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Eduardo Kac

Eduardo Kac (3 de julho de 1962, Rio de Janeiro, Brasil) é um artista visual e teórico brasileiro-norte-americano. Formado em Comunicação Social pela PUC-Rio e mestre pelo Art Institute of Chicago, iniciou sua carreira com obras de poesia holográfica e performances interativas nos anos 1980. Em 1997, cunhou o termo bioarte e passou a criar trabalhos que unem biotecnologia e expressão artística. Entre suas obras mais icônicas estão Time Capsule (1997), Genesis (1999), GFP Bunny (2000) — com a criação da coelha fluorescente Alba —, Natural History of the Enigma (2003–2008) e Inner Telescope (2017), obra concebida em gravidade zero. Seu trabalho está presente em museus como o MoMA (NY), Tate Modern (Londres) e ZKM (Alemanha), sendo considerado uma das figuras centrais na arte contemporânea que cruza ciência, tecnologia e filosofia.

Eduardo Kac | Arremate Arte

Eduardo Kac, nascido em 3 de julho de 1962 no Rio de Janeiro, é um artista visual e teórico brasileiro naturalizado norte-americano, reconhecido mundialmente como um dos pioneiros da bioarte e das artes híbridas que unem biotecnologia, linguagens digitais e experimentações poéticas. Sua trajetória inovadora desafia os limites entre arte, ciência, filosofia e tecnologia, criando um corpo de trabalho que marca profundamente a arte contemporânea global.

Formado em Comunicação Social pela PUC-Rio em 1985, Kac começou sua carreira nos anos 1980, ainda no Brasil, criando performances e obras interativas marcadas pelo humor ácido, crítica social e uso experimental de mídia — incluindo seus primeiros trabalhos com holografia, que deram origem ao conceito de “holopoesia”, a poesia tridimensional em hologramas. Em 1989, mudou-se para os Estados Unidos, onde completou o mestrado no School of the Art Institute of Chicago, instituição na qual também se tornou professor e pesquisador de referência.

Na década de 1990, consolidou sua atuação no campo da arte telepresencial, com obras que conectavam corpos e ambientes remotos por meio da internet, antecipando discussões sobre presença virtual e interação em rede. Em 1997, com a obra Time Capsule, implantou em si mesmo um chip de identificação e transmitiu o procedimento ao vivo pela internet, inaugurando uma fase de trabalhos que fundem corpo, biotecnologia e ética em escala global.

Ainda em 1997, cunhou o termo “bioarte”, abrindo caminho para sua obra mais controversa: GFP Bunny (2000), um projeto no qual colaborou com cientistas para criar Alba, uma coelha transgênica que brilha sob luz ultravioleta. A obra gerou debates intensos sobre os limites éticos da arte e da ciência, tornando-se ícone da virada biotecnológica na arte contemporânea.

Outros trabalhos igualmente emblemáticos incluem Genesis (1999), onde um trecho bíblico é transformado em código genético e inserido em bactérias mutantes; Natural History of the Enigma (2003–2008), no qual combinou seu DNA com o de uma petúnia, criando uma nova espécie chamada Edunia; e Inner Telescope (2017), concebido especialmente para o ambiente de gravidade zero a bordo da Estação Espacial Internacional, em parceria com a Agência Espacial Europeia e o astronauta Thomas Pesquet.

Com exposições em instituições como o MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), ZKM (Karlsruhe) e a Bienal de São Paulo, Eduardo Kac é amplamente reconhecido como um dos artistas mais visionários de seu tempo. 

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Eduardo Kac | Wikipédia

Eduardo Kac (Rio de Janeiro, 3 de julho de 1962) é um artista contemporâneo e pioneiro da arte digital, arte holográfica, arte da telepresença e bioarte.

Histórico

Kac formou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. No início da década de 1980, começou a apresentar várias performances satíricas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1983, lançou o livro de artista "Escracho" (o qual faz parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York) e começou a trabalhar o conceito de holopoesia. Em 1984, participou da mostra "Como Vai Você, Geração 80?" no Parque Lage (Rio de Janeiro). Entre 1985 e 1986, iniciou seus trabalhos com arte digital através do sistema videotexto. Em 1989, Kac mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve mestrado em Artes Plásticas pela School of the Art Institute of Chicago.

Vanguarda

Em 1997, tornou-se a primeira pessoa a ter um microchip (um transponder de identificação) implantado no próprio corpo (especificamente, no calcanhar esquerdo), em sua obra "Time Capsule" ("Cápsula do Tempo"), que levanta questões de ética na era digital. Programada para exibição na mostra "Arte e Tecnologia" do Instituto Cultural Itaú, em 1997, a obra foi vetada pelo departamento jurídico do banco, pois havia risco de morte para o artista. Kac não desistiu e levou o proje(c)to adiante, apresentando-se na Casa das Rosas (São Paulo), entre 11 de novembro e 20 de dezembro de 1997.

Em 1999, Kac inaugurou a arte transgênica com sua obra "Genesis" no festival Ars Eletronica em Linz, Áustria. Na obra, um gene sintético (codificação de um trecho do Velho Testamento em inglês, convertido em código Morse e deste para o "alfabeto" do DNA) foi introduzido em bactérias, as quais eram expostas à luz ultravioleta por participantes remotos via web, causando mutação no código genético. Depois da exposição, a sequência foi codificada novamente em inglês e o resultado publicado por Kac em seu website.

Em 2000, causou novamente polêmica com sua obra GFP Bunny, onde utilizou de engenharia genética para introduzir genes de fluorescência em células reprodutivas de uma coelha: sob luz azul, o animal resultante emite luz verde.

Obras (impressas)

KAC, Eduardo. Signs of Life: Bio Art and Beyond. Cambridge: MIT Press, 2007. ISBN 0-262-11293-0

KAC, Eduardo. Telepresence and Bio Art - Networking Humans, Rabbits and Robot. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2005. ISBN 0-472-06810-5

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

Eduardo Kac | Itaú Cultural

Eduardo Kac (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Artista visual e performer. É graduado pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ. Nos anos 1980 realiza performances de conteúdo político em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1983, lança o livro Escracho e, nos anos seguintes, realiza trabalhos para a rede videotexto. É pioneiro no campo da holografia e na arte da telepresença, e torna-se conhecido com o projeto Ornitorrinco, 1989. Recebe prêmio da Shearwater Foundation pelo conjunto de seu trabalho em holografia em 1995. Em 1998, ganha o Leonardo Award for Excellence por sua produção em arte eletrônica, e o prêmio do júri no InterCommunication Center Biennale de Tóquio, pelo trabalho Uirapuru, em 1999. Desenvolve pesquisas em arte transgênica, empregando a engenharia genética nos projetos GFP Bunny, 2000, e O Oitavo Dia, 2001. Autor de diversos artigos sobre arte eletrônica no Brasil, publica os livros Luz e Letra: Ensaios de Arte, Literatura e Comunicação, em 2004, e Telepresence and Bio Art - Networking Humans, Rabbits and Robots, em 2005. Em 2006, faz pesquisa para titulação de doutor em artes no Center for Advanced Inquiry in Interactive Arts, CaiiA, na University of Wales, Newport, Inglaterra, e dá aulas de arte e tecnologia no The Art Institute of Chicago, Estados Unidos.

Análise

No começo dos anos 1980, Eduardo Kac desenvolve trabalhos pioneiros no campo da arte e tecnologia, como obras para a rede videotexto e holopoesia, termo criado pelo artista, que consiste na apresentação de poemas em holografia. Com Ornitorrinco (1989), realizado com Ed Bennett, em Chicago, nos Estados Unidos, inicia trabalhos no campo da telepresença, baseados na experiência vivenciada por um participante que controla, via conexão telefônica, um robô em seu deslocamento num espaço físico distante.

Vários trabalhos de Kac necessitam da participação do público para sua concretização, como em Teleporting an Unknown State (1996), no qual ele coloca sementes em um lugar sem luz, monitorado ao vivo pela internet. Para fornecer luz à semente é necessário que o internauta capte a luminosidade com câmeras digitais e envie as imagens para o site da galeria, que as projeta sobre a planta. Já em Gênesis (1999), cria um código genético com base em uma frase do Velho Testamento,1 que, em seguida, é transferido para código Morse e desse para um código de DNA. Essa sequência genética é introduzida em bactérias. Por meio da ação do participante, que interfere na obra também por meio da internet, elas são expostas à luz ultravioleta, o que gera alterações em seu código genético e, conseqüentemente, no texto original. Esses trabalhos exploram questões ligadas à responsabilidade ética sobre a vida e têm desenvolvimento em outras obras do artista, como GFB Bunny, iniciado em 2000. Esse projeto começa com a criação de uma coelha em laboratório, com um gene modificado que a torna fluorescente; inclui a polêmica acerca do evento como parte integrante da obra; e só termina com a adoção do animal pelo artista e sua família.

Como nota o estudioso Arlindo Machado (1949-2020), desde Time Capsule (1997), quando implanta um microchip de identificação em seu próprio corpo, Kac tem se vinculado a tendências artísticas que lidam com processos biológicos associados a sistemas de telecomunicação baseados em computador e também à arte transgênica, que explora técnicas de engenharia genética.

Exposições Individuais

1985 – Eduardo Kac no MIS/SP

1988 – Eduardo Kac na Funarte

2022 – Eduardo Kac: From Minitel to NFT

Exposições Coletivas

1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas

1984 – Arte Xerox Brasil

1984 – Como Vai Você, Geração 80?

1984 – Geração 80: núcleo jovem MP2 arte

1984 – Intervenções no Espaço Urbano

1984 – Arte na Rua 2

1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas

1985 – Arte e Tecnologia

1985 – Arte Novos Meios/Multimeios: Brasil 70/80

1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas

1986 – Brasil High Tech

1986 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas: sudeste

1986 – Território Ocupado

1987 – 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1992 – Ornitorrinco in Copacabana

1993 – Ornitorrinco on the Moon

1994 – Ornitorrinco in Eden

1996 – Ornitorrinco in the Sahara

1996 – Ornitorrinco, the Webot, Travels Around the World in Eighty Nanoseconds Going from Turkey to Peru and Back

1996 – Teleporting An Unknown State (Nova Orleans, EUA)

1996 – Rara Avis

1997 – A-positive

1997 – Arte e Tecnologia (23.09)

1997 – Arte e Tecnologia (02.10)

1997 – 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul

1997 – Arte Suporte Computador

1999 – Ars Electronica

2000 – Investigações: o trabalho do artista

2001 – El Final del Eclipse: el arte de América Latina en la transición al siglo XXI

2001 – 2º Prêmio Sergio Motta

2001 – Trajetória da Luz na Arte Brasileira

2002 – El Final del Eclipse (diversas edições ao longo do ano)

2002 – Entre a Palavra e a Imagem: módulo 1

2002 – Transit

2003 – 2080

2003 – Paper Works

2003 – A subversão dos meios

2004 – Emoção Art.ficial 2.0: divergências tecnológicas

2004 – Rabbit Remix (Rio de Janeiro, RJ)

2004 – 26ª Bienal Internacional de São Paulo

2005 – @rt Outsiders

2005 – Move 36

2006 – Obras Vivas y en Red, Fotografías y Outros Trabalhos

2006 – Bienal de Cingapura

2007 – Tecnopoéticas

2009 – História Natural do Enigma

2010 – Animal

2011 – Videopoéticas

2013 – Reinventando o Mundo

2014 – Vertigo

2014 – Outro Museu – as doações recentes ao acervo do MACRS

2015 – 12ª Bienal de Havana

2017 – Histórias da Sexualidade

2018 – Paradoxo(s) da arte contemporânea: diálogos entre o acervo do MAC USP e o acervo do Paço das Artes

2019 – 14ª Bienal de Curitiba

2020 – Against, Again: Art Under Attack in Brazil

2023 – Década dos Oceanos – I Mostra Nacional de Criptoarte (30.11)

2024 – Década dos Oceanos – I Mostra Nacional de Criptoarte (26.03)

2024 – Síntese: Arte e Tecnologia na Coleção Itaú

Fonte: EDUARDO Kac. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 16 de maio de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

Eduardo Kac | Wikipédia

Eduardo Kac (nascido em 3 de julho de 1962) é um artista contemporâneo brasileiro e americano cujo portfólio abrange várias formas de arte, incluindo performance art, poesia, holografia , arte interativa, arte digital e online e BioArt. Reconhecido por sua arte espacial e trabalhos transgênicos, Kac trabalha com biotecnologia para criar organismos com novos atributos genéticos. Sua abordagem interdisciplinar tem visto o uso de diversos meios, de fax e fotocópia a fractais, implantes RFID, realidade virtual, redes, robótica, satélites, telerrobótica, realidade virtual e síntese de DNA.

Vida

Kac nasceu em 3 de julho de 1962, no Rio de Janeiro, Brasil. Ele se tornou fluente em inglês quando criança. Estudou na Escola de Comunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde se graduou em 1985, e depois na Escola do Instituto de Arte de Chicago, onde obteve o título de MFA em 1990. Em 2003, ele obteve o doutorado no Planetary Collegium da Universidade de Gales, Grã-Bretanha. Kac é professor de arte na Escola do Instituto de Arte de Chicago.

Carreira artística

Kac iniciou sua carreira artística em 1980 como artista performático no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1982, criou sua primeira obra digital e, em 1983, inventou a holopoesia, explorando a holografia como uma forma de arte interativa. Em 1985, começou a criar obras poéticas animadas na plataforma francesa Minitel.

Ao longo da década de 1980, Kac criou obras de arte sobre telecomunicações, utilizando meios como fax, televisão e TV de varredura lenta. Em 1986, Kac criou sua primeira obra de arte de telepresença, na qual utilizou robôs para conectar dois ou mais locais físicos. Durante a década de 1990, ele continuou a produzir essas obras, expandindo sua prática com trabalhos de comunicação interespecífica.

Kac cunhou o termo "bioarte". Kac também criou vários termos para descrever sua prática artística transdisciplinar, incluindo biorrobótica (fusão funcional de robótica e biotecnologia), plantimal (planta com material genético animal ou animal com material genético vegetal) e arte transgênica (a expressão de genes de uma espécie em outra em uma obra de arte).

Os primeiros trabalhos notáveis ​​incluem "Genesis" (1999), onde Kac traduziu uma linhagem do Gênesis para código Morse e, posteriormente, para par de bases de DNA, e "GFP Bunny" (2000), onde um coelho albino foi geneticamente alterado com um gene de água-viva, fazendo com que emitisse um brilho verde sob condições específicas de luz. Esta obra desencadeou extensos debates sobre as implicações éticas da alteração de formas de vida para fins artísticos.

O foco de Kac na arte espacial abrange um esforço de décadas para concluir "Ágora" (1986–2023), um projeto projetado para o espaço profundo. Ao longo dos anos, ele colaborou com a NASA e a SpaceX. Sua colaboração com o astronauta francês Thomas Pesquet em "Inner Telescope" (2017) levou à criação de uma escultura no espaço. Outra de suas obras de arte, "Adsum", fez sua jornada para a Estação Espacial Internacional em 2022, em preparação para seu voo final para a Lua. Kac tem sido um participante ativo em eventos que promovem a convergência da arte e da exploração espacial, como os organizados pelo Observatório Espacial , um escritório do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França.

década de 1980

Em 1980, Kac lançou o Movimento de Arte Pornô na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, com o objetivo declarado de subverter a lógica da pornografia normativa a serviço do ativismo e da imaginação. Trabalhando sob o clima político extremamente conservador do Brasil sob uma ditadura militar, Kac e outros membros do Movimento, como Glauco Mattoso, Leila Míccolis e Hudinilson Jr., desenvolveram a nova estética centrada no corpo coletivamente até 1982. Kac também foi um artista da Gang, a unidade de performance do Movimento de Arte Pornô; a Gang se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades.

