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Bruno Miguel

Bruno Miguel (Rio de Janeiro, RJ, 1981) é um artista plástico brasileiro. Formou-se em Artes Plásticas e Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recebeu Menção Honrosa Especial na V Bienal Internacional de Arte SIART, em La Paz, Bolívia, em 2007. No mesmo ano, ganhou bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos. Deu aulas, em 2010, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2011. Dos prêmios que recebeu, destacam-se a Menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia; a bolsa da Incubadora Furnas de Jovens Talentos 2007/2008; e Vermont Studio Center – Fellowship Award. Possui obras em coleções privadas como Coleção Luiz Chrysostomo, Ana Eliza e Paulo Setúbal, Milton Abirached, Fundação Behar (Peru), entre outros.

Biografia – Prêmio PIPA

Formou-se em Artes Plásticas e Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Em 2005, realizou a exposição “O Vazio e o Conceito”, sua primeira individual, no Espaço EBA 7, Rio de Janeiro.

Recebeu Menção Honrosa Especial na V Bienal Internacional de Arte SIART, em La Paz, Bolívia, em 2007. No mesmo ano, ganhou bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos. Participou da exposição “Nova Arte Nova”, apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, em 2008, e em São Paulo, no ano seguinte.

Em 2009, participou novamente da Bienal de La Paz, e da mostra Nouvelle Vague, na galeria Laura Marsiaj Arte Contemporânea. Em 2010 participou das mostras Tinta Fresca , na galeria Mariana Moura em Pernambuco, do Salão de artes de Itajaí, e da mostra “Latidos Urbanos” no MAC de Santiago, Chile.

Realizou, no Rio de Janeiro, as exposições individuais “Spring Love”, no Largo das Artes, em 2010, e “Have a Nice Day!”, na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em 2011. Neste ano, também participou das mostras “Nova Escultura Brasileira”, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro, e “Fronteiriços”, nas galerias Emma Thomas, São Paulo, e Luciana Caravello Arte Contemporânea.

Em 2012, participa da mostra “Novas Aquisições – Gilberto Chateaubriand” no MAM e “GramáticaUrbana”, com curadoria de Vanda Klabin, no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, além da Individual “DVCO, NON DVCOR”, na galeria Emma Thomas em São Paulo. Deu aulas, em 2010, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2011.

Formação

– Licenciatura em Ed. Artística/Artes plásticas e Pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ

– Diversos cursos livres no Parque Lage

2010

– Cursou o Aprofundamento – 2010 da EAV do Parque Lage.

– Professor na Escola de Belas Artes da UFRJ em 2010.

2006

– Curso de extensão em arte contemporânea da Escola de Belas Artes da UFRJ – Projeto SERTÃO 2- com o artista Sebastien Perround, no Parque das Ruínas, Santa Tereza

2007-2008

– Cursou a Incubadora FURNAS de Jovens Artistas

– Curso de Bio-Arquitetura no TIBÁ –Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura. Bom Jardim RJ, 2008

2018

– Professor na EAV Parque Lage desde 2011

2006-2015

– Assistente de Carlos Zílio

Exposições individuais

2019

– “You can’t take it with you?”, PCA&D Lancaster, Pensilvânia, EUA

– “You don’t know me”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2018

– “Welcome Lima”, Espacio Tomado, Lima, Peru

2017

– “Seduction and Reason”, Sapar Contemporary, Nova Iorque, EUA

2016

– “A Viagem Pitoresca”, Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, Curitiba, PR

– “Essas pessoas na sala de jantar”, Centro Cultural São Paulo, SP

2015

– “Sientase em casa”, Sketch Gallery, Bogotá, Colômbia

– “A Cristaleira”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

– “Essas pessoas na sala de jantar”, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ

2014

– “Todos à mesa.”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

2013

– “Ex-culturas”, Galeria do Lago, Museu da República, Rio de Janeiro, RJ

– “Make Yourself at home, S&J Projects, New York, USA

– “Tudo posso naquilo que me fortalece”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2012

– “Dvco, Non Dvcor.”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

2011

– “Have a nice day!”, Luciana Caravello arte contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “Spring Love”, Largo das Artes, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Homenagem à Pintura Contemporânea”, Vilaseca Assessoria de Arte, Rio de Janeiro, RJ

2006

– ““Negação?” ou “Pintura?””, Espaço EBA 7, Rio de janeiro, RJ

– “CARA A TAPA”, galeria da EAV Parque Lage, Rio de janeiro, RJ

2005

– “O Vazio e o Conceito”, Espaço EBA 7, Rio de janeiro, RJ

Exposições coletivas

2019

– “Manjar: Para Habitar Liberdades”, Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, RJ

2018

– “The World on Paper”, Palais Populaire, Berlim, Alemanha

2017

– “A Luz que Vela o Corpo é a Mesma que Revela a Tela”, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

– “São Paulo não é uma cidade, invenções do centro”, SESC 24 de Maio, São Paulo, SP

– “Elogiamos a Casa que se Abre a Perder de Vista”, Bolsa de Arte, São Paulo, SP

2016

– “Arte em Revista”, Galeria do BNDES, Rio de Janeiro, RJ

– “EBA 200 anos”, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ

2015

– “Trio Bienal”, Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, RJ

2014

– “Encontro dos Mundos”, MAR, Museu de Arte do Rio de Janeiro, RJ

– “À Deriva da Palavra e do Silêncio – o lugar do pintor”, Espaço ECCO, Brasília, DF

– “Tatu: Futebol, Adversidade e Cultura da Caatinga”, Museu de Arte do Rio de Janeiro, RJ

2013

– “Etiquette for a lucid dream.”, The Gateway Project, Pen Station, Newark

– “Sign of the Nation”, Solo(s) Projects House, Newark

2012

– “E os amigos sinceros também”, Galeria de Arte Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Gesto Amplificado”, Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, Rio de Janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “Gramática Urbana”, Centro Cultural Helio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ

– “Novas Aquisições”, Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, Rio de Janeiro, RJ

– “Panorama.Terra”, Consulado da Argentina, Rio de Janeiro, RJ

– “Eu Vira Convida – Eu Vira”, Rio de Janeiro, RJ

2011

– “Proposições”, Luciana Caravello arte contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “Fronteiriços”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

– “Fronteiriços”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “ArteForum”, Fórum UFRJ, Rio de Janeiro, RJ

– “Nova Escultura Brasileira”, Centro Cultural da Caixa, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “SESC ARTE 24H”, Armazém 4 Cais do Porto, Rio de Janeiro, RJ

– “KXA PRETA”, Espaço Ápis, Rio de Janeiro, RJ

– “Tinta Fresca”, Galeria Mariana Moura, Pernambuco, PE

– “] entre [“, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Além do Horizonte”, Galeria Amarelonegro, Rio de Janeiro, RJ

– “Salão Nacional de Artes de Itajaí, Centreventos, Itajaí, Santa Catarina, SC

– “Latidos Urbanos, Museo de Arte Contemporâneo, Santiago, Chile

– “Entre-vistas”, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Iluminando o novo”, Largo das artes, Rio de Janeiro, RJ

