Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.
Análise
Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).
Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.
Críticas
"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".
Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)
"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)
Exposições Individuais
1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro
1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA
1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro
1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil
1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia
1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu
1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista
1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH
1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
Exposições Coletivas
1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena
1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura
1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros
1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana
1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons
1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros
1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico
1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery
1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj
1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras
1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá
1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor
1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian
Exposições Póstumas
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe
2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal
---
Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.
Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.
Biografia
Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.
Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.
No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.
Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.
Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.
Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.
Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.
Homenagem em Barbacena
Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.
Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.
Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.
Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.
Análise
Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).
Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.
Críticas
"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".
Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)
"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)
Exposições Individuais
1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro
1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA
1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro
1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil
1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia
1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu
1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista
1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH
1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
Exposições Coletivas
1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena
1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura
1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros
1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana
1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons
1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros
1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico
1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery
1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj
1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras
1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá
1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor
1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian
Exposições Póstumas
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe
2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal
---
Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.
Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.
Biografia
Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.
Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.
No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.
Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.
Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.
Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.
Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.
Homenagem em Barbacena
Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.
Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.
Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.
Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.
Análise
Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).
Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.
Críticas
"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".
Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)
"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)
Exposições Individuais
1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro
1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA
1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro
1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil
1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia
1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu
1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista
1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH
1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
Exposições Coletivas
1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena
1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura
1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros
1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana
1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons
1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros
1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico
1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery
1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj
1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras
1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá
1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor
1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian
Exposições Póstumas
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe
2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal
---
Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.
Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.
Biografia
Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.
Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.
No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.
Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.
Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.
Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.
Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.
Homenagem em Barbacena
Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.
Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.
Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.
Estuda na Accademia di Belli Arti de Brera [Academia de Belas Artes de Brera], em Milão, Itália, de 1935 a 1938. Em 1939, frequenta o curso de escultura da École Nationale Superieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas-Artes], em Paris. Em 1940, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viaja para Lisboa, onde permanece por um breve período e se hospeda na casa dos pintores Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992). Colabora na revista Presença e mantém contato com escritores portugueses. Vem para o Brasil nesse ano, trazendo três cartas de apresentação endereçadas a José Lins do Rego (1901-1957), Mário de Andrade (1893-1945) e Candido Portinari (1903-1962). Fixa residência no Rio de Janeiro e torna-se amigo dos escritores Jorge de Lima (1893-1953) e Murilo Mendes (1901-1975) e Lúcio Cardoso (1912-1968), que o influenciam a converter-se ao catolicismo, abandonando o judaísmo. Reside no bairro de Santa Teresa, tendo inclusive alugado de Djanira (1914-1979) uma sala ampla onde pinta sua grande Crucificação, hoje desaparecida. Em 1947, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde mantém um ateliê. Reside na cidade, no Sítio Santana, até o final da vida. A paisagem das cidades históricas mineiras marca definitivamente sua produção. Depois, torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temas religiosos, realizadas em sua maior parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela pintura italiana dos séculos XIII e XIV. Reside definitivamente no Rio de Janeiro a partir de 1971. Em 1983, é publicado o livro Estória dos Sofrimentos, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo na Pintura de Emeric Marcier, de Affonso Romano de Sant'Anna, pela editora Pinakotheke.
Análise
Na década de 1940, Emeric Marcier cria um ateliê em Barbacena, Minas Gerais, e percorre as cidades históricas mineiras, que marcam definitivamente a sua produção. Em seus quadros, as várias paisagens de Ouro Preto, Tiradentes e São João Del Rei apresentam um caráter sombrio, como em Museu da Inconfidência, (ca.1945) e Antiga Casa dos Contos (1946). Produz também retratos e naturezas-mortas. Em sua produção, mantém diálogo com o expressionismo e também com a obra de Pablo Picasso (1881-1973).
Marcier torna-se conhecido principalmente pelas pinturas de temática religiosa, realizadas em grande parte com a técnica de afresco. Nessas obras, revela admiração pela produção dos artistas italianos dos séculos XIII e XIV, como Giotto (1266-1338). Utiliza uma paleta de tons rebaixados e grande simplificação formal, criando obras que apresentam um caráter dramático.
