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Emeric Marcier

Emeric Marcier (21 de novembro de 1916, Cluj-Napoca, Romênia — 1 de setembro de 1990, Rio de Janeiro, Brasil), foi um pintor, desenhista e muralista húngaro naturalizado brasileiro. Formado na Europa, trouxe para o Brasil sólida base acadêmica aliada à influência da tradição figurativa e da arte sacra europeia. Convertido ao catolicismo, direcionou grande parte de sua produção à pintura religiosa, tornando-se referência na renovação da arte sacra brasileira no século XX. Sua obra distingue-se pela espiritualidade intensa, composição narrativa rigorosa, uso expressivo da cor e valorização da figura humana. Realizou murais e conjuntos iconográficos para igrejas e instituições religiosas, além de pinturas de cavalete e desenhos que integram coleções particulares e acervos no Brasil.

Emeric Marcier | Arremate Arte

Emeric Marcier nasceu em 1916, em Cluj, então parte do Império Austro-Húngaro (atual Romênia), em um contexto europeu marcado por intensas transformações políticas e culturais. Sua formação artística ocorreu na Europa, onde recebeu sólida base acadêmica e entrou em contato com a tradição clássica da pintura, com o pensamento humanista e com movimentos modernos que atravessavam o início do século XX. Ainda jovem, viveu experiências decisivas que moldaram não apenas sua linguagem estética, mas também sua dimensão espiritual: sua conversão ao catolicismo influenciaria profundamente toda a sua produção artística.

Com o avanço da Segunda Guerra Mundial e o cenário de instabilidade na Europa, Marcier deixou o continente e, na década de 1940, estabeleceu-se definitivamente no Brasil. Foi nesse país que consolidou sua trajetória e construiu o núcleo mais significativo de sua obra. Naturalizou-se brasileiro e encontrou no território mineiro — especialmente em Barbacena — um espaço de recolhimento, produção intensa e amadurecimento estético.

Sua pintura desenvolveu-se sobretudo no campo da arte sacra, tornando-o um dos principais nomes da renovação da iconografia religiosa no Brasil no século XX. Distanciando-se de uma repetição meramente acadêmica dos modelos tradicionais, Marcier buscou reinterpretar temas bíblicos e espirituais com vigor expressivo e dramaticidade luminosa. A figura humana ocupa papel central em sua obra, frequentemente construída com forte densidade psicológica e espiritual. Suas composições revelam rigor estrutural, uso expressivo da cor e um equilíbrio singular entre tradição iconográfica e sensibilidade moderna.

Além das pinturas de cavalete, realizou importantes murais e conjuntos religiosos para igrejas e instituições, integrando arte e arquitetura com profundo senso narrativo. Sua produção também inclui retratos, cenas do cotidiano e paisagens, sempre atravessadas por uma dimensão simbólica que transcende a representação literal. Ao longo das décadas, consolidou-se como referência na pintura sacra brasileira, influenciando gerações e formando um legado artístico consistente.

Emeric Marcier faleceu em 1990, em Paris, França. Posteriormente, foi sepultado em Barbacena, Minas Gerais, cidade que abriga a Casa de Marcier, hoje espaço de memória dedicado à preservação de sua obra e de sua trajetória. Seu legado permanece como uma das expressões mais relevantes da arte sacra no Brasil, marcado pela integração entre técnica refinada, espiritualidade profunda e compromisso com a permanência da tradição pictórica no mundo contemporâneo.


Emeric Marcier | Itaú Cultural

Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.

Análise

Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).

Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.

Críticas

"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".

Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)

"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)

Exposições Individuais

1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro

1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ

1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro

1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias

1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil

1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia

1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu

1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista

1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH

1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

Exposições Coletivas

1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena

1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House

1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery

1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura

1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros

1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana

1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana

1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian

1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons

1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros

1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana

1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici

1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico

1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici

1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc

1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor

1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian

Exposições Póstumas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ

1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal

1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal

2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado

2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe

2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal

Fonte: EMERIC Marcier. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 27 de fevereiro de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7


Emeric Marcier | Wikipédia

Emeric Racz Marcier (Cluj, 21 de novembro de 1916 — Paris, 1 de setembro de 1990) foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.

Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascimento. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.

Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.

No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.

Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos séculos XIII e XIV (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.

Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.

Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.

Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.

Homenagem em Barbacena

Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 27 de  fevereiro de 2026.


Emeric Marcier: sua passagem por Barbacena e a valorização das grandes paisagens mineiras | Barbacena Online

Na edição de setembro da revista “Tribuna Învățământului”, editada na Romênia, o jornalista Radu Lilea faz uma matéria de 7 páginas sobre o artista Emeric Marcier (1916-1990). O artista deixou seu país natal em plena II Guerra Mundial e veio para o Brasil. Fez de Barbacena sua moradia e criou dezenas de obras.

Nascido em 21 de novembro de 1916, Emeric Marcier foi um pintor naturalista e muralista romeno, naturalizado brasileiro, que teve uma passagem por Minas Gerais, especificamente na cidade de Barbacena. Também passou parte de sua vida na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. O artista deixou seu país natal, a Romênia, para trabalhar paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

A viagem pela Europa foi uma boa preparação para a experiência sul-americana de Marcier. Com amigos como Mário de Andrade, José Lins do Rego, Jorge de Lima, Aníbal Machado e muitos outros representantes da elite cultural do Rio de Janeiro, Marcier fez sua história no Brasil, mesmo sem perspectiva de vender seus trabalhos nos primeiros meses na cidade.

Sua pintura, que inicialmente era voltada a paisagens de cidades históricas mineiras mudou de forma radical após descobrir um catolicismo de vocação patética e o patrimônio cultural do Brasil profundo, com o barroco colonial das joias arquitetônicas de Ouro Preto, Congonhas, Sabará, Mariana, São João del Rey, Barbacena, Tiradentes.

Sua vida sempre foi ligada a mais conhecida como “cidade dos loucos”, Barbacena, onde nasceram alguns de seus filhos com sua esposa Julieta. Local também onde residia com sua família em um sítio, que em 1996, foi adquirido pela Prefeitura Municipal. A casa foi tombada como patrimônio histórico cultural e passou a ser sede do Museu Casa de Marcier, onde também em seus entornos constitui o Parque Emeric Marcier, na Estrada do Faria, s/nº, bairro Monte Mário. Após a restauração, a casa foi entregue à comunidade.

Seu último grande projeto, foi a obra sobre suas memórias, que foi publicado posteriormente ao seu falecimento, que aconteceu após ser exilado para Paris e realizar diversas viagens pela Europa, em 1990, aos 74 anos de idade.

Fonte: Barbacena Online, "Emeric Marcier: sua passagem por Barbacena e a valorização das grandes paisagens mineiras". Consultado pela última vez em 29 de setembro de 2021.


Parque Museu Casa de Marcier | Prefeitura Municipal de Barbacena

Emeric Racz Marcier nasceu em Cluj, atual Cluj-Napoca, em 1916, e faleceu em Paris em 1990. Seu corpo foi levado para o Brasil e sepultado em Barbacena, onde, segundo Ângelo Osvaldo de Araújo Santos, o artista encontrou descanso na "montanha querida".

Formado na Escola de Belas Artes Brera, em Milão, Marcier concluiu seus estudos em 1938, com uma tese sobre Pablo Picasso. Após conhecer Guernica em 1937, na Exposição Universal de Paris, ele se especializava em escultura na França quando a guerra foi declarada. Fugindo da perseguição nazista, passou por Portugal e colaborou com a revista Presença, antes de buscar exílio no Brasil, em 1940.

