Manufacture Royale d'Aubusson (Aubusson, França, ~1580), também conhecida como Tapeçaria Royal de Aubusson ou apenas, é como são conhecidos os tapetes e almofadas tecidos na cidade francesa de mesmo nome, situada a 200km de Paris, sobre o rio Creuse, os quais eram produzidos exclusivamente para os palácios do rei e de sua corte. Os desenhos criados pelos artistas da corte incluíam arranjos florais, referências militares, heráldicas, motivos arquitetônicos, religiosos e mitológicos. O período de maior produção foi entre 1650-1789. A maioria dos tapetes desta época são encontrados apenas nos maiores museus do mundo. Atualmente estes tapetes estão sendo reproduzidas na China.
Tapeçaria Aubusson | Wikipédia
Aubusson tapeçaria é tapeçaria fabricados em Aubusson , no vale superior do Creuse no centro da França. O termo geralmente abrange os produtos semelhantes feitos na cidade vizinha de Felletin , cujos produtos são frequentemente tratados como "Aubusson". A indústria provavelmente se desenvolveu desde pouco depois de 1300 em teares em oficinas familiares, talvez já dirigida pelos flamengos que são notados em documentos do século XVI.
A tapeçaria de Aubusson do século 18 conseguiu competir com a manufatura real da tapeçaria de Gobelins e a posição privilegiada da tapeçaria de Beauvais, embora geralmente considerada como diferente.
Em 2009, a "tapeçaria de Aubusson" foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO . Naquela época, a indústria apoiava três workshops e cerca de dez tecelões autônomos.
Felletin é identificada como a fonte de onde vieram as tapeçarias de Aubusson no inventário de Charlotte de Albret , duquesa de Valentinois e viúva de Cesare Borgia (1514). As oficinas receberam uma carta real em 1665, mas ganharam espaço no final do século 18, com projetos de François Boucher, Jean-Baptiste Oudry e Jean-Baptiste Huet , muitos dos pastorais rococós. Normalmente, as tapeçarias de Aubusson dependiam de gravuras como fonte de design ou dos desenhos animados em escala reala partir da qual trabalhavam os tecelões de tapeçaria de baixa urdidura. Tal como aconteceu com as tapeçarias flamengas e parisienses da mesma época, as figuras foram colocadas contra um fundo convencional de verdura, folhagem estilizada e vinhetas de plantas nas quais os pássaros se empoleiram e das quais brotam vislumbres de torres e cidades.
No século 19, as reproduções de peças do século anterior e capas de móveis, bem como tapetes de tapeçaria floral, mantiveram a indústria viável, e a cidade teve grande parte do renascimento pós-Segunda Guerra Mundial na tecelagem de tapeçaria. Na verdade, o designer principal Jean Lurçat mudou-se para lá em setembro de 1939, com Marcel Gromaire e Pierre Dubreuil.
Le Bouquet (1951) de Marc Saint-Saens está entre as melhores e mais representativas tapeçarias francesas dos anos cinquenta. É uma homenagem à predileção de Saint-Saens por cenas da natureza e da vida rústica.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Tapeçaria Aubusson | Adrian Alan
A pequena cidade de Aubusson, às margens do rio Creuse, na França, tem uma longa história de produção de tapeçarias elaboradas e luxuosas, famosas em todo o mundo. Suas origens nasceram com a chegada de tecelões de Flandres, que se refugiaram em Aubusson por volta de 1580.
As tapeçarias de Aubusson são conhecidas por sua elegância e coloração delicada, muitas vezes retratando cenas pastorais românticas derivadas de artistas como Boucher, cenas históricas inspiradas na mitologia clássica, ou vistas arquitetônicas mais formalizadas. Aubusson era particularmente conhecido por suas composições finamente equilibradas de guirlandas e buquês que se tornaram famosos e procurados em toda a Europa.
Luís XIV foi fundamental para o desenvolvimento da indústria da tapeçaria francesa. Ele reconheceu que, ao assumir a liderança da arte da tapeçaria, a França poderia projetar seu poder e sua cultura em todo o mundo, bem como aumentar sua riqueza.
Em 1662, a oficina de tapeçaria dos Gobelins foi proclamada Manufacture Royale, seguida por Beauvais e Savonnerie. Originalmente, essas fábricas tinham como objetivo fornecer exclusivamente o palácio real de Versalhes.
Os tecelões de Aubusson receberam este título de 'Manufacture Royale' alguns anos depois, em 1665, reconhecendo seu lugar ao lado desses outros fabricantes de tapeçaria importantes. E em uma época em que os outros produtores de tapeçaria da França Real não podiam fornecer para fora da Corte Real, Aubusson floresceu entre a aristocracia e as classes altas da Europa. Sua produção sempre foi considerada a melhor do mundo.
Luís XV, Luís XVI e Napoleão I mais tarde, todos encomendaram trabalhos de Aubusson. Os dois últimos ordenando nos maiores quantitos. Um inventário de 1786 lista mais de cem tapetes Aubusson no palácio de Versalhes e um inventário de 1789 de todos os palácios reais descreve muitos mais.
Uma queda na sorte veio após a Revolução Francesa e a chegada do papel de parede. No entanto, a tapeçaria fez uma espécie de retorno durante a década de 1930, com artistas como Cocteau, Dufy, Dali, Braque, Calder e Picasso sendo convidados a Aubusson para se expressar por meio da lã.
Fonte: Adrian Alan. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
Curiosidade
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry, Inglaterra.
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Tapeçaria: Obras de arte tecidas | História das Artes
É a arte de se imprimir em lãs de todas as cores as pinturas concebidas por distintos artistas, com o objetivo de decorar os ambientes mais ricos.
A princípio o pintor elabora sua obra, depois os artesãos se debruçam sobre sua matéria-prima e procuram imitar esta imagem e todas as suas nuances.
Os tecidos são tramados manualmente, compondo figuras de todo tipo. Esta arte lembra o bordado, mas este se distingue por se moldar ao suporte da talagarça, enquanto na tapeçaria a imagem é esboçada pelos mesmos fios da textura utilizada.
É importante também perceber que a pintura e a tessitura são etapas diferentes e ao artífice cabe reproduzir nas lãs as tonalidades e os contrastes presentes no quadro do pintor, através do ofício de tecer.
Um pouco da sua história
A tapeçaria floresceu na Europa durante a Idade Média devido, por um lado, pela abundância de lã e, por outro, pela quantidade de mão-de-obra disponível, embora já fosse exercitada pelos gregos e romanos na Antiguidade.
As tapeçarias mais antigas, normalmente produzidas em conventos e destinada as igrejas, têm temática religiosa.
Com o tempo, os tapetes começaram a ser mais usados nos castelos, conta a lenda que serviam para aquecer o ambiente construído com altas paredes de pedra.
Havia tecelões independentes que viajavam com seus teares para atender encomendas. Esses tapetes laicos incorporam lendas, fábulas, pagãs e temas de romance de cavalaria.
O alto-liço considerado sempre mais difícil e por isso mais apreciado, ocorreu na França já em 1302 e, em Arras, por volta de 1313.
A fama das tapeçarias flamengas se espalhou por toda a Europa.
Promoviam-se grandes exposições comerciais e a manufatura de Flandres abastecia extensa clientela. A elaboração dos cartões ficava em geral a cargo de pintores, mas também existia o pintor de valores, função frequente em Bruxelas no século XV.
Além da Goya, muitos grandes artistas como Andrea Mantegna, Rafael e Rubens realizavam cartões que foram utilizados como modelos para tapetes.
A tapeçaria tem importante expressão na França. Floresceu durante o Renascimento e no século que se seguiu a este movimento artístico-cultural, agora em território francês. Ela alcançou sua maior expressão no reinado de Luís XIV, mantida pelo Estado, principalmente na famosa manufatura dos Gobelins.
Esta arte teve seu início em meados do século XV, pelas mãos desta família residente em Paris.
A princípio, eles se dedicavam à produção e à coloração de tecidos, mas depois se devotaram ao ofício da tapeçaria até não resistirem mais aos problemas financeiros, quando então sua arte foi assumida pelo Estado, ainda sob a liderança de Luís XIV.
O célebre pintor Charles Lebrun tornou-se responsável, neste momento, pela elaboração das imagens e também da formação de sessenta aprendizes. As iniciativas deste monarca permitiram que a tapeçaria francesa conquistasse um patamar quase impossível de ser transcendido por outros povos.
As obras criadas pelos Gobelins se converteram em peças clássicas que hoje são preservadas em vários museus conhecidos.
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry.
Após a invenção dos corantes químicos e dos processos industriais de fabricação de tapetes, nos séculos XVIII e XIX, a tapeçaria artesanal foi revalorizada pelo movimento britânico Arts and Crafts e pelos modernistas.
Em 1961, realizou-se a primeira Bienal Internacional de tapetes.
As sete tapeçarias no Palácio de Christiansborg compostas para as comemorações de 50 anos da Dinamarca, em 1999, procedem também dos Gobelins.
Hoje, encontramos tapeçarias originárias da França decorando os palácios presidenciais de Abidjan e de Brasília, aeroportos em Munique e Nova York, a ópera de Sydney, o Vaticano, e outros tantos espaços públicos.
No Museu de Arte de São Paulo – Masp, localizado no Brasil, é possível contemplar um trabalho denominado O Caçador Descansando, composto sobre temas tipicamente nacionais, doado a Luís XIV por Joan Mauritz van Nassau-Siegen, mais conhecido como Maurício de Nassau, então estadista do Brasil sob o domínio holandês.
Em Portugal, a peça mais célebre é o Tapete de Arraiolos.
