Manuel Teixeira da Rocha (São Miguel dos Campos, AL, 15 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro, RJ, 26 de abril de 1941), mais conhecido como Teixeira Rocha, foi um pintor, desenhista, caricaturista, gravador e professor brasileiro. Retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Fundou em 1890 os periódicos Vida Fluminense e FFeRR.
Biografia - Itaú Cultural
Muda-se para o Rio de Janeiro em 1870, e por volta de 1878, estuda no Liceu Imperial de Artes e Ofícios e três anos mais tarde, na Academia Imperial de Belas Artes, com José Maria de Medeiros e Victor Meirelles. Durante 39 anos, de 1881 a 1928, atua como professor de pintura e desenho, lecionando no Liceu Imperial de Artes e Ofícios, na Escola Naval, no Colégio Militar e na Escola Normal. Funda os periódicos Vida Fluminense e FFeRR, em 1890. Viaja para Paris, França em 1900, quando aperfeiçoa seus estudos com os mestres Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Fonte: TEIXEIRA da Rocha. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 03 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia
Ele retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Na revista Vida Fluminense, da qual foi um dos fundadores, e ao lado de caricaturistas famosos como Vale e Hilarião Teixeira, tratados como “redatores artísticos”, ele nos legou a imagem fiel dos embates políticos que se travavam no Brasil daquela época e o retrato de muitas personalidades que fizeram a história do Brasil. A pintura, na qual se destacou em grande estilo, também era um talento revelado desde a infância. Era um desenhista nato. “Em Teixeira da Rocha, o desenho era a linha mestra sobre a qual repousava o edifício da sua pintura”.
Manoel Teixeira da Rocha nasceu em São Miguel dos Campos a 15 de outubro de 1863, filho de Pedro Teixeira da Rocha e de Maria Rosa de Jesus Rocha, ambos professores naquela pequena localidade alagoana. Eram seus avós paternos major Manoel Casimiro da Rocha e Joanna Maria da Conceição Rocha.
Ainda criança, em 1870, órfão de pai, foi com a família para o Rio de Janeiro. Lá, sob a proteção do tio, o futuro Barão de Maceió (Dr. Antônio Teixeira da Rocha, professor da Faculdade de Medicina), ingressou, em 1878, no Lyceu de Artes e Ofícios e, em 1881, na Imperial Academia de Belas Artes, onde teve aulas de Victor Meireles e José Maria de Medeiros. Sobre essa sua época de Academia, disse Escragnolle Dória, na Revista da Semana de 3 de maio de 1941: “Em todos os estabelecimentos de ensino há duas espécies de alunos: os que se matriculam por se matricular, e os que o fazem para estudar. A esta classe pertenceu sempre Teixeira da Rocha”.
Sua primeira exposição ocorreu em 1884 e, já em 1887, concorreu ao prêmio de viagem, ao lado de Oscar Pereira da Silva, Hilarião Teixeira, Pinto Bandeira e Eduardo de Sá. Nesse concurso, os cinco candidatos finalizaram empatados. Só em 1900 foi que Teixeira da Rocha viajou, a suas próprias custas, para Paris, onde estudou com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Em 1888, segundo o Diário de Belém, de 13 de julho de 1888, foi nomeado Auxiliar Interino de Desenho Topográfico e de Marinha da Escola Naval, e, em 1891, foi nomeado professor de Desenho Linear da Companhia de Aprendizes Artífices do Arsenal de Guerra da Capital, conforme o jornal O Brasil, de 16-17 de fevereiro de 1891. Nessa ocasião, dirigiu-se ao Imperador e pediu para suspender o seu auxílio. O bondoso monarca ainda o aconselhou a continuar recebendo por algum tempo, mas, ante a peremptória recusa do beneficiado, atendeu ao seu pedido.
Durante a Exposição Universal de Paris de 1889, contando 26 anos de idade, Teixeira da Rocha recebeu medalha de ouro – a distinção mais elevada recebida por um brasileiro em eventos internacionais até aquela época. No Salão de 1898, recebeu também uma medalha de ouro de terceira classe, por seu esboço “A Lei de 28 de setembro” e um grupo de paisagens.
