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Michel Arnoult

Michel Arnoult (Paris, França, 1922 — 29 de março de 2005, São Paulo, Brasil) foi um designer e arquiteto francês. Iniciou a carreira como faxineiro em uma fábrica de móveis, onde adquiriu experiência na confecção e seleção de madeiras. Após retornar à França em 1945, estudou no Centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagiou com o designer Marcel Gascoin, precursor do mobiliário produzido em série. Após experiências na América Latina, estabeleceu-se no Brasil em 1950, onde fundou a Mobília Contemporânea em 1954, revolucionando o mercado de móveis com sua abordagem simples e acessível. Sua poltrona Pelicano, premiada em 2003 pelo Museu da Casa Brasileira, é um exemplo emblemático de seu compromisso com o design ergonômico e sustentável, enquanto seu uso pioneiro do eucalipto como matéria-prima influenciou uma produção mais acessível e consciente no país. Arnoult foi uma figura visionária cujo trabalho deixou uma marca na história do design brasileiro.

Biografia Michel Arnoult – Arremate Arte

Michel Arnoult, nascido em Paris em 1922 e falecido em São Paulo em 2005, foi designer e arquiteto. Em meio à ocupação nazista na França, Arnoult começou sua carreira aos 20 anos como faxineiro em uma fábrica de móveis na Bavária, onde adquiriu experiência na confecção e seleção de madeiras. Após retornar à França em 1945, estudou no Centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagiou com o designer Marcel Gascoin, precursor do mobiliário produzido em série.

Sua jornada o levou a trabalhar na Block & Cia. no México e na Arquidec na Venezuela, antes de decidir estabelecer-se no Brasil em 1950. No Rio de Janeiro, trabalhou no escritório de Oscar Niemeyer e cursou arquitetura na Faculdade Nacional. Após várias tentativas de vender seus projetos de móveis para indústrias brasileiras, Arnoult fundou, em 1954, a Mobília Contemporânea, em parceria com Abel de Barros Lima e Norman Westwater. A empresa se destacou por oferecer móveis de madeira maciça, simples e acessíveis, montados pelos próprios compradores, revolucionando o mercado de móveis no país.

Apesar do sucesso inicial, a Mobília Contemporânea encerrou suas atividades em 1974 devido à crise econômica e à resistência ao modelo proposto por Arnoult. Em seguida, fundou a Senta, empresa de móveis estofados para exportação. Ao longo de sua carreira, Arnoult se manteve fiel aos seus princípios, desenvolvendo projetos autônomos e priorizando a produção de móveis populares e sustentáveis.

Sua poltrona Pelicano, premiada em 2003 pelo Museu da Casa Brasileira, é um exemplo marcante de seu trabalho, combinando design ergonômico e materiais sustentáveis. Arnoult também foi um defensor do uso do eucalipto como matéria-prima para móveis, contribuindo para uma produção mais acessível e sustentável no Brasil.

Seu legado como precursor do mobiliário componível e sua visão inovadora continuam a influenciar o design de móveis no país, deixando uma marca duradoura na história do design brasileiro.

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Biografia Michel Arnoult | Itaú Cultural

Michel Arnoult (Paris, França, 1922 - São Paulo, SP, 2005). Designer e arquiteto. Aos 20 anos de idade, na França ocupada pela Alemanha nazista, Arnoult é obrigado a trabalhar como faxineiro em uma fábrica de móveis ao Norte da Bavária, perto da cidade de Würtzburg. Por falar alemão, também opera máquinas e tem sua primeira experiência com confecção mobiliária e seleção de corte de madeiras. Ao voltar para a França, em 1945, estuda no centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagia um ano com o designer Marcel Gascoin (1907-1986), precursor da mobília produzida em série. Em 1948, ganha concurso de projetista em sua escola e é contratado pela Block & Cia., na Cidade do México. No ano seguinte, trabalha na Arquidec, na Venezuela, com objetivo de juntar dinheiro e voltar para a França.