– “Nouvelle Vague”, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ

– “Iluminando o novo”, Galeria de Furnas. Rio de Janeiro, RJ

– “OCUPAÇÃO”, CasaCor, Jockey Club. Rio de Janeiro, RJ

– “VI Bienal Internacional SIART”, Bolívia, Museo Costumbrista, La Paz, Bolívia

2008

– “Abre alas 2008”, Largo das Artes, Rio de Janeiro, RJ

– “SangueNovo”, Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “Diminuir as Distâncias”, Galeria de Arte Casarão, Viana, Espírito Santo, ES

– “IN SITU”, Barracão Maravilha, Rio de Janeiro, RJ

– “Zoation Painting”, La Pintura de Broma, Museo Nacional de La Paz, La Paz, Bolívia

– “NOVA ARTE NOVA”, CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “Ação entre amigos”, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Mostra de artes plásticas da V Bienal da UNE”, Fundição Progresso, Rio de Janeiro, RJ

– “I Mostra LIVE de Vídeo Universitário”, Escola de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ

– “PROJETO SERTÃO 2”, Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, RJ

– “MAC Vazio”, Museu de Arte Contemporânea, Niterói, RJ

– “IMAGINÁRIO PERIFERICO LONGA METRAGEM”, Observatório de Favelas, Rio de Janeiro, RJ

– “Projeto GERINGONÇA”, SESC Tijuca, Rio de Janeiro, RJ

– “Das e Sobre as Ruas”, SESC Madureira, Rio de Janeiro, RJ

– “Diminuindo as Distâncias”, Ministério das Relações Exteriores, Brasília, DF

– “V Bienal Internacional SIART”, Bolívia Museo Nacional Tambo Quirquincho, Museo Costumbrista, Museo de Etnografia y Folklore, Espaço Simon y Patino, La Paz, Bolívia

– “2007 – Uma Odisséia no Parque”, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

– “I Coletiva Bienal da escola de Belas Artes”, Castelinho do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ

2006

– “Faixa Seletiva”, Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói, RJ

2005

– “Mostra de Artes Plásticas da IV Bienal da UNE”, Fundação Bienal, Ibirapuera, São Paulo , SP

– “Novíssimos 2005”, Galeria de Arte Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Imaginário Periférico”, Galeria 90 Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2003

– “Mostra de Artes Plásticas da III Bienal da UNE”, Centro de Conferências, Pernambuco, PE

– “XIII salão da Escola de Belas Artes”, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

2002

– “Mostrarte II”, Espaço Cultural da Universidade Estácio de Sá, campus Tom Jobim, Rio de Janeiro, RJ

Projetos de Curadoria

2019

– “Minha terra tem palmeiras”, Exposição Coletiva, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

2017

– “A Luz que Vela o Corpo é a Mesma que Revela a Tela”, exposição Coletiva, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

– “Projeto Farol”, exposição coletiva, Centro Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, RJ

2016

– “Em arte, tudo está naquele ‘nada'”, exposição Individual de Henrique Kalckmann, Gallery 32, Londres, RU

– “Visão Fontana”, Galeria Ibeu, Exposição Individual de Bruno Belo, Rio de Janeiro, RJ

2015

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, SESC Quitandinha, Petrópolis, RJ

2014

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Espaço ECCO, Brasília, DF

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

2013

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Centro Cultural da Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ

Prêmios e Bolsas

– Menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia

– Bolsa da Incubadora Furnas de Jovens Talentos 2007/2008

– Vermont Studio Center – Fellowship Award

Residências

– Fountainhead Residence – Janeiro/Março 2019, Miami, EUA

– Vermont Studio Center – Setembro 2018, Vermont, EUA

– Dreamplay Artists in Residence – Fall 2013, Lyndhurst, EUA

Coleções Institucionais

– MAR, Museu de Arte do Rio de Janeiro

– Espaço ECCO, Brasilia

– Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM- RJ

– Deutsche Bank Collection

– Centro Cultural São Paulo

Coleções Privadas

– Coleção Luiz Chrysostomo

– Coleção Ana Eliza e Paulo Setúbal

– Coleção Milton Abirached

– Coleção Fernando Azevedo

– Coleção Armando Andrade (Peru)

– Coleção Tito Rebaza (Peru)

– Fundação Behar (Peru)

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Biografia – Site Oficial

Bruno Miguel é artista, professor e curador. Nasceu em 1981 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Formado pela EBA-UFRJ em licenciatura em artes plásticas e em pintura, fez inúmeros cursos na EAV Parque Lage, participando do programa "Aprofundamento" em 2010, e desde o ano seguinte é professor da escola. Como artista participa desde 2007 de exposições individuais e coletivas no Brasil e em países como EUA, Alemanha, Portugal, Turquia, Peru, Bolívia, Colômbia, Argentina, Chile. Seu trabalho é representado comercialmente por galerias em Nova York, Lima, São Paulo e Belo Horizonte. Suas obras estão em importantes coleções Institucionais e particulares, nacionais e internacionais, tendo ao longo dos últimos anos sido selecionado por diversas residências artísticas internacionais. Fez também a curadoria de mostras individuais e coletivas em Londres, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fonte: Site do artista. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Entrevista com Marcio Fonseca | Site Bruno Miguel

Bruno: A intenção é conhecer um pouco mais você, algo além do artista e professor. Você pode descartar aquilo considerado irrelevante e acrescentar algo importante. Qualquer coisa é só falar. Abraço

Bruno fale algo sobre sua vida pessoal

Nasci em 1981, no Rio de Janeiro, mais precisamente no Leblon, cito isso porque me considero um carioca completo, tipo cara e coroa, até meus pais, que eram comerciantes, se separarem eu morei por vários bairros da zona sul, Humaitá, Gávea, Leblon e alto Leblon. Passei quase a primeira metade da minha vida (até agora), desfrutando da paisagem e dos costumes dos cartões postais cariocas. Quando eu tinha uns 13 pra 14 anos, mais ou menos, minha mãe, se divorciando do meu pai, decidiu sair do aluguel. A grana que ela tinha não dava pra manter nosso padrão de vida na zona sul então ela procurou algo para comprar na Ilha do Governador, bairro que apesar de distante, era simpático, calmo e com valores de imóveis dentro das possibilidades. Mudamos minha mãe, meu irmão mais novo e eu. Desde então passei a conhecer melhor a paisagem e os hábitos da zona norte carioca. Esses dados são importantes para o entendimento da "aura" do meu trabalho. Tanto conceitualmente quanto esteticamente.

Como a Arte entrou em sua vida?

Quando vim morar na ilha, me inscrevi no curso de teatro da minha nova escola, Colégio Óperon, fiz teatro durante uns 5 anos, levando a coisa bem a sério, mas com o tempo fui precisando de desafios maiores, aí comecei a escrever, dirigir, fazer a cenografia, pensar os figurinos. Nisso percebi que minha onda não era representar, era criar.

Caí de pára-quedas nas artes visuais, nem desenhar direito eu sabia, arrisquei e deu certo.

Qual foi sua formação artística?

