Alfred Emil Andersen (3 de novembro de 1860, Kristiansand, Noruega — 9 de agosto de 1935, Curitiba, PR), mais conhecido como Alfredo Andersen, foi um influente pintor, escultor, cenógrafo e professor norueguês radicado no Brasil. Formado em estética e técnicas artísticas em Oslo e Copenhague, estreou oficialmente como expositor em 1884. Sua vida mudou ao desembarcar em Paranaguá em 1891: enamorado pelo país, estabeleceu-se, dedicando-se a retratar paisagens locais, cenas cotidianas e notórios retratos, como o de Knut Hamsun. Em Curitiba (1902–1935), fundou uma escola de artes, lecionou em diferentes instituições e transformou-se no “pai da pintura paranaense”, reconhecido com homenagens oficiais e sociais. Suas obras, do naturalismo ao regionalismo, compõem um legado artístico essencial, preservado em seu antigo ateliê, hoje museu, que celebra a rica memória cultural do Paraná.
Alfred Anderson | Arremate Arte
Alfred Emil Andersen, mais conhecido no Brasil como Alfredo Andersen, nasceu em 3 de novembro de 1860 em Kristiansand, na Noruega, e faleceu em 9 de agosto de 1935, em Curitiba, Paraná. Considerado o “pai da pintura paranaense”, Andersen desempenhou um papel fundamental na formação das artes visuais no sul do Brasil, combinando sua formação acadêmica europeia com uma profunda sensibilidade pelas paisagens e pela cultura local brasileira.
Formou-se na Academia Real de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, onde teve uma formação sólida nas técnicas do naturalismo e da pintura acadêmica. Sua primeira exposição individual ocorreu em 1884, ainda na Europa. Em 1891, embarcou em uma longa viagem de navio com destino à América do Sul, mas, por uma reviravolta do destino, desembarcou em Paranaguá, no litoral do Paraná, após um acidente com a embarcação. Encantado com o Brasil, decidiu permanecer no país, estabelecendo residência definitiva em Curitiba a partir de 1902.
Na capital paranaense, fundou uma escola de artes e tornou-se figura central na vida cultural da cidade. Além de lecionar, exerceu atividades como cenógrafo e diretor de ensino em instituições locais. Foi também professor da Escola Alemã e da Escola Normal, contribuindo diretamente para a formação de gerações de artistas paranaenses. Sua casa-ateliê, onde viveu e trabalhou, viria a ser transformada no atual Museu Alfredo Andersen, importante espaço de preservação de sua obra e memória.
A pintura de Alfredo Andersen é marcada por um apurado rigor técnico, herança de sua formação europeia, mas também por um olhar afetuoso e comprometido com o ambiente brasileiro. Retratou com frequência paisagens do litoral paranaense, pinhais, cenas da vida cotidiana, bem como retratos que revelam um interesse humanista profundo. Entre os personagens retratados por Andersen está o escritor norueguês Knut Hamsun. Ao longo de sua carreira, expôs tanto no Brasil quanto na Europa, com destaque para exposições no Rio de Janeiro (1918), São Paulo (1921) e participações em salões nacionais, onde foi premiado com menção honrosa e medalha de bronze.
Em 1931, recebeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba, reconhecimento oficial por sua enorme contribuição à cultura brasileira. Alfredo Andersen faleceu em 1935, aos 74 anos, mas deixou um legado duradouro na arte e na educação artística do Brasil.
Alfredo Andersen | Wikipédia
Alfred Emil Andersen (Kristiansand, 3 de novembro de 1860 — Curitiba, 9 de agosto de 1935) foi um pintor, escultor, decorador, cenógrafo, desenhista e professor norueguês radicado no Brasil.
O artista é considerado o "pai da pintura paranaense”.
Biografia
Filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen, Alfredo aos 13 anos pintou sua primeira tela: “Akt”.
Iniciou aos 17 anos os estudos na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega. Frequentou depois a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, entre 1879 e 1883, onde foi, posteriormente, professor de Desenho.
Em 1884, realizou sua primeira exposição individual.
Fez uma viagem aos trópicos, a bordo de um veleiro, chegando até a costa brasileira, que o impressiona, pintando uma tela no porto de Cabedelo, na Paraíba. Posteriormente, decidiu voltar à América, mais especificamente a Buenos Aires, mas ao passar em Paranaguá, onde seu barco parou em função de reparos, simpatizou com o lugar e decidiu ficar no Brasil.
Em Paranaguá conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Desse relacionamento nasceram quatro filhos.
Após 1902, foi para Curitiba, onde fundou uma escola de desenho e pintura. Posteriormente, foi professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense, e diretor das aulas noturnas da Escola de Artes e Indústrias.
Em 1907, realizou uma primeira individual em Curitiba, com 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. Seguiram-se várias outras exposições em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930), no Rio de Janeiro (1918), e em São Paulo (1921).
Participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa (1916) e medalha de bronze (1933).
O governo norueguês lhe ofereceu a direção de uma Escola de Belas Artes, em 1927, mas após um ano regressou ao Paraná, trazendo entre outros o seu “Retrato de Knut Hamsun”, atualmente na Galeria Nacional da Noruega.
Ao completar 71 anos, em 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou, em 1932, seu mais conhecido auto-retrato, que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
Andersen chegou a ser chamado o “Pai da Pintura Paranaense” Faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
A Sociedade Amigos de Alfredo Andersen (SAAA) foi fundada em 3 de novembro de 1940 com o objetivo de preservar e promover o legado de Alfredo Andersen. A iniciativa partiu de amigos e admiradores do artista, como João Turin, Oswald Lopes, Freyesleben, Theodoro De Bona, entre outros. A Sociedade teve papel essencial na preservação de sua obra.
Em 1947, a SAAA impulsionou a desapropriação do imóvel onde Andersen viveu, com objetivo de preservar a memória do artista.
Em 1959, o Museu foi oficialmente criado passando a se chamar Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Mais tarde o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, em 1979, passou a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Formação
Sua formação artística ocorre em Oslo (Noruega), estudando com Wilhelm Krogh, Peter Eilaifson, Carl A. Andersen e o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen. Entre 1879 e 1883, estudou como bolsista na Academia Real de Belas Artes.
Cronologia
1874/1877 - Oslo (Noruega) - Assistente no ateliê de Wilhelm Krogh, trabalha como pintor de terracota e desenhista cenógrafo.
1877/1884 - Copenhague (Dinamarca) - Vive nessa cidade.
1879/1883 - Copenhagen (Dinamarca) - Professor de desenho livre na Escola de Rapazes de Vesterbron.
1890/1892 - Realiza uma longa viagem aos trópicos: vai ao México, Barbados e passa pelo Nordeste do Brasil.
1892 - Inicia nova viagem com destino a Buenos Aires, África do Sul, Ásia e América do Norte, porém acaba fixando-se no Sul do Brasil, no Paraná
1893 - Paranaguá/PR - Vive nessa cidade.
1902/1935 - Curitiba/PR - Vive nessa cidade.
1902 - Curitiba/PR - Em seu próprio ateliê, funda uma escola particular de desenho e pintura, que terá importante atuação na formação de vários artistas paranaenses.
1903/1909 - Curitiba/PR - Professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense.
1909 - diretor das aulas noturnas da Escola de Belas Artes e Indústria.
1927 - Noruega - Viaja para esse país, hospedando-se na casa de Wilhelm Krogh, e retorna ao Brasil no ano seguinte.
1931 - Curitiba/PR - Recebe o título de Cidadão de Curitiba
1951 - Curitiba/PR - É homenageado através da exposição de alguns óleos no 4º Salão de Belas Artes do Club Concórdia
1960 - Curitiba/PR - Homenagem no 17º Salão Paranaense de Belas Artes no centenário de seu nascimento, na Biblioteca Pública do Paraná.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Biografia de Alfredo Andersen | Museu Casa Alfredo Andersen
Alfred Emil Andersen nasceu em Khristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, único filho homem dentre os cinco do casal Tobias Andersen e Hanna Carina Andersen.
Sua formação artística ocorreu na Europa, em ateliês particulares na Noruega e Dinamarca, e na Academia Real de Belas Artes de Copenhagen; foi aluno de artistas e decoradores de destaque em seu tempo, como Wilhelm Krogh e Carl A. Andersen
Entre as décadas de 1880 e 1890, Andersen atuou como artista profissional na Noruega e na Dinamarca, desempenhando atividades como pintor (com mostras individuais em Oslo e Copenhagen), professor, cenógrafo e jornalista. Aqueles eram anos conturbados no norte da Europa, particularmente para a Noruega, que após anos de dominação dinamarquesa e sueca conquistava sua independência política e cultural. Um grande movimento nacionalista e de busca por elementos que caracterizassem a identidade norueguesa impulsionou a criação artística e definiu essas décadas como umas das mais produtivas nas artes na Noruega.
É nesse contexto que encontramos aqueles que são considerados alguns dos maiores artistas noruegueses: o compositor Edvard Grieg (1843-1907), o dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906) e o escritor Knut Hamsun (1859-1952). Andersen foi impregnado por esse espírito nacionalista romântico, especialmente pelo contato que teve com Hamsun e com o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen (1835-1893).
Sendo filho de um capitão da marinha mercante, Andersen teve a oportunidade de visitar vários locais do mundo e, devido a essa facilidade, em 1889 foi para Paris fazer a cobertura jornalística do Salão Oficial de Belas Artes, no ano em que a Torre Eiffel foi inaugurada como um marco da Exposição Universal de Paris.
Em 1892, após um longo período de viagens pela Europa e América, Andersen desembarcou no Paraná, fixando residência em Paranaguá, num período tenso da história do Brasil, marcado pela consolidação do regime republicano e por motins e levantes populares como a Revolução Federalista.
Apesar do desconhecimento da língua portuguesa e das diferenças culturais, Andersen se adaptou à sociedade brasileira. Primeiramente, ele se estabeleceu no litoral do Paraná, e lá residiu por cerca de dez anos, vivendo de retratos sob encomenda e de decorações cênicas para casas que fazia.
Com 42 anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Ana de Oliveira (1882-1945), Andersen se mudou para Curitiba. Na capital do Paraná abriu um ateliê na Rua General Deodoro (atual Rua Marechal Deodoro) no espaço antes ocupado pelo fotógrafo alemão Adolpho Volk. Nos anos em que manteve seu ateliê, Andersen retomou suas atividades profissionais mais próximo o possível com o que fazia na Europa, realizando exposições individuais, participando de mostras coletivas e retomando seu papel como professor de desenho e pintura. Naqueles anos Andersen também buscou incentivar o desenvolvimento do mercado de obras de arte, entretanto, Curitiba ainda se encontrava muito aquém das localidades por onde havia passado. Esta era uma cidade em processo de implantação de infraestrutura urbana, (poucas ruas tinham pavimentação, com fornecimento deficitário de luz elétrica, e o transporte de pessoas, bens e produtos era feito basicamente por tração animal), cuja população se dividia entre agricultores (imigrantes de diferentes etnias assentados em colônias), comerciantes (que negociavam muitos produtos vindos de outras localidades), industriais (relacionados ao processo de produção de erva-mate e produtos alimentícios, ou à indústria gráfica e metalúrgica), políticos, religiosos, profissionais liberais e manufatureiros.
Na década de 1910, Andersen, então pai de três filhos, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade, como a Escola Alemã, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Indústrias (primeira instituição voltada para o ensino de técnicas artísticas do Paraná e que em 1893 causou grande impacto em Andersen). Além disso, ele estreitou seus laços com o Governo do Estado, executando o primeiro projeto para o brasão do Estado do Paraná. Naquela década, mais precisamente em 1915, um ano após o nascimento de sua última filha, Andersen mudou seu ateliê-escola para a edificação onde hoje é o Museu Alfredo Andersen, localizada na então Rua Assunguy, atual Rua Mateus Leme.
Nos anos seguintes àquela década, o trabalho de Andersen como pintor, educador e agente cultural foi extremamente rico, e sua reputação profissional solidificou-se, demonstrando como a classe burguesa que se estabelecia em Curitiba mantinha um gosto enraizado nas tradições artísticas europeias do século XIX.
Em 1927, Andersen retornou à Noruega para visitar a família e amigos e reencontrou seu antigo professor Wilhelm Krogh. Lá, recebeu um convite do governo norueguês para ficar e dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, mas Andersen declinou e retornou ao Brasil.
Os últimos anos de sua vida foram marcados pelo reconhecimento de seu trabalho e por homenagens, como o título de Cidadão Honorário de Curitiba que recebeu em 1931 da Câmara Municipal de Curitiba. O pintor, já então chamado de “Alfredo” Andersen, faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935.
Fonte: Museu Casa de Alfredo Andersen. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
O legado da arte de Alfredo Andersen | Tribuna Paraná
Um artista que orientou tendências e foi considerado, acima de tudo, o grande animador das artes plásticas do Paraná. Neste mês de novembro, estão sendo comemorados os 150 anos de nascimento do pintor Alfred Emil Andersen, mais conhecido como Alfredo Andersen (03/11/1860 – 09/08/1935).
Apesar de norueguês – nascido em Christianssand, capital do condado de Vest-Agder – ele viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, no litoral, e ainda hoje é tido como o “pai da pintura paranaense”.
Andersen foi o primeiro artista plástico a atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no Estado. Ele se envolveu de forma intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura.
Foi ele que incentivou a formação da primeira geração de artistas plásticos profissionais no Paraná. Seu trabalho o transformou em uma personalidade importante para o estudo da sociedade e da arte paranaense do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.
“Andersen, ainda hoje, é um exemplo para todo artista que queira se arriscar na área das artes plásticas. Ele chegou ao Brasil sem incentivo e sem emprego, mas mesmo assim conseguiu se destacar e sobreviver de sua arte. Além de grande beleza, suas obras são um retrato de como era o Paraná no passado. Ele pintou, por exemplo, as Sete Quedas, em um quadro que tem 3,20 metros só de tela. Para isso, no ano de 1904, viajou trinta dias em lombo de burro e chegou a contrair malária”, diz o presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, Wilson Ballão, que é bisneto do pintor.
Para as comemorações dos 150 anos, Wilson reuniu, nos últimos dias, em Curitiba, muitos familiares de Andersen. Destes, 23 vieram da Noruega e dos Estados Unidos. Porém, também chegaram à capital paranaense familiares vindos de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Alfredo Andersen tinha quatro irmãs. Sou neta de uma dessas irmãs e estou muito feliz por poder estar em Curitiba comemorando os 150 anos de nascimento de meu tio avô. Ele tem uma história de vida muito bonita e interessante”, afirma a sobrinha-neta do pintor, Ragnhild Margrethe Jensen, de 71 anos, que é da Noruega e vive em Christianssand.
O também norueguês e sobrinho-neto de Andersen, Sven Rudolf Peersen, de 68 anos, comenta que o pintor é mais conhecido no Brasil do que no país onde nasceu.
“Para mim, o mais importante é que Andersen foi reconhecido como um grande artista ainda em vida. Em 2001, fizemos uma exposição de suas obras em Christianssand. Isso chamou a atenção da imprensa local e contribuiu para que, de vez em quando, alguma coisa sobre Andersen saia na mídia norueguesa. Porém, ele é muito mais conhecido e valorizado no Brasil do que na Noruega”.
Formação
A formação artística de Andersen se deu toda na Europa. Ele desembarcou no Paraná em 1892, indo para Paranaguá, onde morou por dez anos e viveu da realização de retratos sob encomenda e decorações cênicas para casas. Aos quarenta e dois anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Anna de Oliveira (1882-1945), mudou-se para Curitiba.
Na capital, abriu um atelier na Rua General Deodoro (atual Marechal Deodoro), realizando exposições individuais de seu trabalho, participando de mostras coletivas e atuando como professor de desenho e pintura.
Na década de 1910, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade. No ano de 1915, mudou seu atelier e escola para a edificação em que hoje se encontra o Museu Alfredo Andersen, na então rua Assunguy (atual Mateus Leme). Em 1931, recebeu o título de “Cidadão Honorário de Curitiba".
Produção artística
Alfredo Andersen foi um pintor de retratos, paisagens e cenas de gênero. Sua produção artística é divid,ida em três fases: período norueguês (1873- 1892), período litorâneo (1892 – 1902) e período curitibano (1902- 1935).
O norueguês, segundo informações divulgadas pelo museu que leva o nome do pintor, é marcado por uma representação da vida urbana e rural, por retratos de afeição e cenas de gênero em ambientes interiores.
O período litorâneo é caracterizado por cenas marinhas, retratos de encomenda e cenas ambientadas em espaços externos. Já o curitibano é marcado por uma maior pluralidade temática e por um maior amadurecimento do estilo do artista.
Museu Alfredo Andersen
A importância de Alfredo Andersen para a cultura paranaense é tanta que, no ano de 1959, em Curitiba, foi inaugurado um museu que leva o nome do artista. Atualmente, o espaço fica localizado no bairro São Francisco, na rua Mateus Leme, 336, e é aberto à visitação de terça a domingo.
O museu tem sua origem na sociedade de amigos do pintor, criada em 1940. Em 1959, houve a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte. A instituição passou a ser chamada de museu em 1979.
“O museu funciona na casa onde Andersen morou, com sua família, a partir de 1915. É uma construção de dois andares, construída no fim do século XIX. Após o falecimento do pintor, ela continuou sendo ocupada por seu filho e acabou sendo tombada pelo Patrimônio Público Estadual”, explica a atual presidente do museu, Roseli Bassler.
Atualmente, o espaço é administrado pelo poder público estadual, vinculado à Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná (Seec-PR).
Tem como objetivo catalogar, conservar, expor e divulgar a obra de Alfredo Andersen, além de resgatar sua memória como artista e educador e dar continuidade a seu trabalho de promoção cultural. Isto se dá através da oferta de cursos, organizações de mostras e seminários sobre arte.
“Todas as atividades que realizamos têm como objetivo preservar e divulgar a memória de Andersen”. Alfredo Andersen também dá nome a uma praça de Curitiba, localizada em frente ao hospital Evangélico.
Selo, carimbo e catálogo
Vários eventos, realizados no decorrer da última semana, em Curitiba, foram alusivos aos 150 anos de nascimento do pintor. Entre outras coisas, foram lançados um selo, um carimbo e um catálogo de obras comemorativos.
Porém, nas próximas semanas, ainda será possível apreciar algumas exposições sobre o artista tanto na capital quanto em Paranaguá. No museu que leva o nome do pintor, em Curitiba, fica em cartaz, até 31 de janeiro, a exposição 1º. Salão de Artes Plásticas – A continuidade do trabalho de Alfredo Andersen, com obras exibidas em uma exposição feita em 1941, no edifício Garcez.
No Paço da Liberdade, ainda na capital, até 26 de dezembro, é possível apreciar a mostra A Curitiba de Alfredo Andersen. Já em Paranaguá, fica em cartaz, até o dia 5 de dezembro, na Casa Monsenhor Celso, uma exposição com retratos pintados por Andersen.
Fonte: Tribuna Paraná, “O legado da arte de Alfredo Andersen”, publicado por Cintia Végas, em 07 de novembro de 2010. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileirom |
Em 1886, o artista norueguês Alfred Emil Andersen expôs suas pinturas ao lado de Edvard Munch, cujo icônico "O Grito" viria a ganhar reconhecimento mundial. Poucos anos depois, em 1891, Andersen pintou um retrato de Knut Hamsun, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ter frequentado os mesmos círculos de alguns dos artistas mais reconhecidos da Noruega, o nome de Andersen permaneceria quase desconhecido na Noruega e no exterior, exceto em uma região periférica no hemisfério sul, para onde se mudou: o porto de Paranaguá, no recém-fundado estado do Paraná, Brasil.
Quem foi Andersen e como ele adotou o Brasil como seu lar?
Conheci Andersen e sua arte pela primeira vez ao estudar as conexões culturais entre o norte da Europa e a América do Sul. Embora meus interesses de pesquisa se concentrassem em padrões transatlânticos de migração e formação cultural, busquei ir além dos laços coloniais e pós-coloniais mais comumente estudados entre nações do sul da Europa e da América Latina e, em vez disso, investigar produções culturais resultantes de rotas migratórias menos conhecidas.
