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Paulo Garcez

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez (1945, Rio de Janeiro, RJ — 1989, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paulo Garcez, foi um pintor, gravador, desenhista e artista intermídia brasileiro. Iniciou sua formação artística em 1970 no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, onde estudou com Bruno Tausz e Ivan Serpa, trabalhando posteriormente no ateliê de Serpa entre 1971 e 1972. Em 1975 recebeu bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, que lhe permitiu estudar na Escola de Arte de Hamburgo sob orientação do artista Almir Mavignier. Sua produção caracteriza-se pelo uso de sinais gráficos, pequenas figuras simbólicas e sequências visuais que aproximam desenho e escrita, criando uma linguagem visual própria. Utilizou com frequência suportes simples, como papéis, cartões e pautas musicais, explorando relações entre imagem, texto e narrativa visual, com forte presença do desenho como meio de investigação poética. Participou de importantes eventos internacionais, como o Premio Internacional de Dibuix Joan Miró (Barcelona, 1972), a Bienal de Veneza (1978), a Bienal Internacional de São Paulo (1983 e 1985) e a Bienal de Havana (1986). Suas obras integram acervos de instituições e museus no Brasil e no exterior, consolidando seu nome como um dos artistas brasileiros ligados às experimentações gráficas e conceituais das décadas de 1970 e 1980.

Paulo Garcez | Arremate Arte

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, em um momento de grande efervescência cultural no Brasil. Sua trajetória artística se desenvolveu em meio às transformações estéticas que marcaram a arte brasileira nas décadas de 1960 e 1970, período em que novas linguagens experimentais começaram a desafiar os limites tradicionais da pintura e do desenho. Garcez destacou-se como pintor, gravador, desenhista e artista intermídia, construindo uma produção singular que transitava entre imagem, escrita e sistemas simbólicos.

Sua formação artística teve início em 1970 no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, onde estudou com os artistas Bruno Tausz e Ivan Serpa. O contato com Serpa foi particularmente significativo para sua formação, uma vez que o artista e professor foi uma figura central no desenvolvimento da arte moderna brasileira e incentivava a experimentação e a liberdade de linguagem. Entre 1971 e 1972, Garcez trabalhou no ateliê de Serpa, aprofundando sua pesquisa gráfica e ampliando seu repertório visual.

Em meados da década de 1970, Garcez expandiu sua experiência artística para o cenário internacional. Em 1975 recebeu uma bolsa de estudos do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, que lhe permitiu estudar na Escola de Arte de Hamburgo sob orientação do artista Almir Mavignier. Essa experiência na Alemanha teve grande impacto em sua produção, colocando-o em contato com debates contemporâneos sobre arte conceitual, comunicação visual e experimentação gráfica. A partir desse período, sua obra passou a explorar de maneira ainda mais intensa a relação entre signos, linguagem e narrativa visual.

A produção de Paulo Garcez caracteriza-se por um vocabulário gráfico próprio, composto por pequenas figuras, símbolos e sinais que se organizam em sequências semelhantes a uma escrita visual. Esses elementos aparecem frequentemente distribuídos em superfícies simples, como papéis comuns, cartões ou pautas musicais, criando composições que lembram sistemas de comunicação, mapas mentais ou hieróglifos contemporâneos. O artista parecia interessado em investigar como a imagem pode funcionar como linguagem, sugerindo histórias fragmentadas ou códigos visuais abertos à interpretação.

Essa abordagem aproximava seu trabalho de discussões presentes na arte conceitual e na poesia visual, ao mesmo tempo em que preservava o gesto espontâneo do desenho. Em muitas obras, a repetição de sinais e a organização rítmica das figuras sugerem uma narrativa silenciosa, na qual o espectador é convidado a decifrar relações entre símbolos, gestos e pequenos acontecimentos visuais.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980, Paulo Garcez participou de importantes eventos e exposições internacionais, consolidando sua presença no circuito artístico. Em 1972 esteve presente no Premi Internacional de Dibuix Joan Miró, em Barcelona, uma das mais relevantes premiações dedicadas ao desenho contemporâneo. Em 1978 participou da Bienal de Veneza, um dos eventos mais importantes da arte mundial. Nos anos seguintes, sua obra também integrou a Bienal Internacional de São Paulo e a Bienal de Havana, ampliando sua visibilidade no cenário latino-americano e internacional.

