Cadastre-se e tenha a melhor experiência em leilões 🎉🥳

Barrica

Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe (Crato, 10 de março de 1908 — Fortaleza, 8 de abril de 1993), mais conhecido como Barrica, foi um pintor, ceramista, restaurador e desenhista brasileiro. Estudou em Fortaleza com o pintor Carlos Cavalcanti e pouco tempo depois estava pintando retratos fotográficos, técnica que aprendeu com o fotógrafo Valter Feliciano. Suas pinturas são compostas de paisagens, cenas rurais, urbanas ou marinhas. Pintou também figuras humanas que eram sempre delineadas por um contorno escuro, sobreposto às camadas inferiores de cor. Retratava a vida e a paisagem de sua terra, com a tristeza de um deserto árido, mas com a fé e a esperança que os conduzirá para um amanhã onde possam viver com dignidade. A deformação das figuras e da paisagem dá um tom expressionista às imagens. Às vezes, tons rebaixados produzem uma atmosfera densa e introspectiva, envolta por uma luz crepuscular gerada por pinceladas amarelas. Outras vezes, uma palheta matissiana cria um ambiente leve e iluminado, porém igualmente indefinido e, por isso, vago e misterioso. Na cerâmica, inicialmente produziu objetos utilitários, como pratos e vasos, trabalhou em de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular, tornando-as inúteis ao uso, sendo apenas um objeto decorativo. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) em 1941, e em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953.

Biografia – Itaú Cultural

Filho do fotógrafo Moura Quineau. Conhecido como Barrica, estudou em Fortaleza com o pintor, e mais tarde crítico de arte, Carlos Cavalcanti, em 1923. Entre as décadas de 1920 ou 1930, pinta retratos fotográficos, técnica que aprende com o fotógrafo Valter Feliciano. Na mesma época, conviveu com os pintores Gerson Faria (1889 - 1943), Pretextato de Bezerra e Otacílio Azevedo (1896 - 1969).

Em 1941, participa da fundação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), que é transformado na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap) em 1944, junto com Antonio Bandeira (1922 - 1967), Aldemir Martins (1922 - 2006), Jean-Pierre Chabloz (1910 - 1984) e Estrigas (1919), entre outros.

Sua primeira individual ocorreu em 1947, no Instituto Histórico do Ceará, em Fortaleza. Na mesma cidade, realizou exposições individuais no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc) em 1961, 1971 e 1982. Em 1959, viaja para o Rio de Janeiro, onde vive até o fim da década de 1980. Nesse período, expôs em galerias de Brasília, Fortaleza, Salvador e São Paulo.

Análise

Grande parte das pinturas de Barrica é composta de paisagens, cenas rurais, urbanas ou marinhas. Figuras humanas delineadas por um contorno escuro, sobreposto às camadas inferiores de cor, emergem no centro iluminado das telas, desde um fundo indefinido, cujo aspecto nebuloso, elaborado por meio de manchas, permeia a composição como um todo, como em Casario. O mesmo contorno define banhistas nus na marinha Sem Título, que, cercados por barcos, desenvolvem alguma atividade artesanal ligada à pesca. Nesse trabalho, o azul do céu rebate no azul da figura central que, por sua vez, lança o olhar do espectador ao canto direito da tela, em que ecoa o azul de um dos barcos que se prolonga no mar tranquilo.

A deformação das figuras e da paisagem dá um tom expressionista às imagens. Às vezes, tons rebaixados produzem uma atmosfera densa e introspectiva, envolta por uma luz crepuscular gerada por pinceladas amarelas. Outras vezes, uma palheta matissiana cria um ambiente leve e iluminado, porém igualmente indefinido e, por isso, vago e misterioso.

Na cerâmica, em princípio, Barrica trabalha com objetos utilitários, como pratos e vasos. Em fins dos anos 1950, entretanto, passa a criar peças antropomórficas ou de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular. Essa deformação proposital das peças cria um aspecto de algo inútil, de objeto deteriorado, sem função, que contrasta com o brilho acabado da policromia.

Críticas

"(...) Consciente de problemas como a miséria, a seca e a fome que o povo nordestino sofreu e continua sofrendo, retrata em seus quadros a vida e a paisagem de sua terra, com a tristeza de um deserto árido, mas com a fé e a esperança que os conduzirá para um amanhã onde possam viver com dignidade. (...)" — Julio Louzada (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984).

"Barrica tem características muito próprias para caber nos escaninhos de uma escolinha de pintura qualquer. Sua técnica não é impressionista nem tampouco expressionista, é vigorosa, rica, não amolda a pintura ao desenho, antes desenha em função da cor, o que dá um alto teor de pureza à obra. É um mestre em plena maturação, um mestre que merece ser estudado, pois bem representa um momento na pintura do Ceará" — Mário Barata (GALVÃO, Roberto. Uma visão da arte no Ceará. Fortaleza: Galeria Ignez Fiuza: GRAFISA, 1987).

Exposições Individuais

1947 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Histórico do Ceará

1948 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Brasil-Estados Unidos

1949 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Histórico do Ceará

1954 - São Paulo SP - Individual, no Atelier Vacarine

1955 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Dezon

1956 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Itamar

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Dezon

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Nagasava

1957 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Montmartre

1957 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Rian

1959 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Copacabana Arte

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Copacabana Arte

1961 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1961 - Salvador BA - Individual, na Galeria Estados Unidos

1962 - Salvador BA - Individual, na Galeria Quirino

1965 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo J. Macedo

1966 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Grupiara

1966 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo Casa

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Gead

1967 - Fortaleza CE - Individual - inauguração da Casa de Raimundo Cela, na Casa de Raimundo Cela

1968 - Fortaleza CE - Individual, no Salão Crasa

1969 - Fortaleza CE - Individual, no Ideal Clube

1970 - Brasília DF - Individual, no Salão da TV de Brasília

1970 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo J. Macêdo

1971 - Fortaleza CE - Individual, no Recanto Ouro Preto

1971 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1971 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1971 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Colecio

1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria da Praça do Clube de Regatas Vasco da Gama

1975 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Praça - Ibirapuera

1979 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1979 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ouro Preto

1979 - Salvador BA - Individual, na Galeria Kattya

1980 - Salvador BA - Individual, na Galeria Kattya

1981 - Fortaleza CE - Individual, no Ideal Clube

1981 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Renot

1982 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1983 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1984 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1984 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1984 - Michigan (Estados Unidos) - Individual

1985 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1988 - Fortaleza CE - Pinturas, na Galeria Ignez Fiuza

