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Iole de Freitas

Iole Antunes de Freitas (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1945), mais conhecida como Iole de Freitas, é uma artista plástica, escultora, gravadora e artista multimídia e professora brasileira. Formada em dança e desenho, Iole é considerada uma das artistas contemporâneas mais expressivas do Brasil. Destacou-se com o body art e criou obras de grandes dimensões com formas torcidas, reverenciando o movimento. As instalações artísticas são feitas somente em locais que haja integração com suas obras e com o ambiente, quase sempre acima do chão, passando a sensação de fluidez e movimento, principalmente em peças de grandes dimensões, que protagonizam o ambiente a ponto de tirarem o fôlego. Realizou mostras internacionais importantes, como a 9ª Bienal de Paris, 15ª Bienal de São Paulo, 5ª Bienal do Mercosul e Documenta 12, em Kassel, Alemanha. As obras da artista estão presentes nos principais museus do país e compõem as principais coleções particulares do mundo.

Biografia – Site da Artista

Mineira, Iole Freitas, muda-se para o Rio de Janeiro com apenas seis anos de idade, e inicia sua formação em dança contemporânea. Estudou na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de 1964 a 1965.

A partir de 1970, viveu por oito anos em Milão, Itália, onde trabalhou como designer no Corporate Image Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto Hans von Klier, de 1970 a 1971. Passou a desenvolver e expor seu trabalho em artes plásticas a partir de 1973.

[1973 – 1981]

A linguagem do trabalho se constitui com o suporte de sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações apoiados por textos. A partir da experiência de 18 anos de dança contemporânea, o corpo surge como um elemento estruturador do trabalho, que aparece espelhado, refletido e fragmentado, tangendo questões relacionadas com a identidade feminina e com a organização da imagem do próprio corpo. As performances, realizadas sempre individualmente, nunca na presença de espectadores, são registradas pela própria artista, num circuito fechado, onde corpo, câmera e imagem refletida constroem a estrutura da obra.

1973: Apresenta seus primeiros filmes experimentais Light Work e Elements, na Galleria Diagramma, em Milão. Faz a curadoria da exposição Fotolinguagem, com obras de Christian Boltanski, Annette Messager, Duane Michals entre outros, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Em São Paulo, participa das mostras Expo-Projeção 73, no Espaço Grife, e da 7ª Jovem Arte Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea/USP (MAC/USP).

1974: Realiza exposição individual das sequências fotográficas, no MAM Rio, cujo catálogo traz o texto Ontogênese e Filogênese, de Paulo Sergio Duarte. Ainda nesse ano, exibe filmes experimentais de 1972-1973 na Galeria Luiz Buarque de Hollanda e Paulo Bittencourt, no Rio de Janeiro. Participa da exposição Nuovi Media, no Centro Internazionale di Brera, e faz exposição individual na Galleria Ortelli, em Milão.

1975: Integra a IX Bienal de Paris com instalação e sequência fotográfica da série Glass Pieces, Life Slices, a convite do crítico Tommaso Trini. Participa, como artista residente, do Festival of Expanded Media, em Belgrado. Na Itália, expõe em diversas exposições onde a fotografia e o filme são suportes do processo criativo do artista: La Fotografia Come Strumento per l'Artista, na Galleria Il Milione; Flash Art Special – Fotografia; Il Mistero Svelato e Campo Dieci, na Galleria Diagramma, em Milão; e Magma, na Galleria Michaud, em Florença.

1976: Realiza exposição individual, com instalação e sequências fotográficas, na Galleria Giancarlo Bocchi, Milão. Participa de diversas exposições e publicações que registram o desenvolvimento da body art durante os anos 1970, como Körpersprache, no Frankfurt Kunstverein e na Haus am Waldsee, em Berlim. Toma parte, também, de exposições e publicações que resultam de pesquisas sobre a dinâmica feminina na arte, como Women in Art, no Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, em Berlim; Frauen Machen Kunst e Feminist Art, na Gallerie Maggers, em Bonn; e Women Art New Tendencies, na Gallerie Krinzinger, em Innsbruck. Integra as exposições Foto & Idea, na Nuova Galleria Comunale d´Arte Moderna, em Parma; Films d'Artist, no Museo Civico di Torino e Photography as Art Work, no Muzej Savremene Umetnosti, em Belgrado, e no Centarza Fotografiju Film i TV, em Zagreb, Iugoslávia.

1977: Integra as mostras L’Occhio dell’Immaginario, na Galleria d’Arte Moderna, em Milão; Pas de Deux, com curadoria de Anne Marie Boetti e Gian Battista Salerno, na Galleria La Salita, em Roma; Corpo e Figura, no Palazzo della Permanente, em Milão; Fotografia come Analise, na Salla delle Colonne do Teatro Gobetti, em Torino; e Arte e Cinema, na Pinacoteca Comunale di Ravenna. Participa da exposição 03 23 03 – Premières Rencontres Internationales d’Art Contemporain, em Montreal.

1978: Realiza instalação e performance intituladas Exit, no Studio Marconi, em Milão. Participa de Arte e Cinema, com curadoria de Vittorio Fagone, na 38a Bienal de Veneza. Ilustra, a convite de Anne Marie Boetti, o livro Donne, Povere, Matte, Edizioni delle Donne, Roma. Produz novos trabalhos em vídeo: The Journey e Roots, a convite da Radiotèlèvision Belge, Bélgica. Retorna ao Brasil e Raquel Arnaud organiza uma exposição de suas obras dos anos 1970 (vídeo, filmes, sequências fotográficas), na Galeria Arte Global, em São Paulo.

1980: Participa da mostra "Camere Incantate-Espansione dell'Immagine'', no Palazzo Reale, Milão, com instalação da série Glass Pieces, Life Slices. Integra a exposição Quasi Cinema, com curadoria de Antonio Dias e Ligia Canongia, apresentada no Centro Internazionale di Brera, Milão, e, no ano seguinte, na Fundação Nacional de Arte, no Rio de Janeiro.

1981: Participa da 16a Bienal Internacional de São Paulo, apresentando a instalação Glass Pieces, Life Slices, em que as imagens do corpo são fragmentadas no espaço e na superfície das lâminas de vidro emulsionadas. Em São Paulo, também integra as mostras Artistas Contemporâneos Brasileiros, na Galeria de Arte São Paulo, e Foto/Ideia, no MAC/USP.

1982: Apresenta a exposição Harmonia dos Mistos, na Foto Galeria Fotóptica, em São Paulo.

[1983-1994]

O corpo não aparece mais como mediador do trabalho, mas é substituído pelo próprio gesto, que tece, arma e costura, com telas e fios, os volumes vazados que se desdobram e passam a constituir as novas obras: o corpo da escultura. As questões escultóricas, gravidade, peso e leveza, movimento ascensional, que ora emergem, revelam, através ainda da fragmentação, da transparência, e do elogio da superfície, a poética da obra.

1984: Realiza exposição individual de esculturas intituladas Aramões, na Galeria Arco, São Paulo. O catálogo dessa mostra apresenta o texto “Eu não sei”, de Paulo Sergio Duarte. Participa de Tradição e Ruptura, a convite de Walter Zanini, na Fundação Bienal de São Paulo. Expõe esculturas e sequências fotográficas na Galerie Grita Insam, Viena. Apresenta exposição individual, com curadoria de Vittorio Fagone, no Spazio Multimediale do Palazzo dei Priori, Volterra. Participa da mostra Corpo e Alma, com curadoria de Roberto Pontual, no Espaço Latino-Americano, em Paris.

1985: Apresenta exposição individual na Galeria Paulo Klabin, no Rio de Janeiro. No catálogo é publicado o texto “Eu não sei”, de Paulo Sergio Duarte.

1986: Recebe a Bolsa Fulbright-Capes, para pesquisa no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York. O curta-metragem Iole de Freitas: Esculturas, com direção de Belisário Franca, é lançado pela Série RioArte – videoarte contemporânea.

1987: Ministra aulas de escultura contemporânea, no curso de extensão do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Apresenta exposição individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Assume a direção do Instituto Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro, onde fica até 1989.

1988: Realiza uma exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. No catálogo é apresentado o texto “Fluidos concretos”, de Ronaldo Brito. Alberto Tassinari escreve o artigo “Iole de Freitas mostra sua metalurgia poética visual”, publicado na Folha de S. Paulo, em 17 de abril. Integra a mostra Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

1989: Participa das mostras "10 Escultores", no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, e Rio Hoje, no MAM Rio.

1990: Expõe as primeiras esculturas de grandes dimensões em mostra individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud. No catálogo é apresentado o texto “Delicadeza traumática”, de Paulo Venancio Filho. A partir de 1991, algumas esculturas são projetadas para locais específicos como a Capela do Morumbi, em São Paulo; o Galpão Embra, em Belo Horizonte; e o Banco do Brasil, em São Paulo. Nesses trabalhos, as questões elaboradas na obra dialogam com os elementos arquitetônicos do espaço dado. São site-specific works que testam o limite entre monumentalidade e leveza.

1991: Recebe a Bolsa Vitae de Artes e realiza seis esculturas de grande formato. Participa do projeto Capela do Morumbi, com curadoria de Sônia Salzstein, construindo uma obra de grandes dimensões, no próprio espaço. É convidada a participar de uma exposição no Galpão Embra, Belo Horizonte, na qual expõe a escultura que, no ano seguinte, será instalada permanentemente no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Participa da mostra O Clássico no Contemporâneo, no Paço das Artes, em São Paulo, com curadoria e texto de Paulo Herkenhoff.

1992: Realiza a exposição Iole de Freitas: Esculturas, no Paço Imperial, onde são expostas as obras realizadas com o apoio da Bolsa Vitae de Artes e da Shell do Brasil, e as que foram apresentadas na Capela do Morumbi e no Galpão Embra, no ano anterior. O projeto de iluminação é de Ronald Cavalieri. O catálogo da mostra apresenta o texto “Inquietude do infinito”, de Paulo Venancio Filho. Realiza exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.

1993: É convidada, como artista residente, pela Winnipeg Art Gallery, Canadá, para realizar escultura de grande porte para a mostra Cartographies: 14 Latin American Artists, com curadoria de Ivo Mesquita. Essa exposição itinerante, até 1995, por outros cinco museus: Museo de Artes Visuales Alejandro Otero, em Caracas; Biblioteca Luis Angel Arango, em Bogotá; National Gallery of Canadá, em Ottawa; The Bronx Museum of the Arts, em Nova York; e La Caixa, em Madri. Expõe na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro.

Ministra aulas de escultura contemporânea, no Curso de Desenvolvimento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Como artista convidada do Parque Lage, realiza, na instituição, uma escultura para a mostra Cartographies, em Caracas. Expõe suas primeiras esculturas em ardósia, na mostra individual realizada na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro.

1994: Profere, como convidada, palestra, com slides sobre o seu trabalho, na abertura de Cartographies, na National Gallery of Canadá, Otawa. Em sala especial, expõe as três esculturas realizadas para a mostra. Participa da Bienal Brasil Século XX – Segmento Anos 70 e 80, com curadoria de Walter Zanini e Cacilda Teixeira da Costa. Realiza exposição individual na Casa de Cultura Mário Quintana, no Ciclo Arte Brasileira Contemporânea, do Instituto de Artes Visuais do Rio Grande do Sul. As obras foram realizadas para o projeto e uma delas é mantida, em exposição permanente, na Casa de Cultura Mário Quintana. Por ocasião da inauguração, Rodrigo Naves faz palestra sobre a obra da artista.

Realiza exposição individual na Casa da Imagem, em Curitiba. Participa do I Simpósio Rio Filosofia com a palestra Geração e nascimento do pensamento: a invisibilidade do pátrio. No projeto Arte/Cidade: a cidade e seus fluxos, realiza o conjunto de esculturas Colunas de Daedalus, apresentado no Espaço Banco do Brasil. Expõe, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, os recentes trabalhos Teto do chão, em telas metálicas e ardósia. Todos os eventos são realizados em São Paulo.

[1995 – 1997]

As esculturas desenvolvidas nesse período tornam-se fluidas, imateriais. As formas se dissolvem no espaço. Pedras semi transparentes passam a conter as inscrições: “nome líquido” e “escrito na água”. O trabalho se amplia no espaço, solta-se das paredes, determina territórios.

1995: Participa da mostra Cartographies, no Espaço La Caixa, em Madri. Realiza exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, apresentando oito trabalhos da série Teto do chão. Convidada por Lauro Cavalcanti, a participar do projeto Atelier FINEP, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, apresenta a exposição Sopro. Participa da mostra Uma Poética da Reflexão, no Conjunto Cultural da Caixa, Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro, com curadoria de Cristina Burlamaqui, Paulo Sergio Duarte e Vanda Klabin. A convite de Rodrigo Naves, participa da 4a Semana de Arte de Londrina, realizando workshop sobre escultura contemporânea, além de participar do debate Arte Brasileira: Confrontos e Contrastes, e da exposição Confrontos e Contrastes.

1996: Integra a mostra Entretelas, no Museo Alejandro Otero, Caracas, junto com Beatriz Milhazes e Eliane Duarte. No catálogo são apresentados textos de Paulo Herkenhoff e Ruth Auerbach. É convidada, por José Roberto Aguilar, para participar da mostra 2a United Artists: Utopia, na Casa das Rosas, em São Paulo. Apresenta a instalação Corpo sem órgãos. Participa da Bienal do Rio, no MAM Rio, integrando a exposição Transparências, a convite de Denise Mattar e Marcus de Lontra Costa. Realiza, para esse evento, a instalação Escrito na água, onde as construções metálicas se organizam livremente no espaço.

1997: Expõe, na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro, a primeira obra utilizando liga metálica pewter. A Zot Multimídia elabora e produz um CD-Rom sobre a sua obra contendo textos críticos, projetos, desenhos e escritos de 1972 a 1997. Realiza exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Uma de suas esculturas, da série Transparências, é doada, pela AT&T, ao Museu de Arte Moderna de São Paulo. Paulo Venancio Filho realiza a curadoria da retrospectiva O Corpo da Escultura: A Obra de Iole de Freitas 1972-1997, no MAM-SP e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, incluindo os filmes e as sequências fotográficas dos anos 1970, o primeiro objeto, esculturas da década de 1980 e a produção escultórica mais recente.

[1998 – 2000]

A obra busca uma ativação específica do espaço que elege, nele instalando planos e linhas retorcidos que, imitando o ar, imprimem velocidade ao percurso.

1998: Participa das exposições Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo – Doações Recentes 1996–1998, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro; 24a Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal de São Paulo; Espelho da Bienal, no MAC-Niterói; Formas Transitivas: Arte Brasileira, Construção e Invenção – 1970/1998; no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; I Prêmio Johnnie Walker, no Museu de Arte Moderna, México; As Dimensões da Arte Contemporânea: Coleção João Carlos de Figueiredo Ferraz, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, em São Paulo.

1999: Apresenta Território vazado, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; uma individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; e a instalação Dora Maar na piscina no projeto A Forma na Floresta – Espaço de Instalações Permanentes, do Museu do Açude, no Rio de Janeiro.

[2001 – 2022]

A partir de 2000, o trabalho busca uma relação de tensão e potência com os espaços arquitetônicos dos museus e centros culturais. Por vezes, seus trabalhos rompem fisicamente as paredes dos museus, projetando-se para o exterior, nas fachadas, questionando a territorialização da arte.

2000: Realiza exposição individual no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, com curadoria de Sônia Salzstein, na qual apresenta obra projetada especialmente para aquele espaço e arquitetura, interligando salas e envolvendo a fachada. Participa das mostras Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal de São Paulo; Investigações: O Trabalho do Artista, no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo; e Século 20: Arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão/Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

2001: Participa das mostras Experiment/Experiência: Art in Brazil 1958-2000, no Museu de Arte Moderna de Oxford; O Espírito de Nossa Época – Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, no MAM-SP e no MAM Rio; e Marginália 70: O Experimentalismo no Super-8 Brasileiro, no Itaú Cultural, em São Paulo.

2002: Realiza exposição no Centro Universitário Maria Antônia/USP. Lança o livro Sobrevôo – Iole de Freitas, organizado por Lorenzo Mammì e publicado pela Cosac Naify. Expõe no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro; e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Realiza instalação permanente no Pestana Bahia Hotel, em Salvador, com curadoria e texto de Cristina Burlamaqui. Participa da mostra Arte Foto, com curadoria de Ligia Canongia, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro.

2003: Apresenta a instalação Expansão, na fachada do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, com curadoria de Marcus de Lontra Costa. Participa das mostras O Sal da Terra, no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha; e Artefoto, também no CCBB-Brasília.

2004: Realiza site-specific no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha, apresentando obra que se expande da área interna até a área externa da instituição, integrando arquitetura, espaço expositivo e paisagem. A curadoria é de Sônia Salzstein. Participa da mostra Arte Contemporânea: Uma História em Aberto, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.

2005: No CCBB-RJ, apresenta exposição com curadoria de Sônia Salzstein. Projetada para o local, ocupa as quatro salas do segundo andar da instituição com as obras Estudo para superfície e linha e Estudo para volume e flecha. Participa da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, com curadoria de Paulo Sergio Duarte, na qual apresenta uma grande instalação intitulada Estudo de superfície e linha. Integra a exposição A Imagem do Som de Dorival Caymmi, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, que é apresentada, no ano seguinte, no Museu Afro Brasil, em São Paulo.

