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Cássio M'Boy

Cássio da Rocha Matos (12 de outubro de 1903, Mineiros do Tietê, SP — 18 de janeiro de 1986, São Paulo, SP), mais conhecido como Cássio M’Boy, foi um pintor, escultor e decorador brasileiro. Mudou-se para capital paulista ainda jovem, onde começou a trabalhar como pintor de cartazes e desenhista de estamparias, tendo estudado com o artista alemão Georg Elpons e frequentado a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1920, fixou-se na vila de M'Boy, atualmente Embu das Artes, onde começou a criar imagens sacras em madeira, consolidando-se como escultor e precursor do artesanato na região. Na década de 1930, aproximou-se do movimento modernista, tendo contato com nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Ganhou destaque internacional ao receber a medalha de ouro na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris, em 1937, com a obra Fuga para o Egito. Expandiu sua produção artística para temas folclóricos, com representações de personagens como o saci e a Mãe de Ouro, sendo frequentemente associada à arte naïf ou primitiva. Participou de diversas exposições importantes, incluindo a 26ª Bienal de Veneza (1952), além de mostras individuais no Museu de Arte de São Paulo (1951) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1961).

M'Boy | Arremate Arte

Cássio da Rocha Matos, mais conhecido como Cássio M’Boy, nasceu em 12 de outubro de 1903, em Mineiros do Tietê, no interior de São Paulo. Desde cedo revelou talento para o desenho e a escultura, trabalhando ainda jovem como pintor de cartazes e decorador. Sua vocação artística foi alimentada por uma sensibilidade apurada às expressões populares brasileiras, que o acompanharia por toda a vida. Autodidata, complementou seus conhecimentos por uma breve passagem pela Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro ,e pelo convívio com artistas como Georg Elpons, com quem estudou pintura.

Na década de 1920, Cássio M’Boy se estabeleceu em Embu, então vila de M’Boy, tornando-se figura central no desenvolvimento cultural da região. Ali iniciou a produção de imagens sacras em madeira, com destaque para sua escultura da Fuga para o Egito, premiada com medalha de ouro na Exposição Internacional de Paris, em 1937, reconhecimento que projetou seu nome internacionalmente. Essa escultura, carregada de simbolismo e religiosidade, sintetiza sua obra em madeira: rústica, lírica e profundamente conectada com o imaginário popular brasileiro.

Durante as décadas seguintes, Cássio foi se aproximando de artistas e intelectuais do modernismo, mantendo contato com nomes como Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que reconheceram em sua arte uma autenticidade que ressoava com os ideais da brasilidade moderna. Sua trajetória, no entanto, não se alinhava exatamente ao modernismo institucional: era um artista intuitivo, que trabalhava entre o sagrado e o mítico, moldando figuras do folclore como sacis, curupiras, mães d’água e entidades católicas com igual reverência.

A obra de M’Boy é caracterizada por entidades híbridas e narrativas populares que misturam o catolicismo, o animismo indígena e as lendas africanas. Seu estilo, frequentemente classificado como arte naïf ou primitiva, vai além das categorias convencionais, fundindo técnica artesanal e potência simbólica. O uso da madeira, especialmente a cedro e a peroba, moldadas com ferramentas simples, conferia à sua produção uma organicidade marcada pela gestualidade e pela fé.

Sua atuação em Embu teve ainda um caráter fundacional. Ao estimular a produção local e formar jovens aprendizes, M’Boy colaborou para transformar a cidade em um polo de artesanato e arte popular, dando início ao que mais tarde seria reconhecido como o núcleo fundacional de Embu das Artes.

Participou de exposições em diversas partes do mundo, incluindo a 26ª Bienal de Veneza, em 1952, onde representou o Brasil. Foi tema de retrospectivas importantes, como as realizadas pelo MASP (1951) e pelo MAM do Rio de Janeiro (1961), além de ter obras em coleções significativas, como a do Museu de Arte Sacra de São Paulo. Em 1960, realizou uma importante exposição individual em sua própria cidade, consagrando sua influência sobre o cenário artístico regional.

Faleceu em 18 de janeiro de 1986, em São Paulo, uma das figuras mais relevantes da arte popular brasileira do século XX, não apenas pela originalidade de sua obra, mas pelo modo como fundiu arte, mito e identidade em suas peças.

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M'Boy | Itaú Cultural

Cássio M'Boy (Mineiros do Tietê, São Paulo, 1903 - São Paulo, São Paulo, 1986). Pintor, escultor, decorador, designer, figurinista e vitralista. Inicia os estudos nas aulas de desenho e anatomia do pintor alemão Georg Elpons (1865-1939) em São Paulo. No Rio de Janeiro, assiste às aulas da Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Durante a década de 1920, toma contato com o grupo dos modernistas paulistas e produz estampas para tecidos, design de móveis e decoração. Na mesma época, vive no Embu, São Paulo, onde esculpe imagens de santos. Em 1934, participa do 1º Salão Paulista de Belas Artes, na categoria artes aplicadas. Três anos depois, é premiado na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris com a escultura Fuga para o Egito. Em 1938, apresenta trabalhos no Salão de Maio. Nesse período atua como decorador. Realiza sua primeira individual em 1950 no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Em 1950, participa do Salão de Tóquio, Japão, e, em 1952, integra a comitiva brasileira à 26ª Bienal de Veneza. Realiza duas outras individuais em 1961 e 1970, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e no Paço das Artes, em São Paulo, respectivamente. Após sua morte, os tapetes por ele desenhados na década de 1930 integram as mostras: Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/SP, em 1998, e no MAM/RJ em 1999; e O ArtDeco Brasileiro: coleção Fulvia e Adolpho Leirner, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp), em 2008.

Análise

O trabalho de decoração de Cássio M'Boy, criando desenhos para mobiliário, tapeçaria e pequenas esculturas, orienta sobretudo pelo estilo art déco. Nos tapetes abstrato-geométricos da década de 1930, a composição se dá pela justaposição, em sentidos diversos, de semi-círculos e retângulos cujas cores geram sensação de volume e profundidade. Nas pequenas esculturas, como em Figura, déc.1930, uma linha contínua e alongada, elegante, define um corpo que se curva para amarrar uma pena ao tornozelo.

Na mesma época, trabalha com temas religiosos, esculpindo imagens de santos passando então, em pouco tempo, a dedicar-se integralmente à pintura de temas populares e religiosos. Aparentemente, M'Boy separa as soluções formais, empregadas nas "artes aplicadas", dos procedimentos plásticos que organizam o restante de sua produção artística. A lógica compositiva desses trabalhos aproxima-se da chamada pintura "ingênua" ou "primitiva", apesar do artista possuir instrução formal e buscar deliberadamente esse tipo de solução plástica. Nessa produção, a imagem torna-se menos ilusionista.

