Antonieta Santos Feio (Belém, Pará, 31 de maio de 1897 — Santos, São Paulo, 1980), mais conhecida como Antonieta Feio, foi uma pintora brasileira. Estudou pintura na Escola de Belas artes de Florença, na Itália, e especializou-se em retratos. Regressou a Belém aos vinte anos de idade e participou, como 'hors concours', do II Salão de Belas Artes do Pará. Professora de desenho e pintura do Instituto de Educação do Pará, Antonieta expôs seus quadros pelo país e é autora de diversas pinturas do acervo do MUFPA. Em 1940, recebeu a medalha de ouro na Exposição Nacional de Pernambuco; em 1947, ganhou o 2º prêmio de pintura do VIII Salão Oficial de Belas Artes do Pará; e em 1951, foi a vencedora do Salão Paraense com a obra “Mendiga”. Influenciada pelo movimento modernista, destacou-se por retratar pessoas comuns, com traços regionais.
Antonieta Santos Feio | Arremate Arte
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora brasileira nascida em Belém do Pará, reconhecida por sua contribuição à arte moderna, especialmente no campo do realismo com nuances modernistas.
Formada pela Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, Antonieta destacou-se em um ambiente artístico predominantemente masculino, sendo pioneira no retrato de personalidades e na representação de figuras femininas da cultura amazônica. Suas obras trazem uma sensibilidade profunda, refletindo tanto aspectos sociais quanto culturais da região.
Seus quadros mais conhecidos incluem "Mendiga" (1953), "Vendedora de Tacacá" (1937) e "Vendedora de Cheiro" (1947), nos quais ela retrata figuras emblemáticas da vida cotidiana, especialmente mulheres ribeirinhas e trabalhadoras. Nessas obras, Antonieta explora o contraste entre a pobreza e a dignidade, ressaltando elementos simbólicos como a magia e a religiosidade cabocla. Suas pinturas são valorizadas por uma precisão nos detalhes e uma abordagem que mescla realismo e crítica social.
Ao longo de sua carreira, Antonieta participou de importantes exposições e teve suas obras integradas ao acervo de museus renomados, como o Museu de Arte de Belém (MABE) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de pintora, foi professora de desenho e pintura, influenciando várias gerações de artistas paraenses.
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MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio | O Liberal
O Museu de Arte de Belém (MABE) está com uma programação virtual durante esta semana para homenagear a pintora paraense Antonieta Santos Feio, uma mulher de grande relevância para a arte brasileira por ser pioneira em academia de arte, quando esse universo ainda era predominado por homens. A artista completaria 124 anos, em 31 de maio, se estivesse viva. E uma das suas principais obras, 'Mendiga', completa 70 anos.Toda a programação será virtual pelas redes sociais do MABE com conteúdos de vídeos que vão tratar sobre a vida e a obra da artista, sempre a partir de 18h durante toda a semana. Nina Matos, que é da Divisão de Curadoria e Montagem do Museu de Belém, explicou que os conteúdos serão divididos entre depoimentos de artistas e pesquisadores como o curador Tadeu Lobato e o historiador Francisco Paes, que vão participar da programação.
"O Francisco tem uma pesquisa sobre uma das principais obras da artista, "Mendiga", que é uma obra que trata sobre a consagração do sagrado. Esses conteúdos serão importantes para que mais pessoas saibam da importância da artista", destaca Nina Matos.
Antonieta é uma pintora virtuosa no desenho e na pintura com obras que permanecem vivas e inseridas na contemporaneidade, por meio das reflexões que elas proporcionam. Sobre esses aspectos, outra característica forte da artista era a grande procura para a pintura de retratos de personalidades."Aqui no museu temos seis retratos de prefeitos e entre outras personalidades pintadas por Antonieta. Mas além desse caráter oficial de fazer pinturas por encomenda, ela também é destaque na pintura de paisagem, natureza morta e cenas de gênero. Nessas pinturas, há a presença do feminino. Nós temos obras emblemáticas com fascinante realismo tangenciado pelo modernismo" explica a curadora da exposição.A artista plástica pintou mulheres ribeirinhas da Amazônia que foram retratadas com riqueza de detalhes indicando crenças, credos e condição social. Além do acervo no MABE, a artista também tem obra no museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), na Faculdade de Medicina da UFPA, no Conservatório Carlos Gomes e no IHGP.Antonieta é filha do comandante Antônio José dos Santos feio e da italiana Sarah Rapisardi dos Santos. Ela nasceu na capital paraense e estudou na Academia de Bellas Artes de Florença, na Itália. “Vendedora de tacacá”, de 1937, é a primeira das grandes obras. A artista compõe a figura do romanceiro paraense com traços que mostram a realidade do personagem.
“Vendedora de cheiro”, de 1947, a artista retrata a figura de uma mulher conhecida por todos. E deixa transparente os símbolos de magia e pajelança na obra. Na obra “Mendiga”, a artista mostra traços fortes de uma mulher com o olhar triste, roupa suja e com símbolos que sinalizam a pobreza.
Fonte: O Liberal, "MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio", escrito por Bruna Lima, publicado em 1 de junho de 2021. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Cena de um seringal: a pintura de Antonieta Feio | História e Natureza
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora bastante atuante no cenário artístico paraense. Desde quando retornou a Belém dos seus primeiros anos de estudo na Itália, em 1917, participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, salões de arte organizados tanto por iniciativa pública quanto privada; foi professora de desenho e pintura no Instituto de Educação do Pará, além de ministrar aulas particulares. Seu nome aparece ainda ligado aos debates de diferentes grupos independentes de artistas, como a Associação Artística Paraense e a Sociedade Artística Internacional. Antonieta recebia ainda encomendas da elite local, especialmente de retratos (gênero de pintura que marca fortemente os estudos sobre sua obra) não somente por se tratar da especialidade da pintora, mas também porque os retratos somam o montante de trabalhos disponíveis à consulta pública nos acervos institucionais. Na capital paraense, para termos uma ideia, há exemplares no Museu de Arte de Belém, no Museu Histórico do Estado do Pará, na Escola de Música Carlos Gomes, no Arcebispado de Belém, na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, entre outros. Contudo, o conjunto da obra da artista é bem mais abrangente; seguindo o exemplo de seus professores italianos, Giuseppe Rossi (1876-1952) e Jacopo Olivotto (1873-1956), Antonieta também se dedicou à pintura de paisagens, naturezas mortas e cenas de gênero, como essa que retrata um seringal.
Sobre o quadro
No primeiro plano, à direita, dois meninos despejam a seiva da seringueira num recipiente deitado ao chão. Depois de levado ao fogo, o líquido deve ganhar a consistência das bolas de borracha dispostas à esquerda, aos pés do homem que acompanha o trabalho dos jovens, provavelmente um seringueiro, vestido com calça e camisa claras, gastas pelo tempo e pelo uso cotidiano, cabeça coberta por um tipo de boina. Apoiado numa das pernas, braço esquerdo descansando na cintura, o homem carrega na mão direita um lampião. No segundo plano, por trás dos meninos, há uma cabana de palha que sugere o acampamento dos seringueiros; é possível ver alguns vestígios de que outras pessoas habitam o interior da cabana, mas a ausência de luz não permite ao espectador conhecer o que se passa do lado de dentro. Esse acabamento escuro do interior do alojamento, por sua vez, cria um contraste com o branco da camisa do menino e da seiva ainda líquida sendo derramada, o que chama atenção para o movimento que acontece no primeiro plano. Já o plano secundário é dividido em dois: de um lado a cabana, de outro a mata verde. O clarão criado pelo acamamento contrasta ainda com a mata densa que se prolonga por trás do seringueiro até o horizonte. No recorte da cena proposta pela artista, o céu aparece em pequenas frações nos cantos superiores da tela, chamando atenção para a dimensão monumental da floresta que toma conta da paisagem.
Nesse trabalho, a palheta da pintora varia entre tons de verde e ocre; a iluminação, mais fria, sugere um momento como fim de tarde, pouco antes de escurecer. Como em outras cenas de gênero pintadas por Antonieta, as figuras humanas são apresentadas de maneira mais esquemáticas, no sentido oposto ao detalhamento e precisão característicos de alguns de seus retratos. De toda forma, essa tela retoma um tema caro a sua pintura: o trabalho. O tema aparece em vários outras telas, inclusive nos retratos de grande dimensão que estão no Museu de Arte de Belém, são eles a Vendedora de Tacacá (1937), a Vendedora de Cheiro (1947), as quais retomam o tema do trabalho urbano de mulheres cujo sustento provém de uma atividade desenvolvida nas ruas; além da Mendiga (1953), que trás uma alusão ao não-trabalho, considerando que se trata de uma mulher pobre que vive de esmolas.
Nesse sentido, a tela do seringal, embora marcada por soluções plásticas mais próprias da sua pintura de gênero, atravessa a temática corrente do trabalho e da representação de tipos regionais, que aparece nos retratos mencionados, datados de três décadas diferentes. O acampamento seringueiro, pois, é mais uma das atividades que caracteriza o dia-a-dia dos trabalhadores na região Amazônica, especialmente quando se fala de um momento em que a extração do látex havia sido retomada com vigor, por incentivo do governo federal, no contexto da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Antonieta fez parte de uma geração que presenciou os dois grandes conflitos bélicos de dimensões mundiais; seus famosos retratos de mulheres em situação de trabalho (e não trabalho), por um lado, deixam ver que a artista estava bastante atenta ao ambiente social em que vivia, e encontrava nos problemas do presente motivos para suas telas. Portanto, a cena do seringal não só apresenta elementos caros para se pensar sobre a sociedade da época, como aponta para outras possibilidades de enfrentamento do próprio conjunto da obra da artista.
