Luiz Antônio Ferreira Pizarro (1958, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Luiz Pizarro, é um pintor e professor de arte brasileiro. Formou-se em Engenharia de Produção pela UFRJ e em Administração Pública pela EBAP–FGV, complementando sua trajetória com estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1981 e 1983. Foi aluno de John Nicholson e Luiz Ernesto e frequentou o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila, experiências que contribuíram para sua formação artística. Integrante da Geração 80, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, em 1984, e da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985. Entre 1984 e 1989, integrou o Atelier da Lapa ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães; mais tarde, compartilhou o Casarão da Lapa com esses artistas, além de Maurício Bentes e Celeida Tostes. Também desenvolveu atividades de ensino e mediação cultural, lecionando pintura e desenho na EAV Parque Lage e atuando no MAM Rio. Sua obra se caracteriza pelo protagonismo da cor, pela pintura em tinta acrílica e por uma abordagem expressiva que, inicialmente, explorou com frequência a figura humana por meio de tonalidades não naturalistas. Na série Metapaisagens, criou composições de grande formato com planetas, plantas, flores, estruturas geométricas e referências cósmicas, propondo uma visão de interligação entre natureza, humanidade e universo. Suas obras integram a Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Luiz Pizarro | Arremate Arte
Luiz Antônio Ferreira Pizarro nasceu no Rio de Janeiro, em 1958, e consolidou uma trajetória singular na arte brasileira como pintor e professor. Sua formação artística ocorreu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde estudou entre 1981 e 1983 com John Nicholson e Luiz Ernesto, além de frequentar o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila. Esse período foi determinante para sua inserção em uma geração que reafirmou a potência da pintura no Brasil durante os anos 1980.
Em 1984, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada no Parque Lage, marco decisivo para a arte contemporânea brasileira, e, no ano seguinte, integrou a 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Entre 1984 e 1989, fez parte do Atelier da Lapa, convivendo e produzindo ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães. Posteriormente, dividiu o Casarão da Lapa com Senise, Maurício Bentes e Celeida Tostes, mantendo o espaço como ateliê e ambiente de ensino.
Desde os primeiros trabalhos, Luiz Pizarro desenvolveu uma pintura de forte intensidade cromática, marcada pela liberdade no uso da cor, pela expressividade das formas e pela presença recorrente da figura humana. Sua produção não se limita à representação: as figuras, os gestos e os campos coloridos tornam-se instrumentos para investigar a subjetividade, o corpo, as relações humanas e a experiência sensível do mundo. A obra Sem Título, de 1984, realizada em tinta acrílica sobre tela, integra a Coleção Gilberto Chateaubriand em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Paralelamente à atividade artística, Pizarro construiu uma presença importante no campo da educação. Lecionou pintura e desenho na EAV Parque Lage entre 1986 e 1990, período em que atuou ao lado de Beatriz Milhazes e Daniel Senise. Também coordenou, entre 1990 e 1991, o projeto Galpão das Artes, no MAM Rio, voltado à difusão da arte contemporânea. A partir de 1999, desenvolveu projetos educativos para instituições culturais e museus, entre eles o Museu Nacional de Belas Artes.
Em 2006, recebeu a Bolsa Icatu de Artes para realizar residência artística na Cité des Arts, em Paris, experiência que ampliou seu percurso internacional. Sem abandonar a pintura, continuou articulando criação, ensino e mediação cultural, mantendo vínculo ativo com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Em sua produção recente, Luiz Pizarro expandiu seu vocabulário visual para paisagens de caráter cósmico, geométrico e simbólico. Na exposição Metapaisagens, apresentada no Paço Imperial em 2023, a figura humana deixou de ocupar o centro das telas, abrindo espaço para globos terrestres, plantas, cubos e estruturas cromáticas que propõem uma reflexão sobre o planeta, a coexistência e a necessidade de observar o mundo por múltiplas perspectivas. A cor permanece como elemento essencial de sua linguagem, agora associada a uma visão mais ampla e relacional da natureza e da vida contemporânea.
Luiz Pizarro | Wikipédia
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, 1958) é um pintor e arte-educador brasileiro, conhecido por integrar a chamada Geração 80 da arte brasileira. Em sua carreira, Pizarro participou de duas edições da Bienal Internacional de São Paulo, lecionou com Beatriz Milhazes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e coordenou projetos educacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu Nacional de Belas Artes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro | Itaú Cultural
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor, arte-educador. Entre 1981 e 1983 estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage. É aluno de John Nicholson (1951), Luiz Ernesto (1955) e freqüenta o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila (1943). Em 1984, participa da exposição Como Vai Você, Geração 80? e, no ano seguinte, da 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Integra o Atelier da Lapa, entre 1984 e 1989, junto com os artistas Daniel Senise (1955), Angelo Venosa (1954) e João Magalhães (1945), e com eles (exceto Magalhães), além de Maurício Bentes (1958 - 2003) e Celeida Tostes (1929 - 1995), divide o Casarão da Lapa, de 1989 a 1991, utilizado como ateliê e espaço de ensino. Entre 1986 e 1990 leciona pintura e desenho na EAV/Parque Lage, e também dá aulas com Beatriz Milhazes (1960) e Daniel Senise. De 1990 a 1991, coordena o projeto Galpão das Artes, direcionado à difusão da arte contemporânea, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Viaja para a Europa em 1991, permanece em Portugal até 1992, e reside na Alemanha de 1992 a 1998. Volta ao Brasil, e entre 1999 e 2005 desenvolve projetos educativos para centros culturais e museus, como o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, e participa de exposições. Em 2006 recebe a Bolsa Icatu de Artes, para residência artística na Cité des Arts, em Paris.
Análise
Luiz Pizarro começa a expor nos anos 1980 e apresenta pinturas como Homem no Sofá, 1984, um homem nu descansando num sofá, e Sem Título, 1986, que mostra um casal se beijando. Pizarro não se preocupa em ser realista em relação às cores do corpo humano, e utiliza o preto, azul, violeta, verde, amarelo e o vermelho, por exemplo, em vez de tons que imitam a cor da pele. Em 1990 interessa-se pela pesquisa de novos materiais e produz, além de pinturas, obras tridimensionais como a torre de madeira, apresenta na 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991. Seguindo, entre 1992 e 1998, a pesquisa de materiais e morando na Alemanha, Pizarro imprime sobre parafina imagens de paisagens realizadas por viajantes alemães que vêm ao Brasil no século XIX, como em Para que Lado Fica o Paraíso?, 1995.
Entre 1998 e 2000 divide a tela em áreas geométricas de cor, sobre as quais insere monotipias em preto-e-branco com base em radiografias de ossos e de registros fotográficos do próprio corpo, se exercitando em sessões de musculação. Em 2001 soma a esse universo o desenho à mão livre (nanquim) de fragmentos de corpos mantendo relações sexuais. A questão da sexualidade é abordada, em 2004, em trabalhos que representam lutas marciais. Em 2006 retoma o emprego da parafina como suporte de paisagens.
Exposições individuais
1991 – Processo nº 738.765-2
2003 – 2080
2003 – Mais de Um
Exposições coletivas
1983 – Pintura! Pintura!
1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas
1984 – Como Vai Você, Geração 80?
1984 – Arte Brasileira Atual
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – Galeria Subdistrito: Mostra Inaugural
1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea
1985 – O Ateliê da Lapa
1985 – 18ª Bienal de São Paulo
1985 – Arte Construção: 21 artistas contemporâneos
1986 – 1ª Seleção Helena Rubinstein de Arte Jovem
1986 – Território Ocupado
1987 – Petrópolis Urgente: 1º Encontro de Arte Contemporânea de Petrópolis
1987 – Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand
1988 – 3x3: 3 Artistas, 3 Dimensões
1988 – Abolição
1988 – Subindo a Serra
1988 – 88 x 68: um balanço dos anos
1988 – Hedonismo: Coleção Gilberto Chateaubriand
1988 – 19º Panorama de Arte Atual Brasileira
1989 – Cristina Canale, Cláudio Fonseca, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini
1990 – Projetos Arqueos
1991 – 21ª Bienal de São Paulo
1992 – Eco Art
1992 – 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini
1993 – Arte Erótica
1993 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1994 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1995 – Anos 80: o palco da diversidade
1996 – Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini
1998 – Looking for an Angel
1998 – Moto Migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha
1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
1998 – Acervo Galeria de Arte São Paulo
2000 – A Imagem do Som de Gilberto Gil
2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002
2004 – Entre Tapas e Beijos
2004 – O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone
2004 – A Face Icônica da Arte Brasileira
2004 – Onde Está Você, Geração 80?
2005 – Onde Está Você, Geração 80?
2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira
2006 – Arte Moderna em Contexto: coleção ABN AMRO Real
2010 – Jogos de Guerra
2010 – Pop Up Rio
2010 – Jogos de Guerra: confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira
2011 – E os Amigos Sinceros Também
2012 – Sombras: Livro objeto de Franco Terranova
2012 – Salão de Pinturas
2018 – Horizontes – As Paisagens nas Coleções MAM Rio
2023 – Metapaisagens — Paço Imperial (Rio de Janeiro)
2024 – Oníricas — Cidade das Artes Bibi Ferreira (Rio de Janeiro)
2024 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial
Fonte: LUIZ Pizarro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 24 de julho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico | O Globo
Terminado o ensaio, Luiz Pizarro se sente ofegante em uma poltrona. Seu antebraço direito mostra três longos cortes. A pele sangra. Exausto, ele contempla no palco um cubo de madeira vazado, onde passou os últimos 35 minutos cruzando e sobrepondo fios de lã multicoloridos. O resultado da performance é um labirinto de cores entrelaçadas, que daqui a alguns minutos será destruído pela produção, e depois recriado nos próximos ensaios e apresentações, com novas formas geométricas.
