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José Antônio da Silva

José Antônio da Silva (Sales de Oliveira, SP, 12 de março de 1909 — São Paulo, SP, 8 de agosto de 1996), mais conhecido como Silva, foi um pintor, desenhista, escritor, escultor e repentista autodidata brasileiro. Silva exerceu diversas atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, SP. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras, o que mudou s partir de 1948, onde passou a pintar paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Silva foi um artista primitivo, imprimindo em suas obras sua influência de Van Gogh através do pontilhismo de alguns retratos. Pintou também a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Publicou livros, como o "Romance de minha vida", publicado em 1949, "Maria Clara" em 1970 e "Sou pintor, sou poeta" em 1981, Também gravou dois Long Plays em Vinil contando "causos" e falando sobre sua vida. Foi retratado em um curta-metragem dirigido por Carlos Augusto Calil "Quem não conhece o Silva?". Retratou em sua obra a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Ganhou diversos prêmios, entre eles o 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição, em 1957, o 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição e Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas, em 1958, o 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição em 1959 e muitos outros. Em 1980, Silva fundou o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com suas obras e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

Biografia – Itaú Cultural

Trabalhador rural, de pouca formação escolar, é autodidata. Em 1931, mudou-se para São José do Rio Preto, São Paulo. Participa da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, quando suas pinturas chamam atenção dos críticos Lourival Gomes Machado (1917-1967), Paulo Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. Dois anos depois, realiza mostra individual na Galeria Domus, em São Paulo. Nessa ocasião Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), adquire seus quadros e deposita parte deles no acervo do museu. O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) editou seu primeiro livro, Romance de Minha Vida, em 1949. Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, recebe prêmio aquisição do Museum of Modern Art (MoMA) [Museu de Arte Moderna] de Nova York. Em 1966, Silva cria o Museu Municipal de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto e grava dois LPs, ambos chamados Registro do Folclore Mais Autêntico do Brasil, com composições de sua autoria. No mesmo ano, ganha Sala Especial na 33ª Bienal de Veneza. Publica ainda os livros Maria Clara, 1970, com prefácio do crítico literário Antônio Candido (1918); Alice, 1972; Sou Pintor, Sou Poeta, 1982; e Fazenda da Boa Esperança, 1987. Transfere-se de São José do Rio Preto para São Paulo, em 1973. Em 1980, é fundado o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com obras do artista e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

Análise

Autodidata de formação, José Antônio da Silva exerce várias atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, despertando o interesse de críticos de arte que participavam do evento. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras. A partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Expõe nas três primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo, e nessa época, sua obra revela a influência pela pincelada vibrante de Vicent van Gogh (1853-1890), em 1955, passa a realizar quadros baseado no pontilhismo, nos quais os pontos ou traços de cor proporcionam destaque a matéria, como em Espantalhos diante da Paisagem (1956).

Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados a vida no campo, como o algodoal, os cafezal e o boi no pasto, que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

Críticas

"Numa primeira fase, a pintura de José Antônio da Silva caracteriza-se pelo colorido sombrio, a atmosfera cinzenta, carregada de certa angústia. Já em 1948 e 1949, realizava exposições individuais na Galeria Domus (São Paulo). É a segunda fase de sua pintura, onde aparecem os tons rosados e azulados, enquanto que nas paisagens surgem as tonalidades avermelhadas, além de um elemento lírico. Por volta de 1955 inicia-se a terceira fase de sua pintura, considerada pontilhista. É um período marcado por acontecimentos dramáticos, como a recusa de seus trabalhos em uma das bienais de São Paulo. Ao contrário do pontilhismo europeu, o de Silva é um elemento construtivo que faz a matéria vibrar, e não a luz ou a atmosfera. A quarta e última fase de sua pintura, de formas simplificadas e concentradas, é marcada também pelos coloridos crus e violentos. No entanto, a reunião das quatro fases da pintura de José Antônio da Silva mostra, em todas elas, uma característica comum: o movimento. Suas telas se abrem em espaços amplos, aparecendo em primeiro plano a cena - teatro, dança, animais, cafezais e os intermináveis algodoais (...) Chama a atenção a espontaneidade do artista em abstrair os detalhes: fileiras de pontos brancos assemelham-se a floridos algodoais, e traços negros esparramados sobre um fundo cor de terra são autênticos troncos derrubados" — Pietro Maria Bardi (MUSEU de Arte de São Paulo. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1981).

Depoimentos

"Estão percorrendo todo Europa

Para todos apreciar

Mostrando as verdes peroba

E as praias linda do mar

As toras em cima do carro

O carreiro alegre trabalhando

O pasto molhado de orvalho

O carro triste cantando.

Mostrei o canavial

Mostrei o engenho de cana

Mostrei o cafezal

Mostrei as morenas bacana.

Lá foi o cateretê

O caboclo alegre sapateando

Para o mundo todo ver

O maior primitivo pintando.

Eu pinto a lavoura

Também pinto as pastaria

Pinto a empregada e a patroa

Pinto a Joana e a Maria.

Pinto carroça e carreta

Pinto carro e carretão

Pinto o pedreiro na picareta

Pinto o colono no enxadão.

(...)

Eu sou primitivo

Já nasci pintor

Quando mais eu vivo

Mais pinto com amor" — José Antônio da Silva (SILVA, José Antônio da. Sou pintor, sou poeta. São Paulo: Kosmos, 1982. p. 111).

"Leian com muita atençaõ esta aula do Silva que sou eu mesmo. nasci errado e estou certo. para ser um bom artista ou pintor tem que nascer sabendo. Eu não durmo com o olho de ninguém. tenho horror a velhice. não confio em ninguem. levanto cedo e deito cedo. amanhan é sempre outro dia. ja nasci analnafabeto e sou um enquelectual. a vida não é so vida tem algo mais. pratico jinastica e de manhan corro mais do que um cavallo. gosto muito do mar e nado muito. tomo banho de sol todos os dias. não bebo e nem fumo. eu mesmo sou o meu medico. quero viver e chegar aos 100 anos. tenho muita força de vontade. sempre ajii sozinho sem ajuda de ninguem. meu deuz é a natureza e o resto é embrulho. nois somos Encantado e o mundo é um encanto. toda mulher é Flor da espinho Carinho e amor. quem não ama, não vive. Eu como amo estou vivendo. pinto de manhan até as 11 horas. Repouzo 3 horas por dia. Frecuento a picina e adoro um rabo de saia. as mulheres são remedio para os homens. quem não ama não esta vivendo e sim vejetando. quem nunca amou na vida não morreu não é nada. não tenho comprecto de enferioridade. sou eu mesmo. me criei no rabo do boi no meio dos urubus. porisso é que todos os meus quadros tem urubus. so falo a verdade e o que sinto. não sou simpre e nem convencido. vivo e ajo a minha moda. isto que escrevi é pura Filozofia da vida e do mundo. Estamos no meio das grandezas e continuamos com os olhos vendados". (sic) — José Antônio da Silva, 4 de agosto de 1976 (SANT'ANNA, Romildo. Silva: quadros e livros, um artista caipira. São Paulo: Unesp, 1993).