M'Boy é conhecido principalmente por essa fase de sua obra, compreendido como um pintor de temas folclóricos, a ponto de Mário de Andrade (1893-1945) afirmar que M'Boy seria a incorporação do próprio folclore. Segundo o critico José Geraldo Vieira, essa interpretação se deve, sobretudo, ao "ambiente doméstico bem caipira" e aos "processos toscos" e "temas singelos" de que faz uso.

Críticas

"Insiste-se ainda em incluir Cássio M´Boy entre os pintores ingênuos ou primitivos. Tal lenda decorre mais do seu ambiente doméstico bem caipira e dos processos toscos que usa em temas singelos do que da sua arte propriamente individual (...). A verdade é que Cássio M´Boy se firmou como pintor de assuntos hagiológicos e folclóricos, dos quais nunca se afastou em seu atelier de hibernação bucólica. Inicialmente desenhista de figurinos e escultor de tarimba artesanal, não demorou a adquirir virtuosismo quanto a linhas, formas, volumes, cores e composição. Mas as cenas, as figuras humanas bem como os episódios, complementarmente os bichos, as flores, os montes, as estradas, as cachoeiras; tudo é desenhado e colorido mediante mentalidade populista e singela". — José Geraldo Vieira (PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Apresentação de Antônio Houaiss. Textos de Mário Barata et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969).

Exposições

1934 – 1º Salão Paulista de Bellas Artes

1960 – Coleção Leirner

1960 – Individual de Cássio M'Boy

1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras

1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas

1985 – A Arte do Imaginário

1996 – Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall

1998 – Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner

1999 – Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner

2002 – Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte

2002 – Santa Ingenuidade

2003 – Anos 20: A Modernidade Emergente

2008 – O ArtDeco Brasileiro: coleção Fulvia e Adolpho Leirner

Fonte: CÁSSIO M'Boy. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 31 de março de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Cássio M'Boy | Wikipédia

Cassio da Rocha Matos, mais conhecido como Cassio M'boy (Mineiros do Tietê, 12 de outubro de 1903 — São Paulo, 18 de janeiro de 1986), foi um pintor, escultor e decorador brasileiro.

Cássio M'boy é considerado um dos precursores do movimento Art Déco no Brasil na década de 1930. A partir dos anos 1940, dedica-se à temática do folclore brasileiro e caipira. Teve uma atuação artística diversificada, contando com a produção de esculturas, telas à óleo, mobiliário e tapeçarias.

Biografia

Nascido no interior do Estado de São Paulo, em meados da década de 1910 mudou-se para a capital com o intuito de dedicar-se ao aprendizado das artes plásticas. Trabalhou como entregador de pacotes, pintor de cartazes para anúncios de bondes e desenhista de estamparias para uma fábrica de sedas.

Sua primeira formação artística em São Paulo realizou-se nas aulas do pintor alemão Georg Elpons (1865-1939), seguida de uma temporada de estudos na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro.

Em 1920, fixou-se em uma chácara na área rural da vila de M'boy,[5] atualmente município de Embu das Artes, onde começou a produzir santos de madeira.

Na década de 1930, começou a trabalhar em esculturas em madeira com inspiração art-déco e painéis decorativos em feltro. No período, envolveu-se também com artistas modernistas, o que o levou a atuar como decorador, desenvolvendo mobiliário e tapeçarias para imóveis na capital paulista. Associa-se ao grupo Clube de Artistas Modernos, coordenado por Flavio de Carvalho e mais tarde dissolvido pela polícia de costumes por obras de teor comunista.

Em 1937, uma de suas esculturas, "A Fuga para o Egyto", é selecionada para a Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris, ganhando a medalha de ouro.

A partir da década de 1940 dedica-se à temática folclórica brasileira e à pintura, ilustrando figuras da crença popular como o saci e a Mãe de Ouro. Isso levou a sua obra a ser classificada como arte primitiva ou mesmo naif.

Foi um dos precursores do desenvolvimento das artes plásticas no atual município de Embu das Artes, sendo mestre de diversos artistas como Tadakiyo Sakai. A cidade abriga uma de suas esculturas de santos, esculpida em meados da década de 1920, na Capela de São Lázaro.

Cassio M'boy participou de diversas exposições durante a vida, tanto no Brasil quanto no exterior:

1937 - Exposição Internacional de Paris, França

1938 - Salão de Maio, São Paulo

1950 - Salão de Tóquio, Japão

1951 - Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo

1952 - 26ª Bienal de Veneza, ItáliaMuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 1961 Rio de Janeiro

1970 - Paço das Artes, São Paulo

1998 - Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo

1999 - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

2008 - Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

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Cassio M’Boy, talento, arte, cultura caipira | Arnaldo Chieus Blog

Descendo de família originária dos primeiros povoadores das terras de Piratininga. Nasci numa fazenda de café, no município de Mineiros do Tietê, São Paulo... Três meses depois, fui levado para uma fazenda de café em Botucatu, cuja escola rural cursei. Em 1929, já era proprietário em sítio no Embu, após ter vivido alguns anos na cidade de São Paulo... Faço escultura e pintura desde menino. Fui “santeiro” popular durante o tempo que permaneci na zona rural... Fiz parte da Comissão Paulista de Folclore, entidade oficial da UNESCO... Fui pesquisador folclórico da Divisão de Festejos Populares do DEIP... Em 1937 ganhei a Medalha de Ouro da Exposição Internacional das Artes e Técnicas em Paris, recebendo diploma do Ministério do Comércio e Indústria da França... Em Veneza, expus no setor brasileiro da XXVI Bienal as telas “Nossa Senhora do Coração” e “Mãe de Ouro”, tendo sido esta a primeira tela vendida naquela Bienal... Em 1950, concorri ao Salão Nacional de Tóquio com o “Saci” e ao Salão de Maio de Paris com a “Nossa Senhora Bonita” e “Mãe d’Água”... A tela “Nossa Senhora do Desterro” faz parte da Pinacoteca do Museu de Arte de São Paulo... Pertenci à equipe de artistas plásticos que realizou o grande vitral documentando a atualidade artístico-plástica do Brasil, no Museu da Fundação Armando Álvares Penteado de São Paulo... Agora, duas telas minhas – “Fuga para o Egito” e “Presépio” – foram escolhidas para figurar em cartões de Natal da UNICEF, organização da ONU que reverte seus fundos para a assistência à infância pobre e que serão vendidos em todo o mundo... E o governo estadual está querendo comprar outras duas telas minhas – “Fundação de São Paulo” e “Fundação do Embu” – já fiz até o preço.

