Julio Le Parc (23 de setembro de 1928, Palmira, Mendoza, Argentina – 30 de maio de 2026, Paris, França) foi um artista plástico argentino, reconhecido como um dos principais nomes da arte cinética e da arte óptica (Op Art). Formado pela Escola de Belas Artes de Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1958, onde cofundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV), coletivo que revolucionou a relação entre arte e espectador por meio de experiências participativas. Influenciado pela Arte Concreta-Invenção, pelo espacialismo de Lucio Fontana e pelas pesquisas de Victor Vasarely, dedicou sua carreira ao estudo da luz, da cor, do movimento e da percepção visual. Le Parc produziu pinturas, relevos, esculturas e instalações imersivas que se tornaram referências da arte contemporânea, destacando-se séries como Continuel-Lumière, Modulações e Alquimia. Em 1966, recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, reconhecimento que consolidou sua projeção internacional. Defensor dos direitos humanos e da democratização da arte, deixou um legado presente em importantes museus e coleções, como o Museum of Modern Art (MoMA), o Centre Pompidou, a Tate Modern e o Pérez Art Museum Miami (PAMM).
Julio Le Parc | Arremate Arte
Julio Le Parc é considerado um dos principais representantes da arte cinética, da arte óptica (Op Art) e das pesquisas sobre luz e percepção visual. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, transformou a maneira como o público se relaciona com a arte ao criar obras que exploram o movimento, os reflexos e a participação do espectador. Sua produção ajudou a consolidar uma nova forma de experimentar a arte, na qual o visitante deixa de ser um simples observador para tornar-se parte da experiência.
Filho de um ferroviário, Le Parc cresceu em uma família de origem humilde e mudou-se ainda jovem para Buenos Aires. Antes de se dedicar integralmente à carreira artística, trabalhou como aprendiz de curtume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Aos quinze anos ingressou na Escola de Belas Artes, interrompendo os estudos em 1947 e retornando apenas em 1955, quando concluiu sua formação na Escola Superior de Belas Artes. Nesse período, aproximou-se das ideias da Arte Concreta-Invenção e do espacialismo de Lucio Fontana, movimentos que influenciaram decisivamente sua visão artística. Também participou ativamente do movimento estudantil, presidindo o Centro de Estudantes de Artes Plásticas e defendendo uma arte mais acessível e conectada às transformações sociais.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo e, no ano seguinte, mudou-se para Paris graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo francês. Na capital francesa entrou em contato com artistas que investigavam os efeitos da geometria, da luz e do movimento, entre eles Victor Vasarely. Em 1960, ao lado de Francisco Sobrino, Horacio García Rossi, Joël Stein, François Morellet e Yvaral, fundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV). O coletivo defendia a criação artística colaborativa e propunha uma nova relação entre obra e público, incentivando o espectador a interagir com os trabalhos em vez de apenas contemplá-los.
Foi nesse contexto que Le Parc consolidou sua linguagem artística. Em vez de utilizar a pintura apenas como uma superfície estática, passou a criar relevos, estruturas suspensas, espelhos móveis e instalações luminosas capazes de modificar continuamente a percepção de quem as observa. A luz tornou-se um dos principais elementos de sua obra, produzindo reflexos, sombras e movimentos que mudam conforme o deslocamento do visitante. Essa pesquisa resultou em séries marcantes, como Continuel-Lumière, Déplacements, Jeux, Modulações, Sphères e Alquimia, que se tornaram referências da arte cinética internacional.
O reconhecimento veio rapidamente. Em 1963 recebeu um prêmio na Bienal de Paris e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Internacional Torcuato Di Tella, na Argentina. Sua consagração aconteceu em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, uma das mais importantes premiações do circuito artístico mundial. A partir desse momento, passou a expor regularmente em museus e galerias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, consolidando seu nome entre os artistas mais influentes de sua geração.
Além da produção artística, Le Parc também ficou conhecido por seu posicionamento político. Defensor dos direitos humanos, participou das manifestações de Maio de 1968, na França, e colaborou com o Atelier Populaire na produção de cartazes de protesto. Sua atuação levou à expulsão temporária do país, decisão que foi revertida após a mobilização de artistas e intelectuais. Em 1969, também aderiu ao boicote internacional à Bienal de São Paulo em protesto contra a ditadura militar brasileira, reafirmando seu compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da cultura.
Nas décadas seguintes, continuou ampliando suas pesquisas sobre cor, movimento e percepção visual. Suas obras passaram a ocupar grandes espaços expositivos, criando ambientes imersivos nos quais a luz e o deslocamento do público transformam continuamente a experiência estética. Mesmo após os noventa anos de idade, permaneceu em atividade, realizando exposições e desenvolvendo novos projetos que demonstravam a atualidade de sua produção.
Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Centre Pompidou, em Paris, a Tate Modern, em Londres, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Pérez Art Museum Miami (PAMM) e diversos museus da América Latina e da Europa.
Julio Le Parc | Enciclopédia Latino Americana
Filho de um ferroviário, Julio Le Parc entrou na Escola de Belas Artes de Buenos Aires aos quinze anos, abandonando-a em 1947 e retornando em 1955, diplomando-se na Escola Superior. Com uma vida agitada e errante, foi aprendiz de cortume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Desde cedo se interessou pelo movimento Arte Concreta-Invenção e pelo espacialismo de Lucio Fontana. Marxista, participou também do movimento estudantil, onde conheceu sua esposa Martha, também artista, chegando a presidir o Centro de Estudantes de Artes Plásticas. Em 1957, participou da IV Bienal de São Paulo.
Em 1958, recebeu uma bolsa de estudos do governo francês e se estabeleceu em Paris, onde trabalhou por algum tempo com Vasarely. Ali se relacionava com artistas argentinos e europeus que, em 1960, fundaram com ele o Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), movimento vinculado à arte engajada e coletiva, que questionava temas como autoria e criatividade. Em 1963, o grupo realizou diversas manifestacões com o título L’lnstabilité.
Próximo também do grupo Nueva Tendencia, Le Parc elaborou uma arte experimental baseada no uso de dispositivos luminosos nos quais o espectador tem participação ativa (como na obra Formas en contorsión, de 1966). Em 1963, foi premiado na Bienal de Paris e um ano depois ganhou o Prêmio Internacional Di Tella, em Buenos Aires. Em 1966, conquistou o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza e expôs na Howard Wise Gallery, de Nova York, e na Galerie Denise René, em Paris. No ano seguinte, participou da IX Bienal de São Paulo, da exposição Luz e Movimento, no Museu de Arte Moderna de Paris, e recebeu a Ordem de Cavaleiro das Artes da França.
Antiperonista na Argentina, após participar dos protestos estudantis parisienses de maio de 1968, foi expulso da França, o que causou um movimento de intelectuais e artistas que exigiram sua volta. No ano seguinte, participou do boicote à X Bienal de São Paulo, em protesto contra a ditadura militar brasileira. Ainda em 1969 retomou a pintura sobre tela, trabalhando com uma gama estrita de catorze cores. Em 1972, aconteceu a primeira retrospectiva de sua obra, em Dusseldorf, na Alemanha.
A partir de 1974, o artista elaborou uma série de trabalhos pictóricos sobre superfícies que, incluindo diferentes temas de investigação, receberam a denominação geral de Modulações. Em 1978, a BBC de Londres produziu um documentário sobre sua vida e obra. Em 1987, recebeu o I Prêmio da Bienal de Cuenca (Equador) e um ano depois iniciou suas pesquisas sobre a temática que chamou de Alquimia.
Entre 1993 a 2004, o artista expôs no Museo de Arte Contemporâneo Latinoamericano, em La Plata, Argentina, no Centre Pompidou, em Paris, França, e no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em 1999, a II Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, Brasil) organizou uma grande retrospectiva de sua obra, dos anos 1950 até os anos 1990. Em 2001 fez uma grande mostra na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Entre 2006 e 2012, sua exposição Le Parc Lumière percorreu diversos países da América Latina. Em 2012 participou da 11ª edição da Nuit Blanche, em Paris, com uma intervenção de luzes no Obelisco da Praça da Concórdia. Alguns de seus trabalhos foram exibidos na mostra Dínamo – Um Século de Luz e Movimento na Arte 1913-2013, no Grand Palais, na capital francesa. Em 2014, a Casa Daros, no Rio de Janeiro, promoveu a exposição Le Parc Lumière – Obras Cinéticas de Julio Le Parc.
