975

  • Palco + Platéia - 1969/1970

  • O Estado de Minas - 1999

  • Diário do Nordeste - 2004

Fonte: Site oficial Oscar Araripe, consultado pela última vez em 31 de março de 2021.

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Biografia - Wikipédia

Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1968 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi eleito para o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), e militou no movimento esquerdista Ação Popular (AP). Foi anistiado pelo governo brasileiro em 2012 pelas punições sofridas na Ditadura Militar de 1964. Foi jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora. Escreveu China, o Pragmatismo Possível em 1974 e editou, com o arte-educador Augusto Rodrigues, o jornal Arte & Educação. Autor da trilogia literária Maria, Marta e Eu, sua obra foi analisada pelo crítico literário e diplomata Antônio Houaiss, pelo crítico e acadêmico Eduardo Portella, pelo crítico e poeta José Paulo Moreira da Fonseca e pelo escritor Márcio Souza.

Pintor paisagista, marinista, realista e subjetivo, Oscar Araripe possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome, sediada em Tiradentes, MG, onde também possui galeria pessoal. Na pintura introduziu a vela náutica (dracon poliester) como suporte (1984), o "filme laser" (como substituto do papel vegetal) e desenvolveu técnicas próprias, como as transparências obtidas pelas pinturas por trás dos suportes. Tais inovações permitiram-lhe expor grandes telas ao ar-livre permanentemente com estruturas de ferro como moldura. Sua obra Extinção Nunca Mais, exposta durante a Eco-92, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, teve um público estimado de dois milhões.

Vida pessoal

É casado com Cidinha Ribeiro de Alencar Araripe, advogada, natural da cidade mineira de Catas Altas, e mãe dos gêmeos Octávio e Victtoria de Alencar Araripe.

Acontecimentos importantes

2010 - O mural Flores para o Rei-Poeta Nezahualcóyotl foi exposto em caráter definitivo no Centro de Formación Artistica y Cultural da Universidade de Chapingo, no México.

2010 - Espôs Flores na Galeria Manuel Bandeira da Academia Brasileira de Letras, no Rio.

2011 - a Fundação Oscar Araripe publicou o artbook Oscar Araripe.

2012 - expôs Flores Abraçam o Mundo na Olympic Fine Arts Exhibition London 2012, Reino Unido, recebendo Medalha de Ouro.

2013 - expõs Flore, na Galerie Teodora, em Paris.

2014 - passou a expor permanentemente na Galerie des Glacesem Nantes, França.

2014 - abriu sua Home Gallery em Belo Horizonte

2014 - ganhou a Medalha de Mérito Pedro Ernesto.

2014 - ganha a Medalha de Ouro da Academie Arts-Sciences et Lettres, da França, pelo conjunto da obra.

2015 - Ganhou a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, da Alumni / Faculdade Nacional de Direito.

2015 - ganhou a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)

2015 - seu painel-mural Tiradentes, o Animoso Alferes, foi exposto definitivamente nas escadarias da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

2017 - seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Ouro Preto) foi exposto em carater definitivo no hall do Palácio da Justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

2017 - ganhou a Medalha Lyda Monteiro da Silva da CAA Vanguarda, da OAB de Minas Gerais.

Obra

Sua obra de pintura e desenho mereceu a atenção da crítica de Frederico de Moraes, Milton Ribeiro, Jean Boghici, Sérgio Rouanet, Luiz Galdino, Antônio Houaiss, Mário Margutti, Fernando Lemos, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Oscar D'Ambrosio, José Roberto Teixeira Leite, Pierre Santos, Wilson Lima, Jacob Klintowitz e Gustavo Praça.

Em sua obra, se destacam Pilares, de 1200 imagens; seus bico-de-pena sobre Tiradentes, Ouro Preto, Bahia e Ceará; seus eróticos; e seus Jarros de Flores. Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais, no Rio, em Minas, na Bahia, em Brasília, no Ceará, em São Paulo. Expôs também fora do Brasil, nos Estados Unidos, China, França, Espanha, Eslovênia, Grécia, Cuba, México e Reino Unido. Retratou três heróis brasileiros: Tiradentes, Bárbara de Alencar e Tristão Araripe.

Prêmios e homenagens

  • Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva / CAA Vanguarda (OAB-MG (2017)

  • Cidadão Honorário de Minas Gerais / Assembleia Legislativa de Minas Gerais (2017).

  • Medalha de Ouro na Olympic Fine Arts / Londres / Reino Unido (2012

  • Medalha de Ouro da Arts, Sciences et Lettres / Société académique Arts-Sciences-Lettres França (2014).

  • Medalha Pedro Ernesto / Câmara Municipal do Rio de Janeiro/ Conjunto da Obra (2014).

  • Medalha Tiradentes / Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (2015)

  • Medalha da Resistência Cidadã / Associação de Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito (Alumni /FND (2015)

  • Diploma de Conselheiro Emérito / Conselho de Minerva da Universidade do Brasil (2015)

  • Medalha da Cidadania e da Liberdade / Comenda da Liberdade / Fazenda do Pombal, MG (2011)

  • Cidadão Honorário de Tiradentes / Câmara Municipal de Tiradentes, MG (2008)

  • Cidadão Honorário de São João Del Rei / Câmara Municipal de São João Del Rei (2006)

  • Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva / CAA Vanguarda (OAB-MG (2017)

  • Cidadão Honorário de Ouro Preto / 2017

  • Prêmio de Aquisição / Flores / Olympic Fine Arts, Londres / Barbican Centre / (2012)

  • Prêmio de Aquisição / Flores / Bienal das Artes / Brasília, DF.

  • Prêmio de Aquisição / Flores com Borboletas / Aomei Fine Arts Exhibition (Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, RJ (2017)

Lista de obras literárias

  • China, o Pragmatismo Possível (1974)

  • Maria na Terra de Meus Olhos (1975)

  • Marta, Júpiter e Eu (1986)

  • Eu Promeu, o que Amazoneu (1992).

  • Oscar Araripe / Vida e Obra (2011)

  • Oscar Araripe / Catálogo sobre o painel Tiradentes, o Animoso Alferes / Coleção Memória e Arte (2017)

Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 31 de março de 2021.

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Biografia - Revista Pixe

Bacharel em 1980 pela Faculdade Nacional de Direito, ex-diretor do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), foi suspenso e teve sua diretoria cassada, em 1964. Em 2016 teve seu mandato e de seus colegas devolvido simbolicamente em sessão solene no Salão Nobre da FND, em evento organizado pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito.

Oscar Araripe, aos 78 anos, é um dos artistas mais consagrados e renomados do Brasil. É pintor profissional e desenhista, escritor, ensaísta, crítico e teórico de Arte e Cultura, arte-educador, periodista e animador cultural.

Ganhou bolsa de estudos na Universidade de Harvard, USA, em 1966 e 1968, e na Universidade Pro-Deo, de Roma, em 1969.

Publicou a trilogia literária, Maria, Marta e Eu, alentada prosa com mais de 500 páginas (Editora Rocco, Rio, 1975 / Editora Marco Zero, Rio, 1986), analisada criticamente por Antônio Houaiss, Eduardo Portela e José Paulo Moreira da Fonseca -, e o ensaio China, o Pragmatismo Possível, Editora Artenova, 1974, alcançando grande sucesso. Sobre sua trilogia literária, assim escreveu Marcelo Rubens Paiva, na Revista Veja, em agosto de 1983: “Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres”. De fato, sua narrativa, poeticamente, já no início dos anos 80, pugna pelo respeito à natureza e pela valorização das mulheres, em todos seus aspectos.

Jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora, editou, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação.

É membro fundador da INSEA (1974), a Sociedade Internacional de Educação Através da Arte.

Autodidata, introduziu na Pintura a vela náutica de poliéster como suporte (1984), o film laser (como substituto do papel vegetal, onde também inovou) e desenvolveu técnicas próprias, como as transparências obtidas pelas pinturas por trás dos suportes, o uso dos markers e da aquarela acrílica. Tais inovações permitiram-lhe, inclusive, expor permanentemente ao ar-livre grandes telas, com estruturas de ferro como moldura, levando a arte da pintura às grandes multidões. Sua obra Extinção Nunca Mais, por exemplo, exposta durante a Conferência das Nações Unidas, Eco-92, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, atingiu público estimado de dois milhões.

Para se ter tenha uma ideia da importância da introdução da vela nautica poliester e do film laser, diga-se que em toda a história universal da Pintura foram usados apenas 6 suportes, a saber: a pedra, a parede, a madeira, o papel, o vidro/porcelana ou cerâmica e a tela de linho ou algodão. Araripe introduziu, assim, comprovado e pioneiramente, mais dois novos suportes à Pintura. Some-se a isto a grande durabilidade e beleza da vela náutica poliéster e do film laser, o fato de não contraírem fungos nem provocarem craquelê e ainda permitirem exposições permanentes ao ar-livre, levando a arte da Pintura à centena de milhares de pessoas, e constata-se a grande contribuição do artista à arte da Pintura.

Recentemente, em abril de 2019, além de realizar palestra e quatro exposições, a convite, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Araripe realizou workshop com os alunos de arte daquela importante instituição sobre como pintar na vela náutica poliéster. Por dar um destino nobre a este material, teve o apoio e o reconhecimento de seu pioneirismo pela Dimension Polyant, a maior fabricante de velas náuticas do mundo.

Vale destacar aqui o depoimento do próprio artista sobre seu autodidatismo na Pintura: “Na década de 1940, eram raras as imagens, principalmente de pinturas. Os mais belos quadros, portanto, eu vi nas histórias em quadrinhos. Aprendi minhas pinceladas fazendo e soltando pipas. Minha imaginação nasceu com o Carnaval do Rio de Janeiro, com os balões de São João dos subúrbios cariocas e com as bolas-de-gude da minha infância, no bairro proletário do Encantado, onde, menino, sonhador, via universos coloridos em “olhinhos” de vidro, girando como um pião, e que eu podia jogar e quebrar, com toda a destreza e vigor”.

Pintor de flores, paisagista, marinista, realista e subjetivo, possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome. Sua obra de pintura e desenho, inovadora, alegre e vivaz, mereceu a atenção crítica de Frederico de Moraes, Pierre Santos, Sérgio Paulo Rouanet, Jean Boghici, Luiz Galdino, Mário Margutti, Milton Ribeiro, Fernando Lemos, Alberto Beuttenmuller, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Wilson Lima, José Roberto Teixeira Leite, Oscar D’Ambrosio, Enock Sacramento, Antônio Ceschin e Jacob Klintowitz, entre outros. A destacar-se ainda sua obra Os Pilares, de 1.200 imagens, e seus bicos-de-pena sobre Tiradentes e São João Del Rei, Ouro Preto, Bahia e Ceará, assim como seus eróticos, de grande pureza, e seus cobiçados jarros de flores, de grande alegria e frescor. Recentemente vem apresentando suas Iluminuras florais e paisagísticas sobre o film laser, muito apreciadas também. Retratou três heróis brasileiros: Tiradentes, Bárbara de Alencar e Tristão Araripe, os dois últimos seus parentes.

É citado na Bibliografia do Grande Dicionário Aurélio e verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho. Figura na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais.

Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais, no Rio, em Minas, na Bahia, em Brasília, no Ceará e em São Paulo. Expôs nos Estados Unidos, França, Espanha, Eslovênia, Grécia, Cuba, Reino Unido, China e México. Possui galeria pessoal em Tiradentes desde 92, e é instituidor, com outros, da Fundação Oscar Araripe / www.oafundacao.org.br

Presentemente escreve Minha Vida de Pintor, que disponibiliza em seu site www.oscarararipe.com.br, onde apresenta suas ideias sobre a pintura, a literatura e a vida em geral. Através de seu site realiza regularmente, e gratuitamente, há mais de trinta anos, oficinas de pintura com crianças (Arte para Salas de Aulas) de escolas públicas e privadas de todo o país. Seu site recebeu a visita, aferida, desde 1999, de mais de 10 milhões de pessoas.

Em 2010 expõe na Bienal de Chapingo, no México e seu mural Flores para o Rei-Poeta Netzahualcóyotl é entronizado em caráter definitivo no Centro de Formação Artística e Cultural da Universidade Federal Chapingo, ao lado da bela capela pintada por Diego Rivera.

Em 2011 expõe Flores na Galeria Manuel Bandeira da Academia Brasileira de Letras, no Rio, apresentado por Sergio Rouanet e Alexei Bueno -, e publica o artbook Oscar Araripe: capa dura, 030x030cm, bilingue, 348 páginas, com cerca de quatrocentas imagens, textos do autor e fragmentos críticos de renomados críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros. Ainda em 2011 é entrevistado por George Vidor e Guto Abranches na Globo News, com audiência aferida de cerca de 60 milhões de pessoas. Realiza ainda, com Sergio Rouanet, palestra na Academia Brasileira de Letras sobre o Centenário do grande crítico literário Tristão de Alencar Araripe Jr.

Ainda em 2012 é convidado pelo Ministério da Cultura da China e pelo Comitê Olímpico Internacional para expor na Creatives Cities / Olympic Fine Arts2012London, no Barbican Center / Museu de Londres, Inglaterra, onde lança seu artbook internacionalmente, e ganha Medalha de Ouro com sua tela As Flores abraçam o Mundo. A obra premiada passa a figurar no Forever Memorial das Olimpíadas, em Londres.

A 11 de abril de 2013 inaugura a exposição Flore na Galerie Teodora, em Paris, França. Entre os presentes, Jack Lang, Ministro da Cultura da França, no governo de François Mitterand.

Em 2014 passa a expor permanentemente na Galerie des Glaces, em Nantes, França; é agraciado com o conjunto de medalhas Pedro Ernesto, maior honraria do Município do Rio de Janeiro e ganha Prêmio de Aquisição na 1ª Bienal das Artes, de Brasília, DF, com a obra Flores com Borboletas.

Ainda em 2014 recebe, em Paris, a centenária Medalha de Ouro Arts, Science et Lettres, uma das maiores condecorações da França e a Medalha Cidade de Buenos Aires, ofertada pela administração local.

Em 2016, ganha o Prêmio de Aquisição na exposição Aomei Fine Arts Exhibition, no Museu Histórico Nacional, exposição oficial das Olimpíadas Rio-2016, organizada por várias entidades culturais chinesas e russas. Na ocasião profere palestra sobre as relações culturais Brasil-China.

Cidadão Honorário de Tiradentes, MG, onde mora e tem estúdio desde 1990, é fundador do Instituto da Liberdade Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e da Academia de Letras Jurídicas de São João Del Rei e Tiradentes.

Seu díptico Tiradentes, o Animoso Alferes (3 metros de altura por 3 metros de largura), pintado para o Bicentenário da Morte do Herói, em 1992, foi exposto no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte, no Museu da República, no Rio, no Fórum de Tiradentes, MG, na Praça Tiradentes, em São João Del Rei, MG, na Universidade Federal de São João Del Rei, MG, na Câmara de Mariana, MG e na Fundação Oscar Araripe, em Tiradentes, sendo uma das imagens mais conhecidas do mártir.

Araripe recebeu ainda a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo fluminense e o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais, em bela e significativa solenidade no plenário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Seu mural Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Rio) foi entronizado em caráter definitivo na Faculdade Nacional de Direito, por ocasião do centenário do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), em comemoração ao Dia Nacional da Liberdade, a 12 de novembro, data do batismo e nascimento do herói. Nesta oportunidade foi agraciado com o Diploma e a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Em 2017 Seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão Ouro Preto, é entronizado no hall principal da nova sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na ocasião a Memória do Judiciário publica o catálogo Oscar Araripe e a Confraria Filmes produz o documentário Os Tiradentes de Oscar Araripe. O rosto do herói figura numa das faces da Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, ofertada anualmente no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito pela Alumni-FND em parceria com a Fundação Oscar Araripe e apoio de significativas entidades do Direito e da Justiça.

Ainda em 2017 recebe a Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva, da CAA Vanguarda /OAB-MG e participa da exposição #ArteLiberdade na Fachada Digital da UFMG, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, e depois em Atenas, Grécia, em evento patrocinado pela Embaixada do Brasil local.

Oscar Araripe é Diretor Cultural da Associação dos Antigos Alunos de Direito da UFRJ - Alumni /FND e da Artes, Ciências e Letras / Sociedade Acadêmica de Incentivo à Educação Jurídica e Republicana de São João Del Rei e Tiradentes e Conselheiro Emérito do Conselho de Minerva da Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ.

Em 2018 é homenageado pela Bienal das Artes de Brasília como Convidado de Honra, e expõe O Brasil Nunca Mais o Brasil.

Em julho ganha o título de Cidadão Honorário de Ouro Preto, cidade histórica Patrimônio da Humanidade.

Em abril de 2019, a convite, expõe Flores para Harvard no Harvard Science Center, no Massachusetts Institute of Technology, no Art Studio da Leverett House e no Harvard Club de Boston. Realiza palestra no Theatre Auditorium da Leverett House e realiza workshop com os alunos de arte de Harvard sobre como pintar na vela náutica e no film laser. O mais tradicional e importante jornal de Harvard, o Harvard Crimson, publicou com destaque entrevista com Oscar Araripe

Fonte: Revista Pixe, publicado em setembro de 2019.

