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José Roberto Aguilar

José Roberto Aguilar (São Paulo, 11 de abril de 1941), também conhecido como Aguilar ou Aguilar Vigyan, é um artista multimídia, curador, escritor, escultor, gravador, performer, pintor e músico brasileiro, considerado o pioneiro na utilização do vídeo como linguagem artística do país. Ousado, sua produção é voltada à vida urbana, à sexualidade e à pluralidade de códigos e signos, entre outros temas, utilizando-se de uma abordagem vibrante e expressiva. É irmão do crítico de arte Nelson Aguilar. Participou da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Também participou da Bienal Internacional de São Paulo e da mostra OPINIÃO-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Obteve o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo e realizou 2 grandes mega-exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP em 1991 e no MAM-SP em 1996, além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas e trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo. Expôs em diversas galerias do Brasil, Portugal, Japão, Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, entre outros.

Biografia – José Roberto Aguilar

José Roberto Aguilar nasceu em São Paulo em 1941. Em 1958 já participava da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Em 1961, realizou sua primeira exposição. Em 1963, é selecionado para a Bienal Internacional de São Paulo. Em 1965 junto com outros artistas nacionais e internacionais (Hélio Oiticica com os Parangolés), participa da famosa mostra OPINIÃO-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1967, recebe o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo, onde volta a expor em 1969.

Durante a agitada década de 60, centraliza sua ação no atelier que possuía na Rua Frei Caneca, frequentado por grande parte dos responsáveis pela renovação política e cultural por que passava a vida brasileira. Na virada dos anos 70, é um dos criadores que se vê obrigado a viver no exterior. Morou em Londres, realizou exposições em Birmingham. Retornou ao Brasil em 1973, fazendo exposições no Rio e em São Paulo.

Entre 1974 e 1975, vive em Nova York, USA, onde começa a realizar um trabalho pioneiro de vídeo-arte. Convidado para a Bienal de São Paulo em 1977, realiza a peça performática Circo Antropofágico, com doze monitores de vídeo no palco. Recebe o Prêmio Governador do Estado. Em 1978, participa de vídeo-performances no Beaubourg em Paris e no Festival de Vídeo-Arte de Tóquio. Em 1979 expõe novamente na Bienal de São Paulo.

Na década de 80, desenvolve grande atividade como pintor, realizando diversas exposições, e torna-se um dos artistas brasileiros com maior participação em mostras no exterior, sobretudo nos EUA e na Alemanha. Em paralelo, reforça sua imagem de multimídia através de inúmeras performances, da criação e apresentações da Banda Performática, da realização de montagens e espetáculos em praças públicas – sendo a mais espetacular o mega-evento da Revolução Francesa em 1989, onde coloca 300 artistas em cena, na frente do Estádio Municipal do Pacaembu. Compõe músicas, grava discos, escreve e edita livros. Desenvolve suas ligações com a religiosidade e a capacidade humana de transcendência. São constantes as demonstrações de não ter medo de experimentar.

Nos anos 90, deu continuidade às suas múltiplas atividades. Realizou 2 grandes mega-exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP em 1991 e no MAM-SP em 1996, além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas, dinamizando aquele espaço cultural com grandes exposições sobre cultura brasileira (1996-2002). Trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo até 2007. Com mais de quarenta anos de presença no panorama cultural, consolidou uma posição ímpar que se caracterizou pela diversidade e coerência.

Fonte: Site José Roberto Aguilar. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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Biografia – Itaú Cultural

Autodidata, integrou o movimento performático-literário Kaos, em 1956, com Jorge Mautner (1941) e José Agripino de Paula. Em 1963, expõe pinturas na 7ª Bienal Internacional de São Paulo. Considerado um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, participou da mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, em 1965. Nessa época, passa a pintar com spray e pistola de ar comprimido.

Vive em Londres, entre 1969 e 1972, e em Nova York, entre 1974 e 1975, época em que inicia suas experimentações com vídeo. Voltou a morar em São Paulo em 1976. No ano seguinte, participa da 14ª Bienal Internacional de São Paulo com a instalação Circo Antropofágico Ambulante Cósmico e Latino-Americano Apresenta Esta Noite: A Transformação Permanente do Tabu em Totem, em que expõe 12 monitores de TV no palco do Teatro Ruth Escobar.

Em 1981, cria o grupo musical Banda Performática e lança o livro A Divina Comédia Brasileira. Torna-se discípulo do líder espiritual indiano Rajneesh, em 1983, e começa a assinar suas telas como Aguilar Vigyan.

Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, com a participação de 300 artistas, assistida por cerca de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, faz pinturas em telas gigantes e esculturas em vidro e cerâmica. De 1995 a 2002, é diretor do espaço cultural Casa das Rosas, em São Paulo. Em 2003, Aguilar é nomeado representante do Ministério da Cultura na capital paulista.

Análise

A partir dos anos 1950, José Roberto Aguilar realiza obras que possuem um caráter mágico-expressionista, em diálogo com a abstração, caracterizadas pela espontaneidade na pintura, obtida pela aplicação rápida da tinta. Na Série Futebol 1 (1966), emprega manchas de cor e tintas escorridas, em cores contrastantes, causando grande impacto pelo caráter fantástico das figuras disformes. Por volta de 1963, sua obra passa a revelar preocupações político-sociais. O artista realiza experiências com pinturas a spray e pistola sobre grandes superfícies de tela. Por meio dessas técnicas, obtém efeitos originais, captando a atmosfera dos luminosos em néon, típica das metrópoles atuais.

Um dos pioneiros no trabalho com videoarte no Brasil, Aguilar revela, ao longo de sua carreira, a facilidade em transitar de um suporte a outro. Em 1981, cria a Banda Performática, que reúne pintura, música, teatro e circo. Na metade da década de 1980, realiza pinturas nas quais se destacam a gestualidade e a inserção da caligrafia contra um plano de fundo contrastante.

Em 2002, na exposição Rio de Poemas, Aguilar realiza uma série de telas inspiradas em textos literários, como o conto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa (1908 - 1967). A atração pela literatura e pela mitologia são constantes na produção do artista. Ele apropria-se da escrita e dos signos gráficos, tornando-os elementos integrantes de suas telas. Em suas pinturas, apresenta uma dinâmica multidirecional e revela a articulação de emoções. Nas telas da série Rio de Poemas, o artista diminui a gestualidade, produzindo pinturas quase diáfanas.

Críticas

"De antes Aguilar conservou a disposição de impacto visual e de agressividade conceitual. Hoje, as figuras que lhe habitam os trabalhos chegaram àquele ponto de saturação crítico - caricatural que as transfere para a área de anonimato dos graffiti. A zona limítrofe entre bom e mau gosto se rompe, não há mais como defini-los e contê-los, são por fim uma só e única coisa. Mas a antropofagia se individualiza e se valoriza pelo fato de que a acumulação aparentemente caótica e automatizada de toda espécie de sinal sobre o quadro, gestos figurando e desfigurando, rabiscando, comentando ou camuflando a escrita, mantém muito ainda de atuação racional, nessas narrativas com signos e personagens que nos remetem a Dubuffet ou Enrico Baj, sem deixar de ser bastante nossas. Suas figuras e referências à paisagem mais retratam, no sentido de investigação implícito no termo, do que apenas mostram" — Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976).

"José Roberto Aguilar compunha com o músico Jorge Mautner e o escritor José Agripino o ´Grupo Kaos´. Influenciado pela nova figuração européia, mas incorporando o Expressionismo Abstrato do norte-americano Pollock, e mais recentemente elementos do rock (criou e foi o líder de uma banda performática, chegando a gravar discos), e religiosos (como membro de seita criada por Rajneesh assina suas telas atualmente com o nome Vigyan), é um artista essencialmente urbano, que capta e transmite o ritmo frenético da megalópole moderna. Desde as primeiras apresentações em mostras coletivas, no início da década de 60, Aguilar trabalha basicamente com o mesmo material: letras, palavras, frases ou citações inteiras de textos de Oswald de Andrade, Borges, Bukowski. A letra como ícone. Estes signos linguísticos ocupam uniformemente o espaço da tela ou aparecem relacionados com figuras humanas, áreas ou faixas de cor. As figuras - homens e mulheres - são grafitadas toscamente e parecem manter um diálogo incompreensível, à maneira de Ionesco. Mas o artista sente-se bem neste seu estilo torrencial e em produzir, com imagens, o ruído infernal da urbe moderna" — Frederico Morais (DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986).

"Aguilar sempre tratou a pintura de uma forma extática. Orgia de cores expondo vestígios de seu corpo em giros, curvas, movimentos expressos e impressos nas camadas de tinta sobre a tela. Do tato tinta na pele tela. Com intenção parecida adentrou pioneiramente na video-arte. A camera-pincel refazendo o traçado dos gestos. Chupando a superfície de pessoas, coisas, cores, reveladas por sua transformação em fluxo luminoso; linhas pulsantes. 'O olho do diabo'. Sem abandonar a pintura - porto seguro de onde sempre partiu para outros descobrimentos -, Aguilar chega agora a uma nova encruzilhada-sintese dos diversos meios por onde a imagem corre. Onde a matéria e a realidade virtual se alimentam, abrindo territórios e repertórios virgens, a serem explorados" — Arnaldo Antunes

(ANTUNES, Arnaldo. Tantra coisa : insights de um voyer. In: ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.)

