Humberto Espíndola (4 de abril de 1943, Campo Grande, MS), é um artista visual brasileiro. Autodidata, formou-se em Direito, mas desde os anos 1960 dedica-se às artes visuais, tendo iniciado sua carreira em 1967 com sua primeira exposição individual. Sua produção, marcada por crítica social e inovação estética, inclui pinturas, objetos, instalações e performances, notadamente os trajes-esculturas conhecidos como “Bovinos”, com os quais participou de ações performáticas e exposições. Teve sua obra influenciada por movimentos como a nova figuração e a arte conceitual, mas construiu uma linguagem própria, enraizada nas questões ambientais, econômicas e culturais do Pantanal. Participou de importantes eventos nacionais e internacionais, como a Bienal Internacional de São Paulo (1969, 1971), a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984, 1989) e a Bienal Internacional de Cuenca (1989), além de ter integrado exposições como Tradição e Ruptura (1984, MAM-SP) e Bienal Brasil Século XX (1994). Recebeu diversas premiações e teve papel importante como gestor cultural e incentivador da arte na região Centro-Oeste. Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o MAM-SP, MAC-USP, MARCO e Museu de Arte de Brasília. Humberto Espíndola é uma das figuras centrais da arte brasileira fora dos grandes centros e referência incontornável da arte moderna popular do país.
Humberto Espíndola | Arremate Arte
Humberto Espíndola é um dos nomes mais emblemáticos das artes visuais do Centro-Oeste brasileiro. Nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 1943, Espíndola construiu uma carreira marcada pela reflexão crítica e estética sobre a identidade regional, com foco na representação do universo rural, particularmente o universo do gado bovino, símbolo recorrente em sua obra. Desde o final dos anos 1960, desenvolveu uma linguagem visual própria, comprometida tanto com questões sociais quanto com um repertório poético que equilibra tradição e modernidade.
Formado em Direito pela Universidade Católica do Paraná, Humberto começou a se destacar no cenário artístico a partir da segunda metade da década de 1960. Seu envolvimento com as artes plásticas coincidiu com o surgimento de movimentos renovadores na arte brasileira, como a nova figuração e a arte conceitual, que influenciaram sua poética visual. Ao mesmo tempo, ele permaneceu enraizado nas questões regionais e culturais de sua terra natal, transformando o Pantanal, a pecuária e o imaginário do boi em signos artísticos recorrentes, ressignificados em suas telas, esculturas, instalações e vestimentas performáticas.
O marco inicial de sua carreira foi em 1967, quando participou da 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses. No mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual. A partir daí, sua produção ganhou destaque nacional e internacional, com participações em salões de arte e bienais importantes, como a Bienal Internacional de São Paulo, a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984 e 1989) e a Bienal de Cuenca, no Equador (1989). Sua obra também integrou exposições coletivas como “Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras”, promovida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, e a “Bienal Brasil Século XX”, da Fundação Bienal.
Espíndola inovou ao criar uma estética crítica sobre o sistema econômico e cultural do campo, especialmente sobre a bovinocultura. Criou os chamados “Bovinos”, seres híbridos entre animal e vestimenta, figuras cênicas que transitam entre o objeto artístico e a performance. Esses trajes-esculturas foram usados por ele em ações públicas e exposições, e se tornaram símbolo de sua obra e de seu pensamento político e artístico. Em “A farra do boi”, um dos momentos mais representativos de sua trajetória, Humberto aborda com ironia e sarcasmo a lógica do consumo e da exploração animal como metáforas das relações sociais e de poder.
Ao longo de sua carreira, Humberto Espíndola se destacou também como gestor cultural e ativista das políticas públicas para a arte. Exerceu cargos de direção em instituições culturais no Mato Grosso do Sul e foi curador de importantes mostras. Sua atuação ajudou a consolidar o circuito artístico da região Centro-Oeste, incentivando novos artistas e fortalecendo os vínculos entre arte, identidade local e memória.
Em mais de cinco décadas de atuação, Espíndola realizou dezenas de exposições individuais e participou de centenas de mostras coletivas. Sua obra está presente em acervos de instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Museu de Arte de Brasília (MAB), o Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul (MARCO), entre outros.
Humberto Espíndola | Itaú Cultural
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1943). Pintor, desenhista. Destaca-se pela produção artística que parte do tema do boi, símbolo da riqueza da sua região.
Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. A série Bovinocultura, iniciada em 1968, realiza um retrato sarcástico da sociedade do boi, que é principalmente moeda e símbolo de poder.
Em seus primeiros trabalhos, apresenta o animal envolto em penumbra, provocando estranheza. A efígie do boi, em suas telas, é colocada em um primeiro plano, ou isolada em um oval central, ganhando a dimensão de nobreza de um retrato. Em Glória ao boi nas alturas (1967), utiliza uma deliberada frontalidade do animal, em torno do qual se acumulam máscaras, imprimindo ao quadro um ritmo dinâmico.
Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio de melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à cabeça de boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1995.
Alguns quadros do artista possuem um sentido simbólico, com a utilização das cores da bandeira brasileira. Em outros, emprega crachás e medalhas, que remetem a exposições agropecuárias. Como nota o crítico Frederico Moraes (1936), Espíndola humaniza o boi, para denunciar a vontade de poder do ser humano, como ocorre em O tirano (1984). Já na série Arqueologia do boi – Boi branco (1993), destacam-se o uso de tonalidades rebaixadas e o caráter mágico. O artista realiza posteriormente gravuras geradas e coloridas em computador, nas quais obtém grande potência no colorido, como em Vaca escada (2001).
Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.
Representante da região onde nasceu, Humberto Espíndola acaba por ser um dos principais artistas visuais da sua geração e ajuda a divulgar a cultura do Mato Grosso do Sul muitas vezes a partir de uma postura crítica. Com obras expostas no Brasil e no exterior, o artista contribui para a descentralização da produção artística brasileira contemporânea, concentrada majoritariamente no sudeste.
Exposições Individuais
1967 – Individual de Humberto Espíndola
1969 – Individual de Humberto Espíndola
1971 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1978 – Individual de Humberto Espíndola
1979 – Humberto Espíndola: pinturas
1980 – Individual de Humberto Espíndola
1982 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Humberto Espíndola: pinturas recentes
1984 – Individual de Humberto Espíndola
1986 – Individual de Humberto Espíndola
1987 – Humberto Espíndola: 20 anos de bovinocultura
1987 – Individual de Humberto Espíndola
1990 – Individual de Humberto Espíndola
1998 – Humberto Espíndola: pinturas
2000 – Humberto Espíndola: bovinocultura 1967-1999
2000 – Humberto Espíndola: panorama retrospectivo 1967-1999
Exposições Coletivas
1966 – 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses
1967 – 24º Salão Paranaense de Belas Artes
1967 – 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal
1968 – 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 – 23º Salão de Belas Artes da Cidade de Belo Horizonte
1968 – 2º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1968 – 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo
1968 – 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1968 – 2º Salão Esso de Artistas Jovens
1968 – 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 – 4º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1968 – 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1969 – Pintores do Brasil
1969 – 2ª Exposição Nacional de Arte
1969 – 18º Salão Nacional de Arte Moderna
1969 – 10ª Bienal Internacional de São Paulo
1969 – 3ª Jovem Arte Contemporânea
1969 – 1º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1969 – 26º Salão Paranaense
1970 – 1º Panorama de Artes Plásticas em Campo Grande
1970 – 4º Salão da Cultura Francesa
1970 – 2º Panorama de Arte Atual Brasileira
1970 – 4 Grupos de Aquisições Recentes e Doações da ISPA
1970 – 19º Salão Nacional de Arte Moderna
1970 – 8º Resumo de Arte JB
1970 – 25 Pinturas do Acervo do MAM-SP
1970 – Pré-Bienal de São Paulo
1970 – 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1971 – 5 Artistas de Mato Grosso
1971 – 20º Salão Nacional de Arte Moderna
1971 – 11ª Bienal Internacional de São Paulo
1971 – Exposição de Múltiplos
1972 – 3ª Bienal de Arte Coltejer
1972 – 36ª Bienal de Veneza
1972 – Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e Brasil Plástica - 72
1972 – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
1973 – Múltiplos
1974 – Mostra Inaugural do Museu de Arte e de Cultura Popular
1974 – Café, Poluição, Bois e Bandidos
1975 – 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixego
1975 – Panorama das Artes Plásticas de Mato Grosso
1975 – 24º Salão Nacional de Arte Moderna
1975 – Arte no Brasil: documento/debate
1976 – 25º Salão Nacional de Arte Moderna
1976 – Arte Agora I
1976 – 10º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1976 – Arte Brasileira: figuras e movimentos
1976 – Arte Brasileira no Século XX: caminhos e tendências
1977 – 2ª Arte Agora: visão da terra
1978 – Artistas Brasileiros
1978 – 1ª Bienal Ibero-Americana de Pintura
1978 – Artistas de Mato Grosso do Sul
1978 – 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo
1979 – 36º Salão Paranaense
1979 – 11º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1980 – Mostra Comemorativa 10 Anos da UFMT
1980 – 1º Salão de Montes Claros
1981 – Brasil-Cuiabá: pintura cabocla
1981 – 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1981 – 1º Salão Regional de Artes de Goiânia
1981 – Pablo, Pablo!: interpretação brasileira de Guernica
1981 – 4º Salão Nacional de Artes Plásticas
1982 – 4 Artistas de Mato Grosso
1982 – 1ª Exposição de Arte Latina
1982 – Rio Cuiabá: ponto de vista do artista
1982 – Entre a Mancha e a Figura
1983 – Brasil Pintura
1983 – 30 Anos de Arte no Brasil
1983 – Mostra Inaugural do Centro de Cultura Referencial de MS
1984 – Pintura Brasileira Atuante
1984 – 27 Paisagens Brasileiras
1984 – 1ª Bienal de Havana
1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas
1986 – Ecologia-Tradição e Atualidade
1987 – O Ofício da Arte: pintura
1988 – Referências Pantaneiras na Pintura
1988 – Arte de Mato Grosso do Sul
1989 – Pinturas de Mato Grosso do Sul
1989 – Cada Cabeça Uma Sentença
1989 – 2ª Bienal Internacional de Cuenca
1989 – 3ª Bienal de Havana
1990 – Arca de Noé
1990 – Pintura Contemporânea de Brasil
1990 – Arte Brasil 90
1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1991 – Panorama dos Aspectos Míticos do Boi
1991 – O Que Faz Você Agora Geração 60?
1991 – 48º Salão Paranaense
1992 – Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas
1992 – 20º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1992 – Eco Art
1993 – 23º Panorama de Arte Atual Brasileira
1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1994 – Bienal Brasil Século XX
1995 – Salão em Preto e Branco
1996 – Expobrasil 96
1996 – Viva Brasil (Santiago, Chile)
1996 – Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP
1997 – 6 Artistas Brasileiros
1997 – Dimensões da arte Contemporânea
1998 – Brasil: Anos 20 a 70
2003 – A Arte Atrás da Arte
2003 – Projeto Brazilianart
2003 – Arte Brasileira no Acervo do MAP
2004 – Panorama da História das Artes Plásticas no MS
2004 – Artistas do Centro-Oeste
2005 – Mostra Brasil Central de Artes Plásticas
2005 – Formas Brasileiras
2006 – Brasiliana MASP
2007 – Binária: acervo e coleções
2007 – Panorama – 30 Anos da Divisão do Estado
2007 – Divisão de Mato Grosso
2007 – Neovanguardas
2009 – A Arte de Colecionar-te
2009 – Olhar da Crítica
2010 – Um Dia Terá Que Ter Terminado: 1969/74
2011 – 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste
2018 – Movimento – mostra do acervo
2018 – Acervo CAUA-UFAM
2019 – Os anos em que vivemos em perigo
2022 – Histórias brasileiras
2025 – Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70
Fonte: HUMBERTO Espíndola. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 05 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Humberto Espíndola | Wikipédia
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganhou vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Fonte: Wikipedia. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – Cadeira nº 38
Humberto Augusto Miranda Espíndola é artista visual, poeta, escritor e crítico de arte (membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA). Começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquistou uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira, tendo seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Nasceu em Campo Grande/MS, onde reside.
Foi primeiro Secretário Estadual de Cultura de MS (1987/90), sendo detentor de relevantes prêmios culturais e artísticos. Também crítico de arte, é membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS (2002/2005) e Coordenador de Artes Plásticas dos internacionais 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, realizados em Corumbá/MS.
Pelos relevantes serviços prestados à arte e à cultura, recebeu os reconhecimentos de Cidadão Benemérito de Campo Grande, pela Câmara Municipal, por levar o nome da cidade além das fronteiras nacionais, 1974; foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, Campo Grande, 2019; bem como Doutor Honoris Causa, pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, 2019.
Bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná/UCP, Curitiba, 1965.
Desde jovem publicou poemas em periódicos de Curitiba, em 1963/1964/1965, participando do livro Close (coletânea de poetas jovens do Paraná), Edições Centro Acadêmico Jackson Figueiredo, da Primeira Noite da Poesia Paranaense e da apresentação Nós Show, ambos no Teatro Guairinha, 1964. Nesta época, realizou a capa do primeiro livro de poemas de Leopoldo Sherner, O dia Anterior ao dia da Criação, entre outros, como de Sonia Regis Barreto e Regina Kristian. Ligado à literatura desde então, teve livro de poemas prestes a ser editado, mas desistiu ao decidir-se pela carreira de artista visual. Continuou sua produção artística acompanhando e atuando, ao longo dos anos, também ao lado da produção literária.
Produção Bibliográfica
Colaborador, com Carlos Alberto Marques de Medeiros, na pesquisa e idealização do livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977
Coorganizador, com Aline Figueiredo, do catálogo MACP da UFMT/Animação Cultural e Inventário do Acervo do Museu de Arte e de Cultura Popular, Entrelinhas Editora (edição para UFMT) 2010, indicado ao prêmio Jabuti 2011.
Autor do livro de poemas Pintura e verso, editora Entrelinhas, 2017
Autor do livro de contos Digressões, escrito durante a pandemia do corona vírus (prelo)
Atuação Profissional
Em sua atuação profissional, Humberto Espíndola iniciou desde jovem suas atividades artísticas, destacando-se como reconhecido e premiado artista plástico tanto no Brasil como internacionalmente. Foram dezenas e dezenas de importantes Exposições Coletivas e Individuais realizadas ao longo de sua carreira. Internacionalmente, participou das Exposições da 10ª e 11ª Bienal Internacional de SP (1969-1971); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972); 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Ibero-americana (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984) e 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); From Mato Grosso and Havana via NYC, Gallery 35 e Terra, Gallery 69, Nova Iorque (2014); além da 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Kioto, Nekai e Tóquio (Japão, 1981). Expôs ainda em Medellin, Colômbia (1972); Caracas, Venezuela (1990); Chile, Santiago (1996); Caracas, Venezuela (1990); Cochabamba e La Paz, Bolívia (1997); bem como em diversas capitais e cidades brasileiras em exposições internacionais nelas realizadas. Foi, em 1969, indicado à VI Bienal de Paris. Tem incontáveis premiações, entre elas Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA pela contribuição à cultura brasileira; Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos/SP; Referência especial do júri na 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador/BA; Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ; Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte; Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte; Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba/PR; Artista convidado no 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro/RJ. Possui obras no acervo de importantíssimos museus nacionais e internacionais.
Tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras na noite de 16 de dezembro de 2021, sendo saudado – em nome da ASL, na ocasião – pela acadêmica Raquel Naveira.
A Cadeira 38 da ASL pertenceu anteriormente aos saudosos acadêmicos:
Nelly Martins e Wilson Barbosa Martins
Fonte: Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Revista Pixe
Humberto Espíndola é pintor, desenhista e objetista, animador cultural, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Participou da 10ª Bienal Internacional de São Paulo e da 11ª, na qual obtém Prêmio Bolsa de Estudos no Exterior (1969/71); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972), 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Iberoamericana de Pintura (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984); 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); Pintura Contemporânea de Brasil, Casa Rômulo Gallegos (Caracas, Venezuela, 1990); Viva Brasil, Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile (Santiago, 1996); Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, Museu de Arte de Cochabamba, Museu de Arte de La Paz (Bolívia, 1988); Kingsman Foundation (Quito, Equador) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1997).
Premiado nos principais salões nacionais de arte (1968/1980), Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA, 1977), Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte pela trajetória artística e colaboração à cultura brasileira (ABCA, 2004). Entre as individuais, destaca-se Bovinocultura 1967/99 – Panorama Retrospectivo, Casa Andrade Muricy, Curitiba (2000); Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá e Museu de Arte Contemporânea/ MARCO, Campo Grande (2002); Museu de Arte de Londrina (PR, 2003). Participou de coletivas de arte brasileira em Nova Iorque (EUA, 2013/14).
Como animador cultural, co-organiza a Primeira Exposição de Pintura dos Artistas Mato-grossenses, Campo Grande, 1966; Co-fundador, diretor-técnico e atual vice-presidente da AMA – “Associação Matogrossense de Artes”, fundada em 1967; - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do “Museu Rondon”, Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá, 1973; Co-fundador e primeiro diretor do “Museu de Arte e de Cultura Popular”/MACP/UFMT, Cuiabá, 1973/82; Colaborador nas pesquisas para o livro “Artes Plásticas no Centro-Oeste”, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977/79; Primeiro Secretário de Estado de Cultura de Mato Grosso do Sul, 19871990; Diretor cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande, 1991/1992; Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul/MARCO, Campo Grande, 2002/2005; Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá/MS, 2004, 2005 e 2006. Com Aline Figueiredo organizou o livro “MACP – Animação cultural e inventário do acervo do MACP da UFMT” (Entrelinhas Editora, 2010); Autor do livro “Pintura e Verso” (Entrelinhas Editora, 2017).
Ainda sobre a trajetória do artista vale destacar a execução dos monumentos públicos: Mural externo “Bovinocultura”, Palácio Paiaguás (edifício-sede do Governo do Estado de Mato Grosso), 3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), Cuiabá/MT, 1974; Marco da “Cabeça de Boi” (ferro e aço, 8m), Praça Cuiabá, Campo Grande, 1996; Painel Memórias de Mato Grosso do Sul (328 x 375 cm), Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande/MS 1997; - Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (800m2), Corumbá/MS, 2006; - Monumento Bovinocultura – “O Carro-Chefe” (ferro e aço, 4,5 x 3 x 9m), Cuiabá/MT, 2006; - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas/MS, 2008.
Em 2019 foi agraciado pela Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande – MS) e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campo Grande – MS) com o título de Doutor Honoris Causa pelos relevantes serviços prestados a cultura.
Fonte: Revista Pixe, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi | Dante Filho
Visitei Humberto Espíndola na semana passada em sua casa, em Campo Grande, para cumprimentá-lo pela passagem de seus 80 anos, que transcorreu em abril deste ano, sem que houvesse homenagens à altura de sua obra e da sua representatividade na cultura brasileira. O Mato Grosso do Sul e o Brasil são assim mesmo, de pouco adianta reclamar.
Encontrei Humberto em total paz de espírito, trabalhando em novos quadros, e tivemos uma longa conversa, na qual apresento aqui uma breve síntese, que julgo expressar o momento especial em que o artista vive. Certamente, no futuro, o Estado - e seus governantes e autoridades - se ressentirá por não explorar com o devido louvor sua obra e suas memórias - o que, de resto, serão publicadas em livro que já está pronto e ainda não editado para lançamento.
Pergunta - Quando você está pintando um novo quadro, diante de uma tela branca, como é que tudo começa, qual é o processo de criação?
Humberto – Geralmente pego o papel e um lápis e faço um esboço do que poderá ser a tela, às vezes faço isso até num guardanapo. A maioria dos pintores usa esse tipo de procedimento. Quando comecei minha obra não fazia assim porque queria realmente botar Mato Grosso no mapa do cultural do Brasil. A metodologia do artista muda conforme o tempo em que ele vive. Já se vão quase 60 anos. Fundamos a Associação mato-grossense de Arte e a Aline Figueiredo fez aquela exposição, em 1966, aqui em Campo Grande, que foi a chegada da arte Moderna na nossa região. A nossa semana da arte Moderna foi essa exposição. Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo. Ultimamente, venho fazendo uma releitura do próprio boi porque, depois de 56 anos, acho que para mim vale a pena estar na história da arte brasileira como pintor do boi. Eu sou mais preocupado hoje com as cores, com as pinceladas, às vezes utilizo os esboços usando um projetor e aí vou vendo os arranjos, faço risco a carvão, às vezes melhoro o desenho antes de fazer a projeção.... esse é processo...
Pergunta – Você já pintou uma tela, apagou e fez tudo de novo, jogando uma tinta branca por cima e começando novamente do zero?
Humberto – Não, não eu pego uma tela nova, não gosto de pentimento porque a minha pintura precisa da luz. O Ilton Silva vivia fazendo isso, tem gente que faz, eu não gosto. Antigamente se fazia, na época do renascimento...
"Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo."
Pergunta - você já pintou um quadro que depois detestou?
Humberto – Isso aconteceu apenas uma vez. Quis ter o quadro de volta depois de vendê-lo. Queria queimar, eu já tentei recuperar esse quadro, mas a pessoa que adquiriu a tela gosta, eu já quis trocar, mas ela não aceitou. Acho que só tenho esse caso. De um modo geral eu gosto da minha pintura, já pintei quase quatro mil quadros.
Pergunta – No seu processo de criação qual filtragem pessoal você utiliza?
Humberto - Eu fiz meditação transcendental. Sou uma pessoa que busca muito o sentido das coisas. Se estou pintando, estou meditando, entendeu? Eu realmente eu saio de mim, eu viajo, abstraio totalmente, então uma pincelada é a minha poesia, é a minha vida, a minha emoção, está tudo ali...
Pergunta – Nas redes sociais, principalmente no Instagram, temos visto uma profusão de artistas jogando tinta na tela, mostrando uma variedade imensa de técnicas e de intervenção, estabelecendo o modismo do abstrato decorativo, até banalizando a arte, então, como você vê esse momento da impermanência das imagens por causa da invasão a que somos submetidos o tempo todo pelas redes?
Humberto - Eu me sinto um pintor do século 20. A minha formação vem do impressionismo e do expressionismo, do Van Gogh, Paul Gauguin, Picasso... aqueles grandes mestres que permanecem até hoje porque eles são realmente grandes mestres. Depois que a internet chegou passamos a ter acesso ao conjunto da obra destes grandes artistas, podemos analisar os quadros em seus detalhes e isso é positivo. Essa tecnologia trouxe uma nova influência, está sendo importante. Agora, se pintura vai ser uma coisa de terapia no futuro eu não sei...
Pergunta - Outro dia, no MOMA, instalaram uma tela de LED imensa mostrando uma obra ondulante, que se movimenta o tempo todo, não tem uma forma fixa, tem milhões de formas, muitas cores, tem música, enfim tem uma nítida função terapêutica, ou seja, ali não tem criação é pura inteligência artificial, enfim, será que é isso que dominará o espírito da arte?
"Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor..."
Humberto - Nessa homenagem que fizeram a mim em Bonito, com a instalação de um quadrilátero, onde as pessoa têm uma interação com minha obra, a gente já percebe uma coisa diferente. A inteligência artificial pega e trabalha minha obra de outro jeito, vira de cabeça para baixo, pega essas ondulações de mistura de cores e estabelece outro conceito. As crianças adoram, às vezes têm leituras maravilhosas que são feitas pelas crianças, eu fico espantado de ver como elas são criativas, mas não sei se o futuro das artes plásticas será a da inteligência artificial e do algoritmo...Acho que isso aí é um problema do futuro, quer dizer, eu cheguei aos 80 anos com uma concepção de pintura, não vou mudar aquilo que parece que vai permanecer. Agora, uma coisa é certa: sempre terá pintura boa, pintura ruim, tem tudo dentro de tudo, tem o bom ou o ruim, o medíocre e o médio, isso acontece em todas as áreas, na música, no teatro, no cinema, nas ciências, não tem como fugir, faz parte do processo civilizatório. O meu trabalho é uma coisa minha, pessoal, que me satisfaz, me realiza, me tranqüiliza, assenta a minha alma. Eu me sinto na história
Pergunta – Como é viver de arte no Brasil?
