Agnaldo Manuel dos Santos (1926, Itaparica, Brasil – 1962, Salvador, Brasil), mais conhecido como Agnaldo dos Santos, foi um escultor brasileiro. Conhecido por suas obras em madeira que unem a cultura afro-brasileira à escultura moderna, Agnaldo foi descoberto enquanto trabalhava como vigia no ateliê de Mário Cravo Júnior, onde desenvolveu um estilo próprio caracterizado por formas expressivas e simbólicas. Em 1957, recebeu destaque na 4ª Bienal de São Paulo, onde sua obra "Pilão de Dendê" foi premiada. Suas esculturas integram acervos como o Museu Afro Brasil e a Pinacoteca de São Paulo.
Agnaldo dos Santos | Arremate Arte
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu em 1926, na Ilha de Itaparica, Bahia, e tornou-se um dos mais importantes escultores brasileiros do século XX, destacando-se por sua habilidade na madeira e por sua abordagem singular da arte moderna. Sua obra reflete um profundo enraizamento na cultura afro-brasileira, nas tradições populares e na espiritualidade, combinando técnica primorosa e inovação formal.
Desde jovem, Agnaldo demonstrou talento artístico, mas sua trajetória no mundo da escultura começou de maneira inesperada. Em 1947, mudou-se para Salvador em busca de oportunidades e conseguiu um emprego como vigia no ateliê do escultor Mário Cravo Júnior, um dos grandes nomes da arte moderna no Brasil. O contato diário com o trabalho do mestre despertou seu interesse pela escultura, e sua dedicação chamou a atenção de Cravo, que o incentivou a desenvolver suas próprias peças e o introduziu no meio artístico.
A partir de 1953, Agnaldo iniciou sua produção autoral, desenvolvendo um estilo que se destacava pelo uso expressivo da madeira, com formas robustas, texturas marcantes e uma síntese formal que dialogava tanto com as tradições africanas quanto com a escultura moderna ocidental. Suas figuras, frequentemente inspiradas em personagens do cotidiano, na religiosidade afro-brasileira e no sincretismo religioso, apresentavam uma força simbólica e uma estética única. Ele incorporava elementos geométricos e abstratos, criando um vocabulário próprio dentro da arte moderna brasileira.
O talento de Agnaldo logo chamou a atenção da crítica e do circuito artístico. Sua grande consagração ocorreu em 1957, quando participou da 4ª Bienal de São Paulo e recebeu o prêmio pelo trabalho "Pilão de Dendê", uma escultura que sintetizava sua capacidade de transformar a cultura popular em arte sofisticada e inovadora. A partir dessa premiação, passou a ser reconhecido como um dos principais expoentes da escultura brasileira, participando de diversas exposições individuais e coletivas em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar da ascensão meteórica, sua carreira foi interrompida precocemente. Agnaldo Manuel dos Santos faleceu em 1962, aos 36 anos, no auge de sua produção artística. Mesmo com uma trajetória breve, deixou um legado expressivo e influente. Suas esculturas passaram a integrar importantes coleções e acervos museológicos, como o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Museu de Arte Moderna da Bahia e a Pinacoteca de São Paulo.
Em reconhecimento à sua importância na arte brasileira, diversas exposições póstumas foram organizadas para preservar sua memória e sua contribuição para a escultura. Em 2023, o Museu de Arte Moderna da Bahia organizou a mostra "Agnaldo Manuel dos Santos – A Conquista da Modernidade", reunindo cerca de 50 peças do artista, destacando sua relevância no cenário artístico nacional e sua influência no movimento modernista brasileiro.
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Agnaldo dos Santos | Arte Popular Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
Fonte: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | Museu Afro Brasil
Escultor. Aos dez anos de idade, começou a trabalhar em diversas funções profissionais: foi lenhador, fabricante de cal e trabalhou inclusive como mineiro em uma caieira. Em 1947, tornou-se vigia no estúdio de Mário Cravo Jr., onde manifestou pendor artístico e, incentivado pelo mestre, começou a produzir suas próprias obras a partir de 1953. Suas primeiras esculturas já revelavam um forte poder expressivo e uma estética que se aproximava das artes tradicionais africanas, muito embora ele nunca as tivesse estudado. Pierre Verger lhe apresentou fotografias de esculturas africanas, de onde Agnaldo adotou a técnica de impregnar a madeira com substâncias escuras. Sua primeira exposição individual lhe valeu uma comissão para viajar à região do rio São Francisco, onde conheceu escultores populares de carrancas e estudou com Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, que foi, por assim dizer, seu segundo mestre nas artes plásticas. O artista então octagenário, que havia aprendido a arte da escultura desde os 30 anos em Santa Maria da Vitória, transmitiu parte do seu conhecimento ao discípulo. Segundo o crítico Clarival do Prado Valladares, Mestre Biquiba aguçou o interesse de Agnaldo pelas Carrancas, servindo também a este como intermediário comercial no resgate de peças que, ademais, já começavam a escassear e consequentemente, a aumentar o seu valor de mercado no Brasil e no exterior. A Barca de Carranca, que servia geralmente uma tripulação de oito homens para serviços diversos, tais como despacho de encomendas, transporte de produtos para armazéns e para o comércio, estava sendo paulatinamente substituída pela canoa motorizada, que, embora não comportasse a arte da carranca, exigia menor tripulação e era mais rápida que a barca. Boa parte dessas antigas embarcações era simplesmente deixada pra trás, sem uso, com suas obras a apodrecer na lama da margem do São Fransisco. O Mestre Biquiba Guarany era quem “salvava” essas peças enviando-as à Agnaldo que, a partir de Salvador, por sua vez, alimentava galerias do Rio de Janeiro, como a Petite Galerie, que era um espaço de divulgação desde a arte neoconcreta até a arte popular como as Carrancas do São Francisco. Além de possuir várias obras no acervo do Museu Afro Brasil, suas obras também constam no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra também importantes coleções privadas.
Fonte: Museu Afro Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Museu de Arte do Rio recebe individual de Agnaldo Manuel dos Santos | ArtRef
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 10 de dezembro de 1926, local onde viveu até 1946. Pouco se sabe de sua vida antes de se mudar para a cidade de Salvador naquele ano. É, no entanto, em 1947, que ele, ao procurar um emprego na região do Porto da Barra, conheceu o artista Mário Cravo Júnior e se tornou vigia do seu ateliê e em seguida seu assistente. Foi apenas por volta de 1953 que Agnaldo se tornou artista, mais especificamente, um escultor de madeira.
Desde 2013, a curadora Juliana Bevilacqua vem estudando sua obra também com o intuito de mostrar sua trajetória de experimentações que vão além das referências à sua ancestralidade. “Até hoje, a sua produção vem sendo vinculada a uma conexão profunda com a África, sobretudo através do inconsciente e do atavismo. Agnaldo seria, dessa forma, um produto das ressonâncias africanas na diáspora, não importando o quão marcante foi a sua circulação no meio artístico e os contatos com outros artistas para a sua formação, nem os estudos e as múltiplas referências com as quais lidou ao longo da sua trajetória para realizar as suas obras. Ele se formou como artista no ateliê mais importante da Bahia na década de 1950, fez escolhas conscientes, subvertendo o lugar que o colocavam”.
Mostra “Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade”
Na mostra estarão reunidas obras de museus e coleções privadas que resgatam seus múltiplos interesses nas formas, temas e referências, explorados em esculturas nos seguintes eixos: “Esculpindo uma Trajetória”, “O Universo das Carrancas”, “Sobre Gente e Afeto”, “A África de Agnaldo” e “Entre Santos e Ex-votos”.
“É bastante simbólico que, no ano do aniversário de sessenta anos da morte de Agnaldo, esta exposição esteja sendo apresentada no Museu de Arte do Rio. A primeira mostra individual do artista, curiosamente, não aconteceu na Bahia, e sim no Rio de Janeiro, em 1956, na emblemática Petite Galerie, com a qual assinou um contrato de exclusividade em 1960”, diz Juliana.
O recorte escolhido para a mostra reflete o esforço e o empenho em subverter o lugar ao qual se pretendeu delimitar um artista que levava muito a sério seu ofício. “Agnaldo, é, sem dúvida, também uma conquista da modernidade, que se beneficiou de um artista único em muitos sentidos. Ainda que jamais saberemos quais outros voos o escultor alçaria se não tivesse partido tão cedo, em 1962, ele é, sem dúvida, um caso singular da arte moderna no Brasil”, reflete a curadora.
Para o Diretor e Chefe da Representação da OEI no Brasil, Raphael Callou, a chegada da exposição, em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, revigora a missão do MAR de trazer mostras em cooperação com instituições culturais de outras cidades.
“A importância do MAR em receber a exposição individual de Agnaldo é enorme. Agnaldo Manuel dos Santos foi um escultor baiano que trabalhou com grandes nomes da arte brasileira, mas que, ao mesmo tempo, teve sua biografia invisibilizada por muito tempo. Nesse sentido, a mostra possibilita que o nosso público experimente a arte por uma perspectiva mais inclusiva e plural”.
Fonte: ArtRef. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM apresenta Agnaldo dos Santos às novas gerações | A Tarde
Morto há 61 anos, o escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no Museu de Arte Moderna Bahia com a exposição Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade. Hoje muito valorizadas, suas peças representam orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da historiadora da arte Juliana Ribeiro Bevilacqua, que selecionou cerca de 50 peças para a esta mostra.
“Ao contrário de muitos artistas, Agnaldo não foi esquecido, mesmo morrendo em sua ascensão artística, ainda em vida, Agnaldo pôde fazer parte de exposições importantíssimas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como a quarta Bienal em 1957, sendo que uma de suas obras foi premiada neste evento”, conta Juliana.