A partir de 1982, Kac começou a criar obras digitais. Em 1983, Kac inventou a poesia holográfica (que ele também chamou de holopoesia), a primeira das quais foi HOLO/OLHO, nome dado à palavra portuguesa para "olho". 23 poemas holográficos seguiram esta primeira obra, incluindo Quando? (1987), uma obra cilíndrica que podia ser lida em duas direções.

Na mesma época, e aproveitando seu interesse em formas de poesia experimental, Kac começou a fazer obras de poesia animada com o sistema francês Minitel, então em uso no Brasil. Em 1985, ele contribuiu com uma dessas obras, Reabracadabra, para a exposição Arte On Line, organizada pela Livraria Nobel em São Paulo.Outros poemas animados Minitel de Kac incluem Recaos (1986), Tesão (1985/86) e D/eu/s (1986). Em 1986, com Flavio Ferraz, Kac organizou a exposição Brasil High-Tech na Galeria de Arte Centro Empresarial Rio, no Rio de Janeiro.

De 1985 até 1994, Kac fez uma série de obras de arte em telecomunicações que usaram televisão de varredura lenta (SSTV), FAX e televisão ao vivo para criar trocas interativas entre locais separados.

Em 1986, Kac criou sua primeira obra de arte de telepresença, usando um robô para conectar públicos distantes. Em 1988, ele começou a trabalhar em seu projeto Ornitorrinco, uma obra de arte de telepresença concluída em Chicago, em 1989, em colaboração com Ed Bennett. O trabalho reuniu robótica, tecnologias de telecomunicações e interatividade para criar um robô controlado remotamente. A peça permitiu que espectadores em um local controlassem a câmera e o movimento do robô, criando uma obra de telepresença e afetando a experiência dos espectadores no outro local.

Em 1989, Kac mudou-se do Rio de Janeiro para Chicago, onde completaria seu mestrado no Art Institute of Chicago no ano seguinte.

década de 1990

Na década de 1990, Kac continuou a criar obras telemáticas, com Dialogical Drawing (1994) e Essay Concerning Human Understanding (1994), ambos usando redes para explorar a experiência do espectador de uma obra de arte mediada entre dois locais em tempo real. No último caso, a obra de arte juntou uma planta na cidade de Nova York e um canário vivo no Kentucky em uma conversa. A inclusão de um pássaro e uma planta como parte de um sistema interativo é um exemplo inicial do que Kac chamou de comunicações interespecíficas.

Em 1996, a arte espacial Monogram de Kac foi incluída no DVD que voou para Saturno montado na lateral da nave espacial Cassini.

Em Teleporting An Unknown State (1994), Kac construiu um sistema que permitiu que uma planta sobrevivesse em uma galeria, iluminada não pela luz solar direta, mas pela ação de observadores locais ou remotos da obra. Na prática, observadores locais ou remotos da obra selecionavam entre um conjunto de webcams voltadas para o céu de cidades distantes. Um projetor de vídeo acima da planta retransmitia as imagens da webcam para a planta, permitindo-lhe assim fazer fotossíntese com luz transmitida remotamente. Como resultado, o sistema transmitia valores de luz (frequência e amplitude) de céus distantes para uma planta local.

Kac cunhou o termo "bioarte" com sua obra performática de 1997, Time Capsule.

Em Time Capsule, Kac implantou em si mesmo um chip RFID originalmente projetado para uso em animais de estimação. Um participante em Chicago então acionou o RFID escaneado na galeria brasileira onde Kac estava se apresentando, fazendo com que o scanner exibisse um código único para o implante. Kac então se registrou no banco de dados de animais de estimação associado ao implante, tornando-se o primeiro humano a fazê-lo. Time Capsule foi transmitido ao vivo simultaneamente na televisão e na Internet.

No final da década de 90, Kac se definiu como um "artista transgênico" ou um "artista biológico", e estava usando a biotecnologia e a genética para criar obras que usavam técnicas científicas e, simultaneamente, as criticavam. 

A próxima obra de arte transgênica de Kac, criada em 1998/99 e intitulada Gênesis , envolveu-o pegando uma citação da Bíblia (Gênesis 1:26 - "Domine o homem sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra"), transferindo-a para o código Morse e, finalmente, traduzindo esse código Morse (por um princípio de conversão especialmente desenvolvido pelo artista para esta obra) para os pares de bases da genética. A nova sequência de DNA foi introduzida em bactérias. Os participantes foram então capazes de lançar luzes ultravioleta sobre as bactérias que continham o novo DNA, alterando-o. Então, quando Kac traduziu de volta para o inglês, ele disse algo completamente diferente. Por meio desta obra, Kac encoraja o público a considerar a nova interconexão entre biologia, tecnologia e significado.

anos 2000

Em uma de suas obras mais conhecidas, GFP Bunny , apresentada em 2000 em Avignon, França, Kac afirmou ter encomendado a um laboratório francês a criação de um coelho verde-fluorescente ; um coelho nascido com um gene da Proteína Fluorescente Verde (GFP) de um tipo de água-viva . Kac chamou o coelho de Alba. Sob uma luz UV específica, o coelho fluoresce em verde. GFP Bunny provou ser extremamente controverso, em parte devido à natureza sem precedentes da obra de arte, em parte devido à falta geral de familiaridade com a segurança do processo no final do século XX.

Kac alegou que seu objetivo original era que Alba vivesse com sua família, mas que antes da liberação programada de Alba para Kac, o laboratório retirou seu acordo e decidiu que Alba deveria permanecer no laboratório. Kac respondeu criando uma série de obras que clamavam por sua liberdade. Outras obras se seguiriam, focadas em celebrar sua vida. Na realidade, Kac só conheceu Alba em sua visita ao laboratório francês. E embora ele tivesse o consentimento de Houdebine para ir ao debate, a instituição nunca concordou com a aparição pública de seus coelhos GFP. Quando o apelo de Kac para pegar Alba foi negado, ele publicou as fotos artificialmente verdes, declarou que era sua comissão e acusou o instituto de censura.

O coelho GFP apareceu em Big Bang Theory, Sherlock, e Simpsons, e em romances como Oryx e Crake, de Margaret Atwood, e Next, de Michael Crichton.

Seu trabalho História Natural do Enigma (2003–2008) continuou no tema da bioarte ao fundir seu DNA com o de uma petúnia, criando um organismo híbrido que Kac chamou de plantimal. A planta, também chamada de Edunia (de Eduardo e Petúnia), imitava o fluxo de sangue nas veias humanas ao misturar o DNA de Kac apenas com os componentes genéticos da planta que tornavam as veias de suas folhas vermelhas.

década de 2010

Em 2017, Kac colaborou com o astronauta francês Thomas Pesquet para criar uma obra de arte no espaço chamada Inner Telescope, uma obra de arte concebida para gravidade zero e feita a bordo da Estação Espacial Internacional . Kac trabalhou com o escritório do Observatório Espacial Francês, da Agência Espacial Francesa, para que esta obra fosse feita no espaço pelo astronauta Thomas Pesquet. Seguindo as instruções de Kac, Pesquet cortou e dobrou dois pedaços de papel em uma forma escultural. Flutuando em gravidade zero, a forma poderia ser lida como as três letras que formam a palavra francesa para mim, MOI, ou uma figura humana estilizada com o cordão umbilical cortado.

década de 2020

Desde 2019, Kac vem desenvolvendo Adsum, uma obra de arte para a Lua . Concebida em cinco fases, em 2022 Kac havia completado os três primeiros marcos. Adsum é uma obra de arte em vidro com quatro símbolos visuais gravados internamente a laser em três dimensões e foi criada para existir no ambiente lunar. Os quatro símbolos que constituem a obra são: uma ampulheta (representando o tempo em escala humana), dois círculos (um grande, representando a Terra; um pequeno, representando a Lua) e o símbolo do infinito (representando o tempo em escala cósmica).

Controvérsia

O trabalho de Eduardo Kac tem sido frequentemente objeto de debate. Um dos exemplos mais proeminentes surgiu de sua obra de arte "GFP Bunny" em 2000. A peça girava em torno de Alba, uma coelha albina que foi geneticamente modificada pela incorporação da proteína fluorescente verde (GFP) de uma água-viva em seu genoma. Isso resultou na coelha possuir a capacidade de brilhar em verde sob luz azul. Alguns críticos e ativistas dos direitos dos animais levantaram preocupações sobre as implicações éticas de tal manipulação genética puramente em prol da arte.

O projeto posterior de Kac, "Inner Telescope", criado dentro da Estação Espacial Internacional (EEI), gerou um debate de natureza diferente. A obra de arte, feita de papel e projetada para soletrar "Moi" (francês para "eu"), era um jogo conceitual sobre o eu individual e coletivo. A profundidade filosófica e a utilidade de tal empreendimento foram questionadas, particularmente no contexto dos desafios sociais contemporâneos. O projeto também foi criticado por ser potencialmente uma fuga das questões urgentes da Terra, em vez de abordá-las de frente.

Coleções permanentes

A obra de Kac está incluída nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna de Nova York, da Tate Modern de Londres, do Institut Valencià d'Art Modern de Valência, Espanha, do Museu Reina Sophia de Madri, Espanha, do Les Abattoirs de Toulouse, França, e do Victoria and Albert Museum de Londres. Vários livros de artista de Kac estão incluídos na biblioteca do Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Prêmios

Em 1998, recebeu o Prêmio Leonardo de Excelência da ISAST. Em 1999, recebeu o Prêmio Bienal do Inter Communication Center (Tóquio) em 1999.

Em 2002 recebeu o Prêmio Capital Criativo na disciplina de Campos Emergentes. 

Em 2008 recebeu o prêmio Golden Nica na Ars Electronica pelo seu projeto História Natural do Enigma.

Bibliografia

Livros de Eduardo Kac

Luz & Letra: Ensaios De Arte, Literatura E Comunicação [ Luz & Letra: Ensaios sobre Arte, Literatura e Comunicação ]. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004.

Telepresença e Bioarte: Conectando Humanos, Coelhos e Robôs em Rede , Prefácio de James Elkins. Ann Arbor, Michigan: University of Michigan Press, 2005.

Sinais de Vida: Bio Arte e Além , MIT Press , Cambridge, 2007, ISBN  0-262-11293-0

Media Poetry: an International Anthology (2ª edição), Bristol, Reino Unido, Intellect Books, 2007.

Catálogos e monografias das exposições de Eduardo Kac

Eduardo Kac . Publicado por ocasião da pesquisa de meio de carreira de Kac, com curadoria de Ángel Kalenberg. Valência, Espanha: Instituto Valenciano de Arte Moderno (IVAM) (em espanhol, inglês e valenciano), 2007. [Textos de Consuelo Císcar Casabán, Ángel Kalenberg, Didier Ottinger, Eleanor Heartney, Steve Tomasula, Gunalan Nadaranjan, Annick Bureaud, Eduardo Kac, Santiago Grisolía. Também inclui uma antologia crítica, cronologia e bibliografia]

Kac, Eduardo. Hodibis Potax: Antologia de Poesia [Oeuvres poétiques]. Ivry-sur-Seine, França: Édition Action Poétique (em francês e inglês), 2007. [Publicado por ocasião da exposição individual Hodibis Potax, de Eduardo Kac, realizada no contexto da Biennale des Poètes en Val-de-Marne (Bienal de Poesia, França), maio de 2007.]

Eduardo Kac: Histoire Naturelle de L'Enigma et Autres Travaux / Eduardo Kac: História Natural do Enigma e Outras Obras. Poitiers, França: Al Dante Éditions (em francês e inglês), 2009. ["Ouvrage conçu & par les éditions Al Dante à l'occasion de l'exposition énonyme au center d'art comtemporain Rurart... en partenariat avec l'espace Mendes France (centre de culture scientifique) de 8 de outubro a 20 de dezembro de 2009." / "Edição do livro desenhada por Al Dante por ocasião da exposição homônima no Centro de Arte Contemporânea Rurart... em parceria com o Espace Mendes France (Centro de Ciência e Cultura), de 8 de outubro a 20 de dezembro de 2009."] Informações adicionais da publicação citadas na página de título deste catálogo.

Livros sobre a arte de Eduardo Kac

Rossi, Elena Giulia (ed.). “Eduardo Kac: Movimento 36” . Filigranes Éditions, Paris (em francês e inglês), 2005, ISBN 2-35046-012-6 . 

O Oitavo Dia: A Arte Trangênica de Eduardo Kac , eds. Sheilah Britton e Dan Collins. Tempe, Arizona: Instituto de Estudos em Artes, Arizona State University, 2003. ISBN 0-9724291-0-7 . 

Azoulay, Gérard (ed.). Telescópio interior . Observatoire de l'espace/CNES (em francês e inglês), 2021, ISBN 978-2-85440-046-5 . 

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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O coelho fluorescente de Eduardo Kac | ArtRef

A arte sempre teve uma função importante no questionamento do que nos cerca e o projeto do coelho fluorescente mostra isto.

O artista plástico carioca, Eduardo Kac teve uma ideia brilhante, a criação de um ser vivo único, a mistura de gens de um coelho com o gens fluorescentes de um animal marinho. O resultado foi exatamente o esperado, um coelho que brilha no escuro.

O projeto de Eduardo foi uma forma muito interessante de indicar para onde estamos indo com a ciência; um estado em que a evolução das espécies deixa de ser tão perceptível e o conceito do Design Inteligente toma a frente em nossas vidas. Para os religiosos de plantão é finalmente a comprovação que isto é possível, só que desta vez, o processo veio das mãos de um laboratório na França, como deveria ser.

Minha obra de arte transgênica “GFP Bunny” (coelho fluorescente) compreende a criação de um coelho fluorescente verde, o diálogo público gerado pelo projeto e a integração social do coelho. GFP significa proteína verde fluorescente em Inglês. “GFP Bunny” (coelho fluorescente) foi realizado em 2000 e apresentado pela primeira vez publicamente em Avignon, na França. A arte transgênica é uma nova forma de arte baseada no uso da engenharia genética para transferir genes naturais ou sintéticos para um organismo, para criar seres vivos únicos. Isso deve ser feito com muito cuidado, com reconhecimento das questões complexas assim levantadas e, acima de tudo, com o compromisso de respeitar, nutrir e amar a vida assim criada.

A História de Alba por Eduardo Kac

Nunca esquecerei o momento em que a peguei em meus braços, em Jouy-en-Josas, na França, em 29 de abril de 2000. Minha ansiedade apreensiva foi substituída por alegria e entusiasmo.

Alba – o nome que lhe foi dado por minha esposa, minha filha e eu – era adorável e carinhoso e um prazer absoluto para brincar. Quando a peguei, ela brincou com a cabeça entre meu corpo e meu braço esquerdo, encontrando finalmente uma posição confortável para descansar e desfrutar meus golpes suaves. Ela imediatamente despertou em mim um forte e urgente sentimento de responsabilidade por seu bem-estar.

Alba é, sem dúvida, um animal muito especial, mas quero ser claro que sua singularidade formal e genética é apenas um componente da obra de arte “GFP Bunny” (coelho fluorescente).

O projeto “GFP Bunny” (coelho fluorescente) foi um evento social complexo que começa com a criação de um animal quimérico que não existe na natureza (isto é, “quimérico” no sentido de uma tradição cultural de animais imaginários, não na conotação científica de um Organismo em que há uma mistura de células no corpo) e que também inclui no seu núcleo:

1) diálogo contínuo entre profissionais de diversas disciplinas (arte, ciência, filosofia, direito, comunicações, literatura, ciências sociais) e público em Implicações culturais e éticas da engenharia genética;

2) contestação da suposta supremacia do DNA na criação da vida a favor de uma compreensão mais complexa da relação entrelaçada entre genética, organismo e meio ambiente;

3) extensão dos conceitos de biodiversidade e evolução para incorporar trabalho preciso ao nível genômico;

4) comunicação entre espécies entre humanos e um mamífero transgênico;

5) integração e apresentação de “GFP Bunny” em um contexto social e interativo;

6) exame das noções de normalidade, heterogeneidade, pureza, hibridez e alteridade;

7) consideração de uma noção não-semiótica de comunicação como a partilha de material genético em barreiras de espécies tradicionais;

8) respeito público e apreciação pela vida emocional e cognitiva de animais transgênicos;

9) expansão dos limites práticos e conceituais atuais da arte para incorporar a invenção da vida.

