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Paulo Pasta

Paulo Augusto Pasta (1959, Ariranha, SP), mais conhecido como Paulo Pasta, é um pintor brasileiro. Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, em 1983, foi aluno de mestres como Regina Silveira, Carmela Gross e Evandro Carlos Jardim. Sua produção se destaca por uma pesquisa profunda da cor e da estrutura pictórica, em obras de vocabulário abstrato que evocam atmosferas silenciosas e arquitetônicas. Participou da 22ª Bienal de São Paulo, da Bienal do Mercosul e de diversas exposições individuais em instituições como a Pinacoteca de São Paulo, CCBB e Fundação Iberê Camargo. Sua pintura, marcada por equilíbrio, luz e sobriedade cromática, integra coleções públicas como MAM-SP, MAM-RJ, MAC-USP, Pinacoteca de São Paulo e Reina Sofía (Espanha). Também é professor universitário e influente formador de novas gerações de artistas. Vive e trabalha em São Paulo.

Paulo Pasta | Arremate Arte

Paulo Augusto Pasta, nascido em 1959, na cidade de Ariranha, interior de São Paulo, é um pintor contemporâneo brasileiro. Sua obra se destaca por uma pesquisa rigorosa da cor, da luz e da estrutura pictórica, desenvolvendo uma linguagem que mescla rigor formal e sensibilidade poética. Formado em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) em 1983, teve uma formação marcada por mestres como Evandro Carlos Jardim, Donato Ferrari, Regina Silveira e Carmela Gross, que influenciaram sua abordagem sensível e investigativa da pintura.

Desde sua primeira exposição individual, realizada em 1984 na Galeria DHL, em São Paulo, Paulo Pasta construiu uma trajetória sólida e coerente, apresentando mais de duas dezenas de exposições individuais ao longo das décadas. Participou de importantes coletivas, como a 22ª Bienal de São Paulo, a 3ª Bienal do Mercosul e a Bienal de Cuenca, além de integrar projetos relevantes como Arte/Cidade. Sua obra também foi tema de mostras significativas em instituições de prestígio, como a Pinacoteca de São Paulo (2006), o Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro (2008), o SESC Belenzinho (2014) e a Fundação Iberê Camargo (2013), onde também atuou como curador da exposição “Eclipses” em 2024.

A pintura de Pasta é marcada por um vocabulário abstrato-construtivo que evoca, de maneira não literal, paisagens, arquiteturas e atmosferas luminosas. Sua paleta, com cores densas, por vezes "sujas" ou opacas, desafia a ideia de cor pura, criando ambientes pictóricos silenciosos, instáveis e contemplativos. Rodrigo Naves, um dos críticos mais atentos à sua produção, aponta que suas telas funcionam como “superfícies esponjosas, generosas ao entorno, feitas para serem sentidas antes de identificadas”, traduzindo a profundidade sensível de sua pintura.

Além de artista, Paulo Pasta tem desempenhado papel relevante na formação de novos artistas, atuando como professor em instituições como a Faculdade Santa Marcelina, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a FAAP e a própria USP, onde obteve seu mestrado em 2002 e doutorado em 2011. Esse percurso acadêmico e pedagógico se entrelaça com sua prática artística, reafirmando seu compromisso com a reflexão sobre a pintura.

Com obras em importantes coleções públicas e privadas — como a Pinacoteca de São Paulo, o MAM de São Paulo e do Rio de Janeiro, o MAC-SP, a Kunsthalle Berlin e o Museu Reina Sofía —, Paulo Pasta segue expandindo sua linguagem. Em 2022, apresentou a série “Pocket Paintings” na Galeria Millan, com mais de 90 pinturas de pequeno formato, reafirmando sua capacidade de reinvenção dentro de uma poética consistente. Em 2025, participou da mostra “A Journey Around My Room” na galeria Almeida & Dale, além de integrar as feiras SP-Arte, ArtRio e Rotas Brasileiras, consolidando sua presença nacional e internacional. 


Paulo Pasta | Itaú Cultural

Paulo Augusto Pasta (Ariranha, São Paulo, 1959). Pintor, desenhista, ilustrador, professor. Destaca-se como um nome importante no cenário artístico contemporâneo, principalmente por refletir em suas obras sobre a questão da cor.

Gradua-se em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em 1983. Estuda desenho e gravura em metal com Evandro Carlos Jardim (1935). Faz cursos de litografia e serigrafia com Regina Silveira (1939) e de pintura com Donato Ferrari (1933) e Carmela Gross (1946). Atua como arte-educador na Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre 1983 e 1985. 

Cria obras abstratas nas quais utiliza uma gama cromática reduzida, explorando variações tonais. Em 1984, realiza sua primeira exposição individual na Galeria DHL, em São Paulo. Recebe a Bolsa Emile Eddé de Artes Plásticas, em 1988. 

Na década de 1980, sua pintura apresenta suaves passagens tonais e formas instáveis, indefinidas. Uma de suas principais referências, além da obra dos franceses Paul Cézanne (1839-1906) e Henri Matisse (1869-1954), é a pintura do artista estadunidense Jasper Johns (1930). 

Por meio de ligeiras arranhaduras na última camada de tinta da tela, Pasta cria formas que se aproximam às de frontões, ânforas e colunas. Essas imagens permitem uma referência ao passado, remetem ao campo da memória. Para o historiador da arte Rodrigo Naves (1955), há nesses trabalhos um quê de nostalgia. Eles procuram reatar com um tempo histórico, apontam para a lembrança de uma era sem fraturas, em que gestos individuais e significados sociais se relacionavam harmoniosamente.

Naves também afirma que a obra do pintor propõe ao observador uma experiência: ela porta uma espécie de vagar, pede uma suspensão temporal para que o olhar possa se deter morosamente pelas passagens tonais e pelas formas, em lento movimento de diferenciação.

Há também nas obras do artista um jogo tonal, espécie de cor primeira que contém outras, que se insinua insistentemente, mas os tons e as pinceladas obedecem apenas ao equilíbrio interno da obra.

Como aponta o crítico Alberto Tassinari, no começo da década de 1990, seu trabalho artístico se modifica: grande parte de suas pinturas tem como motivo algo que lembra um chão ladrilhado com cacos. Esses quadros não levam o olhar do espectador para o horizonte, mas o remetem a obstáculos e a um espaço que não se deixa ver com nitidez.

Em trabalhos iniciados em 1994, apresenta mais contrastes de cor. O espaço se amplia e as estruturas se tornam mais ordenadas. Permanece, porém, a atmosfera espessa, a densidade das pinturas anteriores. 

Dá aulas de desenho na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 1995 e 2002. Em 1996, o artista plástico Nuno Ramos (1960), ao comentar as obras de Pasta apresentadas em exposição individual na Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, ressalta a luminosidade intensa dos quadros que realça as diferenças de tom e cor, luz e sombra, superfície e profundidade, ao mesmo tempo em que paradoxalmente equilibra o conjunto da pintura.

Em 1990, recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no Museu de Arte de Brasília (MAB). Em 1997, recebe o Prêmio Price Waterhouse – Conjunto de Obras, no 25º Panorama de Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). 

O artista também tem relevante atividade docente, lecionando pintura na Faculdade Santa Marcelina (Fasm), entre 1987 e 1999. Em 1998, ingressa como professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Ministra ainda cursos livres em várias instituições culturais, como o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e o Instituto Tomie Ohtake. 

Ainda em 1998, publica o livro Paulo Pasta, pela Edusp, e, em 2002, torna-se mestre em artes plásticas pela ECA-USP. Ilustra, entre outros, os livros Coração partido: uma análise da poesia reflexiva de Drummond (2002) e O rocambole (2005), ambos de autoria do crítico literário Davi Arrigucci Júnior (1943) e publicados pela Editora Cosac & Naify.

Com uma atuação consistente tanto como artista visual, quanto como docente, Paulo Pasta é um dos grandes nomes da sua geração.

Críticas

"Dois aspectos contrastantes se encontram nos trabalhos de Paulo Pasta. De um lado, há a irregularidade e a espessura da matéria pictórica, que se impõe (sobretudo quando distribuída sobre grandes superfícies, como nos quadros recentes) como presença concreta, aparentemente independente de mediações linguísticas - é o elemento que nos últimos tempos acostumamo-nos a chamar ´matérico´. Por outro lado, porém, não existe nessas obras matéria bruta: tudo é filtrado, escolhido, pinçado da tradição, e só então reconduzido a uma condição elementar. (...) No entanto, esses encrespamentos da matéria têm uma história, organizam-se na lembrança de antigos esquemas - não só quando sugerem um desenho de arcos ou o fantasma de uma perspectiva, mas sobretudo quando, sem nenhuma referência evidente, emprestam ao quadro a sombra de uma composição clássica. (...). Ocorre algo análogo, mas invertido, no que diz respeito às cores. Não existe cor pura, bruta, nas grandes superfícies monocromas de Paulo Pasta. Seu colorismo é tonal, é busca do ponto de equilíbrio entre diferentes qualidades da mesma tinta. O pigmento passa por um processo de afinação, até encontrar a altura exata. (...)". — Lorenzo Mammi (PASTA, Paulo. Paulo Pasta : 2. bolsa Emile Eddé de artes plásticas. São Paulo: MAC/USP, 1989).

