Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro (Marechal Deodoro, 26 de novembro de 1865 - Maceió, 29 de março de 1915), mais conhecido como Rosalvo Ribeiro, foi um pintor acadêmico brasileiro, também escritor, músico e professor. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Escola de Belas Artes de Paris, França. Considerado o maior pintor Alagoano, suas obras têm grande influência francesa, mas o artista destacou-se em temas históricos, militares, retratos, cenas de gênero e marinhas. Expôs no Salão Geral de Belas Artes, recebeu menção honrosa na 13ª edição e foi premiado em várias exposições no Brasil e na França.
Biografia — Wikipédia
Rosalvo Ribeiro mudou-se com a família para a capital de seu estado-natal aos quinze anos de idade. Aos vinte, graças a uma pensão que lhe foi concedida pela Assembleia de seu Estado, ingressa na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, onde se relaciona com Eliseu Visconti e João Batista da Costa, entre outros. Conquistou a pequena medalha de ouro da Academia no mesmo ano de seu ingresso.
Em 1888, com bolsa concedida pelo governo alagoano, viaja para Paris, a fim de aperfeiçoar-se na Academia Julian, onde estuda com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX. A temática e estilo de Detaille exercerão grande influência na produção francesa de Rosalvo Ribeiro, manifestos inclusive na tela La charge ("A carga"), de tema militar, exposta no Salon de 1898 com relativo sucesso (mais tarde doada ao governo de Alagoas, na condição de "envio").
Aprovado em primeiro lugar na modalidade desenho em concurso, passa a frequentar a École des Beaux-Arts de Paris, sob a tutela de Jules Lefèbvre, professor do também brasileiro Belmiro de Almeida. Concluiu seus estudos com Léon Bonnat. A exemplo do que fariam muitos pintores franceses ao término do século XIX, como Germain David-Nillet, interessa-se pela pintura de interiores obscuros holandeses, à maneira de van Ostade, e viaja para a Bretanha onde produz obras representativas da pintura de gênero (Notícias desagradáveis, 1896; Interior com duas crianças, 1899), muito admiradas pelo aguçado espírito de observação e suave luminosidade.
Em 1901, após doze anos residindo na França, regressa ao Brasil, fixando residência em Maceió. Recebeu menção honrosa na 13ª Exposição Geral de Belas Artes em 1906, e volta a expor na edição seguinte. Dedica-se ao ensino e à retratística local até sua morte, em 1915. Teve, entre seus alunos, Virgílio Maurício. Em seu Dicionário brasileiro de artistas plásticos, Walmir Ayala o definiria como "artista de sólida e consistente construção técnica, de cor agradável, dominando com maestria o desenho e a perspectiva." Em 1945, o Museu Nacional de Belas Artes lhe dedicou uma pequena retrospectiva.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de março de 2022.
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Biografia — Itaú Cultural
Nascido no interior de Alagoas, fixou-se em Maceió em 1872. Entre esse ano e 1881, frequenta o curso de humanidades do Colégio Bom Jesus. Expõe pela primeira vez o retrato do presidente provincial, Dr. Henrique M. Salles. Em 1884, leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios de Maceió como auxiliar.
Recebe bolsa do governo para estudar pintura em qualquer Academia do país. Ingressou, em 1886, na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). É colega de Eliseu Visconti (1866-1944), Fiúza Guimarães (1868-1949), Lopes Rodrigues (1861-1917), Oscar Pereira da Silva (1867-1939) e João Baptista da Costa (1865-1926). Em 1889, também subvencionado pelo governo de Maceió, viaja para Paris para continuar seus estudos. Inscreve-se na Escola de Belas Artes e na Acádemie Julian. Estudou com Jules Lefèvbre, León Bonnat e Edouard Detaille.
A partir de 1893, enviou trabalhos ao seu estado. Expõe no Salon Officiel des Artistes Français, entre 1896 e 1898 . Retornou ao Brasil em 1901. Tornou-se Diretor da Biblioteca Pública Estadual de Alagoas em 1902. Em 1906, recebeu menção honrosa no Salão de Belas Artes, no Rio de Janeiro. É premiado no Salão Nacional (Rio de Janeiro), em 1908.
Em 1910, assume o projeto da estátua equestre do Marechal Deodoro da Fonseca e da praça que leva o nome do militar, em Maceió. Em 1913, obteve a cadeira de desenho na Escola Normal de Maceió. Leciona também na Escola de Aprendizes Artífices. Dois anos depois, aos 48 anos, morre de tuberculose.
Análise
Rosalvo Ribeiro é um artista de sólida formação, que percorre as mesmas etapas dos artistas brasileiros mais destacados da segunda metade do século XIX. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, e dirigiu-se em seguida para a França, onde prossegue seus estudos em pintura de história.
Apesar da alta qualidade do seu trabalho, Ribeiro tem sua carreira em certa medida malograda; seja por sua instalação em Alagoas, após seu retorno ao Brasil, em 1901 (estado com poucas oportunidades de trabalho artístico), seja por sua morte precoce, aos 48 anos.
Para além dos retratos que realiza de importantes personalidades locais de Maceió, é no período francês, anterior, que se concentra grande parte da sua produção. Dela, pode-se destacar a sua predileção por temas militares, embora não tenha produzido muitas obras, e pelas pinturas de gênero, cujas temáticas, como de praxe, voltam-se para um discurso moralizante, que envolve a representação de tarefas domésticas diárias, a família, a educação etc.
Nesse último tipo de pintura, chama atenção a afinidade que as obras de Ribeiro têm, no contexto brasileiro, com as dos seus colegas Lopes Rodrigues, Oscar Pereira da Silva, João Baptista da Costa e José Ferraz de Almeida Júnior (1850 - 1899). A partir da década de 1880, artistas de sua geração passam a voltar seus olhos não mais para um tipo de pintura que privilegia os feitos notáveis dos heróis nacionais, mas para as cenas que, mesmo carecendo de qualquer caráter épico, despertam interesse por revelar um cotidiano que pode ter grandeza.