Humberto - Eu sobrevivi até agora, bem ou mal eu sobrevivi, porque você sabe que o mercado tem altos e baixos. Hoje estou pintando menos porque a pintura é uma coisa muito especial, estou num momento especial da vida minha. Eu sou de temporada, às vezes pinto 12 horas, produzo 17 quadros em poucos dias, depois dou um tempo, fico três meses sem pintar, porque também preciso, ouvir música, viajar, ver outras coisas. A pintura absorve muito, agora apareceu uma tendinite, resultado de anos e anos só dentro desse movimento da munheca, então a gente tem que se tratar, se cuidar... hoje, por exemplo, eu tenho um limite para trabalhar aqui, não posso passar de 3 horas sentado pintando, enfim, essas limitações físicas acontecem, eu acho super natural. Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor...
Humberto – Conforme passa o tempo, você se auto-avalia? Você acha que seu trabalho está melhor ou pior? Qual sua percepção?
Humberto - Sou disciplinado, sou exigente com meu trabalho, com as coisas que vou fazer. Escrevi um livro na pandemia que até agora não publiquei. É sobre as coisas que eu contava para as pessoas sobre minha infância e adolescência, não chega a ser um livro de memórias, estou chamando de digressões da memória porque a memória, na verdade, somos nós. Eu escrevi coisas que aconteceram na minha casa, a história da minha avó, sobre Dom Aquino que vinha nos visitar, então, são memórias que tem muito a ver com Campo Grande porque eu conheci a cidade quando ela era um ovo. A rua Rui Barbosa era um Areal, eu vi Getúlio Vargas fazendo campanha. Me formei em jornalismo. Quando eu vim para Campo Grande estava começando aquele movimento das artes plásticas, já era um pintor de férias que estava estudando história da arte no curso de jornalismo, na grade tinha um professor excelente de história da arte e aí eu me apaixonei. Comecei a procurar minha pintura quando eu conheci a Aline. A gente começou um movimento para levantar a arte mato-grossense, precisava de um carro- chefe, senti que eu tinha que fazer alguma coisa de projeção nacional, então busquei ser esse carro-chefe e decidi não ser escritor. Falei: vou pintar e aí comecei a me apaixonar pela pintura e entrei numa viagem profunda, fui indo e me conhecendo. Acho que arte tem muitos caminhos de crescimento espiritual, percorri todas as religiões que você possa imaginar até chegar a ser totalmente ateu como sou hoje. Essa é uma coisa que nem dá para falar muito porque choca muitas pessoas. Fui um agnóstico que encontrou o ateísmo. Hoje estou me preparando para morrer porque me preparei para vencer na vida, me preparei para ser homem, me para sair daqui na juventude e entrar na vida adulta, me preparei para fazer o meu trabalho pela sociedade e agora estou me preparando para morrer. Isso é super natural, que sorte eu tenho porque posso pensar nisso com tranquilidade...
Fonte: Dante Filho, “Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi”, publicado em 4 de setembro de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos | Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul presta homenagem ao renomado artista Humberto Espíndola neste dia 04 de abril completa 80 anos de vida. O escritor e artista visual foi o primeiro secretário de Estado de Cultura de MS de 1987 a 1990 e organizou, com Aline Figueiredo, a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde fundaram, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Artista visual, começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquista uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira e tem seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS de 2002 a 2005 e coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, em Corumbá/MS.
Visto como uma abordagem crítica à nobreza da pecuária e seu feudo nos anos de 1960/70, a bovinocultura do artista ganhou o mundo e deu vazão às artes de Mato Grosso uno, em um tempo de isolamento do oeste brasileiro, expondo nas bienais internacionais de Paris, Veneza, Medellin, Havana, São Paulo.
Jornalista, entre um querer pela arquitetura e o desejo do pai de se tornar advogado, o artista começou a pintar desde os 13 anos, já morando em São Paulo com os avós, desiludiu-se momentaneamente pelas artes e retomou a paixão pela pintura aos 20 anos ao conhecer Aline Figueiredo, pantaneira guerreira e de talento reconhecido. “Eu desenhava desde garoto, até com uma mangueira, quando lavava a calçada de casa, criando figuras no muro. Depois, já adolescente, cheguei a escrever poesias motivado por algumas paixões malucas”, disse numa Roda de Conversa durante o Festival Campão Cultural, em outubro do ano passado.
“Hoje somos chamados de mega-oeste, vi isso na internet. O futuro é aqui, o início do Brasil novo. Campo Grande é uma cidade ansiosa de ser grande e nós campo-grandenses temos muito disso. Foi uma cidade de papelão, lá atrás, agora se recupera, tanto cultural, como social, e o momento principal está chegando”.
“Eu vi Campo Grande crescer, vivi toda essa transformação. […] Eu nasci aqui, saí e voltei e resolvi ficar, poderia ter saído pelo mundo, Nova York, Paris. Minha mãe foi um paraquedas para puxar tantos artistas para essa terra. E estou feliz por estar aqui e ter uma história para contar”.
Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Max Freitas, Humberto Espíndola é um dos maiores artistas do nosso Estado. “Suas obras nos fazem refletir sobre diversas relações que temos com a terra, a vida e o boi, seu maior objeto de trabalho ao longo de todos esses anos. É muito gratificante viver na mesma época que este grande artista e ele merece todas as honras em vida.”
Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 38), Humberto Espindola ainda está na ativa – “a pintura é minha meditação, vida, fico em outro plano” – e finaliza um terceiro livro, “Digressões”, de contos biográficos e memórias dos anos 40-60 vividas em Campo Grande, São Paulo, Cuiabá e Curitiba, onde se formou em jornalismo. “São minhas histórias, da família, dos irmãos, casos de casa. Não sei até onde tem verdades e mentiras”, ironiza.
O secretário de Estado de Turismo, Esporte Cultura e Cidadania, Marcelo Miranda fala da grandiosidade do artista. “O Humberto é o escritor e artista visual que começou a projetar o nome e o universo da arte do Mato Grosso do Sul no Brasil e no mundo. Ele tem o dom de contar a história do Estado através de suas obras, que partem do tema do boi, visto como símbolo da riqueza. Retratando o poder, uma vez que a bovinocultura é tão presente aqui. O seu legado nestes 80 anos vai muito além das suas telas e livros, passam pela sua leitura da sociedade, pelas suas vivencias diárias. E eu sou imensamente grato por estar secretário dessa pasta tão ampla e proporcionar para a sociedade uma mostra das obras desse grande artista”.
Exposição
Em comemoração aos 80 anos de vida de Humberto Espíndola, em homenagem à sua trajetória como artista sul-mato-grossense, o Museu da Imagem e do Som de MS, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, realiza uma exposição com as obras de Humberto que fazem parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MARCO). Também farão parte da exposição exibições em vídeo contando um pouco da história do artista.
A exposição será aberta ao público no dia 14 de abril de 2023, no MIS, que fica no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania Apolônio de Carvalho: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559. Entrada franca!
Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, “Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos”. Texto: Silvio Andrade e Karina Lima, publicado por Karina Medeiros de Lima em 04 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
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Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro) | Sociedade dos Poetas Amigos
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começou a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira.
Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Sua obra foi mostrada nas Bienais de São Paulo, Veneza, Paris, Medelim.
Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.
É difícil traçar o próprio perfil em poucas linhas. Vejo em mim muitas vidas quando olho para trás. E tenho muitas facetas no meu cotidiano. Mas meu humor é estável, pelo menos isso. Se você olhar minha trajetória artística pode ser um bom começo para saber quem ou como sou, e o que já fiz e continuo fazendo.(Humberto Espíndola)
Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola, cuja obra reflete a sociedade e a economia do Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste.
Humberto Espíndola é um nome destacado na história da cultura brasileira, sendo considerado um dos principais artistas plásticos da região centro-oeste. Num estado com mais de 30 milhões de cabeças de gado, ele é conhecido como o ‘pintor dos bois’. A cotação da sua ‘arroba’ é a mais cara do estado e comprador não falta. O segredo é que os bois de Humberto não morrem jamais. Tornam-se imortais depois de soltos entre os quatro cercados da tela.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
2008 - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas, MS.
2007 - Representa o Brasil no 4º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
- Pinturas e gravuras, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2006 - Monumento Bovinocultura - O carro-chefe (ferro e aço, 4.10 x 8 x 3.50m),
Cuiabá.
- Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (pintura, 800 m²), Edifício Salim
Kassar, Corumbá, MS.
- Territórios, coletiva no Museu de Arte Contemporânea/MAC/USP, São Paulo.
- Bovinocultura: Obras recentes, individual no Centro de Eventos do Pantanal,
Cuiabá.
- Abstrações rurais, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2005 - Arte Campo Grande, coletiva no Armazém Cultural, Esplanada da Ferrovia,
Fundação Municipal de Cultura, Campo Grande.
- Pequenos formatos, individual/lançamento do site no Shopping Campo Grande.
2004 - Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA,
pela carreira artística e contribuição à cultura brasileira.
- Arte Brasileira: Anos 60 e 70, coletiva em Juiz de Fora, MG.
- Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX, coletiva do Studio Centro
Histórico, Cuiabá.
2003 - BrazilianArt III, coletiva de lançamento do livro homônimo em São Paulo, SP e
Rio de Janeiro.
- A arte atrás da arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo, SP.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte de Londrina, PR.
2002 - Política, moda e arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM de São Paulo.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande, MS e no Museu de Arte e de
Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
2001 - Touros e Onças, com João Sebastião Costa, Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
- Cores de Março, coletiva na Galeria do Yázigi, Campo Grande.
2000 - Bovinocultura 1967/99 - Panorama Retrospectivo, individual na Casa Andrade Muricy, Curitiba.
1999 - Ibypitanga, coletiva inaugural da Art Galeria Mara Dolzan, Campo Grande.
- Grafias eletrônicas, individual inaugural da Galeria Yázigi, Campo Grande.
1998 - Inter-Cidades, coletiva em cidades de MS, produção Art Galeria Mara Dolzan.
- Rodeios, individual na Galeria do SESC Horto (mostra inaugural), Campo
Grande.
1997 - Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, coletiva no Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz; Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/USP.
- Painel interno Memórias de Mato Grosso do Sul (328x375cm), Casa da
Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande.
1996 - Viva Brasil, coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.
- Expobrasil/96, coletiva em Tóquio, produção Galeria Art-Con.
- Monumento Cabeça de Boi (escultura em ferro e aço, 8x2.50x0.30m), Praça
Cuiabá, Campo Grande.
1995 - Individual no Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, lançamento do livro A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT 1994, Cuiabá.
1993 - Sala Especial no XX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande.
1992 - EcoArt, coletiva da Eco 92 no Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1990 - Pintura Contemporánea de Brasil, coletiva na Casa Rômulo Gallegos,
Caracas.
- Olhar Van Gogh, coletiva no MASP, São Paulo.
- Individual no Museu Guido Viaro, Curitiba.
1989 - Representa o Brasil na II Bienal Internacional de Cuenca, Equador.
1987 - Individual na Sadalla Galeria de Arte, São Paulo.
- 20 Anos de Bovinocultura, individual no Centro Cultural José Octávio Guizzo,
Campo Grande.
1986 - Individual na Art-Con Galeria de Arte, Campo Grande.
1985 - Nelores, individual por ocasião do I Leilão de Gado Nelore, Campo Grande.
1984 - Representa o Brasil na I Bienal de Havana.
- Artista convidado no VII Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte
Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
1983 - Individual na Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.
- Individual na Modus Vivendi Galeria de Arte, Porto Alegre.
1982 - Entre a mancha e a figura, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- 1ª Exposição de Arte Latina, coletiva em Recife.
- Individual na 44ª Expogrande, Campo Grande.
1981 - Figuração Referencial -11º Salão Nacional de Arte, Museu de Arte de Belo Horizonte.
- 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Tóquio, Kioto e Nekai, Japão;
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
1980 - Prêmio aquisição no 1º Salão Arteboi, Montes Claros. MG.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba.
1979 - Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1978 - Representa o Brasil na 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura do México.
- 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, São Paulo.
1977 - Prêmio Melhor do Ano (pintura), Associação Paulista de Críticos de Arte.
- Arte Agora II/Visão da Terra, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- Rosas/Rosetas, individual no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado, São Paulo; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e
Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1976 - Arte Agora I/Brasil 70-75, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
1975 - Prêmio aquisição no 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa
Econômica de Goiás, Goiânia.
1974 - Mural externo Bovinocultura, Palácio Paiaguás (3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), sede do Governo de Mato Grosso, Cuiabá.
1972 - Representa o Brasil na 36ª Bienal de Veneza, Itália.
- Representa o Brasil na 3ª Bienal de Arte Coltejer, Medellin, Colômbia.
- Individual na Galeria Portal, São Paulo.
- Individual na Galeria Ipanema, Rio de Janeiro.
1971 - Prêmio bolsa de estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo.
1969 - Representa o Brasil na 10ª Bienal Internacional de São Paulo.
- Indicado à 4ª Bienal de Paris (a representação brasileira foi impedida pela
censura).
- Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea/MAC da USP, São Paulo.
- Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte.
- Individual na Sala Göeldi, Rio de Janeiro.
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal de Campinas no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP.
- Grande Prêmio no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP.
- Referência Especial do Júri na 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas de
Salvador.
1967 - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília.
- 17º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- 23º Salão Paranaense de Artes Plásticas, Curitiba,.
- Individual no Museu Regional do Pantanal, Corumbá, MS.
1966 - 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato- grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
Obras em acervos públicos
- BrazilianArt, Jardim Contemporâneo Editora, São Paulo.
- Casa de Cultura José Martí, México, DF.
- Casa de Cultura Wifredo Lam, Camagüey, Cuba.
- Caixa Econômica Federal, Brasília.
- Coleção Nemirowsky, São Paulo.
- Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.
- Ludwig Fórum für Internationale Kunst, Aachen, Alemanha.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Curitiba.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo.
- Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Fundação de Cultura de MS, Campo
Grande.
- Museu de Arte da Pampulha/MAP, Belo Horizonte.
- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP, São Paulo.
- Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo.
- Museu de Arte Paranaense/MAP, Curitiba.
- Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.
- Universidade de Desenvolvimento do Pantanal/Uniderp, Campo Grande.
- Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá.
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Campo Grande.
Produtor Cultural
2004/06 - Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
2002/04 - Gestor Artístico do Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo
Grande.- Curador do Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
1991/92 - Diretor Cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande.
1987/90 - Primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul.
1973/82 - Co-fundador e Diretor do Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1977/79 - Colaborador no livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte).
1973 - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do Museu Indigenista Candido Rondon, UFMT, Cuiabá.
1967/72 - Co-fundador e Diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
1966 - Co-organizador da 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
“Quando eu comecei era um vazio sem fim. Não tinha patrocínio, nem casa de exposição ou galeria, não tinha museu, incentivo de tipo nenhum”, conta Humberto mostrando a diferença da valorização da arte atualmente, com os museus de Campo Grande cada vez mais estruturados, espaços culturais, os Festivais de Bonito e América do Sul que acontecem com ajuda de leis de incentivo fiscais que, segundo Espíndola, são fatores que fazem Mato Grosso do Sul estar inserido no mapa cultural do Brasil. Incentivos estes que ajudam os artistas regionais propagarem seu trabalho lá fora, fazendo com que Mato Grosso do Sul não seja visto somente como Estado criador de gado, mas também um Estado que produz cultura, arte de qualidade.
O artista plástico acredita que sua formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural, e é o que efetivamente faz a sua terra ter seu valor exposto, se valorizado conseqüentemente terá sucesso e reconhecimento acima de tudo pelo amor à sua profissão. “Vale lembrar, entretanto, que como o ofício de pintor é pintar, a minha paixão pela pintura, não tenho dúvidas, é ainda maior do que essa que sinto pelo boi”, confessa o artista.
Para um artista que resolveu pintar o boi, não foi difícil perceber o quanto a figura desse animal carecia de dignidade ou status, sob o ponto de vista da maioria dos consumidores da pintura. Mas esse preconceito sobre a imagem do boi não implica só o comportamento do mercado de arte, implica também as opções intelectuais responsáveis pela animação cultural de cada região. Para um pintor que se envolveu com essas reflexões o desafio temático continua sendo inspiração que leva à realização da obra, já que minha formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural do artista.
Por outro lado, observei que a imagem do boi — entenda-se nesta expressão o touro e a vaca também, em muitas culturas é absorvida com maior receptividade que entre nós. Seja como produto de consumo, propaganda, arte ou mesmo símbolo religioso. A diferença para uma maior ou menor receptividade está certamente na história iconográfica dessas culturas. Nas culturas orientais a imagem do boi é totalmente absorvida, pois ele está ali presente há milênios nos campos, ritos e cultos, e conseqüentemente na arte.
Minhas novas séries de pintura apresentam várias facetas ao mesmo tempo, o que faz com que me sinta bem diante dessa simultaneidade de portas, excitando-me a criação. O mais importante é que a simbologia do boi vem alimentando um crescente vocabulário sígnico na minha linguagem plástica. No decorrer desses anos, a bovinocultura me levou sempre a procurar relações universalizantes: pecus-pecunia, rosas/rosetas, rosa-boi, entre outras abordagens. E durante esse processo, tema e plástica foram se redefinindo, abertos para a liberdade de mergulhar no inconsciente coletivo e trazer de volta, nas tintas, sempre uma nova expressão. — Humberto Espíndola.
"Espíndola transmitiu, também, com a imagem do boi, a capacidade dual que o homem lhe impõe, isto é, o terno animal dos pastos também será besta satânica. Com as patas expressa o massacre, com os chifres a opressão e com o corpo o poder. Humaniza o boi para traduzir a força sócio-política e econômica. Associa-o ao Minotauro, símbolo da dualidade onde o homem e o animal se confundem. Assim, minotauros de hoje, famélicos senhores bovinos transitam engalanados de uniforme, estrelas, dragonas e esporas, enquanto devoram uma sociedade marginalizada em seus mordazes labirintos". (In, A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, ed. UFMT, Cuiabá, 1994, cap.9)
" [...] São pinturas em pequenos formatos, cujos temas citam fases da pintura do artista e revelam-se através de recortes nítidos, destacando os símbolos que insistiram em se mostrar durante a sua trajetória artística. De figuração variada e colorido vibrante, essas pinturas reúnem partes de narrativas onde o boi quase sempre é herói, às vezes brincalhão, outras enigmático, outras um retrato incômodo de algum político autoritário ou, até mesmo, de um faraó. Os bois se apresentam ao público, cada um a seu modo, exibindo os seus troféus, seus atributos, enfim, as características que os fizeram parte da história cultural do Brasil." — Mariza Bertoli, 2005)
" [...] Editadas cuidadosamente sobre papel, numeradas individualmente, as gravuras de Humberto somam ao seu universo criativo um toque de experimentação além da sua indiscutível qualidade imagética. Humberto Espíndola, nos remetendo a um passado mítico, começa a olhar e a falar com outros meios expressivos atualizando seus arquétipos editados sob forma eletrônica. As formas taurinas explodem, incendeiam-se e, quando se supõe que viraram pura imagem luminosa elas voltam a nos falar das máscaras trágicas, do mágico e do mítico" — Noemi Ribeiro, 1996.
"Depois de ter pintado o boi de todas as formas, Humberto Espíndola decidiu ultimamente retratá-lo numa linguagem minimalista sintética. [...] Surgiram formas que lembram criaturas encapuzadas, com raízes no momento atual." — Maria da Glória Sá Rosa, 2002.
"Ambicioso e complexo, o trabalho de Humberto Espíndola pode ser visto como um todo através de uma técnica essencialmente plural, o assemblage, onde distintos materiais são esgotados em suas qualidades plásticas, num jogo de interdependência para a criação de novos significados. Isto quer dizer que iremos encontrar sobre uma mesma superfície, a madeira, colagens de couro de boi, tinta acrílica e grafismos pirogravados. São quadros-objetos que enunciam o diálogo entre signos da cultura regional — o couro, as marcas de propriedade, e da cultura erudita, na medida em que o artista atribui-lhes novos significados ao combiná-los singularmente" — Maria Adélia Menegazzo, 2002.
"A queixada dentada do boi parece um boomerang, rosa dos ventos, entronizada no alto da coluna, com seu azul maravilhoso. O que temos agora é um novo tipo de capitel. Não se trata de nenhuma ordem clássica — dórica, jônica, coríntia — mas de uma ordem pantaneira, ou melhor, metáfora de um classicismo de tipo novo, crescendo à porta da selva amazônica, fundando suas colunas nos pantanais do Brasil Central" — Frederico Morais, 1981.
Painel no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
"...impressionante painel de Espíndola no Palácio do Governo, no qual o boi como que aparece devorando o vazio do pantanal, estendendo seu olhar para muito longe, numa tentativa de apreender as dimensões continentais do nosso país e do próprio Continente. Dizia, então, que em regiões como esta, o artista não pode sussurrar, precisa falar alto, berrar, sair de sua timidez, pois, só assim, estará correspondendo aos desafios do isolamento e da distância" — Frederico Morais, 1981.
Da série Divisão dos Estados
Ano em que conheci Aline Figueiredo, que estava reunindo todos os artistas plásticos de Mato Grosso Uno, para "A Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses" O Evento aconteceu nos salões do Radio Clube central (hoje desativado) e contou com 600 pessoas na abertura. Em minha análise histórica, ainda eram os ecos da Semana de 22 que só então chegavam entre nós, vítimas do isolamento cultural. Naquela época, Campo Grande tinha pouco mais de cem mil habitantes. Hoje, depois de muitas batalhas, já estamos perfeitamente sintonizados no circuito nacional.
Tirar o velho Mato Grosso Uno de secular isolamento cultural.
Colocar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no circuito da Arte Brasileira.
O boi leva suas patas para além do verde.
Chega o deserto.
Depois de uma caminhada pelo pais
as florestas ressentem...
A carne cobra seu preço
Na gordura quente do cupim elevado,
um monte reluz brancuras de neve.
Sob o azul de prata de um céu aberto,
o pasto invisível da imaginação
Dunas de carne se fingindo areia.
Boiada, sob lençóis.
Seus cupins ondulam no mar vermelho,
escondidos
sob o manto branco que clareia os campos
Na busca de pastagens
fui tuitando até o sigaquetesigo.
Encontrei muita carne
e muito pouco espírito.
Mas para a arte do boi
@
é peso e poesia
Asa flor
no jardim de asa
e azaléia
Imóvel de vento e beijo
solidão pulsante
descoberta à luz do dia
Rufar de asas
tambores suaves
de mensagens caladas
sem sal de lágrimas
Espíndola Canta (CD, 2003): Humberto participa do projeto Espíndola Canta atuando como cantor e compositor com a canção Malditos astros, e na composição Reino do Pantanal, interpretada por Gílson Espíndola
Malditos Astros
(Humberto Espíndola)
Nasci faz tão pouco
E já morri na mágoa de viver
De tão pequeno que fui Deus nem me viu
Ou se me viu já era tarde
Pois quem já nasce magoado
Morre magoado até o fim
Não quero não devo falar de ninguém
Talvez a grande culpa seja mesmo dos
Astros
Ah... malditos astros
Que me regem os passos
Profundamente magoados
Pesarosamente cientes
De suas rotas impassíveis
Reino do Pantanal
(Jerry e Humberto Espíndola)
Deita o sol
no lençol sem luar
estrelas assim brilham mais
no reino do Pantanal
índio ou peão
o caipira alí está
no Brasil, do nordeste a São Paulo
pantaneiro sofre ao se intregar
nesse desmanchar no ar
sem remédio pra curar a raiz
que perde a nação
na curva do rio
dramas de televisão
na alma ansiedade inventa canção
prisioneiro de seu pasto
sua fuga é na vazante
sua janela é sua porta
vôa peão
cavaleiro seu gingar
goza louco a galopar
crê o barco sua cama
pensa a cama sua chama
liberdade o que é que é
é saudade ou é mulher
e a ninguém o rio conta
sua paixão e solidão
fica peão
"Tenho uma história e trajetória de que me orgulho, mas sou um sujeito simples e consciente o suficiente para fazer de minha arte o instrumento de meu crescimento espiritual. A modéstia e a compaixão são duas virtudes que me fascinam. Amo a arte acima de todas as coisas..." (Humberto Espíndola)
Fonte: Sociedade dos Poetas Amigo, “Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro)”.
