Metalúrgica Abramo Eberle S/A (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1896), mais conhecida como Eberle ou Maesa, é uma fabricante de metais brasileira. Fundada por Abramo Eberle, a marca começou como uma pequena ferraria e, rapidamente, se destacou pela qualidade de suas ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas e cutelaria, ampliando seu portfólio ao longo das décadas. Com o passar dos anos, a marca expandiu suas operações para novos segmentos, incluindo moda e automotivo, tornando-se uma referência na produção de botões, fivelas e peças metálicas para o setor automotivo e industrial. Essa diversificação garantiu seu sucesso e consolidou seu nome como sinônimo de tradição, qualidade e inovação. Consolidada no mercado, a Eberle conta com mais de 120 anos de história, exportando seus produtos para diversos mercados internacionais, passou por várias fases de modernização e reestruturação, sempre mantendo o compromisso com a inovação e a sustentabilidade. Foi adquirida pelo Grupo Mundial em 2000, o que fortaleceu sua posição no mercado, continuando a produzir produtos de alto valor e durabilidade, tornando-a uma das marcas mais relevantes da indústria brasileira.
Metalúrgica Abramo Eberle | Arremate Arte
A marca Eberle é uma empresa tradicional brasileira, com uma longa história ligada principalmente ao setor de metais. Fundada em 1896 por Abramo Eberle, na cidade de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, a empresa começou suas atividades como uma pequena ferraria. No início, a produção era voltada para ferramentas agrícolas e itens de uso doméstico, como facas e cutelaria.
Com o passar do tempo, a Eberle expandiu seu portfólio, passando a produzir uma ampla variedade de produtos, incluindo itens de moda, como botões e fivelas, além de peças automotivas e outros artigos industriais. Esse crescimento foi impulsionado pela capacidade de inovação e pela adaptação às necessidades do mercado, o que consolidou a marca como uma das mais importantes do setor metalúrgico no Brasil.
Abramo Eberle começou fabricando ferramentas manuais e utensílios de cozinha. A alta qualidade dos produtos fez com que a marca rapidamente ganhasse destaque na região.
Expansão para moda: A partir do início do século XX, a Eberle diversificou sua produção, entrando no mercado de botões e outros acessórios de moda, como fivelas e adornos de metal. Esses produtos se tornaram muito populares, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.
Além da moda, a Eberle passou a produzir peças para o setor automotivo e para a indústria em geral. Esse foi um passo importante na consolidação da marca em um segmento mais técnico e especializado.
Ao longo de sua história, a Eberle também exportou seus produtos para outros países, especialmente na América Latina e na Europa.
Linha do Tempo da Eberle
1896 – Fundação
Abramo Eberle, um imigrante italiano, funda a empresa Abramo Eberle & Companhia na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.
A empresa começa como uma pequena ferraria, produzindo ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas, serrotes e outros objetos de metal.
Início do Século XX – Expansão
A Eberle cresce rapidamente devido à qualidade de seus produtos, ampliando sua linha de produção para atender a demanda crescente por ferramentas agrícolas e utensílios de uso cotidiano.
A marca começa a se tornar referência em cutelaria e em produtos para a agricultura.
Década de 1930 – Diversificação
A Eberle diversifica suas operações, entrando no mercado de botões e acessórios de moda feitos de metal, como fivelas e adornos para roupas.
A produção de acessórios de moda é impulsionada pelo uso crescente de materiais metálicos na indústria têxtil e de vestuário.
1940 – Modernização e Crescimento
A Eberle investe em modernização da fábrica e na expansão de sua linha de produtos, buscando inovações no processo de fabricação.
Durante esse período, a empresa solidifica sua posição como um dos maiores fabricantes de cutelaria e utensílios de metal no Brasil.
Décadas de 1950 e 1960 – Expansão para o Setor de Moda
O sucesso dos produtos voltados para a moda, como botões, fivelas e outros adornos, coloca a Eberle como uma das principais fornecedoras para o setor têxtil.
A marca se destaca pela qualidade e inovação no design desses acessórios, tornando-se líder no mercado de produtos para vestuário.
Década de 1970 – Setor Automotivo
A empresa expande sua atuação, entrando no setor automotivo, produzindo componentes e peças metálicas para montadoras de automóveis e veículos.
Com essa diversificação, a Eberle se torna uma das principais fornecedoras da indústria automotiva no Brasil.
Década de 1980 – Internacionalização
A Eberle começa a exportar seus produtos para países da América Latina e Europa, alcançando novos mercados e aumentando sua presença internacional.
Durante esse período, a empresa fortalece sua atuação em setores industriais diversos, além de manter sua liderança no segmento de cutelaria e acessórios de moda.
1990 – Reestruturação
A Eberle passa por uma reestruturação organizacional, buscando adaptar-se a um mercado mais competitivo e tecnológico.
A marca investe em inovação e tecnologia, modernizando suas linhas de produção e diversificando ainda mais seus produtos industriais e automotivos.
2000 – Aquisição pelo Grupo Mundial
Em 2000, a Eberle é adquirida pelo Grupo Mundial, uma das maiores corporações do Rio Grande do Sul, que também controla outras indústrias do setor metalúrgico.
Com essa aquisição, a empresa passa a ter maior capacidade de investimento e acesso a novos mercados, consolidando ainda mais sua posição no mercado.
2010 – Foco em Inovação e Sustentabilidade
A empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade, adotando práticas que reduzem o impacto ambiental de suas operações, como o uso de materiais recicláveis e a implementação de processos mais eficientes.
A Eberle continua a se destacar pela alta qualidade de seus produtos e pelo compromisso com a inovação, mantendo-se relevante em setores como moda, cutelaria, industrial e automotivo.
Atualidade – Tradição e Inovação
Hoje, a Eberle é uma empresa com mais de 120 anos de história, consolidada como uma referência no setor metalúrgico, tanto no Brasil quanto no exterior.
A marca mantém sua tradição na produção de cutelaria, utensílios domésticos, acessórios de moda e peças para o setor automotivo e industrial, sendo reconhecida pela durabilidade, qualidade e inovação de seus produtos.
Principais Produtos e Segmentos
Cutelaria: Facas, serrotes e utensílios de cozinha.
Moda: Botões, fivelas, e adornos metálicos para roupas e acessórios.
Setor Automotivo: Componentes e peças metálicas para veículos.
Indústria: Peças e produtos industriais para diversas aplicações.
Atualmente, a marca Eberle é sinônimo de qualidade e tradição, com uma trajetória de mais de 120 anos no mercado. A empresa passou por várias reestruturações e adaptações ao longo de sua existência, mas continua sendo uma referência no setor metalúrgico, especialmente no Rio Grande do Sul, onde mantém um forte vínculo com a indústria local.
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Metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
A Metalúrgica Abramo Eberle S/A (MAESA, ou simplesmente Eberle) foi a maior e mais importante indústria metalúrgica da cidade de Caxias do Sul na primeira metade do século XX.
A empresa iniciou quando Abramo Eberle, com 17 anos de idade, comprou de seu pai em 2 de abril de 1896 uma pequena oficina de funilaria, à qual deu o nome de Eberle S.A, tendo seus próprios vizinhos como seus primeiros funcionários. A primeira peça que produziu foi uma lamparina de querosene. Em 1918, a Ourivesaria e Funilaria Central Abramo Eberle & Cia. começou a produzir talheres, cutelaria e objetos de mesa. Entre 1923 e 1928 foi instalada uma forja que permitiu a produção de armas para o Exército como espadas e facas, ao mesmo tempo em que se inaugurava uma seção de produção de rebites e botões de pressão, e outra para fabricação de artigos sacros.
Dificultadas as importações durante a Segunda Guerra Mundial, a Eberle aproveitou uma faixa de mercado disponível e passou a fabricar motores elétricos, além de ampliar suas instalações construindo um grande conjunto de edifícios no centro da cidade. No fim da guerra seu campo se ampliou para as máquinas domésticas, tesouras e artigos de montaria. Em 1966 se tornou uma empresa de capital aberto, iniciando a construção do Parque Industrial de São Ciro, com uma área de 427 mil m². Com a expansão do mercado de têxteis na década seguinte investiu na área de componentes de fixação como botões, ilhoses, rebites e fivelas, ampliada em 1982 graças à grande procura por seus produtos.
O rápido crescimento inicial da Eberle se inseriu no processo de urbanização da cidade e do progresivo êxodo rural, fatores que produziam mão-de-obra barata. A empresa mantinha uma eficiente política para manutenção de bons funcionários, oferecendo prêmios por tempo de serviço, pagamento em dia, assistência médica, férias remuneradas e criando um fundo participativo onde o empregado podia aplicar suas economias ou fazer empréstimos pagos a longo prazo.
Com a crescente penetração do capital internacional no Brasil a partir dos anos 1960 a tradicional Metalúrgica foi fragmentando sua estrutura e capital, até ser comprada em 1985 pela Zivi-Hércules, surgindo então o Grupo Zivi-Hércules-Eberle. Este Grupo entre 1994 e 2003 passou por nova reorganização, transformando-se na empresa Mundial S.A., que permanece em atividade e mantém várias linhas de produtos com o nome Eberle em evidência.
Seus prédios centrais, desativados na década de 1990, são hoje patrimônio histórico tombado de Caxias do Sul, e recentemente foram recuperados para abrigarem a Faculdade dos Imigrantes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Prédios da metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
Os prédios da antiga Metalúrgica Abramo Eberle constituem um grupo de edificações históricas de Caxias do Sul, RS, ocupando quase todo um quarteirão entre as ruas Sinimbu, Borges de Medeiros, Marquês do Herval e Os Dezoito do Forte, erguidos entre as décadas de 1930 e 1950. Dentre eles destaca-se o prédio da administração e loja da antiga empresa, sito à rua Sinimbu 1670, no centro da cidade. O conjunto é tombado pela municipalidade desde 6 de janeiro de 2006. Em 2015 um outro conjunto foi tombado, a Fábrica 2.
Projetado por Silvio Toigo, foi erguido na década de 1940, em um estilo modernista despojado, com influência déco, o prédio de 10 mil m² se distribui em seis pavimentos, com fachada simétrica dividida em cinco blocos. É um importante exemplar da arquitetura industrial na cidade. No térreo existe uma série de grandes vitrines e várias portas, e os pavimentos superiores apresentam séries regulares de janelas simples e duplas, e triplas no bloco central. No último pavimento há uma sacada à esquerda, e coroa o prédio um campanário com um grande relógio, cujo badalar a cada meia hora é ouvido em grande parte do centro da cidade. Também no terraço foi instalada uma réplica da primeira funilaria de Abramo Eberle, fundador da empresa.
O prédio foi construído para abrigar parte da Metalúrgica Abramo Eberle S.A., uma das mais importantes empresas caxienses, responsável por grande parte do impulso de desenvolvimento industrial da cidade no século XX. A Metalúrgica, fundada em 2 de abril de 1896 como uma modesta funilaria, com o tempo passou a produzir uma variada série de itens, desde talheres, cutelaria e espadas até rebites e botões metálicos, incluindo também peças para cultos religiosos, e em seu auge empregava milhares de funcionários. No período da II Guerra Mundial foi pioneira na produção de motores elétricos para atender à crescente demanda interna.
A Metalúrgica funcionou no local até a década de 1990, tendo sido comprada neste intervalo pelo Grupo Zivi, que continuou as atividades da empresa até o prédio ser desativado. Atualmente o edifício cede alguns espaços para a Faculdade Ideau. Um controverso projeto de revitalização foi aprovado em 2014, prevendo a demolição de partes da estrutura interna, a construção de prédios modernos no espaço e a transformação do complexo em centro comercial.
Também foi tombado um outro prédio da Metalúrgica, a chamada Fábrica 2, inaugurada em 1948 com projeto de Silvio Toigo e Romano Lunardi, com 53 mil metros quadrados, ocupando toda uma quadra entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Barea, Pedro Tomasi e Treze de Maio. Um projeto prevê sua adaptação para uso público.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Abramo Eberle | Wikipédia
Abramo Eberle (Monte Magrè, 2 de abril de 1880 — Caxias do Sul, 13 de janeiro de 1945) foi um empresário ítalo-brasileiro, um dos pioneiros da industrialização do estado do Rio Grande do Sul.
Biografia
Giuseppe (José) Eberle e Luigia Zanrosso chegaram ao Brasil em 1884, numa das primeiras levas de imigrantes italianos, e se instalaram na colônia italiana de Caxias do Sul. Vieram com eles seus quatro filhos, entre os quais Abramo, de quatro anos, o segundo da prole. No Brasil, nasceriam mais seis filhos do casal.
José Eberle havia se preparado para a imigração. Antes de viajar comprara alguns alambiques e caldeiras, prevendo que na colônia tais equipamentos seriam uma raridade valiosa, bem como um sortimento de chapéus e mudas de árvores frutíferas, além de trazer um capital oriundo da venda de sua granja em Magré. Na chegada adquiriu um lote rural e um ano depois uma pequena funilaria de Francisco Rossi, sita à rua Sinimbu, onde instalou também um comércio. No seu lote rural plantou um pomar e fabricava grappa, enquanto a esposa, conhecida como Gigia Bandera, administrava os negócios na cidade. Nos fins de semana José trabalhava na cidade como barbeiro, ofício que já desempenhara na Itália. Em torno de 1892 a família já possuía também duas outras áreas de terra, trabalhadas por agricultores contratados. O jovem Abramo, embora nesta época tivesse apenas cerca de 12 anos, supervisionava uma das propriedades e ajudava nos outros investimentos da família. Devido ao grande volume de trabalho, Abramo teve uma educação inicial pobre.