Moreno queimado e curtido de sol, os cabelos longos e grisalhos, a camisa colorida, os pés descalços que logo vão calçar sandálias de couro rústico, o seu jeitão de boiadeiro rude, Cássio M’Boy está nos fundos de sua casa, cortando grama com o tesourão. Ele tirou o sábado para capinar sua rocinha caseira, plantar algum milho, melancia, abóbora, um feijãozinho. Mora no Caxingui, numa casa de cuidados caipiras, de pequeno burguês, como ele mesmo define, “pra proletário não falta muito”. É enxuto, franco, inteligente, sacudido e ágil nos seus 70 anos... 

Minha vida é essa, vou capinando, vou fazendo a minha roça, o meu ambiente caipira, todos os dias vou à “porteira”, na rua, ver quem passa na estrada... “Bom dia, seu Cássio, hoje vai chover? Não vai chover? Então está bem”... Quero ver a rua, ir à feira, fazer minhas compras. Fico horas batendo papo com a vizinhança, gente amiga, povo bom. Saí a 12 anos do Embu, fui para o bairro de Higienópolis. Não aguentei aquele chiquê nem três meses. Fui para o Brooklin, depois comprei esta casa, estou contente e alegre aqui... Por aqui ainda vou ficando mais uns 20 anos... 

O bigode de Cássio é mais branco que os cabelos. Ele muito se impressionou com a morte de Sérgio Cardoso, “fizeram com o Sérgio o que fizeram com o Nijinski, que morreu enlouquecido com o casamento. Coitado do Sérgio... E olhe, ele bem dirigido, superaria Leopoldo Fróes”. Ele fala e opina sobre todos os assuntos: política, arte, religião. Cássio acorda ao meio-dia, levanta-se, lê o “Estado” e a “Folha”, observa que um jornal desdiz muitas vezes o outro. Faz seu café de ermitão, liga o rádio, quer ficar a par do noticiário geral. Aprendeu a cozinhar com um famoso cozinheiro do conde Prates faz ele próprio seu almoço, um peixe frito, uma omelete com arroz simples, “feijão, feijão”, “verdura, verdura”. Nada de coisa complicada, detesto “estrogonofes” e outras coisas de grã-finada. À tarde, mil transas. Vai ao centro, cuida de suas coisas, raramente pinta – ele sempre foi de não muito pintar. Filosofia_ - “Em toda a minha vida tive sempre o cuidado de não comer a carne de vaca que comprei, só bebo seu leite, vivo agora dessas quireras”... 

- Quantos quadros pintou? 

- Não tenho a menor ideia. 

- Onde estão eles? 

- No Brasil, por aí, no mundo. 

- Tem emprestado suas telas para mostras no interior, etc.? 

- Não, nossos museus não têm gente habilitada para cuidar das obras. Não confio. 

- O que tem pintado atualmente? 

- A história do bicho papão. Veja a tela que a menina da roça não usa cruz no pescoço, mas uma figa, e na parede de seu quarto não tem uma imagem de santo... Resultado, o bicho-papão apareceu, claro. São histórias assim, da roça, das fazendas do interior, que pego para fazer minhas pinturas ditas caipiras... Muitas vezes, invento também, mas acho mesmo como dizem os entendidos, que tenho a verdadeira vivência, a verdadeira carga de cultura caipira dentro de mim... E, veja, só, sou formado em Sociologia, já vendi em Copacabana, já andei de raque e cartola o quanto quis... Na verdade, acho que sou mesmo um autêntico caipira erudito. 

O quadro que Cássio citou está inacabado, a um canto da sala – que ao mesmo tempo é sala de entrada, de estar, serve de ateliê e onde estão todas as telas que restaram ao artista primitivista-caipira, após 30 anos de pintura- dez, dozes telas, se tanto. Elas estão dispostas nas paredes. Nos quartos figuram quadros de outros pintores, alguns do Embu, alguns de Osasco, como Américo Modanes, líder de um grupo de primitivos e ingênuos, que Cássio formou e incentiva até hoje. Assuas são principalmente telas angiológicas e folclóricas, e, para cada uma, Cássio dá explicação. Mestre na arte de interpretar lendas do nosso populário e estórias ingênuas dos Mineiros do Tietê, de Botucatu, da vida roceira que levou. A tela do bicho-papão tem, por isso, essas lembranças, essas achegas, a tramela, a colcha de retalhos, o baú de folha-de-flandres, o tradicional pinico. 

- Cássio, como nasceu seu nome artístico, Cássio M’Boy? 

- Meu pai, como minha mãe, eram quatrocentões, eu era bem nascido... Eles tinham horror a ter filho artista. Prometi que, se chegasse a tanto, não usaria o nome de família... E não usei mesmo. No começo, assinava só Cássio... Depois, em 37, concorri a uma exposição internacional em Paris, ganhei um prêmio importante... Precisava então de um sobrenome artístico. Utilizei o M’Boy, pois eu era o Cássio do M’Boy, nome primitivo do Embu.... Quando ganhei oi prêmio em Paris, meu pai pediu para colocar o nome de família, mas aí eu disse: “Agora, já estou consagrado, fica Cássio M’Boy, mesmo”. E assim ficou... Só que tinha um “de” no meio: “Cássio de M’Boy”. Tirei-o certa ocasião, a pedido do José Geraldo Vieira... 

- Nestes anos tidos, quais foram seus maiores amigos? 