Ao passar pelo Rio de Janeiro, em 1950, decide ficar no Brasil. Trabalha no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e cursa, de 1951 a 1955, arquitetura na Faculdade Nacional. No escritório, conhece figuras como o político Juscelino Kubitscheck (1902-1976), o humorista Barão de Itararé (1895-1971) e o pintor Candido Portinari (1903-1962). Após numerosas tentativas de vender projetos de mobília para indústrias brasileiras, decide montar seu próprio negócio. Junto com os amigos Abel de Barros Lima e Norman Westwater, convence uma marcenaria de Curitiba a confeccionar seus móveis. Com o sucesso de vendas, os três abrem a Mobília Contemporânea nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em 1954. Com a crise econômica, a empresa é fechada em 1974.

Dois anos depois, Michel Arnoult funda a Senta, empresa de móveis estofados e desmontáveis para exportação que funciona durante sete anos. Em 1983, abre com Joaquim Mello o escritório Arnoult & Mello – Desenho Industrial e Arquitetônico. Desde o fechamento da Senta, Arnoult realiza projetos autônomos e faz prioritariamente desenhos de móveis populares. Ele vende seus projetos de móveis para fábricas do Sul e do interior de São Paulo e também trabalha como consultor da loja Tok&Stok, que é aberta no Brasil no fim da década de 1970. Defensor e entusiasta do eucalipto, projeta móveis dessa madeira para países estrangeiros. No fim da década de 1990, é convidado pelo governo do Distrito Federal a melhorar a produção das pequenas fábricas da periferia de Brasília. Em 2003, sua poltrona Pelicano recebe o primeiro lugar do prêmio Design do Museu da Casa Brasileira (MCB). Hoje, ela é fabricada pela loja Objekto, na Europa, e pela Futon and Company, em São Paulo.

Análise

Precursor dos móveis componíveis no Brasil, Arnoult contribui não apenas com desenhos de mobília moderna, mas também com tentativas de implantar em solo brasileiro um modelo diverso de produção, venda e consumo de mobiliário.

A experiência de Arnoult com móveis produzidos em série se inicia em Paris, em 1945, quando estagia com o designer francês Marcel Gascoin. Apesar de seu primeiro trabalho no Brasil ser no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, Arnoult, que se denomina “arquitetófilo”, tem grande interesse no design de móveis. Após consecutivas tentativas mal-sucedidas de vender seus projetos a fábricas brasileiras, convence um marceneiro de Curitiba a executar alguns de seus desenhos. A facilidade com que suas peças são vendidas o leva a abrir, em 1954, a Mobília Contemporânea.

A loja traz mudança significativa no varejo de móveis. Se na década de 1950 a arquitetura moderna já está consolidada no Brasil, o mesmo não ocorre com o design. Os móveis modernos, vendidos em lojas como a do arquiteto português Joaquim Tenreiro (1906-1992), a Unilabor e a Branco & Preto, são destinados ao público de maior poder aquisitivo. Com a abertura da Mobília Contemporânea, as classes médias carioca e paulista passam a montar suas casas e escritórios com móveis projetados por Arnoult. Feitos de madeira maciça, com desenho simples e racional, despojados de ornamentos, os móveis são transportados para casa e montados pelos próprios compradores – que encontram nos produtos oferecidos pela empresa uma alternativa de gosto ao que é vendido nas lojas de móveis. Pouco tempo após sua inauguração, surgem lojas como a Oca, do arquiteto Sérgio Rodrigues (1927), a Hobjeto, do artista plástico e designer Geraldo Barros (1923-1998) e a Mobilínea, do designer italiano Ernesto Hauner (1931-2002).

Dentre a produção da empresa se destaca a estante Peg Lev, que faz parte de linha de móveis homônima, e a poltrona Ouro Preto. De porte leve, com pés torneados e braços compridos, ela tem estofamento fino sustentado por percintas de borracha. Quando o fornecedor das percintas para de fabricá-las, Arnoult soluciona o problema substituindo o material por fios de náilon. Feita de imbuia, a peça recebe, no início da década de 1970, uma versão com braços torneados e madeira laqueada em branco. A poltrona é bom exemplo do que o designer define como “conforto duro”, termo com o qual descreve seus móveis, opondo-se às poltronas e aos sofás estofados, nos quais o usuário é convidado a sentar de forma esparramada. Ao fazer móveis que seguem preceitos modernos, Arnoult concebe um conforto que sugere postura mais ereta e ativa do corpo.