Em 1894 começou a dedicar-se principalmente à funilaria. Quando o pai resolveu vendê-la para concentrar todo o esforço da família na agricultura, Abramo se propôs a comprá-la. Tinha apenas dezesseis anos. No início de 1896 a venda foi firmada e Abramo Eberle se tornou proprietário. Fabricava lamparinas a querosene, um artigo de grande procura numa época em que não havia energia elétrica, além de baldes, canecas e outros itens de consumo geral. Seguindo o exemplo do pai, diversificou seus negócios melhorando a funilaria com equipamentos mais eficientes e a casa comercial com uma boa seção de ferragens, abrindo também uma vidraçaria e oferecendo serviços de consertos em geral, além de fazer a venda da produção agrícola das terras familiares tanto em Caxias como em Porto Alegre, para onde viajou várias vezes. Em 1901 seus negócios prosperavam e passava a investir no mercado paulista, onde vendeu vinho, grappa, salame, presunto e queijo.
No mesmo ano casou-se com Elisa Venzon, membro de uma família bem colocada na sociedade e proprietária de um moinho e uma serraria, que lhe daria os filhos José Abramo (Beppin, 16/12/1901), Angelina (01/04/1904), Rosália (31/01/1906), Julio João (21/11/1907), Adélia (30/06/1910), que foi a primeira rainha da Festa da Uva, Zaíra e Lília (abril/1919). A esposa logo se revelaria uma hábil administradora dos negócios, permitindo que Abramo viajasse com frequência em busca de novos mercados, fornecedores e parceiros comerciais e se estabelecesse solidamente como um importante exportador. Pedro Eberle, seu irmão, também foi um valioso auxiliar e depois sócio.
Em 1904 uniu-se a Érico Raabe, Pedro Mocelin e Luiz Gasparetto numa sociedade fundindo a funilaria de Abramo e uma ourivesaria mantida por Gasparetto, que deu origem à Ourivesaria e Funilaria Central de Abramo Eberle e Cia., estabelecida com um capital inicial de 24,2 contos de réis, e contando com sessenta operários. Em 1906 ingressou na Associação dos Comerciantes, que agregava a elite do empresariado local e exercia decisiva influência na economia e na política de toda a região. Em 1912 associou-se a Reinaldo Kochenborger, ampliando a produção de joias. Em 1917 a empresa foi reestruturada com o vultoso capital social de oitocentos contos de réis, com novos equipamentos e instalações, passando a se denominar Abramo Eberle & Cia., tendo como sócios Luiz Gasparetto, Eduardo Mosele e Pedro Eberle. No ano seguinte iniciou a fabricação de talheres, objetos de cutelaria e utensílios de mesa. Nesta época iniciava a transição de um modelo produtivo marcadamente artesanal para o da indústria moderna e automatizada.
Em 1920 foi criada a Eberle, Mosele & Cia., com os sócios Leonel Mosele e Fiorelo Arpini, ampliando a loja de ferragens, louças e vidros, e no mesmo ano Abramo viajou aos Estados Unidos a fim de conhecer novas tecnologias e fontes de fornecimento de matéria-prima para a metalurgia, mas também para tratar da saúde de Elisa, que sofria de um mal cardíaco. Lá Abramo também adoeceu. Depois de quatro meses seguiram para a Itália. Como ambos continuavam doentes, passaram uma temporada na estação de águas de Salso Maggiore, em seguida visitaram Roma, entrevistando-se com o Papa, e depois rumaram para Monte Magré para rever parentes. De lá partiram em viagens de negócios por várias cidades da Itália e também Paris, visitando metalúrgicas e fundições, retornando ao Brasil depois de dois anos.
Entre 1923 e 1928 foi instalada a primeira forjaria, com a fabricação de peças forjadas, lâminas para facas, espadas e espadins para as forças armadas, e foi inaugurada a fábrica de botões de pressão e rebites. O capital da empresa já era de mil contos de réis e já tinha ou uma filial ou um representante em todos os estados brasileiros e em alguns outros países. Em 1925 iniciou-se a fabricação de artigos sacros. Além de ter-se tornado um dos maiores empresários do estado, Abramo se envolveu na política, assumindo o cargo de vice-intendente por vários períodos nas gestões de Vicente Rovea, José Penna de Moraes e Celeste Gobbato, participando de comissões municipais para tratar de variados assuntos e sendo membro do Diretório do Partido Republicano Liberal. Recebeu a patente de coronel da Guarda Nacional e alinhou-se à ideologia fascista, que nos anos 1920-1930 teve grande penetração na região colonial e desempenhou um importante papel da formação da identidade coletiva dos italianos, baseada em conceitos de progresso, disciplina, trabalho e hierarquia.
Desde o início, conforme o hábito da época, Abramo estabeleceu um estilo paternalista de gerenciar sua empresa, criando nela um microcosmo e uma comunidade com uma cultura particular que, em virtude das dimensões da empresa e do corpo de funcionários, exerceria uma forte influência na vida de toda a cidade. Mantinha uma cooperativa de consumo própria, um departamento de assistência médica e social, um departamento esportivo com equipes de esgrima, basquete, bolão e outras modalidades, um time de futebol de relevante atuação regional, o Grêmio Atlético Eberle, além de organizar atividades recreativas, sociais, culturais e educativas regulares para os empregados e seus familiares. Por muitos anos Abramo iniciou o expediente tocando pessoalmente uma sineta na frente da empresa, convocando não apenas os funcionários ao trabalho, mas marcando a rotina de toda a região central de Caxias, tornando-se folclórica a expressão "Abramo já tocou" para significar prontidão e comando, e que faz parte do título da biografia escrita por Álvaro Franco, Abramo já Tocou... ou A Epopeia de um Imigrante. Embora a disciplina fosse rígida e o trabalho, pesado, fazia, como disse Anthony Tessari, com que "os operários se sentissem como parte de uma família, vendo o patrão como um amigo muito próximo ou até mesmo como um pai. [...] Em todo o período em que Abramo esteve à frente da fábrica (1896-1945) os operários nunca promoveram greves ou mesmo organizaram sindicatos". Valentin Lazzarotto disse que a força da tradição impediu a formação de uma consciência de classe entre o operariado, grevistas podiam ser punidos ou demitidos e ideologias de esquerda não podiam proliferar no ambiente da fábrica, uma realidade que não era, contudo, exclusiva da Eberle.
No ano de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, que dificultava as importações da Europa, a Eberle, num empreendimento pioneiro, começou a fabricar motores elétricos para atender às necessidades do país, conquistando um importante mercado e dando um salto expressivo no seu faturamento, que dobrou em relação ao período pré-guerra. Ao mesmo tempo, a metalúrgica foi requisitada pelo Governo Federal para "servir à Pátria" no esforço de guerra, produzindo espadas, espadins e sabres para a Força Expedicionária Brasileira.
Nesta altura Abramo já era figura ilustre e influente, havia sido nobilitado em 1936 pelo rei da Itália com o título de cavaleiro da Coroa, sua empresa se destacava no Brasil, era vista como um modelo e recebia frequentes visitas de personalidades de projeção estadual e nacional, e mesmo de estrangeiros como os embaixadores dos Estados Unidos e do Canadá, sendo invariavelmente elogiado com entusiasmo. O adido militar da Embaixada Britânica no Brasil, coronel William Frederick Rohdes, deixou registrado: "O Inglês é, habitualmente, homem de poucas palavras. Mas, tendo visitado as usinas da Metalúrgica Abramo Eberle estou disposto a escrever um livro inteiro a respeito da força fantástica que a fábrica está fazendo para o Brasil". Entre os inúmeros produtos fabricados pela metalúrgica, podem ser destacados a grande custódia e ostensório todo em prata coberto de ouro e joias, pesando 70 kg, usado no III Congresso Eucarístico Nacional em Minas Gerais, e as estátuas do Monumento Nacional ao Imigrante, fundidas em bronze a partir do modelo do escultor Antônio Caringi.
Abramo voltaria para os Estados Unidos e a Europa muitas vezes, sempre estudando os modernos processos de produção, que depois implantava nos seus negócios. Esteve à frente de sua indústria por quase 50 anos, até sua morte aos 65 anos de idade em 13 de janeiro de 1945. Sua morte causou uma comoção na cidade e seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão. Seus filhos deram continuidade aos negócios do pai até 1984, quando a Eberle foi adquirida pelo Grupo Zivi-Hércules. Em 2003 os grupos foram fundidos, surgindo a Mundial S.A. No alto do edifício-sede da empresa, no centro de Caxias do Sul, uma casinha de madeira, réplica da primeira funilaria de Abramo, mostra o quanto cresceu o sonho do imigrante.
Abramo foi favorecido por florescer em um período de crescimento acelerado em Caxias do Sul, mas enquanto muitos outros empresários da cidade faziam carreiras meteóricas que os levavam muito alto mas faliam em questão de uma ou duas décadas, boa parte do seu sucesso continuado se deve à sua grande adaptabilidade a um contexto econômico e social que variou muito ao longo dos anos, adotando métodos produtivos em permanente atualização e variando constantemente a linha de produtos conforme as necessidades mutáveis dos mercados. A força de sua empresa desempenhou papel central na industrialização da região serrana do estado, estimulando mercados e parcerias e mobilizando grande força de trabalho, e foi um impulso decisivo para a formação na cidade do polo metalomecânico, que hoje é um dos maiores do Brasil. Segundo Loraine Giron, em seu auge a Metalúrgica Eberle foi a maior empresa em seu gênero na América Latina, tornando Abramo um símbolo vivo do sucesso dos imigrantes e um "reforço para o mito de que o trabalho enriquece". Nas palavras de Tessari, "O crescimento da empresa de Abramo Eberle é enorme ao completar cinquenta anos de existência. O papel de Abramo Eberle foi fundamental para esse sucesso conquistado: fruto do seu empreendedorismo e da relação paternal que manteve com seus empregados. Além disso, é importante observar a construção de um mito que serviu de reforço à autoridade dos empresários locais: o da riqueza material e moral conquistadas através do trabalho árduo, mas dignificante do homem. No frontão do moinho do imigrante Aristides Germani (estabelecido em Caxias no final do século XIX), por exemplo, um alto-relevo anunciava: LABOR OMNIA VINCIT (o trabalho tudo vence). Na fachada do novo prédio da Metalúrgica de Abramo Eberle, construído na primeira metade da década de 1940, era possível ler algo semelhante: TRABALHO HONRADO E CONSTANTE TUDO VENCE. Já na linguagem popular, transmitida oralmente entre as gerações de imigrantes, os provérbios no dialeto talian, trazido da Itália e desenvolvido no Brasil, também evidenciam o lugar do trabalho para aquela sociedade, identificando os seus resultados, não raro, ao miraculoso: El sudore no lé mia santo, ma ndove el casca el fá mirácoli (o suor não é santo, mas onde ele cai faz milagres)".
Luís da Câmara Cascudo lembrou-o de maneira poética em 1948:
"Li esse lindo Milagre da Montanha, de Álvaro Franco e Sinhorinha Maia Ramos de Franco. O milagre é a cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Campo dos Bugres que acabou erguendo para o céu uma floresta de chaminés fumegantes, atestando o labor ininterrupto dos homens. E outro milagre é o esforço de um italianozinho, Abramo Eberle, com 16 anos, comprando por seiscentos mil réis, em 1896, ao Pai, uma funilaria humilde. Seu primeiro trabalho foi uma lâmpada de flandres, lamparina cuja luz indecisa aluminou o primeiro serão, teimoso, na noite fria. Cinquenta anos depois essa lamparina é um símbolo, força inicial de quinze mil tipos de objetos criados pela mão magnífica que a fizera, pequenina e fiel. A Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. fornece quase tudo a quase todos os brasileiros. [...] Estátua, festa, nome da rua, placa de bronze, dinheiro, batismo de arranha-céu, discurso, banquete, baile, tudo passa ou tudo fica sem expressão na memória coletiva. O livro fica. Acima de tudo, o livro fica contando a história daquele que trabalhou, amou, sofreu. A indústria de Abramo Eberle continuará nas mãos fiéis dos filhos. A lamparina não se apagará. O livro, verídico, contará aos futuros a vida bonita do forjador que venceu a Morte."
