Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte, MG, 1922), mais conhecida como Maria Helena Andrés, é uma pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora brasileira. Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participou de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York, onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977. Realizou várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, onde conheceu o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, período em que participou de seminários e palestras. Em 1979, lecionou desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society, em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados.
Biografia Maria Helena Andrés – Arremate Arte
Maria Helena Andrés Ribeiro foi uma artista plástica brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela estudou pintura com Carlos Chambelland no Rio de Janeiro e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte. Ao longo de sua carreira, participou de várias exposições importantes, como o Salão Nacional de Belas Artes, o Salão Nacional de Arte Moderna e a Bienal Internacional de São Paulo.
Entre 1950 e 1970, lecionou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, onde também ocupou cargos diretivos. Em 1961, estudou na Arts Students League of New York, onde foi aluna de Theodorus Stamos. Durante a década de 1960, colaborou com jornais locais, escrevendo sobre arte.
A partir da década de 1970, Maria Helena Andrés realizou várias viagens ao Oriente, incluindo Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Essas experiências influenciaram sua obra, levando-a a realizar um estudo comparativo entre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro "Oriente-Ocidente: Integração de Culturas" em 1984.
Em sua produção artística, Maria Helena Andrés passou por diferentes fases. No início, foi influenciada pelo mestre Guignard, apresentando um tratamento luminoso e transparente em suas pinturas de paisagens. Durante os anos 1950, tornou-se precursora do movimento concretista em Minas Gerais, explorando a geometria e a síntese formal. Na década de 1960, após estudar em Nova York, ela se voltou para a pintura gestual, transitando entre o abstracionismo lírico e o informalismo.
A obra de Maria Helena Andrés também abrangeu temas como guerra, destruição e corrida espacial. Em algumas obras, ela utilizou colagens e elementos da imprensa, combinando-os com formas abstratas. Além da pintura, a artista também se dedicou à criação de projetos para tapeçaria, explorando a combinação de cores e texturas.
Além de sua carreira como artista plástica, Maria Helena Andrés também se dedicou à escrita. Publicou os livros "Vivência e Arte" em 1965 e "Os Caminhos da Arte" em 1977, nos quais refletiu sobre a criatividade, a comunicação artística e a pintura abstrata informal.
Ao longo de sua trajetória, Maria Helena Andrés foi influenciada pela filosofia de Jacques Maritain, pelo pensamento estético de Kandinsky e pela arte e cultura oriental. Essas influências se refletiram em sua obra, que ampliou a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e a transparência da composição. Em seus trabalhos mais recentes, ela explorou a pintura de formas circulares e mandalas, além de se aventurar na fotografia e escultura.
Biografia – Itaú Cultural
Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York [Liga dos Estudantes de Arte de Nova York], onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977.
Realiza várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Nessas ocasiões, participa de seminários e palestras. Em 1979, leciona desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society [Sociedade Teosófica], em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Publica o livro Maria Helena Andrés: Depoimentos, em 1998.
Análise
Maria Helena Andrés forma-se na Escola do Parque, onde é aluna de Guignard. A influência do mestre é perceptível nas pinturas do período que sucede seus estudos em Belo Horizonte, no tratamento transparente e luminoso dado ao fundo, no desenho das figuras, no lirismo e na leveza de composições como a tela Casamento na Roça, 1950.
No decorrer dos anos 1950, a artista rompe com a figuração lírica em direção à arte concreta. A passagem pelo concretismo, movimento do qual é precursora em Minas Gerais, é verificada em obras como Movimento de Cores, 1955, e Fantasia de Ritmos, 1958, esta pertencente à coleção Adolpho Leirner, hoje integrante do Museum of Fine Arts [Museu de Belas Artes], Houston, Estados Unidos. As composições desse período trazem uma sequência ritmada de linhas verticais e horizontais, as áreas delimitadas que resultam dessa distribuição de linhas são preenchidas, aqui e ali, com cores distintas, que originam formas geométricas como retângulos e quadrados. As linhas e cores são dispostas numa esquematização organizada, alcançando a síntese formal almejada pelos concretistas. Concomitantemente, o ritmo e a delicadeza das composições conferem um aspecto poético a essa produção, cujo resultado formal guarda semelhanças com as telas do artista holandês Piet Mondrian. A série de desenhos a nanquim Cidades Iluminadas, realizada em 1958, também é exemplo desse tipo de solução plástica.
No início da década de 1960, realiza viagem de estudo a Nova York, onde recebe a orientação de Theodorus Stamos e entra em contato com o expressionismo abstrato. Essa experiência promove uma transformação significativa em sua produção, que se volta à pintura gestual, podendo ser qualificada entre o abstracionismo lírico, informal. Os barcos são referência para a criação da artista em diversas telas desse período, trabalhadas em superfícies de matéria espessa, como na obra Embarcação, 1963.
Realiza, na década de 1960, uma série de desenhos a nanquim sobre o tema da guerra e da destruição e diversas telas que fazem referência à corrida espacial, como Foguete Espacial, de 1968. Em algumas obras, utiliza a colagem de recortes de fotografias extraídas da grande imprensa e outros elementos, mesclando-os com formas abstratas, como em Radioactive Ship, 1964, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha - MAP. E na década seguinte, elabora inúmeros projetos para tapeçaria, nos quais busca aplicar aspectos da linguagem pictórica na modalidade têxtil, explorando a combinação de cores e as diferentes texturas dos pontos.
Artista plástica e escritora, há entre a produção plástica e as publicações de Maria Helena Andrés uma nítida conexão. Em 1966, publica Vivência e Arte, que traz uma reflexão sobre as fontes geradoras da criatividade, a natureza da comunicação artística e o ensino da arte. Influenciada pela filosofia de Jacques Maritain e o pensamento estético de Kandinsky, Maria Helena defende a existência de um impulso espiritual no movimento criador e procura estabelecer uma ligação com os ensinamentos cristãos. Caminhos da Arte, de 1977, amadurece as reflexões da autora sobre a arte moderna, voltando especial atenção para a pintura abstrata informal.
O interesse e o estudo da cultura oriental se manifestam nos anos 1970, período em que ela realiza suas primeiras viagens à Índia e a outros países do Oriente. A importância do contato com a arte e a cultura oriental, especialmente a indiana, se verifica em diversos artigos e na publicação de Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, em 1984, um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira.
Tais reflexões permeiam sua obra artística, que amplia a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e transparência da composição, procedimentos provavelmente incorporados por seu contato e admiração pela arte oriental. Na produção mais recente, é frequente a pintura de formas circulares e mandalas. Na última década, a artista volta-se também para a fotografia e escultura.
Críticas
"A presença e a importância de Maria Helena Andrés, como desenhista, pintora e professora, na arte mineira dos últimos vinte e cinco anos, tornou-se fato inconteste. (...). No seu trabalho pessoal, ela manteve certas características básicas ao longo desses anos, como a tendência a diluir as formas do real numa série de sugestões semi-abstratas, como propensão romântica para o símbolo, a metáfora e a alegoria. Os barcos, ou configurações que apenas os sugeriam, foram, por exemplo, constante de seu desenho e pintura durante fase prolongada, simbolizando, como ela própria afirma, a vontade atávica de viagem, de descoberta, de abandono do interior pelo exterior (...). Por volta de 1964, fundindo o significado simbólico das embarcações com chamamentos diretos da contemporaneidade, passou a figurar, na mesma crescente diluição quase-abstrata, máquinas voadoras num universo de sonho e luminosidades metálicas; (...). Nos desenhos e pinturas mais recentes, a abstração tem se ampliado em termos de novo prazer pelo gestual, pela fluidez de transparências e impacto de contrastes, talvez incorporados através de seu interesse e de seu contato com a arte oriental". – Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973).
Depoimentos
"Em 1944 Guignard chegou a Belo Horizonte convidado pelo então prefeiro Juscelino Kubitscheck para dirigir a Escola de Belas Artes. Senti o impacto de sua presença como uma renovação no panorama artístico de Minas e uma ruptura com o academismo. Procurei me inscrever em seu curso. Foi necessário um descondicionamento dos conceitos e fórmulas herdadas do academismo, para que eu pudesse ter acesso a minha própria individualidade. Meu objetivo era libertar-me do passado acadêmico e encontrar a linguagem adequada ao meu tempo. Guignard estimulava a coisa nova e a partir desse incentivo descobríamos nosso estilo individual. A convivência com os colegas e a poesia do Parque Municipal me estimulavam a criação e me despertavam novas indagações sobre a arte. A escola era freqüentada por grandes artistas e intelectuais. Guignard nos conduzia à Pampulha para olhar Portinari pintar o mural da Igreja de São Francisco e ali tínhamos contato também com Burle Marx, Santa Rosa e outros artistas vindos do Rio de Janeiro. Naquela época, Belo Horizonte vivia uma síntese de todas as artes, com a criação do conjunto da Pampulha, a presença do maestro Bosmans regendo a Sinfônica e de João Ceschiatti dirigindo peças de teatro. A guerra na Europa fez chegar até nós artistas de grande relevo, tais como Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szènes, Bernanos e Marcier. O encontro com esses artistas internacionais nos possibilitava sair do regionalismo e enxergar mais longe. Foi uma época de grande efervescência na capital mineira" — Maria Helena Andrés (ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés : depoimentos. Belo Horizonte : C/Arte, 1998. 96 p. il. p. b. color. (Circuito atelier). p. 12-13).
