Ivan da Silva Morais (1936, Rio de Janeiro, RJ – 2003, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Ivan Morais, é um pintor brasileiro conhecido por suas representações de temas afro-brasileiros, especialmente as baianas em trajes de renda e as cerimônias do Candomblé. Formou-se em Serviço Social e estudou com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Participou do Salão Nacional de Arte Moderna, da Biennale des Jeunes Artistes em Paris (1961), da Bienal de São Paulo (1963) e da mostra “Brazilian Art” em Nova York (1966). Realizou individuais em espaços como Galeria Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques. Sua obra, marcada por cores vibrantes, composição precisa e temática ligada à religiosidade e cultura popular, integra acervos no Brasil e no exterior.
Ivan Morais | Arremate Arte
Ivan da Silva Morais nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e construiu uma trajetória artística profundamente marcada pelo diálogo entre a cultura afro-brasileira, a religiosidade popular e uma paleta cromática exuberante. Embora formado em Serviço Social, sua vocação para as artes visuais se manifestou desde cedo, levando-o a buscar aprimoramento no curso livre ministrado por Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), na década de 1950. Essa convivência com Serpa e com o ambiente artístico moderno consolidou uma base técnica sólida e um olhar atento às linguagens contemporâneas, sem abandonar as raízes populares que permeiam toda a sua obra.
Sua primeira exposição individual ocorreu em 1960, no próprio MAM/RJ, marcando o início de um percurso intenso no circuito expositivo. Participou do Salão Nacional de Arte Moderna em várias edições e representou o Brasil na Biennale des Jeunes Artistes, em Paris (1961), além de integrar a Bienal Internacional de São Paulo (1963) e a mostra “Brazilian Art”, em Nova York (1966). Ao longo das décadas de 1960 a 1980, realizou inúmeras individuais nas principais galerias cariocas entre elas Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques, tornando-se presença constante nas agendas culturais da cidade.
O universo temático de Morais é marcado por uma forte ligação com a Bahia, com especial destaque para as representações das baianas em trajes de renda e das cerimônias do Candomblé. Nessas obras, a figura humana surge com delicadeza e imponência, construída por meio de um desenho firme e de uma cor vibrante que, segundo o crítico Walmir Ayala, ele maneja com linearidade e sem excessos supérfluos. O artista não se limita a retratar, mas compõe cenas que mesclam alegria, solenidade e mistério, criando um repertório visual que celebra tanto a estética popular quanto a espiritualidade.
Sua pintura é reconhecida pela minúcia nos detalhes, pelo equilíbrio entre composição e cromatismo e pela capacidade de transportar o espectador para ambientes repletos de movimento e energia. Mais do que um cronista visual das tradições afro-brasileiras, Ivan Morais construiu um corpo de trabalho que dialoga com a memória cultural e com a identidade nacional, mantendo-se como referência na representação da herança africana na arte brasileira.
Ivan Morais | Itaú Cultural
Exposições
1961 – Individual de Ivan Morais
1961 – 6ª Bienal Internacional de São Paulo
1961 – 2ª Bienal de Paris
1962 – Individual de Ivan Morais
1964 – O Nu na Arte Contemporânea
1991 – Grande Exposição Coletiva de Arte Ingênua
1994 – Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
1998 – Bienal Naifs do Brasil 1998
2018 – O Rio do Samba: resistência e reinvenção
2021 – A memória é uma invenção
2021 – Crônicas Cariocas
Fonte: IVAN Morais. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 14 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Ivan Morais | Ivan da Silva Morais Instituto
Embora tenha nível superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde a infância. Posteriormente estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro quando, então, o espaço dava grande estímulo a pintura espontânea e consequentemente deslanchou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano fez sua primeira exposição individual no recinto do Museu de Arte Moderna. No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da mostra “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Individualmente expôs na Galeria do Copacabana Palace de 1967 a 1970., na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Trabalhos de sua autoria figuram na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com riqueza de detalhes beirando ao realismo e os candomblés.
Para o crítico Walmir Ayala, “a cor é a sua arma forte: trata-a de forma linear, desempastada, firme (nenhum efeito supérfluo, nenhum meio-tom)”.
Sobre o Instituto
Fundado em 2025, o Instituto Ivan da Silva Moraes nasce do compromisso com a memória, a arte e a dignidade de um dos mais singulares artistas da história brasileira. Com sede no coração da cidade de São Paulo, o Instituto consagra-se à valorização da estética afro-brasileira, ao legado do modernismo popular e à defesa da cultura como força de identidade, resistência e expressão.
Nascido em 1936, o carioca Ivan da Silva Moraes já concluíra o curso de Serviço Social quando decidiu se dedicar plenamente à pintura paixão que o acompanhava desde a infância. Em 1953, ingressou no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano Cadmo Fausto. Teria seguido o caminho acadêmico, não fosse sua decisão de estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, apresentou-lhe os segredos do ofício e respeitou profundamente o seu universo idealista.
Em 1960, participou do Salão Nacional de Arte Moderna e, no mesmo ano, realizou sua primeira individual no próprio Museu de Arte Moderna do Rio. No ano seguinte, expôs na Bienal de Paris. Em 1963, levou sua obra à Bienal de São Paulo, e em 1966 integrou a mostra “Arte Brasileira”, apresentada em Nova York. Também teve individuais marcantes na Galeria do Copacabana Palace entre 1967 e 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972, e na Galeria Marte-21 em 1975. Seu trabalho figura ainda na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
A primeira exposição individual de Ivan, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e celebrações da cultura afro-brasileira contrastava fortemente com as vanguardas do momento, divididas entre realismos sociais, lirismos abstratos, geometrias concretas e informalismos.
À época, a crítica o classificou apressadamente como um artista ingênuo, mas logo se percebeu que seu "pitoresco" estava subordinado ao pictórico: em suas telas singelas, havia domínio técnico, sofisticação na composição e um estilo absolutamente pessoal.
Inspirado nesse gesto radical o de transformar o cotidiano em rito e a pintura em enigma o Instituto abriga, pesquisa e difunde um acervo que pulsa com imagens de fé, cor e transcendência. São obras, documentos, fotografias, cartas e registros audiovisuais que, além de preservar o percurso criativo de Ivan, dialogam com as camadas profundas de uma herança visual pouco reconhecida, mas essencial ao imaginário brasileiro.
A missão do Instituto é de garantir que a obra de Ivan Moraes, descrita por José Roberto Teixeira Leite como “a de um Matisse tropical” permaneça viva, acessível e potente.
Teixeira Leite destacou que “em suas telas aparentemente singelas, via-se a mão de um artista com domínio técnico e estilo pessoal”. Quirino Campofiorito, por sua vez, viu na pintura de Ivan “o calor comovente de uma mensagem”, um universo de símbolos e humanidade que fascina sem anunciar por quê. Já Ana Sant’Anna revelou que suas imagens contêm “uma arte de sentimentos e sensações”, onde “a cor ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza”.
Essas leituras são bússolas críticas que nos orientam e aprofundam o sentido maior de nosso trabalho de zelar não apenas pela integridade material do legado de Ivan Moraes, mas também por sua dimensão simbólica, estética e espiritual.
Para o Instituto, a memória é um ato de criação. É por meio dela que as histórias invisibilizadas ganham corpo, cor e voz. Preservar essa memória é também participar da reconstrução de uma história coletiva, marcada pela diversidade e pelo desejo de reparação. Cuidar das imagens de Ivan Moraes é afirmar a centralidade da cultura afro-brasileira na formação do Brasil profundo e é reivindicar, com beleza e rigor, o direito à permanência.
O Instituto se constrói como um lugar de escuta e de invenção. Mais que um espaço expositivo, é um território vivo de pensamento e transformação, onde cada traço, cada cor de Ivan Moraes nos convoca a ver o Brasil por dentro por trás das rendas, das baianas, dos cânticos, das devoções.
