Hans Suliman Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986), mais conhecido como Hans Grudzinski, foi um gravador, desenhista, pintor e arquiteto Iugoslavo. Em 1940, formou-se em arquitetura e, em 1947, mudou-se para o Brasil, se estabelecendo em Mauá, São Paulo. Estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, cursou Artes Gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e foi orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, resultando em obras geométricas, quase cubistas. Expôs na 9ª Bienal de São Paulo, em 1967, na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile, e algumas individuais nas galerias São Luís, Maranhão. Expôs no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Das medalhas e prêmios que recebeu, estão a medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC); o prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna; a medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo; o prêmio do Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969; e o prêmio pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná.
Biografia – Itaú Cultural
Hans Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986). Gravador, desenhista, pintor e arquiteto. Formou-se em 1940. Em 1947, transfere-se para o Brasil, fixando-se em Mauá, São Paulo. Entre 1954 e 1956, estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, e em 1959 cursou artes gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No mesmo ano, é orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Em 1963, expõe na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile. Em 1966, é agraciado com medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC). Obtém prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna e participa da 9ª Bienal de São Paulo, em 1967. No ano seguinte, conquistou medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo. Ganha prêmio Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969. Em 1970, é premiado pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná. Em São Paulo, expôs em individuais nas galerias São Luís, em 1963 e 1965, e Documenta, em 1970, 1980 e 1983. Apresentou trabalhos no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Entre 1947 e 1967, trabalhou em uma fábrica de porcelanas, em Mauá, São Paulo.
Análise
A produção gráfica de Hans Grudzinski deteve-se principalmente na gravura em metal, tendo trabalhado especialmente com as técnicas da água-tinta, água-forte e ponta-seca. Inicia-se no estudo da gravura com Lívio Abramo (1903-1992), em 1959, recém-chegado de um período de estudo no ateliê do gravador inglês Stanley William Hayter (1901-1988), com quem se aperfeiçoou na incisão sobre metal.
Na década de 1960, Grudzinski recebe prêmios em diversas exposições, confirmando o reconhecimento de sua qualidade como gravador. Desse período é As Lenhadoras (1966), gravura em metal colorida. O artista resolve as figuras de maneira geometrizante, sendo que a personagem do canto esquerdo beira a abstração - é possível compreendê-la, no contexto da obra, por justaposição às duas outras, estas nitidamente figuras femininas. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, tanto para compor as figuras, como o fundo, misturando ambos por conta dessa utilização do mesmo procedimento na fatura.
De fins da década de 1970, é Flor, Árvore e Floresta (1979), outra gravura em metal, porém, desta vez, feita de duas impressões de diferentes chapas que compõem juntas a imagem. Nela manchas de cor, criadas pela técnica de água-tinta, delimitam áreas irregulares e criam uma sensação de profundidade.
Nos anos 1980, o trabalho de Grudzinski transforma-se significativamente quando passa a utilizar certa luminosidade que remete às gravuras de Rembrandt (1606-1669). É essa luz que guia o olhar do espectador em Procissão no Interior (1983), de maneira narrativa, como contando a história dos fiéis que chegam à cidade. O artista faz uso ainda de certos relevos e da cor, está presente apenas em algumas edificações da cena. Em São Paulo (1980), a luz foca tanto a multidão, que se espalha pela parte inferior da tela, em perspectiva, como volumes redondos na parte superior que aparecem, às vezes, entrecortados por barras verticais retas e diagonais. Outros volumes de formas geométricas diversas também flutuam nesse espaço criado pelo gravador. Articulando manchas, o tracejado firme e incisivo e o uso de tons de marrom, Grudzinski produz um clima misterioso nessa estampa bastante inusitada, tanto no que diz respeito ao tratamento do tema, como pela organização da composição.
Exposições individuais
1963 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1968 - São Paulo SP - Individual, no Mosteiro de São Bento
1969 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Leopoldina de Arte
1970 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Galeria de Arte Documenta.
1975 - Santos SP - Individual, na Aliança Francesa
1975 - Assunção (Paraguai) - Individual, no Centro de Estudos Brasileiros
1978 - Assunção (Paraguai) - Individual
1980 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte.
1983 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte
Exposições coletivas
1961 - São Paulo SP - Coletiva, no Estúdio Gravura
1962 - Madri (Espanha) - Arte de América y España
1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP
1963 - Madri (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Barcelona (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Santiago (Chile) - 1ª Bienal Americana de Gravura
1963 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1964 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Arte Moderna
1964 - São Paulo SP - Grupo Seis Gravadores, na Atrium Galeria de Arte
1966 - Belo Horizonte MG - 21º Salão Municipal de Belas Artes, no MAP - 3º prêmio
1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - grande medalha de ouro
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - Santo André SP - Salão Municipal de Artes Plásticas - 2º prêmio
1966 - São Bernardo do Campo SP - 9º Salão de Arte de São Bernardo do Campo - medalha de prata
1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1966 - São Paulo SP - Grupo Gravadores de São Paulo, na Galeria 4 Planetas
1967 - Biella (Itália) - Exposição Internacional de Gravura
1967 - Curitiba PR - 3º Salão de Arte Religiosa Brasileira - 1º prêmio
1967 - Quito (Equador) - 1ª Bienal de Quito
1967 - Santos SP - Salão Oficial de Arte Moderna de Santos - prêmio aquisição
1967 - São Caetano do Sul SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul - medalha de prata
1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna - pequena medalha de ouro
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - La Pampa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Londrina PR - 4º Salão de Arte Religiosa Brasileira
1968 - Petrópolis RJ - Salão Nacional de Pintura Jovem, no Hotel Quitandinha
1968 - Quito (Equador) - Bienal de Quito
1968 - Santa Rosa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Santo André SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - prêmio aquisição
1968 - Santos SP - 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Governador do Estado
1968 - São Paulo SP - Aspectos da Gravura Brasileira, no MAC/USP
1969 - Campinas SP - Gravura Contemporânea
1969 - Ouro Preto MG - 3º Salão de Ouro Preto
1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - sala especial
1969 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no MAM/SP - Prêmio Conselho Estadual de Cultura - medalha de prata
1969 - São Paulo SP - Exposição da Galeria Alberto Bonfiglioli, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli
1969 - São Paulo SP - Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - Telaviv (Israel) - Arte Brasileira Contemporânea
1970 - Londrina PR - Salão de Arte Religiosa de Londrina - Prêmio Codepar pelo conjunto da obra
1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André no Paço Municipal - Prêmio Cidade Santo André
1970 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, no Paço das Artes
1971 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva da Nugrasp, no MAM/RJ
1971 - Santo André SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1971 - Santos SP - 1ª Bienal de Artes Plásticas
1971 - São Caetano do Sul SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - Santo André SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1972 - São Paulo SP - Exposição Internacional da Gravura, no MAM/SP
1973 - Santo André SP - 6º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1973 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, na Eucaexpo
1973 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Inter-Arte
1974 - São Paulo SP - Mostra da Gravura Brasileira, na Fundação Bienal
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1975 - Jundiaí SP - 4º Encontro Jundiaiense de Artes
1975 - São Caetano do Sul SP - 8º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1976 - Santo André SP - 9º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1976 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Graphus
1978 - Curitiba PR - Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, no Centro de Criatividade de Curitiba
1978 - Jundiaí SP - 3ª Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1978 - Mogi das Cruzes SP - Mostra de Gravadores Brasileiros
1978 - Rio de Janeiro RJ - 18º Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha
1978 - Roma (Itália) - Coletiva, na Galeria d'Arte della Casa do Brasil
1979 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1979 - São Bernardo do Campo SP - Coletiva, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo
1980 - Baltimore (Estados Unidos) - Coletiva, no Kornblat Graphics
1980 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura - premiado
1980 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, na Casa da Gravura Solar do Barão
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1982 - Santo André SP - 10º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1984 - Porto Alegre RS - Gravuras: uma trajetória no tempo, na Cambona Centro de Artes
1984 - Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50/60, na Galeria Campus/USP/Banespa
1984 - Santo André SP - 12º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - Santo André SP - 13º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - São Paulo SP - Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
Fonte: HANS Grudzinski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 11 de novembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Hans Suliman Grudzinski: mestre-gravador |
“...Grudzinski atingiu alto ponto e não raro surpreendia até os habituados ao seu talento, com produções que suplantavam seguidamente suas obras precedentes, embora com distintas conotações temáticas. E sem jamais cair no estágio repetitivo.” — Ivo Zanini, in O Estado de São Paulo, 1986.
