Aurelino dos Santos (Ondina, Salvador, BA, 1942) é um artista plástico brasileiro. Analfabeto e autodidata, sofre de esquizofrenia e tem uma obra muito peculiar, marcada pela geometrização.
Biografia - Museu Afro Brasil
Aurelino dos Santos que trabalha primordialmente com a pintura, tendo também experimentado outros suportes, como a tapeçaria.
Suas obras, onde a geometrização é a característica mais marcante, são representações de uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. O artista plástico constrói paisagens, vistas ao mesmo tempo de perfil e de cima, com cores fortes e um misto de referências variadas, passando por barroco, concretismo e neoconcretismo.
Tendo já ultrapassado os 70 anos de idade, Aurelino, que vive numa casa de extrema simplicidade nos arredores de Ondina, bairro de Salvador, produz arte compulsivamente.
Não sabe ler, nem escrever, apenas grafa o nome como se desenhasse, e tem grande dificuldade de penetração no universo da linguagem. Acompanhado de uma loucura de razões desconhecidas e até misteriosas, caminha pelas ruas falando sozinho e recolhe materiais diversos que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Tudo nas obras de Aurelino dos Santos é geometria. As paisagens retratadas pelo artista, que traduzem a vida urbana de uma maneira única, são formadas por triângulos, círculos e formas retangulares. A organização dessas formas em seus quadros – os quais, aliás, nunca guarda – provoca questionamentos profundos, já que é a desorganização que parece dominar sua mente.
Exposições Individuais e coletivas selecionadas
2019 - Southern Geometries, from Mexico to Patagonia, Fondation Cartier pour l’art contemporain | Paris | França
2019 - Aurelino dos Santos - A Letra é que faz o mundo, Museu de Arte Moderna da Bahia | Salvador | Bahia | Brasil
2013 – Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012 - 2013 Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa de Arte Popular, Niterói | RJ
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Centro Cultural Paço Imperial, Rio de Janeiro | RJ
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2011 - Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2011 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2010 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2009 - Feira Art Madrid, Pabellón de Cristal, Madrid | Espanha
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Centro de Cultura de Belo Horizonte, Belo Horizonte | MG
1994 - Arte e Religiosidade Afro-Brasileira, Frankfurter Kunstverein, Frankfurt | Alemanha
Exposições públicas selecionadas
2013 - Catálogo Exposição Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012/2013 - Janete Costa Um Olhar, Museu Janete Costa, Niterói | RJ
2012 - Catálogo Exposição Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Martins Fontes, São Paulo | SP
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - POP BRASIL: A arte no popular e o popular na arte, Centro Cultura Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo | SP
1994 - Arte e religiosidade afro Brasileira, Editora Brasiliana de Frankfurt, Brasil
1988 - A Mão Afro-Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica, Fundação Emílio Odebrecht, São Paulo | SP
Coleções públicas / institucionais
Museu AfroBrasil, São Paulo | SP - Brasil
MAM Rio de Janeiro, Rio de Janeiro | RJ - Brasil
Fundação Cartier, Paris | França
Fonte: Museu AfroBrasil
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Biografia - Wikipédia
Em 2013, vivia em sua cidade natal, no bairro de Ondina, em um barraco de tijolos sem reboco, com telhado de amianto, em companhia da sobrinha Sara dos Santos.
Alcoólatra e tabagista, esquizofrênico, seu distúrbio o leva a caminhar pelas ruas falando sozinho e recolhendo materiais que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Analfabeto e autodidata, foi cobrador de ônibus na juventude, tendo iniciado sua carreira como artista plástico por influência do escultor baiano Agnaldo Santos (1926-1962), incentivado pela arquiteta paulista Lina Bo Bardi. Sua arte pode ser descrita como uma forma de superar a melancolia e buscar o equilíbrio emocional.
Trabalha primordialmente com pintura, tendo experimentado, ainda, outros suportes, como tapeçaria. Suas obras, que trocava por maços de cigarro, são comercializadas por galerias de São Paulo e Salvador, como a Galeria Estação e a Prova do Artista, já tendo sido apresentadas em exposições internacionais em São Paulo, Paris, Madri e Valencia; o Museu Afro Brasil, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, em 2011, patrocinou a exposição Aurelino - a Transfiguração do Real. Algumas de suas obras ainda participaram da exposição Teimosia da Imaginação: 10 artistas brasileiros, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e da inauguração do Museu Janete Costa de Arte Popular. O trabalho de Aurelino dos Santos foi apresentado na Young Art de Art Madrid '09.
A Fundação Cartier, na exposição em Paris Histoires de voir, show and tell, deu-lhe tal destaque que o definiu como um mito vivo, citando o poeta português Fernando Pessoa: O mito é o nada que é tudo.