Acervos
Museu Palácio Floriano Peixoto (MUPA) - Maceió AL
Exposições Coletivas
1886 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de alunos na Aiba - pequena medalha de ouro
1898 - Paris (França) - Salão dos Artistas Franceses
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa de 1º grau
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
Exposições Póstumas
1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1987 - São Paulo SP - O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII - XX, no Masp
Fonte: ROSALVO Ribeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura
Um dos maiores nomes das artes em Alagoas, Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeironasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em 1863, mas só foi batizado no dia 26 de novembro de 1865. Era filho de Felipe Ângelo Ribeiro de Britto e de Josefina Izília de Caldas Ribeiro, proprietários rurais bem-sucedidos.
Iniciou seus estudos em Maceió no Colégio Bom Jesus, onde não conseguiu bom aproveitamento, preferindo os livros e os desenhos em “crayon“. Na adolescência continuou envolvido pela arte do desenho.
Passava o dia na porta da marcenaria de Félix Pereira da Cruz, na Rua do Comércio, executando retratos a preços populares.
Somente com a criação do Liceu de Artes e Ofícios foi que começou a estudar as técnicas de Desenho e Pintura.
Em 1884, o presidente da Província viu um dos seus trabalhos e encomendou-lhe um retrato.
Impressionado com o resultado da pintura, Henrique de Magalhães Salles conseguiu que a Assembleia Provincial lhe destinasse uma pensão anual de 1.200.000 réis durante três anos, para estudar na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1886 e com quatro meses de estudos já era admirado pelos seus mestres. No final do primeiro ano foi aprovado em primeiro lugar e ganhou uma bolsa para estudar em Paris.
Em setembro de 1888, desembarcou em Paris com o sustento garantido pela bolsa da Imperial Academia de Belas Artes e pela pensão do governo alagoano, que foi majorada e renovada.
Na França, matriculou-se na Academie Julien, dirigida por Jules Lefebvre.
E nesta escola que estudou com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX, e que iria exercer grande influência na produção de Rosalvo Ribeiro enquanto esteve em Paris.
Estudou ainda na École des Beaux Arts e tomou aulas particulares com o célebre retratista Joseph-Léon Bonnat.
Ainda na França, conseguiu se destacar ao participar da decoração artística do Hôtel de Ville (Prefeitura) e do Panthéon.
Em 1894, o governador Gabino Besouro registrou no seu relatório à Assembleia que havia recebido alguns quadros do “pensionista do Estado Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro”, que foram enviados para comprovar “o grau de aproveitamento a que já atingiu na sublime arte”.
O governante informou ainda que fez uma exposição com estes quadros e com a obra de outros alagoanos. “Há quadros do Sr. Caldas Ribeiro, que lhe granjeiam incontestável merecimento”, avaliou Gabino Besouro.
Após doze anos em Paris, Rosalvo Ribeiro teve a pensão que recebia do governo cortada e voltou a Maceió em 1901, mas não encontrou ambiente para seus temas militares tão valorizados na França.
Com exceção dos Fonsecas, as principais famílias alagoanas não cultuavam a carreira militar.
Sem muita opção, voltou a ser o retratista da sua adolescência tendo como um dos seus principais clientes o governador Euclides Vieira Malta.
Neste período produz em pequenas telas rostos da aristocracia rural, burguesia mercantil e industrial da crescente economia alagoana.
Para completar os ganhos, ainda ensinava francês, desenho e executava projetos arquitetônicos, a exemplo da Intendência e Praça dos Martírios, ou de urbanização como os das praças Deodoro e Dois Leões em Jaraguá.
O excesso de trabalho e o provável descaso com a alimentação levaram-no a contrair tuberculose. Faleceu no dia 29 de abril de 1915 em Maceió.
Em 19 de agosto de 1951, o Diário de Pernambuco publicou o texto de uma conferência sobre os pintores do Nordeste que Anibal Fernandes realizou no dia anterior em Maceió a convite do governador Arnon de Melo.
Ao historiar sobre Rosalvo Ribeiro, reproduziu a afirmação de Moreno Brandão sobre o envolvimento do pintor “nas tricas da politicagem da aldeia” e as perseguições que sofreu, chegando ao ponto de mandarem os garotos insultarem-no nas ruas chamando-o de “Galego”.
“E tantas foram as perfídias feitas a Rosalvo, que este se deixou dominar de invencível tristeza, por estar ferido em todos os seus sentimentos e melindrado nos afetos puros de sua alma”, revelou Anibal Fernandes.
E continuou: “E assim incompreendido e desenraizado, morreu pobremente. A Prefeitura da capital deu-lhe depois o nome a uma rua; o governador do Estado fixou-o, também, no frontão de um Grupo Escolar; a Academia Alagoana de Letras tomou-o como patrono de uma de suas cadeiras; amadores da arte fundaram um Grêmio Rosalvo Ribeiro, que cedo desapareceu”.
E ainda: “E um dia lhe ergueram até um busto. Dizem que houve festas, discursos e banda de música. Pobre Rosalvo, até nos faz lembrar o enterro de Modigliani, em Paris. Modigliani, morto de miséria e de privações atrozes, e diante do féretro humilde os guardas municipais faziam continência; e cujo caixão desaparecia sob o montão de flores, cujo preço lhe teria aliviado alguns dias de fome”.
Conclui: “Pobre Rosalvo. No dia em que lhe inauguraram o busto, sua desolada viúva assistiu a tudo, anonimamente, misturada no meio do povo. Ninguém sabia — diz-nos um conterrâneo — de sua existência na cidade. Para pagar os trezentos francos por mês que lhe deram os alagoanos, encheu o Palácio de quadros que hoje lhe valeriam milhões. Jorge de Lima exalta a sua honestidade profissional, a sua bondade. Foi em abril de 1915, que ele morreu, aos 48 anos incompletos, encerrando a sua trajetória terrena…”.
