Karin Lambrecht (Porto Alegre, 1957) é uma pintora, desenhista, gravadora e escultora brasileira. Iniciou seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979. Em 1987 foi selecionada para participar da XIX Bienal Internacional de São Paulo, em 2001 participou da III Bienal do Mercosul, e em 2002 teve uma sala especial na XXV Bienal de São Paulo. Tem obras no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Biografia – Itaú Cultural
Karin Marilin Haessler Lambrecht (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1957). Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Inicia seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979.
Nesse ano, realiza sua primeira individual, no Espaço 542. No início da década de 1980, faz curso de pintura com Raimund Girke (1930 - 2002), na Hochschule der Künste, em Berlim. Em 1986, realiza mostra individual na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. Recebe, em 1988, o Prêmio Ivan Serpa, da Funarte.
Em sua produção dos anos 1980, emprega detritos industriais, dialogando com a arte povera e o expressionismo. Nesse período, dedica-se ainda à pintura, em busca de novas possibilidades formais, elimina chassis e costura pedaços de tela. Na década de 1990, começa a agregar materiais orgânicos, como grãos de terra e sangue, à superfície das telas.
Análise
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo. Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos. A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas. As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira. Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos. Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Exposições Individuais
1979 - Porto Alegre RS - Individual, no Espaço 542
1984 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1985 - Curitiba PR - A Fertilidade de Anita, na Sala Bandeirante do MAC/PR
1986 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1986 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1987 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Petrus Kirche
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Thomas Cohn Arte Contemporânea
1989 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1990 - São Paulo SP - Individual, na Subdistrito Comercial de Arte
1991 - Porto Alegre RS - Individual, na Itaugaleria
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Camargo Vilaça
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e Desenho, na Funarte
1997 - Novo Hamburgo RS - Individual, na Galeria Modernidade
2002 - Porto Alegre RS - Individual, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - MARGS
2005 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Nara Roesler
Exposições Coletivas
1983 - Porto Alegre RS - Arte Livro Gaúcho: 1950/1983, no Margs
1983 - Porto Alegre RS - Coletiva Três Processos de Trabalho, no Instituto Goethe
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - menção honrosa
1984 - Rio de Janeiro RJ - Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - Rio de Janeiro RJ - Os Olhos do Gato que Ouvem, na Funarte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Pequenos Formatos, na GB Arte
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - Trabalhando com o Suporte: pintura, recorte e objeto, na Documenta Galeria de Arte
1989 - Bonn (Alemanha) - Panorama de Pintura, na Galeria Raue
1989 - Porto Alegre RS - Panorama de Pintura, na Galeria Tina Zappoli
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - Panorama de Pintura, no MAM/SP
1991 - Caracas (Venezuela) - Brasil: la nueva generación, na Fundación Museo de Bellas Artes
1991 - Porto Alegre RS - BR/80: Pintura Brasil Década 80, na Casa de Cultura Mário Quintana
1991 - Porto Alegre RS - Exposição Atelier Livre: 30 anos - alunos artistas, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre
1992 - Belém PA - 11º Salão Arte Pará, na Fundação Romulo Maiorana
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1992 - São Paulo SP - João Sattamini/Subdistrito, na Casa das Rosas
1992 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1993 - Brasília DF - Um Olhar sobre Joseph Beuys, na Fundação Athos Bulcão
1993 - Porto Alegre RS - Anti corpo, no Museu de Arte Contemporânea
1993 - Porto Alegre RS - Projeto Aquisição: obras doadas ao acervo do Margs, no Margs
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no Art Museum of the Americas
1994 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no MAM/RJ
1994 - Rio de Janeiro RJ - The Exchange Show: doze pintores de San Francisco e do Rio de Janeiro, no MAM/RJ
1994 - San Francisco (Estados Unidos) - The Exchange Show: twelve painters from San Francisco and Rio de Janeiro, no Yerba Buena Center for the Arts
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1994 - Aachen (Alemanha) - Arte Amazonas, no Ludwig Forum für Internationale Kunst
1994 - São Paulo SP - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, na Casa das Rosas
1995 - Rio de Janeiro RJ - Anos 80 : o palco da diversidade, no MAM/RJ
1995 - São Paulo SP - Anos 80: o palco da diversidade, na Galeria de Arte do Sesi
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e objeto, na Galeria Sérgio Milliet
1996 - São Paulo SP - Arte brasileira contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos. Centro de Estudos do Ciclo do Ouro
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Bolsa de Arte de Porto Alegre
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Galeria Cezar Prestes Arte
1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal Internacional de Cuenca
1998 - Goiânia GO - Os Anos 80, na Galeria de Arte Marina Potrich
1998 - Porto Alegre RS - Remetente, no Espaço Cultural ULBRA
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial, na MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - Wiesbaden (Alemanha) - Quase Nada, no Nassauischer Kunstverein Wiesbaden
1999 - Porto Alegre RS - Arte Gaúcha Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea
1999 - Porto Alegre RS - Garagem de Arte: mostra inaugural, na Garagem de Arte
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Novo Hamburgo RS - Mostra Itinerante do Acervo do MAC, no Centro Universitário Feevale
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, na Fundação Bienal
2001 - Brasília DF - Mostra de Arte Contemporânea, no Conjunto Cultural da Caixa
2001 - Porto Alegre RS - 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Porto Alegre RS - Desenhos, Gravuras, Esculturas e Aquarelas, na Garagem de Arte
2002 - Porto Alegre RS - Violência e Paixão, no Santander Cultural
2002 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra Rio Arte Contemporânea, no MAM/RJ
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - 25ª Bienal Internacional de São Paulo - sala especial, na Fundação Bienal
2002 - São Paulo SP - O Orgânico em Colapso, na Valu Oria Galeria de Arte
2003 - Porto Alegre RS - Vida, Povo, Fome, Trabalho e Religião, na Garagem de Arte
2003 - São Paulo, SP - Pele, Alma, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Valu Oria Galeria de Arte
2004 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está Você, Geração 80?, no CCBB
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Ateliê de Iberê Camargo, no Centro Universitário Maria Antonia
2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural
2005 - Alcobaça (Portugal) - Lágrimas, no Mosteiro de Alcobaça
2005 - São Paulo SP - Dor, Forma, Beleza, na Estação Pinacoteca
2005 - Porto Alegre RS - 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2006 - Caxias do Sul RS - Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
2006 - São Paulo SP - Manobras Radicais, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
2006 - São Paulo SP - Paralela 2006, no Pavilhão dos Estados
2007 - São Paulo SP - Mulheres Artistas, no MAC/SP
2007 - São Paulo SP - Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981-2006, no Itaú Cultural
Fonte: KARIN Lambrecht. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 06 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Paisagens internas da pintora Karin Lambrecht | Forbes
Karin Lambrecht é uma dessas pessoas com a sorte de ter uma bela coleção de memórias. A vida da artista plástica, que se define acima de tudo como pintora, rende um livro lindamente ilustrado por ela mesma. Experiências vividas são essenciais para empreender nossa singular jornada, expandir o horizonte e fazer arte. Penso nessa geração que passa os melhores anos atrás da tela do computador…
De família de alemães protestantes de Porto Alegre, Karin testemunhou o “progresso” aniquilar os pomares e parreirais do bairro onde nasceu, de uma hora para outra transformado em área semicomercial sem identidade, sem memória. É uma das razões que a levou em 2017 a se instalar em Broadstairs, bucólica cidadezinha inglesa encravada em uma ilha com penhascos brancos que despencam no caudaloso mar do Norte. Neste canto esquecido da costa sudeste da Grã Bretanha onde escolheu viver, o imenso céu do final da tarde é uma abóboda com rasgos vermelhos, uma das cores centrais de sua paleta.
Seu vermelho, antes terroso, carnal, sanguíneo até, agora é vibrante, e concede espaço para aguadas cromáticas com o rosa delicado e o azul celestial conforme se admira nas telas abstratas de sua recente produção, Seasons of the Soul, assim mesmo em inglês.