Acervos

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Museu Nacional de Belas Artes

Museu de Arte de Brasília

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Museu de Arte Moderna de São Paulo

Acervo Galeria Millan Antônio - São Paulo

Coleção Adalberto Calil - São Paulo

Coleção Andréa e José Olympio Pereira - São Paulo

Coleção Andrea e Roger Agnelli  - Rio de Janeiro

Coleção Antônio Gonçalves Filho - São Paulo

Coleção Arnaldo Malheiros Filho - São Paulo

Coleção Arthur de Mattos Casas - São Paulo

Coleção Arthur Lescher - São Paulo

Coleção Christian Hemmés - São Paulo

Coleção Claudio Mubarac - São Paulo

Coleção Denise Aguiar - São Paulo

Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz - Ribeirão Preto, São Paulo

Coleção Fernando Altério - São Paulo

Coleção Gabriela e Antônio Quintella - São Paulo

Coleção Henrique Constantino - São Paulo

Coleção João Carlos Alves Pereira - São Paulo

Coleção João Federici - São Paulo

Coleção José Zaragosa - São Paulo

Coleção Kim Esteve - São Paulo

Coleção Marcantonio Vilaça - Recife

Coleção Marcelo Bandeira de Mello - São Paulo

Coleção Marcelo Secaf - São Paulo

Coleção Maria Luísa e Pedro Alcântara - São Paulo

Coleção Maria Teresa Sosio - São Paulo

Coleção Miguel Chaia - São Paulo

Coleção Milton Goldfarb - São Paulo

Coleção Nilo Cecco - São Paulo

Coleção Nora Clemente - São Paulo

Coleção Orandi Momesso - São Paulo

Coleção Patrícia Cisneros - Caracas

Coleção Rafael Decunto - São Paulo

Coleção Roberto Brandão - São Paulo

Coleção Rodrigo Andrade - São Paulo

Coleção Socorro de Andrade Lima - São Paulo

Coleção Song Eek - São Paulo

Coleção Sônia Fernandes - São Paulo

Coleção Tom Freitas Valle - São Paulo

Exposições Individuais

1988 – Individual de Paulo Pasta

1996 – Individual de Paulo Pasta

1998 – Individual de Paulo Pasta

1999 – Individual de Paulo Pasta

2001 – Paulo Pasta: Pintura

2002 – Paulo Pasta: Desenhos

2002 – Paulo Pasta: Pinturas 2001/2002

2003 – Individual de Paulo Pasta

2004 – Paulo Pasta: Pinturas

2004 – Individual de Paulo Pasta

2005 – Individual de Paulo Pasta

2006 – Individual de Paulo Pasta

2007 – Individual de Paulo Pasta

2008 – Individual de Paulo Pasta

2009 – Individual de Paulo Pasta

2012 – Individual de Paulo Pasta

Exposições Coletivas

1984 – Da Paisagem e da Figura

1985 – Paulo Pasta: desenhos

1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1985 – 2º Prêmio Pirelli Pintura Jovem

1985 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas

1986 – 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1986 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas: sudeste

1987 – Imagens de Segunda Geração

1987 – 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1987 – Coletiva na Galeria Paulo Figueiredo

1988 – Coletiva na Galeria Subdistrito

1988 – Workshop Berlim–São Paulo (São Paulo e Berlim)

1988 – Projeto Macunaíma

1988 – 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1989 – 10 Artistas

1989 – Perspectivas Recentes

1989 – Novos Valores da Arte Latino-Americana/Brasil

1989 – 20º Panorama de Arte Atual Brasileira

1989 – 11º Salão Nacional de Artes Plásticas

1990 – Doações e Aquisições Recentes

1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira

1990 – Prêmio Brasília de Artes Plásticas

1991 – Brasil: la nueva generación

1991 – BR/80: pintura Brasil década 80

1991 – 3ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca

1992 – Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas

1992 – Coletiva na Casa do Médico

1993 – Coletiva de Pintura

1993 – Paulo Pasta (Belo Horizonte)

1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira

1993 – Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas

1994 – Paulo Pasta: pinturas

1994 – 22ª Bienal Internacional de São Paulo

1994 – Anos 80: o palco da diversidade

1995 – Morandi no Brasil

1995 – Anos 80: o palco da diversidade

1995 – Coletiva na Galeria Casa da Imagem

1995 – Arte Brasileira: confrontos e contrastes

1995 – Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96

1996 – VentoSul: mostra de artes visuais integração do Cone Sul

1997 – Galeria Casa da Imagem: Exposição de Inauguração

1997 – Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas

1997 – Arte Cidade III: a cidade e suas histórias

1997 – 25º Panorama da Arte Brasileira

1997 – A Arte Contemporânea da Gravura

1997 – A Última Figuração

1998 – 25º Panorama da Arte Brasileira

1998 – Afinidades Eletivas I: o olhar do colecionador

1998 – O Colecionador

1998 – O Suporte da Palavra

1998 – A Paisagem Urbana Contemporânea

1998 – Arte Brasileira no Acervo do MAM-SP: doações recentes 1996–1998

1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ

1998 – Figuras, quase Figuras

1999 – O Brasil no Século da Arte

2000 – O Acervo e o Desenho – Produção Recente

2000 – Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento

2000 – Pinturas na Coleção João Sattamini

2000 – 12ª Mostra da Gravura de Curitiba: Marcas do Corpo, Dobras da Alma

2000 – Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha

2000 – Obra Nova

2001 – Mostra de Arte Contemporânea

2001 – O Espírito de Nossa Época

2001 – Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea

2001 – 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul

2001 – A Cor na Arte Brasileira

2002 – Estratégias para Deslumbrar

2002 – Portão 2

2002 – Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini

2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952–2002

2002 – O Plano como Estrutura da Forma

2002 – Leilão de Arte

2002 – Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini – MAC Niterói

2002 – Ópera aberta: celebração

2002 – 28(+) Pintura

2003 – 2080

2003 – 8 Artistas em Madri

2003 – Arco

2003 – MAC USP 40 Anos: interfaces contemporâneas

2003 – Meus Amigos

2003 – Desenhos Grandes

2003 – Pintura e Desenho – 90/00

2004 – Heterodoxia: edição Natal

2004 – Heterodoxia: edição Belém

2004 – Heterodoxia: edição Latino-Americana

2004 – Arte Contemporânea no Acervo Municipal

2005 – Arte em Metrópolis

2005 – Cromofagia

2005 – Coletiva de Acervo

2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira

2006 – Ao Mesmo Tempo o Nosso Tempo

2006 – Mostra Ribeirão Preto 150 anos

2006 – Clube de Gravura: 20 anos

2006 – Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo

2006 – MAM [na] OCA

2006 – Paralela

2007 – Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981–2006

2007 – 80/90: modernos, pós-modernos, etc

2007 – Pintura Contemporânea ou Ut Pictura Diversitas

2007 – Paulo Pasta: Desenhos e Pinturas 2006–2007

2007 – Heterodoxia – Séries

2007 – Arte Contemporânea: Aquisições Recentes do acervo da Pinacoteca

2008 – Panorama dos Panoramas

2008 – Arte Pela Amazônia: arte e atitude

2008 – MAM 60

2008 – 3º Arquivo Geral

2009 – Matisse Hoje

2009 – Nasci Errado e Estou Certo

2009 – 40ª Chapel Art Show

2010 – 41º Chapel Art Show

2010 – Coletiva 10

2011 – Arte no cotidiano: acerca do colecionismo

2011 – Sobrevisíveis

2011 – Sim Galeria: Mostra Inaugural

2011 – 1911–2011 Arte Brasileira e Depois – Coleção Itaú

2011 – O Colecionador de Sonhos

2012 – Cor e Forma III

2012 – O Fim da Metade é o Começo do Meio

2013 – Múltipla de Múltiplos

2013 – 100 anos de Arte Paulista – Pinacoteca

2013 – A Pintura é que é isto

2013 – Os VOLPIs do MAC

2013 – 30ª Bienal – Transformações na Arte Brasileira

2013 – 33º Panorama da Arte Brasileira

2013 – Para Além do Ponto e da Linha – MAC USP

2014 – MAIS + – Doações Pinacoteca

2014 – Exercícios de ver

2014 – Edições e Múltiplos

2015 – Fábula da Paisagem

2015 – Há um Fora Dentro da Gente e Fora da Gente um Dentro

2016 – O Estado da Arte

2016 – Pequenas Pinturas – 2ª Parte

2016 – Um Desassossego: pinturas

2016 – Atlas Abstrato

2017 – Modos de ver o Brasil – Itaú Cultural 30 Anos

2018 – Paulo Pasta – projeto e destino

2019 – O Sagrado na Arte Moderna Brasileira

2019 – Ateliê de Gravura: da tradição à experimentação

2019 – Tinta Sobre Tinta: acervo do MAM no Instituto CPFL

2019 – 47º Chapel Art Show

2020 – Pinacoteca: Acervo

2021 – 1981/2021: Arte contemporânea brasileira na coleção Andrea e José Olympio Pereira

2021 – Em Branco

2021 – Da Letra à Palavra

2023 – Diálogos com cor e luz

2025 – Coleção Vilma Eid – Em cada canto

Fonte: PAULO Pasta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 24 de junho de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7


Paulo Pasta: conheça sua biografia e principais obras | LAART

O cenário artístico brasileiro é repleto de talentos que, por meio de suas obras, expressam diferentes estéticas e promovem a reflexão. Nesse contexto, alguns artistas se destacam. Esse é o caso de Paulo Pasta, um pintor, desenhista, ilustrador e professor brasileiro, cuja arte encanta e surpreende.

Ao longo desse post, você conhecerá a biografia e as obras de Paulo Pasta. Boa leitura! 

Paulo Pasta: biografia

Nascido em 1959 e natural de Ariranha, interior de São Paulo, Paulo Pasta tem contato com a arte desde sua mais tenra idade. Isso porque sua casa respira esse tema por meio das pinturas de seu pai e pela existência de uma coleção de peças dos mais variados gênios da arte. Assim, como um processo natural, ainda adolescente, inicia seus estudos artísticos em sua casa mesmo, em um ateliê despretensioso.

Logo, o artista empresta como referência traços dos mais célebres artistas, como Vincent van Gogh e Henri Matisse. Em seguida, termina seus estudos básicos.