A gravura brasileira sempre nos reserva boas surpresas, entre elas as que passam a ser enumeradas a seguir: primeira, o nosso pool de gravadores está entre os melhores do mundo, informação que apesar de relevante, é desconhecida por muitos de nós estudiosos da arte ou não; segunda, devido à profusão de mestres, espalhados por um país de dimensões verdadeiramente continentais, continuamente tomamos conhecimento de algum que nos escapa e a terceira não menos importante, é que essa técnica ainda carece de difusão maior, o que torna alguns poucos eleitos da arte-gravada, já melhor conhecidos pelo público e outros nem tanto. O pintor e gravador Hans Suliman Grudzinski (1921-1986) insere-se no panteão dos melhores gravadores do País. Sua gravura é, a despeito de sua feitura excepcional, considerada refinada, maturada, metódica e preocupadíssima com o resultado, e que se obriga ser de alto padrão. Sua rara obra é construída como se tecesse uma renda, onde o ácido em comunhão com a mão do artista, aplica-se sobre a chapa em metal, figurando como fio refletor da expressão. Na análise de suas obras gravadas, sentimo-nos como se participássemos de um sonho. Flashes vão surgindo em pretos profundos, amarelos, ocres, laranjas, vermelhos e verdes - cada cor parece conhecer o seu lugar na composição, dividindo o espaço da mancha, com minúsculos pontos esbranquiçados de luz, conseguidos através dos ácidos, aspergidos no conjunto, como se condutores da necessária leveza à gravura. Grudzinski não se desprende do compreensível, porém, sua obra está em seu limiar: suas figuras desprovidas de rosto, suas paisagens lunares e florestas, brotam do centro do trabalho e misturam-se com o entorno e, ao final dessa viagem, fomos arrastados e estamos prazerosamente presos entre as suas cenas, contudo mal notamos o momento onde elas nos capturaram. Para essa mostra, reunimos um conjunto significativo de obras desse mestre, em grande parte cedidas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM-SP e de coleções particulares. O período contemplado vai da década de 1960 a 1980 com ênfase, nas magníficas Santas Ceias e em um reincidente é necessário representar do cotidiano do homem, filtrado por um olhar que se transforma em uma gravura crua, por vezes densa, mas, carregada de beleza. Cabe ressaltar um pouco de sua história. O artista começa a pintar, como autodidata, aos 16 anos de idade, formando-se arquiteto ainda na Iugoslávia em 1940. Com a invasão do país pelos nazistas é enviado para uma escola de tradutores e intérpretes na Holanda, recebendo a informação de seus pais foram presos em um campo de concentração. Devido aos rumos do conflito, é convocado para tomar a frente em batalha e combate na Segunda Grande Guerra. Três anos depois, ferido, é hospitalizado no sul da Alemanha, e lá mesmo expõe uma coleção de aquarelas de sua autoria retratando a cidade e outros soldados feridos. Muda-se para o Brasil, fixando-se na cidade de Mauá/SP em 1947, onde trabalha em uma fábrica de porcelanas. Paralelamente ao trabalho - de 1954 a 1956, freqüenta o curso livre de pintura da Associação Paulista de Belas Artes, resultando deste contato com a técnica, 120 telas a óleo, ainda inéditas; em 1957 inscreve-se no curso livre de litografia da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP e, em 1960 no curso de gravura, posteriormente, dedica-se exclusivamente às artes plásticas, por volta de 1967, figurando como aluno de Lívio Abramo (1903 – 1992) no extinto Estúdio Gravura. Participou de mais de uma centena de mostras, entre individuais e coletivas, sendo por diversas vezes premiado.Entre outros prêmios, destacam-se: prêmio aquisição no 12° Salão Paulista de Arte Moderna, em 1963; medalha de prata no 9° Salão de Arte de São Bernardo do Campo (SP) em 1966; 1° prêmio no 3° Salão Curitibano de Arte Religiosa (PR) em 1967 e prêmio aquisição no Salão Oficial de Arte Moderna de Santos (SP) no mesmo ano. A obra vigorosa de Hans Suliman Grudzinski percorre um longo caminho até se deixar-mostrar no papel. Ilimitado, o seu trabalho parece querer mais, sugere exigir-nos tempo perdulário para observá-lo, paixão para fruí-lo e uma sensibilidade extremada que reclama a nossa presença. Exemplifica, brilhantemente, a que ponto chegaram nossos artistas-gravadores e o quanto a gravura deve inserir-se na história da arte brasileira como representante maior do trabalho artístico humano.
Fonte: Escrito por Paulo Leonel Gomes Vergolino, Mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Artes Visuais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicado no Linkedin, em 20 de maio de 2018. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Crédito fotográfico: Paulo Leonel Gomes Virgolino, publicado no Linkedin. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Hans Suliman Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986), mais conhecido como Hans Grudzinski, foi um gravador, desenhista, pintor e arquiteto Iugoslavo. Em 1940, formou-se em arquitetura e, em 1947, mudou-se para o Brasil, se estabelecendo em Mauá, São Paulo. Estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, cursou Artes Gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e foi orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, resultando em obras geométricas, quase cubistas. Expôs na 9ª Bienal de São Paulo, em 1967, na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile, e algumas individuais nas galerias São Luís, Maranhão. Expôs no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Das medalhas e prêmios que recebeu, estão a medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC); o prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna; a medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo; o prêmio do Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969; e o prêmio pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná.
