Manuel Funchal Garcia (Leopoldina, MG, 3 de fevereiro de 1889 - Rio de Janeiro, RJ, 30 de junho de 1979), mais conhecido como Manuel Funchal foi um pintor, escritor, professor e paisagista brasileiro. Pintor de paisagem e episódios históricos, é de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras. Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.É o patrono da cadeira n° 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.
Biografia - Wikipédia
Filho do casal português Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Foi aluno do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho e pintura com César Formenti. É de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras.
Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.
Residia na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1979.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
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Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos
Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.
Por volta de 1912 casou-se com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia.
Foi professor, renomado pintor, paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.
No dizer dele próprio, conheceu “o Brasil de norte a sul, de leste a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.
Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos.
Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.
Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés... a fronte, nas estrelas...)”. Já no dizer de Gastão Penalva:
“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.
Na década de 1940, era funcionário da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria:
“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”
Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Funchal Garcia pertenceu à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.
A produção Literária de Manuel Funchal Garcia
É hora de se conhecer o trabalho desse grande artista leopoldinense, que em 1979, poucos meses após sua morte, recebeu homenagem de sua cidade natal nomeando a avenida do bairro São Cristóvão que segue paralela ao córrego Jacareacanga, criando assim um monumento à memória desse nosso artista.
Funchal Garcia, com se pode observar pelos artigos anteriores, atuou em várias áreas. Os que viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 e 1950 certamente se lembram da inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr. Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.
Por outro lado, quem hoje anda pela Praça Félix Martins conhece o mural do conjunto da concha acústica, que retrata a lenda do Feijão Cru e provavelmente sabe que foi pintado por ocasião do centenário da cidade, conforme registra Barroso Júnior. Talvez saiba também que, conforme as palavras de Mário de Freitas, aquela obra é de autoria do “laureado pintor Funchal Garcia”.
É sabido que diversos trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em 1939 foi escolhida para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na Califórnia.
O que poucos sabem é que o pintor também escreveu comédias e novelas e como jornalista se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área, conforme consta na introdução do seu livro “Cachimbo e Cachaça...”
Em 1937 Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal, uma autobiografia que mereceu a seguinte nota do Diário da Noite:
“Além de folhetos e artigos de imprensa, Funchal Garcia não tinha publicado ainda um volume. Com o “Memórias de Ivan Trigal”, oferece-nos muito mais do que um livro de reminiscências. Figuras simbólicas personificando virtudes ou defeitos ombreiam com as pessoas reais que vivem dentro do livro como no próprio mundo, falando uma linguagem simples, às vezes crua no seu naturalismo, escondendo crimes e perversidades, cultivando pequenas manias, irradiando simpatia ou pureza. Avulta, entre eles, a extraordinária sensibilidade de Ivan Trigal, em que o autor fixou os traços mais característicos da própria personalidade e os impactos culminantes de uma fase de sua vida.”
Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro, no qual relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia conhecida como Campanha ou, Guerra de Canudos.
Depois escreveu Retalhos da Minha Vida, em que retorna ao assunto do seu primeiro livro e a passagens de sua vida. Dois anos depois lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça de cuja introdução se conclui que ele deixou inéditos “livretes e livros”.
Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia
Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.
Correio Paulistano:
“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manuel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.
O Paiz:
“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manuel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.
A Época:
“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.
O Globo destacou a Menção Honrosa recebida por Manuel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.
O Radical:
“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. - Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.
- Quanto é?
- Oitocentos mil réis, senador!
- Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.
O artista concordou irônico: - Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”
A Noite:
“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”. Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.
Diário da Noite:
“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”
O Jornal:
“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de [...] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.
O Dia, jornal paranaense:
"Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mas, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de desenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é também novelista de mérito, sempre que dispõem de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza."
Segundo Paulo Mercadante, Funchal Garcia “pincelava a exuberância da natureza, a graça dos "flamboyants". […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada".
Fontes:
"Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 371 do jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"A produção Literária de Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 372 do jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 373 do jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Crédito fotográfico: "Fazenda centenária em Divino-MG guarda importantes obras do pintor Funchal Garcia" – Leopoldinense, publicado em 29 de abril de 2018. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Manuel Funchal Garcia (Leopoldina, MG, 3 de fevereiro de 1889 - Rio de Janeiro, RJ, 30 de junho de 1979), mais conhecido como Manuel Funchal foi um pintor, escritor, professor e paisagista brasileiro. Pintor de paisagem e episódios históricos, é de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras. Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.É o patrono da cadeira n° 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.