Assim, em 1977, muda-se para São Paulo e começa a ser um frequentador assíduo da Pinacoteca e do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Logo, seu amor pela arte torna-se inegável. Dessa forma, ela dá início ao seu infinito mergulho nas artes plásticas ao ingressar, no ano seguinte, na Escola de Artes Plásticas da USP.

Você é apaixonado por arte como Paulo Pasta? Então, não deixe de ler: “Pintores mais famosos do mundo: quem são e quais são seus quadros mais conhecidos”.

Trajetória artística 

Em 1979, combinando a paixão pela pintura e pelo ensino, o artista começa a lecionar pintura e, no ano seguinte, a trabalhar na Pinacoteca. Lá conhece personalidades emblemáticas do Grupo Santa Helena e desenvolve uma relação especial com Alfredo Volpi.

Em 1983, ele se forma em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Lá, tem contato com ícones da arte, como:

Evandro Carlos Jardim: com quem estuda desenho e gravura em metal;

Regina Silveira: com quem aperfeiçoa seus estudos em serigrafia e litografia.

Logo, o seu lado acadêmico aflora ainda mais e ele começa a lecionar em grandes instituições de ensino de São Paulo, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Hoje, o artista faz parte do corpo docente da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Os estudos, prêmios e reconhecimento de Paulo Pasta

Além do campo acadêmico, o artista desenvolve técnicas e se aprimora por meio de cursos livres nos mais variados institutos culturais da metrópole paulistana. Assim, com tanto estudo e talento, o artista tem seu trabalho reconhecido pelos mais célebres centros de arte. Logo, recebe prêmios do Museu de Arte de Brasileira e do Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre muitos outros.

Além de receber prêmios de prestígio, o artista participa de várias exposições importantes, lança o livro “Educação pela Pintura” e, em 2018, por meio da mostra “Lembranças do Futuro”, expõe seus últimos principais trabalhos na Galeria Millan.

Doutor em artes visuais pela USP, Paulo Pasta está sempre antenado em relação às tendências, estuda, leciona e produz obras valiosas que ficarão, para sempre, no imaginário de quem o admira. 

Paulo Pasta: obras

No livro “Artistas de USP – Paulo Pasta”, o crítico Rodrigo Naves descreve a essência da personalidade e do estilo do artista de forma sublime:

“Nada que se mostre imediatamente interessa à pintura de Paulo Pasta”.

Em outras palavras, o seu trabalho não é óbvio e nem superficial. Afinal, o artista dá vida a obras abstratas explorando tons sutis e repletos de significados.

Com tons que brincam entre si, as obras de Paulo Pasta contam com uma cor principal que contém as outras, mas que não deixa de se destacar. Além disso, suas pinceladas conversam de modo harmonioso e, assim, promovem o equilíbrio interno da obra.

A peça abaixo demonstra essa proposta e faz parte do acervo da Laart. Clique aqui e saiba mais sobre essa interessante gravura.

Além de prestigiarem o equilíbrio interno de modo introspectivo e com bastante sensibilidade, suas obras estimulam um olhar mais reflexivo. Isso porque suas peças promovem uma visão diferenciada e intuitiva do espectador.

Por meio de estruturas mais ordenadas e de elementos que contrastam por meio de cores, as obras de Paulo Pasta são compostas com paixão e possuem elevada qualidade técnica.

Assim, com muito equilíbrio e singularidade, seus trabalhos se destacam entre tantos ao promoverem a luminosidade intensa e as diferenças entre tom e cor, superfície e profundidade e luz e sombra.

Fonte: Laart, “Paulo Pasta: conheça sua biografia e principais obras”. Publicado por Agência Pipoca, em 18 de outubro de 2019.Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


A arte de Paulo Pasta ganha Nova York (e o mundo!) | NeoFeed

"Da onde você acha que vem essa pintura?", perguntou o galerista nova-iorquino David Nolan ao apresentar um trabalho de Paulo Pasta a um cliente. "Esta pintura não é daqui, deve vir da América do Sul. Vem do Brasil", arrematou, sem ter qualquer pista sobre a origem do artista brasileiro.

"Fiquei muito feliz. Eu nunca imaginei que o meu trabalho fosse identificado como uma pintura brasileira", diz Paulo Pasta em entrevista ao NeoFeed,. "Isso que eu queria lá fora: poder me ver de uma outra maneira pelos olhos dos outros." Este mês (abril), Pasta se tornou o primeiro artista brasileiro ser representado pela galeria David Nolan, uma das mais tradicionais de Nova York, no Soho. E prepara uma exposição individual no espaço para novembro deste ano.

No fim de 2021, David Nolan e Valentina Branchini, sócios da galeria, vieram a São Paulo exclusivamente para conhecer o trabalho de Pasta. "Nos sentimos alegremente envolvidos pela energia luminosa que irradiava das telas e intrigados pela qualidade metafísica da pintura", diz Branchini, sócia da galeria nova-iorquina. No Brasil, o pintor continua sendo representado pela galeria Millan.

Quem fez a ponte entre a galeria e o artista foi o curador americano Simon Watson. Em 2021, ele organizou a exposição "Paulo Pasta: Luz", individual do artista no Museu de Arte Sacra, na capital paulista. "Paulo Pasta entra no mercado internacional de arte em um momento em que ansiamos por momentos de reflexão, serenidade e luz interior", disse.

Antes de expor em Nova York, Pasta participará de uma exposição em Londres, na galeria Cecília Brunson, em junho, organizada pelo curador Gabriel Pérez-Barreiro. Nesta mostra, apresentará uma série de paisagens, que pintou de memória sobre suas idas e vindas de São Paulo a Ariranha, sua cidade natal.

Segundo o artista, é uma viagem que nunca acaba. Embora não visite mais fisicamente o interior de São Paulo, por meio de fotos, esboços e lembranças registra na tela o caminho, que se expande agora para novas fronteiras.

Com mais de 30 anos de uma sólida carreira em território nacional, Pasta tem trabalhos no acervos de importantes museus brasileiros como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, e na importante coleção particular da venezuelana Patricia Phelps de Cisneros. Agora, aos 63 anos, começa a dar seus primeiros passos no cenário internacional.

"Claro que tinha muita vontade de mostrar o meu trabalho fora do Brasil. Mas também não ia forçar a porta, não. Achei bonito que a porta se abriu e espero que ela continue aberta e que o meu trabalho faça sentido fora", diz o artista, que construiu sua trajetória sem pressa, mas com muita certeza de que o seu destino estava na pintura.

A pintura como vocação

Paulo Pasta descobriu ainda muito jovem que queria ser pintor. "Eu tive um monte de crise, menos a de vocação. Eu sempre quis ser pintor", afirma. O primeiro contato de Pasta com a pintura foi pela série de fascículos Gênios da Pintura, publicada pela Editora Abril.

Quando veio para São Paulo fazer cursinho e prestar vestibular, seus pais achavam que o aspirante a pintor se candidataria a uma vaga no curso de arquitetura, mas Pasta já estava com o seu "bolo de fubá pronto" e passou no curso de Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

Aluno de uma geração de artistas conceituais, como Julio Plaza e Regina Silveira, que haviam renunciado à pintura, seu começo na faculdade foi frustrante para quem queria ser pintor, pois não havia aulas sobre a técnica. Mas lá dentro encontrou amigos com quem podia trocar experiência sobre tintas, pincéis e telas.

"A pintura tinha outro aspecto. Para mim, pintar nunca foi algo paródico. Eu nunca tive com ela uma relação cínica ou me alimentei de sua morte para produzir sentido. Ou contrário: eu encarei como uma linguagem viva ainda cheia de sentido", diz.

Apesar de não ter participado da icônica exposição "Como vai você Geração 80?", em 1984 no Parque Lage, Pasta faz parte dessa geração de artistas formados nos anos 1980, como Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Luiz Zerbini, que redescobriram na pintura uma forma de expressão. Em contraposição à geração anterior que resistia ao mercado, os trabalhos desses artistas foram rapidamente aceitos nas principais galerias de arte do país.

As primeiras pinturas de Pasta são figurativas. "O pintor", de 1985, que faz parte do acervo do MAC-USP, por exemplo, já antecipa o assunto ao qual o artista vai se dedicar nas próximas décadas. A pintura em tons de cinza apresenta uma figura humana pintando um grande painel com formas geométricas.

No final da década, Pasta já começa a sua investigação pela cor. Ele recobria a tela com várias camadas de tinta e depois raspava deixando só o que considerava essencial. De acordo com o artista, o aspecto temporal que as marcas da raspagem deixavam na pintura, apresentando suas camadas, migraram para a cor.

Um outro tempo

Cor é luz. Para que o olho capte a intensidade da luminosidade é preciso um tempo diante da tela de Pasta. Fugidia como a luz, a pintura acontece num instante. Ali onde a visão se embaralha, quando é preciso apertar as pálpebras para enxergar com precisão onde uma cor termina e outra começa. A estabilidade do momento é breve. Logo os retângulos cromáticos começam novamente a querer fugir do controle do olhar.

"Minha pintura muda pouco, ela se desloca lentamente. Eu gosto também disso, desse aspecto que ela tem de uma lentidão, de uma sedimentação, de um tempo estendido, de uma reflexão maior", explica.

Um pequeno exemplo de uma sutil mudança é uma mínima faixa branca que começou a aparecer no trabalho de Pasta no início dos anos 2010. No começo, esse elemento era uma forma de o artista mostrar alguma falta de controle na pintura tão bem acabada. O espaço branco, que ele chamou de "respiradouro", foi ganhando cada vez mais presença ao longo dos anos. Em alguns trabalhos, a faixa branca já contorna todo o quadro, formando uma margem.

"As pessoas vivem em um mundo em que acham que tudo muda muito e o tempo todo, mas a verdade é que as coisas mudam muito pouco. Uma grande transformação custa caríssimo e demora muito tempo. Eu digo isso porque minha pintura muda, sim, mas não obedece à lógica externa, que muitas vezes é a lógica do mercado", afirma.