Além dessas participações institucionais, Garcez realizou exposições individuais em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Roma, Londres e Nova York. Sua produção chamou a atenção por sua capacidade de conciliar simplicidade formal e complexidade conceitual, explorando o desenho não apenas como meio expressivo, mas como um campo de investigação sobre comunicação, memória e linguagem.

A trajetória de Paulo Garcez foi interrompida precocemente em 1989, quando o artista faleceu no Rio de Janeiro. Apesar de sua vida relativamente breve, sua obra permanece como um capítulo significativo da arte brasileira contemporânea, especialmente no campo do desenho experimental e das linguagens intermídia. Seus trabalhos continuam presentes em acervos e exposições dedicadas à arte brasileira das décadas de 1970 e 1980, sendo reconhecidos pela inventividade gráfica e pela criação de um universo visual próprio, onde imagem e escrita se encontram para formar uma linguagem artística singular.


Paulo Garcez | Itaú Cultural

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 1945 - idem 1989). Pintor, gravador, desenhista, artista intermídia. Em 1970, Garcez estuda no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, com Bruno Tausz (1939) e Ivan Serpa (1923 - 1973), de quem recebe convite para trabalhar e estudar em seu ateliê, entre 1971 e 1972. Nesse ano participa da exposição 11º Premi Internacional Dibuix Joan Miró, em Barcelona, Espanha. Recebe uma bolsa de estudo do governo alemão, por meio do Deutscher Akademischer Austauschdienst [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico] (Daad), para frequentar, no biênio 1975 - 1976, a Escola de Arte de Hamburgo, onde estuda com Almir Mavignier (1925). Realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, em 1975, no mesmo ano participa da exposição coletiva, na Crearco Gallery, em Lausanne, Suíça.  Expõe na Bienal de Veneza, em 1978 e, no ano seguinte, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Postumamente, em 1993, ocorre a mostra Visions from Brazil: The Drawings of Paulo Gomes Garcez, no The Lowe Art Museum, em Coral Gables, Miami, Estados Unidos.

Análise

A obra de Paulo Garcez propõe a aproximação entre desenho e escrita, ao mesmo tempo que apresenta uma reflexão sobre a representação. Suas pequeninas figuras desenhadas em sequência, em escala digital, remetem a antigos hieróglifos, dotadas porém de humor e malícia. Ao contrário do alfabeto latino, em que cada letra representa um som, os hieróglifos são ideográficos, ou seja, pretendem ligar de maneira sintética o sinal gráfico àquilo que representa. Garcez, desse modo, joga com um duplo mimetismo: o relativo à representação do homem e o da escrita, pois é uma espécie de escrita que suas pequenas figuras tentam forjar. Por isso, ao olhar um de seus desenhos ou uma obra como Ritmo, 1980, o espectador é levado a proceder como se estivesse diante de um texto escrito, "lendo" o desenho da esquerda para a direita, tentando agrupar as figuras em unidades semânticas que confiram sentido ao conjunto, quando combinadas. É também por mimetizar a escrita que, nessas obras, o plano pictórico não tem nenhuma hierarquia espacial: o que está escrito (ou desenhado) acima ou no centro não apresenta maior peso visual do que o que está posto abaixo ou nas laterais.

Críticas

"Mesmo enquanto trabalhava só nos desenhos, Paulo Gomes Garcez nunca se preocupou em afinar a sua obra com as tendências dominantes daquele momento. Assim, quando, no final da década de 70, a maioria dos artistas procurava resolver questões mais racionais, ele simplesmente desenhava as cartas cifradas e fazia figuras bem realistas (...). Ele trabalha com bastões de tinta a óleo, faz várias camadas superpostas e dissolve as figuras no meio dessas névoas delicadas de cores que se confundem. Na pintura ele só trabalha com áreas de cor e matéria, não existem sequer linhas de contorno, pois as pequenas figuras que ainda surgem se esfumaçam e se integram, não havendo primeiros planos ou a divisão de um espaço da tela. (...) Ao mesmo tempo que são imagens de atualidade, onde a economia de formas valoriza o valor corpóreo das áreas de cor, é impossível não associá-las com formas arcaicas - tecidos antigos, iluminuras, pintura mural, afrescos de cavernas perdidas. Tais ambiguidades enriquecem a atração por essas pinturas mas são um espelho direto da própria formação de Paulo Gomes Garcez e do que ele se propôs a fazer como arte" — Casimiro Xavier de Mendonça (GARCEZ, Paulo. Personagens e ritmos. São Paulo: Paulo Figueiredo Galeria de Arte, 1986).