Apesar da exigência e do desgaste, “O fio da meada”, espetáculo do artista plástico que estreia nesta sexta-feira no Espaço Sesc, é muito mais do que um desafio físico. A cada performance, Pizarro expõe a dor e a alegria da criação artística. O cubo vazado se transforma em uma arena, na qual divide com o público seus demônios.
— É uma improvisação corporal — define o artista. — Sei que, ao entrar no cubo, vou me jogar fisicamente. Lá dentro estou desconectado do entorno, só consigo olhar para os fios. Não há marcas, alguns dias (o trabalho) é mais lento, em outros, mais acelerado. Muitas vezes fico preso, preciso cortar os fios, destruir o que estou construindo. Sei que tenho que sair dali, só não sei como.
Enquanto improvisa seus movimentos, Pizarro dialoga consigo mesmo, numa interseção entre teatro, artes plásticas e cinema. As falas escapam como suspiros. São fragmentos de memória, pensamentos aleatórios, que criam associações livres com a geometria dos fios. Trocadilhos como “Estonteante/Estou diante” escancaram a relação do artista com o mundo e com o seu próprio trabalho.
— É uma dialética do pensamento que vai sendo construída em flashes — conta Pizarro. — Falo o que passa pela cabeça de um artista quando ele está criando sozinho. Adoro a sensação de estar no cubo, mas a solidão é enorme. Principalmente quando me sento no chão e vejo os fios, o labirinto que estou construindo. Lá dentro, até a densidade do ar é diferente: é o ar da criação.
A parte cênica, do diretor Fernando Philbert, revela o caráter e a personalidade do artista descobrindo a própria obra. Pizarro faz questão de dizer que não realiza um trabalho de ator. Apenas retira “suas vestes e máscaras”.
— É tudo muito honesto — garante. — Fico despido para mostrar como o fazer artístico é árduo, prazeroso, divertido, sacana... No fim, quando saio do cubo e experimento a surpresa de ver o que criei, tenho a sensação de dever cumprido.
Fonte: O Globo, “Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico”, publicado por Bolívar Torres, em 5 de abril de 2013. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza | O Globo
O orgânico que brota do geométrico, num processo simbolizado por elementos como plantas e terra que surgem de dentro de cubos brancos flutuantes. Este é o conceito da série de pinturas abstratas em tela “Metapaisagens”, assinada pelo pintor e arte-educador Luiz Pizarro. Quinze obras desse trabalho vão ilustrar a exposição gratuita “Oníricas”, idealizada pelo artista plástico e que estará em cartaz na Cidade das Artes do próximo sábado (21) até 3 de novembro.
A mostra, que colocará a natureza no centro do debate, terá ainda três instalações interativas e colaborativas, incluindo o “Cubo dos desejos”, com estrutura de madeira de quatro metros quadrados, no qual os visitantes vão poder entrar e passar barbantes coloridos por uma quantidade de ganchos equivalente à de letras do seu nome, pensando num desejo para o planeta.
— São diversos tipos de plantas, como cactos e palmeiras, e, às vezes, até plantas imaginárias, com folhas em cores como laranja, amarelo e roxo, sempre num fundo azul, simbolizando o ar ou o mar, e nascendo dentro de cubos. Minha proposta com essa interação entre o orgânico e o geométrico é falar sobre uma busca por harmonia no universo, destacando a ideia de valorização e protagonismo da natureza. Para mim, os cubos que germinam vida dão a noção da origem de um planeta menos competitivo e mais colaborativo — explica Pizarro. — Já fiz muitas pinturas figurativas, com imagens de corpos. Nesse trabalho, porém, quis fugir um pouco disso e tirar o ser humano do centro da questão, porque, na verdade, ele contribuiu para a deturpação da harmonia.
Valores como colaboração e interação são mostrados nas pinturas, mas a exposição leva o público a explorá-los na prática.
— O Cubo dos Desejos, por exemplo, é feito de arestas de madeira, nas quais há vários ganchinhos. As pessoas entram nele, escolhem a cor do barbante, amarram-no num deles e vão traçando esses fios de algodão pelos demais ganchos, sem ordem definida. No final, dão um nó. Sempre há mais de uma pessoa lá dentro, e é quase um balé acontecendo, porque uma tem que se desviar da outra, se agachar, se realocar...Existe uma concordância ali; ninguém briga, além de haver um jogo de corpo — observa o criador. — A obra vai crescendo conforme a colaboração do público, até que fica uma trama enorme de fios e não há mais como ninguém entrar. Então, desmontamos e começamos tudo de novo.
As outras instalações interativas são “Tarrafas ao mar”, que inclui uma rede de pesca suspensa no espaço e reflete sobre a diferença entre amor e confiança, e “Contornos do ocaso”, que retrata a passagem do tempo e é composta de monotipias impressas em papel seda branco de azulejos desbotados da piscina onde o artista nada e de folhas secas de sua própria casa.
— Há também uma atividade em que os visitantes tiram uma selfie em frente a um dos quadros, como se estivessem dentro da obra; depois, faço uma monotipia em papel seda branco para eles levarem para casa e terem uma lembrança dessa experiência. Quando você participa de uma obra colaborativa, cria um diálogo mais interessante com ela e com o autor. E as pessoas se sentem realmente humanas quando estão criando — pontua Pizarro.
Fonte: O Globo, “Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza”, publicado por Madson Gama, em 19 de setembro de 2024. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar | Correio do Povo
Luiz Pizarro decidiu fazer uma exposição "propositiva" para mostrar seu mais novo trabalho. O artista carioca, que se acostumou a apresentar a figura humana em suas obras, desta vez convida as pessoas a olhar o mundo por outro viés.
Em "Metapaisagens", mostra que entrou em exibição esta semana no Paço Imperial, no centro do Rio, o artista tira as pessoas de seus quadros e expressa uma visão mais holística sobre os elementos.
A profusão de cores, uma característica de Pizarro, está lá. O que não se vê nas 18 telas em exposição é a figura humana - à exceção de uma, e ainda assim de forma bem discreta. No lugar do homem, Pizarro decidiu colocar o globo terrestre. "Eu não trabalho a figura humana, que é uma coisa que trabalhei a vida inteira. Acho que hoje se fala nisso excessivamente; o antropocentrismo levou ao excesso do egocentrismo. Então decidi tirar a figura e deixar que os outros elementos tenham força", conta.
Conhecido por integrar a Geração 80 da arte brasileira, Luiz Pizarro ressalta que a intenção da mostra é fazer as pessoas olharem para esse seu novo trabalho - cujas telas medindo entre 1,70m e 2,25m foram pintadas nos últimos dois anos - com diferentes vieses. "Eu vejo muita brasilidade nessa pintura, até uma certa conexão com o modernismo nessa coisa das plantas, das cores", avalia. "Os cubos estão em várias perspectivas diferentes, como se tivessem olhares diferentes, que é como devemos olhar o mundo também, sob várias perspectivas."
Ainda que esteja ausente nos traços, a figura humana tem papel fundamental na exposição de maneira interativa. Ao final da sala, Pizarro instalou seu Cubo Mágico, ou Cubo dos Desejos, como também é chamado. Trata-se de uma instalação em que o visitante é convidado a entrar para perpassar fios de lã de acordo com a quantidade de letras que formam o seu nome. Ao final, uma grande obra de arte interativa estará montada.
Além do cubo, os visitantes também serão convidados a pendurar três garrafinhas: numa delas será escrito o nome de alguém que se ame; na outra, de alguém em quem se confia; e, na terceira, um pensamento sobre o planeta. "A ideia da exposição é criar diálogos. Hoje em dia se fala muito em dialética, mas fala-se pouco em diálogo", considera o artista.
"Metapaisagens" ficará em exibição até 28 de maio. De quinta a sábado, haverá visitas guiadas pelo artista e pelo educador Pedro Sampaio para grupos previamente cadastrados. Além de escolas e do público em geral, Luiz Pizarro pretende levar ao espaço pessoas em vulnerabilidade social e jovens moradores de abrigos.
Ao final, todos que forem à exposição poderão levar uma lembrança bem pessoal para suas casas. "Os visitantes podem tirar uma foto, do jeito que quiserem, e iremos imprimir - mas não como foto. Desenvolvi uma técnica com impressoras em que uso o acetato errado, em que ela imprime, mas não gruda (a tinta). Então a gente faz uma monotipia (com a foto) num papel de seda branco e cada um leva pra casa como recordação."