A nova série está de 18 de fevereiro a 18 de março em nossa galeria de São Paulo, ao lado de um conjunto de aquarelas monocromáticas em tons de areia. As telas, lavadas por campos geométricos tintos por tons luminosos, algumas com pequeno detalhe em cobre, confrontam o vazio de cor das aquarelas com suturas bordadas em tecido diáfano. Alguns trabalhos exibem a palavra escrita, rascunhada, quase imperceptível, indicando uma paisagem exterior ou expressando uma sensação interna, que revelam estados da alma.
Em Porto Alegre, Karin frequentou o atelier de Iberê Camargo antes de se mudar para Berlim, experiência que definiu sua busca como jovem. Vivia no bairro boêmio de Charlottenburg, estudava na famosa HDK (Universidade de Artes de Berlim), onde presenciou palestra de Joseph Beuys. Em 1982, em plena Guerra Fria, ao fazer uma performance no rio Spree a jovem artista quase foi presa pela polícia de Berlim Oriental não tivesse ela dado no pé ao sacar o perigo iminente. Sabia que a polícia russa, armada até os dentes, não tinha dó, pois volta e meia era obrigada a passar pelo histórico Checkpoint Charlie para visitar os avós paternos no lado temeroso do Muro que dividiu a Europa de 1961 a 1989.
De volta ao Brasil, foi Paulo Herkenhoff quem indicou sua obra aos curadores da antológica exposição no Rio, em 1984, “Como Vai Você, Geração 80?”. Dois anos depois, fez uma residência artística na Millay Colony, no estado de Nova York, e teve seu trabalho selecionado por não menos que Louise Bourgeois.
Conheceu a Amazônia profunda em uma viagem organizada pelo Instituto Goethe com artistas como Tunga, Miguel Rio Branco, Marina Abramovic… Em 1990, veio sua primeira individual em São Paulo na histórica galeria da galera, a Subdistrito de João Sattamini e Rubem Breitman.
Expôs nas Bienais de São Paulo de 1985 no segmento ‘Expressionismo Heranças e Afinidades’, depois em 1987, e mais tarde em 2002. Sua primeira exposição individual institucional em São Paulo aconteceu no Instituto Tomie Ohtake, em 2018, com curadoria de Paulo Miyada.
A extinta editora Cosac Naify publicou um livro sobre sua obra e, desde 2005, a artista expõe em nossa galeria. Karin é uma aventureira do mundo real, mas Karin, a pintora, sabe que pintar tange o mundo invisível do pensamento, dos sentimentos, do misticismo. Como ela mesma diz, a busca pela verdade liberta.
Fonte: Forbes, escrito por Nara Roesler em colaboração com Cynthia Garcia, historiadora de arte, publicado em 24 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Nara Roesler apresenta obra recente de Karin Lambrecht | Arte que Acontece
As obras da gaúcha Karin Lambrecht nascem do entrelaçamento entre o mundo subjetivo e o mundo natural, o espírito e a natureza.
Os trabalhos que a artista apresenta na galeria Nara Roesler a partir de amanhã, dia 18.2, em Seasons of the soul (Estações do espírito) revelam as transformações da sua prática desde sua mudança de Porto Alegre para Broadstairs, na ilha de Thanet, no Reino Unido.
As cores usadas remetem às impressões e sensações da artista ao ser impactada pela paisagem local e as especificidades de luz. Cores quentes e frias se encontram de forma harmônica em sutis gradações.
A artista ressalta que agora as tonalidades vermelhas têm menos relação com a terra, como em trabalhos anteriores, e muito mais a ver com o céu, já que em Broadstairs ele pode adquirir uma qualidade avermelhada no fim do dia.
Além da cor, a palavra é outro elemento recorrente na prática da artista. Elas aparecem nas telas em português, inglês e, às vezes, alemão e muitas vezes dão título às obras. Elas podem evocar uma paisagem, como Cliff (Penhasco), ou uma sensação, como Pleasure (Prazer).
“Quando eu olho a paisagem e o que está à minha volta, eu costumo fazer pequenas anotações, às vezes rabiscos. No meu trabalho, quando escrevo essas palavras misturadas à pintura, é o que me rodeia. A chuva, as árvores, as estações, o sol, o mar, os penhascos”, contou em vídeo sobre a exposição divulgado no canal da galeria no YouTube.
Ela explica que escreve palavras na tela em várias camadas e, quando começa com a cor, muitas vezes o primeiro plano das palavras desaparece, e isso, para ela, representa o “mundo invisível”, dos sentimentos, da intuição.
Já nos papéis, aparecem desenhos com linhas de costura e delicadas manchas feitas com pincel. Para Lambrecht, esses trabalhos são um contraponto às pinturas, permitindo uma gestualidade mais expansiva e uma feitura mais rápida.
Lambrecht, no início da carreira, repensou a tela e a forma de pintar, eliminando o chassi, costurando tecidos, usando retalhos chamuscados.
Expoente da Geração 80, suas obras habitam um espaço entre a pintura e a escultura, são políticas e também materiais. A partir da década de 1990, passa a incluir materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue.
Fonte: Arte que Acontece, publicado em 17 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Karin Lambrecht: Conheça o estilo único da artista | ArtRef
Karin Lambrecht nasceu em 1957, em Porto Alegre, Brasil. Atualmente ela vive e trabalha em Broadstairs, Reino Unido.
Toda a produção de Karin Lambrecht em pintura, desenho, gravura e escultura demonstra uma multifacetada preocupação com as relações entre arte e vida, compreendida em sentido abrangente: trata-se de vida natural, vida cultural e vida interior.
Para o pesquisador Miguel Chaia, os processos técnico e intelectual de Lambrecht se inter-relacionam e se mantêm evidentes nas obras para criar uma “visualidade espalhada na superfície e direcionada para a exterioridade”.
Karin Lambrecht
Seu trabalho é ação que funde corpo e pensamento, vida e finitude.
No início da carreira, Lambrecht repensou a tela e a forma de pintar – elimina então o chassi, costura tecidos, usa retalhos chamuscados.
A abstração gestual, característica da Geração 80, que integrou, é mote central; suas obras habitam um espaço entre pintura e escultura, dialogam com a arte povera e com Joseph Beuys, são políticas, mas também materiais.
Os volumes pesam como corpos, as delimitações ou negações do espaço dialogam com a escala que seus trabalhos assumem.
A partir da década de 1990, a artista inclui materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue, o que determinou, em alguma medida, o repertório cromático que aparece então. .
Além do sangue animal, são elementos recorrentes em seu trabalho as formas cruciformes e as referências ao corpo, índices de diferentes níveis de identificação do espectador com a obra.
Karin Lambrecht: Análise da obra
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo.
Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos.
A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas.
As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira.
Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos.
Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Fonte: ArtRef, escrito por Paulo Varella, publicado em 19 de novembro de 2018. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
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Geração 80 – Wikipédia
Geração 80 é uma tendência artística na arte brasileira durante a década de 1980. Em termos estéticos, a principal característica da geração foi o retorno à pintura mais subjetiva, dado que, durante a década de 1970, movimentos como a arte conceitual centravam-se majoritariamente em obras esculturais "austeras". O principal marco para essa tendência foi a exposição "Como vai você, Geração 80?", realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1984, em que 123 artistas do Brasil (especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo) expuseram suas obras. Alguns dos participantes da exposição foram: Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Karin Lambrecht, Alex Vallauri, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda e Sérgio Romagnolo.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Blog Anna Ramalho, publicado em 26 de fevereiro de 2016. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Karin Lambrecht (Porto Alegre, 1957) é uma pintora, desenhista, gravadora e escultora brasileira. Iniciou seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979. Em 1987 foi selecionada para participar da XIX Bienal Internacional de São Paulo, em 2001 participou da III Bienal do Mercosul, e em 2002 teve uma sala especial na XXV Bienal de São Paulo. Tem obras no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Biografia – Itaú Cultural
Karin Marilin Haessler Lambrecht (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1957). Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Inicia seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979.
Nesse ano, realiza sua primeira individual, no Espaço 542. No início da década de 1980, faz curso de pintura com Raimund Girke (1930 - 2002), na Hochschule der Künste, em Berlim. Em 1986, realiza mostra individual na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. Recebe, em 1988, o Prêmio Ivan Serpa, da Funarte.