Exposições Individuais

1975 — Individual de Paulo Garcez

1978 — Individual de Paulo Garcez

1979 — Paulo Gomes Garcez: Desenhos, fotogramas e escritas

1979 — Paulo Gomes Garcez: Desenhos, fotogramas e escritas

1980 — Individual de Paulo Garcez

1980 — Individual de Paulo Garcez

1981 — Individual de Paulo Garcez

1981 — Individual de Paulo Garcez

1982 — Individual de Paulo Garcez

1986 — Personagens e Ritmos

1986 — Individual de Paulo Garcez

1988 — Individual de Paulo Garcez

1988 — [Individual de Paulo Gomes Garcez]

Exposições Coletivas

1970 — 2º Salão de Verão

1971 — 3º Salão de Verão

1971 — 7º Salão de Arte Contemporânea de Campinas

1972 — 11º Prêmio Internacional de Desenho Joan Miró

1976 — Coletiva não identificada

1978 — 39ª Bienal de Veneza

1979 — Coletiva na Nobé Gallery

1979 — 1ª Mostra do Desenho Brasileiro

1979 — 2º Salão Nacional de Artes Plásticas

1980 — Coletiva não identificada

1980 — Coletiva não identificada

1981 — Coletiva não identificada

1981 — Coletiva não identificada

1983 — Coletiva na Mary-Anne Martin Fine Art

1983 — 17ª Bienal de São Paulo

1983 — 6º Salão Nacional de Artes Plásticas

1984 — Um Traço em Comum

1984 — 12 Desenhistas Brasileiros: um traço em comum

1984 — Writing, Games and Structures

1984 — Viva a Pintura

1984 — 15º Panorama de Arte Atual Brasileira

1985 — Velha Mania: desenho brasileiro

1985 — 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste

1985 — Brasil Desenho

1985 — 18ª Bienal de São Paulo

1986 — Coletiva não identificada

1986 — Caminhos do Desenho Brasileiro

1986 — 2ª Bienal de La Habana

1986 — Território Ocupado

1987 — Palavra Imágica

1987 — 18º Panorama de Arte Atual Brasileira

1988 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — O Pequeno Infinito e o Grande Circunscrito

Exposições Póstumas

1992 — Natureza: quatro séculos de arte no Brasil

1992 — 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba

1992 — 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini

1993 — O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand

1993 — O Papel do Rio

1993 — Brasil: 100 Anos de Arte Moderna

1994 — O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand

1994 — Bienal Brasil Século XX

1995 — Artistas Colecionistas

1998 — O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ

1998 — Espelho da Bienal

2000 — [Individual de Paulo Garcez]

2002 — Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002

2003 — Um Difícil Momento de Equilíbrio

2005 — 40/80: uma mostra de arte brasileira

2010 — 1ª Novas aquisições 2007–2010

2010 — 2ª Novas aquisições 2007–2010

2016 — Uma Canção para o Rio (parte 1)

2018 — Movimento – mostra do acervo

2019 — Canção Enigmática – Relações entre arte e som nas Coleções MAM

Fonte: PAULO Garcez. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 05 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

Crédito fotográfico: Invaluable, "Paulo Garcez". Consultado pela última vez em 5 de março de 2026.

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez (1945, Rio de Janeiro, RJ — 1989, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paulo Garcez, foi um pintor, gravador, desenhista e artista intermídia brasileiro. Iniciou sua formação artística em 1970 no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, onde estudou com Bruno Tausz e Ivan Serpa, trabalhando posteriormente no ateliê de Serpa entre 1971 e 1972. Em 1975 recebeu bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, que lhe permitiu estudar na Escola de Arte de Hamburgo sob orientação do artista Almir Mavignier. Sua produção caracteriza-se pelo uso de sinais gráficos, pequenas figuras simbólicas e sequências visuais que aproximam desenho e escrita, criando uma linguagem visual própria. Utilizou com frequência suportes simples, como papéis, cartões e pautas musicais, explorando relações entre imagem, texto e narrativa visual, com forte presença do desenho como meio de investigação poética. Participou de importantes eventos internacionais, como o Premio Internacional de Dibuix Joan Miró (Barcelona, 1972), a Bienal de Veneza (1978), a Bienal Internacional de São Paulo (1983 e 1985) e a Bienal de Havana (1986). Suas obras integram acervos de instituições e museus no Brasil e no exterior, consolidando seu nome como um dos artistas brasileiros ligados às experimentações gráficas e conceituais das décadas de 1970 e 1980.