Exposições Coletivas

1937 - Fortaleza CE - Coletiva, no Cine Politeama

1946 - Fortaleza CE - 2º Salão de Abril

1948 - Fortaleza CE - Salão de Abril

1949 - Fortaleza CE - Coletiva, na inauguração do MAUC

1949 - Fortaleza CE - Coletiva, no antigo Museu da Universidade Federal do Ceará

1950 - Fortaleza CE - Salão de Abril

1951 - Fortaleza CE - 7º Salão de Abril - medalha de ouro

1951 - Fortaleza CE - Barrica e Floriano, na Praça José de Alencar

1953 - Fortaleza CE - 9º Salão de Abril - medalha de ouro

1958 - Fortaleza CE - 14º Salão de Abril

1963 - Fortaleza CE - A Paisagem Cearense, no MAUC

1966 - Crato CE - Quinze Artistas Cearenses

1966 - Fortaleza CE - Coletiva, no MAUC

1967 - Fortaleza CE - 1º Salão de Artes Plásticas do Ceará

1968 - Rio de Janeiro RJ - Pintores Cearenses, no MNBA

1969 - Fortaleza CE - Nu na Arte, no Salão Antônio Bandeira

1971 - Fortaleza CE - 5º Aniversário, na Casa de Raimundo Cela

1972 - Fortaleza CE - Artistas Contemporâneos, no Recanto Ouro Preto

1972 - Fortaleza CE - Coletiva, no MAUC

1972 - Fortaleza CE - Coletiva, na Galeria Ignez Fiuza

1972 - Fortaleza CE - Salão da Casa de Raimundo Cela, na Casa de Raimundo Cela

1979 - Fortaleza CE - Coletiva, na Galeria Ignez Fiuza

1990 - Fortaleza CE - Clássicos Cearenses, na Galeria Ignez Fiuza

1990 - Fortaleza CE - Natal e Arte, na Galeria Ignez Fiuza

1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel

1992 - Fortaleza CE - 2º UVART, na Galeria Ignez Fiuza

Exposições Póstumas

1994 - Fortaleza CE - Barrica - Pinturas e Desenhos - homenagem ao cinquentenário da SCAP, na Galeria Ignez Fiuza

1997 - Fortaleza CE - Mostra do Acervo - reabertura da Galeria Ignez Fiuza

Fonte: BARRICA. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 12 de setembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

---

Biografia – Wikipédia

Nascido na cidade do Crato, celeiro de outros respeitados artistas como o pintor Vicente Leite e o escultor Sérvulo Esmeraldo, o autodidata Barrica segue para Fortaleza a partir dos anos 1920. Em 1941, compõe o grupo que fundou o Centro Cultural de Belas Artes - CCBA, transformado na Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP em 1944, junto com Antonio Bandeira (1922 - 1967), Aldemir Martins (1922 - 2006), Jean-Pierre Chabloz (1910 - 1984) e Estrigas (1919), entre outros. Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside até o fim da década de 1980, período onde realizou exposições em galerias de São Paulo, Brasília, Salvador e Fortaleza, entre outras.

Barrica demonstra refinado talento com as cores, instrumento a acentuar a perspectiva e a riqueza nas suas obras impressionistas. O amarelo-ouro tornou-se uma de suas marcas registradas nos cenários de casarios com as silhuetas das pessoas caminhando de costas que verdadeiramente invadem as construções ao fundo. Barrica é acometido de problema ocular, passando as manchas das pinturas à circulares nas suas obras, charme que se harmonizou com perfeição as deformações do real requintadas dos motivos que escolhia. A riqueza artística da fase das décadas de 50 e 60 coloca o artista entre os grandes impressionistas do Brasil, sendo verbete no "Dicionário das Artes Plásticas no Brasil", de Roberto Pontual, e no "Dicionário Crítico da Pintura no Brasil", de José Roberto Teixeira Leite, dentre outros".

Homenagens

Uma rua em Fortaleza foi nomeada em homenagem ao pintor.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Minimuseu – Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe

Desenhista, pintor e ceramista, iniciou-se nas artes plásticas em 1923, recebendo posteriormente aulas de pintura de Gérson Faria. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Em 1941, Barrica esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) e, em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953.

Fonte: Minimuseu, Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica – Exposição em Juazeiro

A Universidade Federal do Ceará tem a honra de estar presente às comemorações do Centenário da cidade do Juazeiro do Norte com pinturas em telas, desenhos e cerâmicas de seu filho ilustre Clidenor Capibaribe, o Barrica.

A iniciativa de expor os acervos significa oferecer ao público uma oportunidade rara e valiosa de conhecer um pouco mais um dos principais artistas do movimento moderno, discutindo as afinidades de sua arte, e a influência na arte cearense.

Essa mostra constitui uma contribuição para um momento de apreciação e reflexão artística na celebração da região.

Agradecemos a todos que tornaram possível sua realização; o programa de incentivo à cultura do Banco do Nordeste, a Universidade Federal do Ceará através do Magnífico Reitor Jesualdo Farias e, no Campus Cariri, o Diretor Ricardo Ness.

Aos gestores das instituições do Centro Cultural do Banco do Nordeste, Sra Jacqueline Medeiros, Sr. Lenin Falcão e do Museu da Universidade, o Sr Pedro Eymar, que cederam seus acervos.

A participação da Universidade Estadual do Ceará, através da pesquisadora Kadma Marques.

Os técnicos e funcionários que participaram da montagem e acompanhamento da exposição.

Adriana Botelho – Ms em Artes Visuais, profª UFC Cariri

Uma poética da cor

Barrica pertence à arte moderna, movimento que inicia com as discussões impressionistas, mas que tem seus fundamentos bem anteriormente ao modernismo.

Podemos observar características de sua pintura, dialogando-a com outros artistas, como Estrigas, Guinard, Chagall, Van Gogh, Matisse, ora em tema, ora em composição. Realço, no entanto, seu particular domínio no uso das cores, utilizando diversas gamas de tons que cria um ambiente iluminado provocando sensação de acolhimento se opondo, por vezes, ao estranhamento das formas. Podemos fazer uma relação com as cores e luzes do impressionismo, fauvismo, que muito se inspirou nas pinturas e esculturas africanas e japonesas. Há relação, também, com as cores dos artefatos e cerâmicas nordestinas e com as cores vibrantes do modernismo nacional na forma de composição e estruturação na pintura.

Seu conjunto de cerâmicas revela a matéria manipulada, esculpida no seu caráter orgânico.

Mas é a cor na sua forma sublime e poética que me induz a chamá-lo… o alquimista da cor… de uma tela margeada em tons escuros abre-se ao centro tons luminosos. Luz amarela, luz azul, luz vermelha… intensas, se apresentam em formas aplainadas, nos contornos quase liquefeitas, a encantar pelo colorido brumoso. Vez por outra adquirem formas de árvores, casas, um homem vermelho, uma mulher azul, a nos dizer que todos os elementos se convertem numa matéria elementar: a cor!!!

Adriana Botelho – Curadora

Barricas

Sobre Clidenor Capibaribe – o Barrica (1908 ou 1913-1993) – há sempre muito a contar e pouca certeza no que se diz. Há, porém, um vasto anedotário que permanece na memória dos amigos mais próximos e dos companheiros de arte que figuram um personagem tão espirituoso, quanto arredio; tão exigente quanto ao modo de se apresentar na abertura de exposições, quanto “relaxado” na experimentação que dava lugar ao uso de materiais mesmo os mais prosaicos na fatura de seus quadros… Parece que vários “Barricas”, correspondendo a facetas e talentos, habitavam aquele que um dia foi o menino gordo e atarracado que recebeu por isso esta alcunha.