Fonte: História e Natureza, escrito por Caroline Fernandes. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo | Rede Pará
O acervo de obras do Museu de Arte de Belém (Mabe), situado no Palácio Antônio Lemos, já se tornou referência em exposições nacionais. Tanto, que o historiador e curador Paulo Herkenhoff, do Instituto Tomie Ohtake, solicitou três peças do Mabe para compor a mostra “Artistas do Moderno, a invenção da mulher”, que ocorrerá em São Paulo, no período de 13 de junho a 20 de agosto de 2017.
As obras solicitadas pelo Instituto são: Mendiga (de 1951), Vendedora de Cheiro (de 1947) e Vendedora de Tacacá (de 1937), todas de Antonieta Santos Feio. Elas vão compor a exposição que traz obras de artistas do século XIX até a primeira metade do século XX. São nomes como Abigail de Andrade, Bertha Worms, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outras.
O Mabe pertence à Fundação Cultural do Município (Fumbel) e tem um acervo de 1.580 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e mobiliários. Nesta quinta-feira, 20, equipes de uma empresa de transportes – contratada pelo Instituto Tomie Ohtake – estiveram na sede da Prefeitura de Belém para embalar e fazer o traslado das obras.
“Os museus criaram uma plataforma de trocas que nós chamamos de intercâmbio, por conhecer que esses ambientes têm um papel muito importante na transformação social. O Mabe detém de um acervo muito rico e importante para a memória de Belém, e poder ceder estas obras para exposições fora da nossa cidade é muito valoroso, pois estamos mostrando parte da nossa riqueza para o mundo”, ressaltou a diretora do museu, Dora Lúcia Lourenço.
A restauradora e conservadora do Museu de Arte de Belém, Rosa Arraes acredita que essa exposição é, sobretudo, uma forma de conhecer outras culturas, conceitos e conteúdos. “O Paulo (curador) é conceituado na área, e ele já esteve em Belém diversas vezes. Acredito que o fato de ele conhecer nossas obras influenciou para que ele solicitasse este intercâmbio. Estamos vendo nossas obras serem valorizadas e apreciadas pelo mundo”, avaliou.
O seguro das obras que irão para este intercâmbio está avaliado em aproximadamente um milhão e meio de reais.
Fonte: Rede Pará, "Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo", publicado por Karla Pereira em 20 de abril de 2017. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo | O Liberal
O Museu do Estado do Pará (MEP) não tem obras que, diretamente, remetem à memória da população preta paraense. Tanto em obras que retratam essa parcela considerável de pessoas que, historicamente, formaram população e identidade amazônicas; quanto em obras feitas por artistas negros. Mas não é por isso que visitantes ficam alheios às discussões sobre racismo e contextos históricos ao visitar o museu. Muito pelo contrário: são levados a pensar, criticamente sobre a ausência desse acervo e se transportar à época das origens do museu, no século XVIII.A historiadora Cassia da Rosa, diretora do MEP, explica que a visita ao museu pode levar à reflexão crítica sobre o apagamento da memória da população preta brasileira e africana. O que se poderia ter dessas representações foi "embranquecida": o maestro Carlos Gomes e o ex-presidente Nilo Peçanha. Ambos poderiam ser considerados negros, ainda que não fossem retintos. Mas nos retratos deles, que compõem o acervo do museu, são representados como se fossem brancos. Algo que norteou uma discussão recente sobre o escritor Machado de Assis, cujas imagens retratadas foram "embranquecidas".
O imóvel que abriga o museu foi construído em 1761. A obra, certamente, aponta Cassia, foi executada por pessoas negras escravizadas. No acervo, a historiadora cita uma "escarradeira", um objeto cultural da época, que servia para quem mascasse fumo, cuspisse lá. Era um recipiente limpado por pessoas negras escravizadas que cuidavam das tarefas domésticas do imóvel.
Somente na passagem do século XIX para o século XX, observa Cassia, começa uma política de aquisição de obras de arte para a casa que hoje abriga o MEP e que, no passado, era o Palácio de Governo. "Era um momento e uma sociedade muito mais racista. O que ficou de acervo é relacionado a uma época republicana, com silenciamento ou apagamento dessa memória. Parece com exclusão mesmo de figuras e personalidades negras", analisa."Esse silenciamento é tema dentro do museu. Se explica o contexto e a aquisição do acervo. Nos apropriamos e abrimos os olhos para esse tema quando, em 2018, recebemos uma pesquisadora do Rio de Janeiro, que buscava essa representação negra nas telas e obras em museus. Então não é porque não temos as obras que representam essa história, essa memória da população negra, que não podemos falar sobre isso", conclui Cassia.
Mabe: acervo remete à memória da população preta paraense
O Museu de Artes de Belém (Mabe) possui um acervo com obras que remetem à memória e à representatividade da população negra do Pará. Porém, por enquanto, segue fechado para reformas. A reabertura dependerá da próxima gestão, que assume em janeiro de 2021, para concluir as reformas e anunciar quando o público — mensalmente, a média de visitantes é de 2 mil pessoas — poderá retomar as visitações. E então a instituição voltar a cumprir o papel educativo e cultural de retratar a sociedade e história nas obras."Cabe às instituições museológicas estimular a visibilidade de questões que estão na ordem de nossos dias, de algo que foi por muito tempo silenciado, da contribuição do povo negro na construção desta cidade e do país, em suas mais diversas especificidades", ressalta Nina Matos, curadora do Mabe. Ela destaca três obras: “Retrato de Preto Velho”, da pintora Dahlia Déa; "Vendedora de Cheiro", de Antonieta Santos Feio; e também de autoria de Antonieta Feio, a “Mendiga”.
“Retrato de Preto Velho” foi feita em 1936, remetendo à imagem de Pai João, antigo tema cancioneiro da escravidão no Brasil. Estudiosos, explica Nina, apontam que a obra participou de um salão de arte em Belém, alusivo às comemorações do Cinquentenário da Abolição da Escravidão, em 1938."Vendedora de Cheiro", pintada em 1947, "estampa aspectos da contribuição cultural do povo negro na Amazônia, apresentando o retrato de uma mulher trabalhadora, de aparência muito comum a todos nós, na qual a artista evidencia uma carga mística, nos acessórios sincréticos que a mesma ostenta: um crucifixo e uma figa de pau d' Angola, amuleto de pajelança cabocla para afastar todo mal. Seu penteado é característico das mamelucas paraenses, ornado com jasmins brancos e rosas vermelhas. Nas mãos, um cesto com os cheiros típicos do Pará. Preciosismo de detalhes característicos da pintura realista de Antonieta, em que a artista ressalta aspectos individuais do retratado", detalha Nina.
"Na emblemática 'Mendiga', realizada em 1951, somos magnetizados pelo olhar de abandono da pobre senhora de roupa surrada, com um velho chapéu, onde pode-se visualizar algumas moedas esmoladas. Ainda chama atenção a carga mística sincrética religiosa, no acessório humilde que a mesma ostenta: uma corrente com uma medalha, cuja estampa nos remete à uma representação de Nossa Senhora ou uma Iemanjá. Paira essa dúvida", explica a curadora. Ainda sobre "Mendiga", Nina analisa que, possivelmente pela influência do modernismo, "além de ser uma obra de beleza impactante, pode ser considerada um ícone de referência, pela mesma continuar falando e refletindo no presente, as presenças histórica e cultural dos descendentes de africanos e suas escravizações e marginalização constantes.
Da condição social ainda atual da mulher negra periférica; da condição ainda vergonhosa de párias; relegado ao povo negro; da violência às quais são submetidos; da dor das mães negras que presenciam o genocídio de seus filhos... a ‘Mendiga' ainda agoniza nas vias públicas deste país de preconceitos, racismo e abismos sociais", comenta."O museu está em sintonia e ciente de seu compromisso social junto à comunidade, não só na educação informal, junto a alunos e professores da rede de ensino, como possibilitando o acesso de acadêmicos, da arte, história e demais saberes; curadores, pesquisadores e público em geral, às coleções, para que sejam estudadas, pesquisadas, difundidas, possibilitando que a sociedade aproprie-se desse patrimônio, entendendo que este acervo é fonte de conhecimento de nossa própria identidade amazônica", conclui Nina Matos.