Como afirmou Xenia Bergman, sua obra “magnifica a natureza nobre das Baianas”, conduzindo-nos a um Brasil ritmado por danças, por fé, por imagens que não pedem licença, mas ocupam o centro da tela com solenidade.
Convidamos o público a redescobrir o país que ainda pulsa nas bordas da tela. Um Brasil profundo, lírico e resistente, que Ivan Moraes nos ensinou a ver e que o Instituto se dedica a manter vivo, em estado de arte.
Textos Críticos
"Ivan não busca o exótico, sua força é serena e ampla, imprimindo-se em cada elemento. Transforma a realidade a partir da qual parte com sinceridade e fantasia, resultando em uma simples arte de sentimentos e sensações. Planos grandes e pequenos combinam-se harmoniosamente em composições diversificadas. Cada fotograma contém uma singularidade particular, um ritmo próprio e é sempre possível ver mais ao olhar novamente. A cor, ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza, através de um tipo de material limpo e bem trabalhado". — Ana Sant’Anna (Catálogo da exposição no MAM, 1960).
"Chamar um artista de primitivo, ou elencá-lo dentro da arte naïf, seguindo a nomenclatura francesa, continua gerando uma certa polêmica. Ao identificar a pintura de cerimônias afro-brasileiros com a mais pura experiência ocular mediante um sem-fim de brancos dos hiper-realistas rendados; ou tratar a plasticidade imbuída no barroquismo das indumentárias das sacerdotisas Iorubás e ao invocar o brilho encantatório do dourado que vem a conectar passado e presente, a arte de Ivan Moraes ancora as suas mais férteis indagações plásticas nessas intuições reveladas pelo artista ingênuo, mas avistando perspectivas que aquele desconhecia. A priori cativado pela tradição popular, vibrante e eloquente, seus ritmos nos fazem adentrar em cada uma das obras de maneira não passiva. Ou são as listras dos tecidos a cores nitidamente tingidos ao gosto africano, ou são as superposições de rendas sobressaindo em relevos ilusórios as que dialogam com os fundos exagerados por persuadir a experiência ritual e dançante. Os corpos pretos, de presença volumosa, aparecem como retratos coletivos, arranjados segundo composições igualmente sinuosas. Obras que magnificam a natureza nobre das baianas, a miúde retratadas, ou que nos acordam para os conjuntos dos fiéis absortos com os cânticos de fé, fazendo rodas ou prostrados em reverência, simulada por habilidosos escorsos. Tudo confabula para o maravilhamento, e não por acaso fora chamado por Teixeira Leite de “Matisse dos trópicos”. A chave desses artistas que veneravam o primitivo orientava a arte nova, pelas arestas do decó, e dos alinhamentos desse traço sintético único e modernista que encabeçava Matisse. Destacando-se com aluno de Ivan Serpa, no MAM-RJ, um dos poucos a trabalhar esses mal chamado “primitivismo” já desde 1960 o próprio MAM lhe convida a uma individual. Esses preceitos de sua obra foram já notados pela voz crítica que Incluía desde Geraldo Viera até Quirino Campofiorito. Esses traços de sua poética foram novamente reconhecidos ao ser um dos brasileiros de VI Bienal de São Paulo e logo em seguida na Bienal de Paris do mesmo ano. Em 1966 ele novamente é celebrado pelo Museu de Belas Artes, na coletiva dedicada aos artistas primitivos. Sua carreira teve inúmeras exposições nas principais galerias de Rio de Janeiro. Em 1998 o SESC inclue suas obras na Bienal de Arte Naïf. Seria impossível separar a história da pintura dessas fontes populares. Mas no seu caso o uso da indumentária para criar planos superpostos e conjugados, o paroxismo criado pelos mais ínfimos detalhes das rendas, padronagens simples ao gosto africano, o seu objeto de fascinação, resultam em beleza única" — Xenia Bergman, Curadora e Historiadora de arte e Pesquisadora.
"As pinturas deste jovem fascinam sem que ninguém perceba imediatamente porquê. A graça e a fada, o mágico e o edênico, encontram-se na simplicidade, na face ingênua de suas criações. [...]
Candomblé, memórias de ritos, visões religiosas, gente em situação de rua. A imaginação rica em significados humanos. O mundo da imagem anedótica, mas que não carece de expressão rigorosa da comunicação artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético do cativo. Comunicação sempre artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético de cativar. Comunicação sempre artística com o calor comovente de uma mensagem" — Quirino Campofiorito (do catálogo da exposição do MAM, agosto de 1961).
Nascido em 1936, o carioca Ivan Moraes já concluira o curso de Serviços Sociais quando decidiu dedicar-se seriamente à pintura (que o fascinava desde pequeno), ingressando em 1953 no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano pintor Cadmo Fausto: teria sido ele próprio pintor acadêmico se em boa hora não tivesse optado por estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, revelou-lhe a cozinha do ofício e lhe respeitou o mundo de ideais. A primeira individual, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática, dominada por nédias baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e outras interpretações de ambiência afro-brasileira, contrastava enormemente com o que se fazia então no Rio de Janeiro e em São Paulo, momento em que mais se digladiavam realistas sociais ou românticos, abstracionistas líricos ou informais, geométricos, concretos ou neoconcretos. Num primeiro instante, e meio apressadamente, a critica nele identificou um pintor ingênuo a mais; só que a sua era uma ingenuidade diferente, de alguém ( como um olhar em maior profundidade revelou), em quem o pitoresco se subordinava ao pictórico: via-se na verdade naquelas telas aparentemente singelas a mão de um artista obviamente dotado de bom domínio técnico e senhor de um estilo pessoal. Pelas próximas décadas Ivan de Moraes pouco ou nada se afastou de sua temática original, indiferente a inovações e modismos. Mas, como bem sabem os que amam de fato a arte, numa pintura o que importa não é o tema, mas sim o modo como se o trata. E é justamente aí que reside o valor de Ivan de Moraes: veja-se a ênfase que o colorido assume em suas obras, a maneira como trabalha a matéria (no rendilhado à custa de branco sobre branco das saias de suas baianas, por exemplo), o ritmo ondulante que a sucessão de cabecinhas negras cria no espaço pictórico, a composicao, a atmosfera enfim. Além do mais, suas pinturas são decorativas, no sentido de que são decorativas as pinturas de um Matisse por exemplo, um Matisse tropical que pintasse Baianas em lugar de odaliscas. Hoje, decorridos 20 anos da morte do autor, suas pinturas continuam palpitantes de vida, testemunhas do glorioso momento em que viveu e trabalhou Ivan de Moraes, o importante e singular artista que a presente exposição ora vem resgatar.
— José Roberto Teixeira Leite, Jornalista, Professor, Escritor, Curador e Crítico de Arte Brasileiro.
Fonte: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan Morais | Etsy
Nasceu no Rio de Janeiro em 1936
Embora tenha curso superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde criança. Posteriormente, estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, quando, naquela época, o espaço deu grande estímulo à pintura espontânea e consequentemente lançou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano, fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna.
No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da exposição “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Expôs individualmente na Galeria Copacabana Palace de 1967 a 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Seus trabalhos estão expostos na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com uma riqueza de detalhes que beira o realismo e o candomblé.
Para o crítico Walmir Ayala, “A cor é sua arma forte: ele a trata de forma linear, desimpedida, firme (sem efeitos supérfluos, sem meios-tons)”. Ele morreu no Rio de Janeiro em 2003.