Fonte: Enciclopédia Latino Americana. Publicado em por Francisco Alambert. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Wikipédia
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928 – Paris, 30 de maio de 2026) foi um artista argentino que se dedicou à arte óptica moderna e à arte cinética.
Le Parc frequentou a Escola de Belas Artes da Argentina. Membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV) e autor de obras premiadas, permaneceu uma figura importante na história da arte moderna argentina. Recebeu o Prémio Konex da Argentina em 1982 e 2022.
Precursor da Arte Cinética e da Op Art, membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel e vencedor do Grande Prémio de Pintura na 33ª Bienal de Veneza em 1966, Julio Le Parc foi uma figura importante na história da arte moderna. O artista socialmente engajado foi expulso de França em maio de 1968, após participar do Atelier Populaire e nos protestos contra as principais instituições. Le Parc viveu e trabalhou posteriormente em Cachan, França.
Morreu em Paris a 30 de maio de 2026, aos 97 anos.
Exposições
Julio Le Parc, Tate Modern, Londres, 11 de junho de 2026–3 de maio de 2027
Julio Le Parc 1959, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Nova Iorque, 2018
Museu de Arte Pérez de Miami (PAMM), Miami, Flórida, EUA, 2016
Serpentine Sackler Gallery, Londres, Reino Unido, 25 de novembro de 2014 a 15 de fevereiro de 2015
Palais de Tóquio, Paris, França, 2013
Otra Mirada, Buenos Aires, Argentina, 2010
Le Parc. Lumière. Havana, Cuba, 2009
Julio Le Parc e Vertige Vertical. Cachan, França, 2005
Julio Le Parc - Verso la Luce - TORSIONS, escultura monumental permanente no jardim do Castelo de Boldeniga-Brescia (Itália), 2004
Alquimias. Quito, Equador, 1998
Sala de jogos e trabalhos de superfície . Arcueil, França, 1996
Obra recente. Valência, Espanha, 1991
Modulações de Julio Le Parc. Bréscia, Itália, 1988
Galleria La Polena, Gênova, Itália, 1979
Galeria Denise René, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA, 1973
Objeto Cinético. Ulm, Alemanha, 1970
Fonte: Wikipédia. Publicado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Como Julio Le Parc transformou luz e movimento em uma das revoluções visuais do século XX | Das Artes
Morto aos 97 anos em Paris, o artista argentino deixa um legado que redefiniu a relação entre obra, espaço e espectador, influenciando gerações de criadores ao redor do mundo
A arte contemporânea perdeu um de seus grandes arquitetos da percepção. Morreu em Paris, aos 97 anos, o artista argentino Julio Le Parc, figura central da arte cinética e óptica internacional, responsável por transformar luz, cor e movimento em experiências imersivas que mudaram profundamente a forma como o público se relaciona com a obra de arte. A notícia foi confirmada por familiares e instituições ligadas ao artista, que enfrentava um progressivo agravamento de seu estado de saúde nos últimos anos. Radicado na França desde 1958, Le Parc construiu uma trajetória que atravessou mais de seis décadas de experimentação e reconhecimento internacional.
Nascido em Mendoza, na Argentina, em 1928, Le Parc teve uma infância marcada por dificuldades econômicas antes de iniciar sua formação artística em Buenos Aires. Após conquistar uma bolsa de estudos, mudou-se para Paris, onde encontraria o ambiente ideal para desenvolver uma pesquisa que desafiava os limites tradicionais da pintura e da escultura. Em 1960, tornou-se um dos fundadores do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), coletivo que defendia uma arte participativa, acessível e capaz de romper a passividade do espectador. Seus relevos luminosos, instalações suspensas e ambientes interativos transformaram a percepção em matéria artística, fazendo do visitante um elemento ativo da obra.
O reconhecimento global veio em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, distinção que consolidou seu nome entre os principais artistas de sua geração. Desde então, suas obras passaram a integrar coleções de instituições como o Museum of Modern Art, o Centre Pompidou e a Tate Modern. No Brasil, sua presença foi fortalecida por uma longa parceria com a galerista Nara Roesler, que apresentou exposições do artista em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Mesmo nos últimos anos, Le Parc manteve intensa atividade criativa. Entre seus projetos recentes estavam experiências digitais e uma grande retrospectiva panorâmica, Julio Le Parc: Light. Colour. Action., cuja abertura está prevista para este mês na Tate Modern. Segundo familiares, o artista acompanhava com entusiasmo os preparativos da mostra, que agora ganha contornos de homenagem póstuma. Defensor incansável da participação do público e da democratização da experiência artística, Le Parc deixa uma obra que continua a desafiar certezas e a expandir os limites da percepção visual.
Fonte: Das Artes. Publicado em 01 de junho de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Nara Roesler
Julio Le Parc (n. 1928, Mendoza, Argentina - m. 2026, Cachan, França) é reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de seis décadas, ele realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em assemblages, instalações e aparelhos máquinicos que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-68), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação. De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Julio Le Parc vive e trabalha em Paris, França. Exposições individuais recentes incluem: Julio Le Parc: The Discovery of Perception, no Palazzo delle Papesse (2024), em Siena, Itália; Julio Le Parc: Un Visionario, no Centro Cultural Néstor Kirchner (2019), em Buenos Aires, Argentina; Julio Le Parc 1959, no The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer) (2018), em Nova York, EUA; Julio Le Parc: da forma à ação, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2017), em São Paulo, Brasil; Julio Le Parc: Form into Action, no Perez Art Museum (2016), em Miami, EUA. Seus trabalhos figuraram, recentemente, nas seguintes exposições coletivas: Art and Technology before the Internet, na Tate Modern (2024), em Londres, Reino Unido; Action <-> Reaction: 100 Years of Kinetic Art, no Kunsthal Rotterdam (2018), em Rotterdam, Países Baixos; The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and LatinAmerica 1950s-1970s, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, e no Museum of Modern Art (2017), em Varsóvia, Polônia; Kinesthesia: Latin American Kinetic Art, 1954-1969, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, EUA; Retrospect: Kinetika 1967, no Belvedere Museum (2016), em Viena, Áustria; The Illusive Eye, no El Museo del Barrio (2016), em Nova York, EUA. Seus trabalhos fazem parte de importante coleções, tais como: Daros Collection, Zurique, Suíça; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França, e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; entre outras.
Fonte: Nara Roesler. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos | O Globo
Julio Le Parc, artista plástico argentino, morreu aos 97 anos. Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, ele era reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte cinética. Ao longo de seis décadas, realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica.
Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em instalações que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Desde 2001, o argentino era representado no Brasil pela galerista Nara Roesler. A Tate Modern, em Londres, já havia agendado uma grande exposição panorâmica de sua obra, batizada de "Julio Le Parc: Light. Colour. Action.", que abre no próximo dia 11, e vai até até 3 de maio de 2027.
Trajetória
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-1968), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação.
De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua.
As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Em 2001, inicia-se a parceria entre Julio Le Parc e a Nara Roesler, que oficializa sua presença no cenário artístico brasileiro. Desde então, ele participou de importantes exposições nacionais e internacionais, como 'Luz e movimento', na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil, e 'Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America', 1960-1980, no Museum of Modern Art (MoMA), nos EUA.
Além disso, sua obra figura em diversas coleções ao redor do mundo, como no Musée National d’Art Moderne Georges Pompidou, em Paris, França; no Museum of Contemporary Art Chicago, em Chicago, nos EUA; e na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.