Biografia - Wikipédia
Filho do casal português Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Foi aluno do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho e pintura com César Formenti. É de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras.
Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.
Residia na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1979.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
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Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos
Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.
Por volta de 1912 casou-se com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia.
Foi professor, renomado pintor, paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.
No dizer dele próprio, conheceu “o Brasil de norte a sul, de leste a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.
Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos.
Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.
Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés... a fronte, nas estrelas...)”. Já no dizer de Gastão Penalva:
“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.
Na década de 1940, era funcionário da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria:
“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”
Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Funchal Garcia pertenceu à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.
A produção Literária de Manuel Funchal Garcia
É hora de se conhecer o trabalho desse grande artista leopoldinense, que em 1979, poucos meses após sua morte, recebeu homenagem de sua cidade natal nomeando a avenida do bairro São Cristóvão que segue paralela ao córrego Jacareacanga, criando assim um monumento à memória desse nosso artista.
Funchal Garcia, com se pode observar pelos artigos anteriores, atuou em várias áreas. Os que viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 e 1950 certamente se lembram da inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr. Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.
Por outro lado, quem hoje anda pela Praça Félix Martins conhece o mural do conjunto da concha acústica, que retrata a lenda do Feijão Cru e provavelmente sabe que foi pintado por ocasião do centenário da cidade, conforme registra Barroso Júnior. Talvez saiba também que, conforme as palavras de Mário de Freitas, aquela obra é de autoria do “laureado pintor Funchal Garcia”.
É sabido que diversos trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em 1939 foi escolhida para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na Califórnia.
O que poucos sabem é que o pintor também escreveu comédias e novelas e como jornalista se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área, conforme consta na introdução do seu livro “Cachimbo e Cachaça...”
Em 1937 Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal, uma autobiografia que mereceu a seguinte nota do Diário da Noite:
“Além de folhetos e artigos de imprensa, Funchal Garcia não tinha publicado ainda um volume. Com o “Memórias de Ivan Trigal”, oferece-nos muito mais do que um livro de reminiscências. Figuras simbólicas personificando virtudes ou defeitos ombreiam com as pessoas reais que vivem dentro do livro como no próprio mundo, falando uma linguagem simples, às vezes crua no seu naturalismo, escondendo crimes e perversidades, cultivando pequenas manias, irradiando simpatia ou pureza. Avulta, entre eles, a extraordinária sensibilidade de Ivan Trigal, em que o autor fixou os traços mais característicos da própria personalidade e os impactos culminantes de uma fase de sua vida.”
Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro, no qual relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia conhecida como Campanha ou, Guerra de Canudos.
Depois escreveu Retalhos da Minha Vida, em que retorna ao assunto do seu primeiro livro e a passagens de sua vida. Dois anos depois lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça de cuja introdução se conclui que ele deixou inéditos “livretes e livros”.
Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia
Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.
Correio Paulistano:
“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manuel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.
O Paiz:
“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manuel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.
A Época:
“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.
O Globo destacou a Menção Honrosa recebida por Manuel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.
O Radical:
“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. - Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.
- Quanto é?
- Oitocentos mil réis, senador!
- Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.
O artista concordou irônico: - Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”
A Noite:
“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”. Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.
Diário da Noite:
“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”
O Jornal:
“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de [...] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.
O Dia, jornal paranaense:
"Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mas, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de desenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é também novelista de mérito, sempre que dispõem de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza."
Segundo Paulo Mercadante, Funchal Garcia “pincelava a exuberância da natureza, a graça dos "flamboyants". […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada".
Fontes:
"Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 371 do jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"A produção Literária de Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 372 do jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 373 do jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Crédito fotográfico: "Fazenda centenária em Divino-MG guarda importantes obras do pintor Funchal Garcia" – Leopoldinense, publicado em 29 de abril de 2018. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
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Manuel Funchal Garcia (Leopoldina, MG, 3 de fevereiro de 1889 - Rio de Janeiro, RJ, 30 de junho de 1979), mais conhecido como Manuel Funchal foi um pintor, escritor, professor e paisagista brasileiro. Pintor de paisagem e episódios históricos, é de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras. Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.É o patrono da cadeira n° 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.