Críticas
"Embora o retrato e a paisagem sejam temas constantes na pintura e no desenho de Emeric Marcier, não resta dúvida de que sua especificidade na arte brasileira decorre de estreita e consistente ligação com a temática religiosa. Nele, essa preferência começou a sedimentar-se mesmo antes da vinda para o Brasil, quando, em fins da década de 1930, tomou contato com a pintura mural italiana dos séculos XIII e XIV. O que na verdade ocorreu, já nos primeiros anos de estada entre nós, foi que sua propensão naturalmente interiorizada e mística encontrou campo propício de desdobramento na atmosfera de resíduos religiosos das antigas cidades do ciclo do ouro, em Minas Gerais. No entanto, apesar do silencioso estímulo dessa ambiência local de religiosidade, na qual a mescla do erudito e popular foi sempre frequente, a obra de Marcier não revela elos mais explícitos com a fonte brasileira de que também se nutre. Isto talvez suceda porque nunca lhe deixou de interessar a outra fonte mais antiga, mais solidificada de tradição e atmosfera, na Europa de arte e - cristandade longamente unidas - fonte que de fato lhe corresponde melhor a uma estrutura interior inviolável".
Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. trad. Tradução de John Knox; Florence Eleanor Irvin. Apresentação de Pereira Carneiro. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976.)
"A pintura para ele é uma purgação no sentido da teologia como no da tragédia grega. Deve-se admitir que há uma arte de origem trágica podendo nos levar até a consolação, e outra que nos desampara até o medo de viver. Uma arte que soluciona e outra que incita os problemas da angústia. Uma arte cuja tensão nos educa para o conhecimento da vida, e outra que nos oprime com a idéia do homem mesquinho demais e irremediavelmente condenado. Essa arte não tem ilusões de salvação. Ela cultiva o sentimento do homem desesperado e não encontra nenhum outro símbolo. Penso nos perigos e desgostos que perseguiram o pintor Marcier, fugitivo da guerra, em sua luta com a predestinação para a angústia. Num tempo em que se conspira para o assassinato mesmo da vida artística, no sentido tradicional do seu modo, uma personalidade como a desse pintor de vinte e poucos anos é um exemplo e uma força para as nossas consciências". Ruben Navarra (LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.)
Exposições Individuais
1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Salão do Artista Brasileiro
1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA
1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1952 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Maison de France
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro
1957 - Paris (França) - Individual, na Galeria André Weil
1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1961 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1965 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria do Diário de Notícias
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Relevo
1966 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1967 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Isogaia
1968 - Bucareste (Romênia) - Retrospectiva, no Ateneu Romeno
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu
1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1986 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna Latino-Americano, comemorativa dos 50 anos de pintura do artista
1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Jean Boghici
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, no MABH
1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
Exposições Coletivas
1937 - Milão (Itália) - Mostra na Galeria Ítalo-Romena
1944 - Londres (Inglaterra) - Artistas Brasileiros, na Burlington House
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1953 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário, no Ministério da Educação e Cultura
1957 - América do Sul - Mostra itinerante Artistas Brasileiros
1958 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Interamericana
1963 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1965 - Lisboa (Portugal) - Artistas Brasileiros, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons
1965 - Praga (Tchecoslováquia - atual República Tcheca) - Artistas Brasileiros
1966 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966 - Salzburg (Áustria) - Bienal de Arte Sacra
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1980 - Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico
1981 - Rio de Janeiro RJ - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Lisboa (Portugal) - Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery
1982 - Rio de Janeiro RJ - Futebol: interpretações, na Galeria de Arte Banerj
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos Brasileiros, na Galeria de Arte Banerj
1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras
1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - Brasília DF - Pintura Brasileira Atuante, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1985 - Rio de Janeiro RJ - Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Fundação Bienal (
1986 - São Paulo SP - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Fundação Bienal
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Hotel Internacional,
1986 - Belo Horizonte MG - Tempos de Guerra: Pensão Mauá
1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1987 - Rio de Janeiro RJ - Guignard/Marcier, na Galeria Jean Boghici
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor
1989 - Lisboa (Portugal) - Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Fundação Calouste Gulbenkian
Exposições Póstumas
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, no Museu da Caixa Econômica Federal
1997 - Porto Alegre RS - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1997 - São Paulo SP - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Curitiba PR - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
1998 - Rio de Janeiro RJ - Exposição do Acervo da Caixa, Conjunto Cultural da Caixa
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
1999 - Salvador BA - 60 Anos de Arte Brasileira, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2002 - Rio de Janeiro RJ - Identidades: o retrato brasileiro na Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
2008 - Tiradentes MG - Verdes Modernos, na Fundação Oscar Araripe
2010 - São Paulo SP - sp-arte, na Fundação Bienal
---
Foi um pintor e muralista romeno naturalizado brasileiro.