Ainda hoje, a tapeçaria prospera como as outras artes, e com certeza a França ainda se destaca neste ofício, tanto na composição das imagens como na riqueza e vivacidade das cores utilizadas. Exposições no mundo todo são realizadas com peças provenientes principalmente do Museu de Belas Artes de Paris, o Petit Palais, geralmente com a curadoria de especialistas franceses.
Fonte: História das artes, publicado por Margaret Imbroisi, em 24 de junho 2016.
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Tapetes de Luxo: Tudo sobre o clássico Aubusson | Blog Kleiner Schein
Com suas tonalidades claras e desenhos delicados confeccionados manualmente por exímios artesãos, os tapetes Aubusson conquistam os gostos dos clientes mais exigentes. No post de hoje vamos contar um pouquinho sua história.
A atividade tapeceira surgiu na França por volta do século XIV, porém até então nenhuma peça havia conquistado tanto reconhecimento a ponto de transpor o passar dos anos.
Em 1608 Pierre Dupont iniciou a confecção de tapetes em uma oficina ligada ao palácio do Louvre em Paris. No ano de 1623 o mesmo já dominava a técnica oriental da produção de tapetes a base de lã e seda.
Então com a ajuda de um sócio, expandiu a produção para um prédio onde antes funcionava uma fábrica de sabão, por isso os tapetes confeccionados ali ficaram conhecidos como Savonnerie.
Os tapetes Savonnerie eram tecidos com os mais altos padrões técnicos, e passaram a ser muito requisitados para o Louvre, e ambientes luxuosos como o Palácio de Versalles.
Outro centro de atividade tapeceira na França foi Aubusson, localizada a 200 quilômetros de Paris, os tapetes confeccionados nessa região levam o nome da cidade e suas principais características são os tons pastel, temas florais e medalhões característicos da Renascença Francesa do século XIV.
Os desenhos e cores dos tapetes Aubusson eram muito semelhantes aos savonnerie, porém produzidos em tamanhos menores e por não terem nós, eram mais baratos e rápidos de fazer, assim o preço ficava acessível para um número maior de pessoas. O período de maior produção foi entre 1650-1789.
Atualmente os Aubussons estão sendo reproduzidos em sua maioria na China, mas com as mesmas qualidades características, e por se tornarem uma peça de época custam uma pequena fortuna.
Confira alguns modelos dessa peça incomparável que fará você viajar pelos mais belos museus e palácios franceses.
Fonte: Blog Kleiner Schein, publicado em 27 de fevereiro de 2017.
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A rota das tapeçarias na França | Simonde
O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).
Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Estado do mundo a manter — com dinheiro público — as grandes manufaturas tapeceiras. Ou seja, os artesãos, que trabalham seis horas por dia de frente para o liço, por anos e anos na mesma peça, são funcionários públicos. E possuem quase nenhuma possibilidade de crescimento na carreira.
Um dos fatos interessantes que nos mostra a importância histórica dessas manufaturas é que Gobelins, Aubusson, Beauvais e Savonnerie, apesar de consolidadas no século 17, já haviam servido reis anteriores (desde Henrique IV no século 16); continuaram servindo todos os reis, imperadores e governos posteriores; e serve o Estado francês até hoje. São mais de seis séculos de história e tradições intactas, dessa arte cara (que só a nobreza tinha acesso), bela (já que decora e dá cor às insípidas paredes dos castelos e aos vazios da arquitetura moderna), portátil (bastava enrolar para ser transportada) e útil (aquecendo os frios e escuros ambientes no rigoroso inverno europeu). E, assim como a pintura e os vitrais, ainda servia como meio de propaganda e educação bíblica utilizado pela Igreja.
E não só: a tapeçaria de Bayeux, uma extraordinária peça de 70 metros de comprimento por meio metro de altura, confeccionada na década de 1070 (na Inglaterra ou na França, não se tem certeza), que narra cronologicamente, como num filme, 60 cenas da conquista da Inglaterra pelos normandos, é considerada pelos historiadores como a “primeira tirinha de quadrinhos”. {Não deixe de assistir ao vídeo no final da página.}
E vamos começar o tour. A primeira parada é:
Paris
No 13éme arrondissement, desde o século 15, existe uma vila formada por vários prédios, capela e residências que abriga hoje num só lugar as manufaturas de Gobelins, Beauvais e Savonnerie. {Para conhecer a diferença entre as confecções, clique aqui} Através da imperdível visita guiada, que dura cerca de duas horas (só durante a semana), você caminha por todas as etapas do processo de produção de uma tapeçaria, do tingimento da lã até a tecelagem em alto e baixo liço por artesãos extremamente pacientes (dependendo da complexidade do desenho e da quantidade de cores, uma peça de tapete ou tapeçaria pode levar até dez anos para ficar pronta). E não deixe de visitar o museu e conhecer o resultado fabuloso desse trabalho. No Musée du Cluny, dedicado à Idade Média, no 5éme, o destaque é a exuberante série de seis tapeçarias La Dame à la Licorne. Confeccionada no fim do século 15, é considerada uma das mais importantes obras de arte da Idade Média. E sua beleza, diferentemente das pinturas dessa época, impressiona até hoje.
Próxima parada: Angers
Uma das mais floridas cidades da França, Angers, no Vale do Loire, reúne em dois cenários mais que especiais tapeçarias fundamentais dos séculos 14 e 20. No Château d’Angers, fortaleza construída no século 13 e cheia de jardins, fica a impressionante Tapisserie de l’Apocalypse, tecida no século 14 e que originalmente tinha 140 metros (!) de comprimento. Já o antigo hospital do século 12, Saint-Jean, abriga a não menos grandiosa obra de Jean Lurçat, o responsável pelo renascimento da tapeçaria como arte no século 20. Apesar de a obra Chant du Monde, com 80 metros de comprimento exposta em Saint-Jean, estar em Angers, Lurçat foi um grande colaborador dos ateliers de Aubsusson.
Aubusson
Não é muito fácil chegar lá. A melhor opção é pegar o trem de Paris (Gare d’Austerlitz) e descer na imponente estação Bénédictins em Limoges (são três horas de viagem — não tem TGV — mas você pode aproveitar e conhecer as tradicionais porcelanas da cidade) e de lá, alugar um carro para poder visitar essa cidade cujo nome é sinônimo de tapeçaria há seis séculos: Aubusson.
E a vantagem de Aubusson em relação às Gobelins é que os ateliers vendem e aceitam encomendas de particulares (Gobelins, Beauvais e Savonnerie trabalham exclusivamente para o Estado francês) ao mesmo tempo em que no século 17 também recebeu de Colbert o prestigioso título de Manufatura Real. Muitos ateliers possuem galerias abertas à visitação (em algumas é preciso agendar horário) e a cidade abriga ainda o Musée de La Tapisserie com foco em peças produzidas nos séculos 17, 18 e 19, além das obras do século 20 de Jean Lurçat, e a Maison du Tapissier, no coração do centro histórico da cidade, onde você confere peças e fragmentos dos últimos 600 anos e ainda assiste a demonstração de um mestre tecelão. Comprando o ingresso na Maison du Tapissier (€ 6) você ainda pode visitar a Coleção Fougerol, com mais de 100 tapeçarias de Flandres e Aubusson dos séculos 17 e 18. Com um pouco de leitura e imerso em tapeçarias de todos os séculos, não tem como não virar um expert.
Fonte: Simonde, publicado por Shoichi Iwashita, consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Verdure Aubusson | Britannica
Tapeçaria verdure, tipo de tapeçaria decorada com um desenho baseado em formas de plantas. Não se sabe exatamente quando as primeiras tapeçarias verdure foram feitas, mas, no século XVI, tapeçarias com desenhos formais derivados de folhagens se tornaram imensamente populares. Na última metade do século XVII, paisagens foram incorporadas ao seu desenho.
Fábricas de tapeçarias famosas comoAubusson eLille na França se especializou na produção de verdures, especialmente aqueles de pequenas dimensões usados como estofados e capas de travesseiros. A tapeçaria Verdure não deve ser confundida com menues verdure, outapeçaria millefleur , já que a decoração floral das tapeçarias millefleur serve apenas como pano de fundo para os elementos figurativos do design.
Fonte: Britannica. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Verdure Aubusson | Arremate Arte
Os tapetes Verdure Aubusson são caracterizados por representações de cenas pastorais e paisagens naturais, com folhagens densas, árvores e animais, geralmente em tons suaves de verde e azul. Produzidos com lã e seda, seus desenhos criavam uma atmosfera de tranquilidade nos palácios e mansões europeias, destacando o artesanato refinado da época.
Feitos em teares manuais, demonstram a habilidade técnica dos artesãos, que conseguiam criar profundidade e realismo nas paisagens. Além de sua função decorativa, esses tapetes eram frequentemente utilizados como tapeçarias nas paredes de salões e quartos, conferindo sofisticação e prestígio. Hoje, esses tapetes são considerados itens colecionáveis de alto valor, tanto pelo seu significado histórico quanto pelo seu apelo estético, sendo preservados em museus e coleções particulares ao redor do mundo.
Embora a produção original tenha diminuído ao longo dos séculos, o legado dos tapetes Verdure Aubusson perdura, com reproduções artesanais feitas ainda hoje. No entanto, as peças antigas são muito valorizadas, com seus padrões e cores vibrantes evocando a natureza e o cotidiano da vida rural de épocas passadas. Esses tapetes continuam a ser sinônimo de elegância e tradição, representando uma fusão de arte e funcionalidade que transcende o tempo.
