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José Oiticica Filho

Biografia

Filho do pensador anarquista e filólogo José Oiticica (1882 - 1957) e pai dos artistas visuais Hélio Oiticica (1937 - 1980) e César Oiticica (1939), é uma das principais figuras da moderna fotografia brasileira. Forma-se na Escola Nacional de Engenharia em 1930, no Rio de Janeiro. Leciona matemática nos colégios Jacobina, Pedro II, na Faculdade Nacional de Medicina e no Colégio Universitário, entre 1928 e 1962. É entomólogo especializado no Museu Nacional da Universidade do Brasil de 1943 a 1964. Um dos mais influentes membros do movimento fotoclubístico no país, integra o Foto Clube Brasileiro e a Associação Brasileira de Arte Fotográfica, no Rio de Janeiro, e o Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo. Participa de exposições em diversos países, recebe premiações e é incluído numa lista dos melhores fotógrafos do mundo, constituída pela Fédération Internationale d'Art Photographique. Em sua trajetória como fotógrafo desenvolve trabalhos utilitários, que são as microfotografias realizadas para documentar seu trabalho de pesquisador; passa pelos fotoclubes, que congregavam fotógrafos em torno de discussão acerca da técnica e da estética da fotografia; realiza fotografias abstratas e adere ao construtivismo, aprofundando a crítica ao figurativo e experimentando novas possibilidades no processo em laboratório, onde recria a imagem fixada pela câmera.

Análise

José Oiticica Filho dedica-se à engenharia eletrônica e à matemática. Posteriormente, trabalha como entomólogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Com o uso da microfotografia no estudo de insetos, interessa-se pelas possibilidades artísticas da fotografia. No início dos anos 1940, participa de várias associações de fotoclubismo, torna-se um fotógrafo de renome, expondo também no exterior.

Passa a fazer montagens fotográficas, com o objetivo de criar novos efeitos em suas fotos. Em O Túnel (1951), parte de duas diferentes fotografias: dos trilhos de bonde de uma rua e a foto recortada de uma floresta. Os fragmentos são montados sobre um fundo totalmente negro. Neste caso, a montagem simula o realismo: O Túnel parece, à primeira vista, uma imagem captada do real. A preocupação com a geometrização pode ser notada em Triângulos Semelhantes e em Um que Passa (ambas de 1953), nas quais explora também a incidência de luz e as sombras de edifícios.

Em Composição Óbvia (ca.1955), um marco em seu trabalho, José Oiticica, retoca inteiramente a foto, realçando as formas geométricas. Como nota a estudiosa sobre fotografia Helouise Costa, o artista, ao iniciar as pesquisas no campo da abstração, passa a negar a possibilidade de criação com o aparelho fotográfico e valoriza o papel do trabalho técnico em laboratório para a obtenção da expressão artística. Experimenta vários processos para atingir a abstração.

Oiticica Filho procura obter imagens não figurativas, com base em processos como o fotograma, que consiste na exposição direta de objetos ao papel fotossensível. Este processo transforma objetos de uso cotidiano em imagens misteriosas. As fotografias de José Oiticica Filho mantêm, assim, um diálogo com obras de fotógrafos norte-americanos, como Man Ray (1890-1976). Estas têm também afinidades na preocupação com as questões relacionadas à luz e superfície com as experiências no campo da fotografia realizadas por László Moholy-Nagy (1894-1946). Para o crítico Paulo Herkenhoff, no trabalho desses artistas "rompe-se a separação entre a pintura e a fotografia para se afirmar um campo comum das artes visuais ou plásticas".

Em 1955, produz a série Paredes de Ouro Preto - fotografias de detalhes ou ampliações de muros, nas quais se percebem as marcas do tempo sobre as construções. José Oiticica passa então a elaborar superfícies para fotografar a abstração. Desenha em papel, ao qual é sobreposto vidro corrugado, que evita reflexos, dilui as formas e fornece uma outra textura à imagem. Realiza desenhos ou pinturas que são fotografados, o negativo é ampliado para produzir um positivo transparente, os desenhos são sobrepostos e copiados, resultando uma nova transparência e assim sucessivamente. Obtém imagens que são formas em expansão e apresentam grande dinamismo, nomeando-as Recriações. Recriação 38 A/64 (1964), por exemplo, apresenta pinceladas largas, em vários sentidos, fotografadas em alto-contraste. Nesta obra, o autor explora as texturas das pinceladas, a sugestão de dinamismo e a energia do gesto.

