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Paiva Brasil

José Brasil de Paiva (8 de agosto de 1930, Campos dos Goytacazes, RJ — 22 de abril de 2022, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paiva Brasil, foi um pintor, artista visual e escultor brasileiro. Formado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e posteriormente estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde teve contato com importantes nomes da arte moderna brasileira, como Santa Rosa e Samson Flexor. Sua trajetória artística desenvolveu-se em diálogo com o concretismo e o neoconcretismo, embora tenha construído uma linguagem própria marcada pela independência estética e pela pesquisa geométrica. Influenciado pelas experiências construtivas brasileiras e pela relação entre matemática, ritmo e composição visual, Paiva Brasil desenvolveu obras caracterizadas por formas geométricas, estruturas modulares, equilíbrio cromático e forte organização espacial. Suas pinturas exploram linhas, sinais gráficos, números e ritmos visuais, criando composições que uniam racionalidade formal e sensibilidade poética. Participou de importantes salões e exposições no Brasil, incluindo o Salão Nacional de Arte Moderna, o Panorama da Arte Atual Brasileira e mostras no Museu Nacional de Belas Artes e no Paço Imperial. Recebeu premiações e reconhecimentos por sua contribuição às artes visuais brasileiras, consolidando-se como um dos artistas ligados à pesquisa abstrata geométrica no país.

Paiva Brasil | Arremate Arte

José Brasil de Paiva, nasceu em 8 de agosto de 1930, em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, e construiu uma das trajetórias mais singulares da arte abstrata brasileira da segunda metade do século XX. Pintor, escultor e artista visual, desenvolveu uma produção marcada pelo rigor construtivo, pela musicalidade das formas e pela constante investigação entre geometria, ritmo e sensibilidade cromática. Sua obra consolidou-se como um percurso independente dentro da arte contemporânea brasileira, distante de grupos fechados e de movimentos estéticos rígidos, embora dialogasse intensamente com o abstracionismo geométrico e com a primeira geração construtiva do país.

Filho de Ernestina e Manoel Belmiro de Paiva, passou a infância em meio às paisagens rurais do interior fluminense. Ainda criança demonstrava inclinação artística ao modelar figuras de barro retirado das olarias e estradas da região, criando cavalos, bonecos e pequenas esculturas que utilizava como brinquedos. O fascínio pelas imagens sacras das igrejas também exerceu influência decisiva em sua formação visual inicial. Aos doze anos mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde viveu primeiro em Vila Isabel e depois no bairro do Leme. Na capital federal iniciou seus estudos no tradicional Liceu de Artes e Ofícios, ambiente que lhe proporcionou contato direto com o desenho acadêmico e a disciplina técnica.

Na década de 1950 aprofundou sua formação artística no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, estudando desenho estrutural e composição com o cenógrafo e artista Santa Rosa, além de pintura com Samson Flexor, um dos grandes incentivadores da abstração no Brasil. Esse período foi decisivo para que Paiva Brasil rompesse gradualmente com o academicismo tradicional e passasse a desenvolver uma linguagem própria. Em 1954 participou do histórico III Salão Nacional de Arte Moderna, conhecido como “Salão Preto e Branco”, marco importante das discussões modernas no país. Nos anos seguintes esteve presente em diversos salões nacionais e mostras de arte moderna, consolidando seu nome entre os artistas experimentais da época.

Embora frequentemente associado ao concretismo e ao neoconcretismo, Paiva Brasil recusava enquadramentos formais e preferia trilhar um caminho independente. Sua produção desenvolveu-se paralelamente às pesquisas geométricas de artistas como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro, integrantes da primeira geração construtiva brasileira. Em suas obras, a geometria nunca surgiu como exercício frio ou puramente racional; ao contrário, era conduzida por relações sensíveis entre linhas, espaços, ritmos e cores. O próprio artista afirmava que a matemática presente em suas pinturas possuía caráter musical, resultado de uma composição intuitiva e emocional.

Durante os anos 1960 e 1970, além da produção artística, exerceu funções ligadas à promoção cultural. Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), reunindo nomes importantes como Volpi, Djanira, Manabu Mabe, Aldo Bonadei e Lasar Segall. Posteriormente, já ligado ao Ministério da Educação, coordenou exposições itinerantes que circularam por cidades do interior do estado do Rio de Janeiro, levando obras de artistas renomados a públicos distantes dos grandes centros culturais. Essa atuação demonstrava sua preocupação em ampliar o acesso à arte e fortalecer a difusão cultural no país.

Sua carreira ganhou projeção nacional com participações em importantes eventos, como a Bienal de São Paulo, o Panorama da Arte Atual Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo e diversas edições do Salão Nacional de Arte Moderna. Recebeu prêmios de aquisição, prêmio de viagem ao país e prêmio de viagem ao exterior, distinções que reforçaram sua relevância no cenário artístico brasileiro. Em 1976 realizou exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, consolidando definitivamente sua trajetória.