Fonte: História de Alagoas, "Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura" publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Crédito fotográfico: História de Alagoas, publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Fotografia de Ranulpho, em 1906. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro (Marechal Deodoro, 26 de novembro de 1865 - Maceió, 29 de março de 1915), mais conhecido como Rosalvo Ribeiro, foi um pintor acadêmico brasileiro, também escritor, músico e professor. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Escola de Belas Artes de Paris, França. Considerado o maior pintor Alagoano, suas obras têm grande influência francesa, mas o artista destacou-se em temas históricos, militares, retratos, cenas de gênero e marinhas. Expôs no Salão Geral de Belas Artes, recebeu menção honrosa na 13ª edição e foi premiado em várias exposições no Brasil e na França.
Biografia — Wikipédia
Rosalvo Ribeiro mudou-se com a família para a capital de seu estado-natal aos quinze anos de idade. Aos vinte, graças a uma pensão que lhe foi concedida pela Assembleia de seu Estado, ingressa na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, onde se relaciona com Eliseu Visconti e João Batista da Costa, entre outros. Conquistou a pequena medalha de ouro da Academia no mesmo ano de seu ingresso.
Em 1888, com bolsa concedida pelo governo alagoano, viaja para Paris, a fim de aperfeiçoar-se na Academia Julian, onde estuda com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX. A temática e estilo de Detaille exercerão grande influência na produção francesa de Rosalvo Ribeiro, manifestos inclusive na tela La charge ("A carga"), de tema militar, exposta no Salon de 1898 com relativo sucesso (mais tarde doada ao governo de Alagoas, na condição de "envio").
Aprovado em primeiro lugar na modalidade desenho em concurso, passa a frequentar a École des Beaux-Arts de Paris, sob a tutela de Jules Lefèbvre, professor do também brasileiro Belmiro de Almeida. Concluiu seus estudos com Léon Bonnat. A exemplo do que fariam muitos pintores franceses ao término do século XIX, como Germain David-Nillet, interessa-se pela pintura de interiores obscuros holandeses, à maneira de van Ostade, e viaja para a Bretanha onde produz obras representativas da pintura de gênero (Notícias desagradáveis, 1896; Interior com duas crianças, 1899), muito admiradas pelo aguçado espírito de observação e suave luminosidade.
Em 1901, após doze anos residindo na França, regressa ao Brasil, fixando residência em Maceió. Recebeu menção honrosa na 13ª Exposição Geral de Belas Artes em 1906, e volta a expor na edição seguinte. Dedica-se ao ensino e à retratística local até sua morte, em 1915. Teve, entre seus alunos, Virgílio Maurício. Em seu Dicionário brasileiro de artistas plásticos, Walmir Ayala o definiria como "artista de sólida e consistente construção técnica, de cor agradável, dominando com maestria o desenho e a perspectiva." Em 1945, o Museu Nacional de Belas Artes lhe dedicou uma pequena retrospectiva.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de março de 2022.
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Biografia — Itaú Cultural
Nascido no interior de Alagoas, fixou-se em Maceió em 1872. Entre esse ano e 1881, frequenta o curso de humanidades do Colégio Bom Jesus. Expõe pela primeira vez o retrato do presidente provincial, Dr. Henrique M. Salles. Em 1884, leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios de Maceió como auxiliar.
Recebe bolsa do governo para estudar pintura em qualquer Academia do país. Ingressou, em 1886, na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). É colega de Eliseu Visconti (1866-1944), Fiúza Guimarães (1868-1949), Lopes Rodrigues (1861-1917), Oscar Pereira da Silva (1867-1939) e João Baptista da Costa (1865-1926). Em 1889, também subvencionado pelo governo de Maceió, viaja para Paris para continuar seus estudos. Inscreve-se na Escola de Belas Artes e na Acádemie Julian. Estudou com Jules Lefèvbre, León Bonnat e Edouard Detaille.
A partir de 1893, enviou trabalhos ao seu estado. Expõe no Salon Officiel des Artistes Français, entre 1896 e 1898 . Retornou ao Brasil em 1901. Tornou-se Diretor da Biblioteca Pública Estadual de Alagoas em 1902. Em 1906, recebeu menção honrosa no Salão de Belas Artes, no Rio de Janeiro. É premiado no Salão Nacional (Rio de Janeiro), em 1908.
Em 1910, assume o projeto da estátua equestre do Marechal Deodoro da Fonseca e da praça que leva o nome do militar, em Maceió. Em 1913, obteve a cadeira de desenho na Escola Normal de Maceió. Leciona também na Escola de Aprendizes Artífices. Dois anos depois, aos 48 anos, morre de tuberculose.
Análise
Rosalvo Ribeiro é um artista de sólida formação, que percorre as mesmas etapas dos artistas brasileiros mais destacados da segunda metade do século XIX. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, e dirigiu-se em seguida para a França, onde prossegue seus estudos em pintura de história.
Apesar da alta qualidade do seu trabalho, Ribeiro tem sua carreira em certa medida malograda; seja por sua instalação em Alagoas, após seu retorno ao Brasil, em 1901 (estado com poucas oportunidades de trabalho artístico), seja por sua morte precoce, aos 48 anos.
Para além dos retratos que realiza de importantes personalidades locais de Maceió, é no período francês, anterior, que se concentra grande parte da sua produção. Dela, pode-se destacar a sua predileção por temas militares, embora não tenha produzido muitas obras, e pelas pinturas de gênero, cujas temáticas, como de praxe, voltam-se para um discurso moralizante, que envolve a representação de tarefas domésticas diárias, a família, a educação etc.
Nesse último tipo de pintura, chama atenção a afinidade que as obras de Ribeiro têm, no contexto brasileiro, com as dos seus colegas Lopes Rodrigues, Oscar Pereira da Silva, João Baptista da Costa e José Ferraz de Almeida Júnior (1850 - 1899). A partir da década de 1880, artistas de sua geração passam a voltar seus olhos não mais para um tipo de pintura que privilegia os feitos notáveis dos heróis nacionais, mas para as cenas que, mesmo carecendo de qualquer caráter épico, despertam interesse por revelar um cotidiano que pode ter grandeza.