“Ele fez a primeira exposição individual dele em Salvador, na Galeria Oxumaré em 1958. Antes disso ele já tinha participado em exposições coletivas. No entanto houve poucas exposições individuais dele. A nossa exposição agora começou em São Paulo em 2021, daí ela viajou para o MAR - Museu de Arte do Rio em 2022 e agora ela ocorre aqui, 35 anos depois da última exposição individual, de Agnaldo em Salvador”, diz Juliana.
Nascido na ilha de Itaparica no dia 10 de Dezembro de 1926, Agnaldo tem suas obras consideradas como uma continuidade das esculturas africanas no Brasil. O artista é decendente de índigenas e negros, trabalhou como lenhador, fabricante de cal, vigia e ajudante do artista Mário Cravo Jr. As primeiras aspirações artísticas de Agnaldo começaram em 1947, quando se mudou para Salvador, logo após ser empregado como vigia do estúdio de Mário Cravo Jr. no Porto da Barra, onde além de trabalhar, era o local onde dormia, e depois de um tempo, Agnaldo se tornou assistente e aprendiz de Mário Cravo.
Foi só em 1953 que Agnaldo começou a produzir suas próprias esculturas. Ele explorou a bacia do rio São Francisco como mediador na aquisição e venda de carrancas. Foi por meio dessa relação que ele conheceu e se tornou amigo de Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, o mestre mais importante desta arte.
O crescente interesse de Agnaldo pelas carrancas e pelas lições que aprendeu com Guarany se refletiu em sua produção, que passou a incorporar cada vez mais elementos da estética peculiar das figuras de proa das embarcações do São Francisco em algumas de suas obras, que receberam os nomes de Cabeça de animal e Cabeça de tatu, entre outros.
“Agnaldo explorou muitas referências para fazer suas esculturas, eu acho que é por isso que elas são tão únicas. Naquele momento, desse modernismo na Bahia, ele e outros artistas estavam explorando essa ideia do nacional, da cultura nacional, do popular”, observa Juliana.
“Uma referência fundamental para Agnaldo foram os ex-votos. Ele, Mário Cravo, Lênio Braga e Carybé coletavam santos e ex-votos pela Bahia, ele estudou com santeiros na Universidade Federal da Bahia. Outra referência é a arte africana. Ele observou e estudou bastante catálogos de arte africana e esses elementos aparecem nas obras dele. Apesar disso, em nenhum momento ele tenta imitar ou simplesmente reproduzir as esculturas africanas, seu trabalho jamais seria confundido com uma escultura africana ou até mesmo com as carrancas de Biquiba Guarany, outra referência muito importante com quem Agnaldo teve contato”, afirma.
Produzidas em madeira, as obras de Agnaldo sempre foram voltadas para o tema da brasilidade, desde a religiosidade afro-brasileira do candomblé, até as referências de temas católicos, como os ex-votos em madeira que foram coletados por ele e outros artistas da época em suas viagens nos anos 1950.
Demanda da sociedade
Atualmente, as obras encontram-se espalhadas por diversos acervos de museus no Brasil e no exterior, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu Afro Brasil em São Paulo, e o Museum of Fine Arts em Boston, Estados Unidos, além de coleções privadas também.
“Não são muitas as instituições brasileiras que possuem obras de Agnaldo. 80 ou 90% das suas obras estão em mãos de colecionadores privados e mesmo morrendo bem jovem, aos 36 anos, ele produziu bastante durante seus nove anos de produção. Parte da minha pesquisa era catalogar essa produção, e durante o período de seleção das obras, meu foco era explorar as referências dele, e explorar seus estudos, né”, conta Juliana.
“Não é porque ele não teve uma educação formal que ele não estudou, ou que ele não teve um olhar cuidadoso e atento para as suas referências. Desta forma, quero tira-lo do lugar de ‘artista primitivo’, em que ele foi colocado por curadores, críticos e outros artistas da sua época, sendo que ele era um artista negro convivendo com a elite artística, economica e intelectual contemporânea”, afirma.
E engana-se quem pensa que só depois de morto a produção de Agnaldo passou a ser valorizada – para a curadora, sua valorização se deve ao seu caráter artístico, antes de tudo. “As obras de Agnaldo não se tornaram valiosas só agora, e eu acredito que isso vem primeiramente, do fato dele ser um artista que morreu jovem, então a sua produção é limitada, mas em segundo lugar, porque Agnaldo é absolutamente único. Se você olha para os escultores brasileiros, não há ninguém parecido com ele, e isso não querendo criar uma hierarquia de quem é melhor ou pior, mas a singularidade dele é absurda, a forma que ele explora a madeira. Além disso, na época em que estamos vivendo, o mercado, os críticos, estudiosos, estão olhando para o trabalho artístico negro, sejam modernos, contemporâneos, com mais cuidado”, diz Juliana.
“Esse não é um movimento que está ocorrendo somente com Agnaldo. Felizmente, outros artistas negros que antes também tinham pouco lugar em exposições estão ocupando novos espaços. Eu acho que a gente vive hoje um momento fundamental de reconhecimento e valorização da produção de artistas negros, e isso não foi dado, foi a partir de uma reivindicacão muito importante de diferentes grupos espalhados pelo Brasil, principalmente de artistas negros e curadores, que perceberam a importancia de olhar de forma mais atenta a estes artistas. Então essas três exposições vem em um momento muito feliz, a partir da demanda da sociedade de rever o espaço ocupado por artistas negros na história da arte”, conclui.
Fonte: A Tarde. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | ECF Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
A obra de Agnaldo é essencialmente produzida a partir da madeira e é de natureza antropomórfica. Suas peças são marcadas por uma grande variedade temática: vai da religiosidade afro-brasileira aos temas católicos, embora tenha a África como tema sempre presente em cada uma das suas peças. Por outro lado, a arte de Agnaldo difere da africana por diversas razões. Segundo o escritor, pesquisador e crítico de arte Clarival do Prado Valadares (1918-1923), a obra de Agnaldo "não pode ser entendida como filiação a uma determinada estilística regional africana: Agnaldo era senhor de meios expressionistas de absoluta originalidade". Agnaldo possuía um estilo único e característico ele não obedecia ao estilismo de qualquer sociedade africana, ele criou um estilo próprio.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo, ano em que montou sua primeira individual, na Petit Galerie, Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna. Sua obra integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) e de diversos outros museus brasileiros. Em 1987, sua obra esteve presente na mostra Brésil Arts Populaires (Paris - França).
Fonte: ECF Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no MAM | Governo da Bahia
Com obras de arte atualmente prestigiadas e supervalorizadas, depois de 61 anos do seu falecimento, o artista baiano Agnaldo dos Santos (1926-1962) ganha homenagem a partir desta terça-feira (18), às 18h, com a abertura especial no espaço expositivo da Capela do Museu de Arte Moderna (MAM Bahia) da exposição ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’. A coleção apresentada no MAM reúne cerca de 50 peças representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da curadora e historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Agnaldo nasceu na Ilha de Itaparica e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. De acordo com o diretor do MAM Bahia, Pola Ribeiro, "ele é uma pessoa de raiz profunda, do povo, começou a trabalhar com 10 anos de idade, era descendente de índios e negros, foi lenhador, fabricante de cal, depois vigia, ajudante e aprendiz do artista Mário Cravo Jr”, diz. Segundo Pola, a história e o legado de Agnaldo trazem de volta o discurso da primeira diretora do MAM, Lina Bo Bardi (1914-1992). “Ela desejava unir a Arte erudita e a Arte popular em um mesmo patamar e essa exposição é uma excelente oportunidade de colocar Agnaldo ao lado da exposição ‘UANGA’ de J. Cunha, da Coleção Rubem Valentim e da Coleção de Arte Popular em um museu da estirpe e com a história de excelência do MAM Bahia”, defende Ribeiro.
Fonte: Governo da Bahia. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM homenageia o escultor baiano Agnaldo dos Santos; coleção reúne cerca de 50 peças do artista | G1 Bahia
O escultor baiano Agnaldo Manuel dos Santos será homenageado com uma exposição na Capela do Museu de Arte Moderna (MAM) da Bahia, localizado em Salvador. A mostra chamada ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’, será inaugurada na terça-feira (18), às 18h.
A coleção apresentada no MAM já passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e reúne cerca de 50 peças de Agnaldo, representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas. A mostra tem curadoria da historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Descendente de indígenas e negros, Agnaldo dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, no ano de 1926, e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana.
Foi pelo olhar de Lina Bo Bardi, a primeira diretora do MAM, que Agnaldo fez sua primeira exposição individual na Bahia, no foyer do Teatro Castro Alves (TCA).
Agnaldo começou a esculpir em 1953. Suas esculturas em madeira estiveram em importantes coletivas e eventos como a Bienal de São Paulo, em 1957. Nesse mesmo ano, ele realizou sua primeira exposição individual, na Petit Galerie do Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna.
Depois da sua morte, em 1962, o baiano recebeu o prêmio internacional de escultura no 1° Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, no ano de 1966, pela escultura ‘Rei’. Algumas obras de Agnaldo estão no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Fonte: G1 Bahia. Consultado pela última vez em 17 de fevereiro de 2025.