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As pinturas do artista brasileiro Oscar Araripe florescem em Leverett

O artista brasileiro Oscar Araripe falou sobre sua brilhante e colorida coleção de pinturas “Flores para Harvard” - em exibição na Leverett House esta semana - na noite de quinta-feira no Leverett Library Theatre.

O amigo de Araripe, Peter B. Rodenbeck '61, também falou no evento, que fez parte da programação organizada pelos Reitores da Faculdade Leverett House Brian D. Farrell e Irina P. Ferreras para fomentar a interação entre os alunos de Araripe e Leverett.

Na palestra, Araripe disse que já havia estudado em Harvard na década de 1960 para escapar da perseguição política nas mãos dos militares brasileiros, que controlavam o governo na época. Ele havia sido eleito para o sindicato estudantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro e era vocal em sua oposição ao governo. Araripe não tinha permissão para assistir às aulas e temia ser preso ou morto, segundo folheto distribuído à plateia.

Refletindo sobre o retorno a Harvard, Araripe disse ter recebido duas bolsas para estudar na Universidade, que “salvaram” sua vida.

“Essas bolsas foram muito importantes na minha vida”, disse ele. “Salvou minha vida porque naquela época fui castigado pela ditadura no Brasil.”

Embora Araripe não fosse um artista em tempo integral na época, ele disse que sua experiência em Harvard moldou sua apreciação pela pintura. Ele disse que visitava o Museu Fogg com frequência.

“A primeira vez que vi os grandes mestres da pintura foi aqui em Harvard”, disse Araripe.

Araripe acrescentou que acredita que a arte é importante em todas as áreas da vida.

“Acho que a arte dá o direcionamento e a solução para todos os tipos de coisas - políticas, econômicas, sociais. Eu acredito fortemente nisso. Eu trabalho nisso, em soluções através da arte ”, disse. “Eu acredito no governo do poeta.”

O morador de Leverett Luke G. Melas-Kyriazi '20 disse que gostou da adição da arte de Araripe à Casa.

“O corredor de baixo sempre foi meio monótono e apenas não muito emocionante. E agora é muito bom ter muitas coisas nele. Especialmente, as pinturas são meio coloridas e realmente animam Lev [erett] ”, disse ele.

Lincoln J. Craven-Brightman '20, outro residente de Leverett, também disse acreditar que a nova arte melhorou o ambiente da Casa.

“Estou ótimo por trazer mais arte para a vida da casa”, disse ele. “É bom ter um ambiente onde me sinto menos estressado. Adiciona algo. Não sei se é quantificável. ”

A programação de uma semana sobre a arte de Araripe faz parte de um programa de residência para novos artistas de Farrell e Ferreras, que assumiram as funções de reitor da faculdade em julho de 2018. Farrell disse que espera priorizar as artes e a cultura internacional na Leverett House.

“Nós pensamos, tínhamos este belo espaço de galeria, ele foi projetado para pendurar arte, e imediatamente pensamos que essa era uma boa maneira de começar nossa série de residências, de artistas residentes na Casa”, disse Farrell em um entrevista quinta-feira.

No outono passado, Leverett recebeu o saxofonista Bill Pierce. Ferreras disse que a dupla espera receber um novo artista a cada semestre, dando aos alunos a oportunidade de interagir com os artistas por meio de palestras, workshops e interações casuais no refeitório.

“A ideia principal é trazer as pessoas que visitam Harvard às casas também”, disse Ferreras. “Porque normalmente essas pessoas visitam e são anunciadas, mas não vão às casas ... você está em Harvard, mas pode estar perto dos alunos indo às casas, não apenas em um grande auditório.”

“Nossa esperança é que isso seja adotado pelos alunos e se trate de fazer conexões”, acrescentou Ferreras. “Não sei se é algo que está sendo feito em outras casas. É algo que surgiu da nossa paixão. ”

Fonte: The Harvard Crimsom, publicado por Amir K. Hamilton e Amy Y. Li, escritores colaboradores, em 12 de abril de 2019.

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Oscar Araripe: “Fora da Arte não há solução”

Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1968 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o pintor e escritor Oscar Araripe, foi eleito para o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), e militou na Ação Popular (AP). Foi anistiado pelo Governo brasileiro em 2012 pelas punições sofridas na Ditadura Cívico-militar de 1964-88. Foi jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora. Escreveu China, o Pragmatismo Possível, 1974. Editou, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação. Autor da trilogia literária “Maria, Marta e Eu”, sua obra foi analisada por Antônio Houaiss, Eduardo Portella, José Paulo Moreira da Fonseca e Márcio Souza. Sua obra de pintura e desenho, “Nova, Alegre e Vivaz”, mereceu a atenção crítica de Frederico de Moraes, Milton Ribeiro, Jean Boghici, Sérgio Rouanet, Luiz Galdino, Mário Margutti, Fernando Lemos, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Oscar D’Ambrosio, José Roberto Teixeira Leite, Pierre Santos, Wilson Lima e Gustavo Praça. Em 2015 foi agraciado com a Medalha Tiradentes, da Alerj, maior condecoração do Estado do Rio de Janeiro e também com a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, ofertada anualmente por ocasião do Dia Nacional da Liberdade, a 11 de novembro, dia do nascimento de Tiradentes, pela Alumni/Faculdade Nacional de Direito.

Oscar, em uma certa oportunidade, você afirmou que a arte, em si, é social. E o artista brasileiro de modo geral, tem essa mesma consciência, ou seja, de que ele faz parte de um plano social?

Não só a Arte, não só o humano, mas tudo que vive é social, se organiza, interage socialmente. Mesmo o ser solitário está inserido em seu contexto, corrobora o social. Arte viva é, portanto, arte social, sempre. Ou seja, na Arte o que importa é se tem vida ou não. Se tiver vida estamos na Arte e no social. Arte morta é a que pretende ser política antes de ser Arte. A Arte viva começa e termina na arte e tem eficácia política. Ou seja, quanto menos intenção social mais política é a Arte. Na verdade, fora da Arte não há solução, ela que a tudo redime e dá direção. A arte, portanto, é a melhor política, e o pincel a melhor arma. Sonho com a boa arte do tempo da liberdade. Quanto mais Arte mais política. Acho que o artista deve ser político como cidadão, não como artista. Se assim for, sua arte terá sempre grande valor político, e mais que isso, será sempre revolucionária, subversiva. Ser pintor, por si só, já é um ato político, pois, implica em ser poeta e nada mais político que ser poeta. Hoje, revolução, em Pintura, e mesmo fora dela, é pintar um novo jarro de flores. Nada mais do que isso. O que está ocorrendo, no entanto, é uma utilização do artístico com fins sociais, políticos. Ou seja, perde a Arte e perde a Política. O social resolve-se com investimento, com educação. É claro que o sol nasceu pra todos e que todos devem ter acesso à Arte e à Cultura. Mas esse acesso se faz com a distribuição da riqueza e com a valorização institucional da Cultura. Mais que isso: A Arte, o direito à Arte deve ser um direito fundamental, garantido pela Constituição e pela realidade. A Arte, como a sociedade, tem dois grandes inimigos: o indivíduo, que impede o surgimento da pessoa, na plenitude de sua dignidade, e o capitalismo, hoje em fase suicida e que nos leva a todos ao precipício.

Você já trabalhou como jornalista cultural em certa fase da sua vida. Como vê o jornalismo cultural que é praticado em nosso país atualmente?

Um horror. Não vejo jornalismo cultural. Vejo jornalismo de entretenimento. E mesmo assim apartado, matéria paga ou publicada com tráfico de influência, num cenário de grande inversão de valores. Nenhum jornal brasileiro sequer pensou em ter um editorial cultural, permanente, ao lado do editorial político. Existem casos isolados, como o seu, que está reunindo um grupo notável de entrevistados. Mas, na grande mídia o que se vê é um deslavado entreguismo cultural. Vergonhoso. Sabotagem cultural, pra não dizer outra coisa. Mas digo: é crime de lesa-pátria. Primeiro entra a Arte, depois a Cultura, simultaneamente, e então a Economia domina, pois, o povo já engoliu a ideologia do dominador, já está armadilhado, entretido. O dominador mora ao lado. A rigor, nesta fase suicida do capitalismo, já não existe economia e sim finança, dinheiro. Pior, dinheiro falso. O mundo está cheio de ouro dos tolos, de pirita. Você sabe, o grande crítico é o crítico do jornal grande. Mas, não existe mais crítico, só jornal grande. O dinheiro, as agências de notícias do dinheiro falso corrompem os jornalistas preguiçosos. De tanto entreterem acabaram entretidos. Falta cultura pessoal, independência, para que possa haver crítica. Em verdade, a crítica não interessa aos donos dos jornais e tevês. Ademais, a notícia artística e cultural internacional vem “de graça”, em sucessivas avalanches por sobre as redações brasileiras. Informação cultural e artística custa dinheiro. O Brasil não produz informação cultural e as redações têm preconceito quanto às poucas que aqui são produzidas. Complexo de vira-latas, em cabeças de dálmatas abobalhados. Importam estética, importam ideias, importam tudo que o pacote internacional dá, aos montes. É só repetir, replicar. Repliquemos, que é o que temos. E o que temos de bom não é nosso. Arrotam-nos uma Manhattan Connection quando o Brasil anseia por uma Conexão de Tiradentes. Até, e principalmente, os governos e as entidades culturais, entregam-se a esse delírio entreguista de replicação. Está certo que a Arte é universal e que o sol nasceu pra todos, repito, mas, o fato é que nossa Arte e nossa Cultura estão na sombra. Mostras e mais mostras são mostradas, do belo Miró [Joan Miró, escultor, gravurista e pintor espanhol, 1893-1983], do belo Picasso (Pablo Picasso, pintor e escultor espanhol, 1881-1973], do belo Rodin (Auguste Rodin, escultor francês, 1840-1917]… Mas, cadê os nossos belos impressionistas? Onde estão os nossos belos modernos? Onde estão os artistas que não se enquadram em movimento nenhum? Cadê a nossa realidade? Onde está a realidade pessoal do artista? Enfim, impuro tempo esse do desbragado reboquismo cultural. Mas, animem-se, não se desesperem. Este homem não é o Homem. É apenas um dos homens. Novos homens virão, até que as condições para o Homem pessoalizado surja.

Sim. A manipulação política da Arte é total e ilimitada. É a bomba de hidrogênio da globalização. Em seu nome, à simples referência de seu nome, ficamos surdos; isto é, mudos. Como ser contra uma exposição de Picasso? Mas, o morto está dentro do belo caixão e o crime é geral, mesmo que uma boa arte o maquie. Pagamos, e caro, para não termos arte e cultura brasileiras visíveis. E, ainda mais que a Arte nossa, estamos matando a Arte pessoal, o artista. E aqui está o cerne da questão. A falta de crítica, capaz e isenta, nas mídias e nas universidades, está matando a pessoalidade do artista, impedindo que ela nasça e floresça. Tentam nos vender que tudo é Arte. Lembra-me a frase de Champollion [Jean-François Champollion, linguista e egiptólogo francês, 1790-1832], o arqueólogo de Napoleão, que disse que no Egito antigo tudo era Deus, exceto Deus. Parodio: Hoje tudo é arte, exceto a Arte. Enfim, estamos sumindo como pessoa artística e como nação cultural. Nação riquíssima, pessoa maravilhosa, diga-se. Definhamos, sim, sem amor e sem bolero. De quem a culpa? Nossa, vossa, principalmente. Os artistas plásticos, de modo geral, só pensam em seus blá-blá-blás e na sua carreira. Raramente opinam e nem são chamados a opinar. Aceitam serem explorados pelas entidades culturais em troca de uma exposiçãozinha quando muito quinzenal. Os Governos, os empresários, usam a Lei Rouanet para se promoverem e enriquecerem as gráficas e os donos do entretenimento. Usam a Lei Rouanet sem pudor para investirem neles mesmos. O Brasil, os empresários, as universidade são todos avaros, não premiam, não incentivam, não honram os que merecem, enfim, duvido que o Instituto Lula ou o Instituto FHC, ou a Universidade de São João Del Rei estejam pensando em agraciar a cultura brasileira com uma Medalha de Resistência Cultural…

Por que o mundo da pintura é preconceituoso em sua visão?

Quanto mais rico mais preconceituoso. Lá fora, no mundo dos ricos, só podemos fazer “arte menor”. Arte maior é com eles. Somos culturalmente colonizados. Ou melhor, nós não, a mídia poderizada e o mundo acadêmico. Chega a ser ridículo, o pintor prefere ser chamado de “artista plástico” a ser confundido com o pintor de parede. Sempre que sou lembrado ao nível oficial surge um “artista plástico” me qualificando depois do nome. A verdade é que no capitalismo, nas religiões, todo mundo discrimina todo mundo. A razão? Se você admite um acima, admite um abaixo. Para romper com isso é preciso um mundo novo, um Homem novo. No que diz respeito especificamente à Pintura é preciso reduzir os cursos de História da Arte e aumentar, ou melhor, criar, pois, nem existem, os cursos de Filosofia da Arte. Ou seja, precisamos dar voz ao artista, ao criador. Hoje, todos sabem a cor da cueca do Van Gogh, mas não sabem o pensamento do Portinari, por exemplo. Os cursos de História da Arte estão utilizando livros de cem anos atrás, como se fosse grande novidade -, e o artista brasileiro, principalmente, não publica, não é chamado para entrevistas, não tem voz, enfim. Estes cursos fazem o jogo da dominação estética. A Arte, repito, é universal, mas, na prática o que existe é tão-somente a difusão da arte e da cultura do mundo dos poderosos, a arte da aristocracia financeira, arte acomodada, comportada, novidadeira, de falsa vanguarda. O entretenimento serve para isso: distrair os pobres coitados, atolados nas dívidas, na desesperança, na falta do que fazer depois do trabalho, quando têm trabalho. A luta, hoje, é contra o Dinheiro, contra o trabalho pago com pirita. Liberdade é participação, e o povo não é chamado à participação. O urinol do Duchamp [Marcel Duchamp, pintor, poeta e escultor francês, 1887-1968] tem mais de 100 anos, mas é vendido como se a urina ainda borbulhasse. Mas, atentem: é um problema econômico, de dominação financeira. As minas do Rei Salomão não ficam na África, ficam aqui, em Minas Gerais, na Amazônia. Não é porque não tem dinheiro que o Brasil não investe em Arte. Mas sim porque é um país colonizado, de fora pra dentro, de cima pra baixo, com os de dentro sorrindo pros de fora. Como se dissessem: vejam, ainda temos dentes.

O preconceito na Pintura, pouco ou nada difere do preconceito geral. Pintura, no Brasil, ainda é coisa de bem-nascidos e deve ser produzidas para os ricos. É um país que não compra arte, não forma acervo público. Só compra computador, carro, câmaras de segurança. É claro que a Pintura, em si, vale muito, até porque é o verdadeiro dinheiro. Mas o preconceito existe porque a Arte e a Cultura que estamos vendo e vivendo na mídia e nas academias não são nossas. Sofremos com o ditame financeiro internacional, avassalador, arrasador, e que é nacional também. Enfim, luto por uma Arte pessoal, antes de lutar por uma Arte nacional, mas, uma não vem sem a outra. Só uma Arte pessoal nos livra dos preconceitos. Agora, favor não confundir Arte com Democracia. Na Arte o que vale é o melhor, e o melhor é o mais inovador, o mais belo, o mais libertário, o mais social, o mais pessoal… Já a democracia é uma dessas esperanças que não há quem não explique e ninguém que não a entenda.

E o mundo da pintura, já foi preconceituoso com você em algum momento?

Sim. Muito. Mas não o mundo, algumas pessoas, algumas galerias brasileiras. Primeiro porque não estudei formalmente a Pintura, segundo porque meu autodidatismo me obrigou a inventar, intuitivamente, uma nova tela para a pintura (uma vela náutica oceânica de poliéster), tão boa que me permite expor permanentemente ao ar-livre. E, ademais, bela; embora muito difícil de pintar, pois, não permite nem o esboço e, nem a correção. Um ótimo material, em resumo. E isto numa época em que a tela de pano está decadente, isto é, já não tem a mesma qualidade que tinha no passado, quando era de linho e alcalina. Ou seja, autodidata, excêntrico, subversivo e ainda por cima prescindindo das galerias para expor… Já viu, né? Mas foi bom. Repudiado, achei o meu caminho, sendo pioneiro na criação da modalidade “galeria pessoal”. Nasceu assim: um dia, eu bestando e comendo jabuticaba na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, dias depois de ter feito uma exposição ao ar-livre no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Eco-92, com público estimado em dois milhões de pessoas, reparei, bem na minha frente, uma agência do Bradesco apinhada de gente e com uma placa na entrada que dizia “Banco Bradesco”. Então eu pensei, se o Bradesco precisa de nome na porta para traficar o nosso dinheiro, o que direi eu, um simples pintor de poesias coloridas. Então eu atravessei a rua e abri a minha primeira galeria pessoal e desde então me tornei um pintor profissional. E mais: independente.

Em que período a sua natureza libertária esteve mais presente de uma forma visceral em seus trabalhos?