Fonte: Correio do Povo, “Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar”, publicado em 7 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Crédito fotográfico: Luiz Pizarro, imagem extraída de video da internet. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (1958, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Luiz Pizarro, é um pintor e professor de arte brasileiro. Formou-se em Engenharia de Produção pela UFRJ e em Administração Pública pela EBAP–FGV, complementando sua trajetória com estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1981 e 1983. Foi aluno de John Nicholson e Luiz Ernesto e frequentou o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila, experiências que contribuíram para sua formação artística. Integrante da Geração 80, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, em 1984, e da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985. Entre 1984 e 1989, integrou o Atelier da Lapa ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães; mais tarde, compartilhou o Casarão da Lapa com esses artistas, além de Maurício Bentes e Celeida Tostes. Também desenvolveu atividades de ensino e mediação cultural, lecionando pintura e desenho na EAV Parque Lage e atuando no MAM Rio. Sua obra se caracteriza pelo protagonismo da cor, pela pintura em tinta acrílica e por uma abordagem expressiva que, inicialmente, explorou com frequência a figura humana por meio de tonalidades não naturalistas. Na série Metapaisagens, criou composições de grande formato com planetas, plantas, flores, estruturas geométricas e referências cósmicas, propondo uma visão de interligação entre natureza, humanidade e universo. Suas obras integram a Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Luiz Pizarro | Arremate Arte
Luiz Antônio Ferreira Pizarro nasceu no Rio de Janeiro, em 1958, e consolidou uma trajetória singular na arte brasileira como pintor e professor. Sua formação artística ocorreu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde estudou entre 1981 e 1983 com John Nicholson e Luiz Ernesto, além de frequentar o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila. Esse período foi determinante para sua inserção em uma geração que reafirmou a potência da pintura no Brasil durante os anos 1980.
Em 1984, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada no Parque Lage, marco decisivo para a arte contemporânea brasileira, e, no ano seguinte, integrou a 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Entre 1984 e 1989, fez parte do Atelier da Lapa, convivendo e produzindo ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães. Posteriormente, dividiu o Casarão da Lapa com Senise, Maurício Bentes e Celeida Tostes, mantendo o espaço como ateliê e ambiente de ensino.
Desde os primeiros trabalhos, Luiz Pizarro desenvolveu uma pintura de forte intensidade cromática, marcada pela liberdade no uso da cor, pela expressividade das formas e pela presença recorrente da figura humana. Sua produção não se limita à representação: as figuras, os gestos e os campos coloridos tornam-se instrumentos para investigar a subjetividade, o corpo, as relações humanas e a experiência sensível do mundo. A obra Sem Título, de 1984, realizada em tinta acrílica sobre tela, integra a Coleção Gilberto Chateaubriand em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Paralelamente à atividade artística, Pizarro construiu uma presença importante no campo da educação. Lecionou pintura e desenho na EAV Parque Lage entre 1986 e 1990, período em que atuou ao lado de Beatriz Milhazes e Daniel Senise. Também coordenou, entre 1990 e 1991, o projeto Galpão das Artes, no MAM Rio, voltado à difusão da arte contemporânea. A partir de 1999, desenvolveu projetos educativos para instituições culturais e museus, entre eles o Museu Nacional de Belas Artes.
Em 2006, recebeu a Bolsa Icatu de Artes para realizar residência artística na Cité des Arts, em Paris, experiência que ampliou seu percurso internacional. Sem abandonar a pintura, continuou articulando criação, ensino e mediação cultural, mantendo vínculo ativo com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Em sua produção recente, Luiz Pizarro expandiu seu vocabulário visual para paisagens de caráter cósmico, geométrico e simbólico. Na exposição Metapaisagens, apresentada no Paço Imperial em 2023, a figura humana deixou de ocupar o centro das telas, abrindo espaço para globos terrestres, plantas, cubos e estruturas cromáticas que propõem uma reflexão sobre o planeta, a coexistência e a necessidade de observar o mundo por múltiplas perspectivas. A cor permanece como elemento essencial de sua linguagem, agora associada a uma visão mais ampla e relacional da natureza e da vida contemporânea.
Luiz Pizarro | Wikipédia
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, 1958) é um pintor e arte-educador brasileiro, conhecido por integrar a chamada Geração 80 da arte brasileira. Em sua carreira, Pizarro participou de duas edições da Bienal Internacional de São Paulo, lecionou com Beatriz Milhazes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e coordenou projetos educacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu Nacional de Belas Artes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro | Itaú Cultural
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor, arte-educador. Entre 1981 e 1983 estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage. É aluno de John Nicholson (1951), Luiz Ernesto (1955) e freqüenta o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila (1943). Em 1984, participa da exposição Como Vai Você, Geração 80? e, no ano seguinte, da 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Integra o Atelier da Lapa, entre 1984 e 1989, junto com os artistas Daniel Senise (1955), Angelo Venosa (1954) e João Magalhães (1945), e com eles (exceto Magalhães), além de Maurício Bentes (1958 - 2003) e Celeida Tostes (1929 - 1995), divide o Casarão da Lapa, de 1989 a 1991, utilizado como ateliê e espaço de ensino. Entre 1986 e 1990 leciona pintura e desenho na EAV/Parque Lage, e também dá aulas com Beatriz Milhazes (1960) e Daniel Senise. De 1990 a 1991, coordena o projeto Galpão das Artes, direcionado à difusão da arte contemporânea, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Viaja para a Europa em 1991, permanece em Portugal até 1992, e reside na Alemanha de 1992 a 1998. Volta ao Brasil, e entre 1999 e 2005 desenvolve projetos educativos para centros culturais e museus, como o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, e participa de exposições. Em 2006 recebe a Bolsa Icatu de Artes, para residência artística na Cité des Arts, em Paris.
Análise
Luiz Pizarro começa a expor nos anos 1980 e apresenta pinturas como Homem no Sofá, 1984, um homem nu descansando num sofá, e Sem Título, 1986, que mostra um casal se beijando. Pizarro não se preocupa em ser realista em relação às cores do corpo humano, e utiliza o preto, azul, violeta, verde, amarelo e o vermelho, por exemplo, em vez de tons que imitam a cor da pele. Em 1990 interessa-se pela pesquisa de novos materiais e produz, além de pinturas, obras tridimensionais como a torre de madeira, apresenta na 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991. Seguindo, entre 1992 e 1998, a pesquisa de materiais e morando na Alemanha, Pizarro imprime sobre parafina imagens de paisagens realizadas por viajantes alemães que vêm ao Brasil no século XIX, como em Para que Lado Fica o Paraíso?, 1995.
Entre 1998 e 2000 divide a tela em áreas geométricas de cor, sobre as quais insere monotipias em preto-e-branco com base em radiografias de ossos e de registros fotográficos do próprio corpo, se exercitando em sessões de musculação. Em 2001 soma a esse universo o desenho à mão livre (nanquim) de fragmentos de corpos mantendo relações sexuais. A questão da sexualidade é abordada, em 2004, em trabalhos que representam lutas marciais. Em 2006 retoma o emprego da parafina como suporte de paisagens.
Exposições individuais
1991 – Processo nº 738.765-2
2003 – 2080
2003 – Mais de Um
Exposições coletivas
1983 – Pintura! Pintura!
1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas
1984 – Como Vai Você, Geração 80?
1984 – Arte Brasileira Atual
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – Galeria Subdistrito: Mostra Inaugural
1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea
1985 – O Ateliê da Lapa
1985 – 18ª Bienal de São Paulo
1985 – Arte Construção: 21 artistas contemporâneos
1986 – 1ª Seleção Helena Rubinstein de Arte Jovem
1986 – Território Ocupado
1987 – Petrópolis Urgente: 1º Encontro de Arte Contemporânea de Petrópolis
1987 – Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand
1988 – 3x3: 3 Artistas, 3 Dimensões
1988 – Abolição
1988 – Subindo a Serra
1988 – 88 x 68: um balanço dos anos
1988 – Hedonismo: Coleção Gilberto Chateaubriand
1988 – 19º Panorama de Arte Atual Brasileira
1989 – Cristina Canale, Cláudio Fonseca, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini
1990 – Projetos Arqueos
1991 – 21ª Bienal de São Paulo
1992 – Eco Art
1992 – 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini
1993 – Arte Erótica
1993 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1994 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1995 – Anos 80: o palco da diversidade
1996 – Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini
1998 – Looking for an Angel
1998 – Moto Migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha
1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
1998 – Acervo Galeria de Arte São Paulo
2000 – A Imagem do Som de Gilberto Gil
2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002
2004 – Entre Tapas e Beijos
2004 – O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone
2004 – A Face Icônica da Arte Brasileira
2004 – Onde Está Você, Geração 80?
2005 – Onde Está Você, Geração 80?
2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira
2006 – Arte Moderna em Contexto: coleção ABN AMRO Real
2010 – Jogos de Guerra
2010 – Pop Up Rio
2010 – Jogos de Guerra: confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira
2011 – E os Amigos Sinceros Também
2012 – Sombras: Livro objeto de Franco Terranova
2012 – Salão de Pinturas
2018 – Horizontes – As Paisagens nas Coleções MAM Rio
2023 – Metapaisagens — Paço Imperial (Rio de Janeiro)
2024 – Oníricas — Cidade das Artes Bibi Ferreira (Rio de Janeiro)
2024 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial
Fonte: LUIZ Pizarro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 24 de julho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico | O Globo
Terminado o ensaio, Luiz Pizarro se sente ofegante em uma poltrona. Seu antebraço direito mostra três longos cortes. A pele sangra. Exausto, ele contempla no palco um cubo de madeira vazado, onde passou os últimos 35 minutos cruzando e sobrepondo fios de lã multicoloridos. O resultado da performance é um labirinto de cores entrelaçadas, que daqui a alguns minutos será destruído pela produção, e depois recriado nos próximos ensaios e apresentações, com novas formas geométricas.