Em sua produção dos anos 1980, emprega detritos industriais, dialogando com a arte povera e o expressionismo. Nesse período, dedica-se ainda à pintura, em busca de novas possibilidades formais, elimina chassis e costura pedaços de tela. Na década de 1990, começa a agregar materiais orgânicos, como grãos de terra e sangue, à superfície das telas.
Análise
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo. Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos. A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas. As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira. Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos. Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Exposições Individuais
1979 - Porto Alegre RS - Individual, no Espaço 542
1984 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1985 - Curitiba PR - A Fertilidade de Anita, na Sala Bandeirante do MAC/PR
1986 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1986 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1987 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Petrus Kirche
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Thomas Cohn Arte Contemporânea
1989 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1990 - São Paulo SP - Individual, na Subdistrito Comercial de Arte
1991 - Porto Alegre RS - Individual, na Itaugaleria
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Camargo Vilaça
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e Desenho, na Funarte
1997 - Novo Hamburgo RS - Individual, na Galeria Modernidade
2002 - Porto Alegre RS - Individual, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - MARGS
2005 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Nara Roesler
Exposições Coletivas
1983 - Porto Alegre RS - Arte Livro Gaúcho: 1950/1983, no Margs
1983 - Porto Alegre RS - Coletiva Três Processos de Trabalho, no Instituto Goethe
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - menção honrosa
1984 - Rio de Janeiro RJ - Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - Rio de Janeiro RJ - Os Olhos do Gato que Ouvem, na Funarte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Pequenos Formatos, na GB Arte
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - Trabalhando com o Suporte: pintura, recorte e objeto, na Documenta Galeria de Arte
1989 - Bonn (Alemanha) - Panorama de Pintura, na Galeria Raue
1989 - Porto Alegre RS - Panorama de Pintura, na Galeria Tina Zappoli
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - Panorama de Pintura, no MAM/SP
1991 - Caracas (Venezuela) - Brasil: la nueva generación, na Fundación Museo de Bellas Artes
1991 - Porto Alegre RS - BR/80: Pintura Brasil Década 80, na Casa de Cultura Mário Quintana
1991 - Porto Alegre RS - Exposição Atelier Livre: 30 anos - alunos artistas, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre
1992 - Belém PA - 11º Salão Arte Pará, na Fundação Romulo Maiorana
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1992 - São Paulo SP - João Sattamini/Subdistrito, na Casa das Rosas
1992 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1993 - Brasília DF - Um Olhar sobre Joseph Beuys, na Fundação Athos Bulcão
1993 - Porto Alegre RS - Anti corpo, no Museu de Arte Contemporânea
1993 - Porto Alegre RS - Projeto Aquisição: obras doadas ao acervo do Margs, no Margs
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no Art Museum of the Americas
1994 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no MAM/RJ
1994 - Rio de Janeiro RJ - The Exchange Show: doze pintores de San Francisco e do Rio de Janeiro, no MAM/RJ
1994 - San Francisco (Estados Unidos) - The Exchange Show: twelve painters from San Francisco and Rio de Janeiro, no Yerba Buena Center for the Arts
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1994 - Aachen (Alemanha) - Arte Amazonas, no Ludwig Forum für Internationale Kunst
1994 - São Paulo SP - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, na Casa das Rosas
1995 - Rio de Janeiro RJ - Anos 80 : o palco da diversidade, no MAM/RJ
1995 - São Paulo SP - Anos 80: o palco da diversidade, na Galeria de Arte do Sesi
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e objeto, na Galeria Sérgio Milliet
1996 - São Paulo SP - Arte brasileira contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos. Centro de Estudos do Ciclo do Ouro
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Bolsa de Arte de Porto Alegre
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Galeria Cezar Prestes Arte
1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal Internacional de Cuenca
1998 - Goiânia GO - Os Anos 80, na Galeria de Arte Marina Potrich
1998 - Porto Alegre RS - Remetente, no Espaço Cultural ULBRA
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial, na MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - Wiesbaden (Alemanha) - Quase Nada, no Nassauischer Kunstverein Wiesbaden
1999 - Porto Alegre RS - Arte Gaúcha Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea
1999 - Porto Alegre RS - Garagem de Arte: mostra inaugural, na Garagem de Arte
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Novo Hamburgo RS - Mostra Itinerante do Acervo do MAC, no Centro Universitário Feevale
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, na Fundação Bienal
2001 - Brasília DF - Mostra de Arte Contemporânea, no Conjunto Cultural da Caixa
2001 - Porto Alegre RS - 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Porto Alegre RS - Desenhos, Gravuras, Esculturas e Aquarelas, na Garagem de Arte
2002 - Porto Alegre RS - Violência e Paixão, no Santander Cultural
2002 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra Rio Arte Contemporânea, no MAM/RJ
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - 25ª Bienal Internacional de São Paulo - sala especial, na Fundação Bienal
2002 - São Paulo SP - O Orgânico em Colapso, na Valu Oria Galeria de Arte
2003 - Porto Alegre RS - Vida, Povo, Fome, Trabalho e Religião, na Garagem de Arte
2003 - São Paulo, SP - Pele, Alma, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Valu Oria Galeria de Arte
2004 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está Você, Geração 80?, no CCBB
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Ateliê de Iberê Camargo, no Centro Universitário Maria Antonia
2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural
2005 - Alcobaça (Portugal) - Lágrimas, no Mosteiro de Alcobaça
2005 - São Paulo SP - Dor, Forma, Beleza, na Estação Pinacoteca
2005 - Porto Alegre RS - 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2006 - Caxias do Sul RS - Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
2006 - São Paulo SP - Manobras Radicais, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
2006 - São Paulo SP - Paralela 2006, no Pavilhão dos Estados
2007 - São Paulo SP - Mulheres Artistas, no MAC/SP
2007 - São Paulo SP - Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981-2006, no Itaú Cultural
Fonte: KARIN Lambrecht. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 06 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Paisagens internas da pintora Karin Lambrecht | Forbes
Karin Lambrecht é uma dessas pessoas com a sorte de ter uma bela coleção de memórias. A vida da artista plástica, que se define acima de tudo como pintora, rende um livro lindamente ilustrado por ela mesma. Experiências vividas são essenciais para empreender nossa singular jornada, expandir o horizonte e fazer arte. Penso nessa geração que passa os melhores anos atrás da tela do computador…
De família de alemães protestantes de Porto Alegre, Karin testemunhou o “progresso” aniquilar os pomares e parreirais do bairro onde nasceu, de uma hora para outra transformado em área semicomercial sem identidade, sem memória. É uma das razões que a levou em 2017 a se instalar em Broadstairs, bucólica cidadezinha inglesa encravada em uma ilha com penhascos brancos que despencam no caudaloso mar do Norte. Neste canto esquecido da costa sudeste da Grã Bretanha onde escolheu viver, o imenso céu do final da tarde é uma abóboda com rasgos vermelhos, uma das cores centrais de sua paleta.
Seu vermelho, antes terroso, carnal, sanguíneo até, agora é vibrante, e concede espaço para aguadas cromáticas com o rosa delicado e o azul celestial conforme se admira nas telas abstratas de sua recente produção, Seasons of the Soul, assim mesmo em inglês.
A nova série está de 18 de fevereiro a 18 de março em nossa galeria de São Paulo, ao lado de um conjunto de aquarelas monocromáticas em tons de areia. As telas, lavadas por campos geométricos tintos por tons luminosos, algumas com pequeno detalhe em cobre, confrontam o vazio de cor das aquarelas com suturas bordadas em tecido diáfano. Alguns trabalhos exibem a palavra escrita, rascunhada, quase imperceptível, indicando uma paisagem exterior ou expressando uma sensação interna, que revelam estados da alma.