Biografia - Wikipédia
Filho do casal português Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Foi aluno do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho e pintura com César Formenti. É de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras.
Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.
Residia na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1979.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
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Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos
Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.
Por volta de 1912 casou-se com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia.
Foi professor, renomado pintor, paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.
No dizer dele próprio, conheceu “o Brasil de norte a sul, de leste a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.
Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos.
Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.
Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés... a fronte, nas estrelas...)”. Já no dizer de Gastão Penalva:
“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.
Na década de 1940, era funcionário da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria:
“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”
Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Funchal Garcia pertenceu à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.
A produção Literária de Manuel Funchal Garcia
É hora de se conhecer o trabalho desse grande artista leopoldinense, que em 1979, poucos meses após sua morte, recebeu homenagem de sua cidade natal nomeando a avenida do bairro São Cristóvão que segue paralela ao córrego Jacareacanga, criando assim um monumento à memória desse nosso artista.
Funchal Garcia, com se pode observar pelos artigos anteriores, atuou em várias áreas. Os que viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 e 1950 certamente se lembram da inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr. Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.
Por outro lado, quem hoje anda pela Praça Félix Martins conhece o mural do conjunto da concha acústica, que retrata a lenda do Feijão Cru e provavelmente sabe que foi pintado por ocasião do centenário da cidade, conforme registra Barroso Júnior. Talvez saiba também que, conforme as palavras de Mário de Freitas, aquela obra é de autoria do “laureado pintor Funchal Garcia”.
É sabido que diversos trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em 1939 foi escolhida para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na Califórnia.
O que poucos sabem é que o pintor também escreveu comédias e novelas e como jornalista se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área, conforme consta na introdução do seu livro “Cachimbo e Cachaça...”
Em 1937 Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal, uma autobiografia que mereceu a seguinte nota do Diário da Noite:
“Além de folhetos e artigos de imprensa, Funchal Garcia não tinha publicado ainda um volume. Com o “Memórias de Ivan Trigal”, oferece-nos muito mais do que um livro de reminiscências. Figuras simbólicas personificando virtudes ou defeitos ombreiam com as pessoas reais que vivem dentro do livro como no próprio mundo, falando uma linguagem simples, às vezes crua no seu naturalismo, escondendo crimes e perversidades, cultivando pequenas manias, irradiando simpatia ou pureza. Avulta, entre eles, a extraordinária sensibilidade de Ivan Trigal, em que o autor fixou os traços mais característicos da própria personalidade e os impactos culminantes de uma fase de sua vida.”
Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro, no qual relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia conhecida como Campanha ou, Guerra de Canudos.
Depois escreveu Retalhos da Minha Vida, em que retorna ao assunto do seu primeiro livro e a passagens de sua vida. Dois anos depois lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça de cuja introdução se conclui que ele deixou inéditos “livretes e livros”.
Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia
Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.
Correio Paulistano:
“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manuel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.
O Paiz:
“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manuel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.
A Época:
“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.
O Globo destacou a Menção Honrosa recebida por Manuel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.
O Radical:
“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. - Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.
- Quanto é?
- Oitocentos mil réis, senador!
- Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.
O artista concordou irônico: - Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”
A Noite:
“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”. Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.
Diário da Noite:
“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”
O Jornal:
“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de [...] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.
O Dia, jornal paranaense:
"Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mas, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de desenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é também novelista de mérito, sempre que dispõem de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza."
Segundo Paulo Mercadante, Funchal Garcia “pincelava a exuberância da natureza, a graça dos "flamboyants". […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada".
Fontes:
"Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 371 do jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"A produção Literária de Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 372 do jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 373 do jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Crédito fotográfico: "Fazenda centenária em Divino-MG guarda importantes obras do pintor Funchal Garcia" – Leopoldinense, publicado em 29 de abril de 2018. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Manuel Funchal Garcia (Leopoldina, MG, 3 de fevereiro de 1889 - Rio de Janeiro, RJ, 30 de junho de 1979), mais conhecido como Manuel Funchal foi um pintor, escritor, professor e paisagista brasileiro. Pintor de paisagem e episódios históricos, é de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras. Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.É o patrono da cadeira n° 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.