Crédito fotográfico: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
Agnaldo Manuel dos Santos (1926, Itaparica, Brasil – 1962, Salvador, Brasil), mais conhecido como Agnaldo dos Santos, foi um escultor brasileiro. Conhecido por suas obras em madeira que unem a cultura afro-brasileira à escultura moderna, Agnaldo foi descoberto enquanto trabalhava como vigia no ateliê de Mário Cravo Júnior, onde desenvolveu um estilo próprio caracterizado por formas expressivas e simbólicas. Em 1957, recebeu destaque na 4ª Bienal de São Paulo, onde sua obra "Pilão de Dendê" foi premiada. Suas esculturas integram acervos como o Museu Afro Brasil e a Pinacoteca de São Paulo.
Agnaldo dos Santos | Arremate Arte
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu em 1926, na Ilha de Itaparica, Bahia, e tornou-se um dos mais importantes escultores brasileiros do século XX, destacando-se por sua habilidade na madeira e por sua abordagem singular da arte moderna. Sua obra reflete um profundo enraizamento na cultura afro-brasileira, nas tradições populares e na espiritualidade, combinando técnica primorosa e inovação formal.
Desde jovem, Agnaldo demonstrou talento artístico, mas sua trajetória no mundo da escultura começou de maneira inesperada. Em 1947, mudou-se para Salvador em busca de oportunidades e conseguiu um emprego como vigia no ateliê do escultor Mário Cravo Júnior, um dos grandes nomes da arte moderna no Brasil. O contato diário com o trabalho do mestre despertou seu interesse pela escultura, e sua dedicação chamou a atenção de Cravo, que o incentivou a desenvolver suas próprias peças e o introduziu no meio artístico.
A partir de 1953, Agnaldo iniciou sua produção autoral, desenvolvendo um estilo que se destacava pelo uso expressivo da madeira, com formas robustas, texturas marcantes e uma síntese formal que dialogava tanto com as tradições africanas quanto com a escultura moderna ocidental. Suas figuras, frequentemente inspiradas em personagens do cotidiano, na religiosidade afro-brasileira e no sincretismo religioso, apresentavam uma força simbólica e uma estética única. Ele incorporava elementos geométricos e abstratos, criando um vocabulário próprio dentro da arte moderna brasileira.
O talento de Agnaldo logo chamou a atenção da crítica e do circuito artístico. Sua grande consagração ocorreu em 1957, quando participou da 4ª Bienal de São Paulo e recebeu o prêmio pelo trabalho "Pilão de Dendê", uma escultura que sintetizava sua capacidade de transformar a cultura popular em arte sofisticada e inovadora. A partir dessa premiação, passou a ser reconhecido como um dos principais expoentes da escultura brasileira, participando de diversas exposições individuais e coletivas em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar da ascensão meteórica, sua carreira foi interrompida precocemente. Agnaldo Manuel dos Santos faleceu em 1962, aos 36 anos, no auge de sua produção artística. Mesmo com uma trajetória breve, deixou um legado expressivo e influente. Suas esculturas passaram a integrar importantes coleções e acervos museológicos, como o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Museu de Arte Moderna da Bahia e a Pinacoteca de São Paulo.
Em reconhecimento à sua importância na arte brasileira, diversas exposições póstumas foram organizadas para preservar sua memória e sua contribuição para a escultura. Em 2023, o Museu de Arte Moderna da Bahia organizou a mostra "Agnaldo Manuel dos Santos – A Conquista da Modernidade", reunindo cerca de 50 peças do artista, destacando sua relevância no cenário artístico nacional e sua influência no movimento modernista brasileiro.
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Agnaldo dos Santos | Arte Popular Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
Fonte: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | Museu Afro Brasil
Escultor. Aos dez anos de idade, começou a trabalhar em diversas funções profissionais: foi lenhador, fabricante de cal e trabalhou inclusive como mineiro em uma caieira. Em 1947, tornou-se vigia no estúdio de Mário Cravo Jr., onde manifestou pendor artístico e, incentivado pelo mestre, começou a produzir suas próprias obras a partir de 1953. Suas primeiras esculturas já revelavam um forte poder expressivo e uma estética que se aproximava das artes tradicionais africanas, muito embora ele nunca as tivesse estudado. Pierre Verger lhe apresentou fotografias de esculturas africanas, de onde Agnaldo adotou a técnica de impregnar a madeira com substâncias escuras. Sua primeira exposição individual lhe valeu uma comissão para viajar à região do rio São Francisco, onde conheceu escultores populares de carrancas e estudou com Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, que foi, por assim dizer, seu segundo mestre nas artes plásticas. O artista então octagenário, que havia aprendido a arte da escultura desde os 30 anos em Santa Maria da Vitória, transmitiu parte do seu conhecimento ao discípulo. Segundo o crítico Clarival do Prado Valladares, Mestre Biquiba aguçou o interesse de Agnaldo pelas Carrancas, servindo também a este como intermediário comercial no resgate de peças que, ademais, já começavam a escassear e consequentemente, a aumentar o seu valor de mercado no Brasil e no exterior. A Barca de Carranca, que servia geralmente uma tripulação de oito homens para serviços diversos, tais como despacho de encomendas, transporte de produtos para armazéns e para o comércio, estava sendo paulatinamente substituída pela canoa motorizada, que, embora não comportasse a arte da carranca, exigia menor tripulação e era mais rápida que a barca. Boa parte dessas antigas embarcações era simplesmente deixada pra trás, sem uso, com suas obras a apodrecer na lama da margem do São Fransisco. O Mestre Biquiba Guarany era quem “salvava” essas peças enviando-as à Agnaldo que, a partir de Salvador, por sua vez, alimentava galerias do Rio de Janeiro, como a Petite Galerie, que era um espaço de divulgação desde a arte neoconcreta até a arte popular como as Carrancas do São Francisco. Além de possuir várias obras no acervo do Museu Afro Brasil, suas obras também constam no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra também importantes coleções privadas.
Fonte: Museu Afro Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Museu de Arte do Rio recebe individual de Agnaldo Manuel dos Santos | ArtRef
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 10 de dezembro de 1926, local onde viveu até 1946. Pouco se sabe de sua vida antes de se mudar para a cidade de Salvador naquele ano. É, no entanto, em 1947, que ele, ao procurar um emprego na região do Porto da Barra, conheceu o artista Mário Cravo Júnior e se tornou vigia do seu ateliê e em seguida seu assistente. Foi apenas por volta de 1953 que Agnaldo se tornou artista, mais especificamente, um escultor de madeira.
Desde 2013, a curadora Juliana Bevilacqua vem estudando sua obra também com o intuito de mostrar sua trajetória de experimentações que vão além das referências à sua ancestralidade. “Até hoje, a sua produção vem sendo vinculada a uma conexão profunda com a África, sobretudo através do inconsciente e do atavismo. Agnaldo seria, dessa forma, um produto das ressonâncias africanas na diáspora, não importando o quão marcante foi a sua circulação no meio artístico e os contatos com outros artistas para a sua formação, nem os estudos e as múltiplas referências com as quais lidou ao longo da sua trajetória para realizar as suas obras. Ele se formou como artista no ateliê mais importante da Bahia na década de 1950, fez escolhas conscientes, subvertendo o lugar que o colocavam”.
Mostra “Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade”
Na mostra estarão reunidas obras de museus e coleções privadas que resgatam seus múltiplos interesses nas formas, temas e referências, explorados em esculturas nos seguintes eixos: “Esculpindo uma Trajetória”, “O Universo das Carrancas”, “Sobre Gente e Afeto”, “A África de Agnaldo” e “Entre Santos e Ex-votos”.
“É bastante simbólico que, no ano do aniversário de sessenta anos da morte de Agnaldo, esta exposição esteja sendo apresentada no Museu de Arte do Rio. A primeira mostra individual do artista, curiosamente, não aconteceu na Bahia, e sim no Rio de Janeiro, em 1956, na emblemática Petite Galerie, com a qual assinou um contrato de exclusividade em 1960”, diz Juliana.
O recorte escolhido para a mostra reflete o esforço e o empenho em subverter o lugar ao qual se pretendeu delimitar um artista que levava muito a sério seu ofício. “Agnaldo, é, sem dúvida, também uma conquista da modernidade, que se beneficiou de um artista único em muitos sentidos. Ainda que jamais saberemos quais outros voos o escultor alçaria se não tivesse partido tão cedo, em 1962, ele é, sem dúvida, um caso singular da arte moderna no Brasil”, reflete a curadora.
Para o Diretor e Chefe da Representação da OEI no Brasil, Raphael Callou, a chegada da exposição, em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, revigora a missão do MAR de trazer mostras em cooperação com instituições culturais de outras cidades.
“A importância do MAR em receber a exposição individual de Agnaldo é enorme. Agnaldo Manuel dos Santos foi um escultor baiano que trabalhou com grandes nomes da arte brasileira, mas que, ao mesmo tempo, teve sua biografia invisibilizada por muito tempo. Nesse sentido, a mostra possibilita que o nosso público experimente a arte por uma perspectiva mais inclusiva e plural”.
Fonte: ArtRef. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM apresenta Agnaldo dos Santos às novas gerações | A Tarde
Morto há 61 anos, o escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no Museu de Arte Moderna Bahia com a exposição Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade. Hoje muito valorizadas, suas peças representam orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da historiadora da arte Juliana Ribeiro Bevilacqua, que selecionou cerca de 50 peças para a esta mostra.
“Ao contrário de muitos artistas, Agnaldo não foi esquecido, mesmo morrendo em sua ascensão artística, ainda em vida, Agnaldo pôde fazer parte de exposições importantíssimas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como a quarta Bienal em 1957, sendo que uma de suas obras foi premiada neste evento”, conta Juliana.
“Ele fez a primeira exposição individual dele em Salvador, na Galeria Oxumaré em 1958. Antes disso ele já tinha participado em exposições coletivas. No entanto houve poucas exposições individuais dele. A nossa exposição agora começou em São Paulo em 2021, daí ela viajou para o MAR - Museu de Arte do Rio em 2022 e agora ela ocorre aqui, 35 anos depois da última exposição individual, de Agnaldo em Salvador”, diz Juliana.