Acervos
Brazilian American Cultural Institute - Baci - Washington D.C (Estados Unidos)
Casa do Brasil - Paris (França)
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP - São Paulo SP
Fundação Cidade da Paz - Brasília DF
Fundação Clóvis Salgado - Belo Horizonte BH
Museu de Arte Contemporânea de Santiago do Chile
Museu de Arte da Pampulha - MAP - Belo Horizonte MG
Museu de Arte de Santa Catarina - Masc - Florianópolis SC
Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP - São Paulo SP
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Museu Mineiro - Belo Horizonte MG
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ
Museum of Fine Arts - Houston (Estados Unidos)
New Mexico Museum of Art - Santa Fé (Estados Unidos)
Palácio da Alvorada - Brasília DF
Pinacoteca Municipal - São Paulo SP
Seattle Art Museum - Seattle (Estados Unidos)
Exposições Individuais
1947 - Belo Horizonte MG - Individual, na Cultura Francesa
1953 - Belo Horizonte MG - Individual, no IAB/MG
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Ibeu
1961 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na União Pan-Americana
1961 - Novo México (Estados Unidos) - Individual, no Museu de Santa Fé
1961 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Galeria Sulamericana
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte das Folhas
1962 - Seattle (Estados Unidos) - Individual, na Dusane Gallery
1963 - Santiago (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1963 - Valparaíso (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Goeldi
1967 - Paris (França) - Individual, na Galerie Valerie Schmidt
1967 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Instituto Cultural Brasileiro-Americano
1968 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace
1969/1982 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1982 - Brasília DF - Individual, na Galeria Oscar Seraphico
1987 - Madri (Espanha) - Individual, na Casa do Brasil
1988 - Ouro Preto MG - Individual, no Museu da Inconfidência
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria do Pampulha Iate Clube
1992 - Belo Horizonte MG - Individual, na Belas Artes Liberdade Galeria de Arte
2005 - Belo Horizonte MG - Da Ardilosidade da Linha, na Léo Bahia Arte Contemporânea
2007 - Belo Horizonte MG - O Caminho das Águas, na Galeria de Arte Copasa
Exposições Coletivas
1943 - Rio de Janeiro RJ - 49º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1944/1947 - Rio de Janeiro RJ e Belo Horizonte MG - Mostras dos alunos de Guignard
1946 - Rio de Janeiro RJ - 52º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1947 - Rio de Janeiro RJ - 53º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1948 - Rio de Janeiro RJ - 54º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - menção honrosa
1951 - Rio de Janeiro RJ - 57º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - medalha de bronze
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna
1953 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1955 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Arte Moderna
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1957 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Arte Moderna
1957/1959 - Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) - Artistas Brasileiros
1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1959 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 3º prêmio
1959 - Leverkusen (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1959 - Munique (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, na Kunsthaus
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - Viena (Áustria) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1960 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 1º prêmio
1960 - Hamburgo (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Lisboa (Portugal) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Madri (Espanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Paris (França) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte Moderna
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1960 - Utrecht (Holanda) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1961 - Rio de Janeiro RJ - 10º Salão Nacional de Arte Moderna
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1962 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - Prêmio Sesc
1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1965 - Estados Unidos - Brazilian Contemporary Art Exhibition
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - Florianópolis SC - 1ª Exposição Nacional de Artes Plásticas, no Masc
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - Curitiba PR - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1974 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Nacional de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1974 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1974 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - prêmio aquisição
1976 - Belo Horizonte MG - Exposição dos Murais das Escolas Municipais de Belo Horizonte
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais
1979 - São Paulo SP - 2ª Trienal de Tapeçaria, no MAM/SP
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1981 - Belo Horizonte MG - Alunos de Guignard, na Itaugaleria
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no Masp
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1987 - Chandigarh (Índia) - Festival de Arte
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1991 - Belo Horizonte MG - Congresso Holístico Internacional
1992 - Belo Horizonte MG - Ícones da Utopia, na Fundação Palácio das Artes
1994 - Belo Horizonte MG - Guignard: 50 anos de uma escola de arte, na Galeria Vidyã
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1996 - Belo Horizonte MG - Improviso para Guignard, no Espaço Cultural Bamerindus Seguros
1997 - Contagem MG - Alunos de Guignard em Contagem, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira
1999 - Rio de Janeiro RJ - Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/RJ
2003 - Belo Horizonte MG - Geométricos, na Léo-Bahia Arte Contemporânea
2003 - Belo Horizonte MG - Mulheres, na Galeria de Arte Copasa
2003 - Rio de Janeiro RJ - Ordem x Liberdade, no MAM/RJ
2004 - Belo Horizonte MG - Pampulha, Obra Colecionada: 1943-2003, no MAP
2005 - Belo Horizonte MG - 40/80: uma mostra de arte brasileira, na Léo Bahia Arte Contemporânea
Fonte: MARIA Helena Andrés. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Acesso em: 15 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Vive no Retiro das Pedras, em Brumadinho. Iniciou sua formação artística nos anos 40, estudando pintura com Carlos Chambelland, entre 1940 e 1944, no Rio de Janeiro, e com Alberto da Veiga Guignard, entre 1944 e 1947, em Belo Horizonte. Chegou a ter aulas particulares com Aurélia Rubião quando menina. Em Nova York, foi aluna de Theodorus Stamus em 1961.
Em meados da década de 1960, escreveu sobre arte para os jornais Diário de Minas e Estado de Minas.
Lecionou desenho e pintura na Escola Guignard, tendo sido sua diretora em 1965.
Realizou viagens culturais à Índia, exposições individuais e coletivas no Brasil, nos EUA, na Europa e na América Latina. Participou de várias Bienais Internacionais de São Paulo, destacando-se as Salas Especiais: Arte Construída, na XII Bienal (1973); Pintura Abstrata, Efeito Bienal, na XX Bienal (1989); e As Abstrações, na Bienal Brasil Século XX (1994).
Possui obras em acervos públicos, entre eles Museu da Pampulha, Museu Mineiro e Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins; Prefeitura Municipal e Museu de Arte Moderna, em São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes e Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; Fundação Cidade da Paz, em Brasília; Museu Spokje, na Sérvia; Phillips Collection e Brazilian American Cultural Institute, em Washington DC (EUA), e Museum of New Mexico, em Santa Fé (EUA).
Publicou os livros Vivência e arte (Agir, 1966), Os caminhos da arte (Vozes, 1977 e C/Arte, 2000), Encontro com mestres no oriente (Luz Azul, 1993), Maria Helena Andrés - depoimento (Coleção Circuito Atelier, C/Arte, 1998); álbum OrienteOcidente: integração de culturas (Morrison Knudsen, 1984) e Maria Helena Andrés (C/Arte, 2004).
Arte e literatura
Maria Helena Andrés criou ao longo do tempo um vínculo muito forte com a literatura, a qual foi utilizada para fazer referências às obras e vivências adquiridas em suas viagens. Em tudo que escrevia procurava conectar arte à literatura. Por exemplo, em Vivência e Arte (Agir, 1966), a artista discute a criatividade e natureza da comunicação artística, defendendo a existência de um impulso espiritual no movimento criador, ideia da filosofia de Jacques Maritain e Kandinsky.
Nos anos de 1970, quando realiza as suas primeiras viagens, Maria Helena Andrés se utiliza de suas experiências regionais em cada lugar, sobretudo no oriente, para compor artigos e publicações escritas. Um exemplo é Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, que foi divulgado em 1984 e discorre sobre as diferenças culturais entre Brasil e Índia.
Obras
Dentre suas principais obras, constam:
Alvorada Vermelha (1961)
Menina e o papagaio (1950)
Paisagem (1951)
Plataforma Espacial (1967)
Barco (1983)
Floresta em Chamas (1989)
Barcos (1989)
Impulsos (1989)
Planícies verde (2006)
Amanhecer (2006)
Embarcação iluminada (2006)
Exposições
Dentre suas principais exposições, constam:
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1943)
Alunos de Guignard (Rio de Janeiro, RJ, 1944)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1946)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1947)
Alunos de Guignard (Belo Horizonte, MG, 1947)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1947)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1948)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1951)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1951)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1952)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1953)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1953)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1953)
Maria Helena Andrés (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Preto e Branco (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1955)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1955)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1955)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1957)
Arte Moderna no Brasil (Montevidéu, Uruguai, 1957)
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
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Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés | O TEMPO
Maria Helena Andrés completou 100 anos em agosto. Em sua casa no Retiro das Pedras, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, ela não para de trabalhar. Nos últimos tempos, está envolvida novamente com colagens, técnica que fez parte de sua produção na década de 1950. “Estou fazendo composições com colagens. Antigamente, eu colocava a colagem em um quadro pronto, era outra modalidade e funcionava muito bem. Só de colocar o recorte já dá um impacto diferente”, ela conta a O TEMPO.
A artista observa que utilizar a técnica é como reviver aqueles dias, quando fazia trabalhos concretistas em desenho e pintura e via seus seis filhos pequenos correrem pela casa: “Eu colocava os meninos para dormir e ia fazer meus desenhos pequeninos. Eu me divertia desenhando, tenho que sentir prazer naquilo que faço. Era também uma forma de sossegar a cabeça”.
Algumas obras daquele período compõem a exposição “Centenária”, que, como o nome entrega, homenageia Maria Helena Andrés e faz um passeio pela diversa produção da belo-horizontina, cujo início nos leva ao despertar dos anos 1940, quando ela, seguindo orientações de sua mestra no Colégio Sacre-Coeur de Marie, “que aconselhou os meus pais a me colocar numa escola de arte”, se muda da capital mineira para o Rio de Janeiro a fim de ter aulas particulares com o pintor Carlos Chambelland (1884-1950), reconhecido por sua habilidade como retratista.
Em 1944, Maria Helena volta a BH para uma fase decisiva em sua carreira. A artista passa, então, a frequentar a Escola Guignard, que tinha uma diretriz mais moderna. Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) não se preocupava em receitas de pintura aos alunos, que recebiam uma importante orientação: criem de acordo com sua própria tendência.
Inaugurada em novembro na Galeria de Arte do Centro Cultural Unimed-BH Minas (detalhes no fim da matéria), “Centenária” reúne 63 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas, colagens e esculturas. A mostra é um mergulho em todas as fases de Maria Helena; é, também, a síntese de uma trajetória que abraçou e incorporou elementos estéticos de distintos movimentos nacionais e internacionais.
"As pessoas vão ver as mudanças na minha carreira. Tem a mudança do figurativo, muito ligado do Guignard, para o abstrato, quando minhas obras começam a ficar mais geométricas. Depois entro em um construtivismo muito peculiar, muito mineiro, mas ao mesmo tempo ligado a São Paulo".
A exposição, idealizada pelos curadores Marília Andrés e Roberto Andrés, está, portanto, organizada segundo as fases pelas quais a artista passou. Há uma série de obras que traduzem nas telas o impacto que a II Guerra Mundial causou em Maria Helena. O marido da artista, o médico Luiz André Ribeiro de Oliveira, já falecido, chegou a ser convocado para trabalhar na Itália, mas o conflito terminou antes que ele embarcasse.
“O fantasma da guerra continuou no meu subconsciente, era um reflexo da minha vida naquele momento. Sempre houve uma mudança na minha pintura correspondente ao cenário da ocasião, às vivências internas e uma demonstração externa daquilo, sempre com disciplina e liberdade”, comenta Maria Helena Andrés, que buscou na filosofia e na espiritualidade – nos anos 1970, ela faz várias viagens ao Oriente e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chega a lecionar desenho em Chenai (antiga Madras) – o entendimento de como arte é importante para pensar e viver o mundo.
As reflexões de Maria Helena sobre processos criativos e o diálogo entre diferentes culturas estão nas páginas de livros como “Caminhos da Arte” (1977), “Oriente-Ocidente: Integração de Culturas” (1984), “Maria Helena Andrés: Depoimentos” (1998) e sua obra mais conhecida, “Vivência e Arte”, lançada em 1966.
A biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, guarda um volume da publicação que defende a arte moderna não só como um “rompimento com a tradição, mas um encontro com o espiritual. Essa espiritualidade vem permeando tudo por meio do contato com a natureza e o cosmos.
Arte e educação. “Centenária” também abriga um espaço para projeção do filme “Maria Helena, Arte e Transcendência”, dos diretores Evandro Lemos e Danilo Vilaça, e um ambiente lúdico para atividades educativas com crianças. Ali, é como se a artista tivesse uma continuação de sua casa. Foi pensando nos 17 bisnetos, que sempre frequentaram o Retiro das Pedras, onde sempre havia uma pranchetinha com papel e lápis, que Maria Helena, com a ajuda dos filhos, fez questão que a exposição abrisse uma janela para o livre pensamento das crianças.
“É muito importante dar possibilidades para elas se sentirem à vontade para pintar, desenhar, fazer o que se passa dentro da cabeça delas, que é muito fértil. As crianças nos ensinam muito. Pedi à minha filha (Marília) para organizar o espaço com almofadas coloridas, pranchetas e tudo preparado dentro das gavetas para que as crianças cheguem e desenhem o que quiserem. Está sendo um sucesso”, orgulha-se.
A ideia é que a exposição ganhe um caráter itinerante e possa ocupar o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No dia 10 de janeiro, o catálogo da mostra será lançado em Belo Horizonte. Entre mostras individuais e coletivas, Maria Helena Andrés viajou o mundo e levou sua arte para países das Américas e da Europa, mas “Centenária” tem um significado especial para ela: “É uma síntese do meu trabalho e da minha obra. Acho que é a minha exposição mais bonita”.
Foi com arte, filosofia, educação e espiritualidade que Maria Helena desenhou cada pedacinho de seus dias, conduzida num voo solto e desprendido por um mundo instigante sem fronteiras, só beleza, cujas cores e formas continuam a ser traçadas, dia após dia, em uma casa no Retiro das Pedras. “Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade, fazendo aquilo que a idade, a cabeça e o corpo permitem”, diz a artista centenária.
Fonte: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte, MG, 1922), mais conhecida como Maria Helena Andrés, é uma pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora brasileira. Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participou de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York, onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977. Realizou várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, onde conheceu o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, período em que participou de seminários e palestras. Em 1979, lecionou desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society, em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados.
