Carlos Páez Vilaró (Montevidéu, Uruguai, 1 de novembro de 1923 — Punta Ballena, Uruguai, 24 de fevereiro de 2014) foi um pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e empresário uruguaio, proprietário da famosa galeria de arte e hotel Casapueblo, monumento modelado com suas próprias mãos, cartão postal do Uruguai. Também patrocinou a busca pelo local da queda do avião onde seu filho estava, em 1972, num célebre acidente ocorrido na cordilheira dos Andes, na fronteira entre o Chile e a Argentina. Conheceu Picasso, Dalí e foi um dos grandes nomes das artes sul-americanas.
Biografia - Wikipédia
Nasceu em Montevidéu em 1923, e começou a desenhar em 1939. Em 1941, com 18 anos, viajou para Buenos Aires, capital da Argentina, onde trabalhou numa fábrica de fósforos e, em seguida, no setor das artes gráficas, como aprendiz de impressão na região industrial de Barracas. Aos 20 anos retornou para Montevidéu, onde, influenciado por seus companheiros dos bairros de Sur e Palermo, bem como do conventillo Mediomundo, se associou à comunidade afro-uruguaia e passou a colaborar com os desfiles de llamadas e o folclore negro de maneira geral, estudando as danças e gêneros musicais típicos daquela cultura, como o candombe e a comparsa. A partir desta influência passou a retratar em sua arte os diferentes aspectos da cultura e da vida cotidiana do afro-uruguaio: as llamadas, os bailes, bem como sua religiosidade, seus casamentos e velórios.
Compôs diversas peças musicais nos dois gêneros, e regeu uma orquestra, cujas congas e bongôs eram decorados com sua arte temática. Seu interesse pela cultura negra acabou levando-o ao Brasil, lar da maior população de descendentes de africanos das Américas. Lá, foi convidado para exibir suas obras pelo diretor do Museu de Arte Moderna de Paris, Jean Cassou, em 1956. Naquele mesmo ano viajou para Dacar, no Senegal - sua primeira visita à África.
Graças ao contato com escritores, músicos e estudiosos como Ildefonso Pereda Valdés, Paulo de Carvalho Neto, Jorge Amado e Vinicius de Moraes, publicou livros como La casa del negro, Bahía, Mediomundo e Candango. Aprofundou seus estudos sobre a cultura afrodescendente em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, assim como em outros países americanos onde a cultura negra está presente (Colômbia, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Haiti) e em países da África subsaariana. Colaborou com Albert Schweitzer no leprosário de Lambaréné.
Entre as diversas ocupações que exerceu, também foi colunista da revista semanal Caras y Caretas.
Em 1958 comprou um terreno de frente para o mar no leste da península pitoresca de Punta Ballena, então praticamente deserta, e construiu ali um pequeno chalé de madeira que com o tempo foi sendo ampliado e reformado até se transformar na "Casapueblo" (literalmente, "Casa-Vila", em espanhol). Denominada pelo próprio Vilaró como uma "escultura habitável", o complexo de cimento pintado de branco que se assemelhava a uma cidadela aos poucos deixou de ser apenas o seu lar e se converteu em seu ateliê, e, eventualmente, museu; embora tenha continuado a habitar o local, Vilaró continuou a expandi-lo continuamente, criando por vezes um quarto diferente para determinado hóspede, até que acabou por abrir uma seção do local aos turistas, transformando-a num hotel, que até hoje é uma das principais atrações turísticas do departamento de Maldonado. Segundo ele próprio, numa entrevista dada em 1979, "construí-a como se tratasse de uma escultura habitável, sem planejar, seguindo principalmente o meu entusiasmo. Quando o governo municipal me pediu, há pouco tempo, a planta do projeto - que eu não tinha - um amigo arquiteto teve que passar um mês estudando a maneira de decifrá-la."
Cada vez mais conhecido, Vilaró recebeu uma comissão, em 1959, para criar um mural destinado a um túnel que daria acesso a um novo anexo da sede de Washington, D.C. da Organização dos Estados Americanos, o edifício da União Panamericana. Inicialmente destinado a não ter mais de 15 metros de extensão, o mural (intitulado Raízes da Paz), quando inaugurado, em 1960, tinha 155 metros de comprimento e dois metros de altura. Os danos graves causados pela umidade excessiva forçaram o artista a repintar o mural em 1975.
Vilaró continuou em contato com a cultura europeia e africana, e manteve laços estreitos com diversos amigos de seus dias em Paris, no fim da década de 1950, em especial Brigitte Bardot e Pablo Picasso. Em 1967 se aventurou no cinema, fundando uma produtora, Dahlia, com o auxílio dos empresários europeus Gérard Leclery e Gunter Sachs. No mesmo ano viajou por diversos países da África Ocidental, onde filmou um documentário do qual foi co-roteirista, Batouk, dirigido por Jean-Jacques Manigot, um longa-metragem de 35 milímetros, a cores, com 65 minutos de duração. Escreveu-o em conjunto com Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor, que contribuíram com poemas. O filme participou do Festival de Cannes em 1967.
Vilaró continuou a criar murais e esculturas para diversos escritórios governamentais e corporativos e colecionadores privados, além de projetar diversos edifícios. Pintou 12 murais na Argentina, 16 no Brasil, quatro no Chade, três no Chile, quatro no Gabão, onze nos Estados Unidos e trinta em sua terra natal, além de uma série de trabalhos espalhados pela África e pelas ilhas da Polinésia. Também projetou uma capela que não pertencia a nenhuma denominação específic, destinada a um cemitério sem cruzes ou lápides em San Isidro, na província de Buenos Aires, além de reconstruir uma casa abandonada na cidade vizinha de Tigre, seguindo o modelo da Casapueblo; segundo ele, a capela de San Isidro teria sido sua "maior obra".
Vida pessoal
O primeiro casamento do artista, com Madelón Rodríguez Gómez, embora curto, lhe rendeu três filhos. Um deles, Carlos "Carlitos" Páez Rodríguez, viria a integrar o time de rugby do colégio Stella Maris de Montevidéu, os "Old Christians"; em 13 de outubro de 1972, o Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava os integrantes da equipe, colidiu contra uma montanha na cordilheira dos Andes, entre o Chile e a província de Mendoza, na Argentina. Vilaró fez parte do grupo que realizou as buscas pelos 45 passageiros - dos quais 16 acabaram sobrevivendo, entre eles seu filho, com quem se reencontrou pouco tempo depois do resgate, em 23 de dezembro.
Vilaró passou por dificuldades em outras áreas de sua vida. Em 1976 conheceu Annette Deussen, uma turista argentina, com quem teve uma filha, em 1984. Deussen era casada com outro homem na época, de quem se divorciou em 1986, casando-se com Vilaró em 1989. Seu ex-marido, no entanto, continuou a travar uma feroz batalha judicial pela custódia do filho por mais de uma década, mesmo depois que a paternidade de Vilaró havia sido cientificamente comprovada. A questão só veio a ser resolvida em 1999, e a custódia finalmente concedida a Vilaró. Nesta altura o artista, pai de seis filhos, dividia seus dias entre a Casapueblo e "Bengala", sua residência em Tigre.
Morreu aos 90 anos de idade, na Casapueblo, em Punta Ballena. Seu filho declarou, por ocasião de sua morte: "Se realmente há uma frase apropriada a ele, é que descanse em paz. Nunca vi alguém que trabalhasse tanto. É um cara que trabalhou até o último momento. Até ontem. Então, que descanse em paz". Seu corpo foi velado no Palácio Legislativo da capital uruguaia.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Quem foi Carlos Páez Vilaró?
Carlos Paez Vilaro foi um artista multifacetado. Foi pintor, oleiro, escultor, muralista, escritor, compositor e construtor. Natural do Uruguai, suas atividades artísticas o levaram à Argentina, Brasil, África e Europa em viagens culturais que permearam suas criações. Ele explorou vários meios para criar sua obra notável, como pintor abstrato, escultor, muralista e arquiteto. Ele próprio um homem branco, ficou fascinado com a herança negra uruguaia. Ele alcançou a fama no início de sua carreira; sua visão artística era ilimitada e também encontrou expressão na música e no cinema. Como um muralista e escultor de sucesso, ele foi contratado por governos, empresas privadas e indivíduos para criar murais originais e expressões artísticas. Seu interesse particular pela cultura afro-uruguaia inspirou muitos de seus murais, suas composições musicais, e sua celebração da música e dança afro-uruguaia do Candombe. Ele viveu e trabalhou uma vida de arte que é impressa na arquitetura que projetou, muitas vezes reminiscente do estilo de Anton Gaudi e Dali. Apaixonado, dedicado e incansável, Vilaro continuou a criar quase até o dia em que morreu em idade avançada
Infância e início da vida
Nascido em 1º de novembro de 1923 em Montevidéu, Uruguai, Carlos Paez Vilaro viveu uma vida muito modesta quando criança, nascido em uma família com dificuldades financeiras. Começou a sua paixão artística pelo desenho, desde muito jovem.
Mudou-se para a Argentina em 1939 e tornou-se aprendiz de impressão. Muito impressionado com o contraste entre a normalidade da vida fabril e o vigor e a vitalidade dos bairros de tango de Buenos Aires, ele criou suas primeiras pinturas exibindo essas percepções.
Aproximadamente 10 anos depois, na década de 1940, ele retornou ao Uruguai e começou a mergulhar nas cores vivas e ousadas das artes e cultura afro-uruguaias.
Carreira
Durante os anos de 1939 ao final da década de 1940, em Buenos Aires, ele explorou a arte por meio do desenho e passou os anos absorvendo experiências culturais. Em seguida, voltou ao Uruguai para se lançar na dança e na música do Candombe, morando no Mediomundo, encantado com a herança negra uruguaia.
Em 1958, Carlos Paez Vilaro se juntou a um movimento de artistas conhecido como 'Grupo de los 8', que tinha como objetivo introduzir novas técnicas na pintura. Foi então que comprou a propriedade em Punta Ballena, à beira-mar, que anos depois se tornaria a famosa 'Casapueblo', desenhada e construída por ele em sua visão única.