Sem liberdade interna e externa a Arte é uma chatice. É a liberdade, “a surpresa da liberdade” que impulsiona o pintor a pintar. É o que vem “de graça”. Acho que o tema dos jarros de flores, como eu o concebo, é o mais libertário, pois, é somente forma e cor. Nele, já estamos livres das quatro grandes pragas da Pintura; a saber, a literatura, a história, a anedota e o conceito. Pintura é imagem, e imagem é silêncio, daí uma pintura que seja forma e cor ser mais pintura, pois, é mais silenciosa. Quanto mais silenciosa a imagem mais ela grita, melhor ela é. Ou seja, não é bom se contar histórias nem historinhas numa pintura, muito menos apelar-se para a anedota. E o blá-blá-blá conceitual é um horror. Está matando a arte visual e criando filósofos do óbvio, acacianos abestalhados.

Quando escreveu seu livro sobre a China, imaginava que a nação hoje seria essa potência no campo econômico, ou melhor, já via indícios de alguma coisa nesse sentido quando estava no país, pois, como bem diz, a China de Mao Tsé-Tung naquela época, era a China dos camponeses?

Bem, foi uma pena a China ter ido por este caminho. A Terra é esgotável e está esgotada. Se me permite a onipotência, acho que a China errou e creio que um dia retomará o caminho do “horizonte camponês”, que é muito mais humanístico, belo e viável. Além de garantir uma saúde melhor para os seus cidadãos. Aliás, não só a China, mas creio que o mundo do futuro será de jardineiros e poetas, ou não será. A China de hoje gosta mais de mim do que eu dela – deduzo, pois, me honrou com uma Medalha de Ouro, em Londres, na Olympic Fine Arts Exhibition, em 2012, enquanto eu a critico e a aconselho a gastar os seus trilhões de dólares falsos acumulados comprando pintura que, aliás, é o verdadeiro dinheiro. Bom dinheiro é o que reproduz boa pintura nas suas cédulas… que fingem ser pinturas. Mas já não existem dinheiros assim.

Você diz que o período de estudos nos EUA e na Itália, foram fundamentais na sua formação. Qual a lembrança mais notória daqueles momentos no efervescente anos 60?

O mais notório é que eu estava longe da ditadura brasileira, podia viver, sem medo de ser morto, nem seqüestrado. Longe dos anos de chumbo, aliás, se me permitem, de kriptonita, já que éramos todos jovens super-homens lutando pelas liberdades democráticas. Minhas “bolsas de estudos” foram disfarces para sair do país, sem chamar muito atenção. A liberdade, diga-se, é a mais deliciosa das delícias. E não só a liberdade política, a do corpo também. Na América eu vivi a liberdade do corpo, na Itália a liberdade da alma. Inesquecível: um dia, fui a uma festa, na Memorial Church, e vi os jovens estudantes de Harvard dançando rock, que acabava de nascer, como que enlouquecidos, em cima dos túmulos dos heróis americanos. Foi como se estivessem se libertando da caverna, e eu também. Mas, o melhor de Harvard é o Fogg Museum. Lá vi pela primeira vez os impressionistas franceses e os pintores coloniais americanos primitivos, de lindas marinhas. Uma maravilha. O Fogg foi um dos lugares que definiu a minha vida de pintor. Na Itália, em Florença, a simples visão do David de Michelangelo [Michelangelo Buonarroti, escutor e pintor italiano, 1475-1564] foi suficiente para eu acreditar no valor da beleza, para sempre. As pedras de Roma ensinaram-me a permanência do belo, os gramados de Harvard o grande valor da sociedade rica, ainda que, no caso, unilateralmente rica. Enfim, tudo de belo e bom que aprendi na minha meninice, no subúrbio carioca do Encantado, com os balões, com as festas de São João, com a frescura dos quintais frutíferos, com as pipas que eu mesmo fazia, com a bola de gude e sua visão interna do cosmos, com o carnaval do carnaval do carnaval, tudo isso que formou a minha estética e a minha poética foi reforçado nos meus exílios americanos e italianos. Pena que os anos 60 terminaram. Nós, os puros das utopias, os sentimentais da razão, merecíamos novos e mais duradouros anos 60. Precisamos avançar até os Anos 60. Quanto mais antiga a crença maior a fé. O Deus Sol há de voltar, creio. Pois, Deus bonito era o Sol…

O autodidatismo lhe deu mais liberdade como pintor, ou acredita que mesmo se não fosse autodidata, essa liberdade viria da mesma forma?

Aposto mais no autodidata e no excêntrico, no sentido de “fora do centro”. Antigamente, na tradição oriental, os melhores pintores, capazes de criar escola, eram excêntricos. Geralmente eram aventureiros, escritores, calígrafos, poetas, místicos, jardineiros que um dia, na maturidade, de repente, começavam a pintar – e tão valioso era o seu autodidatismo que podiam fundar uma escola. Noel [Noel Rosa, sambista, compositor e bandolinista 1910-1937] carioca tinha razão – samba não se aprende no colégio. Todos os cursos de pintura se dizem livres, mas a verdade é que se lhe põem um determinado pincel nas mãos muito dificilmente você o abandonará. O pintor tem que criar o seu espaço, só dele, senão morre na Lua. Ninguém é grande ocupando o lugar do outro. Não há competição na Pintura. Um pintor só é grande quando atinge sua expressão pessoal, resultado também de sua técnica pessoal. Na verdade, um pintor para ser grande precisa desaprender… profundamente.

Por que é tão difícil ser pintor na juventude? Afinal você não é o primeiro que diz isso para nós…

A Pintura é uma Arte da maturidade. Exige, hoje, uma expressão já pronta, uma caligrafia já elaborada, uma poética já construída. Ademais, é necessário uma “integridade psíquica”, algo que se conquista na maturidade. Quanto mais “integridade psíquica” mais se pode ser original e ser acreditado na sua originalidade. Ou seja, a Pintura é uma Arte extremamente difícil que deve ser feita com muita facilidade. E Alegria. Pintura é poesia, vem da juventude, mas, para ser pintor é preciso ser sátiro e anjo a um só tempo. Uma coisa é pintar, outra é ser pintor. Ser pintor é um disfarce para se lutar pela paz mundial, pelo universo da pessoa. Um segredo: a Pintura é a única Arte capaz de plasmar a vida na tela, por isso é o verdadeiro dinheiro. Pinto para que o mundo vire pintura.

Em uma certa ocasião, você afirmou que se nos permitissem saber mais sobre Marx, com certeza seríamos todos os comunistas a caminho do anarquismo. Existiu alguma experiência que o fez chegar a essa ideia que hoje é tão firme em sua personalidade?

Querido, eu só não fundo o Partido Comunista Democrático porque gosto muito da convivência com a minha esposa. Explico. No Brasil, onde existe a ditadura dos partidos (o mandato é do partido, não do eleito; é proibida a candidatura avulsa), quem manda é o diretório. Pouco importa se você ganha a eleição ou não, tem poder quem frequenta as reuniões dos diretórios, que geralmente são à noite; ou seja, só frequenta quem está brigado com a esposa… Ora, amo minha mulher, logo minha carreira política termina aqui.

Resta o anarquismo. Sim. Só acredito no Governo do poeta. Creio na ordem anárquica como a mais magistralmente eficaz e democrática. Ser pintor é se autogovernar. Marx [Karl Marx, filósofo, sociólogo e jornalista alemão, 1818-1883] e Freud [Sigmund Freud, neurologista e criador da Psicanálise, 1856-1939] foram assassinados pelos conservadores antes mesmo de serem lidos e digeridos. Fazem muita falta na atualidade, assim como Marcuse [Herbert Marcuse, sociólogo e filósofo alemão, 1898-1979], outro grande assassinado. Lembro uma frase de Marx, que cito de memória, de grande atualidade, e que vale um tratado de sociologia: “Os burgueses, não contentes em prostituírem as filhas dos operários, têm um prazer incontido em se cornearem entre si”. Lindo!

Em que tem trabalhado atualmente?

Há dez anos me dedico a pintar aos jarros de flores. Mas, você sabe, o mais difícil de ver é a ponta do nariz. Antes, sempre, nas minhas paisagens, nas minhas pinturas de casarios tiradentinos eu punha no fundo, como detalhe, a magnífica Serra de São Jose de Tiradentes, que há 25 anos contemplo aqui de casa. Mas, nunca a protagonizei, ou seja, ela como o tema da tela, sozinha na sua magnificência. Agora pinto um jarro de flor e uma Serra de São José, alternadamente. Amo a Serra tanto quanto amo os jarros de flor. Ou seja, como diz o Caymmi [Dorival Caymmi, cantor e compositor baiano, 1914-2008]: O pescador tem dois amor… Assim mesmo no singular, que é pra rimar. Há algum tempo, também, só aceito trabalhos não-remunerados. Atualmente ajudo a Associação de Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito, onde estudei e me formei, embora nunca tendo exercido a profissão. Realizamos uma festa no Dia Nacional da Liberdade, a 12 de novembro, batismo e nascimento de Tiradentes, onde, numa programação cultural no Salão Nobre da Faculdade, agraciamos personalidades e entidades com a Medalha da Resistência Cidadã. Para a festividade deste ano, tenho trabalhado no projeto Nossas Desculpas, onde Brasil e Portugal pedem reciprocamente desculpas pela expulsão e banimento da Família Real e a condenação dos Inconfidentes. Trabalho também, com Cidinha, minha mulher, e alguns amigos, na programação da nossa Fundação artística e cultural. Acordo cedo, durmo cedo. O melhor de Tiradentes é o ar puro e o silêncio. O tempo que sobra cuido do meu jardim, dos meus canários belgas. Adoro minha família e adoro receber meus amigos. Sou um homem ocupado… mas disponível.

Fonte: Paronama Mercantil, publicado por Eder Fonseca em 6 de abril de 2016.

Crédito fotográfico: Facebook Oscar Araripe

Oscar Araripe Ferreira (Rio de Janeiro, RJ, 19 de julho de 1941), mais conhecido como Oscar Araripe, é um escritor e pintor brasileiro. Paisagista, marinista, realista e subjetivo, Oscar Araripe possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome, sediada em Tiradentes, MG, onde também possui galeria pessoal. Em sua obra, destacam-se Pilares, de 1200 imagens; seus bico-de-pena sobre Tiradentes, Ouro Preto, Bahia e Ceará; seus eróticos; e seus Jarros de Flores. Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais.

Oscar Araripe

Oscar Araripe Ferreira (Rio de Janeiro, RJ, 19 de julho de 1941), mais conhecido como Oscar Araripe, é um escritor e pintor brasileiro. Paisagista, marinista, realista e subjetivo, Oscar Araripe possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome, sediada em Tiradentes, MG, onde também possui galeria pessoal. Em sua obra, destacam-se Pilares, de 1200 imagens; seus bico-de-pena sobre Tiradentes, Ouro Preto, Bahia e Ceará; seus eróticos; e seus Jarros de Flores. Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais.

Videos

Tiradentes Rediviva | 2020

Flores tombadas | 2021

O jardim de Oscar Araripe | 2020

Minha trilha à Mineiridade | 2017

Oscar Araripe | 2012

Oscar Araripe - Globo News | 2012

Entrevista a Marcos Barbosa - 1 | 2011

Entrevista a Marcos Barbosa - 2 | 2011

Homenagem à Oscar Araripe | 2012

Biografia - Itaú Cultural

Na década de 1960, estuda na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro; frequenta seminários na Harvard University, Estados Unidos, com bolsa da Interamerican University Foundation; e faz curso na Universidade Pró Deo, Itália. Após longa carreira como escritor, tradutor, crítico de teatro, editorialista cultural, colunista e redator, começa a pintar como autodidata usando papel vegetal e tela sintética (vela náutica). Em 1975, participa do evento Poemação, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1994, abre ateliê e galeria pessoal em Tiradentes, Minas Gerais. Expõe no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1992; no Museu Regional de São João del Rei, Minas Gerais, 1995; entre outros. Em 2002 abre nova galeria pessoal na Cidade Histórica, em Porto Seguro, Bahia, onde passa também a residir.

Fonte: OSCAR Araripe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 31 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Curriculo

Com residência, estúdio, galeria e Fundação em Tiradentes, Minas Gerais, Oscar Araripe nasceu na Tijuca, Rio de Janeiro, em julho de 1941. A mãe cearense e o pai gaúcho logo foram morar no bairro proletário do Encantado, onde o pai, médico, e a mãe, professora, exerciam suas profissões.

Desta época o autor lembra os ecos rudes da guerra - a difteria, o carro a gasogênio, o começo da miséria que há muito se abatia sobre os povos do mundo. Logo, porém, descobre as alegrias de uma meninice solta e suburbana, ao lado de belas fruteiras e morros e campos de futebol. Ali, naqueles quintais, aprende os ventos pelas pipas, o gosto da fortuna aliado à audácia, a sociabilidade independente, a grande beleza do pequeno. E do grande. A inexistência de ambos. O universo na bola de gude. Lê Júlio Verne, o Robin Hood, o Robinson Crusoé, Os Três Mosqueteiros, os heróis dos quadrinhos americanos. “Os mais belos quadros eu vi nos “comics” e nas figurinhas da bala Ruth”. “Aprendi minhas pinceladas fazendo e soltando pipa”. “Minha imaginação nasceu com o Carnaval do Rio de Janeiro, com os balões de São João dos subúrbios cariocas”. – iria mais tarde dizer.

Depois, subitamente, os pais mudam-se para Ipanema e Oscar Araripe pula das pedras do Arpoador, frequenta a Praia do Diabo e toma chope no Jangadeiros. É a Ipanema de antes da Garota: os anos 60, e a política que parece tomar conta de tudo, parecendo poder salvar a própria vida. O autor entra para a Faculdade Nacional de Direito. Sobrevém o golpe de 64. Faz parte do CACO-Livre. É cassado. Viaja aos Estados Unidos, como bolsista da Interamerican University Foundation, em 66 e 68. Freqüenta seminários em Harvard, e vivencia seu convulsionado campus. A América mesma está convulsionada: a guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis. Araripe interessa-se pelo Teatro. Escreve ensaio sobre o teatro americano contemporâneo, enfocando Tennessee Willians. Ganha viagem à França. Volta ao Brasil. Traduz Peter Brooks, O Teatro e seu Espaço, para a Editora Vozes. Adapta e encena, em Ouro Preto, com Maria Fernanda e Othon Bastos, O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Escreve O Enviado da Transilvânia, sátira para teatro em três atos. É punido pela Censura Federal em episódio que origina a Greve do Teatro. Interessa-se pela pessoa humana. Milita na AP e escreve o ensaio Breve Estudo Introdutório aos Personalismos, que lhe vale bolsa de estudos em jornalismo na Universidade Pró Deo, de Roma, Itália.

Aí escreve para publicações brasileiras. Viaja pela Europa. Organiza, com outros, passeata em Roma contra o AI 5. Encena Quando le canzione non parlano d’ amore, com Chico Buarque, Sérgio Endrigo e Sergio Bardotti. Volta ao Brasil, 1969. É crítico teatral, editorialista cultural, colunista, redator e repórter do Correio da Manhã, Última Hora e Jornal do Brasil. Edita, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação. É membro fundador da Sociedade Internacional de Educação Através da Arte (INSEA). Viaja a convite à Polônia, à Alemanha, à China. Publica China: O Pragmatismo Possível, pela Editora Artenova, alcançando grande sucesso. 1975 - É citado na Bibliografia do Novo Dicionário Aurélio. Deixa o jornalismo. Faz literatura. É verbete na Enciclopédia de Literatura de Afrânio Coutinho. Participa de Poemação, com Roberto Moricone, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Publica Maria na Terra de Meus Olhos, pela Editora Rocco, com prefácio de Antônio Houaiss e textos de Eduardo Portella e José Paulo Moreira da Fonseca.

1976 - Oscar Araripe passa a morar por 13 anos em Mirantão, Minas Gerais, Brasil.

1982 - Publica Marta, Júpiter e Eu, pela Editora Marco Zero, com prefácio de Márcio Souza. Dele diz Marcelo Rubens Paiva, em Veja, em agosto de 1983: "Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres".

1984 - Escreve Eu Promeu, o que Amazoneu, alentada prosa, finalmente com 450 páginas, e com a qual encerra sua trilogia literária. Como calígrafo e desenhista faz 12 "transcrições visionadas" de um imaginário poético do Brasil, a que chama Pilares. Nesta época conclui os Pilares Oui Xiang-Xing Oui, O Uaupés, o Areião, o Docodema, Um Dia de Noite na Caça ,o Ererê, o Sabuji, O Piauí da Paraíba, Um Dia de Noite na Caça, o Brasil é o Pau do Brasil, O Brasil Nunca Mais o Brasil e O Sol que Outrora Brilhou, totalizando mais de 1500 imagens.

1988 - Expõe na Galeria Olívia Kann, em Ipanema, Paisagens e O Pilar do Areião, apresentado por Jean Boghici.