Biografia - Wikipédia
Filho do casal português Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Foi aluno do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho e pintura com César Formenti. É de sua autoria uma série de pinturas sobre a Guerra de Canudos, exposta na Academia Militar de Agulhas Negras.
Apresentou-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebeu Menção Honrosa em 1930. Em 1965, publicou Do litoral ao sertão. Viagens pelo interior do Brasil, inclusive na região de Canudos. Publicou também uma autobiografia e o manual Desenho em Geral.
Residia na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1979.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
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Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos
Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.
Por volta de 1912 casou-se com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia.
Foi professor, renomado pintor, paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.
No dizer dele próprio, conheceu “o Brasil de norte a sul, de leste a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.
Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos.
Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.
Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés... a fronte, nas estrelas...)”. Já no dizer de Gastão Penalva:
“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.
Na década de 1940, era funcionário da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria:
“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”
Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Funchal Garcia pertenceu à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.
A produção Literária de Manuel Funchal Garcia
É hora de se conhecer o trabalho desse grande artista leopoldinense, que em 1979, poucos meses após sua morte, recebeu homenagem de sua cidade natal nomeando a avenida do bairro São Cristóvão que segue paralela ao córrego Jacareacanga, criando assim um monumento à memória desse nosso artista.
Funchal Garcia, com se pode observar pelos artigos anteriores, atuou em várias áreas. Os que viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 e 1950 certamente se lembram da inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr. Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.
Por outro lado, quem hoje anda pela Praça Félix Martins conhece o mural do conjunto da concha acústica, que retrata a lenda do Feijão Cru e provavelmente sabe que foi pintado por ocasião do centenário da cidade, conforme registra Barroso Júnior. Talvez saiba também que, conforme as palavras de Mário de Freitas, aquela obra é de autoria do “laureado pintor Funchal Garcia”.
É sabido que diversos trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em 1939 foi escolhida para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na Califórnia.
O que poucos sabem é que o pintor também escreveu comédias e novelas e como jornalista se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área, conforme consta na introdução do seu livro “Cachimbo e Cachaça...”
Em 1937 Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal, uma autobiografia que mereceu a seguinte nota do Diário da Noite:
“Além de folhetos e artigos de imprensa, Funchal Garcia não tinha publicado ainda um volume. Com o “Memórias de Ivan Trigal”, oferece-nos muito mais do que um livro de reminiscências. Figuras simbólicas personificando virtudes ou defeitos ombreiam com as pessoas reais que vivem dentro do livro como no próprio mundo, falando uma linguagem simples, às vezes crua no seu naturalismo, escondendo crimes e perversidades, cultivando pequenas manias, irradiando simpatia ou pureza. Avulta, entre eles, a extraordinária sensibilidade de Ivan Trigal, em que o autor fixou os traços mais característicos da própria personalidade e os impactos culminantes de uma fase de sua vida.”
Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro, no qual relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia conhecida como Campanha ou, Guerra de Canudos.
Depois escreveu Retalhos da Minha Vida, em que retorna ao assunto do seu primeiro livro e a passagens de sua vida. Dois anos depois lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça de cuja introdução se conclui que ele deixou inéditos “livretes e livros”.
Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia
Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.
Correio Paulistano:
“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manuel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.
O Paiz:
“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manuel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.
A Época:
“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.
O Globo destacou a Menção Honrosa recebida por Manuel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.
O Radical:
“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. - Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.
- Quanto é?
- Oitocentos mil réis, senador!
- Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.
O artista concordou irônico: - Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”
A Noite:
“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”. Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.
Diário da Noite:
“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. [...] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. [...] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. [...] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”
O Jornal:
“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de [...] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.
O Dia, jornal paranaense:
"Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mas, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de desenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é também novelista de mérito, sempre que dispõem de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza."
Segundo Paulo Mercadante, Funchal Garcia “pincelava a exuberância da natureza, a graça dos "flamboyants". […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada".
Fontes:
"Manuel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 371 do jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"A produção Literária de Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 372 do jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
"Outros olhares sobre Manuel Funchal Garcia", escrito por Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA. Publicado na edição 373 do jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.
Crédito fotográfico: "Fazenda centenária em Divino-MG guarda importantes obras do pintor Funchal Garcia" – Leopoldinense, publicado em 29 de abril de 2018. Consultado pela última vez em 1 de fevereiro de 2022.