Sebastião Ribeiro Salgado Júnior (8 de fevereiro de 1944, Aimorés, Minas Gerais, Brasil — 23 de maio de 2025, Paris, França), mais conhecido como Sebastião Salgado, foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro. Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, com mestrado pela Universidade de São Paulo em 1968 e doutorado pela Universidade de Paris em 1971, iniciou sua trajetória profissional como economista antes de migrar definitivamente para a fotografia em 1973, em Paris. Ao longo da carreira, manteve contato e diálogo com nomes e tradições centrais da fotografia humanista e documental, sendo frequentemente associado a influências como Henri Cartier-Bresson, W. Eugene Smith, Lewis Hine, Robert Capa, Walker Evans e, em sua produção de paisagem, Ansel Adams. Sua obra tornou-se reconhecida pelo uso marcante do preto e branco, pela escala monumental das composições, pela densidade dramática da luz e pelo enfoque em temas como trabalho, migração, fome, conflitos, povos originários e natureza, em séries como Outras Américas, Sahel, Trabalhadores, Êxodos, Gênesis e Amazônia. Entre os reconhecimentos que recebeu estão o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982), a Centenary Medal and Honorary Fellowship da Royal Photographic Society (1993), a nomeação como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF em 2001 e sua eleição para a Académie des Beaux-Arts do Institut de France em 2016. Suas fotografias podem ser vistas em importantes coleções e instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, a Tate, em Londres, o Centre Pompidou, em Paris, o J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, e também no legado ambiental do Instituto Terra, fundado com Lélia Wanick Salgado em Aimorés, onde sua trajetória artística e humana segue fortemente representada.
Sebastião Salgado | Arremate Arte
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, e construiu uma trajetória singular antes de se tornar um dos fotógrafos mais reconhecidos do mundo. Formou-se em Economia, fez mestrado na Universidade de São Paulo em 1968 e concluiu o doutorado na Universidade de Paris em 1971. No fim dos anos 1960, em meio ao contexto da ditadura militar brasileira, mudou-se com Lélia Deluiz Wanick para a França, onde prosseguiu os estudos e trabalhou como economista. Foi justamente durante viagens profissionais à África, ligadas ao seu trabalho na Organização Internacional do Café, que a fotografia deixou de ser um interesse lateral e passou a ocupar o centro de sua vida. Em 1973, Salgado abandonou a carreira econômica para se dedicar integralmente à imagem, decisão que redefiniria não apenas sua biografia, mas também a história da fotografia documental contemporânea.
A partir dessa virada, sua carreira ganhou dimensão internacional. Ele trabalhou nas agências Sygma e Gamma e, em 1979, ingressou na Magnum Photos, permanecendo ali por cerca de quinze anos; em 1994, ao lado de Lélia Wanick Salgado, criou a Amazonas Images, agência dedicada exclusivamente à difusão de sua obra. Desde cedo, seu olhar se voltou para os grandes deslocamentos humanos, as desigualdades e a dignidade dos trabalhadores, dos migrantes e dos povos historicamente invisibilizados. Projetos de longa duração como Other Americas, Sahel, Workers, Migrations e, mais tarde, Genesis consolidaram uma assinatura visual inconfundível: imagens em preto e branco, composição monumental, forte densidade dramática e uma tensão constante entre beleza formal e denúncia social. Em vez de perseguir o instante isolado, Salgado preferia construir séries extensas, fruto de anos de convivência, pesquisa e deslocamentos por dezenas de países, transformando a fotografia em testemunho histórico e reflexão humanista sobre o mundo contemporâneo.
Sua obra alcançou museus, galerias, livros e exposições itinerantes em escala global, ao mesmo tempo em que também despertou debates críticos sobre os limites éticos da representação do sofrimento. Ainda assim, seu trabalho foi amplamente reconhecido por instituições culturais e humanitárias: Salgado serviu por 17 anos como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF, recebeu distinções importantes ao longo da carreira e foi eleito, em 2016, membro da Académie des Beaux-Arts do Institut de France. A dimensão pública de sua trajetória ganhou nova projeção com o documentário O Sal da Terra (The Salt of the Earth), dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Nos anos finais, sua biografia tornou-se inseparável do legado ambiental construído com Lélia no Instituto Terra, fundado em 1998 em Aimorés, projeto que converteu uma paisagem degradada em referência internacional de restauração da Mata Atlântica, educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável. Salgado morreu em Paris em 23 de maio de 2025, deixando uma obra que uniu arte, memória, consciência social e compromisso com a regeneração do planeta.
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Sebastião Salgado | Itaú Cultural
Sebastião Ribeiro Salgado (Aimorés, Minas Gerais, 1944 - Paris, França, 2025). Fotógrafo. Considerado uma referência para a chamada fotografia humanista, Sebastião Salgado, além de registros fotográficos sobre diversos hábitos e culturas, denuncia, por meio de seus trabalhos, situações de desigualdade social e exploração de diferentes povos ao redor do mundo.
Formado em economia, torna-se mestre na área, em 1967, e doutor, em 1971, pela Université de Paris. Antes de iniciar sua carreira na fotografia, trabalha para a Organização Internacional do Café, em Londres. Durante viagem à África, na qual coordena um projeto sobre a cultura do café em Angola, decide se tornar fotógrafo.
Suas primeiras experiências se dão no fotojornalismo, momento no qual trabalha para diferentes agências como Sygma, em 1974, e Gamma, entre os anos de 1975 e 1979, enquanto reside em Paris, capital da França. Nesses trabalhos, documenta conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África. Tem passagem pela agência Magnum, onde se destaca por retratar o atentado sofrido pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1911-2004), em 1981. Permanece na agência entre 1979 e 1994, quando cria sua própria empresa, a Amazonas Imagens. Neste momento, suas imagens passam a ganhar aspectos ainda mais humanistas, registrando as condições humanas em diferentes partes do mundo de maneira documental. Realiza viagens pela América Latina entre 1977 e 1984, documentando as condições de vida dos camponeses e indígenas em diferentes países e cujas fotografias são publicadas no livro Autres Amériques, de 1986.
Muitas vezes, a fotografia de Sebastião Salgado mescla a beleza dramática da composição em preto em branco com a situação da cena retratada, tendo como pano de fundo a denúncia da situação humana, como é o caso da imagem Refugiados do Povoado de Lula Chegando ao Povoado de Kisesa Zaire (1977), na qual uma criança em situação de desnutrição, envolta em tecidos, está no centro da imagem, sendo carregada por um adulto.
Ainda em 1986, após seis anos aguardando autorização do exército brasileiro, o fotógrafo passa uma temporada em Serra Pelada, famoso garimpo de extração de ouro, localizado no Pará. Durante sua permanência, Sebastião retrata o cotidiano do garimpo de trabalho exploratório, os conflitos e os diferentes sentimentos que envolvem o sucesso e o fracasso na busca pelo metal precioso, por meio de vistas gerais impactantes do garimpo completamente lotado de pequenos corpos em movimento, camuflados pela lama, bem como por meio de closes no rosto das pessoas retratadas.
Tecnicamente, suas fotografias são realizadas sempre em preto e branco e com intenso uso da luz natural, sem a interferência de iluminação ou efeitos artificiais. Além disso, suas obras estão influenciadas pela técnica conhecida como “instante decisivo”, que captura o instante em que todos os elementos constitutivos de uma cena se harmonizam. Esta técnica amplia a dramaticidade da imagem por meio das expressões e organizações corporais dos retratados.
O universo do trabalho manual e sua exploração humana também são retratados pelo fotógrafo, como em sua série Trabalhadores, realizada entre 1986 e 1992, na qual retrata diferentes tipos de trabalhos manuais em suas viagens. Retoma a temática em 1996, com a publicação do livro Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial, registrando trabalhos penosos em diferentes experiências pelo mundo, como a pesca do atum na Itália e os trabalhadores rurais no interior do Brasil.
A relação dos povos com suas terras, seja em permanência ou em diáspora, bem como a forma que o trabalho e as condições de desigualdade social transformam as pessoas, sejam seus corpos, expressões e necessidades, são matéria para os trabalhos de Sebastião Salgado e estão reunidas em outros livros do fotógrafo, como Terra (1997) e Êxodos (2000). A relação com a terra também está presente em outras atuações do fotógrafo, como em seu esforço para reflorestar parte da Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, desde 1990 junto com sua esposa, a autora Lélia Wanick Salgado (1947). Esse projeto dá origem, em 1998, ao Instituto Terra, que administra a Reserva Particular do Patrimônio Natural e que, para além do trabalho de restauração, também se dedica à educação sócio-ambiental e pesquisas científicas aplicadas voltadas para a criação de sementes e seus plantios.
Parte intrínseca dessa relação entre os povos e suas terras diz respeito à paisagem, já que é por meio dela que esses povos se organizam e se movimentam. Desta forma, entre 2013 e 2019, o fotógrafo se dedica a registrar a grandiosidade da natureza amazônica, dando origem à série Amazônia, que traz retratos de comunidades indígenas, da fauna e da flora da floresta.
A figura humana está no centro da produção de Sebastião Salgado e é a partir dela que constrói sua narrativa com a terra, com as práticas culturais e com o universo do trabalho, bem como com suas modificações e necessidades, frente às desigualdades sociais que dividem e maltratam pessoas ao redor do mundo.
Análise
Durante uma viagem à África, para coordenar um projeto sobre a cultura do café em Angola, Sebastião Salgado decide tornar-se fotógrafo, como uma forma de denunciar a miséria e os problemas sociais no mundo. Os primeiros anos de fotografia são marcados por grande engajamento político. Fixa-se em Paris em 1974 e passa a fazer a cobertura dos conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África, como, por exemplo, as condições de vida dos imigrantes em países europeus e a atuação do Exército Republicano Irlandês - IRA.
Até 1983, Salgado viaja por vários países da América Latina, elaborando um painel sobre a vida dos camponeses e a resistência cultural dos índios e seus descendentes (Autres Ameriques, 1986). Suas imagens revelam o arcaísmo do modo de vida e a precariedade das condições de trabalho, ao lado da presença da religiosidade e da morte. Entre 1984 e 1985, em viagem ao Sahel, região pré-desértica do norte da África, junto com os Médicos sem Fronteiras, fotografa a devastação causada pela seca. Suas imagens de mulheres vagando pelo deserto e de crianças muito doentes foram divulgadas em todo o mundo (Sahel, l'Homme en Détresse, 1986).
Questionando o desequilíbrio econômico entre países ricos e pobres, o fotógrafo empreende uma vasta obra de documentação do trabalho manual em várias regiões do mundo. Fotografa as duras condições de trabalho na lavoura de cana ou minas de ouro de Serra Pelada, no Brasil; nas plantações de chá em Ruanda; na construção de uma barragem em Rajasthan, Índia; ou nos poços de petróleo no Kuwait. O conjunto de fotografias da exposição Trabalhadores foi exibido simultaneamente em oito países, em 1993.
Na opinião do historiador Pedro Vasquez, o trabalho de Salgado, em termos de afinidades criativas, pode ser comparado ao dos fotógrafos Eugene Smith (1918 - 1978) e Henri Cartier-Bresson (1908). Em comum com Smith, ele tem a solidariedade com o ser humano, refletida em certo ar de gravidade e no sentimento do trágico que permeiam suas fotos. Em relação a Cartier-Bresson, compartilha o apurado senso de composição, o chamado "instante decisivo": o momento fugaz em que todos os elementos constitutivos de uma determinada cena se harmonizam num instante expressivo.
Em suas fotografias, de composição clássica, destaca-se o uso da luz e de negros intensos. Com a força simbólica das imagens e a gravidade dos rostos, o trabalho de Sebastião Salgado, além do caráter de denúncia, resgata a dignidade humana e presta homenagem aos personagens retratados.
Acervos
Coleção Pirelli/Masp de Fotografias - São Paulo SP
Acervo Fundação Cultural de Curitiba - Curitiba PR
Coleção Joaquim Paiva - Brasília DF
Críticas
"Sebastião Salgado é um portador do mistério da arte. O que quer dizer que sua fotografia não se descreve: sente-se. E sente-se de um modo especial, proveniente do que fez Sebastião Salgado ser reconhecido em todo o mundo, em tão poucos anos, como um fotógrafo muito especial.
Diante de sua fotografia não se pode sentir, como é usual que as fotografias provoquem, a ternura, ou a contristação, ou a culpa, ou o deleite estético. Diante da fotografia característica de Sebastião Salgado vêm-nos, em uma rajada única, a ternura e a dor e a culpa e o prazer estético. Inseparáveis e indistinguíveis, consistentes e indisfarçáveis, em uma só rajada, todos os ricos sentimentos que a pobreza emocional dos dias de hoje não foi ainda capaz de consumir e devorar.
É esta capacidade especial que faz de Sebastião Salgado, internacionalmente, o mais solicitado, o mais aclamado e o mais premiado fotógrafo da atualidade (comprovação inquestionável de tal relevância: só em 91, Nova York, capital planetária da fotografia, montou duas grandes exposições suas). A atenção especial que Sebastião Salgado desperta não vem de modernosos truques informáticos, que, de resto, nada têm a ver com a fotografia. Nem se deve aos seus temas prediletos, como supôs uma articulista do 'New Yorker'. Cheguei a estruturar um ensaio para refutar a tese irada do artigo, segundo a qual a 'retórica' de Sebastião Salgado consiste na 'exploração fácil da tragédia' como tema, no 'embelezamento' dela, para chocar o espectador de suas fotos" — Janio de Freitas (Freitas, Janio de. A condição de Salgado. In: SALGADO, Sebastião. As Melhores fotos. Apresentação Janio de Freitas; fotografia Sebastião Salgado. São Paulo: Boccato, 1992).
"As fotografias de Sebastião Salgado são, antes de tudo, o resultado de um exaustivo processo de escolhas entre o que foi visto e o que deverá ser re-visto por cada um de nós. Processo que se torna ainda mais complexo e subjetivo depois de 'escolhidos' os lugares, as pessoas ou os acontecimentos que ele pretende fotografar (ou que acaba fotografando, por mero acaso).
Usando três ou quatro câmeras Leikas e dezenas de rolos de filmes por dia, Sebastião Salgado é capaz de produzir mais de dez mil imagens em uma única viagem, dentre as inúmeras que compõem o extenso roteiro traçado nas duas últimas décadas para documentar histórias (ou a história) e contá-las através de fotografias: a fome na África, o trabalho no mundo contemporâneo, a luta pela terra, o movimento de populações, etc." — Maria Inez Turazzi (REVISTA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Fotografia. nº 27, 1998, p. 225).
Exposições Individuais
1977 - Anger in Africa
1977 - L' Afrique des Colères
1978 - Les 4000 logements de La Courneuve
1982 - Outras Américas
1983 - Outras Américas
1983 - Brésil des Brésiliens
1984 - Vidas Secas
1986 - Outras Américas
1986 - Sahel: L' Homme en Détresse
1987 - Outras Américas
1987 - Sahel: L' Homme en Détresse
1988 - Outras Américas
1988 - Sahel: L' Homme en Détresse
1989 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1989 - Outras Américas
1989 - Sahel: L' Homme en Détresse
1990 - An Uncertain Grace
1990 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1991 - Outras Américas
1991 - An Uncertain Grace
1991 - Sebastiao Salgado: Retrospective
1992 - Outras Américas
1992 - Trabalhadores
1992 - An Uncertain Grace
1992 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1992 - Sebastião Salgado: Retrospective
1993 - Outras Américas
1993 - Trabalhadores
1993 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Trabalhadores
1994 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Serra Pelada
1995 - Serra Pelada
1995 - Trabalhadores
1995 - Outras Américas
1996 - Trabalhadores
1996 - Serra Pelada
1996 - An Uncertain Grace
1996 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1996 - Outras Américas
1996 - Exposition Maison Européenne de la Photographie
1996 - Sebastião Salgado: La Main de l'Homme
1997 - Terra
1997 - Serra Pelada
1997 - Trabalhadores
1997 - Sahel: L' Homme en Détresse
1997 - An Uncertain Grace
1998 - Trabalhadores
1998 - Outras Américas
1998 - Serra Pelada
1998 - An Uncertain Grace
1999 - Trabalhadores
1999 - An Uncertain Grace
1999 - Outras Américas
2000 - Êxodos
2000 - Terra
2000 - Trabalhadores
2000 - An Uncertain Grace
2000 - Migrations
2000 - Exodes
2000 - Sebastião Salgado: Retratos de crianças do êxodo
2000 - In Cammino
2000 - Fé
2000 - Exodos
2001 - Migrations
2001 - Terra
2001 - Trabalhadores
2001 - Exodus
2001 - Êxodos
2001 - O Espírito de Nossa Época
2001 - Exodes
2002 - Exodus
2002 - Outras Américas
2002 - Migrations
2002 - Sebastião Salgado: 25 years of photography
2003 - Exodus
2003 - Outras Américas
2003 - Migrations
2003 - In Principio
2003 - Sebastião Salgado: Fotografias
2003 - The Children: Refugees & Migrants
2003 - Terra
2003 - Flüchtlingskinder
2004 - Migrations: Humanity in Transition
2004 - In Principio
2004 - Exodus
2004 - The End of Polio
2004 - Terra
2004 - Exodus: L'Umanità in Cammino
2005 - Exodus: Photographs by Sebastião Salgado
2005 - Trabalhadores
2005 - In Principio
2005 - L'Homme & L'Eau
2005 - Sebastião Salgado: Workers
2005 - Exodus
2005 - Sebastião Salgado: Territoires et Vies
2005 - The Children of Exodus
2006 - Trabalhadores
2006 - [Individual de Sebastião Salgado]
2006 - Terra
2006 - The Hand of a Man
2006 - Gênesis
2006 - Genesis
2007 - Africa
2007 - Terra
2007 - Trabalhadores
2007 - Outras Américas
2007 - Genesi
2007 - Genesis
2007 - In Cammino
2008 - Les Enfants de L' Exode
2008 - Trabalhadores
2008 - Outras Américas
2008 - Exodes
2008 - Africa
2008 - Aqua Mater
2008 - In Principio
2009 - Trabalhadores
2009 - Sebastião Salgado India: The Children of Exodus
2009 - Sebastião Salgado: Africa
2009 - Aqua Mater
2009 - Africa
2014 - Genesis
2021 - Amazônia
2022 - Amazônia - Sebastião Salgado
2022 - Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado
2023 - Trabalhadores
2025 - The World Sebastiao Salgado
Exposições Coletivas
1989 - U-ABC: Paintings, sculptures, photos from Uruguay, Argentina, Brazil, Chile
1990 - UABC: Uruguai, Argentina, Brasil, Chile
1991 - Coleção Pirelli / MASP de Fotografia
1992 - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung
1994 - Contemporary Brazilian Photography from the collection of Joaquim Paiva
1994 - 4ª Semana de Fotografia de Curitiba
1995 - Fotografia Brasileira Contemporânea
1996 - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias
1996 - Latin American Photography: A Spiritual Journey
1998 - The Art Directors Club in Panamericana
1999 - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998
2000 - China
2000 - Índios 2000
2002 - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva
2003 - Graciela Iturbide, Sebastião Salgado e Raghu Rai
2004 - Sebastião Salgado and Lewis Hine
2004 - Migrations and The Children
2005 - Septembre de la Photo 2005 : Aspect de la Photographie Brésilienne
2005 - The Body at Risk: Photography of Disorder, Illness and Healing
2006 - Indianscope: l'Inde intemporelle dans l'Inde d'aujourd'hui
2006 - Eixos da Fotografia
2007 - Polka Magazine
2007 - Entre Deux Lumières
2009 - Realism and Magic
2009 - Then and Now
2011 - Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - Paris
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2014 - Recortes de uma Coleção
2015 - Ângulos da Notícia – 90 anos de fotojornalismo do Globo
2016 - Marcas da Memória
2017 - Luz = Matéria
2018 - Fotografia em Transe
2019 - Moventes
2019 - 47º Chapel Art Show
2021 - 50 Duetos
2022 - Histórias brasileiras
2024 - Do Brasil à terra
2024 - Woof Woof: the dog in photography
Exposições Póstumas
2025 - Sebastião Salgado, 1944-2025 - Uma mostra de admiração e reconhecimento
Fonte: SEBASTIÃO Salgado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 16 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Sebastião Salgado | Wikipédia
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior OMC (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944 – Paris, 23 de maio de 2025) foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro.
Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
As suas fotos a preto e branco representam a dignidade fundamental das pessoas e são testemunhos contra a guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF e foi multi-premiado pelo seu trabalho.
Juventude
Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967). Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia. A ida para Paris em 1969 reflete asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.
Carreira
Fotografia
Primeiras fotos e mundividência
Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa. Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington. A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.
Primeiros livros
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
Consagração internacional: Desalojamentos em Êxodos
De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres sem residência fixa.
Os últimos livros focam-se em temas como a Pólio, desigualdade, África e ambiente.
Técnica fotográfica e Academia
Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.
Ativismo político e ambiental
Militante contra a ditadura brasileira
Ele e a sua mulher Lélia tornam-se ativistas contra a ditadura. Entre outros, contribuiriam para grupos próximos da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella.[14][15] Na altura, vários ativistas aderiam com maior ou menor intensidade a movimentos de luta armada em resposta a regimes ditatoriais na América Latina como Dilma Rousseff (Brasil - Vanguarda Popular Revolucionária), Carlos Lamarca (Brasil, MR8) ou Pepe Mujica (Uruguai - Tupamaros).
Em 1969, o casal é semi-forçado ao exílio em Paris. Em 1977, seria sinalizado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) num dos seus informes.
Em 1974, fotografa em Portugal a Revolução dos Cravos, juntando a fotografia ao ativismo. De seguida, segue para Angola e Moçambique para registrar as ocorrências até as independências em 1975. Em 1974, em Moçambique sofre um acidente na sequência da explosão de uma mina, vindo a sofrer uma lesão na coluna que causaria problemas para o resto da vida.
Cidadão do mundo e ambientalismo
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado contribuiu generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
O seu trabalho conjugou as pessoas e o ambiente. Depois de fotografar a seca no Sahel, fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoiou um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).
Vida pessoal
Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.
Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down. Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.
Morte
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Prêmios
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982,[29] foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992[30] e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.
W. Eugene Smith Memorial Fund (1982)
Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (RPS) (1993)
Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
Prêmio World Press Photo
The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos[30]
Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
Medalha da Inconfidência.
Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
Prêmio Overseas Press Oub oí America.
Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.
40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem
Prêmio Muriqui
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)[36] (O Prêmio da Paz é concedido desde 1950 e é dotado de 25 000 euros)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)
Praemium Imperiale (2021)
Membro da Academia de Belas-Artes de Paris do Institut de France (abril de 2016)[38][39]
Obras
Outras Américas (1986).
Sahel: O "Homem em Pânico" (1986)
"Um Fotógrafo em Abril" (1999) ISBN: 972-21-1258-9
Trabalhadores (1996) ISBN 8571645884
Terra (1997) ISBN 8420428744
Serra Pelada (1999) ISBN 2097542700
Outras Américas (1999) ISBN 8571649030
Retratos de Crianças do Êxodo (2000) ISBN 8571649359
Êxodos (2000) ISBN 8571649340
O Fim do Pólio (2003) ISBN 8535903690
Um Incerto Estado de Graça (2004) ISBN 9722109839
O Berço da Desigualdade (2005) ISBN 8576520389
África (2007) ISBN 3822856223
Gênesis (2013) ISBN 3836538725
Perfume de Sonho (2015) ISBN 9788869656255
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro | EPIC
Um dos maiores e mais respeitados fotógrafos do mundo é brasileiro. Estamos falando de Sebastião Salgado, do qual esse post é inteiramente dedicado a visitar sua vida e obra, além de seus projetos humanitários, e claro, seu legado na fotografia.
Vida e obra
Sebastião Salgado nasceu no município de Aimoré, no interior de Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944. Atualmente reside em Paris, na França. Pouca gente sabe, mas antes de fotógrafo ele é Economista. Se formou pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e fez mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1967, ano em que a ditadura já havia começado no Brasil, e também o ano em que se casou com a pianista Lélia Deluiz Wanick, que é sua companheira até hoje.
Mais tarde ainda faria Doutorado na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971. Ou seja, Sebastião Salgado é um nato estudioso, com habilidades em cálculos.
O encontro com a fotografia
No início da década 70, Sebastião Salgado trabalhava para a Organização Internacional do Café (OIC). E foi em uma de suas expedições para cafezais da África que realizou sua primeira sessão de fotos. A câmera utilizada, segundo ele, era uma Leica emprestada pela sua esposa. Suas fotos retratavam a situação econômica dos lugares onde passava de forma mais eficiente que relatórios e estudos estatísticos.
Primeira foto famosa
Em 1973, Sebastião Salgado passa a ser um fotojornalista independente. Passou por agências de fotógrafos como Sygma, Gamma, e Magnum. Mais tarde abriria sua prórpia agência de fotografia, a Amazonas Images. No início da década de 80, foi encarregado de cobrir a posse e primeiros 100 dias de governo do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos - o que possibilitou documentar um atentado à tiros cometido por John Hinckley Jr., que tentara assinar o então presidente.