Fonte: Etsy, Ivan Morais. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Crédito fotográfico: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan da Silva Morais (1936, Rio de Janeiro, RJ – 2003, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Ivan Morais, é um pintor brasileiro conhecido por suas representações de temas afro-brasileiros, especialmente as baianas em trajes de renda e as cerimônias do Candomblé. Formou-se em Serviço Social e estudou com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Participou do Salão Nacional de Arte Moderna, da Biennale des Jeunes Artistes em Paris (1961), da Bienal de São Paulo (1963) e da mostra “Brazilian Art” em Nova York (1966). Realizou individuais em espaços como Galeria Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques. Sua obra, marcada por cores vibrantes, composição precisa e temática ligada à religiosidade e cultura popular, integra acervos no Brasil e no exterior.
Ivan Morais | Arremate Arte
Ivan da Silva Morais nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e construiu uma trajetória artística profundamente marcada pelo diálogo entre a cultura afro-brasileira, a religiosidade popular e uma paleta cromática exuberante. Embora formado em Serviço Social, sua vocação para as artes visuais se manifestou desde cedo, levando-o a buscar aprimoramento no curso livre ministrado por Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), na década de 1950. Essa convivência com Serpa e com o ambiente artístico moderno consolidou uma base técnica sólida e um olhar atento às linguagens contemporâneas, sem abandonar as raízes populares que permeiam toda a sua obra.
Sua primeira exposição individual ocorreu em 1960, no próprio MAM/RJ, marcando o início de um percurso intenso no circuito expositivo. Participou do Salão Nacional de Arte Moderna em várias edições e representou o Brasil na Biennale des Jeunes Artistes, em Paris (1961), além de integrar a Bienal Internacional de São Paulo (1963) e a mostra “Brazilian Art”, em Nova York (1966). Ao longo das décadas de 1960 a 1980, realizou inúmeras individuais nas principais galerias cariocas entre elas Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques, tornando-se presença constante nas agendas culturais da cidade.
O universo temático de Morais é marcado por uma forte ligação com a Bahia, com especial destaque para as representações das baianas em trajes de renda e das cerimônias do Candomblé. Nessas obras, a figura humana surge com delicadeza e imponência, construída por meio de um desenho firme e de uma cor vibrante que, segundo o crítico Walmir Ayala, ele maneja com linearidade e sem excessos supérfluos. O artista não se limita a retratar, mas compõe cenas que mesclam alegria, solenidade e mistério, criando um repertório visual que celebra tanto a estética popular quanto a espiritualidade.
Sua pintura é reconhecida pela minúcia nos detalhes, pelo equilíbrio entre composição e cromatismo e pela capacidade de transportar o espectador para ambientes repletos de movimento e energia. Mais do que um cronista visual das tradições afro-brasileiras, Ivan Morais construiu um corpo de trabalho que dialoga com a memória cultural e com a identidade nacional, mantendo-se como referência na representação da herança africana na arte brasileira.
Ivan Morais | Itaú Cultural
Exposições
1961 – Individual de Ivan Morais
1961 – 6ª Bienal Internacional de São Paulo
1961 – 2ª Bienal de Paris
1962 – Individual de Ivan Morais
1964 – O Nu na Arte Contemporânea
1991 – Grande Exposição Coletiva de Arte Ingênua
1994 – Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
1998 – Bienal Naifs do Brasil 1998
2018 – O Rio do Samba: resistência e reinvenção
2021 – A memória é uma invenção
2021 – Crônicas Cariocas
Fonte: IVAN Morais. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 14 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Ivan Morais | Ivan da Silva Morais Instituto
Embora tenha nível superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde a infância. Posteriormente estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro quando, então, o espaço dava grande estímulo a pintura espontânea e consequentemente deslanchou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano fez sua primeira exposição individual no recinto do Museu de Arte Moderna. No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da mostra “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Individualmente expôs na Galeria do Copacabana Palace de 1967 a 1970., na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Trabalhos de sua autoria figuram na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com riqueza de detalhes beirando ao realismo e os candomblés.
Para o crítico Walmir Ayala, “a cor é a sua arma forte: trata-a de forma linear, desempastada, firme (nenhum efeito supérfluo, nenhum meio-tom)”.
Sobre o Instituto
Fundado em 2025, o Instituto Ivan da Silva Moraes nasce do compromisso com a memória, a arte e a dignidade de um dos mais singulares artistas da história brasileira. Com sede no coração da cidade de São Paulo, o Instituto consagra-se à valorização da estética afro-brasileira, ao legado do modernismo popular e à defesa da cultura como força de identidade, resistência e expressão.
Nascido em 1936, o carioca Ivan da Silva Moraes já concluíra o curso de Serviço Social quando decidiu se dedicar plenamente à pintura paixão que o acompanhava desde a infância. Em 1953, ingressou no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano Cadmo Fausto. Teria seguido o caminho acadêmico, não fosse sua decisão de estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, apresentou-lhe os segredos do ofício e respeitou profundamente o seu universo idealista.
Em 1960, participou do Salão Nacional de Arte Moderna e, no mesmo ano, realizou sua primeira individual no próprio Museu de Arte Moderna do Rio. No ano seguinte, expôs na Bienal de Paris. Em 1963, levou sua obra à Bienal de São Paulo, e em 1966 integrou a mostra “Arte Brasileira”, apresentada em Nova York. Também teve individuais marcantes na Galeria do Copacabana Palace entre 1967 e 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972, e na Galeria Marte-21 em 1975. Seu trabalho figura ainda na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
A primeira exposição individual de Ivan, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e celebrações da cultura afro-brasileira contrastava fortemente com as vanguardas do momento, divididas entre realismos sociais, lirismos abstratos, geometrias concretas e informalismos.
À época, a crítica o classificou apressadamente como um artista ingênuo, mas logo se percebeu que seu "pitoresco" estava subordinado ao pictórico: em suas telas singelas, havia domínio técnico, sofisticação na composição e um estilo absolutamente pessoal.
Inspirado nesse gesto radical o de transformar o cotidiano em rito e a pintura em enigma o Instituto abriga, pesquisa e difunde um acervo que pulsa com imagens de fé, cor e transcendência. São obras, documentos, fotografias, cartas e registros audiovisuais que, além de preservar o percurso criativo de Ivan, dialogam com as camadas profundas de uma herança visual pouco reconhecida, mas essencial ao imaginário brasileiro.
A missão do Instituto é de garantir que a obra de Ivan Moraes, descrita por José Roberto Teixeira Leite como “a de um Matisse tropical” permaneça viva, acessível e potente.
Teixeira Leite destacou que “em suas telas aparentemente singelas, via-se a mão de um artista com domínio técnico e estilo pessoal”. Quirino Campofiorito, por sua vez, viu na pintura de Ivan “o calor comovente de uma mensagem”, um universo de símbolos e humanidade que fascina sem anunciar por quê. Já Ana Sant’Anna revelou que suas imagens contêm “uma arte de sentimentos e sensações”, onde “a cor ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza”.
Essas leituras são bússolas críticas que nos orientam e aprofundam o sentido maior de nosso trabalho de zelar não apenas pela integridade material do legado de Ivan Moraes, mas também por sua dimensão simbólica, estética e espiritual.
Para o Instituto, a memória é um ato de criação. É por meio dela que as histórias invisibilizadas ganham corpo, cor e voz. Preservar essa memória é também participar da reconstrução de uma história coletiva, marcada pela diversidade e pelo desejo de reparação. Cuidar das imagens de Ivan Moraes é afirmar a centralidade da cultura afro-brasileira na formação do Brasil profundo e é reivindicar, com beleza e rigor, o direito à permanência.
O Instituto se constrói como um lugar de escuta e de invenção. Mais que um espaço expositivo, é um território vivo de pensamento e transformação, onde cada traço, cada cor de Ivan Moraes nos convoca a ver o Brasil por dentro por trás das rendas, das baianas, dos cânticos, das devoções.
Como afirmou Xenia Bergman, sua obra “magnifica a natureza nobre das Baianas”, conduzindo-nos a um Brasil ritmado por danças, por fé, por imagens que não pedem licença, mas ocupam o centro da tela com solenidade.