Perguntei-me se havia padrões significativos de imigração de outros países europeus, como a Noruega. Ao pesquisar possíveis conexões entre eles, um artista finalmente emergiu: Alfredo Emílio Andersen, o "pai da pintura paranaense".
Andersen, nascido Alfred Emil, nasceu em Kristiansand, Noruega, em 1860. Filho de um capitão de navio, teve desde cedo a oportunidade de visitar diversos países da Europa e da América Latina. Essas viagens despertaram no jovem Andersen o interesse pelas artes visuais, levando-o a escolher a pintura como profissão. No final da década de 1870 e ao longo da década de 1880, Andersen trabalhou em Oslo, Copenhague e Paris, entre outras cidades europeias, onde expôs suas pinturas, lecionou em escolas de arte e cobriu eventos artísticos para jornais.
Andersen chegou ao Brasil pela primeira vez em 1891, depois de navegar pelo México e pelas ilhas do Caribe, e junto com seu pai visitou o estado nordestino da Paraíba, que Andersen retratou em sua pintura Porto de Cabedelo.
Um ano depois, Andersen embarcou em mais uma viagem à América do Sul, desta vez com Buenos Aires como destino final. Mas uma forte tempestade na costa brasileira obrigou o navio a atracar em Paranaguá, cidade litorânea que servia como principal porto de entrada para o estado do Paraná. Enquanto o navio acabou partindo para a Argentina, Andersen não o fez. Ele nunca mais deixaria o Brasil, exceto por uma visita à Noruega perto do fim de sua vida.
Andersen viveu em Paranaguá por uma década antes de se mudar com sua família recém-formada para Curitiba, a capital do estado, para expandir ainda mais sua carreira como artista. Nos 43 anos em que viveu em sua terra adotiva, Andersen produziu pinturas de paisagens que retratavam símbolos-chave do regionalismo paranaense, como o pinheiro, bem como retratos de políticos enraizados no orgulho nacionalista. Por essa razão, Andersen foi identificado como um eminente contribuidor do paranismo, um movimento artístico regionalista que buscava formular uma identidade distinta para o estado do Paraná, e coroado como o "pai das pinturas paranaenses" por sua contribuição particular ao desenvolvimento das artes visuais na região.
Conhecer a história comovente de migração e disseminação artística de Andersen me encheu de perguntas: como ele, imigrante norueguês aos 32 anos, construiu uma carreira que lhe renderia o título de "pai da pintura paranaense"? Como o Alfred norueguês se tornou o Alfredo brasileiro? Como este caso em particular pode enriquecer nossa compreensão das relações transatlânticas entre a Noruega e o Brasil?
Para responder a essas questões, candidatei-me a uma Bolsa DRCLAS Brasil para o verão de 2020, com o objetivo de visitar museus no Brasil e na Noruega que abrigavam obras de arte e documentos de arquivo de Andersen. Com o desenvolvimento inesperado da pandemia do coronavírus, no entanto, logo ficou evidente que eu conduziria minha pesquisa online, de acordo com as restrições impostas pela atual crise sanitária. Como muitos outros pesquisadores, tive que repensar minha abordagem metodológica para a pesquisa arquivística e adotar um cronograma com maior flexibilidade.
Minha colaboração com os museus de arte Vest-Agder e Sørlandet, localizados em Kristiansand, impulsionou a busca por documentos que pudessem lançar mais luz sobre a trajetória de Andersen. Como a pandemia impediu minha visita aos arquivos locais, recorri aos acervos desses dois museus, que preservaram um pequeno número de pinturas, livros, documentos e gravações relacionadas a Andersen .
Isso me levou a explorar um ângulo inesperado: encontrei documentos sobre a organização de uma exposição binacional de arte em 2001, intitulada "Andersen Retorna à Noruega", que situava o Brasil como epicentro da produção artística e a Noruega como receptora de um desenvolvimento artístico inédito. Artigos de jornal apresentaram o "Alfredo Brasileiro" aos moradores de Kristiansand; um documentário transmitido ao público recontou a história de sua transformação no "Senhor Alfredo"; e as exposições importaram dezenas de pinturas produzidas no Brasil que nunca haviam sido apresentadas ao público norueguês antes. Produto da emigração norueguesa para o Brasil um século antes, essa empreitada cultural refletiu um movimento inverso da exportação artística do Brasil de volta ao Norte da Europa, indicando um ciclo transatlântico de produção, recepção e cooperação cultural entre essas duas regiões relativamente independentes.
No entanto, as coleções dos museus noruegueses empalidecem em comparação com a riqueza de documentos e pinturas originais preservados na Casa Alfredo Andersen, em Curitiba, inteiramente dedicada ao seu legado. Mais uma vez, os arquivos do Museu Andersen chamaram minha atenção para uma questão que eu não havia considerado anteriormente: a relação entre migração e instituições educacionais.
Desde o início de sua fixação no Brasil, Andersen teve a oportunidade de se inserir no campo da educação artística. Em Curitiba, por exemplo, lecionou em diversas instituições renomadas, incluindo o Colégio Alemão, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Ofícios.
Ele também fundou sua própria instituição, um ateliê particular em sua casa, onde ministrava aulas de arte, exposições e eventos comunitários. Andersen buscou apoio financeiro do governo ao longo da vida para transformar o ateliê em uma instituição pública oficial, embora sem sucesso. Em vez disso, seu ateliê funcionou como uma escola de arte particular, onde ele oferecia aulas de desenho com modelo vivo e pintura a óleo, além de excursões ao ar livre.
Os alunos, muitos dos quais se tornariam artistas profissionais e seriam identificados como discípulos do artista, também participavam de exposições de arte realizadas no ateliê, eventos que se tornaram tradição em Curitiba por sua frequência e que, por sua vez, atraíram maior atenção para a arte de Andersen e seu papel social como construtor de instituições. Dessa forma, o ateliê tornou-se um notável espaço de produção cultural. Após a morte de Andersen, o ateliê foi transformado no Museu e Escola de Arte Casa Alfredo Andersen, com financiamento privado, e em 1979 tornou-se um museu público.
A defesa política de Andersen pela expansão de escolas de arte financiadas pelo Estado aprofundou ainda mais sua influência nos campos educacional e cultural. Andersen era um defensor ferrenho da expansão do acesso à educação artística para a classe trabalhadora. Além de ministrar aulas noturnas, promovidas para trabalhadores braçais, ele também defendia politicamente a criação de escolas de arte que atendessem especificamente a essa população, enviando propostas orçamentárias aos governos municipal e estadual para a implementação desses projetos educacionais.
O governador do estado na época prometeu a Andersen financiar a criação de uma escola oficial de belas artes a ser administrada por ele, como forma de fortalecer ainda mais o compromisso de Andersen de viver lá. Embora esse plano nunca tenha se concretizado, Andersen permaneceu dedicado ao seu empreendimento educacional em Curitiba; quando visitou a Noruega em 1927 pela primeira e única vez, recebeu a oferta de dirigir a recém-fundada Escola de Belas Artes de Oslo, oportunidade que ele recusou, com a intenção de retornar ao Brasil.
Com base nas fontes que encontrei nos três museus, concluí que Andersen ficou conhecido como o “pai da pintura paranaense” não apenas pelo peso de sua produção artística, mas também pelo impacto que sua pedagogia e sua atuação política tiveram na expansão da produção artística na região.
Ele e sua escola serviram como catalisadores para o desenvolvimento da arte paranaense, preparando uma nova e robusta geração de artistas que levariam a produção artística do estado adiante, não apenas para as metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, mas também até a Noruega.
Ainda há muito a ser estudado sobre a arte de Andersen, sua história pessoal de migração e os padrões mais amplos que contribuíram para sua chegada ao Brasil. Visitar o Museu Casa Alfredo Andersen pessoalmente, quando possível, me ajudará a expandir o escopo deste projeto e a estabelecer novas conexões.
No entanto, de certa forma, foi graças à pandemia que me senti atraído a investigar documentos que, de outra forma, talvez não tivessem sido o foco da minha pesquisa. Ao ter que trabalhar com o que eu tinha, acabei com muito mais do que esperava.
O caso de Andersen aponta para o potencial mais amplo das instituições educacionais e culturais de funcionarem como uma arena híbrida para o intercâmbio transcultural, um espaço no qual os migrantes fazem contribuições sociais, políticas e culturais para sua nova comunidade. Também lança luz sobre como as noções de cidadania e pertencimento são negociadas por meio da arte e construídas por meio desses encontros transculturais.
Fonte: ReVista, Harvard Review of Latin America, “Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileiro", publicado por Geórgia Soares, em 11 de novembro de 2021. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfredo Andersen (Kristiansand 1860 - Curitiba 1935) | Arquivo da Internet
Alfredo Emílio Andersen foi considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época. Ele nasceu em Kristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen.
Aos treze anos pintou aquela que se supõe seja a sua primeira tela, intitulada "Akt". Entre 1874 a 1877 estudou com Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega, que considerava seu pupilo um jovem de excepcional talento. Com dezoito anos mudou-se para a Dinamarca. Sua carreira, a partir de então, alcança rápida progressão, passando o artista a exercer atividades não só de pintor, como de cenógrafo e decorador.
Retratos
O fato de ser amante da liberdade e adepto da integração do homem à natureza aproximou-o do famoso escrito Knut Hamsun, autor de "A Fome", que também defendia os mesmo ideais. Andersen retratou o amigo em 1891, dando início, a partir de então, a uma série de retratos, segundo ele, de caráter mais subjetivo. O retrato de Hamsun fica agora na Galeria Nacional da Noruega.
Em 1892 o artista voltou a empreender outra longa viagem a partir de Kristiansand, em navio capitaneado por seu pai, cuja etapa final seria Buenos Aires. Na costa brasileira, o barco aportou no porto de Cabedelo, Paraíba, local onde teve a oportunidade de pintar uma belíssima tela com a paisagem litorânea da cidade. Ao continuar a viagem para o sul, um forte temporal provocou avarias no mastro da embarcação, obrigando-o a aportar em Paranaguá.
Clima de mistério
Ainda hoje persiste um certo clima de mistério no fato de o artista - cujo nome já se projetava na Europa, onde deixara amigos, admiradores e familiares - ter tomado a decisão de permanecer nesse porto brasileiro, em uma terra, para ele, inteiramente estranha e de duvidosas perspectivas profissionais. Residiu o artista em Paranaguá durante cerca de dez anos, quando conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Do relacionamento nasceram quatro filhos.
Escola de arte
É provável que Andersen tenha se transferido para a Capital em 1902. Sabe-se que chegou a Curitiba nesse ano, e começou a dar aulas particulares de desenho e pintura. O artista desenvolveu em Curitiba intensa atividade como pintor e professor: ainda em 1902 seu atelier se transforma em uma verdadeira escola de arte, ali permanecendo em atividade até 1915. Além das aulas particulares Andersen também lecionou Desenho na Escola Alemã e no Colégio Paranaense.
O envolvimento do artista com o ensino foi, sem dúvida, marcante, desde o início de sua estada em Curitiba. Vicente Machado, Presidente do Estado do Paraná, no intuito de convencer Andersen a não voltar à Noruega, chegou a prometer a criação de uma escola de arte oficial na cidade, que seria dirigida pelo mestre. E apelou para o sentimento de solidariedade do artista, afirmando que a permanência do mesmo era fundamental para ajudá-lo na educação do povo paranaense.
Cidadão Honorário
Ao completar 71 anos no dia 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou em 1932 o seu mais conhecido auto-retrato que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935 esse artista extraordinário, considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época.
A sociedade Amigos de Alfredo Andersen
Logo após o falecimento de Andersen, seus amigos e admiradores organizam uma Sociedade de Amigos com finalidade de criar neste espaço onde o artista viveu, uma unidade museológica para preservação de sua obra e a continuidade de seus ideais. Somente em 1959 o Museu é oficialmente criado passando a chamar-se Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Anos mais tarde o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e em 1979 passa a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Atualmente o Museu, cumprindo sua principal função, expõe permanentemente a obra de Andersen com mostras temáticas, realiza exposições temporárias de discípulos de Andersen e artistas contemporâneos que mantém um vínculo com o Atelier de Arte. Promove o Salão e o Simpósio Paranaense de Cerâmica bienalmente.
Fonte: Arquivo da Internet, “Alfredo Andersen". Publicado em 2 de setembro de 2004. Consultado pela última vez em 10 de julho de 2025.
Alfredo Andersen | 500 Anos da Pintura Brasileira
Engenheiro ou pintor?
Alfredo Andersen nasceu em Christianssand, Noruega, no ano de 1860. Veio a falecer em 1935 em Curitiba, Paraná, onde passou a maior parte de sua vida.
Pertencia à mesma geração do escritor Knut Hamsun (1859-1952, cujo retrato executou, e do pintor Edvard Munch (1863-1944).
Aos 17 anos, matricula-se na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Krohg,vencendo as resistências do pai, que queria vê-lo engenheiro naval.
Entre 1879 e 1883, com uma bolsa de estudos, freqüenta a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, da qual seria mais tarde professor de Desenho.
Retornando da Dinamarca em 1883, no ano seguinte realiza sua primeira individual, em Cristiânia. De então, até 1890, continua expondo regularmente, realizando também pequenas viagens ao estrangeiro, sobretudo à França.
Uma volta pelo Novo Mundo
Mas em começos da década de 1890, obedecendo, quem sabe, à mesma espécie de obsessão que exatamente na mesma época levaria Paul Gauguin ao Taiti, decide empreender longa viagem aos Trópicos, a bordo de um veleiro.
Nesse percurso, vai ao México, toca em Barbados e chega à costa setentrional brasileira, executando inclusive, em 1892, uma bonita Vista de Cabedelo.
Em 1893, de novo na Europa, a caminho de casa, sabe que sua cidadezinha fora praticamente destruída por um incêndio.
Conheceu o Paraná e por ali ficou
Decide então voltar ao Novo Mundo: embarcando com destino a Buenos Aires num veleiro que transportava ferro e carvão da Inglaterra, atinge Paranaguá, para reparos no barco.
Por obra do destino, pisa pela primeira vez no Estado do Paraná, que não estava em seu roteiro. Simpatizando com a terra, vai-se deixando ficar no Brasil, primeiro em Paranaguá, e após 1902, em Curitiba.
É ele quem fala de seus primeiros contatos com a capital paranaense:
Tive a agradável surpresa de ser logo procurado por particulares, para os aceitar como alunos. Fundei então a minha escola de desenho e pintura, que ainda funciona. Mais tarde fui instituído professor de Desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense do Dr. Marins Camargo, sendo, em 1909, convidado pela diretoria da Escola de Artes e Indústrias, então de D. Maria Aguiar de Lima, para assumir a direção das aulas noturnas que a mesma escola criara.
A criação de um curso noturno de Desenho foi excelentemente recebida pelo público e em breve se tornou preciso reduzir a matrícula aos profissionais de ofício e indústria, excluindo-se os diletantes. Assim se conservou um total de 60 alunos, todos operários, entre 14 e 30 anos.
Desenho, a base do progresso industrial
Esse aspecto da atuação de Andersen como incentivador de vocações de operários e como pioneiro da boa forma industrial ainda não foi suficientemente enfatizado.
Na verdade, já em 1917 o pintor escandinavo dizia, na mesma entrevista, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre a instrução e o progresso de um país:
Pois é isto: o ensino do Desenho, desenvolvendo o sentimento estético e, por conseguinte, o bom gosto, ensina a ver.
A lição da Alemanha
E prossegue Andersen:
Sabemos que a Alemanha era, há 40 anos, um Estado agricultor e, pelo Desenho, se fez um Estado industrial. Sabe-se também que o seu début na Exposição Industrial de Chicago foi um fiasco. Barato e ruim, assim definiram a Alemanha industrial naquele certame.
Ainda nesse tempo pouco remoto a Inglaterra e a França a sobrepujaram, porque, ao ensino do Desenho, nestes dois países, se tinha ligado um interesse especial.
A Alemanha compreendeu: estudou os métodos do ensino do Desenho na Inglaterra, onde cada escola empregava um método de conformidade com o entendimento dos seus ilustres professores.
Reconheceu até que grau se tinha elevado nas escolas inglesas o ensino do Desenho e fez também as suas pesquisas na França, no Japão e na América do Norte, apercebendo-se então da grandeza sem par desse problema que a sua ânsia de progresso não tinha ainda resolvido e orientado no sentido das artes aplicadas.
Preparou pois a Alemanha o seu grandioso plano do ensino do Desenho, tendo por objetivo uma educação em harmonia com o indivíduo. Daí nasceram a sua arte e as suas indústrias modernas - quer dizer - o seu imenso progresso nesses dois ramos da conquista humana.»
A primeira mostra no Brasil
Andersen chega a antever um curso de Desenho para operários, que traria a felicidade ao Paraná, porque faria a grandeza das suas indústrias:
Quando chegarmos a ter pelo menos uma simples Escola de Desenho para Operários, sem falar numa Escola de Artes Aplicadas, naturalmente mais dispendiosa, teremos atingido a primeira etapa verdadeiramente real do nosso progresso.
Pouco após se radicar em Curitiba, Andersen ali realizou uma primeira individual de 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. O crítico do Diário da Tarde, em artigo de 20 de março de 1907, observou com acuidade:
Na observação da nossa natureza, o ilustre artista norueguês mostra um desenvolvimento notável, mais acentuada energia de colorido, em contraposição dos saudosos tons nevoentos que lhe eram costumados e freqüentes, auros decerto da sua visão escandinava.
Da mesma forma, a quente coloração de carnes, sistematicamente rubra, que, parece, trouxera da arte flamenga, se lhe tem modificado, o que naturalmente se havia de dar em um artista de tão séria e meticulosa faculdade de observação.
Na mesma exposição quatro alunos de Andersen mostravam quadros, entre eles Lange de Morretes.
O Pai da Pintura Paranaense
A atividade didática de Andersen, aliás, seria tão fecunda, que o crítico Carlos Rubens na monografia que lhe consagrou, chega a chamá-lo de Pai da Pintura Paranaense, reconhecendo seu papel de elemento aglutinador de tendências e características que, se já antes se tinham manifestado esporadicamente, só agora achavam quem as concatenasse, inclusive do ponto de vista técnico.
Várias outras exposições realizaria o pintor norueguês, não só em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930) como no Rio de Janeiro (1918) e em São Paulo (1921), todas com grande sucesso.
Também participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa no de 1916 e medalha de bronze no de 1933.
Brasileiro, de papel passado
Apesar de tais vitórias, Andersen continuou levando existência difícil no Brasil, dado o provincianismo cultural então vigente.
Tendo adotado a cidadania brasileira e no Brasil constituído família, jamais pensou em retornar à pátria, nem mesmo quando, em 1927, o governo da Noruega ofereceu-lhe a direção de uma Escola de Belas Artes.
Após um ano de permanência na Escandinávia, da qual assim se despedia, Andersen regressou ao Paraná, trazendo na bagagem um punhado de telas da mocidade, inclusive o já mencionado Retrato de Knut Hamsum.
Museu conserva a alma do pintor
Cidadão de Curitiba em 1931, Andersen faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê curitibana, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
O artista praticou todos os gêneros, destacando-se como paisagista, intérprete sensível e pessoal da natureza paranaense, e como pintor de figuras.
Em sua mocidade, tocado pelo Simbolismo, que lhe motivaria algumas de suas melhores composições, Andersen pouco a pouco deixou sua orientação original, trocando-a por agudo senso de observação e por acentuado amor à realidade.
Espontâneo e vigoroso no pincelar, colorista sensível, sua obra é um caso único de aclimatação cultural de um artista escandinavo em terra brasileira.