Em Caxias do Sul seu nome batiza uma escola e uma praça, na qual foi erguido um monumento em sua memória. Também batizou uma travessa em Porto Alegre, ruas em Concórdia e Gravataí, a cátedra de Economia Política na PUCRS em Porto Alegre, e um Ginásio Industrial em Osório. Em pesquisa de opinião desenvolvida em 1999 junto a 100 líderes comunitários de diferentes áreas por acadêmicos do Curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, foi eleito uma das 30 Personalidades de Caxias do Sul — Destaques do Século XX. Os prédios históricos da sua metalúrgica e o palacete onde morava são patrimônio tombado. Sua mãe, lembrada como um símbolo do empreendedorismo feminino, também foi homenageada, com a instituição do Troféu Gigia Bandera pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, distinção que reconhece o mérito metalúrgico.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Crédito fotográfico: Sinpro Caxias. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Metalúrgica Abramo Eberle S/A (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1896), mais conhecida como Eberle ou Maesa, é uma fabricante de metais brasileira. Fundada por Abramo Eberle, a marca começou como uma pequena ferraria e, rapidamente, se destacou pela qualidade de suas ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas e cutelaria, ampliando seu portfólio ao longo das décadas. Com o passar dos anos, a marca expandiu suas operações para novos segmentos, incluindo moda e automotivo, tornando-se uma referência na produção de botões, fivelas e peças metálicas para o setor automotivo e industrial. Essa diversificação garantiu seu sucesso e consolidou seu nome como sinônimo de tradição, qualidade e inovação. Consolidada no mercado, a Eberle conta com mais de 120 anos de história, exportando seus produtos para diversos mercados internacionais, passou por várias fases de modernização e reestruturação, sempre mantendo o compromisso com a inovação e a sustentabilidade. Foi adquirida pelo Grupo Mundial em 2000, o que fortaleceu sua posição no mercado, continuando a produzir produtos de alto valor e durabilidade, tornando-a uma das marcas mais relevantes da indústria brasileira.
Metalúrgica Abramo Eberle | Arremate Arte
A marca Eberle é uma empresa tradicional brasileira, com uma longa história ligada principalmente ao setor de metais. Fundada em 1896 por Abramo Eberle, na cidade de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, a empresa começou suas atividades como uma pequena ferraria. No início, a produção era voltada para ferramentas agrícolas e itens de uso doméstico, como facas e cutelaria.
Com o passar do tempo, a Eberle expandiu seu portfólio, passando a produzir uma ampla variedade de produtos, incluindo itens de moda, como botões e fivelas, além de peças automotivas e outros artigos industriais. Esse crescimento foi impulsionado pela capacidade de inovação e pela adaptação às necessidades do mercado, o que consolidou a marca como uma das mais importantes do setor metalúrgico no Brasil.
Abramo Eberle começou fabricando ferramentas manuais e utensílios de cozinha. A alta qualidade dos produtos fez com que a marca rapidamente ganhasse destaque na região.
Expansão para moda: A partir do início do século XX, a Eberle diversificou sua produção, entrando no mercado de botões e outros acessórios de moda, como fivelas e adornos de metal. Esses produtos se tornaram muito populares, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.
Além da moda, a Eberle passou a produzir peças para o setor automotivo e para a indústria em geral. Esse foi um passo importante na consolidação da marca em um segmento mais técnico e especializado.
Ao longo de sua história, a Eberle também exportou seus produtos para outros países, especialmente na América Latina e na Europa.
Linha do Tempo da Eberle
1896 – Fundação
Abramo Eberle, um imigrante italiano, funda a empresa Abramo Eberle & Companhia na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.
A empresa começa como uma pequena ferraria, produzindo ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas, serrotes e outros objetos de metal.
Início do Século XX – Expansão
A Eberle cresce rapidamente devido à qualidade de seus produtos, ampliando sua linha de produção para atender a demanda crescente por ferramentas agrícolas e utensílios de uso cotidiano.
A marca começa a se tornar referência em cutelaria e em produtos para a agricultura.
Década de 1930 – Diversificação
A Eberle diversifica suas operações, entrando no mercado de botões e acessórios de moda feitos de metal, como fivelas e adornos para roupas.
A produção de acessórios de moda é impulsionada pelo uso crescente de materiais metálicos na indústria têxtil e de vestuário.
1940 – Modernização e Crescimento
A Eberle investe em modernização da fábrica e na expansão de sua linha de produtos, buscando inovações no processo de fabricação.
Durante esse período, a empresa solidifica sua posição como um dos maiores fabricantes de cutelaria e utensílios de metal no Brasil.
Décadas de 1950 e 1960 – Expansão para o Setor de Moda
O sucesso dos produtos voltados para a moda, como botões, fivelas e outros adornos, coloca a Eberle como uma das principais fornecedoras para o setor têxtil.
A marca se destaca pela qualidade e inovação no design desses acessórios, tornando-se líder no mercado de produtos para vestuário.
Década de 1970 – Setor Automotivo
A empresa expande sua atuação, entrando no setor automotivo, produzindo componentes e peças metálicas para montadoras de automóveis e veículos.
Com essa diversificação, a Eberle se torna uma das principais fornecedoras da indústria automotiva no Brasil.
Década de 1980 – Internacionalização
A Eberle começa a exportar seus produtos para países da América Latina e Europa, alcançando novos mercados e aumentando sua presença internacional.
Durante esse período, a empresa fortalece sua atuação em setores industriais diversos, além de manter sua liderança no segmento de cutelaria e acessórios de moda.
1990 – Reestruturação
A Eberle passa por uma reestruturação organizacional, buscando adaptar-se a um mercado mais competitivo e tecnológico.
A marca investe em inovação e tecnologia, modernizando suas linhas de produção e diversificando ainda mais seus produtos industriais e automotivos.
2000 – Aquisição pelo Grupo Mundial
Em 2000, a Eberle é adquirida pelo Grupo Mundial, uma das maiores corporações do Rio Grande do Sul, que também controla outras indústrias do setor metalúrgico.
Com essa aquisição, a empresa passa a ter maior capacidade de investimento e acesso a novos mercados, consolidando ainda mais sua posição no mercado.
2010 – Foco em Inovação e Sustentabilidade
A empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade, adotando práticas que reduzem o impacto ambiental de suas operações, como o uso de materiais recicláveis e a implementação de processos mais eficientes.
A Eberle continua a se destacar pela alta qualidade de seus produtos e pelo compromisso com a inovação, mantendo-se relevante em setores como moda, cutelaria, industrial e automotivo.
Atualidade – Tradição e Inovação
Hoje, a Eberle é uma empresa com mais de 120 anos de história, consolidada como uma referência no setor metalúrgico, tanto no Brasil quanto no exterior.
A marca mantém sua tradição na produção de cutelaria, utensílios domésticos, acessórios de moda e peças para o setor automotivo e industrial, sendo reconhecida pela durabilidade, qualidade e inovação de seus produtos.
Principais Produtos e Segmentos
Cutelaria: Facas, serrotes e utensílios de cozinha.
Moda: Botões, fivelas, e adornos metálicos para roupas e acessórios.
Setor Automotivo: Componentes e peças metálicas para veículos.
Indústria: Peças e produtos industriais para diversas aplicações.
Atualmente, a marca Eberle é sinônimo de qualidade e tradição, com uma trajetória de mais de 120 anos no mercado. A empresa passou por várias reestruturações e adaptações ao longo de sua existência, mas continua sendo uma referência no setor metalúrgico, especialmente no Rio Grande do Sul, onde mantém um forte vínculo com a indústria local.
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Metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
A Metalúrgica Abramo Eberle S/A (MAESA, ou simplesmente Eberle) foi a maior e mais importante indústria metalúrgica da cidade de Caxias do Sul na primeira metade do século XX.
A empresa iniciou quando Abramo Eberle, com 17 anos de idade, comprou de seu pai em 2 de abril de 1896 uma pequena oficina de funilaria, à qual deu o nome de Eberle S.A, tendo seus próprios vizinhos como seus primeiros funcionários. A primeira peça que produziu foi uma lamparina de querosene. Em 1918, a Ourivesaria e Funilaria Central Abramo Eberle & Cia. começou a produzir talheres, cutelaria e objetos de mesa. Entre 1923 e 1928 foi instalada uma forja que permitiu a produção de armas para o Exército como espadas e facas, ao mesmo tempo em que se inaugurava uma seção de produção de rebites e botões de pressão, e outra para fabricação de artigos sacros.
Dificultadas as importações durante a Segunda Guerra Mundial, a Eberle aproveitou uma faixa de mercado disponível e passou a fabricar motores elétricos, além de ampliar suas instalações construindo um grande conjunto de edifícios no centro da cidade. No fim da guerra seu campo se ampliou para as máquinas domésticas, tesouras e artigos de montaria. Em 1966 se tornou uma empresa de capital aberto, iniciando a construção do Parque Industrial de São Ciro, com uma área de 427 mil m². Com a expansão do mercado de têxteis na década seguinte investiu na área de componentes de fixação como botões, ilhoses, rebites e fivelas, ampliada em 1982 graças à grande procura por seus produtos.
O rápido crescimento inicial da Eberle se inseriu no processo de urbanização da cidade e do progresivo êxodo rural, fatores que produziam mão-de-obra barata. A empresa mantinha uma eficiente política para manutenção de bons funcionários, oferecendo prêmios por tempo de serviço, pagamento em dia, assistência médica, férias remuneradas e criando um fundo participativo onde o empregado podia aplicar suas economias ou fazer empréstimos pagos a longo prazo.
Com a crescente penetração do capital internacional no Brasil a partir dos anos 1960 a tradicional Metalúrgica foi fragmentando sua estrutura e capital, até ser comprada em 1985 pela Zivi-Hércules, surgindo então o Grupo Zivi-Hércules-Eberle. Este Grupo entre 1994 e 2003 passou por nova reorganização, transformando-se na empresa Mundial S.A., que permanece em atividade e mantém várias linhas de produtos com o nome Eberle em evidência.
Seus prédios centrais, desativados na década de 1990, são hoje patrimônio histórico tombado de Caxias do Sul, e recentemente foram recuperados para abrigarem a Faculdade dos Imigrantes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Prédios da metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
Os prédios da antiga Metalúrgica Abramo Eberle constituem um grupo de edificações históricas de Caxias do Sul, RS, ocupando quase todo um quarteirão entre as ruas Sinimbu, Borges de Medeiros, Marquês do Herval e Os Dezoito do Forte, erguidos entre as décadas de 1930 e 1950. Dentre eles destaca-se o prédio da administração e loja da antiga empresa, sito à rua Sinimbu 1670, no centro da cidade. O conjunto é tombado pela municipalidade desde 6 de janeiro de 2006. Em 2015 um outro conjunto foi tombado, a Fábrica 2.
Projetado por Silvio Toigo, foi erguido na década de 1940, em um estilo modernista despojado, com influência déco, o prédio de 10 mil m² se distribui em seis pavimentos, com fachada simétrica dividida em cinco blocos. É um importante exemplar da arquitetura industrial na cidade. No térreo existe uma série de grandes vitrines e várias portas, e os pavimentos superiores apresentam séries regulares de janelas simples e duplas, e triplas no bloco central. No último pavimento há uma sacada à esquerda, e coroa o prédio um campanário com um grande relógio, cujo badalar a cada meia hora é ouvido em grande parte do centro da cidade. Também no terraço foi instalada uma réplica da primeira funilaria de Abramo Eberle, fundador da empresa.
O prédio foi construído para abrigar parte da Metalúrgica Abramo Eberle S.A., uma das mais importantes empresas caxienses, responsável por grande parte do impulso de desenvolvimento industrial da cidade no século XX. A Metalúrgica, fundada em 2 de abril de 1896 como uma modesta funilaria, com o tempo passou a produzir uma variada série de itens, desde talheres, cutelaria e espadas até rebites e botões metálicos, incluindo também peças para cultos religiosos, e em seu auge empregava milhares de funcionários. No período da II Guerra Mundial foi pioneira na produção de motores elétricos para atender à crescente demanda interna.
A Metalúrgica funcionou no local até a década de 1990, tendo sido comprada neste intervalo pelo Grupo Zivi, que continuou as atividades da empresa até o prédio ser desativado. Atualmente o edifício cede alguns espaços para a Faculdade Ideau. Um controverso projeto de revitalização foi aprovado em 2014, prevendo a demolição de partes da estrutura interna, a construção de prédios modernos no espaço e a transformação do complexo em centro comercial.
Também foi tombado um outro prédio da Metalúrgica, a chamada Fábrica 2, inaugurada em 1948 com projeto de Silvio Toigo e Romano Lunardi, com 53 mil metros quadrados, ocupando toda uma quadra entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Barea, Pedro Tomasi e Treze de Maio. Um projeto prevê sua adaptação para uso público.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Abramo Eberle | Wikipédia
Abramo Eberle (Monte Magrè, 2 de abril de 1880 — Caxias do Sul, 13 de janeiro de 1945) foi um empresário ítalo-brasileiro, um dos pioneiros da industrialização do estado do Rio Grande do Sul.
Biografia
Giuseppe (José) Eberle e Luigia Zanrosso chegaram ao Brasil em 1884, numa das primeiras levas de imigrantes italianos, e se instalaram na colônia italiana de Caxias do Sul. Vieram com eles seus quatro filhos, entre os quais Abramo, de quatro anos, o segundo da prole. No Brasil, nasceriam mais seis filhos do casal.
José Eberle havia se preparado para a imigração. Antes de viajar comprara alguns alambiques e caldeiras, prevendo que na colônia tais equipamentos seriam uma raridade valiosa, bem como um sortimento de chapéus e mudas de árvores frutíferas, além de trazer um capital oriundo da venda de sua granja em Magré. Na chegada adquiriu um lote rural e um ano depois uma pequena funilaria de Francisco Rossi, sita à rua Sinimbu, onde instalou também um comércio. No seu lote rural plantou um pomar e fabricava grappa, enquanto a esposa, conhecida como Gigia Bandera, administrava os negócios na cidade. Nos fins de semana José trabalhava na cidade como barbeiro, ofício que já desempenhara na Itália. Em torno de 1892 a família já possuía também duas outras áreas de terra, trabalhadas por agricultores contratados. O jovem Abramo, embora nesta época tivesse apenas cerca de 12 anos, supervisionava uma das propriedades e ajudava nos outros investimentos da família. Devido ao grande volume de trabalho, Abramo teve uma educação inicial pobre.