Pintor primitivista com obras de cores fortes e intensa geometrização, sua característica mais marcante, sua arte representa uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. Suas imagens, abstratas para o público, para ele têm significado figurativista. Seu estilo à maneira de Guignard, é classificado como naïf, tendo como marca uma intensa perspectiva verticalizada. A colecionadora paulista Vilma Eid, da Galeria Estação, compara os trabalhos de Aurelino com modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Volpi, insistindo que "é um artista com A maiúsculo e deve ser levado a sério".
Sobre Aurelino foi realizado o documentário Aurelino - Sombra Viva, do Diretor Rodrigo Campos, exibido na TV Cultura em abril de 2012.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
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“Construção Obsessiva” traz obra de pintor andarilho considerado um mestre
O Museu Nacional da República abre em 7 de fevereiro de 2020 a exposição “Construção Obsessiva”, com parte da impressionante obra do baiano autodidata diagnosticado com transtorno mental Aurelino dos Santos. Suas criações são comparadas a modernistas brasileiros do porte de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi.
Nascido em Salvador em 1942, o andarilho da primeira capital e ex-cobrador de ônibus construiu uma obra que o diretor do Museu Nacional, Charles Cosac, considera “brilhante, digna de um mestre e comparável a qualquer outro artista renomado de sua geração”. A exposição reúne mais de 100 peças produzidas entre 1980 e 2015.
A curadora da mostra, Thais Darzé, afirma que Aurelino tem um trabalho coeso, construído ao longo das cinco últimas décadas. “Geometrizada e refinada, rica em detalhes e com extrema organização em suas composições e proporções, sua obra reverencia a cidade, ruas e construções. Ao contemplá-la, temos a sensação de serem vistas aéreas urbanas, como se o artista andarilho mapeasse as rotas que percorre diariamente”, descreve a galerista de Salvador.
Cosac acrescenta que o pintor é “equivocadamente classificado como naïf”, termo que designa artistas autodidatas que desenvolvem uma linguagem pessoal e original de expressão. Classifica-a de “elementarmente construtivo-figurativa. Em alguns momentos, o artista flerta com a paisagem e chega a se permitir o horizonte, o céu, mesmo sem ponto de fuga [perspectiva]”.
O diretor ainda destaca no trabalho de Aurelino “o espaço repleto de sinais, símbolos e pequenas formas predominantemente geométricas”. Diz que “tais elementos formam uma engenharia, um mecanismo de caixinha de música, um motor de automóvel, como se cada peça desse ou recebesse movimento das outras. Uma construção perfeita onde também há espaço para dígitos, letras e mesmo frases oriundas de recortes de revistas e jornais”.
Arte e loucura
Diagnosticado com esquizofrenia e mostrando dificuldades de expressão oral, Aurelino levanta, com seu trabalho, discussões sobre a fronteira entre arte e sofrimento psíquico.
O professor aposentado da Universidade de Brasília Nelson Maravalhas Jr, pós-doutor em Teoria e História da Arte, que lecionou “Arte e Loucura” na instituição, levanta hipóteses sobre a relação da pintura de Aurelino com estados hipnagógicos (entre vigília e sono), tema de pesquisa de doutorado.
Ele pretende discorrer sobre o tema na abertura da exposição. Sua pesquisa, calçada na psicologia experimental, a uma distância crítica da psicanálise e da psicologia análitica, questiona conceitos como inconsciente (Freud) e simbolismo (Jung), e mergulha no universo da chamada arte marginal psicótica, também conhecida pelos termos em inglês “Outsider Art” ou francês “Art Brut”, referências à criação artística fora dos cânones da academia.
Maravalhas defende que o cérebro humano pode manter intacto seu centro de criação mesmo na presença de distúrbios psíquicos. Charles Cosac traz uma nota poética para a afirmação científica do professor da UnB. No texto em que apresenta o trabalho de Aurelino, cita a música da banda “Os Mutantes”, “Balada do Louco” (1972).
O diretor escreve que “não existe arte louca, nem tampouco arte de louco”. Diz que acreditar nisso é “intolerância e preconceito”. “Um homem que fala sozinho, possui seus medos e prazeres, fica mal ao beber e, como todo mundo, desgosta de ver sua imagem refletida no espelho e tem medo da própria sombra, não é tão louco”. E finaliza com versos da banda da Tropicália: “Mas louco é quem me diz/E não é feliz, eu sou feliz”.
Fonte e crédito fotográfico: Cultura.gov, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
Aurelino dos Santos (Ondina, Salvador, BA, 1942) é um artista plástico brasileiro. Analfabeto e autodidata, sofre de esquizofrenia e tem uma obra muito peculiar, marcada pela geometrização.