2006: Realiza exposição na Galeria Márcia Barroso do Amaral, no Rio de Janeiro.

2007: Participa da Documenta 12, com curadoria de Roger M. Buergel e Ruth Noack, no Museu Fridericianum, em Kassel. Apresenta instalação que ocupa o segundo andar do museu e se desenvolve até a área externa, suspensa, em torno da área frontal e lateral da fachada. Também realiza a exposição Cartas Dinâmicas, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, e outra individual na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro.

Participa das mostras Puntos de Vista – Coleção Daros, no Museu de Arte de Bochum; Filmes de Artista: Brasil 1965-80, com curadoria de Fernando Cocchiarale, no Oi Futuro, no Rio de Janeiro; Arte como Questão: Anos 70, com curadoria de Gloria Ferreira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; e WACK!: Art and The Feminist Revolution, com curadoria de Connie Butler, no Museum of Contemporary Art (MOCA), em Los Angeles; e no National Museum of Women in the Arts, em Washington D.C.

2008: Apresenta, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, obra de grandes dimensões projetada para o átrio do prédio, que tem projeto de Álvaro Siza. O catálogo da exposição apresenta texto de Sônia Salzstein. WACK!: Art and The Feminist Revolution, é apresentada no PS.1 Contemporary Art Center, em Nova York; e no Vancouver Art Gallery. Participa da mostra Arte Brasileira: 1963-1978, com curadoria de Reynaldo Roels Jr., no MAM Rio.

2009: No Rio de Janeiro, realiza site-specific para a Casa França-Brasil. Por ocasião da exposição, é realizado um debate com a artista, Luiz Alberto Oliveira, Sônia Salzstein, Ana Vitória e Fernando Cocchiarale. Nesse momento, ocorre troca de e-mails entre Iole de Freitas e Luiz Alberto Oliveira, sobre o conceito “origamis curvos”, relacionado à sua obra. Apresenta individual na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro.

2010: Expõe uma grande instalação no átrio do prédio da Pinacoteca do Estado de São Paulo. No catálogo da mostra é apresentada uma entrevista com Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho e Sônia Salzstein. Participa da exposição Das Verlangen nach Form - O Desejo da Forma, com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Robert Kudielka, na Akademie der Künste, em Berlim.

2011: Participa do projeto Depoimentos para a posteridade, da Fundação Museu da Imagem e do Som, sendo entrevistada por Armando Strozenberg, Cecília Arruda, Lauro Cavalcanti, Paulo Sergio Duarte e Paulo Venâncio Filho. A partir dessa entrevista, a artista elabora, com as designers Rara Dias e Paula Delecave, o livro O desenho da fala, lançado na ArtRio, em 2012.

Apresenta exposição na Galeria de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, com texto de João Bandeira publicado no folder. Na galeria, é realizada uma conversa com a artista, João Bandeira, Lorenzo Mammì e Luisa Duarte. É convidada por Eugenio Valdés Figueroa, diretor de Arte e Educação da Casa Daros, no Rio de Janeiro, para o Programa de Residência de Pesquisa, vindo a desenvolver o projeto Para que Servem as Paredes do Museu? Apresenta uma instalação na escadaria frontal da instituição, por ocasião do encontro com Julio Le Parc, na Casa Daros e no CCBB-RJ (com participação de Sônia Salzstein), como parte do Programa Meridianos. Participa da mostra Coleção Figueiredo Ferraz, que inaugura o Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto.

2012: Expõe uma escultura de grandes dimensões na ArtRio, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, onde também é realizada uma mesa-redonda sobre o livro "O desenho da fala", com a artista, Ilana Strozenberg e Luisa Duarte.

2013: Por ocasião da inauguração da Casa Daros, na mostra Para (Saber) Escutar, ocupa sala com grande instalação, com chapas de policarbonato impressas em verde, intitulada Para que servem as paredes do museu? Lança livro sobre esse trabalho, com entrevista realizada por Eugenio Valdés Figueroa. Expõe na Galeria Silvia Cintra e realiza instalação permanente no lobby da Torre Oscar Niemeyer/FGV, ambos no Rio de Janeiro.

2014: Apresenta a exposição Sou Minha Própria Arquitetura, na Galeria de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Realiza instalação permanente no Hotel Hilton/Barra, no Rio de Janeiro. Seus filmes dos anos 70 são apresentados na mostra On the Edge: Brazilian Film Experiments of the 1960s and Early 1970s, organizada por Jytte Jensen e Nicholas Fitch, no MoMa, em Nova York, em paralelo à exposição Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988, apresentada na instituição. Participa das mostras Artevida, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro; Afinidades, Raquel Arnaud 40 Anos, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto; Trajetória 40 Anos, na Galeria de Arte Raquel Arnaud; e Abstrações – Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho, no Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza.

2015: Realiza a exposição O Peso de Cada Um, com curadoria de Ligia Canongia, no MAM Rio, com obra projetada especialmente para o Espaço Monumental do museu, apresentando também a série de obras em vidro Escrito na água. Realiza exposição individual na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro.

2016: Participa das mostras Os Muitos e o Um: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção de Andrea e José Olympio Pereira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; e Clube de Gravura: 30 anos, com curadoria de Cauê Alves, no MAM-SP. Realiza instalação permanente na Vila Aymoré, no Rio de Janeiro, como parte das atividades realizadas pelo grupo Jacarandá. Realiza a exposição Iole de Freitas: a Escrita do Movimento, na Roberto Alban Galeria, Salvador, com curadoria e texto de Marc Pottier.

2017: Em maio de 2017, o acervo documental da artista – que consta de mais de 2.300 itens, entre maquetes, desenhos, fotos e esboços – passa para a guarda do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), em São Paulo.

Em outubro, por ocasião da exposição comemorativa dos vinte anos da instituição, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, alguns itens são expostos ao público.

Participa das mostras Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, com curadoria de Cecilia Fajardo-Hill, Andrea Giunta e Marcela Guerrero, no Hammer Museum, Los Angeles; e Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos, na OCA/Parque Ibirapuera, São Paulo, com curadoria de Paulo Herkenhoff, e co-curadoria de Thais Rivitti e Leno Veras.


Apresenta a exposição Dobradura Curva, com texto de Elisa Byington, na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Realiza a instalação permanente Dora Maar e o Sonho, na fachada da residência dos colecionadores Andrea e José Olympio, São Paulo.

2018: A partir de 2017, o raciocínio do trabalho se desloca do interesse pelas relações da obra com os espaços arquitetônicos que a abrigam, e passa a se concentrar no espaço interno de cada escultura, construído pelas relações de suas partes, em movimentos onde o côncavo e o convexo se articulam e expressam. Surgindo em papel e cartolina, assumem a corporeidade do aço e retornam à fragilidade luminosa do papel ao se tingirem de branco fosco e áspero ao olhar.

Em abril, o IAC realiza a exposição Decupagem, com curadoria de João Bandeira, que aborda o amplo conteúdo documental da obra da artista, desde os filmes e sequências fotográficas dos anos 1970, até as últimas esculturas. Participa das mostras Radical Women: Latin American Art, 1960–1985, no Brooklyn Museum, Nova York, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo; Brazil. Knife in the Flesh, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Diego Sileo, no Padiglione d’Arte Contemporanea (PAC), em Milão; e MAM 70: Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte Contemporânea USP, no MAM-SP. Light Work é apresentado na Mostra Histórica do 13ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Realiza a exposição Papel de Aço, na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro, quando expõe as atuais esculturas em branco.

2019: Realiza instalação no evento “Selvagem”, no teatro Tom Jobim, Jardim Botânico, Rio, com curadoria de Ana Dantes. Participa da exposição “Jardim”, na Casa Roberto Marinho, com curadoria de Lauro Cavalcanti. A exposição "Decupagem", com curadoria de João Bandeira, é exibida na Casa Firjan, Rio de Janeiro.

2020: Participa da coletiva “Luzes da Memória” no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), curadoria de Marilucia Bottalo e Ricardo Rezende. A exposição Decupagem, com curadoria de João Bandeira, é exibida no Instituto Ling, Porto Alegre.

2021: Apresenta as exposições individuais “Os Terra”, na Galeria Silvia Cintra + Box4, no Rio de Janeiro, e “RUBRO”, na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Instala a escultura pública “Desenho na paisagem” junto ao Alalaô Kiosk, na orla do Arpoador, para a Art Rio. Participa das exposição coletiva “Vício impune: o artista colecionador”, com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro, uma seleção de nove artistas representados pelas galerias Millan e a Galeria Raquel Arnaud, ao redor do diálogo entre seus trabalhos e coleções. E, ainda, da “Constelação Clarice”, no IMS Paulista, com curadoria de Eucanaã Ferraz e Veronica Stigger, celebrando a obra e o legado da escritora Clarice Lispector.


Fonte: Cronologia Iole de Freitas. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Biografia – Itaú Cultural

Estuda design na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), no Rio de Janeiro. Em 1970, muda-se para Milão onde trabalha como designer no Corporate Image Studio, da Olivetti, sob orientação do arquiteto Hans Von Klier. Entre 1973 e 1981, desenvolve trabalhos experimentais em fotografia e Super-8, nos quais a representação do corpo surge como tema principal.

No início dos anos 1980, passa a dedicar-se ao campo tridimensional, realizando os Aramões, estruturas cerradas de fios, tubos, serras e tecidos. Em 1986, recebe Bolsa Fulbright-Capes para pesquisa no Museum of Modern Art (MoMa), em Nova York. De 1987 a 1989, é diretora do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, no Rio de Janeiro. Em 1991, recebe a Bolsa Vitae de Artes Plásticas.

É professora de escultura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro. Na década de 1990, começa a realizar esculturas de grandes dimensões.

Alguns trabalhos são projetados para locais específicos, como a Capela do Morumbi, em São Paulo, e o Galpão Embra, em Belo Horizonte. Essas obras revelam o diálogo com o espaço expositivo e seus elementos arquitetônicos. As esculturas desenvolvidas entre 1995 e 1997 são mais fluidas, realizadas com materiais semitransparentes.

Análise

Iole de Freitas entra em contato com a arte de vanguarda através da dança, que estuda ainda na juventude. Entre 1964 e 1965, cursou design na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), no Rio de Janeiro. Cinco anos depois, se transfere para Milão, atuando como designer da Olivetti. Começou a trabalhar com arte em 1973. Nos seus primeiros trabalhos explora sua própria imagem fotografada ou filmada. Segundo a crítica de arte Sônia Salzstein (1955), "a linguagem do trabalho se constitui como sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações (...) O corpo é um elemento estruturador, tange questões relacionadas com a identidade feminina e a organização da imagem do próprio corpo".

Em 1984, abolindo as imagens fotografadas, a artista passa a dedicar-se à produção de relevos. Utiliza arame, fios, tubos, panos e telas metálicas. As peças são chamadas Aramões. Segundo o crítico de arte Rodrigo Naves (1955), nelas "a fragmentação que aparecia nas fotografias adquire um aspecto novo, mais denso e significativo (...) As questões da obra encontram uma expressão mais direta e plástica, sem a necessidade de referência literal ao corpo humano". Em 1988, as peças tornam-se mais estruturadas, com o uso frequente de telas metálicas que constroem volumes.

A relação entre arquitetura e escultura passa a ser cada vez mais frequente no trabalho de Iole de Freitas. Em 1996, as telas metálicas são distribuídas diretamente no espaço de exposição, sem envolver estruturas. No ano seguinte, trabalhos com tela de metal vazada e ardósia integram a sua retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e no Paço Imperial do Rio de Janeiro.

Em 1999, instalou no Museu do Açude, no Rio de Janeiro, a peça Dora Maar na Piscina. Utiliza materiais como tubos de aço inox e policarbonato que dão um novo aspecto à sua escultura. A artista compõe formas sinuosas mais intensas e, portanto, que tentam atribuir nova dinâmica ao local onde estão instaladas.

Críticas

"Os trabalhos apontam para nossa ignorância. Obrigam a percepção ao esquecimento. Exigem nova organização sensível. Dos trabalhos anteriores de Iole trazem apenas presente, no centro, a questão do corpo. Não figurado e distanciado, o corpo continua a porta, agora invisível, de acesso. Do corpo temos de partir para reinventar o espaço. Esse que não sabemos e está nos trabalhos. E são os esquemas corporais mais arcaicos que essas esculturas contrariam e ironizam. A começar pela postura erecta, a que convencionamos chamar de humana, e que os humanos primeiro ensinam, através de chantagens, ao seu animal mais doméstico. O olhar tem de esquecer para, grosseiramente, não ´ficar de quatro´. Nenhum horizonte, nenhuma verticalidade e mesmo os volumes são inefáveis. Da Natureza trazem uma componente aérea que não posso chamar de leveza sem o risco de rebaixar uma inteligente negação da gravidade, da massa, que essas esculturas operam. Nesse espaço inventado houve uma ação radical de redução". – Paulo Sérgio Duarte (FREITAS, Iole de. Iole de Freitas. Rio de Janeiro: Galeria Paulo Klabin, 1987.)



"O princípio de suas esculturas é simples: a estrutura do trabalho resulta unicamente dos elementos necessários para mantê-la ´de pé´. Nada há que lá esteja e que não cumpra uma função especificamente estrutural. Quando o vergalhão é capaz de segurar a tela na posição desejada, ele é deixado como está, sem acréscimos ou subtrações supérfluas. Mas, uma vez que a idéia e o gesto extrapolam os limites estritos para os quais o material foi concebido, surge a tensão - a contradição - a partir da qual o trabalho se estrutura" – Reynaldo Roels Jr. (ROELS JR. , Reynaldo. Iole de Freitas. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 19, p. 41, 1990).



"Iole teve a dança como primeira formação. Antes mesmo de aprender a ler, ou seja, antes de ser introduzida aos códigos mais instituídos de representação do pensamento e das emoções, a artista viu-se mergulhada no universo onde a forma de conhecimento do mundo e a representação da subjetividade se concretizam tendo como veículo o corpo em deslocamento no tempo e no espaço, roçando-se no ar e na luz. Tal bagagem, se permitiu a Iole firmar-se na cena internacional dos anos 70 (período em que residiu na Europa por oito anos) como uma das artistas mais instigantes ligadas à performance e à arte corporal, sem dúvida permitiu-lhe igualmente contaminar o território das artes plásticas com aquele tipo especial de percepção do mundo tão característico da dança, quando passou a dedicar-se às questões mais próximas das artes plásticas nos anos 80, ao retornar ao Brasil. Nas peças (...) existe portanto um raciocínio, um saber sobre o corpo no tempo e no espaço que, não se originando no território das artes plásticas, o contamina radicalmente, fazendo com que todos os limites que tensionam suas principais modalidades se expandam, formando um amálgama cujo resultado acaba por ampliar o próprio conceito de arte, rompendo decididamente a separação canônica entre as ´artes do espaço´ (a pintura, a escultura) e as ´artes do tempo´ (a dança, o teatro). Seus trabalhos atuais são o ponto culminante, diria, de um processo extremamente peculiar de uma artista que, embora tenha elegido nos últimos anos o campo das artes plásticas como forma de expressão preferencial, soube como não restringir a expressão de sua vivência no mundo à exigüidade dos parâmetros estabelecidos para essas modalidades. Pelo contrário, soube trazer para elas um conhecimento distinto e aparentemente inusitado, o que só serviu para ampliar ainda mais suas possibilidades expressivas". — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Artista coreografa formas espaciais: Iole de Freitas. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 1994. Caderno 2, p. D2).