Acervos
Museu Palácio Floriano Peixoto (MUPA) - Maceió AL
Exposições Coletivas
1886 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de alunos na Aiba - pequena medalha de ouro
1898 - Paris (França) - Salão dos Artistas Franceses
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa de 1º grau
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
Exposições Póstumas
1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1987 - São Paulo SP - O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII - XX, no Masp
Fonte: ROSALVO Ribeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura
Um dos maiores nomes das artes em Alagoas, Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeironasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em 1863, mas só foi batizado no dia 26 de novembro de 1865. Era filho de Felipe Ângelo Ribeiro de Britto e de Josefina Izília de Caldas Ribeiro, proprietários rurais bem-sucedidos.
Iniciou seus estudos em Maceió no Colégio Bom Jesus, onde não conseguiu bom aproveitamento, preferindo os livros e os desenhos em “crayon“. Na adolescência continuou envolvido pela arte do desenho.
Passava o dia na porta da marcenaria de Félix Pereira da Cruz, na Rua do Comércio, executando retratos a preços populares.
Somente com a criação do Liceu de Artes e Ofícios foi que começou a estudar as técnicas de Desenho e Pintura.
Em 1884, o presidente da Província viu um dos seus trabalhos e encomendou-lhe um retrato.
Impressionado com o resultado da pintura, Henrique de Magalhães Salles conseguiu que a Assembleia Provincial lhe destinasse uma pensão anual de 1.200.000 réis durante três anos, para estudar na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1886 e com quatro meses de estudos já era admirado pelos seus mestres. No final do primeiro ano foi aprovado em primeiro lugar e ganhou uma bolsa para estudar em Paris.
Em setembro de 1888, desembarcou em Paris com o sustento garantido pela bolsa da Imperial Academia de Belas Artes e pela pensão do governo alagoano, que foi majorada e renovada.
Na França, matriculou-se na Academie Julien, dirigida por Jules Lefebvre.
E nesta escola que estudou com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX, e que iria exercer grande influência na produção de Rosalvo Ribeiro enquanto esteve em Paris.
Estudou ainda na École des Beaux Arts e tomou aulas particulares com o célebre retratista Joseph-Léon Bonnat.
Ainda na França, conseguiu se destacar ao participar da decoração artística do Hôtel de Ville (Prefeitura) e do Panthéon.
Em 1894, o governador Gabino Besouro registrou no seu relatório à Assembleia que havia recebido alguns quadros do “pensionista do Estado Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro”, que foram enviados para comprovar “o grau de aproveitamento a que já atingiu na sublime arte”.
O governante informou ainda que fez uma exposição com estes quadros e com a obra de outros alagoanos. “Há quadros do Sr. Caldas Ribeiro, que lhe granjeiam incontestável merecimento”, avaliou Gabino Besouro.
Após doze anos em Paris, Rosalvo Ribeiro teve a pensão que recebia do governo cortada e voltou a Maceió em 1901, mas não encontrou ambiente para seus temas militares tão valorizados na França.
Com exceção dos Fonsecas, as principais famílias alagoanas não cultuavam a carreira militar.
Sem muita opção, voltou a ser o retratista da sua adolescência tendo como um dos seus principais clientes o governador Euclides Vieira Malta.
Neste período produz em pequenas telas rostos da aristocracia rural, burguesia mercantil e industrial da crescente economia alagoana.
Para completar os ganhos, ainda ensinava francês, desenho e executava projetos arquitetônicos, a exemplo da Intendência e Praça dos Martírios, ou de urbanização como os das praças Deodoro e Dois Leões em Jaraguá.
O excesso de trabalho e o provável descaso com a alimentação levaram-no a contrair tuberculose. Faleceu no dia 29 de abril de 1915 em Maceió.
Em 19 de agosto de 1951, o Diário de Pernambuco publicou o texto de uma conferência sobre os pintores do Nordeste que Anibal Fernandes realizou no dia anterior em Maceió a convite do governador Arnon de Melo.
Ao historiar sobre Rosalvo Ribeiro, reproduziu a afirmação de Moreno Brandão sobre o envolvimento do pintor “nas tricas da politicagem da aldeia” e as perseguições que sofreu, chegando ao ponto de mandarem os garotos insultarem-no nas ruas chamando-o de “Galego”.
“E tantas foram as perfídias feitas a Rosalvo, que este se deixou dominar de invencível tristeza, por estar ferido em todos os seus sentimentos e melindrado nos afetos puros de sua alma”, revelou Anibal Fernandes.
E continuou: “E assim incompreendido e desenraizado, morreu pobremente. A Prefeitura da capital deu-lhe depois o nome a uma rua; o governador do Estado fixou-o, também, no frontão de um Grupo Escolar; a Academia Alagoana de Letras tomou-o como patrono de uma de suas cadeiras; amadores da arte fundaram um Grêmio Rosalvo Ribeiro, que cedo desapareceu”.
E ainda: “E um dia lhe ergueram até um busto. Dizem que houve festas, discursos e banda de música. Pobre Rosalvo, até nos faz lembrar o enterro de Modigliani, em Paris. Modigliani, morto de miséria e de privações atrozes, e diante do féretro humilde os guardas municipais faziam continência; e cujo caixão desaparecia sob o montão de flores, cujo preço lhe teria aliviado alguns dias de fome”.
Conclui: “Pobre Rosalvo. No dia em que lhe inauguraram o busto, sua desolada viúva assistiu a tudo, anonimamente, misturada no meio do povo. Ninguém sabia — diz-nos um conterrâneo — de sua existência na cidade. Para pagar os trezentos francos por mês que lhe deram os alagoanos, encheu o Palácio de quadros que hoje lhe valeriam milhões. Jorge de Lima exalta a sua honestidade profissional, a sua bondade. Foi em abril de 1915, que ele morreu, aos 48 anos incompletos, encerrando a sua trajetória terrena…”.