No Brasil, Marcier pintou as cidades mineiras do "Círculo do Ouro" — como Mariana e Ouro Preto — a pedido da revista O Cruzeiro. Inspirado pelas obras de Aleijadinho, ele se afastou do surrealismo, criando uma arte sacra de linguagem única. Encantado por conhecer Barbacena, por intermédio de Georges Bernanos, mudou-se para a cidade, onde construiu o Sítio Sant’Anna, ponto central de sua vida e obra. Lá, cuidou de sua família, recebeu amigos e produziu intensamente.

Marcier ilustrou obras como Cântico de Lei, de Ivo, A Paixão Medida, de Carlos Drummond de Andrade, e Torre de Marfim, de Teresa Magalhães Pinto. Em 1949, iniciou a produção dos afrescos no Sítio Sant’Anna. Esses trabalhos podem ser divididos em diferentes ciclos: o Ciclo Mariano (quatro afrescos relacionados à Virgem Maria), os afrescos dedicados aos padroeiros do sítio (Sant’Anna e Girolamo Savonarola) e os esboços de afrescos não realizados, como A Procissão de Ramos e As Bodas de Canaá.

Com relação aos afrescos marianos, A Anunciação e A Visitação estão na parte externa da residência. Em A Anunciação, a cena retrata a chegada do anjo Gabriel, com Maria ajoelhada em sinal de reverência. Já em A Visitação, Maria é recebida por Isabel e Zacarias, com uma fusão de elementos espaciais que inclui o Santuário da Piedade, em homenagem a um amigo frei.

No interior da casa, destaca-se o afresco O Matrimônio de Maria e José, que mostra o casamento realizado por um rabino, com celebrações simultâneas no céu e na terra. A obra traz elementos simbólicos como anjos, músicos humanos e a inscrição “Dei Genitrix Intercede Pro Nobis” (Mãe de Deus, intercede por nós).

Os afrescos dedicados aos padroeiros incluem Sant’Anna, lendo um livro para Maria ainda criança, e Girolamo Savonarola, representado na sala de jantar, em diálogo com os esboços de As Bodas de Canaá. Savonarola, conhecido por seus discursos fervorosos, foi enforcado e depois incinerado, fato que Marcier retrata com grande eloquência.

Um destaque especial é o afresco Pombas Brancas, localizado na caixa d’água do sítio, que integra elementos do ambiente com a cena representada, como se as pombas se fundissem com o céu azul, remetendo ao Mosteiro Voronet, na Moldávia.

Os afrescos do Sítio Sant’Anna refletem transformações pessoais de Marcier, como seu exílio, mudança de identidade e conversão ao cristianismo. Incorporando traços góticos e bizantinos, ele também adicionou elementos de brasilidade, inspirados pela contemplação das obras de Aleijadinho. Esses afrescos simbolizam sua fé e religiosidade, deixando um significativo legado romeno no Brasil.

O Parque Museu Casa de Marcier é o local onde viveu o pintor e muralista romeno Emeric Racz Marcier. O Sítio Sant’Anna, como era conhecido, foi adquirido pela Prefeitura de Barbacena em 1996, tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal. É mais que um espaço cultural: é um registro profundo de sua arte, religiosidade e vínculo com a terra mineira.

Fonte: Prefeitura Municipal de Barbacena, "Parque Museu Casa de Marcier". Consultado pela última vez em 3 de março de 2026.

Crédito fotográfico: Emeric Marcier. Foto de Carlos Bracher, publicada em Parque Museu Casa de Marcier, em 28 de dezembro de 2019. Consultado pela última vez em 27 de setembro de 2026.

Emeric Marcier (21 de novembro de 1916, Cluj-Napoca, Romênia — 1 de setembro de 1990, Rio de Janeiro, Brasil), foi um pintor, desenhista e muralista húngaro naturalizado brasileiro. Formado na Europa, trouxe para o Brasil sólida base acadêmica aliada à influência da tradição figurativa e da arte sacra europeia. Convertido ao catolicismo, direcionou grande parte de sua produção à pintura religiosa, tornando-se referência na renovação da arte sacra brasileira no século XX. Sua obra distingue-se pela espiritualidade intensa, composição narrativa rigorosa, uso expressivo da cor e valorização da figura humana. Realizou murais e conjuntos iconográficos para igrejas e instituições religiosas, além de pinturas de cavalete e desenhos que integram coleções particulares e acervos no Brasil.