Embora seus negócios tenham êxito, em 1974 a Mobília Contemporânea é fechada. Além da crise econômica de 1973, a resistência ao modelo proposto por Arnoult explica a queda de vendas da empresa. A concepção de móveis montados pelos próprios compradores é pouco aceita em um país no qual o trabalho manual é distintivo de classes sociais mais baixas. Ela só passa a ser melhor vista com a chegada da loja Tok&Stok no Brasil.

Mesmo após o fechamento da Mobília Contemporânea, Michel Arnoult segue com seus projetos, sem abrir mão dos seus princípios. Na Senta e nos trabalhos como autônomo que realiza, sobretudo a partir da década de 1980, não faz concessões a encomendas de móveis com peças meramente decorativas, que encarecem o produto. Sua crítica aos preços de móveis se dirige também às lojas que vendem peças com valores muito superiores aos das fábricas. Defensor de preço justo, Michel emprega a expressão francesa “en avoir pour son argent” [estar satisfeito pelo valor pago]. Bom exemplo disso é a cadeira que desenvolve para exportação na década de 1990. Sem pretensão de originalidade estética, a cadeira é simples: ortogonal, com assento ripado ou estofado e composta de sarrafos de eucalipto. A inovação de Arnoult está no uso dessa madeira de reflorestamento como matéria-prima da peça. Enquanto na Europa o metro cúbico do eucalipto demora de 15 a 30 anos para crescer, no Brasil esse tempo é de apenas 6 anos. Entusiasta da madeira maciça e crítico dos compensados, Arnoult enxerga nela a possibilidade de produção do mobiliário brasileiro com preços competitivos no mercado.

Nos anos de 1996 e 1997, o designer participa do Programa de Implantação de Núcleos Tecnológicos, em Brasília. A iniciativa do Instituto de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal pretende capacitar empreendedores a fim de torná-los aptos a competir com grandes empresas e gerar mais emprego. Convidado pelo governo do Distrito Federal, Arnoult oferece consultorias a empresas de pequeno e médio porte. Além de capacitar as fábricas para produção seriada de móveis, diminuindo seus custos e aumentando a qualidade dos seus produtos, Arnoult desenha uma linha de móveis para casas. Dela fazem parte a poltrona de balanço e a mesa de jantar, cujos assentos podem ser cadeiras, bancos individuais ou bancos coletivos.

A historiadora Ethel Leon (1951) caracteriza Arnoult como um “designer convicto que se tornou empresário apenas para pôr em prática ideias que os industriais não compravam”. Ao comentar a contribuição de Arnoult, cuja produção lançou novos conceitos de mobília no Brasil, o arquiteto e designer João Carlos Cauduro (1935) afirma que “ele estava dez a quinze anos à frente do que acontecia aqui”.

Fonte: MICHEL Arnoult. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 09 de maio de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia Michel Arnoult | Wikipédia

Nascido na França em 1922, aos 26 anos desembarca no Rio de Janeiro onde estudou arquitetura, fez estágio com Oscar Niemeyer. Antes de terminar o curso associou-se ao arquiteto escocês Norman Westwater, que trabalhava como cenógrafo e havia começado a projetar móveis.

Desde o início de sua carreira Arnoult esteve ciente das necessidades reais das quais o mercado Brasileiro necessitava. Tinha a intenção de que seus trabalhos chegassem ao grande público, fato observado com a tentativa de vendê-los para Cássio Muniz e a Móveis Drago (grandes lojas de departamentos) e mais recentemente pela declaração de que gostaria muito de ter seus móveis à venda nas Casas Bahia.

Atendendo às mudanças arquitetônicas pelas quais o país passava, projetaram um mobiliário que não mais podia ser feito por encomenda, havia a necessidade de algo que preservasse seu valor estético sem perder a funcionalidade e que estivesse ao alcance dessa população habitante da série de apartamentos que surgiam.