Fonte: O Globo, "Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos”. Postado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Crédito fotográfico: Paris Match. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928, Palmira, Mendoza, Argentina – 30 de maio de 2026, Paris, França) foi um artista plástico argentino, reconhecido como um dos principais nomes da arte cinética e da arte óptica (Op Art). Formado pela Escola de Belas Artes de Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1958, onde cofundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV), coletivo que revolucionou a relação entre arte e espectador por meio de experiências participativas. Influenciado pela Arte Concreta-Invenção, pelo espacialismo de Lucio Fontana e pelas pesquisas de Victor Vasarely, dedicou sua carreira ao estudo da luz, da cor, do movimento e da percepção visual. Le Parc produziu pinturas, relevos, esculturas e instalações imersivas que se tornaram referências da arte contemporânea, destacando-se séries como Continuel-Lumière, Modulações e Alquimia. Em 1966, recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, reconhecimento que consolidou sua projeção internacional. Defensor dos direitos humanos e da democratização da arte, deixou um legado presente em importantes museus e coleções, como o Museum of Modern Art (MoMA), o Centre Pompidou, a Tate Modern e o Pérez Art Museum Miami (PAMM).
Julio Le Parc | Arremate Arte
Julio Le Parc é considerado um dos principais representantes da arte cinética, da arte óptica (Op Art) e das pesquisas sobre luz e percepção visual. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, transformou a maneira como o público se relaciona com a arte ao criar obras que exploram o movimento, os reflexos e a participação do espectador. Sua produção ajudou a consolidar uma nova forma de experimentar a arte, na qual o visitante deixa de ser um simples observador para tornar-se parte da experiência.
Filho de um ferroviário, Le Parc cresceu em uma família de origem humilde e mudou-se ainda jovem para Buenos Aires. Antes de se dedicar integralmente à carreira artística, trabalhou como aprendiz de curtume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Aos quinze anos ingressou na Escola de Belas Artes, interrompendo os estudos em 1947 e retornando apenas em 1955, quando concluiu sua formação na Escola Superior de Belas Artes. Nesse período, aproximou-se das ideias da Arte Concreta-Invenção e do espacialismo de Lucio Fontana, movimentos que influenciaram decisivamente sua visão artística. Também participou ativamente do movimento estudantil, presidindo o Centro de Estudantes de Artes Plásticas e defendendo uma arte mais acessível e conectada às transformações sociais.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo e, no ano seguinte, mudou-se para Paris graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo francês. Na capital francesa entrou em contato com artistas que investigavam os efeitos da geometria, da luz e do movimento, entre eles Victor Vasarely. Em 1960, ao lado de Francisco Sobrino, Horacio García Rossi, Joël Stein, François Morellet e Yvaral, fundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV). O coletivo defendia a criação artística colaborativa e propunha uma nova relação entre obra e público, incentivando o espectador a interagir com os trabalhos em vez de apenas contemplá-los.
Foi nesse contexto que Le Parc consolidou sua linguagem artística. Em vez de utilizar a pintura apenas como uma superfície estática, passou a criar relevos, estruturas suspensas, espelhos móveis e instalações luminosas capazes de modificar continuamente a percepção de quem as observa. A luz tornou-se um dos principais elementos de sua obra, produzindo reflexos, sombras e movimentos que mudam conforme o deslocamento do visitante. Essa pesquisa resultou em séries marcantes, como Continuel-Lumière, Déplacements, Jeux, Modulações, Sphères e Alquimia, que se tornaram referências da arte cinética internacional.
O reconhecimento veio rapidamente. Em 1963 recebeu um prêmio na Bienal de Paris e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Internacional Torcuato Di Tella, na Argentina. Sua consagração aconteceu em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, uma das mais importantes premiações do circuito artístico mundial. A partir desse momento, passou a expor regularmente em museus e galerias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, consolidando seu nome entre os artistas mais influentes de sua geração.
Além da produção artística, Le Parc também ficou conhecido por seu posicionamento político. Defensor dos direitos humanos, participou das manifestações de Maio de 1968, na França, e colaborou com o Atelier Populaire na produção de cartazes de protesto. Sua atuação levou à expulsão temporária do país, decisão que foi revertida após a mobilização de artistas e intelectuais. Em 1969, também aderiu ao boicote internacional à Bienal de São Paulo em protesto contra a ditadura militar brasileira, reafirmando seu compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da cultura.
Nas décadas seguintes, continuou ampliando suas pesquisas sobre cor, movimento e percepção visual. Suas obras passaram a ocupar grandes espaços expositivos, criando ambientes imersivos nos quais a luz e o deslocamento do público transformam continuamente a experiência estética. Mesmo após os noventa anos de idade, permaneceu em atividade, realizando exposições e desenvolvendo novos projetos que demonstravam a atualidade de sua produção.
Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Centre Pompidou, em Paris, a Tate Modern, em Londres, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Pérez Art Museum Miami (PAMM) e diversos museus da América Latina e da Europa.
Julio Le Parc | Enciclopédia Latino Americana
Filho de um ferroviário, Julio Le Parc entrou na Escola de Belas Artes de Buenos Aires aos quinze anos, abandonando-a em 1947 e retornando em 1955, diplomando-se na Escola Superior. Com uma vida agitada e errante, foi aprendiz de cortume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Desde cedo se interessou pelo movimento Arte Concreta-Invenção e pelo espacialismo de Lucio Fontana. Marxista, participou também do movimento estudantil, onde conheceu sua esposa Martha, também artista, chegando a presidir o Centro de Estudantes de Artes Plásticas. Em 1957, participou da IV Bienal de São Paulo.
Em 1958, recebeu uma bolsa de estudos do governo francês e se estabeleceu em Paris, onde trabalhou por algum tempo com Vasarely. Ali se relacionava com artistas argentinos e europeus que, em 1960, fundaram com ele o Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), movimento vinculado à arte engajada e coletiva, que questionava temas como autoria e criatividade. Em 1963, o grupo realizou diversas manifestacões com o título L’lnstabilité.
Próximo também do grupo Nueva Tendencia, Le Parc elaborou uma arte experimental baseada no uso de dispositivos luminosos nos quais o espectador tem participação ativa (como na obra Formas en contorsión, de 1966). Em 1963, foi premiado na Bienal de Paris e um ano depois ganhou o Prêmio Internacional Di Tella, em Buenos Aires. Em 1966, conquistou o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza e expôs na Howard Wise Gallery, de Nova York, e na Galerie Denise René, em Paris. No ano seguinte, participou da IX Bienal de São Paulo, da exposição Luz e Movimento, no Museu de Arte Moderna de Paris, e recebeu a Ordem de Cavaleiro das Artes da França.
Antiperonista na Argentina, após participar dos protestos estudantis parisienses de maio de 1968, foi expulso da França, o que causou um movimento de intelectuais e artistas que exigiram sua volta. No ano seguinte, participou do boicote à X Bienal de São Paulo, em protesto contra a ditadura militar brasileira. Ainda em 1969 retomou a pintura sobre tela, trabalhando com uma gama estrita de catorze cores. Em 1972, aconteceu a primeira retrospectiva de sua obra, em Dusseldorf, na Alemanha.
A partir de 1974, o artista elaborou uma série de trabalhos pictóricos sobre superfícies que, incluindo diferentes temas de investigação, receberam a denominação geral de Modulações. Em 1978, a BBC de Londres produziu um documentário sobre sua vida e obra. Em 1987, recebeu o I Prêmio da Bienal de Cuenca (Equador) e um ano depois iniciou suas pesquisas sobre a temática que chamou de Alquimia.
Entre 1993 a 2004, o artista expôs no Museo de Arte Contemporâneo Latinoamericano, em La Plata, Argentina, no Centre Pompidou, em Paris, França, e no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em 1999, a II Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, Brasil) organizou uma grande retrospectiva de sua obra, dos anos 1950 até os anos 1990. Em 2001 fez uma grande mostra na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Entre 2006 e 2012, sua exposição Le Parc Lumière percorreu diversos países da América Latina. Em 2012 participou da 11ª edição da Nuit Blanche, em Paris, com uma intervenção de luzes no Obelisco da Praça da Concórdia. Alguns de seus trabalhos foram exibidos na mostra Dínamo – Um Século de Luz e Movimento na Arte 1913-2013, no Grand Palais, na capital francesa. Em 2014, a Casa Daros, no Rio de Janeiro, promoveu a exposição Le Parc Lumière – Obras Cinéticas de Julio Le Parc.