Biografia Maria Helena Andrés – Arremate Arte
Maria Helena Andrés Ribeiro foi uma artista plástica brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela estudou pintura com Carlos Chambelland no Rio de Janeiro e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte. Ao longo de sua carreira, participou de várias exposições importantes, como o Salão Nacional de Belas Artes, o Salão Nacional de Arte Moderna e a Bienal Internacional de São Paulo.
Entre 1950 e 1970, lecionou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, onde também ocupou cargos diretivos. Em 1961, estudou na Arts Students League of New York, onde foi aluna de Theodorus Stamos. Durante a década de 1960, colaborou com jornais locais, escrevendo sobre arte.
A partir da década de 1970, Maria Helena Andrés realizou várias viagens ao Oriente, incluindo Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Essas experiências influenciaram sua obra, levando-a a realizar um estudo comparativo entre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro "Oriente-Ocidente: Integração de Culturas" em 1984.
Em sua produção artística, Maria Helena Andrés passou por diferentes fases. No início, foi influenciada pelo mestre Guignard, apresentando um tratamento luminoso e transparente em suas pinturas de paisagens. Durante os anos 1950, tornou-se precursora do movimento concretista em Minas Gerais, explorando a geometria e a síntese formal. Na década de 1960, após estudar em Nova York, ela se voltou para a pintura gestual, transitando entre o abstracionismo lírico e o informalismo.
A obra de Maria Helena Andrés também abrangeu temas como guerra, destruição e corrida espacial. Em algumas obras, ela utilizou colagens e elementos da imprensa, combinando-os com formas abstratas. Além da pintura, a artista também se dedicou à criação de projetos para tapeçaria, explorando a combinação de cores e texturas.
Além de sua carreira como artista plástica, Maria Helena Andrés também se dedicou à escrita. Publicou os livros "Vivência e Arte" em 1965 e "Os Caminhos da Arte" em 1977, nos quais refletiu sobre a criatividade, a comunicação artística e a pintura abstrata informal.
Ao longo de sua trajetória, Maria Helena Andrés foi influenciada pela filosofia de Jacques Maritain, pelo pensamento estético de Kandinsky e pela arte e cultura oriental. Essas influências se refletiram em sua obra, que ampliou a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e a transparência da composição. Em seus trabalhos mais recentes, ela explorou a pintura de formas circulares e mandalas, além de se aventurar na fotografia e escultura.
Biografia – Itaú Cultural
Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York [Liga dos Estudantes de Arte de Nova York], onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977.
Realiza várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Nessas ocasiões, participa de seminários e palestras. Em 1979, leciona desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society [Sociedade Teosófica], em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Publica o livro Maria Helena Andrés: Depoimentos, em 1998.
Análise
Maria Helena Andrés forma-se na Escola do Parque, onde é aluna de Guignard. A influência do mestre é perceptível nas pinturas do período que sucede seus estudos em Belo Horizonte, no tratamento transparente e luminoso dado ao fundo, no desenho das figuras, no lirismo e na leveza de composições como a tela Casamento na Roça, 1950.
No decorrer dos anos 1950, a artista rompe com a figuração lírica em direção à arte concreta. A passagem pelo concretismo, movimento do qual é precursora em Minas Gerais, é verificada em obras como Movimento de Cores, 1955, e Fantasia de Ritmos, 1958, esta pertencente à coleção Adolpho Leirner, hoje integrante do Museum of Fine Arts [Museu de Belas Artes], Houston, Estados Unidos. As composições desse período trazem uma sequência ritmada de linhas verticais e horizontais, as áreas delimitadas que resultam dessa distribuição de linhas são preenchidas, aqui e ali, com cores distintas, que originam formas geométricas como retângulos e quadrados. As linhas e cores são dispostas numa esquematização organizada, alcançando a síntese formal almejada pelos concretistas. Concomitantemente, o ritmo e a delicadeza das composições conferem um aspecto poético a essa produção, cujo resultado formal guarda semelhanças com as telas do artista holandês Piet Mondrian. A série de desenhos a nanquim Cidades Iluminadas, realizada em 1958, também é exemplo desse tipo de solução plástica.
No início da década de 1960, realiza viagem de estudo a Nova York, onde recebe a orientação de Theodorus Stamos e entra em contato com o expressionismo abstrato. Essa experiência promove uma transformação significativa em sua produção, que se volta à pintura gestual, podendo ser qualificada entre o abstracionismo lírico, informal. Os barcos são referência para a criação da artista em diversas telas desse período, trabalhadas em superfícies de matéria espessa, como na obra Embarcação, 1963.
Realiza, na década de 1960, uma série de desenhos a nanquim sobre o tema da guerra e da destruição e diversas telas que fazem referência à corrida espacial, como Foguete Espacial, de 1968. Em algumas obras, utiliza a colagem de recortes de fotografias extraídas da grande imprensa e outros elementos, mesclando-os com formas abstratas, como em Radioactive Ship, 1964, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha - MAP. E na década seguinte, elabora inúmeros projetos para tapeçaria, nos quais busca aplicar aspectos da linguagem pictórica na modalidade têxtil, explorando a combinação de cores e as diferentes texturas dos pontos.
Artista plástica e escritora, há entre a produção plástica e as publicações de Maria Helena Andrés uma nítida conexão. Em 1966, publica Vivência e Arte, que traz uma reflexão sobre as fontes geradoras da criatividade, a natureza da comunicação artística e o ensino da arte. Influenciada pela filosofia de Jacques Maritain e o pensamento estético de Kandinsky, Maria Helena defende a existência de um impulso espiritual no movimento criador e procura estabelecer uma ligação com os ensinamentos cristãos. Caminhos da Arte, de 1977, amadurece as reflexões da autora sobre a arte moderna, voltando especial atenção para a pintura abstrata informal.
O interesse e o estudo da cultura oriental se manifestam nos anos 1970, período em que ela realiza suas primeiras viagens à Índia e a outros países do Oriente. A importância do contato com a arte e a cultura oriental, especialmente a indiana, se verifica em diversos artigos e na publicação de Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, em 1984, um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira.
Tais reflexões permeiam sua obra artística, que amplia a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e transparência da composição, procedimentos provavelmente incorporados por seu contato e admiração pela arte oriental. Na produção mais recente, é frequente a pintura de formas circulares e mandalas. Na última década, a artista volta-se também para a fotografia e escultura.
Críticas
"A presença e a importância de Maria Helena Andrés, como desenhista, pintora e professora, na arte mineira dos últimos vinte e cinco anos, tornou-se fato inconteste. (...). No seu trabalho pessoal, ela manteve certas características básicas ao longo desses anos, como a tendência a diluir as formas do real numa série de sugestões semi-abstratas, como propensão romântica para o símbolo, a metáfora e a alegoria. Os barcos, ou configurações que apenas os sugeriam, foram, por exemplo, constante de seu desenho e pintura durante fase prolongada, simbolizando, como ela própria afirma, a vontade atávica de viagem, de descoberta, de abandono do interior pelo exterior (...). Por volta de 1964, fundindo o significado simbólico das embarcações com chamamentos diretos da contemporaneidade, passou a figurar, na mesma crescente diluição quase-abstrata, máquinas voadoras num universo de sonho e luminosidades metálicas; (...). Nos desenhos e pinturas mais recentes, a abstração tem se ampliado em termos de novo prazer pelo gestual, pela fluidez de transparências e impacto de contrastes, talvez incorporados através de seu interesse e de seu contato com a arte oriental". – Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973).
Depoimentos
"Em 1944 Guignard chegou a Belo Horizonte convidado pelo então prefeiro Juscelino Kubitscheck para dirigir a Escola de Belas Artes. Senti o impacto de sua presença como uma renovação no panorama artístico de Minas e uma ruptura com o academismo. Procurei me inscrever em seu curso. Foi necessário um descondicionamento dos conceitos e fórmulas herdadas do academismo, para que eu pudesse ter acesso a minha própria individualidade. Meu objetivo era libertar-me do passado acadêmico e encontrar a linguagem adequada ao meu tempo. Guignard estimulava a coisa nova e a partir desse incentivo descobríamos nosso estilo individual. A convivência com os colegas e a poesia do Parque Municipal me estimulavam a criação e me despertavam novas indagações sobre a arte. A escola era freqüentada por grandes artistas e intelectuais. Guignard nos conduzia à Pampulha para olhar Portinari pintar o mural da Igreja de São Francisco e ali tínhamos contato também com Burle Marx, Santa Rosa e outros artistas vindos do Rio de Janeiro. Naquela época, Belo Horizonte vivia uma síntese de todas as artes, com a criação do conjunto da Pampulha, a presença do maestro Bosmans regendo a Sinfônica e de João Ceschiatti dirigindo peças de teatro. A guerra na Europa fez chegar até nós artistas de grande relevo, tais como Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szènes, Bernanos e Marcier. O encontro com esses artistas internacionais nos possibilitava sair do regionalismo e enxergar mais longe. Foi uma época de grande efervescência na capital mineira" — Maria Helena Andrés (ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés : depoimentos. Belo Horizonte : C/Arte, 1998. 96 p. il. p. b. color. (Circuito atelier). p. 12-13).