Em uma excelente entrevista no programa Conversa com Bial, Sebastião Salgado dá detalhes dos bastidores dessa foto. Fala, inclusive, que foi esta imagem que o projetou para o mundo como fotógrafo documental, pois enquanto todo mundo corria, ele se aproximava da cena do crime para fotografar.
Com a venda da fotos para veículos de imprensa do mundo inteiro, Salgado pode realizar um desejo pessoal: retornar a África, desta vez para fazer uma sessão de fotos documental. Seu currículo, fama e experiência foram aumentando exponencialmente, até que decidiu publicar suas histórias e fotografias em...
Livros
Transcendendo a fotografia, Sebastião Salgado publicou 12 obras literárias ao longo de sua carreira:
• Trabalhadores (1996)
• Terra (1997)
• Serra Pelada (1999)
• Outras Américas (1999)
• Retratos de Crianças do Êxodo (2000)
• Êxodos (2000)
• O Fim do Pólio (2003)
• Um Incerto Estado de Graça (2004)
• O Berço da Desigualdade (2005)
• África (2007)
• Gênesis (2013)
• Perfume de Sonho (2015)
Em seus livros, Sebastião Salgado deixou claro sua luta pessoal com questões humanitárias. Suas imagens dão luz à realidades que muitas pessoas sequer conseguem imaginar, retratando - sempre em preto e branco - guerras, pobreza, desigualdades e injustiça.
Estes fatos contribuíram para que Sebastião Salgado se tornasse membro colaborador de diversas instituições ao redor do mundo, como por exemplo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Mundial da Saúde (OMS), Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
Ao lado de sua esposa Lélia, direciona um gigantesco projeto de reflorestamento em Minas Gerais - o mesmo que foi destaque no documentário O Sal da Terra, dirigido pelo seu filho e indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015.
Já indicamos O Sal da Terra no post sobre Filmes, séries e documentários disponíveis na Netflix ou Youtube.
Prêmios
Sua trajetória lhe rendeu uma porção de prêmios, dos quais podemos destacar:
• Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães (2019) - sendo o primeiro fotógrafo a receber a honraria;
• Prêmio Jabuti de Literatura, pelo livro Terra, na categoria Reportagem (1998); e outros como:
• Prêmio Príncipe de Asturias das Artes, 1998;
• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária;
• Prêmio World Press Photo;
• The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental;
• Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência nos Estados Unidos;
• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores;
• Medalha da Inconfidência;
• Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos;
• Prêmio Overseas Press Oub oí America;
• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography;
• Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil;
• Prêmio Muriqui;
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016);
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016);
Fotografia em preto e branco
A fotografia em preto e branco se tornou marca registrada da fotografia de Salgado, mais especificamente desde 1987. Em entrevista recente, ele explica: que a cor pode causar um ruído na mensagem que quer passar, distraindo o receptor. "O preto e branco me permite concentrar na personalidade das pessoas, na dignidade, então eu transformo a realidade em uma realidade mais forte ainda".
Fonte: EPIC, “Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro”, publicado por Vinícius Franco. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo” | El País
É uma lenda viva da imagem documental. Durante quatro décadas fotografou as maiores atrocidades do ser humano e as mais esplêndidas paragens do planeta. Aos seus 75 anos, recheado de prêmios e reconhecimento, está na reta final de outro de seus hercúleos projetos sobre as tribos da Amazônia. Seu motor foi a curiosidade por conhecer as coisas do mundo e a vontade de transmiti-las; caminhando de lugar em lugar, diz, como “um homem da Idade Média”
Com sua fotografia documental, de um preto e branco puríssimo, Sebastião Salgado fotografa há mais de quatro décadas os maiores horrores cometidos pela espécie humana e as grandes belezas naturais do planeta. Após sair do Brasil fugindo da ditadura em 1969, ficou uma década fora e, por culpa da fotografia, deixou de lado um promissor trabalho como economista. Ainda que tenha começado “tarde”, como reconhece, hoje tem todos os prêmios e reconhecimentos possíveis da arte da imagem. Nascido em 1944 em Aimorés, Minas Gerais, aos 75 anos, que nem de longe aparenta, esteve em mais de 130 países e está na reta final de outro de seus hercúleos projetos, sobre tribos da Amazônia. Salgado fala com paixão e convicção, suas ideias fluem em um espanhol com o característico suave sotaque brasileiro. Do jovem comunista de cabelos compridos e barba frondosa resta uma cabeça raspada e sobrancelhas espessas, brancas, que de vez em quando alisa como se procurasse nelas o fio de seus argumentos.
Como está seu trabalho sobre a Amazônia?
Estou envolvido nele há vários anos e ainda restam três histórias por fazer. Serão no total 30 reportagens sobre 13 tribos, com muita fotografia aérea, porque assim é possível dar uma ideia da grande extensão da floresta e dos rios. O maior volume de água no Amazonas vem pelas evaporações, autênticas correntes aéreas de umidade que garantem a chuva em grande parte do planeta ao deslocarem-se como nuvens. Acho que nessa série as fotografias do sistema montanhoso do Amazonas irão surpreender. Você tem a impressão de que está nos Alpes, são colossais. A última reportagem será sobre animais.
Como são essas tribos com as quais conviveu?
Há de tudo. Os korubos, no vale do Javari, foram contatados pelo homem branco em 2015, mas outras o foram no século XIX. Há uma tribo que é herdeira da cultura inca, chegaram ao Brasil deslocados pelos espanhóis. Têm uma agricultura sofisticada, criadouros de peixes e tartarugas...
Mas o que te surpreendeu dos que vivem na floresta?
O que mais me impressiona é que não há surpresa, já não há muito a descobrir. Eu pensava que demoraria meses a me adaptar a eles e foram horas. Porque somos nós mesmos. Só há uma pequena diferença física, os pés. Veja seus pés, Manuel! São uma deformação, estão doentes porque estão sempre em um sapato que os deforma. Os pés dessas comunidades, entretanto, são triangulares, a parte de trás é fina e a da frente é larga; utilizam os dedos para se equilibrar, subir nas árvores, e saltar de uma para outra.
Em 1982 você recebeu o Prêmio W. Eugene Smith de Fotografia Humanitária. Desde então foi nomeado cavaleiro da Legião de Honra na França, ganhou um World Press Photo em 1985, o Hasselblad em 1989; Na Espanha foi o primeiro fotógrafo a receber o Príncipe de Astúrias das Artes. Agora ganhou em Madri um prêmio da Sociedade Geográfica Espanhola “pela qualidade e espírito de seu trabalho de viagens”.
Se é por isso, mereço porque sou, provavelmente, uma das pessoas do planeta que mais caminharam [risos]. Quando estava no avião e via pela janela as montanhas, os rios... o planeta é maravilhoso. Sempre pensei que, por meu tipo de fotografia, sou como aqueles homens que na Idade Média, movidos pela curiosidade, iam de cidade em cidade para conhecer as coisas e transmiti-las. A vida dos fotógrafos é assim: ir, descobrir, conhecer e transmitir. A fotografia que faço é o espelho da sociedade. É uma função que não existia há 100 anos e que não acho que irá existir daqui a 20...
Por quê? Hoje, com um celular são feitas imagens de uma qualidade incrível, mesmo que isso não seja fotografia. É uma linguagem de comunicação, mas a fotografia é algo que você toca, guarda. As demandas, entretanto, estão mudando.
“As imagens de um celular têm uma qualidade incrível, mas não são fotografia. Fotografia é algo que você toca, que guarda”
Só se interessou pela fotografia em 1973, quando tinha quase 30 anos. Em quem se fixou um autodidata como você? Eu adorava a pintura, fotografava obras em preto e branco de Rembrandt. Comecei a ver que podia criar essas mesmas luzes e profundidades. O fotógrafo deve transmitir o que seu olho vê no momento de disparar, é preciso romper os limites da câmera. E ver o que os outros fazem não significa nada, cada um tem suas luzes interiores. A fotografia é feita com o passado de cada um, com sua ideologia. Eu trabalhei na Magnum com grandes fotógrafos, mas as afinidades eram mais pessoas do que técnicas.
Sua trajetória se caracterizou por projetos que foram maratonas (Trabalhadores, Êxodos, Gênesis). Por que sempre essa longa duração?
No caso de Êxodos, eu sou um imigrante, vivo em um país estrangeiro [França] e queria fazer um trabalho sobre as grandes migrações porque também era minha história. Vivi sete anos na estrada procurando essas pessoas e passei vários meses em nove grandes cidades nas quais os imigrantes chegavam. Em Trabalhadores, como fui economista, senti que a grande revolução industrial chegava a seu fim pelos computadores. A mão já não iria ser tão importante na linha de produção, de modo que também me identifiquei com eles.
Fotografou os desfavorecidos, sua fotografia foi descrita como humanitária e social. Não quis retratar os desfavorecidos, eu nunca fui um militante, é somente minha forma de vida e o que eu pensava. Houve quem disse [como Susan Sontag] que Salgado fazia estética da miséria... Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo. Conheço a África como a palma de minha mão porque há somente 150 milhões de anos a África e a América eram o mesmo continente.
Também sempre teve claro que sua obra de peso seria em preto e branco?
Claro, em cores era para as encomendas... Olhe ali! [Salgado mostra um lado do vestíbulo do hotel em que ocorre a entrevista, decorado com sofás violetas e vermelhos]. Lá, um retratado se perderia entre essas cores. A fotografia colorida acentua as cores, e isso me distraía. Com o preto, o branco e o cinza isso não ocorria. Sabe outra coisa que me desconcentrava? Quando, na época em que se utilizava filme, tinha que parar, tirar o rolo e trocá-lo por outro.
“Foi dito que eu fazia estética da miséria. Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo”
E o que fazia?
Cantava. Como conseguia trocar o filme de olhos fechados, cantava MPB e assim não perdia a concentração.
Em algumas de suas célebres fotografias, como a de um garimpeiro em Serra Pelada, apoiado em uma estrutura de madeira, se vê referências da iconografia cristã. Isso lhe serviu de inspiração?
É possível, eu sou de Minas Gerais, o Estado mais barroco do Brasil. Quando fotografo, sempre há um pequeno rastro de algo que me influenciou. Certamente quando fiz essa foto eu via São Sebastião com as flechas, mas minhas fotografias não são modernas e pós-modernas, são barrocas porque vêm desse mundo.
Você foi fotojornalista, mas após o genocídio de Ruanda, em 1994, perdeu por um tempo a fé na fotografia e se refugiou na geografia de sua infância, na fazenda de seu pai, seca e arrasada pela criação de gado. Foi aí que nasceu sua preocupação pela natureza?
Não, eu nasci e cresci na natureza. Meu pai tinha fazendas e eu passava o dia a cavalo e caminhando. Aos domingos, eu e vários amigos acordávamos às quatro da madrugada para caçar; voltávamos de tarde, exaustos, e íamos nadar. A parte principal de meu trabalho foi a fotografia da natureza, não as pessoas...
Você sempre elogiou as organizações humanitárias com as quais trabalhou e se mostrou crítico com os Governos. Mantém essa ideia?
Não fui tão crítico. Fui de esquerda, quando jovem acreditava que era preciso tomar o poder pela força..., mas precisamos trabalhar juntos. É mentira isso de que uma foto pode mudar o mundo; o que pode mudá-lo é o trabalho conjunto das ONGs, a imprensa, os Governos...
Falando de Governo, como vê o Brasil, com o ultradireitista Jair Bolsonaro na presidência?
É um personagem conflitivo e que gera desequilíbrios por propostas como a destruição da floresta e das comunidades indígenas. São ideias de extrema direita, mas a sociedade brasileira é capaz de oferecer-lhe resistência. Ele foi eleito democraticamente por uma importante maioria, de modo que é preciso trabalhar para que essas pessoas não apoiem novamente essas ideias retrógradas. O que aconteceu é ruim, mas ao mesmo tempo é bom porque criou um sistema de militâncias, com pessoas que querem defender seus direitos.
E o que o incomoda no restante da América Latina?
Eu fico muito preocupado com o que acontece atualmente na Venezuela, é um crime. Mas é preciso compreender a história desse país. Eu trabalhei lá antes de Hugo Chávez e era um Estado dirigido por uma burguesia que lhe roubou tudo. Chávez chegou ao poder com apoio popular, mas depois cometeu erros brutais e abusou de seu poder. Com Maduro a economia foi destruída, e é preciso mudar isso, mas não com uma intervenção militar estrangeira. Somos democracias jovens e é preciso olhar a história da Europa para entender o que acontece na América Latina.
Justamente, a carta do presidente do México pedindo ao rei Felipe VI que peça perdão pela conquista causou um reboliço.
A Espanha não deve se desculpar. Foi uma proposta oportunista de um político, não de um povo. Mas não é um problema que isso seja discutido, e os primeiros a o fazer, os mexicanos, que em 90% são indígenas. Você vai em uma festa da burguesia no México e todos os garçons são índios. A conquista foi uma aventura total, 30% dos espanhóis que foram não voltaram, morreram. Quando Cortés diz a Montezuma que seus soldados estão doentes e que o único remédio é o ouro... é a história da humanidade.
Em 2014, sua vida e obra inspirou o premiado documentário ‘O Sal da Terra’, dirigido por seu filho Juliano e Wim Wenders. Como foi a experiência?
Muito difícil, porque o fotógrafo precisa se relacionar com o que fotografa e quando você se transforma em intermediário é um produto de quem está filmando. Meu filho já havia me filmado... e eu brigava com ele, mas era meu filho, era mais simples. Na filmagem com ele e Wim existiam três câmeras, uma equipe de som..., um carnaval! Eu o fiz por Juliano.
Sua esposa, Lélia Wanick, planeja e produz seus livros. Como é sua relação profissional em um casal que está casado há meio século?
Não é complicado, amo profundamente minha mulher, tem um gosto excepcional, uma capacidade de organização que eu não tenho, se ocupa das exposições que temos por todo o planeta e adoro os livros que ela produz para mim. E assim vamos, lutando... Comecei com ela há 55 anos. Desde o começo me apoiou porque as coisas que eu procurava não estavam na porta de casa, precisava ficar tempos fora e ela cuidou de nossos filhos [além de Juliano, têm outro, Rodrigo, com síndrome de Down].
Em uma entrevista em 2007 ao EL PAÍS, jornal em que publicou seus principais trabalhos, disse que nunca utilizaria o digital, mas acabou por fazê-lo.
A qualidade do digital no começo não era tão grande e depois foi uma facilidade porque permitia usar uma câmera leve, rápida. Além disso, a qualidade em filme caiu porque era muito caro... Em minhas viagens, levava 600 rolos de filme, pesavam 35 quilos, brigava nos aeroportos... Hoje, com uma caixa do tamanho de um celular levo esses 600 filmes.
As redes sociais lhe interessam?
Há uma conta em seu nome no Instagram... Não é minha! E no Facebook há outras duas que também não são..., são falsas. Uma vez briguei por meses para que retirassem uma conta e apareceram cinco. Não me interessa, o que é exposto ali é... como se você abaixasse as calças e mostrasse a bunda pela janela. Não é da minha geração, não é o meu mundo.
Teve tempo para fazer um balanço?
Acho que contribuí à consciência do cuidado do planeta. Tive sucesso e cheguei com meu trabalho às pessoas graças a organizações como a Unicef, Save the Children, Médicos Sem Fronteiras..., mas eu sozinho com minhas imagens não teria feito nada, seria como o pó.
Fonte: El País, “Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo”", publicado por Manuel Morales, em 23 de junho de 2019. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado, Maior Fotógrafo Brasileiro, Morre Aos 81 Anos | Forbes
Nesta sexta-feira (23), o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, considerado o mais importante do país e reconhecido mundialmente, faleceu aos 81 anos, em Paris (FRA). O artista enfrentava problemas de saúde, após adquirir malária ainda nos anos de 1990, na Indonésia, onde não foi tratada adequadamente. Inclusive, em entrevista ao “The Guardian”, em 2024, Salgado falou que as complicações da doença o motivaram a se aposentar.
Em uma rede social, o Instituto Terra Oficial, fundado por Salgado, publicou uma nota de pesar. “Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade”, escreveu. O projeto fazia reflorestamento em um antiga fazenda da família, com o intuito de recuperar a biodiversidade da Mata Atlântica.
Em entrevista à Forbes USA, o fotógrafo afirmou que esperava viver por mais dez anos para ver a evolução do espaço, que teria novas 10 milhões de árvores. Segundo ele, trata-se do maior projeto ecológico do Brasil na atualidade.
Sebastião Salgado deixa a esposa, dois filhos e dois netos, além de uma legião de admiradores pelo mundo.
O fotógrafo
Recentemente, Salgado concedeu entrevista à Forbes USA e falou sobre sua trajetória. Com 50 anos de carreira, o artista tornou-se uma referência ao retratar diversas questões sociais e ambientais pelo mundo, como a fuga de refugiados, trabalhos que exigiam extremo esforço físico, comunidades indígenas e a Amazônia. Era comum ele ficar anos dedicando-se aos seus projetos. “Quando vamos a todas essas regiões do mundo, enfrentando todos os problemas e desafios que você pode imaginar, nos perguntamos: sobre ética, legitimidade, segurança. E cabe a nós encontrar a resposta, sozinhos”, afirmou na entrevista.
Lidar com temas tão comoventes e urgentes também mostravam a razão do seu trabalho sempre ter tanta sensibilidade. “Quantas vezes na minha vida eu pus a câmera de lado e sentei para chorar? Porque era dramático demais, e eu estava sozinho. Esse é o poder do fotógrafo: poder estar lá”, disse. Salgado viajou para mais de 120 países, esteve na Guerra do Golfo (1991), testemunhou o genocídio em Ruanda (1994) e viu a febre do ouro, em Serra Pelada — o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado o Pará –, entre tantos outros acontecimentos importantes.
Ao longo de sua carreira, o artista recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes (1998), o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982) e a Medalha do Centenário da Royal Photographic Society (1993). Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas-Artes do Instituto de França. Entre suas obras mais conhecidas estão os livros “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Êxodos” (2000), “Gênesis” (2013) e “Amazônia” (2021).
Em fevereiro de 2024, anunciou sua aposentadoria da fotografia para se dedicar à edição de seu vasto acervo, de milhares de imagens.
A partir de 1º de junho, seu trabalho com mais de 400 fotografias ficaria em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna francesa de Deauville, aberto para a visita do público. Ele descreveu a exposição à Forbes americana como “um passeio pela própria vida”.
Relação com a Amazônia
Sebastião Salgado sempre teve a floresta como um dos principais temas de seu trabalho. Não por acaso, um dos mais conhecidos é “Amazônia”, que percorreu cidades como São Paulo, Paris, Londres e Roma, com suas 194 fotografias, tiradas em 2021. Em 1994, juntamente com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundou a agência Amazonas Images, dedicada à documentação fotográfica de questões sociais e ambientais. Embora tenha admitido que não desejava viver por mais muito tempo ao jornal inglês, Salgado ainda desejava cobrir a COP30 em Belém (PA).
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior
O fotógrafo nasceu em 8 de fevereiro de 1944, na cidade de Aimorés, interior de Minas Gerais. Ele se especializou em economia, com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade em Paris. Inclusive, chegou a trabalhar no Ministério da Economia em 1968.
Em 1969, durante a Ditadura Militar, exilou-se em Paris. Ali começou a trabalhar para a Organização Internacional do Café, no ano de 1971, como consultor no controle de plantações na África. Ao estudar os cafezais da região, notou as infinitas possibilidades da fotografia. Dois anos mais parte, começou a sua trajetória de fotojornalista e nos trouxe sua perspectiva através da lentes, sempre no preto e branco.
Desde 1969, o fotógrafo vivia em Paris. Ele foi obrigado a exilar-se na cidade francesa por conta da Ditadura Militar. Por lá, ele vivia com a esposa e o filho Rodrigo. O apartamento, perto da Praça da Bastilha, conta com um acervo de 500 mil imagens autorais do artista.
Fonte: Forbes, “Sebastião Salgado, maior fotógrafo brasileiro, morre aos 81 anos”, publicado por Karina Merli e Clarissa Palácio, em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos | Conjur
O fotógrafo Sebastião Salgado morreu aos 81 anos nesta sexta-feira (23/05), em Paris. A informação foi confirmada por sua família por meio do Instituto Terra, ONG fundada por ele e pela esposa, Lélia Wanick Salgado. Considerado um dos maiores fotógrafos do mundo, Salgado deixou uma obra marcada pelo olhar humanista e pela sensibilidade social.
O presidente Lula (PT) lamentou sua morte durante uma cerimônia no Palácio do Planalto e pediu um minuto de silêncio, em luto. “Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade e o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, disse.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, presidente Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia, também manifestaram pesar pela morte de Salgado.
“Eu recebo com imensa tristeza a notícia da morte do Sebastião Salgado. Na verdade, um grande artista. Uma morte precoce, 81 anos hoje em dia é muito cedo. Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade. É uma imensa perda para a humanidade. E aqui mando um abraço e consolo para toda a família”, lamentou Barroso.
“Enorme perda para o Brasil e para essa humanidade tão precisada de grandes humanidades como o Tião. Sebastião era Salgado apenas no sobrenome: um ser humano a mostrar uma doçura total, mesmo nas denúncias fotografadas das indignidades e feridas do mundo”, comentou Cármen Lúcia.
O STF conta com 18 painéis fotográficos assinados por Sebastião Salgado que integram o projeto Amazônia e que foram doados por ele e pela esposa.
Legado
Sebastião Salgado era economista de formação, mas se voltou para a fotografia nos anos 1970, após um exílio político durante a ditadura militar. Ao longo da carreira, registrou temas como trabalho, migração, guerras e questões climáticas, percorrendo mais de 120 países.
As imagens em preto e branco são uma marca registrada de Salgado. Para ele, as cores são uma distração do assunto para o qual ele queria chamar atenção em suas fotografias: a dignidade das pessoas retratadas.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os garimpeiros da Serra Pelada, no Pará, trabalhadores em condições extremas, povos indígenas da Amazônia e paisagens como o deserto do Saara e a Antártida.
Fonte: Conjur, “Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos; ministros do STF lamentam”. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST | Brasil De Fato
Sebastião Salgado, um dos mais respeitados nomes da fotografia documental no mundo, morreu nesta sexta-feira (23). Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sua partida representa a perda de um grande aliado da luta pela reforma agrária no Brasil. Para Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST, Salgado era sobretudo um militante da imagem, cuja lente ajudou a revelar ao mundo a violência do latifúndio e a potência da organização popular no campo.
Salgado se aproximou do MST em 1996, ao buscar compreender a realidade agrária do país. A partir desse contato, passou a acompanhar de perto a luta dos camponeses sem terra. Um dos registros mais emblemáticos de sua trajetória com o movimento foi feito na madrugada de 17 de abril daquele ano, quando mais de 3 mil famílias ocuparam a Fazenda Araupel, no Paraná. A fotografia de um camponês com uma foice em punho, rompendo a cerca do latifúndio, se tornou ícone da resistência agrária. Na mesma data, no Pará, ocorreria o massacre de Eldorado dos Carajás, que Salgado também registrou dias depois.
“Sebastião conseguiu captar a essência do movimento, essa força humana de camponeses, mulheres, crianças em busca de terra”, afirmou Baggio, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Desde esse primeiro momento, ele se encontra com a terra, com os camponeses, com o povo brasileiro, e contribui com uma missão extraordinária de solidariedade e apoio ao MST.”
Parte fundamental dessa contribuição foi a doação das imagens da coleção Terra, exposta em diversos países, cuja arrecadação ajudou a viabilizar a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação política e cultural do MST. “Ele doou de forma gratuita e voluntária todo esse trabalho. Foi um militante completo, de linha de frente. Fazia a batalha das ideias através da fotografia, das imagens”, destacou Baggio.
Ao longo de sua carreira, Salgado também voltou sua lente para os garimpeiros de Serra Pelada, a guerra do Golfo e, nos últimos anos, dedicou-se à proteção da Amazônia e à valorização dos povos indígenas. A semana do meio ambiente, de 2 a 6 de junho, teria mais um capítulo dessa relação com o MST: Salgado foi convidado para participar de uma semeadura aérea de açaí e pupunha em áreas da reforma agrária no Paraná, região que havia fotografado 29 anos antes.
Segundo Baggio, o fotógrafo analisava a possibilidade de comparecer. Agora, o plantio será feito em sua homenagem. “Vamos semear em homenagem a ele sementes da vida, da biodiversidade, do cuidado com a natureza”, disse Baggio. “A nossa admiração, gratidão eterna pela solidariedade de Sebastião Salgado. Ele continua vivo conosco aqui no Brasil e nas terras da reforma agrária”, concluiu.