Em 1894 começou a dedicar-se principalmente à funilaria. Quando o pai resolveu vendê-la para concentrar todo o esforço da família na agricultura, Abramo se propôs a comprá-la. Tinha apenas dezesseis anos. No início de 1896 a venda foi firmada e Abramo Eberle se tornou proprietário. Fabricava lamparinas a querosene, um artigo de grande procura numa época em que não havia energia elétrica, além de baldes, canecas e outros itens de consumo geral. Seguindo o exemplo do pai, diversificou seus negócios melhorando a funilaria com equipamentos mais eficientes e a casa comercial com uma boa seção de ferragens, abrindo também uma vidraçaria e oferecendo serviços de consertos em geral, além de fazer a venda da produção agrícola das terras familiares tanto em Caxias como em Porto Alegre, para onde viajou várias vezes. Em 1901 seus negócios prosperavam e passava a investir no mercado paulista, onde vendeu vinho, grappa, salame, presunto e queijo.
No mesmo ano casou-se com Elisa Venzon, membro de uma família bem colocada na sociedade e proprietária de um moinho e uma serraria, que lhe daria os filhos José Abramo (Beppin, 16/12/1901), Angelina (01/04/1904), Rosália (31/01/1906), Julio João (21/11/1907), Adélia (30/06/1910), que foi a primeira rainha da Festa da Uva, Zaíra e Lília (abril/1919). A esposa logo se revelaria uma hábil administradora dos negócios, permitindo que Abramo viajasse com frequência em busca de novos mercados, fornecedores e parceiros comerciais e se estabelecesse solidamente como um importante exportador. Pedro Eberle, seu irmão, também foi um valioso auxiliar e depois sócio.
Em 1904 uniu-se a Érico Raabe, Pedro Mocelin e Luiz Gasparetto numa sociedade fundindo a funilaria de Abramo e uma ourivesaria mantida por Gasparetto, que deu origem à Ourivesaria e Funilaria Central de Abramo Eberle e Cia., estabelecida com um capital inicial de 24,2 contos de réis, e contando com sessenta operários. Em 1906 ingressou na Associação dos Comerciantes, que agregava a elite do empresariado local e exercia decisiva influência na economia e na política de toda a região. Em 1912 associou-se a Reinaldo Kochenborger, ampliando a produção de joias. Em 1917 a empresa foi reestruturada com o vultoso capital social de oitocentos contos de réis, com novos equipamentos e instalações, passando a se denominar Abramo Eberle & Cia., tendo como sócios Luiz Gasparetto, Eduardo Mosele e Pedro Eberle. No ano seguinte iniciou a fabricação de talheres, objetos de cutelaria e utensílios de mesa. Nesta época iniciava a transição de um modelo produtivo marcadamente artesanal para o da indústria moderna e automatizada.
Em 1920 foi criada a Eberle, Mosele & Cia., com os sócios Leonel Mosele e Fiorelo Arpini, ampliando a loja de ferragens, louças e vidros, e no mesmo ano Abramo viajou aos Estados Unidos a fim de conhecer novas tecnologias e fontes de fornecimento de matéria-prima para a metalurgia, mas também para tratar da saúde de Elisa, que sofria de um mal cardíaco. Lá Abramo também adoeceu. Depois de quatro meses seguiram para a Itália. Como ambos continuavam doentes, passaram uma temporada na estação de águas de Salso Maggiore, em seguida visitaram Roma, entrevistando-se com o Papa, e depois rumaram para Monte Magré para rever parentes. De lá partiram em viagens de negócios por várias cidades da Itália e também Paris, visitando metalúrgicas e fundições, retornando ao Brasil depois de dois anos.
Entre 1923 e 1928 foi instalada a primeira forjaria, com a fabricação de peças forjadas, lâminas para facas, espadas e espadins para as forças armadas, e foi inaugurada a fábrica de botões de pressão e rebites. O capital da empresa já era de mil contos de réis e já tinha ou uma filial ou um representante em todos os estados brasileiros e em alguns outros países. Em 1925 iniciou-se a fabricação de artigos sacros. Além de ter-se tornado um dos maiores empresários do estado, Abramo se envolveu na política, assumindo o cargo de vice-intendente por vários períodos nas gestões de Vicente Rovea, José Penna de Moraes e Celeste Gobbato, participando de comissões municipais para tratar de variados assuntos e sendo membro do Diretório do Partido Republicano Liberal. Recebeu a patente de coronel da Guarda Nacional e alinhou-se à ideologia fascista, que nos anos 1920-1930 teve grande penetração na região colonial e desempenhou um importante papel da formação da identidade coletiva dos italianos, baseada em conceitos de progresso, disciplina, trabalho e hierarquia.
Desde o início, conforme o hábito da época, Abramo estabeleceu um estilo paternalista de gerenciar sua empresa, criando nela um microcosmo e uma comunidade com uma cultura particular que, em virtude das dimensões da empresa e do corpo de funcionários, exerceria uma forte influência na vida de toda a cidade. Mantinha uma cooperativa de consumo própria, um departamento de assistência médica e social, um departamento esportivo com equipes de esgrima, basquete, bolão e outras modalidades, um time de futebol de relevante atuação regional, o Grêmio Atlético Eberle, além de organizar atividades recreativas, sociais, culturais e educativas regulares para os empregados e seus familiares. Por muitos anos Abramo iniciou o expediente tocando pessoalmente uma sineta na frente da empresa, convocando não apenas os funcionários ao trabalho, mas marcando a rotina de toda a região central de Caxias, tornando-se folclórica a expressão "Abramo já tocou" para significar prontidão e comando, e que faz parte do título da biografia escrita por Álvaro Franco, Abramo já Tocou... ou A Epopeia de um Imigrante. Embora a disciplina fosse rígida e o trabalho, pesado, fazia, como disse Anthony Tessari, com que "os operários se sentissem como parte de uma família, vendo o patrão como um amigo muito próximo ou até mesmo como um pai. [...] Em todo o período em que Abramo esteve à frente da fábrica (1896-1945) os operários nunca promoveram greves ou mesmo organizaram sindicatos". Valentin Lazzarotto disse que a força da tradição impediu a formação de uma consciência de classe entre o operariado, grevistas podiam ser punidos ou demitidos e ideologias de esquerda não podiam proliferar no ambiente da fábrica, uma realidade que não era, contudo, exclusiva da Eberle.
No ano de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, que dificultava as importações da Europa, a Eberle, num empreendimento pioneiro, começou a fabricar motores elétricos para atender às necessidades do país, conquistando um importante mercado e dando um salto expressivo no seu faturamento, que dobrou em relação ao período pré-guerra. Ao mesmo tempo, a metalúrgica foi requisitada pelo Governo Federal para "servir à Pátria" no esforço de guerra, produzindo espadas, espadins e sabres para a Força Expedicionária Brasileira.
Nesta altura Abramo já era figura ilustre e influente, havia sido nobilitado em 1936 pelo rei da Itália com o título de cavaleiro da Coroa, sua empresa se destacava no Brasil, era vista como um modelo e recebia frequentes visitas de personalidades de projeção estadual e nacional, e mesmo de estrangeiros como os embaixadores dos Estados Unidos e do Canadá, sendo invariavelmente elogiado com entusiasmo. O adido militar da Embaixada Britânica no Brasil, coronel William Frederick Rohdes, deixou registrado: "O Inglês é, habitualmente, homem de poucas palavras. Mas, tendo visitado as usinas da Metalúrgica Abramo Eberle estou disposto a escrever um livro inteiro a respeito da força fantástica que a fábrica está fazendo para o Brasil". Entre os inúmeros produtos fabricados pela metalúrgica, podem ser destacados a grande custódia e ostensório todo em prata coberto de ouro e joias, pesando 70 kg, usado no III Congresso Eucarístico Nacional em Minas Gerais, e as estátuas do Monumento Nacional ao Imigrante, fundidas em bronze a partir do modelo do escultor Antônio Caringi.
Abramo voltaria para os Estados Unidos e a Europa muitas vezes, sempre estudando os modernos processos de produção, que depois implantava nos seus negócios. Esteve à frente de sua indústria por quase 50 anos, até sua morte aos 65 anos de idade em 13 de janeiro de 1945. Sua morte causou uma comoção na cidade e seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão. Seus filhos deram continuidade aos negócios do pai até 1984, quando a Eberle foi adquirida pelo Grupo Zivi-Hércules. Em 2003 os grupos foram fundidos, surgindo a Mundial S.A. No alto do edifício-sede da empresa, no centro de Caxias do Sul, uma casinha de madeira, réplica da primeira funilaria de Abramo, mostra o quanto cresceu o sonho do imigrante.
Abramo foi favorecido por florescer em um período de crescimento acelerado em Caxias do Sul, mas enquanto muitos outros empresários da cidade faziam carreiras meteóricas que os levavam muito alto mas faliam em questão de uma ou duas décadas, boa parte do seu sucesso continuado se deve à sua grande adaptabilidade a um contexto econômico e social que variou muito ao longo dos anos, adotando métodos produtivos em permanente atualização e variando constantemente a linha de produtos conforme as necessidades mutáveis dos mercados. A força de sua empresa desempenhou papel central na industrialização da região serrana do estado, estimulando mercados e parcerias e mobilizando grande força de trabalho, e foi um impulso decisivo para a formação na cidade do polo metalomecânico, que hoje é um dos maiores do Brasil. Segundo Loraine Giron, em seu auge a Metalúrgica Eberle foi a maior empresa em seu gênero na América Latina, tornando Abramo um símbolo vivo do sucesso dos imigrantes e um "reforço para o mito de que o trabalho enriquece". Nas palavras de Tessari, "O crescimento da empresa de Abramo Eberle é enorme ao completar cinquenta anos de existência. O papel de Abramo Eberle foi fundamental para esse sucesso conquistado: fruto do seu empreendedorismo e da relação paternal que manteve com seus empregados. Além disso, é importante observar a construção de um mito que serviu de reforço à autoridade dos empresários locais: o da riqueza material e moral conquistadas através do trabalho árduo, mas dignificante do homem. No frontão do moinho do imigrante Aristides Germani (estabelecido em Caxias no final do século XIX), por exemplo, um alto-relevo anunciava: LABOR OMNIA VINCIT (o trabalho tudo vence). Na fachada do novo prédio da Metalúrgica de Abramo Eberle, construído na primeira metade da década de 1940, era possível ler algo semelhante: TRABALHO HONRADO E CONSTANTE TUDO VENCE. Já na linguagem popular, transmitida oralmente entre as gerações de imigrantes, os provérbios no dialeto talian, trazido da Itália e desenvolvido no Brasil, também evidenciam o lugar do trabalho para aquela sociedade, identificando os seus resultados, não raro, ao miraculoso: El sudore no lé mia santo, ma ndove el casca el fá mirácoli (o suor não é santo, mas onde ele cai faz milagres)".
Luís da Câmara Cascudo lembrou-o de maneira poética em 1948:
"Li esse lindo Milagre da Montanha, de Álvaro Franco e Sinhorinha Maia Ramos de Franco. O milagre é a cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Campo dos Bugres que acabou erguendo para o céu uma floresta de chaminés fumegantes, atestando o labor ininterrupto dos homens. E outro milagre é o esforço de um italianozinho, Abramo Eberle, com 16 anos, comprando por seiscentos mil réis, em 1896, ao Pai, uma funilaria humilde. Seu primeiro trabalho foi uma lâmpada de flandres, lamparina cuja luz indecisa aluminou o primeiro serão, teimoso, na noite fria. Cinquenta anos depois essa lamparina é um símbolo, força inicial de quinze mil tipos de objetos criados pela mão magnífica que a fizera, pequenina e fiel. A Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. fornece quase tudo a quase todos os brasileiros. [...] Estátua, festa, nome da rua, placa de bronze, dinheiro, batismo de arranha-céu, discurso, banquete, baile, tudo passa ou tudo fica sem expressão na memória coletiva. O livro fica. Acima de tudo, o livro fica contando a história daquele que trabalhou, amou, sofreu. A indústria de Abramo Eberle continuará nas mãos fiéis dos filhos. A lamparina não se apagará. O livro, verídico, contará aos futuros a vida bonita do forjador que venceu a Morte."