Algumas Recriações são concebidas como fotografias construtivas, como, por exemplo, Recriação 1-5 (1959). Na opinião de Paulo Herkenhoff existe um diálogo entre algumas Recriações fotográficas de José Oiticica e obras como Metaesquemas, de Hélio Oiticica (1937 - 1980) - seu filho. Para o crítico, em ambos existe um módulo padrão que é desdobrado de maneiras diversas: nas dimensões ou na direção; têm também em comum o caráter gráfico, com as oposições entre formas de cores claras e fundo escuro ou vice-versa. José Oiticica trata a cópia fotográfica como superfície: prepara a composição a ser fotografada e produz sucessivas transparências em negativo e positivo. O artista explora, desse modo, as inúmeras possibilidades de criação a partir das cópias fotográficas.

Críticas

"A opção construtiva de José Oiticica Filho estabeleceu um embate em dois níveis: imagem e processo. A primeira questão, a crítica da fotografia figurativa, se aprofundaria. Oiticica, que sempre lhe atribuiria uma função mimética, mesmo se o fotógrafo buscasse a câmera para interpretar a realidade, apresentava agora um argumento estético: 'as possibilidades de composição (realismo/figurativismo) dentro do retângulo já foram praticamente esgotadas'. No nível do processo, em obras que tinham por base a não-representação, já não bastava registrar. Ao fotógrafo cabia participar, explorar e experimentar não o 'momento decisivo' mas o 'tempo fundamental': fotografia se faz no laboratório. Mais do que não omitir-se da feitura da cópia, Oiticica investigou e estendeu sua potencialidade. A produção da imagem plástica, via fotografia, cria-se no preparo do original, fixa-se provisoriamente com a câmera, para recriar-se: no processo ocorre o desenvolvimento de novas formas e relações latentes".

Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. A Trajetória: da fotografia acadêmica ao projeto construtivo. OITICICA FILHO, José. A Ruptura da fotografia nos anos 50. Rio de Janeiro: Funarte, 1983. p.15.)

"É interessante observar que a pesquisa abstracionista de José Oiticica Filho é contemporânea à produção de fotogramas construtivos da Escola Paulista. Uma distinção: enquanto os fotogramas produzidos pelos bandeirantes foram, no geral, resultado de um formalismo sem vida, o mesmo não aconteceu no trabalho de Oiticica, no qual a forma nunca era articulada de maneira óbvia. O trabalho do artista deve ser localizado a partir de sua aguçada sensibilidade plástica, materializada numa pesquisa de grande potencial reformulador no universo mais amplo das artes plásticas no Brasil.

Sem dúvida, no campo geral das artes plásticas o trabalho de Oiticica ganha uma nova coloração, devendo ser lido como uma contribuição valiosa, assumindo ora características expressionistas, ora construtivistas".

Helouise Costa e Renato Rodrigues (COSTA, Helouise e RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ: IPHAN: FUNARTE, 1995. p. 86.)

"Ao somar à ação do olho o trabalho conjunto do cérebro e da mão, o fotopictorialismo cria, na verdade, um produto ambíguo. Se, de um lado, o controle da imagem permite diferenciar a cópia fotográfica do dado real, apontando para a autonomia lingüística do novo meio, de outro, é justamente este que é colocado em xeque, negado por ser mecânico e não participar do universo da arte por um 'defeito genético'. A tentativa de neutralizar o meio evidencia-se em Oiticica não apenas nos resultados obtidos, controle de tonalidades, busca de uma iluminação dramática ou difusa, desfocamentos, imagem compósita, entre outros, mas também no privilégio dado à paisagem, que constitui, sem dúvida, um dos temas recorrentes da prática pictorialista. Tal como os pictorialistas, Oiticica investe a paisagem com um sentimento elegíaco, que se traduz na procura de momentos particulares, sobretudo crepúsculos, com seu poder de sugestão e saturação luminosa. O conjunto de crepúsculos que Oiticica cria entre 1946 e 1948 e do qual Pôr-do-sol na Gávea (1947) é um exemplo emblemático, testemunha claramente as preocupações pictorialistas do fotógrafo. A luz não é tanto um fator de composição, como postulava Moholy-Nagy, mas funciona sobretudo como efeito dramático, apto a suscitar valores de fruição sentimental. O que importa a Oiticica é evidenciar o próprio virtuosismo, a capacidade de dar vida a contrastes difusos, de criar uma imagem sugestivas, evocadora de atmosferas próximas do tonalismo pictórico".