Na maioria das obras, Pasta trava seu embate direto no plano, mas uma conversa com a linha oblíqua aparece às vezes em seu curso. Para o pintor, a pintura pede uma planaridade, pois a cor quando vem para o plano fica mais eloquente.

No entanto, em algumas telas, de forma discreta, o artista faz pequenas diagonais, como se sugerisse um breve balanço, um pouco de profundidade em sua rigorosa bidimensionalidade. Esse sutil detalhe do traço oblíquo, que aparece em algumas telas, às vezes, induzem a uma porta aberta, uma abertura para a dentro da pintura. Quiçá a tal porta para esse mundo novo que se abre fora do Brasil.

Fonte: NeoFeed, "A arte de Paulo Pasta ganha Nova York (e o mundo)", publicado por Karina Sérgio Gomes, em 1 de maio de 2022. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


Paulo Pasta abre ateliê e revela como seleciona as cores de suas pinturas | Casa Vogue

A conversa começava a se desenrolar no ateliê na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, quando a campainha tocou. Era um portador com o catálogo da mais nova mostra de Paulo Pasta, Correspondências, em cartaz na Galeria Millan até 18 de dezembro. Nem foi preciso perguntar se a emoção do artista – um dos mais respeitados e bem-sucedidos do país – se renova a cada estreia.

A resposta estava no interesse dos seus olhos, no modo gentil de folhear o exemplar, no discreto sorriso suscitado pelos registros de seu trabalho. Nesses 37 anos de exposições (a primeira aconteceu em 1984, logo após se formar pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), o afeto pela pintura persiste, e se declara diariamente em uma estudada e ilimitada gama de nuances.

“A PUREZA É ESTAGNANTE”

A cor – não a pura, mas a contaminada – é a voz de Pasta. “Porque a vida é assim, cheia de misturas. Você tem de aceitar a impureza das coisas para forçar o andamento da cultura”, resume. No evento em questão, além de uma nova leva de telas, outro elemento aparece pela primeira vez: mensagens de texto trocadas durante a pandemia com o crítico de arte Ronaldo Brito, do Rio de Janeiro. “Para passar aquele medo e a sensação de futuro interrompido, o Ronaldo propôs que eu enviasse fotos do que estava produzindo e, em retorno, ele escreveria a respeito. Assim fizemos de abril a setembro de 2020”, detalha.

O medo, curiosamente, não vazou para as obras. Ao contrário, neutralizou-se pela intensificação da rotina. Pasta, que vai ao ateliê todas as tardes, inclusive aos sábados e domingos, se concentrou ainda mais nos estudos preparatórios das tintas e combinações. Pintou em tela, papel, em tamanho grande, médio, pequeno, e até mesmo em inéditos formatos diminutos, movido por uma urgência de conservar a sanidade e ver o pigmento reagindo mais depressa. Nesse período de restrições, janelas surgiram.

Quadrados e pórticos, estrategicamente posicionados em campos cromáticos, sugerem suportes que se entreabrem para dentro. Como se o labor artístico, durante o confinamento, também passasse por um processo de autorreflexão. Afinal, para onde olhar em tempos tão doentes? Nas palavras do jornalista, escritor e dramaturgo Antonio Callado na introdução do livro A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer (LTC, 256 págs.), quando o homem adoece “a função da arte é refundir esse homem, torná-lo de novo são e incitá-lo à permanente escalada de si mesmo”.

Pasta ri da comparação com um curandeiro, mas concorda que sua pintura oferece consolo. E a cor é o que torna tudo eloquente. Os tons sutis prevalecem, os púrpuras chegam calmos, e os azuis parecem se dissolver no ar. Tanto que o escultor mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) comparou a produção do agnóstico Pasta a uma reza. “O silêncio é a moradia da cor e onde eu quero morar é no silêncio”, confirma ele, afeito à síntese – quanto menos recursos para distrair o espírito, mais fácil tocar no essencial. Daí sua paleta organizada, reduzida, simplificada. Seis matizes, no máximo, é tudo que se verá em uma mesma obra.

FRONTEIRAS INCERTAS

Observo duas delas, tingidas de variações de rosa e cinza, as nuances preferidas do autor. Difícil fixar na memória onde estavam o rosa mais forte e o mais suave, e o cinza entre eles parece borrar a passagem, enganando a minha percepção de limites. Tudo ardilosamente engendrado à custa de muita intuição e prática. “As cores estão na vanguarda de quem sou. Uso por instinto. É como andar no escuro, vou elucidando o caminho aos poucos. Se coloco algo ali, uma coluna, uma cruz, uma tonalidade, aquilo volta para mim em uma construção recíproca”, explica ele sobre o próprio processo criativo. “Quando você, espectadora, olha e começa a ter a sensação de ver e não ver, aí a pintura está pronta. Porque ela não se entrega. Ela vem vindo, e volta. É manhosa, como falou certa vez o crítico e historiador da arte Rodrigo Naves”, diverte-se. “Sabe quando uma fruta chega no ponto máximo de sabor? É exatamente na véspera do dia em que começa a apodrecer”, prossegue. “Tento capturar a cor nesse auge. Depois disso, vem a extinção. Esse é o aspecto temporal que procuro, a noção de que as coisas têm uma duração. Volpi, pintor brasileiro que mais admiro, fazia isso.”

Rei do autocontrole, revelado pela estabilidade do seu desenho, Pasta adota essa mudança de fase da coloração para balançar estruturas fixas e criar uma indefinição, chamada por ele de funambulismo. “Funâmbulo é o homem que caminha na corda bamba, que pode cair para cá ou para lá, e se equilibra entre os dois lados. Por isso gosto tanto do cinza: ele está entre, foge das polaridades.” Quem dera essa fluidez marcasse mais presença. “O Brasil não está para funâmbulo”, lamenta. “O país perdeu toda e qualquer sutileza, virou um território violento, de extremos, sem espaço para a poesia. Os tiranos odeiam a poesia porque é o lugar do indefinido, do sentido humano. Apesar disso, a gente tem de continuar. Morandi [Giorgio Morandi (1890-1964)] seguiu pintando o que sempre pintou durante a Segunda Guerra, com todo aquele horror acontecendo.

Da mesma forma, precisamos permanecer.” As pinceladas de Pasta deixam escapar o aspecto fugidio do tempo, da beleza, da certeza. Mas também lembram: somos mortais. E tudo passa.

Fonte: Casa Vogue, “Paulo Pasta abre ateliê e revela como seleciona as cores de suas pinturas”, publicado por Kátia Stringueto, em 22 de janeiro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


Paulo Pasta – Para que serve uma pintura | Fundação Iberê Camargo

O prédio na frente foi pintado: cinza escuro na área das janelas, creme perto da quina, rosa na base das sacadas, as venezianas de um creme mais amarelado, já parcialmente esvaecido. É, ao mesmo tempo, um edifício e uma imagem. Normalmente, porém, não olhamos a imagem, vemos apenas o edifício. Não pensamos nas cores, senão porque distinguem os objetos. Mas em qualquer momento, se tiver tempo e paciência, posso abstrair da concretude do objeto e olhar para ele como se fosse uma pintura. Perceber, por exemplo, que seus elementos se separam pelo contorno e se relacionam pela cor. Que suas cores têm uma história e uma valência afetiva e, por isso, talvez, colorimos as coisas – não tanto por distingui-las, quanto para nos apropriarmos delas. Que, finalmente, certa combinação de forma e cores é o que torna esse prédio um indivíduo.

Uma tela de TV ou de computador nunca será uma coisa, e tampouco as imagens que aparecem nela. Nunca elas poderão ser outra coisa daquilo que são. Um quadro sim, e se coloca (especialmente no caso de Pasta) exatamente nesse intervalo em que a coisa se torna imagem (o pigmento se torna cor; a tela, figura) e vice-versa. Uma espécie de pausa, uma síncope, em que nos desprendemos do mundo e testamos nossa liberdade em relação a ele.

Toda percepção tende, irresistivelmente, a se cristalizar em figuras ou esquemas. Mas há um momento imediatamente anterior a essa cristalização que não é uma coisa nem outra. Como o próprio Pasta diz, há o momento em que ela é “ruído de alguma coisa”. Não necessariamente de algo do passado, mas de certa espessura do presente, que faz com que o contexto seja, por um instante, suspendido e a percepção se mostre, por assim dizer, no estado puro. É o rasgo de luz embaixo da porta com que Proust inicia sua Busca do tempo perdido.

Para que serve uma pintura? Talvez apenas para tornar o mundo um pouco mais complicado. Pintar é como gerar o outro de si, outra personalidade e outro lugar. Toda pintura é um mundo, já dizia Baudelaire, repetindo Delacroix – um mundo relacionado ao nosso, podemos acrescentar, mas não o mesmo mundo.

— Texto de Lorenzo Mammì.

Fonte: Fundação Iberê Camargo, “Para que serve uma pintura”. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.

Crédito fotográfico: Deco Cury, Casa Vogue. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.

Paulo Augusto Pasta (1959, Ariranha, SP), mais conhecido como Paulo Pasta, é um pintor brasileiro. Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, em 1983, foi aluno de mestres como Regina Silveira, Carmela Gross e Evandro Carlos Jardim. Sua produção se destaca por uma pesquisa profunda da cor e da estrutura pictórica, em obras de vocabulário abstrato que evocam atmosferas silenciosas e arquitetônicas. Participou da 22ª Bienal de São Paulo, da Bienal do Mercosul e de diversas exposições individuais em instituições como a Pinacoteca de São Paulo, CCBB e Fundação Iberê Camargo. Sua pintura, marcada por equilíbrio, luz e sobriedade cromática, integra coleções públicas como MAM-SP, MAM-RJ, MAC-USP, Pinacoteca de São Paulo e Reina Sofía (Espanha). Também é professor universitário e influente formador de novas gerações de artistas. Vive e trabalha em São Paulo.