Biografia - Museu Afro Brasil
Aurelino dos Santos que trabalha primordialmente com a pintura, tendo também experimentado outros suportes, como a tapeçaria.
Suas obras, onde a geometrização é a característica mais marcante, são representações de uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. O artista plástico constrói paisagens, vistas ao mesmo tempo de perfil e de cima, com cores fortes e um misto de referências variadas, passando por barroco, concretismo e neoconcretismo.
Tendo já ultrapassado os 70 anos de idade, Aurelino, que vive numa casa de extrema simplicidade nos arredores de Ondina, bairro de Salvador, produz arte compulsivamente.
Não sabe ler, nem escrever, apenas grafa o nome como se desenhasse, e tem grande dificuldade de penetração no universo da linguagem. Acompanhado de uma loucura de razões desconhecidas e até misteriosas, caminha pelas ruas falando sozinho e recolhe materiais diversos que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Tudo nas obras de Aurelino dos Santos é geometria. As paisagens retratadas pelo artista, que traduzem a vida urbana de uma maneira única, são formadas por triângulos, círculos e formas retangulares. A organização dessas formas em seus quadros – os quais, aliás, nunca guarda – provoca questionamentos profundos, já que é a desorganização que parece dominar sua mente.
Exposições Individuais e coletivas selecionadas
2019 - Southern Geometries, from Mexico to Patagonia, Fondation Cartier pour l’art contemporain | Paris | França
2019 - Aurelino dos Santos - A Letra é que faz o mundo, Museu de Arte Moderna da Bahia | Salvador | Bahia | Brasil
2013 – Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012 - 2013 Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa de Arte Popular, Niterói | RJ
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Centro Cultural Paço Imperial, Rio de Janeiro | RJ
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2011 - Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2011 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2010 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2009 - Feira Art Madrid, Pabellón de Cristal, Madrid | Espanha
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Centro de Cultura de Belo Horizonte, Belo Horizonte | MG
1994 - Arte e Religiosidade Afro-Brasileira, Frankfurter Kunstverein, Frankfurt | Alemanha
Exposições públicas selecionadas
2013 - Catálogo Exposição Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012/2013 - Janete Costa Um Olhar, Museu Janete Costa, Niterói | RJ
2012 - Catálogo Exposição Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Martins Fontes, São Paulo | SP
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - POP BRASIL: A arte no popular e o popular na arte, Centro Cultura Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo | SP
1994 - Arte e religiosidade afro Brasileira, Editora Brasiliana de Frankfurt, Brasil
1988 - A Mão Afro-Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica, Fundação Emílio Odebrecht, São Paulo | SP
Coleções públicas / institucionais
Museu AfroBrasil, São Paulo | SP - Brasil
MAM Rio de Janeiro, Rio de Janeiro | RJ - Brasil
Fundação Cartier, Paris | França
Fonte: Museu AfroBrasil
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Biografia - Wikipédia
Em 2013, vivia em sua cidade natal, no bairro de Ondina, em um barraco de tijolos sem reboco, com telhado de amianto, em companhia da sobrinha Sara dos Santos.
Alcoólatra e tabagista, esquizofrênico, seu distúrbio o leva a caminhar pelas ruas falando sozinho e recolhendo materiais que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Analfabeto e autodidata, foi cobrador de ônibus na juventude, tendo iniciado sua carreira como artista plástico por influência do escultor baiano Agnaldo Santos (1926-1962), incentivado pela arquiteta paulista Lina Bo Bardi. Sua arte pode ser descrita como uma forma de superar a melancolia e buscar o equilíbrio emocional.
Trabalha primordialmente com pintura, tendo experimentado, ainda, outros suportes, como tapeçaria. Suas obras, que trocava por maços de cigarro, são comercializadas por galerias de São Paulo e Salvador, como a Galeria Estação e a Prova do Artista, já tendo sido apresentadas em exposições internacionais em São Paulo, Paris, Madri e Valencia; o Museu Afro Brasil, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, em 2011, patrocinou a exposição Aurelino - a Transfiguração do Real. Algumas de suas obras ainda participaram da exposição Teimosia da Imaginação: 10 artistas brasileiros, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e da inauguração do Museu Janete Costa de Arte Popular. O trabalho de Aurelino dos Santos foi apresentado na Young Art de Art Madrid '09.
A Fundação Cartier, na exposição em Paris Histoires de voir, show and tell, deu-lhe tal destaque que o definiu como um mito vivo, citando o poeta português Fernando Pessoa: O mito é o nada que é tudo.