Em Porto Alegre, Karin frequentou o atelier de Iberê Camargo antes de se mudar para Berlim, experiência que definiu sua busca como jovem. Vivia no bairro boêmio de Charlottenburg, estudava na famosa HDK (Universidade de Artes de Berlim), onde presenciou palestra de Joseph Beuys. Em 1982, em plena Guerra Fria, ao fazer uma performance no rio Spree a jovem artista quase foi presa pela polícia de Berlim Oriental não tivesse ela dado no pé ao sacar o perigo iminente. Sabia que a polícia russa, armada até os dentes, não tinha dó, pois volta e meia era obrigada a passar pelo histórico Checkpoint Charlie para visitar os avós paternos no lado temeroso do Muro que dividiu a Europa de 1961 a 1989.
De volta ao Brasil, foi Paulo Herkenhoff quem indicou sua obra aos curadores da antológica exposição no Rio, em 1984, “Como Vai Você, Geração 80?”. Dois anos depois, fez uma residência artística na Millay Colony, no estado de Nova York, e teve seu trabalho selecionado por não menos que Louise Bourgeois.
Conheceu a Amazônia profunda em uma viagem organizada pelo Instituto Goethe com artistas como Tunga, Miguel Rio Branco, Marina Abramovic… Em 1990, veio sua primeira individual em São Paulo na histórica galeria da galera, a Subdistrito de João Sattamini e Rubem Breitman.
Expôs nas Bienais de São Paulo de 1985 no segmento ‘Expressionismo Heranças e Afinidades’, depois em 1987, e mais tarde em 2002. Sua primeira exposição individual institucional em São Paulo aconteceu no Instituto Tomie Ohtake, em 2018, com curadoria de Paulo Miyada.
A extinta editora Cosac Naify publicou um livro sobre sua obra e, desde 2005, a artista expõe em nossa galeria. Karin é uma aventureira do mundo real, mas Karin, a pintora, sabe que pintar tange o mundo invisível do pensamento, dos sentimentos, do misticismo. Como ela mesma diz, a busca pela verdade liberta.
Fonte: Forbes, escrito por Nara Roesler em colaboração com Cynthia Garcia, historiadora de arte, publicado em 24 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Nara Roesler apresenta obra recente de Karin Lambrecht | Arte que Acontece
As obras da gaúcha Karin Lambrecht nascem do entrelaçamento entre o mundo subjetivo e o mundo natural, o espírito e a natureza.
Os trabalhos que a artista apresenta na galeria Nara Roesler a partir de amanhã, dia 18.2, em Seasons of the soul (Estações do espírito) revelam as transformações da sua prática desde sua mudança de Porto Alegre para Broadstairs, na ilha de Thanet, no Reino Unido.
As cores usadas remetem às impressões e sensações da artista ao ser impactada pela paisagem local e as especificidades de luz. Cores quentes e frias se encontram de forma harmônica em sutis gradações.
A artista ressalta que agora as tonalidades vermelhas têm menos relação com a terra, como em trabalhos anteriores, e muito mais a ver com o céu, já que em Broadstairs ele pode adquirir uma qualidade avermelhada no fim do dia.
Além da cor, a palavra é outro elemento recorrente na prática da artista. Elas aparecem nas telas em português, inglês e, às vezes, alemão e muitas vezes dão título às obras. Elas podem evocar uma paisagem, como Cliff (Penhasco), ou uma sensação, como Pleasure (Prazer).
“Quando eu olho a paisagem e o que está à minha volta, eu costumo fazer pequenas anotações, às vezes rabiscos. No meu trabalho, quando escrevo essas palavras misturadas à pintura, é o que me rodeia. A chuva, as árvores, as estações, o sol, o mar, os penhascos”, contou em vídeo sobre a exposição divulgado no canal da galeria no YouTube.
Ela explica que escreve palavras na tela em várias camadas e, quando começa com a cor, muitas vezes o primeiro plano das palavras desaparece, e isso, para ela, representa o “mundo invisível”, dos sentimentos, da intuição.
Já nos papéis, aparecem desenhos com linhas de costura e delicadas manchas feitas com pincel. Para Lambrecht, esses trabalhos são um contraponto às pinturas, permitindo uma gestualidade mais expansiva e uma feitura mais rápida.
Lambrecht, no início da carreira, repensou a tela e a forma de pintar, eliminando o chassi, costurando tecidos, usando retalhos chamuscados.
Expoente da Geração 80, suas obras habitam um espaço entre a pintura e a escultura, são políticas e também materiais. A partir da década de 1990, passa a incluir materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue.
Fonte: Arte que Acontece, publicado em 17 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Karin Lambrecht: Conheça o estilo único da artista | ArtRef
Karin Lambrecht nasceu em 1957, em Porto Alegre, Brasil. Atualmente ela vive e trabalha em Broadstairs, Reino Unido.
Toda a produção de Karin Lambrecht em pintura, desenho, gravura e escultura demonstra uma multifacetada preocupação com as relações entre arte e vida, compreendida em sentido abrangente: trata-se de vida natural, vida cultural e vida interior.
Para o pesquisador Miguel Chaia, os processos técnico e intelectual de Lambrecht se inter-relacionam e se mantêm evidentes nas obras para criar uma “visualidade espalhada na superfície e direcionada para a exterioridade”.
Karin Lambrecht
Seu trabalho é ação que funde corpo e pensamento, vida e finitude.
No início da carreira, Lambrecht repensou a tela e a forma de pintar – elimina então o chassi, costura tecidos, usa retalhos chamuscados.
A abstração gestual, característica da Geração 80, que integrou, é mote central; suas obras habitam um espaço entre pintura e escultura, dialogam com a arte povera e com Joseph Beuys, são políticas, mas também materiais.
Os volumes pesam como corpos, as delimitações ou negações do espaço dialogam com a escala que seus trabalhos assumem.
A partir da década de 1990, a artista inclui materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue, o que determinou, em alguma medida, o repertório cromático que aparece então. .
Além do sangue animal, são elementos recorrentes em seu trabalho as formas cruciformes e as referências ao corpo, índices de diferentes níveis de identificação do espectador com a obra.
Karin Lambrecht: Análise da obra
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo.
Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos.
A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas.
As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira.
Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos.
Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Fonte: ArtRef, escrito por Paulo Varella, publicado em 19 de novembro de 2018. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
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Geração 80 – Wikipédia
Geração 80 é uma tendência artística na arte brasileira durante a década de 1980. Em termos estéticos, a principal característica da geração foi o retorno à pintura mais subjetiva, dado que, durante a década de 1970, movimentos como a arte conceitual centravam-se majoritariamente em obras esculturais "austeras". O principal marco para essa tendência foi a exposição "Como vai você, Geração 80?", realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1984, em que 123 artistas do Brasil (especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo) expuseram suas obras. Alguns dos participantes da exposição foram: Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Karin Lambrecht, Alex Vallauri, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda e Sérgio Romagnolo.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Blog Anna Ramalho, publicado em 26 de fevereiro de 2016. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
2 artistas relacionados
Karin Lambrecht (Porto Alegre, 1957) é uma pintora, desenhista, gravadora e escultora brasileira. Iniciou seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979. Em 1987 foi selecionada para participar da XIX Bienal Internacional de São Paulo, em 2001 participou da III Bienal do Mercosul, e em 2002 teve uma sala especial na XXV Bienal de São Paulo. Tem obras no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Biografia – Itaú Cultural
Karin Marilin Haessler Lambrecht (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1957). Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Inicia seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979.
Nesse ano, realiza sua primeira individual, no Espaço 542. No início da década de 1980, faz curso de pintura com Raimund Girke (1930 - 2002), na Hochschule der Künste, em Berlim. Em 1986, realiza mostra individual na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. Recebe, em 1988, o Prêmio Ivan Serpa, da Funarte.
Em sua produção dos anos 1980, emprega detritos industriais, dialogando com a arte povera e o expressionismo. Nesse período, dedica-se ainda à pintura, em busca de novas possibilidades formais, elimina chassis e costura pedaços de tela. Na década de 1990, começa a agregar materiais orgânicos, como grãos de terra e sangue, à superfície das telas.
