José Reis Pereira (Mariana, MG, 1963), mais conhecido como José Pereira, é um escultor popular brasileiro. Suas esculturas em madeira contemplam as técnicas usadas por seu pai, Artur Pereira, também escultor, que é um dos mais prestigiados nomes da arte popular brasileira. Reside na Estrada Real, na comunidade de Cachoeira de Brumado, distrito de Mariana em Minas Gerais.
Biografia resumida
Nascido no interior mineiro, em um local que possui uma longa tradição artesanal e histórica, relacionada, sobretudo, à produção de peças em pedra sabão e tapetes de pita. Cachoeira de Brumado também é conhecida pelos vários escultores da madeira que lá vivem, e que tem como grandes referências, os artistas da família Pereira.
Filho do artista Artur Pereira (1920 - 2003), o mais famoso escultor de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, MG, e de Juvenil dos Reis Pereira, conhecida como dona Fiota, tem cinco irmãos.
Integrante do grupo do "Seu Artur", formado por seu pai, Artur Pereira (1920 - 2003), Adão de Lourdes Cassiano e Biscoito. Grupo que inseriu Cachoeira do Brumado como um dos mais importantes pólos da escultura em madeira do Brasil.
Com grande influência de Artur Pereira (1920 - 2003), que possui obras que integram importantes museus e coleções particulares no Brasil e no exterior, José domina as técnicas e o estilo artístico de pai com perfeição.
A arte de José Pereira ganhou visibilidade devido à similaridade com as obras de seu pai e passaram a ser comercializadas nas lojas de artesanato das cidades históricas mineiras, da mesma forma que aconteceu com seu pai, no início de sua carreira artística.
Por volta do ano de 2012, há relatos de turistas e moradores que afirmam que José está produzindo novamente e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade de Cachoeira de Brumado.
Fonte: Arte Popular do Brasil, "Artur Pereira".
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Mestre José Pereira - Escultor de Mariana
Desde o fim de 2011, por causa do trabalho, tenho viajado bastante para Minas Gerais. Por esse motivo vocês verão muitas postagens sobre a região, principalmente das cidades que compõem a conhecida Estrada Real.
No início de outubro de 2011, acho que na segunda vez que ia para Minas naquele ano, fui até Mariana. Estava tentando encontrar um santeiro para participar de um projeto e aproveitaria para rever a cidade que não visitava havia 12 anos.
Cheguei a cidade bastante empolgada com a possibilidade de rever o centro histórico e tirar algumas fotos, mas infelizmente o que encontrei foi uma cidade abandonada pelo poder público. Que só nos últimos 4 anos já havia trocado acho que 5 vezes de prefeito e que tinha sua principal área de preservação restringida a cerca de 1 ou dois quarteirões.
Decepções à parte, em minha busca por um santeiro fui apresentada a um escultor chamado José Pereira. Esse foi um daqueles dias em que posso dizer que agradeci por meu trabalho ter me levado mais uma vez para um lugar que dificilmente conheceria em outra situação.
O artesão morava em um distrito de Mariana, distante cerca de 20 ou 30 minutos do centro, chamado Cachoeira do Brumado. José Pereira é filho do Mestre Artur Pereira, um importante e reconhecido artista de Minas Gerais que tem algumas de suas obras expostas no Centro de Arte Popular de BH, tema de uma próxima postagem.
Para você ter idéia, Artur Pereira tem suas obras (esculpidas em madeira) em coleções particulares no exterior, diversos centros de arte de Minas e foi tema de uma publicação do Instituto Moreira Salles. José Pereira, seu filho, aprendeu com perfeição sua técnica, mas já havia algum tempo que não produzia mais. Posso afirmar que graças a pessoa que me apresentou esse divino artesão (Admilson Oliveira), conseguimos novamente vê-lo produzindo e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade.
Espero ainda ver muita produção desse mestre, afinal ainda não consegui comprar nenhuma peça produzida por ele e não quero perder essa chance. Se você gosta de arte, escultura em madeira, vai se encantar com o trabalho.
Em uma passada por Mariana, não deixe de perguntar sobre esse distrito. Tenho certeza de que chegando lá, qualquer um saberá lhe indicar onde encontrar José Pereira.
Fonte: Diário do Desbravador, "Mestre José Pereira - Escultor de Mariana". Escrito por K, publicado em 10 de outubro de 2012.
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A arte de Artur Pereira (1920 - 2003)
As características singulares do trabalho de Artur chamam a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas – colecionadores, marchands ou outros artistas. Ressaltam-se os paradoxos da altivez e da singeleza de suas figuras e o caráter indefinido, embora familiar, de seus animais.
As peças, evidentemente fora do cânone erudito, levam os comentadores e admiradores especializados a tentar entender e situar a obra de Artur Pereira.