Annateresa Fabris (FABRIS, Annateresa. A fotografia além da fotografia: José Oiticica Filho (1947-1995). In: IMAGENS. Campinas, Editora da Unicamp, nº 8, maio/ago, 1998. p. 70.)

Depoimento José Oiticica Filho

"(...) sempre insatisfeito, sabendo ser prisioneiro de uma máquina fotográfica teimosa em copiar em vez de criar. Sabendo ser prisioneiro de um meio de expressão algo limitado em suas possibilidades como o é uma folha de papel clorobrometo. Daí, a minha luta, procurando dominar o meio pela técnica, para poder estampar num retângulo de papel algo de estético de acordo o mais possível, com o meu eu interior".

José Oiticica Filho (Exposição de José Oiticica Filho, BFC n. 88, abr. 1954.)

Exposições Individuais

1951 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Associação Brasileira de Arte Fotográfica - medalha comemorativa

Exposições Coletivas

1945 - Concórdia (Argentina) - Coletiva, no Foto Club de Concórdia

1945 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1946 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1946 - Concórdia (Argentina) - Coletiva, no Foto Club de Concórdia

1946 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, no London Salon

1946 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1946 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1946 - São Paulo SP - 5º Salão Internacional de Arte Fotográfica - 2º prêmio

1947 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1947 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1947 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1948 - Washington (Estados Unidos) - Northwest Salon - menção honrosa

1948 - Luxemburgo (Bélgica) - 2º Salon International D'Art Photographique - diploma de honra

1948 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1948 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1948 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1948 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1948 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1949 - Washington (Estados Unidos) - 3º Salão Anual Internacional: Photography in Science - Smithonian Institution and The Scientific Monthly - menção honrosa

1949 - Bruxelas (Bélgica) - Salão Internacional de Arte Fotográfica - diploma de honra

1949 - Niterói RJ - 1ª Exposição Mundial de Arte Fotográfica - Sociedade Fluminense de Fotografia - 1º prêmio

1949 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1949 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1949 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1949 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1950 - Bruxelas (Bélgica) - Salon International d'Art Photographique - diploma de honra

1950 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1950 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1950 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1950 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1951 - Bruxelas (Bélgica) - Salon International d'Art Photographique - medalha arte fotográfica

1951 - Amsterdã (Holanda) - Coletiva, no Focus Ltd. Fotosalon

1951 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1951 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1951 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, na Ipswich District Photographic Society

1951 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1951 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1951 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1951 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1952 - Amsterdã (Holanda) - Coletiva, Focus Ltd. Fotosalon

1952 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1952 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, no Royal Photography Society

1952 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1952 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1953 - Santo André SP - Salão Internacional de Arte Fotográfica - Diploma de Honra Câmera Clube de Santo André

1953 - Recife PE - 2º Salão Nacional de Arte Fotográfica do Recife - diploma de honra

1953 - Argentina - Coletiva, no Club Atlético Independiente

1953 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1953 - Bahia Blanca (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Bahia Blanca

1953 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1953 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1953 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, no Ipswich District Photographic Society

1953 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1953 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1953 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1953 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1954 - Minas Gerais - 3º Salão do Foto Clube Minas Gerais - 3º prêmio

1954 - São Paulo SP - 13º Salão de Arte Fotográfica, no FCCB

1954 - Jaboticabal SP - 2º Salão de Arte Fotográfica - diploma de honra

1954 - África do Sul - 28th South Africa Salon of Photography - certificado de mérito