Análise
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo. Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos. A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas. As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira. Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos. Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Exposições Individuais
1979 - Porto Alegre RS - Individual, no Espaço 542
1984 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1985 - Curitiba PR - A Fertilidade de Anita, na Sala Bandeirante do MAC/PR
1986 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1986 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1987 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Petrus Kirche
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Thomas Cohn Arte Contemporânea
1989 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1990 - São Paulo SP - Individual, na Subdistrito Comercial de Arte
1991 - Porto Alegre RS - Individual, na Itaugaleria
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Camargo Vilaça
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e Desenho, na Funarte
1997 - Novo Hamburgo RS - Individual, na Galeria Modernidade
2002 - Porto Alegre RS - Individual, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - MARGS
2005 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Nara Roesler
Exposições Coletivas
1983 - Porto Alegre RS - Arte Livro Gaúcho: 1950/1983, no Margs
1983 - Porto Alegre RS - Coletiva Três Processos de Trabalho, no Instituto Goethe
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - menção honrosa
1984 - Rio de Janeiro RJ - Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - Rio de Janeiro RJ - Os Olhos do Gato que Ouvem, na Funarte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Pequenos Formatos, na GB Arte
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - Trabalhando com o Suporte: pintura, recorte e objeto, na Documenta Galeria de Arte
1989 - Bonn (Alemanha) - Panorama de Pintura, na Galeria Raue
1989 - Porto Alegre RS - Panorama de Pintura, na Galeria Tina Zappoli
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - Panorama de Pintura, no MAM/SP
1991 - Caracas (Venezuela) - Brasil: la nueva generación, na Fundación Museo de Bellas Artes
1991 - Porto Alegre RS - BR/80: Pintura Brasil Década 80, na Casa de Cultura Mário Quintana
1991 - Porto Alegre RS - Exposição Atelier Livre: 30 anos - alunos artistas, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre
1992 - Belém PA - 11º Salão Arte Pará, na Fundação Romulo Maiorana
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1992 - São Paulo SP - João Sattamini/Subdistrito, na Casa das Rosas
1992 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1993 - Brasília DF - Um Olhar sobre Joseph Beuys, na Fundação Athos Bulcão
1993 - Porto Alegre RS - Anti corpo, no Museu de Arte Contemporânea
1993 - Porto Alegre RS - Projeto Aquisição: obras doadas ao acervo do Margs, no Margs
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no Art Museum of the Americas
1994 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no MAM/RJ
1994 - Rio de Janeiro RJ - The Exchange Show: doze pintores de San Francisco e do Rio de Janeiro, no MAM/RJ
1994 - San Francisco (Estados Unidos) - The Exchange Show: twelve painters from San Francisco and Rio de Janeiro, no Yerba Buena Center for the Arts
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1994 - Aachen (Alemanha) - Arte Amazonas, no Ludwig Forum für Internationale Kunst
1994 - São Paulo SP - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, na Casa das Rosas
1995 - Rio de Janeiro RJ - Anos 80 : o palco da diversidade, no MAM/RJ
1995 - São Paulo SP - Anos 80: o palco da diversidade, na Galeria de Arte do Sesi
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e objeto, na Galeria Sérgio Milliet
1996 - São Paulo SP - Arte brasileira contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos. Centro de Estudos do Ciclo do Ouro
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Bolsa de Arte de Porto Alegre
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Galeria Cezar Prestes Arte
1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal Internacional de Cuenca
1998 - Goiânia GO - Os Anos 80, na Galeria de Arte Marina Potrich
1998 - Porto Alegre RS - Remetente, no Espaço Cultural ULBRA
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial, na MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - Wiesbaden (Alemanha) - Quase Nada, no Nassauischer Kunstverein Wiesbaden
1999 - Porto Alegre RS - Arte Gaúcha Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea
1999 - Porto Alegre RS - Garagem de Arte: mostra inaugural, na Garagem de Arte
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Novo Hamburgo RS - Mostra Itinerante do Acervo do MAC, no Centro Universitário Feevale
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, na Fundação Bienal
2001 - Brasília DF - Mostra de Arte Contemporânea, no Conjunto Cultural da Caixa
2001 - Porto Alegre RS - 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Porto Alegre RS - Desenhos, Gravuras, Esculturas e Aquarelas, na Garagem de Arte
2002 - Porto Alegre RS - Violência e Paixão, no Santander Cultural
2002 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra Rio Arte Contemporânea, no MAM/RJ
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - 25ª Bienal Internacional de São Paulo - sala especial, na Fundação Bienal
2002 - São Paulo SP - O Orgânico em Colapso, na Valu Oria Galeria de Arte
2003 - Porto Alegre RS - Vida, Povo, Fome, Trabalho e Religião, na Garagem de Arte
2003 - São Paulo, SP - Pele, Alma, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Valu Oria Galeria de Arte
2004 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está Você, Geração 80?, no CCBB
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Ateliê de Iberê Camargo, no Centro Universitário Maria Antonia
2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural
2005 - Alcobaça (Portugal) - Lágrimas, no Mosteiro de Alcobaça
2005 - São Paulo SP - Dor, Forma, Beleza, na Estação Pinacoteca
2005 - Porto Alegre RS - 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2006 - Caxias do Sul RS - Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
2006 - São Paulo SP - Manobras Radicais, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
2006 - São Paulo SP - Paralela 2006, no Pavilhão dos Estados
2007 - São Paulo SP - Mulheres Artistas, no MAC/SP
2007 - São Paulo SP - Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981-2006, no Itaú Cultural
Fonte: KARIN Lambrecht. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 06 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Paisagens internas da pintora Karin Lambrecht | Forbes
Karin Lambrecht é uma dessas pessoas com a sorte de ter uma bela coleção de memórias. A vida da artista plástica, que se define acima de tudo como pintora, rende um livro lindamente ilustrado por ela mesma. Experiências vividas são essenciais para empreender nossa singular jornada, expandir o horizonte e fazer arte. Penso nessa geração que passa os melhores anos atrás da tela do computador…
De família de alemães protestantes de Porto Alegre, Karin testemunhou o “progresso” aniquilar os pomares e parreirais do bairro onde nasceu, de uma hora para outra transformado em área semicomercial sem identidade, sem memória. É uma das razões que a levou em 2017 a se instalar em Broadstairs, bucólica cidadezinha inglesa encravada em uma ilha com penhascos brancos que despencam no caudaloso mar do Norte. Neste canto esquecido da costa sudeste da Grã Bretanha onde escolheu viver, o imenso céu do final da tarde é uma abóboda com rasgos vermelhos, uma das cores centrais de sua paleta.
Seu vermelho, antes terroso, carnal, sanguíneo até, agora é vibrante, e concede espaço para aguadas cromáticas com o rosa delicado e o azul celestial conforme se admira nas telas abstratas de sua recente produção, Seasons of the Soul, assim mesmo em inglês.
A nova série está de 18 de fevereiro a 18 de março em nossa galeria de São Paulo, ao lado de um conjunto de aquarelas monocromáticas em tons de areia. As telas, lavadas por campos geométricos tintos por tons luminosos, algumas com pequeno detalhe em cobre, confrontam o vazio de cor das aquarelas com suturas bordadas em tecido diáfano. Alguns trabalhos exibem a palavra escrita, rascunhada, quase imperceptível, indicando uma paisagem exterior ou expressando uma sensação interna, que revelam estados da alma.
Em Porto Alegre, Karin frequentou o atelier de Iberê Camargo antes de se mudar para Berlim, experiência que definiu sua busca como jovem. Vivia no bairro boêmio de Charlottenburg, estudava na famosa HDK (Universidade de Artes de Berlim), onde presenciou palestra de Joseph Beuys. Em 1982, em plena Guerra Fria, ao fazer uma performance no rio Spree a jovem artista quase foi presa pela polícia de Berlim Oriental não tivesse ela dado no pé ao sacar o perigo iminente. Sabia que a polícia russa, armada até os dentes, não tinha dó, pois volta e meia era obrigada a passar pelo histórico Checkpoint Charlie para visitar os avós paternos no lado temeroso do Muro que dividiu a Europa de 1961 a 1989.