Convidamos o público a redescobrir o país que ainda pulsa nas bordas da tela. Um Brasil profundo, lírico e resistente, que Ivan Moraes nos ensinou a ver e que o Instituto se dedica a manter vivo, em estado de arte.
Textos Críticos
"Ivan não busca o exótico, sua força é serena e ampla, imprimindo-se em cada elemento. Transforma a realidade a partir da qual parte com sinceridade e fantasia, resultando em uma simples arte de sentimentos e sensações. Planos grandes e pequenos combinam-se harmoniosamente em composições diversificadas. Cada fotograma contém uma singularidade particular, um ritmo próprio e é sempre possível ver mais ao olhar novamente. A cor, ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza, através de um tipo de material limpo e bem trabalhado". — Ana Sant’Anna (Catálogo da exposição no MAM, 1960).
"Chamar um artista de primitivo, ou elencá-lo dentro da arte naïf, seguindo a nomenclatura francesa, continua gerando uma certa polêmica. Ao identificar a pintura de cerimônias afro-brasileiros com a mais pura experiência ocular mediante um sem-fim de brancos dos hiper-realistas rendados; ou tratar a plasticidade imbuída no barroquismo das indumentárias das sacerdotisas Iorubás e ao invocar o brilho encantatório do dourado que vem a conectar passado e presente, a arte de Ivan Moraes ancora as suas mais férteis indagações plásticas nessas intuições reveladas pelo artista ingênuo, mas avistando perspectivas que aquele desconhecia. A priori cativado pela tradição popular, vibrante e eloquente, seus ritmos nos fazem adentrar em cada uma das obras de maneira não passiva. Ou são as listras dos tecidos a cores nitidamente tingidos ao gosto africano, ou são as superposições de rendas sobressaindo em relevos ilusórios as que dialogam com os fundos exagerados por persuadir a experiência ritual e dançante. Os corpos pretos, de presença volumosa, aparecem como retratos coletivos, arranjados segundo composições igualmente sinuosas. Obras que magnificam a natureza nobre das baianas, a miúde retratadas, ou que nos acordam para os conjuntos dos fiéis absortos com os cânticos de fé, fazendo rodas ou prostrados em reverência, simulada por habilidosos escorsos. Tudo confabula para o maravilhamento, e não por acaso fora chamado por Teixeira Leite de “Matisse dos trópicos”. A chave desses artistas que veneravam o primitivo orientava a arte nova, pelas arestas do decó, e dos alinhamentos desse traço sintético único e modernista que encabeçava Matisse. Destacando-se com aluno de Ivan Serpa, no MAM-RJ, um dos poucos a trabalhar esses mal chamado “primitivismo” já desde 1960 o próprio MAM lhe convida a uma individual. Esses preceitos de sua obra foram já notados pela voz crítica que Incluía desde Geraldo Viera até Quirino Campofiorito. Esses traços de sua poética foram novamente reconhecidos ao ser um dos brasileiros de VI Bienal de São Paulo e logo em seguida na Bienal de Paris do mesmo ano. Em 1966 ele novamente é celebrado pelo Museu de Belas Artes, na coletiva dedicada aos artistas primitivos. Sua carreira teve inúmeras exposições nas principais galerias de Rio de Janeiro. Em 1998 o SESC inclue suas obras na Bienal de Arte Naïf. Seria impossível separar a história da pintura dessas fontes populares. Mas no seu caso o uso da indumentária para criar planos superpostos e conjugados, o paroxismo criado pelos mais ínfimos detalhes das rendas, padronagens simples ao gosto africano, o seu objeto de fascinação, resultam em beleza única" — Xenia Bergman, Curadora e Historiadora de arte e Pesquisadora.
"As pinturas deste jovem fascinam sem que ninguém perceba imediatamente porquê. A graça e a fada, o mágico e o edênico, encontram-se na simplicidade, na face ingênua de suas criações. [...]
Candomblé, memórias de ritos, visões religiosas, gente em situação de rua. A imaginação rica em significados humanos. O mundo da imagem anedótica, mas que não carece de expressão rigorosa da comunicação artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético do cativo. Comunicação sempre artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético de cativar. Comunicação sempre artística com o calor comovente de uma mensagem" — Quirino Campofiorito (do catálogo da exposição do MAM, agosto de 1961).
Nascido em 1936, o carioca Ivan Moraes já concluira o curso de Serviços Sociais quando decidiu dedicar-se seriamente à pintura (que o fascinava desde pequeno), ingressando em 1953 no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano pintor Cadmo Fausto: teria sido ele próprio pintor acadêmico se em boa hora não tivesse optado por estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, revelou-lhe a cozinha do ofício e lhe respeitou o mundo de ideais. A primeira individual, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática, dominada por nédias baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e outras interpretações de ambiência afro-brasileira, contrastava enormemente com o que se fazia então no Rio de Janeiro e em São Paulo, momento em que mais se digladiavam realistas sociais ou românticos, abstracionistas líricos ou informais, geométricos, concretos ou neoconcretos. Num primeiro instante, e meio apressadamente, a critica nele identificou um pintor ingênuo a mais; só que a sua era uma ingenuidade diferente, de alguém ( como um olhar em maior profundidade revelou), em quem o pitoresco se subordinava ao pictórico: via-se na verdade naquelas telas aparentemente singelas a mão de um artista obviamente dotado de bom domínio técnico e senhor de um estilo pessoal. Pelas próximas décadas Ivan de Moraes pouco ou nada se afastou de sua temática original, indiferente a inovações e modismos. Mas, como bem sabem os que amam de fato a arte, numa pintura o que importa não é o tema, mas sim o modo como se o trata. E é justamente aí que reside o valor de Ivan de Moraes: veja-se a ênfase que o colorido assume em suas obras, a maneira como trabalha a matéria (no rendilhado à custa de branco sobre branco das saias de suas baianas, por exemplo), o ritmo ondulante que a sucessão de cabecinhas negras cria no espaço pictórico, a composicao, a atmosfera enfim. Além do mais, suas pinturas são decorativas, no sentido de que são decorativas as pinturas de um Matisse por exemplo, um Matisse tropical que pintasse Baianas em lugar de odaliscas. Hoje, decorridos 20 anos da morte do autor, suas pinturas continuam palpitantes de vida, testemunhas do glorioso momento em que viveu e trabalhou Ivan de Moraes, o importante e singular artista que a presente exposição ora vem resgatar.
— José Roberto Teixeira Leite, Jornalista, Professor, Escritor, Curador e Crítico de Arte Brasileiro.
Fonte: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan Morais | Etsy
Nasceu no Rio de Janeiro em 1936
Embora tenha curso superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde criança. Posteriormente, estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, quando, naquela época, o espaço deu grande estímulo à pintura espontânea e consequentemente lançou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano, fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna.
No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da exposição “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Expôs individualmente na Galeria Copacabana Palace de 1967 a 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Seus trabalhos estão expostos na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com uma riqueza de detalhes que beira o realismo e o candomblé.
Para o crítico Walmir Ayala, “A cor é sua arma forte: ele a trata de forma linear, desimpedida, firme (sem efeitos supérfluos, sem meios-tons)”. Ele morreu no Rio de Janeiro em 2003.
Fonte: Etsy, Ivan Morais. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Crédito fotográfico: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan da Silva Morais (1936, Rio de Janeiro, RJ – 2003, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Ivan Morais, é um pintor brasileiro conhecido por suas representações de temas afro-brasileiros, especialmente as baianas em trajes de renda e as cerimônias do Candomblé. Formou-se em Serviço Social e estudou com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Participou do Salão Nacional de Arte Moderna, da Biennale des Jeunes Artistes em Paris (1961), da Bienal de São Paulo (1963) e da mostra “Brazilian Art” em Nova York (1966). Realizou individuais em espaços como Galeria Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques. Sua obra, marcada por cores vibrantes, composição precisa e temática ligada à religiosidade e cultura popular, integra acervos no Brasil e no exterior.