Aproveitando conceitos criados no início da industrialização e que se mantêm até hoje como índice de eficiência na produção em série como a modulação, e a redução no número de peças, a Mobília Contemporânea ajudou a indústria moveleira do Brasil a quebrar conceitos ultrapassados de projeto e produção.

Em 1954, juntamente com mais dois sócios, contrataram uma marcenaria em Curitiba composta por ex-operários da Móveis Cimo para produzirem a primeira linha desse grupo. Criam na mesma cidade a Forma Móveis e Interiores, mas por haver uma Cadeira da linha Peg-Lev outra empresa homônima e no mesmo setor tiveram que alterar o nome para Mobília Contemporânea. Em 1955 a empresa mudou-se para São Paulo e conforme a ampliação da produção abriram mais duas filiais na mesma cidade e uma no Rio de Janeiro.

Arnoult produzia móveis para serem duráveis e rejeitava a ideia do consumismo desenfreado apregoada em países já desenvolvidos e que representava em alguma medida o quanto determinada sociedade havia avançado economicamente. No Brasil, apesar do momento exigir a industrialização de uma vez por todas, seria incoerente criar um estado mental de obsolescência rápida dos objetos. O pensamento do designer também ajudaria os produtores que poderiam manter seu maquinário por mais tempo.

Em 1970, em face à concorrência que a Mobília Contemporânea sofria, foi criado o conceito Peg-Lev, móvel desmontável para ser vendido em supermercados. Em termos funcionais, segundo Arnout, o projeto era muito bem sucedido, infelizmente esse exemplo de boa concepção não foi aceite pelo mercado e em 1973 sua empresa encerrou atividades. Em seguida Arnoult passou a trabalhar como designer na Fábrica de Móveis Senta e lá permaneceu até o final dos anos 1980, quando passou a trabalhar de forma independente mantendo sua obsessão pela criação de móveis adequados ao país e à época, postura semelhante à de Geraldo de Barros e alinhada com as ideias de Victor Papanek que em 1971 lançou um livro chamado Design For the Real World no qual, entre outras ideias, propunha que os designers se dirigissem mais aos problemas sociais e que abrissem mão do seu narcisismo autoral em função do benefício de todos.

A partir do final década de 1980, o Arnoult passou a criar móveis com eucalipto replantado em respeito à problemática ecológica.

Em sua 17ª edição (2003) o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira em São Paulo contou a participação de designers de diversas regiões do Brasil, atraindo veteranos e novatos. O prêmio de melhor mobiliário foi concedido a Arnoult que aos 81 resolveu entrar como participante após ter sido jurado do concurso. O projeto vencedor foi a poltrona Pelicano, semelhante às de diretor de cinema, no entanto mais leve (pesa 9 quilos) e fácil de desmontar. Feita com lona de algodão, que não esquenta no calor, costurada em forma de saco, anexa com apenas 4 pinos a uma estrutura de madeira ecologicamente correta, conceito pelo qual o autor tinha muita estima em razão da síntese: praticidade, beleza e baixo preço.

Em março de 2005, aos 83 anos, Michel Arnoult morreu deixando projetos ainda inéditos do público.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 9 de maio de 2024.

Crédito fotográfico: Imagem extraída do catálogo SESC São Paulo, "Michel Arnoult, design e utopia", página 10. Publicado em 2016. Consultado pela última vez em 9 de maio de 2024.

Michel Arnoult (Paris, França, 1922 — 29 de março de 2005, São Paulo, Brasil) foi um designer e arquiteto francês. Iniciou a carreira como faxineiro em uma fábrica de móveis, onde adquiriu experiência na confecção e seleção de madeiras. Após retornar à França em 1945, estudou no Centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagiou com o designer Marcel Gascoin, precursor do mobiliário produzido em série. Após experiências na América Latina, estabeleceu-se no Brasil em 1950, onde fundou a Mobília Contemporânea em 1954, revolucionando o mercado de móveis com sua abordagem simples e acessível. Sua poltrona Pelicano, premiada em 2003 pelo Museu da Casa Brasileira, é um exemplo emblemático de seu compromisso com o design ergonômico e sustentável, enquanto seu uso pioneiro do eucalipto como matéria-prima influenciou uma produção mais acessível e consciente no país. Arnoult foi uma figura visionária cujo trabalho deixou uma marca na história do design brasileiro.