Emeric Marcier

Emeric Marcier (21 de novembro de 1916, Cluj-Napoca, Romênia — 1 de setembro de 1990, Rio de Janeiro, Brasil), foi um pintor, desenhista e muralista húngaro naturalizado brasileiro. Formado na Europa, trouxe para o Brasil sólida base acadêmica aliada à influência da tradição figurativa e da arte sacra europeia. Convertido ao catolicismo, direcionou grande parte de sua produção à pintura religiosa, tornando-se referência na renovação da arte sacra brasileira no século XX. Sua obra distingue-se pela espiritualidade intensa, composição narrativa rigorosa, uso expressivo da cor e valorização da figura humana. Realizou murais e conjuntos iconográficos para igrejas e instituições religiosas, além de pinturas de cavalete e desenhos que integram coleções particulares e acervos no Brasil.

Videos

Quem foi Emeric Marcier? | 2019

Exposição Emeric Marcier | 2025

Exposição de Emeric Marcier no Rio de Janeiro (1956)

Emeric Marcier na visão de um especialista | 2019

Entrevistas com amigos de Emeric Marcier | 2023

Museu Emeric Marcier | 2024

Emeric Marcier: A história de uma paixão | 2019

Museu relembra a história de Emeric Marcier | 2018

Emeric Marcier | Arremate Arte

Emeric Marcier nasceu em 1916, em Cluj, então parte do Império Austro-Húngaro (atual Romênia), em um contexto europeu marcado por intensas transformações políticas e culturais. Sua formação artística ocorreu na Europa, onde recebeu sólida base acadêmica e entrou em contato com a tradição clássica da pintura, com o pensamento humanista e com movimentos modernos que atravessavam o início do século XX. Ainda jovem, viveu experiências decisivas que moldaram não apenas sua linguagem estética, mas também sua dimensão espiritual: sua conversão ao catolicismo influenciaria profundamente toda a sua produção artística.

Com o avanço da Segunda Guerra Mundial e o cenário de instabilidade na Europa, Marcier deixou o continente e, na década de 1940, estabeleceu-se definitivamente no Brasil. Foi nesse país que consolidou sua trajetória e construiu o núcleo mais significativo de sua obra. Naturalizou-se brasileiro e encontrou no território mineiro — especialmente em Barbacena — um espaço de recolhimento, produção intensa e amadurecimento estético.

Sua pintura desenvolveu-se sobretudo no campo da arte sacra, tornando-o um dos principais nomes da renovação da iconografia religiosa no Brasil no século XX. Distanciando-se de uma repetição meramente acadêmica dos modelos tradicionais, Marcier buscou reinterpretar temas bíblicos e espirituais com vigor expressivo e dramaticidade luminosa. A figura humana ocupa papel central em sua obra, frequentemente construída com forte densidade psicológica e espiritual. Suas composições revelam rigor estrutural, uso expressivo da cor e um equilíbrio singular entre tradição iconográfica e sensibilidade moderna.

Além das pinturas de cavalete, realizou importantes murais e conjuntos religiosos para igrejas e instituições, integrando arte e arquitetura com profundo senso narrativo. Sua produção também inclui retratos, cenas do cotidiano e paisagens, sempre atravessadas por uma dimensão simbólica que transcende a representação literal. Ao longo das décadas, consolidou-se como referência na pintura sacra brasileira, influenciando gerações e formando um legado artístico consistente.

Emeric Marcier faleceu em 1990, em Paris, França. Posteriormente, foi sepultado em Barbacena, Minas Gerais, cidade que abriga a Casa de Marcier, hoje espaço de memória dedicado à preservação de sua obra e de sua trajetória. Seu legado permanece como uma das expressões mais relevantes da arte sacra no Brasil, marcado pela integração entre técnica refinada, espiritualidade profunda e compromisso com a permanência da tradição pictórica no mundo contemporâneo.