Acervos
Brazilian American Cultural Institute - Baci - Washington D.C (Estados Unidos)
Casa do Brasil - Paris (França)
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP - São Paulo SP
Fundação Cidade da Paz - Brasília DF
Fundação Clóvis Salgado - Belo Horizonte BH
Museu de Arte Contemporânea de Santiago do Chile
Museu de Arte da Pampulha - MAP - Belo Horizonte MG
Museu de Arte de Santa Catarina - Masc - Florianópolis SC
Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP - São Paulo SP
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Museu Mineiro - Belo Horizonte MG
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ
Museum of Fine Arts - Houston (Estados Unidos)
New Mexico Museum of Art - Santa Fé (Estados Unidos)
Palácio da Alvorada - Brasília DF
Pinacoteca Municipal - São Paulo SP
Seattle Art Museum - Seattle (Estados Unidos)
Exposições Individuais
1947 - Belo Horizonte MG - Individual, na Cultura Francesa
1953 - Belo Horizonte MG - Individual, no IAB/MG
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Ibeu
1961 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na União Pan-Americana
1961 - Novo México (Estados Unidos) - Individual, no Museu de Santa Fé
1961 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Galeria Sulamericana
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte das Folhas
1962 - Seattle (Estados Unidos) - Individual, na Dusane Gallery
1963 - Santiago (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1963 - Valparaíso (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Goeldi
1967 - Paris (França) - Individual, na Galerie Valerie Schmidt
1967 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Instituto Cultural Brasileiro-Americano
1968 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace
1969/1982 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1982 - Brasília DF - Individual, na Galeria Oscar Seraphico
1987 - Madri (Espanha) - Individual, na Casa do Brasil
1988 - Ouro Preto MG - Individual, no Museu da Inconfidência
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria do Pampulha Iate Clube
1992 - Belo Horizonte MG - Individual, na Belas Artes Liberdade Galeria de Arte
2005 - Belo Horizonte MG - Da Ardilosidade da Linha, na Léo Bahia Arte Contemporânea
2007 - Belo Horizonte MG - O Caminho das Águas, na Galeria de Arte Copasa
Exposições Coletivas
1943 - Rio de Janeiro RJ - 49º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1944/1947 - Rio de Janeiro RJ e Belo Horizonte MG - Mostras dos alunos de Guignard
1946 - Rio de Janeiro RJ - 52º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1947 - Rio de Janeiro RJ - 53º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1948 - Rio de Janeiro RJ - 54º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - menção honrosa
1951 - Rio de Janeiro RJ - 57º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - medalha de bronze
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna
1953 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1955 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Arte Moderna
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1957 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Arte Moderna
1957/1959 - Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) - Artistas Brasileiros
1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1959 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 3º prêmio
1959 - Leverkusen (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1959 - Munique (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, na Kunsthaus
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - Viena (Áustria) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1960 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 1º prêmio
1960 - Hamburgo (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Lisboa (Portugal) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Madri (Espanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Paris (França) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte Moderna
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1960 - Utrecht (Holanda) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1961 - Rio de Janeiro RJ - 10º Salão Nacional de Arte Moderna
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1962 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - Prêmio Sesc
1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1965 - Estados Unidos - Brazilian Contemporary Art Exhibition
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - Florianópolis SC - 1ª Exposição Nacional de Artes Plásticas, no Masc
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - Curitiba PR - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1974 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Nacional de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1974 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1974 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - prêmio aquisição
1976 - Belo Horizonte MG - Exposição dos Murais das Escolas Municipais de Belo Horizonte
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais
1979 - São Paulo SP - 2ª Trienal de Tapeçaria, no MAM/SP
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1981 - Belo Horizonte MG - Alunos de Guignard, na Itaugaleria
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no Masp
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1987 - Chandigarh (Índia) - Festival de Arte
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1991 - Belo Horizonte MG - Congresso Holístico Internacional
1992 - Belo Horizonte MG - Ícones da Utopia, na Fundação Palácio das Artes
1994 - Belo Horizonte MG - Guignard: 50 anos de uma escola de arte, na Galeria Vidyã
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1996 - Belo Horizonte MG - Improviso para Guignard, no Espaço Cultural Bamerindus Seguros
1997 - Contagem MG - Alunos de Guignard em Contagem, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira
1999 - Rio de Janeiro RJ - Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/RJ
2003 - Belo Horizonte MG - Geométricos, na Léo-Bahia Arte Contemporânea
2003 - Belo Horizonte MG - Mulheres, na Galeria de Arte Copasa
2003 - Rio de Janeiro RJ - Ordem x Liberdade, no MAM/RJ
2004 - Belo Horizonte MG - Pampulha, Obra Colecionada: 1943-2003, no MAP
2005 - Belo Horizonte MG - 40/80: uma mostra de arte brasileira, na Léo Bahia Arte Contemporânea
Fonte: MARIA Helena Andrés. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Acesso em: 15 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Vive no Retiro das Pedras, em Brumadinho. Iniciou sua formação artística nos anos 40, estudando pintura com Carlos Chambelland, entre 1940 e 1944, no Rio de Janeiro, e com Alberto da Veiga Guignard, entre 1944 e 1947, em Belo Horizonte. Chegou a ter aulas particulares com Aurélia Rubião quando menina. Em Nova York, foi aluna de Theodorus Stamus em 1961.
Em meados da década de 1960, escreveu sobre arte para os jornais Diário de Minas e Estado de Minas.
Lecionou desenho e pintura na Escola Guignard, tendo sido sua diretora em 1965.
Realizou viagens culturais à Índia, exposições individuais e coletivas no Brasil, nos EUA, na Europa e na América Latina. Participou de várias Bienais Internacionais de São Paulo, destacando-se as Salas Especiais: Arte Construída, na XII Bienal (1973); Pintura Abstrata, Efeito Bienal, na XX Bienal (1989); e As Abstrações, na Bienal Brasil Século XX (1994).
Possui obras em acervos públicos, entre eles Museu da Pampulha, Museu Mineiro e Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins; Prefeitura Municipal e Museu de Arte Moderna, em São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes e Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; Fundação Cidade da Paz, em Brasília; Museu Spokje, na Sérvia; Phillips Collection e Brazilian American Cultural Institute, em Washington DC (EUA), e Museum of New Mexico, em Santa Fé (EUA).
Publicou os livros Vivência e arte (Agir, 1966), Os caminhos da arte (Vozes, 1977 e C/Arte, 2000), Encontro com mestres no oriente (Luz Azul, 1993), Maria Helena Andrés - depoimento (Coleção Circuito Atelier, C/Arte, 1998); álbum OrienteOcidente: integração de culturas (Morrison Knudsen, 1984) e Maria Helena Andrés (C/Arte, 2004).
Arte e literatura
Maria Helena Andrés criou ao longo do tempo um vínculo muito forte com a literatura, a qual foi utilizada para fazer referências às obras e vivências adquiridas em suas viagens. Em tudo que escrevia procurava conectar arte à literatura. Por exemplo, em Vivência e Arte (Agir, 1966), a artista discute a criatividade e natureza da comunicação artística, defendendo a existência de um impulso espiritual no movimento criador, ideia da filosofia de Jacques Maritain e Kandinsky.
Nos anos de 1970, quando realiza as suas primeiras viagens, Maria Helena Andrés se utiliza de suas experiências regionais em cada lugar, sobretudo no oriente, para compor artigos e publicações escritas. Um exemplo é Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, que foi divulgado em 1984 e discorre sobre as diferenças culturais entre Brasil e Índia.
Obras
Dentre suas principais obras, constam:
Alvorada Vermelha (1961)
Menina e o papagaio (1950)
Paisagem (1951)
Plataforma Espacial (1967)
Barco (1983)
Floresta em Chamas (1989)
Barcos (1989)
Impulsos (1989)
Planícies verde (2006)
Amanhecer (2006)
Embarcação iluminada (2006)
Exposições
Dentre suas principais exposições, constam:
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1943)
Alunos de Guignard (Rio de Janeiro, RJ, 1944)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1946)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1947)
Alunos de Guignard (Belo Horizonte, MG, 1947)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1947)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1948)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1951)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1951)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1952)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1953)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1953)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1953)
Maria Helena Andrés (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Preto e Branco (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1955)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1955)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1955)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1957)
Arte Moderna no Brasil (Montevidéu, Uruguai, 1957)
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
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Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés | O TEMPO
Maria Helena Andrés completou 100 anos em agosto. Em sua casa no Retiro das Pedras, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, ela não para de trabalhar. Nos últimos tempos, está envolvida novamente com colagens, técnica que fez parte de sua produção na década de 1950. “Estou fazendo composições com colagens. Antigamente, eu colocava a colagem em um quadro pronto, era outra modalidade e funcionava muito bem. Só de colocar o recorte já dá um impacto diferente”, ela conta a O TEMPO.
A artista observa que utilizar a técnica é como reviver aqueles dias, quando fazia trabalhos concretistas em desenho e pintura e via seus seis filhos pequenos correrem pela casa: “Eu colocava os meninos para dormir e ia fazer meus desenhos pequeninos. Eu me divertia desenhando, tenho que sentir prazer naquilo que faço. Era também uma forma de sossegar a cabeça”.
Algumas obras daquele período compõem a exposição “Centenária”, que, como o nome entrega, homenageia Maria Helena Andrés e faz um passeio pela diversa produção da belo-horizontina, cujo início nos leva ao despertar dos anos 1940, quando ela, seguindo orientações de sua mestra no Colégio Sacre-Coeur de Marie, “que aconselhou os meus pais a me colocar numa escola de arte”, se muda da capital mineira para o Rio de Janeiro a fim de ter aulas particulares com o pintor Carlos Chambelland (1884-1950), reconhecido por sua habilidade como retratista.
Em 1944, Maria Helena volta a BH para uma fase decisiva em sua carreira. A artista passa, então, a frequentar a Escola Guignard, que tinha uma diretriz mais moderna. Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) não se preocupava em receitas de pintura aos alunos, que recebiam uma importante orientação: criem de acordo com sua própria tendência.
Inaugurada em novembro na Galeria de Arte do Centro Cultural Unimed-BH Minas (detalhes no fim da matéria), “Centenária” reúne 63 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas, colagens e esculturas. A mostra é um mergulho em todas as fases de Maria Helena; é, também, a síntese de uma trajetória que abraçou e incorporou elementos estéticos de distintos movimentos nacionais e internacionais.
"As pessoas vão ver as mudanças na minha carreira. Tem a mudança do figurativo, muito ligado do Guignard, para o abstrato, quando minhas obras começam a ficar mais geométricas. Depois entro em um construtivismo muito peculiar, muito mineiro, mas ao mesmo tempo ligado a São Paulo".
A exposição, idealizada pelos curadores Marília Andrés e Roberto Andrés, está, portanto, organizada segundo as fases pelas quais a artista passou. Há uma série de obras que traduzem nas telas o impacto que a II Guerra Mundial causou em Maria Helena. O marido da artista, o médico Luiz André Ribeiro de Oliveira, já falecido, chegou a ser convocado para trabalhar na Itália, mas o conflito terminou antes que ele embarcasse.
“O fantasma da guerra continuou no meu subconsciente, era um reflexo da minha vida naquele momento. Sempre houve uma mudança na minha pintura correspondente ao cenário da ocasião, às vivências internas e uma demonstração externa daquilo, sempre com disciplina e liberdade”, comenta Maria Helena Andrés, que buscou na filosofia e na espiritualidade – nos anos 1970, ela faz várias viagens ao Oriente e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chega a lecionar desenho em Chenai (antiga Madras) – o entendimento de como arte é importante para pensar e viver o mundo.
As reflexões de Maria Helena sobre processos criativos e o diálogo entre diferentes culturas estão nas páginas de livros como “Caminhos da Arte” (1977), “Oriente-Ocidente: Integração de Culturas” (1984), “Maria Helena Andrés: Depoimentos” (1998) e sua obra mais conhecida, “Vivência e Arte”, lançada em 1966.
A biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, guarda um volume da publicação que defende a arte moderna não só como um “rompimento com a tradição, mas um encontro com o espiritual. Essa espiritualidade vem permeando tudo por meio do contato com a natureza e o cosmos.
Arte e educação. “Centenária” também abriga um espaço para projeção do filme “Maria Helena, Arte e Transcendência”, dos diretores Evandro Lemos e Danilo Vilaça, e um ambiente lúdico para atividades educativas com crianças. Ali, é como se a artista tivesse uma continuação de sua casa. Foi pensando nos 17 bisnetos, que sempre frequentaram o Retiro das Pedras, onde sempre havia uma pranchetinha com papel e lápis, que Maria Helena, com a ajuda dos filhos, fez questão que a exposição abrisse uma janela para o livre pensamento das crianças.
“É muito importante dar possibilidades para elas se sentirem à vontade para pintar, desenhar, fazer o que se passa dentro da cabeça delas, que é muito fértil. As crianças nos ensinam muito. Pedi à minha filha (Marília) para organizar o espaço com almofadas coloridas, pranchetas e tudo preparado dentro das gavetas para que as crianças cheguem e desenhem o que quiserem. Está sendo um sucesso”, orgulha-se.
A ideia é que a exposição ganhe um caráter itinerante e possa ocupar o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No dia 10 de janeiro, o catálogo da mostra será lançado em Belo Horizonte. Entre mostras individuais e coletivas, Maria Helena Andrés viajou o mundo e levou sua arte para países das Américas e da Europa, mas “Centenária” tem um significado especial para ela: “É uma síntese do meu trabalho e da minha obra. Acho que é a minha exposição mais bonita”.
Foi com arte, filosofia, educação e espiritualidade que Maria Helena desenhou cada pedacinho de seus dias, conduzida num voo solto e desprendido por um mundo instigante sem fronteiras, só beleza, cujas cores e formas continuam a ser traçadas, dia após dia, em uma casa no Retiro das Pedras. “Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade, fazendo aquilo que a idade, a cabeça e o corpo permitem”, diz a artista centenária.
Fonte: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte, MG, 1922), mais conhecida como Maria Helena Andrés, é uma pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora brasileira. Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participou de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York, onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977. Realizou várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, onde conheceu o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, período em que participou de seminários e palestras. Em 1979, lecionou desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society, em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados.