Fonte: O Liberal, "MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo", publicado em 18 de dezembro de 2020, por Victor Furtado. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Antonieta Santos Feio | Itaú Cultural
Exposições
1999 - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos
2000 - Arte Pará 2000
2005 - 24º Salão Arte Pará
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2015 - 10ª Bienal do Mercosul
2019 - Artistas Mulheres: territórios expandidos
2019 - O que resta após
2020 - Arte + Biografia – Tibério no plural
Fonte: ANTONIETA Feio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 22 de outubro de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Reseach Gate. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Antonieta Santos Feio (Belém, Pará, 31 de maio de 1897 — Santos, São Paulo, 1980), mais conhecida como Antonieta Feio, foi uma pintora brasileira. Estudou pintura na Escola de Belas artes de Florença, na Itália, e especializou-se em retratos. Regressou a Belém aos vinte anos de idade e participou, como 'hors concours', do II Salão de Belas Artes do Pará. Professora de desenho e pintura do Instituto de Educação do Pará, Antonieta expôs seus quadros pelo país e é autora de diversas pinturas do acervo do MUFPA. Em 1940, recebeu a medalha de ouro na Exposição Nacional de Pernambuco; em 1947, ganhou o 2º prêmio de pintura do VIII Salão Oficial de Belas Artes do Pará; e em 1951, foi a vencedora do Salão Paraense com a obra “Mendiga”. Influenciada pelo movimento modernista, destacou-se por retratar pessoas comuns, com traços regionais.
Antonieta Santos Feio | Arremate Arte
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora brasileira nascida em Belém do Pará, reconhecida por sua contribuição à arte moderna, especialmente no campo do realismo com nuances modernistas.
Formada pela Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, Antonieta destacou-se em um ambiente artístico predominantemente masculino, sendo pioneira no retrato de personalidades e na representação de figuras femininas da cultura amazônica. Suas obras trazem uma sensibilidade profunda, refletindo tanto aspectos sociais quanto culturais da região.
Seus quadros mais conhecidos incluem "Mendiga" (1953), "Vendedora de Tacacá" (1937) e "Vendedora de Cheiro" (1947), nos quais ela retrata figuras emblemáticas da vida cotidiana, especialmente mulheres ribeirinhas e trabalhadoras. Nessas obras, Antonieta explora o contraste entre a pobreza e a dignidade, ressaltando elementos simbólicos como a magia e a religiosidade cabocla. Suas pinturas são valorizadas por uma precisão nos detalhes e uma abordagem que mescla realismo e crítica social.
Ao longo de sua carreira, Antonieta participou de importantes exposições e teve suas obras integradas ao acervo de museus renomados, como o Museu de Arte de Belém (MABE) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de pintora, foi professora de desenho e pintura, influenciando várias gerações de artistas paraenses.
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MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio | O Liberal
O Museu de Arte de Belém (MABE) está com uma programação virtual durante esta semana para homenagear a pintora paraense Antonieta Santos Feio, uma mulher de grande relevância para a arte brasileira por ser pioneira em academia de arte, quando esse universo ainda era predominado por homens. A artista completaria 124 anos, em 31 de maio, se estivesse viva. E uma das suas principais obras, 'Mendiga', completa 70 anos.Toda a programação será virtual pelas redes sociais do MABE com conteúdos de vídeos que vão tratar sobre a vida e a obra da artista, sempre a partir de 18h durante toda a semana. Nina Matos, que é da Divisão de Curadoria e Montagem do Museu de Belém, explicou que os conteúdos serão divididos entre depoimentos de artistas e pesquisadores como o curador Tadeu Lobato e o historiador Francisco Paes, que vão participar da programação.
"O Francisco tem uma pesquisa sobre uma das principais obras da artista, "Mendiga", que é uma obra que trata sobre a consagração do sagrado. Esses conteúdos serão importantes para que mais pessoas saibam da importância da artista", destaca Nina Matos.
Antonieta é uma pintora virtuosa no desenho e na pintura com obras que permanecem vivas e inseridas na contemporaneidade, por meio das reflexões que elas proporcionam. Sobre esses aspectos, outra característica forte da artista era a grande procura para a pintura de retratos de personalidades."Aqui no museu temos seis retratos de prefeitos e entre outras personalidades pintadas por Antonieta. Mas além desse caráter oficial de fazer pinturas por encomenda, ela também é destaque na pintura de paisagem, natureza morta e cenas de gênero. Nessas pinturas, há a presença do feminino. Nós temos obras emblemáticas com fascinante realismo tangenciado pelo modernismo" explica a curadora da exposição.A artista plástica pintou mulheres ribeirinhas da Amazônia que foram retratadas com riqueza de detalhes indicando crenças, credos e condição social. Além do acervo no MABE, a artista também tem obra no museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), na Faculdade de Medicina da UFPA, no Conservatório Carlos Gomes e no IHGP.Antonieta é filha do comandante Antônio José dos Santos feio e da italiana Sarah Rapisardi dos Santos. Ela nasceu na capital paraense e estudou na Academia de Bellas Artes de Florença, na Itália. “Vendedora de tacacá”, de 1937, é a primeira das grandes obras. A artista compõe a figura do romanceiro paraense com traços que mostram a realidade do personagem.
“Vendedora de cheiro”, de 1947, a artista retrata a figura de uma mulher conhecida por todos. E deixa transparente os símbolos de magia e pajelança na obra. Na obra “Mendiga”, a artista mostra traços fortes de uma mulher com o olhar triste, roupa suja e com símbolos que sinalizam a pobreza.
Fonte: O Liberal, "MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio", escrito por Bruna Lima, publicado em 1 de junho de 2021. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Cena de um seringal: a pintura de Antonieta Feio | História e Natureza
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora bastante atuante no cenário artístico paraense. Desde quando retornou a Belém dos seus primeiros anos de estudo na Itália, em 1917, participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, salões de arte organizados tanto por iniciativa pública quanto privada; foi professora de desenho e pintura no Instituto de Educação do Pará, além de ministrar aulas particulares. Seu nome aparece ainda ligado aos debates de diferentes grupos independentes de artistas, como a Associação Artística Paraense e a Sociedade Artística Internacional. Antonieta recebia ainda encomendas da elite local, especialmente de retratos (gênero de pintura que marca fortemente os estudos sobre sua obra) não somente por se tratar da especialidade da pintora, mas também porque os retratos somam o montante de trabalhos disponíveis à consulta pública nos acervos institucionais. Na capital paraense, para termos uma ideia, há exemplares no Museu de Arte de Belém, no Museu Histórico do Estado do Pará, na Escola de Música Carlos Gomes, no Arcebispado de Belém, na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, entre outros. Contudo, o conjunto da obra da artista é bem mais abrangente; seguindo o exemplo de seus professores italianos, Giuseppe Rossi (1876-1952) e Jacopo Olivotto (1873-1956), Antonieta também se dedicou à pintura de paisagens, naturezas mortas e cenas de gênero, como essa que retrata um seringal.
Sobre o quadro
No primeiro plano, à direita, dois meninos despejam a seiva da seringueira num recipiente deitado ao chão. Depois de levado ao fogo, o líquido deve ganhar a consistência das bolas de borracha dispostas à esquerda, aos pés do homem que acompanha o trabalho dos jovens, provavelmente um seringueiro, vestido com calça e camisa claras, gastas pelo tempo e pelo uso cotidiano, cabeça coberta por um tipo de boina. Apoiado numa das pernas, braço esquerdo descansando na cintura, o homem carrega na mão direita um lampião. No segundo plano, por trás dos meninos, há uma cabana de palha que sugere o acampamento dos seringueiros; é possível ver alguns vestígios de que outras pessoas habitam o interior da cabana, mas a ausência de luz não permite ao espectador conhecer o que se passa do lado de dentro. Esse acabamento escuro do interior do alojamento, por sua vez, cria um contraste com o branco da camisa do menino e da seiva ainda líquida sendo derramada, o que chama atenção para o movimento que acontece no primeiro plano. Já o plano secundário é dividido em dois: de um lado a cabana, de outro a mata verde. O clarão criado pelo acamamento contrasta ainda com a mata densa que se prolonga por trás do seringueiro até o horizonte. No recorte da cena proposta pela artista, o céu aparece em pequenas frações nos cantos superiores da tela, chamando atenção para a dimensão monumental da floresta que toma conta da paisagem.
Nesse trabalho, a palheta da pintora varia entre tons de verde e ocre; a iluminação, mais fria, sugere um momento como fim de tarde, pouco antes de escurecer. Como em outras cenas de gênero pintadas por Antonieta, as figuras humanas são apresentadas de maneira mais esquemáticas, no sentido oposto ao detalhamento e precisão característicos de alguns de seus retratos. De toda forma, essa tela retoma um tema caro a sua pintura: o trabalho. O tema aparece em vários outras telas, inclusive nos retratos de grande dimensão que estão no Museu de Arte de Belém, são eles a Vendedora de Tacacá (1937), a Vendedora de Cheiro (1947), as quais retomam o tema do trabalho urbano de mulheres cujo sustento provém de uma atividade desenvolvida nas ruas; além da Mendiga (1953), que trás uma alusão ao não-trabalho, considerando que se trata de uma mulher pobre que vive de esmolas.
Nesse sentido, a tela do seringal, embora marcada por soluções plásticas mais próprias da sua pintura de gênero, atravessa a temática corrente do trabalho e da representação de tipos regionais, que aparece nos retratos mencionados, datados de três décadas diferentes. O acampamento seringueiro, pois, é mais uma das atividades que caracteriza o dia-a-dia dos trabalhadores na região Amazônica, especialmente quando se fala de um momento em que a extração do látex havia sido retomada com vigor, por incentivo do governo federal, no contexto da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Antonieta fez parte de uma geração que presenciou os dois grandes conflitos bélicos de dimensões mundiais; seus famosos retratos de mulheres em situação de trabalho (e não trabalho), por um lado, deixam ver que a artista estava bastante atenta ao ambiente social em que vivia, e encontrava nos problemas do presente motivos para suas telas. Portanto, a cena do seringal não só apresenta elementos caros para se pensar sobre a sociedade da época, como aponta para outras possibilidades de enfrentamento do próprio conjunto da obra da artista.