De volta ao Brasil, foi Paulo Herkenhoff quem indicou sua obra aos curadores da antológica exposição no Rio, em 1984, “Como Vai Você, Geração 80?”. Dois anos depois, fez uma residência artística na Millay Colony, no estado de Nova York, e teve seu trabalho selecionado por não menos que Louise Bourgeois.
Conheceu a Amazônia profunda em uma viagem organizada pelo Instituto Goethe com artistas como Tunga, Miguel Rio Branco, Marina Abramovic… Em 1990, veio sua primeira individual em São Paulo na histórica galeria da galera, a Subdistrito de João Sattamini e Rubem Breitman.
Expôs nas Bienais de São Paulo de 1985 no segmento ‘Expressionismo Heranças e Afinidades’, depois em 1987, e mais tarde em 2002. Sua primeira exposição individual institucional em São Paulo aconteceu no Instituto Tomie Ohtake, em 2018, com curadoria de Paulo Miyada.
A extinta editora Cosac Naify publicou um livro sobre sua obra e, desde 2005, a artista expõe em nossa galeria. Karin é uma aventureira do mundo real, mas Karin, a pintora, sabe que pintar tange o mundo invisível do pensamento, dos sentimentos, do misticismo. Como ela mesma diz, a busca pela verdade liberta.
Fonte: Forbes, escrito por Nara Roesler em colaboração com Cynthia Garcia, historiadora de arte, publicado em 24 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Nara Roesler apresenta obra recente de Karin Lambrecht | Arte que Acontece
As obras da gaúcha Karin Lambrecht nascem do entrelaçamento entre o mundo subjetivo e o mundo natural, o espírito e a natureza.
Os trabalhos que a artista apresenta na galeria Nara Roesler a partir de amanhã, dia 18.2, em Seasons of the soul (Estações do espírito) revelam as transformações da sua prática desde sua mudança de Porto Alegre para Broadstairs, na ilha de Thanet, no Reino Unido.
As cores usadas remetem às impressões e sensações da artista ao ser impactada pela paisagem local e as especificidades de luz. Cores quentes e frias se encontram de forma harmônica em sutis gradações.
A artista ressalta que agora as tonalidades vermelhas têm menos relação com a terra, como em trabalhos anteriores, e muito mais a ver com o céu, já que em Broadstairs ele pode adquirir uma qualidade avermelhada no fim do dia.
Além da cor, a palavra é outro elemento recorrente na prática da artista. Elas aparecem nas telas em português, inglês e, às vezes, alemão e muitas vezes dão título às obras. Elas podem evocar uma paisagem, como Cliff (Penhasco), ou uma sensação, como Pleasure (Prazer).
“Quando eu olho a paisagem e o que está à minha volta, eu costumo fazer pequenas anotações, às vezes rabiscos. No meu trabalho, quando escrevo essas palavras misturadas à pintura, é o que me rodeia. A chuva, as árvores, as estações, o sol, o mar, os penhascos”, contou em vídeo sobre a exposição divulgado no canal da galeria no YouTube.
Ela explica que escreve palavras na tela em várias camadas e, quando começa com a cor, muitas vezes o primeiro plano das palavras desaparece, e isso, para ela, representa o “mundo invisível”, dos sentimentos, da intuição.
Já nos papéis, aparecem desenhos com linhas de costura e delicadas manchas feitas com pincel. Para Lambrecht, esses trabalhos são um contraponto às pinturas, permitindo uma gestualidade mais expansiva e uma feitura mais rápida.
Lambrecht, no início da carreira, repensou a tela e a forma de pintar, eliminando o chassi, costurando tecidos, usando retalhos chamuscados.
Expoente da Geração 80, suas obras habitam um espaço entre a pintura e a escultura, são políticas e também materiais. A partir da década de 1990, passa a incluir materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue.
Fonte: Arte que Acontece, publicado em 17 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Karin Lambrecht: Conheça o estilo único da artista | ArtRef
Karin Lambrecht nasceu em 1957, em Porto Alegre, Brasil. Atualmente ela vive e trabalha em Broadstairs, Reino Unido.
Toda a produção de Karin Lambrecht em pintura, desenho, gravura e escultura demonstra uma multifacetada preocupação com as relações entre arte e vida, compreendida em sentido abrangente: trata-se de vida natural, vida cultural e vida interior.
Para o pesquisador Miguel Chaia, os processos técnico e intelectual de Lambrecht se inter-relacionam e se mantêm evidentes nas obras para criar uma “visualidade espalhada na superfície e direcionada para a exterioridade”.
Karin Lambrecht
Seu trabalho é ação que funde corpo e pensamento, vida e finitude.
No início da carreira, Lambrecht repensou a tela e a forma de pintar – elimina então o chassi, costura tecidos, usa retalhos chamuscados.
A abstração gestual, característica da Geração 80, que integrou, é mote central; suas obras habitam um espaço entre pintura e escultura, dialogam com a arte povera e com Joseph Beuys, são políticas, mas também materiais.
Os volumes pesam como corpos, as delimitações ou negações do espaço dialogam com a escala que seus trabalhos assumem.
A partir da década de 1990, a artista inclui materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue, o que determinou, em alguma medida, o repertório cromático que aparece então. .
Além do sangue animal, são elementos recorrentes em seu trabalho as formas cruciformes e as referências ao corpo, índices de diferentes níveis de identificação do espectador com a obra.
Karin Lambrecht: Análise da obra
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo.
Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos.
A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas.
As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira.
Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos.
Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Fonte: ArtRef, escrito por Paulo Varella, publicado em 19 de novembro de 2018. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
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Geração 80 – Wikipédia
Geração 80 é uma tendência artística na arte brasileira durante a década de 1980. Em termos estéticos, a principal característica da geração foi o retorno à pintura mais subjetiva, dado que, durante a década de 1970, movimentos como a arte conceitual centravam-se majoritariamente em obras esculturais "austeras". O principal marco para essa tendência foi a exposição "Como vai você, Geração 80?", realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1984, em que 123 artistas do Brasil (especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo) expuseram suas obras. Alguns dos participantes da exposição foram: Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Karin Lambrecht, Alex Vallauri, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda e Sérgio Romagnolo.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Blog Anna Ramalho, publicado em 26 de fevereiro de 2016. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Karin Lambrecht (Porto Alegre, 1957) é uma pintora, desenhista, gravadora e escultora brasileira. Iniciou seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979. Em 1987 foi selecionada para participar da XIX Bienal Internacional de São Paulo, em 2001 participou da III Bienal do Mercosul, e em 2002 teve uma sala especial na XXV Bienal de São Paulo. Tem obras no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Biografia – Itaú Cultural
Karin Marilin Haessler Lambrecht (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1957). Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Inicia seus estudos no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre 1973 e 1976. Como aluna de Danúbio Gonçalves (1925), estuda litografia entre 1977 e 1978. Graduou-se em desenho e gravura pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1979.
Nesse ano, realiza sua primeira individual, no Espaço 542. No início da década de 1980, faz curso de pintura com Raimund Girke (1930 - 2002), na Hochschule der Künste, em Berlim. Em 1986, realiza mostra individual na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. Recebe, em 1988, o Prêmio Ivan Serpa, da Funarte.
Em sua produção dos anos 1980, emprega detritos industriais, dialogando com a arte povera e o expressionismo. Nesse período, dedica-se ainda à pintura, em busca de novas possibilidades formais, elimina chassis e costura pedaços de tela. Na década de 1990, começa a agregar materiais orgânicos, como grãos de terra e sangue, à superfície das telas.