Passei no vestibular pra Lic em ed. Artística na EBA – UFRJ e de lá não saí mais. Me formei em ed.artistica, depois em pintura. Comecei a dar aula quando estava no quinto período da faculdade, minha primeira escola foi exatamente o colégio Óperon, aqui na Ilha. Dei aula em um monte de escolas aqui do bairro, dei aula no Grajaú, em Macaé (trabalhei por 3 anos em um projeto de extensão da UFRJ que se chamava UFRJMAR, que levava projetos de educação inovadores para as cidades do litoral carioca). No começo de 2010, passei como professor substituto na EBA, no departamento de pintura e no de desenho. Minha história com o Parque Lage é mais recente, deve ter uns cinco anos. Fiz cursos livres com João Magalhães, Marcio Botner, Bob N e Franz Manata. Em 2010 passei pro curso de aprofundamento do Parque, e tive aulas com Glória Ferreira, Lívia Flores e Luiz Ernesto. Em 2011 me tornei professor da escola. Darei dois cursos, um de férias com o Pedro Varela (que é meu amigo desde a Faculdade) chamado Agora! Desenho e pintura como pensamento contemporâneo e outro com o Luiz Ernesto (meu professor no aprofundamento) que será um curso pra quem quiser se aprofundar em questões da pintura e já tenha alguma experiência, esse se chama Questões pratico teóricas da pintura na contemporaneidade. Além disso, sou assistente do Carlos Zilio desde 2006.

Que artistas influenciaram seu pensamento?

Nelson Rodrigues, Chaves, Martin Kippenberger, MC`s Claudinho e Buchecha, Bill Watterson, Mc Magalhães, Van Gogh, Quentin Tarantino, Goscinny e Uderzo, O Rappa, Pablo Picasso, Hélio Oiticica, Takashi Murakami, M. Night Shyamalan, Los Hermanos, Carlos Contente, João Magalhães, Marcelo D2, Ferris Bueller, Basquiat, Mc Marcinho, Sigmar Polke, Carlos Zilio, MTV, Lazaro Ramos, Guel Arraes, Eduardo Coimbra, Ariano Suassuna, Black eyed Peas, Machado de Assis, Stanley Kubrik, Stan Lee, Gehard Richter, Ives Klein, o cara que inventou a televisão, Amedeo Modigliani, Pedro Varela, Lady Gaga, David Sale, Marcel Breuer, Bispo do Rosário, Terry Richardson, Oscar Niemeyer, Robert Rodriguez, profeta Gentileza, Christo, Cy Twombly, Mister Catra e mais um monte que agora não to lembrando.

Como você descreveria seu trabalho?

Como pintura de paisagem ou... Como uma pesquisa sobre o tempo da e na paisagem pensado a partir de possíveis construções e representações da mesma. Utilizando para isso um "pensamento pictórico" como ponto de partida e agregando a ele minhas referências, a história da arte, mídias e cultura popular. Ah, e também é algo com doses de prazer, diversão e beleza com "leves" camadas de ironia e humor.

Você é professor da EBA e da EAV, que diferença você entre as duas instituições?

Então... Eu comecei a dar aula no Parque semana passada, na EBA no começo de 2010. Acho que ainda não posso expressar uma opinião de como é ser professor na EAV, na EBA, fui aluno por mais de 10 anos e acho que conheço bem os prós e os contras de lá. Eu acho que, de verdade, as duas instituições se completam. Falo muito isso pros meus alunos da EBA. Na universidade além da possibilidade de uma formação ampla, tem a questão do tempo do curso, que obriga o aluno a viver a coisa em um outro ritmo, tem que estudar o que gosta e o que não gosta (acho isso importante), tem que ficar 3 anos tendo aula no atelier, mas a EBA tem o problema geográfico, é fora do mundo real, os alunos ficam literalmente ilhados e tem pouco contato com arte contemporânea, essa é grande lacuna a ser preenchida, criar a ponte de uma educação para artes com vocação acadêmica, com o circuito e o mercado. Na EBA ainda tem alguns professores que declaram opiniões do tipo: arte contemporânea é uma grande palhaçada. Ou então, na arte, nada produzido depois de 1950 tem valor, e aí fala isso pra um cara de 18, 20 anos que muitas vezes chega na faculdade de artes achando que o modernismo está aí até hoje como a última moda, pronto. Está selado mais um caixão! A grande lição da EBA é que se você entender como ela funciona, se entender o que falta em cada um dos cursos existentes na escola e for atrás de complementar as carências, você pode se dar bem. Mas acaba dependendo muito mais do aluno do que do professor. Agora no Parque a coisa é muito mais dinâmica, cada um escolhe que aula quer fazer, os professores são mais inseridos, o que facilita a inserção dos próprios alunos. Acho que o Parque está passando por um momento super importante, que é dessa democratização dos cursos através das bolsas da fundamentação e do aprofundamento, além dos cursos de produção que a escola está oferecendo. Talvez essa fosse a iniciativa necessária para ligar as duas escolas, porque com a fundamentação, por exemplo, muitos alunos da EBA estão cursando a EAV desde o começo dos seus cursos e isso meio que dá uma vacinada na galera contra vírus reacionários que ainda habitam algumas salas da EBA. No meu mundo ideal, o aluno faz a EBA e complementa com o Parque Lage.

Como você compatibiliza as duas funções de artista e professor?

Dormindo menos do que gostaria rs... É difícil, principalmente porque eu trabalho muito, tanto como professor, quanto como artista. Além disso sou assistente do Carlos Zilio faz uns 4 anos, é o melhor emprego do mundo, ganho pra aprender, é uma tarde na semana fundamental pra mim. Eu sempre fui muito pé no chão. Quero viver do meu trabalho de artista, mas sei o quanto isso é difícil e demora pra acontecer. Por isso fiz licenciatura primeiro, é a minha âncora, que paga as minhas contas no dia a dia e me permite continuar produzindo meu trabalho com independência. Eu acredito que seja a melhor co-profissão para um artista, porque me permite continuar estudando e me reciclando permanentemente. Dei aula uma década pra crianças e adolescentes, confesso que já estava de saco cheio. Dar aula pra adultos ta sendo muito mais recompensador intelectualmente. Mas hoje em dia começo a poder ter como planos a médio prazo, ficar um pouco mais de tempo no atelier e menos em sala de aula.

Qual sua opinião sobre o ensino de arte no Brasil?

O erro tá na base. A maior parte das escolas não dá muita importância ao ensino de artes. Vira meio tarefa de lazer, quem quer, beleza, quem não tá afim faz qualquer coisa e passa no final. Eu acho que a principal mudança a ser implantada é fazer com que os professores de ed.artística se atualizem e mudem sua postura frente as ementas. Acho que uma aula de artes tem que ser muito menos ensino de como se faz trabalhos artísticos e muito mais de como se pensa em um. Tem que entender que os exercícios tem que ser pra cabeça e não pra mão. Eu quando lecionava em escola sempre tinha como foco fazer a molecada ter um pensamento criativo, iniciativa, segurança e senso crítico. Mostrar a interdisciplinaridade das artes visuais com a sociedade através desses aspectos. Relacionar com outras profissões que lidam com a criação. E dentro dessa abordagem ir pincelando história da arte. Tem que ir desenvolvendo uma disciplina do hábito da criação e do senso critico. Do refletir. Disciplina é bom nesse sentido, tipo atleta que tem que se manter treinando pra ir se aprimorando, exercitar esses aspectos deveria ser algo cotidiano. Acho que teríamos uma sociedade menos indiferente em muitos aspectos (como o político, por exemplo) e prepararíamos além de possíveis artistas o público para entender melhor a arte do seu tempo.