Apesar da exigência e do desgaste, “O fio da meada”, espetáculo do artista plástico que estreia nesta sexta-feira no Espaço Sesc, é muito mais do que um desafio físico. A cada performance, Pizarro expõe a dor e a alegria da criação artística. O cubo vazado se transforma em uma arena, na qual divide com o público seus demônios.
— É uma improvisação corporal — define o artista. — Sei que, ao entrar no cubo, vou me jogar fisicamente. Lá dentro estou desconectado do entorno, só consigo olhar para os fios. Não há marcas, alguns dias (o trabalho) é mais lento, em outros, mais acelerado. Muitas vezes fico preso, preciso cortar os fios, destruir o que estou construindo. Sei que tenho que sair dali, só não sei como.
Enquanto improvisa seus movimentos, Pizarro dialoga consigo mesmo, numa interseção entre teatro, artes plásticas e cinema. As falas escapam como suspiros. São fragmentos de memória, pensamentos aleatórios, que criam associações livres com a geometria dos fios. Trocadilhos como “Estonteante/Estou diante” escancaram a relação do artista com o mundo e com o seu próprio trabalho.
— É uma dialética do pensamento que vai sendo construída em flashes — conta Pizarro. — Falo o que passa pela cabeça de um artista quando ele está criando sozinho. Adoro a sensação de estar no cubo, mas a solidão é enorme. Principalmente quando me sento no chão e vejo os fios, o labirinto que estou construindo. Lá dentro, até a densidade do ar é diferente: é o ar da criação.
A parte cênica, do diretor Fernando Philbert, revela o caráter e a personalidade do artista descobrindo a própria obra. Pizarro faz questão de dizer que não realiza um trabalho de ator. Apenas retira “suas vestes e máscaras”.
— É tudo muito honesto — garante. — Fico despido para mostrar como o fazer artístico é árduo, prazeroso, divertido, sacana... No fim, quando saio do cubo e experimento a surpresa de ver o que criei, tenho a sensação de dever cumprido.
Fonte: O Globo, “Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico”, publicado por Bolívar Torres, em 5 de abril de 2013. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza | O Globo
O orgânico que brota do geométrico, num processo simbolizado por elementos como plantas e terra que surgem de dentro de cubos brancos flutuantes. Este é o conceito da série de pinturas abstratas em tela “Metapaisagens”, assinada pelo pintor e arte-educador Luiz Pizarro. Quinze obras desse trabalho vão ilustrar a exposição gratuita “Oníricas”, idealizada pelo artista plástico e que estará em cartaz na Cidade das Artes do próximo sábado (21) até 3 de novembro.
A mostra, que colocará a natureza no centro do debate, terá ainda três instalações interativas e colaborativas, incluindo o “Cubo dos desejos”, com estrutura de madeira de quatro metros quadrados, no qual os visitantes vão poder entrar e passar barbantes coloridos por uma quantidade de ganchos equivalente à de letras do seu nome, pensando num desejo para o planeta.
— São diversos tipos de plantas, como cactos e palmeiras, e, às vezes, até plantas imaginárias, com folhas em cores como laranja, amarelo e roxo, sempre num fundo azul, simbolizando o ar ou o mar, e nascendo dentro de cubos. Minha proposta com essa interação entre o orgânico e o geométrico é falar sobre uma busca por harmonia no universo, destacando a ideia de valorização e protagonismo da natureza. Para mim, os cubos que germinam vida dão a noção da origem de um planeta menos competitivo e mais colaborativo — explica Pizarro. — Já fiz muitas pinturas figurativas, com imagens de corpos. Nesse trabalho, porém, quis fugir um pouco disso e tirar o ser humano do centro da questão, porque, na verdade, ele contribuiu para a deturpação da harmonia.
Valores como colaboração e interação são mostrados nas pinturas, mas a exposição leva o público a explorá-los na prática.
— O Cubo dos Desejos, por exemplo, é feito de arestas de madeira, nas quais há vários ganchinhos. As pessoas entram nele, escolhem a cor do barbante, amarram-no num deles e vão traçando esses fios de algodão pelos demais ganchos, sem ordem definida. No final, dão um nó. Sempre há mais de uma pessoa lá dentro, e é quase um balé acontecendo, porque uma tem que se desviar da outra, se agachar, se realocar...Existe uma concordância ali; ninguém briga, além de haver um jogo de corpo — observa o criador. — A obra vai crescendo conforme a colaboração do público, até que fica uma trama enorme de fios e não há mais como ninguém entrar. Então, desmontamos e começamos tudo de novo.
As outras instalações interativas são “Tarrafas ao mar”, que inclui uma rede de pesca suspensa no espaço e reflete sobre a diferença entre amor e confiança, e “Contornos do ocaso”, que retrata a passagem do tempo e é composta de monotipias impressas em papel seda branco de azulejos desbotados da piscina onde o artista nada e de folhas secas de sua própria casa.
— Há também uma atividade em que os visitantes tiram uma selfie em frente a um dos quadros, como se estivessem dentro da obra; depois, faço uma monotipia em papel seda branco para eles levarem para casa e terem uma lembrança dessa experiência. Quando você participa de uma obra colaborativa, cria um diálogo mais interessante com ela e com o autor. E as pessoas se sentem realmente humanas quando estão criando — pontua Pizarro.
Fonte: O Globo, “Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza”, publicado por Madson Gama, em 19 de setembro de 2024. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar | Correio do Povo
Luiz Pizarro decidiu fazer uma exposição "propositiva" para mostrar seu mais novo trabalho. O artista carioca, que se acostumou a apresentar a figura humana em suas obras, desta vez convida as pessoas a olhar o mundo por outro viés.
Em "Metapaisagens", mostra que entrou em exibição esta semana no Paço Imperial, no centro do Rio, o artista tira as pessoas de seus quadros e expressa uma visão mais holística sobre os elementos.
A profusão de cores, uma característica de Pizarro, está lá. O que não se vê nas 18 telas em exposição é a figura humana - à exceção de uma, e ainda assim de forma bem discreta. No lugar do homem, Pizarro decidiu colocar o globo terrestre. "Eu não trabalho a figura humana, que é uma coisa que trabalhei a vida inteira. Acho que hoje se fala nisso excessivamente; o antropocentrismo levou ao excesso do egocentrismo. Então decidi tirar a figura e deixar que os outros elementos tenham força", conta.
Conhecido por integrar a Geração 80 da arte brasileira, Luiz Pizarro ressalta que a intenção da mostra é fazer as pessoas olharem para esse seu novo trabalho - cujas telas medindo entre 1,70m e 2,25m foram pintadas nos últimos dois anos - com diferentes vieses. "Eu vejo muita brasilidade nessa pintura, até uma certa conexão com o modernismo nessa coisa das plantas, das cores", avalia. "Os cubos estão em várias perspectivas diferentes, como se tivessem olhares diferentes, que é como devemos olhar o mundo também, sob várias perspectivas."
Ainda que esteja ausente nos traços, a figura humana tem papel fundamental na exposição de maneira interativa. Ao final da sala, Pizarro instalou seu Cubo Mágico, ou Cubo dos Desejos, como também é chamado. Trata-se de uma instalação em que o visitante é convidado a entrar para perpassar fios de lã de acordo com a quantidade de letras que formam o seu nome. Ao final, uma grande obra de arte interativa estará montada.
Além do cubo, os visitantes também serão convidados a pendurar três garrafinhas: numa delas será escrito o nome de alguém que se ame; na outra, de alguém em quem se confia; e, na terceira, um pensamento sobre o planeta. "A ideia da exposição é criar diálogos. Hoje em dia se fala muito em dialética, mas fala-se pouco em diálogo", considera o artista.
"Metapaisagens" ficará em exibição até 28 de maio. De quinta a sábado, haverá visitas guiadas pelo artista e pelo educador Pedro Sampaio para grupos previamente cadastrados. Além de escolas e do público em geral, Luiz Pizarro pretende levar ao espaço pessoas em vulnerabilidade social e jovens moradores de abrigos.
Ao final, todos que forem à exposição poderão levar uma lembrança bem pessoal para suas casas. "Os visitantes podem tirar uma foto, do jeito que quiserem, e iremos imprimir - mas não como foto. Desenvolvi uma técnica com impressoras em que uso o acetato errado, em que ela imprime, mas não gruda (a tinta). Então a gente faz uma monotipia (com a foto) num papel de seda branco e cada um leva pra casa como recordação."