Biografia Maria Helena Andrés – Arremate Arte
Maria Helena Andrés Ribeiro foi uma artista plástica brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela estudou pintura com Carlos Chambelland no Rio de Janeiro e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte. Ao longo de sua carreira, participou de várias exposições importantes, como o Salão Nacional de Belas Artes, o Salão Nacional de Arte Moderna e a Bienal Internacional de São Paulo.
Entre 1950 e 1970, lecionou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, onde também ocupou cargos diretivos. Em 1961, estudou na Arts Students League of New York, onde foi aluna de Theodorus Stamos. Durante a década de 1960, colaborou com jornais locais, escrevendo sobre arte.
A partir da década de 1970, Maria Helena Andrés realizou várias viagens ao Oriente, incluindo Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Essas experiências influenciaram sua obra, levando-a a realizar um estudo comparativo entre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro "Oriente-Ocidente: Integração de Culturas" em 1984.
Em sua produção artística, Maria Helena Andrés passou por diferentes fases. No início, foi influenciada pelo mestre Guignard, apresentando um tratamento luminoso e transparente em suas pinturas de paisagens. Durante os anos 1950, tornou-se precursora do movimento concretista em Minas Gerais, explorando a geometria e a síntese formal. Na década de 1960, após estudar em Nova York, ela se voltou para a pintura gestual, transitando entre o abstracionismo lírico e o informalismo.
A obra de Maria Helena Andrés também abrangeu temas como guerra, destruição e corrida espacial. Em algumas obras, ela utilizou colagens e elementos da imprensa, combinando-os com formas abstratas. Além da pintura, a artista também se dedicou à criação de projetos para tapeçaria, explorando a combinação de cores e texturas.
Além de sua carreira como artista plástica, Maria Helena Andrés também se dedicou à escrita. Publicou os livros "Vivência e Arte" em 1965 e "Os Caminhos da Arte" em 1977, nos quais refletiu sobre a criatividade, a comunicação artística e a pintura abstrata informal.
Ao longo de sua trajetória, Maria Helena Andrés foi influenciada pela filosofia de Jacques Maritain, pelo pensamento estético de Kandinsky e pela arte e cultura oriental. Essas influências se refletiram em sua obra, que ampliou a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e a transparência da composição. Em seus trabalhos mais recentes, ela explorou a pintura de formas circulares e mandalas, além de se aventurar na fotografia e escultura.
Biografia – Itaú Cultural
Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York [Liga dos Estudantes de Arte de Nova York], onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977.
Realiza várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Nessas ocasiões, participa de seminários e palestras. Em 1979, leciona desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society [Sociedade Teosófica], em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Publica o livro Maria Helena Andrés: Depoimentos, em 1998.
Análise
Maria Helena Andrés forma-se na Escola do Parque, onde é aluna de Guignard. A influência do mestre é perceptível nas pinturas do período que sucede seus estudos em Belo Horizonte, no tratamento transparente e luminoso dado ao fundo, no desenho das figuras, no lirismo e na leveza de composições como a tela Casamento na Roça, 1950.
No decorrer dos anos 1950, a artista rompe com a figuração lírica em direção à arte concreta. A passagem pelo concretismo, movimento do qual é precursora em Minas Gerais, é verificada em obras como Movimento de Cores, 1955, e Fantasia de Ritmos, 1958, esta pertencente à coleção Adolpho Leirner, hoje integrante do Museum of Fine Arts [Museu de Belas Artes], Houston, Estados Unidos. As composições desse período trazem uma sequência ritmada de linhas verticais e horizontais, as áreas delimitadas que resultam dessa distribuição de linhas são preenchidas, aqui e ali, com cores distintas, que originam formas geométricas como retângulos e quadrados. As linhas e cores são dispostas numa esquematização organizada, alcançando a síntese formal almejada pelos concretistas. Concomitantemente, o ritmo e a delicadeza das composições conferem um aspecto poético a essa produção, cujo resultado formal guarda semelhanças com as telas do artista holandês Piet Mondrian. A série de desenhos a nanquim Cidades Iluminadas, realizada em 1958, também é exemplo desse tipo de solução plástica.
No início da década de 1960, realiza viagem de estudo a Nova York, onde recebe a orientação de Theodorus Stamos e entra em contato com o expressionismo abstrato. Essa experiência promove uma transformação significativa em sua produção, que se volta à pintura gestual, podendo ser qualificada entre o abstracionismo lírico, informal. Os barcos são referência para a criação da artista em diversas telas desse período, trabalhadas em superfícies de matéria espessa, como na obra Embarcação, 1963.
Realiza, na década de 1960, uma série de desenhos a nanquim sobre o tema da guerra e da destruição e diversas telas que fazem referência à corrida espacial, como Foguete Espacial, de 1968. Em algumas obras, utiliza a colagem de recortes de fotografias extraídas da grande imprensa e outros elementos, mesclando-os com formas abstratas, como em Radioactive Ship, 1964, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha - MAP. E na década seguinte, elabora inúmeros projetos para tapeçaria, nos quais busca aplicar aspectos da linguagem pictórica na modalidade têxtil, explorando a combinação de cores e as diferentes texturas dos pontos.
Artista plástica e escritora, há entre a produção plástica e as publicações de Maria Helena Andrés uma nítida conexão. Em 1966, publica Vivência e Arte, que traz uma reflexão sobre as fontes geradoras da criatividade, a natureza da comunicação artística e o ensino da arte. Influenciada pela filosofia de Jacques Maritain e o pensamento estético de Kandinsky, Maria Helena defende a existência de um impulso espiritual no movimento criador e procura estabelecer uma ligação com os ensinamentos cristãos. Caminhos da Arte, de 1977, amadurece as reflexões da autora sobre a arte moderna, voltando especial atenção para a pintura abstrata informal.
O interesse e o estudo da cultura oriental se manifestam nos anos 1970, período em que ela realiza suas primeiras viagens à Índia e a outros países do Oriente. A importância do contato com a arte e a cultura oriental, especialmente a indiana, se verifica em diversos artigos e na publicação de Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, em 1984, um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira.
Tais reflexões permeiam sua obra artística, que amplia a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e transparência da composição, procedimentos provavelmente incorporados por seu contato e admiração pela arte oriental. Na produção mais recente, é frequente a pintura de formas circulares e mandalas. Na última década, a artista volta-se também para a fotografia e escultura.
Críticas
"A presença e a importância de Maria Helena Andrés, como desenhista, pintora e professora, na arte mineira dos últimos vinte e cinco anos, tornou-se fato inconteste. (...). No seu trabalho pessoal, ela manteve certas características básicas ao longo desses anos, como a tendência a diluir as formas do real numa série de sugestões semi-abstratas, como propensão romântica para o símbolo, a metáfora e a alegoria. Os barcos, ou configurações que apenas os sugeriam, foram, por exemplo, constante de seu desenho e pintura durante fase prolongada, simbolizando, como ela própria afirma, a vontade atávica de viagem, de descoberta, de abandono do interior pelo exterior (...). Por volta de 1964, fundindo o significado simbólico das embarcações com chamamentos diretos da contemporaneidade, passou a figurar, na mesma crescente diluição quase-abstrata, máquinas voadoras num universo de sonho e luminosidades metálicas; (...). Nos desenhos e pinturas mais recentes, a abstração tem se ampliado em termos de novo prazer pelo gestual, pela fluidez de transparências e impacto de contrastes, talvez incorporados através de seu interesse e de seu contato com a arte oriental". – Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973).
Depoimentos
"Em 1944 Guignard chegou a Belo Horizonte convidado pelo então prefeiro Juscelino Kubitscheck para dirigir a Escola de Belas Artes. Senti o impacto de sua presença como uma renovação no panorama artístico de Minas e uma ruptura com o academismo. Procurei me inscrever em seu curso. Foi necessário um descondicionamento dos conceitos e fórmulas herdadas do academismo, para que eu pudesse ter acesso a minha própria individualidade. Meu objetivo era libertar-me do passado acadêmico e encontrar a linguagem adequada ao meu tempo. Guignard estimulava a coisa nova e a partir desse incentivo descobríamos nosso estilo individual. A convivência com os colegas e a poesia do Parque Municipal me estimulavam a criação e me despertavam novas indagações sobre a arte. A escola era freqüentada por grandes artistas e intelectuais. Guignard nos conduzia à Pampulha para olhar Portinari pintar o mural da Igreja de São Francisco e ali tínhamos contato também com Burle Marx, Santa Rosa e outros artistas vindos do Rio de Janeiro. Naquela época, Belo Horizonte vivia uma síntese de todas as artes, com a criação do conjunto da Pampulha, a presença do maestro Bosmans regendo a Sinfônica e de João Ceschiatti dirigindo peças de teatro. A guerra na Europa fez chegar até nós artistas de grande relevo, tais como Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szènes, Bernanos e Marcier. O encontro com esses artistas internacionais nos possibilitava sair do regionalismo e enxergar mais longe. Foi uma época de grande efervescência na capital mineira" — Maria Helena Andrés (ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés : depoimentos. Belo Horizonte : C/Arte, 1998. 96 p. il. p. b. color. (Circuito atelier). p. 12-13).
Acervos
Brazilian American Cultural Institute - Baci - Washington D.C (Estados Unidos)
Casa do Brasil - Paris (França)
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP - São Paulo SP
Fundação Cidade da Paz - Brasília DF
Fundação Clóvis Salgado - Belo Horizonte BH
Museu de Arte Contemporânea de Santiago do Chile
Museu de Arte da Pampulha - MAP - Belo Horizonte MG
Museu de Arte de Santa Catarina - Masc - Florianópolis SC
Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP - São Paulo SP
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Museu Mineiro - Belo Horizonte MG
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ
Museum of Fine Arts - Houston (Estados Unidos)
New Mexico Museum of Art - Santa Fé (Estados Unidos)
Palácio da Alvorada - Brasília DF
Pinacoteca Municipal - São Paulo SP
Seattle Art Museum - Seattle (Estados Unidos)
Exposições Individuais
1947 - Belo Horizonte MG - Individual, na Cultura Francesa
1953 - Belo Horizonte MG - Individual, no IAB/MG
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Ibeu
1961 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na União Pan-Americana
1961 - Novo México (Estados Unidos) - Individual, no Museu de Santa Fé
1961 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Galeria Sulamericana
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte das Folhas
1962 - Seattle (Estados Unidos) - Individual, na Dusane Gallery
1963 - Santiago (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1963 - Valparaíso (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Goeldi
1967 - Paris (França) - Individual, na Galerie Valerie Schmidt
1967 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Instituto Cultural Brasileiro-Americano
1968 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace
1969/1982 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1982 - Brasília DF - Individual, na Galeria Oscar Seraphico
1987 - Madri (Espanha) - Individual, na Casa do Brasil
1988 - Ouro Preto MG - Individual, no Museu da Inconfidência
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria do Pampulha Iate Clube
1992 - Belo Horizonte MG - Individual, na Belas Artes Liberdade Galeria de Arte
2005 - Belo Horizonte MG - Da Ardilosidade da Linha, na Léo Bahia Arte Contemporânea
2007 - Belo Horizonte MG - O Caminho das Águas, na Galeria de Arte Copasa
Exposições Coletivas
1943 - Rio de Janeiro RJ - 49º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1944/1947 - Rio de Janeiro RJ e Belo Horizonte MG - Mostras dos alunos de Guignard
1946 - Rio de Janeiro RJ - 52º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1947 - Rio de Janeiro RJ - 53º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1948 - Rio de Janeiro RJ - 54º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - menção honrosa
1951 - Rio de Janeiro RJ - 57º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - medalha de bronze
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna
1953 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1955 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Arte Moderna
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1957 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Arte Moderna
1957/1959 - Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) - Artistas Brasileiros
1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1959 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 3º prêmio
1959 - Leverkusen (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1959 - Munique (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, na Kunsthaus
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - Viena (Áustria) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1960 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 1º prêmio
1960 - Hamburgo (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Lisboa (Portugal) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Madri (Espanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Paris (França) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte Moderna
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1960 - Utrecht (Holanda) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1961 - Rio de Janeiro RJ - 10º Salão Nacional de Arte Moderna
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1962 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - Prêmio Sesc
1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1965 - Estados Unidos - Brazilian Contemporary Art Exhibition
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - Florianópolis SC - 1ª Exposição Nacional de Artes Plásticas, no Masc
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - Curitiba PR - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1974 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Nacional de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1974 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1974 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - prêmio aquisição
1976 - Belo Horizonte MG - Exposição dos Murais das Escolas Municipais de Belo Horizonte
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais
1979 - São Paulo SP - 2ª Trienal de Tapeçaria, no MAM/SP
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1981 - Belo Horizonte MG - Alunos de Guignard, na Itaugaleria
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no Masp
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1987 - Chandigarh (Índia) - Festival de Arte
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1991 - Belo Horizonte MG - Congresso Holístico Internacional
1992 - Belo Horizonte MG - Ícones da Utopia, na Fundação Palácio das Artes
1994 - Belo Horizonte MG - Guignard: 50 anos de uma escola de arte, na Galeria Vidyã
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1996 - Belo Horizonte MG - Improviso para Guignard, no Espaço Cultural Bamerindus Seguros
1997 - Contagem MG - Alunos de Guignard em Contagem, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira
1999 - Rio de Janeiro RJ - Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/RJ
2003 - Belo Horizonte MG - Geométricos, na Léo-Bahia Arte Contemporânea
2003 - Belo Horizonte MG - Mulheres, na Galeria de Arte Copasa
2003 - Rio de Janeiro RJ - Ordem x Liberdade, no MAM/RJ
2004 - Belo Horizonte MG - Pampulha, Obra Colecionada: 1943-2003, no MAP
2005 - Belo Horizonte MG - 40/80: uma mostra de arte brasileira, na Léo Bahia Arte Contemporânea
Fonte: MARIA Helena Andrés. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Acesso em: 15 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Vive no Retiro das Pedras, em Brumadinho. Iniciou sua formação artística nos anos 40, estudando pintura com Carlos Chambelland, entre 1940 e 1944, no Rio de Janeiro, e com Alberto da Veiga Guignard, entre 1944 e 1947, em Belo Horizonte. Chegou a ter aulas particulares com Aurélia Rubião quando menina. Em Nova York, foi aluna de Theodorus Stamus em 1961.