"Coloquei sobre a mesa aqueles duzentos e tantos desenhos, feitos com uma incrível mistura de materiais - acrílica, pastel, tinta industrial, bico de pena, markers - sobre um inusitado papel vegetal. Fui passando um a um como páginas de um livro. Esta aproximação que faço com o texto não é absurda, afinal Oscar Araripe, autor e animador teatral, personagem de 64 e 68, autor de um livro de sucesso sobre a China e desde 1975 romancista, desenha e pinta um pouco como escreve, de um jorro só. E, devo confessar, foi uma viagem delirante como se, careta como sou, tivesse feito minha primeira viagem" - diz Frederico Moraes.

“Independente, recolhido, Oscar Araripe vem contribuindo para a renovação da pintura, tanto por seu traço e colorido original, espontâneo e inusitado, como pelo uso da tela sintética (vela náutica) e de estruturas tubulares como moldura e suporte, que lhe permitem expor continuamente ao ar livre e diretamente ao grande público “- diz Fernando Lemos.

São muito apreciados também seus bicos-de-pena e pinturas sobre papel vegetal e film laser.

Inaugurando novos espaços para a pintura, expôs em 91, em Brasília, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional e em 92, no Arpoador, no Rio, O Pilar do Uaupés, sob os auspícios da Rio Arte.

Seus painéis sobre Tiradentes, mostrados em abril de 1992, simultaneamente, no Museu da República, no Rio e no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, durante os festejos do Bicentenário, foram depois expostos no Museu Mineiro, em Belo Horizonte e no Fórum de Tiradentes.

Ainda em 92, expôs Pipas, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, e em junho, no Jardim Botânico, Extinção Nunca Mais, mostra incluída na UN-Eco/92 e vista por público estimado de 2 milhões de pessoas.

Em julho de 93, reinaugurando o Festival de Inverno de Ouro Preto, expôs Pipas da Liberdade, na Praça Tiradentes e, em dezembro, Natividade, na Igrejinha de Oscar Niemeyer em Brasília, onde podem ser vistas belas pinturas do grande pintor mineiro, Alberto da Veiga Guignard.

Ainda em 92 pinta Ouro Preto, expondo 16 telas na Fundação de Arte de Ouro Preto e na Villa Riso, no Rio.

"Ninguém pintou Ouro Preto mais bonito do que ele, tão radiante - e olha que não é fácil achar o brilho por baixo do peso da História" - diz Gustavo Praça, em Capinando o Rio.

Suas paisagens, flora, bichos e eróticos, e também suas transcrições visionadas vem merecendo a atenção de consagrados nomes da crítica, do jornalismo e da cultura, tais como Frederico Moraes, Jean Boghici, Alberto Beuttênmuller, Walmir Ayala, Augusto Marzagão, Luis Galdino, Milton Ribeiro, Marcio Cotrim, Fernando Lemos, Mario Margutti, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, João Bosco de Castro Teixeira, Rubens Araújo, Hélio Carneiro, Gustavo Praça, José Geraldo Heleno, Wilson Lima, Oyama Alencar, Palhares Jr., Cherlânyo Barros de Castro, Odail Gomes, Manuel Garcia Noriega e Vicente Botin. Sua obra literária foi analisada por Antônio Houaiss, Aurélio Buarque de Holanda, Eduardo Portela, José Paulo Moreira da Fonseca, Wladimir Palmeira, Miguel Paiva, Ricardo A. Setti e Márcio Souza.

Em 93 participa da exposição Seis Visões de Ouro Preto, na Galeria Spix & Martius, com Inimá de Paula, Carlos Scliar, Ivan Marquetti, Carlos Bracher e Fani Bracher.

"Suas posições, seu modo de vida, sua obra compõe um todo harmônico, a concorrer por certo para esse inusual e feliz transbordamento verdadeiramente fantástico, extraordinário, que sua pintura revela" - diz Wilson Lima.

Em março de 1993 abre Galeria pessoal em Tiradentes - MG, onde passa a residir. Em abril, durante o 7º aniversário da Funrei, expõe Tiradentes, o Animoso Alferes, em São João Del Rei. Em julho, abrindo o 7º. Inverno Cultural expõe Pipas de São João, em vários pontos da cidade.

Em março de 1995 realiza pintura interativa com as crianças de Tiradentes, durante a Jornada Cultural da UFMG, expondo O Dia e a Noite, ao ar livre, no Largo das Forras.

Em julho inaugura a mostra Tiradentes, a Animosa Cidade, no antigo Fórum, expondo 15 telas sobre a adorável grande cidadezinha.

Em dezembro do mesmo ano pinta São João Del-Rei, expondo 14 telas no Museu Regional.

Em 99 volta-se para o mar e pinta A Ilha Comprida, no litoral paulista, e San Simeon, na Costa Central da Califórnia, USA.

Em 2000 expõe A Dança do Tamanduá-Bandeira, ganha o World Art Award of Excellence, da ArtSpace2000, é convidado como expositor no World Art on Paper 2000 Festival, em Kranj, Eslovênia; tem seu site incluído nos 100 Top Art Sites e ganha dezenas de prêmios internacionais de arte. Em julho e agosto de 2001 expõe no Museu de Porto Seguro, Marinhas, do sul da Bahia. Em novembro é convidado pela TriAmericas.com para expor Cavalo da América no Lincoln Center, em Nova York e Entidades da América, na Paul Robeson University, in New Jersey, USA.

Em 2002 abre estúdio na Cidade Histórica, em Porto Seguro, Bahia, onde vive por quatro anos –, época em que o vídeo Oscar Araripe, de César Tolentino e Marinho Antunes, vence a V Mostra de Cinema de Tiradentes, MG, recebendo, posteriormente, vários outros prêmios cinematográficos. Em 2003 é convidado para a IV Bienal de Firenze, Itália e realiza exposições em Toulouse, França e Madrid, Espanha. A partir de então participa anualmente de várias exposições na Espanha,na França e na Grécia.

Em 2004, retrata a heroína cearense Bárbara de Alencar, sua hexavó e Tristão de Alencar Araripe, seu filho, herói da Confederação do Equador. Pinta ainda O Dragão do Mar, líder popular abolicionista do Ceará. Neste ano expõe Flores para los Vivos na Galeria Jade, de Juiz de Fora, Minas Gerais e realiza as exposições Ceará, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, e na Universidade do Cariri, no Crato. Em novembro do mesmo ano expõe Bárbara e Iracema, duas mulheres do Ceará, na Associação Cearense de Imprensa. Nesta ocasião escreve para o Diário do Nordeste, de Fortaleza e apresenta programas culturais na TV-Verdes Mares.

Em março de 2005 expõe An American Springtime na Solange Rabello Art Gallery, em Miami. Em julho participa do Festival do Caribe, em Santiago de Cuba, expondo Repetróglifos Caribenhos, ao ar-livre, no Parque Céspedes, atingindo público estimado em 60 mil pessoas. Em 2006 repinta Tiradentes e expõe Tiradentes Revisitada, no Solar dos Ramalhos, nos Quatro Cantos, quase em frente a seu estúdio -, ocasião em que junto com sua esposa Cidinha de Alencar Araripe, e amigos, após adquirirem a casa ao lado, criam a Fundação Oscar Araripe, www.oafundacao.org.br , objetivando cuidar da obra do artista, e do desenvolvimento da pintura, da literatura, do jornalismo, da história, da política e do meio-ambiente, áreas afins com a vida e a obra do artista.

"Araripe, sua pintura, para mim é poesia. Tem a beleza das cores, a pureza e a alegria das crianças e o talento do artista. Assim criam os verdadeiros mestres" - diz Milton Ribeiro.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas"- diz Hélio Carneiro, em Manchete.

“Aedo, poeta, cantador, narrador e cantor, Araripe é um escritor de rara beleza e originalidade” - Antonio Houaiss, in prefácio de Maria na Terra de meus Olhos, Ed. Rocco, RJ, 1974.

A 20 de abril de 2007 expõe mini-retrospectiva na Galeria do Grêmio Literário Tristão de Ataíde, em Ouro Preto, e a 21 seu Tiradentes Repintado é mostrado na Câmara de Mariana, durante o III Encontro da Associação Universitária Internacional -AUI. Em agosto expõe nas ilhas gregas de Ionnina, Syros e Corfu, com a Rede Mundial de Artistas pelo Encantamento do Mundo. Ainda em 2007 pinta O Dragão Azul, com 6.00mX3.00m, e o mostra na Semana da China, na Universidade de Campinas, São Paulo. Em 2008 expõe na Fundação Charles-Leopold Mayer, em Paris. Ainda em 2008 expõe Só Flores, na Galeria Tratos Culturais do Instituto Francisca de Souza Peixoto, em Cataguases, MG e na Bienal de Chapingo, México, onde também expõe Flores para o Rei Poeta Nezahualcoyotl, no Auditório Álvaro Carrilho. Em 2009 é eleito para a Academia de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de São Joâo De-Rei. Institui com outros a Fundação Memorial a Tiradentes da Fazenda do Pombal. Em 2010 é convidado pela Galerie François Mansart para expor Flores, em Paris e pela Academia Brasileira de Letras para expor Flores. na Galeria Manuel Bandeira, com curadoria e apresentação de Alexei Bueno. Sobre suas telas de Flores disse o decano da crítica de pintura brasileira, José Roberto Teixeira Leite:

“Nesses tempos em que a arte passou a ser mensagens cifradas para snobs e iniciados, é preciso muita coragem, além de ter sido dificílimo, pintar e escrever coisas tão simples – e tão belas. Parabéns pelas pinturas e pelos textos, umas e outros plenos de poesia”.

Em 2011, crescentemente interessado pelo tema dos jarros de flores, expõe Flores Viçosas, na Pinacoteca da Universidade de Viçosa, com apresentação e curadoria de Sandra Galhardo.

Em 2011 publica o artbook Oscar Araripe: capa dura, 030x030cm, bilingue, 348 páginas, cerca de quatrocentas imagens, textos do autor e fragmentos críticos de renomados críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros. O livro tem lançamentos em Belo Horizonte (Livraria Mineiriana), no Rio (em três lojas da Livraria da Travessa), em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência e em Tiradentes, na Fundação Oscar Araripe.

Ainda em 2011 é entrevistado por George Vidor e Guto Abranches no programa da Globo News Conta Corrente Casual, sobre o tema A Pintura na Economia Globalizada, com audiência aferida de cerca de cerca de 60 milhões de pessoas.

Em maio de 2012 lança seu artbook em noite de autógrafos na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo e também na Livraria Cultura, em Brasília.

Em julho de 2012 ganha Medalha de Ouro com sua tela As Flores abraçam o Mundo na Olympic Fine Arts 2012-London, exposta no Barbican Center, em Londres, Reino Unido.

Em 2013 expõe Tiradentes, o Animoso Alferes no Museu Antônio Perdigão, em Lafaiete, Mg e realiza a exposição Flore, na Teodora Galerie d'Art Contemporain, em Paris.

Em 2014 ganha a Medalha de Ouro da Arts, Science et Lettres, da França e o Conjunto de Medalhas Pedro Ernesto, maior honraria da cidade do Rio.

Em 2015 ganha o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais, a Medalha Tiradentes, maior condecoração do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã e inaugura exposição permanente na Galerie des Glaces, em Nantes, França. Tem ainda o seu painel-mural Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Rio) entronizado nas escadarias da Faculdade Nacional de Direito, em lembrança do Dia Nacional da Liberdade, 12 de novembro, batismo e nascimento de Tiradentes.

Em 2016 tem seu mandato de Diretor do CACO - Centro Acadêmico Cândido de Oliveira - devolvido em sessão solene no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito, no Rio e expõe na Aomei Fine Arts Exhibition, no Museu Histórico Nacional, no Rio, exposição oficial dos Jogos OLímpicos Rio-2016, ganhando o Prêmio de Aquisição com a obra Flores para Guilin.

Em 2017 ganha a Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva, da CAA-Vanguarda da Ordem dos Advogados de Minas Gerais.

Seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão Ouro Preto, é entronizado no hall principal do Palácio da Justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A Memória do Judiciário Mineiro - MEJUD - publica o catálogo Oscar Araripe, alusivo à entronização.

Ainda em 2017 expõe O Brasil Nunca Mais o Brasil na Fachada Digital da Universidade Federal de Minas Gerais, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e o cinesta Marinho Antunes realiza o documentário Os Tiradentes de Oscar Araripe, o estreando na 3ª Festa Nacional da Liberdade, na Faculdade Nacional de Direito e em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência.

Vida, Literatura e Afins

Com galeria, estúdio e Fundação em Tiradentes, MG, Oscar Araripe nasceu na Tijuca, Rio de Janeiro, em julho de 1941. A mãe cearense e o pai gaúcho logo foram morar no bairro proletário do Encantado, onde o pai, médico, e a mãe, professora, exerciam suas profissões.

Desta época o autor lembra os ecos rudes da guerra - a difteria, o carro a gasogênio, o começo da miséria que há muito se abatia sobre os povos do mundo. Rebelde, sonhador, tem péssimo desempenho escolar, sobrevindo-lhe doença quase fatal. Depois, mais saudável, descobre as alegrias de uma meninice solta e suburbana, ao lado de belas fruteiras e morros e campos de futebol. Ali, naqueles quintais, aprende os ventos pelas pipas, o gosto da fortuna aliado à audácia, a sociabilidade independente, a grande beleza do pequeno. E do grande. O universo na bola de gude. Lê Júlio Verne, o Robin Hood, o Robinson Crusoé, os três Mosqueteiros, os heróis dos quadrinhos americanos. "Os mais belos quadros eu vi nos "quadrinhos", "Muitos de meus gestos aprendi e exercitei fazendo e soltando pipa" - iria mais tarde declarar.

Depois, subitamente, os pais mudam-se para Ipanema e Oscar Araripe pula das pedras do Arpoador, freqüenta a Praia do Diabo e toma chope no Jangadeiros. É a Ipanema de antes da Garota: os anos 60, e a política toma conta de tudo, parecendo poder salvar a própria vida. O autor entra para a Faculdade Nacional de Direito. Sobrevém o golpe de 64.

Faz parte do CACO-Livre. É cassado. Viaja aos Estados Unidos, como bolsista da Interamerican University Foundation, em 66 e 68. Freqüenta semináriosa, Harvard Square e o convulsionado Campus da Universidade de Harvard. A América está convulsionada: a guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis. Araripe interessa-se pelo teatro. Escreve ensaio sobre o teatro Americano contemporâneo. Ganha viagem à França. Volta ao Brasil. Traduz Peter Brooks, "O teatro e seu Espaço", para a Vozes. Adapta e encena, em Ouro Preto, com Maria Fernanda e Othon Bastos, O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Escreve "O Enviado da Transilvânia", sátira para teatro em três atos, felizmente perdida num trajeto de táxi, em Roma. É punido pela Censura Federal em episódio que origina a Greve do Teatro. Interessa-se pela pessoa humana. Milita na AP e escreve o ensaio "Breve Estudo Introdutório aos Personalismos", que lhe vale bolsa de estudos na Universidade Pró Deo, de Roma.

Aí escreve para publicações brasileiras. Viaja pela Europa. Organiza, com outros, passeata em Roma contra o AI 5. Volta ao Brasil, 1969. É crítico teatral, editorialista cultural, colunista, redator e repórter do Correio da Manhã, Última Hora e Jornal do Brasil. Edita, com Augusto Rodrigues, o jomal Arte e Educação. É membro fundador da Sociedade Internacional de Educação Através da Arte (INSEA). Viaja a convite à Polônia, à Alemanha, à China. Publica "China: O Pragmatismo Possível" pela Artenova, alcançando grande sucesso.

1975 - É citado na Bibliografia do Novo Dicionário Aurélio. Deixa o jornalismo. Faz literatura. Participa de Poemação, com Roberto Moricone, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Publica "Maria na terra de meus olhos", pela Rocco, com prefácio de Antônio Houaiss e Eduardo Portella. É verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho.

1976 - Oscar Araripe passa a morar por 13 anos em Mirantão, MG.

1982 - Publica "Marta, Júpiter e Eu" pela Marco Zero, com prefácio de Márcio Souza. Dele diz Marcelo Rubens Paiva, em Veja, em agosto de 1983: "Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres".

1984 - Escreve "Eu Promeu", alentada prosa, finalmente com 400 páginas, e com a qual encerra sua trilogia literária. Como calígrafo e desenhista faz 12 "transcrições visionadas" de inscrições rupestres do Brasil, a que chama Pilares. Conclui o pilar Oui Xiang-Xing

1988 - Expõe na Galeria Olívia Kann, em Ipanema, paisagens e O Pilar do Areião.

"Coloquei sobre a mesa aqueles duzentos e tantos desenhos, feitos com uma incrível mistura de materiais - acrílico, pastel, tinta industrial, bico de pena, markers - sobre um inusitado papel vegetal. Fui passando um a um como páginas de um livro. Esta aproximação que faço com o texto não é absurda, afinal Oscar Araripe,autor e animador teatral, personagem de 64 e 68, autor de um livro de sucesso sobre a China e desde 1975 romancista, desenha e pinta um pouco como escreve, de um jorro só. E, devo confessar, foi uma viagem delirante como se, careta como sou, tivesse feito minha primeira viagem" - diz Frederico Moraes.

"Oscar Araripe...um clarão aberto na jungle da pintura" - diz Jean Boghici.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas"- diz Hélio Carneiro, em Manchete.