Paulo Pasta

Paulo Augusto Pasta (1959, Ariranha, SP), mais conhecido como Paulo Pasta, é um pintor brasileiro. Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, em 1983, foi aluno de mestres como Regina Silveira, Carmela Gross e Evandro Carlos Jardim. Sua produção se destaca por uma pesquisa profunda da cor e da estrutura pictórica, em obras de vocabulário abstrato que evocam atmosferas silenciosas e arquitetônicas. Participou da 22ª Bienal de São Paulo, da Bienal do Mercosul e de diversas exposições individuais em instituições como a Pinacoteca de São Paulo, CCBB e Fundação Iberê Camargo. Sua pintura, marcada por equilíbrio, luz e sobriedade cromática, integra coleções públicas como MAM-SP, MAM-RJ, MAC-USP, Pinacoteca de São Paulo e Reina Sofía (Espanha). Também é professor universitário e influente formador de novas gerações de artistas. Vive e trabalha em São Paulo.

Videos

Ateliê do Artista: Paulo Pasta | 2018

Entrevista com Paulo Pasta | 2017

Expo Paulo Pasta | 2025

Paulo Pasta – Para que serve uma pintura | 2024

Pintura de bolso | 2023

Paulo Pasta | Conversa com Artista | 2024

Ateliê Paulo Pasta: Segredos do Ofício | 2023

Paulo Pasta comenta pinturas da 30ª Bienal de São Paulo | 2013

Museu de Arte Contemporânea: Paulo Pasta | 2021

Paulo Pasta | Arremate Arte

Paulo Augusto Pasta, nascido em 1959, na cidade de Ariranha, interior de São Paulo, é um pintor contemporâneo brasileiro. Sua obra se destaca por uma pesquisa rigorosa da cor, da luz e da estrutura pictórica, desenvolvendo uma linguagem que mescla rigor formal e sensibilidade poética. Formado em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) em 1983, teve uma formação marcada por mestres como Evandro Carlos Jardim, Donato Ferrari, Regina Silveira e Carmela Gross, que influenciaram sua abordagem sensível e investigativa da pintura.

Desde sua primeira exposição individual, realizada em 1984 na Galeria DHL, em São Paulo, Paulo Pasta construiu uma trajetória sólida e coerente, apresentando mais de duas dezenas de exposições individuais ao longo das décadas. Participou de importantes coletivas, como a 22ª Bienal de São Paulo, a 3ª Bienal do Mercosul e a Bienal de Cuenca, além de integrar projetos relevantes como Arte/Cidade. Sua obra também foi tema de mostras significativas em instituições de prestígio, como a Pinacoteca de São Paulo (2006), o Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro (2008), o SESC Belenzinho (2014) e a Fundação Iberê Camargo (2013), onde também atuou como curador da exposição “Eclipses” em 2024.

A pintura de Pasta é marcada por um vocabulário abstrato-construtivo que evoca, de maneira não literal, paisagens, arquiteturas e atmosferas luminosas. Sua paleta, com cores densas, por vezes "sujas" ou opacas, desafia a ideia de cor pura, criando ambientes pictóricos silenciosos, instáveis e contemplativos. Rodrigo Naves, um dos críticos mais atentos à sua produção, aponta que suas telas funcionam como “superfícies esponjosas, generosas ao entorno, feitas para serem sentidas antes de identificadas”, traduzindo a profundidade sensível de sua pintura.

Além de artista, Paulo Pasta tem desempenhado papel relevante na formação de novos artistas, atuando como professor em instituições como a Faculdade Santa Marcelina, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a FAAP e a própria USP, onde obteve seu mestrado em 2002 e doutorado em 2011. Esse percurso acadêmico e pedagógico se entrelaça com sua prática artística, reafirmando seu compromisso com a reflexão sobre a pintura.

Com obras em importantes coleções públicas e privadas — como a Pinacoteca de São Paulo, o MAM de São Paulo e do Rio de Janeiro, o MAC-SP, a Kunsthalle Berlin e o Museu Reina Sofía —, Paulo Pasta segue expandindo sua linguagem. Em 2022, apresentou a série “Pocket Paintings” na Galeria Millan, com mais de 90 pinturas de pequeno formato, reafirmando sua capacidade de reinvenção dentro de uma poética consistente. Em 2025, participou da mostra “A Journey Around My Room” na galeria Almeida & Dale, além de integrar as feiras SP-Arte, ArtRio e Rotas Brasileiras, consolidando sua presença nacional e internacional. 


Paulo Pasta | Itaú Cultural

Paulo Augusto Pasta (Ariranha, São Paulo, 1959). Pintor, desenhista, ilustrador, professor. Destaca-se como um nome importante no cenário artístico contemporâneo, principalmente por refletir em suas obras sobre a questão da cor.

Gradua-se em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em 1983. Estuda desenho e gravura em metal com Evandro Carlos Jardim (1935). Faz cursos de litografia e serigrafia com Regina Silveira (1939) e de pintura com Donato Ferrari (1933) e Carmela Gross (1946). Atua como arte-educador na Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre 1983 e 1985. 

Cria obras abstratas nas quais utiliza uma gama cromática reduzida, explorando variações tonais. Em 1984, realiza sua primeira exposição individual na Galeria DHL, em São Paulo. Recebe a Bolsa Emile Eddé de Artes Plásticas, em 1988. 

Na década de 1980, sua pintura apresenta suaves passagens tonais e formas instáveis, indefinidas. Uma de suas principais referências, além da obra dos franceses Paul Cézanne (1839-1906) e Henri Matisse (1869-1954), é a pintura do artista estadunidense Jasper Johns (1930). 

Por meio de ligeiras arranhaduras na última camada de tinta da tela, Pasta cria formas que se aproximam às de frontões, ânforas e colunas. Essas imagens permitem uma referência ao passado, remetem ao campo da memória. Para o historiador da arte Rodrigo Naves (1955), há nesses trabalhos um quê de nostalgia. Eles procuram reatar com um tempo histórico, apontam para a lembrança de uma era sem fraturas, em que gestos individuais e significados sociais se relacionavam harmoniosamente.

Naves também afirma que a obra do pintor propõe ao observador uma experiência: ela porta uma espécie de vagar, pede uma suspensão temporal para que o olhar possa se deter morosamente pelas passagens tonais e pelas formas, em lento movimento de diferenciação.

Há também nas obras do artista um jogo tonal, espécie de cor primeira que contém outras, que se insinua insistentemente, mas os tons e as pinceladas obedecem apenas ao equilíbrio interno da obra.

Como aponta o crítico Alberto Tassinari, no começo da década de 1990, seu trabalho artístico se modifica: grande parte de suas pinturas tem como motivo algo que lembra um chão ladrilhado com cacos. Esses quadros não levam o olhar do espectador para o horizonte, mas o remetem a obstáculos e a um espaço que não se deixa ver com nitidez.

Em trabalhos iniciados em 1994, apresenta mais contrastes de cor. O espaço se amplia e as estruturas se tornam mais ordenadas. Permanece, porém, a atmosfera espessa, a densidade das pinturas anteriores. 

Dá aulas de desenho na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 1995 e 2002. Em 1996, o artista plástico Nuno Ramos (1960), ao comentar as obras de Pasta apresentadas em exposição individual na Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, ressalta a luminosidade intensa dos quadros que realça as diferenças de tom e cor, luz e sombra, superfície e profundidade, ao mesmo tempo em que paradoxalmente equilibra o conjunto da pintura.

Em 1990, recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no Museu de Arte de Brasília (MAB). Em 1997, recebe o Prêmio Price Waterhouse – Conjunto de Obras, no 25º Panorama de Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). 

O artista também tem relevante atividade docente, lecionando pintura na Faculdade Santa Marcelina (Fasm), entre 1987 e 1999. Em 1998, ingressa como professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Ministra ainda cursos livres em várias instituições culturais, como o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e o Instituto Tomie Ohtake. 

Ainda em 1998, publica o livro Paulo Pasta, pela Edusp, e, em 2002, torna-se mestre em artes plásticas pela ECA-USP. Ilustra, entre outros, os livros Coração partido: uma análise da poesia reflexiva de Drummond (2002) e O rocambole (2005), ambos de autoria do crítico literário Davi Arrigucci Júnior (1943) e publicados pela Editora Cosac & Naify.

Com uma atuação consistente tanto como artista visual, quanto como docente, Paulo Pasta é um dos grandes nomes da sua geração.

Críticas

"Dois aspectos contrastantes se encontram nos trabalhos de Paulo Pasta. De um lado, há a irregularidade e a espessura da matéria pictórica, que se impõe (sobretudo quando distribuída sobre grandes superfícies, como nos quadros recentes) como presença concreta, aparentemente independente de mediações linguísticas - é o elemento que nos últimos tempos acostumamo-nos a chamar ´matérico´. Por outro lado, porém, não existe nessas obras matéria bruta: tudo é filtrado, escolhido, pinçado da tradição, e só então reconduzido a uma condição elementar. (...) No entanto, esses encrespamentos da matéria têm uma história, organizam-se na lembrança de antigos esquemas - não só quando sugerem um desenho de arcos ou o fantasma de uma perspectiva, mas sobretudo quando, sem nenhuma referência evidente, emprestam ao quadro a sombra de uma composição clássica. (...). Ocorre algo análogo, mas invertido, no que diz respeito às cores. Não existe cor pura, bruta, nas grandes superfícies monocromas de Paulo Pasta. Seu colorismo é tonal, é busca do ponto de equilíbrio entre diferentes qualidades da mesma tinta. O pigmento passa por um processo de afinação, até encontrar a altura exata. (...)". — Lorenzo Mammi (PASTA, Paulo. Paulo Pasta : 2. bolsa Emile Eddé de artes plásticas. São Paulo: MAC/USP, 1989).