Fonte: Brasil De Fato, “Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST”, texto de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicado em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Crédito fotografico: Fast Company. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior (8 de fevereiro de 1944, Aimorés, Minas Gerais, Brasil — 23 de maio de 2025, Paris, França), mais conhecido como Sebastião Salgado, foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro. Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, com mestrado pela Universidade de São Paulo em 1968 e doutorado pela Universidade de Paris em 1971, iniciou sua trajetória profissional como economista antes de migrar definitivamente para a fotografia em 1973, em Paris. Ao longo da carreira, manteve contato e diálogo com nomes e tradições centrais da fotografia humanista e documental, sendo frequentemente associado a influências como Henri Cartier-Bresson, W. Eugene Smith, Lewis Hine, Robert Capa, Walker Evans e, em sua produção de paisagem, Ansel Adams. Sua obra tornou-se reconhecida pelo uso marcante do preto e branco, pela escala monumental das composições, pela densidade dramática da luz e pelo enfoque em temas como trabalho, migração, fome, conflitos, povos originários e natureza, em séries como Outras Américas, Sahel, Trabalhadores, Êxodos, Gênesis e Amazônia. Entre os reconhecimentos que recebeu estão o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982), a Centenary Medal and Honorary Fellowship da Royal Photographic Society (1993), a nomeação como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF em 2001 e sua eleição para a Académie des Beaux-Arts do Institut de France em 2016. Suas fotografias podem ser vistas em importantes coleções e instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, a Tate, em Londres, o Centre Pompidou, em Paris, o J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, e também no legado ambiental do Instituto Terra, fundado com Lélia Wanick Salgado em Aimorés, onde sua trajetória artística e humana segue fortemente representada.
Sebastião Salgado | Arremate Arte
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, e construiu uma trajetória singular antes de se tornar um dos fotógrafos mais reconhecidos do mundo. Formou-se em Economia, fez mestrado na Universidade de São Paulo em 1968 e concluiu o doutorado na Universidade de Paris em 1971. No fim dos anos 1960, em meio ao contexto da ditadura militar brasileira, mudou-se com Lélia Deluiz Wanick para a França, onde prosseguiu os estudos e trabalhou como economista. Foi justamente durante viagens profissionais à África, ligadas ao seu trabalho na Organização Internacional do Café, que a fotografia deixou de ser um interesse lateral e passou a ocupar o centro de sua vida. Em 1973, Salgado abandonou a carreira econômica para se dedicar integralmente à imagem, decisão que redefiniria não apenas sua biografia, mas também a história da fotografia documental contemporânea.
A partir dessa virada, sua carreira ganhou dimensão internacional. Ele trabalhou nas agências Sygma e Gamma e, em 1979, ingressou na Magnum Photos, permanecendo ali por cerca de quinze anos; em 1994, ao lado de Lélia Wanick Salgado, criou a Amazonas Images, agência dedicada exclusivamente à difusão de sua obra. Desde cedo, seu olhar se voltou para os grandes deslocamentos humanos, as desigualdades e a dignidade dos trabalhadores, dos migrantes e dos povos historicamente invisibilizados. Projetos de longa duração como Other Americas, Sahel, Workers, Migrations e, mais tarde, Genesis consolidaram uma assinatura visual inconfundível: imagens em preto e branco, composição monumental, forte densidade dramática e uma tensão constante entre beleza formal e denúncia social. Em vez de perseguir o instante isolado, Salgado preferia construir séries extensas, fruto de anos de convivência, pesquisa e deslocamentos por dezenas de países, transformando a fotografia em testemunho histórico e reflexão humanista sobre o mundo contemporâneo.
Sua obra alcançou museus, galerias, livros e exposições itinerantes em escala global, ao mesmo tempo em que também despertou debates críticos sobre os limites éticos da representação do sofrimento. Ainda assim, seu trabalho foi amplamente reconhecido por instituições culturais e humanitárias: Salgado serviu por 17 anos como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF, recebeu distinções importantes ao longo da carreira e foi eleito, em 2016, membro da Académie des Beaux-Arts do Institut de France. A dimensão pública de sua trajetória ganhou nova projeção com o documentário O Sal da Terra (The Salt of the Earth), dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Nos anos finais, sua biografia tornou-se inseparável do legado ambiental construído com Lélia no Instituto Terra, fundado em 1998 em Aimorés, projeto que converteu uma paisagem degradada em referência internacional de restauração da Mata Atlântica, educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável. Salgado morreu em Paris em 23 de maio de 2025, deixando uma obra que uniu arte, memória, consciência social e compromisso com a regeneração do planeta.
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Sebastião Salgado | Itaú Cultural
Sebastião Ribeiro Salgado (Aimorés, Minas Gerais, 1944 - Paris, França, 2025). Fotógrafo. Considerado uma referência para a chamada fotografia humanista, Sebastião Salgado, além de registros fotográficos sobre diversos hábitos e culturas, denuncia, por meio de seus trabalhos, situações de desigualdade social e exploração de diferentes povos ao redor do mundo.
Formado em economia, torna-se mestre na área, em 1967, e doutor, em 1971, pela Université de Paris. Antes de iniciar sua carreira na fotografia, trabalha para a Organização Internacional do Café, em Londres. Durante viagem à África, na qual coordena um projeto sobre a cultura do café em Angola, decide se tornar fotógrafo.
Suas primeiras experiências se dão no fotojornalismo, momento no qual trabalha para diferentes agências como Sygma, em 1974, e Gamma, entre os anos de 1975 e 1979, enquanto reside em Paris, capital da França. Nesses trabalhos, documenta conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África. Tem passagem pela agência Magnum, onde se destaca por retratar o atentado sofrido pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1911-2004), em 1981. Permanece na agência entre 1979 e 1994, quando cria sua própria empresa, a Amazonas Imagens. Neste momento, suas imagens passam a ganhar aspectos ainda mais humanistas, registrando as condições humanas em diferentes partes do mundo de maneira documental. Realiza viagens pela América Latina entre 1977 e 1984, documentando as condições de vida dos camponeses e indígenas em diferentes países e cujas fotografias são publicadas no livro Autres Amériques, de 1986.
Muitas vezes, a fotografia de Sebastião Salgado mescla a beleza dramática da composição em preto em branco com a situação da cena retratada, tendo como pano de fundo a denúncia da situação humana, como é o caso da imagem Refugiados do Povoado de Lula Chegando ao Povoado de Kisesa Zaire (1977), na qual uma criança em situação de desnutrição, envolta em tecidos, está no centro da imagem, sendo carregada por um adulto.
Ainda em 1986, após seis anos aguardando autorização do exército brasileiro, o fotógrafo passa uma temporada em Serra Pelada, famoso garimpo de extração de ouro, localizado no Pará. Durante sua permanência, Sebastião retrata o cotidiano do garimpo de trabalho exploratório, os conflitos e os diferentes sentimentos que envolvem o sucesso e o fracasso na busca pelo metal precioso, por meio de vistas gerais impactantes do garimpo completamente lotado de pequenos corpos em movimento, camuflados pela lama, bem como por meio de closes no rosto das pessoas retratadas.
Tecnicamente, suas fotografias são realizadas sempre em preto e branco e com intenso uso da luz natural, sem a interferência de iluminação ou efeitos artificiais. Além disso, suas obras estão influenciadas pela técnica conhecida como “instante decisivo”, que captura o instante em que todos os elementos constitutivos de uma cena se harmonizam. Esta técnica amplia a dramaticidade da imagem por meio das expressões e organizações corporais dos retratados.
O universo do trabalho manual e sua exploração humana também são retratados pelo fotógrafo, como em sua série Trabalhadores, realizada entre 1986 e 1992, na qual retrata diferentes tipos de trabalhos manuais em suas viagens. Retoma a temática em 1996, com a publicação do livro Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial, registrando trabalhos penosos em diferentes experiências pelo mundo, como a pesca do atum na Itália e os trabalhadores rurais no interior do Brasil.
A relação dos povos com suas terras, seja em permanência ou em diáspora, bem como a forma que o trabalho e as condições de desigualdade social transformam as pessoas, sejam seus corpos, expressões e necessidades, são matéria para os trabalhos de Sebastião Salgado e estão reunidas em outros livros do fotógrafo, como Terra (1997) e Êxodos (2000). A relação com a terra também está presente em outras atuações do fotógrafo, como em seu esforço para reflorestar parte da Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, desde 1990 junto com sua esposa, a autora Lélia Wanick Salgado (1947). Esse projeto dá origem, em 1998, ao Instituto Terra, que administra a Reserva Particular do Patrimônio Natural e que, para além do trabalho de restauração, também se dedica à educação sócio-ambiental e pesquisas científicas aplicadas voltadas para a criação de sementes e seus plantios.
Parte intrínseca dessa relação entre os povos e suas terras diz respeito à paisagem, já que é por meio dela que esses povos se organizam e se movimentam. Desta forma, entre 2013 e 2019, o fotógrafo se dedica a registrar a grandiosidade da natureza amazônica, dando origem à série Amazônia, que traz retratos de comunidades indígenas, da fauna e da flora da floresta.
A figura humana está no centro da produção de Sebastião Salgado e é a partir dela que constrói sua narrativa com a terra, com as práticas culturais e com o universo do trabalho, bem como com suas modificações e necessidades, frente às desigualdades sociais que dividem e maltratam pessoas ao redor do mundo.
Análise
Durante uma viagem à África, para coordenar um projeto sobre a cultura do café em Angola, Sebastião Salgado decide tornar-se fotógrafo, como uma forma de denunciar a miséria e os problemas sociais no mundo. Os primeiros anos de fotografia são marcados por grande engajamento político. Fixa-se em Paris em 1974 e passa a fazer a cobertura dos conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África, como, por exemplo, as condições de vida dos imigrantes em países europeus e a atuação do Exército Republicano Irlandês - IRA.
Até 1983, Salgado viaja por vários países da América Latina, elaborando um painel sobre a vida dos camponeses e a resistência cultural dos índios e seus descendentes (Autres Ameriques, 1986). Suas imagens revelam o arcaísmo do modo de vida e a precariedade das condições de trabalho, ao lado da presença da religiosidade e da morte. Entre 1984 e 1985, em viagem ao Sahel, região pré-desértica do norte da África, junto com os Médicos sem Fronteiras, fotografa a devastação causada pela seca. Suas imagens de mulheres vagando pelo deserto e de crianças muito doentes foram divulgadas em todo o mundo (Sahel, l'Homme en Détresse, 1986).
Questionando o desequilíbrio econômico entre países ricos e pobres, o fotógrafo empreende uma vasta obra de documentação do trabalho manual em várias regiões do mundo. Fotografa as duras condições de trabalho na lavoura de cana ou minas de ouro de Serra Pelada, no Brasil; nas plantações de chá em Ruanda; na construção de uma barragem em Rajasthan, Índia; ou nos poços de petróleo no Kuwait. O conjunto de fotografias da exposição Trabalhadores foi exibido simultaneamente em oito países, em 1993.
Na opinião do historiador Pedro Vasquez, o trabalho de Salgado, em termos de afinidades criativas, pode ser comparado ao dos fotógrafos Eugene Smith (1918 - 1978) e Henri Cartier-Bresson (1908). Em comum com Smith, ele tem a solidariedade com o ser humano, refletida em certo ar de gravidade e no sentimento do trágico que permeiam suas fotos. Em relação a Cartier-Bresson, compartilha o apurado senso de composição, o chamado "instante decisivo": o momento fugaz em que todos os elementos constitutivos de uma determinada cena se harmonizam num instante expressivo.
Em suas fotografias, de composição clássica, destaca-se o uso da luz e de negros intensos. Com a força simbólica das imagens e a gravidade dos rostos, o trabalho de Sebastião Salgado, além do caráter de denúncia, resgata a dignidade humana e presta homenagem aos personagens retratados.
Acervos
Coleção Pirelli/Masp de Fotografias - São Paulo SP
Acervo Fundação Cultural de Curitiba - Curitiba PR
Coleção Joaquim Paiva - Brasília DF
Críticas
"Sebastião Salgado é um portador do mistério da arte. O que quer dizer que sua fotografia não se descreve: sente-se. E sente-se de um modo especial, proveniente do que fez Sebastião Salgado ser reconhecido em todo o mundo, em tão poucos anos, como um fotógrafo muito especial.
Diante de sua fotografia não se pode sentir, como é usual que as fotografias provoquem, a ternura, ou a contristação, ou a culpa, ou o deleite estético. Diante da fotografia característica de Sebastião Salgado vêm-nos, em uma rajada única, a ternura e a dor e a culpa e o prazer estético. Inseparáveis e indistinguíveis, consistentes e indisfarçáveis, em uma só rajada, todos os ricos sentimentos que a pobreza emocional dos dias de hoje não foi ainda capaz de consumir e devorar.
É esta capacidade especial que faz de Sebastião Salgado, internacionalmente, o mais solicitado, o mais aclamado e o mais premiado fotógrafo da atualidade (comprovação inquestionável de tal relevância: só em 91, Nova York, capital planetária da fotografia, montou duas grandes exposições suas). A atenção especial que Sebastião Salgado desperta não vem de modernosos truques informáticos, que, de resto, nada têm a ver com a fotografia. Nem se deve aos seus temas prediletos, como supôs uma articulista do 'New Yorker'. Cheguei a estruturar um ensaio para refutar a tese irada do artigo, segundo a qual a 'retórica' de Sebastião Salgado consiste na 'exploração fácil da tragédia' como tema, no 'embelezamento' dela, para chocar o espectador de suas fotos" — Janio de Freitas (Freitas, Janio de. A condição de Salgado. In: SALGADO, Sebastião. As Melhores fotos. Apresentação Janio de Freitas; fotografia Sebastião Salgado. São Paulo: Boccato, 1992).
"As fotografias de Sebastião Salgado são, antes de tudo, o resultado de um exaustivo processo de escolhas entre o que foi visto e o que deverá ser re-visto por cada um de nós. Processo que se torna ainda mais complexo e subjetivo depois de 'escolhidos' os lugares, as pessoas ou os acontecimentos que ele pretende fotografar (ou que acaba fotografando, por mero acaso).
Usando três ou quatro câmeras Leikas e dezenas de rolos de filmes por dia, Sebastião Salgado é capaz de produzir mais de dez mil imagens em uma única viagem, dentre as inúmeras que compõem o extenso roteiro traçado nas duas últimas décadas para documentar histórias (ou a história) e contá-las através de fotografias: a fome na África, o trabalho no mundo contemporâneo, a luta pela terra, o movimento de populações, etc." — Maria Inez Turazzi (REVISTA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Fotografia. nº 27, 1998, p. 225).
Exposições Individuais
1977 - Anger in Africa
1977 - L' Afrique des Colères
1978 - Les 4000 logements de La Courneuve
1982 - Outras Américas
1983 - Outras Américas
1983 - Brésil des Brésiliens
1984 - Vidas Secas
1986 - Outras Américas
1986 - Sahel: L' Homme en Détresse
1987 - Outras Américas
1987 - Sahel: L' Homme en Détresse
1988 - Outras Américas
1988 - Sahel: L' Homme en Détresse
1989 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1989 - Outras Américas
1989 - Sahel: L' Homme en Détresse
1990 - An Uncertain Grace
1990 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1991 - Outras Américas
1991 - An Uncertain Grace
1991 - Sebastiao Salgado: Retrospective
1992 - Outras Américas
1992 - Trabalhadores
1992 - An Uncertain Grace
1992 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1992 - Sebastião Salgado: Retrospective
1993 - Outras Américas
1993 - Trabalhadores
1993 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Trabalhadores
1994 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Serra Pelada
1995 - Serra Pelada
1995 - Trabalhadores
1995 - Outras Américas
1996 - Trabalhadores
1996 - Serra Pelada
1996 - An Uncertain Grace
1996 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1996 - Outras Américas
1996 - Exposition Maison Européenne de la Photographie
1996 - Sebastião Salgado: La Main de l'Homme
1997 - Terra
1997 - Serra Pelada
1997 - Trabalhadores
1997 - Sahel: L' Homme en Détresse
1997 - An Uncertain Grace
1998 - Trabalhadores
1998 - Outras Américas
1998 - Serra Pelada
1998 - An Uncertain Grace
1999 - Trabalhadores
1999 - An Uncertain Grace
1999 - Outras Américas
2000 - Êxodos
2000 - Terra
2000 - Trabalhadores
2000 - An Uncertain Grace
2000 - Migrations
2000 - Exodes
2000 - Sebastião Salgado: Retratos de crianças do êxodo
2000 - In Cammino
2000 - Fé
2000 - Exodos
2001 - Migrations
2001 - Terra
2001 - Trabalhadores
2001 - Exodus
2001 - Êxodos
2001 - O Espírito de Nossa Época
2001 - Exodes
2002 - Exodus
2002 - Outras Américas
2002 - Migrations
2002 - Sebastião Salgado: 25 years of photography
2003 - Exodus
2003 - Outras Américas
2003 - Migrations
2003 - In Principio
2003 - Sebastião Salgado: Fotografias
2003 - The Children: Refugees & Migrants
2003 - Terra
2003 - Flüchtlingskinder
2004 - Migrations: Humanity in Transition
2004 - In Principio
2004 - Exodus
2004 - The End of Polio
2004 - Terra
2004 - Exodus: L'Umanità in Cammino
2005 - Exodus: Photographs by Sebastião Salgado
2005 - Trabalhadores
2005 - In Principio
2005 - L'Homme & L'Eau
2005 - Sebastião Salgado: Workers
2005 - Exodus
2005 - Sebastião Salgado: Territoires et Vies
2005 - The Children of Exodus
2006 - Trabalhadores
2006 - [Individual de Sebastião Salgado]
2006 - Terra
2006 - The Hand of a Man
2006 - Gênesis
2006 - Genesis
2007 - Africa
2007 - Terra
2007 - Trabalhadores
2007 - Outras Américas
2007 - Genesi
2007 - Genesis
2007 - In Cammino
2008 - Les Enfants de L' Exode
2008 - Trabalhadores
2008 - Outras Américas
2008 - Exodes
2008 - Africa
2008 - Aqua Mater
2008 - In Principio
2009 - Trabalhadores
2009 - Sebastião Salgado India: The Children of Exodus
2009 - Sebastião Salgado: Africa
2009 - Aqua Mater
2009 - Africa
2014 - Genesis
2021 - Amazônia
2022 - Amazônia - Sebastião Salgado
2022 - Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado
2023 - Trabalhadores
2025 - The World Sebastiao Salgado
Exposições Coletivas
1989 - U-ABC: Paintings, sculptures, photos from Uruguay, Argentina, Brazil, Chile
1990 - UABC: Uruguai, Argentina, Brasil, Chile
1991 - Coleção Pirelli / MASP de Fotografia
1992 - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung
1994 - Contemporary Brazilian Photography from the collection of Joaquim Paiva
1994 - 4ª Semana de Fotografia de Curitiba
1995 - Fotografia Brasileira Contemporânea
1996 - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias
1996 - Latin American Photography: A Spiritual Journey
1998 - The Art Directors Club in Panamericana
1999 - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998
2000 - China
2000 - Índios 2000
2002 - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva
2003 - Graciela Iturbide, Sebastião Salgado e Raghu Rai
2004 - Sebastião Salgado and Lewis Hine
2004 - Migrations and The Children
2005 - Septembre de la Photo 2005 : Aspect de la Photographie Brésilienne
2005 - The Body at Risk: Photography of Disorder, Illness and Healing
2006 - Indianscope: l'Inde intemporelle dans l'Inde d'aujourd'hui
2006 - Eixos da Fotografia
2007 - Polka Magazine
2007 - Entre Deux Lumières
2009 - Realism and Magic
2009 - Then and Now
2011 - Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - Paris
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2014 - Recortes de uma Coleção
2015 - Ângulos da Notícia – 90 anos de fotojornalismo do Globo
2016 - Marcas da Memória
2017 - Luz = Matéria
2018 - Fotografia em Transe
2019 - Moventes
2019 - 47º Chapel Art Show
2021 - 50 Duetos
2022 - Histórias brasileiras
2024 - Do Brasil à terra
2024 - Woof Woof: the dog in photography
Exposições Póstumas
2025 - Sebastião Salgado, 1944-2025 - Uma mostra de admiração e reconhecimento
Fonte: SEBASTIÃO Salgado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 16 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Sebastião Salgado | Wikipédia
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior OMC (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944 – Paris, 23 de maio de 2025) foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro.
Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
As suas fotos a preto e branco representam a dignidade fundamental das pessoas e são testemunhos contra a guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF e foi multi-premiado pelo seu trabalho.
Juventude
Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967). Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia. A ida para Paris em 1969 reflete asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.
Carreira
Fotografia
Primeiras fotos e mundividência
Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa. Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington. A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.
Primeiros livros
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
Consagração internacional: Desalojamentos em Êxodos
De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres sem residência fixa.
Os últimos livros focam-se em temas como a Pólio, desigualdade, África e ambiente.
Técnica fotográfica e Academia
Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.
Ativismo político e ambiental
Militante contra a ditadura brasileira
Ele e a sua mulher Lélia tornam-se ativistas contra a ditadura. Entre outros, contribuiriam para grupos próximos da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella.[14][15] Na altura, vários ativistas aderiam com maior ou menor intensidade a movimentos de luta armada em resposta a regimes ditatoriais na América Latina como Dilma Rousseff (Brasil - Vanguarda Popular Revolucionária), Carlos Lamarca (Brasil, MR8) ou Pepe Mujica (Uruguai - Tupamaros).
Em 1969, o casal é semi-forçado ao exílio em Paris. Em 1977, seria sinalizado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) num dos seus informes.
Em 1974, fotografa em Portugal a Revolução dos Cravos, juntando a fotografia ao ativismo. De seguida, segue para Angola e Moçambique para registrar as ocorrências até as independências em 1975. Em 1974, em Moçambique sofre um acidente na sequência da explosão de uma mina, vindo a sofrer uma lesão na coluna que causaria problemas para o resto da vida.
Cidadão do mundo e ambientalismo
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado contribuiu generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
O seu trabalho conjugou as pessoas e o ambiente. Depois de fotografar a seca no Sahel, fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoiou um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).
Vida pessoal
Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.
Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down. Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.
Morte
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Prêmios
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982,[29] foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992[30] e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.
W. Eugene Smith Memorial Fund (1982)
Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (RPS) (1993)
Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
Prêmio World Press Photo
The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos[30]
Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
Medalha da Inconfidência.
Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
Prêmio Overseas Press Oub oí America.
Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.
40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem
Prêmio Muriqui
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)[36] (O Prêmio da Paz é concedido desde 1950 e é dotado de 25 000 euros)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)
Praemium Imperiale (2021)
Membro da Academia de Belas-Artes de Paris do Institut de France (abril de 2016)[38][39]
Obras
Outras Américas (1986).
Sahel: O "Homem em Pânico" (1986)
"Um Fotógrafo em Abril" (1999) ISBN: 972-21-1258-9
Trabalhadores (1996) ISBN 8571645884
Terra (1997) ISBN 8420428744
Serra Pelada (1999) ISBN 2097542700
Outras Américas (1999) ISBN 8571649030
Retratos de Crianças do Êxodo (2000) ISBN 8571649359
Êxodos (2000) ISBN 8571649340
O Fim do Pólio (2003) ISBN 8535903690
Um Incerto Estado de Graça (2004) ISBN 9722109839
O Berço da Desigualdade (2005) ISBN 8576520389
África (2007) ISBN 3822856223
Gênesis (2013) ISBN 3836538725
Perfume de Sonho (2015) ISBN 9788869656255
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro | EPIC
Um dos maiores e mais respeitados fotógrafos do mundo é brasileiro. Estamos falando de Sebastião Salgado, do qual esse post é inteiramente dedicado a visitar sua vida e obra, além de seus projetos humanitários, e claro, seu legado na fotografia.
Vida e obra
Sebastião Salgado nasceu no município de Aimoré, no interior de Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944. Atualmente reside em Paris, na França. Pouca gente sabe, mas antes de fotógrafo ele é Economista. Se formou pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e fez mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1967, ano em que a ditadura já havia começado no Brasil, e também o ano em que se casou com a pianista Lélia Deluiz Wanick, que é sua companheira até hoje.
Mais tarde ainda faria Doutorado na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971. Ou seja, Sebastião Salgado é um nato estudioso, com habilidades em cálculos.
O encontro com a fotografia
No início da década 70, Sebastião Salgado trabalhava para a Organização Internacional do Café (OIC). E foi em uma de suas expedições para cafezais da África que realizou sua primeira sessão de fotos. A câmera utilizada, segundo ele, era uma Leica emprestada pela sua esposa. Suas fotos retratavam a situação econômica dos lugares onde passava de forma mais eficiente que relatórios e estudos estatísticos.
Primeira foto famosa
Em 1973, Sebastião Salgado passa a ser um fotojornalista independente. Passou por agências de fotógrafos como Sygma, Gamma, e Magnum. Mais tarde abriria sua prórpia agência de fotografia, a Amazonas Images. No início da década de 80, foi encarregado de cobrir a posse e primeiros 100 dias de governo do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos - o que possibilitou documentar um atentado à tiros cometido por John Hinckley Jr., que tentara assinar o então presidente.