Fonte: História de Alagoas, "Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura" publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Crédito fotográfico: História de Alagoas, publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Fotografia de Ranulpho, em 1906. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro (Marechal Deodoro, 26 de novembro de 1865 - Maceió, 29 de março de 1915), mais conhecido como Rosalvo Ribeiro, foi um pintor acadêmico brasileiro, também escritor, músico e professor. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Escola de Belas Artes de Paris, França. Considerado o maior pintor Alagoano, suas obras têm grande influência francesa, mas o artista destacou-se em temas históricos, militares, retratos, cenas de gênero e marinhas. Expôs no Salão Geral de Belas Artes, recebeu menção honrosa na 13ª edição e foi premiado em várias exposições no Brasil e na França.
Biografia — Wikipédia
Rosalvo Ribeiro mudou-se com a família para a capital de seu estado-natal aos quinze anos de idade. Aos vinte, graças a uma pensão que lhe foi concedida pela Assembleia de seu Estado, ingressa na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, onde se relaciona com Eliseu Visconti e João Batista da Costa, entre outros. Conquistou a pequena medalha de ouro da Academia no mesmo ano de seu ingresso.
Em 1888, com bolsa concedida pelo governo alagoano, viaja para Paris, a fim de aperfeiçoar-se na Academia Julian, onde estuda com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX. A temática e estilo de Detaille exercerão grande influência na produção francesa de Rosalvo Ribeiro, manifestos inclusive na tela La charge ("A carga"), de tema militar, exposta no Salon de 1898 com relativo sucesso (mais tarde doada ao governo de Alagoas, na condição de "envio").
Aprovado em primeiro lugar na modalidade desenho em concurso, passa a frequentar a École des Beaux-Arts de Paris, sob a tutela de Jules Lefèbvre, professor do também brasileiro Belmiro de Almeida. Concluiu seus estudos com Léon Bonnat. A exemplo do que fariam muitos pintores franceses ao término do século XIX, como Germain David-Nillet, interessa-se pela pintura de interiores obscuros holandeses, à maneira de van Ostade, e viaja para a Bretanha onde produz obras representativas da pintura de gênero (Notícias desagradáveis, 1896; Interior com duas crianças, 1899), muito admiradas pelo aguçado espírito de observação e suave luminosidade.
Em 1901, após doze anos residindo na França, regressa ao Brasil, fixando residência em Maceió. Recebeu menção honrosa na 13ª Exposição Geral de Belas Artes em 1906, e volta a expor na edição seguinte. Dedica-se ao ensino e à retratística local até sua morte, em 1915. Teve, entre seus alunos, Virgílio Maurício. Em seu Dicionário brasileiro de artistas plásticos, Walmir Ayala o definiria como "artista de sólida e consistente construção técnica, de cor agradável, dominando com maestria o desenho e a perspectiva." Em 1945, o Museu Nacional de Belas Artes lhe dedicou uma pequena retrospectiva.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de março de 2022.
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Biografia — Itaú Cultural
Nascido no interior de Alagoas, fixou-se em Maceió em 1872. Entre esse ano e 1881, frequenta o curso de humanidades do Colégio Bom Jesus. Expõe pela primeira vez o retrato do presidente provincial, Dr. Henrique M. Salles. Em 1884, leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios de Maceió como auxiliar.
Recebe bolsa do governo para estudar pintura em qualquer Academia do país. Ingressou, em 1886, na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). É colega de Eliseu Visconti (1866-1944), Fiúza Guimarães (1868-1949), Lopes Rodrigues (1861-1917), Oscar Pereira da Silva (1867-1939) e João Baptista da Costa (1865-1926). Em 1889, também subvencionado pelo governo de Maceió, viaja para Paris para continuar seus estudos. Inscreve-se na Escola de Belas Artes e na Acádemie Julian. Estudou com Jules Lefèvbre, León Bonnat e Edouard Detaille.
A partir de 1893, enviou trabalhos ao seu estado. Expõe no Salon Officiel des Artistes Français, entre 1896 e 1898 . Retornou ao Brasil em 1901. Tornou-se Diretor da Biblioteca Pública Estadual de Alagoas em 1902. Em 1906, recebeu menção honrosa no Salão de Belas Artes, no Rio de Janeiro. É premiado no Salão Nacional (Rio de Janeiro), em 1908.
Em 1910, assume o projeto da estátua equestre do Marechal Deodoro da Fonseca e da praça que leva o nome do militar, em Maceió. Em 1913, obteve a cadeira de desenho na Escola Normal de Maceió. Leciona também na Escola de Aprendizes Artífices. Dois anos depois, aos 48 anos, morre de tuberculose.
Análise
Rosalvo Ribeiro é um artista de sólida formação, que percorre as mesmas etapas dos artistas brasileiros mais destacados da segunda metade do século XIX. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, e dirigiu-se em seguida para a França, onde prossegue seus estudos em pintura de história.
Apesar da alta qualidade do seu trabalho, Ribeiro tem sua carreira em certa medida malograda; seja por sua instalação em Alagoas, após seu retorno ao Brasil, em 1901 (estado com poucas oportunidades de trabalho artístico), seja por sua morte precoce, aos 48 anos.
Para além dos retratos que realiza de importantes personalidades locais de Maceió, é no período francês, anterior, que se concentra grande parte da sua produção. Dela, pode-se destacar a sua predileção por temas militares, embora não tenha produzido muitas obras, e pelas pinturas de gênero, cujas temáticas, como de praxe, voltam-se para um discurso moralizante, que envolve a representação de tarefas domésticas diárias, a família, a educação etc.
Nesse último tipo de pintura, chama atenção a afinidade que as obras de Ribeiro têm, no contexto brasileiro, com as dos seus colegas Lopes Rodrigues, Oscar Pereira da Silva, João Baptista da Costa e José Ferraz de Almeida Júnior (1850 - 1899). A partir da década de 1880, artistas de sua geração passam a voltar seus olhos não mais para um tipo de pintura que privilegia os feitos notáveis dos heróis nacionais, mas para as cenas que, mesmo carecendo de qualquer caráter épico, despertam interesse por revelar um cotidiano que pode ter grandeza.