Fonte: 500 Anos da Pintura Brasileira, “Alfredo Andersen”. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Crédito fotográfico: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfred Emil Andersen (3 de novembro de 1860, Kristiansand, Noruega — 9 de agosto de 1935, Curitiba, PR), mais conhecido como Alfredo Andersen, foi um influente pintor, escultor, cenógrafo e professor norueguês radicado no Brasil. Formado em estética e técnicas artísticas em Oslo e Copenhague, estreou oficialmente como expositor em 1884. Sua vida mudou ao desembarcar em Paranaguá em 1891: enamorado pelo país, estabeleceu-se, dedicando-se a retratar paisagens locais, cenas cotidianas e notórios retratos, como o de Knut Hamsun. Em Curitiba (1902–1935), fundou uma escola de artes, lecionou em diferentes instituições e transformou-se no “pai da pintura paranaense”, reconhecido com homenagens oficiais e sociais. Suas obras, do naturalismo ao regionalismo, compõem um legado artístico essencial, preservado em seu antigo ateliê, hoje museu, que celebra a rica memória cultural do Paraná.
Alfred Anderson | Arremate Arte
Alfred Emil Andersen, mais conhecido no Brasil como Alfredo Andersen, nasceu em 3 de novembro de 1860 em Kristiansand, na Noruega, e faleceu em 9 de agosto de 1935, em Curitiba, Paraná. Considerado o “pai da pintura paranaense”, Andersen desempenhou um papel fundamental na formação das artes visuais no sul do Brasil, combinando sua formação acadêmica europeia com uma profunda sensibilidade pelas paisagens e pela cultura local brasileira.
Formou-se na Academia Real de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, onde teve uma formação sólida nas técnicas do naturalismo e da pintura acadêmica. Sua primeira exposição individual ocorreu em 1884, ainda na Europa. Em 1891, embarcou em uma longa viagem de navio com destino à América do Sul, mas, por uma reviravolta do destino, desembarcou em Paranaguá, no litoral do Paraná, após um acidente com a embarcação. Encantado com o Brasil, decidiu permanecer no país, estabelecendo residência definitiva em Curitiba a partir de 1902.
Na capital paranaense, fundou uma escola de artes e tornou-se figura central na vida cultural da cidade. Além de lecionar, exerceu atividades como cenógrafo e diretor de ensino em instituições locais. Foi também professor da Escola Alemã e da Escola Normal, contribuindo diretamente para a formação de gerações de artistas paranaenses. Sua casa-ateliê, onde viveu e trabalhou, viria a ser transformada no atual Museu Alfredo Andersen, importante espaço de preservação de sua obra e memória.
A pintura de Alfredo Andersen é marcada por um apurado rigor técnico, herança de sua formação europeia, mas também por um olhar afetuoso e comprometido com o ambiente brasileiro. Retratou com frequência paisagens do litoral paranaense, pinhais, cenas da vida cotidiana, bem como retratos que revelam um interesse humanista profundo. Entre os personagens retratados por Andersen está o escritor norueguês Knut Hamsun. Ao longo de sua carreira, expôs tanto no Brasil quanto na Europa, com destaque para exposições no Rio de Janeiro (1918), São Paulo (1921) e participações em salões nacionais, onde foi premiado com menção honrosa e medalha de bronze.
Em 1931, recebeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba, reconhecimento oficial por sua enorme contribuição à cultura brasileira. Alfredo Andersen faleceu em 1935, aos 74 anos, mas deixou um legado duradouro na arte e na educação artística do Brasil.
Alfredo Andersen | Wikipédia
Alfred Emil Andersen (Kristiansand, 3 de novembro de 1860 — Curitiba, 9 de agosto de 1935) foi um pintor, escultor, decorador, cenógrafo, desenhista e professor norueguês radicado no Brasil.
O artista é considerado o "pai da pintura paranaense”.
Biografia
Filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen, Alfredo aos 13 anos pintou sua primeira tela: “Akt”.
Iniciou aos 17 anos os estudos na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega. Frequentou depois a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, entre 1879 e 1883, onde foi, posteriormente, professor de Desenho.
Em 1884, realizou sua primeira exposição individual.
Fez uma viagem aos trópicos, a bordo de um veleiro, chegando até a costa brasileira, que o impressiona, pintando uma tela no porto de Cabedelo, na Paraíba. Posteriormente, decidiu voltar à América, mais especificamente a Buenos Aires, mas ao passar em Paranaguá, onde seu barco parou em função de reparos, simpatizou com o lugar e decidiu ficar no Brasil.
Em Paranaguá conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Desse relacionamento nasceram quatro filhos.
Após 1902, foi para Curitiba, onde fundou uma escola de desenho e pintura. Posteriormente, foi professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense, e diretor das aulas noturnas da Escola de Artes e Indústrias.
Em 1907, realizou uma primeira individual em Curitiba, com 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. Seguiram-se várias outras exposições em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930), no Rio de Janeiro (1918), e em São Paulo (1921).
Participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa (1916) e medalha de bronze (1933).
O governo norueguês lhe ofereceu a direção de uma Escola de Belas Artes, em 1927, mas após um ano regressou ao Paraná, trazendo entre outros o seu “Retrato de Knut Hamsun”, atualmente na Galeria Nacional da Noruega.
Ao completar 71 anos, em 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou, em 1932, seu mais conhecido auto-retrato, que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
Andersen chegou a ser chamado o “Pai da Pintura Paranaense” Faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
A Sociedade Amigos de Alfredo Andersen (SAAA) foi fundada em 3 de novembro de 1940 com o objetivo de preservar e promover o legado de Alfredo Andersen. A iniciativa partiu de amigos e admiradores do artista, como João Turin, Oswald Lopes, Freyesleben, Theodoro De Bona, entre outros. A Sociedade teve papel essencial na preservação de sua obra.
Em 1947, a SAAA impulsionou a desapropriação do imóvel onde Andersen viveu, com objetivo de preservar a memória do artista.
Em 1959, o Museu foi oficialmente criado passando a se chamar Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Mais tarde o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, em 1979, passou a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Formação
Sua formação artística ocorre em Oslo (Noruega), estudando com Wilhelm Krogh, Peter Eilaifson, Carl A. Andersen e o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen. Entre 1879 e 1883, estudou como bolsista na Academia Real de Belas Artes.
Cronologia
1874/1877 - Oslo (Noruega) - Assistente no ateliê de Wilhelm Krogh, trabalha como pintor de terracota e desenhista cenógrafo.
1877/1884 - Copenhague (Dinamarca) - Vive nessa cidade.
1879/1883 - Copenhagen (Dinamarca) - Professor de desenho livre na Escola de Rapazes de Vesterbron.
1890/1892 - Realiza uma longa viagem aos trópicos: vai ao México, Barbados e passa pelo Nordeste do Brasil.
1892 - Inicia nova viagem com destino a Buenos Aires, África do Sul, Ásia e América do Norte, porém acaba fixando-se no Sul do Brasil, no Paraná
1893 - Paranaguá/PR - Vive nessa cidade.
1902/1935 - Curitiba/PR - Vive nessa cidade.
1902 - Curitiba/PR - Em seu próprio ateliê, funda uma escola particular de desenho e pintura, que terá importante atuação na formação de vários artistas paranaenses.
1903/1909 - Curitiba/PR - Professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense.
1909 - diretor das aulas noturnas da Escola de Belas Artes e Indústria.
1927 - Noruega - Viaja para esse país, hospedando-se na casa de Wilhelm Krogh, e retorna ao Brasil no ano seguinte.
1931 - Curitiba/PR - Recebe o título de Cidadão de Curitiba
1951 - Curitiba/PR - É homenageado através da exposição de alguns óleos no 4º Salão de Belas Artes do Club Concórdia
1960 - Curitiba/PR - Homenagem no 17º Salão Paranaense de Belas Artes no centenário de seu nascimento, na Biblioteca Pública do Paraná.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Biografia de Alfredo Andersen | Museu Casa Alfredo Andersen
Alfred Emil Andersen nasceu em Khristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, único filho homem dentre os cinco do casal Tobias Andersen e Hanna Carina Andersen.
Sua formação artística ocorreu na Europa, em ateliês particulares na Noruega e Dinamarca, e na Academia Real de Belas Artes de Copenhagen; foi aluno de artistas e decoradores de destaque em seu tempo, como Wilhelm Krogh e Carl A. Andersen
Entre as décadas de 1880 e 1890, Andersen atuou como artista profissional na Noruega e na Dinamarca, desempenhando atividades como pintor (com mostras individuais em Oslo e Copenhagen), professor, cenógrafo e jornalista. Aqueles eram anos conturbados no norte da Europa, particularmente para a Noruega, que após anos de dominação dinamarquesa e sueca conquistava sua independência política e cultural. Um grande movimento nacionalista e de busca por elementos que caracterizassem a identidade norueguesa impulsionou a criação artística e definiu essas décadas como umas das mais produtivas nas artes na Noruega.
É nesse contexto que encontramos aqueles que são considerados alguns dos maiores artistas noruegueses: o compositor Edvard Grieg (1843-1907), o dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906) e o escritor Knut Hamsun (1859-1952). Andersen foi impregnado por esse espírito nacionalista romântico, especialmente pelo contato que teve com Hamsun e com o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen (1835-1893).
Sendo filho de um capitão da marinha mercante, Andersen teve a oportunidade de visitar vários locais do mundo e, devido a essa facilidade, em 1889 foi para Paris fazer a cobertura jornalística do Salão Oficial de Belas Artes, no ano em que a Torre Eiffel foi inaugurada como um marco da Exposição Universal de Paris.
Em 1892, após um longo período de viagens pela Europa e América, Andersen desembarcou no Paraná, fixando residência em Paranaguá, num período tenso da história do Brasil, marcado pela consolidação do regime republicano e por motins e levantes populares como a Revolução Federalista.
Apesar do desconhecimento da língua portuguesa e das diferenças culturais, Andersen se adaptou à sociedade brasileira. Primeiramente, ele se estabeleceu no litoral do Paraná, e lá residiu por cerca de dez anos, vivendo de retratos sob encomenda e de decorações cênicas para casas que fazia.
Com 42 anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Ana de Oliveira (1882-1945), Andersen se mudou para Curitiba. Na capital do Paraná abriu um ateliê na Rua General Deodoro (atual Rua Marechal Deodoro) no espaço antes ocupado pelo fotógrafo alemão Adolpho Volk. Nos anos em que manteve seu ateliê, Andersen retomou suas atividades profissionais mais próximo o possível com o que fazia na Europa, realizando exposições individuais, participando de mostras coletivas e retomando seu papel como professor de desenho e pintura. Naqueles anos Andersen também buscou incentivar o desenvolvimento do mercado de obras de arte, entretanto, Curitiba ainda se encontrava muito aquém das localidades por onde havia passado. Esta era uma cidade em processo de implantação de infraestrutura urbana, (poucas ruas tinham pavimentação, com fornecimento deficitário de luz elétrica, e o transporte de pessoas, bens e produtos era feito basicamente por tração animal), cuja população se dividia entre agricultores (imigrantes de diferentes etnias assentados em colônias), comerciantes (que negociavam muitos produtos vindos de outras localidades), industriais (relacionados ao processo de produção de erva-mate e produtos alimentícios, ou à indústria gráfica e metalúrgica), políticos, religiosos, profissionais liberais e manufatureiros.
Na década de 1910, Andersen, então pai de três filhos, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade, como a Escola Alemã, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Indústrias (primeira instituição voltada para o ensino de técnicas artísticas do Paraná e que em 1893 causou grande impacto em Andersen). Além disso, ele estreitou seus laços com o Governo do Estado, executando o primeiro projeto para o brasão do Estado do Paraná. Naquela década, mais precisamente em 1915, um ano após o nascimento de sua última filha, Andersen mudou seu ateliê-escola para a edificação onde hoje é o Museu Alfredo Andersen, localizada na então Rua Assunguy, atual Rua Mateus Leme.
Nos anos seguintes àquela década, o trabalho de Andersen como pintor, educador e agente cultural foi extremamente rico, e sua reputação profissional solidificou-se, demonstrando como a classe burguesa que se estabelecia em Curitiba mantinha um gosto enraizado nas tradições artísticas europeias do século XIX.
Em 1927, Andersen retornou à Noruega para visitar a família e amigos e reencontrou seu antigo professor Wilhelm Krogh. Lá, recebeu um convite do governo norueguês para ficar e dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, mas Andersen declinou e retornou ao Brasil.
Os últimos anos de sua vida foram marcados pelo reconhecimento de seu trabalho e por homenagens, como o título de Cidadão Honorário de Curitiba que recebeu em 1931 da Câmara Municipal de Curitiba. O pintor, já então chamado de “Alfredo” Andersen, faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935.
Fonte: Museu Casa de Alfredo Andersen. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
O legado da arte de Alfredo Andersen | Tribuna Paraná
Um artista que orientou tendências e foi considerado, acima de tudo, o grande animador das artes plásticas do Paraná. Neste mês de novembro, estão sendo comemorados os 150 anos de nascimento do pintor Alfred Emil Andersen, mais conhecido como Alfredo Andersen (03/11/1860 – 09/08/1935).
Apesar de norueguês – nascido em Christianssand, capital do condado de Vest-Agder – ele viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, no litoral, e ainda hoje é tido como o “pai da pintura paranaense”.
Andersen foi o primeiro artista plástico a atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no Estado. Ele se envolveu de forma intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura.
Foi ele que incentivou a formação da primeira geração de artistas plásticos profissionais no Paraná. Seu trabalho o transformou em uma personalidade importante para o estudo da sociedade e da arte paranaense do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.
“Andersen, ainda hoje, é um exemplo para todo artista que queira se arriscar na área das artes plásticas. Ele chegou ao Brasil sem incentivo e sem emprego, mas mesmo assim conseguiu se destacar e sobreviver de sua arte. Além de grande beleza, suas obras são um retrato de como era o Paraná no passado. Ele pintou, por exemplo, as Sete Quedas, em um quadro que tem 3,20 metros só de tela. Para isso, no ano de 1904, viajou trinta dias em lombo de burro e chegou a contrair malária”, diz o presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, Wilson Ballão, que é bisneto do pintor.
Para as comemorações dos 150 anos, Wilson reuniu, nos últimos dias, em Curitiba, muitos familiares de Andersen. Destes, 23 vieram da Noruega e dos Estados Unidos. Porém, também chegaram à capital paranaense familiares vindos de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Alfredo Andersen tinha quatro irmãs. Sou neta de uma dessas irmãs e estou muito feliz por poder estar em Curitiba comemorando os 150 anos de nascimento de meu tio avô. Ele tem uma história de vida muito bonita e interessante”, afirma a sobrinha-neta do pintor, Ragnhild Margrethe Jensen, de 71 anos, que é da Noruega e vive em Christianssand.
O também norueguês e sobrinho-neto de Andersen, Sven Rudolf Peersen, de 68 anos, comenta que o pintor é mais conhecido no Brasil do que no país onde nasceu.
“Para mim, o mais importante é que Andersen foi reconhecido como um grande artista ainda em vida. Em 2001, fizemos uma exposição de suas obras em Christianssand. Isso chamou a atenção da imprensa local e contribuiu para que, de vez em quando, alguma coisa sobre Andersen saia na mídia norueguesa. Porém, ele é muito mais conhecido e valorizado no Brasil do que na Noruega”.
Formação
A formação artística de Andersen se deu toda na Europa. Ele desembarcou no Paraná em 1892, indo para Paranaguá, onde morou por dez anos e viveu da realização de retratos sob encomenda e decorações cênicas para casas. Aos quarenta e dois anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Anna de Oliveira (1882-1945), mudou-se para Curitiba.
Na capital, abriu um atelier na Rua General Deodoro (atual Marechal Deodoro), realizando exposições individuais de seu trabalho, participando de mostras coletivas e atuando como professor de desenho e pintura.
Na década de 1910, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade. No ano de 1915, mudou seu atelier e escola para a edificação em que hoje se encontra o Museu Alfredo Andersen, na então rua Assunguy (atual Mateus Leme). Em 1931, recebeu o título de “Cidadão Honorário de Curitiba".
Produção artística
Alfredo Andersen foi um pintor de retratos, paisagens e cenas de gênero. Sua produção artística é divid,ida em três fases: período norueguês (1873- 1892), período litorâneo (1892 – 1902) e período curitibano (1902- 1935).
O norueguês, segundo informações divulgadas pelo museu que leva o nome do pintor, é marcado por uma representação da vida urbana e rural, por retratos de afeição e cenas de gênero em ambientes interiores.
O período litorâneo é caracterizado por cenas marinhas, retratos de encomenda e cenas ambientadas em espaços externos. Já o curitibano é marcado por uma maior pluralidade temática e por um maior amadurecimento do estilo do artista.
Museu Alfredo Andersen
A importância de Alfredo Andersen para a cultura paranaense é tanta que, no ano de 1959, em Curitiba, foi inaugurado um museu que leva o nome do artista. Atualmente, o espaço fica localizado no bairro São Francisco, na rua Mateus Leme, 336, e é aberto à visitação de terça a domingo.
O museu tem sua origem na sociedade de amigos do pintor, criada em 1940. Em 1959, houve a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte. A instituição passou a ser chamada de museu em 1979.
“O museu funciona na casa onde Andersen morou, com sua família, a partir de 1915. É uma construção de dois andares, construída no fim do século XIX. Após o falecimento do pintor, ela continuou sendo ocupada por seu filho e acabou sendo tombada pelo Patrimônio Público Estadual”, explica a atual presidente do museu, Roseli Bassler.
Atualmente, o espaço é administrado pelo poder público estadual, vinculado à Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná (Seec-PR).
Tem como objetivo catalogar, conservar, expor e divulgar a obra de Alfredo Andersen, além de resgatar sua memória como artista e educador e dar continuidade a seu trabalho de promoção cultural. Isto se dá através da oferta de cursos, organizações de mostras e seminários sobre arte.
“Todas as atividades que realizamos têm como objetivo preservar e divulgar a memória de Andersen”. Alfredo Andersen também dá nome a uma praça de Curitiba, localizada em frente ao hospital Evangélico.
Selo, carimbo e catálogo
Vários eventos, realizados no decorrer da última semana, em Curitiba, foram alusivos aos 150 anos de nascimento do pintor. Entre outras coisas, foram lançados um selo, um carimbo e um catálogo de obras comemorativos.
Porém, nas próximas semanas, ainda será possível apreciar algumas exposições sobre o artista tanto na capital quanto em Paranaguá. No museu que leva o nome do pintor, em Curitiba, fica em cartaz, até 31 de janeiro, a exposição 1º. Salão de Artes Plásticas – A continuidade do trabalho de Alfredo Andersen, com obras exibidas em uma exposição feita em 1941, no edifício Garcez.
No Paço da Liberdade, ainda na capital, até 26 de dezembro, é possível apreciar a mostra A Curitiba de Alfredo Andersen. Já em Paranaguá, fica em cartaz, até o dia 5 de dezembro, na Casa Monsenhor Celso, uma exposição com retratos pintados por Andersen.
Fonte: Tribuna Paraná, “O legado da arte de Alfredo Andersen”, publicado por Cintia Végas, em 07 de novembro de 2010. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileirom |
Em 1886, o artista norueguês Alfred Emil Andersen expôs suas pinturas ao lado de Edvard Munch, cujo icônico "O Grito" viria a ganhar reconhecimento mundial. Poucos anos depois, em 1891, Andersen pintou um retrato de Knut Hamsun, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ter frequentado os mesmos círculos de alguns dos artistas mais reconhecidos da Noruega, o nome de Andersen permaneceria quase desconhecido na Noruega e no exterior, exceto em uma região periférica no hemisfério sul, para onde se mudou: o porto de Paranaguá, no recém-fundado estado do Paraná, Brasil.
Quem foi Andersen e como ele adotou o Brasil como seu lar?
Conheci Andersen e sua arte pela primeira vez ao estudar as conexões culturais entre o norte da Europa e a América do Sul. Embora meus interesses de pesquisa se concentrassem em padrões transatlânticos de migração e formação cultural, busquei ir além dos laços coloniais e pós-coloniais mais comumente estudados entre nações do sul da Europa e da América Latina e, em vez disso, investigar produções culturais resultantes de rotas migratórias menos conhecidas.