Fonte: Enciclopédia Latino Americana. Publicado em por Francisco Alambert. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Wikipédia
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928 – Paris, 30 de maio de 2026) foi um artista argentino que se dedicou à arte óptica moderna e à arte cinética.
Le Parc frequentou a Escola de Belas Artes da Argentina. Membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV) e autor de obras premiadas, permaneceu uma figura importante na história da arte moderna argentina. Recebeu o Prémio Konex da Argentina em 1982 e 2022.
Precursor da Arte Cinética e da Op Art, membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel e vencedor do Grande Prémio de Pintura na 33ª Bienal de Veneza em 1966, Julio Le Parc foi uma figura importante na história da arte moderna. O artista socialmente engajado foi expulso de França em maio de 1968, após participar do Atelier Populaire e nos protestos contra as principais instituições. Le Parc viveu e trabalhou posteriormente em Cachan, França.
Morreu em Paris a 30 de maio de 2026, aos 97 anos.
Exposições
Julio Le Parc, Tate Modern, Londres, 11 de junho de 2026–3 de maio de 2027
Julio Le Parc 1959, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Nova Iorque, 2018
Museu de Arte Pérez de Miami (PAMM), Miami, Flórida, EUA, 2016
Serpentine Sackler Gallery, Londres, Reino Unido, 25 de novembro de 2014 a 15 de fevereiro de 2015
Palais de Tóquio, Paris, França, 2013
Otra Mirada, Buenos Aires, Argentina, 2010
Le Parc. Lumière. Havana, Cuba, 2009
Julio Le Parc e Vertige Vertical. Cachan, França, 2005
Julio Le Parc - Verso la Luce - TORSIONS, escultura monumental permanente no jardim do Castelo de Boldeniga-Brescia (Itália), 2004
Alquimias. Quito, Equador, 1998
Sala de jogos e trabalhos de superfície . Arcueil, França, 1996
Obra recente. Valência, Espanha, 1991
Modulações de Julio Le Parc. Bréscia, Itália, 1988
Galleria La Polena, Gênova, Itália, 1979
Galeria Denise René, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA, 1973
Objeto Cinético. Ulm, Alemanha, 1970
Fonte: Wikipédia. Publicado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Como Julio Le Parc transformou luz e movimento em uma das revoluções visuais do século XX | Das Artes
Morto aos 97 anos em Paris, o artista argentino deixa um legado que redefiniu a relação entre obra, espaço e espectador, influenciando gerações de criadores ao redor do mundo
A arte contemporânea perdeu um de seus grandes arquitetos da percepção. Morreu em Paris, aos 97 anos, o artista argentino Julio Le Parc, figura central da arte cinética e óptica internacional, responsável por transformar luz, cor e movimento em experiências imersivas que mudaram profundamente a forma como o público se relaciona com a obra de arte. A notícia foi confirmada por familiares e instituições ligadas ao artista, que enfrentava um progressivo agravamento de seu estado de saúde nos últimos anos. Radicado na França desde 1958, Le Parc construiu uma trajetória que atravessou mais de seis décadas de experimentação e reconhecimento internacional.
Nascido em Mendoza, na Argentina, em 1928, Le Parc teve uma infância marcada por dificuldades econômicas antes de iniciar sua formação artística em Buenos Aires. Após conquistar uma bolsa de estudos, mudou-se para Paris, onde encontraria o ambiente ideal para desenvolver uma pesquisa que desafiava os limites tradicionais da pintura e da escultura. Em 1960, tornou-se um dos fundadores do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), coletivo que defendia uma arte participativa, acessível e capaz de romper a passividade do espectador. Seus relevos luminosos, instalações suspensas e ambientes interativos transformaram a percepção em matéria artística, fazendo do visitante um elemento ativo da obra.
O reconhecimento global veio em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, distinção que consolidou seu nome entre os principais artistas de sua geração. Desde então, suas obras passaram a integrar coleções de instituições como o Museum of Modern Art, o Centre Pompidou e a Tate Modern. No Brasil, sua presença foi fortalecida por uma longa parceria com a galerista Nara Roesler, que apresentou exposições do artista em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Mesmo nos últimos anos, Le Parc manteve intensa atividade criativa. Entre seus projetos recentes estavam experiências digitais e uma grande retrospectiva panorâmica, Julio Le Parc: Light. Colour. Action., cuja abertura está prevista para este mês na Tate Modern. Segundo familiares, o artista acompanhava com entusiasmo os preparativos da mostra, que agora ganha contornos de homenagem póstuma. Defensor incansável da participação do público e da democratização da experiência artística, Le Parc deixa uma obra que continua a desafiar certezas e a expandir os limites da percepção visual.
Fonte: Das Artes. Publicado em 01 de junho de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Nara Roesler
Julio Le Parc (n. 1928, Mendoza, Argentina - m. 2026, Cachan, França) é reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de seis décadas, ele realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em assemblages, instalações e aparelhos máquinicos que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-68), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação. De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Julio Le Parc vive e trabalha em Paris, França. Exposições individuais recentes incluem: Julio Le Parc: The Discovery of Perception, no Palazzo delle Papesse (2024), em Siena, Itália; Julio Le Parc: Un Visionario, no Centro Cultural Néstor Kirchner (2019), em Buenos Aires, Argentina; Julio Le Parc 1959, no The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer) (2018), em Nova York, EUA; Julio Le Parc: da forma à ação, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2017), em São Paulo, Brasil; Julio Le Parc: Form into Action, no Perez Art Museum (2016), em Miami, EUA. Seus trabalhos figuraram, recentemente, nas seguintes exposições coletivas: Art and Technology before the Internet, na Tate Modern (2024), em Londres, Reino Unido; Action <-> Reaction: 100 Years of Kinetic Art, no Kunsthal Rotterdam (2018), em Rotterdam, Países Baixos; The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and LatinAmerica 1950s-1970s, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, e no Museum of Modern Art (2017), em Varsóvia, Polônia; Kinesthesia: Latin American Kinetic Art, 1954-1969, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, EUA; Retrospect: Kinetika 1967, no Belvedere Museum (2016), em Viena, Áustria; The Illusive Eye, no El Museo del Barrio (2016), em Nova York, EUA. Seus trabalhos fazem parte de importante coleções, tais como: Daros Collection, Zurique, Suíça; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França, e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; entre outras.
Fonte: Nara Roesler. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos | O Globo
Julio Le Parc, artista plástico argentino, morreu aos 97 anos. Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, ele era reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte cinética. Ao longo de seis décadas, realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica.
Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em instalações que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Desde 2001, o argentino era representado no Brasil pela galerista Nara Roesler. A Tate Modern, em Londres, já havia agendado uma grande exposição panorâmica de sua obra, batizada de "Julio Le Parc: Light. Colour. Action.", que abre no próximo dia 11, e vai até até 3 de maio de 2027.
Trajetória
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-1968), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação.
De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua.
As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Em 2001, inicia-se a parceria entre Julio Le Parc e a Nara Roesler, que oficializa sua presença no cenário artístico brasileiro. Desde então, ele participou de importantes exposições nacionais e internacionais, como 'Luz e movimento', na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil, e 'Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America', 1960-1980, no Museum of Modern Art (MoMA), nos EUA.
Além disso, sua obra figura em diversas coleções ao redor do mundo, como no Musée National d’Art Moderne Georges Pompidou, em Paris, França; no Museum of Contemporary Art Chicago, em Chicago, nos EUA; e na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.