Bienais

1975 - IX Biennale de Paris, França

1974 - Biennale di Venezia “Arte e Cinema”, Itália

1981 - XVI Bienal de São Paulo, Brasil


Exposições Individuais

1974 - Rio de Janeiro RJ - Exposição individual de sequências fotográficas. Exibe seus filmes Light Work e Elements, na Galeria Luiz Buarque de Holanda e Paulo Bittencourt

1976 - Milão (Itália) - Individual, com instalação e seqüência fotográfica, na Galleria Giancarlo Bocchi

1978 - São Paulo SP - Retrospectiva de suas obras dos anos 70, vídeo, filmes e seqüências fotográficas, na Galeria Arte Global

1982 - São Paulo SP - Harmonia dos Mistos, na Foto Galeria Fotóptica

1984 - São Paulo SP - Aramões, na Galeria Arco

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Paulo Klabin

1987 - Porto Alegre RS - Individual, no Margs

1988 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1990 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1992 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Paço Imperial

1992 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1993 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Anna Maria Niemeyer

1994 - Porto Alegre RS - Individual, na Casa de Cultura Mario Quintana, no ciclo Arte Brasileira Contemporânea do Instituto de Artes Visuais do Rio Grande do Sul

1994 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1995 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1995 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Paço Imperial

1997 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Anna Maria Niemeyer

1997 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1997 - São Paulo SP - O Corpo da Escultura: a obra de Iole de Freitas 1972-1997, no MAM/SP

1999 - Belo Horizonte MG - Individual, no MAP

2002 - Niterói RJ - Sobrevôo, no MAC/Niterói

2002 - Rio de Janeiro RJ - Iole de Freitas: esculturas, na Galeria Anna Maria Niemeyer

2002 - São Paulo SP - Individual, no Centro Universitário Maria Antonia

2002 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2003 - Brasília DF - Expansão, no CCBB

2004 - São Paulo SP - Conversa Contemporânea, na Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2004 - Vila Velha ES - Uns Nadas, no Museu Vale do Rio Doce


Exposições Coletivas

1973 - São Paulo SP - 7ª Jovem Arte Contemporânea, no MAC/USP

1973 - São Paulo SP - Expo-Projeção 73, no Espaço Grife

1975 - Belgrado (Iugoslávia) - Festival of Expanded Media

1975 - Paris (França) - 9ª Bienal de Paris

1976 - Belgrado (Iugoslávia) - Photographie as Art Work, no Musej Savremene Utetnosti

1976 - Frankfurt (Alemanha) - Korpersprache, no Künstverein

1976 - Innsbruck (Áustria) - Women Art New Tendencies, na Gallerie Krinzinger

1977 - Milão (Itália) - Corpo e Figura, no Pallazzo Della Permanente

1977 - Montreal (Canadá) - 03 23 03 - Premières Rencontre Internationales d'Art Contemporain

1977 - Ravenna (Itália) - Arte e Cinema, na Pinacoteca Comunale di Ravenna

1977 - Roma (Itália) - L'Occhio dell´Immaginario, na Galleria d´Art Moderna

1978 - Veneza (Itália) - Bienal de Veneza

1980 - Milão (Itália) - Quasi Cinema, no Centro Internazionale Di Brera

1981 - São Paulo SP - 16ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1981 - São Paulo SP - 2º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, no Paço das Artes

1981 - São Paulo SP - Artistas Contemporâneos Brasileiros, no Escritório de Arte São Paulo

1981 - São Paulo SP - Foto/Idéia, no MAC/USP

1984 - Paris (França) - Corpo e Alma, no Espaço Latino-Americano

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - Foto/Idéia, no MAC/USP

1988 - São Paulo SP - 19º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1989 - Rio de Janeiro RJ - Rio Hoje, no MAM/RJ

1989 - São Paulo SP - 10 Escultores, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1991 - Belo Horizonte MG - Junia Penna, Fabíola Moulin, Mabe Bethônico, Marconi Drummond Lage, Nydia Negromonte, Ricardo Homem, Roberto Bethônico, Solange Pessoa e Iole de Freitas, na EMBRA

1991 - São Paulo SP - 22º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1991 - São Paulo SP - O Clássico Contemporâneo, no Paço das Artes

1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura

1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage

1992 - São Paulo SP - A Sedução dos Volumes: os tridimensionais do MAC, no MAC/USP

1992 - São Paulo SP - Anos 60/70: Coleção Gilberto Chateubriand/Museu de Arte Moderna-RJ, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Caracas (Venezuela) - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, no Museo Alejandro Otero

1994 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Poética da Reflexão, na Galeria I do Conjunto Cultural da CEF

1994 - Rio de Janeiro RJ - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, na EAV/Parque Lage

1994 - Rio de Janeiro RJ - Trincheiras: arte e política no Brasil, no MAM/RJ

1994 - São Paulo SP - 2ª Arte Cidade: a cidade e seus fluxos, no Vale do Anhangabaú (Edifício Guanabara, Banco do Brasil, Edifício da Eletropaulo)

1994 - São Paulo SP - A Fotografia Contaminada, no CCSP

1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1994 - Winnipeg (Canadá) - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, na Winnipeg Art Gallery

1995 - Lausanne (Suíça) - Rio: mistérios e fronteiras, no Musée de Pully

1995 - Londrina PR - Arte Brasileira: confrontos e contrastes, no Pavilhão Internacional Octávio Cesário Pereira Júnior

1995 - Madri (Espanha) - Cartographies, no Espaço la Caixa

1995 - Rio de Janeiro RJ - Rio: mistérios e fronteiras, no MAM/RJ

1995 - São Paulo SP - Entre o Desenho e a Escultura, no MAM/SP

1996 - Caracas (Venezuela) - Entretelas, no Museo Alejandro Otero

1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1996 - Rio de Janeiro RJ - Bienal do Rio, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Rio: mistérios e fronteiras, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Transparências, no MAM/RJ

1996 - São Paulo SP - 2ª United Artists: utopia, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - Mulheres Artistas no Acervo do MAC, no MAC/USP

1997 - Curitiba PR - A Arte Contemporânea da Gravura, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba

1997 - São Paulo SP - 3ª United Artists: luz, na Casa das Rosas

1997 - São Paulo SP - Precursores e Pioneiros Contemporâneos, no Paço das Artes

1997 - São Paulo SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural

1998 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria de Arte Celma Albuquerque

1998 - Belo Horizonte MG - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural

1998 - Brasília DF - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural

1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói

1998 - Penápolis SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural

1998 - Ribeirão Preto SP - As Dimensões da Arte Contemporânea, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, Pedro Manuel-Gismondi

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB

1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1998 - São Paulo SP - A Arte de Expor Arte, no MAM/SP

1998 - São Paulo SP - Formas Transitivas: arte brasileira, construção e invenção 1970/1998, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp

1999 - Belém PA - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos, na Universidade da Amazônia. Galeria de Arte

1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Impressões Contemporâneas, no Paço Imperial

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

2000 - Rio de Janeiro RJ - Situações: arte brasileira anos 70, na Fundação Casa França-Brasil

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Escultura Brasileira: da Pinacoteca ao Jardim da Luz, na Pinacoteca do Estado

2000 - São Paulo SP - Investigações. O Trabalho do Artista, no Itaú Cultural

2001 - Campinas SP - (quase) Efêmera Arte, no Itaú Cultural

2001 - Oxford (Inglaterra) - Experiment Experiência: art in Brazil 1958-2000, no Museum of Modern Art

2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ

2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP

2002 - Niterói RJ - A Recente Coleção do MAC, no MAC/Niterói

2002 - Niterói RJ - Coleção Sattamini: esculturas e objetos, no MAC/Niterói

2002 - Rio de Janeiro RJ - Artefoto, no CCBB

2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial

2002 - São Paulo SP - 12 Esculturas, no Galpão de Design

2002 - São Paulo SP - A Forma e a Imagem Técnica na Arte do Rio de Janeiro: 1950-1975, no Paço das Artes

2002 - São Paulo SP - Fotografias no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

2003 - Brasília DF - Artefoto, no CCBB

2003 - Madri (Espanha) - Arco/2003, no Parque Ferial Juan Carlos I

2003 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Brazilian Art, na Almacén Galeria de Arte

2003 - São Paulo SP - A Subversão dos Meios, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Arco 2003, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2003 - São Paulo SP - Marcantonio Vilaça - Passaporte Contemporâneo, no MAC/USP

2003 - Vila Velha ES - O Sal da Terra, no Museu Vale do Rio Doce

2004 - Rio de Janeiro RJ - 30 Artistas, no Mercedes Viegas Escritório de Arte

2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: uma história em aberto, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

Fonte: IOLE de Freitas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 15 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia – Wikipédia

Iole de Freitas nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1945. Mudou-se para o Rio de Janeiro, ainda na infância. Estudou na ESDI - Escola Superior de Desenho Industrial, de 1964 a 1965.

Na década de 1970, trabalhou em Milão como designer no Corporate Imagem Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto Hans von Klier. Em Milão, começou a desenvolver e a expor o próprio trabalho a partir de 1973.

No ano seguinte, realizou exposições individual das seqüências fotográficas, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, cujo catálogo traz o texto "Ontogênese e Filogênese" de Paulo Sérgio Duarte, e também faz exposição individual na Galleria Ortelli, em Milão, Itália.

Em 1975, participou da IX Bienal de Paris com instalações e sequência fotográfica da série "Glass pieces, life slices", a convite do crítico Tommaso Trini.

Participou da exposição "03 23 03 — Primières Recontres Internationals d'Arte Contemporain", em Montreal, Canadá.

Integra, em 1980, a exposição "Quase Cinema", no Centro Internazionale di Brera, em Milão, Itália; a mesma mostra foi apresentada em 1981, na Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Rio de Janeiro.

Em 1981, participou da IX Bienal de São Paulo. Realizou em 1984, a exposição individual de esculturas intitulada "Aramões", na Galeria Arco, em São Paulo.

Em 1986, recebeu a bolsa Fulbright-Capes, para realizar pesquisa no Museu of Modern Art (Moma), Nova York, EUA.

Expõe, em 1990, as primeiras esculturas de grandes dimensões na mostra individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo, onde apresenta catálogo com o texto "Delicadeza Traumáticas", de Paulo Venâncio Filho.

A partir de 1991, projetou várias esculturas para locais específicos em São Paulo e Belo Horizonte.

Foi convidada, em 1993, como artista residente pela Winnipeg Art Gallery, no Canadá. Participou, em 1995, da mostra "Cartographies", no Espaço La Caixa, Madrid, Espanha.

Em 1998, participou de importantes coletivas: Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo — doações recentes 1996-1998, CCBB, Rio de Janeiro; XXIV Bienal Internacional de São Paulo, etc.

No ano 2000, realizou trabalho individual no Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, e dos projetos "Brasil — 500 anos", na Fundação Bienal de São Paulo e "Investigações: o trabalho do artista", no Instituto Itaú Cultural de São Paulo.

Realizou exposição individual no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, e na Marcus Vieira Galeria de Arte, Belo Horizonte.

Em 2005, na V Bienal do Mercosul, Porto Alegre, e também no III Fórum Arte das Américas, Belo Horizonte, onde fez o lançamento do livro Circuito Atelier, em sua homenagem, projeto coordenado por Fernando Pedro da Silva e Marília Andrés Ribeiro.

Suas obras pertencem aos acervos do MAM/Rio de Janeiro, MAM/São Paulo, MAC/Niterói, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Museu de Arte Contemporânea, Porto Alegre, e várias fundações e museus do exterior. Presente nas principais coleções particulares do país e exterior.


Fonte: Wikiwand. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Uma artista da vanguarda europeia

O trabalho de Iole de Freitas surge numa época de eventos radicais e conturbados afetando várias esferas da vida e da sociedade modernas e em novo centro artístico europeu: a Milão dos anos 1970.

Quando Paris vivia do passado, Londres gerava uma cultura pop e Berlim estava dividida por um muro, Milão concentrava uma nova energia artística que relacionava artistas de gerações diversas como Lucio Fontana, Piero Manzoni e os emergentes da Arte Povera. Naquele momento histórico, generaliza-se um vasto repertório de experiências, reivindicando uma variedade de processos, técnicas e materiais até então marginais à modernidade artística. Surgem as práticas heterodoxas, inovadoras, experimentais que vão caracterizar a arte contemporânea.

Nada está proibido, tudo é permitido; eram as palavras de ordem, às quais cada artista respondia da sua maneira, encontrando para si o seu processo específico, único mesmo, de trabalho. E não só o processo, as técnicas, os materiais, as formas etc.; sem limites, normas, regras, multiplicam-se as linguagens e as possibilidades de investigação artística. E é nessa época que Milão volta a se conectar, senão a liderar as tendências de vanguarda europeias. É um contexto estimulante ao qual Iole responde, se integra e é aí uma participante efetiva dessa renovação artística.

Iole absorve imediatamente a urgência transformadora do ambiente ao qual reage com sua investigação inicial, seus primeiros trabalhos em filme e fotografia.

O registro fotográfico, os filmes experimentais, o uso heterodoxo da câmera fotográfica e cinematográfica estavam na ordem do dia de inúmeros artistas – a arte ingressava transversalmente na cultura da imagem reproduzida com seus processos inovadores. Imediatamente Iole faz da imagem reproduzida o seu meio investigativo, o registro cinematográfico/fotográfico era o meio de análise objetiva das ações, gestos e movimentos carregados de tensão, ansiedade e temor.

Constrói uma situação na qual se filmava/fotografava ela mesma em isolamento, observando-se como ninguém, fechada em si, para estar consigo e se afastar de si – uma interseção entre body art, performance e filme experimental.

As imagens obtidas são reflexos projetados numa superfície que reflete ou absorve: vidro, tecido, espelho, parede; é nelas onde o corpo se projeta e se exterioriza. É onde a artista se vê – testemunho e resultado do momento decisivo em que se expõe despro-tegida, absolutamente indefesa, mas ativa e atenta. A difícil e conturbada exposição do corpo é vivenciada, enfim, na sua resistente não-passividade. Talvez seja daí que derivem as tortuosas forças que, mais tarde, vão se incorporar às suas esculturas – a experiência corpórea, íntima e pessoal e também tão profundamente coletiva do trabalho de Iole.

Relutante, intensa e verazmente relutante, diante da fotografia, o corpo não cede facil-mente à sua apropriação como objeto de exposição, a sua realidade “exponível” é travada e problematizada. Tal situação, aparentemente contraditória, constrói uma intimidade só para ser violada, e o seu desfecho é o registro em filme e fotografia. Este simultâneo ocultar e revelar – uma só e mesma operação – onde cada fotografia além de ser um registro é a condensação de um esforço corporal, de um literal corpo a corpo com a câmera.

À Iole de Freitas não interessava somente se colocar diante da câmera e se abandonar imóvel a distância exigida. Ao contrário, sua intenção era reduzir a distância, estabelecer uma relação de confronto, trazer a própria câmera para o interior da experiência, torná-la, por assim dizer, uma extensão de seu corpo. Assim ela se fotografava, antivoyeuse de si mesma. Trazida para uma proximidade inédita, plenamente participativa, a câmera é o “outro” que, de fora, vê o “dentro”, internalizada na própria experiência.

Invasora e intimi-dante, ela é um testemunho intruso, ameaça que ao mesmo tempo desvela; não só a câmera registra certas situações e ações, como impõe a sua presença; é um olho exterior assumido imaginariamente tal uma presença efetiva e não mais o simples objeto inofensivo das cenas domésticas e familiares, é esse “outro” do qual não se consegue escapar.

De início mal reconhecemos quem está nessas imagens que se projetam e refletem em superfícies diversas: paredes, espelhos e tecidos. Mal identificamos esse corpo que se dá a ver como se escondendo, num movimento de retração esquivo, fugindo da exposição e deixando-se expor à luz. De tal experiência só poderiam resultar imagens desfiguradas, deformadas, quase irreconhecíveis e que ainda, ao aparecer, se mostram agressivamente acanhadas.

A imagem do corpo surge amorfa, polimorfa, líquida, uma mancha indefinida. Em expansão e se contraindo, fluida e instável. Ou se deixa ver apenas através de fragmentos. Um pé, por exemplo, ou partes do corpo estilhaçado no espelho. São imagens que procuram escapar também de outro limite: a folha retangular do papel fotográfico que as aprisiona.A qualidade das imagens retém o efeito expressivo da técnica precária do Super-8, e é assumida pelo trabalho.

A disponibilidade íntima e doméstica do Super-8, acessível, de fácil manuseio, dispensando assistentes ou técnicas especializadas, possibilita uma entrega franca e total da artista à câmera; faz dela um olho seu, externo, protético, extensível, que a domina e é por ela dominada. Portanto, o registro fílmico, além do registro documental, é a expressão da própria vivência que se realiza na obra. Introjetada, a câmera participa, vive, sem ela não há obra; a experiência é mais que uma performance, uma ação para si e para ninguém, para todos e para nenhum.

Tal situação instaura uma atmosfera psicológica tensa, inquieta; e a agressividade latente que projeta tem algo de expressionista, sem, entretanto, nomear, definir, indicar o que quer que seja. A artista olha para a câmera com a surpresa de se ver olhando. Dois objetos: o espelho e a faca são introduzidos na cena construída. Ambos, espelho e faca, reduplicam a câmera, também produzem fragmentos, cacos reais; aquilo que a câmera realiza tecnicamente: slices fotográficos, flashes incômodos e reveladores, cortes no tempo/espaço da vivência experimental – life slices. Não há como não lembrar do gesto de Fontana com a lâmina na mão frente à tela. Essa poética do corte de, através dele, ir além, libertar o plano, está para Iole muito mais na metáfora de libertar espaço para corpo, ir além de si, expondo a tensão, o temor e a surpresa. Tal como um olho exterior, através do qual não se vê, e do qual se oculta e se mostra, e ao mesmo tempo se integra, a câmera acha-se intimamente presente na experiência, copartícipe.

Podemos dizer mais: ela aparece como presença denunciada. Estamos longe dos procedimentos fotográficos usuais e da naturalidade com que submetem os objetos. O que parece se processar é a tentativa de corporificar diretamente uma cena psíquica. O espelho e a faca são objetos comuns, embora o seu simbolismo possa dar margem a uma interminável interpretação desses objetos.

O campo é vasto e o lugar comum, uma armadilha. Entretanto, no estrito processo de produção do trabalho, eles aparecem com um sentido claro: a faca e o espelho são uma espécie de câmera fotográfica ou cinematográfica. A câmera é essa faca-espelho que reflete, corta, fragmenta e aprisiona a imagem. Quando Iole, com a faca, quebra o espelho, está “fotografando”, realiza no espelho o que a câmera faz nela; liberta-se. Espelho e faca – os elementos ao mesmo tempo reais e simbólicos que a artista utiliza como contrastantes e ameaçadores – metaforizam aquilo que a fotografia realiza no plano da imagem: cortes, fragmentações, desmembramentos.