Em Caxias do Sul seu nome batiza uma escola e uma praça, na qual foi erguido um monumento em sua memória. Também batizou uma travessa em Porto Alegre, ruas em Concórdia e Gravataí, a cátedra de Economia Política na PUCRS em Porto Alegre, e um Ginásio Industrial em Osório. Em pesquisa de opinião desenvolvida em 1999 junto a 100 líderes comunitários de diferentes áreas por acadêmicos do Curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, foi eleito uma das 30 Personalidades de Caxias do Sul — Destaques do Século XX. Os prédios históricos da sua metalúrgica e o palacete onde morava são patrimônio tombado. Sua mãe, lembrada como um símbolo do empreendedorismo feminino, também foi homenageada, com a instituição do Troféu Gigia Bandera pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, distinção que reconhece o mérito metalúrgico.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Crédito fotográfico: Sinpro Caxias. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Metalúrgica Abramo Eberle S/A (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1896), mais conhecida como Eberle ou Maesa, é uma fabricante de metais brasileira. Fundada por Abramo Eberle, a marca começou como uma pequena ferraria e, rapidamente, se destacou pela qualidade de suas ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas e cutelaria, ampliando seu portfólio ao longo das décadas. Com o passar dos anos, a marca expandiu suas operações para novos segmentos, incluindo moda e automotivo, tornando-se uma referência na produção de botões, fivelas e peças metálicas para o setor automotivo e industrial. Essa diversificação garantiu seu sucesso e consolidou seu nome como sinônimo de tradição, qualidade e inovação. Consolidada no mercado, a Eberle conta com mais de 120 anos de história, exportando seus produtos para diversos mercados internacionais, passou por várias fases de modernização e reestruturação, sempre mantendo o compromisso com a inovação e a sustentabilidade. Foi adquirida pelo Grupo Mundial em 2000, o que fortaleceu sua posição no mercado, continuando a produzir produtos de alto valor e durabilidade, tornando-a uma das marcas mais relevantes da indústria brasileira.
Metalúrgica Abramo Eberle | Arremate Arte
A marca Eberle é uma empresa tradicional brasileira, com uma longa história ligada principalmente ao setor de metais. Fundada em 1896 por Abramo Eberle, na cidade de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, a empresa começou suas atividades como uma pequena ferraria. No início, a produção era voltada para ferramentas agrícolas e itens de uso doméstico, como facas e cutelaria.
Com o passar do tempo, a Eberle expandiu seu portfólio, passando a produzir uma ampla variedade de produtos, incluindo itens de moda, como botões e fivelas, além de peças automotivas e outros artigos industriais. Esse crescimento foi impulsionado pela capacidade de inovação e pela adaptação às necessidades do mercado, o que consolidou a marca como uma das mais importantes do setor metalúrgico no Brasil.
Abramo Eberle começou fabricando ferramentas manuais e utensílios de cozinha. A alta qualidade dos produtos fez com que a marca rapidamente ganhasse destaque na região.
Expansão para moda: A partir do início do século XX, a Eberle diversificou sua produção, entrando no mercado de botões e outros acessórios de moda, como fivelas e adornos de metal. Esses produtos se tornaram muito populares, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.
Além da moda, a Eberle passou a produzir peças para o setor automotivo e para a indústria em geral. Esse foi um passo importante na consolidação da marca em um segmento mais técnico e especializado.
Ao longo de sua história, a Eberle também exportou seus produtos para outros países, especialmente na América Latina e na Europa.
Linha do Tempo da Eberle
1896 – Fundação
Abramo Eberle, um imigrante italiano, funda a empresa Abramo Eberle & Companhia na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.
A empresa começa como uma pequena ferraria, produzindo ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas, serrotes e outros objetos de metal.
Início do Século XX – Expansão
A Eberle cresce rapidamente devido à qualidade de seus produtos, ampliando sua linha de produção para atender a demanda crescente por ferramentas agrícolas e utensílios de uso cotidiano.
A marca começa a se tornar referência em cutelaria e em produtos para a agricultura.
Década de 1930 – Diversificação
A Eberle diversifica suas operações, entrando no mercado de botões e acessórios de moda feitos de metal, como fivelas e adornos para roupas.
A produção de acessórios de moda é impulsionada pelo uso crescente de materiais metálicos na indústria têxtil e de vestuário.
1940 – Modernização e Crescimento
A Eberle investe em modernização da fábrica e na expansão de sua linha de produtos, buscando inovações no processo de fabricação.
Durante esse período, a empresa solidifica sua posição como um dos maiores fabricantes de cutelaria e utensílios de metal no Brasil.
Décadas de 1950 e 1960 – Expansão para o Setor de Moda
O sucesso dos produtos voltados para a moda, como botões, fivelas e outros adornos, coloca a Eberle como uma das principais fornecedoras para o setor têxtil.
A marca se destaca pela qualidade e inovação no design desses acessórios, tornando-se líder no mercado de produtos para vestuário.
Década de 1970 – Setor Automotivo
A empresa expande sua atuação, entrando no setor automotivo, produzindo componentes e peças metálicas para montadoras de automóveis e veículos.
Com essa diversificação, a Eberle se torna uma das principais fornecedoras da indústria automotiva no Brasil.
Década de 1980 – Internacionalização
A Eberle começa a exportar seus produtos para países da América Latina e Europa, alcançando novos mercados e aumentando sua presença internacional.
Durante esse período, a empresa fortalece sua atuação em setores industriais diversos, além de manter sua liderança no segmento de cutelaria e acessórios de moda.
1990 – Reestruturação
A Eberle passa por uma reestruturação organizacional, buscando adaptar-se a um mercado mais competitivo e tecnológico.
A marca investe em inovação e tecnologia, modernizando suas linhas de produção e diversificando ainda mais seus produtos industriais e automotivos.
2000 – Aquisição pelo Grupo Mundial
Em 2000, a Eberle é adquirida pelo Grupo Mundial, uma das maiores corporações do Rio Grande do Sul, que também controla outras indústrias do setor metalúrgico.
Com essa aquisição, a empresa passa a ter maior capacidade de investimento e acesso a novos mercados, consolidando ainda mais sua posição no mercado.
2010 – Foco em Inovação e Sustentabilidade
A empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade, adotando práticas que reduzem o impacto ambiental de suas operações, como o uso de materiais recicláveis e a implementação de processos mais eficientes.
A Eberle continua a se destacar pela alta qualidade de seus produtos e pelo compromisso com a inovação, mantendo-se relevante em setores como moda, cutelaria, industrial e automotivo.
Atualidade – Tradição e Inovação
Hoje, a Eberle é uma empresa com mais de 120 anos de história, consolidada como uma referência no setor metalúrgico, tanto no Brasil quanto no exterior.
A marca mantém sua tradição na produção de cutelaria, utensílios domésticos, acessórios de moda e peças para o setor automotivo e industrial, sendo reconhecida pela durabilidade, qualidade e inovação de seus produtos.
Principais Produtos e Segmentos
Cutelaria: Facas, serrotes e utensílios de cozinha.
Moda: Botões, fivelas, e adornos metálicos para roupas e acessórios.
Setor Automotivo: Componentes e peças metálicas para veículos.
Indústria: Peças e produtos industriais para diversas aplicações.
Atualmente, a marca Eberle é sinônimo de qualidade e tradição, com uma trajetória de mais de 120 anos no mercado. A empresa passou por várias reestruturações e adaptações ao longo de sua existência, mas continua sendo uma referência no setor metalúrgico, especialmente no Rio Grande do Sul, onde mantém um forte vínculo com a indústria local.
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Metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
A Metalúrgica Abramo Eberle S/A (MAESA, ou simplesmente Eberle) foi a maior e mais importante indústria metalúrgica da cidade de Caxias do Sul na primeira metade do século XX.
A empresa iniciou quando Abramo Eberle, com 17 anos de idade, comprou de seu pai em 2 de abril de 1896 uma pequena oficina de funilaria, à qual deu o nome de Eberle S.A, tendo seus próprios vizinhos como seus primeiros funcionários. A primeira peça que produziu foi uma lamparina de querosene. Em 1918, a Ourivesaria e Funilaria Central Abramo Eberle & Cia. começou a produzir talheres, cutelaria e objetos de mesa. Entre 1923 e 1928 foi instalada uma forja que permitiu a produção de armas para o Exército como espadas e facas, ao mesmo tempo em que se inaugurava uma seção de produção de rebites e botões de pressão, e outra para fabricação de artigos sacros.
Dificultadas as importações durante a Segunda Guerra Mundial, a Eberle aproveitou uma faixa de mercado disponível e passou a fabricar motores elétricos, além de ampliar suas instalações construindo um grande conjunto de edifícios no centro da cidade. No fim da guerra seu campo se ampliou para as máquinas domésticas, tesouras e artigos de montaria. Em 1966 se tornou uma empresa de capital aberto, iniciando a construção do Parque Industrial de São Ciro, com uma área de 427 mil m². Com a expansão do mercado de têxteis na década seguinte investiu na área de componentes de fixação como botões, ilhoses, rebites e fivelas, ampliada em 1982 graças à grande procura por seus produtos.
O rápido crescimento inicial da Eberle se inseriu no processo de urbanização da cidade e do progresivo êxodo rural, fatores que produziam mão-de-obra barata. A empresa mantinha uma eficiente política para manutenção de bons funcionários, oferecendo prêmios por tempo de serviço, pagamento em dia, assistência médica, férias remuneradas e criando um fundo participativo onde o empregado podia aplicar suas economias ou fazer empréstimos pagos a longo prazo.
Com a crescente penetração do capital internacional no Brasil a partir dos anos 1960 a tradicional Metalúrgica foi fragmentando sua estrutura e capital, até ser comprada em 1985 pela Zivi-Hércules, surgindo então o Grupo Zivi-Hércules-Eberle. Este Grupo entre 1994 e 2003 passou por nova reorganização, transformando-se na empresa Mundial S.A., que permanece em atividade e mantém várias linhas de produtos com o nome Eberle em evidência.
Seus prédios centrais, desativados na década de 1990, são hoje patrimônio histórico tombado de Caxias do Sul, e recentemente foram recuperados para abrigarem a Faculdade dos Imigrantes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Prédios da metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
Os prédios da antiga Metalúrgica Abramo Eberle constituem um grupo de edificações históricas de Caxias do Sul, RS, ocupando quase todo um quarteirão entre as ruas Sinimbu, Borges de Medeiros, Marquês do Herval e Os Dezoito do Forte, erguidos entre as décadas de 1930 e 1950. Dentre eles destaca-se o prédio da administração e loja da antiga empresa, sito à rua Sinimbu 1670, no centro da cidade. O conjunto é tombado pela municipalidade desde 6 de janeiro de 2006. Em 2015 um outro conjunto foi tombado, a Fábrica 2.
Projetado por Silvio Toigo, foi erguido na década de 1940, em um estilo modernista despojado, com influência déco, o prédio de 10 mil m² se distribui em seis pavimentos, com fachada simétrica dividida em cinco blocos. É um importante exemplar da arquitetura industrial na cidade. No térreo existe uma série de grandes vitrines e várias portas, e os pavimentos superiores apresentam séries regulares de janelas simples e duplas, e triplas no bloco central. No último pavimento há uma sacada à esquerda, e coroa o prédio um campanário com um grande relógio, cujo badalar a cada meia hora é ouvido em grande parte do centro da cidade. Também no terraço foi instalada uma réplica da primeira funilaria de Abramo Eberle, fundador da empresa.
O prédio foi construído para abrigar parte da Metalúrgica Abramo Eberle S.A., uma das mais importantes empresas caxienses, responsável por grande parte do impulso de desenvolvimento industrial da cidade no século XX. A Metalúrgica, fundada em 2 de abril de 1896 como uma modesta funilaria, com o tempo passou a produzir uma variada série de itens, desde talheres, cutelaria e espadas até rebites e botões metálicos, incluindo também peças para cultos religiosos, e em seu auge empregava milhares de funcionários. No período da II Guerra Mundial foi pioneira na produção de motores elétricos para atender à crescente demanda interna.
A Metalúrgica funcionou no local até a década de 1990, tendo sido comprada neste intervalo pelo Grupo Zivi, que continuou as atividades da empresa até o prédio ser desativado. Atualmente o edifício cede alguns espaços para a Faculdade Ideau. Um controverso projeto de revitalização foi aprovado em 2014, prevendo a demolição de partes da estrutura interna, a construção de prédios modernos no espaço e a transformação do complexo em centro comercial.
Também foi tombado um outro prédio da Metalúrgica, a chamada Fábrica 2, inaugurada em 1948 com projeto de Silvio Toigo e Romano Lunardi, com 53 mil metros quadrados, ocupando toda uma quadra entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Barea, Pedro Tomasi e Treze de Maio. Um projeto prevê sua adaptação para uso público.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Abramo Eberle | Wikipédia
Abramo Eberle (Monte Magrè, 2 de abril de 1880 — Caxias do Sul, 13 de janeiro de 1945) foi um empresário ítalo-brasileiro, um dos pioneiros da industrialização do estado do Rio Grande do Sul.
Biografia
Giuseppe (José) Eberle e Luigia Zanrosso chegaram ao Brasil em 1884, numa das primeiras levas de imigrantes italianos, e se instalaram na colônia italiana de Caxias do Sul. Vieram com eles seus quatro filhos, entre os quais Abramo, de quatro anos, o segundo da prole. No Brasil, nasceriam mais seis filhos do casal.
José Eberle havia se preparado para a imigração. Antes de viajar comprara alguns alambiques e caldeiras, prevendo que na colônia tais equipamentos seriam uma raridade valiosa, bem como um sortimento de chapéus e mudas de árvores frutíferas, além de trazer um capital oriundo da venda de sua granja em Magré. Na chegada adquiriu um lote rural e um ano depois uma pequena funilaria de Francisco Rossi, sita à rua Sinimbu, onde instalou também um comércio. No seu lote rural plantou um pomar e fabricava grappa, enquanto a esposa, conhecida como Gigia Bandera, administrava os negócios na cidade. Nos fins de semana José trabalhava na cidade como barbeiro, ofício que já desempenhara na Itália. Em torno de 1892 a família já possuía também duas outras áreas de terra, trabalhadas por agricultores contratados. O jovem Abramo, embora nesta época tivesse apenas cerca de 12 anos, supervisionava uma das propriedades e ajudava nos outros investimentos da família. Devido ao grande volume de trabalho, Abramo teve uma educação inicial pobre.