Biografia – Itaú Cultural
Hans Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986). Gravador, desenhista, pintor e arquiteto. Formou-se em 1940. Em 1947, transfere-se para o Brasil, fixando-se em Mauá, São Paulo. Entre 1954 e 1956, estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, e em 1959 cursou artes gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No mesmo ano, é orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Em 1963, expõe na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile. Em 1966, é agraciado com medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC). Obtém prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna e participa da 9ª Bienal de São Paulo, em 1967. No ano seguinte, conquistou medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo. Ganha prêmio Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969. Em 1970, é premiado pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná. Em São Paulo, expôs em individuais nas galerias São Luís, em 1963 e 1965, e Documenta, em 1970, 1980 e 1983. Apresentou trabalhos no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Entre 1947 e 1967, trabalhou em uma fábrica de porcelanas, em Mauá, São Paulo.
Análise
A produção gráfica de Hans Grudzinski deteve-se principalmente na gravura em metal, tendo trabalhado especialmente com as técnicas da água-tinta, água-forte e ponta-seca. Inicia-se no estudo da gravura com Lívio Abramo (1903-1992), em 1959, recém-chegado de um período de estudo no ateliê do gravador inglês Stanley William Hayter (1901-1988), com quem se aperfeiçoou na incisão sobre metal.
Na década de 1960, Grudzinski recebe prêmios em diversas exposições, confirmando o reconhecimento de sua qualidade como gravador. Desse período é As Lenhadoras (1966), gravura em metal colorida. O artista resolve as figuras de maneira geometrizante, sendo que a personagem do canto esquerdo beira a abstração - é possível compreendê-la, no contexto da obra, por justaposição às duas outras, estas nitidamente figuras femininas. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, tanto para compor as figuras, como o fundo, misturando ambos por conta dessa utilização do mesmo procedimento na fatura.
De fins da década de 1970, é Flor, Árvore e Floresta (1979), outra gravura em metal, porém, desta vez, feita de duas impressões de diferentes chapas que compõem juntas a imagem. Nela manchas de cor, criadas pela técnica de água-tinta, delimitam áreas irregulares e criam uma sensação de profundidade.
Nos anos 1980, o trabalho de Grudzinski transforma-se significativamente quando passa a utilizar certa luminosidade que remete às gravuras de Rembrandt (1606-1669). É essa luz que guia o olhar do espectador em Procissão no Interior (1983), de maneira narrativa, como contando a história dos fiéis que chegam à cidade. O artista faz uso ainda de certos relevos e da cor, está presente apenas em algumas edificações da cena. Em São Paulo (1980), a luz foca tanto a multidão, que se espalha pela parte inferior da tela, em perspectiva, como volumes redondos na parte superior que aparecem, às vezes, entrecortados por barras verticais retas e diagonais. Outros volumes de formas geométricas diversas também flutuam nesse espaço criado pelo gravador. Articulando manchas, o tracejado firme e incisivo e o uso de tons de marrom, Grudzinski produz um clima misterioso nessa estampa bastante inusitada, tanto no que diz respeito ao tratamento do tema, como pela organização da composição.
Exposições individuais
1963 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1968 - São Paulo SP - Individual, no Mosteiro de São Bento
1969 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Leopoldina de Arte
1970 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Galeria de Arte Documenta.
1975 - Santos SP - Individual, na Aliança Francesa
1975 - Assunção (Paraguai) - Individual, no Centro de Estudos Brasileiros
1978 - Assunção (Paraguai) - Individual
1980 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte.
1983 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte
Exposições coletivas
1961 - São Paulo SP - Coletiva, no Estúdio Gravura
1962 - Madri (Espanha) - Arte de América y España
1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP
1963 - Madri (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Barcelona (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Santiago (Chile) - 1ª Bienal Americana de Gravura
1963 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1964 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Arte Moderna
1964 - São Paulo SP - Grupo Seis Gravadores, na Atrium Galeria de Arte
1966 - Belo Horizonte MG - 21º Salão Municipal de Belas Artes, no MAP - 3º prêmio
1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - grande medalha de ouro
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - Santo André SP - Salão Municipal de Artes Plásticas - 2º prêmio
1966 - São Bernardo do Campo SP - 9º Salão de Arte de São Bernardo do Campo - medalha de prata
1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1966 - São Paulo SP - Grupo Gravadores de São Paulo, na Galeria 4 Planetas
1967 - Biella (Itália) - Exposição Internacional de Gravura
1967 - Curitiba PR - 3º Salão de Arte Religiosa Brasileira - 1º prêmio
1967 - Quito (Equador) - 1ª Bienal de Quito
1967 - Santos SP - Salão Oficial de Arte Moderna de Santos - prêmio aquisição
1967 - São Caetano do Sul SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul - medalha de prata
1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna - pequena medalha de ouro
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - La Pampa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Londrina PR - 4º Salão de Arte Religiosa Brasileira
1968 - Petrópolis RJ - Salão Nacional de Pintura Jovem, no Hotel Quitandinha
1968 - Quito (Equador) - Bienal de Quito
1968 - Santa Rosa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Santo André SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - prêmio aquisição
1968 - Santos SP - 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Governador do Estado
1968 - São Paulo SP - Aspectos da Gravura Brasileira, no MAC/USP
1969 - Campinas SP - Gravura Contemporânea
1969 - Ouro Preto MG - 3º Salão de Ouro Preto
1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - sala especial
1969 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no MAM/SP - Prêmio Conselho Estadual de Cultura - medalha de prata
1969 - São Paulo SP - Exposição da Galeria Alberto Bonfiglioli, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli
1969 - São Paulo SP - Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - Telaviv (Israel) - Arte Brasileira Contemporânea
1970 - Londrina PR - Salão de Arte Religiosa de Londrina - Prêmio Codepar pelo conjunto da obra
1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André no Paço Municipal - Prêmio Cidade Santo André
1970 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, no Paço das Artes
1971 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva da Nugrasp, no MAM/RJ
1971 - Santo André SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1971 - Santos SP - 1ª Bienal de Artes Plásticas
1971 - São Caetano do Sul SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - Santo André SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1972 - São Paulo SP - Exposição Internacional da Gravura, no MAM/SP
1973 - Santo André SP - 6º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1973 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, na Eucaexpo
1973 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Inter-Arte
1974 - São Paulo SP - Mostra da Gravura Brasileira, na Fundação Bienal
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1975 - Jundiaí SP - 4º Encontro Jundiaiense de Artes
1975 - São Caetano do Sul SP - 8º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1976 - Santo André SP - 9º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1976 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Graphus
1978 - Curitiba PR - Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, no Centro de Criatividade de Curitiba
1978 - Jundiaí SP - 3ª Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1978 - Mogi das Cruzes SP - Mostra de Gravadores Brasileiros
1978 - Rio de Janeiro RJ - 18º Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha
1978 - Roma (Itália) - Coletiva, na Galeria d'Arte della Casa do Brasil
1979 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1979 - São Bernardo do Campo SP - Coletiva, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo
1980 - Baltimore (Estados Unidos) - Coletiva, no Kornblat Graphics
1980 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura - premiado
1980 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, na Casa da Gravura Solar do Barão
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1982 - Santo André SP - 10º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1984 - Porto Alegre RS - Gravuras: uma trajetória no tempo, na Cambona Centro de Artes
1984 - Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50/60, na Galeria Campus/USP/Banespa
1984 - Santo André SP - 12º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - Santo André SP - 13º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - São Paulo SP - Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
Fonte: HANS Grudzinski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 11 de novembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Hans Suliman Grudzinski: mestre-gravador |
“...Grudzinski atingiu alto ponto e não raro surpreendia até os habituados ao seu talento, com produções que suplantavam seguidamente suas obras precedentes, embora com distintas conotações temáticas. E sem jamais cair no estágio repetitivo.” — Ivo Zanini, in O Estado de São Paulo, 1986.