- Literatos, poetas, jornalistas, pintores, que sei eu? Anita Malfati era minha amiga, minha companheira, minha irmã. Passava dias e dias no Embu, conversando e pintando... Mário de Andrade. Oswald, Portinari, Flávio de Carvalho, Nonê, Menotti, só o Cassiano Ricardo conheci mais tarde... Aliás, é do Cassiano o prefácio de meu livro de poesias, que está no prelo, na Martins... O Monteiro Lobato destratou o caipira, com seu horrível Jeca-Tau, falso, desfigurado. Neguei três vezes a mão a ele... Quando fico amargurado com certas coisas, fico quieto, não falo com ninguém, então faço poesias... Só que o livro está custando a sair. Eu, pedir, implorar, ajoelhar, isso não faço, nunca fiz... Se querem editar, editem, o Cássio é que não vai chatear ninguém... O artista seve ter auto-respeito, e eu acho que tenho muito... Deve também ser reconhecido em vida, mas, se não for, não faz mal, será depois de sua morte... Nesse ponto, penso como João Vilare: “A arte que tenho não pertence a mim, massa Deus”... Não sou religioso, sou ateu místico... Como dizia, se tenho amargurar, me escondo, não exponho minhas chagas no Viaduto do Chá, não sei valorizar a dor, como fez Verônica no Sudário... Na minha pintura não há dramas nem amarguras... Só uma vez fiz um óleo, Cristo carregando a cruz. Deve estar no Convento do Embu, deve estar, não sei o que fizeram com aquelas coisas lá... Tem algum hobby? - Não, todo colecionador é um doente, e eu estou forte e rijo, na mente e no corpo, não coleciono nada... Não tomo álcool desde que terminou a guerra. Nesse dia tomei um litro de pinga, jurei que nunca mais punha a maldita na boca e cumpria até hoje a promessa... Como pouco, não fumo, não jogo... Fiz as revoluções de 22, 24, 30 e 32 e estive pra ser fuzilado. Com este meu jeito caipira, era espião de Isidoro... Tanta coisa acabo escrevendo o romance de minha vida... Mas o que gosto, mesmo, é o de conversar em casa, em exposições, nas feiras, sou até conhecido por aqui como o “Praça da Alegria”

Cassio serve o cafezinho solúvel. Reclama das cuias, não as encontra mais na cidade grande, aquelas “do tipo-roça”. Mexe em seus guardados, mostra telas achadas em seu quarto de solteirão – tem dois filhos adotivos e um neto. Fala de pinturas e pintores, não perde as melhores exposições. É sempre um papo disputado e disposto, o velho tipo faceiro e caipira, “erudito também”, como corrige. Agora elogia um pintor caipira que também se fez no Interior, também autêntico, também da roça sofrida e amada – José Antonio da Silva. 

- A cultura caipira existe e é autêntica. O caipira é o melhor protótipo do nosso povo. Descende dos bandeirantes, dos tropeiros, das raças formadoras do nosso povo. Querem ver caipiras na verdadeira acepção do termo? É ir em Iguape, nos dias da festa do Bom Jesus. A minha pintura caipira é o sentir, é o pensar, é o agir do nosso caipira da roça, caipira da cidade, caipira onde estiver, sem mistura, sem miscigenação, sem falsidade. Eta, “seu” Cássio M’Boy.

Texto publicado originalmente no jornal "A Tribuna, de Santos, SP, em 3/9/72.

Gênio anônimo, popular, poético 

Cássio M”Boy... Saudação e saudade... Hoje, Dia das Mães, recebi seu álbum. Sem endereço para resposta, possível graças ao grande Rossini. Fiquei na minha salinha, na cadeira que foi de meu pai viajando nas dimensões cabocas do Brasil. “Caboco” com L é invenção. “Caá-boc”, saído, emerso, tirado do mato. Não pode haver L nenhum, nem existe brasileiro que pronuncie “Caboclo” e sim CABOCO! Perdoe. Adiante. Para mim v. é pintor, com a legitimidade, força, exatidão do gênio anônimo e popular. Não há mutilação em sua pintura de encanto contagiante. É natural, espontâneo, puro, como os ditos “primitivos” que só pintavam com o sentimento interior do entendimento coletivo. Para todos os olhos, ricos e pobres. Não há anacronismo para o povo, é sim uma justa posição de imagens. Não elimina as velhas anteriores e tudo é contemporaneidade expressiva, na reexposição mental. V. leu, viu, é inteligente, (não há caipira burro no plano do interesse pessoal), e essa sua cultura em vez de deformar sua recriação, disciplina a veracidade plástica... Penso numa cantiga do Pará 

 – Quem te ensinou a dançar? 

 – Foi andorinha do ar? 

Quem te ensinou a pintar, feiticeiro? 

Não “M’BOY”, cobra, mas M’Baé, cousa, substância, tutano, talento... Um beijo no focinho. 

Fonte: Arnaldo Chieus, texto de Luiz da Câmara Cascudo. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

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Cássio M’Boy e os artistas do Movimento Modernista | Câmara Municipal de Embu das Artes

No momento em que comemoramos os 100 anos da Semana de Arte Moderna, que ocorreu entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, resgatamos a memória de Cássio M’Boy e dos artistas que pisaram no território embuense naquele período histórico para as artes.

Cássio da Rocha Matos, o Cássio M’Boy, foi o pioneiro dentre os artistas contemporâneos que fizeram a história de Embu das Artes. Era graduado em Sociologia e foi um desenhista, pintor e escultor primitivista. Nasceu em Mineiros do Tietê, SP, em 12 de outubro de 1896, e chegou a Embu em 1920, indo morar na então Rua da Capelinha, hoje Rua da Matriz. Seus traços de formas apuradas fizeram seu talento ser reconhecido internacionalmente, com uma arte erudita com características de caipirismo.

Em sua casa recebia artistas do movimento modernista, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Alfredo Volpi, Yoshia Takaoka e outros. Artistas das mais diversas expressões também passaram a frequentar a casa de Cássio e a conhecer Embu, que foi se consolidando como polo de atração de artistas. Em 1937, ele venceu o 1º. Grande Prêmio na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, em Paris.  

Cássio ficou conhecido como santeiro, já que fez diversas imagens santificadas, como a de São Lázaro, esculpida em madeira e colocada na capela que hoje é uma das principais atrações turísticas e religiosas da cidade. O premiado artista foi o expoente da escultura, da pintura, do vitral e do desenho entre os anos 1920 e as décadas seguintes, influenciando a arte de Tadakiyo Sakai e de vários outros discípulos. Seu grupo chegou a incluir Solano Trindade e Mestre Assis, anos depois. Faleceu em São Paulo, SP, em 18 de janeiro de 1986.

Hoje, seu nome identifica uma das salas do Centro Cultural Mestre Assis do Embu. Além disso, seu nome e os dos modernistas que visitavam sua casa foram colocados nas ruas do bairro Cercado Grande.

Viva Cássio M’Boy! Viva o Movimento Modernista de 1922.

Fonte: Embu das Artes. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

Crédito fotográfico: Arnaldo Chieus. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

Cássio da Rocha Matos (12 de outubro de 1903, Mineiros do Tietê, SP — 18 de janeiro de 1986, São Paulo, SP), mais conhecido como Cássio M’Boy, foi um pintor, escultor e decorador brasileiro. Mudou-se para capital paulista ainda jovem, onde começou a trabalhar como pintor de cartazes e desenhista de estamparias, tendo estudado com o artista alemão Georg Elpons e frequentado a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1920, fixou-se na vila de M'Boy, atualmente Embu das Artes, onde começou a criar imagens sacras em madeira, consolidando-se como escultor e precursor do artesanato na região. Na década de 1930, aproximou-se do movimento modernista, tendo contato com nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Ganhou destaque internacional ao receber a medalha de ouro na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris, em 1937, com a obra Fuga para o Egito. Expandiu sua produção artística para temas folclóricos, com representações de personagens como o saci e a Mãe de Ouro, sendo frequentemente associada à arte naïf ou primitiva. Participou de diversas exposições importantes, incluindo a 26ª Bienal de Veneza (1952), além de mostras individuais no Museu de Arte de São Paulo (1951) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1961).