Em 1894 começou a dedicar-se principalmente à funilaria. Quando o pai resolveu vendê-la para concentrar todo o esforço da família na agricultura, Abramo se propôs a comprá-la. Tinha apenas dezesseis anos. No início de 1896 a venda foi firmada e Abramo Eberle se tornou proprietário. Fabricava lamparinas a querosene, um artigo de grande procura numa época em que não havia energia elétrica, além de baldes, canecas e outros itens de consumo geral. Seguindo o exemplo do pai, diversificou seus negócios melhorando a funilaria com equipamentos mais eficientes e a casa comercial com uma boa seção de ferragens, abrindo também uma vidraçaria e oferecendo serviços de consertos em geral, além de fazer a venda da produção agrícola das terras familiares tanto em Caxias como em Porto Alegre, para onde viajou várias vezes. Em 1901 seus negócios prosperavam e passava a investir no mercado paulista, onde vendeu vinho, grappa, salame, presunto e queijo.
No mesmo ano casou-se com Elisa Venzon, membro de uma família bem colocada na sociedade e proprietária de um moinho e uma serraria, que lhe daria os filhos José Abramo (Beppin, 16/12/1901), Angelina (01/04/1904), Rosália (31/01/1906), Julio João (21/11/1907), Adélia (30/06/1910), que foi a primeira rainha da Festa da Uva, Zaíra e Lília (abril/1919). A esposa logo se revelaria uma hábil administradora dos negócios, permitindo que Abramo viajasse com frequência em busca de novos mercados, fornecedores e parceiros comerciais e se estabelecesse solidamente como um importante exportador. Pedro Eberle, seu irmão, também foi um valioso auxiliar e depois sócio.
Em 1904 uniu-se a Érico Raabe, Pedro Mocelin e Luiz Gasparetto numa sociedade fundindo a funilaria de Abramo e uma ourivesaria mantida por Gasparetto, que deu origem à Ourivesaria e Funilaria Central de Abramo Eberle e Cia., estabelecida com um capital inicial de 24,2 contos de réis, e contando com sessenta operários. Em 1906 ingressou na Associação dos Comerciantes, que agregava a elite do empresariado local e exercia decisiva influência na economia e na política de toda a região. Em 1912 associou-se a Reinaldo Kochenborger, ampliando a produção de joias. Em 1917 a empresa foi reestruturada com o vultoso capital social de oitocentos contos de réis, com novos equipamentos e instalações, passando a se denominar Abramo Eberle & Cia., tendo como sócios Luiz Gasparetto, Eduardo Mosele e Pedro Eberle. No ano seguinte iniciou a fabricação de talheres, objetos de cutelaria e utensílios de mesa. Nesta época iniciava a transição de um modelo produtivo marcadamente artesanal para o da indústria moderna e automatizada.
Em 1920 foi criada a Eberle, Mosele & Cia., com os sócios Leonel Mosele e Fiorelo Arpini, ampliando a loja de ferragens, louças e vidros, e no mesmo ano Abramo viajou aos Estados Unidos a fim de conhecer novas tecnologias e fontes de fornecimento de matéria-prima para a metalurgia, mas também para tratar da saúde de Elisa, que sofria de um mal cardíaco. Lá Abramo também adoeceu. Depois de quatro meses seguiram para a Itália. Como ambos continuavam doentes, passaram uma temporada na estação de águas de Salso Maggiore, em seguida visitaram Roma, entrevistando-se com o Papa, e depois rumaram para Monte Magré para rever parentes. De lá partiram em viagens de negócios por várias cidades da Itália e também Paris, visitando metalúrgicas e fundições, retornando ao Brasil depois de dois anos.
Entre 1923 e 1928 foi instalada a primeira forjaria, com a fabricação de peças forjadas, lâminas para facas, espadas e espadins para as forças armadas, e foi inaugurada a fábrica de botões de pressão e rebites. O capital da empresa já era de mil contos de réis e já tinha ou uma filial ou um representante em todos os estados brasileiros e em alguns outros países. Em 1925 iniciou-se a fabricação de artigos sacros. Além de ter-se tornado um dos maiores empresários do estado, Abramo se envolveu na política, assumindo o cargo de vice-intendente por vários períodos nas gestões de Vicente Rovea, José Penna de Moraes e Celeste Gobbato, participando de comissões municipais para tratar de variados assuntos e sendo membro do Diretório do Partido Republicano Liberal. Recebeu a patente de coronel da Guarda Nacional e alinhou-se à ideologia fascista, que nos anos 1920-1930 teve grande penetração na região colonial e desempenhou um importante papel da formação da identidade coletiva dos italianos, baseada em conceitos de progresso, disciplina, trabalho e hierarquia.
Desde o início, conforme o hábito da época, Abramo estabeleceu um estilo paternalista de gerenciar sua empresa, criando nela um microcosmo e uma comunidade com uma cultura particular que, em virtude das dimensões da empresa e do corpo de funcionários, exerceria uma forte influência na vida de toda a cidade. Mantinha uma cooperativa de consumo própria, um departamento de assistência médica e social, um departamento esportivo com equipes de esgrima, basquete, bolão e outras modalidades, um time de futebol de relevante atuação regional, o Grêmio Atlético Eberle, além de organizar atividades recreativas, sociais, culturais e educativas regulares para os empregados e seus familiares. Por muitos anos Abramo iniciou o expediente tocando pessoalmente uma sineta na frente da empresa, convocando não apenas os funcionários ao trabalho, mas marcando a rotina de toda a região central de Caxias, tornando-se folclórica a expressão "Abramo já tocou" para significar prontidão e comando, e que faz parte do título da biografia escrita por Álvaro Franco, Abramo já Tocou... ou A Epopeia de um Imigrante. Embora a disciplina fosse rígida e o trabalho, pesado, fazia, como disse Anthony Tessari, com que "os operários se sentissem como parte de uma família, vendo o patrão como um amigo muito próximo ou até mesmo como um pai. [...] Em todo o período em que Abramo esteve à frente da fábrica (1896-1945) os operários nunca promoveram greves ou mesmo organizaram sindicatos". Valentin Lazzarotto disse que a força da tradição impediu a formação de uma consciência de classe entre o operariado, grevistas podiam ser punidos ou demitidos e ideologias de esquerda não podiam proliferar no ambiente da fábrica, uma realidade que não era, contudo, exclusiva da Eberle.
No ano de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, que dificultava as importações da Europa, a Eberle, num empreendimento pioneiro, começou a fabricar motores elétricos para atender às necessidades do país, conquistando um importante mercado e dando um salto expressivo no seu faturamento, que dobrou em relação ao período pré-guerra. Ao mesmo tempo, a metalúrgica foi requisitada pelo Governo Federal para "servir à Pátria" no esforço de guerra, produzindo espadas, espadins e sabres para a Força Expedicionária Brasileira.
Nesta altura Abramo já era figura ilustre e influente, havia sido nobilitado em 1936 pelo rei da Itália com o título de cavaleiro da Coroa, sua empresa se destacava no Brasil, era vista como um modelo e recebia frequentes visitas de personalidades de projeção estadual e nacional, e mesmo de estrangeiros como os embaixadores dos Estados Unidos e do Canadá, sendo invariavelmente elogiado com entusiasmo. O adido militar da Embaixada Britânica no Brasil, coronel William Frederick Rohdes, deixou registrado: "O Inglês é, habitualmente, homem de poucas palavras. Mas, tendo visitado as usinas da Metalúrgica Abramo Eberle estou disposto a escrever um livro inteiro a respeito da força fantástica que a fábrica está fazendo para o Brasil". Entre os inúmeros produtos fabricados pela metalúrgica, podem ser destacados a grande custódia e ostensório todo em prata coberto de ouro e joias, pesando 70 kg, usado no III Congresso Eucarístico Nacional em Minas Gerais, e as estátuas do Monumento Nacional ao Imigrante, fundidas em bronze a partir do modelo do escultor Antônio Caringi.
Abramo voltaria para os Estados Unidos e a Europa muitas vezes, sempre estudando os modernos processos de produção, que depois implantava nos seus negócios. Esteve à frente de sua indústria por quase 50 anos, até sua morte aos 65 anos de idade em 13 de janeiro de 1945. Sua morte causou uma comoção na cidade e seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão. Seus filhos deram continuidade aos negócios do pai até 1984, quando a Eberle foi adquirida pelo Grupo Zivi-Hércules. Em 2003 os grupos foram fundidos, surgindo a Mundial S.A. No alto do edifício-sede da empresa, no centro de Caxias do Sul, uma casinha de madeira, réplica da primeira funilaria de Abramo, mostra o quanto cresceu o sonho do imigrante.
Abramo foi favorecido por florescer em um período de crescimento acelerado em Caxias do Sul, mas enquanto muitos outros empresários da cidade faziam carreiras meteóricas que os levavam muito alto mas faliam em questão de uma ou duas décadas, boa parte do seu sucesso continuado se deve à sua grande adaptabilidade a um contexto econômico e social que variou muito ao longo dos anos, adotando métodos produtivos em permanente atualização e variando constantemente a linha de produtos conforme as necessidades mutáveis dos mercados. A força de sua empresa desempenhou papel central na industrialização da região serrana do estado, estimulando mercados e parcerias e mobilizando grande força de trabalho, e foi um impulso decisivo para a formação na cidade do polo metalomecânico, que hoje é um dos maiores do Brasil. Segundo Loraine Giron, em seu auge a Metalúrgica Eberle foi a maior empresa em seu gênero na América Latina, tornando Abramo um símbolo vivo do sucesso dos imigrantes e um "reforço para o mito de que o trabalho enriquece". Nas palavras de Tessari, "O crescimento da empresa de Abramo Eberle é enorme ao completar cinquenta anos de existência. O papel de Abramo Eberle foi fundamental para esse sucesso conquistado: fruto do seu empreendedorismo e da relação paternal que manteve com seus empregados. Além disso, é importante observar a construção de um mito que serviu de reforço à autoridade dos empresários locais: o da riqueza material e moral conquistadas através do trabalho árduo, mas dignificante do homem. No frontão do moinho do imigrante Aristides Germani (estabelecido em Caxias no final do século XIX), por exemplo, um alto-relevo anunciava: LABOR OMNIA VINCIT (o trabalho tudo vence). Na fachada do novo prédio da Metalúrgica de Abramo Eberle, construído na primeira metade da década de 1940, era possível ler algo semelhante: TRABALHO HONRADO E CONSTANTE TUDO VENCE. Já na linguagem popular, transmitida oralmente entre as gerações de imigrantes, os provérbios no dialeto talian, trazido da Itália e desenvolvido no Brasil, também evidenciam o lugar do trabalho para aquela sociedade, identificando os seus resultados, não raro, ao miraculoso: El sudore no lé mia santo, ma ndove el casca el fá mirácoli (o suor não é santo, mas onde ele cai faz milagres)".
Luís da Câmara Cascudo lembrou-o de maneira poética em 1948:
"Li esse lindo Milagre da Montanha, de Álvaro Franco e Sinhorinha Maia Ramos de Franco. O milagre é a cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Campo dos Bugres que acabou erguendo para o céu uma floresta de chaminés fumegantes, atestando o labor ininterrupto dos homens. E outro milagre é o esforço de um italianozinho, Abramo Eberle, com 16 anos, comprando por seiscentos mil réis, em 1896, ao Pai, uma funilaria humilde. Seu primeiro trabalho foi uma lâmpada de flandres, lamparina cuja luz indecisa aluminou o primeiro serão, teimoso, na noite fria. Cinquenta anos depois essa lamparina é um símbolo, força inicial de quinze mil tipos de objetos criados pela mão magnífica que a fizera, pequenina e fiel. A Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. fornece quase tudo a quase todos os brasileiros. [...] Estátua, festa, nome da rua, placa de bronze, dinheiro, batismo de arranha-céu, discurso, banquete, baile, tudo passa ou tudo fica sem expressão na memória coletiva. O livro fica. Acima de tudo, o livro fica contando a história daquele que trabalhou, amou, sofreu. A indústria de Abramo Eberle continuará nas mãos fiéis dos filhos. A lamparina não se apagará. O livro, verídico, contará aos futuros a vida bonita do forjador que venceu a Morte."