A fotografia corta e recorta a realidade, um pedaço daqui, outro dali, esfaqueia a realidade. O que se passa ali, frente a frente, a faca imaginária e a faca real, se não uma espécie de duelo, de enfrentamento entre duas realidades – elo e duelo. O espelho é também uma espécie de faca, assim como a câmera corta e recorta a realidade refletida, duplica-a e faz da câmera seu duplo. Diríamos que Iole quer sentir, tocar aquela presença que só se revelava na imagem, aquele “outro” que correspondia e reagia aos seus gestos e ações.

O corpo da escultura

Era de supor que tal experiência da imagem chegaria ao momento em que a verdade do corpo, para existir na sua totalidade plástica, teria que abandonar o registro fotográfico e afirmar-se no espaço, obrigando a transferência escultórica da imagem para a corporalidade material; romper os limites do papel fotográfico e efetuar a transposição para o espaço em continuidade ao corpo. Ou seja, dar realidade material aos fragmentos, dar corpo ao desmembramento do corpo.

A vivência corpórea espaço/temporal da qual as fotografias eram registros toma agora a direção do espaço mesmo. O espelho e a faca desaparecem, mas suas propriedades permanecem em outra circunstância, transferidas. Há um objeto que realiza, ainda que brevemente, essa passagem. A serra é o “objeto transicional”, sucedâneo da faca, do espelho; é aquilo que agora corta; corta realmente. A serra é um “resíduo” que se prolonga e religa à experiência anterior da imagem. Antes a faca imagem, simbólica, agora a serra coisa, real. O que os primeiros trabalhos que surgem nessa nova dimensão podem indicar, olhando bem, é que estamos diante de uma reconstituição, de um rearranjo da mesma cena, agora com elementos materiais, eles mesmos.

Logo verificamos a busca por algo flexível como o corpo. A borracha, material rígido e flexível, plástico e resistente, absorve e desenha o fluxo corpóreo que se transferia. Observa-se nas primeiras “esculturas” uma “descostura” que reorganiza a estrutura corporal, um movimento se enerva em tubos de borracha, fios metálicos e umas poucas tramas metálicas, direcionando e conduzindo tensões e contorções. Sem peso, desestruturadas, não sustentáveis nem autoportantes, são a condição puramente inicial, amorfa e incorpórea, não resistente e transparente, e assim, suspensas, se opõem delicadamente à impenetrabilidade escultórica tradicional.

Aquilo que se esquivava – o corpo – deve agora materializar-se, e de qual maneira senão por meio dos mesmos gestos e ações, que, de início, não estão, nem poderiam, se configurar através de uma forma definida. Arames, fios metálicos são os materiais que concentram e conservam a energia dispersa que sustenta e integra o todo; enfim um corpo que se materializa, impreciso, vazio. Cabe agora dar corpo ao corpo, explicitar a sua potência, ainda que por meio de um emaranhado de fios, o que poderíamos chamar de “escultura linear”. Esta é ainda estranha, informe, desenhada por pulsões e impulsos.

Ilógica, desordenada, só pode surgir como um emaranhado de tensões fluidas de um todo insubstancial, mas ativo e pleno. Ao mesmo tempo, as superfícies transparentes, translúcidas, de uma trama metálica leve e delicada, dão à frágil consistência material um movimento que indica a sugestão, apenas a sugestão de um corpo. Apenas uma superfície metálica já era sufi-ciente, um gesto + uma superfície = trabalho.

Essas operações mínimas, casuais, imagino imediatas e rápidas, foram dando a certeza primeira do processo do trabalho, a sua base experimental. Disso resultaram potentes indícios de uma energia capaz de dar substância e incorporar-se à matéria. A ação gestual pressente que pode se fixar, que a matéria absorve e mantém a força aplicada, e a presença do volume aparece.

Tênues, um leve gesto interrompido, a superfície se fecha sobre si mesma em uma voluta improvisada – basta isso, nada mais, para constituir as primeiras esculturas metálicas.

Retomemos então o movimento do trabalho: o processo de exteriorização da experiência corporal suscitado por uma ameaça, um corte real e simbólico, é registrado fotograficamente na imagem. Ali a presença do corpo é indireta, imaterial – o corpo ainda não está presente, integralizado à obra. Logo, o processo de exteriorização prossegue no sentido da aniquilação da imagem, a ação gestual abstrata e anônima da artista agora se dispersa na total transferência para objetos materiais: tubos de borracha, tecido, arames, telas metálicas.

Os “cacos de vida” vão encontrar uma continuidade nos fios metálicos dos “aramões”, fios de arame que, como cacos, agora se unem para constituir um objeto físico, ainda que vazio e transparente, um emaranhado tridimensional sem começo ou fim, um contínuo incessante embaralhar dos olhos, mas estático como uma imagem esvaziada, apenas o rastro dos gestos. A aparência ainda é pictórica, aérea, dispersa em suspensão, sem distinção de frente, verso, lado, a mesma coisa sempre diferente.

A introdução das superfícies metálicas vai propor uma nova estruturação, a frontalidade se torna dominante, ainda assim em conflito com a planaridade da parede, e os planos avançam e recuam, adquirem volume, reagindo a uma estabilidade plena – o espírito do construtivismo russo passou por aqui. E mais e mais assumem a condição de corpos vivos, condensando a energia do corpo, como a materialização tridimensional de um gesto, a ação de mão e braço transferindo energia para a matéria inerte.

O movimento das dobras, das ondulações, das volutas imprimem à escultura um trânsito conflitante de tensões e distensões, impondo um somatório que se resolve numa coesão final, o limite da sua expansão física. A aglutinação de gestos dispersos, assemblage, merzbau ou colagem de ações físicas ou montagem de movimentos isolados, encadeados “cinematograficamente”. Tudo que implica movimento está inicialmente aí de algum modo presente, sem o qual não há obra.

Está claro que aí também se desenvolveu uma “técnica” corporal específica, improvisada, jazzística, afim, como não pode-ria deixar de ser, à movimentação física, se não até mental da dança4 – a percepção do corpo como liberador de energia. Ela não esconde sua origem moderna e seu horizonte contemporâneo. O trabalho se defrontava então com a tradição cubista, construtiva, ao recompor a dimensão da presença do corpo de um Rodin até os contrarrelevos de Tatlin – o corpo na escultura e o corpo da escultura. Sem abandonar o plano, buscava atingir a realidade do peso, da massa, do volume; fazer o plano absorver a verdade plástica do corpo, a sua presença contemporânea não-representacional.

Por exprimirem muitos, são esculturas multidirecionais, em contração e expansão, sem que seja possível visualizar uma só origem dos movimentos que a constituem. Como multidões, sem começo, meio ou fim, esta ou aquela direção. Tensas e ao mesmo tempo em repouso, elásticas, flexíveis, rígidas e cortantes, diversos fluxos simultâneos. Movimentos que parecem sugerir coreografias entre individualidade e coletividade, trazem à luz um sono conturbado, ânsia corporal que se manifesta excessiva, tortuosa, irracional. E demonstram como é possível apoiar-se e construir no movimento interminável que, à primeira vista, é de acúmulo e desordem, de forças contrárias que se repelem, afastam e desequilibram.

Ao final, tal tensão plástica não poderia mais convidar à intimidade e surge a beleza do irregular, do disforme, do fluido, uma forma barroca contemporânea e pública. A sustentação e o apoio da parede, na posição frontal, se elevam e desabam até certo ponto. O metal ele mesmo resiste à contração, busca voltar à posição original, tensionado.

Contrariando a força da gravidade, linhas esgarçadas depois de um grande esforço e manifestam algo de uma força liberta, conquistada por um corpo que, emancipado, atinge sua total potência. A transferência do corpo para a matéria vai exigir mais e mais um embate com materiais que oferecem certa resistência – o abandono do plano metafórico e a exteriorização gestual da corporeidade.

Logo, essas esculturas vão assumir dimensões que ultrapassam em muito os limites corpóreos e espaciais, transformando-se em entidades que acumulam gestos, movimentos, ações que já não são de um só, um corpo só, de um indivíduo, mas de muitos. Daí seu horizonte legítimo ser o espaço público.

O corpo é a arquitetura

Conquistado o interior do espaço expositivo, atingido os seus limites e o próprio limite físico da artista, indo além da escala humana, o trabalho ambicionava um novo espaço: aquele onde chão e parede desapareciam e o espaço pleno se apresentava, obrigando o raciocínio escultórico a se rearticular. O volume metálico das grandes esculturas não mais se sustentava por si, o material tinha atingido seu limite dimensional e de peso, assim como o processo de cortes e dobras, enquanto o gesto desejava ir mais além.

Tal escultura de superfície e metálica, que dispensava o peso e a massa, e insistia num volume “vazio”, vai cada vez mais se descolar da parede e ir de encontro ao espaço construído: a arquitetura. Isso acontecia, coincidentemente, na mesma época em que surge uma arquitetura de “superfície”, que se afirma com Frank Gehry e Zaha Hadid, entre outros, e cujo exemplo mais notável é o projeto do Museu Guggenheim de Bilbao. Pois o trabalho agora ambiciona a escala arquitetural, se confronta e se infiltra no espaço construído, seja ele externo ou interno, ou em ambos. Sua primeira aparição ter ocorrido num espaço vazio e evocando Picasso revela o desafio de aí construir um lugar: uma piscina vazia ao ar livre.

Onde não há em que se apoiar, no pleno vazio de uma piscina, Iole realiza sua experiência escultórica/arquitetural. É o vazio penetrando na escultura e vice-versa, a tomada do espaço pelo esvaziamento do “escultórico”. Esse trabalho, Dora Maar na piscina, mergulha no espaço aberto, pleno e livre; uma escultura em simbiose com o vazio. É como se os gigantes recortes cubistas dessa Dora Maar se lançassem decididamente em busca de uma sustentação e suspensão em pleno ar.

As esculturas querem conquistar, atravessar, invadir o espaço, desfazer o confina-mento, as exclusões e separações entre interior e exterior da arquitetura. O trabalho assim prossegue e vai desenvolver e ampliar uma poética das superfícies em confronto ao firmemente sólido e construído, em um movimento envolvente a partir de um descola-mento vivo da superfície.

A ação corporal está presente e se expande no espaço arquitetônico, estabelecendo a continuidade entre espaços; interno e externo, público e privado, o dentro e o fora, a plena comunicação espacial conduzida pela obra em sua exposição franca, aberta, total. Desgarrada da parede, a escultura inaugura um outro espaço, inédito, criado pela própria presença da obra, um espaço intermédio, nem chão nem parede, em suspensão, no ar.

A escala do trabalho assume uma dimensão monumental, mas sem a formalidade do monumento. A sua presença é pública, entretanto, é fluida, esquiva à impostação oficial, reticente ao monumento como antes o corpo foi à fotografia. Enfim, um monumento contemporaneamente abstrato.

Assim que a escala aumentou e surgiu uma escultura de porte e superfícies extensas, outro material foi exigido. Placas e chapas de poliuretano substituíram as metálicas. Opacas, translúcidas ou transparentes, elas introduziram uma circunstância nova. O peso visual da escultura diminuiu e surgiram interposições, superposições e transparências que vieram alterar a visibilidade dos espaços: a apreensão visual da escultura se tornou mais intrincada, envolvente e dissolvente. Com o descolamento da parede e o transbordamento para o espaço externo, a sustentação se tornou verdadeira e complexa obra de engenharia.

Nessa libertação do confinamento, tal como aquela da fotografia,o gesto se amplia, muito além da capacidade do corpo, e ainda assim conserva e denuncia a energia corpórea. O corpo é a arquitetura. Diante do sólido, o trabalho opõe a fluidez, a flexibilidade ante o rígido, e a escultura se torna o intermediário entre o inerte da arquitetura e a mobilidade do social do entorno. Ao romper a clausura do espaço interior e ir além, o trabalho assume uma monumentalidade esquiva que insiste na presença pública do monumento, na sua pertinência contemporânea ao espaço urbano.

O trabalho atravessa o espaço ou espaços, encontra um modo fluido de desdobrar-se similar à organicidade de uma enorme teia, encontrando aqui e ali seus calculados pontos de apoio. Os rígidos tubos de aço fixados no espaço são como pontos de lançamento ao ar das formas gestuais, conduzindo o transbordamento da energia corpórea para o espaço interno e externo nas superfícies do policarbonato, nas curvas, torções, retesamentos, voltas e reviravoltas. A estrutura “vazia” da escultura envolve e contrasta com o “cheio” da edificação, o negativo e o positivo de peso, volume, massa.

A estrutura se tornou parte da escultura ou, inversamente, a escultura cada vez mais se torna uma “estrutura”. Ela não depende do seu peso para ficar no chão, tão pouco se sustenta na parede como antes, em suma, seu “suporte” não está dado, de modo que não está “colocada”, está fixada em pontos que existem para e com o trabalho. Essa estrutura/escultura constrói seu próprio lugar. É um duplo site-specific, por assim dizer. A surpresa é que se trata de uma estrutura “vazia”, não sustenta nada, flui.

Todo esforço escultórico se dá nos gestos, na ação corpórea que cria as torções e contorções estruturais precisamente calculadas pelo rigor da intuição do corpo, que é fundamento da dança. Aqui, o corpo antes enclausurado dos filmes experimentais adquire a vitalidade social do corpos urbanos.


A inconstância do lugar da escultura moderna é levada ao espaço público e surpreende o passante pela sua aparição inesperada, próxima do fluxo de sua mobilidade. Simultâneo monumento e site-specific, interação e confronto entre escultura e arquitetura, a cada circunstância exige uma solução própria, uma intervenção calculada, não abusiva, em equilíbrio dinâmico com a massa do prédio. E inaugura um espaço novo, inexplorado pela escultura, nem chão nem parede, nem vertical nem horizontal, suspenso no espaço.

Essa estrutura flutuante envolve a massa estática da arquitetura, induzindo a uma sensação de leve desprendimento da força da gravidade, o peso do dia a dia do passante. Torna-se um exemplo do possível desprendimento que um encontro circunstancial entre obra e passante pode causar – a transmissão da uma volubilidade física vinda da escultura.


Fonte: Iole de Freitas, "Corpo Espaço". Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Arte Contemporânea

A Arte Contemporânea ou Arte Pós-Moderna é uma tendência artística que surgiu na segunda metade do século XX. Sua origem costuma ser relacionada à década de 60 e ao movimento pop art.

A Arte Contemporânea se prolonga até aos dias atuais, período esse denominado de pós-modernismo, propondo expressões artísticas originais a partir de técnicas inovadoras.

Do latim, o vocábulo “contemporanĕu” corresponde a união dos termos “com” (junto) e “tempus” (tempo), ou seja, significa que ou quem do mesmo tempo ou época. Utilizamos essa palavra como adjetivo para indicar o tempo presente, atual.

Fonte: Toda Matéria, "Arte Contemporânea", publicado por Laura Aidar. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Body Art

A Body Art (arte do corpo) é uma tendência artística contemporânea que surgiu na década de 60, nos Estados Unidos e na Europa.

Sua principal caraterística é o uso do corpo como suporte e intervenção para a realização do trabalho artístico. Dessa maneira, o corpo humano (seja do artista ou de um modelo) passa a ser a “tela” (daí aproximação com a “body paint”, ou pintura corporal), bem como o comunicador de ideias, ou seja, o mais importante veículo em que o artista vai explorar sua "obra viva".

Para muitos estudiosos sobre o tema, a body art é uma vertente da arte contemporânea e seu precursor foi Marcel Duchamp (1887-1968) ao questionar os limites do conceito e o modo de fazer arte, dando início a reflexão sobre a "arte conceitual" bem como a relação do sujeito com o mundo. Assim, os artistas contemporâneos ultrapassam os limites da tela e do conceito de arte ao propor uma nova forma de expressão artística em detrimento das tradicionais pinturas e esculturas.


Fonte: Toda Matéria, "Body Art", publicado por Laura Aidar. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

Crédito fotográfico: Casa Firjan, "Decupagem de Iole de Freitas". Publicado em 8 de novembro de 2019. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

Iole Antunes de Freitas (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1945), mais conhecida como Iole de Freitas, é uma artista plástica, escultora, gravadora e artista multimídia e professora brasileira. Formada em dança e desenho, Iole é considerada uma das artistas contemporâneas mais expressivas do Brasil. Destacou-se com o body art e criou obras de grandes dimensões com formas torcidas, reverenciando o movimento. As instalações artísticas são feitas somente em locais que haja integração com suas obras e com o ambiente, quase sempre acima do chão, passando a sensação de fluidez e movimento, principalmente em peças de grandes dimensões, que protagonizam o ambiente a ponto de tirarem o fôlego. Realizou mostras internacionais importantes, como a 9ª Bienal de Paris, 15ª Bienal de São Paulo, 5ª Bienal do Mercosul e Documenta 12, em Kassel, Alemanha. As obras da artista estão presentes nos principais museus do país e compõem as principais coleções particulares do mundo.