Nascido na ilha de Itaparica no dia 10 de Dezembro de 1926, Agnaldo tem suas obras consideradas como uma continuidade das esculturas africanas no Brasil. O artista é decendente de índigenas e negros, trabalhou como lenhador, fabricante de cal, vigia e ajudante do artista Mário Cravo Jr. As primeiras aspirações artísticas de Agnaldo começaram em 1947, quando se mudou para Salvador, logo após ser empregado como vigia do estúdio de Mário Cravo Jr. no Porto da Barra, onde além de trabalhar, era o local onde dormia, e depois de um tempo, Agnaldo se tornou assistente e aprendiz de Mário Cravo.
Foi só em 1953 que Agnaldo começou a produzir suas próprias esculturas. Ele explorou a bacia do rio São Francisco como mediador na aquisição e venda de carrancas. Foi por meio dessa relação que ele conheceu e se tornou amigo de Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, o mestre mais importante desta arte.
O crescente interesse de Agnaldo pelas carrancas e pelas lições que aprendeu com Guarany se refletiu em sua produção, que passou a incorporar cada vez mais elementos da estética peculiar das figuras de proa das embarcações do São Francisco em algumas de suas obras, que receberam os nomes de Cabeça de animal e Cabeça de tatu, entre outros.
“Agnaldo explorou muitas referências para fazer suas esculturas, eu acho que é por isso que elas são tão únicas. Naquele momento, desse modernismo na Bahia, ele e outros artistas estavam explorando essa ideia do nacional, da cultura nacional, do popular”, observa Juliana.
“Uma referência fundamental para Agnaldo foram os ex-votos. Ele, Mário Cravo, Lênio Braga e Carybé coletavam santos e ex-votos pela Bahia, ele estudou com santeiros na Universidade Federal da Bahia. Outra referência é a arte africana. Ele observou e estudou bastante catálogos de arte africana e esses elementos aparecem nas obras dele. Apesar disso, em nenhum momento ele tenta imitar ou simplesmente reproduzir as esculturas africanas, seu trabalho jamais seria confundido com uma escultura africana ou até mesmo com as carrancas de Biquiba Guarany, outra referência muito importante com quem Agnaldo teve contato”, afirma.
Produzidas em madeira, as obras de Agnaldo sempre foram voltadas para o tema da brasilidade, desde a religiosidade afro-brasileira do candomblé, até as referências de temas católicos, como os ex-votos em madeira que foram coletados por ele e outros artistas da época em suas viagens nos anos 1950.
Demanda da sociedade
Atualmente, as obras encontram-se espalhadas por diversos acervos de museus no Brasil e no exterior, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu Afro Brasil em São Paulo, e o Museum of Fine Arts em Boston, Estados Unidos, além de coleções privadas também.
“Não são muitas as instituições brasileiras que possuem obras de Agnaldo. 80 ou 90% das suas obras estão em mãos de colecionadores privados e mesmo morrendo bem jovem, aos 36 anos, ele produziu bastante durante seus nove anos de produção. Parte da minha pesquisa era catalogar essa produção, e durante o período de seleção das obras, meu foco era explorar as referências dele, e explorar seus estudos, né”, conta Juliana.
“Não é porque ele não teve uma educação formal que ele não estudou, ou que ele não teve um olhar cuidadoso e atento para as suas referências. Desta forma, quero tira-lo do lugar de ‘artista primitivo’, em que ele foi colocado por curadores, críticos e outros artistas da sua época, sendo que ele era um artista negro convivendo com a elite artística, economica e intelectual contemporânea”, afirma.
E engana-se quem pensa que só depois de morto a produção de Agnaldo passou a ser valorizada – para a curadora, sua valorização se deve ao seu caráter artístico, antes de tudo. “As obras de Agnaldo não se tornaram valiosas só agora, e eu acredito que isso vem primeiramente, do fato dele ser um artista que morreu jovem, então a sua produção é limitada, mas em segundo lugar, porque Agnaldo é absolutamente único. Se você olha para os escultores brasileiros, não há ninguém parecido com ele, e isso não querendo criar uma hierarquia de quem é melhor ou pior, mas a singularidade dele é absurda, a forma que ele explora a madeira. Além disso, na época em que estamos vivendo, o mercado, os críticos, estudiosos, estão olhando para o trabalho artístico negro, sejam modernos, contemporâneos, com mais cuidado”, diz Juliana.
“Esse não é um movimento que está ocorrendo somente com Agnaldo. Felizmente, outros artistas negros que antes também tinham pouco lugar em exposições estão ocupando novos espaços. Eu acho que a gente vive hoje um momento fundamental de reconhecimento e valorização da produção de artistas negros, e isso não foi dado, foi a partir de uma reivindicacão muito importante de diferentes grupos espalhados pelo Brasil, principalmente de artistas negros e curadores, que perceberam a importancia de olhar de forma mais atenta a estes artistas. Então essas três exposições vem em um momento muito feliz, a partir da demanda da sociedade de rever o espaço ocupado por artistas negros na história da arte”, conclui.
Fonte: A Tarde. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | ECF Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
A obra de Agnaldo é essencialmente produzida a partir da madeira e é de natureza antropomórfica. Suas peças são marcadas por uma grande variedade temática: vai da religiosidade afro-brasileira aos temas católicos, embora tenha a África como tema sempre presente em cada uma das suas peças. Por outro lado, a arte de Agnaldo difere da africana por diversas razões. Segundo o escritor, pesquisador e crítico de arte Clarival do Prado Valadares (1918-1923), a obra de Agnaldo "não pode ser entendida como filiação a uma determinada estilística regional africana: Agnaldo era senhor de meios expressionistas de absoluta originalidade". Agnaldo possuía um estilo único e característico ele não obedecia ao estilismo de qualquer sociedade africana, ele criou um estilo próprio.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo, ano em que montou sua primeira individual, na Petit Galerie, Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna. Sua obra integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) e de diversos outros museus brasileiros. Em 1987, sua obra esteve presente na mostra Brésil Arts Populaires (Paris - França).
Fonte: ECF Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no MAM | Governo da Bahia
Com obras de arte atualmente prestigiadas e supervalorizadas, depois de 61 anos do seu falecimento, o artista baiano Agnaldo dos Santos (1926-1962) ganha homenagem a partir desta terça-feira (18), às 18h, com a abertura especial no espaço expositivo da Capela do Museu de Arte Moderna (MAM Bahia) da exposição ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’. A coleção apresentada no MAM reúne cerca de 50 peças representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da curadora e historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Agnaldo nasceu na Ilha de Itaparica e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. De acordo com o diretor do MAM Bahia, Pola Ribeiro, "ele é uma pessoa de raiz profunda, do povo, começou a trabalhar com 10 anos de idade, era descendente de índios e negros, foi lenhador, fabricante de cal, depois vigia, ajudante e aprendiz do artista Mário Cravo Jr”, diz. Segundo Pola, a história e o legado de Agnaldo trazem de volta o discurso da primeira diretora do MAM, Lina Bo Bardi (1914-1992). “Ela desejava unir a Arte erudita e a Arte popular em um mesmo patamar e essa exposição é uma excelente oportunidade de colocar Agnaldo ao lado da exposição ‘UANGA’ de J. Cunha, da Coleção Rubem Valentim e da Coleção de Arte Popular em um museu da estirpe e com a história de excelência do MAM Bahia”, defende Ribeiro.
Fonte: Governo da Bahia. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM homenageia o escultor baiano Agnaldo dos Santos; coleção reúne cerca de 50 peças do artista | G1 Bahia
O escultor baiano Agnaldo Manuel dos Santos será homenageado com uma exposição na Capela do Museu de Arte Moderna (MAM) da Bahia, localizado em Salvador. A mostra chamada ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’, será inaugurada na terça-feira (18), às 18h.
A coleção apresentada no MAM já passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e reúne cerca de 50 peças de Agnaldo, representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas. A mostra tem curadoria da historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Descendente de indígenas e negros, Agnaldo dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, no ano de 1926, e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana.
Foi pelo olhar de Lina Bo Bardi, a primeira diretora do MAM, que Agnaldo fez sua primeira exposição individual na Bahia, no foyer do Teatro Castro Alves (TCA).
Agnaldo começou a esculpir em 1953. Suas esculturas em madeira estiveram em importantes coletivas e eventos como a Bienal de São Paulo, em 1957. Nesse mesmo ano, ele realizou sua primeira exposição individual, na Petit Galerie do Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna.
Depois da sua morte, em 1962, o baiano recebeu o prêmio internacional de escultura no 1° Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, no ano de 1966, pela escultura ‘Rei’. Algumas obras de Agnaldo estão no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Fonte: G1 Bahia. Consultado pela última vez em 17 de fevereiro de 2025.
Crédito fotográfico: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
Agnaldo Manuel dos Santos (1926, Itaparica, Brasil – 1962, Salvador, Brasil), mais conhecido como Agnaldo dos Santos, foi um escultor brasileiro. Conhecido por suas obras em madeira que unem a cultura afro-brasileira à escultura moderna, Agnaldo foi descoberto enquanto trabalhava como vigia no ateliê de Mário Cravo Júnior, onde desenvolveu um estilo próprio caracterizado por formas expressivas e simbólicas. Em 1957, recebeu destaque na 4ª Bienal de São Paulo, onde sua obra "Pilão de Dendê" foi premiada. Suas esculturas integram acervos como o Museu Afro Brasil e a Pinacoteca de São Paulo.
