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Emeric Marcier

Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.

Análise

Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).

Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.

Críticas

"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".

Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)

"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)

Exposições Individuais

1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro

1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ

1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro

1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias

1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil

1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia

1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu

1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista

1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH

1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

Exposições Coletivas

1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena

1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House

1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery

1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura

1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros

1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana

1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana

1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian

1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons

1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros

1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana

1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici

1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico

1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici

1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc

1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor

1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian

Exposições Póstumas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ

1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal

1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal

2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado

2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe

2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal

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Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.

Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

Biografia

Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.

Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.

No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.

Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.

Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.

Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.

Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.

Homenagem em Barbacena

Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.

Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.

Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.

Emeric Marcier

Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.

Análise

Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).

Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.

Críticas

"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".

Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)

"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)

Exposições Individuais

1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro

1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ

1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro

1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias

1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo

1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil

1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia

1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno

1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu

1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista

1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici

1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH

1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino

Exposições Coletivas

1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena

1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House

1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery

1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura

1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros

1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana

1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana

1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian

1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons

1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros

1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana

1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici

1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico

1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (

1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,

1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici

1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc

1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor

1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian

Exposições Póstumas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ

1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal

1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa

2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal

2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado

2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe

2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal

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Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.

Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.

Biografia

Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.

Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.

No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.

Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.

Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.

Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.

Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.

Homenagem em Barbacena

Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.

Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.

Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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