Crédito fotográfico: UNESCO. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Manufacture Royale d'Aubusson (Aubusson, França, ~1580), também conhecida como Tapeçaria Royal de Aubusson ou apenas, é como são conhecidos os tapetes e almofadas tecidos na cidade francesa de mesmo nome, situada a 200km de Paris, sobre o rio Creuse, os quais eram produzidos exclusivamente para os palácios do rei e de sua corte. Os desenhos criados pelos artistas da corte incluíam arranjos florais, referências militares, heráldicas, motivos arquitetônicos, religiosos e mitológicos. O período de maior produção foi entre 1650-1789. A maioria dos tapetes desta época são encontrados apenas nos maiores museus do mundo. Atualmente estes tapetes estão sendo reproduzidas na China.
Tapeçaria Aubusson | Wikipédia
Aubusson tapeçaria é tapeçaria fabricados em Aubusson , no vale superior do Creuse no centro da França. O termo geralmente abrange os produtos semelhantes feitos na cidade vizinha de Felletin , cujos produtos são frequentemente tratados como "Aubusson". A indústria provavelmente se desenvolveu desde pouco depois de 1300 em teares em oficinas familiares, talvez já dirigida pelos flamengos que são notados em documentos do século XVI.
A tapeçaria de Aubusson do século 18 conseguiu competir com a manufatura real da tapeçaria de Gobelins e a posição privilegiada da tapeçaria de Beauvais, embora geralmente considerada como diferente.
Em 2009, a "tapeçaria de Aubusson" foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO . Naquela época, a indústria apoiava três workshops e cerca de dez tecelões autônomos.
Felletin é identificada como a fonte de onde vieram as tapeçarias de Aubusson no inventário de Charlotte de Albret , duquesa de Valentinois e viúva de Cesare Borgia (1514). As oficinas receberam uma carta real em 1665, mas ganharam espaço no final do século 18, com projetos de François Boucher, Jean-Baptiste Oudry e Jean-Baptiste Huet , muitos dos pastorais rococós. Normalmente, as tapeçarias de Aubusson dependiam de gravuras como fonte de design ou dos desenhos animados em escala reala partir da qual trabalhavam os tecelões de tapeçaria de baixa urdidura. Tal como aconteceu com as tapeçarias flamengas e parisienses da mesma época, as figuras foram colocadas contra um fundo convencional de verdura, folhagem estilizada e vinhetas de plantas nas quais os pássaros se empoleiram e das quais brotam vislumbres de torres e cidades.
No século 19, as reproduções de peças do século anterior e capas de móveis, bem como tapetes de tapeçaria floral, mantiveram a indústria viável, e a cidade teve grande parte do renascimento pós-Segunda Guerra Mundial na tecelagem de tapeçaria. Na verdade, o designer principal Jean Lurçat mudou-se para lá em setembro de 1939, com Marcel Gromaire e Pierre Dubreuil.
Le Bouquet (1951) de Marc Saint-Saens está entre as melhores e mais representativas tapeçarias francesas dos anos cinquenta. É uma homenagem à predileção de Saint-Saens por cenas da natureza e da vida rústica.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Tapeçaria Aubusson | Adrian Alan
A pequena cidade de Aubusson, às margens do rio Creuse, na França, tem uma longa história de produção de tapeçarias elaboradas e luxuosas, famosas em todo o mundo. Suas origens nasceram com a chegada de tecelões de Flandres, que se refugiaram em Aubusson por volta de 1580.
As tapeçarias de Aubusson são conhecidas por sua elegância e coloração delicada, muitas vezes retratando cenas pastorais românticas derivadas de artistas como Boucher, cenas históricas inspiradas na mitologia clássica, ou vistas arquitetônicas mais formalizadas. Aubusson era particularmente conhecido por suas composições finamente equilibradas de guirlandas e buquês que se tornaram famosos e procurados em toda a Europa.
Luís XIV foi fundamental para o desenvolvimento da indústria da tapeçaria francesa. Ele reconheceu que, ao assumir a liderança da arte da tapeçaria, a França poderia projetar seu poder e sua cultura em todo o mundo, bem como aumentar sua riqueza.
Em 1662, a oficina de tapeçaria dos Gobelins foi proclamada Manufacture Royale, seguida por Beauvais e Savonnerie. Originalmente, essas fábricas tinham como objetivo fornecer exclusivamente o palácio real de Versalhes.
Os tecelões de Aubusson receberam este título de 'Manufacture Royale' alguns anos depois, em 1665, reconhecendo seu lugar ao lado desses outros fabricantes de tapeçaria importantes. E em uma época em que os outros produtores de tapeçaria da França Real não podiam fornecer para fora da Corte Real, Aubusson floresceu entre a aristocracia e as classes altas da Europa. Sua produção sempre foi considerada a melhor do mundo.
Luís XV, Luís XVI e Napoleão I mais tarde, todos encomendaram trabalhos de Aubusson. Os dois últimos ordenando nos maiores quantitos. Um inventário de 1786 lista mais de cem tapetes Aubusson no palácio de Versalhes e um inventário de 1789 de todos os palácios reais descreve muitos mais.
Uma queda na sorte veio após a Revolução Francesa e a chegada do papel de parede. No entanto, a tapeçaria fez uma espécie de retorno durante a década de 1930, com artistas como Cocteau, Dufy, Dali, Braque, Calder e Picasso sendo convidados a Aubusson para se expressar por meio da lã.
Fonte: Adrian Alan. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
Curiosidade
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry, Inglaterra.
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Tapeçaria: Obras de arte tecidas | História das Artes
É a arte de se imprimir em lãs de todas as cores as pinturas concebidas por distintos artistas, com o objetivo de decorar os ambientes mais ricos.
A princípio o pintor elabora sua obra, depois os artesãos se debruçam sobre sua matéria-prima e procuram imitar esta imagem e todas as suas nuances.
Os tecidos são tramados manualmente, compondo figuras de todo tipo. Esta arte lembra o bordado, mas este se distingue por se moldar ao suporte da talagarça, enquanto na tapeçaria a imagem é esboçada pelos mesmos fios da textura utilizada.
É importante também perceber que a pintura e a tessitura são etapas diferentes e ao artífice cabe reproduzir nas lãs as tonalidades e os contrastes presentes no quadro do pintor, através do ofício de tecer.
Um pouco da sua história
A tapeçaria floresceu na Europa durante a Idade Média devido, por um lado, pela abundância de lã e, por outro, pela quantidade de mão-de-obra disponível, embora já fosse exercitada pelos gregos e romanos na Antiguidade.
As tapeçarias mais antigas, normalmente produzidas em conventos e destinada as igrejas, têm temática religiosa.
Com o tempo, os tapetes começaram a ser mais usados nos castelos, conta a lenda que serviam para aquecer o ambiente construído com altas paredes de pedra.
Havia tecelões independentes que viajavam com seus teares para atender encomendas. Esses tapetes laicos incorporam lendas, fábulas, pagãs e temas de romance de cavalaria.
O alto-liço considerado sempre mais difícil e por isso mais apreciado, ocorreu na França já em 1302 e, em Arras, por volta de 1313.
A fama das tapeçarias flamengas se espalhou por toda a Europa.
Promoviam-se grandes exposições comerciais e a manufatura de Flandres abastecia extensa clientela. A elaboração dos cartões ficava em geral a cargo de pintores, mas também existia o pintor de valores, função frequente em Bruxelas no século XV.
Além da Goya, muitos grandes artistas como Andrea Mantegna, Rafael e Rubens realizavam cartões que foram utilizados como modelos para tapetes.
A tapeçaria tem importante expressão na França. Floresceu durante o Renascimento e no século que se seguiu a este movimento artístico-cultural, agora em território francês. Ela alcançou sua maior expressão no reinado de Luís XIV, mantida pelo Estado, principalmente na famosa manufatura dos Gobelins.
Esta arte teve seu início em meados do século XV, pelas mãos desta família residente em Paris.
A princípio, eles se dedicavam à produção e à coloração de tecidos, mas depois se devotaram ao ofício da tapeçaria até não resistirem mais aos problemas financeiros, quando então sua arte foi assumida pelo Estado, ainda sob a liderança de Luís XIV.
O célebre pintor Charles Lebrun tornou-se responsável, neste momento, pela elaboração das imagens e também da formação de sessenta aprendizes. As iniciativas deste monarca permitiram que a tapeçaria francesa conquistasse um patamar quase impossível de ser transcendido por outros povos.
As obras criadas pelos Gobelins se converteram em peças clássicas que hoje são preservadas em vários museus conhecidos.
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry.
Após a invenção dos corantes químicos e dos processos industriais de fabricação de tapetes, nos séculos XVIII e XIX, a tapeçaria artesanal foi revalorizada pelo movimento britânico Arts and Crafts e pelos modernistas.
Em 1961, realizou-se a primeira Bienal Internacional de tapetes.
As sete tapeçarias no Palácio de Christiansborg compostas para as comemorações de 50 anos da Dinamarca, em 1999, procedem também dos Gobelins.
Hoje, encontramos tapeçarias originárias da França decorando os palácios presidenciais de Abidjan e de Brasília, aeroportos em Munique e Nova York, a ópera de Sydney, o Vaticano, e outros tantos espaços públicos.
No Museu de Arte de São Paulo – Masp, localizado no Brasil, é possível contemplar um trabalho denominado O Caçador Descansando, composto sobre temas tipicamente nacionais, doado a Luís XIV por Joan Mauritz van Nassau-Siegen, mais conhecido como Maurício de Nassau, então estadista do Brasil sob o domínio holandês.
Em Portugal, a peça mais célebre é o Tapete de Arraiolos.