Iole de Freitas

Iole Antunes de Freitas (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1945), mais conhecida como Iole de Freitas, é uma artista plástica, escultora, gravadora e artista multimídia e professora brasileira. Formada em dança e desenho, Iole é considerada uma das artistas contemporâneas mais expressivas do Brasil. Destacou-se com o body art e criou obras de grandes dimensões com formas torcidas, reverenciando o movimento. As instalações artísticas são feitas somente em locais que haja integração com suas obras e com o ambiente, quase sempre acima do chão, passando a sensação de fluidez e movimento, principalmente em peças de grandes dimensões, que protagonizam o ambiente a ponto de tirarem o fôlego. Realizou mostras internacionais importantes, como a 9ª Bienal de Paris, 15ª Bienal de São Paulo, 5ª Bienal do Mercosul e Documenta 12, em Kassel, Alemanha. As obras da artista estão presentes nos principais museus do país e compõem as principais coleções particulares do mundo.

Videos

Ateliê Contemporâneo | 2021

Decupagem | 2020

Selvagem | 2020

Ciclo de Esculturas da Funarte | 2019

Curta Artes | 2013

O peso de cada um | 2015

Exposição Decupagem | 2021

O ateliê da artista | 2020

A arquitetura | 2013

Conversa com Iole de Freitas | 2021

O artista colecionador | 2021

Biografia – Site da Artista

Mineira, Iole Freitas, muda-se para o Rio de Janeiro com apenas seis anos de idade, e inicia sua formação em dança contemporânea. Estudou na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de 1964 a 1965.

A partir de 1970, viveu por oito anos em Milão, Itália, onde trabalhou como designer no Corporate Image Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto Hans von Klier, de 1970 a 1971. Passou a desenvolver e expor seu trabalho em artes plásticas a partir de 1973.

[1973 – 1981]

A linguagem do trabalho se constitui com o suporte de sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações apoiados por textos. A partir da experiência de 18 anos de dança contemporânea, o corpo surge como um elemento estruturador do trabalho, que aparece espelhado, refletido e fragmentado, tangendo questões relacionadas com a identidade feminina e com a organização da imagem do próprio corpo. As performances, realizadas sempre individualmente, nunca na presença de espectadores, são registradas pela própria artista, num circuito fechado, onde corpo, câmera e imagem refletida constroem a estrutura da obra.

1973: Apresenta seus primeiros filmes experimentais Light Work e Elements, na Galleria Diagramma, em Milão. Faz a curadoria da exposição Fotolinguagem, com obras de Christian Boltanski, Annette Messager, Duane Michals entre outros, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Em São Paulo, participa das mostras Expo-Projeção 73, no Espaço Grife, e da 7ª Jovem Arte Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea/USP (MAC/USP).

1974: Realiza exposição individual das sequências fotográficas, no MAM Rio, cujo catálogo traz o texto Ontogênese e Filogênese, de Paulo Sergio Duarte. Ainda nesse ano, exibe filmes experimentais de 1972-1973 na Galeria Luiz Buarque de Hollanda e Paulo Bittencourt, no Rio de Janeiro. Participa da exposição Nuovi Media, no Centro Internazionale di Brera, e faz exposição individual na Galleria Ortelli, em Milão.

1975: Integra a IX Bienal de Paris com instalação e sequência fotográfica da série Glass Pieces, Life Slices, a convite do crítico Tommaso Trini. Participa, como artista residente, do Festival of Expanded Media, em Belgrado. Na Itália, expõe em diversas exposições onde a fotografia e o filme são suportes do processo criativo do artista: La Fotografia Come Strumento per l'Artista, na Galleria Il Milione; Flash Art Special – Fotografia; Il Mistero Svelato e Campo Dieci, na Galleria Diagramma, em Milão; e Magma, na Galleria Michaud, em Florença.

1976: Realiza exposição individual, com instalação e sequências fotográficas, na Galleria Giancarlo Bocchi, Milão. Participa de diversas exposições e publicações que registram o desenvolvimento da body art durante os anos 1970, como Körpersprache, no Frankfurt Kunstverein e na Haus am Waldsee, em Berlim. Toma parte, também, de exposições e publicações que resultam de pesquisas sobre a dinâmica feminina na arte, como Women in Art, no Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, em Berlim; Frauen Machen Kunst e Feminist Art, na Gallerie Maggers, em Bonn; e Women Art New Tendencies, na Gallerie Krinzinger, em Innsbruck. Integra as exposições Foto & Idea, na Nuova Galleria Comunale d´Arte Moderna, em Parma; Films d'Artist, no Museo Civico di Torino e Photography as Art Work, no Muzej Savremene Umetnosti, em Belgrado, e no Centarza Fotografiju Film i TV, em Zagreb, Iugoslávia.

1977: Integra as mostras L’Occhio dell’Immaginario, na Galleria d’Arte Moderna, em Milão; Pas de Deux, com curadoria de Anne Marie Boetti e Gian Battista Salerno, na Galleria La Salita, em Roma; Corpo e Figura, no Palazzo della Permanente, em Milão; Fotografia come Analise, na Salla delle Colonne do Teatro Gobetti, em Torino; e Arte e Cinema, na Pinacoteca Comunale di Ravenna. Participa da exposição 03 23 03 – Premières Rencontres Internationales d’Art Contemporain, em Montreal.

1978: Realiza instalação e performance intituladas Exit, no Studio Marconi, em Milão. Participa de Arte e Cinema, com curadoria de Vittorio Fagone, na 38a Bienal de Veneza. Ilustra, a convite de Anne Marie Boetti, o livro Donne, Povere, Matte, Edizioni delle Donne, Roma. Produz novos trabalhos em vídeo: The Journey e Roots, a convite da Radiotèlèvision Belge, Bélgica. Retorna ao Brasil e Raquel Arnaud organiza uma exposição de suas obras dos anos 1970 (vídeo, filmes, sequências fotográficas), na Galeria Arte Global, em São Paulo.

1980: Participa da mostra "Camere Incantate-Espansione dell'Immagine'', no Palazzo Reale, Milão, com instalação da série Glass Pieces, Life Slices. Integra a exposição Quasi Cinema, com curadoria de Antonio Dias e Ligia Canongia, apresentada no Centro Internazionale di Brera, Milão, e, no ano seguinte, na Fundação Nacional de Arte, no Rio de Janeiro.

1981: Participa da 16a Bienal Internacional de São Paulo, apresentando a instalação Glass Pieces, Life Slices, em que as imagens do corpo são fragmentadas no espaço e na superfície das lâminas de vidro emulsionadas. Em São Paulo, também integra as mostras Artistas Contemporâneos Brasileiros, na Galeria de Arte São Paulo, e Foto/Ideia, no MAC/USP.

1982: Apresenta a exposição Harmonia dos Mistos, na Foto Galeria Fotóptica, em São Paulo.

[1983-1994]

O corpo não aparece mais como mediador do trabalho, mas é substituído pelo próprio gesto, que tece, arma e costura, com telas e fios, os volumes vazados que se desdobram e passam a constituir as novas obras: o corpo da escultura. As questões escultóricas, gravidade, peso e leveza, movimento ascensional, que ora emergem, revelam, através ainda da fragmentação, da transparência, e do elogio da superfície, a poética da obra.

1984: Realiza exposição individual de esculturas intituladas Aramões, na Galeria Arco, São Paulo. O catálogo dessa mostra apresenta o texto “Eu não sei”, de Paulo Sergio Duarte. Participa de Tradição e Ruptura, a convite de Walter Zanini, na Fundação Bienal de São Paulo. Expõe esculturas e sequências fotográficas na Galerie Grita Insam, Viena. Apresenta exposição individual, com curadoria de Vittorio Fagone, no Spazio Multimediale do Palazzo dei Priori, Volterra. Participa da mostra Corpo e Alma, com curadoria de Roberto Pontual, no Espaço Latino-Americano, em Paris.

1985: Apresenta exposição individual na Galeria Paulo Klabin, no Rio de Janeiro. No catálogo é publicado o texto “Eu não sei”, de Paulo Sergio Duarte.

1986: Recebe a Bolsa Fulbright-Capes, para pesquisa no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York. O curta-metragem Iole de Freitas: Esculturas, com direção de Belisário Franca, é lançado pela Série RioArte – videoarte contemporânea.

1987: Ministra aulas de escultura contemporânea, no curso de extensão do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Apresenta exposição individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Assume a direção do Instituto Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro, onde fica até 1989.

1988: Realiza uma exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. No catálogo é apresentado o texto “Fluidos concretos”, de Ronaldo Brito. Alberto Tassinari escreve o artigo “Iole de Freitas mostra sua metalurgia poética visual”, publicado na Folha de S. Paulo, em 17 de abril. Integra a mostra Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

1989: Participa das mostras "10 Escultores", no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, e Rio Hoje, no MAM Rio.

1990: Expõe as primeiras esculturas de grandes dimensões em mostra individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud. No catálogo é apresentado o texto “Delicadeza traumática”, de Paulo Venancio Filho. A partir de 1991, algumas esculturas são projetadas para locais específicos como a Capela do Morumbi, em São Paulo; o Galpão Embra, em Belo Horizonte; e o Banco do Brasil, em São Paulo. Nesses trabalhos, as questões elaboradas na obra dialogam com os elementos arquitetônicos do espaço dado. São site-specific works que testam o limite entre monumentalidade e leveza.

1991: Recebe a Bolsa Vitae de Artes e realiza seis esculturas de grande formato. Participa do projeto Capela do Morumbi, com curadoria de Sônia Salzstein, construindo uma obra de grandes dimensões, no próprio espaço. É convidada a participar de uma exposição no Galpão Embra, Belo Horizonte, na qual expõe a escultura que, no ano seguinte, será instalada permanentemente no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Participa da mostra O Clássico no Contemporâneo, no Paço das Artes, em São Paulo, com curadoria e texto de Paulo Herkenhoff.

1992: Realiza a exposição Iole de Freitas: Esculturas, no Paço Imperial, onde são expostas as obras realizadas com o apoio da Bolsa Vitae de Artes e da Shell do Brasil, e as que foram apresentadas na Capela do Morumbi e no Galpão Embra, no ano anterior. O projeto de iluminação é de Ronald Cavalieri. O catálogo da mostra apresenta o texto “Inquietude do infinito”, de Paulo Venancio Filho. Realiza exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.

1993: É convidada, como artista residente, pela Winnipeg Art Gallery, Canadá, para realizar escultura de grande porte para a mostra Cartographies: 14 Latin American Artists, com curadoria de Ivo Mesquita. Essa exposição itinerante, até 1995, por outros cinco museus: Museo de Artes Visuales Alejandro Otero, em Caracas; Biblioteca Luis Angel Arango, em Bogotá; National Gallery of Canadá, em Ottawa; The Bronx Museum of the Arts, em Nova York; e La Caixa, em Madri. Expõe na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro.

Ministra aulas de escultura contemporânea, no Curso de Desenvolvimento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Como artista convidada do Parque Lage, realiza, na instituição, uma escultura para a mostra Cartographies, em Caracas. Expõe suas primeiras esculturas em ardósia, na mostra individual realizada na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro.

1994: Profere, como convidada, palestra, com slides sobre o seu trabalho, na abertura de Cartographies, na National Gallery of Canadá, Otawa. Em sala especial, expõe as três esculturas realizadas para a mostra. Participa da Bienal Brasil Século XX – Segmento Anos 70 e 80, com curadoria de Walter Zanini e Cacilda Teixeira da Costa. Realiza exposição individual na Casa de Cultura Mário Quintana, no Ciclo Arte Brasileira Contemporânea, do Instituto de Artes Visuais do Rio Grande do Sul. As obras foram realizadas para o projeto e uma delas é mantida, em exposição permanente, na Casa de Cultura Mário Quintana. Por ocasião da inauguração, Rodrigo Naves faz palestra sobre a obra da artista.

Realiza exposição individual na Casa da Imagem, em Curitiba. Participa do I Simpósio Rio Filosofia com a palestra Geração e nascimento do pensamento: a invisibilidade do pátrio. No projeto Arte/Cidade: a cidade e seus fluxos, realiza o conjunto de esculturas Colunas de Daedalus, apresentado no Espaço Banco do Brasil. Expõe, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, os recentes trabalhos Teto do chão, em telas metálicas e ardósia. Todos os eventos são realizados em São Paulo.

[1995 – 1997]

As esculturas desenvolvidas nesse período tornam-se fluidas, imateriais. As formas se dissolvem no espaço. Pedras semi transparentes passam a conter as inscrições: “nome líquido” e “escrito na água”. O trabalho se amplia no espaço, solta-se das paredes, determina territórios.

1995: Participa da mostra Cartographies, no Espaço La Caixa, em Madri. Realiza exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, apresentando oito trabalhos da série Teto do chão. Convidada por Lauro Cavalcanti, a participar do projeto Atelier FINEP, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, apresenta a exposição Sopro. Participa da mostra Uma Poética da Reflexão, no Conjunto Cultural da Caixa, Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro, com curadoria de Cristina Burlamaqui, Paulo Sergio Duarte e Vanda Klabin. A convite de Rodrigo Naves, participa da 4a Semana de Arte de Londrina, realizando workshop sobre escultura contemporânea, além de participar do debate Arte Brasileira: Confrontos e Contrastes, e da exposição Confrontos e Contrastes.

1996: Integra a mostra Entretelas, no Museo Alejandro Otero, Caracas, junto com Beatriz Milhazes e Eliane Duarte. No catálogo são apresentados textos de Paulo Herkenhoff e Ruth Auerbach. É convidada, por José Roberto Aguilar, para participar da mostra 2a United Artists: Utopia, na Casa das Rosas, em São Paulo. Apresenta a instalação Corpo sem órgãos. Participa da Bienal do Rio, no MAM Rio, integrando a exposição Transparências, a convite de Denise Mattar e Marcus de Lontra Costa. Realiza, para esse evento, a instalação Escrito na água, onde as construções metálicas se organizam livremente no espaço.

1997: Expõe, na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro, a primeira obra utilizando liga metálica pewter. A Zot Multimídia elabora e produz um CD-Rom sobre a sua obra contendo textos críticos, projetos, desenhos e escritos de 1972 a 1997. Realiza exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Uma de suas esculturas, da série Transparências, é doada, pela AT&T, ao Museu de Arte Moderna de São Paulo. Paulo Venancio Filho realiza a curadoria da retrospectiva O Corpo da Escultura: A Obra de Iole de Freitas 1972-1997, no MAM-SP e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, incluindo os filmes e as sequências fotográficas dos anos 1970, o primeiro objeto, esculturas da década de 1980 e a produção escultórica mais recente.

[1998 – 2000]

A obra busca uma ativação específica do espaço que elege, nele instalando planos e linhas retorcidos que, imitando o ar, imprimem velocidade ao percurso.

1998: Participa das exposições Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo – Doações Recentes 1996–1998, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro; 24a Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal de São Paulo; Espelho da Bienal, no MAC-Niterói; Formas Transitivas: Arte Brasileira, Construção e Invenção – 1970/1998; no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; I Prêmio Johnnie Walker, no Museu de Arte Moderna, México; As Dimensões da Arte Contemporânea: Coleção João Carlos de Figueiredo Ferraz, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, em São Paulo.

1999: Apresenta Território vazado, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; uma individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; e a instalação Dora Maar na piscina no projeto A Forma na Floresta – Espaço de Instalações Permanentes, do Museu do Açude, no Rio de Janeiro.

[2001 – 2022]

A partir de 2000, o trabalho busca uma relação de tensão e potência com os espaços arquitetônicos dos museus e centros culturais. Por vezes, seus trabalhos rompem fisicamente as paredes dos museus, projetando-se para o exterior, nas fachadas, questionando a territorialização da arte.

2000: Realiza exposição individual no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, com curadoria de Sônia Salzstein, na qual apresenta obra projetada especialmente para aquele espaço e arquitetura, interligando salas e envolvendo a fachada. Participa das mostras Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal de São Paulo; Investigações: O Trabalho do Artista, no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo; e Século 20: Arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão/Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

2001: Participa das mostras Experiment/Experiência: Art in Brazil 1958-2000, no Museu de Arte Moderna de Oxford; O Espírito de Nossa Época – Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, no MAM-SP e no MAM Rio; e Marginália 70: O Experimentalismo no Super-8 Brasileiro, no Itaú Cultural, em São Paulo.

2002: Realiza exposição no Centro Universitário Maria Antônia/USP. Lança o livro Sobrevôo – Iole de Freitas, organizado por Lorenzo Mammì e publicado pela Cosac Naify. Expõe no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo; na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro; e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Realiza instalação permanente no Pestana Bahia Hotel, em Salvador, com curadoria e texto de Cristina Burlamaqui. Participa da mostra Arte Foto, com curadoria de Ligia Canongia, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro.

2003: Apresenta a instalação Expansão, na fachada do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, com curadoria de Marcus de Lontra Costa. Participa das mostras O Sal da Terra, no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha; e Artefoto, também no CCBB-Brasília.