Busca-se compreender como um homem simples, sem formação artística – de fato, quase sem formação alguma –, pode criar obras tão instigantes, que remetem a artistas modernos, como a brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) e o romeno Constantin Brancusi (1876-1957).
Para explicar as soluções do escultor, alguns comentadores sugerem a semelhança da obra de Artur Pereira com o barroco mineiro e as colunas salomônicas das igrejas desse período. De fato, a cidade de Cachoeira do Brumado participa do ciclo do ouro e possui uma igreja barroca, da qual Artur Pereira participa dos reparos.
Algumas das peças do escultor, geralmente chamadas de “colunas”, possuem estrutura semelhante à das colunas barrocas. Elas são esculpidas em seções de tronco oco, na forma de uma espiral composta por animais em fila e plantas.
O resultado é uma espécie de renda feita com esses elementos contíguos, que revela a interdependência do mundo natural e seus componentes. A crítica de arte, escritora e antropóloga Lélia Coelho Frota (1938-2010) chama essas colunas de “florestas”, reforçando a referência às árvores da vida, feita pelo artista José Alberto Nemer (1945) e remetendo-nos ao simbolismo das colunas barrocas.
Essas não são as primeiras peças produzidas por Artur Pereira. As características marcantes de suas obras – singularidade, simplificação, familiaridade e ambiguidade – estão presentes já nas primeiras peças.
Os animais isolados – esses “bichos”, como ele os chama – podem ser onças, cachorros, gatos, bois, pássaros etc. Também podem ser indefinidos e reunir características de diferentes animais, sem se assemelhar a seres monstruosos ou fantásticos.
Independentemente da identidade figurativa, as peças são estilizadas, arredondadas e, na maior parte das vezes, claramente formadas pela junção de cilindros, apesar de talhadas em uma só peça de madeira.
Os tamanhos variam, sem haver preocupação com as proporções entre os bichos. O arredondamento é explicado por Lélia Frota como decorrente das primeiras esculturas de barro, material que favorece o tratamento curvilíneo.
Nemer faz analogia entre o trabalho de Artur e Tarsila do Amaral e levanta a hipótese de a relação atávica com a natureza explicar o tratamento nas peças do escultor.
O crítico Rodrigo Naves (1955) destaca o uso do cedro, madeira macia e sem veios, e a semelhança de suas peças com certos objetos artesanais da vida rural, como ex-votos, pilões, rodas dentadas etc. Cabe ressaltar que Artur Pereira também trabalha com pedra-sabão, outro material macio, e, antes de começar a esculpir, ele faz gamelas de cedro.
A relação com certos objetos do cotidiano parece significativa, mas não dá conta de explicar todos os trabalhos do artista, como as esculturas de grupos. Nelas há apenas animais ou eles são predominantes.
Em geral, elas podem ser divididas em galhadas e presépios, ambos talhados em uma só peça de madeira. As galhadas, como as colunas, deixam evidente a forma inicial da madeira bruta: as figuras acompanham as ramificações da árvore.
São peças que, por vezes, parecem em equilíbrio instável, por mostrarem na base bichos menores que sustentam, por exemplo, onças enormes – o que não coincide com a realidade e escapa do cânone escultórico.
Os presépios tampouco seguem a iconografia cristã tradicional: trazem animais que não estão presentes na cena bíblica e privilegiam os bichos em detrimento das figuras humanas.
Essas peças e as colunas são, por vezes, relacionadas a produções da arte popular, que apresentam uma concepção de mundo particular, entrelaçando aspectos sociais, naturais e religiosos. Isso se reflete na contiguidade e na indistinção entre as partes de uma peça. Entretanto, como mostra Naves, as peças de Artur Pereira mantêm-se sempre entre a interdependência e o isolamento.
O caráter universal depreende-se da simplificação formal e da ausência de detalhes – processos que contribuem para a altivez dos animais. Essas características têm fundamentado leituras mais simbólicas, que identificam imagens arquetípicas na obra do artista (interpretação comum quando se trata da chamada arte popular).
Entretanto, não parece frutífero analisar esses artistas sob o rótulo genérico de “arte popular”, mas tentar encontrar a singularidade em cada um deles. Para Naves, o interesse e a beleza da obra de Artur Pereira devem-se à certa relação com a natureza e com a própria vida. O efeito final permite o estabelecer relações com a história da arte, mas não se deixa encaixar em suas categorias usuais.
Fonte: ARTUR Pereira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 07 de fevereiro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Escultura "Torre" com animais. Lote 322, 2º dia. Leilão Coleção Maria Adelaide Gonçalves (1947/2021), e outros - Galeria Alphaville.