Ele viajou extensivamente pelo Brasil, África e Europa, sempre retornando ao seu amado Uruguai e sua paixão pelos temas afro-uruguaios na arte e na música. Mercados, funerais, festivais, maçaricos, fragmentos da vida cotidiana e acontecimentos extraordinários encontraram seu caminho em sua tela, e seus murais ricamente coloridos e vívidos enfeitavam lugares tão distantes como Washington DC
Obras Principais
Sem dúvida, uma das conquistas da obra-prima de Vilaro é 'Casapueblo', construída gradualmente ao longo do tempo, expandindo em tamanho, forma e grandeza. Um lampejo de branco deslumbrante construído pelo mar azul profundo, este edifício incomum e misterioso foi sua casa e oficina, e mais tarde um hotel. Esta foi a sua "escultura viva" inspirada no desenho dos ninhos regionais de pássaros 'hornero'. Atualmente, atrai turistas que ficam hipnotizados por sua forma encantadora e sua arte orgânica.
A Capela San Isidro de Buenos Aires, projetada por ele, integra os elementos da natureza na estrutura. Usando toda a sua experiência e observações, ele projetou uma capela de um branco puro refletindo o ambiente sereno e a vitalidade da natureza.
Em 1959, ele confeccionou o famoso mural 'Roots of Peace', medindo 155 metros de comprimento e 2 metros de altura, no túnel do Edifício Pan Union American que abrigava a 'Organização dos Estados Americanos' em Washington DC.
Prêmios e Conquistas
Em cores e em branco, os murais, arquitetura, pinturas, cerâmicas, tambores criados por Carlos Paez Vilaro estão espalhados por continentes - do Uruguai e América Latina à América do Norte, África e Ilhas Polinésias.
Como cineasta e roteirista, destacou-se com seu documentário 'Batouk', baseado na dança africana, e exibido no Festival de Cannes em 1967. Seu zelo e composições para o 'Candombe' africano foram fundamentais para trazer respeito e admiração a uma dança forma considerada socialmente inaceitável.
Vida Pessoal e Legado
Na vida, na arte e no amor Carlos Paez Vilaro era um apaixonado. Seu primeiro casamento em 1955 com Madelon Rodriguez Gomez, que lhe deu três filhos, durou 6 anos. Destes, seu filho "Carlitos" Paez Rodriguez, tornou-se um jogador do time de rugby da faculdade e quase morreu em um acidente de avião que transportava a equipe. Desaparecido por 72 dias, ele finalmente foi encontrado vivo e resgatado.
Ele conheceu uma mulher casada, Annette Deussen em 1976 e se tornou sua amante, o que levou a complicações. Ela deu à luz seu filho em 1984, finalmente obtendo o divórcio de seu marido em 1986.
Ele morreu no dia 24 de fevereiro de 2014, aos 90, em sua querida e caprichosa casa, Casapueblo, em Punta Ballena, Uruguai.
Curiosidades
Profundamente inspirado pela natureza, a engenhosidade de Vilaro levou a muitas criações de dispositivos para imbuir a arquitetura com qualidades dramáticas, como o que ele criou para celebrar cada pôr do sol em seu 'Casapueblo'. Uma gravação coreografada de sua voz recitando uma Ode ao Sol, com o acompanhamento de uma guitarra espanhola tocando todas as noites, cronometrada precisamente para seguir o sol poente.
O filme 'Alive', lançado em 1993, traz o resgate de seu filho, entre os 16 sobreviventes do acidente de avião nos Andes, conhecido como 'O Milagre dos Andes'
Fonte: The Famous People, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Museo Casapueblo: Punta Ballena | Uruguai
Punta Ballena é um pequeno balneário a 15 min de Punta del Este. É onde está o Museo Casapueblo, antiga casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró.
A casa é semelhante as da ilha de Santorini, na Grécia. Ela foi projetada pelo próprio artista e hoje abriga seu ateliê, um pequeno cinema que exibe sua história e algumas de suas obras estão espalhadas pelos cômodos da casa. Parte da casa também abriga um hotel e restaurante.
O artista se refere a casa como um típico pássaro do Uruguai, o Forneiro ou, o popular João-de-Barro, já que ele a construiu ladrilho por ladrilho durante 30 anos. Inclusive a música “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…” composta pelo seu amigo Vinicius de Morais, foi inspirada na casa, já que toda a vez que Vinicius o visitava, a casa estava diferente.
A casapueblo fica na encosta de um morro e à beira do Rio da Prata. Assistir ao pôr do sol do deck da casa com o Oceano Atlântico ao fundo é espetacular.
Fonte: Rango & Trago, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Castelo de Vilaró é uma escultura de viver
Construída com ajuda de amigos desde 1958, a Casapueblo não tem planta definitiva e jamais será concluída
No topo de um penhasco de 45 m fica um grande castelo, que parece ter sido feito de sal. Trata-se de uma arquitetura diferente, que "escorre" ladeira abaixo, tendo seu fim nas margens do rio da Prata, em Punta Ballena, no Uruguai. A mística edificação de nove andares é a Casapueblo, "escultura para viver" que Carlos Páez Vilaró vem construindo desde 1958 e que já tem mais de 4.000 m2.
Vilaró pede desculpas aos arquitetos por sua liberdade ao fazer sua maior obra. "É uma construção sem regras. Uma casa mais humana, sem ângulos duros", define. Feita com a ajuda de amigos, a Casapueblo nunca teve planta definitiva e a sua construção jamais terminará. Em sua estrutura é possível encontrar marcas das mãos que ajudaram a erguê-la.
Levantada à base de cimento e tijolos, a Casapueblo teve suas dependências batizadas com nomes de personalidades que conviveram com Vilaró ou que ele admira. Passeia-se pelo Caminho de Ernesto Sabato, pela Calle Pablo Picasso e pela John Lennon Square. Para os brasileiros ilustres Vilaró reservou lugares especiais, como a Calle Pelé e a Avenicius, assim nomeada pelo próprio Poetinha, Vinicius de Moraes.
Além de apreciar as muitas obras e instalações de Carlos Vilaró, na Casapueblo é possível assistir a um audiovisual, narrado pelo próprio artista, que conta fatos marcantes de sua vida. Entre eles, o acidente aéreo ocorrido em 1972 na cordilheira dos Andes, em que Carlos Miguel, filho de Vilaró, foi um dos sobreviventes.
A odisséia dos garotos que compunham um time de rúgbi deu origem ao filme "Vivos", de 1993, e ficou famosa porque os sobreviventes tinham que se alimentar da carne dos mortos.
Aos 77 anos, o muralista, pintor, desenhista, escritor, escultor, cineasta e ceramista Carlos Páez Vilaró, que se auto-intitula "un hacedor de cosas", define sua obra como "uma explosão de sinceridade e trabalho", que dedica à comunidade negra do Uruguai.
Vilaró recebe pessoalmente os que visitam sua grande escultura e cita amigos queridos e artistas que influenciaram sua obra, como Oscar Niemeyer, Ademir Martins e Di Cavalcanti.
Aberta ao público desde que começou a ser construída, a Casapueblo é, além de moradia e ateliê do artista uruguaio, um interessante lugar para ficar hospedado. "A bordo" do imenso castelo branco, no alto do penhasco, com uma vista exuberante, basta esperar pelos preciosos cinco minutos em que o sol, literalmente, despenca de lá de cima e vai se esconder atrás das colinas.
Fonte: Folha SP, publicado por Carolina Frederico em 4 de setembro de 2000.
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Morre o artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró
Ele morreu aos 90 anos, em sua Casapueblo, de problemas no coração.
O artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró morreu aos 90 anos em sua casa de Punta Ballena, próximo ao balneário de Punta del Este, segundo sua secretária María Dezuliari informou à agência Efe. Era internacionalmente reconhecido por seus murais e pela incessante busca por seu filho desaparecido em um acidente aéreo na cordilheira dos Andes em 1972.
O pintor e escultor, que já havia operado várias vezes o coração, morreu em Casapueblo, edifício que construiu ao longo de décadas na confluência do Rio da Prata e do Oceano Atlântico e que tornou-se uma das principais atrações turísticas do país.
“Ele sofria de insuficiência cardíaca grave, seu coração estava muito ruim, tinha as átrios dilatados e lutou até o fim", disse Dezuliari.
O corpo de Páez Vilaró será transferido nesta segunda a Montevidéu, onde será velado na Associação Geral de Autores do Uruguai, e será enterrado nesta terça-feira (25) em um local ainda a ser definido, de acordo com a Efe.
Influência africana
Ao longo da carreira, Vilaró dedicou-se sobretudo à representação da natureza e da comunidade afrodescendente sul-americana, depois de ter vivido vários anos na África.
O artista também é lembrado pela busca por seu filho após um acidente aéreo sofrido pela equipe de rugby do colégio Old Christians, no começo dos anos 1970, enquanto atravessavam a cordilheira dos Andes em direção ao Chile.
Após 72 dias perdidos nas montanhas, apenas 16 jovens dos 45 passageiros sobreviveram, entre eles seu filho.
Vilaró nasceu na capital uruguaia, Montevidéu, no dia 1º de novembro de 1923 e morreu em casa, também seu museu e ateliê, construída por ele mesmo em Punta Ballena e chamada Casapueblo, perto de Punta del Este.
Ele passou a juventude em Buenos Aires, onde foi aprendiz de tipógrafo, sua primeira experiência nas artes gráficas.
Mas na década de 1940 retornou a seu país e se dedicou à representação de tradições uruguaias, como o candombe e as comparsas, e dos escravos africanos no Uruguai.
Vilaró recebeu reconhecimento internacional por meio de várias premiações e um de seus principais murais, "Raíces de la Paz" (Raízes da Paz), considerada a maior pintura subterrânea do mundo, encontra-se na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington.
Entre as suas obras, estão grandes pinturas encontradas em hospitais no Chile e Argentina, assim como nos aeroportos do Panamá e Haiti.
Fonte: G1, publicado em 24 de fevereiro de 2014
Crédito fotográfico: Clarin, Carlos Páez Vilaró no seu atelier na Casapueblo.