A partir da década de 1970, suas obras passaram a incorporar elementos gráficos, sinais e algarismos, aprofundando uma pesquisa visual marcada pela repetição modular, pelo equilíbrio estrutural e pela organização matemática do espaço pictórico. Essas experiências transformaram-se em uma assinatura estética reconhecível, aproximando sua produção de investigações ópticas e construtivas sem abandonar a expressividade sensível. A obsessão pelo número cinco, recorrente em suas composições tardias, tornou-se um dos aspectos mais comentados de sua produção madura.

Em 2010 recebeu o Troféu Folha Seca, homenagem concedida pelo jornal Folha da Manhã a personalidades campistas de destaque em suas áreas de atuação. Já em 2019, realizou no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a exposição “Percurso”, considerada uma síntese de sua longa trajetória artística e de suas investigações geométricas e cromáticas.

Faleceu em 22 de abril de 2022, no Rio de Janeiro, aos 91 anos, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Deixou um legado importante para a arte brasileira contemporânea, reconhecido pela independência estética, pela pesquisa formal rigorosa e pela capacidade de unir geometria e sensibilidade em uma produção profundamente autoral. Suas obras permanecem em coleções particulares, galerias e instituições culturais, preservando a memória de um artista que construiu uma trajetória singular dentro da história da arte brasileira.


Paiva Brasil | Wikipédia

José Brasil de Paiva (Campos dos Goytacazes, 8 de agosto de 1930 – Rio de Janeiro, 22 de abril de 2022) foi um pintor, artista visual e escultor brasileiro. Filho de Ernestina e Manoel Belmiro de Paiva.

Ainda criança demonstrava seus dotes artísticos ao usar o barro das olarias e estradas rurais, onde morava, para criar as suas próprias esculturas de cavalos e bonecos, os quais usava como seus brinquedos. Seu pai possuía canaviais e ainda mantinha uma cafeteria na cidade de Campos dos Goytacazes, onde também funcionava uma barbearia. Admirava as imagens sacras das Igrejas e procurava criar coisas parecidas.

Aos doze anos deixa a cidade de Campos dos Goytacazes, no interior do estado do Rio de Janeiro. Muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil, indo residir primeiro no bairro de Vila Isabel e, posteriormente, no do Leme. Nesta cidade estuda Desenho no antigo Liceu de Artes e Ofícios; Paiva Brasil ainda teria aulas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com os artistas Santa Rosa e Samson Flexor, onde rompeu com a tradição acadêmica do Liceu.

Como artista participou do III Salão Nacional de Arte Moderna, que ficaria conhecido como "Salão Preto e Branco". Paiva Brasil ainda faria parte de cerca de 45 exposições de artes visuais, entre individuais e coletivas.

Paiva Brasil foi funcionário público, empregado como assistente de desenhista, e, nesta condição, foi o organizador do Salão de Natureza Morta do SAPS, do Serviço de Alimentação da Previdência Social, onde participaram artistas como Volpi, Aldo Bonadei, Djanira, Manabu Mabe e Lasar Segall.

Já estando no Ministério da Educação, Paiva organizou exposições itinerantes pelo interior do estado do Rio de Janeiro mostrando nelas obras de artistas renomados, tais como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti. Campos, a cidade natal de Paiva Brasil, receberia uma destas exposições, em 1967.

Como artista, Paiva Brasil buscou empreender-se de forma independente, não se filiando a correntes concretas ou neoconcretas, ou a grupos artísticos; pois o artista achava os grupos pretensiosos. Paiva criou portanto um caminho paralelo. Com suas próprias concepções buscou, a partir de 1950, uma linguagem abstrato-geométrica. Fez parte da primeira geração construtiva do país, ao lado de nomes como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro.

Em 2010, o jornal Folha da Manhã, da sua cidade natal de Campos dos Goytacazes, homenageou Paiva Brasil com o Troféu Folha Seca, troféu este que é destinado aos campistas que se tornaram notórios em suas áreas de atuação. Já em 2019, realizou sua última exposição no Paço Imperial, intitulada como "Percurso"

Paiva Brasil faleceu por complicações decorrentes da Covid-19 no Hospital Casa Rio, no bairro de Botafogo, localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Ele era casado com o também artista plástico friburguense Wilson Piran.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Obsessão de Paiva Brasil pelo número 5 é tema de exposição no Paço Imperial | O Globo

Aos 89 anos, Paiva Brasil repassa 70 de seu “Percurso” em uma exposição panorâmica com curadoria de Luiz Chrysóstomo de Oliveira Filho , em cartaz até 28 de outubro no Paço Imperial . A mostra mergulha na obsessão do artista pelo número 5, aquele que concilia as retas e as curvas, as linhas e os espaços. “É o meu infinito”, sintetiza o artista.