Fonte: Correio do Povo, “Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar”, publicado em 7 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Crédito fotográfico: Luiz Pizarro, imagem extraída de video da internet. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (1958, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Luiz Pizarro, é um pintor e professor de arte brasileiro. Formou-se em Engenharia de Produção pela UFRJ e em Administração Pública pela EBAP–FGV, complementando sua trajetória com estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1981 e 1983. Foi aluno de John Nicholson e Luiz Ernesto e frequentou o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila, experiências que contribuíram para sua formação artística. Integrante da Geração 80, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, em 1984, e da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985. Entre 1984 e 1989, integrou o Atelier da Lapa ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães; mais tarde, compartilhou o Casarão da Lapa com esses artistas, além de Maurício Bentes e Celeida Tostes. Também desenvolveu atividades de ensino e mediação cultural, lecionando pintura e desenho na EAV Parque Lage e atuando no MAM Rio. Sua obra se caracteriza pelo protagonismo da cor, pela pintura em tinta acrílica e por uma abordagem expressiva que, inicialmente, explorou com frequência a figura humana por meio de tonalidades não naturalistas. Na série Metapaisagens, criou composições de grande formato com planetas, plantas, flores, estruturas geométricas e referências cósmicas, propondo uma visão de interligação entre natureza, humanidade e universo. Suas obras integram a Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Luiz Pizarro | Arremate Arte
Luiz Antônio Ferreira Pizarro nasceu no Rio de Janeiro, em 1958, e consolidou uma trajetória singular na arte brasileira como pintor e professor. Sua formação artística ocorreu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde estudou entre 1981 e 1983 com John Nicholson e Luiz Ernesto, além de frequentar o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila. Esse período foi determinante para sua inserção em uma geração que reafirmou a potência da pintura no Brasil durante os anos 1980.
Em 1984, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada no Parque Lage, marco decisivo para a arte contemporânea brasileira, e, no ano seguinte, integrou a 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Entre 1984 e 1989, fez parte do Atelier da Lapa, convivendo e produzindo ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães. Posteriormente, dividiu o Casarão da Lapa com Senise, Maurício Bentes e Celeida Tostes, mantendo o espaço como ateliê e ambiente de ensino.
Desde os primeiros trabalhos, Luiz Pizarro desenvolveu uma pintura de forte intensidade cromática, marcada pela liberdade no uso da cor, pela expressividade das formas e pela presença recorrente da figura humana. Sua produção não se limita à representação: as figuras, os gestos e os campos coloridos tornam-se instrumentos para investigar a subjetividade, o corpo, as relações humanas e a experiência sensível do mundo. A obra Sem Título, de 1984, realizada em tinta acrílica sobre tela, integra a Coleção Gilberto Chateaubriand em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Paralelamente à atividade artística, Pizarro construiu uma presença importante no campo da educação. Lecionou pintura e desenho na EAV Parque Lage entre 1986 e 1990, período em que atuou ao lado de Beatriz Milhazes e Daniel Senise. Também coordenou, entre 1990 e 1991, o projeto Galpão das Artes, no MAM Rio, voltado à difusão da arte contemporânea. A partir de 1999, desenvolveu projetos educativos para instituições culturais e museus, entre eles o Museu Nacional de Belas Artes.
Em 2006, recebeu a Bolsa Icatu de Artes para realizar residência artística na Cité des Arts, em Paris, experiência que ampliou seu percurso internacional. Sem abandonar a pintura, continuou articulando criação, ensino e mediação cultural, mantendo vínculo ativo com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Em sua produção recente, Luiz Pizarro expandiu seu vocabulário visual para paisagens de caráter cósmico, geométrico e simbólico. Na exposição Metapaisagens, apresentada no Paço Imperial em 2023, a figura humana deixou de ocupar o centro das telas, abrindo espaço para globos terrestres, plantas, cubos e estruturas cromáticas que propõem uma reflexão sobre o planeta, a coexistência e a necessidade de observar o mundo por múltiplas perspectivas. A cor permanece como elemento essencial de sua linguagem, agora associada a uma visão mais ampla e relacional da natureza e da vida contemporânea.
Luiz Pizarro | Wikipédia
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, 1958) é um pintor e arte-educador brasileiro, conhecido por integrar a chamada Geração 80 da arte brasileira. Em sua carreira, Pizarro participou de duas edições da Bienal Internacional de São Paulo, lecionou com Beatriz Milhazes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e coordenou projetos educacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu Nacional de Belas Artes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro | Itaú Cultural
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor, arte-educador. Entre 1981 e 1983 estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage. É aluno de John Nicholson (1951), Luiz Ernesto (1955) e freqüenta o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila (1943). Em 1984, participa da exposição Como Vai Você, Geração 80? e, no ano seguinte, da 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Integra o Atelier da Lapa, entre 1984 e 1989, junto com os artistas Daniel Senise (1955), Angelo Venosa (1954) e João Magalhães (1945), e com eles (exceto Magalhães), além de Maurício Bentes (1958 - 2003) e Celeida Tostes (1929 - 1995), divide o Casarão da Lapa, de 1989 a 1991, utilizado como ateliê e espaço de ensino. Entre 1986 e 1990 leciona pintura e desenho na EAV/Parque Lage, e também dá aulas com Beatriz Milhazes (1960) e Daniel Senise. De 1990 a 1991, coordena o projeto Galpão das Artes, direcionado à difusão da arte contemporânea, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Viaja para a Europa em 1991, permanece em Portugal até 1992, e reside na Alemanha de 1992 a 1998. Volta ao Brasil, e entre 1999 e 2005 desenvolve projetos educativos para centros culturais e museus, como o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, e participa de exposições. Em 2006 recebe a Bolsa Icatu de Artes, para residência artística na Cité des Arts, em Paris.
Análise
Luiz Pizarro começa a expor nos anos 1980 e apresenta pinturas como Homem no Sofá, 1984, um homem nu descansando num sofá, e Sem Título, 1986, que mostra um casal se beijando. Pizarro não se preocupa em ser realista em relação às cores do corpo humano, e utiliza o preto, azul, violeta, verde, amarelo e o vermelho, por exemplo, em vez de tons que imitam a cor da pele. Em 1990 interessa-se pela pesquisa de novos materiais e produz, além de pinturas, obras tridimensionais como a torre de madeira, apresenta na 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991. Seguindo, entre 1992 e 1998, a pesquisa de materiais e morando na Alemanha, Pizarro imprime sobre parafina imagens de paisagens realizadas por viajantes alemães que vêm ao Brasil no século XIX, como em Para que Lado Fica o Paraíso?, 1995.
Entre 1998 e 2000 divide a tela em áreas geométricas de cor, sobre as quais insere monotipias em preto-e-branco com base em radiografias de ossos e de registros fotográficos do próprio corpo, se exercitando em sessões de musculação. Em 2001 soma a esse universo o desenho à mão livre (nanquim) de fragmentos de corpos mantendo relações sexuais. A questão da sexualidade é abordada, em 2004, em trabalhos que representam lutas marciais. Em 2006 retoma o emprego da parafina como suporte de paisagens.
Exposições individuais
1991 – Processo nº 738.765-2
2003 – 2080
2003 – Mais de Um
Exposições coletivas
1983 – Pintura! Pintura!
1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas
1984 – Como Vai Você, Geração 80?
1984 – Arte Brasileira Atual
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – Galeria Subdistrito: Mostra Inaugural
1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea
1985 – O Ateliê da Lapa
1985 – 18ª Bienal de São Paulo
1985 – Arte Construção: 21 artistas contemporâneos
1986 – 1ª Seleção Helena Rubinstein de Arte Jovem
1986 – Território Ocupado
1987 – Petrópolis Urgente: 1º Encontro de Arte Contemporânea de Petrópolis
1987 – Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand
1988 – 3x3: 3 Artistas, 3 Dimensões
1988 – Abolição
1988 – Subindo a Serra
1988 – 88 x 68: um balanço dos anos
1988 – Hedonismo: Coleção Gilberto Chateaubriand
1988 – 19º Panorama de Arte Atual Brasileira
1989 – Cristina Canale, Cláudio Fonseca, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini
1990 – Projetos Arqueos
1991 – 21ª Bienal de São Paulo
1992 – Eco Art
1992 – 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini
1993 – Arte Erótica
1993 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1994 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1995 – Anos 80: o palco da diversidade
1996 – Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini
1998 – Looking for an Angel
1998 – Moto Migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha
1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
1998 – Acervo Galeria de Arte São Paulo
2000 – A Imagem do Som de Gilberto Gil
2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002
2004 – Entre Tapas e Beijos
2004 – O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone
2004 – A Face Icônica da Arte Brasileira
2004 – Onde Está Você, Geração 80?
2005 – Onde Está Você, Geração 80?
2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira
2006 – Arte Moderna em Contexto: coleção ABN AMRO Real
2010 – Jogos de Guerra
2010 – Pop Up Rio
2010 – Jogos de Guerra: confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira
2011 – E os Amigos Sinceros Também
2012 – Sombras: Livro objeto de Franco Terranova
2012 – Salão de Pinturas
2018 – Horizontes – As Paisagens nas Coleções MAM Rio
2023 – Metapaisagens — Paço Imperial (Rio de Janeiro)
2024 – Oníricas — Cidade das Artes Bibi Ferreira (Rio de Janeiro)
2024 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial
Fonte: LUIZ Pizarro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 24 de julho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico | O Globo
Terminado o ensaio, Luiz Pizarro se sente ofegante em uma poltrona. Seu antebraço direito mostra três longos cortes. A pele sangra. Exausto, ele contempla no palco um cubo de madeira vazado, onde passou os últimos 35 minutos cruzando e sobrepondo fios de lã multicoloridos. O resultado da performance é um labirinto de cores entrelaçadas, que daqui a alguns minutos será destruído pela produção, e depois recriado nos próximos ensaios e apresentações, com novas formas geométricas.