Que conselho você daria a um aluno para ter êxito em sua carreira?

Disciplina pro trabalho, foco nos objetivos e tempo pro lazer!

Um não funciona sem os outros.

E tem que fazer o que gosta também. Em artes, sentir prazer no que faz tem que ser obrigatório. Se for pra achar chato, vai trabalhar em alguma coisa burocrática que dá pra ganhar mais na maioria das vezes.

Errar é fundamental desde que você aprenda com os erros. E nunca se acomodar. Acho que isso enterra qualquer carreira. O Zilio quando me orientou no meu projeto final citou uma frase do técnico de futebol da década de 60, Gentil Cardoso, dizendo que eu a ilustrava muito bem. Quem se desloca recebe, quem pede tem a preferência. acho que ela vale como um bom conselho.

Como você se mantém atualizado?

Livros, internet, televisão, rádio e conversando com os amigos. Além de continuar estudando.

Além dos estudos, o que influencia a formação de um artista?

Se ele tiver bons olhos e ouvidos, todas as suas relações e o mundo à sua volta.

Quais são seus planos para o futuro?

Consolidar minha carreira de artista, viajar mais e ter mais tempo livre.

O que você faz nas horas vagas?

Vou ao cinema, vejo futebol (sou flamengo doente), estou com meus amigos e dou uma namorada.

Fonte: Textos Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Homenagem à pintura contemporânea | Bruno Miguel

A apreciação das pinturas de Bruno Miguel transporta-nos, de imediato, a séculos de história: da pintura, das imagens, das idéias. Simultaneamente, porém, elas nos remetem ao nosso próprio tempo, para o modo como nos relacionamos com o mundo, nossas crenças, nossas dúvidas. Através de suas escolhas, de seus procedimentos e de seus questionamentos, o artista nos coloca frente a frente com nossa condição na contemporaneidade: em um mundo onde a tecnologia e os meios de comunicação e informação se tornaram quase predominantes, onde nossa relação com a história, com a paisagem e com as imagens muitas vezes é banalizada, como podemos ter um olhar profundo sobre algo?

Analisar a pintura de Bruno Miguel e o modo como se dá a sua concepção é considerar a própria história desta linguagem. A construção de diferentes espaços plásticos, os procedimentos que extrapolam a própria noção de fatura pictórica, o uso de materiais, que vão das tintas a óleo e acrílica, tinta automotiva e "asa de barata" às colagens diversas, o aparente embate entre figuração e abstração, o rigor da composição, aliado ao experimentalismo e ao acaso; todos esses aspectos reforçam o entendimento de que o artista assume para si esse passado, essa história, identifica-se com seus ancestrais da pintura, reivindica o posto de "pintor". Contudo, também assume a necessidade de "ser do seu tempo", de alargar os limites encontrados outrora e investigar aquilo que se afirmou inicialmente como uma pergunta: há espaço para a pintura de paisagem na arte contemporânea? O mais interessante é pensar que Bruno Miguel nem chega a cogitar se a pintura pode ser vista como arte atualmente, frente às inúmeras tentativas de decreto de sua morte na história recente. Para ele, e para nós, a pintura está "viva", em constante transformação, e ainda pode ter muito a dizer.

Pensar em "paisagem" e em "pintura contemporânea" foi o ponto de partida para uma reflexão sobre a compreensão da pintura como linguagem, mas também do papel assumido pelas imagens na contemporaneidade. Novamente, uma história, a das imagens, apresenta-se em evidência, a partir do momento em que o artista torna-se um "apropriador" de referências. Imagens as mais diversas, da arquitetura moderna ao paisagismo, da história da arte à cultura popular, convivem sobre o suporte nem sempre neutro, em um jogo onde as possibilidades de significações não se limitam ao gesto e à ordenação dada pelo autor. Ao trabalhar com fragmentos diversos, gerando uma série de tensões espaciais, Bruno Miguel não quer unir elementos ocasionais, aparentemente díspares, destituindo-os de seus sentidos originais. Ele tem consciência de que suas aproximações não são imparciais, mas permite ao expectador, por outro lado, que este atribua outros significados a tais formas; enfim, que complete, a seu modo, a trama que unirá essas imagens, definindo relações nem sempre previamente planejadas.

Por último, ao apresentarem referências à arquitetura moderna, à construção e modificação do ambiente cotidiano, podemos pensar como a história das idéias pode atuar nessas pinturas. O projeto construtivo, base do pensamento racionalista dessa vertente da arquitetura, pressupunha uma construção racional como forma de condicionamento político e social. Ambientes racionalmente planejados, funcionais e esteticamente ordenados seriam o indício de uma sociedade mais justa e igualitária. Se originalmente tal ideal ambiciosamente foi colocado em prática e depois definido como utópico, para o artista ele se concretiza na ordem do espaço pictórico, no território dos projetos, das sutilezas e das possibilidades. Como "construtor" de espaços, como um "quase arquiteto", segundo suas próprias palavras, organizando, planejando, controlando o que supostamente é caos e acaso, Bruno Miguel provocantemente sugere em suas pinturas uma grande variedade de diálogos possíveis entre aquilo que aparentemente é conflituoso. No gesto ordenador, ele objetiva a harmonia.

Sendo assim, as pinturas expostas fazem-nos pensar na condição da pintura, das imagens e das ideologias na arte contemporânea. Elas reforçam a concepção de que hoje não importa se o trabalho é realizado como pintura ou vídeo, fotografia ou intervenção – linguagens pelas quais Bruno Miguel também transita –; o que importa, sim, são as questões da contemporaneidade que podem ser colocadas através do fazer artístico. Neste sentido, sua pintura é um caso exemplar.

Ivair Reinaldim, curador.

Fonte: Textos - Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

Crédito fotográfico: Fotografia de Paulo Aracy, imagem extraída do Instagram de Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

Bruno Miguel (Rio de Janeiro, RJ, 1981) é um artista plástico brasileiro. Formou-se em Artes Plásticas e Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recebeu Menção Honrosa Especial na V Bienal Internacional de Arte SIART, em La Paz, Bolívia, em 2007. No mesmo ano, ganhou bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos. Deu aulas, em 2010, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2011. Dos prêmios que recebeu, destacam-se a Menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia; a bolsa da Incubadora Furnas de Jovens Talentos 2007/2008; e Vermont Studio Center – Fellowship Award. Possui obras em coleções privadas como Coleção Luiz Chrysostomo, Ana Eliza e Paulo Setúbal, Milton Abirached, Fundação Behar (Peru), entre outros.