Fonte: O Globo, "Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos”. Postado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Crédito fotográfico: Paris Match. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928, Palmira, Mendoza, Argentina – 30 de maio de 2026, Paris, França) foi um artista plástico argentino, reconhecido como um dos principais nomes da arte cinética e da arte óptica (Op Art). Formado pela Escola de Belas Artes de Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1958, onde cofundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV), coletivo que revolucionou a relação entre arte e espectador por meio de experiências participativas. Influenciado pela Arte Concreta-Invenção, pelo espacialismo de Lucio Fontana e pelas pesquisas de Victor Vasarely, dedicou sua carreira ao estudo da luz, da cor, do movimento e da percepção visual. Le Parc produziu pinturas, relevos, esculturas e instalações imersivas que se tornaram referências da arte contemporânea, destacando-se séries como Continuel-Lumière, Modulações e Alquimia. Em 1966, recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, reconhecimento que consolidou sua projeção internacional. Defensor dos direitos humanos e da democratização da arte, deixou um legado presente em importantes museus e coleções, como o Museum of Modern Art (MoMA), o Centre Pompidou, a Tate Modern e o Pérez Art Museum Miami (PAMM).
Julio Le Parc | Arremate Arte
Julio Le Parc é considerado um dos principais representantes da arte cinética, da arte óptica (Op Art) e das pesquisas sobre luz e percepção visual. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, transformou a maneira como o público se relaciona com a arte ao criar obras que exploram o movimento, os reflexos e a participação do espectador. Sua produção ajudou a consolidar uma nova forma de experimentar a arte, na qual o visitante deixa de ser um simples observador para tornar-se parte da experiência.
Filho de um ferroviário, Le Parc cresceu em uma família de origem humilde e mudou-se ainda jovem para Buenos Aires. Antes de se dedicar integralmente à carreira artística, trabalhou como aprendiz de curtume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Aos quinze anos ingressou na Escola de Belas Artes, interrompendo os estudos em 1947 e retornando apenas em 1955, quando concluiu sua formação na Escola Superior de Belas Artes. Nesse período, aproximou-se das ideias da Arte Concreta-Invenção e do espacialismo de Lucio Fontana, movimentos que influenciaram decisivamente sua visão artística. Também participou ativamente do movimento estudantil, presidindo o Centro de Estudantes de Artes Plásticas e defendendo uma arte mais acessível e conectada às transformações sociais.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo e, no ano seguinte, mudou-se para Paris graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo francês. Na capital francesa entrou em contato com artistas que investigavam os efeitos da geometria, da luz e do movimento, entre eles Victor Vasarely. Em 1960, ao lado de Francisco Sobrino, Horacio García Rossi, Joël Stein, François Morellet e Yvaral, fundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV). O coletivo defendia a criação artística colaborativa e propunha uma nova relação entre obra e público, incentivando o espectador a interagir com os trabalhos em vez de apenas contemplá-los.
Foi nesse contexto que Le Parc consolidou sua linguagem artística. Em vez de utilizar a pintura apenas como uma superfície estática, passou a criar relevos, estruturas suspensas, espelhos móveis e instalações luminosas capazes de modificar continuamente a percepção de quem as observa. A luz tornou-se um dos principais elementos de sua obra, produzindo reflexos, sombras e movimentos que mudam conforme o deslocamento do visitante. Essa pesquisa resultou em séries marcantes, como Continuel-Lumière, Déplacements, Jeux, Modulações, Sphères e Alquimia, que se tornaram referências da arte cinética internacional.
O reconhecimento veio rapidamente. Em 1963 recebeu um prêmio na Bienal de Paris e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Internacional Torcuato Di Tella, na Argentina. Sua consagração aconteceu em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, uma das mais importantes premiações do circuito artístico mundial. A partir desse momento, passou a expor regularmente em museus e galerias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, consolidando seu nome entre os artistas mais influentes de sua geração.
Além da produção artística, Le Parc também ficou conhecido por seu posicionamento político. Defensor dos direitos humanos, participou das manifestações de Maio de 1968, na França, e colaborou com o Atelier Populaire na produção de cartazes de protesto. Sua atuação levou à expulsão temporária do país, decisão que foi revertida após a mobilização de artistas e intelectuais. Em 1969, também aderiu ao boicote internacional à Bienal de São Paulo em protesto contra a ditadura militar brasileira, reafirmando seu compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da cultura.
Nas décadas seguintes, continuou ampliando suas pesquisas sobre cor, movimento e percepção visual. Suas obras passaram a ocupar grandes espaços expositivos, criando ambientes imersivos nos quais a luz e o deslocamento do público transformam continuamente a experiência estética. Mesmo após os noventa anos de idade, permaneceu em atividade, realizando exposições e desenvolvendo novos projetos que demonstravam a atualidade de sua produção.
Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Centre Pompidou, em Paris, a Tate Modern, em Londres, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Pérez Art Museum Miami (PAMM) e diversos museus da América Latina e da Europa.
Julio Le Parc | Enciclopédia Latino Americana
Filho de um ferroviário, Julio Le Parc entrou na Escola de Belas Artes de Buenos Aires aos quinze anos, abandonando-a em 1947 e retornando em 1955, diplomando-se na Escola Superior. Com uma vida agitada e errante, foi aprendiz de cortume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Desde cedo se interessou pelo movimento Arte Concreta-Invenção e pelo espacialismo de Lucio Fontana. Marxista, participou também do movimento estudantil, onde conheceu sua esposa Martha, também artista, chegando a presidir o Centro de Estudantes de Artes Plásticas. Em 1957, participou da IV Bienal de São Paulo.
Em 1958, recebeu uma bolsa de estudos do governo francês e se estabeleceu em Paris, onde trabalhou por algum tempo com Vasarely. Ali se relacionava com artistas argentinos e europeus que, em 1960, fundaram com ele o Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), movimento vinculado à arte engajada e coletiva, que questionava temas como autoria e criatividade. Em 1963, o grupo realizou diversas manifestacões com o título L’lnstabilité.
Próximo também do grupo Nueva Tendencia, Le Parc elaborou uma arte experimental baseada no uso de dispositivos luminosos nos quais o espectador tem participação ativa (como na obra Formas en contorsión, de 1966). Em 1963, foi premiado na Bienal de Paris e um ano depois ganhou o Prêmio Internacional Di Tella, em Buenos Aires. Em 1966, conquistou o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza e expôs na Howard Wise Gallery, de Nova York, e na Galerie Denise René, em Paris. No ano seguinte, participou da IX Bienal de São Paulo, da exposição Luz e Movimento, no Museu de Arte Moderna de Paris, e recebeu a Ordem de Cavaleiro das Artes da França.
Antiperonista na Argentina, após participar dos protestos estudantis parisienses de maio de 1968, foi expulso da França, o que causou um movimento de intelectuais e artistas que exigiram sua volta. No ano seguinte, participou do boicote à X Bienal de São Paulo, em protesto contra a ditadura militar brasileira. Ainda em 1969 retomou a pintura sobre tela, trabalhando com uma gama estrita de catorze cores. Em 1972, aconteceu a primeira retrospectiva de sua obra, em Dusseldorf, na Alemanha.
A partir de 1974, o artista elaborou uma série de trabalhos pictóricos sobre superfícies que, incluindo diferentes temas de investigação, receberam a denominação geral de Modulações. Em 1978, a BBC de Londres produziu um documentário sobre sua vida e obra. Em 1987, recebeu o I Prêmio da Bienal de Cuenca (Equador) e um ano depois iniciou suas pesquisas sobre a temática que chamou de Alquimia.
Entre 1993 a 2004, o artista expôs no Museo de Arte Contemporâneo Latinoamericano, em La Plata, Argentina, no Centre Pompidou, em Paris, França, e no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em 1999, a II Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, Brasil) organizou uma grande retrospectiva de sua obra, dos anos 1950 até os anos 1990. Em 2001 fez uma grande mostra na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Entre 2006 e 2012, sua exposição Le Parc Lumière percorreu diversos países da América Latina. Em 2012 participou da 11ª edição da Nuit Blanche, em Paris, com uma intervenção de luzes no Obelisco da Praça da Concórdia. Alguns de seus trabalhos foram exibidos na mostra Dínamo – Um Século de Luz e Movimento na Arte 1913-2013, no Grand Palais, na capital francesa. Em 2014, a Casa Daros, no Rio de Janeiro, promoveu a exposição Le Parc Lumière – Obras Cinéticas de Julio Le Parc.