Carlos Páez Vilaró (Montevidéu, Uruguai, 1 de novembro de 1923 — Punta Ballena, Uruguai, 24 de fevereiro de 2014) foi um pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e empresário uruguaio, proprietário da famosa galeria de arte e hotel Casapueblo, monumento modelado com suas próprias mãos, cartão postal do Uruguai. Também patrocinou a busca pelo local da queda do avião onde seu filho estava, em 1972, num célebre acidente ocorrido na cordilheira dos Andes, na fronteira entre o Chile e a Argentina. Conheceu Picasso, Dalí e foi um dos grandes nomes das artes sul-americanas.
Biografia - Wikipédia
Nasceu em Montevidéu em 1923, e começou a desenhar em 1939. Em 1941, com 18 anos, viajou para Buenos Aires, capital da Argentina, onde trabalhou numa fábrica de fósforos e, em seguida, no setor das artes gráficas, como aprendiz de impressão na região industrial de Barracas. Aos 20 anos retornou para Montevidéu, onde, influenciado por seus companheiros dos bairros de Sur e Palermo, bem como do conventillo Mediomundo, se associou à comunidade afro-uruguaia e passou a colaborar com os desfiles de llamadas e o folclore negro de maneira geral, estudando as danças e gêneros musicais típicos daquela cultura, como o candombe e a comparsa. A partir desta influência passou a retratar em sua arte os diferentes aspectos da cultura e da vida cotidiana do afro-uruguaio: as llamadas, os bailes, bem como sua religiosidade, seus casamentos e velórios.
Compôs diversas peças musicais nos dois gêneros, e regeu uma orquestra, cujas congas e bongôs eram decorados com sua arte temática. Seu interesse pela cultura negra acabou levando-o ao Brasil, lar da maior população de descendentes de africanos das Américas. Lá, foi convidado para exibir suas obras pelo diretor do Museu de Arte Moderna de Paris, Jean Cassou, em 1956. Naquele mesmo ano viajou para Dacar, no Senegal - sua primeira visita à África.
Graças ao contato com escritores, músicos e estudiosos como Ildefonso Pereda Valdés, Paulo de Carvalho Neto, Jorge Amado e Vinicius de Moraes, publicou livros como La casa del negro, Bahía, Mediomundo e Candango. Aprofundou seus estudos sobre a cultura afrodescendente em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, assim como em outros países americanos onde a cultura negra está presente (Colômbia, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Haiti) e em países da África subsaariana. Colaborou com Albert Schweitzer no leprosário de Lambaréné.
Entre as diversas ocupações que exerceu, também foi colunista da revista semanal Caras y Caretas.
Em 1958 comprou um terreno de frente para o mar no leste da península pitoresca de Punta Ballena, então praticamente deserta, e construiu ali um pequeno chalé de madeira que com o tempo foi sendo ampliado e reformado até se transformar na "Casapueblo" (literalmente, "Casa-Vila", em espanhol). Denominada pelo próprio Vilaró como uma "escultura habitável", o complexo de cimento pintado de branco que se assemelhava a uma cidadela aos poucos deixou de ser apenas o seu lar e se converteu em seu ateliê, e, eventualmente, museu; embora tenha continuado a habitar o local, Vilaró continuou a expandi-lo continuamente, criando por vezes um quarto diferente para determinado hóspede, até que acabou por abrir uma seção do local aos turistas, transformando-a num hotel, que até hoje é uma das principais atrações turísticas do departamento de Maldonado. Segundo ele próprio, numa entrevista dada em 1979, "construí-a como se tratasse de uma escultura habitável, sem planejar, seguindo principalmente o meu entusiasmo. Quando o governo municipal me pediu, há pouco tempo, a planta do projeto - que eu não tinha - um amigo arquiteto teve que passar um mês estudando a maneira de decifrá-la."
Cada vez mais conhecido, Vilaró recebeu uma comissão, em 1959, para criar um mural destinado a um túnel que daria acesso a um novo anexo da sede de Washington, D.C. da Organização dos Estados Americanos, o edifício da União Panamericana. Inicialmente destinado a não ter mais de 15 metros de extensão, o mural (intitulado Raízes da Paz), quando inaugurado, em 1960, tinha 155 metros de comprimento e dois metros de altura. Os danos graves causados pela umidade excessiva forçaram o artista a repintar o mural em 1975.
Vilaró continuou em contato com a cultura europeia e africana, e manteve laços estreitos com diversos amigos de seus dias em Paris, no fim da década de 1950, em especial Brigitte Bardot e Pablo Picasso. Em 1967 se aventurou no cinema, fundando uma produtora, Dahlia, com o auxílio dos empresários europeus Gérard Leclery e Gunter Sachs. No mesmo ano viajou por diversos países da África Ocidental, onde filmou um documentário do qual foi co-roteirista, Batouk, dirigido por Jean-Jacques Manigot, um longa-metragem de 35 milímetros, a cores, com 65 minutos de duração. Escreveu-o em conjunto com Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor, que contribuíram com poemas. O filme participou do Festival de Cannes em 1967.
Vilaró continuou a criar murais e esculturas para diversos escritórios governamentais e corporativos e colecionadores privados, além de projetar diversos edifícios. Pintou 12 murais na Argentina, 16 no Brasil, quatro no Chade, três no Chile, quatro no Gabão, onze nos Estados Unidos e trinta em sua terra natal, além de uma série de trabalhos espalhados pela África e pelas ilhas da Polinésia. Também projetou uma capela que não pertencia a nenhuma denominação específic, destinada a um cemitério sem cruzes ou lápides em San Isidro, na província de Buenos Aires, além de reconstruir uma casa abandonada na cidade vizinha de Tigre, seguindo o modelo da Casapueblo; segundo ele, a capela de San Isidro teria sido sua "maior obra".
Vida pessoal
O primeiro casamento do artista, com Madelón Rodríguez Gómez, embora curto, lhe rendeu três filhos. Um deles, Carlos "Carlitos" Páez Rodríguez, viria a integrar o time de rugby do colégio Stella Maris de Montevidéu, os "Old Christians"; em 13 de outubro de 1972, o Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava os integrantes da equipe, colidiu contra uma montanha na cordilheira dos Andes, entre o Chile e a província de Mendoza, na Argentina. Vilaró fez parte do grupo que realizou as buscas pelos 45 passageiros - dos quais 16 acabaram sobrevivendo, entre eles seu filho, com quem se reencontrou pouco tempo depois do resgate, em 23 de dezembro.
Vilaró passou por dificuldades em outras áreas de sua vida. Em 1976 conheceu Annette Deussen, uma turista argentina, com quem teve uma filha, em 1984. Deussen era casada com outro homem na época, de quem se divorciou em 1986, casando-se com Vilaró em 1989. Seu ex-marido, no entanto, continuou a travar uma feroz batalha judicial pela custódia do filho por mais de uma década, mesmo depois que a paternidade de Vilaró havia sido cientificamente comprovada. A questão só veio a ser resolvida em 1999, e a custódia finalmente concedida a Vilaró. Nesta altura o artista, pai de seis filhos, dividia seus dias entre a Casapueblo e "Bengala", sua residência em Tigre.
Morreu aos 90 anos de idade, na Casapueblo, em Punta Ballena. Seu filho declarou, por ocasião de sua morte: "Se realmente há uma frase apropriada a ele, é que descanse em paz. Nunca vi alguém que trabalhasse tanto. É um cara que trabalhou até o último momento. Até ontem. Então, que descanse em paz". Seu corpo foi velado no Palácio Legislativo da capital uruguaia.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Quem foi Carlos Páez Vilaró?
Carlos Paez Vilaro foi um artista multifacetado. Foi pintor, oleiro, escultor, muralista, escritor, compositor e construtor. Natural do Uruguai, suas atividades artísticas o levaram à Argentina, Brasil, África e Europa em viagens culturais que permearam suas criações. Ele explorou vários meios para criar sua obra notável, como pintor abstrato, escultor, muralista e arquiteto. Ele próprio um homem branco, ficou fascinado com a herança negra uruguaia. Ele alcançou a fama no início de sua carreira; sua visão artística era ilimitada e também encontrou expressão na música e no cinema. Como um muralista e escultor de sucesso, ele foi contratado por governos, empresas privadas e indivíduos para criar murais originais e expressões artísticas. Seu interesse particular pela cultura afro-uruguaia inspirou muitos de seus murais, suas composições musicais, e sua celebração da música e dança afro-uruguaia do Candombe. Ele viveu e trabalhou uma vida de arte que é impressa na arquitetura que projetou, muitas vezes reminiscente do estilo de Anton Gaudi e Dali. Apaixonado, dedicado e incansável, Vilaro continuou a criar quase até o dia em que morreu em idade avançada
Infância e início da vida
Nascido em 1º de novembro de 1923 em Montevidéu, Uruguai, Carlos Paez Vilaro viveu uma vida muito modesta quando criança, nascido em uma família com dificuldades financeiras. Começou a sua paixão artística pelo desenho, desde muito jovem.
Mudou-se para a Argentina em 1939 e tornou-se aprendiz de impressão. Muito impressionado com o contraste entre a normalidade da vida fabril e o vigor e a vitalidade dos bairros de tango de Buenos Aires, ele criou suas primeiras pinturas exibindo essas percepções.
Aproximadamente 10 anos depois, na década de 1940, ele retornou ao Uruguai e começou a mergulhar nas cores vivas e ousadas das artes e cultura afro-uruguaias.
Carreira
Durante os anos de 1939 ao final da década de 1940, em Buenos Aires, ele explorou a arte por meio do desenho e passou os anos absorvendo experiências culturais. Em seguida, voltou ao Uruguai para se lançar na dança e na música do Candombe, morando no Mediomundo, encantado com a herança negra uruguaia.
Em 1958, Carlos Paez Vilaro se juntou a um movimento de artistas conhecido como 'Grupo de los 8', que tinha como objetivo introduzir novas técnicas na pintura. Foi então que comprou a propriedade em Punta Ballena, à beira-mar, que anos depois se tornaria a famosa 'Casapueblo', desenhada e construída por ele em sua visão única.