Bruno Miguel

Bruno Miguel (Rio de Janeiro, RJ, 1981) é um artista plástico brasileiro. Formou-se em Artes Plásticas e Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recebeu Menção Honrosa Especial na V Bienal Internacional de Arte SIART, em La Paz, Bolívia, em 2007. No mesmo ano, ganhou bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos. Deu aulas, em 2010, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2011. Dos prêmios que recebeu, destacam-se a Menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia; a bolsa da Incubadora Furnas de Jovens Talentos 2007/2008; e Vermont Studio Center – Fellowship Award. Possui obras em coleções privadas como Coleção Luiz Chrysostomo, Ana Eliza e Paulo Setúbal, Milton Abirached, Fundação Behar (Peru), entre outros.

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Tempo: Michel Majerus por Bruno | 2020

A Beautiful Image | 2020

Pílulas de Arte | 2016

EAV: Pintura Hoje | 2021

Artistas indicados PIPA | 2012

Beauty in the Unseen | 2018

Biografia – Prêmio PIPA

Formou-se em Artes Plásticas e Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Em 2005, realizou a exposição “O Vazio e o Conceito”, sua primeira individual, no Espaço EBA 7, Rio de Janeiro.

Recebeu Menção Honrosa Especial na V Bienal Internacional de Arte SIART, em La Paz, Bolívia, em 2007. No mesmo ano, ganhou bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos. Participou da exposição “Nova Arte Nova”, apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, em 2008, e em São Paulo, no ano seguinte.

Em 2009, participou novamente da Bienal de La Paz, e da mostra Nouvelle Vague, na galeria Laura Marsiaj Arte Contemporânea. Em 2010 participou das mostras Tinta Fresca , na galeria Mariana Moura em Pernambuco, do Salão de artes de Itajaí, e da mostra “Latidos Urbanos” no MAC de Santiago, Chile.

Realizou, no Rio de Janeiro, as exposições individuais “Spring Love”, no Largo das Artes, em 2010, e “Have a Nice Day!”, na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em 2011. Neste ano, também participou das mostras “Nova Escultura Brasileira”, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro, e “Fronteiriços”, nas galerias Emma Thomas, São Paulo, e Luciana Caravello Arte Contemporânea.

Em 2012, participa da mostra “Novas Aquisições – Gilberto Chateaubriand” no MAM e “GramáticaUrbana”, com curadoria de Vanda Klabin, no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, além da Individual “DVCO, NON DVCOR”, na galeria Emma Thomas em São Paulo. Deu aulas, em 2010, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2011.

Formação

– Licenciatura em Ed. Artística/Artes plásticas e Pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ

– Diversos cursos livres no Parque Lage

2010

– Cursou o Aprofundamento – 2010 da EAV do Parque Lage.

– Professor na Escola de Belas Artes da UFRJ em 2010.

2006

– Curso de extensão em arte contemporânea da Escola de Belas Artes da UFRJ – Projeto SERTÃO 2- com o artista Sebastien Perround, no Parque das Ruínas, Santa Tereza

2007-2008

– Cursou a Incubadora FURNAS de Jovens Artistas

– Curso de Bio-Arquitetura no TIBÁ –Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura. Bom Jardim RJ, 2008

2018

– Professor na EAV Parque Lage desde 2011

2006-2015

– Assistente de Carlos Zílio

Exposições individuais

2019

– “You can’t take it with you?”, PCA&D Lancaster, Pensilvânia, EUA

– “You don’t know me”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2018

– “Welcome Lima”, Espacio Tomado, Lima, Peru

2017

– “Seduction and Reason”, Sapar Contemporary, Nova Iorque, EUA

2016

– “A Viagem Pitoresca”, Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, Curitiba, PR

– “Essas pessoas na sala de jantar”, Centro Cultural São Paulo, SP

2015

– “Sientase em casa”, Sketch Gallery, Bogotá, Colômbia

– “A Cristaleira”, Oi Futuro, Rio de Janeiro, RJ

– “Essas pessoas na sala de jantar”, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ

2014

– “Todos à mesa.”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

2013

– “Ex-culturas”, Galeria do Lago, Museu da República, Rio de Janeiro, RJ

– “Make Yourself at home, S&J Projects, New York, USA

– “Tudo posso naquilo que me fortalece”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2012

– “Dvco, Non Dvcor.”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

2011

– “Have a nice day!”, Luciana Caravello arte contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “Spring Love”, Largo das Artes, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Homenagem à Pintura Contemporânea”, Vilaseca Assessoria de Arte, Rio de Janeiro, RJ

2006

– ““Negação?” ou “Pintura?””, Espaço EBA 7, Rio de janeiro, RJ

– “CARA A TAPA”, galeria da EAV Parque Lage, Rio de janeiro, RJ

2005

– “O Vazio e o Conceito”, Espaço EBA 7, Rio de janeiro, RJ

Exposições coletivas

2019

– “Manjar: Para Habitar Liberdades”, Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, RJ

2018

– “The World on Paper”, Palais Populaire, Berlim, Alemanha

2017

– “A Luz que Vela o Corpo é a Mesma que Revela a Tela”, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

– “São Paulo não é uma cidade, invenções do centro”, SESC 24 de Maio, São Paulo, SP

– “Elogiamos a Casa que se Abre a Perder de Vista”, Bolsa de Arte, São Paulo, SP

2016

– “Arte em Revista”, Galeria do BNDES, Rio de Janeiro, RJ

– “EBA 200 anos”, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ

2015

– “Trio Bienal”, Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, RJ

2014

– “Encontro dos Mundos”, MAR, Museu de Arte do Rio de Janeiro, RJ

– “À Deriva da Palavra e do Silêncio – o lugar do pintor”, Espaço ECCO, Brasília, DF

– “Tatu: Futebol, Adversidade e Cultura da Caatinga”, Museu de Arte do Rio de Janeiro, RJ

2013

– “Etiquette for a lucid dream.”, The Gateway Project, Pen Station, Newark

– “Sign of the Nation”, Solo(s) Projects House, Newark

2012

– “E os amigos sinceros também”, Galeria de Arte Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Gesto Amplificado”, Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, Rio de Janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “Gramática Urbana”, Centro Cultural Helio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ

– “Novas Aquisições”, Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, Rio de Janeiro, RJ

– “Panorama.Terra”, Consulado da Argentina, Rio de Janeiro, RJ

– “Eu Vira Convida – Eu Vira”, Rio de Janeiro, RJ

2011

– “Proposições”, Luciana Caravello arte contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “Fronteiriços”, Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP

– “Fronteiriços”, Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “ArteForum”, Fórum UFRJ, Rio de Janeiro, RJ

– “Nova Escultura Brasileira”, Centro Cultural da Caixa, Rio de Janeiro, RJ

2010

– “SESC ARTE 24H”, Armazém 4 Cais do Porto, Rio de Janeiro, RJ

– “KXA PRETA”, Espaço Ápis, Rio de Janeiro, RJ

– “Tinta Fresca”, Galeria Mariana Moura, Pernambuco, PE

– “] entre [“, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Além do Horizonte”, Galeria Amarelonegro, Rio de Janeiro, RJ