1954 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1954 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1954 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1954 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1954 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1955 - Bordeaux (França) - 7º Salão Internacional d'Art Photographique - medalha de prata

1955 - Niterói RJ - 4º Salão de Arte Fotográfica da Sociedade Fluminense de Fotografia - honra ao mérito

1955 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1955 - Bahia Blanca (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Bahia Blanca

1955 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1955 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1955 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, na Ipswich District Photographic Society

1955 - Londres (Inglaterra) - London Salon

1955 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1955 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1955 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1956 - Santos SP - 1º Salão de Arte Fotográfica - diploma de honra ao mérito

1956 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1956 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1957 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna

1958 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1959 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna

1959 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1961 - Curitiba PR - 6º Salão Fotográfico - menção honrosa

1961 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1962 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1963 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1964 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Quatro Fotógrafos, na Galeria do Instituto Brasil - Estados Unidos

Exposições Póstumas

1983 - Rio de Janeiro RJ - José Oiticica Filho: a ruptura da fotografia nos anos 50, na Galeria de Fotografia da Funarte

2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural

2001 - Campinas SP - Realidades Construídas: do pictorialismo à fotografia moderna, no Itaú Cultural Campinas

2001 - Belo Horizonte MG - Realidades Construídas: do pictorialismo à fotografia moderna, no Itaú Cultural

2002 - São Paulo SP - A Forma e a Imagem Técnica na Arte do Rio de Janeiro: 1950-1975, no Paço das Artes

Fonte: JOSÉ Oiticica Filho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10674/jose-oiticica-filho>. Acesso em: 12 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

Crédito fotográfico: http://www.heliooiticica.org.br/biografia/biojof1900.htm consultado em 12 de março de 2020.

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José Oiticica Filho

Biografia

Filho do pensador anarquista e filólogo José Oiticica (1882 - 1957) e pai dos artistas visuais Hélio Oiticica (1937 - 1980) e César Oiticica (1939), é uma das principais figuras da moderna fotografia brasileira. Forma-se na Escola Nacional de Engenharia em 1930, no Rio de Janeiro. Leciona matemática nos colégios Jacobina, Pedro II, na Faculdade Nacional de Medicina e no Colégio Universitário, entre 1928 e 1962. É entomólogo especializado no Museu Nacional da Universidade do Brasil de 1943 a 1964. Um dos mais influentes membros do movimento fotoclubístico no país, integra o Foto Clube Brasileiro e a Associação Brasileira de Arte Fotográfica, no Rio de Janeiro, e o Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo. Participa de exposições em diversos países, recebe premiações e é incluído numa lista dos melhores fotógrafos do mundo, constituída pela Fédération Internationale d'Art Photographique. Em sua trajetória como fotógrafo desenvolve trabalhos utilitários, que são as microfotografias realizadas para documentar seu trabalho de pesquisador; passa pelos fotoclubes, que congregavam fotógrafos em torno de discussão acerca da técnica e da estética da fotografia; realiza fotografias abstratas e adere ao construtivismo, aprofundando a crítica ao figurativo e experimentando novas possibilidades no processo em laboratório, onde recria a imagem fixada pela câmera.

Análise

José Oiticica Filho dedica-se à engenharia eletrônica e à matemática. Posteriormente, trabalha como entomólogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Com o uso da microfotografia no estudo de insetos, interessa-se pelas possibilidades artísticas da fotografia. No início dos anos 1940, participa de várias associações de fotoclubismo, torna-se um fotógrafo de renome, expondo também no exterior.

Passa a fazer montagens fotográficas, com o objetivo de criar novos efeitos em suas fotos. Em O Túnel (1951), parte de duas diferentes fotografias: dos trilhos de bonde de uma rua e a foto recortada de uma floresta. Os fragmentos são montados sobre um fundo totalmente negro. Neste caso, a montagem simula o realismo: O Túnel parece, à primeira vista, uma imagem captada do real. A preocupação com a geometrização pode ser notada em Triângulos Semelhantes e em Um que Passa (ambas de 1953), nas quais explora também a incidência de luz e as sombras de edifícios.