Exposições Individuais

1948 - São Paulo SP - Primeira Individual, na Galeria Domus

1949 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Domus

1951 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Automável Club de São José do Rio Preto

1953 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1955 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1956 - São Paulo SP - Individual, no IAB/SP

1958 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1958 - Araraquara SP - Individual, na Escola de Artes de Araraquara

1958 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Folha

1959 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Lions Club

1960 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Folha

1963 - Araraquara SP - Individual, na Escola de Artes de Araraquara

1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte São Luiz

1966 - São José do Rio Preto SP - Individual, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, FAFI

1967 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia

1969 - São Paulo SP - Individual, na A Galeria

1970 - São Paulo SP - Individual, no MAM/SP

1972 - São Paulo SP - Individual, na Primitiva Art Gallery

1972 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria A Ponte

1975 - São Paulo SP - Individual, na Galeria A Ponte

1975 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1976 - São José do Rio Preto SP - Individual, na Casa Grande Galeria de Arte

1976 - São Paulo SP - Individual, na R&R Camargo Galeria de Arte

1977 - São Paulo SP - Individual, na Espade Galeria de Arte

1978 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1978 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1979 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Atelier

1979 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Renot

1981 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Uirapuru

1982 - São Paulo SP - Individual, na Marques Galeria

1983 - São Paulo SP - Individual, na Associação Paulista do Ministério Público

1984 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Tema

1986 - São Paulo SP - Individual, na Renot Art Dealer

1987 - São Paulo SP - Individual, no Yataka Sanematsu Escritório de Arte

1988 - São Paulo SP - José Antônio da Silva. Quarenta Anos de Pintura, na Renot Art Dealer

1989 - São Paulo SP - Retrospectiva. José Antônio da Silva: pintor do Brasil, no MAC/USP

1989 - São Paulo SP - Individual, na Biblioteca Mário de Andrade

1992 - Rio de Janeiro RJ e São Paulo SP - Retrospectiva, no MNBA e no Paço das Artes

1994 - São José do Rio Preto SP - José Antônio da Silva. Oitenta e cinco anos de vida e arte, no Ibilce-Unesp

1994 - São Paulo SP - A paixão e Morte de Nosso Senhor segundo Silva, no Museu de Arte Sacra

Exposições Coletivas

1946 - São José do Rio Preto SP - Coletiva de inauguração da Casa de Cultura de São José do Rio Preto - premiado

1947 - São José do Rio Preto SP - Coletiva, no Clube Comercial de São José do Rio Preto

1949 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Sul América Seguros

1949 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Paulista, no Ministério de Educação e Saúde

1949 - São Paulo SP - 12º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo

1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon - prêmio aquisição pelo MoMA

1952 - Santiago (Chile) - Exposição de Pintura, Desenho e Gravura do Brasil

1952 - São José do Rio Preto SP - Exposição de Arte Contemporânea do Centenário de São José do Rio Preto

1952 - Veneza (Itália) - 26ª Bienal de Veneza

1953 - Salvador BA - 3º Salão Baiano de Belas Artes

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1953 - São Paulo SP - Congresso Extraordinário da Associação Internacional de Críticos de Arte, no Masp

1954 - Goiânia GO - Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais

1954 - Havana (Cuba) - 2ª Bienal Hispano-Americana - prêmio aquisição

1955 - Caracas (Venezuela) - Exposição Internacional de Pintura, no Ateneo de Valência

1955 - Milão (Itália) - Exposição Internacional Lissone

1955 - Neuchatel (Suíça) - Exposição Internacional de Arte

1955 - Pittsburgh (Estados Unidos) - Exposição Internacional do Carnegie Institute

1955 - Salvador BA - 5º Salão Baiano de Belas Artes

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1955 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - pequena medalha de prata

1956 - Rio de Janeiro RJ - Salão Ferroviário

1956 - Salvador BA - 6º Salão Baiano de Belas Artes

1956 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - grande medalha de prata

1956 - São Paulo SP - Paisagem Brasileira de 1900 aos nossos dias, no Palácio dos Estados

1957 - Buenos Aires - Arte Moderna do Brasil

1957 - Rosário (Argentina) - Arte Moderna do Brasil

1957 - Santiago (Chile) - Arte Moderna do Brasil

1957 - Lima (Peru) - Arte Moderna do Brasil

1957 - São Paulo SP - 12 artistas de São Paulo, na Galeria de Arte das Folhas

1957 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1958 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1958 - São Paulo SP - Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas

1959 - São Paulo SP - 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1959 - São Paulo SP - Coletiva, no Masp

1960 - São Paulo SP - Coleção Leirner, na Galeria de Arte das Folhas

1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho - isenção de júri

1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM

1963 - Campinas SP - Pintura e escultura contemporâneas, Centro de Ciências, Letras e Artes

1963 - Campinas SP - Pintura e escultura contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1966 - Moscou (União Soviética) - Coletiva

1966 - Paris (França) - Coletiva

1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas

1966 - Veneza (Itália) - 33ª Bienal de Veneza - sala especial

1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1970 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970, na Pinacoteca do Estado

1972 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva do Museu de Arte Sacra de São Paulo, no Museu Municipal de Arte Hispano-Americano Issac Fernandez Blanco

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1972 - São Paulo SP - Temática Brasileira, no Paço das Artes

1973 - Penápolis SP - Coletiva, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1973 - São Paulo SP - 5º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP - artista convidado

1973 - Piracicaba SP - 6º Salão Oficial de Arte Contemporânea

1974 - São José do Rio Preto SP - Coletiva, na Casa Grande Galeria de Arte

1974 - São Paulo SP - Festa de Cores, no Masp

1975 - Penápolis SP - 1º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1975 - São Paulo SP - Festa de Cores, no Masp

1976 - Penápolis SP - 2º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1976 - São Paulo SP - Santeiros e Imaginários, no Paço das Artes

1976 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Popular Painters and Sculptors of Brazil

1977 - São Paulo SP - Brasil-Arte 1922/77, na Galeria de Arte Portal

1978 - Penápolis SP - 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1978 - São Paulo SP - Construtivistas e figurativos da Coleção Theon Spanudis, no Centro de Arte Porto Seguro

1979 - São Paulo SP - 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1979 - São Paulo SP - Coleção Theon Spanudis, no MAC/USP

1980 - Buenos Aires (Argentina) - Ochenta Años de Arte Brasileño, no Banco Itaú

1980 - Santiago (Chile) - 20 Pintores Brasileiros, na Academia Chilena de Bellas Artes

1980 - São Paulo SP - Arte Transcendente, no MAM/SP

1980 - São Paulo SP - Gente da Terra, no Paço das Artes

1980 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado no Sesc, na Galeria Sesc/Carmo

1981 - São Paulo SP - Arte Transcendente, no MAM/SP

1982 - Bauru SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1982 - Marília SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, MAM/RJ

1982 - São Paulo SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAB

1982 - São Paulo SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAM/SP

1982 - São Paulo SP - Do Modernismo à Bienal, no MAM/SP

1983 - Belo Horizonte MG - 80 Anos de Arte Brasileira, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes

1983 - Campinas SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MACC

1983 - Curitiba PR - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAC/PR

1983 - Ribeirão Preto SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1983 - Santo André SP - 80 Anos de Arte Brasileira, na Prefeitura Municipal de Santo André

1984 - Cidade do México (México) - Bienal do México - artista convidado

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura - Síntese de Arte e Cultura Brasileira, na Fundação Bienal