– “Salão Nacional de Artes de Itajaí, Centreventos, Itajaí, Santa Catarina, SC

– “Latidos Urbanos, Museo de Arte Contemporâneo, Santiago, Chile

– “Entre-vistas”, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

2009

– “Iluminando o novo”, Largo das artes, Rio de Janeiro, RJ

– “Nouvelle Vague”, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ

– “Iluminando o novo”, Galeria de Furnas. Rio de Janeiro, RJ

– “OCUPAÇÃO”, CasaCor, Jockey Club. Rio de Janeiro, RJ

– “VI Bienal Internacional SIART”, Bolívia, Museo Costumbrista, La Paz, Bolívia

2008

– “Abre alas 2008”, Largo das Artes, Rio de Janeiro, RJ

– “SangueNovo”, Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

– “Diminuir as Distâncias”, Galeria de Arte Casarão, Viana, Espírito Santo, ES

– “IN SITU”, Barracão Maravilha, Rio de Janeiro, RJ

– “Zoation Painting”, La Pintura de Broma, Museo Nacional de La Paz, La Paz, Bolívia

– “NOVA ARTE NOVA”, CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ e São Paulo, SP

– “Ação entre amigos”, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ

2007

– “Mostra de artes plásticas da V Bienal da UNE”, Fundição Progresso, Rio de Janeiro, RJ

– “I Mostra LIVE de Vídeo Universitário”, Escola de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ

– “PROJETO SERTÃO 2”, Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, RJ

– “MAC Vazio”, Museu de Arte Contemporânea, Niterói, RJ

– “IMAGINÁRIO PERIFERICO LONGA METRAGEM”, Observatório de Favelas, Rio de Janeiro, RJ

– “Projeto GERINGONÇA”, SESC Tijuca, Rio de Janeiro, RJ

– “Das e Sobre as Ruas”, SESC Madureira, Rio de Janeiro, RJ

– “Diminuindo as Distâncias”, Ministério das Relações Exteriores, Brasília, DF

– “V Bienal Internacional SIART”, Bolívia Museo Nacional Tambo Quirquincho, Museo Costumbrista, Museo de Etnografia y Folklore, Espaço Simon y Patino, La Paz, Bolívia

– “2007 – Uma Odisséia no Parque”, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

– “I Coletiva Bienal da escola de Belas Artes”, Castelinho do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ

2006

– “Faixa Seletiva”, Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói, RJ

2005

– “Mostra de Artes Plásticas da IV Bienal da UNE”, Fundação Bienal, Ibirapuera, São Paulo , SP

– “Novíssimos 2005”, Galeria de Arte Ibeu, Rio de Janeiro, RJ

– “Imaginário Periférico”, Galeria 90 Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ

2003

– “Mostra de Artes Plásticas da III Bienal da UNE”, Centro de Conferências, Pernambuco, PE

– “XIII salão da Escola de Belas Artes”, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

2002

– “Mostrarte II”, Espaço Cultural da Universidade Estácio de Sá, campus Tom Jobim, Rio de Janeiro, RJ

Projetos de Curadoria

2019

– “Minha terra tem palmeiras”, Exposição Coletiva, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

2017

– “A Luz que Vela o Corpo é a Mesma que Revela a Tela”, exposição Coletiva, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ

– “Projeto Farol”, exposição coletiva, Centro Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, RJ

2016

– “Em arte, tudo está naquele ‘nada'”, exposição Individual de Henrique Kalckmann, Gallery 32, Londres, RU

– “Visão Fontana”, Galeria Ibeu, Exposição Individual de Bruno Belo, Rio de Janeiro, RJ

2015

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, SESC Quitandinha, Petrópolis, RJ

2014

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Espaço ECCO, Brasília, DF

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ

2013

– “Mais Pintura!”, exposição coletiva, Centro Cultural da Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ

Prêmios e Bolsas

– Menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia

– Bolsa da Incubadora Furnas de Jovens Talentos 2007/2008

– Vermont Studio Center – Fellowship Award

Residências

– Fountainhead Residence – Janeiro/Março 2019, Miami, EUA

– Vermont Studio Center – Setembro 2018, Vermont, EUA

– Dreamplay Artists in Residence – Fall 2013, Lyndhurst, EUA

Coleções Institucionais

– MAR, Museu de Arte do Rio de Janeiro

– Espaço ECCO, Brasilia

– Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM- RJ

– Deutsche Bank Collection

– Centro Cultural São Paulo

Coleções Privadas

– Coleção Luiz Chrysostomo

– Coleção Ana Eliza e Paulo Setúbal

– Coleção Milton Abirached

– Coleção Fernando Azevedo

– Coleção Armando Andrade (Peru)

– Coleção Tito Rebaza (Peru)

– Fundação Behar (Peru)

Fonte: Prêmio PIPA. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Biografia – Site Oficial

Bruno Miguel é artista, professor e curador. Nasceu em 1981 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Formado pela EBA-UFRJ em licenciatura em artes plásticas e em pintura, fez inúmeros cursos na EAV Parque Lage, participando do programa "Aprofundamento" em 2010, e desde o ano seguinte é professor da escola. Como artista participa desde 2007 de exposições individuais e coletivas no Brasil e em países como EUA, Alemanha, Portugal, Turquia, Peru, Bolívia, Colômbia, Argentina, Chile. Seu trabalho é representado comercialmente por galerias em Nova York, Lima, São Paulo e Belo Horizonte. Suas obras estão em importantes coleções Institucionais e particulares, nacionais e internacionais, tendo ao longo dos últimos anos sido selecionado por diversas residências artísticas internacionais. Fez também a curadoria de mostras individuais e coletivas em Londres, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fonte: Site do artista. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Entrevista com Marcio Fonseca | Site Bruno Miguel

Bruno: A intenção é conhecer um pouco mais você, algo além do artista e professor. Você pode descartar aquilo considerado irrelevante e acrescentar algo importante. Qualquer coisa é só falar. Abraço

Bruno fale algo sobre sua vida pessoal

Nasci em 1981, no Rio de Janeiro, mais precisamente no Leblon, cito isso porque me considero um carioca completo, tipo cara e coroa, até meus pais, que eram comerciantes, se separarem eu morei por vários bairros da zona sul, Humaitá, Gávea, Leblon e alto Leblon. Passei quase a primeira metade da minha vida (até agora), desfrutando da paisagem e dos costumes dos cartões postais cariocas. Quando eu tinha uns 13 pra 14 anos, mais ou menos, minha mãe, se divorciando do meu pai, decidiu sair do aluguel. A grana que ela tinha não dava pra manter nosso padrão de vida na zona sul então ela procurou algo para comprar na Ilha do Governador, bairro que apesar de distante, era simpático, calmo e com valores de imóveis dentro das possibilidades. Mudamos minha mãe, meu irmão mais novo e eu. Desde então passei a conhecer melhor a paisagem e os hábitos da zona norte carioca. Esses dados são importantes para o entendimento da "aura" do meu trabalho. Tanto conceitualmente quanto esteticamente.

