Leda Catunda Serra (São Paulo, SP, 23 de junho de 1961), mais conhecida como Leda Catunda, é uma artista visual, pintora, escultora, gravadora, pesquisadora e professora brasileira. Formada em Artes Plásticas em 1984, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo e doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos. Em suas obras, Leda aborda questões críticas do debate conceitual. Inicialmente, sua produção pictórica explorava os limites entre a pintura e o objeto, referenciando o pop art. Seus trabalhos da década de 80 possuem um forte traço descritivo e caricatural, com texturas e superfícies dos materiais industrializados. Na década de 90, apostou nas composições geométricas, com menos cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantém o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Leda realizou exposições individuais e coletivas, das quais destacam-se: I Love You Baby, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2016) – que lhe rendeu o Prêmio Bravo! de Melhor Exposição Individual do Ano; Pinturas Recentes, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e MAM-Rio (Rio de Janeiro, 2013); Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). A artista já participou de quatro Bienais de São Paulo (2018, 1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Suas inúmeras participações em mostras coletivas incluem as antológicas Como Vai Você, Geração 80?, EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983); e, mais recentemente: Past/Future/Present, Phoenix Museum of Art (Phoenix, EUA, 2017); Histórias da Sexualidade, MASP (São Paulo, 2017); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, EUA, 2014). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Blanton Museum of Art (Austin, EUA); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); Fundação ARCO (Madri, Espanha); Toyota Municipal Museum of Art (Toyota, Japão); Instituto Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Masp (São Paulo); MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro. A artista é considerada um dos maiores talentos surgidos no âmbito da Geração 80, explorando os limites entre a pintura e o objeto.
Biografia Oficial Leda Catunda
Cronologia
1961 - Nasce Leda Catunda em São Paulo. Filha de Vera Catunda Serra arquiteta e paisagista e Geraldo Serra Gomes, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
1980 - Ingressou no curso de Licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), graduando-se em 1984.
“Estávamos vivendo os últimos anos do governo do General Figueiredo, o finalzinho da ditadura militar, sentiamo-nos por isso amarrados e sem poder de ação. Ao mesmo tempo, organizava-se movimentos pelas eleições diretas com passeatas pelo vale do Anhangabau. Eram realmente emocionantes e surgiam como um aceno de que as coisas finalmente poderiam mudar para melhor. Eu estava terminando a faculdade de artes plásticas na FAAP e desenvolvia um trabalho de pintura. Por incrível que pareça, na época, o ressurgimento da pintura era algo inesperado num contexto posterior à desmaterialização da arte e à arte conceitual dos anos setenta.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda, texto do arquivo da artista “Como era nos anos 80...”, sem data, inédito).
O historiador e crítico da arte Tadeu Chiarelli comenta sobre o ambiente da FAAP nos anos 1980.
“O debate que se travava nas salas e corredores da FAAP era muito interessante. De um lado estavam alguns professores fundamentais para a formação teórica e prática dos alunos – Walter Zanini, Nelson Leirner, Regina Silveira, Júlio Plaza –,todos eles abrindo as portas para as discussões sobre a arte e sua natureza; sobre a arte enquanto conceito e enquanto mercadoria; sobre a desmaterialização da arte, o conceito de ready-made... Enquanto isso, nas revistas internacionais – lidas avidamente pelo alunado –-, eram publicados artigos fartamente ilustrados sobre a “volta à pintura”, sobre os selvagens alemães, a transvanguarda italiana, sobre Schnabel, Fischer, Sandro Chia, Clemente... Havia, portanto, um descompasso.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 9.)
1981 - Expõe pela primeira vez no “IX Salão de Arte Jovem de Santos”. No mesmo ano, participa de duas mostras coletivas: “Festival Internacional da Mulher nas Artes”, São Paulo e “V Salão Jovem de Arte Contemporânea”, Centro Cívico de Santo André, São Paulo.
1982 - Torna-se monitora de classe da professora-artista Regina Silveira. Leda estabelece desde o início de sua trajetória uma relação que se intensifica ao longo dos anos com o ensino de arte e com seus professores.
1983 - Realiza a exposição “Pintura Como Meio”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Ibirapuera). A exposição, idealizada por Sérgio Romagnolo, foi apresentada a Aracy Amaral, então diretora do Museu, que a acolheu. Foram expostos trabalhos de Ana Tavares, Ciro Cozzolino, Leda Catunda, Sérgio Niculicheff e Sérgio Romagnolo. A partir desta coletiva surgem novos convites.
“Surge então a pintura integrada ao ambiente, espaço bidimensional que recebe a pintura e no qual a ausência de moldura confere uma intermediação insinuante como em todos os artistas que se utilizam deste “artificio” desmistificador, entre o espaço real e virtual de seu trabalho pictórico.
Transparece [assim] uma pintura desnuda em seu naturismo, independente do fato de ser figurativa ou não, porém como comunicação visual plástica válida em si, sem a pose da “grande pintura”, embora substancialmente pintura.”
Aracy AMARAL. - “Uma Jovem Pintura em São Paulo” in: Catálogo Pintura Como Meio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1983. p. 1.
Nessa exposição Leda expõe pela primeira vez que os trabalhos que denomina “vedações”.
“Usando como suporte toalhas infantis, além de tecidos estampados comumente usados para a confecção de roupas e/ou lençóis para crianças, Leda vedava com tinta as imagens ali produzidas. Sem usar chassi ou qualquer outra estrutura mais dura para suportar os tecidos, a artista muitas vezes costurava um pedaço de pano ao outro aumentando assim a área de ação sobre as estampas. (...) [Leda] introduzia nessa operação fria de imagens já prontas a gestualidade “romântica” da pintura – o que aumentava o caráter irônico de seu trabalho.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 11 e 12).
No mesmo ano, é convidada pelo professor Júlio Plaza para participar, com um trabalho em vídeo-texto, da “XVII Bienal Internacional de São Paulo”. Participa ainda da exposição - “Arte na Rua, Out Door”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e “Pintura Brasil”, Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte. É monitora de classe do professor Walter Zanini na disciplina História da Arte.
1984 - Expõe nas coletivas “Stand 320” na Galeria Thomas Cohn Arte Contemporânea e “Como vai você, Geração 80?,” no Parque Lage, ambas no Rio de Janeiro. Participa de coletiva com Sérgio Romagnolo, Ciro Cozzolino e Leonilson na Galeria Luisa Strina em São Paulo e da I Bienal de Havana em Cuba.
1985 - Realiza a primeira exposição individual na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. O crítico Wilson Coutinho escreve no Jornal do Brasil sobre a mostra:
“A artista paulista Leda Catunda, 24 anos, curiosamente realiza sua primeira individual não em São Paulo, mas aqui. (...) Ela se utiliza de inúmeros materiais da indústria como tapetes, colchão e acolchoados, plásticos, e com isto cria uma figuração extremamente cativante e alegre, diferente de outros artistas paulistas que estão manejando os detritos industriais aplicados na metáfora do feio, do horror e do ostensivo deboche.” – Wilson COUTINHO (A Bela Indústria. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1985.)
Em entrevista a Baravelli, Leda expõe sua opinião sobre a situação da jovem arte paulista:
“Leda Catunda: Hoje em dia tem uma super pintura matérica, que é bem distante do meu trabalho. Até pintei com tinta a óleo e tinha aquela piração no azul phthalo. Gosto muito de cor, mas não penso em “superfície” e “não-superfície”. Essa linha de pintura requer uma coisa clara.
Baravelli: Formalista para caramba...
L: É bastante formalista, me sinto num outro clube, mais com Luiz Zerbini, Leonílson e Sérgio Romagnolo.
B: Aqui em São Paulo tem essas duas correntes: a turma da matéria e a turma da figura. É assim para sua geração?
L: Acho que sim. A turma da matéria tem uma referência, mais forte e mais fácil, da pintura alemã, do concretismo, uma base conhecida que meu trabalho não tem. Ainda estamos procurando um caminho a ser definido — BARAVELLI (“Baravelli visita Leda Catunda”. Revista Galeria, nº10, 1988).
Expõe no “Salão Nacional de Artes Plásticas”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na “XVIII Bienal Internacional”, São Paulo. Sobre as questões em jogo na Bienal de 1985, o curador Ivo Mesquita comenta:
“... a volta à pintura proposta pelos trabalhos confirmaria o talento natural e a vocação da arte brasileira à contemporaneidade, pois o mesmo acontecia simultaneamente no resto do mundo. O revival da pintura naqueles anos foi, de imediato, interpretado como um retorno ao modo direto e sensual de o brasileiro se relacionar com as linguagens plásticas, como uma reação ao cerebralismo e ao excesso de metáforas da arte produzida pelas gerações anteriores (o que, no Brasil, significava não apenas o enfrentamento das questões da visualidade contemporânea mas também estar num embate constante com a censura institucionalizada pelos militares). A consagração veio em 1985, quando Rodrigo Andrade, Fernando Barata, Carlito Carvalhosa, Leda Catunda, Fabio Miguez e Daniel Senise foram apresentados na Grande Tela da XVIII Bienal Internacional de São Paulo ao lado de artistas como Enzo Cucchi, Gunter Damisch, Martin Disler, Stefano Di Stasio, Dukoupil, Koberling, Middendorf, Salomé, Hubert Scheibl, Tadanori Yokoo, algumas das estrelas da cena internacional da época.” — Ivo MESQUITA (Território dos sentidos in: Daniel Senise. Ela que não está. São Paulo Cosac & Naify edições, 1998. p.11).
Participa, ainda, das exposições “Nueva Pintura Brasileña”, Centro de Arte y Comunicación CAYC, Buenos Aires, Argentina, “Brasilidade e Independência”, Teatro Nacional, Brasília e “Today's Art of Brasil”, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.
1986 - Realiza a individual “Espaço Investigação”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Participa de diversas mostras coletivas entre as quais se destacam: “Transvanguarda e Culturas Nacionais”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “El Escrete Volador”, em Guadalajara, México; “Brazilian Painting”, Snug Harbor Cultural Center, Nova Iorque, Estados Unidos. Neste mesmo ano, começa a lecionar a disciplina de Artes Gráficas para o curso de Licenciatura em Educação Artística na FAAP.
Em entrevista por ocasião abertura da mostra compacta da XVIII Bienal em Brasília, Leda comenta sobre o seu trabalho:
“Em geral eu não gosto muito de desenhar eu sempre vou mais ou menos atrás de algo que está desenhado ou alguma estrutura. Comecei atrás de umas estampas que já estavam desenhadas e quando comecei a trabalhar com os panos, surgiram umas texturas que também eram interessantes, então a coisa foi toda se misturando e até aconteceu de entrar no objeto, como nesse trabalho que veio para cá, que é um cobertor. Um objeto não escapa da sua simbologia.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda em entrevista a Celso Araujo. In: O direito ao devaneio na nova arte do país. Jornal Correio braziliense, Brasilia, Distrito Federal 27 de janeiro de 1986. )
1987 - Realiza a primeira individual na cidade de São Paulo, na Galeria Luisa Strina. Nesta mostra, foram expostas oito pinturas figurativas sobre suportes diversos como toalhas, guarda sol, rendas, plásticos, perucas e couro.
Participa das coletivas “Pintura Fora do Quadro”, no Espaço Capital, Brasília; “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de Paris, França; “Imagem de Segunda Geração”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “TV Cubo”, na Galeria Mônica Figueiras, São Paulo.
1988 — Mostra individualmente, na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.
“Dizendo-se atualmente menos literal na relação com a imagem, Leda tem procurado explorar nos materiais e objetos “standardizados” de seu trabalho um meio de experimentar sobretudo as texturas, ao mesmo tempo em que alguns trabalhos já apontam para uma direção diversa daquela “narração” anterior. (...) Os “Babados” fogem radicalmente da questão da imagem, tal como a artista vinha apresentando e assumem, no caso, uma dimensão pictórica exclusiva e, até, abstrata.” — Ligia Canongia (CANONGIA, Ligia. A arte industrial de Leda. O Globo, 21 agosto de 1988).
Expõe nas coletivas: “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “1981-1987”, Galeria Arco Arte Contemporânea, São Paulo; “88 X 66”, Parque Lage/Espaço Sergio Porto, Rio de Janeiro; “Dimensão Planar”, Funarte, Rio de Janeiro. Começa a dar aulas de desenho no seu ateliê em São Paulo.
1989 - Ao lado de Ana Tavares, Monica Nador e Sergio Romagnolo participa da exposição “Arte Híbrida”, que aconteceu na Funarte, Rio de Janeiro e itinerou para o Museu de Arte Moderna de São Paulo e para o Espaço Cultural BFB, Porto Alegre.
“[Leda Catunda] É, ao meu ver, autora de efetivas “ combine paintings” no sentido utilizado quando fazemos referências ao trabalhos dos anos 1960 de Robert Rauschemberg. Ou seja, a pintura é aplicada como elemento de ligação, neste momento de sua produção, entre os objetos reunidos, sem qualidade como pintura, porém atuando como elemento a imprimir corpo, fisicalidade bidimensional no relevo de seus trabalhos.” — Aracy AMARAL (Quatro artistas in: Arte Hibrida, Galeria Rodrigo de Mello Franco, Funarte, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Espaço Cultural BFB, Porto Alegre, 1989).
No mesmo ano, mostra seus trabalhos nas exposições “Coleção Eduardo Brandão”, Casa Triângulo, São Paulo; na “Perspectivas Recentes”, Centro Cultural São Paulo; no“YOU-ABC”, Stedelijk Museum Amsterdam, Holanda; no “Panorama da Arte Atual Brasileira”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1990 - Apresenta individualmente um conjunto de trabalhos produzidos entre os anos de 1983 a 1990 no Museu de Arte Contemporânea de Americana, São Paulo. Com as obras realizadas entre os anos de 1989 a 1990 expõe nas individuais em Recife, na Pasárgada Arte Contemporânea e na Galeria São Paulo. Sobre esta última escreve Angélica de Moraes, no Jornal da Tarde e lisette lagnado na Folha de São Paulo:
“A exposição, de 13 obras, apresenta alguns aspectos que irão surpreender até mesmo quem acompanha de perto o trabalho dessa artista. A mostra foi construída entre dois pólos. As figuras da pop das estampas de tecido, reunidas por costura a máquina, agora dividem o espaço da galeria com obras que namoram uma vertente mais cerebral, neo-concreta. Esse novo aspecto da produção de Leda Catunda se traduz em pinturas-esculturas que exploram superfícies limpas e cores industriais em materiais como a fórmica brilhante ou fosca. O acúmulo de figuras se simplificou em geometrias e jogos visuais abstratos” — Angélica Moraes (MORAES, Angélica. Leda Catunda entre o pop-espalhafatoso e o neo-concreto. Jornal da Tarde, São Paulo, 30/10/1990).
“A identificação imediata da figuração caminha para uma abstração simplificada de bolinhas e retângulos. A busca da linguagem abstrata representa um esforço para sair do estigma juvenil das florzinhas e casinhas que, desde o início da sua carreira, acompanha a artista. O peso da ironia deixou lugar para uma apropriação mais alegre e intusiasta do repertorio da cultura de massa.”
Lisette Lagnado- Peças são femininas e previsiveis- Folha de São Paulo 30/10/1990.
Expõe nas coletivas: U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Arca de Noé, Galeria Gesto Gráfico, Belo Horizonte, Minas Gerais. Ganha o Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília.
1991 - Participa de diversas exposições coletivas tanto no Brasil quanto no exterior, das quais podemos destacar: “Viva Brasil Viva”, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “Mito y Magia”, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, México; “Brasil La Nueva Generacion”, Museu de Belas Artes de Caracas,Venezuela; “Arte Contemporânea”, Centro Histórico de Petrópolis, Rio de Janeiro; “BR/80”, Itaú Galeria, São Paulo.
1992 - Realiza exposições individuais no Centro Cultural São Paulo; no Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal e na Galeria São Paulo. Participa das coletivas “Entretrópicos”, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas, Venezuela; “Salão Paraense de Arte Contemporânea” (como artista convidada), Belém; "Hoje em dia...Avenida Central", Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Participa ainda da exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, sob curadoria de Waldo Hassmunsen, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque na Estación Plaza de Armas, Sevilha, Espanha para a qual foram selecionadas cinco pinturas de diferentes períodos da trajetória da artista.
“By exposing the techniques she empolys to fabricate her art- collage, assemblage, and sewing- Catunda undermines the sense of visual spectacle intrinsic to painting, especially to realist styles. Working against realism as the privileged site of identity, Catunda invokes Minimalism as the ground for reconstructing subjectivity . In her recent works, such as the series Retalhos Azuis (Blue Patches), 1991-1992, or Almofadas Amarelas (Yellow Pillows), 1992, Catunda reduces the pictorial and anecdotal references while emphasizing texture, plasticity, scale, and volume. Yet, in foregrounding tactility and the sensorial, as well as the sense of pleasurable abandonment evident in her use of materials, Catunda genders and eroticizes the Minimalist object.” — Charles MEREWETHER – The subject´s poweriessness in: Latin American Artists of XX century. Museum the Art Modern, Nova Iorque, 1992-1993.
1993 - A exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, itinera para o Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou, Paris, França; Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia, Alemanha e MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos. Nesse ano faz três mostras individuais: no Módulo Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal; na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro e na Pulitzer Art Gallery, Amsterdam, Holanda. Participa das exposições coletivas nacionais: “A Caminho de Niterói”, Paço Imperial, Rio de Janeiro que também é apresentada no Centro Cultural São Paulo; “A Presença do Ready Made”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “Projeto: Brazilian Contemporary Art”, Museu de Arte Contemporânea da USP. Integra as coletivas internacionais: “De Rio a Rio”, Galeria OMR, Cidade do México, México e “Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil” The National Museum of Women in the Art, Washington, Estados Unidos; O historiador e crítico de arte Paulo Herkenhoff escreve um dos textos do catálogo:
“A lascívia teatral das “Cinco Línguas” traz a desagradável memória de uma experiência erótica do horror tátil. Essa experiência tátil repulsiva fica também como memória do gesto físico de posse das coisas, na compulsão ao consumo das pequenas misérias do mundo das coisas. (...) A contundência do jogo de ironias de Leda Catunda não cessa: a geometria mole de “Cinco círculos” está perpetuamente condenada à inexatidão, mas também sorri para a tradição construtiva brasileira” — Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. “The contemporary Art of Brazil: Theoretical Constructs” In: Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington, 1993. p.85)
1994 - Em artigo publicado na revista Art in America, Alisa Tanger escreve sobre a produção de Catunda:
“As she worked through such narrative structures, Catunda began to reduce pictorial references, moving in a minimalist direction yet emphasizing bright, saturated colors and textures. Sometimes the titles of works still insinuate content, such as duas barrigas (Two Bellies, 1993) wherein two stuffied and sagging irregular pink rectangles jut out from a large pink rectangular support. Other recent wall hangings, however, seem entirely removed from anedotal asociations. In most recent works, Catunda’s motif is primary geometric shapes, usually circles. She collages stuffied, sheredded and painted shapes to make a kinder, more alluring and wackier minimalism.” — Alicia Tager (TAGER, Alicia. “Paradoxes and transfigurations”. Art in America. July 1994. p.46-47).
Expõe individualmente na Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos, São Paulo. Participa das coletivas: “Pequeño Formato Latino Americano”, Galeria Luigi Marrozini, San Juan, Porto Rico; “Bienal Brasil Século XX”, Fundação Bienal, São Paulo; “XXII Bienal Internacional”, Fundação Bienal, São Paulo; “20 anos de Arte Contemporânea da Galeria Luisa Strina”, Museu de Arte de São Paulo.
“As pinturas ora apresentadas na XXII Bienal Internacional de São Paulo têm uma força afirmativa que deverá funcionar em sua carreira como um divisor de águas. Surge agora uma imagem construída, sem a imediatez de um suporte que já se impunha com seu campo figurativo. Nas peças em escala maior, o espectador precisa de um certo recuo para avistar o sentido em sua totalidade – como é o caso da configuração de Duas bocas.O lugar “privilegiado” da fruição só existe no dificil limite: entre a luxúria da proximidade do tato e a compreensão da imagem percebida graças ao recuo estratégico.” — Lisette LAGNADO, Formas prenhes. in: Tadeu CHIARELLI (org). Leda Catunda, Cosac & Naify edições, 1998. p.121.
1995 - Expõe coletivamente na “Havana - São Paulo, Junge Kunst aus Lateinamerika”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha; “Latin American Women Artists 1915-1995”, Milwaukee Art Museum, Phoenix Art Museum, Denver Art Museum, Estados Unidos; “Infância Perversa”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “United Artits”, Casa das Rosas, São Paulo; “Anos 80, Coleção Gilberto Chateubriand”, Galeria do Sesi, São Paulo.
1996 - Expõe individualmente na Galeria Camargo Vilaça, São Paulo.
“Nessas pinturas de Leda Catunda, o espaço se faz num processo de automultiplicação, feito numa floresta, cobertura vegetal. Em Línguas verdes as folhas desabrocham com fertilidade. Em sua serialidade organizada, cada uma mantém sua identidade e diferença. Inseto é um casulo com múltiplas cápsulas, uma colônia de seres por nascer. Noutras pinturas, como as diversas Gotas, sem a delimitação pelo chassi ou a organização por um método lógico, o olhar poderia confrontar-se com uma enchente de gotas ou com uma praga de insetos de formas proliferantes que invadissem o mundo e sufocassem o olhar. Chassi e ordem é o que nos mantém à distância de uma ferocidade epidêmica. Estamos diante de idéias de excesso de presença tanto quanto de excesso de ausência.” — Paulo HERKENHOFF (Leda Catunda, o pincel e o conta-gotas. Catálogo Galeria Camargos Vilaça, São Paulo, 1996.)
Participa das exposições coletivas: “Contrapartida”, Kunstspeicher, Potsdam, Alemanha; “Artistas Contemporâneos Brasileiros”, Bayer, Leverkusen e Dormagen, Alemanha e Museu de Arte Moderna de São Paulo; “15 Artistas Brasileiros”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Off Bienal”, Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo.
1997 - Realiza as exposições individuais no Paço Imperial, Rio de Janeiro e na Galeria Marina Potrich, Goiânia. Paricipa das mostras coletivas: “15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna da Bahia; “Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ES 97 Tijuana”, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México, México; “Material Imaterial”, The Art Gallery of New South Wales, Sydney, Austrália; “Sala Especial”, 22º Sarp, Museu de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo; “Brasil - Reflexão 97”, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba, Paraná. Ingressa no mestrado (posteriormente convertido em doutorado) em Poéticas Visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo sob orientação do professor-artista Júlio Plaza. Em artigo publicado na revista Word Art o crítico Benjamin Genocchio aponta produção e Leda Catunda, ao lado de outros, como uma das artistas mais vistas que emergiram rapidamente na cena artística brasileira. Sobre sua produção ele escreve:
“William Blake once wrote that exuberance in beauty. Catunda’s paintings are also, quite literally, exuberant – and it is precisely this feature that endows them with a powerful sensual and seductive quality. Even Catunda’s series of works about tears is most painfully passionate and exaggerate…" — Benjamim Gennochio (GENNOCHIO Benjamim. Concrete poetry. In World Art, nº 12.p.46)
1998 - Expõe individualmente nas Galerias: Casa da Imagem, Curitiba, Paraná e na Camargo Vilaça, São Paulo. Leda escreve no catálogo da exposição em Curitiba:
“A princípio surgiram volumes justificados por representações de insetos, barrigas, corpos e cascas de insetos. Ao mesmo tempo, também foram feitas pinturas que representavam só barrigas, e a partir dessas, capas para cobri-las. Essas capas deram inicio à criação de pinturas cujo corpo surge a partir do acumulo de sobreposições.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. A superfície da pintura. Catálogo Galeria Casa da Imagem, Curitiba, Paraná, 1998.)
Participa de diversas coletivas dentre as quais podemos citar: “Futebol-Arte”, realizada em três diferentes instituições, Memorial da América Latina, São Paulo; Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Palácio do Itamaraty, Brasília; “Anos 80”, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia; “Der Brasilianische Blick”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim,Alemanha; “O Moderno e o Contemporâneo”, Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte São Paulo. Durante o período de 1998 a 2004 lecionou pintura e desenho no curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes Plásticas da Faculdade Santa Marcelina (FASM).
1999 - Realiza a exposição individual no Paço das Artes, São Paulo. Participa das mostras coletivas “O Objeto Anos 90”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Artistas do Festival”, Museu de Arte Contemporânea, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre; Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, Niterói.
2000 - Realiza a exposição individual “Leda Catunda pinturas moles”, no Museu Ferroviário Vale do Rio Doce em Vitória.
“Suas obras continuam ligadas a um tipo de história ou figura, como é o caso das formas exibidas em 1996, que se intitulam Gotas, Línguas, Insetos. Mas elas estão gradativamente se apurando em direção à composição, às sobreposições, às camadas, às seriações.” — Kátia Canton. (CANTON, Kátia. Uma outra costura do mundo. Folder Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria, Espírito Santo, 2000).
E também na Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte, Minas Gerais; Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia. Participa das coletivas: “O Século das Mulheres - Algumas Artistas”, Casa de Petrópolis, Petrópolis,Rio de Janeiro; “Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500”, Fundação Bienal, São Paulo e itinera para a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; “Obra Nova”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ A Imagem do Som de Chico Buarque”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2001 - Realiza as exposições individuais, na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos e no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, Paraná. Expõe nas coletivas: “Sings of life”, Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque; “Inventário Poético”, Galeria Casa da Imagem, Curitiba; “Trajetória da Luz”, Itaú Cultural, São Paulo; “O Espírito da Nossa Época”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “ Espelho Cego”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Cultura Brasileira 1”, Casa das Rosas, São Paulo; “Bienal do MERCOSUL”, Porto Alegre.
2002 - Realiza a individual ”Retrato”, na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo:
“Nesta primeira mostra individual de pinturas em São Paulo desde 1998, Leda Catunda volta à figuração, mas de maneira transformada: em lugar da representação pop dos anos 80, a imagem integra as novas obras como um elemento a mais na composição.
O “Retrato” traz o módulo puro entremeado de gotas com fotografias impressas em voile. São imagens de fragmentos de rostos (...) “Essa pintura retrata a maneira como duas pessoas convivendo muito tornam-se a mesma pessoa; e traz outros assuntos, como as tonalidades do corpo e os lugares cotidianos”, explica a artista” — Juliana Monachesi (MONACHESI, Juliana. “Leda retoma figuração prenhe de sutilezas”. Folha de São Paulo- Acontece. 08/08/2002).
Participa das coletivas: “Décadas, Caminhos do Contemporâneo 1952 – 2002”, Paço Imperial, Rio de Janeiro; “Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea”, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos, São Paulo; “Opera aberta”, Casa das Rosas, São Paulo; “ 28 (+) Pintura”, Espaço Virgilio, São Paulo; “Mapa do Agora”, Instituto Tomie Otake, São Paulo; “Arte no Ônibus”, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais; “Ares&pensares”, Sesc Belenzinho, São Paulo e “Gravuras”, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo.
2003 - Realiza as exposições individuais, no Centro Universitário Mariantonia, São Paulo; na Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires, Argentina; no Centro Cultural São Paulo e é artista convidada da 35ª Anual de Arte da FAAP, São Paulo.
“Como parte de sua defesa da tese de doutorado, Leda Catunda expõe sete pinturas de diferentes épocas desde 1993, sendo duas delas inéditas. Utilizando desde o início dos anos 80 diferentes tecidos costurados e pintados, pesquisa em suas pinturas o que denomina Poética da Maciez. De cores que ressabiam a precisa escolha, a artista opta pelo desconforto que tenta se aconchegar. A coloração, por vezes estridente, é amortecida e consolada pela maciez. Esta qualidade mole e macia sempre buscada, estabelece certa unidade na pintura, assim como a tinta ameniza a autonomia de cada parte. Desse desajuste conformado, concernente às tão diversas cores, superfícies e padronagens dos tecidos, um convívio que admite as extravagâncias, mas nunca as divergências. Tudo tende a cair, mas sem queda ou desmoronamento, com uma movimentação lânguida dada pela indolência das formas empanturradas” — Tatiana Blass (BLASS, Tatiana. “O peso do conforto”. Folder da exposição Poética da maciez, Centro universitário Maria Antonia, São Paulo, 1993).
As principais mostras coletivas desse ano são: “Pele e Alma”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Marcantonio Vilaça - passaporte contemporâneo”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “professores / artistas”, prédio do Mercado Municipal de Diamantina, Minas Gerais; “Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti”, Aria Arte Contemporânea, Recife. Titula-se doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
2004 - Expõe na Galeria Fortes Vilaça e na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos, individualmente. Participa das mostras coletivas: “Still Life”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo- Fiesp, São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Rio de Janeiro; “Onde está você Geração 80”, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília e o Museu do Estado, Recife, Pernambuco; “Heterodoxia”, Memorial da América Latina, São Paulo.
2005 - Realiza as exposições individuais na Galeria Alberto Sendrós, Buenos Aires, Argentina; “Spart Cultural”, Presidente Prudente, São Paulo; Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo; “Homoludens”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Arte em Metrópolis”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Realiza a oficina Pintura Contemporânea, 6º Festival de Arte Serrinha, Bragança Paulista, São Paulo.
2006 - Expõe individualmente na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo e na Galeria Marina Potrich, Goiânia.
“As pinturas-objetos apresentadas na exposição são construídas em camadas sobrepostas que se entrelaçam para criar uma imagem final. A superfície de cada camada contém imagens apropriadas de estampas de tecidos diversos ou simplesmente a textura de materiais como jeans, veludo ou plástico. Ao revestir os trabalhos com imagens e texturas do dia a dia pretende-se um empréstimo efetivo da visualidade cotidiana e através dessa ação criar gatilhos capazes de despertar lembranças e sensações percebidas na vida comum.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. Texto do arquivo da artista. Inédito. São Paulo, 2006).
Participa das coletivas: “Manobras Radicais”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; “Volpi Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ Fortes Vilaça na Choque Cultural”, Galeria Choque Cultural, São Paulo; “Padrões e padronagens”, Galeria Marilia Razuk, São Paulo; “Arquivo Geral”, Centro Cultural Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; “MAM na Oca”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Paralela 2006”, Pavilhão Armando de Aruda Pereira, São Paulo.
2007 - Realiza as exposições individuais no Dragão do Mar, Fortaleza, Ceará; Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte, Minas Gerais e na Galeria Arte 21, Rio de Janeiro. Destacam-se as exposições coletivas: “Itaú Contemporâneo”, Itaú Cultural, São Paulo; “Intimidades”, Galeria Marília Razuk, São Paulo; “80/90 Modernos Pós Modernos etc”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “CrtlC + CrtlV Recortar e Colar”, SESC Pompéia, São Paulo; “MARP 15 anos”, Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza; “NMúltiplos”, Arte21 Galeria, Rio de Janeiro; “Auto-retrato do Brasil”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2008 - Realiza a exposição individual, Galeria 111, Lisboa, Portugal. As principais mostras coletivas do período são: “Poética da percepção”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná; “HAPTIC”, Tokyo Wonder Site, Japão. Participa da residência Tokyo Wonder Site, Institute of Contemporary Art and International, Cultural Exchange Japão.
2009 - Realiza sua primeira mostra retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, apresenta um recorte da produção de 1983 a 2009. Entre pinturas, colagens e aquarelas estão também trabalhos pequenos, mais experimentais - e que por vezes funcionam como estudos para obras maoires - nunca antes mostrados.
“É importante para o artista poder pensar sobre o seu trabalho, que é muito solitário" afirma [Leda]. Um de seus desejos é poder mostrar um dia os desenhos a partir dos quais nascem seus trabalhos. “Gosto de chamá-los de papéis secretos, aqueles que ninguém vê” — Maria Hirszman (HIRSZMAN, Maria. “Leda Catunda esbanja cores e sensações em exposição.” O Estado de São Paulo 02/09/1998)
2010 - Participa como artista convidada do 12o Salão de Artes de Itajaí: poéticas pessoais em construção, na Fundação Cultural de Itajaí, em Santa Catarina.
2011 - Realiza as exposições individuais na Galeria Paulo Darzé, em Salvador e na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro. Nestas exposições, mostra pela primeira vez os trabalhos inspirados no universo do esporte. Entre as exposições coletivas, destacam-se: “Beuys e Bem Além: Ensinar como arte”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e “Arte Pará”, na Fundação Rômulo Maiorano, em Belém do Pará.
“Considerando que, desde o início da sua carreira, Leda Catunda expõe as idiossincrasias e as evoluções do imaginário popular, a decisão recente de se voltar para o universo esportivo é perfeitamente coerente e compreensível, quase lógica. (…) … ao focar esse universo, a artista convida o observador a olhar para uma transformação geral, que diz respeito à sociedade como um todo. Mas a artista… não toma partido, limita-se a observar o processo, olha o circo pegar fogo, e enquanto isso se apropria de alguns casos extremos, sem revelar se os considera as aberrações mais gritantes, ou os momentos mais sublimes. (…) … o que Leda Catunda, à sua maneira personalíssima e inconfundível, nos apresenta, é um pequeno teatro do absurdo, uma reprodução fiel, e que contudo beira o grotesco, dos abusos e das loucuras da sociedade do espetáculo" - Jacopo Crivelli Visconti (VISCONTI, Jacopo Crivelli. “O Circo Pegou Fogo”. In: ‘Leda Catunda’ (catálogo) Paulo Darzé Galeria de Arte, Salvador, 2011.
2012 - Realiza exposição individual na Galeria Ruth Benzacar, em Buenos Aires, em concomitância com uma exposição do artista Iran do Espírito Santo. Destacam-se entre as exposições coletivas: a exposição em homenagem a Leonilson, “Sob o peso dos meus amores”, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; participação como artista convidada no 37o Salão de Arte de Ribeirão Preto, onde mostrou uma série de trabalhos em papel e “Para Todos”, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No mesmo ano, viaja numa residência artística à China, a convite da ‘Currents: Art & Music’, ao lado do artista Jorge Barrão.
2013 - Realiza exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, na qual exibe uma sequência de trabalhos inspirados no universo esportivo. Posteriormente, a mostra itinera para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
Participa das coletivas: “Possíveis Mirantes”, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza; “30 x Bienal”, Fundação Bienal, São Paulo; “Sobrenatural”, Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Tomie Ohtake: Correspondências”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Mitologias por procuração”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Ilustra o livro “Ser Criança”, de Tatiana Belinky, editado pela Companhia das Letras, São Paulo.
2014 - Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: “Pintura como meio – 30 anos depois”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC USP Ibirapuera, São Paulo; “Diálogos com Palatnik”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Inventário da Paixão”, no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro e “Cruzamentos Contemporary Art in Brazil”, no Wexner Center for the Arts, Columbus/EUA. Nesta última, expõe o trabalho “Santos”, de 2012.
Ilustra o livro “A menor coisa que existe”, com texto de Alice Ruiz e Sérgio Novaes, publicado pelo SESC São Carlos, São Paulo.
2015 - Realiza exposição individual "Leda Catunda e o gosto dos outros", no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, onde exibe trabalhos inéditos, resultado de três anos de produção da artista. Na individual "Leda Catunda - Projeto Night Club", na Galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, é exposta a série de gravuras que leva o mesmo título da mostra, além de pinturas inéditas. Realiza, ainda, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, mostra individual de caráter retrospectivo, com trabalhos de 1985 a 2015.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, na Galerie Maximillian, Aspen; Espírito Oitenta, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória; Geração 80, Ousadia & Afirmação, na Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba.
É curadora da mostra coletiva de pinturas "A história da imagem", na SIM Galeria, em Curitiba.
2016 - Realiza exposição individual "I love you baby", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Paulo Miyada.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: "Aprendendo com Dorival Caymmi - civilização praieira", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Clube de Gravura: 30 Anos", no Museu de Arte Moderna de São Paulo; "A Arte de Contar Histórias", no MAC Niterói; "Os muitos e o um - arte contemporânea brasileira na coleção de Andrea e José Olympio Pereira", com curadoria de Robert Storr, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Iberoamérica - Arte Moderno y Contemporáneo", no Museo Casa Diego Rivera, em Guanajuato, no México.
É uma das curadoras da mostra coletiva de pintura "Desassossego", na Galeria Estação, em São Paulo.
2017 - Recebe prêmio da Revista Bravo de "melhor exposição do ano" pela mostra "I love you baby" realizada no Instituto Tomie Ohtake. Tem um conjunto de quatro obras instaladas sobre papel de parede de sua autoria, no 7º andar do novo Sesc na rua 24 de Maio em São Paulo. Realiza a curadoria da mostra "A bela e a fera" na Galeria Central em São Paulo. Faz uma residência de 45 dias na cidade do Porto em Portugal, inaugurando em seguida a mostra "Espessura do Real" na Galeria Kubik.
Fonte: Leda Catunda. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Biografia – Itaú Cultural
Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003, defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásticas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.
Análise
Leda Catunda estuda artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap em São Paulo, de 1980 a 1984. Lá, assiste às aulas de Nelson Leirner (1932), Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003) e Walter Zanini (1925). Os professores aproximam-na de discussões sobre arte conceitual, o estatuto da obra, sua mercantilização e o uso de meios tecnológicos de produção. Na mesma época, interessa-se pela pintura neo-expressionista produzida na Europa e nos Estados Unidos por artistas como Julian Schnabel (1951), Sandro Chia (1946) e Francesco Clemente (1952). Segundo o crítico de arte Tadeu Chiarelli, em suas primeiras obras, Leda trabalha com questões críticas do debate conceitual, como os interesses plásticos dos neo-expressionistas.1 Em 1982, faz litografias em que se apropria de imagens televisivas, procedimento familiar à geração de seus professores. Ao mesmo tempo, pinta quadros realistas.
No ano seguinte, a pintura passa a ser central em sua poética. Trabalha sobre tecidos estampados, cobrindo as figuras com cor. Continua trabalhando sobre superfícies estampadas. Ao invés de cobrir as imagens, sua pintura as realça, como em Jaguar (1984). Realiza figurações a partir do agrupamento de objetos e suportes inusitados. Junta tecidos recortados, costura-os e sobrepõe elementos pouco usuais à pintura. As obras ficam entre a pintura e o objeto. A artista lida também com motivos figurativos presentes na cultura popular.
Paulatinamente, o interesse de seu trabalho migra do tema da figuração para as questões estruturais. Chiarelli, afirma que "em 1989 (...) Leda tenta redimensionar a sua produção, atentando mais precisamente para os seus aspectos visuais e plásticos, buscando com ímpeto desvencilhar-se do caráter anedótico e fortemente narrativo que caracteriza o seu trabalho anterior". Não abandona a figura; no entanto, concentra-se nas relações formais e na estruturação da tela a partir do uso de materiais não convencionais, como meias e camisetas.
Na década de 1990, aprofunda o interesse pela especificidade dos materiais com que trabalha. Cria superfícies pictóricas a partir da sobreposição de tecidos e outros meios planos e coloridos. Trabalha com elementos diferentes, como tule, veludo, plástico, acolchoados, lona, couro e fórmica. O modo de agrupá-los por vezes é abstrato. Em outros trabalhos, como os relevos, a composição guarda familiaridade com imagens recorrentes. Partem de motivos simples, como o desenho da lua, insetos, gotas e partes do corpo. Nesses trabalhos, feitos na segunda metade da década de 1990, aproxima-se das esculturas de Claes Oldenburg (1929).
Críticas
"(...) A originalidade de Leda está em seus materiais, em sua postura e em seu fazer. Ela pinta sobre suportes absolutamente não convencionais, muitas vezes aproveitando imagens neles preexistentes. (...) em vez de telas, há uma barraca de praia, o couro de poltronas desmontadas, toalhas de banho, edredons, rendões, cabeleiras postiças e até babadinhos de capa de liquidificador, transformados em telhados de casinhas, onde luzes se acendem. Um dos trabalhos mais provocativos é o das cabeleiras. Uma composição em negro, dramática, algo mórbido. Resulta de uma viagem da artista ao Japão e reproduz - com absoluta liberdade - o clima claustrofóbico das multidões do metrô de Tóquio. A figuração de Leda, que confessa não saber desenhar uma pessoa, é assumidamente meio canhestra, a não ser quando ela aproveita para colorir desenhos já estampados. Deve-se ler essa pintura com olhos de 1987, entendendo a arte como uma idéia vigorosa e pessoal, cuja força conta mais que a execução e a 'cozinha' da técnica. (...)" — Olívio Tavares de Araújo (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985:seu mercado, seus leilões. Prefácio Pietro Maria Bardi; Mino Carta. São Paulo: J. Louzada, 1984. p. 240).
"Numa época em que a pintura foi esquadrinhada, analisada, trabalhada no seu essencial, aparentemente esgotada na modernidade, como em projetos como o de Robert Ryman, Leda Catunda não elide nem busca sair pela tangente com relação à reificação da pintura, Catunda opera sua ironia. Suportes e superfície, tintas (gotas e pinceladas), cor - tudo está em colapso. A pintura reencontra seu sentido toda vez que um artista reinventa uma forma de pintar. Em sua paixão de pintar, Catunda escapa, na sua relação com a história da pintura, de algumas epidemias, tais como a epidemia das metáforas e a epidemia das citações. (...)
Em suma, sua pintura é paradoxal: persegue a realidade sem desistir da superfície sensual (...). Não pensa ter de escolher entre sentimento e pensamento (...). Sua pintura revela a base da natureza inumana em que o homem se instalou. A pintura de Leda Catunda se instala naquele território irrequieto e de problemática conciliação entre sentidos e razão" — Paulo Herkenhoff (CATUNDA, LEDA. Leda Catunda. Texto Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1996).
"Passados quase vinte anos de sua primeira grande aparição no circuito de arte paulistano e brasileiro, Leda Catunda se caracteriza hoje como uma artista que vem sabendo, como nunca, mesclar aos ensinamentos recebidos de seus professores na Faap, e à sua experiência como uma das artistas mais em evidência durante toda a década passada, um forte componente de inquietação diante das possibilidades da arte nos dias de hoje.
Ao invés de acomodar-se aos achados primeiros de sua carreira, ousou redimensionar o devir de sua obra em direção a um aprofundamento extremamente particular da pintura, enquanto instituição e enquanto modalidade sensível de conhecimento do mundo. Para isso, valeu-se da introdução, nesse campo, de procedimentos tradicionalmente alheios a ele, fato que determinou sua singularidade no âmbito das artes visuais no país.
Ainda em pleno processo de ampliação e sedimentação de sua poética, a duras penas resgatada das marchas e desvios abruptos que marcaram sua carreira no final da década passada e início desta, a artista Leda Catunda, no entanto, já demonstra ter alcançado um endereçamento definitivo para sua obra, enfatizando e ampliando os limites da pintura ainda enquanto instrumento de indagação sobre a forma e sobre a percepção do mundo" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Problematizando a natureza da pintura. In: LEDA Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. p. 29).