1984 - Tóquio (Japão) - Bienal do Japão - artista convidado

1985 - Penápolis SP - 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1986 - Rio de Janeiro RJ - Festa de Cores, no Rio Design Center

1986 - São Paulo SP - A paisagem no Acervo do MAM, no MAM/SP

1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, no Chapel Art Show

1988 - Rio de Janeiro RJ - O Mundo Fascinante dos Naïfs, no Paço Imperial

1988 - São Paulo SP - MAC 25 anos: destaques da coleção inicial, no MAC/USP

1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1989 - São Paulo SP - As Mesas, na Ranulpho Galeria de Arte

1990 - Atami (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF

1990 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - São Paulo SP - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea, na Fundação Brasil-Japão

1990 - Sapporo (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Tóquio (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1992 - Poços de Caldas MG - Arte Moderna Brasileira: acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, na Casa da Cultura de Poços de Caldas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1992 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Jacques Ardies

1993 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf brasileira, na Galeria Jacques Ardies

1994 - Poços de Caldas MG - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos de Unibanco, na Casa da Cultura de Poços de Caldas

1994 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf brasileira, na Galeria Jacques Ardies

1995 - Rio de Janeiro RJ - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco, no MAM/RJ

1995 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf, na Galeria Jacques Ardies

1995 - São Paulo SP - Primavera, na Rosa Gallery

1996 - Osasco SP - Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall, no Centro Universitário Fieo

1996 - São Paulo SP - Figura e Paisagem no Acervo do MAM: homenagem a Volpi, no MAM/SP

Exposições Póstumas

1997 - São José do Rio Preto SP - Feliz Aniversilva, no Museu de Arte Primitivista e no Rio Preto Shopping

1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural

1997 - São Paulo SP - Exposição de arte Naïf, na Galeria Jacques Ardies

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do MAM/SP - Doações Recentes, no CCBB

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 -1998, no CCBB

1998 - São Paulo SP - A Arte de Expor Arte, no MAM/SP

1998 - São Paulo SP - O Colecionador, no MAM/SP

1999 - Brasília DF - Gênios Ingênuos 70/80, Galeria Itaú Cultural

2000 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Popular, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Exposição de arte naïf, na Galeria Jacques Ardies

2001 - Brasília DF - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, no Itaugaleria

2001 - Penápolis SP - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, na Galeria Itaú Cultural

2001 - São Paulo SP - Arte Naïf, na Galeria Jacques Ardies

2001 - São Paulo SP - José Antonio da Silva, na Ricardo Camargo Galeria

2002 - Piracicaba SP - 6ª Bienal Naifs do Brasil, no Sesc Piracicaba

2002 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2002 - São Paulo SP - Espelho Selvagem: arte moderna no Brasil da primeira metade do século XX, Coleção Nemirovsky, no MAM/SP

2002 - São Paulo SP - Modernismo: da Semana de 22 à seção de arte de Sérgio Milliet, no CCSP

2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB

2002 - São Paulo SP - Santa Ingenuidade, no Unifieo

2003 - São Paulo SP - José Antônio da Silva, na Galeria Jacques Ardies

2004 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2008 - São Paulo SP - Brasil Brasileiro, no CCBB

2009 - Rio de Janeiro RJ - Brasil Brasileiro, no CCBB

2009 - São Paulo SP - Nasci Errado e Estou Certo, na Galeria Estação

2009 - São Paulo SP - José Antônio da Silva - Homenagem ao Centenário de Nascimento, na Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina

Fonte: JOSÉ Antônio da Silva. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 21 de julho de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia — Wikipédia

Artista (pintor e escritor) autodidata, pintou o desbravamento e a implantação da agricultura na região noroeste do estado de São Paulo. Viveu a maior parte de sua vida na cidade de São José do Rio Preto onde existe um museu, fundado por ele próprio, com algumas de suas obras. É considerado um artista naif ou primitivo. Autor de livros, como o "Romance de minha vida", publicado em 1949, "Maria Clara" em 1970 e "Sou pintor, sou poeta" em 1981, Também gravou dois Long Plays em Vinil contando "causos" e falando sobre sua vida. Foi retratado em um curta-metragem dirigido por Carlos Augusto Calil "Quem não conhece o Silva?". Retratou em sua obra a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano.

Em 1931, José Antônio da Silva mudou-se para São José Do Rio Preto. Participou da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, suas pinturas chamaram atenção dos críticos, Lourival Gomes Machado (1917-1967) Paulo Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. A partir daí o autodidata de formação, que exerceu também atividades na lavoura até ser descoberto.

Características de suas obras

As características de suas primeiras obras são de cores mais frias e escuras, a partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Nesta época mostra a influência do artista Van Gogh, baseado no pontilhismo.

Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados à vida no campo, como "o algodoal", "os cafezal" e o "boi no pasto", que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

Arte Naïf

Naif da língua francesa, em uma tradução livre significa ingênuo, este termo é usado como nome a uma vertente de arte moderna que hoje é mundialmente reconhecida.

A arte “naif”, também conhecida por muitos de “arte primitiva moderna”, expressão criada por Georges Kasper, caracteriza em seu interior a “sutileza” e a “ingenuidade” do artista, que sem referências culturais limitadores e sem conhecimento teórico , retrata em suas telas beleza e simplicidade.

O artista “naif” ou primitivos modernos, ao contrário dos primitivos tradicionais (pré-história), não são produtos de um estado de evolução cultural. Sem modelos, os “Naifs” enfocam em temas variados, predominando cenas da vida cotidiana (rurais ou urbanas), geralmente com minuciosas descrições e preciosos detalhes.

É único, não continua uma tradição e nem rompe com uma por não a ter estudado, não se preocupa com normas impostas pelas academias e críticos de arte.

Desproporções, cores vibrantes, ausência de profundidade e criatividade espontânea, passam a ser as principais características desses artistas autodidatas.

Os ingênuos sempre existiram durante a história da arte, porém nunca se havia dado devida atenção a eles, foi quando no final do século XIX princípio do século XX junto ao Expressionismo e o Fovismo, despertou o olhar para a arte “elementar”, o pintor de domingo, a arte da criança e do selvagem, pois se via a mudança na predominância de valores da esfera intelectual ou racional do homem para a área intuitiva ou emocional da arte, assim passava a acreditar em obras autenticas nascendo a vertente a arte Naif, com seu precursor Henri Rousseau.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 21 de julho de 2022.

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José Antônio da Silva – Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro

Nascido no interior de São Paulo, filho do carreiro de bois, só aos 37 anos de idade José Antonio da Silva – grande pintor brasileiro do século XX – começou a ter espaço para criar.

Antes disso, lutou penosamente para sobreviver em uma infinidade de serviços árduos. A mobilidade e instabilidade da vida do trabalhador do campo se espelham no interminável percurso de seu pai, e depois dele próprio, pelo interior.

Já casado e com filhos, Silva construiu um rancho na beira de um córrego, onde “cortava de machado” para o proprietário das terras. Nesse rancho começou a fazer desenhos a lápis, terminando por forrar todas as paredes da casa com eles. Após novos trabalhos pesados, finalmente conseguiu fixar-se em São José do Rio Preto como garçom. É nesse momento que acontecerá a grande virada de sua vida.

Em 1946 ele enviou “Boizinhos”, óleo pintado em flanela, com outros dois trabalhos para concurso da Casa de Cultura de São José e ganhou o primeiro prêmio. Nos anos 1950 ele já participava de Bienais de São Paulo e tinha sala especial na Bienal de Veneza.