Depoimentos

"Quem me ensinou a pintar foi o Mautner (Jorge). Um dia ele chegou e disse, cheio de segurança e arrogância: vamos pintar. Meu avô é pintor. Vou até lá, olho como ele faz e trago toda a informação. Passou uma tarde com o avô e voltou : já sei como pintar. Temos que comprar uma tela, terebentina, uns pincéis e tintas. Ele fez tudo isso e ficamos olhando o Mautner pintar. Compramos também nosso material. Quando abri o tubo de terebentina, aquele cheiro me envolveu. Foi como se tivesse acionado a lâmpada de Aladim. O cheiro evocou todas as maravilhas imaginadas e não imaginadas. Senti na hora que pintar seria muito mágico, um ritual. . . Acho que minha loucura veio do meu pai. Era uma criança, um homem que mostrava todo seu maravilhamento diante do homem. Engenhoso, criativo. Durante a guerra comprou um lote imenso de trens miniaturas, centenas de vagões e locomotivas. Em 1949, montou um parque ferroviário alucinante na Galeria Prestes Maia. Depois, organizou a maior filmoteca de São Paulo, A Rainha, alugava filmes. Foi no início da televisão. Mais tarde, ergueu a maior fábrica de botões da América Latina. Tem também o lado materno, minha mãe tocava piano muito bem. Hoje, meu pai vive uma placidez Zen" — José Roberto Aguilar (AGUILAR, José Roberto. José Roberto Aguilar/Swami Antar Vigyan: tarot. São Paulo : Galeria de Arte São Paulo, 1984).

"Embora essas peças falem do 'Mahabharata', elas não tem vontade de ser, poderiam ser qualquer coisa. São peças antropomórficas não concebidas como representação. Podem ser qualquer coisa. Funcionam como peças de realidade virtual, metáforas da arte. Já as esculturas de vidro seriam sílabas, palavras congeladas da escrita de Ganesha - intraduzível através da lógica e resistente ao dualismo cartesiano. Podem ser vistas como pinceladas. . . Essa exposição nasceu da proposta de um amigo meu terapeuta, para que eu fizesse uma adaptação do Mahabharata para o teatro. Ela acabou se realizando através de três séries de pinturas, a última das quais foi dedicada ao 'Bahgvad Gita', a que usa cores mais fortes" — José Roberto Aguilar (GONÇALVES FILHO, Antônio. Aguilar pinta e revela suas visões do Mahabharata. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 maio 1993).

Exposições Individuais

1964 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luiz

1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Seta

1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Seta

1967 - Campinas SP - Individual, no MACC

1968 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Art-Art

1969 - Nova York (Estados Unidos) - Exposição de Gravuras, no Center for Inter American Relations

1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1970 - São Paulo SP - Individual, no IAB/SP

1971 - Birmingham (Inglaterra) - Individual, na Ikan Gallery

1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ralph Camargo

1974 - Rio de Janeiro RJ - A Transformação Permanente do Tabu em Totem, na Petite Galerie

1974 - São Paulo SP - Individual, na Petite Galerie

1976 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Grafitti

1976 - São Paulo SP - 15 Anos de Pintura, no Masp

1977 - Brasília DF - Individual, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1977 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Fernando Millan

1977 - São Paulo SP - Vídeo-Arte, no MAC/USP

1978 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Varig

1980 - Milão (Itália) - Vídeo, na Galeria de Brer

1980 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1980 - São Paulo SP - Vídeo, na Galeria Luiza Strina

1980 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina

1980 - São Paulo SP - Individual, no Itaugaleria

1981 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1983 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Artespaço

1984 - São Paulo SP - Tarot, na Galeria São Paulo

1985 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Inge Baecker Gallery

1986 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na na Galeria Montesanti-Roesler

1987 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Montesanti-Roesler

1989 - São Paulo SP - 2º Paradiso, no Subdistrito Comercial de Arte

1990 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Rudolf Schoen

1991 - São Paulo SP - Gigantomaquia Pictural, no Masp

1993 - Nova York (Estados Unidos) - Performance, na New York University

1993 - São Paulo SP - Visões do Mahabharata, na Galeria São Paulo

1993 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte São Paulo

1996 - São Paulo SP - A Criação do Mundo e o Tempo, no MAM/SP

2002 - São Paulo SP - Rio de Poesias, no Escritório de Arte São Paulo

2003 - Curitiba PR - Visionários, na Casa Andrade Muricy

2005 - São Paulo SP - Individual, no Instituto Tomie Ohtake

Exposições Coletivas

1963 - São Paulo SP - 2º Salão do Trabalho - menção honrosa

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1964 - Ribeirão Preto SP - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional

1964 - São Paulo SP - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no MAC/USP

1964 - São Paulo SP - 1º Salão de Arte, na Galeria de Arte das Folhas - primeiro prêmio

1965 - Belo Horizonte MG - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no Museu de Arte da Pampulha

1965 - Campinas SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC

1965 - Curitiba PR - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, na Secretaria do Estado de Educação

1965 - Florianópolis SC - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no Museu de Arte de Santa Catarina

1965 - Paris (França) - 4ª Bienal de Paris

1965 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Esso de Artistas Jovens, no MAM/RJ

1965 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, na Faap

1965 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, no MAM/RJ

1965 - s.l. - 4ª Bienal da Poesia

1965 - São Paulo SP - 14º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1965 - São Paulo SP - Propostas 65, no MAB/Faap

1965 - São Paulo SP - Salão Esso de Artistas Jovens, no MAC/USP

1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - primeiro prêmio

1966 - Rio de Janeiro RJ - O Homem e a Máquina, no MAM/RJ

1966 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 66

1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - prêmio aquisição

1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1966 - São Paulo SP - O Homem e a Máquina, no Masp

1966 - São Paulo SP - Três Premissas, no MAB

1967 - Bogotá (Colômbia) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Brasília DF - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, no Teatro Nacional Cláudio Santoro

1967 - Buenos Aires (Argentina) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Campinas SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC - primeiro prêmio

1967 - Caracas (Venezuela) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Lima (Peru) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - México - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Montevidéu (Uruguai) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Santiago (Chile) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna

1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - Prêmio Itamaraty

1968 - Campo Grande MS - 28 Artistas do Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Diário da Serra

1969 - Fortaleza CE - 28 Artistas do Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela

1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo SP - Arte Multiplicada Brasileira, na Múltipla de Arte

1972 - São Paulo SP - Os Pioneiros da Arte do Realismo Fantástico, no Paço das Artes

1975 - Alabama (Estados Unidos) - Exposição de Arte Brasileira

1975 - Birmingham (Inglaterra) - Arte Brasileira

1975 - Bogotá (Colômbia) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Caracas (Venezuela) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - La Paz (Bolívia) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Lima (Peru) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Rio de Janeiro RJ - A Comunicação segundo os Artistas Plásticos

1975 - Santiago (Chile) - Pintura Contemporânea Brasileira

1976 - Michigan (Estados Unidos) - 20 Artistas Brasileiros, na Kresge Art Gallery

1976 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Paço das Artes

1976 - Texas (Estados Unidos) - Exposição de desenho latino-Americano, na Universidade do Texas

1977 - São Paulo SP - 14ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - prêmio governador do estado

1978 - Caracas (Venezuela) - Encontro Internacional de Vídeo-Arte

1978 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Palácio da Cultura

1978 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MNBA

1978 - São Paulo SP - 1º Encontro Internacional de Vídeo-Arte de São Paulo, no MIS/SP

1979 - Nova Iorque (Estados Unidos) - Contemporary Brazilian Works on Paper, na Nobe Gallery

1979 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ

1979 - São Paulo SP - 15ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1980 - São Paulo SP - Salão Paulista de Arte Contemporânea - 1º Prêmio

1981 - Londres (Inglaterra) - Arte Brasileira Contemporânea, na Barbikan Gallery

1981 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira Contemporânea, no MAM/RJ

1981 - Rio de Janeiro RJ - Pablo, Pablo! : uma interpretação brasileira de Guernica, na Funarte

1981 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea, no MAM/SP

1981 - São Paulo SP - Artistas Contemporâneos Brasileiros, no Escritório de Arte São Paulo

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Entre a Mancha e a Figura, no MAM/RJ

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - 3 x 4 Grandes Formatos, na Galeria do Centro Empresarial Rio

1983 - São Paulo SP - 14º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1983 - São Paulo SP - Arte na Rua 1

1984 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Barbikan Gallery

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand : retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Coletiva, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura : síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Brasilidade e Independência, no Teatro Nacional Cláudio Santoro

1985 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, na Galeria de Arte Banerj

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - Sala Expressionismo Brasileiro

1985 - São Paulo SP - Arte e Tecnologia, no MAC/USP

1985 - São Paulo SP - Arte Novos Meios/ Multimeios : Brasil 70/80, no MAB/Faap

1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil, no CCSP

1985 - Tóquio (Japão) - Today's Art of Brazil, no Hara Museum of Contemporary Art

1986 - São Paulo SP - 17º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador ; homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, no Chapel Art Show

1987 - São Paulo SP - A Trama do Gosto: um outro olhar sobre o cotidiano, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - Palavra Imágica, no MAC/USP

1988 - Leverkussen (Alemanha) - Brasil Já, no Morsbroich Museum

1988 - São Paulo SP - 63/66 Figura e Objeto, na Galeria Millan

1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse

1989 - Hannover (Alemanha)- Brasil Já, no Sprengel Museum

1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1989 - São Paulo SP - Acervo Galeria São Paulo, no Escritório de Arte São Paulo

ac.1990 - Tóquio (Japão) - Arte Brasileira , na Latin Art Gallery

1990 - Atami (Japão) - 9º Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin. José Roberto Aguilar, Cristina Barroso e Rubens Oestroem, na Galerie Rudolf Schoen