A seleção de trabalhos enfatiza ainda a versatilidade de Paiva no manejo de técnicas e sua originalidade na abordagem da geometria e da arte abstrata. O menino que fazia os próprios brinquedos com barro catado na estrada um dia cresceu e estudou no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio com o pintor Samson Flexor e o cenógrafo Santa Rosa, mas nunca perdeu a curiosidade e certo espírito empreendedor.

Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), órgão criado pelo médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro que sediou o primeiro restaurante popular do país. Já no Ministério da Educação, em plena ditadura militar, levou obras de artistas como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti para cidades do interior do Rio ao organizar as Exposições Itinerantes: “Não deixou de ser uma forma de resistir”, conclui.

Você nasceu em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense. Quando era criança, brincava nos canaviais do pai e nas olarias da região. Quem era esse menino, e o que herdou dessa infância?

Alguém que gostava de circo e que aproveitava o barro e a tradição das olarias locais para tentar produzir seus próprios brinquedos. Eu pegava barro da estrada mesmo, e criava meus cavalos, meus bonecos. Eu também adorava ver os santos nas igrejas e passei a olhar para aquelas imagens e tentar criar coisas parecidas. Meu pai, Manuel, tinha canaviais, mas ao mesmo tempo mantinha um café na cidade e também era barbeiro. Acho que herdei essa curiosidade.

Como se deu a vinda para o Rio e sua iniciação artística?

Fomos morar em Vila Isabel, depois fomos para o Leme. Entrei para o Liceu de Artes e Ofícios. Naquela época, o processo de formação de qualquer artista começava com o desenho. Precisei aprender a desenhar e ser testado como desenhista antes de sequer tentar trabalhar com pintura.

Esses anos de Liceu foram importantíssimos, pois graças a eles consegui um emprego público como assistente de desenhista no Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), criado pelo (geógrafo, médico e nutricionista) Josué de Castro, um momento fundamental na minha história.

No SAPS eu passei também a organizar o Salão Anual de Natureza Morta da instituição. Volpi, Bonadei, Djanira, Manabu Mabe, Lasar Segall e muitos outros artistas importantes da época participaram do Salão. Mais tarde, rompi com a tradição acadêmica do Liceu e fui estudar no MAM com Santa Rosa e com Samson Flexor, grandes professores.

Você estudou no Museu de Arte Moderna um pouco depois do aparecimento das vanguardas construtivas brasileiras, mas teve um caminho paralelo. Como avalia esse momento da arte brasileira hoje?

Apesar de nunca ter feito parte de nenhum movimento dos anos 1950, e nem dos grupos Ruptura (que lançou o Manifesto Concreto, em 1952, em São Paulo) ou Frente (muitos de seus integrantes assinaram o Manifesto Neoconcreto, em 1959), sempre fui muito informado do que estava acontecendo no Brasil e no mundo.

Tinha interesse nas obras do período, mas achava os grupos pretensiosos. E as questões apresentadas pelo Ruptura não me espelhavam, porque vinham de uma matemática seca, sem misturas. A matemática que existe no meu trabalho é música, vem da composição sensível de cores e formas. Minha pintura é extremamente musical.

No fim da década de 1960, já fora do SAPS, você coordenou um momento muito importante e pouco estudado: as Exposições Itinerantes do Ministério da Educação.

Eu e meus colegas reuníamos a obra de artistas como Ivan Serpa e Di Cavalcanti, botávamos dentro de um carro, precisamente uma Brasília, e pegávamos a estrada. Lembro que uma (pintura) “Santana” da Djanira que foi no banco de trás, e eu passei a viagem inteira olhando para trás. Não existiam leis de incentivo e já estávamos na ditadura. De certa forma, fizemos resistência àqueles tempos difíceis.

A descoberta do número 5 como possibilidade artística se dá nesse momento?

Fiz a capa de catálogo para a quinta exposição itinerante e tinha que pensar no número 5 graficamente. Veio daí a descoberta do 5 como minha obsessão. Através da pesquisa das curvas e retas do número, fui recuperando esses materiais de repartição e os experimentando de outras formas. Com o 5 pesquiso a linha e o espaço, o cheio e o vazio. O 5 é minha forma de infinito.

Este “Percurso” em cartaz no Paço te deu vontade de fazer algo novo?

Já estou fazendo! Ainda não posso dizer exatamente o que são os novos trabalhos, porque estão nascendo. Mas tenho inventado objetos que são brinquedos. Depois de passar a carreira a limpo, acho que me deu vontade de brincar.