Fonte: Enciclopédia Latino Americana. Publicado em por Francisco Alambert. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Wikipédia
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928 – Paris, 30 de maio de 2026) foi um artista argentino que se dedicou à arte óptica moderna e à arte cinética.
Le Parc frequentou a Escola de Belas Artes da Argentina. Membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV) e autor de obras premiadas, permaneceu uma figura importante na história da arte moderna argentina. Recebeu o Prémio Konex da Argentina em 1982 e 2022.
Precursor da Arte Cinética e da Op Art, membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel e vencedor do Grande Prémio de Pintura na 33ª Bienal de Veneza em 1966, Julio Le Parc foi uma figura importante na história da arte moderna. O artista socialmente engajado foi expulso de França em maio de 1968, após participar do Atelier Populaire e nos protestos contra as principais instituições. Le Parc viveu e trabalhou posteriormente em Cachan, França.
Morreu em Paris a 30 de maio de 2026, aos 97 anos.
Exposições
Julio Le Parc, Tate Modern, Londres, 11 de junho de 2026–3 de maio de 2027
Julio Le Parc 1959, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Nova Iorque, 2018
Museu de Arte Pérez de Miami (PAMM), Miami, Flórida, EUA, 2016
Serpentine Sackler Gallery, Londres, Reino Unido, 25 de novembro de 2014 a 15 de fevereiro de 2015
Palais de Tóquio, Paris, França, 2013
Otra Mirada, Buenos Aires, Argentina, 2010
Le Parc. Lumière. Havana, Cuba, 2009
Julio Le Parc e Vertige Vertical. Cachan, França, 2005
Julio Le Parc - Verso la Luce - TORSIONS, escultura monumental permanente no jardim do Castelo de Boldeniga-Brescia (Itália), 2004
Alquimias. Quito, Equador, 1998
Sala de jogos e trabalhos de superfície . Arcueil, França, 1996
Obra recente. Valência, Espanha, 1991
Modulações de Julio Le Parc. Bréscia, Itália, 1988
Galleria La Polena, Gênova, Itália, 1979
Galeria Denise René, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA, 1973
Objeto Cinético. Ulm, Alemanha, 1970
Fonte: Wikipédia. Publicado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Como Julio Le Parc transformou luz e movimento em uma das revoluções visuais do século XX | Das Artes
Morto aos 97 anos em Paris, o artista argentino deixa um legado que redefiniu a relação entre obra, espaço e espectador, influenciando gerações de criadores ao redor do mundo
A arte contemporânea perdeu um de seus grandes arquitetos da percepção. Morreu em Paris, aos 97 anos, o artista argentino Julio Le Parc, figura central da arte cinética e óptica internacional, responsável por transformar luz, cor e movimento em experiências imersivas que mudaram profundamente a forma como o público se relaciona com a obra de arte. A notícia foi confirmada por familiares e instituições ligadas ao artista, que enfrentava um progressivo agravamento de seu estado de saúde nos últimos anos. Radicado na França desde 1958, Le Parc construiu uma trajetória que atravessou mais de seis décadas de experimentação e reconhecimento internacional.
Nascido em Mendoza, na Argentina, em 1928, Le Parc teve uma infância marcada por dificuldades econômicas antes de iniciar sua formação artística em Buenos Aires. Após conquistar uma bolsa de estudos, mudou-se para Paris, onde encontraria o ambiente ideal para desenvolver uma pesquisa que desafiava os limites tradicionais da pintura e da escultura. Em 1960, tornou-se um dos fundadores do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), coletivo que defendia uma arte participativa, acessível e capaz de romper a passividade do espectador. Seus relevos luminosos, instalações suspensas e ambientes interativos transformaram a percepção em matéria artística, fazendo do visitante um elemento ativo da obra.
O reconhecimento global veio em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, distinção que consolidou seu nome entre os principais artistas de sua geração. Desde então, suas obras passaram a integrar coleções de instituições como o Museum of Modern Art, o Centre Pompidou e a Tate Modern. No Brasil, sua presença foi fortalecida por uma longa parceria com a galerista Nara Roesler, que apresentou exposições do artista em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Mesmo nos últimos anos, Le Parc manteve intensa atividade criativa. Entre seus projetos recentes estavam experiências digitais e uma grande retrospectiva panorâmica, Julio Le Parc: Light. Colour. Action., cuja abertura está prevista para este mês na Tate Modern. Segundo familiares, o artista acompanhava com entusiasmo os preparativos da mostra, que agora ganha contornos de homenagem póstuma. Defensor incansável da participação do público e da democratização da experiência artística, Le Parc deixa uma obra que continua a desafiar certezas e a expandir os limites da percepção visual.
Fonte: Das Artes. Publicado em 01 de junho de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Nara Roesler
Julio Le Parc (n. 1928, Mendoza, Argentina - m. 2026, Cachan, França) é reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de seis décadas, ele realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em assemblages, instalações e aparelhos máquinicos que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-68), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação. De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Julio Le Parc vive e trabalha em Paris, França. Exposições individuais recentes incluem: Julio Le Parc: The Discovery of Perception, no Palazzo delle Papesse (2024), em Siena, Itália; Julio Le Parc: Un Visionario, no Centro Cultural Néstor Kirchner (2019), em Buenos Aires, Argentina; Julio Le Parc 1959, no The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer) (2018), em Nova York, EUA; Julio Le Parc: da forma à ação, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2017), em São Paulo, Brasil; Julio Le Parc: Form into Action, no Perez Art Museum (2016), em Miami, EUA. Seus trabalhos figuraram, recentemente, nas seguintes exposições coletivas: Art and Technology before the Internet, na Tate Modern (2024), em Londres, Reino Unido; Action <-> Reaction: 100 Years of Kinetic Art, no Kunsthal Rotterdam (2018), em Rotterdam, Países Baixos; The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and LatinAmerica 1950s-1970s, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, e no Museum of Modern Art (2017), em Varsóvia, Polônia; Kinesthesia: Latin American Kinetic Art, 1954-1969, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, EUA; Retrospect: Kinetika 1967, no Belvedere Museum (2016), em Viena, Áustria; The Illusive Eye, no El Museo del Barrio (2016), em Nova York, EUA. Seus trabalhos fazem parte de importante coleções, tais como: Daros Collection, Zurique, Suíça; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França, e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; entre outras.
Fonte: Nara Roesler. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos | O Globo
Julio Le Parc, artista plástico argentino, morreu aos 97 anos. Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, ele era reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte cinética. Ao longo de seis décadas, realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica.
Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em instalações que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Desde 2001, o argentino era representado no Brasil pela galerista Nara Roesler. A Tate Modern, em Londres, já havia agendado uma grande exposição panorâmica de sua obra, batizada de "Julio Le Parc: Light. Colour. Action.", que abre no próximo dia 11, e vai até até 3 de maio de 2027.
Trajetória
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-1968), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação.
De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua.
As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Em 2001, inicia-se a parceria entre Julio Le Parc e a Nara Roesler, que oficializa sua presença no cenário artístico brasileiro. Desde então, ele participou de importantes exposições nacionais e internacionais, como 'Luz e movimento', na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil, e 'Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America', 1960-1980, no Museum of Modern Art (MoMA), nos EUA.
Além disso, sua obra figura em diversas coleções ao redor do mundo, como no Musée National d’Art Moderne Georges Pompidou, em Paris, França; no Museum of Contemporary Art Chicago, em Chicago, nos EUA; e na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.