A gravura brasileira sempre nos reserva boas surpresas, entre elas as que passam a ser enumeradas a seguir: primeira, o nosso pool de gravadores está entre os melhores do mundo, informação que apesar de relevante, é desconhecida por muitos de nós estudiosos da arte ou não; segunda, devido à profusão de mestres, espalhados por um país de dimensões verdadeiramente continentais, continuamente tomamos conhecimento de algum que nos escapa e a terceira não menos importante, é que essa técnica ainda carece de difusão maior, o que torna alguns poucos eleitos da arte-gravada, já melhor conhecidos pelo público e outros nem tanto. O pintor e gravador Hans Suliman Grudzinski (1921-1986) insere-se no panteão dos melhores gravadores do País. Sua gravura é, a despeito de sua feitura excepcional, considerada refinada, maturada, metódica e preocupadíssima com o resultado, e que se obriga ser de alto padrão. Sua rara obra é construída como se tecesse uma renda, onde o ácido em comunhão com a mão do artista, aplica-se sobre a chapa em metal, figurando como fio refletor da expressão. Na análise de suas obras gravadas, sentimo-nos como se participássemos de um sonho. Flashes vão surgindo em pretos profundos, amarelos, ocres, laranjas, vermelhos e verdes - cada cor parece conhecer o seu lugar na composição, dividindo o espaço da mancha, com minúsculos pontos esbranquiçados de luz, conseguidos através dos ácidos, aspergidos no conjunto, como se condutores da necessária leveza à gravura. Grudzinski não se desprende do compreensível, porém, sua obra está em seu limiar: suas figuras desprovidas de rosto, suas paisagens lunares e florestas, brotam do centro do trabalho e misturam-se com o entorno e, ao final dessa viagem, fomos arrastados e estamos prazerosamente presos entre as suas cenas, contudo mal notamos o momento onde elas nos capturaram. Para essa mostra, reunimos um conjunto significativo de obras desse mestre, em grande parte cedidas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM-SP e de coleções particulares. O período contemplado vai da década de 1960 a 1980 com ênfase, nas magníficas Santas Ceias e em um reincidente é necessário representar do cotidiano do homem, filtrado por um olhar que se transforma em uma gravura crua, por vezes densa, mas, carregada de beleza. Cabe ressaltar um pouco de sua história. O artista começa a pintar, como autodidata, aos 16 anos de idade, formando-se arquiteto ainda na Iugoslávia em 1940. Com a invasão do país pelos nazistas é enviado para uma escola de tradutores e intérpretes na Holanda, recebendo a informação de seus pais foram presos em um campo de concentração. Devido aos rumos do conflito, é convocado para tomar a frente em batalha e combate na Segunda Grande Guerra. Três anos depois, ferido, é hospitalizado no sul da Alemanha, e lá mesmo expõe uma coleção de aquarelas de sua autoria retratando a cidade e outros soldados feridos. Muda-se para o Brasil, fixando-se na cidade de Mauá/SP em 1947, onde trabalha em uma fábrica de porcelanas. Paralelamente ao trabalho - de 1954 a 1956, freqüenta o curso livre de pintura da Associação Paulista de Belas Artes, resultando deste contato com a técnica, 120 telas a óleo, ainda inéditas; em 1957 inscreve-se no curso livre de litografia da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP e, em 1960 no curso de gravura, posteriormente, dedica-se exclusivamente às artes plásticas, por volta de 1967, figurando como aluno de Lívio Abramo (1903 – 1992) no extinto Estúdio Gravura. Participou de mais de uma centena de mostras, entre individuais e coletivas, sendo por diversas vezes premiado.Entre outros prêmios, destacam-se: prêmio aquisição no 12° Salão Paulista de Arte Moderna, em 1963; medalha de prata no 9° Salão de Arte de São Bernardo do Campo (SP) em 1966; 1° prêmio no 3° Salão Curitibano de Arte Religiosa (PR) em 1967 e prêmio aquisição no Salão Oficial de Arte Moderna de Santos (SP) no mesmo ano. A obra vigorosa de Hans Suliman Grudzinski percorre um longo caminho até se deixar-mostrar no papel. Ilimitado, o seu trabalho parece querer mais, sugere exigir-nos tempo perdulário para observá-lo, paixão para fruí-lo e uma sensibilidade extremada que reclama a nossa presença. Exemplifica, brilhantemente, a que ponto chegaram nossos artistas-gravadores e o quanto a gravura deve inserir-se na história da arte brasileira como representante maior do trabalho artístico humano.
Fonte: Escrito por Paulo Leonel Gomes Vergolino, Mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Artes Visuais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicado no Linkedin, em 20 de maio de 2018. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Crédito fotográfico: Paulo Leonel Gomes Virgolino, publicado no Linkedin. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Hans Suliman Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986), mais conhecido como Hans Grudzinski, foi um gravador, desenhista, pintor e arquiteto Iugoslavo. Em 1940, formou-se em arquitetura e, em 1947, mudou-se para o Brasil, se estabelecendo em Mauá, São Paulo. Estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, cursou Artes Gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e foi orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, resultando em obras geométricas, quase cubistas. Expôs na 9ª Bienal de São Paulo, em 1967, na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile, e algumas individuais nas galerias São Luís, Maranhão. Expôs no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Das medalhas e prêmios que recebeu, estão a medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC); o prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna; a medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo; o prêmio do Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969; e o prêmio pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná.