Agnaldo dos Santos | Arremate Arte
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu em 1926, na Ilha de Itaparica, Bahia, e tornou-se um dos mais importantes escultores brasileiros do século XX, destacando-se por sua habilidade na madeira e por sua abordagem singular da arte moderna. Sua obra reflete um profundo enraizamento na cultura afro-brasileira, nas tradições populares e na espiritualidade, combinando técnica primorosa e inovação formal.
Desde jovem, Agnaldo demonstrou talento artístico, mas sua trajetória no mundo da escultura começou de maneira inesperada. Em 1947, mudou-se para Salvador em busca de oportunidades e conseguiu um emprego como vigia no ateliê do escultor Mário Cravo Júnior, um dos grandes nomes da arte moderna no Brasil. O contato diário com o trabalho do mestre despertou seu interesse pela escultura, e sua dedicação chamou a atenção de Cravo, que o incentivou a desenvolver suas próprias peças e o introduziu no meio artístico.
A partir de 1953, Agnaldo iniciou sua produção autoral, desenvolvendo um estilo que se destacava pelo uso expressivo da madeira, com formas robustas, texturas marcantes e uma síntese formal que dialogava tanto com as tradições africanas quanto com a escultura moderna ocidental. Suas figuras, frequentemente inspiradas em personagens do cotidiano, na religiosidade afro-brasileira e no sincretismo religioso, apresentavam uma força simbólica e uma estética única. Ele incorporava elementos geométricos e abstratos, criando um vocabulário próprio dentro da arte moderna brasileira.
O talento de Agnaldo logo chamou a atenção da crítica e do circuito artístico. Sua grande consagração ocorreu em 1957, quando participou da 4ª Bienal de São Paulo e recebeu o prêmio pelo trabalho "Pilão de Dendê", uma escultura que sintetizava sua capacidade de transformar a cultura popular em arte sofisticada e inovadora. A partir dessa premiação, passou a ser reconhecido como um dos principais expoentes da escultura brasileira, participando de diversas exposições individuais e coletivas em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar da ascensão meteórica, sua carreira foi interrompida precocemente. Agnaldo Manuel dos Santos faleceu em 1962, aos 36 anos, no auge de sua produção artística. Mesmo com uma trajetória breve, deixou um legado expressivo e influente. Suas esculturas passaram a integrar importantes coleções e acervos museológicos, como o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Museu de Arte Moderna da Bahia e a Pinacoteca de São Paulo.
Em reconhecimento à sua importância na arte brasileira, diversas exposições póstumas foram organizadas para preservar sua memória e sua contribuição para a escultura. Em 2023, o Museu de Arte Moderna da Bahia organizou a mostra "Agnaldo Manuel dos Santos – A Conquista da Modernidade", reunindo cerca de 50 peças do artista, destacando sua relevância no cenário artístico nacional e sua influência no movimento modernista brasileiro.
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Agnaldo dos Santos | Arte Popular Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
Fonte: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | Museu Afro Brasil
Escultor. Aos dez anos de idade, começou a trabalhar em diversas funções profissionais: foi lenhador, fabricante de cal e trabalhou inclusive como mineiro em uma caieira. Em 1947, tornou-se vigia no estúdio de Mário Cravo Jr., onde manifestou pendor artístico e, incentivado pelo mestre, começou a produzir suas próprias obras a partir de 1953. Suas primeiras esculturas já revelavam um forte poder expressivo e uma estética que se aproximava das artes tradicionais africanas, muito embora ele nunca as tivesse estudado. Pierre Verger lhe apresentou fotografias de esculturas africanas, de onde Agnaldo adotou a técnica de impregnar a madeira com substâncias escuras. Sua primeira exposição individual lhe valeu uma comissão para viajar à região do rio São Francisco, onde conheceu escultores populares de carrancas e estudou com Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, que foi, por assim dizer, seu segundo mestre nas artes plásticas. O artista então octagenário, que havia aprendido a arte da escultura desde os 30 anos em Santa Maria da Vitória, transmitiu parte do seu conhecimento ao discípulo. Segundo o crítico Clarival do Prado Valladares, Mestre Biquiba aguçou o interesse de Agnaldo pelas Carrancas, servindo também a este como intermediário comercial no resgate de peças que, ademais, já começavam a escassear e consequentemente, a aumentar o seu valor de mercado no Brasil e no exterior. A Barca de Carranca, que servia geralmente uma tripulação de oito homens para serviços diversos, tais como despacho de encomendas, transporte de produtos para armazéns e para o comércio, estava sendo paulatinamente substituída pela canoa motorizada, que, embora não comportasse a arte da carranca, exigia menor tripulação e era mais rápida que a barca. Boa parte dessas antigas embarcações era simplesmente deixada pra trás, sem uso, com suas obras a apodrecer na lama da margem do São Fransisco. O Mestre Biquiba Guarany era quem “salvava” essas peças enviando-as à Agnaldo que, a partir de Salvador, por sua vez, alimentava galerias do Rio de Janeiro, como a Petite Galerie, que era um espaço de divulgação desde a arte neoconcreta até a arte popular como as Carrancas do São Francisco. Além de possuir várias obras no acervo do Museu Afro Brasil, suas obras também constam no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra também importantes coleções privadas.
Fonte: Museu Afro Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Museu de Arte do Rio recebe individual de Agnaldo Manuel dos Santos | ArtRef
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 10 de dezembro de 1926, local onde viveu até 1946. Pouco se sabe de sua vida antes de se mudar para a cidade de Salvador naquele ano. É, no entanto, em 1947, que ele, ao procurar um emprego na região do Porto da Barra, conheceu o artista Mário Cravo Júnior e se tornou vigia do seu ateliê e em seguida seu assistente. Foi apenas por volta de 1953 que Agnaldo se tornou artista, mais especificamente, um escultor de madeira.
Desde 2013, a curadora Juliana Bevilacqua vem estudando sua obra também com o intuito de mostrar sua trajetória de experimentações que vão além das referências à sua ancestralidade. “Até hoje, a sua produção vem sendo vinculada a uma conexão profunda com a África, sobretudo através do inconsciente e do atavismo. Agnaldo seria, dessa forma, um produto das ressonâncias africanas na diáspora, não importando o quão marcante foi a sua circulação no meio artístico e os contatos com outros artistas para a sua formação, nem os estudos e as múltiplas referências com as quais lidou ao longo da sua trajetória para realizar as suas obras. Ele se formou como artista no ateliê mais importante da Bahia na década de 1950, fez escolhas conscientes, subvertendo o lugar que o colocavam”.
Mostra “Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade”
Na mostra estarão reunidas obras de museus e coleções privadas que resgatam seus múltiplos interesses nas formas, temas e referências, explorados em esculturas nos seguintes eixos: “Esculpindo uma Trajetória”, “O Universo das Carrancas”, “Sobre Gente e Afeto”, “A África de Agnaldo” e “Entre Santos e Ex-votos”.
“É bastante simbólico que, no ano do aniversário de sessenta anos da morte de Agnaldo, esta exposição esteja sendo apresentada no Museu de Arte do Rio. A primeira mostra individual do artista, curiosamente, não aconteceu na Bahia, e sim no Rio de Janeiro, em 1956, na emblemática Petite Galerie, com a qual assinou um contrato de exclusividade em 1960”, diz Juliana.
O recorte escolhido para a mostra reflete o esforço e o empenho em subverter o lugar ao qual se pretendeu delimitar um artista que levava muito a sério seu ofício. “Agnaldo, é, sem dúvida, também uma conquista da modernidade, que se beneficiou de um artista único em muitos sentidos. Ainda que jamais saberemos quais outros voos o escultor alçaria se não tivesse partido tão cedo, em 1962, ele é, sem dúvida, um caso singular da arte moderna no Brasil”, reflete a curadora.
Para o Diretor e Chefe da Representação da OEI no Brasil, Raphael Callou, a chegada da exposição, em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, revigora a missão do MAR de trazer mostras em cooperação com instituições culturais de outras cidades.
“A importância do MAR em receber a exposição individual de Agnaldo é enorme. Agnaldo Manuel dos Santos foi um escultor baiano que trabalhou com grandes nomes da arte brasileira, mas que, ao mesmo tempo, teve sua biografia invisibilizada por muito tempo. Nesse sentido, a mostra possibilita que o nosso público experimente a arte por uma perspectiva mais inclusiva e plural”.
Fonte: ArtRef. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM apresenta Agnaldo dos Santos às novas gerações | A Tarde
Morto há 61 anos, o escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no Museu de Arte Moderna Bahia com a exposição Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade. Hoje muito valorizadas, suas peças representam orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da historiadora da arte Juliana Ribeiro Bevilacqua, que selecionou cerca de 50 peças para a esta mostra.
“Ao contrário de muitos artistas, Agnaldo não foi esquecido, mesmo morrendo em sua ascensão artística, ainda em vida, Agnaldo pôde fazer parte de exposições importantíssimas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como a quarta Bienal em 1957, sendo que uma de suas obras foi premiada neste evento”, conta Juliana.
“Ele fez a primeira exposição individual dele em Salvador, na Galeria Oxumaré em 1958. Antes disso ele já tinha participado em exposições coletivas. No entanto houve poucas exposições individuais dele. A nossa exposição agora começou em São Paulo em 2021, daí ela viajou para o MAR - Museu de Arte do Rio em 2022 e agora ela ocorre aqui, 35 anos depois da última exposição individual, de Agnaldo em Salvador”, diz Juliana.