Quarenta anos vividos no meio rural paulista deixaram forte marca na pintura de Silva. Predomina nela a paisagem, onde o homem aparece entregue às lides do campo ou aos lazeres dela. Auto-retrato e retratos de sua gente próxima são também pontos altos de sua obra. Os retratos revelam pela pincelada livre, vibrante, construindo com a cor, o expressionismo dionisíatico e o transporte com que Silva cria. Ele é, não obstante, um extraordinário desenhista, revelando na sua produção gráfica a mesma espontaneidade e instantaneidade da pintura.

Silva foi compositor de música caipira e escreveu diversos livros, com muito sabor de narração.

Em 1975 estabeleceu ateliê na cidade de São Paulo. Em 1978 Carlos Augusto Calil realizou sobre o artista e seu trabalho o curta-metragem “Quem não conhece o Silva?”.

Em 1986 fez o cenário para a peça teatral Rosa de Cabriúna. Por ocasião dos seus 80 anos, já havendo sido homenageado por diversas prefeituras paulistas, o Museu de Arte Contemporânea da USP realizou retrospectiva de sua obra, que recebeu em 1990 o maior prêmio na categoria, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Faleceu na cidade de São Paulo em 09 de agosto de 1996.

Fonte: Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

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Livro reúne 70 obras do pintor José Antonio da Silva – IstoÉ

O colecionador paranaense Orandi Momesso tem mais de 5 mil obras em seu acervo, mas reserva um lugar especial para sua coleção de 70 trabalhos do pintor José Antonio da Silva – 63 pinturas, seis desenhos e uma colagem.

Como maneira de dividir com os outros o privilégio de conviver com essas peças, Momesso lançou um livro, Silva, pela editora Via Impressa, com textos do poeta Augusto de Campos, do pintor Paulo Pasta e dos críticos Olívio Tavares de Araújo e Paulo Venâncio Filho. Trata-se de uma obra fundamental para conhecer aspectos da vida e obra de Silva raramente explorados em outras publicações.

O próprio Orandi revela que a pintura de José Antonio da Silva despertou nele “memórias afetivas” de sua infância no interior do Paraná, em que testemunhou as derrubadas e queimadas retratadas nas telas do pintor, nascido em Sales de Oliveira (em 1909) e morto em São Paulo (em 1996). “Descobri sua pintura durante uma visita à Pinacoteca do Estado”, conta Orandi, lembrando o impacto de ver pela primeira vez a tela Luta de Touros (1968), reproduzida no livro. Atestou nesse momento que Silva não era primitivo nem ingênuo, mas um gênio, como se autoproclamava.

Até por isso, Silva nunca se conformou com a rejeição da comissão que selecionou os nomes da 4.ª Bienal de São Paulo (1957), que reservou sala especial para o pintor expressionista abstrato americano Jackson Pollock, morto um ano antes, e interditou sua entrada na mostra. Pior: quem fazia parte da comissão de seleção era o crítico Lourival Gomes Machado, tido como seu “descobridor”. Alta traição. A Bienal (e ele participou das três primeiras) virou sua obsessão: pintou várias telas contra a mostra, uma delas em 1976, que ilustra a capa do livro patrocinado por Momesso.

AFETIVO. Nos anos 1950, com o apoio do primeiro diretor do Masp, Pietro Maria Bardi, e do crítico Theon Spanudis, Silva já conquistara o público intelectual com paisagens da terra calcinada, dos algodoais, das intempéries e festas populares.

Spanudis, na mesma época, ajudou a promover a pintura de Volpi, mas, mesmo “ardiloso”, Silva, segundo o crítico Paulo Venâncio, não se aproveitou da ascensão do colega. Sua obra, ainda de acordo com sua visão, estava “entranhada em seu mundo afetivo, formativo, do qual nunca se afastou”. Para o crítico, ele foi o exemplo do caipira que ascendeu a uma atividade que seu ambiente não reconhecia.

No entanto, como observa o poeta Augusto de Campos no livro, Silva jamais abjurou seu passado. Campos conta que Waldemar Cordeiro, precursor da arte concreta no Brasil, “escreveu palavras expressivas de reconhecimento à obra de Silva”, ao elogiar o “senso detalhista” e cromático que destacou o pintor entre os de sua geração.

É possível que esse Silva colorista tenha nascido após ver as 30 telas de Van Gogh na Bienal de 1959, diz Venâncio. Ele teria se “identificado com a veracidade do expressionismo do holandês”. Silva, à maneira de Van Gogh, pintou o mundo ao redor. O brasileiro – e o uso dos amarelos e azuis no final dessa década não mente – fez o mesmo, acrescentando uma nota brutal a essa experiência existencial de egresso do mundo rural.

Spanudis, que gostava de classificações, separou sua pintura em quatro fases: a das cores sombrias (1946-48), a da paleta leve e lírica (1948-1955), a pontilhista (1955) e a das cores puras e construção sintética (de 1957 em diante).

TESTEMUNHO. O pintor Paulo Pasta destaca no livro a fidelidade de Silva à raiz rural, ao mundo de sua infância no campo, que considera o núcleo central de sua obra.

“Penso que Silva percorreu todo o século pintando sua experiência pessoal do mundo”, escreve Pasta, não deixando de observar que mesmo suas naturezas-mortas estão impregnadas da presença humana – e ele cita, a propósito, uma tela em que Silva pinta uma melancia ao lado de uma faca e da mão do trabalhador que a cortou. “Ele não pinta a partir do que viu ou vê, mas a partir do que viu e viveu, afastando-se de um simples testemunho do real”, conclui Pasta.

Outro aspecto que o crítico Paulo Venâncio Filho aborda no livro é a concomitância do fim de uma cultura caipira e o florescimento da cultura urbana que Silva deixou registrada em suas telas como um “documento verídico” de uma modernidade que o Brasil abraçou sem saber o que era.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: IstoÉ, "Livro reúne 70 obras do pintor José Antonio da Silva ", publicado em 14 de maio de 2022. Consultado pela última vez em 18 de julho de 2022.

Crédito fotográfico: Imagem extraída do livro "Sou pintor, sou poeta" de José Antonio da Silva. Livraria Kosmos Editora, 1982 - 115 pg - ilustrado e assinado pelo artista (6/9/1988). Consultado pela última vez em 18 de julho de 2022.