Ivan Morais | Arremate Arte
Ivan da Silva Morais nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e construiu uma trajetória artística profundamente marcada pelo diálogo entre a cultura afro-brasileira, a religiosidade popular e uma paleta cromática exuberante. Embora formado em Serviço Social, sua vocação para as artes visuais se manifestou desde cedo, levando-o a buscar aprimoramento no curso livre ministrado por Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), na década de 1950. Essa convivência com Serpa e com o ambiente artístico moderno consolidou uma base técnica sólida e um olhar atento às linguagens contemporâneas, sem abandonar as raízes populares que permeiam toda a sua obra.
Sua primeira exposição individual ocorreu em 1960, no próprio MAM/RJ, marcando o início de um percurso intenso no circuito expositivo. Participou do Salão Nacional de Arte Moderna em várias edições e representou o Brasil na Biennale des Jeunes Artistes, em Paris (1961), além de integrar a Bienal Internacional de São Paulo (1963) e a mostra “Brazilian Art”, em Nova York (1966). Ao longo das décadas de 1960 a 1980, realizou inúmeras individuais nas principais galerias cariocas entre elas Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques, tornando-se presença constante nas agendas culturais da cidade.
O universo temático de Morais é marcado por uma forte ligação com a Bahia, com especial destaque para as representações das baianas em trajes de renda e das cerimônias do Candomblé. Nessas obras, a figura humana surge com delicadeza e imponência, construída por meio de um desenho firme e de uma cor vibrante que, segundo o crítico Walmir Ayala, ele maneja com linearidade e sem excessos supérfluos. O artista não se limita a retratar, mas compõe cenas que mesclam alegria, solenidade e mistério, criando um repertório visual que celebra tanto a estética popular quanto a espiritualidade.
Sua pintura é reconhecida pela minúcia nos detalhes, pelo equilíbrio entre composição e cromatismo e pela capacidade de transportar o espectador para ambientes repletos de movimento e energia. Mais do que um cronista visual das tradições afro-brasileiras, Ivan Morais construiu um corpo de trabalho que dialoga com a memória cultural e com a identidade nacional, mantendo-se como referência na representação da herança africana na arte brasileira.
Ivan Morais | Itaú Cultural
Exposições
1961 – Individual de Ivan Morais
1961 – 6ª Bienal Internacional de São Paulo
1961 – 2ª Bienal de Paris
1962 – Individual de Ivan Morais
1964 – O Nu na Arte Contemporânea
1991 – Grande Exposição Coletiva de Arte Ingênua
1994 – Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
1998 – Bienal Naifs do Brasil 1998
2018 – O Rio do Samba: resistência e reinvenção
2021 – A memória é uma invenção
2021 – Crônicas Cariocas
Fonte: IVAN Morais. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 14 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Ivan Morais | Ivan da Silva Morais Instituto
Embora tenha nível superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde a infância. Posteriormente estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro quando, então, o espaço dava grande estímulo a pintura espontânea e consequentemente deslanchou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano fez sua primeira exposição individual no recinto do Museu de Arte Moderna. No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da mostra “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Individualmente expôs na Galeria do Copacabana Palace de 1967 a 1970., na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Trabalhos de sua autoria figuram na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com riqueza de detalhes beirando ao realismo e os candomblés.
Para o crítico Walmir Ayala, “a cor é a sua arma forte: trata-a de forma linear, desempastada, firme (nenhum efeito supérfluo, nenhum meio-tom)”.
Sobre o Instituto
Fundado em 2025, o Instituto Ivan da Silva Moraes nasce do compromisso com a memória, a arte e a dignidade de um dos mais singulares artistas da história brasileira. Com sede no coração da cidade de São Paulo, o Instituto consagra-se à valorização da estética afro-brasileira, ao legado do modernismo popular e à defesa da cultura como força de identidade, resistência e expressão.
Nascido em 1936, o carioca Ivan da Silva Moraes já concluíra o curso de Serviço Social quando decidiu se dedicar plenamente à pintura paixão que o acompanhava desde a infância. Em 1953, ingressou no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano Cadmo Fausto. Teria seguido o caminho acadêmico, não fosse sua decisão de estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, apresentou-lhe os segredos do ofício e respeitou profundamente o seu universo idealista.
Em 1960, participou do Salão Nacional de Arte Moderna e, no mesmo ano, realizou sua primeira individual no próprio Museu de Arte Moderna do Rio. No ano seguinte, expôs na Bienal de Paris. Em 1963, levou sua obra à Bienal de São Paulo, e em 1966 integrou a mostra “Arte Brasileira”, apresentada em Nova York. Também teve individuais marcantes na Galeria do Copacabana Palace entre 1967 e 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972, e na Galeria Marte-21 em 1975. Seu trabalho figura ainda na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
A primeira exposição individual de Ivan, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e celebrações da cultura afro-brasileira contrastava fortemente com as vanguardas do momento, divididas entre realismos sociais, lirismos abstratos, geometrias concretas e informalismos.
À época, a crítica o classificou apressadamente como um artista ingênuo, mas logo se percebeu que seu "pitoresco" estava subordinado ao pictórico: em suas telas singelas, havia domínio técnico, sofisticação na composição e um estilo absolutamente pessoal.
Inspirado nesse gesto radical o de transformar o cotidiano em rito e a pintura em enigma o Instituto abriga, pesquisa e difunde um acervo que pulsa com imagens de fé, cor e transcendência. São obras, documentos, fotografias, cartas e registros audiovisuais que, além de preservar o percurso criativo de Ivan, dialogam com as camadas profundas de uma herança visual pouco reconhecida, mas essencial ao imaginário brasileiro.
A missão do Instituto é de garantir que a obra de Ivan Moraes, descrita por José Roberto Teixeira Leite como “a de um Matisse tropical” permaneça viva, acessível e potente.
Teixeira Leite destacou que “em suas telas aparentemente singelas, via-se a mão de um artista com domínio técnico e estilo pessoal”. Quirino Campofiorito, por sua vez, viu na pintura de Ivan “o calor comovente de uma mensagem”, um universo de símbolos e humanidade que fascina sem anunciar por quê. Já Ana Sant’Anna revelou que suas imagens contêm “uma arte de sentimentos e sensações”, onde “a cor ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza”.
Essas leituras são bússolas críticas que nos orientam e aprofundam o sentido maior de nosso trabalho de zelar não apenas pela integridade material do legado de Ivan Moraes, mas também por sua dimensão simbólica, estética e espiritual.
Para o Instituto, a memória é um ato de criação. É por meio dela que as histórias invisibilizadas ganham corpo, cor e voz. Preservar essa memória é também participar da reconstrução de uma história coletiva, marcada pela diversidade e pelo desejo de reparação. Cuidar das imagens de Ivan Moraes é afirmar a centralidade da cultura afro-brasileira na formação do Brasil profundo e é reivindicar, com beleza e rigor, o direito à permanência.
O Instituto se constrói como um lugar de escuta e de invenção. Mais que um espaço expositivo, é um território vivo de pensamento e transformação, onde cada traço, cada cor de Ivan Moraes nos convoca a ver o Brasil por dentro por trás das rendas, das baianas, dos cânticos, das devoções.
Como afirmou Xenia Bergman, sua obra “magnifica a natureza nobre das Baianas”, conduzindo-nos a um Brasil ritmado por danças, por fé, por imagens que não pedem licença, mas ocupam o centro da tela com solenidade.
Convidamos o público a redescobrir o país que ainda pulsa nas bordas da tela. Um Brasil profundo, lírico e resistente, que Ivan Moraes nos ensinou a ver e que o Instituto se dedica a manter vivo, em estado de arte.