Cássio M'Boy

Cássio da Rocha Matos (12 de outubro de 1903, Mineiros do Tietê, SP — 18 de janeiro de 1986, São Paulo, SP), mais conhecido como Cássio M’Boy, foi um pintor, escultor e decorador brasileiro. Mudou-se para capital paulista ainda jovem, onde começou a trabalhar como pintor de cartazes e desenhista de estamparias, tendo estudado com o artista alemão Georg Elpons e frequentado a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1920, fixou-se na vila de M'Boy, atualmente Embu das Artes, onde começou a criar imagens sacras em madeira, consolidando-se como escultor e precursor do artesanato na região. Na década de 1930, aproximou-se do movimento modernista, tendo contato com nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Ganhou destaque internacional ao receber a medalha de ouro na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris, em 1937, com a obra Fuga para o Egito. Expandiu sua produção artística para temas folclóricos, com representações de personagens como o saci e a Mãe de Ouro, sendo frequentemente associada à arte naïf ou primitiva. Participou de diversas exposições importantes, incluindo a 26ª Bienal de Veneza (1952), além de mostras individuais no Museu de Arte de São Paulo (1951) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1961).

M'Boy | Arremate Arte

Cássio da Rocha Matos, mais conhecido como Cássio M’Boy, nasceu em 12 de outubro de 1903, em Mineiros do Tietê, no interior de São Paulo. Desde cedo revelou talento para o desenho e a escultura, trabalhando ainda jovem como pintor de cartazes e decorador. Sua vocação artística foi alimentada por uma sensibilidade apurada às expressões populares brasileiras, que o acompanharia por toda a vida. Autodidata, complementou seus conhecimentos por uma breve passagem pela Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro ,e pelo convívio com artistas como Georg Elpons, com quem estudou pintura.

Na década de 1920, Cássio M’Boy se estabeleceu em Embu, então vila de M’Boy, tornando-se figura central no desenvolvimento cultural da região. Ali iniciou a produção de imagens sacras em madeira, com destaque para sua escultura da Fuga para o Egito, premiada com medalha de ouro na Exposição Internacional de Paris, em 1937, reconhecimento que projetou seu nome internacionalmente. Essa escultura, carregada de simbolismo e religiosidade, sintetiza sua obra em madeira: rústica, lírica e profundamente conectada com o imaginário popular brasileiro.

Durante as décadas seguintes, Cássio foi se aproximando de artistas e intelectuais do modernismo, mantendo contato com nomes como Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que reconheceram em sua arte uma autenticidade que ressoava com os ideais da brasilidade moderna. Sua trajetória, no entanto, não se alinhava exatamente ao modernismo institucional: era um artista intuitivo, que trabalhava entre o sagrado e o mítico, moldando figuras do folclore como sacis, curupiras, mães d’água e entidades católicas com igual reverência.

A obra de M’Boy é caracterizada por entidades híbridas e narrativas populares que misturam o catolicismo, o animismo indígena e as lendas africanas. Seu estilo, frequentemente classificado como arte naïf ou primitiva, vai além das categorias convencionais, fundindo técnica artesanal e potência simbólica. O uso da madeira, especialmente a cedro e a peroba, moldadas com ferramentas simples, conferia à sua produção uma organicidade marcada pela gestualidade e pela fé.

Sua atuação em Embu teve ainda um caráter fundacional. Ao estimular a produção local e formar jovens aprendizes, M’Boy colaborou para transformar a cidade em um polo de artesanato e arte popular, dando início ao que mais tarde seria reconhecido como o núcleo fundacional de Embu das Artes.

Participou de exposições em diversas partes do mundo, incluindo a 26ª Bienal de Veneza, em 1952, onde representou o Brasil. Foi tema de retrospectivas importantes, como as realizadas pelo MASP (1951) e pelo MAM do Rio de Janeiro (1961), além de ter obras em coleções significativas, como a do Museu de Arte Sacra de São Paulo. Em 1960, realizou uma importante exposição individual em sua própria cidade, consagrando sua influência sobre o cenário artístico regional.

Faleceu em 18 de janeiro de 1986, em São Paulo, uma das figuras mais relevantes da arte popular brasileira do século XX, não apenas pela originalidade de sua obra, mas pelo modo como fundiu arte, mito e identidade em suas peças.

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M'Boy | Itaú Cultural

Cássio M'Boy (Mineiros do Tietê, São Paulo, 1903 - São Paulo, São Paulo, 1986). Pintor, escultor, decorador, designer, figurinista e vitralista. Inicia os estudos nas aulas de desenho e anatomia do pintor alemão Georg Elpons (1865-1939) em São Paulo. No Rio de Janeiro, assiste às aulas da Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Durante a década de 1920, toma contato com o grupo dos modernistas paulistas e produz estampas para tecidos, design de móveis e decoração. Na mesma época, vive no Embu, São Paulo, onde esculpe imagens de santos. Em 1934, participa do 1º Salão Paulista de Belas Artes, na categoria artes aplicadas. Três anos depois, é premiado na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris com a escultura Fuga para o Egito. Em 1938, apresenta trabalhos no Salão de Maio. Nesse período atua como decorador. Realiza sua primeira individual em 1950 no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Em 1950, participa do Salão de Tóquio, Japão, e, em 1952, integra a comitiva brasileira à 26ª Bienal de Veneza. Realiza duas outras individuais em 1961 e 1970, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e no Paço das Artes, em São Paulo, respectivamente. Após sua morte, os tapetes por ele desenhados na década de 1930 integram as mostras: Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/SP, em 1998, e no MAM/RJ em 1999; e O ArtDeco Brasileiro: coleção Fulvia e Adolpho Leirner, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp), em 2008.

Análise

O trabalho de decoração de Cássio M'Boy, criando desenhos para mobiliário, tapeçaria e pequenas esculturas, orienta sobretudo pelo estilo art déco. Nos tapetes abstrato-geométricos da década de 1930, a composição se dá pela justaposição, em sentidos diversos, de semi-círculos e retângulos cujas cores geram sensação de volume e profundidade. Nas pequenas esculturas, como em Figura, déc.1930, uma linha contínua e alongada, elegante, define um corpo que se curva para amarrar uma pena ao tornozelo.