1990 - Berlim (Alemanha) - Berliner Galerien Zeigen Brasilienische Kunst

1990 - Brasília DF - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - Pantanal : sete visões, na Visual Galeria de Arte

1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF

1990 - Los Angeles (Estados Unidos) - Brazil Projects´90, na Municipal Art Gallery

1990 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - São Paulo SP - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea, na Fundação Brasil-Japão

1990 - São Paulo SP - Brazil Projects´90, no Masp

1990 - São Paulo SP - Exposição Brasil -Japão de Arte Contemporânea, no Masp

1990 - Sapporo (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Tóquio (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, na Liljevalchs Konsthall

1992 - Campinas SP - Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti

1992 - Rio de Janeiro RJ - A Caminho de Niterói : Coleção João Sattamini, no Paço Imperial

1992 - Rio de Janeiro RJ - Eco Art, no MAM/RJ

1992 - São Paulo SP - Anos 60/70: Coleção Gilberto Chateubriand/Museu de Arte Moderna-RJ, na Galeria de Arte do Sesi

1993 - João Pessoa PB - Xilogravura : do cordel à galeria, na Fundação Espaço Cultural da Paraiba

1993 - Niterói RJ - A Caminho de Niterói : Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil : Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Belo Horizonte MG - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70

1994 - Penápolis SP - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, na Galeria Itaú Cultural

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil : Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1994 - Rio de Janeiro RJ - Via Fax, no Museu do Telephone

1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1994 - São Paulo SP - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, no Itaú Cultural

1994 - São Paulo SP - Xilogravura : do cordel à galeria, na Companhia do Metropolitano de São Paulo

1994 - São Paulo SP- Bandeiras: 60 artistas homenageiam os 60 anos da USP, no MAC/USP

1995 - Belo Horizonte MG - Projeto Babel, na Praça da Liberdade

1995 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65 : 30 anos, no CCBB

1995 - São Paulo SP - 1º United Artists, na Casa das Rosas

1995 - São Paulo SP - Projeto Babel, no Sesc Pompéia

1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria do Sesc Paulista

1996 - Brasília DF - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, no Itaugaleria

1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1996 - São Paulo SP - 1º Off Bienal, no Museu Brasileiro da Escultura

1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira : 50 anos de história no acervo MAC/USP : 1920 - 1970, no MAC/USP

1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP: 1920-1970, no MAC/USP

1996 - São Paulo SP - Bandeiras, na Galeria de Arte do Sesi

1996 - São Paulo SP - O Mundo de Mario Schenberg, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - O Mundo de Mário Schenberg, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - Off Bienal Um, no Museu Brasileiro de Esculturas

1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul

1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói

1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ

1998 - São Paulo SP - Afinidades Eletivas I: o olhar do colecionador, na Casa das Rosas

1998 - São Paulo SP - Canibáliafetiva, na A Estufa

1998 - São Paulo SP - Década de 70, na Galeria de Arte São Paulo

1998 - São Paulo SP - Figurações: 30 anos na arte brasileira, no MAC/USP

1998 - São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin : matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi

1999 - São Paulo SP - United Artists: Viagens de Identidades, na Casa das Rosas

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20 : arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20 : arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional

2000 - Rio de Janeiro RJ - Situações : arte brasileira anos 70, na Fundação Casa França-Brasil

2000 - São Paulo SP - Arte Conceitual e Conceitualismos: anos 70 no acervo do MAC/USP, na Galeria de Arte do Sesi

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Coleção Pirelli no Acervo do MAM : a arte brasileira nos anos 60, no MAM/SP

2000 - São Paulo SP - Desfile de Vacas

2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ

2001 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Arvani Arte

2001 - São Paulo SP - Cultura Brasileira 1, na Casa das Rosas

2001 - São Paulo SP - Museu de Arte Brasileira: 40 anos, no MAB

2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP

2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, na Paço Imperial

2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake

2002 - São Paulo SP - México Imaginário: o olhar do artista brasileiro, na Casa das Rosas

2003 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Brazilianart, no Almacén Galeria de Arte

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2003 - São Paulo SP - A Subversão dos Meios, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Arte e Sociedade: uma relação polêmica, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Israel e Palestina: dois estados para dois povos, no Sesc Pompéia

2003 - São Paulo SP - MAC USP 40 Anos: interfaces contemporâneas, no MAC/USP

2004 - Campinas SP - Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, no Espaço Cultural CPFL

2004 - São Paulo SP - Núcleos Contemporâneos, no Valu Oria Galeria de Arte

2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural

2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural

2005 - São Paulo SP - Pequenas Grandes Obras, no Cultural Blue Life

Fonte: JOSÉ Roberto Aguilar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de maio de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia – Wikipédia

Vida e obra

Autodidata, Aguilar integra o movimento artístico-literário Kaos, ao lado de Jorge Mautner e José Agripino de Paula, em 1956. Na década de 1960, liga-se ao realismo fantástico e faz incursões no campo da action painting. Firma-se por um estilo pictórico bastante pessoal, agitado, vibrante e permeado por grafismos, impresso em obras de grandes dimensões que exploram a temática urbana, a sexualidade, a sociedade e seus signos.

Apresentou-se na VII Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, recebendo o prêmio Itamaraty. Expõe ininterruptamente nas três edições seguintes. Paralelamente, multiplica suas intervenções ao longo dos anos 60. Em 1964, realiza uma exposição individual nas Galerias São Luís, em São Paulo, à qual se seguem diversas outras no Brasil e no exterior (Paris, em 1965, Nova York, em 1966, e uma mostra itinerante pela América Latina, em 1967).

Um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, integra a mostra Opinião 65 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Data desse período a técnica de pintar com spray, pistolas de ar comprimido e mesmo maçaricos (Série do futebol, 1966, Museu de Arte Contemporânea da USP). Reside em Londres entre 1969 e 1972 e, em seguida, em Nova York (1974-1975), onde inicia experimentações no campo da videoarte.

Retorna a São Paulo em 1976. No ano seguinte, apresenta a ópera conceitual Circo Antropofágico, premiada na XIV Bienal de São Paulo, que consistia na apresentação de doze monitores de televisão no palco do Teatro Ruth Escobar. Lança o livro A Divina Comédia Brasileira e cria a Banda Performática, grupo musical que realiza shows, performances e grava um disco em 1982. Organiza ainda o I Encontro Internacional de Vídeo-Arte (São Paulo, 1978), firmando-se como pioneiro dessa linguagem artística no Brasil. Seu interesse recorrente pela performance, no entanto, não o impede de realizar um retorno progressivo à pintura sobre tela.

Em meados da década de 1980, em função de uma incursão pela espiritualidade indiana, torna-se discípulo de Rajneesh e passa a assinar "Aguilar Vigyan". Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, reunindo 300 artistas e um público de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, executa pinturas e esculturas gigantes, trabalhando ainda com materiais como vidro e cerâmica. Foi diretor da Casa das Rosas entre 1995 e 2003, período em que promoveu curadorias sobre diversos aspectos da arte contemporânea no Brasil. Em 2003, foi nomeado representante do Ministério da Cultura para São Paulo.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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Os 60 anos de arte de Aguilar – Arte Brasileiros

Delírio e afetos traduzidos em pinturas marcam a volta de José Roberto Aguilar ao circuito de arte, com a exposição Destinos, o Homem Inventa o Homem, em cartaz na Fiesp. A performidade de cada tela é parte de um voo ancestral proposto por ele na tentativa de desvendar o universo, o homem e a natureza, na mostra que marca seus 60 anos de arte.

Aguilar interpreta as superfícies brancas das 69 telas como pistas de pouso para exibir uma cosmologia cujo fio condutor perpassa pelos filósofos gregos, Revolução Francesa, Picasso, Van Gogh, Bispo do Rosário e a cidade de São Paulo. Seus desejos são espiralados como um tornado e evoluem com a liberdade costumeira, como na abordagem radical de Guernica de Picasso. Pintada este ano, a intervenção é uma alusão à bipolaridade política do mundo atual num conflito que desemboca no dilema: ou a guerra ou a paz. As telas de grandes dimensões, algumas inéditas, dispostas na boa montagem de Haron Cohen, são demonstrações inconclusas de uma arte de hipóteses que parecem nunca ter um ponto final. Em Mademoiselles d’Avignon de Picasso, que leva o título 1907, ele celebra o ano da invenção da arte moderna e a criação da teoria da relatividade restrita, de Einstein.

O trabalho de Aguilar é intenso e obsessivo como atesta Rio Amazonas, uma tela de grandes dimensões que traduz a sua ligação com o ativismo ambiental na defesa do planeta que, segundo ele, vem sendo destruído pela ganância e ignorância. “Essa tela está ligada à série Rios Voadores, alusão aos cursos de água atmosféricos que se deslocam, passam por cima de nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil”. Desde 2004, Aguilar se divide entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém casa/ateliê e uma forte relação com a floresta amazônica e a comunidade ribeirinha local, envolvendo-a em suas obras coletivas. A imensa tela é uma ode à natureza e um grito de alerta, o mais potente e emblemático trabalho da mostra.