Textos Críticos
"Ivan não busca o exótico, sua força é serena e ampla, imprimindo-se em cada elemento. Transforma a realidade a partir da qual parte com sinceridade e fantasia, resultando em uma simples arte de sentimentos e sensações. Planos grandes e pequenos combinam-se harmoniosamente em composições diversificadas. Cada fotograma contém uma singularidade particular, um ritmo próprio e é sempre possível ver mais ao olhar novamente. A cor, ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza, através de um tipo de material limpo e bem trabalhado". — Ana Sant’Anna (Catálogo da exposição no MAM, 1960).
"Chamar um artista de primitivo, ou elencá-lo dentro da arte naïf, seguindo a nomenclatura francesa, continua gerando uma certa polêmica. Ao identificar a pintura de cerimônias afro-brasileiros com a mais pura experiência ocular mediante um sem-fim de brancos dos hiper-realistas rendados; ou tratar a plasticidade imbuída no barroquismo das indumentárias das sacerdotisas Iorubás e ao invocar o brilho encantatório do dourado que vem a conectar passado e presente, a arte de Ivan Moraes ancora as suas mais férteis indagações plásticas nessas intuições reveladas pelo artista ingênuo, mas avistando perspectivas que aquele desconhecia. A priori cativado pela tradição popular, vibrante e eloquente, seus ritmos nos fazem adentrar em cada uma das obras de maneira não passiva. Ou são as listras dos tecidos a cores nitidamente tingidos ao gosto africano, ou são as superposições de rendas sobressaindo em relevos ilusórios as que dialogam com os fundos exagerados por persuadir a experiência ritual e dançante. Os corpos pretos, de presença volumosa, aparecem como retratos coletivos, arranjados segundo composições igualmente sinuosas. Obras que magnificam a natureza nobre das baianas, a miúde retratadas, ou que nos acordam para os conjuntos dos fiéis absortos com os cânticos de fé, fazendo rodas ou prostrados em reverência, simulada por habilidosos escorsos. Tudo confabula para o maravilhamento, e não por acaso fora chamado por Teixeira Leite de “Matisse dos trópicos”. A chave desses artistas que veneravam o primitivo orientava a arte nova, pelas arestas do decó, e dos alinhamentos desse traço sintético único e modernista que encabeçava Matisse. Destacando-se com aluno de Ivan Serpa, no MAM-RJ, um dos poucos a trabalhar esses mal chamado “primitivismo” já desde 1960 o próprio MAM lhe convida a uma individual. Esses preceitos de sua obra foram já notados pela voz crítica que Incluía desde Geraldo Viera até Quirino Campofiorito. Esses traços de sua poética foram novamente reconhecidos ao ser um dos brasileiros de VI Bienal de São Paulo e logo em seguida na Bienal de Paris do mesmo ano. Em 1966 ele novamente é celebrado pelo Museu de Belas Artes, na coletiva dedicada aos artistas primitivos. Sua carreira teve inúmeras exposições nas principais galerias de Rio de Janeiro. Em 1998 o SESC inclue suas obras na Bienal de Arte Naïf. Seria impossível separar a história da pintura dessas fontes populares. Mas no seu caso o uso da indumentária para criar planos superpostos e conjugados, o paroxismo criado pelos mais ínfimos detalhes das rendas, padronagens simples ao gosto africano, o seu objeto de fascinação, resultam em beleza única" — Xenia Bergman, Curadora e Historiadora de arte e Pesquisadora.
"As pinturas deste jovem fascinam sem que ninguém perceba imediatamente porquê. A graça e a fada, o mágico e o edênico, encontram-se na simplicidade, na face ingênua de suas criações. [...]
Candomblé, memórias de ritos, visões religiosas, gente em situação de rua. A imaginação rica em significados humanos. O mundo da imagem anedótica, mas que não carece de expressão rigorosa da comunicação artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético do cativo. Comunicação sempre artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético de cativar. Comunicação sempre artística com o calor comovente de uma mensagem" — Quirino Campofiorito (do catálogo da exposição do MAM, agosto de 1961).
Nascido em 1936, o carioca Ivan Moraes já concluira o curso de Serviços Sociais quando decidiu dedicar-se seriamente à pintura (que o fascinava desde pequeno), ingressando em 1953 no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano pintor Cadmo Fausto: teria sido ele próprio pintor acadêmico se em boa hora não tivesse optado por estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, revelou-lhe a cozinha do ofício e lhe respeitou o mundo de ideais. A primeira individual, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática, dominada por nédias baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e outras interpretações de ambiência afro-brasileira, contrastava enormemente com o que se fazia então no Rio de Janeiro e em São Paulo, momento em que mais se digladiavam realistas sociais ou românticos, abstracionistas líricos ou informais, geométricos, concretos ou neoconcretos. Num primeiro instante, e meio apressadamente, a critica nele identificou um pintor ingênuo a mais; só que a sua era uma ingenuidade diferente, de alguém ( como um olhar em maior profundidade revelou), em quem o pitoresco se subordinava ao pictórico: via-se na verdade naquelas telas aparentemente singelas a mão de um artista obviamente dotado de bom domínio técnico e senhor de um estilo pessoal. Pelas próximas décadas Ivan de Moraes pouco ou nada se afastou de sua temática original, indiferente a inovações e modismos. Mas, como bem sabem os que amam de fato a arte, numa pintura o que importa não é o tema, mas sim o modo como se o trata. E é justamente aí que reside o valor de Ivan de Moraes: veja-se a ênfase que o colorido assume em suas obras, a maneira como trabalha a matéria (no rendilhado à custa de branco sobre branco das saias de suas baianas, por exemplo), o ritmo ondulante que a sucessão de cabecinhas negras cria no espaço pictórico, a composicao, a atmosfera enfim. Além do mais, suas pinturas são decorativas, no sentido de que são decorativas as pinturas de um Matisse por exemplo, um Matisse tropical que pintasse Baianas em lugar de odaliscas. Hoje, decorridos 20 anos da morte do autor, suas pinturas continuam palpitantes de vida, testemunhas do glorioso momento em que viveu e trabalhou Ivan de Moraes, o importante e singular artista que a presente exposição ora vem resgatar.
— José Roberto Teixeira Leite, Jornalista, Professor, Escritor, Curador e Crítico de Arte Brasileiro.
Fonte: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan Morais | Etsy
Nasceu no Rio de Janeiro em 1936
Embora tenha curso superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde criança. Posteriormente, estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, quando, naquela época, o espaço deu grande estímulo à pintura espontânea e consequentemente lançou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano, fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna.
No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da exposição “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Expôs individualmente na Galeria Copacabana Palace de 1967 a 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Seus trabalhos estão expostos na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com uma riqueza de detalhes que beira o realismo e o candomblé.
Para o crítico Walmir Ayala, “A cor é sua arma forte: ele a trata de forma linear, desimpedida, firme (sem efeitos supérfluos, sem meios-tons)”. Ele morreu no Rio de Janeiro em 2003.
Fonte: Etsy, Ivan Morais. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Crédito fotográfico: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan da Silva Morais (1936, Rio de Janeiro, RJ – 2003, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Ivan Morais, é um pintor brasileiro conhecido por suas representações de temas afro-brasileiros, especialmente as baianas em trajes de renda e as cerimônias do Candomblé. Formou-se em Serviço Social e estudou com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Participou do Salão Nacional de Arte Moderna, da Biennale des Jeunes Artistes em Paris (1961), da Bienal de São Paulo (1963) e da mostra “Brazilian Art” em Nova York (1966). Realizou individuais em espaços como Galeria Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques. Sua obra, marcada por cores vibrantes, composição precisa e temática ligada à religiosidade e cultura popular, integra acervos no Brasil e no exterior.