Exposições Individuais
1985
- Thomas Cohn Arte Contemporânea Rio de Janeiro/RJ
1986
- Espaço Investigação, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Porto Alegre/RS
1987
- Galeria Luisa Strina São Paulo/SP
1988
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ
1990
- Museu de Arte Contemporânea de Americana, Americana/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Pasárgada Arte Contemporânea, Recife/PE
1992
- Centro Cultural São Paulo/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa/Portugal
1993
- Módulo Centro Difusor de Arte, Porto/Portugal
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ- Pulitzer Art Gallery, Amsterdã/Holanda
1994
- Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos/SP
1996
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1997
- Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
1998
- Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1999
- Paço das Artes, São Paulo/SP
2000
- Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte/MG
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
- Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria/ES
2001
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR
2002
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
2003
- Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
- Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires/Argentina
- Centro Cultural São Paulo, São Paulo/SP
- Anual da Faap, artista convidada, São Paulo/SP
2004
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
2005
- Galeria Alberto Sendros, Buenos Aires/Argentina
- Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP
2006
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Marina Potrich, Goiania/GO
2007
- Dragão do Mar, Mac de Fortaleza/CE
- Galeria Arte 21, Rio de Janeiro /RJ
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2008
- Galeria 111, Lisboa/Portugal
2009
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Estacão Pinacoteca, São Paulo/SP
2011
- Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria Paulo Darzé, Salvador/BA
2012
- Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires, Argentina
2013
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
- Museu Oscar Niemeyer - MON, Curitiba/PR
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM, Rio de Janeiro/RJ
2014
- Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus/USA
- Pintura como meio - 30 anos depois, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- Inventário da Paixão, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro/RJ
- Diálogos com Palatnik, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Autoria, curadoria, reforma e contra-reforma, Estúdio Alvaro Razuk, São Paulo/SP
2015
- Leda Catunda e o gosto dos outros, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Leda Catunda - Seleção de obras de 1985 a 2015, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza/CE
- Leda Catunda - Projeto Night Club, Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2016
- Leda Catunda - I love you baby, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2017
- Leda Catunda - Kubik Galeria, Porto / Portugal
2019
- Paisagem moderna, Projeto parede, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2021
Fuera de serie - MALBA Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires / Argentina
Exposições Coletivas
1983
- Pintura como Meio, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- XVII Bienal Internacional de São Paulo, Vídeo Texto, São Paulo /SP
1984
- ARCO, Thomas Cohn Arte Contemporânea, Madrid/ Espanha
- Leda, Sérgio, Ciro, Leonilson, Galeria Luisa Strina, São Paulo/SP
- I Bienal de Havana, Havana/Cuba
- Geração 80, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ
1985
- Nueva Pintura Brasileña, CAYC, Buenos Aires/Argentina
- XVIII Bienal Internacional de São Paulo/SP
- Today’s Art of Brasil, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo/Japão
1986
- Transvanguarda e Culturas Nacionais, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ
- El Escrete Volador, Guadalajara/México
- Brazilian Painting, Snug Harbor Cultural Center New York/EUA
1987
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de Paris/França
- Imagem de Segunda Geração, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
1988
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Dimensão Planar, Funarte, Rio de Janeiro/RJ
1989
- Arte Híbrida, Funarte Rio de Janeiro, MAM de São Paulo, Espaço Cultural BFB Porto Alegre
- U-ABC, Stedelijk Museum Amsterdam/Holanda
- Panorana da Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1990
- U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa/Portugal
- Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília, Brasília/DF
1991
- Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo/Suécia
- Mito y Magia, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey/México
- Brasil La Nueva Generacion, Museu de Belas Artes de Caracas/Venezuela
1992
- Entretrópicos, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas/Venezuela
- Um olhar sobre o figurativo, Galeria Casa Triângulo, São Paulo/SP
- Artistas Latinoamericanos del Siglo XX, Estación Plaza de Armas, Sevilla/Espanha
1993
- Lateinamerikanische Kunst, Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia/Alemanha
- Latin American Artists of the Twentieth Century, Museum of Modern Art, New York/EUA
- De Rio a Rio, Galeria OMR, Cidade do México/México
- Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington DC/EUA
- A Presença do Ready Made, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
1994
- Pequeño Formato Latino Americano, Galeria Luigi Marrozini, San Juan/Porto Rico
- Bienal Brasil Século XX, Fundação Bienal, São Paulo/SP
- XXII Bienal Internacional de São Paulo/SP
1995
- Havana - São Paulo, Lunge Kunst aus Lateinamerica, Haus der Kulturen der Welt, Berlin/Alemanha
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, Milwaukee Art Museum/EUA Phoenix Art Museum, Denver Art Museum/ EUA
- A Infância Perversa, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ
1996
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, National Museum of Women in the Art, Washington D.C., Center for the Fine Arts, Miami/EUA
- Contrapartida, Kunstspeicher, Potsdam/ Alemanha
- Artistas Contemporâneos Brasileiros, Bayer, Leverkusen e Dormagen / Alemanha, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1997
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ Museu de Arte Moderna da Bahia/BA
- Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- ES 97 Tijuana, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México / México
- Material Immaterial, The Art Gallery of New South Wales, Sydney/Austrália
- Experiências e Perspectivas, Museu Casa dos Contos, Ouro Preto/MG
- Brasil - Reflexão 97, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba/PR
1998
- Galeria Kolams, Belo Horizonte/MG
- Anos 80, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia/Go
- Der Brasilianische Blick, Haus der Kulturen der Welt, Berlim/Alemanha
- O Moderno e o Contemporâneo, Coleção Gilberto Chateaubriand, MASP, São Paulo/SP
1999
- Cotidiano/Arte: Objeto - Anos 90, Instituto Cultural Itaú, São Paulo /SP
- Artistas do Festival, MAC Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre/RS
- O Brasil no Século da Arte, A Coleção MAC USP, Galeria de Arte do SESI, São Paulo /SP
2000
- Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500, Fundação Bienal de São Paulo/SP
- III Semana Fernando Furlaneto, São João da Boa Vista/SP
- O Século das Mulheres, Algumas Artistas, Casa de Petrópolis, Petrópolis/RJ
- Obra Nova, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
2001
- Signs of life, Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Inventário Poético, Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- O Espírito da Nossa Época, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Trajetória da Luz, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Bienal do Mercosul, Porto Alegre/RS
2002
- Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP, Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos/SP
- Mapa do Agora, Instituto Tomie Othake, São Paulo/SP
- Ares&pensares, Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
2003
- Pele e Alma, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti, Aria Arte Contemporânea, Recife/PE
- "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2004
- Still Life, Museu de Arte Contemporânea, USP - Fiesp, São Paulo/SP
- Geração 80, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro/RJ
- Heterodoxia, Memorial da América Latina, São Paulo/SP
2005
- Homoludens, Instituto Cultural Itaú, São Paulo/SP
- Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2006
- Manobras Radicais, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Volpi Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- Fortes Vilaça na Choque Cultural, Galeria Choque Cultural, São Paulo/SP
- Padrões e padronagens, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- Mam na Oca, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP
2007
- Itaú Contemporâneo, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Intimidades, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- 80/90 Modernos Pós Modernos etc, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2008
- Poética da percepção, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR
- Desenho em todos os sentidos, Sesc Petrópolis/RJ
- HAPTIC, Tokyo Wonder Site, Tokyo/Japão
2009
- Memorial Revisitado, 20 anos, Memorial da America Latina, São Paulo /SP
2010
- Artista Convidada, Salão de Artes de Itajaí/SC
2011
- Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorano, Belém/PA
- “Beuys e bem além: Ensinar como arte” Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Carmela Gross, Jac Leirner e Jorge Macchi, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
2012
- Leonilson, Sob o peso dos meus amores, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/RS
- Exercícios de olhar, Museu Lasar Segall, São Paulo/SP
2013
- Tomie Ohtake: Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo /SP
- Mitologias por procuração, Museu de Arte Moderna de São Paulo /SP
- Sobrenatural, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP
2014
- Pintura como Meio - 30 anos, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/SP
- Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center, Columbus/EUA
2015
- Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, Galerie Maximillian, Aspen/USA
- No Sound, Anexo Galeria Millan, São Paulo/SP
- Quando eu piso em folhas secas, Sala de Arte Santander, São Paulo/SP
- Espírito Oitenta, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES
- Geração 80, Ousadia & Afirmação, Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba/PR
2016
- Tertúlia, Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo/SP
- Aprendendo com Dorival Caymmi, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Clube de Gravura: 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Os muitos e o um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Auroras - pequenas pinturas, Auroras, São Paulo/SP
2017
- Metrópole: Experiência Paulistana, Pina Estação, São Paulo/SP
- Tão diferentes, tão atraentes, Galeria Carbono, São Paulo/SP
- Troposphere: China-Brazil Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, China
- Historias da Sexualidade, MASP, São Paulo/SP
2018
- Jardim das delicias com juízo final, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro/RJ
- Transformers, Auroras , São Paulo/SP
- O maravilhamento das coisas, Galeria Sancovsky, São Paulo/SP
- Alcides/Leda, Onde estamos e para onde vamos, Galeria Estação, São Paulo/SP
- 33a. Bienal de São Paulo/SP
2019
- Perdona que no te crea, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Colapso, Galeria Athena, Rio de Janeiro/RJ
- O pequeno colecionador, Carbono Galeria, São Paulo/SP
- Artista, substantivo no feminino, ArteEdições Galeria, São Paulo/SP
2020
- Cities in Dust, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Bienal Naifs, SESC Piracicaba/SP
- Casa Carioca, MAR Museu de Arte do Rio /RJ
- Já estava assim quando eu cheguei, Galeria Ron Mandos, Amsterdã/Holanda
2021
- Entretecido/Interlace, Galerias Municipais, Lisboa/Portugal
- Sobressalto, CAA Centro de artes de Agueda, Portugal
- Semana de 21, Instituto Artium, São Paulo, SP
- Dizer não, Galpão 397, São Paulo, SP
- Os monstros de babaloo, FDAG, São Paulo, SP
- A máquina do mundo - Arte e indústria no Brasil, Pinacoteca Luz, São Paulo, SP
Coleções públicas
- Museu Oscar Niemeyer, Curitiba - MON
- Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP
- Museu de Arte de São Paulo - MASP
- Stedelijk Museum Amsterdam
- Museu de Arte de Brasília - MAB
- Museu de Arte Contemporânea de Americana - MACA
- Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM
- Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM
- Fundação Padre Anchieta, São Paulo
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Coleção Gilberto Chateaubriand) - MAM
- Acervo Contemporâneo UFF , Niterói
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói
- Centro Wilfredo Lam, Havana
- Casa das Artes Miguel Dutra, Piracicaba
- Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Pinacoteca Municipal de São Paulo
- Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP
- Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC
- Casa das Onze Janelas, Belém do Pará
- Fundación ARCO, Santiago de Compostela
- Toyota Municipal Museum of Art
- Centro Cultural UFG, Goiânia/GO
Prêmios
1990 - Aquisição, Prêmio Brasília de Artes Plásticas/DF
2017 - Melhor exposição do ano, Revista Bravo
Fonte: LEDA Catunda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Filha de Vera Catunda Serra, arquiteta e paisagista, e de Geraldo Serra Gomes, também arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Leda Catunda é também sobrinha-neta do matemático Omar Catunda e da compositora Eunice Catunda.
Graduou-se em artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde estudou, entre 1980 e 1984, tendo como mestres Regina Silveira, Júlio Plaza, Nelson Leirner e Walter Zanini, entre outros. Tem então seus primeiros contatos com a arte conceitual, manifesta em suas primeiras litografias. Inicia-se no circuito artístico nessa mesma época, por intermédio de Aracy Amaral, crítica de arte e então diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP, que divulga seu trabalho ao lado dos igualmente estreantes Sérgio Romagnolo (com quem foi casada por um período), Ana Maria Tavares, Ciro Cozzolino e Sergio Niculitchef, na exposição Pintura como meio, ocorrida em 1983.
Integrou a famosa exposição Como Vai Você, Geração 80?, sediada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. Ganhou destaque nacional após a mostra, estampando as capas de revistas e jornais, despertando a atenção tanto da crítica especializada em função da contestação que suas obras exprimiam em relação à arte conceitual dos anos setenta.
Leda Catunda esteve entre os principais expoentes da assim chamada Geração 80, apoiando o movimento de revalorização da pintura frente às tendências conceituais da década anterior. Expôs na XVII Bienal Internacional de São Paulo, ainda em 1983, apresentando um videotexto. Apresentou-se também na I Bienal de Havana, em Cuba, em 1984, voltando a expor na Bienal de São Paulo, em 1985, além de outras grandes mostras coletivas, como Modernidade (Paris, 1987). Atua também na academia: em 1986, passou a lecionar tanto na FAAP quanto em seu ateliê, permanecendo na função até meados dos anos noventa. Paralelamente, ministrou cursos livres e workshops em diversas instituições do país e também no exterior. Em 1990, venceu o "Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal", na categoria aquisição.
A princípio, sua produção pictórica explora os limites entre a pintura e o objeto, não isenta de referências à pop art, em que pesam o uso de volumes estofados à maneira de Claes Olden e as composições neoconcretistas de Lygia Pape. Seus trabalhos da década de oitenta possuem um forte traço descritivo e caricatural, destacando-se pela atenção dispensada às texturas e superfícies dos materiais industrializados, aos quais a artista adiciona acabamento em técnica artesanal, almejando realçar a particularidade e originalidade de cada peça.
Na década de 90, eliminou as narrativas em favor das composições geométricas, em uma produção mais "limpa" em termos de cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantem o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008.
Doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, sob orientação de Júlio Plaza. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Em 1998 a editora Cosac & Naify publicou o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Conversa com Leda Catunda – Gravura Contemporânea
LEDA CATUNDA: Eu sou paulista, estudei na FAAP, meus pais são arquitetos. Isso marcou muito a minha formação porque cresci indo a muitas exposições, a todas as bienais. E quando chegou a hora de escolher o que eu queria ser achei que artes plásticas era um campo bom. Também quis ser cantora, atriz – hoje eu agradeço aos céus porque já acho tão difícil ser artista plástica, e cantora ou atriz é bem mais difícil.
O primeiro trabalho que eu apresentei no MAC em 1983, vinha de uma série de imagens que chamei de Vedações (ainda estava na faculdade, mas acho interessante mostrar). Vedação é um procedimento que eu escolhi, de apagar imagens. Escolhi pois na faculdade tinha muitas aulas de desenho – quase insuportáveis –, e eu sempre me esforçava com aquele lápis 2B, 4B, 6B, papel canson. E, quando mostrava, o professor falava: “Você ainda não chegou lá….”. Eu falei: “Não vou mais desenhar, o mundo inteiro está desenhado. Não vou ficar aqui ralando. Vou tirar fotos”. Depois eu continuei a desenhar.
Mas desde o início, no trabalho, pensei em fazer a apropriação de imagens prontas e isso é a principal linha que mantenho até agora. Sempre me apropriando de imagens que surgem em estampas, em roupas, em tecidos em geral, pois foi o que eu achei que funcionava melhor para pintar. O que estávamos tentando fazer na época era um tipo de pintura conceitual. Eu, a Ana Tavares, o Sergio Romagnolo e mais algumas pessoas da FAAP, a Jac (Leirner) e a Mônica Nador. Um tipo de retorno à pintura, ou na verdade um retorno ao uso da tinta, uma vez que esses primeiros trabalhos que eu realizava não eram exatamente pintura em tela. Eu escolhi as tintas industriais de cores mais toscas, e adotei um procedimento meio mecânico.
Havia imagens já impressas nessas estampas, pequenos desenhos. Uns eu deixava aparecendo, outros não, e dessas imagens pequenas encontradas nas estampas passei para outras um pouco maiores que encontrei em toalhas de banho; e assim meu trabalho foi enveredando para “cama, mesa e banho”. Essas imagens têm um gosto especial. O procedimento de pintura que adotei não era o de uma pintura de representação, eu estava sendo fiel à atitude de vedar. Depois, procurando outros materiais, encontrei texturas, como os pelos que usei para fazer dois gatos (Xica, a gata/Jonas, o gato, 1984), cujos olhos acendiam. E acabei me apropriando de vários objetos que vinham com as estampas. Comecei também a assimilar o significado disso, do objeto. No começo eu estava interessada só na imagem, mas então umas pessoas falavam: “Ah!! Umas toalhas!”, e eu percebi que não podia escapar do objeto em si. Assim fui assimilando outros objetos, como, por exemplo, um colchão (Paisagem com lago, 1984). Eu estava interessada na textura do céu que já vinha impressa ali. Depois cavuquei, criando um lago. E virou uma paisagem de sonho, à medida que ela acontece num colchão.
Havia um cobertor (A praça, 1985), que já tinha uma estrutura. Eu aproveitei as bordas do cobertor e fiz um tipo de moldura. Assim, fica sempre um misto do que eu ponho de tinta com a imagem que está embaixo. Isso foi nos anos 1980.
A questão do gosto é um assunto que sempre me interessou. Há um comentário entre o camp e o kitsch nos trabalhos a partir do uso das imagens contidas nos materiais, da natureza da sua fabricação, da ideologia em torno da qual gira o gosto da indústria ou da sociedade que produz tais materiais. Ou, ainda, o significado subjetivo que esses artefatos adquirem na nossa vida. Porque, à medida que decidi que não desenharia e utilizaria imagens prontas, eu uso o que encontro, mais ou menos de gosto popular, porque é o que está à venda nas lojas.
Eu gosto da definição do Abraham Moles segundo a qual o kitsch está ligado a um novo tipo de relação entre o ser e as coisas, um novo sistema estético ligado à emergência da classe média e da civilização de massa, que só reforça os traços dessa classe. E aqui o termo beleza não tem sentido – não é nenhum belo platônico, nem o feio: é o imediato, é o aspecto dominante da vida estética cotidiana.
Essa questão não está presente só nas imagens que eu utilizo, mas os trabalhos ficam com uma cara de um gosto um pouco exagerado. Ficam um pouco cafonas. Assim como no trabalho mais cafona que já fiz, chamado Paisagem da estrada (1987), em que apareciam umas casinhas que eu via no caminho para a praia nas montanhas da Tamoios. E pensava: “Quem mora naquelas casinhas?”. E tinha as luzinhas, e eu pus as luzinhas também, é um trabalho que acende. Usei nos telhados e na janelinha aquelas roupinhas de liquidificador que são uma referência ao kitsch, o conjuntinho para o liquidificador, o botijão, máquina de lavar e que se pode comprar em cores diferentes e ir trocando conforme chega o inverno e seus aparelhos ficam com frio.
Eu acho interessante a questão do uso da imagem, na nossa cultura, e nesse contexto as pessoas se apegam às imagens que surgem em coleções, em personagens, em coisas da moda.
Agora eu estou mudando todo o trabalho. Estou elaborando imagens do universo dos esportes. Acho incríveis, principalmente na Copa do Mundo, aquelas camisetas com design superelaborado. Futebol é um esporte que dá muito dinheiro, então eles investem no design e na tecnologia do tecido. Você sua, e nem parece que suou. Secam rápido e têm cortes incríveis.
Eu me interesso pelo gosto popular pelas imagens e como essas imagens são importantes culturalmente.
Depois de trabalhar, nos anos 1980, com imagens mais anedóticas, digamos assim, de um universo meio infantil, fiz alguns trabalhos mais abstratos. Ainda tem a questão do material, mas com menos importância. Eu fiz os gatos, depois fiz umas onças. Enveredei para outros tipos de imagens, nas quais a questão do material ainda importava bastante, mas não são tão narrativas como as que eu usava nos anos 1980.
As Duas bocas (1994) são de lona pintada, e há uma parte de um veludo vermelho que cai, formando o desenho das bocas. E tem também O fígado (1990), que tem uma circunferência de 2,60 metros de pelúcia, cheia de tinta. E há uma rodelinha de fórmica no chão, que contrasta um pouco. Também me interessei pela cor da fórmica, essas coisas industriais, ”ready made”. São apropriáveis e estão à disposição.
Na época em que eu fiz o doutorado, o meu orientador falou “Você tem de incluir o Dali!”. E eu falei: “Eu não vou incluir o Dali, ele não tem nada a ver!”. Ele falou “Ele derreteu as formas”. Na época eu estava falando sobre pinturas moles ou pinturas macias. E fiquei besta quando li as entrevistas do Dali, as teorias, e realmente eu me rendi às imagens com esses moles.
Outra referência para o meu trabalho são as formas arredondadas da Tarsila, e mesmo o jeito como ela pinta, com aquele degradezinho, fazendo relevos, é um estilo com o qual me identifico bastante, o tipo de natureza brasuca caipira, bem forte na nossa cultura.
Depois eu enxerguei no Oldenburg outro tipo de amolecimento de objetos. É uma coisa sem fim, porque tanto para o Oldenburg como para o Robert Morris, que é um salto total, está a questão da gravidade, do peso do material, da formação da imagem pela força da gravidade.
São assuntos que vieram do meu doutorado, mas que acho interessante relacionar, pois os trabalhos não surgem avulsos no mundo, eles surgem de algum lugar.
Depois, eu fui ver os artistas mais próximos. O Antonio Dias, além daquela carne toda aveludada, em volta do quadro ele bota uma tripa recheada. Eu falei para ele: “Antonio, eu vou usar isto aqui!”. Estou usando e fiz vários trabalhos com esse negócio porque eu achava muito bacana o trabalho ficar preso numa coisa fofinha.
Depois o Nelson Leirner, que foi meu professor e tinha um trabalho em que ele colocava um zíper (Homenagem a Fontana II, 1967). Na época a gente estudava na FAAP, podia ir à Pinacoteca, e eu ia todo final de semana porque podia mexer no trabalho. Agora não pode mais tocar, tem uma caixa de acrílico, virou uma coisa historicizada, totalmente sem motivo. Eu ficava abrindo e fechando esses zíperes, achava superinteressante essa pintura que tinha coisas por baixo.
Depois tem uma serie de referências do mundo, que são essas coleções de plantinhas. As plantinhas eu vejo na pintura da Tarsila, porque ela faz umas paisagens grandes, mas as plantinhas são as suculentas. No meu trabalho, parece que há plantas em miniatura, plantas de brinquedo ou vegetação de desenho animado. Eu gostava muito daquelas do Maurício de Sousa, da Mônica, sempre tinha uma pedra e umas gramas. Outra referência são as mórulas. Mórula é aquela primeira repartição das células no momento da fecundação, que em latim quer dizer amora; um tipo de imagem feita de agrupamentos.
Em determinado momento, eu comecei a introduzir fotografias nos meus trabalhos. Em geral, se tem foto no trabalho, é foto minha, pois eu acho um pouco difícil usar o olho de outro fotógrafo.
Já em Línguas verdes II, de 1995, nessa mesma sequência de referências orgânicas de línguas, têm um procedimento semelhante ao de trabalhos de 1980; são estampas apropriadas e recobertas de verde. De perto, além do teatro que é a própria obra, com essas línguas vindo para a frente, pode-se reconhecer a estampa de algo familiar. É a questão da apropriação, do uso de coisas do mundo, disponíveis a todos. Sempre ouvi comentários como: “Ah, eu tenho uma roupa com esse pano”, “Minha tia tem esse sofá”. E o pior de todos: “Minha tia tem uma colcha horrível, é a sua cara!”.
Outra referência são os insetos, cuja estrutura me serviu para fazer coisas com volume. Fiz algumas moscas em épocas diferentes; uma roxinha, em 1994, e uma preta, que, embaixo, tem vinte asas branquinhas. Eu acho esse o momento mais escultórico do meu trabalho.
Outra referência é a casa. Um trabalho é feito de almofadas (Almofadas azuis, 1992); outro, de uma uma cortina que tem a própria estrutura da janela (A janela II, 1987).
Essas pinturas surgem de registros em aquarela. Da aquarela eu faço modelos em papel de seda, e depois em lona. Normalmente tem uma engenharia.
Além das pinturas, há também colagens grandes, onde eu realmente experimento. Elas não têm uma hierarquia, vão acontecendo com os restos do ateliê e muitas vezes nessas “colagenzonas” chego também a imagens que me interessam e que depois eu transponho.
A apropriação mais louca que eu já fiz foi de um trabalho do Düher, por quem eu tinha fascinação, digitalizado e impresso a partir de um livro de história. Ele fez uma viagem da Alemanha para a Itália só para construir essas tábuas, que hoje estão no Prado, ilustrando como fazer a figura do homem e da mulher. Eu me questiono se o trabalho é bom ou se Düher é bom, pois é muito difícil usar uma imagem de outro artista.
Alguns trabalhos funcionam como uma instalação, como um que realizei na sala redonda do Maria Antônia. Fiz o trabalho para sair da parede e escorrer pelo chão, são vinte e duas partes de veludo. O entrelaçamento, eu comecei a fazer esticando a tela no chassi e deixando buracos para ir rompendo a estrutura da pintura. Depois eu tentei fazer a estrutura ficar orgânica, e com a ajuda de um designer fiz os chassis. Demorei dois anos para fazer esse trabalho, e já tinha uma paisagem ao fundo, uma foto de Aiuruoca, em Minas Gerais. E quando ele já estava pronto achei que estavam faltando as pessoas. Foi quando comecei a pensar nelas como estampa. Existem essas revistas com milhões de pessoas que não conhecemos e mesmo assim olhamos a revista inteira.
As pessoas foram usadas depois, em outras situações. São conhecidos, pois não posso usar imagens sem autorização. Tive de consultar cada um. E quando ficou muito difícil eu enfileirei os alunos e falei “fiquem aí”. Então, tem muitos alunos. O Nelson Leirner, também professor, deve estar no meio, também o Nuno Ramos. Esse trabalho realmente tem muitos amigos – e essa ideia das pessoas como estampa. Muita gente para na frente do trabalho e comenta: “Aquela parece a sua tia”.
As fotos de animais ocupam o mesmo lugar que eu chamo de gosto. De como construímos o nosso entorno. Os animais de estimação e os de fábulas, a galinha boa, o porquinho mau.
As fotos de lugares típicos, dos quais o Brasil é cheio, têm a mesma mágica. Eu viajei por muitos lugares, Recife, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, para fazer essa coleção de imagens. Também associo essas imagens à questão do conforto. De a pessoa trabalhar muito, juntar dinheiro, pagar em dez vezes no cartão de crédito e ir para um lugar assim por sete dias.
Eu fiz o Katrina (2009), espalhando as partes na parede, pois fiquei impressionada com uma imagem que o Al Gore usou no documentário, no qual ele diz que precisamos resfriar o planeta. E mostra o Katrina chegando ao golfo do México, recebendo o vapor gigante e indo para Nova Orleans. Uma imagem incrível feita por satélite.
Uma francesa falou para mim: “É muito alegre isso aqui para ser um furacón, não é?”. Mas o furacão não é bom ou mau; é um fenômeno. A obsessão pela ecologia é um pouco esquizofrênica, pois estamos num planeta, no universo, e não temos a menor ideia do que estamos fazendo aqui. E vamos dizer: “Não, somos nós que estamos esquentando tudo”. E se o Sol estiver mais perto?
CARLOS EDUARDO RICCIOPPO: Leda, para pensar algumas questões sobre o seu trabalho, eu diria que a ideia de expressão e a ideia de pop vêm juntas desde o começo na sua obra.
Pensando sobre as Vedações, e eu gosto especialmente da Vedação em quadrinhos, que acho que é de 1983, com setenta toalhas pequenas e algumas se repetem…
LC: São personagens da Hannah Barbera e do Maurício de Sousa.
CER: Em um detalhe da obra, dá para ver o Pernalonga repetido várias vezes, algumas vezes só a cenoura, outras vezes ele mesmo. Algo que eu acho muito bom nesses trabalhos é o fato de os gestos de cobertura não parecerem expressivos em si. Apesar de você cobrir a superfície toda com tinta de um modo muito irregular, ou de modo evidentemente manual, há algo de automático nas pinceladas. Me parece que essa pintura de vedação poderia fazer o contraponto com as imagens fabricadas industrialmente que aparecem nas toalhas. Me parece que essa cobertura é mais expressiva ao passo que se contrapõe a essas imagens muito coloridas, muito vibrantes, que se repetem.
LC: É uma cor só. Na verdade, se chegar perto tem umas pinceladas e tudo, mas a única expressão que eu esperava desse gesto é talvez um pouco agressiva, como o poder do artista, no caso, de cobrir partes e deixar às vezes meio personagem pendurado. Principalmente naquelas estampas pequenas tem esse gesto de “olha, tem uma coisa aqui, mas vocês não vão enxergar”. Mas isso oscila até áreas que eu contorno com mais capricho. Porém é tudo uma relação minha com o objeto, e isso parte desde o início, da escolha do objeto. Nessa hora descobri que teria de costurar Sempre me perguntam se alguém costura para mim. Não, eu costuro.
CER: Seguindo o seu raciocínio, tem uma coisa que me agrada nesse trabalho que é o fato de ser possível identificar as várias toalhinhas, as setenta toalhas; há uma repetição nessas toalhas. Tem alguma coisa de construção que é evidente, mas ao mesmo tempo é negada pela forma meio cambaleante que isso adquire quando colocado na parede.
LC: São os primeiros trabalhos. Eu não tinha muita experiência sobre o comportamento do material e surgiu essa ideia mais pragmática de recobrir com tinta industrial. Não havia a necessidade de usar uma tinta boa, e eu tinha a noção de que isso funcionaria. Como, de fato, fiquei muito contente de ver o resultado na retrospectiva.
CER: Quando eu olho esses trabalhos, me parece que é quase uma pintura monocromática convivendo com uma figuração pobre, quase uma negação de pintura, mas ao mesmo tempo uma negação dessa imagem. Ao mesmo tempo, pelo fato de ser monocromática ou mais ou menos monocromática, ela faz com que os elementos dessa cultura industrial fiquem muito mais vibrantes, no fim das contas.
LC: Sim, pois quando eles são repetidos na indústria eles ficam meio pasteurizados. Na rua 25 de março, não se vê nada porque tudo é revestido de tudo. E aqui eles ficam um pouco separados, essa é uma das minhas intenções.
Sobre o caráter pop, quando eu estudava História da Arte, o pop sempre me pareceu a melhor ideia que já tinham tido. Eu me identifiquei, e me identifico até hoje, com a atitude do Robert Rauschenberg, do Jasper Jones e depois do Andy Warhol, de pegar o mundo de frente. Isso é uma coisa que me estimula muito. Como eu falei sobre as camisetas da Copa do Mundo, não posso fingir que não estou vendo aquilo, é completamente incrível visualmente, tem um apelo.
CER: Uma coisa que me agrada, não só nesses trabalhos, mas também na Onça pintada e nos trabalhos que contém imagens ”já prontas” de desenhos animados ou histórias em quadrinhos e naqueles que contém logomarcas e logotipos, é o fato de que essas imagens se apresentam para o seu trabalho já um tanto ”corrompidas”, por assim dizer; essas imagens precisam ser capazes de se abstrair para se tornarem mais ”circuláveis”, mas o que ocorre no seu trabalho é que ele não busca esses ”materiais” na pureza ou na qualidade máxima que eles poderiam ter ou quereriam ter. Eles aparecem nos seus trabalhos já impressos em materiais de baixa qualidade ou em materiais de uso cotidiano. Acho que isso de algum modo traz para o seu trabalho um pensamento sobre a cultura que está em jogo, que talvez ou talvez não seja uma cultura exatamente pop, uma cultura completamente fria…
LC: Meus pais eram arquitetos, modernos, e a minha casa era clean, mas a minha avó não era. Essa avó, que costurava, tinha a roupinha do liquidificador, do botijão e da máquina de lavar, um conjunto. E aquilo tinha de ser levado a sério, porque era avó, merecia respeito. E no banheiro também havia tapetinho redondo peludo, em volta do vaso sanitário e do bidê, e o vaso tinha uma capinha; o top era aquele chapeuzinho muito enfeitado do papel higiênico. O papel higiênico era o personagem principal! E eu questionava aquilo porque a minha casa era super clean, era toda de vidro e concreto, objetos do Geraldo de Barros. Tudo de design funcional. Como minha avó morava em Campinas, a entrada da casa tinha aquele caminhozinho, as rosas, ela criava galinhas, eu concluí que o universo tinha duas lógicas e elas eram muito diferentes. Eu tinha muito amor por essa avó, a gente ia à missa, ela me fazia ver certos filmes, me vestia com vestidos de crochê. Isso dava um contraste com Van der Rohe. Como eu fui criada assim, para mim são fascinantes os mitos que as imagens carregam. Não só os mitos bregas, mas também os mitos modernos.
CER: Acho que isso é inegável, porque o trabalho tem uma referência culta a uma série de movimentos, a uma série de momentos da história da arte recente. Mas me agrada a ideia de que esse elemento pop, essa cultura pop já vem entrando no seu trabalho pelo material que você utiliza… Mas uma outra questão que eu gostaria de levantar diz respeito à presença de um universo feminino em seu trabalho. Lendo uma entrevista do Leonilson, ele comenta que não vê nada de feminino em seu trabalho. Se não me engano, ele afirma que você trabalha com peso, quando lida com tecidos e todo tipo de material que, à primeira vista, refere-se a um universo feminino. Eu acho que essa é uma boa leitura, pelo menos uma boa provocação a respeito do feminino no seu trabalho. Para mim, o seu trabalho é chamativo, é feito de cores vibrantes, não possui o caráter intimista que responderia àquele clichê feminino…
LC: Isso já me causou muitos problemas; até hoje tem gente que me chama de musa, de princesinha. Saiu na capa da Veja, a ”Princesinha das artes”. Outros artistas mais velhos fizeram comentários que não têm nada a ver com a minha pessoa. Mas tenho de suportar esse assunto: sou mulher, e então o meu trabalho é feminino também. Eu encaro esse comentário de forma pejorativa. Fico paranoica e estou criando minhas filhas paranoicas também, porque acho complicada a questão da mulher. No mundo e nas artes também.
Mas eu aceito o comentário, trabalho com tecidos e com costura, fazeres associados à mulher. Então, sim, tem um caráter feminino, mas há também muitas outras coisas.
CER: Eu falei da questão do peso nos seus trabalhos porque parece importante, em todo o seu trabalho, como ele se comporta com relação à parede, ou para fazer analogia, com relação à pintura. Parece que ele é sempre definido com relação à parede, essa ideia de que as coisas pendem da parede para baixo, coisa que ocorre em trabalhos como Siameses (1998).
LC: É, aqueles rios surgem desde as Vedações com a intenção de sair do plano. Isso ficou muito exagerado nos anos 1990, quando eu praticamente só fiz trabalhos recheados. Mas depois comecei a usar a sobreposição para fazer esses volumes e gerar esse caimento. Eu estou interessada na questão do volume, na coisa que cai.
CER: Me parece que é um trabalho que defende o momento em que o trabalho sai da parede e ganha o espaço. Parece que ele cai mesmo, pende para baixo de algum modo. Eu acho isso importante. Ele sai pela força da gravidade ou por meio de um peso, de uma aceleração em direção ao chão. Eles ganham o espaço, mas nunca deixam de se oferecer como imagens bidimensionais. Têm uma ambiguidade de ser uma pintura ou um objeto, de ser pendentes da parede, há uma bipersonalidade imediata em todos os trabalhos desse conjunto.
LC: Eu cheguei a pensar no espaço positivo regular, essa parede branca, e como as pessoas chegam para ver as pinturas, normalmente planas. E tive vontade de que as pinturas chegassem um pouquinho mais perto das pessoas. Eu acho que tem uma característica que é humana, acho que o Oldenburg faz isso também, quando aqueles objetos da vida prática se agigantam e amolecem; eles perdem a sua função da vida prática e ficam um pouco parecidos com a gente, fofos. Eu fiz uns cabelos também.
CER: Aquelas perucas (Multidão,1987). Eu vejo algo disso também nos Insetos.
LC: Tem uma ambiguidade no trabalho entre o volume que ele apresenta e a imagem. As imagens são sempre quase que simplificadas, são desenhos mais ou menos diretos.
CER: Vendo muitos desses trabalhos juntos na exposição da Pinacoteca, os pequenininhos todos juntos, de longe pareciam imagens, de fato, de alguma coisa. Têm esse caráter de parecer com a imagem, a imagem do insetinho. Tem um desenho, uma forma, mas quando você chega perto vê uma aglomeração de materiais e essa “repintura” em cima da forma do objeto que já existe.
LC: Muitas vezes a pintura tem uma função gráfica, apenas de reforçar a forma, sem função de expressão.
CER: Me parece que tem um caráter de colagem, um caráter de montagem nesses objetos. E a pintura entra para juntar as coisas.
LC: É quase um sacrilégio chamar de pintura, porque é praticamente só uma tinta.
CER: Eu estava dizendo que me parece que a pintura não tem a reivindicação da pintura como expressão.
LC: A construção sobressai sobre a pintura. É uma pintura que junta as partes, que liga tudo. É o raciocínio inicial que permaneceu assim até agora.
CER: Outro tema recorrente, sobretudo nas suas colagens, aquelas colagens enormes, parecia que havia uma ideia de recriar um mundo. E você citou a Tarsila, mas, diferentemente dela, não tem nada de originário ou de mítico, parece que são feitos com biribinha, paçoquinha, parece que esses elementos todos vão se aglutinando.
LC: Agora que eu estou fazendo trabalhos com futebol, as colagens estão todas com etiquetas da Nike. Essas etiquetas são superbem desenhadas. Na verdade as colagens são totalmente espontâneas, muitas pessoas gostam muito, mas elas funcionam como um processo para mim, e elas têm as imagens menos fechadas ou uma intenção menos clara do que as pinturas, e por um tempo eu nem pensava em mostrar. Mesmo as aquarelas, que eu via como estudos, na verdade são legais também como obra. Agora acho interessante misturar e mostrar tudo. Mas elas têm caminhos muito diferentes do que quando eu vou fazer essas imagens para uma exposição. Aí eu gosto de pensar num conjunto que crie um sentido próprio, embora isso seja cada vez mais raro nas exposições hoje. Na verdade, parece que a multiplicação do significado, nas exposições, é que tem sido a tônica.
CER: Nas colagens aparecem muitos dos seus trabalhos que existem, ou coisas parecidas com os seus trabalhos…
LC: É porque eles surgem nas colagens, em que eu junto as cacas do ateliê e vou grudando tudo. Às vezes fica ruim e tenho de jogar fora, mas muitas vezes surgem coisas que eu experimento na colagem, por isso eu até coloquei como parte do processo.
CER: Pensando em trabalhos como o Lago japonês (1986), ou o Katrina, está sempre presente uma ideia de paisagem idílica ou uma coisa que chama a atenção porque não parece tratar de um paraíso perdido ou não trata de lugares ainda intocados pelo homem, pelo mundo acelerado da cultura. Parece que são imagens que são em si mesmas propagandas que têm a ver com essa cultura.
LC: São tanto do inconsciente coletivo como símbolos, signos que a nossa cultura privilegia, esses signos de paisagens bonitas, de pessoas na revista.
CER: Parece que essas imagens que você vai resgatando criam esses universos idílicos sozinhos, eles são muito tratados.
LC: Eles são sintéticos, são sintetizados. O laguinho é bem sintetizado, o lago mesmo que eu vi no Japão era incrível, mas a imagem que a gente tem é essa, quase um lago de história em quadrinhos.
CER: Outra coisa que me parece importante no seu trabalho, mas não sei em que sentido, é a ideia de afeto, a ideia de memória. Memórias, de 1988, e, depois, Todo pessoal (2006). Eles parecem localizar de algum modo, organizar no cérebro, essas memórias afetivas.
LC: É engraçado porque mistura trabalhos de épocas superdiferentes; faz trinta anos.
Todo esse assunto do gosto, do significado da imagem dentro da cultura, passa pela ideia de você poder melhorar a sua vida ou de poder organizar o entendimento da sua existência no mundo através de escolhas, de coisas que você coloca junto de si. Eu acho admiráveis as escolhas que as pessoas fazem para revestir os sofás de casa, para revestir a casa, para se vestirem e depois essas outras coisas que se estendem para os bichinhos, para as viagens. Sempre é uma imagem! Tinha uma colcha que eu adorava que era aquela praia, uma água bem clarinha, que está naquele trabalho Itacaré (2008). É a ideia de poder trazer para dentro de casa uma imagem de sonho. Esse caráter afetivo está presente no trabalho todo.
Esse que estou fazendo com os esportes é impressionante, pois para algumas pessoas esses esportes, a competição, o signo do time, a camiseta e todo o entorno está totalmente ligado ao consumo. As escolhas têm a ver com a identificação do sujeito no mundo. Vivemos num sistema capitalista, são escolhas de consumo. As pessoas gostam de se apegar a isso para justificar um tipo de vida que temos nas grandes cidades. Uma vida ligada ao trabalho, a ganhar dinheiro. E vão gastar no quê? Não precisariam gastar, mas quando você vai gastar, gasta em imagem.
CER: Nesses seus dois trabalhos, Memórias e Todo pessoal, me chama a atenção que as imagens podem se referir imediatamente a você. Parece que essas embalagens podem, de fato, tratar de uma história pessoal ou afetiva, mesmo que sejam retiradas de fato no mundo da cultura, da cultura visual.
LC: Há uma maneira primitiva na construção de algumas esculturas. O Memórias partiu da renda, que eu achei que dava para fazer os miolos e depois achei que dava para conter memórias, que eu pintei em pequenas telas a óleo; então tinha o contraste de uma coisa mais tosca no fundo junto dessas telinhas que eu pretendia que fossem boas pinturas. Tudo isso organizava um cérebro, que era um assunto dessa exposição. Além desse cérebro tinha outro e mais uma construção de imagens.
CER: O Cérebro em stand (1988)?
LC: É, o Cérebro em stand. Já Todo Pessoal, de 2007, ainda permanece meio simplório na estrutura de bolinhas que são ligadas por tirinhas, num jogo infantil. Novamente o conteúdo é uma coleção de pessoas próximas, de novo tem um caráter afetivo.
CER: Você faz também uma estampa com essa imagem.
LC: Uma estampa de cérebro.
CER: Para encerrar, eu queria voltar à ideia de que o trabalho tem algo pop. Me interessa pensar no estatuto dessa cultura pop, ela vem de muitos modos diferentes, eu acho que o Cérebro em stand é um trabalho à Robert Rauschenberg, Jasper Jones…
LC: Eu acho que a arte pop mesmo, americana, como é apresentada pelo Andy Warhol, por aqueles caras, é uma coisa muito mais corrosiva. A partir da minha geração, dos anos 1980, e principalmente agora, você sente os artistas utilizando o período moderno como um tipo de cardápio, no qual você pode ser um pouco pop, um pouco conceitual. Então eu realmente me interessei pela visualidade pop, mas o trabalho às vezes vai para um lado mais poético, é um pop mais poético. Eu acho que aqueles pops originais estão dando um golpe na arte, dentro de um raciocínio do fim do período moderno que a minha geração absolutamente não faz mais.
Eu adoro pensar no que é que as pessoas estão fazendo agora, me interessa refletir sobre isso. Acho que o artista está sempre preso a sua época, tem coisas que ele viu na formação, ideias que teve na formação. Mas meu tempo não é mais o pop americano. O pop americano vem depois do expressionismo, junto com o minimalismo, e os artistas tinham uma posição ainda de estender fronteiras. E agora a minha maior diversão é ver o que a geração mais nova está fazendo! Eu fui à exposição do Bruno Dunley, na Marília Razuk, tem pinturas figurativas, tem umas mais gestuais e depois tem uma que é só amarela. Eu acho fantástico. Não estou dizendo que é bom ou ruim; essa pluralidade é uma mudança de foco, são outros assuntos. Então a Geração dita “80“ (agora eu sou obrigada a aceitar esse apelido) já se preocupa com outras questões, muito diferentes do que foi a arte pop.
CER: Existia, de outro modo, a ideia de que essa geração vinha sem tradição alguma ou emancipada de qualquer tipo de relação com o passado. Mas eu vejo que havia uma ligação com as gerações anteriores, e o Antonio Dias é um exemplo imediato; acho que ele já lidava com questões que ainda estão na sua obra. E eu vejo, em seu trabalho, a importância de outros artistas também. Mas, além disso, eu queria saber se também houve um outro diálogo, se houve uma conversa com a crítica, além de uma conversa com artistas de gerações passadas, e de que modo isso foi importante para a formação da sua obra.
LC: Houve uma tentativa de rompimento na minha geração, com o tipo de rompimento que nós tivemos que era justamente conceitual. Não tinha nenhuma aula de pintura, e havia um reforço para técnicas de reprodução de imagem, aquele texto do Benjamim era o que a gente mais lia e parecia um resumo muito simples para quem tinha dezoito anos. Para a nossa geração aquilo era superinteressante, e a gente acreditou que dava para continuar um trabalho conceitual com mais visualidade. Naquela hora já era arte, eu fiz alguns cartazes em offset como uma tentativa de desmaterialização completa e de reforçar o conceito. Mas o que a minha geração responde é a um circuito ávido; eu entrei na FAAP para me tornar professora e saí artista famosa. Eu tinha vinte e três anos e essa ideia de fama nos pegou de forma ridícula, como a fama pode ser. A multiplicação de galerias, um mercado sedento, cheio de revistas e artigos, anúncio na Artforum, são realidades que eu não podia ignorar! E esse apelo veio para a minha geração e para a geração mais nova; agora esse apelo é quase que uma sentença. Ser famoso, vender tudo, fazer todas as residências, cada vez tem um novo uniforme que se presta para os artistas vestirem. Eu acho que o artista mesmo não vai funcionar uma década ou duas, ele vai funcionar uma pequena existência de uns sessenta para uns oitenta anos, se você tiver sorte, e é dentro desse espaço de tempo que você precisa criar um assunto. Uma artista portuguesa maravilhosa disse para mim: ”Leda, a vida é rápida, são só dois dias!”. Eu falei assim: “Dois dias?!!”.
Porque na verdade o artista só tem esse tempo para criar a sua poética. Para mim, que era muito próxima do Leonilson, mesmo do Jorginho Guinle, é muito angustiante você ver o artista sendo amputado do seu tempo, ou mesmo ter visto o Leonilson muito de perto, tentando acelerar o botão no último, na medida em que ele sabia que ia morrer. O Jorginho também. O que eu realmente espero que permaneça é a resposta que esse artista pode dar para aquele tempo que ele está tendo.
Sobre a questão da geração, ”não tem essa coisa de Geração 80”. O cenário em São Paulo era totalmente diferente do do Rio, e juntar tudo num barquinho só era um marketing completo. Mas o modo como eu pensava arte, ou o que eu encontrei na faculdade, eu via o Fajardo, o Baravelli, o Waltercio, o Cildo, era um campo mais ideal de arte. E o que nós encontramos nos anos 1980 já era o início de uma batalha de galerias, que hoje eu transporia para as feiras. Já pensou? Mal saiu da faculdade e já é mandado para umas feiras, essa coisa capitalizada. Eu me identifico muito com os meus colegas de geração e houve bastante interlocução com eles entre os colegas. Já com a crítica teve alguns artigos, eu tinha muita admiração pela Sheila Leirner, mas logo ela se retirou de cena. Eu tive algumas pessoas mais próximas, a Aracy Amaral ou o Tadeu Chiarelli. A certa altura eu era próxima da Lisette [Lagnado], mas isso não permaneceu. Uma coisa que permaneceu e que eu prezo muito é a relação com a Regina Silveira e outros colegas como o Dudi, a Mônica Nador. Eu achava totalmente incrível a turma do Nuno, que já tinha umas pessoas discutindo os trabalhos. Eles têm uma proximidade muito grande com o Rodrigo Naves, com o Alberto Tassinari, que estão mais presentes no ateliê deles. Isso realmente nunca aconteceu de forma sistemática comigo.
Eu gostaria de falar uma última coisa. Estou pensando nesses trabalhos com futebol porque eu gosto de futebol. Gosto do Santos, especialmente, e de repente o Santos apareceu com um negócio vermelho. O Santos é o alvinegro praiano, mas colocaram um Bombril em cima da camisa. Sempre tive paixão pela camisa, e agora está escrito Seara! E no Corinthians está escrito Neoquímica; de vez em quando aparece a propaganda: “Neoquímica faz uns remédios superbons”… Mas quem perguntou? Eu acho engraçado porque agora as pessoas aceitam bem o patrocínio, elas gostam, elas curtem. Tem uma amiga palmeirense que curte. Qual era o patrocínio? Parmalat! “Parmalat tem tudo a ver porque deu a maior força, foi o melhor período do Palmeiras.” É engraçado como aquilo que a gente chamava de propaganda agora está no meio da camisa e, no caso do Corinthians… Desculpe, está escrito Avanço embaixo do braço! E a pessoa vai à loja comprar a camiseta oficial, mas a camiseta oficial é um pesadelo! Vem tudo escrito. Eu estou fazendo um parêntese porque acho que essas são as verdadeiras mudanças. Agora um patrocinador é bom, positivo, traz grana, mesmo que seja horrendo. É dessas camisetas que estou me apropriando. Eu vejo canais de esporte, corrida, tênis! Tem aqueles carrinhos coloridos, mas vem tudo escrito e às vezes vem aquela marca, e eu não tenho ideia se aquilo é um banco, um iogurte, aquela marca bem grandona, provavelmente um óleo de carro. Eu acho incrível como as pessoas agora têm uma relação afetiva também não mais com o time, com o carro, mas com a marca. E se fala muito disso. Muito curioso porque no meu tempo, no modo como eu fui criada, isso era propaganda, era uma coisa ruim, você tirava a propaganda para poder ver a coisa. Agora a propaganda é praticamente tudo. E viva o Seara!