Fonte: O Globo, "Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos”. Postado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Crédito fotográfico: Paris Match. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928, Palmira, Mendoza, Argentina – 30 de maio de 2026, Paris, França) foi um artista plástico argentino, reconhecido como um dos principais nomes da arte cinética e da arte óptica (Op Art). Formado pela Escola de Belas Artes de Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1958, onde cofundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV), coletivo que revolucionou a relação entre arte e espectador por meio de experiências participativas. Influenciado pela Arte Concreta-Invenção, pelo espacialismo de Lucio Fontana e pelas pesquisas de Victor Vasarely, dedicou sua carreira ao estudo da luz, da cor, do movimento e da percepção visual. Le Parc produziu pinturas, relevos, esculturas e instalações imersivas que se tornaram referências da arte contemporânea, destacando-se séries como Continuel-Lumière, Modulações e Alquimia. Em 1966, recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, reconhecimento que consolidou sua projeção internacional. Defensor dos direitos humanos e da democratização da arte, deixou um legado presente em importantes museus e coleções, como o Museum of Modern Art (MoMA), o Centre Pompidou, a Tate Modern e o Pérez Art Museum Miami (PAMM).
Julio Le Parc | Arremate Arte
Julio Le Parc é considerado um dos principais representantes da arte cinética, da arte óptica (Op Art) e das pesquisas sobre luz e percepção visual. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, transformou a maneira como o público se relaciona com a arte ao criar obras que exploram o movimento, os reflexos e a participação do espectador. Sua produção ajudou a consolidar uma nova forma de experimentar a arte, na qual o visitante deixa de ser um simples observador para tornar-se parte da experiência.
Filho de um ferroviário, Le Parc cresceu em uma família de origem humilde e mudou-se ainda jovem para Buenos Aires. Antes de se dedicar integralmente à carreira artística, trabalhou como aprendiz de curtume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Aos quinze anos ingressou na Escola de Belas Artes, interrompendo os estudos em 1947 e retornando apenas em 1955, quando concluiu sua formação na Escola Superior de Belas Artes. Nesse período, aproximou-se das ideias da Arte Concreta-Invenção e do espacialismo de Lucio Fontana, movimentos que influenciaram decisivamente sua visão artística. Também participou ativamente do movimento estudantil, presidindo o Centro de Estudantes de Artes Plásticas e defendendo uma arte mais acessível e conectada às transformações sociais.
Em 1957 participou da IV Bienal de São Paulo e, no ano seguinte, mudou-se para Paris graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo francês. Na capital francesa entrou em contato com artistas que investigavam os efeitos da geometria, da luz e do movimento, entre eles Victor Vasarely. Em 1960, ao lado de Francisco Sobrino, Horacio García Rossi, Joël Stein, François Morellet e Yvaral, fundou o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV). O coletivo defendia a criação artística colaborativa e propunha uma nova relação entre obra e público, incentivando o espectador a interagir com os trabalhos em vez de apenas contemplá-los.
Foi nesse contexto que Le Parc consolidou sua linguagem artística. Em vez de utilizar a pintura apenas como uma superfície estática, passou a criar relevos, estruturas suspensas, espelhos móveis e instalações luminosas capazes de modificar continuamente a percepção de quem as observa. A luz tornou-se um dos principais elementos de sua obra, produzindo reflexos, sombras e movimentos que mudam conforme o deslocamento do visitante. Essa pesquisa resultou em séries marcantes, como Continuel-Lumière, Déplacements, Jeux, Modulações, Sphères e Alquimia, que se tornaram referências da arte cinética internacional.
O reconhecimento veio rapidamente. Em 1963 recebeu um prêmio na Bienal de Paris e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Internacional Torcuato Di Tella, na Argentina. Sua consagração aconteceu em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, uma das mais importantes premiações do circuito artístico mundial. A partir desse momento, passou a expor regularmente em museus e galerias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, consolidando seu nome entre os artistas mais influentes de sua geração.
Além da produção artística, Le Parc também ficou conhecido por seu posicionamento político. Defensor dos direitos humanos, participou das manifestações de Maio de 1968, na França, e colaborou com o Atelier Populaire na produção de cartazes de protesto. Sua atuação levou à expulsão temporária do país, decisão que foi revertida após a mobilização de artistas e intelectuais. Em 1969, também aderiu ao boicote internacional à Bienal de São Paulo em protesto contra a ditadura militar brasileira, reafirmando seu compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da cultura.
Nas décadas seguintes, continuou ampliando suas pesquisas sobre cor, movimento e percepção visual. Suas obras passaram a ocupar grandes espaços expositivos, criando ambientes imersivos nos quais a luz e o deslocamento do público transformam continuamente a experiência estética. Mesmo após os noventa anos de idade, permaneceu em atividade, realizando exposições e desenvolvendo novos projetos que demonstravam a atualidade de sua produção.
Suas obras fazem parte dos acervos de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Centre Pompidou, em Paris, a Tate Modern, em Londres, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Pérez Art Museum Miami (PAMM) e diversos museus da América Latina e da Europa.
Julio Le Parc | Enciclopédia Latino Americana
Filho de um ferroviário, Julio Le Parc entrou na Escola de Belas Artes de Buenos Aires aos quinze anos, abandonando-a em 1947 e retornando em 1955, diplomando-se na Escola Superior. Com uma vida agitada e errante, foi aprendiz de cortume, metalúrgico, porteiro de teatro e ator. Desde cedo se interessou pelo movimento Arte Concreta-Invenção e pelo espacialismo de Lucio Fontana. Marxista, participou também do movimento estudantil, onde conheceu sua esposa Martha, também artista, chegando a presidir o Centro de Estudantes de Artes Plásticas. Em 1957, participou da IV Bienal de São Paulo.
Em 1958, recebeu uma bolsa de estudos do governo francês e se estabeleceu em Paris, onde trabalhou por algum tempo com Vasarely. Ali se relacionava com artistas argentinos e europeus que, em 1960, fundaram com ele o Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), movimento vinculado à arte engajada e coletiva, que questionava temas como autoria e criatividade. Em 1963, o grupo realizou diversas manifestacões com o título L’lnstabilité.
Próximo também do grupo Nueva Tendencia, Le Parc elaborou uma arte experimental baseada no uso de dispositivos luminosos nos quais o espectador tem participação ativa (como na obra Formas en contorsión, de 1966). Em 1963, foi premiado na Bienal de Paris e um ano depois ganhou o Prêmio Internacional Di Tella, em Buenos Aires. Em 1966, conquistou o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza e expôs na Howard Wise Gallery, de Nova York, e na Galerie Denise René, em Paris. No ano seguinte, participou da IX Bienal de São Paulo, da exposição Luz e Movimento, no Museu de Arte Moderna de Paris, e recebeu a Ordem de Cavaleiro das Artes da França.
Antiperonista na Argentina, após participar dos protestos estudantis parisienses de maio de 1968, foi expulso da França, o que causou um movimento de intelectuais e artistas que exigiram sua volta. No ano seguinte, participou do boicote à X Bienal de São Paulo, em protesto contra a ditadura militar brasileira. Ainda em 1969 retomou a pintura sobre tela, trabalhando com uma gama estrita de catorze cores. Em 1972, aconteceu a primeira retrospectiva de sua obra, em Dusseldorf, na Alemanha.
A partir de 1974, o artista elaborou uma série de trabalhos pictóricos sobre superfícies que, incluindo diferentes temas de investigação, receberam a denominação geral de Modulações. Em 1978, a BBC de Londres produziu um documentário sobre sua vida e obra. Em 1987, recebeu o I Prêmio da Bienal de Cuenca (Equador) e um ano depois iniciou suas pesquisas sobre a temática que chamou de Alquimia.
Entre 1993 a 2004, o artista expôs no Museo de Arte Contemporâneo Latinoamericano, em La Plata, Argentina, no Centre Pompidou, em Paris, França, e no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em 1999, a II Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, Brasil) organizou uma grande retrospectiva de sua obra, dos anos 1950 até os anos 1990. Em 2001 fez uma grande mostra na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Entre 2006 e 2012, sua exposição Le Parc Lumière percorreu diversos países da América Latina. Em 2012 participou da 11ª edição da Nuit Blanche, em Paris, com uma intervenção de luzes no Obelisco da Praça da Concórdia. Alguns de seus trabalhos foram exibidos na mostra Dínamo – Um Século de Luz e Movimento na Arte 1913-2013, no Grand Palais, na capital francesa. Em 2014, a Casa Daros, no Rio de Janeiro, promoveu a exposição Le Parc Lumière – Obras Cinéticas de Julio Le Parc.