Crédito fotográfico: Museu de Arte e de Cultura Popular, "Humberto Espíndola". Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola (4 de abril de 1943, Campo Grande, MS), é um artista visual brasileiro. Autodidata, formou-se em Direito, mas desde os anos 1960 dedica-se às artes visuais, tendo iniciado sua carreira em 1967 com sua primeira exposição individual. Sua produção, marcada por crítica social e inovação estética, inclui pinturas, objetos, instalações e performances, notadamente os trajes-esculturas conhecidos como “Bovinos”, com os quais participou de ações performáticas e exposições. Teve sua obra influenciada por movimentos como a nova figuração e a arte conceitual, mas construiu uma linguagem própria, enraizada nas questões ambientais, econômicas e culturais do Pantanal. Participou de importantes eventos nacionais e internacionais, como a Bienal Internacional de São Paulo (1969, 1971), a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984, 1989) e a Bienal Internacional de Cuenca (1989), além de ter integrado exposições como Tradição e Ruptura (1984, MAM-SP) e Bienal Brasil Século XX (1994). Recebeu diversas premiações e teve papel importante como gestor cultural e incentivador da arte na região Centro-Oeste. Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o MAM-SP, MAC-USP, MARCO e Museu de Arte de Brasília. Humberto Espíndola é uma das figuras centrais da arte brasileira fora dos grandes centros e referência incontornável da arte moderna popular do país.
Humberto Espíndola | Arremate Arte
Humberto Espíndola é um dos nomes mais emblemáticos das artes visuais do Centro-Oeste brasileiro. Nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 1943, Espíndola construiu uma carreira marcada pela reflexão crítica e estética sobre a identidade regional, com foco na representação do universo rural, particularmente o universo do gado bovino, símbolo recorrente em sua obra. Desde o final dos anos 1960, desenvolveu uma linguagem visual própria, comprometida tanto com questões sociais quanto com um repertório poético que equilibra tradição e modernidade.
Formado em Direito pela Universidade Católica do Paraná, Humberto começou a se destacar no cenário artístico a partir da segunda metade da década de 1960. Seu envolvimento com as artes plásticas coincidiu com o surgimento de movimentos renovadores na arte brasileira, como a nova figuração e a arte conceitual, que influenciaram sua poética visual. Ao mesmo tempo, ele permaneceu enraizado nas questões regionais e culturais de sua terra natal, transformando o Pantanal, a pecuária e o imaginário do boi em signos artísticos recorrentes, ressignificados em suas telas, esculturas, instalações e vestimentas performáticas.
O marco inicial de sua carreira foi em 1967, quando participou da 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses. No mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual. A partir daí, sua produção ganhou destaque nacional e internacional, com participações em salões de arte e bienais importantes, como a Bienal Internacional de São Paulo, a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984 e 1989) e a Bienal de Cuenca, no Equador (1989). Sua obra também integrou exposições coletivas como “Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras”, promovida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, e a “Bienal Brasil Século XX”, da Fundação Bienal.
Espíndola inovou ao criar uma estética crítica sobre o sistema econômico e cultural do campo, especialmente sobre a bovinocultura. Criou os chamados “Bovinos”, seres híbridos entre animal e vestimenta, figuras cênicas que transitam entre o objeto artístico e a performance. Esses trajes-esculturas foram usados por ele em ações públicas e exposições, e se tornaram símbolo de sua obra e de seu pensamento político e artístico. Em “A farra do boi”, um dos momentos mais representativos de sua trajetória, Humberto aborda com ironia e sarcasmo a lógica do consumo e da exploração animal como metáforas das relações sociais e de poder.
Ao longo de sua carreira, Humberto Espíndola se destacou também como gestor cultural e ativista das políticas públicas para a arte. Exerceu cargos de direção em instituições culturais no Mato Grosso do Sul e foi curador de importantes mostras. Sua atuação ajudou a consolidar o circuito artístico da região Centro-Oeste, incentivando novos artistas e fortalecendo os vínculos entre arte, identidade local e memória.
Em mais de cinco décadas de atuação, Espíndola realizou dezenas de exposições individuais e participou de centenas de mostras coletivas. Sua obra está presente em acervos de instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Museu de Arte de Brasília (MAB), o Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul (MARCO), entre outros.
Humberto Espíndola | Itaú Cultural
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1943). Pintor, desenhista. Destaca-se pela produção artística que parte do tema do boi, símbolo da riqueza da sua região.
Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. A série Bovinocultura, iniciada em 1968, realiza um retrato sarcástico da sociedade do boi, que é principalmente moeda e símbolo de poder.
Em seus primeiros trabalhos, apresenta o animal envolto em penumbra, provocando estranheza. A efígie do boi, em suas telas, é colocada em um primeiro plano, ou isolada em um oval central, ganhando a dimensão de nobreza de um retrato. Em Glória ao boi nas alturas (1967), utiliza uma deliberada frontalidade do animal, em torno do qual se acumulam máscaras, imprimindo ao quadro um ritmo dinâmico.
Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio de melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à cabeça de boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1995.
Alguns quadros do artista possuem um sentido simbólico, com a utilização das cores da bandeira brasileira. Em outros, emprega crachás e medalhas, que remetem a exposições agropecuárias. Como nota o crítico Frederico Moraes (1936), Espíndola humaniza o boi, para denunciar a vontade de poder do ser humano, como ocorre em O tirano (1984). Já na série Arqueologia do boi – Boi branco (1993), destacam-se o uso de tonalidades rebaixadas e o caráter mágico. O artista realiza posteriormente gravuras geradas e coloridas em computador, nas quais obtém grande potência no colorido, como em Vaca escada (2001).
Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.
Representante da região onde nasceu, Humberto Espíndola acaba por ser um dos principais artistas visuais da sua geração e ajuda a divulgar a cultura do Mato Grosso do Sul muitas vezes a partir de uma postura crítica. Com obras expostas no Brasil e no exterior, o artista contribui para a descentralização da produção artística brasileira contemporânea, concentrada majoritariamente no sudeste.
Exposições Individuais
1967 – Individual de Humberto Espíndola
1969 – Individual de Humberto Espíndola
1971 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1978 – Individual de Humberto Espíndola
1979 – Humberto Espíndola: pinturas
1980 – Individual de Humberto Espíndola
1982 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Humberto Espíndola: pinturas recentes
1984 – Individual de Humberto Espíndola
1986 – Individual de Humberto Espíndola
1987 – Humberto Espíndola: 20 anos de bovinocultura
1987 – Individual de Humberto Espíndola
1990 – Individual de Humberto Espíndola
1998 – Humberto Espíndola: pinturas
2000 – Humberto Espíndola: bovinocultura 1967-1999
2000 – Humberto Espíndola: panorama retrospectivo 1967-1999
Exposições Coletivas
1966 – 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses
1967 – 24º Salão Paranaense de Belas Artes
1967 – 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal
1968 – 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 – 23º Salão de Belas Artes da Cidade de Belo Horizonte
1968 – 2º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1968 – 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo
1968 – 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1968 – 2º Salão Esso de Artistas Jovens
1968 – 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 – 4º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1968 – 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1969 – Pintores do Brasil
1969 – 2ª Exposição Nacional de Arte
1969 – 18º Salão Nacional de Arte Moderna
1969 – 10ª Bienal Internacional de São Paulo
1969 – 3ª Jovem Arte Contemporânea
1969 – 1º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1969 – 26º Salão Paranaense
1970 – 1º Panorama de Artes Plásticas em Campo Grande
1970 – 4º Salão da Cultura Francesa
1970 – 2º Panorama de Arte Atual Brasileira
1970 – 4 Grupos de Aquisições Recentes e Doações da ISPA
1970 – 19º Salão Nacional de Arte Moderna
1970 – 8º Resumo de Arte JB
1970 – 25 Pinturas do Acervo do MAM-SP
1970 – Pré-Bienal de São Paulo
1970 – 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1971 – 5 Artistas de Mato Grosso
1971 – 20º Salão Nacional de Arte Moderna
1971 – 11ª Bienal Internacional de São Paulo
1971 – Exposição de Múltiplos
1972 – 3ª Bienal de Arte Coltejer
1972 – 36ª Bienal de Veneza
1972 – Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e Brasil Plástica - 72
1972 – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
1973 – Múltiplos
1974 – Mostra Inaugural do Museu de Arte e de Cultura Popular
1974 – Café, Poluição, Bois e Bandidos
1975 – 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixego
1975 – Panorama das Artes Plásticas de Mato Grosso
1975 – 24º Salão Nacional de Arte Moderna
1975 – Arte no Brasil: documento/debate
1976 – 25º Salão Nacional de Arte Moderna
1976 – Arte Agora I
1976 – 10º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1976 – Arte Brasileira: figuras e movimentos
1976 – Arte Brasileira no Século XX: caminhos e tendências
1977 – 2ª Arte Agora: visão da terra
1978 – Artistas Brasileiros
1978 – 1ª Bienal Ibero-Americana de Pintura
1978 – Artistas de Mato Grosso do Sul
1978 – 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo
1979 – 36º Salão Paranaense
1979 – 11º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1980 – Mostra Comemorativa 10 Anos da UFMT
1980 – 1º Salão de Montes Claros
1981 – Brasil-Cuiabá: pintura cabocla
1981 – 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1981 – 1º Salão Regional de Artes de Goiânia
1981 – Pablo, Pablo!: interpretação brasileira de Guernica
1981 – 4º Salão Nacional de Artes Plásticas
1982 – 4 Artistas de Mato Grosso
1982 – 1ª Exposição de Arte Latina
1982 – Rio Cuiabá: ponto de vista do artista
1982 – Entre a Mancha e a Figura
1983 – Brasil Pintura
1983 – 30 Anos de Arte no Brasil
1983 – Mostra Inaugural do Centro de Cultura Referencial de MS
1984 – Pintura Brasileira Atuante
1984 – 27 Paisagens Brasileiras
1984 – 1ª Bienal de Havana
1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas
1986 – Ecologia-Tradição e Atualidade
1987 – O Ofício da Arte: pintura
1988 – Referências Pantaneiras na Pintura
1988 – Arte de Mato Grosso do Sul
1989 – Pinturas de Mato Grosso do Sul
1989 – Cada Cabeça Uma Sentença
1989 – 2ª Bienal Internacional de Cuenca
1989 – 3ª Bienal de Havana
1990 – Arca de Noé
1990 – Pintura Contemporânea de Brasil
1990 – Arte Brasil 90
1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1991 – Panorama dos Aspectos Míticos do Boi
1991 – O Que Faz Você Agora Geração 60?
1991 – 48º Salão Paranaense
1992 – Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas
1992 – 20º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1992 – Eco Art
1993 – 23º Panorama de Arte Atual Brasileira
1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1994 – Bienal Brasil Século XX
1995 – Salão em Preto e Branco
1996 – Expobrasil 96
1996 – Viva Brasil (Santiago, Chile)
1996 – Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP
1997 – 6 Artistas Brasileiros
1997 – Dimensões da arte Contemporânea
1998 – Brasil: Anos 20 a 70
2003 – A Arte Atrás da Arte
2003 – Projeto Brazilianart
2003 – Arte Brasileira no Acervo do MAP
2004 – Panorama da História das Artes Plásticas no MS
2004 – Artistas do Centro-Oeste
2005 – Mostra Brasil Central de Artes Plásticas
2005 – Formas Brasileiras
2006 – Brasiliana MASP
2007 – Binária: acervo e coleções
2007 – Panorama – 30 Anos da Divisão do Estado
2007 – Divisão de Mato Grosso
2007 – Neovanguardas
2009 – A Arte de Colecionar-te
2009 – Olhar da Crítica
2010 – Um Dia Terá Que Ter Terminado: 1969/74
2011 – 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste
2018 – Movimento – mostra do acervo
2018 – Acervo CAUA-UFAM
2019 – Os anos em que vivemos em perigo
2022 – Histórias brasileiras
2025 – Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70
Fonte: HUMBERTO Espíndola. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 05 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Humberto Espíndola | Wikipédia
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganhou vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Fonte: Wikipedia. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – Cadeira nº 38
Humberto Augusto Miranda Espíndola é artista visual, poeta, escritor e crítico de arte (membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA). Começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquistou uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira, tendo seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Nasceu em Campo Grande/MS, onde reside.
Foi primeiro Secretário Estadual de Cultura de MS (1987/90), sendo detentor de relevantes prêmios culturais e artísticos. Também crítico de arte, é membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS (2002/2005) e Coordenador de Artes Plásticas dos internacionais 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, realizados em Corumbá/MS.
Pelos relevantes serviços prestados à arte e à cultura, recebeu os reconhecimentos de Cidadão Benemérito de Campo Grande, pela Câmara Municipal, por levar o nome da cidade além das fronteiras nacionais, 1974; foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, Campo Grande, 2019; bem como Doutor Honoris Causa, pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, 2019.
Bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná/UCP, Curitiba, 1965.
Desde jovem publicou poemas em periódicos de Curitiba, em 1963/1964/1965, participando do livro Close (coletânea de poetas jovens do Paraná), Edições Centro Acadêmico Jackson Figueiredo, da Primeira Noite da Poesia Paranaense e da apresentação Nós Show, ambos no Teatro Guairinha, 1964. Nesta época, realizou a capa do primeiro livro de poemas de Leopoldo Sherner, O dia Anterior ao dia da Criação, entre outros, como de Sonia Regis Barreto e Regina Kristian. Ligado à literatura desde então, teve livro de poemas prestes a ser editado, mas desistiu ao decidir-se pela carreira de artista visual. Continuou sua produção artística acompanhando e atuando, ao longo dos anos, também ao lado da produção literária.
Produção Bibliográfica
Colaborador, com Carlos Alberto Marques de Medeiros, na pesquisa e idealização do livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977
Coorganizador, com Aline Figueiredo, do catálogo MACP da UFMT/Animação Cultural e Inventário do Acervo do Museu de Arte e de Cultura Popular, Entrelinhas Editora (edição para UFMT) 2010, indicado ao prêmio Jabuti 2011.
Autor do livro de poemas Pintura e verso, editora Entrelinhas, 2017
Autor do livro de contos Digressões, escrito durante a pandemia do corona vírus (prelo)
Atuação Profissional
Em sua atuação profissional, Humberto Espíndola iniciou desde jovem suas atividades artísticas, destacando-se como reconhecido e premiado artista plástico tanto no Brasil como internacionalmente. Foram dezenas e dezenas de importantes Exposições Coletivas e Individuais realizadas ao longo de sua carreira. Internacionalmente, participou das Exposições da 10ª e 11ª Bienal Internacional de SP (1969-1971); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972); 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Ibero-americana (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984) e 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); From Mato Grosso and Havana via NYC, Gallery 35 e Terra, Gallery 69, Nova Iorque (2014); além da 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Kioto, Nekai e Tóquio (Japão, 1981). Expôs ainda em Medellin, Colômbia (1972); Caracas, Venezuela (1990); Chile, Santiago (1996); Caracas, Venezuela (1990); Cochabamba e La Paz, Bolívia (1997); bem como em diversas capitais e cidades brasileiras em exposições internacionais nelas realizadas. Foi, em 1969, indicado à VI Bienal de Paris. Tem incontáveis premiações, entre elas Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA pela contribuição à cultura brasileira; Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos/SP; Referência especial do júri na 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador/BA; Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ; Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte; Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte; Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba/PR; Artista convidado no 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro/RJ. Possui obras no acervo de importantíssimos museus nacionais e internacionais.
Tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras na noite de 16 de dezembro de 2021, sendo saudado – em nome da ASL, na ocasião – pela acadêmica Raquel Naveira.
A Cadeira 38 da ASL pertenceu anteriormente aos saudosos acadêmicos:
Nelly Martins e Wilson Barbosa Martins
Fonte: Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Revista Pixe
Humberto Espíndola é pintor, desenhista e objetista, animador cultural, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Participou da 10ª Bienal Internacional de São Paulo e da 11ª, na qual obtém Prêmio Bolsa de Estudos no Exterior (1969/71); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972), 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Iberoamericana de Pintura (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984); 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); Pintura Contemporânea de Brasil, Casa Rômulo Gallegos (Caracas, Venezuela, 1990); Viva Brasil, Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile (Santiago, 1996); Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, Museu de Arte de Cochabamba, Museu de Arte de La Paz (Bolívia, 1988); Kingsman Foundation (Quito, Equador) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1997).
Premiado nos principais salões nacionais de arte (1968/1980), Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA, 1977), Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte pela trajetória artística e colaboração à cultura brasileira (ABCA, 2004). Entre as individuais, destaca-se Bovinocultura 1967/99 – Panorama Retrospectivo, Casa Andrade Muricy, Curitiba (2000); Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá e Museu de Arte Contemporânea/ MARCO, Campo Grande (2002); Museu de Arte de Londrina (PR, 2003). Participou de coletivas de arte brasileira em Nova Iorque (EUA, 2013/14).
Como animador cultural, co-organiza a Primeira Exposição de Pintura dos Artistas Mato-grossenses, Campo Grande, 1966; Co-fundador, diretor-técnico e atual vice-presidente da AMA – “Associação Matogrossense de Artes”, fundada em 1967; - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do “Museu Rondon”, Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá, 1973; Co-fundador e primeiro diretor do “Museu de Arte e de Cultura Popular”/MACP/UFMT, Cuiabá, 1973/82; Colaborador nas pesquisas para o livro “Artes Plásticas no Centro-Oeste”, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977/79; Primeiro Secretário de Estado de Cultura de Mato Grosso do Sul, 19871990; Diretor cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande, 1991/1992; Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul/MARCO, Campo Grande, 2002/2005; Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá/MS, 2004, 2005 e 2006. Com Aline Figueiredo organizou o livro “MACP – Animação cultural e inventário do acervo do MACP da UFMT” (Entrelinhas Editora, 2010); Autor do livro “Pintura e Verso” (Entrelinhas Editora, 2017).
Ainda sobre a trajetória do artista vale destacar a execução dos monumentos públicos: Mural externo “Bovinocultura”, Palácio Paiaguás (edifício-sede do Governo do Estado de Mato Grosso), 3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), Cuiabá/MT, 1974; Marco da “Cabeça de Boi” (ferro e aço, 8m), Praça Cuiabá, Campo Grande, 1996; Painel Memórias de Mato Grosso do Sul (328 x 375 cm), Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande/MS 1997; - Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (800m2), Corumbá/MS, 2006; - Monumento Bovinocultura – “O Carro-Chefe” (ferro e aço, 4,5 x 3 x 9m), Cuiabá/MT, 2006; - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas/MS, 2008.
Em 2019 foi agraciado pela Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande – MS) e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campo Grande – MS) com o título de Doutor Honoris Causa pelos relevantes serviços prestados a cultura.
Fonte: Revista Pixe, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi | Dante Filho
Visitei Humberto Espíndola na semana passada em sua casa, em Campo Grande, para cumprimentá-lo pela passagem de seus 80 anos, que transcorreu em abril deste ano, sem que houvesse homenagens à altura de sua obra e da sua representatividade na cultura brasileira. O Mato Grosso do Sul e o Brasil são assim mesmo, de pouco adianta reclamar.
Encontrei Humberto em total paz de espírito, trabalhando em novos quadros, e tivemos uma longa conversa, na qual apresento aqui uma breve síntese, que julgo expressar o momento especial em que o artista vive. Certamente, no futuro, o Estado - e seus governantes e autoridades - se ressentirá por não explorar com o devido louvor sua obra e suas memórias - o que, de resto, serão publicadas em livro que já está pronto e ainda não editado para lançamento.
Pergunta - Quando você está pintando um novo quadro, diante de uma tela branca, como é que tudo começa, qual é o processo de criação?
Humberto – Geralmente pego o papel e um lápis e faço um esboço do que poderá ser a tela, às vezes faço isso até num guardanapo. A maioria dos pintores usa esse tipo de procedimento. Quando comecei minha obra não fazia assim porque queria realmente botar Mato Grosso no mapa do cultural do Brasil. A metodologia do artista muda conforme o tempo em que ele vive. Já se vão quase 60 anos. Fundamos a Associação mato-grossense de Arte e a Aline Figueiredo fez aquela exposição, em 1966, aqui em Campo Grande, que foi a chegada da arte Moderna na nossa região. A nossa semana da arte Moderna foi essa exposição. Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo. Ultimamente, venho fazendo uma releitura do próprio boi porque, depois de 56 anos, acho que para mim vale a pena estar na história da arte brasileira como pintor do boi. Eu sou mais preocupado hoje com as cores, com as pinceladas, às vezes utilizo os esboços usando um projetor e aí vou vendo os arranjos, faço risco a carvão, às vezes melhoro o desenho antes de fazer a projeção.... esse é processo...
Pergunta – Você já pintou uma tela, apagou e fez tudo de novo, jogando uma tinta branca por cima e começando novamente do zero?
Humberto – Não, não eu pego uma tela nova, não gosto de pentimento porque a minha pintura precisa da luz. O Ilton Silva vivia fazendo isso, tem gente que faz, eu não gosto. Antigamente se fazia, na época do renascimento...
"Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo."
Pergunta - você já pintou um quadro que depois detestou?
Humberto – Isso aconteceu apenas uma vez. Quis ter o quadro de volta depois de vendê-lo. Queria queimar, eu já tentei recuperar esse quadro, mas a pessoa que adquiriu a tela gosta, eu já quis trocar, mas ela não aceitou. Acho que só tenho esse caso. De um modo geral eu gosto da minha pintura, já pintei quase quatro mil quadros.
Pergunta – No seu processo de criação qual filtragem pessoal você utiliza?
Humberto - Eu fiz meditação transcendental. Sou uma pessoa que busca muito o sentido das coisas. Se estou pintando, estou meditando, entendeu? Eu realmente eu saio de mim, eu viajo, abstraio totalmente, então uma pincelada é a minha poesia, é a minha vida, a minha emoção, está tudo ali...
Pergunta – Nas redes sociais, principalmente no Instagram, temos visto uma profusão de artistas jogando tinta na tela, mostrando uma variedade imensa de técnicas e de intervenção, estabelecendo o modismo do abstrato decorativo, até banalizando a arte, então, como você vê esse momento da impermanência das imagens por causa da invasão a que somos submetidos o tempo todo pelas redes?
Humberto - Eu me sinto um pintor do século 20. A minha formação vem do impressionismo e do expressionismo, do Van Gogh, Paul Gauguin, Picasso... aqueles grandes mestres que permanecem até hoje porque eles são realmente grandes mestres. Depois que a internet chegou passamos a ter acesso ao conjunto da obra destes grandes artistas, podemos analisar os quadros em seus detalhes e isso é positivo. Essa tecnologia trouxe uma nova influência, está sendo importante. Agora, se pintura vai ser uma coisa de terapia no futuro eu não sei...
Pergunta - Outro dia, no MOMA, instalaram uma tela de LED imensa mostrando uma obra ondulante, que se movimenta o tempo todo, não tem uma forma fixa, tem milhões de formas, muitas cores, tem música, enfim tem uma nítida função terapêutica, ou seja, ali não tem criação é pura inteligência artificial, enfim, será que é isso que dominará o espírito da arte?
"Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor..."
Humberto - Nessa homenagem que fizeram a mim em Bonito, com a instalação de um quadrilátero, onde as pessoa têm uma interação com minha obra, a gente já percebe uma coisa diferente. A inteligência artificial pega e trabalha minha obra de outro jeito, vira de cabeça para baixo, pega essas ondulações de mistura de cores e estabelece outro conceito. As crianças adoram, às vezes têm leituras maravilhosas que são feitas pelas crianças, eu fico espantado de ver como elas são criativas, mas não sei se o futuro das artes plásticas será a da inteligência artificial e do algoritmo...Acho que isso aí é um problema do futuro, quer dizer, eu cheguei aos 80 anos com uma concepção de pintura, não vou mudar aquilo que parece que vai permanecer. Agora, uma coisa é certa: sempre terá pintura boa, pintura ruim, tem tudo dentro de tudo, tem o bom ou o ruim, o medíocre e o médio, isso acontece em todas as áreas, na música, no teatro, no cinema, nas ciências, não tem como fugir, faz parte do processo civilizatório. O meu trabalho é uma coisa minha, pessoal, que me satisfaz, me realiza, me tranqüiliza, assenta a minha alma. Eu me sinto na história
Pergunta – Como é viver de arte no Brasil?
Humberto - Eu sobrevivi até agora, bem ou mal eu sobrevivi, porque você sabe que o mercado tem altos e baixos. Hoje estou pintando menos porque a pintura é uma coisa muito especial, estou num momento especial da vida minha. Eu sou de temporada, às vezes pinto 12 horas, produzo 17 quadros em poucos dias, depois dou um tempo, fico três meses sem pintar, porque também preciso, ouvir música, viajar, ver outras coisas. A pintura absorve muito, agora apareceu uma tendinite, resultado de anos e anos só dentro desse movimento da munheca, então a gente tem que se tratar, se cuidar... hoje, por exemplo, eu tenho um limite para trabalhar aqui, não posso passar de 3 horas sentado pintando, enfim, essas limitações físicas acontecem, eu acho super natural. Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor...