Pintor primitivista com obras de cores fortes e intensa geometrização, sua característica mais marcante, sua arte representa uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. Suas imagens, abstratas para o público, para ele têm significado figurativista. Seu estilo à maneira de Guignard, é classificado como naïf, tendo como marca uma intensa perspectiva verticalizada. A colecionadora paulista Vilma Eid, da Galeria Estação, compara os trabalhos de Aurelino com modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Volpi, insistindo que "é um artista com A maiúsculo e deve ser levado a sério".
Sobre Aurelino foi realizado o documentário Aurelino - Sombra Viva, do Diretor Rodrigo Campos, exibido na TV Cultura em abril de 2012.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
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“Construção Obsessiva” traz obra de pintor andarilho considerado um mestre
O Museu Nacional da República abre em 7 de fevereiro de 2020 a exposição “Construção Obsessiva”, com parte da impressionante obra do baiano autodidata diagnosticado com transtorno mental Aurelino dos Santos. Suas criações são comparadas a modernistas brasileiros do porte de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi.
Nascido em Salvador em 1942, o andarilho da primeira capital e ex-cobrador de ônibus construiu uma obra que o diretor do Museu Nacional, Charles Cosac, considera “brilhante, digna de um mestre e comparável a qualquer outro artista renomado de sua geração”. A exposição reúne mais de 100 peças produzidas entre 1980 e 2015.
A curadora da mostra, Thais Darzé, afirma que Aurelino tem um trabalho coeso, construído ao longo das cinco últimas décadas. “Geometrizada e refinada, rica em detalhes e com extrema organização em suas composições e proporções, sua obra reverencia a cidade, ruas e construções. Ao contemplá-la, temos a sensação de serem vistas aéreas urbanas, como se o artista andarilho mapeasse as rotas que percorre diariamente”, descreve a galerista de Salvador.
Cosac acrescenta que o pintor é “equivocadamente classificado como naïf”, termo que designa artistas autodidatas que desenvolvem uma linguagem pessoal e original de expressão. Classifica-a de “elementarmente construtivo-figurativa. Em alguns momentos, o artista flerta com a paisagem e chega a se permitir o horizonte, o céu, mesmo sem ponto de fuga [perspectiva]”.
O diretor ainda destaca no trabalho de Aurelino “o espaço repleto de sinais, símbolos e pequenas formas predominantemente geométricas”. Diz que “tais elementos formam uma engenharia, um mecanismo de caixinha de música, um motor de automóvel, como se cada peça desse ou recebesse movimento das outras. Uma construção perfeita onde também há espaço para dígitos, letras e mesmo frases oriundas de recortes de revistas e jornais”.
Arte e loucura
Diagnosticado com esquizofrenia e mostrando dificuldades de expressão oral, Aurelino levanta, com seu trabalho, discussões sobre a fronteira entre arte e sofrimento psíquico.
O professor aposentado da Universidade de Brasília Nelson Maravalhas Jr, pós-doutor em Teoria e História da Arte, que lecionou “Arte e Loucura” na instituição, levanta hipóteses sobre a relação da pintura de Aurelino com estados hipnagógicos (entre vigília e sono), tema de pesquisa de doutorado.
Ele pretende discorrer sobre o tema na abertura da exposição. Sua pesquisa, calçada na psicologia experimental, a uma distância crítica da psicanálise e da psicologia análitica, questiona conceitos como inconsciente (Freud) e simbolismo (Jung), e mergulha no universo da chamada arte marginal psicótica, também conhecida pelos termos em inglês “Outsider Art” ou francês “Art Brut”, referências à criação artística fora dos cânones da academia.
Maravalhas defende que o cérebro humano pode manter intacto seu centro de criação mesmo na presença de distúrbios psíquicos. Charles Cosac traz uma nota poética para a afirmação científica do professor da UnB. No texto em que apresenta o trabalho de Aurelino, cita a música da banda “Os Mutantes”, “Balada do Louco” (1972).
O diretor escreve que “não existe arte louca, nem tampouco arte de louco”. Diz que acreditar nisso é “intolerância e preconceito”. “Um homem que fala sozinho, possui seus medos e prazeres, fica mal ao beber e, como todo mundo, desgosta de ver sua imagem refletida no espelho e tem medo da própria sombra, não é tão louco”. E finaliza com versos da banda da Tropicália: “Mas louco é quem me diz/E não é feliz, eu sou feliz”.
Fonte e crédito fotográfico: Cultura.gov, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
Aurelino dos Santos (Ondina, Salvador, BA, 1942) é um artista plástico brasileiro. Analfabeto e autodidata, sofre de esquizofrenia e tem uma obra muito peculiar, marcada pela geometrização.
Biografia - Museu Afro Brasil
Aurelino dos Santos que trabalha primordialmente com a pintura, tendo também experimentado outros suportes, como a tapeçaria.