Biografia de Eduardo Kac

Eduardo Kac nasceu no Rio de Janeiro em 1962 e formou-se pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

No começo dos anos 80 ele criou uma série de performances de conteúdo político e de humor em espaços públicos como a Cinelândia e a praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, e as escadarias da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. em 1983 Kac lançou o livro de artista “Escracho” (que se encontra na coleção do Museum of Modern Art, Nova Iorque) e realizou trabalhos na rede videotexto (1985/86), precursora da Internet.

Em 1983 ele inventou a holopoesia, uma nova linguagem poética, e em 1984 participou da mostra “Como Vai Você, Geração 80?,” no Parque Lage.

Em 1985 fez exposição individual de seus holopoemas no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e recebeu prêmio de aquisição do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro.

Em 1986 organizou a mostra “Brazil High Tech,” na Galeria de Arte do Centro Empresarial Rio, e foi artista-residente do Museu de Holografia de Nova Iorque.

Em 1988 apresentou em mostra individual na Funarte, no Rio de Janeiro, seu trabalho de holografia digital. Entre 1982 e 1988, Kac participou de várias exposições individuais e coletivas, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, e escreveu cerca de 80 artigos sobre arte eletrônica, literatura e cultura de massa, em sua maioria publicados em jornais como Folha de São Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Estes artigos foram reunidos e publicados no livro Luz & Letra. Ensaios de arte, literatura e comunicação (Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004). Em 1989 mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve no ano seguinte o mestrado em artes plásticas na The School of the Art Institute of Chicago, instituição na qual é Professor Titular. Em 2004 recebeu o doutorado pela Universidade de Wales, no Reino Unido.

Pioneiro da arte digital e transgênica, Kac concebeu e desenvolveu a holopoesia a partir de 1983. A holopoesia é uma nova linguagem verbal/visual que explora as flutuações formais, semânticas e perceptuais da palavra/imagem no espaço-tempo holográfico.

Kac propôs e desenvolveu a arte da telepresença a partir de 1986, quando apresentou na mostra “Brasil High Tech”, no Rio de Janeiro, um robô de contrôle remoto através do qual participantes interagiam.

Kac projetou a arte da telepresença internacionalmente com o projeto “Ornitorrinco”, desenvolvido a partir de 1989. A arte da telepresença é uma nova área de criação artística que se baseia no deslocamento dos processos cognitivos e sensoriais do participante para o corpo de um telerrobô, que se encontra num outro espaço geograficamente remoto.

Por sua obra em holopoesia (termo criado por Kac), o artista recebeu em 1995 o Shearwater Foundation Holography Award, o prêmio internacional de maior prestígio no campo da arte holográfica, oferecido pela Shearwater Foundation, da Florida.

Em 1998 recebeu o prêmio Leonardo Award for Excellence, da International Society for the Arts, Sciences and Technology. Sua obra de telepresença “Uirapuru” recebeu prêmio do júri internacional na Bienal do InterCommunication Center, Tóquio, 1999.

Outros prêmios seguiram: Langlois Foundation, Montreal (2000), Greenwall Foundation, New York (2001), Creative Capital Foundation, New York (2002). Artigos que analisam sua obra já foram publicados nos jornais New York Times e Le Monde e nas revistas Flah Art, Der Spiegel, Artpress, Kunstforum, Wired, Tema Celeste, e World Art, entre muitos outros.

Obras de Kac são exibidas regularmente na América do Sul e do Norte, na Europa, na Austrália, e na Ásia. Ele publicou artigos e ensaios sobre arte em livros e jornais em dezenas de países.

É membro do conselho editorial da revista Leonardo, publicada pelo MIT Press, e foi editor-convidado da revista Visible Language, publicada pela Rhode Island School of Design, através da qual publicou uma antologia sobre “New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies,” em 1996. Como membro do conselho editorial da revista Leonardo, Kac está publicando desde 1995 uma série de artigos que documentam a história da arte eletrônica no Brasil, de 1949 até o presente.

O livro Eduardo Kac: Telepresence, Biotelematics, and Transgenic Art, com 150 páginas, foi publicado em inglês em Maribor, Slovenia, em 2000. Em 2005 a University of Michigan Press lançou o livro Telepresence and Bio Art — Networking Humans, Rabbits and Robots, reunindo os textos do artista publicados de 1992 até 2002. Suas obras estão incluídas nas coleções de vários museus e em diversas coleções particulares.

Fonte: ArtRef, “O coelho fluorescente de Eduardo Kac”, publicado em 25 de setembro de 2019. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

Eduardo Kac | Site Eduardo Kac

Eduardo Kac é reconhecido internacionalmente por seu trabalho inovador em arte contemporânea e poesia. No início da década de 1980, Kac criou obras digitais, holográficas e online que anteciparam a cultura global em que vivemos hoje, composta por informações em constante mudança e fluxo. Em 1997, o artista cunhou o termo "Bio Arte", dando início ao desenvolvimento dessa nova forma de arte com obras como seu coelho transgênico GFP Bunny (2000) e Natural History of the Enigma (2009), que lhe rendeu o Golden Nica, o prêmio de maior prestígio no campo da arte midiática. GFP Bunny tornou-se um fenômeno global, tendo sido apropriado por grandes franquias da cultura popular, como Sherlock, Big Bang Theory e Simpsons, e por escritores como Margaret Atwood e Michael Crichton. Em 2017, Kac criou Inner Telescope , uma obra concebida e realizada no espaço sideral com a cooperação do astronauta francês Thomas Pesquet. Em 2024, Ágora de Kac voou para o espaço profundo a bordo do foguete Centaur e agora está em uma órbita heliocêntrica perpétua. Adsum de Kac pousou na Lua em 2025. A carreira singular e altamente influente de Kac abrange poesia, performance, desenho, gravura, fotografia, livros de artista, trabalhos digitais e online iniciais, holografia, telepresença, bioarte e arte espacial. Kac também é autor ou editor de vários livros, incluindo Telepresence and Bio Art -- Networking Humans, Rabbits and Robots (University of Michigan Press, 2005). O trabalho de Kac foi exibido internacionalmente em locais como New Museum, Nova York; Centro Pompidou, Paris; MAXXI-Museu de Artes do Século XXI, Roma; Museu de Arte Mori, Tóquio; Museu Reina Sofia, Madri; Power Station of Art, Xangai; e Museu de Arte de Seul, Coreia. O trabalho de Kac foi exibido em bienais como a Bienal de Veneza, Itália; Trienal de Yokohama, Japão; Bienal de Gwangju, Coreia; Bienal de São Paulo, Brasil; e Bienal de Havana, Cuba. Suas obras estão em importantes coleções, como a do Museu de Arte Moderna-MoMA, Nova York; do Metropolitan Museum of Art, Nova York; da Tate Modern, Londres; do Museu Reina Sofia, Madri; do Victoria & Albert Museum, Londres; do Museu Les Abattoirs — Frac Occitanie, Toulouse, França; do Instituto Valenciano de Arte Moderna-IVAM, Espanha; do Museu ZKM, Karlsruhe, Alemanha; e do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, entre outras.

Fonte: Site Eduardo Kac. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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Artista põe a vida em risco | Folha de São Paulo

A própria integridade física é o principal obstáculo que o artista eletrônico carioca Eduardo Kac, 35, está enfrentando para mostrar o trabalho inédito "Time Capsule" (Cápsula do Tempo), que envolve "tecnologias de vigilância intracorporal", no Brasil.

Programado para fazer parte do evento "Arte e Tecnologia", do Instituto Cultural Itaú (ICI), "Time Capsule" foi vetado pelo departamento jurídico da instituição por implicar risco de vida para o artista -incluindo a possibilidade de um choque anafilático.

Para fazer "Time Capsule", Kac terá que tomar uma anestesia local e introduzir uma máquina projetada especialmente para o trabalho em seu corpo. Ele não dá mais detalhes da obra para preservá-la de um possível plágio.

"A idéia é muito boa, mas os riscos são incalculáveis. Achamos que não poderíamos endossar o projeto, apesar de, pessoalmente, eu achá-lo bárbaro", afirmou Ricardo Ribenboim, diretor-superintendente do ICI.

Kac se propôs inclusive a assinar um termo de responsabilidade pela apresentação da obra, mas nem isso foi suficiente para o departamento jurídico.

"Esse tipo de preocupação, a partir do momento em que o elemento biológico está envolvido, não é infundada. Mas a obsessão com isso é. Vou minimizar todos os riscos, mas é inegável que sempre pode acontecer alguma coisa", afirmou o artista.

Segundo Ribenboim, o veto do ICI ao trabalho foi fruto de uma oposição entre pessoa física e pessoa jurídica. Isso porque as leis brasileiras responsabilizariam a instituição, mesmo que Kac assinasse o documento isentando-a das consequências.

Com a recusa do Itaú, Kac está praticamente fechando a exposição de "Time Capsule" com a Casa das Rosas, na mostra "Arte, Suporte e Computador", que acontece em novembro.

Fora do Brasil desde 1989, Kac é professor da The School of the Art Institute of Chicago (EUA) e um dos principais nomes brasileiros na área em que arte e tecnologia se entrecruzam.

Ele começou no início da década de 80, fazendo performances ao ar livre em Copacabana. Participou da exposição "Como Vai Você, Geração 80?", no Rio, em 84.

No ano seguinte fez sua primeira exibição no The Art Institute of Chicago, mostrando trabalhos de holografia. Em 95, recebeu o prêmio "Shearwater Holography Award". Seu livro "Escracho" está no MoMA (Museum of Modern Art), de Nova York.

O artista é o criador -junto com o norte-americano Ed Bennet- da "telepresença", que ele define como "uma categoria da arte". Trata-se da construção e utilização de robôs que podem ser controlados a milhares de quilômetros de distância. Nessas obras, a pessoa usa o corpo do robô para explorar o ambiente em que ele se encontra.

Todas as fases do trabalho do artista -incluindo ensaios, artigos e as algumas das experiências que desenvolve- podem ser acessadas na Internet (www.uky.edu/FineArts/Art/kac/kachome.html).

Kac está no Brasil desde o início da semana para uma palestra no ICI -no dia 7- e uma participação na 1ª Bienal do Mercosul.

Fonte: Folha de São Paulo, “Artista põe a vida em risco”, publicado por Patricia Decia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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Eduardo Kac faz site specific na Lua | Select 

Por meio de obra concebida especialmente para a Lua, Eduardo Kac torna-se o primeiro brasileiro a alunissar no satélite natural da Terra. Adsum (2025) é uma escultura cúbica de vidro dentro da qual foram gravados a laser quatro símbolos. Posicionados um na frente do outro, podendo ser lidos em qualquer direção, os símbolos aludem ao infinito e ao lugar que habitam. Adsum significa “aqui estou” em latim.

A obra de Kac encontra-se atualmente na órbita da Lua, a bordo do módulo de pouso Blue Ghost. A Firefly Aerospace tem como meta pousar o Blue Ghost na Lua não antes das 3h45 (horário de Nova York) de domingo, 2 de março. Encapsulado junto a sementes de espécies terráqueas em um invólucro de resina e integrado dentro de uma cápsula piramidal, Adsum permanecerá com o Blue Ghost atracado na superfície da Lua, aguardando o possível encontro por outras civilizações. Para os terráqueos, uma versão idêntica ao Adsum lunar poderá ser vista na Arco Madri, em março, no stand da galeria Faria Fine Art.

Fonte: Select, “Eduardo Kac faz site specific na Lua”, publicado em 19 de fevereiro de 2025. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

Eduardo Kac | Oi Futuro 

Precursor da bioarte e da arte transgênica e famoso internacionalmente pela criação da coelha verde Alba, o artista brasileiro, residente em Chicago, apresenta, dentro do Projeto Poesia Visual, uma retrospectiva de suas obras de 1982 a 1999, no Oi Futuro em Ipanema. Eduardo Kac fala de sua trajetória e observa: “O que guia a obra é sempre a visão do artista, e não os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia. Ou seja, o que interessa verdadeiramente é a arte e a poesia”.

OF. O que o levou a se dedicar à poesia digital, numa época em que a internet apenas engatinhava?

EK. Criei meu primeiro poema digital em 1982 e meu primeiro holopoema (poema holográfico) em 1983. Desenvolvi as duas formas durante os anos 80 e 90, período em que o planeta mudou dramaticamente, tendo na Internet um fator decisivo de transformação. Foi em 1994 que o mundo conheceu a web, mas já no início dos anos 80 eu estava determinado a escrever a poesia do futuro. Trabalhando com vários novos meios de criação, como o Minitel, rede precursora da Internet, desenvolvi uma poesia que iria não apenas corresponder ao novo tempo mas participar ativamente na formação de uma cultura digital, global, interconectada, de informação em fluxo, na qual a palavra abandona a Galáxia de Gutenberg e o que John Cayley chama de “codexspace” (ou seja, os limites materiais da página impressa). Na minha poesia a palavra deixa de ser apenas verbivocovisual e se transforma em interactodinamicomultimedial. Esta foi a grande aventura: inventar a nova sintaxe da nova era.

OF. Você criou, em 1997, o termo “bioarte”, hoje em circulação internacional. Em 1999, inaugurou mais um capítulo da arte contemporânea, batizado de “arte transgênica”, com a obra “Gênesis”. Fale um pouco sobre a estratégia que você adota para desenvolver projetos artísticos.

EK. Embora haja uma coerência axial na minha busca pessoal, no desenvolvimento de meu universo e em meu vocabulário plástico, do ponto de vista material cada obra requer uma estratégia diferente, pois cada uma possui soluções distintas aos problemas estéticos que defino. Ou seja, cada obra sugere seu próprio caminho. Eu viajo constantemente e produzo as obras em diferentes países, de acordo com a necessidade.

OF. Em 2010, você expôs no Oi Futuro Flamengo seus biotopos, lagoglifos e obras transgênicas. O que o público pode esperar desta nova mostra, agora no centro cultural em Ipanema? Entre os 15 trabalhos, algum especial que você gostaria de destacar?

EK. Esta exposição oferece um bom panorama da minha poesia digital, criada entre 1982 e 1999. Estão expostos, por exemplo, os quatro poemas que criei para e apresentei online nos anos 80 na rede minitel, precursora da Internet. Há também dois poemas interativos dos anos 90, entre os vários interativos que criei. Outro destaque seria a obra nova que produzi especialmente para a longa vitrine do Oi Futuro Ipanema. Trata-se do poema “Outrossim” (2013), composto de dois códigos QR em anamorfose. O leitor deve usar seu celular com aplicativo leitor de QR e se posicionar na esquerda ou direita da vitrine. Uma vez compensada a anamorfose, o aplicativo faz a leitura. O poema tem dois códigos QR que levam à leitura verbal animada, pois cada código complementa o outro.

OF. Como você vê, na cena contemporânea, as relações entre arte, ciência e tecnologia?