Humberto – Conforme passa o tempo, você se auto-avalia? Você acha que seu trabalho está melhor ou pior? Qual sua percepção?
Humberto - Sou disciplinado, sou exigente com meu trabalho, com as coisas que vou fazer. Escrevi um livro na pandemia que até agora não publiquei. É sobre as coisas que eu contava para as pessoas sobre minha infância e adolescência, não chega a ser um livro de memórias, estou chamando de digressões da memória porque a memória, na verdade, somos nós. Eu escrevi coisas que aconteceram na minha casa, a história da minha avó, sobre Dom Aquino que vinha nos visitar, então, são memórias que tem muito a ver com Campo Grande porque eu conheci a cidade quando ela era um ovo. A rua Rui Barbosa era um Areal, eu vi Getúlio Vargas fazendo campanha. Me formei em jornalismo. Quando eu vim para Campo Grande estava começando aquele movimento das artes plásticas, já era um pintor de férias que estava estudando história da arte no curso de jornalismo, na grade tinha um professor excelente de história da arte e aí eu me apaixonei. Comecei a procurar minha pintura quando eu conheci a Aline. A gente começou um movimento para levantar a arte mato-grossense, precisava de um carro- chefe, senti que eu tinha que fazer alguma coisa de projeção nacional, então busquei ser esse carro-chefe e decidi não ser escritor. Falei: vou pintar e aí comecei a me apaixonar pela pintura e entrei numa viagem profunda, fui indo e me conhecendo. Acho que arte tem muitos caminhos de crescimento espiritual, percorri todas as religiões que você possa imaginar até chegar a ser totalmente ateu como sou hoje. Essa é uma coisa que nem dá para falar muito porque choca muitas pessoas. Fui um agnóstico que encontrou o ateísmo. Hoje estou me preparando para morrer porque me preparei para vencer na vida, me preparei para ser homem, me para sair daqui na juventude e entrar na vida adulta, me preparei para fazer o meu trabalho pela sociedade e agora estou me preparando para morrer. Isso é super natural, que sorte eu tenho porque posso pensar nisso com tranquilidade...
Fonte: Dante Filho, “Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi”, publicado em 4 de setembro de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos | Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul presta homenagem ao renomado artista Humberto Espíndola neste dia 04 de abril completa 80 anos de vida. O escritor e artista visual foi o primeiro secretário de Estado de Cultura de MS de 1987 a 1990 e organizou, com Aline Figueiredo, a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde fundaram, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Artista visual, começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquista uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira e tem seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS de 2002 a 2005 e coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, em Corumbá/MS.
Visto como uma abordagem crítica à nobreza da pecuária e seu feudo nos anos de 1960/70, a bovinocultura do artista ganhou o mundo e deu vazão às artes de Mato Grosso uno, em um tempo de isolamento do oeste brasileiro, expondo nas bienais internacionais de Paris, Veneza, Medellin, Havana, São Paulo.
Jornalista, entre um querer pela arquitetura e o desejo do pai de se tornar advogado, o artista começou a pintar desde os 13 anos, já morando em São Paulo com os avós, desiludiu-se momentaneamente pelas artes e retomou a paixão pela pintura aos 20 anos ao conhecer Aline Figueiredo, pantaneira guerreira e de talento reconhecido. “Eu desenhava desde garoto, até com uma mangueira, quando lavava a calçada de casa, criando figuras no muro. Depois, já adolescente, cheguei a escrever poesias motivado por algumas paixões malucas”, disse numa Roda de Conversa durante o Festival Campão Cultural, em outubro do ano passado.
“Hoje somos chamados de mega-oeste, vi isso na internet. O futuro é aqui, o início do Brasil novo. Campo Grande é uma cidade ansiosa de ser grande e nós campo-grandenses temos muito disso. Foi uma cidade de papelão, lá atrás, agora se recupera, tanto cultural, como social, e o momento principal está chegando”.
“Eu vi Campo Grande crescer, vivi toda essa transformação. […] Eu nasci aqui, saí e voltei e resolvi ficar, poderia ter saído pelo mundo, Nova York, Paris. Minha mãe foi um paraquedas para puxar tantos artistas para essa terra. E estou feliz por estar aqui e ter uma história para contar”.
Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Max Freitas, Humberto Espíndola é um dos maiores artistas do nosso Estado. “Suas obras nos fazem refletir sobre diversas relações que temos com a terra, a vida e o boi, seu maior objeto de trabalho ao longo de todos esses anos. É muito gratificante viver na mesma época que este grande artista e ele merece todas as honras em vida.”
Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 38), Humberto Espindola ainda está na ativa – “a pintura é minha meditação, vida, fico em outro plano” – e finaliza um terceiro livro, “Digressões”, de contos biográficos e memórias dos anos 40-60 vividas em Campo Grande, São Paulo, Cuiabá e Curitiba, onde se formou em jornalismo. “São minhas histórias, da família, dos irmãos, casos de casa. Não sei até onde tem verdades e mentiras”, ironiza.
O secretário de Estado de Turismo, Esporte Cultura e Cidadania, Marcelo Miranda fala da grandiosidade do artista. “O Humberto é o escritor e artista visual que começou a projetar o nome e o universo da arte do Mato Grosso do Sul no Brasil e no mundo. Ele tem o dom de contar a história do Estado através de suas obras, que partem do tema do boi, visto como símbolo da riqueza. Retratando o poder, uma vez que a bovinocultura é tão presente aqui. O seu legado nestes 80 anos vai muito além das suas telas e livros, passam pela sua leitura da sociedade, pelas suas vivencias diárias. E eu sou imensamente grato por estar secretário dessa pasta tão ampla e proporcionar para a sociedade uma mostra das obras desse grande artista”.
Exposição
Em comemoração aos 80 anos de vida de Humberto Espíndola, em homenagem à sua trajetória como artista sul-mato-grossense, o Museu da Imagem e do Som de MS, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, realiza uma exposição com as obras de Humberto que fazem parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MARCO). Também farão parte da exposição exibições em vídeo contando um pouco da história do artista.
A exposição será aberta ao público no dia 14 de abril de 2023, no MIS, que fica no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania Apolônio de Carvalho: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559. Entrada franca!
Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, “Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos”. Texto: Silvio Andrade e Karina Lima, publicado por Karina Medeiros de Lima em 04 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
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Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro) | Sociedade dos Poetas Amigos
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começou a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira.
Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Sua obra foi mostrada nas Bienais de São Paulo, Veneza, Paris, Medelim.
Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.
É difícil traçar o próprio perfil em poucas linhas. Vejo em mim muitas vidas quando olho para trás. E tenho muitas facetas no meu cotidiano. Mas meu humor é estável, pelo menos isso. Se você olhar minha trajetória artística pode ser um bom começo para saber quem ou como sou, e o que já fiz e continuo fazendo.(Humberto Espíndola)
Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola, cuja obra reflete a sociedade e a economia do Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste.
Humberto Espíndola é um nome destacado na história da cultura brasileira, sendo considerado um dos principais artistas plásticos da região centro-oeste. Num estado com mais de 30 milhões de cabeças de gado, ele é conhecido como o ‘pintor dos bois’. A cotação da sua ‘arroba’ é a mais cara do estado e comprador não falta. O segredo é que os bois de Humberto não morrem jamais. Tornam-se imortais depois de soltos entre os quatro cercados da tela.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
2008 - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas, MS.
2007 - Representa o Brasil no 4º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
- Pinturas e gravuras, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2006 - Monumento Bovinocultura - O carro-chefe (ferro e aço, 4.10 x 8 x 3.50m),
Cuiabá.
- Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (pintura, 800 m²), Edifício Salim
Kassar, Corumbá, MS.
- Territórios, coletiva no Museu de Arte Contemporânea/MAC/USP, São Paulo.
- Bovinocultura: Obras recentes, individual no Centro de Eventos do Pantanal,
Cuiabá.
- Abstrações rurais, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2005 - Arte Campo Grande, coletiva no Armazém Cultural, Esplanada da Ferrovia,
Fundação Municipal de Cultura, Campo Grande.
- Pequenos formatos, individual/lançamento do site no Shopping Campo Grande.
2004 - Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA,
pela carreira artística e contribuição à cultura brasileira.
- Arte Brasileira: Anos 60 e 70, coletiva em Juiz de Fora, MG.
- Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX, coletiva do Studio Centro
Histórico, Cuiabá.
2003 - BrazilianArt III, coletiva de lançamento do livro homônimo em São Paulo, SP e
Rio de Janeiro.
- A arte atrás da arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo, SP.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte de Londrina, PR.
2002 - Política, moda e arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM de São Paulo.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande, MS e no Museu de Arte e de
Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
2001 - Touros e Onças, com João Sebastião Costa, Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
- Cores de Março, coletiva na Galeria do Yázigi, Campo Grande.
2000 - Bovinocultura 1967/99 - Panorama Retrospectivo, individual na Casa Andrade Muricy, Curitiba.
1999 - Ibypitanga, coletiva inaugural da Art Galeria Mara Dolzan, Campo Grande.
- Grafias eletrônicas, individual inaugural da Galeria Yázigi, Campo Grande.
1998 - Inter-Cidades, coletiva em cidades de MS, produção Art Galeria Mara Dolzan.
- Rodeios, individual na Galeria do SESC Horto (mostra inaugural), Campo
Grande.
1997 - Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, coletiva no Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz; Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/USP.
- Painel interno Memórias de Mato Grosso do Sul (328x375cm), Casa da
Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande.
1996 - Viva Brasil, coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.
- Expobrasil/96, coletiva em Tóquio, produção Galeria Art-Con.
- Monumento Cabeça de Boi (escultura em ferro e aço, 8x2.50x0.30m), Praça
Cuiabá, Campo Grande.
1995 - Individual no Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, lançamento do livro A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT 1994, Cuiabá.
1993 - Sala Especial no XX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande.
1992 - EcoArt, coletiva da Eco 92 no Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1990 - Pintura Contemporánea de Brasil, coletiva na Casa Rômulo Gallegos,
Caracas.
- Olhar Van Gogh, coletiva no MASP, São Paulo.
- Individual no Museu Guido Viaro, Curitiba.
1989 - Representa o Brasil na II Bienal Internacional de Cuenca, Equador.
1987 - Individual na Sadalla Galeria de Arte, São Paulo.
- 20 Anos de Bovinocultura, individual no Centro Cultural José Octávio Guizzo,
Campo Grande.
1986 - Individual na Art-Con Galeria de Arte, Campo Grande.
1985 - Nelores, individual por ocasião do I Leilão de Gado Nelore, Campo Grande.
1984 - Representa o Brasil na I Bienal de Havana.
- Artista convidado no VII Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte
Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
1983 - Individual na Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.
- Individual na Modus Vivendi Galeria de Arte, Porto Alegre.
1982 - Entre a mancha e a figura, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- 1ª Exposição de Arte Latina, coletiva em Recife.
- Individual na 44ª Expogrande, Campo Grande.
1981 - Figuração Referencial -11º Salão Nacional de Arte, Museu de Arte de Belo Horizonte.
- 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Tóquio, Kioto e Nekai, Japão;
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
1980 - Prêmio aquisição no 1º Salão Arteboi, Montes Claros. MG.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba.
1979 - Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1978 - Representa o Brasil na 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura do México.
- 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, São Paulo.
1977 - Prêmio Melhor do Ano (pintura), Associação Paulista de Críticos de Arte.
- Arte Agora II/Visão da Terra, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- Rosas/Rosetas, individual no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado, São Paulo; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e
Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1976 - Arte Agora I/Brasil 70-75, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
1975 - Prêmio aquisição no 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa
Econômica de Goiás, Goiânia.
1974 - Mural externo Bovinocultura, Palácio Paiaguás (3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), sede do Governo de Mato Grosso, Cuiabá.
1972 - Representa o Brasil na 36ª Bienal de Veneza, Itália.
- Representa o Brasil na 3ª Bienal de Arte Coltejer, Medellin, Colômbia.
- Individual na Galeria Portal, São Paulo.
- Individual na Galeria Ipanema, Rio de Janeiro.
1971 - Prêmio bolsa de estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo.
1969 - Representa o Brasil na 10ª Bienal Internacional de São Paulo.
- Indicado à 4ª Bienal de Paris (a representação brasileira foi impedida pela
censura).
- Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea/MAC da USP, São Paulo.
- Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte.
- Individual na Sala Göeldi, Rio de Janeiro.
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal de Campinas no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP.
- Grande Prêmio no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP.
- Referência Especial do Júri na 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas de
Salvador.
1967 - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília.
- 17º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- 23º Salão Paranaense de Artes Plásticas, Curitiba,.
- Individual no Museu Regional do Pantanal, Corumbá, MS.
1966 - 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato- grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
Obras em acervos públicos
- BrazilianArt, Jardim Contemporâneo Editora, São Paulo.
- Casa de Cultura José Martí, México, DF.
- Casa de Cultura Wifredo Lam, Camagüey, Cuba.
- Caixa Econômica Federal, Brasília.
- Coleção Nemirowsky, São Paulo.
- Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.
- Ludwig Fórum für Internationale Kunst, Aachen, Alemanha.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Curitiba.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo.
- Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Fundação de Cultura de MS, Campo
Grande.
- Museu de Arte da Pampulha/MAP, Belo Horizonte.
- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP, São Paulo.
- Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo.
- Museu de Arte Paranaense/MAP, Curitiba.
- Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.
- Universidade de Desenvolvimento do Pantanal/Uniderp, Campo Grande.
- Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá.
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Campo Grande.
Produtor Cultural
2004/06 - Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
2002/04 - Gestor Artístico do Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo
Grande.- Curador do Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
1991/92 - Diretor Cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande.
1987/90 - Primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul.
1973/82 - Co-fundador e Diretor do Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1977/79 - Colaborador no livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte).
1973 - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do Museu Indigenista Candido Rondon, UFMT, Cuiabá.
1967/72 - Co-fundador e Diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
1966 - Co-organizador da 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
“Quando eu comecei era um vazio sem fim. Não tinha patrocínio, nem casa de exposição ou galeria, não tinha museu, incentivo de tipo nenhum”, conta Humberto mostrando a diferença da valorização da arte atualmente, com os museus de Campo Grande cada vez mais estruturados, espaços culturais, os Festivais de Bonito e América do Sul que acontecem com ajuda de leis de incentivo fiscais que, segundo Espíndola, são fatores que fazem Mato Grosso do Sul estar inserido no mapa cultural do Brasil. Incentivos estes que ajudam os artistas regionais propagarem seu trabalho lá fora, fazendo com que Mato Grosso do Sul não seja visto somente como Estado criador de gado, mas também um Estado que produz cultura, arte de qualidade.
O artista plástico acredita que sua formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural, e é o que efetivamente faz a sua terra ter seu valor exposto, se valorizado conseqüentemente terá sucesso e reconhecimento acima de tudo pelo amor à sua profissão. “Vale lembrar, entretanto, que como o ofício de pintor é pintar, a minha paixão pela pintura, não tenho dúvidas, é ainda maior do que essa que sinto pelo boi”, confessa o artista.
Para um artista que resolveu pintar o boi, não foi difícil perceber o quanto a figura desse animal carecia de dignidade ou status, sob o ponto de vista da maioria dos consumidores da pintura. Mas esse preconceito sobre a imagem do boi não implica só o comportamento do mercado de arte, implica também as opções intelectuais responsáveis pela animação cultural de cada região. Para um pintor que se envolveu com essas reflexões o desafio temático continua sendo inspiração que leva à realização da obra, já que minha formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural do artista.
Por outro lado, observei que a imagem do boi — entenda-se nesta expressão o touro e a vaca também, em muitas culturas é absorvida com maior receptividade que entre nós. Seja como produto de consumo, propaganda, arte ou mesmo símbolo religioso. A diferença para uma maior ou menor receptividade está certamente na história iconográfica dessas culturas. Nas culturas orientais a imagem do boi é totalmente absorvida, pois ele está ali presente há milênios nos campos, ritos e cultos, e conseqüentemente na arte.
Minhas novas séries de pintura apresentam várias facetas ao mesmo tempo, o que faz com que me sinta bem diante dessa simultaneidade de portas, excitando-me a criação. O mais importante é que a simbologia do boi vem alimentando um crescente vocabulário sígnico na minha linguagem plástica. No decorrer desses anos, a bovinocultura me levou sempre a procurar relações universalizantes: pecus-pecunia, rosas/rosetas, rosa-boi, entre outras abordagens. E durante esse processo, tema e plástica foram se redefinindo, abertos para a liberdade de mergulhar no inconsciente coletivo e trazer de volta, nas tintas, sempre uma nova expressão. — Humberto Espíndola.
"Espíndola transmitiu, também, com a imagem do boi, a capacidade dual que o homem lhe impõe, isto é, o terno animal dos pastos também será besta satânica. Com as patas expressa o massacre, com os chifres a opressão e com o corpo o poder. Humaniza o boi para traduzir a força sócio-política e econômica. Associa-o ao Minotauro, símbolo da dualidade onde o homem e o animal se confundem. Assim, minotauros de hoje, famélicos senhores bovinos transitam engalanados de uniforme, estrelas, dragonas e esporas, enquanto devoram uma sociedade marginalizada em seus mordazes labirintos". (In, A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, ed. UFMT, Cuiabá, 1994, cap.9)
" [...] São pinturas em pequenos formatos, cujos temas citam fases da pintura do artista e revelam-se através de recortes nítidos, destacando os símbolos que insistiram em se mostrar durante a sua trajetória artística. De figuração variada e colorido vibrante, essas pinturas reúnem partes de narrativas onde o boi quase sempre é herói, às vezes brincalhão, outras enigmático, outras um retrato incômodo de algum político autoritário ou, até mesmo, de um faraó. Os bois se apresentam ao público, cada um a seu modo, exibindo os seus troféus, seus atributos, enfim, as características que os fizeram parte da história cultural do Brasil." — Mariza Bertoli, 2005)
" [...] Editadas cuidadosamente sobre papel, numeradas individualmente, as gravuras de Humberto somam ao seu universo criativo um toque de experimentação além da sua indiscutível qualidade imagética. Humberto Espíndola, nos remetendo a um passado mítico, começa a olhar e a falar com outros meios expressivos atualizando seus arquétipos editados sob forma eletrônica. As formas taurinas explodem, incendeiam-se e, quando se supõe que viraram pura imagem luminosa elas voltam a nos falar das máscaras trágicas, do mágico e do mítico" — Noemi Ribeiro, 1996.
"Depois de ter pintado o boi de todas as formas, Humberto Espíndola decidiu ultimamente retratá-lo numa linguagem minimalista sintética. [...] Surgiram formas que lembram criaturas encapuzadas, com raízes no momento atual." — Maria da Glória Sá Rosa, 2002.
"Ambicioso e complexo, o trabalho de Humberto Espíndola pode ser visto como um todo através de uma técnica essencialmente plural, o assemblage, onde distintos materiais são esgotados em suas qualidades plásticas, num jogo de interdependência para a criação de novos significados. Isto quer dizer que iremos encontrar sobre uma mesma superfície, a madeira, colagens de couro de boi, tinta acrílica e grafismos pirogravados. São quadros-objetos que enunciam o diálogo entre signos da cultura regional — o couro, as marcas de propriedade, e da cultura erudita, na medida em que o artista atribui-lhes novos significados ao combiná-los singularmente" — Maria Adélia Menegazzo, 2002.
"A queixada dentada do boi parece um boomerang, rosa dos ventos, entronizada no alto da coluna, com seu azul maravilhoso. O que temos agora é um novo tipo de capitel. Não se trata de nenhuma ordem clássica — dórica, jônica, coríntia — mas de uma ordem pantaneira, ou melhor, metáfora de um classicismo de tipo novo, crescendo à porta da selva amazônica, fundando suas colunas nos pantanais do Brasil Central" — Frederico Morais, 1981.
Painel no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
"...impressionante painel de Espíndola no Palácio do Governo, no qual o boi como que aparece devorando o vazio do pantanal, estendendo seu olhar para muito longe, numa tentativa de apreender as dimensões continentais do nosso país e do próprio Continente. Dizia, então, que em regiões como esta, o artista não pode sussurrar, precisa falar alto, berrar, sair de sua timidez, pois, só assim, estará correspondendo aos desafios do isolamento e da distância" — Frederico Morais, 1981.
Da série Divisão dos Estados
Ano em que conheci Aline Figueiredo, que estava reunindo todos os artistas plásticos de Mato Grosso Uno, para "A Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses" O Evento aconteceu nos salões do Radio Clube central (hoje desativado) e contou com 600 pessoas na abertura. Em minha análise histórica, ainda eram os ecos da Semana de 22 que só então chegavam entre nós, vítimas do isolamento cultural. Naquela época, Campo Grande tinha pouco mais de cem mil habitantes. Hoje, depois de muitas batalhas, já estamos perfeitamente sintonizados no circuito nacional.
Tirar o velho Mato Grosso Uno de secular isolamento cultural.
Colocar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no circuito da Arte Brasileira.
O boi leva suas patas para além do verde.
Chega o deserto.
Depois de uma caminhada pelo pais
as florestas ressentem...
A carne cobra seu preço
Na gordura quente do cupim elevado,
um monte reluz brancuras de neve.
Sob o azul de prata de um céu aberto,
o pasto invisível da imaginação
Dunas de carne se fingindo areia.
Boiada, sob lençóis.
Seus cupins ondulam no mar vermelho,
escondidos
sob o manto branco que clareia os campos
Na busca de pastagens
fui tuitando até o sigaquetesigo.
Encontrei muita carne
e muito pouco espírito.
Mas para a arte do boi
@
é peso e poesia
Asa flor
no jardim de asa
e azaléia
Imóvel de vento e beijo
solidão pulsante
descoberta à luz do dia
Rufar de asas
tambores suaves
de mensagens caladas
sem sal de lágrimas
Espíndola Canta (CD, 2003): Humberto participa do projeto Espíndola Canta atuando como cantor e compositor com a canção Malditos astros, e na composição Reino do Pantanal, interpretada por Gílson Espíndola
Malditos Astros
(Humberto Espíndola)
Nasci faz tão pouco
E já morri na mágoa de viver
De tão pequeno que fui Deus nem me viu
Ou se me viu já era tarde
Pois quem já nasce magoado
Morre magoado até o fim
Não quero não devo falar de ninguém
Talvez a grande culpa seja mesmo dos
Astros
Ah... malditos astros
Que me regem os passos
Profundamente magoados
Pesarosamente cientes
De suas rotas impassíveis
Reino do Pantanal
(Jerry e Humberto Espíndola)
Deita o sol
no lençol sem luar
estrelas assim brilham mais
no reino do Pantanal
índio ou peão
o caipira alí está
no Brasil, do nordeste a São Paulo
pantaneiro sofre ao se intregar
nesse desmanchar no ar
sem remédio pra curar a raiz
que perde a nação
na curva do rio
dramas de televisão
na alma ansiedade inventa canção
prisioneiro de seu pasto
sua fuga é na vazante
sua janela é sua porta
vôa peão
cavaleiro seu gingar
goza louco a galopar
crê o barco sua cama
pensa a cama sua chama
liberdade o que é que é
é saudade ou é mulher
e a ninguém o rio conta
sua paixão e solidão
fica peão
"Tenho uma história e trajetória de que me orgulho, mas sou um sujeito simples e consciente o suficiente para fazer de minha arte o instrumento de meu crescimento espiritual. A modéstia e a compaixão são duas virtudes que me fascinam. Amo a arte acima de todas as coisas..." (Humberto Espíndola)
Fonte: Sociedade dos Poetas Amigo, “Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro)”.
Crédito fotográfico: Museu de Arte e de Cultura Popular, "Humberto Espíndola". Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
1 artista relacionado
Humberto Espíndola (4 de abril de 1943, Campo Grande, MS), é um artista visual brasileiro. Autodidata, formou-se em Direito, mas desde os anos 1960 dedica-se às artes visuais, tendo iniciado sua carreira em 1967 com sua primeira exposição individual. Sua produção, marcada por crítica social e inovação estética, inclui pinturas, objetos, instalações e performances, notadamente os trajes-esculturas conhecidos como “Bovinos”, com os quais participou de ações performáticas e exposições. Teve sua obra influenciada por movimentos como a nova figuração e a arte conceitual, mas construiu uma linguagem própria, enraizada nas questões ambientais, econômicas e culturais do Pantanal. Participou de importantes eventos nacionais e internacionais, como a Bienal Internacional de São Paulo (1969, 1971), a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984, 1989) e a Bienal Internacional de Cuenca (1989), além de ter integrado exposições como Tradição e Ruptura (1984, MAM-SP) e Bienal Brasil Século XX (1994). Recebeu diversas premiações e teve papel importante como gestor cultural e incentivador da arte na região Centro-Oeste. Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o MAM-SP, MAC-USP, MARCO e Museu de Arte de Brasília. Humberto Espíndola é uma das figuras centrais da arte brasileira fora dos grandes centros e referência incontornável da arte moderna popular do país.