Fonte: História e Natureza, escrito por Caroline Fernandes. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo | Rede Pará
O acervo de obras do Museu de Arte de Belém (Mabe), situado no Palácio Antônio Lemos, já se tornou referência em exposições nacionais. Tanto, que o historiador e curador Paulo Herkenhoff, do Instituto Tomie Ohtake, solicitou três peças do Mabe para compor a mostra “Artistas do Moderno, a invenção da mulher”, que ocorrerá em São Paulo, no período de 13 de junho a 20 de agosto de 2017.
As obras solicitadas pelo Instituto são: Mendiga (de 1951), Vendedora de Cheiro (de 1947) e Vendedora de Tacacá (de 1937), todas de Antonieta Santos Feio. Elas vão compor a exposição que traz obras de artistas do século XIX até a primeira metade do século XX. São nomes como Abigail de Andrade, Bertha Worms, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outras.
O Mabe pertence à Fundação Cultural do Município (Fumbel) e tem um acervo de 1.580 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e mobiliários. Nesta quinta-feira, 20, equipes de uma empresa de transportes – contratada pelo Instituto Tomie Ohtake – estiveram na sede da Prefeitura de Belém para embalar e fazer o traslado das obras.
“Os museus criaram uma plataforma de trocas que nós chamamos de intercâmbio, por conhecer que esses ambientes têm um papel muito importante na transformação social. O Mabe detém de um acervo muito rico e importante para a memória de Belém, e poder ceder estas obras para exposições fora da nossa cidade é muito valoroso, pois estamos mostrando parte da nossa riqueza para o mundo”, ressaltou a diretora do museu, Dora Lúcia Lourenço.
A restauradora e conservadora do Museu de Arte de Belém, Rosa Arraes acredita que essa exposição é, sobretudo, uma forma de conhecer outras culturas, conceitos e conteúdos. “O Paulo (curador) é conceituado na área, e ele já esteve em Belém diversas vezes. Acredito que o fato de ele conhecer nossas obras influenciou para que ele solicitasse este intercâmbio. Estamos vendo nossas obras serem valorizadas e apreciadas pelo mundo”, avaliou.
O seguro das obras que irão para este intercâmbio está avaliado em aproximadamente um milhão e meio de reais.
Fonte: Rede Pará, "Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo", publicado por Karla Pereira em 20 de abril de 2017. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo | O Liberal
O Museu do Estado do Pará (MEP) não tem obras que, diretamente, remetem à memória da população preta paraense. Tanto em obras que retratam essa parcela considerável de pessoas que, historicamente, formaram população e identidade amazônicas; quanto em obras feitas por artistas negros. Mas não é por isso que visitantes ficam alheios às discussões sobre racismo e contextos históricos ao visitar o museu. Muito pelo contrário: são levados a pensar, criticamente sobre a ausência desse acervo e se transportar à época das origens do museu, no século XVIII.A historiadora Cassia da Rosa, diretora do MEP, explica que a visita ao museu pode levar à reflexão crítica sobre o apagamento da memória da população preta brasileira e africana. O que se poderia ter dessas representações foi "embranquecida": o maestro Carlos Gomes e o ex-presidente Nilo Peçanha. Ambos poderiam ser considerados negros, ainda que não fossem retintos. Mas nos retratos deles, que compõem o acervo do museu, são representados como se fossem brancos. Algo que norteou uma discussão recente sobre o escritor Machado de Assis, cujas imagens retratadas foram "embranquecidas".
O imóvel que abriga o museu foi construído em 1761. A obra, certamente, aponta Cassia, foi executada por pessoas negras escravizadas. No acervo, a historiadora cita uma "escarradeira", um objeto cultural da época, que servia para quem mascasse fumo, cuspisse lá. Era um recipiente limpado por pessoas negras escravizadas que cuidavam das tarefas domésticas do imóvel.
Somente na passagem do século XIX para o século XX, observa Cassia, começa uma política de aquisição de obras de arte para a casa que hoje abriga o MEP e que, no passado, era o Palácio de Governo. "Era um momento e uma sociedade muito mais racista. O que ficou de acervo é relacionado a uma época republicana, com silenciamento ou apagamento dessa memória. Parece com exclusão mesmo de figuras e personalidades negras", analisa."Esse silenciamento é tema dentro do museu. Se explica o contexto e a aquisição do acervo. Nos apropriamos e abrimos os olhos para esse tema quando, em 2018, recebemos uma pesquisadora do Rio de Janeiro, que buscava essa representação negra nas telas e obras em museus. Então não é porque não temos as obras que representam essa história, essa memória da população negra, que não podemos falar sobre isso", conclui Cassia.
Mabe: acervo remete à memória da população preta paraense
O Museu de Artes de Belém (Mabe) possui um acervo com obras que remetem à memória e à representatividade da população negra do Pará. Porém, por enquanto, segue fechado para reformas. A reabertura dependerá da próxima gestão, que assume em janeiro de 2021, para concluir as reformas e anunciar quando o público — mensalmente, a média de visitantes é de 2 mil pessoas — poderá retomar as visitações. E então a instituição voltar a cumprir o papel educativo e cultural de retratar a sociedade e história nas obras."Cabe às instituições museológicas estimular a visibilidade de questões que estão na ordem de nossos dias, de algo que foi por muito tempo silenciado, da contribuição do povo negro na construção desta cidade e do país, em suas mais diversas especificidades", ressalta Nina Matos, curadora do Mabe. Ela destaca três obras: “Retrato de Preto Velho”, da pintora Dahlia Déa; "Vendedora de Cheiro", de Antonieta Santos Feio; e também de autoria de Antonieta Feio, a “Mendiga”.
“Retrato de Preto Velho” foi feita em 1936, remetendo à imagem de Pai João, antigo tema cancioneiro da escravidão no Brasil. Estudiosos, explica Nina, apontam que a obra participou de um salão de arte em Belém, alusivo às comemorações do Cinquentenário da Abolição da Escravidão, em 1938."Vendedora de Cheiro", pintada em 1947, "estampa aspectos da contribuição cultural do povo negro na Amazônia, apresentando o retrato de uma mulher trabalhadora, de aparência muito comum a todos nós, na qual a artista evidencia uma carga mística, nos acessórios sincréticos que a mesma ostenta: um crucifixo e uma figa de pau d' Angola, amuleto de pajelança cabocla para afastar todo mal. Seu penteado é característico das mamelucas paraenses, ornado com jasmins brancos e rosas vermelhas. Nas mãos, um cesto com os cheiros típicos do Pará. Preciosismo de detalhes característicos da pintura realista de Antonieta, em que a artista ressalta aspectos individuais do retratado", detalha Nina.
"Na emblemática 'Mendiga', realizada em 1951, somos magnetizados pelo olhar de abandono da pobre senhora de roupa surrada, com um velho chapéu, onde pode-se visualizar algumas moedas esmoladas. Ainda chama atenção a carga mística sincrética religiosa, no acessório humilde que a mesma ostenta: uma corrente com uma medalha, cuja estampa nos remete à uma representação de Nossa Senhora ou uma Iemanjá. Paira essa dúvida", explica a curadora. Ainda sobre "Mendiga", Nina analisa que, possivelmente pela influência do modernismo, "além de ser uma obra de beleza impactante, pode ser considerada um ícone de referência, pela mesma continuar falando e refletindo no presente, as presenças histórica e cultural dos descendentes de africanos e suas escravizações e marginalização constantes.
Da condição social ainda atual da mulher negra periférica; da condição ainda vergonhosa de párias; relegado ao povo negro; da violência às quais são submetidos; da dor das mães negras que presenciam o genocídio de seus filhos... a ‘Mendiga' ainda agoniza nas vias públicas deste país de preconceitos, racismo e abismos sociais", comenta."O museu está em sintonia e ciente de seu compromisso social junto à comunidade, não só na educação informal, junto a alunos e professores da rede de ensino, como possibilitando o acesso de acadêmicos, da arte, história e demais saberes; curadores, pesquisadores e público em geral, às coleções, para que sejam estudadas, pesquisadas, difundidas, possibilitando que a sociedade aproprie-se desse patrimônio, entendendo que este acervo é fonte de conhecimento de nossa própria identidade amazônica", conclui Nina Matos.