Ele viajou extensivamente pelo Brasil, África e Europa, sempre retornando ao seu amado Uruguai e sua paixão pelos temas afro-uruguaios na arte e na música. Mercados, funerais, festivais, maçaricos, fragmentos da vida cotidiana e acontecimentos extraordinários encontraram seu caminho em sua tela, e seus murais ricamente coloridos e vívidos enfeitavam lugares tão distantes como Washington DC
Obras Principais
Sem dúvida, uma das conquistas da obra-prima de Vilaro é 'Casapueblo', construída gradualmente ao longo do tempo, expandindo em tamanho, forma e grandeza. Um lampejo de branco deslumbrante construído pelo mar azul profundo, este edifício incomum e misterioso foi sua casa e oficina, e mais tarde um hotel. Esta foi a sua "escultura viva" inspirada no desenho dos ninhos regionais de pássaros 'hornero'. Atualmente, atrai turistas que ficam hipnotizados por sua forma encantadora e sua arte orgânica.
A Capela San Isidro de Buenos Aires, projetada por ele, integra os elementos da natureza na estrutura. Usando toda a sua experiência e observações, ele projetou uma capela de um branco puro refletindo o ambiente sereno e a vitalidade da natureza.
Em 1959, ele confeccionou o famoso mural 'Roots of Peace', medindo 155 metros de comprimento e 2 metros de altura, no túnel do Edifício Pan Union American que abrigava a 'Organização dos Estados Americanos' em Washington DC.
Prêmios e Conquistas
Em cores e em branco, os murais, arquitetura, pinturas, cerâmicas, tambores criados por Carlos Paez Vilaro estão espalhados por continentes - do Uruguai e América Latina à América do Norte, África e Ilhas Polinésias.
Como cineasta e roteirista, destacou-se com seu documentário 'Batouk', baseado na dança africana, e exibido no Festival de Cannes em 1967. Seu zelo e composições para o 'Candombe' africano foram fundamentais para trazer respeito e admiração a uma dança forma considerada socialmente inaceitável.
Vida Pessoal e Legado
Na vida, na arte e no amor Carlos Paez Vilaro era um apaixonado. Seu primeiro casamento em 1955 com Madelon Rodriguez Gomez, que lhe deu três filhos, durou 6 anos. Destes, seu filho "Carlitos" Paez Rodriguez, tornou-se um jogador do time de rugby da faculdade e quase morreu em um acidente de avião que transportava a equipe. Desaparecido por 72 dias, ele finalmente foi encontrado vivo e resgatado.
Ele conheceu uma mulher casada, Annette Deussen em 1976 e se tornou sua amante, o que levou a complicações. Ela deu à luz seu filho em 1984, finalmente obtendo o divórcio de seu marido em 1986.
Ele morreu no dia 24 de fevereiro de 2014, aos 90, em sua querida e caprichosa casa, Casapueblo, em Punta Ballena, Uruguai.
Curiosidades
Profundamente inspirado pela natureza, a engenhosidade de Vilaro levou a muitas criações de dispositivos para imbuir a arquitetura com qualidades dramáticas, como o que ele criou para celebrar cada pôr do sol em seu 'Casapueblo'. Uma gravação coreografada de sua voz recitando uma Ode ao Sol, com o acompanhamento de uma guitarra espanhola tocando todas as noites, cronometrada precisamente para seguir o sol poente.
O filme 'Alive', lançado em 1993, traz o resgate de seu filho, entre os 16 sobreviventes do acidente de avião nos Andes, conhecido como 'O Milagre dos Andes'
Fonte: The Famous People, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Museo Casapueblo: Punta Ballena | Uruguai
Punta Ballena é um pequeno balneário a 15 min de Punta del Este. É onde está o Museo Casapueblo, antiga casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró.
A casa é semelhante as da ilha de Santorini, na Grécia. Ela foi projetada pelo próprio artista e hoje abriga seu ateliê, um pequeno cinema que exibe sua história e algumas de suas obras estão espalhadas pelos cômodos da casa. Parte da casa também abriga um hotel e restaurante.
O artista se refere a casa como um típico pássaro do Uruguai, o Forneiro ou, o popular João-de-Barro, já que ele a construiu ladrilho por ladrilho durante 30 anos. Inclusive a música “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…” composta pelo seu amigo Vinicius de Morais, foi inspirada na casa, já que toda a vez que Vinicius o visitava, a casa estava diferente.
A casapueblo fica na encosta de um morro e à beira do Rio da Prata. Assistir ao pôr do sol do deck da casa com o Oceano Atlântico ao fundo é espetacular.
Fonte: Rango & Trago, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Castelo de Vilaró é uma escultura de viver
Construída com ajuda de amigos desde 1958, a Casapueblo não tem planta definitiva e jamais será concluída
No topo de um penhasco de 45 m fica um grande castelo, que parece ter sido feito de sal. Trata-se de uma arquitetura diferente, que "escorre" ladeira abaixo, tendo seu fim nas margens do rio da Prata, em Punta Ballena, no Uruguai. A mística edificação de nove andares é a Casapueblo, "escultura para viver" que Carlos Páez Vilaró vem construindo desde 1958 e que já tem mais de 4.000 m2.
Vilaró pede desculpas aos arquitetos por sua liberdade ao fazer sua maior obra. "É uma construção sem regras. Uma casa mais humana, sem ângulos duros", define. Feita com a ajuda de amigos, a Casapueblo nunca teve planta definitiva e a sua construção jamais terminará. Em sua estrutura é possível encontrar marcas das mãos que ajudaram a erguê-la.
Levantada à base de cimento e tijolos, a Casapueblo teve suas dependências batizadas com nomes de personalidades que conviveram com Vilaró ou que ele admira. Passeia-se pelo Caminho de Ernesto Sabato, pela Calle Pablo Picasso e pela John Lennon Square. Para os brasileiros ilustres Vilaró reservou lugares especiais, como a Calle Pelé e a Avenicius, assim nomeada pelo próprio Poetinha, Vinicius de Moraes.
Além de apreciar as muitas obras e instalações de Carlos Vilaró, na Casapueblo é possível assistir a um audiovisual, narrado pelo próprio artista, que conta fatos marcantes de sua vida. Entre eles, o acidente aéreo ocorrido em 1972 na cordilheira dos Andes, em que Carlos Miguel, filho de Vilaró, foi um dos sobreviventes.
A odisséia dos garotos que compunham um time de rúgbi deu origem ao filme "Vivos", de 1993, e ficou famosa porque os sobreviventes tinham que se alimentar da carne dos mortos.
Aos 77 anos, o muralista, pintor, desenhista, escritor, escultor, cineasta e ceramista Carlos Páez Vilaró, que se auto-intitula "un hacedor de cosas", define sua obra como "uma explosão de sinceridade e trabalho", que dedica à comunidade negra do Uruguai.
Vilaró recebe pessoalmente os que visitam sua grande escultura e cita amigos queridos e artistas que influenciaram sua obra, como Oscar Niemeyer, Ademir Martins e Di Cavalcanti.
Aberta ao público desde que começou a ser construída, a Casapueblo é, além de moradia e ateliê do artista uruguaio, um interessante lugar para ficar hospedado. "A bordo" do imenso castelo branco, no alto do penhasco, com uma vista exuberante, basta esperar pelos preciosos cinco minutos em que o sol, literalmente, despenca de lá de cima e vai se esconder atrás das colinas.
Fonte: Folha SP, publicado por Carolina Frederico em 4 de setembro de 2000.
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Morre o artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró
Ele morreu aos 90 anos, em sua Casapueblo, de problemas no coração.
O artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró morreu aos 90 anos em sua casa de Punta Ballena, próximo ao balneário de Punta del Este, segundo sua secretária María Dezuliari informou à agência Efe. Era internacionalmente reconhecido por seus murais e pela incessante busca por seu filho desaparecido em um acidente aéreo na cordilheira dos Andes em 1972.
O pintor e escultor, que já havia operado várias vezes o coração, morreu em Casapueblo, edifício que construiu ao longo de décadas na confluência do Rio da Prata e do Oceano Atlântico e que tornou-se uma das principais atrações turísticas do país.
“Ele sofria de insuficiência cardíaca grave, seu coração estava muito ruim, tinha as átrios dilatados e lutou até o fim", disse Dezuliari.
O corpo de Páez Vilaró será transferido nesta segunda a Montevidéu, onde será velado na Associação Geral de Autores do Uruguai, e será enterrado nesta terça-feira (25) em um local ainda a ser definido, de acordo com a Efe.
Influência africana
Ao longo da carreira, Vilaró dedicou-se sobretudo à representação da natureza e da comunidade afrodescendente sul-americana, depois de ter vivido vários anos na África.
O artista também é lembrado pela busca por seu filho após um acidente aéreo sofrido pela equipe de rugby do colégio Old Christians, no começo dos anos 1970, enquanto atravessavam a cordilheira dos Andes em direção ao Chile.
Após 72 dias perdidos nas montanhas, apenas 16 jovens dos 45 passageiros sobreviveram, entre eles seu filho.
Vilaró nasceu na capital uruguaia, Montevidéu, no dia 1º de novembro de 1923 e morreu em casa, também seu museu e ateliê, construída por ele mesmo em Punta Ballena e chamada Casapueblo, perto de Punta del Este.
Ele passou a juventude em Buenos Aires, onde foi aprendiz de tipógrafo, sua primeira experiência nas artes gráficas.
Mas na década de 1940 retornou a seu país e se dedicou à representação de tradições uruguaias, como o candombe e as comparsas, e dos escravos africanos no Uruguai.
Vilaró recebeu reconhecimento internacional por meio de várias premiações e um de seus principais murais, "Raíces de la Paz" (Raízes da Paz), considerada a maior pintura subterrânea do mundo, encontra-se na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington.
Entre as suas obras, estão grandes pinturas encontradas em hospitais no Chile e Argentina, assim como nos aeroportos do Panamá e Haiti.
Fonte: G1, publicado em 24 de fevereiro de 2014
Crédito fotográfico: Clarin, Carlos Páez Vilaró no seu atelier na Casapueblo.