Michel Arnoult

Michel Arnoult (Paris, França, 1922 — 29 de março de 2005, São Paulo, Brasil) foi um designer e arquiteto francês. Iniciou a carreira como faxineiro em uma fábrica de móveis, onde adquiriu experiência na confecção e seleção de madeiras. Após retornar à França em 1945, estudou no Centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagiou com o designer Marcel Gascoin, precursor do mobiliário produzido em série. Após experiências na América Latina, estabeleceu-se no Brasil em 1950, onde fundou a Mobília Contemporânea em 1954, revolucionando o mercado de móveis com sua abordagem simples e acessível. Sua poltrona Pelicano, premiada em 2003 pelo Museu da Casa Brasileira, é um exemplo emblemático de seu compromisso com o design ergonômico e sustentável, enquanto seu uso pioneiro do eucalipto como matéria-prima influenciou uma produção mais acessível e consciente no país. Arnoult foi uma figura visionária cujo trabalho deixou uma marca na história do design brasileiro.

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Michel Arnoult: industrialização do móvel popular | 2019

Biografia Michel Arnoult – Arremate Arte

Michel Arnoult, nascido em Paris em 1922 e falecido em São Paulo em 2005, foi designer e arquiteto. Em meio à ocupação nazista na França, Arnoult começou sua carreira aos 20 anos como faxineiro em uma fábrica de móveis na Bavária, onde adquiriu experiência na confecção e seleção de madeiras. Após retornar à França em 1945, estudou no Centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagiou com o designer Marcel Gascoin, precursor do mobiliário produzido em série.

Sua jornada o levou a trabalhar na Block & Cia. no México e na Arquidec na Venezuela, antes de decidir estabelecer-se no Brasil em 1950. No Rio de Janeiro, trabalhou no escritório de Oscar Niemeyer e cursou arquitetura na Faculdade Nacional. Após várias tentativas de vender seus projetos de móveis para indústrias brasileiras, Arnoult fundou, em 1954, a Mobília Contemporânea, em parceria com Abel de Barros Lima e Norman Westwater. A empresa se destacou por oferecer móveis de madeira maciça, simples e acessíveis, montados pelos próprios compradores, revolucionando o mercado de móveis no país.

Apesar do sucesso inicial, a Mobília Contemporânea encerrou suas atividades em 1974 devido à crise econômica e à resistência ao modelo proposto por Arnoult. Em seguida, fundou a Senta, empresa de móveis estofados para exportação. Ao longo de sua carreira, Arnoult se manteve fiel aos seus princípios, desenvolvendo projetos autônomos e priorizando a produção de móveis populares e sustentáveis.

Sua poltrona Pelicano, premiada em 2003 pelo Museu da Casa Brasileira, é um exemplo marcante de seu trabalho, combinando design ergonômico e materiais sustentáveis. Arnoult também foi um defensor do uso do eucalipto como matéria-prima para móveis, contribuindo para uma produção mais acessível e sustentável no Brasil.

Seu legado como precursor do mobiliário componível e sua visão inovadora continuam a influenciar o design de móveis no país, deixando uma marca duradoura na história do design brasileiro.

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Biografia Michel Arnoult | Itaú Cultural

Michel Arnoult (Paris, França, 1922 - São Paulo, SP, 2005). Designer e arquiteto. Aos 20 anos de idade, na França ocupada pela Alemanha nazista, Arnoult é obrigado a trabalhar como faxineiro em uma fábrica de móveis ao Norte da Bavária, perto da cidade de Würtzburg. Por falar alemão, também opera máquinas e tem sua primeira experiência com confecção mobiliária e seleção de corte de madeiras. Ao voltar para a França, em 1945, estuda no centro Artístico Técnico da Escola Camondo e estagia um ano com o designer Marcel Gascoin (1907-1986), precursor da mobília produzida em série. Em 1948, ganha concurso de projetista em sua escola e é contratado pela Block & Cia., na Cidade do México. No ano seguinte, trabalha na Arquidec, na Venezuela, com objetivo de juntar dinheiro e voltar para a França.