Humberto Espíndola | Arremate Arte
Humberto Espíndola é um dos nomes mais emblemáticos das artes visuais do Centro-Oeste brasileiro. Nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 1943, Espíndola construiu uma carreira marcada pela reflexão crítica e estética sobre a identidade regional, com foco na representação do universo rural, particularmente o universo do gado bovino, símbolo recorrente em sua obra. Desde o final dos anos 1960, desenvolveu uma linguagem visual própria, comprometida tanto com questões sociais quanto com um repertório poético que equilibra tradição e modernidade.
Formado em Direito pela Universidade Católica do Paraná, Humberto começou a se destacar no cenário artístico a partir da segunda metade da década de 1960. Seu envolvimento com as artes plásticas coincidiu com o surgimento de movimentos renovadores na arte brasileira, como a nova figuração e a arte conceitual, que influenciaram sua poética visual. Ao mesmo tempo, ele permaneceu enraizado nas questões regionais e culturais de sua terra natal, transformando o Pantanal, a pecuária e o imaginário do boi em signos artísticos recorrentes, ressignificados em suas telas, esculturas, instalações e vestimentas performáticas.
O marco inicial de sua carreira foi em 1967, quando participou da 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses. No mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual. A partir daí, sua produção ganhou destaque nacional e internacional, com participações em salões de arte e bienais importantes, como a Bienal Internacional de São Paulo, a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984 e 1989) e a Bienal de Cuenca, no Equador (1989). Sua obra também integrou exposições coletivas como “Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras”, promovida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, e a “Bienal Brasil Século XX”, da Fundação Bienal.
Espíndola inovou ao criar uma estética crítica sobre o sistema econômico e cultural do campo, especialmente sobre a bovinocultura. Criou os chamados “Bovinos”, seres híbridos entre animal e vestimenta, figuras cênicas que transitam entre o objeto artístico e a performance. Esses trajes-esculturas foram usados por ele em ações públicas e exposições, e se tornaram símbolo de sua obra e de seu pensamento político e artístico. Em “A farra do boi”, um dos momentos mais representativos de sua trajetória, Humberto aborda com ironia e sarcasmo a lógica do consumo e da exploração animal como metáforas das relações sociais e de poder.
Ao longo de sua carreira, Humberto Espíndola se destacou também como gestor cultural e ativista das políticas públicas para a arte. Exerceu cargos de direção em instituições culturais no Mato Grosso do Sul e foi curador de importantes mostras. Sua atuação ajudou a consolidar o circuito artístico da região Centro-Oeste, incentivando novos artistas e fortalecendo os vínculos entre arte, identidade local e memória.
Em mais de cinco décadas de atuação, Espíndola realizou dezenas de exposições individuais e participou de centenas de mostras coletivas. Sua obra está presente em acervos de instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Museu de Arte de Brasília (MAB), o Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul (MARCO), entre outros.
Humberto Espíndola | Itaú Cultural
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1943). Pintor, desenhista. Destaca-se pela produção artística que parte do tema do boi, símbolo da riqueza da sua região.
Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. A série Bovinocultura, iniciada em 1968, realiza um retrato sarcástico da sociedade do boi, que é principalmente moeda e símbolo de poder.
Em seus primeiros trabalhos, apresenta o animal envolto em penumbra, provocando estranheza. A efígie do boi, em suas telas, é colocada em um primeiro plano, ou isolada em um oval central, ganhando a dimensão de nobreza de um retrato. Em Glória ao boi nas alturas (1967), utiliza uma deliberada frontalidade do animal, em torno do qual se acumulam máscaras, imprimindo ao quadro um ritmo dinâmico.
Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio de melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à cabeça de boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1995.
Alguns quadros do artista possuem um sentido simbólico, com a utilização das cores da bandeira brasileira. Em outros, emprega crachás e medalhas, que remetem a exposições agropecuárias. Como nota o crítico Frederico Moraes (1936), Espíndola humaniza o boi, para denunciar a vontade de poder do ser humano, como ocorre em O tirano (1984). Já na série Arqueologia do boi – Boi branco (1993), destacam-se o uso de tonalidades rebaixadas e o caráter mágico. O artista realiza posteriormente gravuras geradas e coloridas em computador, nas quais obtém grande potência no colorido, como em Vaca escada (2001).
Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.
Representante da região onde nasceu, Humberto Espíndola acaba por ser um dos principais artistas visuais da sua geração e ajuda a divulgar a cultura do Mato Grosso do Sul muitas vezes a partir de uma postura crítica. Com obras expostas no Brasil e no exterior, o artista contribui para a descentralização da produção artística brasileira contemporânea, concentrada majoritariamente no sudeste.
Exposições Individuais
1967 – Individual de Humberto Espíndola
1969 – Individual de Humberto Espíndola
1971 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1978 – Individual de Humberto Espíndola
1979 – Humberto Espíndola: pinturas
1980 – Individual de Humberto Espíndola
1982 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Humberto Espíndola: pinturas recentes
1984 – Individual de Humberto Espíndola
1986 – Individual de Humberto Espíndola
1987 – Humberto Espíndola: 20 anos de bovinocultura
1987 – Individual de Humberto Espíndola
1990 – Individual de Humberto Espíndola
1998 – Humberto Espíndola: pinturas
2000 – Humberto Espíndola: bovinocultura 1967-1999
2000 – Humberto Espíndola: panorama retrospectivo 1967-1999
Exposições Coletivas
1966 – 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses
1967 – 24º Salão Paranaense de Belas Artes
1967 – 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal
1968 – 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 – 23º Salão de Belas Artes da Cidade de Belo Horizonte
1968 – 2º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1968 – 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo
1968 – 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1968 – 2º Salão Esso de Artistas Jovens
1968 – 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 – 4º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1968 – 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1969 – Pintores do Brasil
1969 – 2ª Exposição Nacional de Arte
1969 – 18º Salão Nacional de Arte Moderna
1969 – 10ª Bienal Internacional de São Paulo
1969 – 3ª Jovem Arte Contemporânea
1969 – 1º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1969 – 26º Salão Paranaense
1970 – 1º Panorama de Artes Plásticas em Campo Grande
1970 – 4º Salão da Cultura Francesa
1970 – 2º Panorama de Arte Atual Brasileira
1970 – 4 Grupos de Aquisições Recentes e Doações da ISPA
1970 – 19º Salão Nacional de Arte Moderna
1970 – 8º Resumo de Arte JB
1970 – 25 Pinturas do Acervo do MAM-SP
1970 – Pré-Bienal de São Paulo
1970 – 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1971 – 5 Artistas de Mato Grosso
1971 – 20º Salão Nacional de Arte Moderna
1971 – 11ª Bienal Internacional de São Paulo
1971 – Exposição de Múltiplos
1972 – 3ª Bienal de Arte Coltejer
1972 – 36ª Bienal de Veneza
1972 – Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e Brasil Plástica - 72
1972 – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
1973 – Múltiplos
1974 – Mostra Inaugural do Museu de Arte e de Cultura Popular
1974 – Café, Poluição, Bois e Bandidos
1975 – 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixego
1975 – Panorama das Artes Plásticas de Mato Grosso
1975 – 24º Salão Nacional de Arte Moderna
1975 – Arte no Brasil: documento/debate
1976 – 25º Salão Nacional de Arte Moderna
1976 – Arte Agora I
1976 – 10º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1976 – Arte Brasileira: figuras e movimentos
1976 – Arte Brasileira no Século XX: caminhos e tendências
1977 – 2ª Arte Agora: visão da terra
1978 – Artistas Brasileiros
1978 – 1ª Bienal Ibero-Americana de Pintura
1978 – Artistas de Mato Grosso do Sul
1978 – 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo
1979 – 36º Salão Paranaense
1979 – 11º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1980 – Mostra Comemorativa 10 Anos da UFMT
1980 – 1º Salão de Montes Claros
1981 – Brasil-Cuiabá: pintura cabocla
1981 – 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1981 – 1º Salão Regional de Artes de Goiânia
1981 – Pablo, Pablo!: interpretação brasileira de Guernica
1981 – 4º Salão Nacional de Artes Plásticas
1982 – 4 Artistas de Mato Grosso
1982 – 1ª Exposição de Arte Latina
1982 – Rio Cuiabá: ponto de vista do artista
1982 – Entre a Mancha e a Figura
1983 – Brasil Pintura
1983 – 30 Anos de Arte no Brasil
1983 – Mostra Inaugural do Centro de Cultura Referencial de MS
1984 – Pintura Brasileira Atuante
1984 – 27 Paisagens Brasileiras
1984 – 1ª Bienal de Havana
1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas
1986 – Ecologia-Tradição e Atualidade
1987 – O Ofício da Arte: pintura
1988 – Referências Pantaneiras na Pintura
1988 – Arte de Mato Grosso do Sul
1989 – Pinturas de Mato Grosso do Sul
1989 – Cada Cabeça Uma Sentença
1989 – 2ª Bienal Internacional de Cuenca
1989 – 3ª Bienal de Havana
1990 – Arca de Noé
1990 – Pintura Contemporânea de Brasil
1990 – Arte Brasil 90
1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1991 – Panorama dos Aspectos Míticos do Boi
1991 – O Que Faz Você Agora Geração 60?
1991 – 48º Salão Paranaense
1992 – Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas
1992 – 20º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1992 – Eco Art
1993 – 23º Panorama de Arte Atual Brasileira
1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1994 – Bienal Brasil Século XX
1995 – Salão em Preto e Branco
1996 – Expobrasil 96
1996 – Viva Brasil (Santiago, Chile)
1996 – Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP
1997 – 6 Artistas Brasileiros
1997 – Dimensões da arte Contemporânea
1998 – Brasil: Anos 20 a 70
2003 – A Arte Atrás da Arte
2003 – Projeto Brazilianart
2003 – Arte Brasileira no Acervo do MAP
2004 – Panorama da História das Artes Plásticas no MS
2004 – Artistas do Centro-Oeste
2005 – Mostra Brasil Central de Artes Plásticas
2005 – Formas Brasileiras
2006 – Brasiliana MASP
2007 – Binária: acervo e coleções
2007 – Panorama – 30 Anos da Divisão do Estado
2007 – Divisão de Mato Grosso
2007 – Neovanguardas
2009 – A Arte de Colecionar-te
2009 – Olhar da Crítica
2010 – Um Dia Terá Que Ter Terminado: 1969/74
2011 – 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste
2018 – Movimento – mostra do acervo
2018 – Acervo CAUA-UFAM
2019 – Os anos em que vivemos em perigo
2022 – Histórias brasileiras
2025 – Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70
Fonte: HUMBERTO Espíndola. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 05 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Humberto Espíndola | Wikipédia
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganhou vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Fonte: Wikipedia. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – Cadeira nº 38
Humberto Augusto Miranda Espíndola é artista visual, poeta, escritor e crítico de arte (membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA). Começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquistou uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira, tendo seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Nasceu em Campo Grande/MS, onde reside.
Foi primeiro Secretário Estadual de Cultura de MS (1987/90), sendo detentor de relevantes prêmios culturais e artísticos. Também crítico de arte, é membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS (2002/2005) e Coordenador de Artes Plásticas dos internacionais 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, realizados em Corumbá/MS.
Pelos relevantes serviços prestados à arte e à cultura, recebeu os reconhecimentos de Cidadão Benemérito de Campo Grande, pela Câmara Municipal, por levar o nome da cidade além das fronteiras nacionais, 1974; foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, Campo Grande, 2019; bem como Doutor Honoris Causa, pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, 2019.
Bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná/UCP, Curitiba, 1965.
Desde jovem publicou poemas em periódicos de Curitiba, em 1963/1964/1965, participando do livro Close (coletânea de poetas jovens do Paraná), Edições Centro Acadêmico Jackson Figueiredo, da Primeira Noite da Poesia Paranaense e da apresentação Nós Show, ambos no Teatro Guairinha, 1964. Nesta época, realizou a capa do primeiro livro de poemas de Leopoldo Sherner, O dia Anterior ao dia da Criação, entre outros, como de Sonia Regis Barreto e Regina Kristian. Ligado à literatura desde então, teve livro de poemas prestes a ser editado, mas desistiu ao decidir-se pela carreira de artista visual. Continuou sua produção artística acompanhando e atuando, ao longo dos anos, também ao lado da produção literária.
Produção Bibliográfica
Colaborador, com Carlos Alberto Marques de Medeiros, na pesquisa e idealização do livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977
Coorganizador, com Aline Figueiredo, do catálogo MACP da UFMT/Animação Cultural e Inventário do Acervo do Museu de Arte e de Cultura Popular, Entrelinhas Editora (edição para UFMT) 2010, indicado ao prêmio Jabuti 2011.
Autor do livro de poemas Pintura e verso, editora Entrelinhas, 2017
Autor do livro de contos Digressões, escrito durante a pandemia do corona vírus (prelo)
Atuação Profissional
Em sua atuação profissional, Humberto Espíndola iniciou desde jovem suas atividades artísticas, destacando-se como reconhecido e premiado artista plástico tanto no Brasil como internacionalmente. Foram dezenas e dezenas de importantes Exposições Coletivas e Individuais realizadas ao longo de sua carreira. Internacionalmente, participou das Exposições da 10ª e 11ª Bienal Internacional de SP (1969-1971); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972); 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Ibero-americana (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984) e 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); From Mato Grosso and Havana via NYC, Gallery 35 e Terra, Gallery 69, Nova Iorque (2014); além da 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Kioto, Nekai e Tóquio (Japão, 1981). Expôs ainda em Medellin, Colômbia (1972); Caracas, Venezuela (1990); Chile, Santiago (1996); Caracas, Venezuela (1990); Cochabamba e La Paz, Bolívia (1997); bem como em diversas capitais e cidades brasileiras em exposições internacionais nelas realizadas. Foi, em 1969, indicado à VI Bienal de Paris. Tem incontáveis premiações, entre elas Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA pela contribuição à cultura brasileira; Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos/SP; Referência especial do júri na 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador/BA; Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ; Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte; Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte; Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba/PR; Artista convidado no 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro/RJ. Possui obras no acervo de importantíssimos museus nacionais e internacionais.
Tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras na noite de 16 de dezembro de 2021, sendo saudado – em nome da ASL, na ocasião – pela acadêmica Raquel Naveira.
A Cadeira 38 da ASL pertenceu anteriormente aos saudosos acadêmicos:
Nelly Martins e Wilson Barbosa Martins
Fonte: Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Revista Pixe
Humberto Espíndola é pintor, desenhista e objetista, animador cultural, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Participou da 10ª Bienal Internacional de São Paulo e da 11ª, na qual obtém Prêmio Bolsa de Estudos no Exterior (1969/71); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972), 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Iberoamericana de Pintura (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984); 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); Pintura Contemporânea de Brasil, Casa Rômulo Gallegos (Caracas, Venezuela, 1990); Viva Brasil, Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile (Santiago, 1996); Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, Museu de Arte de Cochabamba, Museu de Arte de La Paz (Bolívia, 1988); Kingsman Foundation (Quito, Equador) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1997).
Premiado nos principais salões nacionais de arte (1968/1980), Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA, 1977), Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte pela trajetória artística e colaboração à cultura brasileira (ABCA, 2004). Entre as individuais, destaca-se Bovinocultura 1967/99 – Panorama Retrospectivo, Casa Andrade Muricy, Curitiba (2000); Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá e Museu de Arte Contemporânea/ MARCO, Campo Grande (2002); Museu de Arte de Londrina (PR, 2003). Participou de coletivas de arte brasileira em Nova Iorque (EUA, 2013/14).
Como animador cultural, co-organiza a Primeira Exposição de Pintura dos Artistas Mato-grossenses, Campo Grande, 1966; Co-fundador, diretor-técnico e atual vice-presidente da AMA – “Associação Matogrossense de Artes”, fundada em 1967; - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do “Museu Rondon”, Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá, 1973; Co-fundador e primeiro diretor do “Museu de Arte e de Cultura Popular”/MACP/UFMT, Cuiabá, 1973/82; Colaborador nas pesquisas para o livro “Artes Plásticas no Centro-Oeste”, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977/79; Primeiro Secretário de Estado de Cultura de Mato Grosso do Sul, 19871990; Diretor cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande, 1991/1992; Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul/MARCO, Campo Grande, 2002/2005; Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá/MS, 2004, 2005 e 2006. Com Aline Figueiredo organizou o livro “MACP – Animação cultural e inventário do acervo do MACP da UFMT” (Entrelinhas Editora, 2010); Autor do livro “Pintura e Verso” (Entrelinhas Editora, 2017).
Ainda sobre a trajetória do artista vale destacar a execução dos monumentos públicos: Mural externo “Bovinocultura”, Palácio Paiaguás (edifício-sede do Governo do Estado de Mato Grosso), 3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), Cuiabá/MT, 1974; Marco da “Cabeça de Boi” (ferro e aço, 8m), Praça Cuiabá, Campo Grande, 1996; Painel Memórias de Mato Grosso do Sul (328 x 375 cm), Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande/MS 1997; - Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (800m2), Corumbá/MS, 2006; - Monumento Bovinocultura – “O Carro-Chefe” (ferro e aço, 4,5 x 3 x 9m), Cuiabá/MT, 2006; - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas/MS, 2008.
Em 2019 foi agraciado pela Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande – MS) e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campo Grande – MS) com o título de Doutor Honoris Causa pelos relevantes serviços prestados a cultura.
Fonte: Revista Pixe, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi | Dante Filho
Visitei Humberto Espíndola na semana passada em sua casa, em Campo Grande, para cumprimentá-lo pela passagem de seus 80 anos, que transcorreu em abril deste ano, sem que houvesse homenagens à altura de sua obra e da sua representatividade na cultura brasileira. O Mato Grosso do Sul e o Brasil são assim mesmo, de pouco adianta reclamar.
Encontrei Humberto em total paz de espírito, trabalhando em novos quadros, e tivemos uma longa conversa, na qual apresento aqui uma breve síntese, que julgo expressar o momento especial em que o artista vive. Certamente, no futuro, o Estado - e seus governantes e autoridades - se ressentirá por não explorar com o devido louvor sua obra e suas memórias - o que, de resto, serão publicadas em livro que já está pronto e ainda não editado para lançamento.
Pergunta - Quando você está pintando um novo quadro, diante de uma tela branca, como é que tudo começa, qual é o processo de criação?
Humberto – Geralmente pego o papel e um lápis e faço um esboço do que poderá ser a tela, às vezes faço isso até num guardanapo. A maioria dos pintores usa esse tipo de procedimento. Quando comecei minha obra não fazia assim porque queria realmente botar Mato Grosso no mapa do cultural do Brasil. A metodologia do artista muda conforme o tempo em que ele vive. Já se vão quase 60 anos. Fundamos a Associação mato-grossense de Arte e a Aline Figueiredo fez aquela exposição, em 1966, aqui em Campo Grande, que foi a chegada da arte Moderna na nossa região. A nossa semana da arte Moderna foi essa exposição. Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo. Ultimamente, venho fazendo uma releitura do próprio boi porque, depois de 56 anos, acho que para mim vale a pena estar na história da arte brasileira como pintor do boi. Eu sou mais preocupado hoje com as cores, com as pinceladas, às vezes utilizo os esboços usando um projetor e aí vou vendo os arranjos, faço risco a carvão, às vezes melhoro o desenho antes de fazer a projeção.... esse é processo...
Pergunta – Você já pintou uma tela, apagou e fez tudo de novo, jogando uma tinta branca por cima e começando novamente do zero?
Humberto – Não, não eu pego uma tela nova, não gosto de pentimento porque a minha pintura precisa da luz. O Ilton Silva vivia fazendo isso, tem gente que faz, eu não gosto. Antigamente se fazia, na época do renascimento...
"Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo."
Pergunta - você já pintou um quadro que depois detestou?
Humberto – Isso aconteceu apenas uma vez. Quis ter o quadro de volta depois de vendê-lo. Queria queimar, eu já tentei recuperar esse quadro, mas a pessoa que adquiriu a tela gosta, eu já quis trocar, mas ela não aceitou. Acho que só tenho esse caso. De um modo geral eu gosto da minha pintura, já pintei quase quatro mil quadros.
Pergunta – No seu processo de criação qual filtragem pessoal você utiliza?
Humberto - Eu fiz meditação transcendental. Sou uma pessoa que busca muito o sentido das coisas. Se estou pintando, estou meditando, entendeu? Eu realmente eu saio de mim, eu viajo, abstraio totalmente, então uma pincelada é a minha poesia, é a minha vida, a minha emoção, está tudo ali...
Pergunta – Nas redes sociais, principalmente no Instagram, temos visto uma profusão de artistas jogando tinta na tela, mostrando uma variedade imensa de técnicas e de intervenção, estabelecendo o modismo do abstrato decorativo, até banalizando a arte, então, como você vê esse momento da impermanência das imagens por causa da invasão a que somos submetidos o tempo todo pelas redes?
Humberto - Eu me sinto um pintor do século 20. A minha formação vem do impressionismo e do expressionismo, do Van Gogh, Paul Gauguin, Picasso... aqueles grandes mestres que permanecem até hoje porque eles são realmente grandes mestres. Depois que a internet chegou passamos a ter acesso ao conjunto da obra destes grandes artistas, podemos analisar os quadros em seus detalhes e isso é positivo. Essa tecnologia trouxe uma nova influência, está sendo importante. Agora, se pintura vai ser uma coisa de terapia no futuro eu não sei...
Pergunta - Outro dia, no MOMA, instalaram uma tela de LED imensa mostrando uma obra ondulante, que se movimenta o tempo todo, não tem uma forma fixa, tem milhões de formas, muitas cores, tem música, enfim tem uma nítida função terapêutica, ou seja, ali não tem criação é pura inteligência artificial, enfim, será que é isso que dominará o espírito da arte?
"Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor..."
Humberto - Nessa homenagem que fizeram a mim em Bonito, com a instalação de um quadrilátero, onde as pessoa têm uma interação com minha obra, a gente já percebe uma coisa diferente. A inteligência artificial pega e trabalha minha obra de outro jeito, vira de cabeça para baixo, pega essas ondulações de mistura de cores e estabelece outro conceito. As crianças adoram, às vezes têm leituras maravilhosas que são feitas pelas crianças, eu fico espantado de ver como elas são criativas, mas não sei se o futuro das artes plásticas será a da inteligência artificial e do algoritmo...Acho que isso aí é um problema do futuro, quer dizer, eu cheguei aos 80 anos com uma concepção de pintura, não vou mudar aquilo que parece que vai permanecer. Agora, uma coisa é certa: sempre terá pintura boa, pintura ruim, tem tudo dentro de tudo, tem o bom ou o ruim, o medíocre e o médio, isso acontece em todas as áreas, na música, no teatro, no cinema, nas ciências, não tem como fugir, faz parte do processo civilizatório. O meu trabalho é uma coisa minha, pessoal, que me satisfaz, me realiza, me tranqüiliza, assenta a minha alma. Eu me sinto na história
Pergunta – Como é viver de arte no Brasil?
Humberto - Eu sobrevivi até agora, bem ou mal eu sobrevivi, porque você sabe que o mercado tem altos e baixos. Hoje estou pintando menos porque a pintura é uma coisa muito especial, estou num momento especial da vida minha. Eu sou de temporada, às vezes pinto 12 horas, produzo 17 quadros em poucos dias, depois dou um tempo, fico três meses sem pintar, porque também preciso, ouvir música, viajar, ver outras coisas. A pintura absorve muito, agora apareceu uma tendinite, resultado de anos e anos só dentro desse movimento da munheca, então a gente tem que se tratar, se cuidar... hoje, por exemplo, eu tenho um limite para trabalhar aqui, não posso passar de 3 horas sentado pintando, enfim, essas limitações físicas acontecem, eu acho super natural. Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor...
Humberto – Conforme passa o tempo, você se auto-avalia? Você acha que seu trabalho está melhor ou pior? Qual sua percepção?