Acervos

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Museu Nacional de Belas Artes

Museu de Arte de Brasília

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Museu de Arte Moderna de São Paulo

Acervo Galeria Millan Antônio - São Paulo

Coleção Adalberto Calil - São Paulo

Coleção Andréa e José Olympio Pereira - São Paulo

Coleção Andrea e Roger Agnelli  - Rio de Janeiro

Coleção Antônio Gonçalves Filho - São Paulo

Coleção Arnaldo Malheiros Filho - São Paulo

Coleção Arthur de Mattos Casas - São Paulo

Coleção Arthur Lescher - São Paulo

Coleção Christian Hemmés - São Paulo

Coleção Claudio Mubarac - São Paulo

Coleção Denise Aguiar - São Paulo

Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz - Ribeirão Preto, São Paulo

Coleção Fernando Altério - São Paulo

Coleção Gabriela e Antônio Quintella - São Paulo

Coleção Henrique Constantino - São Paulo

Coleção João Carlos Alves Pereira - São Paulo

Coleção João Federici - São Paulo

Coleção José Zaragosa - São Paulo

Coleção Kim Esteve - São Paulo

Coleção Marcantonio Vilaça - Recife

Coleção Marcelo Bandeira de Mello - São Paulo

Coleção Marcelo Secaf - São Paulo

Coleção Maria Luísa e Pedro Alcântara - São Paulo

Coleção Maria Teresa Sosio - São Paulo

Coleção Miguel Chaia - São Paulo

Coleção Milton Goldfarb - São Paulo

Coleção Nilo Cecco - São Paulo

Coleção Nora Clemente - São Paulo

Coleção Orandi Momesso - São Paulo

Coleção Patrícia Cisneros - Caracas

Coleção Rafael Decunto - São Paulo

Coleção Roberto Brandão - São Paulo

Coleção Rodrigo Andrade - São Paulo

Coleção Socorro de Andrade Lima - São Paulo

Coleção Song Eek - São Paulo

Coleção Sônia Fernandes - São Paulo

Coleção Tom Freitas Valle - São Paulo

Exposições Individuais

1988 – Individual de Paulo Pasta

1996 – Individual de Paulo Pasta

1998 – Individual de Paulo Pasta

1999 – Individual de Paulo Pasta

2001 – Paulo Pasta: Pintura

2002 – Paulo Pasta: Desenhos

2002 – Paulo Pasta: Pinturas 2001/2002

2003 – Individual de Paulo Pasta

2004 – Paulo Pasta: Pinturas

2004 – Individual de Paulo Pasta

2005 – Individual de Paulo Pasta

2006 – Individual de Paulo Pasta

2007 – Individual de Paulo Pasta

2008 – Individual de Paulo Pasta

2009 – Individual de Paulo Pasta

2012 – Individual de Paulo Pasta

Exposições Coletivas

1984 – Da Paisagem e da Figura

1985 – Paulo Pasta: desenhos

1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1985 – 2º Prêmio Pirelli Pintura Jovem

1985 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas

1986 – 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1986 – 9º Salão Nacional de Artes Plásticas: sudeste

1987 – Imagens de Segunda Geração

1987 – 5º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1987 – Coletiva na Galeria Paulo Figueiredo

1988 – Coletiva na Galeria Subdistrito

1988 – Workshop Berlim–São Paulo (São Paulo e Berlim)

1988 – Projeto Macunaíma

1988 – 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea

1989 – 10 Artistas

1989 – Perspectivas Recentes

1989 – Novos Valores da Arte Latino-Americana/Brasil

1989 – 20º Panorama de Arte Atual Brasileira

1989 – 11º Salão Nacional de Artes Plásticas

1990 – Doações e Aquisições Recentes

1990 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira

1990 – Prêmio Brasília de Artes Plásticas

1991 – Brasil: la nueva generación

1991 – BR/80: pintura Brasil década 80

1991 – 3ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca

1992 – Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas

1992 – Coletiva na Casa do Médico

1993 – Coletiva de Pintura

1993 – Paulo Pasta (Belo Horizonte)

1993 – Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira

1993 – Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas

1994 – Paulo Pasta: pinturas

1994 – 22ª Bienal Internacional de São Paulo

1994 – Anos 80: o palco da diversidade

1995 – Morandi no Brasil

1995 – Anos 80: o palco da diversidade

1995 – Coletiva na Galeria Casa da Imagem

1995 – Arte Brasileira: confrontos e contrastes

1995 – Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96

1996 – VentoSul: mostra de artes visuais integração do Cone Sul

1997 – Galeria Casa da Imagem: Exposição de Inauguração

1997 – Experiências e Perspectivas: 12 visões contemporâneas

1997 – Arte Cidade III: a cidade e suas histórias

1997 – 25º Panorama da Arte Brasileira

1997 – A Arte Contemporânea da Gravura

1997 – A Última Figuração

1998 – 25º Panorama da Arte Brasileira

1998 – Afinidades Eletivas I: o olhar do colecionador

1998 – O Colecionador

1998 – O Suporte da Palavra

1998 – A Paisagem Urbana Contemporânea

1998 – Arte Brasileira no Acervo do MAM-SP: doações recentes 1996–1998

1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ

1998 – Figuras, quase Figuras

1999 – O Brasil no Século da Arte

2000 – O Acervo e o Desenho – Produção Recente

2000 – Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento

2000 – Pinturas na Coleção João Sattamini

2000 – 12ª Mostra da Gravura de Curitiba: Marcas do Corpo, Dobras da Alma

2000 – Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha

2000 – Obra Nova

2001 – Mostra de Arte Contemporânea

2001 – O Espírito de Nossa Época

2001 – Espelho Cego: seleções de uma coleção contemporânea

2001 – 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul

2001 – A Cor na Arte Brasileira

2002 – Estratégias para Deslumbrar

2002 – Portão 2

2002 – Diálogo, Antagonismo e Replicação na Coleção Sattamini

2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952–2002

2002 – O Plano como Estrutura da Forma

2002 – Leilão de Arte

2002 – Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini – MAC Niterói

2002 – Ópera aberta: celebração

2002 – 28(+) Pintura

2003 – 2080

2003 – 8 Artistas em Madri

2003 – Arco

2003 – MAC USP 40 Anos: interfaces contemporâneas

2003 – Meus Amigos

2003 – Desenhos Grandes

2003 – Pintura e Desenho – 90/00

2004 – Heterodoxia: edição Natal

2004 – Heterodoxia: edição Belém

2004 – Heterodoxia: edição Latino-Americana

2004 – Arte Contemporânea no Acervo Municipal

2005 – Arte em Metrópolis

2005 – Cromofagia

2005 – Coletiva de Acervo

2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira

2006 – Ao Mesmo Tempo o Nosso Tempo

2006 – Mostra Ribeirão Preto 150 anos

2006 – Clube de Gravura: 20 anos

2006 – Gravura em Metal: matéria e conceito no ateliê Iberê Camargo

2006 – MAM [na] OCA

2006 – Paralela

2007 – Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981–2006

2007 – 80/90: modernos, pós-modernos, etc

2007 – Pintura Contemporânea ou Ut Pictura Diversitas

2007 – Paulo Pasta: Desenhos e Pinturas 2006–2007

2007 – Heterodoxia – Séries

2007 – Arte Contemporânea: Aquisições Recentes do acervo da Pinacoteca

2008 – Panorama dos Panoramas

2008 – Arte Pela Amazônia: arte e atitude

2008 – MAM 60

2008 – 3º Arquivo Geral

2009 – Matisse Hoje

2009 – Nasci Errado e Estou Certo

2009 – 40ª Chapel Art Show

2010 – 41º Chapel Art Show

2010 – Coletiva 10

2011 – Arte no cotidiano: acerca do colecionismo

2011 – Sobrevisíveis

2011 – Sim Galeria: Mostra Inaugural

2011 – 1911–2011 Arte Brasileira e Depois – Coleção Itaú

2011 – O Colecionador de Sonhos

2012 – Cor e Forma III

2012 – O Fim da Metade é o Começo do Meio

2013 – Múltipla de Múltiplos

2013 – 100 anos de Arte Paulista – Pinacoteca

2013 – A Pintura é que é isto

2013 – Os VOLPIs do MAC

2013 – 30ª Bienal – Transformações na Arte Brasileira

2013 – 33º Panorama da Arte Brasileira

2013 – Para Além do Ponto e da Linha – MAC USP

2014 – MAIS + – Doações Pinacoteca

2014 – Exercícios de ver

2014 – Edições e Múltiplos

2015 – Fábula da Paisagem

2015 – Há um Fora Dentro da Gente e Fora da Gente um Dentro

2016 – O Estado da Arte

2016 – Pequenas Pinturas – 2ª Parte

2016 – Um Desassossego: pinturas

2016 – Atlas Abstrato

2017 – Modos de ver o Brasil – Itaú Cultural 30 Anos

2018 – Paulo Pasta – projeto e destino

2019 – O Sagrado na Arte Moderna Brasileira

2019 – Ateliê de Gravura: da tradição à experimentação

2019 – Tinta Sobre Tinta: acervo do MAM no Instituto CPFL

2019 – 47º Chapel Art Show

2020 – Pinacoteca: Acervo

2021 – 1981/2021: Arte contemporânea brasileira na coleção Andrea e José Olympio Pereira

2021 – Em Branco

2021 – Da Letra à Palavra

2023 – Diálogos com cor e luz

2025 – Coleção Vilma Eid – Em cada canto

Fonte: PAULO Pasta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 24 de junho de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7


Paulo Pasta: conheça sua biografia e principais obras | LAART

O cenário artístico brasileiro é repleto de talentos que, por meio de suas obras, expressam diferentes estéticas e promovem a reflexão. Nesse contexto, alguns artistas se destacam. Esse é o caso de Paulo Pasta, um pintor, desenhista, ilustrador e professor brasileiro, cuja arte encanta e surpreende.