Perguntei-me se havia padrões significativos de imigração de outros países europeus, como a Noruega. Ao pesquisar possíveis conexões entre eles, um artista finalmente emergiu: Alfredo Emílio Andersen, o "pai da pintura paranaense".
Andersen, nascido Alfred Emil, nasceu em Kristiansand, Noruega, em 1860. Filho de um capitão de navio, teve desde cedo a oportunidade de visitar diversos países da Europa e da América Latina. Essas viagens despertaram no jovem Andersen o interesse pelas artes visuais, levando-o a escolher a pintura como profissão. No final da década de 1870 e ao longo da década de 1880, Andersen trabalhou em Oslo, Copenhague e Paris, entre outras cidades europeias, onde expôs suas pinturas, lecionou em escolas de arte e cobriu eventos artísticos para jornais.
Andersen chegou ao Brasil pela primeira vez em 1891, depois de navegar pelo México e pelas ilhas do Caribe, e junto com seu pai visitou o estado nordestino da Paraíba, que Andersen retratou em sua pintura Porto de Cabedelo.
Um ano depois, Andersen embarcou em mais uma viagem à América do Sul, desta vez com Buenos Aires como destino final. Mas uma forte tempestade na costa brasileira obrigou o navio a atracar em Paranaguá, cidade litorânea que servia como principal porto de entrada para o estado do Paraná. Enquanto o navio acabou partindo para a Argentina, Andersen não o fez. Ele nunca mais deixaria o Brasil, exceto por uma visita à Noruega perto do fim de sua vida.
Andersen viveu em Paranaguá por uma década antes de se mudar com sua família recém-formada para Curitiba, a capital do estado, para expandir ainda mais sua carreira como artista. Nos 43 anos em que viveu em sua terra adotiva, Andersen produziu pinturas de paisagens que retratavam símbolos-chave do regionalismo paranaense, como o pinheiro, bem como retratos de políticos enraizados no orgulho nacionalista. Por essa razão, Andersen foi identificado como um eminente contribuidor do paranismo, um movimento artístico regionalista que buscava formular uma identidade distinta para o estado do Paraná, e coroado como o "pai das pinturas paranaenses" por sua contribuição particular ao desenvolvimento das artes visuais na região.
Conhecer a história comovente de migração e disseminação artística de Andersen me encheu de perguntas: como ele, imigrante norueguês aos 32 anos, construiu uma carreira que lhe renderia o título de "pai da pintura paranaense"? Como o Alfred norueguês se tornou o Alfredo brasileiro? Como este caso em particular pode enriquecer nossa compreensão das relações transatlânticas entre a Noruega e o Brasil?
Para responder a essas questões, candidatei-me a uma Bolsa DRCLAS Brasil para o verão de 2020, com o objetivo de visitar museus no Brasil e na Noruega que abrigavam obras de arte e documentos de arquivo de Andersen. Com o desenvolvimento inesperado da pandemia do coronavírus, no entanto, logo ficou evidente que eu conduziria minha pesquisa online, de acordo com as restrições impostas pela atual crise sanitária. Como muitos outros pesquisadores, tive que repensar minha abordagem metodológica para a pesquisa arquivística e adotar um cronograma com maior flexibilidade.
Minha colaboração com os museus de arte Vest-Agder e Sørlandet, localizados em Kristiansand, impulsionou a busca por documentos que pudessem lançar mais luz sobre a trajetória de Andersen. Como a pandemia impediu minha visita aos arquivos locais, recorri aos acervos desses dois museus, que preservaram um pequeno número de pinturas, livros, documentos e gravações relacionadas a Andersen .
Isso me levou a explorar um ângulo inesperado: encontrei documentos sobre a organização de uma exposição binacional de arte em 2001, intitulada "Andersen Retorna à Noruega", que situava o Brasil como epicentro da produção artística e a Noruega como receptora de um desenvolvimento artístico inédito. Artigos de jornal apresentaram o "Alfredo Brasileiro" aos moradores de Kristiansand; um documentário transmitido ao público recontou a história de sua transformação no "Senhor Alfredo"; e as exposições importaram dezenas de pinturas produzidas no Brasil que nunca haviam sido apresentadas ao público norueguês antes. Produto da emigração norueguesa para o Brasil um século antes, essa empreitada cultural refletiu um movimento inverso da exportação artística do Brasil de volta ao Norte da Europa, indicando um ciclo transatlântico de produção, recepção e cooperação cultural entre essas duas regiões relativamente independentes.
No entanto, as coleções dos museus noruegueses empalidecem em comparação com a riqueza de documentos e pinturas originais preservados na Casa Alfredo Andersen, em Curitiba, inteiramente dedicada ao seu legado. Mais uma vez, os arquivos do Museu Andersen chamaram minha atenção para uma questão que eu não havia considerado anteriormente: a relação entre migração e instituições educacionais.
Desde o início de sua fixação no Brasil, Andersen teve a oportunidade de se inserir no campo da educação artística. Em Curitiba, por exemplo, lecionou em diversas instituições renomadas, incluindo o Colégio Alemão, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Ofícios.
Ele também fundou sua própria instituição, um ateliê particular em sua casa, onde ministrava aulas de arte, exposições e eventos comunitários. Andersen buscou apoio financeiro do governo ao longo da vida para transformar o ateliê em uma instituição pública oficial, embora sem sucesso. Em vez disso, seu ateliê funcionou como uma escola de arte particular, onde ele oferecia aulas de desenho com modelo vivo e pintura a óleo, além de excursões ao ar livre.
Os alunos, muitos dos quais se tornariam artistas profissionais e seriam identificados como discípulos do artista, também participavam de exposições de arte realizadas no ateliê, eventos que se tornaram tradição em Curitiba por sua frequência e que, por sua vez, atraíram maior atenção para a arte de Andersen e seu papel social como construtor de instituições. Dessa forma, o ateliê tornou-se um notável espaço de produção cultural. Após a morte de Andersen, o ateliê foi transformado no Museu e Escola de Arte Casa Alfredo Andersen, com financiamento privado, e em 1979 tornou-se um museu público.
A defesa política de Andersen pela expansão de escolas de arte financiadas pelo Estado aprofundou ainda mais sua influência nos campos educacional e cultural. Andersen era um defensor ferrenho da expansão do acesso à educação artística para a classe trabalhadora. Além de ministrar aulas noturnas, promovidas para trabalhadores braçais, ele também defendia politicamente a criação de escolas de arte que atendessem especificamente a essa população, enviando propostas orçamentárias aos governos municipal e estadual para a implementação desses projetos educacionais.
O governador do estado na época prometeu a Andersen financiar a criação de uma escola oficial de belas artes a ser administrada por ele, como forma de fortalecer ainda mais o compromisso de Andersen de viver lá. Embora esse plano nunca tenha se concretizado, Andersen permaneceu dedicado ao seu empreendimento educacional em Curitiba; quando visitou a Noruega em 1927 pela primeira e única vez, recebeu a oferta de dirigir a recém-fundada Escola de Belas Artes de Oslo, oportunidade que ele recusou, com a intenção de retornar ao Brasil.
Com base nas fontes que encontrei nos três museus, concluí que Andersen ficou conhecido como o “pai da pintura paranaense” não apenas pelo peso de sua produção artística, mas também pelo impacto que sua pedagogia e sua atuação política tiveram na expansão da produção artística na região.
Ele e sua escola serviram como catalisadores para o desenvolvimento da arte paranaense, preparando uma nova e robusta geração de artistas que levariam a produção artística do estado adiante, não apenas para as metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, mas também até a Noruega.
Ainda há muito a ser estudado sobre a arte de Andersen, sua história pessoal de migração e os padrões mais amplos que contribuíram para sua chegada ao Brasil. Visitar o Museu Casa Alfredo Andersen pessoalmente, quando possível, me ajudará a expandir o escopo deste projeto e a estabelecer novas conexões.
No entanto, de certa forma, foi graças à pandemia que me senti atraído a investigar documentos que, de outra forma, talvez não tivessem sido o foco da minha pesquisa. Ao ter que trabalhar com o que eu tinha, acabei com muito mais do que esperava.
O caso de Andersen aponta para o potencial mais amplo das instituições educacionais e culturais de funcionarem como uma arena híbrida para o intercâmbio transcultural, um espaço no qual os migrantes fazem contribuições sociais, políticas e culturais para sua nova comunidade. Também lança luz sobre como as noções de cidadania e pertencimento são negociadas por meio da arte e construídas por meio desses encontros transculturais.
Fonte: ReVista, Harvard Review of Latin America, “Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileiro", publicado por Geórgia Soares, em 11 de novembro de 2021. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfredo Andersen (Kristiansand 1860 - Curitiba 1935) | Arquivo da Internet
Alfredo Emílio Andersen foi considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época. Ele nasceu em Kristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen.
Aos treze anos pintou aquela que se supõe seja a sua primeira tela, intitulada "Akt". Entre 1874 a 1877 estudou com Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega, que considerava seu pupilo um jovem de excepcional talento. Com dezoito anos mudou-se para a Dinamarca. Sua carreira, a partir de então, alcança rápida progressão, passando o artista a exercer atividades não só de pintor, como de cenógrafo e decorador.
Retratos
O fato de ser amante da liberdade e adepto da integração do homem à natureza aproximou-o do famoso escrito Knut Hamsun, autor de "A Fome", que também defendia os mesmo ideais. Andersen retratou o amigo em 1891, dando início, a partir de então, a uma série de retratos, segundo ele, de caráter mais subjetivo. O retrato de Hamsun fica agora na Galeria Nacional da Noruega.
Em 1892 o artista voltou a empreender outra longa viagem a partir de Kristiansand, em navio capitaneado por seu pai, cuja etapa final seria Buenos Aires. Na costa brasileira, o barco aportou no porto de Cabedelo, Paraíba, local onde teve a oportunidade de pintar uma belíssima tela com a paisagem litorânea da cidade. Ao continuar a viagem para o sul, um forte temporal provocou avarias no mastro da embarcação, obrigando-o a aportar em Paranaguá.
Clima de mistério
Ainda hoje persiste um certo clima de mistério no fato de o artista - cujo nome já se projetava na Europa, onde deixara amigos, admiradores e familiares - ter tomado a decisão de permanecer nesse porto brasileiro, em uma terra, para ele, inteiramente estranha e de duvidosas perspectivas profissionais. Residiu o artista em Paranaguá durante cerca de dez anos, quando conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Do relacionamento nasceram quatro filhos.
Escola de arte
É provável que Andersen tenha se transferido para a Capital em 1902. Sabe-se que chegou a Curitiba nesse ano, e começou a dar aulas particulares de desenho e pintura. O artista desenvolveu em Curitiba intensa atividade como pintor e professor: ainda em 1902 seu atelier se transforma em uma verdadeira escola de arte, ali permanecendo em atividade até 1915. Além das aulas particulares Andersen também lecionou Desenho na Escola Alemã e no Colégio Paranaense.
O envolvimento do artista com o ensino foi, sem dúvida, marcante, desde o início de sua estada em Curitiba. Vicente Machado, Presidente do Estado do Paraná, no intuito de convencer Andersen a não voltar à Noruega, chegou a prometer a criação de uma escola de arte oficial na cidade, que seria dirigida pelo mestre. E apelou para o sentimento de solidariedade do artista, afirmando que a permanência do mesmo era fundamental para ajudá-lo na educação do povo paranaense.
Cidadão Honorário
Ao completar 71 anos no dia 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou em 1932 o seu mais conhecido auto-retrato que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935 esse artista extraordinário, considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época.
A sociedade Amigos de Alfredo Andersen
Logo após o falecimento de Andersen, seus amigos e admiradores organizam uma Sociedade de Amigos com finalidade de criar neste espaço onde o artista viveu, uma unidade museológica para preservação de sua obra e a continuidade de seus ideais. Somente em 1959 o Museu é oficialmente criado passando a chamar-se Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Anos mais tarde o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e em 1979 passa a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Atualmente o Museu, cumprindo sua principal função, expõe permanentemente a obra de Andersen com mostras temáticas, realiza exposições temporárias de discípulos de Andersen e artistas contemporâneos que mantém um vínculo com o Atelier de Arte. Promove o Salão e o Simpósio Paranaense de Cerâmica bienalmente.
Fonte: Arquivo da Internet, “Alfredo Andersen". Publicado em 2 de setembro de 2004. Consultado pela última vez em 10 de julho de 2025.
Alfredo Andersen | 500 Anos da Pintura Brasileira
Engenheiro ou pintor?
Alfredo Andersen nasceu em Christianssand, Noruega, no ano de 1860. Veio a falecer em 1935 em Curitiba, Paraná, onde passou a maior parte de sua vida.
Pertencia à mesma geração do escritor Knut Hamsun (1859-1952, cujo retrato executou, e do pintor Edvard Munch (1863-1944).
Aos 17 anos, matricula-se na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Krohg,vencendo as resistências do pai, que queria vê-lo engenheiro naval.
Entre 1879 e 1883, com uma bolsa de estudos, freqüenta a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, da qual seria mais tarde professor de Desenho.
Retornando da Dinamarca em 1883, no ano seguinte realiza sua primeira individual, em Cristiânia. De então, até 1890, continua expondo regularmente, realizando também pequenas viagens ao estrangeiro, sobretudo à França.
Uma volta pelo Novo Mundo
Mas em começos da década de 1890, obedecendo, quem sabe, à mesma espécie de obsessão que exatamente na mesma época levaria Paul Gauguin ao Taiti, decide empreender longa viagem aos Trópicos, a bordo de um veleiro.
Nesse percurso, vai ao México, toca em Barbados e chega à costa setentrional brasileira, executando inclusive, em 1892, uma bonita Vista de Cabedelo.
Em 1893, de novo na Europa, a caminho de casa, sabe que sua cidadezinha fora praticamente destruída por um incêndio.
Conheceu o Paraná e por ali ficou
Decide então voltar ao Novo Mundo: embarcando com destino a Buenos Aires num veleiro que transportava ferro e carvão da Inglaterra, atinge Paranaguá, para reparos no barco.
Por obra do destino, pisa pela primeira vez no Estado do Paraná, que não estava em seu roteiro. Simpatizando com a terra, vai-se deixando ficar no Brasil, primeiro em Paranaguá, e após 1902, em Curitiba.
É ele quem fala de seus primeiros contatos com a capital paranaense:
Tive a agradável surpresa de ser logo procurado por particulares, para os aceitar como alunos. Fundei então a minha escola de desenho e pintura, que ainda funciona. Mais tarde fui instituído professor de Desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense do Dr. Marins Camargo, sendo, em 1909, convidado pela diretoria da Escola de Artes e Indústrias, então de D. Maria Aguiar de Lima, para assumir a direção das aulas noturnas que a mesma escola criara.
A criação de um curso noturno de Desenho foi excelentemente recebida pelo público e em breve se tornou preciso reduzir a matrícula aos profissionais de ofício e indústria, excluindo-se os diletantes. Assim se conservou um total de 60 alunos, todos operários, entre 14 e 30 anos.
Desenho, a base do progresso industrial
Esse aspecto da atuação de Andersen como incentivador de vocações de operários e como pioneiro da boa forma industrial ainda não foi suficientemente enfatizado.
Na verdade, já em 1917 o pintor escandinavo dizia, na mesma entrevista, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre a instrução e o progresso de um país:
Pois é isto: o ensino do Desenho, desenvolvendo o sentimento estético e, por conseguinte, o bom gosto, ensina a ver.
A lição da Alemanha
E prossegue Andersen:
Sabemos que a Alemanha era, há 40 anos, um Estado agricultor e, pelo Desenho, se fez um Estado industrial. Sabe-se também que o seu début na Exposição Industrial de Chicago foi um fiasco. Barato e ruim, assim definiram a Alemanha industrial naquele certame.
Ainda nesse tempo pouco remoto a Inglaterra e a França a sobrepujaram, porque, ao ensino do Desenho, nestes dois países, se tinha ligado um interesse especial.
A Alemanha compreendeu: estudou os métodos do ensino do Desenho na Inglaterra, onde cada escola empregava um método de conformidade com o entendimento dos seus ilustres professores.
Reconheceu até que grau se tinha elevado nas escolas inglesas o ensino do Desenho e fez também as suas pesquisas na França, no Japão e na América do Norte, apercebendo-se então da grandeza sem par desse problema que a sua ânsia de progresso não tinha ainda resolvido e orientado no sentido das artes aplicadas.
Preparou pois a Alemanha o seu grandioso plano do ensino do Desenho, tendo por objetivo uma educação em harmonia com o indivíduo. Daí nasceram a sua arte e as suas indústrias modernas - quer dizer - o seu imenso progresso nesses dois ramos da conquista humana.»
A primeira mostra no Brasil
Andersen chega a antever um curso de Desenho para operários, que traria a felicidade ao Paraná, porque faria a grandeza das suas indústrias:
Quando chegarmos a ter pelo menos uma simples Escola de Desenho para Operários, sem falar numa Escola de Artes Aplicadas, naturalmente mais dispendiosa, teremos atingido a primeira etapa verdadeiramente real do nosso progresso.
Pouco após se radicar em Curitiba, Andersen ali realizou uma primeira individual de 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. O crítico do Diário da Tarde, em artigo de 20 de março de 1907, observou com acuidade:
Na observação da nossa natureza, o ilustre artista norueguês mostra um desenvolvimento notável, mais acentuada energia de colorido, em contraposição dos saudosos tons nevoentos que lhe eram costumados e freqüentes, auros decerto da sua visão escandinava.
Da mesma forma, a quente coloração de carnes, sistematicamente rubra, que, parece, trouxera da arte flamenga, se lhe tem modificado, o que naturalmente se havia de dar em um artista de tão séria e meticulosa faculdade de observação.
Na mesma exposição quatro alunos de Andersen mostravam quadros, entre eles Lange de Morretes.
O Pai da Pintura Paranaense
A atividade didática de Andersen, aliás, seria tão fecunda, que o crítico Carlos Rubens na monografia que lhe consagrou, chega a chamá-lo de Pai da Pintura Paranaense, reconhecendo seu papel de elemento aglutinador de tendências e características que, se já antes se tinham manifestado esporadicamente, só agora achavam quem as concatenasse, inclusive do ponto de vista técnico.
Várias outras exposições realizaria o pintor norueguês, não só em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930) como no Rio de Janeiro (1918) e em São Paulo (1921), todas com grande sucesso.
Também participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa no de 1916 e medalha de bronze no de 1933.
Brasileiro, de papel passado
Apesar de tais vitórias, Andersen continuou levando existência difícil no Brasil, dado o provincianismo cultural então vigente.
Tendo adotado a cidadania brasileira e no Brasil constituído família, jamais pensou em retornar à pátria, nem mesmo quando, em 1927, o governo da Noruega ofereceu-lhe a direção de uma Escola de Belas Artes.
Após um ano de permanência na Escandinávia, da qual assim se despedia, Andersen regressou ao Paraná, trazendo na bagagem um punhado de telas da mocidade, inclusive o já mencionado Retrato de Knut Hamsum.
Museu conserva a alma do pintor
Cidadão de Curitiba em 1931, Andersen faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê curitibana, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
O artista praticou todos os gêneros, destacando-se como paisagista, intérprete sensível e pessoal da natureza paranaense, e como pintor de figuras.
Em sua mocidade, tocado pelo Simbolismo, que lhe motivaria algumas de suas melhores composições, Andersen pouco a pouco deixou sua orientação original, trocando-a por agudo senso de observação e por acentuado amor à realidade.
Espontâneo e vigoroso no pincelar, colorista sensível, sua obra é um caso único de aclimatação cultural de um artista escandinavo em terra brasileira.