Fonte: Gravura Contemporânea "Carlos Eduardo Riccioppo – Conversa com Leda Catunda", publicado em 1 de janeiro de 2012. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Veja SP, fotografia de Leo Martins. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Leda Catunda Serra (São Paulo, SP, 23 de junho de 1961), mais conhecida como Leda Catunda, é uma artista visual, pintora, escultora, gravadora, pesquisadora e professora brasileira. Formada em Artes Plásticas em 1984, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo e doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos. Em suas obras, Leda aborda questões críticas do debate conceitual. Inicialmente, sua produção pictórica explorava os limites entre a pintura e o objeto, referenciando o pop art. Seus trabalhos da década de 80 possuem um forte traço descritivo e caricatural, com texturas e superfícies dos materiais industrializados. Na década de 90, apostou nas composições geométricas, com menos cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantém o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Leda realizou exposições individuais e coletivas, das quais destacam-se: I Love You Baby, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2016) – que lhe rendeu o Prêmio Bravo! de Melhor Exposição Individual do Ano; Pinturas Recentes, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e MAM-Rio (Rio de Janeiro, 2013); Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). A artista já participou de quatro Bienais de São Paulo (2018, 1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Suas inúmeras participações em mostras coletivas incluem as antológicas Como Vai Você, Geração 80?, EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983); e, mais recentemente: Past/Future/Present, Phoenix Museum of Art (Phoenix, EUA, 2017); Histórias da Sexualidade, MASP (São Paulo, 2017); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, EUA, 2014). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Blanton Museum of Art (Austin, EUA); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); Fundação ARCO (Madri, Espanha); Toyota Municipal Museum of Art (Toyota, Japão); Instituto Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Masp (São Paulo); MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro. A artista é considerada um dos maiores talentos surgidos no âmbito da Geração 80, explorando os limites entre a pintura e o objeto.
Biografia Oficial Leda Catunda
Cronologia
1961 - Nasce Leda Catunda em São Paulo. Filha de Vera Catunda Serra arquiteta e paisagista e Geraldo Serra Gomes, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
1980 - Ingressou no curso de Licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), graduando-se em 1984.
“Estávamos vivendo os últimos anos do governo do General Figueiredo, o finalzinho da ditadura militar, sentiamo-nos por isso amarrados e sem poder de ação. Ao mesmo tempo, organizava-se movimentos pelas eleições diretas com passeatas pelo vale do Anhangabau. Eram realmente emocionantes e surgiam como um aceno de que as coisas finalmente poderiam mudar para melhor. Eu estava terminando a faculdade de artes plásticas na FAAP e desenvolvia um trabalho de pintura. Por incrível que pareça, na época, o ressurgimento da pintura era algo inesperado num contexto posterior à desmaterialização da arte e à arte conceitual dos anos setenta.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda, texto do arquivo da artista “Como era nos anos 80...”, sem data, inédito).
O historiador e crítico da arte Tadeu Chiarelli comenta sobre o ambiente da FAAP nos anos 1980.
“O debate que se travava nas salas e corredores da FAAP era muito interessante. De um lado estavam alguns professores fundamentais para a formação teórica e prática dos alunos – Walter Zanini, Nelson Leirner, Regina Silveira, Júlio Plaza –,todos eles abrindo as portas para as discussões sobre a arte e sua natureza; sobre a arte enquanto conceito e enquanto mercadoria; sobre a desmaterialização da arte, o conceito de ready-made... Enquanto isso, nas revistas internacionais – lidas avidamente pelo alunado –-, eram publicados artigos fartamente ilustrados sobre a “volta à pintura”, sobre os selvagens alemães, a transvanguarda italiana, sobre Schnabel, Fischer, Sandro Chia, Clemente... Havia, portanto, um descompasso.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 9.)
1981 - Expõe pela primeira vez no “IX Salão de Arte Jovem de Santos”. No mesmo ano, participa de duas mostras coletivas: “Festival Internacional da Mulher nas Artes”, São Paulo e “V Salão Jovem de Arte Contemporânea”, Centro Cívico de Santo André, São Paulo.
1982 - Torna-se monitora de classe da professora-artista Regina Silveira. Leda estabelece desde o início de sua trajetória uma relação que se intensifica ao longo dos anos com o ensino de arte e com seus professores.
1983 - Realiza a exposição “Pintura Como Meio”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Ibirapuera). A exposição, idealizada por Sérgio Romagnolo, foi apresentada a Aracy Amaral, então diretora do Museu, que a acolheu. Foram expostos trabalhos de Ana Tavares, Ciro Cozzolino, Leda Catunda, Sérgio Niculicheff e Sérgio Romagnolo. A partir desta coletiva surgem novos convites.
“Surge então a pintura integrada ao ambiente, espaço bidimensional que recebe a pintura e no qual a ausência de moldura confere uma intermediação insinuante como em todos os artistas que se utilizam deste “artificio” desmistificador, entre o espaço real e virtual de seu trabalho pictórico.
Transparece [assim] uma pintura desnuda em seu naturismo, independente do fato de ser figurativa ou não, porém como comunicação visual plástica válida em si, sem a pose da “grande pintura”, embora substancialmente pintura.”
Aracy AMARAL. - “Uma Jovem Pintura em São Paulo” in: Catálogo Pintura Como Meio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1983. p. 1.
Nessa exposição Leda expõe pela primeira vez que os trabalhos que denomina “vedações”.
“Usando como suporte toalhas infantis, além de tecidos estampados comumente usados para a confecção de roupas e/ou lençóis para crianças, Leda vedava com tinta as imagens ali produzidas. Sem usar chassi ou qualquer outra estrutura mais dura para suportar os tecidos, a artista muitas vezes costurava um pedaço de pano ao outro aumentando assim a área de ação sobre as estampas. (...) [Leda] introduzia nessa operação fria de imagens já prontas a gestualidade “romântica” da pintura – o que aumentava o caráter irônico de seu trabalho.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 11 e 12).
No mesmo ano, é convidada pelo professor Júlio Plaza para participar, com um trabalho em vídeo-texto, da “XVII Bienal Internacional de São Paulo”. Participa ainda da exposição - “Arte na Rua, Out Door”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e “Pintura Brasil”, Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte. É monitora de classe do professor Walter Zanini na disciplina História da Arte.
1984 - Expõe nas coletivas “Stand 320” na Galeria Thomas Cohn Arte Contemporânea e “Como vai você, Geração 80?,” no Parque Lage, ambas no Rio de Janeiro. Participa de coletiva com Sérgio Romagnolo, Ciro Cozzolino e Leonilson na Galeria Luisa Strina em São Paulo e da I Bienal de Havana em Cuba.
1985 - Realiza a primeira exposição individual na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. O crítico Wilson Coutinho escreve no Jornal do Brasil sobre a mostra:
“A artista paulista Leda Catunda, 24 anos, curiosamente realiza sua primeira individual não em São Paulo, mas aqui. (...) Ela se utiliza de inúmeros materiais da indústria como tapetes, colchão e acolchoados, plásticos, e com isto cria uma figuração extremamente cativante e alegre, diferente de outros artistas paulistas que estão manejando os detritos industriais aplicados na metáfora do feio, do horror e do ostensivo deboche.” – Wilson COUTINHO (A Bela Indústria. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1985.)
Em entrevista a Baravelli, Leda expõe sua opinião sobre a situação da jovem arte paulista:
“Leda Catunda: Hoje em dia tem uma super pintura matérica, que é bem distante do meu trabalho. Até pintei com tinta a óleo e tinha aquela piração no azul phthalo. Gosto muito de cor, mas não penso em “superfície” e “não-superfície”. Essa linha de pintura requer uma coisa clara.
Baravelli: Formalista para caramba...
L: É bastante formalista, me sinto num outro clube, mais com Luiz Zerbini, Leonílson e Sérgio Romagnolo.
B: Aqui em São Paulo tem essas duas correntes: a turma da matéria e a turma da figura. É assim para sua geração?
L: Acho que sim. A turma da matéria tem uma referência, mais forte e mais fácil, da pintura alemã, do concretismo, uma base conhecida que meu trabalho não tem. Ainda estamos procurando um caminho a ser definido — BARAVELLI (“Baravelli visita Leda Catunda”. Revista Galeria, nº10, 1988).
Expõe no “Salão Nacional de Artes Plásticas”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na “XVIII Bienal Internacional”, São Paulo. Sobre as questões em jogo na Bienal de 1985, o curador Ivo Mesquita comenta:
“... a volta à pintura proposta pelos trabalhos confirmaria o talento natural e a vocação da arte brasileira à contemporaneidade, pois o mesmo acontecia simultaneamente no resto do mundo. O revival da pintura naqueles anos foi, de imediato, interpretado como um retorno ao modo direto e sensual de o brasileiro se relacionar com as linguagens plásticas, como uma reação ao cerebralismo e ao excesso de metáforas da arte produzida pelas gerações anteriores (o que, no Brasil, significava não apenas o enfrentamento das questões da visualidade contemporânea mas também estar num embate constante com a censura institucionalizada pelos militares). A consagração veio em 1985, quando Rodrigo Andrade, Fernando Barata, Carlito Carvalhosa, Leda Catunda, Fabio Miguez e Daniel Senise foram apresentados na Grande Tela da XVIII Bienal Internacional de São Paulo ao lado de artistas como Enzo Cucchi, Gunter Damisch, Martin Disler, Stefano Di Stasio, Dukoupil, Koberling, Middendorf, Salomé, Hubert Scheibl, Tadanori Yokoo, algumas das estrelas da cena internacional da época.” — Ivo MESQUITA (Território dos sentidos in: Daniel Senise. Ela que não está. São Paulo Cosac & Naify edições, 1998. p.11).
Participa, ainda, das exposições “Nueva Pintura Brasileña”, Centro de Arte y Comunicación CAYC, Buenos Aires, Argentina, “Brasilidade e Independência”, Teatro Nacional, Brasília e “Today's Art of Brasil”, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.
1986 - Realiza a individual “Espaço Investigação”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Participa de diversas mostras coletivas entre as quais se destacam: “Transvanguarda e Culturas Nacionais”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “El Escrete Volador”, em Guadalajara, México; “Brazilian Painting”, Snug Harbor Cultural Center, Nova Iorque, Estados Unidos. Neste mesmo ano, começa a lecionar a disciplina de Artes Gráficas para o curso de Licenciatura em Educação Artística na FAAP.
Em entrevista por ocasião abertura da mostra compacta da XVIII Bienal em Brasília, Leda comenta sobre o seu trabalho:
“Em geral eu não gosto muito de desenhar eu sempre vou mais ou menos atrás de algo que está desenhado ou alguma estrutura. Comecei atrás de umas estampas que já estavam desenhadas e quando comecei a trabalhar com os panos, surgiram umas texturas que também eram interessantes, então a coisa foi toda se misturando e até aconteceu de entrar no objeto, como nesse trabalho que veio para cá, que é um cobertor. Um objeto não escapa da sua simbologia.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda em entrevista a Celso Araujo. In: O direito ao devaneio na nova arte do país. Jornal Correio braziliense, Brasilia, Distrito Federal 27 de janeiro de 1986. )
1987 - Realiza a primeira individual na cidade de São Paulo, na Galeria Luisa Strina. Nesta mostra, foram expostas oito pinturas figurativas sobre suportes diversos como toalhas, guarda sol, rendas, plásticos, perucas e couro.
Participa das coletivas “Pintura Fora do Quadro”, no Espaço Capital, Brasília; “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de Paris, França; “Imagem de Segunda Geração”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “TV Cubo”, na Galeria Mônica Figueiras, São Paulo.
1988 — Mostra individualmente, na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.
“Dizendo-se atualmente menos literal na relação com a imagem, Leda tem procurado explorar nos materiais e objetos “standardizados” de seu trabalho um meio de experimentar sobretudo as texturas, ao mesmo tempo em que alguns trabalhos já apontam para uma direção diversa daquela “narração” anterior. (...) Os “Babados” fogem radicalmente da questão da imagem, tal como a artista vinha apresentando e assumem, no caso, uma dimensão pictórica exclusiva e, até, abstrata.” — Ligia Canongia (CANONGIA, Ligia. A arte industrial de Leda. O Globo, 21 agosto de 1988).
Expõe nas coletivas: “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “1981-1987”, Galeria Arco Arte Contemporânea, São Paulo; “88 X 66”, Parque Lage/Espaço Sergio Porto, Rio de Janeiro; “Dimensão Planar”, Funarte, Rio de Janeiro. Começa a dar aulas de desenho no seu ateliê em São Paulo.
1989 - Ao lado de Ana Tavares, Monica Nador e Sergio Romagnolo participa da exposição “Arte Híbrida”, que aconteceu na Funarte, Rio de Janeiro e itinerou para o Museu de Arte Moderna de São Paulo e para o Espaço Cultural BFB, Porto Alegre.
“[Leda Catunda] É, ao meu ver, autora de efetivas “ combine paintings” no sentido utilizado quando fazemos referências ao trabalhos dos anos 1960 de Robert Rauschemberg. Ou seja, a pintura é aplicada como elemento de ligação, neste momento de sua produção, entre os objetos reunidos, sem qualidade como pintura, porém atuando como elemento a imprimir corpo, fisicalidade bidimensional no relevo de seus trabalhos.” — Aracy AMARAL (Quatro artistas in: Arte Hibrida, Galeria Rodrigo de Mello Franco, Funarte, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Espaço Cultural BFB, Porto Alegre, 1989).
No mesmo ano, mostra seus trabalhos nas exposições “Coleção Eduardo Brandão”, Casa Triângulo, São Paulo; na “Perspectivas Recentes”, Centro Cultural São Paulo; no“YOU-ABC”, Stedelijk Museum Amsterdam, Holanda; no “Panorama da Arte Atual Brasileira”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1990 - Apresenta individualmente um conjunto de trabalhos produzidos entre os anos de 1983 a 1990 no Museu de Arte Contemporânea de Americana, São Paulo. Com as obras realizadas entre os anos de 1989 a 1990 expõe nas individuais em Recife, na Pasárgada Arte Contemporânea e na Galeria São Paulo. Sobre esta última escreve Angélica de Moraes, no Jornal da Tarde e lisette lagnado na Folha de São Paulo:
“A exposição, de 13 obras, apresenta alguns aspectos que irão surpreender até mesmo quem acompanha de perto o trabalho dessa artista. A mostra foi construída entre dois pólos. As figuras da pop das estampas de tecido, reunidas por costura a máquina, agora dividem o espaço da galeria com obras que namoram uma vertente mais cerebral, neo-concreta. Esse novo aspecto da produção de Leda Catunda se traduz em pinturas-esculturas que exploram superfícies limpas e cores industriais em materiais como a fórmica brilhante ou fosca. O acúmulo de figuras se simplificou em geometrias e jogos visuais abstratos” — Angélica Moraes (MORAES, Angélica. Leda Catunda entre o pop-espalhafatoso e o neo-concreto. Jornal da Tarde, São Paulo, 30/10/1990).
“A identificação imediata da figuração caminha para uma abstração simplificada de bolinhas e retângulos. A busca da linguagem abstrata representa um esforço para sair do estigma juvenil das florzinhas e casinhas que, desde o início da sua carreira, acompanha a artista. O peso da ironia deixou lugar para uma apropriação mais alegre e intusiasta do repertorio da cultura de massa.”
Lisette Lagnado- Peças são femininas e previsiveis- Folha de São Paulo 30/10/1990.
Expõe nas coletivas: U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Arca de Noé, Galeria Gesto Gráfico, Belo Horizonte, Minas Gerais. Ganha o Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília.
1991 - Participa de diversas exposições coletivas tanto no Brasil quanto no exterior, das quais podemos destacar: “Viva Brasil Viva”, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “Mito y Magia”, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, México; “Brasil La Nueva Generacion”, Museu de Belas Artes de Caracas,Venezuela; “Arte Contemporânea”, Centro Histórico de Petrópolis, Rio de Janeiro; “BR/80”, Itaú Galeria, São Paulo.
1992 - Realiza exposições individuais no Centro Cultural São Paulo; no Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal e na Galeria São Paulo. Participa das coletivas “Entretrópicos”, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas, Venezuela; “Salão Paraense de Arte Contemporânea” (como artista convidada), Belém; "Hoje em dia...Avenida Central", Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Participa ainda da exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, sob curadoria de Waldo Hassmunsen, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque na Estación Plaza de Armas, Sevilha, Espanha para a qual foram selecionadas cinco pinturas de diferentes períodos da trajetória da artista.
“By exposing the techniques she empolys to fabricate her art- collage, assemblage, and sewing- Catunda undermines the sense of visual spectacle intrinsic to painting, especially to realist styles. Working against realism as the privileged site of identity, Catunda invokes Minimalism as the ground for reconstructing subjectivity . In her recent works, such as the series Retalhos Azuis (Blue Patches), 1991-1992, or Almofadas Amarelas (Yellow Pillows), 1992, Catunda reduces the pictorial and anecdotal references while emphasizing texture, plasticity, scale, and volume. Yet, in foregrounding tactility and the sensorial, as well as the sense of pleasurable abandonment evident in her use of materials, Catunda genders and eroticizes the Minimalist object.” — Charles MEREWETHER – The subject´s poweriessness in: Latin American Artists of XX century. Museum the Art Modern, Nova Iorque, 1992-1993.
1993 - A exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, itinera para o Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou, Paris, França; Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia, Alemanha e MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos. Nesse ano faz três mostras individuais: no Módulo Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal; na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro e na Pulitzer Art Gallery, Amsterdam, Holanda. Participa das exposições coletivas nacionais: “A Caminho de Niterói”, Paço Imperial, Rio de Janeiro que também é apresentada no Centro Cultural São Paulo; “A Presença do Ready Made”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “Projeto: Brazilian Contemporary Art”, Museu de Arte Contemporânea da USP. Integra as coletivas internacionais: “De Rio a Rio”, Galeria OMR, Cidade do México, México e “Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil” The National Museum of Women in the Art, Washington, Estados Unidos; O historiador e crítico de arte Paulo Herkenhoff escreve um dos textos do catálogo:
“A lascívia teatral das “Cinco Línguas” traz a desagradável memória de uma experiência erótica do horror tátil. Essa experiência tátil repulsiva fica também como memória do gesto físico de posse das coisas, na compulsão ao consumo das pequenas misérias do mundo das coisas. (...) A contundência do jogo de ironias de Leda Catunda não cessa: a geometria mole de “Cinco círculos” está perpetuamente condenada à inexatidão, mas também sorri para a tradição construtiva brasileira” — Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. “The contemporary Art of Brazil: Theoretical Constructs” In: Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington, 1993. p.85)
1994 - Em artigo publicado na revista Art in America, Alisa Tanger escreve sobre a produção de Catunda:
“As she worked through such narrative structures, Catunda began to reduce pictorial references, moving in a minimalist direction yet emphasizing bright, saturated colors and textures. Sometimes the titles of works still insinuate content, such as duas barrigas (Two Bellies, 1993) wherein two stuffied and sagging irregular pink rectangles jut out from a large pink rectangular support. Other recent wall hangings, however, seem entirely removed from anedotal asociations. In most recent works, Catunda’s motif is primary geometric shapes, usually circles. She collages stuffied, sheredded and painted shapes to make a kinder, more alluring and wackier minimalism.” — Alicia Tager (TAGER, Alicia. “Paradoxes and transfigurations”. Art in America. July 1994. p.46-47).
Expõe individualmente na Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos, São Paulo. Participa das coletivas: “Pequeño Formato Latino Americano”, Galeria Luigi Marrozini, San Juan, Porto Rico; “Bienal Brasil Século XX”, Fundação Bienal, São Paulo; “XXII Bienal Internacional”, Fundação Bienal, São Paulo; “20 anos de Arte Contemporânea da Galeria Luisa Strina”, Museu de Arte de São Paulo.
“As pinturas ora apresentadas na XXII Bienal Internacional de São Paulo têm uma força afirmativa que deverá funcionar em sua carreira como um divisor de águas. Surge agora uma imagem construída, sem a imediatez de um suporte que já se impunha com seu campo figurativo. Nas peças em escala maior, o espectador precisa de um certo recuo para avistar o sentido em sua totalidade – como é o caso da configuração de Duas bocas.O lugar “privilegiado” da fruição só existe no dificil limite: entre a luxúria da proximidade do tato e a compreensão da imagem percebida graças ao recuo estratégico.” — Lisette LAGNADO, Formas prenhes. in: Tadeu CHIARELLI (org). Leda Catunda, Cosac & Naify edições, 1998. p.121.
1995 - Expõe coletivamente na “Havana - São Paulo, Junge Kunst aus Lateinamerika”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha; “Latin American Women Artists 1915-1995”, Milwaukee Art Museum, Phoenix Art Museum, Denver Art Museum, Estados Unidos; “Infância Perversa”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “United Artits”, Casa das Rosas, São Paulo; “Anos 80, Coleção Gilberto Chateubriand”, Galeria do Sesi, São Paulo.
1996 - Expõe individualmente na Galeria Camargo Vilaça, São Paulo.
“Nessas pinturas de Leda Catunda, o espaço se faz num processo de automultiplicação, feito numa floresta, cobertura vegetal. Em Línguas verdes as folhas desabrocham com fertilidade. Em sua serialidade organizada, cada uma mantém sua identidade e diferença. Inseto é um casulo com múltiplas cápsulas, uma colônia de seres por nascer. Noutras pinturas, como as diversas Gotas, sem a delimitação pelo chassi ou a organização por um método lógico, o olhar poderia confrontar-se com uma enchente de gotas ou com uma praga de insetos de formas proliferantes que invadissem o mundo e sufocassem o olhar. Chassi e ordem é o que nos mantém à distância de uma ferocidade epidêmica. Estamos diante de idéias de excesso de presença tanto quanto de excesso de ausência.” — Paulo HERKENHOFF (Leda Catunda, o pincel e o conta-gotas. Catálogo Galeria Camargos Vilaça, São Paulo, 1996.)
Participa das exposições coletivas: “Contrapartida”, Kunstspeicher, Potsdam, Alemanha; “Artistas Contemporâneos Brasileiros”, Bayer, Leverkusen e Dormagen, Alemanha e Museu de Arte Moderna de São Paulo; “15 Artistas Brasileiros”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Off Bienal”, Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo.
1997 - Realiza as exposições individuais no Paço Imperial, Rio de Janeiro e na Galeria Marina Potrich, Goiânia. Paricipa das mostras coletivas: “15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna da Bahia; “Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ES 97 Tijuana”, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México, México; “Material Imaterial”, The Art Gallery of New South Wales, Sydney, Austrália; “Sala Especial”, 22º Sarp, Museu de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo; “Brasil - Reflexão 97”, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba, Paraná. Ingressa no mestrado (posteriormente convertido em doutorado) em Poéticas Visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo sob orientação do professor-artista Júlio Plaza. Em artigo publicado na revista Word Art o crítico Benjamin Genocchio aponta produção e Leda Catunda, ao lado de outros, como uma das artistas mais vistas que emergiram rapidamente na cena artística brasileira. Sobre sua produção ele escreve:
“William Blake once wrote that exuberance in beauty. Catunda’s paintings are also, quite literally, exuberant – and it is precisely this feature that endows them with a powerful sensual and seductive quality. Even Catunda’s series of works about tears is most painfully passionate and exaggerate…" — Benjamim Gennochio (GENNOCHIO Benjamim. Concrete poetry. In World Art, nº 12.p.46)
1998 - Expõe individualmente nas Galerias: Casa da Imagem, Curitiba, Paraná e na Camargo Vilaça, São Paulo. Leda escreve no catálogo da exposição em Curitiba:
“A princípio surgiram volumes justificados por representações de insetos, barrigas, corpos e cascas de insetos. Ao mesmo tempo, também foram feitas pinturas que representavam só barrigas, e a partir dessas, capas para cobri-las. Essas capas deram inicio à criação de pinturas cujo corpo surge a partir do acumulo de sobreposições.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. A superfície da pintura. Catálogo Galeria Casa da Imagem, Curitiba, Paraná, 1998.)
Participa de diversas coletivas dentre as quais podemos citar: “Futebol-Arte”, realizada em três diferentes instituições, Memorial da América Latina, São Paulo; Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Palácio do Itamaraty, Brasília; “Anos 80”, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia; “Der Brasilianische Blick”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim,Alemanha; “O Moderno e o Contemporâneo”, Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte São Paulo. Durante o período de 1998 a 2004 lecionou pintura e desenho no curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes Plásticas da Faculdade Santa Marcelina (FASM).
1999 - Realiza a exposição individual no Paço das Artes, São Paulo. Participa das mostras coletivas “O Objeto Anos 90”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Artistas do Festival”, Museu de Arte Contemporânea, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre; Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, Niterói.
2000 - Realiza a exposição individual “Leda Catunda pinturas moles”, no Museu Ferroviário Vale do Rio Doce em Vitória.
“Suas obras continuam ligadas a um tipo de história ou figura, como é o caso das formas exibidas em 1996, que se intitulam Gotas, Línguas, Insetos. Mas elas estão gradativamente se apurando em direção à composição, às sobreposições, às camadas, às seriações.” — Kátia Canton. (CANTON, Kátia. Uma outra costura do mundo. Folder Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria, Espírito Santo, 2000).
E também na Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte, Minas Gerais; Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia. Participa das coletivas: “O Século das Mulheres - Algumas Artistas”, Casa de Petrópolis, Petrópolis,Rio de Janeiro; “Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500”, Fundação Bienal, São Paulo e itinera para a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; “Obra Nova”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ A Imagem do Som de Chico Buarque”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2001 - Realiza as exposições individuais, na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos e no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, Paraná. Expõe nas coletivas: “Sings of life”, Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque; “Inventário Poético”, Galeria Casa da Imagem, Curitiba; “Trajetória da Luz”, Itaú Cultural, São Paulo; “O Espírito da Nossa Época”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “ Espelho Cego”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Cultura Brasileira 1”, Casa das Rosas, São Paulo; “Bienal do MERCOSUL”, Porto Alegre.
2002 - Realiza a individual ”Retrato”, na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo:
“Nesta primeira mostra individual de pinturas em São Paulo desde 1998, Leda Catunda volta à figuração, mas de maneira transformada: em lugar da representação pop dos anos 80, a imagem integra as novas obras como um elemento a mais na composição.
O “Retrato” traz o módulo puro entremeado de gotas com fotografias impressas em voile. São imagens de fragmentos de rostos (...) “Essa pintura retrata a maneira como duas pessoas convivendo muito tornam-se a mesma pessoa; e traz outros assuntos, como as tonalidades do corpo e os lugares cotidianos”, explica a artista” — Juliana Monachesi (MONACHESI, Juliana. “Leda retoma figuração prenhe de sutilezas”. Folha de São Paulo- Acontece. 08/08/2002).
Participa das coletivas: “Décadas, Caminhos do Contemporâneo 1952 – 2002”, Paço Imperial, Rio de Janeiro; “Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea”, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos, São Paulo; “Opera aberta”, Casa das Rosas, São Paulo; “ 28 (+) Pintura”, Espaço Virgilio, São Paulo; “Mapa do Agora”, Instituto Tomie Otake, São Paulo; “Arte no Ônibus”, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais; “Ares&pensares”, Sesc Belenzinho, São Paulo e “Gravuras”, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo.
2003 - Realiza as exposições individuais, no Centro Universitário Mariantonia, São Paulo; na Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires, Argentina; no Centro Cultural São Paulo e é artista convidada da 35ª Anual de Arte da FAAP, São Paulo.
“Como parte de sua defesa da tese de doutorado, Leda Catunda expõe sete pinturas de diferentes épocas desde 1993, sendo duas delas inéditas. Utilizando desde o início dos anos 80 diferentes tecidos costurados e pintados, pesquisa em suas pinturas o que denomina Poética da Maciez. De cores que ressabiam a precisa escolha, a artista opta pelo desconforto que tenta se aconchegar. A coloração, por vezes estridente, é amortecida e consolada pela maciez. Esta qualidade mole e macia sempre buscada, estabelece certa unidade na pintura, assim como a tinta ameniza a autonomia de cada parte. Desse desajuste conformado, concernente às tão diversas cores, superfícies e padronagens dos tecidos, um convívio que admite as extravagâncias, mas nunca as divergências. Tudo tende a cair, mas sem queda ou desmoronamento, com uma movimentação lânguida dada pela indolência das formas empanturradas” — Tatiana Blass (BLASS, Tatiana. “O peso do conforto”. Folder da exposição Poética da maciez, Centro universitário Maria Antonia, São Paulo, 1993).
As principais mostras coletivas desse ano são: “Pele e Alma”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Marcantonio Vilaça - passaporte contemporâneo”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “professores / artistas”, prédio do Mercado Municipal de Diamantina, Minas Gerais; “Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti”, Aria Arte Contemporânea, Recife. Titula-se doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
2004 - Expõe na Galeria Fortes Vilaça e na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos, individualmente. Participa das mostras coletivas: “Still Life”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo- Fiesp, São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Rio de Janeiro; “Onde está você Geração 80”, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília e o Museu do Estado, Recife, Pernambuco; “Heterodoxia”, Memorial da América Latina, São Paulo.
2005 - Realiza as exposições individuais na Galeria Alberto Sendrós, Buenos Aires, Argentina; “Spart Cultural”, Presidente Prudente, São Paulo; Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo; “Homoludens”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Arte em Metrópolis”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Realiza a oficina Pintura Contemporânea, 6º Festival de Arte Serrinha, Bragança Paulista, São Paulo.
2006 - Expõe individualmente na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo e na Galeria Marina Potrich, Goiânia.
“As pinturas-objetos apresentadas na exposição são construídas em camadas sobrepostas que se entrelaçam para criar uma imagem final. A superfície de cada camada contém imagens apropriadas de estampas de tecidos diversos ou simplesmente a textura de materiais como jeans, veludo ou plástico. Ao revestir os trabalhos com imagens e texturas do dia a dia pretende-se um empréstimo efetivo da visualidade cotidiana e através dessa ação criar gatilhos capazes de despertar lembranças e sensações percebidas na vida comum.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. Texto do arquivo da artista. Inédito. São Paulo, 2006).
Participa das coletivas: “Manobras Radicais”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; “Volpi Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ Fortes Vilaça na Choque Cultural”, Galeria Choque Cultural, São Paulo; “Padrões e padronagens”, Galeria Marilia Razuk, São Paulo; “Arquivo Geral”, Centro Cultural Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; “MAM na Oca”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Paralela 2006”, Pavilhão Armando de Aruda Pereira, São Paulo.
2007 - Realiza as exposições individuais no Dragão do Mar, Fortaleza, Ceará; Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte, Minas Gerais e na Galeria Arte 21, Rio de Janeiro. Destacam-se as exposições coletivas: “Itaú Contemporâneo”, Itaú Cultural, São Paulo; “Intimidades”, Galeria Marília Razuk, São Paulo; “80/90 Modernos Pós Modernos etc”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “CrtlC + CrtlV Recortar e Colar”, SESC Pompéia, São Paulo; “MARP 15 anos”, Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza; “NMúltiplos”, Arte21 Galeria, Rio de Janeiro; “Auto-retrato do Brasil”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2008 - Realiza a exposição individual, Galeria 111, Lisboa, Portugal. As principais mostras coletivas do período são: “Poética da percepção”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná; “HAPTIC”, Tokyo Wonder Site, Japão. Participa da residência Tokyo Wonder Site, Institute of Contemporary Art and International, Cultural Exchange Japão.
2009 - Realiza sua primeira mostra retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, apresenta um recorte da produção de 1983 a 2009. Entre pinturas, colagens e aquarelas estão também trabalhos pequenos, mais experimentais - e que por vezes funcionam como estudos para obras maoires - nunca antes mostrados.
“É importante para o artista poder pensar sobre o seu trabalho, que é muito solitário" afirma [Leda]. Um de seus desejos é poder mostrar um dia os desenhos a partir dos quais nascem seus trabalhos. “Gosto de chamá-los de papéis secretos, aqueles que ninguém vê” — Maria Hirszman (HIRSZMAN, Maria. “Leda Catunda esbanja cores e sensações em exposição.” O Estado de São Paulo 02/09/1998)
2010 - Participa como artista convidada do 12o Salão de Artes de Itajaí: poéticas pessoais em construção, na Fundação Cultural de Itajaí, em Santa Catarina.
2011 - Realiza as exposições individuais na Galeria Paulo Darzé, em Salvador e na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro. Nestas exposições, mostra pela primeira vez os trabalhos inspirados no universo do esporte. Entre as exposições coletivas, destacam-se: “Beuys e Bem Além: Ensinar como arte”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e “Arte Pará”, na Fundação Rômulo Maiorano, em Belém do Pará.
“Considerando que, desde o início da sua carreira, Leda Catunda expõe as idiossincrasias e as evoluções do imaginário popular, a decisão recente de se voltar para o universo esportivo é perfeitamente coerente e compreensível, quase lógica. (…) … ao focar esse universo, a artista convida o observador a olhar para uma transformação geral, que diz respeito à sociedade como um todo. Mas a artista… não toma partido, limita-se a observar o processo, olha o circo pegar fogo, e enquanto isso se apropria de alguns casos extremos, sem revelar se os considera as aberrações mais gritantes, ou os momentos mais sublimes. (…) … o que Leda Catunda, à sua maneira personalíssima e inconfundível, nos apresenta, é um pequeno teatro do absurdo, uma reprodução fiel, e que contudo beira o grotesco, dos abusos e das loucuras da sociedade do espetáculo" - Jacopo Crivelli Visconti (VISCONTI, Jacopo Crivelli. “O Circo Pegou Fogo”. In: ‘Leda Catunda’ (catálogo) Paulo Darzé Galeria de Arte, Salvador, 2011.
2012 - Realiza exposição individual na Galeria Ruth Benzacar, em Buenos Aires, em concomitância com uma exposição do artista Iran do Espírito Santo. Destacam-se entre as exposições coletivas: a exposição em homenagem a Leonilson, “Sob o peso dos meus amores”, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; participação como artista convidada no 37o Salão de Arte de Ribeirão Preto, onde mostrou uma série de trabalhos em papel e “Para Todos”, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No mesmo ano, viaja numa residência artística à China, a convite da ‘Currents: Art & Music’, ao lado do artista Jorge Barrão.
2013 - Realiza exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, na qual exibe uma sequência de trabalhos inspirados no universo esportivo. Posteriormente, a mostra itinera para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
Participa das coletivas: “Possíveis Mirantes”, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza; “30 x Bienal”, Fundação Bienal, São Paulo; “Sobrenatural”, Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Tomie Ohtake: Correspondências”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Mitologias por procuração”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Ilustra o livro “Ser Criança”, de Tatiana Belinky, editado pela Companhia das Letras, São Paulo.
2014 - Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: “Pintura como meio – 30 anos depois”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC USP Ibirapuera, São Paulo; “Diálogos com Palatnik”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Inventário da Paixão”, no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro e “Cruzamentos Contemporary Art in Brazil”, no Wexner Center for the Arts, Columbus/EUA. Nesta última, expõe o trabalho “Santos”, de 2012.
Ilustra o livro “A menor coisa que existe”, com texto de Alice Ruiz e Sérgio Novaes, publicado pelo SESC São Carlos, São Paulo.
2015 - Realiza exposição individual "Leda Catunda e o gosto dos outros", no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, onde exibe trabalhos inéditos, resultado de três anos de produção da artista. Na individual "Leda Catunda - Projeto Night Club", na Galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, é exposta a série de gravuras que leva o mesmo título da mostra, além de pinturas inéditas. Realiza, ainda, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, mostra individual de caráter retrospectivo, com trabalhos de 1985 a 2015.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, na Galerie Maximillian, Aspen; Espírito Oitenta, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória; Geração 80, Ousadia & Afirmação, na Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba.
É curadora da mostra coletiva de pinturas "A história da imagem", na SIM Galeria, em Curitiba.
2016 - Realiza exposição individual "I love you baby", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Paulo Miyada.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: "Aprendendo com Dorival Caymmi - civilização praieira", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Clube de Gravura: 30 Anos", no Museu de Arte Moderna de São Paulo; "A Arte de Contar Histórias", no MAC Niterói; "Os muitos e o um - arte contemporânea brasileira na coleção de Andrea e José Olympio Pereira", com curadoria de Robert Storr, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Iberoamérica - Arte Moderno y Contemporáneo", no Museo Casa Diego Rivera, em Guanajuato, no México.
É uma das curadoras da mostra coletiva de pintura "Desassossego", na Galeria Estação, em São Paulo.
2017 - Recebe prêmio da Revista Bravo de "melhor exposição do ano" pela mostra "I love you baby" realizada no Instituto Tomie Ohtake. Tem um conjunto de quatro obras instaladas sobre papel de parede de sua autoria, no 7º andar do novo Sesc na rua 24 de Maio em São Paulo. Realiza a curadoria da mostra "A bela e a fera" na Galeria Central em São Paulo. Faz uma residência de 45 dias na cidade do Porto em Portugal, inaugurando em seguida a mostra "Espessura do Real" na Galeria Kubik.
Fonte: Leda Catunda. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Biografia – Itaú Cultural
Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003, defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásticas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.
Análise
Leda Catunda estuda artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap em São Paulo, de 1980 a 1984. Lá, assiste às aulas de Nelson Leirner (1932), Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003) e Walter Zanini (1925). Os professores aproximam-na de discussões sobre arte conceitual, o estatuto da obra, sua mercantilização e o uso de meios tecnológicos de produção. Na mesma época, interessa-se pela pintura neo-expressionista produzida na Europa e nos Estados Unidos por artistas como Julian Schnabel (1951), Sandro Chia (1946) e Francesco Clemente (1952). Segundo o crítico de arte Tadeu Chiarelli, em suas primeiras obras, Leda trabalha com questões críticas do debate conceitual, como os interesses plásticos dos neo-expressionistas.1 Em 1982, faz litografias em que se apropria de imagens televisivas, procedimento familiar à geração de seus professores. Ao mesmo tempo, pinta quadros realistas.
No ano seguinte, a pintura passa a ser central em sua poética. Trabalha sobre tecidos estampados, cobrindo as figuras com cor. Continua trabalhando sobre superfícies estampadas. Ao invés de cobrir as imagens, sua pintura as realça, como em Jaguar (1984). Realiza figurações a partir do agrupamento de objetos e suportes inusitados. Junta tecidos recortados, costura-os e sobrepõe elementos pouco usuais à pintura. As obras ficam entre a pintura e o objeto. A artista lida também com motivos figurativos presentes na cultura popular.
Paulatinamente, o interesse de seu trabalho migra do tema da figuração para as questões estruturais. Chiarelli, afirma que "em 1989 (...) Leda tenta redimensionar a sua produção, atentando mais precisamente para os seus aspectos visuais e plásticos, buscando com ímpeto desvencilhar-se do caráter anedótico e fortemente narrativo que caracteriza o seu trabalho anterior". Não abandona a figura; no entanto, concentra-se nas relações formais e na estruturação da tela a partir do uso de materiais não convencionais, como meias e camisetas.
Na década de 1990, aprofunda o interesse pela especificidade dos materiais com que trabalha. Cria superfícies pictóricas a partir da sobreposição de tecidos e outros meios planos e coloridos. Trabalha com elementos diferentes, como tule, veludo, plástico, acolchoados, lona, couro e fórmica. O modo de agrupá-los por vezes é abstrato. Em outros trabalhos, como os relevos, a composição guarda familiaridade com imagens recorrentes. Partem de motivos simples, como o desenho da lua, insetos, gotas e partes do corpo. Nesses trabalhos, feitos na segunda metade da década de 1990, aproxima-se das esculturas de Claes Oldenburg (1929).
Críticas
"(...) A originalidade de Leda está em seus materiais, em sua postura e em seu fazer. Ela pinta sobre suportes absolutamente não convencionais, muitas vezes aproveitando imagens neles preexistentes. (...) em vez de telas, há uma barraca de praia, o couro de poltronas desmontadas, toalhas de banho, edredons, rendões, cabeleiras postiças e até babadinhos de capa de liquidificador, transformados em telhados de casinhas, onde luzes se acendem. Um dos trabalhos mais provocativos é o das cabeleiras. Uma composição em negro, dramática, algo mórbido. Resulta de uma viagem da artista ao Japão e reproduz - com absoluta liberdade - o clima claustrofóbico das multidões do metrô de Tóquio. A figuração de Leda, que confessa não saber desenhar uma pessoa, é assumidamente meio canhestra, a não ser quando ela aproveita para colorir desenhos já estampados. Deve-se ler essa pintura com olhos de 1987, entendendo a arte como uma idéia vigorosa e pessoal, cuja força conta mais que a execução e a 'cozinha' da técnica. (...)" — Olívio Tavares de Araújo (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985:seu mercado, seus leilões. Prefácio Pietro Maria Bardi; Mino Carta. São Paulo: J. Louzada, 1984. p. 240).
"Numa época em que a pintura foi esquadrinhada, analisada, trabalhada no seu essencial, aparentemente esgotada na modernidade, como em projetos como o de Robert Ryman, Leda Catunda não elide nem busca sair pela tangente com relação à reificação da pintura, Catunda opera sua ironia. Suportes e superfície, tintas (gotas e pinceladas), cor - tudo está em colapso. A pintura reencontra seu sentido toda vez que um artista reinventa uma forma de pintar. Em sua paixão de pintar, Catunda escapa, na sua relação com a história da pintura, de algumas epidemias, tais como a epidemia das metáforas e a epidemia das citações. (...)
Em suma, sua pintura é paradoxal: persegue a realidade sem desistir da superfície sensual (...). Não pensa ter de escolher entre sentimento e pensamento (...). Sua pintura revela a base da natureza inumana em que o homem se instalou. A pintura de Leda Catunda se instala naquele território irrequieto e de problemática conciliação entre sentidos e razão" — Paulo Herkenhoff (CATUNDA, LEDA. Leda Catunda. Texto Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1996).
"Passados quase vinte anos de sua primeira grande aparição no circuito de arte paulistano e brasileiro, Leda Catunda se caracteriza hoje como uma artista que vem sabendo, como nunca, mesclar aos ensinamentos recebidos de seus professores na Faap, e à sua experiência como uma das artistas mais em evidência durante toda a década passada, um forte componente de inquietação diante das possibilidades da arte nos dias de hoje.
Ao invés de acomodar-se aos achados primeiros de sua carreira, ousou redimensionar o devir de sua obra em direção a um aprofundamento extremamente particular da pintura, enquanto instituição e enquanto modalidade sensível de conhecimento do mundo. Para isso, valeu-se da introdução, nesse campo, de procedimentos tradicionalmente alheios a ele, fato que determinou sua singularidade no âmbito das artes visuais no país.
Ainda em pleno processo de ampliação e sedimentação de sua poética, a duras penas resgatada das marchas e desvios abruptos que marcaram sua carreira no final da década passada e início desta, a artista Leda Catunda, no entanto, já demonstra ter alcançado um endereçamento definitivo para sua obra, enfatizando e ampliando os limites da pintura ainda enquanto instrumento de indagação sobre a forma e sobre a percepção do mundo" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Problematizando a natureza da pintura. In: LEDA Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. p. 29).