Nascido na ilha de Itaparica no dia 10 de Dezembro de 1926, Agnaldo tem suas obras consideradas como uma continuidade das esculturas africanas no Brasil. O artista é decendente de índigenas e negros, trabalhou como lenhador, fabricante de cal, vigia e ajudante do artista Mário Cravo Jr. As primeiras aspirações artísticas de Agnaldo começaram em 1947, quando se mudou para Salvador, logo após ser empregado como vigia do estúdio de Mário Cravo Jr. no Porto da Barra, onde além de trabalhar, era o local onde dormia, e depois de um tempo, Agnaldo se tornou assistente e aprendiz de Mário Cravo.
Foi só em 1953 que Agnaldo começou a produzir suas próprias esculturas. Ele explorou a bacia do rio São Francisco como mediador na aquisição e venda de carrancas. Foi por meio dessa relação que ele conheceu e se tornou amigo de Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, o mestre mais importante desta arte.
O crescente interesse de Agnaldo pelas carrancas e pelas lições que aprendeu com Guarany se refletiu em sua produção, que passou a incorporar cada vez mais elementos da estética peculiar das figuras de proa das embarcações do São Francisco em algumas de suas obras, que receberam os nomes de Cabeça de animal e Cabeça de tatu, entre outros.
“Agnaldo explorou muitas referências para fazer suas esculturas, eu acho que é por isso que elas são tão únicas. Naquele momento, desse modernismo na Bahia, ele e outros artistas estavam explorando essa ideia do nacional, da cultura nacional, do popular”, observa Juliana.
“Uma referência fundamental para Agnaldo foram os ex-votos. Ele, Mário Cravo, Lênio Braga e Carybé coletavam santos e ex-votos pela Bahia, ele estudou com santeiros na Universidade Federal da Bahia. Outra referência é a arte africana. Ele observou e estudou bastante catálogos de arte africana e esses elementos aparecem nas obras dele. Apesar disso, em nenhum momento ele tenta imitar ou simplesmente reproduzir as esculturas africanas, seu trabalho jamais seria confundido com uma escultura africana ou até mesmo com as carrancas de Biquiba Guarany, outra referência muito importante com quem Agnaldo teve contato”, afirma.
Produzidas em madeira, as obras de Agnaldo sempre foram voltadas para o tema da brasilidade, desde a religiosidade afro-brasileira do candomblé, até as referências de temas católicos, como os ex-votos em madeira que foram coletados por ele e outros artistas da época em suas viagens nos anos 1950.
Demanda da sociedade
Atualmente, as obras encontram-se espalhadas por diversos acervos de museus no Brasil e no exterior, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu Afro Brasil em São Paulo, e o Museum of Fine Arts em Boston, Estados Unidos, além de coleções privadas também.
“Não são muitas as instituições brasileiras que possuem obras de Agnaldo. 80 ou 90% das suas obras estão em mãos de colecionadores privados e mesmo morrendo bem jovem, aos 36 anos, ele produziu bastante durante seus nove anos de produção. Parte da minha pesquisa era catalogar essa produção, e durante o período de seleção das obras, meu foco era explorar as referências dele, e explorar seus estudos, né”, conta Juliana.
“Não é porque ele não teve uma educação formal que ele não estudou, ou que ele não teve um olhar cuidadoso e atento para as suas referências. Desta forma, quero tira-lo do lugar de ‘artista primitivo’, em que ele foi colocado por curadores, críticos e outros artistas da sua época, sendo que ele era um artista negro convivendo com a elite artística, economica e intelectual contemporânea”, afirma.
E engana-se quem pensa que só depois de morto a produção de Agnaldo passou a ser valorizada – para a curadora, sua valorização se deve ao seu caráter artístico, antes de tudo. “As obras de Agnaldo não se tornaram valiosas só agora, e eu acredito que isso vem primeiramente, do fato dele ser um artista que morreu jovem, então a sua produção é limitada, mas em segundo lugar, porque Agnaldo é absolutamente único. Se você olha para os escultores brasileiros, não há ninguém parecido com ele, e isso não querendo criar uma hierarquia de quem é melhor ou pior, mas a singularidade dele é absurda, a forma que ele explora a madeira. Além disso, na época em que estamos vivendo, o mercado, os críticos, estudiosos, estão olhando para o trabalho artístico negro, sejam modernos, contemporâneos, com mais cuidado”, diz Juliana.
“Esse não é um movimento que está ocorrendo somente com Agnaldo. Felizmente, outros artistas negros que antes também tinham pouco lugar em exposições estão ocupando novos espaços. Eu acho que a gente vive hoje um momento fundamental de reconhecimento e valorização da produção de artistas negros, e isso não foi dado, foi a partir de uma reivindicacão muito importante de diferentes grupos espalhados pelo Brasil, principalmente de artistas negros e curadores, que perceberam a importancia de olhar de forma mais atenta a estes artistas. Então essas três exposições vem em um momento muito feliz, a partir da demanda da sociedade de rever o espaço ocupado por artistas negros na história da arte”, conclui.
Fonte: A Tarde. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | ECF Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
A obra de Agnaldo é essencialmente produzida a partir da madeira e é de natureza antropomórfica. Suas peças são marcadas por uma grande variedade temática: vai da religiosidade afro-brasileira aos temas católicos, embora tenha a África como tema sempre presente em cada uma das suas peças. Por outro lado, a arte de Agnaldo difere da africana por diversas razões. Segundo o escritor, pesquisador e crítico de arte Clarival do Prado Valadares (1918-1923), a obra de Agnaldo "não pode ser entendida como filiação a uma determinada estilística regional africana: Agnaldo era senhor de meios expressionistas de absoluta originalidade". Agnaldo possuía um estilo único e característico ele não obedecia ao estilismo de qualquer sociedade africana, ele criou um estilo próprio.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo, ano em que montou sua primeira individual, na Petit Galerie, Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna. Sua obra integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) e de diversos outros museus brasileiros. Em 1987, sua obra esteve presente na mostra Brésil Arts Populaires (Paris - França).
Fonte: ECF Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no MAM | Governo da Bahia
Com obras de arte atualmente prestigiadas e supervalorizadas, depois de 61 anos do seu falecimento, o artista baiano Agnaldo dos Santos (1926-1962) ganha homenagem a partir desta terça-feira (18), às 18h, com a abertura especial no espaço expositivo da Capela do Museu de Arte Moderna (MAM Bahia) da exposição ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’. A coleção apresentada no MAM reúne cerca de 50 peças representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da curadora e historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Agnaldo nasceu na Ilha de Itaparica e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. De acordo com o diretor do MAM Bahia, Pola Ribeiro, "ele é uma pessoa de raiz profunda, do povo, começou a trabalhar com 10 anos de idade, era descendente de índios e negros, foi lenhador, fabricante de cal, depois vigia, ajudante e aprendiz do artista Mário Cravo Jr”, diz. Segundo Pola, a história e o legado de Agnaldo trazem de volta o discurso da primeira diretora do MAM, Lina Bo Bardi (1914-1992). “Ela desejava unir a Arte erudita e a Arte popular em um mesmo patamar e essa exposição é uma excelente oportunidade de colocar Agnaldo ao lado da exposição ‘UANGA’ de J. Cunha, da Coleção Rubem Valentim e da Coleção de Arte Popular em um museu da estirpe e com a história de excelência do MAM Bahia”, defende Ribeiro.
Fonte: Governo da Bahia. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM homenageia o escultor baiano Agnaldo dos Santos; coleção reúne cerca de 50 peças do artista | G1 Bahia
O escultor baiano Agnaldo Manuel dos Santos será homenageado com uma exposição na Capela do Museu de Arte Moderna (MAM) da Bahia, localizado em Salvador. A mostra chamada ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’, será inaugurada na terça-feira (18), às 18h.
A coleção apresentada no MAM já passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e reúne cerca de 50 peças de Agnaldo, representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas. A mostra tem curadoria da historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Descendente de indígenas e negros, Agnaldo dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, no ano de 1926, e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana.
Foi pelo olhar de Lina Bo Bardi, a primeira diretora do MAM, que Agnaldo fez sua primeira exposição individual na Bahia, no foyer do Teatro Castro Alves (TCA).
Agnaldo começou a esculpir em 1953. Suas esculturas em madeira estiveram em importantes coletivas e eventos como a Bienal de São Paulo, em 1957. Nesse mesmo ano, ele realizou sua primeira exposição individual, na Petit Galerie do Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna.
Depois da sua morte, em 1962, o baiano recebeu o prêmio internacional de escultura no 1° Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, no ano de 1966, pela escultura ‘Rei’. Algumas obras de Agnaldo estão no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Fonte: G1 Bahia. Consultado pela última vez em 17 de fevereiro de 2025.
Crédito fotográfico: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
Agnaldo Manuel dos Santos (1926, Itaparica, Brasil – 1962, Salvador, Brasil), mais conhecido como Agnaldo dos Santos, foi um escultor brasileiro. Conhecido por suas obras em madeira que unem a cultura afro-brasileira à escultura moderna, Agnaldo foi descoberto enquanto trabalhava como vigia no ateliê de Mário Cravo Júnior, onde desenvolveu um estilo próprio caracterizado por formas expressivas e simbólicas. Em 1957, recebeu destaque na 4ª Bienal de São Paulo, onde sua obra "Pilão de Dendê" foi premiada. Suas esculturas integram acervos como o Museu Afro Brasil e a Pinacoteca de São Paulo.
Agnaldo dos Santos | Arremate Arte
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu em 1926, na Ilha de Itaparica, Bahia, e tornou-se um dos mais importantes escultores brasileiros do século XX, destacando-se por sua habilidade na madeira e por sua abordagem singular da arte moderna. Sua obra reflete um profundo enraizamento na cultura afro-brasileira, nas tradições populares e na espiritualidade, combinando técnica primorosa e inovação formal.