Ao passar pelo Rio de Janeiro, em 1950, decide ficar no Brasil. Trabalha no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e cursa, de 1951 a 1955, arquitetura na Faculdade Nacional. No escritório, conhece figuras como o político Juscelino Kubitscheck (1902-1976), o humorista Barão de Itararé (1895-1971) e o pintor Candido Portinari (1903-1962). Após numerosas tentativas de vender projetos de mobília para indústrias brasileiras, decide montar seu próprio negócio. Junto com os amigos Abel de Barros Lima e Norman Westwater, convence uma marcenaria de Curitiba a confeccionar seus móveis. Com o sucesso de vendas, os três abrem a Mobília Contemporânea nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em 1954. Com a crise econômica, a empresa é fechada em 1974.

Dois anos depois, Michel Arnoult funda a Senta, empresa de móveis estofados e desmontáveis para exportação que funciona durante sete anos. Em 1983, abre com Joaquim Mello o escritório Arnoult & Mello – Desenho Industrial e Arquitetônico. Desde o fechamento da Senta, Arnoult realiza projetos autônomos e faz prioritariamente desenhos de móveis populares. Ele vende seus projetos de móveis para fábricas do Sul e do interior de São Paulo e também trabalha como consultor da loja Tok&Stok, que é aberta no Brasil no fim da década de 1970. Defensor e entusiasta do eucalipto, projeta móveis dessa madeira para países estrangeiros. No fim da década de 1990, é convidado pelo governo do Distrito Federal a melhorar a produção das pequenas fábricas da periferia de Brasília. Em 2003, sua poltrona Pelicano recebe o primeiro lugar do prêmio Design do Museu da Casa Brasileira (MCB). Hoje, ela é fabricada pela loja Objekto, na Europa, e pela Futon and Company, em São Paulo.

Análise

Precursor dos móveis componíveis no Brasil, Arnoult contribui não apenas com desenhos de mobília moderna, mas também com tentativas de implantar em solo brasileiro um modelo diverso de produção, venda e consumo de mobiliário.

A experiência de Arnoult com móveis produzidos em série se inicia em Paris, em 1945, quando estagia com o designer francês Marcel Gascoin. Apesar de seu primeiro trabalho no Brasil ser no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, Arnoult, que se denomina “arquitetófilo”, tem grande interesse no design de móveis. Após consecutivas tentativas mal-sucedidas de vender seus projetos a fábricas brasileiras, convence um marceneiro de Curitiba a executar alguns de seus desenhos. A facilidade com que suas peças são vendidas o leva a abrir, em 1954, a Mobília Contemporânea.

A loja traz mudança significativa no varejo de móveis. Se na década de 1950 a arquitetura moderna já está consolidada no Brasil, o mesmo não ocorre com o design. Os móveis modernos, vendidos em lojas como a do arquiteto português Joaquim Tenreiro (1906-1992), a Unilabor e a Branco & Preto, são destinados ao público de maior poder aquisitivo. Com a abertura da Mobília Contemporânea, as classes médias carioca e paulista passam a montar suas casas e escritórios com móveis projetados por Arnoult. Feitos de madeira maciça, com desenho simples e racional, despojados de ornamentos, os móveis são transportados para casa e montados pelos próprios compradores – que encontram nos produtos oferecidos pela empresa uma alternativa de gosto ao que é vendido nas lojas de móveis. Pouco tempo após sua inauguração, surgem lojas como a Oca, do arquiteto Sérgio Rodrigues (1927), a Hobjeto, do artista plástico e designer Geraldo Barros (1923-1998) e a Mobilínea, do designer italiano Ernesto Hauner (1931-2002).