Ao longo desse post, você conhecerá a biografia e as obras de Paulo Pasta. Boa leitura! 

Paulo Pasta: biografia

Nascido em 1959 e natural de Ariranha, interior de São Paulo, Paulo Pasta tem contato com a arte desde sua mais tenra idade. Isso porque sua casa respira esse tema por meio das pinturas de seu pai e pela existência de uma coleção de peças dos mais variados gênios da arte. Assim, como um processo natural, ainda adolescente, inicia seus estudos artísticos em sua casa mesmo, em um ateliê despretensioso.

Logo, o artista empresta como referência traços dos mais célebres artistas, como Vincent van Gogh e Henri Matisse. Em seguida, termina seus estudos básicos.

Assim, em 1977, muda-se para São Paulo e começa a ser um frequentador assíduo da Pinacoteca e do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Logo, seu amor pela arte torna-se inegável. Dessa forma, ela dá início ao seu infinito mergulho nas artes plásticas ao ingressar, no ano seguinte, na Escola de Artes Plásticas da USP.

Você é apaixonado por arte como Paulo Pasta? Então, não deixe de ler: “Pintores mais famosos do mundo: quem são e quais são seus quadros mais conhecidos”.

Trajetória artística 

Em 1979, combinando a paixão pela pintura e pelo ensino, o artista começa a lecionar pintura e, no ano seguinte, a trabalhar na Pinacoteca. Lá conhece personalidades emblemáticas do Grupo Santa Helena e desenvolve uma relação especial com Alfredo Volpi.

Em 1983, ele se forma em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Lá, tem contato com ícones da arte, como:

Evandro Carlos Jardim: com quem estuda desenho e gravura em metal;

Regina Silveira: com quem aperfeiçoa seus estudos em serigrafia e litografia.

Logo, o seu lado acadêmico aflora ainda mais e ele começa a lecionar em grandes instituições de ensino de São Paulo, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Hoje, o artista faz parte do corpo docente da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Os estudos, prêmios e reconhecimento de Paulo Pasta

Além do campo acadêmico, o artista desenvolve técnicas e se aprimora por meio de cursos livres nos mais variados institutos culturais da metrópole paulistana. Assim, com tanto estudo e talento, o artista tem seu trabalho reconhecido pelos mais célebres centros de arte. Logo, recebe prêmios do Museu de Arte de Brasileira e do Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre muitos outros.

Além de receber prêmios de prestígio, o artista participa de várias exposições importantes, lança o livro “Educação pela Pintura” e, em 2018, por meio da mostra “Lembranças do Futuro”, expõe seus últimos principais trabalhos na Galeria Millan.

Doutor em artes visuais pela USP, Paulo Pasta está sempre antenado em relação às tendências, estuda, leciona e produz obras valiosas que ficarão, para sempre, no imaginário de quem o admira. 

Paulo Pasta: obras

No livro “Artistas de USP – Paulo Pasta”, o crítico Rodrigo Naves descreve a essência da personalidade e do estilo do artista de forma sublime:

“Nada que se mostre imediatamente interessa à pintura de Paulo Pasta”.

Em outras palavras, o seu trabalho não é óbvio e nem superficial. Afinal, o artista dá vida a obras abstratas explorando tons sutis e repletos de significados.

Com tons que brincam entre si, as obras de Paulo Pasta contam com uma cor principal que contém as outras, mas que não deixa de se destacar. Além disso, suas pinceladas conversam de modo harmonioso e, assim, promovem o equilíbrio interno da obra.

A peça abaixo demonstra essa proposta e faz parte do acervo da Laart. Clique aqui e saiba mais sobre essa interessante gravura.

Além de prestigiarem o equilíbrio interno de modo introspectivo e com bastante sensibilidade, suas obras estimulam um olhar mais reflexivo. Isso porque suas peças promovem uma visão diferenciada e intuitiva do espectador.

Por meio de estruturas mais ordenadas e de elementos que contrastam por meio de cores, as obras de Paulo Pasta são compostas com paixão e possuem elevada qualidade técnica.

Assim, com muito equilíbrio e singularidade, seus trabalhos se destacam entre tantos ao promoverem a luminosidade intensa e as diferenças entre tom e cor, superfície e profundidade e luz e sombra.

Fonte: Laart, “Paulo Pasta: conheça sua biografia e principais obras”. Publicado por Agência Pipoca, em 18 de outubro de 2019.Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


A arte de Paulo Pasta ganha Nova York (e o mundo!) | NeoFeed

"Da onde você acha que vem essa pintura?", perguntou o galerista nova-iorquino David Nolan ao apresentar um trabalho de Paulo Pasta a um cliente. "Esta pintura não é daqui, deve vir da América do Sul. Vem do Brasil", arrematou, sem ter qualquer pista sobre a origem do artista brasileiro.

"Fiquei muito feliz. Eu nunca imaginei que o meu trabalho fosse identificado como uma pintura brasileira", diz Paulo Pasta em entrevista ao NeoFeed,. "Isso que eu queria lá fora: poder me ver de uma outra maneira pelos olhos dos outros." Este mês (abril), Pasta se tornou o primeiro artista brasileiro ser representado pela galeria David Nolan, uma das mais tradicionais de Nova York, no Soho. E prepara uma exposição individual no espaço para novembro deste ano.

No fim de 2021, David Nolan e Valentina Branchini, sócios da galeria, vieram a São Paulo exclusivamente para conhecer o trabalho de Pasta. "Nos sentimos alegremente envolvidos pela energia luminosa que irradiava das telas e intrigados pela qualidade metafísica da pintura", diz Branchini, sócia da galeria nova-iorquina. No Brasil, o pintor continua sendo representado pela galeria Millan.

Quem fez a ponte entre a galeria e o artista foi o curador americano Simon Watson. Em 2021, ele organizou a exposição "Paulo Pasta: Luz", individual do artista no Museu de Arte Sacra, na capital paulista. "Paulo Pasta entra no mercado internacional de arte em um momento em que ansiamos por momentos de reflexão, serenidade e luz interior", disse.

Antes de expor em Nova York, Pasta participará de uma exposição em Londres, na galeria Cecília Brunson, em junho, organizada pelo curador Gabriel Pérez-Barreiro. Nesta mostra, apresentará uma série de paisagens, que pintou de memória sobre suas idas e vindas de São Paulo a Ariranha, sua cidade natal.

Segundo o artista, é uma viagem que nunca acaba. Embora não visite mais fisicamente o interior de São Paulo, por meio de fotos, esboços e lembranças registra na tela o caminho, que se expande agora para novas fronteiras.

Com mais de 30 anos de uma sólida carreira em território nacional, Pasta tem trabalhos no acervos de importantes museus brasileiros como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, e na importante coleção particular da venezuelana Patricia Phelps de Cisneros. Agora, aos 63 anos, começa a dar seus primeiros passos no cenário internacional.

"Claro que tinha muita vontade de mostrar o meu trabalho fora do Brasil. Mas também não ia forçar a porta, não. Achei bonito que a porta se abriu e espero que ela continue aberta e que o meu trabalho faça sentido fora", diz o artista, que construiu sua trajetória sem pressa, mas com muita certeza de que o seu destino estava na pintura.

A pintura como vocação

Paulo Pasta descobriu ainda muito jovem que queria ser pintor. "Eu tive um monte de crise, menos a de vocação. Eu sempre quis ser pintor", afirma. O primeiro contato de Pasta com a pintura foi pela série de fascículos Gênios da Pintura, publicada pela Editora Abril.

Quando veio para São Paulo fazer cursinho e prestar vestibular, seus pais achavam que o aspirante a pintor se candidataria a uma vaga no curso de arquitetura, mas Pasta já estava com o seu "bolo de fubá pronto" e passou no curso de Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

Aluno de uma geração de artistas conceituais, como Julio Plaza e Regina Silveira, que haviam renunciado à pintura, seu começo na faculdade foi frustrante para quem queria ser pintor, pois não havia aulas sobre a técnica. Mas lá dentro encontrou amigos com quem podia trocar experiência sobre tintas, pincéis e telas.

"A pintura tinha outro aspecto. Para mim, pintar nunca foi algo paródico. Eu nunca tive com ela uma relação cínica ou me alimentei de sua morte para produzir sentido. Ou contrário: eu encarei como uma linguagem viva ainda cheia de sentido", diz.

Apesar de não ter participado da icônica exposição "Como vai você Geração 80?", em 1984 no Parque Lage, Pasta faz parte dessa geração de artistas formados nos anos 1980, como Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Luiz Zerbini, que redescobriram na pintura uma forma de expressão. Em contraposição à geração anterior que resistia ao mercado, os trabalhos desses artistas foram rapidamente aceitos nas principais galerias de arte do país.

As primeiras pinturas de Pasta são figurativas. "O pintor", de 1985, que faz parte do acervo do MAC-USP, por exemplo, já antecipa o assunto ao qual o artista vai se dedicar nas próximas décadas. A pintura em tons de cinza apresenta uma figura humana pintando um grande painel com formas geométricas.

No final da década, Pasta já começa a sua investigação pela cor. Ele recobria a tela com várias camadas de tinta e depois raspava deixando só o que considerava essencial. De acordo com o artista, o aspecto temporal que as marcas da raspagem deixavam na pintura, apresentando suas camadas, migraram para a cor.

Um outro tempo

Cor é luz. Para que o olho capte a intensidade da luminosidade é preciso um tempo diante da tela de Pasta. Fugidia como a luz, a pintura acontece num instante. Ali onde a visão se embaralha, quando é preciso apertar as pálpebras para enxergar com precisão onde uma cor termina e outra começa. A estabilidade do momento é breve. Logo os retângulos cromáticos começam novamente a querer fugir do controle do olhar.

"Minha pintura muda pouco, ela se desloca lentamente. Eu gosto também disso, desse aspecto que ela tem de uma lentidão, de uma sedimentação, de um tempo estendido, de uma reflexão maior", explica.