Suas obras, onde a geometrização é a característica mais marcante, são representações de uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. O artista plástico constrói paisagens, vistas ao mesmo tempo de perfil e de cima, com cores fortes e um misto de referências variadas, passando por barroco, concretismo e neoconcretismo.
Tendo já ultrapassado os 70 anos de idade, Aurelino, que vive numa casa de extrema simplicidade nos arredores de Ondina, bairro de Salvador, produz arte compulsivamente.
Não sabe ler, nem escrever, apenas grafa o nome como se desenhasse, e tem grande dificuldade de penetração no universo da linguagem. Acompanhado de uma loucura de razões desconhecidas e até misteriosas, caminha pelas ruas falando sozinho e recolhe materiais diversos que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Tudo nas obras de Aurelino dos Santos é geometria. As paisagens retratadas pelo artista, que traduzem a vida urbana de uma maneira única, são formadas por triângulos, círculos e formas retangulares. A organização dessas formas em seus quadros – os quais, aliás, nunca guarda – provoca questionamentos profundos, já que é a desorganização que parece dominar sua mente.
Exposições Individuais e coletivas selecionadas
2019 - Southern Geometries, from Mexico to Patagonia, Fondation Cartier pour l’art contemporain | Paris | França
2019 - Aurelino dos Santos - A Letra é que faz o mundo, Museu de Arte Moderna da Bahia | Salvador | Bahia | Brasil
2013 – Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012 - 2013 Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa de Arte Popular, Niterói | RJ
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Centro Cultural Paço Imperial, Rio de Janeiro | RJ
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2011 - Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2011 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2010 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2009 - Feira Art Madrid, Pabellón de Cristal, Madrid | Espanha
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Centro de Cultura de Belo Horizonte, Belo Horizonte | MG
1994 - Arte e Religiosidade Afro-Brasileira, Frankfurter Kunstverein, Frankfurt | Alemanha
Exposições públicas selecionadas
2013 - Catálogo Exposição Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012/2013 - Janete Costa Um Olhar, Museu Janete Costa, Niterói | RJ
2012 - Catálogo Exposição Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Martins Fontes, São Paulo | SP
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - POP BRASIL: A arte no popular e o popular na arte, Centro Cultura Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo | SP
1994 - Arte e religiosidade afro Brasileira, Editora Brasiliana de Frankfurt, Brasil
1988 - A Mão Afro-Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica, Fundação Emílio Odebrecht, São Paulo | SP
Coleções públicas / institucionais
Museu AfroBrasil, São Paulo | SP - Brasil
MAM Rio de Janeiro, Rio de Janeiro | RJ - Brasil
Fundação Cartier, Paris | França
Fonte: Museu AfroBrasil
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Biografia - Wikipédia
Em 2013, vivia em sua cidade natal, no bairro de Ondina, em um barraco de tijolos sem reboco, com telhado de amianto, em companhia da sobrinha Sara dos Santos.
Alcoólatra e tabagista, esquizofrênico, seu distúrbio o leva a caminhar pelas ruas falando sozinho e recolhendo materiais que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Analfabeto e autodidata, foi cobrador de ônibus na juventude, tendo iniciado sua carreira como artista plástico por influência do escultor baiano Agnaldo Santos (1926-1962), incentivado pela arquiteta paulista Lina Bo Bardi. Sua arte pode ser descrita como uma forma de superar a melancolia e buscar o equilíbrio emocional.
Trabalha primordialmente com pintura, tendo experimentado, ainda, outros suportes, como tapeçaria. Suas obras, que trocava por maços de cigarro, são comercializadas por galerias de São Paulo e Salvador, como a Galeria Estação e a Prova do Artista, já tendo sido apresentadas em exposições internacionais em São Paulo, Paris, Madri e Valencia; o Museu Afro Brasil, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, em 2011, patrocinou a exposição Aurelino - a Transfiguração do Real. Algumas de suas obras ainda participaram da exposição Teimosia da Imaginação: 10 artistas brasileiros, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e da inauguração do Museu Janete Costa de Arte Popular. O trabalho de Aurelino dos Santos foi apresentado na Young Art de Art Madrid '09.
A Fundação Cartier, na exposição em Paris Histoires de voir, show and tell, deu-lhe tal destaque que o definiu como um mito vivo, citando o poeta português Fernando Pessoa: O mito é o nada que é tudo.
Pintor primitivista com obras de cores fortes e intensa geometrização, sua característica mais marcante, sua arte representa uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. Suas imagens, abstratas para o público, para ele têm significado figurativista. Seu estilo à maneira de Guignard, é classificado como naïf, tendo como marca uma intensa perspectiva verticalizada. A colecionadora paulista Vilma Eid, da Galeria Estação, compara os trabalhos de Aurelino com modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Volpi, insistindo que "é um artista com A maiúsculo e deve ser levado a sério".