Em uma excelente entrevista no programa Conversa com Bial, Sebastião Salgado dá detalhes dos bastidores dessa foto. Fala, inclusive, que foi esta imagem que o projetou para o mundo como fotógrafo documental, pois enquanto todo mundo corria, ele se aproximava da cena do crime para fotografar.
Com a venda da fotos para veículos de imprensa do mundo inteiro, Salgado pode realizar um desejo pessoal: retornar a África, desta vez para fazer uma sessão de fotos documental. Seu currículo, fama e experiência foram aumentando exponencialmente, até que decidiu publicar suas histórias e fotografias em...
Livros
Transcendendo a fotografia, Sebastião Salgado publicou 12 obras literárias ao longo de sua carreira:
• Trabalhadores (1996)
• Terra (1997)
• Serra Pelada (1999)
• Outras Américas (1999)
• Retratos de Crianças do Êxodo (2000)
• Êxodos (2000)
• O Fim do Pólio (2003)
• Um Incerto Estado de Graça (2004)
• O Berço da Desigualdade (2005)
• África (2007)
• Gênesis (2013)
• Perfume de Sonho (2015)
Em seus livros, Sebastião Salgado deixou claro sua luta pessoal com questões humanitárias. Suas imagens dão luz à realidades que muitas pessoas sequer conseguem imaginar, retratando - sempre em preto e branco - guerras, pobreza, desigualdades e injustiça.
Estes fatos contribuíram para que Sebastião Salgado se tornasse membro colaborador de diversas instituições ao redor do mundo, como por exemplo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Mundial da Saúde (OMS), Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
Ao lado de sua esposa Lélia, direciona um gigantesco projeto de reflorestamento em Minas Gerais - o mesmo que foi destaque no documentário O Sal da Terra, dirigido pelo seu filho e indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015.
Já indicamos O Sal da Terra no post sobre Filmes, séries e documentários disponíveis na Netflix ou Youtube.
Prêmios
Sua trajetória lhe rendeu uma porção de prêmios, dos quais podemos destacar:
• Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães (2019) - sendo o primeiro fotógrafo a receber a honraria;
• Prêmio Jabuti de Literatura, pelo livro Terra, na categoria Reportagem (1998); e outros como:
• Prêmio Príncipe de Asturias das Artes, 1998;
• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária;
• Prêmio World Press Photo;
• The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental;
• Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência nos Estados Unidos;
• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores;
• Medalha da Inconfidência;
• Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos;
• Prêmio Overseas Press Oub oí America;
• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography;
• Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil;
• Prêmio Muriqui;
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016);
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016);
Fotografia em preto e branco
A fotografia em preto e branco se tornou marca registrada da fotografia de Salgado, mais especificamente desde 1987. Em entrevista recente, ele explica: que a cor pode causar um ruído na mensagem que quer passar, distraindo o receptor. "O preto e branco me permite concentrar na personalidade das pessoas, na dignidade, então eu transformo a realidade em uma realidade mais forte ainda".
Fonte: EPIC, “Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro”, publicado por Vinícius Franco. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo” | El País
É uma lenda viva da imagem documental. Durante quatro décadas fotografou as maiores atrocidades do ser humano e as mais esplêndidas paragens do planeta. Aos seus 75 anos, recheado de prêmios e reconhecimento, está na reta final de outro de seus hercúleos projetos sobre as tribos da Amazônia. Seu motor foi a curiosidade por conhecer as coisas do mundo e a vontade de transmiti-las; caminhando de lugar em lugar, diz, como “um homem da Idade Média”
Com sua fotografia documental, de um preto e branco puríssimo, Sebastião Salgado fotografa há mais de quatro décadas os maiores horrores cometidos pela espécie humana e as grandes belezas naturais do planeta. Após sair do Brasil fugindo da ditadura em 1969, ficou uma década fora e, por culpa da fotografia, deixou de lado um promissor trabalho como economista. Ainda que tenha começado “tarde”, como reconhece, hoje tem todos os prêmios e reconhecimentos possíveis da arte da imagem. Nascido em 1944 em Aimorés, Minas Gerais, aos 75 anos, que nem de longe aparenta, esteve em mais de 130 países e está na reta final de outro de seus hercúleos projetos, sobre tribos da Amazônia. Salgado fala com paixão e convicção, suas ideias fluem em um espanhol com o característico suave sotaque brasileiro. Do jovem comunista de cabelos compridos e barba frondosa resta uma cabeça raspada e sobrancelhas espessas, brancas, que de vez em quando alisa como se procurasse nelas o fio de seus argumentos.
Como está seu trabalho sobre a Amazônia?
Estou envolvido nele há vários anos e ainda restam três histórias por fazer. Serão no total 30 reportagens sobre 13 tribos, com muita fotografia aérea, porque assim é possível dar uma ideia da grande extensão da floresta e dos rios. O maior volume de água no Amazonas vem pelas evaporações, autênticas correntes aéreas de umidade que garantem a chuva em grande parte do planeta ao deslocarem-se como nuvens. Acho que nessa série as fotografias do sistema montanhoso do Amazonas irão surpreender. Você tem a impressão de que está nos Alpes, são colossais. A última reportagem será sobre animais.
Como são essas tribos com as quais conviveu?
Há de tudo. Os korubos, no vale do Javari, foram contatados pelo homem branco em 2015, mas outras o foram no século XIX. Há uma tribo que é herdeira da cultura inca, chegaram ao Brasil deslocados pelos espanhóis. Têm uma agricultura sofisticada, criadouros de peixes e tartarugas...
Mas o que te surpreendeu dos que vivem na floresta?
O que mais me impressiona é que não há surpresa, já não há muito a descobrir. Eu pensava que demoraria meses a me adaptar a eles e foram horas. Porque somos nós mesmos. Só há uma pequena diferença física, os pés. Veja seus pés, Manuel! São uma deformação, estão doentes porque estão sempre em um sapato que os deforma. Os pés dessas comunidades, entretanto, são triangulares, a parte de trás é fina e a da frente é larga; utilizam os dedos para se equilibrar, subir nas árvores, e saltar de uma para outra.
Em 1982 você recebeu o Prêmio W. Eugene Smith de Fotografia Humanitária. Desde então foi nomeado cavaleiro da Legião de Honra na França, ganhou um World Press Photo em 1985, o Hasselblad em 1989; Na Espanha foi o primeiro fotógrafo a receber o Príncipe de Astúrias das Artes. Agora ganhou em Madri um prêmio da Sociedade Geográfica Espanhola “pela qualidade e espírito de seu trabalho de viagens”.
Se é por isso, mereço porque sou, provavelmente, uma das pessoas do planeta que mais caminharam [risos]. Quando estava no avião e via pela janela as montanhas, os rios... o planeta é maravilhoso. Sempre pensei que, por meu tipo de fotografia, sou como aqueles homens que na Idade Média, movidos pela curiosidade, iam de cidade em cidade para conhecer as coisas e transmiti-las. A vida dos fotógrafos é assim: ir, descobrir, conhecer e transmitir. A fotografia que faço é o espelho da sociedade. É uma função que não existia há 100 anos e que não acho que irá existir daqui a 20...
Por quê? Hoje, com um celular são feitas imagens de uma qualidade incrível, mesmo que isso não seja fotografia. É uma linguagem de comunicação, mas a fotografia é algo que você toca, guarda. As demandas, entretanto, estão mudando.
“As imagens de um celular têm uma qualidade incrível, mas não são fotografia. Fotografia é algo que você toca, que guarda”
Só se interessou pela fotografia em 1973, quando tinha quase 30 anos. Em quem se fixou um autodidata como você? Eu adorava a pintura, fotografava obras em preto e branco de Rembrandt. Comecei a ver que podia criar essas mesmas luzes e profundidades. O fotógrafo deve transmitir o que seu olho vê no momento de disparar, é preciso romper os limites da câmera. E ver o que os outros fazem não significa nada, cada um tem suas luzes interiores. A fotografia é feita com o passado de cada um, com sua ideologia. Eu trabalhei na Magnum com grandes fotógrafos, mas as afinidades eram mais pessoas do que técnicas.
Sua trajetória se caracterizou por projetos que foram maratonas (Trabalhadores, Êxodos, Gênesis). Por que sempre essa longa duração?
No caso de Êxodos, eu sou um imigrante, vivo em um país estrangeiro [França] e queria fazer um trabalho sobre as grandes migrações porque também era minha história. Vivi sete anos na estrada procurando essas pessoas e passei vários meses em nove grandes cidades nas quais os imigrantes chegavam. Em Trabalhadores, como fui economista, senti que a grande revolução industrial chegava a seu fim pelos computadores. A mão já não iria ser tão importante na linha de produção, de modo que também me identifiquei com eles.
Fotografou os desfavorecidos, sua fotografia foi descrita como humanitária e social. Não quis retratar os desfavorecidos, eu nunca fui um militante, é somente minha forma de vida e o que eu pensava. Houve quem disse [como Susan Sontag] que Salgado fazia estética da miséria... Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo. Conheço a África como a palma de minha mão porque há somente 150 milhões de anos a África e a América eram o mesmo continente.
Também sempre teve claro que sua obra de peso seria em preto e branco?
Claro, em cores era para as encomendas... Olhe ali! [Salgado mostra um lado do vestíbulo do hotel em que ocorre a entrevista, decorado com sofás violetas e vermelhos]. Lá, um retratado se perderia entre essas cores. A fotografia colorida acentua as cores, e isso me distraía. Com o preto, o branco e o cinza isso não ocorria. Sabe outra coisa que me desconcentrava? Quando, na época em que se utilizava filme, tinha que parar, tirar o rolo e trocá-lo por outro.
“Foi dito que eu fazia estética da miséria. Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo”
E o que fazia?
Cantava. Como conseguia trocar o filme de olhos fechados, cantava MPB e assim não perdia a concentração.
Em algumas de suas célebres fotografias, como a de um garimpeiro em Serra Pelada, apoiado em uma estrutura de madeira, se vê referências da iconografia cristã. Isso lhe serviu de inspiração?
É possível, eu sou de Minas Gerais, o Estado mais barroco do Brasil. Quando fotografo, sempre há um pequeno rastro de algo que me influenciou. Certamente quando fiz essa foto eu via São Sebastião com as flechas, mas minhas fotografias não são modernas e pós-modernas, são barrocas porque vêm desse mundo.
Você foi fotojornalista, mas após o genocídio de Ruanda, em 1994, perdeu por um tempo a fé na fotografia e se refugiou na geografia de sua infância, na fazenda de seu pai, seca e arrasada pela criação de gado. Foi aí que nasceu sua preocupação pela natureza?
Não, eu nasci e cresci na natureza. Meu pai tinha fazendas e eu passava o dia a cavalo e caminhando. Aos domingos, eu e vários amigos acordávamos às quatro da madrugada para caçar; voltávamos de tarde, exaustos, e íamos nadar. A parte principal de meu trabalho foi a fotografia da natureza, não as pessoas...
Você sempre elogiou as organizações humanitárias com as quais trabalhou e se mostrou crítico com os Governos. Mantém essa ideia?
Não fui tão crítico. Fui de esquerda, quando jovem acreditava que era preciso tomar o poder pela força..., mas precisamos trabalhar juntos. É mentira isso de que uma foto pode mudar o mundo; o que pode mudá-lo é o trabalho conjunto das ONGs, a imprensa, os Governos...
Falando de Governo, como vê o Brasil, com o ultradireitista Jair Bolsonaro na presidência?
É um personagem conflitivo e que gera desequilíbrios por propostas como a destruição da floresta e das comunidades indígenas. São ideias de extrema direita, mas a sociedade brasileira é capaz de oferecer-lhe resistência. Ele foi eleito democraticamente por uma importante maioria, de modo que é preciso trabalhar para que essas pessoas não apoiem novamente essas ideias retrógradas. O que aconteceu é ruim, mas ao mesmo tempo é bom porque criou um sistema de militâncias, com pessoas que querem defender seus direitos.
E o que o incomoda no restante da América Latina?
Eu fico muito preocupado com o que acontece atualmente na Venezuela, é um crime. Mas é preciso compreender a história desse país. Eu trabalhei lá antes de Hugo Chávez e era um Estado dirigido por uma burguesia que lhe roubou tudo. Chávez chegou ao poder com apoio popular, mas depois cometeu erros brutais e abusou de seu poder. Com Maduro a economia foi destruída, e é preciso mudar isso, mas não com uma intervenção militar estrangeira. Somos democracias jovens e é preciso olhar a história da Europa para entender o que acontece na América Latina.
Justamente, a carta do presidente do México pedindo ao rei Felipe VI que peça perdão pela conquista causou um reboliço.
A Espanha não deve se desculpar. Foi uma proposta oportunista de um político, não de um povo. Mas não é um problema que isso seja discutido, e os primeiros a o fazer, os mexicanos, que em 90% são indígenas. Você vai em uma festa da burguesia no México e todos os garçons são índios. A conquista foi uma aventura total, 30% dos espanhóis que foram não voltaram, morreram. Quando Cortés diz a Montezuma que seus soldados estão doentes e que o único remédio é o ouro... é a história da humanidade.
Em 2014, sua vida e obra inspirou o premiado documentário ‘O Sal da Terra’, dirigido por seu filho Juliano e Wim Wenders. Como foi a experiência?
Muito difícil, porque o fotógrafo precisa se relacionar com o que fotografa e quando você se transforma em intermediário é um produto de quem está filmando. Meu filho já havia me filmado... e eu brigava com ele, mas era meu filho, era mais simples. Na filmagem com ele e Wim existiam três câmeras, uma equipe de som..., um carnaval! Eu o fiz por Juliano.
Sua esposa, Lélia Wanick, planeja e produz seus livros. Como é sua relação profissional em um casal que está casado há meio século?
Não é complicado, amo profundamente minha mulher, tem um gosto excepcional, uma capacidade de organização que eu não tenho, se ocupa das exposições que temos por todo o planeta e adoro os livros que ela produz para mim. E assim vamos, lutando... Comecei com ela há 55 anos. Desde o começo me apoiou porque as coisas que eu procurava não estavam na porta de casa, precisava ficar tempos fora e ela cuidou de nossos filhos [além de Juliano, têm outro, Rodrigo, com síndrome de Down].
Em uma entrevista em 2007 ao EL PAÍS, jornal em que publicou seus principais trabalhos, disse que nunca utilizaria o digital, mas acabou por fazê-lo.
A qualidade do digital no começo não era tão grande e depois foi uma facilidade porque permitia usar uma câmera leve, rápida. Além disso, a qualidade em filme caiu porque era muito caro... Em minhas viagens, levava 600 rolos de filme, pesavam 35 quilos, brigava nos aeroportos... Hoje, com uma caixa do tamanho de um celular levo esses 600 filmes.
As redes sociais lhe interessam?
Há uma conta em seu nome no Instagram... Não é minha! E no Facebook há outras duas que também não são..., são falsas. Uma vez briguei por meses para que retirassem uma conta e apareceram cinco. Não me interessa, o que é exposto ali é... como se você abaixasse as calças e mostrasse a bunda pela janela. Não é da minha geração, não é o meu mundo.
Teve tempo para fazer um balanço?
Acho que contribuí à consciência do cuidado do planeta. Tive sucesso e cheguei com meu trabalho às pessoas graças a organizações como a Unicef, Save the Children, Médicos Sem Fronteiras..., mas eu sozinho com minhas imagens não teria feito nada, seria como o pó.
Fonte: El País, “Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo”", publicado por Manuel Morales, em 23 de junho de 2019. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado, Maior Fotógrafo Brasileiro, Morre Aos 81 Anos | Forbes
Nesta sexta-feira (23), o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, considerado o mais importante do país e reconhecido mundialmente, faleceu aos 81 anos, em Paris (FRA). O artista enfrentava problemas de saúde, após adquirir malária ainda nos anos de 1990, na Indonésia, onde não foi tratada adequadamente. Inclusive, em entrevista ao “The Guardian”, em 2024, Salgado falou que as complicações da doença o motivaram a se aposentar.
Em uma rede social, o Instituto Terra Oficial, fundado por Salgado, publicou uma nota de pesar. “Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade”, escreveu. O projeto fazia reflorestamento em um antiga fazenda da família, com o intuito de recuperar a biodiversidade da Mata Atlântica.
Em entrevista à Forbes USA, o fotógrafo afirmou que esperava viver por mais dez anos para ver a evolução do espaço, que teria novas 10 milhões de árvores. Segundo ele, trata-se do maior projeto ecológico do Brasil na atualidade.
Sebastião Salgado deixa a esposa, dois filhos e dois netos, além de uma legião de admiradores pelo mundo.
O fotógrafo
Recentemente, Salgado concedeu entrevista à Forbes USA e falou sobre sua trajetória. Com 50 anos de carreira, o artista tornou-se uma referência ao retratar diversas questões sociais e ambientais pelo mundo, como a fuga de refugiados, trabalhos que exigiam extremo esforço físico, comunidades indígenas e a Amazônia. Era comum ele ficar anos dedicando-se aos seus projetos. “Quando vamos a todas essas regiões do mundo, enfrentando todos os problemas e desafios que você pode imaginar, nos perguntamos: sobre ética, legitimidade, segurança. E cabe a nós encontrar a resposta, sozinhos”, afirmou na entrevista.
Lidar com temas tão comoventes e urgentes também mostravam a razão do seu trabalho sempre ter tanta sensibilidade. “Quantas vezes na minha vida eu pus a câmera de lado e sentei para chorar? Porque era dramático demais, e eu estava sozinho. Esse é o poder do fotógrafo: poder estar lá”, disse. Salgado viajou para mais de 120 países, esteve na Guerra do Golfo (1991), testemunhou o genocídio em Ruanda (1994) e viu a febre do ouro, em Serra Pelada — o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado o Pará –, entre tantos outros acontecimentos importantes.
Ao longo de sua carreira, o artista recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes (1998), o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982) e a Medalha do Centenário da Royal Photographic Society (1993). Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas-Artes do Instituto de França. Entre suas obras mais conhecidas estão os livros “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Êxodos” (2000), “Gênesis” (2013) e “Amazônia” (2021).
Em fevereiro de 2024, anunciou sua aposentadoria da fotografia para se dedicar à edição de seu vasto acervo, de milhares de imagens.
A partir de 1º de junho, seu trabalho com mais de 400 fotografias ficaria em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna francesa de Deauville, aberto para a visita do público. Ele descreveu a exposição à Forbes americana como “um passeio pela própria vida”.
Relação com a Amazônia
Sebastião Salgado sempre teve a floresta como um dos principais temas de seu trabalho. Não por acaso, um dos mais conhecidos é “Amazônia”, que percorreu cidades como São Paulo, Paris, Londres e Roma, com suas 194 fotografias, tiradas em 2021. Em 1994, juntamente com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundou a agência Amazonas Images, dedicada à documentação fotográfica de questões sociais e ambientais. Embora tenha admitido que não desejava viver por mais muito tempo ao jornal inglês, Salgado ainda desejava cobrir a COP30 em Belém (PA).
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior
O fotógrafo nasceu em 8 de fevereiro de 1944, na cidade de Aimorés, interior de Minas Gerais. Ele se especializou em economia, com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade em Paris. Inclusive, chegou a trabalhar no Ministério da Economia em 1968.
Em 1969, durante a Ditadura Militar, exilou-se em Paris. Ali começou a trabalhar para a Organização Internacional do Café, no ano de 1971, como consultor no controle de plantações na África. Ao estudar os cafezais da região, notou as infinitas possibilidades da fotografia. Dois anos mais parte, começou a sua trajetória de fotojornalista e nos trouxe sua perspectiva através da lentes, sempre no preto e branco.
Desde 1969, o fotógrafo vivia em Paris. Ele foi obrigado a exilar-se na cidade francesa por conta da Ditadura Militar. Por lá, ele vivia com a esposa e o filho Rodrigo. O apartamento, perto da Praça da Bastilha, conta com um acervo de 500 mil imagens autorais do artista.
Fonte: Forbes, “Sebastião Salgado, maior fotógrafo brasileiro, morre aos 81 anos”, publicado por Karina Merli e Clarissa Palácio, em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos | Conjur
O fotógrafo Sebastião Salgado morreu aos 81 anos nesta sexta-feira (23/05), em Paris. A informação foi confirmada por sua família por meio do Instituto Terra, ONG fundada por ele e pela esposa, Lélia Wanick Salgado. Considerado um dos maiores fotógrafos do mundo, Salgado deixou uma obra marcada pelo olhar humanista e pela sensibilidade social.
O presidente Lula (PT) lamentou sua morte durante uma cerimônia no Palácio do Planalto e pediu um minuto de silêncio, em luto. “Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade e o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, disse.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, presidente Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia, também manifestaram pesar pela morte de Salgado.
“Eu recebo com imensa tristeza a notícia da morte do Sebastião Salgado. Na verdade, um grande artista. Uma morte precoce, 81 anos hoje em dia é muito cedo. Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade. É uma imensa perda para a humanidade. E aqui mando um abraço e consolo para toda a família”, lamentou Barroso.
“Enorme perda para o Brasil e para essa humanidade tão precisada de grandes humanidades como o Tião. Sebastião era Salgado apenas no sobrenome: um ser humano a mostrar uma doçura total, mesmo nas denúncias fotografadas das indignidades e feridas do mundo”, comentou Cármen Lúcia.
O STF conta com 18 painéis fotográficos assinados por Sebastião Salgado que integram o projeto Amazônia e que foram doados por ele e pela esposa.
Legado
Sebastião Salgado era economista de formação, mas se voltou para a fotografia nos anos 1970, após um exílio político durante a ditadura militar. Ao longo da carreira, registrou temas como trabalho, migração, guerras e questões climáticas, percorrendo mais de 120 países.
As imagens em preto e branco são uma marca registrada de Salgado. Para ele, as cores são uma distração do assunto para o qual ele queria chamar atenção em suas fotografias: a dignidade das pessoas retratadas.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os garimpeiros da Serra Pelada, no Pará, trabalhadores em condições extremas, povos indígenas da Amazônia e paisagens como o deserto do Saara e a Antártida.
Fonte: Conjur, “Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos; ministros do STF lamentam”. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST | Brasil De Fato
Sebastião Salgado, um dos mais respeitados nomes da fotografia documental no mundo, morreu nesta sexta-feira (23). Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sua partida representa a perda de um grande aliado da luta pela reforma agrária no Brasil. Para Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST, Salgado era sobretudo um militante da imagem, cuja lente ajudou a revelar ao mundo a violência do latifúndio e a potência da organização popular no campo.
Salgado se aproximou do MST em 1996, ao buscar compreender a realidade agrária do país. A partir desse contato, passou a acompanhar de perto a luta dos camponeses sem terra. Um dos registros mais emblemáticos de sua trajetória com o movimento foi feito na madrugada de 17 de abril daquele ano, quando mais de 3 mil famílias ocuparam a Fazenda Araupel, no Paraná. A fotografia de um camponês com uma foice em punho, rompendo a cerca do latifúndio, se tornou ícone da resistência agrária. Na mesma data, no Pará, ocorreria o massacre de Eldorado dos Carajás, que Salgado também registrou dias depois.
“Sebastião conseguiu captar a essência do movimento, essa força humana de camponeses, mulheres, crianças em busca de terra”, afirmou Baggio, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Desde esse primeiro momento, ele se encontra com a terra, com os camponeses, com o povo brasileiro, e contribui com uma missão extraordinária de solidariedade e apoio ao MST.”
Parte fundamental dessa contribuição foi a doação das imagens da coleção Terra, exposta em diversos países, cuja arrecadação ajudou a viabilizar a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação política e cultural do MST. “Ele doou de forma gratuita e voluntária todo esse trabalho. Foi um militante completo, de linha de frente. Fazia a batalha das ideias através da fotografia, das imagens”, destacou Baggio.
Ao longo de sua carreira, Salgado também voltou sua lente para os garimpeiros de Serra Pelada, a guerra do Golfo e, nos últimos anos, dedicou-se à proteção da Amazônia e à valorização dos povos indígenas. A semana do meio ambiente, de 2 a 6 de junho, teria mais um capítulo dessa relação com o MST: Salgado foi convidado para participar de uma semeadura aérea de açaí e pupunha em áreas da reforma agrária no Paraná, região que havia fotografado 29 anos antes.
Segundo Baggio, o fotógrafo analisava a possibilidade de comparecer. Agora, o plantio será feito em sua homenagem. “Vamos semear em homenagem a ele sementes da vida, da biodiversidade, do cuidado com a natureza”, disse Baggio. “A nossa admiração, gratidão eterna pela solidariedade de Sebastião Salgado. Ele continua vivo conosco aqui no Brasil e nas terras da reforma agrária”, concluiu.