José Reis Pereira (Mariana, MG, 1963), mais conhecido como José Pereira, é um escultor popular brasileiro. Suas esculturas em madeira contemplam as técnicas usadas por seu pai, Artur Pereira, também escultor, que é um dos mais prestigiados nomes da arte popular brasileira. Reside na Estrada Real, na comunidade de Cachoeira de Brumado, distrito de Mariana em Minas Gerais.
Biografia resumida
Nascido no interior mineiro, em um local que possui uma longa tradição artesanal e histórica, relacionada, sobretudo, à produção de peças em pedra sabão e tapetes de pita. Cachoeira de Brumado também é conhecida pelos vários escultores da madeira que lá vivem, e que tem como grandes referências, os artistas da família Pereira.
Filho do artista Artur Pereira (1920 - 2003), o mais famoso escultor de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, MG, e de Juvenil dos Reis Pereira, conhecida como dona Fiota, tem cinco irmãos.
Integrante do grupo do "Seu Artur", formado por seu pai, Artur Pereira (1920 - 2003), Adão de Lourdes Cassiano e Biscoito. Grupo que inseriu Cachoeira do Brumado como um dos mais importantes pólos da escultura em madeira do Brasil.
Com grande influência de Artur Pereira (1920 - 2003), que possui obras que integram importantes museus e coleções particulares no Brasil e no exterior, José domina as técnicas e o estilo artístico de pai com perfeição.
A arte de José Pereira ganhou visibilidade devido à similaridade com as obras de seu pai e passaram a ser comercializadas nas lojas de artesanato das cidades históricas mineiras, da mesma forma que aconteceu com seu pai, no início de sua carreira artística.
Por volta do ano de 2012, há relatos de turistas e moradores que afirmam que José está produzindo novamente e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade de Cachoeira de Brumado.
Fonte: Arte Popular do Brasil, "Artur Pereira".
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Mestre José Pereira - Escultor de Mariana
Desde o fim de 2011, por causa do trabalho, tenho viajado bastante para Minas Gerais. Por esse motivo vocês verão muitas postagens sobre a região, principalmente das cidades que compõem a conhecida Estrada Real.
No início de outubro de 2011, acho que na segunda vez que ia para Minas naquele ano, fui até Mariana. Estava tentando encontrar um santeiro para participar de um projeto e aproveitaria para rever a cidade que não visitava havia 12 anos.
Cheguei a cidade bastante empolgada com a possibilidade de rever o centro histórico e tirar algumas fotos, mas infelizmente o que encontrei foi uma cidade abandonada pelo poder público. Que só nos últimos 4 anos já havia trocado acho que 5 vezes de prefeito e que tinha sua principal área de preservação restringida a cerca de 1 ou dois quarteirões.
Decepções à parte, em minha busca por um santeiro fui apresentada a um escultor chamado José Pereira. Esse foi um daqueles dias em que posso dizer que agradeci por meu trabalho ter me levado mais uma vez para um lugar que dificilmente conheceria em outra situação.
O artesão morava em um distrito de Mariana, distante cerca de 20 ou 30 minutos do centro, chamado Cachoeira do Brumado. José Pereira é filho do Mestre Artur Pereira, um importante e reconhecido artista de Minas Gerais que tem algumas de suas obras expostas no Centro de Arte Popular de BH, tema de uma próxima postagem.
Para você ter idéia, Artur Pereira tem suas obras (esculpidas em madeira) em coleções particulares no exterior, diversos centros de arte de Minas e foi tema de uma publicação do Instituto Moreira Salles. José Pereira, seu filho, aprendeu com perfeição sua técnica, mas já havia algum tempo que não produzia mais. Posso afirmar que graças a pessoa que me apresentou esse divino artesão (Admilson Oliveira), conseguimos novamente vê-lo produzindo e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade.
Espero ainda ver muita produção desse mestre, afinal ainda não consegui comprar nenhuma peça produzida por ele e não quero perder essa chance. Se você gosta de arte, escultura em madeira, vai se encantar com o trabalho.
Em uma passada por Mariana, não deixe de perguntar sobre esse distrito. Tenho certeza de que chegando lá, qualquer um saberá lhe indicar onde encontrar José Pereira.
Fonte: Diário do Desbravador, "Mestre José Pereira - Escultor de Mariana". Escrito por K, publicado em 10 de outubro de 2012.
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A arte de Artur Pereira (1920 - 2003)
As características singulares do trabalho de Artur chamam a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas – colecionadores, marchands ou outros artistas. Ressaltam-se os paradoxos da altivez e da singeleza de suas figuras e o caráter indefinido, embora familiar, de seus animais.
As peças, evidentemente fora do cânone erudito, levam os comentadores e admiradores especializados a tentar entender e situar a obra de Artur Pereira.