Sobre Aurelino foi realizado o documentário Aurelino - Sombra Viva, do Diretor Rodrigo Campos, exibido na TV Cultura em abril de 2012.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
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“Construção Obsessiva” traz obra de pintor andarilho considerado um mestre
O Museu Nacional da República abre em 7 de fevereiro de 2020 a exposição “Construção Obsessiva”, com parte da impressionante obra do baiano autodidata diagnosticado com transtorno mental Aurelino dos Santos. Suas criações são comparadas a modernistas brasileiros do porte de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi.
Nascido em Salvador em 1942, o andarilho da primeira capital e ex-cobrador de ônibus construiu uma obra que o diretor do Museu Nacional, Charles Cosac, considera “brilhante, digna de um mestre e comparável a qualquer outro artista renomado de sua geração”. A exposição reúne mais de 100 peças produzidas entre 1980 e 2015.
A curadora da mostra, Thais Darzé, afirma que Aurelino tem um trabalho coeso, construído ao longo das cinco últimas décadas. “Geometrizada e refinada, rica em detalhes e com extrema organização em suas composições e proporções, sua obra reverencia a cidade, ruas e construções. Ao contemplá-la, temos a sensação de serem vistas aéreas urbanas, como se o artista andarilho mapeasse as rotas que percorre diariamente”, descreve a galerista de Salvador.
Cosac acrescenta que o pintor é “equivocadamente classificado como naïf”, termo que designa artistas autodidatas que desenvolvem uma linguagem pessoal e original de expressão. Classifica-a de “elementarmente construtivo-figurativa. Em alguns momentos, o artista flerta com a paisagem e chega a se permitir o horizonte, o céu, mesmo sem ponto de fuga [perspectiva]”.
O diretor ainda destaca no trabalho de Aurelino “o espaço repleto de sinais, símbolos e pequenas formas predominantemente geométricas”. Diz que “tais elementos formam uma engenharia, um mecanismo de caixinha de música, um motor de automóvel, como se cada peça desse ou recebesse movimento das outras. Uma construção perfeita onde também há espaço para dígitos, letras e mesmo frases oriundas de recortes de revistas e jornais”.
Arte e loucura
Diagnosticado com esquizofrenia e mostrando dificuldades de expressão oral, Aurelino levanta, com seu trabalho, discussões sobre a fronteira entre arte e sofrimento psíquico.
O professor aposentado da Universidade de Brasília Nelson Maravalhas Jr, pós-doutor em Teoria e História da Arte, que lecionou “Arte e Loucura” na instituição, levanta hipóteses sobre a relação da pintura de Aurelino com estados hipnagógicos (entre vigília e sono), tema de pesquisa de doutorado.
Ele pretende discorrer sobre o tema na abertura da exposição. Sua pesquisa, calçada na psicologia experimental, a uma distância crítica da psicanálise e da psicologia análitica, questiona conceitos como inconsciente (Freud) e simbolismo (Jung), e mergulha no universo da chamada arte marginal psicótica, também conhecida pelos termos em inglês “Outsider Art” ou francês “Art Brut”, referências à criação artística fora dos cânones da academia.
Maravalhas defende que o cérebro humano pode manter intacto seu centro de criação mesmo na presença de distúrbios psíquicos. Charles Cosac traz uma nota poética para a afirmação científica do professor da UnB. No texto em que apresenta o trabalho de Aurelino, cita a música da banda “Os Mutantes”, “Balada do Louco” (1972).
O diretor escreve que “não existe arte louca, nem tampouco arte de louco”. Diz que acreditar nisso é “intolerância e preconceito”. “Um homem que fala sozinho, possui seus medos e prazeres, fica mal ao beber e, como todo mundo, desgosta de ver sua imagem refletida no espelho e tem medo da própria sombra, não é tão louco”. E finaliza com versos da banda da Tropicália: “Mas louco é quem me diz/E não é feliz, eu sou feliz”.
Fonte e crédito fotográfico: Cultura.gov, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
Aurelino dos Santos (Ondina, Salvador, BA, 1942) é um artista plástico brasileiro. Analfabeto e autodidata, sofre de esquizofrenia e tem uma obra muito peculiar, marcada pela geometrização.
Biografia - Museu Afro Brasil
Aurelino dos Santos que trabalha primordialmente com a pintura, tendo também experimentado outros suportes, como a tapeçaria.