Fonte: Brasil De Fato, “Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST”, texto de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicado em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Crédito fotografico: Fast Company. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior (8 de fevereiro de 1944, Aimorés, Minas Gerais, Brasil — 23 de maio de 2025, Paris, França), mais conhecido como Sebastião Salgado, foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro. Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, com mestrado pela Universidade de São Paulo em 1968 e doutorado pela Universidade de Paris em 1971, iniciou sua trajetória profissional como economista antes de migrar definitivamente para a fotografia em 1973, em Paris. Ao longo da carreira, manteve contato e diálogo com nomes e tradições centrais da fotografia humanista e documental, sendo frequentemente associado a influências como Henri Cartier-Bresson, W. Eugene Smith, Lewis Hine, Robert Capa, Walker Evans e, em sua produção de paisagem, Ansel Adams. Sua obra tornou-se reconhecida pelo uso marcante do preto e branco, pela escala monumental das composições, pela densidade dramática da luz e pelo enfoque em temas como trabalho, migração, fome, conflitos, povos originários e natureza, em séries como Outras Américas, Sahel, Trabalhadores, Êxodos, Gênesis e Amazônia. Entre os reconhecimentos que recebeu estão o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982), a Centenary Medal and Honorary Fellowship da Royal Photographic Society (1993), a nomeação como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF em 2001 e sua eleição para a Académie des Beaux-Arts do Institut de France em 2016. Suas fotografias podem ser vistas em importantes coleções e instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, a Tate, em Londres, o Centre Pompidou, em Paris, o J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, e também no legado ambiental do Instituto Terra, fundado com Lélia Wanick Salgado em Aimorés, onde sua trajetória artística e humana segue fortemente representada.
Sebastião Salgado | Arremate Arte
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, e construiu uma trajetória singular antes de se tornar um dos fotógrafos mais reconhecidos do mundo. Formou-se em Economia, fez mestrado na Universidade de São Paulo em 1968 e concluiu o doutorado na Universidade de Paris em 1971. No fim dos anos 1960, em meio ao contexto da ditadura militar brasileira, mudou-se com Lélia Deluiz Wanick para a França, onde prosseguiu os estudos e trabalhou como economista. Foi justamente durante viagens profissionais à África, ligadas ao seu trabalho na Organização Internacional do Café, que a fotografia deixou de ser um interesse lateral e passou a ocupar o centro de sua vida. Em 1973, Salgado abandonou a carreira econômica para se dedicar integralmente à imagem, decisão que redefiniria não apenas sua biografia, mas também a história da fotografia documental contemporânea.
A partir dessa virada, sua carreira ganhou dimensão internacional. Ele trabalhou nas agências Sygma e Gamma e, em 1979, ingressou na Magnum Photos, permanecendo ali por cerca de quinze anos; em 1994, ao lado de Lélia Wanick Salgado, criou a Amazonas Images, agência dedicada exclusivamente à difusão de sua obra. Desde cedo, seu olhar se voltou para os grandes deslocamentos humanos, as desigualdades e a dignidade dos trabalhadores, dos migrantes e dos povos historicamente invisibilizados. Projetos de longa duração como Other Americas, Sahel, Workers, Migrations e, mais tarde, Genesis consolidaram uma assinatura visual inconfundível: imagens em preto e branco, composição monumental, forte densidade dramática e uma tensão constante entre beleza formal e denúncia social. Em vez de perseguir o instante isolado, Salgado preferia construir séries extensas, fruto de anos de convivência, pesquisa e deslocamentos por dezenas de países, transformando a fotografia em testemunho histórico e reflexão humanista sobre o mundo contemporâneo.
Sua obra alcançou museus, galerias, livros e exposições itinerantes em escala global, ao mesmo tempo em que também despertou debates críticos sobre os limites éticos da representação do sofrimento. Ainda assim, seu trabalho foi amplamente reconhecido por instituições culturais e humanitárias: Salgado serviu por 17 anos como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF, recebeu distinções importantes ao longo da carreira e foi eleito, em 2016, membro da Académie des Beaux-Arts do Institut de France. A dimensão pública de sua trajetória ganhou nova projeção com o documentário O Sal da Terra (The Salt of the Earth), dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Nos anos finais, sua biografia tornou-se inseparável do legado ambiental construído com Lélia no Instituto Terra, fundado em 1998 em Aimorés, projeto que converteu uma paisagem degradada em referência internacional de restauração da Mata Atlântica, educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável. Salgado morreu em Paris em 23 de maio de 2025, deixando uma obra que uniu arte, memória, consciência social e compromisso com a regeneração do planeta.
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Sebastião Salgado | Itaú Cultural
Sebastião Ribeiro Salgado (Aimorés, Minas Gerais, 1944 - Paris, França, 2025). Fotógrafo. Considerado uma referência para a chamada fotografia humanista, Sebastião Salgado, além de registros fotográficos sobre diversos hábitos e culturas, denuncia, por meio de seus trabalhos, situações de desigualdade social e exploração de diferentes povos ao redor do mundo.
Formado em economia, torna-se mestre na área, em 1967, e doutor, em 1971, pela Université de Paris. Antes de iniciar sua carreira na fotografia, trabalha para a Organização Internacional do Café, em Londres. Durante viagem à África, na qual coordena um projeto sobre a cultura do café em Angola, decide se tornar fotógrafo.
Suas primeiras experiências se dão no fotojornalismo, momento no qual trabalha para diferentes agências como Sygma, em 1974, e Gamma, entre os anos de 1975 e 1979, enquanto reside em Paris, capital da França. Nesses trabalhos, documenta conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África. Tem passagem pela agência Magnum, onde se destaca por retratar o atentado sofrido pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1911-2004), em 1981. Permanece na agência entre 1979 e 1994, quando cria sua própria empresa, a Amazonas Imagens. Neste momento, suas imagens passam a ganhar aspectos ainda mais humanistas, registrando as condições humanas em diferentes partes do mundo de maneira documental. Realiza viagens pela América Latina entre 1977 e 1984, documentando as condições de vida dos camponeses e indígenas em diferentes países e cujas fotografias são publicadas no livro Autres Amériques, de 1986.
Muitas vezes, a fotografia de Sebastião Salgado mescla a beleza dramática da composição em preto em branco com a situação da cena retratada, tendo como pano de fundo a denúncia da situação humana, como é o caso da imagem Refugiados do Povoado de Lula Chegando ao Povoado de Kisesa Zaire (1977), na qual uma criança em situação de desnutrição, envolta em tecidos, está no centro da imagem, sendo carregada por um adulto.
Ainda em 1986, após seis anos aguardando autorização do exército brasileiro, o fotógrafo passa uma temporada em Serra Pelada, famoso garimpo de extração de ouro, localizado no Pará. Durante sua permanência, Sebastião retrata o cotidiano do garimpo de trabalho exploratório, os conflitos e os diferentes sentimentos que envolvem o sucesso e o fracasso na busca pelo metal precioso, por meio de vistas gerais impactantes do garimpo completamente lotado de pequenos corpos em movimento, camuflados pela lama, bem como por meio de closes no rosto das pessoas retratadas.
Tecnicamente, suas fotografias são realizadas sempre em preto e branco e com intenso uso da luz natural, sem a interferência de iluminação ou efeitos artificiais. Além disso, suas obras estão influenciadas pela técnica conhecida como “instante decisivo”, que captura o instante em que todos os elementos constitutivos de uma cena se harmonizam. Esta técnica amplia a dramaticidade da imagem por meio das expressões e organizações corporais dos retratados.
O universo do trabalho manual e sua exploração humana também são retratados pelo fotógrafo, como em sua série Trabalhadores, realizada entre 1986 e 1992, na qual retrata diferentes tipos de trabalhos manuais em suas viagens. Retoma a temática em 1996, com a publicação do livro Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial, registrando trabalhos penosos em diferentes experiências pelo mundo, como a pesca do atum na Itália e os trabalhadores rurais no interior do Brasil.
A relação dos povos com suas terras, seja em permanência ou em diáspora, bem como a forma que o trabalho e as condições de desigualdade social transformam as pessoas, sejam seus corpos, expressões e necessidades, são matéria para os trabalhos de Sebastião Salgado e estão reunidas em outros livros do fotógrafo, como Terra (1997) e Êxodos (2000). A relação com a terra também está presente em outras atuações do fotógrafo, como em seu esforço para reflorestar parte da Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, desde 1990 junto com sua esposa, a autora Lélia Wanick Salgado (1947). Esse projeto dá origem, em 1998, ao Instituto Terra, que administra a Reserva Particular do Patrimônio Natural e que, para além do trabalho de restauração, também se dedica à educação sócio-ambiental e pesquisas científicas aplicadas voltadas para a criação de sementes e seus plantios.
Parte intrínseca dessa relação entre os povos e suas terras diz respeito à paisagem, já que é por meio dela que esses povos se organizam e se movimentam. Desta forma, entre 2013 e 2019, o fotógrafo se dedica a registrar a grandiosidade da natureza amazônica, dando origem à série Amazônia, que traz retratos de comunidades indígenas, da fauna e da flora da floresta.
A figura humana está no centro da produção de Sebastião Salgado e é a partir dela que constrói sua narrativa com a terra, com as práticas culturais e com o universo do trabalho, bem como com suas modificações e necessidades, frente às desigualdades sociais que dividem e maltratam pessoas ao redor do mundo.
Análise
Durante uma viagem à África, para coordenar um projeto sobre a cultura do café em Angola, Sebastião Salgado decide tornar-se fotógrafo, como uma forma de denunciar a miséria e os problemas sociais no mundo. Os primeiros anos de fotografia são marcados por grande engajamento político. Fixa-se em Paris em 1974 e passa a fazer a cobertura dos conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África, como, por exemplo, as condições de vida dos imigrantes em países europeus e a atuação do Exército Republicano Irlandês - IRA.
Até 1983, Salgado viaja por vários países da América Latina, elaborando um painel sobre a vida dos camponeses e a resistência cultural dos índios e seus descendentes (Autres Ameriques, 1986). Suas imagens revelam o arcaísmo do modo de vida e a precariedade das condições de trabalho, ao lado da presença da religiosidade e da morte. Entre 1984 e 1985, em viagem ao Sahel, região pré-desértica do norte da África, junto com os Médicos sem Fronteiras, fotografa a devastação causada pela seca. Suas imagens de mulheres vagando pelo deserto e de crianças muito doentes foram divulgadas em todo o mundo (Sahel, l'Homme en Détresse, 1986).
Questionando o desequilíbrio econômico entre países ricos e pobres, o fotógrafo empreende uma vasta obra de documentação do trabalho manual em várias regiões do mundo. Fotografa as duras condições de trabalho na lavoura de cana ou minas de ouro de Serra Pelada, no Brasil; nas plantações de chá em Ruanda; na construção de uma barragem em Rajasthan, Índia; ou nos poços de petróleo no Kuwait. O conjunto de fotografias da exposição Trabalhadores foi exibido simultaneamente em oito países, em 1993.
Na opinião do historiador Pedro Vasquez, o trabalho de Salgado, em termos de afinidades criativas, pode ser comparado ao dos fotógrafos Eugene Smith (1918 - 1978) e Henri Cartier-Bresson (1908). Em comum com Smith, ele tem a solidariedade com o ser humano, refletida em certo ar de gravidade e no sentimento do trágico que permeiam suas fotos. Em relação a Cartier-Bresson, compartilha o apurado senso de composição, o chamado "instante decisivo": o momento fugaz em que todos os elementos constitutivos de uma determinada cena se harmonizam num instante expressivo.
Em suas fotografias, de composição clássica, destaca-se o uso da luz e de negros intensos. Com a força simbólica das imagens e a gravidade dos rostos, o trabalho de Sebastião Salgado, além do caráter de denúncia, resgata a dignidade humana e presta homenagem aos personagens retratados.
Acervos
Coleção Pirelli/Masp de Fotografias - São Paulo SP
Acervo Fundação Cultural de Curitiba - Curitiba PR
Coleção Joaquim Paiva - Brasília DF
Críticas
"Sebastião Salgado é um portador do mistério da arte. O que quer dizer que sua fotografia não se descreve: sente-se. E sente-se de um modo especial, proveniente do que fez Sebastião Salgado ser reconhecido em todo o mundo, em tão poucos anos, como um fotógrafo muito especial.
Diante de sua fotografia não se pode sentir, como é usual que as fotografias provoquem, a ternura, ou a contristação, ou a culpa, ou o deleite estético. Diante da fotografia característica de Sebastião Salgado vêm-nos, em uma rajada única, a ternura e a dor e a culpa e o prazer estético. Inseparáveis e indistinguíveis, consistentes e indisfarçáveis, em uma só rajada, todos os ricos sentimentos que a pobreza emocional dos dias de hoje não foi ainda capaz de consumir e devorar.
É esta capacidade especial que faz de Sebastião Salgado, internacionalmente, o mais solicitado, o mais aclamado e o mais premiado fotógrafo da atualidade (comprovação inquestionável de tal relevância: só em 91, Nova York, capital planetária da fotografia, montou duas grandes exposições suas). A atenção especial que Sebastião Salgado desperta não vem de modernosos truques informáticos, que, de resto, nada têm a ver com a fotografia. Nem se deve aos seus temas prediletos, como supôs uma articulista do 'New Yorker'. Cheguei a estruturar um ensaio para refutar a tese irada do artigo, segundo a qual a 'retórica' de Sebastião Salgado consiste na 'exploração fácil da tragédia' como tema, no 'embelezamento' dela, para chocar o espectador de suas fotos" — Janio de Freitas (Freitas, Janio de. A condição de Salgado. In: SALGADO, Sebastião. As Melhores fotos. Apresentação Janio de Freitas; fotografia Sebastião Salgado. São Paulo: Boccato, 1992).
"As fotografias de Sebastião Salgado são, antes de tudo, o resultado de um exaustivo processo de escolhas entre o que foi visto e o que deverá ser re-visto por cada um de nós. Processo que se torna ainda mais complexo e subjetivo depois de 'escolhidos' os lugares, as pessoas ou os acontecimentos que ele pretende fotografar (ou que acaba fotografando, por mero acaso).
Usando três ou quatro câmeras Leikas e dezenas de rolos de filmes por dia, Sebastião Salgado é capaz de produzir mais de dez mil imagens em uma única viagem, dentre as inúmeras que compõem o extenso roteiro traçado nas duas últimas décadas para documentar histórias (ou a história) e contá-las através de fotografias: a fome na África, o trabalho no mundo contemporâneo, a luta pela terra, o movimento de populações, etc." — Maria Inez Turazzi (REVISTA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Fotografia. nº 27, 1998, p. 225).
Exposições Individuais
1977 - Anger in Africa
1977 - L' Afrique des Colères
1978 - Les 4000 logements de La Courneuve
1982 - Outras Américas
1983 - Outras Américas
1983 - Brésil des Brésiliens
1984 - Vidas Secas
1986 - Outras Américas
1986 - Sahel: L' Homme en Détresse
1987 - Outras Américas
1987 - Sahel: L' Homme en Détresse
1988 - Outras Américas
1988 - Sahel: L' Homme en Détresse
1989 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1989 - Outras Américas
1989 - Sahel: L' Homme en Détresse
1990 - An Uncertain Grace
1990 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1991 - Outras Américas
1991 - An Uncertain Grace
1991 - Sebastiao Salgado: Retrospective
1992 - Outras Américas
1992 - Trabalhadores
1992 - An Uncertain Grace
1992 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1992 - Sebastião Salgado: Retrospective
1993 - Outras Américas
1993 - Trabalhadores
1993 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Trabalhadores
1994 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Serra Pelada
1995 - Serra Pelada
1995 - Trabalhadores
1995 - Outras Américas
1996 - Trabalhadores
1996 - Serra Pelada
1996 - An Uncertain Grace
1996 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1996 - Outras Américas
1996 - Exposition Maison Européenne de la Photographie
1996 - Sebastião Salgado: La Main de l'Homme
1997 - Terra
1997 - Serra Pelada
1997 - Trabalhadores
1997 - Sahel: L' Homme en Détresse
1997 - An Uncertain Grace
1998 - Trabalhadores
1998 - Outras Américas
1998 - Serra Pelada
1998 - An Uncertain Grace
1999 - Trabalhadores
1999 - An Uncertain Grace
1999 - Outras Américas
2000 - Êxodos
2000 - Terra
2000 - Trabalhadores
2000 - An Uncertain Grace
2000 - Migrations
2000 - Exodes
2000 - Sebastião Salgado: Retratos de crianças do êxodo
2000 - In Cammino
2000 - Fé
2000 - Exodos
2001 - Migrations
2001 - Terra
2001 - Trabalhadores
2001 - Exodus
2001 - Êxodos
2001 - O Espírito de Nossa Época
2001 - Exodes
2002 - Exodus
2002 - Outras Américas
2002 - Migrations
2002 - Sebastião Salgado: 25 years of photography
2003 - Exodus
2003 - Outras Américas
2003 - Migrations
2003 - In Principio
2003 - Sebastião Salgado: Fotografias
2003 - The Children: Refugees & Migrants
2003 - Terra
2003 - Flüchtlingskinder
2004 - Migrations: Humanity in Transition
2004 - In Principio
2004 - Exodus
2004 - The End of Polio
2004 - Terra
2004 - Exodus: L'Umanità in Cammino
2005 - Exodus: Photographs by Sebastião Salgado
2005 - Trabalhadores
2005 - In Principio
2005 - L'Homme & L'Eau
2005 - Sebastião Salgado: Workers
2005 - Exodus
2005 - Sebastião Salgado: Territoires et Vies
2005 - The Children of Exodus
2006 - Trabalhadores
2006 - [Individual de Sebastião Salgado]
2006 - Terra
2006 - The Hand of a Man
2006 - Gênesis
2006 - Genesis
2007 - Africa
2007 - Terra
2007 - Trabalhadores
2007 - Outras Américas
2007 - Genesi
2007 - Genesis
2007 - In Cammino
2008 - Les Enfants de L' Exode
2008 - Trabalhadores
2008 - Outras Américas
2008 - Exodes
2008 - Africa
2008 - Aqua Mater
2008 - In Principio
2009 - Trabalhadores
2009 - Sebastião Salgado India: The Children of Exodus
2009 - Sebastião Salgado: Africa
2009 - Aqua Mater
2009 - Africa
2014 - Genesis
2021 - Amazônia
2022 - Amazônia - Sebastião Salgado
2022 - Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado
2023 - Trabalhadores
2025 - The World Sebastiao Salgado
Exposições Coletivas
1989 - U-ABC: Paintings, sculptures, photos from Uruguay, Argentina, Brazil, Chile
1990 - UABC: Uruguai, Argentina, Brasil, Chile
1991 - Coleção Pirelli / MASP de Fotografia
1992 - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung
1994 - Contemporary Brazilian Photography from the collection of Joaquim Paiva
1994 - 4ª Semana de Fotografia de Curitiba
1995 - Fotografia Brasileira Contemporânea
1996 - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias
1996 - Latin American Photography: A Spiritual Journey
1998 - The Art Directors Club in Panamericana
1999 - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998
2000 - China
2000 - Índios 2000
2002 - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva
2003 - Graciela Iturbide, Sebastião Salgado e Raghu Rai
2004 - Sebastião Salgado and Lewis Hine
2004 - Migrations and The Children
2005 - Septembre de la Photo 2005 : Aspect de la Photographie Brésilienne
2005 - The Body at Risk: Photography of Disorder, Illness and Healing
2006 - Indianscope: l'Inde intemporelle dans l'Inde d'aujourd'hui
2006 - Eixos da Fotografia
2007 - Polka Magazine
2007 - Entre Deux Lumières
2009 - Realism and Magic
2009 - Then and Now
2011 - Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - Paris
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2014 - Recortes de uma Coleção
2015 - Ângulos da Notícia – 90 anos de fotojornalismo do Globo
2016 - Marcas da Memória
2017 - Luz = Matéria
2018 - Fotografia em Transe
2019 - Moventes
2019 - 47º Chapel Art Show
2021 - 50 Duetos
2022 - Histórias brasileiras
2024 - Do Brasil à terra
2024 - Woof Woof: the dog in photography
Exposições Póstumas
2025 - Sebastião Salgado, 1944-2025 - Uma mostra de admiração e reconhecimento
Fonte: SEBASTIÃO Salgado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 16 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Sebastião Salgado | Wikipédia
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior OMC (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944 – Paris, 23 de maio de 2025) foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro.
Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
As suas fotos a preto e branco representam a dignidade fundamental das pessoas e são testemunhos contra a guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF e foi multi-premiado pelo seu trabalho.
Juventude
Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967). Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia. A ida para Paris em 1969 reflete asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.
Carreira
Fotografia
Primeiras fotos e mundividência
Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa. Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington. A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.
Primeiros livros
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
Consagração internacional: Desalojamentos em Êxodos
De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres sem residência fixa.
Os últimos livros focam-se em temas como a Pólio, desigualdade, África e ambiente.
Técnica fotográfica e Academia
Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.
Ativismo político e ambiental
Militante contra a ditadura brasileira
Ele e a sua mulher Lélia tornam-se ativistas contra a ditadura. Entre outros, contribuiriam para grupos próximos da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella.[14][15] Na altura, vários ativistas aderiam com maior ou menor intensidade a movimentos de luta armada em resposta a regimes ditatoriais na América Latina como Dilma Rousseff (Brasil - Vanguarda Popular Revolucionária), Carlos Lamarca (Brasil, MR8) ou Pepe Mujica (Uruguai - Tupamaros).
Em 1969, o casal é semi-forçado ao exílio em Paris. Em 1977, seria sinalizado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) num dos seus informes.
Em 1974, fotografa em Portugal a Revolução dos Cravos, juntando a fotografia ao ativismo. De seguida, segue para Angola e Moçambique para registrar as ocorrências até as independências em 1975. Em 1974, em Moçambique sofre um acidente na sequência da explosão de uma mina, vindo a sofrer uma lesão na coluna que causaria problemas para o resto da vida.
Cidadão do mundo e ambientalismo
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado contribuiu generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
O seu trabalho conjugou as pessoas e o ambiente. Depois de fotografar a seca no Sahel, fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoiou um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).
Vida pessoal
Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.
Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down. Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.
Morte
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Prêmios
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982,[29] foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992[30] e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.
W. Eugene Smith Memorial Fund (1982)
Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (RPS) (1993)
Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
Prêmio World Press Photo
The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos[30]
Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
Medalha da Inconfidência.
Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
Prêmio Overseas Press Oub oí America.
Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.
40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem
Prêmio Muriqui
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)[36] (O Prêmio da Paz é concedido desde 1950 e é dotado de 25 000 euros)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)
Praemium Imperiale (2021)
Membro da Academia de Belas-Artes de Paris do Institut de France (abril de 2016)[38][39]
Obras
Outras Américas (1986).
Sahel: O "Homem em Pânico" (1986)
"Um Fotógrafo em Abril" (1999) ISBN: 972-21-1258-9
Trabalhadores (1996) ISBN 8571645884
Terra (1997) ISBN 8420428744
Serra Pelada (1999) ISBN 2097542700
Outras Américas (1999) ISBN 8571649030
Retratos de Crianças do Êxodo (2000) ISBN 8571649359
Êxodos (2000) ISBN 8571649340
O Fim do Pólio (2003) ISBN 8535903690
Um Incerto Estado de Graça (2004) ISBN 9722109839
O Berço da Desigualdade (2005) ISBN 8576520389
África (2007) ISBN 3822856223
Gênesis (2013) ISBN 3836538725
Perfume de Sonho (2015) ISBN 9788869656255
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro | EPIC
Um dos maiores e mais respeitados fotógrafos do mundo é brasileiro. Estamos falando de Sebastião Salgado, do qual esse post é inteiramente dedicado a visitar sua vida e obra, além de seus projetos humanitários, e claro, seu legado na fotografia.
Vida e obra
Sebastião Salgado nasceu no município de Aimoré, no interior de Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944. Atualmente reside em Paris, na França. Pouca gente sabe, mas antes de fotógrafo ele é Economista. Se formou pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e fez mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1967, ano em que a ditadura já havia começado no Brasil, e também o ano em que se casou com a pianista Lélia Deluiz Wanick, que é sua companheira até hoje.
Mais tarde ainda faria Doutorado na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971. Ou seja, Sebastião Salgado é um nato estudioso, com habilidades em cálculos.
O encontro com a fotografia
No início da década 70, Sebastião Salgado trabalhava para a Organização Internacional do Café (OIC). E foi em uma de suas expedições para cafezais da África que realizou sua primeira sessão de fotos. A câmera utilizada, segundo ele, era uma Leica emprestada pela sua esposa. Suas fotos retratavam a situação econômica dos lugares onde passava de forma mais eficiente que relatórios e estudos estatísticos.
Primeira foto famosa
Em 1973, Sebastião Salgado passa a ser um fotojornalista independente. Passou por agências de fotógrafos como Sygma, Gamma, e Magnum. Mais tarde abriria sua prórpia agência de fotografia, a Amazonas Images. No início da década de 80, foi encarregado de cobrir a posse e primeiros 100 dias de governo do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos - o que possibilitou documentar um atentado à tiros cometido por John Hinckley Jr., que tentara assinar o então presidente.
Em uma excelente entrevista no programa Conversa com Bial, Sebastião Salgado dá detalhes dos bastidores dessa foto. Fala, inclusive, que foi esta imagem que o projetou para o mundo como fotógrafo documental, pois enquanto todo mundo corria, ele se aproximava da cena do crime para fotografar.