Humberto - Sou disciplinado, sou exigente com meu trabalho, com as coisas que vou fazer. Escrevi um livro na pandemia que até agora não publiquei. É sobre as coisas que eu contava para as pessoas sobre minha infância e adolescência, não chega a ser um livro de memórias, estou chamando de digressões da memória porque a memória, na verdade, somos nós. Eu escrevi coisas que aconteceram na minha casa, a história da minha avó, sobre Dom Aquino que vinha nos visitar, então, são memórias que tem muito a ver com Campo Grande porque eu conheci a cidade quando ela era um ovo. A rua Rui Barbosa era um Areal, eu vi Getúlio Vargas fazendo campanha. Me formei em jornalismo. Quando eu vim para Campo Grande estava começando aquele movimento das artes plásticas, já era um pintor de férias que estava estudando história da arte no curso de jornalismo, na grade tinha um professor excelente de história da arte e aí eu me apaixonei. Comecei a procurar minha pintura quando eu conheci a Aline. A gente começou um movimento para levantar a arte mato-grossense, precisava de um carro- chefe, senti que eu tinha que fazer alguma coisa de projeção nacional, então busquei ser esse carro-chefe e decidi não ser escritor. Falei: vou pintar e aí comecei a me apaixonar pela pintura e entrei numa viagem profunda, fui indo e me conhecendo. Acho que arte tem muitos caminhos de crescimento espiritual, percorri todas as religiões que você possa imaginar até chegar a ser totalmente ateu como sou hoje. Essa é uma coisa que nem dá para falar muito porque choca muitas pessoas. Fui um agnóstico que encontrou o ateísmo. Hoje estou me preparando para morrer porque me preparei para vencer na vida, me preparei para ser homem, me para sair daqui na juventude e entrar na vida adulta, me preparei para fazer o meu trabalho pela sociedade e agora estou me preparando para morrer. Isso é super natural, que sorte eu tenho porque posso pensar nisso com tranquilidade...
Fonte: Dante Filho, “Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi”, publicado em 4 de setembro de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos | Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul presta homenagem ao renomado artista Humberto Espíndola neste dia 04 de abril completa 80 anos de vida. O escritor e artista visual foi o primeiro secretário de Estado de Cultura de MS de 1987 a 1990 e organizou, com Aline Figueiredo, a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde fundaram, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Artista visual, começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquista uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira e tem seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS de 2002 a 2005 e coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, em Corumbá/MS.
Visto como uma abordagem crítica à nobreza da pecuária e seu feudo nos anos de 1960/70, a bovinocultura do artista ganhou o mundo e deu vazão às artes de Mato Grosso uno, em um tempo de isolamento do oeste brasileiro, expondo nas bienais internacionais de Paris, Veneza, Medellin, Havana, São Paulo.
Jornalista, entre um querer pela arquitetura e o desejo do pai de se tornar advogado, o artista começou a pintar desde os 13 anos, já morando em São Paulo com os avós, desiludiu-se momentaneamente pelas artes e retomou a paixão pela pintura aos 20 anos ao conhecer Aline Figueiredo, pantaneira guerreira e de talento reconhecido. “Eu desenhava desde garoto, até com uma mangueira, quando lavava a calçada de casa, criando figuras no muro. Depois, já adolescente, cheguei a escrever poesias motivado por algumas paixões malucas”, disse numa Roda de Conversa durante o Festival Campão Cultural, em outubro do ano passado.
“Hoje somos chamados de mega-oeste, vi isso na internet. O futuro é aqui, o início do Brasil novo. Campo Grande é uma cidade ansiosa de ser grande e nós campo-grandenses temos muito disso. Foi uma cidade de papelão, lá atrás, agora se recupera, tanto cultural, como social, e o momento principal está chegando”.
“Eu vi Campo Grande crescer, vivi toda essa transformação. […] Eu nasci aqui, saí e voltei e resolvi ficar, poderia ter saído pelo mundo, Nova York, Paris. Minha mãe foi um paraquedas para puxar tantos artistas para essa terra. E estou feliz por estar aqui e ter uma história para contar”.
Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Max Freitas, Humberto Espíndola é um dos maiores artistas do nosso Estado. “Suas obras nos fazem refletir sobre diversas relações que temos com a terra, a vida e o boi, seu maior objeto de trabalho ao longo de todos esses anos. É muito gratificante viver na mesma época que este grande artista e ele merece todas as honras em vida.”
Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 38), Humberto Espindola ainda está na ativa – “a pintura é minha meditação, vida, fico em outro plano” – e finaliza um terceiro livro, “Digressões”, de contos biográficos e memórias dos anos 40-60 vividas em Campo Grande, São Paulo, Cuiabá e Curitiba, onde se formou em jornalismo. “São minhas histórias, da família, dos irmãos, casos de casa. Não sei até onde tem verdades e mentiras”, ironiza.
O secretário de Estado de Turismo, Esporte Cultura e Cidadania, Marcelo Miranda fala da grandiosidade do artista. “O Humberto é o escritor e artista visual que começou a projetar o nome e o universo da arte do Mato Grosso do Sul no Brasil e no mundo. Ele tem o dom de contar a história do Estado através de suas obras, que partem do tema do boi, visto como símbolo da riqueza. Retratando o poder, uma vez que a bovinocultura é tão presente aqui. O seu legado nestes 80 anos vai muito além das suas telas e livros, passam pela sua leitura da sociedade, pelas suas vivencias diárias. E eu sou imensamente grato por estar secretário dessa pasta tão ampla e proporcionar para a sociedade uma mostra das obras desse grande artista”.
Exposição
Em comemoração aos 80 anos de vida de Humberto Espíndola, em homenagem à sua trajetória como artista sul-mato-grossense, o Museu da Imagem e do Som de MS, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, realiza uma exposição com as obras de Humberto que fazem parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MARCO). Também farão parte da exposição exibições em vídeo contando um pouco da história do artista.
A exposição será aberta ao público no dia 14 de abril de 2023, no MIS, que fica no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania Apolônio de Carvalho: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559. Entrada franca!
Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, “Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos”. Texto: Silvio Andrade e Karina Lima, publicado por Karina Medeiros de Lima em 04 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
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Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro) | Sociedade dos Poetas Amigos
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começou a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira.
Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Sua obra foi mostrada nas Bienais de São Paulo, Veneza, Paris, Medelim.
Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.
É difícil traçar o próprio perfil em poucas linhas. Vejo em mim muitas vidas quando olho para trás. E tenho muitas facetas no meu cotidiano. Mas meu humor é estável, pelo menos isso. Se você olhar minha trajetória artística pode ser um bom começo para saber quem ou como sou, e o que já fiz e continuo fazendo.(Humberto Espíndola)
Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola, cuja obra reflete a sociedade e a economia do Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste.
Humberto Espíndola é um nome destacado na história da cultura brasileira, sendo considerado um dos principais artistas plásticos da região centro-oeste. Num estado com mais de 30 milhões de cabeças de gado, ele é conhecido como o ‘pintor dos bois’. A cotação da sua ‘arroba’ é a mais cara do estado e comprador não falta. O segredo é que os bois de Humberto não morrem jamais. Tornam-se imortais depois de soltos entre os quatro cercados da tela.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
2008 - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas, MS.
2007 - Representa o Brasil no 4º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
- Pinturas e gravuras, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2006 - Monumento Bovinocultura - O carro-chefe (ferro e aço, 4.10 x 8 x 3.50m),
Cuiabá.
- Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (pintura, 800 m²), Edifício Salim
Kassar, Corumbá, MS.
- Territórios, coletiva no Museu de Arte Contemporânea/MAC/USP, São Paulo.
- Bovinocultura: Obras recentes, individual no Centro de Eventos do Pantanal,
Cuiabá.
- Abstrações rurais, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2005 - Arte Campo Grande, coletiva no Armazém Cultural, Esplanada da Ferrovia,
Fundação Municipal de Cultura, Campo Grande.
- Pequenos formatos, individual/lançamento do site no Shopping Campo Grande.
2004 - Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA,
pela carreira artística e contribuição à cultura brasileira.
- Arte Brasileira: Anos 60 e 70, coletiva em Juiz de Fora, MG.
- Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX, coletiva do Studio Centro
Histórico, Cuiabá.
2003 - BrazilianArt III, coletiva de lançamento do livro homônimo em São Paulo, SP e
Rio de Janeiro.
- A arte atrás da arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo, SP.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte de Londrina, PR.
2002 - Política, moda e arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM de São Paulo.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande, MS e no Museu de Arte e de
Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
2001 - Touros e Onças, com João Sebastião Costa, Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
- Cores de Março, coletiva na Galeria do Yázigi, Campo Grande.
2000 - Bovinocultura 1967/99 - Panorama Retrospectivo, individual na Casa Andrade Muricy, Curitiba.
1999 - Ibypitanga, coletiva inaugural da Art Galeria Mara Dolzan, Campo Grande.
- Grafias eletrônicas, individual inaugural da Galeria Yázigi, Campo Grande.
1998 - Inter-Cidades, coletiva em cidades de MS, produção Art Galeria Mara Dolzan.
- Rodeios, individual na Galeria do SESC Horto (mostra inaugural), Campo
Grande.
1997 - Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, coletiva no Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz; Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/USP.
- Painel interno Memórias de Mato Grosso do Sul (328x375cm), Casa da
Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande.
1996 - Viva Brasil, coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.
- Expobrasil/96, coletiva em Tóquio, produção Galeria Art-Con.
- Monumento Cabeça de Boi (escultura em ferro e aço, 8x2.50x0.30m), Praça
Cuiabá, Campo Grande.
1995 - Individual no Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, lançamento do livro A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT 1994, Cuiabá.
1993 - Sala Especial no XX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande.
1992 - EcoArt, coletiva da Eco 92 no Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1990 - Pintura Contemporánea de Brasil, coletiva na Casa Rômulo Gallegos,
Caracas.
- Olhar Van Gogh, coletiva no MASP, São Paulo.
- Individual no Museu Guido Viaro, Curitiba.
1989 - Representa o Brasil na II Bienal Internacional de Cuenca, Equador.
1987 - Individual na Sadalla Galeria de Arte, São Paulo.
- 20 Anos de Bovinocultura, individual no Centro Cultural José Octávio Guizzo,
Campo Grande.
1986 - Individual na Art-Con Galeria de Arte, Campo Grande.
1985 - Nelores, individual por ocasião do I Leilão de Gado Nelore, Campo Grande.
1984 - Representa o Brasil na I Bienal de Havana.
- Artista convidado no VII Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte
Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
1983 - Individual na Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.
- Individual na Modus Vivendi Galeria de Arte, Porto Alegre.
1982 - Entre a mancha e a figura, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- 1ª Exposição de Arte Latina, coletiva em Recife.
- Individual na 44ª Expogrande, Campo Grande.
1981 - Figuração Referencial -11º Salão Nacional de Arte, Museu de Arte de Belo Horizonte.
- 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Tóquio, Kioto e Nekai, Japão;
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
1980 - Prêmio aquisição no 1º Salão Arteboi, Montes Claros. MG.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba.
1979 - Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1978 - Representa o Brasil na 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura do México.
- 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, São Paulo.
1977 - Prêmio Melhor do Ano (pintura), Associação Paulista de Críticos de Arte.
- Arte Agora II/Visão da Terra, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- Rosas/Rosetas, individual no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado, São Paulo; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e
Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1976 - Arte Agora I/Brasil 70-75, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
1975 - Prêmio aquisição no 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa
Econômica de Goiás, Goiânia.
1974 - Mural externo Bovinocultura, Palácio Paiaguás (3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), sede do Governo de Mato Grosso, Cuiabá.
1972 - Representa o Brasil na 36ª Bienal de Veneza, Itália.
- Representa o Brasil na 3ª Bienal de Arte Coltejer, Medellin, Colômbia.
- Individual na Galeria Portal, São Paulo.
- Individual na Galeria Ipanema, Rio de Janeiro.
1971 - Prêmio bolsa de estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo.
1969 - Representa o Brasil na 10ª Bienal Internacional de São Paulo.
- Indicado à 4ª Bienal de Paris (a representação brasileira foi impedida pela
censura).
- Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea/MAC da USP, São Paulo.
- Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte.
- Individual na Sala Göeldi, Rio de Janeiro.
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal de Campinas no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP.
- Grande Prêmio no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP.
- Referência Especial do Júri na 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas de
Salvador.
1967 - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília.
- 17º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- 23º Salão Paranaense de Artes Plásticas, Curitiba,.
- Individual no Museu Regional do Pantanal, Corumbá, MS.
1966 - 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato- grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
Obras em acervos públicos
- BrazilianArt, Jardim Contemporâneo Editora, São Paulo.
- Casa de Cultura José Martí, México, DF.
- Casa de Cultura Wifredo Lam, Camagüey, Cuba.
- Caixa Econômica Federal, Brasília.
- Coleção Nemirowsky, São Paulo.
- Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.
- Ludwig Fórum für Internationale Kunst, Aachen, Alemanha.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Curitiba.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo.
- Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Fundação de Cultura de MS, Campo
Grande.
- Museu de Arte da Pampulha/MAP, Belo Horizonte.
- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP, São Paulo.
- Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo.
- Museu de Arte Paranaense/MAP, Curitiba.
- Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.
- Universidade de Desenvolvimento do Pantanal/Uniderp, Campo Grande.
- Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá.
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Campo Grande.
Produtor Cultural
2004/06 - Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
2002/04 - Gestor Artístico do Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo
Grande.- Curador do Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
1991/92 - Diretor Cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande.
1987/90 - Primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul.
1973/82 - Co-fundador e Diretor do Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1977/79 - Colaborador no livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte).
1973 - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do Museu Indigenista Candido Rondon, UFMT, Cuiabá.
1967/72 - Co-fundador e Diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
1966 - Co-organizador da 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
“Quando eu comecei era um vazio sem fim. Não tinha patrocínio, nem casa de exposição ou galeria, não tinha museu, incentivo de tipo nenhum”, conta Humberto mostrando a diferença da valorização da arte atualmente, com os museus de Campo Grande cada vez mais estruturados, espaços culturais, os Festivais de Bonito e América do Sul que acontecem com ajuda de leis de incentivo fiscais que, segundo Espíndola, são fatores que fazem Mato Grosso do Sul estar inserido no mapa cultural do Brasil. Incentivos estes que ajudam os artistas regionais propagarem seu trabalho lá fora, fazendo com que Mato Grosso do Sul não seja visto somente como Estado criador de gado, mas também um Estado que produz cultura, arte de qualidade.
O artista plástico acredita que sua formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural, e é o que efetivamente faz a sua terra ter seu valor exposto, se valorizado conseqüentemente terá sucesso e reconhecimento acima de tudo pelo amor à sua profissão. “Vale lembrar, entretanto, que como o ofício de pintor é pintar, a minha paixão pela pintura, não tenho dúvidas, é ainda maior do que essa que sinto pelo boi”, confessa o artista.
Para um artista que resolveu pintar o boi, não foi difícil perceber o quanto a figura desse animal carecia de dignidade ou status, sob o ponto de vista da maioria dos consumidores da pintura. Mas esse preconceito sobre a imagem do boi não implica só o comportamento do mercado de arte, implica também as opções intelectuais responsáveis pela animação cultural de cada região. Para um pintor que se envolveu com essas reflexões o desafio temático continua sendo inspiração que leva à realização da obra, já que minha formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural do artista.
Por outro lado, observei que a imagem do boi — entenda-se nesta expressão o touro e a vaca também, em muitas culturas é absorvida com maior receptividade que entre nós. Seja como produto de consumo, propaganda, arte ou mesmo símbolo religioso. A diferença para uma maior ou menor receptividade está certamente na história iconográfica dessas culturas. Nas culturas orientais a imagem do boi é totalmente absorvida, pois ele está ali presente há milênios nos campos, ritos e cultos, e conseqüentemente na arte.
Minhas novas séries de pintura apresentam várias facetas ao mesmo tempo, o que faz com que me sinta bem diante dessa simultaneidade de portas, excitando-me a criação. O mais importante é que a simbologia do boi vem alimentando um crescente vocabulário sígnico na minha linguagem plástica. No decorrer desses anos, a bovinocultura me levou sempre a procurar relações universalizantes: pecus-pecunia, rosas/rosetas, rosa-boi, entre outras abordagens. E durante esse processo, tema e plástica foram se redefinindo, abertos para a liberdade de mergulhar no inconsciente coletivo e trazer de volta, nas tintas, sempre uma nova expressão. — Humberto Espíndola.
"Espíndola transmitiu, também, com a imagem do boi, a capacidade dual que o homem lhe impõe, isto é, o terno animal dos pastos também será besta satânica. Com as patas expressa o massacre, com os chifres a opressão e com o corpo o poder. Humaniza o boi para traduzir a força sócio-política e econômica. Associa-o ao Minotauro, símbolo da dualidade onde o homem e o animal se confundem. Assim, minotauros de hoje, famélicos senhores bovinos transitam engalanados de uniforme, estrelas, dragonas e esporas, enquanto devoram uma sociedade marginalizada em seus mordazes labirintos". (In, A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, ed. UFMT, Cuiabá, 1994, cap.9)
" [...] São pinturas em pequenos formatos, cujos temas citam fases da pintura do artista e revelam-se através de recortes nítidos, destacando os símbolos que insistiram em se mostrar durante a sua trajetória artística. De figuração variada e colorido vibrante, essas pinturas reúnem partes de narrativas onde o boi quase sempre é herói, às vezes brincalhão, outras enigmático, outras um retrato incômodo de algum político autoritário ou, até mesmo, de um faraó. Os bois se apresentam ao público, cada um a seu modo, exibindo os seus troféus, seus atributos, enfim, as características que os fizeram parte da história cultural do Brasil." — Mariza Bertoli, 2005)
" [...] Editadas cuidadosamente sobre papel, numeradas individualmente, as gravuras de Humberto somam ao seu universo criativo um toque de experimentação além da sua indiscutível qualidade imagética. Humberto Espíndola, nos remetendo a um passado mítico, começa a olhar e a falar com outros meios expressivos atualizando seus arquétipos editados sob forma eletrônica. As formas taurinas explodem, incendeiam-se e, quando se supõe que viraram pura imagem luminosa elas voltam a nos falar das máscaras trágicas, do mágico e do mítico" — Noemi Ribeiro, 1996.
"Depois de ter pintado o boi de todas as formas, Humberto Espíndola decidiu ultimamente retratá-lo numa linguagem minimalista sintética. [...] Surgiram formas que lembram criaturas encapuzadas, com raízes no momento atual." — Maria da Glória Sá Rosa, 2002.
"Ambicioso e complexo, o trabalho de Humberto Espíndola pode ser visto como um todo através de uma técnica essencialmente plural, o assemblage, onde distintos materiais são esgotados em suas qualidades plásticas, num jogo de interdependência para a criação de novos significados. Isto quer dizer que iremos encontrar sobre uma mesma superfície, a madeira, colagens de couro de boi, tinta acrílica e grafismos pirogravados. São quadros-objetos que enunciam o diálogo entre signos da cultura regional — o couro, as marcas de propriedade, e da cultura erudita, na medida em que o artista atribui-lhes novos significados ao combiná-los singularmente" — Maria Adélia Menegazzo, 2002.
"A queixada dentada do boi parece um boomerang, rosa dos ventos, entronizada no alto da coluna, com seu azul maravilhoso. O que temos agora é um novo tipo de capitel. Não se trata de nenhuma ordem clássica — dórica, jônica, coríntia — mas de uma ordem pantaneira, ou melhor, metáfora de um classicismo de tipo novo, crescendo à porta da selva amazônica, fundando suas colunas nos pantanais do Brasil Central" — Frederico Morais, 1981.
Painel no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
"...impressionante painel de Espíndola no Palácio do Governo, no qual o boi como que aparece devorando o vazio do pantanal, estendendo seu olhar para muito longe, numa tentativa de apreender as dimensões continentais do nosso país e do próprio Continente. Dizia, então, que em regiões como esta, o artista não pode sussurrar, precisa falar alto, berrar, sair de sua timidez, pois, só assim, estará correspondendo aos desafios do isolamento e da distância" — Frederico Morais, 1981.
Da série Divisão dos Estados
Ano em que conheci Aline Figueiredo, que estava reunindo todos os artistas plásticos de Mato Grosso Uno, para "A Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses" O Evento aconteceu nos salões do Radio Clube central (hoje desativado) e contou com 600 pessoas na abertura. Em minha análise histórica, ainda eram os ecos da Semana de 22 que só então chegavam entre nós, vítimas do isolamento cultural. Naquela época, Campo Grande tinha pouco mais de cem mil habitantes. Hoje, depois de muitas batalhas, já estamos perfeitamente sintonizados no circuito nacional.
Tirar o velho Mato Grosso Uno de secular isolamento cultural.
Colocar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no circuito da Arte Brasileira.
O boi leva suas patas para além do verde.
Chega o deserto.
Depois de uma caminhada pelo pais
as florestas ressentem...
A carne cobra seu preço
Na gordura quente do cupim elevado,
um monte reluz brancuras de neve.
Sob o azul de prata de um céu aberto,
o pasto invisível da imaginação
Dunas de carne se fingindo areia.
Boiada, sob lençóis.
Seus cupins ondulam no mar vermelho,
escondidos
sob o manto branco que clareia os campos
Na busca de pastagens
fui tuitando até o sigaquetesigo.
Encontrei muita carne
e muito pouco espírito.
Mas para a arte do boi
@
é peso e poesia
Asa flor
no jardim de asa
e azaléia
Imóvel de vento e beijo
solidão pulsante
descoberta à luz do dia
Rufar de asas
tambores suaves
de mensagens caladas
sem sal de lágrimas
Espíndola Canta (CD, 2003): Humberto participa do projeto Espíndola Canta atuando como cantor e compositor com a canção Malditos astros, e na composição Reino do Pantanal, interpretada por Gílson Espíndola
Malditos Astros
(Humberto Espíndola)
Nasci faz tão pouco
E já morri na mágoa de viver
De tão pequeno que fui Deus nem me viu
Ou se me viu já era tarde
Pois quem já nasce magoado
Morre magoado até o fim
Não quero não devo falar de ninguém
Talvez a grande culpa seja mesmo dos
Astros
Ah... malditos astros
Que me regem os passos
Profundamente magoados
Pesarosamente cientes
De suas rotas impassíveis
Reino do Pantanal
(Jerry e Humberto Espíndola)
Deita o sol
no lençol sem luar
estrelas assim brilham mais
no reino do Pantanal
índio ou peão
o caipira alí está
no Brasil, do nordeste a São Paulo
pantaneiro sofre ao se intregar
nesse desmanchar no ar
sem remédio pra curar a raiz
que perde a nação
na curva do rio
dramas de televisão
na alma ansiedade inventa canção
prisioneiro de seu pasto
sua fuga é na vazante
sua janela é sua porta
vôa peão
cavaleiro seu gingar
goza louco a galopar
crê o barco sua cama
pensa a cama sua chama
liberdade o que é que é
é saudade ou é mulher
e a ninguém o rio conta
sua paixão e solidão
fica peão
"Tenho uma história e trajetória de que me orgulho, mas sou um sujeito simples e consciente o suficiente para fazer de minha arte o instrumento de meu crescimento espiritual. A modéstia e a compaixão são duas virtudes que me fascinam. Amo a arte acima de todas as coisas..." (Humberto Espíndola)
Fonte: Sociedade dos Poetas Amigo, “Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro)”.
Crédito fotográfico: Museu de Arte e de Cultura Popular, "Humberto Espíndola". Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola (4 de abril de 1943, Campo Grande, MS), é um artista visual brasileiro. Autodidata, formou-se em Direito, mas desde os anos 1960 dedica-se às artes visuais, tendo iniciado sua carreira em 1967 com sua primeira exposição individual. Sua produção, marcada por crítica social e inovação estética, inclui pinturas, objetos, instalações e performances, notadamente os trajes-esculturas conhecidos como “Bovinos”, com os quais participou de ações performáticas e exposições. Teve sua obra influenciada por movimentos como a nova figuração e a arte conceitual, mas construiu uma linguagem própria, enraizada nas questões ambientais, econômicas e culturais do Pantanal. Participou de importantes eventos nacionais e internacionais, como a Bienal Internacional de São Paulo (1969, 1971), a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984, 1989) e a Bienal Internacional de Cuenca (1989), além de ter integrado exposições como Tradição e Ruptura (1984, MAM-SP) e Bienal Brasil Século XX (1994). Recebeu diversas premiações e teve papel importante como gestor cultural e incentivador da arte na região Centro-Oeste. Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o MAM-SP, MAC-USP, MARCO e Museu de Arte de Brasília. Humberto Espíndola é uma das figuras centrais da arte brasileira fora dos grandes centros e referência incontornável da arte moderna popular do país.