Suas obras, onde a geometrização é a característica mais marcante, são representações de uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. O artista plástico constrói paisagens, vistas ao mesmo tempo de perfil e de cima, com cores fortes e um misto de referências variadas, passando por barroco, concretismo e neoconcretismo.
Tendo já ultrapassado os 70 anos de idade, Aurelino, que vive numa casa de extrema simplicidade nos arredores de Ondina, bairro de Salvador, produz arte compulsivamente.
Não sabe ler, nem escrever, apenas grafa o nome como se desenhasse, e tem grande dificuldade de penetração no universo da linguagem. Acompanhado de uma loucura de razões desconhecidas e até misteriosas, caminha pelas ruas falando sozinho e recolhe materiais diversos que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Tudo nas obras de Aurelino dos Santos é geometria. As paisagens retratadas pelo artista, que traduzem a vida urbana de uma maneira única, são formadas por triângulos, círculos e formas retangulares. A organização dessas formas em seus quadros – os quais, aliás, nunca guarda – provoca questionamentos profundos, já que é a desorganização que parece dominar sua mente.
Exposições Individuais e coletivas selecionadas
2019 - Southern Geometries, from Mexico to Patagonia, Fondation Cartier pour l’art contemporain | Paris | França
2019 - Aurelino dos Santos - A Letra é que faz o mundo, Museu de Arte Moderna da Bahia | Salvador | Bahia | Brasil
2013 – Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012 - 2013 Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa de Arte Popular, Niterói | RJ
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Centro Cultural Paço Imperial, Rio de Janeiro | RJ
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2011 - Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2011 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2010 - SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
2009 - Feira Art Madrid, Pabellón de Cristal, Madrid | Espanha
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Centro de Cultura de Belo Horizonte, Belo Horizonte | MG
1994 - Arte e Religiosidade Afro-Brasileira, Frankfurter Kunstverein, Frankfurt | Alemanha
Exposições públicas selecionadas
2013 - Catálogo Exposição Aurelino | pinturas, Galeria Estação, São Paulo | SP
2012/2013 - Janete Costa Um Olhar, Museu Janete Costa, Niterói | RJ
2012 - Catálogo Exposição Transfiguração do Real, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2012 - Teimosia da Imaginação: dez artistas brasileiros, Martins Fontes, São Paulo | SP
2012 - Histoires de Voir: Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris | França
2007 - Encontro entre dois mares: Bienal São Paulo-Valencia, Convento del Carmo, Valencia | Espanha
2006 - Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro-Brasil, São Paulo | SP
2002 - POP BRASIL: A arte no popular e o popular na arte, Centro Cultura Banco do Brasil, São Paulo | SP
2000 - 500 Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo | SP
1995 - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo | SP
1994 - Arte e religiosidade afro Brasileira, Editora Brasiliana de Frankfurt, Brasil
1988 - A Mão Afro-Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica, Fundação Emílio Odebrecht, São Paulo | SP
Coleções públicas / institucionais
Museu AfroBrasil, São Paulo | SP - Brasil
MAM Rio de Janeiro, Rio de Janeiro | RJ - Brasil
Fundação Cartier, Paris | França
Fonte: Museu AfroBrasil
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Biografia - Wikipédia
Em 2013, vivia em sua cidade natal, no bairro de Ondina, em um barraco de tijolos sem reboco, com telhado de amianto, em companhia da sobrinha Sara dos Santos.
Alcoólatra e tabagista, esquizofrênico, seu distúrbio o leva a caminhar pelas ruas falando sozinho e recolhendo materiais que servem de molde para os traçados iniciais de suas obras.
Analfabeto e autodidata, foi cobrador de ônibus na juventude, tendo iniciado sua carreira como artista plástico por influência do escultor baiano Agnaldo Santos (1926-1962), incentivado pela arquiteta paulista Lina Bo Bardi. Sua arte pode ser descrita como uma forma de superar a melancolia e buscar o equilíbrio emocional.
Trabalha primordialmente com pintura, tendo experimentado, ainda, outros suportes, como tapeçaria. Suas obras, que trocava por maços de cigarro, são comercializadas por galerias de São Paulo e Salvador, como a Galeria Estação e a Prova do Artista, já tendo sido apresentadas em exposições internacionais em São Paulo, Paris, Madri e Valencia; o Museu Afro Brasil, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, em 2011, patrocinou a exposição Aurelino - a Transfiguração do Real. Algumas de suas obras ainda participaram da exposição Teimosia da Imaginação: 10 artistas brasileiros, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e da inauguração do Museu Janete Costa de Arte Popular. O trabalho de Aurelino dos Santos foi apresentado na Young Art de Art Madrid '09.
A Fundação Cartier, na exposição em Paris Histoires de voir, show and tell, deu-lhe tal destaque que o definiu como um mito vivo, citando o poeta português Fernando Pessoa: O mito é o nada que é tudo.