Em Composição Óbvia (ca.1955), um marco em seu trabalho, José Oiticica, retoca inteiramente a foto, realçando as formas geométricas. Como nota a estudiosa sobre fotografia Helouise Costa, o artista, ao iniciar as pesquisas no campo da abstração, passa a negar a possibilidade de criação com o aparelho fotográfico e valoriza o papel do trabalho técnico em laboratório para a obtenção da expressão artística. Experimenta vários processos para atingir a abstração.

Oiticica Filho procura obter imagens não figurativas, com base em processos como o fotograma, que consiste na exposição direta de objetos ao papel fotossensível. Este processo transforma objetos de uso cotidiano em imagens misteriosas. As fotografias de José Oiticica Filho mantêm, assim, um diálogo com obras de fotógrafos norte-americanos, como Man Ray (1890-1976). Estas têm também afinidades na preocupação com as questões relacionadas à luz e superfície com as experiências no campo da fotografia realizadas por László Moholy-Nagy (1894-1946). Para o crítico Paulo Herkenhoff, no trabalho desses artistas "rompe-se a separação entre a pintura e a fotografia para se afirmar um campo comum das artes visuais ou plásticas".

Em 1955, produz a série Paredes de Ouro Preto - fotografias de detalhes ou ampliações de muros, nas quais se percebem as marcas do tempo sobre as construções. José Oiticica passa então a elaborar superfícies para fotografar a abstração. Desenha em papel, ao qual é sobreposto vidro corrugado, que evita reflexos, dilui as formas e fornece uma outra textura à imagem. Realiza desenhos ou pinturas que são fotografados, o negativo é ampliado para produzir um positivo transparente, os desenhos são sobrepostos e copiados, resultando uma nova transparência e assim sucessivamente. Obtém imagens que são formas em expansão e apresentam grande dinamismo, nomeando-as Recriações. Recriação 38 A/64 (1964), por exemplo, apresenta pinceladas largas, em vários sentidos, fotografadas em alto-contraste. Nesta obra, o autor explora as texturas das pinceladas, a sugestão de dinamismo e a energia do gesto.

Algumas Recriações são concebidas como fotografias construtivas, como, por exemplo, Recriação 1-5 (1959). Na opinião de Paulo Herkenhoff existe um diálogo entre algumas Recriações fotográficas de José Oiticica e obras como Metaesquemas, de Hélio Oiticica (1937 - 1980) - seu filho. Para o crítico, em ambos existe um módulo padrão que é desdobrado de maneiras diversas: nas dimensões ou na direção; têm também em comum o caráter gráfico, com as oposições entre formas de cores claras e fundo escuro ou vice-versa. José Oiticica trata a cópia fotográfica como superfície: prepara a composição a ser fotografada e produz sucessivas transparências em negativo e positivo. O artista explora, desse modo, as inúmeras possibilidades de criação a partir das cópias fotográficas.

Críticas

"A opção construtiva de José Oiticica Filho estabeleceu um embate em dois níveis: imagem e processo. A primeira questão, a crítica da fotografia figurativa, se aprofundaria. Oiticica, que sempre lhe atribuiria uma função mimética, mesmo se o fotógrafo buscasse a câmera para interpretar a realidade, apresentava agora um argumento estético: 'as possibilidades de composição (realismo/figurativismo) dentro do retângulo já foram praticamente esgotadas'. No nível do processo, em obras que tinham por base a não-representação, já não bastava registrar. Ao fotógrafo cabia participar, explorar e experimentar não o 'momento decisivo' mas o 'tempo fundamental': fotografia se faz no laboratório. Mais do que não omitir-se da feitura da cópia, Oiticica investigou e estendeu sua potencialidade. A produção da imagem plástica, via fotografia, cria-se no preparo do original, fixa-se provisoriamente com a câmera, para recriar-se: no processo ocorre o desenvolvimento de novas formas e relações latentes".