Busca-se compreender como um homem simples, sem formação artística – de fato, quase sem formação alguma –, pode criar obras tão instigantes, que remetem a artistas modernos, como a brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) e o romeno Constantin Brancusi (1876-1957).
Para explicar as soluções do escultor, alguns comentadores sugerem a semelhança da obra de Artur Pereira com o barroco mineiro e as colunas salomônicas das igrejas desse período. De fato, a cidade de Cachoeira do Brumado participa do ciclo do ouro e possui uma igreja barroca, da qual Artur Pereira participa dos reparos.
Algumas das peças do escultor, geralmente chamadas de “colunas”, possuem estrutura semelhante à das colunas barrocas. Elas são esculpidas em seções de tronco oco, na forma de uma espiral composta por animais em fila e plantas.
O resultado é uma espécie de renda feita com esses elementos contíguos, que revela a interdependência do mundo natural e seus componentes. A crítica de arte, escritora e antropóloga Lélia Coelho Frota (1938-2010) chama essas colunas de “florestas”, reforçando a referência às árvores da vida, feita pelo artista José Alberto Nemer (1945) e remetendo-nos ao simbolismo das colunas barrocas.
Essas não são as primeiras peças produzidas por Artur Pereira. As características marcantes de suas obras – singularidade, simplificação, familiaridade e ambiguidade – estão presentes já nas primeiras peças.
Os animais isolados – esses “bichos”, como ele os chama – podem ser onças, cachorros, gatos, bois, pássaros etc. Também podem ser indefinidos e reunir características de diferentes animais, sem se assemelhar a seres monstruosos ou fantásticos.
Independentemente da identidade figurativa, as peças são estilizadas, arredondadas e, na maior parte das vezes, claramente formadas pela junção de cilindros, apesar de talhadas em uma só peça de madeira.
Os tamanhos variam, sem haver preocupação com as proporções entre os bichos. O arredondamento é explicado por Lélia Frota como decorrente das primeiras esculturas de barro, material que favorece o tratamento curvilíneo.
Nemer faz analogia entre o trabalho de Artur e Tarsila do Amaral e levanta a hipótese de a relação atávica com a natureza explicar o tratamento nas peças do escultor.
O crítico Rodrigo Naves (1955) destaca o uso do cedro, madeira macia e sem veios, e a semelhança de suas peças com certos objetos artesanais da vida rural, como ex-votos, pilões, rodas dentadas etc. Cabe ressaltar que Artur Pereira também trabalha com pedra-sabão, outro material macio, e, antes de começar a esculpir, ele faz gamelas de cedro.
A relação com certos objetos do cotidiano parece significativa, mas não dá conta de explicar todos os trabalhos do artista, como as esculturas de grupos. Nelas há apenas animais ou eles são predominantes.
Em geral, elas podem ser divididas em galhadas e presépios, ambos talhados em uma só peça de madeira. As galhadas, como as colunas, deixam evidente a forma inicial da madeira bruta: as figuras acompanham as ramificações da árvore.
São peças que, por vezes, parecem em equilíbrio instável, por mostrarem na base bichos menores que sustentam, por exemplo, onças enormes – o que não coincide com a realidade e escapa do cânone escultórico.
Os presépios tampouco seguem a iconografia cristã tradicional: trazem animais que não estão presentes na cena bíblica e privilegiam os bichos em detrimento das figuras humanas.
Essas peças e as colunas são, por vezes, relacionadas a produções da arte popular, que apresentam uma concepção de mundo particular, entrelaçando aspectos sociais, naturais e religiosos. Isso se reflete na contiguidade e na indistinção entre as partes de uma peça. Entretanto, como mostra Naves, as peças de Artur Pereira mantêm-se sempre entre a interdependência e o isolamento.
O caráter universal depreende-se da simplificação formal e da ausência de detalhes – processos que contribuem para a altivez dos animais. Essas características têm fundamentado leituras mais simbólicas, que identificam imagens arquetípicas na obra do artista (interpretação comum quando se trata da chamada arte popular).
Entretanto, não parece frutífero analisar esses artistas sob o rótulo genérico de “arte popular”, mas tentar encontrar a singularidade em cada um deles. Para Naves, o interesse e a beleza da obra de Artur Pereira devem-se à certa relação com a natureza e com a própria vida. O efeito final permite o estabelecer relações com a história da arte, mas não se deixa encaixar em suas categorias usuais.
Fonte: ARTUR Pereira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 07 de fevereiro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Escultura "Torre" com animais. Lote 322, 2º dia. Leilão Coleção Maria Adelaide Gonçalves (1947/2021), e outros - Galeria Alphaville.