Ninguém pintou Ouro Preto mais bonito do que ele, tão radiante - e olha que não é fácil achar o brilho por baixo do peso da História" - diz Gustavo Praça em Capinando o Rio.

Suas paisagens, flora, bichos e eróticos, e também suas transcrições visionada da arte rupestre brasileira vem merecendo a atenção de consagrados nomes da crítica, do jornalismo e da cultura, tais como Frederico Moraes, Jean Boghici, Alberto Beuttênmuller, Walmir Ayala, Augusto Marzagão, Luis Galdino, Milton Ribeiro, Marcio Cotrim, Fernando Lemos, Mario Margutti, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, João Bosco de Castro Teixeira, Rubens Araújo, Hélio Carneiro, Gustavo Praça, José Geraldo Heleno, Wilson Lima, Oyama Alencar Palhares Jr. e Robert Ballantynes

"Suas posições, seu modo de vida, sua obra compõe um todo harmônico, a concorrer por certo para esse inusual e feliz transbordamento verdadeiramente fantástico, extraordinário, que sua pintura revela" - diz Wilson Lima.

Em março de 1994 abre Galeria Pessoal em Tiradentes - MG, onde passa a residir. Em abril, durante o 7o. aniversário da Funrei, expõe ao ar livre Tiradentes, o animoso Alferes, em São João del Rei.

"De seus pincéis luminosos brotam visões totalmente novas de nosso patrimônio barroco e da paisagem mineira dominada pelas montanhas" - diz Hélio Carneiro, em Manchete.

"Araripe, sua pintura, para mim é poesia. Tem a beleza das cores, a pureza e a alegria das crianças e o talento do artista. Assim criam os verdadeiros mestres" - diz Milton Ribeiro.

O Pintor

Eu recebo a pintura como uma dádiva, uma alegria. Após quase 30 anos escrevendo à mão e a lápis, com a obra literária já acabada, e quase sem fôlego, eu comecei a pintar. Assim: num belo dia, cheio de vigor, eu comecei a pintar. Eu nunca tinha pensado em pintar, em ser pintor. Então, fiz mil auto-retratos; seiscentas e cinqüenta "transcrições visionadas" de inscrições rupestres do Brasil, dezenas de eróticos, flores, pássaros, peixes, bichos e mais bichos... e encontrei a paisagem. Bem, eu já vivia na paisagem. Há mais de dez anos; perto do arraial de Mirantão, em Minas Gerais, em vida solidária com as plantas, os bichos, os minerais - e sonhava com a grande anarquia interna que apontaria ao homem o belo horizonte camponês.

Acho facílimo pintar - pinto rápido e sem errar, às primeiras horas da manhã: os morros que correm; as plantas que mexem; a ida das águas, a substância que passa. Amo a linha, a sabedoria da mão, a exatidão do traço, o discernimento, a definição. Eu amo as coisas claras, e separo as cores das tintas - e quero a paisagem sem o homem, a paisagem do outro homem, o momento em que a arte e a natureza sejam um só - a caligrafia igual à pintura; a pintura igual à natura: a cura, a pintura, a natura. Eu quero a solidão da pintura; o seu silêncio (ainda maior que o da paisagem), o meu silêncio - e acho pintar como calar - um momento de ouro; e só.

Minha Vida de Pintor - I de LXXXIX

Jamais imaginei que seria o maior pintor da minha rua, fato que somente se deu no começo da minha maturidade, aos 40 anos, mais ou menos, quando vivia como um príncipe paupérrimo no alto da Serra do Mirantão, em Minas Gerais, Brasil. 40 anos? 40 mil anos?

Desde cedo, muito cedo, decidi sem muita consciência ser pintor. Talvez. Nos anos 40, 50, era rara a imagem impressa ou filmada e de modo que quando foi lançada com enorme sucesso a bala Ruth (uma bala ruim com uma linda figurinha embrulhada, que colávamos num álbum e concorríamos a prêmios cobiçados) eu me deslumbrei para sempre com a página dos Quadros Clássicos, a mais bela e a mais difícil de ser preenchida. E assim um dia, um belo dia, desembrulhei uma balinha e lá estava a minha figurinha difícil, As Três Graças, de Raphael, três mulheres nuínhas, duas de frente e uma de costas, inacreditável, massudíssimas, e que me definiu de vez o que viria a ser tantos anos depois. E assim se passaram 40 anos (ou milênios) de minha vida de pintor.

Uma obsessão de um pintor aos 65 anos:… as cores não existem, o que existe é a arte e a arte faz a vida e a vida as cores. Sem vida não é cor, é tinta. Cores, tintas. Umas não existem, outras não valem nada.

Mas, o que é ser um pintor? Ou melhor, quem sou eu, Oscar Araripe, artista do Brasil e no mundo, reconhecido o suficiente, profissional da pintura, vivendo bem, hoje, nestes finalmentes ainda vivos anos que me restam. E digo bem porque posso comer e alimentar e educar, e bem porque sou verbete na Bibliografia do Grande Dicionário Aurélio, ou seja, figuro entre alguns dos notáveis formadores da língua portuguesa… inclusão, certamente, mais por amizade que por mérito, uma gentileza do enciclopédico dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, que me honrou com tal data, numa época em que os artistas independentes e as pessoas de bem e de boa obra estavam silenciadas ou afastadas da imprensa oligárquica e inversora de valores, à qual, aliás, eu pertenci por boa década. Imaginem os senhores: um pintor citado no maior dicionário da língua portuguesa... o que em verdade desmentia a frase de Salvador Dali, ao dizer que todo pintor era burro; ou seja, eu o pintor que cansado do verbo achatou as palavras agora podia derreter os relógios sem sentido ou de sentido duvidoso e fazer crer que os burros mais seriam os escritores, se o fossem, haja vista a grande escritura que podia ser a Pintura, escritura muda e silenciosa e que nasce do achatamento das palavras.

Mas, voltemos à pessoa, este alvo da arte. E a propósito: como anda o personalismo, o sistema de idéias do universo da pessoa? Onde anda a AP, a Ação Popular (e não apenas popular) e que tinha e tem tão boas e belas idéias? Pergunto: Como um pintor em plena ditadura dos militares brasileiros e norte-americanos não deveria participar da Ação Popular? Sim, ali, na AP, eu me confirmei outra vez pintor (e também ainda sem muito o saber), pois não consegui ser da ação direta e nem da luta armada, já que aquilo de ter que matar era insustentável e eu não tinha sequer treinamento militar -, medo, eu tinha medo, e também à época já me sentia melhor na ala não-confissional do grupo, já que já duvidava de Deus. Blasfemo pintor desligado.

Deus, ao lado do café e de outras drogas, foi o que mais difícil deixei de crer e de deixar. Deixar Deus, o café… jamais os pude deixar. Deixei de crer, não de deixar. Fui vegetariano absolutista e esclarecido por 30 anos, e só não consegui deixar o café, e a superstição. Hoje, recentemente, por fim, confesso, pude deixar Deus. Ficou o café. Nem mesmo na Justiça divina já acredito… e confesso que aos 60 anos ainda costumava, com freqüência, diante das vicissitudes da vida e dos simples desejos, invocar o que tudo era e podia -, o meu Deus, o rei invencível do meu partido - e que a gota d’água foi o reencontro com o pensamento, ou melhor, com o movimento dos neo-evolucionistas, e em particular com os textos de Richard Dawkins (que, de passagem, intenciono completar, pois digo eu: a arte é o gene e o meme, é Darwin & Dawkins, nada a antecede, exceto tudo, o seu primeiro nome ) que, aliás, conheci pessoalmente a bordo do navio Warrior Rainbow, do Greenpeace, então atracado na Marina do Flamengo, no Rio, durante a Conferência das Nações Unidas - ECO-92, quando expus ao ar-livre, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, grandes pinturas intituladas Extinção Nunca Mais, uma lembrança e uma homenagem ao movimento Tortura Nunca Mais - exposição vista por público estimado de dois milhões de pessoas. Um prodígio. Mas, nem por isso parou a extinção. E nem a tortura.

Esclareço: Richard Dawkins, naquela época, ainda não era o grande pensador bright (o mais iluminado pensamento desde os anos 60, e que logo pessoalizei, intentando ver a arte evolucionista, e encontrá-la racionalmente, antes de tudo, no princípio do cosmos, e mesmo antes. Muito bem. ...ou já era e não sabíamos mas... muito especialmente, Dawkins se parecia com um homem de Vênus. A cara muita limpa, muito pacífica, parecia uma águia, a águia que viria a ser e eu não sabia. Um guerreiro maravilhoso! Do Arco Íris! - pensei... o vendo ali em pé junto a outros greenpicistas que também nos recebiam com as boas vindas; e tal era o encanto do celeste navio ancorado, iluminadíssimo, que a Baía de Guanabara ainda lateja no meu olhar, tal a elevação, o magnetismo daquele homem interplanetário, muito simpático e tranquilo e que segurava em suas mãos muito leves e finas um copo de suco de laranja. Um homem de Vênus tomando suco de laranja. Mas, droga. Anti-religião é religião. Eu estava, devia estar sozinho. Se as cores não valiam nada, de que valeriam minhas palavras? Se não sabiam que depois do moderno, enfim, viria a Pessoa? A pessoa. Ninguém a amou mais que eu.

Mas a paz, dulcíssima pessoa, não era verde, ainda que seu sangue o fosse -, como muito mais tarde vim a saber.

Idéias. Idéias são pinturas e pinturas são cores caladas que gritam silêncios que todos ouvem. Eis aí o verdadeiro dinheiro: a Pintura. Um dia, em Londres, vivendo uma vida de jornalista iniciante, num jantar com um conhecido de nome David, aleijado, banqueiro, judeu, pai de bebê, um homem muito vibrante e que mesmo vitimado pela poliomielite dirigia seu Bentley, especialmente adaptado, lá pelas tantas, perguntei de chofre: "David, um homem rico, rico mesmo, quando foge, o que leva?" E ele de pronto respondeu, gesticulando: "Uma bolsinha com uns diamantes e umas telas de pintura enroladas."

Grande verdade: o verdadeiro dinheiro é a pintura. Deus houvesse e teria sido muito bom comigo e muito mais que mereci em me fazer pintor, pois o que mais seria? Um jardineiro, um poeta? Sim e sou. Mas, jamais pensei em ser pintor. Como o ser? e depois, quem ensinava, como aprender aquilo? ...bem, só tive uma aula de pintura, e foi quando vi aquela "figurinha difícil" da Ascenção de Tintoretto. Todas as outras vieram das pipas e dos balões de São João e das bolas-de-gude da minha infância no Encantado, um bairro proletário do Rio de Janeiro, onde menino via universos hublelianos em coloridos olhinhos de vidro, que podia arremessar e quebrar, com grande talento e força. Como Marx, Tintoretto me foi um alumbramento. Enfim, eu era um Garoto de Ipanema. Já podia incendiar o ar com os meus balões e destruir os universos inabaláveis... Manoel Bandeira, meu poeta preferido, disse que seu primeiro alumbramento foi ter visto uma mulher nuínha. Pois bem, Manoel, eu vi três, já aos cinco anos, massudas e coloridas na telinha de papel de Raphael, e que eu segurava na ponta de meu dedo indicador, ali viva, e que anos depois vim a ver pessoalmente no Museu do Vaticano, se não me engano, quando morava em Roma, davanti ao Pantheon. Ou melhor: al fianco. No belo Palazzo Crescenzi, del Cinquecento.

Roma. Nunca a vi mais bela. Londres - eu voava de Caravelle de Roma a Londres para ver uma menina interna num colégio religioso. Digo Londres, mas era em Surrey, onde chegava num trem às duas e voltava às quatro, quase pontualmente. Uma hora e meia de beijos na pracinha, vendo, vivendo os cisnes pescoçudos a nadar no gozoso leite das frondosas choronas de verde veronese. Quanto gozo gozado! Roma. Eu amava aquelas pedras, aquela mulher que nela se insinuava (eu fantasiava) e que surgia em cada rosto que cruzava e queria, naquelas ruelas barrocas, oitocentescas, medievais, imperiais, etruscas -, e aquela Via Apia, que num fascínio me levava à Veneto. Via e não via e de tudo esquecia. Tudo era mesmo muito esquecido naqueles tempos de Giuseppe Ungaretti e Herbert Marcuse. E Unamuno. Miguel de Unamuno. Havia a Piazza Navona bem ao lado, a minha trattoria, do Massimo e Mimo, na Piazza del Pasquino, atrás al fianco da Embaixada do Brasil -, a minha bicicleta que por um ano me passeou vagabundo pelas ruas apinhadas da Contestação. João XXIII. Não gosto de papas, prefiro os banqueiros e os príncipes (os que compram minhas pinturas). Mas gostava muito de João XXIII, ainda que meu amor, mesmo, fosse Melina.

Exposições Individuais

1988 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens, na Galeria Olívia Kann.

1989 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens, no Espaço Cultural Nas Rocas.

1990 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Areião, no Rio Design Center, durante a 1ª Exposição do Livro de Arte.

1990 - São Paulo SP - Paisagens das Itatiaias, na Galeria Blue Life.

1990 - São Paulo SP - Paisagens, na Galeria Paulistano.

1990 - Penápolis SP - O Pilar do Areião / Pintura e Desenho, na Galeria Itaú.

1990 - Brasília DF - Paisagens / Pintura e Desenho, na Galeria Itaú.

1991 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está o Erótico, no Espaço Cultural Resumo da Ópera.

1991 - Brasília DF - O Pilar do Uaupés, no mezanino da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

1991 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Uaupés, exposição permanente ao ar-livre, no Arpoador / Evento da RioArte.

1991 - Rio de Janeiro RJ - O Tarot de Oscar Araripe, na Galeria Bookmakers.

1991 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens e Biombos, na Idea Galeria de Arte.

1991 - Ouro Preto MG - Paisagens de Ouro Preto, na Galeria da Casa de Cultura Cláudio Manoel da Costa.

1992 - Ouro Preto MG - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu da Inconfidência.

1992 - Ouro Preto MG - Pipas da Liberdade, exposição permanente ao ar-livre na Praça Tiradentes / Abertura do Festival de Inverno de Ouro Preto.

1992 - Belo Horizonte - Pipas da Liberdade, no Parque das Mangabeiras.

1992 - Belo Horizonte MG - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu Mineiro.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Tiradentes, o Animoso Alferes, no Museu da República.

1992 - Brasília DF - Natividade, exposição permanente ao ar-livre, na Igrejinha de Brasília.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Pipas, no Centro Cultural Banco do Brasil.

1992 - Rio de Janeiro RJ - Extinção Nunca Mais, exposição permanente ao ar-livre, no Jardim Botânico, durante a Conferência Mundial das Nações Unidas - RioEco-92.

1993 - Rio de Janeiro RJ - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria Villa Riso.

1993 - Rio de Janeiro RJ - O Pilar do Docodema, na Galeria Beira do Cais.

1993 - Ouro Preto MG - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria de Arte da Faculdade de Ouro Preto.

1993 - Belo Horizonte MG - Ouro Preto Todo Meu, na Galeria da Telemig.

1993 - Ouro Preto MG - Ouro Preto de Novo, na Galeria Spix & Martius.

1994 - São João del Rei MG - Pipas de São João, exposição permanente ao ar livre em quatro diferentes locais da cidade, integrante do evento 7º Inverno Cultural.

1995 - São João del Rei MG - Imagens de El´Rey, no Museu Regional de São João del Rei.

1995 - Tiradentes MG - Tiradentes, a Animosa Cidade, no antigo Fórum

1995 - Tiradentes MG - O Dia e a Noite, exposição permanente ao ar-livre,no Largo das Forras/ Semana da Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais.

1999 - São João del Rei MG - Paisagens Mineiras, no Espaço Cultural Del Rey.

1999 - Ilha Comprida SP - Ilha Comprida, no Centro Cultural da Ilha Comprida.

1999 - Visconde de Mauá RJ - Mauá com Arte, no atelier do artista, em Mirantão.

1999 - Tiradentes MG - 250 Anos do Chafariz de São José, no Sobrado Ramalho.

1999 - Tiradentes MG - Janelas com Arte, na Rua Direita.

2000 - Porto Seguro BA - Casinhas e Marinhas, no Museu de Porto Seguro.

2000 - San Simeon USA - Saint Simeon and so on, no Castoro Arts Center.

2001 - Nova York USA - Horse, na Cork Gallery.

2001 - New Jersey USA - America’s Entities, na Paul Robeson School.

2003 - Firenze (Itália) - Natividade, na Bienal de Firenze.

2003 - Trancoso BA - Marinhas, na Galeria Canto Verde.

2004 - Juiz de Fora MG - Flores... flores para los vivos, na Galeria Jade / Rosa Girardi.

2004 - Crato CE - Ceará, na Universidade do Cariri - Urca.

2004 - Fortaleza CE - Ceará, no Centro Cultural Oboé.

2004 - Crato CE - Retrato e Fazenda de Bárbara de Alencar, na Expocrato 2004.

2004 - Huntingdom Valley, PA. USA - Ceará - na Toro Gallery.

2005 - Miami, FL (USA) - Uma Primavera na América / An American Springtime, na Solange Rabello Art Gallery.