EK. O meu interesse não reside na ciência ou na tecnologia em si, mas no fato de que a pesquisa abre novos caminhos culturais e materiais e as novas ferramentas permitem ao poeta e ao artista criar obras inauditas que seriam impossíveis com os meios tradicionais. O que guia a obra é sempre a visão do artista, e não os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia. Ou seja, o que interessa verdadeiramente é a arte e a poesia. Quanto à cena contemporânea internacional, vastíssima, não há duvida que muitos artistas hoje se interessam por e trabalham com ciência e tecnologia. Vejo isso com simpatia, embora seja preciso dizer que, quando o artista emprega tecnologias já assimiladas, como o lápis e a pintura acrílica, por exemplo, nem o público nem os especialistas percebem que o artista está usando tecnologia. Embora a palavra “ciência” se refira ao conhecimento, a tendência social é chamar de “ciência” o que não se conhece. Quando se conhece, como no caso do carro e do telefone celular, por exemplo, já não chamamos mais nem de “ciência” nem de “tecnologia”. Simplesmente usamos. 

OF. Suas obras são exibidas, regularmente, ao redor do mundo, além de estarem incluídas nas coleções de diversos museus e em coleções particulares. O que promete a sua produção para o ano de 2014?

EK. O highlight do ano será a exposição individual que farei em outubro em Paris, na Galerie Charlot, durante a feira de arte FIAC. A galeria está no Marais, o conhecido bairro de galerias. Por enquanto vamos manter a surpresa, mas posso dizer que o projeto é exibir obras inéditas. Além desta exposição, terei várias coletivas ao longo do ano, incluindo uma no Museu de Arte do Rio-MAR. Também continuo trabalhando em minhas obras de bioarte, que costumam tardar anos para serem completadas porque, nelas, eu invento novas formas de vida. Há que ser paciente. Afinal, o que são seis, ou mesmo dez anos para se criar uma vida nova, se comparados aos quase quatro bilhões de anos de evolução na Terra?

Fonte: Oi Futuro, “Eduardo Kac, um pioneiro”, Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

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Sintaxe da fluidez na obra de Eduardo Kac | O Globo

Quando Eduardo Kac fez o primeiro poema digital, em 1982, a cultura da internet era quase inexistente. Mas, nas palavras dele, havia o “horizonte do futuro”.

— E eu tinha convicção de que o futuro seria muito distinto daquele momento que vivíamos. O Brasil estava em transição, começava a passar daquele universo de uma eletrônica analógica para, lentamente, entrar num universo digital — lembra o artista. — Não queria apenas refletir essa cultura, mas participar ativamente da formação dela.

Hoje, ele soma mais de 30 anos dedicados à arte digital e, aos 50, revê os poemas do início da carreira na exposição “Eduardo Kac: Poesia digital, 1982-1999”, que o Oi Futuro Ipanema inaugura amanhã, às 19h, para convidados. Lá estão 11 de seus principais poemas digitais (dois deles interativos) e a obra “Outrossim”, feita em 2013 especialmente para a mostra, parte do projeto Poesia Visual, que há três anos tem espaço na instituição.

Fonte: Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

“Outrossim” será a primeira obra vista pelo público. Instalada na vitrine do Oi Futuro, ela é um grande QR Code e exige que o espectador se movimente com o celular para encontrar o ponto certo em que a leitura do código é feita, e o poema, enfim, revelado.

— Os textos não são criados no papel e adaptados. Cada poema é pensado especificamente para os ambientes digitais, assim como o compositor que, quando compõe, o faz para um instrumento específico — explica. — No meu trabalho de poesia digital, busco criar uma sintaxe de eventos em fluxo, cambiantes, metamórficos, de distorções, de mudanças bruscas, de possibilidades multimeios.

Assim, as palavras escritas por Kac estão sempre em movimento, e não estáticas como na página de um livro impresso. Ele, porém, diz que não se trata de “condenar” o livro tradicional, mas apenas de usar as possibilidades do meio com que escolheu trabalhar.

— Sou bibliófilo. Já tive problemas estruturais em casa por conta do peso dos livros — diz, rindo. — Mas quero que, nos meus poemas, as palavras dancem, desapareçam, se desfaçam no ar...

Alguns poemas, por exemplo, dividem-se em estradas distintas. Se o “leitor-espectador” clica numa letra, a poesia se abre em outra direção.

— É uma sintaxe da fluidez. Essa é uma característica da minha poesia. Fui trabalhar no ambiente digital porque só nesse meio posso dar ao leitor a experiência da fluidez.

Kac conta que se mudou para Chicago há 25 anos, pois, no Brasil, não conseguia os equipamentos necessários para seus trabalhos. Ele é também um dos ícones da chamada bioarte, vertente em que as obras são matérias vivas, quase sempre criadas em laboratórios de alta tecnologia. No ano 2000, trabalhou com uma coelha (de nome Alba), num laboratório francês. O animal vivo emitia uma fluorescência verde quando colocado sob uma luz azul especial. Em 2010, o artista mostrou, também no Oi Futuro, trabalhos de bioarte (como uma tela feita com micro-organismos vivos).

A nova exposição, para Kac, é a chance de revelar ao espectador a vertente que ficou menos conhecida, da arte digital, com os poemas que, em movimento, lembram seres vivos.

Fonte: O Globo, “Sintaxe da fluidez na obra de Eduardo Kac”, publicado por Audrey Furlaneto, em 13 de janeiro de 2014. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

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Após pouso na Lua de obra de arte, Eduardo Kac vislumbra encontro com futuras civilizações: 'Não me interesso por fantasia' | O Globo

Eduardo Kac é categórico ao afirmar que não está devaneando no mundo da Lua:

— Nada é fantasia ou especulação — diz.

Melhor que isso, o artista — que tem um longo histórico de trabalhos ligados à arte espacial — agora mantém uma conexão indiscutível e material com o satélite natural da Terra, desde que uma obra sua, “Adsum” (que significa “estou aqui” em latim), pousou na superfície lunar no mês passado, a bordo do módulo de pouso Blue Ghost, à espera do encontro com civilizações futuras.

Já na superfície terrena, o trabalho (e a proposta, no mínimo ousada) de Kac vem conquistando admiradores. A obra enviada à base na Lua consiste num pequeno cubo de 1cm de lado, produzido com vidro óptico puro e cujo interior foi gravado a laser com símbolos de infinito, relógio de areia e círculos. A peça, num formato um pouco maior, será exibida a partir de hoje pela Baró Galeria na feira Art Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, até domingo.

— Seria perfeitamente legítimo criar uma obra efêmera, que vai para um determinado lugar do espaço e se desfaz como consequência do ambiente hostil (da Lua) com uma outra temperatura e radiação. Mas, no meu caso, me interesso por criar obras que permaneçam por muito tempo. Então, o aspecto fundamental de “Adsum” é a sua materialidade — afirma o artista brasileiro radicado em Chicago (EUA).

Exposição permanente

Como o próprio Kac destaca, a obra foi concebida para durar por muito tempo numa “exposição permanente” no satélite natural. Sua esperança ao criar “Adsum” é que a peça seja, um dia, descoberta por futuros exploradores — algo que ele considera totalmente plausível, à medida que a Lua possa vir a ser habitada por seres humanos daqui a algum tempo.

O artista diz esperar que aconteça uma espécie de “arqueologia ao contrário”. Se os tesouros do Egito Antigo, contextualiza ele, são desenterrados hoje mesmo sem terem sido alocados em catacumbas com essa intenção, sua obra foi criada com o propósito já muito bem definido de ser encontrada por quem estiver passando lá no futuro pela Estação Espacial Internacional.

Colonizar a Lua e Marte

É por isso que o artista recusa a ideia de que seu pensamento seja tratado como parte de uma simples dramaturgia de realismo fantástico:

— Não me interesso por fantasias, nem vivo nesse mundo. Só me interesso pela verdadeira materialidade dos fatos e dos fenômenos. Quando eu falo em civilizações futuras, não estou falando de fantasia. Tudo que eu falo é calcado numa realidade material — diz Kac. — Acredito que as colônias que teremos na Lua e em Marte serão semelhantes ao que a gente vê hoje na Antártida: sem luxos, nem palácios, prédios com piscina ou campos de tênis.

O cubo foi colocado junto com sementes de plantas dentro de uma cápsula em formato de pirâmide. Enviados por outro pesquisador, sem relação com Kac, os grãos — assim como a obra de arte — aguardam o momento em que poderão ser cultivados no futuro.

Instituição espanhola

No mês passado, ainda sob a satisfação de Kac após o sucesso do pouso na Lua, uma das edições de “Adsum” foi adquirida pela New Art Foundation, da Espanha, que destacou que a obra reflete “sobre a dimensão do destino e também sobre a nossa encruzilhada existencial”.

— Colocar uma obra de arte na Lua é um ato profundamente simbólico: um gesto de resistência cultural, um hackeamento poético do território lunar e uma forma tangível de humanizar e democratizar a exploração espacial. A presença de uma obra como essa na Lua é como um lembrete de que a exploração espacial também deve incorporar o humanismo, a reflexão ética e a sensibilidade artística — diz Vicente Matallana, diretor da New Art Foundation e integrante do júri que selecionou “Adsum” para a coleção da instituição.

A obra espacial de Kac, entretanto, não é a primeira. O artista, que desenvolve trabalhos espaciais desde 1986, já colocou outros trabalhos seus fora do planeta. Um exemplo é “The silent circle”, que orbitou a Terra a uma altitude de 570km.

— O que eu venho de fato fazendo não é apenas uma obra espacial isolada. Venho desenvolvendo, de uma maneira séria, focada e consciente. a arte espacial como um novo campo da arte contemporânea — diz Kac. — Não importa o quão difícil, não importa quanto tempo demore. Mas tudo que planejo é factível. Não sei se vou conseguir completar, mas eu sei que posso, que elas pertencem ao universo do possível.

Fonte: O Globo, Após pouso na Lua de obra de arte, Eduardo Kac vislumbra encontro com futuras civilizações: 'Não me interesso por fantasia', publicado por Alan Souza, em 16 de abril de 2025. 

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Eduardo Kac apresenta a primeira obra desenvolvida para gravidade zero | O Globo

RIO — Prosaicos papel e tesoura, tecnologias que nos acompanham há séculos, instalados em uma estrutura capaz de levar e manter o homem no espaço. Foi assim, em fevereiro deste ano, que foi desenvolvida a primeira obra de arte criada especialmente para a gravidade zero, um projeto do brasileiro radicado em Chicago Eduardo Kac, realizado em parceria com o astronauta francês Thomas Pesquet na Estação Espacial Internacional.

O objeto em questão é formado por duas folhas de papel, uma cortada em formato de M (e que também evoca uma forma humana flutuando) com um círculo cortado no meio, por onde passa outra folha enrolada em forma de cilindro. Juntas, elas formam uma estrutura que pode ser lida como a palavra “moi” (“eu”, em francês), a partir da maneira como ela se movimenta em gravidade zero.

A escultura feita em alguns minutos pelo astronauta é resultado de um projeto de dez anos desenvolvido por Kac com apoio do Observatoire de l’Espace — o laboratório de arte-ciência da Agência Espacial Francesa —, que chega ao público com a mostra individual “Em órbita: telescópio interior”, que o artista abre hoje às 19h na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em Ipanema.

— Tenho o sonho de realizar uma obra no espaço desde os anos 1980, mas concretamente a coisa começou em 2007, quando me tornei artista em residência artística da Agência Espacial Francesa. Começamos um diálogo a respeito desse projeto, e tudo foi avançando lentamente. Foi um processo de aprendizado mútuo, a partir das próprias limitações que o ambiente impõe, que não são poucas — recorda Kac. — Em 2009, o Thomas foi selecionado entre milhares de candidatos para ser astronauta pela Agência Espacial Europeia; em 2014 o processo ganhou volume, e era necessário articular com mais clareza o que iria fazer. Assim, criei um protocolo e fiz as pesquisas em terra de como o objeto poderia se comportar no espaço.

Em 2015, Kac fez uma série de cerca de 50 desenhos e teve seu primeiro encontro com Pesquet. No ano seguinte, foi realizado o treinamento para a realização da obra no simulador Columbus, em Colônia, na Alemanha. Alguns desses desenhos estão expostos na mostra, junto a um vídeo de 12 minutos que expõe a confecção da obra, um Livro de Artista, fotografias e bordados inspirados no tema.

— Foi um treinamento mútuo. Ele me explicou como seria no ambiente de gravidade zero, e eu o treinei para a realização da obra, segundo o protocolo criado. Também discutimos o posicionamento das câmeras e outras questões. O tempo dos astronautas é muito contado, por isso seguir o protocolo é fundamental. A criação de um objeto de arte no espaço era um dos componentes em sua missão, é como qualquer outra experiência, não era um favor que ele estava fazendo, fora de suas atribuições.

Lida como a palavra “moi”, a estrutura cria um paralelo com a poesia holográfica realizada por Eduardo Kac na década de 1980 como uma forma de criar um sistema de escrita que não fosse determinado pela gravidade.

— A escrita obedece o gravitropismo, ou seja, ela é condicionada pela ação que a gravidade tem na nossa sensibilidade. Já nos anos 1980 me perguntava que tipo de poesia e de arte visual poderia ser desenvolvida sem essa imposição — analisa Kac. — A poesia holográfica foi um passo nesse sentido, porque a luz é feita de fótons, que são partículas e não têm massa. Do ponto de vista da percepção, ao escrever com a luz no espaço não estou condicionado à gravidade, a projeção busca escapar pelo limite da página, do suporte. Mas, como espectadores, estamos limitados pela ação da gravidade na Terra. No espaço, o corpo também é trazido de volta ao ato da leitura, a gravidade zero cria essa liberdade para obra e espectador.

O diálogo entre arte e ciência norteia a trajetória de Kac, em experiências pioneiras como a obra “Cápsula do tempo”, de 1997, na qual tornou-se a primeira pessoa a ter um microchip implantado no próprio corpo, ou em “Coelho GFP”, na qual introduziu a proteína verde GFP das águas-vivas em células reprodutivas de uma coelha albina, fazendo com que, sob luz azul, seu filhote emitisse luz verde. Professor de Arte e Tecnologia na escola do Instituto de Arte de Chicago, Kac não vê a dissociação entre os dois meios.

— Há um preconceito social que coloca o cientista em um patamar mais elevado do que o artista. Quando dizem que o artista trabalha com ciência, ninguém observa que o cientista usa a arte em seu trabalho. Basta pensarmos: quem inventou a fotografia, um cientista ou um artista? Quem inventou a perspectiva, que vai orientar a fotografia? É possível fazer ciência sem fotografia? Não. Além desses, temos inúmeros exemplos que nos levam à conclusão de como cientistas fazem uso amplo de procedimentos inventados por artistas — detalha Kac. — E, no fundo, chamamos de ciência coisas com as quais ainda não temos familiaridade. O papel, a caneta, o celular, tudo é ciência, mas esquecemos disso porque fazem parte do nosso cotidiano. Para as gerações futuras, as viagens espaciais também serão coisas triviais. E é com essas gerações, para os bisnetos de quem está vivo hoje, é que quero dialogar através da minha obra.

Fonte: O Globo, "Eduardo Kac apresenta a primeira obra desenvolvida para gravidade zero", publicado por Nelson Gobbi, em 20 de julho de 2017. Consultado pela última vez em 23 de setembro de 2025.

Crédito fotográfico: Rascunho. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

Eduardo Kac (3 de julho de 1962, Rio de Janeiro, Brasil) é um artista visual e teórico brasileiro-norte-americano. Formado em Comunicação Social pela PUC-Rio e mestre pelo Art Institute of Chicago, iniciou sua carreira com obras de poesia holográfica e performances interativas nos anos 1980. Em 1997, cunhou o termo bioarte e passou a criar trabalhos que unem biotecnologia e expressão artística. Entre suas obras mais icônicas estão Time Capsule (1997), Genesis (1999), GFP Bunny (2000) — com a criação da coelha fluorescente Alba —, Natural History of the Enigma (2003–2008) e Inner Telescope (2017), obra concebida em gravidade zero. Seu trabalho está presente em museus como o MoMA (NY), Tate Modern (Londres) e ZKM (Alemanha), sendo considerado uma das figuras centrais na arte contemporânea que cruza ciência, tecnologia e filosofia.