Exposições Individuais
1985
- Thomas Cohn Arte Contemporânea Rio de Janeiro/RJ
1986
- Espaço Investigação, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Porto Alegre/RS
1987
- Galeria Luisa Strina São Paulo/SP
1988
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ
1990
- Museu de Arte Contemporânea de Americana, Americana/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Pasárgada Arte Contemporânea, Recife/PE
1992
- Centro Cultural São Paulo/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa/Portugal
1993
- Módulo Centro Difusor de Arte, Porto/Portugal
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ- Pulitzer Art Gallery, Amsterdã/Holanda
1994
- Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos/SP
1996
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1997
- Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
1998
- Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1999
- Paço das Artes, São Paulo/SP
2000
- Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte/MG
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
- Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria/ES
2001
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR
2002
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
2003
- Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
- Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires/Argentina
- Centro Cultural São Paulo, São Paulo/SP
- Anual da Faap, artista convidada, São Paulo/SP
2004
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
2005
- Galeria Alberto Sendros, Buenos Aires/Argentina
- Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP
2006
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Marina Potrich, Goiania/GO
2007
- Dragão do Mar, Mac de Fortaleza/CE
- Galeria Arte 21, Rio de Janeiro /RJ
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2008
- Galeria 111, Lisboa/Portugal
2009
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Estacão Pinacoteca, São Paulo/SP
2011
- Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria Paulo Darzé, Salvador/BA
2012
- Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires, Argentina
2013
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
- Museu Oscar Niemeyer - MON, Curitiba/PR
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM, Rio de Janeiro/RJ
2014
- Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus/USA
- Pintura como meio - 30 anos depois, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- Inventário da Paixão, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro/RJ
- Diálogos com Palatnik, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Autoria, curadoria, reforma e contra-reforma, Estúdio Alvaro Razuk, São Paulo/SP
2015
- Leda Catunda e o gosto dos outros, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Leda Catunda - Seleção de obras de 1985 a 2015, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza/CE
- Leda Catunda - Projeto Night Club, Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2016
- Leda Catunda - I love you baby, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2017
- Leda Catunda - Kubik Galeria, Porto / Portugal
2019
- Paisagem moderna, Projeto parede, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2021
Fuera de serie - MALBA Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires / Argentina
Exposições Coletivas
1983
- Pintura como Meio, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- XVII Bienal Internacional de São Paulo, Vídeo Texto, São Paulo /SP
1984
- ARCO, Thomas Cohn Arte Contemporânea, Madrid/ Espanha
- Leda, Sérgio, Ciro, Leonilson, Galeria Luisa Strina, São Paulo/SP
- I Bienal de Havana, Havana/Cuba
- Geração 80, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ
1985
- Nueva Pintura Brasileña, CAYC, Buenos Aires/Argentina
- XVIII Bienal Internacional de São Paulo/SP
- Today’s Art of Brasil, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo/Japão
1986
- Transvanguarda e Culturas Nacionais, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ
- El Escrete Volador, Guadalajara/México
- Brazilian Painting, Snug Harbor Cultural Center New York/EUA
1987
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de Paris/França
- Imagem de Segunda Geração, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
1988
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Dimensão Planar, Funarte, Rio de Janeiro/RJ
1989
- Arte Híbrida, Funarte Rio de Janeiro, MAM de São Paulo, Espaço Cultural BFB Porto Alegre
- U-ABC, Stedelijk Museum Amsterdam/Holanda
- Panorana da Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1990
- U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa/Portugal
- Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília, Brasília/DF
1991
- Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo/Suécia
- Mito y Magia, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey/México
- Brasil La Nueva Generacion, Museu de Belas Artes de Caracas/Venezuela
1992
- Entretrópicos, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas/Venezuela
- Um olhar sobre o figurativo, Galeria Casa Triângulo, São Paulo/SP
- Artistas Latinoamericanos del Siglo XX, Estación Plaza de Armas, Sevilla/Espanha
1993
- Lateinamerikanische Kunst, Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia/Alemanha
- Latin American Artists of the Twentieth Century, Museum of Modern Art, New York/EUA
- De Rio a Rio, Galeria OMR, Cidade do México/México
- Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington DC/EUA
- A Presença do Ready Made, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
1994
- Pequeño Formato Latino Americano, Galeria Luigi Marrozini, San Juan/Porto Rico
- Bienal Brasil Século XX, Fundação Bienal, São Paulo/SP
- XXII Bienal Internacional de São Paulo/SP
1995
- Havana - São Paulo, Lunge Kunst aus Lateinamerica, Haus der Kulturen der Welt, Berlin/Alemanha
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, Milwaukee Art Museum/EUA Phoenix Art Museum, Denver Art Museum/ EUA
- A Infância Perversa, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ
1996
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, National Museum of Women in the Art, Washington D.C., Center for the Fine Arts, Miami/EUA
- Contrapartida, Kunstspeicher, Potsdam/ Alemanha
- Artistas Contemporâneos Brasileiros, Bayer, Leverkusen e Dormagen / Alemanha, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1997
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ Museu de Arte Moderna da Bahia/BA
- Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- ES 97 Tijuana, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México / México
- Material Immaterial, The Art Gallery of New South Wales, Sydney/Austrália
- Experiências e Perspectivas, Museu Casa dos Contos, Ouro Preto/MG
- Brasil - Reflexão 97, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba/PR
1998
- Galeria Kolams, Belo Horizonte/MG
- Anos 80, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia/Go
- Der Brasilianische Blick, Haus der Kulturen der Welt, Berlim/Alemanha
- O Moderno e o Contemporâneo, Coleção Gilberto Chateaubriand, MASP, São Paulo/SP
1999
- Cotidiano/Arte: Objeto - Anos 90, Instituto Cultural Itaú, São Paulo /SP
- Artistas do Festival, MAC Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre/RS
- O Brasil no Século da Arte, A Coleção MAC USP, Galeria de Arte do SESI, São Paulo /SP
2000
- Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500, Fundação Bienal de São Paulo/SP
- III Semana Fernando Furlaneto, São João da Boa Vista/SP
- O Século das Mulheres, Algumas Artistas, Casa de Petrópolis, Petrópolis/RJ
- Obra Nova, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
2001
- Signs of life, Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Inventário Poético, Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- O Espírito da Nossa Época, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Trajetória da Luz, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Bienal do Mercosul, Porto Alegre/RS
2002
- Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP, Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos/SP
- Mapa do Agora, Instituto Tomie Othake, São Paulo/SP
- Ares&pensares, Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
2003
- Pele e Alma, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti, Aria Arte Contemporânea, Recife/PE
- "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2004
- Still Life, Museu de Arte Contemporânea, USP - Fiesp, São Paulo/SP
- Geração 80, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro/RJ
- Heterodoxia, Memorial da América Latina, São Paulo/SP
2005
- Homoludens, Instituto Cultural Itaú, São Paulo/SP
- Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2006
- Manobras Radicais, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Volpi Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- Fortes Vilaça na Choque Cultural, Galeria Choque Cultural, São Paulo/SP
- Padrões e padronagens, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- Mam na Oca, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP
2007
- Itaú Contemporâneo, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Intimidades, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- 80/90 Modernos Pós Modernos etc, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2008
- Poética da percepção, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR
- Desenho em todos os sentidos, Sesc Petrópolis/RJ
- HAPTIC, Tokyo Wonder Site, Tokyo/Japão
2009
- Memorial Revisitado, 20 anos, Memorial da America Latina, São Paulo /SP
2010
- Artista Convidada, Salão de Artes de Itajaí/SC
2011
- Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorano, Belém/PA
- “Beuys e bem além: Ensinar como arte” Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Carmela Gross, Jac Leirner e Jorge Macchi, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
2012
- Leonilson, Sob o peso dos meus amores, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/RS
- Exercícios de olhar, Museu Lasar Segall, São Paulo/SP
2013
- Tomie Ohtake: Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo /SP
- Mitologias por procuração, Museu de Arte Moderna de São Paulo /SP
- Sobrenatural, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP
2014
- Pintura como Meio - 30 anos, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/SP
- Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center, Columbus/EUA
2015
- Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, Galerie Maximillian, Aspen/USA
- No Sound, Anexo Galeria Millan, São Paulo/SP
- Quando eu piso em folhas secas, Sala de Arte Santander, São Paulo/SP
- Espírito Oitenta, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES
- Geração 80, Ousadia & Afirmação, Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba/PR
2016
- Tertúlia, Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo/SP
- Aprendendo com Dorival Caymmi, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Clube de Gravura: 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Os muitos e o um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Auroras - pequenas pinturas, Auroras, São Paulo/SP
2017
- Metrópole: Experiência Paulistana, Pina Estação, São Paulo/SP
- Tão diferentes, tão atraentes, Galeria Carbono, São Paulo/SP
- Troposphere: China-Brazil Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, China
- Historias da Sexualidade, MASP, São Paulo/SP
2018
- Jardim das delicias com juízo final, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro/RJ
- Transformers, Auroras , São Paulo/SP
- O maravilhamento das coisas, Galeria Sancovsky, São Paulo/SP
- Alcides/Leda, Onde estamos e para onde vamos, Galeria Estação, São Paulo/SP
- 33a. Bienal de São Paulo/SP
2019
- Perdona que no te crea, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Colapso, Galeria Athena, Rio de Janeiro/RJ
- O pequeno colecionador, Carbono Galeria, São Paulo/SP
- Artista, substantivo no feminino, ArteEdições Galeria, São Paulo/SP
2020
- Cities in Dust, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Bienal Naifs, SESC Piracicaba/SP
- Casa Carioca, MAR Museu de Arte do Rio /RJ
- Já estava assim quando eu cheguei, Galeria Ron Mandos, Amsterdã/Holanda
2021
- Entretecido/Interlace, Galerias Municipais, Lisboa/Portugal
- Sobressalto, CAA Centro de artes de Agueda, Portugal
- Semana de 21, Instituto Artium, São Paulo, SP
- Dizer não, Galpão 397, São Paulo, SP
- Os monstros de babaloo, FDAG, São Paulo, SP
- A máquina do mundo - Arte e indústria no Brasil, Pinacoteca Luz, São Paulo, SP
Coleções públicas
- Museu Oscar Niemeyer, Curitiba - MON
- Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP
- Museu de Arte de São Paulo - MASP
- Stedelijk Museum Amsterdam
- Museu de Arte de Brasília - MAB
- Museu de Arte Contemporânea de Americana - MACA
- Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM
- Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM
- Fundação Padre Anchieta, São Paulo
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Coleção Gilberto Chateaubriand) - MAM
- Acervo Contemporâneo UFF , Niterói
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói
- Centro Wilfredo Lam, Havana
- Casa das Artes Miguel Dutra, Piracicaba
- Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Pinacoteca Municipal de São Paulo
- Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP
- Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC
- Casa das Onze Janelas, Belém do Pará
- Fundación ARCO, Santiago de Compostela
- Toyota Municipal Museum of Art
- Centro Cultural UFG, Goiânia/GO
Prêmios
1990 - Aquisição, Prêmio Brasília de Artes Plásticas/DF
2017 - Melhor exposição do ano, Revista Bravo
Fonte: LEDA Catunda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Filha de Vera Catunda Serra, arquiteta e paisagista, e de Geraldo Serra Gomes, também arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Leda Catunda é também sobrinha-neta do matemático Omar Catunda e da compositora Eunice Catunda.
Graduou-se em artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde estudou, entre 1980 e 1984, tendo como mestres Regina Silveira, Júlio Plaza, Nelson Leirner e Walter Zanini, entre outros. Tem então seus primeiros contatos com a arte conceitual, manifesta em suas primeiras litografias. Inicia-se no circuito artístico nessa mesma época, por intermédio de Aracy Amaral, crítica de arte e então diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP, que divulga seu trabalho ao lado dos igualmente estreantes Sérgio Romagnolo (com quem foi casada por um período), Ana Maria Tavares, Ciro Cozzolino e Sergio Niculitchef, na exposição Pintura como meio, ocorrida em 1983.
Integrou a famosa exposição Como Vai Você, Geração 80?, sediada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. Ganhou destaque nacional após a mostra, estampando as capas de revistas e jornais, despertando a atenção tanto da crítica especializada em função da contestação que suas obras exprimiam em relação à arte conceitual dos anos setenta.
Leda Catunda esteve entre os principais expoentes da assim chamada Geração 80, apoiando o movimento de revalorização da pintura frente às tendências conceituais da década anterior. Expôs na XVII Bienal Internacional de São Paulo, ainda em 1983, apresentando um videotexto. Apresentou-se também na I Bienal de Havana, em Cuba, em 1984, voltando a expor na Bienal de São Paulo, em 1985, além de outras grandes mostras coletivas, como Modernidade (Paris, 1987). Atua também na academia: em 1986, passou a lecionar tanto na FAAP quanto em seu ateliê, permanecendo na função até meados dos anos noventa. Paralelamente, ministrou cursos livres e workshops em diversas instituições do país e também no exterior. Em 1990, venceu o "Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal", na categoria aquisição.
A princípio, sua produção pictórica explora os limites entre a pintura e o objeto, não isenta de referências à pop art, em que pesam o uso de volumes estofados à maneira de Claes Olden e as composições neoconcretistas de Lygia Pape. Seus trabalhos da década de oitenta possuem um forte traço descritivo e caricatural, destacando-se pela atenção dispensada às texturas e superfícies dos materiais industrializados, aos quais a artista adiciona acabamento em técnica artesanal, almejando realçar a particularidade e originalidade de cada peça.
Na década de 90, eliminou as narrativas em favor das composições geométricas, em uma produção mais "limpa" em termos de cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantem o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008.
Doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, sob orientação de Júlio Plaza. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Em 1998 a editora Cosac & Naify publicou o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Conversa com Leda Catunda – Gravura Contemporânea
LEDA CATUNDA: Eu sou paulista, estudei na FAAP, meus pais são arquitetos. Isso marcou muito a minha formação porque cresci indo a muitas exposições, a todas as bienais. E quando chegou a hora de escolher o que eu queria ser achei que artes plásticas era um campo bom. Também quis ser cantora, atriz – hoje eu agradeço aos céus porque já acho tão difícil ser artista plástica, e cantora ou atriz é bem mais difícil.
O primeiro trabalho que eu apresentei no MAC em 1983, vinha de uma série de imagens que chamei de Vedações (ainda estava na faculdade, mas acho interessante mostrar). Vedação é um procedimento que eu escolhi, de apagar imagens. Escolhi pois na faculdade tinha muitas aulas de desenho – quase insuportáveis –, e eu sempre me esforçava com aquele lápis 2B, 4B, 6B, papel canson. E, quando mostrava, o professor falava: “Você ainda não chegou lá….”. Eu falei: “Não vou mais desenhar, o mundo inteiro está desenhado. Não vou ficar aqui ralando. Vou tirar fotos”. Depois eu continuei a desenhar.
Mas desde o início, no trabalho, pensei em fazer a apropriação de imagens prontas e isso é a principal linha que mantenho até agora. Sempre me apropriando de imagens que surgem em estampas, em roupas, em tecidos em geral, pois foi o que eu achei que funcionava melhor para pintar. O que estávamos tentando fazer na época era um tipo de pintura conceitual. Eu, a Ana Tavares, o Sergio Romagnolo e mais algumas pessoas da FAAP, a Jac (Leirner) e a Mônica Nador. Um tipo de retorno à pintura, ou na verdade um retorno ao uso da tinta, uma vez que esses primeiros trabalhos que eu realizava não eram exatamente pintura em tela. Eu escolhi as tintas industriais de cores mais toscas, e adotei um procedimento meio mecânico.
Havia imagens já impressas nessas estampas, pequenos desenhos. Uns eu deixava aparecendo, outros não, e dessas imagens pequenas encontradas nas estampas passei para outras um pouco maiores que encontrei em toalhas de banho; e assim meu trabalho foi enveredando para “cama, mesa e banho”. Essas imagens têm um gosto especial. O procedimento de pintura que adotei não era o de uma pintura de representação, eu estava sendo fiel à atitude de vedar. Depois, procurando outros materiais, encontrei texturas, como os pelos que usei para fazer dois gatos (Xica, a gata/Jonas, o gato, 1984), cujos olhos acendiam. E acabei me apropriando de vários objetos que vinham com as estampas. Comecei também a assimilar o significado disso, do objeto. No começo eu estava interessada só na imagem, mas então umas pessoas falavam: “Ah!! Umas toalhas!”, e eu percebi que não podia escapar do objeto em si. Assim fui assimilando outros objetos, como, por exemplo, um colchão (Paisagem com lago, 1984). Eu estava interessada na textura do céu que já vinha impressa ali. Depois cavuquei, criando um lago. E virou uma paisagem de sonho, à medida que ela acontece num colchão.
Havia um cobertor (A praça, 1985), que já tinha uma estrutura. Eu aproveitei as bordas do cobertor e fiz um tipo de moldura. Assim, fica sempre um misto do que eu ponho de tinta com a imagem que está embaixo. Isso foi nos anos 1980.
A questão do gosto é um assunto que sempre me interessou. Há um comentário entre o camp e o kitsch nos trabalhos a partir do uso das imagens contidas nos materiais, da natureza da sua fabricação, da ideologia em torno da qual gira o gosto da indústria ou da sociedade que produz tais materiais. Ou, ainda, o significado subjetivo que esses artefatos adquirem na nossa vida. Porque, à medida que decidi que não desenharia e utilizaria imagens prontas, eu uso o que encontro, mais ou menos de gosto popular, porque é o que está à venda nas lojas.
Eu gosto da definição do Abraham Moles segundo a qual o kitsch está ligado a um novo tipo de relação entre o ser e as coisas, um novo sistema estético ligado à emergência da classe média e da civilização de massa, que só reforça os traços dessa classe. E aqui o termo beleza não tem sentido – não é nenhum belo platônico, nem o feio: é o imediato, é o aspecto dominante da vida estética cotidiana.
Essa questão não está presente só nas imagens que eu utilizo, mas os trabalhos ficam com uma cara de um gosto um pouco exagerado. Ficam um pouco cafonas. Assim como no trabalho mais cafona que já fiz, chamado Paisagem da estrada (1987), em que apareciam umas casinhas que eu via no caminho para a praia nas montanhas da Tamoios. E pensava: “Quem mora naquelas casinhas?”. E tinha as luzinhas, e eu pus as luzinhas também, é um trabalho que acende. Usei nos telhados e na janelinha aquelas roupinhas de liquidificador que são uma referência ao kitsch, o conjuntinho para o liquidificador, o botijão, máquina de lavar e que se pode comprar em cores diferentes e ir trocando conforme chega o inverno e seus aparelhos ficam com frio.
Eu acho interessante a questão do uso da imagem, na nossa cultura, e nesse contexto as pessoas se apegam às imagens que surgem em coleções, em personagens, em coisas da moda.
Agora eu estou mudando todo o trabalho. Estou elaborando imagens do universo dos esportes. Acho incríveis, principalmente na Copa do Mundo, aquelas camisetas com design superelaborado. Futebol é um esporte que dá muito dinheiro, então eles investem no design e na tecnologia do tecido. Você sua, e nem parece que suou. Secam rápido e têm cortes incríveis.
Eu me interesso pelo gosto popular pelas imagens e como essas imagens são importantes culturalmente.
Depois de trabalhar, nos anos 1980, com imagens mais anedóticas, digamos assim, de um universo meio infantil, fiz alguns trabalhos mais abstratos. Ainda tem a questão do material, mas com menos importância. Eu fiz os gatos, depois fiz umas onças. Enveredei para outros tipos de imagens, nas quais a questão do material ainda importava bastante, mas não são tão narrativas como as que eu usava nos anos 1980.
As Duas bocas (1994) são de lona pintada, e há uma parte de um veludo vermelho que cai, formando o desenho das bocas. E tem também O fígado (1990), que tem uma circunferência de 2,60 metros de pelúcia, cheia de tinta. E há uma rodelinha de fórmica no chão, que contrasta um pouco. Também me interessei pela cor da fórmica, essas coisas industriais, ”ready made”. São apropriáveis e estão à disposição.
Na época em que eu fiz o doutorado, o meu orientador falou “Você tem de incluir o Dali!”. E eu falei: “Eu não vou incluir o Dali, ele não tem nada a ver!”. Ele falou “Ele derreteu as formas”. Na época eu estava falando sobre pinturas moles ou pinturas macias. E fiquei besta quando li as entrevistas do Dali, as teorias, e realmente eu me rendi às imagens com esses moles.
Outra referência para o meu trabalho são as formas arredondadas da Tarsila, e mesmo o jeito como ela pinta, com aquele degradezinho, fazendo relevos, é um estilo com o qual me identifico bastante, o tipo de natureza brasuca caipira, bem forte na nossa cultura.
Depois eu enxerguei no Oldenburg outro tipo de amolecimento de objetos. É uma coisa sem fim, porque tanto para o Oldenburg como para o Robert Morris, que é um salto total, está a questão da gravidade, do peso do material, da formação da imagem pela força da gravidade.
São assuntos que vieram do meu doutorado, mas que acho interessante relacionar, pois os trabalhos não surgem avulsos no mundo, eles surgem de algum lugar.
Depois, eu fui ver os artistas mais próximos. O Antonio Dias, além daquela carne toda aveludada, em volta do quadro ele bota uma tripa recheada. Eu falei para ele: “Antonio, eu vou usar isto aqui!”. Estou usando e fiz vários trabalhos com esse negócio porque eu achava muito bacana o trabalho ficar preso numa coisa fofinha.
Depois o Nelson Leirner, que foi meu professor e tinha um trabalho em que ele colocava um zíper (Homenagem a Fontana II, 1967). Na época a gente estudava na FAAP, podia ir à Pinacoteca, e eu ia todo final de semana porque podia mexer no trabalho. Agora não pode mais tocar, tem uma caixa de acrílico, virou uma coisa historicizada, totalmente sem motivo. Eu ficava abrindo e fechando esses zíperes, achava superinteressante essa pintura que tinha coisas por baixo.
Depois tem uma serie de referências do mundo, que são essas coleções de plantinhas. As plantinhas eu vejo na pintura da Tarsila, porque ela faz umas paisagens grandes, mas as plantinhas são as suculentas. No meu trabalho, parece que há plantas em miniatura, plantas de brinquedo ou vegetação de desenho animado. Eu gostava muito daquelas do Maurício de Sousa, da Mônica, sempre tinha uma pedra e umas gramas. Outra referência são as mórulas. Mórula é aquela primeira repartição das células no momento da fecundação, que em latim quer dizer amora; um tipo de imagem feita de agrupamentos.
Em determinado momento, eu comecei a introduzir fotografias nos meus trabalhos. Em geral, se tem foto no trabalho, é foto minha, pois eu acho um pouco difícil usar o olho de outro fotógrafo.
Já em Línguas verdes II, de 1995, nessa mesma sequência de referências orgânicas de línguas, têm um procedimento semelhante ao de trabalhos de 1980; são estampas apropriadas e recobertas de verde. De perto, além do teatro que é a própria obra, com essas línguas vindo para a frente, pode-se reconhecer a estampa de algo familiar. É a questão da apropriação, do uso de coisas do mundo, disponíveis a todos. Sempre ouvi comentários como: “Ah, eu tenho uma roupa com esse pano”, “Minha tia tem esse sofá”. E o pior de todos: “Minha tia tem uma colcha horrível, é a sua cara!”.
Outra referência são os insetos, cuja estrutura me serviu para fazer coisas com volume. Fiz algumas moscas em épocas diferentes; uma roxinha, em 1994, e uma preta, que, embaixo, tem vinte asas branquinhas. Eu acho esse o momento mais escultórico do meu trabalho.
Outra referência é a casa. Um trabalho é feito de almofadas (Almofadas azuis, 1992); outro, de uma uma cortina que tem a própria estrutura da janela (A janela II, 1987).
Essas pinturas surgem de registros em aquarela. Da aquarela eu faço modelos em papel de seda, e depois em lona. Normalmente tem uma engenharia.
Além das pinturas, há também colagens grandes, onde eu realmente experimento. Elas não têm uma hierarquia, vão acontecendo com os restos do ateliê e muitas vezes nessas “colagenzonas” chego também a imagens que me interessam e que depois eu transponho.
A apropriação mais louca que eu já fiz foi de um trabalho do Düher, por quem eu tinha fascinação, digitalizado e impresso a partir de um livro de história. Ele fez uma viagem da Alemanha para a Itália só para construir essas tábuas, que hoje estão no Prado, ilustrando como fazer a figura do homem e da mulher. Eu me questiono se o trabalho é bom ou se Düher é bom, pois é muito difícil usar uma imagem de outro artista.
Alguns trabalhos funcionam como uma instalação, como um que realizei na sala redonda do Maria Antônia. Fiz o trabalho para sair da parede e escorrer pelo chão, são vinte e duas partes de veludo. O entrelaçamento, eu comecei a fazer esticando a tela no chassi e deixando buracos para ir rompendo a estrutura da pintura. Depois eu tentei fazer a estrutura ficar orgânica, e com a ajuda de um designer fiz os chassis. Demorei dois anos para fazer esse trabalho, e já tinha uma paisagem ao fundo, uma foto de Aiuruoca, em Minas Gerais. E quando ele já estava pronto achei que estavam faltando as pessoas. Foi quando comecei a pensar nelas como estampa. Existem essas revistas com milhões de pessoas que não conhecemos e mesmo assim olhamos a revista inteira.
As pessoas foram usadas depois, em outras situações. São conhecidos, pois não posso usar imagens sem autorização. Tive de consultar cada um. E quando ficou muito difícil eu enfileirei os alunos e falei “fiquem aí”. Então, tem muitos alunos. O Nelson Leirner, também professor, deve estar no meio, também o Nuno Ramos. Esse trabalho realmente tem muitos amigos – e essa ideia das pessoas como estampa. Muita gente para na frente do trabalho e comenta: “Aquela parece a sua tia”.
As fotos de animais ocupam o mesmo lugar que eu chamo de gosto. De como construímos o nosso entorno. Os animais de estimação e os de fábulas, a galinha boa, o porquinho mau.
As fotos de lugares típicos, dos quais o Brasil é cheio, têm a mesma mágica. Eu viajei por muitos lugares, Recife, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, para fazer essa coleção de imagens. Também associo essas imagens à questão do conforto. De a pessoa trabalhar muito, juntar dinheiro, pagar em dez vezes no cartão de crédito e ir para um lugar assim por sete dias.
Eu fiz o Katrina (2009), espalhando as partes na parede, pois fiquei impressionada com uma imagem que o Al Gore usou no documentário, no qual ele diz que precisamos resfriar o planeta. E mostra o Katrina chegando ao golfo do México, recebendo o vapor gigante e indo para Nova Orleans. Uma imagem incrível feita por satélite.
Uma francesa falou para mim: “É muito alegre isso aqui para ser um furacón, não é?”. Mas o furacão não é bom ou mau; é um fenômeno. A obsessão pela ecologia é um pouco esquizofrênica, pois estamos num planeta, no universo, e não temos a menor ideia do que estamos fazendo aqui. E vamos dizer: “Não, somos nós que estamos esquentando tudo”. E se o Sol estiver mais perto?
CARLOS EDUARDO RICCIOPPO: Leda, para pensar algumas questões sobre o seu trabalho, eu diria que a ideia de expressão e a ideia de pop vêm juntas desde o começo na sua obra.
Pensando sobre as Vedações, e eu gosto especialmente da Vedação em quadrinhos, que acho que é de 1983, com setenta toalhas pequenas e algumas se repetem…
LC: São personagens da Hannah Barbera e do Maurício de Sousa.
CER: Em um detalhe da obra, dá para ver o Pernalonga repetido várias vezes, algumas vezes só a cenoura, outras vezes ele mesmo. Algo que eu acho muito bom nesses trabalhos é o fato de os gestos de cobertura não parecerem expressivos em si. Apesar de você cobrir a superfície toda com tinta de um modo muito irregular, ou de modo evidentemente manual, há algo de automático nas pinceladas. Me parece que essa pintura de vedação poderia fazer o contraponto com as imagens fabricadas industrialmente que aparecem nas toalhas. Me parece que essa cobertura é mais expressiva ao passo que se contrapõe a essas imagens muito coloridas, muito vibrantes, que se repetem.
LC: É uma cor só. Na verdade, se chegar perto tem umas pinceladas e tudo, mas a única expressão que eu esperava desse gesto é talvez um pouco agressiva, como o poder do artista, no caso, de cobrir partes e deixar às vezes meio personagem pendurado. Principalmente naquelas estampas pequenas tem esse gesto de “olha, tem uma coisa aqui, mas vocês não vão enxergar”. Mas isso oscila até áreas que eu contorno com mais capricho. Porém é tudo uma relação minha com o objeto, e isso parte desde o início, da escolha do objeto. Nessa hora descobri que teria de costurar Sempre me perguntam se alguém costura para mim. Não, eu costuro.
CER: Seguindo o seu raciocínio, tem uma coisa que me agrada nesse trabalho que é o fato de ser possível identificar as várias toalhinhas, as setenta toalhas; há uma repetição nessas toalhas. Tem alguma coisa de construção que é evidente, mas ao mesmo tempo é negada pela forma meio cambaleante que isso adquire quando colocado na parede.
LC: São os primeiros trabalhos. Eu não tinha muita experiência sobre o comportamento do material e surgiu essa ideia mais pragmática de recobrir com tinta industrial. Não havia a necessidade de usar uma tinta boa, e eu tinha a noção de que isso funcionaria. Como, de fato, fiquei muito contente de ver o resultado na retrospectiva.
CER: Quando eu olho esses trabalhos, me parece que é quase uma pintura monocromática convivendo com uma figuração pobre, quase uma negação de pintura, mas ao mesmo tempo uma negação dessa imagem. Ao mesmo tempo, pelo fato de ser monocromática ou mais ou menos monocromática, ela faz com que os elementos dessa cultura industrial fiquem muito mais vibrantes, no fim das contas.
LC: Sim, pois quando eles são repetidos na indústria eles ficam meio pasteurizados. Na rua 25 de março, não se vê nada porque tudo é revestido de tudo. E aqui eles ficam um pouco separados, essa é uma das minhas intenções.
Sobre o caráter pop, quando eu estudava História da Arte, o pop sempre me pareceu a melhor ideia que já tinham tido. Eu me identifiquei, e me identifico até hoje, com a atitude do Robert Rauschenberg, do Jasper Jones e depois do Andy Warhol, de pegar o mundo de frente. Isso é uma coisa que me estimula muito. Como eu falei sobre as camisetas da Copa do Mundo, não posso fingir que não estou vendo aquilo, é completamente incrível visualmente, tem um apelo.
CER: Uma coisa que me agrada, não só nesses trabalhos, mas também na Onça pintada e nos trabalhos que contém imagens ”já prontas” de desenhos animados ou histórias em quadrinhos e naqueles que contém logomarcas e logotipos, é o fato de que essas imagens se apresentam para o seu trabalho já um tanto ”corrompidas”, por assim dizer; essas imagens precisam ser capazes de se abstrair para se tornarem mais ”circuláveis”, mas o que ocorre no seu trabalho é que ele não busca esses ”materiais” na pureza ou na qualidade máxima que eles poderiam ter ou quereriam ter. Eles aparecem nos seus trabalhos já impressos em materiais de baixa qualidade ou em materiais de uso cotidiano. Acho que isso de algum modo traz para o seu trabalho um pensamento sobre a cultura que está em jogo, que talvez ou talvez não seja uma cultura exatamente pop, uma cultura completamente fria…
LC: Meus pais eram arquitetos, modernos, e a minha casa era clean, mas a minha avó não era. Essa avó, que costurava, tinha a roupinha do liquidificador, do botijão e da máquina de lavar, um conjunto. E aquilo tinha de ser levado a sério, porque era avó, merecia respeito. E no banheiro também havia tapetinho redondo peludo, em volta do vaso sanitário e do bidê, e o vaso tinha uma capinha; o top era aquele chapeuzinho muito enfeitado do papel higiênico. O papel higiênico era o personagem principal! E eu questionava aquilo porque a minha casa era super clean, era toda de vidro e concreto, objetos do Geraldo de Barros. Tudo de design funcional. Como minha avó morava em Campinas, a entrada da casa tinha aquele caminhozinho, as rosas, ela criava galinhas, eu concluí que o universo tinha duas lógicas e elas eram muito diferentes. Eu tinha muito amor por essa avó, a gente ia à missa, ela me fazia ver certos filmes, me vestia com vestidos de crochê. Isso dava um contraste com Van der Rohe. Como eu fui criada assim, para mim são fascinantes os mitos que as imagens carregam. Não só os mitos bregas, mas também os mitos modernos.
CER: Acho que isso é inegável, porque o trabalho tem uma referência culta a uma série de movimentos, a uma série de momentos da história da arte recente. Mas me agrada a ideia de que esse elemento pop, essa cultura pop já vem entrando no seu trabalho pelo material que você utiliza… Mas uma outra questão que eu gostaria de levantar diz respeito à presença de um universo feminino em seu trabalho. Lendo uma entrevista do Leonilson, ele comenta que não vê nada de feminino em seu trabalho. Se não me engano, ele afirma que você trabalha com peso, quando lida com tecidos e todo tipo de material que, à primeira vista, refere-se a um universo feminino. Eu acho que essa é uma boa leitura, pelo menos uma boa provocação a respeito do feminino no seu trabalho. Para mim, o seu trabalho é chamativo, é feito de cores vibrantes, não possui o caráter intimista que responderia àquele clichê feminino…
LC: Isso já me causou muitos problemas; até hoje tem gente que me chama de musa, de princesinha. Saiu na capa da Veja, a ”Princesinha das artes”. Outros artistas mais velhos fizeram comentários que não têm nada a ver com a minha pessoa. Mas tenho de suportar esse assunto: sou mulher, e então o meu trabalho é feminino também. Eu encaro esse comentário de forma pejorativa. Fico paranoica e estou criando minhas filhas paranoicas também, porque acho complicada a questão da mulher. No mundo e nas artes também.
Mas eu aceito o comentário, trabalho com tecidos e com costura, fazeres associados à mulher. Então, sim, tem um caráter feminino, mas há também muitas outras coisas.
CER: Eu falei da questão do peso nos seus trabalhos porque parece importante, em todo o seu trabalho, como ele se comporta com relação à parede, ou para fazer analogia, com relação à pintura. Parece que ele é sempre definido com relação à parede, essa ideia de que as coisas pendem da parede para baixo, coisa que ocorre em trabalhos como Siameses (1998).
LC: É, aqueles rios surgem desde as Vedações com a intenção de sair do plano. Isso ficou muito exagerado nos anos 1990, quando eu praticamente só fiz trabalhos recheados. Mas depois comecei a usar a sobreposição para fazer esses volumes e gerar esse caimento. Eu estou interessada na questão do volume, na coisa que cai.
CER: Me parece que é um trabalho que defende o momento em que o trabalho sai da parede e ganha o espaço. Parece que ele cai mesmo, pende para baixo de algum modo. Eu acho isso importante. Ele sai pela força da gravidade ou por meio de um peso, de uma aceleração em direção ao chão. Eles ganham o espaço, mas nunca deixam de se oferecer como imagens bidimensionais. Têm uma ambiguidade de ser uma pintura ou um objeto, de ser pendentes da parede, há uma bipersonalidade imediata em todos os trabalhos desse conjunto.
LC: Eu cheguei a pensar no espaço positivo regular, essa parede branca, e como as pessoas chegam para ver as pinturas, normalmente planas. E tive vontade de que as pinturas chegassem um pouquinho mais perto das pessoas. Eu acho que tem uma característica que é humana, acho que o Oldenburg faz isso também, quando aqueles objetos da vida prática se agigantam e amolecem; eles perdem a sua função da vida prática e ficam um pouco parecidos com a gente, fofos. Eu fiz uns cabelos também.
CER: Aquelas perucas (Multidão,1987). Eu vejo algo disso também nos Insetos.
LC: Tem uma ambiguidade no trabalho entre o volume que ele apresenta e a imagem. As imagens são sempre quase que simplificadas, são desenhos mais ou menos diretos.
CER: Vendo muitos desses trabalhos juntos na exposição da Pinacoteca, os pequenininhos todos juntos, de longe pareciam imagens, de fato, de alguma coisa. Têm esse caráter de parecer com a imagem, a imagem do insetinho. Tem um desenho, uma forma, mas quando você chega perto vê uma aglomeração de materiais e essa “repintura” em cima da forma do objeto que já existe.
LC: Muitas vezes a pintura tem uma função gráfica, apenas de reforçar a forma, sem função de expressão.
CER: Me parece que tem um caráter de colagem, um caráter de montagem nesses objetos. E a pintura entra para juntar as coisas.
LC: É quase um sacrilégio chamar de pintura, porque é praticamente só uma tinta.
CER: Eu estava dizendo que me parece que a pintura não tem a reivindicação da pintura como expressão.
LC: A construção sobressai sobre a pintura. É uma pintura que junta as partes, que liga tudo. É o raciocínio inicial que permaneceu assim até agora.
CER: Outro tema recorrente, sobretudo nas suas colagens, aquelas colagens enormes, parecia que havia uma ideia de recriar um mundo. E você citou a Tarsila, mas, diferentemente dela, não tem nada de originário ou de mítico, parece que são feitos com biribinha, paçoquinha, parece que esses elementos todos vão se aglutinando.
LC: Agora que eu estou fazendo trabalhos com futebol, as colagens estão todas com etiquetas da Nike. Essas etiquetas são superbem desenhadas. Na verdade as colagens são totalmente espontâneas, muitas pessoas gostam muito, mas elas funcionam como um processo para mim, e elas têm as imagens menos fechadas ou uma intenção menos clara do que as pinturas, e por um tempo eu nem pensava em mostrar. Mesmo as aquarelas, que eu via como estudos, na verdade são legais também como obra. Agora acho interessante misturar e mostrar tudo. Mas elas têm caminhos muito diferentes do que quando eu vou fazer essas imagens para uma exposição. Aí eu gosto de pensar num conjunto que crie um sentido próprio, embora isso seja cada vez mais raro nas exposições hoje. Na verdade, parece que a multiplicação do significado, nas exposições, é que tem sido a tônica.
CER: Nas colagens aparecem muitos dos seus trabalhos que existem, ou coisas parecidas com os seus trabalhos…
LC: É porque eles surgem nas colagens, em que eu junto as cacas do ateliê e vou grudando tudo. Às vezes fica ruim e tenho de jogar fora, mas muitas vezes surgem coisas que eu experimento na colagem, por isso eu até coloquei como parte do processo.
CER: Pensando em trabalhos como o Lago japonês (1986), ou o Katrina, está sempre presente uma ideia de paisagem idílica ou uma coisa que chama a atenção porque não parece tratar de um paraíso perdido ou não trata de lugares ainda intocados pelo homem, pelo mundo acelerado da cultura. Parece que são imagens que são em si mesmas propagandas que têm a ver com essa cultura.
LC: São tanto do inconsciente coletivo como símbolos, signos que a nossa cultura privilegia, esses signos de paisagens bonitas, de pessoas na revista.
CER: Parece que essas imagens que você vai resgatando criam esses universos idílicos sozinhos, eles são muito tratados.
LC: Eles são sintéticos, são sintetizados. O laguinho é bem sintetizado, o lago mesmo que eu vi no Japão era incrível, mas a imagem que a gente tem é essa, quase um lago de história em quadrinhos.
CER: Outra coisa que me parece importante no seu trabalho, mas não sei em que sentido, é a ideia de afeto, a ideia de memória. Memórias, de 1988, e, depois, Todo pessoal (2006). Eles parecem localizar de algum modo, organizar no cérebro, essas memórias afetivas.
LC: É engraçado porque mistura trabalhos de épocas superdiferentes; faz trinta anos.
Todo esse assunto do gosto, do significado da imagem dentro da cultura, passa pela ideia de você poder melhorar a sua vida ou de poder organizar o entendimento da sua existência no mundo através de escolhas, de coisas que você coloca junto de si. Eu acho admiráveis as escolhas que as pessoas fazem para revestir os sofás de casa, para revestir a casa, para se vestirem e depois essas outras coisas que se estendem para os bichinhos, para as viagens. Sempre é uma imagem! Tinha uma colcha que eu adorava que era aquela praia, uma água bem clarinha, que está naquele trabalho Itacaré (2008). É a ideia de poder trazer para dentro de casa uma imagem de sonho. Esse caráter afetivo está presente no trabalho todo.
Esse que estou fazendo com os esportes é impressionante, pois para algumas pessoas esses esportes, a competição, o signo do time, a camiseta e todo o entorno está totalmente ligado ao consumo. As escolhas têm a ver com a identificação do sujeito no mundo. Vivemos num sistema capitalista, são escolhas de consumo. As pessoas gostam de se apegar a isso para justificar um tipo de vida que temos nas grandes cidades. Uma vida ligada ao trabalho, a ganhar dinheiro. E vão gastar no quê? Não precisariam gastar, mas quando você vai gastar, gasta em imagem.
CER: Nesses seus dois trabalhos, Memórias e Todo pessoal, me chama a atenção que as imagens podem se referir imediatamente a você. Parece que essas embalagens podem, de fato, tratar de uma história pessoal ou afetiva, mesmo que sejam retiradas de fato no mundo da cultura, da cultura visual.
LC: Há uma maneira primitiva na construção de algumas esculturas. O Memórias partiu da renda, que eu achei que dava para fazer os miolos e depois achei que dava para conter memórias, que eu pintei em pequenas telas a óleo; então tinha o contraste de uma coisa mais tosca no fundo junto dessas telinhas que eu pretendia que fossem boas pinturas. Tudo isso organizava um cérebro, que era um assunto dessa exposição. Além desse cérebro tinha outro e mais uma construção de imagens.
CER: O Cérebro em stand (1988)?
LC: É, o Cérebro em stand. Já Todo Pessoal, de 2007, ainda permanece meio simplório na estrutura de bolinhas que são ligadas por tirinhas, num jogo infantil. Novamente o conteúdo é uma coleção de pessoas próximas, de novo tem um caráter afetivo.
CER: Você faz também uma estampa com essa imagem.
LC: Uma estampa de cérebro.
CER: Para encerrar, eu queria voltar à ideia de que o trabalho tem algo pop. Me interessa pensar no estatuto dessa cultura pop, ela vem de muitos modos diferentes, eu acho que o Cérebro em stand é um trabalho à Robert Rauschenberg, Jasper Jones…
LC: Eu acho que a arte pop mesmo, americana, como é apresentada pelo Andy Warhol, por aqueles caras, é uma coisa muito mais corrosiva. A partir da minha geração, dos anos 1980, e principalmente agora, você sente os artistas utilizando o período moderno como um tipo de cardápio, no qual você pode ser um pouco pop, um pouco conceitual. Então eu realmente me interessei pela visualidade pop, mas o trabalho às vezes vai para um lado mais poético, é um pop mais poético. Eu acho que aqueles pops originais estão dando um golpe na arte, dentro de um raciocínio do fim do período moderno que a minha geração absolutamente não faz mais.
Eu adoro pensar no que é que as pessoas estão fazendo agora, me interessa refletir sobre isso. Acho que o artista está sempre preso a sua época, tem coisas que ele viu na formação, ideias que teve na formação. Mas meu tempo não é mais o pop americano. O pop americano vem depois do expressionismo, junto com o minimalismo, e os artistas tinham uma posição ainda de estender fronteiras. E agora a minha maior diversão é ver o que a geração mais nova está fazendo! Eu fui à exposição do Bruno Dunley, na Marília Razuk, tem pinturas figurativas, tem umas mais gestuais e depois tem uma que é só amarela. Eu acho fantástico. Não estou dizendo que é bom ou ruim; essa pluralidade é uma mudança de foco, são outros assuntos. Então a Geração dita “80“ (agora eu sou obrigada a aceitar esse apelido) já se preocupa com outras questões, muito diferentes do que foi a arte pop.
CER: Existia, de outro modo, a ideia de que essa geração vinha sem tradição alguma ou emancipada de qualquer tipo de relação com o passado. Mas eu vejo que havia uma ligação com as gerações anteriores, e o Antonio Dias é um exemplo imediato; acho que ele já lidava com questões que ainda estão na sua obra. E eu vejo, em seu trabalho, a importância de outros artistas também. Mas, além disso, eu queria saber se também houve um outro diálogo, se houve uma conversa com a crítica, além de uma conversa com artistas de gerações passadas, e de que modo isso foi importante para a formação da sua obra.
LC: Houve uma tentativa de rompimento na minha geração, com o tipo de rompimento que nós tivemos que era justamente conceitual. Não tinha nenhuma aula de pintura, e havia um reforço para técnicas de reprodução de imagem, aquele texto do Benjamim era o que a gente mais lia e parecia um resumo muito simples para quem tinha dezoito anos. Para a nossa geração aquilo era superinteressante, e a gente acreditou que dava para continuar um trabalho conceitual com mais visualidade. Naquela hora já era arte, eu fiz alguns cartazes em offset como uma tentativa de desmaterialização completa e de reforçar o conceito. Mas o que a minha geração responde é a um circuito ávido; eu entrei na FAAP para me tornar professora e saí artista famosa. Eu tinha vinte e três anos e essa ideia de fama nos pegou de forma ridícula, como a fama pode ser. A multiplicação de galerias, um mercado sedento, cheio de revistas e artigos, anúncio na Artforum, são realidades que eu não podia ignorar! E esse apelo veio para a minha geração e para a geração mais nova; agora esse apelo é quase que uma sentença. Ser famoso, vender tudo, fazer todas as residências, cada vez tem um novo uniforme que se presta para os artistas vestirem. Eu acho que o artista mesmo não vai funcionar uma década ou duas, ele vai funcionar uma pequena existência de uns sessenta para uns oitenta anos, se você tiver sorte, e é dentro desse espaço de tempo que você precisa criar um assunto. Uma artista portuguesa maravilhosa disse para mim: ”Leda, a vida é rápida, são só dois dias!”. Eu falei assim: “Dois dias?!!”.
Porque na verdade o artista só tem esse tempo para criar a sua poética. Para mim, que era muito próxima do Leonilson, mesmo do Jorginho Guinle, é muito angustiante você ver o artista sendo amputado do seu tempo, ou mesmo ter visto o Leonilson muito de perto, tentando acelerar o botão no último, na medida em que ele sabia que ia morrer. O Jorginho também. O que eu realmente espero que permaneça é a resposta que esse artista pode dar para aquele tempo que ele está tendo.
Sobre a questão da geração, ”não tem essa coisa de Geração 80”. O cenário em São Paulo era totalmente diferente do do Rio, e juntar tudo num barquinho só era um marketing completo. Mas o modo como eu pensava arte, ou o que eu encontrei na faculdade, eu via o Fajardo, o Baravelli, o Waltercio, o Cildo, era um campo mais ideal de arte. E o que nós encontramos nos anos 1980 já era o início de uma batalha de galerias, que hoje eu transporia para as feiras. Já pensou? Mal saiu da faculdade e já é mandado para umas feiras, essa coisa capitalizada. Eu me identifico muito com os meus colegas de geração e houve bastante interlocução com eles entre os colegas. Já com a crítica teve alguns artigos, eu tinha muita admiração pela Sheila Leirner, mas logo ela se retirou de cena. Eu tive algumas pessoas mais próximas, a Aracy Amaral ou o Tadeu Chiarelli. A certa altura eu era próxima da Lisette [Lagnado], mas isso não permaneceu. Uma coisa que permaneceu e que eu prezo muito é a relação com a Regina Silveira e outros colegas como o Dudi, a Mônica Nador. Eu achava totalmente incrível a turma do Nuno, que já tinha umas pessoas discutindo os trabalhos. Eles têm uma proximidade muito grande com o Rodrigo Naves, com o Alberto Tassinari, que estão mais presentes no ateliê deles. Isso realmente nunca aconteceu de forma sistemática comigo.
Eu gostaria de falar uma última coisa. Estou pensando nesses trabalhos com futebol porque eu gosto de futebol. Gosto do Santos, especialmente, e de repente o Santos apareceu com um negócio vermelho. O Santos é o alvinegro praiano, mas colocaram um Bombril em cima da camisa. Sempre tive paixão pela camisa, e agora está escrito Seara! E no Corinthians está escrito Neoquímica; de vez em quando aparece a propaganda: “Neoquímica faz uns remédios superbons”… Mas quem perguntou? Eu acho engraçado porque agora as pessoas aceitam bem o patrocínio, elas gostam, elas curtem. Tem uma amiga palmeirense que curte. Qual era o patrocínio? Parmalat! “Parmalat tem tudo a ver porque deu a maior força, foi o melhor período do Palmeiras.” É engraçado como aquilo que a gente chamava de propaganda agora está no meio da camisa e, no caso do Corinthians… Desculpe, está escrito Avanço embaixo do braço! E a pessoa vai à loja comprar a camiseta oficial, mas a camiseta oficial é um pesadelo! Vem tudo escrito. Eu estou fazendo um parêntese porque acho que essas são as verdadeiras mudanças. Agora um patrocinador é bom, positivo, traz grana, mesmo que seja horrendo. É dessas camisetas que estou me apropriando. Eu vejo canais de esporte, corrida, tênis! Tem aqueles carrinhos coloridos, mas vem tudo escrito e às vezes vem aquela marca, e eu não tenho ideia se aquilo é um banco, um iogurte, aquela marca bem grandona, provavelmente um óleo de carro. Eu acho incrível como as pessoas agora têm uma relação afetiva também não mais com o time, com o carro, mas com a marca. E se fala muito disso. Muito curioso porque no meu tempo, no modo como eu fui criada, isso era propaganda, era uma coisa ruim, você tirava a propaganda para poder ver a coisa. Agora a propaganda é praticamente tudo. E viva o Seara!
Fonte: Gravura Contemporânea "Carlos Eduardo Riccioppo – Conversa com Leda Catunda", publicado em 1 de janeiro de 2012. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Veja SP, fotografia de Leo Martins. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Leda Catunda Serra (São Paulo, SP, 23 de junho de 1961), mais conhecida como Leda Catunda, é uma artista visual, pintora, escultora, gravadora, pesquisadora e professora brasileira. Formada em Artes Plásticas em 1984, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo e doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos. Em suas obras, Leda aborda questões críticas do debate conceitual. Inicialmente, sua produção pictórica explorava os limites entre a pintura e o objeto, referenciando o pop art. Seus trabalhos da década de 80 possuem um forte traço descritivo e caricatural, com texturas e superfícies dos materiais industrializados. Na década de 90, apostou nas composições geométricas, com menos cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantém o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Leda realizou exposições individuais e coletivas, das quais destacam-se: I Love You Baby, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2016) – que lhe rendeu o Prêmio Bravo! de Melhor Exposição Individual do Ano; Pinturas Recentes, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e MAM-Rio (Rio de Janeiro, 2013); Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). A artista já participou de quatro Bienais de São Paulo (2018, 1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Suas inúmeras participações em mostras coletivas incluem as antológicas Como Vai Você, Geração 80?, EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983); e, mais recentemente: Past/Future/Present, Phoenix Museum of Art (Phoenix, EUA, 2017); Histórias da Sexualidade, MASP (São Paulo, 2017); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, EUA, 2014). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Blanton Museum of Art (Austin, EUA); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); Fundação ARCO (Madri, Espanha); Toyota Municipal Museum of Art (Toyota, Japão); Instituto Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Masp (São Paulo); MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro. A artista é considerada um dos maiores talentos surgidos no âmbito da Geração 80, explorando os limites entre a pintura e o objeto.