Ivan Morais | Arremate Arte
Ivan da Silva Morais nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e construiu uma trajetória artística profundamente marcada pelo diálogo entre a cultura afro-brasileira, a religiosidade popular e uma paleta cromática exuberante. Embora formado em Serviço Social, sua vocação para as artes visuais se manifestou desde cedo, levando-o a buscar aprimoramento no curso livre ministrado por Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), na década de 1950. Essa convivência com Serpa e com o ambiente artístico moderno consolidou uma base técnica sólida e um olhar atento às linguagens contemporâneas, sem abandonar as raízes populares que permeiam toda a sua obra.
Sua primeira exposição individual ocorreu em 1960, no próprio MAM/RJ, marcando o início de um percurso intenso no circuito expositivo. Participou do Salão Nacional de Arte Moderna em várias edições e representou o Brasil na Biennale des Jeunes Artistes, em Paris (1961), além de integrar a Bienal Internacional de São Paulo (1963) e a mostra “Brazilian Art”, em Nova York (1966). Ao longo das décadas de 1960 a 1980, realizou inúmeras individuais nas principais galerias cariocas entre elas Copacabana Palace, Ipanema, Marte-21, Dezon e Jean-Jacques, tornando-se presença constante nas agendas culturais da cidade.
O universo temático de Morais é marcado por uma forte ligação com a Bahia, com especial destaque para as representações das baianas em trajes de renda e das cerimônias do Candomblé. Nessas obras, a figura humana surge com delicadeza e imponência, construída por meio de um desenho firme e de uma cor vibrante que, segundo o crítico Walmir Ayala, ele maneja com linearidade e sem excessos supérfluos. O artista não se limita a retratar, mas compõe cenas que mesclam alegria, solenidade e mistério, criando um repertório visual que celebra tanto a estética popular quanto a espiritualidade.
Sua pintura é reconhecida pela minúcia nos detalhes, pelo equilíbrio entre composição e cromatismo e pela capacidade de transportar o espectador para ambientes repletos de movimento e energia. Mais do que um cronista visual das tradições afro-brasileiras, Ivan Morais construiu um corpo de trabalho que dialoga com a memória cultural e com a identidade nacional, mantendo-se como referência na representação da herança africana na arte brasileira.
Ivan Morais | Itaú Cultural
Exposições
1961 – Individual de Ivan Morais
1961 – 6ª Bienal Internacional de São Paulo
1961 – 2ª Bienal de Paris
1962 – Individual de Ivan Morais
1964 – O Nu na Arte Contemporânea
1991 – Grande Exposição Coletiva de Arte Ingênua
1994 – Grande Exposição de Arte Naif Brasileira
1998 – Bienal Naifs do Brasil 1998
2018 – O Rio do Samba: resistência e reinvenção
2021 – A memória é uma invenção
2021 – Crônicas Cariocas
Fonte: IVAN Morais. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Acesso em: 14 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Ivan Morais | Ivan da Silva Morais Instituto
Embora tenha nível superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde a infância. Posteriormente estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro quando, então, o espaço dava grande estímulo a pintura espontânea e consequentemente deslanchou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano fez sua primeira exposição individual no recinto do Museu de Arte Moderna. No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da mostra “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Individualmente expôs na Galeria do Copacabana Palace de 1967 a 1970., na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Trabalhos de sua autoria figuram na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com riqueza de detalhes beirando ao realismo e os candomblés.
Para o crítico Walmir Ayala, “a cor é a sua arma forte: trata-a de forma linear, desempastada, firme (nenhum efeito supérfluo, nenhum meio-tom)”.
Sobre o Instituto
Fundado em 2025, o Instituto Ivan da Silva Moraes nasce do compromisso com a memória, a arte e a dignidade de um dos mais singulares artistas da história brasileira. Com sede no coração da cidade de São Paulo, o Instituto consagra-se à valorização da estética afro-brasileira, ao legado do modernismo popular e à defesa da cultura como força de identidade, resistência e expressão.
Nascido em 1936, o carioca Ivan da Silva Moraes já concluíra o curso de Serviço Social quando decidiu se dedicar plenamente à pintura paixão que o acompanhava desde a infância. Em 1953, ingressou no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano Cadmo Fausto. Teria seguido o caminho acadêmico, não fosse sua decisão de estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, apresentou-lhe os segredos do ofício e respeitou profundamente o seu universo idealista.
Em 1960, participou do Salão Nacional de Arte Moderna e, no mesmo ano, realizou sua primeira individual no próprio Museu de Arte Moderna do Rio. No ano seguinte, expôs na Bienal de Paris. Em 1963, levou sua obra à Bienal de São Paulo, e em 1966 integrou a mostra “Arte Brasileira”, apresentada em Nova York. Também teve individuais marcantes na Galeria do Copacabana Palace entre 1967 e 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972, e na Galeria Marte-21 em 1975. Seu trabalho figura ainda na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
A primeira exposição individual de Ivan, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e celebrações da cultura afro-brasileira contrastava fortemente com as vanguardas do momento, divididas entre realismos sociais, lirismos abstratos, geometrias concretas e informalismos.
À época, a crítica o classificou apressadamente como um artista ingênuo, mas logo se percebeu que seu "pitoresco" estava subordinado ao pictórico: em suas telas singelas, havia domínio técnico, sofisticação na composição e um estilo absolutamente pessoal.
Inspirado nesse gesto radical o de transformar o cotidiano em rito e a pintura em enigma o Instituto abriga, pesquisa e difunde um acervo que pulsa com imagens de fé, cor e transcendência. São obras, documentos, fotografias, cartas e registros audiovisuais que, além de preservar o percurso criativo de Ivan, dialogam com as camadas profundas de uma herança visual pouco reconhecida, mas essencial ao imaginário brasileiro.
A missão do Instituto é de garantir que a obra de Ivan Moraes, descrita por José Roberto Teixeira Leite como “a de um Matisse tropical” permaneça viva, acessível e potente.
Teixeira Leite destacou que “em suas telas aparentemente singelas, via-se a mão de um artista com domínio técnico e estilo pessoal”. Quirino Campofiorito, por sua vez, viu na pintura de Ivan “o calor comovente de uma mensagem”, um universo de símbolos e humanidade que fascina sem anunciar por quê. Já Ana Sant’Anna revelou que suas imagens contêm “uma arte de sentimentos e sensações”, onde “a cor ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza”.
Essas leituras são bússolas críticas que nos orientam e aprofundam o sentido maior de nosso trabalho de zelar não apenas pela integridade material do legado de Ivan Moraes, mas também por sua dimensão simbólica, estética e espiritual.
Para o Instituto, a memória é um ato de criação. É por meio dela que as histórias invisibilizadas ganham corpo, cor e voz. Preservar essa memória é também participar da reconstrução de uma história coletiva, marcada pela diversidade e pelo desejo de reparação. Cuidar das imagens de Ivan Moraes é afirmar a centralidade da cultura afro-brasileira na formação do Brasil profundo e é reivindicar, com beleza e rigor, o direito à permanência.
O Instituto se constrói como um lugar de escuta e de invenção. Mais que um espaço expositivo, é um território vivo de pensamento e transformação, onde cada traço, cada cor de Ivan Moraes nos convoca a ver o Brasil por dentro por trás das rendas, das baianas, dos cânticos, das devoções.
Como afirmou Xenia Bergman, sua obra “magnifica a natureza nobre das Baianas”, conduzindo-nos a um Brasil ritmado por danças, por fé, por imagens que não pedem licença, mas ocupam o centro da tela com solenidade.
Convidamos o público a redescobrir o país que ainda pulsa nas bordas da tela. Um Brasil profundo, lírico e resistente, que Ivan Moraes nos ensinou a ver e que o Instituto se dedica a manter vivo, em estado de arte.