Biografia – Itaú Cultural
Hans Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986). Gravador, desenhista, pintor e arquiteto. Formou-se em 1940. Em 1947, transfere-se para o Brasil, fixando-se em Mauá, São Paulo. Entre 1954 e 1956, estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, e em 1959 cursou artes gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No mesmo ano, é orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Em 1963, expõe na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile. Em 1966, é agraciado com medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC). Obtém prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna e participa da 9ª Bienal de São Paulo, em 1967. No ano seguinte, conquistou medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo. Ganha prêmio Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969. Em 1970, é premiado pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná. Em São Paulo, expôs em individuais nas galerias São Luís, em 1963 e 1965, e Documenta, em 1970, 1980 e 1983. Apresentou trabalhos no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Entre 1947 e 1967, trabalhou em uma fábrica de porcelanas, em Mauá, São Paulo.
Análise
A produção gráfica de Hans Grudzinski deteve-se principalmente na gravura em metal, tendo trabalhado especialmente com as técnicas da água-tinta, água-forte e ponta-seca. Inicia-se no estudo da gravura com Lívio Abramo (1903-1992), em 1959, recém-chegado de um período de estudo no ateliê do gravador inglês Stanley William Hayter (1901-1988), com quem se aperfeiçoou na incisão sobre metal.
Na década de 1960, Grudzinski recebe prêmios em diversas exposições, confirmando o reconhecimento de sua qualidade como gravador. Desse período é As Lenhadoras (1966), gravura em metal colorida. O artista resolve as figuras de maneira geometrizante, sendo que a personagem do canto esquerdo beira a abstração - é possível compreendê-la, no contexto da obra, por justaposição às duas outras, estas nitidamente figuras femininas. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, tanto para compor as figuras, como o fundo, misturando ambos por conta dessa utilização do mesmo procedimento na fatura.
De fins da década de 1970, é Flor, Árvore e Floresta (1979), outra gravura em metal, porém, desta vez, feita de duas impressões de diferentes chapas que compõem juntas a imagem. Nela manchas de cor, criadas pela técnica de água-tinta, delimitam áreas irregulares e criam uma sensação de profundidade.
Nos anos 1980, o trabalho de Grudzinski transforma-se significativamente quando passa a utilizar certa luminosidade que remete às gravuras de Rembrandt (1606-1669). É essa luz que guia o olhar do espectador em Procissão no Interior (1983), de maneira narrativa, como contando a história dos fiéis que chegam à cidade. O artista faz uso ainda de certos relevos e da cor, está presente apenas em algumas edificações da cena. Em São Paulo (1980), a luz foca tanto a multidão, que se espalha pela parte inferior da tela, em perspectiva, como volumes redondos na parte superior que aparecem, às vezes, entrecortados por barras verticais retas e diagonais. Outros volumes de formas geométricas diversas também flutuam nesse espaço criado pelo gravador. Articulando manchas, o tracejado firme e incisivo e o uso de tons de marrom, Grudzinski produz um clima misterioso nessa estampa bastante inusitada, tanto no que diz respeito ao tratamento do tema, como pela organização da composição.
Exposições individuais
1963 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1968 - São Paulo SP - Individual, no Mosteiro de São Bento
1969 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Leopoldina de Arte
1970 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Galeria de Arte Documenta.
1975 - Santos SP - Individual, na Aliança Francesa
1975 - Assunção (Paraguai) - Individual, no Centro de Estudos Brasileiros
1978 - Assunção (Paraguai) - Individual
1980 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte.
1983 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte
Exposições coletivas
1961 - São Paulo SP - Coletiva, no Estúdio Gravura
1962 - Madri (Espanha) - Arte de América y España
1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP
1963 - Madri (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Barcelona (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Santiago (Chile) - 1ª Bienal Americana de Gravura
1963 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1964 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Arte Moderna
1964 - São Paulo SP - Grupo Seis Gravadores, na Atrium Galeria de Arte
1966 - Belo Horizonte MG - 21º Salão Municipal de Belas Artes, no MAP - 3º prêmio
1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - grande medalha de ouro
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - Santo André SP - Salão Municipal de Artes Plásticas - 2º prêmio
1966 - São Bernardo do Campo SP - 9º Salão de Arte de São Bernardo do Campo - medalha de prata
1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1966 - São Paulo SP - Grupo Gravadores de São Paulo, na Galeria 4 Planetas
1967 - Biella (Itália) - Exposição Internacional de Gravura
1967 - Curitiba PR - 3º Salão de Arte Religiosa Brasileira - 1º prêmio
1967 - Quito (Equador) - 1ª Bienal de Quito
1967 - Santos SP - Salão Oficial de Arte Moderna de Santos - prêmio aquisição
1967 - São Caetano do Sul SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul - medalha de prata
1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna - pequena medalha de ouro
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - La Pampa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Londrina PR - 4º Salão de Arte Religiosa Brasileira
1968 - Petrópolis RJ - Salão Nacional de Pintura Jovem, no Hotel Quitandinha
1968 - Quito (Equador) - Bienal de Quito
1968 - Santa Rosa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Santo André SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - prêmio aquisição
1968 - Santos SP - 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Governador do Estado
1968 - São Paulo SP - Aspectos da Gravura Brasileira, no MAC/USP
1969 - Campinas SP - Gravura Contemporânea
1969 - Ouro Preto MG - 3º Salão de Ouro Preto
1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - sala especial
1969 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no MAM/SP - Prêmio Conselho Estadual de Cultura - medalha de prata
1969 - São Paulo SP - Exposição da Galeria Alberto Bonfiglioli, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli
1969 - São Paulo SP - Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - Telaviv (Israel) - Arte Brasileira Contemporânea
1970 - Londrina PR - Salão de Arte Religiosa de Londrina - Prêmio Codepar pelo conjunto da obra
1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André no Paço Municipal - Prêmio Cidade Santo André
1970 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, no Paço das Artes
1971 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva da Nugrasp, no MAM/RJ
1971 - Santo André SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1971 - Santos SP - 1ª Bienal de Artes Plásticas
1971 - São Caetano do Sul SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - Santo André SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1972 - São Paulo SP - Exposição Internacional da Gravura, no MAM/SP
1973 - Santo André SP - 6º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1973 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, na Eucaexpo
1973 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Inter-Arte
1974 - São Paulo SP - Mostra da Gravura Brasileira, na Fundação Bienal
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1975 - Jundiaí SP - 4º Encontro Jundiaiense de Artes
1975 - São Caetano do Sul SP - 8º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1976 - Santo André SP - 9º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1976 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Graphus
1978 - Curitiba PR - Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, no Centro de Criatividade de Curitiba
1978 - Jundiaí SP - 3ª Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1978 - Mogi das Cruzes SP - Mostra de Gravadores Brasileiros
1978 - Rio de Janeiro RJ - 18º Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha
1978 - Roma (Itália) - Coletiva, na Galeria d'Arte della Casa do Brasil
1979 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1979 - São Bernardo do Campo SP - Coletiva, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo
1980 - Baltimore (Estados Unidos) - Coletiva, no Kornblat Graphics
1980 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura - premiado
1980 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, na Casa da Gravura Solar do Barão
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1982 - Santo André SP - 10º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1984 - Porto Alegre RS - Gravuras: uma trajetória no tempo, na Cambona Centro de Artes
1984 - Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50/60, na Galeria Campus/USP/Banespa
1984 - Santo André SP - 12º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - Santo André SP - 13º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - São Paulo SP - Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
Fonte: HANS Grudzinski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 11 de novembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Hans Suliman Grudzinski: mestre-gravador |
“...Grudzinski atingiu alto ponto e não raro surpreendia até os habituados ao seu talento, com produções que suplantavam seguidamente suas obras precedentes, embora com distintas conotações temáticas. E sem jamais cair no estágio repetitivo.” — Ivo Zanini, in O Estado de São Paulo, 1986.