Em 1891, casa-se com Maria Luiza de Albuquerque Palhares (Filha de Maria de Albuquerque Palhares, falecida em 1912. Fonte: O Apóstolo, 10 de abril de 1891, p. 3), com quem teve os filhos Armando, Renato (casado com Adelina Pette Ciuffo), Laura (casada com Almério Pinto de Albuquerque), Osvaldo (que se tornaria também pintor), Manoel, Odete (casada com Luiz Santos) e Hilda (casada com o Dr. Alberto Francisco Canejo). As duas eram exímias pianistas. A primeira, tornou-se professora de música, e a segunda, formada no Instituto Nacional de Música, era artista muito requisitada nos eventos da sociedade carioca de então.
Durante a Exposição da Escola de Belas Artes de 1899, Teixeira da Rocha concorreu ao prêmio de viagem à Europa, mas não conseguiu por ter excedido da idade máxima permitida pelo Regulamento. Então, o Dr. João do Rego Barros ofereceu-lhe a viagem, conforme registra a revista A Estação, Ano XXVIII, nº 24, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1899, p. 14.
Foi assim que, afirmando uma significativa interação entre artistas brasileiros e portugueses, o caricaturista Julião Machado (Luanda, 1863 – Lisboa,1930) escreve esta carta para Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa, 1846 – Lisboa, 1905), recomendando Teixeira da Rocha:
“Segue neste vapor para Paris (creio que com alguma demora em Lisboa) o Teixeira da Rocha, um artista brasileiro muito consciencioso que vai ser subsidiado pelo Rego Barros. É de supor que este o procure e então melhor do que por mim saberá notícias daqui. Este tenciona demorar-se na Europa dois anos e eu espero bem, (porque sei de quanto são capazes a sua força de vontade e a sua excelente aptidão que esta viagem há de fazer deste um artista notável (…). Não ocuparia a sua atenção com o Teixeira da Rocha que o meu querido amigo aqui conheceu desta vez se este, além ser um valente carácter de homem e de amigo, não fosse um verdadeiro artista, já muito conceituado por cá. Além de tudo isto, creio que não lhe será desagradável a si, ter o ensejo de, com a sua tão generosa afabilidade, e com os seus preciosíssimos conselhos, animar um artista brasileiro que vai a Europa pela primeira vez e que – naturalmente – lutará com o tédio e talvez com o desalento.”
Conquistou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia, com seu quadro A Horta. Esse quadro, lamentavelmente, desapareceu. Confiando-o ao uma comissão de artistas franceses que visitava o Brasil, e autorizando que eles o expusessem em Paris, nunca mais soube notícias dele. Nem mesmo quando foi, pessoalmente procurá-lo na Cidade Luz.
Além da sua participação na revista Vida Fluminense, atuou também no Monóculo e na publicação especializada, fundada e dirigida por Alvarenga Fonseca, a Revista Theatral, quem tinha também como ilustradores: Bento Barbosa, Pereira Neto, Ricardo Casanova, Helios Seelinger e Julião Machado. Em 1907, publicou charges e composições satíricas na revista Tan-Tan. Sua assinatura variava entre o “Teixeira da Rocha”, “Txrª da Rocha” ou simplesmente as iniciais “T. R”.
Teixeira da Rocha, conhecido no meio artístico por “Rochão”, numa alusão ao seu porte físico avantajado (1,90 m de altura), tinha, como traço marcante do seu caráter, a independência. “Não se escondia para dizer nem para manifestar sentimentos. O que estava no coração lhe via à boca, em louvor merecido ou condenação rude.”, disse Escragnolle Dória.
Suas obras mais conhecidas são: A Horta, Praia de Santa Luzia, Pescaria, Costura, Aula à Note, Paisagem de Petrópolis, Fundos do Arsenal de Guerra, Abolição da Escravatura e Vista de Copacabana; além de Interior de Paris e Rio Sena.
No dia 18 de abril de 1941, uma sexta-feira, às 10:00 horas da manhã, faleceu no Rio de Janeiro, em sua residência, num prédio assobradado situado na Rua Barão de Itapagipe, nº 417, na Tijuca, sendo sepultado no dia seguinte.
A arte e o magistério perderam um dos seus mais abalizados cultores. E ele era alagoano.
Fonte: Blog do Etevaldo, publicado por Etevaldo Amorim em 30 de dezembro de 2015.