Paulo Herkenhoff (HERKENHOFF, Paulo. A Trajetória: da fotografia acadêmica ao projeto construtivo. OITICICA FILHO, José. A Ruptura da fotografia nos anos 50. Rio de Janeiro: Funarte, 1983. p.15.)

"É interessante observar que a pesquisa abstracionista de José Oiticica Filho é contemporânea à produção de fotogramas construtivos da Escola Paulista. Uma distinção: enquanto os fotogramas produzidos pelos bandeirantes foram, no geral, resultado de um formalismo sem vida, o mesmo não aconteceu no trabalho de Oiticica, no qual a forma nunca era articulada de maneira óbvia. O trabalho do artista deve ser localizado a partir de sua aguçada sensibilidade plástica, materializada numa pesquisa de grande potencial reformulador no universo mais amplo das artes plásticas no Brasil.

Sem dúvida, no campo geral das artes plásticas o trabalho de Oiticica ganha uma nova coloração, devendo ser lido como uma contribuição valiosa, assumindo ora características expressionistas, ora construtivistas".

Helouise Costa e Renato Rodrigues (COSTA, Helouise e RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ: IPHAN: FUNARTE, 1995. p. 86.)

"Ao somar à ação do olho o trabalho conjunto do cérebro e da mão, o fotopictorialismo cria, na verdade, um produto ambíguo. Se, de um lado, o controle da imagem permite diferenciar a cópia fotográfica do dado real, apontando para a autonomia lingüística do novo meio, de outro, é justamente este que é colocado em xeque, negado por ser mecânico e não participar do universo da arte por um 'defeito genético'. A tentativa de neutralizar o meio evidencia-se em Oiticica não apenas nos resultados obtidos, controle de tonalidades, busca de uma iluminação dramática ou difusa, desfocamentos, imagem compósita, entre outros, mas também no privilégio dado à paisagem, que constitui, sem dúvida, um dos temas recorrentes da prática pictorialista. Tal como os pictorialistas, Oiticica investe a paisagem com um sentimento elegíaco, que se traduz na procura de momentos particulares, sobretudo crepúsculos, com seu poder de sugestão e saturação luminosa. O conjunto de crepúsculos que Oiticica cria entre 1946 e 1948 e do qual Pôr-do-sol na Gávea (1947) é um exemplo emblemático, testemunha claramente as preocupações pictorialistas do fotógrafo. A luz não é tanto um fator de composição, como postulava Moholy-Nagy, mas funciona sobretudo como efeito dramático, apto a suscitar valores de fruição sentimental. O que importa a Oiticica é evidenciar o próprio virtuosismo, a capacidade de dar vida a contrastes difusos, de criar uma imagem sugestivas, evocadora de atmosferas próximas do tonalismo pictórico".

Annateresa Fabris (FABRIS, Annateresa. A fotografia além da fotografia: José Oiticica Filho (1947-1995). In: IMAGENS. Campinas, Editora da Unicamp, nº 8, maio/ago, 1998. p. 70.)

Depoimento José Oiticica Filho

"(...) sempre insatisfeito, sabendo ser prisioneiro de uma máquina fotográfica teimosa em copiar em vez de criar. Sabendo ser prisioneiro de um meio de expressão algo limitado em suas possibilidades como o é uma folha de papel clorobrometo. Daí, a minha luta, procurando dominar o meio pela técnica, para poder estampar num retângulo de papel algo de estético de acordo o mais possível, com o meu eu interior".

José Oiticica Filho (Exposição de José Oiticica Filho, BFC n. 88, abr. 1954.)

Exposições Individuais

1951 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Associação Brasileira de Arte Fotográfica - medalha comemorativa

Exposições Coletivas

1945 - Concórdia (Argentina) - Coletiva, no Foto Club de Concórdia

1945 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1946 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1946 - Concórdia (Argentina) - Coletiva, no Foto Club de Concórdia

1946 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, no London Salon

1946 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1946 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1946 - São Paulo SP - 5º Salão Internacional de Arte Fotográfica - 2º prêmio

1947 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1947 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1947 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1948 - Washington (Estados Unidos) - Northwest Salon - menção honrosa

1948 - Luxemburgo (Bélgica) - 2º Salon International D'Art Photographique - diploma de honra