Apesar da exigência e do desgaste, “O fio da meada”, espetáculo do artista plástico que estreia nesta sexta-feira no Espaço Sesc, é muito mais do que um desafio físico. A cada performance, Pizarro expõe a dor e a alegria da criação artística. O cubo vazado se transforma em uma arena, na qual divide com o público seus demônios.
— É uma improvisação corporal — define o artista. — Sei que, ao entrar no cubo, vou me jogar fisicamente. Lá dentro estou desconectado do entorno, só consigo olhar para os fios. Não há marcas, alguns dias (o trabalho) é mais lento, em outros, mais acelerado. Muitas vezes fico preso, preciso cortar os fios, destruir o que estou construindo. Sei que tenho que sair dali, só não sei como.
Enquanto improvisa seus movimentos, Pizarro dialoga consigo mesmo, numa interseção entre teatro, artes plásticas e cinema. As falas escapam como suspiros. São fragmentos de memória, pensamentos aleatórios, que criam associações livres com a geometria dos fios. Trocadilhos como “Estonteante/Estou diante” escancaram a relação do artista com o mundo e com o seu próprio trabalho.
— É uma dialética do pensamento que vai sendo construída em flashes — conta Pizarro. — Falo o que passa pela cabeça de um artista quando ele está criando sozinho. Adoro a sensação de estar no cubo, mas a solidão é enorme. Principalmente quando me sento no chão e vejo os fios, o labirinto que estou construindo. Lá dentro, até a densidade do ar é diferente: é o ar da criação.
A parte cênica, do diretor Fernando Philbert, revela o caráter e a personalidade do artista descobrindo a própria obra. Pizarro faz questão de dizer que não realiza um trabalho de ator. Apenas retira “suas vestes e máscaras”.
— É tudo muito honesto — garante. — Fico despido para mostrar como o fazer artístico é árduo, prazeroso, divertido, sacana... No fim, quando saio do cubo e experimento a surpresa de ver o que criei, tenho a sensação de dever cumprido.
Fonte: O Globo, “Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico”, publicado por Bolívar Torres, em 5 de abril de 2013. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza | O Globo
O orgânico que brota do geométrico, num processo simbolizado por elementos como plantas e terra que surgem de dentro de cubos brancos flutuantes. Este é o conceito da série de pinturas abstratas em tela “Metapaisagens”, assinada pelo pintor e arte-educador Luiz Pizarro. Quinze obras desse trabalho vão ilustrar a exposição gratuita “Oníricas”, idealizada pelo artista plástico e que estará em cartaz na Cidade das Artes do próximo sábado (21) até 3 de novembro.
A mostra, que colocará a natureza no centro do debate, terá ainda três instalações interativas e colaborativas, incluindo o “Cubo dos desejos”, com estrutura de madeira de quatro metros quadrados, no qual os visitantes vão poder entrar e passar barbantes coloridos por uma quantidade de ganchos equivalente à de letras do seu nome, pensando num desejo para o planeta.
— São diversos tipos de plantas, como cactos e palmeiras, e, às vezes, até plantas imaginárias, com folhas em cores como laranja, amarelo e roxo, sempre num fundo azul, simbolizando o ar ou o mar, e nascendo dentro de cubos. Minha proposta com essa interação entre o orgânico e o geométrico é falar sobre uma busca por harmonia no universo, destacando a ideia de valorização e protagonismo da natureza. Para mim, os cubos que germinam vida dão a noção da origem de um planeta menos competitivo e mais colaborativo — explica Pizarro. — Já fiz muitas pinturas figurativas, com imagens de corpos. Nesse trabalho, porém, quis fugir um pouco disso e tirar o ser humano do centro da questão, porque, na verdade, ele contribuiu para a deturpação da harmonia.
Valores como colaboração e interação são mostrados nas pinturas, mas a exposição leva o público a explorá-los na prática.
— O Cubo dos Desejos, por exemplo, é feito de arestas de madeira, nas quais há vários ganchinhos. As pessoas entram nele, escolhem a cor do barbante, amarram-no num deles e vão traçando esses fios de algodão pelos demais ganchos, sem ordem definida. No final, dão um nó. Sempre há mais de uma pessoa lá dentro, e é quase um balé acontecendo, porque uma tem que se desviar da outra, se agachar, se realocar...Existe uma concordância ali; ninguém briga, além de haver um jogo de corpo — observa o criador. — A obra vai crescendo conforme a colaboração do público, até que fica uma trama enorme de fios e não há mais como ninguém entrar. Então, desmontamos e começamos tudo de novo.
As outras instalações interativas são “Tarrafas ao mar”, que inclui uma rede de pesca suspensa no espaço e reflete sobre a diferença entre amor e confiança, e “Contornos do ocaso”, que retrata a passagem do tempo e é composta de monotipias impressas em papel seda branco de azulejos desbotados da piscina onde o artista nada e de folhas secas de sua própria casa.
— Há também uma atividade em que os visitantes tiram uma selfie em frente a um dos quadros, como se estivessem dentro da obra; depois, faço uma monotipia em papel seda branco para eles levarem para casa e terem uma lembrança dessa experiência. Quando você participa de uma obra colaborativa, cria um diálogo mais interessante com ela e com o autor. E as pessoas se sentem realmente humanas quando estão criando — pontua Pizarro.
Fonte: O Globo, “Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza”, publicado por Madson Gama, em 19 de setembro de 2024. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar | Correio do Povo
Luiz Pizarro decidiu fazer uma exposição "propositiva" para mostrar seu mais novo trabalho. O artista carioca, que se acostumou a apresentar a figura humana em suas obras, desta vez convida as pessoas a olhar o mundo por outro viés.
Em "Metapaisagens", mostra que entrou em exibição esta semana no Paço Imperial, no centro do Rio, o artista tira as pessoas de seus quadros e expressa uma visão mais holística sobre os elementos.
A profusão de cores, uma característica de Pizarro, está lá. O que não se vê nas 18 telas em exposição é a figura humana - à exceção de uma, e ainda assim de forma bem discreta. No lugar do homem, Pizarro decidiu colocar o globo terrestre. "Eu não trabalho a figura humana, que é uma coisa que trabalhei a vida inteira. Acho que hoje se fala nisso excessivamente; o antropocentrismo levou ao excesso do egocentrismo. Então decidi tirar a figura e deixar que os outros elementos tenham força", conta.
Conhecido por integrar a Geração 80 da arte brasileira, Luiz Pizarro ressalta que a intenção da mostra é fazer as pessoas olharem para esse seu novo trabalho - cujas telas medindo entre 1,70m e 2,25m foram pintadas nos últimos dois anos - com diferentes vieses. "Eu vejo muita brasilidade nessa pintura, até uma certa conexão com o modernismo nessa coisa das plantas, das cores", avalia. "Os cubos estão em várias perspectivas diferentes, como se tivessem olhares diferentes, que é como devemos olhar o mundo também, sob várias perspectivas."
Ainda que esteja ausente nos traços, a figura humana tem papel fundamental na exposição de maneira interativa. Ao final da sala, Pizarro instalou seu Cubo Mágico, ou Cubo dos Desejos, como também é chamado. Trata-se de uma instalação em que o visitante é convidado a entrar para perpassar fios de lã de acordo com a quantidade de letras que formam o seu nome. Ao final, uma grande obra de arte interativa estará montada.
Além do cubo, os visitantes também serão convidados a pendurar três garrafinhas: numa delas será escrito o nome de alguém que se ame; na outra, de alguém em quem se confia; e, na terceira, um pensamento sobre o planeta. "A ideia da exposição é criar diálogos. Hoje em dia se fala muito em dialética, mas fala-se pouco em diálogo", considera o artista.
"Metapaisagens" ficará em exibição até 28 de maio. De quinta a sábado, haverá visitas guiadas pelo artista e pelo educador Pedro Sampaio para grupos previamente cadastrados. Além de escolas e do público em geral, Luiz Pizarro pretende levar ao espaço pessoas em vulnerabilidade social e jovens moradores de abrigos.
Ao final, todos que forem à exposição poderão levar uma lembrança bem pessoal para suas casas. "Os visitantes podem tirar uma foto, do jeito que quiserem, e iremos imprimir - mas não como foto. Desenvolvi uma técnica com impressoras em que uso o acetato errado, em que ela imprime, mas não gruda (a tinta). Então a gente faz uma monotipia (com a foto) num papel de seda branco e cada um leva pra casa como recordação."