Com a venda da fotos para veículos de imprensa do mundo inteiro, Salgado pode realizar um desejo pessoal: retornar a África, desta vez para fazer uma sessão de fotos documental. Seu currículo, fama e experiência foram aumentando exponencialmente, até que decidiu publicar suas histórias e fotografias em...
Livros
Transcendendo a fotografia, Sebastião Salgado publicou 12 obras literárias ao longo de sua carreira:
• Trabalhadores (1996)
• Terra (1997)
• Serra Pelada (1999)
• Outras Américas (1999)
• Retratos de Crianças do Êxodo (2000)
• Êxodos (2000)
• O Fim do Pólio (2003)
• Um Incerto Estado de Graça (2004)
• O Berço da Desigualdade (2005)
• África (2007)
• Gênesis (2013)
• Perfume de Sonho (2015)
Em seus livros, Sebastião Salgado deixou claro sua luta pessoal com questões humanitárias. Suas imagens dão luz à realidades que muitas pessoas sequer conseguem imaginar, retratando - sempre em preto e branco - guerras, pobreza, desigualdades e injustiça.
Estes fatos contribuíram para que Sebastião Salgado se tornasse membro colaborador de diversas instituições ao redor do mundo, como por exemplo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Mundial da Saúde (OMS), Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
Ao lado de sua esposa Lélia, direciona um gigantesco projeto de reflorestamento em Minas Gerais - o mesmo que foi destaque no documentário O Sal da Terra, dirigido pelo seu filho e indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015.
Já indicamos O Sal da Terra no post sobre Filmes, séries e documentários disponíveis na Netflix ou Youtube.
Prêmios
Sua trajetória lhe rendeu uma porção de prêmios, dos quais podemos destacar:
• Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães (2019) - sendo o primeiro fotógrafo a receber a honraria;
• Prêmio Jabuti de Literatura, pelo livro Terra, na categoria Reportagem (1998); e outros como:
• Prêmio Príncipe de Asturias das Artes, 1998;
• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária;
• Prêmio World Press Photo;
• The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental;
• Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência nos Estados Unidos;
• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores;
• Medalha da Inconfidência;
• Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos;
• Prêmio Overseas Press Oub oí America;
• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography;
• Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil;
• Prêmio Muriqui;
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016);
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016);
Fotografia em preto e branco
A fotografia em preto e branco se tornou marca registrada da fotografia de Salgado, mais especificamente desde 1987. Em entrevista recente, ele explica: que a cor pode causar um ruído na mensagem que quer passar, distraindo o receptor. "O preto e branco me permite concentrar na personalidade das pessoas, na dignidade, então eu transformo a realidade em uma realidade mais forte ainda".
Fonte: EPIC, “Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro”, publicado por Vinícius Franco. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo” | El País
É uma lenda viva da imagem documental. Durante quatro décadas fotografou as maiores atrocidades do ser humano e as mais esplêndidas paragens do planeta. Aos seus 75 anos, recheado de prêmios e reconhecimento, está na reta final de outro de seus hercúleos projetos sobre as tribos da Amazônia. Seu motor foi a curiosidade por conhecer as coisas do mundo e a vontade de transmiti-las; caminhando de lugar em lugar, diz, como “um homem da Idade Média”
Com sua fotografia documental, de um preto e branco puríssimo, Sebastião Salgado fotografa há mais de quatro décadas os maiores horrores cometidos pela espécie humana e as grandes belezas naturais do planeta. Após sair do Brasil fugindo da ditadura em 1969, ficou uma década fora e, por culpa da fotografia, deixou de lado um promissor trabalho como economista. Ainda que tenha começado “tarde”, como reconhece, hoje tem todos os prêmios e reconhecimentos possíveis da arte da imagem. Nascido em 1944 em Aimorés, Minas Gerais, aos 75 anos, que nem de longe aparenta, esteve em mais de 130 países e está na reta final de outro de seus hercúleos projetos, sobre tribos da Amazônia. Salgado fala com paixão e convicção, suas ideias fluem em um espanhol com o característico suave sotaque brasileiro. Do jovem comunista de cabelos compridos e barba frondosa resta uma cabeça raspada e sobrancelhas espessas, brancas, que de vez em quando alisa como se procurasse nelas o fio de seus argumentos.
Como está seu trabalho sobre a Amazônia?
Estou envolvido nele há vários anos e ainda restam três histórias por fazer. Serão no total 30 reportagens sobre 13 tribos, com muita fotografia aérea, porque assim é possível dar uma ideia da grande extensão da floresta e dos rios. O maior volume de água no Amazonas vem pelas evaporações, autênticas correntes aéreas de umidade que garantem a chuva em grande parte do planeta ao deslocarem-se como nuvens. Acho que nessa série as fotografias do sistema montanhoso do Amazonas irão surpreender. Você tem a impressão de que está nos Alpes, são colossais. A última reportagem será sobre animais.
Como são essas tribos com as quais conviveu?
Há de tudo. Os korubos, no vale do Javari, foram contatados pelo homem branco em 2015, mas outras o foram no século XIX. Há uma tribo que é herdeira da cultura inca, chegaram ao Brasil deslocados pelos espanhóis. Têm uma agricultura sofisticada, criadouros de peixes e tartarugas...
Mas o que te surpreendeu dos que vivem na floresta?
O que mais me impressiona é que não há surpresa, já não há muito a descobrir. Eu pensava que demoraria meses a me adaptar a eles e foram horas. Porque somos nós mesmos. Só há uma pequena diferença física, os pés. Veja seus pés, Manuel! São uma deformação, estão doentes porque estão sempre em um sapato que os deforma. Os pés dessas comunidades, entretanto, são triangulares, a parte de trás é fina e a da frente é larga; utilizam os dedos para se equilibrar, subir nas árvores, e saltar de uma para outra.
Em 1982 você recebeu o Prêmio W. Eugene Smith de Fotografia Humanitária. Desde então foi nomeado cavaleiro da Legião de Honra na França, ganhou um World Press Photo em 1985, o Hasselblad em 1989; Na Espanha foi o primeiro fotógrafo a receber o Príncipe de Astúrias das Artes. Agora ganhou em Madri um prêmio da Sociedade Geográfica Espanhola “pela qualidade e espírito de seu trabalho de viagens”.
Se é por isso, mereço porque sou, provavelmente, uma das pessoas do planeta que mais caminharam [risos]. Quando estava no avião e via pela janela as montanhas, os rios... o planeta é maravilhoso. Sempre pensei que, por meu tipo de fotografia, sou como aqueles homens que na Idade Média, movidos pela curiosidade, iam de cidade em cidade para conhecer as coisas e transmiti-las. A vida dos fotógrafos é assim: ir, descobrir, conhecer e transmitir. A fotografia que faço é o espelho da sociedade. É uma função que não existia há 100 anos e que não acho que irá existir daqui a 20...
Por quê? Hoje, com um celular são feitas imagens de uma qualidade incrível, mesmo que isso não seja fotografia. É uma linguagem de comunicação, mas a fotografia é algo que você toca, guarda. As demandas, entretanto, estão mudando.
“As imagens de um celular têm uma qualidade incrível, mas não são fotografia. Fotografia é algo que você toca, que guarda”
Só se interessou pela fotografia em 1973, quando tinha quase 30 anos. Em quem se fixou um autodidata como você? Eu adorava a pintura, fotografava obras em preto e branco de Rembrandt. Comecei a ver que podia criar essas mesmas luzes e profundidades. O fotógrafo deve transmitir o que seu olho vê no momento de disparar, é preciso romper os limites da câmera. E ver o que os outros fazem não significa nada, cada um tem suas luzes interiores. A fotografia é feita com o passado de cada um, com sua ideologia. Eu trabalhei na Magnum com grandes fotógrafos, mas as afinidades eram mais pessoas do que técnicas.
Sua trajetória se caracterizou por projetos que foram maratonas (Trabalhadores, Êxodos, Gênesis). Por que sempre essa longa duração?
No caso de Êxodos, eu sou um imigrante, vivo em um país estrangeiro [França] e queria fazer um trabalho sobre as grandes migrações porque também era minha história. Vivi sete anos na estrada procurando essas pessoas e passei vários meses em nove grandes cidades nas quais os imigrantes chegavam. Em Trabalhadores, como fui economista, senti que a grande revolução industrial chegava a seu fim pelos computadores. A mão já não iria ser tão importante na linha de produção, de modo que também me identifiquei com eles.
Fotografou os desfavorecidos, sua fotografia foi descrita como humanitária e social. Não quis retratar os desfavorecidos, eu nunca fui um militante, é somente minha forma de vida e o que eu pensava. Houve quem disse [como Susan Sontag] que Salgado fazia estética da miséria... Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo. Conheço a África como a palma de minha mão porque há somente 150 milhões de anos a África e a América eram o mesmo continente.
Também sempre teve claro que sua obra de peso seria em preto e branco?
Claro, em cores era para as encomendas... Olhe ali! [Salgado mostra um lado do vestíbulo do hotel em que ocorre a entrevista, decorado com sofás violetas e vermelhos]. Lá, um retratado se perderia entre essas cores. A fotografia colorida acentua as cores, e isso me distraía. Com o preto, o branco e o cinza isso não ocorria. Sabe outra coisa que me desconcentrava? Quando, na época em que se utilizava filme, tinha que parar, tirar o rolo e trocá-lo por outro.
“Foi dito que eu fazia estética da miséria. Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo”
E o que fazia?
Cantava. Como conseguia trocar o filme de olhos fechados, cantava MPB e assim não perdia a concentração.
Em algumas de suas célebres fotografias, como a de um garimpeiro em Serra Pelada, apoiado em uma estrutura de madeira, se vê referências da iconografia cristã. Isso lhe serviu de inspiração?
É possível, eu sou de Minas Gerais, o Estado mais barroco do Brasil. Quando fotografo, sempre há um pequeno rastro de algo que me influenciou. Certamente quando fiz essa foto eu via São Sebastião com as flechas, mas minhas fotografias não são modernas e pós-modernas, são barrocas porque vêm desse mundo.
Você foi fotojornalista, mas após o genocídio de Ruanda, em 1994, perdeu por um tempo a fé na fotografia e se refugiou na geografia de sua infância, na fazenda de seu pai, seca e arrasada pela criação de gado. Foi aí que nasceu sua preocupação pela natureza?
Não, eu nasci e cresci na natureza. Meu pai tinha fazendas e eu passava o dia a cavalo e caminhando. Aos domingos, eu e vários amigos acordávamos às quatro da madrugada para caçar; voltávamos de tarde, exaustos, e íamos nadar. A parte principal de meu trabalho foi a fotografia da natureza, não as pessoas...
Você sempre elogiou as organizações humanitárias com as quais trabalhou e se mostrou crítico com os Governos. Mantém essa ideia?
Não fui tão crítico. Fui de esquerda, quando jovem acreditava que era preciso tomar o poder pela força..., mas precisamos trabalhar juntos. É mentira isso de que uma foto pode mudar o mundo; o que pode mudá-lo é o trabalho conjunto das ONGs, a imprensa, os Governos...
Falando de Governo, como vê o Brasil, com o ultradireitista Jair Bolsonaro na presidência?
É um personagem conflitivo e que gera desequilíbrios por propostas como a destruição da floresta e das comunidades indígenas. São ideias de extrema direita, mas a sociedade brasileira é capaz de oferecer-lhe resistência. Ele foi eleito democraticamente por uma importante maioria, de modo que é preciso trabalhar para que essas pessoas não apoiem novamente essas ideias retrógradas. O que aconteceu é ruim, mas ao mesmo tempo é bom porque criou um sistema de militâncias, com pessoas que querem defender seus direitos.
E o que o incomoda no restante da América Latina?
Eu fico muito preocupado com o que acontece atualmente na Venezuela, é um crime. Mas é preciso compreender a história desse país. Eu trabalhei lá antes de Hugo Chávez e era um Estado dirigido por uma burguesia que lhe roubou tudo. Chávez chegou ao poder com apoio popular, mas depois cometeu erros brutais e abusou de seu poder. Com Maduro a economia foi destruída, e é preciso mudar isso, mas não com uma intervenção militar estrangeira. Somos democracias jovens e é preciso olhar a história da Europa para entender o que acontece na América Latina.
Justamente, a carta do presidente do México pedindo ao rei Felipe VI que peça perdão pela conquista causou um reboliço.
A Espanha não deve se desculpar. Foi uma proposta oportunista de um político, não de um povo. Mas não é um problema que isso seja discutido, e os primeiros a o fazer, os mexicanos, que em 90% são indígenas. Você vai em uma festa da burguesia no México e todos os garçons são índios. A conquista foi uma aventura total, 30% dos espanhóis que foram não voltaram, morreram. Quando Cortés diz a Montezuma que seus soldados estão doentes e que o único remédio é o ouro... é a história da humanidade.
Em 2014, sua vida e obra inspirou o premiado documentário ‘O Sal da Terra’, dirigido por seu filho Juliano e Wim Wenders. Como foi a experiência?
Muito difícil, porque o fotógrafo precisa se relacionar com o que fotografa e quando você se transforma em intermediário é um produto de quem está filmando. Meu filho já havia me filmado... e eu brigava com ele, mas era meu filho, era mais simples. Na filmagem com ele e Wim existiam três câmeras, uma equipe de som..., um carnaval! Eu o fiz por Juliano.
Sua esposa, Lélia Wanick, planeja e produz seus livros. Como é sua relação profissional em um casal que está casado há meio século?
Não é complicado, amo profundamente minha mulher, tem um gosto excepcional, uma capacidade de organização que eu não tenho, se ocupa das exposições que temos por todo o planeta e adoro os livros que ela produz para mim. E assim vamos, lutando... Comecei com ela há 55 anos. Desde o começo me apoiou porque as coisas que eu procurava não estavam na porta de casa, precisava ficar tempos fora e ela cuidou de nossos filhos [além de Juliano, têm outro, Rodrigo, com síndrome de Down].
Em uma entrevista em 2007 ao EL PAÍS, jornal em que publicou seus principais trabalhos, disse que nunca utilizaria o digital, mas acabou por fazê-lo.
A qualidade do digital no começo não era tão grande e depois foi uma facilidade porque permitia usar uma câmera leve, rápida. Além disso, a qualidade em filme caiu porque era muito caro... Em minhas viagens, levava 600 rolos de filme, pesavam 35 quilos, brigava nos aeroportos... Hoje, com uma caixa do tamanho de um celular levo esses 600 filmes.
As redes sociais lhe interessam?
Há uma conta em seu nome no Instagram... Não é minha! E no Facebook há outras duas que também não são..., são falsas. Uma vez briguei por meses para que retirassem uma conta e apareceram cinco. Não me interessa, o que é exposto ali é... como se você abaixasse as calças e mostrasse a bunda pela janela. Não é da minha geração, não é o meu mundo.
Teve tempo para fazer um balanço?
Acho que contribuí à consciência do cuidado do planeta. Tive sucesso e cheguei com meu trabalho às pessoas graças a organizações como a Unicef, Save the Children, Médicos Sem Fronteiras..., mas eu sozinho com minhas imagens não teria feito nada, seria como o pó.
Fonte: El País, “Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo”", publicado por Manuel Morales, em 23 de junho de 2019. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado, Maior Fotógrafo Brasileiro, Morre Aos 81 Anos | Forbes
Nesta sexta-feira (23), o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, considerado o mais importante do país e reconhecido mundialmente, faleceu aos 81 anos, em Paris (FRA). O artista enfrentava problemas de saúde, após adquirir malária ainda nos anos de 1990, na Indonésia, onde não foi tratada adequadamente. Inclusive, em entrevista ao “The Guardian”, em 2024, Salgado falou que as complicações da doença o motivaram a se aposentar.
Em uma rede social, o Instituto Terra Oficial, fundado por Salgado, publicou uma nota de pesar. “Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade”, escreveu. O projeto fazia reflorestamento em um antiga fazenda da família, com o intuito de recuperar a biodiversidade da Mata Atlântica.
Em entrevista à Forbes USA, o fotógrafo afirmou que esperava viver por mais dez anos para ver a evolução do espaço, que teria novas 10 milhões de árvores. Segundo ele, trata-se do maior projeto ecológico do Brasil na atualidade.
Sebastião Salgado deixa a esposa, dois filhos e dois netos, além de uma legião de admiradores pelo mundo.
O fotógrafo
Recentemente, Salgado concedeu entrevista à Forbes USA e falou sobre sua trajetória. Com 50 anos de carreira, o artista tornou-se uma referência ao retratar diversas questões sociais e ambientais pelo mundo, como a fuga de refugiados, trabalhos que exigiam extremo esforço físico, comunidades indígenas e a Amazônia. Era comum ele ficar anos dedicando-se aos seus projetos. “Quando vamos a todas essas regiões do mundo, enfrentando todos os problemas e desafios que você pode imaginar, nos perguntamos: sobre ética, legitimidade, segurança. E cabe a nós encontrar a resposta, sozinhos”, afirmou na entrevista.
Lidar com temas tão comoventes e urgentes também mostravam a razão do seu trabalho sempre ter tanta sensibilidade. “Quantas vezes na minha vida eu pus a câmera de lado e sentei para chorar? Porque era dramático demais, e eu estava sozinho. Esse é o poder do fotógrafo: poder estar lá”, disse. Salgado viajou para mais de 120 países, esteve na Guerra do Golfo (1991), testemunhou o genocídio em Ruanda (1994) e viu a febre do ouro, em Serra Pelada — o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado o Pará –, entre tantos outros acontecimentos importantes.
Ao longo de sua carreira, o artista recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes (1998), o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982) e a Medalha do Centenário da Royal Photographic Society (1993). Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas-Artes do Instituto de França. Entre suas obras mais conhecidas estão os livros “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Êxodos” (2000), “Gênesis” (2013) e “Amazônia” (2021).
Em fevereiro de 2024, anunciou sua aposentadoria da fotografia para se dedicar à edição de seu vasto acervo, de milhares de imagens.
A partir de 1º de junho, seu trabalho com mais de 400 fotografias ficaria em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna francesa de Deauville, aberto para a visita do público. Ele descreveu a exposição à Forbes americana como “um passeio pela própria vida”.
Relação com a Amazônia
Sebastião Salgado sempre teve a floresta como um dos principais temas de seu trabalho. Não por acaso, um dos mais conhecidos é “Amazônia”, que percorreu cidades como São Paulo, Paris, Londres e Roma, com suas 194 fotografias, tiradas em 2021. Em 1994, juntamente com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundou a agência Amazonas Images, dedicada à documentação fotográfica de questões sociais e ambientais. Embora tenha admitido que não desejava viver por mais muito tempo ao jornal inglês, Salgado ainda desejava cobrir a COP30 em Belém (PA).
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior
O fotógrafo nasceu em 8 de fevereiro de 1944, na cidade de Aimorés, interior de Minas Gerais. Ele se especializou em economia, com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade em Paris. Inclusive, chegou a trabalhar no Ministério da Economia em 1968.
Em 1969, durante a Ditadura Militar, exilou-se em Paris. Ali começou a trabalhar para a Organização Internacional do Café, no ano de 1971, como consultor no controle de plantações na África. Ao estudar os cafezais da região, notou as infinitas possibilidades da fotografia. Dois anos mais parte, começou a sua trajetória de fotojornalista e nos trouxe sua perspectiva através da lentes, sempre no preto e branco.
Desde 1969, o fotógrafo vivia em Paris. Ele foi obrigado a exilar-se na cidade francesa por conta da Ditadura Militar. Por lá, ele vivia com a esposa e o filho Rodrigo. O apartamento, perto da Praça da Bastilha, conta com um acervo de 500 mil imagens autorais do artista.
Fonte: Forbes, “Sebastião Salgado, maior fotógrafo brasileiro, morre aos 81 anos”, publicado por Karina Merli e Clarissa Palácio, em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos | Conjur
O fotógrafo Sebastião Salgado morreu aos 81 anos nesta sexta-feira (23/05), em Paris. A informação foi confirmada por sua família por meio do Instituto Terra, ONG fundada por ele e pela esposa, Lélia Wanick Salgado. Considerado um dos maiores fotógrafos do mundo, Salgado deixou uma obra marcada pelo olhar humanista e pela sensibilidade social.
O presidente Lula (PT) lamentou sua morte durante uma cerimônia no Palácio do Planalto e pediu um minuto de silêncio, em luto. “Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade e o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, disse.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, presidente Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia, também manifestaram pesar pela morte de Salgado.
“Eu recebo com imensa tristeza a notícia da morte do Sebastião Salgado. Na verdade, um grande artista. Uma morte precoce, 81 anos hoje em dia é muito cedo. Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade. É uma imensa perda para a humanidade. E aqui mando um abraço e consolo para toda a família”, lamentou Barroso.
“Enorme perda para o Brasil e para essa humanidade tão precisada de grandes humanidades como o Tião. Sebastião era Salgado apenas no sobrenome: um ser humano a mostrar uma doçura total, mesmo nas denúncias fotografadas das indignidades e feridas do mundo”, comentou Cármen Lúcia.
O STF conta com 18 painéis fotográficos assinados por Sebastião Salgado que integram o projeto Amazônia e que foram doados por ele e pela esposa.
Legado
Sebastião Salgado era economista de formação, mas se voltou para a fotografia nos anos 1970, após um exílio político durante a ditadura militar. Ao longo da carreira, registrou temas como trabalho, migração, guerras e questões climáticas, percorrendo mais de 120 países.
As imagens em preto e branco são uma marca registrada de Salgado. Para ele, as cores são uma distração do assunto para o qual ele queria chamar atenção em suas fotografias: a dignidade das pessoas retratadas.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os garimpeiros da Serra Pelada, no Pará, trabalhadores em condições extremas, povos indígenas da Amazônia e paisagens como o deserto do Saara e a Antártida.
Fonte: Conjur, “Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos; ministros do STF lamentam”. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST | Brasil De Fato
Sebastião Salgado, um dos mais respeitados nomes da fotografia documental no mundo, morreu nesta sexta-feira (23). Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sua partida representa a perda de um grande aliado da luta pela reforma agrária no Brasil. Para Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST, Salgado era sobretudo um militante da imagem, cuja lente ajudou a revelar ao mundo a violência do latifúndio e a potência da organização popular no campo.
Salgado se aproximou do MST em 1996, ao buscar compreender a realidade agrária do país. A partir desse contato, passou a acompanhar de perto a luta dos camponeses sem terra. Um dos registros mais emblemáticos de sua trajetória com o movimento foi feito na madrugada de 17 de abril daquele ano, quando mais de 3 mil famílias ocuparam a Fazenda Araupel, no Paraná. A fotografia de um camponês com uma foice em punho, rompendo a cerca do latifúndio, se tornou ícone da resistência agrária. Na mesma data, no Pará, ocorreria o massacre de Eldorado dos Carajás, que Salgado também registrou dias depois.
“Sebastião conseguiu captar a essência do movimento, essa força humana de camponeses, mulheres, crianças em busca de terra”, afirmou Baggio, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Desde esse primeiro momento, ele se encontra com a terra, com os camponeses, com o povo brasileiro, e contribui com uma missão extraordinária de solidariedade e apoio ao MST.”
Parte fundamental dessa contribuição foi a doação das imagens da coleção Terra, exposta em diversos países, cuja arrecadação ajudou a viabilizar a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação política e cultural do MST. “Ele doou de forma gratuita e voluntária todo esse trabalho. Foi um militante completo, de linha de frente. Fazia a batalha das ideias através da fotografia, das imagens”, destacou Baggio.
Ao longo de sua carreira, Salgado também voltou sua lente para os garimpeiros de Serra Pelada, a guerra do Golfo e, nos últimos anos, dedicou-se à proteção da Amazônia e à valorização dos povos indígenas. A semana do meio ambiente, de 2 a 6 de junho, teria mais um capítulo dessa relação com o MST: Salgado foi convidado para participar de uma semeadura aérea de açaí e pupunha em áreas da reforma agrária no Paraná, região que havia fotografado 29 anos antes.
Segundo Baggio, o fotógrafo analisava a possibilidade de comparecer. Agora, o plantio será feito em sua homenagem. “Vamos semear em homenagem a ele sementes da vida, da biodiversidade, do cuidado com a natureza”, disse Baggio. “A nossa admiração, gratidão eterna pela solidariedade de Sebastião Salgado. Ele continua vivo conosco aqui no Brasil e nas terras da reforma agrária”, concluiu.