Fonte: O Globo, "Obsessão de Paiva Brasil pelo número 5 é tema de exposição no Paço Imperial", publicado por Daniela Name, publicado em 04 de setembro de 2019, atualizado pela última vez em 14 de fevereiro de 2020. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Paiva Brasil | Museu Nacional de Belas Artes

Talento, pesquisa, criatividade e experiência são traços intrínsecos do artista Paiva Brasil, frequentador assíduo do Museu Nacional de Belas Artes/Ibram.

Nascido em Campos(RJ), Paiva Brasil desenvolve uma arte marcada pelo rigor construtivista e o geometrismo abstrato.

Inscansável e rigoroso pesquisador, dotado de uma personalidade sensível e discreta, Paiva iniciou sua formação como aluno do antigo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, posteriormente fez cursos no MAM/RJ, tendo sido aluno de renomados mestres como Santa Rosa e Samson Flexor. A partir da 5ª Bienal, em 1959, participou de várias Bienais de São Paulo, Salões de Arte Moderna, Salão de Verão do Jornal do Brasil, etc., nos quais obteve diversos prêmios, inclusive o Prêmio de Viagem ao Exterior em 1978.

Aos 90 anos recém-completados, o artista realizou três importantes mostras no MNBA, nos anos de 2010, 1997 e 1976. Ativo, sua última exposição aconteceu no ano passado, no Paço Imperial.

Suas obras integram coleções como as de Gilberto Chateaubriand; a de Randolfo Rocha, de Belo Horizonte; a do MNBA, além do MAM/SP e do MAC/Niterói, entre varias outras.

O Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM, desenvolveu o projeto Arte em Diálogo - Na Quarentena, para proporcionar aos artistas contemporâneos e à sociedade civil uma interação afetiva e reflexiva, neste difícil momento de isolamento social.

Fonte: Conteúdo extraído de rede social, publicado em 6 de novembro de 2020. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos | O Globo

Morreu na manhã desta sexta-feira (22), aos 91 anos, o pintor Paiva Brasil, no Hospital Casa Rio Botafogo, na Zona Sul do Rio, por complicações decorrentes da Covid-19. A informação foi confirmada pelo marido, o também artista plástico Wilson Piran.

Integrante da primeira geração construtiva do país, ao lado de nomes como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro, Paiva Brasil nunca se filiou a correntes concretas ou neoconcretas, ou a grupos como o Ruptura e o Frente. De forma independente, desenvolveu uma linguagem abstrato-geométrica a partir de meados da década de 1950.

Nascido em 8 de agosto de 1930 em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Paiva Brasil mudou-se em 1942 para o Rio, onde iniciou seus estudos de desenho no antigo Liceu de Artes e Ofícios. Em 1954, teve aulas com Santa Rosa e Samson Flexor no MAM-RJ (que, à época, era sediado no Palácio Capanema), onde fez parte da III Salão Nacional de Arte Moderna, que ficaria conhecido como Salão Preto e Branco.

Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), órgão criado pelo médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro que sediou o primeiro restaurante popular do país. Já no Ministério da Educação, em plena ditadura militar, levou obras de artistas como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti para cidades do interior do Rio ao organizar as Exposições Itinerantes.

Sua última exposição "Percurso", no Paço Imperial, em 2019, com curadoria de Luiz Chrysóstomo de Oliveira Filho, fazia um mergulho na obsessão do artista pelo número 5, conciliador de retas e curvas, linhas e espaços. "A matemática que existe no meu trabalho é música, vem da composição sensível de cores e formas. Minha pintura é extremamente musical", dise Paiva em entrevista à jornalista Daniela Name, para O GLOBO, na ocasião.

Curador da retrospectiva, Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho diz que Paiva tinha uma produção contida e muito reflexiva:

— Em 70 anos de trajetória, era um artista que nunca visou o espetáculo. Ele produziu o belo, o lúdico, a essência.

Fonte: O Globo, “Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos”, publicado em 22 de abril de 2022. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.

Crédito fotográfico: O Globo, “Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos”, consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.

José Brasil de Paiva (8 de agosto de 1930, Campos dos Goytacazes, RJ — 22 de abril de 2022, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paiva Brasil, foi um pintor, artista visual e escultor brasileiro. Formado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e posteriormente estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde teve contato com importantes nomes da arte moderna brasileira, como Santa Rosa e Samson Flexor. Sua trajetória artística desenvolveu-se em diálogo com o concretismo e o neoconcretismo, embora tenha construído uma linguagem própria marcada pela independência estética e pela pesquisa geométrica. Influenciado pelas experiências construtivas brasileiras e pela relação entre matemática, ritmo e composição visual, Paiva Brasil desenvolveu obras caracterizadas por formas geométricas, estruturas modulares, equilíbrio cromático e forte organização espacial. Suas pinturas exploram linhas, sinais gráficos, números e ritmos visuais, criando composições que uniam racionalidade formal e sensibilidade poética. Participou de importantes salões e exposições no Brasil, incluindo o Salão Nacional de Arte Moderna, o Panorama da Arte Atual Brasileira e mostras no Museu Nacional de Belas Artes e no Paço Imperial. Recebeu premiações e reconhecimentos por sua contribuição às artes visuais brasileiras, consolidando-se como um dos artistas ligados à pesquisa abstrata geométrica no país.