Nascido na região do Cariri cedo se mudou com a mãe para a capital cearense. Inserido no campo da pintura na Fortaleza dos anos 30, notabilizou-se ao menos por duas vias: por haver participado ativamente da emergência de valores e instituições fundamentais à formação da esfera artística local e por ter desenvolvido formalmente um estilo próprio no tratamento de paisagens e figuras humanas.

A história das artes plásticas no Ceará passa de maneira inevitável pela presença de Barrica na fundação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA – 1941/1944) e da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP – 1944/1958), associações que congregaram os “artistas do pincel” em torno de ideais como aquele que manteve a realização do nosso salão de artes mais tradicional – o Salão de Abril – sob a responsabilidade da SCAP (1946-1958).

O reconhecimento de seu valor moveu assim esta mostra, trazendo a público um conjunto de pinturas e cerâmicas que são fruto de sua passagem pelo Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará e que hoje integram seu acervo. Este evidencia um momento ímpar de sua produção – aquele em que Barrica faz uma pausa em seu figurativismo, abrindo espaço para a experimentação formal que beira a produção abstrata – que deste modo familiarizará o público com a capacidade não só aglutinadora, mas inventiva deste artista que nunca deixou de ousar.

Kadma Marques – Dra. Sociologia da Arte

Barrica

Duas grandes comemorações cenarizam este reencontro com Barrica. O Centenário de Juazeiro do Norte e o Cinquentenário do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. Barrica é filho de Juazeiro. Um irrequieto desenhista, pintor e ceramista, predestinado para viver da arte, retirante do Cariri, dividido entre o Rio de Janeiro e Fortaleza. Nasceu em 1913. Na década de trinta já está em atividade no meio artístico de Fortaleza. Quase autodidata, pois aprendeu com Gerson Farias uma porção de coisas, e como quase todos de sua geração, frequentou o Museu Imaginário e dissecou Van Gogh, imortalizou-se por assimilar influências e delas afastar-se, construindo, num incansável exercício plástico, sua linguagem personalíssima. Depois de uma temporada no Rio retorna à Capital cearense para engajar-se na criação do Centro Cultural de Belas Artes. No início dos anos quarenta, Barrica atua junto à SCAP e frequenta os Salões de Abril. É um período marcante de sua afirmação temática e estilística. Louvado por unanimidade pela crítica local, recebe de Aluísio Medeiros uma atenciosa referência inflamada pela expressividade interior de suas paisagens, “do seu pincel molhado nas escuras tintas do sofrimento, nos seus céus de chumbo pesados”. Otacílio Colares impressiona-se com sua preferência pelas cores pouco definidas, por sua predileção por certos roxos e uns certos azuis esmaecidos, e pela sua recorrência temática focada nos “recantos meditativos de pontas de rua, de ângulos de muro, de praias desoladas e de estradas ensombradas ao crepúsculo”.

A década de cinquenta apresenta um Barrica personalizado e comercialmente aceito. Desenha com cores e as paisagens florescem de sua alma profunda para uma interface plástica tensa, onde matéria e gesto disputam com a figuração o primeiro plano da fruição estética.

É na posse desta força que, em 1957, Barrica é recebido e saudado pelo reitor Antônio Martins Filho no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, em uma exposição individual. Em 1961 está presente na exposição de Instalação do Museu de Arte da UFC. Ao lado de Chico da Silva, Sérvulo Esmeraldo e Raimundo Cela expõe sua vibrante interpretação dos subúrbios e abstratas composições em irreverentes jarros cerâmicos. Neste mesmo período instala junto ao Mauc uma oficina de cerâmica, provida de forno, do qual procedem muitas das cerâmicas que integram a presente mostra. Em 1963, no Mauc, abre a primeira página do livro de assinaturas de mais uma exposição individual ostentando com vigor o seu nome sobre a capa do catálogo aposto ao livro. Retorna ao Mauc em 71, apresentado simultaneamente pelo reitor Valter de Moura Cantídio e por Austreségilo de Athayde, quando apresenta um conjunto de vinte óleos. Em 82, mais uma vez no Mauc, realiza uma exposição individual promovida por sua mulher Hércia, em homenagem aos seus quase sessenta anos de atividade artística. São pinturas onde o artista afasta-se da visão do agreste, mergulhando suas paisagens numa concepção temática de natureza urbana. Em 90, Barrica encerra sua sequência de exposições no Mauc. Convida José Fernandes, Nice e Estrigas, e promove o retorno do scapiano Claudionor Braga. Como curador desta mostra exibiu toda a garra e a liderança que foram capazes de movimentar o meio artístico em Fortaleza nas ações coletivas dos memoráveis anos 40.

Os acervos da Universidade Federal do Ceará e do Banco do Nordeste do Brasil, aqui reunidos, sinalizam, por fim, para uma homenagem maior a BARRICA, em sua terra natal, através de mais uma exposição de desenhos, pinturas e cerâmicas.

Pedro Eymar – Diretor do Mauc

Fonte: Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC). Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica: desenhista, pintor e ceramista - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará

Vasta coleção de desenhos, pinturas e peças em cerâmica revelam o grande talento de um dos artistas mais ilustres do nosso Estado

Muitos artistas usam de forma criativa e harmoniosa diferentes cores na produção de suas obras. O post de hoje será dedicado a um deles: o cearense Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe, mais conhecido como Barrica.

Quem foi?

Algumas fontes de pesquisa informam que ele nasceu no dia 10 de março de 1908, no Crato; outras afirmam que foi em 1913, em Juazeiro do Norte.

Ainda menino, mudou-se com sua mãe para Fortaleza.

A partir da década de 1920, conhece o fotógrafo Valter Feliciano e os pintores Carlos Felinto Cavalcante, Gerson Faria, Otacílio Azevedo e Pretextato de Bezerra, entre outros artistas.

Conviver com essas celebridades contribuiu significativamente para despertar em Barrica um profundo interesse pelo universo das artes.

Autodidata, iniciou sua carreira na década de 1930 pintando retratos fotográficos. Não demorou muito para interessar-se pelo desenho e pela pintura, dedicando-se incansavelmente a essas duas expressões artísticas.

Em 1935, realizou sua primeira exposição individual em solo pernambucano. Somando-se a esta, muitas outras, individuais e coletivas, foram realizadas em diferentes cidades brasileiras nos anos seguintes.

Sua obra

Em toda a sua trajetória artística, produziu uma vasta coleção de desenhos, pinturas e peças em cerâmica.

O uso do contraste de cores tornou-se uma marca registrada na produção de suas obras. Diferentes tons de verde, azul, vermelho, roxo, amarelo e laranja, entre outras cores, estão presentes na composição de figuras humanas, paisagens e cenas marinhas, urbanas e rurais. As peças em cerâmica, trabalhadas com muito requinte, destacam-se por seu formato irregular e refinado acabamento.