Aguilar mantém uma narrativa livre, sem filtros e traz a multiplicidade de interesses que gravitam em torno de suas reflexões sobre raciocínio, livre arbítrio, destino e meio ambiente. Dez de suas telas de grandes dimensões ensaiam um voo sobre a civilização ocidental, desde os filósofos gregos até uma possível ocupação de Marte em 2050. Em um segundo conjunto de 35 pinturas que podem ser lidas como tarôs, faz o caminho inverso, do objeto à ideia. Ele propõe ao visitante um jogo, uma viagem a locais imaginados. “Os destinos se transformam sempre, depende de você, como tudo na vida”. Cada quadro é identificado como a escolha de cada pessoa e se constitui em um campo cifrado com diálogos entre o que vemos e como compreendemos o que vemos. “A tela mais recente da exposição eu fiz há três semanas, como uma performance dentro da sala da exposição. No campo ampliado nascem gestos expandidos que formam uma grande onda”. Em outro trabalho, um emaranhado de fios com nomes de bairros emerge sob o título São Paulo, uma fricção da arte e urbanismo, com seus sapatos borrados de tinta pairando no ar.

A linha evolutiva dos 60 anos de arte revela Aguilar e seu intenso envolvimento com a arte contemporânea brasileira. “Tudo começou em meados dos anos 50, com meu colega de colégio Jorge Mautner. Aos 15 anos líamos tudo que caia nas mãos. Eu queria ser escritor, mas segui as artes plásticas e Mautner foi para a literatura”. Aos 22 anos Aguilar expõe na VII Bienal de São Paulo e Mautner, com 21, lança o livro Deus da chuva e da morte, que começou a maquinar aos 15.

Tentar categorizar a arte de Aguilar é correr atrás do vento. Até hoje ele vive a multiplicidade de suas transgressões na literatura, pintura, videoarte, música, cinema. Sua pintura ganha impulso em 1963 quando chama atenção de Mário Pedrosa e Clarival do Prado Valladares. Suas telas já traziam as cores e técnicas que lembram o grupo CoBrA. Dois anos depois ele participa da antológica exposição Opinião 65, com Hélio Oiticica, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Carlos Vergara, considerada um marco na arte brasileira.

“Com o AI-5 o clima fica insuportável e mudo para Londres, onde já estavam Caetano, Gil e Mautner”. Na área das performances cria obras polêmicas como Ópera do Terceiro Mundo, com Lucila Meirelles, e apresentada na Journées interdisciplinaires sur l’art corporel et performances, no Beaubourg de Paris, e irrita os críticos. “Só não nos interromperam porque lá não há censura”. A década de 1980, foi marcada pela Casa Azul, seu ateliê na Joaquim Eugênio de Lima, por onde passavam intelectuais como Mário Schenberg, Haroldo e Augusto de Campos, o pintor Nuno Ramos e o compositor e músico Arnaldo Antunes, que logo cria a banda Titãs. Aguilar mistura Bukowski com ensinamentos indianos, expande seu circuito, expõe na Alemanha e Japão, ganha as páginas da Art in América.

Em 1980 incendeia o átrio da Pinacoteca do Estado, antigo anfiteatro do museu, com a performance Concerto para Luvas de Box e Piano. “Esse evento deu início à Banda Performática com Arnaldo Antunes e outros amigos. Fizemos muitos shows e gravamos disco”. Em 86 surpreende com a intervenção no Museu da Imagem e do Som com Anticristo, “uma alusão ao artista búlgaro Christo que embrulhava monumentos, museus, pontes”. Aguilar desembrulha o MIS, que foi coberto por plástico preto durante IV Festival Videobrasil, quando o museu era na avenida Europa. “Fazíamos tudo com muita diversão.”

Todas as fases e linguagens de Aguilar se entrecruzam, dialogam entre si e são testemunhas de uma estranheza que muda o olhar do espectador sobre a realidade e a representação. Suas pinturas são performances de cores e gestos que trazem para o mesmo espaço a percepção de uma realidade ímpar, diferente daquela que move o homem convencional.

Fonte: Arte Brasileiros, "Os 60 anos de arte de Aguilar", escrito por Leonor Amarante, publicado em 30 de outubro de 2020. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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José Roberto Aguilar conta história da cultura em telas cobertas de respingos | Folha

O artista José Roberto Aguilar pede a esta repórter para pensar num número. Feita a escolha — sete —, ele caminha até uma tela em que um jorro de tinta colorida cobre retângulos e quadrados pretos e brancos. O "Destino Sete", lê numa plaquinha, em voz alta, "personifica a infância e a brincadeira".

Os tais destinos, 35 no total, seguem todos a mesma fórmula: padrões geométricos monocromáticos aqui e ali ocultos por esguichos de cor. E, acompanhados das plaquinhas que adivinham o futuro, funcionam como um bom epílogo para a primeira parte desta mostra no Centro Cultural Fiesp. Afinal, as pinturas ao lado se propõem a narrar a história da cultura, dos filósofos pré-socráticos aos algoritmos.

Pode parecer ambicioso, mas o multiartista — Aguilar é pintor, videomaker, performer, escultor, escritor, músico e curador — já se debruçou sobre a origem da humanidade várias vezes nos seus 60 anos de carreira.

Um quarto de século atrás, no MAM, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, ele se inspirou numa tradução de Haroldo de Campos para a Gênesis para pintar os seis dias em que Deus criou o mundo. Depois, ilustrou o nascimento do homem —as pinturas, que destoam do universo do artista por serem em preto e branco, foram expostas de novo há dois anos.

A exposição de agora avança ainda um capítulo nesta história. Nele, "o homem inventa o homem", diz Aguilar. Questionado se o tema teve a ver com o momento de crise da cultura no país, ele assente. "É uma crise pré-pandemia."

As telas, muitas pintadas semanas antes da abertura, trazem as explosões de cores tão associadas ao artista, assim como a sua mistura característica de abstração, figurativismo e texto. As palavras ali rabiscadas, aliás, dão uma dica para o público de a que personalidade ou momento histórico Aguilar está se referindo.

"A Cidade de São Paulo", por exemplo, estampa nomes de bairros paulistanos, enquanto "Gil e Amigos" traz, numa caligrafia mais caprichada, os nomes de Caetano, Bethânia, Gal, Jorge Mautner — o último, companheiro de Aguilar no movimento performático-literário Kaos quando os dois eram só adolescentes.

Também há espaço para citações imagéticas nas pinturas, caso de "O Pêndulo da História (Guerra ou Paz)". Nela, uma reprodução da "Guernica" de Picasso convive com dois "loucões", como Aguilar chama as duas figuras caóticas que disputam um bastão com garras de tinta. A da esquerda, uma figura preta sobre um fundo branco, representa a harmonia, diz o artista. A da direita são "os 'bolsominions', o Donald Trump".

É um embate entre dois pólos que aparece em vários momentos da mostra. Em "O Destino de uma Nação (Cada Nação Inventa o Seu Destino)", uma bandeira do Brasil coberta de respingos tem uma metade nas cores originais e a outra em preto branco, como num negativo fotográfico.

Em "A Invenção do Algoritmo" o plano de fundo é rasgado por traços brancos que representariam "a luz surgindo, um nascimento", segundo Aguilar. "Tudo tem um lado positivo e um negativo", justifica o artista.

Essa dualidade também marca os 35 "Destinos". Mas se lá os futuros são leves, quase sempre otimistas, aqui eles são bem mais nefastos.

Concluindo a mostra estão duas telas. Uma delas, "o gostosão da exposição", segundo Aguilar, tem 8,5 metros de comprimento. Chamada de "Rio Amazonas", é inspirada nas paisagens de Alter do Chão, no Pará, onde o artista vive parte do tempo há mais de 15 anos. Mas a imagem que surge entre as pinceladas violentas lembra menos um rio plácido e mais uma queimada, o vermelho e o amarelo se infiltrando pela tela.

Aguilar afirma que a obra fala da destruição da natureza. E que, caso "essa ignorância que está mudando totalmente o planeta" continue, o que vai nos restar é o cenário da tela em frente. Seu título é "Casamento em Marte 2050".

Fonte: Folha, "José Roberto Aguilar conta história da cultura em telas cobertas de respingos", escrito por Clara Balbi, publicado em 9 de novembro de 2020. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

Crédito fotográfico: Site José Roberto Aguilar. Consultado pela última vez em 19 de maio de 2022.

José Roberto Aguilar (São Paulo, 11 de abril de 1941), também conhecido como Aguilar ou Aguilar Vigyan, é um artista multimídia, curador, escritor, escultor, gravador, performer, pintor e músico brasileiro, considerado o pioneiro na utilização do vídeo como linguagem artística do país. Ousado, sua produção é voltada à vida urbana, à sexualidade e à pluralidade de códigos e signos, entre outros temas, utilizando-se de uma abordagem vibrante e expressiva. É irmão do crítico de arte Nelson Aguilar. Participou da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Também participou da Bienal Internacional de São Paulo e da mostra OPINIÃO-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Obteve o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo e realizou 2 grandes mega-exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP em 1991 e no MAM-SP em 1996, além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas e trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo. Expôs em diversas galerias do Brasil, Portugal, Japão, Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, entre outros.

José Roberto Aguilar

José Roberto Aguilar (São Paulo, 11 de abril de 1941), também conhecido como Aguilar ou Aguilar Vigyan, é um artista multimídia, curador, escritor, escultor, gravador, performer, pintor e músico brasileiro, considerado o pioneiro na utilização do vídeo como linguagem artística do país. Ousado, sua produção é voltada à vida urbana, à sexualidade e à pluralidade de códigos e signos, entre outros temas, utilizando-se de uma abordagem vibrante e expressiva. É irmão do crítico de arte Nelson Aguilar. Participou da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Também participou da Bienal Internacional de São Paulo e da mostra OPINIÃO-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Obteve o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo e realizou 2 grandes mega-exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP em 1991 e no MAM-SP em 1996, além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas e trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo. Expôs em diversas galerias do Brasil, Portugal, Japão, Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, entre outros.