Fonte: Correio do Povo, “Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar”, publicado em 7 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Crédito fotográfico: Luiz Pizarro, imagem extraída de video da internet. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (1958, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Luiz Pizarro, é um pintor e professor de arte brasileiro. Formou-se em Engenharia de Produção pela UFRJ e em Administração Pública pela EBAP–FGV, complementando sua trajetória com estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1981 e 1983. Foi aluno de John Nicholson e Luiz Ernesto e frequentou o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila, experiências que contribuíram para sua formação artística. Integrante da Geração 80, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, em 1984, e da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985. Entre 1984 e 1989, integrou o Atelier da Lapa ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães; mais tarde, compartilhou o Casarão da Lapa com esses artistas, além de Maurício Bentes e Celeida Tostes. Também desenvolveu atividades de ensino e mediação cultural, lecionando pintura e desenho na EAV Parque Lage e atuando no MAM Rio. Sua obra se caracteriza pelo protagonismo da cor, pela pintura em tinta acrílica e por uma abordagem expressiva que, inicialmente, explorou com frequência a figura humana por meio de tonalidades não naturalistas. Na série Metapaisagens, criou composições de grande formato com planetas, plantas, flores, estruturas geométricas e referências cósmicas, propondo uma visão de interligação entre natureza, humanidade e universo. Suas obras integram a Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Luiz Pizarro | Arremate Arte
Luiz Antônio Ferreira Pizarro nasceu no Rio de Janeiro, em 1958, e consolidou uma trajetória singular na arte brasileira como pintor e professor. Sua formação artística ocorreu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde estudou entre 1981 e 1983 com John Nicholson e Luiz Ernesto, além de frequentar o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila. Esse período foi determinante para sua inserção em uma geração que reafirmou a potência da pintura no Brasil durante os anos 1980.
Em 1984, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada no Parque Lage, marco decisivo para a arte contemporânea brasileira, e, no ano seguinte, integrou a 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Entre 1984 e 1989, fez parte do Atelier da Lapa, convivendo e produzindo ao lado de Daniel Senise, Angelo Venosa e João Magalhães. Posteriormente, dividiu o Casarão da Lapa com Senise, Maurício Bentes e Celeida Tostes, mantendo o espaço como ateliê e ambiente de ensino.
Desde os primeiros trabalhos, Luiz Pizarro desenvolveu uma pintura de forte intensidade cromática, marcada pela liberdade no uso da cor, pela expressividade das formas e pela presença recorrente da figura humana. Sua produção não se limita à representação: as figuras, os gestos e os campos coloridos tornam-se instrumentos para investigar a subjetividade, o corpo, as relações humanas e a experiência sensível do mundo. A obra Sem Título, de 1984, realizada em tinta acrílica sobre tela, integra a Coleção Gilberto Chateaubriand em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Paralelamente à atividade artística, Pizarro construiu uma presença importante no campo da educação. Lecionou pintura e desenho na EAV Parque Lage entre 1986 e 1990, período em que atuou ao lado de Beatriz Milhazes e Daniel Senise. Também coordenou, entre 1990 e 1991, o projeto Galpão das Artes, no MAM Rio, voltado à difusão da arte contemporânea. A partir de 1999, desenvolveu projetos educativos para instituições culturais e museus, entre eles o Museu Nacional de Belas Artes.
Em 2006, recebeu a Bolsa Icatu de Artes para realizar residência artística na Cité des Arts, em Paris, experiência que ampliou seu percurso internacional. Sem abandonar a pintura, continuou articulando criação, ensino e mediação cultural, mantendo vínculo ativo com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Em sua produção recente, Luiz Pizarro expandiu seu vocabulário visual para paisagens de caráter cósmico, geométrico e simbólico. Na exposição Metapaisagens, apresentada no Paço Imperial em 2023, a figura humana deixou de ocupar o centro das telas, abrindo espaço para globos terrestres, plantas, cubos e estruturas cromáticas que propõem uma reflexão sobre o planeta, a coexistência e a necessidade de observar o mundo por múltiplas perspectivas. A cor permanece como elemento essencial de sua linguagem, agora associada a uma visão mais ampla e relacional da natureza e da vida contemporânea.
Luiz Pizarro | Wikipédia
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, 1958) é um pintor e arte-educador brasileiro, conhecido por integrar a chamada Geração 80 da arte brasileira. Em sua carreira, Pizarro participou de duas edições da Bienal Internacional de São Paulo, lecionou com Beatriz Milhazes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e coordenou projetos educacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu Nacional de Belas Artes.
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro | Itaú Cultural
Luiz Antônio Ferreira Pizarro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor, arte-educador. Entre 1981 e 1983 estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage. É aluno de John Nicholson (1951), Luiz Ernesto (1955) e freqüenta o ateliê livre de pintura de Luiz Aquila (1943). Em 1984, participa da exposição Como Vai Você, Geração 80? e, no ano seguinte, da 18ª Bienal Internacional de São Paulo. Integra o Atelier da Lapa, entre 1984 e 1989, junto com os artistas Daniel Senise (1955), Angelo Venosa (1954) e João Magalhães (1945), e com eles (exceto Magalhães), além de Maurício Bentes (1958 - 2003) e Celeida Tostes (1929 - 1995), divide o Casarão da Lapa, de 1989 a 1991, utilizado como ateliê e espaço de ensino. Entre 1986 e 1990 leciona pintura e desenho na EAV/Parque Lage, e também dá aulas com Beatriz Milhazes (1960) e Daniel Senise. De 1990 a 1991, coordena o projeto Galpão das Artes, direcionado à difusão da arte contemporânea, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Viaja para a Europa em 1991, permanece em Portugal até 1992, e reside na Alemanha de 1992 a 1998. Volta ao Brasil, e entre 1999 e 2005 desenvolve projetos educativos para centros culturais e museus, como o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, e participa de exposições. Em 2006 recebe a Bolsa Icatu de Artes, para residência artística na Cité des Arts, em Paris.
Análise
Luiz Pizarro começa a expor nos anos 1980 e apresenta pinturas como Homem no Sofá, 1984, um homem nu descansando num sofá, e Sem Título, 1986, que mostra um casal se beijando. Pizarro não se preocupa em ser realista em relação às cores do corpo humano, e utiliza o preto, azul, violeta, verde, amarelo e o vermelho, por exemplo, em vez de tons que imitam a cor da pele. Em 1990 interessa-se pela pesquisa de novos materiais e produz, além de pinturas, obras tridimensionais como a torre de madeira, apresenta na 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991. Seguindo, entre 1992 e 1998, a pesquisa de materiais e morando na Alemanha, Pizarro imprime sobre parafina imagens de paisagens realizadas por viajantes alemães que vêm ao Brasil no século XIX, como em Para que Lado Fica o Paraíso?, 1995.
Entre 1998 e 2000 divide a tela em áreas geométricas de cor, sobre as quais insere monotipias em preto-e-branco com base em radiografias de ossos e de registros fotográficos do próprio corpo, se exercitando em sessões de musculação. Em 2001 soma a esse universo o desenho à mão livre (nanquim) de fragmentos de corpos mantendo relações sexuais. A questão da sexualidade é abordada, em 2004, em trabalhos que representam lutas marciais. Em 2006 retoma o emprego da parafina como suporte de paisagens.
Exposições individuais
1991 – Processo nº 738.765-2
2003 – 2080
2003 – Mais de Um
Exposições coletivas
1983 – Pintura! Pintura!
1983 – 6º Salão Nacional de Artes Plásticas
1984 – Como Vai Você, Geração 80?
1984 – Arte Brasileira Atual
1984 – 7º Salão Nacional de Artes Plásticas
1985 – Galeria Subdistrito: Mostra Inaugural
1985 – 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea
1985 – O Ateliê da Lapa
1985 – 18ª Bienal de São Paulo
1985 – Arte Construção: 21 artistas contemporâneos
1986 – 1ª Seleção Helena Rubinstein de Arte Jovem
1986 – Território Ocupado
1987 – Petrópolis Urgente: 1º Encontro de Arte Contemporânea de Petrópolis
1987 – Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand
1988 – 3x3: 3 Artistas, 3 Dimensões
1988 – Abolição
1988 – Subindo a Serra
1988 – 88 x 68: um balanço dos anos
1988 – Hedonismo: Coleção Gilberto Chateaubriand
1988 – 19º Panorama de Arte Atual Brasileira
1989 – Cristina Canale, Cláudio Fonseca, Beatriz Milhazes, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini
1990 – Projetos Arqueos
1991 – 21ª Bienal de São Paulo
1992 – Eco Art
1992 – 1º A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini
1993 – Arte Erótica
1993 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1994 – Brasil: imagens dos anos 80 e 90
1995 – Anos 80: o palco da diversidade
1996 – Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini
1998 – Looking for an Angel
1998 – Moto Migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha
1998 – O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
1998 – Acervo Galeria de Arte São Paulo
2000 – A Imagem do Som de Gilberto Gil
2002 – Caminhos do Contemporâneo: 1952/2002
2004 – Entre Tapas e Beijos
2004 – O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone
2004 – A Face Icônica da Arte Brasileira
2004 – Onde Está Você, Geração 80?
2005 – Onde Está Você, Geração 80?
2006 – Traços e Transições da Arte Contemporânea Brasileira
2006 – Arte Moderna em Contexto: coleção ABN AMRO Real
2010 – Jogos de Guerra
2010 – Pop Up Rio
2010 – Jogos de Guerra: confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira
2011 – E os Amigos Sinceros Também
2012 – Sombras: Livro objeto de Franco Terranova
2012 – Salão de Pinturas
2018 – Horizontes – As Paisagens nas Coleções MAM Rio
2023 – Metapaisagens — Paço Imperial (Rio de Janeiro)
2024 – Oníricas — Cidade das Artes Bibi Ferreira (Rio de Janeiro)
2024 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
2025 – Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial
Fonte: LUIZ Pizarro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Acesso em: 24 de julho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico | O Globo
Terminado o ensaio, Luiz Pizarro se sente ofegante em uma poltrona. Seu antebraço direito mostra três longos cortes. A pele sangra. Exausto, ele contempla no palco um cubo de madeira vazado, onde passou os últimos 35 minutos cruzando e sobrepondo fios de lã multicoloridos. O resultado da performance é um labirinto de cores entrelaçadas, que daqui a alguns minutos será destruído pela produção, e depois recriado nos próximos ensaios e apresentações, com novas formas geométricas.