A paixão por sua arte nutria em seu espírito um profundo zelo por seu trabalho.

Irrequieto, buscava conhecer novas técnicas e procedimentos para aprimorar cada vez mais o requinte de suas obras.

Tanta dedicação resultou no reconhecimento de seu grande potencial, fato que o destacou como um dos artistas mais requisitados do País.

Além de ser um exímio desenhista, pintor e ceramista, Barrica participou ativamente da criação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), em 1941, e da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), em 1944.

No dia 8 de abril de 1993, seus dias chegam ao fim, sendo sepultado no cemitério São João Batista.

Parte de sua produção artística integra o valioso acervo do Mauc. Faça-nos uma visita e conheça de perto seu belíssimo trabalho!

Fonte: MAUC, "Barricas: desenhista, pintor e ceramista", escrito por Carlizeth Campos, Assistente em Administração. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica: a poesia da cor | Revista Ambientes Ceará

Um dos nomes mais consagrados da pintura cearense no século XX, o artista natural do Cariri se destacou pelo uso poético e impressionista das

cores e exerceu um papel fundamental na modernização das artes plásticas no Estado.

Nascido no Cariri, em 1908, Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe, conhecido como Barrica, é considerado um dos agentes fundamentais no processo de modernização das artes cearenses. Com vasta produção como pintor, restaurador, desenhista e ceramista, Barrica possui relação com campo das artes cearense desde seus primórdios, já que algumas referências biográficas o apontam como filho de Moura Quineau, um dos pioneiros da fotografia no Ceará. O início da carreira ocorreu em Fortaleza, como aprendiz do pintor e crítico de arte Carlos Felinto Cavalcante, na década de 1920, realizando a primeira mostra individual em 1935, em Pernambuco. Um dos fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas, Barrica trabalhou com alguns dos nomes mais destacados do Estado, como Antônio Bandeira, Aldemir Martins e Estrigas.

Sua obra fascina pelo emprego poético da cor, revelando uma arte com luz própria

Sua trajetória foi marcada por mais de 100 exposições, incluindo participação regular na mais importante e competitiva mostra local de artes plásticas, o Salão de Abril, e trabalhos expostos em algumas das principais cidades do País, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Após começar pintando retratos fotográficos, o artista enveredou para o campo das abstrações, com telas impressionistas e expressionistas. O talento refinado para usar as cores, com destaque para o amarelo-ouro que virou uma marca pessoal, resultou em obras compostas por paisagens, sejam elas urbanas, rurais ou marinhas, e figuras humanas de aspecto enevoado, com atmosfera densa e introspectiva. Na arte com cerâmica, originalmente, Barrica trabalhou com objetos utilitários, como pratos e vasos, mas logo passou a criar peças antropomórficas ou de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular. Segundo Kadma Marques, socióloga e curadora de arte, sua obra fascina pelo emprego poético da cor, revelando uma arte com luz própria.

Fonte: Revista Ambientes CE, "Barrica: a poesia da cor" escrito por Guilherme Clidenor, publicado em 8 de abril de 2021. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Galeria de Arte Sculpt abre exposição “Barrica – Pintura com luz própria” | Portal In

Complexo em alguns aspectos, intrigante em outros, diversas podem ser as definições de Barrica, mas sem sombra de dúvidas, fascinante é a que melhor representa o artista genuinamente cearense, que através da sua mistura de cores e refinado talento, foi um dos principais responsáveis por destacar o Ceará como um celeiro de grandes artistas.

Com um acervo de mais de 30 obras criteriosamente escolhidas, a Galeria de Arte Sculpt abre, hoje, às 19h, a exposição “Barrica – Pintura com luz própria”, com a curadoria da especialista em Artes, Kadma Marques. Indo além telas, a exposição, que segue até o dia 15 de fevereiro de 2020, irá comtemplar outros produtos, como; cartões e cerâmicas, e ainda, objetos que foram cedidos pela família de Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe – Barrica, para compor a mostra.

Com expectava de reunir um seleto público de amantes da arte, colecionadores, e apreciadores do autor, o evento contará com as ilustres presenças dos filhos, neta e bisneto do artista.

Para abrilhantar ainda mais a noite, adiantou Rodrigo Parente, diretor da Sculpt, haverá o relançado do livro “O Alquimista da Arte” escrito pelo artista plástico Nilo de Brito Firmeza, o lendário Estrigas, e do livro “Barrica: O Gesto que entrelaça história e vida”, escrito pela curadora do acervo, Kadma Marques. “A divulgação dessas duas obras durante a abertura da exposição, é sem dúvidas, uma estratégia para elevar, ainda mais, o patamar desse brilhante artista, que merece todo respeito e reconhecimento no mercado de arte cearense”, ressaltou Rodrigo.

Além disso, a iniciativa, é também, uma forma de valorização da figura dos colecionares de arte no Ceará. “Os apreciadores poderão usufruir de uma reunião de obras que pode lhes dar uma boa ideia do percurso criativo realizado por Barrica. Suas cores, paisagens e personagens descortinam uma pintura autoral, com luz própria”, pontuou Kadma.

Para a curadora, Barrica representa uma geração de pintores que heroicamente apostaram no valor da arte cearense. “Ele participou ativamente do processo de constituição do campo artístico moderno em Fortaleza. O reconhecimento da qualidade artística de suas obras tem sido atestado pelo mercado de arte, mas para-além disso, ele é também figura histórica importante no campo cultural cearense. Esta exposição pretende contribuir modestamente para este movimento de reconhecimento”, complementou.

Fonte: Portal In, "Galeria de Arte Sculpt abre exposição “Barrica – Pintura com luz própria”, publicado por Gabriela, em 12 de dezembro de 2019. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

Crédito fotográfico: Minimuseu Firmeza, Espaço Cultural, Artístico e Ecológico. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe (Crato, 10 de março de 1908 — Fortaleza, 8 de abril de 1993), mais conhecido como Barrica, foi um pintor, ceramista, restaurador e desenhista brasileiro. Estudou em Fortaleza com o pintor Carlos Cavalcanti e pouco tempo depois estava pintando retratos fotográficos, técnica que aprendeu com o fotógrafo Valter Feliciano. Suas pinturas são compostas de paisagens, cenas rurais, urbanas ou marinhas. Pintou também figuras humanas que eram sempre delineadas por um contorno escuro, sobreposto às camadas inferiores de cor. Retratava a vida e a paisagem de sua terra, com a tristeza de um deserto árido, mas com a fé e a esperança que os conduzirá para um amanhã onde possam viver com dignidade. A deformação das figuras e da paisagem dá um tom expressionista às imagens. Às vezes, tons rebaixados produzem uma atmosfera densa e introspectiva, envolta por uma luz crepuscular gerada por pinceladas amarelas. Outras vezes, uma palheta matissiana cria um ambiente leve e iluminado, porém igualmente indefinido e, por isso, vago e misterioso. Na cerâmica, inicialmente produziu objetos utilitários, como pratos e vasos, trabalhou em de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular, tornando-as inúteis ao uso, sendo apenas um objeto decorativo. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) em 1941, e em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953.