Biografia Oficial Leda Catunda
Cronologia
1961 - Nasce Leda Catunda em São Paulo. Filha de Vera Catunda Serra arquiteta e paisagista e Geraldo Serra Gomes, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
1980 - Ingressou no curso de Licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), graduando-se em 1984.
“Estávamos vivendo os últimos anos do governo do General Figueiredo, o finalzinho da ditadura militar, sentiamo-nos por isso amarrados e sem poder de ação. Ao mesmo tempo, organizava-se movimentos pelas eleições diretas com passeatas pelo vale do Anhangabau. Eram realmente emocionantes e surgiam como um aceno de que as coisas finalmente poderiam mudar para melhor. Eu estava terminando a faculdade de artes plásticas na FAAP e desenvolvia um trabalho de pintura. Por incrível que pareça, na época, o ressurgimento da pintura era algo inesperado num contexto posterior à desmaterialização da arte e à arte conceitual dos anos setenta.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda, texto do arquivo da artista “Como era nos anos 80...”, sem data, inédito).
O historiador e crítico da arte Tadeu Chiarelli comenta sobre o ambiente da FAAP nos anos 1980.
“O debate que se travava nas salas e corredores da FAAP era muito interessante. De um lado estavam alguns professores fundamentais para a formação teórica e prática dos alunos – Walter Zanini, Nelson Leirner, Regina Silveira, Júlio Plaza –,todos eles abrindo as portas para as discussões sobre a arte e sua natureza; sobre a arte enquanto conceito e enquanto mercadoria; sobre a desmaterialização da arte, o conceito de ready-made... Enquanto isso, nas revistas internacionais – lidas avidamente pelo alunado –-, eram publicados artigos fartamente ilustrados sobre a “volta à pintura”, sobre os selvagens alemães, a transvanguarda italiana, sobre Schnabel, Fischer, Sandro Chia, Clemente... Havia, portanto, um descompasso.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 9.)
1981 - Expõe pela primeira vez no “IX Salão de Arte Jovem de Santos”. No mesmo ano, participa de duas mostras coletivas: “Festival Internacional da Mulher nas Artes”, São Paulo e “V Salão Jovem de Arte Contemporânea”, Centro Cívico de Santo André, São Paulo.
1982 - Torna-se monitora de classe da professora-artista Regina Silveira. Leda estabelece desde o início de sua trajetória uma relação que se intensifica ao longo dos anos com o ensino de arte e com seus professores.
1983 - Realiza a exposição “Pintura Como Meio”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Ibirapuera). A exposição, idealizada por Sérgio Romagnolo, foi apresentada a Aracy Amaral, então diretora do Museu, que a acolheu. Foram expostos trabalhos de Ana Tavares, Ciro Cozzolino, Leda Catunda, Sérgio Niculicheff e Sérgio Romagnolo. A partir desta coletiva surgem novos convites.
“Surge então a pintura integrada ao ambiente, espaço bidimensional que recebe a pintura e no qual a ausência de moldura confere uma intermediação insinuante como em todos os artistas que se utilizam deste “artificio” desmistificador, entre o espaço real e virtual de seu trabalho pictórico.
Transparece [assim] uma pintura desnuda em seu naturismo, independente do fato de ser figurativa ou não, porém como comunicação visual plástica válida em si, sem a pose da “grande pintura”, embora substancialmente pintura.”
Aracy AMARAL. - “Uma Jovem Pintura em São Paulo” in: Catálogo Pintura Como Meio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1983. p. 1.
Nessa exposição Leda expõe pela primeira vez que os trabalhos que denomina “vedações”.
“Usando como suporte toalhas infantis, além de tecidos estampados comumente usados para a confecção de roupas e/ou lençóis para crianças, Leda vedava com tinta as imagens ali produzidas. Sem usar chassi ou qualquer outra estrutura mais dura para suportar os tecidos, a artista muitas vezes costurava um pedaço de pano ao outro aumentando assim a área de ação sobre as estampas. (...) [Leda] introduzia nessa operação fria de imagens já prontas a gestualidade “romântica” da pintura – o que aumentava o caráter irônico de seu trabalho.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 11 e 12).
No mesmo ano, é convidada pelo professor Júlio Plaza para participar, com um trabalho em vídeo-texto, da “XVII Bienal Internacional de São Paulo”. Participa ainda da exposição - “Arte na Rua, Out Door”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e “Pintura Brasil”, Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte. É monitora de classe do professor Walter Zanini na disciplina História da Arte.
1984 - Expõe nas coletivas “Stand 320” na Galeria Thomas Cohn Arte Contemporânea e “Como vai você, Geração 80?,” no Parque Lage, ambas no Rio de Janeiro. Participa de coletiva com Sérgio Romagnolo, Ciro Cozzolino e Leonilson na Galeria Luisa Strina em São Paulo e da I Bienal de Havana em Cuba.
1985 - Realiza a primeira exposição individual na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. O crítico Wilson Coutinho escreve no Jornal do Brasil sobre a mostra:
“A artista paulista Leda Catunda, 24 anos, curiosamente realiza sua primeira individual não em São Paulo, mas aqui. (...) Ela se utiliza de inúmeros materiais da indústria como tapetes, colchão e acolchoados, plásticos, e com isto cria uma figuração extremamente cativante e alegre, diferente de outros artistas paulistas que estão manejando os detritos industriais aplicados na metáfora do feio, do horror e do ostensivo deboche.” – Wilson COUTINHO (A Bela Indústria. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1985.)
Em entrevista a Baravelli, Leda expõe sua opinião sobre a situação da jovem arte paulista:
“Leda Catunda: Hoje em dia tem uma super pintura matérica, que é bem distante do meu trabalho. Até pintei com tinta a óleo e tinha aquela piração no azul phthalo. Gosto muito de cor, mas não penso em “superfície” e “não-superfície”. Essa linha de pintura requer uma coisa clara.
Baravelli: Formalista para caramba...
L: É bastante formalista, me sinto num outro clube, mais com Luiz Zerbini, Leonílson e Sérgio Romagnolo.
B: Aqui em São Paulo tem essas duas correntes: a turma da matéria e a turma da figura. É assim para sua geração?
L: Acho que sim. A turma da matéria tem uma referência, mais forte e mais fácil, da pintura alemã, do concretismo, uma base conhecida que meu trabalho não tem. Ainda estamos procurando um caminho a ser definido — BARAVELLI (“Baravelli visita Leda Catunda”. Revista Galeria, nº10, 1988).
Expõe no “Salão Nacional de Artes Plásticas”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na “XVIII Bienal Internacional”, São Paulo. Sobre as questões em jogo na Bienal de 1985, o curador Ivo Mesquita comenta:
“... a volta à pintura proposta pelos trabalhos confirmaria o talento natural e a vocação da arte brasileira à contemporaneidade, pois o mesmo acontecia simultaneamente no resto do mundo. O revival da pintura naqueles anos foi, de imediato, interpretado como um retorno ao modo direto e sensual de o brasileiro se relacionar com as linguagens plásticas, como uma reação ao cerebralismo e ao excesso de metáforas da arte produzida pelas gerações anteriores (o que, no Brasil, significava não apenas o enfrentamento das questões da visualidade contemporânea mas também estar num embate constante com a censura institucionalizada pelos militares). A consagração veio em 1985, quando Rodrigo Andrade, Fernando Barata, Carlito Carvalhosa, Leda Catunda, Fabio Miguez e Daniel Senise foram apresentados na Grande Tela da XVIII Bienal Internacional de São Paulo ao lado de artistas como Enzo Cucchi, Gunter Damisch, Martin Disler, Stefano Di Stasio, Dukoupil, Koberling, Middendorf, Salomé, Hubert Scheibl, Tadanori Yokoo, algumas das estrelas da cena internacional da época.” — Ivo MESQUITA (Território dos sentidos in: Daniel Senise. Ela que não está. São Paulo Cosac & Naify edições, 1998. p.11).
Participa, ainda, das exposições “Nueva Pintura Brasileña”, Centro de Arte y Comunicación CAYC, Buenos Aires, Argentina, “Brasilidade e Independência”, Teatro Nacional, Brasília e “Today's Art of Brasil”, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.
1986 - Realiza a individual “Espaço Investigação”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Participa de diversas mostras coletivas entre as quais se destacam: “Transvanguarda e Culturas Nacionais”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “El Escrete Volador”, em Guadalajara, México; “Brazilian Painting”, Snug Harbor Cultural Center, Nova Iorque, Estados Unidos. Neste mesmo ano, começa a lecionar a disciplina de Artes Gráficas para o curso de Licenciatura em Educação Artística na FAAP.
Em entrevista por ocasião abertura da mostra compacta da XVIII Bienal em Brasília, Leda comenta sobre o seu trabalho:
“Em geral eu não gosto muito de desenhar eu sempre vou mais ou menos atrás de algo que está desenhado ou alguma estrutura. Comecei atrás de umas estampas que já estavam desenhadas e quando comecei a trabalhar com os panos, surgiram umas texturas que também eram interessantes, então a coisa foi toda se misturando e até aconteceu de entrar no objeto, como nesse trabalho que veio para cá, que é um cobertor. Um objeto não escapa da sua simbologia.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda em entrevista a Celso Araujo. In: O direito ao devaneio na nova arte do país. Jornal Correio braziliense, Brasilia, Distrito Federal 27 de janeiro de 1986. )
1987 - Realiza a primeira individual na cidade de São Paulo, na Galeria Luisa Strina. Nesta mostra, foram expostas oito pinturas figurativas sobre suportes diversos como toalhas, guarda sol, rendas, plásticos, perucas e couro.
Participa das coletivas “Pintura Fora do Quadro”, no Espaço Capital, Brasília; “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de Paris, França; “Imagem de Segunda Geração”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “TV Cubo”, na Galeria Mônica Figueiras, São Paulo.
1988 — Mostra individualmente, na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.
“Dizendo-se atualmente menos literal na relação com a imagem, Leda tem procurado explorar nos materiais e objetos “standardizados” de seu trabalho um meio de experimentar sobretudo as texturas, ao mesmo tempo em que alguns trabalhos já apontam para uma direção diversa daquela “narração” anterior. (...) Os “Babados” fogem radicalmente da questão da imagem, tal como a artista vinha apresentando e assumem, no caso, uma dimensão pictórica exclusiva e, até, abstrata.” — Ligia Canongia (CANONGIA, Ligia. A arte industrial de Leda. O Globo, 21 agosto de 1988).
Expõe nas coletivas: “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “1981-1987”, Galeria Arco Arte Contemporânea, São Paulo; “88 X 66”, Parque Lage/Espaço Sergio Porto, Rio de Janeiro; “Dimensão Planar”, Funarte, Rio de Janeiro. Começa a dar aulas de desenho no seu ateliê em São Paulo.
1989 - Ao lado de Ana Tavares, Monica Nador e Sergio Romagnolo participa da exposição “Arte Híbrida”, que aconteceu na Funarte, Rio de Janeiro e itinerou para o Museu de Arte Moderna de São Paulo e para o Espaço Cultural BFB, Porto Alegre.
“[Leda Catunda] É, ao meu ver, autora de efetivas “ combine paintings” no sentido utilizado quando fazemos referências ao trabalhos dos anos 1960 de Robert Rauschemberg. Ou seja, a pintura é aplicada como elemento de ligação, neste momento de sua produção, entre os objetos reunidos, sem qualidade como pintura, porém atuando como elemento a imprimir corpo, fisicalidade bidimensional no relevo de seus trabalhos.” — Aracy AMARAL (Quatro artistas in: Arte Hibrida, Galeria Rodrigo de Mello Franco, Funarte, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Espaço Cultural BFB, Porto Alegre, 1989).
No mesmo ano, mostra seus trabalhos nas exposições “Coleção Eduardo Brandão”, Casa Triângulo, São Paulo; na “Perspectivas Recentes”, Centro Cultural São Paulo; no“YOU-ABC”, Stedelijk Museum Amsterdam, Holanda; no “Panorama da Arte Atual Brasileira”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1990 - Apresenta individualmente um conjunto de trabalhos produzidos entre os anos de 1983 a 1990 no Museu de Arte Contemporânea de Americana, São Paulo. Com as obras realizadas entre os anos de 1989 a 1990 expõe nas individuais em Recife, na Pasárgada Arte Contemporânea e na Galeria São Paulo. Sobre esta última escreve Angélica de Moraes, no Jornal da Tarde e lisette lagnado na Folha de São Paulo:
“A exposição, de 13 obras, apresenta alguns aspectos que irão surpreender até mesmo quem acompanha de perto o trabalho dessa artista. A mostra foi construída entre dois pólos. As figuras da pop das estampas de tecido, reunidas por costura a máquina, agora dividem o espaço da galeria com obras que namoram uma vertente mais cerebral, neo-concreta. Esse novo aspecto da produção de Leda Catunda se traduz em pinturas-esculturas que exploram superfícies limpas e cores industriais em materiais como a fórmica brilhante ou fosca. O acúmulo de figuras se simplificou em geometrias e jogos visuais abstratos” — Angélica Moraes (MORAES, Angélica. Leda Catunda entre o pop-espalhafatoso e o neo-concreto. Jornal da Tarde, São Paulo, 30/10/1990).
“A identificação imediata da figuração caminha para uma abstração simplificada de bolinhas e retângulos. A busca da linguagem abstrata representa um esforço para sair do estigma juvenil das florzinhas e casinhas que, desde o início da sua carreira, acompanha a artista. O peso da ironia deixou lugar para uma apropriação mais alegre e intusiasta do repertorio da cultura de massa.”
Lisette Lagnado- Peças são femininas e previsiveis- Folha de São Paulo 30/10/1990.
Expõe nas coletivas: U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Arca de Noé, Galeria Gesto Gráfico, Belo Horizonte, Minas Gerais. Ganha o Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília.
1991 - Participa de diversas exposições coletivas tanto no Brasil quanto no exterior, das quais podemos destacar: “Viva Brasil Viva”, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “Mito y Magia”, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, México; “Brasil La Nueva Generacion”, Museu de Belas Artes de Caracas,Venezuela; “Arte Contemporânea”, Centro Histórico de Petrópolis, Rio de Janeiro; “BR/80”, Itaú Galeria, São Paulo.
1992 - Realiza exposições individuais no Centro Cultural São Paulo; no Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal e na Galeria São Paulo. Participa das coletivas “Entretrópicos”, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas, Venezuela; “Salão Paraense de Arte Contemporânea” (como artista convidada), Belém; "Hoje em dia...Avenida Central", Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Participa ainda da exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, sob curadoria de Waldo Hassmunsen, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque na Estación Plaza de Armas, Sevilha, Espanha para a qual foram selecionadas cinco pinturas de diferentes períodos da trajetória da artista.
“By exposing the techniques she empolys to fabricate her art- collage, assemblage, and sewing- Catunda undermines the sense of visual spectacle intrinsic to painting, especially to realist styles. Working against realism as the privileged site of identity, Catunda invokes Minimalism as the ground for reconstructing subjectivity . In her recent works, such as the series Retalhos Azuis (Blue Patches), 1991-1992, or Almofadas Amarelas (Yellow Pillows), 1992, Catunda reduces the pictorial and anecdotal references while emphasizing texture, plasticity, scale, and volume. Yet, in foregrounding tactility and the sensorial, as well as the sense of pleasurable abandonment evident in her use of materials, Catunda genders and eroticizes the Minimalist object.” — Charles MEREWETHER – The subject´s poweriessness in: Latin American Artists of XX century. Museum the Art Modern, Nova Iorque, 1992-1993.
1993 - A exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, itinera para o Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou, Paris, França; Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia, Alemanha e MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos. Nesse ano faz três mostras individuais: no Módulo Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal; na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro e na Pulitzer Art Gallery, Amsterdam, Holanda. Participa das exposições coletivas nacionais: “A Caminho de Niterói”, Paço Imperial, Rio de Janeiro que também é apresentada no Centro Cultural São Paulo; “A Presença do Ready Made”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “Projeto: Brazilian Contemporary Art”, Museu de Arte Contemporânea da USP. Integra as coletivas internacionais: “De Rio a Rio”, Galeria OMR, Cidade do México, México e “Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil” The National Museum of Women in the Art, Washington, Estados Unidos; O historiador e crítico de arte Paulo Herkenhoff escreve um dos textos do catálogo:
“A lascívia teatral das “Cinco Línguas” traz a desagradável memória de uma experiência erótica do horror tátil. Essa experiência tátil repulsiva fica também como memória do gesto físico de posse das coisas, na compulsão ao consumo das pequenas misérias do mundo das coisas. (...) A contundência do jogo de ironias de Leda Catunda não cessa: a geometria mole de “Cinco círculos” está perpetuamente condenada à inexatidão, mas também sorri para a tradição construtiva brasileira” — Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. “The contemporary Art of Brazil: Theoretical Constructs” In: Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington, 1993. p.85)
1994 - Em artigo publicado na revista Art in America, Alisa Tanger escreve sobre a produção de Catunda:
“As she worked through such narrative structures, Catunda began to reduce pictorial references, moving in a minimalist direction yet emphasizing bright, saturated colors and textures. Sometimes the titles of works still insinuate content, such as duas barrigas (Two Bellies, 1993) wherein two stuffied and sagging irregular pink rectangles jut out from a large pink rectangular support. Other recent wall hangings, however, seem entirely removed from anedotal asociations. In most recent works, Catunda’s motif is primary geometric shapes, usually circles. She collages stuffied, sheredded and painted shapes to make a kinder, more alluring and wackier minimalism.” — Alicia Tager (TAGER, Alicia. “Paradoxes and transfigurations”. Art in America. July 1994. p.46-47).
Expõe individualmente na Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos, São Paulo. Participa das coletivas: “Pequeño Formato Latino Americano”, Galeria Luigi Marrozini, San Juan, Porto Rico; “Bienal Brasil Século XX”, Fundação Bienal, São Paulo; “XXII Bienal Internacional”, Fundação Bienal, São Paulo; “20 anos de Arte Contemporânea da Galeria Luisa Strina”, Museu de Arte de São Paulo.
“As pinturas ora apresentadas na XXII Bienal Internacional de São Paulo têm uma força afirmativa que deverá funcionar em sua carreira como um divisor de águas. Surge agora uma imagem construída, sem a imediatez de um suporte que já se impunha com seu campo figurativo. Nas peças em escala maior, o espectador precisa de um certo recuo para avistar o sentido em sua totalidade – como é o caso da configuração de Duas bocas.O lugar “privilegiado” da fruição só existe no dificil limite: entre a luxúria da proximidade do tato e a compreensão da imagem percebida graças ao recuo estratégico.” — Lisette LAGNADO, Formas prenhes. in: Tadeu CHIARELLI (org). Leda Catunda, Cosac & Naify edições, 1998. p.121.
1995 - Expõe coletivamente na “Havana - São Paulo, Junge Kunst aus Lateinamerika”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha; “Latin American Women Artists 1915-1995”, Milwaukee Art Museum, Phoenix Art Museum, Denver Art Museum, Estados Unidos; “Infância Perversa”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “United Artits”, Casa das Rosas, São Paulo; “Anos 80, Coleção Gilberto Chateubriand”, Galeria do Sesi, São Paulo.
1996 - Expõe individualmente na Galeria Camargo Vilaça, São Paulo.
“Nessas pinturas de Leda Catunda, o espaço se faz num processo de automultiplicação, feito numa floresta, cobertura vegetal. Em Línguas verdes as folhas desabrocham com fertilidade. Em sua serialidade organizada, cada uma mantém sua identidade e diferença. Inseto é um casulo com múltiplas cápsulas, uma colônia de seres por nascer. Noutras pinturas, como as diversas Gotas, sem a delimitação pelo chassi ou a organização por um método lógico, o olhar poderia confrontar-se com uma enchente de gotas ou com uma praga de insetos de formas proliferantes que invadissem o mundo e sufocassem o olhar. Chassi e ordem é o que nos mantém à distância de uma ferocidade epidêmica. Estamos diante de idéias de excesso de presença tanto quanto de excesso de ausência.” — Paulo HERKENHOFF (Leda Catunda, o pincel e o conta-gotas. Catálogo Galeria Camargos Vilaça, São Paulo, 1996.)
Participa das exposições coletivas: “Contrapartida”, Kunstspeicher, Potsdam, Alemanha; “Artistas Contemporâneos Brasileiros”, Bayer, Leverkusen e Dormagen, Alemanha e Museu de Arte Moderna de São Paulo; “15 Artistas Brasileiros”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Off Bienal”, Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo.
1997 - Realiza as exposições individuais no Paço Imperial, Rio de Janeiro e na Galeria Marina Potrich, Goiânia. Paricipa das mostras coletivas: “15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna da Bahia; “Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ES 97 Tijuana”, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México, México; “Material Imaterial”, The Art Gallery of New South Wales, Sydney, Austrália; “Sala Especial”, 22º Sarp, Museu de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo; “Brasil - Reflexão 97”, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba, Paraná. Ingressa no mestrado (posteriormente convertido em doutorado) em Poéticas Visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo sob orientação do professor-artista Júlio Plaza. Em artigo publicado na revista Word Art o crítico Benjamin Genocchio aponta produção e Leda Catunda, ao lado de outros, como uma das artistas mais vistas que emergiram rapidamente na cena artística brasileira. Sobre sua produção ele escreve:
“William Blake once wrote that exuberance in beauty. Catunda’s paintings are also, quite literally, exuberant – and it is precisely this feature that endows them with a powerful sensual and seductive quality. Even Catunda’s series of works about tears is most painfully passionate and exaggerate…" — Benjamim Gennochio (GENNOCHIO Benjamim. Concrete poetry. In World Art, nº 12.p.46)
1998 - Expõe individualmente nas Galerias: Casa da Imagem, Curitiba, Paraná e na Camargo Vilaça, São Paulo. Leda escreve no catálogo da exposição em Curitiba:
“A princípio surgiram volumes justificados por representações de insetos, barrigas, corpos e cascas de insetos. Ao mesmo tempo, também foram feitas pinturas que representavam só barrigas, e a partir dessas, capas para cobri-las. Essas capas deram inicio à criação de pinturas cujo corpo surge a partir do acumulo de sobreposições.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. A superfície da pintura. Catálogo Galeria Casa da Imagem, Curitiba, Paraná, 1998.)
Participa de diversas coletivas dentre as quais podemos citar: “Futebol-Arte”, realizada em três diferentes instituições, Memorial da América Latina, São Paulo; Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Palácio do Itamaraty, Brasília; “Anos 80”, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia; “Der Brasilianische Blick”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim,Alemanha; “O Moderno e o Contemporâneo”, Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte São Paulo. Durante o período de 1998 a 2004 lecionou pintura e desenho no curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes Plásticas da Faculdade Santa Marcelina (FASM).
1999 - Realiza a exposição individual no Paço das Artes, São Paulo. Participa das mostras coletivas “O Objeto Anos 90”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Artistas do Festival”, Museu de Arte Contemporânea, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre; Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, Niterói.
2000 - Realiza a exposição individual “Leda Catunda pinturas moles”, no Museu Ferroviário Vale do Rio Doce em Vitória.
“Suas obras continuam ligadas a um tipo de história ou figura, como é o caso das formas exibidas em 1996, que se intitulam Gotas, Línguas, Insetos. Mas elas estão gradativamente se apurando em direção à composição, às sobreposições, às camadas, às seriações.” — Kátia Canton. (CANTON, Kátia. Uma outra costura do mundo. Folder Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria, Espírito Santo, 2000).
E também na Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte, Minas Gerais; Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia. Participa das coletivas: “O Século das Mulheres - Algumas Artistas”, Casa de Petrópolis, Petrópolis,Rio de Janeiro; “Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500”, Fundação Bienal, São Paulo e itinera para a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; “Obra Nova”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ A Imagem do Som de Chico Buarque”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2001 - Realiza as exposições individuais, na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos e no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, Paraná. Expõe nas coletivas: “Sings of life”, Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque; “Inventário Poético”, Galeria Casa da Imagem, Curitiba; “Trajetória da Luz”, Itaú Cultural, São Paulo; “O Espírito da Nossa Época”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “ Espelho Cego”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Cultura Brasileira 1”, Casa das Rosas, São Paulo; “Bienal do MERCOSUL”, Porto Alegre.
2002 - Realiza a individual ”Retrato”, na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo:
“Nesta primeira mostra individual de pinturas em São Paulo desde 1998, Leda Catunda volta à figuração, mas de maneira transformada: em lugar da representação pop dos anos 80, a imagem integra as novas obras como um elemento a mais na composição.
O “Retrato” traz o módulo puro entremeado de gotas com fotografias impressas em voile. São imagens de fragmentos de rostos (...) “Essa pintura retrata a maneira como duas pessoas convivendo muito tornam-se a mesma pessoa; e traz outros assuntos, como as tonalidades do corpo e os lugares cotidianos”, explica a artista” — Juliana Monachesi (MONACHESI, Juliana. “Leda retoma figuração prenhe de sutilezas”. Folha de São Paulo- Acontece. 08/08/2002).
Participa das coletivas: “Décadas, Caminhos do Contemporâneo 1952 – 2002”, Paço Imperial, Rio de Janeiro; “Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea”, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos, São Paulo; “Opera aberta”, Casa das Rosas, São Paulo; “ 28 (+) Pintura”, Espaço Virgilio, São Paulo; “Mapa do Agora”, Instituto Tomie Otake, São Paulo; “Arte no Ônibus”, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais; “Ares&pensares”, Sesc Belenzinho, São Paulo e “Gravuras”, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo.
2003 - Realiza as exposições individuais, no Centro Universitário Mariantonia, São Paulo; na Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires, Argentina; no Centro Cultural São Paulo e é artista convidada da 35ª Anual de Arte da FAAP, São Paulo.
“Como parte de sua defesa da tese de doutorado, Leda Catunda expõe sete pinturas de diferentes épocas desde 1993, sendo duas delas inéditas. Utilizando desde o início dos anos 80 diferentes tecidos costurados e pintados, pesquisa em suas pinturas o que denomina Poética da Maciez. De cores que ressabiam a precisa escolha, a artista opta pelo desconforto que tenta se aconchegar. A coloração, por vezes estridente, é amortecida e consolada pela maciez. Esta qualidade mole e macia sempre buscada, estabelece certa unidade na pintura, assim como a tinta ameniza a autonomia de cada parte. Desse desajuste conformado, concernente às tão diversas cores, superfícies e padronagens dos tecidos, um convívio que admite as extravagâncias, mas nunca as divergências. Tudo tende a cair, mas sem queda ou desmoronamento, com uma movimentação lânguida dada pela indolência das formas empanturradas” — Tatiana Blass (BLASS, Tatiana. “O peso do conforto”. Folder da exposição Poética da maciez, Centro universitário Maria Antonia, São Paulo, 1993).
As principais mostras coletivas desse ano são: “Pele e Alma”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Marcantonio Vilaça - passaporte contemporâneo”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “professores / artistas”, prédio do Mercado Municipal de Diamantina, Minas Gerais; “Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti”, Aria Arte Contemporânea, Recife. Titula-se doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
2004 - Expõe na Galeria Fortes Vilaça e na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos, individualmente. Participa das mostras coletivas: “Still Life”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo- Fiesp, São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Rio de Janeiro; “Onde está você Geração 80”, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília e o Museu do Estado, Recife, Pernambuco; “Heterodoxia”, Memorial da América Latina, São Paulo.
2005 - Realiza as exposições individuais na Galeria Alberto Sendrós, Buenos Aires, Argentina; “Spart Cultural”, Presidente Prudente, São Paulo; Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo; “Homoludens”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Arte em Metrópolis”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Realiza a oficina Pintura Contemporânea, 6º Festival de Arte Serrinha, Bragança Paulista, São Paulo.
2006 - Expõe individualmente na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo e na Galeria Marina Potrich, Goiânia.
“As pinturas-objetos apresentadas na exposição são construídas em camadas sobrepostas que se entrelaçam para criar uma imagem final. A superfície de cada camada contém imagens apropriadas de estampas de tecidos diversos ou simplesmente a textura de materiais como jeans, veludo ou plástico. Ao revestir os trabalhos com imagens e texturas do dia a dia pretende-se um empréstimo efetivo da visualidade cotidiana e através dessa ação criar gatilhos capazes de despertar lembranças e sensações percebidas na vida comum.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. Texto do arquivo da artista. Inédito. São Paulo, 2006).
Participa das coletivas: “Manobras Radicais”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; “Volpi Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ Fortes Vilaça na Choque Cultural”, Galeria Choque Cultural, São Paulo; “Padrões e padronagens”, Galeria Marilia Razuk, São Paulo; “Arquivo Geral”, Centro Cultural Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; “MAM na Oca”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Paralela 2006”, Pavilhão Armando de Aruda Pereira, São Paulo.
2007 - Realiza as exposições individuais no Dragão do Mar, Fortaleza, Ceará; Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte, Minas Gerais e na Galeria Arte 21, Rio de Janeiro. Destacam-se as exposições coletivas: “Itaú Contemporâneo”, Itaú Cultural, São Paulo; “Intimidades”, Galeria Marília Razuk, São Paulo; “80/90 Modernos Pós Modernos etc”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “CrtlC + CrtlV Recortar e Colar”, SESC Pompéia, São Paulo; “MARP 15 anos”, Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza; “NMúltiplos”, Arte21 Galeria, Rio de Janeiro; “Auto-retrato do Brasil”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2008 - Realiza a exposição individual, Galeria 111, Lisboa, Portugal. As principais mostras coletivas do período são: “Poética da percepção”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná; “HAPTIC”, Tokyo Wonder Site, Japão. Participa da residência Tokyo Wonder Site, Institute of Contemporary Art and International, Cultural Exchange Japão.
2009 - Realiza sua primeira mostra retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, apresenta um recorte da produção de 1983 a 2009. Entre pinturas, colagens e aquarelas estão também trabalhos pequenos, mais experimentais - e que por vezes funcionam como estudos para obras maoires - nunca antes mostrados.
“É importante para o artista poder pensar sobre o seu trabalho, que é muito solitário" afirma [Leda]. Um de seus desejos é poder mostrar um dia os desenhos a partir dos quais nascem seus trabalhos. “Gosto de chamá-los de papéis secretos, aqueles que ninguém vê” — Maria Hirszman (HIRSZMAN, Maria. “Leda Catunda esbanja cores e sensações em exposição.” O Estado de São Paulo 02/09/1998)
2010 - Participa como artista convidada do 12o Salão de Artes de Itajaí: poéticas pessoais em construção, na Fundação Cultural de Itajaí, em Santa Catarina.
2011 - Realiza as exposições individuais na Galeria Paulo Darzé, em Salvador e na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro. Nestas exposições, mostra pela primeira vez os trabalhos inspirados no universo do esporte. Entre as exposições coletivas, destacam-se: “Beuys e Bem Além: Ensinar como arte”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e “Arte Pará”, na Fundação Rômulo Maiorano, em Belém do Pará.
“Considerando que, desde o início da sua carreira, Leda Catunda expõe as idiossincrasias e as evoluções do imaginário popular, a decisão recente de se voltar para o universo esportivo é perfeitamente coerente e compreensível, quase lógica. (…) … ao focar esse universo, a artista convida o observador a olhar para uma transformação geral, que diz respeito à sociedade como um todo. Mas a artista… não toma partido, limita-se a observar o processo, olha o circo pegar fogo, e enquanto isso se apropria de alguns casos extremos, sem revelar se os considera as aberrações mais gritantes, ou os momentos mais sublimes. (…) … o que Leda Catunda, à sua maneira personalíssima e inconfundível, nos apresenta, é um pequeno teatro do absurdo, uma reprodução fiel, e que contudo beira o grotesco, dos abusos e das loucuras da sociedade do espetáculo" - Jacopo Crivelli Visconti (VISCONTI, Jacopo Crivelli. “O Circo Pegou Fogo”. In: ‘Leda Catunda’ (catálogo) Paulo Darzé Galeria de Arte, Salvador, 2011.
2012 - Realiza exposição individual na Galeria Ruth Benzacar, em Buenos Aires, em concomitância com uma exposição do artista Iran do Espírito Santo. Destacam-se entre as exposições coletivas: a exposição em homenagem a Leonilson, “Sob o peso dos meus amores”, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; participação como artista convidada no 37o Salão de Arte de Ribeirão Preto, onde mostrou uma série de trabalhos em papel e “Para Todos”, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No mesmo ano, viaja numa residência artística à China, a convite da ‘Currents: Art & Music’, ao lado do artista Jorge Barrão.
2013 - Realiza exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, na qual exibe uma sequência de trabalhos inspirados no universo esportivo. Posteriormente, a mostra itinera para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
Participa das coletivas: “Possíveis Mirantes”, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza; “30 x Bienal”, Fundação Bienal, São Paulo; “Sobrenatural”, Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Tomie Ohtake: Correspondências”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Mitologias por procuração”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Ilustra o livro “Ser Criança”, de Tatiana Belinky, editado pela Companhia das Letras, São Paulo.
2014 - Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: “Pintura como meio – 30 anos depois”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC USP Ibirapuera, São Paulo; “Diálogos com Palatnik”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Inventário da Paixão”, no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro e “Cruzamentos Contemporary Art in Brazil”, no Wexner Center for the Arts, Columbus/EUA. Nesta última, expõe o trabalho “Santos”, de 2012.
Ilustra o livro “A menor coisa que existe”, com texto de Alice Ruiz e Sérgio Novaes, publicado pelo SESC São Carlos, São Paulo.
2015 - Realiza exposição individual "Leda Catunda e o gosto dos outros", no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, onde exibe trabalhos inéditos, resultado de três anos de produção da artista. Na individual "Leda Catunda - Projeto Night Club", na Galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, é exposta a série de gravuras que leva o mesmo título da mostra, além de pinturas inéditas. Realiza, ainda, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, mostra individual de caráter retrospectivo, com trabalhos de 1985 a 2015.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, na Galerie Maximillian, Aspen; Espírito Oitenta, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória; Geração 80, Ousadia & Afirmação, na Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba.
É curadora da mostra coletiva de pinturas "A história da imagem", na SIM Galeria, em Curitiba.
2016 - Realiza exposição individual "I love you baby", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Paulo Miyada.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: "Aprendendo com Dorival Caymmi - civilização praieira", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Clube de Gravura: 30 Anos", no Museu de Arte Moderna de São Paulo; "A Arte de Contar Histórias", no MAC Niterói; "Os muitos e o um - arte contemporânea brasileira na coleção de Andrea e José Olympio Pereira", com curadoria de Robert Storr, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Iberoamérica - Arte Moderno y Contemporáneo", no Museo Casa Diego Rivera, em Guanajuato, no México.
É uma das curadoras da mostra coletiva de pintura "Desassossego", na Galeria Estação, em São Paulo.
2017 - Recebe prêmio da Revista Bravo de "melhor exposição do ano" pela mostra "I love you baby" realizada no Instituto Tomie Ohtake. Tem um conjunto de quatro obras instaladas sobre papel de parede de sua autoria, no 7º andar do novo Sesc na rua 24 de Maio em São Paulo. Realiza a curadoria da mostra "A bela e a fera" na Galeria Central em São Paulo. Faz uma residência de 45 dias na cidade do Porto em Portugal, inaugurando em seguida a mostra "Espessura do Real" na Galeria Kubik.
Fonte: Leda Catunda. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Biografia – Itaú Cultural
Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003, defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásticas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.
Análise
Leda Catunda estuda artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap em São Paulo, de 1980 a 1984. Lá, assiste às aulas de Nelson Leirner (1932), Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003) e Walter Zanini (1925). Os professores aproximam-na de discussões sobre arte conceitual, o estatuto da obra, sua mercantilização e o uso de meios tecnológicos de produção. Na mesma época, interessa-se pela pintura neo-expressionista produzida na Europa e nos Estados Unidos por artistas como Julian Schnabel (1951), Sandro Chia (1946) e Francesco Clemente (1952). Segundo o crítico de arte Tadeu Chiarelli, em suas primeiras obras, Leda trabalha com questões críticas do debate conceitual, como os interesses plásticos dos neo-expressionistas.1 Em 1982, faz litografias em que se apropria de imagens televisivas, procedimento familiar à geração de seus professores. Ao mesmo tempo, pinta quadros realistas.
No ano seguinte, a pintura passa a ser central em sua poética. Trabalha sobre tecidos estampados, cobrindo as figuras com cor. Continua trabalhando sobre superfícies estampadas. Ao invés de cobrir as imagens, sua pintura as realça, como em Jaguar (1984). Realiza figurações a partir do agrupamento de objetos e suportes inusitados. Junta tecidos recortados, costura-os e sobrepõe elementos pouco usuais à pintura. As obras ficam entre a pintura e o objeto. A artista lida também com motivos figurativos presentes na cultura popular.
Paulatinamente, o interesse de seu trabalho migra do tema da figuração para as questões estruturais. Chiarelli, afirma que "em 1989 (...) Leda tenta redimensionar a sua produção, atentando mais precisamente para os seus aspectos visuais e plásticos, buscando com ímpeto desvencilhar-se do caráter anedótico e fortemente narrativo que caracteriza o seu trabalho anterior". Não abandona a figura; no entanto, concentra-se nas relações formais e na estruturação da tela a partir do uso de materiais não convencionais, como meias e camisetas.
Na década de 1990, aprofunda o interesse pela especificidade dos materiais com que trabalha. Cria superfícies pictóricas a partir da sobreposição de tecidos e outros meios planos e coloridos. Trabalha com elementos diferentes, como tule, veludo, plástico, acolchoados, lona, couro e fórmica. O modo de agrupá-los por vezes é abstrato. Em outros trabalhos, como os relevos, a composição guarda familiaridade com imagens recorrentes. Partem de motivos simples, como o desenho da lua, insetos, gotas e partes do corpo. Nesses trabalhos, feitos na segunda metade da década de 1990, aproxima-se das esculturas de Claes Oldenburg (1929).
Críticas
"(...) A originalidade de Leda está em seus materiais, em sua postura e em seu fazer. Ela pinta sobre suportes absolutamente não convencionais, muitas vezes aproveitando imagens neles preexistentes. (...) em vez de telas, há uma barraca de praia, o couro de poltronas desmontadas, toalhas de banho, edredons, rendões, cabeleiras postiças e até babadinhos de capa de liquidificador, transformados em telhados de casinhas, onde luzes se acendem. Um dos trabalhos mais provocativos é o das cabeleiras. Uma composição em negro, dramática, algo mórbido. Resulta de uma viagem da artista ao Japão e reproduz - com absoluta liberdade - o clima claustrofóbico das multidões do metrô de Tóquio. A figuração de Leda, que confessa não saber desenhar uma pessoa, é assumidamente meio canhestra, a não ser quando ela aproveita para colorir desenhos já estampados. Deve-se ler essa pintura com olhos de 1987, entendendo a arte como uma idéia vigorosa e pessoal, cuja força conta mais que a execução e a 'cozinha' da técnica. (...)" — Olívio Tavares de Araújo (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985:seu mercado, seus leilões. Prefácio Pietro Maria Bardi; Mino Carta. São Paulo: J. Louzada, 1984. p. 240).
"Numa época em que a pintura foi esquadrinhada, analisada, trabalhada no seu essencial, aparentemente esgotada na modernidade, como em projetos como o de Robert Ryman, Leda Catunda não elide nem busca sair pela tangente com relação à reificação da pintura, Catunda opera sua ironia. Suportes e superfície, tintas (gotas e pinceladas), cor - tudo está em colapso. A pintura reencontra seu sentido toda vez que um artista reinventa uma forma de pintar. Em sua paixão de pintar, Catunda escapa, na sua relação com a história da pintura, de algumas epidemias, tais como a epidemia das metáforas e a epidemia das citações. (...)
Em suma, sua pintura é paradoxal: persegue a realidade sem desistir da superfície sensual (...). Não pensa ter de escolher entre sentimento e pensamento (...). Sua pintura revela a base da natureza inumana em que o homem se instalou. A pintura de Leda Catunda se instala naquele território irrequieto e de problemática conciliação entre sentidos e razão" — Paulo Herkenhoff (CATUNDA, LEDA. Leda Catunda. Texto Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1996).
"Passados quase vinte anos de sua primeira grande aparição no circuito de arte paulistano e brasileiro, Leda Catunda se caracteriza hoje como uma artista que vem sabendo, como nunca, mesclar aos ensinamentos recebidos de seus professores na Faap, e à sua experiência como uma das artistas mais em evidência durante toda a década passada, um forte componente de inquietação diante das possibilidades da arte nos dias de hoje.
Ao invés de acomodar-se aos achados primeiros de sua carreira, ousou redimensionar o devir de sua obra em direção a um aprofundamento extremamente particular da pintura, enquanto instituição e enquanto modalidade sensível de conhecimento do mundo. Para isso, valeu-se da introdução, nesse campo, de procedimentos tradicionalmente alheios a ele, fato que determinou sua singularidade no âmbito das artes visuais no país.
Ainda em pleno processo de ampliação e sedimentação de sua poética, a duras penas resgatada das marchas e desvios abruptos que marcaram sua carreira no final da década passada e início desta, a artista Leda Catunda, no entanto, já demonstra ter alcançado um endereçamento definitivo para sua obra, enfatizando e ampliando os limites da pintura ainda enquanto instrumento de indagação sobre a forma e sobre a percepção do mundo" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Problematizando a natureza da pintura. In: LEDA Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. p. 29).