Em Caxias do Sul seu nome batiza uma escola e uma praça, na qual foi erguido um monumento em sua memória. Também batizou uma travessa em Porto Alegre, ruas em Concórdia e Gravataí, a cátedra de Economia Política na PUCRS em Porto Alegre, e um Ginásio Industrial em Osório. Em pesquisa de opinião desenvolvida em 1999 junto a 100 líderes comunitários de diferentes áreas por acadêmicos do Curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, foi eleito uma das 30 Personalidades de Caxias do Sul — Destaques do Século XX. Os prédios históricos da sua metalúrgica e o palacete onde morava são patrimônio tombado. Sua mãe, lembrada como um símbolo do empreendedorismo feminino, também foi homenageada, com a instituição do Troféu Gigia Bandera pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, distinção que reconhece o mérito metalúrgico.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Crédito fotográfico: Sinpro Caxias. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Metalúrgica Abramo Eberle S/A (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1896), mais conhecida como Eberle ou Maesa, é uma fabricante de metais brasileira. Fundada por Abramo Eberle, a marca começou como uma pequena ferraria e, rapidamente, se destacou pela qualidade de suas ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas e cutelaria, ampliando seu portfólio ao longo das décadas. Com o passar dos anos, a marca expandiu suas operações para novos segmentos, incluindo moda e automotivo, tornando-se uma referência na produção de botões, fivelas e peças metálicas para o setor automotivo e industrial. Essa diversificação garantiu seu sucesso e consolidou seu nome como sinônimo de tradição, qualidade e inovação. Consolidada no mercado, a Eberle conta com mais de 120 anos de história, exportando seus produtos para diversos mercados internacionais, passou por várias fases de modernização e reestruturação, sempre mantendo o compromisso com a inovação e a sustentabilidade. Foi adquirida pelo Grupo Mundial em 2000, o que fortaleceu sua posição no mercado, continuando a produzir produtos de alto valor e durabilidade, tornando-a uma das marcas mais relevantes da indústria brasileira.
Metalúrgica Abramo Eberle | Arremate Arte
A marca Eberle é uma empresa tradicional brasileira, com uma longa história ligada principalmente ao setor de metais. Fundada em 1896 por Abramo Eberle, na cidade de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, a empresa começou suas atividades como uma pequena ferraria. No início, a produção era voltada para ferramentas agrícolas e itens de uso doméstico, como facas e cutelaria.
Com o passar do tempo, a Eberle expandiu seu portfólio, passando a produzir uma ampla variedade de produtos, incluindo itens de moda, como botões e fivelas, além de peças automotivas e outros artigos industriais. Esse crescimento foi impulsionado pela capacidade de inovação e pela adaptação às necessidades do mercado, o que consolidou a marca como uma das mais importantes do setor metalúrgico no Brasil.
Abramo Eberle começou fabricando ferramentas manuais e utensílios de cozinha. A alta qualidade dos produtos fez com que a marca rapidamente ganhasse destaque na região.
Expansão para moda: A partir do início do século XX, a Eberle diversificou sua produção, entrando no mercado de botões e outros acessórios de moda, como fivelas e adornos de metal. Esses produtos se tornaram muito populares, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.
Além da moda, a Eberle passou a produzir peças para o setor automotivo e para a indústria em geral. Esse foi um passo importante na consolidação da marca em um segmento mais técnico e especializado.
Ao longo de sua história, a Eberle também exportou seus produtos para outros países, especialmente na América Latina e na Europa.
Linha do Tempo da Eberle
1896 – Fundação
Abramo Eberle, um imigrante italiano, funda a empresa Abramo Eberle & Companhia na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.
A empresa começa como uma pequena ferraria, produzindo ferramentas manuais e utensílios domésticos, como facas, serrotes e outros objetos de metal.
Início do Século XX – Expansão
A Eberle cresce rapidamente devido à qualidade de seus produtos, ampliando sua linha de produção para atender a demanda crescente por ferramentas agrícolas e utensílios de uso cotidiano.
A marca começa a se tornar referência em cutelaria e em produtos para a agricultura.
Década de 1930 – Diversificação
A Eberle diversifica suas operações, entrando no mercado de botões e acessórios de moda feitos de metal, como fivelas e adornos para roupas.
A produção de acessórios de moda é impulsionada pelo uso crescente de materiais metálicos na indústria têxtil e de vestuário.
1940 – Modernização e Crescimento
A Eberle investe em modernização da fábrica e na expansão de sua linha de produtos, buscando inovações no processo de fabricação.
Durante esse período, a empresa solidifica sua posição como um dos maiores fabricantes de cutelaria e utensílios de metal no Brasil.
Décadas de 1950 e 1960 – Expansão para o Setor de Moda
O sucesso dos produtos voltados para a moda, como botões, fivelas e outros adornos, coloca a Eberle como uma das principais fornecedoras para o setor têxtil.
A marca se destaca pela qualidade e inovação no design desses acessórios, tornando-se líder no mercado de produtos para vestuário.
Década de 1970 – Setor Automotivo
A empresa expande sua atuação, entrando no setor automotivo, produzindo componentes e peças metálicas para montadoras de automóveis e veículos.
Com essa diversificação, a Eberle se torna uma das principais fornecedoras da indústria automotiva no Brasil.
Década de 1980 – Internacionalização
A Eberle começa a exportar seus produtos para países da América Latina e Europa, alcançando novos mercados e aumentando sua presença internacional.
Durante esse período, a empresa fortalece sua atuação em setores industriais diversos, além de manter sua liderança no segmento de cutelaria e acessórios de moda.
1990 – Reestruturação
A Eberle passa por uma reestruturação organizacional, buscando adaptar-se a um mercado mais competitivo e tecnológico.
A marca investe em inovação e tecnologia, modernizando suas linhas de produção e diversificando ainda mais seus produtos industriais e automotivos.
2000 – Aquisição pelo Grupo Mundial
Em 2000, a Eberle é adquirida pelo Grupo Mundial, uma das maiores corporações do Rio Grande do Sul, que também controla outras indústrias do setor metalúrgico.
Com essa aquisição, a empresa passa a ter maior capacidade de investimento e acesso a novos mercados, consolidando ainda mais sua posição no mercado.
2010 – Foco em Inovação e Sustentabilidade
A empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade, adotando práticas que reduzem o impacto ambiental de suas operações, como o uso de materiais recicláveis e a implementação de processos mais eficientes.
A Eberle continua a se destacar pela alta qualidade de seus produtos e pelo compromisso com a inovação, mantendo-se relevante em setores como moda, cutelaria, industrial e automotivo.
Atualidade – Tradição e Inovação
Hoje, a Eberle é uma empresa com mais de 120 anos de história, consolidada como uma referência no setor metalúrgico, tanto no Brasil quanto no exterior.
A marca mantém sua tradição na produção de cutelaria, utensílios domésticos, acessórios de moda e peças para o setor automotivo e industrial, sendo reconhecida pela durabilidade, qualidade e inovação de seus produtos.
Principais Produtos e Segmentos
Cutelaria: Facas, serrotes e utensílios de cozinha.
Moda: Botões, fivelas, e adornos metálicos para roupas e acessórios.
Setor Automotivo: Componentes e peças metálicas para veículos.
Indústria: Peças e produtos industriais para diversas aplicações.
Atualmente, a marca Eberle é sinônimo de qualidade e tradição, com uma trajetória de mais de 120 anos no mercado. A empresa passou por várias reestruturações e adaptações ao longo de sua existência, mas continua sendo uma referência no setor metalúrgico, especialmente no Rio Grande do Sul, onde mantém um forte vínculo com a indústria local.
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Metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
A Metalúrgica Abramo Eberle S/A (MAESA, ou simplesmente Eberle) foi a maior e mais importante indústria metalúrgica da cidade de Caxias do Sul na primeira metade do século XX.
A empresa iniciou quando Abramo Eberle, com 17 anos de idade, comprou de seu pai em 2 de abril de 1896 uma pequena oficina de funilaria, à qual deu o nome de Eberle S.A, tendo seus próprios vizinhos como seus primeiros funcionários. A primeira peça que produziu foi uma lamparina de querosene. Em 1918, a Ourivesaria e Funilaria Central Abramo Eberle & Cia. começou a produzir talheres, cutelaria e objetos de mesa. Entre 1923 e 1928 foi instalada uma forja que permitiu a produção de armas para o Exército como espadas e facas, ao mesmo tempo em que se inaugurava uma seção de produção de rebites e botões de pressão, e outra para fabricação de artigos sacros.
Dificultadas as importações durante a Segunda Guerra Mundial, a Eberle aproveitou uma faixa de mercado disponível e passou a fabricar motores elétricos, além de ampliar suas instalações construindo um grande conjunto de edifícios no centro da cidade. No fim da guerra seu campo se ampliou para as máquinas domésticas, tesouras e artigos de montaria. Em 1966 se tornou uma empresa de capital aberto, iniciando a construção do Parque Industrial de São Ciro, com uma área de 427 mil m². Com a expansão do mercado de têxteis na década seguinte investiu na área de componentes de fixação como botões, ilhoses, rebites e fivelas, ampliada em 1982 graças à grande procura por seus produtos.
O rápido crescimento inicial da Eberle se inseriu no processo de urbanização da cidade e do progresivo êxodo rural, fatores que produziam mão-de-obra barata. A empresa mantinha uma eficiente política para manutenção de bons funcionários, oferecendo prêmios por tempo de serviço, pagamento em dia, assistência médica, férias remuneradas e criando um fundo participativo onde o empregado podia aplicar suas economias ou fazer empréstimos pagos a longo prazo.
Com a crescente penetração do capital internacional no Brasil a partir dos anos 1960 a tradicional Metalúrgica foi fragmentando sua estrutura e capital, até ser comprada em 1985 pela Zivi-Hércules, surgindo então o Grupo Zivi-Hércules-Eberle. Este Grupo entre 1994 e 2003 passou por nova reorganização, transformando-se na empresa Mundial S.A., que permanece em atividade e mantém várias linhas de produtos com o nome Eberle em evidência.
Seus prédios centrais, desativados na década de 1990, são hoje patrimônio histórico tombado de Caxias do Sul, e recentemente foram recuperados para abrigarem a Faculdade dos Imigrantes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Prédios da metalúrgica Abramo Eberle | Wikipédia
Os prédios da antiga Metalúrgica Abramo Eberle constituem um grupo de edificações históricas de Caxias do Sul, RS, ocupando quase todo um quarteirão entre as ruas Sinimbu, Borges de Medeiros, Marquês do Herval e Os Dezoito do Forte, erguidos entre as décadas de 1930 e 1950. Dentre eles destaca-se o prédio da administração e loja da antiga empresa, sito à rua Sinimbu 1670, no centro da cidade. O conjunto é tombado pela municipalidade desde 6 de janeiro de 2006. Em 2015 um outro conjunto foi tombado, a Fábrica 2.
Projetado por Silvio Toigo, foi erguido na década de 1940, em um estilo modernista despojado, com influência déco, o prédio de 10 mil m² se distribui em seis pavimentos, com fachada simétrica dividida em cinco blocos. É um importante exemplar da arquitetura industrial na cidade. No térreo existe uma série de grandes vitrines e várias portas, e os pavimentos superiores apresentam séries regulares de janelas simples e duplas, e triplas no bloco central. No último pavimento há uma sacada à esquerda, e coroa o prédio um campanário com um grande relógio, cujo badalar a cada meia hora é ouvido em grande parte do centro da cidade. Também no terraço foi instalada uma réplica da primeira funilaria de Abramo Eberle, fundador da empresa.
O prédio foi construído para abrigar parte da Metalúrgica Abramo Eberle S.A., uma das mais importantes empresas caxienses, responsável por grande parte do impulso de desenvolvimento industrial da cidade no século XX. A Metalúrgica, fundada em 2 de abril de 1896 como uma modesta funilaria, com o tempo passou a produzir uma variada série de itens, desde talheres, cutelaria e espadas até rebites e botões metálicos, incluindo também peças para cultos religiosos, e em seu auge empregava milhares de funcionários. No período da II Guerra Mundial foi pioneira na produção de motores elétricos para atender à crescente demanda interna.
A Metalúrgica funcionou no local até a década de 1990, tendo sido comprada neste intervalo pelo Grupo Zivi, que continuou as atividades da empresa até o prédio ser desativado. Atualmente o edifício cede alguns espaços para a Faculdade Ideau. Um controverso projeto de revitalização foi aprovado em 2014, prevendo a demolição de partes da estrutura interna, a construção de prédios modernos no espaço e a transformação do complexo em centro comercial.
Também foi tombado um outro prédio da Metalúrgica, a chamada Fábrica 2, inaugurada em 1948 com projeto de Silvio Toigo e Romano Lunardi, com 53 mil metros quadrados, ocupando toda uma quadra entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Barea, Pedro Tomasi e Treze de Maio. Um projeto prevê sua adaptação para uso público.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
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Abramo Eberle | Wikipédia
Abramo Eberle (Monte Magrè, 2 de abril de 1880 — Caxias do Sul, 13 de janeiro de 1945) foi um empresário ítalo-brasileiro, um dos pioneiros da industrialização do estado do Rio Grande do Sul.
Biografia
Giuseppe (José) Eberle e Luigia Zanrosso chegaram ao Brasil em 1884, numa das primeiras levas de imigrantes italianos, e se instalaram na colônia italiana de Caxias do Sul. Vieram com eles seus quatro filhos, entre os quais Abramo, de quatro anos, o segundo da prole. No Brasil, nasceriam mais seis filhos do casal.
José Eberle havia se preparado para a imigração. Antes de viajar comprara alguns alambiques e caldeiras, prevendo que na colônia tais equipamentos seriam uma raridade valiosa, bem como um sortimento de chapéus e mudas de árvores frutíferas, além de trazer um capital oriundo da venda de sua granja em Magré. Na chegada adquiriu um lote rural e um ano depois uma pequena funilaria de Francisco Rossi, sita à rua Sinimbu, onde instalou também um comércio. No seu lote rural plantou um pomar e fabricava grappa, enquanto a esposa, conhecida como Gigia Bandera, administrava os negócios na cidade. Nos fins de semana José trabalhava na cidade como barbeiro, ofício que já desempenhara na Itália. Em torno de 1892 a família já possuía também duas outras áreas de terra, trabalhadas por agricultores contratados. O jovem Abramo, embora nesta época tivesse apenas cerca de 12 anos, supervisionava uma das propriedades e ajudava nos outros investimentos da família. Devido ao grande volume de trabalho, Abramo teve uma educação inicial pobre.