Fonte: O Liberal, "MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo", publicado em 18 de dezembro de 2020, por Victor Furtado. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Antonieta Santos Feio | Itaú Cultural
Exposições
1999 - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos
2000 - Arte Pará 2000
2005 - 24º Salão Arte Pará
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2015 - 10ª Bienal do Mercosul
2019 - Artistas Mulheres: territórios expandidos
2019 - O que resta após
2020 - Arte + Biografia – Tibério no plural
Fonte: ANTONIETA Feio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 22 de outubro de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Reseach Gate. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Antonieta Santos Feio (Belém, Pará, 31 de maio de 1897 — Santos, São Paulo, 1980), mais conhecida como Antonieta Feio, foi uma pintora brasileira. Estudou pintura na Escola de Belas artes de Florença, na Itália, e especializou-se em retratos. Regressou a Belém aos vinte anos de idade e participou, como 'hors concours', do II Salão de Belas Artes do Pará. Professora de desenho e pintura do Instituto de Educação do Pará, Antonieta expôs seus quadros pelo país e é autora de diversas pinturas do acervo do MUFPA. Em 1940, recebeu a medalha de ouro na Exposição Nacional de Pernambuco; em 1947, ganhou o 2º prêmio de pintura do VIII Salão Oficial de Belas Artes do Pará; e em 1951, foi a vencedora do Salão Paraense com a obra “Mendiga”. Influenciada pelo movimento modernista, destacou-se por retratar pessoas comuns, com traços regionais.
Antonieta Santos Feio | Arremate Arte
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora brasileira nascida em Belém do Pará, reconhecida por sua contribuição à arte moderna, especialmente no campo do realismo com nuances modernistas.
Formada pela Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, Antonieta destacou-se em um ambiente artístico predominantemente masculino, sendo pioneira no retrato de personalidades e na representação de figuras femininas da cultura amazônica. Suas obras trazem uma sensibilidade profunda, refletindo tanto aspectos sociais quanto culturais da região.
Seus quadros mais conhecidos incluem "Mendiga" (1953), "Vendedora de Tacacá" (1937) e "Vendedora de Cheiro" (1947), nos quais ela retrata figuras emblemáticas da vida cotidiana, especialmente mulheres ribeirinhas e trabalhadoras. Nessas obras, Antonieta explora o contraste entre a pobreza e a dignidade, ressaltando elementos simbólicos como a magia e a religiosidade cabocla. Suas pinturas são valorizadas por uma precisão nos detalhes e uma abordagem que mescla realismo e crítica social.
Ao longo de sua carreira, Antonieta participou de importantes exposições e teve suas obras integradas ao acervo de museus renomados, como o Museu de Arte de Belém (MABE) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de pintora, foi professora de desenho e pintura, influenciando várias gerações de artistas paraenses.
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MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio | O Liberal
O Museu de Arte de Belém (MABE) está com uma programação virtual durante esta semana para homenagear a pintora paraense Antonieta Santos Feio, uma mulher de grande relevância para a arte brasileira por ser pioneira em academia de arte, quando esse universo ainda era predominado por homens. A artista completaria 124 anos, em 31 de maio, se estivesse viva. E uma das suas principais obras, 'Mendiga', completa 70 anos.Toda a programação será virtual pelas redes sociais do MABE com conteúdos de vídeos que vão tratar sobre a vida e a obra da artista, sempre a partir de 18h durante toda a semana. Nina Matos, que é da Divisão de Curadoria e Montagem do Museu de Belém, explicou que os conteúdos serão divididos entre depoimentos de artistas e pesquisadores como o curador Tadeu Lobato e o historiador Francisco Paes, que vão participar da programação.
"O Francisco tem uma pesquisa sobre uma das principais obras da artista, "Mendiga", que é uma obra que trata sobre a consagração do sagrado. Esses conteúdos serão importantes para que mais pessoas saibam da importância da artista", destaca Nina Matos.
Antonieta é uma pintora virtuosa no desenho e na pintura com obras que permanecem vivas e inseridas na contemporaneidade, por meio das reflexões que elas proporcionam. Sobre esses aspectos, outra característica forte da artista era a grande procura para a pintura de retratos de personalidades."Aqui no museu temos seis retratos de prefeitos e entre outras personalidades pintadas por Antonieta. Mas além desse caráter oficial de fazer pinturas por encomenda, ela também é destaque na pintura de paisagem, natureza morta e cenas de gênero. Nessas pinturas, há a presença do feminino. Nós temos obras emblemáticas com fascinante realismo tangenciado pelo modernismo" explica a curadora da exposição.A artista plástica pintou mulheres ribeirinhas da Amazônia que foram retratadas com riqueza de detalhes indicando crenças, credos e condição social. Além do acervo no MABE, a artista também tem obra no museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), na Faculdade de Medicina da UFPA, no Conservatório Carlos Gomes e no IHGP.Antonieta é filha do comandante Antônio José dos Santos feio e da italiana Sarah Rapisardi dos Santos. Ela nasceu na capital paraense e estudou na Academia de Bellas Artes de Florença, na Itália. “Vendedora de tacacá”, de 1937, é a primeira das grandes obras. A artista compõe a figura do romanceiro paraense com traços que mostram a realidade do personagem.
“Vendedora de cheiro”, de 1947, a artista retrata a figura de uma mulher conhecida por todos. E deixa transparente os símbolos de magia e pajelança na obra. Na obra “Mendiga”, a artista mostra traços fortes de uma mulher com o olhar triste, roupa suja e com símbolos que sinalizam a pobreza.
Fonte: O Liberal, "MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio", escrito por Bruna Lima, publicado em 1 de junho de 2021. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Cena de um seringal: a pintura de Antonieta Feio | História e Natureza
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora bastante atuante no cenário artístico paraense. Desde quando retornou a Belém dos seus primeiros anos de estudo na Itália, em 1917, participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, salões de arte organizados tanto por iniciativa pública quanto privada; foi professora de desenho e pintura no Instituto de Educação do Pará, além de ministrar aulas particulares. Seu nome aparece ainda ligado aos debates de diferentes grupos independentes de artistas, como a Associação Artística Paraense e a Sociedade Artística Internacional. Antonieta recebia ainda encomendas da elite local, especialmente de retratos (gênero de pintura que marca fortemente os estudos sobre sua obra) não somente por se tratar da especialidade da pintora, mas também porque os retratos somam o montante de trabalhos disponíveis à consulta pública nos acervos institucionais. Na capital paraense, para termos uma ideia, há exemplares no Museu de Arte de Belém, no Museu Histórico do Estado do Pará, na Escola de Música Carlos Gomes, no Arcebispado de Belém, na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, entre outros. Contudo, o conjunto da obra da artista é bem mais abrangente; seguindo o exemplo de seus professores italianos, Giuseppe Rossi (1876-1952) e Jacopo Olivotto (1873-1956), Antonieta também se dedicou à pintura de paisagens, naturezas mortas e cenas de gênero, como essa que retrata um seringal.
Sobre o quadro
No primeiro plano, à direita, dois meninos despejam a seiva da seringueira num recipiente deitado ao chão. Depois de levado ao fogo, o líquido deve ganhar a consistência das bolas de borracha dispostas à esquerda, aos pés do homem que acompanha o trabalho dos jovens, provavelmente um seringueiro, vestido com calça e camisa claras, gastas pelo tempo e pelo uso cotidiano, cabeça coberta por um tipo de boina. Apoiado numa das pernas, braço esquerdo descansando na cintura, o homem carrega na mão direita um lampião. No segundo plano, por trás dos meninos, há uma cabana de palha que sugere o acampamento dos seringueiros; é possível ver alguns vestígios de que outras pessoas habitam o interior da cabana, mas a ausência de luz não permite ao espectador conhecer o que se passa do lado de dentro. Esse acabamento escuro do interior do alojamento, por sua vez, cria um contraste com o branco da camisa do menino e da seiva ainda líquida sendo derramada, o que chama atenção para o movimento que acontece no primeiro plano. Já o plano secundário é dividido em dois: de um lado a cabana, de outro a mata verde. O clarão criado pelo acamamento contrasta ainda com a mata densa que se prolonga por trás do seringueiro até o horizonte. No recorte da cena proposta pela artista, o céu aparece em pequenas frações nos cantos superiores da tela, chamando atenção para a dimensão monumental da floresta que toma conta da paisagem.
Nesse trabalho, a palheta da pintora varia entre tons de verde e ocre; a iluminação, mais fria, sugere um momento como fim de tarde, pouco antes de escurecer. Como em outras cenas de gênero pintadas por Antonieta, as figuras humanas são apresentadas de maneira mais esquemáticas, no sentido oposto ao detalhamento e precisão característicos de alguns de seus retratos. De toda forma, essa tela retoma um tema caro a sua pintura: o trabalho. O tema aparece em vários outras telas, inclusive nos retratos de grande dimensão que estão no Museu de Arte de Belém, são eles a Vendedora de Tacacá (1937), a Vendedora de Cheiro (1947), as quais retomam o tema do trabalho urbano de mulheres cujo sustento provém de uma atividade desenvolvida nas ruas; além da Mendiga (1953), que trás uma alusão ao não-trabalho, considerando que se trata de uma mulher pobre que vive de esmolas.
Nesse sentido, a tela do seringal, embora marcada por soluções plásticas mais próprias da sua pintura de gênero, atravessa a temática corrente do trabalho e da representação de tipos regionais, que aparece nos retratos mencionados, datados de três décadas diferentes. O acampamento seringueiro, pois, é mais uma das atividades que caracteriza o dia-a-dia dos trabalhadores na região Amazônica, especialmente quando se fala de um momento em que a extração do látex havia sido retomada com vigor, por incentivo do governo federal, no contexto da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Antonieta fez parte de uma geração que presenciou os dois grandes conflitos bélicos de dimensões mundiais; seus famosos retratos de mulheres em situação de trabalho (e não trabalho), por um lado, deixam ver que a artista estava bastante atenta ao ambiente social em que vivia, e encontrava nos problemas do presente motivos para suas telas. Portanto, a cena do seringal não só apresenta elementos caros para se pensar sobre a sociedade da época, como aponta para outras possibilidades de enfrentamento do próprio conjunto da obra da artista.