2004: Realiza site-specific no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha, apresentando obra que se expande da área interna até a área externa da instituição, integrando arquitetura, espaço expositivo e paisagem. A curadoria é de Sônia Salzstein. Participa da mostra Arte Contemporânea: Uma História em Aberto, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.

2005: No CCBB-RJ, apresenta exposição com curadoria de Sônia Salzstein. Projetada para o local, ocupa as quatro salas do segundo andar da instituição com as obras Estudo para superfície e linha e Estudo para volume e flecha. Participa da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, com curadoria de Paulo Sergio Duarte, na qual apresenta uma grande instalação intitulada Estudo de superfície e linha. Integra a exposição A Imagem do Som de Dorival Caymmi, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, que é apresentada, no ano seguinte, no Museu Afro Brasil, em São Paulo.

2006: Realiza exposição na Galeria Márcia Barroso do Amaral, no Rio de Janeiro.

2007: Participa da Documenta 12, com curadoria de Roger M. Buergel e Ruth Noack, no Museu Fridericianum, em Kassel. Apresenta instalação que ocupa o segundo andar do museu e se desenvolve até a área externa, suspensa, em torno da área frontal e lateral da fachada. Também realiza a exposição Cartas Dinâmicas, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, e outra individual na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro.

Participa das mostras Puntos de Vista – Coleção Daros, no Museu de Arte de Bochum; Filmes de Artista: Brasil 1965-80, com curadoria de Fernando Cocchiarale, no Oi Futuro, no Rio de Janeiro; Arte como Questão: Anos 70, com curadoria de Gloria Ferreira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; e WACK!: Art and The Feminist Revolution, com curadoria de Connie Butler, no Museum of Contemporary Art (MOCA), em Los Angeles; e no National Museum of Women in the Arts, em Washington D.C.

2008: Apresenta, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, obra de grandes dimensões projetada para o átrio do prédio, que tem projeto de Álvaro Siza. O catálogo da exposição apresenta texto de Sônia Salzstein. WACK!: Art and The Feminist Revolution, é apresentada no PS.1 Contemporary Art Center, em Nova York; e no Vancouver Art Gallery. Participa da mostra Arte Brasileira: 1963-1978, com curadoria de Reynaldo Roels Jr., no MAM Rio.

2009: No Rio de Janeiro, realiza site-specific para a Casa França-Brasil. Por ocasião da exposição, é realizado um debate com a artista, Luiz Alberto Oliveira, Sônia Salzstein, Ana Vitória e Fernando Cocchiarale. Nesse momento, ocorre troca de e-mails entre Iole de Freitas e Luiz Alberto Oliveira, sobre o conceito “origamis curvos”, relacionado à sua obra. Apresenta individual na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro.

2010: Expõe uma grande instalação no átrio do prédio da Pinacoteca do Estado de São Paulo. No catálogo da mostra é apresentada uma entrevista com Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho e Sônia Salzstein. Participa da exposição Das Verlangen nach Form - O Desejo da Forma, com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Robert Kudielka, na Akademie der Künste, em Berlim.

2011: Participa do projeto Depoimentos para a posteridade, da Fundação Museu da Imagem e do Som, sendo entrevistada por Armando Strozenberg, Cecília Arruda, Lauro Cavalcanti, Paulo Sergio Duarte e Paulo Venâncio Filho. A partir dessa entrevista, a artista elabora, com as designers Rara Dias e Paula Delecave, o livro O desenho da fala, lançado na ArtRio, em 2012.

Apresenta exposição na Galeria de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, com texto de João Bandeira publicado no folder. Na galeria, é realizada uma conversa com a artista, João Bandeira, Lorenzo Mammì e Luisa Duarte. É convidada por Eugenio Valdés Figueroa, diretor de Arte e Educação da Casa Daros, no Rio de Janeiro, para o Programa de Residência de Pesquisa, vindo a desenvolver o projeto Para que Servem as Paredes do Museu? Apresenta uma instalação na escadaria frontal da instituição, por ocasião do encontro com Julio Le Parc, na Casa Daros e no CCBB-RJ (com participação de Sônia Salzstein), como parte do Programa Meridianos. Participa da mostra Coleção Figueiredo Ferraz, que inaugura o Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto.

2012: Expõe uma escultura de grandes dimensões na ArtRio, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, onde também é realizada uma mesa-redonda sobre o livro "O desenho da fala", com a artista, Ilana Strozenberg e Luisa Duarte.

2013: Por ocasião da inauguração da Casa Daros, na mostra Para (Saber) Escutar, ocupa sala com grande instalação, com chapas de policarbonato impressas em verde, intitulada Para que servem as paredes do museu? Lança livro sobre esse trabalho, com entrevista realizada por Eugenio Valdés Figueroa. Expõe na Galeria Silvia Cintra e realiza instalação permanente no lobby da Torre Oscar Niemeyer/FGV, ambos no Rio de Janeiro.

2014: Apresenta a exposição Sou Minha Própria Arquitetura, na Galeria de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Realiza instalação permanente no Hotel Hilton/Barra, no Rio de Janeiro. Seus filmes dos anos 70 são apresentados na mostra On the Edge: Brazilian Film Experiments of the 1960s and Early 1970s, organizada por Jytte Jensen e Nicholas Fitch, no MoMa, em Nova York, em paralelo à exposição Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988, apresentada na instituição. Participa das mostras Artevida, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro; Afinidades, Raquel Arnaud 40 Anos, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto; Trajetória 40 Anos, na Galeria de Arte Raquel Arnaud; e Abstrações – Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho, no Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza.

2015: Realiza a exposição O Peso de Cada Um, com curadoria de Ligia Canongia, no MAM Rio, com obra projetada especialmente para o Espaço Monumental do museu, apresentando também a série de obras em vidro Escrito na água. Realiza exposição individual na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro.

2016: Participa das mostras Os Muitos e o Um: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção de Andrea e José Olympio Pereira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; e Clube de Gravura: 30 anos, com curadoria de Cauê Alves, no MAM-SP. Realiza instalação permanente na Vila Aymoré, no Rio de Janeiro, como parte das atividades realizadas pelo grupo Jacarandá. Realiza a exposição Iole de Freitas: a Escrita do Movimento, na Roberto Alban Galeria, Salvador, com curadoria e texto de Marc Pottier.

2017: Em maio de 2017, o acervo documental da artista – que consta de mais de 2.300 itens, entre maquetes, desenhos, fotos e esboços – passa para a guarda do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), em São Paulo.

Em outubro, por ocasião da exposição comemorativa dos vinte anos da instituição, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, alguns itens são expostos ao público.

Participa das mostras Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, com curadoria de Cecilia Fajardo-Hill, Andrea Giunta e Marcela Guerrero, no Hammer Museum, Los Angeles; e Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos, na OCA/Parque Ibirapuera, São Paulo, com curadoria de Paulo Herkenhoff, e co-curadoria de Thais Rivitti e Leno Veras.


Apresenta a exposição Dobradura Curva, com texto de Elisa Byington, na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Realiza a instalação permanente Dora Maar e o Sonho, na fachada da residência dos colecionadores Andrea e José Olympio, São Paulo.

2018: A partir de 2017, o raciocínio do trabalho se desloca do interesse pelas relações da obra com os espaços arquitetônicos que a abrigam, e passa a se concentrar no espaço interno de cada escultura, construído pelas relações de suas partes, em movimentos onde o côncavo e o convexo se articulam e expressam. Surgindo em papel e cartolina, assumem a corporeidade do aço e retornam à fragilidade luminosa do papel ao se tingirem de branco fosco e áspero ao olhar.

Em abril, o IAC realiza a exposição Decupagem, com curadoria de João Bandeira, que aborda o amplo conteúdo documental da obra da artista, desde os filmes e sequências fotográficas dos anos 1970, até as últimas esculturas. Participa das mostras Radical Women: Latin American Art, 1960–1985, no Brooklyn Museum, Nova York, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo; Brazil. Knife in the Flesh, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Diego Sileo, no Padiglione d’Arte Contemporanea (PAC), em Milão; e MAM 70: Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte Contemporânea USP, no MAM-SP. Light Work é apresentado na Mostra Histórica do 13ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Realiza a exposição Papel de Aço, na Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro, quando expõe as atuais esculturas em branco.

2019: Realiza instalação no evento “Selvagem”, no teatro Tom Jobim, Jardim Botânico, Rio, com curadoria de Ana Dantes. Participa da exposição “Jardim”, na Casa Roberto Marinho, com curadoria de Lauro Cavalcanti. A exposição "Decupagem", com curadoria de João Bandeira, é exibida na Casa Firjan, Rio de Janeiro.

2020: Participa da coletiva “Luzes da Memória” no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), curadoria de Marilucia Bottalo e Ricardo Rezende. A exposição Decupagem, com curadoria de João Bandeira, é exibida no Instituto Ling, Porto Alegre.

2021: Apresenta as exposições individuais “Os Terra”, na Galeria Silvia Cintra + Box4, no Rio de Janeiro, e “RUBRO”, na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Instala a escultura pública “Desenho na paisagem” junto ao Alalaô Kiosk, na orla do Arpoador, para a Art Rio. Participa das exposição coletiva “Vício impune: o artista colecionador”, com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro, uma seleção de nove artistas representados pelas galerias Millan e a Galeria Raquel Arnaud, ao redor do diálogo entre seus trabalhos e coleções. E, ainda, da “Constelação Clarice”, no IMS Paulista, com curadoria de Eucanaã Ferraz e Veronica Stigger, celebrando a obra e o legado da escritora Clarice Lispector.


Fonte: Cronologia Iole de Freitas. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Biografia – Itaú Cultural

Estuda design na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), no Rio de Janeiro. Em 1970, muda-se para Milão onde trabalha como designer no Corporate Image Studio, da Olivetti, sob orientação do arquiteto Hans Von Klier. Entre 1973 e 1981, desenvolve trabalhos experimentais em fotografia e Super-8, nos quais a representação do corpo surge como tema principal.

No início dos anos 1980, passa a dedicar-se ao campo tridimensional, realizando os Aramões, estruturas cerradas de fios, tubos, serras e tecidos. Em 1986, recebe Bolsa Fulbright-Capes para pesquisa no Museum of Modern Art (MoMa), em Nova York. De 1987 a 1989, é diretora do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, no Rio de Janeiro. Em 1991, recebe a Bolsa Vitae de Artes Plásticas.

É professora de escultura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro. Na década de 1990, começa a realizar esculturas de grandes dimensões.

Alguns trabalhos são projetados para locais específicos, como a Capela do Morumbi, em São Paulo, e o Galpão Embra, em Belo Horizonte. Essas obras revelam o diálogo com o espaço expositivo e seus elementos arquitetônicos. As esculturas desenvolvidas entre 1995 e 1997 são mais fluidas, realizadas com materiais semitransparentes.

Análise

Iole de Freitas entra em contato com a arte de vanguarda através da dança, que estuda ainda na juventude. Entre 1964 e 1965, cursou design na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), no Rio de Janeiro. Cinco anos depois, se transfere para Milão, atuando como designer da Olivetti. Começou a trabalhar com arte em 1973. Nos seus primeiros trabalhos explora sua própria imagem fotografada ou filmada. Segundo a crítica de arte Sônia Salzstein (1955), "a linguagem do trabalho se constitui como sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações (...) O corpo é um elemento estruturador, tange questões relacionadas com a identidade feminina e a organização da imagem do próprio corpo".

Em 1984, abolindo as imagens fotografadas, a artista passa a dedicar-se à produção de relevos. Utiliza arame, fios, tubos, panos e telas metálicas. As peças são chamadas Aramões. Segundo o crítico de arte Rodrigo Naves (1955), nelas "a fragmentação que aparecia nas fotografias adquire um aspecto novo, mais denso e significativo (...) As questões da obra encontram uma expressão mais direta e plástica, sem a necessidade de referência literal ao corpo humano". Em 1988, as peças tornam-se mais estruturadas, com o uso frequente de telas metálicas que constroem volumes.

A relação entre arquitetura e escultura passa a ser cada vez mais frequente no trabalho de Iole de Freitas. Em 1996, as telas metálicas são distribuídas diretamente no espaço de exposição, sem envolver estruturas. No ano seguinte, trabalhos com tela de metal vazada e ardósia integram a sua retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e no Paço Imperial do Rio de Janeiro.

Em 1999, instalou no Museu do Açude, no Rio de Janeiro, a peça Dora Maar na Piscina. Utiliza materiais como tubos de aço inox e policarbonato que dão um novo aspecto à sua escultura. A artista compõe formas sinuosas mais intensas e, portanto, que tentam atribuir nova dinâmica ao local onde estão instaladas.

Críticas

"Os trabalhos apontam para nossa ignorância. Obrigam a percepção ao esquecimento. Exigem nova organização sensível. Dos trabalhos anteriores de Iole trazem apenas presente, no centro, a questão do corpo. Não figurado e distanciado, o corpo continua a porta, agora invisível, de acesso. Do corpo temos de partir para reinventar o espaço. Esse que não sabemos e está nos trabalhos. E são os esquemas corporais mais arcaicos que essas esculturas contrariam e ironizam. A começar pela postura erecta, a que convencionamos chamar de humana, e que os humanos primeiro ensinam, através de chantagens, ao seu animal mais doméstico. O olhar tem de esquecer para, grosseiramente, não ´ficar de quatro´. Nenhum horizonte, nenhuma verticalidade e mesmo os volumes são inefáveis. Da Natureza trazem uma componente aérea que não posso chamar de leveza sem o risco de rebaixar uma inteligente negação da gravidade, da massa, que essas esculturas operam. Nesse espaço inventado houve uma ação radical de redução". – Paulo Sérgio Duarte (FREITAS, Iole de. Iole de Freitas. Rio de Janeiro: Galeria Paulo Klabin, 1987.)



"O princípio de suas esculturas é simples: a estrutura do trabalho resulta unicamente dos elementos necessários para mantê-la ´de pé´. Nada há que lá esteja e que não cumpra uma função especificamente estrutural. Quando o vergalhão é capaz de segurar a tela na posição desejada, ele é deixado como está, sem acréscimos ou subtrações supérfluas. Mas, uma vez que a idéia e o gesto extrapolam os limites estritos para os quais o material foi concebido, surge a tensão - a contradição - a partir da qual o trabalho se estrutura" – Reynaldo Roels Jr. (ROELS JR. , Reynaldo. Iole de Freitas. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 19, p. 41, 1990).



"Iole teve a dança como primeira formação. Antes mesmo de aprender a ler, ou seja, antes de ser introduzida aos códigos mais instituídos de representação do pensamento e das emoções, a artista viu-se mergulhada no universo onde a forma de conhecimento do mundo e a representação da subjetividade se concretizam tendo como veículo o corpo em deslocamento no tempo e no espaço, roçando-se no ar e na luz. Tal bagagem, se permitiu a Iole firmar-se na cena internacional dos anos 70 (período em que residiu na Europa por oito anos) como uma das artistas mais instigantes ligadas à performance e à arte corporal, sem dúvida permitiu-lhe igualmente contaminar o território das artes plásticas com aquele tipo especial de percepção do mundo tão característico da dança, quando passou a dedicar-se às questões mais próximas das artes plásticas nos anos 80, ao retornar ao Brasil. Nas peças (...) existe portanto um raciocínio, um saber sobre o corpo no tempo e no espaço que, não se originando no território das artes plásticas, o contamina radicalmente, fazendo com que todos os limites que tensionam suas principais modalidades se expandam, formando um amálgama cujo resultado acaba por ampliar o próprio conceito de arte, rompendo decididamente a separação canônica entre as ´artes do espaço´ (a pintura, a escultura) e as ´artes do tempo´ (a dança, o teatro). Seus trabalhos atuais são o ponto culminante, diria, de um processo extremamente peculiar de uma artista que, embora tenha elegido nos últimos anos o campo das artes plásticas como forma de expressão preferencial, soube como não restringir a expressão de sua vivência no mundo à exigüidade dos parâmetros estabelecidos para essas modalidades. Pelo contrário, soube trazer para elas um conhecimento distinto e aparentemente inusitado, o que só serviu para ampliar ainda mais suas possibilidades expressivas". — Tadeu Chiarelli (CHIARELLI, Tadeu. Artista coreografa formas espaciais: Iole de Freitas. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 1994. Caderno 2, p. D2).