Carlos Páez Vilaró (Montevidéu, Uruguai, 1 de novembro de 1923 — Punta Ballena, Uruguai, 24 de fevereiro de 2014) foi um pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e empresário uruguaio, proprietário da famosa galeria de arte e hotel Casapueblo, monumento modelado com suas próprias mãos, cartão postal do Uruguai. Também patrocinou a busca pelo local da queda do avião onde seu filho estava, em 1972, num célebre acidente ocorrido na cordilheira dos Andes, na fronteira entre o Chile e a Argentina. Conheceu Picasso, Dalí e foi um dos grandes nomes das artes sul-americanas.
Biografia - Wikipédia
Nasceu em Montevidéu em 1923, e começou a desenhar em 1939. Em 1941, com 18 anos, viajou para Buenos Aires, capital da Argentina, onde trabalhou numa fábrica de fósforos e, em seguida, no setor das artes gráficas, como aprendiz de impressão na região industrial de Barracas. Aos 20 anos retornou para Montevidéu, onde, influenciado por seus companheiros dos bairros de Sur e Palermo, bem como do conventillo Mediomundo, se associou à comunidade afro-uruguaia e passou a colaborar com os desfiles de llamadas e o folclore negro de maneira geral, estudando as danças e gêneros musicais típicos daquela cultura, como o candombe e a comparsa. A partir desta influência passou a retratar em sua arte os diferentes aspectos da cultura e da vida cotidiana do afro-uruguaio: as llamadas, os bailes, bem como sua religiosidade, seus casamentos e velórios.
Compôs diversas peças musicais nos dois gêneros, e regeu uma orquestra, cujas congas e bongôs eram decorados com sua arte temática. Seu interesse pela cultura negra acabou levando-o ao Brasil, lar da maior população de descendentes de africanos das Américas. Lá, foi convidado para exibir suas obras pelo diretor do Museu de Arte Moderna de Paris, Jean Cassou, em 1956. Naquele mesmo ano viajou para Dacar, no Senegal - sua primeira visita à África.
Graças ao contato com escritores, músicos e estudiosos como Ildefonso Pereda Valdés, Paulo de Carvalho Neto, Jorge Amado e Vinicius de Moraes, publicou livros como La casa del negro, Bahía, Mediomundo e Candango. Aprofundou seus estudos sobre a cultura afrodescendente em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, assim como em outros países americanos onde a cultura negra está presente (Colômbia, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Haiti) e em países da África subsaariana. Colaborou com Albert Schweitzer no leprosário de Lambaréné.
Entre as diversas ocupações que exerceu, também foi colunista da revista semanal Caras y Caretas.
Em 1958 comprou um terreno de frente para o mar no leste da península pitoresca de Punta Ballena, então praticamente deserta, e construiu ali um pequeno chalé de madeira que com o tempo foi sendo ampliado e reformado até se transformar na "Casapueblo" (literalmente, "Casa-Vila", em espanhol). Denominada pelo próprio Vilaró como uma "escultura habitável", o complexo de cimento pintado de branco que se assemelhava a uma cidadela aos poucos deixou de ser apenas o seu lar e se converteu em seu ateliê, e, eventualmente, museu; embora tenha continuado a habitar o local, Vilaró continuou a expandi-lo continuamente, criando por vezes um quarto diferente para determinado hóspede, até que acabou por abrir uma seção do local aos turistas, transformando-a num hotel, que até hoje é uma das principais atrações turísticas do departamento de Maldonado. Segundo ele próprio, numa entrevista dada em 1979, "construí-a como se tratasse de uma escultura habitável, sem planejar, seguindo principalmente o meu entusiasmo. Quando o governo municipal me pediu, há pouco tempo, a planta do projeto - que eu não tinha - um amigo arquiteto teve que passar um mês estudando a maneira de decifrá-la."
Cada vez mais conhecido, Vilaró recebeu uma comissão, em 1959, para criar um mural destinado a um túnel que daria acesso a um novo anexo da sede de Washington, D.C. da Organização dos Estados Americanos, o edifício da União Panamericana. Inicialmente destinado a não ter mais de 15 metros de extensão, o mural (intitulado Raízes da Paz), quando inaugurado, em 1960, tinha 155 metros de comprimento e dois metros de altura. Os danos graves causados pela umidade excessiva forçaram o artista a repintar o mural em 1975.
Vilaró continuou em contato com a cultura europeia e africana, e manteve laços estreitos com diversos amigos de seus dias em Paris, no fim da década de 1950, em especial Brigitte Bardot e Pablo Picasso. Em 1967 se aventurou no cinema, fundando uma produtora, Dahlia, com o auxílio dos empresários europeus Gérard Leclery e Gunter Sachs. No mesmo ano viajou por diversos países da África Ocidental, onde filmou um documentário do qual foi co-roteirista, Batouk, dirigido por Jean-Jacques Manigot, um longa-metragem de 35 milímetros, a cores, com 65 minutos de duração. Escreveu-o em conjunto com Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor, que contribuíram com poemas. O filme participou do Festival de Cannes em 1967.
Vilaró continuou a criar murais e esculturas para diversos escritórios governamentais e corporativos e colecionadores privados, além de projetar diversos edifícios. Pintou 12 murais na Argentina, 16 no Brasil, quatro no Chade, três no Chile, quatro no Gabão, onze nos Estados Unidos e trinta em sua terra natal, além de uma série de trabalhos espalhados pela África e pelas ilhas da Polinésia. Também projetou uma capela que não pertencia a nenhuma denominação específic, destinada a um cemitério sem cruzes ou lápides em San Isidro, na província de Buenos Aires, além de reconstruir uma casa abandonada na cidade vizinha de Tigre, seguindo o modelo da Casapueblo; segundo ele, a capela de San Isidro teria sido sua "maior obra".
Vida pessoal
O primeiro casamento do artista, com Madelón Rodríguez Gómez, embora curto, lhe rendeu três filhos. Um deles, Carlos "Carlitos" Páez Rodríguez, viria a integrar o time de rugby do colégio Stella Maris de Montevidéu, os "Old Christians"; em 13 de outubro de 1972, o Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava os integrantes da equipe, colidiu contra uma montanha na cordilheira dos Andes, entre o Chile e a província de Mendoza, na Argentina. Vilaró fez parte do grupo que realizou as buscas pelos 45 passageiros - dos quais 16 acabaram sobrevivendo, entre eles seu filho, com quem se reencontrou pouco tempo depois do resgate, em 23 de dezembro.
Vilaró passou por dificuldades em outras áreas de sua vida. Em 1976 conheceu Annette Deussen, uma turista argentina, com quem teve uma filha, em 1984. Deussen era casada com outro homem na época, de quem se divorciou em 1986, casando-se com Vilaró em 1989. Seu ex-marido, no entanto, continuou a travar uma feroz batalha judicial pela custódia do filho por mais de uma década, mesmo depois que a paternidade de Vilaró havia sido cientificamente comprovada. A questão só veio a ser resolvida em 1999, e a custódia finalmente concedida a Vilaró. Nesta altura o artista, pai de seis filhos, dividia seus dias entre a Casapueblo e "Bengala", sua residência em Tigre.
Morreu aos 90 anos de idade, na Casapueblo, em Punta Ballena. Seu filho declarou, por ocasião de sua morte: "Se realmente há uma frase apropriada a ele, é que descanse em paz. Nunca vi alguém que trabalhasse tanto. É um cara que trabalhou até o último momento. Até ontem. Então, que descanse em paz". Seu corpo foi velado no Palácio Legislativo da capital uruguaia.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Quem foi Carlos Páez Vilaró?
Carlos Paez Vilaro foi um artista multifacetado. Foi pintor, oleiro, escultor, muralista, escritor, compositor e construtor. Natural do Uruguai, suas atividades artísticas o levaram à Argentina, Brasil, África e Europa em viagens culturais que permearam suas criações. Ele explorou vários meios para criar sua obra notável, como pintor abstrato, escultor, muralista e arquiteto. Ele próprio um homem branco, ficou fascinado com a herança negra uruguaia. Ele alcançou a fama no início de sua carreira; sua visão artística era ilimitada e também encontrou expressão na música e no cinema. Como um muralista e escultor de sucesso, ele foi contratado por governos, empresas privadas e indivíduos para criar murais originais e expressões artísticas. Seu interesse particular pela cultura afro-uruguaia inspirou muitos de seus murais, suas composições musicais, e sua celebração da música e dança afro-uruguaia do Candombe. Ele viveu e trabalhou uma vida de arte que é impressa na arquitetura que projetou, muitas vezes reminiscente do estilo de Anton Gaudi e Dali. Apaixonado, dedicado e incansável, Vilaro continuou a criar quase até o dia em que morreu em idade avançada
Infância e início da vida
Nascido em 1º de novembro de 1923 em Montevidéu, Uruguai, Carlos Paez Vilaro viveu uma vida muito modesta quando criança, nascido em uma família com dificuldades financeiras. Começou a sua paixão artística pelo desenho, desde muito jovem.
Mudou-se para a Argentina em 1939 e tornou-se aprendiz de impressão. Muito impressionado com o contraste entre a normalidade da vida fabril e o vigor e a vitalidade dos bairros de tango de Buenos Aires, ele criou suas primeiras pinturas exibindo essas percepções.
Aproximadamente 10 anos depois, na década de 1940, ele retornou ao Uruguai e começou a mergulhar nas cores vivas e ousadas das artes e cultura afro-uruguaias.
Carreira
Durante os anos de 1939 ao final da década de 1940, em Buenos Aires, ele explorou a arte por meio do desenho e passou os anos absorvendo experiências culturais. Em seguida, voltou ao Uruguai para se lançar na dança e na música do Candombe, morando no Mediomundo, encantado com a herança negra uruguaia.
Em 1958, Carlos Paez Vilaro se juntou a um movimento de artistas conhecido como 'Grupo de los 8', que tinha como objetivo introduzir novas técnicas na pintura. Foi então que comprou a propriedade em Punta Ballena, à beira-mar, que anos depois se tornaria a famosa 'Casapueblo', desenhada e construída por ele em sua visão única.