Humberto Espíndola | Arremate Arte
Humberto Espíndola é um dos nomes mais emblemáticos das artes visuais do Centro-Oeste brasileiro. Nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 1943, Espíndola construiu uma carreira marcada pela reflexão crítica e estética sobre a identidade regional, com foco na representação do universo rural, particularmente o universo do gado bovino, símbolo recorrente em sua obra. Desde o final dos anos 1960, desenvolveu uma linguagem visual própria, comprometida tanto com questões sociais quanto com um repertório poético que equilibra tradição e modernidade.
Formado em Direito pela Universidade Católica do Paraná, Humberto começou a se destacar no cenário artístico a partir da segunda metade da década de 1960. Seu envolvimento com as artes plásticas coincidiu com o surgimento de movimentos renovadores na arte brasileira, como a nova figuração e a arte conceitual, que influenciaram sua poética visual. Ao mesmo tempo, ele permaneceu enraizado nas questões regionais e culturais de sua terra natal, transformando o Pantanal, a pecuária e o imaginário do boi em signos artísticos recorrentes, ressignificados em suas telas, esculturas, instalações e vestimentas performáticas.
O marco inicial de sua carreira foi em 1967, quando participou da 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses. No mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual. A partir daí, sua produção ganhou destaque nacional e internacional, com participações em salões de arte e bienais importantes, como a Bienal Internacional de São Paulo, a Bienal de Veneza (1972), a Bienal de Havana (1984 e 1989) e a Bienal de Cuenca, no Equador (1989). Sua obra também integrou exposições coletivas como “Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras”, promovida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, e a “Bienal Brasil Século XX”, da Fundação Bienal.
Espíndola inovou ao criar uma estética crítica sobre o sistema econômico e cultural do campo, especialmente sobre a bovinocultura. Criou os chamados “Bovinos”, seres híbridos entre animal e vestimenta, figuras cênicas que transitam entre o objeto artístico e a performance. Esses trajes-esculturas foram usados por ele em ações públicas e exposições, e se tornaram símbolo de sua obra e de seu pensamento político e artístico. Em “A farra do boi”, um dos momentos mais representativos de sua trajetória, Humberto aborda com ironia e sarcasmo a lógica do consumo e da exploração animal como metáforas das relações sociais e de poder.
Ao longo de sua carreira, Humberto Espíndola se destacou também como gestor cultural e ativista das políticas públicas para a arte. Exerceu cargos de direção em instituições culturais no Mato Grosso do Sul e foi curador de importantes mostras. Sua atuação ajudou a consolidar o circuito artístico da região Centro-Oeste, incentivando novos artistas e fortalecendo os vínculos entre arte, identidade local e memória.
Em mais de cinco décadas de atuação, Espíndola realizou dezenas de exposições individuais e participou de centenas de mostras coletivas. Sua obra está presente em acervos de instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Museu de Arte de Brasília (MAB), o Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul (MARCO), entre outros.
Humberto Espíndola | Itaú Cultural
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1943). Pintor, desenhista. Destaca-se pela produção artística que parte do tema do boi, símbolo da riqueza da sua região.
Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. A série Bovinocultura, iniciada em 1968, realiza um retrato sarcástico da sociedade do boi, que é principalmente moeda e símbolo de poder.
Em seus primeiros trabalhos, apresenta o animal envolto em penumbra, provocando estranheza. A efígie do boi, em suas telas, é colocada em um primeiro plano, ou isolada em um oval central, ganhando a dimensão de nobreza de um retrato. Em Glória ao boi nas alturas (1967), utiliza uma deliberada frontalidade do animal, em torno do qual se acumulam máscaras, imprimindo ao quadro um ritmo dinâmico.
Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio de melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à cabeça de boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1995.
Alguns quadros do artista possuem um sentido simbólico, com a utilização das cores da bandeira brasileira. Em outros, emprega crachás e medalhas, que remetem a exposições agropecuárias. Como nota o crítico Frederico Moraes (1936), Espíndola humaniza o boi, para denunciar a vontade de poder do ser humano, como ocorre em O tirano (1984). Já na série Arqueologia do boi – Boi branco (1993), destacam-se o uso de tonalidades rebaixadas e o caráter mágico. O artista realiza posteriormente gravuras geradas e coloridas em computador, nas quais obtém grande potência no colorido, como em Vaca escada (2001).
Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.
Representante da região onde nasceu, Humberto Espíndola acaba por ser um dos principais artistas visuais da sua geração e ajuda a divulgar a cultura do Mato Grosso do Sul muitas vezes a partir de uma postura crítica. Com obras expostas no Brasil e no exterior, o artista contribui para a descentralização da produção artística brasileira contemporânea, concentrada majoritariamente no sudeste.
Exposições Individuais
1967 – Individual de Humberto Espíndola
1969 – Individual de Humberto Espíndola
1971 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1972 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1977 – Individual de Humberto Espíndola
1978 – Individual de Humberto Espíndola
1979 – Humberto Espíndola: pinturas
1980 – Individual de Humberto Espíndola
1982 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Individual de Humberto Espíndola
1983 – Humberto Espíndola: pinturas recentes
1984 – Individual de Humberto Espíndola
1986 – Individual de Humberto Espíndola
1987 – Humberto Espíndola: 20 anos de bovinocultura
1987 – Individual de Humberto Espíndola
1990 – Individual de Humberto Espíndola
1998 – Humberto Espíndola: pinturas
2000 – Humberto Espíndola: bovinocultura 1967-1999
2000 – Humberto Espíndola: panorama retrospectivo 1967-1999
Exposições Coletivas
1966 – 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses
1967 – 24º Salão Paranaense de Belas Artes
1967 – 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal
1968 – 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 – 23º Salão de Belas Artes da Cidade de Belo Horizonte
1968 – 2º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1968 – 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo
1968 – 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1968 – 2º Salão Esso de Artistas Jovens
1968 – 17º Salão Nacional de Arte Moderna
1968 – 4º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1968 – 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1969 – Pintores do Brasil
1969 – 2ª Exposição Nacional de Arte
1969 – 18º Salão Nacional de Arte Moderna
1969 – 10ª Bienal Internacional de São Paulo
1969 – 3ª Jovem Arte Contemporânea
1969 – 1º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1969 – 26º Salão Paranaense
1970 – 1º Panorama de Artes Plásticas em Campo Grande
1970 – 4º Salão da Cultura Francesa
1970 – 2º Panorama de Arte Atual Brasileira
1970 – 4 Grupos de Aquisições Recentes e Doações da ISPA
1970 – 19º Salão Nacional de Arte Moderna
1970 – 8º Resumo de Arte JB
1970 – 25 Pinturas do Acervo do MAM-SP
1970 – Pré-Bienal de São Paulo
1970 – 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1971 – 5 Artistas de Mato Grosso
1971 – 20º Salão Nacional de Arte Moderna
1971 – 11ª Bienal Internacional de São Paulo
1971 – Exposição de Múltiplos
1972 – 3ª Bienal de Arte Coltejer
1972 – 36ª Bienal de Veneza
1972 – Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e Brasil Plástica - 72
1972 – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois
1973 – Múltiplos
1974 – Mostra Inaugural do Museu de Arte e de Cultura Popular
1974 – Café, Poluição, Bois e Bandidos
1975 – 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixego
1975 – Panorama das Artes Plásticas de Mato Grosso
1975 – 24º Salão Nacional de Arte Moderna
1975 – Arte no Brasil: documento/debate
1976 – 25º Salão Nacional de Arte Moderna
1976 – Arte Agora I
1976 – 10º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
1976 – Arte Brasileira: figuras e movimentos
1976 – Arte Brasileira no Século XX: caminhos e tendências
1977 – 2ª Arte Agora: visão da terra
1978 – Artistas Brasileiros
1978 – 1ª Bienal Ibero-Americana de Pintura
1978 – Artistas de Mato Grosso do Sul
1978 – 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo
1979 – 36º Salão Paranaense
1979 – 11º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte
1980 – Mostra Comemorativa 10 Anos da UFMT
1980 – 1º Salão de Montes Claros
1981 – Brasil-Cuiabá: pintura cabocla
1981 – 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1981 – 1º Salão Regional de Artes de Goiânia
1981 – Pablo, Pablo!: interpretação brasileira de Guernica
1981 – 4º Salão Nacional de Artes Plásticas
1982 – 4 Artistas de Mato Grosso
1982 – 1ª Exposição de Arte Latina
1982 – Rio Cuiabá: ponto de vista do artista
1982 – Entre a Mancha e a Figura
1983 – Brasil Pintura
1983 – 30 Anos de Arte no Brasil
1983 – Mostra Inaugural do Centro de Cultura Referencial de MS
1984 – Pintura Brasileira Atuante
1984 – 27 Paisagens Brasileiras
1984 – 1ª Bienal de Havana
1984 – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas
1986 – Ecologia-Tradição e Atualidade
1987 – O Ofício da Arte: pintura
1988 – Referências Pantaneiras na Pintura
1988 – Arte de Mato Grosso do Sul
1989 – Pinturas de Mato Grosso do Sul
1989 – Cada Cabeça Uma Sentença
1989 – 2ª Bienal Internacional de Cuenca
1989 – 3ª Bienal de Havana
1990 – Arca de Noé
1990 – Pintura Contemporânea de Brasil
1990 – Arte Brasil 90
1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1991 – Panorama dos Aspectos Míticos do Boi
1991 – O Que Faz Você Agora Geração 60?
1991 – 48º Salão Paranaense
1992 – Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas
1992 – 20º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1992 – Eco Art
1993 – 23º Panorama de Arte Atual Brasileira
1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira
1994 – Bienal Brasil Século XX
1995 – Salão em Preto e Branco
1996 – Expobrasil 96
1996 – Viva Brasil (Santiago, Chile)
1996 – Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP
1997 – 6 Artistas Brasileiros
1997 – Dimensões da arte Contemporânea
1998 – Brasil: Anos 20 a 70
2003 – A Arte Atrás da Arte
2003 – Projeto Brazilianart
2003 – Arte Brasileira no Acervo do MAP
2004 – Panorama da História das Artes Plásticas no MS
2004 – Artistas do Centro-Oeste
2005 – Mostra Brasil Central de Artes Plásticas
2005 – Formas Brasileiras
2006 – Brasiliana MASP
2007 – Binária: acervo e coleções
2007 – Panorama – 30 Anos da Divisão do Estado
2007 – Divisão de Mato Grosso
2007 – Neovanguardas
2009 – A Arte de Colecionar-te
2009 – Olhar da Crítica
2010 – Um Dia Terá Que Ter Terminado: 1969/74
2011 – 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste
2018 – Movimento – mostra do acervo
2018 – Acervo CAUA-UFAM
2019 – Os anos em que vivemos em perigo
2022 – Histórias brasileiras
2025 – Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70
Fonte: HUMBERTO Espíndola. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 05 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Humberto Espíndola | Wikipédia
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganhou vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Fonte: Wikipedia. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – Cadeira nº 38
Humberto Augusto Miranda Espíndola é artista visual, poeta, escritor e crítico de arte (membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA). Começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquistou uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira, tendo seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Nasceu em Campo Grande/MS, onde reside.
Foi primeiro Secretário Estadual de Cultura de MS (1987/90), sendo detentor de relevantes prêmios culturais e artísticos. Também crítico de arte, é membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS (2002/2005) e Coordenador de Artes Plásticas dos internacionais 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, realizados em Corumbá/MS.
Pelos relevantes serviços prestados à arte e à cultura, recebeu os reconhecimentos de Cidadão Benemérito de Campo Grande, pela Câmara Municipal, por levar o nome da cidade além das fronteiras nacionais, 1974; foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, Campo Grande, 2019; bem como Doutor Honoris Causa, pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, 2019.
Bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná/UCP, Curitiba, 1965.
Desde jovem publicou poemas em periódicos de Curitiba, em 1963/1964/1965, participando do livro Close (coletânea de poetas jovens do Paraná), Edições Centro Acadêmico Jackson Figueiredo, da Primeira Noite da Poesia Paranaense e da apresentação Nós Show, ambos no Teatro Guairinha, 1964. Nesta época, realizou a capa do primeiro livro de poemas de Leopoldo Sherner, O dia Anterior ao dia da Criação, entre outros, como de Sonia Regis Barreto e Regina Kristian. Ligado à literatura desde então, teve livro de poemas prestes a ser editado, mas desistiu ao decidir-se pela carreira de artista visual. Continuou sua produção artística acompanhando e atuando, ao longo dos anos, também ao lado da produção literária.
Produção Bibliográfica
Colaborador, com Carlos Alberto Marques de Medeiros, na pesquisa e idealização do livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977
Coorganizador, com Aline Figueiredo, do catálogo MACP da UFMT/Animação Cultural e Inventário do Acervo do Museu de Arte e de Cultura Popular, Entrelinhas Editora (edição para UFMT) 2010, indicado ao prêmio Jabuti 2011.
Autor do livro de poemas Pintura e verso, editora Entrelinhas, 2017
Autor do livro de contos Digressões, escrito durante a pandemia do corona vírus (prelo)
Atuação Profissional
Em sua atuação profissional, Humberto Espíndola iniciou desde jovem suas atividades artísticas, destacando-se como reconhecido e premiado artista plástico tanto no Brasil como internacionalmente. Foram dezenas e dezenas de importantes Exposições Coletivas e Individuais realizadas ao longo de sua carreira. Internacionalmente, participou das Exposições da 10ª e 11ª Bienal Internacional de SP (1969-1971); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972); 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Ibero-americana (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984) e 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); From Mato Grosso and Havana via NYC, Gallery 35 e Terra, Gallery 69, Nova Iorque (2014); além da 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Kioto, Nekai e Tóquio (Japão, 1981). Expôs ainda em Medellin, Colômbia (1972); Caracas, Venezuela (1990); Chile, Santiago (1996); Caracas, Venezuela (1990); Cochabamba e La Paz, Bolívia (1997); bem como em diversas capitais e cidades brasileiras em exposições internacionais nelas realizadas. Foi, em 1969, indicado à VI Bienal de Paris. Tem incontáveis premiações, entre elas Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA pela contribuição à cultura brasileira; Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos/SP; Referência especial do júri na 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador/BA; Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ; Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte; Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte; Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba/PR; Artista convidado no 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro/RJ. Possui obras no acervo de importantíssimos museus nacionais e internacionais.
Tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras na noite de 16 de dezembro de 2021, sendo saudado – em nome da ASL, na ocasião – pela acadêmica Raquel Naveira.
A Cadeira 38 da ASL pertenceu anteriormente aos saudosos acadêmicos:
Nelly Martins e Wilson Barbosa Martins
Fonte: Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Humberto Espíndola | Revista Pixe
Humberto Espíndola é pintor, desenhista e objetista, animador cultural, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Participou da 10ª Bienal Internacional de São Paulo e da 11ª, na qual obtém Prêmio Bolsa de Estudos no Exterior (1969/71); 2ª Bienal de Medellín (Colômbia, 1972), 36ª Bienal de Veneza (Itália, 1972); 1ª Bienal Iberoamericana de Pintura (México, 1978); 1ª Bienal de Havana (Cuba, 1984); 2ª Bienal de Cuenca (Equador, 1989); Pintura Contemporânea de Brasil, Casa Rômulo Gallegos (Caracas, Venezuela, 1990); Viva Brasil, Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile (Santiago, 1996); Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, Museu de Arte de Cochabamba, Museu de Arte de La Paz (Bolívia, 1988); Kingsman Foundation (Quito, Equador) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1997).
Premiado nos principais salões nacionais de arte (1968/1980), Melhor do Ano em Pintura pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA, 1977), Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte pela trajetória artística e colaboração à cultura brasileira (ABCA, 2004). Entre as individuais, destaca-se Bovinocultura 1967/99 – Panorama Retrospectivo, Casa Andrade Muricy, Curitiba (2000); Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá e Museu de Arte Contemporânea/ MARCO, Campo Grande (2002); Museu de Arte de Londrina (PR, 2003). Participou de coletivas de arte brasileira em Nova Iorque (EUA, 2013/14).
Como animador cultural, co-organiza a Primeira Exposição de Pintura dos Artistas Mato-grossenses, Campo Grande, 1966; Co-fundador, diretor-técnico e atual vice-presidente da AMA – “Associação Matogrossense de Artes”, fundada em 1967; - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do “Museu Rondon”, Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá, 1973; Co-fundador e primeiro diretor do “Museu de Arte e de Cultura Popular”/MACP/UFMT, Cuiabá, 1973/82; Colaborador nas pesquisas para o livro “Artes Plásticas no Centro-Oeste”, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte/ ABCA), 1977/79; Primeiro Secretário de Estado de Cultura de Mato Grosso do Sul, 19871990; Diretor cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande, 1991/1992; Gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul/MARCO, Campo Grande, 2002/2005; Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá/MS, 2004, 2005 e 2006. Com Aline Figueiredo organizou o livro “MACP – Animação cultural e inventário do acervo do MACP da UFMT” (Entrelinhas Editora, 2010); Autor do livro “Pintura e Verso” (Entrelinhas Editora, 2017).
Ainda sobre a trajetória do artista vale destacar a execução dos monumentos públicos: Mural externo “Bovinocultura”, Palácio Paiaguás (edifício-sede do Governo do Estado de Mato Grosso), 3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), Cuiabá/MT, 1974; Marco da “Cabeça de Boi” (ferro e aço, 8m), Praça Cuiabá, Campo Grande, 1996; Painel Memórias de Mato Grosso do Sul (328 x 375 cm), Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande/MS 1997; - Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (800m2), Corumbá/MS, 2006; - Monumento Bovinocultura – “O Carro-Chefe” (ferro e aço, 4,5 x 3 x 9m), Cuiabá/MT, 2006; - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas/MS, 2008.
Em 2019 foi agraciado pela Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande – MS) e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campo Grande – MS) com o título de Doutor Honoris Causa pelos relevantes serviços prestados a cultura.
Fonte: Revista Pixe, “Humberto Espíndola”. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi | Dante Filho
Visitei Humberto Espíndola na semana passada em sua casa, em Campo Grande, para cumprimentá-lo pela passagem de seus 80 anos, que transcorreu em abril deste ano, sem que houvesse homenagens à altura de sua obra e da sua representatividade na cultura brasileira. O Mato Grosso do Sul e o Brasil são assim mesmo, de pouco adianta reclamar.
Encontrei Humberto em total paz de espírito, trabalhando em novos quadros, e tivemos uma longa conversa, na qual apresento aqui uma breve síntese, que julgo expressar o momento especial em que o artista vive. Certamente, no futuro, o Estado - e seus governantes e autoridades - se ressentirá por não explorar com o devido louvor sua obra e suas memórias - o que, de resto, serão publicadas em livro que já está pronto e ainda não editado para lançamento.
Pergunta - Quando você está pintando um novo quadro, diante de uma tela branca, como é que tudo começa, qual é o processo de criação?
Humberto – Geralmente pego o papel e um lápis e faço um esboço do que poderá ser a tela, às vezes faço isso até num guardanapo. A maioria dos pintores usa esse tipo de procedimento. Quando comecei minha obra não fazia assim porque queria realmente botar Mato Grosso no mapa do cultural do Brasil. A metodologia do artista muda conforme o tempo em que ele vive. Já se vão quase 60 anos. Fundamos a Associação mato-grossense de Arte e a Aline Figueiredo fez aquela exposição, em 1966, aqui em Campo Grande, que foi a chegada da arte Moderna na nossa região. A nossa semana da arte Moderna foi essa exposição. Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo. Ultimamente, venho fazendo uma releitura do próprio boi porque, depois de 56 anos, acho que para mim vale a pena estar na história da arte brasileira como pintor do boi. Eu sou mais preocupado hoje com as cores, com as pinceladas, às vezes utilizo os esboços usando um projetor e aí vou vendo os arranjos, faço risco a carvão, às vezes melhoro o desenho antes de fazer a projeção.... esse é processo...
Pergunta – Você já pintou uma tela, apagou e fez tudo de novo, jogando uma tinta branca por cima e começando novamente do zero?
Humberto – Não, não eu pego uma tela nova, não gosto de pentimento porque a minha pintura precisa da luz. O Ilton Silva vivia fazendo isso, tem gente que faz, eu não gosto. Antigamente se fazia, na época do renascimento...
"Eu fui influenciado pela arte pop norte-americana e pelo muralismo mexicano. Encontrei uma base conceitual aqui que era o boi. O bar do Zé era nossa Wall Street. Tudo aqui girava em torno da pecuária. O boi habitava nossa mentalidade simbólica fundamental, todo mundo aqui era fazendeiro, a sociedade de Campo Grande era um ovo naquele tempo, a cidade tinha uns 50 a 70 mil habitantes, éramos mesmo um Fazendão o que, de certa forma, continua sendo."
Pergunta - você já pintou um quadro que depois detestou?
Humberto – Isso aconteceu apenas uma vez. Quis ter o quadro de volta depois de vendê-lo. Queria queimar, eu já tentei recuperar esse quadro, mas a pessoa que adquiriu a tela gosta, eu já quis trocar, mas ela não aceitou. Acho que só tenho esse caso. De um modo geral eu gosto da minha pintura, já pintei quase quatro mil quadros.
Pergunta – No seu processo de criação qual filtragem pessoal você utiliza?
Humberto - Eu fiz meditação transcendental. Sou uma pessoa que busca muito o sentido das coisas. Se estou pintando, estou meditando, entendeu? Eu realmente eu saio de mim, eu viajo, abstraio totalmente, então uma pincelada é a minha poesia, é a minha vida, a minha emoção, está tudo ali...
Pergunta – Nas redes sociais, principalmente no Instagram, temos visto uma profusão de artistas jogando tinta na tela, mostrando uma variedade imensa de técnicas e de intervenção, estabelecendo o modismo do abstrato decorativo, até banalizando a arte, então, como você vê esse momento da impermanência das imagens por causa da invasão a que somos submetidos o tempo todo pelas redes?
Humberto - Eu me sinto um pintor do século 20. A minha formação vem do impressionismo e do expressionismo, do Van Gogh, Paul Gauguin, Picasso... aqueles grandes mestres que permanecem até hoje porque eles são realmente grandes mestres. Depois que a internet chegou passamos a ter acesso ao conjunto da obra destes grandes artistas, podemos analisar os quadros em seus detalhes e isso é positivo. Essa tecnologia trouxe uma nova influência, está sendo importante. Agora, se pintura vai ser uma coisa de terapia no futuro eu não sei...
Pergunta - Outro dia, no MOMA, instalaram uma tela de LED imensa mostrando uma obra ondulante, que se movimenta o tempo todo, não tem uma forma fixa, tem milhões de formas, muitas cores, tem música, enfim tem uma nítida função terapêutica, ou seja, ali não tem criação é pura inteligência artificial, enfim, será que é isso que dominará o espírito da arte?
"Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor..."
Humberto - Nessa homenagem que fizeram a mim em Bonito, com a instalação de um quadrilátero, onde as pessoa têm uma interação com minha obra, a gente já percebe uma coisa diferente. A inteligência artificial pega e trabalha minha obra de outro jeito, vira de cabeça para baixo, pega essas ondulações de mistura de cores e estabelece outro conceito. As crianças adoram, às vezes têm leituras maravilhosas que são feitas pelas crianças, eu fico espantado de ver como elas são criativas, mas não sei se o futuro das artes plásticas será a da inteligência artificial e do algoritmo...Acho que isso aí é um problema do futuro, quer dizer, eu cheguei aos 80 anos com uma concepção de pintura, não vou mudar aquilo que parece que vai permanecer. Agora, uma coisa é certa: sempre terá pintura boa, pintura ruim, tem tudo dentro de tudo, tem o bom ou o ruim, o medíocre e o médio, isso acontece em todas as áreas, na música, no teatro, no cinema, nas ciências, não tem como fugir, faz parte do processo civilizatório. O meu trabalho é uma coisa minha, pessoal, que me satisfaz, me realiza, me tranqüiliza, assenta a minha alma. Eu me sinto na história
Pergunta – Como é viver de arte no Brasil?
Humberto - Eu sobrevivi até agora, bem ou mal eu sobrevivi, porque você sabe que o mercado tem altos e baixos. Hoje estou pintando menos porque a pintura é uma coisa muito especial, estou num momento especial da vida minha. Eu sou de temporada, às vezes pinto 12 horas, produzo 17 quadros em poucos dias, depois dou um tempo, fico três meses sem pintar, porque também preciso, ouvir música, viajar, ver outras coisas. A pintura absorve muito, agora apareceu uma tendinite, resultado de anos e anos só dentro desse movimento da munheca, então a gente tem que se tratar, se cuidar... hoje, por exemplo, eu tenho um limite para trabalhar aqui, não posso passar de 3 horas sentado pintando, enfim, essas limitações físicas acontecem, eu acho super natural. Eu espero pintar até o fim da vida, mas o corpo tem um limite. Até os 75 ainda me sentia jovem; dos 75 para 80 você percebe o envelhecimento, isso passa a ter uma progressão geométrica, sua energia continua viva, mas o seu corpo não responde e não corresponde. Aí você vai levando, tentando manter o bom humor...