A gravura brasileira sempre nos reserva boas surpresas, entre elas as que passam a ser enumeradas a seguir: primeira, o nosso pool de gravadores está entre os melhores do mundo, informação que apesar de relevante, é desconhecida por muitos de nós estudiosos da arte ou não; segunda, devido à profusão de mestres, espalhados por um país de dimensões verdadeiramente continentais, continuamente tomamos conhecimento de algum que nos escapa e a terceira não menos importante, é que essa técnica ainda carece de difusão maior, o que torna alguns poucos eleitos da arte-gravada, já melhor conhecidos pelo público e outros nem tanto. O pintor e gravador Hans Suliman Grudzinski (1921-1986) insere-se no panteão dos melhores gravadores do País. Sua gravura é, a despeito de sua feitura excepcional, considerada refinada, maturada, metódica e preocupadíssima com o resultado, e que se obriga ser de alto padrão. Sua rara obra é construída como se tecesse uma renda, onde o ácido em comunhão com a mão do artista, aplica-se sobre a chapa em metal, figurando como fio refletor da expressão. Na análise de suas obras gravadas, sentimo-nos como se participássemos de um sonho. Flashes vão surgindo em pretos profundos, amarelos, ocres, laranjas, vermelhos e verdes - cada cor parece conhecer o seu lugar na composição, dividindo o espaço da mancha, com minúsculos pontos esbranquiçados de luz, conseguidos através dos ácidos, aspergidos no conjunto, como se condutores da necessária leveza à gravura. Grudzinski não se desprende do compreensível, porém, sua obra está em seu limiar: suas figuras desprovidas de rosto, suas paisagens lunares e florestas, brotam do centro do trabalho e misturam-se com o entorno e, ao final dessa viagem, fomos arrastados e estamos prazerosamente presos entre as suas cenas, contudo mal notamos o momento onde elas nos capturaram. Para essa mostra, reunimos um conjunto significativo de obras desse mestre, em grande parte cedidas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM-SP e de coleções particulares. O período contemplado vai da década de 1960 a 1980 com ênfase, nas magníficas Santas Ceias e em um reincidente é necessário representar do cotidiano do homem, filtrado por um olhar que se transforma em uma gravura crua, por vezes densa, mas, carregada de beleza. Cabe ressaltar um pouco de sua história. O artista começa a pintar, como autodidata, aos 16 anos de idade, formando-se arquiteto ainda na Iugoslávia em 1940. Com a invasão do país pelos nazistas é enviado para uma escola de tradutores e intérpretes na Holanda, recebendo a informação de seus pais foram presos em um campo de concentração. Devido aos rumos do conflito, é convocado para tomar a frente em batalha e combate na Segunda Grande Guerra. Três anos depois, ferido, é hospitalizado no sul da Alemanha, e lá mesmo expõe uma coleção de aquarelas de sua autoria retratando a cidade e outros soldados feridos. Muda-se para o Brasil, fixando-se na cidade de Mauá/SP em 1947, onde trabalha em uma fábrica de porcelanas. Paralelamente ao trabalho - de 1954 a 1956, freqüenta o curso livre de pintura da Associação Paulista de Belas Artes, resultando deste contato com a técnica, 120 telas a óleo, ainda inéditas; em 1957 inscreve-se no curso livre de litografia da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP e, em 1960 no curso de gravura, posteriormente, dedica-se exclusivamente às artes plásticas, por volta de 1967, figurando como aluno de Lívio Abramo (1903 – 1992) no extinto Estúdio Gravura. Participou de mais de uma centena de mostras, entre individuais e coletivas, sendo por diversas vezes premiado.Entre outros prêmios, destacam-se: prêmio aquisição no 12° Salão Paulista de Arte Moderna, em 1963; medalha de prata no 9° Salão de Arte de São Bernardo do Campo (SP) em 1966; 1° prêmio no 3° Salão Curitibano de Arte Religiosa (PR) em 1967 e prêmio aquisição no Salão Oficial de Arte Moderna de Santos (SP) no mesmo ano. A obra vigorosa de Hans Suliman Grudzinski percorre um longo caminho até se deixar-mostrar no papel. Ilimitado, o seu trabalho parece querer mais, sugere exigir-nos tempo perdulário para observá-lo, paixão para fruí-lo e uma sensibilidade extremada que reclama a nossa presença. Exemplifica, brilhantemente, a que ponto chegaram nossos artistas-gravadores e o quanto a gravura deve inserir-se na história da arte brasileira como representante maior do trabalho artístico humano.
Fonte: Escrito por Paulo Leonel Gomes Vergolino, Mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Artes Visuais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicado no Linkedin, em 20 de maio de 2018. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Crédito fotográfico: Paulo Leonel Gomes Virgolino, publicado no Linkedin. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Hans Suliman Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986), mais conhecido como Hans Grudzinski, foi um gravador, desenhista, pintor e arquiteto Iugoslavo. Em 1940, formou-se em arquitetura e, em 1947, mudou-se para o Brasil, se estabelecendo em Mauá, São Paulo. Estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, cursou Artes Gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e foi orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, resultando em obras geométricas, quase cubistas. Expôs na 9ª Bienal de São Paulo, em 1967, na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile, e algumas individuais nas galerias São Luís, Maranhão. Expôs no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Das medalhas e prêmios que recebeu, estão a medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC); o prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna; a medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo; o prêmio do Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969; e o prêmio pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná.