Como a Arte entrou em sua vida?

Quando vim morar na ilha, me inscrevi no curso de teatro da minha nova escola, Colégio Óperon, fiz teatro durante uns 5 anos, levando a coisa bem a sério, mas com o tempo fui precisando de desafios maiores, aí comecei a escrever, dirigir, fazer a cenografia, pensar os figurinos. Nisso percebi que minha onda não era representar, era criar.

Caí de pára-quedas nas artes visuais, nem desenhar direito eu sabia, arrisquei e deu certo.

Qual foi sua formação artística?

Passei no vestibular pra Lic em ed. Artística na EBA – UFRJ e de lá não saí mais. Me formei em ed.artistica, depois em pintura. Comecei a dar aula quando estava no quinto período da faculdade, minha primeira escola foi exatamente o colégio Óperon, aqui na Ilha. Dei aula em um monte de escolas aqui do bairro, dei aula no Grajaú, em Macaé (trabalhei por 3 anos em um projeto de extensão da UFRJ que se chamava UFRJMAR, que levava projetos de educação inovadores para as cidades do litoral carioca). No começo de 2010, passei como professor substituto na EBA, no departamento de pintura e no de desenho. Minha história com o Parque Lage é mais recente, deve ter uns cinco anos. Fiz cursos livres com João Magalhães, Marcio Botner, Bob N e Franz Manata. Em 2010 passei pro curso de aprofundamento do Parque, e tive aulas com Glória Ferreira, Lívia Flores e Luiz Ernesto. Em 2011 me tornei professor da escola. Darei dois cursos, um de férias com o Pedro Varela (que é meu amigo desde a Faculdade) chamado Agora! Desenho e pintura como pensamento contemporâneo e outro com o Luiz Ernesto (meu professor no aprofundamento) que será um curso pra quem quiser se aprofundar em questões da pintura e já tenha alguma experiência, esse se chama Questões pratico teóricas da pintura na contemporaneidade. Além disso, sou assistente do Carlos Zilio desde 2006.

Que artistas influenciaram seu pensamento?

Nelson Rodrigues, Chaves, Martin Kippenberger, MC`s Claudinho e Buchecha, Bill Watterson, Mc Magalhães, Van Gogh, Quentin Tarantino, Goscinny e Uderzo, O Rappa, Pablo Picasso, Hélio Oiticica, Takashi Murakami, M. Night Shyamalan, Los Hermanos, Carlos Contente, João Magalhães, Marcelo D2, Ferris Bueller, Basquiat, Mc Marcinho, Sigmar Polke, Carlos Zilio, MTV, Lazaro Ramos, Guel Arraes, Eduardo Coimbra, Ariano Suassuna, Black eyed Peas, Machado de Assis, Stanley Kubrik, Stan Lee, Gehard Richter, Ives Klein, o cara que inventou a televisão, Amedeo Modigliani, Pedro Varela, Lady Gaga, David Sale, Marcel Breuer, Bispo do Rosário, Terry Richardson, Oscar Niemeyer, Robert Rodriguez, profeta Gentileza, Christo, Cy Twombly, Mister Catra e mais um monte que agora não to lembrando.

Como você descreveria seu trabalho?

Como pintura de paisagem ou... Como uma pesquisa sobre o tempo da e na paisagem pensado a partir de possíveis construções e representações da mesma. Utilizando para isso um "pensamento pictórico" como ponto de partida e agregando a ele minhas referências, a história da arte, mídias e cultura popular. Ah, e também é algo com doses de prazer, diversão e beleza com "leves" camadas de ironia e humor.

Você é professor da EBA e da EAV, que diferença você entre as duas instituições?

Então... Eu comecei a dar aula no Parque semana passada, na EBA no começo de 2010. Acho que ainda não posso expressar uma opinião de como é ser professor na EAV, na EBA, fui aluno por mais de 10 anos e acho que conheço bem os prós e os contras de lá. Eu acho que, de verdade, as duas instituições se completam. Falo muito isso pros meus alunos da EBA. Na universidade além da possibilidade de uma formação ampla, tem a questão do tempo do curso, que obriga o aluno a viver a coisa em um outro ritmo, tem que estudar o que gosta e o que não gosta (acho isso importante), tem que ficar 3 anos tendo aula no atelier, mas a EBA tem o problema geográfico, é fora do mundo real, os alunos ficam literalmente ilhados e tem pouco contato com arte contemporânea, essa é grande lacuna a ser preenchida, criar a ponte de uma educação para artes com vocação acadêmica, com o circuito e o mercado. Na EBA ainda tem alguns professores que declaram opiniões do tipo: arte contemporânea é uma grande palhaçada. Ou então, na arte, nada produzido depois de 1950 tem valor, e aí fala isso pra um cara de 18, 20 anos que muitas vezes chega na faculdade de artes achando que o modernismo está aí até hoje como a última moda, pronto. Está selado mais um caixão! A grande lição da EBA é que se você entender como ela funciona, se entender o que falta em cada um dos cursos existentes na escola e for atrás de complementar as carências, você pode se dar bem. Mas acaba dependendo muito mais do aluno do que do professor. Agora no Parque a coisa é muito mais dinâmica, cada um escolhe que aula quer fazer, os professores são mais inseridos, o que facilita a inserção dos próprios alunos. Acho que o Parque está passando por um momento super importante, que é dessa democratização dos cursos através das bolsas da fundamentação e do aprofundamento, além dos cursos de produção que a escola está oferecendo. Talvez essa fosse a iniciativa necessária para ligar as duas escolas, porque com a fundamentação, por exemplo, muitos alunos da EBA estão cursando a EAV desde o começo dos seus cursos e isso meio que dá uma vacinada na galera contra vírus reacionários que ainda habitam algumas salas da EBA. No meu mundo ideal, o aluno faz a EBA e complementa com o Parque Lage.

Como você compatibiliza as duas funções de artista e professor?

Dormindo menos do que gostaria rs... É difícil, principalmente porque eu trabalho muito, tanto como professor, quanto como artista. Além disso sou assistente do Carlos Zilio faz uns 4 anos, é o melhor emprego do mundo, ganho pra aprender, é uma tarde na semana fundamental pra mim. Eu sempre fui muito pé no chão. Quero viver do meu trabalho de artista, mas sei o quanto isso é difícil e demora pra acontecer. Por isso fiz licenciatura primeiro, é a minha âncora, que paga as minhas contas no dia a dia e me permite continuar produzindo meu trabalho com independência. Eu acredito que seja a melhor co-profissão para um artista, porque me permite continuar estudando e me reciclando permanentemente. Dei aula uma década pra crianças e adolescentes, confesso que já estava de saco cheio. Dar aula pra adultos ta sendo muito mais recompensador intelectualmente. Mas hoje em dia começo a poder ter como planos a médio prazo, ficar um pouco mais de tempo no atelier e menos em sala de aula.

Qual sua opinião sobre o ensino de arte no Brasil?