Paiva Brasil

José Brasil de Paiva (8 de agosto de 1930, Campos dos Goytacazes, RJ — 22 de abril de 2022, Rio de Janeiro, RJ), mais conhecido como Paiva Brasil, foi um pintor, artista visual e escultor brasileiro. Formado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e posteriormente estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde teve contato com importantes nomes da arte moderna brasileira, como Santa Rosa e Samson Flexor. Sua trajetória artística desenvolveu-se em diálogo com o concretismo e o neoconcretismo, embora tenha construído uma linguagem própria marcada pela independência estética e pela pesquisa geométrica. Influenciado pelas experiências construtivas brasileiras e pela relação entre matemática, ritmo e composição visual, Paiva Brasil desenvolveu obras caracterizadas por formas geométricas, estruturas modulares, equilíbrio cromático e forte organização espacial. Suas pinturas exploram linhas, sinais gráficos, números e ritmos visuais, criando composições que uniam racionalidade formal e sensibilidade poética. Participou de importantes salões e exposições no Brasil, incluindo o Salão Nacional de Arte Moderna, o Panorama da Arte Atual Brasileira e mostras no Museu Nacional de Belas Artes e no Paço Imperial. Recebeu premiações e reconhecimentos por sua contribuição às artes visuais brasileiras, consolidando-se como um dos artistas ligados à pesquisa abstrata geométrica no país.

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Projeto Arte em Diálogo com Paiva Brasil | 2022

Paiva Brasil | Arremate Arte

José Brasil de Paiva, nasceu em 8 de agosto de 1930, em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, e construiu uma das trajetórias mais singulares da arte abstrata brasileira da segunda metade do século XX. Pintor, escultor e artista visual, desenvolveu uma produção marcada pelo rigor construtivo, pela musicalidade das formas e pela constante investigação entre geometria, ritmo e sensibilidade cromática. Sua obra consolidou-se como um percurso independente dentro da arte contemporânea brasileira, distante de grupos fechados e de movimentos estéticos rígidos, embora dialogasse intensamente com o abstracionismo geométrico e com a primeira geração construtiva do país.

Filho de Ernestina e Manoel Belmiro de Paiva, passou a infância em meio às paisagens rurais do interior fluminense. Ainda criança demonstrava inclinação artística ao modelar figuras de barro retirado das olarias e estradas da região, criando cavalos, bonecos e pequenas esculturas que utilizava como brinquedos. O fascínio pelas imagens sacras das igrejas também exerceu influência decisiva em sua formação visual inicial. Aos doze anos mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde viveu primeiro em Vila Isabel e depois no bairro do Leme. Na capital federal iniciou seus estudos no tradicional Liceu de Artes e Ofícios, ambiente que lhe proporcionou contato direto com o desenho acadêmico e a disciplina técnica.

Na década de 1950 aprofundou sua formação artística no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, estudando desenho estrutural e composição com o cenógrafo e artista Santa Rosa, além de pintura com Samson Flexor, um dos grandes incentivadores da abstração no Brasil. Esse período foi decisivo para que Paiva Brasil rompesse gradualmente com o academicismo tradicional e passasse a desenvolver uma linguagem própria. Em 1954 participou do histórico III Salão Nacional de Arte Moderna, conhecido como “Salão Preto e Branco”, marco importante das discussões modernas no país. Nos anos seguintes esteve presente em diversos salões nacionais e mostras de arte moderna, consolidando seu nome entre os artistas experimentais da época.

Embora frequentemente associado ao concretismo e ao neoconcretismo, Paiva Brasil recusava enquadramentos formais e preferia trilhar um caminho independente. Sua produção desenvolveu-se paralelamente às pesquisas geométricas de artistas como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro, integrantes da primeira geração construtiva brasileira. Em suas obras, a geometria nunca surgiu como exercício frio ou puramente racional; ao contrário, era conduzida por relações sensíveis entre linhas, espaços, ritmos e cores. O próprio artista afirmava que a matemática presente em suas pinturas possuía caráter musical, resultado de uma composição intuitiva e emocional.

Durante os anos 1960 e 1970, além da produção artística, exerceu funções ligadas à promoção cultural. Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), reunindo nomes importantes como Volpi, Djanira, Manabu Mabe, Aldo Bonadei e Lasar Segall. Posteriormente, já ligado ao Ministério da Educação, coordenou exposições itinerantes que circularam por cidades do interior do estado do Rio de Janeiro, levando obras de artistas renomados a públicos distantes dos grandes centros culturais. Essa atuação demonstrava sua preocupação em ampliar o acesso à arte e fortalecer a difusão cultural no país.