Paulo Garcez

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez (1945, Rio de Janeiro, RJ — 1989, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paulo Garcez, foi um pintor, gravador, desenhista e artista intermídia brasileiro. Iniciou sua formação artística em 1970 no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, onde estudou com Bruno Tausz e Ivan Serpa, trabalhando posteriormente no ateliê de Serpa entre 1971 e 1972. Em 1975 recebeu bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, que lhe permitiu estudar na Escola de Arte de Hamburgo sob orientação do artista Almir Mavignier. Sua produção caracteriza-se pelo uso de sinais gráficos, pequenas figuras simbólicas e sequências visuais que aproximam desenho e escrita, criando uma linguagem visual própria. Utilizou com frequência suportes simples, como papéis, cartões e pautas musicais, explorando relações entre imagem, texto e narrativa visual, com forte presença do desenho como meio de investigação poética. Participou de importantes eventos internacionais, como o Premio Internacional de Dibuix Joan Miró (Barcelona, 1972), a Bienal de Veneza (1978), a Bienal Internacional de São Paulo (1983 e 1985) e a Bienal de Havana (1986). Suas obras integram acervos de instituições e museus no Brasil e no exterior, consolidando seu nome como um dos artistas brasileiros ligados às experimentações gráficas e conceituais das décadas de 1970 e 1980.

Paulo Garcez | Arremate Arte

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, em um momento de grande efervescência cultural no Brasil. Sua trajetória artística se desenvolveu em meio às transformações estéticas que marcaram a arte brasileira nas décadas de 1960 e 1970, período em que novas linguagens experimentais começaram a desafiar os limites tradicionais da pintura e do desenho. Garcez destacou-se como pintor, gravador, desenhista e artista intermídia, construindo uma produção singular que transitava entre imagem, escrita e sistemas simbólicos.

Sua formação artística teve início em 1970 no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, onde estudou com os artistas Bruno Tausz e Ivan Serpa. O contato com Serpa foi particularmente significativo para sua formação, uma vez que o artista e professor foi uma figura central no desenvolvimento da arte moderna brasileira e incentivava a experimentação e a liberdade de linguagem. Entre 1971 e 1972, Garcez trabalhou no ateliê de Serpa, aprofundando sua pesquisa gráfica e ampliando seu repertório visual.

Em meados da década de 1970, Garcez expandiu sua experiência artística para o cenário internacional. Em 1975 recebeu uma bolsa de estudos do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, que lhe permitiu estudar na Escola de Arte de Hamburgo sob orientação do artista Almir Mavignier. Essa experiência na Alemanha teve grande impacto em sua produção, colocando-o em contato com debates contemporâneos sobre arte conceitual, comunicação visual e experimentação gráfica. A partir desse período, sua obra passou a explorar de maneira ainda mais intensa a relação entre signos, linguagem e narrativa visual.

A produção de Paulo Garcez caracteriza-se por um vocabulário gráfico próprio, composto por pequenas figuras, símbolos e sinais que se organizam em sequências semelhantes a uma escrita visual. Esses elementos aparecem frequentemente distribuídos em superfícies simples, como papéis comuns, cartões ou pautas musicais, criando composições que lembram sistemas de comunicação, mapas mentais ou hieróglifos contemporâneos. O artista parecia interessado em investigar como a imagem pode funcionar como linguagem, sugerindo histórias fragmentadas ou códigos visuais abertos à interpretação.