Ainda hoje, a tapeçaria prospera como as outras artes, e com certeza a França ainda se destaca neste ofício, tanto na composição das imagens como na riqueza e vivacidade das cores utilizadas. Exposições no mundo todo são realizadas com peças provenientes principalmente do Museu de Belas Artes de Paris, o Petit Palais, geralmente com a curadoria de especialistas franceses.
Fonte: História das artes, publicado por Margaret Imbroisi, em 24 de junho 2016.
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Tapetes de Luxo: Tudo sobre o clássico Aubusson | Blog Kleiner Schein
Com suas tonalidades claras e desenhos delicados confeccionados manualmente por exímios artesãos, os tapetes Aubusson conquistam os gostos dos clientes mais exigentes. No post de hoje vamos contar um pouquinho sua história.
A atividade tapeceira surgiu na França por volta do século XIV, porém até então nenhuma peça havia conquistado tanto reconhecimento a ponto de transpor o passar dos anos.
Em 1608 Pierre Dupont iniciou a confecção de tapetes em uma oficina ligada ao palácio do Louvre em Paris. No ano de 1623 o mesmo já dominava a técnica oriental da produção de tapetes a base de lã e seda.
Então com a ajuda de um sócio, expandiu a produção para um prédio onde antes funcionava uma fábrica de sabão, por isso os tapetes confeccionados ali ficaram conhecidos como Savonnerie.
Os tapetes Savonnerie eram tecidos com os mais altos padrões técnicos, e passaram a ser muito requisitados para o Louvre, e ambientes luxuosos como o Palácio de Versalles.
Outro centro de atividade tapeceira na França foi Aubusson, localizada a 200 quilômetros de Paris, os tapetes confeccionados nessa região levam o nome da cidade e suas principais características são os tons pastel, temas florais e medalhões característicos da Renascença Francesa do século XIV.
Os desenhos e cores dos tapetes Aubusson eram muito semelhantes aos savonnerie, porém produzidos em tamanhos menores e por não terem nós, eram mais baratos e rápidos de fazer, assim o preço ficava acessível para um número maior de pessoas. O período de maior produção foi entre 1650-1789.
Atualmente os Aubussons estão sendo reproduzidos em sua maioria na China, mas com as mesmas qualidades características, e por se tornarem uma peça de época custam uma pequena fortuna.
Confira alguns modelos dessa peça incomparável que fará você viajar pelos mais belos museus e palácios franceses.
Fonte: Blog Kleiner Schein, publicado em 27 de fevereiro de 2017.
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A rota das tapeçarias na França | Simonde
O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).
Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Estado do mundo a manter — com dinheiro público — as grandes manufaturas tapeceiras. Ou seja, os artesãos, que trabalham seis horas por dia de frente para o liço, por anos e anos na mesma peça, são funcionários públicos. E possuem quase nenhuma possibilidade de crescimento na carreira.
Um dos fatos interessantes que nos mostra a importância histórica dessas manufaturas é que Gobelins, Aubusson, Beauvais e Savonnerie, apesar de consolidadas no século 17, já haviam servido reis anteriores (desde Henrique IV no século 16); continuaram servindo todos os reis, imperadores e governos posteriores; e serve o Estado francês até hoje. São mais de seis séculos de história e tradições intactas, dessa arte cara (que só a nobreza tinha acesso), bela (já que decora e dá cor às insípidas paredes dos castelos e aos vazios da arquitetura moderna), portátil (bastava enrolar para ser transportada) e útil (aquecendo os frios e escuros ambientes no rigoroso inverno europeu). E, assim como a pintura e os vitrais, ainda servia como meio de propaganda e educação bíblica utilizado pela Igreja.
E não só: a tapeçaria de Bayeux, uma extraordinária peça de 70 metros de comprimento por meio metro de altura, confeccionada na década de 1070 (na Inglaterra ou na França, não se tem certeza), que narra cronologicamente, como num filme, 60 cenas da conquista da Inglaterra pelos normandos, é considerada pelos historiadores como a “primeira tirinha de quadrinhos”. {Não deixe de assistir ao vídeo no final da página.}
E vamos começar o tour. A primeira parada é:
Paris
No 13éme arrondissement, desde o século 15, existe uma vila formada por vários prédios, capela e residências que abriga hoje num só lugar as manufaturas de Gobelins, Beauvais e Savonnerie. {Para conhecer a diferença entre as confecções, clique aqui} Através da imperdível visita guiada, que dura cerca de duas horas (só durante a semana), você caminha por todas as etapas do processo de produção de uma tapeçaria, do tingimento da lã até a tecelagem em alto e baixo liço por artesãos extremamente pacientes (dependendo da complexidade do desenho e da quantidade de cores, uma peça de tapete ou tapeçaria pode levar até dez anos para ficar pronta). E não deixe de visitar o museu e conhecer o resultado fabuloso desse trabalho. No Musée du Cluny, dedicado à Idade Média, no 5éme, o destaque é a exuberante série de seis tapeçarias La Dame à la Licorne. Confeccionada no fim do século 15, é considerada uma das mais importantes obras de arte da Idade Média. E sua beleza, diferentemente das pinturas dessa época, impressiona até hoje.
Próxima parada: Angers
Uma das mais floridas cidades da França, Angers, no Vale do Loire, reúne em dois cenários mais que especiais tapeçarias fundamentais dos séculos 14 e 20. No Château d’Angers, fortaleza construída no século 13 e cheia de jardins, fica a impressionante Tapisserie de l’Apocalypse, tecida no século 14 e que originalmente tinha 140 metros (!) de comprimento. Já o antigo hospital do século 12, Saint-Jean, abriga a não menos grandiosa obra de Jean Lurçat, o responsável pelo renascimento da tapeçaria como arte no século 20. Apesar de a obra Chant du Monde, com 80 metros de comprimento exposta em Saint-Jean, estar em Angers, Lurçat foi um grande colaborador dos ateliers de Aubsusson.
Aubusson
Não é muito fácil chegar lá. A melhor opção é pegar o trem de Paris (Gare d’Austerlitz) e descer na imponente estação Bénédictins em Limoges (são três horas de viagem — não tem TGV — mas você pode aproveitar e conhecer as tradicionais porcelanas da cidade) e de lá, alugar um carro para poder visitar essa cidade cujo nome é sinônimo de tapeçaria há seis séculos: Aubusson.
E a vantagem de Aubusson em relação às Gobelins é que os ateliers vendem e aceitam encomendas de particulares (Gobelins, Beauvais e Savonnerie trabalham exclusivamente para o Estado francês) ao mesmo tempo em que no século 17 também recebeu de Colbert o prestigioso título de Manufatura Real. Muitos ateliers possuem galerias abertas à visitação (em algumas é preciso agendar horário) e a cidade abriga ainda o Musée de La Tapisserie com foco em peças produzidas nos séculos 17, 18 e 19, além das obras do século 20 de Jean Lurçat, e a Maison du Tapissier, no coração do centro histórico da cidade, onde você confere peças e fragmentos dos últimos 600 anos e ainda assiste a demonstração de um mestre tecelão. Comprando o ingresso na Maison du Tapissier (€ 6) você ainda pode visitar a Coleção Fougerol, com mais de 100 tapeçarias de Flandres e Aubusson dos séculos 17 e 18. Com um pouco de leitura e imerso em tapeçarias de todos os séculos, não tem como não virar um expert.
Fonte: Simonde, publicado por Shoichi Iwashita, consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Verdure Aubusson | Britannica
Tapeçaria verdure, tipo de tapeçaria decorada com um desenho baseado em formas de plantas. Não se sabe exatamente quando as primeiras tapeçarias verdure foram feitas, mas, no século XVI, tapeçarias com desenhos formais derivados de folhagens se tornaram imensamente populares. Na última metade do século XVII, paisagens foram incorporadas ao seu desenho.
Fábricas de tapeçarias famosas comoAubusson eLille na França se especializou na produção de verdures, especialmente aqueles de pequenas dimensões usados como estofados e capas de travesseiros. A tapeçaria Verdure não deve ser confundida com menues verdure, outapeçaria millefleur , já que a decoração floral das tapeçarias millefleur serve apenas como pano de fundo para os elementos figurativos do design.
Fonte: Britannica. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Verdure Aubusson | Arremate Arte
Os tapetes Verdure Aubusson são caracterizados por representações de cenas pastorais e paisagens naturais, com folhagens densas, árvores e animais, geralmente em tons suaves de verde e azul. Produzidos com lã e seda, seus desenhos criavam uma atmosfera de tranquilidade nos palácios e mansões europeias, destacando o artesanato refinado da época.
Feitos em teares manuais, demonstram a habilidade técnica dos artesãos, que conseguiam criar profundidade e realismo nas paisagens. Além de sua função decorativa, esses tapetes eram frequentemente utilizados como tapeçarias nas paredes de salões e quartos, conferindo sofisticação e prestígio. Hoje, esses tapetes são considerados itens colecionáveis de alto valor, tanto pelo seu significado histórico quanto pelo seu apelo estético, sendo preservados em museus e coleções particulares ao redor do mundo.
Embora a produção original tenha diminuído ao longo dos séculos, o legado dos tapetes Verdure Aubusson perdura, com reproduções artesanais feitas ainda hoje. No entanto, as peças antigas são muito valorizadas, com seus padrões e cores vibrantes evocando a natureza e o cotidiano da vida rural de épocas passadas. Esses tapetes continuam a ser sinônimo de elegância e tradição, representando uma fusão de arte e funcionalidade que transcende o tempo.