Dentre a produção da empresa se destaca a estante Peg Lev, que faz parte de linha de móveis homônima, e a poltrona Ouro Preto. De porte leve, com pés torneados e braços compridos, ela tem estofamento fino sustentado por percintas de borracha. Quando o fornecedor das percintas para de fabricá-las, Arnoult soluciona o problema substituindo o material por fios de náilon. Feita de imbuia, a peça recebe, no início da década de 1970, uma versão com braços torneados e madeira laqueada em branco. A poltrona é bom exemplo do que o designer define como “conforto duro”, termo com o qual descreve seus móveis, opondo-se às poltronas e aos sofás estofados, nos quais o usuário é convidado a sentar de forma esparramada. Ao fazer móveis que seguem preceitos modernos, Arnoult concebe um conforto que sugere postura mais ereta e ativa do corpo.

Embora seus negócios tenham êxito, em 1974 a Mobília Contemporânea é fechada. Além da crise econômica de 1973, a resistência ao modelo proposto por Arnoult explica a queda de vendas da empresa. A concepção de móveis montados pelos próprios compradores é pouco aceita em um país no qual o trabalho manual é distintivo de classes sociais mais baixas. Ela só passa a ser melhor vista com a chegada da loja Tok&Stok no Brasil.

Mesmo após o fechamento da Mobília Contemporânea, Michel Arnoult segue com seus projetos, sem abrir mão dos seus princípios. Na Senta e nos trabalhos como autônomo que realiza, sobretudo a partir da década de 1980, não faz concessões a encomendas de móveis com peças meramente decorativas, que encarecem o produto. Sua crítica aos preços de móveis se dirige também às lojas que vendem peças com valores muito superiores aos das fábricas. Defensor de preço justo, Michel emprega a expressão francesa “en avoir pour son argent” [estar satisfeito pelo valor pago]. Bom exemplo disso é a cadeira que desenvolve para exportação na década de 1990. Sem pretensão de originalidade estética, a cadeira é simples: ortogonal, com assento ripado ou estofado e composta de sarrafos de eucalipto. A inovação de Arnoult está no uso dessa madeira de reflorestamento como matéria-prima da peça. Enquanto na Europa o metro cúbico do eucalipto demora de 15 a 30 anos para crescer, no Brasil esse tempo é de apenas 6 anos. Entusiasta da madeira maciça e crítico dos compensados, Arnoult enxerga nela a possibilidade de produção do mobiliário brasileiro com preços competitivos no mercado.

Nos anos de 1996 e 1997, o designer participa do Programa de Implantação de Núcleos Tecnológicos, em Brasília. A iniciativa do Instituto de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal pretende capacitar empreendedores a fim de torná-los aptos a competir com grandes empresas e gerar mais emprego. Convidado pelo governo do Distrito Federal, Arnoult oferece consultorias a empresas de pequeno e médio porte. Além de capacitar as fábricas para produção seriada de móveis, diminuindo seus custos e aumentando a qualidade dos seus produtos, Arnoult desenha uma linha de móveis para casas. Dela fazem parte a poltrona de balanço e a mesa de jantar, cujos assentos podem ser cadeiras, bancos individuais ou bancos coletivos.

A historiadora Ethel Leon (1951) caracteriza Arnoult como um “designer convicto que se tornou empresário apenas para pôr em prática ideias que os industriais não compravam”. Ao comentar a contribuição de Arnoult, cuja produção lançou novos conceitos de mobília no Brasil, o arquiteto e designer João Carlos Cauduro (1935) afirma que “ele estava dez a quinze anos à frente do que acontecia aqui”.

Fonte: MICHEL Arnoult. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Acesso em: 09 de maio de 2024. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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Biografia Michel Arnoult | Wikipédia

Nascido na França em 1922, aos 26 anos desembarca no Rio de Janeiro onde estudou arquitetura, fez estágio com Oscar Niemeyer. Antes de terminar o curso associou-se ao arquiteto escocês Norman Westwater, que trabalhava como cenógrafo e havia começado a projetar móveis.