Ele viajou extensivamente pelo Brasil, África e Europa, sempre retornando ao seu amado Uruguai e sua paixão pelos temas afro-uruguaios na arte e na música. Mercados, funerais, festivais, maçaricos, fragmentos da vida cotidiana e acontecimentos extraordinários encontraram seu caminho em sua tela, e seus murais ricamente coloridos e vívidos enfeitavam lugares tão distantes como Washington DC
Obras Principais
Sem dúvida, uma das conquistas da obra-prima de Vilaro é 'Casapueblo', construída gradualmente ao longo do tempo, expandindo em tamanho, forma e grandeza. Um lampejo de branco deslumbrante construído pelo mar azul profundo, este edifício incomum e misterioso foi sua casa e oficina, e mais tarde um hotel. Esta foi a sua "escultura viva" inspirada no desenho dos ninhos regionais de pássaros 'hornero'. Atualmente, atrai turistas que ficam hipnotizados por sua forma encantadora e sua arte orgânica.
A Capela San Isidro de Buenos Aires, projetada por ele, integra os elementos da natureza na estrutura. Usando toda a sua experiência e observações, ele projetou uma capela de um branco puro refletindo o ambiente sereno e a vitalidade da natureza.
Em 1959, ele confeccionou o famoso mural 'Roots of Peace', medindo 155 metros de comprimento e 2 metros de altura, no túnel do Edifício Pan Union American que abrigava a 'Organização dos Estados Americanos' em Washington DC.
Prêmios e Conquistas
Em cores e em branco, os murais, arquitetura, pinturas, cerâmicas, tambores criados por Carlos Paez Vilaro estão espalhados por continentes - do Uruguai e América Latina à América do Norte, África e Ilhas Polinésias.
Como cineasta e roteirista, destacou-se com seu documentário 'Batouk', baseado na dança africana, e exibido no Festival de Cannes em 1967. Seu zelo e composições para o 'Candombe' africano foram fundamentais para trazer respeito e admiração a uma dança forma considerada socialmente inaceitável.
Vida Pessoal e Legado
Na vida, na arte e no amor Carlos Paez Vilaro era um apaixonado. Seu primeiro casamento em 1955 com Madelon Rodriguez Gomez, que lhe deu três filhos, durou 6 anos. Destes, seu filho "Carlitos" Paez Rodriguez, tornou-se um jogador do time de rugby da faculdade e quase morreu em um acidente de avião que transportava a equipe. Desaparecido por 72 dias, ele finalmente foi encontrado vivo e resgatado.
Ele conheceu uma mulher casada, Annette Deussen em 1976 e se tornou sua amante, o que levou a complicações. Ela deu à luz seu filho em 1984, finalmente obtendo o divórcio de seu marido em 1986.
Ele morreu no dia 24 de fevereiro de 2014, aos 90, em sua querida e caprichosa casa, Casapueblo, em Punta Ballena, Uruguai.
Curiosidades
Profundamente inspirado pela natureza, a engenhosidade de Vilaro levou a muitas criações de dispositivos para imbuir a arquitetura com qualidades dramáticas, como o que ele criou para celebrar cada pôr do sol em seu 'Casapueblo'. Uma gravação coreografada de sua voz recitando uma Ode ao Sol, com o acompanhamento de uma guitarra espanhola tocando todas as noites, cronometrada precisamente para seguir o sol poente.
O filme 'Alive', lançado em 1993, traz o resgate de seu filho, entre os 16 sobreviventes do acidente de avião nos Andes, conhecido como 'O Milagre dos Andes'
Fonte: The Famous People, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Museo Casapueblo: Punta Ballena | Uruguai
Punta Ballena é um pequeno balneário a 15 min de Punta del Este. É onde está o Museo Casapueblo, antiga casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró.
A casa é semelhante as da ilha de Santorini, na Grécia. Ela foi projetada pelo próprio artista e hoje abriga seu ateliê, um pequeno cinema que exibe sua história e algumas de suas obras estão espalhadas pelos cômodos da casa. Parte da casa também abriga um hotel e restaurante.
O artista se refere a casa como um típico pássaro do Uruguai, o Forneiro ou, o popular João-de-Barro, já que ele a construiu ladrilho por ladrilho durante 30 anos. Inclusive a música “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…” composta pelo seu amigo Vinicius de Morais, foi inspirada na casa, já que toda a vez que Vinicius o visitava, a casa estava diferente.
A casapueblo fica na encosta de um morro e à beira do Rio da Prata. Assistir ao pôr do sol do deck da casa com o Oceano Atlântico ao fundo é espetacular.
Fonte: Rango & Trago, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Castelo de Vilaró é uma escultura de viver
Construída com ajuda de amigos desde 1958, a Casapueblo não tem planta definitiva e jamais será concluída
No topo de um penhasco de 45 m fica um grande castelo, que parece ter sido feito de sal. Trata-se de uma arquitetura diferente, que "escorre" ladeira abaixo, tendo seu fim nas margens do rio da Prata, em Punta Ballena, no Uruguai. A mística edificação de nove andares é a Casapueblo, "escultura para viver" que Carlos Páez Vilaró vem construindo desde 1958 e que já tem mais de 4.000 m2.
Vilaró pede desculpas aos arquitetos por sua liberdade ao fazer sua maior obra. "É uma construção sem regras. Uma casa mais humana, sem ângulos duros", define. Feita com a ajuda de amigos, a Casapueblo nunca teve planta definitiva e a sua construção jamais terminará. Em sua estrutura é possível encontrar marcas das mãos que ajudaram a erguê-la.
Levantada à base de cimento e tijolos, a Casapueblo teve suas dependências batizadas com nomes de personalidades que conviveram com Vilaró ou que ele admira. Passeia-se pelo Caminho de Ernesto Sabato, pela Calle Pablo Picasso e pela John Lennon Square. Para os brasileiros ilustres Vilaró reservou lugares especiais, como a Calle Pelé e a Avenicius, assim nomeada pelo próprio Poetinha, Vinicius de Moraes.
Além de apreciar as muitas obras e instalações de Carlos Vilaró, na Casapueblo é possível assistir a um audiovisual, narrado pelo próprio artista, que conta fatos marcantes de sua vida. Entre eles, o acidente aéreo ocorrido em 1972 na cordilheira dos Andes, em que Carlos Miguel, filho de Vilaró, foi um dos sobreviventes.
A odisséia dos garotos que compunham um time de rúgbi deu origem ao filme "Vivos", de 1993, e ficou famosa porque os sobreviventes tinham que se alimentar da carne dos mortos.
Aos 77 anos, o muralista, pintor, desenhista, escritor, escultor, cineasta e ceramista Carlos Páez Vilaró, que se auto-intitula "un hacedor de cosas", define sua obra como "uma explosão de sinceridade e trabalho", que dedica à comunidade negra do Uruguai.
Vilaró recebe pessoalmente os que visitam sua grande escultura e cita amigos queridos e artistas que influenciaram sua obra, como Oscar Niemeyer, Ademir Martins e Di Cavalcanti.
Aberta ao público desde que começou a ser construída, a Casapueblo é, além de moradia e ateliê do artista uruguaio, um interessante lugar para ficar hospedado. "A bordo" do imenso castelo branco, no alto do penhasco, com uma vista exuberante, basta esperar pelos preciosos cinco minutos em que o sol, literalmente, despenca de lá de cima e vai se esconder atrás das colinas.
Fonte: Folha SP, publicado por Carolina Frederico em 4 de setembro de 2000.
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Morre o artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró
Ele morreu aos 90 anos, em sua Casapueblo, de problemas no coração.
O artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró morreu aos 90 anos em sua casa de Punta Ballena, próximo ao balneário de Punta del Este, segundo sua secretária María Dezuliari informou à agência Efe. Era internacionalmente reconhecido por seus murais e pela incessante busca por seu filho desaparecido em um acidente aéreo na cordilheira dos Andes em 1972.
O pintor e escultor, que já havia operado várias vezes o coração, morreu em Casapueblo, edifício que construiu ao longo de décadas na confluência do Rio da Prata e do Oceano Atlântico e que tornou-se uma das principais atrações turísticas do país.
“Ele sofria de insuficiência cardíaca grave, seu coração estava muito ruim, tinha as átrios dilatados e lutou até o fim", disse Dezuliari.
O corpo de Páez Vilaró será transferido nesta segunda a Montevidéu, onde será velado na Associação Geral de Autores do Uruguai, e será enterrado nesta terça-feira (25) em um local ainda a ser definido, de acordo com a Efe.
Influência africana
Ao longo da carreira, Vilaró dedicou-se sobretudo à representação da natureza e da comunidade afrodescendente sul-americana, depois de ter vivido vários anos na África.
O artista também é lembrado pela busca por seu filho após um acidente aéreo sofrido pela equipe de rugby do colégio Old Christians, no começo dos anos 1970, enquanto atravessavam a cordilheira dos Andes em direção ao Chile.
Após 72 dias perdidos nas montanhas, apenas 16 jovens dos 45 passageiros sobreviveram, entre eles seu filho.
Vilaró nasceu na capital uruguaia, Montevidéu, no dia 1º de novembro de 1923 e morreu em casa, também seu museu e ateliê, construída por ele mesmo em Punta Ballena e chamada Casapueblo, perto de Punta del Este.
Ele passou a juventude em Buenos Aires, onde foi aprendiz de tipógrafo, sua primeira experiência nas artes gráficas.
Mas na década de 1940 retornou a seu país e se dedicou à representação de tradições uruguaias, como o candombe e as comparsas, e dos escravos africanos no Uruguai.
Vilaró recebeu reconhecimento internacional por meio de várias premiações e um de seus principais murais, "Raíces de la Paz" (Raízes da Paz), considerada a maior pintura subterrânea do mundo, encontra-se na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington.
Entre as suas obras, estão grandes pinturas encontradas em hospitais no Chile e Argentina, assim como nos aeroportos do Panamá e Haiti.
Fonte: G1, publicado em 24 de fevereiro de 2014
Crédito fotográfico: Clarin, Carlos Páez Vilaró no seu atelier na Casapueblo.