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Biografia – José Roberto Aguilar

José Roberto Aguilar nasceu em São Paulo em 1941. Em 1958 já participava da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Em 1961, realizou sua primeira exposição. Em 1963, é selecionado para a Bienal Internacional de São Paulo. Em 1965 junto com outros artistas nacionais e internacionais (Hélio Oiticica com os Parangolés), participa da famosa mostra OPINIÃO-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1967, recebe o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo, onde volta a expor em 1969.

Durante a agitada década de 60, centraliza sua ação no atelier que possuía na Rua Frei Caneca, frequentado por grande parte dos responsáveis pela renovação política e cultural por que passava a vida brasileira. Na virada dos anos 70, é um dos criadores que se vê obrigado a viver no exterior. Morou em Londres, realizou exposições em Birmingham. Retornou ao Brasil em 1973, fazendo exposições no Rio e em São Paulo.

Entre 1974 e 1975, vive em Nova York, USA, onde começa a realizar um trabalho pioneiro de vídeo-arte. Convidado para a Bienal de São Paulo em 1977, realiza a peça performática Circo Antropofágico, com doze monitores de vídeo no palco. Recebe o Prêmio Governador do Estado. Em 1978, participa de vídeo-performances no Beaubourg em Paris e no Festival de Vídeo-Arte de Tóquio. Em 1979 expõe novamente na Bienal de São Paulo.

Na década de 80, desenvolve grande atividade como pintor, realizando diversas exposições, e torna-se um dos artistas brasileiros com maior participação em mostras no exterior, sobretudo nos EUA e na Alemanha. Em paralelo, reforça sua imagem de multimídia através de inúmeras performances, da criação e apresentações da Banda Performática, da realização de montagens e espetáculos em praças públicas – sendo a mais espetacular o mega-evento da Revolução Francesa em 1989, onde coloca 300 artistas em cena, na frente do Estádio Municipal do Pacaembu. Compõe músicas, grava discos, escreve e edita livros. Desenvolve suas ligações com a religiosidade e a capacidade humana de transcendência. São constantes as demonstrações de não ter medo de experimentar.

Nos anos 90, deu continuidade às suas múltiplas atividades. Realizou 2 grandes mega-exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP em 1991 e no MAM-SP em 1996, além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas, dinamizando aquele espaço cultural com grandes exposições sobre cultura brasileira (1996-2002). Trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo até 2007. Com mais de quarenta anos de presença no panorama cultural, consolidou uma posição ímpar que se caracterizou pela diversidade e coerência.

Fonte: Site José Roberto Aguilar. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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Biografia – Itaú Cultural

Autodidata, integrou o movimento performático-literário Kaos, em 1956, com Jorge Mautner (1941) e José Agripino de Paula. Em 1963, expõe pinturas na 7ª Bienal Internacional de São Paulo. Considerado um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, participou da mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, em 1965. Nessa época, passa a pintar com spray e pistola de ar comprimido.

Vive em Londres, entre 1969 e 1972, e em Nova York, entre 1974 e 1975, época em que inicia suas experimentações com vídeo. Voltou a morar em São Paulo em 1976. No ano seguinte, participa da 14ª Bienal Internacional de São Paulo com a instalação Circo Antropofágico Ambulante Cósmico e Latino-Americano Apresenta Esta Noite: A Transformação Permanente do Tabu em Totem, em que expõe 12 monitores de TV no palco do Teatro Ruth Escobar.

Em 1981, cria o grupo musical Banda Performática e lança o livro A Divina Comédia Brasileira. Torna-se discípulo do líder espiritual indiano Rajneesh, em 1983, e começa a assinar suas telas como Aguilar Vigyan.

Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, com a participação de 300 artistas, assistida por cerca de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, faz pinturas em telas gigantes e esculturas em vidro e cerâmica. De 1995 a 2002, é diretor do espaço cultural Casa das Rosas, em São Paulo. Em 2003, Aguilar é nomeado representante do Ministério da Cultura na capital paulista.

Análise

A partir dos anos 1950, José Roberto Aguilar realiza obras que possuem um caráter mágico-expressionista, em diálogo com a abstração, caracterizadas pela espontaneidade na pintura, obtida pela aplicação rápida da tinta. Na Série Futebol 1 (1966), emprega manchas de cor e tintas escorridas, em cores contrastantes, causando grande impacto pelo caráter fantástico das figuras disformes. Por volta de 1963, sua obra passa a revelar preocupações político-sociais. O artista realiza experiências com pinturas a spray e pistola sobre grandes superfícies de tela. Por meio dessas técnicas, obtém efeitos originais, captando a atmosfera dos luminosos em néon, típica das metrópoles atuais.

Um dos pioneiros no trabalho com videoarte no Brasil, Aguilar revela, ao longo de sua carreira, a facilidade em transitar de um suporte a outro. Em 1981, cria a Banda Performática, que reúne pintura, música, teatro e circo. Na metade da década de 1980, realiza pinturas nas quais se destacam a gestualidade e a inserção da caligrafia contra um plano de fundo contrastante.

Em 2002, na exposição Rio de Poemas, Aguilar realiza uma série de telas inspiradas em textos literários, como o conto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa (1908 - 1967). A atração pela literatura e pela mitologia são constantes na produção do artista. Ele apropria-se da escrita e dos signos gráficos, tornando-os elementos integrantes de suas telas. Em suas pinturas, apresenta uma dinâmica multidirecional e revela a articulação de emoções. Nas telas da série Rio de Poemas, o artista diminui a gestualidade, produzindo pinturas quase diáfanas.

Críticas

"De antes Aguilar conservou a disposição de impacto visual e de agressividade conceitual. Hoje, as figuras que lhe habitam os trabalhos chegaram àquele ponto de saturação crítico - caricatural que as transfere para a área de anonimato dos graffiti. A zona limítrofe entre bom e mau gosto se rompe, não há mais como defini-los e contê-los, são por fim uma só e única coisa. Mas a antropofagia se individualiza e se valoriza pelo fato de que a acumulação aparentemente caótica e automatizada de toda espécie de sinal sobre o quadro, gestos figurando e desfigurando, rabiscando, comentando ou camuflando a escrita, mantém muito ainda de atuação racional, nessas narrativas com signos e personagens que nos remetem a Dubuffet ou Enrico Baj, sem deixar de ser bastante nossas. Suas figuras e referências à paisagem mais retratam, no sentido de investigação implícito no termo, do que apenas mostram" — Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976).

"José Roberto Aguilar compunha com o músico Jorge Mautner e o escritor José Agripino o ´Grupo Kaos´. Influenciado pela nova figuração européia, mas incorporando o Expressionismo Abstrato do norte-americano Pollock, e mais recentemente elementos do rock (criou e foi o líder de uma banda performática, chegando a gravar discos), e religiosos (como membro de seita criada por Rajneesh assina suas telas atualmente com o nome Vigyan), é um artista essencialmente urbano, que capta e transmite o ritmo frenético da megalópole moderna. Desde as primeiras apresentações em mostras coletivas, no início da década de 60, Aguilar trabalha basicamente com o mesmo material: letras, palavras, frases ou citações inteiras de textos de Oswald de Andrade, Borges, Bukowski. A letra como ícone. Estes signos linguísticos ocupam uniformemente o espaço da tela ou aparecem relacionados com figuras humanas, áreas ou faixas de cor. As figuras - homens e mulheres - são grafitadas toscamente e parecem manter um diálogo incompreensível, à maneira de Ionesco. Mas o artista sente-se bem neste seu estilo torrencial e em produzir, com imagens, o ruído infernal da urbe moderna" — Frederico Morais (DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986).

"Aguilar sempre tratou a pintura de uma forma extática. Orgia de cores expondo vestígios de seu corpo em giros, curvas, movimentos expressos e impressos nas camadas de tinta sobre a tela. Do tato tinta na pele tela. Com intenção parecida adentrou pioneiramente na video-arte. A camera-pincel refazendo o traçado dos gestos. Chupando a superfície de pessoas, coisas, cores, reveladas por sua transformação em fluxo luminoso; linhas pulsantes. 'O olho do diabo'. Sem abandonar a pintura - porto seguro de onde sempre partiu para outros descobrimentos -, Aguilar chega agora a uma nova encruzilhada-sintese dos diversos meios por onde a imagem corre. Onde a matéria e a realidade virtual se alimentam, abrindo territórios e repertórios virgens, a serem explorados" — Arnaldo Antunes

(ANTUNES, Arnaldo. Tantra coisa : insights de um voyer. In: ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.)