Fonte: História e Natureza, escrito por Caroline Fernandes. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo | Rede Pará
O acervo de obras do Museu de Arte de Belém (Mabe), situado no Palácio Antônio Lemos, já se tornou referência em exposições nacionais. Tanto, que o historiador e curador Paulo Herkenhoff, do Instituto Tomie Ohtake, solicitou três peças do Mabe para compor a mostra “Artistas do Moderno, a invenção da mulher”, que ocorrerá em São Paulo, no período de 13 de junho a 20 de agosto de 2017.
As obras solicitadas pelo Instituto são: Mendiga (de 1951), Vendedora de Cheiro (de 1947) e Vendedora de Tacacá (de 1937), todas de Antonieta Santos Feio. Elas vão compor a exposição que traz obras de artistas do século XIX até a primeira metade do século XX. São nomes como Abigail de Andrade, Bertha Worms, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outras.
O Mabe pertence à Fundação Cultural do Município (Fumbel) e tem um acervo de 1.580 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e mobiliários. Nesta quinta-feira, 20, equipes de uma empresa de transportes – contratada pelo Instituto Tomie Ohtake – estiveram na sede da Prefeitura de Belém para embalar e fazer o traslado das obras.
“Os museus criaram uma plataforma de trocas que nós chamamos de intercâmbio, por conhecer que esses ambientes têm um papel muito importante na transformação social. O Mabe detém de um acervo muito rico e importante para a memória de Belém, e poder ceder estas obras para exposições fora da nossa cidade é muito valoroso, pois estamos mostrando parte da nossa riqueza para o mundo”, ressaltou a diretora do museu, Dora Lúcia Lourenço.
A restauradora e conservadora do Museu de Arte de Belém, Rosa Arraes acredita que essa exposição é, sobretudo, uma forma de conhecer outras culturas, conceitos e conteúdos. “O Paulo (curador) é conceituado na área, e ele já esteve em Belém diversas vezes. Acredito que o fato de ele conhecer nossas obras influenciou para que ele solicitasse este intercâmbio. Estamos vendo nossas obras serem valorizadas e apreciadas pelo mundo”, avaliou.
O seguro das obras que irão para este intercâmbio está avaliado em aproximadamente um milhão e meio de reais.
Fonte: Rede Pará, "Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo", publicado por Karla Pereira em 20 de abril de 2017. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo | O Liberal
O Museu do Estado do Pará (MEP) não tem obras que, diretamente, remetem à memória da população preta paraense. Tanto em obras que retratam essa parcela considerável de pessoas que, historicamente, formaram população e identidade amazônicas; quanto em obras feitas por artistas negros. Mas não é por isso que visitantes ficam alheios às discussões sobre racismo e contextos históricos ao visitar o museu. Muito pelo contrário: são levados a pensar, criticamente sobre a ausência desse acervo e se transportar à época das origens do museu, no século XVIII.A historiadora Cassia da Rosa, diretora do MEP, explica que a visita ao museu pode levar à reflexão crítica sobre o apagamento da memória da população preta brasileira e africana. O que se poderia ter dessas representações foi "embranquecida": o maestro Carlos Gomes e o ex-presidente Nilo Peçanha. Ambos poderiam ser considerados negros, ainda que não fossem retintos. Mas nos retratos deles, que compõem o acervo do museu, são representados como se fossem brancos. Algo que norteou uma discussão recente sobre o escritor Machado de Assis, cujas imagens retratadas foram "embranquecidas".
O imóvel que abriga o museu foi construído em 1761. A obra, certamente, aponta Cassia, foi executada por pessoas negras escravizadas. No acervo, a historiadora cita uma "escarradeira", um objeto cultural da época, que servia para quem mascasse fumo, cuspisse lá. Era um recipiente limpado por pessoas negras escravizadas que cuidavam das tarefas domésticas do imóvel.
Somente na passagem do século XIX para o século XX, observa Cassia, começa uma política de aquisição de obras de arte para a casa que hoje abriga o MEP e que, no passado, era o Palácio de Governo. "Era um momento e uma sociedade muito mais racista. O que ficou de acervo é relacionado a uma época republicana, com silenciamento ou apagamento dessa memória. Parece com exclusão mesmo de figuras e personalidades negras", analisa."Esse silenciamento é tema dentro do museu. Se explica o contexto e a aquisição do acervo. Nos apropriamos e abrimos os olhos para esse tema quando, em 2018, recebemos uma pesquisadora do Rio de Janeiro, que buscava essa representação negra nas telas e obras em museus. Então não é porque não temos as obras que representam essa história, essa memória da população negra, que não podemos falar sobre isso", conclui Cassia.
Mabe: acervo remete à memória da população preta paraense
O Museu de Artes de Belém (Mabe) possui um acervo com obras que remetem à memória e à representatividade da população negra do Pará. Porém, por enquanto, segue fechado para reformas. A reabertura dependerá da próxima gestão, que assume em janeiro de 2021, para concluir as reformas e anunciar quando o público — mensalmente, a média de visitantes é de 2 mil pessoas — poderá retomar as visitações. E então a instituição voltar a cumprir o papel educativo e cultural de retratar a sociedade e história nas obras."Cabe às instituições museológicas estimular a visibilidade de questões que estão na ordem de nossos dias, de algo que foi por muito tempo silenciado, da contribuição do povo negro na construção desta cidade e do país, em suas mais diversas especificidades", ressalta Nina Matos, curadora do Mabe. Ela destaca três obras: “Retrato de Preto Velho”, da pintora Dahlia Déa; "Vendedora de Cheiro", de Antonieta Santos Feio; e também de autoria de Antonieta Feio, a “Mendiga”.
“Retrato de Preto Velho” foi feita em 1936, remetendo à imagem de Pai João, antigo tema cancioneiro da escravidão no Brasil. Estudiosos, explica Nina, apontam que a obra participou de um salão de arte em Belém, alusivo às comemorações do Cinquentenário da Abolição da Escravidão, em 1938."Vendedora de Cheiro", pintada em 1947, "estampa aspectos da contribuição cultural do povo negro na Amazônia, apresentando o retrato de uma mulher trabalhadora, de aparência muito comum a todos nós, na qual a artista evidencia uma carga mística, nos acessórios sincréticos que a mesma ostenta: um crucifixo e uma figa de pau d' Angola, amuleto de pajelança cabocla para afastar todo mal. Seu penteado é característico das mamelucas paraenses, ornado com jasmins brancos e rosas vermelhas. Nas mãos, um cesto com os cheiros típicos do Pará. Preciosismo de detalhes característicos da pintura realista de Antonieta, em que a artista ressalta aspectos individuais do retratado", detalha Nina.
"Na emblemática 'Mendiga', realizada em 1951, somos magnetizados pelo olhar de abandono da pobre senhora de roupa surrada, com um velho chapéu, onde pode-se visualizar algumas moedas esmoladas. Ainda chama atenção a carga mística sincrética religiosa, no acessório humilde que a mesma ostenta: uma corrente com uma medalha, cuja estampa nos remete à uma representação de Nossa Senhora ou uma Iemanjá. Paira essa dúvida", explica a curadora. Ainda sobre "Mendiga", Nina analisa que, possivelmente pela influência do modernismo, "além de ser uma obra de beleza impactante, pode ser considerada um ícone de referência, pela mesma continuar falando e refletindo no presente, as presenças histórica e cultural dos descendentes de africanos e suas escravizações e marginalização constantes.
Da condição social ainda atual da mulher negra periférica; da condição ainda vergonhosa de párias; relegado ao povo negro; da violência às quais são submetidos; da dor das mães negras que presenciam o genocídio de seus filhos... a ‘Mendiga' ainda agoniza nas vias públicas deste país de preconceitos, racismo e abismos sociais", comenta."O museu está em sintonia e ciente de seu compromisso social junto à comunidade, não só na educação informal, junto a alunos e professores da rede de ensino, como possibilitando o acesso de acadêmicos, da arte, história e demais saberes; curadores, pesquisadores e público em geral, às coleções, para que sejam estudadas, pesquisadas, difundidas, possibilitando que a sociedade aproprie-se desse patrimônio, entendendo que este acervo é fonte de conhecimento de nossa própria identidade amazônica", conclui Nina Matos.
Fonte: O Liberal, "MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo", publicado em 18 de dezembro de 2020, por Victor Furtado. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Antonieta Santos Feio | Itaú Cultural
Exposições
1999 - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos
2000 - Arte Pará 2000
2005 - 24º Salão Arte Pará
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2015 - 10ª Bienal do Mercosul
2019 - Artistas Mulheres: territórios expandidos
2019 - O que resta após
2020 - Arte + Biografia – Tibério no plural
Fonte: ANTONIETA Feio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 22 de outubro de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Reseach Gate. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Antonieta Santos Feio (Belém, Pará, 31 de maio de 1897 — Santos, São Paulo, 1980), mais conhecida como Antonieta Feio, foi uma pintora brasileira. Estudou pintura na Escola de Belas artes de Florença, na Itália, e especializou-se em retratos. Regressou a Belém aos vinte anos de idade e participou, como 'hors concours', do II Salão de Belas Artes do Pará. Professora de desenho e pintura do Instituto de Educação do Pará, Antonieta expôs seus quadros pelo país e é autora de diversas pinturas do acervo do MUFPA. Em 1940, recebeu a medalha de ouro na Exposição Nacional de Pernambuco; em 1947, ganhou o 2º prêmio de pintura do VIII Salão Oficial de Belas Artes do Pará; e em 1951, foi a vencedora do Salão Paraense com a obra “Mendiga”. Influenciada pelo movimento modernista, destacou-se por retratar pessoas comuns, com traços regionais.