Carlos Páez Vilaró (Montevidéu, Uruguai, 1 de novembro de 1923 — Punta Ballena, Uruguai, 24 de fevereiro de 2014) foi um pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e empresário uruguaio, proprietário da famosa galeria de arte e hotel Casapueblo, monumento modelado com suas próprias mãos, cartão postal do Uruguai. Também patrocinou a busca pelo local da queda do avião onde seu filho estava, em 1972, num célebre acidente ocorrido na cordilheira dos Andes, na fronteira entre o Chile e a Argentina. Conheceu Picasso, Dalí e foi um dos grandes nomes das artes sul-americanas.
Biografia - Wikipédia
Nasceu em Montevidéu em 1923, e começou a desenhar em 1939. Em 1941, com 18 anos, viajou para Buenos Aires, capital da Argentina, onde trabalhou numa fábrica de fósforos e, em seguida, no setor das artes gráficas, como aprendiz de impressão na região industrial de Barracas. Aos 20 anos retornou para Montevidéu, onde, influenciado por seus companheiros dos bairros de Sur e Palermo, bem como do conventillo Mediomundo, se associou à comunidade afro-uruguaia e passou a colaborar com os desfiles de llamadas e o folclore negro de maneira geral, estudando as danças e gêneros musicais típicos daquela cultura, como o candombe e a comparsa. A partir desta influência passou a retratar em sua arte os diferentes aspectos da cultura e da vida cotidiana do afro-uruguaio: as llamadas, os bailes, bem como sua religiosidade, seus casamentos e velórios.
Compôs diversas peças musicais nos dois gêneros, e regeu uma orquestra, cujas congas e bongôs eram decorados com sua arte temática. Seu interesse pela cultura negra acabou levando-o ao Brasil, lar da maior população de descendentes de africanos das Américas. Lá, foi convidado para exibir suas obras pelo diretor do Museu de Arte Moderna de Paris, Jean Cassou, em 1956. Naquele mesmo ano viajou para Dacar, no Senegal - sua primeira visita à África.
Graças ao contato com escritores, músicos e estudiosos como Ildefonso Pereda Valdés, Paulo de Carvalho Neto, Jorge Amado e Vinicius de Moraes, publicou livros como La casa del negro, Bahía, Mediomundo e Candango. Aprofundou seus estudos sobre a cultura afrodescendente em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, assim como em outros países americanos onde a cultura negra está presente (Colômbia, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Haiti) e em países da África subsaariana. Colaborou com Albert Schweitzer no leprosário de Lambaréné.
Entre as diversas ocupações que exerceu, também foi colunista da revista semanal Caras y Caretas.
Em 1958 comprou um terreno de frente para o mar no leste da península pitoresca de Punta Ballena, então praticamente deserta, e construiu ali um pequeno chalé de madeira que com o tempo foi sendo ampliado e reformado até se transformar na "Casapueblo" (literalmente, "Casa-Vila", em espanhol). Denominada pelo próprio Vilaró como uma "escultura habitável", o complexo de cimento pintado de branco que se assemelhava a uma cidadela aos poucos deixou de ser apenas o seu lar e se converteu em seu ateliê, e, eventualmente, museu; embora tenha continuado a habitar o local, Vilaró continuou a expandi-lo continuamente, criando por vezes um quarto diferente para determinado hóspede, até que acabou por abrir uma seção do local aos turistas, transformando-a num hotel, que até hoje é uma das principais atrações turísticas do departamento de Maldonado. Segundo ele próprio, numa entrevista dada em 1979, "construí-a como se tratasse de uma escultura habitável, sem planejar, seguindo principalmente o meu entusiasmo. Quando o governo municipal me pediu, há pouco tempo, a planta do projeto - que eu não tinha - um amigo arquiteto teve que passar um mês estudando a maneira de decifrá-la."
Cada vez mais conhecido, Vilaró recebeu uma comissão, em 1959, para criar um mural destinado a um túnel que daria acesso a um novo anexo da sede de Washington, D.C. da Organização dos Estados Americanos, o edifício da União Panamericana. Inicialmente destinado a não ter mais de 15 metros de extensão, o mural (intitulado Raízes da Paz), quando inaugurado, em 1960, tinha 155 metros de comprimento e dois metros de altura. Os danos graves causados pela umidade excessiva forçaram o artista a repintar o mural em 1975.
Vilaró continuou em contato com a cultura europeia e africana, e manteve laços estreitos com diversos amigos de seus dias em Paris, no fim da década de 1950, em especial Brigitte Bardot e Pablo Picasso. Em 1967 se aventurou no cinema, fundando uma produtora, Dahlia, com o auxílio dos empresários europeus Gérard Leclery e Gunter Sachs. No mesmo ano viajou por diversos países da África Ocidental, onde filmou um documentário do qual foi co-roteirista, Batouk, dirigido por Jean-Jacques Manigot, um longa-metragem de 35 milímetros, a cores, com 65 minutos de duração. Escreveu-o em conjunto com Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor, que contribuíram com poemas. O filme participou do Festival de Cannes em 1967.
Vilaró continuou a criar murais e esculturas para diversos escritórios governamentais e corporativos e colecionadores privados, além de projetar diversos edifícios. Pintou 12 murais na Argentina, 16 no Brasil, quatro no Chade, três no Chile, quatro no Gabão, onze nos Estados Unidos e trinta em sua terra natal, além de uma série de trabalhos espalhados pela África e pelas ilhas da Polinésia. Também projetou uma capela que não pertencia a nenhuma denominação específic, destinada a um cemitério sem cruzes ou lápides em San Isidro, na província de Buenos Aires, além de reconstruir uma casa abandonada na cidade vizinha de Tigre, seguindo o modelo da Casapueblo; segundo ele, a capela de San Isidro teria sido sua "maior obra".
Vida pessoal
O primeiro casamento do artista, com Madelón Rodríguez Gómez, embora curto, lhe rendeu três filhos. Um deles, Carlos "Carlitos" Páez Rodríguez, viria a integrar o time de rugby do colégio Stella Maris de Montevidéu, os "Old Christians"; em 13 de outubro de 1972, o Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava os integrantes da equipe, colidiu contra uma montanha na cordilheira dos Andes, entre o Chile e a província de Mendoza, na Argentina. Vilaró fez parte do grupo que realizou as buscas pelos 45 passageiros - dos quais 16 acabaram sobrevivendo, entre eles seu filho, com quem se reencontrou pouco tempo depois do resgate, em 23 de dezembro.
Vilaró passou por dificuldades em outras áreas de sua vida. Em 1976 conheceu Annette Deussen, uma turista argentina, com quem teve uma filha, em 1984. Deussen era casada com outro homem na época, de quem se divorciou em 1986, casando-se com Vilaró em 1989. Seu ex-marido, no entanto, continuou a travar uma feroz batalha judicial pela custódia do filho por mais de uma década, mesmo depois que a paternidade de Vilaró havia sido cientificamente comprovada. A questão só veio a ser resolvida em 1999, e a custódia finalmente concedida a Vilaró. Nesta altura o artista, pai de seis filhos, dividia seus dias entre a Casapueblo e "Bengala", sua residência em Tigre.
Morreu aos 90 anos de idade, na Casapueblo, em Punta Ballena. Seu filho declarou, por ocasião de sua morte: "Se realmente há uma frase apropriada a ele, é que descanse em paz. Nunca vi alguém que trabalhasse tanto. É um cara que trabalhou até o último momento. Até ontem. Então, que descanse em paz". Seu corpo foi velado no Palácio Legislativo da capital uruguaia.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Quem foi Carlos Páez Vilaró?
Carlos Paez Vilaro foi um artista multifacetado. Foi pintor, oleiro, escultor, muralista, escritor, compositor e construtor. Natural do Uruguai, suas atividades artísticas o levaram à Argentina, Brasil, África e Europa em viagens culturais que permearam suas criações. Ele explorou vários meios para criar sua obra notável, como pintor abstrato, escultor, muralista e arquiteto. Ele próprio um homem branco, ficou fascinado com a herança negra uruguaia. Ele alcançou a fama no início de sua carreira; sua visão artística era ilimitada e também encontrou expressão na música e no cinema. Como um muralista e escultor de sucesso, ele foi contratado por governos, empresas privadas e indivíduos para criar murais originais e expressões artísticas. Seu interesse particular pela cultura afro-uruguaia inspirou muitos de seus murais, suas composições musicais, e sua celebração da música e dança afro-uruguaia do Candombe. Ele viveu e trabalhou uma vida de arte que é impressa na arquitetura que projetou, muitas vezes reminiscente do estilo de Anton Gaudi e Dali. Apaixonado, dedicado e incansável, Vilaro continuou a criar quase até o dia em que morreu em idade avançada
Infância e início da vida
Nascido em 1º de novembro de 1923 em Montevidéu, Uruguai, Carlos Paez Vilaro viveu uma vida muito modesta quando criança, nascido em uma família com dificuldades financeiras. Começou a sua paixão artística pelo desenho, desde muito jovem.
Mudou-se para a Argentina em 1939 e tornou-se aprendiz de impressão. Muito impressionado com o contraste entre a normalidade da vida fabril e o vigor e a vitalidade dos bairros de tango de Buenos Aires, ele criou suas primeiras pinturas exibindo essas percepções.
Aproximadamente 10 anos depois, na década de 1940, ele retornou ao Uruguai e começou a mergulhar nas cores vivas e ousadas das artes e cultura afro-uruguaias.
Carreira
Durante os anos de 1939 ao final da década de 1940, em Buenos Aires, ele explorou a arte por meio do desenho e passou os anos absorvendo experiências culturais. Em seguida, voltou ao Uruguai para se lançar na dança e na música do Candombe, morando no Mediomundo, encantado com a herança negra uruguaia.
Em 1958, Carlos Paez Vilaro se juntou a um movimento de artistas conhecido como 'Grupo de los 8', que tinha como objetivo introduzir novas técnicas na pintura. Foi então que comprou a propriedade em Punta Ballena, à beira-mar, que anos depois se tornaria a famosa 'Casapueblo', desenhada e construída por ele em sua visão única.