2005 - Santiago de Cuba, Cuba - Repetroglifos Caribeños - no Parque Céspedes, durante o XXV Festival do Caribe.

2005 - Santiago de Cuba, Cuba - Casitas Cubanas, na Galeria Oriente.

2006 - Tiradentes, MG - Tiradentes Revisitada, no Solar dos Ramalhos.

2007 - Ouro Preto, MG - na Galeria do Grêmio Literário Tristão de Ataíde/ GLTA.

2007 - Mariana, MG - Tiradentes, o Animoso Alferes - na Câmara de Mariana.

2007 - Campinas, SP - O Dragão Azul - Semana da China / Universidade de Campinas.

2008 - Galeria Traços Culturais - Só Flores - Cataguases, MG.

2008 - Centro Cultural de Texcoco - Só Flores - México.

2008 - Universidade de Chapingo - Mural Homenagem ao Rei Poeta Nezahualcoyotl - Texcoco, México

2009 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Flores Recentes - Tiradentes, MG.

2010 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Flores Novíssimas - Tiradentes, MG.

2010 - Galeria Manuel Bandeira / Academia Brasileira de Letras - Flores - Rio, RJ.

2011 - Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa - Flores Viçosas - Viçosa, MG

2013 - Teodora Galerie d'Art Contemporain - Flore - Paris, França.

2013 - Museu Antônio Perdigão - Tiradentes, o Animoso Alferes - Conselheiro Lafaiete, MG

2014 - Galerie des Glaces - Fleurs - Nantes, França / março de 2014.

2015 - Faculdade Nacional de Direito da UFRJ - Escadaria - Entronização do painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão-Rio, RJ

2017 - Tribunal de Justiça de Minas Gerais / Hall principal - Entronização do painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão-Ouro Preto - BH, MG.

2017 - Espaço de Conhecimento da UFMG - Praça da Liberdade - O Brasil Nunca Mais o Brasil - BH, MG.

2018 - Galerie des Glaces - Fleurs - Nantes, França / dezembro de 2018.

2019 - Harvard Science Center - Flowers for Harvard - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Massachusetts Institute of Technology ( MIT ) - The Poet's Government or The 22 faces of Happiness - Cambridge, USA.

2019 - Art Studio da Leverett House - Flowers for Harvard - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Harvard Club - Flowers for Harvard - Boston, USA.

2019 - Conversatório da Leverett House - The Poet's Government or The 22 faces of Happiness - Cambridge, Harvard University, USA.

2019 - Oscar Araripe Collection - Ponteio Lar Shopping, BH - Galeria pessoal do artista com exposição por 4 meses.

Exposições Coletivas

1973 - Rio de Janeiro RJ - Poemação, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1990 - Resende RJ - Paisagens e Bichos das Itatiaias, no Museu de Arte Moderna.

1991 - Visconde de Mauá RJ - Paisagens das Itatiaias, na Galeria da Associação Cultural de Mauá.

1993 - Ouro Preto MG - Seis Visões de Ouro Preto / com Inimá, Carlos Bracher, Ivan Marquetti, Carlos Scliar e Fani Bracher.

2000 - Kranj (Eslovênia) - A Dança do Tamanduá Bandeira, no World Art on Paper Festival 2003 - Toulouse ( France ) - Solidarity, no Centre Souppetard.

2003 - Madrid (Espanha) - Solidarity, na Feria del Artista Independiente 2003.

2003 - Barcelona (Espanha) - Art and Life, na Casa Amatller, Institut D`Art Hispànic.

2003 - Barcelona (Espanha) - Solidarity, no Espai Wonee.

2003 - Valencia (Espanha) - Solidarity, na Sala Anagma.

2004 - Toulouse (France) - Art and Life, Maison des Allés.

2004 - Mataró (Espanha) - Art and Life, Hospital de Mataró.

2004 - Madrid (Espanha) - Fnac Plaza Norte y Callao y Fnac de Marbella.

2004 - Barcelona (Espanha)- Art and Life, LuGar y Simo (Madrid).

2004 - Fortaleza CE - Dois Araripes, na Associação de Imprensa Cearense.

2005 - Granada, Espanha - Asociación Cultural Valentín Ruiz Aznar.

2007 - Ioannina, Syros e Corfu - Grécia. Rede Mundial de Artistas pelo Encantamento do Mundo.

2008 - Paris, França - Fundação Charles-Leopold Mayer.

2008 - Bienal de Chapingo - Flores para o Rei Poeta Nezahualcoyotl , México.

2008 - Galeria da Fundação Oscar Araripe - Rede Mundial de Artistas pelo Embelezamento do Mundo - Tiradentes, MG.

2009 - Centro Cultural Visconde de Mauá - O Papel da Vila - Visconde de Mauá, RJ.

2009 - Museu de Arte Moderna - O Papel da Vila - Resende, RJ.

2012- Barbican Center, Londres, Reino Unido - Olympic Fine Arts London2012 - Medalha de Ouro com a tela As Flores abraçam o Mundo. Prêmio de Aquisição.

2016 - Olympic Fine Arts - Rio 2016 - Prêmio de Aquisição.

2016 - Bienal das Artes de Brasilia / Sesc DF - Flores com Borboletas / Prêmio de Aquisição.

2016 - Aomei Fine Arts Exhibition - Museu Histórico Nacional / Rio / RJ - Prêmio de Aquisição.

2017 - Galerie des Glaces - Nantes, França / Fleurs.

2017 - Espaço de Conhecimento da UFMG - Praça da Liberdade / Belo Horizonte / Fachada Digital - Exposição # ArteLiBerdade.

2018 - Embaixada do Brasil em Atenas, Grécia - Exposição # ArteLiberdade.

2018 - Bienal das Artes de Brasília 2018 - O Brasil Nunca mais o Brasil / Shopping Pátio Brasil / Brasília, DF / Artista Homenageado.

2018 - Galeria Tambo, Pequin, China - As Flores Abraçam o Mundo / Retrospectiva Guoyankeji em homenagem aos 10 anos da agência Ogilvy & Mather.

2019 - Exposição A Primavera das Primaveras - comemorativa dos 15 anos do CC Visconde de Mauá - Mauá, RJ.

Literatura

  • MARIA NA TERRA DE MEUS OLHOS

*Editora Rocco, R.J. 1975. Prefácio de Antônio Houaiss, 146 páginas. Capa atual do autor.

  • MARTA, JÚPITER E EU

*Editora Marco Zero, R.J. 1986. Prefácio de Márcio Souza, 166 páginas. Capa atual do autor.

  • EU PROMEU

*460 páginas. Capa do autor.

  • ENSAÍSTICA

* China Hoje/O Pragmatismo Possível. Editora ArteNova, R.J., 1974, 152 páginas, capa de Roberto Moriconi.

* Breve Estudo Introdutório aos Personalismos. Universidade Pro-Deo, Roma, Itália, 1968.

Teatro

* A Tragédia de Vila Rica no tempo de Joaquim José. Adaptação do Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meirelles. Teatro de Ouro Preto, 6º Festival de inverno da UFMG 1966.

* O Enviado de Transilvânia - Sátira em 3 atos. 1970

Tradução

* O Teatro e seu Espaço, de Peter Brook . Tradução. Editora Vozes, R.J. 1969

Artigos

Críticos e noticiosos sobre teatro e cultura

  • Correio Manhã - 1969 a 1971

  • Jornal do Brasil e Cadernos de Jornalismo do JB - 1971 a 1975

  • Palco + Platéia - 1969/1970

  • O Estado de Minas - 1999

  • Diário do Nordeste - 2004

Fonte: Site oficial Oscar Araripe, consultado pela última vez em 31 de março de 2021.

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Biografia - Wikipédia

Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1968 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi eleito para o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), e militou no movimento esquerdista Ação Popular (AP). Foi anistiado pelo governo brasileiro em 2012 pelas punições sofridas na Ditadura Militar de 1964. Foi jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora. Escreveu China, o Pragmatismo Possível em 1974 e editou, com o arte-educador Augusto Rodrigues, o jornal Arte & Educação. Autor da trilogia literária Maria, Marta e Eu, sua obra foi analisada pelo crítico literário e diplomata Antônio Houaiss, pelo crítico e acadêmico Eduardo Portella, pelo crítico e poeta José Paulo Moreira da Fonseca e pelo escritor Márcio Souza.

Pintor paisagista, marinista, realista e subjetivo, Oscar Araripe possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome, sediada em Tiradentes, MG, onde também possui galeria pessoal. Na pintura introduziu a vela náutica (dracon poliester) como suporte (1984), o "filme laser" (como substituto do papel vegetal) e desenvolveu técnicas próprias, como as transparências obtidas pelas pinturas por trás dos suportes. Tais inovações permitiram-lhe expor grandes telas ao ar-livre permanentemente com estruturas de ferro como moldura. Sua obra Extinção Nunca Mais, exposta durante a Eco-92, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, teve um público estimado de dois milhões.

Vida pessoal

É casado com Cidinha Ribeiro de Alencar Araripe, advogada, natural da cidade mineira de Catas Altas, e mãe dos gêmeos Octávio e Victtoria de Alencar Araripe.

Acontecimentos importantes

2010 - O mural Flores para o Rei-Poeta Nezahualcóyotl foi exposto em caráter definitivo no Centro de Formación Artistica y Cultural da Universidade de Chapingo, no México.

2010 - Espôs Flores na Galeria Manuel Bandeira da Academia Brasileira de Letras, no Rio.

2011 - a Fundação Oscar Araripe publicou o artbook Oscar Araripe.

2012 - expôs Flores Abraçam o Mundo na Olympic Fine Arts Exhibition London 2012, Reino Unido, recebendo Medalha de Ouro.

2013 - expõs Flore, na Galerie Teodora, em Paris.

2014 - passou a expor permanentemente na Galerie des Glacesem Nantes, França.

2014 - abriu sua Home Gallery em Belo Horizonte

2014 - ganhou a Medalha de Mérito Pedro Ernesto.

2014 - ganha a Medalha de Ouro da Academie Arts-Sciences et Lettres, da França, pelo conjunto da obra.

2015 - Ganhou a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, da Alumni / Faculdade Nacional de Direito.

2015 - ganhou a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)

2015 - seu painel-mural Tiradentes, o Animoso Alferes, foi exposto definitivamente nas escadarias da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

2017 - seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Ouro Preto) foi exposto em carater definitivo no hall do Palácio da Justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

2017 - ganhou a Medalha Lyda Monteiro da Silva da CAA Vanguarda, da OAB de Minas Gerais.

Obra

Sua obra de pintura e desenho mereceu a atenção da crítica de Frederico de Moraes, Milton Ribeiro, Jean Boghici, Sérgio Rouanet, Luiz Galdino, Antônio Houaiss, Mário Margutti, Fernando Lemos, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Oscar D'Ambrosio, José Roberto Teixeira Leite, Pierre Santos, Wilson Lima, Jacob Klintowitz e Gustavo Praça.

Em sua obra, se destacam Pilares, de 1200 imagens; seus bico-de-pena sobre Tiradentes, Ouro Preto, Bahia e Ceará; seus eróticos; e seus Jarros de Flores. Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais, no Rio, em Minas, na Bahia, em Brasília, no Ceará, em São Paulo. Expôs também fora do Brasil, nos Estados Unidos, China, França, Espanha, Eslovênia, Grécia, Cuba, México e Reino Unido. Retratou três heróis brasileiros: Tiradentes, Bárbara de Alencar e Tristão Araripe.

Prêmios e homenagens

  • Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva / CAA Vanguarda (OAB-MG (2017)

  • Cidadão Honorário de Minas Gerais / Assembleia Legislativa de Minas Gerais (2017).

  • Medalha de Ouro na Olympic Fine Arts / Londres / Reino Unido (2012

  • Medalha de Ouro da Arts, Sciences et Lettres / Société académique Arts-Sciences-Lettres França (2014).

  • Medalha Pedro Ernesto / Câmara Municipal do Rio de Janeiro/ Conjunto da Obra (2014).

  • Medalha Tiradentes / Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (2015)

  • Medalha da Resistência Cidadã / Associação de Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito (Alumni /FND (2015)

  • Diploma de Conselheiro Emérito / Conselho de Minerva da Universidade do Brasil (2015)

  • Medalha da Cidadania e da Liberdade / Comenda da Liberdade / Fazenda do Pombal, MG (2011)

  • Cidadão Honorário de Tiradentes / Câmara Municipal de Tiradentes, MG (2008)

  • Cidadão Honorário de São João Del Rei / Câmara Municipal de São João Del Rei (2006)

  • Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva / CAA Vanguarda (OAB-MG (2017)

  • Cidadão Honorário de Ouro Preto / 2017

  • Prêmio de Aquisição / Flores / Olympic Fine Arts, Londres / Barbican Centre / (2012)

  • Prêmio de Aquisição / Flores / Bienal das Artes / Brasília, DF.

  • Prêmio de Aquisição / Flores com Borboletas / Aomei Fine Arts Exhibition (Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, RJ (2017)

Lista de obras literárias

  • China, o Pragmatismo Possível (1974)

  • Maria na Terra de Meus Olhos (1975)

  • Marta, Júpiter e Eu (1986)

  • Eu Promeu, o que Amazoneu (1992).

  • Oscar Araripe / Vida e Obra (2011)

  • Oscar Araripe / Catálogo sobre o painel Tiradentes, o Animoso Alferes / Coleção Memória e Arte (2017)

Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 31 de março de 2021.

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Biografia - Revista Pixe

Bacharel em 1980 pela Faculdade Nacional de Direito, ex-diretor do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), foi suspenso e teve sua diretoria cassada, em 1964. Em 2016 teve seu mandato e de seus colegas devolvido simbolicamente em sessão solene no Salão Nobre da FND, em evento organizado pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito.

Oscar Araripe, aos 78 anos, é um dos artistas mais consagrados e renomados do Brasil. É pintor profissional e desenhista, escritor, ensaísta, crítico e teórico de Arte e Cultura, arte-educador, periodista e animador cultural.

Ganhou bolsa de estudos na Universidade de Harvard, USA, em 1966 e 1968, e na Universidade Pro-Deo, de Roma, em 1969.

Publicou a trilogia literária, Maria, Marta e Eu, alentada prosa com mais de 500 páginas (Editora Rocco, Rio, 1975 / Editora Marco Zero, Rio, 1986), analisada criticamente por Antônio Houaiss, Eduardo Portela e José Paulo Moreira da Fonseca -, e o ensaio China, o Pragmatismo Possível, Editora Artenova, 1974, alcançando grande sucesso. Sobre sua trilogia literária, assim escreveu Marcelo Rubens Paiva, na Revista Veja, em agosto de 1983: “Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres”. De fato, sua narrativa, poeticamente, já no início dos anos 80, pugna pelo respeito à natureza e pela valorização das mulheres, em todos seus aspectos.

Jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora, editou, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação.

É membro fundador da INSEA (1974), a Sociedade Internacional de Educação Através da Arte.

Autodidata, introduziu na Pintura a vela náutica de poliéster como suporte (1984), o film laser (como substituto do papel vegetal, onde também inovou) e desenvolveu técnicas próprias, como as transparências obtidas pelas pinturas por trás dos suportes, o uso dos markers e da aquarela acrílica. Tais inovações permitiram-lhe, inclusive, expor permanentemente ao ar-livre grandes telas, com estruturas de ferro como moldura, levando a arte da pintura às grandes multidões. Sua obra Extinção Nunca Mais, por exemplo, exposta durante a Conferência das Nações Unidas, Eco-92, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, atingiu público estimado de dois milhões.

Para se ter tenha uma ideia da importância da introdução da vela nautica poliester e do film laser, diga-se que em toda a história universal da Pintura foram usados apenas 6 suportes, a saber: a pedra, a parede, a madeira, o papel, o vidro/porcelana ou cerâmica e a tela de linho ou algodão. Araripe introduziu, assim, comprovado e pioneiramente, mais dois novos suportes à Pintura. Some-se a isto a grande durabilidade e beleza da vela náutica poliéster e do film laser, o fato de não contraírem fungos nem provocarem craquelê e ainda permitirem exposições permanentes ao ar-livre, levando a arte da Pintura à centena de milhares de pessoas, e constata-se a grande contribuição do artista à arte da Pintura.

Recentemente, em abril de 2019, além de realizar palestra e quatro exposições, a convite, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Araripe realizou workshop com os alunos de arte daquela importante instituição sobre como pintar na vela náutica poliéster. Por dar um destino nobre a este material, teve o apoio e o reconhecimento de seu pioneirismo pela Dimension Polyant, a maior fabricante de velas náuticas do mundo.

Vale destacar aqui o depoimento do próprio artista sobre seu autodidatismo na Pintura: “Na década de 1940, eram raras as imagens, principalmente de pinturas. Os mais belos quadros, portanto, eu vi nas histórias em quadrinhos. Aprendi minhas pinceladas fazendo e soltando pipas. Minha imaginação nasceu com o Carnaval do Rio de Janeiro, com os balões de São João dos subúrbios cariocas e com as bolas-de-gude da minha infância, no bairro proletário do Encantado, onde, menino, sonhador, via universos coloridos em “olhinhos” de vidro, girando como um pião, e que eu podia jogar e quebrar, com toda a destreza e vigor”.