Antonieta Santos Feio | Arremate Arte
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora brasileira nascida em Belém do Pará, reconhecida por sua contribuição à arte moderna, especialmente no campo do realismo com nuances modernistas.
Formada pela Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, Antonieta destacou-se em um ambiente artístico predominantemente masculino, sendo pioneira no retrato de personalidades e na representação de figuras femininas da cultura amazônica. Suas obras trazem uma sensibilidade profunda, refletindo tanto aspectos sociais quanto culturais da região.
Seus quadros mais conhecidos incluem "Mendiga" (1953), "Vendedora de Tacacá" (1937) e "Vendedora de Cheiro" (1947), nos quais ela retrata figuras emblemáticas da vida cotidiana, especialmente mulheres ribeirinhas e trabalhadoras. Nessas obras, Antonieta explora o contraste entre a pobreza e a dignidade, ressaltando elementos simbólicos como a magia e a religiosidade cabocla. Suas pinturas são valorizadas por uma precisão nos detalhes e uma abordagem que mescla realismo e crítica social.
Ao longo de sua carreira, Antonieta participou de importantes exposições e teve suas obras integradas ao acervo de museus renomados, como o Museu de Arte de Belém (MABE) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de pintora, foi professora de desenho e pintura, influenciando várias gerações de artistas paraenses.
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MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio | O Liberal
O Museu de Arte de Belém (MABE) está com uma programação virtual durante esta semana para homenagear a pintora paraense Antonieta Santos Feio, uma mulher de grande relevância para a arte brasileira por ser pioneira em academia de arte, quando esse universo ainda era predominado por homens. A artista completaria 124 anos, em 31 de maio, se estivesse viva. E uma das suas principais obras, 'Mendiga', completa 70 anos.Toda a programação será virtual pelas redes sociais do MABE com conteúdos de vídeos que vão tratar sobre a vida e a obra da artista, sempre a partir de 18h durante toda a semana. Nina Matos, que é da Divisão de Curadoria e Montagem do Museu de Belém, explicou que os conteúdos serão divididos entre depoimentos de artistas e pesquisadores como o curador Tadeu Lobato e o historiador Francisco Paes, que vão participar da programação.
"O Francisco tem uma pesquisa sobre uma das principais obras da artista, "Mendiga", que é uma obra que trata sobre a consagração do sagrado. Esses conteúdos serão importantes para que mais pessoas saibam da importância da artista", destaca Nina Matos.
Antonieta é uma pintora virtuosa no desenho e na pintura com obras que permanecem vivas e inseridas na contemporaneidade, por meio das reflexões que elas proporcionam. Sobre esses aspectos, outra característica forte da artista era a grande procura para a pintura de retratos de personalidades."Aqui no museu temos seis retratos de prefeitos e entre outras personalidades pintadas por Antonieta. Mas além desse caráter oficial de fazer pinturas por encomenda, ela também é destaque na pintura de paisagem, natureza morta e cenas de gênero. Nessas pinturas, há a presença do feminino. Nós temos obras emblemáticas com fascinante realismo tangenciado pelo modernismo" explica a curadora da exposição.A artista plástica pintou mulheres ribeirinhas da Amazônia que foram retratadas com riqueza de detalhes indicando crenças, credos e condição social. Além do acervo no MABE, a artista também tem obra no museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), na Faculdade de Medicina da UFPA, no Conservatório Carlos Gomes e no IHGP.Antonieta é filha do comandante Antônio José dos Santos feio e da italiana Sarah Rapisardi dos Santos. Ela nasceu na capital paraense e estudou na Academia de Bellas Artes de Florença, na Itália. “Vendedora de tacacá”, de 1937, é a primeira das grandes obras. A artista compõe a figura do romanceiro paraense com traços que mostram a realidade do personagem.
“Vendedora de cheiro”, de 1947, a artista retrata a figura de uma mulher conhecida por todos. E deixa transparente os símbolos de magia e pajelança na obra. Na obra “Mendiga”, a artista mostra traços fortes de uma mulher com o olhar triste, roupa suja e com símbolos que sinalizam a pobreza.
Fonte: O Liberal, "MABE mostra o realismo de Antonieta Santos Feio", escrito por Bruna Lima, publicado em 1 de junho de 2021. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Cena de um seringal: a pintura de Antonieta Feio | História e Natureza
Antonieta Santos Feio (1897-1980) foi uma pintora bastante atuante no cenário artístico paraense. Desde quando retornou a Belém dos seus primeiros anos de estudo na Itália, em 1917, participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, salões de arte organizados tanto por iniciativa pública quanto privada; foi professora de desenho e pintura no Instituto de Educação do Pará, além de ministrar aulas particulares. Seu nome aparece ainda ligado aos debates de diferentes grupos independentes de artistas, como a Associação Artística Paraense e a Sociedade Artística Internacional. Antonieta recebia ainda encomendas da elite local, especialmente de retratos (gênero de pintura que marca fortemente os estudos sobre sua obra) não somente por se tratar da especialidade da pintora, mas também porque os retratos somam o montante de trabalhos disponíveis à consulta pública nos acervos institucionais. Na capital paraense, para termos uma ideia, há exemplares no Museu de Arte de Belém, no Museu Histórico do Estado do Pará, na Escola de Música Carlos Gomes, no Arcebispado de Belém, na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, entre outros. Contudo, o conjunto da obra da artista é bem mais abrangente; seguindo o exemplo de seus professores italianos, Giuseppe Rossi (1876-1952) e Jacopo Olivotto (1873-1956), Antonieta também se dedicou à pintura de paisagens, naturezas mortas e cenas de gênero, como essa que retrata um seringal.
Sobre o quadro
No primeiro plano, à direita, dois meninos despejam a seiva da seringueira num recipiente deitado ao chão. Depois de levado ao fogo, o líquido deve ganhar a consistência das bolas de borracha dispostas à esquerda, aos pés do homem que acompanha o trabalho dos jovens, provavelmente um seringueiro, vestido com calça e camisa claras, gastas pelo tempo e pelo uso cotidiano, cabeça coberta por um tipo de boina. Apoiado numa das pernas, braço esquerdo descansando na cintura, o homem carrega na mão direita um lampião. No segundo plano, por trás dos meninos, há uma cabana de palha que sugere o acampamento dos seringueiros; é possível ver alguns vestígios de que outras pessoas habitam o interior da cabana, mas a ausência de luz não permite ao espectador conhecer o que se passa do lado de dentro. Esse acabamento escuro do interior do alojamento, por sua vez, cria um contraste com o branco da camisa do menino e da seiva ainda líquida sendo derramada, o que chama atenção para o movimento que acontece no primeiro plano. Já o plano secundário é dividido em dois: de um lado a cabana, de outro a mata verde. O clarão criado pelo acamamento contrasta ainda com a mata densa que se prolonga por trás do seringueiro até o horizonte. No recorte da cena proposta pela artista, o céu aparece em pequenas frações nos cantos superiores da tela, chamando atenção para a dimensão monumental da floresta que toma conta da paisagem.
Nesse trabalho, a palheta da pintora varia entre tons de verde e ocre; a iluminação, mais fria, sugere um momento como fim de tarde, pouco antes de escurecer. Como em outras cenas de gênero pintadas por Antonieta, as figuras humanas são apresentadas de maneira mais esquemáticas, no sentido oposto ao detalhamento e precisão característicos de alguns de seus retratos. De toda forma, essa tela retoma um tema caro a sua pintura: o trabalho. O tema aparece em vários outras telas, inclusive nos retratos de grande dimensão que estão no Museu de Arte de Belém, são eles a Vendedora de Tacacá (1937), a Vendedora de Cheiro (1947), as quais retomam o tema do trabalho urbano de mulheres cujo sustento provém de uma atividade desenvolvida nas ruas; além da Mendiga (1953), que trás uma alusão ao não-trabalho, considerando que se trata de uma mulher pobre que vive de esmolas.
Nesse sentido, a tela do seringal, embora marcada por soluções plásticas mais próprias da sua pintura de gênero, atravessa a temática corrente do trabalho e da representação de tipos regionais, que aparece nos retratos mencionados, datados de três décadas diferentes. O acampamento seringueiro, pois, é mais uma das atividades que caracteriza o dia-a-dia dos trabalhadores na região Amazônica, especialmente quando se fala de um momento em que a extração do látex havia sido retomada com vigor, por incentivo do governo federal, no contexto da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Antonieta fez parte de uma geração que presenciou os dois grandes conflitos bélicos de dimensões mundiais; seus famosos retratos de mulheres em situação de trabalho (e não trabalho), por um lado, deixam ver que a artista estava bastante atenta ao ambiente social em que vivia, e encontrava nos problemas do presente motivos para suas telas. Portanto, a cena do seringal não só apresenta elementos caros para se pensar sobre a sociedade da época, como aponta para outras possibilidades de enfrentamento do próprio conjunto da obra da artista.