Acervos
Museu Palácio Floriano Peixoto (MUPA) - Maceió AL
Exposições Coletivas
1886 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de alunos na Aiba - pequena medalha de ouro
1898 - Paris (França) - Salão dos Artistas Franceses
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa de 1º grau
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
Exposições Póstumas
1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1987 - São Paulo SP - O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII - XX, no Masp
Fonte: ROSALVO Ribeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura
Um dos maiores nomes das artes em Alagoas, Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeironasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em 1863, mas só foi batizado no dia 26 de novembro de 1865. Era filho de Felipe Ângelo Ribeiro de Britto e de Josefina Izília de Caldas Ribeiro, proprietários rurais bem-sucedidos.
Iniciou seus estudos em Maceió no Colégio Bom Jesus, onde não conseguiu bom aproveitamento, preferindo os livros e os desenhos em “crayon“. Na adolescência continuou envolvido pela arte do desenho.
Passava o dia na porta da marcenaria de Félix Pereira da Cruz, na Rua do Comércio, executando retratos a preços populares.
Somente com a criação do Liceu de Artes e Ofícios foi que começou a estudar as técnicas de Desenho e Pintura.
Em 1884, o presidente da Província viu um dos seus trabalhos e encomendou-lhe um retrato.
Impressionado com o resultado da pintura, Henrique de Magalhães Salles conseguiu que a Assembleia Provincial lhe destinasse uma pensão anual de 1.200.000 réis durante três anos, para estudar na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1886 e com quatro meses de estudos já era admirado pelos seus mestres. No final do primeiro ano foi aprovado em primeiro lugar e ganhou uma bolsa para estudar em Paris.
Em setembro de 1888, desembarcou em Paris com o sustento garantido pela bolsa da Imperial Academia de Belas Artes e pela pensão do governo alagoano, que foi majorada e renovada.
Na França, matriculou-se na Academie Julien, dirigida por Jules Lefebvre.
E nesta escola que estudou com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX, e que iria exercer grande influência na produção de Rosalvo Ribeiro enquanto esteve em Paris.
Estudou ainda na École des Beaux Arts e tomou aulas particulares com o célebre retratista Joseph-Léon Bonnat.
Ainda na França, conseguiu se destacar ao participar da decoração artística do Hôtel de Ville (Prefeitura) e do Panthéon.
Em 1894, o governador Gabino Besouro registrou no seu relatório à Assembleia que havia recebido alguns quadros do “pensionista do Estado Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro”, que foram enviados para comprovar “o grau de aproveitamento a que já atingiu na sublime arte”.
O governante informou ainda que fez uma exposição com estes quadros e com a obra de outros alagoanos. “Há quadros do Sr. Caldas Ribeiro, que lhe granjeiam incontestável merecimento”, avaliou Gabino Besouro.
Após doze anos em Paris, Rosalvo Ribeiro teve a pensão que recebia do governo cortada e voltou a Maceió em 1901, mas não encontrou ambiente para seus temas militares tão valorizados na França.
Com exceção dos Fonsecas, as principais famílias alagoanas não cultuavam a carreira militar.
Sem muita opção, voltou a ser o retratista da sua adolescência tendo como um dos seus principais clientes o governador Euclides Vieira Malta.
Neste período produz em pequenas telas rostos da aristocracia rural, burguesia mercantil e industrial da crescente economia alagoana.
Para completar os ganhos, ainda ensinava francês, desenho e executava projetos arquitetônicos, a exemplo da Intendência e Praça dos Martírios, ou de urbanização como os das praças Deodoro e Dois Leões em Jaraguá.
O excesso de trabalho e o provável descaso com a alimentação levaram-no a contrair tuberculose. Faleceu no dia 29 de abril de 1915 em Maceió.
Em 19 de agosto de 1951, o Diário de Pernambuco publicou o texto de uma conferência sobre os pintores do Nordeste que Anibal Fernandes realizou no dia anterior em Maceió a convite do governador Arnon de Melo.
Ao historiar sobre Rosalvo Ribeiro, reproduziu a afirmação de Moreno Brandão sobre o envolvimento do pintor “nas tricas da politicagem da aldeia” e as perseguições que sofreu, chegando ao ponto de mandarem os garotos insultarem-no nas ruas chamando-o de “Galego”.
“E tantas foram as perfídias feitas a Rosalvo, que este se deixou dominar de invencível tristeza, por estar ferido em todos os seus sentimentos e melindrado nos afetos puros de sua alma”, revelou Anibal Fernandes.
E continuou: “E assim incompreendido e desenraizado, morreu pobremente. A Prefeitura da capital deu-lhe depois o nome a uma rua; o governador do Estado fixou-o, também, no frontão de um Grupo Escolar; a Academia Alagoana de Letras tomou-o como patrono de uma de suas cadeiras; amadores da arte fundaram um Grêmio Rosalvo Ribeiro, que cedo desapareceu”.
E ainda: “E um dia lhe ergueram até um busto. Dizem que houve festas, discursos e banda de música. Pobre Rosalvo, até nos faz lembrar o enterro de Modigliani, em Paris. Modigliani, morto de miséria e de privações atrozes, e diante do féretro humilde os guardas municipais faziam continência; e cujo caixão desaparecia sob o montão de flores, cujo preço lhe teria aliviado alguns dias de fome”.
Conclui: “Pobre Rosalvo. No dia em que lhe inauguraram o busto, sua desolada viúva assistiu a tudo, anonimamente, misturada no meio do povo. Ninguém sabia — diz-nos um conterrâneo — de sua existência na cidade. Para pagar os trezentos francos por mês que lhe deram os alagoanos, encheu o Palácio de quadros que hoje lhe valeriam milhões. Jorge de Lima exalta a sua honestidade profissional, a sua bondade. Foi em abril de 1915, que ele morreu, aos 48 anos incompletos, encerrando a sua trajetória terrena…”.