Na mesma época, trabalha com temas religiosos, esculpindo imagens de santos passando então, em pouco tempo, a dedicar-se integralmente à pintura de temas populares e religiosos. Aparentemente, M'Boy separa as soluções formais, empregadas nas "artes aplicadas", dos procedimentos plásticos que organizam o restante de sua produção artística. A lógica compositiva desses trabalhos aproxima-se da chamada pintura "ingênua" ou "primitiva", apesar do artista possuir instrução formal e buscar deliberadamente esse tipo de solução plástica. Nessa produção, a imagem torna-se menos ilusionista.

M'Boy é conhecido principalmente por essa fase de sua obra, compreendido como um pintor de temas folclóricos, a ponto de Mário de Andrade (1893-1945) afirmar que M'Boy seria a incorporação do próprio folclore. Segundo o critico José Geraldo Vieira, essa interpretação se deve, sobretudo, ao "ambiente doméstico bem caipira" e aos "processos toscos" e "temas singelos" de que faz uso.

Críticas

"Insiste-se ainda em incluir Cássio M´Boy entre os pintores ingênuos ou primitivos. Tal lenda decorre mais do seu ambiente doméstico bem caipira e dos processos toscos que usa em temas singelos do que da sua arte propriamente individual (...). A verdade é que Cássio M´Boy se firmou como pintor de assuntos hagiológicos e folclóricos, dos quais nunca se afastou em seu atelier de hibernação bucólica. Inicialmente desenhista de figurinos e escultor de tarimba artesanal, não demorou a adquirir virtuosismo quanto a linhas, formas, volumes, cores e composição. Mas as cenas, as figuras humanas bem como os episódios, complementarmente os bichos, as flores, os montes, as estradas, as cachoeiras; tudo é desenhado e colorido mediante mentalidade populista e singela". — José Geraldo Vieira (PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Apresentação de Antônio Houaiss. Textos de Mário Barata et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969).

Exposições

1934 – 1º Salão Paulista de Bellas Artes

1960 – Coleção Leirner

1960 – Individual de Cássio M'Boy

1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras

1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas

1985 – A Arte do Imaginário

1996 – Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall

1998 – Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner

1999 – Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner

2002 – Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte

2002 – Santa Ingenuidade

2003 – Anos 20: A Modernidade Emergente

2008 – O ArtDeco Brasileiro: coleção Fulvia e Adolpho Leirner

Fonte: CÁSSIO M'Boy. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 31 de março de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Cássio M'Boy | Wikipédia

Cassio da Rocha Matos, mais conhecido como Cassio M'boy (Mineiros do Tietê, 12 de outubro de 1903 — São Paulo, 18 de janeiro de 1986), foi um pintor, escultor e decorador brasileiro.

Cássio M'boy é considerado um dos precursores do movimento Art Déco no Brasil na década de 1930. A partir dos anos 1940, dedica-se à temática do folclore brasileiro e caipira. Teve uma atuação artística diversificada, contando com a produção de esculturas, telas à óleo, mobiliário e tapeçarias.

Biografia

Nascido no interior do Estado de São Paulo, em meados da década de 1910 mudou-se para a capital com o intuito de dedicar-se ao aprendizado das artes plásticas. Trabalhou como entregador de pacotes, pintor de cartazes para anúncios de bondes e desenhista de estamparias para uma fábrica de sedas.

Sua primeira formação artística em São Paulo realizou-se nas aulas do pintor alemão Georg Elpons (1865-1939), seguida de uma temporada de estudos na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro.

Em 1920, fixou-se em uma chácara na área rural da vila de M'boy,[5] atualmente município de Embu das Artes, onde começou a produzir santos de madeira.

Na década de 1930, começou a trabalhar em esculturas em madeira com inspiração art-déco e painéis decorativos em feltro. No período, envolveu-se também com artistas modernistas, o que o levou a atuar como decorador, desenvolvendo mobiliário e tapeçarias para imóveis na capital paulista. Associa-se ao grupo Clube de Artistas Modernos, coordenado por Flavio de Carvalho e mais tarde dissolvido pela polícia de costumes por obras de teor comunista.

Em 1937, uma de suas esculturas, "A Fuga para o Egyto", é selecionada para a Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris, ganhando a medalha de ouro.

A partir da década de 1940 dedica-se à temática folclórica brasileira e à pintura, ilustrando figuras da crença popular como o saci e a Mãe de Ouro. Isso levou a sua obra a ser classificada como arte primitiva ou mesmo naif.

Foi um dos precursores do desenvolvimento das artes plásticas no atual município de Embu das Artes, sendo mestre de diversos artistas como Tadakiyo Sakai. A cidade abriga uma de suas esculturas de santos, esculpida em meados da década de 1920, na Capela de São Lázaro.

Cassio M'boy participou de diversas exposições durante a vida, tanto no Brasil quanto no exterior:

1937 - Exposição Internacional de Paris, França

1938 - Salão de Maio, São Paulo

1950 - Salão de Tóquio, Japão

1951 - Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo

1952 - 26ª Bienal de Veneza, ItáliaMuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 1961 Rio de Janeiro

1970 - Paço das Artes, São Paulo

1998 - Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo

1999 - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

2008 - Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

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Cassio M’Boy, talento, arte, cultura caipira | Arnaldo Chieus Blog

Descendo de família originária dos primeiros povoadores das terras de Piratininga. Nasci numa fazenda de café, no município de Mineiros do Tietê, São Paulo... Três meses depois, fui levado para uma fazenda de café em Botucatu, cuja escola rural cursei. Em 1929, já era proprietário em sítio no Embu, após ter vivido alguns anos na cidade de São Paulo... Faço escultura e pintura desde menino. Fui “santeiro” popular durante o tempo que permaneci na zona rural... Fiz parte da Comissão Paulista de Folclore, entidade oficial da UNESCO... Fui pesquisador folclórico da Divisão de Festejos Populares do DEIP... Em 1937 ganhei a Medalha de Ouro da Exposição Internacional das Artes e Técnicas em Paris, recebendo diploma do Ministério do Comércio e Indústria da França... Em Veneza, expus no setor brasileiro da XXVI Bienal as telas “Nossa Senhora do Coração” e “Mãe de Ouro”, tendo sido esta a primeira tela vendida naquela Bienal... Em 1950, concorri ao Salão Nacional de Tóquio com o “Saci” e ao Salão de Maio de Paris com a “Nossa Senhora Bonita” e “Mãe d’Água”... A tela “Nossa Senhora do Desterro” faz parte da Pinacoteca do Museu de Arte de São Paulo... Pertenci à equipe de artistas plásticos que realizou o grande vitral documentando a atualidade artístico-plástica do Brasil, no Museu da Fundação Armando Álvares Penteado de São Paulo... Agora, duas telas minhas – “Fuga para o Egito” e “Presépio” – foram escolhidas para figurar em cartões de Natal da UNICEF, organização da ONU que reverte seus fundos para a assistência à infância pobre e que serão vendidos em todo o mundo... E o governo estadual está querendo comprar outras duas telas minhas – “Fundação de São Paulo” e “Fundação do Embu” – já fiz até o preço.