Fonte: 500 Anos da Pintura Brasileira, “Alfredo Andersen”. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Crédito fotográfico: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfred Emil Andersen (3 de novembro de 1860, Kristiansand, Noruega — 9 de agosto de 1935, Curitiba, PR), mais conhecido como Alfredo Andersen, foi um influente pintor, escultor, cenógrafo e professor norueguês radicado no Brasil. Formado em estética e técnicas artísticas em Oslo e Copenhague, estreou oficialmente como expositor em 1884. Sua vida mudou ao desembarcar em Paranaguá em 1891: enamorado pelo país, estabeleceu-se, dedicando-se a retratar paisagens locais, cenas cotidianas e notórios retratos, como o de Knut Hamsun. Em Curitiba (1902–1935), fundou uma escola de artes, lecionou em diferentes instituições e transformou-se no “pai da pintura paranaense”, reconhecido com homenagens oficiais e sociais. Suas obras, do naturalismo ao regionalismo, compõem um legado artístico essencial, preservado em seu antigo ateliê, hoje museu, que celebra a rica memória cultural do Paraná.
Alfred Anderson | Arremate Arte
Alfred Emil Andersen, mais conhecido no Brasil como Alfredo Andersen, nasceu em 3 de novembro de 1860 em Kristiansand, na Noruega, e faleceu em 9 de agosto de 1935, em Curitiba, Paraná. Considerado o “pai da pintura paranaense”, Andersen desempenhou um papel fundamental na formação das artes visuais no sul do Brasil, combinando sua formação acadêmica europeia com uma profunda sensibilidade pelas paisagens e pela cultura local brasileira.
Formou-se na Academia Real de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, onde teve uma formação sólida nas técnicas do naturalismo e da pintura acadêmica. Sua primeira exposição individual ocorreu em 1884, ainda na Europa. Em 1891, embarcou em uma longa viagem de navio com destino à América do Sul, mas, por uma reviravolta do destino, desembarcou em Paranaguá, no litoral do Paraná, após um acidente com a embarcação. Encantado com o Brasil, decidiu permanecer no país, estabelecendo residência definitiva em Curitiba a partir de 1902.
Na capital paranaense, fundou uma escola de artes e tornou-se figura central na vida cultural da cidade. Além de lecionar, exerceu atividades como cenógrafo e diretor de ensino em instituições locais. Foi também professor da Escola Alemã e da Escola Normal, contribuindo diretamente para a formação de gerações de artistas paranaenses. Sua casa-ateliê, onde viveu e trabalhou, viria a ser transformada no atual Museu Alfredo Andersen, importante espaço de preservação de sua obra e memória.
A pintura de Alfredo Andersen é marcada por um apurado rigor técnico, herança de sua formação europeia, mas também por um olhar afetuoso e comprometido com o ambiente brasileiro. Retratou com frequência paisagens do litoral paranaense, pinhais, cenas da vida cotidiana, bem como retratos que revelam um interesse humanista profundo. Entre os personagens retratados por Andersen está o escritor norueguês Knut Hamsun. Ao longo de sua carreira, expôs tanto no Brasil quanto na Europa, com destaque para exposições no Rio de Janeiro (1918), São Paulo (1921) e participações em salões nacionais, onde foi premiado com menção honrosa e medalha de bronze.
Em 1931, recebeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba, reconhecimento oficial por sua enorme contribuição à cultura brasileira. Alfredo Andersen faleceu em 1935, aos 74 anos, mas deixou um legado duradouro na arte e na educação artística do Brasil.
Alfredo Andersen | Wikipédia
Alfred Emil Andersen (Kristiansand, 3 de novembro de 1860 — Curitiba, 9 de agosto de 1935) foi um pintor, escultor, decorador, cenógrafo, desenhista e professor norueguês radicado no Brasil.
O artista é considerado o "pai da pintura paranaense”.
Biografia
Filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen, Alfredo aos 13 anos pintou sua primeira tela: “Akt”.
Iniciou aos 17 anos os estudos na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega. Frequentou depois a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, entre 1879 e 1883, onde foi, posteriormente, professor de Desenho.
Em 1884, realizou sua primeira exposição individual.
Fez uma viagem aos trópicos, a bordo de um veleiro, chegando até a costa brasileira, que o impressiona, pintando uma tela no porto de Cabedelo, na Paraíba. Posteriormente, decidiu voltar à América, mais especificamente a Buenos Aires, mas ao passar em Paranaguá, onde seu barco parou em função de reparos, simpatizou com o lugar e decidiu ficar no Brasil.
Em Paranaguá conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Desse relacionamento nasceram quatro filhos.
Após 1902, foi para Curitiba, onde fundou uma escola de desenho e pintura. Posteriormente, foi professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense, e diretor das aulas noturnas da Escola de Artes e Indústrias.
Em 1907, realizou uma primeira individual em Curitiba, com 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. Seguiram-se várias outras exposições em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930), no Rio de Janeiro (1918), e em São Paulo (1921).
Participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa (1916) e medalha de bronze (1933).
O governo norueguês lhe ofereceu a direção de uma Escola de Belas Artes, em 1927, mas após um ano regressou ao Paraná, trazendo entre outros o seu “Retrato de Knut Hamsun”, atualmente na Galeria Nacional da Noruega.
Ao completar 71 anos, em 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou, em 1932, seu mais conhecido auto-retrato, que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
Andersen chegou a ser chamado o “Pai da Pintura Paranaense” Faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
A Sociedade Amigos de Alfredo Andersen (SAAA) foi fundada em 3 de novembro de 1940 com o objetivo de preservar e promover o legado de Alfredo Andersen. A iniciativa partiu de amigos e admiradores do artista, como João Turin, Oswald Lopes, Freyesleben, Theodoro De Bona, entre outros. A Sociedade teve papel essencial na preservação de sua obra.
Em 1947, a SAAA impulsionou a desapropriação do imóvel onde Andersen viveu, com objetivo de preservar a memória do artista.
Em 1959, o Museu foi oficialmente criado passando a se chamar Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Mais tarde o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, em 1979, passou a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Formação
Sua formação artística ocorre em Oslo (Noruega), estudando com Wilhelm Krogh, Peter Eilaifson, Carl A. Andersen e o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen. Entre 1879 e 1883, estudou como bolsista na Academia Real de Belas Artes.
Cronologia
1874/1877 - Oslo (Noruega) - Assistente no ateliê de Wilhelm Krogh, trabalha como pintor de terracota e desenhista cenógrafo.
1877/1884 - Copenhague (Dinamarca) - Vive nessa cidade.
1879/1883 - Copenhagen (Dinamarca) - Professor de desenho livre na Escola de Rapazes de Vesterbron.
1890/1892 - Realiza uma longa viagem aos trópicos: vai ao México, Barbados e passa pelo Nordeste do Brasil.
1892 - Inicia nova viagem com destino a Buenos Aires, África do Sul, Ásia e América do Norte, porém acaba fixando-se no Sul do Brasil, no Paraná
1893 - Paranaguá/PR - Vive nessa cidade.
1902/1935 - Curitiba/PR - Vive nessa cidade.
1902 - Curitiba/PR - Em seu próprio ateliê, funda uma escola particular de desenho e pintura, que terá importante atuação na formação de vários artistas paranaenses.
1903/1909 - Curitiba/PR - Professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense.
1909 - diretor das aulas noturnas da Escola de Belas Artes e Indústria.
1927 - Noruega - Viaja para esse país, hospedando-se na casa de Wilhelm Krogh, e retorna ao Brasil no ano seguinte.
1931 - Curitiba/PR - Recebe o título de Cidadão de Curitiba
1951 - Curitiba/PR - É homenageado através da exposição de alguns óleos no 4º Salão de Belas Artes do Club Concórdia
1960 - Curitiba/PR - Homenagem no 17º Salão Paranaense de Belas Artes no centenário de seu nascimento, na Biblioteca Pública do Paraná.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Biografia de Alfredo Andersen | Museu Casa Alfredo Andersen
Alfred Emil Andersen nasceu em Khristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, único filho homem dentre os cinco do casal Tobias Andersen e Hanna Carina Andersen.
Sua formação artística ocorreu na Europa, em ateliês particulares na Noruega e Dinamarca, e na Academia Real de Belas Artes de Copenhagen; foi aluno de artistas e decoradores de destaque em seu tempo, como Wilhelm Krogh e Carl A. Andersen
Entre as décadas de 1880 e 1890, Andersen atuou como artista profissional na Noruega e na Dinamarca, desempenhando atividades como pintor (com mostras individuais em Oslo e Copenhagen), professor, cenógrafo e jornalista. Aqueles eram anos conturbados no norte da Europa, particularmente para a Noruega, que após anos de dominação dinamarquesa e sueca conquistava sua independência política e cultural. Um grande movimento nacionalista e de busca por elementos que caracterizassem a identidade norueguesa impulsionou a criação artística e definiu essas décadas como umas das mais produtivas nas artes na Noruega.
É nesse contexto que encontramos aqueles que são considerados alguns dos maiores artistas noruegueses: o compositor Edvard Grieg (1843-1907), o dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906) e o escritor Knut Hamsun (1859-1952). Andersen foi impregnado por esse espírito nacionalista romântico, especialmente pelo contato que teve com Hamsun e com o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen (1835-1893).
Sendo filho de um capitão da marinha mercante, Andersen teve a oportunidade de visitar vários locais do mundo e, devido a essa facilidade, em 1889 foi para Paris fazer a cobertura jornalística do Salão Oficial de Belas Artes, no ano em que a Torre Eiffel foi inaugurada como um marco da Exposição Universal de Paris.
Em 1892, após um longo período de viagens pela Europa e América, Andersen desembarcou no Paraná, fixando residência em Paranaguá, num período tenso da história do Brasil, marcado pela consolidação do regime republicano e por motins e levantes populares como a Revolução Federalista.
Apesar do desconhecimento da língua portuguesa e das diferenças culturais, Andersen se adaptou à sociedade brasileira. Primeiramente, ele se estabeleceu no litoral do Paraná, e lá residiu por cerca de dez anos, vivendo de retratos sob encomenda e de decorações cênicas para casas que fazia.
Com 42 anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Ana de Oliveira (1882-1945), Andersen se mudou para Curitiba. Na capital do Paraná abriu um ateliê na Rua General Deodoro (atual Rua Marechal Deodoro) no espaço antes ocupado pelo fotógrafo alemão Adolpho Volk. Nos anos em que manteve seu ateliê, Andersen retomou suas atividades profissionais mais próximo o possível com o que fazia na Europa, realizando exposições individuais, participando de mostras coletivas e retomando seu papel como professor de desenho e pintura. Naqueles anos Andersen também buscou incentivar o desenvolvimento do mercado de obras de arte, entretanto, Curitiba ainda se encontrava muito aquém das localidades por onde havia passado. Esta era uma cidade em processo de implantação de infraestrutura urbana, (poucas ruas tinham pavimentação, com fornecimento deficitário de luz elétrica, e o transporte de pessoas, bens e produtos era feito basicamente por tração animal), cuja população se dividia entre agricultores (imigrantes de diferentes etnias assentados em colônias), comerciantes (que negociavam muitos produtos vindos de outras localidades), industriais (relacionados ao processo de produção de erva-mate e produtos alimentícios, ou à indústria gráfica e metalúrgica), políticos, religiosos, profissionais liberais e manufatureiros.
Na década de 1910, Andersen, então pai de três filhos, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade, como a Escola Alemã, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Indústrias (primeira instituição voltada para o ensino de técnicas artísticas do Paraná e que em 1893 causou grande impacto em Andersen). Além disso, ele estreitou seus laços com o Governo do Estado, executando o primeiro projeto para o brasão do Estado do Paraná. Naquela década, mais precisamente em 1915, um ano após o nascimento de sua última filha, Andersen mudou seu ateliê-escola para a edificação onde hoje é o Museu Alfredo Andersen, localizada na então Rua Assunguy, atual Rua Mateus Leme.
Nos anos seguintes àquela década, o trabalho de Andersen como pintor, educador e agente cultural foi extremamente rico, e sua reputação profissional solidificou-se, demonstrando como a classe burguesa que se estabelecia em Curitiba mantinha um gosto enraizado nas tradições artísticas europeias do século XIX.
Em 1927, Andersen retornou à Noruega para visitar a família e amigos e reencontrou seu antigo professor Wilhelm Krogh. Lá, recebeu um convite do governo norueguês para ficar e dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, mas Andersen declinou e retornou ao Brasil.
Os últimos anos de sua vida foram marcados pelo reconhecimento de seu trabalho e por homenagens, como o título de Cidadão Honorário de Curitiba que recebeu em 1931 da Câmara Municipal de Curitiba. O pintor, já então chamado de “Alfredo” Andersen, faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935.
Fonte: Museu Casa de Alfredo Andersen. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
O legado da arte de Alfredo Andersen | Tribuna Paraná
Um artista que orientou tendências e foi considerado, acima de tudo, o grande animador das artes plásticas do Paraná. Neste mês de novembro, estão sendo comemorados os 150 anos de nascimento do pintor Alfred Emil Andersen, mais conhecido como Alfredo Andersen (03/11/1860 – 09/08/1935).
Apesar de norueguês – nascido em Christianssand, capital do condado de Vest-Agder – ele viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, no litoral, e ainda hoje é tido como o “pai da pintura paranaense”.
Andersen foi o primeiro artista plástico a atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no Estado. Ele se envolveu de forma intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura.
Foi ele que incentivou a formação da primeira geração de artistas plásticos profissionais no Paraná. Seu trabalho o transformou em uma personalidade importante para o estudo da sociedade e da arte paranaense do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.
“Andersen, ainda hoje, é um exemplo para todo artista que queira se arriscar na área das artes plásticas. Ele chegou ao Brasil sem incentivo e sem emprego, mas mesmo assim conseguiu se destacar e sobreviver de sua arte. Além de grande beleza, suas obras são um retrato de como era o Paraná no passado. Ele pintou, por exemplo, as Sete Quedas, em um quadro que tem 3,20 metros só de tela. Para isso, no ano de 1904, viajou trinta dias em lombo de burro e chegou a contrair malária”, diz o presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, Wilson Ballão, que é bisneto do pintor.
Para as comemorações dos 150 anos, Wilson reuniu, nos últimos dias, em Curitiba, muitos familiares de Andersen. Destes, 23 vieram da Noruega e dos Estados Unidos. Porém, também chegaram à capital paranaense familiares vindos de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Alfredo Andersen tinha quatro irmãs. Sou neta de uma dessas irmãs e estou muito feliz por poder estar em Curitiba comemorando os 150 anos de nascimento de meu tio avô. Ele tem uma história de vida muito bonita e interessante”, afirma a sobrinha-neta do pintor, Ragnhild Margrethe Jensen, de 71 anos, que é da Noruega e vive em Christianssand.
O também norueguês e sobrinho-neto de Andersen, Sven Rudolf Peersen, de 68 anos, comenta que o pintor é mais conhecido no Brasil do que no país onde nasceu.
“Para mim, o mais importante é que Andersen foi reconhecido como um grande artista ainda em vida. Em 2001, fizemos uma exposição de suas obras em Christianssand. Isso chamou a atenção da imprensa local e contribuiu para que, de vez em quando, alguma coisa sobre Andersen saia na mídia norueguesa. Porém, ele é muito mais conhecido e valorizado no Brasil do que na Noruega”.
Formação
A formação artística de Andersen se deu toda na Europa. Ele desembarcou no Paraná em 1892, indo para Paranaguá, onde morou por dez anos e viveu da realização de retratos sob encomenda e decorações cênicas para casas. Aos quarenta e dois anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Anna de Oliveira (1882-1945), mudou-se para Curitiba.
Na capital, abriu um atelier na Rua General Deodoro (atual Marechal Deodoro), realizando exposições individuais de seu trabalho, participando de mostras coletivas e atuando como professor de desenho e pintura.
Na década de 1910, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade. No ano de 1915, mudou seu atelier e escola para a edificação em que hoje se encontra o Museu Alfredo Andersen, na então rua Assunguy (atual Mateus Leme). Em 1931, recebeu o título de “Cidadão Honorário de Curitiba".
Produção artística
Alfredo Andersen foi um pintor de retratos, paisagens e cenas de gênero. Sua produção artística é divid,ida em três fases: período norueguês (1873- 1892), período litorâneo (1892 – 1902) e período curitibano (1902- 1935).
O norueguês, segundo informações divulgadas pelo museu que leva o nome do pintor, é marcado por uma representação da vida urbana e rural, por retratos de afeição e cenas de gênero em ambientes interiores.
O período litorâneo é caracterizado por cenas marinhas, retratos de encomenda e cenas ambientadas em espaços externos. Já o curitibano é marcado por uma maior pluralidade temática e por um maior amadurecimento do estilo do artista.
Museu Alfredo Andersen
A importância de Alfredo Andersen para a cultura paranaense é tanta que, no ano de 1959, em Curitiba, foi inaugurado um museu que leva o nome do artista. Atualmente, o espaço fica localizado no bairro São Francisco, na rua Mateus Leme, 336, e é aberto à visitação de terça a domingo.
O museu tem sua origem na sociedade de amigos do pintor, criada em 1940. Em 1959, houve a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte. A instituição passou a ser chamada de museu em 1979.
“O museu funciona na casa onde Andersen morou, com sua família, a partir de 1915. É uma construção de dois andares, construída no fim do século XIX. Após o falecimento do pintor, ela continuou sendo ocupada por seu filho e acabou sendo tombada pelo Patrimônio Público Estadual”, explica a atual presidente do museu, Roseli Bassler.
Atualmente, o espaço é administrado pelo poder público estadual, vinculado à Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná (Seec-PR).
Tem como objetivo catalogar, conservar, expor e divulgar a obra de Alfredo Andersen, além de resgatar sua memória como artista e educador e dar continuidade a seu trabalho de promoção cultural. Isto se dá através da oferta de cursos, organizações de mostras e seminários sobre arte.
“Todas as atividades que realizamos têm como objetivo preservar e divulgar a memória de Andersen”. Alfredo Andersen também dá nome a uma praça de Curitiba, localizada em frente ao hospital Evangélico.
Selo, carimbo e catálogo
Vários eventos, realizados no decorrer da última semana, em Curitiba, foram alusivos aos 150 anos de nascimento do pintor. Entre outras coisas, foram lançados um selo, um carimbo e um catálogo de obras comemorativos.
Porém, nas próximas semanas, ainda será possível apreciar algumas exposições sobre o artista tanto na capital quanto em Paranaguá. No museu que leva o nome do pintor, em Curitiba, fica em cartaz, até 31 de janeiro, a exposição 1º. Salão de Artes Plásticas – A continuidade do trabalho de Alfredo Andersen, com obras exibidas em uma exposição feita em 1941, no edifício Garcez.
No Paço da Liberdade, ainda na capital, até 26 de dezembro, é possível apreciar a mostra A Curitiba de Alfredo Andersen. Já em Paranaguá, fica em cartaz, até o dia 5 de dezembro, na Casa Monsenhor Celso, uma exposição com retratos pintados por Andersen.
Fonte: Tribuna Paraná, “O legado da arte de Alfredo Andersen”, publicado por Cintia Végas, em 07 de novembro de 2010. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileirom |
Em 1886, o artista norueguês Alfred Emil Andersen expôs suas pinturas ao lado de Edvard Munch, cujo icônico "O Grito" viria a ganhar reconhecimento mundial. Poucos anos depois, em 1891, Andersen pintou um retrato de Knut Hamsun, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ter frequentado os mesmos círculos de alguns dos artistas mais reconhecidos da Noruega, o nome de Andersen permaneceria quase desconhecido na Noruega e no exterior, exceto em uma região periférica no hemisfério sul, para onde se mudou: o porto de Paranaguá, no recém-fundado estado do Paraná, Brasil.
Quem foi Andersen e como ele adotou o Brasil como seu lar?
Conheci Andersen e sua arte pela primeira vez ao estudar as conexões culturais entre o norte da Europa e a América do Sul. Embora meus interesses de pesquisa se concentrassem em padrões transatlânticos de migração e formação cultural, busquei ir além dos laços coloniais e pós-coloniais mais comumente estudados entre nações do sul da Europa e da América Latina e, em vez disso, investigar produções culturais resultantes de rotas migratórias menos conhecidas.
Perguntei-me se havia padrões significativos de imigração de outros países europeus, como a Noruega. Ao pesquisar possíveis conexões entre eles, um artista finalmente emergiu: Alfredo Emílio Andersen, o "pai da pintura paranaense".