Essa abordagem aproximava seu trabalho de discussões presentes na arte conceitual e na poesia visual, ao mesmo tempo em que preservava o gesto espontâneo do desenho. Em muitas obras, a repetição de sinais e a organização rítmica das figuras sugerem uma narrativa silenciosa, na qual o espectador é convidado a decifrar relações entre símbolos, gestos e pequenos acontecimentos visuais.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980, Paulo Garcez participou de importantes eventos e exposições internacionais, consolidando sua presença no circuito artístico. Em 1972 esteve presente no Premi Internacional de Dibuix Joan Miró, em Barcelona, uma das mais relevantes premiações dedicadas ao desenho contemporâneo. Em 1978 participou da Bienal de Veneza, um dos eventos mais importantes da arte mundial. Nos anos seguintes, sua obra também integrou a Bienal Internacional de São Paulo e a Bienal de Havana, ampliando sua visibilidade no cenário latino-americano e internacional.

Além dessas participações institucionais, Garcez realizou exposições individuais em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Roma, Londres e Nova York. Sua produção chamou a atenção por sua capacidade de conciliar simplicidade formal e complexidade conceitual, explorando o desenho não apenas como meio expressivo, mas como um campo de investigação sobre comunicação, memória e linguagem.

A trajetória de Paulo Garcez foi interrompida precocemente em 1989, quando o artista faleceu no Rio de Janeiro. Apesar de sua vida relativamente breve, sua obra permanece como um capítulo significativo da arte brasileira contemporânea, especialmente no campo do desenho experimental e das linguagens intermídia. Seus trabalhos continuam presentes em acervos e exposições dedicadas à arte brasileira das décadas de 1970 e 1980, sendo reconhecidos pela inventividade gráfica e pela criação de um universo visual próprio, onde imagem e escrita se encontram para formar uma linguagem artística singular.


Paulo Garcez | Itaú Cultural

Paulo Moacir Mário Gomes Garcez (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 1945 - idem 1989). Pintor, gravador, desenhista, artista intermídia. Em 1970, Garcez estuda no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, com Bruno Tausz (1939) e Ivan Serpa (1923 - 1973), de quem recebe convite para trabalhar e estudar em seu ateliê, entre 1971 e 1972. Nesse ano participa da exposição 11º Premi Internacional Dibuix Joan Miró, em Barcelona, Espanha. Recebe uma bolsa de estudo do governo alemão, por meio do Deutscher Akademischer Austauschdienst [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico] (Daad), para frequentar, no biênio 1975 - 1976, a Escola de Arte de Hamburgo, onde estuda com Almir Mavignier (1925). Realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, em 1975, no mesmo ano participa da exposição coletiva, na Crearco Gallery, em Lausanne, Suíça.  Expõe na Bienal de Veneza, em 1978 e, no ano seguinte, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Postumamente, em 1993, ocorre a mostra Visions from Brazil: The Drawings of Paulo Gomes Garcez, no The Lowe Art Museum, em Coral Gables, Miami, Estados Unidos.

Análise

A obra de Paulo Garcez propõe a aproximação entre desenho e escrita, ao mesmo tempo que apresenta uma reflexão sobre a representação. Suas pequeninas figuras desenhadas em sequência, em escala digital, remetem a antigos hieróglifos, dotadas porém de humor e malícia. Ao contrário do alfabeto latino, em que cada letra representa um som, os hieróglifos são ideográficos, ou seja, pretendem ligar de maneira sintética o sinal gráfico àquilo que representa. Garcez, desse modo, joga com um duplo mimetismo: o relativo à representação do homem e o da escrita, pois é uma espécie de escrita que suas pequenas figuras tentam forjar. Por isso, ao olhar um de seus desenhos ou uma obra como Ritmo, 1980, o espectador é levado a proceder como se estivesse diante de um texto escrito, "lendo" o desenho da esquerda para a direita, tentando agrupar as figuras em unidades semânticas que confiram sentido ao conjunto, quando combinadas. É também por mimetizar a escrita que, nessas obras, o plano pictórico não tem nenhuma hierarquia espacial: o que está escrito (ou desenhado) acima ou no centro não apresenta maior peso visual do que o que está posto abaixo ou nas laterais.