Em meados da década de 1960, escreveu sobre arte para os jornais Diário de Minas e Estado de Minas.
Lecionou desenho e pintura na Escola Guignard, tendo sido sua diretora em 1965.
Realizou viagens culturais à Índia, exposições individuais e coletivas no Brasil, nos EUA, na Europa e na América Latina. Participou de várias Bienais Internacionais de São Paulo, destacando-se as Salas Especiais: Arte Construída, na XII Bienal (1973); Pintura Abstrata, Efeito Bienal, na XX Bienal (1989); e As Abstrações, na Bienal Brasil Século XX (1994).
Possui obras em acervos públicos, entre eles Museu da Pampulha, Museu Mineiro e Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins; Prefeitura Municipal e Museu de Arte Moderna, em São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes e Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; Fundação Cidade da Paz, em Brasília; Museu Spokje, na Sérvia; Phillips Collection e Brazilian American Cultural Institute, em Washington DC (EUA), e Museum of New Mexico, em Santa Fé (EUA).
Publicou os livros Vivência e arte (Agir, 1966), Os caminhos da arte (Vozes, 1977 e C/Arte, 2000), Encontro com mestres no oriente (Luz Azul, 1993), Maria Helena Andrés - depoimento (Coleção Circuito Atelier, C/Arte, 1998); álbum OrienteOcidente: integração de culturas (Morrison Knudsen, 1984) e Maria Helena Andrés (C/Arte, 2004).
Arte e literatura
Maria Helena Andrés criou ao longo do tempo um vínculo muito forte com a literatura, a qual foi utilizada para fazer referências às obras e vivências adquiridas em suas viagens. Em tudo que escrevia procurava conectar arte à literatura. Por exemplo, em Vivência e Arte (Agir, 1966), a artista discute a criatividade e natureza da comunicação artística, defendendo a existência de um impulso espiritual no movimento criador, ideia da filosofia de Jacques Maritain e Kandinsky.
Nos anos de 1970, quando realiza as suas primeiras viagens, Maria Helena Andrés se utiliza de suas experiências regionais em cada lugar, sobretudo no oriente, para compor artigos e publicações escritas. Um exemplo é Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, que foi divulgado em 1984 e discorre sobre as diferenças culturais entre Brasil e Índia.
Obras
Dentre suas principais obras, constam:
Alvorada Vermelha (1961)
Menina e o papagaio (1950)
Paisagem (1951)
Plataforma Espacial (1967)
Barco (1983)
Floresta em Chamas (1989)
Barcos (1989)
Impulsos (1989)
Planícies verde (2006)
Amanhecer (2006)
Embarcação iluminada (2006)
Exposições
Dentre suas principais exposições, constam:
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1943)
Alunos de Guignard (Rio de Janeiro, RJ, 1944)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1946)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1947)
Alunos de Guignard (Belo Horizonte, MG, 1947)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1947)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1948)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1951)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1951)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1952)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1953)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1953)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1953)
Maria Helena Andrés (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Preto e Branco (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1955)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1955)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1955)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1957)
Arte Moderna no Brasil (Montevidéu, Uruguai, 1957)
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
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Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés | O TEMPO
Maria Helena Andrés completou 100 anos em agosto. Em sua casa no Retiro das Pedras, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, ela não para de trabalhar. Nos últimos tempos, está envolvida novamente com colagens, técnica que fez parte de sua produção na década de 1950. “Estou fazendo composições com colagens. Antigamente, eu colocava a colagem em um quadro pronto, era outra modalidade e funcionava muito bem. Só de colocar o recorte já dá um impacto diferente”, ela conta a O TEMPO.
A artista observa que utilizar a técnica é como reviver aqueles dias, quando fazia trabalhos concretistas em desenho e pintura e via seus seis filhos pequenos correrem pela casa: “Eu colocava os meninos para dormir e ia fazer meus desenhos pequeninos. Eu me divertia desenhando, tenho que sentir prazer naquilo que faço. Era também uma forma de sossegar a cabeça”.
Algumas obras daquele período compõem a exposição “Centenária”, que, como o nome entrega, homenageia Maria Helena Andrés e faz um passeio pela diversa produção da belo-horizontina, cujo início nos leva ao despertar dos anos 1940, quando ela, seguindo orientações de sua mestra no Colégio Sacre-Coeur de Marie, “que aconselhou os meus pais a me colocar numa escola de arte”, se muda da capital mineira para o Rio de Janeiro a fim de ter aulas particulares com o pintor Carlos Chambelland (1884-1950), reconhecido por sua habilidade como retratista.
Em 1944, Maria Helena volta a BH para uma fase decisiva em sua carreira. A artista passa, então, a frequentar a Escola Guignard, que tinha uma diretriz mais moderna. Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) não se preocupava em receitas de pintura aos alunos, que recebiam uma importante orientação: criem de acordo com sua própria tendência.
Inaugurada em novembro na Galeria de Arte do Centro Cultural Unimed-BH Minas (detalhes no fim da matéria), “Centenária” reúne 63 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas, colagens e esculturas. A mostra é um mergulho em todas as fases de Maria Helena; é, também, a síntese de uma trajetória que abraçou e incorporou elementos estéticos de distintos movimentos nacionais e internacionais.
"As pessoas vão ver as mudanças na minha carreira. Tem a mudança do figurativo, muito ligado do Guignard, para o abstrato, quando minhas obras começam a ficar mais geométricas. Depois entro em um construtivismo muito peculiar, muito mineiro, mas ao mesmo tempo ligado a São Paulo".
A exposição, idealizada pelos curadores Marília Andrés e Roberto Andrés, está, portanto, organizada segundo as fases pelas quais a artista passou. Há uma série de obras que traduzem nas telas o impacto que a II Guerra Mundial causou em Maria Helena. O marido da artista, o médico Luiz André Ribeiro de Oliveira, já falecido, chegou a ser convocado para trabalhar na Itália, mas o conflito terminou antes que ele embarcasse.
“O fantasma da guerra continuou no meu subconsciente, era um reflexo da minha vida naquele momento. Sempre houve uma mudança na minha pintura correspondente ao cenário da ocasião, às vivências internas e uma demonstração externa daquilo, sempre com disciplina e liberdade”, comenta Maria Helena Andrés, que buscou na filosofia e na espiritualidade – nos anos 1970, ela faz várias viagens ao Oriente e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chega a lecionar desenho em Chenai (antiga Madras) – o entendimento de como arte é importante para pensar e viver o mundo.
As reflexões de Maria Helena sobre processos criativos e o diálogo entre diferentes culturas estão nas páginas de livros como “Caminhos da Arte” (1977), “Oriente-Ocidente: Integração de Culturas” (1984), “Maria Helena Andrés: Depoimentos” (1998) e sua obra mais conhecida, “Vivência e Arte”, lançada em 1966.
A biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, guarda um volume da publicação que defende a arte moderna não só como um “rompimento com a tradição, mas um encontro com o espiritual. Essa espiritualidade vem permeando tudo por meio do contato com a natureza e o cosmos.
Arte e educação. “Centenária” também abriga um espaço para projeção do filme “Maria Helena, Arte e Transcendência”, dos diretores Evandro Lemos e Danilo Vilaça, e um ambiente lúdico para atividades educativas com crianças. Ali, é como se a artista tivesse uma continuação de sua casa. Foi pensando nos 17 bisnetos, que sempre frequentaram o Retiro das Pedras, onde sempre havia uma pranchetinha com papel e lápis, que Maria Helena, com a ajuda dos filhos, fez questão que a exposição abrisse uma janela para o livre pensamento das crianças.
“É muito importante dar possibilidades para elas se sentirem à vontade para pintar, desenhar, fazer o que se passa dentro da cabeça delas, que é muito fértil. As crianças nos ensinam muito. Pedi à minha filha (Marília) para organizar o espaço com almofadas coloridas, pranchetas e tudo preparado dentro das gavetas para que as crianças cheguem e desenhem o que quiserem. Está sendo um sucesso”, orgulha-se.
A ideia é que a exposição ganhe um caráter itinerante e possa ocupar o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No dia 10 de janeiro, o catálogo da mostra será lançado em Belo Horizonte. Entre mostras individuais e coletivas, Maria Helena Andrés viajou o mundo e levou sua arte para países das Américas e da Europa, mas “Centenária” tem um significado especial para ela: “É uma síntese do meu trabalho e da minha obra. Acho que é a minha exposição mais bonita”.
Foi com arte, filosofia, educação e espiritualidade que Maria Helena desenhou cada pedacinho de seus dias, conduzida num voo solto e desprendido por um mundo instigante sem fronteiras, só beleza, cujas cores e formas continuam a ser traçadas, dia após dia, em uma casa no Retiro das Pedras. “Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade, fazendo aquilo que a idade, a cabeça e o corpo permitem”, diz a artista centenária.
Fonte: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte, MG, 1922), mais conhecida como Maria Helena Andrés, é uma pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora brasileira. Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participou de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York, onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977. Realizou várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, onde conheceu o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, período em que participou de seminários e palestras. Em 1979, lecionou desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society, em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados.
Biografia Maria Helena Andrés – Arremate Arte
Maria Helena Andrés Ribeiro foi uma artista plástica brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela estudou pintura com Carlos Chambelland no Rio de Janeiro e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte. Ao longo de sua carreira, participou de várias exposições importantes, como o Salão Nacional de Belas Artes, o Salão Nacional de Arte Moderna e a Bienal Internacional de São Paulo.