1948 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1948 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1948 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1948 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1948 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1949 - Washington (Estados Unidos) - 3º Salão Anual Internacional: Photography in Science - Smithonian Institution and The Scientific Monthly - menção honrosa

1949 - Bruxelas (Bélgica) - Salão Internacional de Arte Fotográfica - diploma de honra

1949 - Niterói RJ - 1ª Exposição Mundial de Arte Fotográfica - Sociedade Fluminense de Fotografia - 1º prêmio

1949 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1949 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1949 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1949 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1950 - Bruxelas (Bélgica) - Salon International d'Art Photographique - diploma de honra

1950 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1950 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1950 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1950 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1951 - Bruxelas (Bélgica) - Salon International d'Art Photographique - medalha arte fotográfica

1951 - Amsterdã (Holanda) - Coletiva, no Focus Ltd. Fotosalon

1951 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1951 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1951 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, na Ipswich District Photographic Society

1951 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1951 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1951 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1951 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1952 - Amsterdã (Holanda) - Coletiva, Focus Ltd. Fotosalon

1952 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1952 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, no Royal Photography Society

1952 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1952 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1953 - Santo André SP - Salão Internacional de Arte Fotográfica - Diploma de Honra Câmera Clube de Santo André

1953 - Recife PE - 2º Salão Nacional de Arte Fotográfica do Recife - diploma de honra

1953 - Argentina - Coletiva, no Club Atlético Independiente

1953 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1953 - Bahia Blanca (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Bahia Blanca

1953 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1953 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1953 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, no Ipswich District Photographic Society

1953 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1953 - Mendoza (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Mendoza

1953 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1953 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1954 - Minas Gerais - 3º Salão do Foto Clube Minas Gerais - 3º prêmio

1954 - São Paulo SP - 13º Salão de Arte Fotográfica, no FCCB

1954 - Jaboticabal SP - 2º Salão de Arte Fotográfica - diploma de honra

1954 - África do Sul - 28th South Africa Salon of Photography - certificado de mérito

1954 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1954 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1954 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1954 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1954 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1955 - Bordeaux (França) - 7º Salão Internacional d'Art Photographique - medalha de prata

1955 - Niterói RJ - 4º Salão de Arte Fotográfica da Sociedade Fluminense de Fotografia - honra ao mérito

1955 - Argentina - Coletiva, no Foto Club Argentino

1955 - Bahia Blanca (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Bahia Blanca

1955 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Foto Club Buenos Aires

1955 - Havana (Cuba) - Coletiva, no Club Fotográfico de Cuba

1955 - Ipswich District (Inglaterra) - Coletiva, na Ipswich District Photographic Society

1955 - Londres (Inglaterra) - London Salon

1955 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Royal Photography Society

1955 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1955 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1956 - Santos SP - 1º Salão de Arte Fotográfica - diploma de honra ao mérito

1956 - Santiago (Chile) - Coletiva, no Club Fotográfico de Chile

1956 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1957 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna

1958 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1959 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna

1959 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1961 - Curitiba PR - 6º Salão Fotográfico - menção honrosa

1961 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1962 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1963 - São Paulo SP - Coletiva, no FCCB

1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1964 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Quatro Fotógrafos, na Galeria do Instituto Brasil - Estados Unidos

Exposições Póstumas

1983 - Rio de Janeiro RJ - José Oiticica Filho: a ruptura da fotografia nos anos 50, na Galeria de Fotografia da Funarte

2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural

2001 - Campinas SP - Realidades Construídas: do pictorialismo à fotografia moderna, no Itaú Cultural Campinas

2001 - Belo Horizonte MG - Realidades Construídas: do pictorialismo à fotografia moderna, no Itaú Cultural

2002 - São Paulo SP - A Forma e a Imagem Técnica na Arte do Rio de Janeiro: 1950-1975, no Paço das Artes

Fonte: JOSÉ Oiticica Filho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10674/jose-oiticica-filho>. Acesso em: 12 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

Crédito fotográfico: http://www.heliooiticica.org.br/biografia/biojof1900.htm consultado em 12 de março de 2020.

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