Fonte: Enciclopédia Latino Americana. Publicado em por Francisco Alambert. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Wikipédia
Julio Le Parc (23 de setembro de 1928 – Paris, 30 de maio de 2026) foi um artista argentino que se dedicou à arte óptica moderna e à arte cinética.
Le Parc frequentou a Escola de Belas Artes da Argentina. Membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV) e autor de obras premiadas, permaneceu uma figura importante na história da arte moderna argentina. Recebeu o Prémio Konex da Argentina em 1982 e 2022.
Precursor da Arte Cinética e da Op Art, membro fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel e vencedor do Grande Prémio de Pintura na 33ª Bienal de Veneza em 1966, Julio Le Parc foi uma figura importante na história da arte moderna. O artista socialmente engajado foi expulso de França em maio de 1968, após participar do Atelier Populaire e nos protestos contra as principais instituições. Le Parc viveu e trabalhou posteriormente em Cachan, França.
Morreu em Paris a 30 de maio de 2026, aos 97 anos.
Exposições
Julio Le Parc, Tate Modern, Londres, 11 de junho de 2026–3 de maio de 2027
Julio Le Parc 1959, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Nova Iorque, 2018
Museu de Arte Pérez de Miami (PAMM), Miami, Flórida, EUA, 2016
Serpentine Sackler Gallery, Londres, Reino Unido, 25 de novembro de 2014 a 15 de fevereiro de 2015
Palais de Tóquio, Paris, França, 2013
Otra Mirada, Buenos Aires, Argentina, 2010
Le Parc. Lumière. Havana, Cuba, 2009
Julio Le Parc e Vertige Vertical. Cachan, França, 2005
Julio Le Parc - Verso la Luce - TORSIONS, escultura monumental permanente no jardim do Castelo de Boldeniga-Brescia (Itália), 2004
Alquimias. Quito, Equador, 1998
Sala de jogos e trabalhos de superfície . Arcueil, França, 1996
Obra recente. Valência, Espanha, 1991
Modulações de Julio Le Parc. Bréscia, Itália, 1988
Galleria La Polena, Gênova, Itália, 1979
Galeria Denise René, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA, 1973
Objeto Cinético. Ulm, Alemanha, 1970
Fonte: Wikipédia. Publicado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Como Julio Le Parc transformou luz e movimento em uma das revoluções visuais do século XX | Das Artes
Morto aos 97 anos em Paris, o artista argentino deixa um legado que redefiniu a relação entre obra, espaço e espectador, influenciando gerações de criadores ao redor do mundo
A arte contemporânea perdeu um de seus grandes arquitetos da percepção. Morreu em Paris, aos 97 anos, o artista argentino Julio Le Parc, figura central da arte cinética e óptica internacional, responsável por transformar luz, cor e movimento em experiências imersivas que mudaram profundamente a forma como o público se relaciona com a obra de arte. A notícia foi confirmada por familiares e instituições ligadas ao artista, que enfrentava um progressivo agravamento de seu estado de saúde nos últimos anos. Radicado na França desde 1958, Le Parc construiu uma trajetória que atravessou mais de seis décadas de experimentação e reconhecimento internacional.
Nascido em Mendoza, na Argentina, em 1928, Le Parc teve uma infância marcada por dificuldades econômicas antes de iniciar sua formação artística em Buenos Aires. Após conquistar uma bolsa de estudos, mudou-se para Paris, onde encontraria o ambiente ideal para desenvolver uma pesquisa que desafiava os limites tradicionais da pintura e da escultura. Em 1960, tornou-se um dos fundadores do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), coletivo que defendia uma arte participativa, acessível e capaz de romper a passividade do espectador. Seus relevos luminosos, instalações suspensas e ambientes interativos transformaram a percepção em matéria artística, fazendo do visitante um elemento ativo da obra.
O reconhecimento global veio em 1966, quando recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, distinção que consolidou seu nome entre os principais artistas de sua geração. Desde então, suas obras passaram a integrar coleções de instituições como o Museum of Modern Art, o Centre Pompidou e a Tate Modern. No Brasil, sua presença foi fortalecida por uma longa parceria com a galerista Nara Roesler, que apresentou exposições do artista em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Mesmo nos últimos anos, Le Parc manteve intensa atividade criativa. Entre seus projetos recentes estavam experiências digitais e uma grande retrospectiva panorâmica, Julio Le Parc: Light. Colour. Action., cuja abertura está prevista para este mês na Tate Modern. Segundo familiares, o artista acompanhava com entusiasmo os preparativos da mostra, que agora ganha contornos de homenagem póstuma. Defensor incansável da participação do público e da democratização da experiência artística, Le Parc deixa uma obra que continua a desafiar certezas e a expandir os limites da percepção visual.
Fonte: Das Artes. Publicado em 01 de junho de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Julio Le Parc | Nara Roesler
Julio Le Parc (n. 1928, Mendoza, Argentina - m. 2026, Cachan, França) é reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de seis décadas, ele realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em assemblages, instalações e aparelhos máquinicos que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-68), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação. De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Julio Le Parc vive e trabalha em Paris, França. Exposições individuais recentes incluem: Julio Le Parc: The Discovery of Perception, no Palazzo delle Papesse (2024), em Siena, Itália; Julio Le Parc: Un Visionario, no Centro Cultural Néstor Kirchner (2019), em Buenos Aires, Argentina; Julio Le Parc 1959, no The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer) (2018), em Nova York, EUA; Julio Le Parc: da forma à ação, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2017), em São Paulo, Brasil; Julio Le Parc: Form into Action, no Perez Art Museum (2016), em Miami, EUA. Seus trabalhos figuraram, recentemente, nas seguintes exposições coletivas: Art and Technology before the Internet, na Tate Modern (2024), em Londres, Reino Unido; Action <-> Reaction: 100 Years of Kinetic Art, no Kunsthal Rotterdam (2018), em Rotterdam, Países Baixos; The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and LatinAmerica 1950s-1970s, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, e no Museum of Modern Art (2017), em Varsóvia, Polônia; Kinesthesia: Latin American Kinetic Art, 1954-1969, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, EUA; Retrospect: Kinetika 1967, no Belvedere Museum (2016), em Viena, Áustria; The Illusive Eye, no El Museo del Barrio (2016), em Nova York, EUA. Seus trabalhos fazem parte de importante coleções, tais como: Daros Collection, Zurique, Suíça; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França, e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; entre outras.
Fonte: Nara Roesler. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos | O Globo
Julio Le Parc, artista plástico argentino, morreu aos 97 anos. Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, ele era reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte cinética. Ao longo de seis décadas, realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica.
Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em instalações que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.
Desde 2001, o argentino era representado no Brasil pela galerista Nara Roesler. A Tate Modern, em Londres, já havia agendado uma grande exposição panorâmica de sua obra, batizada de "Julio Le Parc: Light. Colour. Action.", que abre no próximo dia 11, e vai até até 3 de maio de 2027.
Trajetória
Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-1968), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação.
De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua.
As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.
Em 2001, inicia-se a parceria entre Julio Le Parc e a Nara Roesler, que oficializa sua presença no cenário artístico brasileiro. Desde então, ele participou de importantes exposições nacionais e internacionais, como 'Luz e movimento', na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil, e 'Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America', 1960-1980, no Museum of Modern Art (MoMA), nos EUA.
Além disso, sua obra figura em diversas coleções ao redor do mundo, como no Musée National d’Art Moderne Georges Pompidou, em Paris, França; no Museum of Contemporary Art Chicago, em Chicago, nos EUA; e na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.
Fonte: O Globo, "Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos”. Postado em 30 de maio de 2026. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.
Crédito fotográfico: Paris Match. Consultado pela última vez em 9 de junho de 2026.