Bienais

1975 - IX Biennale de Paris, França

1974 - Biennale di Venezia “Arte e Cinema”, Itália

1981 - XVI Bienal de São Paulo, Brasil


Exposições Individuais

1974 - Rio de Janeiro RJ - Exposição individual de sequências fotográficas. Exibe seus filmes Light Work e Elements, na Galeria Luiz Buarque de Holanda e Paulo Bittencourt

1976 - Milão (Itália) - Individual, com instalação e seqüência fotográfica, na Galleria Giancarlo Bocchi

1978 - São Paulo SP - Retrospectiva de suas obras dos anos 70, vídeo, filmes e seqüências fotográficas, na Galeria Arte Global

1982 - São Paulo SP - Harmonia dos Mistos, na Foto Galeria Fotóptica

1984 - São Paulo SP - Aramões, na Galeria Arco

1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Paulo Klabin

1987 - Porto Alegre RS - Individual, no Margs

1988 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1990 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1992 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Paço Imperial

1992 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1993 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Anna Maria Niemeyer

1994 - Porto Alegre RS - Individual, na Casa de Cultura Mario Quintana, no ciclo Arte Brasileira Contemporânea do Instituto de Artes Visuais do Rio Grande do Sul

1994 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1995 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MNBA

1995 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Paço Imperial

1997 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Anna Maria Niemeyer

1997 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1997 - São Paulo SP - O Corpo da Escultura: a obra de Iole de Freitas 1972-1997, no MAM/SP

1999 - Belo Horizonte MG - Individual, no MAP

2002 - Niterói RJ - Sobrevôo, no MAC/Niterói

2002 - Rio de Janeiro RJ - Iole de Freitas: esculturas, na Galeria Anna Maria Niemeyer

2002 - São Paulo SP - Individual, no Centro Universitário Maria Antonia

2002 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2003 - Brasília DF - Expansão, no CCBB

2004 - São Paulo SP - Conversa Contemporânea, na Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2004 - Vila Velha ES - Uns Nadas, no Museu Vale do Rio Doce


Exposições Coletivas

1973 - São Paulo SP - 7ª Jovem Arte Contemporânea, no MAC/USP

1973 - São Paulo SP - Expo-Projeção 73, no Espaço Grife

1975 - Belgrado (Iugoslávia) - Festival of Expanded Media

1975 - Paris (França) - 9ª Bienal de Paris

1976 - Belgrado (Iugoslávia) - Photographie as Art Work, no Musej Savremene Utetnosti

1976 - Frankfurt (Alemanha) - Korpersprache, no Künstverein

1976 - Innsbruck (Áustria) - Women Art New Tendencies, na Gallerie Krinzinger

1977 - Milão (Itália) - Corpo e Figura, no Pallazzo Della Permanente

1977 - Montreal (Canadá) - 03 23 03 - Premières Rencontre Internationales d'Art Contemporain

1977 - Ravenna (Itália) - Arte e Cinema, na Pinacoteca Comunale di Ravenna

1977 - Roma (Itália) - L'Occhio dell´Immaginario, na Galleria d´Art Moderna

1978 - Veneza (Itália) - Bienal de Veneza

1980 - Milão (Itália) - Quasi Cinema, no Centro Internazionale Di Brera

1981 - São Paulo SP - 16ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1981 - São Paulo SP - 2º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, no Paço das Artes

1981 - São Paulo SP - Artistas Contemporâneos Brasileiros, no Escritório de Arte São Paulo

1981 - São Paulo SP - Foto/Idéia, no MAC/USP

1984 - Paris (França) - Corpo e Alma, no Espaço Latino-Americano

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - Foto/Idéia, no MAC/USP

1988 - São Paulo SP - 19º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1989 - Rio de Janeiro RJ - Rio Hoje, no MAM/RJ

1989 - São Paulo SP - 10 Escultores, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1991 - Belo Horizonte MG - Junia Penna, Fabíola Moulin, Mabe Bethônico, Marconi Drummond Lage, Nydia Negromonte, Ricardo Homem, Roberto Bethônico, Solange Pessoa e Iole de Freitas, na EMBRA

1991 - São Paulo SP - 22º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1991 - São Paulo SP - O Clássico Contemporâneo, no Paço das Artes

1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura

1992 - Rio de Janeiro RJ - Brazilian Contemporary Art, na EAV/Parque Lage

1992 - São Paulo SP - A Sedução dos Volumes: os tridimensionais do MAC, no MAC/USP

1992 - São Paulo SP - Anos 60/70: Coleção Gilberto Chateubriand/Museu de Arte Moderna-RJ, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Caracas (Venezuela) - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, no Museo Alejandro Otero

1994 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Poética da Reflexão, na Galeria I do Conjunto Cultural da CEF

1994 - Rio de Janeiro RJ - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, na EAV/Parque Lage

1994 - Rio de Janeiro RJ - Trincheiras: arte e política no Brasil, no MAM/RJ

1994 - São Paulo SP - 2ª Arte Cidade: a cidade e seus fluxos, no Vale do Anhangabaú (Edifício Guanabara, Banco do Brasil, Edifício da Eletropaulo)

1994 - São Paulo SP - A Fotografia Contaminada, no CCSP

1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1994 - Winnipeg (Canadá) - Cartographies, 14 artistas latino-americanos, na Winnipeg Art Gallery

1995 - Lausanne (Suíça) - Rio: mistérios e fronteiras, no Musée de Pully

1995 - Londrina PR - Arte Brasileira: confrontos e contrastes, no Pavilhão Internacional Octávio Cesário Pereira Júnior

1995 - Madri (Espanha) - Cartographies, no Espaço la Caixa

1995 - Rio de Janeiro RJ - Rio: mistérios e fronteiras, no MAM/RJ

1995 - São Paulo SP - Entre o Desenho e a Escultura, no MAM/SP

1996 - Caracas (Venezuela) - Entretelas, no Museo Alejandro Otero

1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1996 - Rio de Janeiro RJ - Bienal do Rio, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Rio: mistérios e fronteiras, no MAM/RJ

1996 - Rio de Janeiro RJ - Transparências, no MAM/RJ

1996 - São Paulo SP - 2ª United Artists: utopia, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - Mulheres Artistas no Acervo do MAC, no MAC/USP

1997 - Curitiba PR - A Arte Contemporânea da Gravura, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba

1997 - São Paulo SP - 3ª United Artists: luz, na Casa das Rosas

1997 - São Paulo SP - Precursores e Pioneiros Contemporâneos, no Paço das Artes

1997 - São Paulo SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural

1998 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria de Arte Celma Albuquerque

1998 - Belo Horizonte MG - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural

1998 - Brasília DF - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural

1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói

1998 - Penápolis SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural

1998 - Ribeirão Preto SP - As Dimensões da Arte Contemporânea, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, Pedro Manuel-Gismondi

1998 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996 - 1998, no CCBB

1998 - São Paulo SP - 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1998 - São Paulo SP - A Arte de Expor Arte, no MAM/SP

1998 - São Paulo SP - Formas Transitivas: arte brasileira, construção e invenção 1970/1998, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp

1999 - Belém PA - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos, na Universidade da Amazônia. Galeria de Arte

1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Impressões Contemporâneas, no Paço Imperial

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

2000 - Rio de Janeiro RJ - Situações: arte brasileira anos 70, na Fundação Casa França-Brasil

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Escultura Brasileira: da Pinacoteca ao Jardim da Luz, na Pinacoteca do Estado

2000 - São Paulo SP - Investigações. O Trabalho do Artista, no Itaú Cultural

2001 - Campinas SP - (quase) Efêmera Arte, no Itaú Cultural

2001 - Oxford (Inglaterra) - Experiment Experiência: art in Brazil 1958-2000, no Museum of Modern Art

2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ

2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP

2002 - Niterói RJ - A Recente Coleção do MAC, no MAC/Niterói

2002 - Niterói RJ - Coleção Sattamini: esculturas e objetos, no MAC/Niterói

2002 - Rio de Janeiro RJ - Artefoto, no CCBB

2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial

2002 - São Paulo SP - 12 Esculturas, no Galpão de Design

2002 - São Paulo SP - A Forma e a Imagem Técnica na Arte do Rio de Janeiro: 1950-1975, no Paço das Artes

2002 - São Paulo SP - Fotografias no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

2003 - Brasília DF - Artefoto, no CCBB

2003 - Madri (Espanha) - Arco/2003, no Parque Ferial Juan Carlos I

2003 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Brazilian Art, na Almacén Galeria de Arte

2003 - São Paulo SP - A Subversão dos Meios, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Arco 2003, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

2003 - São Paulo SP - Marcantonio Vilaça - Passaporte Contemporâneo, no MAC/USP

2003 - Vila Velha ES - O Sal da Terra, no Museu Vale do Rio Doce

2004 - Rio de Janeiro RJ - 30 Artistas, no Mercedes Viegas Escritório de Arte

2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: uma história em aberto, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

Fonte: IOLE de Freitas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 15 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia – Wikipédia

Iole de Freitas nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1945. Mudou-se para o Rio de Janeiro, ainda na infância. Estudou na ESDI - Escola Superior de Desenho Industrial, de 1964 a 1965.

Na década de 1970, trabalhou em Milão como designer no Corporate Imagem Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto Hans von Klier. Em Milão, começou a desenvolver e a expor o próprio trabalho a partir de 1973.

No ano seguinte, realizou exposições individual das seqüências fotográficas, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, cujo catálogo traz o texto "Ontogênese e Filogênese" de Paulo Sérgio Duarte, e também faz exposição individual na Galleria Ortelli, em Milão, Itália.

Em 1975, participou da IX Bienal de Paris com instalações e sequência fotográfica da série "Glass pieces, life slices", a convite do crítico Tommaso Trini.

Participou da exposição "03 23 03 — Primières Recontres Internationals d'Arte Contemporain", em Montreal, Canadá.

Integra, em 1980, a exposição "Quase Cinema", no Centro Internazionale di Brera, em Milão, Itália; a mesma mostra foi apresentada em 1981, na Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Rio de Janeiro.

Em 1981, participou da IX Bienal de São Paulo. Realizou em 1984, a exposição individual de esculturas intitulada "Aramões", na Galeria Arco, em São Paulo.

Em 1986, recebeu a bolsa Fulbright-Capes, para realizar pesquisa no Museu of Modern Art (Moma), Nova York, EUA.

Expõe, em 1990, as primeiras esculturas de grandes dimensões na mostra individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo, onde apresenta catálogo com o texto "Delicadeza Traumáticas", de Paulo Venâncio Filho.

A partir de 1991, projetou várias esculturas para locais específicos em São Paulo e Belo Horizonte.

Foi convidada, em 1993, como artista residente pela Winnipeg Art Gallery, no Canadá. Participou, em 1995, da mostra "Cartographies", no Espaço La Caixa, Madrid, Espanha.

Em 1998, participou de importantes coletivas: Arte Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo — doações recentes 1996-1998, CCBB, Rio de Janeiro; XXIV Bienal Internacional de São Paulo, etc.

No ano 2000, realizou trabalho individual no Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, e dos projetos "Brasil — 500 anos", na Fundação Bienal de São Paulo e "Investigações: o trabalho do artista", no Instituto Itaú Cultural de São Paulo.

Realizou exposição individual no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, e na Marcus Vieira Galeria de Arte, Belo Horizonte.

Em 2005, na V Bienal do Mercosul, Porto Alegre, e também no III Fórum Arte das Américas, Belo Horizonte, onde fez o lançamento do livro Circuito Atelier, em sua homenagem, projeto coordenado por Fernando Pedro da Silva e Marília Andrés Ribeiro.

Suas obras pertencem aos acervos do MAM/Rio de Janeiro, MAM/São Paulo, MAC/Niterói, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Museu de Arte Contemporânea, Porto Alegre, e várias fundações e museus do exterior. Presente nas principais coleções particulares do país e exterior.


Fonte: Wikiwand. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Uma artista da vanguarda europeia

O trabalho de Iole de Freitas surge numa época de eventos radicais e conturbados afetando várias esferas da vida e da sociedade modernas e em novo centro artístico europeu: a Milão dos anos 1970.

Quando Paris vivia do passado, Londres gerava uma cultura pop e Berlim estava dividida por um muro, Milão concentrava uma nova energia artística que relacionava artistas de gerações diversas como Lucio Fontana, Piero Manzoni e os emergentes da Arte Povera. Naquele momento histórico, generaliza-se um vasto repertório de experiências, reivindicando uma variedade de processos, técnicas e materiais até então marginais à modernidade artística. Surgem as práticas heterodoxas, inovadoras, experimentais que vão caracterizar a arte contemporânea.

Nada está proibido, tudo é permitido; eram as palavras de ordem, às quais cada artista respondia da sua maneira, encontrando para si o seu processo específico, único mesmo, de trabalho. E não só o processo, as técnicas, os materiais, as formas etc.; sem limites, normas, regras, multiplicam-se as linguagens e as possibilidades de investigação artística. E é nessa época que Milão volta a se conectar, senão a liderar as tendências de vanguarda europeias. É um contexto estimulante ao qual Iole responde, se integra e é aí uma participante efetiva dessa renovação artística.

Iole absorve imediatamente a urgência transformadora do ambiente ao qual reage com sua investigação inicial, seus primeiros trabalhos em filme e fotografia.

O registro fotográfico, os filmes experimentais, o uso heterodoxo da câmera fotográfica e cinematográfica estavam na ordem do dia de inúmeros artistas – a arte ingressava transversalmente na cultura da imagem reproduzida com seus processos inovadores. Imediatamente Iole faz da imagem reproduzida o seu meio investigativo, o registro cinematográfico/fotográfico era o meio de análise objetiva das ações, gestos e movimentos carregados de tensão, ansiedade e temor.

Constrói uma situação na qual se filmava/fotografava ela mesma em isolamento, observando-se como ninguém, fechada em si, para estar consigo e se afastar de si – uma interseção entre body art, performance e filme experimental.

As imagens obtidas são reflexos projetados numa superfície que reflete ou absorve: vidro, tecido, espelho, parede; é nelas onde o corpo se projeta e se exterioriza. É onde a artista se vê – testemunho e resultado do momento decisivo em que se expõe despro-tegida, absolutamente indefesa, mas ativa e atenta. A difícil e conturbada exposição do corpo é vivenciada, enfim, na sua resistente não-passividade. Talvez seja daí que derivem as tortuosas forças que, mais tarde, vão se incorporar às suas esculturas – a experiência corpórea, íntima e pessoal e também tão profundamente coletiva do trabalho de Iole.

Relutante, intensa e verazmente relutante, diante da fotografia, o corpo não cede facil-mente à sua apropriação como objeto de exposição, a sua realidade “exponível” é travada e problematizada. Tal situação, aparentemente contraditória, constrói uma intimidade só para ser violada, e o seu desfecho é o registro em filme e fotografia. Este simultâneo ocultar e revelar – uma só e mesma operação – onde cada fotografia além de ser um registro é a condensação de um esforço corporal, de um literal corpo a corpo com a câmera.

À Iole de Freitas não interessava somente se colocar diante da câmera e se abandonar imóvel a distância exigida. Ao contrário, sua intenção era reduzir a distância, estabelecer uma relação de confronto, trazer a própria câmera para o interior da experiência, torná-la, por assim dizer, uma extensão de seu corpo. Assim ela se fotografava, antivoyeuse de si mesma. Trazida para uma proximidade inédita, plenamente participativa, a câmera é o “outro” que, de fora, vê o “dentro”, internalizada na própria experiência.

Invasora e intimi-dante, ela é um testemunho intruso, ameaça que ao mesmo tempo desvela; não só a câmera registra certas situações e ações, como impõe a sua presença; é um olho exterior assumido imaginariamente tal uma presença efetiva e não mais o simples objeto inofensivo das cenas domésticas e familiares, é esse “outro” do qual não se consegue escapar.

De início mal reconhecemos quem está nessas imagens que se projetam e refletem em superfícies diversas: paredes, espelhos e tecidos. Mal identificamos esse corpo que se dá a ver como se escondendo, num movimento de retração esquivo, fugindo da exposição e deixando-se expor à luz. De tal experiência só poderiam resultar imagens desfiguradas, deformadas, quase irreconhecíveis e que ainda, ao aparecer, se mostram agressivamente acanhadas.

A imagem do corpo surge amorfa, polimorfa, líquida, uma mancha indefinida. Em expansão e se contraindo, fluida e instável. Ou se deixa ver apenas através de fragmentos. Um pé, por exemplo, ou partes do corpo estilhaçado no espelho. São imagens que procuram escapar também de outro limite: a folha retangular do papel fotográfico que as aprisiona.A qualidade das imagens retém o efeito expressivo da técnica precária do Super-8, e é assumida pelo trabalho.

A disponibilidade íntima e doméstica do Super-8, acessível, de fácil manuseio, dispensando assistentes ou técnicas especializadas, possibilita uma entrega franca e total da artista à câmera; faz dela um olho seu, externo, protético, extensível, que a domina e é por ela dominada. Portanto, o registro fílmico, além do registro documental, é a expressão da própria vivência que se realiza na obra. Introjetada, a câmera participa, vive, sem ela não há obra; a experiência é mais que uma performance, uma ação para si e para ninguém, para todos e para nenhum.

Tal situação instaura uma atmosfera psicológica tensa, inquieta; e a agressividade latente que projeta tem algo de expressionista, sem, entretanto, nomear, definir, indicar o que quer que seja. A artista olha para a câmera com a surpresa de se ver olhando. Dois objetos: o espelho e a faca são introduzidos na cena construída. Ambos, espelho e faca, reduplicam a câmera, também produzem fragmentos, cacos reais; aquilo que a câmera realiza tecnicamente: slices fotográficos, flashes incômodos e reveladores, cortes no tempo/espaço da vivência experimental – life slices. Não há como não lembrar do gesto de Fontana com a lâmina na mão frente à tela. Essa poética do corte de, através dele, ir além, libertar o plano, está para Iole muito mais na metáfora de libertar espaço para corpo, ir além de si, expondo a tensão, o temor e a surpresa. Tal como um olho exterior, através do qual não se vê, e do qual se oculta e se mostra, e ao mesmo tempo se integra, a câmera acha-se intimamente presente na experiência, copartícipe.