José Antônio da Silva (Sales de Oliveira, SP, 12 de março de 1909 — São Paulo, SP, 8 de agosto de 1996), mais conhecido como Silva, foi um pintor, desenhista, escritor, escultor e repentista autodidata brasileiro. Silva exerceu diversas atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, SP. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras, o que mudou s partir de 1948, onde passou a pintar paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Silva foi um artista primitivo, imprimindo em suas obras sua influência de Van Gogh através do pontilhismo de alguns retratos. Pintou também a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Publicou livros, como o "Romance de minha vida", publicado em 1949, "Maria Clara" em 1970 e "Sou pintor, sou poeta" em 1981, Também gravou dois Long Plays em Vinil contando "causos" e falando sobre sua vida. Foi retratado em um curta-metragem dirigido por Carlos Augusto Calil "Quem não conhece o Silva?". Retratou em sua obra a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Ganhou diversos prêmios, entre eles o 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição, em 1957, o 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição e Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas, em 1958, o 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição em 1959 e muitos outros. Em 1980, Silva fundou o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com suas obras e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

José Antônio da Silva

José Antônio da Silva (Sales de Oliveira, SP, 12 de março de 1909 — São Paulo, SP, 8 de agosto de 1996), mais conhecido como Silva, foi um pintor, desenhista, escritor, escultor e repentista autodidata brasileiro. Silva exerceu diversas atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, SP. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras, o que mudou s partir de 1948, onde passou a pintar paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Silva foi um artista primitivo, imprimindo em suas obras sua influência de Van Gogh através do pontilhismo de alguns retratos. Pintou também a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Publicou livros, como o "Romance de minha vida", publicado em 1949, "Maria Clara" em 1970 e "Sou pintor, sou poeta" em 1981, Também gravou dois Long Plays em Vinil contando "causos" e falando sobre sua vida. Foi retratado em um curta-metragem dirigido por Carlos Augusto Calil "Quem não conhece o Silva?". Retratou em sua obra a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano. Ganhou diversos prêmios, entre eles o 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição, em 1957, o 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição e Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas, em 1958, o 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, com o prêmio aquisição em 1959 e muitos outros. Em 1980, Silva fundou o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com suas obras e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

Videos

Um dia com o Silva | 2013

Documentário | 2012

Vida e Obra | 2022

Arte Naif | 2021

Diálogos no Acervo | 2020

Via Sacra, Canto Final | 2018

Rio Preto | 2018

Museu de Arte Primitivista | 2017

Obras | 2022

Recordando | 2017

A obra | 2017

Retratos e Autorretatos | 2018

SP Arte Bate-papo | 2021

Biografia – Itaú Cultural

Trabalhador rural, de pouca formação escolar, é autodidata. Em 1931, mudou-se para São José do Rio Preto, São Paulo. Participa da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, quando suas pinturas chamam atenção dos críticos Lourival Gomes Machado (1917-1967), Paulo Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. Dois anos depois, realiza mostra individual na Galeria Domus, em São Paulo. Nessa ocasião Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), adquire seus quadros e deposita parte deles no acervo do museu. O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) editou seu primeiro livro, Romance de Minha Vida, em 1949. Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, recebe prêmio aquisição do Museum of Modern Art (MoMA) [Museu de Arte Moderna] de Nova York. Em 1966, Silva cria o Museu Municipal de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto e grava dois LPs, ambos chamados Registro do Folclore Mais Autêntico do Brasil, com composições de sua autoria. No mesmo ano, ganha Sala Especial na 33ª Bienal de Veneza. Publica ainda os livros Maria Clara, 1970, com prefácio do crítico literário Antônio Candido (1918); Alice, 1972; Sou Pintor, Sou Poeta, 1982; e Fazenda da Boa Esperança, 1987. Transfere-se de São José do Rio Preto para São Paulo, em 1973. Em 1980, é fundado o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com obras do artista e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

Análise

Autodidata de formação, José Antônio da Silva exerce várias atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, despertando o interesse de críticos de arte que participavam do evento. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras. A partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Expõe nas três primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo, e nessa época, sua obra revela a influência pela pincelada vibrante de Vicent van Gogh (1853-1890), em 1955, passa a realizar quadros baseado no pontilhismo, nos quais os pontos ou traços de cor proporcionam destaque a matéria, como em Espantalhos diante da Paisagem (1956).

Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados a vida no campo, como o algodoal, os cafezal e o boi no pasto, que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

Críticas

"Numa primeira fase, a pintura de José Antônio da Silva caracteriza-se pelo colorido sombrio, a atmosfera cinzenta, carregada de certa angústia. Já em 1948 e 1949, realizava exposições individuais na Galeria Domus (São Paulo). É a segunda fase de sua pintura, onde aparecem os tons rosados e azulados, enquanto que nas paisagens surgem as tonalidades avermelhadas, além de um elemento lírico. Por volta de 1955 inicia-se a terceira fase de sua pintura, considerada pontilhista. É um período marcado por acontecimentos dramáticos, como a recusa de seus trabalhos em uma das bienais de São Paulo. Ao contrário do pontilhismo europeu, o de Silva é um elemento construtivo que faz a matéria vibrar, e não a luz ou a atmosfera. A quarta e última fase de sua pintura, de formas simplificadas e concentradas, é marcada também pelos coloridos crus e violentos. No entanto, a reunião das quatro fases da pintura de José Antônio da Silva mostra, em todas elas, uma característica comum: o movimento. Suas telas se abrem em espaços amplos, aparecendo em primeiro plano a cena - teatro, dança, animais, cafezais e os intermináveis algodoais (...) Chama a atenção a espontaneidade do artista em abstrair os detalhes: fileiras de pontos brancos assemelham-se a floridos algodoais, e traços negros esparramados sobre um fundo cor de terra são autênticos troncos derrubados" — Pietro Maria Bardi (MUSEU de Arte de São Paulo. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1981).

Depoimentos

"Estão percorrendo todo Europa

Para todos apreciar

Mostrando as verdes peroba

E as praias linda do mar

As toras em cima do carro

O carreiro alegre trabalhando

O pasto molhado de orvalho

O carro triste cantando.

Mostrei o canavial

Mostrei o engenho de cana

Mostrei o cafezal

Mostrei as morenas bacana.

Lá foi o cateretê

O caboclo alegre sapateando

Para o mundo todo ver

O maior primitivo pintando.

Eu pinto a lavoura

Também pinto as pastaria

Pinto a empregada e a patroa

Pinto a Joana e a Maria.

Pinto carroça e carreta

Pinto carro e carretão

Pinto o pedreiro na picareta

Pinto o colono no enxadão.

(...)

Eu sou primitivo

Já nasci pintor

Quando mais eu vivo

Mais pinto com amor" — José Antônio da Silva (SILVA, José Antônio da. Sou pintor, sou poeta. São Paulo: Kosmos, 1982. p. 111).

"Leian com muita atençaõ esta aula do Silva que sou eu mesmo. nasci errado e estou certo. para ser um bom artista ou pintor tem que nascer sabendo. Eu não durmo com o olho de ninguém. tenho horror a velhice. não confio em ninguem. levanto cedo e deito cedo. amanhan é sempre outro dia. ja nasci analnafabeto e sou um enquelectual. a vida não é so vida tem algo mais. pratico jinastica e de manhan corro mais do que um cavallo. gosto muito do mar e nado muito. tomo banho de sol todos os dias. não bebo e nem fumo. eu mesmo sou o meu medico. quero viver e chegar aos 100 anos. tenho muita força de vontade. sempre ajii sozinho sem ajuda de ninguem. meu deuz é a natureza e o resto é embrulho. nois somos Encantado e o mundo é um encanto. toda mulher é Flor da espinho Carinho e amor. quem não ama, não vive. Eu como amo estou vivendo. pinto de manhan até as 11 horas. Repouzo 3 horas por dia. Frecuento a picina e adoro um rabo de saia. as mulheres são remedio para os homens. quem não ama não esta vivendo e sim vejetando. quem nunca amou na vida não morreu não é nada. não tenho comprecto de enferioridade. sou eu mesmo. me criei no rabo do boi no meio dos urubus. porisso é que todos os meus quadros tem urubus. so falo a verdade e o que sinto. não sou simpre e nem convencido. vivo e ajo a minha moda. isto que escrevi é pura Filozofia da vida e do mundo. Estamos no meio das grandezas e continuamos com os olhos vendados". (sic) — José Antônio da Silva, 4 de agosto de 1976 (SANT'ANNA, Romildo. Silva: quadros e livros, um artista caipira. São Paulo: Unesp, 1993).