Manuel Teixeira da Rocha (São Miguel dos Campos, AL, 15 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro, RJ, 26 de abril de 1941), mais conhecido como Teixeira Rocha, foi um pintor, desenhista, caricaturista, gravador e professor brasileiro. Retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Fundou em 1890 os periódicos Vida Fluminense e FFeRR.
Biografia - Itaú Cultural
Muda-se para o Rio de Janeiro em 1870, e por volta de 1878, estuda no Liceu Imperial de Artes e Ofícios e três anos mais tarde, na Academia Imperial de Belas Artes, com José Maria de Medeiros e Victor Meirelles. Durante 39 anos, de 1881 a 1928, atua como professor de pintura e desenho, lecionando no Liceu Imperial de Artes e Ofícios, na Escola Naval, no Colégio Militar e na Escola Normal. Funda os periódicos Vida Fluminense e FFeRR, em 1890. Viaja para Paris, França em 1900, quando aperfeiçoa seus estudos com os mestres Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Fonte: TEIXEIRA da Rocha. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 03 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia
Ele retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Na revista Vida Fluminense, da qual foi um dos fundadores, e ao lado de caricaturistas famosos como Vale e Hilarião Teixeira, tratados como “redatores artísticos”, ele nos legou a imagem fiel dos embates políticos que se travavam no Brasil daquela época e o retrato de muitas personalidades que fizeram a história do Brasil. A pintura, na qual se destacou em grande estilo, também era um talento revelado desde a infância. Era um desenhista nato. “Em Teixeira da Rocha, o desenho era a linha mestra sobre a qual repousava o edifício da sua pintura”.
Manoel Teixeira da Rocha nasceu em São Miguel dos Campos a 15 de outubro de 1863, filho de Pedro Teixeira da Rocha e de Maria Rosa de Jesus Rocha, ambos professores naquela pequena localidade alagoana. Eram seus avós paternos major Manoel Casimiro da Rocha e Joanna Maria da Conceição Rocha.
Ainda criança, em 1870, órfão de pai, foi com a família para o Rio de Janeiro. Lá, sob a proteção do tio, o futuro Barão de Maceió (Dr. Antônio Teixeira da Rocha, professor da Faculdade de Medicina), ingressou, em 1878, no Lyceu de Artes e Ofícios e, em 1881, na Imperial Academia de Belas Artes, onde teve aulas de Victor Meireles e José Maria de Medeiros. Sobre essa sua época de Academia, disse Escragnolle Dória, na Revista da Semana de 3 de maio de 1941: “Em todos os estabelecimentos de ensino há duas espécies de alunos: os que se matriculam por se matricular, e os que o fazem para estudar. A esta classe pertenceu sempre Teixeira da Rocha”.
Sua primeira exposição ocorreu em 1884 e, já em 1887, concorreu ao prêmio de viagem, ao lado de Oscar Pereira da Silva, Hilarião Teixeira, Pinto Bandeira e Eduardo de Sá. Nesse concurso, os cinco candidatos finalizaram empatados. Só em 1900 foi que Teixeira da Rocha viajou, a suas próprias custas, para Paris, onde estudou com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Em 1888, segundo o Diário de Belém, de 13 de julho de 1888, foi nomeado Auxiliar Interino de Desenho Topográfico e de Marinha da Escola Naval, e, em 1891, foi nomeado professor de Desenho Linear da Companhia de Aprendizes Artífices do Arsenal de Guerra da Capital, conforme o jornal O Brasil, de 16-17 de fevereiro de 1891. Nessa ocasião, dirigiu-se ao Imperador e pediu para suspender o seu auxílio. O bondoso monarca ainda o aconselhou a continuar recebendo por algum tempo, mas, ante a peremptória recusa do beneficiado, atendeu ao seu pedido.
Durante a Exposição Universal de Paris de 1889, contando 26 anos de idade, Teixeira da Rocha recebeu medalha de ouro – a distinção mais elevada recebida por um brasileiro em eventos internacionais até aquela época. No Salão de 1898, recebeu também uma medalha de ouro de terceira classe, por seu esboço “A Lei de 28 de setembro” e um grupo de paisagens.