Exposições Individuais
1985
- Thomas Cohn Arte Contemporânea Rio de Janeiro/RJ
1986
- Espaço Investigação, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Porto Alegre/RS
1987
- Galeria Luisa Strina São Paulo/SP
1988
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ
1990
- Museu de Arte Contemporânea de Americana, Americana/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Pasárgada Arte Contemporânea, Recife/PE
1992
- Centro Cultural São Paulo/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa/Portugal
1993
- Módulo Centro Difusor de Arte, Porto/Portugal
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ- Pulitzer Art Gallery, Amsterdã/Holanda
1994
- Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos/SP
1996
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1997
- Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
1998
- Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1999
- Paço das Artes, São Paulo/SP
2000
- Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte/MG
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
- Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria/ES
2001
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR
2002
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
2003
- Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
- Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires/Argentina
- Centro Cultural São Paulo, São Paulo/SP
- Anual da Faap, artista convidada, São Paulo/SP
2004
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
2005
- Galeria Alberto Sendros, Buenos Aires/Argentina
- Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP
2006
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Marina Potrich, Goiania/GO
2007
- Dragão do Mar, Mac de Fortaleza/CE
- Galeria Arte 21, Rio de Janeiro /RJ
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2008
- Galeria 111, Lisboa/Portugal
2009
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Estacão Pinacoteca, São Paulo/SP
2011
- Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria Paulo Darzé, Salvador/BA
2012
- Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires, Argentina
2013
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
- Museu Oscar Niemeyer - MON, Curitiba/PR
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM, Rio de Janeiro/RJ
2014
- Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus/USA
- Pintura como meio - 30 anos depois, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- Inventário da Paixão, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro/RJ
- Diálogos com Palatnik, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Autoria, curadoria, reforma e contra-reforma, Estúdio Alvaro Razuk, São Paulo/SP
2015
- Leda Catunda e o gosto dos outros, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Leda Catunda - Seleção de obras de 1985 a 2015, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza/CE
- Leda Catunda - Projeto Night Club, Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2016
- Leda Catunda - I love you baby, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2017
- Leda Catunda - Kubik Galeria, Porto / Portugal
2019
- Paisagem moderna, Projeto parede, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2021
Fuera de serie - MALBA Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires / Argentina
Exposições Coletivas
1983
- Pintura como Meio, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- XVII Bienal Internacional de São Paulo, Vídeo Texto, São Paulo /SP
1984
- ARCO, Thomas Cohn Arte Contemporânea, Madrid/ Espanha
- Leda, Sérgio, Ciro, Leonilson, Galeria Luisa Strina, São Paulo/SP
- I Bienal de Havana, Havana/Cuba
- Geração 80, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ
1985
- Nueva Pintura Brasileña, CAYC, Buenos Aires/Argentina
- XVIII Bienal Internacional de São Paulo/SP
- Today’s Art of Brasil, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo/Japão
1986
- Transvanguarda e Culturas Nacionais, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ
- El Escrete Volador, Guadalajara/México
- Brazilian Painting, Snug Harbor Cultural Center New York/EUA
1987
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de Paris/França
- Imagem de Segunda Geração, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
1988
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Dimensão Planar, Funarte, Rio de Janeiro/RJ
1989
- Arte Híbrida, Funarte Rio de Janeiro, MAM de São Paulo, Espaço Cultural BFB Porto Alegre
- U-ABC, Stedelijk Museum Amsterdam/Holanda
- Panorana da Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1990
- U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa/Portugal
- Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília, Brasília/DF
1991
- Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo/Suécia
- Mito y Magia, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey/México
- Brasil La Nueva Generacion, Museu de Belas Artes de Caracas/Venezuela
1992
- Entretrópicos, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas/Venezuela
- Um olhar sobre o figurativo, Galeria Casa Triângulo, São Paulo/SP
- Artistas Latinoamericanos del Siglo XX, Estación Plaza de Armas, Sevilla/Espanha
1993
- Lateinamerikanische Kunst, Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia/Alemanha
- Latin American Artists of the Twentieth Century, Museum of Modern Art, New York/EUA
- De Rio a Rio, Galeria OMR, Cidade do México/México
- Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington DC/EUA
- A Presença do Ready Made, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
1994
- Pequeño Formato Latino Americano, Galeria Luigi Marrozini, San Juan/Porto Rico
- Bienal Brasil Século XX, Fundação Bienal, São Paulo/SP
- XXII Bienal Internacional de São Paulo/SP
1995
- Havana - São Paulo, Lunge Kunst aus Lateinamerica, Haus der Kulturen der Welt, Berlin/Alemanha
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, Milwaukee Art Museum/EUA Phoenix Art Museum, Denver Art Museum/ EUA
- A Infância Perversa, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ
1996
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, National Museum of Women in the Art, Washington D.C., Center for the Fine Arts, Miami/EUA
- Contrapartida, Kunstspeicher, Potsdam/ Alemanha
- Artistas Contemporâneos Brasileiros, Bayer, Leverkusen e Dormagen / Alemanha, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1997
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ Museu de Arte Moderna da Bahia/BA
- Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- ES 97 Tijuana, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México / México
- Material Immaterial, The Art Gallery of New South Wales, Sydney/Austrália
- Experiências e Perspectivas, Museu Casa dos Contos, Ouro Preto/MG
- Brasil - Reflexão 97, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba/PR
1998
- Galeria Kolams, Belo Horizonte/MG
- Anos 80, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia/Go
- Der Brasilianische Blick, Haus der Kulturen der Welt, Berlim/Alemanha
- O Moderno e o Contemporâneo, Coleção Gilberto Chateaubriand, MASP, São Paulo/SP
1999
- Cotidiano/Arte: Objeto - Anos 90, Instituto Cultural Itaú, São Paulo /SP
- Artistas do Festival, MAC Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre/RS
- O Brasil no Século da Arte, A Coleção MAC USP, Galeria de Arte do SESI, São Paulo /SP
2000
- Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500, Fundação Bienal de São Paulo/SP
- III Semana Fernando Furlaneto, São João da Boa Vista/SP
- O Século das Mulheres, Algumas Artistas, Casa de Petrópolis, Petrópolis/RJ
- Obra Nova, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
2001
- Signs of life, Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Inventário Poético, Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- O Espírito da Nossa Época, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Trajetória da Luz, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Bienal do Mercosul, Porto Alegre/RS
2002
- Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP, Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos/SP
- Mapa do Agora, Instituto Tomie Othake, São Paulo/SP
- Ares&pensares, Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
2003
- Pele e Alma, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti, Aria Arte Contemporânea, Recife/PE
- "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2004
- Still Life, Museu de Arte Contemporânea, USP - Fiesp, São Paulo/SP
- Geração 80, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro/RJ
- Heterodoxia, Memorial da América Latina, São Paulo/SP
2005
- Homoludens, Instituto Cultural Itaú, São Paulo/SP
- Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2006
- Manobras Radicais, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Volpi Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- Fortes Vilaça na Choque Cultural, Galeria Choque Cultural, São Paulo/SP
- Padrões e padronagens, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- Mam na Oca, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP
2007
- Itaú Contemporâneo, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Intimidades, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- 80/90 Modernos Pós Modernos etc, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2008
- Poética da percepção, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR
- Desenho em todos os sentidos, Sesc Petrópolis/RJ
- HAPTIC, Tokyo Wonder Site, Tokyo/Japão
2009
- Memorial Revisitado, 20 anos, Memorial da America Latina, São Paulo /SP
2010
- Artista Convidada, Salão de Artes de Itajaí/SC
2011
- Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorano, Belém/PA
- “Beuys e bem além: Ensinar como arte” Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Carmela Gross, Jac Leirner e Jorge Macchi, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
2012
- Leonilson, Sob o peso dos meus amores, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/RS
- Exercícios de olhar, Museu Lasar Segall, São Paulo/SP
2013
- Tomie Ohtake: Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo /SP
- Mitologias por procuração, Museu de Arte Moderna de São Paulo /SP
- Sobrenatural, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP
2014
- Pintura como Meio - 30 anos, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/SP
- Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center, Columbus/EUA
2015
- Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, Galerie Maximillian, Aspen/USA
- No Sound, Anexo Galeria Millan, São Paulo/SP
- Quando eu piso em folhas secas, Sala de Arte Santander, São Paulo/SP
- Espírito Oitenta, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES
- Geração 80, Ousadia & Afirmação, Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba/PR
2016
- Tertúlia, Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo/SP
- Aprendendo com Dorival Caymmi, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Clube de Gravura: 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Os muitos e o um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Auroras - pequenas pinturas, Auroras, São Paulo/SP
2017
- Metrópole: Experiência Paulistana, Pina Estação, São Paulo/SP
- Tão diferentes, tão atraentes, Galeria Carbono, São Paulo/SP
- Troposphere: China-Brazil Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, China
- Historias da Sexualidade, MASP, São Paulo/SP
2018
- Jardim das delicias com juízo final, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro/RJ
- Transformers, Auroras , São Paulo/SP
- O maravilhamento das coisas, Galeria Sancovsky, São Paulo/SP
- Alcides/Leda, Onde estamos e para onde vamos, Galeria Estação, São Paulo/SP
- 33a. Bienal de São Paulo/SP
2019
- Perdona que no te crea, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Colapso, Galeria Athena, Rio de Janeiro/RJ
- O pequeno colecionador, Carbono Galeria, São Paulo/SP
- Artista, substantivo no feminino, ArteEdições Galeria, São Paulo/SP
2020
- Cities in Dust, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Bienal Naifs, SESC Piracicaba/SP
- Casa Carioca, MAR Museu de Arte do Rio /RJ
- Já estava assim quando eu cheguei, Galeria Ron Mandos, Amsterdã/Holanda
2021
- Entretecido/Interlace, Galerias Municipais, Lisboa/Portugal
- Sobressalto, CAA Centro de artes de Agueda, Portugal
- Semana de 21, Instituto Artium, São Paulo, SP
- Dizer não, Galpão 397, São Paulo, SP
- Os monstros de babaloo, FDAG, São Paulo, SP
- A máquina do mundo - Arte e indústria no Brasil, Pinacoteca Luz, São Paulo, SP
Coleções públicas
- Museu Oscar Niemeyer, Curitiba - MON
- Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP
- Museu de Arte de São Paulo - MASP
- Stedelijk Museum Amsterdam
- Museu de Arte de Brasília - MAB
- Museu de Arte Contemporânea de Americana - MACA
- Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM
- Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM
- Fundação Padre Anchieta, São Paulo
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Coleção Gilberto Chateaubriand) - MAM
- Acervo Contemporâneo UFF , Niterói
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói
- Centro Wilfredo Lam, Havana
- Casa das Artes Miguel Dutra, Piracicaba
- Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Pinacoteca Municipal de São Paulo
- Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP
- Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC
- Casa das Onze Janelas, Belém do Pará
- Fundación ARCO, Santiago de Compostela
- Toyota Municipal Museum of Art
- Centro Cultural UFG, Goiânia/GO
Prêmios
1990 - Aquisição, Prêmio Brasília de Artes Plásticas/DF
2017 - Melhor exposição do ano, Revista Bravo
Fonte: LEDA Catunda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Filha de Vera Catunda Serra, arquiteta e paisagista, e de Geraldo Serra Gomes, também arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Leda Catunda é também sobrinha-neta do matemático Omar Catunda e da compositora Eunice Catunda.
Graduou-se em artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde estudou, entre 1980 e 1984, tendo como mestres Regina Silveira, Júlio Plaza, Nelson Leirner e Walter Zanini, entre outros. Tem então seus primeiros contatos com a arte conceitual, manifesta em suas primeiras litografias. Inicia-se no circuito artístico nessa mesma época, por intermédio de Aracy Amaral, crítica de arte e então diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP, que divulga seu trabalho ao lado dos igualmente estreantes Sérgio Romagnolo (com quem foi casada por um período), Ana Maria Tavares, Ciro Cozzolino e Sergio Niculitchef, na exposição Pintura como meio, ocorrida em 1983.
Integrou a famosa exposição Como Vai Você, Geração 80?, sediada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. Ganhou destaque nacional após a mostra, estampando as capas de revistas e jornais, despertando a atenção tanto da crítica especializada em função da contestação que suas obras exprimiam em relação à arte conceitual dos anos setenta.
Leda Catunda esteve entre os principais expoentes da assim chamada Geração 80, apoiando o movimento de revalorização da pintura frente às tendências conceituais da década anterior. Expôs na XVII Bienal Internacional de São Paulo, ainda em 1983, apresentando um videotexto. Apresentou-se também na I Bienal de Havana, em Cuba, em 1984, voltando a expor na Bienal de São Paulo, em 1985, além de outras grandes mostras coletivas, como Modernidade (Paris, 1987). Atua também na academia: em 1986, passou a lecionar tanto na FAAP quanto em seu ateliê, permanecendo na função até meados dos anos noventa. Paralelamente, ministrou cursos livres e workshops em diversas instituições do país e também no exterior. Em 1990, venceu o "Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal", na categoria aquisição.
A princípio, sua produção pictórica explora os limites entre a pintura e o objeto, não isenta de referências à pop art, em que pesam o uso de volumes estofados à maneira de Claes Olden e as composições neoconcretistas de Lygia Pape. Seus trabalhos da década de oitenta possuem um forte traço descritivo e caricatural, destacando-se pela atenção dispensada às texturas e superfícies dos materiais industrializados, aos quais a artista adiciona acabamento em técnica artesanal, almejando realçar a particularidade e originalidade de cada peça.
Na década de 90, eliminou as narrativas em favor das composições geométricas, em uma produção mais "limpa" em termos de cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantem o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008.
Doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, sob orientação de Júlio Plaza. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Em 1998 a editora Cosac & Naify publicou o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Conversa com Leda Catunda – Gravura Contemporânea
LEDA CATUNDA: Eu sou paulista, estudei na FAAP, meus pais são arquitetos. Isso marcou muito a minha formação porque cresci indo a muitas exposições, a todas as bienais. E quando chegou a hora de escolher o que eu queria ser achei que artes plásticas era um campo bom. Também quis ser cantora, atriz – hoje eu agradeço aos céus porque já acho tão difícil ser artista plástica, e cantora ou atriz é bem mais difícil.
O primeiro trabalho que eu apresentei no MAC em 1983, vinha de uma série de imagens que chamei de Vedações (ainda estava na faculdade, mas acho interessante mostrar). Vedação é um procedimento que eu escolhi, de apagar imagens. Escolhi pois na faculdade tinha muitas aulas de desenho – quase insuportáveis –, e eu sempre me esforçava com aquele lápis 2B, 4B, 6B, papel canson. E, quando mostrava, o professor falava: “Você ainda não chegou lá….”. Eu falei: “Não vou mais desenhar, o mundo inteiro está desenhado. Não vou ficar aqui ralando. Vou tirar fotos”. Depois eu continuei a desenhar.
Mas desde o início, no trabalho, pensei em fazer a apropriação de imagens prontas e isso é a principal linha que mantenho até agora. Sempre me apropriando de imagens que surgem em estampas, em roupas, em tecidos em geral, pois foi o que eu achei que funcionava melhor para pintar. O que estávamos tentando fazer na época era um tipo de pintura conceitual. Eu, a Ana Tavares, o Sergio Romagnolo e mais algumas pessoas da FAAP, a Jac (Leirner) e a Mônica Nador. Um tipo de retorno à pintura, ou na verdade um retorno ao uso da tinta, uma vez que esses primeiros trabalhos que eu realizava não eram exatamente pintura em tela. Eu escolhi as tintas industriais de cores mais toscas, e adotei um procedimento meio mecânico.
Havia imagens já impressas nessas estampas, pequenos desenhos. Uns eu deixava aparecendo, outros não, e dessas imagens pequenas encontradas nas estampas passei para outras um pouco maiores que encontrei em toalhas de banho; e assim meu trabalho foi enveredando para “cama, mesa e banho”. Essas imagens têm um gosto especial. O procedimento de pintura que adotei não era o de uma pintura de representação, eu estava sendo fiel à atitude de vedar. Depois, procurando outros materiais, encontrei texturas, como os pelos que usei para fazer dois gatos (Xica, a gata/Jonas, o gato, 1984), cujos olhos acendiam. E acabei me apropriando de vários objetos que vinham com as estampas. Comecei também a assimilar o significado disso, do objeto. No começo eu estava interessada só na imagem, mas então umas pessoas falavam: “Ah!! Umas toalhas!”, e eu percebi que não podia escapar do objeto em si. Assim fui assimilando outros objetos, como, por exemplo, um colchão (Paisagem com lago, 1984). Eu estava interessada na textura do céu que já vinha impressa ali. Depois cavuquei, criando um lago. E virou uma paisagem de sonho, à medida que ela acontece num colchão.
Havia um cobertor (A praça, 1985), que já tinha uma estrutura. Eu aproveitei as bordas do cobertor e fiz um tipo de moldura. Assim, fica sempre um misto do que eu ponho de tinta com a imagem que está embaixo. Isso foi nos anos 1980.
A questão do gosto é um assunto que sempre me interessou. Há um comentário entre o camp e o kitsch nos trabalhos a partir do uso das imagens contidas nos materiais, da natureza da sua fabricação, da ideologia em torno da qual gira o gosto da indústria ou da sociedade que produz tais materiais. Ou, ainda, o significado subjetivo que esses artefatos adquirem na nossa vida. Porque, à medida que decidi que não desenharia e utilizaria imagens prontas, eu uso o que encontro, mais ou menos de gosto popular, porque é o que está à venda nas lojas.
Eu gosto da definição do Abraham Moles segundo a qual o kitsch está ligado a um novo tipo de relação entre o ser e as coisas, um novo sistema estético ligado à emergência da classe média e da civilização de massa, que só reforça os traços dessa classe. E aqui o termo beleza não tem sentido – não é nenhum belo platônico, nem o feio: é o imediato, é o aspecto dominante da vida estética cotidiana.
Essa questão não está presente só nas imagens que eu utilizo, mas os trabalhos ficam com uma cara de um gosto um pouco exagerado. Ficam um pouco cafonas. Assim como no trabalho mais cafona que já fiz, chamado Paisagem da estrada (1987), em que apareciam umas casinhas que eu via no caminho para a praia nas montanhas da Tamoios. E pensava: “Quem mora naquelas casinhas?”. E tinha as luzinhas, e eu pus as luzinhas também, é um trabalho que acende. Usei nos telhados e na janelinha aquelas roupinhas de liquidificador que são uma referência ao kitsch, o conjuntinho para o liquidificador, o botijão, máquina de lavar e que se pode comprar em cores diferentes e ir trocando conforme chega o inverno e seus aparelhos ficam com frio.
Eu acho interessante a questão do uso da imagem, na nossa cultura, e nesse contexto as pessoas se apegam às imagens que surgem em coleções, em personagens, em coisas da moda.
Agora eu estou mudando todo o trabalho. Estou elaborando imagens do universo dos esportes. Acho incríveis, principalmente na Copa do Mundo, aquelas camisetas com design superelaborado. Futebol é um esporte que dá muito dinheiro, então eles investem no design e na tecnologia do tecido. Você sua, e nem parece que suou. Secam rápido e têm cortes incríveis.
Eu me interesso pelo gosto popular pelas imagens e como essas imagens são importantes culturalmente.
Depois de trabalhar, nos anos 1980, com imagens mais anedóticas, digamos assim, de um universo meio infantil, fiz alguns trabalhos mais abstratos. Ainda tem a questão do material, mas com menos importância. Eu fiz os gatos, depois fiz umas onças. Enveredei para outros tipos de imagens, nas quais a questão do material ainda importava bastante, mas não são tão narrativas como as que eu usava nos anos 1980.
As Duas bocas (1994) são de lona pintada, e há uma parte de um veludo vermelho que cai, formando o desenho das bocas. E tem também O fígado (1990), que tem uma circunferência de 2,60 metros de pelúcia, cheia de tinta. E há uma rodelinha de fórmica no chão, que contrasta um pouco. Também me interessei pela cor da fórmica, essas coisas industriais, ”ready made”. São apropriáveis e estão à disposição.
Na época em que eu fiz o doutorado, o meu orientador falou “Você tem de incluir o Dali!”. E eu falei: “Eu não vou incluir o Dali, ele não tem nada a ver!”. Ele falou “Ele derreteu as formas”. Na época eu estava falando sobre pinturas moles ou pinturas macias. E fiquei besta quando li as entrevistas do Dali, as teorias, e realmente eu me rendi às imagens com esses moles.
Outra referência para o meu trabalho são as formas arredondadas da Tarsila, e mesmo o jeito como ela pinta, com aquele degradezinho, fazendo relevos, é um estilo com o qual me identifico bastante, o tipo de natureza brasuca caipira, bem forte na nossa cultura.
Depois eu enxerguei no Oldenburg outro tipo de amolecimento de objetos. É uma coisa sem fim, porque tanto para o Oldenburg como para o Robert Morris, que é um salto total, está a questão da gravidade, do peso do material, da formação da imagem pela força da gravidade.
São assuntos que vieram do meu doutorado, mas que acho interessante relacionar, pois os trabalhos não surgem avulsos no mundo, eles surgem de algum lugar.
Depois, eu fui ver os artistas mais próximos. O Antonio Dias, além daquela carne toda aveludada, em volta do quadro ele bota uma tripa recheada. Eu falei para ele: “Antonio, eu vou usar isto aqui!”. Estou usando e fiz vários trabalhos com esse negócio porque eu achava muito bacana o trabalho ficar preso numa coisa fofinha.
Depois o Nelson Leirner, que foi meu professor e tinha um trabalho em que ele colocava um zíper (Homenagem a Fontana II, 1967). Na época a gente estudava na FAAP, podia ir à Pinacoteca, e eu ia todo final de semana porque podia mexer no trabalho. Agora não pode mais tocar, tem uma caixa de acrílico, virou uma coisa historicizada, totalmente sem motivo. Eu ficava abrindo e fechando esses zíperes, achava superinteressante essa pintura que tinha coisas por baixo.
Depois tem uma serie de referências do mundo, que são essas coleções de plantinhas. As plantinhas eu vejo na pintura da Tarsila, porque ela faz umas paisagens grandes, mas as plantinhas são as suculentas. No meu trabalho, parece que há plantas em miniatura, plantas de brinquedo ou vegetação de desenho animado. Eu gostava muito daquelas do Maurício de Sousa, da Mônica, sempre tinha uma pedra e umas gramas. Outra referência são as mórulas. Mórula é aquela primeira repartição das células no momento da fecundação, que em latim quer dizer amora; um tipo de imagem feita de agrupamentos.
Em determinado momento, eu comecei a introduzir fotografias nos meus trabalhos. Em geral, se tem foto no trabalho, é foto minha, pois eu acho um pouco difícil usar o olho de outro fotógrafo.
Já em Línguas verdes II, de 1995, nessa mesma sequência de referências orgânicas de línguas, têm um procedimento semelhante ao de trabalhos de 1980; são estampas apropriadas e recobertas de verde. De perto, além do teatro que é a própria obra, com essas línguas vindo para a frente, pode-se reconhecer a estampa de algo familiar. É a questão da apropriação, do uso de coisas do mundo, disponíveis a todos. Sempre ouvi comentários como: “Ah, eu tenho uma roupa com esse pano”, “Minha tia tem esse sofá”. E o pior de todos: “Minha tia tem uma colcha horrível, é a sua cara!”.
Outra referência são os insetos, cuja estrutura me serviu para fazer coisas com volume. Fiz algumas moscas em épocas diferentes; uma roxinha, em 1994, e uma preta, que, embaixo, tem vinte asas branquinhas. Eu acho esse o momento mais escultórico do meu trabalho.
Outra referência é a casa. Um trabalho é feito de almofadas (Almofadas azuis, 1992); outro, de uma uma cortina que tem a própria estrutura da janela (A janela II, 1987).
Essas pinturas surgem de registros em aquarela. Da aquarela eu faço modelos em papel de seda, e depois em lona. Normalmente tem uma engenharia.
Além das pinturas, há também colagens grandes, onde eu realmente experimento. Elas não têm uma hierarquia, vão acontecendo com os restos do ateliê e muitas vezes nessas “colagenzonas” chego também a imagens que me interessam e que depois eu transponho.
A apropriação mais louca que eu já fiz foi de um trabalho do Düher, por quem eu tinha fascinação, digitalizado e impresso a partir de um livro de história. Ele fez uma viagem da Alemanha para a Itália só para construir essas tábuas, que hoje estão no Prado, ilustrando como fazer a figura do homem e da mulher. Eu me questiono se o trabalho é bom ou se Düher é bom, pois é muito difícil usar uma imagem de outro artista.
Alguns trabalhos funcionam como uma instalação, como um que realizei na sala redonda do Maria Antônia. Fiz o trabalho para sair da parede e escorrer pelo chão, são vinte e duas partes de veludo. O entrelaçamento, eu comecei a fazer esticando a tela no chassi e deixando buracos para ir rompendo a estrutura da pintura. Depois eu tentei fazer a estrutura ficar orgânica, e com a ajuda de um designer fiz os chassis. Demorei dois anos para fazer esse trabalho, e já tinha uma paisagem ao fundo, uma foto de Aiuruoca, em Minas Gerais. E quando ele já estava pronto achei que estavam faltando as pessoas. Foi quando comecei a pensar nelas como estampa. Existem essas revistas com milhões de pessoas que não conhecemos e mesmo assim olhamos a revista inteira.
As pessoas foram usadas depois, em outras situações. São conhecidos, pois não posso usar imagens sem autorização. Tive de consultar cada um. E quando ficou muito difícil eu enfileirei os alunos e falei “fiquem aí”. Então, tem muitos alunos. O Nelson Leirner, também professor, deve estar no meio, também o Nuno Ramos. Esse trabalho realmente tem muitos amigos – e essa ideia das pessoas como estampa. Muita gente para na frente do trabalho e comenta: “Aquela parece a sua tia”.
As fotos de animais ocupam o mesmo lugar que eu chamo de gosto. De como construímos o nosso entorno. Os animais de estimação e os de fábulas, a galinha boa, o porquinho mau.
As fotos de lugares típicos, dos quais o Brasil é cheio, têm a mesma mágica. Eu viajei por muitos lugares, Recife, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, para fazer essa coleção de imagens. Também associo essas imagens à questão do conforto. De a pessoa trabalhar muito, juntar dinheiro, pagar em dez vezes no cartão de crédito e ir para um lugar assim por sete dias.
Eu fiz o Katrina (2009), espalhando as partes na parede, pois fiquei impressionada com uma imagem que o Al Gore usou no documentário, no qual ele diz que precisamos resfriar o planeta. E mostra o Katrina chegando ao golfo do México, recebendo o vapor gigante e indo para Nova Orleans. Uma imagem incrível feita por satélite.
Uma francesa falou para mim: “É muito alegre isso aqui para ser um furacón, não é?”. Mas o furacão não é bom ou mau; é um fenômeno. A obsessão pela ecologia é um pouco esquizofrênica, pois estamos num planeta, no universo, e não temos a menor ideia do que estamos fazendo aqui. E vamos dizer: “Não, somos nós que estamos esquentando tudo”. E se o Sol estiver mais perto?
CARLOS EDUARDO RICCIOPPO: Leda, para pensar algumas questões sobre o seu trabalho, eu diria que a ideia de expressão e a ideia de pop vêm juntas desde o começo na sua obra.
Pensando sobre as Vedações, e eu gosto especialmente da Vedação em quadrinhos, que acho que é de 1983, com setenta toalhas pequenas e algumas se repetem…
LC: São personagens da Hannah Barbera e do Maurício de Sousa.
CER: Em um detalhe da obra, dá para ver o Pernalonga repetido várias vezes, algumas vezes só a cenoura, outras vezes ele mesmo. Algo que eu acho muito bom nesses trabalhos é o fato de os gestos de cobertura não parecerem expressivos em si. Apesar de você cobrir a superfície toda com tinta de um modo muito irregular, ou de modo evidentemente manual, há algo de automático nas pinceladas. Me parece que essa pintura de vedação poderia fazer o contraponto com as imagens fabricadas industrialmente que aparecem nas toalhas. Me parece que essa cobertura é mais expressiva ao passo que se contrapõe a essas imagens muito coloridas, muito vibrantes, que se repetem.
LC: É uma cor só. Na verdade, se chegar perto tem umas pinceladas e tudo, mas a única expressão que eu esperava desse gesto é talvez um pouco agressiva, como o poder do artista, no caso, de cobrir partes e deixar às vezes meio personagem pendurado. Principalmente naquelas estampas pequenas tem esse gesto de “olha, tem uma coisa aqui, mas vocês não vão enxergar”. Mas isso oscila até áreas que eu contorno com mais capricho. Porém é tudo uma relação minha com o objeto, e isso parte desde o início, da escolha do objeto. Nessa hora descobri que teria de costurar Sempre me perguntam se alguém costura para mim. Não, eu costuro.
CER: Seguindo o seu raciocínio, tem uma coisa que me agrada nesse trabalho que é o fato de ser possível identificar as várias toalhinhas, as setenta toalhas; há uma repetição nessas toalhas. Tem alguma coisa de construção que é evidente, mas ao mesmo tempo é negada pela forma meio cambaleante que isso adquire quando colocado na parede.
LC: São os primeiros trabalhos. Eu não tinha muita experiência sobre o comportamento do material e surgiu essa ideia mais pragmática de recobrir com tinta industrial. Não havia a necessidade de usar uma tinta boa, e eu tinha a noção de que isso funcionaria. Como, de fato, fiquei muito contente de ver o resultado na retrospectiva.
CER: Quando eu olho esses trabalhos, me parece que é quase uma pintura monocromática convivendo com uma figuração pobre, quase uma negação de pintura, mas ao mesmo tempo uma negação dessa imagem. Ao mesmo tempo, pelo fato de ser monocromática ou mais ou menos monocromática, ela faz com que os elementos dessa cultura industrial fiquem muito mais vibrantes, no fim das contas.
LC: Sim, pois quando eles são repetidos na indústria eles ficam meio pasteurizados. Na rua 25 de março, não se vê nada porque tudo é revestido de tudo. E aqui eles ficam um pouco separados, essa é uma das minhas intenções.
Sobre o caráter pop, quando eu estudava História da Arte, o pop sempre me pareceu a melhor ideia que já tinham tido. Eu me identifiquei, e me identifico até hoje, com a atitude do Robert Rauschenberg, do Jasper Jones e depois do Andy Warhol, de pegar o mundo de frente. Isso é uma coisa que me estimula muito. Como eu falei sobre as camisetas da Copa do Mundo, não posso fingir que não estou vendo aquilo, é completamente incrível visualmente, tem um apelo.
CER: Uma coisa que me agrada, não só nesses trabalhos, mas também na Onça pintada e nos trabalhos que contém imagens ”já prontas” de desenhos animados ou histórias em quadrinhos e naqueles que contém logomarcas e logotipos, é o fato de que essas imagens se apresentam para o seu trabalho já um tanto ”corrompidas”, por assim dizer; essas imagens precisam ser capazes de se abstrair para se tornarem mais ”circuláveis”, mas o que ocorre no seu trabalho é que ele não busca esses ”materiais” na pureza ou na qualidade máxima que eles poderiam ter ou quereriam ter. Eles aparecem nos seus trabalhos já impressos em materiais de baixa qualidade ou em materiais de uso cotidiano. Acho que isso de algum modo traz para o seu trabalho um pensamento sobre a cultura que está em jogo, que talvez ou talvez não seja uma cultura exatamente pop, uma cultura completamente fria…
LC: Meus pais eram arquitetos, modernos, e a minha casa era clean, mas a minha avó não era. Essa avó, que costurava, tinha a roupinha do liquidificador, do botijão e da máquina de lavar, um conjunto. E aquilo tinha de ser levado a sério, porque era avó, merecia respeito. E no banheiro também havia tapetinho redondo peludo, em volta do vaso sanitário e do bidê, e o vaso tinha uma capinha; o top era aquele chapeuzinho muito enfeitado do papel higiênico. O papel higiênico era o personagem principal! E eu questionava aquilo porque a minha casa era super clean, era toda de vidro e concreto, objetos do Geraldo de Barros. Tudo de design funcional. Como minha avó morava em Campinas, a entrada da casa tinha aquele caminhozinho, as rosas, ela criava galinhas, eu concluí que o universo tinha duas lógicas e elas eram muito diferentes. Eu tinha muito amor por essa avó, a gente ia à missa, ela me fazia ver certos filmes, me vestia com vestidos de crochê. Isso dava um contraste com Van der Rohe. Como eu fui criada assim, para mim são fascinantes os mitos que as imagens carregam. Não só os mitos bregas, mas também os mitos modernos.
CER: Acho que isso é inegável, porque o trabalho tem uma referência culta a uma série de movimentos, a uma série de momentos da história da arte recente. Mas me agrada a ideia de que esse elemento pop, essa cultura pop já vem entrando no seu trabalho pelo material que você utiliza… Mas uma outra questão que eu gostaria de levantar diz respeito à presença de um universo feminino em seu trabalho. Lendo uma entrevista do Leonilson, ele comenta que não vê nada de feminino em seu trabalho. Se não me engano, ele afirma que você trabalha com peso, quando lida com tecidos e todo tipo de material que, à primeira vista, refere-se a um universo feminino. Eu acho que essa é uma boa leitura, pelo menos uma boa provocação a respeito do feminino no seu trabalho. Para mim, o seu trabalho é chamativo, é feito de cores vibrantes, não possui o caráter intimista que responderia àquele clichê feminino…
LC: Isso já me causou muitos problemas; até hoje tem gente que me chama de musa, de princesinha. Saiu na capa da Veja, a ”Princesinha das artes”. Outros artistas mais velhos fizeram comentários que não têm nada a ver com a minha pessoa. Mas tenho de suportar esse assunto: sou mulher, e então o meu trabalho é feminino também. Eu encaro esse comentário de forma pejorativa. Fico paranoica e estou criando minhas filhas paranoicas também, porque acho complicada a questão da mulher. No mundo e nas artes também.
Mas eu aceito o comentário, trabalho com tecidos e com costura, fazeres associados à mulher. Então, sim, tem um caráter feminino, mas há também muitas outras coisas.
CER: Eu falei da questão do peso nos seus trabalhos porque parece importante, em todo o seu trabalho, como ele se comporta com relação à parede, ou para fazer analogia, com relação à pintura. Parece que ele é sempre definido com relação à parede, essa ideia de que as coisas pendem da parede para baixo, coisa que ocorre em trabalhos como Siameses (1998).
LC: É, aqueles rios surgem desde as Vedações com a intenção de sair do plano. Isso ficou muito exagerado nos anos 1990, quando eu praticamente só fiz trabalhos recheados. Mas depois comecei a usar a sobreposição para fazer esses volumes e gerar esse caimento. Eu estou interessada na questão do volume, na coisa que cai.
CER: Me parece que é um trabalho que defende o momento em que o trabalho sai da parede e ganha o espaço. Parece que ele cai mesmo, pende para baixo de algum modo. Eu acho isso importante. Ele sai pela força da gravidade ou por meio de um peso, de uma aceleração em direção ao chão. Eles ganham o espaço, mas nunca deixam de se oferecer como imagens bidimensionais. Têm uma ambiguidade de ser uma pintura ou um objeto, de ser pendentes da parede, há uma bipersonalidade imediata em todos os trabalhos desse conjunto.
LC: Eu cheguei a pensar no espaço positivo regular, essa parede branca, e como as pessoas chegam para ver as pinturas, normalmente planas. E tive vontade de que as pinturas chegassem um pouquinho mais perto das pessoas. Eu acho que tem uma característica que é humana, acho que o Oldenburg faz isso também, quando aqueles objetos da vida prática se agigantam e amolecem; eles perdem a sua função da vida prática e ficam um pouco parecidos com a gente, fofos. Eu fiz uns cabelos também.
CER: Aquelas perucas (Multidão,1987). Eu vejo algo disso também nos Insetos.
LC: Tem uma ambiguidade no trabalho entre o volume que ele apresenta e a imagem. As imagens são sempre quase que simplificadas, são desenhos mais ou menos diretos.
CER: Vendo muitos desses trabalhos juntos na exposição da Pinacoteca, os pequenininhos todos juntos, de longe pareciam imagens, de fato, de alguma coisa. Têm esse caráter de parecer com a imagem, a imagem do insetinho. Tem um desenho, uma forma, mas quando você chega perto vê uma aglomeração de materiais e essa “repintura” em cima da forma do objeto que já existe.
LC: Muitas vezes a pintura tem uma função gráfica, apenas de reforçar a forma, sem função de expressão.
CER: Me parece que tem um caráter de colagem, um caráter de montagem nesses objetos. E a pintura entra para juntar as coisas.
LC: É quase um sacrilégio chamar de pintura, porque é praticamente só uma tinta.
CER: Eu estava dizendo que me parece que a pintura não tem a reivindicação da pintura como expressão.
LC: A construção sobressai sobre a pintura. É uma pintura que junta as partes, que liga tudo. É o raciocínio inicial que permaneceu assim até agora.
CER: Outro tema recorrente, sobretudo nas suas colagens, aquelas colagens enormes, parecia que havia uma ideia de recriar um mundo. E você citou a Tarsila, mas, diferentemente dela, não tem nada de originário ou de mítico, parece que são feitos com biribinha, paçoquinha, parece que esses elementos todos vão se aglutinando.
LC: Agora que eu estou fazendo trabalhos com futebol, as colagens estão todas com etiquetas da Nike. Essas etiquetas são superbem desenhadas. Na verdade as colagens são totalmente espontâneas, muitas pessoas gostam muito, mas elas funcionam como um processo para mim, e elas têm as imagens menos fechadas ou uma intenção menos clara do que as pinturas, e por um tempo eu nem pensava em mostrar. Mesmo as aquarelas, que eu via como estudos, na verdade são legais também como obra. Agora acho interessante misturar e mostrar tudo. Mas elas têm caminhos muito diferentes do que quando eu vou fazer essas imagens para uma exposição. Aí eu gosto de pensar num conjunto que crie um sentido próprio, embora isso seja cada vez mais raro nas exposições hoje. Na verdade, parece que a multiplicação do significado, nas exposições, é que tem sido a tônica.
CER: Nas colagens aparecem muitos dos seus trabalhos que existem, ou coisas parecidas com os seus trabalhos…
LC: É porque eles surgem nas colagens, em que eu junto as cacas do ateliê e vou grudando tudo. Às vezes fica ruim e tenho de jogar fora, mas muitas vezes surgem coisas que eu experimento na colagem, por isso eu até coloquei como parte do processo.
CER: Pensando em trabalhos como o Lago japonês (1986), ou o Katrina, está sempre presente uma ideia de paisagem idílica ou uma coisa que chama a atenção porque não parece tratar de um paraíso perdido ou não trata de lugares ainda intocados pelo homem, pelo mundo acelerado da cultura. Parece que são imagens que são em si mesmas propagandas que têm a ver com essa cultura.
LC: São tanto do inconsciente coletivo como símbolos, signos que a nossa cultura privilegia, esses signos de paisagens bonitas, de pessoas na revista.
CER: Parece que essas imagens que você vai resgatando criam esses universos idílicos sozinhos, eles são muito tratados.
LC: Eles são sintéticos, são sintetizados. O laguinho é bem sintetizado, o lago mesmo que eu vi no Japão era incrível, mas a imagem que a gente tem é essa, quase um lago de história em quadrinhos.
CER: Outra coisa que me parece importante no seu trabalho, mas não sei em que sentido, é a ideia de afeto, a ideia de memória. Memórias, de 1988, e, depois, Todo pessoal (2006). Eles parecem localizar de algum modo, organizar no cérebro, essas memórias afetivas.
LC: É engraçado porque mistura trabalhos de épocas superdiferentes; faz trinta anos.
Todo esse assunto do gosto, do significado da imagem dentro da cultura, passa pela ideia de você poder melhorar a sua vida ou de poder organizar o entendimento da sua existência no mundo através de escolhas, de coisas que você coloca junto de si. Eu acho admiráveis as escolhas que as pessoas fazem para revestir os sofás de casa, para revestir a casa, para se vestirem e depois essas outras coisas que se estendem para os bichinhos, para as viagens. Sempre é uma imagem! Tinha uma colcha que eu adorava que era aquela praia, uma água bem clarinha, que está naquele trabalho Itacaré (2008). É a ideia de poder trazer para dentro de casa uma imagem de sonho. Esse caráter afetivo está presente no trabalho todo.
Esse que estou fazendo com os esportes é impressionante, pois para algumas pessoas esses esportes, a competição, o signo do time, a camiseta e todo o entorno está totalmente ligado ao consumo. As escolhas têm a ver com a identificação do sujeito no mundo. Vivemos num sistema capitalista, são escolhas de consumo. As pessoas gostam de se apegar a isso para justificar um tipo de vida que temos nas grandes cidades. Uma vida ligada ao trabalho, a ganhar dinheiro. E vão gastar no quê? Não precisariam gastar, mas quando você vai gastar, gasta em imagem.
CER: Nesses seus dois trabalhos, Memórias e Todo pessoal, me chama a atenção que as imagens podem se referir imediatamente a você. Parece que essas embalagens podem, de fato, tratar de uma história pessoal ou afetiva, mesmo que sejam retiradas de fato no mundo da cultura, da cultura visual.
LC: Há uma maneira primitiva na construção de algumas esculturas. O Memórias partiu da renda, que eu achei que dava para fazer os miolos e depois achei que dava para conter memórias, que eu pintei em pequenas telas a óleo; então tinha o contraste de uma coisa mais tosca no fundo junto dessas telinhas que eu pretendia que fossem boas pinturas. Tudo isso organizava um cérebro, que era um assunto dessa exposição. Além desse cérebro tinha outro e mais uma construção de imagens.
CER: O Cérebro em stand (1988)?
LC: É, o Cérebro em stand. Já Todo Pessoal, de 2007, ainda permanece meio simplório na estrutura de bolinhas que são ligadas por tirinhas, num jogo infantil. Novamente o conteúdo é uma coleção de pessoas próximas, de novo tem um caráter afetivo.
CER: Você faz também uma estampa com essa imagem.
LC: Uma estampa de cérebro.
CER: Para encerrar, eu queria voltar à ideia de que o trabalho tem algo pop. Me interessa pensar no estatuto dessa cultura pop, ela vem de muitos modos diferentes, eu acho que o Cérebro em stand é um trabalho à Robert Rauschenberg, Jasper Jones…
LC: Eu acho que a arte pop mesmo, americana, como é apresentada pelo Andy Warhol, por aqueles caras, é uma coisa muito mais corrosiva. A partir da minha geração, dos anos 1980, e principalmente agora, você sente os artistas utilizando o período moderno como um tipo de cardápio, no qual você pode ser um pouco pop, um pouco conceitual. Então eu realmente me interessei pela visualidade pop, mas o trabalho às vezes vai para um lado mais poético, é um pop mais poético. Eu acho que aqueles pops originais estão dando um golpe na arte, dentro de um raciocínio do fim do período moderno que a minha geração absolutamente não faz mais.
Eu adoro pensar no que é que as pessoas estão fazendo agora, me interessa refletir sobre isso. Acho que o artista está sempre preso a sua época, tem coisas que ele viu na formação, ideias que teve na formação. Mas meu tempo não é mais o pop americano. O pop americano vem depois do expressionismo, junto com o minimalismo, e os artistas tinham uma posição ainda de estender fronteiras. E agora a minha maior diversão é ver o que a geração mais nova está fazendo! Eu fui à exposição do Bruno Dunley, na Marília Razuk, tem pinturas figurativas, tem umas mais gestuais e depois tem uma que é só amarela. Eu acho fantástico. Não estou dizendo que é bom ou ruim; essa pluralidade é uma mudança de foco, são outros assuntos. Então a Geração dita “80“ (agora eu sou obrigada a aceitar esse apelido) já se preocupa com outras questões, muito diferentes do que foi a arte pop.
CER: Existia, de outro modo, a ideia de que essa geração vinha sem tradição alguma ou emancipada de qualquer tipo de relação com o passado. Mas eu vejo que havia uma ligação com as gerações anteriores, e o Antonio Dias é um exemplo imediato; acho que ele já lidava com questões que ainda estão na sua obra. E eu vejo, em seu trabalho, a importância de outros artistas também. Mas, além disso, eu queria saber se também houve um outro diálogo, se houve uma conversa com a crítica, além de uma conversa com artistas de gerações passadas, e de que modo isso foi importante para a formação da sua obra.
LC: Houve uma tentativa de rompimento na minha geração, com o tipo de rompimento que nós tivemos que era justamente conceitual. Não tinha nenhuma aula de pintura, e havia um reforço para técnicas de reprodução de imagem, aquele texto do Benjamim era o que a gente mais lia e parecia um resumo muito simples para quem tinha dezoito anos. Para a nossa geração aquilo era superinteressante, e a gente acreditou que dava para continuar um trabalho conceitual com mais visualidade. Naquela hora já era arte, eu fiz alguns cartazes em offset como uma tentativa de desmaterialização completa e de reforçar o conceito. Mas o que a minha geração responde é a um circuito ávido; eu entrei na FAAP para me tornar professora e saí artista famosa. Eu tinha vinte e três anos e essa ideia de fama nos pegou de forma ridícula, como a fama pode ser. A multiplicação de galerias, um mercado sedento, cheio de revistas e artigos, anúncio na Artforum, são realidades que eu não podia ignorar! E esse apelo veio para a minha geração e para a geração mais nova; agora esse apelo é quase que uma sentença. Ser famoso, vender tudo, fazer todas as residências, cada vez tem um novo uniforme que se presta para os artistas vestirem. Eu acho que o artista mesmo não vai funcionar uma década ou duas, ele vai funcionar uma pequena existência de uns sessenta para uns oitenta anos, se você tiver sorte, e é dentro desse espaço de tempo que você precisa criar um assunto. Uma artista portuguesa maravilhosa disse para mim: ”Leda, a vida é rápida, são só dois dias!”. Eu falei assim: “Dois dias?!!”.
Porque na verdade o artista só tem esse tempo para criar a sua poética. Para mim, que era muito próxima do Leonilson, mesmo do Jorginho Guinle, é muito angustiante você ver o artista sendo amputado do seu tempo, ou mesmo ter visto o Leonilson muito de perto, tentando acelerar o botão no último, na medida em que ele sabia que ia morrer. O Jorginho também. O que eu realmente espero que permaneça é a resposta que esse artista pode dar para aquele tempo que ele está tendo.
Sobre a questão da geração, ”não tem essa coisa de Geração 80”. O cenário em São Paulo era totalmente diferente do do Rio, e juntar tudo num barquinho só era um marketing completo. Mas o modo como eu pensava arte, ou o que eu encontrei na faculdade, eu via o Fajardo, o Baravelli, o Waltercio, o Cildo, era um campo mais ideal de arte. E o que nós encontramos nos anos 1980 já era o início de uma batalha de galerias, que hoje eu transporia para as feiras. Já pensou? Mal saiu da faculdade e já é mandado para umas feiras, essa coisa capitalizada. Eu me identifico muito com os meus colegas de geração e houve bastante interlocução com eles entre os colegas. Já com a crítica teve alguns artigos, eu tinha muita admiração pela Sheila Leirner, mas logo ela se retirou de cena. Eu tive algumas pessoas mais próximas, a Aracy Amaral ou o Tadeu Chiarelli. A certa altura eu era próxima da Lisette [Lagnado], mas isso não permaneceu. Uma coisa que permaneceu e que eu prezo muito é a relação com a Regina Silveira e outros colegas como o Dudi, a Mônica Nador. Eu achava totalmente incrível a turma do Nuno, que já tinha umas pessoas discutindo os trabalhos. Eles têm uma proximidade muito grande com o Rodrigo Naves, com o Alberto Tassinari, que estão mais presentes no ateliê deles. Isso realmente nunca aconteceu de forma sistemática comigo.
Eu gostaria de falar uma última coisa. Estou pensando nesses trabalhos com futebol porque eu gosto de futebol. Gosto do Santos, especialmente, e de repente o Santos apareceu com um negócio vermelho. O Santos é o alvinegro praiano, mas colocaram um Bombril em cima da camisa. Sempre tive paixão pela camisa, e agora está escrito Seara! E no Corinthians está escrito Neoquímica; de vez em quando aparece a propaganda: “Neoquímica faz uns remédios superbons”… Mas quem perguntou? Eu acho engraçado porque agora as pessoas aceitam bem o patrocínio, elas gostam, elas curtem. Tem uma amiga palmeirense que curte. Qual era o patrocínio? Parmalat! “Parmalat tem tudo a ver porque deu a maior força, foi o melhor período do Palmeiras.” É engraçado como aquilo que a gente chamava de propaganda agora está no meio da camisa e, no caso do Corinthians… Desculpe, está escrito Avanço embaixo do braço! E a pessoa vai à loja comprar a camiseta oficial, mas a camiseta oficial é um pesadelo! Vem tudo escrito. Eu estou fazendo um parêntese porque acho que essas são as verdadeiras mudanças. Agora um patrocinador é bom, positivo, traz grana, mesmo que seja horrendo. É dessas camisetas que estou me apropriando. Eu vejo canais de esporte, corrida, tênis! Tem aqueles carrinhos coloridos, mas vem tudo escrito e às vezes vem aquela marca, e eu não tenho ideia se aquilo é um banco, um iogurte, aquela marca bem grandona, provavelmente um óleo de carro. Eu acho incrível como as pessoas agora têm uma relação afetiva também não mais com o time, com o carro, mas com a marca. E se fala muito disso. Muito curioso porque no meu tempo, no modo como eu fui criada, isso era propaganda, era uma coisa ruim, você tirava a propaganda para poder ver a coisa. Agora a propaganda é praticamente tudo. E viva o Seara!
Fonte: Gravura Contemporânea "Carlos Eduardo Riccioppo – Conversa com Leda Catunda", publicado em 1 de janeiro de 2012. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Veja SP, fotografia de Leo Martins. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Leda Catunda Serra (São Paulo, SP, 23 de junho de 1961), mais conhecida como Leda Catunda, é uma artista visual, pintora, escultora, gravadora, pesquisadora e professora brasileira. Formada em Artes Plásticas em 1984, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo e doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos. Em suas obras, Leda aborda questões críticas do debate conceitual. Inicialmente, sua produção pictórica explorava os limites entre a pintura e o objeto, referenciando o pop art. Seus trabalhos da década de 80 possuem um forte traço descritivo e caricatural, com texturas e superfícies dos materiais industrializados. Na década de 90, apostou nas composições geométricas, com menos cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantém o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Leda realizou exposições individuais e coletivas, das quais destacam-se: I Love You Baby, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2016) – que lhe rendeu o Prêmio Bravo! de Melhor Exposição Individual do Ano; Pinturas Recentes, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e MAM-Rio (Rio de Janeiro, 2013); Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). A artista já participou de quatro Bienais de São Paulo (2018, 1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Suas inúmeras participações em mostras coletivas incluem as antológicas Como Vai Você, Geração 80?, EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983); e, mais recentemente: Past/Future/Present, Phoenix Museum of Art (Phoenix, EUA, 2017); Histórias da Sexualidade, MASP (São Paulo, 2017); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, EUA, 2014). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Blanton Museum of Art (Austin, EUA); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); Fundação ARCO (Madri, Espanha); Toyota Municipal Museum of Art (Toyota, Japão); Instituto Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Masp (São Paulo); MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro. A artista é considerada um dos maiores talentos surgidos no âmbito da Geração 80, explorando os limites entre a pintura e o objeto.
Biografia Oficial Leda Catunda
Cronologia
1961 - Nasce Leda Catunda em São Paulo. Filha de Vera Catunda Serra arquiteta e paisagista e Geraldo Serra Gomes, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
1980 - Ingressou no curso de Licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), graduando-se em 1984.