Exposições Individuais

1948 - São Paulo SP - Primeira Individual, na Galeria Domus

1949 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Domus

1951 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Automável Club de São José do Rio Preto

1953 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ambiente

1955 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1956 - São Paulo SP - Individual, no IAB/SP

1958 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1958 - Araraquara SP - Individual, na Escola de Artes de Araraquara

1958 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Folha

1959 - São José do Rio Preto SP - Individual, no Lions Club

1960 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Folha

1963 - Araraquara SP - Individual, na Escola de Artes de Araraquara

1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte São Luiz

1966 - São José do Rio Preto SP - Individual, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, FAFI

1967 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia

1969 - São Paulo SP - Individual, na A Galeria

1970 - São Paulo SP - Individual, no MAM/SP

1972 - São Paulo SP - Individual, na Primitiva Art Gallery

1972 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria A Ponte

1975 - São Paulo SP - Individual, na Galeria A Ponte

1975 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1976 - São José do Rio Preto SP - Individual, na Casa Grande Galeria de Arte

1976 - São Paulo SP - Individual, na R&R Camargo Galeria de Arte

1977 - São Paulo SP - Individual, na Espade Galeria de Arte

1978 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho

1978 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos

1979 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Atelier

1979 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Renot

1981 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Uirapuru

1982 - São Paulo SP - Individual, na Marques Galeria

1983 - São Paulo SP - Individual, na Associação Paulista do Ministério Público

1984 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Tema

1986 - São Paulo SP - Individual, na Renot Art Dealer

1987 - São Paulo SP - Individual, no Yataka Sanematsu Escritório de Arte

1988 - São Paulo SP - José Antônio da Silva. Quarenta Anos de Pintura, na Renot Art Dealer

1989 - São Paulo SP - Retrospectiva. José Antônio da Silva: pintor do Brasil, no MAC/USP

1989 - São Paulo SP - Individual, na Biblioteca Mário de Andrade

1992 - Rio de Janeiro RJ e São Paulo SP - Retrospectiva, no MNBA e no Paço das Artes

1994 - São José do Rio Preto SP - José Antônio da Silva. Oitenta e cinco anos de vida e arte, no Ibilce-Unesp

1994 - São Paulo SP - A paixão e Morte de Nosso Senhor segundo Silva, no Museu de Arte Sacra

Exposições Coletivas

1946 - São José do Rio Preto SP - Coletiva de inauguração da Casa de Cultura de São José do Rio Preto - premiado

1947 - São José do Rio Preto SP - Coletiva, no Clube Comercial de São José do Rio Preto

1949 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Sul América Seguros

1949 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Paulista, no Ministério de Educação e Saúde

1949 - São Paulo SP - 12º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo

1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon - prêmio aquisição pelo MoMA

1952 - Santiago (Chile) - Exposição de Pintura, Desenho e Gravura do Brasil

1952 - São José do Rio Preto SP - Exposição de Arte Contemporânea do Centenário de São José do Rio Preto

1952 - Veneza (Itália) - 26ª Bienal de Veneza

1953 - Salvador BA - 3º Salão Baiano de Belas Artes

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1953 - São Paulo SP - Congresso Extraordinário da Associação Internacional de Críticos de Arte, no Masp

1954 - Goiânia GO - Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais

1954 - Havana (Cuba) - 2ª Bienal Hispano-Americana - prêmio aquisição

1955 - Caracas (Venezuela) - Exposição Internacional de Pintura, no Ateneo de Valência

1955 - Milão (Itália) - Exposição Internacional Lissone

1955 - Neuchatel (Suíça) - Exposição Internacional de Arte

1955 - Pittsburgh (Estados Unidos) - Exposição Internacional do Carnegie Institute

1955 - Salvador BA - 5º Salão Baiano de Belas Artes

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1955 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - pequena medalha de prata

1956 - Rio de Janeiro RJ - Salão Ferroviário

1956 - Salvador BA - 6º Salão Baiano de Belas Artes

1956 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - grande medalha de prata

1956 - São Paulo SP - Paisagem Brasileira de 1900 aos nossos dias, no Palácio dos Estados

1957 - Buenos Aires - Arte Moderna do Brasil

1957 - Rosário (Argentina) - Arte Moderna do Brasil

1957 - Santiago (Chile) - Arte Moderna do Brasil

1957 - Lima (Peru) - Arte Moderna do Brasil

1957 - São Paulo SP - 12 artistas de São Paulo, na Galeria de Arte das Folhas

1957 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1958 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1958 - São Paulo SP - Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas

1959 - São Paulo SP - 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição

1959 - São Paulo SP - Coletiva, no Masp

1960 - São Paulo SP - Coleção Leirner, na Galeria de Arte das Folhas

1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho - isenção de júri

1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM

1963 - Campinas SP - Pintura e escultura contemporâneas, Centro de Ciências, Letras e Artes

1963 - Campinas SP - Pintura e escultura contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1966 - Moscou (União Soviética) - Coletiva

1966 - Paris (França) - Coletiva

1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas

1966 - Veneza (Itália) - 33ª Bienal de Veneza - sala especial

1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1970 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970, na Pinacoteca do Estado

1972 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva do Museu de Arte Sacra de São Paulo, no Museu Municipal de Arte Hispano-Americano Issac Fernandez Blanco

1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

1972 - São Paulo SP - Temática Brasileira, no Paço das Artes

1973 - Penápolis SP - Coletiva, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1973 - São Paulo SP - 5º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP - artista convidado

1973 - Piracicaba SP - 6º Salão Oficial de Arte Contemporânea

1974 - São José do Rio Preto SP - Coletiva, na Casa Grande Galeria de Arte

1974 - São Paulo SP - Festa de Cores, no Masp

1975 - Penápolis SP - 1º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1975 - São Paulo SP - Festa de Cores, no Masp

1976 - Penápolis SP - 2º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1976 - São Paulo SP - Santeiros e Imaginários, no Paço das Artes

1976 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Popular Painters and Sculptors of Brazil

1977 - São Paulo SP - Brasil-Arte 1922/77, na Galeria de Arte Portal

1978 - Penápolis SP - 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1978 - São Paulo SP - Construtivistas e figurativos da Coleção Theon Spanudis, no Centro de Arte Porto Seguro

1979 - São Paulo SP - 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1979 - São Paulo SP - Coleção Theon Spanudis, no MAC/USP

1980 - Buenos Aires (Argentina) - Ochenta Años de Arte Brasileño, no Banco Itaú

1980 - Santiago (Chile) - 20 Pintores Brasileiros, na Academia Chilena de Bellas Artes

1980 - São Paulo SP - Arte Transcendente, no MAM/SP

1980 - São Paulo SP - Gente da Terra, no Paço das Artes

1980 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado no Sesc, na Galeria Sesc/Carmo

1981 - São Paulo SP - Arte Transcendente, no MAM/SP

1982 - Bauru SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1982 - Marília SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, MAM/RJ