Entre 1950 e 1970, lecionou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, onde também ocupou cargos diretivos. Em 1961, estudou na Arts Students League of New York, onde foi aluna de Theodorus Stamos. Durante a década de 1960, colaborou com jornais locais, escrevendo sobre arte.
A partir da década de 1970, Maria Helena Andrés realizou várias viagens ao Oriente, incluindo Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Essas experiências influenciaram sua obra, levando-a a realizar um estudo comparativo entre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro "Oriente-Ocidente: Integração de Culturas" em 1984.
Em sua produção artística, Maria Helena Andrés passou por diferentes fases. No início, foi influenciada pelo mestre Guignard, apresentando um tratamento luminoso e transparente em suas pinturas de paisagens. Durante os anos 1950, tornou-se precursora do movimento concretista em Minas Gerais, explorando a geometria e a síntese formal. Na década de 1960, após estudar em Nova York, ela se voltou para a pintura gestual, transitando entre o abstracionismo lírico e o informalismo.
A obra de Maria Helena Andrés também abrangeu temas como guerra, destruição e corrida espacial. Em algumas obras, ela utilizou colagens e elementos da imprensa, combinando-os com formas abstratas. Além da pintura, a artista também se dedicou à criação de projetos para tapeçaria, explorando a combinação de cores e texturas.
Além de sua carreira como artista plástica, Maria Helena Andrés também se dedicou à escrita. Publicou os livros "Vivência e Arte" em 1965 e "Os Caminhos da Arte" em 1977, nos quais refletiu sobre a criatividade, a comunicação artística e a pintura abstrata informal.
Ao longo de sua trajetória, Maria Helena Andrés foi influenciada pela filosofia de Jacques Maritain, pelo pensamento estético de Kandinsky e pela arte e cultura oriental. Essas influências se refletiram em sua obra, que ampliou a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e a transparência da composição. Em seus trabalhos mais recentes, ela explorou a pintura de formas circulares e mandalas, além de se aventurar na fotografia e escultura.
Biografia – Itaú Cultural
Estudou pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega a ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York [Liga dos Estudantes de Arte de Nova York], onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977.
Realiza várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Nessas ocasiões, participa de seminários e palestras. Em 1979, leciona desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society [Sociedade Teosófica], em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Publica o livro Maria Helena Andrés: Depoimentos, em 1998.
Análise
Maria Helena Andrés forma-se na Escola do Parque, onde é aluna de Guignard. A influência do mestre é perceptível nas pinturas do período que sucede seus estudos em Belo Horizonte, no tratamento transparente e luminoso dado ao fundo, no desenho das figuras, no lirismo e na leveza de composições como a tela Casamento na Roça, 1950.
No decorrer dos anos 1950, a artista rompe com a figuração lírica em direção à arte concreta. A passagem pelo concretismo, movimento do qual é precursora em Minas Gerais, é verificada em obras como Movimento de Cores, 1955, e Fantasia de Ritmos, 1958, esta pertencente à coleção Adolpho Leirner, hoje integrante do Museum of Fine Arts [Museu de Belas Artes], Houston, Estados Unidos. As composições desse período trazem uma sequência ritmada de linhas verticais e horizontais, as áreas delimitadas que resultam dessa distribuição de linhas são preenchidas, aqui e ali, com cores distintas, que originam formas geométricas como retângulos e quadrados. As linhas e cores são dispostas numa esquematização organizada, alcançando a síntese formal almejada pelos concretistas. Concomitantemente, o ritmo e a delicadeza das composições conferem um aspecto poético a essa produção, cujo resultado formal guarda semelhanças com as telas do artista holandês Piet Mondrian. A série de desenhos a nanquim Cidades Iluminadas, realizada em 1958, também é exemplo desse tipo de solução plástica.
No início da década de 1960, realiza viagem de estudo a Nova York, onde recebe a orientação de Theodorus Stamos e entra em contato com o expressionismo abstrato. Essa experiência promove uma transformação significativa em sua produção, que se volta à pintura gestual, podendo ser qualificada entre o abstracionismo lírico, informal. Os barcos são referência para a criação da artista em diversas telas desse período, trabalhadas em superfícies de matéria espessa, como na obra Embarcação, 1963.
Realiza, na década de 1960, uma série de desenhos a nanquim sobre o tema da guerra e da destruição e diversas telas que fazem referência à corrida espacial, como Foguete Espacial, de 1968. Em algumas obras, utiliza a colagem de recortes de fotografias extraídas da grande imprensa e outros elementos, mesclando-os com formas abstratas, como em Radioactive Ship, 1964, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha - MAP. E na década seguinte, elabora inúmeros projetos para tapeçaria, nos quais busca aplicar aspectos da linguagem pictórica na modalidade têxtil, explorando a combinação de cores e as diferentes texturas dos pontos.
Artista plástica e escritora, há entre a produção plástica e as publicações de Maria Helena Andrés uma nítida conexão. Em 1966, publica Vivência e Arte, que traz uma reflexão sobre as fontes geradoras da criatividade, a natureza da comunicação artística e o ensino da arte. Influenciada pela filosofia de Jacques Maritain e o pensamento estético de Kandinsky, Maria Helena defende a existência de um impulso espiritual no movimento criador e procura estabelecer uma ligação com os ensinamentos cristãos. Caminhos da Arte, de 1977, amadurece as reflexões da autora sobre a arte moderna, voltando especial atenção para a pintura abstrata informal.
O interesse e o estudo da cultura oriental se manifestam nos anos 1970, período em que ela realiza suas primeiras viagens à Índia e a outros países do Oriente. A importância do contato com a arte e a cultura oriental, especialmente a indiana, se verifica em diversos artigos e na publicação de Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, em 1984, um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira.
Tais reflexões permeiam sua obra artística, que amplia a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e transparência da composição, procedimentos provavelmente incorporados por seu contato e admiração pela arte oriental. Na produção mais recente, é frequente a pintura de formas circulares e mandalas. Na última década, a artista volta-se também para a fotografia e escultura.
Críticas
"A presença e a importância de Maria Helena Andrés, como desenhista, pintora e professora, na arte mineira dos últimos vinte e cinco anos, tornou-se fato inconteste. (...). No seu trabalho pessoal, ela manteve certas características básicas ao longo desses anos, como a tendência a diluir as formas do real numa série de sugestões semi-abstratas, como propensão romântica para o símbolo, a metáfora e a alegoria. Os barcos, ou configurações que apenas os sugeriam, foram, por exemplo, constante de seu desenho e pintura durante fase prolongada, simbolizando, como ela própria afirma, a vontade atávica de viagem, de descoberta, de abandono do interior pelo exterior (...). Por volta de 1964, fundindo o significado simbólico das embarcações com chamamentos diretos da contemporaneidade, passou a figurar, na mesma crescente diluição quase-abstrata, máquinas voadoras num universo de sonho e luminosidades metálicas; (...). Nos desenhos e pinturas mais recentes, a abstração tem se ampliado em termos de novo prazer pelo gestual, pela fluidez de transparências e impacto de contrastes, talvez incorporados através de seu interesse e de seu contato com a arte oriental". – Roberto Pontual (PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973).
Depoimentos
"Em 1944 Guignard chegou a Belo Horizonte convidado pelo então prefeiro Juscelino Kubitscheck para dirigir a Escola de Belas Artes. Senti o impacto de sua presença como uma renovação no panorama artístico de Minas e uma ruptura com o academismo. Procurei me inscrever em seu curso. Foi necessário um descondicionamento dos conceitos e fórmulas herdadas do academismo, para que eu pudesse ter acesso a minha própria individualidade. Meu objetivo era libertar-me do passado acadêmico e encontrar a linguagem adequada ao meu tempo. Guignard estimulava a coisa nova e a partir desse incentivo descobríamos nosso estilo individual. A convivência com os colegas e a poesia do Parque Municipal me estimulavam a criação e me despertavam novas indagações sobre a arte. A escola era freqüentada por grandes artistas e intelectuais. Guignard nos conduzia à Pampulha para olhar Portinari pintar o mural da Igreja de São Francisco e ali tínhamos contato também com Burle Marx, Santa Rosa e outros artistas vindos do Rio de Janeiro. Naquela época, Belo Horizonte vivia uma síntese de todas as artes, com a criação do conjunto da Pampulha, a presença do maestro Bosmans regendo a Sinfônica e de João Ceschiatti dirigindo peças de teatro. A guerra na Europa fez chegar até nós artistas de grande relevo, tais como Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szènes, Bernanos e Marcier. O encontro com esses artistas internacionais nos possibilitava sair do regionalismo e enxergar mais longe. Foi uma época de grande efervescência na capital mineira" — Maria Helena Andrés (ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés : depoimentos. Belo Horizonte : C/Arte, 1998. 96 p. il. p. b. color. (Circuito atelier). p. 12-13).
Acervos
Brazilian American Cultural Institute - Baci - Washington D.C (Estados Unidos)
Casa do Brasil - Paris (França)
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP - São Paulo SP
Fundação Cidade da Paz - Brasília DF
Fundação Clóvis Salgado - Belo Horizonte BH
Museu de Arte Contemporânea de Santiago do Chile
Museu de Arte da Pampulha - MAP - Belo Horizonte MG
Museu de Arte de Santa Catarina - Masc - Florianópolis SC
Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP - São Paulo SP
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Museu Mineiro - Belo Horizonte MG
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ
Museum of Fine Arts - Houston (Estados Unidos)
New Mexico Museum of Art - Santa Fé (Estados Unidos)
Palácio da Alvorada - Brasília DF
Pinacoteca Municipal - São Paulo SP
Seattle Art Museum - Seattle (Estados Unidos)
Exposições Individuais
1947 - Belo Horizonte MG - Individual, na Cultura Francesa
1953 - Belo Horizonte MG - Individual, no IAB/MG
1954 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Ibeu
1961 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na União Pan-Americana
1961 - Novo México (Estados Unidos) - Individual, no Museu de Santa Fé
1961 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Galeria Sulamericana
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte das Folhas
1962 - Seattle (Estados Unidos) - Individual, na Dusane Gallery
1963 - Santiago (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1963 - Valparaíso (Chile) - Individual, no Centro Cultural Brasileiro
1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Goeldi
1967 - Paris (França) - Individual, na Galerie Valerie Schmidt
1967 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Instituto Cultural Brasileiro-Americano
1968 - Roma (Itália) - Individual, na Casa do Brasil
1969 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace
1969/1982 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1982 - Brasília DF - Individual, na Galeria Oscar Seraphico
1987 - Madri (Espanha) - Individual, na Casa do Brasil
1988 - Ouro Preto MG - Individual, no Museu da Inconfidência
1990 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria do Pampulha Iate Clube
1992 - Belo Horizonte MG - Individual, na Belas Artes Liberdade Galeria de Arte
2005 - Belo Horizonte MG - Da Ardilosidade da Linha, na Léo Bahia Arte Contemporânea
2007 - Belo Horizonte MG - O Caminho das Águas, na Galeria de Arte Copasa
Exposições Coletivas
1943 - Rio de Janeiro RJ - 49º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1944/1947 - Rio de Janeiro RJ e Belo Horizonte MG - Mostras dos alunos de Guignard
1946 - Rio de Janeiro RJ - 52º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1947 - Rio de Janeiro RJ - 53º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1948 - Rio de Janeiro RJ - 54º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - menção honrosa
1951 - Rio de Janeiro RJ - 57º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA - medalha de bronze
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna
1953 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1955 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Arte Moderna
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1957 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Arte Moderna
1957/1959 - Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) - Artistas Brasileiros
1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1959 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 3º prêmio
1959 - Leverkusen (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1959 - Munique (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, na Kunsthaus
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - Viena (Áustria) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1960 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - 1º prêmio
1960 - Hamburgo (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Lisboa (Portugal) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Madri (Espanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Paris (França) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte Moderna
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1960 - Utrecht (Holanda) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1961 - Rio de Janeiro RJ - 10º Salão Nacional de Arte Moderna
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1962 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - Prêmio Sesc
1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1965 - Estados Unidos - Brazilian Contemporary Art Exhibition
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - Florianópolis SC - 1ª Exposição Nacional de Artes Plásticas, no Masc
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - Curitiba PR - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1974 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Nacional de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1974 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Museu de Arte de Belo Horizonte
1974 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes - prêmio aquisição
1976 - Belo Horizonte MG - Exposição dos Murais das Escolas Municipais de Belo Horizonte
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais
1979 - São Paulo SP - 2ª Trienal de Tapeçaria, no MAM/SP
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1981 - Belo Horizonte MG - Alunos de Guignard, na Itaugaleria
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no Masp
1982 - Penápolis SP - 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1987 - Chandigarh (Índia) - Festival de Arte
1989 - São Paulo SP - 20ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1991 - Belo Horizonte MG - Congresso Holístico Internacional
1992 - Belo Horizonte MG - Ícones da Utopia, na Fundação Palácio das Artes
1994 - Belo Horizonte MG - Guignard: 50 anos de uma escola de arte, na Galeria Vidyã
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1996 - Belo Horizonte MG - Improviso para Guignard, no Espaço Cultural Bamerindus Seguros
1997 - Contagem MG - Alunos de Guignard em Contagem, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira
1999 - Rio de Janeiro RJ - Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, no MAM/RJ
2003 - Belo Horizonte MG - Geométricos, na Léo-Bahia Arte Contemporânea
2003 - Belo Horizonte MG - Mulheres, na Galeria de Arte Copasa
2003 - Rio de Janeiro RJ - Ordem x Liberdade, no MAM/RJ
2004 - Belo Horizonte MG - Pampulha, Obra Colecionada: 1943-2003, no MAP
2005 - Belo Horizonte MG - 40/80: uma mostra de arte brasileira, na Léo Bahia Arte Contemporânea
Fonte: MARIA Helena Andrés. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Acesso em: 15 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
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Biografia – Wikipédia
Vive no Retiro das Pedras, em Brumadinho. Iniciou sua formação artística nos anos 40, estudando pintura com Carlos Chambelland, entre 1940 e 1944, no Rio de Janeiro, e com Alberto da Veiga Guignard, entre 1944 e 1947, em Belo Horizonte. Chegou a ter aulas particulares com Aurélia Rubião quando menina. Em Nova York, foi aluna de Theodorus Stamus em 1961.