Biografia – Itaú Cultural
Hans Grudzinski (Novi Vrbas, Iugoslávia, atual Sérvia 1921 - Mauá, SP, 1986). Gravador, desenhista, pintor e arquiteto. Formou-se em 1940. Em 1947, transfere-se para o Brasil, fixando-se em Mauá, São Paulo. Entre 1954 e 1956, estudou pintura na Associação Paulista de Belas Artes, e em 1959 cursou artes gráficas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No mesmo ano, é orientado pelo gravador Lívio Abramo (1903-1992) no Estúdio Gravura, em São Paulo, onde participou de uma coletiva em 1961. Em 1963, expõe na 1ª Bienal Americana de Gravura, em Santiago, Chile. Em 1966, é agraciado com medalha de ouro no 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti (MACC). Obtém prêmio no Salão Paulista de Arte Moderna e participa da 9ª Bienal de São Paulo, em 1967. No ano seguinte, conquistou medalha de prata em artes gráficas, no Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo. Ganha prêmio Conselho Estadual de Cultura do 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1969. Em 1970, é premiado pelo conjunto da obra no Salão de Arte Brasileira Religiosa de Londrina, Paraná. Em São Paulo, expôs em individuais nas galerias São Luís, em 1963 e 1965, e Documenta, em 1970, 1980 e 1983. Apresentou trabalhos no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em várias ocasiões, entre 1969 e 1980, quando foi premiado na 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura, em Curitiba, Paraná. Entre 1947 e 1967, trabalhou em uma fábrica de porcelanas, em Mauá, São Paulo.
Análise
A produção gráfica de Hans Grudzinski deteve-se principalmente na gravura em metal, tendo trabalhado especialmente com as técnicas da água-tinta, água-forte e ponta-seca. Inicia-se no estudo da gravura com Lívio Abramo (1903-1992), em 1959, recém-chegado de um período de estudo no ateliê do gravador inglês Stanley William Hayter (1901-1988), com quem se aperfeiçoou na incisão sobre metal.
Na década de 1960, Grudzinski recebe prêmios em diversas exposições, confirmando o reconhecimento de sua qualidade como gravador. Desse período é As Lenhadoras (1966), gravura em metal colorida. O artista resolve as figuras de maneira geometrizante, sendo que a personagem do canto esquerdo beira a abstração - é possível compreendê-la, no contexto da obra, por justaposição às duas outras, estas nitidamente figuras femininas. Grudzinski trabalha com múltiplas linhas paralelas em diversas direções, tanto para compor as figuras, como o fundo, misturando ambos por conta dessa utilização do mesmo procedimento na fatura.
De fins da década de 1970, é Flor, Árvore e Floresta (1979), outra gravura em metal, porém, desta vez, feita de duas impressões de diferentes chapas que compõem juntas a imagem. Nela manchas de cor, criadas pela técnica de água-tinta, delimitam áreas irregulares e criam uma sensação de profundidade.
Nos anos 1980, o trabalho de Grudzinski transforma-se significativamente quando passa a utilizar certa luminosidade que remete às gravuras de Rembrandt (1606-1669). É essa luz que guia o olhar do espectador em Procissão no Interior (1983), de maneira narrativa, como contando a história dos fiéis que chegam à cidade. O artista faz uso ainda de certos relevos e da cor, está presente apenas em algumas edificações da cena. Em São Paulo (1980), a luz foca tanto a multidão, que se espalha pela parte inferior da tela, em perspectiva, como volumes redondos na parte superior que aparecem, às vezes, entrecortados por barras verticais retas e diagonais. Outros volumes de formas geométricas diversas também flutuam nesse espaço criado pelo gravador. Articulando manchas, o tracejado firme e incisivo e o uso de tons de marrom, Grudzinski produz um clima misterioso nessa estampa bastante inusitada, tanto no que diz respeito ao tratamento do tema, como pela organização da composição.
Exposições individuais
1963 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1968 - São Paulo SP - Individual, no Mosteiro de São Bento
1969 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Leopoldina de Arte
1970 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Galeria de Arte Documenta.
1975 - Santos SP - Individual, na Aliança Francesa
1975 - Assunção (Paraguai) - Individual, no Centro de Estudos Brasileiros
1978 - Assunção (Paraguai) - Individual
1980 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte.
1983 - São Paulo SP - Hans Grudzinski: gravuras, na Documenta Galeria de Arte
Exposições coletivas
1961 - São Paulo SP - Coletiva, no Estúdio Gravura
1962 - Madri (Espanha) - Arte de América y España
1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP
1963 - Madri (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Barcelona (Espanha) - Arte Atual das Américas e Espanha
1963 - Santiago (Chile) - 1ª Bienal Americana de Gravura
1963 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1964 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Arte Moderna
1964 - São Paulo SP - Grupo Seis Gravadores, na Atrium Galeria de Arte
1966 - Belo Horizonte MG - 21º Salão Municipal de Belas Artes, no MAP - 3º prêmio
1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - grande medalha de ouro
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - Santo André SP - Salão Municipal de Artes Plásticas - 2º prêmio
1966 - São Bernardo do Campo SP - 9º Salão de Arte de São Bernardo do Campo - medalha de prata
1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1966 - São Paulo SP - Grupo Gravadores de São Paulo, na Galeria 4 Planetas
1967 - Biella (Itália) - Exposição Internacional de Gravura
1967 - Curitiba PR - 3º Salão de Arte Religiosa Brasileira - 1º prêmio
1967 - Quito (Equador) - 1ª Bienal de Quito
1967 - Santos SP - Salão Oficial de Arte Moderna de Santos - prêmio aquisição
1967 - São Caetano do Sul SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul - medalha de prata
1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna - pequena medalha de ouro
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - La Pampa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Londrina PR - 4º Salão de Arte Religiosa Brasileira
1968 - Petrópolis RJ - Salão Nacional de Pintura Jovem, no Hotel Quitandinha
1968 - Quito (Equador) - Bienal de Quito
1968 - Santa Rosa (Argentina) - 24 Gravadores Brasileiros
1968 - Santo André SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - prêmio aquisição
1968 - Santos SP - 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos
1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Governador do Estado
1968 - São Paulo SP - Aspectos da Gravura Brasileira, no MAC/USP
1969 - Campinas SP - Gravura Contemporânea
1969 - Ouro Preto MG - 3º Salão de Ouro Preto
1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - sala especial
1969 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no MAM/SP - Prêmio Conselho Estadual de Cultura - medalha de prata
1969 - São Paulo SP - Exposição da Galeria Alberto Bonfiglioli, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli
1969 - São Paulo SP - Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - Telaviv (Israel) - Arte Brasileira Contemporânea
1970 - Londrina PR - Salão de Arte Religiosa de Londrina - Prêmio Codepar pelo conjunto da obra
1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André no Paço Municipal - Prêmio Cidade Santo André
1970 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, no Paço das Artes
1971 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva da Nugrasp, no MAM/RJ
1971 - Santo André SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1971 - Santos SP - 1ª Bienal de Artes Plásticas
1971 - São Caetano do Sul SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - Santo André SP - 5º Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1972 - São Paulo SP - Exposição Internacional da Gravura, no MAM/SP
1973 - Santo André SP - 6º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1973 - São Paulo SP - A Gravura Brasileira, na Eucaexpo
1973 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Inter-Arte
1974 - São Paulo SP - Mostra da Gravura Brasileira, na Fundação Bienal
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1975 - Jundiaí SP - 4º Encontro Jundiaiense de Artes
1975 - São Caetano do Sul SP - 8º Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul
1976 - Santo André SP - 9º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1976 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Graphus
1978 - Curitiba PR - Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, no Centro de Criatividade de Curitiba
1978 - Jundiaí SP - 3ª Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1978 - Mogi das Cruzes SP - Mostra de Gravadores Brasileiros
1978 - Rio de Janeiro RJ - 18º Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha
1978 - Roma (Itália) - Coletiva, na Galeria d'Arte della Casa do Brasil
1979 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1979 - São Bernardo do Campo SP - Coletiva, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo
1980 - Baltimore (Estados Unidos) - Coletiva, no Kornblat Graphics
1980 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura, no Museu da Gravura - premiado
1980 - Porto Alegre RS - Coletiva, na Galeria Cambona
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Curitiba PR - 4ª Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, na Casa da Gravura Solar do Barão
1981 - Maceió AL - Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1982 - Santo André SP - 10º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1984 - Porto Alegre RS - Gravuras: uma trajetória no tempo, na Cambona Centro de Artes
1984 - Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50/60, na Galeria Campus/USP/Banespa
1984 - Santo André SP - 12º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - Santo André SP - 13º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1985 - São Paulo SP - Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
Fonte: HANS Grudzinski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 11 de novembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Hans Suliman Grudzinski: mestre-gravador |
“...Grudzinski atingiu alto ponto e não raro surpreendia até os habituados ao seu talento, com produções que suplantavam seguidamente suas obras precedentes, embora com distintas conotações temáticas. E sem jamais cair no estágio repetitivo.” — Ivo Zanini, in O Estado de São Paulo, 1986.