Textos Críticos
"Ivan não busca o exótico, sua força é serena e ampla, imprimindo-se em cada elemento. Transforma a realidade a partir da qual parte com sinceridade e fantasia, resultando em uma simples arte de sentimentos e sensações. Planos grandes e pequenos combinam-se harmoniosamente em composições diversificadas. Cada fotograma contém uma singularidade particular, um ritmo próprio e é sempre possível ver mais ao olhar novamente. A cor, ora profunda e misteriosa, ora clara e iluminada, expande-se em formas inventivas de grande riqueza, através de um tipo de material limpo e bem trabalhado". — Ana Sant’Anna (Catálogo da exposição no MAM, 1960).
"Chamar um artista de primitivo, ou elencá-lo dentro da arte naïf, seguindo a nomenclatura francesa, continua gerando uma certa polêmica. Ao identificar a pintura de cerimônias afro-brasileiros com a mais pura experiência ocular mediante um sem-fim de brancos dos hiper-realistas rendados; ou tratar a plasticidade imbuída no barroquismo das indumentárias das sacerdotisas Iorubás e ao invocar o brilho encantatório do dourado que vem a conectar passado e presente, a arte de Ivan Moraes ancora as suas mais férteis indagações plásticas nessas intuições reveladas pelo artista ingênuo, mas avistando perspectivas que aquele desconhecia. A priori cativado pela tradição popular, vibrante e eloquente, seus ritmos nos fazem adentrar em cada uma das obras de maneira não passiva. Ou são as listras dos tecidos a cores nitidamente tingidos ao gosto africano, ou são as superposições de rendas sobressaindo em relevos ilusórios as que dialogam com os fundos exagerados por persuadir a experiência ritual e dançante. Os corpos pretos, de presença volumosa, aparecem como retratos coletivos, arranjados segundo composições igualmente sinuosas. Obras que magnificam a natureza nobre das baianas, a miúde retratadas, ou que nos acordam para os conjuntos dos fiéis absortos com os cânticos de fé, fazendo rodas ou prostrados em reverência, simulada por habilidosos escorsos. Tudo confabula para o maravilhamento, e não por acaso fora chamado por Teixeira Leite de “Matisse dos trópicos”. A chave desses artistas que veneravam o primitivo orientava a arte nova, pelas arestas do decó, e dos alinhamentos desse traço sintético único e modernista que encabeçava Matisse. Destacando-se com aluno de Ivan Serpa, no MAM-RJ, um dos poucos a trabalhar esses mal chamado “primitivismo” já desde 1960 o próprio MAM lhe convida a uma individual. Esses preceitos de sua obra foram já notados pela voz crítica que Incluía desde Geraldo Viera até Quirino Campofiorito. Esses traços de sua poética foram novamente reconhecidos ao ser um dos brasileiros de VI Bienal de São Paulo e logo em seguida na Bienal de Paris do mesmo ano. Em 1966 ele novamente é celebrado pelo Museu de Belas Artes, na coletiva dedicada aos artistas primitivos. Sua carreira teve inúmeras exposições nas principais galerias de Rio de Janeiro. Em 1998 o SESC inclue suas obras na Bienal de Arte Naïf. Seria impossível separar a história da pintura dessas fontes populares. Mas no seu caso o uso da indumentária para criar planos superpostos e conjugados, o paroxismo criado pelos mais ínfimos detalhes das rendas, padronagens simples ao gosto africano, o seu objeto de fascinação, resultam em beleza única" — Xenia Bergman, Curadora e Historiadora de arte e Pesquisadora.
"As pinturas deste jovem fascinam sem que ninguém perceba imediatamente porquê. A graça e a fada, o mágico e o edênico, encontram-se na simplicidade, na face ingênua de suas criações. [...]
Candomblé, memórias de ritos, visões religiosas, gente em situação de rua. A imaginação rica em significados humanos. O mundo da imagem anedótica, mas que não carece de expressão rigorosa da comunicação artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético do cativo. Comunicação sempre artística, seja na forma plástica de confirmar, seja no cuidado estético de cativar. Comunicação sempre artística com o calor comovente de uma mensagem" — Quirino Campofiorito (do catálogo da exposição do MAM, agosto de 1961).
Nascido em 1936, o carioca Ivan Moraes já concluira o curso de Serviços Sociais quando decidiu dedicar-se seriamente à pintura (que o fascinava desde pequeno), ingressando em 1953 no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, na aula de pintura do veterano pintor Cadmo Fausto: teria sido ele próprio pintor acadêmico se em boa hora não tivesse optado por estudar no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, que lhe reconheceu o talento, revelou-lhe a cozinha do ofício e lhe respeitou o mundo de ideais. A primeira individual, em 1960, revelou um jovem pintor cuja temática, dominada por nédias baianas de saias rendadas, cenas de candomblé e outras interpretações de ambiência afro-brasileira, contrastava enormemente com o que se fazia então no Rio de Janeiro e em São Paulo, momento em que mais se digladiavam realistas sociais ou românticos, abstracionistas líricos ou informais, geométricos, concretos ou neoconcretos. Num primeiro instante, e meio apressadamente, a critica nele identificou um pintor ingênuo a mais; só que a sua era uma ingenuidade diferente, de alguém ( como um olhar em maior profundidade revelou), em quem o pitoresco se subordinava ao pictórico: via-se na verdade naquelas telas aparentemente singelas a mão de um artista obviamente dotado de bom domínio técnico e senhor de um estilo pessoal. Pelas próximas décadas Ivan de Moraes pouco ou nada se afastou de sua temática original, indiferente a inovações e modismos. Mas, como bem sabem os que amam de fato a arte, numa pintura o que importa não é o tema, mas sim o modo como se o trata. E é justamente aí que reside o valor de Ivan de Moraes: veja-se a ênfase que o colorido assume em suas obras, a maneira como trabalha a matéria (no rendilhado à custa de branco sobre branco das saias de suas baianas, por exemplo), o ritmo ondulante que a sucessão de cabecinhas negras cria no espaço pictórico, a composicao, a atmosfera enfim. Além do mais, suas pinturas são decorativas, no sentido de que são decorativas as pinturas de um Matisse por exemplo, um Matisse tropical que pintasse Baianas em lugar de odaliscas. Hoje, decorridos 20 anos da morte do autor, suas pinturas continuam palpitantes de vida, testemunhas do glorioso momento em que viveu e trabalhou Ivan de Moraes, o importante e singular artista que a presente exposição ora vem resgatar.
— José Roberto Teixeira Leite, Jornalista, Professor, Escritor, Curador e Crítico de Arte Brasileiro.
Fonte: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Ivan Morais | Etsy
Nasceu no Rio de Janeiro em 1936
Embora tenha curso superior, formado pela Escola de Serviço Social, pinta desde criança. Posteriormente, estudou no Instituto Municipal de Belas Artes e com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, quando, naquela época, o espaço deu grande estímulo à pintura espontânea e consequentemente lançou a carreira de vários pintores deste estilo. Um deles foi Ivan Moraes, que já em 1960 participou do “Salão Nacional de Arte Moderna” e, no mesmo ano, fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna.
No ano seguinte participou da “Bienal de Paris”, em 1963, da “Bienal de São Paulo” e, em 1966, da exposição “Arte Brasileira”, exibida em Nova York.
Expôs individualmente na Galeria Copacabana Palace de 1967 a 1970, na Galeria Ipanema em 1971 e 1972 e na Galeria Marte-21 em 1975. Seus trabalhos estão expostos na obra Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira, de Flávio de Aquino.
Suas figuras mais frequentes são baianas, com suas vestes brancas, rendadas e douradas, que ele capta com uma riqueza de detalhes que beira o realismo e o candomblé.
Para o crítico Walmir Ayala, “A cor é sua arma forte: ele a trata de forma linear, desimpedida, firme (sem efeitos supérfluos, sem meios-tons)”. Ele morreu no Rio de Janeiro em 2003.
Fonte: Etsy, Ivan Morais. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.
Crédito fotográfico: Ivan da Silva Morais Instituto. Consultado pela última vez em 14 de agosto de 2025.