Em 1894 começou a dedicar-se principalmente à funilaria. Quando o pai resolveu vendê-la para concentrar todo o esforço da família na agricultura, Abramo se propôs a comprá-la. Tinha apenas dezesseis anos. No início de 1896 a venda foi firmada e Abramo Eberle se tornou proprietário. Fabricava lamparinas a querosene, um artigo de grande procura numa época em que não havia energia elétrica, além de baldes, canecas e outros itens de consumo geral. Seguindo o exemplo do pai, diversificou seus negócios melhorando a funilaria com equipamentos mais eficientes e a casa comercial com uma boa seção de ferragens, abrindo também uma vidraçaria e oferecendo serviços de consertos em geral, além de fazer a venda da produção agrícola das terras familiares tanto em Caxias como em Porto Alegre, para onde viajou várias vezes. Em 1901 seus negócios prosperavam e passava a investir no mercado paulista, onde vendeu vinho, grappa, salame, presunto e queijo.
No mesmo ano casou-se com Elisa Venzon, membro de uma família bem colocada na sociedade e proprietária de um moinho e uma serraria, que lhe daria os filhos José Abramo (Beppin, 16/12/1901), Angelina (01/04/1904), Rosália (31/01/1906), Julio João (21/11/1907), Adélia (30/06/1910), que foi a primeira rainha da Festa da Uva, Zaíra e Lília (abril/1919). A esposa logo se revelaria uma hábil administradora dos negócios, permitindo que Abramo viajasse com frequência em busca de novos mercados, fornecedores e parceiros comerciais e se estabelecesse solidamente como um importante exportador. Pedro Eberle, seu irmão, também foi um valioso auxiliar e depois sócio.
Em 1904 uniu-se a Érico Raabe, Pedro Mocelin e Luiz Gasparetto numa sociedade fundindo a funilaria de Abramo e uma ourivesaria mantida por Gasparetto, que deu origem à Ourivesaria e Funilaria Central de Abramo Eberle e Cia., estabelecida com um capital inicial de 24,2 contos de réis, e contando com sessenta operários. Em 1906 ingressou na Associação dos Comerciantes, que agregava a elite do empresariado local e exercia decisiva influência na economia e na política de toda a região. Em 1912 associou-se a Reinaldo Kochenborger, ampliando a produção de joias. Em 1917 a empresa foi reestruturada com o vultoso capital social de oitocentos contos de réis, com novos equipamentos e instalações, passando a se denominar Abramo Eberle & Cia., tendo como sócios Luiz Gasparetto, Eduardo Mosele e Pedro Eberle. No ano seguinte iniciou a fabricação de talheres, objetos de cutelaria e utensílios de mesa. Nesta época iniciava a transição de um modelo produtivo marcadamente artesanal para o da indústria moderna e automatizada.
Em 1920 foi criada a Eberle, Mosele & Cia., com os sócios Leonel Mosele e Fiorelo Arpini, ampliando a loja de ferragens, louças e vidros, e no mesmo ano Abramo viajou aos Estados Unidos a fim de conhecer novas tecnologias e fontes de fornecimento de matéria-prima para a metalurgia, mas também para tratar da saúde de Elisa, que sofria de um mal cardíaco. Lá Abramo também adoeceu. Depois de quatro meses seguiram para a Itália. Como ambos continuavam doentes, passaram uma temporada na estação de águas de Salso Maggiore, em seguida visitaram Roma, entrevistando-se com o Papa, e depois rumaram para Monte Magré para rever parentes. De lá partiram em viagens de negócios por várias cidades da Itália e também Paris, visitando metalúrgicas e fundições, retornando ao Brasil depois de dois anos.
Entre 1923 e 1928 foi instalada a primeira forjaria, com a fabricação de peças forjadas, lâminas para facas, espadas e espadins para as forças armadas, e foi inaugurada a fábrica de botões de pressão e rebites. O capital da empresa já era de mil contos de réis e já tinha ou uma filial ou um representante em todos os estados brasileiros e em alguns outros países. Em 1925 iniciou-se a fabricação de artigos sacros. Além de ter-se tornado um dos maiores empresários do estado, Abramo se envolveu na política, assumindo o cargo de vice-intendente por vários períodos nas gestões de Vicente Rovea, José Penna de Moraes e Celeste Gobbato, participando de comissões municipais para tratar de variados assuntos e sendo membro do Diretório do Partido Republicano Liberal. Recebeu a patente de coronel da Guarda Nacional e alinhou-se à ideologia fascista, que nos anos 1920-1930 teve grande penetração na região colonial e desempenhou um importante papel da formação da identidade coletiva dos italianos, baseada em conceitos de progresso, disciplina, trabalho e hierarquia.
Desde o início, conforme o hábito da época, Abramo estabeleceu um estilo paternalista de gerenciar sua empresa, criando nela um microcosmo e uma comunidade com uma cultura particular que, em virtude das dimensões da empresa e do corpo de funcionários, exerceria uma forte influência na vida de toda a cidade. Mantinha uma cooperativa de consumo própria, um departamento de assistência médica e social, um departamento esportivo com equipes de esgrima, basquete, bolão e outras modalidades, um time de futebol de relevante atuação regional, o Grêmio Atlético Eberle, além de organizar atividades recreativas, sociais, culturais e educativas regulares para os empregados e seus familiares. Por muitos anos Abramo iniciou o expediente tocando pessoalmente uma sineta na frente da empresa, convocando não apenas os funcionários ao trabalho, mas marcando a rotina de toda a região central de Caxias, tornando-se folclórica a expressão "Abramo já tocou" para significar prontidão e comando, e que faz parte do título da biografia escrita por Álvaro Franco, Abramo já Tocou... ou A Epopeia de um Imigrante. Embora a disciplina fosse rígida e o trabalho, pesado, fazia, como disse Anthony Tessari, com que "os operários se sentissem como parte de uma família, vendo o patrão como um amigo muito próximo ou até mesmo como um pai. [...] Em todo o período em que Abramo esteve à frente da fábrica (1896-1945) os operários nunca promoveram greves ou mesmo organizaram sindicatos". Valentin Lazzarotto disse que a força da tradição impediu a formação de uma consciência de classe entre o operariado, grevistas podiam ser punidos ou demitidos e ideologias de esquerda não podiam proliferar no ambiente da fábrica, uma realidade que não era, contudo, exclusiva da Eberle.
No ano de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, que dificultava as importações da Europa, a Eberle, num empreendimento pioneiro, começou a fabricar motores elétricos para atender às necessidades do país, conquistando um importante mercado e dando um salto expressivo no seu faturamento, que dobrou em relação ao período pré-guerra. Ao mesmo tempo, a metalúrgica foi requisitada pelo Governo Federal para "servir à Pátria" no esforço de guerra, produzindo espadas, espadins e sabres para a Força Expedicionária Brasileira.
Nesta altura Abramo já era figura ilustre e influente, havia sido nobilitado em 1936 pelo rei da Itália com o título de cavaleiro da Coroa, sua empresa se destacava no Brasil, era vista como um modelo e recebia frequentes visitas de personalidades de projeção estadual e nacional, e mesmo de estrangeiros como os embaixadores dos Estados Unidos e do Canadá, sendo invariavelmente elogiado com entusiasmo. O adido militar da Embaixada Britânica no Brasil, coronel William Frederick Rohdes, deixou registrado: "O Inglês é, habitualmente, homem de poucas palavras. Mas, tendo visitado as usinas da Metalúrgica Abramo Eberle estou disposto a escrever um livro inteiro a respeito da força fantástica que a fábrica está fazendo para o Brasil". Entre os inúmeros produtos fabricados pela metalúrgica, podem ser destacados a grande custódia e ostensório todo em prata coberto de ouro e joias, pesando 70 kg, usado no III Congresso Eucarístico Nacional em Minas Gerais, e as estátuas do Monumento Nacional ao Imigrante, fundidas em bronze a partir do modelo do escultor Antônio Caringi.
Abramo voltaria para os Estados Unidos e a Europa muitas vezes, sempre estudando os modernos processos de produção, que depois implantava nos seus negócios. Esteve à frente de sua indústria por quase 50 anos, até sua morte aos 65 anos de idade em 13 de janeiro de 1945. Sua morte causou uma comoção na cidade e seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão. Seus filhos deram continuidade aos negócios do pai até 1984, quando a Eberle foi adquirida pelo Grupo Zivi-Hércules. Em 2003 os grupos foram fundidos, surgindo a Mundial S.A. No alto do edifício-sede da empresa, no centro de Caxias do Sul, uma casinha de madeira, réplica da primeira funilaria de Abramo, mostra o quanto cresceu o sonho do imigrante.
Abramo foi favorecido por florescer em um período de crescimento acelerado em Caxias do Sul, mas enquanto muitos outros empresários da cidade faziam carreiras meteóricas que os levavam muito alto mas faliam em questão de uma ou duas décadas, boa parte do seu sucesso continuado se deve à sua grande adaptabilidade a um contexto econômico e social que variou muito ao longo dos anos, adotando métodos produtivos em permanente atualização e variando constantemente a linha de produtos conforme as necessidades mutáveis dos mercados. A força de sua empresa desempenhou papel central na industrialização da região serrana do estado, estimulando mercados e parcerias e mobilizando grande força de trabalho, e foi um impulso decisivo para a formação na cidade do polo metalomecânico, que hoje é um dos maiores do Brasil. Segundo Loraine Giron, em seu auge a Metalúrgica Eberle foi a maior empresa em seu gênero na América Latina, tornando Abramo um símbolo vivo do sucesso dos imigrantes e um "reforço para o mito de que o trabalho enriquece". Nas palavras de Tessari, "O crescimento da empresa de Abramo Eberle é enorme ao completar cinquenta anos de existência. O papel de Abramo Eberle foi fundamental para esse sucesso conquistado: fruto do seu empreendedorismo e da relação paternal que manteve com seus empregados. Além disso, é importante observar a construção de um mito que serviu de reforço à autoridade dos empresários locais: o da riqueza material e moral conquistadas através do trabalho árduo, mas dignificante do homem. No frontão do moinho do imigrante Aristides Germani (estabelecido em Caxias no final do século XIX), por exemplo, um alto-relevo anunciava: LABOR OMNIA VINCIT (o trabalho tudo vence). Na fachada do novo prédio da Metalúrgica de Abramo Eberle, construído na primeira metade da década de 1940, era possível ler algo semelhante: TRABALHO HONRADO E CONSTANTE TUDO VENCE. Já na linguagem popular, transmitida oralmente entre as gerações de imigrantes, os provérbios no dialeto talian, trazido da Itália e desenvolvido no Brasil, também evidenciam o lugar do trabalho para aquela sociedade, identificando os seus resultados, não raro, ao miraculoso: El sudore no lé mia santo, ma ndove el casca el fá mirácoli (o suor não é santo, mas onde ele cai faz milagres)".
Luís da Câmara Cascudo lembrou-o de maneira poética em 1948:
"Li esse lindo Milagre da Montanha, de Álvaro Franco e Sinhorinha Maia Ramos de Franco. O milagre é a cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Campo dos Bugres que acabou erguendo para o céu uma floresta de chaminés fumegantes, atestando o labor ininterrupto dos homens. E outro milagre é o esforço de um italianozinho, Abramo Eberle, com 16 anos, comprando por seiscentos mil réis, em 1896, ao Pai, uma funilaria humilde. Seu primeiro trabalho foi uma lâmpada de flandres, lamparina cuja luz indecisa aluminou o primeiro serão, teimoso, na noite fria. Cinquenta anos depois essa lamparina é um símbolo, força inicial de quinze mil tipos de objetos criados pela mão magnífica que a fizera, pequenina e fiel. A Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. fornece quase tudo a quase todos os brasileiros. [...] Estátua, festa, nome da rua, placa de bronze, dinheiro, batismo de arranha-céu, discurso, banquete, baile, tudo passa ou tudo fica sem expressão na memória coletiva. O livro fica. Acima de tudo, o livro fica contando a história daquele que trabalhou, amou, sofreu. A indústria de Abramo Eberle continuará nas mãos fiéis dos filhos. A lamparina não se apagará. O livro, verídico, contará aos futuros a vida bonita do forjador que venceu a Morte."
Em Caxias do Sul seu nome batiza uma escola e uma praça, na qual foi erguido um monumento em sua memória. Também batizou uma travessa em Porto Alegre, ruas em Concórdia e Gravataí, a cátedra de Economia Política na PUCRS em Porto Alegre, e um Ginásio Industrial em Osório. Em pesquisa de opinião desenvolvida em 1999 junto a 100 líderes comunitários de diferentes áreas por acadêmicos do Curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, foi eleito uma das 30 Personalidades de Caxias do Sul — Destaques do Século XX. Os prédios históricos da sua metalúrgica e o palacete onde morava são patrimônio tombado. Sua mãe, lembrada como um símbolo do empreendedorismo feminino, também foi homenageada, com a instituição do Troféu Gigia Bandera pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, distinção que reconhece o mérito metalúrgico.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.
Crédito fotográfico: Sinpro Caxias. Consultado pela última vez em 18 de outubro de 2024.