Críticas

"Mesmo enquanto trabalhava só nos desenhos, Paulo Gomes Garcez nunca se preocupou em afinar a sua obra com as tendências dominantes daquele momento. Assim, quando, no final da década de 70, a maioria dos artistas procurava resolver questões mais racionais, ele simplesmente desenhava as cartas cifradas e fazia figuras bem realistas (...). Ele trabalha com bastões de tinta a óleo, faz várias camadas superpostas e dissolve as figuras no meio dessas névoas delicadas de cores que se confundem. Na pintura ele só trabalha com áreas de cor e matéria, não existem sequer linhas de contorno, pois as pequenas figuras que ainda surgem se esfumaçam e se integram, não havendo primeiros planos ou a divisão de um espaço da tela. (...) Ao mesmo tempo que são imagens de atualidade, onde a economia de formas valoriza o valor corpóreo das áreas de cor, é impossível não associá-las com formas arcaicas - tecidos antigos, iluminuras, pintura mural, afrescos de cavernas perdidas. Tais ambiguidades enriquecem a atração por essas pinturas mas são um espelho direto da própria formação de Paulo Gomes Garcez e do que ele se propôs a fazer como arte" — Casimiro Xavier de Mendonça (GARCEZ, Paulo. Personagens e ritmos. São Paulo: Paulo Figueiredo Galeria de Arte, 1986).

Exposições Individuais

1975 — Individual de Paulo Garcez

1978 — Individual de Paulo Garcez

1979 — Paulo Gomes Garcez: Desenhos, fotogramas e escritas

1979 — Paulo Gomes Garcez: Desenhos, fotogramas e escritas

1980 — Individual de Paulo Garcez

1980 — Individual de Paulo Garcez

1981 — Individual de Paulo Garcez

1981 — Individual de Paulo Garcez

1982 — Individual de Paulo Garcez

1986 — Personagens e Ritmos

1986 — Individual de Paulo Garcez

1988 — Individual de Paulo Garcez

1988 — [Individual de Paulo Gomes Garcez]

Exposições Coletivas

1970 — 2º Salão de Verão

1971 — 3º Salão de Verão

1971 — 7º Salão de Arte Contemporânea de Campinas

1972 — 11º Prêmio Internacional de Desenho Joan Miró

1976 — Coletiva não identificada

1978 — 39ª Bienal de Veneza

1979 — Coletiva na Nobé Gallery

1979 — 1ª Mostra do Desenho Brasileiro

1979 — 2º Salão Nacional de Artes Plásticas

1980 — Coletiva não identificada

1980 — Coletiva não identificada

1981 — Coletiva não identificada

1981 — Coletiva não identificada

1983 — Coletiva na Mary-Anne Martin Fine Art

1983 — 17ª Bienal de São Paulo

1983 — 6º Salão Nacional de Artes Plásticas

1984 — Um Traço em Comum

1984 — 12 Desenhistas Brasileiros: um traço em comum

1984 — Writing, Games and Structures

1984 — Viva a Pintura

1984 — 15º Panorama de Arte Atual Brasileira

1985 — Velha Mania: desenho brasileiro

1985 — 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste

1985 — Brasil Desenho

1985 — 18ª Bienal de São Paulo

1986 — Coletiva não identificada

1986 — Caminhos do Desenho Brasileiro

1986 — 2ª Bienal de La Habana

1986 — Território Ocupado

1987 — Palavra Imágica

1987 — 18º Panorama de Arte Atual Brasileira

1988 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — Cada Cabeça Uma Sentença

1989 — O Pequeno Infinito e o Grande Circunscrito

Exposições Póstumas

1992 — Natureza: quatro séculos de arte no Brasil

1992 — 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba

1992 — 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini

1993 — O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand

1993 — O Papel do Rio

1993 — Brasil: 100 Anos de Arte Moderna

1994 — O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand

1994 — Bienal Brasil Século XX

1995 — Artistas Colecionistas

1998 — O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ

1998 — Espelho da Bienal

2000 — [Individual de Paulo Garcez]

2002 — Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002

2003 — Um Difícil Momento de Equilíbrio

2005 — 40/80: uma mostra de arte brasileira

2010 — 1ª Novas aquisições 2007–2010

2010 — 2ª Novas aquisições 2007–2010

2016 — Uma Canção para o Rio (parte 1)

2018 — Movimento – mostra do acervo

2019 — Canção Enigmática – Relações entre arte e som nas Coleções MAM

Fonte: PAULO Garcez. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 05 de março de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

Crédito fotográfico: Invaluable, "Paulo Garcez". Consultado pela última vez em 5 de março de 2026.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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