Em 1891, casa-se com Maria Luiza de Albuquerque Palhares (Filha de Maria de Albuquerque Palhares, falecida em 1912. Fonte: O Apóstolo, 10 de abril de 1891, p. 3), com quem teve os filhos Armando, Renato (casado com Adelina Pette Ciuffo), Laura (casada com Almério Pinto de Albuquerque), Osvaldo (que se tornaria também pintor), Manoel, Odete (casada com Luiz Santos) e Hilda (casada com o Dr. Alberto Francisco Canejo). As duas eram exímias pianistas. A primeira, tornou-se professora de música, e a segunda, formada no Instituto Nacional de Música, era artista muito requisitada nos eventos da sociedade carioca de então.
Durante a Exposição da Escola de Belas Artes de 1899, Teixeira da Rocha concorreu ao prêmio de viagem à Europa, mas não conseguiu por ter excedido da idade máxima permitida pelo Regulamento. Então, o Dr. João do Rego Barros ofereceu-lhe a viagem, conforme registra a revista A Estação, Ano XXVIII, nº 24, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1899, p. 14.
Foi assim que, afirmando uma significativa interação entre artistas brasileiros e portugueses, o caricaturista Julião Machado (Luanda, 1863 – Lisboa,1930) escreve esta carta para Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa, 1846 – Lisboa, 1905), recomendando Teixeira da Rocha:
“Segue neste vapor para Paris (creio que com alguma demora em Lisboa) o Teixeira da Rocha, um artista brasileiro muito consciencioso que vai ser subsidiado pelo Rego Barros. É de supor que este o procure e então melhor do que por mim saberá notícias daqui. Este tenciona demorar-se na Europa dois anos e eu espero bem, (porque sei de quanto são capazes a sua força de vontade e a sua excelente aptidão que esta viagem há de fazer deste um artista notável (…). Não ocuparia a sua atenção com o Teixeira da Rocha que o meu querido amigo aqui conheceu desta vez se este, além ser um valente carácter de homem e de amigo, não fosse um verdadeiro artista, já muito conceituado por cá. Além de tudo isto, creio que não lhe será desagradável a si, ter o ensejo de, com a sua tão generosa afabilidade, e com os seus preciosíssimos conselhos, animar um artista brasileiro que vai a Europa pela primeira vez e que – naturalmente – lutará com o tédio e talvez com o desalento.”
Conquistou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia, com seu quadro A Horta. Esse quadro, lamentavelmente, desapareceu. Confiando-o ao uma comissão de artistas franceses que visitava o Brasil, e autorizando que eles o expusessem em Paris, nunca mais soube notícias dele. Nem mesmo quando foi, pessoalmente procurá-lo na Cidade Luz.
Além da sua participação na revista Vida Fluminense, atuou também no Monóculo e na publicação especializada, fundada e dirigida por Alvarenga Fonseca, a Revista Theatral, quem tinha também como ilustradores: Bento Barbosa, Pereira Neto, Ricardo Casanova, Helios Seelinger e Julião Machado. Em 1907, publicou charges e composições satíricas na revista Tan-Tan. Sua assinatura variava entre o “Teixeira da Rocha”, “Txrª da Rocha” ou simplesmente as iniciais “T. R”.
Teixeira da Rocha, conhecido no meio artístico por “Rochão”, numa alusão ao seu porte físico avantajado (1,90 m de altura), tinha, como traço marcante do seu caráter, a independência. “Não se escondia para dizer nem para manifestar sentimentos. O que estava no coração lhe via à boca, em louvor merecido ou condenação rude.”, disse Escragnolle Dória.
Suas obras mais conhecidas são: A Horta, Praia de Santa Luzia, Pescaria, Costura, Aula à Note, Paisagem de Petrópolis, Fundos do Arsenal de Guerra, Abolição da Escravatura e Vista de Copacabana; além de Interior de Paris e Rio Sena.
No dia 18 de abril de 1941, uma sexta-feira, às 10:00 horas da manhã, faleceu no Rio de Janeiro, em sua residência, num prédio assobradado situado na Rua Barão de Itapagipe, nº 417, na Tijuca, sendo sepultado no dia seguinte.
A arte e o magistério perderam um dos seus mais abalizados cultores. E ele era alagoano.
Fonte: Blog do Etevaldo, publicado por Etevaldo Amorim em 30 de dezembro de 2015.