1982 - São Paulo SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAB

1982 - São Paulo SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAM/SP

1982 - São Paulo SP - Do Modernismo à Bienal, no MAM/SP

1983 - Belo Horizonte MG - 80 Anos de Arte Brasileira, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes

1983 - Campinas SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MACC

1983 - Curitiba PR - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAC/PR

1983 - Ribeirão Preto SP - 80 Anos de Arte Brasileira

1983 - Santo André SP - 80 Anos de Arte Brasileira, na Prefeitura Municipal de Santo André

1984 - Cidade do México (México) - Bienal do México - artista convidado

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura - Síntese de Arte e Cultura Brasileira, na Fundação Bienal

1984 - Tóquio (Japão) - Bienal do Japão - artista convidado

1985 - Penápolis SP - 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1986 - Rio de Janeiro RJ - Festa de Cores, no Rio Design Center

1986 - São Paulo SP - A paisagem no Acervo do MAM, no MAM/SP

1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, no Chapel Art Show

1988 - Rio de Janeiro RJ - O Mundo Fascinante dos Naïfs, no Paço Imperial

1988 - São Paulo SP - MAC 25 anos: destaques da coleção inicial, no MAC/USP

1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1989 - São Paulo SP - As Mesas, na Ranulpho Galeria de Arte

1990 - Atami (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF

1990 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - São Paulo SP - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea, na Fundação Brasil-Japão

1990 - Sapporo (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Tóquio (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1992 - Poços de Caldas MG - Arte Moderna Brasileira: acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, na Casa da Cultura de Poços de Caldas

1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

1992 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Jacques Ardies

1993 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf brasileira, na Galeria Jacques Ardies

1994 - Poços de Caldas MG - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos de Unibanco, na Casa da Cultura de Poços de Caldas

1994 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf brasileira, na Galeria Jacques Ardies

1995 - Rio de Janeiro RJ - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco, no MAM/RJ

1995 - São Paulo SP - Grande exposição de arte naïf, na Galeria Jacques Ardies

1995 - São Paulo SP - Primavera, na Rosa Gallery

1996 - Osasco SP - Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall, no Centro Universitário Fieo

1996 - São Paulo SP - Figura e Paisagem no Acervo do MAM: homenagem a Volpi, no MAM/SP

Exposições Póstumas

1997 - São José do Rio Preto SP - Feliz Aniversilva, no Museu de Arte Primitivista e no Rio Preto Shopping

1997 - São Paulo SP - Apropriações Antropofágicas, no Itaú Cultural

1997 - São Paulo SP - Exposição de arte Naïf, na Galeria Jacques Ardies

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do MAM/SP - Doações Recentes, no CCBB

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 -1998, no CCBB

1998 - São Paulo SP - A Arte de Expor Arte, no MAM/SP

1998 - São Paulo SP - O Colecionador, no MAM/SP

1999 - Brasília DF - Gênios Ingênuos 70/80, Galeria Itaú Cultural

2000 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Popular, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Exposição de arte naïf, na Galeria Jacques Ardies

2001 - Brasília DF - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, no Itaugaleria

2001 - Penápolis SP - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, na Galeria Itaú Cultural

2001 - São Paulo SP - Arte Naïf, na Galeria Jacques Ardies

2001 - São Paulo SP - José Antonio da Silva, na Ricardo Camargo Galeria

2002 - Piracicaba SP - 6ª Bienal Naifs do Brasil, no Sesc Piracicaba

2002 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2002 - São Paulo SP - Espelho Selvagem: arte moderna no Brasil da primeira metade do século XX, Coleção Nemirovsky, no MAM/SP

2002 - São Paulo SP - Modernismo: da Semana de 22 à seção de arte de Sérgio Milliet, no CCSP

2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB

2002 - São Paulo SP - Santa Ingenuidade, no Unifieo

2003 - São Paulo SP - José Antônio da Silva, na Galeria Jacques Ardies

2004 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies

2008 - São Paulo SP - Brasil Brasileiro, no CCBB

2009 - Rio de Janeiro RJ - Brasil Brasileiro, no CCBB

2009 - São Paulo SP - Nasci Errado e Estou Certo, na Galeria Estação

2009 - São Paulo SP - José Antônio da Silva - Homenagem ao Centenário de Nascimento, na Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina

Fonte: JOSÉ Antônio da Silva. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 21 de julho de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia — Wikipédia

Artista (pintor e escritor) autodidata, pintou o desbravamento e a implantação da agricultura na região noroeste do estado de São Paulo. Viveu a maior parte de sua vida na cidade de São José do Rio Preto onde existe um museu, fundado por ele próprio, com algumas de suas obras. É considerado um artista naif ou primitivo. Autor de livros, como o "Romance de minha vida", publicado em 1949, "Maria Clara" em 1970 e "Sou pintor, sou poeta" em 1981, Também gravou dois Long Plays em Vinil contando "causos" e falando sobre sua vida. Foi retratado em um curta-metragem dirigido por Carlos Augusto Calil "Quem não conhece o Silva?". Retratou em sua obra a transformação da mata em lavoura e a transformação de um país agrário em urbano.

Em 1931, José Antônio da Silva mudou-se para São José Do Rio Preto. Participou da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, suas pinturas chamaram atenção dos críticos, Lourival Gomes Machado (1917-1967) Paulo Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. A partir daí o autodidata de formação, que exerceu também atividades na lavoura até ser descoberto.

Características de suas obras

As características de suas primeiras obras são de cores mais frias e escuras, a partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Nesta época mostra a influência do artista Van Gogh, baseado no pontilhismo.

Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados à vida no campo, como "o algodoal", "os cafezal" e o "boi no pasto", que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

Arte Naïf

Naif da língua francesa, em uma tradução livre significa ingênuo, este termo é usado como nome a uma vertente de arte moderna que hoje é mundialmente reconhecida.

A arte “naif”, também conhecida por muitos de “arte primitiva moderna”, expressão criada por Georges Kasper, caracteriza em seu interior a “sutileza” e a “ingenuidade” do artista, que sem referências culturais limitadores e sem conhecimento teórico , retrata em suas telas beleza e simplicidade.

O artista “naif” ou primitivos modernos, ao contrário dos primitivos tradicionais (pré-história), não são produtos de um estado de evolução cultural. Sem modelos, os “Naifs” enfocam em temas variados, predominando cenas da vida cotidiana (rurais ou urbanas), geralmente com minuciosas descrições e preciosos detalhes.

É único, não continua uma tradição e nem rompe com uma por não a ter estudado, não se preocupa com normas impostas pelas academias e críticos de arte.

Desproporções, cores vibrantes, ausência de profundidade e criatividade espontânea, passam a ser as principais características desses artistas autodidatas.

Os ingênuos sempre existiram durante a história da arte, porém nunca se havia dado devida atenção a eles, foi quando no final do século XIX princípio do século XX junto ao Expressionismo e o Fovismo, despertou o olhar para a arte “elementar”, o pintor de domingo, a arte da criança e do selvagem, pois se via a mudança na predominância de valores da esfera intelectual ou racional do homem para a área intuitiva ou emocional da arte, assim passava a acreditar em obras autenticas nascendo a vertente a arte Naif, com seu precursor Henri Rousseau.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 21 de julho de 2022.