José Reis Pereira (Mariana, MG, 1963), mais conhecido como José Pereira, é um escultor popular brasileiro. Suas esculturas em madeira contemplam as técnicas usadas por seu pai, Artur Pereira, também escultor, que é um dos mais prestigiados nomes da arte popular brasileira. Reside na Estrada Real, na comunidade de Cachoeira de Brumado, distrito de Mariana em Minas Gerais.
Biografia resumida
Nascido no interior mineiro, em um local que possui uma longa tradição artesanal e histórica, relacionada, sobretudo, à produção de peças em pedra sabão e tapetes de pita. Cachoeira de Brumado também é conhecida pelos vários escultores da madeira que lá vivem, e que tem como grandes referências, os artistas da família Pereira.
Filho do artista Artur Pereira (1920 - 2003), o mais famoso escultor de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, MG, e de Juvenil dos Reis Pereira, conhecida como dona Fiota, tem cinco irmãos.
Integrante do grupo do "Seu Artur", formado por seu pai, Artur Pereira (1920 - 2003), Adão de Lourdes Cassiano e Biscoito. Grupo que inseriu Cachoeira do Brumado como um dos mais importantes pólos da escultura em madeira do Brasil.
Com grande influência de Artur Pereira (1920 - 2003), que possui obras que integram importantes museus e coleções particulares no Brasil e no exterior, José domina as técnicas e o estilo artístico de pai com perfeição.
A arte de José Pereira ganhou visibilidade devido à similaridade com as obras de seu pai e passaram a ser comercializadas nas lojas de artesanato das cidades históricas mineiras, da mesma forma que aconteceu com seu pai, no início de sua carreira artística.
Por volta do ano de 2012, há relatos de turistas e moradores que afirmam que José está produzindo novamente e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade de Cachoeira de Brumado.
Fonte: Arte Popular do Brasil, "Artur Pereira".
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Mestre José Pereira - Escultor de Mariana
Desde o fim de 2011, por causa do trabalho, tenho viajado bastante para Minas Gerais. Por esse motivo vocês verão muitas postagens sobre a região, principalmente das cidades que compõem a conhecida Estrada Real.
No início de outubro de 2011, acho que na segunda vez que ia para Minas naquele ano, fui até Mariana. Estava tentando encontrar um santeiro para participar de um projeto e aproveitaria para rever a cidade que não visitava havia 12 anos.
Cheguei a cidade bastante empolgada com a possibilidade de rever o centro histórico e tirar algumas fotos, mas infelizmente o que encontrei foi uma cidade abandonada pelo poder público. Que só nos últimos 4 anos já havia trocado acho que 5 vezes de prefeito e que tinha sua principal área de preservação restringida a cerca de 1 ou dois quarteirões.
Decepções à parte, em minha busca por um santeiro fui apresentada a um escultor chamado José Pereira. Esse foi um daqueles dias em que posso dizer que agradeci por meu trabalho ter me levado mais uma vez para um lugar que dificilmente conheceria em outra situação.
O artesão morava em um distrito de Mariana, distante cerca de 20 ou 30 minutos do centro, chamado Cachoeira do Brumado. José Pereira é filho do Mestre Artur Pereira, um importante e reconhecido artista de Minas Gerais que tem algumas de suas obras expostas no Centro de Arte Popular de BH, tema de uma próxima postagem.
Para você ter idéia, Artur Pereira tem suas obras (esculpidas em madeira) em coleções particulares no exterior, diversos centros de arte de Minas e foi tema de uma publicação do Instituto Moreira Salles. José Pereira, seu filho, aprendeu com perfeição sua técnica, mas já havia algum tempo que não produzia mais. Posso afirmar que graças a pessoa que me apresentou esse divino artesão (Admilson Oliveira), conseguimos novamente vê-lo produzindo e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade.
Espero ainda ver muita produção desse mestre, afinal ainda não consegui comprar nenhuma peça produzida por ele e não quero perder essa chance. Se você gosta de arte, escultura em madeira, vai se encantar com o trabalho.
Em uma passada por Mariana, não deixe de perguntar sobre esse distrito. Tenho certeza de que chegando lá, qualquer um saberá lhe indicar onde encontrar José Pereira.
Fonte: Diário do Desbravador, "Mestre José Pereira - Escultor de Mariana". Escrito por K, publicado em 10 de outubro de 2012.
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A arte de Artur Pereira (1920 - 2003)
As características singulares do trabalho de Artur chamam a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas – colecionadores, marchands ou outros artistas. Ressaltam-se os paradoxos da altivez e da singeleza de suas figuras e o caráter indefinido, embora familiar, de seus animais.
As peças, evidentemente fora do cânone erudito, levam os comentadores e admiradores especializados a tentar entender e situar a obra de Artur Pereira.