Sua carreira ganhou projeção nacional com participações em importantes eventos, como a Bienal de São Paulo, o Panorama da Arte Atual Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo e diversas edições do Salão Nacional de Arte Moderna. Recebeu prêmios de aquisição, prêmio de viagem ao país e prêmio de viagem ao exterior, distinções que reforçaram sua relevância no cenário artístico brasileiro. Em 1976 realizou exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, consolidando definitivamente sua trajetória.

A partir da década de 1970, suas obras passaram a incorporar elementos gráficos, sinais e algarismos, aprofundando uma pesquisa visual marcada pela repetição modular, pelo equilíbrio estrutural e pela organização matemática do espaço pictórico. Essas experiências transformaram-se em uma assinatura estética reconhecível, aproximando sua produção de investigações ópticas e construtivas sem abandonar a expressividade sensível. A obsessão pelo número cinco, recorrente em suas composições tardias, tornou-se um dos aspectos mais comentados de sua produção madura.

Em 2010 recebeu o Troféu Folha Seca, homenagem concedida pelo jornal Folha da Manhã a personalidades campistas de destaque em suas áreas de atuação. Já em 2019, realizou no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a exposição “Percurso”, considerada uma síntese de sua longa trajetória artística e de suas investigações geométricas e cromáticas.

Faleceu em 22 de abril de 2022, no Rio de Janeiro, aos 91 anos, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Deixou um legado importante para a arte brasileira contemporânea, reconhecido pela independência estética, pela pesquisa formal rigorosa e pela capacidade de unir geometria e sensibilidade em uma produção profundamente autoral. Suas obras permanecem em coleções particulares, galerias e instituições culturais, preservando a memória de um artista que construiu uma trajetória singular dentro da história da arte brasileira.


Paiva Brasil | Wikipédia

José Brasil de Paiva (Campos dos Goytacazes, 8 de agosto de 1930 – Rio de Janeiro, 22 de abril de 2022) foi um pintor, artista visual e escultor brasileiro. Filho de Ernestina e Manoel Belmiro de Paiva.

Ainda criança demonstrava seus dotes artísticos ao usar o barro das olarias e estradas rurais, onde morava, para criar as suas próprias esculturas de cavalos e bonecos, os quais usava como seus brinquedos. Seu pai possuía canaviais e ainda mantinha uma cafeteria na cidade de Campos dos Goytacazes, onde também funcionava uma barbearia. Admirava as imagens sacras das Igrejas e procurava criar coisas parecidas.

Aos doze anos deixa a cidade de Campos dos Goytacazes, no interior do estado do Rio de Janeiro. Muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil, indo residir primeiro no bairro de Vila Isabel e, posteriormente, no do Leme. Nesta cidade estuda Desenho no antigo Liceu de Artes e Ofícios; Paiva Brasil ainda teria aulas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com os artistas Santa Rosa e Samson Flexor, onde rompeu com a tradição acadêmica do Liceu.

Como artista participou do III Salão Nacional de Arte Moderna, que ficaria conhecido como "Salão Preto e Branco". Paiva Brasil ainda faria parte de cerca de 45 exposições de artes visuais, entre individuais e coletivas.

Paiva Brasil foi funcionário público, empregado como assistente de desenhista, e, nesta condição, foi o organizador do Salão de Natureza Morta do SAPS, do Serviço de Alimentação da Previdência Social, onde participaram artistas como Volpi, Aldo Bonadei, Djanira, Manabu Mabe e Lasar Segall.

Já estando no Ministério da Educação, Paiva organizou exposições itinerantes pelo interior do estado do Rio de Janeiro mostrando nelas obras de artistas renomados, tais como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti. Campos, a cidade natal de Paiva Brasil, receberia uma destas exposições, em 1967.

Como artista, Paiva Brasil buscou empreender-se de forma independente, não se filiando a correntes concretas ou neoconcretas, ou a grupos artísticos; pois o artista achava os grupos pretensiosos. Paiva criou portanto um caminho paralelo. Com suas próprias concepções buscou, a partir de 1950, uma linguagem abstrato-geométrica. Fez parte da primeira geração construtiva do país, ao lado de nomes como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro.

Em 2010, o jornal Folha da Manhã, da sua cidade natal de Campos dos Goytacazes, homenageou Paiva Brasil com o Troféu Folha Seca, troféu este que é destinado aos campistas que se tornaram notórios em suas áreas de atuação. Já em 2019, realizou sua última exposição no Paço Imperial, intitulada como "Percurso"

Paiva Brasil faleceu por complicações decorrentes da Covid-19 no Hospital Casa Rio, no bairro de Botafogo, localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Ele era casado com o também artista plástico friburguense Wilson Piran.