Fonte: História de Alagoas, "Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura" publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Crédito fotográfico: História de Alagoas, publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Fotografia de Ranulpho, em 1906. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro (Marechal Deodoro, 26 de novembro de 1865 - Maceió, 29 de março de 1915), mais conhecido como Rosalvo Ribeiro, foi um pintor acadêmico brasileiro, também escritor, músico e professor. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Escola de Belas Artes de Paris, França. Considerado o maior pintor Alagoano, suas obras têm grande influência francesa, mas o artista destacou-se em temas históricos, militares, retratos, cenas de gênero e marinhas. Expôs no Salão Geral de Belas Artes, recebeu menção honrosa na 13ª edição e foi premiado em várias exposições no Brasil e na França.
Biografia — Wikipédia
Rosalvo Ribeiro mudou-se com a família para a capital de seu estado-natal aos quinze anos de idade. Aos vinte, graças a uma pensão que lhe foi concedida pela Assembleia de seu Estado, ingressa na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, onde se relaciona com Eliseu Visconti e João Batista da Costa, entre outros. Conquistou a pequena medalha de ouro da Academia no mesmo ano de seu ingresso.
Em 1888, com bolsa concedida pelo governo alagoano, viaja para Paris, a fim de aperfeiçoar-se na Academia Julian, onde estuda com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX. A temática e estilo de Detaille exercerão grande influência na produção francesa de Rosalvo Ribeiro, manifestos inclusive na tela La charge ("A carga"), de tema militar, exposta no Salon de 1898 com relativo sucesso (mais tarde doada ao governo de Alagoas, na condição de "envio").
Aprovado em primeiro lugar na modalidade desenho em concurso, passa a frequentar a École des Beaux-Arts de Paris, sob a tutela de Jules Lefèbvre, professor do também brasileiro Belmiro de Almeida. Concluiu seus estudos com Léon Bonnat. A exemplo do que fariam muitos pintores franceses ao término do século XIX, como Germain David-Nillet, interessa-se pela pintura de interiores obscuros holandeses, à maneira de van Ostade, e viaja para a Bretanha onde produz obras representativas da pintura de gênero (Notícias desagradáveis, 1896; Interior com duas crianças, 1899), muito admiradas pelo aguçado espírito de observação e suave luminosidade.
Em 1901, após doze anos residindo na França, regressa ao Brasil, fixando residência em Maceió. Recebeu menção honrosa na 13ª Exposição Geral de Belas Artes em 1906, e volta a expor na edição seguinte. Dedica-se ao ensino e à retratística local até sua morte, em 1915. Teve, entre seus alunos, Virgílio Maurício. Em seu Dicionário brasileiro de artistas plásticos, Walmir Ayala o definiria como "artista de sólida e consistente construção técnica, de cor agradável, dominando com maestria o desenho e a perspectiva." Em 1945, o Museu Nacional de Belas Artes lhe dedicou uma pequena retrospectiva.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de março de 2022.
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Biografia — Itaú Cultural
Nascido no interior de Alagoas, fixou-se em Maceió em 1872. Entre esse ano e 1881, frequenta o curso de humanidades do Colégio Bom Jesus. Expõe pela primeira vez o retrato do presidente provincial, Dr. Henrique M. Salles. Em 1884, leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios de Maceió como auxiliar.
Recebe bolsa do governo para estudar pintura em qualquer Academia do país. Ingressou, em 1886, na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). É colega de Eliseu Visconti (1866-1944), Fiúza Guimarães (1868-1949), Lopes Rodrigues (1861-1917), Oscar Pereira da Silva (1867-1939) e João Baptista da Costa (1865-1926). Em 1889, também subvencionado pelo governo de Maceió, viaja para Paris para continuar seus estudos. Inscreve-se na Escola de Belas Artes e na Acádemie Julian. Estudou com Jules Lefèvbre, León Bonnat e Edouard Detaille.
A partir de 1893, enviou trabalhos ao seu estado. Expõe no Salon Officiel des Artistes Français, entre 1896 e 1898 . Retornou ao Brasil em 1901. Tornou-se Diretor da Biblioteca Pública Estadual de Alagoas em 1902. Em 1906, recebeu menção honrosa no Salão de Belas Artes, no Rio de Janeiro. É premiado no Salão Nacional (Rio de Janeiro), em 1908.
Em 1910, assume o projeto da estátua equestre do Marechal Deodoro da Fonseca e da praça que leva o nome do militar, em Maceió. Em 1913, obteve a cadeira de desenho na Escola Normal de Maceió. Leciona também na Escola de Aprendizes Artífices. Dois anos depois, aos 48 anos, morre de tuberculose.
Análise
Rosalvo Ribeiro é um artista de sólida formação, que percorre as mesmas etapas dos artistas brasileiros mais destacados da segunda metade do século XIX. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, e dirigiu-se em seguida para a França, onde prossegue seus estudos em pintura de história.
Apesar da alta qualidade do seu trabalho, Ribeiro tem sua carreira em certa medida malograda; seja por sua instalação em Alagoas, após seu retorno ao Brasil, em 1901 (estado com poucas oportunidades de trabalho artístico), seja por sua morte precoce, aos 48 anos.
Para além dos retratos que realiza de importantes personalidades locais de Maceió, é no período francês, anterior, que se concentra grande parte da sua produção. Dela, pode-se destacar a sua predileção por temas militares, embora não tenha produzido muitas obras, e pelas pinturas de gênero, cujas temáticas, como de praxe, voltam-se para um discurso moralizante, que envolve a representação de tarefas domésticas diárias, a família, a educação etc.
Nesse último tipo de pintura, chama atenção a afinidade que as obras de Ribeiro têm, no contexto brasileiro, com as dos seus colegas Lopes Rodrigues, Oscar Pereira da Silva, João Baptista da Costa e José Ferraz de Almeida Júnior (1850 - 1899). A partir da década de 1880, artistas de sua geração passam a voltar seus olhos não mais para um tipo de pintura que privilegia os feitos notáveis dos heróis nacionais, mas para as cenas que, mesmo carecendo de qualquer caráter épico, despertam interesse por revelar um cotidiano que pode ter grandeza.