Moreno queimado e curtido de sol, os cabelos longos e grisalhos, a camisa colorida, os pés descalços que logo vão calçar sandálias de couro rústico, o seu jeitão de boiadeiro rude, Cássio M’Boy está nos fundos de sua casa, cortando grama com o tesourão. Ele tirou o sábado para capinar sua rocinha caseira, plantar algum milho, melancia, abóbora, um feijãozinho. Mora no Caxingui, numa casa de cuidados caipiras, de pequeno burguês, como ele mesmo define, “pra proletário não falta muito”. É enxuto, franco, inteligente, sacudido e ágil nos seus 70 anos... 

Minha vida é essa, vou capinando, vou fazendo a minha roça, o meu ambiente caipira, todos os dias vou à “porteira”, na rua, ver quem passa na estrada... “Bom dia, seu Cássio, hoje vai chover? Não vai chover? Então está bem”... Quero ver a rua, ir à feira, fazer minhas compras. Fico horas batendo papo com a vizinhança, gente amiga, povo bom. Saí a 12 anos do Embu, fui para o bairro de Higienópolis. Não aguentei aquele chiquê nem três meses. Fui para o Brooklin, depois comprei esta casa, estou contente e alegre aqui... Por aqui ainda vou ficando mais uns 20 anos... 

O bigode de Cássio é mais branco que os cabelos. Ele muito se impressionou com a morte de Sérgio Cardoso, “fizeram com o Sérgio o que fizeram com o Nijinski, que morreu enlouquecido com o casamento. Coitado do Sérgio... E olhe, ele bem dirigido, superaria Leopoldo Fróes”. Ele fala e opina sobre todos os assuntos: política, arte, religião. Cássio acorda ao meio-dia, levanta-se, lê o “Estado” e a “Folha”, observa que um jornal desdiz muitas vezes o outro. Faz seu café de ermitão, liga o rádio, quer ficar a par do noticiário geral. Aprendeu a cozinhar com um famoso cozinheiro do conde Prates faz ele próprio seu almoço, um peixe frito, uma omelete com arroz simples, “feijão, feijão”, “verdura, verdura”. Nada de coisa complicada, detesto “estrogonofes” e outras coisas de grã-finada. À tarde, mil transas. Vai ao centro, cuida de suas coisas, raramente pinta – ele sempre foi de não muito pintar. Filosofia_ - “Em toda a minha vida tive sempre o cuidado de não comer a carne de vaca que comprei, só bebo seu leite, vivo agora dessas quireras”... 

- Quantos quadros pintou? 

- Não tenho a menor ideia. 

- Onde estão eles? 

- No Brasil, por aí, no mundo. 

- Tem emprestado suas telas para mostras no interior, etc.? 

- Não, nossos museus não têm gente habilitada para cuidar das obras. Não confio. 

- O que tem pintado atualmente? 

- A história do bicho papão. Veja a tela que a menina da roça não usa cruz no pescoço, mas uma figa, e na parede de seu quarto não tem uma imagem de santo... Resultado, o bicho-papão apareceu, claro. São histórias assim, da roça, das fazendas do interior, que pego para fazer minhas pinturas ditas caipiras... Muitas vezes, invento também, mas acho mesmo como dizem os entendidos, que tenho a verdadeira vivência, a verdadeira carga de cultura caipira dentro de mim... E, veja, só, sou formado em Sociologia, já vendi em Copacabana, já andei de raque e cartola o quanto quis... Na verdade, acho que sou mesmo um autêntico caipira erudito. 

O quadro que Cássio citou está inacabado, a um canto da sala – que ao mesmo tempo é sala de entrada, de estar, serve de ateliê e onde estão todas as telas que restaram ao artista primitivista-caipira, após 30 anos de pintura- dez, dozes telas, se tanto. Elas estão dispostas nas paredes. Nos quartos figuram quadros de outros pintores, alguns do Embu, alguns de Osasco, como Américo Modanes, líder de um grupo de primitivos e ingênuos, que Cássio formou e incentiva até hoje. Assuas são principalmente telas angiológicas e folclóricas, e, para cada uma, Cássio dá explicação. Mestre na arte de interpretar lendas do nosso populário e estórias ingênuas dos Mineiros do Tietê, de Botucatu, da vida roceira que levou. A tela do bicho-papão tem, por isso, essas lembranças, essas achegas, a tramela, a colcha de retalhos, o baú de folha-de-flandres, o tradicional pinico. 

- Cássio, como nasceu seu nome artístico, Cássio M’Boy? 

- Meu pai, como minha mãe, eram quatrocentões, eu era bem nascido... Eles tinham horror a ter filho artista. Prometi que, se chegasse a tanto, não usaria o nome de família... E não usei mesmo. No começo, assinava só Cássio... Depois, em 37, concorri a uma exposição internacional em Paris, ganhei um prêmio importante... Precisava então de um sobrenome artístico. Utilizei o M’Boy, pois eu era o Cássio do M’Boy, nome primitivo do Embu.... Quando ganhei oi prêmio em Paris, meu pai pediu para colocar o nome de família, mas aí eu disse: “Agora, já estou consagrado, fica Cássio M’Boy, mesmo”. E assim ficou... Só que tinha um “de” no meio: “Cássio de M’Boy”. Tirei-o certa ocasião, a pedido do José Geraldo Vieira... 

- Nestes anos tidos, quais foram seus maiores amigos? 