Em meados da década de 1960, escreveu sobre arte para os jornais Diário de Minas e Estado de Minas.
Lecionou desenho e pintura na Escola Guignard, tendo sido sua diretora em 1965.
Realizou viagens culturais à Índia, exposições individuais e coletivas no Brasil, nos EUA, na Europa e na América Latina. Participou de várias Bienais Internacionais de São Paulo, destacando-se as Salas Especiais: Arte Construída, na XII Bienal (1973); Pintura Abstrata, Efeito Bienal, na XX Bienal (1989); e As Abstrações, na Bienal Brasil Século XX (1994).
Possui obras em acervos públicos, entre eles Museu da Pampulha, Museu Mineiro e Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins; Prefeitura Municipal e Museu de Arte Moderna, em São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes e Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; Fundação Cidade da Paz, em Brasília; Museu Spokje, na Sérvia; Phillips Collection e Brazilian American Cultural Institute, em Washington DC (EUA), e Museum of New Mexico, em Santa Fé (EUA).
Publicou os livros Vivência e arte (Agir, 1966), Os caminhos da arte (Vozes, 1977 e C/Arte, 2000), Encontro com mestres no oriente (Luz Azul, 1993), Maria Helena Andrés - depoimento (Coleção Circuito Atelier, C/Arte, 1998); álbum OrienteOcidente: integração de culturas (Morrison Knudsen, 1984) e Maria Helena Andrés (C/Arte, 2004).
Arte e literatura
Maria Helena Andrés criou ao longo do tempo um vínculo muito forte com a literatura, a qual foi utilizada para fazer referências às obras e vivências adquiridas em suas viagens. Em tudo que escrevia procurava conectar arte à literatura. Por exemplo, em Vivência e Arte (Agir, 1966), a artista discute a criatividade e natureza da comunicação artística, defendendo a existência de um impulso espiritual no movimento criador, ideia da filosofia de Jacques Maritain e Kandinsky.
Nos anos de 1970, quando realiza as suas primeiras viagens, Maria Helena Andrés se utiliza de suas experiências regionais em cada lugar, sobretudo no oriente, para compor artigos e publicações escritas. Um exemplo é Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, que foi divulgado em 1984 e discorre sobre as diferenças culturais entre Brasil e Índia.
Obras
Dentre suas principais obras, constam:
Alvorada Vermelha (1961)
Menina e o papagaio (1950)
Paisagem (1951)
Plataforma Espacial (1967)
Barco (1983)
Floresta em Chamas (1989)
Barcos (1989)
Impulsos (1989)
Planícies verde (2006)
Amanhecer (2006)
Embarcação iluminada (2006)
Exposições
Dentre suas principais exposições, constam:
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1943)
Alunos de Guignard (Rio de Janeiro, RJ, 1944)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1946)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1947)
Alunos de Guignard (Belo Horizonte, MG, 1947)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1947)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1948)
Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ, 1951)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1951)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1952)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1953)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1953)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1953)
Maria Helena Andrés (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Preto e Branco (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1955)
Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, MG, 1955)
Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, SP, 1955)
Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ, 1957)
Arte Moderna no Brasil (Montevidéu, Uruguai, 1957)
Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.
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Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés | O TEMPO
Maria Helena Andrés completou 100 anos em agosto. Em sua casa no Retiro das Pedras, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, ela não para de trabalhar. Nos últimos tempos, está envolvida novamente com colagens, técnica que fez parte de sua produção na década de 1950. “Estou fazendo composições com colagens. Antigamente, eu colocava a colagem em um quadro pronto, era outra modalidade e funcionava muito bem. Só de colocar o recorte já dá um impacto diferente”, ela conta a O TEMPO.
A artista observa que utilizar a técnica é como reviver aqueles dias, quando fazia trabalhos concretistas em desenho e pintura e via seus seis filhos pequenos correrem pela casa: “Eu colocava os meninos para dormir e ia fazer meus desenhos pequeninos. Eu me divertia desenhando, tenho que sentir prazer naquilo que faço. Era também uma forma de sossegar a cabeça”.
Algumas obras daquele período compõem a exposição “Centenária”, que, como o nome entrega, homenageia Maria Helena Andrés e faz um passeio pela diversa produção da belo-horizontina, cujo início nos leva ao despertar dos anos 1940, quando ela, seguindo orientações de sua mestra no Colégio Sacre-Coeur de Marie, “que aconselhou os meus pais a me colocar numa escola de arte”, se muda da capital mineira para o Rio de Janeiro a fim de ter aulas particulares com o pintor Carlos Chambelland (1884-1950), reconhecido por sua habilidade como retratista.
Em 1944, Maria Helena volta a BH para uma fase decisiva em sua carreira. A artista passa, então, a frequentar a Escola Guignard, que tinha uma diretriz mais moderna. Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) não se preocupava em receitas de pintura aos alunos, que recebiam uma importante orientação: criem de acordo com sua própria tendência.
Inaugurada em novembro na Galeria de Arte do Centro Cultural Unimed-BH Minas (detalhes no fim da matéria), “Centenária” reúne 63 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas, colagens e esculturas. A mostra é um mergulho em todas as fases de Maria Helena; é, também, a síntese de uma trajetória que abraçou e incorporou elementos estéticos de distintos movimentos nacionais e internacionais.
"As pessoas vão ver as mudanças na minha carreira. Tem a mudança do figurativo, muito ligado do Guignard, para o abstrato, quando minhas obras começam a ficar mais geométricas. Depois entro em um construtivismo muito peculiar, muito mineiro, mas ao mesmo tempo ligado a São Paulo".
A exposição, idealizada pelos curadores Marília Andrés e Roberto Andrés, está, portanto, organizada segundo as fases pelas quais a artista passou. Há uma série de obras que traduzem nas telas o impacto que a II Guerra Mundial causou em Maria Helena. O marido da artista, o médico Luiz André Ribeiro de Oliveira, já falecido, chegou a ser convocado para trabalhar na Itália, mas o conflito terminou antes que ele embarcasse.
“O fantasma da guerra continuou no meu subconsciente, era um reflexo da minha vida naquele momento. Sempre houve uma mudança na minha pintura correspondente ao cenário da ocasião, às vivências internas e uma demonstração externa daquilo, sempre com disciplina e liberdade”, comenta Maria Helena Andrés, que buscou na filosofia e na espiritualidade – nos anos 1970, ela faz várias viagens ao Oriente e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chega a lecionar desenho em Chenai (antiga Madras) – o entendimento de como arte é importante para pensar e viver o mundo.
As reflexões de Maria Helena sobre processos criativos e o diálogo entre diferentes culturas estão nas páginas de livros como “Caminhos da Arte” (1977), “Oriente-Ocidente: Integração de Culturas” (1984), “Maria Helena Andrés: Depoimentos” (1998) e sua obra mais conhecida, “Vivência e Arte”, lançada em 1966.
A biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, guarda um volume da publicação que defende a arte moderna não só como um “rompimento com a tradição, mas um encontro com o espiritual. Essa espiritualidade vem permeando tudo por meio do contato com a natureza e o cosmos.
Arte e educação. “Centenária” também abriga um espaço para projeção do filme “Maria Helena, Arte e Transcendência”, dos diretores Evandro Lemos e Danilo Vilaça, e um ambiente lúdico para atividades educativas com crianças. Ali, é como se a artista tivesse uma continuação de sua casa. Foi pensando nos 17 bisnetos, que sempre frequentaram o Retiro das Pedras, onde sempre havia uma pranchetinha com papel e lápis, que Maria Helena, com a ajuda dos filhos, fez questão que a exposição abrisse uma janela para o livre pensamento das crianças.
“É muito importante dar possibilidades para elas se sentirem à vontade para pintar, desenhar, fazer o que se passa dentro da cabeça delas, que é muito fértil. As crianças nos ensinam muito. Pedi à minha filha (Marília) para organizar o espaço com almofadas coloridas, pranchetas e tudo preparado dentro das gavetas para que as crianças cheguem e desenhem o que quiserem. Está sendo um sucesso”, orgulha-se.
A ideia é que a exposição ganhe um caráter itinerante e possa ocupar o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No dia 10 de janeiro, o catálogo da mostra será lançado em Belo Horizonte. Entre mostras individuais e coletivas, Maria Helena Andrés viajou o mundo e levou sua arte para países das Américas e da Europa, mas “Centenária” tem um significado especial para ela: “É uma síntese do meu trabalho e da minha obra. Acho que é a minha exposição mais bonita”.
Foi com arte, filosofia, educação e espiritualidade que Maria Helena desenhou cada pedacinho de seus dias, conduzida num voo solto e desprendido por um mundo instigante sem fronteiras, só beleza, cujas cores e formas continuam a ser traçadas, dia após dia, em uma casa no Retiro das Pedras. “Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade, fazendo aquilo que a idade, a cabeça e o corpo permitem”, diz a artista centenária.
Fonte: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022.
Crédito fotográfico: O tempo, "'Acho maravilhoso poder criar até os 100 anos de idade', diz Maria Helena Andrés", publicado por Bruno Mateus, em 26 de dezembro de 2022. Consultado pela última vez em 15 de maio de 2023.