“Estávamos vivendo os últimos anos do governo do General Figueiredo, o finalzinho da ditadura militar, sentiamo-nos por isso amarrados e sem poder de ação. Ao mesmo tempo, organizava-se movimentos pelas eleições diretas com passeatas pelo vale do Anhangabau. Eram realmente emocionantes e surgiam como um aceno de que as coisas finalmente poderiam mudar para melhor. Eu estava terminando a faculdade de artes plásticas na FAAP e desenvolvia um trabalho de pintura. Por incrível que pareça, na época, o ressurgimento da pintura era algo inesperado num contexto posterior à desmaterialização da arte e à arte conceitual dos anos setenta.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda, texto do arquivo da artista “Como era nos anos 80...”, sem data, inédito).
O historiador e crítico da arte Tadeu Chiarelli comenta sobre o ambiente da FAAP nos anos 1980.
“O debate que se travava nas salas e corredores da FAAP era muito interessante. De um lado estavam alguns professores fundamentais para a formação teórica e prática dos alunos – Walter Zanini, Nelson Leirner, Regina Silveira, Júlio Plaza –,todos eles abrindo as portas para as discussões sobre a arte e sua natureza; sobre a arte enquanto conceito e enquanto mercadoria; sobre a desmaterialização da arte, o conceito de ready-made... Enquanto isso, nas revistas internacionais – lidas avidamente pelo alunado –-, eram publicados artigos fartamente ilustrados sobre a “volta à pintura”, sobre os selvagens alemães, a transvanguarda italiana, sobre Schnabel, Fischer, Sandro Chia, Clemente... Havia, portanto, um descompasso.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 9.)
1981 - Expõe pela primeira vez no “IX Salão de Arte Jovem de Santos”. No mesmo ano, participa de duas mostras coletivas: “Festival Internacional da Mulher nas Artes”, São Paulo e “V Salão Jovem de Arte Contemporânea”, Centro Cívico de Santo André, São Paulo.
1982 - Torna-se monitora de classe da professora-artista Regina Silveira. Leda estabelece desde o início de sua trajetória uma relação que se intensifica ao longo dos anos com o ensino de arte e com seus professores.
1983 - Realiza a exposição “Pintura Como Meio”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Ibirapuera). A exposição, idealizada por Sérgio Romagnolo, foi apresentada a Aracy Amaral, então diretora do Museu, que a acolheu. Foram expostos trabalhos de Ana Tavares, Ciro Cozzolino, Leda Catunda, Sérgio Niculicheff e Sérgio Romagnolo. A partir desta coletiva surgem novos convites.
“Surge então a pintura integrada ao ambiente, espaço bidimensional que recebe a pintura e no qual a ausência de moldura confere uma intermediação insinuante como em todos os artistas que se utilizam deste “artificio” desmistificador, entre o espaço real e virtual de seu trabalho pictórico.
Transparece [assim] uma pintura desnuda em seu naturismo, independente do fato de ser figurativa ou não, porém como comunicação visual plástica válida em si, sem a pose da “grande pintura”, embora substancialmente pintura.”
Aracy AMARAL. - “Uma Jovem Pintura em São Paulo” in: Catálogo Pintura Como Meio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1983. p. 1.
Nessa exposição Leda expõe pela primeira vez que os trabalhos que denomina “vedações”.
“Usando como suporte toalhas infantis, além de tecidos estampados comumente usados para a confecção de roupas e/ou lençóis para crianças, Leda vedava com tinta as imagens ali produzidas. Sem usar chassi ou qualquer outra estrutura mais dura para suportar os tecidos, a artista muitas vezes costurava um pedaço de pano ao outro aumentando assim a área de ação sobre as estampas. (...) [Leda] introduzia nessa operação fria de imagens já prontas a gestualidade “romântica” da pintura – o que aumentava o caráter irônico de seu trabalho.” — Tadeu CHIARELLI (“Problematizando a natureza da pintura”. In: Leda Catunda, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1998. p. 11 e 12).
No mesmo ano, é convidada pelo professor Júlio Plaza para participar, com um trabalho em vídeo-texto, da “XVII Bienal Internacional de São Paulo”. Participa ainda da exposição - “Arte na Rua, Out Door”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e “Pintura Brasil”, Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte. É monitora de classe do professor Walter Zanini na disciplina História da Arte.
1984 - Expõe nas coletivas “Stand 320” na Galeria Thomas Cohn Arte Contemporânea e “Como vai você, Geração 80?,” no Parque Lage, ambas no Rio de Janeiro. Participa de coletiva com Sérgio Romagnolo, Ciro Cozzolino e Leonilson na Galeria Luisa Strina em São Paulo e da I Bienal de Havana em Cuba.
1985 - Realiza a primeira exposição individual na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. O crítico Wilson Coutinho escreve no Jornal do Brasil sobre a mostra:
“A artista paulista Leda Catunda, 24 anos, curiosamente realiza sua primeira individual não em São Paulo, mas aqui. (...) Ela se utiliza de inúmeros materiais da indústria como tapetes, colchão e acolchoados, plásticos, e com isto cria uma figuração extremamente cativante e alegre, diferente de outros artistas paulistas que estão manejando os detritos industriais aplicados na metáfora do feio, do horror e do ostensivo deboche.” – Wilson COUTINHO (A Bela Indústria. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1985.)
Em entrevista a Baravelli, Leda expõe sua opinião sobre a situação da jovem arte paulista:
“Leda Catunda: Hoje em dia tem uma super pintura matérica, que é bem distante do meu trabalho. Até pintei com tinta a óleo e tinha aquela piração no azul phthalo. Gosto muito de cor, mas não penso em “superfície” e “não-superfície”. Essa linha de pintura requer uma coisa clara.
Baravelli: Formalista para caramba...
L: É bastante formalista, me sinto num outro clube, mais com Luiz Zerbini, Leonílson e Sérgio Romagnolo.
B: Aqui em São Paulo tem essas duas correntes: a turma da matéria e a turma da figura. É assim para sua geração?
L: Acho que sim. A turma da matéria tem uma referência, mais forte e mais fácil, da pintura alemã, do concretismo, uma base conhecida que meu trabalho não tem. Ainda estamos procurando um caminho a ser definido — BARAVELLI (“Baravelli visita Leda Catunda”. Revista Galeria, nº10, 1988).
Expõe no “Salão Nacional de Artes Plásticas”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na “XVIII Bienal Internacional”, São Paulo. Sobre as questões em jogo na Bienal de 1985, o curador Ivo Mesquita comenta:
“... a volta à pintura proposta pelos trabalhos confirmaria o talento natural e a vocação da arte brasileira à contemporaneidade, pois o mesmo acontecia simultaneamente no resto do mundo. O revival da pintura naqueles anos foi, de imediato, interpretado como um retorno ao modo direto e sensual de o brasileiro se relacionar com as linguagens plásticas, como uma reação ao cerebralismo e ao excesso de metáforas da arte produzida pelas gerações anteriores (o que, no Brasil, significava não apenas o enfrentamento das questões da visualidade contemporânea mas também estar num embate constante com a censura institucionalizada pelos militares). A consagração veio em 1985, quando Rodrigo Andrade, Fernando Barata, Carlito Carvalhosa, Leda Catunda, Fabio Miguez e Daniel Senise foram apresentados na Grande Tela da XVIII Bienal Internacional de São Paulo ao lado de artistas como Enzo Cucchi, Gunter Damisch, Martin Disler, Stefano Di Stasio, Dukoupil, Koberling, Middendorf, Salomé, Hubert Scheibl, Tadanori Yokoo, algumas das estrelas da cena internacional da época.” — Ivo MESQUITA (Território dos sentidos in: Daniel Senise. Ela que não está. São Paulo Cosac & Naify edições, 1998. p.11).
Participa, ainda, das exposições “Nueva Pintura Brasileña”, Centro de Arte y Comunicación CAYC, Buenos Aires, Argentina, “Brasilidade e Independência”, Teatro Nacional, Brasília e “Today's Art of Brasil”, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.
1986 - Realiza a individual “Espaço Investigação”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Participa de diversas mostras coletivas entre as quais se destacam: “Transvanguarda e Culturas Nacionais”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “El Escrete Volador”, em Guadalajara, México; “Brazilian Painting”, Snug Harbor Cultural Center, Nova Iorque, Estados Unidos. Neste mesmo ano, começa a lecionar a disciplina de Artes Gráficas para o curso de Licenciatura em Educação Artística na FAAP.
Em entrevista por ocasião abertura da mostra compacta da XVIII Bienal em Brasília, Leda comenta sobre o seu trabalho:
“Em geral eu não gosto muito de desenhar eu sempre vou mais ou menos atrás de algo que está desenhado ou alguma estrutura. Comecei atrás de umas estampas que já estavam desenhadas e quando comecei a trabalhar com os panos, surgiram umas texturas que também eram interessantes, então a coisa foi toda se misturando e até aconteceu de entrar no objeto, como nesse trabalho que veio para cá, que é um cobertor. Um objeto não escapa da sua simbologia.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda em entrevista a Celso Araujo. In: O direito ao devaneio na nova arte do país. Jornal Correio braziliense, Brasilia, Distrito Federal 27 de janeiro de 1986. )
1987 - Realiza a primeira individual na cidade de São Paulo, na Galeria Luisa Strina. Nesta mostra, foram expostas oito pinturas figurativas sobre suportes diversos como toalhas, guarda sol, rendas, plásticos, perucas e couro.
Participa das coletivas “Pintura Fora do Quadro”, no Espaço Capital, Brasília; “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de Paris, França; “Imagem de Segunda Geração”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “TV Cubo”, na Galeria Mônica Figueiras, São Paulo.
1988 — Mostra individualmente, na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.
“Dizendo-se atualmente menos literal na relação com a imagem, Leda tem procurado explorar nos materiais e objetos “standardizados” de seu trabalho um meio de experimentar sobretudo as texturas, ao mesmo tempo em que alguns trabalhos já apontam para uma direção diversa daquela “narração” anterior. (...) Os “Babados” fogem radicalmente da questão da imagem, tal como a artista vinha apresentando e assumem, no caso, uma dimensão pictórica exclusiva e, até, abstrata.” — Ligia Canongia (CANONGIA, Ligia. A arte industrial de Leda. O Globo, 21 agosto de 1988).
Expõe nas coletivas: “Modernidade”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “1981-1987”, Galeria Arco Arte Contemporânea, São Paulo; “88 X 66”, Parque Lage/Espaço Sergio Porto, Rio de Janeiro; “Dimensão Planar”, Funarte, Rio de Janeiro. Começa a dar aulas de desenho no seu ateliê em São Paulo.
1989 - Ao lado de Ana Tavares, Monica Nador e Sergio Romagnolo participa da exposição “Arte Híbrida”, que aconteceu na Funarte, Rio de Janeiro e itinerou para o Museu de Arte Moderna de São Paulo e para o Espaço Cultural BFB, Porto Alegre.
“[Leda Catunda] É, ao meu ver, autora de efetivas “ combine paintings” no sentido utilizado quando fazemos referências ao trabalhos dos anos 1960 de Robert Rauschemberg. Ou seja, a pintura é aplicada como elemento de ligação, neste momento de sua produção, entre os objetos reunidos, sem qualidade como pintura, porém atuando como elemento a imprimir corpo, fisicalidade bidimensional no relevo de seus trabalhos.” — Aracy AMARAL (Quatro artistas in: Arte Hibrida, Galeria Rodrigo de Mello Franco, Funarte, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Espaço Cultural BFB, Porto Alegre, 1989).
No mesmo ano, mostra seus trabalhos nas exposições “Coleção Eduardo Brandão”, Casa Triângulo, São Paulo; na “Perspectivas Recentes”, Centro Cultural São Paulo; no“YOU-ABC”, Stedelijk Museum Amsterdam, Holanda; no “Panorama da Arte Atual Brasileira”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1990 - Apresenta individualmente um conjunto de trabalhos produzidos entre os anos de 1983 a 1990 no Museu de Arte Contemporânea de Americana, São Paulo. Com as obras realizadas entre os anos de 1989 a 1990 expõe nas individuais em Recife, na Pasárgada Arte Contemporânea e na Galeria São Paulo. Sobre esta última escreve Angélica de Moraes, no Jornal da Tarde e lisette lagnado na Folha de São Paulo:
“A exposição, de 13 obras, apresenta alguns aspectos que irão surpreender até mesmo quem acompanha de perto o trabalho dessa artista. A mostra foi construída entre dois pólos. As figuras da pop das estampas de tecido, reunidas por costura a máquina, agora dividem o espaço da galeria com obras que namoram uma vertente mais cerebral, neo-concreta. Esse novo aspecto da produção de Leda Catunda se traduz em pinturas-esculturas que exploram superfícies limpas e cores industriais em materiais como a fórmica brilhante ou fosca. O acúmulo de figuras se simplificou em geometrias e jogos visuais abstratos” — Angélica Moraes (MORAES, Angélica. Leda Catunda entre o pop-espalhafatoso e o neo-concreto. Jornal da Tarde, São Paulo, 30/10/1990).
“A identificação imediata da figuração caminha para uma abstração simplificada de bolinhas e retângulos. A busca da linguagem abstrata representa um esforço para sair do estigma juvenil das florzinhas e casinhas que, desde o início da sua carreira, acompanha a artista. O peso da ironia deixou lugar para uma apropriação mais alegre e intusiasta do repertorio da cultura de massa.”
Lisette Lagnado- Peças são femininas e previsiveis- Folha de São Paulo 30/10/1990.
Expõe nas coletivas: U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Arca de Noé, Galeria Gesto Gráfico, Belo Horizonte, Minas Gerais. Ganha o Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília.
1991 - Participa de diversas exposições coletivas tanto no Brasil quanto no exterior, das quais podemos destacar: “Viva Brasil Viva”, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “Mito y Magia”, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, México; “Brasil La Nueva Generacion”, Museu de Belas Artes de Caracas,Venezuela; “Arte Contemporânea”, Centro Histórico de Petrópolis, Rio de Janeiro; “BR/80”, Itaú Galeria, São Paulo.
1992 - Realiza exposições individuais no Centro Cultural São Paulo; no Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal e na Galeria São Paulo. Participa das coletivas “Entretrópicos”, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas, Venezuela; “Salão Paraense de Arte Contemporânea” (como artista convidada), Belém; "Hoje em dia...Avenida Central", Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Participa ainda da exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, sob curadoria de Waldo Hassmunsen, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque na Estación Plaza de Armas, Sevilha, Espanha para a qual foram selecionadas cinco pinturas de diferentes períodos da trajetória da artista.
“By exposing the techniques she empolys to fabricate her art- collage, assemblage, and sewing- Catunda undermines the sense of visual spectacle intrinsic to painting, especially to realist styles. Working against realism as the privileged site of identity, Catunda invokes Minimalism as the ground for reconstructing subjectivity . In her recent works, such as the series Retalhos Azuis (Blue Patches), 1991-1992, or Almofadas Amarelas (Yellow Pillows), 1992, Catunda reduces the pictorial and anecdotal references while emphasizing texture, plasticity, scale, and volume. Yet, in foregrounding tactility and the sensorial, as well as the sense of pleasurable abandonment evident in her use of materials, Catunda genders and eroticizes the Minimalist object.” — Charles MEREWETHER – The subject´s poweriessness in: Latin American Artists of XX century. Museum the Art Modern, Nova Iorque, 1992-1993.
1993 - A exposição coletiva “Artistas Latinoamericanos del Siglo XX”, itinera para o Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou, Paris, França; Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia, Alemanha e MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos. Nesse ano faz três mostras individuais: no Módulo Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal; na Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro e na Pulitzer Art Gallery, Amsterdam, Holanda. Participa das exposições coletivas nacionais: “A Caminho de Niterói”, Paço Imperial, Rio de Janeiro que também é apresentada no Centro Cultural São Paulo; “A Presença do Ready Made”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “Projeto: Brazilian Contemporary Art”, Museu de Arte Contemporânea da USP. Integra as coletivas internacionais: “De Rio a Rio”, Galeria OMR, Cidade do México, México e “Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil” The National Museum of Women in the Art, Washington, Estados Unidos; O historiador e crítico de arte Paulo Herkenhoff escreve um dos textos do catálogo:
“A lascívia teatral das “Cinco Línguas” traz a desagradável memória de uma experiência erótica do horror tátil. Essa experiência tátil repulsiva fica também como memória do gesto físico de posse das coisas, na compulsão ao consumo das pequenas misérias do mundo das coisas. (...) A contundência do jogo de ironias de Leda Catunda não cessa: a geometria mole de “Cinco círculos” está perpetuamente condenada à inexatidão, mas também sorri para a tradição construtiva brasileira” — Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. “The contemporary Art of Brazil: Theoretical Constructs” In: Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington, 1993. p.85)
1994 - Em artigo publicado na revista Art in America, Alisa Tanger escreve sobre a produção de Catunda:
“As she worked through such narrative structures, Catunda began to reduce pictorial references, moving in a minimalist direction yet emphasizing bright, saturated colors and textures. Sometimes the titles of works still insinuate content, such as duas barrigas (Two Bellies, 1993) wherein two stuffied and sagging irregular pink rectangles jut out from a large pink rectangular support. Other recent wall hangings, however, seem entirely removed from anedotal asociations. In most recent works, Catunda’s motif is primary geometric shapes, usually circles. She collages stuffied, sheredded and painted shapes to make a kinder, more alluring and wackier minimalism.” — Alicia Tager (TAGER, Alicia. “Paradoxes and transfigurations”. Art in America. July 1994. p.46-47).
Expõe individualmente na Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos, São Paulo. Participa das coletivas: “Pequeño Formato Latino Americano”, Galeria Luigi Marrozini, San Juan, Porto Rico; “Bienal Brasil Século XX”, Fundação Bienal, São Paulo; “XXII Bienal Internacional”, Fundação Bienal, São Paulo; “20 anos de Arte Contemporânea da Galeria Luisa Strina”, Museu de Arte de São Paulo.
“As pinturas ora apresentadas na XXII Bienal Internacional de São Paulo têm uma força afirmativa que deverá funcionar em sua carreira como um divisor de águas. Surge agora uma imagem construída, sem a imediatez de um suporte que já se impunha com seu campo figurativo. Nas peças em escala maior, o espectador precisa de um certo recuo para avistar o sentido em sua totalidade – como é o caso da configuração de Duas bocas.O lugar “privilegiado” da fruição só existe no dificil limite: entre a luxúria da proximidade do tato e a compreensão da imagem percebida graças ao recuo estratégico.” — Lisette LAGNADO, Formas prenhes. in: Tadeu CHIARELLI (org). Leda Catunda, Cosac & Naify edições, 1998. p.121.
1995 - Expõe coletivamente na “Havana - São Paulo, Junge Kunst aus Lateinamerika”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha; “Latin American Women Artists 1915-1995”, Milwaukee Art Museum, Phoenix Art Museum, Denver Art Museum, Estados Unidos; “Infância Perversa”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “United Artits”, Casa das Rosas, São Paulo; “Anos 80, Coleção Gilberto Chateubriand”, Galeria do Sesi, São Paulo.
1996 - Expõe individualmente na Galeria Camargo Vilaça, São Paulo.
“Nessas pinturas de Leda Catunda, o espaço se faz num processo de automultiplicação, feito numa floresta, cobertura vegetal. Em Línguas verdes as folhas desabrocham com fertilidade. Em sua serialidade organizada, cada uma mantém sua identidade e diferença. Inseto é um casulo com múltiplas cápsulas, uma colônia de seres por nascer. Noutras pinturas, como as diversas Gotas, sem a delimitação pelo chassi ou a organização por um método lógico, o olhar poderia confrontar-se com uma enchente de gotas ou com uma praga de insetos de formas proliferantes que invadissem o mundo e sufocassem o olhar. Chassi e ordem é o que nos mantém à distância de uma ferocidade epidêmica. Estamos diante de idéias de excesso de presença tanto quanto de excesso de ausência.” — Paulo HERKENHOFF (Leda Catunda, o pincel e o conta-gotas. Catálogo Galeria Camargos Vilaça, São Paulo, 1996.)
Participa das exposições coletivas: “Contrapartida”, Kunstspeicher, Potsdam, Alemanha; “Artistas Contemporâneos Brasileiros”, Bayer, Leverkusen e Dormagen, Alemanha e Museu de Arte Moderna de São Paulo; “15 Artistas Brasileiros”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Off Bienal”, Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo.
1997 - Realiza as exposições individuais no Paço Imperial, Rio de Janeiro e na Galeria Marina Potrich, Goiânia. Paricipa das mostras coletivas: “15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna da Bahia; “Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ES 97 Tijuana”, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México, México; “Material Imaterial”, The Art Gallery of New South Wales, Sydney, Austrália; “Sala Especial”, 22º Sarp, Museu de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo; “Brasil - Reflexão 97”, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba, Paraná. Ingressa no mestrado (posteriormente convertido em doutorado) em Poéticas Visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo sob orientação do professor-artista Júlio Plaza. Em artigo publicado na revista Word Art o crítico Benjamin Genocchio aponta produção e Leda Catunda, ao lado de outros, como uma das artistas mais vistas que emergiram rapidamente na cena artística brasileira. Sobre sua produção ele escreve:
“William Blake once wrote that exuberance in beauty. Catunda’s paintings are also, quite literally, exuberant – and it is precisely this feature that endows them with a powerful sensual and seductive quality. Even Catunda’s series of works about tears is most painfully passionate and exaggerate…" — Benjamim Gennochio (GENNOCHIO Benjamim. Concrete poetry. In World Art, nº 12.p.46)
1998 - Expõe individualmente nas Galerias: Casa da Imagem, Curitiba, Paraná e na Camargo Vilaça, São Paulo. Leda escreve no catálogo da exposição em Curitiba:
“A princípio surgiram volumes justificados por representações de insetos, barrigas, corpos e cascas de insetos. Ao mesmo tempo, também foram feitas pinturas que representavam só barrigas, e a partir dessas, capas para cobri-las. Essas capas deram inicio à criação de pinturas cujo corpo surge a partir do acumulo de sobreposições.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. A superfície da pintura. Catálogo Galeria Casa da Imagem, Curitiba, Paraná, 1998.)
Participa de diversas coletivas dentre as quais podemos citar: “Futebol-Arte”, realizada em três diferentes instituições, Memorial da América Latina, São Paulo; Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Palácio do Itamaraty, Brasília; “Anos 80”, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia; “Der Brasilianische Blick”, Haus der Kulturen der Welt, Berlim,Alemanha; “O Moderno e o Contemporâneo”, Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte São Paulo. Durante o período de 1998 a 2004 lecionou pintura e desenho no curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes Plásticas da Faculdade Santa Marcelina (FASM).
1999 - Realiza a exposição individual no Paço das Artes, São Paulo. Participa das mostras coletivas “O Objeto Anos 90”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Artistas do Festival”, Museu de Arte Contemporânea, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre; Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, Niterói.
2000 - Realiza a exposição individual “Leda Catunda pinturas moles”, no Museu Ferroviário Vale do Rio Doce em Vitória.
“Suas obras continuam ligadas a um tipo de história ou figura, como é o caso das formas exibidas em 1996, que se intitulam Gotas, Línguas, Insetos. Mas elas estão gradativamente se apurando em direção à composição, às sobreposições, às camadas, às seriações.” — Kátia Canton. (CANTON, Kátia. Uma outra costura do mundo. Folder Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria, Espírito Santo, 2000).
E também na Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte, Minas Gerais; Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia. Participa das coletivas: “O Século das Mulheres - Algumas Artistas”, Casa de Petrópolis, Petrópolis,Rio de Janeiro; “Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500”, Fundação Bienal, São Paulo e itinera para a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; “Obra Nova”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ A Imagem do Som de Chico Buarque”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2001 - Realiza as exposições individuais, na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos e no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, Paraná. Expõe nas coletivas: “Sings of life”, Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque; “Inventário Poético”, Galeria Casa da Imagem, Curitiba; “Trajetória da Luz”, Itaú Cultural, São Paulo; “O Espírito da Nossa Época”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “ Espelho Cego”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Cultura Brasileira 1”, Casa das Rosas, São Paulo; “Bienal do MERCOSUL”, Porto Alegre.
2002 - Realiza a individual ”Retrato”, na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo:
“Nesta primeira mostra individual de pinturas em São Paulo desde 1998, Leda Catunda volta à figuração, mas de maneira transformada: em lugar da representação pop dos anos 80, a imagem integra as novas obras como um elemento a mais na composição.
O “Retrato” traz o módulo puro entremeado de gotas com fotografias impressas em voile. São imagens de fragmentos de rostos (...) “Essa pintura retrata a maneira como duas pessoas convivendo muito tornam-se a mesma pessoa; e traz outros assuntos, como as tonalidades do corpo e os lugares cotidianos”, explica a artista” — Juliana Monachesi (MONACHESI, Juliana. “Leda retoma figuração prenhe de sutilezas”. Folha de São Paulo- Acontece. 08/08/2002).
Participa das coletivas: “Décadas, Caminhos do Contemporâneo 1952 – 2002”, Paço Imperial, Rio de Janeiro; “Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea”, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos, São Paulo; “Opera aberta”, Casa das Rosas, São Paulo; “ 28 (+) Pintura”, Espaço Virgilio, São Paulo; “Mapa do Agora”, Instituto Tomie Otake, São Paulo; “Arte no Ônibus”, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais; “Ares&pensares”, Sesc Belenzinho, São Paulo e “Gravuras”, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo.
2003 - Realiza as exposições individuais, no Centro Universitário Mariantonia, São Paulo; na Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires, Argentina; no Centro Cultural São Paulo e é artista convidada da 35ª Anual de Arte da FAAP, São Paulo.
“Como parte de sua defesa da tese de doutorado, Leda Catunda expõe sete pinturas de diferentes épocas desde 1993, sendo duas delas inéditas. Utilizando desde o início dos anos 80 diferentes tecidos costurados e pintados, pesquisa em suas pinturas o que denomina Poética da Maciez. De cores que ressabiam a precisa escolha, a artista opta pelo desconforto que tenta se aconchegar. A coloração, por vezes estridente, é amortecida e consolada pela maciez. Esta qualidade mole e macia sempre buscada, estabelece certa unidade na pintura, assim como a tinta ameniza a autonomia de cada parte. Desse desajuste conformado, concernente às tão diversas cores, superfícies e padronagens dos tecidos, um convívio que admite as extravagâncias, mas nunca as divergências. Tudo tende a cair, mas sem queda ou desmoronamento, com uma movimentação lânguida dada pela indolência das formas empanturradas” — Tatiana Blass (BLASS, Tatiana. “O peso do conforto”. Folder da exposição Poética da maciez, Centro universitário Maria Antonia, São Paulo, 1993).
As principais mostras coletivas desse ano são: “Pele e Alma”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Marcantonio Vilaça - passaporte contemporâneo”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “professores / artistas”, prédio do Mercado Municipal de Diamantina, Minas Gerais; “Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti”, Aria Arte Contemporânea, Recife. Titula-se doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
2004 - Expõe na Galeria Fortes Vilaça e na Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, Estados Unidos, individualmente. Participa das mostras coletivas: “Still Life”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo- Fiesp, São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Rio de Janeiro; “Onde está você Geração 80”, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília e o Museu do Estado, Recife, Pernambuco; “Heterodoxia”, Memorial da América Latina, São Paulo.
2005 - Realiza as exposições individuais na Galeria Alberto Sendrós, Buenos Aires, Argentina; “Spart Cultural”, Presidente Prudente, São Paulo; Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo; “Homoludens”, Instituto Cultural Itaú, São Paulo; “Arte em Metrópolis”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Realiza a oficina Pintura Contemporânea, 6º Festival de Arte Serrinha, Bragança Paulista, São Paulo.
2006 - Expõe individualmente na Galeria Fortes Vilaça, São Paulo e na Galeria Marina Potrich, Goiânia.
“As pinturas-objetos apresentadas na exposição são construídas em camadas sobrepostas que se entrelaçam para criar uma imagem final. A superfície de cada camada contém imagens apropriadas de estampas de tecidos diversos ou simplesmente a textura de materiais como jeans, veludo ou plástico. Ao revestir os trabalhos com imagens e texturas do dia a dia pretende-se um empréstimo efetivo da visualidade cotidiana e através dessa ação criar gatilhos capazes de despertar lembranças e sensações percebidas na vida comum.” — Leda Catunda (CATUNDA, Leda. Texto do arquivo da artista. Inédito. São Paulo, 2006).
Participa das coletivas: “Manobras Radicais”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo; “Volpi Heranças Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; “ Fortes Vilaça na Choque Cultural”, Galeria Choque Cultural, São Paulo; “Padrões e padronagens”, Galeria Marilia Razuk, São Paulo; “Arquivo Geral”, Centro Cultural Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; “MAM na Oca”, Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Paralela 2006”, Pavilhão Armando de Aruda Pereira, São Paulo.
2007 - Realiza as exposições individuais no Dragão do Mar, Fortaleza, Ceará; Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte, Minas Gerais e na Galeria Arte 21, Rio de Janeiro. Destacam-se as exposições coletivas: “Itaú Contemporâneo”, Itaú Cultural, São Paulo; “Intimidades”, Galeria Marília Razuk, São Paulo; “80/90 Modernos Pós Modernos etc”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “CrtlC + CrtlV Recortar e Colar”, SESC Pompéia, São Paulo; “MARP 15 anos”, Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza; “NMúltiplos”, Arte21 Galeria, Rio de Janeiro; “Auto-retrato do Brasil”, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2008 - Realiza a exposição individual, Galeria 111, Lisboa, Portugal. As principais mostras coletivas do período são: “Poética da percepção”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná; “HAPTIC”, Tokyo Wonder Site, Japão. Participa da residência Tokyo Wonder Site, Institute of Contemporary Art and International, Cultural Exchange Japão.
2009 - Realiza sua primeira mostra retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, apresenta um recorte da produção de 1983 a 2009. Entre pinturas, colagens e aquarelas estão também trabalhos pequenos, mais experimentais - e que por vezes funcionam como estudos para obras maoires - nunca antes mostrados.
“É importante para o artista poder pensar sobre o seu trabalho, que é muito solitário" afirma [Leda]. Um de seus desejos é poder mostrar um dia os desenhos a partir dos quais nascem seus trabalhos. “Gosto de chamá-los de papéis secretos, aqueles que ninguém vê” — Maria Hirszman (HIRSZMAN, Maria. “Leda Catunda esbanja cores e sensações em exposição.” O Estado de São Paulo 02/09/1998)
2010 - Participa como artista convidada do 12o Salão de Artes de Itajaí: poéticas pessoais em construção, na Fundação Cultural de Itajaí, em Santa Catarina.
2011 - Realiza as exposições individuais na Galeria Paulo Darzé, em Salvador e na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro. Nestas exposições, mostra pela primeira vez os trabalhos inspirados no universo do esporte. Entre as exposições coletivas, destacam-se: “Beuys e Bem Além: Ensinar como arte”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e “Arte Pará”, na Fundação Rômulo Maiorano, em Belém do Pará.
“Considerando que, desde o início da sua carreira, Leda Catunda expõe as idiossincrasias e as evoluções do imaginário popular, a decisão recente de se voltar para o universo esportivo é perfeitamente coerente e compreensível, quase lógica. (…) … ao focar esse universo, a artista convida o observador a olhar para uma transformação geral, que diz respeito à sociedade como um todo. Mas a artista… não toma partido, limita-se a observar o processo, olha o circo pegar fogo, e enquanto isso se apropria de alguns casos extremos, sem revelar se os considera as aberrações mais gritantes, ou os momentos mais sublimes. (…) … o que Leda Catunda, à sua maneira personalíssima e inconfundível, nos apresenta, é um pequeno teatro do absurdo, uma reprodução fiel, e que contudo beira o grotesco, dos abusos e das loucuras da sociedade do espetáculo" - Jacopo Crivelli Visconti (VISCONTI, Jacopo Crivelli. “O Circo Pegou Fogo”. In: ‘Leda Catunda’ (catálogo) Paulo Darzé Galeria de Arte, Salvador, 2011.
2012 - Realiza exposição individual na Galeria Ruth Benzacar, em Buenos Aires, em concomitância com uma exposição do artista Iran do Espírito Santo. Destacam-se entre as exposições coletivas: a exposição em homenagem a Leonilson, “Sob o peso dos meus amores”, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; participação como artista convidada no 37o Salão de Arte de Ribeirão Preto, onde mostrou uma série de trabalhos em papel e “Para Todos”, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No mesmo ano, viaja numa residência artística à China, a convite da ‘Currents: Art & Music’, ao lado do artista Jorge Barrão.
2013 - Realiza exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, na qual exibe uma sequência de trabalhos inspirados no universo esportivo. Posteriormente, a mostra itinera para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
Participa das coletivas: “Possíveis Mirantes”, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza; “30 x Bienal”, Fundação Bienal, São Paulo; “Sobrenatural”, Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Tomie Ohtake: Correspondências”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Mitologias por procuração”, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Ilustra o livro “Ser Criança”, de Tatiana Belinky, editado pela Companhia das Letras, São Paulo.
2014 - Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: “Pintura como meio – 30 anos depois”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC USP Ibirapuera, São Paulo; “Diálogos com Palatnik”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Inventário da Paixão”, no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro e “Cruzamentos Contemporary Art in Brazil”, no Wexner Center for the Arts, Columbus/EUA. Nesta última, expõe o trabalho “Santos”, de 2012.
Ilustra o livro “A menor coisa que existe”, com texto de Alice Ruiz e Sérgio Novaes, publicado pelo SESC São Carlos, São Paulo.
2015 - Realiza exposição individual "Leda Catunda e o gosto dos outros", no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, onde exibe trabalhos inéditos, resultado de três anos de produção da artista. Na individual "Leda Catunda - Projeto Night Club", na Galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, é exposta a série de gravuras que leva o mesmo título da mostra, além de pinturas inéditas. Realiza, ainda, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, mostra individual de caráter retrospectivo, com trabalhos de 1985 a 2015.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, na Galerie Maximillian, Aspen; Espírito Oitenta, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória; Geração 80, Ousadia & Afirmação, na Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba.
É curadora da mostra coletiva de pinturas "A história da imagem", na SIM Galeria, em Curitiba.
2016 - Realiza exposição individual "I love you baby", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Paulo Miyada.
Dentre as exposições coletivas das quais participa, destacam-se: "Aprendendo com Dorival Caymmi - civilização praieira", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Clube de Gravura: 30 Anos", no Museu de Arte Moderna de São Paulo; "A Arte de Contar Histórias", no MAC Niterói; "Os muitos e o um - arte contemporânea brasileira na coleção de Andrea e José Olympio Pereira", com curadoria de Robert Storr, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; "Iberoamérica - Arte Moderno y Contemporáneo", no Museo Casa Diego Rivera, em Guanajuato, no México.
É uma das curadoras da mostra coletiva de pintura "Desassossego", na Galeria Estação, em São Paulo.
2017 - Recebe prêmio da Revista Bravo de "melhor exposição do ano" pela mostra "I love you baby" realizada no Instituto Tomie Ohtake. Tem um conjunto de quatro obras instaladas sobre papel de parede de sua autoria, no 7º andar do novo Sesc na rua 24 de Maio em São Paulo. Realiza a curadoria da mostra "A bela e a fera" na Galeria Central em São Paulo. Faz uma residência de 45 dias na cidade do Porto em Portugal, inaugurando em seguida a mostra "Espessura do Real" na Galeria Kubik.
Fonte: Leda Catunda. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Biografia – Itaú Cultural
Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003, defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásticas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.
Análise
Leda Catunda estuda artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap em São Paulo, de 1980 a 1984. Lá, assiste às aulas de Nelson Leirner (1932), Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003) e Walter Zanini (1925). Os professores aproximam-na de discussões sobre arte conceitual, o estatuto da obra, sua mercantilização e o uso de meios tecnológicos de produção. Na mesma época, interessa-se pela pintura neo-expressionista produzida na Europa e nos Estados Unidos por artistas como Julian Schnabel (1951), Sandro Chia (1946) e Francesco Clemente (1952). Segundo o crítico de arte Tadeu Chiarelli, em suas primeiras obras, Leda trabalha com questões críticas do debate conceitual, como os interesses plásticos dos neo-expressionistas.1 Em 1982, faz litografias em que se apropria de imagens televisivas, procedimento familiar à geração de seus professores. Ao mesmo tempo, pinta quadros realistas.
No ano seguinte, a pintura passa a ser central em sua poética. Trabalha sobre tecidos estampados, cobrindo as figuras com cor. Continua trabalhando sobre superfícies estampadas. Ao invés de cobrir as imagens, sua pintura as realça, como em Jaguar (1984). Realiza figurações a partir do agrupamento de objetos e suportes inusitados. Junta tecidos recortados, costura-os e sobrepõe elementos pouco usuais à pintura. As obras ficam entre a pintura e o objeto. A artista lida também com motivos figurativos presentes na cultura popular.
Paulatinamente, o interesse de seu trabalho migra do tema da figuração para as questões estruturais. Chiarelli, afirma que "em 1989 (...) Leda tenta redimensionar a sua produção, atentando mais precisamente para os seus aspectos visuais e plásticos, buscando com ímpeto desvencilhar-se do caráter anedótico e fortemente narrativo que caracteriza o seu trabalho anterior". Não abandona a figura; no entanto, concentra-se nas relações formais e na estruturação da tela a partir do uso de materiais não convencionais, como meias e camisetas.
Na década de 1990, aprofunda o interesse pela especificidade dos materiais com que trabalha. Cria superfícies pictóricas a partir da sobreposição de tecidos e outros meios planos e coloridos. Trabalha com elementos diferentes, como tule, veludo, plástico, acolchoados, lona, couro e fórmica. O modo de agrupá-los por vezes é abstrato. Em outros trabalhos, como os relevos, a composição guarda familiaridade com imagens recorrentes. Partem de motivos simples, como o desenho da lua, insetos, gotas e partes do corpo. Nesses trabalhos, feitos na segunda metade da década de 1990, aproxima-se das esculturas de Claes Oldenburg (1929).
Críticas
"(...) A originalidade de Leda está em seus materiais, em sua postura e em seu fazer. Ela pinta sobre suportes absolutamente não convencionais, muitas vezes aproveitando imagens neles preexistentes. (...) em vez de telas, há uma barraca de praia, o couro de poltronas desmontadas, toalhas de banho, edredons, rendões, cabeleiras postiças e até babadinhos de capa de liquidificador, transformados em telhados de casinhas, onde luzes se acendem. Um dos trabalhos mais provocativos é o das cabeleiras. Uma composição em negro, dramática, algo mórbido. Resulta de uma viagem da artista ao Japão e reproduz - com absoluta liberdade - o clima claustrofóbico das multidões do metrô de Tóquio. A figuração de Leda, que confessa não saber desenhar uma pessoa, é assumidamente meio canhestra, a não ser quando ela aproveita para colorir desenhos já estampados. Deve-se ler essa pintura com olhos de 1987, entendendo a arte como uma idéia vigorosa e pessoal, cuja força conta mais que a execução e a 'cozinha' da técnica. (...)" — Olívio Tavares de Araújo (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985:seu mercado, seus leilões. Prefácio Pietro Maria Bardi; Mino Carta. São Paulo: J. Louzada, 1984. p. 240).
"Numa época em que a pintura foi esquadrinhada, analisada, trabalhada no seu essencial, aparentemente esgotada na modernidade, como em projetos como o de Robert Ryman, Leda Catunda não elide nem busca sair pela tangente com relação à reificação da pintura, Catunda opera sua ironia. Suportes e superfície, tintas (gotas e pinceladas), cor - tudo está em colapso. A pintura reencontra seu sentido toda vez que um artista reinventa uma forma de pintar. Em sua paixão de pintar, Catunda escapa, na sua relação com a história da pintura, de algumas epidemias, tais como a epidemia das metáforas e a epidemia das citações. (...)
Em suma, sua pintura é paradoxal: persegue a realidade sem desistir da superfície sensual (...). Não pensa ter de escolher entre sentimento e pensamento (...). Sua pintura revela a base da natureza inumana em que o homem se instalou. A pintura de Leda Catunda se instala naquele território irrequieto e de problemática conciliação entre sentidos e razão" — Paulo Herkenhoff (CATUNDA, LEDA. Leda Catunda. Texto Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1996).
"Passados quase vinte anos de sua primeira grande aparição no circuito de arte paulistano e brasileiro, Leda Catunda se caracteriza hoje como uma artista que vem sabendo, como nunca, mesclar aos ensinamentos recebidos de seus professores na Faap, e à sua experiência como uma das artistas mais em evidência durante toda a década passada, um forte componente de inquietação diante das possibilidades da arte nos dias de hoje.
Ao invés de acomodar-se aos achados primeiros de sua carreira, ousou redimensionar o devir de sua obra em direção a um aprofundamento extremamente particular da pintura, enquanto instituição e enquanto modalidade sensível de conhecimento do mundo. Para isso, valeu-se da introdução, nesse campo, de procedimentos tradicionalmente alheios a ele, fato que determinou sua singularidade no âmbito das artes visuais no país.
Ainda em pleno processo de ampliação e sedimentação de sua poética, a duras penas resgatada das marchas e desvios abruptos que marcaram sua carreira no final da década passada e início desta, a artista Leda Catunda, no entanto, já demonstra ter alcançado um endereçamento definitivo para sua obra, enfatizando e ampliando os limites da pintura ainda enquanto instrumento de indagação sobre a forma e sobre a percepção do mundo" — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Problematizando a natureza da pintura. In: LEDA Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. p. 29).