Podemos dizer mais: ela aparece como presença denunciada. Estamos longe dos procedimentos fotográficos usuais e da naturalidade com que submetem os objetos. O que parece se processar é a tentativa de corporificar diretamente uma cena psíquica. O espelho e a faca são objetos comuns, embora o seu simbolismo possa dar margem a uma interminável interpretação desses objetos.

O campo é vasto e o lugar comum, uma armadilha. Entretanto, no estrito processo de produção do trabalho, eles aparecem com um sentido claro: a faca e o espelho são uma espécie de câmera fotográfica ou cinematográfica. A câmera é essa faca-espelho que reflete, corta, fragmenta e aprisiona a imagem. Quando Iole, com a faca, quebra o espelho, está “fotografando”, realiza no espelho o que a câmera faz nela; liberta-se. Espelho e faca – os elementos ao mesmo tempo reais e simbólicos que a artista utiliza como contrastantes e ameaçadores – metaforizam aquilo que a fotografia realiza no plano da imagem: cortes, fragmentações, desmembramentos.

A fotografia corta e recorta a realidade, um pedaço daqui, outro dali, esfaqueia a realidade. O que se passa ali, frente a frente, a faca imaginária e a faca real, se não uma espécie de duelo, de enfrentamento entre duas realidades – elo e duelo. O espelho é também uma espécie de faca, assim como a câmera corta e recorta a realidade refletida, duplica-a e faz da câmera seu duplo. Diríamos que Iole quer sentir, tocar aquela presença que só se revelava na imagem, aquele “outro” que correspondia e reagia aos seus gestos e ações.

O corpo da escultura

Era de supor que tal experiência da imagem chegaria ao momento em que a verdade do corpo, para existir na sua totalidade plástica, teria que abandonar o registro fotográfico e afirmar-se no espaço, obrigando a transferência escultórica da imagem para a corporalidade material; romper os limites do papel fotográfico e efetuar a transposição para o espaço em continuidade ao corpo. Ou seja, dar realidade material aos fragmentos, dar corpo ao desmembramento do corpo.

A vivência corpórea espaço/temporal da qual as fotografias eram registros toma agora a direção do espaço mesmo. O espelho e a faca desaparecem, mas suas propriedades permanecem em outra circunstância, transferidas. Há um objeto que realiza, ainda que brevemente, essa passagem. A serra é o “objeto transicional”, sucedâneo da faca, do espelho; é aquilo que agora corta; corta realmente. A serra é um “resíduo” que se prolonga e religa à experiência anterior da imagem. Antes a faca imagem, simbólica, agora a serra coisa, real. O que os primeiros trabalhos que surgem nessa nova dimensão podem indicar, olhando bem, é que estamos diante de uma reconstituição, de um rearranjo da mesma cena, agora com elementos materiais, eles mesmos.

Logo verificamos a busca por algo flexível como o corpo. A borracha, material rígido e flexível, plástico e resistente, absorve e desenha o fluxo corpóreo que se transferia. Observa-se nas primeiras “esculturas” uma “descostura” que reorganiza a estrutura corporal, um movimento se enerva em tubos de borracha, fios metálicos e umas poucas tramas metálicas, direcionando e conduzindo tensões e contorções. Sem peso, desestruturadas, não sustentáveis nem autoportantes, são a condição puramente inicial, amorfa e incorpórea, não resistente e transparente, e assim, suspensas, se opõem delicadamente à impenetrabilidade escultórica tradicional.

Aquilo que se esquivava – o corpo – deve agora materializar-se, e de qual maneira senão por meio dos mesmos gestos e ações, que, de início, não estão, nem poderiam, se configurar através de uma forma definida. Arames, fios metálicos são os materiais que concentram e conservam a energia dispersa que sustenta e integra o todo; enfim um corpo que se materializa, impreciso, vazio. Cabe agora dar corpo ao corpo, explicitar a sua potência, ainda que por meio de um emaranhado de fios, o que poderíamos chamar de “escultura linear”. Esta é ainda estranha, informe, desenhada por pulsões e impulsos.

Ilógica, desordenada, só pode surgir como um emaranhado de tensões fluidas de um todo insubstancial, mas ativo e pleno. Ao mesmo tempo, as superfícies transparentes, translúcidas, de uma trama metálica leve e delicada, dão à frágil consistência material um movimento que indica a sugestão, apenas a sugestão de um corpo. Apenas uma superfície metálica já era sufi-ciente, um gesto + uma superfície = trabalho.

Essas operações mínimas, casuais, imagino imediatas e rápidas, foram dando a certeza primeira do processo do trabalho, a sua base experimental. Disso resultaram potentes indícios de uma energia capaz de dar substância e incorporar-se à matéria. A ação gestual pressente que pode se fixar, que a matéria absorve e mantém a força aplicada, e a presença do volume aparece.

Tênues, um leve gesto interrompido, a superfície se fecha sobre si mesma em uma voluta improvisada – basta isso, nada mais, para constituir as primeiras esculturas metálicas.

Retomemos então o movimento do trabalho: o processo de exteriorização da experiência corporal suscitado por uma ameaça, um corte real e simbólico, é registrado fotograficamente na imagem. Ali a presença do corpo é indireta, imaterial – o corpo ainda não está presente, integralizado à obra. Logo, o processo de exteriorização prossegue no sentido da aniquilação da imagem, a ação gestual abstrata e anônima da artista agora se dispersa na total transferência para objetos materiais: tubos de borracha, tecido, arames, telas metálicas.

Os “cacos de vida” vão encontrar uma continuidade nos fios metálicos dos “aramões”, fios de arame que, como cacos, agora se unem para constituir um objeto físico, ainda que vazio e transparente, um emaranhado tridimensional sem começo ou fim, um contínuo incessante embaralhar dos olhos, mas estático como uma imagem esvaziada, apenas o rastro dos gestos. A aparência ainda é pictórica, aérea, dispersa em suspensão, sem distinção de frente, verso, lado, a mesma coisa sempre diferente.

A introdução das superfícies metálicas vai propor uma nova estruturação, a frontalidade se torna dominante, ainda assim em conflito com a planaridade da parede, e os planos avançam e recuam, adquirem volume, reagindo a uma estabilidade plena – o espírito do construtivismo russo passou por aqui. E mais e mais assumem a condição de corpos vivos, condensando a energia do corpo, como a materialização tridimensional de um gesto, a ação de mão e braço transferindo energia para a matéria inerte.

O movimento das dobras, das ondulações, das volutas imprimem à escultura um trânsito conflitante de tensões e distensões, impondo um somatório que se resolve numa coesão final, o limite da sua expansão física. A aglutinação de gestos dispersos, assemblage, merzbau ou colagem de ações físicas ou montagem de movimentos isolados, encadeados “cinematograficamente”. Tudo que implica movimento está inicialmente aí de algum modo presente, sem o qual não há obra.

Está claro que aí também se desenvolveu uma “técnica” corporal específica, improvisada, jazzística, afim, como não pode-ria deixar de ser, à movimentação física, se não até mental da dança4 – a percepção do corpo como liberador de energia. Ela não esconde sua origem moderna e seu horizonte contemporâneo. O trabalho se defrontava então com a tradição cubista, construtiva, ao recompor a dimensão da presença do corpo de um Rodin até os contrarrelevos de Tatlin – o corpo na escultura e o corpo da escultura. Sem abandonar o plano, buscava atingir a realidade do peso, da massa, do volume; fazer o plano absorver a verdade plástica do corpo, a sua presença contemporânea não-representacional.

Por exprimirem muitos, são esculturas multidirecionais, em contração e expansão, sem que seja possível visualizar uma só origem dos movimentos que a constituem. Como multidões, sem começo, meio ou fim, esta ou aquela direção. Tensas e ao mesmo tempo em repouso, elásticas, flexíveis, rígidas e cortantes, diversos fluxos simultâneos. Movimentos que parecem sugerir coreografias entre individualidade e coletividade, trazem à luz um sono conturbado, ânsia corporal que se manifesta excessiva, tortuosa, irracional. E demonstram como é possível apoiar-se e construir no movimento interminável que, à primeira vista, é de acúmulo e desordem, de forças contrárias que se repelem, afastam e desequilibram.

Ao final, tal tensão plástica não poderia mais convidar à intimidade e surge a beleza do irregular, do disforme, do fluido, uma forma barroca contemporânea e pública. A sustentação e o apoio da parede, na posição frontal, se elevam e desabam até certo ponto. O metal ele mesmo resiste à contração, busca voltar à posição original, tensionado.

Contrariando a força da gravidade, linhas esgarçadas depois de um grande esforço e manifestam algo de uma força liberta, conquistada por um corpo que, emancipado, atinge sua total potência. A transferência do corpo para a matéria vai exigir mais e mais um embate com materiais que oferecem certa resistência – o abandono do plano metafórico e a exteriorização gestual da corporeidade.

Logo, essas esculturas vão assumir dimensões que ultrapassam em muito os limites corpóreos e espaciais, transformando-se em entidades que acumulam gestos, movimentos, ações que já não são de um só, um corpo só, de um indivíduo, mas de muitos. Daí seu horizonte legítimo ser o espaço público.

O corpo é a arquitetura

Conquistado o interior do espaço expositivo, atingido os seus limites e o próprio limite físico da artista, indo além da escala humana, o trabalho ambicionava um novo espaço: aquele onde chão e parede desapareciam e o espaço pleno se apresentava, obrigando o raciocínio escultórico a se rearticular. O volume metálico das grandes esculturas não mais se sustentava por si, o material tinha atingido seu limite dimensional e de peso, assim como o processo de cortes e dobras, enquanto o gesto desejava ir mais além.

Tal escultura de superfície e metálica, que dispensava o peso e a massa, e insistia num volume “vazio”, vai cada vez mais se descolar da parede e ir de encontro ao espaço construído: a arquitetura. Isso acontecia, coincidentemente, na mesma época em que surge uma arquitetura de “superfície”, que se afirma com Frank Gehry e Zaha Hadid, entre outros, e cujo exemplo mais notável é o projeto do Museu Guggenheim de Bilbao. Pois o trabalho agora ambiciona a escala arquitetural, se confronta e se infiltra no espaço construído, seja ele externo ou interno, ou em ambos. Sua primeira aparição ter ocorrido num espaço vazio e evocando Picasso revela o desafio de aí construir um lugar: uma piscina vazia ao ar livre.

Onde não há em que se apoiar, no pleno vazio de uma piscina, Iole realiza sua experiência escultórica/arquitetural. É o vazio penetrando na escultura e vice-versa, a tomada do espaço pelo esvaziamento do “escultórico”. Esse trabalho, Dora Maar na piscina, mergulha no espaço aberto, pleno e livre; uma escultura em simbiose com o vazio. É como se os gigantes recortes cubistas dessa Dora Maar se lançassem decididamente em busca de uma sustentação e suspensão em pleno ar.

As esculturas querem conquistar, atravessar, invadir o espaço, desfazer o confina-mento, as exclusões e separações entre interior e exterior da arquitetura. O trabalho assim prossegue e vai desenvolver e ampliar uma poética das superfícies em confronto ao firmemente sólido e construído, em um movimento envolvente a partir de um descola-mento vivo da superfície.

A ação corporal está presente e se expande no espaço arquitetônico, estabelecendo a continuidade entre espaços; interno e externo, público e privado, o dentro e o fora, a plena comunicação espacial conduzida pela obra em sua exposição franca, aberta, total. Desgarrada da parede, a escultura inaugura um outro espaço, inédito, criado pela própria presença da obra, um espaço intermédio, nem chão nem parede, em suspensão, no ar.

A escala do trabalho assume uma dimensão monumental, mas sem a formalidade do monumento. A sua presença é pública, entretanto, é fluida, esquiva à impostação oficial, reticente ao monumento como antes o corpo foi à fotografia. Enfim, um monumento contemporaneamente abstrato.

Assim que a escala aumentou e surgiu uma escultura de porte e superfícies extensas, outro material foi exigido. Placas e chapas de poliuretano substituíram as metálicas. Opacas, translúcidas ou transparentes, elas introduziram uma circunstância nova. O peso visual da escultura diminuiu e surgiram interposições, superposições e transparências que vieram alterar a visibilidade dos espaços: a apreensão visual da escultura se tornou mais intrincada, envolvente e dissolvente. Com o descolamento da parede e o transbordamento para o espaço externo, a sustentação se tornou verdadeira e complexa obra de engenharia.

Nessa libertação do confinamento, tal como aquela da fotografia,o gesto se amplia, muito além da capacidade do corpo, e ainda assim conserva e denuncia a energia corpórea. O corpo é a arquitetura. Diante do sólido, o trabalho opõe a fluidez, a flexibilidade ante o rígido, e a escultura se torna o intermediário entre o inerte da arquitetura e a mobilidade do social do entorno. Ao romper a clausura do espaço interior e ir além, o trabalho assume uma monumentalidade esquiva que insiste na presença pública do monumento, na sua pertinência contemporânea ao espaço urbano.

O trabalho atravessa o espaço ou espaços, encontra um modo fluido de desdobrar-se similar à organicidade de uma enorme teia, encontrando aqui e ali seus calculados pontos de apoio. Os rígidos tubos de aço fixados no espaço são como pontos de lançamento ao ar das formas gestuais, conduzindo o transbordamento da energia corpórea para o espaço interno e externo nas superfícies do policarbonato, nas curvas, torções, retesamentos, voltas e reviravoltas. A estrutura “vazia” da escultura envolve e contrasta com o “cheio” da edificação, o negativo e o positivo de peso, volume, massa.

A estrutura se tornou parte da escultura ou, inversamente, a escultura cada vez mais se torna uma “estrutura”. Ela não depende do seu peso para ficar no chão, tão pouco se sustenta na parede como antes, em suma, seu “suporte” não está dado, de modo que não está “colocada”, está fixada em pontos que existem para e com o trabalho. Essa estrutura/escultura constrói seu próprio lugar. É um duplo site-specific, por assim dizer. A surpresa é que se trata de uma estrutura “vazia”, não sustenta nada, flui.

Todo esforço escultórico se dá nos gestos, na ação corpórea que cria as torções e contorções estruturais precisamente calculadas pelo rigor da intuição do corpo, que é fundamento da dança. Aqui, o corpo antes enclausurado dos filmes experimentais adquire a vitalidade social do corpos urbanos.


A inconstância do lugar da escultura moderna é levada ao espaço público e surpreende o passante pela sua aparição inesperada, próxima do fluxo de sua mobilidade. Simultâneo monumento e site-specific, interação e confronto entre escultura e arquitetura, a cada circunstância exige uma solução própria, uma intervenção calculada, não abusiva, em equilíbrio dinâmico com a massa do prédio. E inaugura um espaço novo, inexplorado pela escultura, nem chão nem parede, nem vertical nem horizontal, suspenso no espaço.

Essa estrutura flutuante envolve a massa estática da arquitetura, induzindo a uma sensação de leve desprendimento da força da gravidade, o peso do dia a dia do passante. Torna-se um exemplo do possível desprendimento que um encontro circunstancial entre obra e passante pode causar – a transmissão da uma volubilidade física vinda da escultura.


Fonte: Iole de Freitas, "Corpo Espaço". Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Arte Contemporânea

A Arte Contemporânea ou Arte Pós-Moderna é uma tendência artística que surgiu na segunda metade do século XX. Sua origem costuma ser relacionada à década de 60 e ao movimento pop art.

A Arte Contemporânea se prolonga até aos dias atuais, período esse denominado de pós-modernismo, propondo expressões artísticas originais a partir de técnicas inovadoras.

Do latim, o vocábulo “contemporanĕu” corresponde a união dos termos “com” (junto) e “tempus” (tempo), ou seja, significa que ou quem do mesmo tempo ou época. Utilizamos essa palavra como adjetivo para indicar o tempo presente, atual.

Fonte: Toda Matéria, "Arte Contemporânea", publicado por Laura Aidar. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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Body Art

A Body Art (arte do corpo) é uma tendência artística contemporânea que surgiu na década de 60, nos Estados Unidos e na Europa.

Sua principal caraterística é o uso do corpo como suporte e intervenção para a realização do trabalho artístico. Dessa maneira, o corpo humano (seja do artista ou de um modelo) passa a ser a “tela” (daí aproximação com a “body paint”, ou pintura corporal), bem como o comunicador de ideias, ou seja, o mais importante veículo em que o artista vai explorar sua "obra viva".

Para muitos estudiosos sobre o tema, a body art é uma vertente da arte contemporânea e seu precursor foi Marcel Duchamp (1887-1968) ao questionar os limites do conceito e o modo de fazer arte, dando início a reflexão sobre a "arte conceitual" bem como a relação do sujeito com o mundo. Assim, os artistas contemporâneos ultrapassam os limites da tela e do conceito de arte ao propor uma nova forma de expressão artística em detrimento das tradicionais pinturas e esculturas.


Fonte: Toda Matéria, "Body Art", publicado por Laura Aidar. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

Crédito fotográfico: Casa Firjan, "Decupagem de Iole de Freitas". Publicado em 8 de novembro de 2019. Consultado pela última vez em 15 de março de 2022.

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