Pintor primitivista com obras de cores fortes e intensa geometrização, sua característica mais marcante, sua arte representa uma arquitetura idealizada de planos, formas e cores. Suas imagens, abstratas para o público, para ele têm significado figurativista. Seu estilo à maneira de Guignard, é classificado como naïf, tendo como marca uma intensa perspectiva verticalizada. A colecionadora paulista Vilma Eid, da Galeria Estação, compara os trabalhos de Aurelino com modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Volpi, insistindo que "é um artista com A maiúsculo e deve ser levado a sério".
Sobre Aurelino foi realizado o documentário Aurelino - Sombra Viva, do Diretor Rodrigo Campos, exibido na TV Cultura em abril de 2012.
Fonte: Wikipédia, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.
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“Construção Obsessiva” traz obra de pintor andarilho considerado um mestre
O Museu Nacional da República abre em 7 de fevereiro de 2020 a exposição “Construção Obsessiva”, com parte da impressionante obra do baiano autodidata diagnosticado com transtorno mental Aurelino dos Santos. Suas criações são comparadas a modernistas brasileiros do porte de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi.
Nascido em Salvador em 1942, o andarilho da primeira capital e ex-cobrador de ônibus construiu uma obra que o diretor do Museu Nacional, Charles Cosac, considera “brilhante, digna de um mestre e comparável a qualquer outro artista renomado de sua geração”. A exposição reúne mais de 100 peças produzidas entre 1980 e 2015.
A curadora da mostra, Thais Darzé, afirma que Aurelino tem um trabalho coeso, construído ao longo das cinco últimas décadas. “Geometrizada e refinada, rica em detalhes e com extrema organização em suas composições e proporções, sua obra reverencia a cidade, ruas e construções. Ao contemplá-la, temos a sensação de serem vistas aéreas urbanas, como se o artista andarilho mapeasse as rotas que percorre diariamente”, descreve a galerista de Salvador.
Cosac acrescenta que o pintor é “equivocadamente classificado como naïf”, termo que designa artistas autodidatas que desenvolvem uma linguagem pessoal e original de expressão. Classifica-a de “elementarmente construtivo-figurativa. Em alguns momentos, o artista flerta com a paisagem e chega a se permitir o horizonte, o céu, mesmo sem ponto de fuga [perspectiva]”.
O diretor ainda destaca no trabalho de Aurelino “o espaço repleto de sinais, símbolos e pequenas formas predominantemente geométricas”. Diz que “tais elementos formam uma engenharia, um mecanismo de caixinha de música, um motor de automóvel, como se cada peça desse ou recebesse movimento das outras. Uma construção perfeita onde também há espaço para dígitos, letras e mesmo frases oriundas de recortes de revistas e jornais”.
Arte e loucura
Diagnosticado com esquizofrenia e mostrando dificuldades de expressão oral, Aurelino levanta, com seu trabalho, discussões sobre a fronteira entre arte e sofrimento psíquico.
O professor aposentado da Universidade de Brasília Nelson Maravalhas Jr, pós-doutor em Teoria e História da Arte, que lecionou “Arte e Loucura” na instituição, levanta hipóteses sobre a relação da pintura de Aurelino com estados hipnagógicos (entre vigília e sono), tema de pesquisa de doutorado.
Ele pretende discorrer sobre o tema na abertura da exposição. Sua pesquisa, calçada na psicologia experimental, a uma distância crítica da psicanálise e da psicologia análitica, questiona conceitos como inconsciente (Freud) e simbolismo (Jung), e mergulha no universo da chamada arte marginal psicótica, também conhecida pelos termos em inglês “Outsider Art” ou francês “Art Brut”, referências à criação artística fora dos cânones da academia.
Maravalhas defende que o cérebro humano pode manter intacto seu centro de criação mesmo na presença de distúrbios psíquicos. Charles Cosac traz uma nota poética para a afirmação científica do professor da UnB. No texto em que apresenta o trabalho de Aurelino, cita a música da banda “Os Mutantes”, “Balada do Louco” (1972).
O diretor escreve que “não existe arte louca, nem tampouco arte de louco”. Diz que acreditar nisso é “intolerância e preconceito”. “Um homem que fala sozinho, possui seus medos e prazeres, fica mal ao beber e, como todo mundo, desgosta de ver sua imagem refletida no espelho e tem medo da própria sombra, não é tão louco”. E finaliza com versos da banda da Tropicália: “Mas louco é quem me diz/E não é feliz, eu sou feliz”.
Fonte e crédito fotográfico: Cultura.gov, consultado pela última vez em 09 de junho de 2020.