Fonte: Brasil De Fato, “Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST”, texto de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicado em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Crédito fotografico: Fast Company. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior (8 de fevereiro de 1944, Aimorés, Minas Gerais, Brasil — 23 de maio de 2025, Paris, França), mais conhecido como Sebastião Salgado, foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro. Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, com mestrado pela Universidade de São Paulo em 1968 e doutorado pela Universidade de Paris em 1971, iniciou sua trajetória profissional como economista antes de migrar definitivamente para a fotografia em 1973, em Paris. Ao longo da carreira, manteve contato e diálogo com nomes e tradições centrais da fotografia humanista e documental, sendo frequentemente associado a influências como Henri Cartier-Bresson, W. Eugene Smith, Lewis Hine, Robert Capa, Walker Evans e, em sua produção de paisagem, Ansel Adams. Sua obra tornou-se reconhecida pelo uso marcante do preto e branco, pela escala monumental das composições, pela densidade dramática da luz e pelo enfoque em temas como trabalho, migração, fome, conflitos, povos originários e natureza, em séries como Outras Américas, Sahel, Trabalhadores, Êxodos, Gênesis e Amazônia. Entre os reconhecimentos que recebeu estão o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982), a Centenary Medal and Honorary Fellowship da Royal Photographic Society (1993), a nomeação como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF em 2001 e sua eleição para a Académie des Beaux-Arts do Institut de France em 2016. Suas fotografias podem ser vistas em importantes coleções e instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, a Tate, em Londres, o Centre Pompidou, em Paris, o J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, e também no legado ambiental do Instituto Terra, fundado com Lélia Wanick Salgado em Aimorés, onde sua trajetória artística e humana segue fortemente representada.
Sebastião Salgado | Arremate Arte
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, e construiu uma trajetória singular antes de se tornar um dos fotógrafos mais reconhecidos do mundo. Formou-se em Economia, fez mestrado na Universidade de São Paulo em 1968 e concluiu o doutorado na Universidade de Paris em 1971. No fim dos anos 1960, em meio ao contexto da ditadura militar brasileira, mudou-se com Lélia Deluiz Wanick para a França, onde prosseguiu os estudos e trabalhou como economista. Foi justamente durante viagens profissionais à África, ligadas ao seu trabalho na Organização Internacional do Café, que a fotografia deixou de ser um interesse lateral e passou a ocupar o centro de sua vida. Em 1973, Salgado abandonou a carreira econômica para se dedicar integralmente à imagem, decisão que redefiniria não apenas sua biografia, mas também a história da fotografia documental contemporânea.
A partir dessa virada, sua carreira ganhou dimensão internacional. Ele trabalhou nas agências Sygma e Gamma e, em 1979, ingressou na Magnum Photos, permanecendo ali por cerca de quinze anos; em 1994, ao lado de Lélia Wanick Salgado, criou a Amazonas Images, agência dedicada exclusivamente à difusão de sua obra. Desde cedo, seu olhar se voltou para os grandes deslocamentos humanos, as desigualdades e a dignidade dos trabalhadores, dos migrantes e dos povos historicamente invisibilizados. Projetos de longa duração como Other Americas, Sahel, Workers, Migrations e, mais tarde, Genesis consolidaram uma assinatura visual inconfundível: imagens em preto e branco, composição monumental, forte densidade dramática e uma tensão constante entre beleza formal e denúncia social. Em vez de perseguir o instante isolado, Salgado preferia construir séries extensas, fruto de anos de convivência, pesquisa e deslocamentos por dezenas de países, transformando a fotografia em testemunho histórico e reflexão humanista sobre o mundo contemporâneo.
Sua obra alcançou museus, galerias, livros e exposições itinerantes em escala global, ao mesmo tempo em que também despertou debates críticos sobre os limites éticos da representação do sofrimento. Ainda assim, seu trabalho foi amplamente reconhecido por instituições culturais e humanitárias: Salgado serviu por 17 anos como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF, recebeu distinções importantes ao longo da carreira e foi eleito, em 2016, membro da Académie des Beaux-Arts do Institut de France. A dimensão pública de sua trajetória ganhou nova projeção com o documentário O Sal da Terra (The Salt of the Earth), dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Nos anos finais, sua biografia tornou-se inseparável do legado ambiental construído com Lélia no Instituto Terra, fundado em 1998 em Aimorés, projeto que converteu uma paisagem degradada em referência internacional de restauração da Mata Atlântica, educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável. Salgado morreu em Paris em 23 de maio de 2025, deixando uma obra que uniu arte, memória, consciência social e compromisso com a regeneração do planeta.
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Sebastião Salgado | Itaú Cultural
Sebastião Ribeiro Salgado (Aimorés, Minas Gerais, 1944 - Paris, França, 2025). Fotógrafo. Considerado uma referência para a chamada fotografia humanista, Sebastião Salgado, além de registros fotográficos sobre diversos hábitos e culturas, denuncia, por meio de seus trabalhos, situações de desigualdade social e exploração de diferentes povos ao redor do mundo.
Formado em economia, torna-se mestre na área, em 1967, e doutor, em 1971, pela Université de Paris. Antes de iniciar sua carreira na fotografia, trabalha para a Organização Internacional do Café, em Londres. Durante viagem à África, na qual coordena um projeto sobre a cultura do café em Angola, decide se tornar fotógrafo.
Suas primeiras experiências se dão no fotojornalismo, momento no qual trabalha para diferentes agências como Sygma, em 1974, e Gamma, entre os anos de 1975 e 1979, enquanto reside em Paris, capital da França. Nesses trabalhos, documenta conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África. Tem passagem pela agência Magnum, onde se destaca por retratar o atentado sofrido pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1911-2004), em 1981. Permanece na agência entre 1979 e 1994, quando cria sua própria empresa, a Amazonas Imagens. Neste momento, suas imagens passam a ganhar aspectos ainda mais humanistas, registrando as condições humanas em diferentes partes do mundo de maneira documental. Realiza viagens pela América Latina entre 1977 e 1984, documentando as condições de vida dos camponeses e indígenas em diferentes países e cujas fotografias são publicadas no livro Autres Amériques, de 1986.
Muitas vezes, a fotografia de Sebastião Salgado mescla a beleza dramática da composição em preto em branco com a situação da cena retratada, tendo como pano de fundo a denúncia da situação humana, como é o caso da imagem Refugiados do Povoado de Lula Chegando ao Povoado de Kisesa Zaire (1977), na qual uma criança em situação de desnutrição, envolta em tecidos, está no centro da imagem, sendo carregada por um adulto.
Ainda em 1986, após seis anos aguardando autorização do exército brasileiro, o fotógrafo passa uma temporada em Serra Pelada, famoso garimpo de extração de ouro, localizado no Pará. Durante sua permanência, Sebastião retrata o cotidiano do garimpo de trabalho exploratório, os conflitos e os diferentes sentimentos que envolvem o sucesso e o fracasso na busca pelo metal precioso, por meio de vistas gerais impactantes do garimpo completamente lotado de pequenos corpos em movimento, camuflados pela lama, bem como por meio de closes no rosto das pessoas retratadas.
Tecnicamente, suas fotografias são realizadas sempre em preto e branco e com intenso uso da luz natural, sem a interferência de iluminação ou efeitos artificiais. Além disso, suas obras estão influenciadas pela técnica conhecida como “instante decisivo”, que captura o instante em que todos os elementos constitutivos de uma cena se harmonizam. Esta técnica amplia a dramaticidade da imagem por meio das expressões e organizações corporais dos retratados.
O universo do trabalho manual e sua exploração humana também são retratados pelo fotógrafo, como em sua série Trabalhadores, realizada entre 1986 e 1992, na qual retrata diferentes tipos de trabalhos manuais em suas viagens. Retoma a temática em 1996, com a publicação do livro Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial, registrando trabalhos penosos em diferentes experiências pelo mundo, como a pesca do atum na Itália e os trabalhadores rurais no interior do Brasil.
A relação dos povos com suas terras, seja em permanência ou em diáspora, bem como a forma que o trabalho e as condições de desigualdade social transformam as pessoas, sejam seus corpos, expressões e necessidades, são matéria para os trabalhos de Sebastião Salgado e estão reunidas em outros livros do fotógrafo, como Terra (1997) e Êxodos (2000). A relação com a terra também está presente em outras atuações do fotógrafo, como em seu esforço para reflorestar parte da Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, desde 1990 junto com sua esposa, a autora Lélia Wanick Salgado (1947). Esse projeto dá origem, em 1998, ao Instituto Terra, que administra a Reserva Particular do Patrimônio Natural e que, para além do trabalho de restauração, também se dedica à educação sócio-ambiental e pesquisas científicas aplicadas voltadas para a criação de sementes e seus plantios.
Parte intrínseca dessa relação entre os povos e suas terras diz respeito à paisagem, já que é por meio dela que esses povos se organizam e se movimentam. Desta forma, entre 2013 e 2019, o fotógrafo se dedica a registrar a grandiosidade da natureza amazônica, dando origem à série Amazônia, que traz retratos de comunidades indígenas, da fauna e da flora da floresta.
A figura humana está no centro da produção de Sebastião Salgado e é a partir dela que constrói sua narrativa com a terra, com as práticas culturais e com o universo do trabalho, bem como com suas modificações e necessidades, frente às desigualdades sociais que dividem e maltratam pessoas ao redor do mundo.
Análise
Durante uma viagem à África, para coordenar um projeto sobre a cultura do café em Angola, Sebastião Salgado decide tornar-se fotógrafo, como uma forma de denunciar a miséria e os problemas sociais no mundo. Os primeiros anos de fotografia são marcados por grande engajamento político. Fixa-se em Paris em 1974 e passa a fazer a cobertura dos conturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África, como, por exemplo, as condições de vida dos imigrantes em países europeus e a atuação do Exército Republicano Irlandês - IRA.
Até 1983, Salgado viaja por vários países da América Latina, elaborando um painel sobre a vida dos camponeses e a resistência cultural dos índios e seus descendentes (Autres Ameriques, 1986). Suas imagens revelam o arcaísmo do modo de vida e a precariedade das condições de trabalho, ao lado da presença da religiosidade e da morte. Entre 1984 e 1985, em viagem ao Sahel, região pré-desértica do norte da África, junto com os Médicos sem Fronteiras, fotografa a devastação causada pela seca. Suas imagens de mulheres vagando pelo deserto e de crianças muito doentes foram divulgadas em todo o mundo (Sahel, l'Homme en Détresse, 1986).
Questionando o desequilíbrio econômico entre países ricos e pobres, o fotógrafo empreende uma vasta obra de documentação do trabalho manual em várias regiões do mundo. Fotografa as duras condições de trabalho na lavoura de cana ou minas de ouro de Serra Pelada, no Brasil; nas plantações de chá em Ruanda; na construção de uma barragem em Rajasthan, Índia; ou nos poços de petróleo no Kuwait. O conjunto de fotografias da exposição Trabalhadores foi exibido simultaneamente em oito países, em 1993.
Na opinião do historiador Pedro Vasquez, o trabalho de Salgado, em termos de afinidades criativas, pode ser comparado ao dos fotógrafos Eugene Smith (1918 - 1978) e Henri Cartier-Bresson (1908). Em comum com Smith, ele tem a solidariedade com o ser humano, refletida em certo ar de gravidade e no sentimento do trágico que permeiam suas fotos. Em relação a Cartier-Bresson, compartilha o apurado senso de composição, o chamado "instante decisivo": o momento fugaz em que todos os elementos constitutivos de uma determinada cena se harmonizam num instante expressivo.
Em suas fotografias, de composição clássica, destaca-se o uso da luz e de negros intensos. Com a força simbólica das imagens e a gravidade dos rostos, o trabalho de Sebastião Salgado, além do caráter de denúncia, resgata a dignidade humana e presta homenagem aos personagens retratados.
Acervos
Coleção Pirelli/Masp de Fotografias - São Paulo SP
Acervo Fundação Cultural de Curitiba - Curitiba PR
Coleção Joaquim Paiva - Brasília DF
Críticas
"Sebastião Salgado é um portador do mistério da arte. O que quer dizer que sua fotografia não se descreve: sente-se. E sente-se de um modo especial, proveniente do que fez Sebastião Salgado ser reconhecido em todo o mundo, em tão poucos anos, como um fotógrafo muito especial.
Diante de sua fotografia não se pode sentir, como é usual que as fotografias provoquem, a ternura, ou a contristação, ou a culpa, ou o deleite estético. Diante da fotografia característica de Sebastião Salgado vêm-nos, em uma rajada única, a ternura e a dor e a culpa e o prazer estético. Inseparáveis e indistinguíveis, consistentes e indisfarçáveis, em uma só rajada, todos os ricos sentimentos que a pobreza emocional dos dias de hoje não foi ainda capaz de consumir e devorar.
É esta capacidade especial que faz de Sebastião Salgado, internacionalmente, o mais solicitado, o mais aclamado e o mais premiado fotógrafo da atualidade (comprovação inquestionável de tal relevância: só em 91, Nova York, capital planetária da fotografia, montou duas grandes exposições suas). A atenção especial que Sebastião Salgado desperta não vem de modernosos truques informáticos, que, de resto, nada têm a ver com a fotografia. Nem se deve aos seus temas prediletos, como supôs uma articulista do 'New Yorker'. Cheguei a estruturar um ensaio para refutar a tese irada do artigo, segundo a qual a 'retórica' de Sebastião Salgado consiste na 'exploração fácil da tragédia' como tema, no 'embelezamento' dela, para chocar o espectador de suas fotos" — Janio de Freitas (Freitas, Janio de. A condição de Salgado. In: SALGADO, Sebastião. As Melhores fotos. Apresentação Janio de Freitas; fotografia Sebastião Salgado. São Paulo: Boccato, 1992).
"As fotografias de Sebastião Salgado são, antes de tudo, o resultado de um exaustivo processo de escolhas entre o que foi visto e o que deverá ser re-visto por cada um de nós. Processo que se torna ainda mais complexo e subjetivo depois de 'escolhidos' os lugares, as pessoas ou os acontecimentos que ele pretende fotografar (ou que acaba fotografando, por mero acaso).
Usando três ou quatro câmeras Leikas e dezenas de rolos de filmes por dia, Sebastião Salgado é capaz de produzir mais de dez mil imagens em uma única viagem, dentre as inúmeras que compõem o extenso roteiro traçado nas duas últimas décadas para documentar histórias (ou a história) e contá-las através de fotografias: a fome na África, o trabalho no mundo contemporâneo, a luta pela terra, o movimento de populações, etc." — Maria Inez Turazzi (REVISTA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Fotografia. nº 27, 1998, p. 225).
Exposições Individuais
1977 - Anger in Africa
1977 - L' Afrique des Colères
1978 - Les 4000 logements de La Courneuve
1982 - Outras Américas
1983 - Outras Américas
1983 - Brésil des Brésiliens
1984 - Vidas Secas
1986 - Outras Américas
1986 - Sahel: L' Homme en Détresse
1987 - Outras Américas
1987 - Sahel: L' Homme en Détresse
1988 - Outras Américas
1988 - Sahel: L' Homme en Détresse
1989 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1989 - Outras Américas
1989 - Sahel: L' Homme en Détresse
1990 - An Uncertain Grace
1990 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1991 - Outras Américas
1991 - An Uncertain Grace
1991 - Sebastiao Salgado: Retrospective
1992 - Outras Américas
1992 - Trabalhadores
1992 - An Uncertain Grace
1992 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1992 - Sebastião Salgado: Retrospective
1993 - Outras Américas
1993 - Trabalhadores
1993 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Trabalhadores
1994 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1994 - Serra Pelada
1995 - Serra Pelada
1995 - Trabalhadores
1995 - Outras Américas
1996 - Trabalhadores
1996 - Serra Pelada
1996 - An Uncertain Grace
1996 - Sebastião Salgado: Retrospectiva
1996 - Outras Américas
1996 - Exposition Maison Européenne de la Photographie
1996 - Sebastião Salgado: La Main de l'Homme
1997 - Terra
1997 - Serra Pelada
1997 - Trabalhadores
1997 - Sahel: L' Homme en Détresse
1997 - An Uncertain Grace
1998 - Trabalhadores
1998 - Outras Américas
1998 - Serra Pelada
1998 - An Uncertain Grace
1999 - Trabalhadores
1999 - An Uncertain Grace
1999 - Outras Américas
2000 - Êxodos
2000 - Terra
2000 - Trabalhadores
2000 - An Uncertain Grace
2000 - Migrations
2000 - Exodes
2000 - Sebastião Salgado: Retratos de crianças do êxodo
2000 - In Cammino
2000 - Fé
2000 - Exodos
2001 - Migrations
2001 - Terra
2001 - Trabalhadores
2001 - Exodus
2001 - Êxodos
2001 - O Espírito de Nossa Época
2001 - Exodes
2002 - Exodus
2002 - Outras Américas
2002 - Migrations
2002 - Sebastião Salgado: 25 years of photography
2003 - Exodus
2003 - Outras Américas
2003 - Migrations
2003 - In Principio
2003 - Sebastião Salgado: Fotografias
2003 - The Children: Refugees & Migrants
2003 - Terra
2003 - Flüchtlingskinder
2004 - Migrations: Humanity in Transition
2004 - In Principio
2004 - Exodus
2004 - The End of Polio
2004 - Terra
2004 - Exodus: L'Umanità in Cammino
2005 - Exodus: Photographs by Sebastião Salgado
2005 - Trabalhadores
2005 - In Principio
2005 - L'Homme & L'Eau
2005 - Sebastião Salgado: Workers
2005 - Exodus
2005 - Sebastião Salgado: Territoires et Vies
2005 - The Children of Exodus
2006 - Trabalhadores
2006 - [Individual de Sebastião Salgado]
2006 - Terra
2006 - The Hand of a Man
2006 - Gênesis
2006 - Genesis
2007 - Africa
2007 - Terra
2007 - Trabalhadores
2007 - Outras Américas
2007 - Genesi
2007 - Genesis
2007 - In Cammino
2008 - Les Enfants de L' Exode
2008 - Trabalhadores
2008 - Outras Américas
2008 - Exodes
2008 - Africa
2008 - Aqua Mater
2008 - In Principio
2009 - Trabalhadores
2009 - Sebastião Salgado India: The Children of Exodus
2009 - Sebastião Salgado: Africa
2009 - Aqua Mater
2009 - Africa
2014 - Genesis
2021 - Amazônia
2022 - Amazônia - Sebastião Salgado
2022 - Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado
2023 - Trabalhadores
2025 - The World Sebastiao Salgado
Exposições Coletivas
1989 - U-ABC: Paintings, sculptures, photos from Uruguay, Argentina, Brazil, Chile
1990 - UABC: Uruguai, Argentina, Brasil, Chile
1991 - Coleção Pirelli / MASP de Fotografia
1992 - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung
1994 - Contemporary Brazilian Photography from the collection of Joaquim Paiva
1994 - 4ª Semana de Fotografia de Curitiba
1995 - Fotografia Brasileira Contemporânea
1996 - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias
1996 - Latin American Photography: A Spiritual Journey
1998 - The Art Directors Club in Panamericana
1999 - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998
2000 - China
2000 - Índios 2000
2002 - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva
2003 - Graciela Iturbide, Sebastião Salgado e Raghu Rai
2004 - Sebastião Salgado and Lewis Hine
2004 - Migrations and The Children
2005 - Septembre de la Photo 2005 : Aspect de la Photographie Brésilienne
2005 - The Body at Risk: Photography of Disorder, Illness and Healing
2006 - Indianscope: l'Inde intemporelle dans l'Inde d'aujourd'hui
2006 - Eixos da Fotografia
2007 - Polka Magazine
2007 - Entre Deux Lumières
2009 - Realism and Magic
2009 - Then and Now
2011 - Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - Paris
2012 - Amazônia, Ciclos de Modernidade
2014 - Recortes de uma Coleção
2015 - Ângulos da Notícia – 90 anos de fotojornalismo do Globo
2016 - Marcas da Memória
2017 - Luz = Matéria
2018 - Fotografia em Transe
2019 - Moventes
2019 - 47º Chapel Art Show
2021 - 50 Duetos
2022 - Histórias brasileiras
2024 - Do Brasil à terra
2024 - Woof Woof: the dog in photography
Exposições Póstumas
2025 - Sebastião Salgado, 1944-2025 - Uma mostra de admiração e reconhecimento
Fonte: SEBASTIÃO Salgado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 16 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Sebastião Salgado | Wikipédia
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior OMC (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944 – Paris, 23 de maio de 2025) foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro.
Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
As suas fotos a preto e branco representam a dignidade fundamental das pessoas e são testemunhos contra a guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF e foi multi-premiado pelo seu trabalho.
Juventude
Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967). Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia. A ida para Paris em 1969 reflete asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.
Carreira
Fotografia
Primeiras fotos e mundividência
Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa. Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington. A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.
Primeiros livros
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
Consagração internacional: Desalojamentos em Êxodos
De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres sem residência fixa.
Os últimos livros focam-se em temas como a Pólio, desigualdade, África e ambiente.
Técnica fotográfica e Academia
Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.
Ativismo político e ambiental
Militante contra a ditadura brasileira
Ele e a sua mulher Lélia tornam-se ativistas contra a ditadura. Entre outros, contribuiriam para grupos próximos da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella.[14][15] Na altura, vários ativistas aderiam com maior ou menor intensidade a movimentos de luta armada em resposta a regimes ditatoriais na América Latina como Dilma Rousseff (Brasil - Vanguarda Popular Revolucionária), Carlos Lamarca (Brasil, MR8) ou Pepe Mujica (Uruguai - Tupamaros).
Em 1969, o casal é semi-forçado ao exílio em Paris. Em 1977, seria sinalizado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) num dos seus informes.
Em 1974, fotografa em Portugal a Revolução dos Cravos, juntando a fotografia ao ativismo. De seguida, segue para Angola e Moçambique para registrar as ocorrências até as independências em 1975. Em 1974, em Moçambique sofre um acidente na sequência da explosão de uma mina, vindo a sofrer uma lesão na coluna que causaria problemas para o resto da vida.
Cidadão do mundo e ambientalismo
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado contribuiu generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
O seu trabalho conjugou as pessoas e o ambiente. Depois de fotografar a seca no Sahel, fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoiou um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).
Vida pessoal
Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.
Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down. Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.
Morte
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Prêmios
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982,[29] foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992[30] e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.
W. Eugene Smith Memorial Fund (1982)
Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (RPS) (1993)
Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
Prêmio World Press Photo
The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos[30]
Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
Medalha da Inconfidência.
Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
Prêmio Overseas Press Oub oí America.
Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.
40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem
Prêmio Muriqui
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)[36] (O Prêmio da Paz é concedido desde 1950 e é dotado de 25 000 euros)
Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)
Praemium Imperiale (2021)
Membro da Academia de Belas-Artes de Paris do Institut de France (abril de 2016)[38][39]
Obras
Outras Américas (1986).
Sahel: O "Homem em Pânico" (1986)
"Um Fotógrafo em Abril" (1999) ISBN: 972-21-1258-9
Trabalhadores (1996) ISBN 8571645884
Terra (1997) ISBN 8420428744
Serra Pelada (1999) ISBN 2097542700
Outras Américas (1999) ISBN 8571649030
Retratos de Crianças do Êxodo (2000) ISBN 8571649359
Êxodos (2000) ISBN 8571649340
O Fim do Pólio (2003) ISBN 8535903690
Um Incerto Estado de Graça (2004) ISBN 9722109839
O Berço da Desigualdade (2005) ISBN 8576520389
África (2007) ISBN 3822856223
Gênesis (2013) ISBN 3836538725
Perfume de Sonho (2015) ISBN 9788869656255
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro | EPIC
Um dos maiores e mais respeitados fotógrafos do mundo é brasileiro. Estamos falando de Sebastião Salgado, do qual esse post é inteiramente dedicado a visitar sua vida e obra, além de seus projetos humanitários, e claro, seu legado na fotografia.
Vida e obra
Sebastião Salgado nasceu no município de Aimoré, no interior de Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944. Atualmente reside em Paris, na França. Pouca gente sabe, mas antes de fotógrafo ele é Economista. Se formou pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e fez mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1967, ano em que a ditadura já havia começado no Brasil, e também o ano em que se casou com a pianista Lélia Deluiz Wanick, que é sua companheira até hoje.
Mais tarde ainda faria Doutorado na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971. Ou seja, Sebastião Salgado é um nato estudioso, com habilidades em cálculos.
O encontro com a fotografia
No início da década 70, Sebastião Salgado trabalhava para a Organização Internacional do Café (OIC). E foi em uma de suas expedições para cafezais da África que realizou sua primeira sessão de fotos. A câmera utilizada, segundo ele, era uma Leica emprestada pela sua esposa. Suas fotos retratavam a situação econômica dos lugares onde passava de forma mais eficiente que relatórios e estudos estatísticos.
Primeira foto famosa
Em 1973, Sebastião Salgado passa a ser um fotojornalista independente. Passou por agências de fotógrafos como Sygma, Gamma, e Magnum. Mais tarde abriria sua prórpia agência de fotografia, a Amazonas Images. No início da década de 80, foi encarregado de cobrir a posse e primeiros 100 dias de governo do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos - o que possibilitou documentar um atentado à tiros cometido por John Hinckley Jr., que tentara assinar o então presidente.
Em uma excelente entrevista no programa Conversa com Bial, Sebastião Salgado dá detalhes dos bastidores dessa foto. Fala, inclusive, que foi esta imagem que o projetou para o mundo como fotógrafo documental, pois enquanto todo mundo corria, ele se aproximava da cena do crime para fotografar.