A gravura brasileira sempre nos reserva boas surpresas, entre elas as que passam a ser enumeradas a seguir: primeira, o nosso pool de gravadores está entre os melhores do mundo, informação que apesar de relevante, é desconhecida por muitos de nós estudiosos da arte ou não; segunda, devido à profusão de mestres, espalhados por um país de dimensões verdadeiramente continentais, continuamente tomamos conhecimento de algum que nos escapa e a terceira não menos importante, é que essa técnica ainda carece de difusão maior, o que torna alguns poucos eleitos da arte-gravada, já melhor conhecidos pelo público e outros nem tanto. O pintor e gravador Hans Suliman Grudzinski (1921-1986) insere-se no panteão dos melhores gravadores do País. Sua gravura é, a despeito de sua feitura excepcional, considerada refinada, maturada, metódica e preocupadíssima com o resultado, e que se obriga ser de alto padrão. Sua rara obra é construída como se tecesse uma renda, onde o ácido em comunhão com a mão do artista, aplica-se sobre a chapa em metal, figurando como fio refletor da expressão. Na análise de suas obras gravadas, sentimo-nos como se participássemos de um sonho. Flashes vão surgindo em pretos profundos, amarelos, ocres, laranjas, vermelhos e verdes - cada cor parece conhecer o seu lugar na composição, dividindo o espaço da mancha, com minúsculos pontos esbranquiçados de luz, conseguidos através dos ácidos, aspergidos no conjunto, como se condutores da necessária leveza à gravura. Grudzinski não se desprende do compreensível, porém, sua obra está em seu limiar: suas figuras desprovidas de rosto, suas paisagens lunares e florestas, brotam do centro do trabalho e misturam-se com o entorno e, ao final dessa viagem, fomos arrastados e estamos prazerosamente presos entre as suas cenas, contudo mal notamos o momento onde elas nos capturaram. Para essa mostra, reunimos um conjunto significativo de obras desse mestre, em grande parte cedidas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM-SP e de coleções particulares. O período contemplado vai da década de 1960 a 1980 com ênfase, nas magníficas Santas Ceias e em um reincidente é necessário representar do cotidiano do homem, filtrado por um olhar que se transforma em uma gravura crua, por vezes densa, mas, carregada de beleza. Cabe ressaltar um pouco de sua história. O artista começa a pintar, como autodidata, aos 16 anos de idade, formando-se arquiteto ainda na Iugoslávia em 1940. Com a invasão do país pelos nazistas é enviado para uma escola de tradutores e intérpretes na Holanda, recebendo a informação de seus pais foram presos em um campo de concentração. Devido aos rumos do conflito, é convocado para tomar a frente em batalha e combate na Segunda Grande Guerra. Três anos depois, ferido, é hospitalizado no sul da Alemanha, e lá mesmo expõe uma coleção de aquarelas de sua autoria retratando a cidade e outros soldados feridos. Muda-se para o Brasil, fixando-se na cidade de Mauá/SP em 1947, onde trabalha em uma fábrica de porcelanas. Paralelamente ao trabalho - de 1954 a 1956, freqüenta o curso livre de pintura da Associação Paulista de Belas Artes, resultando deste contato com a técnica, 120 telas a óleo, ainda inéditas; em 1957 inscreve-se no curso livre de litografia da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP e, em 1960 no curso de gravura, posteriormente, dedica-se exclusivamente às artes plásticas, por volta de 1967, figurando como aluno de Lívio Abramo (1903 – 1992) no extinto Estúdio Gravura. Participou de mais de uma centena de mostras, entre individuais e coletivas, sendo por diversas vezes premiado.Entre outros prêmios, destacam-se: prêmio aquisição no 12° Salão Paulista de Arte Moderna, em 1963; medalha de prata no 9° Salão de Arte de São Bernardo do Campo (SP) em 1966; 1° prêmio no 3° Salão Curitibano de Arte Religiosa (PR) em 1967 e prêmio aquisição no Salão Oficial de Arte Moderna de Santos (SP) no mesmo ano. A obra vigorosa de Hans Suliman Grudzinski percorre um longo caminho até se deixar-mostrar no papel. Ilimitado, o seu trabalho parece querer mais, sugere exigir-nos tempo perdulário para observá-lo, paixão para fruí-lo e uma sensibilidade extremada que reclama a nossa presença. Exemplifica, brilhantemente, a que ponto chegaram nossos artistas-gravadores e o quanto a gravura deve inserir-se na história da arte brasileira como representante maior do trabalho artístico humano.
Fonte: Escrito por Paulo Leonel Gomes Vergolino, Mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Artes Visuais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicado no Linkedin, em 20 de maio de 2018. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.
Crédito fotográfico: Paulo Leonel Gomes Virgolino, publicado no Linkedin. Consultado pela última vez em 11 de novembro de 2022.