Crédito fotográfico: UNESCO. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Manufacture Royale d'Aubusson (Aubusson, França, ~1580), também conhecida como Tapeçaria Royal de Aubusson ou apenas, é como são conhecidos os tapetes e almofadas tecidos na cidade francesa de mesmo nome, situada a 200km de Paris, sobre o rio Creuse, os quais eram produzidos exclusivamente para os palácios do rei e de sua corte. Os desenhos criados pelos artistas da corte incluíam arranjos florais, referências militares, heráldicas, motivos arquitetônicos, religiosos e mitológicos. O período de maior produção foi entre 1650-1789. A maioria dos tapetes desta época são encontrados apenas nos maiores museus do mundo. Atualmente estes tapetes estão sendo reproduzidas na China.
Tapeçaria Aubusson | Wikipédia
Aubusson tapeçaria é tapeçaria fabricados em Aubusson , no vale superior do Creuse no centro da França. O termo geralmente abrange os produtos semelhantes feitos na cidade vizinha de Felletin , cujos produtos são frequentemente tratados como "Aubusson". A indústria provavelmente se desenvolveu desde pouco depois de 1300 em teares em oficinas familiares, talvez já dirigida pelos flamengos que são notados em documentos do século XVI.
A tapeçaria de Aubusson do século 18 conseguiu competir com a manufatura real da tapeçaria de Gobelins e a posição privilegiada da tapeçaria de Beauvais, embora geralmente considerada como diferente.
Em 2009, a "tapeçaria de Aubusson" foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO . Naquela época, a indústria apoiava três workshops e cerca de dez tecelões autônomos.
Felletin é identificada como a fonte de onde vieram as tapeçarias de Aubusson no inventário de Charlotte de Albret , duquesa de Valentinois e viúva de Cesare Borgia (1514). As oficinas receberam uma carta real em 1665, mas ganharam espaço no final do século 18, com projetos de François Boucher, Jean-Baptiste Oudry e Jean-Baptiste Huet , muitos dos pastorais rococós. Normalmente, as tapeçarias de Aubusson dependiam de gravuras como fonte de design ou dos desenhos animados em escala reala partir da qual trabalhavam os tecelões de tapeçaria de baixa urdidura. Tal como aconteceu com as tapeçarias flamengas e parisienses da mesma época, as figuras foram colocadas contra um fundo convencional de verdura, folhagem estilizada e vinhetas de plantas nas quais os pássaros se empoleiram e das quais brotam vislumbres de torres e cidades.
No século 19, as reproduções de peças do século anterior e capas de móveis, bem como tapetes de tapeçaria floral, mantiveram a indústria viável, e a cidade teve grande parte do renascimento pós-Segunda Guerra Mundial na tecelagem de tapeçaria. Na verdade, o designer principal Jean Lurçat mudou-se para lá em setembro de 1939, com Marcel Gromaire e Pierre Dubreuil.
Le Bouquet (1951) de Marc Saint-Saens está entre as melhores e mais representativas tapeçarias francesas dos anos cinquenta. É uma homenagem à predileção de Saint-Saens por cenas da natureza e da vida rústica.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Tapeçaria Aubusson | Adrian Alan
A pequena cidade de Aubusson, às margens do rio Creuse, na França, tem uma longa história de produção de tapeçarias elaboradas e luxuosas, famosas em todo o mundo. Suas origens nasceram com a chegada de tecelões de Flandres, que se refugiaram em Aubusson por volta de 1580.
As tapeçarias de Aubusson são conhecidas por sua elegância e coloração delicada, muitas vezes retratando cenas pastorais românticas derivadas de artistas como Boucher, cenas históricas inspiradas na mitologia clássica, ou vistas arquitetônicas mais formalizadas. Aubusson era particularmente conhecido por suas composições finamente equilibradas de guirlandas e buquês que se tornaram famosos e procurados em toda a Europa.
Luís XIV foi fundamental para o desenvolvimento da indústria da tapeçaria francesa. Ele reconheceu que, ao assumir a liderança da arte da tapeçaria, a França poderia projetar seu poder e sua cultura em todo o mundo, bem como aumentar sua riqueza.
Em 1662, a oficina de tapeçaria dos Gobelins foi proclamada Manufacture Royale, seguida por Beauvais e Savonnerie. Originalmente, essas fábricas tinham como objetivo fornecer exclusivamente o palácio real de Versalhes.
Os tecelões de Aubusson receberam este título de 'Manufacture Royale' alguns anos depois, em 1665, reconhecendo seu lugar ao lado desses outros fabricantes de tapeçaria importantes. E em uma época em que os outros produtores de tapeçaria da França Real não podiam fornecer para fora da Corte Real, Aubusson floresceu entre a aristocracia e as classes altas da Europa. Sua produção sempre foi considerada a melhor do mundo.
Luís XV, Luís XVI e Napoleão I mais tarde, todos encomendaram trabalhos de Aubusson. Os dois últimos ordenando nos maiores quantitos. Um inventário de 1786 lista mais de cem tapetes Aubusson no palácio de Versalhes e um inventário de 1789 de todos os palácios reais descreve muitos mais.
Uma queda na sorte veio após a Revolução Francesa e a chegada do papel de parede. No entanto, a tapeçaria fez uma espécie de retorno durante a década de 1930, com artistas como Cocteau, Dufy, Dali, Braque, Calder e Picasso sendo convidados a Aubusson para se expressar por meio da lã.
Fonte: Adrian Alan. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
Curiosidade
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry, Inglaterra.
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Tapeçaria: Obras de arte tecidas | História das Artes
É a arte de se imprimir em lãs de todas as cores as pinturas concebidas por distintos artistas, com o objetivo de decorar os ambientes mais ricos.
A princípio o pintor elabora sua obra, depois os artesãos se debruçam sobre sua matéria-prima e procuram imitar esta imagem e todas as suas nuances.
Os tecidos são tramados manualmente, compondo figuras de todo tipo. Esta arte lembra o bordado, mas este se distingue por se moldar ao suporte da talagarça, enquanto na tapeçaria a imagem é esboçada pelos mesmos fios da textura utilizada.
É importante também perceber que a pintura e a tessitura são etapas diferentes e ao artífice cabe reproduzir nas lãs as tonalidades e os contrastes presentes no quadro do pintor, através do ofício de tecer.
Um pouco da sua história
A tapeçaria floresceu na Europa durante a Idade Média devido, por um lado, pela abundância de lã e, por outro, pela quantidade de mão-de-obra disponível, embora já fosse exercitada pelos gregos e romanos na Antiguidade.
As tapeçarias mais antigas, normalmente produzidas em conventos e destinada as igrejas, têm temática religiosa.
Com o tempo, os tapetes começaram a ser mais usados nos castelos, conta a lenda que serviam para aquecer o ambiente construído com altas paredes de pedra.
Havia tecelões independentes que viajavam com seus teares para atender encomendas. Esses tapetes laicos incorporam lendas, fábulas, pagãs e temas de romance de cavalaria.
O alto-liço considerado sempre mais difícil e por isso mais apreciado, ocorreu na França já em 1302 e, em Arras, por volta de 1313.
A fama das tapeçarias flamengas se espalhou por toda a Europa.
Promoviam-se grandes exposições comerciais e a manufatura de Flandres abastecia extensa clientela. A elaboração dos cartões ficava em geral a cargo de pintores, mas também existia o pintor de valores, função frequente em Bruxelas no século XV.
Além da Goya, muitos grandes artistas como Andrea Mantegna, Rafael e Rubens realizavam cartões que foram utilizados como modelos para tapetes.
A tapeçaria tem importante expressão na França. Floresceu durante o Renascimento e no século que se seguiu a este movimento artístico-cultural, agora em território francês. Ela alcançou sua maior expressão no reinado de Luís XIV, mantida pelo Estado, principalmente na famosa manufatura dos Gobelins.
Esta arte teve seu início em meados do século XV, pelas mãos desta família residente em Paris.
A princípio, eles se dedicavam à produção e à coloração de tecidos, mas depois se devotaram ao ofício da tapeçaria até não resistirem mais aos problemas financeiros, quando então sua arte foi assumida pelo Estado, ainda sob a liderança de Luís XIV.
O célebre pintor Charles Lebrun tornou-se responsável, neste momento, pela elaboração das imagens e também da formação de sessenta aprendizes. As iniciativas deste monarca permitiram que a tapeçaria francesa conquistasse um patamar quase impossível de ser transcendido por outros povos.
As obras criadas pelos Gobelins se converteram em peças clássicas que hoje são preservadas em vários museus conhecidos.
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry.
Após a invenção dos corantes químicos e dos processos industriais de fabricação de tapetes, nos séculos XVIII e XIX, a tapeçaria artesanal foi revalorizada pelo movimento britânico Arts and Crafts e pelos modernistas.
Em 1961, realizou-se a primeira Bienal Internacional de tapetes.
As sete tapeçarias no Palácio de Christiansborg compostas para as comemorações de 50 anos da Dinamarca, em 1999, procedem também dos Gobelins.
Hoje, encontramos tapeçarias originárias da França decorando os palácios presidenciais de Abidjan e de Brasília, aeroportos em Munique e Nova York, a ópera de Sydney, o Vaticano, e outros tantos espaços públicos.
No Museu de Arte de São Paulo – Masp, localizado no Brasil, é possível contemplar um trabalho denominado O Caçador Descansando, composto sobre temas tipicamente nacionais, doado a Luís XIV por Joan Mauritz van Nassau-Siegen, mais conhecido como Maurício de Nassau, então estadista do Brasil sob o domínio holandês.
Em Portugal, a peça mais célebre é o Tapete de Arraiolos.