Depoimentos

"Quem me ensinou a pintar foi o Mautner (Jorge). Um dia ele chegou e disse, cheio de segurança e arrogância: vamos pintar. Meu avô é pintor. Vou até lá, olho como ele faz e trago toda a informação. Passou uma tarde com o avô e voltou : já sei como pintar. Temos que comprar uma tela, terebentina, uns pincéis e tintas. Ele fez tudo isso e ficamos olhando o Mautner pintar. Compramos também nosso material. Quando abri o tubo de terebentina, aquele cheiro me envolveu. Foi como se tivesse acionado a lâmpada de Aladim. O cheiro evocou todas as maravilhas imaginadas e não imaginadas. Senti na hora que pintar seria muito mágico, um ritual. . . Acho que minha loucura veio do meu pai. Era uma criança, um homem que mostrava todo seu maravilhamento diante do homem. Engenhoso, criativo. Durante a guerra comprou um lote imenso de trens miniaturas, centenas de vagões e locomotivas. Em 1949, montou um parque ferroviário alucinante na Galeria Prestes Maia. Depois, organizou a maior filmoteca de São Paulo, A Rainha, alugava filmes. Foi no início da televisão. Mais tarde, ergueu a maior fábrica de botões da América Latina. Tem também o lado materno, minha mãe tocava piano muito bem. Hoje, meu pai vive uma placidez Zen" — José Roberto Aguilar (AGUILAR, José Roberto. José Roberto Aguilar/Swami Antar Vigyan: tarot. São Paulo : Galeria de Arte São Paulo, 1984).

"Embora essas peças falem do 'Mahabharata', elas não tem vontade de ser, poderiam ser qualquer coisa. São peças antropomórficas não concebidas como representação. Podem ser qualquer coisa. Funcionam como peças de realidade virtual, metáforas da arte. Já as esculturas de vidro seriam sílabas, palavras congeladas da escrita de Ganesha - intraduzível através da lógica e resistente ao dualismo cartesiano. Podem ser vistas como pinceladas. . . Essa exposição nasceu da proposta de um amigo meu terapeuta, para que eu fizesse uma adaptação do Mahabharata para o teatro. Ela acabou se realizando através de três séries de pinturas, a última das quais foi dedicada ao 'Bahgvad Gita', a que usa cores mais fortes" — José Roberto Aguilar (GONÇALVES FILHO, Antônio. Aguilar pinta e revela suas visões do Mahabharata. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 maio 1993).

Exposições Individuais

1964 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luiz

1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Seta

1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Seta

1967 - Campinas SP - Individual, no MACC

1968 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Art-Art

1969 - Nova York (Estados Unidos) - Exposição de Gravuras, no Center for Inter American Relations

1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1970 - São Paulo SP - Individual, no IAB/SP

1971 - Birmingham (Inglaterra) - Individual, na Ikan Gallery

1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ralph Camargo

1974 - Rio de Janeiro RJ - A Transformação Permanente do Tabu em Totem, na Petite Galerie

1974 - São Paulo SP - Individual, na Petite Galerie

1976 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Grafitti

1976 - São Paulo SP - 15 Anos de Pintura, no Masp

1977 - Brasília DF - Individual, na Fundação Cultural do Distrito Federal

1977 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Fernando Millan

1977 - São Paulo SP - Vídeo-Arte, no MAC/USP

1978 - Tóquio (Japão) - Individual, na Galeria Varig

1980 - Milão (Itália) - Vídeo, na Galeria de Brer

1980 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1980 - São Paulo SP - Vídeo, na Galeria Luiza Strina

1980 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina

1980 - São Paulo SP - Individual, no Itaugaleria

1981 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1983 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1984 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Artespaço

1984 - São Paulo SP - Tarot, na Galeria São Paulo

1985 - Colônia (Alemanha) - Individual, na Inge Baecker Gallery

1986 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na na Galeria Montesanti-Roesler

1987 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Montesanti-Roesler

1989 - São Paulo SP - 2º Paradiso, no Subdistrito Comercial de Arte

1990 - Berlim (Alemanha) - Individual, na Galerie Rudolf Schoen

1991 - São Paulo SP - Gigantomaquia Pictural, no Masp

1993 - Nova York (Estados Unidos) - Performance, na New York University

1993 - São Paulo SP - Visões do Mahabharata, na Galeria São Paulo

1993 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte São Paulo

1996 - São Paulo SP - A Criação do Mundo e o Tempo, no MAM/SP

2002 - São Paulo SP - Rio de Poesias, no Escritório de Arte São Paulo

2003 - Curitiba PR - Visionários, na Casa Andrade Muricy

2005 - São Paulo SP - Individual, no Instituto Tomie Ohtake

Exposições Coletivas

1963 - São Paulo SP - 2º Salão do Trabalho - menção honrosa

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1964 - Ribeirão Preto SP - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional

1964 - São Paulo SP - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no MAC/USP

1964 - São Paulo SP - 1º Salão de Arte, na Galeria de Arte das Folhas - primeiro prêmio

1965 - Belo Horizonte MG - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no Museu de Arte da Pampulha

1965 - Campinas SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC

1965 - Curitiba PR - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, na Secretaria do Estado de Educação

1965 - Florianópolis SC - 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, no Museu de Arte de Santa Catarina

1965 - Paris (França) - 4ª Bienal de Paris

1965 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Esso de Artistas Jovens, no MAM/RJ

1965 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, na Faap

1965 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, no MAM/RJ

1965 - s.l. - 4ª Bienal da Poesia

1965 - São Paulo SP - 14º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1965 - São Paulo SP - Propostas 65, no MAB/Faap

1965 - São Paulo SP - Salão Esso de Artistas Jovens, no MAC/USP

1966 - Campinas SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MAC/Campinas - primeiro prêmio

1966 - Rio de Janeiro RJ - O Homem e a Máquina, no MAM/RJ

1966 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 66

1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - prêmio aquisição

1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1966 - São Paulo SP - O Homem e a Máquina, no Masp

1966 - São Paulo SP - Três Premissas, no MAB

1967 - Bogotá (Colômbia) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Brasília DF - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, no Teatro Nacional Cláudio Santoro

1967 - Buenos Aires (Argentina) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Campinas SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC - primeiro prêmio

1967 - Caracas (Venezuela) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Lima (Peru) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - México - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Montevidéu (Uruguai) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - Santiago (Chile) - Três Aspectos da Pintura Contemporânea Brasileira

1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna

1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - Prêmio Itamaraty

1968 - Campo Grande MS - 28 Artistas do Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Diário da Serra

1969 - Fortaleza CE - 28 Artistas do Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela

1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo SP - Arte Multiplicada Brasileira, na Múltipla de Arte

1972 - São Paulo SP - Os Pioneiros da Arte do Realismo Fantástico, no Paço das Artes

1975 - Alabama (Estados Unidos) - Exposição de Arte Brasileira

1975 - Birmingham (Inglaterra) - Arte Brasileira

1975 - Bogotá (Colômbia) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Caracas (Venezuela) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - La Paz (Bolívia) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Lima (Peru) - Pintura Contemporânea Brasileira

1975 - Rio de Janeiro RJ - A Comunicação segundo os Artistas Plásticos

1975 - Santiago (Chile) - Pintura Contemporânea Brasileira

1976 - Michigan (Estados Unidos) - 20 Artistas Brasileiros, na Kresge Art Gallery

1976 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Paço das Artes

1976 - Texas (Estados Unidos) - Exposição de desenho latino-Americano, na Universidade do Texas

1977 - São Paulo SP - 14ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - prêmio governador do estado

1978 - Caracas (Venezuela) - Encontro Internacional de Vídeo-Arte

1978 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Palácio da Cultura

1978 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MNBA

1978 - São Paulo SP - 1º Encontro Internacional de Vídeo-Arte de São Paulo, no MIS/SP

1979 - Nova Iorque (Estados Unidos) - Contemporary Brazilian Works on Paper, na Nobe Gallery

1979 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ

1979 - São Paulo SP - 15ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1980 - São Paulo SP - Salão Paulista de Arte Contemporânea - 1º Prêmio

1981 - Londres (Inglaterra) - Arte Brasileira Contemporânea, na Barbikan Gallery

1981 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira Contemporânea, no MAM/RJ

1981 - Rio de Janeiro RJ - Pablo, Pablo! : uma interpretação brasileira de Guernica, na Funarte

1981 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea, no MAM/SP

1981 - São Paulo SP - Artistas Contemporâneos Brasileiros, no Escritório de Arte São Paulo

1982 - Lisboa (Portugal) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1982 - Londres (Inglaterra) - Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Barbican Art Gallery

1982 - Rio de Janeiro RJ - Entre a Mancha e a Figura, no MAM/RJ

1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ

1983 - Rio de Janeiro RJ - 3 x 4 Grandes Formatos, na Galeria do Centro Empresarial Rio

1983 - São Paulo SP - 14º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1983 - São Paulo SP - Arte na Rua 1

1984 - Londres (Inglaterra) - Coletiva, na Barbikan Gallery

1984 - Rio de Janeiro RJ - Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

1984 - São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand : retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Coletiva, no MAM/SP

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura : síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Brasília DF - Brasilidade e Independência, no Teatro Nacional Cláudio Santoro

1985 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65, na Galeria de Arte Banerj

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - Sala Expressionismo Brasileiro

1985 - São Paulo SP - Arte e Tecnologia, no MAC/USP

1985 - São Paulo SP - Arte Novos Meios/ Multimeios : Brasil 70/80, no MAB/Faap

1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil, no CCSP

1985 - Tóquio (Japão) - Today's Art of Brazil, no Hara Museum of Contemporary Art

1986 - São Paulo SP - 17º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1987 - Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador ; homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1987 - São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, no Chapel Art Show

1987 - São Paulo SP - A Trama do Gosto: um outro olhar sobre o cotidiano, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo SP - Palavra Imágica, no MAC/USP