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José Antônio da Silva – Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro

Nascido no interior de São Paulo, filho do carreiro de bois, só aos 37 anos de idade José Antonio da Silva – grande pintor brasileiro do século XX – começou a ter espaço para criar.

Antes disso, lutou penosamente para sobreviver em uma infinidade de serviços árduos. A mobilidade e instabilidade da vida do trabalhador do campo se espelham no interminável percurso de seu pai, e depois dele próprio, pelo interior.

Já casado e com filhos, Silva construiu um rancho na beira de um córrego, onde “cortava de machado” para o proprietário das terras. Nesse rancho começou a fazer desenhos a lápis, terminando por forrar todas as paredes da casa com eles. Após novos trabalhos pesados, finalmente conseguiu fixar-se em São José do Rio Preto como garçom. É nesse momento que acontecerá a grande virada de sua vida.

Em 1946 ele enviou “Boizinhos”, óleo pintado em flanela, com outros dois trabalhos para concurso da Casa de Cultura de São José e ganhou o primeiro prêmio. Nos anos 1950 ele já participava de Bienais de São Paulo e tinha sala especial na Bienal de Veneza.

Quarenta anos vividos no meio rural paulista deixaram forte marca na pintura de Silva. Predomina nela a paisagem, onde o homem aparece entregue às lides do campo ou aos lazeres dela. Auto-retrato e retratos de sua gente próxima são também pontos altos de sua obra. Os retratos revelam pela pincelada livre, vibrante, construindo com a cor, o expressionismo dionisíatico e o transporte com que Silva cria. Ele é, não obstante, um extraordinário desenhista, revelando na sua produção gráfica a mesma espontaneidade e instantaneidade da pintura.

Silva foi compositor de música caipira e escreveu diversos livros, com muito sabor de narração.

Em 1975 estabeleceu ateliê na cidade de São Paulo. Em 1978 Carlos Augusto Calil realizou sobre o artista e seu trabalho o curta-metragem “Quem não conhece o Silva?”.

Em 1986 fez o cenário para a peça teatral Rosa de Cabriúna. Por ocasião dos seus 80 anos, já havendo sido homenageado por diversas prefeituras paulistas, o Museu de Arte Contemporânea da USP realizou retrospectiva de sua obra, que recebeu em 1990 o maior prêmio na categoria, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Faleceu na cidade de São Paulo em 09 de agosto de 1996.

Fonte: Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

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Livro reúne 70 obras do pintor José Antonio da Silva – IstoÉ

O colecionador paranaense Orandi Momesso tem mais de 5 mil obras em seu acervo, mas reserva um lugar especial para sua coleção de 70 trabalhos do pintor José Antonio da Silva – 63 pinturas, seis desenhos e uma colagem.

Como maneira de dividir com os outros o privilégio de conviver com essas peças, Momesso lançou um livro, Silva, pela editora Via Impressa, com textos do poeta Augusto de Campos, do pintor Paulo Pasta e dos críticos Olívio Tavares de Araújo e Paulo Venâncio Filho. Trata-se de uma obra fundamental para conhecer aspectos da vida e obra de Silva raramente explorados em outras publicações.

O próprio Orandi revela que a pintura de José Antonio da Silva despertou nele “memórias afetivas” de sua infância no interior do Paraná, em que testemunhou as derrubadas e queimadas retratadas nas telas do pintor, nascido em Sales de Oliveira (em 1909) e morto em São Paulo (em 1996). “Descobri sua pintura durante uma visita à Pinacoteca do Estado”, conta Orandi, lembrando o impacto de ver pela primeira vez a tela Luta de Touros (1968), reproduzida no livro. Atestou nesse momento que Silva não era primitivo nem ingênuo, mas um gênio, como se autoproclamava.

Até por isso, Silva nunca se conformou com a rejeição da comissão que selecionou os nomes da 4.ª Bienal de São Paulo (1957), que reservou sala especial para o pintor expressionista abstrato americano Jackson Pollock, morto um ano antes, e interditou sua entrada na mostra. Pior: quem fazia parte da comissão de seleção era o crítico Lourival Gomes Machado, tido como seu “descobridor”. Alta traição. A Bienal (e ele participou das três primeiras) virou sua obsessão: pintou várias telas contra a mostra, uma delas em 1976, que ilustra a capa do livro patrocinado por Momesso.

AFETIVO. Nos anos 1950, com o apoio do primeiro diretor do Masp, Pietro Maria Bardi, e do crítico Theon Spanudis, Silva já conquistara o público intelectual com paisagens da terra calcinada, dos algodoais, das intempéries e festas populares.

Spanudis, na mesma época, ajudou a promover a pintura de Volpi, mas, mesmo “ardiloso”, Silva, segundo o crítico Paulo Venâncio, não se aproveitou da ascensão do colega. Sua obra, ainda de acordo com sua visão, estava “entranhada em seu mundo afetivo, formativo, do qual nunca se afastou”. Para o crítico, ele foi o exemplo do caipira que ascendeu a uma atividade que seu ambiente não reconhecia.

No entanto, como observa o poeta Augusto de Campos no livro, Silva jamais abjurou seu passado. Campos conta que Waldemar Cordeiro, precursor da arte concreta no Brasil, “escreveu palavras expressivas de reconhecimento à obra de Silva”, ao elogiar o “senso detalhista” e cromático que destacou o pintor entre os de sua geração.

É possível que esse Silva colorista tenha nascido após ver as 30 telas de Van Gogh na Bienal de 1959, diz Venâncio. Ele teria se “identificado com a veracidade do expressionismo do holandês”. Silva, à maneira de Van Gogh, pintou o mundo ao redor. O brasileiro – e o uso dos amarelos e azuis no final dessa década não mente – fez o mesmo, acrescentando uma nota brutal a essa experiência existencial de egresso do mundo rural.

Spanudis, que gostava de classificações, separou sua pintura em quatro fases: a das cores sombrias (1946-48), a da paleta leve e lírica (1948-1955), a pontilhista (1955) e a das cores puras e construção sintética (de 1957 em diante).

TESTEMUNHO. O pintor Paulo Pasta destaca no livro a fidelidade de Silva à raiz rural, ao mundo de sua infância no campo, que considera o núcleo central de sua obra.

“Penso que Silva percorreu todo o século pintando sua experiência pessoal do mundo”, escreve Pasta, não deixando de observar que mesmo suas naturezas-mortas estão impregnadas da presença humana – e ele cita, a propósito, uma tela em que Silva pinta uma melancia ao lado de uma faca e da mão do trabalhador que a cortou. “Ele não pinta a partir do que viu ou vê, mas a partir do que viu e viveu, afastando-se de um simples testemunho do real”, conclui Pasta.

Outro aspecto que o crítico Paulo Venâncio Filho aborda no livro é a concomitância do fim de uma cultura caipira e o florescimento da cultura urbana que Silva deixou registrada em suas telas como um “documento verídico” de uma modernidade que o Brasil abraçou sem saber o que era.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: IstoÉ, "Livro reúne 70 obras do pintor José Antonio da Silva ", publicado em 14 de maio de 2022. Consultado pela última vez em 18 de julho de 2022.

Crédito fotográfico: Imagem extraída do livro "Sou pintor, sou poeta" de José Antonio da Silva. Livraria Kosmos Editora, 1982 - 115 pg - ilustrado e assinado pelo artista (6/9/1988). Consultado pela última vez em 18 de julho de 2022.

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