Ainda hoje, a tapeçaria prospera como as outras artes, e com certeza a França ainda se destaca neste ofício, tanto na composição das imagens como na riqueza e vivacidade das cores utilizadas. Exposições no mundo todo são realizadas com peças provenientes principalmente do Museu de Belas Artes de Paris, o Petit Palais, geralmente com a curadoria de especialistas franceses.
Fonte: História das artes, publicado por Margaret Imbroisi, em 24 de junho 2016.
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Tapetes de Luxo: Tudo sobre o clássico Aubusson | Blog Kleiner Schein
Com suas tonalidades claras e desenhos delicados confeccionados manualmente por exímios artesãos, os tapetes Aubusson conquistam os gostos dos clientes mais exigentes. No post de hoje vamos contar um pouquinho sua história.
A atividade tapeceira surgiu na França por volta do século XIV, porém até então nenhuma peça havia conquistado tanto reconhecimento a ponto de transpor o passar dos anos.
Em 1608 Pierre Dupont iniciou a confecção de tapetes em uma oficina ligada ao palácio do Louvre em Paris. No ano de 1623 o mesmo já dominava a técnica oriental da produção de tapetes a base de lã e seda.
Então com a ajuda de um sócio, expandiu a produção para um prédio onde antes funcionava uma fábrica de sabão, por isso os tapetes confeccionados ali ficaram conhecidos como Savonnerie.
Os tapetes Savonnerie eram tecidos com os mais altos padrões técnicos, e passaram a ser muito requisitados para o Louvre, e ambientes luxuosos como o Palácio de Versalles.
Outro centro de atividade tapeceira na França foi Aubusson, localizada a 200 quilômetros de Paris, os tapetes confeccionados nessa região levam o nome da cidade e suas principais características são os tons pastel, temas florais e medalhões característicos da Renascença Francesa do século XIV.
Os desenhos e cores dos tapetes Aubusson eram muito semelhantes aos savonnerie, porém produzidos em tamanhos menores e por não terem nós, eram mais baratos e rápidos de fazer, assim o preço ficava acessível para um número maior de pessoas. O período de maior produção foi entre 1650-1789.
Atualmente os Aubussons estão sendo reproduzidos em sua maioria na China, mas com as mesmas qualidades características, e por se tornarem uma peça de época custam uma pequena fortuna.
Confira alguns modelos dessa peça incomparável que fará você viajar pelos mais belos museus e palácios franceses.
Fonte: Blog Kleiner Schein, publicado em 27 de fevereiro de 2017.
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A rota das tapeçarias na França | Simonde
O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).
Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Estado do mundo a manter — com dinheiro público — as grandes manufaturas tapeceiras. Ou seja, os artesãos, que trabalham seis horas por dia de frente para o liço, por anos e anos na mesma peça, são funcionários públicos. E possuem quase nenhuma possibilidade de crescimento na carreira.
Um dos fatos interessantes que nos mostra a importância histórica dessas manufaturas é que Gobelins, Aubusson, Beauvais e Savonnerie, apesar de consolidadas no século 17, já haviam servido reis anteriores (desde Henrique IV no século 16); continuaram servindo todos os reis, imperadores e governos posteriores; e serve o Estado francês até hoje. São mais de seis séculos de história e tradições intactas, dessa arte cara (que só a nobreza tinha acesso), bela (já que decora e dá cor às insípidas paredes dos castelos e aos vazios da arquitetura moderna), portátil (bastava enrolar para ser transportada) e útil (aquecendo os frios e escuros ambientes no rigoroso inverno europeu). E, assim como a pintura e os vitrais, ainda servia como meio de propaganda e educação bíblica utilizado pela Igreja.
E não só: a tapeçaria de Bayeux, uma extraordinária peça de 70 metros de comprimento por meio metro de altura, confeccionada na década de 1070 (na Inglaterra ou na França, não se tem certeza), que narra cronologicamente, como num filme, 60 cenas da conquista da Inglaterra pelos normandos, é considerada pelos historiadores como a “primeira tirinha de quadrinhos”. {Não deixe de assistir ao vídeo no final da página.}
E vamos começar o tour. A primeira parada é:
Paris
No 13éme arrondissement, desde o século 15, existe uma vila formada por vários prédios, capela e residências que abriga hoje num só lugar as manufaturas de Gobelins, Beauvais e Savonnerie. {Para conhecer a diferença entre as confecções, clique aqui} Através da imperdível visita guiada, que dura cerca de duas horas (só durante a semana), você caminha por todas as etapas do processo de produção de uma tapeçaria, do tingimento da lã até a tecelagem em alto e baixo liço por artesãos extremamente pacientes (dependendo da complexidade do desenho e da quantidade de cores, uma peça de tapete ou tapeçaria pode levar até dez anos para ficar pronta). E não deixe de visitar o museu e conhecer o resultado fabuloso desse trabalho. No Musée du Cluny, dedicado à Idade Média, no 5éme, o destaque é a exuberante série de seis tapeçarias La Dame à la Licorne. Confeccionada no fim do século 15, é considerada uma das mais importantes obras de arte da Idade Média. E sua beleza, diferentemente das pinturas dessa época, impressiona até hoje.
Próxima parada: Angers
Uma das mais floridas cidades da França, Angers, no Vale do Loire, reúne em dois cenários mais que especiais tapeçarias fundamentais dos séculos 14 e 20. No Château d’Angers, fortaleza construída no século 13 e cheia de jardins, fica a impressionante Tapisserie de l’Apocalypse, tecida no século 14 e que originalmente tinha 140 metros (!) de comprimento. Já o antigo hospital do século 12, Saint-Jean, abriga a não menos grandiosa obra de Jean Lurçat, o responsável pelo renascimento da tapeçaria como arte no século 20. Apesar de a obra Chant du Monde, com 80 metros de comprimento exposta em Saint-Jean, estar em Angers, Lurçat foi um grande colaborador dos ateliers de Aubsusson.
Aubusson
Não é muito fácil chegar lá. A melhor opção é pegar o trem de Paris (Gare d’Austerlitz) e descer na imponente estação Bénédictins em Limoges (são três horas de viagem — não tem TGV — mas você pode aproveitar e conhecer as tradicionais porcelanas da cidade) e de lá, alugar um carro para poder visitar essa cidade cujo nome é sinônimo de tapeçaria há seis séculos: Aubusson.
E a vantagem de Aubusson em relação às Gobelins é que os ateliers vendem e aceitam encomendas de particulares (Gobelins, Beauvais e Savonnerie trabalham exclusivamente para o Estado francês) ao mesmo tempo em que no século 17 também recebeu de Colbert o prestigioso título de Manufatura Real. Muitos ateliers possuem galerias abertas à visitação (em algumas é preciso agendar horário) e a cidade abriga ainda o Musée de La Tapisserie com foco em peças produzidas nos séculos 17, 18 e 19, além das obras do século 20 de Jean Lurçat, e a Maison du Tapissier, no coração do centro histórico da cidade, onde você confere peças e fragmentos dos últimos 600 anos e ainda assiste a demonstração de um mestre tecelão. Comprando o ingresso na Maison du Tapissier (€ 6) você ainda pode visitar a Coleção Fougerol, com mais de 100 tapeçarias de Flandres e Aubusson dos séculos 17 e 18. Com um pouco de leitura e imerso em tapeçarias de todos os séculos, não tem como não virar um expert.
Fonte: Simonde, publicado por Shoichi Iwashita, consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Verdure Aubusson | Britannica
Tapeçaria verdure, tipo de tapeçaria decorada com um desenho baseado em formas de plantas. Não se sabe exatamente quando as primeiras tapeçarias verdure foram feitas, mas, no século XVI, tapeçarias com desenhos formais derivados de folhagens se tornaram imensamente populares. Na última metade do século XVII, paisagens foram incorporadas ao seu desenho.
Fábricas de tapeçarias famosas comoAubusson eLille na França se especializou na produção de verdures, especialmente aqueles de pequenas dimensões usados como estofados e capas de travesseiros. A tapeçaria Verdure não deve ser confundida com menues verdure, outapeçaria millefleur , já que a decoração floral das tapeçarias millefleur serve apenas como pano de fundo para os elementos figurativos do design.
Fonte: Britannica. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Verdure Aubusson | Arremate Arte
Os tapetes Verdure Aubusson são caracterizados por representações de cenas pastorais e paisagens naturais, com folhagens densas, árvores e animais, geralmente em tons suaves de verde e azul. Produzidos com lã e seda, seus desenhos criavam uma atmosfera de tranquilidade nos palácios e mansões europeias, destacando o artesanato refinado da época.
Feitos em teares manuais, demonstram a habilidade técnica dos artesãos, que conseguiam criar profundidade e realismo nas paisagens. Além de sua função decorativa, esses tapetes eram frequentemente utilizados como tapeçarias nas paredes de salões e quartos, conferindo sofisticação e prestígio. Hoje, esses tapetes são considerados itens colecionáveis de alto valor, tanto pelo seu significado histórico quanto pelo seu apelo estético, sendo preservados em museus e coleções particulares ao redor do mundo.
Embora a produção original tenha diminuído ao longo dos séculos, o legado dos tapetes Verdure Aubusson perdura, com reproduções artesanais feitas ainda hoje. No entanto, as peças antigas são muito valorizadas, com seus padrões e cores vibrantes evocando a natureza e o cotidiano da vida rural de épocas passadas. Esses tapetes continuam a ser sinônimo de elegância e tradição, representando uma fusão de arte e funcionalidade que transcende o tempo.