1988 - Leverkussen (Alemanha) - Brasil Já, no Morsbroich Museum

1988 - São Paulo SP - 63/66 Figura e Objeto, na Galeria Millan

1988 - Stuttgart (Alemanha) - Brasil Já, na Galerie Landesgirokasse

1989 - Hannover (Alemanha)- Brasil Já, no Sprengel Museum

1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1989 - São Paulo SP - Acervo Galeria São Paulo, no Escritório de Arte São Paulo

ac.1990 - Tóquio (Japão) - Arte Brasileira , na Latin Art Gallery

1990 - Atami (Japão) - 9º Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Berlim (Alemanha) - Art Brasil Berlin. José Roberto Aguilar, Cristina Barroso e Rubens Oestroem, na Galerie Rudolf Schoen

1990 - Berlim (Alemanha) - Berliner Galerien Zeigen Brasilienische Kunst

1990 - Brasília DF - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Brasília DF - Pantanal : sete visões, na Visual Galeria de Arte

1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF

1990 - Los Angeles (Estados Unidos) - Brazil Projects´90, na Municipal Art Gallery

1990 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - São Paulo SP - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea, na Fundação Brasil-Japão

1990 - São Paulo SP - Brazil Projects´90, no Masp

1990 - São Paulo SP - Exposição Brasil -Japão de Arte Contemporânea, no Masp

1990 - Sapporo (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1990 - Tóquio (Japão) - 9ª Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea

1991 - Estocolmo (Suécia) - Viva Brasil Viva, na Liljevalchs Konsthall

1992 - Campinas SP - Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti

1992 - Rio de Janeiro RJ - A Caminho de Niterói : Coleção João Sattamini, no Paço Imperial

1992 - Rio de Janeiro RJ - Eco Art, no MAM/RJ

1992 - São Paulo SP - Anos 60/70: Coleção Gilberto Chateubriand/Museu de Arte Moderna-RJ, na Galeria de Arte do Sesi

1993 - João Pessoa PB - Xilogravura : do cordel à galeria, na Fundação Espaço Cultural da Paraiba

1993 - Niterói RJ - A Caminho de Niterói : Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil : Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Belo Horizonte MG - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70

1994 - Penápolis SP - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, na Galeria Itaú Cultural

1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil : Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ

1994 - Rio de Janeiro RJ - Via Fax, no Museu do Telephone

1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1994 - São Paulo SP - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, no Itaú Cultural

1994 - São Paulo SP - Xilogravura : do cordel à galeria, na Companhia do Metropolitano de São Paulo

1994 - São Paulo SP- Bandeiras: 60 artistas homenageiam os 60 anos da USP, no MAC/USP

1995 - Belo Horizonte MG - Projeto Babel, na Praça da Liberdade

1995 - Rio de Janeiro RJ - Opinião 65 : 30 anos, no CCBB

1995 - São Paulo SP - 1º United Artists, na Casa das Rosas

1995 - São Paulo SP - Projeto Babel, no Sesc Pompéia

1995 - São Paulo SP - Projeto Contato, na Galeria do Sesc Paulista

1996 - Brasília DF - O Efêmero na Arte Brasileira: anos 60/70, no Itaugaleria

1996 - Niterói RJ - Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini, no MAC/Niterói

1996 - São Paulo SP - 1º Off Bienal, no Museu Brasileiro da Escultura

1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira : 50 anos de história no acervo MAC/USP : 1920 - 1970, no MAC/USP

1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP: 1920-1970, no MAC/USP

1996 - São Paulo SP - Bandeiras, na Galeria de Arte do Sesi

1996 - São Paulo SP - O Mundo de Mario Schenberg, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - O Mundo de Mário Schenberg, na Casa das Rosas

1996 - São Paulo SP - Off Bienal Um, no Museu Brasileiro de Esculturas

1998 - Brasília DF - Cien Recuerdos para Garcia Lorca, no Espaço Cultural 508 Sul

1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói

1998 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ

1998 - São Paulo SP - Afinidades Eletivas I: o olhar do colecionador, na Casa das Rosas

1998 - São Paulo SP - Canibáliafetiva, na A Estufa

1998 - São Paulo SP - Década de 70, na Galeria de Arte São Paulo

1998 - São Paulo SP - Figurações: 30 anos na arte brasileira, no MAC/USP

1998 - São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin : matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi

1999 - São Paulo SP - United Artists: Viagens de Identidades, na Casa das Rosas

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20 : arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20 : arte do Brasil, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional

2000 - Rio de Janeiro RJ - Situações : arte brasileira anos 70, na Fundação Casa França-Brasil

2000 - São Paulo SP - Arte Conceitual e Conceitualismos: anos 70 no acervo do MAC/USP, na Galeria de Arte do Sesi

2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal

2000 - São Paulo SP - Coleção Pirelli no Acervo do MAM : a arte brasileira nos anos 60, no MAM/SP

2000 - São Paulo SP - Desfile de Vacas

2001 - Rio de Janeiro RJ - O Espírito de Nossa Época, no MAM/RJ

2001 - São Paulo SP - Arte Hoje, na Arvani Arte

2001 - São Paulo SP - Cultura Brasileira 1, na Casa das Rosas

2001 - São Paulo SP - Museu de Arte Brasileira: 40 anos, no MAB

2001 - São Paulo SP - O Espírito de Nossa Época, no MAM/SP

2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, na Paço Imperial

2002 - São Paulo SP - Mapa do Agora: arte brasileira recente na Coleção João Sattamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Instituto Tomie Ohtake

2002 - São Paulo SP - México Imaginário: o olhar do artista brasileiro, na Casa das Rosas

2003 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Brazilianart, no Almacén Galeria de Arte

2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa

2003 - São Paulo SP - A Subversão dos Meios, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Arte e Sociedade: uma relação polêmica, no Itaú Cultural

2003 - São Paulo SP - Israel e Palestina: dois estados para dois povos, no Sesc Pompéia

2003 - São Paulo SP - MAC USP 40 Anos: interfaces contemporâneas, no MAC/USP

2004 - Campinas SP - Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, no Espaço Cultural CPFL

2004 - São Paulo SP - Núcleos Contemporâneos, no Valu Oria Galeria de Arte

2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural

2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural

2005 - São Paulo SP - Pequenas Grandes Obras, no Cultural Blue Life

Fonte: JOSÉ Roberto Aguilar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Acesso em: 18 de maio de 2022. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia – Wikipédia

Vida e obra

Autodidata, Aguilar integra o movimento artístico-literário Kaos, ao lado de Jorge Mautner e José Agripino de Paula, em 1956. Na década de 1960, liga-se ao realismo fantástico e faz incursões no campo da action painting. Firma-se por um estilo pictórico bastante pessoal, agitado, vibrante e permeado por grafismos, impresso em obras de grandes dimensões que exploram a temática urbana, a sexualidade, a sociedade e seus signos.

Apresentou-se na VII Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, recebendo o prêmio Itamaraty. Expõe ininterruptamente nas três edições seguintes. Paralelamente, multiplica suas intervenções ao longo dos anos 60. Em 1964, realiza uma exposição individual nas Galerias São Luís, em São Paulo, à qual se seguem diversas outras no Brasil e no exterior (Paris, em 1965, Nova York, em 1966, e uma mostra itinerante pela América Latina, em 1967).

Um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, integra a mostra Opinião 65 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Data desse período a técnica de pintar com spray, pistolas de ar comprimido e mesmo maçaricos (Série do futebol, 1966, Museu de Arte Contemporânea da USP). Reside em Londres entre 1969 e 1972 e, em seguida, em Nova York (1974-1975), onde inicia experimentações no campo da videoarte.

Retorna a São Paulo em 1976. No ano seguinte, apresenta a ópera conceitual Circo Antropofágico, premiada na XIV Bienal de São Paulo, que consistia na apresentação de doze monitores de televisão no palco do Teatro Ruth Escobar. Lança o livro A Divina Comédia Brasileira e cria a Banda Performática, grupo musical que realiza shows, performances e grava um disco em 1982. Organiza ainda o I Encontro Internacional de Vídeo-Arte (São Paulo, 1978), firmando-se como pioneiro dessa linguagem artística no Brasil. Seu interesse recorrente pela performance, no entanto, não o impede de realizar um retorno progressivo à pintura sobre tela.

Em meados da década de 1980, em função de uma incursão pela espiritualidade indiana, torna-se discípulo de Rajneesh e passa a assinar "Aguilar Vigyan". Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, reunindo 300 artistas e um público de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, executa pinturas e esculturas gigantes, trabalhando ainda com materiais como vidro e cerâmica. Foi diretor da Casa das Rosas entre 1995 e 2003, período em que promoveu curadorias sobre diversos aspectos da arte contemporânea no Brasil. Em 2003, foi nomeado representante do Ministério da Cultura para São Paulo.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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Os 60 anos de arte de Aguilar – Arte Brasileiros

Delírio e afetos traduzidos em pinturas marcam a volta de José Roberto Aguilar ao circuito de arte, com a exposição Destinos, o Homem Inventa o Homem, em cartaz na Fiesp. A performidade de cada tela é parte de um voo ancestral proposto por ele na tentativa de desvendar o universo, o homem e a natureza, na mostra que marca seus 60 anos de arte.

Aguilar interpreta as superfícies brancas das 69 telas como pistas de pouso para exibir uma cosmologia cujo fio condutor perpassa pelos filósofos gregos, Revolução Francesa, Picasso, Van Gogh, Bispo do Rosário e a cidade de São Paulo. Seus desejos são espiralados como um tornado e evoluem com a liberdade costumeira, como na abordagem radical de Guernica de Picasso. Pintada este ano, a intervenção é uma alusão à bipolaridade política do mundo atual num conflito que desemboca no dilema: ou a guerra ou a paz. As telas de grandes dimensões, algumas inéditas, dispostas na boa montagem de Haron Cohen, são demonstrações inconclusas de uma arte de hipóteses que parecem nunca ter um ponto final. Em Mademoiselles d’Avignon de Picasso, que leva o título 1907, ele celebra o ano da invenção da arte moderna e a criação da teoria da relatividade restrita, de Einstein.