Andersen, nascido Alfred Emil, nasceu em Kristiansand, Noruega, em 1860. Filho de um capitão de navio, teve desde cedo a oportunidade de visitar diversos países da Europa e da América Latina. Essas viagens despertaram no jovem Andersen o interesse pelas artes visuais, levando-o a escolher a pintura como profissão. No final da década de 1870 e ao longo da década de 1880, Andersen trabalhou em Oslo, Copenhague e Paris, entre outras cidades europeias, onde expôs suas pinturas, lecionou em escolas de arte e cobriu eventos artísticos para jornais.
Andersen chegou ao Brasil pela primeira vez em 1891, depois de navegar pelo México e pelas ilhas do Caribe, e junto com seu pai visitou o estado nordestino da Paraíba, que Andersen retratou em sua pintura Porto de Cabedelo.
Um ano depois, Andersen embarcou em mais uma viagem à América do Sul, desta vez com Buenos Aires como destino final. Mas uma forte tempestade na costa brasileira obrigou o navio a atracar em Paranaguá, cidade litorânea que servia como principal porto de entrada para o estado do Paraná. Enquanto o navio acabou partindo para a Argentina, Andersen não o fez. Ele nunca mais deixaria o Brasil, exceto por uma visita à Noruega perto do fim de sua vida.
Andersen viveu em Paranaguá por uma década antes de se mudar com sua família recém-formada para Curitiba, a capital do estado, para expandir ainda mais sua carreira como artista. Nos 43 anos em que viveu em sua terra adotiva, Andersen produziu pinturas de paisagens que retratavam símbolos-chave do regionalismo paranaense, como o pinheiro, bem como retratos de políticos enraizados no orgulho nacionalista. Por essa razão, Andersen foi identificado como um eminente contribuidor do paranismo, um movimento artístico regionalista que buscava formular uma identidade distinta para o estado do Paraná, e coroado como o "pai das pinturas paranaenses" por sua contribuição particular ao desenvolvimento das artes visuais na região.
Conhecer a história comovente de migração e disseminação artística de Andersen me encheu de perguntas: como ele, imigrante norueguês aos 32 anos, construiu uma carreira que lhe renderia o título de "pai da pintura paranaense"? Como o Alfred norueguês se tornou o Alfredo brasileiro? Como este caso em particular pode enriquecer nossa compreensão das relações transatlânticas entre a Noruega e o Brasil?
Para responder a essas questões, candidatei-me a uma Bolsa DRCLAS Brasil para o verão de 2020, com o objetivo de visitar museus no Brasil e na Noruega que abrigavam obras de arte e documentos de arquivo de Andersen. Com o desenvolvimento inesperado da pandemia do coronavírus, no entanto, logo ficou evidente que eu conduziria minha pesquisa online, de acordo com as restrições impostas pela atual crise sanitária. Como muitos outros pesquisadores, tive que repensar minha abordagem metodológica para a pesquisa arquivística e adotar um cronograma com maior flexibilidade.
Minha colaboração com os museus de arte Vest-Agder e Sørlandet, localizados em Kristiansand, impulsionou a busca por documentos que pudessem lançar mais luz sobre a trajetória de Andersen. Como a pandemia impediu minha visita aos arquivos locais, recorri aos acervos desses dois museus, que preservaram um pequeno número de pinturas, livros, documentos e gravações relacionadas a Andersen .
Isso me levou a explorar um ângulo inesperado: encontrei documentos sobre a organização de uma exposição binacional de arte em 2001, intitulada "Andersen Retorna à Noruega", que situava o Brasil como epicentro da produção artística e a Noruega como receptora de um desenvolvimento artístico inédito. Artigos de jornal apresentaram o "Alfredo Brasileiro" aos moradores de Kristiansand; um documentário transmitido ao público recontou a história de sua transformação no "Senhor Alfredo"; e as exposições importaram dezenas de pinturas produzidas no Brasil que nunca haviam sido apresentadas ao público norueguês antes. Produto da emigração norueguesa para o Brasil um século antes, essa empreitada cultural refletiu um movimento inverso da exportação artística do Brasil de volta ao Norte da Europa, indicando um ciclo transatlântico de produção, recepção e cooperação cultural entre essas duas regiões relativamente independentes.
No entanto, as coleções dos museus noruegueses empalidecem em comparação com a riqueza de documentos e pinturas originais preservados na Casa Alfredo Andersen, em Curitiba, inteiramente dedicada ao seu legado. Mais uma vez, os arquivos do Museu Andersen chamaram minha atenção para uma questão que eu não havia considerado anteriormente: a relação entre migração e instituições educacionais.
Desde o início de sua fixação no Brasil, Andersen teve a oportunidade de se inserir no campo da educação artística. Em Curitiba, por exemplo, lecionou em diversas instituições renomadas, incluindo o Colégio Alemão, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Ofícios.
Ele também fundou sua própria instituição, um ateliê particular em sua casa, onde ministrava aulas de arte, exposições e eventos comunitários. Andersen buscou apoio financeiro do governo ao longo da vida para transformar o ateliê em uma instituição pública oficial, embora sem sucesso. Em vez disso, seu ateliê funcionou como uma escola de arte particular, onde ele oferecia aulas de desenho com modelo vivo e pintura a óleo, além de excursões ao ar livre.
Os alunos, muitos dos quais se tornariam artistas profissionais e seriam identificados como discípulos do artista, também participavam de exposições de arte realizadas no ateliê, eventos que se tornaram tradição em Curitiba por sua frequência e que, por sua vez, atraíram maior atenção para a arte de Andersen e seu papel social como construtor de instituições. Dessa forma, o ateliê tornou-se um notável espaço de produção cultural. Após a morte de Andersen, o ateliê foi transformado no Museu e Escola de Arte Casa Alfredo Andersen, com financiamento privado, e em 1979 tornou-se um museu público.
A defesa política de Andersen pela expansão de escolas de arte financiadas pelo Estado aprofundou ainda mais sua influência nos campos educacional e cultural. Andersen era um defensor ferrenho da expansão do acesso à educação artística para a classe trabalhadora. Além de ministrar aulas noturnas, promovidas para trabalhadores braçais, ele também defendia politicamente a criação de escolas de arte que atendessem especificamente a essa população, enviando propostas orçamentárias aos governos municipal e estadual para a implementação desses projetos educacionais.
O governador do estado na época prometeu a Andersen financiar a criação de uma escola oficial de belas artes a ser administrada por ele, como forma de fortalecer ainda mais o compromisso de Andersen de viver lá. Embora esse plano nunca tenha se concretizado, Andersen permaneceu dedicado ao seu empreendimento educacional em Curitiba; quando visitou a Noruega em 1927 pela primeira e única vez, recebeu a oferta de dirigir a recém-fundada Escola de Belas Artes de Oslo, oportunidade que ele recusou, com a intenção de retornar ao Brasil.
Com base nas fontes que encontrei nos três museus, concluí que Andersen ficou conhecido como o “pai da pintura paranaense” não apenas pelo peso de sua produção artística, mas também pelo impacto que sua pedagogia e sua atuação política tiveram na expansão da produção artística na região.
Ele e sua escola serviram como catalisadores para o desenvolvimento da arte paranaense, preparando uma nova e robusta geração de artistas que levariam a produção artística do estado adiante, não apenas para as metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, mas também até a Noruega.
Ainda há muito a ser estudado sobre a arte de Andersen, sua história pessoal de migração e os padrões mais amplos que contribuíram para sua chegada ao Brasil. Visitar o Museu Casa Alfredo Andersen pessoalmente, quando possível, me ajudará a expandir o escopo deste projeto e a estabelecer novas conexões.
No entanto, de certa forma, foi graças à pandemia que me senti atraído a investigar documentos que, de outra forma, talvez não tivessem sido o foco da minha pesquisa. Ao ter que trabalhar com o que eu tinha, acabei com muito mais do que esperava.
O caso de Andersen aponta para o potencial mais amplo das instituições educacionais e culturais de funcionarem como uma arena híbrida para o intercâmbio transcultural, um espaço no qual os migrantes fazem contribuições sociais, políticas e culturais para sua nova comunidade. Também lança luz sobre como as noções de cidadania e pertencimento são negociadas por meio da arte e construídas por meio desses encontros transculturais.
Fonte: ReVista, Harvard Review of Latin America, “Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileiro", publicado por Geórgia Soares, em 11 de novembro de 2021. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfredo Andersen (Kristiansand 1860 - Curitiba 1935) | Arquivo da Internet
Alfredo Emílio Andersen foi considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época. Ele nasceu em Kristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen.
Aos treze anos pintou aquela que se supõe seja a sua primeira tela, intitulada "Akt". Entre 1874 a 1877 estudou com Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega, que considerava seu pupilo um jovem de excepcional talento. Com dezoito anos mudou-se para a Dinamarca. Sua carreira, a partir de então, alcança rápida progressão, passando o artista a exercer atividades não só de pintor, como de cenógrafo e decorador.
Retratos
O fato de ser amante da liberdade e adepto da integração do homem à natureza aproximou-o do famoso escrito Knut Hamsun, autor de "A Fome", que também defendia os mesmo ideais. Andersen retratou o amigo em 1891, dando início, a partir de então, a uma série de retratos, segundo ele, de caráter mais subjetivo. O retrato de Hamsun fica agora na Galeria Nacional da Noruega.
Em 1892 o artista voltou a empreender outra longa viagem a partir de Kristiansand, em navio capitaneado por seu pai, cuja etapa final seria Buenos Aires. Na costa brasileira, o barco aportou no porto de Cabedelo, Paraíba, local onde teve a oportunidade de pintar uma belíssima tela com a paisagem litorânea da cidade. Ao continuar a viagem para o sul, um forte temporal provocou avarias no mastro da embarcação, obrigando-o a aportar em Paranaguá.
Clima de mistério
Ainda hoje persiste um certo clima de mistério no fato de o artista - cujo nome já se projetava na Europa, onde deixara amigos, admiradores e familiares - ter tomado a decisão de permanecer nesse porto brasileiro, em uma terra, para ele, inteiramente estranha e de duvidosas perspectivas profissionais. Residiu o artista em Paranaguá durante cerca de dez anos, quando conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Do relacionamento nasceram quatro filhos.
Escola de arte
É provável que Andersen tenha se transferido para a Capital em 1902. Sabe-se que chegou a Curitiba nesse ano, e começou a dar aulas particulares de desenho e pintura. O artista desenvolveu em Curitiba intensa atividade como pintor e professor: ainda em 1902 seu atelier se transforma em uma verdadeira escola de arte, ali permanecendo em atividade até 1915. Além das aulas particulares Andersen também lecionou Desenho na Escola Alemã e no Colégio Paranaense.
O envolvimento do artista com o ensino foi, sem dúvida, marcante, desde o início de sua estada em Curitiba. Vicente Machado, Presidente do Estado do Paraná, no intuito de convencer Andersen a não voltar à Noruega, chegou a prometer a criação de uma escola de arte oficial na cidade, que seria dirigida pelo mestre. E apelou para o sentimento de solidariedade do artista, afirmando que a permanência do mesmo era fundamental para ajudá-lo na educação do povo paranaense.
Cidadão Honorário
Ao completar 71 anos no dia 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou em 1932 o seu mais conhecido auto-retrato que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935 esse artista extraordinário, considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época.
A sociedade Amigos de Alfredo Andersen
Logo após o falecimento de Andersen, seus amigos e admiradores organizam uma Sociedade de Amigos com finalidade de criar neste espaço onde o artista viveu, uma unidade museológica para preservação de sua obra e a continuidade de seus ideais. Somente em 1959 o Museu é oficialmente criado passando a chamar-se Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Anos mais tarde o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e em 1979 passa a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Atualmente o Museu, cumprindo sua principal função, expõe permanentemente a obra de Andersen com mostras temáticas, realiza exposições temporárias de discípulos de Andersen e artistas contemporâneos que mantém um vínculo com o Atelier de Arte. Promove o Salão e o Simpósio Paranaense de Cerâmica bienalmente.
Fonte: Arquivo da Internet, “Alfredo Andersen". Publicado em 2 de setembro de 2004. Consultado pela última vez em 10 de julho de 2025.
Alfredo Andersen | 500 Anos da Pintura Brasileira
Engenheiro ou pintor?
Alfredo Andersen nasceu em Christianssand, Noruega, no ano de 1860. Veio a falecer em 1935 em Curitiba, Paraná, onde passou a maior parte de sua vida.
Pertencia à mesma geração do escritor Knut Hamsun (1859-1952, cujo retrato executou, e do pintor Edvard Munch (1863-1944).
Aos 17 anos, matricula-se na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Krohg,vencendo as resistências do pai, que queria vê-lo engenheiro naval.
Entre 1879 e 1883, com uma bolsa de estudos, freqüenta a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, da qual seria mais tarde professor de Desenho.
Retornando da Dinamarca em 1883, no ano seguinte realiza sua primeira individual, em Cristiânia. De então, até 1890, continua expondo regularmente, realizando também pequenas viagens ao estrangeiro, sobretudo à França.
Uma volta pelo Novo Mundo
Mas em começos da década de 1890, obedecendo, quem sabe, à mesma espécie de obsessão que exatamente na mesma época levaria Paul Gauguin ao Taiti, decide empreender longa viagem aos Trópicos, a bordo de um veleiro.
Nesse percurso, vai ao México, toca em Barbados e chega à costa setentrional brasileira, executando inclusive, em 1892, uma bonita Vista de Cabedelo.
Em 1893, de novo na Europa, a caminho de casa, sabe que sua cidadezinha fora praticamente destruída por um incêndio.
Conheceu o Paraná e por ali ficou
Decide então voltar ao Novo Mundo: embarcando com destino a Buenos Aires num veleiro que transportava ferro e carvão da Inglaterra, atinge Paranaguá, para reparos no barco.
Por obra do destino, pisa pela primeira vez no Estado do Paraná, que não estava em seu roteiro. Simpatizando com a terra, vai-se deixando ficar no Brasil, primeiro em Paranaguá, e após 1902, em Curitiba.
É ele quem fala de seus primeiros contatos com a capital paranaense:
Tive a agradável surpresa de ser logo procurado por particulares, para os aceitar como alunos. Fundei então a minha escola de desenho e pintura, que ainda funciona. Mais tarde fui instituído professor de Desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense do Dr. Marins Camargo, sendo, em 1909, convidado pela diretoria da Escola de Artes e Indústrias, então de D. Maria Aguiar de Lima, para assumir a direção das aulas noturnas que a mesma escola criara.
A criação de um curso noturno de Desenho foi excelentemente recebida pelo público e em breve se tornou preciso reduzir a matrícula aos profissionais de ofício e indústria, excluindo-se os diletantes. Assim se conservou um total de 60 alunos, todos operários, entre 14 e 30 anos.
Desenho, a base do progresso industrial
Esse aspecto da atuação de Andersen como incentivador de vocações de operários e como pioneiro da boa forma industrial ainda não foi suficientemente enfatizado.
Na verdade, já em 1917 o pintor escandinavo dizia, na mesma entrevista, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre a instrução e o progresso de um país:
Pois é isto: o ensino do Desenho, desenvolvendo o sentimento estético e, por conseguinte, o bom gosto, ensina a ver.
A lição da Alemanha
E prossegue Andersen:
Sabemos que a Alemanha era, há 40 anos, um Estado agricultor e, pelo Desenho, se fez um Estado industrial. Sabe-se também que o seu début na Exposição Industrial de Chicago foi um fiasco. Barato e ruim, assim definiram a Alemanha industrial naquele certame.
Ainda nesse tempo pouco remoto a Inglaterra e a França a sobrepujaram, porque, ao ensino do Desenho, nestes dois países, se tinha ligado um interesse especial.
A Alemanha compreendeu: estudou os métodos do ensino do Desenho na Inglaterra, onde cada escola empregava um método de conformidade com o entendimento dos seus ilustres professores.
Reconheceu até que grau se tinha elevado nas escolas inglesas o ensino do Desenho e fez também as suas pesquisas na França, no Japão e na América do Norte, apercebendo-se então da grandeza sem par desse problema que a sua ânsia de progresso não tinha ainda resolvido e orientado no sentido das artes aplicadas.
Preparou pois a Alemanha o seu grandioso plano do ensino do Desenho, tendo por objetivo uma educação em harmonia com o indivíduo. Daí nasceram a sua arte e as suas indústrias modernas - quer dizer - o seu imenso progresso nesses dois ramos da conquista humana.»
A primeira mostra no Brasil
Andersen chega a antever um curso de Desenho para operários, que traria a felicidade ao Paraná, porque faria a grandeza das suas indústrias:
Quando chegarmos a ter pelo menos uma simples Escola de Desenho para Operários, sem falar numa Escola de Artes Aplicadas, naturalmente mais dispendiosa, teremos atingido a primeira etapa verdadeiramente real do nosso progresso.
Pouco após se radicar em Curitiba, Andersen ali realizou uma primeira individual de 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. O crítico do Diário da Tarde, em artigo de 20 de março de 1907, observou com acuidade:
Na observação da nossa natureza, o ilustre artista norueguês mostra um desenvolvimento notável, mais acentuada energia de colorido, em contraposição dos saudosos tons nevoentos que lhe eram costumados e freqüentes, auros decerto da sua visão escandinava.
Da mesma forma, a quente coloração de carnes, sistematicamente rubra, que, parece, trouxera da arte flamenga, se lhe tem modificado, o que naturalmente se havia de dar em um artista de tão séria e meticulosa faculdade de observação.
Na mesma exposição quatro alunos de Andersen mostravam quadros, entre eles Lange de Morretes.
O Pai da Pintura Paranaense
A atividade didática de Andersen, aliás, seria tão fecunda, que o crítico Carlos Rubens na monografia que lhe consagrou, chega a chamá-lo de Pai da Pintura Paranaense, reconhecendo seu papel de elemento aglutinador de tendências e características que, se já antes se tinham manifestado esporadicamente, só agora achavam quem as concatenasse, inclusive do ponto de vista técnico.
Várias outras exposições realizaria o pintor norueguês, não só em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930) como no Rio de Janeiro (1918) e em São Paulo (1921), todas com grande sucesso.
Também participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa no de 1916 e medalha de bronze no de 1933.
Brasileiro, de papel passado
Apesar de tais vitórias, Andersen continuou levando existência difícil no Brasil, dado o provincianismo cultural então vigente.
Tendo adotado a cidadania brasileira e no Brasil constituído família, jamais pensou em retornar à pátria, nem mesmo quando, em 1927, o governo da Noruega ofereceu-lhe a direção de uma Escola de Belas Artes.
Após um ano de permanência na Escandinávia, da qual assim se despedia, Andersen regressou ao Paraná, trazendo na bagagem um punhado de telas da mocidade, inclusive o já mencionado Retrato de Knut Hamsum.
Museu conserva a alma do pintor
Cidadão de Curitiba em 1931, Andersen faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê curitibana, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
O artista praticou todos os gêneros, destacando-se como paisagista, intérprete sensível e pessoal da natureza paranaense, e como pintor de figuras.
Em sua mocidade, tocado pelo Simbolismo, que lhe motivaria algumas de suas melhores composições, Andersen pouco a pouco deixou sua orientação original, trocando-a por agudo senso de observação e por acentuado amor à realidade.
Espontâneo e vigoroso no pincelar, colorista sensível, sua obra é um caso único de aclimatação cultural de um artista escandinavo em terra brasileira.
Fonte: 500 Anos da Pintura Brasileira, “Alfredo Andersen”. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Crédito fotográfico: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfred Emil Andersen (3 de novembro de 1860, Kristiansand, Noruega — 9 de agosto de 1935, Curitiba, PR), mais conhecido como Alfredo Andersen, foi um influente pintor, escultor, cenógrafo e professor norueguês radicado no Brasil. Formado em estética e técnicas artísticas em Oslo e Copenhague, estreou oficialmente como expositor em 1884. Sua vida mudou ao desembarcar em Paranaguá em 1891: enamorado pelo país, estabeleceu-se, dedicando-se a retratar paisagens locais, cenas cotidianas e notórios retratos, como o de Knut Hamsun. Em Curitiba (1902–1935), fundou uma escola de artes, lecionou em diferentes instituições e transformou-se no “pai da pintura paranaense”, reconhecido com homenagens oficiais e sociais. Suas obras, do naturalismo ao regionalismo, compõem um legado artístico essencial, preservado em seu antigo ateliê, hoje museu, que celebra a rica memória cultural do Paraná.