Crédito fotográfico: UNESCO. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
Manufacture Royale d'Aubusson (Aubusson, França, ~1580), também conhecida como Tapeçaria Royal de Aubusson ou apenas, é como são conhecidos os tapetes e almofadas tecidos na cidade francesa de mesmo nome, situada a 200km de Paris, sobre o rio Creuse, os quais eram produzidos exclusivamente para os palácios do rei e de sua corte. Os desenhos criados pelos artistas da corte incluíam arranjos florais, referências militares, heráldicas, motivos arquitetônicos, religiosos e mitológicos. O período de maior produção foi entre 1650-1789. A maioria dos tapetes desta época são encontrados apenas nos maiores museus do mundo. Atualmente estes tapetes estão sendo reproduzidas na China.
Tapeçaria Aubusson | Wikipédia
Aubusson tapeçaria é tapeçaria fabricados em Aubusson , no vale superior do Creuse no centro da França. O termo geralmente abrange os produtos semelhantes feitos na cidade vizinha de Felletin , cujos produtos são frequentemente tratados como "Aubusson". A indústria provavelmente se desenvolveu desde pouco depois de 1300 em teares em oficinas familiares, talvez já dirigida pelos flamengos que são notados em documentos do século XVI.
A tapeçaria de Aubusson do século 18 conseguiu competir com a manufatura real da tapeçaria de Gobelins e a posição privilegiada da tapeçaria de Beauvais, embora geralmente considerada como diferente.
Em 2009, a "tapeçaria de Aubusson" foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO . Naquela época, a indústria apoiava três workshops e cerca de dez tecelões autônomos.
Felletin é identificada como a fonte de onde vieram as tapeçarias de Aubusson no inventário de Charlotte de Albret , duquesa de Valentinois e viúva de Cesare Borgia (1514). As oficinas receberam uma carta real em 1665, mas ganharam espaço no final do século 18, com projetos de François Boucher, Jean-Baptiste Oudry e Jean-Baptiste Huet , muitos dos pastorais rococós. Normalmente, as tapeçarias de Aubusson dependiam de gravuras como fonte de design ou dos desenhos animados em escala reala partir da qual trabalhavam os tecelões de tapeçaria de baixa urdidura. Tal como aconteceu com as tapeçarias flamengas e parisienses da mesma época, as figuras foram colocadas contra um fundo convencional de verdura, folhagem estilizada e vinhetas de plantas nas quais os pássaros se empoleiram e das quais brotam vislumbres de torres e cidades.
No século 19, as reproduções de peças do século anterior e capas de móveis, bem como tapetes de tapeçaria floral, mantiveram a indústria viável, e a cidade teve grande parte do renascimento pós-Segunda Guerra Mundial na tecelagem de tapeçaria. Na verdade, o designer principal Jean Lurçat mudou-se para lá em setembro de 1939, com Marcel Gromaire e Pierre Dubreuil.
Le Bouquet (1951) de Marc Saint-Saens está entre as melhores e mais representativas tapeçarias francesas dos anos cinquenta. É uma homenagem à predileção de Saint-Saens por cenas da natureza e da vida rústica.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Tapeçaria Aubusson | Adrian Alan
A pequena cidade de Aubusson, às margens do rio Creuse, na França, tem uma longa história de produção de tapeçarias elaboradas e luxuosas, famosas em todo o mundo. Suas origens nasceram com a chegada de tecelões de Flandres, que se refugiaram em Aubusson por volta de 1580.
As tapeçarias de Aubusson são conhecidas por sua elegância e coloração delicada, muitas vezes retratando cenas pastorais românticas derivadas de artistas como Boucher, cenas históricas inspiradas na mitologia clássica, ou vistas arquitetônicas mais formalizadas. Aubusson era particularmente conhecido por suas composições finamente equilibradas de guirlandas e buquês que se tornaram famosos e procurados em toda a Europa.
Luís XIV foi fundamental para o desenvolvimento da indústria da tapeçaria francesa. Ele reconheceu que, ao assumir a liderança da arte da tapeçaria, a França poderia projetar seu poder e sua cultura em todo o mundo, bem como aumentar sua riqueza.
Em 1662, a oficina de tapeçaria dos Gobelins foi proclamada Manufacture Royale, seguida por Beauvais e Savonnerie. Originalmente, essas fábricas tinham como objetivo fornecer exclusivamente o palácio real de Versalhes.
Os tecelões de Aubusson receberam este título de 'Manufacture Royale' alguns anos depois, em 1665, reconhecendo seu lugar ao lado desses outros fabricantes de tapeçaria importantes. E em uma época em que os outros produtores de tapeçaria da França Real não podiam fornecer para fora da Corte Real, Aubusson floresceu entre a aristocracia e as classes altas da Europa. Sua produção sempre foi considerada a melhor do mundo.
Luís XV, Luís XVI e Napoleão I mais tarde, todos encomendaram trabalhos de Aubusson. Os dois últimos ordenando nos maiores quantitos. Um inventário de 1786 lista mais de cem tapetes Aubusson no palácio de Versalhes e um inventário de 1789 de todos os palácios reais descreve muitos mais.
Uma queda na sorte veio após a Revolução Francesa e a chegada do papel de parede. No entanto, a tapeçaria fez uma espécie de retorno durante a década de 1930, com artistas como Cocteau, Dufy, Dali, Braque, Calder e Picasso sendo convidados a Aubusson para se expressar por meio da lã.
Fonte: Adrian Alan. Consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
Curiosidade
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry, Inglaterra.
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Tapeçaria: Obras de arte tecidas | História das Artes
É a arte de se imprimir em lãs de todas as cores as pinturas concebidas por distintos artistas, com o objetivo de decorar os ambientes mais ricos.
A princípio o pintor elabora sua obra, depois os artesãos se debruçam sobre sua matéria-prima e procuram imitar esta imagem e todas as suas nuances.
Os tecidos são tramados manualmente, compondo figuras de todo tipo. Esta arte lembra o bordado, mas este se distingue por se moldar ao suporte da talagarça, enquanto na tapeçaria a imagem é esboçada pelos mesmos fios da textura utilizada.
É importante também perceber que a pintura e a tessitura são etapas diferentes e ao artífice cabe reproduzir nas lãs as tonalidades e os contrastes presentes no quadro do pintor, através do ofício de tecer.
Um pouco da sua história
A tapeçaria floresceu na Europa durante a Idade Média devido, por um lado, pela abundância de lã e, por outro, pela quantidade de mão-de-obra disponível, embora já fosse exercitada pelos gregos e romanos na Antiguidade.
As tapeçarias mais antigas, normalmente produzidas em conventos e destinada as igrejas, têm temática religiosa.
Com o tempo, os tapetes começaram a ser mais usados nos castelos, conta a lenda que serviam para aquecer o ambiente construído com altas paredes de pedra.
Havia tecelões independentes que viajavam com seus teares para atender encomendas. Esses tapetes laicos incorporam lendas, fábulas, pagãs e temas de romance de cavalaria.
O alto-liço considerado sempre mais difícil e por isso mais apreciado, ocorreu na França já em 1302 e, em Arras, por volta de 1313.
A fama das tapeçarias flamengas se espalhou por toda a Europa.
Promoviam-se grandes exposições comerciais e a manufatura de Flandres abastecia extensa clientela. A elaboração dos cartões ficava em geral a cargo de pintores, mas também existia o pintor de valores, função frequente em Bruxelas no século XV.
Além da Goya, muitos grandes artistas como Andrea Mantegna, Rafael e Rubens realizavam cartões que foram utilizados como modelos para tapetes.
A tapeçaria tem importante expressão na França. Floresceu durante o Renascimento e no século que se seguiu a este movimento artístico-cultural, agora em território francês. Ela alcançou sua maior expressão no reinado de Luís XIV, mantida pelo Estado, principalmente na famosa manufatura dos Gobelins.
Esta arte teve seu início em meados do século XV, pelas mãos desta família residente em Paris.
A princípio, eles se dedicavam à produção e à coloração de tecidos, mas depois se devotaram ao ofício da tapeçaria até não resistirem mais aos problemas financeiros, quando então sua arte foi assumida pelo Estado, ainda sob a liderança de Luís XIV.
O célebre pintor Charles Lebrun tornou-se responsável, neste momento, pela elaboração das imagens e também da formação de sessenta aprendizes. As iniciativas deste monarca permitiram que a tapeçaria francesa conquistasse um patamar quase impossível de ser transcendido por outros povos.
As obras criadas pelos Gobelins se converteram em peças clássicas que hoje são preservadas em vários museus conhecidos.
A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry.
Após a invenção dos corantes químicos e dos processos industriais de fabricação de tapetes, nos séculos XVIII e XIX, a tapeçaria artesanal foi revalorizada pelo movimento britânico Arts and Crafts e pelos modernistas.
Em 1961, realizou-se a primeira Bienal Internacional de tapetes.
As sete tapeçarias no Palácio de Christiansborg compostas para as comemorações de 50 anos da Dinamarca, em 1999, procedem também dos Gobelins.
Hoje, encontramos tapeçarias originárias da França decorando os palácios presidenciais de Abidjan e de Brasília, aeroportos em Munique e Nova York, a ópera de Sydney, o Vaticano, e outros tantos espaços públicos.
No Museu de Arte de São Paulo – Masp, localizado no Brasil, é possível contemplar um trabalho denominado O Caçador Descansando, composto sobre temas tipicamente nacionais, doado a Luís XIV por Joan Mauritz van Nassau-Siegen, mais conhecido como Maurício de Nassau, então estadista do Brasil sob o domínio holandês.
Em Portugal, a peça mais célebre é o Tapete de Arraiolos.