Pintor de flores, paisagista, marinista, realista e subjetivo, possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome. Sua obra de pintura e desenho, inovadora, alegre e vivaz, mereceu a atenção crítica de Frederico de Moraes, Pierre Santos, Sérgio Paulo Rouanet, Jean Boghici, Luiz Galdino, Mário Margutti, Milton Ribeiro, Fernando Lemos, Alberto Beuttenmuller, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Wilson Lima, José Roberto Teixeira Leite, Oscar D’Ambrosio, Enock Sacramento, Antônio Ceschin e Jacob Klintowitz, entre outros. A destacar-se ainda sua obra Os Pilares, de 1.200 imagens, e seus bicos-de-pena sobre Tiradentes e São João Del Rei, Ouro Preto, Bahia e Ceará, assim como seus eróticos, de grande pureza, e seus cobiçados jarros de flores, de grande alegria e frescor. Recentemente vem apresentando suas Iluminuras florais e paisagísticas sobre o film laser, muito apreciadas também. Retratou três heróis brasileiros: Tiradentes, Bárbara de Alencar e Tristão Araripe, os dois últimos seus parentes.

É citado na Bibliografia do Grande Dicionário Aurélio e verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho. Figura na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais.

Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais, no Rio, em Minas, na Bahia, em Brasília, no Ceará e em São Paulo. Expôs nos Estados Unidos, França, Espanha, Eslovênia, Grécia, Cuba, Reino Unido, China e México. Possui galeria pessoal em Tiradentes desde 92, e é instituidor, com outros, da Fundação Oscar Araripe / www.oafundacao.org.br

Presentemente escreve Minha Vida de Pintor, que disponibiliza em seu site www.oscarararipe.com.br, onde apresenta suas ideias sobre a pintura, a literatura e a vida em geral. Através de seu site realiza regularmente, e gratuitamente, há mais de trinta anos, oficinas de pintura com crianças (Arte para Salas de Aulas) de escolas públicas e privadas de todo o país. Seu site recebeu a visita, aferida, desde 1999, de mais de 10 milhões de pessoas.

Em 2010 expõe na Bienal de Chapingo, no México e seu mural Flores para o Rei-Poeta Netzahualcóyotl é entronizado em caráter definitivo no Centro de Formação Artística e Cultural da Universidade Federal Chapingo, ao lado da bela capela pintada por Diego Rivera.

Em 2011 expõe Flores na Galeria Manuel Bandeira da Academia Brasileira de Letras, no Rio, apresentado por Sergio Rouanet e Alexei Bueno -, e publica o artbook Oscar Araripe: capa dura, 030x030cm, bilingue, 348 páginas, com cerca de quatrocentas imagens, textos do autor e fragmentos críticos de renomados críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros. Ainda em 2011 é entrevistado por George Vidor e Guto Abranches na Globo News, com audiência aferida de cerca de 60 milhões de pessoas. Realiza ainda, com Sergio Rouanet, palestra na Academia Brasileira de Letras sobre o Centenário do grande crítico literário Tristão de Alencar Araripe Jr.

Ainda em 2012 é convidado pelo Ministério da Cultura da China e pelo Comitê Olímpico Internacional para expor na Creatives Cities / Olympic Fine Arts2012London, no Barbican Center / Museu de Londres, Inglaterra, onde lança seu artbook internacionalmente, e ganha Medalha de Ouro com sua tela As Flores abraçam o Mundo. A obra premiada passa a figurar no Forever Memorial das Olimpíadas, em Londres.

A 11 de abril de 2013 inaugura a exposição Flore na Galerie Teodora, em Paris, França. Entre os presentes, Jack Lang, Ministro da Cultura da França, no governo de François Mitterand.

Em 2014 passa a expor permanentemente na Galerie des Glaces, em Nantes, França; é agraciado com o conjunto de medalhas Pedro Ernesto, maior honraria do Município do Rio de Janeiro e ganha Prêmio de Aquisição na 1ª Bienal das Artes, de Brasília, DF, com a obra Flores com Borboletas.

Ainda em 2014 recebe, em Paris, a centenária Medalha de Ouro Arts, Science et Lettres, uma das maiores condecorações da França e a Medalha Cidade de Buenos Aires, ofertada pela administração local.

Em 2016, ganha o Prêmio de Aquisição na exposição Aomei Fine Arts Exhibition, no Museu Histórico Nacional, exposição oficial das Olimpíadas Rio-2016, organizada por várias entidades culturais chinesas e russas. Na ocasião profere palestra sobre as relações culturais Brasil-China.

Cidadão Honorário de Tiradentes, MG, onde mora e tem estúdio desde 1990, é fundador do Instituto da Liberdade Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e da Academia de Letras Jurídicas de São João Del Rei e Tiradentes.

Seu díptico Tiradentes, o Animoso Alferes (3 metros de altura por 3 metros de largura), pintado para o Bicentenário da Morte do Herói, em 1992, foi exposto no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte, no Museu da República, no Rio, no Fórum de Tiradentes, MG, na Praça Tiradentes, em São João Del Rei, MG, na Universidade Federal de São João Del Rei, MG, na Câmara de Mariana, MG e na Fundação Oscar Araripe, em Tiradentes, sendo uma das imagens mais conhecidas do mártir.

Araripe recebeu ainda a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo fluminense e o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais, em bela e significativa solenidade no plenário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Seu mural Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Rio) foi entronizado em caráter definitivo na Faculdade Nacional de Direito, por ocasião do centenário do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), em comemoração ao Dia Nacional da Liberdade, a 12 de novembro, data do batismo e nascimento do herói. Nesta oportunidade foi agraciado com o Diploma e a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Em 2017 Seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão Ouro Preto, é entronizado no hall principal da nova sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na ocasião a Memória do Judiciário publica o catálogo Oscar Araripe e a Confraria Filmes produz o documentário Os Tiradentes de Oscar Araripe. O rosto do herói figura numa das faces da Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, ofertada anualmente no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito pela Alumni-FND em parceria com a Fundação Oscar Araripe e apoio de significativas entidades do Direito e da Justiça.

Ainda em 2017 recebe a Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva, da CAA Vanguarda /OAB-MG e participa da exposição #ArteLiberdade na Fachada Digital da UFMG, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, e depois em Atenas, Grécia, em evento patrocinado pela Embaixada do Brasil local.

Oscar Araripe é Diretor Cultural da Associação dos Antigos Alunos de Direito da UFRJ - Alumni /FND e da Artes, Ciências e Letras / Sociedade Acadêmica de Incentivo à Educação Jurídica e Republicana de São João Del Rei e Tiradentes e Conselheiro Emérito do Conselho de Minerva da Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ.

Em 2018 é homenageado pela Bienal das Artes de Brasília como Convidado de Honra, e expõe O Brasil Nunca Mais o Brasil.

Em julho ganha o título de Cidadão Honorário de Ouro Preto, cidade histórica Patrimônio da Humanidade.

Em abril de 2019, a convite, expõe Flores para Harvard no Harvard Science Center, no Massachusetts Institute of Technology, no Art Studio da Leverett House e no Harvard Club de Boston. Realiza palestra no Theatre Auditorium da Leverett House e realiza workshop com os alunos de arte de Harvard sobre como pintar na vela náutica e no film laser. O mais tradicional e importante jornal de Harvard, o Harvard Crimson, publicou com destaque entrevista com Oscar Araripe

Fonte: Revista Pixe, publicado em setembro de 2019.

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As pinturas do artista brasileiro Oscar Araripe florescem em Leverett

O artista brasileiro Oscar Araripe falou sobre sua brilhante e colorida coleção de pinturas “Flores para Harvard” - em exibição na Leverett House esta semana - na noite de quinta-feira no Leverett Library Theatre.

O amigo de Araripe, Peter B. Rodenbeck '61, também falou no evento, que fez parte da programação organizada pelos Reitores da Faculdade Leverett House Brian D. Farrell e Irina P. Ferreras para fomentar a interação entre os alunos de Araripe e Leverett.

Na palestra, Araripe disse que já havia estudado em Harvard na década de 1960 para escapar da perseguição política nas mãos dos militares brasileiros, que controlavam o governo na época. Ele havia sido eleito para o sindicato estudantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro e era vocal em sua oposição ao governo. Araripe não tinha permissão para assistir às aulas e temia ser preso ou morto, segundo folheto distribuído à plateia.

Refletindo sobre o retorno a Harvard, Araripe disse ter recebido duas bolsas para estudar na Universidade, que “salvaram” sua vida.

“Essas bolsas foram muito importantes na minha vida”, disse ele. “Salvou minha vida porque naquela época fui castigado pela ditadura no Brasil.”

Embora Araripe não fosse um artista em tempo integral na época, ele disse que sua experiência em Harvard moldou sua apreciação pela pintura. Ele disse que visitava o Museu Fogg com frequência.

“A primeira vez que vi os grandes mestres da pintura foi aqui em Harvard”, disse Araripe.

Araripe acrescentou que acredita que a arte é importante em todas as áreas da vida.

“Acho que a arte dá o direcionamento e a solução para todos os tipos de coisas - políticas, econômicas, sociais. Eu acredito fortemente nisso. Eu trabalho nisso, em soluções através da arte ”, disse. “Eu acredito no governo do poeta.”

O morador de Leverett Luke G. Melas-Kyriazi '20 disse que gostou da adição da arte de Araripe à Casa.

“O corredor de baixo sempre foi meio monótono e apenas não muito emocionante. E agora é muito bom ter muitas coisas nele. Especialmente, as pinturas são meio coloridas e realmente animam Lev [erett] ”, disse ele.

Lincoln J. Craven-Brightman '20, outro residente de Leverett, também disse acreditar que a nova arte melhorou o ambiente da Casa.

“Estou ótimo por trazer mais arte para a vida da casa”, disse ele. “É bom ter um ambiente onde me sinto menos estressado. Adiciona algo. Não sei se é quantificável. ”

A programação de uma semana sobre a arte de Araripe faz parte de um programa de residência para novos artistas de Farrell e Ferreras, que assumiram as funções de reitor da faculdade em julho de 2018. Farrell disse que espera priorizar as artes e a cultura internacional na Leverett House.

“Nós pensamos, tínhamos este belo espaço de galeria, ele foi projetado para pendurar arte, e imediatamente pensamos que essa era uma boa maneira de começar nossa série de residências, de artistas residentes na Casa”, disse Farrell em um entrevista quinta-feira.

No outono passado, Leverett recebeu o saxofonista Bill Pierce. Ferreras disse que a dupla espera receber um novo artista a cada semestre, dando aos alunos a oportunidade de interagir com os artistas por meio de palestras, workshops e interações casuais no refeitório.

“A ideia principal é trazer as pessoas que visitam Harvard às casas também”, disse Ferreras. “Porque normalmente essas pessoas visitam e são anunciadas, mas não vão às casas ... você está em Harvard, mas pode estar perto dos alunos indo às casas, não apenas em um grande auditório.”

“Nossa esperança é que isso seja adotado pelos alunos e se trate de fazer conexões”, acrescentou Ferreras. “Não sei se é algo que está sendo feito em outras casas. É algo que surgiu da nossa paixão. ”

Fonte: The Harvard Crimsom, publicado por Amir K. Hamilton e Amy Y. Li, escritores colaboradores, em 12 de abril de 2019.

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Oscar Araripe: “Fora da Arte não há solução”

Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1968 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o pintor e escritor Oscar Araripe, foi eleito para o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), e militou na Ação Popular (AP). Foi anistiado pelo Governo brasileiro em 2012 pelas punições sofridas na Ditadura Cívico-militar de 1964-88. Foi jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora. Escreveu China, o Pragmatismo Possível, 1974. Editou, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação. Autor da trilogia literária “Maria, Marta e Eu”, sua obra foi analisada por Antônio Houaiss, Eduardo Portella, José Paulo Moreira da Fonseca e Márcio Souza. Sua obra de pintura e desenho, “Nova, Alegre e Vivaz”, mereceu a atenção crítica de Frederico de Moraes, Milton Ribeiro, Jean Boghici, Sérgio Rouanet, Luiz Galdino, Mário Margutti, Fernando Lemos, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Oscar D’Ambrosio, José Roberto Teixeira Leite, Pierre Santos, Wilson Lima e Gustavo Praça. Em 2015 foi agraciado com a Medalha Tiradentes, da Alerj, maior condecoração do Estado do Rio de Janeiro e também com a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, ofertada anualmente por ocasião do Dia Nacional da Liberdade, a 11 de novembro, dia do nascimento de Tiradentes, pela Alumni/Faculdade Nacional de Direito.

Oscar, em uma certa oportunidade, você afirmou que a arte, em si, é social. E o artista brasileiro de modo geral, tem essa mesma consciência, ou seja, de que ele faz parte de um plano social?

Não só a Arte, não só o humano, mas tudo que vive é social, se organiza, interage socialmente. Mesmo o ser solitário está inserido em seu contexto, corrobora o social. Arte viva é, portanto, arte social, sempre. Ou seja, na Arte o que importa é se tem vida ou não. Se tiver vida estamos na Arte e no social. Arte morta é a que pretende ser política antes de ser Arte. A Arte viva começa e termina na arte e tem eficácia política. Ou seja, quanto menos intenção social mais política é a Arte. Na verdade, fora da Arte não há solução, ela que a tudo redime e dá direção. A arte, portanto, é a melhor política, e o pincel a melhor arma. Sonho com a boa arte do tempo da liberdade. Quanto mais Arte mais política. Acho que o artista deve ser político como cidadão, não como artista. Se assim for, sua arte terá sempre grande valor político, e mais que isso, será sempre revolucionária, subversiva. Ser pintor, por si só, já é um ato político, pois, implica em ser poeta e nada mais político que ser poeta. Hoje, revolução, em Pintura, e mesmo fora dela, é pintar um novo jarro de flores. Nada mais do que isso. O que está ocorrendo, no entanto, é uma utilização do artístico com fins sociais, políticos. Ou seja, perde a Arte e perde a Política. O social resolve-se com investimento, com educação. É claro que o sol nasceu pra todos e que todos devem ter acesso à Arte e à Cultura. Mas esse acesso se faz com a distribuição da riqueza e com a valorização institucional da Cultura. Mais que isso: A Arte, o direito à Arte deve ser um direito fundamental, garantido pela Constituição e pela realidade. A Arte, como a sociedade, tem dois grandes inimigos: o indivíduo, que impede o surgimento da pessoa, na plenitude de sua dignidade, e o capitalismo, hoje em fase suicida e que nos leva a todos ao precipício.

Você já trabalhou como jornalista cultural em certa fase da sua vida. Como vê o jornalismo cultural que é praticado em nosso país atualmente?

Um horror. Não vejo jornalismo cultural. Vejo jornalismo de entretenimento. E mesmo assim apartado, matéria paga ou publicada com tráfico de influência, num cenário de grande inversão de valores. Nenhum jornal brasileiro sequer pensou em ter um editorial cultural, permanente, ao lado do editorial político. Existem casos isolados, como o seu, que está reunindo um grupo notável de entrevistados. Mas, na grande mídia o que se vê é um deslavado entreguismo cultural. Vergonhoso. Sabotagem cultural, pra não dizer outra coisa. Mas digo: é crime de lesa-pátria. Primeiro entra a Arte, depois a Cultura, simultaneamente, e então a Economia domina, pois, o povo já engoliu a ideologia do dominador, já está armadilhado, entretido. O dominador mora ao lado. A rigor, nesta fase suicida do capitalismo, já não existe economia e sim finança, dinheiro. Pior, dinheiro falso. O mundo está cheio de ouro dos tolos, de pirita. Você sabe, o grande crítico é o crítico do jornal grande. Mas, não existe mais crítico, só jornal grande. O dinheiro, as agências de notícias do dinheiro falso corrompem os jornalistas preguiçosos. De tanto entreterem acabaram entretidos. Falta cultura pessoal, independência, para que possa haver crítica. Em verdade, a crítica não interessa aos donos dos jornais e tevês. Ademais, a notícia artística e cultural internacional vem “de graça”, em sucessivas avalanches por sobre as redações brasileiras. Informação cultural e artística custa dinheiro. O Brasil não produz informação cultural e as redações têm preconceito quanto às poucas que aqui são produzidas. Complexo de vira-latas, em cabeças de dálmatas abobalhados. Importam estética, importam ideias, importam tudo que o pacote internacional dá, aos montes. É só repetir, replicar. Repliquemos, que é o que temos. E o que temos de bom não é nosso. Arrotam-nos uma Manhattan Connection quando o Brasil anseia por uma Conexão de Tiradentes. Até, e principalmente, os governos e as entidades culturais, entregam-se a esse delírio entreguista de replicação. Está certo que a Arte é universal e que o sol nasceu pra todos, repito, mas, o fato é que nossa Arte e nossa Cultura estão na sombra. Mostras e mais mostras são mostradas, do belo Miró [Joan Miró, escultor, gravurista e pintor espanhol, 1893-1983], do belo Picasso (Pablo Picasso, pintor e escultor espanhol, 1881-1973], do belo Rodin (Auguste Rodin, escultor francês, 1840-1917]… Mas, cadê os nossos belos impressionistas? Onde estão os nossos belos modernos? Onde estão os artistas que não se enquadram em movimento nenhum? Cadê a nossa realidade? Onde está a realidade pessoal do artista? Enfim, impuro tempo esse do desbragado reboquismo cultural. Mas, animem-se, não se desesperem. Este homem não é o Homem. É apenas um dos homens. Novos homens virão, até que as condições para o Homem pessoalizado surja.