Desde o início de sua carreira Arnoult esteve ciente das necessidades reais das quais o mercado Brasileiro necessitava. Tinha a intenção de que seus trabalhos chegassem ao grande público, fato observado com a tentativa de vendê-los para Cássio Muniz e a Móveis Drago (grandes lojas de departamentos) e mais recentemente pela declaração de que gostaria muito de ter seus móveis à venda nas Casas Bahia.

Atendendo às mudanças arquitetônicas pelas quais o país passava, projetaram um mobiliário que não mais podia ser feito por encomenda, havia a necessidade de algo que preservasse seu valor estético sem perder a funcionalidade e que estivesse ao alcance dessa população habitante da série de apartamentos que surgiam.

Aproveitando conceitos criados no início da industrialização e que se mantêm até hoje como índice de eficiência na produção em série como a modulação, e a redução no número de peças, a Mobília Contemporânea ajudou a indústria moveleira do Brasil a quebrar conceitos ultrapassados de projeto e produção.

Em 1954, juntamente com mais dois sócios, contrataram uma marcenaria em Curitiba composta por ex-operários da Móveis Cimo para produzirem a primeira linha desse grupo. Criam na mesma cidade a Forma Móveis e Interiores, mas por haver uma Cadeira da linha Peg-Lev outra empresa homônima e no mesmo setor tiveram que alterar o nome para Mobília Contemporânea. Em 1955 a empresa mudou-se para São Paulo e conforme a ampliação da produção abriram mais duas filiais na mesma cidade e uma no Rio de Janeiro.

Arnoult produzia móveis para serem duráveis e rejeitava a ideia do consumismo desenfreado apregoada em países já desenvolvidos e que representava em alguma medida o quanto determinada sociedade havia avançado economicamente. No Brasil, apesar do momento exigir a industrialização de uma vez por todas, seria incoerente criar um estado mental de obsolescência rápida dos objetos. O pensamento do designer também ajudaria os produtores que poderiam manter seu maquinário por mais tempo.

Em 1970, em face à concorrência que a Mobília Contemporânea sofria, foi criado o conceito Peg-Lev, móvel desmontável para ser vendido em supermercados. Em termos funcionais, segundo Arnout, o projeto era muito bem sucedido, infelizmente esse exemplo de boa concepção não foi aceite pelo mercado e em 1973 sua empresa encerrou atividades. Em seguida Arnoult passou a trabalhar como designer na Fábrica de Móveis Senta e lá permaneceu até o final dos anos 1980, quando passou a trabalhar de forma independente mantendo sua obsessão pela criação de móveis adequados ao país e à época, postura semelhante à de Geraldo de Barros e alinhada com as ideias de Victor Papanek que em 1971 lançou um livro chamado Design For the Real World no qual, entre outras ideias, propunha que os designers se dirigissem mais aos problemas sociais e que abrissem mão do seu narcisismo autoral em função do benefício de todos.

A partir do final década de 1980, o Arnoult passou a criar móveis com eucalipto replantado em respeito à problemática ecológica.

Em sua 17ª edição (2003) o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira em São Paulo contou a participação de designers de diversas regiões do Brasil, atraindo veteranos e novatos. O prêmio de melhor mobiliário foi concedido a Arnoult que aos 81 resolveu entrar como participante após ter sido jurado do concurso. O projeto vencedor foi a poltrona Pelicano, semelhante às de diretor de cinema, no entanto mais leve (pesa 9 quilos) e fácil de desmontar. Feita com lona de algodão, que não esquenta no calor, costurada em forma de saco, anexa com apenas 4 pinos a uma estrutura de madeira ecologicamente correta, conceito pelo qual o autor tinha muita estima em razão da síntese: praticidade, beleza e baixo preço.

Em março de 2005, aos 83 anos, Michel Arnoult morreu deixando projetos ainda inéditos do público.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 9 de maio de 2024.

Crédito fotográfico: Imagem extraída do catálogo SESC São Paulo, "Michel Arnoult, design e utopia", página 10. Publicado em 2016. Consultado pela última vez em 9 de maio de 2024.

Arremate Arte
Feito com no Rio de Janeiro

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