Desde jovem, Agnaldo demonstrou talento artístico, mas sua trajetória no mundo da escultura começou de maneira inesperada. Em 1947, mudou-se para Salvador em busca de oportunidades e conseguiu um emprego como vigia no ateliê do escultor Mário Cravo Júnior, um dos grandes nomes da arte moderna no Brasil. O contato diário com o trabalho do mestre despertou seu interesse pela escultura, e sua dedicação chamou a atenção de Cravo, que o incentivou a desenvolver suas próprias peças e o introduziu no meio artístico.
A partir de 1953, Agnaldo iniciou sua produção autoral, desenvolvendo um estilo que se destacava pelo uso expressivo da madeira, com formas robustas, texturas marcantes e uma síntese formal que dialogava tanto com as tradições africanas quanto com a escultura moderna ocidental. Suas figuras, frequentemente inspiradas em personagens do cotidiano, na religiosidade afro-brasileira e no sincretismo religioso, apresentavam uma força simbólica e uma estética única. Ele incorporava elementos geométricos e abstratos, criando um vocabulário próprio dentro da arte moderna brasileira.
O talento de Agnaldo logo chamou a atenção da crítica e do circuito artístico. Sua grande consagração ocorreu em 1957, quando participou da 4ª Bienal de São Paulo e recebeu o prêmio pelo trabalho "Pilão de Dendê", uma escultura que sintetizava sua capacidade de transformar a cultura popular em arte sofisticada e inovadora. A partir dessa premiação, passou a ser reconhecido como um dos principais expoentes da escultura brasileira, participando de diversas exposições individuais e coletivas em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar da ascensão meteórica, sua carreira foi interrompida precocemente. Agnaldo Manuel dos Santos faleceu em 1962, aos 36 anos, no auge de sua produção artística. Mesmo com uma trajetória breve, deixou um legado expressivo e influente. Suas esculturas passaram a integrar importantes coleções e acervos museológicos, como o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Museu de Arte Moderna da Bahia e a Pinacoteca de São Paulo.
Em reconhecimento à sua importância na arte brasileira, diversas exposições póstumas foram organizadas para preservar sua memória e sua contribuição para a escultura. Em 2023, o Museu de Arte Moderna da Bahia organizou a mostra "Agnaldo Manuel dos Santos – A Conquista da Modernidade", reunindo cerca de 50 peças do artista, destacando sua relevância no cenário artístico nacional e sua influência no movimento modernista brasileiro.
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Agnaldo dos Santos | Arte Popular Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
Fonte: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | Museu Afro Brasil
Escultor. Aos dez anos de idade, começou a trabalhar em diversas funções profissionais: foi lenhador, fabricante de cal e trabalhou inclusive como mineiro em uma caieira. Em 1947, tornou-se vigia no estúdio de Mário Cravo Jr., onde manifestou pendor artístico e, incentivado pelo mestre, começou a produzir suas próprias obras a partir de 1953. Suas primeiras esculturas já revelavam um forte poder expressivo e uma estética que se aproximava das artes tradicionais africanas, muito embora ele nunca as tivesse estudado. Pierre Verger lhe apresentou fotografias de esculturas africanas, de onde Agnaldo adotou a técnica de impregnar a madeira com substâncias escuras. Sua primeira exposição individual lhe valeu uma comissão para viajar à região do rio São Francisco, onde conheceu escultores populares de carrancas e estudou com Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, que foi, por assim dizer, seu segundo mestre nas artes plásticas. O artista então octagenário, que havia aprendido a arte da escultura desde os 30 anos em Santa Maria da Vitória, transmitiu parte do seu conhecimento ao discípulo. Segundo o crítico Clarival do Prado Valladares, Mestre Biquiba aguçou o interesse de Agnaldo pelas Carrancas, servindo também a este como intermediário comercial no resgate de peças que, ademais, já começavam a escassear e consequentemente, a aumentar o seu valor de mercado no Brasil e no exterior. A Barca de Carranca, que servia geralmente uma tripulação de oito homens para serviços diversos, tais como despacho de encomendas, transporte de produtos para armazéns e para o comércio, estava sendo paulatinamente substituída pela canoa motorizada, que, embora não comportasse a arte da carranca, exigia menor tripulação e era mais rápida que a barca. Boa parte dessas antigas embarcações era simplesmente deixada pra trás, sem uso, com suas obras a apodrecer na lama da margem do São Fransisco. O Mestre Biquiba Guarany era quem “salvava” essas peças enviando-as à Agnaldo que, a partir de Salvador, por sua vez, alimentava galerias do Rio de Janeiro, como a Petite Galerie, que era um espaço de divulgação desde a arte neoconcreta até a arte popular como as Carrancas do São Francisco. Além de possuir várias obras no acervo do Museu Afro Brasil, suas obras também constam no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra também importantes coleções privadas.
Fonte: Museu Afro Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Museu de Arte do Rio recebe individual de Agnaldo Manuel dos Santos | ArtRef
Agnaldo Manuel dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 10 de dezembro de 1926, local onde viveu até 1946. Pouco se sabe de sua vida antes de se mudar para a cidade de Salvador naquele ano. É, no entanto, em 1947, que ele, ao procurar um emprego na região do Porto da Barra, conheceu o artista Mário Cravo Júnior e se tornou vigia do seu ateliê e em seguida seu assistente. Foi apenas por volta de 1953 que Agnaldo se tornou artista, mais especificamente, um escultor de madeira.
Desde 2013, a curadora Juliana Bevilacqua vem estudando sua obra também com o intuito de mostrar sua trajetória de experimentações que vão além das referências à sua ancestralidade. “Até hoje, a sua produção vem sendo vinculada a uma conexão profunda com a África, sobretudo através do inconsciente e do atavismo. Agnaldo seria, dessa forma, um produto das ressonâncias africanas na diáspora, não importando o quão marcante foi a sua circulação no meio artístico e os contatos com outros artistas para a sua formação, nem os estudos e as múltiplas referências com as quais lidou ao longo da sua trajetória para realizar as suas obras. Ele se formou como artista no ateliê mais importante da Bahia na década de 1950, fez escolhas conscientes, subvertendo o lugar que o colocavam”.
Mostra “Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade”
Na mostra estarão reunidas obras de museus e coleções privadas que resgatam seus múltiplos interesses nas formas, temas e referências, explorados em esculturas nos seguintes eixos: “Esculpindo uma Trajetória”, “O Universo das Carrancas”, “Sobre Gente e Afeto”, “A África de Agnaldo” e “Entre Santos e Ex-votos”.
“É bastante simbólico que, no ano do aniversário de sessenta anos da morte de Agnaldo, esta exposição esteja sendo apresentada no Museu de Arte do Rio. A primeira mostra individual do artista, curiosamente, não aconteceu na Bahia, e sim no Rio de Janeiro, em 1956, na emblemática Petite Galerie, com a qual assinou um contrato de exclusividade em 1960”, diz Juliana.
O recorte escolhido para a mostra reflete o esforço e o empenho em subverter o lugar ao qual se pretendeu delimitar um artista que levava muito a sério seu ofício. “Agnaldo, é, sem dúvida, também uma conquista da modernidade, que se beneficiou de um artista único em muitos sentidos. Ainda que jamais saberemos quais outros voos o escultor alçaria se não tivesse partido tão cedo, em 1962, ele é, sem dúvida, um caso singular da arte moderna no Brasil”, reflete a curadora.
Para o Diretor e Chefe da Representação da OEI no Brasil, Raphael Callou, a chegada da exposição, em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, revigora a missão do MAR de trazer mostras em cooperação com instituições culturais de outras cidades.
“A importância do MAR em receber a exposição individual de Agnaldo é enorme. Agnaldo Manuel dos Santos foi um escultor baiano que trabalhou com grandes nomes da arte brasileira, mas que, ao mesmo tempo, teve sua biografia invisibilizada por muito tempo. Nesse sentido, a mostra possibilita que o nosso público experimente a arte por uma perspectiva mais inclusiva e plural”.
Fonte: ArtRef. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM apresenta Agnaldo dos Santos às novas gerações | A Tarde
Morto há 61 anos, o escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no Museu de Arte Moderna Bahia com a exposição Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade. Hoje muito valorizadas, suas peças representam orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da historiadora da arte Juliana Ribeiro Bevilacqua, que selecionou cerca de 50 peças para a esta mostra.
“Ao contrário de muitos artistas, Agnaldo não foi esquecido, mesmo morrendo em sua ascensão artística, ainda em vida, Agnaldo pôde fazer parte de exposições importantíssimas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como a quarta Bienal em 1957, sendo que uma de suas obras foi premiada neste evento”, conta Juliana.
“Ele fez a primeira exposição individual dele em Salvador, na Galeria Oxumaré em 1958. Antes disso ele já tinha participado em exposições coletivas. No entanto houve poucas exposições individuais dele. A nossa exposição agora começou em São Paulo em 2021, daí ela viajou para o MAR - Museu de Arte do Rio em 2022 e agora ela ocorre aqui, 35 anos depois da última exposição individual, de Agnaldo em Salvador”, diz Juliana.
Nascido na ilha de Itaparica no dia 10 de Dezembro de 1926, Agnaldo tem suas obras consideradas como uma continuidade das esculturas africanas no Brasil. O artista é decendente de índigenas e negros, trabalhou como lenhador, fabricante de cal, vigia e ajudante do artista Mário Cravo Jr. As primeiras aspirações artísticas de Agnaldo começaram em 1947, quando se mudou para Salvador, logo após ser empregado como vigia do estúdio de Mário Cravo Jr. no Porto da Barra, onde além de trabalhar, era o local onde dormia, e depois de um tempo, Agnaldo se tornou assistente e aprendiz de Mário Cravo.