Emeric Marcier | Itaú Cultural

Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.

Análise

Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).

Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.

Críticas

"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".

Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)

"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)

Exposições Individuais

1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro

1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ

1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro

1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias

1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil

1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia

1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu

1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista

1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH

1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

Exposições Coletivas

1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena

1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House

1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery

1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura

1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros

1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana

1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana

1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian

1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons

1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros

1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana

1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici

1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico

1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici

1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc

1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor

1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian

Exposições Póstumas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ

1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal

1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal

2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado

2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe

2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal

Fonte: EMERIC Marcier. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 27 de fevereiro de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7


Emeric Marcier | Wikipédia

Emeric Racz Marcier (Cluj, 21 de novembro de 1916 — Paris, 1 de setembro de 1990) foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.

Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascimento. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.

Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.

No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.

Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos séculos XIII e XIV (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.

Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.

Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.

Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.

Homenagem em Barbacena

Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 27 de  fevereiro de 2026.


Emeric Marcier: sua passagem por Barbacena e a valorização das grandes paisagens mineiras | Barbacena Online

Na edição de setembro da revista “Tribuna Învățământului”, editada na Romênia, o jornalista Radu Lilea faz uma matéria de 7 páginas sobre o artista Emeric Marcier (1916-1990). O artista deixou seu país natal em plena II Guerra Mundial e veio para o Brasil. Fez de Barbacena sua moradia e criou dezenas de obras.

Nascido em 21 de novembro de 1916, Emeric Marcier foi um pintor naturalista e muralista romeno, naturalizado brasileiro, que teve uma passagem por Minas Gerais, especificamente na cidade de Barbacena. Também passou parte de sua vida na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. O artista deixou seu país natal, a Romênia, para trabalhar paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

A viagem pela Europa foi uma boa preparação para a experiência sul-americana de Marcier. Com amigos como Mário de Andrade, José Lins do Rego, Jorge de Lima, Aníbal Machado e muitos outros representantes da elite cultural do Rio de Janeiro, Marcier fez sua história no Brasil, mesmo sem perspectiva de vender seus trabalhos nos primeiros meses na cidade.

Sua pintura, que inicialmente era voltada a paisagens de cidades históricas mineiras mudou de forma radical após descobrir um catolicismo de vocação patética e o patrimônio cultural do Brasil profundo, com o barroco colonial das joias arquitetônicas de Ouro Preto, Congonhas, Sabará, Mariana, São João del Rey, Barbacena, Tiradentes.

Sua vida sempre foi ligada a mais conhecida como “cidade dos loucos”, Barbacena, onde nasceram alguns de seus filhos com sua esposa Julieta. Local também onde residia com sua família em um sítio, que em 1996, foi adquirido pela Prefeitura Municipal. A casa foi tombada como patrimônio histórico cultural e passou a ser sede do Museu Casa de Marcier, onde também em seus entornos constitui o Parque Emeric Marcier, na Estrada do Faria, s/nº, bairro Monte Mário. Após a restauração, a casa foi entregue à comunidade.

Seu último grande projeto, foi a obra sobre suas memórias, que foi publicado posteriormente ao seu falecimento, que aconteceu após ser exilado para Paris e realizar diversas viagens pela Europa, em 1990, aos 74 anos de idade.

Fonte: Barbacena Online, "Emeric Marcier: sua passagem por Barbacena e a valorização das grandes paisagens mineiras". Consultado pela última vez em 29 de setembro de 2021.


Parque Museu Casa de Marcier | Prefeitura Municipal de Barbacena

Emeric Racz Marcier nasceu em Cluj, atual Cluj-Napoca, em 1916, e faleceu em Paris em 1990. Seu corpo foi levado para o Brasil e sepultado em Barbacena, onde, segundo Ângelo Osvaldo de Araújo Santos, o artista encontrou descanso na "montanha querida".