Busca-se compreender como um homem simples, sem formação artística – de fato, quase sem formação alguma –, pode criar obras tão instigantes, que remetem a artistas modernos, como a brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) e o romeno Constantin Brancusi (1876-1957).
Para explicar as soluções do escultor, alguns comentadores sugerem a semelhança da obra de Artur Pereira com o barroco mineiro e as colunas salomônicas das igrejas desse período. De fato, a cidade de Cachoeira do Brumado participa do ciclo do ouro e possui uma igreja barroca, da qual Artur Pereira participa dos reparos.
Algumas das peças do escultor, geralmente chamadas de “colunas”, possuem estrutura semelhante à das colunas barrocas. Elas são esculpidas em seções de tronco oco, na forma de uma espiral composta por animais em fila e plantas.
O resultado é uma espécie de renda feita com esses elementos contíguos, que revela a interdependência do mundo natural e seus componentes. A crítica de arte, escritora e antropóloga Lélia Coelho Frota (1938-2010) chama essas colunas de “florestas”, reforçando a referência às árvores da vida, feita pelo artista José Alberto Nemer (1945) e remetendo-nos ao simbolismo das colunas barrocas.
Essas não são as primeiras peças produzidas por Artur Pereira. As características marcantes de suas obras – singularidade, simplificação, familiaridade e ambiguidade – estão presentes já nas primeiras peças.
Os animais isolados – esses “bichos”, como ele os chama – podem ser onças, cachorros, gatos, bois, pássaros etc. Também podem ser indefinidos e reunir características de diferentes animais, sem se assemelhar a seres monstruosos ou fantásticos.
Independentemente da identidade figurativa, as peças são estilizadas, arredondadas e, na maior parte das vezes, claramente formadas pela junção de cilindros, apesar de talhadas em uma só peça de madeira.
Os tamanhos variam, sem haver preocupação com as proporções entre os bichos. O arredondamento é explicado por Lélia Frota como decorrente das primeiras esculturas de barro, material que favorece o tratamento curvilíneo.
Nemer faz analogia entre o trabalho de Artur e Tarsila do Amaral e levanta a hipótese de a relação atávica com a natureza explicar o tratamento nas peças do escultor.
O crítico Rodrigo Naves (1955) destaca o uso do cedro, madeira macia e sem veios, e a semelhança de suas peças com certos objetos artesanais da vida rural, como ex-votos, pilões, rodas dentadas etc. Cabe ressaltar que Artur Pereira também trabalha com pedra-sabão, outro material macio, e, antes de começar a esculpir, ele faz gamelas de cedro.
A relação com certos objetos do cotidiano parece significativa, mas não dá conta de explicar todos os trabalhos do artista, como as esculturas de grupos. Nelas há apenas animais ou eles são predominantes.
Em geral, elas podem ser divididas em galhadas e presépios, ambos talhados em uma só peça de madeira. As galhadas, como as colunas, deixam evidente a forma inicial da madeira bruta: as figuras acompanham as ramificações da árvore.
São peças que, por vezes, parecem em equilíbrio instável, por mostrarem na base bichos menores que sustentam, por exemplo, onças enormes – o que não coincide com a realidade e escapa do cânone escultórico.
Os presépios tampouco seguem a iconografia cristã tradicional: trazem animais que não estão presentes na cena bíblica e privilegiam os bichos em detrimento das figuras humanas.
Essas peças e as colunas são, por vezes, relacionadas a produções da arte popular, que apresentam uma concepção de mundo particular, entrelaçando aspectos sociais, naturais e religiosos. Isso se reflete na contiguidade e na indistinção entre as partes de uma peça. Entretanto, como mostra Naves, as peças de Artur Pereira mantêm-se sempre entre a interdependência e o isolamento.
O caráter universal depreende-se da simplificação formal e da ausência de detalhes – processos que contribuem para a altivez dos animais. Essas características têm fundamentado leituras mais simbólicas, que identificam imagens arquetípicas na obra do artista (interpretação comum quando se trata da chamada arte popular).
Entretanto, não parece frutífero analisar esses artistas sob o rótulo genérico de “arte popular”, mas tentar encontrar a singularidade em cada um deles. Para Naves, o interesse e a beleza da obra de Artur Pereira devem-se à certa relação com a natureza e com a própria vida. O efeito final permite o estabelecer relações com a história da arte, mas não se deixa encaixar em suas categorias usuais.
Fonte: ARTUR Pereira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 07 de fevereiro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Escultura "Torre" com animais. Lote 322, 2º dia. Leilão Coleção Maria Adelaide Gonçalves (1947/2021), e outros - Galeria Alphaville.