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Eduardo Kac

Eduardo Kac (3 de julho de 1962, Rio de Janeiro, Brasil) é um artista visual e teórico brasileiro-norte-americano. Formado em Comunicação Social pela PUC-Rio e mestre pelo Art Institute of Chicago, iniciou sua carreira com obras de poesia holográfica e performances interativas nos anos 1980. Em 1997, cunhou o termo bioarte e passou a criar trabalhos que unem biotecnologia e expressão artística. Entre suas obras mais icônicas estão Time Capsule (1997), Genesis (1999), GFP Bunny (2000) — com a criação da coelha fluorescente Alba —, Natural History of the Enigma (2003–2008) e Inner Telescope (2017), obra concebida em gravidade zero. Seu trabalho está presente em museus como o MoMA (NY), Tate Modern (Londres) e ZKM (Alemanha), sendo considerado uma das figuras centrais na arte contemporânea que cruza ciência, tecnologia e filosofia.

Videos

TEDx Vienna: Eduardo Kac | 2015

Eduardo Kac: Transgenic Art | 2013

Vida e obra de Eduardo Kac | 2022

Palestra Art Across Boundaries com Eduardo Kac | 2024

Eduardo Kac: Oito Diálogos - Investigações | 2009

DIVERSO: Eduardo Kac - Bloco 1 | 2015

DIVERSO: Eduardo Kac - Bloco 2 | 2015

Conferência magistral | 2021

Exposição Lagoglifps, Biotopos e Obras Transgênicas | 2010

Exposição Gênesis | 2020

Pinta Media Art: Eduardo Kac | 2015

Eduardo Kac na Bienal de Arte de Havana | 2016

Eduardo Kac apresenta GFP Bunny | 2020

Eduardo Kac | Arremate Arte

Eduardo Kac, nascido em 3 de julho de 1962 no Rio de Janeiro, é um artista visual e teórico brasileiro naturalizado norte-americano, reconhecido mundialmente como um dos pioneiros da bioarte e das artes híbridas que unem biotecnologia, linguagens digitais e experimentações poéticas. Sua trajetória inovadora desafia os limites entre arte, ciência, filosofia e tecnologia, criando um corpo de trabalho que marca profundamente a arte contemporânea global.

Formado em Comunicação Social pela PUC-Rio em 1985, Kac começou sua carreira nos anos 1980, ainda no Brasil, criando performances e obras interativas marcadas pelo humor ácido, crítica social e uso experimental de mídia — incluindo seus primeiros trabalhos com holografia, que deram origem ao conceito de “holopoesia”, a poesia tridimensional em hologramas. Em 1989, mudou-se para os Estados Unidos, onde completou o mestrado no School of the Art Institute of Chicago, instituição na qual também se tornou professor e pesquisador de referência.

Na década de 1990, consolidou sua atuação no campo da arte telepresencial, com obras que conectavam corpos e ambientes remotos por meio da internet, antecipando discussões sobre presença virtual e interação em rede. Em 1997, com a obra Time Capsule, implantou em si mesmo um chip de identificação e transmitiu o procedimento ao vivo pela internet, inaugurando uma fase de trabalhos que fundem corpo, biotecnologia e ética em escala global.

Ainda em 1997, cunhou o termo “bioarte”, abrindo caminho para sua obra mais controversa: GFP Bunny (2000), um projeto no qual colaborou com cientistas para criar Alba, uma coelha transgênica que brilha sob luz ultravioleta. A obra gerou debates intensos sobre os limites éticos da arte e da ciência, tornando-se ícone da virada biotecnológica na arte contemporânea.

Outros trabalhos igualmente emblemáticos incluem Genesis (1999), onde um trecho bíblico é transformado em código genético e inserido em bactérias mutantes; Natural History of the Enigma (2003–2008), no qual combinou seu DNA com o de uma petúnia, criando uma nova espécie chamada Edunia; e Inner Telescope (2017), concebido especialmente para o ambiente de gravidade zero a bordo da Estação Espacial Internacional, em parceria com a Agência Espacial Europeia e o astronauta Thomas Pesquet.

Com exposições em instituições como o MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), ZKM (Karlsruhe) e a Bienal de São Paulo, Eduardo Kac é amplamente reconhecido como um dos artistas mais visionários de seu tempo. 

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Eduardo Kac | Wikipédia

Eduardo Kac (Rio de Janeiro, 3 de julho de 1962) é um artista contemporâneo e pioneiro da arte digital, arte holográfica, arte da telepresença e bioarte.

Histórico

Kac formou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. No início da década de 1980, começou a apresentar várias performances satíricas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1983, lançou o livro de artista "Escracho" (o qual faz parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York) e começou a trabalhar o conceito de holopoesia. Em 1984, participou da mostra "Como Vai Você, Geração 80?" no Parque Lage (Rio de Janeiro). Entre 1985 e 1986, iniciou seus trabalhos com arte digital através do sistema videotexto. Em 1989, Kac mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve mestrado em Artes Plásticas pela School of the Art Institute of Chicago.

Vanguarda

Em 1997, tornou-se a primeira pessoa a ter um microchip (um transponder de identificação) implantado no próprio corpo (especificamente, no calcanhar esquerdo), em sua obra "Time Capsule" ("Cápsula do Tempo"), que levanta questões de ética na era digital. Programada para exibição na mostra "Arte e Tecnologia" do Instituto Cultural Itaú, em 1997, a obra foi vetada pelo departamento jurídico do banco, pois havia risco de morte para o artista. Kac não desistiu e levou o proje(c)to adiante, apresentando-se na Casa das Rosas (São Paulo), entre 11 de novembro e 20 de dezembro de 1997.

Em 1999, Kac inaugurou a arte transgênica com sua obra "Genesis" no festival Ars Eletronica em Linz, Áustria. Na obra, um gene sintético (codificação de um trecho do Velho Testamento em inglês, convertido em código Morse e deste para o "alfabeto" do DNA) foi introduzido em bactérias, as quais eram expostas à luz ultravioleta por participantes remotos via web, causando mutação no código genético. Depois da exposição, a sequência foi codificada novamente em inglês e o resultado publicado por Kac em seu website.

Em 2000, causou novamente polêmica com sua obra GFP Bunny, onde utilizou de engenharia genética para introduzir genes de fluorescência em células reprodutivas de uma coelha: sob luz azul, o animal resultante emite luz verde.

Obras (impressas)

KAC, Eduardo. Signs of Life: Bio Art and Beyond. Cambridge: MIT Press, 2007. ISBN 0-262-11293-0

KAC, Eduardo. Telepresence and Bio Art - Networking Humans, Rabbits and Robot. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2005. ISBN 0-472-06810-5

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

Eduardo Kac | Itaú Cultural

Eduardo Kac (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Artista visual e performer. É graduado pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ. Nos anos 1980 realiza performances de conteúdo político em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1983, lança o livro Escracho e, nos anos seguintes, realiza trabalhos para a rede videotexto. É pioneiro no campo da holografia e na arte da telepresença, e torna-se conhecido com o projeto Ornitorrinco, 1989. Recebe prêmio da Shearwater Foundation pelo conjunto de seu trabalho em holografia em 1995. Em 1998, ganha o Leonardo Award for Excellence por sua produção em arte eletrônica, e o prêmio do júri no InterCommunication Center Biennale de Tóquio, pelo trabalho Uirapuru, em 1999. Desenvolve pesquisas em arte transgênica, empregando a engenharia genética nos projetos GFP Bunny, 2000, e O Oitavo Dia, 2001. Autor de diversos artigos sobre arte eletrônica no Brasil, publica os livros Luz e Letra: Ensaios de Arte, Literatura e Comunicação, em 2004, e Telepresence and Bio Art - Networking Humans, Rabbits and Robots, em 2005. Em 2006, faz pesquisa para titulação de doutor em artes no Center for Advanced Inquiry in Interactive Arts, CaiiA, na University of Wales, Newport, Inglaterra, e dá aulas de arte e tecnologia no The Art Institute of Chicago, Estados Unidos.

Análise

No começo dos anos 1980, Eduardo Kac desenvolve trabalhos pioneiros no campo da arte e tecnologia, como obras para a rede videotexto e holopoesia, termo criado pelo artista, que consiste na apresentação de poemas em holografia. Com Ornitorrinco (1989), realizado com Ed Bennett, em Chicago, nos Estados Unidos, inicia trabalhos no campo da telepresença, baseados na experiência vivenciada por um participante que controla, via conexão telefônica, um robô em seu deslocamento num espaço físico distante.

Vários trabalhos de Kac necessitam da participação do público para sua concretização, como em Teleporting an Unknown State (1996), no qual ele coloca sementes em um lugar sem luz, monitorado ao vivo pela internet. Para fornecer luz à semente é necessário que o internauta capte a luminosidade com câmeras digitais e envie as imagens para o site da galeria, que as projeta sobre a planta. Já em Gênesis (1999), cria um código genético com base em uma frase do Velho Testamento,1 que, em seguida, é transferido para código Morse e desse para um código de DNA. Essa sequência genética é introduzida em bactérias. Por meio da ação do participante, que interfere na obra também por meio da internet, elas são expostas à luz ultravioleta, o que gera alterações em seu código genético e, conseqüentemente, no texto original. Esses trabalhos exploram questões ligadas à responsabilidade ética sobre a vida e têm desenvolvimento em outras obras do artista, como GFB Bunny, iniciado em 2000. Esse projeto começa com a criação de uma coelha em laboratório, com um gene modificado que a torna fluorescente; inclui a polêmica acerca do evento como parte integrante da obra; e só termina com a adoção do animal pelo artista e sua família.

Como nota o estudioso Arlindo Machado (1949-2020), desde Time Capsule (1997), quando implanta um microchip de identificação em seu próprio corpo, Kac tem se vinculado a tendências artísticas que lidam com processos biológicos associados a sistemas de telecomunicação baseados em computador e também à arte transgênica, que explora técnicas de engenharia genética.

Exposições Individuais

1985 – Eduardo Kac no MIS/SP

1988 – Eduardo Kac na Funarte

2022 – Eduardo Kac: From Minitel to NFT

Exposições Coletivas

1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas

1984 – Arte Xerox Brasil

1984 – Como Vai Você, Geração 80?

1984 – Geração 80: núcleo jovem MP2 arte

1984 – Intervenções no Espaço Urbano

1984 – Arte na Rua 2

1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas

1985 – Arte e Tecnologia

1985 – Arte Novos Meios/Multimeios: Brasil 70/80

1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas

1986 – Brasil High Tech

1986 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas: sudeste

1986 – Território Ocupado

1987 – 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1992 – Ornitorrinco in Copacabana

1993 – Ornitorrinco on the Moon

1994 – Ornitorrinco in Eden

1996 – Ornitorrinco in the Sahara

1996 – Ornitorrinco, the Webot, Travels Around the World in Eighty Nanoseconds Going from Turkey to Peru and Back

1996 – Teleporting An Unknown State (Nova Orleans, EUA)

1996 – Rara Avis

1997 – A-positive

1997 – Arte e Tecnologia (23.09)

1997 – Arte e Tecnologia (02.10)

1997 – 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul

1997 – Arte Suporte Computador

1999 – Ars Electronica

2000 – Investigações: o trabalho do artista

2001 – El Final del Eclipse: el arte de América Latina en la transición al siglo XXI

2001 – 2º Prêmio Sergio Motta

2001 – Trajetória da Luz na Arte Brasileira

2002 – El Final del Eclipse (diversas edições ao longo do ano)

2002 – Entre a Palavra e a Imagem: módulo 1

2002 – Transit

2003 – 2080

2003 – Paper Works

2003 – A subversão dos meios

2004 – Emoção Art.ficial 2.0: divergências tecnológicas

2004 – Rabbit Remix (Rio de Janeiro, RJ)

2004 – 26ª Bienal Internacional de São Paulo

2005 – @rt Outsiders

2005 – Move 36

2006 – Obras Vivas y en Red, Fotografías y Outros Trabalhos

2006 – Bienal de Cingapura

2007 – Tecnopoéticas

2009 – História Natural do Enigma

2010 – Animal

2011 – Videopoéticas

2013 – Reinventando o Mundo

2014 – Vertigo

2014 – Outro Museu – as doações recentes ao acervo do MACRS

2015 – 12ª Bienal de Havana

2017 – Histórias da Sexualidade

2018 – Paradoxo(s) da arte contemporânea: diálogos entre o acervo do MAC USP e o acervo do Paço das Artes

2019 – 14ª Bienal de Curitiba

2020 – Against, Again: Art Under Attack in Brazil

2023 – Década dos Oceanos – I Mostra Nacional de Criptoarte (30.11)

2024 – Década dos Oceanos – I Mostra Nacional de Criptoarte (26.03)

2024 – Síntese: Arte e Tecnologia na Coleção Itaú

Fonte: EDUARDO Kac. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 16 de maio de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

Eduardo Kac | Wikipédia

Eduardo Kac (nascido em 3 de julho de 1962) é um artista contemporâneo brasileiro e americano cujo portfólio abrange várias formas de arte, incluindo performance art, poesia, holografia , arte interativa, arte digital e online e BioArt. Reconhecido por sua arte espacial e trabalhos transgênicos, Kac trabalha com biotecnologia para criar organismos com novos atributos genéticos. Sua abordagem interdisciplinar tem visto o uso de diversos meios, de fax e fotocópia a fractais, implantes RFID, realidade virtual, redes, robótica, satélites, telerrobótica, realidade virtual e síntese de DNA.

Vida

Kac nasceu em 3 de julho de 1962, no Rio de Janeiro, Brasil. Ele se tornou fluente em inglês quando criança. Estudou na Escola de Comunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde se graduou em 1985, e depois na Escola do Instituto de Arte de Chicago, onde obteve o título de MFA em 1990. Em 2003, ele obteve o doutorado no Planetary Collegium da Universidade de Gales, Grã-Bretanha. Kac é professor de arte na Escola do Instituto de Arte de Chicago.

Carreira artística

Kac iniciou sua carreira artística em 1980 como artista performático no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1982, criou sua primeira obra digital e, em 1983, inventou a holopoesia, explorando a holografia como uma forma de arte interativa. Em 1985, começou a criar obras poéticas animadas na plataforma francesa Minitel.

Ao longo da década de 1980, Kac criou obras de arte sobre telecomunicações, utilizando meios como fax, televisão e TV de varredura lenta. Em 1986, Kac criou sua primeira obra de arte de telepresença, na qual utilizou robôs para conectar dois ou mais locais físicos. Durante a década de 1990, ele continuou a produzir essas obras, expandindo sua prática com trabalhos de comunicação interespecífica.

Kac cunhou o termo "bioarte". Kac também criou vários termos para descrever sua prática artística transdisciplinar, incluindo biorrobótica (fusão funcional de robótica e biotecnologia), plantimal (planta com material genético animal ou animal com material genético vegetal) e arte transgênica (a expressão de genes de uma espécie em outra em uma obra de arte).

Os primeiros trabalhos notáveis ​​incluem "Genesis" (1999), onde Kac traduziu uma linhagem do Gênesis para código Morse e, posteriormente, para par de bases de DNA, e "GFP Bunny" (2000), onde um coelho albino foi geneticamente alterado com um gene de água-viva, fazendo com que emitisse um brilho verde sob condições específicas de luz. Esta obra desencadeou extensos debates sobre as implicações éticas da alteração de formas de vida para fins artísticos.