Manuel Teixeira da Rocha (São Miguel dos Campos, AL, 15 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro, RJ, 26 de abril de 1941), mais conhecido como Teixeira Rocha, foi um pintor, desenhista, caricaturista, gravador e professor brasileiro. Retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Fundou em 1890 os periódicos Vida Fluminense e FFeRR.
Biografia - Itaú Cultural
Muda-se para o Rio de Janeiro em 1870, e por volta de 1878, estuda no Liceu Imperial de Artes e Ofícios e três anos mais tarde, na Academia Imperial de Belas Artes, com José Maria de Medeiros e Victor Meirelles. Durante 39 anos, de 1881 a 1928, atua como professor de pintura e desenho, lecionando no Liceu Imperial de Artes e Ofícios, na Escola Naval, no Colégio Militar e na Escola Normal. Funda os periódicos Vida Fluminense e FFeRR, em 1890. Viaja para Paris, França em 1900, quando aperfeiçoa seus estudos com os mestres Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Fonte: TEIXEIRA da Rocha. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 03 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia
Ele retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Na revista Vida Fluminense, da qual foi um dos fundadores, e ao lado de caricaturistas famosos como Vale e Hilarião Teixeira, tratados como “redatores artísticos”, ele nos legou a imagem fiel dos embates políticos que se travavam no Brasil daquela época e o retrato de muitas personalidades que fizeram a história do Brasil. A pintura, na qual se destacou em grande estilo, também era um talento revelado desde a infância. Era um desenhista nato. “Em Teixeira da Rocha, o desenho era a linha mestra sobre a qual repousava o edifício da sua pintura”.
Manoel Teixeira da Rocha nasceu em São Miguel dos Campos a 15 de outubro de 1863, filho de Pedro Teixeira da Rocha e de Maria Rosa de Jesus Rocha, ambos professores naquela pequena localidade alagoana. Eram seus avós paternos major Manoel Casimiro da Rocha e Joanna Maria da Conceição Rocha.
Ainda criança, em 1870, órfão de pai, foi com a família para o Rio de Janeiro. Lá, sob a proteção do tio, o futuro Barão de Maceió (Dr. Antônio Teixeira da Rocha, professor da Faculdade de Medicina), ingressou, em 1878, no Lyceu de Artes e Ofícios e, em 1881, na Imperial Academia de Belas Artes, onde teve aulas de Victor Meireles e José Maria de Medeiros. Sobre essa sua época de Academia, disse Escragnolle Dória, na Revista da Semana de 3 de maio de 1941: “Em todos os estabelecimentos de ensino há duas espécies de alunos: os que se matriculam por se matricular, e os que o fazem para estudar. A esta classe pertenceu sempre Teixeira da Rocha”.
Sua primeira exposição ocorreu em 1884 e, já em 1887, concorreu ao prêmio de viagem, ao lado de Oscar Pereira da Silva, Hilarião Teixeira, Pinto Bandeira e Eduardo de Sá. Nesse concurso, os cinco candidatos finalizaram empatados. Só em 1900 foi que Teixeira da Rocha viajou, a suas próprias custas, para Paris, onde estudou com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Em 1888, segundo o Diário de Belém, de 13 de julho de 1888, foi nomeado Auxiliar Interino de Desenho Topográfico e de Marinha da Escola Naval, e, em 1891, foi nomeado professor de Desenho Linear da Companhia de Aprendizes Artífices do Arsenal de Guerra da Capital, conforme o jornal O Brasil, de 16-17 de fevereiro de 1891. Nessa ocasião, dirigiu-se ao Imperador e pediu para suspender o seu auxílio. O bondoso monarca ainda o aconselhou a continuar recebendo por algum tempo, mas, ante a peremptória recusa do beneficiado, atendeu ao seu pedido.
Durante a Exposição Universal de Paris de 1889, contando 26 anos de idade, Teixeira da Rocha recebeu medalha de ouro – a distinção mais elevada recebida por um brasileiro em eventos internacionais até aquela época. No Salão de 1898, recebeu também uma medalha de ouro de terceira classe, por seu esboço “A Lei de 28 de setembro” e um grupo de paisagens.