Análise
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo. Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos. A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas. As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira. Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos. Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Exposições Individuais
1979 - Porto Alegre RS - Individual, no Espaço 542
1984 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1985 - Curitiba PR - A Fertilidade de Anita, na Sala Bandeirante do MAC/PR
1986 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1986 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Tina Presser
1987 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Petrus Kirche
1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Thomas Cohn Arte Contemporânea
1989 - Brasília DF - Individual, no Espaço Capital
1990 - São Paulo SP - Individual, na Subdistrito Comercial de Arte
1991 - Porto Alegre RS - Individual, na Itaugaleria
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Camargo Vilaça
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e Desenho, na Funarte
1997 - Novo Hamburgo RS - Individual, na Galeria Modernidade
2002 - Porto Alegre RS - Individual, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - MARGS
2005 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Nara Roesler
Exposições Coletivas
1983 - Porto Alegre RS - Arte Livro Gaúcho: 1950/1983, no Margs
1983 - Porto Alegre RS - Coletiva Três Processos de Trabalho, no Instituto Goethe
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ - menção honrosa
1984 - Rio de Janeiro RJ - Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage
1984 - São Paulo SP - Arte na Rua 2
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - Rio de Janeiro RJ - Os Olhos do Gato que Ouvem, na Funarte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Pequenos Formatos, na GB Arte
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - Trabalhando com o Suporte: pintura, recorte e objeto, na Documenta Galeria de Arte
1989 - Bonn (Alemanha) - Panorama de Pintura, na Galeria Raue
1989 - Porto Alegre RS - Panorama de Pintura, na Galeria Tina Zappoli
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - Panorama de Pintura, no MAM/SP
1991 - Caracas (Venezuela) - Brasil: la nueva generación, na Fundación Museo de Bellas Artes
1991 - Porto Alegre RS - BR/80: Pintura Brasil Década 80, na Casa de Cultura Mário Quintana
1991 - Porto Alegre RS - Exposição Atelier Livre: 30 anos - alunos artistas, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre
1992 - Belém PA - 11º Salão Arte Pará, na Fundação Romulo Maiorana
1992 - Rio de Janeiro RJ - Arte Amazonas, no MAM/RJ
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage
1992 - São Paulo SP - João Sattamini/Subdistrito, na Casa das Rosas
1992 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1993 - Brasília DF - Um Olhar sobre Joseph Beuys, na Fundação Athos Bulcão
1993 - Porto Alegre RS - Anti corpo, no Museu de Arte Contemporânea
1993 - Porto Alegre RS - Projeto Aquisição: obras doadas ao acervo do Margs, no Margs
1993 - São Paulo SP - 23º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1993 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no Art Museum of the Americas
1994 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no MAM/RJ
1994 - Rio de Janeiro RJ - The Exchange Show: doze pintores de San Francisco e do Rio de Janeiro, no MAM/RJ
1994 - San Francisco (Estados Unidos) - The Exchange Show: twelve painters from San Francisco and Rio de Janeiro, no Yerba Buena Center for the Arts
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1994 - Aachen (Alemanha) - Arte Amazonas, no Ludwig Forum für Internationale Kunst
1994 - São Paulo SP - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, na Casa das Rosas
1995 - Rio de Janeiro RJ - Anos 80 : o palco da diversidade, no MAM/RJ
1995 - São Paulo SP - Anos 80: o palco da diversidade, na Galeria de Arte do Sesi
1996 - Rio de Janeiro RJ - Pintura e objeto, na Galeria Sérgio Milliet
1996 - São Paulo SP - Arte brasileira contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - Ouro Preto MG - Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas, no Museu Casa dos Contos. Centro de Estudos do Ciclo do Ouro
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Bolsa de Arte de Porto Alegre
1997 - Porto Alegre RS - Exposição Paralela, na Galeria Cezar Prestes Arte
1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul
1998 - Cuenca (Equador) - 6ª Bienal Internacional de Cuenca
1998 - Goiânia GO - Os Anos 80, na Galeria de Arte Marina Potrich
1998 - Porto Alegre RS - Remetente, no Espaço Cultural ULBRA
1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial, na MAM/RJ
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - Wiesbaden (Alemanha) - Quase Nada, no Nassauischer Kunstverein Wiesbaden
1999 - Porto Alegre RS - Arte Gaúcha Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea
1999 - Porto Alegre RS - Garagem de Arte: mostra inaugural, na Garagem de Arte
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Novo Hamburgo RS - Mostra Itinerante do Acervo do MAC, no Centro Universitário Feevale
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, na Fundação Bienal
2001 - Brasília DF - Mostra de Arte Contemporânea, no Conjunto Cultural da Caixa
2001 - Porto Alegre RS - 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2001 - Rio de Janeiro RJ - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ
2001 - São Paulo SP - Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP
2002 - Curitiba PR - Obras do Faxinal das Artes, no Museu de Arte Contemporânea
2002 - Porto Alegre RS - Desenhos, Gravuras, Esculturas e Aquarelas, na Garagem de Arte
2002 - Porto Alegre RS - Violência e Paixão, no Santander Cultural
2002 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra Rio Arte Contemporânea, no MAM/RJ
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2002 - São Paulo SP - 25ª Bienal Internacional de São Paulo - sala especial, na Fundação Bienal
2002 - São Paulo SP - O Orgânico em Colapso, na Valu Oria Galeria de Arte
2003 - Porto Alegre RS - Vida, Povo, Fome, Trabalho e Religião, na Garagem de Arte
2003 - São Paulo, SP - Pele, Alma, no CCBB
2003 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Valu Oria Galeria de Arte
2004 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está Você, Geração 80?, no CCBB
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Ateliê de Iberê Camargo, no Centro Universitário Maria Antonia
2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural
2005 - Alcobaça (Portugal) - Lágrimas, no Mosteiro de Alcobaça
2005 - São Paulo SP - Dor, Forma, Beleza, na Estação Pinacoteca
2005 - Porto Alegre RS - 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul
2006 - Caxias do Sul RS - Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
2006 - São Paulo SP - Manobras Radicais, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
2006 - São Paulo SP - Paralela 2006, no Pavilhão dos Estados
2007 - São Paulo SP - Mulheres Artistas, no MAC/SP
2007 - São Paulo SP - Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981-2006, no Itaú Cultural
Fonte: KARIN Lambrecht. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 06 de dezembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Paisagens internas da pintora Karin Lambrecht | Forbes
Karin Lambrecht é uma dessas pessoas com a sorte de ter uma bela coleção de memórias. A vida da artista plástica, que se define acima de tudo como pintora, rende um livro lindamente ilustrado por ela mesma. Experiências vividas são essenciais para empreender nossa singular jornada, expandir o horizonte e fazer arte. Penso nessa geração que passa os melhores anos atrás da tela do computador…
De família de alemães protestantes de Porto Alegre, Karin testemunhou o “progresso” aniquilar os pomares e parreirais do bairro onde nasceu, de uma hora para outra transformado em área semicomercial sem identidade, sem memória. É uma das razões que a levou em 2017 a se instalar em Broadstairs, bucólica cidadezinha inglesa encravada em uma ilha com penhascos brancos que despencam no caudaloso mar do Norte. Neste canto esquecido da costa sudeste da Grã Bretanha onde escolheu viver, o imenso céu do final da tarde é uma abóboda com rasgos vermelhos, uma das cores centrais de sua paleta.
Seu vermelho, antes terroso, carnal, sanguíneo até, agora é vibrante, e concede espaço para aguadas cromáticas com o rosa delicado e o azul celestial conforme se admira nas telas abstratas de sua recente produção, Seasons of the Soul, assim mesmo em inglês.
A nova série está de 18 de fevereiro a 18 de março em nossa galeria de São Paulo, ao lado de um conjunto de aquarelas monocromáticas em tons de areia. As telas, lavadas por campos geométricos tintos por tons luminosos, algumas com pequeno detalhe em cobre, confrontam o vazio de cor das aquarelas com suturas bordadas em tecido diáfano. Alguns trabalhos exibem a palavra escrita, rascunhada, quase imperceptível, indicando uma paisagem exterior ou expressando uma sensação interna, que revelam estados da alma.
Em Porto Alegre, Karin frequentou o atelier de Iberê Camargo antes de se mudar para Berlim, experiência que definiu sua busca como jovem. Vivia no bairro boêmio de Charlottenburg, estudava na famosa HDK (Universidade de Artes de Berlim), onde presenciou palestra de Joseph Beuys. Em 1982, em plena Guerra Fria, ao fazer uma performance no rio Spree a jovem artista quase foi presa pela polícia de Berlim Oriental não tivesse ela dado no pé ao sacar o perigo iminente. Sabia que a polícia russa, armada até os dentes, não tinha dó, pois volta e meia era obrigada a passar pelo histórico Checkpoint Charlie para visitar os avós paternos no lado temeroso do Muro que dividiu a Europa de 1961 a 1989.