José Reis Pereira (Mariana, MG, 1963), mais conhecido como José Pereira, é um escultor popular brasileiro. Suas esculturas em madeira contemplam as técnicas usadas por seu pai, Artur Pereira, também escultor, que é um dos mais prestigiados nomes da arte popular brasileira. Reside na Estrada Real, na comunidade de Cachoeira de Brumado, distrito de Mariana em Minas Gerais.
Biografia resumida
Nascido no interior mineiro, em um local que possui uma longa tradição artesanal e histórica, relacionada, sobretudo, à produção de peças em pedra sabão e tapetes de pita. Cachoeira de Brumado também é conhecida pelos vários escultores da madeira que lá vivem, e que tem como grandes referências, os artistas da família Pereira.
Filho do artista Artur Pereira (1920 - 2003), o mais famoso escultor de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, MG, e de Juvenil dos Reis Pereira, conhecida como dona Fiota, tem cinco irmãos.
Integrante do grupo do "Seu Artur", formado por seu pai, Artur Pereira (1920 - 2003), Adão de Lourdes Cassiano e Biscoito. Grupo que inseriu Cachoeira do Brumado como um dos mais importantes pólos da escultura em madeira do Brasil.
Com grande influência de Artur Pereira (1920 - 2003), que possui obras que integram importantes museus e coleções particulares no Brasil e no exterior, José domina as técnicas e o estilo artístico de pai com perfeição.
A arte de José Pereira ganhou visibilidade devido à similaridade com as obras de seu pai e passaram a ser comercializadas nas lojas de artesanato das cidades históricas mineiras, da mesma forma que aconteceu com seu pai, no início de sua carreira artística.
Por volta do ano de 2012, há relatos de turistas e moradores que afirmam que José está produzindo novamente e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade de Cachoeira de Brumado.
Fonte: Arte Popular do Brasil, "Artur Pereira".
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Mestre José Pereira - Escultor de Mariana
Desde o fim de 2011, por causa do trabalho, tenho viajado bastante para Minas Gerais. Por esse motivo vocês verão muitas postagens sobre a região, principalmente das cidades que compõem a conhecida Estrada Real.
No início de outubro de 2011, acho que na segunda vez que ia para Minas naquele ano, fui até Mariana. Estava tentando encontrar um santeiro para participar de um projeto e aproveitaria para rever a cidade que não visitava havia 12 anos.
Cheguei a cidade bastante empolgada com a possibilidade de rever o centro histórico e tirar algumas fotos, mas infelizmente o que encontrei foi uma cidade abandonada pelo poder público. Que só nos últimos 4 anos já havia trocado acho que 5 vezes de prefeito e que tinha sua principal área de preservação restringida a cerca de 1 ou dois quarteirões.
Decepções à parte, em minha busca por um santeiro fui apresentada a um escultor chamado José Pereira. Esse foi um daqueles dias em que posso dizer que agradeci por meu trabalho ter me levado mais uma vez para um lugar que dificilmente conheceria em outra situação.
O artesão morava em um distrito de Mariana, distante cerca de 20 ou 30 minutos do centro, chamado Cachoeira do Brumado. José Pereira é filho do Mestre Artur Pereira, um importante e reconhecido artista de Minas Gerais que tem algumas de suas obras expostas no Centro de Arte Popular de BH, tema de uma próxima postagem.
Para você ter idéia, Artur Pereira tem suas obras (esculpidas em madeira) em coleções particulares no exterior, diversos centros de arte de Minas e foi tema de uma publicação do Instituto Moreira Salles. José Pereira, seu filho, aprendeu com perfeição sua técnica, mas já havia algum tempo que não produzia mais. Posso afirmar que graças a pessoa que me apresentou esse divino artesão (Admilson Oliveira), conseguimos novamente vê-lo produzindo e ensinando sua técnica para diversos jovens da comunidade.
Espero ainda ver muita produção desse mestre, afinal ainda não consegui comprar nenhuma peça produzida por ele e não quero perder essa chance. Se você gosta de arte, escultura em madeira, vai se encantar com o trabalho.
Em uma passada por Mariana, não deixe de perguntar sobre esse distrito. Tenho certeza de que chegando lá, qualquer um saberá lhe indicar onde encontrar José Pereira.
Fonte: Diário do Desbravador, "Mestre José Pereira - Escultor de Mariana". Escrito por K, publicado em 10 de outubro de 2012.
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A arte de Artur Pereira (1920 - 2003)
As características singulares do trabalho de Artur chamam a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas – colecionadores, marchands ou outros artistas. Ressaltam-se os paradoxos da altivez e da singeleza de suas figuras e o caráter indefinido, embora familiar, de seus animais.