Sim. A manipulação política da Arte é total e ilimitada. É a bomba de hidrogênio da globalização. Em seu nome, à simples referência de seu nome, ficamos surdos; isto é, mudos. Como ser contra uma exposição de Picasso? Mas, o morto está dentro do belo caixão e o crime é geral, mesmo que uma boa arte o maquie. Pagamos, e caro, para não termos arte e cultura brasileiras visíveis. E, ainda mais que a Arte nossa, estamos matando a Arte pessoal, o artista. E aqui está o cerne da questão. A falta de crítica, capaz e isenta, nas mídias e nas universidades, está matando a pessoalidade do artista, impedindo que ela nasça e floresça. Tentam nos vender que tudo é Arte. Lembra-me a frase de Champollion [Jean-François Champollion, linguista e egiptólogo francês, 1790-1832], o arqueólogo de Napoleão, que disse que no Egito antigo tudo era Deus, exceto Deus. Parodio: Hoje tudo é arte, exceto a Arte. Enfim, estamos sumindo como pessoa artística e como nação cultural. Nação riquíssima, pessoa maravilhosa, diga-se. Definhamos, sim, sem amor e sem bolero. De quem a culpa? Nossa, vossa, principalmente. Os artistas plásticos, de modo geral, só pensam em seus blá-blá-blás e na sua carreira. Raramente opinam e nem são chamados a opinar. Aceitam serem explorados pelas entidades culturais em troca de uma exposiçãozinha quando muito quinzenal. Os Governos, os empresários, usam a Lei Rouanet para se promoverem e enriquecerem as gráficas e os donos do entretenimento. Usam a Lei Rouanet sem pudor para investirem neles mesmos. O Brasil, os empresários, as universidade são todos avaros, não premiam, não incentivam, não honram os que merecem, enfim, duvido que o Instituto Lula ou o Instituto FHC, ou a Universidade de São João Del Rei estejam pensando em agraciar a cultura brasileira com uma Medalha de Resistência Cultural…

Por que o mundo da pintura é preconceituoso em sua visão?

Quanto mais rico mais preconceituoso. Lá fora, no mundo dos ricos, só podemos fazer “arte menor”. Arte maior é com eles. Somos culturalmente colonizados. Ou melhor, nós não, a mídia poderizada e o mundo acadêmico. Chega a ser ridículo, o pintor prefere ser chamado de “artista plástico” a ser confundido com o pintor de parede. Sempre que sou lembrado ao nível oficial surge um “artista plástico” me qualificando depois do nome. A verdade é que no capitalismo, nas religiões, todo mundo discrimina todo mundo. A razão? Se você admite um acima, admite um abaixo. Para romper com isso é preciso um mundo novo, um Homem novo. No que diz respeito especificamente à Pintura é preciso reduzir os cursos de História da Arte e aumentar, ou melhor, criar, pois, nem existem, os cursos de Filosofia da Arte. Ou seja, precisamos dar voz ao artista, ao criador. Hoje, todos sabem a cor da cueca do Van Gogh, mas não sabem o pensamento do Portinari, por exemplo. Os cursos de História da Arte estão utilizando livros de cem anos atrás, como se fosse grande novidade -, e o artista brasileiro, principalmente, não publica, não é chamado para entrevistas, não tem voz, enfim. Estes cursos fazem o jogo da dominação estética. A Arte, repito, é universal, mas, na prática o que existe é tão-somente a difusão da arte e da cultura do mundo dos poderosos, a arte da aristocracia financeira, arte acomodada, comportada, novidadeira, de falsa vanguarda. O entretenimento serve para isso: distrair os pobres coitados, atolados nas dívidas, na desesperança, na falta do que fazer depois do trabalho, quando têm trabalho. A luta, hoje, é contra o Dinheiro, contra o trabalho pago com pirita. Liberdade é participação, e o povo não é chamado à participação. O urinol do Duchamp [Marcel Duchamp, pintor, poeta e escultor francês, 1887-1968] tem mais de 100 anos, mas é vendido como se a urina ainda borbulhasse. Mas, atentem: é um problema econômico, de dominação financeira. As minas do Rei Salomão não ficam na África, ficam aqui, em Minas Gerais, na Amazônia. Não é porque não tem dinheiro que o Brasil não investe em Arte. Mas sim porque é um país colonizado, de fora pra dentro, de cima pra baixo, com os de dentro sorrindo pros de fora. Como se dissessem: vejam, ainda temos dentes.

O preconceito na Pintura, pouco ou nada difere do preconceito geral. Pintura, no Brasil, ainda é coisa de bem-nascidos e deve ser produzidas para os ricos. É um país que não compra arte, não forma acervo público. Só compra computador, carro, câmaras de segurança. É claro que a Pintura, em si, vale muito, até porque é o verdadeiro dinheiro. Mas o preconceito existe porque a Arte e a Cultura que estamos vendo e vivendo na mídia e nas academias não são nossas. Sofremos com o ditame financeiro internacional, avassalador, arrasador, e que é nacional também. Enfim, luto por uma Arte pessoal, antes de lutar por uma Arte nacional, mas, uma não vem sem a outra. Só uma Arte pessoal nos livra dos preconceitos. Agora, favor não confundir Arte com Democracia. Na Arte o que vale é o melhor, e o melhor é o mais inovador, o mais belo, o mais libertário, o mais social, o mais pessoal… Já a democracia é uma dessas esperanças que não há quem não explique e ninguém que não a entenda.

E o mundo da pintura, já foi preconceituoso com você em algum momento?

Sim. Muito. Mas não o mundo, algumas pessoas, algumas galerias brasileiras. Primeiro porque não estudei formalmente a Pintura, segundo porque meu autodidatismo me obrigou a inventar, intuitivamente, uma nova tela para a pintura (uma vela náutica oceânica de poliéster), tão boa que me permite expor permanentemente ao ar-livre. E, ademais, bela; embora muito difícil de pintar, pois, não permite nem o esboço e, nem a correção. Um ótimo material, em resumo. E isto numa época em que a tela de pano está decadente, isto é, já não tem a mesma qualidade que tinha no passado, quando era de linho e alcalina. Ou seja, autodidata, excêntrico, subversivo e ainda por cima prescindindo das galerias para expor… Já viu, né? Mas foi bom. Repudiado, achei o meu caminho, sendo pioneiro na criação da modalidade “galeria pessoal”. Nasceu assim: um dia, eu bestando e comendo jabuticaba na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, dias depois de ter feito uma exposição ao ar-livre no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Eco-92, com público estimado em dois milhões de pessoas, reparei, bem na minha frente, uma agência do Bradesco apinhada de gente e com uma placa na entrada que dizia “Banco Bradesco”. Então eu pensei, se o Bradesco precisa de nome na porta para traficar o nosso dinheiro, o que direi eu, um simples pintor de poesias coloridas. Então eu atravessei a rua e abri a minha primeira galeria pessoal e desde então me tornei um pintor profissional. E mais: independente.

Em que período a sua natureza libertária esteve mais presente de uma forma visceral em seus trabalhos?

Sem liberdade interna e externa a Arte é uma chatice. É a liberdade, “a surpresa da liberdade” que impulsiona o pintor a pintar. É o que vem “de graça”. Acho que o tema dos jarros de flores, como eu o concebo, é o mais libertário, pois, é somente forma e cor. Nele, já estamos livres das quatro grandes pragas da Pintura; a saber, a literatura, a história, a anedota e o conceito. Pintura é imagem, e imagem é silêncio, daí uma pintura que seja forma e cor ser mais pintura, pois, é mais silenciosa. Quanto mais silenciosa a imagem mais ela grita, melhor ela é. Ou seja, não é bom se contar histórias nem historinhas numa pintura, muito menos apelar-se para a anedota. E o blá-blá-blá conceitual é um horror. Está matando a arte visual e criando filósofos do óbvio, acacianos abestalhados.

Quando escreveu seu livro sobre a China, imaginava que a nação hoje seria essa potência no campo econômico, ou melhor, já via indícios de alguma coisa nesse sentido quando estava no país, pois, como bem diz, a China de Mao Tsé-Tung naquela época, era a China dos camponeses?

Bem, foi uma pena a China ter ido por este caminho. A Terra é esgotável e está esgotada. Se me permite a onipotência, acho que a China errou e creio que um dia retomará o caminho do “horizonte camponês”, que é muito mais humanístico, belo e viável. Além de garantir uma saúde melhor para os seus cidadãos. Aliás, não só a China, mas creio que o mundo do futuro será de jardineiros e poetas, ou não será. A China de hoje gosta mais de mim do que eu dela – deduzo, pois, me honrou com uma Medalha de Ouro, em Londres, na Olympic Fine Arts Exhibition, em 2012, enquanto eu a critico e a aconselho a gastar os seus trilhões de dólares falsos acumulados comprando pintura que, aliás, é o verdadeiro dinheiro. Bom dinheiro é o que reproduz boa pintura nas suas cédulas… que fingem ser pinturas. Mas já não existem dinheiros assim.

Você diz que o período de estudos nos EUA e na Itália, foram fundamentais na sua formação. Qual a lembrança mais notória daqueles momentos no efervescente anos 60?

O mais notório é que eu estava longe da ditadura brasileira, podia viver, sem medo de ser morto, nem seqüestrado. Longe dos anos de chumbo, aliás, se me permitem, de kriptonita, já que éramos todos jovens super-homens lutando pelas liberdades democráticas. Minhas “bolsas de estudos” foram disfarces para sair do país, sem chamar muito atenção. A liberdade, diga-se, é a mais deliciosa das delícias. E não só a liberdade política, a do corpo também. Na América eu vivi a liberdade do corpo, na Itália a liberdade da alma. Inesquecível: um dia, fui a uma festa, na Memorial Church, e vi os jovens estudantes de Harvard dançando rock, que acabava de nascer, como que enlouquecidos, em cima dos túmulos dos heróis americanos. Foi como se estivessem se libertando da caverna, e eu também. Mas, o melhor de Harvard é o Fogg Museum. Lá vi pela primeira vez os impressionistas franceses e os pintores coloniais americanos primitivos, de lindas marinhas. Uma maravilha. O Fogg foi um dos lugares que definiu a minha vida de pintor. Na Itália, em Florença, a simples visão do David de Michelangelo [Michelangelo Buonarroti, escutor e pintor italiano, 1475-1564] foi suficiente para eu acreditar no valor da beleza, para sempre. As pedras de Roma ensinaram-me a permanência do belo, os gramados de Harvard o grande valor da sociedade rica, ainda que, no caso, unilateralmente rica. Enfim, tudo de belo e bom que aprendi na minha meninice, no subúrbio carioca do Encantado, com os balões, com as festas de São João, com a frescura dos quintais frutíferos, com as pipas que eu mesmo fazia, com a bola de gude e sua visão interna do cosmos, com o carnaval do carnaval do carnaval, tudo isso que formou a minha estética e a minha poética foi reforçado nos meus exílios americanos e italianos. Pena que os anos 60 terminaram. Nós, os puros das utopias, os sentimentais da razão, merecíamos novos e mais duradouros anos 60. Precisamos avançar até os Anos 60. Quanto mais antiga a crença maior a fé. O Deus Sol há de voltar, creio. Pois, Deus bonito era o Sol…

O autodidatismo lhe deu mais liberdade como pintor, ou acredita que mesmo se não fosse autodidata, essa liberdade viria da mesma forma?

Aposto mais no autodidata e no excêntrico, no sentido de “fora do centro”. Antigamente, na tradição oriental, os melhores pintores, capazes de criar escola, eram excêntricos. Geralmente eram aventureiros, escritores, calígrafos, poetas, místicos, jardineiros que um dia, na maturidade, de repente, começavam a pintar – e tão valioso era o seu autodidatismo que podiam fundar uma escola. Noel [Noel Rosa, sambista, compositor e bandolinista 1910-1937] carioca tinha razão – samba não se aprende no colégio. Todos os cursos de pintura se dizem livres, mas a verdade é que se lhe põem um determinado pincel nas mãos muito dificilmente você o abandonará. O pintor tem que criar o seu espaço, só dele, senão morre na Lua. Ninguém é grande ocupando o lugar do outro. Não há competição na Pintura. Um pintor só é grande quando atinge sua expressão pessoal, resultado também de sua técnica pessoal. Na verdade, um pintor para ser grande precisa desaprender… profundamente.

Por que é tão difícil ser pintor na juventude? Afinal você não é o primeiro que diz isso para nós…

A Pintura é uma Arte da maturidade. Exige, hoje, uma expressão já pronta, uma caligrafia já elaborada, uma poética já construída. Ademais, é necessário uma “integridade psíquica”, algo que se conquista na maturidade. Quanto mais “integridade psíquica” mais se pode ser original e ser acreditado na sua originalidade. Ou seja, a Pintura é uma Arte extremamente difícil que deve ser feita com muita facilidade. E Alegria. Pintura é poesia, vem da juventude, mas, para ser pintor é preciso ser sátiro e anjo a um só tempo. Uma coisa é pintar, outra é ser pintor. Ser pintor é um disfarce para se lutar pela paz mundial, pelo universo da pessoa. Um segredo: a Pintura é a única Arte capaz de plasmar a vida na tela, por isso é o verdadeiro dinheiro. Pinto para que o mundo vire pintura.

Em uma certa ocasião, você afirmou que se nos permitissem saber mais sobre Marx, com certeza seríamos todos os comunistas a caminho do anarquismo. Existiu alguma experiência que o fez chegar a essa ideia que hoje é tão firme em sua personalidade?

Querido, eu só não fundo o Partido Comunista Democrático porque gosto muito da convivência com a minha esposa. Explico. No Brasil, onde existe a ditadura dos partidos (o mandato é do partido, não do eleito; é proibida a candidatura avulsa), quem manda é o diretório. Pouco importa se você ganha a eleição ou não, tem poder quem frequenta as reuniões dos diretórios, que geralmente são à noite; ou seja, só frequenta quem está brigado com a esposa… Ora, amo minha mulher, logo minha carreira política termina aqui.

Resta o anarquismo. Sim. Só acredito no Governo do poeta. Creio na ordem anárquica como a mais magistralmente eficaz e democrática. Ser pintor é se autogovernar. Marx [Karl Marx, filósofo, sociólogo e jornalista alemão, 1818-1883] e Freud [Sigmund Freud, neurologista e criador da Psicanálise, 1856-1939] foram assassinados pelos conservadores antes mesmo de serem lidos e digeridos. Fazem muita falta na atualidade, assim como Marcuse [Herbert Marcuse, sociólogo e filósofo alemão, 1898-1979], outro grande assassinado. Lembro uma frase de Marx, que cito de memória, de grande atualidade, e que vale um tratado de sociologia: “Os burgueses, não contentes em prostituírem as filhas dos operários, têm um prazer incontido em se cornearem entre si”. Lindo!

Em que tem trabalhado atualmente?

Há dez anos me dedico a pintar aos jarros de flores. Mas, você sabe, o mais difícil de ver é a ponta do nariz. Antes, sempre, nas minhas paisagens, nas minhas pinturas de casarios tiradentinos eu punha no fundo, como detalhe, a magnífica Serra de São Jose de Tiradentes, que há 25 anos contemplo aqui de casa. Mas, nunca a protagonizei, ou seja, ela como o tema da tela, sozinha na sua magnificência. Agora pinto um jarro de flor e uma Serra de São José, alternadamente. Amo a Serra tanto quanto amo os jarros de flor. Ou seja, como diz o Caymmi [Dorival Caymmi, cantor e compositor baiano, 1914-2008]: O pescador tem dois amor… Assim mesmo no singular, que é pra rimar. Há algum tempo, também, só aceito trabalhos não-remunerados. Atualmente ajudo a Associação de Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito, onde estudei e me formei, embora nunca tendo exercido a profissão. Realizamos uma festa no Dia Nacional da Liberdade, a 12 de novembro, batismo e nascimento de Tiradentes, onde, numa programação cultural no Salão Nobre da Faculdade, agraciamos personalidades e entidades com a Medalha da Resistência Cidadã. Para a festividade deste ano, tenho trabalhado no projeto Nossas Desculpas, onde Brasil e Portugal pedem reciprocamente desculpas pela expulsão e banimento da Família Real e a condenação dos Inconfidentes. Trabalho também, com Cidinha, minha mulher, e alguns amigos, na programação da nossa Fundação artística e cultural. Acordo cedo, durmo cedo. O melhor de Tiradentes é o ar puro e o silêncio. O tempo que sobra cuido do meu jardim, dos meus canários belgas. Adoro minha família e adoro receber meus amigos. Sou um homem ocupado… mas disponível.

Fonte: Paronama Mercantil, publicado por Eder Fonseca em 6 de abril de 2016.

Crédito fotográfico: Facebook Oscar Araripe

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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