Barrica

Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe (Crato, 10 de março de 1908 — Fortaleza, 8 de abril de 1993), mais conhecido como Barrica, foi um pintor, ceramista, restaurador e desenhista brasileiro. Estudou em Fortaleza com o pintor Carlos Cavalcanti e pouco tempo depois estava pintando retratos fotográficos, técnica que aprendeu com o fotógrafo Valter Feliciano. Suas pinturas são compostas de paisagens, cenas rurais, urbanas ou marinhas. Pintou também figuras humanas que eram sempre delineadas por um contorno escuro, sobreposto às camadas inferiores de cor. Retratava a vida e a paisagem de sua terra, com a tristeza de um deserto árido, mas com a fé e a esperança que os conduzirá para um amanhã onde possam viver com dignidade. A deformação das figuras e da paisagem dá um tom expressionista às imagens. Às vezes, tons rebaixados produzem uma atmosfera densa e introspectiva, envolta por uma luz crepuscular gerada por pinceladas amarelas. Outras vezes, uma palheta matissiana cria um ambiente leve e iluminado, porém igualmente indefinido e, por isso, vago e misterioso. Na cerâmica, inicialmente produziu objetos utilitários, como pratos e vasos, trabalhou em de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular, tornando-as inúteis ao uso, sendo apenas um objeto decorativo. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) em 1941, e em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953.

Biografia – Itaú Cultural

Filho do fotógrafo Moura Quineau. Conhecido como Barrica, estudou em Fortaleza com o pintor, e mais tarde crítico de arte, Carlos Cavalcanti, em 1923. Entre as décadas de 1920 ou 1930, pinta retratos fotográficos, técnica que aprende com o fotógrafo Valter Feliciano. Na mesma época, conviveu com os pintores Gerson Faria (1889 - 1943), Pretextato de Bezerra e Otacílio Azevedo (1896 - 1969).

Em 1941, participa da fundação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), que é transformado na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap) em 1944, junto com Antonio Bandeira (1922 - 1967), Aldemir Martins (1922 - 2006), Jean-Pierre Chabloz (1910 - 1984) e Estrigas (1919), entre outros.

Sua primeira individual ocorreu em 1947, no Instituto Histórico do Ceará, em Fortaleza. Na mesma cidade, realizou exposições individuais no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc) em 1961, 1971 e 1982. Em 1959, viaja para o Rio de Janeiro, onde vive até o fim da década de 1980. Nesse período, expôs em galerias de Brasília, Fortaleza, Salvador e São Paulo.

Análise

Grande parte das pinturas de Barrica é composta de paisagens, cenas rurais, urbanas ou marinhas. Figuras humanas delineadas por um contorno escuro, sobreposto às camadas inferiores de cor, emergem no centro iluminado das telas, desde um fundo indefinido, cujo aspecto nebuloso, elaborado por meio de manchas, permeia a composição como um todo, como em Casario. O mesmo contorno define banhistas nus na marinha Sem Título, que, cercados por barcos, desenvolvem alguma atividade artesanal ligada à pesca. Nesse trabalho, o azul do céu rebate no azul da figura central que, por sua vez, lança o olhar do espectador ao canto direito da tela, em que ecoa o azul de um dos barcos que se prolonga no mar tranquilo.

A deformação das figuras e da paisagem dá um tom expressionista às imagens. Às vezes, tons rebaixados produzem uma atmosfera densa e introspectiva, envolta por uma luz crepuscular gerada por pinceladas amarelas. Outras vezes, uma palheta matissiana cria um ambiente leve e iluminado, porém igualmente indefinido e, por isso, vago e misterioso.

Na cerâmica, em princípio, Barrica trabalha com objetos utilitários, como pratos e vasos. Em fins dos anos 1950, entretanto, passa a criar peças antropomórficas ou de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular. Essa deformação proposital das peças cria um aspecto de algo inútil, de objeto deteriorado, sem função, que contrasta com o brilho acabado da policromia.

Críticas

"(...) Consciente de problemas como a miséria, a seca e a fome que o povo nordestino sofreu e continua sofrendo, retrata em seus quadros a vida e a paisagem de sua terra, com a tristeza de um deserto árido, mas com a fé e a esperança que os conduzirá para um amanhã onde possam viver com dignidade. (...)" — Julio Louzada (LOUZADA, Júlio. Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984).

"Barrica tem características muito próprias para caber nos escaninhos de uma escolinha de pintura qualquer. Sua técnica não é impressionista nem tampouco expressionista, é vigorosa, rica, não amolda a pintura ao desenho, antes desenha em função da cor, o que dá um alto teor de pureza à obra. É um mestre em plena maturação, um mestre que merece ser estudado, pois bem representa um momento na pintura do Ceará" — Mário Barata (GALVÃO, Roberto. Uma visão da arte no Ceará. Fortaleza: Galeria Ignez Fiuza: GRAFISA, 1987).

Exposições Individuais

1947 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Histórico do Ceará

1948 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Brasil-Estados Unidos

1949 - Fortaleza CE - Individual, no Instituto Histórico do Ceará

1954 - São Paulo SP - Individual, no Atelier Vacarine

1955 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Dezon

1956 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Itamar

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Dezon

1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Nagasava

1957 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Montmartre

1957 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Rian

1959 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Copacabana Arte

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Copacabana Arte

1961 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1961 - Salvador BA - Individual, na Galeria Estados Unidos

1962 - Salvador BA - Individual, na Galeria Quirino

1965 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo J. Macedo

1966 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Grupiara

1966 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo Casa

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Gead

1967 - Fortaleza CE - Individual - inauguração da Casa de Raimundo Cela, na Casa de Raimundo Cela

1968 - Fortaleza CE - Individual, no Salão Crasa

1969 - Fortaleza CE - Individual, no Ideal Clube

1970 - Brasília DF - Individual, no Salão da TV de Brasília

1970 - Fortaleza CE - Individual, no Grupo J. Macêdo

1971 - Fortaleza CE - Individual, no Recanto Ouro Preto

1971 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1971 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1971 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Colecio

1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria da Praça do Clube de Regatas Vasco da Gama

1975 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Praça - Ibirapuera

1979 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1979 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ouro Preto

1979 - Salvador BA - Individual, na Galeria Kattya

1980 - Salvador BA - Individual, na Galeria Kattya

1981 - Fortaleza CE - Individual, no Ideal Clube

1981 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Renot

1982 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

1983 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1984 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1984 - Fortaleza CE - Individual, na Galeria Ignez Fiuza