Alfred Anderson | Arremate Arte
Alfred Emil Andersen, mais conhecido no Brasil como Alfredo Andersen, nasceu em 3 de novembro de 1860 em Kristiansand, na Noruega, e faleceu em 9 de agosto de 1935, em Curitiba, Paraná. Considerado o “pai da pintura paranaense”, Andersen desempenhou um papel fundamental na formação das artes visuais no sul do Brasil, combinando sua formação acadêmica europeia com uma profunda sensibilidade pelas paisagens e pela cultura local brasileira.
Formou-se na Academia Real de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, onde teve uma formação sólida nas técnicas do naturalismo e da pintura acadêmica. Sua primeira exposição individual ocorreu em 1884, ainda na Europa. Em 1891, embarcou em uma longa viagem de navio com destino à América do Sul, mas, por uma reviravolta do destino, desembarcou em Paranaguá, no litoral do Paraná, após um acidente com a embarcação. Encantado com o Brasil, decidiu permanecer no país, estabelecendo residência definitiva em Curitiba a partir de 1902.
Na capital paranaense, fundou uma escola de artes e tornou-se figura central na vida cultural da cidade. Além de lecionar, exerceu atividades como cenógrafo e diretor de ensino em instituições locais. Foi também professor da Escola Alemã e da Escola Normal, contribuindo diretamente para a formação de gerações de artistas paranaenses. Sua casa-ateliê, onde viveu e trabalhou, viria a ser transformada no atual Museu Alfredo Andersen, importante espaço de preservação de sua obra e memória.
A pintura de Alfredo Andersen é marcada por um apurado rigor técnico, herança de sua formação europeia, mas também por um olhar afetuoso e comprometido com o ambiente brasileiro. Retratou com frequência paisagens do litoral paranaense, pinhais, cenas da vida cotidiana, bem como retratos que revelam um interesse humanista profundo. Entre os personagens retratados por Andersen está o escritor norueguês Knut Hamsun. Ao longo de sua carreira, expôs tanto no Brasil quanto na Europa, com destaque para exposições no Rio de Janeiro (1918), São Paulo (1921) e participações em salões nacionais, onde foi premiado com menção honrosa e medalha de bronze.
Em 1931, recebeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba, reconhecimento oficial por sua enorme contribuição à cultura brasileira. Alfredo Andersen faleceu em 1935, aos 74 anos, mas deixou um legado duradouro na arte e na educação artística do Brasil.
Alfredo Andersen | Wikipédia
Alfred Emil Andersen (Kristiansand, 3 de novembro de 1860 — Curitiba, 9 de agosto de 1935) foi um pintor, escultor, decorador, cenógrafo, desenhista e professor norueguês radicado no Brasil.
O artista é considerado o "pai da pintura paranaense”.
Biografia
Filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen, Alfredo aos 13 anos pintou sua primeira tela: “Akt”.
Iniciou aos 17 anos os estudos na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega. Frequentou depois a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, na Dinamarca, entre 1879 e 1883, onde foi, posteriormente, professor de Desenho.
Em 1884, realizou sua primeira exposição individual.
Fez uma viagem aos trópicos, a bordo de um veleiro, chegando até a costa brasileira, que o impressiona, pintando uma tela no porto de Cabedelo, na Paraíba. Posteriormente, decidiu voltar à América, mais especificamente a Buenos Aires, mas ao passar em Paranaguá, onde seu barco parou em função de reparos, simpatizou com o lugar e decidiu ficar no Brasil.
Em Paranaguá conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Desse relacionamento nasceram quatro filhos.
Após 1902, foi para Curitiba, onde fundou uma escola de desenho e pintura. Posteriormente, foi professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense, e diretor das aulas noturnas da Escola de Artes e Indústrias.
Em 1907, realizou uma primeira individual em Curitiba, com 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. Seguiram-se várias outras exposições em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930), no Rio de Janeiro (1918), e em São Paulo (1921).
Participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa (1916) e medalha de bronze (1933).
O governo norueguês lhe ofereceu a direção de uma Escola de Belas Artes, em 1927, mas após um ano regressou ao Paraná, trazendo entre outros o seu “Retrato de Knut Hamsun”, atualmente na Galeria Nacional da Noruega.
Ao completar 71 anos, em 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou, em 1932, seu mais conhecido auto-retrato, que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
Andersen chegou a ser chamado o “Pai da Pintura Paranaense” Faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
A Sociedade Amigos de Alfredo Andersen (SAAA) foi fundada em 3 de novembro de 1940 com o objetivo de preservar e promover o legado de Alfredo Andersen. A iniciativa partiu de amigos e admiradores do artista, como João Turin, Oswald Lopes, Freyesleben, Theodoro De Bona, entre outros. A Sociedade teve papel essencial na preservação de sua obra.
Em 1947, a SAAA impulsionou a desapropriação do imóvel onde Andersen viveu, com objetivo de preservar a memória do artista.
Em 1959, o Museu foi oficialmente criado passando a se chamar Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Mais tarde o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, em 1979, passou a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Formação
Sua formação artística ocorre em Oslo (Noruega), estudando com Wilhelm Krogh, Peter Eilaifson, Carl A. Andersen e o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen. Entre 1879 e 1883, estudou como bolsista na Academia Real de Belas Artes.
Cronologia
1874/1877 - Oslo (Noruega) - Assistente no ateliê de Wilhelm Krogh, trabalha como pintor de terracota e desenhista cenógrafo.
1877/1884 - Copenhague (Dinamarca) - Vive nessa cidade.
1879/1883 - Copenhagen (Dinamarca) - Professor de desenho livre na Escola de Rapazes de Vesterbron.
1890/1892 - Realiza uma longa viagem aos trópicos: vai ao México, Barbados e passa pelo Nordeste do Brasil.
1892 - Inicia nova viagem com destino a Buenos Aires, África do Sul, Ásia e América do Norte, porém acaba fixando-se no Sul do Brasil, no Paraná
1893 - Paranaguá/PR - Vive nessa cidade.
1902/1935 - Curitiba/PR - Vive nessa cidade.
1902 - Curitiba/PR - Em seu próprio ateliê, funda uma escola particular de desenho e pintura, que terá importante atuação na formação de vários artistas paranaenses.
1903/1909 - Curitiba/PR - Professor de desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense.
1909 - diretor das aulas noturnas da Escola de Belas Artes e Indústria.
1927 - Noruega - Viaja para esse país, hospedando-se na casa de Wilhelm Krogh, e retorna ao Brasil no ano seguinte.
1931 - Curitiba/PR - Recebe o título de Cidadão de Curitiba
1951 - Curitiba/PR - É homenageado através da exposição de alguns óleos no 4º Salão de Belas Artes do Club Concórdia
1960 - Curitiba/PR - Homenagem no 17º Salão Paranaense de Belas Artes no centenário de seu nascimento, na Biblioteca Pública do Paraná.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Biografia de Alfredo Andersen | Museu Casa Alfredo Andersen
Alfred Emil Andersen nasceu em Khristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, único filho homem dentre os cinco do casal Tobias Andersen e Hanna Carina Andersen.
Sua formação artística ocorreu na Europa, em ateliês particulares na Noruega e Dinamarca, e na Academia Real de Belas Artes de Copenhagen; foi aluno de artistas e decoradores de destaque em seu tempo, como Wilhelm Krogh e Carl A. Andersen
Entre as décadas de 1880 e 1890, Andersen atuou como artista profissional na Noruega e na Dinamarca, desempenhando atividades como pintor (com mostras individuais em Oslo e Copenhagen), professor, cenógrafo e jornalista. Aqueles eram anos conturbados no norte da Europa, particularmente para a Noruega, que após anos de dominação dinamarquesa e sueca conquistava sua independência política e cultural. Um grande movimento nacionalista e de busca por elementos que caracterizassem a identidade norueguesa impulsionou a criação artística e definiu essas décadas como umas das mais produtivas nas artes na Noruega.
É nesse contexto que encontramos aqueles que são considerados alguns dos maiores artistas noruegueses: o compositor Edvard Grieg (1843-1907), o dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906) e o escritor Knut Hamsun (1859-1952). Andersen foi impregnado por esse espírito nacionalista romântico, especialmente pelo contato que teve com Hamsun e com o pintor regionalista Olaf W. Isaachsen (1835-1893).
Sendo filho de um capitão da marinha mercante, Andersen teve a oportunidade de visitar vários locais do mundo e, devido a essa facilidade, em 1889 foi para Paris fazer a cobertura jornalística do Salão Oficial de Belas Artes, no ano em que a Torre Eiffel foi inaugurada como um marco da Exposição Universal de Paris.
Em 1892, após um longo período de viagens pela Europa e América, Andersen desembarcou no Paraná, fixando residência em Paranaguá, num período tenso da história do Brasil, marcado pela consolidação do regime republicano e por motins e levantes populares como a Revolução Federalista.
Apesar do desconhecimento da língua portuguesa e das diferenças culturais, Andersen se adaptou à sociedade brasileira. Primeiramente, ele se estabeleceu no litoral do Paraná, e lá residiu por cerca de dez anos, vivendo de retratos sob encomenda e de decorações cênicas para casas que fazia.
Com 42 anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Ana de Oliveira (1882-1945), Andersen se mudou para Curitiba. Na capital do Paraná abriu um ateliê na Rua General Deodoro (atual Rua Marechal Deodoro) no espaço antes ocupado pelo fotógrafo alemão Adolpho Volk. Nos anos em que manteve seu ateliê, Andersen retomou suas atividades profissionais mais próximo o possível com o que fazia na Europa, realizando exposições individuais, participando de mostras coletivas e retomando seu papel como professor de desenho e pintura. Naqueles anos Andersen também buscou incentivar o desenvolvimento do mercado de obras de arte, entretanto, Curitiba ainda se encontrava muito aquém das localidades por onde havia passado. Esta era uma cidade em processo de implantação de infraestrutura urbana, (poucas ruas tinham pavimentação, com fornecimento deficitário de luz elétrica, e o transporte de pessoas, bens e produtos era feito basicamente por tração animal), cuja população se dividia entre agricultores (imigrantes de diferentes etnias assentados em colônias), comerciantes (que negociavam muitos produtos vindos de outras localidades), industriais (relacionados ao processo de produção de erva-mate e produtos alimentícios, ou à indústria gráfica e metalúrgica), políticos, religiosos, profissionais liberais e manufatureiros.
Na década de 1910, Andersen, então pai de três filhos, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade, como a Escola Alemã, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Indústrias (primeira instituição voltada para o ensino de técnicas artísticas do Paraná e que em 1893 causou grande impacto em Andersen). Além disso, ele estreitou seus laços com o Governo do Estado, executando o primeiro projeto para o brasão do Estado do Paraná. Naquela década, mais precisamente em 1915, um ano após o nascimento de sua última filha, Andersen mudou seu ateliê-escola para a edificação onde hoje é o Museu Alfredo Andersen, localizada na então Rua Assunguy, atual Rua Mateus Leme.
Nos anos seguintes àquela década, o trabalho de Andersen como pintor, educador e agente cultural foi extremamente rico, e sua reputação profissional solidificou-se, demonstrando como a classe burguesa que se estabelecia em Curitiba mantinha um gosto enraizado nas tradições artísticas europeias do século XIX.
Em 1927, Andersen retornou à Noruega para visitar a família e amigos e reencontrou seu antigo professor Wilhelm Krogh. Lá, recebeu um convite do governo norueguês para ficar e dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, mas Andersen declinou e retornou ao Brasil.
Os últimos anos de sua vida foram marcados pelo reconhecimento de seu trabalho e por homenagens, como o título de Cidadão Honorário de Curitiba que recebeu em 1931 da Câmara Municipal de Curitiba. O pintor, já então chamado de “Alfredo” Andersen, faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935.
Fonte: Museu Casa de Alfredo Andersen. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
O legado da arte de Alfredo Andersen | Tribuna Paraná
Um artista que orientou tendências e foi considerado, acima de tudo, o grande animador das artes plásticas do Paraná. Neste mês de novembro, estão sendo comemorados os 150 anos de nascimento do pintor Alfred Emil Andersen, mais conhecido como Alfredo Andersen (03/11/1860 – 09/08/1935).
Apesar de norueguês – nascido em Christianssand, capital do condado de Vest-Agder – ele viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, no litoral, e ainda hoje é tido como o “pai da pintura paranaense”.
Andersen foi o primeiro artista plástico a atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no Estado. Ele se envolveu de forma intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura.
Foi ele que incentivou a formação da primeira geração de artistas plásticos profissionais no Paraná. Seu trabalho o transformou em uma personalidade importante para o estudo da sociedade e da arte paranaense do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.
“Andersen, ainda hoje, é um exemplo para todo artista que queira se arriscar na área das artes plásticas. Ele chegou ao Brasil sem incentivo e sem emprego, mas mesmo assim conseguiu se destacar e sobreviver de sua arte. Além de grande beleza, suas obras são um retrato de como era o Paraná no passado. Ele pintou, por exemplo, as Sete Quedas, em um quadro que tem 3,20 metros só de tela. Para isso, no ano de 1904, viajou trinta dias em lombo de burro e chegou a contrair malária”, diz o presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, Wilson Ballão, que é bisneto do pintor.
Para as comemorações dos 150 anos, Wilson reuniu, nos últimos dias, em Curitiba, muitos familiares de Andersen. Destes, 23 vieram da Noruega e dos Estados Unidos. Porém, também chegaram à capital paranaense familiares vindos de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Alfredo Andersen tinha quatro irmãs. Sou neta de uma dessas irmãs e estou muito feliz por poder estar em Curitiba comemorando os 150 anos de nascimento de meu tio avô. Ele tem uma história de vida muito bonita e interessante”, afirma a sobrinha-neta do pintor, Ragnhild Margrethe Jensen, de 71 anos, que é da Noruega e vive em Christianssand.
O também norueguês e sobrinho-neto de Andersen, Sven Rudolf Peersen, de 68 anos, comenta que o pintor é mais conhecido no Brasil do que no país onde nasceu.
“Para mim, o mais importante é que Andersen foi reconhecido como um grande artista ainda em vida. Em 2001, fizemos uma exposição de suas obras em Christianssand. Isso chamou a atenção da imprensa local e contribuiu para que, de vez em quando, alguma coisa sobre Andersen saia na mídia norueguesa. Porém, ele é muito mais conhecido e valorizado no Brasil do que na Noruega”.
Formação
A formação artística de Andersen se deu toda na Europa. Ele desembarcou no Paraná em 1892, indo para Paranaguá, onde morou por dez anos e viveu da realização de retratos sob encomenda e decorações cênicas para casas. Aos quarenta e dois anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Anna de Oliveira (1882-1945), mudou-se para Curitiba.
Na capital, abriu um atelier na Rua General Deodoro (atual Marechal Deodoro), realizando exposições individuais de seu trabalho, participando de mostras coletivas e atuando como professor de desenho e pintura.
Na década de 1910, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade. No ano de 1915, mudou seu atelier e escola para a edificação em que hoje se encontra o Museu Alfredo Andersen, na então rua Assunguy (atual Mateus Leme). Em 1931, recebeu o título de “Cidadão Honorário de Curitiba".
Produção artística
Alfredo Andersen foi um pintor de retratos, paisagens e cenas de gênero. Sua produção artística é divid,ida em três fases: período norueguês (1873- 1892), período litorâneo (1892 – 1902) e período curitibano (1902- 1935).
O norueguês, segundo informações divulgadas pelo museu que leva o nome do pintor, é marcado por uma representação da vida urbana e rural, por retratos de afeição e cenas de gênero em ambientes interiores.
O período litorâneo é caracterizado por cenas marinhas, retratos de encomenda e cenas ambientadas em espaços externos. Já o curitibano é marcado por uma maior pluralidade temática e por um maior amadurecimento do estilo do artista.
Museu Alfredo Andersen
A importância de Alfredo Andersen para a cultura paranaense é tanta que, no ano de 1959, em Curitiba, foi inaugurado um museu que leva o nome do artista. Atualmente, o espaço fica localizado no bairro São Francisco, na rua Mateus Leme, 336, e é aberto à visitação de terça a domingo.
O museu tem sua origem na sociedade de amigos do pintor, criada em 1940. Em 1959, houve a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte. A instituição passou a ser chamada de museu em 1979.
“O museu funciona na casa onde Andersen morou, com sua família, a partir de 1915. É uma construção de dois andares, construída no fim do século XIX. Após o falecimento do pintor, ela continuou sendo ocupada por seu filho e acabou sendo tombada pelo Patrimônio Público Estadual”, explica a atual presidente do museu, Roseli Bassler.
Atualmente, o espaço é administrado pelo poder público estadual, vinculado à Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná (Seec-PR).
Tem como objetivo catalogar, conservar, expor e divulgar a obra de Alfredo Andersen, além de resgatar sua memória como artista e educador e dar continuidade a seu trabalho de promoção cultural. Isto se dá através da oferta de cursos, organizações de mostras e seminários sobre arte.
“Todas as atividades que realizamos têm como objetivo preservar e divulgar a memória de Andersen”. Alfredo Andersen também dá nome a uma praça de Curitiba, localizada em frente ao hospital Evangélico.
Selo, carimbo e catálogo
Vários eventos, realizados no decorrer da última semana, em Curitiba, foram alusivos aos 150 anos de nascimento do pintor. Entre outras coisas, foram lançados um selo, um carimbo e um catálogo de obras comemorativos.
Porém, nas próximas semanas, ainda será possível apreciar algumas exposições sobre o artista tanto na capital quanto em Paranaguá. No museu que leva o nome do pintor, em Curitiba, fica em cartaz, até 31 de janeiro, a exposição 1º. Salão de Artes Plásticas – A continuidade do trabalho de Alfredo Andersen, com obras exibidas em uma exposição feita em 1941, no edifício Garcez.
No Paço da Liberdade, ainda na capital, até 26 de dezembro, é possível apreciar a mostra A Curitiba de Alfredo Andersen. Já em Paranaguá, fica em cartaz, até o dia 5 de dezembro, na Casa Monsenhor Celso, uma exposição com retratos pintados por Andersen.
Fonte: Tribuna Paraná, “O legado da arte de Alfredo Andersen”, publicado por Cintia Végas, em 07 de novembro de 2010. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileirom |
Em 1886, o artista norueguês Alfred Emil Andersen expôs suas pinturas ao lado de Edvard Munch, cujo icônico "O Grito" viria a ganhar reconhecimento mundial. Poucos anos depois, em 1891, Andersen pintou um retrato de Knut Hamsun, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ter frequentado os mesmos círculos de alguns dos artistas mais reconhecidos da Noruega, o nome de Andersen permaneceria quase desconhecido na Noruega e no exterior, exceto em uma região periférica no hemisfério sul, para onde se mudou: o porto de Paranaguá, no recém-fundado estado do Paraná, Brasil.
Quem foi Andersen e como ele adotou o Brasil como seu lar?
Conheci Andersen e sua arte pela primeira vez ao estudar as conexões culturais entre o norte da Europa e a América do Sul. Embora meus interesses de pesquisa se concentrassem em padrões transatlânticos de migração e formação cultural, busquei ir além dos laços coloniais e pós-coloniais mais comumente estudados entre nações do sul da Europa e da América Latina e, em vez disso, investigar produções culturais resultantes de rotas migratórias menos conhecidas.
Perguntei-me se havia padrões significativos de imigração de outros países europeus, como a Noruega. Ao pesquisar possíveis conexões entre eles, um artista finalmente emergiu: Alfredo Emílio Andersen, o "pai da pintura paranaense".