Apesar da exigência e do desgaste, “O fio da meada”, espetáculo do artista plástico que estreia nesta sexta-feira no Espaço Sesc, é muito mais do que um desafio físico. A cada performance, Pizarro expõe a dor e a alegria da criação artística. O cubo vazado se transforma em uma arena, na qual divide com o público seus demônios.
— É uma improvisação corporal — define o artista. — Sei que, ao entrar no cubo, vou me jogar fisicamente. Lá dentro estou desconectado do entorno, só consigo olhar para os fios. Não há marcas, alguns dias (o trabalho) é mais lento, em outros, mais acelerado. Muitas vezes fico preso, preciso cortar os fios, destruir o que estou construindo. Sei que tenho que sair dali, só não sei como.
Enquanto improvisa seus movimentos, Pizarro dialoga consigo mesmo, numa interseção entre teatro, artes plásticas e cinema. As falas escapam como suspiros. São fragmentos de memória, pensamentos aleatórios, que criam associações livres com a geometria dos fios. Trocadilhos como “Estonteante/Estou diante” escancaram a relação do artista com o mundo e com o seu próprio trabalho.
— É uma dialética do pensamento que vai sendo construída em flashes — conta Pizarro. — Falo o que passa pela cabeça de um artista quando ele está criando sozinho. Adoro a sensação de estar no cubo, mas a solidão é enorme. Principalmente quando me sento no chão e vejo os fios, o labirinto que estou construindo. Lá dentro, até a densidade do ar é diferente: é o ar da criação.
A parte cênica, do diretor Fernando Philbert, revela o caráter e a personalidade do artista descobrindo a própria obra. Pizarro faz questão de dizer que não realiza um trabalho de ator. Apenas retira “suas vestes e máscaras”.
— É tudo muito honesto — garante. — Fico despido para mostrar como o fazer artístico é árduo, prazeroso, divertido, sacana... No fim, quando saio do cubo e experimento a surpresa de ver o que criei, tenho a sensação de dever cumprido.
Fonte: O Globo, “Luiz Pizarro expõe a dor e a delícia do trabalho artístico”, publicado por Bolívar Torres, em 5 de abril de 2013. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza | O Globo
O orgânico que brota do geométrico, num processo simbolizado por elementos como plantas e terra que surgem de dentro de cubos brancos flutuantes. Este é o conceito da série de pinturas abstratas em tela “Metapaisagens”, assinada pelo pintor e arte-educador Luiz Pizarro. Quinze obras desse trabalho vão ilustrar a exposição gratuita “Oníricas”, idealizada pelo artista plástico e que estará em cartaz na Cidade das Artes do próximo sábado (21) até 3 de novembro.
A mostra, que colocará a natureza no centro do debate, terá ainda três instalações interativas e colaborativas, incluindo o “Cubo dos desejos”, com estrutura de madeira de quatro metros quadrados, no qual os visitantes vão poder entrar e passar barbantes coloridos por uma quantidade de ganchos equivalente à de letras do seu nome, pensando num desejo para o planeta.
— São diversos tipos de plantas, como cactos e palmeiras, e, às vezes, até plantas imaginárias, com folhas em cores como laranja, amarelo e roxo, sempre num fundo azul, simbolizando o ar ou o mar, e nascendo dentro de cubos. Minha proposta com essa interação entre o orgânico e o geométrico é falar sobre uma busca por harmonia no universo, destacando a ideia de valorização e protagonismo da natureza. Para mim, os cubos que germinam vida dão a noção da origem de um planeta menos competitivo e mais colaborativo — explica Pizarro. — Já fiz muitas pinturas figurativas, com imagens de corpos. Nesse trabalho, porém, quis fugir um pouco disso e tirar o ser humano do centro da questão, porque, na verdade, ele contribuiu para a deturpação da harmonia.
Valores como colaboração e interação são mostrados nas pinturas, mas a exposição leva o público a explorá-los na prática.
— O Cubo dos Desejos, por exemplo, é feito de arestas de madeira, nas quais há vários ganchinhos. As pessoas entram nele, escolhem a cor do barbante, amarram-no num deles e vão traçando esses fios de algodão pelos demais ganchos, sem ordem definida. No final, dão um nó. Sempre há mais de uma pessoa lá dentro, e é quase um balé acontecendo, porque uma tem que se desviar da outra, se agachar, se realocar...Existe uma concordância ali; ninguém briga, além de haver um jogo de corpo — observa o criador. — A obra vai crescendo conforme a colaboração do público, até que fica uma trama enorme de fios e não há mais como ninguém entrar. Então, desmontamos e começamos tudo de novo.
As outras instalações interativas são “Tarrafas ao mar”, que inclui uma rede de pesca suspensa no espaço e reflete sobre a diferença entre amor e confiança, e “Contornos do ocaso”, que retrata a passagem do tempo e é composta de monotipias impressas em papel seda branco de azulejos desbotados da piscina onde o artista nada e de folhas secas de sua própria casa.
— Há também uma atividade em que os visitantes tiram uma selfie em frente a um dos quadros, como se estivessem dentro da obra; depois, faço uma monotipia em papel seda branco para eles levarem para casa e terem uma lembrança dessa experiência. Quando você participa de uma obra colaborativa, cria um diálogo mais interessante com ela e com o autor. E as pessoas se sentem realmente humanas quando estão criando — pontua Pizarro.
Fonte: O Globo, “Exposição interativa de Luiz Pizarro na Barra leva público a refletir sobre a natureza”, publicado por Madson Gama, em 19 de setembro de 2024. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar | Correio do Povo
Luiz Pizarro decidiu fazer uma exposição "propositiva" para mostrar seu mais novo trabalho. O artista carioca, que se acostumou a apresentar a figura humana em suas obras, desta vez convida as pessoas a olhar o mundo por outro viés.
Em "Metapaisagens", mostra que entrou em exibição esta semana no Paço Imperial, no centro do Rio, o artista tira as pessoas de seus quadros e expressa uma visão mais holística sobre os elementos.
A profusão de cores, uma característica de Pizarro, está lá. O que não se vê nas 18 telas em exposição é a figura humana - à exceção de uma, e ainda assim de forma bem discreta. No lugar do homem, Pizarro decidiu colocar o globo terrestre. "Eu não trabalho a figura humana, que é uma coisa que trabalhei a vida inteira. Acho que hoje se fala nisso excessivamente; o antropocentrismo levou ao excesso do egocentrismo. Então decidi tirar a figura e deixar que os outros elementos tenham força", conta.
Conhecido por integrar a Geração 80 da arte brasileira, Luiz Pizarro ressalta que a intenção da mostra é fazer as pessoas olharem para esse seu novo trabalho - cujas telas medindo entre 1,70m e 2,25m foram pintadas nos últimos dois anos - com diferentes vieses. "Eu vejo muita brasilidade nessa pintura, até uma certa conexão com o modernismo nessa coisa das plantas, das cores", avalia. "Os cubos estão em várias perspectivas diferentes, como se tivessem olhares diferentes, que é como devemos olhar o mundo também, sob várias perspectivas."
Ainda que esteja ausente nos traços, a figura humana tem papel fundamental na exposição de maneira interativa. Ao final da sala, Pizarro instalou seu Cubo Mágico, ou Cubo dos Desejos, como também é chamado. Trata-se de uma instalação em que o visitante é convidado a entrar para perpassar fios de lã de acordo com a quantidade de letras que formam o seu nome. Ao final, uma grande obra de arte interativa estará montada.
Além do cubo, os visitantes também serão convidados a pendurar três garrafinhas: numa delas será escrito o nome de alguém que se ame; na outra, de alguém em quem se confia; e, na terceira, um pensamento sobre o planeta. "A ideia da exposição é criar diálogos. Hoje em dia se fala muito em dialética, mas fala-se pouco em diálogo", considera o artista.
"Metapaisagens" ficará em exibição até 28 de maio. De quinta a sábado, haverá visitas guiadas pelo artista e pelo educador Pedro Sampaio para grupos previamente cadastrados. Além de escolas e do público em geral, Luiz Pizarro pretende levar ao espaço pessoas em vulnerabilidade social e jovens moradores de abrigos.
Ao final, todos que forem à exposição poderão levar uma lembrança bem pessoal para suas casas. "Os visitantes podem tirar uma foto, do jeito que quiserem, e iremos imprimir - mas não como foto. Desenvolvi uma técnica com impressoras em que uso o acetato errado, em que ela imprime, mas não gruda (a tinta). Então a gente faz uma monotipia (com a foto) num papel de seda branco e cada um leva pra casa como recordação."
Fonte: Correio do Povo, “Luiz Pizarro vê o mundo com um novo olhar”, publicado em 7 de abril de 2023. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.
Crédito fotográfico: Luiz Pizarro, imagem extraída de video da internet. Consultado pela última vez em 24 de julho de 2026.