1984 - Michigan (Estados Unidos) - Individual

1985 - Fortaleza CE - Individual, na Duailibe Galeria

1988 - Fortaleza CE - Pinturas, na Galeria Ignez Fiuza

Exposições Coletivas

1937 - Fortaleza CE - Coletiva, no Cine Politeama

1946 - Fortaleza CE - 2º Salão de Abril

1948 - Fortaleza CE - Salão de Abril

1949 - Fortaleza CE - Coletiva, na inauguração do MAUC

1949 - Fortaleza CE - Coletiva, no antigo Museu da Universidade Federal do Ceará

1950 - Fortaleza CE - Salão de Abril

1951 - Fortaleza CE - 7º Salão de Abril - medalha de ouro

1951 - Fortaleza CE - Barrica e Floriano, na Praça José de Alencar

1953 - Fortaleza CE - 9º Salão de Abril - medalha de ouro

1958 - Fortaleza CE - 14º Salão de Abril

1963 - Fortaleza CE - A Paisagem Cearense, no MAUC

1966 - Crato CE - Quinze Artistas Cearenses

1966 - Fortaleza CE - Coletiva, no MAUC

1967 - Fortaleza CE - 1º Salão de Artes Plásticas do Ceará

1968 - Rio de Janeiro RJ - Pintores Cearenses, no MNBA

1969 - Fortaleza CE - Nu na Arte, no Salão Antônio Bandeira

1971 - Fortaleza CE - 5º Aniversário, na Casa de Raimundo Cela

1972 - Fortaleza CE - Artistas Contemporâneos, no Recanto Ouro Preto

1972 - Fortaleza CE - Coletiva, no MAUC

1972 - Fortaleza CE - Coletiva, na Galeria Ignez Fiuza

1972 - Fortaleza CE - Salão da Casa de Raimundo Cela, na Casa de Raimundo Cela

1979 - Fortaleza CE - Coletiva, na Galeria Ignez Fiuza

1990 - Fortaleza CE - Clássicos Cearenses, na Galeria Ignez Fiuza

1990 - Fortaleza CE - Natal e Arte, na Galeria Ignez Fiuza

1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel

1992 - Fortaleza CE - 2º UVART, na Galeria Ignez Fiuza

Exposições Póstumas

1994 - Fortaleza CE - Barrica - Pinturas e Desenhos - homenagem ao cinquentenário da SCAP, na Galeria Ignez Fiuza

1997 - Fortaleza CE - Mostra do Acervo - reabertura da Galeria Ignez Fiuza

Fonte: BARRICA. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 12 de setembro de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

---

Biografia – Wikipédia

Nascido na cidade do Crato, celeiro de outros respeitados artistas como o pintor Vicente Leite e o escultor Sérvulo Esmeraldo, o autodidata Barrica segue para Fortaleza a partir dos anos 1920. Em 1941, compõe o grupo que fundou o Centro Cultural de Belas Artes - CCBA, transformado na Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP em 1944, junto com Antonio Bandeira (1922 - 1967), Aldemir Martins (1922 - 2006), Jean-Pierre Chabloz (1910 - 1984) e Estrigas (1919), entre outros. Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside até o fim da década de 1980, período onde realizou exposições em galerias de São Paulo, Brasília, Salvador e Fortaleza, entre outras.

Barrica demonstra refinado talento com as cores, instrumento a acentuar a perspectiva e a riqueza nas suas obras impressionistas. O amarelo-ouro tornou-se uma de suas marcas registradas nos cenários de casarios com as silhuetas das pessoas caminhando de costas que verdadeiramente invadem as construções ao fundo. Barrica é acometido de problema ocular, passando as manchas das pinturas à circulares nas suas obras, charme que se harmonizou com perfeição as deformações do real requintadas dos motivos que escolhia. A riqueza artística da fase das décadas de 50 e 60 coloca o artista entre os grandes impressionistas do Brasil, sendo verbete no "Dicionário das Artes Plásticas no Brasil", de Roberto Pontual, e no "Dicionário Crítico da Pintura no Brasil", de José Roberto Teixeira Leite, dentre outros".

Homenagens

Uma rua em Fortaleza foi nomeada em homenagem ao pintor.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Minimuseu – Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe

Desenhista, pintor e ceramista, iniciou-se nas artes plásticas em 1923, recebendo posteriormente aulas de pintura de Gérson Faria. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Em 1941, Barrica esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) e, em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953.

Fonte: Minimuseu, Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica – Exposição em Juazeiro

A Universidade Federal do Ceará tem a honra de estar presente às comemorações do Centenário da cidade do Juazeiro do Norte com pinturas em telas, desenhos e cerâmicas de seu filho ilustre Clidenor Capibaribe, o Barrica.

A iniciativa de expor os acervos significa oferecer ao público uma oportunidade rara e valiosa de conhecer um pouco mais um dos principais artistas do movimento moderno, discutindo as afinidades de sua arte, e a influência na arte cearense.

Essa mostra constitui uma contribuição para um momento de apreciação e reflexão artística na celebração da região.

Agradecemos a todos que tornaram possível sua realização; o programa de incentivo à cultura do Banco do Nordeste, a Universidade Federal do Ceará através do Magnífico Reitor Jesualdo Farias e, no Campus Cariri, o Diretor Ricardo Ness.

Aos gestores das instituições do Centro Cultural do Banco do Nordeste, Sra Jacqueline Medeiros, Sr. Lenin Falcão e do Museu da Universidade, o Sr Pedro Eymar, que cederam seus acervos.

A participação da Universidade Estadual do Ceará, através da pesquisadora Kadma Marques.

Os técnicos e funcionários que participaram da montagem e acompanhamento da exposição.

Adriana Botelho – Ms em Artes Visuais, profª UFC Cariri

Uma poética da cor

Barrica pertence à arte moderna, movimento que inicia com as discussões impressionistas, mas que tem seus fundamentos bem anteriormente ao modernismo.

Podemos observar características de sua pintura, dialogando-a com outros artistas, como Estrigas, Guinard, Chagall, Van Gogh, Matisse, ora em tema, ora em composição. Realço, no entanto, seu particular domínio no uso das cores, utilizando diversas gamas de tons que cria um ambiente iluminado provocando sensação de acolhimento se opondo, por vezes, ao estranhamento das formas. Podemos fazer uma relação com as cores e luzes do impressionismo, fauvismo, que muito se inspirou nas pinturas e esculturas africanas e japonesas. Há relação, também, com as cores dos artefatos e cerâmicas nordestinas e com as cores vibrantes do modernismo nacional na forma de composição e estruturação na pintura.

Seu conjunto de cerâmicas revela a matéria manipulada, esculpida no seu caráter orgânico.

Mas é a cor na sua forma sublime e poética que me induz a chamá-lo… o alquimista da cor… de uma tela margeada em tons escuros abre-se ao centro tons luminosos. Luz amarela, luz azul, luz vermelha… intensas, se apresentam em formas aplainadas, nos contornos quase liquefeitas, a encantar pelo colorido brumoso. Vez por outra adquirem formas de árvores, casas, um homem vermelho, uma mulher azul, a nos dizer que todos os elementos se convertem numa matéria elementar: a cor!!!