Humberto – Conforme passa o tempo, você se auto-avalia? Você acha que seu trabalho está melhor ou pior? Qual sua percepção?
Humberto - Sou disciplinado, sou exigente com meu trabalho, com as coisas que vou fazer. Escrevi um livro na pandemia que até agora não publiquei. É sobre as coisas que eu contava para as pessoas sobre minha infância e adolescência, não chega a ser um livro de memórias, estou chamando de digressões da memória porque a memória, na verdade, somos nós. Eu escrevi coisas que aconteceram na minha casa, a história da minha avó, sobre Dom Aquino que vinha nos visitar, então, são memórias que tem muito a ver com Campo Grande porque eu conheci a cidade quando ela era um ovo. A rua Rui Barbosa era um Areal, eu vi Getúlio Vargas fazendo campanha. Me formei em jornalismo. Quando eu vim para Campo Grande estava começando aquele movimento das artes plásticas, já era um pintor de férias que estava estudando história da arte no curso de jornalismo, na grade tinha um professor excelente de história da arte e aí eu me apaixonei. Comecei a procurar minha pintura quando eu conheci a Aline. A gente começou um movimento para levantar a arte mato-grossense, precisava de um carro- chefe, senti que eu tinha que fazer alguma coisa de projeção nacional, então busquei ser esse carro-chefe e decidi não ser escritor. Falei: vou pintar e aí comecei a me apaixonar pela pintura e entrei numa viagem profunda, fui indo e me conhecendo. Acho que arte tem muitos caminhos de crescimento espiritual, percorri todas as religiões que você possa imaginar até chegar a ser totalmente ateu como sou hoje. Essa é uma coisa que nem dá para falar muito porque choca muitas pessoas. Fui um agnóstico que encontrou o ateísmo. Hoje estou me preparando para morrer porque me preparei para vencer na vida, me preparei para ser homem, me para sair daqui na juventude e entrar na vida adulta, me preparei para fazer o meu trabalho pela sociedade e agora estou me preparando para morrer. Isso é super natural, que sorte eu tenho porque posso pensar nisso com tranquilidade...
Fonte: Dante Filho, “Entrevista Humberto Espíndola: O homem do boi”, publicado em 4 de setembro de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos | Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul presta homenagem ao renomado artista Humberto Espíndola neste dia 04 de abril completa 80 anos de vida. O escritor e artista visual foi o primeiro secretário de Estado de Cultura de MS de 1987 a 1990 e organizou, com Aline Figueiredo, a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde fundaram, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte.
Artista visual, começou a pintar em 1964. Desenvolvendo o tema Bovinocultura desde 1967, conquista uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira e tem seu trabalho registrado em bibliografias de referência e livros de arte contemporânea.
Suas obras integram acervos de museus e coleções no Brasil e no exterior. Foi gestor artístico do Museu de Arte Contemporânea de MS de 2002 a 2005 e coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, em Corumbá/MS.
Visto como uma abordagem crítica à nobreza da pecuária e seu feudo nos anos de 1960/70, a bovinocultura do artista ganhou o mundo e deu vazão às artes de Mato Grosso uno, em um tempo de isolamento do oeste brasileiro, expondo nas bienais internacionais de Paris, Veneza, Medellin, Havana, São Paulo.
Jornalista, entre um querer pela arquitetura e o desejo do pai de se tornar advogado, o artista começou a pintar desde os 13 anos, já morando em São Paulo com os avós, desiludiu-se momentaneamente pelas artes e retomou a paixão pela pintura aos 20 anos ao conhecer Aline Figueiredo, pantaneira guerreira e de talento reconhecido. “Eu desenhava desde garoto, até com uma mangueira, quando lavava a calçada de casa, criando figuras no muro. Depois, já adolescente, cheguei a escrever poesias motivado por algumas paixões malucas”, disse numa Roda de Conversa durante o Festival Campão Cultural, em outubro do ano passado.
“Hoje somos chamados de mega-oeste, vi isso na internet. O futuro é aqui, o início do Brasil novo. Campo Grande é uma cidade ansiosa de ser grande e nós campo-grandenses temos muito disso. Foi uma cidade de papelão, lá atrás, agora se recupera, tanto cultural, como social, e o momento principal está chegando”.
“Eu vi Campo Grande crescer, vivi toda essa transformação. […] Eu nasci aqui, saí e voltei e resolvi ficar, poderia ter saído pelo mundo, Nova York, Paris. Minha mãe foi um paraquedas para puxar tantos artistas para essa terra. E estou feliz por estar aqui e ter uma história para contar”.
Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Max Freitas, Humberto Espíndola é um dos maiores artistas do nosso Estado. “Suas obras nos fazem refletir sobre diversas relações que temos com a terra, a vida e o boi, seu maior objeto de trabalho ao longo de todos esses anos. É muito gratificante viver na mesma época que este grande artista e ele merece todas as honras em vida.”
Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 38), Humberto Espindola ainda está na ativa – “a pintura é minha meditação, vida, fico em outro plano” – e finaliza um terceiro livro, “Digressões”, de contos biográficos e memórias dos anos 40-60 vividas em Campo Grande, São Paulo, Cuiabá e Curitiba, onde se formou em jornalismo. “São minhas histórias, da família, dos irmãos, casos de casa. Não sei até onde tem verdades e mentiras”, ironiza.
O secretário de Estado de Turismo, Esporte Cultura e Cidadania, Marcelo Miranda fala da grandiosidade do artista. “O Humberto é o escritor e artista visual que começou a projetar o nome e o universo da arte do Mato Grosso do Sul no Brasil e no mundo. Ele tem o dom de contar a história do Estado através de suas obras, que partem do tema do boi, visto como símbolo da riqueza. Retratando o poder, uma vez que a bovinocultura é tão presente aqui. O seu legado nestes 80 anos vai muito além das suas telas e livros, passam pela sua leitura da sociedade, pelas suas vivencias diárias. E eu sou imensamente grato por estar secretário dessa pasta tão ampla e proporcionar para a sociedade uma mostra das obras desse grande artista”.
Exposição
Em comemoração aos 80 anos de vida de Humberto Espíndola, em homenagem à sua trajetória como artista sul-mato-grossense, o Museu da Imagem e do Som de MS, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, realiza uma exposição com as obras de Humberto que fazem parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MARCO). Também farão parte da exposição exibições em vídeo contando um pouco da história do artista.
A exposição será aberta ao público no dia 14 de abril de 2023, no MIS, que fica no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania Apolônio de Carvalho: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559. Entrada franca!
Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, “Um dos maiores artistas visuais de MS, Humberto Espíndola faz 80 anos”. Texto: Silvio Andrade e Karina Lima, publicado por Karina Medeiros de Lima em 04 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.
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Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro) | Sociedade dos Poetas Amigos
Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começou a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira.
Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Sua obra foi mostrada nas Bienais de São Paulo, Veneza, Paris, Medelim.
Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.
É difícil traçar o próprio perfil em poucas linhas. Vejo em mim muitas vidas quando olho para trás. E tenho muitas facetas no meu cotidiano. Mas meu humor é estável, pelo menos isso. Se você olhar minha trajetória artística pode ser um bom começo para saber quem ou como sou, e o que já fiz e continuo fazendo.(Humberto Espíndola)
Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola, cuja obra reflete a sociedade e a economia do Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste.
Humberto Espíndola é um nome destacado na história da cultura brasileira, sendo considerado um dos principais artistas plásticos da região centro-oeste. Num estado com mais de 30 milhões de cabeças de gado, ele é conhecido como o ‘pintor dos bois’. A cotação da sua ‘arroba’ é a mais cara do estado e comprador não falta. O segredo é que os bois de Humberto não morrem jamais. Tornam-se imortais depois de soltos entre os quatro cercados da tela.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Prêmios
1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
2008 - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas, MS.
2007 - Representa o Brasil no 4º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
- Pinturas e gravuras, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2006 - Monumento Bovinocultura - O carro-chefe (ferro e aço, 4.10 x 8 x 3.50m),
Cuiabá.
- Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (pintura, 800 m²), Edifício Salim
Kassar, Corumbá, MS.
- Territórios, coletiva no Museu de Arte Contemporânea/MAC/USP, São Paulo.
- Bovinocultura: Obras recentes, individual no Centro de Eventos do Pantanal,
Cuiabá.
- Abstrações rurais, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2005 - Arte Campo Grande, coletiva no Armazém Cultural, Esplanada da Ferrovia,
Fundação Municipal de Cultura, Campo Grande.
- Pequenos formatos, individual/lançamento do site no Shopping Campo Grande.
2004 - Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA,
pela carreira artística e contribuição à cultura brasileira.
- Arte Brasileira: Anos 60 e 70, coletiva em Juiz de Fora, MG.
- Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX, coletiva do Studio Centro
Histórico, Cuiabá.
2003 - BrazilianArt III, coletiva de lançamento do livro homônimo em São Paulo, SP e
Rio de Janeiro.
- A arte atrás da arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo, SP.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte de Londrina, PR.
2002 - Política, moda e arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM de São Paulo.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande, MS e no Museu de Arte e de
Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
2001 - Touros e Onças, com João Sebastião Costa, Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
- Cores de Março, coletiva na Galeria do Yázigi, Campo Grande.
2000 - Bovinocultura 1967/99 - Panorama Retrospectivo, individual na Casa Andrade Muricy, Curitiba.
1999 - Ibypitanga, coletiva inaugural da Art Galeria Mara Dolzan, Campo Grande.
- Grafias eletrônicas, individual inaugural da Galeria Yázigi, Campo Grande.
1998 - Inter-Cidades, coletiva em cidades de MS, produção Art Galeria Mara Dolzan.
- Rodeios, individual na Galeria do SESC Horto (mostra inaugural), Campo
Grande.
1997 - Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, coletiva no Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz; Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/USP.
- Painel interno Memórias de Mato Grosso do Sul (328x375cm), Casa da
Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande.
1996 - Viva Brasil, coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.
- Expobrasil/96, coletiva em Tóquio, produção Galeria Art-Con.
- Monumento Cabeça de Boi (escultura em ferro e aço, 8x2.50x0.30m), Praça
Cuiabá, Campo Grande.
1995 - Individual no Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, lançamento do livro A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT 1994, Cuiabá.
1993 - Sala Especial no XX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande.
1992 - EcoArt, coletiva da Eco 92 no Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1990 - Pintura Contemporánea de Brasil, coletiva na Casa Rômulo Gallegos,
Caracas.
- Olhar Van Gogh, coletiva no MASP, São Paulo.
- Individual no Museu Guido Viaro, Curitiba.
1989 - Representa o Brasil na II Bienal Internacional de Cuenca, Equador.
1987 - Individual na Sadalla Galeria de Arte, São Paulo.
- 20 Anos de Bovinocultura, individual no Centro Cultural José Octávio Guizzo,
Campo Grande.
1986 - Individual na Art-Con Galeria de Arte, Campo Grande.
1985 - Nelores, individual por ocasião do I Leilão de Gado Nelore, Campo Grande.
1984 - Representa o Brasil na I Bienal de Havana.
- Artista convidado no VII Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte
Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
1983 - Individual na Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.
- Individual na Modus Vivendi Galeria de Arte, Porto Alegre.
1982 - Entre a mancha e a figura, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- 1ª Exposição de Arte Latina, coletiva em Recife.
- Individual na 44ª Expogrande, Campo Grande.
1981 - Figuração Referencial -11º Salão Nacional de Arte, Museu de Arte de Belo Horizonte.
- 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Tóquio, Kioto e Nekai, Japão;
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
1980 - Prêmio aquisição no 1º Salão Arteboi, Montes Claros. MG.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba.
1979 - Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1978 - Representa o Brasil na 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura do México.
- 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, São Paulo.
1977 - Prêmio Melhor do Ano (pintura), Associação Paulista de Críticos de Arte.
- Arte Agora II/Visão da Terra, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- Rosas/Rosetas, individual no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado, São Paulo; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e
Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1976 - Arte Agora I/Brasil 70-75, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
1975 - Prêmio aquisição no 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa
Econômica de Goiás, Goiânia.
1974 - Mural externo Bovinocultura, Palácio Paiaguás (3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), sede do Governo de Mato Grosso, Cuiabá.
1972 - Representa o Brasil na 36ª Bienal de Veneza, Itália.
- Representa o Brasil na 3ª Bienal de Arte Coltejer, Medellin, Colômbia.
- Individual na Galeria Portal, São Paulo.
- Individual na Galeria Ipanema, Rio de Janeiro.
1971 - Prêmio bolsa de estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo.
1969 - Representa o Brasil na 10ª Bienal Internacional de São Paulo.
- Indicado à 4ª Bienal de Paris (a representação brasileira foi impedida pela
censura).
- Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea/MAC da USP, São Paulo.
- Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte.
- Individual na Sala Göeldi, Rio de Janeiro.
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal de Campinas no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP.
- Grande Prêmio no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP.
- Referência Especial do Júri na 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas de
Salvador.
1967 - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília.
- 17º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- 23º Salão Paranaense de Artes Plásticas, Curitiba,.
- Individual no Museu Regional do Pantanal, Corumbá, MS.
1966 - 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato- grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
Obras em acervos públicos
- BrazilianArt, Jardim Contemporâneo Editora, São Paulo.
- Casa de Cultura José Martí, México, DF.
- Casa de Cultura Wifredo Lam, Camagüey, Cuba.
- Caixa Econômica Federal, Brasília.
- Coleção Nemirowsky, São Paulo.
- Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.
- Ludwig Fórum für Internationale Kunst, Aachen, Alemanha.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Curitiba.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo.
- Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Fundação de Cultura de MS, Campo
Grande.
- Museu de Arte da Pampulha/MAP, Belo Horizonte.
- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP, São Paulo.
- Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo.
- Museu de Arte Paranaense/MAP, Curitiba.
- Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.
- Universidade de Desenvolvimento do Pantanal/Uniderp, Campo Grande.
- Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá.
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Campo Grande.
Produtor Cultural
2004/06 - Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
2002/04 - Gestor Artístico do Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo
Grande.- Curador do Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
1991/92 - Diretor Cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande.
1987/90 - Primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul.
1973/82 - Co-fundador e Diretor do Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1977/79 - Colaborador no livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte).
1973 - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do Museu Indigenista Candido Rondon, UFMT, Cuiabá.
1967/72 - Co-fundador e Diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
1966 - Co-organizador da 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
“Quando eu comecei era um vazio sem fim. Não tinha patrocínio, nem casa de exposição ou galeria, não tinha museu, incentivo de tipo nenhum”, conta Humberto mostrando a diferença da valorização da arte atualmente, com os museus de Campo Grande cada vez mais estruturados, espaços culturais, os Festivais de Bonito e América do Sul que acontecem com ajuda de leis de incentivo fiscais que, segundo Espíndola, são fatores que fazem Mato Grosso do Sul estar inserido no mapa cultural do Brasil. Incentivos estes que ajudam os artistas regionais propagarem seu trabalho lá fora, fazendo com que Mato Grosso do Sul não seja visto somente como Estado criador de gado, mas também um Estado que produz cultura, arte de qualidade.
O artista plástico acredita que sua formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural, e é o que efetivamente faz a sua terra ter seu valor exposto, se valorizado conseqüentemente terá sucesso e reconhecimento acima de tudo pelo amor à sua profissão. “Vale lembrar, entretanto, que como o ofício de pintor é pintar, a minha paixão pela pintura, não tenho dúvidas, é ainda maior do que essa que sinto pelo boi”, confessa o artista.
Para um artista que resolveu pintar o boi, não foi difícil perceber o quanto a figura desse animal carecia de dignidade ou status, sob o ponto de vista da maioria dos consumidores da pintura. Mas esse preconceito sobre a imagem do boi não implica só o comportamento do mercado de arte, implica também as opções intelectuais responsáveis pela animação cultural de cada região. Para um pintor que se envolveu com essas reflexões o desafio temático continua sendo inspiração que leva à realização da obra, já que minha formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural do artista.
Por outro lado, observei que a imagem do boi — entenda-se nesta expressão o touro e a vaca também, em muitas culturas é absorvida com maior receptividade que entre nós. Seja como produto de consumo, propaganda, arte ou mesmo símbolo religioso. A diferença para uma maior ou menor receptividade está certamente na história iconográfica dessas culturas. Nas culturas orientais a imagem do boi é totalmente absorvida, pois ele está ali presente há milênios nos campos, ritos e cultos, e conseqüentemente na arte.
Minhas novas séries de pintura apresentam várias facetas ao mesmo tempo, o que faz com que me sinta bem diante dessa simultaneidade de portas, excitando-me a criação. O mais importante é que a simbologia do boi vem alimentando um crescente vocabulário sígnico na minha linguagem plástica. No decorrer desses anos, a bovinocultura me levou sempre a procurar relações universalizantes: pecus-pecunia, rosas/rosetas, rosa-boi, entre outras abordagens. E durante esse processo, tema e plástica foram se redefinindo, abertos para a liberdade de mergulhar no inconsciente coletivo e trazer de volta, nas tintas, sempre uma nova expressão. — Humberto Espíndola.
"Espíndola transmitiu, também, com a imagem do boi, a capacidade dual que o homem lhe impõe, isto é, o terno animal dos pastos também será besta satânica. Com as patas expressa o massacre, com os chifres a opressão e com o corpo o poder. Humaniza o boi para traduzir a força sócio-política e econômica. Associa-o ao Minotauro, símbolo da dualidade onde o homem e o animal se confundem. Assim, minotauros de hoje, famélicos senhores bovinos transitam engalanados de uniforme, estrelas, dragonas e esporas, enquanto devoram uma sociedade marginalizada em seus mordazes labirintos". (In, A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, ed. UFMT, Cuiabá, 1994, cap.9)
" [...] São pinturas em pequenos formatos, cujos temas citam fases da pintura do artista e revelam-se através de recortes nítidos, destacando os símbolos que insistiram em se mostrar durante a sua trajetória artística. De figuração variada e colorido vibrante, essas pinturas reúnem partes de narrativas onde o boi quase sempre é herói, às vezes brincalhão, outras enigmático, outras um retrato incômodo de algum político autoritário ou, até mesmo, de um faraó. Os bois se apresentam ao público, cada um a seu modo, exibindo os seus troféus, seus atributos, enfim, as características que os fizeram parte da história cultural do Brasil." — Mariza Bertoli, 2005)
" [...] Editadas cuidadosamente sobre papel, numeradas individualmente, as gravuras de Humberto somam ao seu universo criativo um toque de experimentação além da sua indiscutível qualidade imagética. Humberto Espíndola, nos remetendo a um passado mítico, começa a olhar e a falar com outros meios expressivos atualizando seus arquétipos editados sob forma eletrônica. As formas taurinas explodem, incendeiam-se e, quando se supõe que viraram pura imagem luminosa elas voltam a nos falar das máscaras trágicas, do mágico e do mítico" — Noemi Ribeiro, 1996.
"Depois de ter pintado o boi de todas as formas, Humberto Espíndola decidiu ultimamente retratá-lo numa linguagem minimalista sintética. [...] Surgiram formas que lembram criaturas encapuzadas, com raízes no momento atual." — Maria da Glória Sá Rosa, 2002.
"Ambicioso e complexo, o trabalho de Humberto Espíndola pode ser visto como um todo através de uma técnica essencialmente plural, o assemblage, onde distintos materiais são esgotados em suas qualidades plásticas, num jogo de interdependência para a criação de novos significados. Isto quer dizer que iremos encontrar sobre uma mesma superfície, a madeira, colagens de couro de boi, tinta acrílica e grafismos pirogravados. São quadros-objetos que enunciam o diálogo entre signos da cultura regional — o couro, as marcas de propriedade, e da cultura erudita, na medida em que o artista atribui-lhes novos significados ao combiná-los singularmente" — Maria Adélia Menegazzo, 2002.
"A queixada dentada do boi parece um boomerang, rosa dos ventos, entronizada no alto da coluna, com seu azul maravilhoso. O que temos agora é um novo tipo de capitel. Não se trata de nenhuma ordem clássica — dórica, jônica, coríntia — mas de uma ordem pantaneira, ou melhor, metáfora de um classicismo de tipo novo, crescendo à porta da selva amazônica, fundando suas colunas nos pantanais do Brasil Central" — Frederico Morais, 1981.
Painel no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
"...impressionante painel de Espíndola no Palácio do Governo, no qual o boi como que aparece devorando o vazio do pantanal, estendendo seu olhar para muito longe, numa tentativa de apreender as dimensões continentais do nosso país e do próprio Continente. Dizia, então, que em regiões como esta, o artista não pode sussurrar, precisa falar alto, berrar, sair de sua timidez, pois, só assim, estará correspondendo aos desafios do isolamento e da distância" — Frederico Morais, 1981.
Da série Divisão dos Estados
Ano em que conheci Aline Figueiredo, que estava reunindo todos os artistas plásticos de Mato Grosso Uno, para "A Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses" O Evento aconteceu nos salões do Radio Clube central (hoje desativado) e contou com 600 pessoas na abertura. Em minha análise histórica, ainda eram os ecos da Semana de 22 que só então chegavam entre nós, vítimas do isolamento cultural. Naquela época, Campo Grande tinha pouco mais de cem mil habitantes. Hoje, depois de muitas batalhas, já estamos perfeitamente sintonizados no circuito nacional.
Tirar o velho Mato Grosso Uno de secular isolamento cultural.
Colocar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no circuito da Arte Brasileira.
O boi leva suas patas para além do verde.
Chega o deserto.
Depois de uma caminhada pelo pais
as florestas ressentem...
A carne cobra seu preço
Na gordura quente do cupim elevado,
um monte reluz brancuras de neve.
Sob o azul de prata de um céu aberto,
o pasto invisível da imaginação
Dunas de carne se fingindo areia.
Boiada, sob lençóis.
Seus cupins ondulam no mar vermelho,
escondidos
sob o manto branco que clareia os campos
Na busca de pastagens
fui tuitando até o sigaquetesigo.
Encontrei muita carne
e muito pouco espírito.
Mas para a arte do boi
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é peso e poesia
Asa flor
no jardim de asa
e azaléia
Imóvel de vento e beijo
solidão pulsante
descoberta à luz do dia
Rufar de asas
tambores suaves
de mensagens caladas
sem sal de lágrimas
Espíndola Canta (CD, 2003): Humberto participa do projeto Espíndola Canta atuando como cantor e compositor com a canção Malditos astros, e na composição Reino do Pantanal, interpretada por Gílson Espíndola
Malditos Astros
(Humberto Espíndola)
Nasci faz tão pouco
E já morri na mágoa de viver
De tão pequeno que fui Deus nem me viu
Ou se me viu já era tarde
Pois quem já nasce magoado
Morre magoado até o fim
Não quero não devo falar de ninguém
Talvez a grande culpa seja mesmo dos
Astros
Ah... malditos astros
Que me regem os passos
Profundamente magoados
Pesarosamente cientes
De suas rotas impassíveis
Reino do Pantanal
(Jerry e Humberto Espíndola)
Deita o sol
no lençol sem luar
estrelas assim brilham mais
no reino do Pantanal
índio ou peão
o caipira alí está
no Brasil, do nordeste a São Paulo
pantaneiro sofre ao se intregar
nesse desmanchar no ar
sem remédio pra curar a raiz
que perde a nação
na curva do rio
dramas de televisão
na alma ansiedade inventa canção
prisioneiro de seu pasto
sua fuga é na vazante
sua janela é sua porta
vôa peão
cavaleiro seu gingar
goza louco a galopar
crê o barco sua cama
pensa a cama sua chama
liberdade o que é que é
é saudade ou é mulher
e a ninguém o rio conta
sua paixão e solidão
fica peão
"Tenho uma história e trajetória de que me orgulho, mas sou um sujeito simples e consciente o suficiente para fazer de minha arte o instrumento de meu crescimento espiritual. A modéstia e a compaixão são duas virtudes que me fascinam. Amo a arte acima de todas as coisas..." (Humberto Espíndola)
Fonte: Sociedade dos Poetas Amigo, “Humberto Espíndola (Compositor, músico e artista plástico brasileiro)”.
Crédito fotográfico: Museu de Arte e de Cultura Popular, "Humberto Espíndola". Consultado pela última vez em 5 de agosto de 2025.