Fonte: Wikipédia. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Obsessão de Paiva Brasil pelo número 5 é tema de exposição no Paço Imperial | O Globo

Aos 89 anos, Paiva Brasil repassa 70 de seu “Percurso” em uma exposição panorâmica com curadoria de Luiz Chrysóstomo de Oliveira Filho , em cartaz até 28 de outubro no Paço Imperial . A mostra mergulha na obsessão do artista pelo número 5, aquele que concilia as retas e as curvas, as linhas e os espaços. “É o meu infinito”, sintetiza o artista.

A seleção de trabalhos enfatiza ainda a versatilidade de Paiva no manejo de técnicas e sua originalidade na abordagem da geometria e da arte abstrata. O menino que fazia os próprios brinquedos com barro catado na estrada um dia cresceu e estudou no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio com o pintor Samson Flexor e o cenógrafo Santa Rosa, mas nunca perdeu a curiosidade e certo espírito empreendedor.

Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), órgão criado pelo médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro que sediou o primeiro restaurante popular do país. Já no Ministério da Educação, em plena ditadura militar, levou obras de artistas como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti para cidades do interior do Rio ao organizar as Exposições Itinerantes: “Não deixou de ser uma forma de resistir”, conclui.

Você nasceu em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense. Quando era criança, brincava nos canaviais do pai e nas olarias da região. Quem era esse menino, e o que herdou dessa infância?

Alguém que gostava de circo e que aproveitava o barro e a tradição das olarias locais para tentar produzir seus próprios brinquedos. Eu pegava barro da estrada mesmo, e criava meus cavalos, meus bonecos. Eu também adorava ver os santos nas igrejas e passei a olhar para aquelas imagens e tentar criar coisas parecidas. Meu pai, Manuel, tinha canaviais, mas ao mesmo tempo mantinha um café na cidade e também era barbeiro. Acho que herdei essa curiosidade.

Como se deu a vinda para o Rio e sua iniciação artística?

Fomos morar em Vila Isabel, depois fomos para o Leme. Entrei para o Liceu de Artes e Ofícios. Naquela época, o processo de formação de qualquer artista começava com o desenho. Precisei aprender a desenhar e ser testado como desenhista antes de sequer tentar trabalhar com pintura.

Esses anos de Liceu foram importantíssimos, pois graças a eles consegui um emprego público como assistente de desenhista no Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), criado pelo (geógrafo, médico e nutricionista) Josué de Castro, um momento fundamental na minha história.

No SAPS eu passei também a organizar o Salão Anual de Natureza Morta da instituição. Volpi, Bonadei, Djanira, Manabu Mabe, Lasar Segall e muitos outros artistas importantes da época participaram do Salão. Mais tarde, rompi com a tradição acadêmica do Liceu e fui estudar no MAM com Santa Rosa e com Samson Flexor, grandes professores.

Você estudou no Museu de Arte Moderna um pouco depois do aparecimento das vanguardas construtivas brasileiras, mas teve um caminho paralelo. Como avalia esse momento da arte brasileira hoje?

Apesar de nunca ter feito parte de nenhum movimento dos anos 1950, e nem dos grupos Ruptura (que lançou o Manifesto Concreto, em 1952, em São Paulo) ou Frente (muitos de seus integrantes assinaram o Manifesto Neoconcreto, em 1959), sempre fui muito informado do que estava acontecendo no Brasil e no mundo.

Tinha interesse nas obras do período, mas achava os grupos pretensiosos. E as questões apresentadas pelo Ruptura não me espelhavam, porque vinham de uma matemática seca, sem misturas. A matemática que existe no meu trabalho é música, vem da composição sensível de cores e formas. Minha pintura é extremamente musical.

No fim da década de 1960, já fora do SAPS, você coordenou um momento muito importante e pouco estudado: as Exposições Itinerantes do Ministério da Educação.

Eu e meus colegas reuníamos a obra de artistas como Ivan Serpa e Di Cavalcanti, botávamos dentro de um carro, precisamente uma Brasília, e pegávamos a estrada. Lembro que uma (pintura) “Santana” da Djanira que foi no banco de trás, e eu passei a viagem inteira olhando para trás. Não existiam leis de incentivo e já estávamos na ditadura. De certa forma, fizemos resistência àqueles tempos difíceis.

A descoberta do número 5 como possibilidade artística se dá nesse momento?

Fiz a capa de catálogo para a quinta exposição itinerante e tinha que pensar no número 5 graficamente. Veio daí a descoberta do 5 como minha obsessão. Através da pesquisa das curvas e retas do número, fui recuperando esses materiais de repartição e os experimentando de outras formas. Com o 5 pesquiso a linha e o espaço, o cheio e o vazio. O 5 é minha forma de infinito.