Adriana Botelho – Curadora

Barricas

Sobre Clidenor Capibaribe – o Barrica (1908 ou 1913-1993) – há sempre muito a contar e pouca certeza no que se diz. Há, porém, um vasto anedotário que permanece na memória dos amigos mais próximos e dos companheiros de arte que figuram um personagem tão espirituoso, quanto arredio; tão exigente quanto ao modo de se apresentar na abertura de exposições, quanto “relaxado” na experimentação que dava lugar ao uso de materiais mesmo os mais prosaicos na fatura de seus quadros… Parece que vários “Barricas”, correspondendo a facetas e talentos, habitavam aquele que um dia foi o menino gordo e atarracado que recebeu por isso esta alcunha.

Nascido na região do Cariri cedo se mudou com a mãe para a capital cearense. Inserido no campo da pintura na Fortaleza dos anos 30, notabilizou-se ao menos por duas vias: por haver participado ativamente da emergência de valores e instituições fundamentais à formação da esfera artística local e por ter desenvolvido formalmente um estilo próprio no tratamento de paisagens e figuras humanas.

A história das artes plásticas no Ceará passa de maneira inevitável pela presença de Barrica na fundação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA – 1941/1944) e da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP – 1944/1958), associações que congregaram os “artistas do pincel” em torno de ideais como aquele que manteve a realização do nosso salão de artes mais tradicional – o Salão de Abril – sob a responsabilidade da SCAP (1946-1958).

O reconhecimento de seu valor moveu assim esta mostra, trazendo a público um conjunto de pinturas e cerâmicas que são fruto de sua passagem pelo Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará e que hoje integram seu acervo. Este evidencia um momento ímpar de sua produção – aquele em que Barrica faz uma pausa em seu figurativismo, abrindo espaço para a experimentação formal que beira a produção abstrata – que deste modo familiarizará o público com a capacidade não só aglutinadora, mas inventiva deste artista que nunca deixou de ousar.

Kadma Marques – Dra. Sociologia da Arte

Barrica

Duas grandes comemorações cenarizam este reencontro com Barrica. O Centenário de Juazeiro do Norte e o Cinquentenário do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. Barrica é filho de Juazeiro. Um irrequieto desenhista, pintor e ceramista, predestinado para viver da arte, retirante do Cariri, dividido entre o Rio de Janeiro e Fortaleza. Nasceu em 1913. Na década de trinta já está em atividade no meio artístico de Fortaleza. Quase autodidata, pois aprendeu com Gerson Farias uma porção de coisas, e como quase todos de sua geração, frequentou o Museu Imaginário e dissecou Van Gogh, imortalizou-se por assimilar influências e delas afastar-se, construindo, num incansável exercício plástico, sua linguagem personalíssima. Depois de uma temporada no Rio retorna à Capital cearense para engajar-se na criação do Centro Cultural de Belas Artes. No início dos anos quarenta, Barrica atua junto à SCAP e frequenta os Salões de Abril. É um período marcante de sua afirmação temática e estilística. Louvado por unanimidade pela crítica local, recebe de Aluísio Medeiros uma atenciosa referência inflamada pela expressividade interior de suas paisagens, “do seu pincel molhado nas escuras tintas do sofrimento, nos seus céus de chumbo pesados”. Otacílio Colares impressiona-se com sua preferência pelas cores pouco definidas, por sua predileção por certos roxos e uns certos azuis esmaecidos, e pela sua recorrência temática focada nos “recantos meditativos de pontas de rua, de ângulos de muro, de praias desoladas e de estradas ensombradas ao crepúsculo”.

A década de cinquenta apresenta um Barrica personalizado e comercialmente aceito. Desenha com cores e as paisagens florescem de sua alma profunda para uma interface plástica tensa, onde matéria e gesto disputam com a figuração o primeiro plano da fruição estética.

É na posse desta força que, em 1957, Barrica é recebido e saudado pelo reitor Antônio Martins Filho no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, em uma exposição individual. Em 1961 está presente na exposição de Instalação do Museu de Arte da UFC. Ao lado de Chico da Silva, Sérvulo Esmeraldo e Raimundo Cela expõe sua vibrante interpretação dos subúrbios e abstratas composições em irreverentes jarros cerâmicos. Neste mesmo período instala junto ao Mauc uma oficina de cerâmica, provida de forno, do qual procedem muitas das cerâmicas que integram a presente mostra. Em 1963, no Mauc, abre a primeira página do livro de assinaturas de mais uma exposição individual ostentando com vigor o seu nome sobre a capa do catálogo aposto ao livro. Retorna ao Mauc em 71, apresentado simultaneamente pelo reitor Valter de Moura Cantídio e por Austreségilo de Athayde, quando apresenta um conjunto de vinte óleos. Em 82, mais uma vez no Mauc, realiza uma exposição individual promovida por sua mulher Hércia, em homenagem aos seus quase sessenta anos de atividade artística. São pinturas onde o artista afasta-se da visão do agreste, mergulhando suas paisagens numa concepção temática de natureza urbana. Em 90, Barrica encerra sua sequência de exposições no Mauc. Convida José Fernandes, Nice e Estrigas, e promove o retorno do scapiano Claudionor Braga. Como curador desta mostra exibiu toda a garra e a liderança que foram capazes de movimentar o meio artístico em Fortaleza nas ações coletivas dos memoráveis anos 40.

Os acervos da Universidade Federal do Ceará e do Banco do Nordeste do Brasil, aqui reunidos, sinalizam, por fim, para uma homenagem maior a BARRICA, em sua terra natal, através de mais uma exposição de desenhos, pinturas e cerâmicas.

Pedro Eymar – Diretor do Mauc

Fonte: Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC). Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica: desenhista, pintor e ceramista - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará

Vasta coleção de desenhos, pinturas e peças em cerâmica revelam o grande talento de um dos artistas mais ilustres do nosso Estado

Muitos artistas usam de forma criativa e harmoniosa diferentes cores na produção de suas obras. O post de hoje será dedicado a um deles: o cearense Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe, mais conhecido como Barrica.

Quem foi?

Algumas fontes de pesquisa informam que ele nasceu no dia 10 de março de 1908, no Crato; outras afirmam que foi em 1913, em Juazeiro do Norte.

Ainda menino, mudou-se com sua mãe para Fortaleza.

A partir da década de 1920, conhece o fotógrafo Valter Feliciano e os pintores Carlos Felinto Cavalcante, Gerson Faria, Otacílio Azevedo e Pretextato de Bezerra, entre outros artistas.

Conviver com essas celebridades contribuiu significativamente para despertar em Barrica um profundo interesse pelo universo das artes.

Autodidata, iniciou sua carreira na década de 1930 pintando retratos fotográficos. Não demorou muito para interessar-se pelo desenho e pela pintura, dedicando-se incansavelmente a essas duas expressões artísticas.

Em 1935, realizou sua primeira exposição individual em solo pernambucano. Somando-se a esta, muitas outras, individuais e coletivas, foram realizadas em diferentes cidades brasileiras nos anos seguintes.