Exposições Individuais
1985
- Thomas Cohn Arte Contemporânea Rio de Janeiro/RJ
1986
- Espaço Investigação, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Porto Alegre/RS
1987
- Galeria Luisa Strina São Paulo/SP
1988
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ
1990
- Museu de Arte Contemporânea de Americana, Americana/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Pasárgada Arte Contemporânea, Recife/PE
1992
- Centro Cultural São Paulo/SP
- Galeria São Paulo/SP
- Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa/Portugal
1993
- Módulo Centro Difusor de Arte, Porto/Portugal
- Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ- Pulitzer Art Gallery, Amsterdã/Holanda
1994
- Galeria Volpi, Fundação Cassiano Ricardo, São José dos Campos/SP
1996
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1997
- Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
1998
- Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- Galeria Camargo Vilaça, São Paulo/SP
1999
- Paço das Artes, São Paulo/SP
2000
- Galeria Kalil&Lauar, Belo Horizonte/MG
- Galeria de Arte Marina Potrich, Goiania/GO
- Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, Vitoria/ES
2001
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR
2002
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
2003
- Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
- Fundación Centro de Estudos Brasileiros, Buenos Aires/Argentina
- Centro Cultural São Paulo, São Paulo/SP
- Anual da Faap, artista convidada, São Paulo/SP
2004
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
2005
- Galeria Alberto Sendros, Buenos Aires/Argentina
- Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP
2006
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Galeria Marina Potrich, Goiania/GO
2007
- Dragão do Mar, Mac de Fortaleza/CE
- Galeria Arte 21, Rio de Janeiro /RJ
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2008
- Galeria 111, Lisboa/Portugal
2009
- Galeria Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Estacão Pinacoteca, São Paulo/SP
2011
- Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro/RJ
- Galeria Paulo Darzé, Salvador/BA
2012
- Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires, Argentina
2013
- Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
- Museu Oscar Niemeyer - MON, Curitiba/PR
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM, Rio de Janeiro/RJ
2014
- Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus/USA
- Pintura como meio - 30 anos depois, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- Inventário da Paixão, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro/RJ
- Diálogos com Palatnik, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Autoria, curadoria, reforma e contra-reforma, Estúdio Alvaro Razuk, São Paulo/SP
2015
- Leda Catunda e o gosto dos outros, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo/SP
- Leda Catunda - Seleção de obras de 1985 a 2015, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza/CE
- Leda Catunda - Projeto Night Club, Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
2016
- Leda Catunda - I love you baby, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2017
- Leda Catunda - Kubik Galeria, Porto / Portugal
2019
- Paisagem moderna, Projeto parede, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2021
Fuera de serie - MALBA Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires / Argentina
Exposições Coletivas
1983
- Pintura como Meio, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- XVII Bienal Internacional de São Paulo, Vídeo Texto, São Paulo /SP
1984
- ARCO, Thomas Cohn Arte Contemporânea, Madrid/ Espanha
- Leda, Sérgio, Ciro, Leonilson, Galeria Luisa Strina, São Paulo/SP
- I Bienal de Havana, Havana/Cuba
- Geração 80, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ
1985
- Nueva Pintura Brasileña, CAYC, Buenos Aires/Argentina
- XVIII Bienal Internacional de São Paulo/SP
- Today’s Art of Brasil, Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo/Japão
1986
- Transvanguarda e Culturas Nacionais, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ
- El Escrete Volador, Guadalajara/México
- Brazilian Painting, Snug Harbor Cultural Center New York/EUA
1987
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de Paris/França
- Imagem de Segunda Geração, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
1988
- Modernidade, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Dimensão Planar, Funarte, Rio de Janeiro/RJ
1989
- Arte Híbrida, Funarte Rio de Janeiro, MAM de São Paulo, Espaço Cultural BFB Porto Alegre
- U-ABC, Stedelijk Museum Amsterdam/Holanda
- Panorana da Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1990
- U-ABC, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa/Portugal
- Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Museu de Arte de Brasília, Brasília/DF
1991
- Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo/Suécia
- Mito y Magia, Museu de Arte Contemporânea de Monterrey/México
- Brasil La Nueva Generacion, Museu de Belas Artes de Caracas/Venezuela
1992
- Entretrópicos, Museu de Arte Contemporânea Sofia Imberg, Caracas/Venezuela
- Um olhar sobre o figurativo, Galeria Casa Triângulo, São Paulo/SP
- Artistas Latinoamericanos del Siglo XX, Estación Plaza de Armas, Sevilla/Espanha
1993
- Lateinamerikanische Kunst, Museum Ludwig Kunsthalle Josef-Haubrich, Colônia/Alemanha
- Latin American Artists of the Twentieth Century, Museum of Modern Art, New York/EUA
- De Rio a Rio, Galeria OMR, Cidade do México/México
- Ultra Modern: The Art of Contemporary Brazil, The National Museum of Women in the Art, Washington DC/EUA
- A Presença do Ready Made, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
1994
- Pequeño Formato Latino Americano, Galeria Luigi Marrozini, San Juan/Porto Rico
- Bienal Brasil Século XX, Fundação Bienal, São Paulo/SP
- XXII Bienal Internacional de São Paulo/SP
1995
- Havana - São Paulo, Lunge Kunst aus Lateinamerica, Haus der Kulturen der Welt, Berlin/Alemanha
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, Milwaukee Art Museum/EUA Phoenix Art Museum, Denver Art Museum/ EUA
- A Infância Perversa, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ
1996
- Latin American Women Artists 1915 - 1995, National Museum of Women in the Art, Washington D.C., Center for the Fine Arts, Miami/EUA
- Contrapartida, Kunstspeicher, Potsdam/ Alemanha
- Artistas Contemporâneos Brasileiros, Bayer, Leverkusen e Dormagen / Alemanha, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
1997
- 15 Artistas Brasileiros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ Museu de Arte Moderna da Bahia/BA
- Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo/SP
- ES 97 Tijuana, Centro Cultural Tijuana, Museu Rufino Tamayo, Cidade do México / México
- Material Immaterial, The Art Gallery of New South Wales, Sydney/Austrália
- Experiências e Perspectivas, Museu Casa dos Contos, Ouro Preto/MG
- Brasil - Reflexão 97, Museu Metropolitano de Arte, Curitiba/PR
1998
- Galeria Kolams, Belo Horizonte/MG
- Anos 80, Galeria de Arte Marina Potrich, Goiânia/Go
- Der Brasilianische Blick, Haus der Kulturen der Welt, Berlim/Alemanha
- O Moderno e o Contemporâneo, Coleção Gilberto Chateaubriand, MASP, São Paulo/SP
1999
- Cotidiano/Arte: Objeto - Anos 90, Instituto Cultural Itaú, São Paulo /SP
- Artistas do Festival, MAC Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre/RS
- O Brasil no Século da Arte, A Coleção MAC USP, Galeria de Arte do SESI, São Paulo /SP
2000
- Mostra do Redescobrimento - Brasil + 500, Fundação Bienal de São Paulo/SP
- III Semana Fernando Furlaneto, São João da Boa Vista/SP
- O Século das Mulheres, Algumas Artistas, Casa de Petrópolis, Petrópolis/RJ
- Obra Nova, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
2001
- Signs of life, Galeria Ramis Barquet, New York/EUA
- Inventário Poético, Galeria Casa da Imagem, Curitiba/PR
- O Espírito da Nossa Época, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Trajetória da Luz, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Bienal do Mercosul, Porto Alegre/RS
2002
- Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP, Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos/SP
- Mapa do Agora, Instituto Tomie Othake, São Paulo/SP
- Ares&pensares, Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
2003
- Pele e Alma, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Rodrigo Andrade e Marco Gianotti, Aria Arte Contemporânea, Recife/PE
- "2080", Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
2004
- Still Life, Museu de Arte Contemporânea, USP - Fiesp, São Paulo/SP
- Geração 80, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro/RJ
- Heterodoxia, Memorial da América Latina, São Paulo/SP
2005
- Homoludens, Instituto Cultural Itaú, São Paulo/SP
- Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2006
- Manobras Radicais, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo/SP
- Volpi Heranças Contemporâneas, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo /SP
- Fortes Vilaça na Choque Cultural, Galeria Choque Cultural, São Paulo/SP
- Padrões e padronagens, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- Mam na Oca, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP
2007
- Itaú Contemporâneo, Itaú Cultural, São Paulo/SP
- Intimidades, Galeria Marilia Rasuk, São Paulo/SP
- 80/90 Modernos Pós Modernos etc, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
2008
- Poética da percepção, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/RJ, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR
- Desenho em todos os sentidos, Sesc Petrópolis/RJ
- HAPTIC, Tokyo Wonder Site, Tokyo/Japão
2009
- Memorial Revisitado, 20 anos, Memorial da America Latina, São Paulo /SP
2010
- Artista Convidada, Salão de Artes de Itajaí/SC
2011
- Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorano, Belém/PA
- “Beuys e bem além: Ensinar como arte” Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Leda Catunda, Carmela Gross, Jac Leirner e Jorge Macchi, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo/SP
2012
- Leonilson, Sob o peso dos meus amores, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/RS
- Exercícios de olhar, Museu Lasar Segall, São Paulo/SP
2013
- Tomie Ohtake: Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo /SP
- Mitologias por procuração, Museu de Arte Moderna de São Paulo /SP
- Sobrenatural, Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP
2014
- Pintura como Meio - 30 anos, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/SP
- Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center, Columbus/EUA
2015
- Southern Exposure: 5 Brazilian Artists, Galerie Maximillian, Aspen/USA
- No Sound, Anexo Galeria Millan, São Paulo/SP
- Quando eu piso em folhas secas, Sala de Arte Santander, São Paulo/SP
- Espírito Oitenta, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES
- Geração 80, Ousadia & Afirmação, Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba/PR
2016
- Tertúlia, Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo/SP
- Aprendendo com Dorival Caymmi, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Clube de Gravura: 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo/SP
- Os muitos e o um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP
- Auroras - pequenas pinturas, Auroras, São Paulo/SP
2017
- Metrópole: Experiência Paulistana, Pina Estação, São Paulo/SP
- Tão diferentes, tão atraentes, Galeria Carbono, São Paulo/SP
- Troposphere: China-Brazil Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, China
- Historias da Sexualidade, MASP, São Paulo/SP
2018
- Jardim das delicias com juízo final, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro/RJ
- Transformers, Auroras , São Paulo/SP
- O maravilhamento das coisas, Galeria Sancovsky, São Paulo/SP
- Alcides/Leda, Onde estamos e para onde vamos, Galeria Estação, São Paulo/SP
- 33a. Bienal de São Paulo/SP
2019
- Perdona que no te crea, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Colapso, Galeria Athena, Rio de Janeiro/RJ
- O pequeno colecionador, Carbono Galeria, São Paulo/SP
- Artista, substantivo no feminino, ArteEdições Galeria, São Paulo/SP
2020
- Cities in Dust, Carpintaria, Rio de Janeiro/RJ
- Bienal Naifs, SESC Piracicaba/SP
- Casa Carioca, MAR Museu de Arte do Rio /RJ
- Já estava assim quando eu cheguei, Galeria Ron Mandos, Amsterdã/Holanda
2021
- Entretecido/Interlace, Galerias Municipais, Lisboa/Portugal
- Sobressalto, CAA Centro de artes de Agueda, Portugal
- Semana de 21, Instituto Artium, São Paulo, SP
- Dizer não, Galpão 397, São Paulo, SP
- Os monstros de babaloo, FDAG, São Paulo, SP
- A máquina do mundo - Arte e indústria no Brasil, Pinacoteca Luz, São Paulo, SP
Coleções públicas
- Museu Oscar Niemeyer, Curitiba - MON
- Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP
- Museu de Arte de São Paulo - MASP
- Stedelijk Museum Amsterdam
- Museu de Arte de Brasília - MAB
- Museu de Arte Contemporânea de Americana - MACA
- Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM
- Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM
- Fundação Padre Anchieta, São Paulo
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Coleção Gilberto Chateaubriand) - MAM
- Acervo Contemporâneo UFF , Niterói
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói
- Centro Wilfredo Lam, Havana
- Casa das Artes Miguel Dutra, Piracicaba
- Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Pinacoteca Municipal de São Paulo
- Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP
- Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC
- Casa das Onze Janelas, Belém do Pará
- Fundación ARCO, Santiago de Compostela
- Toyota Municipal Museum of Art
- Centro Cultural UFG, Goiânia/GO
Prêmios
1990 - Aquisição, Prêmio Brasília de Artes Plásticas/DF
2017 - Melhor exposição do ano, Revista Bravo
Fonte: LEDA Catunda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 05 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Filha de Vera Catunda Serra, arquiteta e paisagista, e de Geraldo Serra Gomes, também arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Leda Catunda é também sobrinha-neta do matemático Omar Catunda e da compositora Eunice Catunda.
Graduou-se em artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde estudou, entre 1980 e 1984, tendo como mestres Regina Silveira, Júlio Plaza, Nelson Leirner e Walter Zanini, entre outros. Tem então seus primeiros contatos com a arte conceitual, manifesta em suas primeiras litografias. Inicia-se no circuito artístico nessa mesma época, por intermédio de Aracy Amaral, crítica de arte e então diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP, que divulga seu trabalho ao lado dos igualmente estreantes Sérgio Romagnolo (com quem foi casada por um período), Ana Maria Tavares, Ciro Cozzolino e Sergio Niculitchef, na exposição Pintura como meio, ocorrida em 1983.
Integrou a famosa exposição Como Vai Você, Geração 80?, sediada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. Ganhou destaque nacional após a mostra, estampando as capas de revistas e jornais, despertando a atenção tanto da crítica especializada em função da contestação que suas obras exprimiam em relação à arte conceitual dos anos setenta.
Leda Catunda esteve entre os principais expoentes da assim chamada Geração 80, apoiando o movimento de revalorização da pintura frente às tendências conceituais da década anterior. Expôs na XVII Bienal Internacional de São Paulo, ainda em 1983, apresentando um videotexto. Apresentou-se também na I Bienal de Havana, em Cuba, em 1984, voltando a expor na Bienal de São Paulo, em 1985, além de outras grandes mostras coletivas, como Modernidade (Paris, 1987). Atua também na academia: em 1986, passou a lecionar tanto na FAAP quanto em seu ateliê, permanecendo na função até meados dos anos noventa. Paralelamente, ministrou cursos livres e workshops em diversas instituições do país e também no exterior. Em 1990, venceu o "Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal", na categoria aquisição.
A princípio, sua produção pictórica explora os limites entre a pintura e o objeto, não isenta de referências à pop art, em que pesam o uso de volumes estofados à maneira de Claes Olden e as composições neoconcretistas de Lygia Pape. Seus trabalhos da década de oitenta possuem um forte traço descritivo e caricatural, destacando-se pela atenção dispensada às texturas e superfícies dos materiais industrializados, aos quais a artista adiciona acabamento em técnica artesanal, almejando realçar a particularidade e originalidade de cada peça.
Na década de 90, eliminou as narrativas em favor das composições geométricas, em uma produção mais "limpa" em termos de cor, figuração e textura. A artista busca desde então atingir formas agradáveis e sensuais, utilizando-se de tecidos e outros materiais maleáveis e leves, em referência aos elementos da natureza. Sua obra visa despertar a curiosidade e as sensações táteis, mas mantem o traço crítico, voltado à banalização das imagens na sociedade contemporânea. Integrou o grupo de artistas selecionados para a Mostra do Descobrimento, em 2000, e voltou a expor na Bienal de São Paulo, em 2008.
Doutorou-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 2003, defendendo a tese Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, sob orientação de Júlio Plaza. Entre 1998 e 2005, lecionou pintura e desenho na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista. Em 1998 a editora Cosac & Naify publicou o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 2 de dezembro de 2022.
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Conversa com Leda Catunda – Gravura Contemporânea
LEDA CATUNDA: Eu sou paulista, estudei na FAAP, meus pais são arquitetos. Isso marcou muito a minha formação porque cresci indo a muitas exposições, a todas as bienais. E quando chegou a hora de escolher o que eu queria ser achei que artes plásticas era um campo bom. Também quis ser cantora, atriz – hoje eu agradeço aos céus porque já acho tão difícil ser artista plástica, e cantora ou atriz é bem mais difícil.
O primeiro trabalho que eu apresentei no MAC em 1983, vinha de uma série de imagens que chamei de Vedações (ainda estava na faculdade, mas acho interessante mostrar). Vedação é um procedimento que eu escolhi, de apagar imagens. Escolhi pois na faculdade tinha muitas aulas de desenho – quase insuportáveis –, e eu sempre me esforçava com aquele lápis 2B, 4B, 6B, papel canson. E, quando mostrava, o professor falava: “Você ainda não chegou lá….”. Eu falei: “Não vou mais desenhar, o mundo inteiro está desenhado. Não vou ficar aqui ralando. Vou tirar fotos”. Depois eu continuei a desenhar.
Mas desde o início, no trabalho, pensei em fazer a apropriação de imagens prontas e isso é a principal linha que mantenho até agora. Sempre me apropriando de imagens que surgem em estampas, em roupas, em tecidos em geral, pois foi o que eu achei que funcionava melhor para pintar. O que estávamos tentando fazer na época era um tipo de pintura conceitual. Eu, a Ana Tavares, o Sergio Romagnolo e mais algumas pessoas da FAAP, a Jac (Leirner) e a Mônica Nador. Um tipo de retorno à pintura, ou na verdade um retorno ao uso da tinta, uma vez que esses primeiros trabalhos que eu realizava não eram exatamente pintura em tela. Eu escolhi as tintas industriais de cores mais toscas, e adotei um procedimento meio mecânico.
Havia imagens já impressas nessas estampas, pequenos desenhos. Uns eu deixava aparecendo, outros não, e dessas imagens pequenas encontradas nas estampas passei para outras um pouco maiores que encontrei em toalhas de banho; e assim meu trabalho foi enveredando para “cama, mesa e banho”. Essas imagens têm um gosto especial. O procedimento de pintura que adotei não era o de uma pintura de representação, eu estava sendo fiel à atitude de vedar. Depois, procurando outros materiais, encontrei texturas, como os pelos que usei para fazer dois gatos (Xica, a gata/Jonas, o gato, 1984), cujos olhos acendiam. E acabei me apropriando de vários objetos que vinham com as estampas. Comecei também a assimilar o significado disso, do objeto. No começo eu estava interessada só na imagem, mas então umas pessoas falavam: “Ah!! Umas toalhas!”, e eu percebi que não podia escapar do objeto em si. Assim fui assimilando outros objetos, como, por exemplo, um colchão (Paisagem com lago, 1984). Eu estava interessada na textura do céu que já vinha impressa ali. Depois cavuquei, criando um lago. E virou uma paisagem de sonho, à medida que ela acontece num colchão.
Havia um cobertor (A praça, 1985), que já tinha uma estrutura. Eu aproveitei as bordas do cobertor e fiz um tipo de moldura. Assim, fica sempre um misto do que eu ponho de tinta com a imagem que está embaixo. Isso foi nos anos 1980.
A questão do gosto é um assunto que sempre me interessou. Há um comentário entre o camp e o kitsch nos trabalhos a partir do uso das imagens contidas nos materiais, da natureza da sua fabricação, da ideologia em torno da qual gira o gosto da indústria ou da sociedade que produz tais materiais. Ou, ainda, o significado subjetivo que esses artefatos adquirem na nossa vida. Porque, à medida que decidi que não desenharia e utilizaria imagens prontas, eu uso o que encontro, mais ou menos de gosto popular, porque é o que está à venda nas lojas.
Eu gosto da definição do Abraham Moles segundo a qual o kitsch está ligado a um novo tipo de relação entre o ser e as coisas, um novo sistema estético ligado à emergência da classe média e da civilização de massa, que só reforça os traços dessa classe. E aqui o termo beleza não tem sentido – não é nenhum belo platônico, nem o feio: é o imediato, é o aspecto dominante da vida estética cotidiana.
Essa questão não está presente só nas imagens que eu utilizo, mas os trabalhos ficam com uma cara de um gosto um pouco exagerado. Ficam um pouco cafonas. Assim como no trabalho mais cafona que já fiz, chamado Paisagem da estrada (1987), em que apareciam umas casinhas que eu via no caminho para a praia nas montanhas da Tamoios. E pensava: “Quem mora naquelas casinhas?”. E tinha as luzinhas, e eu pus as luzinhas também, é um trabalho que acende. Usei nos telhados e na janelinha aquelas roupinhas de liquidificador que são uma referência ao kitsch, o conjuntinho para o liquidificador, o botijão, máquina de lavar e que se pode comprar em cores diferentes e ir trocando conforme chega o inverno e seus aparelhos ficam com frio.
Eu acho interessante a questão do uso da imagem, na nossa cultura, e nesse contexto as pessoas se apegam às imagens que surgem em coleções, em personagens, em coisas da moda.
Agora eu estou mudando todo o trabalho. Estou elaborando imagens do universo dos esportes. Acho incríveis, principalmente na Copa do Mundo, aquelas camisetas com design superelaborado. Futebol é um esporte que dá muito dinheiro, então eles investem no design e na tecnologia do tecido. Você sua, e nem parece que suou. Secam rápido e têm cortes incríveis.
Eu me interesso pelo gosto popular pelas imagens e como essas imagens são importantes culturalmente.
Depois de trabalhar, nos anos 1980, com imagens mais anedóticas, digamos assim, de um universo meio infantil, fiz alguns trabalhos mais abstratos. Ainda tem a questão do material, mas com menos importância. Eu fiz os gatos, depois fiz umas onças. Enveredei para outros tipos de imagens, nas quais a questão do material ainda importava bastante, mas não são tão narrativas como as que eu usava nos anos 1980.
As Duas bocas (1994) são de lona pintada, e há uma parte de um veludo vermelho que cai, formando o desenho das bocas. E tem também O fígado (1990), que tem uma circunferência de 2,60 metros de pelúcia, cheia de tinta. E há uma rodelinha de fórmica no chão, que contrasta um pouco. Também me interessei pela cor da fórmica, essas coisas industriais, ”ready made”. São apropriáveis e estão à disposição.
Na época em que eu fiz o doutorado, o meu orientador falou “Você tem de incluir o Dali!”. E eu falei: “Eu não vou incluir o Dali, ele não tem nada a ver!”. Ele falou “Ele derreteu as formas”. Na época eu estava falando sobre pinturas moles ou pinturas macias. E fiquei besta quando li as entrevistas do Dali, as teorias, e realmente eu me rendi às imagens com esses moles.
Outra referência para o meu trabalho são as formas arredondadas da Tarsila, e mesmo o jeito como ela pinta, com aquele degradezinho, fazendo relevos, é um estilo com o qual me identifico bastante, o tipo de natureza brasuca caipira, bem forte na nossa cultura.
Depois eu enxerguei no Oldenburg outro tipo de amolecimento de objetos. É uma coisa sem fim, porque tanto para o Oldenburg como para o Robert Morris, que é um salto total, está a questão da gravidade, do peso do material, da formação da imagem pela força da gravidade.
São assuntos que vieram do meu doutorado, mas que acho interessante relacionar, pois os trabalhos não surgem avulsos no mundo, eles surgem de algum lugar.
Depois, eu fui ver os artistas mais próximos. O Antonio Dias, além daquela carne toda aveludada, em volta do quadro ele bota uma tripa recheada. Eu falei para ele: “Antonio, eu vou usar isto aqui!”. Estou usando e fiz vários trabalhos com esse negócio porque eu achava muito bacana o trabalho ficar preso numa coisa fofinha.
Depois o Nelson Leirner, que foi meu professor e tinha um trabalho em que ele colocava um zíper (Homenagem a Fontana II, 1967). Na época a gente estudava na FAAP, podia ir à Pinacoteca, e eu ia todo final de semana porque podia mexer no trabalho. Agora não pode mais tocar, tem uma caixa de acrílico, virou uma coisa historicizada, totalmente sem motivo. Eu ficava abrindo e fechando esses zíperes, achava superinteressante essa pintura que tinha coisas por baixo.
Depois tem uma serie de referências do mundo, que são essas coleções de plantinhas. As plantinhas eu vejo na pintura da Tarsila, porque ela faz umas paisagens grandes, mas as plantinhas são as suculentas. No meu trabalho, parece que há plantas em miniatura, plantas de brinquedo ou vegetação de desenho animado. Eu gostava muito daquelas do Maurício de Sousa, da Mônica, sempre tinha uma pedra e umas gramas. Outra referência são as mórulas. Mórula é aquela primeira repartição das células no momento da fecundação, que em latim quer dizer amora; um tipo de imagem feita de agrupamentos.
Em determinado momento, eu comecei a introduzir fotografias nos meus trabalhos. Em geral, se tem foto no trabalho, é foto minha, pois eu acho um pouco difícil usar o olho de outro fotógrafo.
Já em Línguas verdes II, de 1995, nessa mesma sequência de referências orgânicas de línguas, têm um procedimento semelhante ao de trabalhos de 1980; são estampas apropriadas e recobertas de verde. De perto, além do teatro que é a própria obra, com essas línguas vindo para a frente, pode-se reconhecer a estampa de algo familiar. É a questão da apropriação, do uso de coisas do mundo, disponíveis a todos. Sempre ouvi comentários como: “Ah, eu tenho uma roupa com esse pano”, “Minha tia tem esse sofá”. E o pior de todos: “Minha tia tem uma colcha horrível, é a sua cara!”.
Outra referência são os insetos, cuja estrutura me serviu para fazer coisas com volume. Fiz algumas moscas em épocas diferentes; uma roxinha, em 1994, e uma preta, que, embaixo, tem vinte asas branquinhas. Eu acho esse o momento mais escultórico do meu trabalho.
Outra referência é a casa. Um trabalho é feito de almofadas (Almofadas azuis, 1992); outro, de uma uma cortina que tem a própria estrutura da janela (A janela II, 1987).
Essas pinturas surgem de registros em aquarela. Da aquarela eu faço modelos em papel de seda, e depois em lona. Normalmente tem uma engenharia.
Além das pinturas, há também colagens grandes, onde eu realmente experimento. Elas não têm uma hierarquia, vão acontecendo com os restos do ateliê e muitas vezes nessas “colagenzonas” chego também a imagens que me interessam e que depois eu transponho.
A apropriação mais louca que eu já fiz foi de um trabalho do Düher, por quem eu tinha fascinação, digitalizado e impresso a partir de um livro de história. Ele fez uma viagem da Alemanha para a Itália só para construir essas tábuas, que hoje estão no Prado, ilustrando como fazer a figura do homem e da mulher. Eu me questiono se o trabalho é bom ou se Düher é bom, pois é muito difícil usar uma imagem de outro artista.
Alguns trabalhos funcionam como uma instalação, como um que realizei na sala redonda do Maria Antônia. Fiz o trabalho para sair da parede e escorrer pelo chão, são vinte e duas partes de veludo. O entrelaçamento, eu comecei a fazer esticando a tela no chassi e deixando buracos para ir rompendo a estrutura da pintura. Depois eu tentei fazer a estrutura ficar orgânica, e com a ajuda de um designer fiz os chassis. Demorei dois anos para fazer esse trabalho, e já tinha uma paisagem ao fundo, uma foto de Aiuruoca, em Minas Gerais. E quando ele já estava pronto achei que estavam faltando as pessoas. Foi quando comecei a pensar nelas como estampa. Existem essas revistas com milhões de pessoas que não conhecemos e mesmo assim olhamos a revista inteira.
As pessoas foram usadas depois, em outras situações. São conhecidos, pois não posso usar imagens sem autorização. Tive de consultar cada um. E quando ficou muito difícil eu enfileirei os alunos e falei “fiquem aí”. Então, tem muitos alunos. O Nelson Leirner, também professor, deve estar no meio, também o Nuno Ramos. Esse trabalho realmente tem muitos amigos – e essa ideia das pessoas como estampa. Muita gente para na frente do trabalho e comenta: “Aquela parece a sua tia”.
As fotos de animais ocupam o mesmo lugar que eu chamo de gosto. De como construímos o nosso entorno. Os animais de estimação e os de fábulas, a galinha boa, o porquinho mau.
As fotos de lugares típicos, dos quais o Brasil é cheio, têm a mesma mágica. Eu viajei por muitos lugares, Recife, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, para fazer essa coleção de imagens. Também associo essas imagens à questão do conforto. De a pessoa trabalhar muito, juntar dinheiro, pagar em dez vezes no cartão de crédito e ir para um lugar assim por sete dias.
Eu fiz o Katrina (2009), espalhando as partes na parede, pois fiquei impressionada com uma imagem que o Al Gore usou no documentário, no qual ele diz que precisamos resfriar o planeta. E mostra o Katrina chegando ao golfo do México, recebendo o vapor gigante e indo para Nova Orleans. Uma imagem incrível feita por satélite.
Uma francesa falou para mim: “É muito alegre isso aqui para ser um furacón, não é?”. Mas o furacão não é bom ou mau; é um fenômeno. A obsessão pela ecologia é um pouco esquizofrênica, pois estamos num planeta, no universo, e não temos a menor ideia do que estamos fazendo aqui. E vamos dizer: “Não, somos nós que estamos esquentando tudo”. E se o Sol estiver mais perto?
CARLOS EDUARDO RICCIOPPO: Leda, para pensar algumas questões sobre o seu trabalho, eu diria que a ideia de expressão e a ideia de pop vêm juntas desde o começo na sua obra.
Pensando sobre as Vedações, e eu gosto especialmente da Vedação em quadrinhos, que acho que é de 1983, com setenta toalhas pequenas e algumas se repetem…
LC: São personagens da Hannah Barbera e do Maurício de Sousa.
CER: Em um detalhe da obra, dá para ver o Pernalonga repetido várias vezes, algumas vezes só a cenoura, outras vezes ele mesmo. Algo que eu acho muito bom nesses trabalhos é o fato de os gestos de cobertura não parecerem expressivos em si. Apesar de você cobrir a superfície toda com tinta de um modo muito irregular, ou de modo evidentemente manual, há algo de automático nas pinceladas. Me parece que essa pintura de vedação poderia fazer o contraponto com as imagens fabricadas industrialmente que aparecem nas toalhas. Me parece que essa cobertura é mais expressiva ao passo que se contrapõe a essas imagens muito coloridas, muito vibrantes, que se repetem.
LC: É uma cor só. Na verdade, se chegar perto tem umas pinceladas e tudo, mas a única expressão que eu esperava desse gesto é talvez um pouco agressiva, como o poder do artista, no caso, de cobrir partes e deixar às vezes meio personagem pendurado. Principalmente naquelas estampas pequenas tem esse gesto de “olha, tem uma coisa aqui, mas vocês não vão enxergar”. Mas isso oscila até áreas que eu contorno com mais capricho. Porém é tudo uma relação minha com o objeto, e isso parte desde o início, da escolha do objeto. Nessa hora descobri que teria de costurar Sempre me perguntam se alguém costura para mim. Não, eu costuro.
CER: Seguindo o seu raciocínio, tem uma coisa que me agrada nesse trabalho que é o fato de ser possível identificar as várias toalhinhas, as setenta toalhas; há uma repetição nessas toalhas. Tem alguma coisa de construção que é evidente, mas ao mesmo tempo é negada pela forma meio cambaleante que isso adquire quando colocado na parede.
LC: São os primeiros trabalhos. Eu não tinha muita experiência sobre o comportamento do material e surgiu essa ideia mais pragmática de recobrir com tinta industrial. Não havia a necessidade de usar uma tinta boa, e eu tinha a noção de que isso funcionaria. Como, de fato, fiquei muito contente de ver o resultado na retrospectiva.
CER: Quando eu olho esses trabalhos, me parece que é quase uma pintura monocromática convivendo com uma figuração pobre, quase uma negação de pintura, mas ao mesmo tempo uma negação dessa imagem. Ao mesmo tempo, pelo fato de ser monocromática ou mais ou menos monocromática, ela faz com que os elementos dessa cultura industrial fiquem muito mais vibrantes, no fim das contas.
LC: Sim, pois quando eles são repetidos na indústria eles ficam meio pasteurizados. Na rua 25 de março, não se vê nada porque tudo é revestido de tudo. E aqui eles ficam um pouco separados, essa é uma das minhas intenções.
Sobre o caráter pop, quando eu estudava História da Arte, o pop sempre me pareceu a melhor ideia que já tinham tido. Eu me identifiquei, e me identifico até hoje, com a atitude do Robert Rauschenberg, do Jasper Jones e depois do Andy Warhol, de pegar o mundo de frente. Isso é uma coisa que me estimula muito. Como eu falei sobre as camisetas da Copa do Mundo, não posso fingir que não estou vendo aquilo, é completamente incrível visualmente, tem um apelo.
CER: Uma coisa que me agrada, não só nesses trabalhos, mas também na Onça pintada e nos trabalhos que contém imagens ”já prontas” de desenhos animados ou histórias em quadrinhos e naqueles que contém logomarcas e logotipos, é o fato de que essas imagens se apresentam para o seu trabalho já um tanto ”corrompidas”, por assim dizer; essas imagens precisam ser capazes de se abstrair para se tornarem mais ”circuláveis”, mas o que ocorre no seu trabalho é que ele não busca esses ”materiais” na pureza ou na qualidade máxima que eles poderiam ter ou quereriam ter. Eles aparecem nos seus trabalhos já impressos em materiais de baixa qualidade ou em materiais de uso cotidiano. Acho que isso de algum modo traz para o seu trabalho um pensamento sobre a cultura que está em jogo, que talvez ou talvez não seja uma cultura exatamente pop, uma cultura completamente fria…
LC: Meus pais eram arquitetos, modernos, e a minha casa era clean, mas a minha avó não era. Essa avó, que costurava, tinha a roupinha do liquidificador, do botijão e da máquina de lavar, um conjunto. E aquilo tinha de ser levado a sério, porque era avó, merecia respeito. E no banheiro também havia tapetinho redondo peludo, em volta do vaso sanitário e do bidê, e o vaso tinha uma capinha; o top era aquele chapeuzinho muito enfeitado do papel higiênico. O papel higiênico era o personagem principal! E eu questionava aquilo porque a minha casa era super clean, era toda de vidro e concreto, objetos do Geraldo de Barros. Tudo de design funcional. Como minha avó morava em Campinas, a entrada da casa tinha aquele caminhozinho, as rosas, ela criava galinhas, eu concluí que o universo tinha duas lógicas e elas eram muito diferentes. Eu tinha muito amor por essa avó, a gente ia à missa, ela me fazia ver certos filmes, me vestia com vestidos de crochê. Isso dava um contraste com Van der Rohe. Como eu fui criada assim, para mim são fascinantes os mitos que as imagens carregam. Não só os mitos bregas, mas também os mitos modernos.
CER: Acho que isso é inegável, porque o trabalho tem uma referência culta a uma série de movimentos, a uma série de momentos da história da arte recente. Mas me agrada a ideia de que esse elemento pop, essa cultura pop já vem entrando no seu trabalho pelo material que você utiliza… Mas uma outra questão que eu gostaria de levantar diz respeito à presença de um universo feminino em seu trabalho. Lendo uma entrevista do Leonilson, ele comenta que não vê nada de feminino em seu trabalho. Se não me engano, ele afirma que você trabalha com peso, quando lida com tecidos e todo tipo de material que, à primeira vista, refere-se a um universo feminino. Eu acho que essa é uma boa leitura, pelo menos uma boa provocação a respeito do feminino no seu trabalho. Para mim, o seu trabalho é chamativo, é feito de cores vibrantes, não possui o caráter intimista que responderia àquele clichê feminino…
LC: Isso já me causou muitos problemas; até hoje tem gente que me chama de musa, de princesinha. Saiu na capa da Veja, a ”Princesinha das artes”. Outros artistas mais velhos fizeram comentários que não têm nada a ver com a minha pessoa. Mas tenho de suportar esse assunto: sou mulher, e então o meu trabalho é feminino também. Eu encaro esse comentário de forma pejorativa. Fico paranoica e estou criando minhas filhas paranoicas também, porque acho complicada a questão da mulher. No mundo e nas artes também.
Mas eu aceito o comentário, trabalho com tecidos e com costura, fazeres associados à mulher. Então, sim, tem um caráter feminino, mas há também muitas outras coisas.
CER: Eu falei da questão do peso nos seus trabalhos porque parece importante, em todo o seu trabalho, como ele se comporta com relação à parede, ou para fazer analogia, com relação à pintura. Parece que ele é sempre definido com relação à parede, essa ideia de que as coisas pendem da parede para baixo, coisa que ocorre em trabalhos como Siameses (1998).
LC: É, aqueles rios surgem desde as Vedações com a intenção de sair do plano. Isso ficou muito exagerado nos anos 1990, quando eu praticamente só fiz trabalhos recheados. Mas depois comecei a usar a sobreposição para fazer esses volumes e gerar esse caimento. Eu estou interessada na questão do volume, na coisa que cai.
CER: Me parece que é um trabalho que defende o momento em que o trabalho sai da parede e ganha o espaço. Parece que ele cai mesmo, pende para baixo de algum modo. Eu acho isso importante. Ele sai pela força da gravidade ou por meio de um peso, de uma aceleração em direção ao chão. Eles ganham o espaço, mas nunca deixam de se oferecer como imagens bidimensionais. Têm uma ambiguidade de ser uma pintura ou um objeto, de ser pendentes da parede, há uma bipersonalidade imediata em todos os trabalhos desse conjunto.
LC: Eu cheguei a pensar no espaço positivo regular, essa parede branca, e como as pessoas chegam para ver as pinturas, normalmente planas. E tive vontade de que as pinturas chegassem um pouquinho mais perto das pessoas. Eu acho que tem uma característica que é humana, acho que o Oldenburg faz isso também, quando aqueles objetos da vida prática se agigantam e amolecem; eles perdem a sua função da vida prática e ficam um pouco parecidos com a gente, fofos. Eu fiz uns cabelos também.
CER: Aquelas perucas (Multidão,1987). Eu vejo algo disso também nos Insetos.
LC: Tem uma ambiguidade no trabalho entre o volume que ele apresenta e a imagem. As imagens são sempre quase que simplificadas, são desenhos mais ou menos diretos.
CER: Vendo muitos desses trabalhos juntos na exposição da Pinacoteca, os pequenininhos todos juntos, de longe pareciam imagens, de fato, de alguma coisa. Têm esse caráter de parecer com a imagem, a imagem do insetinho. Tem um desenho, uma forma, mas quando você chega perto vê uma aglomeração de materiais e essa “repintura” em cima da forma do objeto que já existe.
LC: Muitas vezes a pintura tem uma função gráfica, apenas de reforçar a forma, sem função de expressão.
CER: Me parece que tem um caráter de colagem, um caráter de montagem nesses objetos. E a pintura entra para juntar as coisas.
LC: É quase um sacrilégio chamar de pintura, porque é praticamente só uma tinta.
CER: Eu estava dizendo que me parece que a pintura não tem a reivindicação da pintura como expressão.
LC: A construção sobressai sobre a pintura. É uma pintura que junta as partes, que liga tudo. É o raciocínio inicial que permaneceu assim até agora.
CER: Outro tema recorrente, sobretudo nas suas colagens, aquelas colagens enormes, parecia que havia uma ideia de recriar um mundo. E você citou a Tarsila, mas, diferentemente dela, não tem nada de originário ou de mítico, parece que são feitos com biribinha, paçoquinha, parece que esses elementos todos vão se aglutinando.
LC: Agora que eu estou fazendo trabalhos com futebol, as colagens estão todas com etiquetas da Nike. Essas etiquetas são superbem desenhadas. Na verdade as colagens são totalmente espontâneas, muitas pessoas gostam muito, mas elas funcionam como um processo para mim, e elas têm as imagens menos fechadas ou uma intenção menos clara do que as pinturas, e por um tempo eu nem pensava em mostrar. Mesmo as aquarelas, que eu via como estudos, na verdade são legais também como obra. Agora acho interessante misturar e mostrar tudo. Mas elas têm caminhos muito diferentes do que quando eu vou fazer essas imagens para uma exposição. Aí eu gosto de pensar num conjunto que crie um sentido próprio, embora isso seja cada vez mais raro nas exposições hoje. Na verdade, parece que a multiplicação do significado, nas exposições, é que tem sido a tônica.
CER: Nas colagens aparecem muitos dos seus trabalhos que existem, ou coisas parecidas com os seus trabalhos…
LC: É porque eles surgem nas colagens, em que eu junto as cacas do ateliê e vou grudando tudo. Às vezes fica ruim e tenho de jogar fora, mas muitas vezes surgem coisas que eu experimento na colagem, por isso eu até coloquei como parte do processo.
CER: Pensando em trabalhos como o Lago japonês (1986), ou o Katrina, está sempre presente uma ideia de paisagem idílica ou uma coisa que chama a atenção porque não parece tratar de um paraíso perdido ou não trata de lugares ainda intocados pelo homem, pelo mundo acelerado da cultura. Parece que são imagens que são em si mesmas propagandas que têm a ver com essa cultura.
LC: São tanto do inconsciente coletivo como símbolos, signos que a nossa cultura privilegia, esses signos de paisagens bonitas, de pessoas na revista.
CER: Parece que essas imagens que você vai resgatando criam esses universos idílicos sozinhos, eles são muito tratados.
LC: Eles são sintéticos, são sintetizados. O laguinho é bem sintetizado, o lago mesmo que eu vi no Japão era incrível, mas a imagem que a gente tem é essa, quase um lago de história em quadrinhos.
CER: Outra coisa que me parece importante no seu trabalho, mas não sei em que sentido, é a ideia de afeto, a ideia de memória. Memórias, de 1988, e, depois, Todo pessoal (2006). Eles parecem localizar de algum modo, organizar no cérebro, essas memórias afetivas.
LC: É engraçado porque mistura trabalhos de épocas superdiferentes; faz trinta anos.
Todo esse assunto do gosto, do significado da imagem dentro da cultura, passa pela ideia de você poder melhorar a sua vida ou de poder organizar o entendimento da sua existência no mundo através de escolhas, de coisas que você coloca junto de si. Eu acho admiráveis as escolhas que as pessoas fazem para revestir os sofás de casa, para revestir a casa, para se vestirem e depois essas outras coisas que se estendem para os bichinhos, para as viagens. Sempre é uma imagem! Tinha uma colcha que eu adorava que era aquela praia, uma água bem clarinha, que está naquele trabalho Itacaré (2008). É a ideia de poder trazer para dentro de casa uma imagem de sonho. Esse caráter afetivo está presente no trabalho todo.
Esse que estou fazendo com os esportes é impressionante, pois para algumas pessoas esses esportes, a competição, o signo do time, a camiseta e todo o entorno está totalmente ligado ao consumo. As escolhas têm a ver com a identificação do sujeito no mundo. Vivemos num sistema capitalista, são escolhas de consumo. As pessoas gostam de se apegar a isso para justificar um tipo de vida que temos nas grandes cidades. Uma vida ligada ao trabalho, a ganhar dinheiro. E vão gastar no quê? Não precisariam gastar, mas quando você vai gastar, gasta em imagem.
CER: Nesses seus dois trabalhos, Memórias e Todo pessoal, me chama a atenção que as imagens podem se referir imediatamente a você. Parece que essas embalagens podem, de fato, tratar de uma história pessoal ou afetiva, mesmo que sejam retiradas de fato no mundo da cultura, da cultura visual.
LC: Há uma maneira primitiva na construção de algumas esculturas. O Memórias partiu da renda, que eu achei que dava para fazer os miolos e depois achei que dava para conter memórias, que eu pintei em pequenas telas a óleo; então tinha o contraste de uma coisa mais tosca no fundo junto dessas telinhas que eu pretendia que fossem boas pinturas. Tudo isso organizava um cérebro, que era um assunto dessa exposição. Além desse cérebro tinha outro e mais uma construção de imagens.
CER: O Cérebro em stand (1988)?
LC: É, o Cérebro em stand. Já Todo Pessoal, de 2007, ainda permanece meio simplório na estrutura de bolinhas que são ligadas por tirinhas, num jogo infantil. Novamente o conteúdo é uma coleção de pessoas próximas, de novo tem um caráter afetivo.
CER: Você faz também uma estampa com essa imagem.
LC: Uma estampa de cérebro.
CER: Para encerrar, eu queria voltar à ideia de que o trabalho tem algo pop. Me interessa pensar no estatuto dessa cultura pop, ela vem de muitos modos diferentes, eu acho que o Cérebro em stand é um trabalho à Robert Rauschenberg, Jasper Jones…
LC: Eu acho que a arte pop mesmo, americana, como é apresentada pelo Andy Warhol, por aqueles caras, é uma coisa muito mais corrosiva. A partir da minha geração, dos anos 1980, e principalmente agora, você sente os artistas utilizando o período moderno como um tipo de cardápio, no qual você pode ser um pouco pop, um pouco conceitual. Então eu realmente me interessei pela visualidade pop, mas o trabalho às vezes vai para um lado mais poético, é um pop mais poético. Eu acho que aqueles pops originais estão dando um golpe na arte, dentro de um raciocínio do fim do período moderno que a minha geração absolutamente não faz mais.
Eu adoro pensar no que é que as pessoas estão fazendo agora, me interessa refletir sobre isso. Acho que o artista está sempre preso a sua época, tem coisas que ele viu na formação, ideias que teve na formação. Mas meu tempo não é mais o pop americano. O pop americano vem depois do expressionismo, junto com o minimalismo, e os artistas tinham uma posição ainda de estender fronteiras. E agora a minha maior diversão é ver o que a geração mais nova está fazendo! Eu fui à exposição do Bruno Dunley, na Marília Razuk, tem pinturas figurativas, tem umas mais gestuais e depois tem uma que é só amarela. Eu acho fantástico. Não estou dizendo que é bom ou ruim; essa pluralidade é uma mudança de foco, são outros assuntos. Então a Geração dita “80“ (agora eu sou obrigada a aceitar esse apelido) já se preocupa com outras questões, muito diferentes do que foi a arte pop.
CER: Existia, de outro modo, a ideia de que essa geração vinha sem tradição alguma ou emancipada de qualquer tipo de relação com o passado. Mas eu vejo que havia uma ligação com as gerações anteriores, e o Antonio Dias é um exemplo imediato; acho que ele já lidava com questões que ainda estão na sua obra. E eu vejo, em seu trabalho, a importância de outros artistas também. Mas, além disso, eu queria saber se também houve um outro diálogo, se houve uma conversa com a crítica, além de uma conversa com artistas de gerações passadas, e de que modo isso foi importante para a formação da sua obra.
LC: Houve uma tentativa de rompimento na minha geração, com o tipo de rompimento que nós tivemos que era justamente conceitual. Não tinha nenhuma aula de pintura, e havia um reforço para técnicas de reprodução de imagem, aquele texto do Benjamim era o que a gente mais lia e parecia um resumo muito simples para quem tinha dezoito anos. Para a nossa geração aquilo era superinteressante, e a gente acreditou que dava para continuar um trabalho conceitual com mais visualidade. Naquela hora já era arte, eu fiz alguns cartazes em offset como uma tentativa de desmaterialização completa e de reforçar o conceito. Mas o que a minha geração responde é a um circuito ávido; eu entrei na FAAP para me tornar professora e saí artista famosa. Eu tinha vinte e três anos e essa ideia de fama nos pegou de forma ridícula, como a fama pode ser. A multiplicação de galerias, um mercado sedento, cheio de revistas e artigos, anúncio na Artforum, são realidades que eu não podia ignorar! E esse apelo veio para a minha geração e para a geração mais nova; agora esse apelo é quase que uma sentença. Ser famoso, vender tudo, fazer todas as residências, cada vez tem um novo uniforme que se presta para os artistas vestirem. Eu acho que o artista mesmo não vai funcionar uma década ou duas, ele vai funcionar uma pequena existência de uns sessenta para uns oitenta anos, se você tiver sorte, e é dentro desse espaço de tempo que você precisa criar um assunto. Uma artista portuguesa maravilhosa disse para mim: ”Leda, a vida é rápida, são só dois dias!”. Eu falei assim: “Dois dias?!!”.
Porque na verdade o artista só tem esse tempo para criar a sua poética. Para mim, que era muito próxima do Leonilson, mesmo do Jorginho Guinle, é muito angustiante você ver o artista sendo amputado do seu tempo, ou mesmo ter visto o Leonilson muito de perto, tentando acelerar o botão no último, na medida em que ele sabia que ia morrer. O Jorginho também. O que eu realmente espero que permaneça é a resposta que esse artista pode dar para aquele tempo que ele está tendo.
Sobre a questão da geração, ”não tem essa coisa de Geração 80”. O cenário em São Paulo era totalmente diferente do do Rio, e juntar tudo num barquinho só era um marketing completo. Mas o modo como eu pensava arte, ou o que eu encontrei na faculdade, eu via o Fajardo, o Baravelli, o Waltercio, o Cildo, era um campo mais ideal de arte. E o que nós encontramos nos anos 1980 já era o início de uma batalha de galerias, que hoje eu transporia para as feiras. Já pensou? Mal saiu da faculdade e já é mandado para umas feiras, essa coisa capitalizada. Eu me identifico muito com os meus colegas de geração e houve bastante interlocução com eles entre os colegas. Já com a crítica teve alguns artigos, eu tinha muita admiração pela Sheila Leirner, mas logo ela se retirou de cena. Eu tive algumas pessoas mais próximas, a Aracy Amaral ou o Tadeu Chiarelli. A certa altura eu era próxima da Lisette [Lagnado], mas isso não permaneceu. Uma coisa que permaneceu e que eu prezo muito é a relação com a Regina Silveira e outros colegas como o Dudi, a Mônica Nador. Eu achava totalmente incrível a turma do Nuno, que já tinha umas pessoas discutindo os trabalhos. Eles têm uma proximidade muito grande com o Rodrigo Naves, com o Alberto Tassinari, que estão mais presentes no ateliê deles. Isso realmente nunca aconteceu de forma sistemática comigo.
Eu gostaria de falar uma última coisa. Estou pensando nesses trabalhos com futebol porque eu gosto de futebol. Gosto do Santos, especialmente, e de repente o Santos apareceu com um negócio vermelho. O Santos é o alvinegro praiano, mas colocaram um Bombril em cima da camisa. Sempre tive paixão pela camisa, e agora está escrito Seara! E no Corinthians está escrito Neoquímica; de vez em quando aparece a propaganda: “Neoquímica faz uns remédios superbons”… Mas quem perguntou? Eu acho engraçado porque agora as pessoas aceitam bem o patrocínio, elas gostam, elas curtem. Tem uma amiga palmeirense que curte. Qual era o patrocínio? Parmalat! “Parmalat tem tudo a ver porque deu a maior força, foi o melhor período do Palmeiras.” É engraçado como aquilo que a gente chamava de propaganda agora está no meio da camisa e, no caso do Corinthians… Desculpe, está escrito Avanço embaixo do braço! E a pessoa vai à loja comprar a camiseta oficial, mas a camiseta oficial é um pesadelo! Vem tudo escrito. Eu estou fazendo um parêntese porque acho que essas são as verdadeiras mudanças. Agora um patrocinador é bom, positivo, traz grana, mesmo que seja horrendo. É dessas camisetas que estou me apropriando. Eu vejo canais de esporte, corrida, tênis! Tem aqueles carrinhos coloridos, mas vem tudo escrito e às vezes vem aquela marca, e eu não tenho ideia se aquilo é um banco, um iogurte, aquela marca bem grandona, provavelmente um óleo de carro. Eu acho incrível como as pessoas agora têm uma relação afetiva também não mais com o time, com o carro, mas com a marca. E se fala muito disso. Muito curioso porque no meu tempo, no modo como eu fui criada, isso era propaganda, era uma coisa ruim, você tirava a propaganda para poder ver a coisa. Agora a propaganda é praticamente tudo. E viva o Seara!
Fonte: Gravura Contemporânea "Carlos Eduardo Riccioppo – Conversa com Leda Catunda", publicado em 1 de janeiro de 2012. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Veja SP, fotografia de Leo Martins. Consultado pela última vez em 5 de dezembro de 2022.