Andersen, nascido Alfred Emil, nasceu em Kristiansand, Noruega, em 1860. Filho de um capitão de navio, teve desde cedo a oportunidade de visitar diversos países da Europa e da América Latina. Essas viagens despertaram no jovem Andersen o interesse pelas artes visuais, levando-o a escolher a pintura como profissão. No final da década de 1870 e ao longo da década de 1880, Andersen trabalhou em Oslo, Copenhague e Paris, entre outras cidades europeias, onde expôs suas pinturas, lecionou em escolas de arte e cobriu eventos artísticos para jornais.
Andersen chegou ao Brasil pela primeira vez em 1891, depois de navegar pelo México e pelas ilhas do Caribe, e junto com seu pai visitou o estado nordestino da Paraíba, que Andersen retratou em sua pintura Porto de Cabedelo.
Um ano depois, Andersen embarcou em mais uma viagem à América do Sul, desta vez com Buenos Aires como destino final. Mas uma forte tempestade na costa brasileira obrigou o navio a atracar em Paranaguá, cidade litorânea que servia como principal porto de entrada para o estado do Paraná. Enquanto o navio acabou partindo para a Argentina, Andersen não o fez. Ele nunca mais deixaria o Brasil, exceto por uma visita à Noruega perto do fim de sua vida.
Andersen viveu em Paranaguá por uma década antes de se mudar com sua família recém-formada para Curitiba, a capital do estado, para expandir ainda mais sua carreira como artista. Nos 43 anos em que viveu em sua terra adotiva, Andersen produziu pinturas de paisagens que retratavam símbolos-chave do regionalismo paranaense, como o pinheiro, bem como retratos de políticos enraizados no orgulho nacionalista. Por essa razão, Andersen foi identificado como um eminente contribuidor do paranismo, um movimento artístico regionalista que buscava formular uma identidade distinta para o estado do Paraná, e coroado como o "pai das pinturas paranaenses" por sua contribuição particular ao desenvolvimento das artes visuais na região.
Conhecer a história comovente de migração e disseminação artística de Andersen me encheu de perguntas: como ele, imigrante norueguês aos 32 anos, construiu uma carreira que lhe renderia o título de "pai da pintura paranaense"? Como o Alfred norueguês se tornou o Alfredo brasileiro? Como este caso em particular pode enriquecer nossa compreensão das relações transatlânticas entre a Noruega e o Brasil?
Para responder a essas questões, candidatei-me a uma Bolsa DRCLAS Brasil para o verão de 2020, com o objetivo de visitar museus no Brasil e na Noruega que abrigavam obras de arte e documentos de arquivo de Andersen. Com o desenvolvimento inesperado da pandemia do coronavírus, no entanto, logo ficou evidente que eu conduziria minha pesquisa online, de acordo com as restrições impostas pela atual crise sanitária. Como muitos outros pesquisadores, tive que repensar minha abordagem metodológica para a pesquisa arquivística e adotar um cronograma com maior flexibilidade.
Minha colaboração com os museus de arte Vest-Agder e Sørlandet, localizados em Kristiansand, impulsionou a busca por documentos que pudessem lançar mais luz sobre a trajetória de Andersen. Como a pandemia impediu minha visita aos arquivos locais, recorri aos acervos desses dois museus, que preservaram um pequeno número de pinturas, livros, documentos e gravações relacionadas a Andersen .
Isso me levou a explorar um ângulo inesperado: encontrei documentos sobre a organização de uma exposição binacional de arte em 2001, intitulada "Andersen Retorna à Noruega", que situava o Brasil como epicentro da produção artística e a Noruega como receptora de um desenvolvimento artístico inédito. Artigos de jornal apresentaram o "Alfredo Brasileiro" aos moradores de Kristiansand; um documentário transmitido ao público recontou a história de sua transformação no "Senhor Alfredo"; e as exposições importaram dezenas de pinturas produzidas no Brasil que nunca haviam sido apresentadas ao público norueguês antes. Produto da emigração norueguesa para o Brasil um século antes, essa empreitada cultural refletiu um movimento inverso da exportação artística do Brasil de volta ao Norte da Europa, indicando um ciclo transatlântico de produção, recepção e cooperação cultural entre essas duas regiões relativamente independentes.
No entanto, as coleções dos museus noruegueses empalidecem em comparação com a riqueza de documentos e pinturas originais preservados na Casa Alfredo Andersen, em Curitiba, inteiramente dedicada ao seu legado. Mais uma vez, os arquivos do Museu Andersen chamaram minha atenção para uma questão que eu não havia considerado anteriormente: a relação entre migração e instituições educacionais.
Desde o início de sua fixação no Brasil, Andersen teve a oportunidade de se inserir no campo da educação artística. Em Curitiba, por exemplo, lecionou em diversas instituições renomadas, incluindo o Colégio Alemão, o Colégio Paranaense e a Escola de Belas Artes e Ofícios.
Ele também fundou sua própria instituição, um ateliê particular em sua casa, onde ministrava aulas de arte, exposições e eventos comunitários. Andersen buscou apoio financeiro do governo ao longo da vida para transformar o ateliê em uma instituição pública oficial, embora sem sucesso. Em vez disso, seu ateliê funcionou como uma escola de arte particular, onde ele oferecia aulas de desenho com modelo vivo e pintura a óleo, além de excursões ao ar livre.
Os alunos, muitos dos quais se tornariam artistas profissionais e seriam identificados como discípulos do artista, também participavam de exposições de arte realizadas no ateliê, eventos que se tornaram tradição em Curitiba por sua frequência e que, por sua vez, atraíram maior atenção para a arte de Andersen e seu papel social como construtor de instituições. Dessa forma, o ateliê tornou-se um notável espaço de produção cultural. Após a morte de Andersen, o ateliê foi transformado no Museu e Escola de Arte Casa Alfredo Andersen, com financiamento privado, e em 1979 tornou-se um museu público.
A defesa política de Andersen pela expansão de escolas de arte financiadas pelo Estado aprofundou ainda mais sua influência nos campos educacional e cultural. Andersen era um defensor ferrenho da expansão do acesso à educação artística para a classe trabalhadora. Além de ministrar aulas noturnas, promovidas para trabalhadores braçais, ele também defendia politicamente a criação de escolas de arte que atendessem especificamente a essa população, enviando propostas orçamentárias aos governos municipal e estadual para a implementação desses projetos educacionais.
O governador do estado na época prometeu a Andersen financiar a criação de uma escola oficial de belas artes a ser administrada por ele, como forma de fortalecer ainda mais o compromisso de Andersen de viver lá. Embora esse plano nunca tenha se concretizado, Andersen permaneceu dedicado ao seu empreendimento educacional em Curitiba; quando visitou a Noruega em 1927 pela primeira e única vez, recebeu a oferta de dirigir a recém-fundada Escola de Belas Artes de Oslo, oportunidade que ele recusou, com a intenção de retornar ao Brasil.
Com base nas fontes que encontrei nos três museus, concluí que Andersen ficou conhecido como o “pai da pintura paranaense” não apenas pelo peso de sua produção artística, mas também pelo impacto que sua pedagogia e sua atuação política tiveram na expansão da produção artística na região.
Ele e sua escola serviram como catalisadores para o desenvolvimento da arte paranaense, preparando uma nova e robusta geração de artistas que levariam a produção artística do estado adiante, não apenas para as metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, mas também até a Noruega.
Ainda há muito a ser estudado sobre a arte de Andersen, sua história pessoal de migração e os padrões mais amplos que contribuíram para sua chegada ao Brasil. Visitar o Museu Casa Alfredo Andersen pessoalmente, quando possível, me ajudará a expandir o escopo deste projeto e a estabelecer novas conexões.
No entanto, de certa forma, foi graças à pandemia que me senti atraído a investigar documentos que, de outra forma, talvez não tivessem sido o foco da minha pesquisa. Ao ter que trabalhar com o que eu tinha, acabei com muito mais do que esperava.
O caso de Andersen aponta para o potencial mais amplo das instituições educacionais e culturais de funcionarem como uma arena híbrida para o intercâmbio transcultural, um espaço no qual os migrantes fazem contribuições sociais, políticas e culturais para sua nova comunidade. Também lança luz sobre como as noções de cidadania e pertencimento são negociadas por meio da arte e construídas por meio desses encontros transculturais.
Fonte: ReVista, Harvard Review of Latin America, “Um Encontro Transcultural Norueguês-Brasileiro", publicado por Geórgia Soares, em 11 de novembro de 2021. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Alfredo Andersen (Kristiansand 1860 - Curitiba 1935) | Arquivo da Internet
Alfredo Emílio Andersen foi considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época. Ele nasceu em Kristiansand, sul da Noruega, dia 3 de novembro de 1860, filho do Capitão da Marinha Mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen.
Aos treze anos pintou aquela que se supõe seja a sua primeira tela, intitulada "Akt". Entre 1874 a 1877 estudou com Wilhelm Krogh, conhecido pintor na Noruega, que considerava seu pupilo um jovem de excepcional talento. Com dezoito anos mudou-se para a Dinamarca. Sua carreira, a partir de então, alcança rápida progressão, passando o artista a exercer atividades não só de pintor, como de cenógrafo e decorador.
Retratos
O fato de ser amante da liberdade e adepto da integração do homem à natureza aproximou-o do famoso escrito Knut Hamsun, autor de "A Fome", que também defendia os mesmo ideais. Andersen retratou o amigo em 1891, dando início, a partir de então, a uma série de retratos, segundo ele, de caráter mais subjetivo. O retrato de Hamsun fica agora na Galeria Nacional da Noruega.
Em 1892 o artista voltou a empreender outra longa viagem a partir de Kristiansand, em navio capitaneado por seu pai, cuja etapa final seria Buenos Aires. Na costa brasileira, o barco aportou no porto de Cabedelo, Paraíba, local onde teve a oportunidade de pintar uma belíssima tela com a paisagem litorânea da cidade. Ao continuar a viagem para o sul, um forte temporal provocou avarias no mastro da embarcação, obrigando-o a aportar em Paranaguá.
Clima de mistério
Ainda hoje persiste um certo clima de mistério no fato de o artista - cujo nome já se projetava na Europa, onde deixara amigos, admiradores e familiares - ter tomado a decisão de permanecer nesse porto brasileiro, em uma terra, para ele, inteiramente estranha e de duvidosas perspectivas profissionais. Residiu o artista em Paranaguá durante cerca de dez anos, quando conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte e cinco anos mais moça, descendente de índios Carijó. Do relacionamento nasceram quatro filhos.
Escola de arte
É provável que Andersen tenha se transferido para a Capital em 1902. Sabe-se que chegou a Curitiba nesse ano, e começou a dar aulas particulares de desenho e pintura. O artista desenvolveu em Curitiba intensa atividade como pintor e professor: ainda em 1902 seu atelier se transforma em uma verdadeira escola de arte, ali permanecendo em atividade até 1915. Além das aulas particulares Andersen também lecionou Desenho na Escola Alemã e no Colégio Paranaense.
O envolvimento do artista com o ensino foi, sem dúvida, marcante, desde o início de sua estada em Curitiba. Vicente Machado, Presidente do Estado do Paraná, no intuito de convencer Andersen a não voltar à Noruega, chegou a prometer a criação de uma escola de arte oficial na cidade, que seria dirigida pelo mestre. E apelou para o sentimento de solidariedade do artista, afirmando que a permanência do mesmo era fundamental para ajudá-lo na educação do povo paranaense.
Cidadão Honorário
Ao completar 71 anos no dia 3 de novembro de 1931, Andersen foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à arte do Paraná, primeiro título concedido a alguma personalidade pela Câmara Municipal.
Pintou em 1932 o seu mais conhecido auto-retrato que passou a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935 esse artista extraordinário, considerado o mais importante pintor estrangeiro residente no Brasil em sua época.
A sociedade Amigos de Alfredo Andersen
Logo após o falecimento de Andersen, seus amigos e admiradores organizam uma Sociedade de Amigos com finalidade de criar neste espaço onde o artista viveu, uma unidade museológica para preservação de sua obra e a continuidade de seus ideais. Somente em 1959 o Museu é oficialmente criado passando a chamar-se Casa de Alfredo Andersen - Escola e Museu de Arte. Anos mais tarde o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e em 1979 passa a denominar-se Museu Alfredo Andersen.
Atualmente o Museu, cumprindo sua principal função, expõe permanentemente a obra de Andersen com mostras temáticas, realiza exposições temporárias de discípulos de Andersen e artistas contemporâneos que mantém um vínculo com o Atelier de Arte. Promove o Salão e o Simpósio Paranaense de Cerâmica bienalmente.
Fonte: Arquivo da Internet, “Alfredo Andersen". Publicado em 2 de setembro de 2004. Consultado pela última vez em 10 de julho de 2025.
Alfredo Andersen | 500 Anos da Pintura Brasileira
Engenheiro ou pintor?
Alfredo Andersen nasceu em Christianssand, Noruega, no ano de 1860. Veio a falecer em 1935 em Curitiba, Paraná, onde passou a maior parte de sua vida.
Pertencia à mesma geração do escritor Knut Hamsun (1859-1952, cujo retrato executou, e do pintor Edvard Munch (1863-1944).
Aos 17 anos, matricula-se na Academia de Belas-Artes de Cristiânia (atualmente Oslo), como aluno de Krohg,vencendo as resistências do pai, que queria vê-lo engenheiro naval.
Entre 1879 e 1883, com uma bolsa de estudos, freqüenta a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, da qual seria mais tarde professor de Desenho.
Retornando da Dinamarca em 1883, no ano seguinte realiza sua primeira individual, em Cristiânia. De então, até 1890, continua expondo regularmente, realizando também pequenas viagens ao estrangeiro, sobretudo à França.
Uma volta pelo Novo Mundo
Mas em começos da década de 1890, obedecendo, quem sabe, à mesma espécie de obsessão que exatamente na mesma época levaria Paul Gauguin ao Taiti, decide empreender longa viagem aos Trópicos, a bordo de um veleiro.
Nesse percurso, vai ao México, toca em Barbados e chega à costa setentrional brasileira, executando inclusive, em 1892, uma bonita Vista de Cabedelo.
Em 1893, de novo na Europa, a caminho de casa, sabe que sua cidadezinha fora praticamente destruída por um incêndio.
Conheceu o Paraná e por ali ficou
Decide então voltar ao Novo Mundo: embarcando com destino a Buenos Aires num veleiro que transportava ferro e carvão da Inglaterra, atinge Paranaguá, para reparos no barco.
Por obra do destino, pisa pela primeira vez no Estado do Paraná, que não estava em seu roteiro. Simpatizando com a terra, vai-se deixando ficar no Brasil, primeiro em Paranaguá, e após 1902, em Curitiba.
É ele quem fala de seus primeiros contatos com a capital paranaense:
Tive a agradável surpresa de ser logo procurado por particulares, para os aceitar como alunos. Fundei então a minha escola de desenho e pintura, que ainda funciona. Mais tarde fui instituído professor de Desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense do Dr. Marins Camargo, sendo, em 1909, convidado pela diretoria da Escola de Artes e Indústrias, então de D. Maria Aguiar de Lima, para assumir a direção das aulas noturnas que a mesma escola criara.
A criação de um curso noturno de Desenho foi excelentemente recebida pelo público e em breve se tornou preciso reduzir a matrícula aos profissionais de ofício e indústria, excluindo-se os diletantes. Assim se conservou um total de 60 alunos, todos operários, entre 14 e 30 anos.
Desenho, a base do progresso industrial
Esse aspecto da atuação de Andersen como incentivador de vocações de operários e como pioneiro da boa forma industrial ainda não foi suficientemente enfatizado.
Na verdade, já em 1917 o pintor escandinavo dizia, na mesma entrevista, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre a instrução e o progresso de um país:
Pois é isto: o ensino do Desenho, desenvolvendo o sentimento estético e, por conseguinte, o bom gosto, ensina a ver.
A lição da Alemanha
E prossegue Andersen:
Sabemos que a Alemanha era, há 40 anos, um Estado agricultor e, pelo Desenho, se fez um Estado industrial. Sabe-se também que o seu début na Exposição Industrial de Chicago foi um fiasco. Barato e ruim, assim definiram a Alemanha industrial naquele certame.
Ainda nesse tempo pouco remoto a Inglaterra e a França a sobrepujaram, porque, ao ensino do Desenho, nestes dois países, se tinha ligado um interesse especial.
A Alemanha compreendeu: estudou os métodos do ensino do Desenho na Inglaterra, onde cada escola empregava um método de conformidade com o entendimento dos seus ilustres professores.
Reconheceu até que grau se tinha elevado nas escolas inglesas o ensino do Desenho e fez também as suas pesquisas na França, no Japão e na América do Norte, apercebendo-se então da grandeza sem par desse problema que a sua ânsia de progresso não tinha ainda resolvido e orientado no sentido das artes aplicadas.
Preparou pois a Alemanha o seu grandioso plano do ensino do Desenho, tendo por objetivo uma educação em harmonia com o indivíduo. Daí nasceram a sua arte e as suas indústrias modernas - quer dizer - o seu imenso progresso nesses dois ramos da conquista humana.»
A primeira mostra no Brasil
Andersen chega a antever um curso de Desenho para operários, que traria a felicidade ao Paraná, porque faria a grandeza das suas indústrias:
Quando chegarmos a ter pelo menos uma simples Escola de Desenho para Operários, sem falar numa Escola de Artes Aplicadas, naturalmente mais dispendiosa, teremos atingido a primeira etapa verdadeiramente real do nosso progresso.
Pouco após se radicar em Curitiba, Andersen ali realizou uma primeira individual de 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras. O crítico do Diário da Tarde, em artigo de 20 de março de 1907, observou com acuidade:
Na observação da nossa natureza, o ilustre artista norueguês mostra um desenvolvimento notável, mais acentuada energia de colorido, em contraposição dos saudosos tons nevoentos que lhe eram costumados e freqüentes, auros decerto da sua visão escandinava.
Da mesma forma, a quente coloração de carnes, sistematicamente rubra, que, parece, trouxera da arte flamenga, se lhe tem modificado, o que naturalmente se havia de dar em um artista de tão séria e meticulosa faculdade de observação.
Na mesma exposição quatro alunos de Andersen mostravam quadros, entre eles Lange de Morretes.
O Pai da Pintura Paranaense
A atividade didática de Andersen, aliás, seria tão fecunda, que o crítico Carlos Rubens na monografia que lhe consagrou, chega a chamá-lo de Pai da Pintura Paranaense, reconhecendo seu papel de elemento aglutinador de tendências e características que, se já antes se tinham manifestado esporadicamente, só agora achavam quem as concatenasse, inclusive do ponto de vista técnico.
Várias outras exposições realizaria o pintor norueguês, não só em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930) como no Rio de Janeiro (1918) e em São Paulo (1921), todas com grande sucesso.
Também participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa no de 1916 e medalha de bronze no de 1933.
Brasileiro, de papel passado
Apesar de tais vitórias, Andersen continuou levando existência difícil no Brasil, dado o provincianismo cultural então vigente.
Tendo adotado a cidadania brasileira e no Brasil constituído família, jamais pensou em retornar à pátria, nem mesmo quando, em 1927, o governo da Noruega ofereceu-lhe a direção de uma Escola de Belas Artes.
Após um ano de permanência na Escandinávia, da qual assim se despedia, Andersen regressou ao Paraná, trazendo na bagagem um punhado de telas da mocidade, inclusive o já mencionado Retrato de Knut Hamsum.
Museu conserva a alma do pintor
Cidadão de Curitiba em 1931, Andersen faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê curitibana, mais tarde transformada no Museu Alfredo Andersen.
O artista praticou todos os gêneros, destacando-se como paisagista, intérprete sensível e pessoal da natureza paranaense, e como pintor de figuras.
Em sua mocidade, tocado pelo Simbolismo, que lhe motivaria algumas de suas melhores composições, Andersen pouco a pouco deixou sua orientação original, trocando-a por agudo senso de observação e por acentuado amor à realidade.
Espontâneo e vigoroso no pincelar, colorista sensível, sua obra é um caso único de aclimatação cultural de um artista escandinavo em terra brasileira.
Fonte: 500 Anos da Pintura Brasileira, “Alfredo Andersen”. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.
Crédito fotográfico: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de julho de 2025.