De volta ao Brasil, foi Paulo Herkenhoff quem indicou sua obra aos curadores da antológica exposição no Rio, em 1984, “Como Vai Você, Geração 80?”. Dois anos depois, fez uma residência artística na Millay Colony, no estado de Nova York, e teve seu trabalho selecionado por não menos que Louise Bourgeois.
Conheceu a Amazônia profunda em uma viagem organizada pelo Instituto Goethe com artistas como Tunga, Miguel Rio Branco, Marina Abramovic… Em 1990, veio sua primeira individual em São Paulo na histórica galeria da galera, a Subdistrito de João Sattamini e Rubem Breitman.
Expôs nas Bienais de São Paulo de 1985 no segmento ‘Expressionismo Heranças e Afinidades’, depois em 1987, e mais tarde em 2002. Sua primeira exposição individual institucional em São Paulo aconteceu no Instituto Tomie Ohtake, em 2018, com curadoria de Paulo Miyada.
A extinta editora Cosac Naify publicou um livro sobre sua obra e, desde 2005, a artista expõe em nossa galeria. Karin é uma aventureira do mundo real, mas Karin, a pintora, sabe que pintar tange o mundo invisível do pensamento, dos sentimentos, do misticismo. Como ela mesma diz, a busca pela verdade liberta.
Fonte: Forbes, escrito por Nara Roesler em colaboração com Cynthia Garcia, historiadora de arte, publicado em 24 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Nara Roesler apresenta obra recente de Karin Lambrecht | Arte que Acontece
As obras da gaúcha Karin Lambrecht nascem do entrelaçamento entre o mundo subjetivo e o mundo natural, o espírito e a natureza.
Os trabalhos que a artista apresenta na galeria Nara Roesler a partir de amanhã, dia 18.2, em Seasons of the soul (Estações do espírito) revelam as transformações da sua prática desde sua mudança de Porto Alegre para Broadstairs, na ilha de Thanet, no Reino Unido.
As cores usadas remetem às impressões e sensações da artista ao ser impactada pela paisagem local e as especificidades de luz. Cores quentes e frias se encontram de forma harmônica em sutis gradações.
A artista ressalta que agora as tonalidades vermelhas têm menos relação com a terra, como em trabalhos anteriores, e muito mais a ver com o céu, já que em Broadstairs ele pode adquirir uma qualidade avermelhada no fim do dia.
Além da cor, a palavra é outro elemento recorrente na prática da artista. Elas aparecem nas telas em português, inglês e, às vezes, alemão e muitas vezes dão título às obras. Elas podem evocar uma paisagem, como Cliff (Penhasco), ou uma sensação, como Pleasure (Prazer).
“Quando eu olho a paisagem e o que está à minha volta, eu costumo fazer pequenas anotações, às vezes rabiscos. No meu trabalho, quando escrevo essas palavras misturadas à pintura, é o que me rodeia. A chuva, as árvores, as estações, o sol, o mar, os penhascos”, contou em vídeo sobre a exposição divulgado no canal da galeria no YouTube.
Ela explica que escreve palavras na tela em várias camadas e, quando começa com a cor, muitas vezes o primeiro plano das palavras desaparece, e isso, para ela, representa o “mundo invisível”, dos sentimentos, da intuição.
Já nos papéis, aparecem desenhos com linhas de costura e delicadas manchas feitas com pincel. Para Lambrecht, esses trabalhos são um contraponto às pinturas, permitindo uma gestualidade mais expansiva e uma feitura mais rápida.
Lambrecht, no início da carreira, repensou a tela e a forma de pintar, eliminando o chassi, costurando tecidos, usando retalhos chamuscados.
Expoente da Geração 80, suas obras habitam um espaço entre a pintura e a escultura, são políticas e também materiais. A partir da década de 1990, passa a incluir materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue.
Fonte: Arte que Acontece, publicado em 17 de fevereiro de 2022. Consultado pela última vez em 6 de dezembro de 2022.
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Karin Lambrecht: Conheça o estilo único da artista | ArtRef
Karin Lambrecht nasceu em 1957, em Porto Alegre, Brasil. Atualmente ela vive e trabalha em Broadstairs, Reino Unido.
Toda a produção de Karin Lambrecht em pintura, desenho, gravura e escultura demonstra uma multifacetada preocupação com as relações entre arte e vida, compreendida em sentido abrangente: trata-se de vida natural, vida cultural e vida interior.
Para o pesquisador Miguel Chaia, os processos técnico e intelectual de Lambrecht se inter-relacionam e se mantêm evidentes nas obras para criar uma “visualidade espalhada na superfície e direcionada para a exterioridade”.
Karin Lambrecht
Seu trabalho é ação que funde corpo e pensamento, vida e finitude.
No início da carreira, Lambrecht repensou a tela e a forma de pintar – elimina então o chassi, costura tecidos, usa retalhos chamuscados.
A abstração gestual, característica da Geração 80, que integrou, é mote central; suas obras habitam um espaço entre pintura e escultura, dialogam com a arte povera e com Joseph Beuys, são políticas, mas também materiais.
Os volumes pesam como corpos, as delimitações ou negações do espaço dialogam com a escala que seus trabalhos assumem.
A partir da década de 1990, a artista inclui materiais orgânicos em suas telas, como terra e sangue, o que determinou, em alguma medida, o repertório cromático que aparece então. .
Além do sangue animal, são elementos recorrentes em seu trabalho as formas cruciformes e as referências ao corpo, índices de diferentes níveis de identificação do espectador com a obra.
Karin Lambrecht: Análise da obra
No início de sua trajetória artística, Karin Lambrecht realiza trabalhos constituídos principalmente por resíduos industriais, em que revela o diálogo com a arte povera e com o expressionismo.
Em meados da década de 1980, produz obras compostas por imensos planos recortados e suspensos.
A artista reorganiza o chassi em arranjos mais espontâneos, como nota o historiador da arte Agnaldo Farias, e aproxima, assim, suas obras a certas construções toscas, como estandartes e barracas.
As pinturas são feitas sobre tecidos queimados e rasgados. Em outros trabalhos, passa a agregar materiais inusitados, como sucata, fragmentos de chapas de metal ou ripas de madeira.
Sua obra mantém afinidade, pelo uso de materiais industriais, com os trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) e, principalmente, de Joseph Beuys (1921-1986).
A artista, que trabalha predominante com tons de azul, passa a explorar os vermelhos, ocres e amarelos, por meio de pigmentos naturais, que variam desde finas camadas de terra, ao carvão ou ao sangue de animais abatidos.
Por vezes, expõe as obras à ação da natureza, como o sol, vento ou chuva, que as modifica e faz com que elementos novos, como folhas de árvores, fragmentos de cascas ou pegadas de animais, sejam agregados à elas.
Para a crítica de arte Ligia Canongia, a idéia do sacrifício, da transitoriedade da vida e da religião está presente na obra de Lambrecht por meio dos materiais com que são compostas as peças, pelo recorrente uso de sinais, como o da cruz, e de palavras que aludem à fragmentação e dissecação dos corpos.
Fonte: ArtRef, escrito por Paulo Varella, publicado em 19 de novembro de 2018. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
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Geração 80 – Wikipédia
Geração 80 é uma tendência artística na arte brasileira durante a década de 1980. Em termos estéticos, a principal característica da geração foi o retorno à pintura mais subjetiva, dado que, durante a década de 1970, movimentos como a arte conceitual centravam-se majoritariamente em obras esculturais "austeras". O principal marco para essa tendência foi a exposição "Como vai você, Geração 80?", realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1984, em que 123 artistas do Brasil (especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo) expuseram suas obras. Alguns dos participantes da exposição foram: Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Karin Lambrecht, Alex Vallauri, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda e Sérgio Romagnolo.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: Blog Anna Ramalho, publicado em 26 de fevereiro de 2016. Consultado pela última vez em 7 de dezembro de 2022.