Formado na Escola de Belas Artes Brera, em Milão, Marcier concluiu seus estudos em 1938, com uma tese sobre Pablo Picasso. Após conhecer Guernica em 1937, na Exposição Universal de Paris, ele se especializava em escultura na França quando a guerra foi declarada. Fugindo da perseguição nazista, passou por Portugal e colaborou com a revista Presença, antes de buscar exílio no Brasil, em 1940.

No Brasil, Marcier pintou as cidades mineiras do "Círculo do Ouro" — como Mariana e Ouro Preto — a pedido da revista O Cruzeiro. Inspirado pelas obras de Aleijadinho, ele se afastou do surrealismo, criando uma arte sacra de linguagem única. Encantado por conhecer Barbacena, por intermédio de Georges Bernanos, mudou-se para a cidade, onde construiu o Sítio Sant’Anna, ponto central de sua vida e obra. Lá, cuidou de sua família, recebeu amigos e produziu intensamente.

Marcier ilustrou obras como Cântico de Lei, de Ivo, A Paixão Medida, de Carlos Drummond de Andrade, e Torre de Marfim, de Teresa Magalhães Pinto. Em 1949, iniciou a produção dos afrescos no Sítio Sant’Anna. Esses trabalhos podem ser divididos em diferentes ciclos: o Ciclo Mariano (quatro afrescos relacionados à Virgem Maria), os afrescos dedicados aos padroeiros do sítio (Sant’Anna e Girolamo Savonarola) e os esboços de afrescos não realizados, como A Procissão de Ramos e As Bodas de Canaá.

Com relação aos afrescos marianos, A Anunciação e A Visitação estão na parte externa da residência. Em A Anunciação, a cena retrata a chegada do anjo Gabriel, com Maria ajoelhada em sinal de reverência. Já em A Visitação, Maria é recebida por Isabel e Zacarias, com uma fusão de elementos espaciais que inclui o Santuário da Piedade, em homenagem a um amigo frei.

No interior da casa, destaca-se o afresco O Matrimônio de Maria e José, que mostra o casamento realizado por um rabino, com celebrações simultâneas no céu e na terra. A obra traz elementos simbólicos como anjos, músicos humanos e a inscrição “Dei Genitrix Intercede Pro Nobis” (Mãe de Deus, intercede por nós).

Os afrescos dedicados aos padroeiros incluem Sant’Anna, lendo um livro para Maria ainda criança, e Girolamo Savonarola, representado na sala de jantar, em diálogo com os esboços de As Bodas de Canaá. Savonarola, conhecido por seus discursos fervorosos, foi enforcado e depois incinerado, fato que Marcier retrata com grande eloquência.

Um destaque especial é o afresco Pombas Brancas, localizado na caixa d’água do sítio, que integra elementos do ambiente com a cena representada, como se as pombas se fundissem com o céu azul, remetendo ao Mosteiro Voronet, na Moldávia.

Os afrescos do Sítio Sant’Anna refletem transformações pessoais de Marcier, como seu exílio, mudança de identidade e conversão ao cristianismo. Incorporando traços góticos e bizantinos, ele também adicionou elementos de brasilidade, inspirados pela contemplação das obras de Aleijadinho. Esses afrescos simbolizam sua fé e religiosidade, deixando um significativo legado romeno no Brasil.

O Parque Museu Casa de Marcier é o local onde viveu o pintor e muralista romeno Emeric Racz Marcier. O Sítio Sant’Anna, como era conhecido, foi adquirido pela Prefeitura de Barbacena em 1996, tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal. É mais que um espaço cultural: é um registro profundo de sua arte, religiosidade e vínculo com a terra mineira.

Fonte: Prefeitura Municipal de Barbacena, "Parque Museu Casa de Marcier". Consultado pela última vez em 3 de março de 2026.

Crédito fotográfico: Emeric Marcier. Foto de Carlos Bracher, publicada em Parque Museu Casa de Marcier, em 28 de dezembro de 2019. Consultado pela última vez em 27 de setembro de 2026.

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