Em 1891, casa-se com Maria Luiza de Albuquerque Palhares (Filha de Maria de Albuquerque Palhares, falecida em 1912. Fonte: O Apóstolo, 10 de abril de 1891, p. 3), com quem teve os filhos Armando, Renato (casado com Adelina Pette Ciuffo), Laura (casada com Almério Pinto de Albuquerque), Osvaldo (que se tornaria também pintor), Manoel, Odete (casada com Luiz Santos) e Hilda (casada com o Dr. Alberto Francisco Canejo). As duas eram exímias pianistas. A primeira, tornou-se professora de música, e a segunda, formada no Instituto Nacional de Música, era artista muito requisitada nos eventos da sociedade carioca de então.
Durante a Exposição da Escola de Belas Artes de 1899, Teixeira da Rocha concorreu ao prêmio de viagem à Europa, mas não conseguiu por ter excedido da idade máxima permitida pelo Regulamento. Então, o Dr. João do Rego Barros ofereceu-lhe a viagem, conforme registra a revista A Estação, Ano XXVIII, nº 24, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1899, p. 14.
Foi assim que, afirmando uma significativa interação entre artistas brasileiros e portugueses, o caricaturista Julião Machado (Luanda, 1863 – Lisboa,1930) escreve esta carta para Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa, 1846 – Lisboa, 1905), recomendando Teixeira da Rocha:
“Segue neste vapor para Paris (creio que com alguma demora em Lisboa) o Teixeira da Rocha, um artista brasileiro muito consciencioso que vai ser subsidiado pelo Rego Barros. É de supor que este o procure e então melhor do que por mim saberá notícias daqui. Este tenciona demorar-se na Europa dois anos e eu espero bem, (porque sei de quanto são capazes a sua força de vontade e a sua excelente aptidão que esta viagem há de fazer deste um artista notável (…). Não ocuparia a sua atenção com o Teixeira da Rocha que o meu querido amigo aqui conheceu desta vez se este, além ser um valente carácter de homem e de amigo, não fosse um verdadeiro artista, já muito conceituado por cá. Além de tudo isto, creio que não lhe será desagradável a si, ter o ensejo de, com a sua tão generosa afabilidade, e com os seus preciosíssimos conselhos, animar um artista brasileiro que vai a Europa pela primeira vez e que – naturalmente – lutará com o tédio e talvez com o desalento.”
Conquistou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia, com seu quadro A Horta. Esse quadro, lamentavelmente, desapareceu. Confiando-o ao uma comissão de artistas franceses que visitava o Brasil, e autorizando que eles o expusessem em Paris, nunca mais soube notícias dele. Nem mesmo quando foi, pessoalmente procurá-lo na Cidade Luz.
Além da sua participação na revista Vida Fluminense, atuou também no Monóculo e na publicação especializada, fundada e dirigida por Alvarenga Fonseca, a Revista Theatral, quem tinha também como ilustradores: Bento Barbosa, Pereira Neto, Ricardo Casanova, Helios Seelinger e Julião Machado. Em 1907, publicou charges e composições satíricas na revista Tan-Tan. Sua assinatura variava entre o “Teixeira da Rocha”, “Txrª da Rocha” ou simplesmente as iniciais “T. R”.
Teixeira da Rocha, conhecido no meio artístico por “Rochão”, numa alusão ao seu porte físico avantajado (1,90 m de altura), tinha, como traço marcante do seu caráter, a independência. “Não se escondia para dizer nem para manifestar sentimentos. O que estava no coração lhe via à boca, em louvor merecido ou condenação rude.”, disse Escragnolle Dória.
Suas obras mais conhecidas são: A Horta, Praia de Santa Luzia, Pescaria, Costura, Aula à Note, Paisagem de Petrópolis, Fundos do Arsenal de Guerra, Abolição da Escravatura e Vista de Copacabana; além de Interior de Paris e Rio Sena.
No dia 18 de abril de 1941, uma sexta-feira, às 10:00 horas da manhã, faleceu no Rio de Janeiro, em sua residência, num prédio assobradado situado na Rua Barão de Itapagipe, nº 417, na Tijuca, sendo sepultado no dia seguinte.
A arte e o magistério perderam um dos seus mais abalizados cultores. E ele era alagoano.
Fonte: Blog do Etevaldo, publicado por Etevaldo Amorim em 30 de dezembro de 2015.