Foi só em 1953 que Agnaldo começou a produzir suas próprias esculturas. Ele explorou a bacia do rio São Francisco como mediador na aquisição e venda de carrancas. Foi por meio dessa relação que ele conheceu e se tornou amigo de Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, o mestre mais importante desta arte.
O crescente interesse de Agnaldo pelas carrancas e pelas lições que aprendeu com Guarany se refletiu em sua produção, que passou a incorporar cada vez mais elementos da estética peculiar das figuras de proa das embarcações do São Francisco em algumas de suas obras, que receberam os nomes de Cabeça de animal e Cabeça de tatu, entre outros.
“Agnaldo explorou muitas referências para fazer suas esculturas, eu acho que é por isso que elas são tão únicas. Naquele momento, desse modernismo na Bahia, ele e outros artistas estavam explorando essa ideia do nacional, da cultura nacional, do popular”, observa Juliana.
“Uma referência fundamental para Agnaldo foram os ex-votos. Ele, Mário Cravo, Lênio Braga e Carybé coletavam santos e ex-votos pela Bahia, ele estudou com santeiros na Universidade Federal da Bahia. Outra referência é a arte africana. Ele observou e estudou bastante catálogos de arte africana e esses elementos aparecem nas obras dele. Apesar disso, em nenhum momento ele tenta imitar ou simplesmente reproduzir as esculturas africanas, seu trabalho jamais seria confundido com uma escultura africana ou até mesmo com as carrancas de Biquiba Guarany, outra referência muito importante com quem Agnaldo teve contato”, afirma.
Produzidas em madeira, as obras de Agnaldo sempre foram voltadas para o tema da brasilidade, desde a religiosidade afro-brasileira do candomblé, até as referências de temas católicos, como os ex-votos em madeira que foram coletados por ele e outros artistas da época em suas viagens nos anos 1950.
Demanda da sociedade
Atualmente, as obras encontram-se espalhadas por diversos acervos de museus no Brasil e no exterior, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu Afro Brasil em São Paulo, e o Museum of Fine Arts em Boston, Estados Unidos, além de coleções privadas também.
“Não são muitas as instituições brasileiras que possuem obras de Agnaldo. 80 ou 90% das suas obras estão em mãos de colecionadores privados e mesmo morrendo bem jovem, aos 36 anos, ele produziu bastante durante seus nove anos de produção. Parte da minha pesquisa era catalogar essa produção, e durante o período de seleção das obras, meu foco era explorar as referências dele, e explorar seus estudos, né”, conta Juliana.
“Não é porque ele não teve uma educação formal que ele não estudou, ou que ele não teve um olhar cuidadoso e atento para as suas referências. Desta forma, quero tira-lo do lugar de ‘artista primitivo’, em que ele foi colocado por curadores, críticos e outros artistas da sua época, sendo que ele era um artista negro convivendo com a elite artística, economica e intelectual contemporânea”, afirma.
E engana-se quem pensa que só depois de morto a produção de Agnaldo passou a ser valorizada – para a curadora, sua valorização se deve ao seu caráter artístico, antes de tudo. “As obras de Agnaldo não se tornaram valiosas só agora, e eu acredito que isso vem primeiramente, do fato dele ser um artista que morreu jovem, então a sua produção é limitada, mas em segundo lugar, porque Agnaldo é absolutamente único. Se você olha para os escultores brasileiros, não há ninguém parecido com ele, e isso não querendo criar uma hierarquia de quem é melhor ou pior, mas a singularidade dele é absurda, a forma que ele explora a madeira. Além disso, na época em que estamos vivendo, o mercado, os críticos, estudiosos, estão olhando para o trabalho artístico negro, sejam modernos, contemporâneos, com mais cuidado”, diz Juliana.
“Esse não é um movimento que está ocorrendo somente com Agnaldo. Felizmente, outros artistas negros que antes também tinham pouco lugar em exposições estão ocupando novos espaços. Eu acho que a gente vive hoje um momento fundamental de reconhecimento e valorização da produção de artistas negros, e isso não foi dado, foi a partir de uma reivindicacão muito importante de diferentes grupos espalhados pelo Brasil, principalmente de artistas negros e curadores, que perceberam a importancia de olhar de forma mais atenta a estes artistas. Então essas três exposições vem em um momento muito feliz, a partir da demanda da sociedade de rever o espaço ocupado por artistas negros na história da arte”, conclui.
Fonte: A Tarde. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Agnaldo dos Santos | ECF Brasil
Agnaldo Manuel dos Santos foi um grande escultor baiano que teve sua obra considerada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. Ele nasceu em 1926 na Ilha de Itaparica e faleceu em Salvador em 1962, aos 35 anos. Antes de ser artista Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. O primeiro contato com o mundo artístico se estabeleceu quando ele foi contratado como ajudante e aprendiz no ateliê do artista soteropolitano Mário Cravo Jr. Trabalhando com Mario teve acesso aos materiais e técnicas usados pelo artista, assim como às fontes de inspiração da arte africana. Agnaldo iniciou-se na escultura incentivado por várias pessoas como Wilson Cunha, Pierre Verger, José Valladares e Lênio Braga.
A obra de Agnaldo é essencialmente produzida a partir da madeira e é de natureza antropomórfica. Suas peças são marcadas por uma grande variedade temática: vai da religiosidade afro-brasileira aos temas católicos, embora tenha a África como tema sempre presente em cada uma das suas peças. Por outro lado, a arte de Agnaldo difere da africana por diversas razões. Segundo o escritor, pesquisador e crítico de arte Clarival do Prado Valadares (1918-1923), a obra de Agnaldo "não pode ser entendida como filiação a uma determinada estilística regional africana: Agnaldo era senhor de meios expressionistas de absoluta originalidade". Agnaldo possuía um estilo único e característico ele não obedecia ao estilismo de qualquer sociedade africana, ele criou um estilo próprio.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo, ano em que montou sua primeira individual, na Petit Galerie, Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna. Sua obra integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) e de diversos outros museus brasileiros. Em 1987, sua obra esteve presente na mostra Brésil Arts Populaires (Paris - França).
Fonte: ECF Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Escultor baiano Agnaldo dos Santos é homenageado no MAM | Governo da Bahia
Com obras de arte atualmente prestigiadas e supervalorizadas, depois de 61 anos do seu falecimento, o artista baiano Agnaldo dos Santos (1926-1962) ganha homenagem a partir desta terça-feira (18), às 18h, com a abertura especial no espaço expositivo da Capela do Museu de Arte Moderna (MAM Bahia) da exposição ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’. A coleção apresentada no MAM reúne cerca de 50 peças representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas, sob curadoria da curadora e historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Agnaldo nasceu na Ilha de Itaparica e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana. De acordo com o diretor do MAM Bahia, Pola Ribeiro, "ele é uma pessoa de raiz profunda, do povo, começou a trabalhar com 10 anos de idade, era descendente de índios e negros, foi lenhador, fabricante de cal, depois vigia, ajudante e aprendiz do artista Mário Cravo Jr”, diz. Segundo Pola, a história e o legado de Agnaldo trazem de volta o discurso da primeira diretora do MAM, Lina Bo Bardi (1914-1992). “Ela desejava unir a Arte erudita e a Arte popular em um mesmo patamar e essa exposição é uma excelente oportunidade de colocar Agnaldo ao lado da exposição ‘UANGA’ de J. Cunha, da Coleção Rubem Valentim e da Coleção de Arte Popular em um museu da estirpe e com a história de excelência do MAM Bahia”, defende Ribeiro.
Fonte: Governo da Bahia. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.
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Exposição no MAM homenageia o escultor baiano Agnaldo dos Santos; coleção reúne cerca de 50 peças do artista | G1 Bahia
O escultor baiano Agnaldo Manuel dos Santos será homenageado com uma exposição na Capela do Museu de Arte Moderna (MAM) da Bahia, localizado em Salvador. A mostra chamada ‘Agnaldo Manuel dos Santos – A conquista da modernidade’, será inaugurada na terça-feira (18), às 18h.
A coleção apresentada no MAM já passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e reúne cerca de 50 peças de Agnaldo, representando orixás, santos, ex-votos, carrancas e figuras humanas. A mostra tem curadoria da historiadora da arte, Juliana Ribeiro Bevilacqua.
Descendente de indígenas e negros, Agnaldo dos Santos nasceu na Ilha de Itaparica, no ano de 1926, e tem sua obra classificada como uma continuidade no Brasil da escultura africana.
Foi pelo olhar de Lina Bo Bardi, a primeira diretora do MAM, que Agnaldo fez sua primeira exposição individual na Bahia, no foyer do Teatro Castro Alves (TCA).
Agnaldo começou a esculpir em 1953. Suas esculturas em madeira estiveram em importantes coletivas e eventos como a Bienal de São Paulo, em 1957. Nesse mesmo ano, ele realizou sua primeira exposição individual, na Petit Galerie do Rio de Janeiro. Em 1959 e 1961, participou do Salão Nacional de Arte Moderna.
Depois da sua morte, em 1962, o baiano recebeu o prêmio internacional de escultura no 1° Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, no ano de 1966, pela escultura ‘Rei’. Algumas obras de Agnaldo estão no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Fonte: G1 Bahia. Consultado pela última vez em 17 de fevereiro de 2025.
Crédito fotográfico: Arte Popular Brasil. Consultado pela última vez em 14 de fevereiro de 2025.