O trabalho de Aguilar é intenso e obsessivo como atesta Rio Amazonas, uma tela de grandes dimensões que traduz a sua ligação com o ativismo ambiental na defesa do planeta que, segundo ele, vem sendo destruído pela ganância e ignorância. “Essa tela está ligada à série Rios Voadores, alusão aos cursos de água atmosféricos que se deslocam, passam por cima de nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil”. Desde 2004, Aguilar se divide entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém casa/ateliê e uma forte relação com a floresta amazônica e a comunidade ribeirinha local, envolvendo-a em suas obras coletivas. A imensa tela é uma ode à natureza e um grito de alerta, o mais potente e emblemático trabalho da mostra.

Aguilar mantém uma narrativa livre, sem filtros e traz a multiplicidade de interesses que gravitam em torno de suas reflexões sobre raciocínio, livre arbítrio, destino e meio ambiente. Dez de suas telas de grandes dimensões ensaiam um voo sobre a civilização ocidental, desde os filósofos gregos até uma possível ocupação de Marte em 2050. Em um segundo conjunto de 35 pinturas que podem ser lidas como tarôs, faz o caminho inverso, do objeto à ideia. Ele propõe ao visitante um jogo, uma viagem a locais imaginados. “Os destinos se transformam sempre, depende de você, como tudo na vida”. Cada quadro é identificado como a escolha de cada pessoa e se constitui em um campo cifrado com diálogos entre o que vemos e como compreendemos o que vemos. “A tela mais recente da exposição eu fiz há três semanas, como uma performance dentro da sala da exposição. No campo ampliado nascem gestos expandidos que formam uma grande onda”. Em outro trabalho, um emaranhado de fios com nomes de bairros emerge sob o título São Paulo, uma fricção da arte e urbanismo, com seus sapatos borrados de tinta pairando no ar.

A linha evolutiva dos 60 anos de arte revela Aguilar e seu intenso envolvimento com a arte contemporânea brasileira. “Tudo começou em meados dos anos 50, com meu colega de colégio Jorge Mautner. Aos 15 anos líamos tudo que caia nas mãos. Eu queria ser escritor, mas segui as artes plásticas e Mautner foi para a literatura”. Aos 22 anos Aguilar expõe na VII Bienal de São Paulo e Mautner, com 21, lança o livro Deus da chuva e da morte, que começou a maquinar aos 15.

Tentar categorizar a arte de Aguilar é correr atrás do vento. Até hoje ele vive a multiplicidade de suas transgressões na literatura, pintura, videoarte, música, cinema. Sua pintura ganha impulso em 1963 quando chama atenção de Mário Pedrosa e Clarival do Prado Valladares. Suas telas já traziam as cores e técnicas que lembram o grupo CoBrA. Dois anos depois ele participa da antológica exposição Opinião 65, com Hélio Oiticica, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Carlos Vergara, considerada um marco na arte brasileira.

“Com o AI-5 o clima fica insuportável e mudo para Londres, onde já estavam Caetano, Gil e Mautner”. Na área das performances cria obras polêmicas como Ópera do Terceiro Mundo, com Lucila Meirelles, e apresentada na Journées interdisciplinaires sur l’art corporel et performances, no Beaubourg de Paris, e irrita os críticos. “Só não nos interromperam porque lá não há censura”. A década de 1980, foi marcada pela Casa Azul, seu ateliê na Joaquim Eugênio de Lima, por onde passavam intelectuais como Mário Schenberg, Haroldo e Augusto de Campos, o pintor Nuno Ramos e o compositor e músico Arnaldo Antunes, que logo cria a banda Titãs. Aguilar mistura Bukowski com ensinamentos indianos, expande seu circuito, expõe na Alemanha e Japão, ganha as páginas da Art in América.

Em 1980 incendeia o átrio da Pinacoteca do Estado, antigo anfiteatro do museu, com a performance Concerto para Luvas de Box e Piano. “Esse evento deu início à Banda Performática com Arnaldo Antunes e outros amigos. Fizemos muitos shows e gravamos disco”. Em 86 surpreende com a intervenção no Museu da Imagem e do Som com Anticristo, “uma alusão ao artista búlgaro Christo que embrulhava monumentos, museus, pontes”. Aguilar desembrulha o MIS, que foi coberto por plástico preto durante IV Festival Videobrasil, quando o museu era na avenida Europa. “Fazíamos tudo com muita diversão.”

Todas as fases e linguagens de Aguilar se entrecruzam, dialogam entre si e são testemunhas de uma estranheza que muda o olhar do espectador sobre a realidade e a representação. Suas pinturas são performances de cores e gestos que trazem para o mesmo espaço a percepção de uma realidade ímpar, diferente daquela que move o homem convencional.

Fonte: Arte Brasileiros, "Os 60 anos de arte de Aguilar", escrito por Leonor Amarante, publicado em 30 de outubro de 2020. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

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José Roberto Aguilar conta história da cultura em telas cobertas de respingos | Folha

O artista José Roberto Aguilar pede a esta repórter para pensar num número. Feita a escolha — sete —, ele caminha até uma tela em que um jorro de tinta colorida cobre retângulos e quadrados pretos e brancos. O "Destino Sete", lê numa plaquinha, em voz alta, "personifica a infância e a brincadeira".

Os tais destinos, 35 no total, seguem todos a mesma fórmula: padrões geométricos monocromáticos aqui e ali ocultos por esguichos de cor. E, acompanhados das plaquinhas que adivinham o futuro, funcionam como um bom epílogo para a primeira parte desta mostra no Centro Cultural Fiesp. Afinal, as pinturas ao lado se propõem a narrar a história da cultura, dos filósofos pré-socráticos aos algoritmos.

Pode parecer ambicioso, mas o multiartista — Aguilar é pintor, videomaker, performer, escultor, escritor, músico e curador — já se debruçou sobre a origem da humanidade várias vezes nos seus 60 anos de carreira.

Um quarto de século atrás, no MAM, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, ele se inspirou numa tradução de Haroldo de Campos para a Gênesis para pintar os seis dias em que Deus criou o mundo. Depois, ilustrou o nascimento do homem —as pinturas, que destoam do universo do artista por serem em preto e branco, foram expostas de novo há dois anos.

A exposição de agora avança ainda um capítulo nesta história. Nele, "o homem inventa o homem", diz Aguilar. Questionado se o tema teve a ver com o momento de crise da cultura no país, ele assente. "É uma crise pré-pandemia."

As telas, muitas pintadas semanas antes da abertura, trazem as explosões de cores tão associadas ao artista, assim como a sua mistura característica de abstração, figurativismo e texto. As palavras ali rabiscadas, aliás, dão uma dica para o público de a que personalidade ou momento histórico Aguilar está se referindo.

"A Cidade de São Paulo", por exemplo, estampa nomes de bairros paulistanos, enquanto "Gil e Amigos" traz, numa caligrafia mais caprichada, os nomes de Caetano, Bethânia, Gal, Jorge Mautner — o último, companheiro de Aguilar no movimento performático-literário Kaos quando os dois eram só adolescentes.

Também há espaço para citações imagéticas nas pinturas, caso de "O Pêndulo da História (Guerra ou Paz)". Nela, uma reprodução da "Guernica" de Picasso convive com dois "loucões", como Aguilar chama as duas figuras caóticas que disputam um bastão com garras de tinta. A da esquerda, uma figura preta sobre um fundo branco, representa a harmonia, diz o artista. A da direita são "os 'bolsominions', o Donald Trump".

É um embate entre dois pólos que aparece em vários momentos da mostra. Em "O Destino de uma Nação (Cada Nação Inventa o Seu Destino)", uma bandeira do Brasil coberta de respingos tem uma metade nas cores originais e a outra em preto branco, como num negativo fotográfico.

Em "A Invenção do Algoritmo" o plano de fundo é rasgado por traços brancos que representariam "a luz surgindo, um nascimento", segundo Aguilar. "Tudo tem um lado positivo e um negativo", justifica o artista.

Essa dualidade também marca os 35 "Destinos". Mas se lá os futuros são leves, quase sempre otimistas, aqui eles são bem mais nefastos.

Concluindo a mostra estão duas telas. Uma delas, "o gostosão da exposição", segundo Aguilar, tem 8,5 metros de comprimento. Chamada de "Rio Amazonas", é inspirada nas paisagens de Alter do Chão, no Pará, onde o artista vive parte do tempo há mais de 15 anos. Mas a imagem que surge entre as pinceladas violentas lembra menos um rio plácido e mais uma queimada, o vermelho e o amarelo se infiltrando pela tela.

Aguilar afirma que a obra fala da destruição da natureza. E que, caso "essa ignorância que está mudando totalmente o planeta" continue, o que vai nos restar é o cenário da tela em frente. Seu título é "Casamento em Marte 2050".

Fonte: Folha, "José Roberto Aguilar conta história da cultura em telas cobertas de respingos", escrito por Clara Balbi, publicado em 9 de novembro de 2020. Consultado pela última vez em 18 de maio de 2022.

Crédito fotográfico: Site José Roberto Aguilar. Consultado pela última vez em 19 de maio de 2022.

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