O foco de Kac na arte espacial abrange um esforço de décadas para concluir "Ágora" (1986–2023), um projeto projetado para o espaço profundo. Ao longo dos anos, ele colaborou com a NASA e a SpaceX. Sua colaboração com o astronauta francês Thomas Pesquet em "Inner Telescope" (2017) levou à criação de uma escultura no espaço. Outra de suas obras de arte, "Adsum", fez sua jornada para a Estação Espacial Internacional em 2022, em preparação para seu voo final para a Lua. Kac tem sido um participante ativo em eventos que promovem a convergência da arte e da exploração espacial, como os organizados pelo Observatório Espacial , um escritório do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França.

década de 1980

Em 1980, Kac lançou o Movimento de Arte Pornô na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, com o objetivo declarado de subverter a lógica da pornografia normativa a serviço do ativismo e da imaginação. Trabalhando sob o clima político extremamente conservador do Brasil sob uma ditadura militar, Kac e outros membros do Movimento, como Glauco Mattoso, Leila Míccolis e Hudinilson Jr., desenvolveram a nova estética centrada no corpo coletivamente até 1982. Kac também foi um artista da Gang, a unidade de performance do Movimento de Arte Pornô; a Gang se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades.

A partir de 1982, Kac começou a criar obras digitais. Em 1983, Kac inventou a poesia holográfica (que ele também chamou de holopoesia), a primeira das quais foi HOLO/OLHO, nome dado à palavra portuguesa para "olho". 23 poemas holográficos seguiram esta primeira obra, incluindo Quando? (1987), uma obra cilíndrica que podia ser lida em duas direções.

Na mesma época, e aproveitando seu interesse em formas de poesia experimental, Kac começou a fazer obras de poesia animada com o sistema francês Minitel, então em uso no Brasil. Em 1985, ele contribuiu com uma dessas obras, Reabracadabra, para a exposição Arte On Line, organizada pela Livraria Nobel em São Paulo.Outros poemas animados Minitel de Kac incluem Recaos (1986), Tesão (1985/86) e D/eu/s (1986). Em 1986, com Flavio Ferraz, Kac organizou a exposição Brasil High-Tech na Galeria de Arte Centro Empresarial Rio, no Rio de Janeiro.

De 1985 até 1994, Kac fez uma série de obras de arte em telecomunicações que usaram televisão de varredura lenta (SSTV), FAX e televisão ao vivo para criar trocas interativas entre locais separados.

Em 1986, Kac criou sua primeira obra de arte de telepresença, usando um robô para conectar públicos distantes. Em 1988, ele começou a trabalhar em seu projeto Ornitorrinco, uma obra de arte de telepresença concluída em Chicago, em 1989, em colaboração com Ed Bennett. O trabalho reuniu robótica, tecnologias de telecomunicações e interatividade para criar um robô controlado remotamente. A peça permitiu que espectadores em um local controlassem a câmera e o movimento do robô, criando uma obra de telepresença e afetando a experiência dos espectadores no outro local.

Em 1989, Kac mudou-se do Rio de Janeiro para Chicago, onde completaria seu mestrado no Art Institute of Chicago no ano seguinte.

década de 1990

Na década de 1990, Kac continuou a criar obras telemáticas, com Dialogical Drawing (1994) e Essay Concerning Human Understanding (1994), ambos usando redes para explorar a experiência do espectador de uma obra de arte mediada entre dois locais em tempo real. No último caso, a obra de arte juntou uma planta na cidade de Nova York e um canário vivo no Kentucky em uma conversa. A inclusão de um pássaro e uma planta como parte de um sistema interativo é um exemplo inicial do que Kac chamou de comunicações interespecíficas.

Em 1996, a arte espacial Monogram de Kac foi incluída no DVD que voou para Saturno montado na lateral da nave espacial Cassini.

Em Teleporting An Unknown State (1994), Kac construiu um sistema que permitiu que uma planta sobrevivesse em uma galeria, iluminada não pela luz solar direta, mas pela ação de observadores locais ou remotos da obra. Na prática, observadores locais ou remotos da obra selecionavam entre um conjunto de webcams voltadas para o céu de cidades distantes. Um projetor de vídeo acima da planta retransmitia as imagens da webcam para a planta, permitindo-lhe assim fazer fotossíntese com luz transmitida remotamente. Como resultado, o sistema transmitia valores de luz (frequência e amplitude) de céus distantes para uma planta local.

Kac cunhou o termo "bioarte" com sua obra performática de 1997, Time Capsule.

Em Time Capsule, Kac implantou em si mesmo um chip RFID originalmente projetado para uso em animais de estimação. Um participante em Chicago então acionou o RFID escaneado na galeria brasileira onde Kac estava se apresentando, fazendo com que o scanner exibisse um código único para o implante. Kac então se registrou no banco de dados de animais de estimação associado ao implante, tornando-se o primeiro humano a fazê-lo. Time Capsule foi transmitido ao vivo simultaneamente na televisão e na Internet.

No final da década de 90, Kac se definiu como um "artista transgênico" ou um "artista biológico", e estava usando a biotecnologia e a genética para criar obras que usavam técnicas científicas e, simultaneamente, as criticavam. 

A próxima obra de arte transgênica de Kac, criada em 1998/99 e intitulada Gênesis , envolveu-o pegando uma citação da Bíblia (Gênesis 1:26 - "Domine o homem sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra"), transferindo-a para o código Morse e, finalmente, traduzindo esse código Morse (por um princípio de conversão especialmente desenvolvido pelo artista para esta obra) para os pares de bases da genética. A nova sequência de DNA foi introduzida em bactérias. Os participantes foram então capazes de lançar luzes ultravioleta sobre as bactérias que continham o novo DNA, alterando-o. Então, quando Kac traduziu de volta para o inglês, ele disse algo completamente diferente. Por meio desta obra, Kac encoraja o público a considerar a nova interconexão entre biologia, tecnologia e significado.

anos 2000

Em uma de suas obras mais conhecidas, GFP Bunny , apresentada em 2000 em Avignon, França, Kac afirmou ter encomendado a um laboratório francês a criação de um coelho verde-fluorescente ; um coelho nascido com um gene da Proteína Fluorescente Verde (GFP) de um tipo de água-viva . Kac chamou o coelho de Alba. Sob uma luz UV específica, o coelho fluoresce em verde. GFP Bunny provou ser extremamente controverso, em parte devido à natureza sem precedentes da obra de arte, em parte devido à falta geral de familiaridade com a segurança do processo no final do século XX.

Kac alegou que seu objetivo original era que Alba vivesse com sua família, mas que antes da liberação programada de Alba para Kac, o laboratório retirou seu acordo e decidiu que Alba deveria permanecer no laboratório. Kac respondeu criando uma série de obras que clamavam por sua liberdade. Outras obras se seguiriam, focadas em celebrar sua vida. Na realidade, Kac só conheceu Alba em sua visita ao laboratório francês. E embora ele tivesse o consentimento de Houdebine para ir ao debate, a instituição nunca concordou com a aparição pública de seus coelhos GFP. Quando o apelo de Kac para pegar Alba foi negado, ele publicou as fotos artificialmente verdes, declarou que era sua comissão e acusou o instituto de censura.

O coelho GFP apareceu em Big Bang Theory, Sherlock, e Simpsons, e em romances como Oryx e Crake, de Margaret Atwood, e Next, de Michael Crichton.

Seu trabalho História Natural do Enigma (2003–2008) continuou no tema da bioarte ao fundir seu DNA com o de uma petúnia, criando um organismo híbrido que Kac chamou de plantimal. A planta, também chamada de Edunia (de Eduardo e Petúnia), imitava o fluxo de sangue nas veias humanas ao misturar o DNA de Kac apenas com os componentes genéticos da planta que tornavam as veias de suas folhas vermelhas.

década de 2010

Em 2017, Kac colaborou com o astronauta francês Thomas Pesquet para criar uma obra de arte no espaço chamada Inner Telescope, uma obra de arte concebida para gravidade zero e feita a bordo da Estação Espacial Internacional . Kac trabalhou com o escritório do Observatório Espacial Francês, da Agência Espacial Francesa, para que esta obra fosse feita no espaço pelo astronauta Thomas Pesquet. Seguindo as instruções de Kac, Pesquet cortou e dobrou dois pedaços de papel em uma forma escultural. Flutuando em gravidade zero, a forma poderia ser lida como as três letras que formam a palavra francesa para mim, MOI, ou uma figura humana estilizada com o cordão umbilical cortado.

década de 2020

Desde 2019, Kac vem desenvolvendo Adsum, uma obra de arte para a Lua . Concebida em cinco fases, em 2022 Kac havia completado os três primeiros marcos. Adsum é uma obra de arte em vidro com quatro símbolos visuais gravados internamente a laser em três dimensões e foi criada para existir no ambiente lunar. Os quatro símbolos que constituem a obra são: uma ampulheta (representando o tempo em escala humana), dois círculos (um grande, representando a Terra; um pequeno, representando a Lua) e o símbolo do infinito (representando o tempo em escala cósmica).

Controvérsia

O trabalho de Eduardo Kac tem sido frequentemente objeto de debate. Um dos exemplos mais proeminentes surgiu de sua obra de arte "GFP Bunny" em 2000. A peça girava em torno de Alba, uma coelha albina que foi geneticamente modificada pela incorporação da proteína fluorescente verde (GFP) de uma água-viva em seu genoma. Isso resultou na coelha possuir a capacidade de brilhar em verde sob luz azul. Alguns críticos e ativistas dos direitos dos animais levantaram preocupações sobre as implicações éticas de tal manipulação genética puramente em prol da arte.

O projeto posterior de Kac, "Inner Telescope", criado dentro da Estação Espacial Internacional (EEI), gerou um debate de natureza diferente. A obra de arte, feita de papel e projetada para soletrar "Moi" (francês para "eu"), era um jogo conceitual sobre o eu individual e coletivo. A profundidade filosófica e a utilidade de tal empreendimento foram questionadas, particularmente no contexto dos desafios sociais contemporâneos. O projeto também foi criticado por ser potencialmente uma fuga das questões urgentes da Terra, em vez de abordá-las de frente.

Coleções permanentes

A obra de Kac está incluída nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna de Nova York, da Tate Modern de Londres, do Institut Valencià d'Art Modern de Valência, Espanha, do Museu Reina Sophia de Madri, Espanha, do Les Abattoirs de Toulouse, França, e do Victoria and Albert Museum de Londres. Vários livros de artista de Kac estão incluídos na biblioteca do Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Prêmios

Em 1998, recebeu o Prêmio Leonardo de Excelência da ISAST. Em 1999, recebeu o Prêmio Bienal do Inter Communication Center (Tóquio) em 1999.

Em 2002 recebeu o Prêmio Capital Criativo na disciplina de Campos Emergentes. 

Em 2008 recebeu o prêmio Golden Nica na Ars Electronica pelo seu projeto História Natural do Enigma.

Bibliografia

Livros de Eduardo Kac

Luz & Letra: Ensaios De Arte, Literatura E Comunicação [ Luz & Letra: Ensaios sobre Arte, Literatura e Comunicação ]. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004.

Telepresença e Bioarte: Conectando Humanos, Coelhos e Robôs em Rede , Prefácio de James Elkins. Ann Arbor, Michigan: University of Michigan Press, 2005.

Sinais de Vida: Bio Arte e Além , MIT Press , Cambridge, 2007, ISBN  0-262-11293-0

Media Poetry: an International Anthology (2ª edição), Bristol, Reino Unido, Intellect Books, 2007.

Catálogos e monografias das exposições de Eduardo Kac

Eduardo Kac . Publicado por ocasião da pesquisa de meio de carreira de Kac, com curadoria de Ángel Kalenberg. Valência, Espanha: Instituto Valenciano de Arte Moderno (IVAM) (em espanhol, inglês e valenciano), 2007. [Textos de Consuelo Císcar Casabán, Ángel Kalenberg, Didier Ottinger, Eleanor Heartney, Steve Tomasula, Gunalan Nadaranjan, Annick Bureaud, Eduardo Kac, Santiago Grisolía. Também inclui uma antologia crítica, cronologia e bibliografia]

Kac, Eduardo. Hodibis Potax: Antologia de Poesia [Oeuvres poétiques]. Ivry-sur-Seine, França: Édition Action Poétique (em francês e inglês), 2007. [Publicado por ocasião da exposição individual Hodibis Potax, de Eduardo Kac, realizada no contexto da Biennale des Poètes en Val-de-Marne (Bienal de Poesia, França), maio de 2007.]

Eduardo Kac: Histoire Naturelle de L'Enigma et Autres Travaux / Eduardo Kac: História Natural do Enigma e Outras Obras. Poitiers, França: Al Dante Éditions (em francês e inglês), 2009. ["Ouvrage conçu & par les éditions Al Dante à l'occasion de l'exposition énonyme au center d'art comtemporain Rurart... en partenariat avec l'espace Mendes France (centre de culture scientifique) de 8 de outubro a 20 de dezembro de 2009." / "Edição do livro desenhada por Al Dante por ocasião da exposição homônima no Centro de Arte Contemporânea Rurart... em parceria com o Espace Mendes France (Centro de Ciência e Cultura), de 8 de outubro a 20 de dezembro de 2009."] Informações adicionais da publicação citadas na página de título deste catálogo.

Livros sobre a arte de Eduardo Kac

Rossi, Elena Giulia (ed.). “Eduardo Kac: Movimento 36” . Filigranes Éditions, Paris (em francês e inglês), 2005, ISBN 2-35046-012-6 . 

O Oitavo Dia: A Arte Trangênica de Eduardo Kac , eds. Sheilah Britton e Dan Collins. Tempe, Arizona: Instituto de Estudos em Artes, Arizona State University, 2003. ISBN 0-9724291-0-7 . 

Azoulay, Gérard (ed.). Telescópio interior . Observatoire de l'espace/CNES (em francês e inglês), 2021, ISBN 978-2-85440-046-5 . 

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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O coelho fluorescente de Eduardo Kac | ArtRef

A arte sempre teve uma função importante no questionamento do que nos cerca e o projeto do coelho fluorescente mostra isto.

O artista plástico carioca, Eduardo Kac teve uma ideia brilhante, a criação de um ser vivo único, a mistura de gens de um coelho com o gens fluorescentes de um animal marinho. O resultado foi exatamente o esperado, um coelho que brilha no escuro.

O projeto de Eduardo foi uma forma muito interessante de indicar para onde estamos indo com a ciência; um estado em que a evolução das espécies deixa de ser tão perceptível e o conceito do Design Inteligente toma a frente em nossas vidas. Para os religiosos de plantão é finalmente a comprovação que isto é possível, só que desta vez, o processo veio das mãos de um laboratório na França, como deveria ser.

Minha obra de arte transgênica “GFP Bunny” (coelho fluorescente) compreende a criação de um coelho fluorescente verde, o diálogo público gerado pelo projeto e a integração social do coelho. GFP significa proteína verde fluorescente em Inglês. “GFP Bunny” (coelho fluorescente) foi realizado em 2000 e apresentado pela primeira vez publicamente em Avignon, na França. A arte transgênica é uma nova forma de arte baseada no uso da engenharia genética para transferir genes naturais ou sintéticos para um organismo, para criar seres vivos únicos. Isso deve ser feito com muito cuidado, com reconhecimento das questões complexas assim levantadas e, acima de tudo, com o compromisso de respeitar, nutrir e amar a vida assim criada.

A História de Alba por Eduardo Kac

Nunca esquecerei o momento em que a peguei em meus braços, em Jouy-en-Josas, na França, em 29 de abril de 2000. Minha ansiedade apreensiva foi substituída por alegria e entusiasmo.

Alba – o nome que lhe foi dado por minha esposa, minha filha e eu – era adorável e carinhoso e um prazer absoluto para brincar. Quando a peguei, ela brincou com a cabeça entre meu corpo e meu braço esquerdo, encontrando finalmente uma posição confortável para descansar e desfrutar meus golpes suaves. Ela imediatamente despertou em mim um forte e urgente sentimento de responsabilidade por seu bem-estar.

Alba é, sem dúvida, um animal muito especial, mas quero ser claro que sua singularidade formal e genética é apenas um componente da obra de arte “GFP Bunny” (coelho fluorescente).