Acervos
Museu Palácio Floriano Peixoto (MUPA) - Maceió AL
Exposições Coletivas
1886 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de alunos na Aiba - pequena medalha de ouro
1898 - Paris (França) - Salão dos Artistas Franceses
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa de 1º grau
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
Exposições Póstumas
1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1987 - São Paulo SP - O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII - XX, no Masp
Fonte: ROSALVO Ribeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura
Um dos maiores nomes das artes em Alagoas, Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeironasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em 1863, mas só foi batizado no dia 26 de novembro de 1865. Era filho de Felipe Ângelo Ribeiro de Britto e de Josefina Izília de Caldas Ribeiro, proprietários rurais bem-sucedidos.
Iniciou seus estudos em Maceió no Colégio Bom Jesus, onde não conseguiu bom aproveitamento, preferindo os livros e os desenhos em “crayon“. Na adolescência continuou envolvido pela arte do desenho.
Passava o dia na porta da marcenaria de Félix Pereira da Cruz, na Rua do Comércio, executando retratos a preços populares.
Somente com a criação do Liceu de Artes e Ofícios foi que começou a estudar as técnicas de Desenho e Pintura.
Em 1884, o presidente da Província viu um dos seus trabalhos e encomendou-lhe um retrato.
Impressionado com o resultado da pintura, Henrique de Magalhães Salles conseguiu que a Assembleia Provincial lhe destinasse uma pensão anual de 1.200.000 réis durante três anos, para estudar na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1886 e com quatro meses de estudos já era admirado pelos seus mestres. No final do primeiro ano foi aprovado em primeiro lugar e ganhou uma bolsa para estudar em Paris.
Em setembro de 1888, desembarcou em Paris com o sustento garantido pela bolsa da Imperial Academia de Belas Artes e pela pensão do governo alagoano, que foi majorada e renovada.
Na França, matriculou-se na Academie Julien, dirigida por Jules Lefebvre.
E nesta escola que estudou com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX, e que iria exercer grande influência na produção de Rosalvo Ribeiro enquanto esteve em Paris.
Estudou ainda na École des Beaux Arts e tomou aulas particulares com o célebre retratista Joseph-Léon Bonnat.
Ainda na França, conseguiu se destacar ao participar da decoração artística do Hôtel de Ville (Prefeitura) e do Panthéon.
Em 1894, o governador Gabino Besouro registrou no seu relatório à Assembleia que havia recebido alguns quadros do “pensionista do Estado Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro”, que foram enviados para comprovar “o grau de aproveitamento a que já atingiu na sublime arte”.
O governante informou ainda que fez uma exposição com estes quadros e com a obra de outros alagoanos. “Há quadros do Sr. Caldas Ribeiro, que lhe granjeiam incontestável merecimento”, avaliou Gabino Besouro.
Após doze anos em Paris, Rosalvo Ribeiro teve a pensão que recebia do governo cortada e voltou a Maceió em 1901, mas não encontrou ambiente para seus temas militares tão valorizados na França.
Com exceção dos Fonsecas, as principais famílias alagoanas não cultuavam a carreira militar.
Sem muita opção, voltou a ser o retratista da sua adolescência tendo como um dos seus principais clientes o governador Euclides Vieira Malta.
Neste período produz em pequenas telas rostos da aristocracia rural, burguesia mercantil e industrial da crescente economia alagoana.
Para completar os ganhos, ainda ensinava francês, desenho e executava projetos arquitetônicos, a exemplo da Intendência e Praça dos Martírios, ou de urbanização como os das praças Deodoro e Dois Leões em Jaraguá.
O excesso de trabalho e o provável descaso com a alimentação levaram-no a contrair tuberculose. Faleceu no dia 29 de abril de 1915 em Maceió.
Em 19 de agosto de 1951, o Diário de Pernambuco publicou o texto de uma conferência sobre os pintores do Nordeste que Anibal Fernandes realizou no dia anterior em Maceió a convite do governador Arnon de Melo.
Ao historiar sobre Rosalvo Ribeiro, reproduziu a afirmação de Moreno Brandão sobre o envolvimento do pintor “nas tricas da politicagem da aldeia” e as perseguições que sofreu, chegando ao ponto de mandarem os garotos insultarem-no nas ruas chamando-o de “Galego”.
“E tantas foram as perfídias feitas a Rosalvo, que este se deixou dominar de invencível tristeza, por estar ferido em todos os seus sentimentos e melindrado nos afetos puros de sua alma”, revelou Anibal Fernandes.
E continuou: “E assim incompreendido e desenraizado, morreu pobremente. A Prefeitura da capital deu-lhe depois o nome a uma rua; o governador do Estado fixou-o, também, no frontão de um Grupo Escolar; a Academia Alagoana de Letras tomou-o como patrono de uma de suas cadeiras; amadores da arte fundaram um Grêmio Rosalvo Ribeiro, que cedo desapareceu”.
E ainda: “E um dia lhe ergueram até um busto. Dizem que houve festas, discursos e banda de música. Pobre Rosalvo, até nos faz lembrar o enterro de Modigliani, em Paris. Modigliani, morto de miséria e de privações atrozes, e diante do féretro humilde os guardas municipais faziam continência; e cujo caixão desaparecia sob o montão de flores, cujo preço lhe teria aliviado alguns dias de fome”.
Conclui: “Pobre Rosalvo. No dia em que lhe inauguraram o busto, sua desolada viúva assistiu a tudo, anonimamente, misturada no meio do povo. Ninguém sabia — diz-nos um conterrâneo — de sua existência na cidade. Para pagar os trezentos francos por mês que lhe deram os alagoanos, encheu o Palácio de quadros que hoje lhe valeriam milhões. Jorge de Lima exalta a sua honestidade profissional, a sua bondade. Foi em abril de 1915, que ele morreu, aos 48 anos incompletos, encerrando a sua trajetória terrena…”.
Fonte: História de Alagoas, "Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura" publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.
Crédito fotográfico: História de Alagoas, publicado por Ticianeli em 9 de outubro de 2015. Fotografia de Ranulpho, em 1906. Consultado pela última vez em 21 de março de 2022.