Embora tenha feito frequentes viagens à Europa, passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e em Barbacena. Sua obra é centrada nas paisagens e temas religiosos, aliando o ideário do expressionismo europeu aos sentimentos do barroco mineiro.
Biografia
Marcier viveu em Bucareste e, de 1935 até 1938, estudou na Real Academia de Belas Artes de Brera (Accademia di Belli Arti de Brera), em Milão, conhecendo a pintura italiana do pré-renascentismo. Em 1939, ele fez um curso de escultura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde montou seu ateliê. Formou-se na Brera defendendo tese sobre Pablo Picasso.
Em 1940, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Marcier foi a Lisboa, onde se instalou na casa de Árpád Szenes e de Maria Helena Vieira da Silva. Colaborou com a revista Presença, mantendo contato com escritores portugueses.
No mesmo ano Marcier chegou à capital fluminense, onde foi acolhido por Jorge de Lima e por Mário de Andrade. Acabou naturalizando-se brasileiro.
Colaborou com a revista O Cruzeiro, viajando, em 1942, entre diversas cidades históricas mineiras. Entre 1947 e 1950, começou a trabalhar em obras murais, baseado na arte mural italiana dos [[século XIII|séculos XIII]] e [[século XIV|XIV]] (ver afresco). Marcier executou murais com temas religiosos em Barbacena, que se tornou o seu modelo de paisagens, na Capela Cristo Rei de Mauá, no ABC Paulista e no antigo convento dos Dominicanos (hoje Escola da Serra) em Belo Horizonte, onde pintou o "Encontro em Emaús", afresco que foi restaurado em 2009. A partir de 1971, sua morada passou a ser definitivamente o Rio de Janeiro.
Judeu por nascimento, Emeric Marcier converteu-se ao catolicismo após conhecer a arte barroca de Minas. Casou-se com Julia Weber Vieira da Rosa, uma tradutora e enfermeira da Cruz Vermelha, e teve sete filhos no Brasil; entre eles, está Jorge Tobias Marcier (1948-1982), que foi pintor como o pai.
Marcier morreu em Paris, de enfarte. No dia 6 foi sepultado em Barbacena, para onde seu corpo fora trasladado.
Marcier deixou um livro de memórias, editado após a sua morte pela Livraria Francisco Alves Editora, o Deportado para a vida.
Homenagem em Barbacena
Com sua história de vida ligada à cidade de Barbacena, onde nasceram alguns dos seus filhos com a esposa Julita, em 1996 a Prefeitura adquiriu o Sítio Sant'Anna, onde erguera sua residência. A casa, tombada pelo patrimônio histórico municipal, passou a ser a sede do Museu Casa de Marcier, e seu entorno constitui o Parque Emeric Marcier. Localizados à Estrada do Faria s/nº, Bairro Monte Mário. Em 2004 a propriedade foi entregue à comunidade, após restauração.
Fonte: https://www.wikiwand.com/pt/Emeric_Marcier consultado em 12 de março de 2020.
Crédito fotográfico: Livro Emeric Marcier - Museum of Modern Art of Latin America.