- Literatos, poetas, jornalistas, pintores, que sei eu? Anita Malfati era minha amiga, minha companheira, minha irmã. Passava dias e dias no Embu, conversando e pintando... Mário de Andrade. Oswald, Portinari, Flávio de Carvalho, Nonê, Menotti, só o Cassiano Ricardo conheci mais tarde... Aliás, é do Cassiano o prefácio de meu livro de poesias, que está no prelo, na Martins... O Monteiro Lobato destratou o caipira, com seu horrível Jeca-Tau, falso, desfigurado. Neguei três vezes a mão a ele... Quando fico amargurado com certas coisas, fico quieto, não falo com ninguém, então faço poesias... Só que o livro está custando a sair. Eu, pedir, implorar, ajoelhar, isso não faço, nunca fiz... Se querem editar, editem, o Cássio é que não vai chatear ninguém... O artista seve ter auto-respeito, e eu acho que tenho muito... Deve também ser reconhecido em vida, mas, se não for, não faz mal, será depois de sua morte... Nesse ponto, penso como João Vilare: “A arte que tenho não pertence a mim, massa Deus”... Não sou religioso, sou ateu místico... Como dizia, se tenho amargurar, me escondo, não exponho minhas chagas no Viaduto do Chá, não sei valorizar a dor, como fez Verônica no Sudário... Na minha pintura não há dramas nem amarguras... Só uma vez fiz um óleo, Cristo carregando a cruz. Deve estar no Convento do Embu, deve estar, não sei o que fizeram com aquelas coisas lá... Tem algum hobby? - Não, todo colecionador é um doente, e eu estou forte e rijo, na mente e no corpo, não coleciono nada... Não tomo álcool desde que terminou a guerra. Nesse dia tomei um litro de pinga, jurei que nunca mais punha a maldita na boca e cumpria até hoje a promessa... Como pouco, não fumo, não jogo... Fiz as revoluções de 22, 24, 30 e 32 e estive pra ser fuzilado. Com este meu jeito caipira, era espião de Isidoro... Tanta coisa acabo escrevendo o romance de minha vida... Mas o que gosto, mesmo, é o de conversar em casa, em exposições, nas feiras, sou até conhecido por aqui como o “Praça da Alegria”

Cassio serve o cafezinho solúvel. Reclama das cuias, não as encontra mais na cidade grande, aquelas “do tipo-roça”. Mexe em seus guardados, mostra telas achadas em seu quarto de solteirão – tem dois filhos adotivos e um neto. Fala de pinturas e pintores, não perde as melhores exposições. É sempre um papo disputado e disposto, o velho tipo faceiro e caipira, “erudito também”, como corrige. Agora elogia um pintor caipira que também se fez no Interior, também autêntico, também da roça sofrida e amada – José Antonio da Silva. 

- A cultura caipira existe e é autêntica. O caipira é o melhor protótipo do nosso povo. Descende dos bandeirantes, dos tropeiros, das raças formadoras do nosso povo. Querem ver caipiras na verdadeira acepção do termo? É ir em Iguape, nos dias da festa do Bom Jesus. A minha pintura caipira é o sentir, é o pensar, é o agir do nosso caipira da roça, caipira da cidade, caipira onde estiver, sem mistura, sem miscigenação, sem falsidade. Eta, “seu” Cássio M’Boy.

Texto publicado originalmente no jornal "A Tribuna, de Santos, SP, em 3/9/72.

Gênio anônimo, popular, poético 

Cássio M”Boy... Saudação e saudade... Hoje, Dia das Mães, recebi seu álbum. Sem endereço para resposta, possível graças ao grande Rossini. Fiquei na minha salinha, na cadeira que foi de meu pai viajando nas dimensões cabocas do Brasil. “Caboco” com L é invenção. “Caá-boc”, saído, emerso, tirado do mato. Não pode haver L nenhum, nem existe brasileiro que pronuncie “Caboclo” e sim CABOCO! Perdoe. Adiante. Para mim v. é pintor, com a legitimidade, força, exatidão do gênio anônimo e popular. Não há mutilação em sua pintura de encanto contagiante. É natural, espontâneo, puro, como os ditos “primitivos” que só pintavam com o sentimento interior do entendimento coletivo. Para todos os olhos, ricos e pobres. Não há anacronismo para o povo, é sim uma justa posição de imagens. Não elimina as velhas anteriores e tudo é contemporaneidade expressiva, na reexposição mental. V. leu, viu, é inteligente, (não há caipira burro no plano do interesse pessoal), e essa sua cultura em vez de deformar sua recriação, disciplina a veracidade plástica... Penso numa cantiga do Pará 

 – Quem te ensinou a dançar? 

 – Foi andorinha do ar? 

Quem te ensinou a pintar, feiticeiro? 

Não “M’BOY”, cobra, mas M’Baé, cousa, substância, tutano, talento... Um beijo no focinho. 

Fonte: Arnaldo Chieus, texto de Luiz da Câmara Cascudo. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

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Cássio M’Boy e os artistas do Movimento Modernista | Câmara Municipal de Embu das Artes

No momento em que comemoramos os 100 anos da Semana de Arte Moderna, que ocorreu entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, resgatamos a memória de Cássio M’Boy e dos artistas que pisaram no território embuense naquele período histórico para as artes.

Cássio da Rocha Matos, o Cássio M’Boy, foi o pioneiro dentre os artistas contemporâneos que fizeram a história de Embu das Artes. Era graduado em Sociologia e foi um desenhista, pintor e escultor primitivista. Nasceu em Mineiros do Tietê, SP, em 12 de outubro de 1896, e chegou a Embu em 1920, indo morar na então Rua da Capelinha, hoje Rua da Matriz. Seus traços de formas apuradas fizeram seu talento ser reconhecido internacionalmente, com uma arte erudita com características de caipirismo.

Em sua casa recebia artistas do movimento modernista, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Alfredo Volpi, Yoshia Takaoka e outros. Artistas das mais diversas expressões também passaram a frequentar a casa de Cássio e a conhecer Embu, que foi se consolidando como polo de atração de artistas. Em 1937, ele venceu o 1º. Grande Prêmio na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, em Paris.  

Cássio ficou conhecido como santeiro, já que fez diversas imagens santificadas, como a de São Lázaro, esculpida em madeira e colocada na capela que hoje é uma das principais atrações turísticas e religiosas da cidade. O premiado artista foi o expoente da escultura, da pintura, do vitral e do desenho entre os anos 1920 e as décadas seguintes, influenciando a arte de Tadakiyo Sakai e de vários outros discípulos. Seu grupo chegou a incluir Solano Trindade e Mestre Assis, anos depois. Faleceu em São Paulo, SP, em 18 de janeiro de 1986.

Hoje, seu nome identifica uma das salas do Centro Cultural Mestre Assis do Embu. Além disso, seu nome e os dos modernistas que visitavam sua casa foram colocados nas ruas do bairro Cercado Grande.

Viva Cássio M’Boy! Viva o Movimento Modernista de 1922.

Fonte: Embu das Artes. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

Crédito fotográfico: Arnaldo Chieus. Consultado pela última vez em 31 de março de 2025.

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