O erro tá na base. A maior parte das escolas não dá muita importância ao ensino de artes. Vira meio tarefa de lazer, quem quer, beleza, quem não tá afim faz qualquer coisa e passa no final. Eu acho que a principal mudança a ser implantada é fazer com que os professores de ed.artística se atualizem e mudem sua postura frente as ementas. Acho que uma aula de artes tem que ser muito menos ensino de como se faz trabalhos artísticos e muito mais de como se pensa em um. Tem que entender que os exercícios tem que ser pra cabeça e não pra mão. Eu quando lecionava em escola sempre tinha como foco fazer a molecada ter um pensamento criativo, iniciativa, segurança e senso crítico. Mostrar a interdisciplinaridade das artes visuais com a sociedade através desses aspectos. Relacionar com outras profissões que lidam com a criação. E dentro dessa abordagem ir pincelando história da arte. Tem que ir desenvolvendo uma disciplina do hábito da criação e do senso critico. Do refletir. Disciplina é bom nesse sentido, tipo atleta que tem que se manter treinando pra ir se aprimorando, exercitar esses aspectos deveria ser algo cotidiano. Acho que teríamos uma sociedade menos indiferente em muitos aspectos (como o político, por exemplo) e prepararíamos além de possíveis artistas o público para entender melhor a arte do seu tempo.

Que conselho você daria a um aluno para ter êxito em sua carreira?

Disciplina pro trabalho, foco nos objetivos e tempo pro lazer!

Um não funciona sem os outros.

E tem que fazer o que gosta também. Em artes, sentir prazer no que faz tem que ser obrigatório. Se for pra achar chato, vai trabalhar em alguma coisa burocrática que dá pra ganhar mais na maioria das vezes.

Errar é fundamental desde que você aprenda com os erros. E nunca se acomodar. Acho que isso enterra qualquer carreira. O Zilio quando me orientou no meu projeto final citou uma frase do técnico de futebol da década de 60, Gentil Cardoso, dizendo que eu a ilustrava muito bem. Quem se desloca recebe, quem pede tem a preferência. acho que ela vale como um bom conselho.

Como você se mantém atualizado?

Livros, internet, televisão, rádio e conversando com os amigos. Além de continuar estudando.

Além dos estudos, o que influencia a formação de um artista?

Se ele tiver bons olhos e ouvidos, todas as suas relações e o mundo à sua volta.

Quais são seus planos para o futuro?

Consolidar minha carreira de artista, viajar mais e ter mais tempo livre.

O que você faz nas horas vagas?

Vou ao cinema, vejo futebol (sou flamengo doente), estou com meus amigos e dou uma namorada.

Fonte: Textos Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

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Homenagem à pintura contemporânea | Bruno Miguel

A apreciação das pinturas de Bruno Miguel transporta-nos, de imediato, a séculos de história: da pintura, das imagens, das idéias. Simultaneamente, porém, elas nos remetem ao nosso próprio tempo, para o modo como nos relacionamos com o mundo, nossas crenças, nossas dúvidas. Através de suas escolhas, de seus procedimentos e de seus questionamentos, o artista nos coloca frente a frente com nossa condição na contemporaneidade: em um mundo onde a tecnologia e os meios de comunicação e informação se tornaram quase predominantes, onde nossa relação com a história, com a paisagem e com as imagens muitas vezes é banalizada, como podemos ter um olhar profundo sobre algo?

Analisar a pintura de Bruno Miguel e o modo como se dá a sua concepção é considerar a própria história desta linguagem. A construção de diferentes espaços plásticos, os procedimentos que extrapolam a própria noção de fatura pictórica, o uso de materiais, que vão das tintas a óleo e acrílica, tinta automotiva e "asa de barata" às colagens diversas, o aparente embate entre figuração e abstração, o rigor da composição, aliado ao experimentalismo e ao acaso; todos esses aspectos reforçam o entendimento de que o artista assume para si esse passado, essa história, identifica-se com seus ancestrais da pintura, reivindica o posto de "pintor". Contudo, também assume a necessidade de "ser do seu tempo", de alargar os limites encontrados outrora e investigar aquilo que se afirmou inicialmente como uma pergunta: há espaço para a pintura de paisagem na arte contemporânea? O mais interessante é pensar que Bruno Miguel nem chega a cogitar se a pintura pode ser vista como arte atualmente, frente às inúmeras tentativas de decreto de sua morte na história recente. Para ele, e para nós, a pintura está "viva", em constante transformação, e ainda pode ter muito a dizer.

Pensar em "paisagem" e em "pintura contemporânea" foi o ponto de partida para uma reflexão sobre a compreensão da pintura como linguagem, mas também do papel assumido pelas imagens na contemporaneidade. Novamente, uma história, a das imagens, apresenta-se em evidência, a partir do momento em que o artista torna-se um "apropriador" de referências. Imagens as mais diversas, da arquitetura moderna ao paisagismo, da história da arte à cultura popular, convivem sobre o suporte nem sempre neutro, em um jogo onde as possibilidades de significações não se limitam ao gesto e à ordenação dada pelo autor. Ao trabalhar com fragmentos diversos, gerando uma série de tensões espaciais, Bruno Miguel não quer unir elementos ocasionais, aparentemente díspares, destituindo-os de seus sentidos originais. Ele tem consciência de que suas aproximações não são imparciais, mas permite ao expectador, por outro lado, que este atribua outros significados a tais formas; enfim, que complete, a seu modo, a trama que unirá essas imagens, definindo relações nem sempre previamente planejadas.

Por último, ao apresentarem referências à arquitetura moderna, à construção e modificação do ambiente cotidiano, podemos pensar como a história das idéias pode atuar nessas pinturas. O projeto construtivo, base do pensamento racionalista dessa vertente da arquitetura, pressupunha uma construção racional como forma de condicionamento político e social. Ambientes racionalmente planejados, funcionais e esteticamente ordenados seriam o indício de uma sociedade mais justa e igualitária. Se originalmente tal ideal ambiciosamente foi colocado em prática e depois definido como utópico, para o artista ele se concretiza na ordem do espaço pictórico, no território dos projetos, das sutilezas e das possibilidades. Como "construtor" de espaços, como um "quase arquiteto", segundo suas próprias palavras, organizando, planejando, controlando o que supostamente é caos e acaso, Bruno Miguel provocantemente sugere em suas pinturas uma grande variedade de diálogos possíveis entre aquilo que aparentemente é conflituoso. No gesto ordenador, ele objetiva a harmonia.

Sendo assim, as pinturas expostas fazem-nos pensar na condição da pintura, das imagens e das ideologias na arte contemporânea. Elas reforçam a concepção de que hoje não importa se o trabalho é realizado como pintura ou vídeo, fotografia ou intervenção – linguagens pelas quais Bruno Miguel também transita –; o que importa, sim, são as questões da contemporaneidade que podem ser colocadas através do fazer artístico. Neste sentido, sua pintura é um caso exemplar.

Ivair Reinaldim, curador.

Fonte: Textos - Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

Crédito fotográfico: Fotografia de Paulo Aracy, imagem extraída do Instagram de Bruno Miguel. Consultado pela última vez em 9 de fevereiro de 2023.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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