Um pequeno exemplo de uma sutil mudança é uma mínima faixa branca que começou a aparecer no trabalho de Pasta no início dos anos 2010. No começo, esse elemento era uma forma de o artista mostrar alguma falta de controle na pintura tão bem acabada. O espaço branco, que ele chamou de "respiradouro", foi ganhando cada vez mais presença ao longo dos anos. Em alguns trabalhos, a faixa branca já contorna todo o quadro, formando uma margem.

"As pessoas vivem em um mundo em que acham que tudo muda muito e o tempo todo, mas a verdade é que as coisas mudam muito pouco. Uma grande transformação custa caríssimo e demora muito tempo. Eu digo isso porque minha pintura muda, sim, mas não obedece à lógica externa, que muitas vezes é a lógica do mercado", afirma.

Na maioria das obras, Pasta trava seu embate direto no plano, mas uma conversa com a linha oblíqua aparece às vezes em seu curso. Para o pintor, a pintura pede uma planaridade, pois a cor quando vem para o plano fica mais eloquente.

No entanto, em algumas telas, de forma discreta, o artista faz pequenas diagonais, como se sugerisse um breve balanço, um pouco de profundidade em sua rigorosa bidimensionalidade. Esse sutil detalhe do traço oblíquo, que aparece em algumas telas, às vezes, induzem a uma porta aberta, uma abertura para a dentro da pintura. Quiçá a tal porta para esse mundo novo que se abre fora do Brasil.

Fonte: NeoFeed, "A arte de Paulo Pasta ganha Nova York (e o mundo)", publicado por Karina Sérgio Gomes, em 1 de maio de 2022. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


Paulo Pasta abre ateliê e revela como seleciona as cores de suas pinturas | Casa Vogue

A conversa começava a se desenrolar no ateliê na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, quando a campainha tocou. Era um portador com o catálogo da mais nova mostra de Paulo Pasta, Correspondências, em cartaz na Galeria Millan até 18 de dezembro. Nem foi preciso perguntar se a emoção do artista – um dos mais respeitados e bem-sucedidos do país – se renova a cada estreia.

A resposta estava no interesse dos seus olhos, no modo gentil de folhear o exemplar, no discreto sorriso suscitado pelos registros de seu trabalho. Nesses 37 anos de exposições (a primeira aconteceu em 1984, logo após se formar pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), o afeto pela pintura persiste, e se declara diariamente em uma estudada e ilimitada gama de nuances.

“A PUREZA É ESTAGNANTE”

A cor – não a pura, mas a contaminada – é a voz de Pasta. “Porque a vida é assim, cheia de misturas. Você tem de aceitar a impureza das coisas para forçar o andamento da cultura”, resume. No evento em questão, além de uma nova leva de telas, outro elemento aparece pela primeira vez: mensagens de texto trocadas durante a pandemia com o crítico de arte Ronaldo Brito, do Rio de Janeiro. “Para passar aquele medo e a sensação de futuro interrompido, o Ronaldo propôs que eu enviasse fotos do que estava produzindo e, em retorno, ele escreveria a respeito. Assim fizemos de abril a setembro de 2020”, detalha.

O medo, curiosamente, não vazou para as obras. Ao contrário, neutralizou-se pela intensificação da rotina. Pasta, que vai ao ateliê todas as tardes, inclusive aos sábados e domingos, se concentrou ainda mais nos estudos preparatórios das tintas e combinações. Pintou em tela, papel, em tamanho grande, médio, pequeno, e até mesmo em inéditos formatos diminutos, movido por uma urgência de conservar a sanidade e ver o pigmento reagindo mais depressa. Nesse período de restrições, janelas surgiram.

Quadrados e pórticos, estrategicamente posicionados em campos cromáticos, sugerem suportes que se entreabrem para dentro. Como se o labor artístico, durante o confinamento, também passasse por um processo de autorreflexão. Afinal, para onde olhar em tempos tão doentes? Nas palavras do jornalista, escritor e dramaturgo Antonio Callado na introdução do livro A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer (LTC, 256 págs.), quando o homem adoece “a função da arte é refundir esse homem, torná-lo de novo são e incitá-lo à permanente escalada de si mesmo”.

Pasta ri da comparação com um curandeiro, mas concorda que sua pintura oferece consolo. E a cor é o que torna tudo eloquente. Os tons sutis prevalecem, os púrpuras chegam calmos, e os azuis parecem se dissolver no ar. Tanto que o escultor mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) comparou a produção do agnóstico Pasta a uma reza. “O silêncio é a moradia da cor e onde eu quero morar é no silêncio”, confirma ele, afeito à síntese – quanto menos recursos para distrair o espírito, mais fácil tocar no essencial. Daí sua paleta organizada, reduzida, simplificada. Seis matizes, no máximo, é tudo que se verá em uma mesma obra.

FRONTEIRAS INCERTAS

Observo duas delas, tingidas de variações de rosa e cinza, as nuances preferidas do autor. Difícil fixar na memória onde estavam o rosa mais forte e o mais suave, e o cinza entre eles parece borrar a passagem, enganando a minha percepção de limites. Tudo ardilosamente engendrado à custa de muita intuição e prática. “As cores estão na vanguarda de quem sou. Uso por instinto. É como andar no escuro, vou elucidando o caminho aos poucos. Se coloco algo ali, uma coluna, uma cruz, uma tonalidade, aquilo volta para mim em uma construção recíproca”, explica ele sobre o próprio processo criativo. “Quando você, espectadora, olha e começa a ter a sensação de ver e não ver, aí a pintura está pronta. Porque ela não se entrega. Ela vem vindo, e volta. É manhosa, como falou certa vez o crítico e historiador da arte Rodrigo Naves”, diverte-se. “Sabe quando uma fruta chega no ponto máximo de sabor? É exatamente na véspera do dia em que começa a apodrecer”, prossegue. “Tento capturar a cor nesse auge. Depois disso, vem a extinção. Esse é o aspecto temporal que procuro, a noção de que as coisas têm uma duração. Volpi, pintor brasileiro que mais admiro, fazia isso.”

Rei do autocontrole, revelado pela estabilidade do seu desenho, Pasta adota essa mudança de fase da coloração para balançar estruturas fixas e criar uma indefinição, chamada por ele de funambulismo. “Funâmbulo é o homem que caminha na corda bamba, que pode cair para cá ou para lá, e se equilibra entre os dois lados. Por isso gosto tanto do cinza: ele está entre, foge das polaridades.” Quem dera essa fluidez marcasse mais presença. “O Brasil não está para funâmbulo”, lamenta. “O país perdeu toda e qualquer sutileza, virou um território violento, de extremos, sem espaço para a poesia. Os tiranos odeiam a poesia porque é o lugar do indefinido, do sentido humano. Apesar disso, a gente tem de continuar. Morandi [Giorgio Morandi (1890-1964)] seguiu pintando o que sempre pintou durante a Segunda Guerra, com todo aquele horror acontecendo.

Da mesma forma, precisamos permanecer.” As pinceladas de Pasta deixam escapar o aspecto fugidio do tempo, da beleza, da certeza. Mas também lembram: somos mortais. E tudo passa.

Fonte: Casa Vogue, “Paulo Pasta abre ateliê e revela como seleciona as cores de suas pinturas”, publicado por Kátia Stringueto, em 22 de janeiro de 2022. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.


Paulo Pasta – Para que serve uma pintura | Fundação Iberê Camargo

O prédio na frente foi pintado: cinza escuro na área das janelas, creme perto da quina, rosa na base das sacadas, as venezianas de um creme mais amarelado, já parcialmente esvaecido. É, ao mesmo tempo, um edifício e uma imagem. Normalmente, porém, não olhamos a imagem, vemos apenas o edifício. Não pensamos nas cores, senão porque distinguem os objetos. Mas em qualquer momento, se tiver tempo e paciência, posso abstrair da concretude do objeto e olhar para ele como se fosse uma pintura. Perceber, por exemplo, que seus elementos se separam pelo contorno e se relacionam pela cor. Que suas cores têm uma história e uma valência afetiva e, por isso, talvez, colorimos as coisas – não tanto por distingui-las, quanto para nos apropriarmos delas. Que, finalmente, certa combinação de forma e cores é o que torna esse prédio um indivíduo.

Uma tela de TV ou de computador nunca será uma coisa, e tampouco as imagens que aparecem nela. Nunca elas poderão ser outra coisa daquilo que são. Um quadro sim, e se coloca (especialmente no caso de Pasta) exatamente nesse intervalo em que a coisa se torna imagem (o pigmento se torna cor; a tela, figura) e vice-versa. Uma espécie de pausa, uma síncope, em que nos desprendemos do mundo e testamos nossa liberdade em relação a ele.

Toda percepção tende, irresistivelmente, a se cristalizar em figuras ou esquemas. Mas há um momento imediatamente anterior a essa cristalização que não é uma coisa nem outra. Como o próprio Pasta diz, há o momento em que ela é “ruído de alguma coisa”. Não necessariamente de algo do passado, mas de certa espessura do presente, que faz com que o contexto seja, por um instante, suspendido e a percepção se mostre, por assim dizer, no estado puro. É o rasgo de luz embaixo da porta com que Proust inicia sua Busca do tempo perdido.

Para que serve uma pintura? Talvez apenas para tornar o mundo um pouco mais complicado. Pintar é como gerar o outro de si, outra personalidade e outro lugar. Toda pintura é um mundo, já dizia Baudelaire, repetindo Delacroix – um mundo relacionado ao nosso, podemos acrescentar, mas não o mesmo mundo.

— Texto de Lorenzo Mammì.

Fonte: Fundação Iberê Camargo, “Para que serve uma pintura”. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.

Crédito fotográfico: Deco Cury, Casa Vogue. Consultado pela última vez em 24 de junho de 2025.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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