Este “Percurso” em cartaz no Paço te deu vontade de fazer algo novo?

Já estou fazendo! Ainda não posso dizer exatamente o que são os novos trabalhos, porque estão nascendo. Mas tenho inventado objetos que são brinquedos. Depois de passar a carreira a limpo, acho que me deu vontade de brincar.

Fonte: O Globo, "Obsessão de Paiva Brasil pelo número 5 é tema de exposição no Paço Imperial", publicado por Daniela Name, publicado em 04 de setembro de 2019, atualizado pela última vez em 14 de fevereiro de 2020. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Paiva Brasil | Museu Nacional de Belas Artes

Talento, pesquisa, criatividade e experiência são traços intrínsecos do artista Paiva Brasil, frequentador assíduo do Museu Nacional de Belas Artes/Ibram.

Nascido em Campos(RJ), Paiva Brasil desenvolve uma arte marcada pelo rigor construtivista e o geometrismo abstrato.

Inscansável e rigoroso pesquisador, dotado de uma personalidade sensível e discreta, Paiva iniciou sua formação como aluno do antigo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, posteriormente fez cursos no MAM/RJ, tendo sido aluno de renomados mestres como Santa Rosa e Samson Flexor. A partir da 5ª Bienal, em 1959, participou de várias Bienais de São Paulo, Salões de Arte Moderna, Salão de Verão do Jornal do Brasil, etc., nos quais obteve diversos prêmios, inclusive o Prêmio de Viagem ao Exterior em 1978.

Aos 90 anos recém-completados, o artista realizou três importantes mostras no MNBA, nos anos de 2010, 1997 e 1976. Ativo, sua última exposição aconteceu no ano passado, no Paço Imperial.

Suas obras integram coleções como as de Gilberto Chateaubriand; a de Randolfo Rocha, de Belo Horizonte; a do MNBA, além do MAM/SP e do MAC/Niterói, entre varias outras.

O Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM, desenvolveu o projeto Arte em Diálogo - Na Quarentena, para proporcionar aos artistas contemporâneos e à sociedade civil uma interação afetiva e reflexiva, neste difícil momento de isolamento social.

Fonte: Conteúdo extraído de rede social, publicado em 6 de novembro de 2020. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.


Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos | O Globo

Morreu na manhã desta sexta-feira (22), aos 91 anos, o pintor Paiva Brasil, no Hospital Casa Rio Botafogo, na Zona Sul do Rio, por complicações decorrentes da Covid-19. A informação foi confirmada pelo marido, o também artista plástico Wilson Piran.

Integrante da primeira geração construtiva do país, ao lado de nomes como Ivan Serpa, Rubem Ludolf e Waldemar Cordeiro, Paiva Brasil nunca se filiou a correntes concretas ou neoconcretas, ou a grupos como o Ruptura e o Frente. De forma independente, desenvolveu uma linguagem abstrato-geométrica a partir de meados da década de 1950.

Nascido em 8 de agosto de 1930 em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Paiva Brasil mudou-se em 1942 para o Rio, onde iniciou seus estudos de desenho no antigo Liceu de Artes e Ofícios. Em 1954, teve aulas com Santa Rosa e Samson Flexor no MAM-RJ (que, à época, era sediado no Palácio Capanema), onde fez parte da III Salão Nacional de Arte Moderna, que ficaria conhecido como Salão Preto e Branco.

Como funcionário público, organizou o histórico Salão de Natureza Morta do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), órgão criado pelo médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro que sediou o primeiro restaurante popular do país. Já no Ministério da Educação, em plena ditadura militar, levou obras de artistas como Djanira, Inimá de Paiva e Di Cavalcanti para cidades do interior do Rio ao organizar as Exposições Itinerantes.

Sua última exposição "Percurso", no Paço Imperial, em 2019, com curadoria de Luiz Chrysóstomo de Oliveira Filho, fazia um mergulho na obsessão do artista pelo número 5, conciliador de retas e curvas, linhas e espaços. "A matemática que existe no meu trabalho é música, vem da composição sensível de cores e formas. Minha pintura é extremamente musical", dise Paiva em entrevista à jornalista Daniela Name, para O GLOBO, na ocasião.

Curador da retrospectiva, Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho diz que Paiva tinha uma produção contida e muito reflexiva:

— Em 70 anos de trajetória, era um artista que nunca visou o espetáculo. Ele produziu o belo, o lúdico, a essência.

Fonte: O Globo, “Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos”, publicado em 22 de abril de 2022. Consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.

Crédito fotográfico: O Globo, “Morre o artista plástico Paiva Brasil, aos 91 anos”, consultado pela última vez em 14 de maio de 2026.

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