Ele viajou extensivamente pelo Brasil, África e Europa, sempre retornando ao seu amado Uruguai e sua paixão pelos temas afro-uruguaios na arte e na música. Mercados, funerais, festivais, maçaricos, fragmentos da vida cotidiana e acontecimentos extraordinários encontraram seu caminho em sua tela, e seus murais ricamente coloridos e vívidos enfeitavam lugares tão distantes como Washington DC
Obras Principais
Sem dúvida, uma das conquistas da obra-prima de Vilaro é 'Casapueblo', construída gradualmente ao longo do tempo, expandindo em tamanho, forma e grandeza. Um lampejo de branco deslumbrante construído pelo mar azul profundo, este edifício incomum e misterioso foi sua casa e oficina, e mais tarde um hotel. Esta foi a sua "escultura viva" inspirada no desenho dos ninhos regionais de pássaros 'hornero'. Atualmente, atrai turistas que ficam hipnotizados por sua forma encantadora e sua arte orgânica.
A Capela San Isidro de Buenos Aires, projetada por ele, integra os elementos da natureza na estrutura. Usando toda a sua experiência e observações, ele projetou uma capela de um branco puro refletindo o ambiente sereno e a vitalidade da natureza.
Em 1959, ele confeccionou o famoso mural 'Roots of Peace', medindo 155 metros de comprimento e 2 metros de altura, no túnel do Edifício Pan Union American que abrigava a 'Organização dos Estados Americanos' em Washington DC.
Prêmios e Conquistas
Em cores e em branco, os murais, arquitetura, pinturas, cerâmicas, tambores criados por Carlos Paez Vilaro estão espalhados por continentes - do Uruguai e América Latina à América do Norte, África e Ilhas Polinésias.
Como cineasta e roteirista, destacou-se com seu documentário 'Batouk', baseado na dança africana, e exibido no Festival de Cannes em 1967. Seu zelo e composições para o 'Candombe' africano foram fundamentais para trazer respeito e admiração a uma dança forma considerada socialmente inaceitável.
Vida Pessoal e Legado
Na vida, na arte e no amor Carlos Paez Vilaro era um apaixonado. Seu primeiro casamento em 1955 com Madelon Rodriguez Gomez, que lhe deu três filhos, durou 6 anos. Destes, seu filho "Carlitos" Paez Rodriguez, tornou-se um jogador do time de rugby da faculdade e quase morreu em um acidente de avião que transportava a equipe. Desaparecido por 72 dias, ele finalmente foi encontrado vivo e resgatado.
Ele conheceu uma mulher casada, Annette Deussen em 1976 e se tornou sua amante, o que levou a complicações. Ela deu à luz seu filho em 1984, finalmente obtendo o divórcio de seu marido em 1986.
Ele morreu no dia 24 de fevereiro de 2014, aos 90, em sua querida e caprichosa casa, Casapueblo, em Punta Ballena, Uruguai.
Curiosidades
Profundamente inspirado pela natureza, a engenhosidade de Vilaro levou a muitas criações de dispositivos para imbuir a arquitetura com qualidades dramáticas, como o que ele criou para celebrar cada pôr do sol em seu 'Casapueblo'. Uma gravação coreografada de sua voz recitando uma Ode ao Sol, com o acompanhamento de uma guitarra espanhola tocando todas as noites, cronometrada precisamente para seguir o sol poente.
O filme 'Alive', lançado em 1993, traz o resgate de seu filho, entre os 16 sobreviventes do acidente de avião nos Andes, conhecido como 'O Milagre dos Andes'
Fonte: The Famous People, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Museo Casapueblo: Punta Ballena | Uruguai
Punta Ballena é um pequeno balneário a 15 min de Punta del Este. É onde está o Museo Casapueblo, antiga casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró.
A casa é semelhante as da ilha de Santorini, na Grécia. Ela foi projetada pelo próprio artista e hoje abriga seu ateliê, um pequeno cinema que exibe sua história e algumas de suas obras estão espalhadas pelos cômodos da casa. Parte da casa também abriga um hotel e restaurante.
O artista se refere a casa como um típico pássaro do Uruguai, o Forneiro ou, o popular João-de-Barro, já que ele a construiu ladrilho por ladrilho durante 30 anos. Inclusive a música “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…” composta pelo seu amigo Vinicius de Morais, foi inspirada na casa, já que toda a vez que Vinicius o visitava, a casa estava diferente.
A casapueblo fica na encosta de um morro e à beira do Rio da Prata. Assistir ao pôr do sol do deck da casa com o Oceano Atlântico ao fundo é espetacular.
Fonte: Rango & Trago, consultado pela última vez em 13 de março de 2021.
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Castelo de Vilaró é uma escultura de viver
Construída com ajuda de amigos desde 1958, a Casapueblo não tem planta definitiva e jamais será concluída
No topo de um penhasco de 45 m fica um grande castelo, que parece ter sido feito de sal. Trata-se de uma arquitetura diferente, que "escorre" ladeira abaixo, tendo seu fim nas margens do rio da Prata, em Punta Ballena, no Uruguai. A mística edificação de nove andares é a Casapueblo, "escultura para viver" que Carlos Páez Vilaró vem construindo desde 1958 e que já tem mais de 4.000 m2.
Vilaró pede desculpas aos arquitetos por sua liberdade ao fazer sua maior obra. "É uma construção sem regras. Uma casa mais humana, sem ângulos duros", define. Feita com a ajuda de amigos, a Casapueblo nunca teve planta definitiva e a sua construção jamais terminará. Em sua estrutura é possível encontrar marcas das mãos que ajudaram a erguê-la.
Levantada à base de cimento e tijolos, a Casapueblo teve suas dependências batizadas com nomes de personalidades que conviveram com Vilaró ou que ele admira. Passeia-se pelo Caminho de Ernesto Sabato, pela Calle Pablo Picasso e pela John Lennon Square. Para os brasileiros ilustres Vilaró reservou lugares especiais, como a Calle Pelé e a Avenicius, assim nomeada pelo próprio Poetinha, Vinicius de Moraes.
Além de apreciar as muitas obras e instalações de Carlos Vilaró, na Casapueblo é possível assistir a um audiovisual, narrado pelo próprio artista, que conta fatos marcantes de sua vida. Entre eles, o acidente aéreo ocorrido em 1972 na cordilheira dos Andes, em que Carlos Miguel, filho de Vilaró, foi um dos sobreviventes.
A odisséia dos garotos que compunham um time de rúgbi deu origem ao filme "Vivos", de 1993, e ficou famosa porque os sobreviventes tinham que se alimentar da carne dos mortos.
Aos 77 anos, o muralista, pintor, desenhista, escritor, escultor, cineasta e ceramista Carlos Páez Vilaró, que se auto-intitula "un hacedor de cosas", define sua obra como "uma explosão de sinceridade e trabalho", que dedica à comunidade negra do Uruguai.
Vilaró recebe pessoalmente os que visitam sua grande escultura e cita amigos queridos e artistas que influenciaram sua obra, como Oscar Niemeyer, Ademir Martins e Di Cavalcanti.
Aberta ao público desde que começou a ser construída, a Casapueblo é, além de moradia e ateliê do artista uruguaio, um interessante lugar para ficar hospedado. "A bordo" do imenso castelo branco, no alto do penhasco, com uma vista exuberante, basta esperar pelos preciosos cinco minutos em que o sol, literalmente, despenca de lá de cima e vai se esconder atrás das colinas.
Fonte: Folha SP, publicado por Carolina Frederico em 4 de setembro de 2000.
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Morre o artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró
Ele morreu aos 90 anos, em sua Casapueblo, de problemas no coração.
O artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró morreu aos 90 anos em sua casa de Punta Ballena, próximo ao balneário de Punta del Este, segundo sua secretária María Dezuliari informou à agência Efe. Era internacionalmente reconhecido por seus murais e pela incessante busca por seu filho desaparecido em um acidente aéreo na cordilheira dos Andes em 1972.
O pintor e escultor, que já havia operado várias vezes o coração, morreu em Casapueblo, edifício que construiu ao longo de décadas na confluência do Rio da Prata e do Oceano Atlântico e que tornou-se uma das principais atrações turísticas do país.
“Ele sofria de insuficiência cardíaca grave, seu coração estava muito ruim, tinha as átrios dilatados e lutou até o fim", disse Dezuliari.
O corpo de Páez Vilaró será transferido nesta segunda a Montevidéu, onde será velado na Associação Geral de Autores do Uruguai, e será enterrado nesta terça-feira (25) em um local ainda a ser definido, de acordo com a Efe.
Influência africana
Ao longo da carreira, Vilaró dedicou-se sobretudo à representação da natureza e da comunidade afrodescendente sul-americana, depois de ter vivido vários anos na África.
O artista também é lembrado pela busca por seu filho após um acidente aéreo sofrido pela equipe de rugby do colégio Old Christians, no começo dos anos 1970, enquanto atravessavam a cordilheira dos Andes em direção ao Chile.
Após 72 dias perdidos nas montanhas, apenas 16 jovens dos 45 passageiros sobreviveram, entre eles seu filho.
Vilaró nasceu na capital uruguaia, Montevidéu, no dia 1º de novembro de 1923 e morreu em casa, também seu museu e ateliê, construída por ele mesmo em Punta Ballena e chamada Casapueblo, perto de Punta del Este.
Ele passou a juventude em Buenos Aires, onde foi aprendiz de tipógrafo, sua primeira experiência nas artes gráficas.
Mas na década de 1940 retornou a seu país e se dedicou à representação de tradições uruguaias, como o candombe e as comparsas, e dos escravos africanos no Uruguai.
Vilaró recebeu reconhecimento internacional por meio de várias premiações e um de seus principais murais, "Raíces de la Paz" (Raízes da Paz), considerada a maior pintura subterrânea do mundo, encontra-se na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington.
Entre as suas obras, estão grandes pinturas encontradas em hospitais no Chile e Argentina, assim como nos aeroportos do Panamá e Haiti.
Fonte: G1, publicado em 24 de fevereiro de 2014
Crédito fotográfico: Clarin, Carlos Páez Vilaró no seu atelier na Casapueblo.