Ainda hoje, a tapeçaria prospera como as outras artes, e com certeza a França ainda se destaca neste ofício, tanto na composição das imagens como na riqueza e vivacidade das cores utilizadas. Exposições no mundo todo são realizadas com peças provenientes principalmente do Museu de Belas Artes de Paris, o Petit Palais, geralmente com a curadoria de especialistas franceses.
Fonte: História das artes, publicado por Margaret Imbroisi, em 24 de junho 2016.
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Tapetes de Luxo: Tudo sobre o clássico Aubusson | Blog Kleiner Schein
Com suas tonalidades claras e desenhos delicados confeccionados manualmente por exímios artesãos, os tapetes Aubusson conquistam os gostos dos clientes mais exigentes. No post de hoje vamos contar um pouquinho sua história.
A atividade tapeceira surgiu na França por volta do século XIV, porém até então nenhuma peça havia conquistado tanto reconhecimento a ponto de transpor o passar dos anos.
Em 1608 Pierre Dupont iniciou a confecção de tapetes em uma oficina ligada ao palácio do Louvre em Paris. No ano de 1623 o mesmo já dominava a técnica oriental da produção de tapetes a base de lã e seda.
Então com a ajuda de um sócio, expandiu a produção para um prédio onde antes funcionava uma fábrica de sabão, por isso os tapetes confeccionados ali ficaram conhecidos como Savonnerie.
Os tapetes Savonnerie eram tecidos com os mais altos padrões técnicos, e passaram a ser muito requisitados para o Louvre, e ambientes luxuosos como o Palácio de Versalles.
Outro centro de atividade tapeceira na França foi Aubusson, localizada a 200 quilômetros de Paris, os tapetes confeccionados nessa região levam o nome da cidade e suas principais características são os tons pastel, temas florais e medalhões característicos da Renascença Francesa do século XIV.
Os desenhos e cores dos tapetes Aubusson eram muito semelhantes aos savonnerie, porém produzidos em tamanhos menores e por não terem nós, eram mais baratos e rápidos de fazer, assim o preço ficava acessível para um número maior de pessoas. O período de maior produção foi entre 1650-1789.
Atualmente os Aubussons estão sendo reproduzidos em sua maioria na China, mas com as mesmas qualidades características, e por se tornarem uma peça de época custam uma pequena fortuna.
Confira alguns modelos dessa peça incomparável que fará você viajar pelos mais belos museus e palácios franceses.
Fonte: Blog Kleiner Schein, publicado em 27 de fevereiro de 2017.
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A rota das tapeçarias na França | Simonde
O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).
Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Estado do mundo a manter — com dinheiro público — as grandes manufaturas tapeceiras. Ou seja, os artesãos, que trabalham seis horas por dia de frente para o liço, por anos e anos na mesma peça, são funcionários públicos. E possuem quase nenhuma possibilidade de crescimento na carreira.
Um dos fatos interessantes que nos mostra a importância histórica dessas manufaturas é que Gobelins, Aubusson, Beauvais e Savonnerie, apesar de consolidadas no século 17, já haviam servido reis anteriores (desde Henrique IV no século 16); continuaram servindo todos os reis, imperadores e governos posteriores; e serve o Estado francês até hoje. São mais de seis séculos de história e tradições intactas, dessa arte cara (que só a nobreza tinha acesso), bela (já que decora e dá cor às insípidas paredes dos castelos e aos vazios da arquitetura moderna), portátil (bastava enrolar para ser transportada) e útil (aquecendo os frios e escuros ambientes no rigoroso inverno europeu). E, assim como a pintura e os vitrais, ainda servia como meio de propaganda e educação bíblica utilizado pela Igreja.
E não só: a tapeçaria de Bayeux, uma extraordinária peça de 70 metros de comprimento por meio metro de altura, confeccionada na década de 1070 (na Inglaterra ou na França, não se tem certeza), que narra cronologicamente, como num filme, 60 cenas da conquista da Inglaterra pelos normandos, é considerada pelos historiadores como a “primeira tirinha de quadrinhos”. {Não deixe de assistir ao vídeo no final da página.}
E vamos começar o tour. A primeira parada é:
Paris
No 13éme arrondissement, desde o século 15, existe uma vila formada por vários prédios, capela e residências que abriga hoje num só lugar as manufaturas de Gobelins, Beauvais e Savonnerie. {Para conhecer a diferença entre as confecções, clique aqui} Através da imperdível visita guiada, que dura cerca de duas horas (só durante a semana), você caminha por todas as etapas do processo de produção de uma tapeçaria, do tingimento da lã até a tecelagem em alto e baixo liço por artesãos extremamente pacientes (dependendo da complexidade do desenho e da quantidade de cores, uma peça de tapete ou tapeçaria pode levar até dez anos para ficar pronta). E não deixe de visitar o museu e conhecer o resultado fabuloso desse trabalho. No Musée du Cluny, dedicado à Idade Média, no 5éme, o destaque é a exuberante série de seis tapeçarias La Dame à la Licorne. Confeccionada no fim do século 15, é considerada uma das mais importantes obras de arte da Idade Média. E sua beleza, diferentemente das pinturas dessa época, impressiona até hoje.
Próxima parada: Angers
Uma das mais floridas cidades da França, Angers, no Vale do Loire, reúne em dois cenários mais que especiais tapeçarias fundamentais dos séculos 14 e 20. No Château d’Angers, fortaleza construída no século 13 e cheia de jardins, fica a impressionante Tapisserie de l’Apocalypse, tecida no século 14 e que originalmente tinha 140 metros (!) de comprimento. Já o antigo hospital do século 12, Saint-Jean, abriga a não menos grandiosa obra de Jean Lurçat, o responsável pelo renascimento da tapeçaria como arte no século 20. Apesar de a obra Chant du Monde, com 80 metros de comprimento exposta em Saint-Jean, estar em Angers, Lurçat foi um grande colaborador dos ateliers de Aubsusson.
Aubusson
Não é muito fácil chegar lá. A melhor opção é pegar o trem de Paris (Gare d’Austerlitz) e descer na imponente estação Bénédictins em Limoges (são três horas de viagem — não tem TGV — mas você pode aproveitar e conhecer as tradicionais porcelanas da cidade) e de lá, alugar um carro para poder visitar essa cidade cujo nome é sinônimo de tapeçaria há seis séculos: Aubusson.
E a vantagem de Aubusson em relação às Gobelins é que os ateliers vendem e aceitam encomendas de particulares (Gobelins, Beauvais e Savonnerie trabalham exclusivamente para o Estado francês) ao mesmo tempo em que no século 17 também recebeu de Colbert o prestigioso título de Manufatura Real. Muitos ateliers possuem galerias abertas à visitação (em algumas é preciso agendar horário) e a cidade abriga ainda o Musée de La Tapisserie com foco em peças produzidas nos séculos 17, 18 e 19, além das obras do século 20 de Jean Lurçat, e a Maison du Tapissier, no coração do centro histórico da cidade, onde você confere peças e fragmentos dos últimos 600 anos e ainda assiste a demonstração de um mestre tecelão. Comprando o ingresso na Maison du Tapissier (€ 6) você ainda pode visitar a Coleção Fougerol, com mais de 100 tapeçarias de Flandres e Aubusson dos séculos 17 e 18. Com um pouco de leitura e imerso em tapeçarias de todos os séculos, não tem como não virar um expert.
Fonte: Simonde, publicado por Shoichi Iwashita, consultado pela última vez em 20 de fevereiro de 2021.
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Verdure Aubusson | Britannica
Tapeçaria verdure, tipo de tapeçaria decorada com um desenho baseado em formas de plantas. Não se sabe exatamente quando as primeiras tapeçarias verdure foram feitas, mas, no século XVI, tapeçarias com desenhos formais derivados de folhagens se tornaram imensamente populares. Na última metade do século XVII, paisagens foram incorporadas ao seu desenho.
Fábricas de tapeçarias famosas comoAubusson eLille na França se especializou na produção de verdures, especialmente aqueles de pequenas dimensões usados como estofados e capas de travesseiros. A tapeçaria Verdure não deve ser confundida com menues verdure, outapeçaria millefleur , já que a decoração floral das tapeçarias millefleur serve apenas como pano de fundo para os elementos figurativos do design.
Fonte: Britannica. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.
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Verdure Aubusson | Arremate Arte
Os tapetes Verdure Aubusson são caracterizados por representações de cenas pastorais e paisagens naturais, com folhagens densas, árvores e animais, geralmente em tons suaves de verde e azul. Produzidos com lã e seda, seus desenhos criavam uma atmosfera de tranquilidade nos palácios e mansões europeias, destacando o artesanato refinado da época.
Feitos em teares manuais, demonstram a habilidade técnica dos artesãos, que conseguiam criar profundidade e realismo nas paisagens. Além de sua função decorativa, esses tapetes eram frequentemente utilizados como tapeçarias nas paredes de salões e quartos, conferindo sofisticação e prestígio. Hoje, esses tapetes são considerados itens colecionáveis de alto valor, tanto pelo seu significado histórico quanto pelo seu apelo estético, sendo preservados em museus e coleções particulares ao redor do mundo.
Embora a produção original tenha diminuído ao longo dos séculos, o legado dos tapetes Verdure Aubusson perdura, com reproduções artesanais feitas ainda hoje. No entanto, as peças antigas são muito valorizadas, com seus padrões e cores vibrantes evocando a natureza e o cotidiano da vida rural de épocas passadas. Esses tapetes continuam a ser sinônimo de elegância e tradição, representando uma fusão de arte e funcionalidade que transcende o tempo.
Crédito fotográfico: UNESCO. Consultado pela última vez em 22 de outubro de 2024.