Fonte: História e Natureza, escrito por Caroline Fernandes. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo | Rede Pará
O acervo de obras do Museu de Arte de Belém (Mabe), situado no Palácio Antônio Lemos, já se tornou referência em exposições nacionais. Tanto, que o historiador e curador Paulo Herkenhoff, do Instituto Tomie Ohtake, solicitou três peças do Mabe para compor a mostra “Artistas do Moderno, a invenção da mulher”, que ocorrerá em São Paulo, no período de 13 de junho a 20 de agosto de 2017.
As obras solicitadas pelo Instituto são: Mendiga (de 1951), Vendedora de Cheiro (de 1947) e Vendedora de Tacacá (de 1937), todas de Antonieta Santos Feio. Elas vão compor a exposição que traz obras de artistas do século XIX até a primeira metade do século XX. São nomes como Abigail de Andrade, Bertha Worms, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outras.
O Mabe pertence à Fundação Cultural do Município (Fumbel) e tem um acervo de 1.580 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e mobiliários. Nesta quinta-feira, 20, equipes de uma empresa de transportes – contratada pelo Instituto Tomie Ohtake – estiveram na sede da Prefeitura de Belém para embalar e fazer o traslado das obras.
“Os museus criaram uma plataforma de trocas que nós chamamos de intercâmbio, por conhecer que esses ambientes têm um papel muito importante na transformação social. O Mabe detém de um acervo muito rico e importante para a memória de Belém, e poder ceder estas obras para exposições fora da nossa cidade é muito valoroso, pois estamos mostrando parte da nossa riqueza para o mundo”, ressaltou a diretora do museu, Dora Lúcia Lourenço.
A restauradora e conservadora do Museu de Arte de Belém, Rosa Arraes acredita que essa exposição é, sobretudo, uma forma de conhecer outras culturas, conceitos e conteúdos. “O Paulo (curador) é conceituado na área, e ele já esteve em Belém diversas vezes. Acredito que o fato de ele conhecer nossas obras influenciou para que ele solicitasse este intercâmbio. Estamos vendo nossas obras serem valorizadas e apreciadas pelo mundo”, avaliou.
O seguro das obras que irão para este intercâmbio está avaliado em aproximadamente um milhão e meio de reais.
Fonte: Rede Pará, "Obras do Museu de Arte de Belém integram exposição em São Paulo", publicado por Karla Pereira em 20 de abril de 2017. Consultado pela última vez em 21 de outubro de 2024.
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MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo | O Liberal
O Museu do Estado do Pará (MEP) não tem obras que, diretamente, remetem à memória da população preta paraense. Tanto em obras que retratam essa parcela considerável de pessoas que, historicamente, formaram população e identidade amazônicas; quanto em obras feitas por artistas negros. Mas não é por isso que visitantes ficam alheios às discussões sobre racismo e contextos históricos ao visitar o museu. Muito pelo contrário: são levados a pensar, criticamente sobre a ausência desse acervo e se transportar à época das origens do museu, no século XVIII.A historiadora Cassia da Rosa, diretora do MEP, explica que a visita ao museu pode levar à reflexão crítica sobre o apagamento da memória da população preta brasileira e africana. O que se poderia ter dessas representações foi "embranquecida": o maestro Carlos Gomes e o ex-presidente Nilo Peçanha. Ambos poderiam ser considerados negros, ainda que não fossem retintos. Mas nos retratos deles, que compõem o acervo do museu, são representados como se fossem brancos. Algo que norteou uma discussão recente sobre o escritor Machado de Assis, cujas imagens retratadas foram "embranquecidas".
O imóvel que abriga o museu foi construído em 1761. A obra, certamente, aponta Cassia, foi executada por pessoas negras escravizadas. No acervo, a historiadora cita uma "escarradeira", um objeto cultural da época, que servia para quem mascasse fumo, cuspisse lá. Era um recipiente limpado por pessoas negras escravizadas que cuidavam das tarefas domésticas do imóvel.
Somente na passagem do século XIX para o século XX, observa Cassia, começa uma política de aquisição de obras de arte para a casa que hoje abriga o MEP e que, no passado, era o Palácio de Governo. "Era um momento e uma sociedade muito mais racista. O que ficou de acervo é relacionado a uma época republicana, com silenciamento ou apagamento dessa memória. Parece com exclusão mesmo de figuras e personalidades negras", analisa."Esse silenciamento é tema dentro do museu. Se explica o contexto e a aquisição do acervo. Nos apropriamos e abrimos os olhos para esse tema quando, em 2018, recebemos uma pesquisadora do Rio de Janeiro, que buscava essa representação negra nas telas e obras em museus. Então não é porque não temos as obras que representam essa história, essa memória da população negra, que não podemos falar sobre isso", conclui Cassia.
Mabe: acervo remete à memória da população preta paraense
O Museu de Artes de Belém (Mabe) possui um acervo com obras que remetem à memória e à representatividade da população negra do Pará. Porém, por enquanto, segue fechado para reformas. A reabertura dependerá da próxima gestão, que assume em janeiro de 2021, para concluir as reformas e anunciar quando o público — mensalmente, a média de visitantes é de 2 mil pessoas — poderá retomar as visitações. E então a instituição voltar a cumprir o papel educativo e cultural de retratar a sociedade e história nas obras."Cabe às instituições museológicas estimular a visibilidade de questões que estão na ordem de nossos dias, de algo que foi por muito tempo silenciado, da contribuição do povo negro na construção desta cidade e do país, em suas mais diversas especificidades", ressalta Nina Matos, curadora do Mabe. Ela destaca três obras: “Retrato de Preto Velho”, da pintora Dahlia Déa; "Vendedora de Cheiro", de Antonieta Santos Feio; e também de autoria de Antonieta Feio, a “Mendiga”.
“Retrato de Preto Velho” foi feita em 1936, remetendo à imagem de Pai João, antigo tema cancioneiro da escravidão no Brasil. Estudiosos, explica Nina, apontam que a obra participou de um salão de arte em Belém, alusivo às comemorações do Cinquentenário da Abolição da Escravidão, em 1938."Vendedora de Cheiro", pintada em 1947, "estampa aspectos da contribuição cultural do povo negro na Amazônia, apresentando o retrato de uma mulher trabalhadora, de aparência muito comum a todos nós, na qual a artista evidencia uma carga mística, nos acessórios sincréticos que a mesma ostenta: um crucifixo e uma figa de pau d' Angola, amuleto de pajelança cabocla para afastar todo mal. Seu penteado é característico das mamelucas paraenses, ornado com jasmins brancos e rosas vermelhas. Nas mãos, um cesto com os cheiros típicos do Pará. Preciosismo de detalhes característicos da pintura realista de Antonieta, em que a artista ressalta aspectos individuais do retratado", detalha Nina.
"Na emblemática 'Mendiga', realizada em 1951, somos magnetizados pelo olhar de abandono da pobre senhora de roupa surrada, com um velho chapéu, onde pode-se visualizar algumas moedas esmoladas. Ainda chama atenção a carga mística sincrética religiosa, no acessório humilde que a mesma ostenta: uma corrente com uma medalha, cuja estampa nos remete à uma representação de Nossa Senhora ou uma Iemanjá. Paira essa dúvida", explica a curadora. Ainda sobre "Mendiga", Nina analisa que, possivelmente pela influência do modernismo, "além de ser uma obra de beleza impactante, pode ser considerada um ícone de referência, pela mesma continuar falando e refletindo no presente, as presenças histórica e cultural dos descendentes de africanos e suas escravizações e marginalização constantes.
Da condição social ainda atual da mulher negra periférica; da condição ainda vergonhosa de párias; relegado ao povo negro; da violência às quais são submetidos; da dor das mães negras que presenciam o genocídio de seus filhos... a ‘Mendiga' ainda agoniza nas vias públicas deste país de preconceitos, racismo e abismos sociais", comenta."O museu está em sintonia e ciente de seu compromisso social junto à comunidade, não só na educação informal, junto a alunos e professores da rede de ensino, como possibilitando o acesso de acadêmicos, da arte, história e demais saberes; curadores, pesquisadores e público em geral, às coleções, para que sejam estudadas, pesquisadas, difundidas, possibilitando que a sociedade aproprie-se desse patrimônio, entendendo que este acervo é fonte de conhecimento de nossa própria identidade amazônica", conclui Nina Matos.
Fonte: O Liberal, "MEP: silenciamento e apagamento da negritude na história do Pará refletem em acervo", publicado em 18 de dezembro de 2020, por Victor Furtado. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Antonieta Santos Feio | Itaú Cultural
Exposições
1999 - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos
2000 - Arte Pará 2000
2005 - 24º Salão Arte Pará
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2015 - 10ª Bienal do Mercosul
2019 - Artistas Mulheres: territórios expandidos
2019 - O que resta após
2020 - Arte + Biografia – Tibério no plural
Fonte: ANTONIETA Feio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 22 de outubro de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Crédito fotográfico: Reseach Gate. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.