O projeto “GFP Bunny” (coelho fluorescente) foi um evento social complexo que começa com a criação de um animal quimérico que não existe na natureza (isto é, “quimérico” no sentido de uma tradição cultural de animais imaginários, não na conotação científica de um Organismo em que há uma mistura de células no corpo) e que também inclui no seu núcleo:

1) diálogo contínuo entre profissionais de diversas disciplinas (arte, ciência, filosofia, direito, comunicações, literatura, ciências sociais) e público em Implicações culturais e éticas da engenharia genética;

2) contestação da suposta supremacia do DNA na criação da vida a favor de uma compreensão mais complexa da relação entrelaçada entre genética, organismo e meio ambiente;

3) extensão dos conceitos de biodiversidade e evolução para incorporar trabalho preciso ao nível genômico;

4) comunicação entre espécies entre humanos e um mamífero transgênico;

5) integração e apresentação de “GFP Bunny” em um contexto social e interativo;

6) exame das noções de normalidade, heterogeneidade, pureza, hibridez e alteridade;

7) consideração de uma noção não-semiótica de comunicação como a partilha de material genético em barreiras de espécies tradicionais;

8) respeito público e apreciação pela vida emocional e cognitiva de animais transgênicos;

9) expansão dos limites práticos e conceituais atuais da arte para incorporar a invenção da vida.

Biografia de Eduardo Kac

Eduardo Kac nasceu no Rio de Janeiro em 1962 e formou-se pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

No começo dos anos 80 ele criou uma série de performances de conteúdo político e de humor em espaços públicos como a Cinelândia e a praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, e as escadarias da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. em 1983 Kac lançou o livro de artista “Escracho” (que se encontra na coleção do Museum of Modern Art, Nova Iorque) e realizou trabalhos na rede videotexto (1985/86), precursora da Internet.

Em 1983 ele inventou a holopoesia, uma nova linguagem poética, e em 1984 participou da mostra “Como Vai Você, Geração 80?,” no Parque Lage.

Em 1985 fez exposição individual de seus holopoemas no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e recebeu prêmio de aquisição do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro.

Em 1986 organizou a mostra “Brazil High Tech,” na Galeria de Arte do Centro Empresarial Rio, e foi artista-residente do Museu de Holografia de Nova Iorque.

Em 1988 apresentou em mostra individual na Funarte, no Rio de Janeiro, seu trabalho de holografia digital. Entre 1982 e 1988, Kac participou de várias exposições individuais e coletivas, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, e escreveu cerca de 80 artigos sobre arte eletrônica, literatura e cultura de massa, em sua maioria publicados em jornais como Folha de São Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Estes artigos foram reunidos e publicados no livro Luz & Letra. Ensaios de arte, literatura e comunicação (Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004). Em 1989 mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve no ano seguinte o mestrado em artes plásticas na The School of the Art Institute of Chicago, instituição na qual é Professor Titular. Em 2004 recebeu o doutorado pela Universidade de Wales, no Reino Unido.

Pioneiro da arte digital e transgênica, Kac concebeu e desenvolveu a holopoesia a partir de 1983. A holopoesia é uma nova linguagem verbal/visual que explora as flutuações formais, semânticas e perceptuais da palavra/imagem no espaço-tempo holográfico.

Kac propôs e desenvolveu a arte da telepresença a partir de 1986, quando apresentou na mostra “Brasil High Tech”, no Rio de Janeiro, um robô de contrôle remoto através do qual participantes interagiam.

Kac projetou a arte da telepresença internacionalmente com o projeto “Ornitorrinco”, desenvolvido a partir de 1989. A arte da telepresença é uma nova área de criação artística que se baseia no deslocamento dos processos cognitivos e sensoriais do participante para o corpo de um telerrobô, que se encontra num outro espaço geograficamente remoto.

Por sua obra em holopoesia (termo criado por Kac), o artista recebeu em 1995 o Shearwater Foundation Holography Award, o prêmio internacional de maior prestígio no campo da arte holográfica, oferecido pela Shearwater Foundation, da Florida.

Em 1998 recebeu o prêmio Leonardo Award for Excellence, da International Society for the Arts, Sciences and Technology. Sua obra de telepresença “Uirapuru” recebeu prêmio do júri internacional na Bienal do InterCommunication Center, Tóquio, 1999.

Outros prêmios seguiram: Langlois Foundation, Montreal (2000), Greenwall Foundation, New York (2001), Creative Capital Foundation, New York (2002). Artigos que analisam sua obra já foram publicados nos jornais New York Times e Le Monde e nas revistas Flah Art, Der Spiegel, Artpress, Kunstforum, Wired, Tema Celeste, e World Art, entre muitos outros.

Obras de Kac são exibidas regularmente na América do Sul e do Norte, na Europa, na Austrália, e na Ásia. Ele publicou artigos e ensaios sobre arte em livros e jornais em dezenas de países.

É membro do conselho editorial da revista Leonardo, publicada pelo MIT Press, e foi editor-convidado da revista Visible Language, publicada pela Rhode Island School of Design, através da qual publicou uma antologia sobre “New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies,” em 1996. Como membro do conselho editorial da revista Leonardo, Kac está publicando desde 1995 uma série de artigos que documentam a história da arte eletrônica no Brasil, de 1949 até o presente.

O livro Eduardo Kac: Telepresence, Biotelematics, and Transgenic Art, com 150 páginas, foi publicado em inglês em Maribor, Slovenia, em 2000. Em 2005 a University of Michigan Press lançou o livro Telepresence and Bio Art — Networking Humans, Rabbits and Robots, reunindo os textos do artista publicados de 1992 até 2002. Suas obras estão incluídas nas coleções de vários museus e em diversas coleções particulares.

Fonte: ArtRef, “O coelho fluorescente de Eduardo Kac”, publicado em 25 de setembro de 2019. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

Eduardo Kac | Site Eduardo Kac

Eduardo Kac é reconhecido internacionalmente por seu trabalho inovador em arte contemporânea e poesia. No início da década de 1980, Kac criou obras digitais, holográficas e online que anteciparam a cultura global em que vivemos hoje, composta por informações em constante mudança e fluxo. Em 1997, o artista cunhou o termo "Bio Arte", dando início ao desenvolvimento dessa nova forma de arte com obras como seu coelho transgênico GFP Bunny (2000) e Natural History of the Enigma (2009), que lhe rendeu o Golden Nica, o prêmio de maior prestígio no campo da arte midiática. GFP Bunny tornou-se um fenômeno global, tendo sido apropriado por grandes franquias da cultura popular, como Sherlock, Big Bang Theory e Simpsons, e por escritores como Margaret Atwood e Michael Crichton. Em 2017, Kac criou Inner Telescope , uma obra concebida e realizada no espaço sideral com a cooperação do astronauta francês Thomas Pesquet. Em 2024, Ágora de Kac voou para o espaço profundo a bordo do foguete Centaur e agora está em uma órbita heliocêntrica perpétua. Adsum de Kac pousou na Lua em 2025. A carreira singular e altamente influente de Kac abrange poesia, performance, desenho, gravura, fotografia, livros de artista, trabalhos digitais e online iniciais, holografia, telepresença, bioarte e arte espacial. Kac também é autor ou editor de vários livros, incluindo Telepresence and Bio Art -- Networking Humans, Rabbits and Robots (University of Michigan Press, 2005). O trabalho de Kac foi exibido internacionalmente em locais como New Museum, Nova York; Centro Pompidou, Paris; MAXXI-Museu de Artes do Século XXI, Roma; Museu de Arte Mori, Tóquio; Museu Reina Sofia, Madri; Power Station of Art, Xangai; e Museu de Arte de Seul, Coreia. O trabalho de Kac foi exibido em bienais como a Bienal de Veneza, Itália; Trienal de Yokohama, Japão; Bienal de Gwangju, Coreia; Bienal de São Paulo, Brasil; e Bienal de Havana, Cuba. Suas obras estão em importantes coleções, como a do Museu de Arte Moderna-MoMA, Nova York; do Metropolitan Museum of Art, Nova York; da Tate Modern, Londres; do Museu Reina Sofia, Madri; do Victoria & Albert Museum, Londres; do Museu Les Abattoirs — Frac Occitanie, Toulouse, França; do Instituto Valenciano de Arte Moderna-IVAM, Espanha; do Museu ZKM, Karlsruhe, Alemanha; e do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, entre outras.

Fonte: Site Eduardo Kac. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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Artista põe a vida em risco | Folha de São Paulo

A própria integridade física é o principal obstáculo que o artista eletrônico carioca Eduardo Kac, 35, está enfrentando para mostrar o trabalho inédito "Time Capsule" (Cápsula do Tempo), que envolve "tecnologias de vigilância intracorporal", no Brasil.

Programado para fazer parte do evento "Arte e Tecnologia", do Instituto Cultural Itaú (ICI), "Time Capsule" foi vetado pelo departamento jurídico da instituição por implicar risco de vida para o artista -incluindo a possibilidade de um choque anafilático.

Para fazer "Time Capsule", Kac terá que tomar uma anestesia local e introduzir uma máquina projetada especialmente para o trabalho em seu corpo. Ele não dá mais detalhes da obra para preservá-la de um possível plágio.

"A idéia é muito boa, mas os riscos são incalculáveis. Achamos que não poderíamos endossar o projeto, apesar de, pessoalmente, eu achá-lo bárbaro", afirmou Ricardo Ribenboim, diretor-superintendente do ICI.

Kac se propôs inclusive a assinar um termo de responsabilidade pela apresentação da obra, mas nem isso foi suficiente para o departamento jurídico.

"Esse tipo de preocupação, a partir do momento em que o elemento biológico está envolvido, não é infundada. Mas a obsessão com isso é. Vou minimizar todos os riscos, mas é inegável que sempre pode acontecer alguma coisa", afirmou o artista.

Segundo Ribenboim, o veto do ICI ao trabalho foi fruto de uma oposição entre pessoa física e pessoa jurídica. Isso porque as leis brasileiras responsabilizariam a instituição, mesmo que Kac assinasse o documento isentando-a das consequências.

Com a recusa do Itaú, Kac está praticamente fechando a exposição de "Time Capsule" com a Casa das Rosas, na mostra "Arte, Suporte e Computador", que acontece em novembro.

Fora do Brasil desde 1989, Kac é professor da The School of the Art Institute of Chicago (EUA) e um dos principais nomes brasileiros na área em que arte e tecnologia se entrecruzam.

Ele começou no início da década de 80, fazendo performances ao ar livre em Copacabana. Participou da exposição "Como Vai Você, Geração 80?", no Rio, em 84.

No ano seguinte fez sua primeira exibição no The Art Institute of Chicago, mostrando trabalhos de holografia. Em 95, recebeu o prêmio "Shearwater Holography Award". Seu livro "Escracho" está no MoMA (Museum of Modern Art), de Nova York.

O artista é o criador -junto com o norte-americano Ed Bennet- da "telepresença", que ele define como "uma categoria da arte". Trata-se da construção e utilização de robôs que podem ser controlados a milhares de quilômetros de distância. Nessas obras, a pessoa usa o corpo do robô para explorar o ambiente em que ele se encontra.

Todas as fases do trabalho do artista -incluindo ensaios, artigos e as algumas das experiências que desenvolve- podem ser acessadas na Internet (www.uky.edu/FineArts/Art/kac/kachome.html).

Kac está no Brasil desde o início da semana para uma palestra no ICI -no dia 7- e uma participação na 1ª Bienal do Mercosul.

Fonte: Folha de São Paulo, “Artista põe a vida em risco”, publicado por Patricia Decia. Consultado pela última vez em 16 de maio de 2025.

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Eduardo Kac faz site specific na Lua | Select 

Por meio de obra concebida especialmente para a Lua, Eduardo Kac torna-se o primeiro brasileiro a alunissar no satélite natural da Terra. Adsum (2025) é uma escultura cúbica de vidro dentro da qual foram gravados a laser quatro símbolos. Posicionados um na frente do outro, podendo ser lidos em qualquer direção, os símbolos aludem ao infinito e ao lugar que habitam. Adsum significa “aqui estou” em latim.

A obra de Kac encontra-se atualmente na órbita da Lua, a bordo do módulo de pouso Blue Ghost. A Firefly Aerospace tem como meta pousar o Blue Ghost na Lua não antes das 3h45 (horário de Nova York) de domingo, 2 de março. Encapsulado junto a sementes de espécies terráqueas em um invólucro de resina e integrado dentro de uma cápsula piramidal, Adsum permanecerá com o Blue Ghost atracado na superfície da Lua, aguardando o possível encontro por outras civilizações. Para os terráqueos, uma versão idêntica ao Adsum lunar poderá ser vista na Arco Madri, em março, no stand da galeria Faria Fine Art.

Fonte: Select, “Eduardo Kac faz site specific na Lua”, publicado em 19 de fevereiro de 2025. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

Eduardo Kac | Oi Futuro 

Precursor da bioarte e da arte transgênica e famoso internacionalmente pela criação da coelha verde Alba, o artista brasileiro, residente em Chicago, apresenta, dentro do Projeto Poesia Visual, uma retrospectiva de suas obras de 1982 a 1999, no Oi Futuro em Ipanema. Eduardo Kac fala de sua trajetória e observa: “O que guia a obra é sempre a visão do artista, e não os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia. Ou seja, o que interessa verdadeiramente é a arte e a poesia”.

OF. O que o levou a se dedicar à poesia digital, numa época em que a internet apenas engatinhava?

EK. Criei meu primeiro poema digital em 1982 e meu primeiro holopoema (poema holográfico) em 1983. Desenvolvi as duas formas durante os anos 80 e 90, período em que o planeta mudou dramaticamente, tendo na Internet um fator decisivo de transformação. Foi em 1994 que o mundo conheceu a web, mas já no início dos anos 80 eu estava determinado a escrever a poesia do futuro. Trabalhando com vários novos meios de criação, como o Minitel, rede precursora da Internet, desenvolvi uma poesia que iria não apenas corresponder ao novo tempo mas participar ativamente na formação de uma cultura digital, global, interconectada, de informação em fluxo, na qual a palavra abandona a Galáxia de Gutenberg e o que John Cayley chama de “codexspace” (ou seja, os limites materiais da página impressa). Na minha poesia a palavra deixa de ser apenas verbivocovisual e se transforma em interactodinamicomultimedial. Esta foi a grande aventura: inventar a nova sintaxe da nova era.

OF. Você criou, em 1997, o termo “bioarte”, hoje em circulação internacional. Em 1999, inaugurou mais um capítulo da arte contemporânea, batizado de “arte transgênica”, com a obra “Gênesis”. Fale um pouco sobre a estratégia que você adota para desenvolver projetos artísticos.

EK. Embora haja uma coerência axial na minha busca pessoal, no desenvolvimento de meu universo e em meu vocabulário plástico, do ponto de vista material cada obra requer uma estratégia diferente, pois cada uma possui soluções distintas aos problemas estéticos que defino. Ou seja, cada obra sugere seu próprio caminho. Eu viajo constantemente e produzo as obras em diferentes países, de acordo com a necessidade.

OF. Em 2010, você expôs no Oi Futuro Flamengo seus biotopos, lagoglifos e obras transgênicas. O que o público pode esperar desta nova mostra, agora no centro cultural em Ipanema? Entre os 15 trabalhos, algum especial que você gostaria de destacar?

EK. Esta exposição oferece um bom panorama da minha poesia digital, criada entre 1982 e 1999. Estão expostos, por exemplo, os quatro poemas que criei para e apresentei online nos anos 80 na rede minitel, precursora da Internet. Há também dois poemas interativos dos anos 90, entre os vários interativos que criei. Outro destaque seria a obra nova que produzi especialmente para a longa vitrine do Oi Futuro Ipanema. Trata-se do poema “Outrossim” (2013), composto de dois códigos QR em anamorfose. O leitor deve usar seu celular com aplicativo leitor de QR e se posicionar na esquerda ou direita da vitrine. Uma vez compensada a anamorfose, o aplicativo faz a leitura. O poema tem dois códigos QR que levam à leitura verbal animada, pois cada código complementa o outro.