Com a venda da fotos para veículos de imprensa do mundo inteiro, Salgado pode realizar um desejo pessoal: retornar a África, desta vez para fazer uma sessão de fotos documental. Seu currículo, fama e experiência foram aumentando exponencialmente, até que decidiu publicar suas histórias e fotografias em...
Livros
Transcendendo a fotografia, Sebastião Salgado publicou 12 obras literárias ao longo de sua carreira:
• Trabalhadores (1996)
• Terra (1997)
• Serra Pelada (1999)
• Outras Américas (1999)
• Retratos de Crianças do Êxodo (2000)
• Êxodos (2000)
• O Fim do Pólio (2003)
• Um Incerto Estado de Graça (2004)
• O Berço da Desigualdade (2005)
• África (2007)
• Gênesis (2013)
• Perfume de Sonho (2015)
Em seus livros, Sebastião Salgado deixou claro sua luta pessoal com questões humanitárias. Suas imagens dão luz à realidades que muitas pessoas sequer conseguem imaginar, retratando - sempre em preto e branco - guerras, pobreza, desigualdades e injustiça.
Estes fatos contribuíram para que Sebastião Salgado se tornasse membro colaborador de diversas instituições ao redor do mundo, como por exemplo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Mundial da Saúde (OMS), Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
Ao lado de sua esposa Lélia, direciona um gigantesco projeto de reflorestamento em Minas Gerais - o mesmo que foi destaque no documentário O Sal da Terra, dirigido pelo seu filho e indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015.
Já indicamos O Sal da Terra no post sobre Filmes, séries e documentários disponíveis na Netflix ou Youtube.
Prêmios
Sua trajetória lhe rendeu uma porção de prêmios, dos quais podemos destacar:
• Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães (2019) - sendo o primeiro fotógrafo a receber a honraria;
• Prêmio Jabuti de Literatura, pelo livro Terra, na categoria Reportagem (1998); e outros como:
• Prêmio Príncipe de Asturias das Artes, 1998;
• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária;
• Prêmio World Press Photo;
• The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental;
• Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência nos Estados Unidos;
• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores;
• Medalha da Inconfidência;
• Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos;
• Prêmio Overseas Press Oub oí America;
• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography;
• Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil;
• Prêmio Muriqui;
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016);
• Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016);
Fotografia em preto e branco
A fotografia em preto e branco se tornou marca registrada da fotografia de Salgado, mais especificamente desde 1987. Em entrevista recente, ele explica: que a cor pode causar um ruído na mensagem que quer passar, distraindo o receptor. "O preto e branco me permite concentrar na personalidade das pessoas, na dignidade, então eu transformo a realidade em uma realidade mais forte ainda".
Fonte: EPIC, “Sebastião Salgado: o famoso fotógrafo brasileiro”, publicado por Vinícius Franco. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo” | El País
É uma lenda viva da imagem documental. Durante quatro décadas fotografou as maiores atrocidades do ser humano e as mais esplêndidas paragens do planeta. Aos seus 75 anos, recheado de prêmios e reconhecimento, está na reta final de outro de seus hercúleos projetos sobre as tribos da Amazônia. Seu motor foi a curiosidade por conhecer as coisas do mundo e a vontade de transmiti-las; caminhando de lugar em lugar, diz, como “um homem da Idade Média”
Com sua fotografia documental, de um preto e branco puríssimo, Sebastião Salgado fotografa há mais de quatro décadas os maiores horrores cometidos pela espécie humana e as grandes belezas naturais do planeta. Após sair do Brasil fugindo da ditadura em 1969, ficou uma década fora e, por culpa da fotografia, deixou de lado um promissor trabalho como economista. Ainda que tenha começado “tarde”, como reconhece, hoje tem todos os prêmios e reconhecimentos possíveis da arte da imagem. Nascido em 1944 em Aimorés, Minas Gerais, aos 75 anos, que nem de longe aparenta, esteve em mais de 130 países e está na reta final de outro de seus hercúleos projetos, sobre tribos da Amazônia. Salgado fala com paixão e convicção, suas ideias fluem em um espanhol com o característico suave sotaque brasileiro. Do jovem comunista de cabelos compridos e barba frondosa resta uma cabeça raspada e sobrancelhas espessas, brancas, que de vez em quando alisa como se procurasse nelas o fio de seus argumentos.
Como está seu trabalho sobre a Amazônia?
Estou envolvido nele há vários anos e ainda restam três histórias por fazer. Serão no total 30 reportagens sobre 13 tribos, com muita fotografia aérea, porque assim é possível dar uma ideia da grande extensão da floresta e dos rios. O maior volume de água no Amazonas vem pelas evaporações, autênticas correntes aéreas de umidade que garantem a chuva em grande parte do planeta ao deslocarem-se como nuvens. Acho que nessa série as fotografias do sistema montanhoso do Amazonas irão surpreender. Você tem a impressão de que está nos Alpes, são colossais. A última reportagem será sobre animais.
Como são essas tribos com as quais conviveu?
Há de tudo. Os korubos, no vale do Javari, foram contatados pelo homem branco em 2015, mas outras o foram no século XIX. Há uma tribo que é herdeira da cultura inca, chegaram ao Brasil deslocados pelos espanhóis. Têm uma agricultura sofisticada, criadouros de peixes e tartarugas...
Mas o que te surpreendeu dos que vivem na floresta?
O que mais me impressiona é que não há surpresa, já não há muito a descobrir. Eu pensava que demoraria meses a me adaptar a eles e foram horas. Porque somos nós mesmos. Só há uma pequena diferença física, os pés. Veja seus pés, Manuel! São uma deformação, estão doentes porque estão sempre em um sapato que os deforma. Os pés dessas comunidades, entretanto, são triangulares, a parte de trás é fina e a da frente é larga; utilizam os dedos para se equilibrar, subir nas árvores, e saltar de uma para outra.
Em 1982 você recebeu o Prêmio W. Eugene Smith de Fotografia Humanitária. Desde então foi nomeado cavaleiro da Legião de Honra na França, ganhou um World Press Photo em 1985, o Hasselblad em 1989; Na Espanha foi o primeiro fotógrafo a receber o Príncipe de Astúrias das Artes. Agora ganhou em Madri um prêmio da Sociedade Geográfica Espanhola “pela qualidade e espírito de seu trabalho de viagens”.
Se é por isso, mereço porque sou, provavelmente, uma das pessoas do planeta que mais caminharam [risos]. Quando estava no avião e via pela janela as montanhas, os rios... o planeta é maravilhoso. Sempre pensei que, por meu tipo de fotografia, sou como aqueles homens que na Idade Média, movidos pela curiosidade, iam de cidade em cidade para conhecer as coisas e transmiti-las. A vida dos fotógrafos é assim: ir, descobrir, conhecer e transmitir. A fotografia que faço é o espelho da sociedade. É uma função que não existia há 100 anos e que não acho que irá existir daqui a 20...
Por quê? Hoje, com um celular são feitas imagens de uma qualidade incrível, mesmo que isso não seja fotografia. É uma linguagem de comunicação, mas a fotografia é algo que você toca, guarda. As demandas, entretanto, estão mudando.
“As imagens de um celular têm uma qualidade incrível, mas não são fotografia. Fotografia é algo que você toca, que guarda”
Só se interessou pela fotografia em 1973, quando tinha quase 30 anos. Em quem se fixou um autodidata como você? Eu adorava a pintura, fotografava obras em preto e branco de Rembrandt. Comecei a ver que podia criar essas mesmas luzes e profundidades. O fotógrafo deve transmitir o que seu olho vê no momento de disparar, é preciso romper os limites da câmera. E ver o que os outros fazem não significa nada, cada um tem suas luzes interiores. A fotografia é feita com o passado de cada um, com sua ideologia. Eu trabalhei na Magnum com grandes fotógrafos, mas as afinidades eram mais pessoas do que técnicas.
Sua trajetória se caracterizou por projetos que foram maratonas (Trabalhadores, Êxodos, Gênesis). Por que sempre essa longa duração?
No caso de Êxodos, eu sou um imigrante, vivo em um país estrangeiro [França] e queria fazer um trabalho sobre as grandes migrações porque também era minha história. Vivi sete anos na estrada procurando essas pessoas e passei vários meses em nove grandes cidades nas quais os imigrantes chegavam. Em Trabalhadores, como fui economista, senti que a grande revolução industrial chegava a seu fim pelos computadores. A mão já não iria ser tão importante na linha de produção, de modo que também me identifiquei com eles.
Fotografou os desfavorecidos, sua fotografia foi descrita como humanitária e social. Não quis retratar os desfavorecidos, eu nunca fui um militante, é somente minha forma de vida e o que eu pensava. Houve quem disse [como Susan Sontag] que Salgado fazia estética da miséria... Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo. Conheço a África como a palma de minha mão porque há somente 150 milhões de anos a África e a América eram o mesmo continente.
Também sempre teve claro que sua obra de peso seria em preto e branco?
Claro, em cores era para as encomendas... Olhe ali! [Salgado mostra um lado do vestíbulo do hotel em que ocorre a entrevista, decorado com sofás violetas e vermelhos]. Lá, um retratado se perderia entre essas cores. A fotografia colorida acentua as cores, e isso me distraía. Com o preto, o branco e o cinza isso não ocorria. Sabe outra coisa que me desconcentrava? Quando, na época em que se utilizava filme, tinha que parar, tirar o rolo e trocá-lo por outro.
“Foi dito que eu fazia estética da miséria. Meu cu! Eu fotografo meu mundo, sou uma pessoa do Terceiro Mundo”
E o que fazia?
Cantava. Como conseguia trocar o filme de olhos fechados, cantava MPB e assim não perdia a concentração.
Em algumas de suas célebres fotografias, como a de um garimpeiro em Serra Pelada, apoiado em uma estrutura de madeira, se vê referências da iconografia cristã. Isso lhe serviu de inspiração?
É possível, eu sou de Minas Gerais, o Estado mais barroco do Brasil. Quando fotografo, sempre há um pequeno rastro de algo que me influenciou. Certamente quando fiz essa foto eu via São Sebastião com as flechas, mas minhas fotografias não são modernas e pós-modernas, são barrocas porque vêm desse mundo.
Você foi fotojornalista, mas após o genocídio de Ruanda, em 1994, perdeu por um tempo a fé na fotografia e se refugiou na geografia de sua infância, na fazenda de seu pai, seca e arrasada pela criação de gado. Foi aí que nasceu sua preocupação pela natureza?
Não, eu nasci e cresci na natureza. Meu pai tinha fazendas e eu passava o dia a cavalo e caminhando. Aos domingos, eu e vários amigos acordávamos às quatro da madrugada para caçar; voltávamos de tarde, exaustos, e íamos nadar. A parte principal de meu trabalho foi a fotografia da natureza, não as pessoas...
Você sempre elogiou as organizações humanitárias com as quais trabalhou e se mostrou crítico com os Governos. Mantém essa ideia?
Não fui tão crítico. Fui de esquerda, quando jovem acreditava que era preciso tomar o poder pela força..., mas precisamos trabalhar juntos. É mentira isso de que uma foto pode mudar o mundo; o que pode mudá-lo é o trabalho conjunto das ONGs, a imprensa, os Governos...
Falando de Governo, como vê o Brasil, com o ultradireitista Jair Bolsonaro na presidência?
É um personagem conflitivo e que gera desequilíbrios por propostas como a destruição da floresta e das comunidades indígenas. São ideias de extrema direita, mas a sociedade brasileira é capaz de oferecer-lhe resistência. Ele foi eleito democraticamente por uma importante maioria, de modo que é preciso trabalhar para que essas pessoas não apoiem novamente essas ideias retrógradas. O que aconteceu é ruim, mas ao mesmo tempo é bom porque criou um sistema de militâncias, com pessoas que querem defender seus direitos.
E o que o incomoda no restante da América Latina?
Eu fico muito preocupado com o que acontece atualmente na Venezuela, é um crime. Mas é preciso compreender a história desse país. Eu trabalhei lá antes de Hugo Chávez e era um Estado dirigido por uma burguesia que lhe roubou tudo. Chávez chegou ao poder com apoio popular, mas depois cometeu erros brutais e abusou de seu poder. Com Maduro a economia foi destruída, e é preciso mudar isso, mas não com uma intervenção militar estrangeira. Somos democracias jovens e é preciso olhar a história da Europa para entender o que acontece na América Latina.
Justamente, a carta do presidente do México pedindo ao rei Felipe VI que peça perdão pela conquista causou um reboliço.
A Espanha não deve se desculpar. Foi uma proposta oportunista de um político, não de um povo. Mas não é um problema que isso seja discutido, e os primeiros a o fazer, os mexicanos, que em 90% são indígenas. Você vai em uma festa da burguesia no México e todos os garçons são índios. A conquista foi uma aventura total, 30% dos espanhóis que foram não voltaram, morreram. Quando Cortés diz a Montezuma que seus soldados estão doentes e que o único remédio é o ouro... é a história da humanidade.
Em 2014, sua vida e obra inspirou o premiado documentário ‘O Sal da Terra’, dirigido por seu filho Juliano e Wim Wenders. Como foi a experiência?
Muito difícil, porque o fotógrafo precisa se relacionar com o que fotografa e quando você se transforma em intermediário é um produto de quem está filmando. Meu filho já havia me filmado... e eu brigava com ele, mas era meu filho, era mais simples. Na filmagem com ele e Wim existiam três câmeras, uma equipe de som..., um carnaval! Eu o fiz por Juliano.
Sua esposa, Lélia Wanick, planeja e produz seus livros. Como é sua relação profissional em um casal que está casado há meio século?
Não é complicado, amo profundamente minha mulher, tem um gosto excepcional, uma capacidade de organização que eu não tenho, se ocupa das exposições que temos por todo o planeta e adoro os livros que ela produz para mim. E assim vamos, lutando... Comecei com ela há 55 anos. Desde o começo me apoiou porque as coisas que eu procurava não estavam na porta de casa, precisava ficar tempos fora e ela cuidou de nossos filhos [além de Juliano, têm outro, Rodrigo, com síndrome de Down].
Em uma entrevista em 2007 ao EL PAÍS, jornal em que publicou seus principais trabalhos, disse que nunca utilizaria o digital, mas acabou por fazê-lo.
A qualidade do digital no começo não era tão grande e depois foi uma facilidade porque permitia usar uma câmera leve, rápida. Além disso, a qualidade em filme caiu porque era muito caro... Em minhas viagens, levava 600 rolos de filme, pesavam 35 quilos, brigava nos aeroportos... Hoje, com uma caixa do tamanho de um celular levo esses 600 filmes.
As redes sociais lhe interessam?
Há uma conta em seu nome no Instagram... Não é minha! E no Facebook há outras duas que também não são..., são falsas. Uma vez briguei por meses para que retirassem uma conta e apareceram cinco. Não me interessa, o que é exposto ali é... como se você abaixasse as calças e mostrasse a bunda pela janela. Não é da minha geração, não é o meu mundo.
Teve tempo para fazer um balanço?
Acho que contribuí à consciência do cuidado do planeta. Tive sucesso e cheguei com meu trabalho às pessoas graças a organizações como a Unicef, Save the Children, Médicos Sem Fronteiras..., mas eu sozinho com minhas imagens não teria feito nada, seria como o pó.
Fonte: El País, “Sebastião Salgado: “Foi dito que eu fazia estética da miséria. Ridículo! Fotografo meu mundo”", publicado por Manuel Morales, em 23 de junho de 2019. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado, Maior Fotógrafo Brasileiro, Morre Aos 81 Anos | Forbes
Nesta sexta-feira (23), o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, considerado o mais importante do país e reconhecido mundialmente, faleceu aos 81 anos, em Paris (FRA). O artista enfrentava problemas de saúde, após adquirir malária ainda nos anos de 1990, na Indonésia, onde não foi tratada adequadamente. Inclusive, em entrevista ao “The Guardian”, em 2024, Salgado falou que as complicações da doença o motivaram a se aposentar.
Em uma rede social, o Instituto Terra Oficial, fundado por Salgado, publicou uma nota de pesar. “Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade”, escreveu. O projeto fazia reflorestamento em um antiga fazenda da família, com o intuito de recuperar a biodiversidade da Mata Atlântica.
Em entrevista à Forbes USA, o fotógrafo afirmou que esperava viver por mais dez anos para ver a evolução do espaço, que teria novas 10 milhões de árvores. Segundo ele, trata-se do maior projeto ecológico do Brasil na atualidade.
Sebastião Salgado deixa a esposa, dois filhos e dois netos, além de uma legião de admiradores pelo mundo.
O fotógrafo
Recentemente, Salgado concedeu entrevista à Forbes USA e falou sobre sua trajetória. Com 50 anos de carreira, o artista tornou-se uma referência ao retratar diversas questões sociais e ambientais pelo mundo, como a fuga de refugiados, trabalhos que exigiam extremo esforço físico, comunidades indígenas e a Amazônia. Era comum ele ficar anos dedicando-se aos seus projetos. “Quando vamos a todas essas regiões do mundo, enfrentando todos os problemas e desafios que você pode imaginar, nos perguntamos: sobre ética, legitimidade, segurança. E cabe a nós encontrar a resposta, sozinhos”, afirmou na entrevista.
Lidar com temas tão comoventes e urgentes também mostravam a razão do seu trabalho sempre ter tanta sensibilidade. “Quantas vezes na minha vida eu pus a câmera de lado e sentei para chorar? Porque era dramático demais, e eu estava sozinho. Esse é o poder do fotógrafo: poder estar lá”, disse. Salgado viajou para mais de 120 países, esteve na Guerra do Golfo (1991), testemunhou o genocídio em Ruanda (1994) e viu a febre do ouro, em Serra Pelada — o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado o Pará –, entre tantos outros acontecimentos importantes.
Ao longo de sua carreira, o artista recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes (1998), o W. Eugene Smith Memorial Fund Grant (1982) e a Medalha do Centenário da Royal Photographic Society (1993). Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas-Artes do Instituto de França. Entre suas obras mais conhecidas estão os livros “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Êxodos” (2000), “Gênesis” (2013) e “Amazônia” (2021).
Em fevereiro de 2024, anunciou sua aposentadoria da fotografia para se dedicar à edição de seu vasto acervo, de milhares de imagens.
A partir de 1º de junho, seu trabalho com mais de 400 fotografias ficaria em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna francesa de Deauville, aberto para a visita do público. Ele descreveu a exposição à Forbes americana como “um passeio pela própria vida”.
Relação com a Amazônia
Sebastião Salgado sempre teve a floresta como um dos principais temas de seu trabalho. Não por acaso, um dos mais conhecidos é “Amazônia”, que percorreu cidades como São Paulo, Paris, Londres e Roma, com suas 194 fotografias, tiradas em 2021. Em 1994, juntamente com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundou a agência Amazonas Images, dedicada à documentação fotográfica de questões sociais e ambientais. Embora tenha admitido que não desejava viver por mais muito tempo ao jornal inglês, Salgado ainda desejava cobrir a COP30 em Belém (PA).
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior
O fotógrafo nasceu em 8 de fevereiro de 1944, na cidade de Aimorés, interior de Minas Gerais. Ele se especializou em economia, com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade em Paris. Inclusive, chegou a trabalhar no Ministério da Economia em 1968.
Em 1969, durante a Ditadura Militar, exilou-se em Paris. Ali começou a trabalhar para a Organização Internacional do Café, no ano de 1971, como consultor no controle de plantações na África. Ao estudar os cafezais da região, notou as infinitas possibilidades da fotografia. Dois anos mais parte, começou a sua trajetória de fotojornalista e nos trouxe sua perspectiva através da lentes, sempre no preto e branco.
Desde 1969, o fotógrafo vivia em Paris. Ele foi obrigado a exilar-se na cidade francesa por conta da Ditadura Militar. Por lá, ele vivia com a esposa e o filho Rodrigo. O apartamento, perto da Praça da Bastilha, conta com um acervo de 500 mil imagens autorais do artista.
Fonte: Forbes, “Sebastião Salgado, maior fotógrafo brasileiro, morre aos 81 anos”, publicado por Karina Merli e Clarissa Palácio, em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos | Conjur
O fotógrafo Sebastião Salgado morreu aos 81 anos nesta sexta-feira (23/05), em Paris. A informação foi confirmada por sua família por meio do Instituto Terra, ONG fundada por ele e pela esposa, Lélia Wanick Salgado. Considerado um dos maiores fotógrafos do mundo, Salgado deixou uma obra marcada pelo olhar humanista e pela sensibilidade social.
O presidente Lula (PT) lamentou sua morte durante uma cerimônia no Palácio do Planalto e pediu um minuto de silêncio, em luto. “Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade e o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, disse.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, presidente Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia, também manifestaram pesar pela morte de Salgado.
“Eu recebo com imensa tristeza a notícia da morte do Sebastião Salgado. Na verdade, um grande artista. Uma morte precoce, 81 anos hoje em dia é muito cedo. Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade. É uma imensa perda para a humanidade. E aqui mando um abraço e consolo para toda a família”, lamentou Barroso.
“Enorme perda para o Brasil e para essa humanidade tão precisada de grandes humanidades como o Tião. Sebastião era Salgado apenas no sobrenome: um ser humano a mostrar uma doçura total, mesmo nas denúncias fotografadas das indignidades e feridas do mundo”, comentou Cármen Lúcia.
O STF conta com 18 painéis fotográficos assinados por Sebastião Salgado que integram o projeto Amazônia e que foram doados por ele e pela esposa.
Legado
Sebastião Salgado era economista de formação, mas se voltou para a fotografia nos anos 1970, após um exílio político durante a ditadura militar. Ao longo da carreira, registrou temas como trabalho, migração, guerras e questões climáticas, percorrendo mais de 120 países.
As imagens em preto e branco são uma marca registrada de Salgado. Para ele, as cores são uma distração do assunto para o qual ele queria chamar atenção em suas fotografias: a dignidade das pessoas retratadas.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os garimpeiros da Serra Pelada, no Pará, trabalhadores em condições extremas, povos indígenas da Amazônia e paisagens como o deserto do Saara e a Antártida.
Fonte: Conjur, “Do Gênesis ao fim: morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos; ministros do STF lamentam”. Consultado pela última vez em 16 de março de 2026.
Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST | Brasil De Fato
Sebastião Salgado, um dos mais respeitados nomes da fotografia documental no mundo, morreu nesta sexta-feira (23). Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sua partida representa a perda de um grande aliado da luta pela reforma agrária no Brasil. Para Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST, Salgado era sobretudo um militante da imagem, cuja lente ajudou a revelar ao mundo a violência do latifúndio e a potência da organização popular no campo.
Salgado se aproximou do MST em 1996, ao buscar compreender a realidade agrária do país. A partir desse contato, passou a acompanhar de perto a luta dos camponeses sem terra. Um dos registros mais emblemáticos de sua trajetória com o movimento foi feito na madrugada de 17 de abril daquele ano, quando mais de 3 mil famílias ocuparam a Fazenda Araupel, no Paraná. A fotografia de um camponês com uma foice em punho, rompendo a cerca do latifúndio, se tornou ícone da resistência agrária. Na mesma data, no Pará, ocorreria o massacre de Eldorado dos Carajás, que Salgado também registrou dias depois.
“Sebastião conseguiu captar a essência do movimento, essa força humana de camponeses, mulheres, crianças em busca de terra”, afirmou Baggio, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Desde esse primeiro momento, ele se encontra com a terra, com os camponeses, com o povo brasileiro, e contribui com uma missão extraordinária de solidariedade e apoio ao MST.”
Parte fundamental dessa contribuição foi a doação das imagens da coleção Terra, exposta em diversos países, cuja arrecadação ajudou a viabilizar a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação política e cultural do MST. “Ele doou de forma gratuita e voluntária todo esse trabalho. Foi um militante completo, de linha de frente. Fazia a batalha das ideias através da fotografia, das imagens”, destacou Baggio.
Ao longo de sua carreira, Salgado também voltou sua lente para os garimpeiros de Serra Pelada, a guerra do Golfo e, nos últimos anos, dedicou-se à proteção da Amazônia e à valorização dos povos indígenas. A semana do meio ambiente, de 2 a 6 de junho, teria mais um capítulo dessa relação com o MST: Salgado foi convidado para participar de uma semeadura aérea de açaí e pupunha em áreas da reforma agrária no Paraná, região que havia fotografado 29 anos antes.
Segundo Baggio, o fotógrafo analisava a possibilidade de comparecer. Agora, o plantio será feito em sua homenagem. “Vamos semear em homenagem a ele sementes da vida, da biodiversidade, do cuidado com a natureza”, disse Baggio. “A nossa admiração, gratidão eterna pela solidariedade de Sebastião Salgado. Ele continua vivo conosco aqui no Brasil e nas terras da reforma agrária”, concluiu.
Fonte: Brasil De Fato, “Sebastião Salgado: fotógrafo da terra e do povo, aliado histórico do MST”, texto de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicado em 23 de maio de 2025. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.
Crédito fotografico: Fast Company. Consultado pela última vez em 17 de março de 2026.