As peças, evidentemente fora do cânone erudito, levam os comentadores e admiradores especializados a tentar entender e situar a obra de Artur Pereira.
Busca-se compreender como um homem simples, sem formação artística – de fato, quase sem formação alguma –, pode criar obras tão instigantes, que remetem a artistas modernos, como a brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) e o romeno Constantin Brancusi (1876-1957).
Para explicar as soluções do escultor, alguns comentadores sugerem a semelhança da obra de Artur Pereira com o barroco mineiro e as colunas salomônicas das igrejas desse período. De fato, a cidade de Cachoeira do Brumado participa do ciclo do ouro e possui uma igreja barroca, da qual Artur Pereira participa dos reparos.
Algumas das peças do escultor, geralmente chamadas de “colunas”, possuem estrutura semelhante à das colunas barrocas. Elas são esculpidas em seções de tronco oco, na forma de uma espiral composta por animais em fila e plantas.
O resultado é uma espécie de renda feita com esses elementos contíguos, que revela a interdependência do mundo natural e seus componentes. A crítica de arte, escritora e antropóloga Lélia Coelho Frota (1938-2010) chama essas colunas de “florestas”, reforçando a referência às árvores da vida, feita pelo artista José Alberto Nemer (1945) e remetendo-nos ao simbolismo das colunas barrocas.
Essas não são as primeiras peças produzidas por Artur Pereira. As características marcantes de suas obras – singularidade, simplificação, familiaridade e ambiguidade – estão presentes já nas primeiras peças.
Os animais isolados – esses “bichos”, como ele os chama – podem ser onças, cachorros, gatos, bois, pássaros etc. Também podem ser indefinidos e reunir características de diferentes animais, sem se assemelhar a seres monstruosos ou fantásticos.
Independentemente da identidade figurativa, as peças são estilizadas, arredondadas e, na maior parte das vezes, claramente formadas pela junção de cilindros, apesar de talhadas em uma só peça de madeira.
Os tamanhos variam, sem haver preocupação com as proporções entre os bichos. O arredondamento é explicado por Lélia Frota como decorrente das primeiras esculturas de barro, material que favorece o tratamento curvilíneo.
Nemer faz analogia entre o trabalho de Artur e Tarsila do Amaral e levanta a hipótese de a relação atávica com a natureza explicar o tratamento nas peças do escultor.
O crítico Rodrigo Naves (1955) destaca o uso do cedro, madeira macia e sem veios, e a semelhança de suas peças com certos objetos artesanais da vida rural, como ex-votos, pilões, rodas dentadas etc. Cabe ressaltar que Artur Pereira também trabalha com pedra-sabão, outro material macio, e, antes de começar a esculpir, ele faz gamelas de cedro.
A relação com certos objetos do cotidiano parece significativa, mas não dá conta de explicar todos os trabalhos do artista, como as esculturas de grupos. Nelas há apenas animais ou eles são predominantes.
Em geral, elas podem ser divididas em galhadas e presépios, ambos talhados em uma só peça de madeira. As galhadas, como as colunas, deixam evidente a forma inicial da madeira bruta: as figuras acompanham as ramificações da árvore.
São peças que, por vezes, parecem em equilíbrio instável, por mostrarem na base bichos menores que sustentam, por exemplo, onças enormes – o que não coincide com a realidade e escapa do cânone escultórico.
Os presépios tampouco seguem a iconografia cristã tradicional: trazem animais que não estão presentes na cena bíblica e privilegiam os bichos em detrimento das figuras humanas.
Essas peças e as colunas são, por vezes, relacionadas a produções da arte popular, que apresentam uma concepção de mundo particular, entrelaçando aspectos sociais, naturais e religiosos. Isso se reflete na contiguidade e na indistinção entre as partes de uma peça. Entretanto, como mostra Naves, as peças de Artur Pereira mantêm-se sempre entre a interdependência e o isolamento.
O caráter universal depreende-se da simplificação formal e da ausência de detalhes – processos que contribuem para a altivez dos animais. Essas características têm fundamentado leituras mais simbólicas, que identificam imagens arquetípicas na obra do artista (interpretação comum quando se trata da chamada arte popular).
Entretanto, não parece frutífero analisar esses artistas sob o rótulo genérico de “arte popular”, mas tentar encontrar a singularidade em cada um deles. Para Naves, o interesse e a beleza da obra de Artur Pereira devem-se à certa relação com a natureza e com a própria vida. O efeito final permite o estabelecer relações com a história da arte, mas não se deixa encaixar em suas categorias usuais.
Fonte: ARTUR Pereira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 07 de fevereiro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Escultura "Torre" com animais. Lote 322, 2º dia. Leilão Coleção Maria Adelaide Gonçalves (1947/2021), e outros - Galeria Alphaville.