Manuel Teixeira da Rocha (São Miguel dos Campos, AL, 15 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro, RJ, 26 de abril de 1941), mais conhecido como Teixeira Rocha, foi um pintor, desenhista, caricaturista, gravador e professor brasileiro. Retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Fundou em 1890 os periódicos Vida Fluminense e FFeRR.
Biografia - Itaú Cultural
Muda-se para o Rio de Janeiro em 1870, e por volta de 1878, estuda no Liceu Imperial de Artes e Ofícios e três anos mais tarde, na Academia Imperial de Belas Artes, com José Maria de Medeiros e Victor Meirelles. Durante 39 anos, de 1881 a 1928, atua como professor de pintura e desenho, lecionando no Liceu Imperial de Artes e Ofícios, na Escola Naval, no Colégio Militar e na Escola Normal. Funda os periódicos Vida Fluminense e FFeRR, em 1890. Viaja para Paris, França em 1900, quando aperfeiçoa seus estudos com os mestres Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Fonte: TEIXEIRA da Rocha. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 03 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia
Ele retratou, com traços precisos e inconfundíveis, o período de transição política do Império para a República. Na revista Vida Fluminense, da qual foi um dos fundadores, e ao lado de caricaturistas famosos como Vale e Hilarião Teixeira, tratados como “redatores artísticos”, ele nos legou a imagem fiel dos embates políticos que se travavam no Brasil daquela época e o retrato de muitas personalidades que fizeram a história do Brasil. A pintura, na qual se destacou em grande estilo, também era um talento revelado desde a infância. Era um desenhista nato. “Em Teixeira da Rocha, o desenho era a linha mestra sobre a qual repousava o edifício da sua pintura”.
Manoel Teixeira da Rocha nasceu em São Miguel dos Campos a 15 de outubro de 1863, filho de Pedro Teixeira da Rocha e de Maria Rosa de Jesus Rocha, ambos professores naquela pequena localidade alagoana. Eram seus avós paternos major Manoel Casimiro da Rocha e Joanna Maria da Conceição Rocha.
Ainda criança, em 1870, órfão de pai, foi com a família para o Rio de Janeiro. Lá, sob a proteção do tio, o futuro Barão de Maceió (Dr. Antônio Teixeira da Rocha, professor da Faculdade de Medicina), ingressou, em 1878, no Lyceu de Artes e Ofícios e, em 1881, na Imperial Academia de Belas Artes, onde teve aulas de Victor Meireles e José Maria de Medeiros. Sobre essa sua época de Academia, disse Escragnolle Dória, na Revista da Semana de 3 de maio de 1941: “Em todos os estabelecimentos de ensino há duas espécies de alunos: os que se matriculam por se matricular, e os que o fazem para estudar. A esta classe pertenceu sempre Teixeira da Rocha”.
Sua primeira exposição ocorreu em 1884 e, já em 1887, concorreu ao prêmio de viagem, ao lado de Oscar Pereira da Silva, Hilarião Teixeira, Pinto Bandeira e Eduardo de Sá. Nesse concurso, os cinco candidatos finalizaram empatados. Só em 1900 foi que Teixeira da Rocha viajou, a suas próprias custas, para Paris, onde estudou com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.
Em 1888, segundo o Diário de Belém, de 13 de julho de 1888, foi nomeado Auxiliar Interino de Desenho Topográfico e de Marinha da Escola Naval, e, em 1891, foi nomeado professor de Desenho Linear da Companhia de Aprendizes Artífices do Arsenal de Guerra da Capital, conforme o jornal O Brasil, de 16-17 de fevereiro de 1891. Nessa ocasião, dirigiu-se ao Imperador e pediu para suspender o seu auxílio. O bondoso monarca ainda o aconselhou a continuar recebendo por algum tempo, mas, ante a peremptória recusa do beneficiado, atendeu ao seu pedido.
Durante a Exposição Universal de Paris de 1889, contando 26 anos de idade, Teixeira da Rocha recebeu medalha de ouro – a distinção mais elevada recebida por um brasileiro em eventos internacionais até aquela época. No Salão de 1898, recebeu também uma medalha de ouro de terceira classe, por seu esboço “A Lei de 28 de setembro” e um grupo de paisagens.