OF. Como você vê, na cena contemporânea, as relações entre arte, ciência e tecnologia?

EK. O meu interesse não reside na ciência ou na tecnologia em si, mas no fato de que a pesquisa abre novos caminhos culturais e materiais e as novas ferramentas permitem ao poeta e ao artista criar obras inauditas que seriam impossíveis com os meios tradicionais. O que guia a obra é sempre a visão do artista, e não os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia. Ou seja, o que interessa verdadeiramente é a arte e a poesia. Quanto à cena contemporânea internacional, vastíssima, não há duvida que muitos artistas hoje se interessam por e trabalham com ciência e tecnologia. Vejo isso com simpatia, embora seja preciso dizer que, quando o artista emprega tecnologias já assimiladas, como o lápis e a pintura acrílica, por exemplo, nem o público nem os especialistas percebem que o artista está usando tecnologia. Embora a palavra “ciência” se refira ao conhecimento, a tendência social é chamar de “ciência” o que não se conhece. Quando se conhece, como no caso do carro e do telefone celular, por exemplo, já não chamamos mais nem de “ciência” nem de “tecnologia”. Simplesmente usamos. 

OF. Suas obras são exibidas, regularmente, ao redor do mundo, além de estarem incluídas nas coleções de diversos museus e em coleções particulares. O que promete a sua produção para o ano de 2014?

EK. O highlight do ano será a exposição individual que farei em outubro em Paris, na Galerie Charlot, durante a feira de arte FIAC. A galeria está no Marais, o conhecido bairro de galerias. Por enquanto vamos manter a surpresa, mas posso dizer que o projeto é exibir obras inéditas. Além desta exposição, terei várias coletivas ao longo do ano, incluindo uma no Museu de Arte do Rio-MAR. Também continuo trabalhando em minhas obras de bioarte, que costumam tardar anos para serem completadas porque, nelas, eu invento novas formas de vida. Há que ser paciente. Afinal, o que são seis, ou mesmo dez anos para se criar uma vida nova, se comparados aos quase quatro bilhões de anos de evolução na Terra?

Fonte: Oi Futuro, “Eduardo Kac, um pioneiro”, Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

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Sintaxe da fluidez na obra de Eduardo Kac | O Globo

Quando Eduardo Kac fez o primeiro poema digital, em 1982, a cultura da internet era quase inexistente. Mas, nas palavras dele, havia o “horizonte do futuro”.

— E eu tinha convicção de que o futuro seria muito distinto daquele momento que vivíamos. O Brasil estava em transição, começava a passar daquele universo de uma eletrônica analógica para, lentamente, entrar num universo digital — lembra o artista. — Não queria apenas refletir essa cultura, mas participar ativamente da formação dela.

Hoje, ele soma mais de 30 anos dedicados à arte digital e, aos 50, revê os poemas do início da carreira na exposição “Eduardo Kac: Poesia digital, 1982-1999”, que o Oi Futuro Ipanema inaugura amanhã, às 19h, para convidados. Lá estão 11 de seus principais poemas digitais (dois deles interativos) e a obra “Outrossim”, feita em 2013 especialmente para a mostra, parte do projeto Poesia Visual, que há três anos tem espaço na instituição.

Fonte: Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

“Outrossim” será a primeira obra vista pelo público. Instalada na vitrine do Oi Futuro, ela é um grande QR Code e exige que o espectador se movimente com o celular para encontrar o ponto certo em que a leitura do código é feita, e o poema, enfim, revelado.

— Os textos não são criados no papel e adaptados. Cada poema é pensado especificamente para os ambientes digitais, assim como o compositor que, quando compõe, o faz para um instrumento específico — explica. — No meu trabalho de poesia digital, busco criar uma sintaxe de eventos em fluxo, cambiantes, metamórficos, de distorções, de mudanças bruscas, de possibilidades multimeios.

Assim, as palavras escritas por Kac estão sempre em movimento, e não estáticas como na página de um livro impresso. Ele, porém, diz que não se trata de “condenar” o livro tradicional, mas apenas de usar as possibilidades do meio com que escolheu trabalhar.

— Sou bibliófilo. Já tive problemas estruturais em casa por conta do peso dos livros — diz, rindo. — Mas quero que, nos meus poemas, as palavras dancem, desapareçam, se desfaçam no ar...

Alguns poemas, por exemplo, dividem-se em estradas distintas. Se o “leitor-espectador” clica numa letra, a poesia se abre em outra direção.

— É uma sintaxe da fluidez. Essa é uma característica da minha poesia. Fui trabalhar no ambiente digital porque só nesse meio posso dar ao leitor a experiência da fluidez.

Kac conta que se mudou para Chicago há 25 anos, pois, no Brasil, não conseguia os equipamentos necessários para seus trabalhos. Ele é também um dos ícones da chamada bioarte, vertente em que as obras são matérias vivas, quase sempre criadas em laboratórios de alta tecnologia. No ano 2000, trabalhou com uma coelha (de nome Alba), num laboratório francês. O animal vivo emitia uma fluorescência verde quando colocado sob uma luz azul especial. Em 2010, o artista mostrou, também no Oi Futuro, trabalhos de bioarte (como uma tela feita com micro-organismos vivos).

A nova exposição, para Kac, é a chance de revelar ao espectador a vertente que ficou menos conhecida, da arte digital, com os poemas que, em movimento, lembram seres vivos.

Fonte: O Globo, “Sintaxe da fluidez na obra de Eduardo Kac”, publicado por Audrey Furlaneto, em 13 de janeiro de 2014. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

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Após pouso na Lua de obra de arte, Eduardo Kac vislumbra encontro com futuras civilizações: 'Não me interesso por fantasia' | O Globo

Eduardo Kac é categórico ao afirmar que não está devaneando no mundo da Lua:

— Nada é fantasia ou especulação — diz.

Melhor que isso, o artista — que tem um longo histórico de trabalhos ligados à arte espacial — agora mantém uma conexão indiscutível e material com o satélite natural da Terra, desde que uma obra sua, “Adsum” (que significa “estou aqui” em latim), pousou na superfície lunar no mês passado, a bordo do módulo de pouso Blue Ghost, à espera do encontro com civilizações futuras.

Já na superfície terrena, o trabalho (e a proposta, no mínimo ousada) de Kac vem conquistando admiradores. A obra enviada à base na Lua consiste num pequeno cubo de 1cm de lado, produzido com vidro óptico puro e cujo interior foi gravado a laser com símbolos de infinito, relógio de areia e círculos. A peça, num formato um pouco maior, será exibida a partir de hoje pela Baró Galeria na feira Art Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, até domingo.

— Seria perfeitamente legítimo criar uma obra efêmera, que vai para um determinado lugar do espaço e se desfaz como consequência do ambiente hostil (da Lua) com uma outra temperatura e radiação. Mas, no meu caso, me interesso por criar obras que permaneçam por muito tempo. Então, o aspecto fundamental de “Adsum” é a sua materialidade — afirma o artista brasileiro radicado em Chicago (EUA).

Exposição permanente

Como o próprio Kac destaca, a obra foi concebida para durar por muito tempo numa “exposição permanente” no satélite natural. Sua esperança ao criar “Adsum” é que a peça seja, um dia, descoberta por futuros exploradores — algo que ele considera totalmente plausível, à medida que a Lua possa vir a ser habitada por seres humanos daqui a algum tempo.

O artista diz esperar que aconteça uma espécie de “arqueologia ao contrário”. Se os tesouros do Egito Antigo, contextualiza ele, são desenterrados hoje mesmo sem terem sido alocados em catacumbas com essa intenção, sua obra foi criada com o propósito já muito bem definido de ser encontrada por quem estiver passando lá no futuro pela Estação Espacial Internacional.

Colonizar a Lua e Marte

É por isso que o artista recusa a ideia de que seu pensamento seja tratado como parte de uma simples dramaturgia de realismo fantástico:

— Não me interesso por fantasias, nem vivo nesse mundo. Só me interesso pela verdadeira materialidade dos fatos e dos fenômenos. Quando eu falo em civilizações futuras, não estou falando de fantasia. Tudo que eu falo é calcado numa realidade material — diz Kac. — Acredito que as colônias que teremos na Lua e em Marte serão semelhantes ao que a gente vê hoje na Antártida: sem luxos, nem palácios, prédios com piscina ou campos de tênis.

O cubo foi colocado junto com sementes de plantas dentro de uma cápsula em formato de pirâmide. Enviados por outro pesquisador, sem relação com Kac, os grãos — assim como a obra de arte — aguardam o momento em que poderão ser cultivados no futuro.

Instituição espanhola

No mês passado, ainda sob a satisfação de Kac após o sucesso do pouso na Lua, uma das edições de “Adsum” foi adquirida pela New Art Foundation, da Espanha, que destacou que a obra reflete “sobre a dimensão do destino e também sobre a nossa encruzilhada existencial”.

— Colocar uma obra de arte na Lua é um ato profundamente simbólico: um gesto de resistência cultural, um hackeamento poético do território lunar e uma forma tangível de humanizar e democratizar a exploração espacial. A presença de uma obra como essa na Lua é como um lembrete de que a exploração espacial também deve incorporar o humanismo, a reflexão ética e a sensibilidade artística — diz Vicente Matallana, diretor da New Art Foundation e integrante do júri que selecionou “Adsum” para a coleção da instituição.

A obra espacial de Kac, entretanto, não é a primeira. O artista, que desenvolve trabalhos espaciais desde 1986, já colocou outros trabalhos seus fora do planeta. Um exemplo é “The silent circle”, que orbitou a Terra a uma altitude de 570km.

— O que eu venho de fato fazendo não é apenas uma obra espacial isolada. Venho desenvolvendo, de uma maneira séria, focada e consciente. a arte espacial como um novo campo da arte contemporânea — diz Kac. — Não importa o quão difícil, não importa quanto tempo demore. Mas tudo que planejo é factível. Não sei se vou conseguir completar, mas eu sei que posso, que elas pertencem ao universo do possível.

Fonte: O Globo, Após pouso na Lua de obra de arte, Eduardo Kac vislumbra encontro com futuras civilizações: 'Não me interesso por fantasia', publicado por Alan Souza, em 16 de abril de 2025. 

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Eduardo Kac apresenta a primeira obra desenvolvida para gravidade zero | O Globo

RIO — Prosaicos papel e tesoura, tecnologias que nos acompanham há séculos, instalados em uma estrutura capaz de levar e manter o homem no espaço. Foi assim, em fevereiro deste ano, que foi desenvolvida a primeira obra de arte criada especialmente para a gravidade zero, um projeto do brasileiro radicado em Chicago Eduardo Kac, realizado em parceria com o astronauta francês Thomas Pesquet na Estação Espacial Internacional.

O objeto em questão é formado por duas folhas de papel, uma cortada em formato de M (e que também evoca uma forma humana flutuando) com um círculo cortado no meio, por onde passa outra folha enrolada em forma de cilindro. Juntas, elas formam uma estrutura que pode ser lida como a palavra “moi” (“eu”, em francês), a partir da maneira como ela se movimenta em gravidade zero.

A escultura feita em alguns minutos pelo astronauta é resultado de um projeto de dez anos desenvolvido por Kac com apoio do Observatoire de l’Espace — o laboratório de arte-ciência da Agência Espacial Francesa —, que chega ao público com a mostra individual “Em órbita: telescópio interior”, que o artista abre hoje às 19h na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em Ipanema.

— Tenho o sonho de realizar uma obra no espaço desde os anos 1980, mas concretamente a coisa começou em 2007, quando me tornei artista em residência artística da Agência Espacial Francesa. Começamos um diálogo a respeito desse projeto, e tudo foi avançando lentamente. Foi um processo de aprendizado mútuo, a partir das próprias limitações que o ambiente impõe, que não são poucas — recorda Kac. — Em 2009, o Thomas foi selecionado entre milhares de candidatos para ser astronauta pela Agência Espacial Europeia; em 2014 o processo ganhou volume, e era necessário articular com mais clareza o que iria fazer. Assim, criei um protocolo e fiz as pesquisas em terra de como o objeto poderia se comportar no espaço.

Em 2015, Kac fez uma série de cerca de 50 desenhos e teve seu primeiro encontro com Pesquet. No ano seguinte, foi realizado o treinamento para a realização da obra no simulador Columbus, em Colônia, na Alemanha. Alguns desses desenhos estão expostos na mostra, junto a um vídeo de 12 minutos que expõe a confecção da obra, um Livro de Artista, fotografias e bordados inspirados no tema.

— Foi um treinamento mútuo. Ele me explicou como seria no ambiente de gravidade zero, e eu o treinei para a realização da obra, segundo o protocolo criado. Também discutimos o posicionamento das câmeras e outras questões. O tempo dos astronautas é muito contado, por isso seguir o protocolo é fundamental. A criação de um objeto de arte no espaço era um dos componentes em sua missão, é como qualquer outra experiência, não era um favor que ele estava fazendo, fora de suas atribuições.

Lida como a palavra “moi”, a estrutura cria um paralelo com a poesia holográfica realizada por Eduardo Kac na década de 1980 como uma forma de criar um sistema de escrita que não fosse determinado pela gravidade.

— A escrita obedece o gravitropismo, ou seja, ela é condicionada pela ação que a gravidade tem na nossa sensibilidade. Já nos anos 1980 me perguntava que tipo de poesia e de arte visual poderia ser desenvolvida sem essa imposição — analisa Kac. — A poesia holográfica foi um passo nesse sentido, porque a luz é feita de fótons, que são partículas e não têm massa. Do ponto de vista da percepção, ao escrever com a luz no espaço não estou condicionado à gravidade, a projeção busca escapar pelo limite da página, do suporte. Mas, como espectadores, estamos limitados pela ação da gravidade na Terra. No espaço, o corpo também é trazido de volta ao ato da leitura, a gravidade zero cria essa liberdade para obra e espectador.

O diálogo entre arte e ciência norteia a trajetória de Kac, em experiências pioneiras como a obra “Cápsula do tempo”, de 1997, na qual tornou-se a primeira pessoa a ter um microchip implantado no próprio corpo, ou em “Coelho GFP”, na qual introduziu a proteína verde GFP das águas-vivas em células reprodutivas de uma coelha albina, fazendo com que, sob luz azul, seu filhote emitisse luz verde. Professor de Arte e Tecnologia na escola do Instituto de Arte de Chicago, Kac não vê a dissociação entre os dois meios.

— Há um preconceito social que coloca o cientista em um patamar mais elevado do que o artista. Quando dizem que o artista trabalha com ciência, ninguém observa que o cientista usa a arte em seu trabalho. Basta pensarmos: quem inventou a fotografia, um cientista ou um artista? Quem inventou a perspectiva, que vai orientar a fotografia? É possível fazer ciência sem fotografia? Não. Além desses, temos inúmeros exemplos que nos levam à conclusão de como cientistas fazem uso amplo de procedimentos inventados por artistas — detalha Kac. — E, no fundo, chamamos de ciência coisas com as quais ainda não temos familiaridade. O papel, a caneta, o celular, tudo é ciência, mas esquecemos disso porque fazem parte do nosso cotidiano. Para as gerações futuras, as viagens espaciais também serão coisas triviais. E é com essas gerações, para os bisnetos de quem está vivo hoje, é que quero dialogar através da minha obra.

Fonte: O Globo, "Eduardo Kac apresenta a primeira obra desenvolvida para gravidade zero", publicado por Nelson Gobbi, em 20 de julho de 2017. Consultado pela última vez em 23 de setembro de 2025.

Crédito fotográfico: Rascunho. Consultado pela última vez em 16 de setembro de 2025.

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