Sua obra

Em toda a sua trajetória artística, produziu uma vasta coleção de desenhos, pinturas e peças em cerâmica.

O uso do contraste de cores tornou-se uma marca registrada na produção de suas obras. Diferentes tons de verde, azul, vermelho, roxo, amarelo e laranja, entre outras cores, estão presentes na composição de figuras humanas, paisagens e cenas marinhas, urbanas e rurais. As peças em cerâmica, trabalhadas com muito requinte, destacam-se por seu formato irregular e refinado acabamento.

A paixão por sua arte nutria em seu espírito um profundo zelo por seu trabalho.

Irrequieto, buscava conhecer novas técnicas e procedimentos para aprimorar cada vez mais o requinte de suas obras.

Tanta dedicação resultou no reconhecimento de seu grande potencial, fato que o destacou como um dos artistas mais requisitados do País.

Além de ser um exímio desenhista, pintor e ceramista, Barrica participou ativamente da criação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), em 1941, e da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), em 1944.

No dia 8 de abril de 1993, seus dias chegam ao fim, sendo sepultado no cemitério São João Batista.

Parte de sua produção artística integra o valioso acervo do Mauc. Faça-nos uma visita e conheça de perto seu belíssimo trabalho!

Fonte: MAUC, "Barricas: desenhista, pintor e ceramista", escrito por Carlizeth Campos, Assistente em Administração. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Barrica: a poesia da cor | Revista Ambientes Ceará

Um dos nomes mais consagrados da pintura cearense no século XX, o artista natural do Cariri se destacou pelo uso poético e impressionista das

cores e exerceu um papel fundamental na modernização das artes plásticas no Estado.

Nascido no Cariri, em 1908, Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe, conhecido como Barrica, é considerado um dos agentes fundamentais no processo de modernização das artes cearenses. Com vasta produção como pintor, restaurador, desenhista e ceramista, Barrica possui relação com campo das artes cearense desde seus primórdios, já que algumas referências biográficas o apontam como filho de Moura Quineau, um dos pioneiros da fotografia no Ceará. O início da carreira ocorreu em Fortaleza, como aprendiz do pintor e crítico de arte Carlos Felinto Cavalcante, na década de 1920, realizando a primeira mostra individual em 1935, em Pernambuco. Um dos fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas, Barrica trabalhou com alguns dos nomes mais destacados do Estado, como Antônio Bandeira, Aldemir Martins e Estrigas.

Sua obra fascina pelo emprego poético da cor, revelando uma arte com luz própria

Sua trajetória foi marcada por mais de 100 exposições, incluindo participação regular na mais importante e competitiva mostra local de artes plásticas, o Salão de Abril, e trabalhos expostos em algumas das principais cidades do País, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Após começar pintando retratos fotográficos, o artista enveredou para o campo das abstrações, com telas impressionistas e expressionistas. O talento refinado para usar as cores, com destaque para o amarelo-ouro que virou uma marca pessoal, resultou em obras compostas por paisagens, sejam elas urbanas, rurais ou marinhas, e figuras humanas de aspecto enevoado, com atmosfera densa e introspectiva. Na arte com cerâmica, originalmente, Barrica trabalhou com objetos utilitários, como pratos e vasos, mas logo passou a criar peças antropomórficas ou de formas abstratas orgânicas, policromadas e de acabamento irregular. Segundo Kadma Marques, socióloga e curadora de arte, sua obra fascina pelo emprego poético da cor, revelando uma arte com luz própria.

Fonte: Revista Ambientes CE, "Barrica: a poesia da cor" escrito por Guilherme Clidenor, publicado em 8 de abril de 2021. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

---

Galeria de Arte Sculpt abre exposição “Barrica – Pintura com luz própria” | Portal In

Complexo em alguns aspectos, intrigante em outros, diversas podem ser as definições de Barrica, mas sem sombra de dúvidas, fascinante é a que melhor representa o artista genuinamente cearense, que através da sua mistura de cores e refinado talento, foi um dos principais responsáveis por destacar o Ceará como um celeiro de grandes artistas.

Com um acervo de mais de 30 obras criteriosamente escolhidas, a Galeria de Arte Sculpt abre, hoje, às 19h, a exposição “Barrica – Pintura com luz própria”, com a curadoria da especialista em Artes, Kadma Marques. Indo além telas, a exposição, que segue até o dia 15 de fevereiro de 2020, irá comtemplar outros produtos, como; cartões e cerâmicas, e ainda, objetos que foram cedidos pela família de Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe – Barrica, para compor a mostra.

Com expectava de reunir um seleto público de amantes da arte, colecionadores, e apreciadores do autor, o evento contará com as ilustres presenças dos filhos, neta e bisneto do artista.

Para abrilhantar ainda mais a noite, adiantou Rodrigo Parente, diretor da Sculpt, haverá o relançado do livro “O Alquimista da Arte” escrito pelo artista plástico Nilo de Brito Firmeza, o lendário Estrigas, e do livro “Barrica: O Gesto que entrelaça história e vida”, escrito pela curadora do acervo, Kadma Marques. “A divulgação dessas duas obras durante a abertura da exposição, é sem dúvidas, uma estratégia para elevar, ainda mais, o patamar desse brilhante artista, que merece todo respeito e reconhecimento no mercado de arte cearense”, ressaltou Rodrigo.

Além disso, a iniciativa, é também, uma forma de valorização da figura dos colecionares de arte no Ceará. “Os apreciadores poderão usufruir de uma reunião de obras que pode lhes dar uma boa ideia do percurso criativo realizado por Barrica. Suas cores, paisagens e personagens descortinam uma pintura autoral, com luz própria”, pontuou Kadma.

Para a curadora, Barrica representa uma geração de pintores que heroicamente apostaram no valor da arte cearense. “Ele participou ativamente do processo de constituição do campo artístico moderno em Fortaleza. O reconhecimento da qualidade artística de suas obras tem sido atestado pelo mercado de arte, mas para-além disso, ele é também figura histórica importante no campo cultural cearense. Esta exposição pretende contribuir modestamente para este movimento de reconhecimento”, complementou.

Fonte: Portal In, "Galeria de Arte Sculpt abre exposição “Barrica – Pintura com luz própria”, publicado por Gabriela, em 12 de dezembro de 2019. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

Crédito fotográfico: Minimuseu Firmeza, Espaço Cultural, Artístico e Ecológico. Consultado pela última vez em 12 de setembro de 2022.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

Olá, bom dia!

Prepare-se para a melhor experiência em leilões, estamos chegando! 🎉 Por conta da pandemia que estamos enfrentando (Covid-19), optamos por adiar o lançamento oficial para 2023, mas, não resistimos e já liberamos uma prévia! Qualquer dúvida ou sugestão, fale conosco em ola@arrematearte.com.br, seu feedback é muito importante. Caso queira receber nossas novidades, registre-se abaixo. Obrigado e bons lances! ✌️