Em 1891, casa-se com Maria Luiza de Albuquerque Palhares (Filha de Maria de Albuquerque Palhares, falecida em 1912. Fonte: O Apóstolo, 10 de abril de 1891, p. 3), com quem teve os filhos Armando, Renato (casado com Adelina Pette Ciuffo), Laura (casada com Almério Pinto de Albuquerque), Osvaldo (que se tornaria também pintor), Manoel, Odete (casada com Luiz Santos) e Hilda (casada com o Dr. Alberto Francisco Canejo). As duas eram exímias pianistas. A primeira, tornou-se professora de música, e a segunda, formada no Instituto Nacional de Música, era artista muito requisitada nos eventos da sociedade carioca de então.
Durante a Exposição da Escola de Belas Artes de 1899, Teixeira da Rocha concorreu ao prêmio de viagem à Europa, mas não conseguiu por ter excedido da idade máxima permitida pelo Regulamento. Então, o Dr. João do Rego Barros ofereceu-lhe a viagem, conforme registra a revista A Estação, Ano XXVIII, nº 24, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1899, p. 14.
Foi assim que, afirmando uma significativa interação entre artistas brasileiros e portugueses, o caricaturista Julião Machado (Luanda, 1863 – Lisboa,1930) escreve esta carta para Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa, 1846 – Lisboa, 1905), recomendando Teixeira da Rocha:
“Segue neste vapor para Paris (creio que com alguma demora em Lisboa) o Teixeira da Rocha, um artista brasileiro muito consciencioso que vai ser subsidiado pelo Rego Barros. É de supor que este o procure e então melhor do que por mim saberá notícias daqui. Este tenciona demorar-se na Europa dois anos e eu espero bem, (porque sei de quanto são capazes a sua força de vontade e a sua excelente aptidão que esta viagem há de fazer deste um artista notável (…). Não ocuparia a sua atenção com o Teixeira da Rocha que o meu querido amigo aqui conheceu desta vez se este, além ser um valente carácter de homem e de amigo, não fosse um verdadeiro artista, já muito conceituado por cá. Além de tudo isto, creio que não lhe será desagradável a si, ter o ensejo de, com a sua tão generosa afabilidade, e com os seus preciosíssimos conselhos, animar um artista brasileiro que vai a Europa pela primeira vez e que – naturalmente – lutará com o tédio e talvez com o desalento.”
Conquistou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia, com seu quadro A Horta. Esse quadro, lamentavelmente, desapareceu. Confiando-o ao uma comissão de artistas franceses que visitava o Brasil, e autorizando que eles o expusessem em Paris, nunca mais soube notícias dele. Nem mesmo quando foi, pessoalmente procurá-lo na Cidade Luz.
Além da sua participação na revista Vida Fluminense, atuou também no Monóculo e na publicação especializada, fundada e dirigida por Alvarenga Fonseca, a Revista Theatral, quem tinha também como ilustradores: Bento Barbosa, Pereira Neto, Ricardo Casanova, Helios Seelinger e Julião Machado. Em 1907, publicou charges e composições satíricas na revista Tan-Tan. Sua assinatura variava entre o “Teixeira da Rocha”, “Txrª da Rocha” ou simplesmente as iniciais “T. R”.
Teixeira da Rocha, conhecido no meio artístico por “Rochão”, numa alusão ao seu porte físico avantajado (1,90 m de altura), tinha, como traço marcante do seu caráter, a independência. “Não se escondia para dizer nem para manifestar sentimentos. O que estava no coração lhe via à boca, em louvor merecido ou condenação rude.”, disse Escragnolle Dória.
Suas obras mais conhecidas são: A Horta, Praia de Santa Luzia, Pescaria, Costura, Aula à Note, Paisagem de Petrópolis, Fundos do Arsenal de Guerra, Abolição da Escravatura e Vista de Copacabana; além de Interior de Paris e Rio Sena.
No dia 18 de abril de 1941, uma sexta-feira, às 10:00 horas da manhã, faleceu no Rio de Janeiro, em sua residência, num prédio assobradado situado na Rua Barão de Itapagipe, nº 417, na Tijuca, sendo sepultado no dia seguinte.
A arte e o magistério perderam um dos seus mais abalizados cultores. E ele era alagoano.
Fonte: Blog do Etevaldo, publicado por Etevaldo Amorim em 30 de dezembro de 2015.